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PROPAR/UFRGS

PROGRAMA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA

Arquitetura com madeira roliça:


Processo generativo de superfícies e articulações

Alessandra Teribele
Autora

Prof. Dr. Benamy Turkienicz


Orientador

Porto Alegre, novembro de 2011.


PROPAR/UFRGS
PROGRAMA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA

Arquitetura com madeira roliça:


Processo generativo de superfícies e articulações

Alessandra Teribele
Autora

Dissertação apresentada ao programa


de Pós-Graduação em Arquitetura da
Universidade Federal do Rio Grande
do Sul como requisito parcial para a
obtenção do grau de Mestre em
Arquitetura.

Prof. Dr. Benamy Turkienicz


Orientador

Porto Alegre, novembro de 2011.


2

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho a todos meus familiares,


especialmente ao meu filho Murilo, minha mãe
Madalena, meus irmãos Rodrigo e Diogo, meus tios
Miriam e Ildo, e minha prima Gianina.
3

AGRADECIMENTOS

Agradeço ao orientador Benamy Turkienicz, pelo seu apoio e dedicação como


docente e por mostrar-me uma nova realidade arquitetônica;
A Rosirene Mayer pela sua generosidade em partilhar seu conhecimento e pelo
seu apoio desde o primeiro encontro;
A Virginia Vannini por seu companheirismo e amizade sincera além dos longos
debates no percurso do mestrado;
Aos demais colegas do Simmlab que muito contribuíram através do apoio e
produtivas discussões: Ana, Andrea, Cristina, Patrícia e Cristian;
Aos bolsistas de iniciação científica do Simmlab, principalmente ao Mario,
Pablo e Priscila;
Aos Prof.s. de Matemática Jaime Ripoll; Maria Alice Gravina, Vilmar Trevisan
e M° Bernadete Barison;
À Prof.a. Branca Freitas de Oliveira e ao bolsista Gabriel Birck pelo auxílio nas
análises estruturais;
Ao Propar, em especial a coordenadora Cláudia Cabral e a Rosita Borges dos
Santos;
Aos profissionais que me auxiliaram fornecendo os seus projetos e
conhecimento a respeito da madeira roliça: Prof. Everaldo Pletz, Prof.a. Akemi Ino,
Prof. Júlio Cruz, Arquiteta Léa Japur; Arquiteto Roberto Lecomte de Mello; Eng. Allan
Dias; Eng. Leandro Dussarrat Brito e ao Eng. Alberto Fridman.
Ao LaMen, principalmente ao amigo Bragatto,
Ao Simmlab e a Capes.
4

RESUMO

A madeira de reflorestamento, em sua forma natural e roliça, apresenta-se como


material eficiente para uso em edificações devido a suas propriedades físico-mecânicas
e versatilidade funcional. Entretanto, a geometria cilíndrica e secções desiguais
dificultam ligações entre os elementos roliços, exigindo cortes angulados e
falquejamento das peças. Arranjos ou combinações entre peças envolvem tipos
específicos de articulação ou conexão, vinculando o tipo de união à posição que as
peças assumem no espaço tridimensional. Dado não existir conhecimento estruturado
que permita antecipar as ligações apropriadas para cada arranjo ou combinação de
peças, sugere-se a possibilidade de vincular a escolha de conexões com a composição
arquitetônica, através de conexões genéricas. Este trabalho utilizou o paradigma da
gramática de formas para, através de regras de geração, criar alternativas compositivas a
partir de dois princípios conectivos: extremidade com extremidade e; extremidade com
meio de peça. A vinculação entre os princípios de articulação e tipos de junções
permitiu a formulação de modelos genéricos de peças de articulação, que minimizam a
necessidade de cortes angulados nas peças roliças. Essas conexões genéricas podem
adaptar-se à angulação do roliço permitindo que o mesmo seja cortado sem perda de
material.

Palavras-Chave: processos generativos; gramática de formas; conexão; articulação.


5

ABSTRACT

Reforestation wood, in its natural and round shape, emerges as an effective material for
use in buildings, due to its physical and mechanical features and functional versatility.
However, its cylindrical geometry and unequal sections difficult connections between
the round elements, demanding angle cuts and rough-hewing of the pieces.
Arrangements or combinations among pieces involve specific types of joints or
connections, relating the type of union to the position that the pieces have in the three-
dimensional space. Since there is no structured knowledge that allows anticipating the
appropriate connections for each arrangement or combination of pieces, the possibility
of linking the choice of connections to the architectural composition, through generic
connections, is suggested. This paper uses the shape grammars paradigm in order to
create compositional alternatives to the types of joints, through generation rules. These
data provide parameters to define two connective principles: top to top, and top to
middle of the piece (cross section). From these principles, it is possible to model
alternatives of articulations and to compare different options. The link between the
principles of articulation and types of joints enabled the formulation of models of
linkage pieces, which minimize the need for angle cuts in the round pieces. These
generic connections can adapt to the angle of the round log, allowing it to be cut without
loss of material.

Keywords - Generative process, shape grammar, connection, joints


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LISTA DAS FIGURAS

Fig. 1. Park Hotel. Arquiteto Lucio Costa. Fonte: Wisnik (2001) .......................... 16
Fig. 2. Residência com sistema log home, produzida pela empresa Casabella.
Fonte: Casabella. Disponível em http://www.casabella.etc.br/ ........................... 17
Fig. 3. Sistema estrutural com madeira roliça de diâmetro pequeno. Estudos
realizados na Finlândia. Fonte: RANTA-MAUNUS,1999.......................................... 17
Fig. 4. Estrutura em madeira roliça a partir da combinação de poliedros. Feilden
Clegg Bradley Architects. Doncaster, UK. Fonte: Carpenter Oak & Woodland
Limited. .......................................................................................................................... 17
Fig. 5. Cobertura de edifício experimental. LaMEM – EESC – USP, 2005. Fonte:
Imagem cedida ao autor pelo Lamem. ..................................................................... 18
Fig. 6. Cobertura para estacionamento. Recanto Park Hotel. Foz do Iguaçu-PR.
Foto do autor. ............................................................................................................... 18
Fig. 7. Vista interna de residência com vedação em madeira roliça. Petrópolis-
RJ. Arquiteto James Lawrence Vianna. Fonte: Serapião, 2008............................. 19
Fig. 8. Vista de fechamento parcial em madeira roliça. Fórum das Américas em
Foz do Iguaçu-PR. Arquiteto Domingos Bongestabs. Fonte: Acervo do Autor
(2008)............................................................................................................................. 19
Fig. 9. Fachada de Hotel com madeira roliça. Recanto Park Hotel, Foz do
Iguaçu-PR. Fonte: Acervo do Autor (2008) ............................................................ 19
Fig. 10. Universidade Livre do Meio Ambiente. Curitiba-PR. Arquiteto Domingos
Bongestabs. Fonte: SEGAWA, 1993. ......................................................................... 20
Fig. 11. Três níveis de estratégias compositivas. Desenho esquemático. Autor.
......................................................................................................................................... 21
Fig. 14. Desenho esquemático das possibilidades compositivas no nível
bidimensional. Fonte: Autor........................................................................................ 22
Fig. 15. Desenho esquemático das possibilidades compositivas no nível
tridimensional. Fonte: Autor. ...................................................................................... 22
Fig. 16. Esquema de processo de composição tridimensional. Montagem do
autor a partir de fotos do Gabinete do Governador_PR. Fonte: ProjetoDesign,
n°196, maio 1996......................................................................................................... 23
Fig. 17. Esquema das variações com positivas do processo 01. Fonte: Autor. .. 23
Fig. 18. Esquema de processo de composição tridimensional. Montagem do
autor a partir de fotos de cobertura do edifício experimental na USP/SC. Fotos
cedidas ao autor pelo LaMem..................................................................................... 24
Fig. 19. Esquema das variações com positivas do processo 02. Fonte: Autor. .. 24
Fig. 20. Esquema de processo de composição tridimensional. Montagem do
autor a partir de imagens de projeto CICAT centre. Fonte: Ranta-Maunus,
1999................................................................................................................................ 24
Fig. 21. Exemplo de madeira roliça com chapa metálica interna e amarração
com arame para dificultar rachaduras na peça. Fonte: Huybers, 1991 apud
Brito, 2010..................................................................................................................... 26
Fig. 22. Processo desenvolvido para fixação do arame. Huybers, 1991 apud
Brito, 2010..................................................................................................................... 27
7

Fig. 23. Desenho demonstrando a área de desbaste para chapa metálica com
¼ e ½ de altura do diâmetro. Fonte: Autor. ......................................................... 27
Fig. 24. Exemplo de conexão com duplicação de peças e dowel-nut.................. 28
Fig. 25. Exemplo de conexão e relação com resultado formal. ............................ 29
Fig. 26. Exemplo de conexão e relação com resultado formal. ............................ 30
Fig. 27. Quadro com soluções de conexão de acordo posição de encontro das
peças. Fonte: Autor...................................................................................................... 31
Fig. 28. Quadro demonstrando a posição das peças de acordo a posição de
seus eixos longitudinais e a relação de contato entre as peças. Fonte: Autor
baseado em A e B–RANTA-MAUNUS (1999) C- ABDALLA (2002); D –
HOLZ(1995); E-HERBERT(1983 apud INO, 1992); F-HOLZ(1995)....................... 31
Fig. 29. Classificação das conexões de acordo a relação de contato entre as
peças roliças: com ponto de contato ou sem ponto de contato. Fonte: autor a
partir de referências indicadas no apêndice E. ........................................................ 32
Fig. 30. Elementos para definição de linguagem de design. Fonte: Stiny (1980)
......................................................................................................................................... 34
Fig. 31. Diferentes maneiras de transformar a gramática de formas. Fonte:
KNIGHT, 1994............................................................................................................... 36
Fig. 32. Quadro indicando materiais e métodos em cada etapa da metodologia.
Fonte: Autor. ................................................................................................................. 38
Fig. 33. Esquema ilustrando as etapas da metodologia. Fonte: Autor ................ 41
Fig. 34 Superfície formada por diretrizes que partem do mesmo plano
horizontal. Fonte: Autor. ............................................................................................. 42
Fig. 35 – Quadro indicativo da 1° fase de geração: padrões. Padrões em
perspectiva, vista superior e vista frontal. Fonte: Autor. ....................................... 43
Fig. 36. Ângulos e vãos padrões usados para a geração de superfícies. Fonte:
Autor............................................................................................................................... 44
Fig. 37. Detalhes dos padrões. Fonte: Autor. .......................................................... 45
Fig. 38. Quadro indicativo da 2° fase de geração: combinações dos padrões.
Fonte: autor. ................................................................................................................. 47
Fig. 39. Maquete ilustrando a regra de translação a partir do padrão 01.
Verifica-se que a mesma não permite continuidade da superfície, pois retas
(diretrizes) são reversas.............................................................................................. 47
Fig. 40. Maquete ilustrando a regra de rotação a partir do padrão 02. .............. 48
Fig. 41. Planta baixa e perspectiva do padrão 01 e do padrão 02. As imagens
de baixo são os resultados da parametrização do padrão 01 e do padrão 02,
respectivamente, usados como novas formas na 3° fase de geração. Fonte:
Autor............................................................................................................................... 49
Fig. 42. Quadro demonstrando ângulos dos padrões da 3° geração. Desenho do
autor. .............................................................................................................................. 50
Fig. 43. Quadro da 3° fase de geração: parametrização de padrões e
combinações. Fonte: Autor. ........................................................................................ 51
Fig. 44. Programação parcial de geração de superfície a partir de diretriz curva.
Fonte: Autor .................................................................................................................. 53
Fig. 45 Vista superior e perspectiva da composição inicial com diretriz em linha
reta. Vista superior e perspectiva da composição modificada a partir da
8

alteração do princípio gerador, a diretriz, inicialmente em linha reta


transformou-se em curva, reposicionando a forma. Fonte: Autor........................ 53
Fig. 46. Figura indicando as possíveis variações das características dos pontos
de junção. Fonte: Autor. ............................................................................................. 54
Fig. 47. As peças roliças podem assumir diversas inclinações no espaço
tridimensional................................................................................................................ 55
Fig. 48. Imagem indicando a sequencia de geração de superfície e tipologias de
junções. Fonte: Autor. ................................................................................................. 56
Fig. 49. Quadro com os tipos de junção existentes em cada solução
arquitetônica gerada pelo sistema na segunda etapa de geração, considerando
eixo das peças coincidentes. Fonte: autor. .............................................................. 57
Fig. 50. Quadro com os tipos de junção existentes em cada solução
arquitetônica gerada pelo sistema na segunda etapa de geração, considerando
eixo das peças não coincidentes. Fonte: autor. ...................................................... 57
Fig. 51. Quadro exemplificando a relação regras de geração e tipologia das
junções para solução com eixo coincidente para 1° e 2° geração. Fonte: Autor.
......................................................................................................................................... 58
Fig. 52. Quadro com as tipologias de junção encontradas nas superfícies
geradas. Fonte: Autor.................................................................................................. 59
Fig. 53. Tipologias de junção da 1° e 2° geração utilizando chapa interna.
Fonte: Autor. ................................................................................................................. 60
Fig. 54. Desenho esquemático de tipologia de junção existente indicando
junção com eixo coincidente que recebe outra peça tornando a junção com eixo
não coincidente. Fonte: Autor. ................................................................................... 61
Fig. 55. Parâmetros das junções identificados para a 1° e 2° geração com eixo
coincidente. As flechas indicam os eixos longitudinais das peças de madeira.
Fonte: Autor .................................................................................................................. 62
Fig. 56. Parâmetros das junções identificados para a 3° geração com eixo
coincidente. As flechas indicam os eixos longitudinais das peças de madeira.
Fonte: Autor .................................................................................................................. 63
Fig. 57. Desenho ilustrando a característica geométrica fundamental dos
conectores: o 1° para situações de encontro extremidade com extremidade e o
2° para situações extremidade com meio de peça. Fonte: autor......................... 64
Fig. 58. Quadro ilustrando regras de posição e quantidade de componentes
para articulação. Fonte: autor................................................................................... 65
Fig. 59. Ilustração das limitações dimensionais para a regra de rotação no
princípio EE. Fonte: Autor. .......................................................................................... 66
Fig. 60. Ilustração das limitações dimensionais para a regra de rotação no
princípio EM. Fonte: Autor .......................................................................................... 67
Fig. 61. Esfera virtual recortada por plano superior e mesma esfera refletida por
plano x,y. Fonte: Autor. ............................................................................................. 68
Fig. 62. Ilustração dos vocabulários de acordo o componente da conexão
genérica. Fonte: Autor................................................................................................. 70
Fig. 63. Relação combinatória entre vocabulário dos componentes do princípio
EE e princípio EM. Fonte: Autor. ................................................................................ 70
Fig. 64. Exemplo das etapas para gerar conexão genérica. Fonte: Autor. ......... 71
9

Fig. 65. Imagem da programação realizada no grasshoper para o princípio EE.


Fonte: Autor .................................................................................................................. 71
Fig. 66. Cálculo do raio da esfera em relação ao menor ângulo entre peças.
Fonte: autor. ................................................................................................................. 72
Fig. 67. Quadro com exemplos de articulações geradas a partir do princípio EE.
Fonte: Autor. ................................................................................................................. 73
Fig. 68. Representação em planta de componente 02 em forma de triângulo. Na
1° imagem com angulação nula e na 2° com 60°, máxima rotação necessária.
Fonte: Autor. ................................................................................................................. 74
Fig. 69. Ilustração com exemplos de conexão para princípio EM. Fonte: Autor.75
Fig. 70. Imagem com exemplo de conexões propostas. Fonte: Autor ................ 75
Fig. 71. Quadro com a descrição das conexões existentes. Referências das
imagens encontram-se no apêndice H. Fonte: Autor. ............................................ 76
Fig. 72. Elevações dos padrões. Fonte: autor.......................................................... 80
Fig. 73. Figura ilustrando o encontro da peça roliça com componente 02
inclinado, fato que permite o roliço ser cortado transversalmente, sem
inclinações. Fonte: Autor............................................................................................. 82
Fig. 74. Quadro indicando o tipo do componente 02 e sua relação com o corte
na extremidade do roliço. Fonte: Autor .................................................................... 83
Fig. 75. Quadro com relação entre tipologias de junções com o tipo de corte
necessário na extremidade do roliço de acordo a forma do componente 02.
Fonte: Autor .................................................................................................................. 84
10

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO............................................................... 11

1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ...................................... 14


1.1 A MADEIRA ROLIÇA NA ARQUITETURA............................................14
1.1.1 VERSATILIDADE FUNCIONAL .....................................................................15
1.1.2 VERSATILIDADE COMPOSITIVA ................................................................20
1.1.3 CONEXÕES E COMPOSIÇÕES .....................................................................25
1.2 PROCESSOS GENERATIVOS...................................................................33
1.2.1 GRAMÁTICA DE FORMAS ............................................................................34
1.2.2 CONCEITOS GEOMÉTRICOS E GERAÇÃO DE SUPERFÍCIES..................37

2 MATERIAIS E MÉTODOS............................................ 38
2.1 GERAÇÃO DE SUPERFÍCIES...................................................................39
2.2 RELAÇÃO SUPERFÍCIE-JUNÇÃO ..........................................................39
2.3 CONEXÃO GENÉRICA ...............................................................................40

3 APLICAÇÃO DO MÉTODO ........................................... 42


3.1 GERAÇÃO DE SUPERFÍCIES...................................................................42
3.1.1 1° FASE DE GERAÇÃO .................................................................................42
3.1.2 2° FASE DE GERAÇÃO .................................................................................45
3.1.3 3° FASE DE GERAÇÃO .................................................................................48
3.2 RELAÇÃO SUPERFÍCIE - JUNÇÃO ........................................................54
3.2.1 TIPOLOGIAS DE JUNÇÕES ..........................................................................54
3.2.2 REGRAS DE GERAÇÃO E GRUPOS DE JUNÇÃO .......................................58
3.2.3 CONTATO ENTRE PEÇAS.............................................................................60
3.3 CONEXÃO GENÉRICA ...............................................................................61
3.3.1 COMPONENTES DE CONEXÃO....................................................................62
3.3.2 REGRAS GENERATIVAS DE CONEXÃO ......................................................64

4 ANÁLISE DOS RESULTADOS....................................... 77


4.1 GERAÇÃO DE SUPERFÍCIES...................................................................77
4.2 RELAÇÃO SUPERFÍCIE - JUNÇÕES......................................................78
4.3 CONEXÃO GENÉRICA ...............................................................................81

5 CONCLUSÕES E PERSPECTIVAS.................................. 85

REFERENCIAS .............................................................. 88

APÊNDICES.................................................................. 93
11

INTRODUÇÃO

Apesar da eficiência que elementos cilíndricos de madeira apresentam quando


aplicados em edificações, seu uso ainda é escasso. Ranta-Maunus (1999) ressalta que
arquitetos, engenheiros e carpinteiros não estão familiarizados com esforços ou
características das articulações necessárias a este material. Pesquisas com madeira roliça
caracterizam-se pelo escasso conhecimento sobre soluções compositivas, espaciais e
volumétricas. A maior parte da investigação até o presente refere-se à características
estruturais, físicas e químicas do material. Zangiácomo (2007) estuda as propriedades
de resistência e rigidez da elementos estruturais de madeira roliça; Wolfe e Moseley
(2000) fazem ensaios para avaliação estrutural de peças roliças de madeira de pequeno
diâmetro e Partel (1999) descreve obras com madeira roliça enfocando os sistemas
estruturais utilizados. Faltam abordar os princípios combinatórios da madeira roliça e
das características das conexões entre elementos em sistemas estruturais, considerando
suas potencialidades e restrições. Tal abordagem passa pela descrição da geometria
irregular do objeto e das características de interface com as articulações que
possibilitam seu uso composto.
Oriundo do tronco da árvore, elementos roliços de madeira caracterizam-se pelo
seu formato cônico e eixo longitudinal irregular, fatores que contribuem para a
dificuldade de ligação entre si. Lusambo e Wills (2002) apontam que a seção transversal
da peça necessita ser moldada para se obter superfície para junção. Em algumas
composições, esta dificuldade aumenta visto a complexidade para obter-se a correta
superfície de encaixe, devido às inclinações e angulações variadas entre os roliços.
Soma-se o processo de execução das ligações ser realizado por métodos artesanais que
apresentam baixa eficiência (PARTEL, 1999 e HERBERT, 1983 citado por INO, 1991).
Por outro lado, é necessário explorar as ligações para obter formas mais complexas, pois
devido à forma e tamanho da árvore, as dimensões do material são relativamente
limitadas. (IBOIS).
Para gerar formas e espaços arquitetônicos é preciso criar estratégias
combinatórias que considerem o tipo de união vinculada à posição que as peças roliças
assumem no espaço tridimensional. Visando facilitar esse entendimento, esse trabalho
indica que essas estratégias passam por três tipos de união: a) união das peças no
12

mesmo plano; b) conexões com eixos longitudinais não coincidentes e; c) ligações que
permitem o encontro de vários elementos roliços em um único nó.
A relação de contato entre as peças pode ser assim dividida: a) não se tocar
estando separadas pelo componente da articulação; ou ainda, b) apresentarem
superfícies de contato, em maior ou menor grau, apoiado pelo recorte feito nas próprias
peças. O grau de contato define como será o corte na extremidade dos roliços:
perpendicular ao seu eixo longitudinal; ou moldado à outra peça, o que torna o processo
mais dificultoso devido ao entalhe necessário.
Outra característica das junções dos roliços é definida pela parte da madeira que
entrará em contato com a outra, pois é possível juntar extremidade com extremidade
bem como extremidade com o meio da peça. Para cada situação de união, faz-se
necessário um tipo específico de articulação e para cada solução formal poderão ser
necessárias diferentes articulações simultaneamente. Devido a estas especificidades
projetistas geralmente consideram as conexões individualmente, geralmente quando a
composição arquitetônica já está finalizada.
Se os requisitos necessários para resolver cada junção pudessem ser gerados
durante o processo compositivo, ou seja, se a composição e a especificação da junção
pudessem ser geradas simultaneamente, seria possível a construção de um modelo
conectivo genérico com flexibilidade suficiente para atender diferentes angulações e
alternativas formais. Assim, um mesmo princípio de conexão seria capaz de atender
várias tipologias de junções além de gerar alternativas através de modelagem
paramétrica, “um instrumento associativo que interliga componentes por uma série de
parâmetros ou regras” (HORTA, p.73, 2009), usando relações geométricas previamente
definidas. O uso integrado das tecnologias CAD1 (Computer Aided Desing - Projeto
Assistido por Computador) e CAM2 (Computer Aided Manufacturing - Fabricação
Assistida por Computador), num único sistema permitiria centralizar a execução de
diversas atividades relacionadas ao processo produtivo a partir de uma base de dados
comum permitindo a fabricação de peças diferentes entre si. Facilitaria a execução de
obras com madeira roliça através da presença de articulações personalizadas para cada
junção. Geram-se informações para a construção diretamente das informações do
projeto. (KOLAREVIC, 2003).

1
Softwares de apoio ao projeto que auxiliam a resolução dos problemas associados ao projeto.
2
Refere-se a processos de fabricação controlados por computadores.
13

Este trabalho possui três objetivos principais. Primeiramente, demonstrar


alternativas formais de superfícies com madeira roliça, geradas sobre o plano horizontal.
Em seguida estruturar um sistema que possa antecipar, a partir de padrões de soluções
espaciais, as características geométricas no ponto de encontro das peças. Por último,
definir as conexões genéricas para a as necessidades conectivas das superfícies geradas.
Baseado na gramática de formas (STINY E GIPS, 1972), um paradigma de
geração que associa um vocabulário (componentes) a um conjunto de regras
combinatórias (sintaxe), o sistema utilizado permite, através da aplicação de regras,
gerar alternativas de superfícies e identificar, nas etapas de geração compositivas, as
tipologias das junções. Essas tipologias fornecerão parâmetros que definem as
características básicas para a conexão genérica, a partir da qual será possível modelar
alternativas de conexão utilizando gramática de formas paramétricas, uma extensão da
gramática de formas.
O texto divide-se em: 1) Fundamentação teórica descrevendo o material
“madeira roliça” na arquitetura, o conceito de “Gramática de Formas” bem como os
conceitos matemáticos de superfícies regradas e transformações euclidianas; 2)
Materiais e métodos apresentam as três etapas para gerar as conexões adequadas as
necessidades conectivas das superfícies geradas: a) geração de superfícies, b) relação de
superfícies e junções, c) conexão genérica; 3) Na Aplicação do método é descrito
detalhadamente o processo de geração de superfície; a vinculação de geração com
tipologias de junção; e as regras de conexão genérica e modelagem da conexão; 4)
Análise dos resultados da interface entre os processos de geração de superfícies,
junções e conexões genéricas; 5) Conclusões e trabalhos futuros.
14

1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

1.1 A MADEIRA ROLIÇA NA ARQUITETURA

“Dentre os materiais de construção utilizados para estruturas e


outros fins construtivos, [madeira] é o único renovável cujo
impacto ambiental, conseqüentemente, é menor; cabendo ao
homem o manejo das florestas nativas e plantadas para a
provisão constante e abundante de matéria prima”. (VALLE,
2000).

O estudo da arquitetura com a utilização da madeira tem se intensificado, nos


últimos anos através de pesquisas e vem sendo debatido no Brasil e exterior. A
intensificação deve-se, em grande parte à idéia de que a madeira é um produto
renovável, portanto na agenda do desenvolvimento econômico sustentável.
“Como um material de construção, a madeira é abundante, versátil e facilmente
obtida. (...). Do ponto de vista econômico, a madeira é competitiva com outros materiais
com base em custos iniciais, e apresenta vantagens quando se analisa economicamente
em logo prazo”. (CALIL JUNIOR et al, p. 01, 2006). Sua produção necessita de baixa
energia quando comparada a outros materiais como aço, vidro e cimento. “Portanto, sua
utilização racional e sustentável justifica cada vez mais seu uso em edificações para fins
tanto estruturais quanto decorativos”. (LELIS, 2001, p.03).
Entre os fatores ambientais que favorecem o uso da madeira pode-se citar:
capacidade de controle sobre a cadeia produtiva; tratamento preservativo que não agrida
o meio ambiente quando este se fizer necessário; reciclagem pós-uso. Quando
transformada em bem durável reduz a emissão de dióxido de carbono. (BATISTA,
2007).
Dadas estas características, o uso da madeira na construção civil é crescente seja
devido à sua adaptabilidade ambiental como da também crescente oferta de matéria
prima resultante do protocolo de Kioto3. (Batista 2007). No Brasil, um programa de
reflorestamento, iniciado na década de 60, implantou os gêneros Pinus e Eucalyptus.
(CALIL JUNIOR et al, 2006) contribuindo para “substituir madeiras nativas de uso

3
Protocolo de Kioto tem como objetivo estabelecer metas para redução de gases visando combater o efeito estufa na
atmosfera.
15

consagrado e oferta restrita”. (CRUZEIRO, p.22, 1998). Dentre os produtos destinados


à arquitetura provenientes da madeira, destaca-se o material em sua forma roliça , um
dos usos mais eficientes dos recursos florestais, pois requer um mínimo processamento
entre o corte da árvore e a comercialização da peça (ZANGIÁCOMO, 2007).
O baixo índice de processamento industrial significa que o consumo de energia é
inferior quando comparado a outros materiais e processos. A madeira serrada apresenta
rendimento em torno de 40% a 50% enquanto o aproveitamento da madeira roliça pode
ser estimado em 85% a 90%. Além disso, apresenta boa resistência mecânica visto que
as fibras longitudinais não são cortadas conservando sua estrutura original. (BRITO,
2010). Soma-se a isto a possibilidade de ter, em curto período de rotação, peças com
diâmetro estrutural, com vistas à utilização na construção civil (MONTANA
QUIMÍCA; INO, 1991), apresentando-se como um material competitivo para
aplicabilidade na arquitetura.
Por ser um material biológico de origem vegetal, conserva, mesmo após o corte, sua
estrutura celular, apresentando propriedades e características específicas referentes ao
tipo de árvore que lhe deu origem. Isto acarreta a necessidade de conhecimentos
técnicos específicos para otimizar a durabilidade4 do material principalmente para
espécies reflorestadas que, como aponta Calil Junior et al, (p.65-66,2006), são espécies
cuja durabilidade natural varia de baixa a moderada. A versatilidade do material, tanto a
nível funcional e compositivo, é discutida a seguir.

1.1.1 VERSATILIDADE FUNCIONAL

“It is necessary to promote the different possibilities where


wood can be used.” Natterer, 2004.

A madeira roliça pode atender diversas funções quando aplicada em edificações.


Observa-se que elementos cilíndricos de madeira, combinados entre si, podem

4
‘Segundo Trada (1991, apud BENEVENTE, 1995), a durabilidade de uma madeira em serviço depende de sua
resistência natural e da existência de condições que propiciem a ação dos agentes destruidores”.
16

configurar: sistemas estruturais; paredes auto portantes (vedação e estrutura);


coberturas, vedações e ornamentação.5
Sistemas estruturais executados com elementos roliços de madeira podem ser
identificados como: pórticos, estruturas plissadas, treliças, treliças espaciais e sistema
pilar-viga. Este último subdivide-se em dois sistemas: plataforma e construção reticular.
(NAFI, 1989). A madeira roliça usada como sistema pilar-viga é, na Europa, um sistema
geralmente destinado a construções do meio rural, conforme indicado por Trada (2004).
Partel (1999) apresenta um levantamento de obras construídas com madeira roliça a
partir dos sistemas estruturais e construtivos utilizados em habitações, pontes,
construções rurais e torres demonstrando a versatilidade estrutural deste material. A
figura 01 ilustra construção com estrutura de madeira roliça.
Paredes auto-portantes6 utilizam a vedação como elemento de estruturação
do edifício, desempenhando em conjunto papel de fechamento e suporte. Essa solução
esta presente, sobretudo na tradição americana e européia, através das ‘Log Houses’
(casa de troncos). Altoé (2009) cita o sistema da empresa CasaBella na região de
Curitiba como exemplo brasileiro desta tipologia e a figura 02 ilustra essa solução.

Fig. 1. Park Hotel. Arquiteto Lucio Costa. Fonte: Wisnik (2001)

5
E possível trabalhar a composição arquitetônica utilizando a “tensegrity structures” (HANAOR, 1998
apud LIAPI e KIM, 2009) um sistema estrutural que combina componentes em tração e compressão,
sendo que para cada esforço é utilizado um material diferente. Como aplicação do “tensegrity structures”
poderia ser o uso do aço para tração e da madeira roliça para compressão. Tal possibilidade não é
abordada neste trabalho.
6
Partel (1999) chama este sistema de painel e Batista (2007) de sistema com toras empilhadas.
17

Fig. 2. Residência com sistema log home, produzida pela empresa Casabella. Fonte: Casabella.
Disponível em http://www.casabella.etc.br/

Como elemento de cobertura, a madeira roliça vem sendo utilizada em


tesouras, pórticos, treliça espacial e superfícies. Exemplos de treliça espacial são
encontrados nas figuras 03 e 04.

Fig. 3. Sistema estrutural com madeira roliça de diâmetro pequeno. Estudos realizados na
Finlândia. Fonte: RANTA-MAUNUS,1999.

Fig. 4. Estrutura em madeira roliça a partir da combinação de poliedros. Feilden Clegg Bradley
Architects. Doncaster, UK. Fonte: Carpenter Oak & Woodland Limited.
18

Como superfície estrutural de cobertura dois exemplos: a cobertura de edifício


experimental na USP em São Carlos-SP com uma solução com madeira roliça de
pequeno diâmetro formando uma parabolóide hiperbólica (PARTEL, 2006; BRITO,
2010) e a cobertura do estacionamento do Recanto Park Hotel em Foz do Iguaçu-PR,
ilustrados na figura 05 e 06.

Fig. 5. Cobertura de edifício experimental.


LaMEM – EESC – USP, 2005. Fonte: Imagem cedida ao autor pelo Lamem.

Fig. 6. Cobertura para estacionamento. Recanto Park Hotel. Foz do Iguaçu-PR. Foto do autor.

A vedação com madeira roliça de uma edificação pode ser realizada através de
diversas soluções. Nas obras de Gerson Castelo Branco, Domingos Bongestabs e James
Lawrence Vianna, ilustrando nas figuras 07 e 08, casos de vedação parcial e total. Em
painéis, como demonstra Partel (2006) para aplicação em construção de baixa renda.
19

Fig. 7. Vista interna de residência com vedação em madeira roliça. Petrópolis-RJ. Arquiteto James
Lawrence Vianna. Fonte: Serapião, 2008

Fig. 8. Vista de fechamento parcial em madeira roliça. Fórum das Américas em Foz do Iguaçu-PR. Arquiteto
Domingos Bongestabs. Fonte: Acervo do Autor (2008)

Como ornamentação onde seu uso não interfere na estrutura da obra (figura
09).

Fig. 9. Fachada de Hotel com madeira roliça. Recanto Park Hotel, Foz do Iguaçu-PR.
Fonte: Acervo do Autor (2008)
20

As figuras ilustram exemplos onde, a partir da combinação de um elemento


irregular, consegue-se atender diferentes funções e, dependendo das relações espaciais
apresentadas, resulta em grande complexidade como na Universidade Livre do Meio
Ambiente (figura 10), demonstrando sua potencialidade compositiva. A geometria das
combinações e as possíveis derivações formais a partir de segmentos de reta constituem
o fio condutor desta potencialidade.

Fig. 10. Universidade Livre do Meio Ambiente. Curitiba-PR.


Arquiteto Domingos Bongestabs. Fonte: SEGAWA, 1993.

1.1.2 VERSATILIDADE COMPOSITIVA

“Each material has its own potencial and one seeks the most
eloquent expression possible.” RUDOLPH, PauL, (1957) in
JENCKS, Charles; KROPF, Karl (1997).

Os elementos roliços de madeira precisam de estratégias de aproximação e/ou


união para gerarem composições. Ao compará-los com um segmento de reta, observam-
se três níveis de estratégias combinatórias: unidimensional, bidimensional e
tridimensional, como ilustra o esquema da figura 11 a seguir.
21

Unidimensional Bidimensional Tridimensional


Fig. 11. Três níveis de estratégias compositivas. Desenho esquemático. Autor.

O primeiro refere-se a aproximações unidimensionais entre os elementos. É o


que ocorre, por exemplo, com pilares (figuras 12 e 13) e/ou vigas formadas por mais de
uma peça. As cargas são distribuídas num ponto e a quantidade de peças que compõem
esse ponto refere-se à necessidade estrutural e/ou dizem respeito à característica plástica
desejável. Duas ou mais peças podem ser substituídas por uma peça com dimensões
equivalentes de suporte, mantendo a característica pontual.

Fig. 12. Desenho esquemático de


possibilidade compositiva no nível Fig. 13. Pilar. Centro de artesanato,
unidimensional. Fonte: autor. Foz do Iguaçu-PR. Fonte: Autor, 2008.

O segundo refere-se a estratégias de combinação que geram composições


bidimensionais como ilustra a figura 14. Neste caso observa-se peças postas lado a lado,
empilhadas e/ou formando um entramado. Em qualquer destes exemplos é possível
verificar a existência de um plano que contem todas as peças. As ‘log homes’ ilustram
esse tipo de composição cujo plano bidimensional atende a função parede-vedação.
22

Plano fechado formado Plano formando um Plano cujas peças Plano formado
por peças “empilhadas”, “entramado” de são duplicadas. superfície
como no sistema log peças. perpendicular ao solo.
home.
Fig. 14. Desenho esquemático das possibilidades compositivas no nível bidimensional. Fonte: Autor.

O terceiro nível refere-se a estratégias que geram composições tridimensionais,


ou seja, soluções onde largura, comprimento e altura podem ser considerados. Neste
caso podem-se ter: planos combinados que geram volumes; combinar poliedros e gerar
coberturas espaciais; e espaços tridimensionais formados por superfícies7 semelhantes a
uma casca que formam uma cobertura sobre o plano horizontal. Tais exemplos são
ilustrados na figura 15.

Composição tridimensional Composição tridimensional Composição tridimensional


gerada por combinação de gerada a partir da combinação de gerada por superfícies
planos entramados. vários poliedros. semelhante a cascas.
Fig. 15. Desenho esquemático das possibilidades compositivas no nível tridimensional. Fonte: Autor.

Desse modo, utilizando combinações e relações geométricas, observa-se três


modos de combinar os elementos roliços de madeira para gerar formas tridimensionais.
No primeiro as peças são combinadas formando um plano perpendicular ao plano xy do
sistema cartesiano - 1° etapa de geração, que por sua vez se combinam para gerar o
volume – 2° etapa de geração. Quando a forma do plano varia e/ou o modo de combiná-

7
Apesar de superfície ter conceito bidimensional na matemática, pode gerar espaços tridimensionais na
arquitetura.
23

lo, altera o resultado final do conjunto como ilustra a figura 16 através do exemplo da
obra de Domingos Bongestabs em Curitiba-PR. A figura 17 demonstra variações
compositivas.

Fig. 16. Esquema de processo de composição tridimensional. Montagem do autor a partir de fotos do
Gabinete do Governador_PR. Fonte: ProjetoDesign, n°196, maio 1996.

Fig. 17. Esquema das variações com positivas do processo 01. Fonte: Autor.

No segundo modo as peças são combinadas formando uma superfície sobre o


plano horizontal - 1° etapa de geração, que podem ser combinados novamente para
outros resultados formais – 2° etapa de geração. A variação formal pode ocorrer através
de alteração na 1° geração e/ou no modo de combinação na 2° geração como ilustra a
figura 18 através da cobertura de edifício da USP/São Carlos, e a figura 19.
24

Fig. 18. Esquema de processo de composição tridimensional. Montagem do autor a partir de fotos
de cobertura do edifício experimental na USP/SC. Fotos cedidas ao autor pelo LaMem.

Fig. 19. Esquema das variações com positivas do processo 02. Fonte: Autor.

No terceiro processo gera-se uma superfície - 1° etapa de geração, que é


estruturada pelas peças através de mapeamento8 com formas poligonais – 2° etapa de
geração. A forma da superfície na 1° geração e/ou o tipo do polígono que “mapeia” a
superfície na 2° geração possibilita as variações compositivas como ilustra a figura 20,
ilustrada a partir de projeto para domo do “CICAT centre” citado por Ranta-Maunus
(1999).

Fig. 20. Esquema de processo de composição tridimensional. Montagem do autor a partir de imagens de
projeto CICAT centre. Fonte: Ranta-Maunus, 1999.

8
Mapeamento é entendido como o preenchimento da superfície a partir de módulos com formato de polígonos.
Allgayer, 2009 indica que o software Rhinoceros, com suporte adicional do plug-in2 Panelling Tools, aplica módulos
de preenchimento como entidades vetoriais.
25

A variação compositiva ocorre através de utilização de diferentes estratégias de


aproximação (conexões) de várias peças roliças de madeira.

1.1.3 CONEXÕES E COMPOSIÇÕES

“Architects, engineers and carpenters are not familiar with the


strength or jointing characteristics of roundwood, nor do they
have adequate design guidelines.” (RANTA-MAUNUS, 1999).

Por ser um material de origem vegetal, a madeira apresenta variações nas suas
propriedades, influenciada pelas espécies botânicas e condições ambientais de plantio,
resultando em características geométricas específicas que definem a heterogeneidade9
dos elementos roliços. As peças apresentam eixo longitudinal irregular marcado por:
curvatura e sinuosidade (BRITO, 2010); variabilidade dimensional devido ao formato
cônico do tronco da árvore e área de contato reduzida para realização dos encaixes das
peças proveniente da forma cilíndrica do material. Esses fatores determinam a
dificuldade de conexão entre elementos que necessitam de união para gerar formas
arquitetônicas.
Entre as diversas maneiras de unir peças de madeira roliça as mais conhecidas
são: entalhes, tarugos, cavilhas, pregos, parafusos, conectores metálicos e conectores
plásticos. (INO, 1991). Brito (2010) descreve os vários tipos de articulação para
madeira roliça, entre eles: entalhes; barra rosqueada, arruelas e porcas; barra rosqueada
e pino metálico (Dowel-Nut10); chapas metálicas externas parafusadas (ou talas
metálicas); chapas metálicas internas parafusadas; consoles metálicos perfurados e
parafusados; chapas metálicas galvanizadas perfuradas e pregadas; cintas de chapas
metálicas perfuradas e pregadas; anel de compressão. A NBR 7190 (ABNT, 1997)
divide as ligações mecânicas em pinos metálicos (pregos e parafusos); cavilhas (pino de
madeira torneado) e conectores (anéis metálicos ou chapas).
Entalhes, ou recortes nas peças, são utilizados para auxiliar as soluções de
conexão visando aumentar a área de contato entre as peças. Brito (2010, p. 84) afirma
que “em alguns casos, a peça de madeira roliça precisa ser cortada para facilitar a

9
BRITO, 2010 descreve as defeitos da madeira roliça apresentando os defeitos aceitáveis e visualmente discerníveis.
10
Pino metálico que possui um furo com rosca fêmea compatível com o diâmetro da rosca da barra de aço. BRITO,
2010.
26

conexão das juntas e garantir o melhor comportamento entre os elementos estruturais


nas ligações.” Em outros momentos, o recorte das peças é o elemento principal da
conexão reforçada por pregos ou parafusos. Para Partel (1999) as ligações que
dispensam o uso de usinagem de encaixes proporcionam curto tempo de execução
(conexões com chapas pregadas e cintas metálicas) mas tal tipo de ligação é dificultado
quando a angulação entre roliços é variável. A dificuldade está em conseguir, para
pronta entrega, conexões em chapas pregadas com angulações variadas para os mais
diversos projetos. Na maioria das vezes o projeto deve ser adaptado as angulações
sugeridas pelas peças de conexão disponíveis no mercado.
As chapas metálicas11 permitem a composição de peças em um mesmo plano.
A chapa interna sempre necessitará de corte longitudinal nas peças roliças, sendo fixada
com parafusos12 que perfuram a madeira e a chapa metálica localizada na direção do
eixo longitudinal da peça. O corte longitudinal na extremidade da madeira pode
favorecer a rachadura da peça sendo aconselhável o uso de arame ou cinta metálica para
segurar a peça. As figuras 21 e 22 demonstram solução com arame e o método
desenvolvido para fixação.

Fig. 21. Exemplo de madeira roliça com chapa metálica interna e amarração com arame para
dificultar rachaduras na peça. Fonte: Huybers, 1991 apud Brito, 2010.

11
A NBR 7190:1997 recomenda, para as chapas de aço, uma espessura mínima de 9mm para as pontes e
6mm para os outros casos.
12
A norma NBR 7190:1997 recomenda espaçamentos e pré-furações específicas para evitar
fendilhamento nas peças de madeira.
27

Fig. 22. Processo desenvolvido para fixação do arame. Huybers, 1991 apud Brito, 2010.

A chapa metálica externa prende-se nas peças de madeira através de parafuso e


rosca. Geralmente é necessário desbastar a madeira para facilitar as juntas de união
(HOLZ, 1995), gerando chapas metálicas externas com altura menores que o diâmetro
para diminuir a área de desbaste (figura 23). Nesse caso é mais apropriado deixar a
altura da chapa em torno de ¼ do diâmetro do roliço e aumentar seu comprimento para
fixação dos parafusos em sentido longitudinal13.

Fig. 23. Desenho demonstrando a área de desbaste para chapa metálica com ¼ e ½
de altura do diâmetro. Fonte: Autor.

13
O cálculo dos esforços que a conexão irá sofrer complementa os dados necessários para a definição das
dimensões da chapa; quantidade de parafusos e distancia entre as perfurações.
28

A barra rosqueada transforma a combinação das peças de duas maneiras. Em


uma delas as peças são entalhadas para criarem maior área de contato e a barra
rosqueada, ou parafuso, fixa essa junção. Outra opção deste tipo de conexão é duplicar
as peças para prensarem uma terceira que assume outra posição no espaço, como ilustra
a figura 24. Com o auxílio da barra rosqueada se faz a fixação, sem entalhe nas peças,
sendo necessário, as vezes, um desbaste para aumentar a área de contato entre as peças.
Neste caso, a barra rosqueada atravessa as peças roliças sendo fixada com arruelas e
porcas nas extremidades. “Após a colocação do parafuso ou barra rosqueada, e arruelas,
as porcas são apertadas, comprimindo fortemente a madeira na direção transversal,
sendo o esforço transferido à madeira com auxílio das arruelas”. (BRITO, 2010). Outro
sistema é apresentado por Wolfe et al (2000) e Brito (2010) que, juntamente com a
barra rosqueada, é adicionado um pino metálico com furo compatível com a rosca da
barra (figura 24). Esse pino é inserido transversalmente na peça e recebe a barra
rosqueada inserida em eixo longitudinal da peça. Na extremidade externa da barra de
aço introduz-se a arruela e a porca. O sistema Dowel-nut pode fixar duas madeiras
roliças encostadas ou várias peças em um nó metálico.

Junção cujo eixo das peças não são Peça roliça com barra e pino metálico
coincidentes. Exemplo: Encontro no sistema Dowel-Nut. Fonte: Brito,
pilar/viga no Centro de Recepção de 2010.
Visitantes do PNI. Foto do autor.
Fig. 24. Exemplo de conexão com duplicação de peças e dowel-nut.

As conexões constituem um elemento importante na geração de combinações


com madeira roliça ao permitir o aumento do comprimento, a mudança de direção e a
união de peças provenientes de várias direções em um único ponto. Essas uniões podem
ocorrer no sentido longitudinal ou transversal das peças.
29

A junção no sentido longitudinal ocorre quando da justaposição, horizontal ou


vertical, de vários elementos roliços, produzindo planos fechados com madeira roliça.
Nas suas log homes, ou casa de troncos, a empresa Casabella (Brasil) utiliza a técnica de
torneamento que garante a uniformidade dos componentes e otimiza o formato das
junções diminuindo o prejuízo potencial do formato irregular do fuste da madeira. A
solução apontada por Partel (2006) para este tipo de encaixe é o desbaste dos cantos
para facilitar a justaposição (figura 25). Nas extremidades são utilizados recortes nas
peças para permitir a união entre dois planos formados por peças justapostas. Outra
forma de encaixe no sentido longitudinal é o anel metálico. Abdalla (2002) utiliza
madeira roliça de eucalipto citriodora em ponte onde a ligação longitudinal das peças é
feita com o uso de anel metálico, como ilustra figura 25.

Recorte que permite justaposição das Peças roliças fixadas com anel
peças. Detalhe de parede de metálico. Fonte: Abdalla, 2002.
residência. Fonte: Altoé, 2099
Fig. 25. Exemplo de conexão e relação com resultado formal.

A junção no sentido transversal da peça permite, conforme a conexão adotada,


que os eixos das peças “unidas” permaneçam no mesmo plano ou então proporcionem
ligações onde os eixos das peças passem a ser não coincidentes. Exemplo de ligações
que mantém o eixo das peças no mesmo plano é o estudo de Herbert M.R.M. (1983
apud INO, 1991) que propôs chapas metálicas planas inseridas nas extremidades das
toras e posteriormente pregadas. Tal solução pode ser observada no Gabinete do
Governador do Estado do Paraná (figura 26).
30

Junção cujo eixo das peças Várias peças convergindo em um único


permanece no mesmo plano. ponto. Exemplo: Solar Canopy, The Earth
Exemplo: Gabinete do Centre, Conisborough. Disponível em:
governador do estado do Paraná. http://www.annular.org.uk/wp-content/
Fonte: RevistaProjeto n° 196. uploads/2009/03/i_1014_canopy_6.jpg
Fig. 26. Exemplo de conexão e relação com resultado formal.

Eixos de peças não coincidentes podem ser observados em ligações parafusadas


com a necessidade de duplicação dos elementos roliços como na solução adotada pelo
arquiteto Wilson Pinto para resolver a junção de pilares com vigas no Centro de
Recepção de Visitantes do Parque Nacional do Iguaçu. (figura 24).
Além das uniões poderem ocorrer no sentido longitudinal ou transversal das
peças, observa-se que as conexões podem se dar no meio da peça e/ou na extremidade
da mesma. Assim pode-se ter: a) meio com meio; meio com extremidade; e extremidade
com extremidade. O quadro a seguir, figura 27, sintetiza as possibilidades de conexão
relacionando a situação do eixo longitudinal, contato entre as peças e quantidade de
elementos em cada ponto de junção. O quadro desconsidera soluções com peças roliças
e paralelas formando planos e soluções para ligação pilar-solo.
É possível encontrar conexões que permitem a união das peças no mesmo plano,
conexões realizadas através da duplicação de peças, bem como conexões que permitem
o encontro de vários elementos roliços em um único nó, como ilustra a cobertura do
Solar Canopy (figura 26). A direção que a peça assume a partir desse ponto influencia o
resultado compositivo bem como o sistema conectivo necessário para a junção dos
elementos, mantendo o estreitamento da relação entre solução de conexão com as
formas obtidas quando da combinação dos elementos roliços de madeira. O quadro 28
descreve as posições dos roliços e o contato entre peças.
31

Fig. 27. Quadro com soluções de conexão de acordo posição de encontro das peças. Fonte: Autor

Fig. 28. Quadro demonstrando a posição das peças de acordo a posição de seus eixos longitudinais e
a relação de contato entre as peças. Fonte: Autor baseado em A e B–RANTA-MAUNUS (1999) C-
ABDALLA (2002); D – HOLZ(1995); E-HERBERT(1983 apud INO, 1992); F-HOLZ(1995).
32

Outra classificação possível para as uniões refere-se à relação de contato entre as


peças roliças. Na maioria dos casos as peças são “moldadas” possibilitando maior área
de junção. Em outros casos, como ocorre nas soluções de duplicação das peças, existe
apenas algum ponto de contato realizado pela proximidade das peças, que não precisam
ser entalhadas. A terceira solução utiliza-se de outro elemento para separar os roliços
que não se encostam, e são fixados pelo elemento conector sem a necessidade de moldar
as peças. Observa-se que as peças podem apresentar algum ponto de contato ou estarem
separadas por algum outro componente da articulação.

Fig. 29. Classificação das conexões de acordo a relação de contato entre as peças roliças: com ponto
de contato ou sem ponto de contato. Fonte: autor a partir de referências indicadas no apêndice E.
33

Desse modo é possível caracterizar esse “conector” como positivo – quando separa
os roliços; nulo – quando os roliços se encostam por apenas um ponto ou linha; e
negativo – quando há necessidade de entalhar as peças roliças para que as mesmas
ajustem-se entre si. A figura 29 ilustra exemplos de soluções conectivas existentes a
partir desta classificação.
A diversidade em soluções conectivas, somada com as posições que as peças
assumem no espaço tridimensional, demonstram que a conexão esta diretamente ligada
às formas obtidas quando da combinação dos elementos roliços de madeira. Baseado em
princípios geométricos é possível descrever o processo compositivo que gera soluções
formais específicas. A conexão escolhida pode afetar a composição bem como a
composição exige determinadas soluções conectivas. É possível identificar a
consistência entre os processos de composição e as características geométricas nos
pontos de encontros das peças.
Os princípios combinatórios que envolvem a arquitetura com madeira roliça
potencializam, através de processos generativos, um conjunto de soluções formais a
seguir detalhados.

1.2 PROCESSOS GENERATIVOS

"Generative design is not about designing a building. It's about


designing the system that designs a building."
(HESSELGREN14 apud STOCKING, 2009).

Processos generativos são algoritmos, ou processos baseados em regras, que a


partir dos quais várias soluções podem ser criadas (SANTOS, 2009), produzindo uma
variedade de soluções em potencial para serem avaliadas. (CELANI, 2003). São
métodos de projeto cujo objetivo (Godoi 2008), é a elaboração de ferramentas projetuais
que podem gerar famílias de objetos garantindo coerência ao conjunto de soluções
utilizando ferramentas digitais ou sistemas analógicos (Fischer e Herr 2001).

14
Hesselgren is director of research at Kohn Pedersen Fox Associates (KPF), an international design
studio, and a cofounder of the SmartGeometry Group
34

As “Shape Grammar”, ou Gramática de Formas, consistem em sistema de


geração de formas através da associação de um vocabulário a um conjunto de regras.
Tal processo generativo é explicado a seguir.

1.2.1 GRAMÁTICA DE FORMAS

"Shape grammars provide a tool to explain design spaces as


well as to explore new design spaces. (PRATS, P. 71, 2007).

O termo Gramática de Formas compreende, na arquitetura, design e artes, a


definição de vocabulário de formas e de um conjunto de relações espaciais que
correspondem a diferentes arranjos do vocabulário. Um conjunto de regras definida em
função dessas relações espaciais, juntamente com a forma inicial constituída de formas
do vocabulário, compreende a gramática de formas. (KNIGHT, 1994). “Os locais de
aplicação das regras são definidos por marcadores (símbolos) que incidem na forma
inicial ou sobre um estágio prévio de derivação para definir onde a regra deve ser
aplicada ou até mesmo determinar o encerramento da aplicação das regras formais”.
(SCHEREINER, p. 28, 2009). Tais elementos definirão a linguagem de design como
pode ser observado na figura 30 a seguir.

Fig. 30. Elementos para definição de linguagem de design. Fonte: Stiny (1980)

Shape Grammars foi introduzido por Stiny e Gips em 1972, a partir da teoria
lingüística proposta por Chomsky. “Shape grammars are similar to phrase structure
grammars” (STINY E GIPS, 1972, p.127), e manipulam formas. (KNIGHT, 1994).
35

Desse modo propuseram um método sistemático para geração de desenhos ao aplicar a


gramática de formas em linguagens de pintura.
Posteriormente, Stiny (1976) em Two exercises in formal composition, propôs
dois exercícios sendo que um deles demonstra como a Shape Grammars pode ser usada
para a criação de desenhos em determinada linguagem e o outro apresenta como este
método pode ser aplicado para analisar linguagens existentes. Em 1980 Stiny amplia
seus estudos ao examinar o uso dos blocos Froebel, iniciando este método em objetos
tridimensionais. (KNIGHT, 2000).
Desse modo, a Gramática de Formas surgiu inicialmente para, a partir da
identificação do vocabulário e regras, propiciar a criação de novos objetos oriundos da
linguagem pré-estabelecida, denominando-se, neste caso, Gramática Sintética.
(MAYER, 2003); (WEBER, 2005). Em contrapartida, a Gramática Analítica busca os
princípios generativos (vocabulários e regras) de tal forma a identificar uma gramática
em comum dos objetos de análise. “A gramática analítica, aplicada na arquitetura,
objetiva o estudo da estrutura da forma do edifício, pela utilização de um processo
eminentemente gráfico de análise, que identifica padrões que originam as regras dessa
gramática.” (WEBER, 2005, p. 54). “Analisa a composição arquitetônica a partir de sua
estrutura e lógica internas” (GODOI, 2008). Assim a gramática de formas tem se
desenvolvido em duas vertentes: a descrição e análise de estilos do passado ou presente
e a criação de originais e completamente novos estilos de projeto. (KNIGHT, 1994).
Dentro deste contexto, vários estudos de arquitetura são abordados com o uso
desta metodologia. Dentre eles tem-se vários exemplos de trabalhos realizados no
exterior sendo: The Palladian grammar (STINY e MITCHELL, 1978); The language of
the prairie: Frank Lloyd Wright's prairie houses (KONING e EIZENBERG, 1981);
More than the sum of parts: the grammar of Queen Anne houses (FLEMMING, 1987)
entre outros. No Brasil, apesar de mais recente, também encontram-se exemplares de
trabalhos com gramática de formas como: A linguagem de Oscar Niemeyer (MAYER,
2003); A linguagem da Arquitetura Hospitalar de João Filgueiras Lima (WESTPHAL,
2007) e a Sistemas Generativos de Projeto: Um Estudo de Campo em Monte Alegre do
Sul (GODOI, 2008). A gramática sintética, ou original (DUARTE, 2007 e GODOI,
2008) não foi explorada tão profundamente quanto a analítica, mas está presente no
desenvolvimento de gramáticas novas baseadas no método de educação infantil de
Froebel (DUARTE, 2007).
36

Prats (2007) indica que uma técnica útil para conceber projetos criativos é gerar
alternativas de projeto. Isso pode ser conseguido através da exploração dos princípios
generativos proposto pela gramática de formas. As linguagens do design não são úteis
apenas para explicar os conjuntos de design, mas também são úteis para criar e explorar
novos conjuntos de desenhos. (PRATS, 2007).
A criação de novas gramáticas pode ser conseguida através da transformação
de uma gramática pré-estabelecida e/ou de gramática conhecida. Essa transformação
pode ser realizada por três diferentes maneiras: pela adição de regras; pela exclusão de
regras e pela mudança de regras. Além disso, as regras podem ser alteradas por mudar
os marcadores de estado e/ou os marcadores espaciais, e por mudança das relações
espaciais. Por último, as relações espaciais podem ser alteradas mediante a introdução
de novas formas, redimensionamento ou reposicionamento de formas. (KNIGHT,
1994). A figura 31 ilustra as maneiras possíveis de transformar a gramática e sugerir
novas estratégias para elaborar projetos.

Fig. 31. Diferentes maneiras de transformar a gramática de formas. Fonte: KNIGHT, 1994.

Do ponto de vista formal este trabalho não desenvolve todos os elementos


descritivos que compõe uma gramática, mas um sistema generativo baseado em regras,
compatível com o desenvolvimento futuro de uma gramática de formas.
37

Neste estudo foram identificados os princípios generativos (regras e vocabulário)


capazes de gerar um conjunto de soluções formais complexas a partir de uma estratégia
de segmentação em partes (Mitchell, 2008) e do controle das relações entre elas.
Desse modo, a partir de um único elemento, foram definidas as etapas do
processo de composição formal que propiciam a geração de superfície com elementos
roliços de madeira, o vocabulário inicial do método. As relações espaciais estabelecida
entre os elementos são a base das regras de composição (Knight, 1994), pois definem as
maneiras pelas quais as formas devem ser justapostas. As regras provem dos princípios
geométricos descritos a seguir15.

1.2.2 CONCEITOS GEOMÉTRICOS E GERAÇÃO DE SUPERFÍCIES

“Geometry lies at the core of the architectural design process.


It is omnipresent, from initial form-finding stages to actual
construction.”(POTTMAN et al, 2007-preface).

Em todos os níveis de composição, descritos nas páginas 21 a 25, os segmentos


de reta estabelecem relações espaciais entre si. Essas relações formam a base para as
regras de geração da forma. As regras se apóiam nas transformações euclidianas e nos
conceitos de geração de superfícies regradas, apresentados no apêndice I. Esses
conceitos geométricos que envolvem o segmento de reta, objeto abstrato representando
a partir de agora a madeira roliça, são a base para as regras utilizadas.
Um sistema generativo baseado em regras e aplicado a esse modelo permite,
além da geração de alternativas compositivas, vincular as características dos pontos de
encontro das peças roliças – tipos de junção – com as superfícies propostas. O
conhecimento dos tipos de junções geradas permite desenvolver princípios conectivos,
que alimentados pelos parâmetros de junções, definem a conexão genérica. Esta, por sua
vez, pode ser modelada com diferentes alternativas formais, estando apta a atender as
articulações solicitadas pelas composições geradas. Esses processos são descritos nos
próximos capítulos.

15
Jowers, (2006) apresenta estudo sobre a gramática de curvas. Mas neste trabalho considera-se somente
as peças retilíneas, portanto sem utilização de curvas na gramática.
38

2 MATERIAIS E MÉTODOS

A estruturação do modelo genérico de conexão vinculado a um padrão de soluções


formais passa por 03 etapas distintas: 1) processo generativo de superfícies de madeira
roliça; 2) relação das superfícies com as tipologias de junções a partir das superfícies
geradas na primeira fase; e 3) processo generativo de articulações a partir dos tipos de
junções gerados na segunda fase. As formas geradas na primeira etapa determinam
soluções específicas de junções e definem-se as regras necessárias para a produção de
conexões genéricas, a partir das quais é possível modelar alternativas de articulações. O
quadro 32 ilustra essas etapas indicando os materiais e métodos utilizados em cada uma
delas.

Fig. 32. Quadro indicando materiais e métodos em cada etapa da metodologia. Fonte: Autor.
39

2.1 GERAÇÃO DE SUPERFÍCIES

Através de regras pré-estabelecidas define-se o modo como o vocabulário é


combinado para gerar composições formais. Neste trabalho o processo generativo
inicia-se com o vocábulo madeira roliça e as regras extraídas dos conceitos geométricos
que envolvem as superfícies regradas, mas especificamente o parabolóide hiperbólico,
considerado neste trabalho em função da delimitação em peças retilíneas (madeira
roliça) e conexão inicial entre duas peças.
As superfícies geradas na 1° fase tornam-se o vocabulário da 2° fase, padrões
que se combinam através de regras baseadas nas transformações geométricas, ou
euclidianas. A 1° e 2° etapas de geração de superfícies são geradas considerando eixos
longitudinais dos roliços coincidentes e não coincidentes. Na 3° fase, gerada somente
com eixos longitudinais coincidentes, manipulam-se os princípios generativos
objetivando gerar outras possibilidades compositivas e, consequentemente, outras
tipologias de junções. Inicialmente trabalha-se com a parametrização de dois padrões
gerados na 1° geração que, parametrizados, são inseridos em relações espaciais pré-
estabelecidas na 2° fase de geração de superfície. Outra transformação das superfícies
ocorre com o reposicionamento das formas utilizadas proporcionando novas relações
espaciais16.

2.2 RELAÇÃO SUPERFÍCIE-JUNÇÃO

Partindo das superfícies geradas, a segunda etapa da metodologia envolve a


relação entre essas composições e as características geométricas no ponto de encontro
das peças roliças. As tipologias de junção são identificadas considerando quantidade de
peças, posição das peças, tipo de contato entre as peças e eixos longitudinais
coincidentes ou não coincidentes. A partir desses dados é possível associar as junções
com as regras de geração antecipando quais aspectos conectivos serão necessário em

16
Duas superfícies de cada etapa são utilizadas para verificar o comportamento da estrutura nas
composições geradas, e como se mantém nas superfícies parametrizadas, que sofrem deformações. O
apêndice B contempla esta verificação estrutural simplificada através de software com análise por
elementos finitos, o abaqus da Dassault Systèmes S.A.
40

cada composição formal. Essas tipologias são identificadas pelos seguintes grupos: a) 1°
e 2° geração com eixo longitudinal não coincidente; b) 1° e 2° geração com eixo
longitudinal coincidente; e c) 3° geração com eixo longitudinal coincidente. A relação
com as superfícies é realizada através das regras aplicadas para geração formal.

2.3 CONEXÃO GENÉRICA

Na terceira etapa demonstra-se como o procedimento permite a geração de


conexões genéricas aptas a atender as tipologias de junções geradas pelas composições.
Resumindo: inicialmente definem-se grupos de junção de acordo características comuns
e determinam-se quais são os parâmetros das tipologias de junções encontradas. Essa
informação permite a definição de regras para geração de conexão genérica que pode
ser vinculada com as regras de geração de superfície, direcionando escolhas para o
desenvolvimento de aspectos formais e funcionais das conexões. A conexão genérica é
modelada através da gramática de formas paramétricas, permitindo alternativas
compositivas das articulações. Essa etapa da metodologia divide-se em:
1) Descrição dos parâmetros das tipologias de junções;
2) Definição da conexão genérica através de:
i. Definição de componentes;
ii. Definição de regras de posição e quantidade de componentes.
3) Definição de regras para modelagem de conexões através de:
i. Regras de definição de vocabulário;
ii. Regras de combinação de vocabulários.
O esquema representado na figura 33 ilustra as fases do procedimento
aplicadas em cada uma das três etapas propostas: geração de superfícies, tipologias de
junção e geração de conexão genérica. O próximo capítulo descreve a aplicação da
metodologia proposta.
41

Fig. 33. Esquema ilustrando as etapas da metodologia. Fonte: Autor


42

3 APLICAÇÃO DO MÉTODO

3.1 GERAÇÃO DE SUPERFÍCIES

3.1.1 1° FASE DE GERAÇÃO

A exploração do conceito de superfícies regradas com madeira roliça considera


sua forma cilíndrica e retilínea configurando parabolóide hiperbólico, cujo perímetro
configura paralelogramos (losango ou quadrado) originados na projeção das
extremidades dos segmentos de reta. As formas geradas nesta primeira fase são
chamadas de padrões tendo o losango, ângulos internos de 120° e 60°.

Fig. 34 Superfície formada por diretrizes que partem do mesmo plano horizontal. Fonte: Autor.

Em função disso, nos padrões as geratrizes – indicadas pela letra G na figura


34 - serão sempre paralelas ao plano diretor17 (fig.34), e conectadas em pontos
correspondentes nas duas diretrizes – indicadas por D1 e D2 na figura 34 – que, por sua
vez, mantém o mesmo número de divisões.
As variações nesta fase correspondem às diferentes angulações assumidas pelas
diretrizes e pela angulação interna dos padrões. Para o vértice de origem da diretriz não
há diferença na superfície cuja projeção é um quadrado. As superfícies cujas projeções

17
Plano diretor é um plano vertical, perpendicular ao plano xy do sistema cartesiano, paralelo aos
segmentos de retas que formam a superfície.
43

constituem losango subdividem-se em dois padrões. Um cuja diretriz parte do vértice


com ângulo interno de 60° e outro do vértice com 120°.
Para as diretrizes foram considerados os ângulos 45° e 26° formado com o
plano xy, sempre iguais para as duas diretrizes e com o ponto de origem no mesmo
plano horizontal, como ilustra a figura (fig.35). As diretrizes são sempre reversas. Os
ângulos utilizados para a inclinação das diretrizes bem como a definição de seu
comprimento, estabelecem o vão da superfície que corresponde à projeção deste
segmento de reta no plano horizontal.

Fig. 35 – Quadro indicativo da 1° fase de geração: padrões. Padrões em perspectiva, vista superior
e vista frontal. Fonte: Autor.

As diretrizes foram divididas em 07 partes iguais e as peças que seguem as


linhas da geratriz interligam as divisões entre as duas diretrizes, seguindo pontos
correspondentes. O valor arbitrado entre as divisões é de 0,43 metros. Tal valor pode ser
alterado para adequar-se às necessidades funcionais do elemento arquitetônico que dele
dependa. Neste caso é preciso considerar que os ângulos das conexões entre
extremidade com meio da peça serão alterados, pois cada peça assume uma posição
diferente devido à inclinação da peça que acompanha a diretriz.
O experimento considera 15 cm de diâmetro para as peças que seguem as
linhas das diretrizes, e 10 cm de diâmetro para as peças que seguem as linhas das
44

geratrizes, sendo que a superfície foi desenhada com eixos não coincidentes, ou seja, as
peças desenhadas sobre as linhas das geratrizes estão apoiadas sobre as peças que
seguem as linhas das diretrizes.
Iniciando a estruturação da superfície por sua geometria, considera-se
inicialmente o eixo de peças “sem espessura”. Para casos onde a diretriz possua
inclinação de 26°, prevalece o vão de 2,70 para todos os lados dos quadriláteros. Para
diretrizes com inclinação de 45° prevalece o vão de 2,10 metros. Em ambos os casos as
peças do perímetro são mantidas com comprimento próximo de 3,00 metros.
Com estas dimensões previamente definidas, cada ângulo estabelecido pela
diretriz gerará vãos diferentes. A imagem abaixo (fig.36) ilustra os ângulos e vãos das
diretrizes. Os ângulos são definidos considerando eixo a eixo da peça.

Fig. 36. Ângulos e vãos padrões usados para a geração de superfícies. Fonte: Autor.

Dessa forma, para cada padrão trabalha-se com as variações da inclinação das
diretrizes e define-se o ângulo interno das figuras como ilustra a figura a seguir.
(fig.37). Assim também é possível definir os marcadores18 garantindo que a combinação
na 2° fase de geração proporcione superfícies com o ponto central elevado.

18
Os locais de aplicação das regras são definidos por marcadores (símbolos) que incidem na forma inicial ou sobre
um estágio prévio de derivação para definir onde a regra deve ser aplicada ou até mesmo determinar o encerramento
da aplicação das regras formais. SCHEREINER, p. 28, 2009
45

PADRÃO BASE PROJ. INCLIN. ORIGEM MARCADOR VÃO


DIRETRIZ DIRETRIZ
1B 26° Qquer. Vértice 2,70
vértice oposto a
origem da
diretriz
2A 45° A B 2,10

2B 26° B A 2,70

Fig. 37. Detalhes dos padrões. Fonte: Autor.

Os padrões losango e quadrado afetam a segunda etapa de geração devido à


variação da angulação interna dos quadriláteros. As variações nos padrões, ilustradas na
figura 35, foram testadas na segunda fase de geração, sendo possível observar as
possíveis combinações e as características decorrentes das junções das peças.

3.1.2 2° FASE DE GERAÇÃO

Nesta etapa o vocabulário inicial passa a ser constituído pelos padrões gerados na
primeira fase e as regras originam-se no conceito das transformações geométricas. O
padrão é combinado através da modificação das várias posições que o objeto pode
assumir no espaço, considerando inclusive o objeto na posição inicial. Destas
combinações foram consideradas soluções em que há, pelo menos, um segmento de reta
cuja posição espacial coincida com outro segmento de reta pertencente a outro padrão,
garantindo continuidade da superfície. Soluções em que isto não ocorre bem como
soluções em que o eixo de rotação dos padrões não esteja nos marcadores são
desconsideradas. A seguir descrevem-se as regras desta segunda etapa:
46

I. Rotação - neste caso é utilizada a rotação no plano horizontal com o eixo em um


dos vértices da superfície, repetindo o padrão através do giro do mesmo em torno desse
eixo, que não fica em algum ponto intermediário, pois haveria sobreposição de peças.
II. Translação - Deve ocorrer por um plano e não por um ponto para ter um
“segmento de reta” que permita continuidade da superfície. Sempre ocorre em um dos
04 planos que contem os segmentos de reta do perímetro da superfície.
III. Reflexão - Deve ocorrer do mesmo modo que a regra anterior. A diferença
está justamente na regra, pois enquanto a translação desloca o objeto em uma direção, a
reflexão espelha o mesmo pelo plano selecionado para reflexão.
IV. Reflexão e Translação – A reflexão ocorre como descrita na regra anterior,
onde o plano de reflexão pode conter uma diretriz ou uma geratriz do perímetro. A
partir do módulo gerado na reflexão aplica-se outra regra, neste caso a translação, que é
feita pelo plano correspondente a primeira etapa, ou seja, se a reflexão ocorre pelo plano
da diretriz, a translação deverá ocorrer por um plano da diretriz. O mesmo ocorre no
caso de plano que contem uma geratriz do perímetro da superfície.
V. Reflexão e Rotação - A reflexão ocorre como descrita na regra do item “III”,
cujo plano de reflexão pode conter uma diretriz ou uma geratriz. A partir do módulo
gerado na reflexão aplica-se outra regra, neste caso a rotação. O eixo desta última regra
deve estar no vértice que contem as duas superfícies e também o ponto mais alto das
diretrizes localizado no centro, pois nas extremidades gera composição com
continuidade parcial de superfície. Ao aplicar a rotação após a regra de reflexão, a
forma final será a mesma, por isso considerou-se somente regra de reflexão+rotação,
pois atende ambos os casos, seja com reflexão pelo plano que contem a diretriz ou pelo
plano que contem a geratriz.
Na combinação dos padrões pode haver sobreposição de peças, pois ao unir duas
superfícies, as peças que servem de ligação dos padrões, assumem a mesma posição no
espaço, duplicando-se. É necessário criar uma regra para eliminar uma dessas peças,
subtraí-la, de modo a adequar as superfícies nesta segunda fase de geração.
Nas transformações, os eixos de rotação e planos de reflexão e translação são
perpendiculares ao plano horizontal sem deslocamento no eixo z. Assim não há a
rotação helicoidal, que desloca o objeto no eixo z, alterando a sua posição em relação ao
plano x,y. (POTTMANN, et al, 2007; ROSEN, 1998).
47

A figura 38 ilustra as superfícies geradas com as respectivas regras utilizadas. A


letra “e” representa eixo de rotação e/ou plano de reflexão e a letra “d” representa a
diretriz.

Fig. 38. Quadro indicativo da 2° fase de geração: combinações dos padrões. Fonte: autor.

Visando verificar as regras da segunda etapa de geração e observar o


comportamento da angulação das peças dos padrões, trabalhou-se com maquetes
confeccionadas com ferro e elástico. As figuras 39 e 40 ilustram essas maquetes.

Fig. 39. Maquete ilustrando a regra de translação a partir do padrão 01. Verifica-se que a mesma
não permite continuidade da superfície, pois retas (diretrizes) são reversas.
48

Fig. 40. Maquete ilustrando a regra de rotação a partir do padrão 02.

O apêndice A contem as maquetes combinadas ilustrando os resultados da


aplicação das regras desta etapa de geração.

3.1.3 3° FASE DE GERAÇÃO

Na terceira geração trabalha-se com a descrição de Terry Knight (1994) sobre


maneiras de transformar a gramática através de alterações nas regras. Em uma delas a
gramática é transformada pela introdução de novas formas dentro das relações espaciais
pré-estabelecidas e em outras pelo reposicionamento de formas proporcionando novas
relações espaciais. Esses dois processos foram utilizados para gerar alternativas formais
nesta terceira fase.
A finalidade do experimento é desenvolver novas possibilidades a partir de
regras pré estabelecidas. Não pretende-se analisar uma linguagem existente ou
mudanças de estilo. O objetivo é demonstrar novas possibilidades combinatórias sem a
intenção de esgotá-las, observando que “nem todas as composições seguem princípios
rígidos de organização. Algumas composições utilizam variáveis aleatórias, sem deixar
de resultar em um conjunto harmonioso.” (CELANI, p. 89, 2003).
49

Num primeiro momento trabalha-se com a introdução de novas formas a partir


de relações espaciais estabelecidas. As novas formas foram criadas a partir da
parametrização19 dos padrões 01 e 02 e inseridas em relações espaciais já estabelecidas.
De acordo Prats (2007) outra maneira de obter conjuntos de projetos
satisfatórios é definir as intenções de projeto com regras de geração. Ou seja, em vez de
gerar aleatoriamente, definde-se as regras que geram apenas seqüências de desenhos
que são concordantes com as intenções do projeto.
Por isso gerou-se novos padrões equalizando-os com a intenção de manter
continuidade à superfície bem como manter o ponto central elevado. A figura 41 ilustra
a parametrização dos padrões iniciais, que mantiveram suas caracterísitcas
fundamentais mas geraram formas diferentes. (CELANI, 2003).

Fig. 41. Planta baixa e perspectiva do padrão 01 e do padrão 02. As imagens de baixo são os resultados da
parametrização do padrão 01 e do padrão 02, respectivamente, usados como novas formas na 3° fase de
geração. Fonte: Autor.

Os padrões da 1° fase são os Parabolóides Hiperbólicos. Na parametrização


proposta, alteraram-se os valores de uma das diretrizes e da geratriz adjacente. O vértice

19
“Na matemática, parâmetros são valores que podem ser atribuídos a uma determinada variável,
permitindo o cálculo de diferentes soluções para um problema. Toda equação expressa através de
parâmetros é uma equação paramétrica. (...) Isto permite a geração de uma grande quantidade de
indivíduos com características próprias, porém definidos com a mesma “fórmula” (...) Na arquitetura,
diferentes parâmetros são também utilizados na definição de diferentes formas a partir de um mesmo
conceito”. (CELANI, p22, 2003).
Design paramétrico, um processo baseado não em quantidades métricas fixas e sim em uma relação
consistente entre objetos, permitindo a alteração de um único elemento para propagar as alterações
correspondentes em todo o sistema. Permite o controle e a manipulação de objetos de design,
relacionando as partes com o todo. (MEREDITH, 2008).
50

de encontro desses dois segmentos de reta, ponto alto da superfície, é deslocado


alterando o ângulo interno da figura e, consequentemente, parte do perímetro da mesma.
As figuras de projeção destas superfícies parametrizadas formam um retângulo escaleno
na primeira solução e um quadrilátero qualquer para a segunda solução, mudando a
geometria da superfície resultante. Os quatro lados do perímetro da superfície são
mantidos bem como o ângulo interno oposto ao ângulo reposicionado. Desse modo
preservaram-se, em relação ao padrão da 1° fase, um ângulo interno que contem um
ponto alto da superfície, definindo o marcador, e os lados adjacentes. Esses ângulos são:
90° para o padrão 01 e 60° para 02 como indica o círculo verde na figura 41. Os demais
ângulos são alterados determinando mudança nas inclinações das diretrizes com o plano
x,y. Consequentemente a inclinação das geratrizes em relação a um plano horizontal
também é alterada como ilustra a figura 42.

Padrão 01 parametrizado

Padrão 02 parametrizado
Fig. 42. Quadro demonstrando ângulos dos padrões da 3° geração. Desenho do autor.

A inserção de novas formas ocorreu pela substituição de padrões nas relações


espaciais pré-estabelecidas na fase 02. Para cada relação espacial gerada foi utilizado,
51

simultaneamente, os dois padrões parametrizados como descrito a seguir. O quadro 43


ilustra as gerações desta fase.

Fig. 43. Quadro da 3° fase de geração: parametrização de padrões e combinações. Fonte: Autor.

I. Rotação – Ocorre do mesmo modo que na 2° geração, mas para totalizar 360°
internos foram necessárias 05 superfícies parametrizadas. Como as rotações anteriores
não possuem soluções com 05 peças, rotacionou-se o padrão com ângulo interno de 90°
duas vezes e três vezes o padrão com ângulo interno de 60°.
II. Translação - Deve ocorrer por um dos dois planos que não sofreram
parametrização sendo um através do plano que contem a diretriz e outro através de
plano que contem a geratriz do perímetro, ambos adjacentes ao marcador dado. De
qualquer modo, a aplicação desta regra não gera continuidade de superfícies, pois geram
só um ponto de contato.
52

III. Reflexão – Ocorre pelos mesmos planos citados na regra de translação da 3°


geração, mas para provocar o encontro dos planos, rotacionou-se um dos padrões, tanto
pela reflexão através da geratriz como pela diretriz, pois os padrões parametrizados não
foram refletidos. Estes substituíram os padrões gerados na 1° fase, introduzindo novas
formas nas relações espaciais definidas na 2° fase de geração. Mantiveram-se os
ângulos não deformados e seus lados adjacentes no mesmo plano de reflexão.
IV. Reflexão e Translação – A superfície gerada pela aplicação da regra anterior
(substituição de padrões na reflexão) ao sofrer translação, não gera outra superfície
contínua devido aos planos opostos não serem paralelos.20
V. Reflexão e Rotação – Ocorre como explicado na 2° geração, mas o eixo desta
regra deve estar no vértice que contem os marcadores das duas superfícies. O resultado
é o mesmo obtido pela rotação.
O segundo processo utilizado trabalha com a modificação de alguns princípios
generativos, as regras identificadas nas fases 01 e 02. As formas são reposicionadas
proporcionando novas relações espaciais. Demonstrando essa possibilidade de geração
trabalhou-se com a alteração da regra reflexão + translação, regra aplicada na segunda
fase de geração. A reflexão, e posteriormente a translação, ocorrem através de uma
orientação, a diretriz, neste caso uma reta no eixo x. Para gerar outra superfície, a
diretriz é modificada e transformada em curva sinuosa.
Para a aplicação do princípio proposto utilizou-se programação no software, o
Grasshoper, desenvolvido por David Rutten at Robert McNeel & Associates. É um
programa integrado as ferramentas do programa Rhinoceros, que permite a modelagem
de elementos tridimensionais a partir da definição de relações geométricas indicadas
pelo projetista. Essas relações são definidas por componentes no Grasshoper e
visualizadas tridimensionalmente no Rhinoceros.
A programação desenvolve-se a partir de uma curva qualquer desenhada no
Rhinoceros e selecionada no Grasshoper, como ilustra a figura 44. Com essa curva
inicia-se a relação geométrica na qual a construção de linhas reversas eqüidistantes
entre si vão estruturando a superfície. As linhas externas da superfície, praticamente
paralelas à curva desenhada, podem ser divididas em segmentos. Na superfície ilustrada
(fig. 45) faz-se divisão em quatro partes. A programação permite que esses segmentos

20
Para gerar outra superfície seria necessário mudar a posição do plano de reflexão de modo a garantir
continuidade das formas, situação não abordada neste trabalho.
53

sejam também ulteriormente divididos, resultando na divisão de pontos correspondentes


que, ao serem conectados, formam as geratrizes.
A imagem a seguir (fig. 45) ilustra um modelo que sofreu alteração na sua
composição a partir da transformação da diretriz curva inicialmente reta.

Fig. 44. Programação parcial de geração de superfície a partir de diretriz curva. Fonte: Autor

Fig. 45 Vista superior e perspectiva da composição inicial com diretriz em linha reta. Vista superior
e perspectiva da composição modificada a partir da alteração do princípio gerador, a diretriz,
inicialmente em linha reta transformou-se em curva, reposicionando a forma. Fonte: Autor
54

3.2 RELAÇÃO SUPERFÍCIE - JUNÇÃO

3.2.1 TIPOLOGIAS DE JUNÇÕES

A partir das combinações geradas foi possível analisar as características


geométricas das junções em cada ponto de encontro das pecas roliças. As variações
observadas decorrem de aspectos como: a) eixos longitudinais coincidentes ou não
coincidentes; b) contato entre as peças - extremidade com extremidade ou extremidade
com meio da peça; c) quantidade de peças; d) com ponto de contato ou separados por
algum outro componente da articulação. A figura 46 ilustra esses aspectos.

Fig. 46. Figura indicando as possíveis variações das características dos pontos de junção. Fonte:
Autor.

Soluções arquitetônicas envolvem opções por eixos coincidentes ou não


coincidentes bem como ter ou não ponto de contado entre as peças. O diâmetro da peça
pode definir os sistemas de articulação mais aptos a determinadas dimensões,
considerando esforços solicitados em cada ponto. Outro aspecto que influencia o tipo de
encontro dos elementos roliços é a inclinação, em menor ou maior grau, que as peças
55

assumem no espaço tridimensional, formando ângulos diferentes de acordo a posição no


sistema de coordenadas (x, y e z) como ilustra a figura 47.

Fig. 47. As peças roliças podem assumir diversas inclinações no espaço tridimensional.

A partir de superfícies com eixos coincidentes21 observa-se: c) quantidade de


peças; b) contato entre as peças - extremidade com extremidade ou extremidade com
meio da peça em cada encontro de peças em todas as possibilidades formais propostas.
Na sequencia repete-se o processo a partir de superfícies com eixos não coincidentes
para a 1° e 2° geração. Neste caso as peças que acompanham as linhas das geratrizes
estão apoiadas sobre as peças que seguem as linhas das diretrizes. Por isso, além dos
itens c e b anteriormente citados, considera-se a posição dos eixos das peças.
Finalizando esse processo, analisou-se o comportamento das extremidades das peças
(item d das tipologias de junções), através da simulação de sistemas conectivos
existentes que foram aplicados nas tipologias de junções geradas. Essa etapa é explicada
no item 3.2.3.

21
Considera-se superfícies com eixos coincidentes aquelas formadas por peças roliças cujos eixos
longitudinais se encontram, ao passo que as superfícies com eixos longitudinais não coincidentes são
aquelas cujo um grupo de peças possui eixo longitudinal acima dos eixos longitudinais das demais peças.
Neste último caso, os roliços são apoiados sobre outras peças roliças.
56

Fig. 48. Imagem indicando a sequencia de geração de superfície e tipologias de junções.


Fonte: Autor.

As tipologias de junção formada pela composição entre os elementos roliços


foram identificadas em cada superfície observando quais tipologias surgiram com a
aplicação das regras de geração. Este procedimento foi realizado em cada uma das três
etapas de geração de superfície como exemplifica a figura 48. A figura 49 descreve as
superfícies geradas com as tipologias de junções identificadas, sendo que as demais
tipologias e relação com superfície encontram-se no apêndice C. Os pictogramas,
usados esquematicamente, descrevem em vista superior a situação extremidade com
extremidade e vista para a situação extremidade com meio. O item QTID. refere-se a
quantidade de peças; o item JUNÇ. refere-se ao tipo de encontro das peças sendo Ec/E
extremidade com extremidade e Ec/M extremidade com meio.
57

Fig. 49. Quadro com os tipos de junção existentes em cada solução arquitetônica gerada pelo sistema na
segunda etapa de geração, considerando eixo das peças coincidentes. Fonte: autor.

O mesmo processo é repetido com a 1° e 2° geração considerando-se as


superfícies com eixos não coincidentes. O quadro 50 exemplifica a relação das
superfícies com as tipologias encontradas, estando no apêndice C os demais quadros. A
parte mais escura dos pictogramas ilustra a peça com eixo longitudinal acima das
demais, ou seja, ilustra a peça que está apoiada sobre a inferior.

Fig. 50. Quadro com os tipos de junção existentes em cada solução arquitetônica gerada pelo
sistema na segunda etapa de geração, considerando eixo das peças não coincidentes. Fonte: autor.
58

3.2.2 REGRAS DE GERAÇÃO E GRUPOS DE JUNÇÃO

Com os dados obtidos foi possível definir as tipologias de junção de acordo as


regras de geração. Assim, pela regra aplicada é possível prever ou antecipar a superfície
resultante bem como as tipologias de junções necessárias. A figura 51 exemplifica essas
tipologias, desenhadas em vista superior. Destaca-se que a angulação entre o eixo das
peças considerando a projeção sobre o plano xy e a inclinação das peças em relação ao
plano horizontal é referenciada em nota abaixo do pictograma como também é possível
localizar, no apêndice D, as regras e as respectivas tipologias de junções encontradas.

Fig. 51. Quadro exemplificando a relação regras de geração e tipologia das junções para solução com eixo
coincidente para 1° e 2° geração. Fonte: Autor.

A partir do estabelecimento de relações entre tipologias de junção e regras de


geração, foram selecionadas as tipologias de junção necessárias ao sistema formal
proposto. As 1as e 2as gerações, com eixo coincidente, formam 20 tipos de junções; com
eixo não coincidente formam 41 e a 3° geração, com eixo coincidente, gera 86 junções
59

diferentes, sendo 42 junções somente da superfície gerada com diretriz curva. O quadro
52 ilustra essas tipologias, considerando o eixo das peças coincidentes e não
coincidentes bem como as tipologias necessárias na 3a geração. As tipologias
caracterizadas por junção - extremidade com meio da peça - foram representadas por
um pictograma e a variação angular destacada abaixo. As demais tipologias, com menor
número, foram desenhadas de acordo a angulação entre eixo das peças.

Fig. 52. Quadro com as tipologias de junção encontradas nas superfícies geradas. Fonte: Autor.
60

As diferenças de inclinação (26° para padrão 01 e 02 e 45° para padrão 03) não
foram consideradas para diferenciar as tipologias de junção por se manterem constantes
em todo o sistema de geração. Com eventual alteração de inclinação, as tipologias
permanecem iguais sendo somente alterado o valor proposto para a inclinação.

3.2.3 CONTATO ENTRE PEÇAS

A geometria das junções “com ponto de contato e sem ponto de contato”,


indicada no item 3.2.1 foi testada, simulando sistemas de conexão existentes. Nas
superfícies com eixo coincidente aplicaram-se os sistemas: dowel-nut; chapa metálica
externa; chapa metálica interna e barra rosqueada. Nas superfícies com eixo não-
coincidente aplicou-se barra rosqueada e alça metálica. Os resultados podem ser
visualizados no apêndice F e G. A figura 53 ilustra o experimento.

Fig. 53. Tipologias de junção da 1° e 2° geração utilizando chapa interna. Fonte: Autor.
61

3.3 CONEXÃO GENÉRICA

Agarwal e Cagan (1998) utilizaram gramática de formas para geração de


cafeteiras variando componentes de acordo a função exercida em diferentes regiões
topológicas. Os autores dividiram o objeto em três regiões: a base; o recipiente de
armazenamento de água; e a unidade de filtro, projetadas individualmente e combinadas
numa forma final. Utilizaram a gramática de formas paramétrica, parametric shape
grammars, (AGARWAL e CAGAN, 1998), uma extensão da gramática de formas onde
as formas são definidas através do preenchimento de condições em aberto dentro de um
esquema geral pré-definido.
Considerando que a maioria dos pontos de encontro das peças roliças de madeira
geram condições específicas e, por isto, necessitam de diferentes soluções conectivas
para atender os requisitos solicitados, propõe-se uma conexão genérica capaz de atender
as combinações geradas. Para tanto definem-se os componentes básicos necessários
bem como as restrições de articulação cujos requisitos podem ser alterados de acordo
regras pré-estabelecidas. Em outras palavras, definem-se os componentes básicos da
conexão genérica e aplicam-se regras de posição e quantidade de componentes
individualmente, a partir dos parâmetros provinientes das tipologias de junção. A
conexão genérica é então modelada para gerar alternativas de articulações, permitindo
combinação dos componentes através da variação individual dos atributos, definidos a
partir de sistemas conectivos existentes.

planta elevação
Fig. 54. Desenho esquemático de tipologia de junção existente indicando junção com eixo
coincidente que recebe outra peça tornando a junção com eixo não coincidente. Fonte: Autor.
62

Este procedimento foi realizada para a 1a, 2ª e 3a geração com eixo coincidente.
A geração de superfícies com eixo não coincidente determina configurações que
necessitam de eixo coincidente, pois formam dois sistemas simultâneos com junções em
eixo coincidente que, por sua vez, recebe outras peças com eixo não coincidentes, como
ilustra a figura 54.

3.3.1 COMPONENTES DE CONEXÃO

Através da analise das tipologias de junções foi possível definir os parâmetros


fundamentais e os valores a serem atribuídos na conexão. As figuras 55 e 56 ilustram os
parâmetros extraídos das tipologias de junção encontradas onde α descreve os ângulos
entre o eixo das peças projetados no plano xy e β indica o ângulo das peças com o plano
xy (inclinação). As variáveis das características geométricas nos pontos de junção são:
os ângulos; a quantidade de peças; o tamanho do nó central (-; 0; +); bem como a
necessidade, ou não, desse elemento separador. Desse modo foi possível chegar à
geometria fundamental das conexões necessárias as superfícies geradas.

Fig. 55. Parâmetros das junções identificados para a 1° e 2° geração com eixo coincidente. As
flechas indicam os eixos longitudinais das peças de madeira. Fonte: Autor
63

Fig. 56. Parâmetros das junções identificados para a 3° geração com eixo coincidente. As flechas
indicam os eixos longitudinais das peças de madeira. Fonte: Autor

A partir das características de contato entre as peças, dois princípios foram


definidos para as conexões genéricas: extremidade com extremidade, (aqui denominado
princípio - EE) ou extremidade com meio (aqui denominado princípio - EM). A figura
57 ilustra os dois princípios discriminando os componentes de acordo com a função que
desempenham na conexão.
Os componentes 01 e 03 definem elementos de conexão que serão fixados nas
peças roliças e o componente 02 o elemento de separação das peças roliças e/ou de
união dos demais componentes. Desse modo o componente 01 e 03 tem a função de
fixar as peças roliças ao passo que o componente 02 pode: a) separar os roliços e/ ou
pode ser utilizado para minimizar a necessidade de recorte dessas peças; e b) unir os
componentes 01 e 03 propiciando coesão no conector.
64

Fig. 57. Desenho ilustrando a característica geométrica fundamental dos conectores: o 1° para
situações de encontro extremidade com extremidade e o 2° para situações extremidade com meio de
peça. Fonte: autor.

3.3.2 REGRAS GENERATIVAS DE CONEXÃO

Três etapas diferentes entre si formam as regras para composição da conexão


genérica. A 1° etapa define as regras de posição e quantidade de componentes em
função dos parâmetros das tipologias de junção. Para isso considera-se inicialmente os
componentes como eixos longitudinais centrais da madeira roliça com exceção do
componente 03, cujo componente corresponde ao eixo longitudinal situado no
quadrante do roliço junto do componente 02. As dimensões dos componentes são
variáveis em função do diâmetro da peça de madeira roliça. O quadro 58 ilustra as
regras dessa etapa de geração de conexão.
65

Regras Componentes Descrição

R1 01 n=2;3;4;5;6
e=centro nó
ângulos= 52° a 145°

rotação em xy

R2 02 e=centro nó
r=>0<2x diam.

escala

R3 01 n=1
e=centro nó
ângulos= -50° a 50°

rotação em z

Regras Componentes Descrição

R4 01 n=1
e=centro nó
ângulos= 31° a 155°

rotação em xy

R5 01 n=1
e=comp.03

reflexão

R2 02 e=centro nó
r=>0<2x diam.

escala

R3 01 n=1
e=centro nó
ângulos= -45° a 45°

rotação em z

Fig. 58. Quadro ilustrando regras de posição e quantidade de componentes para articulação.
Fonte: autor.
66

Nessa etapa também se definiu as limitações dimensionais estabelecidas pelas


tipologias de junções considerando separadamente as 03 fases de geração. No princípio
EE da 3a geração, a inclinação de 50° foi considerada separadamente dado que ocorre
somente na superfície com diretriz curva. A figura 59 ilustra as variações para o
princípio conectivo EE e a figura 60 ilustra as variações para o princípio conectivo EM.

Fig. 59. Ilustração das limitações dimensionais para a regra de rotação no princípio EE.
Fonte: Autor.
67

Fig. 60. Ilustração das limitações dimensionais para a regra de rotação no princípio EM.
Fonte: Autor

As limitações das dimensões para rotação no plano vertical, rotação em yz,


foram consideradas a partir de cortes por planos horizontais em esfera virtual,
considerada com as seguintes variações: inteira, cortada por plano superior, cortada por
68

plano intermediário, cortada por plano superior e intermediário e cortada por plano
superior e inferior.
Quando cortada por plano superior, o plano situa-se após a inclinação máxima
do roliço presente nas superfícies propostas. Desse modo a altura para o plano de corte,
indicado na figura 59 pela letra h, corresponde: sen(α +35°)*(diâmetro do roliço+15%).

O valor de α foi calculado pela expressão: sen(α1) = (diâmetro/2) / (diâmetro do


roliço+15%), obtendo-se valor de 25,7° que arredondou-se para 26°. O valor de 35° é a
máxima inclinação da 3a geração, que neste caso o ângulo necessário é de 61°
(26°+35°). Para a 1a e 2a geração o valor atribuído pode ser de 71° quando a inclinação
for de 45°, pois 45°+26°=71, e/ou 52° para inclinação de 26°, pois 26°+26°=52°.
Quando cortada por plano intermediário, este plano situa-se após a inclinação
mínima das peças roliças sem considerar sua versão negativa, pois neste caso a esfera
cortada pode ser invertida para atender as conexões refletidas por plano xy, como ilustra
a figura 61. Desse modo a altura para o plano de corte intermediário foi calculado
como: sen(α-16°)*(diâmetro do roliço +15%). O valor de α corresponde a 26° como
indicado anteriormente.
Quando a esfera virtual é cortada por plano superior e inferior, o plano superior é
refletido por plano x,y situado no eixo central da esfera, gerando o plano de corte
inferior.

Fig. 61. Esfera virtual recortada por plano superior e mesma esfera refletida por plano x,y.
Fonte: Autor.

A 2a etapa envolve regras de geração de atributos para os componentes


definindo os vocabulários dessa etapa. Baseada em sistemas conectivos metálicos, nesta
etapa demonstram-se regras para gerar variações de elementos conectores através da
substituição de vocabulário pré-definido para cada componente individualmente.
69

O componente 01 foi trabalhado considerando como vocabulário: chapa interna,


barra rosqueada e chapa externa dupla22.
Desse modo, a chapa interna segue o eixo longitudinal, aplicando-se regra de
escala para ampliar a peça no sentido transversal do roliço, sendo ½ diâmetro vetor
positivo e ½ diâmetro vetor negativo. As chapas externas partem da aplicação da
“translação” para deslocar o eixo longitudinal do centro para as duas extremidades da
peça roliça. Após, são aplicadas regras de escala para ampliar as peças no sentido do
eixo transversal do roliço, sendo 1/8 diâmetro vetor positivo e 1/8 diâmetro vetor
negativo, resultando em chapa de menor altura, diminuindo área de desbaste para
fixação. A barra rosqueada é formada a partir do eixo longitudinal, cujo cilindro é
desenvolvido ao seu redor.
O componente 02, caracterizado como um nó central, foi considerado como
positivo ou inexistente. Sendo inexistente faz com que as peças roliças se encostem
havendo necessidade de entalhá-las para ajustar as superfícies das peças. Quando
positivo foi considerado inclinado ou perpendicular ao plano xy. Sendo inclinado segue
perpendicularmente a inclinação do roliço permitindo que seja cortado
transversalmente, sem necessidade de corte oblíquo para se adaptar ao nó central. O
vocabulário deste componente é: hexágono, hexágono inclinado, quadrado, quadrado
inclinado, planos perpendiculares ao roliço23 e/ou inexistente para princípio EE. Para
princípio EM: esfera, triângulo ou inexistente. A partir do ponto central pré-estabelecido
e considerando o ponto de encontro dos eixos dos roliços definem-se os polígonos que
podem variar a sua forma inclinando suas faces de modo a ficarem perpendiculares ao
eixo longitudinal dos roliços.
O componente 03 segue o eixo longitudinal e localiza-se no quadrante do círculo
que compõe a seção transversal do roliço, permitindo a junção com os demais
componentes. Como se caracteriza por peça de meio, não permite chapa interna ou barra
rosqueada seguindo o eixo longitudinal. Considerou-se como vocabulário a chapa

22
As chapas: externa, curva e interna deverão ser fixadas nos roliços com o auxílio de barra rosqueada,
com aperto de porcas nas extremidades das barras de aço. (BRITO, 2010).
A barra rosqueada, quando inserida na extremidade do roliço, deverá ser rosqueada em pino metálico,
previamente conectado a madeira roliça, com furo rosca fêmea compatível com o diâmetro da barra.
(BRITO, 2010).
23
Tais planos podem ser unidos com chapas metálicas formando um nó central customizado para cada
situação.
70

externa e a chapa curva. A figura 62 ilustra os vocábulos utilizados para os


componentes da conexão genérica.

Fig. 62. Ilustração dos vocabulários de acordo o componente da conexão genérica. Fonte: Autor.

A 3a etapa define como o vocabulário dos componentes 01 e 03, podem ser


combinados com o vocabulário do componente 02. A figura 63 demonstra as
combinações possíveis entre os componentes de acordo o vocabulário utilizado.

Fig. 63. Relação combinatória entre vocabulário dos componentes do princípio EE e princípio EM.
Fonte: Autor.

As regras foram testadas no Grasshoper24, pois além de permitir a visualização


tridimensional das combinações pretendidas, permite o controle das relações
geométricas pré-estabelecidas pelo designer. É uma plataforma de projeto que admite a
modelagem paramétrica, sendo possível esboçar um modelo digital e gerar centenas de
variações. (KHABAZI, 2010). Desse modo é possível experimentar diferentes

24
Programa desenvolvido por David Rutten at Robert McNeel & Associates.
71

combinações bem como estabelecer as restrições necessárias para cada conexão. Os


componentes das conexões foram parametrizados em relação ao diâmetro médio das
peças roliças de madeira, onde a variação do diâmetro da mesma resulta em alteração
das dimensões da conexão e seus componentes.
A programação foi feita separadamente para cada um dos dois princípios (EE e
EM) da conexão, partindo da definição do ponto inicial de cada conexão genérica No
caso do princípio-EE o ponto inicial encontra-se no centro do componente 02 ao passo
que no princípio-EM o ponto inicial encontra-se no ponto comum ao componente 03 e
02. Na sequencia foram inseridas as regras da 1a etapa que definem os parâmetros
necessários para atender as tipologias de junções e depois modelados os vocábulos da 2a
etapa.
A última etapa combinou os componentes para gerar as alternativas de
articulações. A figura 64 ilustra o processo e a figura 65 descreve a programação no
Grasshoper.

Fig. 64. Exemplo das etapas para gerar conexão genérica. Fonte: Autor.

Fig. 65. Imagem da programação realizada no grasshoper para o princípio EE. Fonte: Autor
72

Considerando as tipologias de junções existentes na 3a etapa de geração, com


ângulos mais irregulares e em maior número que os ângulos da 1a e 2a geração, foi
elaborada solução para o componente 02 de modo a torná-lo mais flexível e apto a
atender a variação angular proveniente das múltiplas posições assumidas pelos
componentes 01 e 03.
Assim, para o princípio EE, o componente 02 foi estruturado também a partir de
esfera na qual foram modelados planos perpendiculares ao eixo longitudinal dos
elementos roliços de modo a recebê-los sem a necessidade de entalhes na face
transversal da peça. O ponto central da esfera é coincidente com o ponto de encontro
dos eixos longitudinais das peças de madeira. O raio da esfera foi calculado em função
do diâmetro do roliço e com acréscimo de dimensão para que as peças mais próximas,
ângulo de 52° entre seus eixos longitudinais, não tivessem contato. O valor do raio é
igual ao diâmetro do roliço + 15%, valor obtido pelo cálculo do triângulo retângulo
formado em função do ângulo de aproximação das peças e do diâmetro do roliço. Esse
valor coincide com a medida do ponto central da lateral da face que cortará a esfera,
como ilustra a figura 66 a seguir.
A figura 67 demonstra exemplos de articulações geradas variando os vocábulos
dos componentes conectivos.

Fig. 66. Cálculo do raio da esfera em relação ao menor ângulo entre peças. Fonte: autor.
73

Fig. 67. Quadro com exemplos de articulações geradas a partir do princípio EE. Fonte: Autor.

Para o princípio EM, o componente 02 foi considerado inexistente, como uma


esfera e como um triângulo de dimensões variáveis. No caso da esfera foi necessário
ampliar seu diâmetro em relação à esfera utilizada para o princípio de conexão EE, para
que a mesma pudesse atender todas as angulações e inclinações. Para o componente 02
com forma de triângulo trabalhou-se com este fechado ou aberto. O triangulo aberto é
adequado para receber a fixação da barra rosqueada. O componente com esta
configuração é combinado com os atributos do componente 01 ao passo que o
componente 03 mantém-se como chapa externa reta ou curva. O triângulo foi
programado através da angulação entre a peça de meio com a peça que aproximasse
desta pelas extremidades, sendo o menor ângulo encontrado de 31°. Assim modelaram-
se dois triângulos, um variando de 0° a 60° e outro de 0° a -60°, como ilustra a imagem
68.
74

Fig. 68. Representação em planta de componente 02 em forma de triângulo. Na 1° imagem com


angulação nula e na 2° com 60°, máxima rotação necessária. Fonte: Autor.

Quando da existência de três peças, qualquer geração do componente 02 em


triângulo ou esfera, é espelhado através de plano que contem o eixo longitudinal do
roliço de meio. A inclinação dessa conexão acompanha a circunferência do roliço sem
interferência no caso de duas conexões na mesma peça, como ilustram as figura 60 e 69.
O estudo da limitação permitiu identificar a angulação máxima para o arco que forma a
chapa curva do componente 03. Assim possível utilizar o ângulo de 90° sem ocorrer
sobreposição de peças.
A imagem 69 ilustra exemplos das conexões modeladas pela variação dos
vocábulos dos componentes e a imagem 70 ilustra exemplos de articulações
representadas juntamente com as peças roliças.
75

Fig. 69. Ilustração com exemplos de conexão para princípio EM. Fonte: Autor.

Fig. 70. Imagem com exemplo de conexões propostas. Fonte: Autor


76

Conexões existentes:
O modelo genérico de conexão proposto também mostrou-se apto a descrever
conexões existentes. O quadro 71 mostra a análise do modelo através do vocabulário
usado em cada componente.

Fig. 71. Quadro com a descrição das conexões existentes. Referências das imagens encontram-se no
apêndice H. Fonte: Autor.
77

4 ANÁLISE DOS RESULTADOS

4.1 GERAÇÃO DE SUPERFÍCIES

Na 1° fase trabalhou-se com três modelos de padrões, um com projeção do


perímetro formando um quadrado e os outros dois, um losango. No padrão 01, todos os
vértices possuem ângulo de 90°, o que possibilitou o deslocamento do eixo de rotação
para dois destes, localizados nos vértices mais altos em relação ao plano xy. No padrão
02, os vértices cuja diretriz encontra com seu ponto mais alto em relação ao plano xy do
sistema cartesiano, apresentam ângulo de 60°. Isso forma uma superfície de 06 módulos
quando aplicada regra de rotação. No padrão 03 a origem da linha da diretriz parte do
vértice de 60°, sendo o ponto mais alto da mesma no vértice com ângulo de 120°, onde
localiza-se o marcador, o que gera uma superfície de 03 módulos quando aplicada a
regra de rotação. O ângulo do vértice que contem o eixo de rotação determina quantos
módulos dos padrões são necessários para completar 360°, a rotação completa,
indicando como a variação do padrão afeta as combinações na fase 02 de geração.
Além disso, para cada padrão é possível variar a inclinação das peças que
acompanham as diretrizes o que determina mudanças de inclinação de toda a superfície,
visto que as geratrizes são ligadas as diretrizes. Os padrões testados apresentam
diretrizes de iguais tamanhos e reversas. Entretanto, é possível testar outras posições
para os elementos, o que determinaria alteração no padrão e, consequentemente, nas
combinações possíveis da segunda fase de geração.
A regra de translação foi aplicada pelo plano que contem a geratriz da
extremidade e pelo plano que contem a diretriz, nos dois padrões. Em ambos os casos
essa regra não permite a continuidade de superfície, visto que as retas são reversas e
geram só um ponto de contato.
As regras de rotação e reflexão+rotação geram superfícies centralizadas devido
à junção dos padrões num ponto central, para os três vocábulos. As regras de
reflexão+translação geram superfícies lineares, pois os padrões se agrupam seguindo
diretriz retilínea. No caso do padrão 03, a regra de rotação e reflexão+rotação geram as
mesmas junções, com os mesmo ângulos
78

Na 3° fase a regra de reflexão+rotação e a regra de rotação geram igual


superfície e consequentemente mesmas tipologias de junções.

4.2 RELAÇÃO SUPERFÍCIE - JUNÇÕES

Dentro os itens indicados na página 54 - item 3.2.1., observa-se que as tipologias


de junções são afetadas, inicialmente, pela escolha do eixo longitudinal das peças - item
a), sendo coincidente ou não. Isso reflete na alteração das características geométricas
nos pontos de encontros das peças roliças solicitando soluções de conexões específicas
conforme a escolha prévia da posição dos eixos nas superfícies.
Os itens b) e c), quantidade de peças e o tipo de contato entre peças são
provenientes da geração formal proposta cujas aplicações de diferentes regras
proporcionam variações nas junções sendo possível uma análise por fases de geração,
conforme descrito a seguir.
Na 1a fase, as junções são geradas entre duas peças, extremidade com
extremidade e extremidade com meio da peça, sendo que as junções de extremidade
com extremidade ocorrem nos vértices dos padrões.
Na 2 a fase, a regra de reflexão bem como a de reflexão+translação, ambas pelo
plano que contem a geratriz, são as soluções formais que conservam as características
das junções mais próximas com as junções presentes nos padrões da 1a fase, sendo
necessário apenas mais um tipo de conexão: extremidade com extremidade e 03 peças.
Por sua vez, regras de reflexão e de reflexão+translação, ambas pelo plano que contem a
diretriz geram vários encontros de três peças-extremidade com meio. As regras de
rotação e de reflexão+rotação apresentam características compositivas semelhantes,
marcadas pelo ponto central da superfície, ponto de junção de várias peças, comum a
essas soluções formais. A diferença ocorre pela posição dos eixos longitudinais dos
roliços, fato que acarreta soluções de conexões diferentes nas junções dos padrões. O
número de padrões após regra de rotação, é que define a quantidade de peças a serem
unidas no ponto central.
As tipologias de junções geradas pelo padrão 03 podem ser comparadas com as
tipologias geradas pelo padrão 02. As exceções estão nas inclinações dos roliços, que
diferem-se devido a inclinação atribuída aos padrões na 1a fase de geração e nas
79

tipologias de junções geradas pelas regras de rotação e reflexão+rotação pois utilizam


03 padrões para rotação completa.
A relação das regras de geração com as tipologias de junções, ilustrada no
apêndice D, demonstra que a regra que proporciona mais tipos diferentes de junção é a
reflexão+rotação, com cinco tipologias. As regras de reflexão e reflexão+translação
ambas pelo plano que contem a geratriz, são as que apresentam menor quantidade de
tipos possuindo um a mais que as junções dos padrões, com dois tipos.
No caso da 3a geração, como o padrão é parametrizado, as combinações já
iniciam com um número maior de tipologias de junção. Enquanto o padrão 01 possui 04
tipologias e o 02 possui 05 tipologias, os padrões 01 e 02 parametrizados possuem 16
tipologias cada. As tipologias nesta fase são em maior número, mas preserva-se a
relação das regras de geração com as tipologias geradas.
Em relação ao item c) observa-se que as peças extremidade com meio possuem
inclinações diferentes. No caso das superfícies geradas na 1° e 2° geração, os 12 pontos
de junção (EM) geram 03 tipologias. Isso ocorre em função dos padrões serem
simétricos entre si. Para eixo não coincidente, dos 12 pontos de junção (EM), 06 são
iguais gerando dobro de peças do eixo coincidente. Para os padrões parametrizados,
cada junção gera uma angulação específica totalizando 24 junções diferentes, 12 para
cada padrão da terceira fase. Na superfície com diretriz curvas todos os encontros de
peças são diferentes entre si. A angulação em relação ao plano xy também influencia
nessa diferenciação, pois as peças partem para direções distintas, alterando as
inclinações, como ilustra a figura 72.
Na análise de eixos não coincidentes observa-se a necessidade de um número
maior de tipologias de junção para atender o sistema. Além de conservar tipologias com
eixos coincidentes, geram um subsistema de eixos coincidentes para depois acrescentar
peça de eixo não coincidente. No caso de junção de três peças, extremidade com
extremidade, há diferenças no decorrer das gerações, pois a peça que fica por cima das
outras altera sua posição, gerando características diferentes na mesma tipologia de
junção. É necessário resolver o encaixe das peças com eixo coincidente para depois
sobrepor e fixar a peça com eixo não coincidente as demais. As superfícies com menos
tipologias de junção são geradas pelas regras de reflexão e reflexão+translação, ambas
pelo plano que contem a geratriz. Em razão de gerarem, na maioria das junções,
soluções entre 02 peças, são as que mais adaptáveis a este sistema.
80

Fig. 72. Elevações dos padrões. Fonte: autor.

O item d) com ponto de contato ou separados por algum outro componente da


articulação permite um agrupamento de junções pela relação da característica da
extremidade das peças: 1) com recorte ou entalhe (-), 2) aproximadas por algum ponto
de contato (0 ou nulo); ou 3) separadas por algum tipo de conector. (+). No item 1) é
necessário entalhar as peças para que haja superfície de contato. No item 2) a área de
contato é somente uma linha ou ponto podendo ser necessário um desbaste na peça para
ampliar essa área. No item 03 há outro elemento que separa as peças que pode ser
ajustado a inclinação do roliço para que este possa ser cortando transversalmente.
Na aplicação de sistemas conectivos existentes, nas tipologias de junções
geradas, observa-se que somente a chapa externa atende todos os componentes. Nas
junções com 04 e/ou mais peças é necessário um anel metálico para uni-las, devido
dificuldade de entalhar 04 peças ou mais e ainda propiciar área para fixação de chapas,
pregos e/ou parafusos. O sistema Dowel-Nut exigiu a separação de junções com 03
peças para permitir o encaixe dos conectores. Tal sistema não pode ser aplicado na
junção extremidade com meio e 03 peças devido à falta de espaço para fixar seus
componentes metálicos. O mesmo ocorreu com a chapa interna sendo agravada para
extremidade com meio e 02 peças. Com exceção de tipologias de junções com 04 peças
ou mais, que foram previamente separadas por peça metálica, as outras tipologias
necessitam de entalhe para ajustar-se as diferentes inclinações e angulações impostas
pelas superfícies.
81

Desse modo é possível conhecer as tipologias de junção e como a composição


arquitetônica afeta as mesmas, e/ou vice-versa, propiciando alteração na composição
arquitetônica e na junção simultaneamente.

4.3 CONEXÃO GENÉRICA

Como já explicitado, a conexão genérica volta-se para os dois casos de


articulação: extremidade com extremidade de peça (EE) e extremidade com meio de
peça (EM). Para esses dois princípios definiram-se as regras que formam as conexões e
as regras para a modelagem das conexões.
Os parâmetros de junção definem as características básicas das tipologias de
junção e definiram as regras de posição e quantidade de componentes. Na 1a e 2a
geração, se observa que as quantidades de peças em cada junção variam de 02, 03, 04 e
06, que os ângulos entre as peças são 60°, 90° e 120°. Os ângulos de inclinação são de
26° e/ou 45° de acordo escolha feita para os padrões. Isso também determina
inclinações variáveis para as junções específicas 2EM (duas peças encontro
extremidade com meio). Na 3a geração, devido à combinação de padrões
parametrizados, os ângulos entre as peças são irregulares e em maior quantidade. Nas
regras de geração, vocábulos específicos para cada um dos componentes foram
definidos, considerando sua posição e função na conexão. As regras para união dos
componentes definem quais combinações entre vocabulários são viáveis.

Análise do princípio EE:


A 1° e 2° gerações configuram tipologias de junção com igual inclinação,
ângulos exatos e poucas variações entre as superfícies, o que possibilita o componente
02 baseado em polígonos regulares adequado aos ângulos formados pelas peças roliças.
Para as superfícies geradas pelo padrão 01, trabalha-se com o quadrado, e para as
superfícies geradas pelo padrão 02 e 03 trabalha-se com o hexágono. Essas duas peças
foram modeladas em solução perpendicular ao plano xy e em solução inclinada
adequada a inclinação dos roliços. O procedimento inclinado minimiza o recorte da
peça visto que neste caso necessita-se apenas de recorte transversal e perpendicular ao
82

eixo longitudinal. A figura 73 ilustra uma conexão cujo roliço é cortado na extremidade
perpendicularmente ao seu eixo longitudinal.

Fig. 73. Figura ilustrando o encontro da peça roliça com componente 02 inclinado, fato que permite
o roliço ser cortado transversalmente, sem inclinações. Fonte: Autor.

Na 3° geração, a solução de conexão proposta adapta-se as junções requeridas


pelo sistema compositivo. A cada posição das peças, o componente 02 forma planos
perpendiculares às peças roliças. Adapta-se à tipologia de junção sem a necessidade de
entalhar o roliço, pois os planos facetam a esfera virtual exatamente na posição cujo
roliço tangencia o componente 02.
A solução com barra rosqueada pode ser combinada com as soluções do
componente 02, mas necessita que esse elemento seja positivo e vazado, ao considerar
espaço para fixação deste componente25. A solução com chapa interna se adapta a todas
as soluções propostas do componente 02 que, quando inexistente, obriga a união das
chapas, em ponto central da junção, para formar a conexão. O componente 02 positivo
para chapas externas permite a formação de peça única para conectar os roliços.

Análise para combinações do princípio EM:


Este princípio difere-se do anterior por apresentar mais um componente, o
componente 03. Ao passo que o componente 01 preserva as suas características, como
apresentada na conexão anterior, o componente 03 possui como vocabulário a chapa

25
O mesmo pode ser inexistente a barra rosqueada pode ser usada diretamente para fixar dois roliços, mas
será necessário entalhar as peças de madeira para ajustá-las.
83

externa curva e chapa externa plana e caracteriza-se pela ausência de chapa metálica
interna. O componente 02, além da possibilidade de ser inexistente, apresenta peças
semelhante a um nó, promovendo um espaçamento entre os roliços.
Para o componente 02 o trabalho apresenta duas situações: uma com o
componente 02 em forma de esfera e outra com o componente 02 em forma de
triângulo. Quando é necessária a junção de 03 peças, a esfera é espelhada pelo eixo do
roliço sendo necessário prever esse encontro e dimensionar o corte da esfera. Em
situações onde serão necessárias várias conexões, uma ao lado da outra, a situação pode
agravar-se pelo tamanho que a esfera necessita. No caso da solução solucionada com
um triângulo o resultado foi mais satisfatório tanto pela possibilidade de atender as
angulações como pelo apoio que a mesma gera à extremidade do roliço permitindo corte
perpendicular mesmo quando a madeira estiver inclinada. Para atender as inclinações, a
peça metálica fixa-se no roliço na posição solicitada, sendo duplicada (em reflexão)
para unir 03 roliços. Como indicado na figura 60, não ocorre sobreposição.
Nos dois princípios (EE e EM) o recorte dos roliços para unir as peças é
dificultado, além das irregularidades do material, pelas diferentes angulações
encontradas nas superfícies propostas. Assim para cada junção seria necessário recortar
a extremidade do roliço de determinada maneira. O componente 02 positivo e adequado
à posição do roliço, pode facilitar a junção por permitir corte transversal na extremidade
da peça, minimizando os locais de entalhe e padronizando o tipo corte para todos os
pontos de junções. A figura 74 ilustra a situação de entalhes em relação ao formato do
componente 02 nas conexões e a figura 75 ilustra a relação entre as tipologias de
junções com o tipo de corte necessário nas fases transversais dos roliços.

Fig. 74. Quadro indicando o tipo do componente 02 e sua relação com o corte na extremidade do
roliço. Fonte: Autor
84

Fig. 75. Quadro com relação entre tipologias de junções com o tipo de corte necessário na
extremidade do roliço de acordo a forma do componente 02. Fonte: Autor

Em relação à análise realizada nos exemplos encontrados, é possível observar


que o componente 02 é sempre inexistente para encontro de 02 peças e para situações
do princípio EM. Também não se encontrou exemplos de componente 02 adequado a
posição do roliço. A maioria dos exemplos utilizados necessita de entalhe na fase
externa e transversal da madeira cilíndrica.
85

5 CONCLUSÕES E PERSPECTIVAS

Este trabalho partiu da premissa de que as conexões utilizadas para gerar


composições arquitetônicas são dificultadas pela forma cônica e irregular do material e
das variações de posição que as peças roliças assumem no espaço tridimensional. A
antecipação dos princípios compositivos permitiria projetar e controlar simultaneamente
composição e conexão, otimizando processos projetuais.
Assim, identificaram-se as características existentes em cada ponto de encontro
das peças roliças que formam as composições, e o conhecimento das tipologias de
junções permitiu a elaboração de conexão genérica, apta a atender as superfícies
propostas.
O método demonstra a capacidade de vincular as tipologias de junções com as
composições geradas através do controle das regras aplicadas. A partir dessas tipologias
foi possível planejar um sistema conectivo capaz de adaptar-se a grande variedade de
angulações das superfícies, ampliando a adequação da madeira roliça a soluções
arquitetônicas diversificadas utilizando somente dois tipos de encontro entre as peças:
extremidade com extremidade e; extremidade com meio de peça.
A variação de vocabulário, aptos a substituírem componentes da conexão
genérica, permite explorar múltiplas alternativas de combinações compositivas e
comparar diferentes opções de conexões que podem ser adequadas para um conjunto
específico de superfícies. Apoiando-se na relação regras de geração com junções é
possível identificar qual princípio de conexão será necessário para determinada solução
compositiva, permitindo ao arquiteto explorar e manipular as dimensões plásticas das
conexões. A inserção dos dados referentes as tipologias de junções num software
paramétrico (Rhinoceros e Grasshoper) permitiu modelar as diferentes situações de
conexões solicitadas além de demonstrar a possibilidade de gerar conexões com outras
angulações e quantidade de peças não presente nas superfícies propostas.
Outra contribuição é a possibilidade de adequar todas as soluções de articulação
dentro das mesmas características formais padronizando os modelos de articulação
dentro de uma mesma família. A organização do conhecimento, relacionando
composições e junções, permite planejar as conexões necessárias dentro de escolha de
vocábulos iguais ou semelhantes.
86

A escolha de eixos coincidentes e não coincidentes, para uso em composições,


pode ser melhor avaliado em razão do método proposto disponibilizar as tipologias de
junções de cada composição. O uso de eixos coincidentes pode parecer simplificado
inicialmente, mas, conforme a combinação dos padrões causa dificuldade para a
elaboração de junções devido ao aumento do número de peças e angulações em pontos
da solução arquitetônica escolhida. O método possibilita avaliar o reflexo das decisões
tomadas, visto o domínio das composições e das junções, simultaneamente.
Soma-se a esses fatores, a capacidade da conexão genérica de minimizar a
necessidade de peças roliças com cortes inclinados, pois, determinando a forma do
componente 02 da conexão, de acordo a posição do roliço, permite-se que a
extremidade da peça chegue perpendicularmente à conexão. O mesmo pode ter sua fase
externa cortada transversalmente. Além disso, as superfícies propostas geram uma
variedade de angulação entre os roliços, que acarretam em diferentes tipos de corte para
cada tipo de junção. Esses cortes proporcionam uma média de 7% de perda de material
para cada roliço com 1 metro de comprimento. A conexão adaptada a posição do roliço
permite igual corte transversal nas extremidades das peças. A escolha do componente
01 e 03 definirá perfurações e/ou desbastes necessários nas laterais da madeira, como no
caso de chapas externas. Dados com as medidas exatas de cada peça roliça bem como
considerações sobre as deformidades em seu eixo longitudinal aumentariam as
informações necessárias para fabricar uma conexão customizada para cada ponto de
junção.
A inclusão de informações sobre quantidade e dimensões de perfurações
necessárias às chapas metálicas a partir de estudos sobre esforços solicitantes em cada
conexão, irá contribuir para melhor definição das dimensões dos componentes
conectivos. Neste trabalho, as dimensões das conexões foram consideradas
proporcionais ao diâmetro médio do roliço. É necessário ampliar os estudos estruturais
que indiquem os esforços em cada ponto de encontro dos roliços, iniciado com uma
verificação estrutural simplificada em seleção das superfícies geradas. (apêndice B).
Outros desdobramentos possíveis são estudos de materiais a serem utilizados
para fabricar as articulações bem como o estudo da fabricação dessas peças em
tecnologia CAD/CAM. Nessa diretriz é possível integrar dados sobre sistemas de
cobertura, sendo viável programar em software paramétricos, a inclinação máxima que
as peças poderão assumir em função do fechamento proposto. Indica-se assim
87

possibilidades funcionais para aplicação das superfícies propostas neste trabalho, que
além de coberturas, pode ser utilizada como elementos de fachada. Neste último caso
seria necessária a rotação tridimensional da superfície.
Modelos de articulação propostos também podem ser aprofundados no que se
refere à execução, como no exemplo formado a partir de planos perpendiculares a
posição do eixo longitudinal do roliço. Neste caso é possível planejar como executar a
proposta partindo de esfera e/ou de chapas que unem, ligam esses planos. Além disso,
outros sistemas conectivos podem ser acrescentados ao vocabulário dos componentes
permitindo novas soluções de articulações.
A madeira roliça é um material irregular e heterogêneo, mas é possível obter um
sistema homogêneo através de futuro desenvolvimento de soluções para moldar os
outros elementos que entram em contato com as peças roliças. Abre-se perspectiva para
criar um programa que seja alimentado com as dimensões dos roliços, de modo a
fornecer dados exatos às conexões, considerando que essas irregularidades dimensionais
podem ser amenizadas e absorvidas pelas articulações paramétricas. Outra possibilidade
refere-se ao problema do nivelamento do telhado, que fica desigual com a estruturação
em madeira roliça. Nesses casos são utilizadas cunhas e entalhes para nivelar a
cobertura. A partir de procedimento para medição dos roliços e inserção de tais dados
em programa CAD/CAM, o nivelamento poderá ocorrer com o desenvolvimento de
diretrizes para cortar as ripas de acordo as variáveis dimensionais dos roliços.
A relação de regras compositivas com tipologias de junções geradas também
pode ser inserida em programa computacional permitindo respostas mais rápidas em
ambiente automatizado de apoio à decisão e suporte a projetos arquitetônicos com
madeira roliça.
O método pode ser aplicado a soluções arquitetônicas para além da madeira
roliça, sendo possível utilizá-lo para outros tipos de barras. Explora-se a geração formal
e paralelamente identifica-se as tipologias de junções que cada composição necessita.
Soma-se a possibilidade do re-uso das conexões (JOHANSSON e KLIGER, 2007),
através do desenvolvimento de regras genéricas que descrevam quando é apropriado
usar as respectivas conexões e qual é seu comportamento.
88

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93

APÊNDICES
94

Apêndice A - Geração de superfície

PADRÃO 01

RESULTADO 2° GERAÇÃO
2.1. ROTAÇÃO

2.2.
TRANSLAÇÃO
2. REGRAS

2.3. REFLEXÃO

2.4.REF.+TRANSL.

2.5. REF.+ROTAÇ.
95

PADRÃO 02

RESULTADO 2° GERAÇÃO
2.1. ROTAÇÃO

2.2. TRANSLAÇÃO

2.3. REFLEXÃO
2. REGRAS

2.4.REF.+TRANSL.

2.5. REF.+ROTAÇ.
96

PADRÃO 03

RESULTADO 2° GERAÇÃO
2.1. ROTAÇÃO

2.2.
TRANSLAÇÃO

2.3. REFLEXÃO
2. REGRAS

2.4.REF.+TRANSL.

2.5. REF.+ROTAÇ.
97

Apêndice B - Verificação estrutural

Considerando as propriedades da madeira roliça, cujas estruturas podem ser mais


esbeltas em função da relação peso versus resistência, com capacidade de suportar
sobrecargas de curta duração sem efeitos nocivos (BRITO, 2010), o objetivo desta etapa
da metodologia é verificar se as superfícies geradas, mesmo com as deformações
propostas, são viáveis para uso estrutural.
A partir de uma análise simplificada, o objetivo é verificar tensões e os
deslocamentos em estruturas de madeira para a utilização em coberturas26, considerando
madeiras roliças de reflorestamento. Para tanto foram testados exemplares da 2° e 3°
geração sendo: reflexão e translação para padrão 01 e 02; rotação para padrão 02 e 03;
superfície parametrizada curva e superfície parametrizada rotação ambos da 3° fase de
geração, como ilustra a figura 01 a seguir.

Figura 1. Imagens ilustrando as superfícies testadas estruturalmente através do software abaqus.

Os testes para analisar a estrutura dos modelos foram feitos com ajuda de um
software de análise por elementos finitos, o Abaqus, da Dassault Systèmes S.A., com as

26
A geração de superfícies sobre plano horizontal possibilita tal aplicação.
98

propriedades e informações das superfícies inseridas no software, e utilizando um


elemento de malha de 0.05 m e estrutura do tipo viga.
Os carregamentos na estrutura são devidos: ao vento de 50 kg/m2 aplicado
perpendicularmente a cada viga, ao peso do telhado, de 30 kg/m2 aplicado na vertical da
estrutura e ao peso da estrutura, na direção da gravidade (de 9.81 m/s2). Já os engastes
estão localizados nos pontos onde estão os pilares de sustentação, são engastes totais, ou
seja, que não permitem deslocamentos em qualquer direção.
Como a madeira roliça é um elemento cônico, seu diâmetro não é uniforme em
toda a peça. Para nível de cálculo foi considerado diâmetro de 15 cm. Este é um valor
que pode ser considerado como madeira roliça de pequeno diâmetro de acordo a
classificação proposta pela Associação Brasileira de Preservadores de Madeira-ABPM.
(PARTEL, 2006). Partel (2006) indica que a madeira com este diâmetro ou menor, é
viável para aplicação em diversos sistemas estruturais “gerando edificações com
componentes econômicos de madeira roliça para composição de estruturas leves”.
(PARTEL, P. 33, 2006). Quanto às propriedades da madeira a serem consideradas para
dimensionamento de estruturas27 são: densidade, resistência, rigidez ou módulo de
elasticidade e umidade. (Brito, 2010 p. 152). Desse modo serão considerados os valores
indicados pela norma NBR 7190 (ABNT, 1997) para inserir valores referentes a
propriedades do material. Por tratar-se de espécie vegetal há variação desses valores
conforme a madeira escolhida. As espécies reflorestadas disponíveis na região e
comumente usadas para construção civil são Eucalyptus saligna, Eucalyptus dunnii e
Eucalyptus grandis28, sendo o Eucalyptus saligna o mais usado. Os dados de suas
propriedades são apresentados na figura 02.

27
Quando utilizadas para estrutura, as peças deverão ser selecionadas e esta seleção pode ser feita através
de classificação mecânica ou classificação visual. Brito (2010) faz uma revisão dos limites tolerados para
defeitos das peças em caso de classificação visual. Sendo espécies de reflorestamento, também deverão
ser previamente tratadas garantindo a durabilidade perante agentes destruidores. Isto é necessário porque
as madeiras de reflorestamento não são naturalmente duráveis, divergindo de espécies que tem
durabilidade natural. Detalhamento de projeto adequado e manutenção das edificações são fatores que
contribuem com a durabilidade das edificações de madeira.
28
Dados obtidos por duas empresas fornecedoras do material na região: Flosul Madeiras (Capivari do
Sul-RS) Saligna e Grandis e Postes Mariane (Guaíba-RS) Saligna, Grandis e Dunnii.
99

Material: Eucalyptus Saligna*

Módulo de Elasticidade Longitudinal (E1): 14933 MPa


Módulo de Elasticidade Transversal (E2)* *: 746.65 MPa
Módulo de Cisalhamento (G12)* *: 746.65 MPa
Coeficiente de Poisson (ν12): 0.40
Resistência a Compressão Longitudinal (fc0): 46.8 MPa
Resistência a Tração Longitudinal (ft0): 95.5 MPa
Resistência a Tração Normal as Fibras (ft90): 4.0 MPa
Resistência ao Cisalhamento (fv): 8.2 MPa
Massa Específica a 12% de Umidade: 731 Kg/m3
* Dados obtidos na NBR 7190:1997 com exceção de ν12
**E2 e G são aproximados por E1/20.
Figura 2. Propriedade do material utilizados no software abaqus.

No experimento estrutural utilizou-se os dados do Eucalipto saligna fornecidos


pela norma, considerando diâmetro de 15 cm para as peças que compõe as superfícies.
Esses dados são valores médios e para efeito de cálculo estrutural é necessário
considerar método dos estados limites.
A figura 03 ilustra uma imagem da superfície com os dados obtidos pelo
Abaqus. As demais superfícies estão demonstradas na sequencia do apêndice B.

Figura 3. Exemplo de dados obtidos no software Abaqus para padrão 03 com regra de rotação.

A análise dessa verificação estrutural simplificada permitiu observar que a


estrutura suporta o carregamento proposto e com as condições de contorno impostas. O
100

valor máximo de tensão longitudinal encontrado é de 2,698 MPa para tração e 2,379
MPa de compressão, ao passo que a resistência a tração longitudinal do Eucalyptus
saligna é 95,5 MPa e a resistência a compressão longitudinal 46,8 MPa. Percebe-se que
as tensões são bem baixas, bem menores que as resistências do material como ilustra os
quadros 04 e 05.

Dados da NBR 7190: 1997


Resistência
Espécie da Tração Compressão longitudinal Cisalhamento
madeira longitudinal fto fco fv
Eucalyptus saligna 95,5 MPa 46,8 MPa 8,2 MPa
Figura 4. Quadro com os valores das propriedades da madeira.

Quanto ao deslocamento observa-se que os valores estão menores que 12mm


tanto no sentido positivo como negativo do eixo. O valor máximo para deslocamento no
sentido positivo do eixo é de 2,438 mm e para deslocamento no sentido negativo do
eixo com 12,22 mm, sendo o próximo valor de 7,348mm.
A superfície com rotação da 3° geração apresentou um deslocamento maior que
as demais superfícies, justamente nas pontas dos módulos parametrizado com vão
maior, como ilustra a figura 06.

Tensão Longitudinal (S11) Tensão Cisalhamento (S12) Deslocamento Eixo Z (U3)


Superfícies Máximo Mínimo Máximo Mínimo Máximo Mínimo
MPa MPa mm
1 a- 241 – A +1.817 - 1.817 +0.009858 -0.00985 + 0.000 - 1.940
2 a- 241 - B +1.110 -1.279 +0.06463 -0.06463 +2.438 -2.351
2 a -212 - C +2.122 -2.071 +0.2103 -0.05881 +0.4563 -7.348
2 e -212 - D +0.8296 -1.504 +0.04440 -0.03085 +0.000 -1.145
G.03-Rot - E +2,698 -2,379 +0.1654 -0,3679 +0,7116 -12,22
G.03-Curva – F +0.8726 -0.8176 +0.06806 -0.06358 +0.00939 -1.362
Figura 5. Quadro com os valores obtidos após ensaios das superfícies no software Abaqus.

Apesar de a análise realizada ser simplificada é possível observar que as


superfícies deformações pela parametrização apresentam resultados semelhantes as
demais superfícies geradas na 2° geração.
101

Figura 6. Superfícies com respectivos dados obtidos a partir da simulação no software Abaqus.

Figura 7. Superfícies indicando a posição dos pontos de apoio determinados. Fonte: Autor.

Além disso, os pontos de apoio utilizados indicam a possibilidade de unir dois


padrões com apoio somente nas extremidades e, no caso de rotação, não é necessário
utilizar apoio central (figura 07). Na superfície representada pela letra E (figura 07),
realizou-se outra análise acrescentando pilares nas extremidades dos módulos
102

(representado por quadrado na imagem 07), onde a superfície apresentou maior


deslocamento. Nesses pontos o deslocamento passou de 12,22mm para menos de 1mm
(ver continuação apêndice B). Esta análise também permite definir os pontos de apoio
das superfícies observando os vãos disponibilizados pelas combinações.
O próximo passo, não realizado neste trabalho, deverá ser a verificação dos
esforços em cada ponto de junção para complementar os dados a serem fornecidos à
conexão genérica.
As imagens a seguir apresentam os resultados obtidos no software abaqus
sendo 03 imagens para cada superfície analisada. Essas imagens demonstram: a)
deslocamento na direção Z indicado no gráfico da imagem por U3; b) Tensão
Longitudinal de Tração e Compressão indicado no gráfico da imagem por S11; e c)
Tensão de Cisalhamento (Normal) indicado no gráfico da imagem por S12.
103

Reflexão+Translação – Padrão 01
Eucalipto Saligna A
104

Reflexão+Translação – Padrão 02
Eucalipto Saligna B
105

Rotação – Padrão 02
Eucalipto Saligna C
106

Rotação – Padrão 03
Eucalipto Saligna D
107

Rotação – Padrões Parametrizados 01 e 02


Eucalipto Saligna E1
108

Rotação – Padrões Parametrizados 01 e 02


Eucalipto Saligna E2
109

Superfície em Curva – 3° geração


Eucalipto Saligna F
110

Apêndice C - Relação superfícies e tipologias de junções

Resultados formais relacionados com tipologias de junção na primeira etapa de geração considerando eixo das
peças coincidentes. Fonte: autor.
111

Quadro com os tipos de junção existentes em cada solução arquitetônica gerada pelo sistema na segunda etapa
de geração, considerando eixo das peças coincidentes. Desenho do autor.
112

Quadro com os tipos de junção existentes em cada solução arquitetônica gerada pelo sistema na terceira etapa
de geração, considerando eixo das peças coincidentes. Desenho do autor.
113

Quadro com os tipos de junção existentes em cada solução arquitetônica gerada pelo sistema na
primera etapa de geração, considerando eixo das peças não coincidentes. Fonte: Autor.
114

Quadro com os tipos de junção existentes em cada solução arquitetônica gerada pelo sistema na
segunda etapa de geração, considerando eixo das peças não coincidentes. Fonte: Autor.
115

Apêndice D - Relação das regras e tipologias de junções

60° 60°

60

60
5EE

90

90
60°

60°
90° 90°

incl. iguais 26° incl. iguais 26°

II

3EM

I
06 peças diferentes 06 peças diferentes 06 peças diferentes

21° 21° 21°


16° 16° 16°

I 78 78 78

°
° ° °

94

94

94
26° 26° 26°

28°
16°

III
°

78
137

°
26°

3EE
35° 35° 35°
28° 28° 28°

II
°

°
154°

154°

154°
137

137

137
26° 26° 26°

35° 35°
21° 21°
° °
I
90

90

60 60
°

°
154°

154°
°

°
94

94
incl. iguais incl. iguais
26° 26° 26° 26° 06 peças diferentes

TIPO
2EM I
JUNÇÃO
12 peças diferentes 12 peças diferentes 24 peças diferentes 12 peças diferentes 24 peças diferentes 18 peças diferentes 32 peças diferentes

26° 35° 21° 35° 35°


28°
13 26° 52 26° 30°
I
98
7° 35°
15

15

incl. diferentes incl. diferentes incl. diferentes incl. diferentes incl. diferentes
26°; 35°

16° 16°
26° 28° 28° 28° 45°
78 78
° 21° 55 ° 55 55 30°
II
94

94

26° 16° 26° 16° 16°


°

incl. diferentes incl. diferentes incl. diferentes incl. diferentes incl. diferentes incl. diferentes incl. diferentes

28° 21° 21° 28° 21° 21° 30°

55 52 52 55 52 52 81 26°
III 16° 35° 35° 16° 35° 35°

incl. diferentes incl. diferentes incl. diferentes incl. diferentes incl. diferentes incl. diferentes incl. diferentes

2EE
26°
26° 35°
28°
60 21° 13 30°
IV
90

°
86


94
°

incl. iguais incl. iguais incl. diferentes incl. diferentes incl. diferentes
26° 26° 28°

REGRAS ROTAÇÃO REFLEXÃO REFLEXÃO REFLEXÃO SUPERFÍCIE


S. REGRADA S. REGRADA DIRETRIZ GERATRIZ +ROTAÇÃO CURVA
PADRÃO 3° geração 3° geração 3° geração 3° geração 3° geração
PADRÃO 01P PADRÃO 02P

Quadro da relação regras de geração e tipologia das junções para solução com eixo
coincidente para 3° geração. Desenho do autor.
116

° 60 60
60 ° 60
° °

6EE I
60 ° 60
° 60 ° 60
°
incl. iguais incl. iguais
26° 26°

12
12


90
4EE I

90
incl. iguais incl. iguais
incl. iguais
26° 26°
26°

°
12

12

°
12
90

90

12

12
90


G1 G2 G1 G2 G1 G2
3EM I G1 G2 G1 G1 G2 G1 G2 G1 G2
° ° °
G1 e G2 G1 e G2 60 G1 e G2 60 60 60
°
G1 e G2 60
°
G1 e G2 G1 e G2 G1 e G2 G1 e G2
incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas
19°;12°;4° 19°;12°;4° 36°;23°;8° 19°;12°;4° 19°;12°;4° 19°;12°;4° 19°;12°;4° 36°;23°;8°

° 60 ° 60 ° 60 ° 60
60 ° 60 ° 60 ° 60 °
TIPO
I 60
° 60
° 60
° 60
° 60
° 60
° 60
° 60
°

JUNÇÃO
incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais
26° 45° 26° 45° 26° 45° 26° 45°
3EE
° 60
60 °

12


12

12

12


12

12
12

12

12

12

12

12


II °

°
90

90

90

°


90

90

°
12

12

12

12
90

90

90

90
90

90

90
°

°
12

12

12

12


incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais
26° 26° 45° 26° 26° 45° 26° 26° 45° 26° 26° 26° 26° 45° 26° 26° 45°
°

°
90

90

°
90

90

90

90

90
G1 G1 0° G1 0° G1 G1 0° G1 0° G1 G1 0° G1 G1 0° G1 0° G1 0°
60

60

60

60

60

60

60

60
G1

60

60
G1 0° G1 0° 0° G1 G1

60
G1 0° 0°

60

60
12 12 12 12 12 12 G1 12 G1 12
2EM I 12 12 12
°

°
12 12

°
G1 G1 G1 G1 G1 G1 G1 G1 G1 G1 G1 G1 G1 G1 G1 G1 G1 G1 G1 G1
incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas
19°;12°;4° 19°;12°;4° 36°;23°;8° 19°;12°;4° 19°;12°;4° 36°;23°;8° 19°;12°;4° 19°;12°;4° 36°;23°;8° 19°;12°;4° 19°;12°;4° 36°;23°;8° 19°;12°;4° 19°;12°;4° 19°;12°;4° 19°;12°;4° 36°;23°;8° 19°;12°;4° 19°;12°;4° 36°;23°;8°

I 12

12

12

12
0° 12

12
0° 12

12
0° 12
0° 12

12
0° 12

12

incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais
26° 45° 26° 45° 26° 45° 26° 45° 26° 26° 45° 26° 45°

2EE

II 60 60 60 60 60 60 60 60 60 60
90

90

60
90

90
60 60

90
° ° ° ° ° ° ° °

90

90
° ° °
°

° °
°

°
incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais
26° 26° 45° 26° 26° 45° 26° 26° 45° 26° 26° 45° 26° 26° 26° 26° 45° 26° 26° 45°

REGRAS S. REGRADA S. REGRADA S. REGRADA ROTAÇÃO ROTAÇÃO ROTAÇÃO REFLEXÃO REFLEXÃO REFLEXÃO REFLEXÃO REFLEXÃO REFLEXÃO REFLEXÃO REFLEXÃO REFL+TRANSL. REFL+TRANSL. REFL+TRANSL. REFL+TRANSL. REFL+TRANSL. REFL+TRANSL.
DIRETRIZ DIRETRIZ DIRETRIZ GERATRIZ GERATRIZ GERATRIZ +ROTAÇÃO +ROTAÇÃO DIRETRIZ DIRETRIZ DIRETRIZ GERATRIZ GERATRIZ GERATRIZ
PADRÃO PADRÃO 01 PADRÃO 02 PADRÃO 03 PADRÃO 01 PADRÃO 02 PADRÃO 03 PADRÃO 01 PADRÃO 02 PADRÃO 03 PADRÃO 01 PADRÃO 02 PADRÃO 03 PADRÃO 01 PADRÃO 02 PADRÃO 01 PADRÃO 02 PADRÃO 03 PADRÃO 01 PADRÃO 02 PADRÃO 03

Quadro da relação regras de geração e tipologia das junções para solução com eixo coincidente para 1° e 2° geração. Desenho do autor.
117

° 60 ° 60
60 ° 60 °

6EE I
60 ° 60 °
° 60 ° 60
incl. iguais incl. iguais
26° ou 45° 26° ou 45°

90°
90
4EE I
incl. iguais incl. iguais
26° ou 45° 26° ou 45°
° 60 ° 60 ° 60 ° 60 ° 60
60 ° 60 ° 60 ° 60 60

°
° °

°
90

90

90
3EM I


G1 e G2 G1 e G2 G1 e G2 G1 e G2 G1 e G2 G1 e G2
G1 e G2

12

12

12
G1 e G2

12

12
incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas
19°;12°;4° 19°;12°;4° 36°;23°;8° 19°;12°;4° 19°;12°;4° 19°;12°;4° 19°;12°;4° 36°;23°;8°

90
90

12

°
12
TIPO

12


12


I


12

12



12

12

12

12
12

12
12

12

12

12

12

12


12

12


JUNÇÃO 120° incl. iguais incl. iguais
incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais 26° incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais
26° 45° 26°
45° 26° 45° 26° 45° 26° 45°
3EE
60 60 60



° ° ° 60 60 60 60

12

12
° ° ° 60 ° 60 ° °
60 ° 60 ° 60 ° 60 ° 60 ° 60 ° 60 ° 60 ° 60 °

90
12

12
°


90

90
90

°
°
°
II

°
90

°
90

90
°
90

90
90

90
90
°

°
°
incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais
26° 26° 45° 26° 26° 45° 26° 26° 45° 26° 26° 26° ou 45° 26° 45° 26° 26° 45°
°

°
°

°
°
°

90

90

90
90

90
90
90

12 12 12 12

°
12

°
12 12 12 12

°
12 12

°
12 12
°

0° 0° 0° 0°

60

60

60

60

60

60

60

60

60
2EM
0° 0° 0° 0° 0° 0°

60

60
I
60

60

0° 0°

G1 G1 G1 G1 G1 G1 G1 G1 G1 G1 G1 G1 G1 G1 G1 G1 G1 G1 G1 G1
incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas incl. variadas
19°;12°;4° 19°;12°;4° 36°;23°;8° 19°;12°;4° 19°;12°;4° 36°;23°;8° 19°;12°;4° 19°;12°;4° 36°;23°;8° 19°;12°;4° 19°;12°;4° 36°;23°;8° 19°;12°;4° 19°;12°;4° 19°;12°;4° 19°;12°;4° 36°;23°;8° 19°;12°;4° 19°;12°;4° 36°;23°;8°

I
12

12

12

12

12
12

12

12

12
12

12
12

12




incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais
26° 45° 26° 45° 26° 45° 26° 45° 26° 26° 45° 26° 45°
2EE

II
90

90

90
90

90
90
90

60 60 60 60
°

°
60 60 60 60

°
°

°
60 60 60 60

°
°

° ° ° ° ° ° ° ° ° ° ° °

incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais incl. iguais
26° 26° 45° 26° 26° 26° 26° 45° 26° 26° 45° 26° 26° 26° 26° 45° 26° 26° 45°

REGRAS S. REGRADA S. REGRADA S. REGRADA ROTAÇÃO ROTAÇÃO ROTAÇÃO REFLEXÃO REFLEXÃO REFLEXÃO REFLEXÃO REFLEXÃO REFLEXÃO REFLEXÃO REFLEXÃO REFL+TRANSL. REFL+TRANSL. REFL+TRANSL. REFL+TRANSL. REFL+TRANSL. REFL+TRANSL.
DIRETRIZ DIRETRIZ DIRETRIZ GERATRIZ GERATRIZ GERATRIZ +ROTAÇÃO +ROTAÇÃO DIRETRIZ DIRETRIZ DIRETRIZ GERATRIZ GERATRIZ GERATRIZ
PADRÃO PADRÃO 01 PADRÃO 02 PADRÃO 03 PADRÃO 01 PADRÃO 02 PADRÃO 03 PADRÃO 01 PADRÃO 02 PADRÃO 03 PADRÃO 01 PADRÃO 02 PADRÃO 03 PADRÃO 01 PADRÃO 02 PADRÃO 01 PADRÃO 02 PADRÃO 03 PADRÃO 01 PADRÃO 02 PADRÃO 03

Quadro da relação regras de geração e tipologia das junções para solução com eixo não coincidente para 1° e 2° geração. Desenho do autor.
118

Apêndice E – Quadro ilustrando soluções conectivas e suas respectivas referências

Quadro agrupando soluções de conexão existentes observando a questão do tipo de contato entre as peças roliças, indicando as respectivas fontes.
119

Apêndice F - Aplicação de sistemas conectivos para eixo coincidente


120

Quadros com as tipologias de junção e simulação de sistemas conectivos para soluções com eixo
coincidente. As imagens sobrepostas por quadro cinza são as tipologias não atendidas pelo sistema
ou que impõe altas restrições aos mesmos.
121

Apêndice G - Aplicação de sistemas conectivos para não eixo


coincidente
122

Quadros com as tipologias de junção e simulação de sistemas conectivos. Eixo não coincidente.
123

Apêndice H – Análise de conexões existentes com as referências.


124

Apêndice I – Transformações euclidianas e Superfícies regradas.

TRANSFORMAÇÕES EUCLIDIANAS

“Important basic transformation are congruence


transformation (translation, rotation, reflection), which
preserve all lengths and angles ocurring on na object.”
(POTTMANN, et al, p. 139, 2007)

Transformações euclidianas, ocorrem tanto no espaço bidimensional como no


espaço tridimensional e podem ser aplicadas ao ponto como em figuras complexas.
“Uma das características mais importantes, sob o ponto de vista geométrico, é que
nesses movimentos o corpo não muda nem de tamanho, nem de forma”
(LEDERGERBER-RUOFF, P.58, 1982); (POTTMANN, et al, p. 139, 2007), “mas
alteram a posição do objeto” (MITCHELL, p. 127, 2008). Dentro deste conceito
encontram-se: translação, rotação e reflexão. March e Steadman (1974) apresentam as
transformações geométricas como grupos de simetria (Symmetry groups in the plane) e
apresentam as possíveis combinações com essas operações. “Uma composição
arquitetônica é simétrica desde que ela seja o resultado de operações simétricas, ou seja,
de transformações isométricas” (MITCHELL, p. 44, 2008), mantem a semelhança e o
tamanho, produzindo formas congruentes.
Outra transformação possível é a homotetia, também chamada de escala. Neste
caso o objeto é alterado em tamanho, mas conserva as características de relações
topológias, ou seja, mantem a semelhança29.
• A translação envolve deslocamento de um objeto, em certa distância, ao longo
de uma percurso específico, a diretriz.
• A rotação caracteriza-se pelo movimento do objeto ao redor de um eixo de
rotação e pode completar os 360° ou outro ângulo inferior. Pode ocorrer no plano
horizontal, vertical ou inclinado, sendo o seu eixo de rotação perpendicular ao plano
cujo movimento ocorrerá. Neste caso é utilizado a rotação no plano horizontal com o
eixo em um dos vértices da figura.

29
Duas figuras planas são semelhantes quando tem a mesma forma, mas não necessariamente o mesmo
tamanho.
125

• A reflexão caracteriza-se por alterar, além da posição do objeto, a sua


orientação. (WILMER; PEREIRA, 1978), pois a partir de uma linha ou plano que
funcionam como eixo, reflete o objeto.
• A escala altera as dimensões do objeto mas não altera suas características ou
relações.
A imagem 08 abaixo ilustra as transformações de uma forma plana.

Translação Rotação Reflexão Escala


Figura 8. Transformações de uma forma plana baseado em Mitchell (p. 126, 2008).

Outra transformação que pode ser indicada é a “Glide reflection”, ou translação


refletida (LEDERGERBER-RUOFF, 1982). Trata-se de uma combinação de duas
transformações congruentes, a reflexão e a translação, atuando paralelamente a linha, ou
eixo, de reflexão. No nível tridimensional, a “glide reflection” é a composição da
reflexão em relação ao plano R e a translação paralela a este plano. (POTTMANN, et al,
p. 145 e 176, 2007).
No nível tridimensional as transformações podem ser chamadas de
transformações espaciais, pois ocorrem nas três dimensões. Todas as transformações
geométricas consideradas em duas dimensões – transformações planares são aplicadas
em um sistema tridimensional. (ROSEN, 1998).
As regras de transformação são importantes ferramentas para geração de
objetos arquitetônicos. (POTTMANN, et al, p. 139, 2007). “Freqüentemente, uma
composição é um jogo em que as relações espaciais entre formas são modificadas por
meio da translação e da rotação”. (MITCHELL, p. 127, 2008).
126

SUPERFÍCIES REGRADAS

“Because ruled surfaces carry a family of straight lines, they


can be built more easily and can be found in such entities as
concrete architecture and timber frame construction.”
(POTTMANN, et al, p. 287, 2007)

Superfícies geométricas, de acordo Pietro (1960), podem ser definidas como o


lugar de todas as posições que ocupa, sucessivamente, no espaço uma linha móvel –
geratriz - que troca de posição e/ou também de forma, segundo uma lei determinada e
contínua - diretriz. De acordo a natureza da geratriz, as superfícies podem ser regradas
e curvas. Na primeira a geratriz é uma reta móvel e, na segunda, a geratriz é curva
sendo também chamada de superfície não regrada30. (figura 09).

Figura 9. Exemplo de superfícies formadas por geratriz reta e geratriz curva. Fonte: Autor.

A geração de superfícies também pode ser entendida a partir do conceito de


transformações geométricas, visto que a aplicação da translação moverá a geratriz em
uma direção específica, determinada pela geratriz.
Entre as superfícies regradas encontram-se os planos desenvolvíveis e os não
desenvolvíveis. O plano é gerado pelo movimento de uma geratriz (g) que se mantem
em contato com uma diretriz (d) reta, sendo paralelas todas as posições da geratriz.
(PADRÓN, 2006) como ilustra a imagem 10 a seguir.

30
As superfícies desenvolvidas possuem dimensões limitada, por isso, ao invés de linhas considera-se
segmentos de retas.
127

Figura 10. Superfície regrada plano. Fonte: Padrón, 2006.

As superfícies regradas desenvolvíveis podem estender-se sobre um plano e


podem ser divididas em superfície de revolução e de não revolução de acordo a lei que
rege o movimento da geratriz. As superfícies de revolução possuem um eixo de rotação,
uma reta fixa, e a geratriz gira em torno desse eixo (PIETRO, 1960), como demonstra a
figura 11.

Superfície cilíndrica de revolução Superfície cilíndrica de não revolução

Superfície cônica de revolução Superfície cônica de não revolução

Figura 11. Superfícies regradas desenvolvíveis. Fonte: Fonte: Padrón, 2006

As superfícies regradas não desenvolvíveis são superfícies formadas por retas,


que não podem ser planificadas. Suas propriedades são: a) não podem ser desenvolvidas
128

sobre um plano; b) duas geratrizes infinitamente próximas se cruzam; c) o plano


tangente à superfície em um ponto contém a geratriz que passa pelo dito ponto, mas não
é tangente à superfície em outros pontos da geratriz citada. (BARISON). Entre elas
pode-se citar o cilindróide, o conóide e as superfícies duplamente regradas como o
hiperbolóide de revolução e parabolóide hiperbólico. As superfícies regradas não
desenvolvíveis também podem ser divididas de acordo a lei que rege o movimento da
geratriz, ou seja, em superfície de revolução e de não revolução. Barison afirma que
“Existem diversos tipos de superfícies regradas não desenvolvíveis e esses tipos são
classificados de acordo com a posição da geratriz, diretriz e do plano diretor. As mais
conhecidas são: cilindróide, conóide, hiperbolóide parabólico e hiperbolóide de
revolução de uma só folha”. A figura 12 ilustra esses exemplos.

Cilindróide. Conóide.

Hiperbolóide de revolução. Parabolóide hiperbolóide.

Figura 12. Exemplos de superfícies regradas não desenvolvíveis. Fonte: Barison.

O parabolóide hiperbólico é uma superfície regrada gerada por uma reta,


geratriz, que se move apoiada em duas retas, diretrizes, reversas, isto é, que não
pertencem ao mesmo plano. (BARISON). Machado (p. 168, 1980) afirma que “desde
que consigamos obter quatro segmentos reversos e gerar superfícies por retas que se
apóiem em dois desses segmentos reversos paralelamente a um plano diretor a
superfície gerada, por definição é um hiperbolóide parabólico”. As geratrizes são
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ligadas por pontos, com mesmo valor de parâmetro, situados nas diretrizes. Ligando
dois pontos, um pertencendo a cada diretriz, tem-se uma geratriz arbitrária dessa
superfície. É possível ter duas famílias de linhas retas chamadas geratrizes.
(POTTMANN, et al, 2007; MACHADO, 1980). Neste caso são conhecidas por
duplamente regrada visto que pode ser entendida como duas superfícies regradas
sobrepostas inversamente.