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CRISE DE DIREÇÃO

Introdução

Penso que um dos momentos mais estressantes da vida é aquele em que temos de tomar decisões.
Os momentos de indecisão geram angústia e ansiedade, isto porque queremos ser bem-sucedidos
em nossas escolhas.

São tantas as situações, em que às vezes nos encontramos, nas quais desejamos saber qual é a
vontade de Deus para nós. Com quem casar? Que profissão devo seguir? Devo vender aquela casa?
Devemos ter mais um filho? Será que devo aceitar esta proposta de emprego? Sem querer antecipar
respostas, podemos dizer que “por mais cuidadosamente que elaboremos o nosso próprio padrão, por
mais sinceros e consagrados que sejamos, certamente faremos a escolha errada se não tivermos a
orientação divina”. Deus vê o futuro que não conseguimos ver. Ele vê os abismos, e por isto mesmo pode
seguramente nos orientar e guardar de tropeços.

Vejamos alguns passos para que tomemos decisões acertadas.

1. Busque resposta nas Sagradas Escrituras, elas têm a orientação Divina

A Bíblia é um dos métodos que Deus usa para nos dirigir dentro de sua vontade. No texto de II
Timóteo 3.14-17 Paulo nos ensina algumas verdades sobre a Bíblia:

 Ela nos foi dada para nosso aprendizado


Paulo tem em mente a instrução na verdadeira doutrina bíblica. A ideia é de um
ensinamento que vem da parte de Deus.
Vemos nas Escrituras, orientações de como devemos agir nas mais diversas
circunstâncias: a relação com o dinheiro (Mateus 6.19-21; Tiago 5.1-4), relacionamento
entre marido e mulher (Efésios 5.22-25; I Coríntios 7.35), relação entre pais e filhos
(Efésios 6.1-4), relação de trabalho (Efésios 6.5-9), as amizades (I Coríntios 15.33), etc.

 Ela nos foi dada para nossa repreensão e correção


O termo grego utilizado aqui, dá a ideia de endireitamento, reparação e ainda de reforma.
A correção intenta guiar pelo caminho certo, direcionando o transgressor à restauração,
um aprimoramento na vida e no caráter.
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Muitas vezes somos rebeldes à voz do Senhor e quando trilhamos um caminho diferente
do que Ele deseja, precisamos ser repreendidos e corrigidos, e as Sagradas Escrituras são
usadas para isto (II Timóteo 3.16; 4.2).

 Ela nos foi dada para a nossa educação na justiça


A ideia no grego é de um “treino e educação infantil”. Aponta para a disciplina moral e
espiritual.
Devemos ler e guardar a Palavra de Deus em nosso coração a fim de não pecarmos contra
Ele (Salmo 119.11) e para que nossos caminhos sejam por ela iluminados (Salmo
119.105). A justiça de Deus é revelada em Sua Palavra.

2. Esteja disposto a obedecer a Deus

A obediência é fundamental na vida cristã. Apenas ouvir a Palavra de Deus e não cumprir, não
resolve; precisamos urgentemente ser praticantes e não apenas ouvintes (Tiago 1.22). Se Jesus Cristo é
de fato nosso Senhor, devemos cumprir sua vontade (Lucas 6.46). Em outras palavras, mantenha-se
dentro dos limites da vontade já revelada de Deus.

Há muitas orientações seguras nas Escrituras. É verdade que na Bíblia não diz se alguém deve
casar com a morena ou com a loirinha, mas há princípios que podem ser usados para decidir sobre com
quem devo me relacionar (II Coríntios 6.13-18); sobre como devo manter meu casamento (I Coríntios
7.10-17).

Precisamos ser submissos à vontade de Deus já conhecida e revelada.

3. Peça sabedoria a Deus

Sabedoria é a capacidade de combinar o discernimento com o conhecimento. É como eu aplico o


conhecimento adquirido. Paulo em Colossenses 1.9 ora da seguinte maneira: “Que transbordeis de pleno
conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual”. A oração é o caminho
para se conseguir esta sabedoria, veja Tiago 1.5: “Se, porém, alguém de vós necessita de sabedoria peça-
a a Deus...”. Não ter uma vida de oração, é tentar caminhar no escuro; não vendo os buracos, acabamos
caindo neles.
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4. Descanse na soberana providência de Deus

Nada acontece ao cristão por acaso. Com Deus nunca há acidentes, pois com ele tudo acontece
por desígnio. Na vida temos que aprender a esperar e obedecer. Os métodos de Deus geralmente parecem
inexplicáveis, porque ocasionalmente eles nos colocam em situações nas quais não desejamos estar. Se
Deus age assim, ele tem motivo para isso. O propósito talvez não seja aparente de imediato, mas ele
cooperará no final para o nosso bem (Romanos 8.28), pois Ele está cuidando de nós (I Pedro 5.7) e a
resposta final vem Dele (Provérbios 16.1).

5. Busque conselhos com pessoas tementes a Deus

A bíblia nos dá uma lição preciosa em Provérbios 11.14: “Não havendo sábia direção, o povo cai,
mas, na multidão de conselheiros, há segurança”.

É preciso ser humilde para consultar outros (Provérbios 12.15; 15.22; 19.20). Mas é preciso dizer
que estes conselheiros precisam ser fiéis a Deus, pois quem busca conselheiros de sua conveniência está
enganando a si mesmo e incorre no mesmo erro que o rei Roboão (I Reis 12.14).

6. Use sua capacidade de avaliação

Deus nos deu um cérebro e espera que o usemos. É preciso apelarmos para o “bom senso” e
inteligência. É preciso pensar e não agir por impulsos; é necessário avaliar as consequências, e estudar
os casos procedentes. Será que faz sentido esta decisão? Qual a melhor coisa a fazer neste momento?
Que consequência isto trará? Tem lógica o que pretendo fazer?

A razão, a lógica, está no final da fila como um instrumento de auxílio para a tomada de decisões.
Entretanto, uma vez que sou sensível à direção de Deus, usarei minha razão com bom senso.

Conclusão

Estudamos que Deus nos orienta pelo uso correto da Bíblia, pela nossa disposição em
obedecê-lo, pelo conselho de pessoas fiéis, pela oração, pela sabedoria, pela sua divina providência e
pelo uso do bom senso. É possível fazer tudo isto e mesmo assim ainda ter algum grau de dúvida sobre
a direção que Deus quer dar. Neste caso, podemos estar certos de que não importam quais sejam as
decisões que tomaremos, Deus estará cuidando de nós.