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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PARANÁ

6ª CÂMARA CÍVEL - PROJUDI


RUA MAUÁ, 920 - ALTO DA GLORIA - Curitiba/PR - CEP: 80.030-901

Autos nº. 0054299-76.2018.8.16.0000/1

Agravo Interno n° 0054299-76.2018.8.16.0000 Ag 1


11ª Vara Cível de Curitiba
Agravante(s): MARIO ANDRE DOS SANTOS
Agravado(s): ESHO – EMPRESA DE SERVIÇOS HOSPITALARES S.A
Relator: Desembargador Roberto Portugal Bacellar

AGRAVO INTERNO. PROCESSO CIVIL. CIVIL. AÇÃO DE


OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E
PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA. INSURGÊNCIA QUANTO À
DECISÃO MONOCRÁTICA QUE INDEFERIU O PEDIDO DE
ATRIBUIÇÃO DE EFEITO SUSPENSIVO AO AGRAVO DE
INSTRUMENTO INTERPOSTO PELO RECORRENTE – JUÍZO DE
RETRATAÇÃO NÃO EXERCIDO – AGRAVANTE QUE NÃO
DEMONSTROU, ESPECIFICAMENTE, A PROBABILIDADE DO
DIREITO INVOCADO – DESCREDENCIAMENTO MÉDICO APÓS
SINDICÂNCIA INTERNA DO HOSPITAL NÃO SE VERIFICANDO, NO
MOMENTO, CONTRARIEDADE AOS PRINCÍPIOS DO
CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. DECISÃO QUE INDEFERIU
O PEDIDO DE EFEITO SUSPENSIVO MANTIDA. RECURSO
DESPROVIDO.

VISTOS, relatados e discutidos estes autos de Agravo Interno em Agravo de Instrumento nº


0054299-76.2018.8.16.0000/01, da 11ª Vara Cível de Curitiba, em que é agravante MARIO ANDRÉ
DOS SANTOS e agravadoESHO EMPRESA DE SERVIÇOS HOSPITALARES S/A.

I – RELATÓRIO

Trata-se de Agravo Interno interposto por Mario André dos Santos contra a decisão proferida pelo Juiz de
Direito Substituto em 2º grau Jefferson Alberto Johnsson no Agravo de Instrumento
0054299-76.2018.8.16.0000, que indeferiu o pedido de efeito suspensivo à decisão agravada, nos
seguintes termos (mov. 5.1, autos de agravo de instrumento):
“(...)
A decisão restou fundamentada na aparência de direito invocada pela parte
agravada, consistente na instauração de Sindicância para apuração das
condutas, em tese, praticadas pelo agravante, bem como em comportamentos que,
em tese, revelariam insubordinação do agravante às normas/procedimentos
adotados pelo hospital. Ademais, fundamentou a inexistência de ocorrência de
perigo de dano grave ou de difícil reparação no fato de que o agravante não se
encontra impedido de exercer a profissão em outro local de trabalho, o que não
acarretaria nos prejuízos financeiros por ele alegados.
Assim, estando a decisão devidamente fundamentada nestes motivos, nesse
momento, entendo pela manutenção do entendimento e decisão do Magistrado de
primeiro grau, que está mais próximo dos fatos.
Ademais, prudente que se aguarde o trâmite dos autos de Sindicância instaurados
em desfavor do agravante para que se possa melhor analisar os fatos e provas ali
constantes.
Assim, não demonstrada a aparência de razão do agravante e o perigo de risco
de dano grave ou de impossível reparação, sem prejuízo de entendimento diverso
por este Colegiado quando do julgamento de mérito da questão, oportunidade em
que os argumentos aqui debatidos poderão ser melhor examinados, o pedido
liminar não comporta concessão.
3. Desta forma, indefiro o pedido de concessão de efeito suspensivo pleiteado pela
parte.
(...)”

Em suas razões (mov. 1.1), o agravante alegou, em suma, que: a) o entendimento firmado pelo Relator
tem um único fundamento, qual seja, que a “decisão restou fundamentada na aparência de direito
invocada pela parte agravada, consistente na instauração de Sindicância para apuração das condutas, em
tese, praticadas pelo agravante, bem como em comportamentos que, em tese, revelariam insubordinação
do agravante às normas/procedimentos adotados pelo hospital”; b) restou mais do que comprovado que
embora haja a tramitação de uma sindicância em face do Conselho Regional de Medicina do Estado do
Paraná, esta ainda não chegou a nenhuma conclusão e, muito menos, não há qualquer decisão
mandamental que determinasse a exclusão do agravante do corpo clínico do hospital agravado; c) a
situação mais crítica do presente caso é justamente a ausência de atendimento do Regimento Interno do
próprio hospital, uma vez que não houve qualquer atendimento aos dispositivos do regimento para a
exclusão compulsória do agravante do corpo clínico do hospital; d) além da exclusão do agravante ter
ocorrido de forma totalmente injusta e ilegal, não houve qualquer oportunidade na via administrativa para
o contraditório e para a ampla defesa do agravante; e) o devido processo legal, o contraditório e a ampla
defesa não foram respeitados pelo hospital agravado, já que ele está sendo condenado antes mesmo do
ingresso de qualquer processo; f) a pena de demissão somente poderá ocorrer após o cumprimento do
devido processo legal, pois caso contrário, a decisão de afastamento é totalmente nula.
Assim, reitera o pedido de concessão de efeito suspensivo para o fim de determinar o retorno do
agravante às suas atividades como médico anestesista do corpo clínico do Hospital Vitória.

Não foram apresentadas contrarrazões pela parte agravada (mov. 9.0).

É o relatório.

II – VOTO E SUA FUNDAMENTAÇÃO

Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do agravo interno interposto por Mario André dos
Santos, com fulcro no artigo 1.021 do Código de Processo Civil.

Todavia, não é caso de retratação, pois o indeferimento do pedido de efeito suspensivo se baseou no fato
de não ficar demonstrado, pelo agravante, a probabilidade do direito invocado.

De acordo com o artigo 1.019, I, do mesmo diploma legal, recebido e distribuído o agravo de instrumento
no tribunal, o relator, no prazo de 5 (cinco) dias, poderá atribuir efeito suspensivo ao recurso ou deferir,
em antecipação de tutela, total ou parcialmente, a pretensão recursal.

No caso, não foram preenchidos os requisitos legais que pudessem autorizar a concessão do efeito
suspensivo pretendido.

O agravante considera que está sendo vítima de uma situação totalmente injusta, uma vez que
compulsoriamente impedido de exercer as suas atividades laborais. No entanto, neste momento, as provas
dos autos não evidenciam a situação narrada por ele e somente será possível aferir com maior segurança
após a devida instrução probatória.

Conforme salientado na decisão ora recorrida, a decisão agravada está suficientemente fundamentada,
sendo prudente que se aguarde o trâmite dos autos de Sindicância que apura as condutas praticadas pelo
agravante, cujo procedimento embora não vincule necessariamente as decisões internas do hospital,
possibilitará uma melhor análise dos fatos e provas, sendo prematura qualquer providência em sentido
contrário dos resultados dos procedimentos até então adotados.

Com efeito, diferentemente da alegação do agravante de que de uma hora para outra “estava efetuando as
suas atividades da melhor forma possível” e que foi impedido de trabalhar, o que se verifica que é houve a
instauração da Comissão de Sindicância em julho de 2017 em razão do descumprimento do Código de
Ética Médica (mov. 1.6, autos nº 0022054-09.2018.8.16.0001) e que o profissional foi devidamente
informado, bem como lhe foi oportunizada a apresentação de defesa (mov. 1.12, autos originários).

Ademais, neste momento, há elementos suficientes a demonstrar que o hospital recebeu várias denúncias
de pacientes (mov. 22.10, autos nº 0022054-09.2018.8.16.0001) e que o descredenciamento do médico foi
precedido de um procedimento adequado para avaliar a possibilidade de sua exclusão, cuja decisão
independe do resultado da sindicância em trâmite no Conselho Regional de Medicina do Estado do
Paraná.

Dessa forma, inexistem elementos a modificar a decisão agravada. Trata-se, pois, de mera irresignação,
inconformismo por parte do agravante com a solução dada ao caso, que lhe é desfavorável, não trazendo
nenhum motivo ou indício que modifique a decisão recorrida.

Diante do exposto, deixo de exercer o juízo de retratação e proponho o desprovimento do fluente agravo
interno, para mantença da decisão monocrática que indeferiu o pedido de atribuição de efeito suspensivo
ao agravo de instrumento interposto pelo agravante.

III – DECISÃO

Ante o exposto, acordam os Desembargadores da 6ª Câmara Cível do


TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PARANÁ, por unanimidade de votos, em julgar pelo (a) Não-Provimento
do recurso de MARIO ANDRE DOS SANTOS.

O julgamento foi presidido pelo (a) Desembargadora Lilian Romero, com


voto, e dele participaram Desembargador Roberto Portugal Bacellar (relator) e Desembargador Irajá
Romeo Hilgenberg Prestes Mattar.

Curitiba, 14 de maio de 2019

Desembargador Roberto Portugal Bacellar

Relator