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DEUS – O SOBERANO CRIADOR DO UNIVERSO

Gênesis 1.1-2

Uma realidade que assalta a todos, não importando o tempo, a idade, a cor
ou sexo, é o medo. Todos em algum momento da vida somos tomados pelo temor.
Tememos os desastres naturais, as más ações dos homens; mas também
tememos o inesperado e desconhecido. Essa mesma realidade tomou conta do
povo de Deus. Eles haviam saído do Egito rumo a uma terra desconhecida, onde
teriam que enfrentar inimigos poderosos e conquistar suas terras. É nesse contexto
que o livro de Gênesis é escrito.

A essa altura, devemos lembrar que este livro foi originalmente escrito para
o povo de Israel; um povo que carregava consigo incertezas e temores; um povo
de fé débil e instável. O que nos leva à razão porquê Moisés escreveu esse livro;
dentre outros motivos, certamente foi para mostrar a grandeza e majestade do
Deus que os havia livrado da escravidão e que era também o Criador de todas as
coisas em contraste com as divindades adoradas pelos povos pagãos, a exemplo
dos egípcios. Entretanto é preciso salientar que em Gênesis Deus não é apenas o
grande Criador, mas o Deus que se relaciona com suas criaturas, de sorte que em
Gênesis os quatro grandes temas do Evangelho são pré-anunciados: Criação,
Queda, Redenção e Consumação. Isso ocorre de tal forma, que somente
compreenderemos o plano redentor de Deus, se olharmos corretamente para as
verdades ressaltadas neste precioso livro, pois nele está sendo montado o grande
palco do teatro Divino, onde a história da redenção dos eleitos há de ser
apresentada. No entanto, há muitos que se negam a reconhecer tais verdades,
chegando ao cúmulo de negar a existência de Deus.

A negação da existência de Deus sempre foi uma realidade na história da


humanidade e nunca esteve ausente dela. Diante disto, o salmista Davi ressalta:
“Diz o insensato no seu coração: Não há Deus” (Salmo 14.1a). Seguindo nessa
linha de raciocínio o astrofísico britânico Stephen Hawking, afirmou em uma

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entrevista que “antes que a ciência fosse compreendida era comum a crença em
Deus, mas que na atualidade, ela não faz sentido”.

Todavia, é interessante perceber que a Escritura não tenta provar ou


defender a existência de Deus, ela simplesmente inicia sua narrativa a partir da
premissa de que ele existe (ver 01). E sua existência perpassa a capacidade da
compreensão humana, uma vez que ele é eterno. Assim, faz-se necessário
ressaltar que por ser eterno esse Deus é igualmente autossuficiente e não depende
de suas criaturas para receber a glória que é devida ao seu nome. Neste sentido,
A. W. Tozer afirma que “Deus tem uma relação voluntária com tudo o que criou,
mas não tem uma relação necessária com coisa alguma além dele próprio”. Isso
nos leva ao fato de que Deus criou todas as coisas, estabelecendo seu reino visível,
não por algum tipo de necessidade no Ser Divino, mas por sua livre e soberana
vontade, conforme nos ensina Apocalipse 4.11 (ver).

E agora, esse Deus eterno, autossuficiente e soberano cria a partir do


nada (‫ )בָּ ָּרא‬os céus e a terra, isto é, o universo (ver Hebreus 11.3). E nesse processo
as três pessoas da Trindade estão envolvidas. Pai, Filho e Espírito Santo trabalham
em plena e perfeita comunhão, dando forma ao plano arquitetado na eternidade
pelo próprio Deus Trino (‫)אֱֹלהִ ים‬.

O verso 2, por sua vez, nos diz que “a terra, porém, estava sem forma e vazia;
havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as
águas”. Algumas explicações têm sido propostas para esclarecer essa
deformidade na terra. Alguns chegam ao ponto de identificar tal realidade com a
queda dos anjos. Contudo, não há nada nas Escrituras que possam comprovar tal
linha de pensamento. O mais óbvio a partir do próprio contexto é que a terra ainda
era disforme, não haviam os montes, vegetação ou luz do sol, ou seja, a terra era
um lugar inóspito para a vida.

E é sobre as águas que compõem esse planeta ainda informe que passeia o
Espírito de Deus. Nos diz o Texto Sagrado que o “Espírito de Deus pairava por
sobre as águas”. Contudo, ele não era parte desse caos primevo, ele está acima

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ָ aqui traduzido como “pairava” é o de uma
do caos. A ideia do termo hebraico (‫)רחַ ף‬,
águia que sobrevoa o ninho a cuidar de seus filhotes. Assim também, o Espírito
Santo está cuidando e analisando a criação inicial, de maneira que lhe fosse dada,
na sequência, sua forma final, onde espelha cheia de vida a glória do seu Criador,
conforme é exposto pelo autor bíblico a partir do verso 3.

Note, porém, que não há referência direta ao Deus Filho nessa narrativa, sua
pessoa e seus atos não são citados. De forma que alguém poderia questionar:
“Deus Filho foi deixado de lado na criação”? Nossa resposta é um altissonante não.
Pois, o Evangelho de João, nos mostra todas as coisas vieram à existência por
intermédio do Deus Filho e que nada foi feito sem ele (ver João 1.1-3). O apóstolo
Paulo segue na mesma linha ao afirmar em Colossenses 1.15-16 que “Este é a
imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram
criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam
tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por
meio dele e para ele”.

O que fica evidente é que a criação é o testemunho vivo e inquestionável de


que existe um Deus soberano que criou todas as coisas e que está no controle de
tudo o que existe. Como afirmou o Dr. Gerard Van Groningen: “O testemunho das
Escrituras é definitivo: Deus é o Criador. As Escrituras têm por certo que Deus falou
e, assim, céus e terra foram feitos. E as Escrituras atestam o que Gênesis 1.1-2.25
indica: Deus se revelou quando criou e continua a revelar-se pelo que ele já criou”.
Portanto, o homem é o único culpado por seu distanciando do Criador. Por isso a
dura, porém convicta declaração do apóstolo Paulo em Romanos 1.18-20 (ver).

Conclusão e aplicação

Diante do exposto e caminhando para o fim, devemos pensar sobre que


aplicações práticas o relato da criação pode nos trazer.

 Ao olharmos para Gênesis 1.1-2, percebemos que o universo não é


resultado de uma grande explosão cósmica, senão que foi criado pelo
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poder incomparável do Deus soberano, que mesmo sendo tão
grandioso, ama, se importa e se envolve com criaturas com suas
criaturas, a ponto de enviar seu único Filho para morrer por elas.

 O mundo não é um caos desordenado. Deus está no controle absoluto


de todas as coisas, até mesmo das tragédias às quais a humanidade
está sujeita depois que se distanciou do seu Criador.

 A natureza, assim como toda criação testemunha a existência, poder


e graça do Deus Todo-poderoso, de forma que ninguém pode
escusar-se de sua culpa. Por essa razão, esse Deus tão grandioso,
enviou seu Filho Jesus, a Segunda Pessoa da Trindade para morrer na
cruz por nós, de maneira que já não precisa haver desespero em
nossos corações, pois Cristo, a Luz Divina brilha sobre e dissipa as
trevas, que porventura, insistam em existir.

 Esse Deus soberano, criador dos céus e da terra, tem poder suficiente
para transformar a realidade na qual estamos inseridos. Não existe
nada que fuja ao seu controle. Assim como ele pôs ordem na desordem
inicial existente na terra, Ele pode pôr em ordem as nossas vidas...