Você está na página 1de 17

O que é a Psicologia Concreta?

Simpósio “A Psicologia Concreta: o que é e suas contribuições para a


educação”
Bruno Peixoto Carvalho
(Laboratório de Psicologia Histórico-Cultural – UFPR)
São Carlos
2019

1. Por que Politzer?

2. Quem é Politzer?

3. A Crítica dos fundamentos da psicologia e o problema da psicologia
concreta
– 3.1 Duas questões preliminares
– 3.2 A ideologia central da psicologia clássica
– 3.3 Uma descoberta revolucionária: o sentido do sonho na
Traumdeutung
– 3.4 A persistência da abstração na psicanálise

4. Algumas questões

5. O que é a psicologia concreta?

Referências

10.07.19 Your name here (insert->page number) 2


1. Por que Politzer (1903 - 1942)?


2014 – Grupo de Estudos Marxismo e Psicologia: Alternativas marxistas em
Psicologia;

2015 – Início da pesquisa “A crise da psicologia na década de 1920 por
Vigotski e Politzer: uma análise comparativa”;

O que é e o que não é a psicologia concreta na acepção de Politzer?

10.07.19 Your name here (insert->page number) 3


2. Quem é Politzer?


Um teórico muito mencionado e pouco estudado (um ilustre desconhecido?);

De György a Georges;

1919: República de Conselhos da Hungria;

No exílio trava contato com a obra de Freud e com o próprio Freud;

“Crítica dos fundamentos da Psicologia” (1928);

Em 1929, ingressa no PCF;

Revista de Psicologia Concreta (1929);

“Princípios elementares de filosofia” (1935-36): Universidade Livre Operária de
Paris;

Abandono dos temas da psicologia;

Assassinado pela Gestapo em maio de 1942.

10.07.19 Your name here (insert->page number) 4


10.07.19 Your name here (insert->page number) 5
10.07.19 Your name here (insert->page number) 6
3. A Crítica dos fundamentos da psicologia e o problema da
Psicologia concreta

3.1 – Três questões preliminares



A psicologia concreta não reside fora da psicologia, mas tampouco está
plenamente desenvolvida dentro dela;

A tendência para o concreto e a tendência para abstração residem em cada
fragmento da psicologia;

A diversidade teórico-metodológica da psicologia não era – para Politzer –
um estatuto a celebrar;

“Ao mesmo tempo em que elas contêm a verdade, essas


três tendências encerram o erro sob três aspectos
diferentes e, por isso mesmo, conduzem seus discípulos
por vias que afastam mais uma vez a psicologia da sua
direção verdadeira”. (POLITZER, 1928/2004, p. 47).

10.07.19 Your name here (insert->page number) 7


A crítica dos fundamentos da psicologia e o problema da
psicologia concreta

3.2 – A ideologia central da psicologia clássica


a) A forma do psíquico é atomística/elementar;
b) O psicológico pode ser apreendido de forma imediata pela percepção ou
mecanismo correlato;
c) Existe uma vida interior;
d) O psíquico resulta de processos internos e não de atos de pessoas
concretas;
e) O postulado da convencionalidade do significado;
→ O movimento pendular: entre o objetivismo e o subjetivismo

ABSTRAÇÃO

10.07.19 Your name here (insert->page number) 8


“A psicologia clássica nada é senão a elaboração nocional de um mito”
(POLITZER, 1928/2014, p. 41).

10.07.19 Your name here (insert->page number) 9


3. A Crítica dos fundamentos da psicologia e o problema da
Psicologia concreta

3.3 – Uma descoberta revolucionária: o sentido dos sonhos na Traumdeutung



A psicanálise formulou seu objeto de forma extremamente original: engajou-se na
historicidade dos dramas singulares;

“O sonho é a realização de um desejo”;

O sonho é um fato psicológico de direito e, como tal, exprime a singularidade do eu;

O sonho é inseparável do eu, é sempre o sonho de algo (um conteúdo) por alguém
(um sujeito que sonho);

Ênfase no ato/processo;

A narrrativa/relato pode se desdobrar no formalismo/abstração ou na psicologia em
1a pessoa;

O mesmo vale para o problema do esquecimento e do seu sentido;

10.07.19 Your name here (insert->page number) 10


"É o conjunto desse procedimento que chamamos abstração. Ela começa
por destacar o sonho do sujeito de quem o sonho é, considerando-o não
como feito pelo sujeito, mas como produzido por causas impessoais:
consiste em aplicar aos fatos psicológicos a atitude que adotamos para a
explicação dos fatos objetivos em geral, isto é, o método da terceira pessoa.
Enfim, a abstração elimina o sujeito e assimila os fatos psicológicos aos
fatos objetivos, ou seja, aos fatos em terceira pessoa." (POLITZER,
1928/2004, pp. 59-60)

10.07.19 Your name here (insert->page number) 11


3. A Crítica dos fundamentos da psicologia e o problema da
Psicologia concreta
3.3 – Uma descoberta revolucionária: o sentido dos sonhos na
Traumdeutung


A passagem do primeiro relato ao segundo relato: desaparece a dimensão
teleológica das ações humanas;

"Objetivamente, portanto, a introspecção é um "segundo relato",


resultante da aplicação do ponto de vista do formalismo funcional ao
relato significativo e o que a psicologia procura é precisamente
substituir o primeiro relato, puramente significativo, por um segundo
relato que nada mais tem a ver com a teleologia das relações
humanas e que, desse ponto de vista, é puramente "desinteressado" e
deve constituir a descrição de uma realidade sui generis." (POLITZER,
1928/2004, pp.88-89)

10.07.19 Your name here (insert->page number) 12


3. A Crítica dos fundamentos da psicologia e o problema da
Psicologia concreta
3.4 – A persistência da abstração na psicanálise


Conteúdo latente x Conteúdo manifesto → Inconsciente

O drama dá lugar a uma dinâmica intrapsíquica e impessoal que inclui uma
topologia, uma dinâmica e uma energética

O relato do inconsciente passa a sobrepor-se sobre o relato em primeira
pessoa

"Se Freud tivesse orientado seus desenvolvimentos nessa direção, teria percebido
que toda essa "dinâmica" das representações que supõem censura, recalque e
resistência refere-se ao próprio conhecimento que o sujeito pode ter dos seus
próprios comportamentos e, assim, a limitação da consciência só teria significado a
negação da onisciência do sujeito diante de si mesmo, negação que o método
psicanalítico comporta. Nessas condições, Freud não teria tido necessidade de
conceber, por um lado, um mundo de entidades psíquicas inconscientes e, por
outro, de fazer da consciência um órgão de percepção." (POLITZER, 1928/2004,
p.111)

10.07.19 Your name here (insert->page number) 13


4. Algumas questões


A psicologia concreta tal qual formulada por Politzer nega a possibilidade de
categorias explicativas internas da vida psíquica?

Podemos dizer que a psicologia histórico-cultural é uma psicologia
concreta?

Vigotski coloca a necessidade de trazer a primeiro plano o problema da
personalidade, de um lado, e – de outro – compreende as categorias da
vida interior a partir da historicidade mesma destas categorias (e, isso,
parece, é um passo além da historicidade que a psicanálise coloca em
cena)

10.07.19 Your name here (insert->page number) 14


“Minha história do desenvolvimento cultural é a elaboração abstrata da
psicologia concreta” (Vigotski em O manuscrito de 1929)

“Parece-me que sistemas e finalidade são as duas palavras que devem


encerrar o alfa e o ômega de nosso trabalho mais imediato” (Vigotski em Sobre
os sistemas psicológicos, 1930).

10.07.19 Your name here (insert->page number) 15


5. O que é a psicologia concreta?


É a forma positiva da psicologia, que implica:
- A superação da abstração, do realismo e do formalismo;
- A superação da doutrina da vida interior;
- A superação das doutrinas objetivistas e subjetivistas e do fundamento
que sustenta essa dualidade: o mito da dupla natureza.

10.07.19 Your name here (insert->page number) 16


REFERÊNCIAS

POLITZER, G. Crítica dos fundamentos da psicologia. [1928]. Piracicaba:


Editora UNIMEP, 2004.
VIGOTSKI, L. S. Sobre os sistemas psicológicos. [1930]. In: VIGOTSKI, L.
S. Teoria e método em psicologia. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
VIGOTSKI, L. S. Manuscrito de 1929. [1986]. Educação e Sociedade, n. 71,
2000.

10.07.19 Your name here (insert->page number) 17

Você também pode gostar