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Leitura e interpretação de Desenho

Mecânico
Leitura e interpretação de Desenho Mecânico

© SENAI-SP, 2010

Material didático organizado pelo núcleo de Meios Educacionais da Gerência de Educação em parceria
com Escolas SENAI-SP a partir de conteúdos extraídos da intranet para Qualificação em cursos de
Formação Inicial Continuada nas áreas de Manutenção Mecânica e Metalmecânica.

Equipe responsável

Organização Eduardo Francisco Ferreira


Escola SENAI "Roberto Simonsen"

Antonio Varlese
Escola SENAI "Humberto Reis Costa"

Manoel Tolentino Rodrigues Filho


Escola SENAI "Mariano Ferraz"

Roberto Aparecido Moreno


José Carlos de Oliveira
Escola SENAI "A. Jacob Lafer"

Eugenício Severino da Silva


Escola SENAI "Almirante Tamandaré"

Rinaldo Afanasiev
Escola SENAI "Hermenegildo Campos de Almeida"

Celso De Hypólito
Escola SENAI "Roberto Mange"

Humberto Aparecido Marim


Escola SENAI "Mário Dedini"

José Serafim Guarnieri


Centro de Treinamento SENAI - Mogi Guaçu

Editoração Flavio Alves Dias


José Joaquim Pecegueiro
Marcos Antonio Oldigueri
Meios Educacionais - GED
SENAI Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
Departamento Regional de São Paulo
Av. Paulista, 1313 - Cerqueira Cesar
São Paulo - SP
CEP 01311-923

Telefone (0XX11) 3146-7000


Telefax (0XX11) 3146-7230
SENAI on-line 0800-55-1000

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Sumário

9 Introdução
11 Desenho artístico e desenho técnico
15 Material de desenho técnico
15 • O papel
18 • O lápis
18 • A borracha
19 • A régua
20 • Instrumentos de desenho
23 • Traçado de linhas com instrumentos
25 • Projeções traçadas com instrumentos
26 • Linhas curvas traçadas com compasso
26 • Perspectiva isométrica traçada com instrumentos
28 • Exercícios
33 Caligrafia técnica
35 • Exercícios
37 Figuras geométricas
38 • Ponto
39 • Linha
40 • Plano ou superfície plana
41 • Figuras planas
42 • Exercícios
45 Sólidos geométricos
56 • Exercícios
59 Perspectiva isométrica
61 • Traçados da perspectiva isométrica do prisma
64 • Traçado de perspectiva isométrica com detalhes paralelos
65 • Traçado da perspectiva isométrica com detalhes oblíquos
66 • Traçado da perspectiva isométrica com elementos arredondados
66 • Traçado da perspectiva isométrica do círculo
68 • Traçado da perspectiva isométrica do cilindro

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68 • Traçado da perspectiva isométrica do cone
69 • Outros exemplos do traçado da perspectiva isométrica
70 • Exercícios
75 Projeção ortogonal
77 • Projeção em três planos
78 • Rebatimento de três planos de projeção
82 • Exercícios
103 Aplicação de linhas
111 • Cantos e arestas da conformação
111 • Traço e ponto largo
112 • Traço ponto estreito e largo nas extremidades e na mudança de direção
112 • Ordem de prioridade de linhas coincidentes
113 • Terminação das linhas de chamadas
115 Cotagem
119 • Cotas que indicam tamanhos e cotas que indicam localização de
elementos
120 • Cotagem de peças simétricas
121 • Sequência de cotagem
125 • Cotagem de elementos esféricos
126 • Cotagem de elementos angulares
127 • Cotagem de ângulos em peças cilíndricas
128 • Cotagem de chanfros
129 • Cotagem em espaços reduzidos
130 • Cotagem por faces de referência
131 • Cotagem por coordenadas
132 • Cotagem por linhas básicas
132 • Cotagem de furos espaçados igualmente
134 • Indicações especiais
135 • Cotagem de uma área ou comprimento limitado de uma superfície, para
indicar uma situação especial
135 • Cotagem de peças com faces ou elementos inclinados
137 • Cotagem de peças cônicas ou com elementos cônicos
138 • Cotagem de conjuntos
139 • Exercícios
149 Supressão de vistas
149 • Supressão de vistas iguais e semelhantes
153 • Supressão de vistas diferentes
154 • Desenho técnico com vista única

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157 • Símbolo indicativo de quadrado
159 • Símbolo indicativo de superfície plana
160 • Símbolo indicativo de diâmetro
161 • Supressão de vistas em peças com forma composta
163 • Supressão de vistas em peças com vistas parciais
165 • Representações com vista única em vistas parciais
167 • Exercícios
175 Desenho em corte
175 • Corte
175 • Hachuras
177 • Corte na vista frontal
178 • Corte na vista superior
178 • Corte na vista lateral esquerda
179 • Mais de um corte no desenho técnico
181 • Meio-corte
182 • Meio-corte em vista única
182 • Duas representações em meio-corte no mesmo desenho
183 • Representação simplificada de vistas de peças simétricas
184 • Meia-vista
186 • Exercícios
203 Seção
205 • Indicação da seção
209 Encurtamento
211 • Representação do encurtamento no desenho técnico
211 • Mais de um encurtamento na mesma peça
212 • Representação do encurtamento em peças cônicas e inclinadas
212 • Representação com encurtamento e seção
214 • Exercício
215 Escalas
215 • O que é escala?
217 • Desenho técnico em escala
218 • Escala natural
218 • Escala de redução
219 • Escala de ampliação
220 • Escalas recomendadas
221 • Cotagem em diferentes escalas
223 • Exercícios
229 Rugosidades das superfícies

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230 • Rugosidade
234 • Sistemas de medição da rugosidade superficial
236 • Indicação do estado de superfícies em desenhos técnicos
240 • Rugosímetro
243 Recartilha
245 Tolerância dimensional
246 • O que é tolerância dimensional?
248 • Ajustes
255 Tolerância geométrica
256 • Tolerâncias de forma
270 • Indicações de tolerâncias geométricas em desenhos técnicos
277 Componentes padronizados
277 • Elementos de fixação roscados
280 • Representação normal de tipos de rosca e respectivos perfis
282 • Cotagem e indicações de roscas
286 • Arruela
287 • Mola
289 • Tipos de molas
289 • Cotagem de molas
290 • Rebite
290 • Tipos e proporções
291 • Costuras e proporções
291 • Soldas
292 • Chavetas
293 • Tipos de chavetas
294 • Polias e correias
295 • Ângulos e dimensões dos canais das polias em Vê
296 • Rolamentos
299 • Engrenagens
299 • Tipos de corpos de engrenagem
302 • Características e cotagem de engrenagens
307 • Fórmulas e traçado de dentes de engrenagem
308 • Engrenagem à evolvente aproximada - (Traçada com arcos de círculo)
310 • Cremalheira
311 • Engrenagem cilíndrica helicoidal (fórmulas e traçados)
313 Referências

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Introdução

A arte de representar um objeto ou fazer sua leitura por meio de desenho técnico é tão
importante quanto à execução de uma tarefa, pois é o desenho que fornece todas as
informações precisas e necessárias para a construção de uma peça.

O objetivo desta unidade é dar os primeiros passos no estudo de desenho técnico.


Assim, você aprenderá:
• As várias formas de representação de um objeto;
• Os recursos materiais necessários para sua representação;
• Caligrafia técnica;
• Figuras e sólidos geométricos;
• Projeção ortogonal;
• Cotagem;
• Escala.

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Avaliado pelo Comitê Técnico de Desenho Técnico/2008

Desenho artístico e desenho técnico

O homem se comunica por vários meios. Os mais importantes são a fala, a escrita e o
desenho.

O desenho artístico é uma forma de representar as ideias e os pensamentos de quem


desenhou.

Por meio de desenho artístico é possível conhecer e mesmo reconstituir a história dos
povos antigos.

Ainda pelo desenho artístico é possível conhecer a técnica de representar desses


povos.

Detalhes dos desenhos das cavernas Representação egípcia do túmulo do


de Skavberg, Noruega escriba Nakht 14 a.C.

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Atualmente existem muitas formas de representar tecnicamente um objeto. Essas
formas foram criadas com o correr do tempo, à medida que o homem desenvolvia seu
modo de vida. Uma dessas formas é a perspectiva.

Perspectiva é a técnica de representar objetos e situações como eles são vistos na


realidade, de acordo com sua posição, forma e tamanho.

Pela perspectiva pode-se também ter a ideia do comprimento, da largura e da altura


daquilo que é representado.

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Você deve ter notado que essas representações foram feitas de acordo com a posição
de quem desenhou.

Também foram resguardadas as formas e as proporções do que foi representado.

O desenho técnico é assim chamado por ser um tipo de representação usado por
profissionais de uma mesma área: mecânica, marcenaria, serralharia, etc.

Ele surgiu da necessidade de representar com precisão máquinas, peças, ferramentas


e outros instrumentos de trabalho.

No decorrer da apostila, você aprenderá outras aplicações do desenho técnico.

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Créditos Comitê Técnico de Desenho Técnico/2008
Elaboradores: Antonio Ferro Daniel Camusso
José Romeu Raphael Luiz Carlos Gonçalves Tinoco
Paulo Binhoto Filho Marcilio Manzam
Ilustrador: Devanir Marques Barbosa Vladimir Pinheiro de Oliveira
Referência
SENAI.SP. Desenho I - Iniciação ao desenho. São Paulo, 1991.

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Adaptado pelo Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010

Material de desenho técnico

O conhecimento do material de desenho técnico e os cuidados com ele são


fundamentais para a execução de um bom trabalho. A maneira correta de utilizar esse
material também, pois as qualidades e defeitos adquiridos pelo estudante, no primeiro
momento em que começa a desenhar, poderão refletir-se em toda a sua vida
profissional.

Os principais materiais de desenho técnico são:


o papel; o lápis; a borracha; a régua.

O papel

O papel é um dos componentes básicos do material de desenho. Ele tem formato


básico, padronizado pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Esse
formato é o A0 (A zero) do qual derivam outros formatos.

Formatos da série “A” (Unidade: mm)


Formato Dimensão Margem direita Margem esquerda
A0 841 x 1.189 10 25
A1 594 x 841 10 25
A2 420 x 594 7 25
A3 297 x 420 7 25
A4 210 x 297 7 25

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O formato básico A0 tem área de 1m2 e seus lados medem 841mm x 1.189mm.

Do formato básico derivam os demais formatos.

Quando o formato do papel é maior que A4, é necessário fazer o dobramento para que
o formato final seja A4.

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Dobramento
Efetua-se o dobramento a partir do lado d (direito), em dobras verticais de 185mm. A
parte a é dobrada ao meio.

Legenda
Todo desenho deve ser complementado com uma legenda que, de modo geral, deve
estar situada no canto inferior direito das folhas de desenho. Na legenda, devem estar
incluídas todas as indicações do desenho como:
a. Nome da empresa, departamento ou órgão público;
b. Título do desenho;
c. Escala do desenho;
d. Datas;
e. Assinaturas dos responsáveis pela execução, aprovação e verificação;
f. Número do desenho;
g. Número da peça, quantidades, denominações, materiais e dimensões.

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A direção da leitura da legenda deve corresponder à direção de leitura do desenho. A
legenda deve ter 178mm de comprimento nos formatos A4, A3 e A2 e 175mm nos
formatos A1 e A0.

Quantidade Denominação e Observação Peça/material e dimensões


Desenhista Nome Visto Data Empresa

Aprovação Nome Visto Data Desenho nº substituição

Escala Título do Desenho

O Lápis

O lápis é um instrumento de desenho para traçar. Ele tem características especiais e


não pode ser confundido com o lápis usado para fazer anotações costumeiras.

Características e denominações dos lápis


Os lápis são classificados em macios, médios e duros conforme a dureza das grafitas.
Eles são denominados por letras ou numerais e letras.

A borracha

A borracha é um instrumento de desenho que serve para apagar. Ela deve ser macia,
flexível e ter as extremidades chanfradas para facilitar o trabalho de apagar.

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A maneira correta de apagar é fixar o papel com uma mão e com a outra esfregar a
borracha nos dois sentidos sobre o que se quer apagar.

A régua

A régua e o escalímetro são instrumentos de desenho que servem para medir o


modelo e transportar as medidas obtidas no papel. Devem ser usados somente para
medição e nunca como apoio para traçar retas ou para cortar papel.

As unidades de medidas utilizadas em desenhos técnicos são: o milímetro, o


centímetro e o metro, dependendo da área de aplicação.

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Instrumentos de desenho

Instrumentos de desenho são objetos destinados a traçados precisos.

Os instrumentos de desenho mais comuns são:


• Régua-tê;
• Esquadro;
• Compasso.

Régua-tê
A régua-tê é um instrumento usado para traçar linhas retas horizontais.

Fixação do papel na prancheta


Para fixar o papel na prancheta é necessário usar a régua-tê e a fita adesiva.

Durante o trabalho, a cabeça da régua-tê fica encostada no lado esquerdo da


prancheta. A margem da extremidade superior do papel deve ficar paralela a haste da
régua-tê. Veja a figura:

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Esquadro
O esquadro é um instrumento que tem a forma do triângulo retângulo e é usado para
traçar linhas retas verticais e inclinadas. Os esquadros podem ser de 45° e de 60°.

O esquadro de 45º tem um ângulo de O esquadro de 60º tem um ângulo de 90º,


90º e os outros dois ângulos de 45º um de 60º e outro de 30º.

Os esquadros são adquiridos aos pares: um de 45° e outro de 60°. Ao adquirir-se um


par de esquadros deve-se observar que o lado oposto ao ângulo de 90° do esquadro
de 45° seja igual ao lado oposto ao ângulo de 60° do esquadro de 60°.

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Compasso
O compasso é um instrumento usado para traçar circunferências e arcos de
circunferência, tomar e transportar medidas.

O compasso é composto de uma cabeça, hastes, um suporte para fixar a ponta-seca e


um suporte para fixar a grafita.

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Traçado de linhas com instrumentos

Linhas horizontais traçadas com a régua-tê:

Linhas inclinadas traçadas com a régua-tê e um esquadro:

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Linhas inclinadas traçadas com a régua-tê e dois esquadros:

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Projeções traçadas com instrumentos

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Linhas curvas traçadas com compasso

Perspectiva isométrica traçada com instrumentos

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Exercícios

Material - Identificar materiais para desenho.

1. Complete o quadro abaixo, escrevendo os respectivos nomes nos formatos dos


papéis de desenho A3 e A4.

2. Complete a tabela ao lado, Formato Dimensão Margem


escrevendo as medidas das A0 841 x 1189 10
margens dos formatos A3 e A4. A1 594 x 841 10

A2 420 x 594 7

a) → A3 297 x 420

b) → A4 210 x 297

3. Complete as frases nas linhas indicadas.


a) O formato de papel A2 dá origem a dois formatos .
b) O formato de papel A3 dá origem a dois formatos .

4. Assinale com X a alternativa que corresponde às dimensões de papel formato A4.

a) ( ) 210 x 297 b) ( ) 297 x 420 c) ( ) 420 x 594

5. Entre os lápis HB e 2H, qual deles tem a grafita mais macia?


__________________________________________________________________

6. Complete as frases nas linhas indicadas.


a) A unidade de medida utilizada em desenho técnico em geral é o .
b) A borracha usada para apagar o desenho deve ser _______________, flexível
e ter as extremidades chanfradas para facilitar o trabalho de apagar.

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Traçado com instrumentos – Régua-tê e esquadros – A.

Complete as linhas conforme os exemplos dados abaixo.

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Traçado com instrumentos – Régua-tê e esquadros – B.

Complete as linhas conforme os exemplos dados abaixo.

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Traçado com instrumentos - Compasso

Complete as linhas conforme os exemplos dados abaixo.

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Créditos Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010
Elaboradores: Antonio Ferro Antonio Varlese José Serafim Guarnieri
José Romeu Raphael Celso de Hypólito Manoel Tolentino Rodrigues Filho
Paulo Binhoto Filho Eduardo Francisco Ferreira Rinaldo Afanasiev
Ilustrador: Devanir Marques Barbosa Eugenício Severino da Silva Roberto Aparecido Moreno
Humberto Aparecido Marim
José Carlos de Oliveira
Referência
SENAI.SP. Desenho I – Iniciação ao Desenho. São Paulo. 1991.

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Adaptado pelo Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010

Caligrafia técnica

Caligrafia técnica são caracteres usados para escrever em desenho. A caligrafia deve
ser legível, uniforme e facilmente desenhável.

A caligrafia técnica normalizada é constituída de letras e algarismos inclinados para a


direita, formando um ângulo de 75º com a linha horizontal.

Exemplo de letras maiúsculas

Exemplo de letras minúsculas

Exemplo de algarismos

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Proporções

Forma de escrita A (d= h/14)


Características Relação Dimensões em milímetro
Altura das letras maiúsculas h 14/14 h 2,5 3,5 5 7 10 14 20
Altura das letras minúsculas c 10/14 h - 2,5 3,5 5 7 10 14
Distância mínima entre caracteres a 2/14 h 0,35 0,5 0,7 1 1,4 2 2,8
Distância mínima entre linhas de b
20/14 h 3,5 5 7 10 14 20 28
base
Distância mínima entre palavras e 6/14 h 1,05 1,5 2,1 3 4,2 6 8,4
Largura da linha d 1/14 h 0,18 0,25 0,35 0,5 0,7 1 1,4

Forma de escrita B (d= h/10)


Características Relação Dimensões em milímetro
Altura das letras maiúsculas h 10/10 h 2,5 3,5 5 7 10 14 20
Altura das letras minúsculas c 7/10 h - 2,5 3,5 5 7 10 14
Distância mínima entre caracteres a 2/10 h 0,5 0,7 1 1,4 2 2,8 4
Distância mínima entre linhas de b
14/10 h 3,5 5 7 10 14 20 28
base
Distância mínima entre palavras e 6/10 h 1,5 2,1 3 4,2 6 8,4 12
Largura da linha d 1/10 h 0,25 0,35 0,5 0,7 1 1,4 2

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Exercícios

1. Escrever em caligrafia técnica:


Escreva o alfabeto maiúsculo.

Escreva o alfabeto minúsculo.

Escreva os algarismos.

2. Escreva: 1. O nome completo da sua escola.


2. O seu nome completo.
3. O curso em que está matriculado.

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Créditos Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010
Elaboradores: Antonio Ferro Antonio Varlese José Serafim Guarnieri
José Romeu Raphael Celso de Hypólito Manoel Tolentino Rodrigues Filho
Paulo Binhoto Filho Eduardo Francisco Ferreira Rinaldo Afanasiev
Ilustrador: Devanir Marques Barbosa Eugenício Severino da Silva Roberto Aparecido Moreno
Humberto Aparecido Marim
José Carlos de Oliveira
Referência
SENAI.SP. Desenho I - Iniciação ao desenho. São Paulo, 1991.

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Avaliado pelo Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010

Figuras geométricas

Desde o início da história do mundo, o homem tem se preocupado com a forma, a


posição e o tamanho de tudo que o rodeia.

Essa preocupação deu origem à geometria que estuda as formas, os tamanhos e as


propriedades das figuras geométricas.

Figura geométrica é um conjunto de pontos.

Veja abaixo algumas representações de figuras geométricas.

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As figuras geométricas podem ser planas ou espaciais (sólidos geométricos). Uma das
maneiras de representar as figuras geométricas é por meio do desenho técnico. O
desenho técnico permite representar peças de oficina, conjuntos de peças, projetos de
máquinas, etc.

Para compreender as figuras geométricas é indispensável ter algumas noções de


ponto, linha, plano e espaço.

Ponto

O ponto é a figura geométrica mais simples. É possível ter uma idéia do que é o ponto
observando:
• Um furo produzido por uma agulha em um pedaço de papel;
• Um sinal que a ponta do lápis imprime no papel.

O ponto é representado graficamente pelo cruzamento de duas linhas.

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Linha

A linha pode ser curva ou reta. Nesta unidade vamos estudar as linha retas.

Linhas retas
A linha reta ou simplesmente a reta não tem início nem fim: ela é ilimitada.

Na figura acima, as setas nas extremidades da representação da reta indicam que a


reta continua indefinidamente nos dois sentidos.

Semirreta
A semirreta sempre tem origem mas não tem fim. Observe a figura abaixo. O ponto A é
o ponto de origem das semirretas.

O ponto A dá origem a duas semirretas.

Segmento de reta
Se ao invés de um ponto A são tomados dois pontos diferentes, A e B, obtém-se um
pedaço limitado da reta.

Esse pedaço limitado da reta é chamado segmento de reta e os pontos A e B são


chamados extremidades do segmento de reta.

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De acordo com sua posição no espaço, a reta pode ser:

Plano ou superfície plana

O plano é também chamado de superfície plana.

Assim como o ponto e a reta, o plano não tem definição, mas é possível ter uma idéia
do plano observado: o tampo de uma mesa, uma parede ou o piso de uma sala.

É comum representar o plano da seguinte forma:

De acordo com sua posição no espaço, o plano pode ser:

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Figuras planas

O plano não tem início nem fim: ele é ilimitado. Mas é possível tomar porções limitadas
do plano. Essas porções recebem o nome de figuras planas.

As figuras planas têm várias formas. O nome das figuras planas varia de acordo com
sua forma:

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Exercícios

Figuras geométricas - Identificar figuras geométricas.

1. Na coluna A estão diversas figuras e na coluna B, os nomes dessas figuras.


Numere a coluna B de acordo com a coluna A.

Coluna A Coluna B

1. a) ( ) Losango

2. b) ( ) Linha curva

3. c) ( ) Paralelogramo

4. d) ( ) Trapézio

e) ( ) Segmento de reta
5.

f) ( ) Quadrado
6.

g) ( ) Prisma
7.
h) ( ) Círculo

8. i) ( ) Hexágono

9. j) ( ) Linha reta

10. m) ( ) Ponto

11. n) ( ) Retângulo

12. o) ( ) Semirreta

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2. Escreva embaixo de cada ilustração da reta a posição na qual ela está
representada.

3. Assinale com X alternativa correta.


Os pontos A e B do segmento de retas são chamados de:

a) ( ) lados b) ( ) extremidades

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Créditos Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010
Elaboradores: Antonio Ferro Antonio Varlese José Serafim Guarnieri
José Romeu Raphael Celso de Hypólito Manoel Tolentino Rodrigues Filho
Paulo Binhoto Filho Eduardo Francisco Ferreira Rinaldo Afanasiev
Ilustrador: Devanir Marques Barbosa Eugenício Severino da Silva Roberto Aparecido Moreno
Humberto Aparecido Marim
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Sólidos geométricos

Você já sabe que todos os pontos de uma figura plana localizam-se no mesmo plano.
Quando uma figura geométrica tem pontos situados em diferentes planos, temos um
sólido geométrico.

Analisando a ilustração abaixo, você entenderá bem a diferença entre uma figura plana
e um sólido geométrico.

Figura plana Sólido geométrico

Os sólidos geométricos têm três dimensões: comprimento, largura e altura. Embora


existam infinitos sólidos geométricos, apenas alguns, que apresentam determinadas
propriedades, são estudados pela geometria. Os sólidos que você estudará neste
curso têm relação com as figuras geométricas planas mostradas anteriormente.

Os sólidos geométricos são separados do resto do espaço por superfícies que os


limitam. E essas superfícies podem ser planas ou curvas.

Dentre os sólidos geométricos limitados por superfícies planas, estudaremos os


prismas e as pirâmides. Dentre os sólidos geométricos limitados por superfícies
curvas, estudaremos o cilindro, o cone e a esfera, que são também chamados de
sólidos de revolução.

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É muito importante que você conheça bem os principais sólidos geométricos porque,
por mais complicada que seja, a forma de uma peça sempre vai ser analisada como o
resultado da combinação de sólidos geométricos ou de suas partes.

Prismas
O prisma é um sólido geométrico limitado por polígonos. Você pode imaginá-lo como
uma pilha de polígonos iguais muito próximos uns dos outros, são formados por figuras
planas que se sobrepõem umas às outras, como mostra a ilustração:

O prisma pode também ser imaginado como o resultado do deslocamento de um


polígono. Ele é constituído de vários elementos. Para quem lida com desenho técnico
é muito importante conhecê-los bem. Veja quais são eles nesta ilustração:

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As principais características do sólido geométrico são as três dimensões: comprimento,
largura e altura.

Existem vários tipos de sólidos geométricos. Porém vamos estudar apenas os mais
importantes: o prisma, o cubo, a pirâmide e o sólido de revolução.

Note que a base desse prisma tem a forma de um retângulo. Por isso ele recebe o
nome de prisma retangular.

Dependendo do polígono que forma sua base, o prisma recebe uma denominação
específica. Por exemplo: o prisma que tem como base o triângulo, é chamado prisma
triangular.

Quando todas as faces do sólido geométrico são formadas por figuras geométricas
iguais, temos um sólido geométrico regular.

O prisma que apresenta as seis faces formadas por quadrados iguais recebe o nome
de cubo.

Prisma triangular Prisma quadrangular Prisma retangular

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Prisma hexagonal Prisma quadrangular (cubo )

O prisma é formado pelos seguintes elementos: base, faces, arestas e vértices. Como
mostra a figura abaixo.

Pirâmides
A pirâmide é outro sólido geométrico limitado por polígonos.

Você pode imaginá-la como um conjunto de polígonos semelhantes, dispostos uns


sobre os outros, que diminuem de tamanho indefinidamente. Outra maneira de
imaginar a formação de uma pirâmide consiste em ligar todos os pontos de um
polígono qualquer a um ponto P do espaço.

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É importante que você conheça também os elementos da pirâmide:

O nome da pirâmide depende do polígono que forma sua base. Na figura acima, temos
uma pirâmide quadrangular, pois sua base é um quadrado. O número de faces da
pirâmide é sempre igual ao número de lados do polígono que forma sua base mais um.
Cada lado do polígono da base é também uma aresta da pirâmide. O número de
arestas é sempre igual ao número de lados do polígono da base vezes dois. O número
de vértices é igual ao número de lados do polígono da base mais um. Os vértices são
formados pelo encontro de três ou mais arestas. O vértice principal é o ponto de
encontro das arestas laterais.

Existem diferentes tipos de pirâmides. Cada tipo recebe o nome da figura plana que
lhe deu origem.

Pirâmide triangular Pirâmide quadrangular Pirâmide retangular

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Pirâmide pentagonal Pirâmide hexagonal

Sólido de revolução
O sólido de revolução é outro tipo de sólido geométrico. Ele se forma pela rotação da
figura plana em torno de seu eixo.

A figura plana que dá origem ao sólido de revolução é chamada figura geradora. As


linhas que contornam a figura geradora são chamadas linhas geratrizes.

Os sólidos de revolução são vários. Entre eles destacamos:


• O cilindro;
• O cone;
• A esfera.

Cilindro é o sólido de revolução cuja figura geradora é o retângulo.

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50
Veja a figura a seguir. No desenho, está representado apenas o contorno da
superfície cilíndrica. A figura plana que forma as bases do cilindro é o círculo. Note
que o encontro de cada base com a superfície cilíndrica forma as arestas.

Cone é um sólido geométrico limitado lateralmente por uma superfície curva. A


formação do cone pode ser imaginada pela rotação de um triângulo retângulo em
torno de um eixo que passa por um dos seus catetos. A figura plana que forma a base
do cone é o círculo. O vértice é o ponto de encontro de todos os segmentos que
partem do círculo. No desenho está representado apenas o contorno da superfície
cônica. O encontro da superfície cônica com a base dá origem a uma aresta.

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Observe o sólido de revolução cuja figura geradora é o triângulo.

Esfera é um sólido geométrico limitado por uma superfície curva chamada superfície
esférica. Podemos imaginar a formação da esfera a partir da rotação de um
semicírculo em torno de um eixo, que passa pelo seu diâmetro. Veja os elementos da
esfera na figura abaixo.

O raio da esfera é o segmento de reta que une o centro da esfera a qualquer um de


seus pontos. Diâmetro da esfera é o segmento de reta que passa pelo centro da
esfera unindo dois de seus pontos.

O sólido de revolução cuja figura geradora é o círculo.

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Comparando sólidos geométricos e objetos da área da Mecânica
As relações entre as formas geométricas e as formas de alguns objetos da área da
Mecânica são evidentes e imediatas. Você pode comprovar esta afirmação analisando
os exemplos a seguir.

Chaveta plana Prisma retangular

Cunha Prisma retangular truncado

Porca sextavada Prisma hexagonal vazado

Há casos em que os objetos têm formas compostas ou apresentam vários elementos.


Nesses casos, para entender melhor como esses objetos se relacionam com os
sólidos geométricos, é necessário decompô-los em partes mais simples. Analise
cuidadosamente os próximos exemplos. Assim, você aprenderá a enxergar formas
geométricas nos mais variados objetos.

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Examine este rebite de cabeça redonda:

Imaginando o rebite decomposto em partes mais simples, você verá que ele é formado
por um cilindro e uma calota esférica (esfera truncada).

Existe outro modo de relacionar peças e objetos com sólidos geométricos. Observe, na
ilustração abaixo, como a retirada de formas geométricas de um modelo simples (bloco
prismático) dá origem a outra forma mais complexa.

Nos processos industriais o prisma retangular é o ponto de partida para a obtenção de


um grande número de objetos e peças.

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Observe a figura a seguir. Trata-se de um prisma retangular com uma parte rebaixada.

A próxima ilustração mostra o desenho de um modelo que também deriva de um


prisma retangular.

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55
Exercícios

Sólidos geométricos - Identificar sólidos geométricos.

1. Escreva nas linhas embaixo dos desenhos o nome de cada sólido geométrico
representado.

2. Escreva nos quadrinhos o numeral que corresponde ao nome de cada elemento do


prisma e da pirâmide.

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3. Na coluna A estão os desenhos de sólidos de revolução e na coluna B, os nomes
de suas figuras geradoras. Numere a coluna B de acordo com a coluna A.

Coluna A Coluna B

a) ( ) Círculo

b) ( ) Triângulo

c) ( ) Hexágono

d) ( ) Retângulo

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Créditos Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010
Elaboradores: Antonio Ferro Antonio Varlese José Serafim Guarnieri
José Romeu Raphael Celso de Hypólito Manoel Tolentino Rodrigues Filho
Paulo Binhoto Filho Eduardo Francisco Ferreira Rinaldo Afanasiev
Ilustrador: Devanir Marques Barbosa Eugenício Severino da Silva Roberto Aparecido Moreno
Humberto Aparecido Marim
José Carlos de Oliveira
Referência
SENAI.SP. Desenho I – Iniciação ao desenho. São Paulo, 1991.

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58
Avaliado pelo Comitê Técnico de Desenho Técnico/2008

Perspectiva isométrica

Perspectiva é a maneira de representar objetos de acordo com sua posição, forma e


tamanho.

Existem vários tipos de perspectivas. Neste momento estudaremos apenas a


perspectiva isométrica.

A perspectiva isométrica mantém as mesmas medidas de comprimento, largura e


altura do objeto.

Para estudar a perspectiva isométrica é necessário conhecer ângulo e a maneira


como ele é representado.

Ângulo é a figura geométrica formada por duas semirretas com a mesma origem.

O grau é cada uma das 360 partes em que a circunferência é dividida. Veja a seguir.

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A medida em graus é indicada por um numeral seguido do símbolo de grau. Veja
alguns exemplos.

Quarenta e cinco graus Noventa graus

Cento e vinte graus

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60
Nos desenhos em perspectiva isométrica, os três eixos isométricos (c, a, ℓ) formam
entre si ângulos de 120º. Os eixos oblíquos formam com a horizontal um ângulo de
30º.

As linhas paralelas a um eixo isométrico são chamadas de linhas isométricas.

c, a, ℓ: eixos isométricos
d, e, f: linhas isométricas.

Traçados da perspectiva isométrica do prisma

O prisma é usado como base para o traçado da perspectiva isométrica de qualquer


modelo.

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No início, até se adquirir firmeza, o traçado deve ser feito sobre um papel reticulado.
Veja abaixo uma amostra de reticulado.

Em primeiro lugar traçam-se os eixos isométricos.

Em seguida, marcam-se nesses eixos as medidas de comprimento, largura e altura do


prisma.

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Após isso, traça-se a face de frente do prisma, tomando-se como referência as
medidas do comprimento e da altura, marcadas nos eixos isométricos.

Depois se traça a face de cima do prisma tomando como referência as medidas do


comprimento e de largura, marcadas nos eixos isométricos.

Em seguida traça-se a face do lado do prisma tomando como referência as medidas da


largura e da altura marcada nos eixos isométricos.

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E, por último, para finalizar o traçado da perspectiva isométrica, apagam-se as linhas
de construção e reforça-se o contorno do modelo.

Traçado de perspectiva isométrica com detalhes paralelos

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Traçado da perspectiva isométrica com detalhes oblíquos

As linhas que não são paralelas aos eixos isométricos são chamadas linhas não
isométricas.

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Traçado da perspectiva isométrica com elementos arredondados

Traçado da perspectiva isométrica do círculo

O círculo em perspectiva tem sempre a forma de elipse.

Círculo

Círculo em perspectiva isométrica

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66
Para representar a perspectiva isométrica do círculo, é necessário traçar antes um
quadrado auxiliar em perspectiva, na posição em que o círculo deve ser desenhado.

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Traçado da perspectiva isométrica do cilindro

Traçado da perspectiva isométrica do cone

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68
Outros exemplos do traçado da perspectiva isométrica

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69
Exercícios

Perspectiva isométrica - Identificar elementos de perspectiva - A.

1. Escreva, dentro dos quadradinhos correspondentes, os numerais identificando as


partes da figura dada.

lado (semirreta)

abertura do ângulo (graus)

vértice (origem)

2. Assinale com X os desenhos que estão mostrando linhas isométricas.

a) b) c)

3. Assinale com X a alternativa correta.


Os eixos isométricos são formados por:
a) ( ) três linhas que formam entre si ângulos de 90º.
b) ( ) três linhas que formam entre si ângulos de 120º.
c) ( ) duas linhas que formam entre si ângulos de 120º.
d) ( ) duas linhas que formam entre si ângulos de 90º.

4. Escreva na linha indicada a alternativa que completa corretamente a frase.

Linha isométrica é qualquer linha que esteja a um dos


eixos isométricos.
a) oblíqua
b) paralela

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Perspectiva isométrica - Identificar elementos de perspectiva - B.

1. Ordene as fases do traçado da perspectiva isométrica dos modelos, escrevendo os


numerais de 1 a 5 nos quadradinhos.

2. Complete a frase na linha indicada.


O círculo em perspectiva isométrica tem sempre a forma de uma .

3. Ordene as fases do traçado da perspectiva isométrica do círculo visto de frente,


escrevendo os numerais de 1 a 5 nos quadradinhos.

4. Escreva na frente de cada letra a posição que ela está indicando: frente, cima e
lado.

A-

B-

C-

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Exercícios: 1. Desenhe perspectivas isométricas com detalhes paralelos e oblíquos.

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72
2. Desenhe perspectivas isométricas com detalhes arredondados e furos cilíndricos.

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Créditos Comitê Técnico de Desenho Técnico/2007
Elaboradores: Antonio Ferro Isaias Gouveia da Silva
José Romeu Raphael Daniel Camusso
Paulo Binhoto Filho Luiz Carlos Gonçalves Tinoco
Ilustrador: Devanir Marques Barbosa Marcilio Manzam
Vladimir Pinheiro de Oliveira
Referência
SENAI.SP. Desenho I – iniciação ao desenho. São Paulo, 1991.

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Adaptado pelo Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010

Projeção ortogonal

Em desenho técnico, projeção é a representação gráfica do modelo feita em um plano.


Existem várias formas de projeção. A ABNT adota a projeção ortogonal, por ser a
representação mais fiel à forma do modelo.

Para entender como é feita a projeção ortogonal, é necessário conhecer os seguintes


elementos: observador, modelo e plano de projeção. Veja os exemplos a seguir: neles,
o modelo é representado por um dado.

Plano de projeção Modelo

Observador

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75
Observe a linha de projeção. A linha de projeção é a linha perpendicular ao plano de
projeção que sai do modelo e o projeta no plano de projeção.

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76
Projeção em três planos

Unindo perpendicularmente três planos, temos a seguinte ilustração:

Cada plano recebe um nome de acordo com sua posição.

As projeções são chamadas vistas, conforme a ilustração a seguir.

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77
Rebatimento de três planos de projeção

Quando se tem a projeção ortogonal do modelo, o modelo não é mais necessário e


assim é possível rebater os planos de projeção.

Com o rebatimento, os planos de projeção, que estavam unidos perpendicularmente


entre si, aparecem em um único plano de projeção. Na página seguinte pode-se ver o
rebatimento dos planos de projeção, imaginando-se os planos de projeção ligados por
dobradiças.

Agora imagine que o plano de projeção vertical fica fixo e que os outros planos de
projeção giram um para baixo e outro para a direita.

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78
O plano de projeção que gira para baixo é o plano de projeção horizontal e o plano de
projeção que gira para a direita é plano de projeção lateral.

Planos de projeção rebatidos:

Agora é possível tirar os planos de projeção e deixar apenas o desenho das vistas do
modelo.

Na prática, as vistas do modelo aparecem sem os planos de projeção.

As linhas de projeção auxiliares indicam a relação entre as vistas do desenho técnico.

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79
Observação
As linhas de projeção auxiliares não aparecem no desenho técnico do modelo. São
linhas imaginárias que auxiliam no estudo da projeção ortogonal.

Outro exemplo:

Dispondo as vistas alinhadas entre si, temos as projeções da peça formadas pela vista
frontal, vista superior e vista lateral esquerda.

Observação
Normalmente a vista frontal é a vista principal da peça.

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80
As distâncias entre as vistas devem ser iguais e proporcionais ao tamanho do
desenho.

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81
Exercícios

Projeção ortogonal - Completar desenhos de modelos com detalhes paralelos - A.

Complete as projeções.

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82
Projeção ortogonal - Completar desenhos de modelos com detalhes paralelos - B.

Complete as projeções.

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83
Projeção ortogonal - Completar desenhos de modelos com detalhes oblíquos.

Complete as projeções.

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84
Projeção ortogonal - Completar desenhos de modelos com detalhes não visíveis - A.

Complete as projeções.

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85
Projeção ortogonal - Completar desenhos de modelos com detalhes não visíveis - B.

Complete as projeções.

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86
Projeção ortogonal - Completar projeções utilizando modelos reais – A.

Complete as projeções.

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87
Projeção ortogonal - Completar projeções utilizando modelos reais – B.

Complete as projeções.

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88
Projeção ortogonal - Completar projeções utilizando modelos reais – C.

Complete à mão livre as vistas que faltam nas projeções abaixo. Utilize os modelos
indicados.

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89
Projeção ortogonal - Completar desenhos de vistas que faltam.

Desenhe a vista que falta.

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90
Projeção ortogonal - Completar projeções, desenhando a lateral à mão livre – A.

Complete as projeções, desenhando a lateral à mão livre.

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91
Projeção ortogonal - Completar projeções, desenhando a lateral à mão livre – B.

Complete as projeções, desenhando a lateral à mão livre.

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92
Projeção ortogonal - Completar projeções, desenhando a planta à mão livre - A.

Complete as projeções, desenhando à mão livre a planta de cada peça.

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93
Projeção ortogonal - Completar projeção, desenhando a planta à mão livre – B.

Complete as projeções, desenhando à mão livre a planta de cada peça.

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94
Projeção ortogonal - Identificar faces em projeções – A.

Escreva nos modelos representados em perspectiva isométrica as letras dos desenhos


técnicos que correspondem às suas faces.

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95
Projeção ortogonal - Identificar faces em projeções - B.

Escreva nas vistas dos desenhos técnicos as letras dos modelos representados em
perspectiva isométrica que correspondem às suas faces.

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96
Projeção ortogonal - Identificar perspectiva com base em projeções – A.

Para cada peça em projeção há quatro perspectivas, porém só uma é correta. Assinale
com X a perspectiva que corresponde à peça.

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97
Projeção ortogonal - Identificar perspectiva com base em projeções - B.

Para cada peça em projeção há quatro perspectivas, porém só uma é correta. Assinale
com X a perspectiva que corresponde à peça.

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98
Projeção ortogonal - Identificar perspectiva com base em projeções – C.

Para cada peça em projeção há quatro perspectivas, porém só uma é correta. Assinale
com X a perspectiva que corresponde à peça.

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99
Projeção ortogonal - Relacionar projeções e perspectiva - A.

Anote embaixo de cada perspectiva o número correspondente às suas projeções.

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100
Projeção ortogonal - Relacionar projeções e perspectiva - B.

Anote embaixo de cada perspectiva o número correspondente às suas projeções.

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101
Créditos Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010
Elaboradores: Antonio Ferro Antonio Varlese José Serafim Guarnieri
José Romeu Raphael Celso de Hypólito Manoel Tolentino Rodrigues Filho
Paulo Binhoto Filho Eduardo Francisco Ferreira Rinaldo Afanasiev
Ilustrador: Devanir Marques Barbosa Eugenício Severino da Silva Roberto Aparecido Moreno
Humberto Aparecido Marim
José Carlos de Oliveira
Referência
SENAI.SP. Desenho I – Iniciação ao Desenho. São Paulo. 1991.

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102
Adaptado pelo Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010

Aplicação de linhas

Para desenhar as projeções são usados vários tipos de linhas. Procuraremos nesta
unidade mostrar os tipos e sua aplicação.

Larguras de linhas
A relação entre as larguras de linhas largas e estreitas não deve ser inferior a 2, ou
seja, a linha larga deve ter no mínimo o dobro da estreita.

Espessura das linhas


As larguras das linhas devem ser escolhidas, conforme o seu tipo, dimensão, escala e
densidade no desenho, de acordo com o seguinte escalonamento: 0,13; 0,18; 0,25;
0,35; 0,50; 0,70; 1,00; 1,40 e 2,00mm.

Linha contínua larga – Para arestas e contornos visíveis.


É uma linha contínua larga que indica o contorno de modelos esféricos ou cilíndricos e
as arestas visíveis do modelo para o observador.

Exemplo:

Aplicação

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103
Linha contínua estreita – Para contornos de seções, linhas de cota, linhas auxiliares
e hachuras.

São linhas estreitas que são usadas para completar a representação de peças e
conjuntos. De acordo com sua função esta linha pode assumir diversas formas.
Seguem-se as formas e aplicações utilizadas no desenho técnico mecânico.

Exemplo:

Aplicação

Linha tracejada estreita – Para aresta e contornos não visíveis.


É uma linha tracejada que indica as arestas não visíveis para o observador, isto é, as
arestas que ficam encobertas.

Exemplo:

Aplicação

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104
Linha traço ponto estreita

Linha de centro – É uma linha estreita, formada por traços e pontos alternados, que
indica o centro de alguns elementos do modelo como furos, rasgos, etc.

Exemplo:

Aplicações

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105
Linha de simetria – É uma linha estreita formada por traços e pontos alternados. Ela
indica que o modelo é simétrico.

Exemplo:

Modelo simétrico Imagine que este modelo é dividido ao meio, horizontal ou


verticalmente.

Note que as metades do modelo são exatamente iguais: logo, o modelo é simétrico.

Aplicação
Quando o modelo é simétrico, em seu desenho técnico aparece a linha de simetria.

A linha de simetria indica que as metades do desenho técnico apresentam-se


simétricas em relação a essa linha.

A linha de simetria pode aparecer tanto na posição horizontal como na posição vertical.

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106
No exemplo abaixo a peça é simétrica apenas em um sentido.

Contínua estreita a mão livre – Limites de vistas ou cortes parciais ou interrompidas


se o limite não coincidir com linhas traço e ponto.

Exemplo:

Aplicação

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107
Linha contínua estreita – Linhas de interseção imaginárias
Linha estreita e fina usada para indicar interseções imaginárias.

Exemplo:

Aplicação

Linha contínua estreita em ziguezague – Essa linha destina-se a desenhos


confeccionados por máquinas.

Exemplo:

Aplicação

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108
Linhas traço ponto estreita – Trajetórias.
Linha estreita traço ponto usada para indicar trajetória de mecanismos.

Exemplo:

Aplicação

Traço dois pontos estreita – Linha estreita traço dois pontos usada para indicar
contornos de peças adjacentes, posição limites de peças móveis, linhas de centro de
gravidade, cantos e arestas da conformação.

Exemplo:

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109
Aplicação

Linhas de centro de gravidade

Aplicação

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110
Cantos e arestas da conformação

Aplicação

Traço e ponto largo

Indicação das linhas ou superfícies com indicação especial.

Exemplo:

Aplicação

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111
Traço ponto estreito e largo nas extremidades e na mudança de direção

Traços ponto estreitos, largos nas extremidades e na mudança de direção, usado na


indicação de planos de cortes.

Aplicação

Ordem de prioridade de linhas coincidentes

Se ocorrer coincidência de duas linhas de diferentes tipos ou mais linhas de diferentes


tipos, devem ser observados os seguintes aspectos, em ordem de prioridade:
1. Arestas e contornos visíveis;
2. Arestas e contornos não visíveis;
3. Superfícies de cortes e seções (linha traço e pontos estreitos, largos nas
extremidades e na mudança de direção);
4. Linhas de centro;
5. Linhas de centro de gravidade;
6. Linhas de cota e auxiliar.

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112
Terminação das linhas de chamadas

a. Sem símbolo, se elas conduzem a uma linha de cota;

Aplicação

b. Com um ponto, se termina dentro do objeto representado;


c. Com uma seta, se ela toca a aresta do objeto representado.

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113
Créditos Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010
Elaboradores: Antonio Ferro Antonio Varlese José Serafim Guarnieri
José Romeu Raphael Celso de Hypólito Manoel Tolentino Rodrigues Filho
Paulo Binhoto Filho Eduardo Francisco Ferreira Rinaldo Afanasiev
Ilustrador: Devanir Marques Barbosa Eugenício Severino da Silva Roberto Aparecido Moreno
Humberto Aparecido Marim
José Carlos de Oliveira
Referência
SENAI.SP. Desenho I – Iniciação ao desenho. São Paulo, 1991.

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Adaptado pelo Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010

Cotagem

Cotagem é a indicação das medidas da peça em seu desenho. Para a cotagem de um


desenho são necessários três elementos:

Linhas de cota (a) são linhas contínuas estreitas, com setas nas extremidades ou
traços oblíquos; nessas linhas são colocadas as cotas que indicam as medidas da
peça.

A seta é desenhada com linhas curtas formando ângulos de 15°. A seta pode ser
aberta, ou fechada preenchida.

O traço oblíquo é desenhado com uma linha fina curta e inclinado a 45°.

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115
A linha auxiliar (b) é uma linha contínua estreita que limita as linhas de cota.

Deve ser ligeiramente prolongada além da linha de cota e deve-se deixar um pequeno
espaço entre elas e o desenho. Sugestão 1 a 2mm.

Cotas (c) são numerais que indicam as medidas básicas da peça e as medidas de
seus elementos. As medidas básicas são: comprimento, largura e altura.

50 = comprimento
25 = largura
15 = altura

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116
A distância da linha de cota para o desenho deve ser aproximadamente 10mm, salvo
em algumas exceções onde não houver essa possibilidade.

Linhas auxiliares devem ser perpendiculares ao elemento dimensionado, entretanto se


necessário, pode ser desenhado obliquamente a este, (aproximadamente 60°), porém
paralelas entre si.

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117
Em desenho mecânico, normalmente a unidade de medida usada é o milímetro (mm),
e é dispensada a colocação do símbolo junto à cota. Quando se emprega outra distinta
do milímetro (por exemplo, a polegada), coloca-se seu símbolo.

Observação
• As cotas devem ser colocadas de modo que o desenho seja lido da esquerda para
direita e de baixo para cima, paralelamente à dimensão cotada.
• Sempre que possível é bom evitar colocar cotas em linhas tracejadas.
• Deve-se evitar também colocar a cota dentro do desenho.

A construção da intersecção de linhas auxiliares deve ser feita como prolongamento


desta além do ponto de intersecção.

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118
Linhas auxiliares e cota, sempre que possível, não devem cruzar com outras linhas.

A linha de cota não deve ser interrompida, mesmo que o elemento o seja.

Cotas que indicam tamanhos e cotas que indicam localização de elementos

Exemplo de peças com elementos.

Furo Saliência

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119
Rasgo passante Rasgo não passante

Para fabricar peças como essas é necessário interpretar, além das cotas básicas, as
cotas dos elementos.

A cota 9 indica a localização do furo em relação à altura da peça. A cota 12 indica a


localização do furo em relação ao comprimento da peça. As cotas 10 e 16 indicam o
tamanho do furo.

Cotagem de peças simétricas

A utilização de linha de simetria em peças simétricas facilita e simplifica a cotagem,


conforme os exemplos a seguir.

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120
Sem linha de simetria

Com linha de simetria

Sequência de cotagem

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121
1o passo

2o passo

3o passo

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122
4o passo

Cotagem de diâmetro

Cotagem de raios

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123
Observando os desenhos apresentados podemos concluir o que segue. Raio muito
pequeno: cota-se através de linha de chamada. Raio muito grande: não se indica o
centro do raio e linha de cota é representada incompleta. Outro jeito de se cotar raios
grandes é destacando o centro do raio com linha de simetria e linha de cota
aparecendo quebrada. Pode-se também cotar desta maneira quando o centro for
deslocado.

Os objetos simétricos representados em meio corte ou meia vista, a linha de cota deve
cruzar e se estender ligeiramente além do eixo de simetria.

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124
Quando a linha de cota está na posição inclinada, a cota acompanha a inclinação para
facilitar a leitura.

Porém, é preciso evitar a disposição das linhas de cota entre os setores hachurados e
inclinados de cerca de 30º.

Há casos em que é possível dispensar a indicação de uma ou duas cotas básicas, ou


às vezes até três cotas. Isso geralmente ocorre em peças com partes arredondadas,
onde se representam os valores de centro a centro de detalhes, ou centro até faces de
detalhes de peças.

Cotagem de elementos esféricos

Elementos esféricos são elementos em forma de esfera.

A cotagem dos elementos esféricos é feita pela medida de seus diâmetros ou de seus
raios.

ESF = Esférico
Ø = Diâmetro
R = Raio

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125
Cotagem de elementos angulares

Existem peças que têm elementos angulares. Elementos angulares são formados por
ângulos.

O ângulo é medido com o goniômetro pela sua abertura em graus.

O goniômetro é conhecido como transferidor.

A cotagem da abertura do elemento angular é feita em linha de cota curva, cujo centro
é vértice do ângulo cotado.

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126
Uso de goniômetro (transferidor).

Cotagem de ângulos em peças cilíndricas

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127
Cotagem de chanfros

Chanfro é a superfície oblíqua obtida pelo corte da aresta de duas superfícies que se
encontram.

Existem duas maneiras pelas quais os chanfros aparecem cotados: por meio de cotas
lineares e por meio de cotas lineares e angulares.

As cotas lineares indicam medidas de comprimento, largura e altura.


As cotas angulares indicam medidas de abertura de ângulos.

Cotas lineares

Cotas lineares e cotas angulares. Em peças planas ou cilíndricas, quando o chanfro


está a 45º é possível simplificar a cotagem.

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128
Cotagem em espaços reduzidos

Para cotar em espaços reduzidos, é necessário colocar as cotas conforme os


desenhos abaixo. Quando não houver lugar para setas, estas devem ser substituídas
por pequenos traços oblíquos.

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129
Cotagem por faces de referência

Na cotagem por faces de referência as medidas da peça são indicadas a partir das
faces.

Cotagem em paralelo Cotagem aditiva

A cotagem por faces de referência ou por elementos de referência pode ser executada
como cotagem em paralelo ou cotagem aditiva.

A cotagem aditiva é uma simplificação da cotagem em paralelo e pode ser utilizada


onde há limitação de espaço, desde que não haja problema de interpretação.

A cotagem aditiva em duas direções pode ser utilizada quando for vantajoso.

Cotagem aditiva em duas direções

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130
Cotagem por coordenadas

A cotagem aditiva em duas direções pode ser simplificada por cotagem por
coordenadas. A peça fica relacionada a dois eixos.

Fica mais prático indicar as cotas em uma tabela ao invés de indicá-la diretamente
sobre a peça.

X Y ø
1 8 8 4

2 8 38 4

3 22 15 5

4 22 30 3

5 35 23 6

6 52 8 4

7 52 38 4

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131
Cotagem por linhas básicas

Na cotagem por linha básica as medidas da peça são indicadas a partir de linhas.

Cotagem de furos espaçados igualmente

Existem peças com furos que têm a mesma distância entre seus centros, isto é, furos
espaçados igualmente.

A cotagem das distâncias entre centros de furos pode ser feita por cotas lineares e por
cotas angulares.

Cotagem linear
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132
Cotagem linear e angular

Quando não causarem dúvidas, o desenho e a cotagem podem ser simplificados.

Desenho e cotagem simplificados

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133
Indicações especiais

Cotagem de cordas, arcos e ângulos


As cotas de cordas, arcos e ângulos devem ser indicadas como nos exemplos abaixo.

Raio definido por outras cotas


O raio deve ser indicado com o símbolo R sem cota quando o seu tamanho for definido
por outras cotas.

Cotas fora de escala


As cotas fora de escala nas linhas de cota sem interrupção devem ser sublinhadas
com linhas retas com a mesma largura da linha do algarismo.

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134
Cotagem de uma área ou comprimento limitado de uma superfície, para indicar
uma situação especial.

A área ou o comprimento e sua localização são indicados por meio de linha traço e
ponto, desenhada adjacente à face corresponde.

Cotagem de peças com faces ou elementos inclinados

Existem peças que têm faces ou elementos inclinados.

Nos desenhos técnicos de peças com faces ou elementos inclinados, a relação de


inclinação deve estar indicada.

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135
A relação de inclinação 1:10 indica que cada 10 milímetros do comprimento da peça,
diminui-se um milímetro da altura.

Como a relação de inclinação vem indicada do desenho técnico, não é necessário que
a outra cota de altura da peça apareça.

Outros exemplos a seguir.

Na relação, o numeral que vem antes dos dois pontos é sempre 1.

Cota-se através de linha de auxiliar com a palavra inclinação seguida da relação


numérica.

Quando se tem a relação, cota-se somente o comprimento e um dos lados.

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136
Cotagem de peças cônicas ou com elementos cônicos

Existem peças cônicas ou com elementos cônicos.

Nos desenhos técnicos de peças como estas, a relação de conicidade deve estar
indicada.

A relação de conicidade 1:20 indica que a cada 20 milímetros do comprimento da peça,


diminui-se um milímetro do diâmetro.

Outros exemplos:

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137
Cotagem de conjuntos

Normalmente não se cota em conjunto, porém, quando for cotado, o grupo de cotas
especificado para cada objeto deve permanecer, tanto quanto possível, separados.

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138
Exercícios

Cotagem - Identificar e aplicar os elementos de cotagem.

1. Analise o desenho técnico abaixo e responda às questões a seguir.


a) Escreva dentro dos parênteses
as letras correspondentes a
cada elemento de cotagem.

( ) Linha de cota
( ) Linha auxiliar de cota
( ) Cota

b) Escreva as cotas básicas. Comprimento: ____________________________ ,


altura: ________________________e largura: ________________________ .
c) Escreva as cotas básicas que determinam o tamanho do rasgo: ____ e ____.
d) Escreva a cota que determina a localização do rasgo: _____.
e) Escreva as cotas que determinam o tamanho do rebaixo: _____ e _____.

2. Complete as frases, escrevendo as palavras faltantes sobre as linhas indicadas.


a) As linhas auxiliares de cota não encostam nas linhas do .
b) A linha de encosta na linha auxiliar de cota.
c) A linha ultrapassa a linha de cota.
d) A não encosta na linha de cota.
e) A linha de é uma linha e tem setas nas
extremidades.
f) Na linha de cota vertical a cota deve ser escrita de baixo para e ao
lado a linha de cota.
g) Na linha de cota horizontal a cota deve ser escrita da
para a ________________________ e sobre a linha de cota.

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139
3. Faça a cotagem tomando as medidas no desenho.

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140
Cotagem - Distribuir cotas em projeções, observando perspectivas – A.

Observe as perspectivas e escreva as cotas nas projeções.

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141
Cotagem - Distribuir cotas em projeções, observando perspectivas – B.

Observe as perspectivas e escreva as cotas nas projeções.

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142
Cotagem - Distribuir cotas em projeções.

a) Analise a perspectiva e coloque as cotas na projeção.

b) Na projeção apresentada, faça somente a cotagem do elemento citado.

Esférico

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143
Cotagem - Distribuir cotas em projeções, observando perspectivas - B.

Analise as perspectivas, calcule as cotas e coloque-as nas projeções.

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146
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147
Créditos Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010
Elaboradores: Antonio Ferro Antonio Varlese José Serafim Guarnieri
José Romeu Raphael Celso de Hypólito Manoel Tolentino Rodrigues Filho
Paulo Binhoto Filho Eduardo Francisco Ferreira Rinaldo Afanasiev
Ilustrador: Devanir Marques Barbosa Eugenício Severino da Silva Roberto Aparecido Moreno
Humberto Aparecido Marim
José Carlos de Oliveira
Referência
SENAI.SP. Desenho I – Iniciação ao desenho. São Paulo, 1991.

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148
Adaptado pelo Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010

Supressão de vistas

Em determinadas peças, a disposição adequada das cotas, além de informar sobre o


tamanho, também permite deduzir as formas das partes cotadas. Isto significa que, em
certos casos, cotando a peça de maneira apropriada, podemos “economizar” a
representação de uma ou até duas vistas sem qualquer prejuízo para a interpretação
do desenho.

A representação do objeto, com menos de três vistas, é chamada de representação


com supressão de vistas. Suprimir quer dizer eliminar, omitir, impedir que apareça.

Você vai aprender a ler e a interpretar desenhos técnicos representados em duas


vistas ou em vista única. Também ficará conhecendo, certos símbolos que ajudam a
simplificar a cotagem de peças, tornando possível a supressão de vistas.

Supressão de vistas iguais e semelhantes

Duas vistas são iguais quando têm as mesmas formas e as mesmas medidas. E
quando têm apenas as formas iguais e medidas diferentes, são chamadas de
semelhantes.

Você vai iniciar o estudo de supressão de vistas analisando um caso bem simples.

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149
Observe o prisma de base quadrada, representado a seguir.

No desenho técnico, à direita, estão representadas as 3 vistas que você já conhece:


vista frontal, vista superior e vista lateral esquerda. Estas três vistas cotadas dão à
ideia da peça.

Como a vista frontal e a vista lateral esquerda são iguais, é possível suprimir uma
delas.

A vista frontal é sempre a vista principal da peça. Então, neste caso, a vista escolhida
para supressão é a vista lateral esquerda.

Veja como fica o desenho técnico do prisma com supressão da lateral esquerda.

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150
As cotas básicas deste prisma são:
• altura - 60mm;
• largura - 40mm e
• comprimento - 40mm.

Veja um outro exemplo. O desenho técnico a seguir apresenta um prisma retangular


com um furo quadrado passante, em três vistas.

Note que a vista lateral esquerda é semelhante à vista frontal. Neste caso, a vista
lateral esquerda pode ser suprimida.

Mesmo com a supressão da lateral esquerda, todas as informações importantes foram


mantidas, pois a cota da largura foi transferida para a vista superior.

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151
Nos dois exemplos analisados, a vista suprimida foi a lateral esquerda. Mas,
dependendo das características da peça, a vista superior também pode ser suprimida.
O desenho técnico abaixo representa um pino de seção retangular em três vistas.

Note que a vista superior e a vista lateral esquerda são semelhantes. Neste caso,
tanto faz representar o desenho com supressão da vista superior como da vista lateral
esquerda. Compare as duas alternativas.

Figura A Figura B

Em qualquer dos casos, é possível interpretar o desenho, pois ambos contêm todas as
informações necessárias.

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152
Supressão de vistas diferentes

Observe a perspectiva do prisma com rebaixo e furo e as três vistas ortogonais


correspondentes.

As três vistas são diferentes. Mesmo assim é possível imaginar a supressão de uma
delas, sem qualquer prejuízo para a interpretação do desenho.

Como você já sabe, a vista frontal é a vista principal. Por isso deve ser sempre mantida
no desenho técnico. Temos então que escolher entre a supressão da vista superior e
da vista lateral esquerda.

Você vai comparar os dois casos, para concluir qual das duas supressões é mais
aconselhável. Veja primeiro o desenho com supressão da vista superior:

Note que, apesar de o furo estar representado nas duas vistas, existem poucas
informações sobre ele: analisando apenas essas duas vistas não dá para saber a
forma do furo. Analise agora outra alternativa.

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153
A vista lateral esquerda foi suprimida. Note que agora já é possível identificar a forma
circular do furo na vista superior.

Desenho técnico com vista única

O número de vistas do desenho técnico depende das características da peça


representada. O desenhista sempre procura transmitir o maior número possível de
informações sobre a peça usando o mínimo necessário de vistas. Assim, existem
peças que podem ser representadas por meio de uma única vista.

Agora você vai aprender a ler e a interpretar desenhos técnicos de peças


representados em vista única. Acompanhe as explicações observando, a seguir, a
representação da perspectiva e a supressão de vistas ortogonais.

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154
As três vistas: frontal, superior e lateral esquerda transmitem a idéia de como o modelo
é na realidade. Veja agora o mesmo modelo, representado em duas vistas.

Observe que as cotas que antes apareciam associadas à vista lateral esquerda foram
transferidas para as duas outras vistas. Assim, nenhuma informação importante sobre
a forma e sobre o tamanho da peça ficou perdida.

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155
Mas, este mesmo modelo pode ainda ser representado com apenas uma vista, sem
qualquer prejuízo para sua interpretação. Veja.

Todas as cotas da peça foram indicadas na vista frontal. A largura da peça foi indicada
pela palavra espessura abreviada (ESP), seguida do valor numérico correspondente,
como você pode observar dentro da vista frontal.

Acompanhe a interpretação da cotagem do modelo.

As cotas básicas são: comprimento = 60, altura = 35 e largura = 15 (que corresponde à


cota indicada por: ESP 15). Uma vez que o modelo é simétrico no sentido longitudinal,
você já sabe que os elementos são centralizados. Assim, para definir os elementos,
bastam as cotas de tamanho. O tamanho do rasgo passante fica determinado pelas
cotas 10 e 15. Como o rasgo é passante, sua profundidade coincide com a largura da
peça, ou seja, 15 mm. E as cotas 16, 48, 8 e 15 definem o perfil da geometria.

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156
Análise outro desenho técnico em vista única.

Como não é possível concluir, pela análise da vista frontal, se os furos são passantes
ou não, a informação “Furos passantes” deve vir escrita, em lugar que não atrapalhe a
interpretação do desenho.

Você notou que a indicação da espessura da peça foi representada fora da vista
frontal. Isto porque a indicação da espessura da peça dentro da vista prejudicaria a
interpretação do desenho.

Com essas informações é possível interpretar corretamente o desenho técnico da


peça.

Símbolo indicativo de quadrado

Vamos retomar o modelo prismático de base quadrada, usado para demonstrar a


supressão de vistas iguais.

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157
Veja a perspectiva do prisma e, ao lado, duas vistas com supressão da vista lateral
esquerda.

O prisma de base quadrangular pode ser representado também com vista única. Para
interpretar o desenho técnico do prisma quadrangular com vista única, você precisa
conhecer o símbolo indicativo de quadrado e o símbolo indicativo de superfície plana.

Usamos o seguinte símbolo para identificar a forma quadrada: ‡. Este símbolo pode
ser omitido quando a identificação da forma quadrada for clara. É o que acontece na
representação da vista superior do prisma quadrangular.

Veja, agora, o prisma quadrangular representado em vista única.

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158
A vista representada é a frontal. Note que a vista superior foi suprimida nesta
representação. O símbolo ‡ ao lado esquerdo da cota 40, representa a forma da vista
superior. A cota ‡ 40 refere-se a duas dimensões do prisma: a do comprimento e a da
largura.

Você reparou nas duas linhas diagonais estreitas cruzadas, representadas na vista
frontal? Essas linhas são indicativas de que a superfície representada é plana.

A seguir você vai ficar conhecendo maiores detalhes sobre a utilização dessas linhas.

Símbolo indicativo de superfície plana

A vista frontal do prisma e a vista frontal do cilindro podem ser facilmente confundidas.

Para evitar enganos, a vista frontal do modelo prismático, que apresenta uma
superfície plana, deve vir identificada pelas linhas cruzadas estreitas.

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159
A representação completa do modelo prismático de base quadrangular fica como
mostrado na figura seguinte.

Dizemos que uma superfície é plana derivada de superfície cilíndrica quando, no


processo de execução da peça, partimos de uma matéria-prima de formato cilíndrico
para obter as faces planas, como mostram as ilustrações.

Símbolo indicativo de diâmetro

Na representação da peça cilíndrica em vista única é necessário transmitir a ideia da


forma da peça. Para mostrar a forma circular do perfil de peças cilíndricas, utiliza-se o
símbolo indicativo do diâmetro, que é representado como segue: Ø. Este símbolo é
colocado ao lado esquerdo da cota que indica o diâmetro da peça. Veja.

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160
A vista representada é a vista frontal. Nesse desenho, o sinal indicativo de diâmetro
aparece junto à cota 30. Com essa indicação, a interpretação da peça pode ser feita
normalmente.

Supressão de vistas em peças com forma composta

Vamos chamar de peças com forma composta aquelas peças que apresentam
combinações de várias formas, como por exemplo: prismática, cilíndrica, cônica,
piramidal etc. As peças com forma composta também podem ser representadas com
supressão de uma ou de duas vistas. Veja, a seguir, a perspectiva de uma peça com
forma composta, ou seja, com forma prismática e cilíndrica e, ao lado, seu desenho
técnico em duas vistas.

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161
As vistas representadas são: vista frontal e vista lateral esquerda. A vista superior foi
suprimida.

No desenho técnico desta peça, com vista única, todas essas informações aparecem
concentradas na vista frontal. O corte parcial ajuda a visualizar a forma e o tamanho do
furo não passante superior.

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162
Veja, a seguir, mais um exemplo de peça com forma composta, nesse caso com
formas: prismática, piramidal e cônica. Além disso, a peça tem um furo quadrado não
passante e também um furo redondo não passante interrompido.

Abaixo você tem a representação desta peça em duas vistas.

Supressão de vistas em peças com vistas parciais

Você aprendeu a interpretar a forma de peças representadas por meia-vista e por


quarta parte de vista. Agora você vai aprender a ler as cotas que indicam as dimensões
inteiras das peças representadas apenas parcialmente. Observe a peça representada
em perspectiva, a seguir.

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163
Essa peça pode ser representada de várias maneiras, no desenho técnico. A forma de
cotagem varia em cada caso. Analise cada uma das possibilidades, a seguir.

a. b.

c. d.

É possível, ainda, representar esta mesma peça em vista única e obter todas as
informações que interessam para a sua interpretação.

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164
Representações com vista única em vistas parciais

O próximo exemplo serve para ilustrar a cotagem de peças representadas em meia-


vista.

Neste caso, o desenho técnico pode ser representado sem corte ou com corte.
Compare as duas possibilidades.

Repare que as linhas de cota ultrapassam um pouco a linha de simetria. Essas linhas
de cota apresentam apenas uma seta. A parte que atravessa a linha de simetria não
apresenta seta.

Embora a peça esteja apenas parcialmente representada, as cotas referem-se às


dimensões da peça inteira.

Assim, a cota Ø 12 indica o diâmetro do corpo da peça. A cota Ø 6 indica o diâmetro do


furo passante e a cota Ø 20 indica o diâmetro do flange. As outras cotas: 18 e 14
referem-se respectivamente, ao comprimento da peça e ao comprimento do corpo da
peça.

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165
Para finalizar o assunto, veja como fica o desenho técnico com supressão de vistas de
uma peça representada em quarta-parte de vista. Primeiro, observe a peça. Trata-se
de um disco com furos, simétrico longitudinal e transversalmente.

Agora, analise a peça representada através de quarta-parte de vista e acompanhe a


leitura das cotas.

O diâmetro da peça é 40mm. O diâmetro do furo central é 12mm. A cota que indica a
distância dos furos menores opostos é 26. O diâmetro dos 6 furos menores é 4 mm. A
espessura da peça, indicada pela abreviatura ESP 1, é 1mm.

As duas linhas de simetria aparecem identificadas pelos dois traços paralelos nas
extremidades.

Lembre-se de que as representações através de vistas parciais mostram apenas


partes de um todo, mas as cotas indicadas nessas vistas referem-se às dimensões do
todo.

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166
Exercícios

Supressão de vistas - Identificar perspectiva e relacioná-la com projeção - A.

Para cada peça em projeção há quatro perspectivas, porém só uma é correta. Assinale
com X a perspectiva que corresponde às projeções.

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167
Para cada peça em projeção há quatro perspectivas, porém só uma é correta. Assinale
com X a perspectiva que corresponde às projeções.

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168
Supressão de vistas - Desenhar à mão livre, em projeção, modelos dados em
perspectiva - B.

Desenhe à mão livre uma vista de cada uma das peças abaixo. Faça a cotagem e
coloque os símbolos. Use folha A4.

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169
Supressão de vistas - Desenhar à mão livre, em projeção, modelos dados em
perspectiva - C.

Desenhe à mão livre duas vistas das peças abaixo. Faça a cotagem. Use folha A4.

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170
Supressão de vistas - Relacionar planta e elevação.

Procure entre as projeções abaixo as vistas de elevação e planta que se relacionam


entre si e anote os números correspondentes. No exemplo abaixo se encontra a
perspectiva da peça representada pelas projeções 1 e 15.

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171
Supressão de vistas - Relacionar elevação e lateral.

Procure entre as projeções abaixo as vistas de elevação e lateral que se relacionam


entre si e anote os números correspondentes. No exemplo abaixo se encontra a
perspectiva da peça representada pelas projeções 1 e 14.

1 = 14 2= 3= 4= 5= 6=

7= 8= 9= 10 = 11 = 12 =

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172
Supressão de vistas - Relacionar vista única com perspectiva.

Relacione a perspectiva à sua vista, escrevendo no quadradinho o número


correspondente.

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173
Créditos Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010
Elaboradores: Antonio Ferro Antonio Varlese José Serafim Guarnieri
José Romeu Raphael Celso de Hypólito Manoel Tolentino Rodrigues Filho
Paulo Binhoto Filho Eduardo Francisco Ferreira Rinaldo Afanasiev
Ilustrador: Devanir Marques Barbosa Eugenício Severino da Silva Roberto Aparecido Moreno
Humberto Aparecido Marim
José Carlos de Oliveira
Referência
SENAI.SP. Desenho I – Iniciação ao desenho. São Paulo, 1991.

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174
Adaptado pelo Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010

Desenho em corte

Corte

Corte significa divisão, separação. Em desenho técnico, o corte de uma peça é sempre
imaginário. Ele permite ver as partes internas da peça.

Hachuras

Na projeção em corte, a superfície imaginária cortada é preenchida com hachuras.

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175
Hachuras são linhas estreitas que, além de representarem a superfície imaginada
cortada, mostram também os tipos de materiais.

O hachurado é traçado com inclinação de 45 graus.

Para desenhar uma projeção em corte, é necessário indicar antes onde a peça será
imaginada cortada.

Essa indicação é feita por meio de setas e letras que mostram a posição do
observador.

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176
Corte na vista frontal

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177
Corte na vista superior

Corte na vista lateral esquerda

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178
Observações
• A expressão Corte AA é colocada embaixo da vista hachurada.
• As vistas não atingidas pelo corte permanecem com todas as linhas.
• Nas vistas hachuradas, as tracejadas podem ser omitidas, desde que isso não
dificulte a leitura do desenho.

Mais de um corte no desenho técnico

Até aqui foi vista a representação de um só corte na mesma peça. Mas, às vezes, um
só corte não mostra todos os elementos internos da peça. Nesses casos é necessário
representar mais de um corte na mesma peça.

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179
Exemplo de desenho em corte cotado.

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180
Meio-corte

O meio-corte é empregado no desenho de peças simétricas no qual aparece somente


meia-vista em corte. O meio-corte apresenta a vantagem de indicar, em uma só vista,
as partes internas e externa da peça.

Em peças com a linha de simetria vertical, o meio-corte é representado à direita da


linha de simetria, de acordo com a NBR 10067.

Na projeção da peça com aplicação de meio-corte, as linhas tracejadas devem ser


omitidas na parte não cortada.

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181
Meio-corte em vista única

Em peças com linha de simetria horizontal, o meio-corte é representado na parte


inferior da linha de simetria.

Duas representações em meio-corte no mesmo desenho

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182
Representação simplificada de vistas de peças simétricas

Nem sempre é necessário desenhar as peças simétricas de modo completo. A peça é


representada por uma parte do todo, e as linhas de simetria são identificadas com dois
traços curtos paralelos perpendicularmente às suas extremidades.

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183
Outro processo consiste em traçar as linhas da peça um pouco além da linha de
simetria.

Meia-vista

Para economia de espaço, desenha-se apenas a metade da vista simétrica.

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184
SENAI-SP – INTRANET – AA306-11

185
Exercícios

Desenho em corte - Sombrear perspectivas e hachurar projeções.

Coluna A - As peças estão representadas em perspectiva.


Coluna B - Faça o sombreado das partes atingidas pelo corte.
Coluna C - Faça o hachurado à mão livre.

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186
Desenho em corte - Hachurar vistas, analisando perspectiva.

Analise as perspectivas em corte e faça hachuras nos desenhos técnicos, indicando as


partes maciças atingidas pelo corte.

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187
Desenho em corte - Completar desenhos técnicos, fazendo hachuras - A.

Complete os desenhos técnicos, fazendo as hachuras nas partes maciças atingidas


pelo corte.

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188
Desenho em corte - Completar vista em corte, colocando cotas - A.

Nos desenhos abaixo, complete a vista em corte e coloque as cotas.

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189
Desenho em corte - Completar vista em corte, colocando cotas - B.

Nos desenhos abaixo, complete a vista em corte e coloque as cotas.

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190
Desenho em corte - Aplicar corte e completar curvas, utilizando modelos reais.

1. Complete a elevação aplicando corte total.


2. Represente na planta a indicação do corte.
3. Faça hachuras (utilize os modelos 16 e 21).

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191
Desenho em corte - Desenhar à mão livre projeções, aplicando cortes.

Complete a mão livre as projeções das peças abaixo, aplicando os cortes indicados.

Observação: Furos e rasgos passantes.

Elevação em corte

Lateral em corte

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192
Desenho em corte - Completar a mão livre projeções em corte e meio-corte.

Complete os exercícios à mão livre, de acordo com o exemplo.

Observação: Todas as peças são corpos de revolução compostos.

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193
Desenho em corte - Hachurar desenhos, analisando perspectivas em corte.

Analise as perspectivas em corte. Faça hachuras nos desenhos técnicos, indicando as


partes maciças atingidas pelo corte.

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194
Desenho em corte - Completar vistas, aplicando meio-corte e fazendo a cotagem.

Complete a elevação, aplicando meio-corte, e faça a cotagem.

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195
Corte parcial – Aplicação - A.

1. Assinale com os desenhos técnicos em corte parcial.

2. Assinale com somente a alternativa que julgar correta.

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196
Corte parcial – Aplicação - B.

Analise o desenho técnico e resolva as questões que vêm a seguir.

a) Responda à pergunta:
Qual é nome do corte representado no desenho técnico?

b) Complete a frase na linha indicada.


A linha que separa a parte não cortada da parte cortada chama-se .

c) Assinale com a perspectiva em corte correspondente ao desenho.

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197
Corte composto – Aplicação - A.

1. Assinale com um as perspectivas em corte composto.

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198
2. Analise a perspectiva e faça hachura no desenho técnico, indicando as partes
maciças atingidas pelo corte.

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199
Corte composto – Aplicação - B.

Analise o desenho técnico e resolva as questões que vêm a seguir.

a) Complete a frase na linha indicada, escrevendo a alternativa correta.


O corte composto reuniu cortes em um só corte.

b) Responda à pergunta.
Qual é a vista representada em corte?

c) Complete a frase na linha indicada.


A linha de corte está representada na .

d) Assinale com a perspectiva em corte correspondente ao desenho técnico.

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200
Corte composto – Aplicação - C.

Desenhe as peças abaixo em duas vistas, aplicando corte composto. Utilize folhas A4.
Escala 1:1.

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201
Créditos Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010
Elaboradores: Antonio Ferro Antonio Varlese José Serafim Guarnieri
José Romeu Raphael Celso de Hypólito Manoel Tolentino Rodrigues Filho
Paulo Binhoto Filho Eduardo Francisco Ferreira Rinaldo Afanasiev
Ilustrador: Devanir Marques Barbosa Eugenício Severino da Silva Roberto Aparecido Moreno
Humberto Aparecido Marim
José Carlos de Oliveira
Referência
SENAI.SP. Desenho I – Iniciação ao Desenho. São Paulo. 1991.

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202
Avaliado pelo Comitê Técnico de Desenho Técnico/2008

Seção

Em desenho técnico busca-se, sempre, a forma mais simples, clara e prática de


representar o maior número possível de informações.

Você já viu como a representação em corte facilita a interpretação de elementos


internos ou elementos não visíveis ao observador. Mas, às vezes, o corte não é
recurso adequado para mostrar a forma de partes internas da peça. Nesses casos,
devemos utilizar a representação em seção.

Secionar quer dizer cortar. Assim, a representação em seção também é feita


imaginando-se que a peça sofreu um corte.

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203
Existe uma diferença fundamental entre a representação em corte e a representação
em seção. Você vai compreender essa diferença, analisando os desenhos abaixo.
Observe a diferença entre as representações em corte e em seção respectivamente.

Representação em corte

Representação em seção

Note que, enquanto a representação em corte mostra apenas as partes maciças


atingidas pelo corte e outros elementos, a representação em seção mostra apenas a
parte atingida pelo corte.

A indicação da seção é representada por uma linha traço e ponto com traços largos
nas extremidades. Aparece na vista frontal, no local onde se imaginou passar o plano
de corte.

A linha de corte onde se imagina o rebatimento da seção deve ser sempre no centro do
elemento secionado.

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204
Indicação da seção

É feita próxima à vista e ligada a ela por meio de uma linha estreita traço e ponto.

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205
Numa posição diferente é identificada de forma convencional.

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206
Contorno da seção dentro da própria vista é traçado com uma linha fina e estreita.

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207
Créditos Comitê Técnico de Desenho Técnico/2008
Elaboradores: Antonio Ferro Daniel Camusso
José Romeu Raphael Luiz Carlos Gonçalves Tinoco
Paulo Binhoto Filho Marcilio Manzam
Ilustrador: Devanir Marques Barbosa Vladimir Pinheiro de Oliveira
Referência
SENAI.SP. Desenho I – Iniciação ao desenho. São Paulo, 1991.

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208
Adaptado pelo Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010

Encurtamento

Certos tipos de peças, que apresentam formas longas e constantes, podem ser
representadas de maneira mais prática.

O recurso utilizado em desenho técnico para representar estes tipos de peças é o


encurtamento. Ela não apresenta qualquer prejuízo para a interpretação do desenho.

Veja o exemplo de um eixo com duas espigas nas extremidades e uma parte central
longa, de forma constante. Imagine o eixo secionado por dois planos de corte, como
mostra a ilustração.

Como a parte compreendida entre os cortes não apresenta variações e não contém
outros elementos, você pode imaginar a peça sem esta parte, o que não prejudica sua
interpretação.

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209
Na prática o encurtamento acontece da seguinte forma, veja o exemplo abaixo:

Retira-se a parte da peça que tem forma constante e aproximam-se suas


extremidades.

O resultado do encurtamento é representado abaixo. Observe que as cotas não


sofreram qualquer alteração.

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210
Representação do encurtamento no desenho técnico

Nas representações com encurtamento, as partes imaginadas cortadas são limitadas


por linhas de ruptura, que são linhas contínuas estreitas, desenhadas à mão-livre.

Nos desenhos técnicos confeccionados em software de CAD, pode-se optar pela linha
contínua estreita em ziguezague para representar os encurtamentos.

Mais de um encurtamento na mesma peça

Certos tipos de peças podem ser imaginadas com mais de um encurtamento. Observe
a chapa com quatro furos, por exemplo. Você pode imaginar um encurtamento do
comprimento e outro no sentido da largura, sem qualquer prejuízo da interpretação da
peça ou de seus elementos.

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211
O encurtamento pode ser imaginado nos sentidos do comprimento, da altura e da
largura da peça. Pode-se, também, imaginar mais de um encurtamento no mesmo
sentido, como mostra o desenho a seguir.

Representação do encurtamento em peças cônicas e inclinadas

Peça cônica Peça trapezoidal

Representação com encurtamento e seção

É muito comum, em desenho técnico, a seção aparecer na representação com


encurtamento. Aplicando encurtamento e seção em um mesmo desenho,
economizamos tempo e espaço.

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212
O suporte, representado em perspectiva, é uma peça que tem várias partes longas,
onde você pode imaginar encurtamentos. Na vista ortogonal desta peça é possível
representar, ao mesmo tempo, os encurtamentos e as seções.

Note que a peça está representada através da vista frontal. Neste desenho estão
representados 4 encurtamentos e 4 seções. Duas seções estão indicadas na vista
frontal e representadas fora da vista: Seção AA e Seção BB. Uma seção aparece
rebatida dentro da vista. E a quarta seção aparece representada no encurtamento da
parte inclinada.

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213
Exercício
Encurtamento – Aplicação.
Desenhe em papel A4 em vista única, na escala 1:1, aplicando encurtamento.

Créditos Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010


Elaboradores: Antonio Ferro Antonio Varlese José Serafim Guarnieri
José Romeu Raphael Celso de Hypólito Manoel Tolentino Rodrigues Filho
Paulo Binhoto Filho Eduardo Francisco Ferreira Rinaldo Afanasiev
Ilustrador: Devanir Marques Barbosa Eugenício Severino da Silva Roberto Aparecido Moreno
Humberto Aparecido Marim
José Carlos de Oliveira
Referência
SENAI.SP. Desenho I – Iniciação ao Desenho. São Paulo. 1991.

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214
Adaptado pelo Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010

Escalas

Antes de representar objetos, modelos, peças, etc. deve-se estudar o seu tamanho
real. Tamanho real é a grandeza que as coisas têm na realidade.

Existem coisas que podem ser representadas no papel em tamanho real.

Mas, existem objetos, peças, animais, etc. que não podem ser representados em seu
tamanho real. Alguns são muito grandes para caber numa folha de papel. Outros são
tão pequenos, que se os reproduzíssemos em tamanho real seria impossível analisar
seus detalhes.

Para resolver tais problemas, é necessário reduzir ou ampliar as representações


destes objetos.

Manter, reduzir ou ampliar o tamanho da representação de alguma coisa é possível


através da representação em escala.

O que é escala?

A escala é uma forma de representação que mantém as proporções das medidas


lineares do objeto representado.

Em desenho técnico, a escala indica a relação do tamanho do desenho da peça com o


tamanho real da peça. A escala permite representar, no papel, peças de qualquer
tamanho real.

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215
Nos desenhos em escala, as medidas lineares do objeto real são mantidas, ou
aumentadas, ou reduzidas proporcionalmente.

As dimensões angulares do objeto permanecem inalteradas. Nas representações em


escala, as formas dos objetos reais são mantidas.

Veja um exemplo.

Figura A Figura B Figura C

A figura A é um quadrado, pois tem 4 lados iguais e quatro ângulos reto. Cada lado da
figura A mede 2u (duas unidades de medida).

B e C são figuras semelhantes à figura A: também possuem quatro lados iguais e


quatro ângulos iguais. Mas, as medidas dos lados do quadrado B foram reduzidas
proporcionalmente em relação às medidas dos lados do quadrado A. Cada lado de B
é uma vez menor que cada lado correspondente de A.

Já os lados do quadrado C foram aumentados proporcionalmente, em relação aos


lados do quadrado A. Cada lado de C é igual a duas vezes cada lado correspondente
de A.

Note que as três figuras apresentam medidas dos lados proporcionais e ângulos
iguais.

Então, podemos dizer que as figuras B e C estão representadas em escala em relação


à figura A.

Existem três tipos de escala: natural, de redução e de ampliação.

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216
A seguir você vai aprender a interpretar cada uma dessas escalas, representadas em
desenhos técnicos. Mas, antes saiba qual a importância da escala no desenho técnico
rigoroso.

Desenho técnico em escala

O desenho técnico que serve de base para a execução da peça é, em geral, um


desenho técnico rigoroso. Esse desenho, também chamado de desenho técnico
definitivo, é feito com instrumentos: compasso, régua, esquadro, ou até mesmo por
computador.

Mas, antes do desenho técnico rigoroso é feito um esboço cotado, quase sempre à
mão livre. O esboço cotado serve de base para o desenho rigoroso. Ele contém todas
as cotas da peça bem definidas e legíveis, mantendo a forma da peça e as
proporções aproximadas das medidas. Veja, a seguir, o esboço de uma bucha.

No esboço cotado, as medidas do objeto não são reproduzidas com exatidão.

No desenho técnico rigoroso, ao contrário, existe a preocupação com o tamanho


exato da representação. O desenho técnico rigoroso deve ser feito em escala e essa
escala deve vir indicada no desenho.

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217
Escala natural

Escala natural é aquela em que o tamanho do desenho técnico é igual ao tamanho


real da peça. Veja um desenho técnico em escala natural.

Você observou que no desenho aparece um elemento novo? É a indicação da escala


em que o desenho foi feito.

A indicação da escala do desenho é feita pela abreviatura da palavra escala: ESC,


seguida de dois numerais separados por dois pontos. O numeral à esquerda dos dois
pontos representa as medidas do desenho técnico. O numeral à direita dos dois pontos
representa as medidas reais da peça.

Na indicação da escala natural os dois numerais são sempre iguais. Isso porque o
tamanho do desenho técnico é igual ao tamanho real da peça.

A relação entre o tamanho do desenho e o tamanho do objeto é de 1:1 (lê-se um por


um). A escala natural é sempre indicada deste modo: ESC 1:1.

Escala de redução

Escala de redução é aquela em que o tamanho do desenho técnico é menor que o


tamanho real da peça. Veja um exemplo de desenho técnico em escala de redução.

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218
As medidas do desenho são vinte vezes menores que as medidas correspondentes do
rodeiro de vagão real. A indicação da escala de redução também vem junto do
desenho técnico.

Na indicação da escala de redução o numeral à esquerda dos dois pontos sempre será
1. E o numeral à direita sempre será maior que 1.

No desenho anterior o objeto foi representado na escala de 1:20 (que se lê: um por
vinte).

Escala de ampliação

Escala de ampliação é aquela em que o tamanho do desenho técnico é maior que o


tamanho real da peça. Veja o desenho técnico de uma agulha de injeção em escala de
ampliação.

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219
As dimensões desse desenho são duas vezes maiores que as dimensões
correspondentes da agulha de injeção real. Esse desenho foi feito na escala 2:1(lê-se:
dois por um).

A indicação da escala é feita no desenho técnico como nos casos anteriores: a palavra
escala aparece abreviada (ESC), seguida de dois numerais separados por dois pontos.
Só que, nesse caso, o numeral da esquerda, que representa as medidas do desenho
técnico, será maior que 1. O numeral da direita sempre será 1 e representa as medidas
reais da peça.

Escalas recomendadas

Você já aprendeu a ler e interpretar desenhos técnicos em escala natural, de redução e


de ampliação. Recorde essas escalas:

desenho peça
↓ ↓
Natural – ESC 1 : 1
Ampliação – ESC 2 : 1
Redução – ESC 1 : 2

Nas escalas de ampliação e de redução os lugares ocupados pelo numeral 2 podem


ser ocupados por outros numerais. Mas, a escolha da escala a ser empregada no de-
senho técnico não é arbitrária.

As escalas recomendadas pela ABNT, através da norma técnica NBR 8196, são:

Categoria Escalas recomendadas


2:1 5:1 10 : 1
Escala de ampliação
20 : 1 50 : 1
Escala natural 1:1

1:2 1:5 1 : 10
1 : 20 1 : 50 1 : 100
Escala de redução
1 : 200 1 : 500 1 : 1 000
1 : 2 000 1 : 5 000 1 : 10 000

As escalas da tabela podem ser reduzidas ou ampliadas à razão de 10.

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220
A escala a ser escolhida para um desenho depende da complexidade do objeto ou
elemento a ser representado e da finalidade da representação. Em todos os casos, a
escala selecionada deve ser suficientemente grande para permitir uma interpretação
fácil e clara da informação representada. A escala e o tamanho do objeto ou elemento
em questão definem o formato da folha para desenho.

Cotagem em diferentes escalas

Observe os dois desenhos a seguir. O desenho abaixo está representado em escala


natural (1 : 1) e o desenho da página a seguir, em escala de redução (1 : 2). Observe
que as cotas não sofreram alterações.

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221
A redução ou ampliação do desenho somente tem efeito sobre o traçado do desenho.

As cotas que indicam a medida do ângulo permaneceram as mesmas e a abertura do


ângulo também não muda. Variam apenas os tamanhos lineares dos lados do ângulo,
que não interferem no valor da sua medida em graus.

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222
Exercícios

Escala - Determinar escalas sendo dadas as projeções.


Determine e escreva as escalas dos desenhos abaixo.

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223
Escala - Completar quadros, relacionando valores da escala.
Complete as lacunas do quadro abaixo conforme o exemplo A.

Dimensão Dimensão Dimensão Dimensão


Escala Escala
da peça do des. da peça do des.
A 40 1:10 4 2:1 15
50 50 120 60
1:2 12 300 1:10
25 125 1:2 70
5:1 20 45 5:1
1:5 18 310 62
6 2:1 2000 100
100 10 10:1 40
1:1 25,4 1:5 40
75 15 5 5:1

Escolha entre as quatro alternativas de escalas e faça um círculo na resposta certa,


conforme o exemplo A.

Dimensão Dimensão
Escala
da peça do desenho
A 120 240 1:2 5:1 1:20
25 125 1:10 5:1 2:1 1:5
70 70 2:1 1:2 1:1 5:1
40 400 10:1 5:1 1:10 1:1
90 45 1:5 1:10 2:1 1:2
35 7 2:1 1:5 1:2 5:1
20 200 1:10 1:1 10:1 1:2
5 25 5:1 2:1 1:5 1:10
52 26 2:1 1:1 5:1 1:2
108 540 5:1 1:5 1:2 1:1
105 21 1:2 2:1 1:10 1:5

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224
Escala - Determinar as cotas e distribuí-las nos desenhos.
Determine e coloque as cotas nos desenhos. Utilize a régua milimetrada.

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225
Escala - Determinar escalas e cotas.
Determine e anote a escala dos desenhos e coloque as cotas que faltam. Utilize a
régua milimetrada.

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226
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227
Créditos Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010
Elaboradores: Antonio Ferro Antonio Varlese José Carlos de Oliveira
José Romeu Raphael Celso de Hypólito José Serafim Guarnieri
Paulo Binhoto Filho Eduardo Francisco Ferreira Manoel Tolentino Rodrigues Filho
Ilustrador: Devanir Marques Barbosa Eugenício Severino da Silva Rinaldo Afanasiev
Humberto Aparecido Marim Roberto Aparecido Moreno
Referência
SENAI.SP. Desenho I – Iniciação ao Desenho. São Paulo. 1991.

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228
Adaptado pelo Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010

Rugosidade das superfícies

As superfícies dos componentes mecânicos devem ser adequadas ao tipo de função


que exercem.

Por esse motivo, a importância do estudo do acabamento superficial aumenta à


medida que crescem as exigências da exatidão de ajuste entre os componentes
mecânicos acoplados.

Nos componentes deslizantes, como o eixo de um mancal, as superfícies devem ser


lisas para que o atrito seja o menor possível. Já as exigências de acabamento das
superfícies externas da tampa e da base do mancal são menores.

A produção das superfícies lisas exige, em geral, custo de fabricação mais elevado.

Os diferentes processos de fabricação de componentes mecânicos determinam


acabamentos diversos nas suas superfícies.

As superfícies, por mais perfeitas que sejam, apresentam irregularidades. Essas


irregularidades compreendem dois grupos de erros: erros macrogeométricos e erros
microgeométricos.

Erros macrogeométricos são os erros de forma verificáveis por meio de instrumentos


convencionais de medição, como micrômetros, relógios comparadores, projetores de
perfil, etc.

Dentre esses erros, incluem-se divergências de ondulações, ovalização, retilineidade,


planicidade, circularidade, etc.

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229
Durante a usinagem, as principais causas dos erros macrogeométricos são:
• Defeitos em guias de máquinas-ferramenta;
• Desvios da máquina ou da peça;
• Fixação errada da peça;
• Distorção devida ao tratamento térmico.

Erros microgeométricos são os erros conhecidos como rugosidade.

Rugosidade

É o conjunto de irregularidades, isto é, pequenas saliências e reentrâncias, que


caracterizam uma superfície. Essas irregularidades podem ser avaliadas com
aparelhos eletrônicos, como o rugosímetro. A rugosidade desempenha um papel
importante no comportamento dos componentes mecânicos. Ela influi:
• Na qualidade de deslizamento;
• Na resistência ao desgaste;
• Na possibilidade de ajuste do acoplamento forçado;
• Na resistência oferecida pela superfície ao escoamento de fluidos e lubrificantes;
• Na qualidade de aderência que a estrutura oferece às camadas protetoras;
• Na resistência à corrosão e à fadiga;
• Na vedação;
• Na aparência.

A grandeza, orientação e grau de irregularidade da rugosidade podem indicar suas


causas, que, entre outras, são:
• Imperfeições nos mecanismos das máquinas-ferramenta;
• Vibrações no sistema peça-ferramenta;
• Desgaste das ferramentas.

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230
Definições

Superfície real
É a superfície que limita um corpo e o separa do meio ambiente. É a superfície obtida
pelos processos de fabricação.

Superfície geométrica
É a superfície ideal, prescrita em projeto, na qual não existem irregularidades de forma
e de acabamento. É a superfície representada no desenho. Exemplos: superfície
plana, superfície cilíndrica, superfície esférica, etc.

Superfície efetiva
É obtida por instrumentos analisadores de superfície, como o rugosímetro. Dado o
grau de exatidão dos atuais instrumentos de medição, pode-se considerar que as
superfícies real e efetiva são praticamente coincidentes. O uso de diferentes sistemas
de medidas pode resultar em superfícies efetivas diferentes para uma mesma
superfície real.

Perfil real
É a interseção da superfície real com um plano perpendicular à superfície geométrica.

Perfil geométrico
É a interseção da superfície geométrica com o plano perpendicular a ela.

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231
Perfil efetivo
É a interseção da superfície efetiva com um plano perpendicular à superfície
geométrica.

Irregularidades da superfície
São as saliências e reentrâncias existentes na superfície real: picos e vales.

Passo das irregularidades


É a média das distâncias entre as saliências mais pronunciadas do perfil efetivo,
situadas no comprimento de amostragem. Esse é um critério válido somente quando
as irregularidades apresentam uma certa periodicidade.

Comprimento de amostragem (Cut off)

Toma-se o perfil efetivo de uma superfície num comprimento lm, comprimento total de
avaliação. Chama-se o comprimento le de comprimento de amostragem (NBR
6405/1988).

O comprimento de amostragem nos aparelhos eletrônicos, chamado de cut-off (le), não


deve ser confundido com a distância total (l t ) percorrida pelo apalpador sobre a
superfície.

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232
É recomendado pela norma ISO que os rugosímetros devam medir 5 comprimentos de
amostragem e devem indicar o valor médio.

Comprimentos para avaliação de rugosidade

A distância percorrida pelo apalpador deverá ser igual a 5 le mais a distância para
atingir a velocidade de medição lv e para a parada do apalpador lm.

Como o perfil apresenta rugosidade e ondulação, o comprimento de amostragem filtra


a ondulação.

Rugosidade e ondulação

A rugosidade H2 é maior, pois le 2 incorpora ondulação.

A rugosidade H1 é menor, pois, como o comprimento le 1 é menor, ele filtra a


ondulação.

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233
Sistemas de medição da rugosidade superficial

São usados dois sistemas básicos de medida: o da linha média M e o da envolvente E.


O sistema da linha média é o mais utilizado. Alguns países adotam ambos os
sistemas. No Brasil, pelas Normas ABNT NBR 6405 e NBR 8404, é adotado o sistema
M.

Sistema M
No sistema da linha média, ou sistema M, todas as grandezas da medição da
rugosidade são definidas a partir do seguinte conceito de linha média:

“linha paralela à direção geral do perfil, no comprimento da amostragem, de tal modo


que a soma das áreas superiores, compreendidas entre ela e o perfil efetivo, seja igual
à soma das áreas inferiores, no comprimento da amostragem".

A1 e A2 áreas acima da linha média


A3 área abaixo da linha média

A1 + A2 = A3

Os sistemas de medição da rugosidade, baseados na linha média, podem ser


agrupados em três classes:
• Os que se baseiam na medida da profundidade da rugosidade;
• Os que se baseiam em medidas horizontais;
• Os que se baseiam em medidas proporcionais.

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234
Sistema baseado na profundidade da rugosidade
Pertence a esse grupo o desvio aritmético - Ra (CLA).

O desvio médio aritmético - Ra (CLA) é a média dos valores absolutos das ordenadas
do perfil efetivo em relação à linha média X, num comprimento (L) da amostragem.

Observações;
• Ra (roughness average) significa rugosidade média;
• CLA (center line average) significa centro da linha média, e é adotado pela norma
inglesa, sendo a medida expressa em micropolegadas (μin = micro-inch).

Classificação da rugosidade
A característica principal da rugosidade Ra pode ser indicada pelos números da classe
de rugosidade correspondente, segundo a tabela 1 da NBR 8404.

Característica da rugosidade Ra
Classe de rugosidade Desvio médio aritmético (Ra)
μm
N 12 50
N 11 25
N 10 12,5
N 9 6,3
N 8 3,2
N 7 1,6
N 6 0,8
N 5 0,4
N 4 0,2
N 3 0,1
N 2 0,05
N 1 0,025

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235
O desvio médio aritmético é expresso em micrometro (milionésima parte do metro).

Medição da rugosidade
Na medição da rugosidade são recomendados valores para o comprimento de
amostragem, conforme tabela abaixo.

Comprimento da amostragem
Rugosidade Ra (μm) Mínimo comprimento de amostragem L
(mm)
De 0 até 0,3 0,25
Maior que 0,3 até 3,0 0,80
Maior que 3,0 2,50

Indicação do estado de superfícies em desenhos técnicos

A Norma ABNT NBR 8404 fixa os símbolos e indicações complementares para a


identificação do estado de superfície em desenhos técnicos.

Símbolo sem indicação

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236
Símbolos com indicação da característica principal da rugosidade, Ra

Símbolos com indicações complementares

Esses símbolos podem ser combinados entre si, ou utilizados em combinação com os
símbolos com indicação da característica principal da rugosidade, Ra.

Símbolos para indicações simplificadas

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237
Disposição das indicações do estado de superfície no símbolo
Cada uma das indicações do estado de superfície é disposta em relação ao símbolo.

a= valor da rugosidade Ra, em μm, ou classe de rugosidade N1 até N12


b= método de fabricação, tratamento ou revestimento.
c= comprimento de amostra, em mm.
d= direção de estrias.
e= sobremetal para usinagem, em mm.
f = outros parâmetros de rugosidade (entre parênteses).

Indicação nos desenhos


Os símbolos e inscrições devem estar orientados de maneira que possam ser lidos
tanto com o desenho na posição normal como pelo lado direito.

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238
Direção das estrias

Símbolo para direção das estrias

Se for necessário definir uma direção das estrias que não esteja claramente definida
por um desses símbolos, ela deve estar descrita no desenho por uma nota adicional.

A direção das estrias é a direção predominante das irregularidades da superfície,


geralmente resultantes do processo de fabricação utilizado.

SENAI-SP – INTRANET – AA306-11

239
Rugosímetro

O rugosímetro é um aparelho eletrônico amplamente empregado na indústria para


verificação e análise da rugosidade de superfície de peças e ferramentas, assegurando
um alto padrão de qualidade nas medições. Esse processo consiste, basicamente, em
percorrer a superfície da peça com um apalpador de formato normalizado, com uma
agulha na extremidade que se move verticalmente, acompanhando as ondulações da
superfície. O movimento da agulha é transformado em impulsos elétricos e registrado
em um mostrador ou em gráficos. Os rugosímetros podem ser classificados em dois
grandes grupos:

• aparelhos que fornecem somente a leitura dos parâmetros de rugosidade;

Leitura e interpretação de desenho técnico – mecânico. v. 2. 2010


Novo Telecurso

• aparelhos que, além da leitura, permitem o registro, em papel, do perfil efetivo da


superfície;
Leitura e interpretação de desenho técnico –
mecânico. v. 2. 2010
Novo Telecurso

O primeiro é mais empregado em linhas de produção, enquanto o segundo é usado


com mais frequência nos laboratórios, porque apresenta um gráfico importante para a
análise mais profunda da textura.

SENAI-SP – INTRANET – AA306-11

240
Rugosidade no processo mecânico de moldagem, conformação e usinagem.

SENAI-SP – INTRANET – AA306-11

241
Os valores da rugosidade em Ra têm relação com a qualidade da tolerância em IT,
como é apresentado na tabela que segue.

Tolerância ISO e rugosidade Ra

Fonte: INMETRO. Rio de Janeiro. (1) 2:1 = 60. nov/dez 1982.

Créditos Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010


Elaboradores (1): Antonio Ferro Antonio Varlese José Serafim Guarnieri
José Romeu Raphael Celso de Hypólito Manoel Tolentino Rodrigues Filho
Paulo Binhoto Filho Eduardo Francisco Ferreira Rinaldo Afanasiev
Ilustrador (1): Devanir Marques Barbosa Eugenício Severino da Silva Roberto Aparecido Moreno
Adaptadores (2): Antonio Varlese Humberto Aparecido Marim
Eugenício Severino da Silva José Carlos de Oliveira
Manoel Tolentino Rodrigues Filho
Rinaldo Afanasiev
Roberto Aparecido Moreno
Referência
SENAI.SP. Tecnologia Aplicada II - Trator. São Paulo, 1997. (1)
Telecurso Profissionalizante de Mecânica: Leitura e interpretação de desenho técnico mecânico. v. 2. 1.ed. Rio de
Janeiro: Fundação Roberto Marinho, 2009. 300 p. (2)

SENAI-SP – INTRANET – AA306-11

242
Avaliado pelo Comitê Técnico de Processo de Usinagem/2007

Recartilha

A recartilha é uma ferramenta utilizada em peças cilíndricas para gerar sulcos paralelos
ou cruzados, que recebem o nome de recartilhado.

Alguns tipos de recartilhado permitem melhor aderência e evitam o deslizamento da


mão em contato com a peça; outros, causam um relativo travamento em montagem de
eixos em furos ou em peças injetadas em pinos metálicos.

O recartilhado é normalizado pela NBR 14957: 2003 baseado na norma DIN 82:1973,
que determina a classificação mostrada no quadro a seguir.

SENAI-SP – INTRANET – AA306-11

243
Classe Apresentação Descrição Pico Diâmetro da peça

Recartilhado
RAA ------- d2 = d1 - 0,5.t
paralelo

Recartilhado
RBR ------- d2 = d1 - 0,5.t
oblíquo à direita

Recartilhado
RBL oblíquo à ------- d2 = d1 - 0,5.t
esquerda

expansão de
Recartilhado
RGE material (alto d2 = d1 - 0,67.t
oblíquo cruzado
relevo)

compressão de
Recartilhado
RGV material (baixo d2 = d1 - 0,33.t
oblíquo cruzado
relevo)

expansão de
Recartilhado
RKE material (alto d2 = d1 - 0,67.t
paralelo cruzado
relevo)

compressão de
Recartilhado
RKV material (baixo d2 = d1 - 0,33.t
paralelo cruzado
relevo)

Créditos Comitê Técnico de Processo de Usinagem/2008


Elaboradores: Regina Célia Roland Novaes Carlos Eduardo Binati
Selma Ziedas José Roberto da Silva
Conteudistas: Abílio José Weber Rogério AugustoSpatti
Adriano Ruiz Secco
Ilustradores: José Joaquim Pecegueiro
José Luciano de Souza Filho
Leury Giacomeli
Atualização: Célio Torrecilha
Referência
SENAI.SP. Tecnologia aplicada I - Trator. São Paulo, 1997.

SENAI-SP – INTRANET – AA306-11

244
Adaptado pelo Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010

Tolerância dimensional

Introdução
É muito difícil executar peças com as medidas rigorosamente exatas porque todo
processo de fabricação está sujeito a imprecisões. Sempre acontecem variações ou
desvios das cotas indicadas no desenho. Entretanto, é necessário que peças
semelhantes, tomadas ao acaso, sejam intercambiáveis, isto é, possam ser
substituídas entre si, sem que haja necessidade de reparos e ajustes. A prática tem
demonstrado que as medidas das peças podem variar, dentro de certos limites, para
mais ou para menos, sem que isto prejudique a qualidade. Esses desvios aceitáveis
nas medidas das peças caracterizam o que chamamos de tolerância dimensional,
que é o assunto que você vai aprender nesta aula.

As tolerâncias vêm indicadas, nos desenhos técnicos, por valores e símbolos


apropriados. Por isso, você deve identificar essa simbologia e também ser capaz de
interpretar os gráficos e as tabelas correspondentes.

As peças, em geral, não funcionam isoladamente. Elas trabalham associadas a outras


peças, formando conjuntos mecânicos que desempenham funções determinadas.
Veja um exemplo abaixo:

Num conjunto, as peças se ajustam, isto é, se encaixam umas nas outras de diferentes
maneiras e você também vai aprender a reconhecer os tipos de ajustes possíveis entre
peças de conjuntos mecânicos.

SENAI-SP – INTRANET – AA306-11

245
No Brasil, o sistema de tolerâncias recomendado pela ABNT segue as normas
internacionais ISO (International Organization For Standardization ). A observância
dessas normas, tanto no planejamento do projeto como na execução da peça, é
essencial para aumentar a produtividade da indústria nacional e para tornar o produto
brasileiro competitivo em comparação com seus similares estrangeiros.

O que é tolerância dimensional?

As cotas indicadas no desenho técnico são chamadas de dimensões nominais. É


impossível executar as peças com os valores exatos dessas dimensões porque vários
fatores interferem no processo de produção, tais como imperfeições dos instrumentos
de medição e das máquinas, deformações do material e falhas do operador. Então,
procura-se determinar desvios, dentro dos quais a peça possa funcionar
corretamente. Esses desvios são chamados de afastamentos.

Afastamentos
Os afastamentos são desvios aceitáveis das dimensões nominais, para mais ou
menos, que permitem a execução da peça sem prejuízo para seu funcionamento e
intercambiabilidade. Eles podem ser indicados no desenho técnico como mostra a
ilustração a seguir:

Neste exemplo, a dimensão nominal do diâmetro do pino é 20mm. Os afastamentos


são: + 0,28mm (vinte e oito centésimos de milímetro) e + 0,18mm (dezoito centésimos
de milímetro). O sinal + (mais) indica que os afastamentos são positivos, isto é, que as
variações da dimensão nominal são para valores maiores.

O afastamento de maior valor (0,28mm, no exemplo) é chamado de afastamento


superior; o de menor valor (0,18mm) é chamado de afastamento inferior. Tanto um
quanto outro indicam os limites máximo e mínimo da dimensão real da peça.

SENAI-SP – INTRANET – AA306-11

246
Somando o afastamento superior à dimensão nominal obtemos a dimensão máxima,
isto é, a maior medida aceitável da cota depois de executada a peça. Então, no
exemplo dado, a dimensão máxima do diâmetro corresponde a: 20mm + 0,28mm =
20,28mm.

Somando o afastamento inferior à dimensão nominal obtemos a dimensão mínima,


isto é, a menor medida que a cota pode ter depois de fabricada. No mesmo exemplo,
a dimensão mínima é igual a 20mm + 0,18mm, ou seja, 20,18mm.

Assim, os valores: 20,28mm e 20,18mm correspondem aos limites máximo e mínimo


da dimensão do diâmetro da peça.

Depois de executado, o diâmetro da peça pode ter qualquer valor dentro desses dois
limites.

A dimensão encontrada, depois de executada a peça, é a dimensão efetiva ou real;


ela deve estar dentro dos limites da dimensão máxima e da dimensão mínima.

Quando os dois afastamentos são positivos, a dimensão efetiva da peça é sempre


maior que a dimensão nominal. Entretanto, há casos em que a cota apresenta dois
afastamentos negativos, ou seja, as duas variações em relação à dimensão nominal
são para menor, como no próximo exemplo.

A cota Ø 16 apresenta dois afastamentos com sinal - (menos), o que indica que os
afastamentos são negativos: - 0,20 e - 0,41. Quando isso acontece, o afastamento
superior corresponde ao de menor valor numérico absoluto. No exemplo, o valor 0,20
é menor que 0,41; logo, o afastamento - 0,20 corresponde ao afastamento superior e -
0,41 corresponde ao afastamento inferior.

SENAI-SP – INTRANET – AA306-11

247
Para saber qual a dimensão máxima que a cota pode ter basta subtrair o
afastamento superior da dimensão nominal. No exemplo: 16,00 - 0,20 = 15,80.

Para obter a dimensão mínima você deve subtrair o afastamento inferior da dimensão
nominal. Então: 16,00 - 0,41 = 15,59. A dimensão efetiva deste diâmetro pode,
portanto, variar dentro desses dois limites, ou seja, entre 15,80mm e 15,59mm. Neste
caso, de dois afastamentos negativos, a dimensão efetiva da cota será sempre menor
que a dimensão nominal.

Há casos em que os dois afastamentos têm sentidos diferentes, isto é, um é positivo e


o outro é negativo. Veja:

Quando isso acontece, o afastamento positivo sempre corresponde ao afastamento


superior e o afastamento negativo corresponde ao afastamento inferior.

Qualquer dimensão efetiva entre os afastamentos superior e inferior, inclusive a


dimensão máxima e a dimensão mínima, está dentro do campo de tolerância.

As tolerâncias de peças que funcionam em conjunto dependem da função que estas


peças vão exercer. Conforme a função, um tipo de ajuste é necessário. É o que você
vai aprender a seguir.

Ajustes

Para entender o que são ajustes precisamos antes saber o que são eixos e furos de
peças. Quando falamos em ajustes, eixo é o nome genérico dado a qualquer peça, ou
parte de peça, que funciona alojada em outra. Em geral, a superfície externa de um
eixo trabalha acoplada, isto é, unida à superfície interna de um furo. Veja, a seguir, um
eixo e uma bucha.

SENAI-SP – INTRANET – AA306-11

248
Observe que a bucha está em corte para mostrar seu interior que é um furo.

Eixos e furos de formas variadas podem funcionar ajustados entre si. Dependendo da
função do eixo, existem várias classes de ajustes. Se o eixo se encaixa no furo de
modo a deslizar ou girar livremente, temos um ajuste com folga.

Quando o eixo se encaixa no furo com certo esforço, de modo a ficar fixo, temos um
ajuste com interferência.

SENAI-SP – INTRANET – AA306-11

249
Existem situações intermediárias em que o eixo pode se encaixar no furo com folga ou
com interferência, dependendo das suas dimensões efetivas. É o que chamamos de
ajuste incerto.

Em geral, eixos e furos que se encaixam têm a mesma dimensão nominal. O que varia
é o campo de tolerância dessas peças.

O tipo de ajuste entre um furo e um eixo depende dos afastamentos determinados. A


seguir, você vai estudar cada classe de ajuste mais detalhadamente.

Ajuste com folga


Quando o afastamento superior do eixo é menor ou igual ao afastamento inferior do
furo, temos um ajuste com folga. Acompanhe um exemplo:

Os diâmetros do furo e do eixo têm a mesma dimensão nominal: 25mm. O


afastamento superior do eixo é - 0,20; a dimensão máxima do eixo é: 25mm - 0,20mm
= 24,80mm; a dimensão mínima do furo é: 25,00mm - 0,00mm = 25,00mm.

SENAI-SP – INTRANET – AA306-11

250
Portanto, a dimensão máxima do eixo (24,80mm) é menor que a dimensão mínima do
furo (25,00mm) o que caracteriza um ajuste com folga. Para obter a folga, basta
subtrair a dimensão do eixo da dimensão do furo. Neste exemplo, a folga é 25,00mm -
24,80mm = 0,20mm.

Ajuste com interferência


Neste tipo de ajuste o afastamento superior do furo é menor ou igual ao afastamento
inferior do eixo. Veja:

Na cota do furo 25 0+0,21 , o afastamento superior é + 0,21; na cota do eixo: 25 +0,28


+0,41
,o
afastamento inferior é + 0,28. Portanto, o primeiro é menor que o segundo,
confirmando que se trata de um ajuste com interferência.

Para obter o valor da interferência, basta calcular a diferença entre a dimensão efetiva
do eixo e a dimensão efetiva do furo. Imagine que a peça pronta ficou com as
seguintes medidas efetivas: diâmetro do eixo igual a 25,28mm e diâmetro do furo igual
a 25,21mm. A interferência corresponde a: 25,28mm - 25,21mm = 0,07mm. Como o
diâmetro do eixo é maior que o diâmetro do furo, estas duas peças serão acopladas
sob pressão.

Ajuste incerto
É o ajuste intermediário entre o ajuste com folga e o ajuste com interferência. Neste
caso, o afastamento superior do eixo é maior que o afastamento inferior do furo, e o
afastamento superior do furo é maior que o afastamento inferior do eixo. Acompanhe o
próximo exemplo com bastante atenção.

SENAI-SP – INTRANET – AA306-11

251
Compare: o afastamento superior do eixo (+0,18) é maior que o afastamento inferior
do furo (0,00) e o afastamento superior do furo (+ 0,25) é maior que o afastamento
inferior do eixo (+ 0,02). Logo, estamos falando de um ajuste incerto.

Este nome está ligado ao fato de que não sabemos, de antemão, se as peças
acopladas vão ser ajustadas com folga ou com interferência. Isso vai depender das
dimensões efetivas do eixo e do furo.

Ajustes recomendados

Tipo de
Mecânica

Mecânica

Mecânica
Ordinária

Exemplo de ajuste Exemplo de Aplicação


Preciso

precisa

ajuste
Média
Extra

Peças cujos funcionamentos


Livre H6 e7 H7 e7 necessitam de folga por força de
H8 e9 H11 a11
H7 e8 dilatação, mau alinhamento,
etc.
Montagem à mão, com facilidade.

Peças que giram ou deslizam


Rotativo H10 d10
H6 f6 H7 f7 H8 f8 com boa lubrificação.
H11 d11
Ex.: eixos, mancais, etc.
Montagem à mão podendo girar sem
esforço.

Peças que deslizam ou giram


Deslizante H6 g5 H8 g8 H10 h10 com grande precisão.
H7 g6
H8 h8 H11 h11 Ex.: anéis de rolamentos,
corrediças, etc.
Montagem à mão com leve pressão.

SENAI-SP – INTRANET – AA306-11

252
Encaixes fixos de precisão,
Deslizante
órgãos lubrificados deslocáveis à
justo H6 h5 H7 h6
mão.
Montagem à mão, porém
Ex.: punções, guias, etc.
necessitando de algum esforço.

Aderente Órgãos que necessitam de


forçado frequentes desmontagens.
H6 j5 H7 j6
leve Ex.: polias, engrenagens,
rolamentos, etc.
Montagem com auxílio de martelo.

Forçado Órgãos possíveis de montagens e


H6 m5
duro H7 m6 desmontagens

Montagem com auxilio de martelo sem deformação das peças.

pesado.

À pressão
com Peças impossíveis de serem
H6 p5 H7 p6
esforço desmontadas sem deformação.

Montagem com auxílio de balancim Ex.: buchas à pressão, etc.


ou por dilatação.

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253
Créditos Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010
Elaboradores (1): Antonio Ferro Antonio Varlese Manoel Tolentino Rodrigues Filho
José Romeu Raphael Celso de Hypólito Rinaldo Afanasiev
Paulo Binhoto Filho Eduardo Francisco Ferreira Roberto Aparecido Moreno
Ilustrador (1): Devanir Marques Barbosa Eugenício Severino da Silva
Autores (2): Joel Ferreira Humberto Aparecido Marim
Regina Maria Silva José Carlos de Oliveira
José Serafim Guarnieri
Referência
SENAI.SP. Desenho técnico (Supervisor de 1ª linha). São Paulo, 1990. (1)
Telecurso Profissionalizante de Mecânica: Leitura e interpretação de desenho técnico mecânico. v.3. 1.ed. Rio de
Janeiro: Fundação Roberto Marinho, 2000. 194 p. (2)

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254
Avaliado pelo Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010

Tolerância geométrica

Introdução
A execução da peça dentro da tolerância dimensional não garante, por si só, um
funcionamento adequado. Veja um exemplo.

A figura da esquerda mostra o desenho técnico de um pino, com indicação das


tolerâncias dimensionais. A figura da direita mostra como ficou a peça depois de
executada, com a indicação das dimensões efetivas.

Note que, embora as dimensões efetivas do pino estejam de acordo com a tolerância
dimensional especificada no desenho técnico, a peça real não é exatamente igual à
peça projetada. Pela ilustração você percebe que o pino está deformado.

Não é suficiente que as dimensões da peça estejam dentro das tolerâncias


dimensionais previstas. É necessário que as peças estejam dentro das formas
previstas para poderem ser montadas adequadamente e para que funcionem sem
problemas. Do mesmo modo que é praticamente impossível obter uma peça real com
as dimensões nominais exatas, também é muito difícil obter uma peça real com formas
rigorosamente idênticas às da peça projetada.

SENAI-SP – INTRANET – AA306-11

255
Assim, desvios de formas dentro de certos limites não chegam a prejudicar o bom
funcionamento das peças.

Quando dois ou mais elementos de uma peça estão associados, outro fator deve ser
considerado: a posição relativa desses elementos entre si.
As variações aceitáveis das formas e das posições dos elementos na execução da
peça constituem as tolerâncias geométricas.

Interpretar desenhos técnicos com indicações de tolerâncias geométricas é o que você


vai aprender nesta aula. Como se trata de um assunto muito complexo, será dada
apenas uma visão geral, sem a pretensão de esgotar o tema. O aprofundamento virá
com muito estudo e com a prática profissional.

Tolerâncias de forma

As tolerâncias de forma são os desvios que um elemento pode apresentar em relação


à sua forma geométrica ideal. As tolerâncias de forma vêm indicadas no desenho
técnico para elementos isolados, como por exemplo, uma superfície ou uma linha.
Acompanhe um exemplo, para entender melhor.

Analise as vistas: frontal e lateral esquerda do modelo prismático abaixo. Note que a
superfície S, projetada no desenho, é uma superfície geométrica ideal plana.

SENAI-SP – INTRANET – AA306-11

256
Após a execução, a superfície real da peça S’ pode não ficar tão plana como a
superfície ideal S. Entre os desvios de planeza, os tipos mais comuns são a
concavidade e a convexidade.

Forma real côncava

Forma real convexa

Planeza
A tolerância de planeza corresponde à distância t entre dois planos ideais
imaginários, entre os quais deve encontrar-se a superfície real da peça.

No desenho anterior, o espaço situado entre os dois planos paralelos é o campo de


tolerância.

SENAI-SP – INTRANET – AA306-11

257
Nos desenhos técnicos, a indicação da tolerância de planeza vem sempre precedida
do seguinte símbolo: .

Cilindricidade
Outro tipo de tolerância de forma de superfície é a tolerância de cilindricidade.

Quando uma peça é cilíndrica, a forma real da peça fabricada deve estar situada entre
as superfícies de dois cilindros que têm o mesmo eixo e raios diferentes.

No desenho acima, o espaço entre as superfícies dos cilindros imaginários representa o


campo de tolerância. A indicação da tolerância de cilindricidade, nos desenhos técnicos,
vem precedida do seguinte símbolo:

SENAI-SP – INTRANET – AA306-11

258
Forma de uma superfície qualquer
Finalmente, a superfície de uma peça pode apresentar uma forma qualquer. A
tolerância de forma de uma superfície qualquer é definida por uma esfera de
diâmetro t, cujo centro movimenta-se por uma superfície que tem a forma geométrica
ideal. O campo de tolerância é limitado por duas superfícies tangentes à esfera t, como
mostra o desenho a seguir.

A tolerância de forma de uma superfície qualquer vem precedida, nos desenhos


técnicos, pelo símbolo: .

Até aqui você ficou conhecendo os símbolos indicativos de tolerâncias de forma de


superfícies. Mas, em certos casos, é necessário indicar as tolerâncias de forma de
linhas.

São três os tipos de tolerâncias de forma de linhas: retilineidade, circularidade e


linha qualquer.

Retilineidade
A tolerância de retilineidade de uma linha ou eixo depende da forma da peça à qual a
linha pertence.

SENAI-SP – INTRANET – AA306-11

259
Quando a peça tem forma cilíndrica, é importante determinar a tolerância de
retilineidade em relação ao eixo da parte cilíndrica. Nesses casos, a tolerância de
retilineidade é determinada por um cilindro imaginário de diâmetro t, cujo centro
coincide com o eixo da peça.

Nos desenhos técnicos, a tolerância de retilineidade de linha é indicada pelo símbolo:


, como mostra o desenho abaixo.

Quando a peça tem a forma cilíndrica, o campo de tolerância de retilineidade também


tem a forma cilíndrica. Quando a peça tem forma prismática com seção retangular, o
campo de tolerância de retilineidade fica definido por um paralelepípedo imaginário,
cuja base é formada pelos lados t1 e t2.

SENAI-SP – INTRANET – AA306-11

260
No caso das peças prismáticas a indicação de tolerância de retilineidade também é feita
pelo símbolo: que antecede o valor numérico da tolerância.

Circulcridade
Em peças com forma de disco, cilindro ou cone pode ser necessário determinar a
tolerância de circularidade.

A tolerância de circularidade é determinada por duas circunferências que têm o


mesmo centro e raios diferentes. O centro dessas circunferências é um ponto situado
no eixo da peça.

O campo de tolerância de circularidade corresponde ao espaço t entre as duas


circunferências, dentro do qual deve estar compreendido o contorno de cada seção da
peça.

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261
Nos desenhos técnicos, a indicação da tolerância de circularidade vem precedida do
símbolo: .

Forma de uma linha qualquer


Finalmente, há casos em que é necessário determinar a tolerância de forma de uma
linha qualquer. A tolerância de um perfil ou contorno qualquer é determinada por duas
linhas envolvendo uma circunferência de diâmetro t cujo centro se desloca por uma
linha que tem o perfil geométrico desejado.

Note que o contorno de cada seção do perfil deve estar compreendido entre duas linha
paralelas, tangentes à circunferência.

A indicação da tolerância de forma de uma linha qualquer vem precedida do símbolo:


.

Cuidado para não confundir os símbolos! No final desta aula, você encontrará um
quadro com o resumo de todos os símbolos usados em tolerâncias geométricas.
Estude-o com atenção e procure memorizar todos os símbolos aprendidos.

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262
Tolerâncias de orientação
Quando dois ou mais elementos são associados pode ser necessário determinar a
orientação precisa de um em relação ao outro para assegurar o bom funcionamento do
conjunto.

Veja um exemplo.

O primeiro desenho técnico mostra que o eixo deve ser perpendicular ao furo. Observe,
no segundo desenho, como um erro de perpendicularidade na execução do furo afeta
de modo inaceitável a funcionalidade do conjunto. Daí a necessidade de se
determinarem, em alguns casos, as tolerâncias de orientação. Na determinação das
tolerâncias de orientação geralmente um elemento é escolhido como referência para
indicação das tolerâncias dos demais elementos.

O elemento tomado como referência pode ser uma linha, como por exemplo, o eixo de
uma peça. Pode ser, ainda, um plano, como por exemplo, uma determinada face da
peça. E pode ser até mesmo um ponto de referência, como por exemplo, o centro de
um furo. O elemento tolerado também pode ser uma linha, uma superfície ou um
ponto.

As tolerâncias de orientação podem ser de: paralelismo, perpendicularidade e


inclinação.

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263
Paralelismo
Observe o desenho técnico abaixo.

Nesta peça, o eixo do furo superior deve ficar paralelo ao eixo do furo inferior, tomado
como referência. O eixo do furo superior deve estar compreendido dentro de uma zona
cilíndrica de diâmetro t, paralela ao eixo do furo inferior, que constitui a reta de
referência.

Na peça do exemplo anterior, o elemento tolerado foi uma linha reta: o eixo do furo
superior. O elemento tomado como referência também foi uma linha: o eixo do furo
inferior. Mas, há casos em que a tolerância de paralelismo de um eixo é determinada
tomando-se como referência uma superfície plana.

Qualquer que seja o elemento tolerado e o elemento de referência, a indicação de


tolerância de paralelismo, nos desenhos técnicos, vem sempre precedida do símbolo: .

SENAI-SP – INTRANET – AA306-11

264
Perpendicularidade
Observe o desenho abaixo.

Nesta peça, o eixo do furo vertical B deve ficar perpendicular ao eixo do furo horizontal
C. Portanto, é necessário determinar a tolerância de perpendicularidade de um eixo
em relação ao outro.

Tomando como reta de referência o eixo do furo C, o campo de tolerância do eixo do


furo B fica limitado por dois planos paralelos, distantes entre si uma distância t e
perpendiculares à reta de referência.

Dependendo da forma da peça, pode ser mais conveniente indicar a tolerância de


perpendicularidade de uma linha em relação a um plano de referência.

Nos desenhos técnicos, a indicação das tolerâncias de perpendicularidade vem


precedida do seguinte símbolo: ⊥ .

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265
Inclinação
O furo da peça representada a seguir deve ficar inclinado em relação à base.

Para que o furo apresente a inclinação correta é necessário determinar a tolerância de


inclinação do eixo do furo. O elemento de referência para determinação da tolerância,
neste caso, é o plano da base da peça. O campo de tolerância é limitado por duas retas
paralelas, distantes entre si uma distância t, que formam com a base o ângulo de
inclinação especificado α .

Em vez de uma linha, como no exemplo anterior, o elemento tolerado pode ser uma
superfície.

Nos desenhos técnicos, a indicação de tolerância de inclinação vem precedida do


símbolo: .

Tolerância de posição
Quando tomamos como referência a posição, três tipos de tolerância devem ser
considerados: de localização; de concentricidade e de simetria.

Saiba como identificar cada um desses tipos de tolerância acompanhando com


atenção as próximas explicações.

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266
Localização
Quando a localização exata de um elemento, como por exemplo: uma linha, um eixo
ou uma superfície, é essencial para o funcionamento da peça, sua tolerância de
localização deve ser determinada. Observe a placa com furo, a seguir.

Como a localização do furo é importante, o eixo do furo deve ser tolerado. O campo de
tolerância do eixo do furo é limitado por um cilindro de diâmetro t. O centro deste
cilindro coincide com a localização ideal do eixo do elemento tolerado.

A indicação da tolerância de localização, nos desenhos técnicos, é antecedida pelo


símbolo: .

Concentricidade ou coaxialidade
Quando duas ou mais figuras geométricas planas regulares têm o mesmo centro,
dizemos que elas são concêntricas. Quando dois ou mais sólidos de revolução têm o
eixo comum, dizemos que eles são coaxiais. Em diversas peças, a concentricidade ou
a coaxialidade de partes ou de elementos, é condição necessária para seu
funcionamento adequado. Mas, determinados desvios, dentro de limites estabelecidos,
não chegam a prejudicar a funcionalidade da peça. Daí a necessidade de serem
indicadas as tolerâncias de concentricidade ou de coaxialidade.

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267
Veja a peça abaixo, por exemplo:

Essa peça é composta por duas partes de diâmetros diferentes. Mas, os dois cilindros
que formam a peça são coaxiais, pois têm o mesmo eixo. O campo de tolerância de
coaxialidade dos eixos da peça fica determinado por um cilindro de diâmetro t cujo
eixo coincide com o eixo ideal da peça projetada.

A tolerância de concentricidade é identificada, nos desenhos técnicos, pelo símbolo:


.

Simetria
Em peças simétricas é necessário especificar a tolerância de simetria. Observe a peça
a seguir, representada em perspectiva e em vista única:

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268
Preste atenção ao plano que divide a peça em duas partes simétricas. Na vista frontal,
a simetria vem indicada pela linha de simetria que coincide com o eixo da peça. Para
determinar a tolerância de simetria, tomamos como elemento de referência o plano
médio ou eixo da peça. O campo de tolerância é limitado por dois planos paralelos,
equidistantes do plano médio de referência, e que guardam entre si uma distância t. É
o que mostra o próximo desenho.

Nos desenhos técnicos, a indicação de tolerância de simetria vem precedida pelo


símbolo: .

Batimento
Quando um elemento dá uma volta completa em torno de seu eixo de rotação, ele pode
sofrer oscilação, isto é, deslocamentos em relação ao eixo. Dependendo da função do
elemento, esta oscilação tem de ser controlada para não comprometer a funcionalidade
da peça. Por isso, é necessário que sejam determinadas as tolerâncias de batimento,
que delimitam a oscilação aceitável do elemento. As tolerâncias de batimento podem
ser de dois tipos: axial e radial.

Axial, você já sabe, refere-se a eixo. Batimento axial quer dizer balanço no sentido do
eixo. O campo de tolerância, no batimento axial, fica delimitado por dois planos
paralelos entre si, a uma distância t e que são perpendiculares ao eixo de rotação.

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269
O batimento radial, por outro lado, é verificado em relação ao raio do elemento, quando
o eixo der uma volta completa. O campo de tolerância, no batimento radial é delimitado
por um plano perpendicular ao eixo de giro que define dois círculos concêntricos, de
raios diferentes. A diferença t dos raios corresponde à tolerância radial.

As tolerâncias de balanço são indicadas, nos desenhos


técnicos, precedidas do símbolo: .

Indicações de tolerâncias geométricas em desenhos técnicos

Nos desenhos técnicos, as tolerâncias de forma, de orientação, de posição e de


batimento são inscritas em quadros retangulares divididos em duas ou três partes,
como mostra o desenho abaixo:

Observe que o quadro de tolerância aparece ligado ao elemento que se deseja


verificar por uma linha de marcação terminada em seta.

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270
Veja, no detalhe do desenho, reproduzido a seguir, que a seta termina no contorno ou
numa linha de prolongamento se a tolerância é aplicada numa superfície, como
neste exemplo.

Mas, quando a tolerância é aplicada a um eixo, ou ao plano médio da peça, a


indicação é feita na linha auxiliar, no prolongamento da linha de cota, ou diretamente
sobre o eixo tolerado. Veja, no desenho a seguir, essas duas formas de indicação.

Os elementos de referência são indicados por uma linha que termina por um triângulo
cheio. A base deste triângulo é apoiada sobre o contorno do elemento ou sobre o
prolongamento do contorno do elemento.

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271
No exemplo anterior, o elemento de referência é uma superfície. Mas, o elemento de
referência pode ser, também, um eixo ou um plano médio da peça. Quando o elemento
de referência é um eixo ou um plano médio, a base do triângulo se apóia sobre a linha
auxiliar, no prolongamento da linha de cota ou diretamente sobre o eixo ou plano médio
de referência.

Agora, vamos analisar o conteúdo do quadro dividido em duas partes. No primeiro


quadrinho, da esquerda para a direita, vem sempre indicado o tipo de tolerância. No
quadrinho seguinte, vem indicado o valor da tolerância, em milímetros:

No exemplo acima, o símbolo: indica que se trata de tolerância de retilineidade de


linha. O valor 0,1 indica que a tolerância de retilineidade, neste caso, é de um décimo
de milímetro.

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272
Às vezes, o valor da tolerância vem precedido do símbolo indicativo de diâmetro: ∅
como no próximo exemplo.

Aqui temos um caso de tolerância de forma: o símbolo indica tolerância de


retilineidade de linha. Observe o símbolo ∅ antes do valor da tolerância 0,03. Quando o
valor da tolerância vem após o símbolo ∅ isto quer dizer que o campo de tolerância
correspondente pode ter a forma circular ou cilíndrica.

Quando a tolerância deve ser verificada em relação a determinada extensão da peça,


esta informação vem indicada no segundo quadrinho, separada do valor da tolerância
por uma barra inclinada (/) . Veja, no próximo desenho:

A tolerância aplicada nesta peça é de retilineidade de linha. O valor da tolerância é de


0,1, ou seja, um décimo de milímetro. O número 100, após o valor da tolerância, indica
que sobre uma extensão de 100mm, tomada em qualquer parte do comprimento da
peça, o eixo real deve ficar entre duas retas paralelas, distantes entre si 0,1mm.

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273
Os casos estudados até agora apresentavam o quadro de tolerância dividido em duas
partes. Agora você vai aprender a interpretar a terceira parte do quadro:

A letra identifica o elemento de referência, que, neste exemplo, é o eixo do furo


horizontal. Esta mesma letra A aparece no terceiro quadrinho, para deixar clara a
associação entre o elemento tolerado e o elemento de referência. O símbolo no
quadrinho da esquerda, refere-se à tolerância de perpendicularidade. Isso significa
que, nesta peça, o furo vertical, que é o elemento tolerado, deve ser perpendicular ao
furo horizontal. O quadrinho é ligado ao elemento a que se refere pela linha que
termina em um triângulo cheio. O valor da tolerância é de 0,05mm.

Nem sempre, porém, o elemento de referência vem identificado pela letra maiúscula.
Às vezes, é mais conveniente ligar diretamente o elemento tolerado ao elemento de
referência. Veja.

O símbolo indica que se trata de tolerância de paralelismo. O valor da tolerância é de


0,01mm. O triângulo cheio, apoiado no contorno do bloco, indica que a base da peça
está sendo tomada como elemento de referência. O elemento tolerado é o eixo do furo
horizontal, paralelo ao plano da base da peça.

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274
Acompanhe a interpretação de mais um exemplo de desenho técnico com aplicação de
tolerância geométrica.

Aqui, o elemento tolerado é o furo. O símbolo indica que se trata de tolerância de


localização. O valor da tolerância é de 0,06mm. O símbolo ∅ antes do valor da
tolerância indica que o campo de tolerância tem a forma cilíndrica. As cotas e são
cotas de referência para localização do furo. As cotas de referência sempre vêm
inscritas em retângulos.

Finalmente, observe dois exemplos de aplicação de tolerância de batimento:

No desenho da esquerda temos uma indicação de batimento axial. Em uma volta


completa em torno do eixo de referência A, o batimento da superfície tolerada não pode
se deslocar fora de duas retas paralelas, distantes entre si de 0,1mm e perpendiculares
ao eixo da peça.

No desenho da direita o batimento é radial em relação a dois elementos de referência: A


e B. Isto quer dizer que durante uma volta completa em torno do eixo definido por A e B,
a oscilação da parte tolerada não pode ser maior que 0,1mm.

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275
Créditos Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010
Elaboradores (1): Antonio Ferro Antonio Varlese Manoel Tolentino Rodrigues Filho
José Romeu Raphael Celso de Hypólito Rinaldo Afanasiev
Paulo Binhoto Filho Eduardo Francisco Ferreira Roberto Aparecido Moreno
Ilustrador (1): Devanir Marques Barbosa Eugenício Severino da Silva
Autores (2): Joel Ferreira Humberto Aparecido Marim
Regina Maria Silva José Carlos de Oliveira
José Serafim Guarnieri
Referência
SENAI.SP. Desenho I – Iniciação ao Desenho. São Paulo, 1991.
Telecurso Profissionalizante de Mecânica: Leitura e interpretação de desenho técnico mecânico. v.3. 1.ed. Rio de
Janeiro: Fundação Roberto Marinho, 2000. 194 p. (2)

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276
Adaptado pelo Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010

Componentes padronizados

Em desenho técnico mecânico existe alguns componentes que nem sempre são
usinados. Eles são adquiridos e inseridos nos desenhos de maneira a satisfazer as
necessidades do projeto.

Esses componentes são confeccionados dentro de normas técnicas, tais como: DIN,
ISO, ANSI e ASTM. A forma de representação e dimensões é demonstrada em
desenhos e tabelas, onde o desenhista de acordo com a necessidade do projeto faz a
representação nos desenhos seguindo as normas.

Nos dias de hoje temos uma quantidade muito grande desses componentes, e eles
contemplam a grande maioria das aplicações, embora saibamos que exista a
necessidade em alguns casos de confecção, quanto isso ocorre sua forma e
dimensões devem estar dentro das normas.

Nesta unidade de conhecimento trataremos dos componentes mais comuns usados


nos projetos mecânicos, pois o tema é extenso e não conseguiríamos esgotá-lo
somente em uma unidade.

Elementos de fixação roscados

Rosca
Rosca é o conjunto de reentrâncias e saliências, com perfil constante, em forma
helicoidal, que se desenvolvem, externa ou internamente, ao redor de uma superfície
cilíndrica ou cônica.

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277
As saliências são os filetes e as reentrâncias os vãos.

Características das roscas


As características comuns a todas as roscas são: entrada, avanço e passo.

Entrada - é o início da rosca. As roscas podem ter uma ou mais entradas. As roscas
com mais de uma entrada são usadas quando é necessário um avanço mais rápido do
parafuso na porca ou vice-versa.

Avanço (A) - é a distância que o parafuso ou a porca percorre em relação ao seu eixo,
quando completa uma rotação.

Rotação (R) - é uma volta completa do parafuso ou da porca em relação ao seu eixo.
Quando o avanço é igual ao passo, diz-se que a porca é de uma entrada.

Passo (P) - é a distância entre dois filetes consecutivos.

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Sentido da rosca
Rosca à direita - é aquela em que o parafuso ou a porca avança girando no sentido
dos ponteiros do relógio.

Parafuso Porca

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279
Rosca à esquerda - é aquela em que o parafuso ou a porca avança girando no
sentido contrário ao dos ponteiros do relógio.

Parafuso Porca

Representação normal de tipos de rosca e respectivos perfis

Rosca triangular Perfil triangular

Rosca quadrada Perfil quadrado

Rosca trapezoidal Perfil trapezoidal

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280
Representação convencional de tipos de rosca

Roscas com perfil triangular

Roscas com perfil especial

Representação de furos roscados

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281
Cotagem e indicações de roscas

O quadro abaixo mostra os tipos mais comuns de roscas, os símbolos indicativos, os


perfis e exemplos de indicações para cotagem dos desenhos.

Roscas Símbolo Perfil Indicação Leitura


Rosca Whitworth
Whitworth Normal com Ø1”
-
Normal (é dispensado uso
do símbolo W)
Rosca Whitworth fina
Whitworth
W com Ø1” e 10 filetes por
fina
1”

Whitworth Rosca Whitworth para


RC
para cano cano com furo Ø1”

Rosca métrica normal


Métrica M com Ø 16

Rosca métrica fina com


Métrica fina M
Ø e passo 4

Rosca SAE com Ø1”


SAE para
SAE
automóveis

American Rosca NC com Ø2”


National NC
Coarse
American Rosca NF com 1”
National NF
Fine

Rosca trapezoidal com


Trapezoidal Tr
Ø48 e passo 8

Rosca quadrada com


Quadrada Quad. Ø30 e passo 6

Os exemplos do quadro são de roscas com filetes de uma entrada a direita. Tratando-se rosca esquerda
ou mais de uma entrada, escreve-se da seguinte forma:

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282
Tabela de roscas
ROSCA MÉTRICA (M) ROSCA WHITWORTH GÁS
ROSCA WHITWORTH
Perfil triangular – ISO Para canos (RC)
Normal
NB 97 NB 202 – ABNT
d di P d d di Nº de d d di Nº de
Diam. Núcleo Passo Poleg. mm Núcleo fios/1” Poleg. mm Núcleo fios/1”
4 3,141 0,7 1/8” 3,17 2,36 40 1/8” 9,73 8,57 28
6 4,773 1 5/32” 3,96 2,95 32 1/4” 13,15 11,44 19
8 6,466 1,25 3/16” 4,76 3,40 24 3/8” 16,63 14,95 19
10 8,160 1,5 7/32” 5,55 4,20 20 1/2” 20,95 18,63 14
12 9,833 1,75 1/4” 6,35 4,72 20 5/8” 22,91 20,58 14
14 11,546 2 5/16” 7,93 6,13 18 3/4” 26,44 24,11 14
16 13,546 2 3/8” 9,52 7,49 16 7/8” 30,20 27,87 14
18 14,933 2,5 1/2” 12,70 9,99 12 1” 33,25 30,29 11
20 16,933 2,5 9;16” 14,28 11,57 12 1 1/4” 41,91 38,95 11
22 18,933 2,5 5/8” 15,87 12,91 11 1 1/2” 47,80 44,84 11
24 20,319 3 11/16” 17,46 14,50 11 1 3/4” 53,74 50,79 11
30 25,706 3,5 3/4” 19,05 16,79 10 2” 59,61 56,65 11
36 31,093 4 13/16” 20,63 17,38 10 2 1/4” 65,71 62,75 11
42 36.479 4,5 7/8” 22,22 18,61 9 2 1/2” 75,18 72,23 11
48 41,866 5 15/16” 23,81 20,19 9 2 3/4” 81,53 78,58 11
56 49,252 5,5 1” 25,40 21,33 8 3” 87,88 84,93 11
60 53,252 5,5 1 1/8” 28,57 23,92 7 3 1/4” 93,98 91,02 11
64 56,639 6 1 1/4” 31,75 27,10 7 3 1/2” 100,33 97,37 11

Proporções para desenhar parafusos e porcas


Parafuso com cabeça e porca quadradas.

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283
Parafuso com cabeça e porca hexagonais

Parafusos de cabeça com fenda

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284
Parafuso prisioneiro

Parafusos com sextavado interno

d mm A B AI BI dI C D DI
3/16” 4,76 4,76 8,0 6 8,5 5,0 3,0 5/32”
1/4” 6,35 6,35 9,52 8 10 6,5 4,0 3/16” 1/8”
5/16” 7,94 7,94 11,11 9 12 8,2 5,0 7/32” 5/32”
3/8” 9,53 9,53 14,28 11 14,5 9,8 5,5 5/16” 5/16”
7/16” 11,11 11,11 15,87 12 16,5 11,4 7,5 5/16” 7/32”
1/2” 12,70 12,70 19,05 14 19,5 13 8,0 3/8” ¼”
5/8” 15,88 15,88 22,22 17 23 16,1 10 1/2” 5/16”
3/4” 19,05 19,05 25,4 20 26 19,3 11 9/16” 3/8”
7/8” 22,23 22,2 28,57 23 29 22,5 13 9/16” 1/2”
1” 25,40 25,4 33,33 27 34 25,7 15 5/8” 9/16”

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285
Porca-borboleta

D A B C E F FI H R r rI
1/4” 12 10 8 32 2,5 3 16 3 1,25 3
5/16” 16 12 10 40 3 4 20 6 1,4 4
3/8” 20 16 12 50 4 5 25 8 2 5
7/16” 23 19 14 64 5 6 32 10 2,5 6
1/2” 23 19 14 64 5 6 32 10 2,5 6
5/8” 28 22 16 72 6 7 36 11 3 7
3/4” 36 28 20 90 7 9 40 14 3,5 8
7/8” 40 32 22 100 8 10 50 16 4 9
1” 45 36 24 112 9 11 56 18 4,5 10

Arruela

Arruela é um pequeno disco furado que permite a passagem de um parafuso, pino ou


eixo. As arruelas interpõem-se entre a porca e a peça a ser fixada, para compensar
uma distância ou diminuir o atrito. Classificam-se em arruela plana, arruela de pressão
e de segurança.

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286
d d1 D e D1 e1 e2 A B C E R
3 3,5 8 0,8 5,5 0,8 0,3 4 8 11 5 2
4 4,5 10 0,8 7 0,9 0,4 5 10 14 6 2,5
5 5,5 12 1 8,5 1,2 0,5 6 12 16 7 2,5
6 6,5 14 1,2 11 1,6 0,5 7 15 18 8 3
8 8,5 18 1,5 14 2 0,75 8 18 20 11 3
10 11 22 2 17 2,2 0,75 10 23 22 14 4
12 13 27 2,5 20 2,5 1 12 26 24 17 4
14 15 30 2,5 23 3 1 14 30 28 19 5
16 17 32 3 26 3,5 1 15 34 32 21 5
18 19 36 3 29 3,5 1 16 36 36 23 6
20 21 40 3 32 4 1 18 40 40 26 6
22 23,5 45 3 35 4 1 20 42 45 28 8
24 25,5 50 4 38,5 5 1 22 45 48 31 8
27 28,5 55 4 42 5 1 24 48 55 34 10
30 32 60 4 46,5 6 1,5 26 55 60 38 10

Mola

Mola é um dispositivo mecânico, geralmente feito de aço, com que se dá impulso ou


resistência ao movimento de uma peça. São diversos os tipos de molas existentes,
contudo as molas helicoidais são as de maior emprego. As molas seguem as
representações normais, simplificadas e esquemáticas, segundo normas técnicas.

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287
Tipos de molas

Normal Normal em corte Simplificada

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288
Cotagem de molas

Helicoidal de compressão Helicoidal de tração

Espiral Cônica de arame com seção circular

Exemplo de representação de uma mola em conjunto

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289
Rebite

O rebite é feito de material resistente e dúctil como o aço, o latão ou o alumínio. É


empregado para uniões permanentes de chapas e perfis laminados, principalmente em
estruturas metálicas e construções de reservatórios, caldeiras, máquinas e navios.

Tipos e proporções

Os rebites têm cabeça e corpo e são classificados de acordo com esses elementos
em:
• Cabeça Redonda;
• Cabeça Escareada;
• Cabeça Cilíndrica;
• Cabeça Boleada.

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290
Costuras e proporções

As costuras dos rebites classificam-se em:


• Simples;
• Dupla;
• Em ziguezague.

Soldas

Soldas são elementos de fixação muito usados em caldeiraria para junções


permanentes.

Representações de solda no desenho

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291
Uniões em topo

Uniões em tê.

Chavetas

São peças de aço, geralmente pequenas, cujas formas variam, dependendo da


grandeza do esforço e do tipo de movimento a transmitir. A união por chaveta é
desmontável e permite aos eixos transmitirem movimentos a outros elementos como
engrenagens e polias.

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292
Tipos de chavetas

Tabela de Proporções
Diâmetro do
a b h t ti d
eixo (D)
13 a 17 5 5 8 D-3 D+2 7,5
18 a 22 6 6 9 D - 3,5 D + 2,5 8,5
23 a 30 8 7 10 D-4 D+3 10,0
31 a 38 10 8 12 D-5 D+3 11,5
39 a 44 12 8 12 D-5 D+3 13,0
45 a 50 14 9 14 D - 5,5 D + 3,5 13,5
51 a 58 16 10 15 D-6 D+4 14,5
59 a 68 18 11 16 D-7 D+4 16,0
69 a 78 20 12 19 D - 7,5 D + 4,5 17,0
Obs.: O comprimento L é calculado em até duas vezes o diâmetro do eixo.

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293
Largura e Rasgo
Diâmetro do
Altura L D
eixo D t t1
bxh
de 3 a 4 1 x 1,4 0,9 D+0,6 3,82 4
1,5 x 1,4 0,9 3,82 4
>4a5 D+0,6
1,5 x 2,6 2,1 6,76 7
>5a7 2 x 2,6 1,6 6,76 7
D+0,6
2 x 3,7 2,9 9,66 10
>7a9 2,5 x 3,7 2,9 D+0,9 9,66 10
3 x 3,7 2,5 9,66 10
> 9 a 13 3x5 3,8 D+1,3 12,65 13
3 x 6,5 5,3 15,72 16
4x5 3,8 12,65 13
> 13 a 17 4 x 6,5 5,3 D+1,4 15,72 16
4 x 7,5 6,3 18,57 19
5 x 6,5 4,9 15,72 16
5 x 7,5 5,9 18,57 19
> 17 a 22 D+1,8
5x9 7,4 21,63 22
5 x 10 8,4 24,49 25
6x9 7,4 21,63 22
6 x 10 8,4 24,49 25
> 22 a 28 D+1,8
6 x 11 9,4 27,35 28
6 x 13 11,4 31,43 32
8 x 11 9,5 27,35 28
8 x 13 11,5 31,43 32
> 28 a 38 8 x 15 13,5 D+1,7 37,15 38
8 x 16 14,5 43,08 45
8 x 17 15,5 50,83 55
10 x 16 14 43,08 45
10 x 17 15 50,83 55
> 38 a 48 D+2,2
10 x 19 17 59,13 65
10 x 24 22 73,32 80
> 48 a 58 12 x 19 16,5 59,13 65
D+2,7
> = maior de 12 x 24 21,5 73,32 80

Polias e correias

Polias são peças cilíndricas usadas para transmitir movimento de rotação por meio de
correias.

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294
Ângulos e dimensões dos canais das polias em Vê

Dimensões das correias

Tipo A B C D E
L 12,7 16,6 22,2 31,7 38,1
H 7,9 10,3 13,4 19 23

Dimensões normais das polias de múltiplos canais


Perfil Diâmetro ângulo Medidas em milímetros
padrão da externo do U=
T S W Y Z H K X
correia da polia canal R
75 a 170 34º
A 9,50 15 13 3 2 13 5 1,0 5
acima de 170 38º
de 130 a 240 34º
B 11,5 19 17 3 2 17 6,5 1,0 6,25
acima de 240 38º
de 200 a 350 34º
C 15,25 25,5 22,5 4 3 22 9,5 1,5 8,25
acima de 350 38º
de 300 a 450 34º
D 22 36,5 32 6 4,5 28 12,5 1,5 11
acima de 450 38º
de 485 a 630 34º
E 27,25 44,5 38,5 8 6 33 16 1,5 13
acima de 630 38º

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295
Rolamentos

Os rolamentos são elementos constantes de máquinas. Eles classificam-se, segundo o


elemento rodante, em:
• Rolamento de esferas;
• Rolamento de rolos;
• Rolamento de roletes.

Os rolamentos de esferas são empregados em conjuntos pequenos de altas


rotações.

Os rolamentos de rolos são utilizados para conjuntos maiores expostos a grandes


cargas.

Os rolamentos de roletes são indicados para pequenos espaços radiais.

Dentro dessa classificação geral, os rolamentos mais comuns são:


• Os rolamentos fixos c e os rolamentos de contato angular de uma carreira de
esferas d são usados em conjuntos que têm de suportar altas rotações.

O rolamento d suporta também elevada capacidade de carga axial somente em um


sentido.

Os rolamentos autocompensadores (oscilantes) de esferas e ou rolos f são


empregados nos casos em que há posições oblíquas entre eixos e mancal (pequenas
variações de alinhamento).

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296
Dentro de certos limites, um livre deslocamento axial do eixo exige o uso de rolamento
de rolos cilíndricos.

Para cargas axiais em uma só direção são usados rolamentos axiais h de esfera de
escora simples.

Os rolamentos de rolos cônicos i são rolamentos desmontáveis de uma carreira de


rolos. São muito empregados na indústria automobilística, graças à sua capacidade de
suportar cargas combinadas.

Observação
A quantidade e a variedade de tipos e tamanhos de rolamentos é considerável. Por
isso, para especificar o tipo desejado, é conveniente consultar os catálogos de
fabricantes.

Para especificar corretamente rolamentos é importante definir, pelo menos, os


seguintes dados:
• Nome do fabricante;
• Medidas do eixo;
• Número do catálogo do rolamento;
• Diâmetro do furo do rolamento;
• Diâmetro externo;
• Largura do rolamento.

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297
Em desenho técnico, conforme projeto recente da ABNT, os rolamentos podem ser
representados da seguinte maneira:

Representação
Simplificada Simbólica

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298
Engrenagens

Engrenagens são rodas que transmitem e recebem movimento de rotação.

As engrenagens podem ser representadas de três maneiras diferentes: normal,


simplificada e esquemática.

Tipos de corpos de engrenagem

Engrenagens cilíndricas com dentes retos.

Normal Simplificada (em corte) Esquemática

Engrenagens cilíndricas com dentes helicoidais

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299
Normal Simplificada (em corte) Esquemática

Engrenagem helicoidal com dentes côncavos e roscas sem-fim

Normal Simplificada (em corte) Esquemática

Engrenagens cônicas com dentes retos

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300
Normal Simplificada (em corte) Esquemática

Tipos de corpos de engrenagem

Corpo em forma de disco Corpo em forma de disco


com furo central com cubo e furo central

Corpo em forma de disco com quatro Corpo em forma de braços com cubo
furos, cubo e furo central e furo central

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301
Características dos dentes das engrenagens

p (passo): é a distância circunferencial entre dois dentes consecutivos, medida na


circunferência primitiva da engrenagem;
e (espessura): é a medida do arco limitado pelo dente na circunferência primitiva;
c (cabeça): é a parte do dente que fica entre o diâmetro primitivo e o diâmetro
externo;
v (vão): é o vazio que fica entre dois dentes consecutivos;
h (altura): corresponde à soma da altura da cabeça mais a altura do pé do dente;
f (pé) é a parte do dente que fica entre o diâmetro primitivo e o diâmetro
interno.

Características e cotagem de engrenagens

Características

De - diâmetro externo
Dp - diâmetro primitivo
Di - diâmetro interno
L - largura
M - módulo: (o número do módulo serve de base para calcular as dimensões dos dentes)
N - número de dentes

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302
Cotagem

Engrenagem cilíndrica com dentes retos

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303
Engrenagem cilíndrica com dentes helicoidais

Característica particular: ângulo da hélice = 22º

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304
Engrenagem helicoidal com dentes côncavos

Características particulares:
• Diâmetro máximo = 134,28
• Ângulo da hélice = 16º
• Ângulo do chanfro = 60º
• Raio da superfície côncava = 13

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305
Engrenagem cônica com dentes retos

Características particulares:
• Ângulo externo = 29º
• Ângulo primitivo = 26º
• Ângulo interno = 23º
• Ângulo do cone complementar = 64º
• Número de dentes = 24
• Altura dos dentes = 6,4
• Rebaixo do disco = 4

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306
Fórmulas e traçado de dentes de engrenagem

FÓRMULAS
Dp
Dp - M x N e = m x 1,49 d=
60
S=M v = M x 1,65 K=Fx2

t = M x 1, 166 rI = M x 0,1 a 0,3 De = M (N + 2)

P
H = M x 2,166 G= D1 = M (N - 2,33)
2
De
P = M x π (3,14) L=6a8xM M=
N+2
Nota - Para as engrenagens fresadas, a espessura e o vão dos dentes são divididas
P 19 21
por 2 ( ).Porém nas engrenagens fundidas a espessura é: e = x P : o vão:
2 40 40
x P.

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307
ODONTÓGRAFO DE GRANT
Número R = A x M r=BxM Número R=AxM r=BxM Número R = A x M r = B x M
de de de
dentes A B dentes A B dentes A B
N N N
10 2,28 0,69 22 3,49 2,06 34 4,33 3,09
11 2,40 0,83 23 3,57 2,15 35 4,39 3,16
12 2,51 0,96 24 3,64 2,24 36 4,45 3,23
13 2,62 1,09 25 3,71 2,33 37 a 40 - 4,20
14 2,72 1,22 26 3,78 2,42 41 a 45 - 4,63
15 2,82 1,34 27 3,85 2,50 46 a 51 - 5,06
16 2,92 1,46 28 3,92 2,59 52 a 60 - 5,74
17 3,02 1,58 29 3,99 2,69 61 a 70 - 6,52
18 3,12 1,69 30 4,06 2,76 71 a 90 - 7,72
19 3,22 1,79 31 4,13 2,85 91 a 120 - 9,78
20 3,32 1,89 32 4,20 2,93 121 a 180 - 13,38
21 3,41 1,98 33 4,27 3,01 181 a 360 - 21,62

Engrenagem à evolvente aproximada - (Traçada com arcos de círculo)

Para engrenagens com menos de 55 dentes

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308
Para engrenagens com mais de 55 dentes

A = centro da engrenagem
Dp
CB =
4
R1 = distância CB
R2 = distância CD

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309
Cremalheira

Cremalheira é uma barra dentada que engrena com um pinhão (engrenagem). Pode
ser considerada parte de uma engrenagem cilíndrica, cujo diâmetro é infinitamente
grande. O mecanismo engrenagem-cremalheira transforma o movimento de rotação
(circular contínuo) transmitido pela engrenagem em um movimento de translação
(retilíneo contínuo) transmitido pela cremalheira ou vice-versa.

Fórmulas
G = M x 1,75 P=Mx π
t = M x 1,17 P
e=
2
S=M P
V=
2

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310
Engrenagem cilíndrica helicoidal (fórmulas e traçados)

A roda cilíndrica helicoidal distingue-se por sua grande resistência e marcha silenciosa.
Essa engrenagem pode ser empregada tanto para eixos paralelos quanto cruzados. Os
demais são traçados à evolvente de círculo e sua construção é igual à dos dentes
retos.

Nomenclatura Símbolo Fórmulas


PcN MN
Diâmetro primitivo Dp McN = π
= cosβ

Diâmetro externo De Dp+2Mn = ( N


cos β
+ 2 ) Mn
Diâmetro interno Di Dp - 2,5 Mn
dp
d 60
Passo normal Pn Mnπ = Pc cosβ
Espessura do dente e
Intervalo entre dentes v
Altura do pé do dente t 1,25 Mn
Altura da cabeça do dente S t Mn
Altura do dente H 2,25 Mn
Dp Pc Mn
Módulo circunferencial Mc N
= π
= cosβ
Dp . π
Passo aparente Pc-Pf N
= Mc π
Furo F
Dp Dp. cos β
Número de dentes N Mc
= Mn
Dp. cos β Pn
Módulo normal N
= π
Ângulo de inclinação β

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Créditos Comitê Técnico GED/FIC Metalmecânica/2010
Elaboradores: Antonio Ferro Antonio Varlese José Serafim Guarnieri
José Romeu Raphael Celso de Hypólito Manoel Tolentino Rodrigues Filho
Paulo Binhoto Filho Eduardo Francisco Ferreira Rinaldo Afanasiev
Ilustrador: Devanir Marques Barbosa Eugenício Severino da Silva Roberto Aparecido Moreno
Humberto Aparecido Marim
José Carlos de Oliveira
Referência
SENAI.SP. Desenho I – Iniciação ao Desenho. São Paulo. 1991.

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Referências

SENAI.SP. Desenho I - Iniciação ao Desenho. São Paulo, 1991.

SENAI.SP. Desenho II – Desenho com instrumentos. São Paulo, 1991

SENAI.SP. Desenho III – Desenho para mecânica. São Paulo, 1991.

SENAI.SP. Desenho técnico. São Paulo, 1990. (Supervisor de 1ª linha).

SENAI.SP. Tecnologia aplicada II Trator. São Paulo, 1997.

SENAI.SP. Tecnologia de soldagem. São Paulo, 1986.

Telecurso: profissionalizante de Mecânica: Leitura e interpretação de desenho técnico


mecânico. v. 2. 1.ed. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho, 2009. 300 p.

Telecurso: profissionalizante de Mecânica: Leitura e interpretação de desenho


técnico mecânico. v.3. 1.ed. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho, 2000. 194 p.

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