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DIREITO PROCESSUAL PENAL 1

CONCEITO
DIREITO PROCESSUAL PENAL
Direito Processual Penal é o direito de se invocar
Teoria, dicas, legislação, jurisprudência e a tutela jurisdicional do Estado, ou o direito de se pedir
exercícios por assunto (CESPE e outras) ao Estado a aplicação do Direito Penal positivo ao caso
(Conforme Lei nº 12.736, de 2012) concreto, ou o direito de se pedir ao Estado uma
decisão sobre fato penalmente relevante.
Trata-se do ramo do direito público que regula a
atividade tutelar do Direito Penal.
Pode ser conceituado tendo em consideração
três aspectos: o científico, o objetivo e o subjetivo.
PROFa. LÚCIA SENA -Direito processual penal ciência é o
lucia-sena-1@hotmail.com conhecimento sistemático e metódico das
CONTEÚDO PROGRMÁTICO: normas que regram o processo penal e dos
1 Norma processual penal: conceito e conteúdo; princípios que as inspiram.
espécie, fontes. .......................................................... 5 -Direito processual penal objetivo é o conjunto
2 Processo e procedimento: relação processual; sujeitos de normas do ordenamento jurídico
processuais (juiz, partes, réu ou acusado, ofendido, responsáveis pela regulamentação do
Ministério Público, assistente). ................................. 59 processo penal.
3 Polícia judiciária: funções, inquérito policial, -Direito processual penal subjetivo é a
autoridades policiais e seus agentes, possibilidade de agir do sujeito do processo,
desenvolvimento do Inquérito policial. ....................... 10 assegurada pela lei processual.
4 Ação penal: conceituação, classificação penal, Na lição de Beling, Direito Processual Penal é
condições, decadência, prescrição, preclusão, aquela parte do Direito que regula a atividade tutelar do
renúncia, perda e perempção; da ação penal Direito Penal.
pública; da ação penal privada; da ação penal
Já para Frederico Marques, o Direito Processual
subsidiária da pública; da extinção da ação penal. 25
Penal “é o conjunto de princípios e normas que regulam
5 Competência. .............................................................. 39 a aplicação jurisdicional do Direito Penal, bem como as
6 Restituição das coisas apreendidas. ........................... 52 atividades persecutórias da Polícia Judiciária, e a
7 Medidas assecuratórias. .............................................. 53 estruturação dos órgãos da função jurisdicional e
8 Incidente de insanidade mental do acusado. .............. 56 respectivo auxiliares”.
9 Citação, notificação e intimação. ............................... 113 Para Fernando Capez “é o conjunto de princípios
10 Prova: conceito, finalidade e obrigatoriedade; do e normas que disciplina a composição das lides penais,
exame de corpo de delito e perícias em geral; do por meio da aplicação do Direito Penal objetivo”.
interrogatório do acusado e da confissão; do
ofendido; da testemunha; do reconhecimento; da
acareação; dos documentos; da busca e apreensão PROCESSO E PROCEDIMENTO
.................................................................................. 69 O processo é o meio que possibilita o exercício
11 Prisão: conceituação; ordem escrita e seus do direito de punir do Estado. Funciona ele como um
requisitos; local de prisão e perseguição; prisão complexo de atos coordenados visando ao julgamento
especial; prisão em flagrante delito; prisão da pretensão punitiva.
preventiva. ................................................................. 90 Os procedimentos são o rito processual, o
12 Liberdade provisória, com ou sem fiança ................... 05 caminho que deve ser seguido ao longo do processo
13 Sentença. ................................................................ 119 para que este último possa atingir sua finalidade.
14 Processo de competência do júri. ........................... 125
15 Processo sobre crimes de responsabilidade dos FINALIDADE DO PROCESSO PENAL
funcionários públicos. ............................................. 141 No processo penal, o grande desiderato não é a
16 Habeas corpus. ....................................................... 144 composição do litígio... é sim desvendar, demonstrar,
17 Legislação especial* aclarear, encontrar a verdade dos fatos. A finalidade do
*Vide módulo LEGISLAÇÃO EXTRAVAGANTE processo penal é encontrar a verdade real.
Encontrada, fica fácil a aplicação do Direito, seja
prevalecendo o jus puniendi do Estado, seja
prevalecendo o jus libertatis) do réu. Tanto o jus
NOÇÕES GERAIS puniendi do Estado quando o jus libertatis do réu
INTRODUÇÃO dependem, para serem efetivados, da descoberta de
verdade real.
Praticado o fato que infringe a norma surge para
Sua finalidade, em suma, é a de tornar realidade
o Estado o direito efetivo de punir, logo o ―jus puniendi‖
o Direito Penal. Enquanto este estabelece sanções aos
pertence ao Estado.
possíveis transgressores das suas normas, é pelo
Com a prática do delito, surge para o Estado a
Processo Penal que se aplica a SANCTIO JURIS
pretensão punitiva, o que doutrinariamente se denomina
(Sanção Penal), porquanto toda pena é imposta
jus puniendi (direito penal subjetivo). Assim é que, tendo
―processualmente‖. O objetivo do Direito Processual
o Estado o dever de proteger os direitos mais essenciais
Penal, na lição de Tourinho Filho, é eminentemente
da sociedade, ele apreende para si o monopólio daquele
prático atual e jurídico e se limita à declaração de
direito, ou seja, somente o poder estatal encontra-se
certeza da verdade, em relação ao fato concreto e à
legitimado a exercer o direito de punir, em substituição à
aplicação de suas consequências jurídicas.
antiga ―vingança de sangue.
2 DIREITO PROCESSUAL PENAL
PERSECUTIO CRIMINI O Direito Processual Penal obedece a exigências
Persecutio criminis, pode ser traduzido como próprias e a princípios especiais e particulares, não se
persecução do crime ou persecução penal. Persecução admitindo mais o uso de expressões obsoletas, como,
é o mesmo que perseguição, ou seja, ato de ir ao por exemplo, Direito Adjetivo ou Acessório, uma vez
encalço de alguém, com o fito de aplicar-lhe punição. que, segundo a doutrina moderna, não é mais possível
Persecução penal significa o conjunto de atividades estabelecer uma relação de subordinação entre os
que o Estado desenvolve no sentido de tornar realizável direitos material e processual.
a sua atividade repressiva em sede penal.
Praticado o fato delituoso ―o dever de punir do INSTRUMENTALIDADE DO DIREITO PROCESSUAL
Estado sai de sua abstração hipotética e potencial para Não se pode negar o caráter instrumental do
buscar existência concreta e efetiva. A aparição do Direito Processual Penal, porquanto constitui ele um
delito por obra de um ser humano torna imperativa sua meio, um instrumento para fazer atuar o Direito Material.
persecução por parte da sociedade (persecutio A propósito, essa concepção instrumental do
criminis)‖ a fim de ser submetido o delinquente à pena processo se inspira, basicamente, em duas
que tenha sido prevista em lei. considerações:
Para Belling, ―persecução penal consiste na a) aspecto lógico – o direito processual penal
atividade estatal de proteção penal. está ordenado segundo uma reconstrução
A persecutio criminis, como visto, é o caminho histórica, não como fim em si mesmo, senão
percorrido pelo Estado-Adminsitração para que seja como meio, como instrumento para conseguir
aplicada uma pena ou medida de segurança àquele que um fim que preexiste a ele e o transcende, a
cometeu uma infração penal, consubstanciando-se em saber, a atuação do Direito Material (o direito
duas fases, quais sejam: material tem necessidade, para a sua
Investigação criminal ou pré-processual - é um atuação, de instrumentos processuais, sem
procedimento preliminar, de caráter que estes se identifiquem com aquele); e
administrativo, que busca reunir provas b) aspecto jurídico – a concepção do caráter
capazes de formar o juízo do representante instrumental do processo explica a distinção
ministerial acerca da existência de justa causa entre a admissibilidade da demanda e
para o início da ação penal. fundamento da demanda, ou melhor, entre
Ação Penal – persecutio criminis in juditio - é indagação sobre os pressupostos
o procedimento principal, de caráter processuais e indagação sobre o mérito.
jurisdicional, que termina com um procedimento Releva notar, ainda, que a instrumentalidade do
judicial que resolve se o cidadão acusado Direito Processual Penal torna-se mais evidente quando
deverá ser condenado ou absolvido se constata que o Direito Penal não possui um método
de coação direta, já que o próprio Estado autolimitou o
seu Jus Puniendi, exigindo-se assim, necessariamente,
CARACTERÍSTICAS
que a pena seja aplicada por meio de um devido
a) Autonomia: o direito processual não é
processo legal (CF, art. 5º, LV).
submisso ao direito material, isto porque tem princípios
e regras próprias. Ademais, os princípios do nulla poena sine judice
b) Instrumentalidade: é o meio para fazer atuar e nulla poena sine judicio, elevados à categoria de
o direito material penal, consubstanciado o caminho a dogma constitucional, e segundo os quais nenhuma
ser seguido para a obtenção de um provimento pena poderá ser imposta senão pelo Órgão
jurisdicional válido. Jurisidicional e por meio do regular processo, impedem
a aplicação da sanctio júris sem o devido processo.
c) Normatividade: é uma disciplina normativa,
de caráter dogmático, inclusive com codificação própria Nesse sentido, então, o cânon nulla poena sine
(Código de Processo Penal: Dec-Lei nº 3.689/41) judicio é posto não só como autolimitação da função
d) Finalidade: Há duas finalidades presentes: punitiva do Estado, mas ainda como limite à vontade do
particular, ao qual é negada a faculdade de sujeitar-se à
a) mediata: se confunde com a própria finalidade
pena. Desta forma, tal princípio dá lugar aquele nexo de
do Direito Penal, que é a manutenção da paz
subordinação entre processo e aplicação da sanção
social;
penal que não encontra correspondência em nenhum
b) imediata: realizabilidade da pretensão punitiva outro ramo do direito.
derivada de um delito, através da utilização
da garantia jurisdicional. Portanto, a sanção penal só se concretiza no
mundo dos fatos por meio da norma processual,
inviabilizando, assim, qualquer acordo que seja feito
AUTONOMIA DO PROCESSO PENAL entre os sujeitos ativo e passivo do processo, que venha
O Direito Processual constitui, como diz a afastar a norma processual. Logo, não se pode dizer
Frederico Marques, ciência autônoma no corpo da que a transação penal, prevista na Lei nº9.099/95, de
DOGMATICA JURIDICA, uma vez que tem objetivos alguma forma flexibilizou este vínculo de dependência
que lhe são próprios. entre os ramos do direito material e processual, pois,
No que diz respeito ao Direito Processual penal, como salienta Fernando da Costa Tourinho Filho, a
observa Giovanni Leone que a sua autonomia não pena aplicável por meio de tal instituto processual não
decorre, apenas, da existência de um Código de decorre exclusivamente do acordo celebrado entre as
Processo Penal, mas, sobretudo, da consideração de partes, já que depende da apreciação e aplicação por
que os princípios reguladores do processo penal não parte do juiz).
têm nenhum ponto de contato com os princípios que Este vínculo entre os ramos dos Direitos Penal e
disciplinam a definição de crime, sua estrutura e os Processual Penal não é excepcionado nem mesmo nas
institutos conexos. (Cf. Trattto, cit., p.10) hipóteses de ação penal privada, em que o jus
DIREITO PROCESSUAL PENAL 3
persequendi in judicio (direito de perseguir em Juízo) foi Por fim, sob o enfoque de tal sistema, uma parte
transferido para o particular, pois não será possível a da doutrina moderna sustenta que artigos, como, por
inflação da pena sem o devido processo. exemplo, o Art. 156 do CPP, não foram recepcionados
pela Constituição vigente, devendo, por isso, serem
interpretados de maneira a colocar o juiz numa posição
SISTEMAS PROCESSUAIS PENAIS exclusivamente passiva dentro do processo, retirando-
Segundo as formas com que se apresentam e os lhe toda e qualquer iniciativa, a qual deve estar limitada
princípios que os informam, são três(3) os às partes.
sistemas/tipos processuais utilizados durante evolução
histórica:
c) Misto: (acusatório formal)
Em tal sistema, duas das três etapas do
a) Inquisitivo
processo, quais sejam, a investigação preliminar e a
―O Processo é mais uma forma autodefensiva de instrução preparatória, são regidas pelas regras do
administração da justiça do que um genuíno processo sistema inquisitório, enquanto que a fase de julgamento
de apuração da verdade‖ (MIRABETE); inexistem regras é marcada pelas características do sistema acusatório .
de igualdade e liberdade processuais; o processo é
OBS.:
escrito e secreto; as funções de acusar, defender e
julgar cabem ao Juiz; a confissão é elemento suficiente O Código de Processo Penal adotou o sistema
para condenações. acusatório.
O réu é visto como mero objeto da persecução,
motivo pelo qual as torturas eram frequentemente PRINCÍPIOS DO PROCESSO PENAL1
admitidas como meio para se obter a confissão, rainha Para a boa aplicação do Direito, em geral, e para
das provas. a efetivação da norma no processo, em especial, o
São traços básicos do processo inquisitivo: intérprete não pode prescindir de uma visão
1) a concentração das três funções, acusadora, principiológica, fundada, primordialmente, na
defensora e julgadora, em mãos de uma só Constituição.
pessoa, o juiz; Evidentemente, como norma fundamental do
2) o sigilo dos atos processuais; arcabouço jurídico, a Constituição deve ser o ponto de
3) a ausência de contraditório; partida do exegeta, seja nas lides civis, seja nas
demandas penais.
4) o procedimento escrito;
O Processo Penal brasileiro é regido por uma
5) os Juízes eram permanentes e irrecusáveis; série de princípios, cujo estudo aprofundado e exata
6) as provas eram apreciadas segundo regras compreensão é de suma importância para a boa
aritméticas e arbitrárias, em vez de aplicação do Direito.
processuais; Analisados aqui os mais importantes princípios
7) a confissão era elemento suficiente para que regem o direito processual. Senão vejamos.
condenação; e
8) era cabível apelação contra a sentença. 1. Princípio do Devido Processo Legal
Segundo Jorge Figueiredo Dias, este tipo de Ninguém será privado da liberdade e de seus
sistema é típico de Estados Absolutistas. bens, sem a garantia que supõe a tramitação de um
processo desenvolvido conforme o direito processual.
b) Acusatório O devido processo legal, portanto, configura
Autor e réu estão em pé de igualdade; o juiz é proteção ao indivíduo tanto sob o aspecto material, com
órgão imparcial; assegura-se o contraditório; o processo a garantia de proteção ao direito de liberdade, quanto
é, em regra, público; a iniciativa do processo cabe à sob o aspecto formal, assegurando-lhe a plenitude da
parte acusadora, que poderá ser o ofendido ou órgão defesa e igualdade de condições com o Estado-
estatal. A publicidade só é restrita excepcionalmente; as persecutor.
funções de acusar, defender e julgar são dados a
pessoas distintas; o juiz não inicia o processo ex-oficio; 2. Garantia de Contraditório e Ampla Defesa
o processo pode ser oral ou escrito.
Os princípios do contraditório e da ampla defesa
Afora isso, esse sistema, como assevera Capez, encontram previsão expressa no art. 5º, LV da CF/88,
pressupõem as seguintes garantias constitucionais: que dispõe: "aos litigantes, em processo judicial ou
1) a tutela jurisdicional (CF, art. 5º, XXXV); administrativo, e aos acusados em geral são
2) o devido processo legal (CF, art.5º, LIV); assegurados o contraditório e ampla defesa, com os
3) a garantia do acesso à justiça (CF, art.5º, meios e recursos a ela inerentes."
LXXIV); a garantia do juiz natural (CF, art. 5º, O princípio do contraditório decorre do princípio
XXXVII e LIII); da igualdade processual, pelo qual as partes encontram-
4) o tratamento isonômico das partes (CF, art. 5º, se em posição de similitude perante o Estado e perante
caput e I); o Juiz, sendo que ambas deverão ser ouvidas, em plena
igualdade de condições.
5) a ampla defesa (CF, art. 5º, LV, LVI e LVII);
6) a publicidade dos atos processuais (CF, art. 5º,
LX);
7) a motivação dos atos decisórios (CF, art. 93, 1
Vladimir Aras, Princípios do Processo Penal.
IX) e a presunção de inocência (CF, art. 5º, http://jus.uol.com.br/revista/texto/2416/principios-do-processo-
LVII). penal
4 DIREITO PROCESSUAL PENAL
4. Princípio do Duplo Grau de Jurisdição seus advogados, ou somente a estes, em casos nos
quais a preservação do direito à intimidade do
A despeito de não se encontrar expressamente
interessado no sigilo não prejudique o interesse público
previsto na CF/88, o princípio do duplo grau de à informação; (Redação dada pela Emenda
jurisdição decorre de nosso próprio sistema Constitucional nº 45, de 2004)
constitucional, quando estabelece a competência dos
tribunais para julgar, em grau de recurso, determinadas
6. Publicidade do Juiz Natural e do Promotor Natural
causas.
É imperioso observar a determinação contida no Consagrado pela CF/88, em seu art. 5º, LIII, o
Princípio do Juiz Natural estabelece que ninguém será
art. 108, II, da Magna Carta, que diz competir aos
sentenciado senão pela autoridade competente,
Tribunais Regionais Federais "julgar, em grau de
representando a garantia de um órgão julgador técnico e
recurso, as causas decididas pelos juízes federais e
pelos juízes estaduais no exercício da competência isento, com competência estabelecida na própria
federal da área de sua jurisdição". Constituição e nas leis de organização judiciária de cada
Estado.
Decorre desse princípio a proibição de criação de
3. Princípio da Inadmissibilidade de Provas Obtidas juízos ou tribunais de exceção, insculpida no art. 5º,
por Meios Ilícitos XXXVII, que impõe a declaração de nulidade de
Não é admitida no processo, qualquer prova qualquer ato judicial emanado de um juízo ou tribunal
obtida através de transgressões a normas de direito que houver sido instituído após a prática de
material (LVI de seu art. 5º, CF). determinados fatos criminosos, especificamente para
Essa vedação decorre da observância do processar e julgar determinadas pessoas.
princípio da dignidade da pessoa humana, que deve se
sobrepor à atuação estatal, limitando a persecução 7. Iniciativa das Partes
penal.
A ação penal deve ser provocada pelas partes. A
Conquanto a Magna Carta refira-se à prova ilícita, promoção da ação penal pública cabe privativamente ao
deve-se entender que a proibição abrange as provas Ministério Público (art. 129, I, da CF); não existe mais
ilegais como um todo, incluindo as provas ilegítimas. ação penal com início por portaria do juiz ou da
Pode-se dizer que a prova ilegal é o gênero do qual as autoridade policial; a promoção da ação penal privada
provas ilícitas e as ilegítimas são espécies: essas são cabe ao ofendido ou seu representante legal.
produzidas com violação a normas de direito
processual, enquanto aquelas são produzidas com
violação a normas de direito material. As provas podem 8. Impulso Oficial
ser, ainda, ilícitas e ilegítimas ao mesmo tempo, quando Uma vez iniciada, porém, a ação penal, compete
contrariarem tanto normas de natureza processual, ao juiz do crime manter a ordem dos atos e o
quanto normas de natureza material. seguimento do processo (art. 251 do CPP).
Art. 251. Ao juiz incumbirá prover à regularidade do
processo e manter a ordem no curso dos respectivos
4. Inocência Presumida ou da Não Culpabilidade
atos, podendo, para tal fim, requisitar a força pública.
O princípio da presunção de inocência ou do
estado de inocência, desdobramento do princípio do
devido processo legal, está previsto no art. 5º, inciso 9. Verdade Real/Material
LVII, da Constituição Federal, que assim dispõe: A função punitiva do Estado só pode fazer-se
"ninguém será considerado culpado até o trânsito em valer em frente àquele que, realmente, tenha cometido
julgado da sentença penal condenatória". Consagrando- uma infração; portanto o Processo Penal deve tender à
se um dos princípios basilares do Estado de Direito averiguação e descobrimento da verdade real ou
como garantia processual penal, visando à tutela da verdade material, como fundamento da sentença.
liberdade pessoal. No processo penal, devem ser realizadas as
Até o trânsito em julgado de sentença penal diligências necessárias e adotadas todas as
condenatória, ninguém será considerado culpado. providências cabíveis para tentar descobrir como os
fatos realmente se passaram, de forma que o jus
puniendi seja exercido com efetividade em relação
5. Publicidade dos Atos Processuais
àquele que praticou ou concorreu para a infração penal.
Os atos processuais são públicos (art. 5º, XXXIII O juiz tem, no Processo Penal, o dever de investigar
e LX; e art. 93, IX da CF). como os fatos ocorreram realmente, e não pode se
Art. 5º, XXXIII da CF- todos têm direito a conformar com a verdade trazida aos autos pelas
receber dos órgãos públicos informações de seu partes.
interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, O juiz, segundo o artigo 156 do Código de
que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de
Processo Penal, poderá, no curso da instrução criminal
responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja
imprescindível à segurança da sociedade e do Estado; ou antes de proferir sentença, determinar, de ofício,
diligências para dirimir dúvidas sobre ponto relevante.
Art. 5º, LX da CF - a lei só poderá restringir a
publicidade dos atos processuais quando a defesa da Ou seja, a lei dá ampla liberdade para que o magistrado
intimidade ou o interesse social o exigirem; faça a busca da verdade real.
Art. 93 da CF- Lei complementar, de iniciativa do Porém, a busca dessa verdade real sofre
Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da algumas limitações, a saber:
Magistratura, observados os seguintes princípios: -Impossibilidade de juntada de documentos na
IX- todos os julgamentos dos órgãos do Poder fase do artigo 406 do CPP.
Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as -Impossibilidade de exibir prova no plenário do
decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a Júri que na tenha sido comunicada à parte
presença, em determinados atos, às próprias partes e a contrária com antecedência mínima de 03
DIREITO PROCESSUAL PENAL 5
dias. (Art. 475 do CPP) pela forma, início, andamento e fim da atividade
-Inadmissibilidade de provas obtidas por meios processual‖.
ilícitos (Artigo 5º, LVI da CF/88) A localização de uma norma não determina a sua
classificação, que é feita de acordo com seu objetivo.
10. Legalidade ou Obrigatoriedade Assim, haverá normas processuais.
Sendo o processo obrigatório para a segurança e
reintegração da ordem jurídica, devem os órgãos Elementos da norma processual penal
persecutórios atuar necessariamente, ou seja, não A norma processual penal conta com os
podem possuir poderes discricionários para apreciar a seguintes elementos:
conveniência ou oportunidade da instauração do
processo ou inquérito. a) regra de conduta – ―consiste nas disposições
estatuídas sobre as atividades que se desenvolvem no
processo, com seus consectários lógicos, consistentes
11. Princípio da identidade física do juiz na regulamentação da atuação do juiz, das partes e dos
Consiste na vinculação obrigatória do juiz aos terceiros‖;
processos cuja instrução tivesse iniciado, de sorte que b) ordem – ―obrigatoriedade, imposta a todos que
não poderia o feito ser sentenciado por magistrado intervém no processo, de não se afastarem das regras
distinto. Esta consagrado em nível infraconstitucional de condutas traçadas, salvo quando o autorizar a
pela Lei 11.719/2008 ao CPP, no art. 399, § 2º., própria norma‖;
estabelecendo que o juiz que presidiu a instrução
c) garantia – ―série de medidas destinadas a
deverá proferir a sentença.
tutelar o caráter preceptivo da norma, como a imposição
de ônus e sanções‖. (segundo José Frederico Marques)
NORMA PROCESSUAL PENAL: conceito e
conteúdo; espécie, fontes. Classificação
Conceito de norma processual penal São as normas processuais penais:
Norma, em sentido genérico, significa ―regra de a) normas de organização judiciária – tratam da
conduta‖, ou seja, o modo como a pessoa deve ou não estrutura e da criação do órgão jurisdicional, de seus
proceder. Assim, temos normas morais, de etiqueta, auxiliares e do Ministério Público (ex: Lei 8185/91 – Lei
religiosas, jurídicas etc. de Organização Judiciária do Distrito Federal);
As normas costumam prever sanções para o seu b) normas processuais em sentido estrito –
descumprimento, isto é, o sujeito que as desobedecer cuidam do início, desenvolvimento e fim do processo
deve sofrer um mal. O objetivo da sanção é estimular o (ex: Código de Processo Penal);
cumprimento da norma. Nesse sentido, cometer algum c) normas procedimentais ou judiciário-
―pecado capital‖ pode ter como consequência ―ir para o procedimentais – só incidem indiretamente sobre a
inferno‖. atividade jurisdicional (ex: inquérito policial).
As normas jurídicas também prescrevem regras
de conduta e sanções para o seu descumprimento. O
que as diferencia das outras normas é a sua origem Caracteres da norma processual penal
estatal e sua coatividade, isto é, devem ser A doutrina tradicional entendia que a norma
obrigatoriamente cumpridas. De acordo com Miguel material é de caráter político-social, enquanto que a
Reale, norma jurídica é “uma estrutura proposicional norma processual é exclusivamente técnica. Assim, a
enunciativa de uma forma de organização ou de norma material faz a ponderação dos interesses
conduta, que deve ser seguida de maneira objetiva e presentes em determinada sociedade (no caso do
obrigatória‖. Flavio Meirelles Medeiros dá uma Direito Penal, pondera-se entre a necessidade de
definição simplificada: “a expressão norma... em seu prevenção de crime e a liberdade das pessoas). O
sentido jurídico significa a regra de conduta imposta processo penal seria apenas a técnica mediante a qual
pela lei a ser observada”. se aplica o Direito Penal.
Norma jurídica é gênero que comporta várias Porém, essa concepção está ultrapassada, pois,
divisões. a despeito da característica essencialmente técnica, o
Normas materiais ―São aquelas que compõem, processo também ―é encarado como meio indispensável
imediatamente, um conflito de interesses, escolhendo para que o Estado possa alcançar os escopos da
qual dos interesses conflitantes, e em que medida, deve jurisdição (não só o sentido político, mas os sociais e
prevalecer, e qual deve ser sacrificado‖ (Ada Pelegrini políticos...)‖.
Grinover) A jurisdição, que é o ato final do processo, tem
Normas instrumentais ―são aquelas que três finalidades políticas:
apenas de forma indireta contribuem para a resolução -Afirmação do poder estatal,
dos conflitos ocorrentes na vida social, mediante a -Culto às liberdades públicas e
disciplina da criação e aplicação das regras jurídicas -Participação do jurisdicionado nos destinos da
gerais ou individuais destinadas a compô-los, de sociedade‖ .
imediato.‖ (Ada Pelegrini Grinover)
O processo penal é o ramo do ordenamento
As normas processuais são eminentemente jurídico em que ponderação de interesses
instrumentais, isto é, têm por objetivo a aplicação do (punição/liberdade) se torna preponderante. Assim,
direito material ao caso concreto. podemos saber o nível de democracia de uma nação
As ―normas de direito processual penal são (tal por meio do estudo de seu processo penal (quanto
qual as de direito processual civil) aquelas responsáveis maiores as garantias aos acusados, mais forte é a
democracia).
6 DIREITO PROCESSUAL PENAL

c) Analogia
FONTES DO PROCESSO PENAL É a atividade consistente em aplicar a uma
hipótese não regulada por lei disposição relativa a um
Fonte é o lugar onde algo se origina. Em Direito,
caso semelhante. Vale dizer, onde há a mesma razão,
cuida-se de analisar dois enfoques: fontes criadoras e
aplica-se o mesmo direito (ubi eadem ratio, ibi eadem
fontes de expressão da norma. As primeiras são
jus). Todavia, para que haja analogia é necessário que
chamadas de fontes materiais; as segundas, fontes
2 exista uma semelhança relevante (ratio legis), e não
formais.
uma simples semelhança.
Nesse sentido, é necessário distinguir, desde já,
1. MATERIAS (de produção, criam o direito): é só o a analogia da interpretação extensiva. Na analogia
ESTADO inexiste norma reguladora do caso concreto, devendo
Releva notar que o Estado reparte essas fontes ser aplicada norma de que trata de hipótese
da forma descrita na Constituição Federal. Sendo assim, semelhante. Há, portanto, a criação de uma nova norma
compete privativamente à União legislar sobre direito jurídica.
processual (CF, art. 22, I), contudo, lei complementar Por outro lado, na interpretação extensiva
federal pode autorizar os Estados a legislar em existe norma reguladora do caso concreto, mas essa
processo penal, sobre questões específicas de interesse não menciona expressamente sua eficácia, sendo
local (CF, art. 22, parágrafo único). aplicada, nesse caso, a própria norma do fato, havendo,
Além disso, a União, os Estados e o Distrito no entanto, um alargamento do alcance da regra dada.
Federal possuem competência concorrente para legislar Note-se, ainda, que a interpretação analógica é
sobre criação, funcionamento e processo dos juizados 3
diferente da analogia , pois naquela há, após uma
especiais (CF, art. 24, X, c/c art. 98, I) , bem como sobre enumeração casuística, uma formulação genérica que
direito penitenciário (CF, art. 24, I e §§ 1º e 2º). deve ser interpretada de acordo com os casos
E, por fim, no que tange ao procedimento em anteriormente elencados. Vale dizer, na interpretação
matéria processual, a competência para legislar é analógica, a norma regula o caso de modo expresso,
concorrente entre a União, os Estados e o Distrito embora genericamente (v.g., CP, art. 121, § 2º, II e IV).
Federal, conforme o inciso XI, do artigo 24, da Com efeito, não se deve confundir
Constituição Federal de 1988. interpretação analógica com aplicação analógica.
Aquela é forma de interpretação; esta, de auto-
2. FORMAIS (de cognição, revelam o direito criado) integração, e exprime o emprego da analogia.
Dividem, conforme Fenech, em: Diga-se, ainda, que o CPP admite,
1) DIRETAS, que são as LEIS; expressamente, a aplicação ANALÓGICA da norma
Processual, assim como a INTERPRETAÇÃO
2) INDIRETAS (mediatas ou ainda, subsidiárias) EXTENSIVA (CPP, art. 3º), ao contrário do que ocorre
que são: costumes, jurisprudência, princípios no Direito Penal (CP, art. 1º).
gerais do direito, analogia.
Por fim, cabe assinalar que há duas espécies de
analogia:
2.1 INDIRETAS: a) in bona partem (em benefício do agente); e
a) Costumes b) in malam partem (em prejuízo do agente).
Quanto aos costumes, estes, na definição de
Fernando Capez, são um conjunto de normas de
comportamento a que as pessoas obedecem de INTERPRETAÇÃO DA NORMA PROCESSUAL
maneira uniforme e constante (elemento objetivo), pela PENAL
convicção de sua obrigatoriedade jurídica (elemento Interpretar é revelar o verdadeiro sentido do
subjetivo). texto, buscar a exata vontade da lei, que não é
O costume pode ser: contra legem necessariamente a do legislador, ou seja, é atividade
(inaplicabilidade da norma pelo seu desuso), secundum que consiste em extrair da norma seu exato alcance e
legem (sedimenta formas de aplicação da lei) e praeter real significado.
legem (preenche lacunas da lei). Note-se que a LICC estabelece a conhecida
Por fim, cabe assinalar que o costume, no nosso ―regra de ouro‖ da interpretação da norma jurídica, qual
ordenamento jurídico, nunca revoga uma lei, em face do seja, a de que ―na interpretação deve-se atender aos
que dispõe o artigo 2º, § 1º, da Lei de Introdução ao fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem
Código Civil (Dec.- Lei nº4.657/42). comum‖ (art. 5º).

b) Princípios gerais do direito Formas de interpretação da norma:


São regras, segundo Carlos Roberto Gonçalves, Equidade: correspondência jurídica e ética
―que se encontram na consciência dos povos e são perfeita da norma às circunstâncias do caso concreto a
universalmente aceitas, mesmo que não escritas. Tais que é aplicada;
regras, de caráter genérico, orientam a compreensão do Jurisprudência: conjunto de manifestações
sistema jurídico, em sua aplicação e integração, estejam judiciais sobre determinado assunto legal, exaradas
ou não incluídas no direito positivo‖. num sentido razoavelmente constante;

3
2
NUCCI, Guilherme de Souza, MANUAL DE PROCESSO PENAL A lei processual penal admite interpretação analógica plena
E EXECUÇÃO PNEAL, 5ª ED.SP/2008. (Insp.Pol.Civil/SSP-CE/2005).
DIREITO PROCESSUAL PENAL 7
Doutrina: entendimento dado aos dispositivos estadual, o "Chefe de Polícia" é o Secretário de
legais pelos escritores ou comentadores do Direito Segurança Pública etc.
(communis opinio doctorum). DICA DE CONCURSO:
Quando o intérprete, observando que a
Espécies de interpretação: expressão contida na norma sofreu alteração no correr
1) Quanto ao sujeito que a realiza: dos anos e por isso procura adaptar-lhe o sentido ao
a) Autêntica ou legislativa: realizada pelo próprio conceito atual. (Magist.TJ-SP/VUNESP/2009).
legislador. Pode ser contextual (feita pelo próprio texto
interpretado, ex: art.302, 303 do CPP) ou posterior
(quando feita após a entrada em vigor da lei). APLICAÇÃO DA NORMA PROCESSUAL PENAL
LEI PROCESSUAL PENAL: EFICÁCIA NO TEMPO E
b) Doutrinária ou científica: Realizada pelos
NO ESPAÇO
estudiosos e cultores do Direito.
Por eficácia da norma processual compreende-
ATENÇÃO: se a sua aptidão para produzir efeito. No âmbito do
As exposições de motivos constituem forma de processo penal, essa eficácia não é absoluta,
interpretação doutrinária, e não autêntica, uma vez que encontrando limitação em determinados fatores, entre
não são leis. os quais sobressaem:
c) Jurisprudencial ou judicial: interpretação a) Fatores de ordem espacial: são aqueles que,
segundo a orientação que os juízes e tribunais dão à sustentados em aspectos de territorialidade,
norma. impõe à norma a produção de seus efeitos
em determinados lugares e não em outros.
2) Quanto aos meios empregados: b) Fatores de ordem temporal: corresponde ao
período de atividade ou extratividade
a) Gramatical, literal ou sintática: procura-se fixar (retroatividade e ultratividade) da lei,
o sentido das palavras ou expressões empregadas pelo tornando-a apta a vigorar e produzir seus
legislador. Analisa-se a ―letra da lei‖, o seu sentido efeitos apenas em determinados intervalo de
literal. tempo.
b) Lógica: quando o intérprete se serve das
regras gerais do raciocínio para compreender o espírito LEI PROCESSUAL PENAL NO ESPAÇO
da lei, a intenção do legislador (Fernando da Costa Adotou o art. 1º do CPP o principio da
Tourinho Filho). territorialidade como regra geral de solução de
c) Teleológica: busca-se a finalidade da norma. conflitos.
Assim, a lei processual penal aplica-se a todas
3) Quantos aos resultados obtidos: as infrações penais cometidas em território brasileiro,
a) Declarativa: quando o texto examinado não é sem prejuízo de convenções, tratados e regras de
ampliado nem restringido, havendo uma perfeita direito internacional.
correspondência entre a palavra da lei e a sua vontade. Art. 1º O processo penal reger-se-á, em todo
b) Restritiva: quando se reduz o alcance da lei o território brasileiro, por este Código,
para que se possa encontrar a sua exata vontade. Ex.: ressalvados:
Tourinho – Quando o art. 271 do CPP diz que ― ao I - os tratados, as convenções e regras de
assistente é permitido propor meios de prova‖, deve-se direito internacional; (apreciado por tribunal
entender que está excluída a prova testemunhal, senão estrangeiros)
estaria elidida a regra de que a acusação deverá II - as prerrogativas constitucionais do
oferecer rol de testemunhas quando da propositura da Presidente da República, dos ministros de
ação (art. 41). Estado, nos crimes conexos com os do
c) Extensiva: ocorre quando é necessário ampliar Presidente da República, e dos ministros do
o sentido ou alcance da lei ( art. 3º do CPP). Tourinho Supremo Tribunal Federal, nos crimes de
elenca como exemplo o art. 34 do CPP ao dispor que o responsabilidade (Constituição, arts. 86, 89, § 2o,
menor de 21 e maior de 18 anos pode exercer o direito e 100); (não são julgados pelo poder judiciário e
de queixa. Se assim o é, poderá também exercer o sim Poder legislativo)
direito de representação, vez que quem pode o mais, III - os processos da competência da Justiça
pode o menos. Militar; (art.124 da CF, Justiça Militar para julgar
crimes militar)
Obs: IV - os processos da competência do tribunal
O CPP admite expressamente a aplicação especial (Constituição, art. 122, nº 17); (art. 109,
analógica da norma processual, assim como a IV, CF)
interpretação extensiva (art. 3º CPP), ao contrário da V - os processos por crimes de imprensa.
norma penal. Parágrafo único. Aplicar-se-á, entretanto, este
Código aos processos referidos nos IV e V,
Interpretação progressiva quando as leis especiais que os regulam não
dispuserem de modo diverso.
Fala-se, ainda, em interpretação progressiva para
se abarcarem no processo novas concepções ditadas - Território:
pelas transformações sociais, científicas, jurídicas ou O território compreende:
morais que devem permear a lei processual a) material: solo e subsolo sem solução de
estabelecida. Pela evolução legislativa do país o continuidade, água interiores, mar territorial, plataforma
"Tribunal de Apelação" pode ser o Tribunal de Justiça continental e espaço aéreo correspondente.
ou Tribunal de Alçada, conforme disponha a lei b) ficto: embarcações e aeronaves.
8 DIREITO PROCESSUAL PENAL
LIVRO I
- Princípio da “lex fori”: DO PROCESSO EM GERAL
A lei do local é aplicada no país. TÍTULO I
Três exceções: DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
o
a) território ―nullius‖; Art. 1 O processo penal reger-se-á, em todo o
b) território ocupado em caso de guerra; território brasileiro, por este Código, ressalvados:
c) território estrangeiro com autorização. I - os tratados, as convenções e regras de direito
internacional;
II - as prerrogativas constitucionais do
- Extraterritorialidade da lei penal:
Presidente da República, dos ministros de Estado, nos
A lei penal aplica-se aos crimes cometidos fora crimes conexos com os do Presidente da República, e
do território nacional que estejam sujeitos à lei penal dos ministros do Supremo Tribunal Federal, nos crimes
brasileira (CP, art. 7º). de responsabilidade (Constituição, arts. 86, 89, § 2 , e
o

DICA DE CONCURSO: 100);


No Código de Processo Penal foi adotado a III - os processos da competência da Justiça
regra da territorialidade, enquanto que no Código Penal Militar;
foi adotado o sistema da extraterritorialidade. IV - os processos da competência do tribunal
o
(Anal.Jud.TRE-ES/FESAG/2005). especial (Constituição, art. 122, n 17);
V - os processos por crimes de imprensa.
LEI PROCESSUAL PENAL NO TEMPO Parágrafo único. Aplicar-se-á, entretanto, este
o
O art. 2º do CPP dispõe que a lei processual Código aos processos referidos nos n s. IV e V, quando
penal será aplicada desde logo, sem prejuízo da as leis especiais que os regulam não dispuserem de
validade dos atos realizados sob a vigência da lei modo diverso.
anterior. o
Art. 2 A lei processual penal aplicar-se-á desde
Incide o principio do efeito imediato ou da logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a
aplicação imediata da lei processual, significando que o vigência da lei anterior.
tempo rege a forma como deve revestir-se o ato Note-se, então, que o legislador pátrio adotou o
processual e os efeitos que dele podem decorrer. Logo, princípio do ―tempus reget actum‖ (aplicação imediata
se no curso de um processo criminal sobrevier nova lei das normas processuais penais), não havendo efeito
processual, os atos já realizados sob a égide da lei retroativo, visto que, se tivesse, a retroatividade
anterior manterão sua validade normal. Contudo, os anularia os atos anteriores, o que não ocorre, pois os
atos posteriores serão praticados segundo os termos da atos processuais realizados sob a égide da lei
anterior se consideram válidos.
nova normatização.
Ex. de retroatividade: preso por tráfico em 2005, Assim:
lei 6.368/1976, entrada da lei 11.343/2006 (Lei de a) os atos processuais realizados sob a égide da lei
Drogas). anterior são considerados válidos;
Ex. de ultratividade: Lei nº 8.072/90 crime b) as normas processuais têm imediata aplicação,
regulando o desenrolar restante do processo,
hediondos, progressão de regime só com um sexto da
respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido
pena, lei nº 11.464/07, atribui nova redação com o e a coisa julgada (CF, art.5º, XXXVI; LICC, art.6º,
mínimo de dois quinto da pena se o condenado for CPP, art.2º).
primário ou três quinto se reincidente. Súmula vinculante Art. 3
o
A lei processual penal admitirá
nº 26.
interpretação extensiva e aplicação analógica, bem
LEMBRETE IMPORTANTE: como o suplemento dos princípios gerais de direito.
a) Vacatio legis: período decorrente entre a
publicação e a data em que começa a sua vigência (45 EXERCÍCIOS
dias se a lei não dispuser ao contrário e 3 meses para
sua aplicação nos Estados Estrangeiros, quando esta é 01. (Anal.Jud.STM/CESPE/2011) Acerca dos princípios
admitida art. 1º e §1º da LICC). gerais do processo penal, julgue os itens a seguir.
b) Revogação: encerra-se a vigência da lei com a 1 [82] O dispositivo constitucional que estabelece serem
sua revogação, que pode ser expressa (uma lei inadmissíveis as provas obtidas por meios ilícitos,
posterior determina expressamente a cessação da bem como as restrições à prova criminal existentes
eficácia da anterior) ou tácita (a lei posterior é na legislação processual penal, são exemplos de
incompatível com a lei anterior, ou regule inteiramente a limitações ao alcance da verdade real.
matéria anteriormente tratada – LICC, art.2º, § 1º). A 2 [83] A adoção do princípio da inércia no processo
revogação parcial chama-se derrogação sendo a total penal brasileiro não permite que o juiz determine, de
chamada de ab-rogação. A auto-revogação ocorre ofício, diligências para dirimir dúvida sobre ponto
quando cessa a situação de emergência ou relevante dos autos.
anormalidade, no caso da lei excepcional ou se esgota o 3 [84] O processo penal brasileiro não adota o princípio
prazo, tratando-se de lei temporária. da identidade física do juiz em face da complexidade
c) Repristinação: a lei revogada volta a viger dos atos processuais e da longa duração dos
quando a lei revogadora perde a vigência. A regra é a procedimentos, o que inviabiliza a vinculação do juiz
não ocorrência da repristinação, salvo se houver que presidiu a instrução à prolação da sentença.
disposição legal expressa (LICC, art. 2º, § 3º). Comentários à alternativa 1:
A verdade real é o princípio pelo qual deve haver um
DISPOSITIVOS DO CPP esforço no sentido de se obter a elucidação das questões a fim
de que a verdade dos fatos seja alcançada. Entretanto, essa
DIREITO PROCESSUAL PENAL 9
verdade não pode ser obtida a qualquer custo, encontrando tenha negado ao acusado o direito de ouvir uma de suas
limites na lei, notadamente quando a obtenção da prova possa testemunhas, mas ao final, tenha este sido absolvido. No caso,
ofender direitos fundamentais. a atitude do magistrado, aparentemente violadora do devido
Comentários à alternativa 2: processo legal, não trouxe qualquer prejuízo ao réu.
Embora vigore no Brasil o princípio da inércia (ne Comentários à alternativa 3: /

procedat iudex ex officio), isso não impede que o Magistrado Da presunção de inocência (ou não-culpabilidade)
determine a realização de diligências que repute necessárias à decorre que aquele que acusa deverá provar suas alegações
elucidação de algum fato, em razão do princípio da verdade acusatórias, a fim de demonstrar a culpa do acusado que, de
real, que também vigora no processo penal. início, é considerado inocente. Assim, não cabe ao réu provar
sua inocência, pois esta é presumida.
02. (Anal.Jud.STM/CESPE/2011) No que concerne aos
princípios constitucionais do processo penal, julgue 04. (Anal.Jud.STM/CESPE/2011) Julgue os itens que se
os seguintes itens. seguem, referentes ao direito processual penal.
1 [85] Não se admite, por caracterizar ofensa ao 1 [90] Na CF, constam, expressamente, dispositivos
princípio do contraditório e do devido processo legal, sobre a inadmissibilidade de provas ilícitas por
a concessão de medidas judiciais inaudita altera derivação.
parte no processo penal. 2 [91] Decorrem do princípio do devido processo legal
2 [86] Conforme entendimento do Supremo Tribunal as garantias procedimentais não expressas, tais
Federal ( STF ), não é nula a citação por edital que como as relativas à taxatividade de ritos e à
se limita a indicar o dispositivo da lei penal, não integralidade do procedimento.
transcrevendo o inteiro teor da denúncia ou queixa, 3 [92] Em decorrência da aplicação do princípio do
inexistindo violação ao princípio do contraditório e da contraditório, constitui nulidade a falta de intimação
ampla defesa. do denunciado para oferecer contrarrazões ao
3 [87] O princípio da inocência está expressamente recurso interposto da rejeição da denúncia, não
previsto na Constituição Federal de 1988 e suprindo a nomeação de defensor dativo.
estabelece que todas as pessoas são inocentes até
que se prove o contrário, razão pela qual se admite
05 . (Juiz Sub.TJ-SE/CESPE/2008) Os princípios
a prisão penal do réu após a produção de prova que
constitucionais aplicáveis ao processo penal incluem
demonstre sua culpa.
Comentários à alternativa 3:
a) a publicidade.
Embora a questão afirme corretamente que o princípio b) a verdade real.
da presunção de inocência está previsto na Constituição, erra c) a identidade física do juiz.
ao afirmar que a mera produção de prova contrária ao réu d) o favor rei.
possa autorizar sua prisão. A prisão do réu, como decorrência e) a indisponibilidade.
de sua culpa, só é admitida após o trânsito em julgado da
Comentários à questão:
sentença condenatória, nos termos do art. 5°, LVII da
CRFB/88. A) CORRETA: O princípio da publicidade está
expressamente previsto no art. 93, IX da Constituição Federal.
B) ERRADA: A verdade real não é um princípio
03. (Anal.Jud.STM/CESPE/2011) Julgue os itens que
previsto constitucionalmente, embora seja um princípio do
se seguem, referentes ao direito processual penal.
processo penal.
1 [87] De acordo com doutrina e a jurisprudência, os
C) ERRADA: A identidade física do Juiz é o princípio
princípio da ampla defesa e da plenitude de defesa
do processo penal segundo o qual o Juiz que presidiu a
são sinônimos, visto que ambos têm por escopo
audiência de instrução e julgamento deverá proferir a
assegurar ao acusado o acesso aos instrumentos
sentença. Entretanto, não está previsto na Constituição.
normativos hábeis ao exercício da defesa.
D) ERRADA: O favor rei ou favor libertatis, embora
2 [88] Entende-se por devido processo legal a garantia
decorra logicamente do princípio da presunção de inocência,
do acusado de não ser privado de sua liberdade em
está previsto implicitamente no art. 386, VII do CPP, mas não
um processo que seguiu a forma estabelecida na lei;
na Constituição Federal.
desse princípio deriva o fato de o descumprimento
de qualquer formalidade pelo juiz ensejar a nulidade E) ERRADA: A indisponibilidade é o princípio pelo
absoluta do processo, por ofensa a esse princípio. qual entende-se que o MP não pode dispor da Ação Penal, ou
seja, havendo prova da materialidade do delito, e indícios de
3 [89] Os efeitos causados pelo princípio constitucional
sua autoria, deverá o MP oferecer denúncia. Na Ação Penal
da presunção de inocência no ordenamento jurídico
Privada, ao contrário, vige o princípio da oportunidade,
nacional incluem a inversão, no processo penal, do
cabendo ao ofendido escolher se oferece ou não a queixa. Este
ônus da prova para o acusador.
princípio não está expressamente previsto na Constituição.
Comentários à alternativa 1: /

O Juiz deverá decidir sem antes ouvir a outra parte (no


caso, o acusado), pois a eficácia da decisão pode ficar 06. (Ag.Pol.Civil-TO/CESPE/2008) No que concerne à
prejudicada se este tomar ciência prévia da medida. parte geral do Código Penal, aos princípios
processuais penais e à efetiva aplicação da
Comentários à alternativa 2: /

legislação especial, julgue os itens a seguir


Tendo sido obedecido o procedimento previsto em lei,
1 [102] As normas penais puramente processuais terão
não há violação ao devido processo legal forma, podendo o
aplicação no mesmo dia em que entrarem em vigor,
acusado ser privado de sua liberdade e de seus bens. Além
entretanto os atos processuais realizados na
disso, o descumprimento de uma formalidade pelo Juiz só
vigência da lei anterior terão de ser revalidados e
anulará o processo se trouxer prejuízo às partes, pelo princípio
adaptados ao novo procedimento.
do pas de nullité sans grief. Sim, pois, imagine que o Juiz
10 DIREITO PROCESSUAL PENAL
2 [103] Prevê a Constituição Federal o princípio de que dispensado o mesmo tratamento protocolar que
ninguém será considerado culpado senão após o recebem os magistrados, os membros da Defensoria
trânsito em julgado da sentença penal condenatória. Pública e do Ministério Público e os advogados.
No processo penal, a aplicação desse princípio é Conceito de Autoridade.
absoluta, pois busca-se a verdade real. O conceito de autoridade está diretamente ligado
ao de poder de Estado. Os juristas alemães, que mais
Gabarito: 01/CEE; 02/ECE; 03/EEC; 04/ECC; 05/A profundamente do que quaisquer outros estudaram o
assunto, consideram autoridade (Behörde) todo aquele
que, com fundamento em lei (auf gesetzlicher
POLÍCIA JUDICIÁRIA: funções, inquérito Grundlage), é parte integrante da estrutura do Estado (in
policial, autoridades policiais e seus agentes, das Gefuge der Verfassung des Staates als Bestandteil
desenvolvimento do Inquérito policial. eingegliederte) e órgão do poder público (Organ der
Staatsgewalt), instituído especialmente para alcançar os
As atribuições de polícia judiciária são da
fins do Estado (zur Herbeifuhrung der Zwecke des
competência das Polícias Civis dos 27 entes federativos
Staates), agindo por iniciativa própria, mercê de ordens
(Polícias Civis dos Estados e do Distrito Federal) e
e normas expedidas segundo sua discrição
da Polícia Federal, de acordo com os parágrafos 4º e 1º,
(nachPflichtgemässen Ermessen).
do art. 144, da Constituição Brasileira.
Nos termos do § 4º, do art. 144, da CF, "às Daí se vê que a Autoridade:
polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de a) é órgão do estado;
carreira, incumbem, ressalvada a competência da União b) exerce o poder público;
(Polícia Federal), as funções de polícia judiciária e a c) age motu próprio;
apuração das infrações penais, exceto as militares.
d) guia-se por sua prudência, dentro dos limites
Estão subordinadas aos governadores dos estados da
da Lei;
federação, através das secretarias de segurança
pública. e) pode ordenar e traçar normas;
A apuração das infrações penais (crimes), f) em sua atividade não visa apenas aos meios,
conhecida também como investigação policial, é mas fins do Estado.
realizada no curso do Inquérito Policial, previsto no São ainda os publicistas alemães que
Código de Processo Penal brasileiro. O Inquérito Policial proclamam: a autoridade é o titular e portador (Behörde
é conduzido de forma independente por cada Polícia ist der Träger) dos direitos e deveres do Estado
Civil ou Polícia Federal, que o remetem ao juízo criminal (staatlicher Reche und Pflichten). Não tem
competente após a sua conclusão. O Ministério Público personalidade (Sie besitzt Keine Rechtspersönlichkeit)
poderá requisitar diligências complementares mas faz parte da pessoa jurídica Estado.
destinadas a melhor instruí-lo para o oferecimento da Em outras palavras: o Estado é o titular do poder
ação penal. público. Mas como o exerce? Evidentemente por meio
A Lei nº 12.830, de 20 de junho de 2013 dispõe de pessoas físicas que a lei investe daquele poder.
que:
Elas são o Estado. O pensamento delas é o dele:
Art. 2º As funções de polícia judiciária e a a vontade delas é a dele. Tudo é deixado à sua
apuração de infrações penais exercidas pelo delegado discrição. Não ao seu arbítrio, Que arbítrio é capricho e
de polícia são de natureza jurídica, essenciais e não conhece lei.
exclusivas de Estado.
Seria ilógico que o Estado traçasse os limites do
§ 1º Ao delegado de polícia, na qualidade de
conveniente ao bem público e a ele próprio, por meio de
autoridade policial, cabe a condução da investigação
seus órgãos, violasse esses lindes. Mas dentro da área
criminal por meio de inquérito policial ou outro
de legalidade delimitada pelo Estado, cabe aos órgãos
procedimento previsto em lei, que tem como objetivo a
encarregados de lhe atingir os fins, a escolha dos meios
apuração das circunstâncias, da materialidade e da
mais adequados. Têm eles autoridade para escolher os
autoria das infrações penais.
caminhos.
§ 2º Durante a investigação criminal, cabe ao
delegado de polícia a requisição de perícia, Por outro lado, não se trata do exercício de um
informações, documentos e dados que interessem à poder particular, mas do próprio poder público. Daí a
apuração dos fatos. posição proeminente da autoridade em relação aos
§ 3º (VETADO). particulares. O status subjectionis desses em relação ao
Estado coloca-os como súditos dos que exercem o
§ 4º O inquérito policial ou outro procedimento
poder público. A autoridade, dentro de sua esfera de
previsto em lei em curso somente poderá ser avocado
atribuições, não pede, manda. A desobediência á ordem
ou redistribuído por superior hierárquico, mediante
as autoridade pode até configurar infração penal.
despacho fundamentado, por motivo de interesse
público ou nas hipóteses de inobservância dos
procedimentos previstos em regulamento da corporação Autoridade policial.
que prejudique a eficácia da investigação. Estabelecido o conceito de autoridade, vejamos
§ 5º A remoção do delegado de polícia dar-se-á o que se deve entender por autoridade policial.
somente por ato fundamentado. É de todos os tempos a preocupação das
§ 6º O indiciamento, privativo do delegado de sociedades organizadas em zelar o bem comum.
polícia, dar-se-á por ato fundamentado, mediante
Deve o Estado velar por sua própria segurança e
análise técnico-jurídica do fato, que deverá indicar a
pela de cada um de seus súditos, proteger suas
autoria, materialidade e suas circunstâncias.
pessoas e resguardar as coisas contra investidas que
Art. 3º O cargo de delegado de polícia é possam lesioná-las, além de prover aos legítimos
privativo de bacharel em Direito, devendo-lhe ser anseios de paz e de prosperidade. Esse cuidado
DIREITO PROCESSUAL PENAL 11
especial que incumbe à Polis (palavra com que os E por ser a repressão ato de poder do Estado,
gregos exprimiam o que hoje chamamos Estado) dá somente aos que detêm esse poder é dado exercer
lugar a uma atividade conhecida como de polícia. Os funções de polícia judiciária.
órgãos que a exercem foram em toda a Antiguidade, E por ser a repressão ato de poder do Estado
considerados altas magistraturas. somente aos que detêm esse Estado e os que servem
O edil, o censor, o cônsul eram, sobretudo, os de instrumento para os primeiros.
policiadores da cidade. A polícia era – e é – um dos Nem todo policial é autoridade, mas somente os
mais altos órgãos do poder público e por meio de uma que, investidos do poder público, têm por tarefa
atividade importantíssima ela assegura perseguir os fins do Estado. Não é, por exemplo
intransigentemente a ordem sem violar mas, ao autoridade policial um perito, ainda quando funcionários
contrário, protegendo os direitos individuais. A difícil de polícia, ou um oficial da Força Pública, uma vez que
tarefa de estabelecer o equilíbrio entre as exigências da as corporações a que pertencem são órgãos-meios
segurança social e as legítimas aspirações individuais é postos à disposição d autoridade. Missão digníssima
a que ela tem de cumprir a cada instante, sem que, longe de amesquinhar, exalta os que a cumprem
desfalecimento mas também sem prepotência. Não é com finalidade e sem abuso, com zelo e sem usurpação
fácil encontrar a fórmula conciliatória; esse, porém, é o do poder. Podem esses servidores, eventualmente atuar
desafio permanente aos que exercem a autoridade como agentes da autoridade, mas não são eles próprios
policial. autoridades. Para ficar dentro do exemplo citado: um
É ela uma faceta do poder do estado e, perito é um instrumento ao serviço da polícia judiciária
exatamente, do poder de intervier a cada momento por (contingentemente, da polícia de segurança); a Força
meio de atos coercitivos, ou seja, de ordens, normas ou Pública é uma arma posta a serviço da polícia de
providência que restringem o gozo dos direitos segurança (esporadicamente, da polícia judiciária).
individuais. Esse poder não é somente legítimo; é Costumeiramente sou avesso a citar autores
essencial à natureza do Estado, inclusive do Estado de quando o que se pede é o meu parecer. Mas não posso
direito, que encontra sua atividade limitada por lei, mas deixar de recordar aqui a distinção feita pelo mestre do
não está impedido de cumprir sua missão. O exercício Direito Público em França, Maurice Hauriou, entre a
dele pode ser contrastado, em cada caso, pelos força pública e o poder público.
recursos hierárquicos ou pelo acesso ao Judiciário, mas
Embora velha, a lição merece ser recordada. Em
não poderia ser obstruído sem que se negasse o próprio
resumo: a força é uma energia física, meio de execução
Estado.
que se desgasta com o uso. O poder é a capacidade de
A necessidade de agir com rapidez e a infinita dispor da força e se exercitar sem perda de substância.
variedade de situações que o legislador não pode prever É a força em repouso, que poderia agir como força e
e, muito menos, disciplinar mercê de normas gerais e não age. O homem forte não precisa usar os punhos
abstratas, fazem com que esse poder tenha de ser para se impor; ele o consegue mercê do poder de que
exercitado discricionariamente, ou seja, segundo a dispõe.
prudência daqueles que o detêm e dentro dos marcos
Ele ordena, determina, decide. Hércules, em
legais.
repouso, comanda.
Esse poder de polícia é próprio da administração
Essa distinção está ilustrada nos Estados
em geral, mas particularmente necessário às
modernos pela separação constitucional entre força
autoridades policiais, que exercem de duas maneiras:
pública e poder de decisão. A força pública, civil ou
- pela prevenção; militar está cuidadosamente separada do poder de
- pela repressão. decidir; ela é instrumento de execução (Précis de Droit
A prevenção se faz mercê de provimentos, Administratif, 9.ª Ed., Paris, 1919, págs 24 e 25).
ordens e providências tendentes a proteger as coisas O órgão que exerce o poder público pode
(polícia administrativa) e as pessoas (polícia de enfeixar também a força. Mas um órgão criado para ser
segurança). É evidente que a defesa das coisas reverte apenas força não pode licitamente assenhorear-se do
em favor das pessoas e a destas tem como corolário a poder público.
daquelas. Assim, para ilustrar a afirmação, uma polícia Em geral a força está entregue a um e o poder a
florestal, embora destinada a proteger bosque, parques, outro. É o caso típico da polícia de segurança: a polícia
matas jardins, também acautela quem neles se acha. E, civil detém o poder, a autoridade, enquanto a polícia
por outro lado, o socorro dado pela polícia de segurança militar (Força Pública) deem a força.
a uma pessoa redunda em tutela para as coisas que
Mas, para definir cumpridamente a autoridade
tem consigo. Mas a finalidade precípua das polícias
policial de que fala o art. 4º, cumpre dar um passo
administrativas como, por exemplo, a polícia do cais do
adiante e lembrar que se trata de autoridade de polícia
porto, a polícia de um edifício público, a de um barco do
judiciária. Qualquer outro órgão, ainda que exerça
Estado, é cuidar do cais, do edifício, do banco. E o
autoridade em distinto terreno é estranho ao art. 4º do
objetivo da polícia de segurança, que é a polícia por
Código de processo Penal. Em meu anteprojeto, toda
antonomásia, polícia por excelência, polícia em sentido
essa matéria está subordinada à epígrafe: Da Polícia
estrito, é a proteção de pessoas.
Judiciária (Liv. II, tít. I, arts. 6º a 21). O código vigente,
A repressão está entregue, no Estado moderno, menos preciso, declara que ―a polícia judiciária será
ao Poder Judiciário. Mas a polícia colabora nessa tarefa exercida pelas autoridades policiais…‖ (sem grifo no
e pratica atos tendentes a promovê-la (polícia judiciária). original).
Entre eles os mais importantes são os que, em conjunto,
Mas o próprio emprego da palavra autoridade
constituem o inquérito policial. Destina-se esse à
exclui qualquer dúvida, pois seria rematado absurdo que
apuração das infrações penais e de sua autoria.
um particular ou um órgão-meio do Estado se arvorasse
em autoridade. E a referência à polícia judiciária elimina
a intromissão de qualquer autoridade, agente da
12 DIREITO PROCESSUAL PENAL
autoridade ou mero funcionário pertencente a outros tudo dentro dos limites traçados por lei. São as
ramos da administração pública, ainda que policiais, autoridades;
seria abusivo que um mata-mosquitos, por pertencer à - servidores que não têm autoridade para praticar
polícia sanitária, resolvesse abrir inquéritos, arbitrar esses atos por iniciativa própria, mas que agem
fianças, fazer apreensões etc. Ou que um oficial da (agentes) a mando da autoridade. São os agentes da
Força Pública resolvesse tomar a iniciativa de investigar autoridade.
crimes.
- servidores que se restringem á prática de atos
Aliás o sentido da lei surge cristalino quando se administrativos e não exercem o poder público; não
leva em conta o elemento histórico. praticam atos de autoridade, nem por iniciativa própria,
Autoridades policiais sempre foram entre nós os nem como meros executores que agem a mando da
chefes de polícia, seus delegados e, por vezes, os autoridade. Não são autoridades nem agentes da
comissários. Quem pensaria, por exemplo, em autoridade.
transformar um oficial da Força Pública, em autoridade Exemplos dos primeiros: juízes, delegados de
policial? Fugiria, por inteiro, ao papel das polícias polícia.
militares.
Exemplos dos segundos: oficiais de justiça,
Por outro lado, o art. 4º não comporta outra membros da força Pública.
interpretação literal. Ao dizer que ―a polícia judiciária
Exemplos dos últimos: oficiais judiciários, oficiais
será exercida pelas autoridades policiais‖, é evidente
administrativos.
que ele se refere aos órgãos da polícia judiciária. Seria
tautológico repetir: a polícia judiciária será exercida Esses conceitos são por demais claros e
pelas autoridades da polícia judiciária. precisos – claros em seu conteúdo e precisos em seus
contornos-para que a lei necessitasse contê-los.
Mas é curial que só a essas ele refere. Ao falar
Quando, porém agentes da autoridade, quase sempre
em autoridades policiais esse dispositivo subentendeu:
de boa fé e com o louvável intuito de servir, se arvoram
autoridades de polícia judiciária. Teve, portanto, em
em autoridades, convém que a própria lei reponha as
mira:
coisas em seu lugar. Creio que seria vantajoso
1.º) as autoridades. Quem não é autoridade, aproveitar o ensejo da modificação do Código de
quem não age motu próprio, quem é órgão Processo Penal para fazê-los.
instrumental, não está incluído;
Quando elaborei o Anteprojeto, o problema
2.º) de polícia judiciária e não qualquer outras. inexistia, pois não havia notícia de que agentes de
Tanto isso é verdade que no parágrafo está autoridade se arrogassem autoridade própria. É
dito que a lei poderá abrir exceções, isto é lamentável engano supor que a tarefa do agente de
dar competência a autoridades autoridade o subalterniza e mais deplorável ainda
administrativas para fazer inquéritos policiais. entender que o detentor da força deve ser o titular do
Portanto, só mercê de lei especial pode instaurar poder.
inquérito para apuração de infrações penais e de sua Sobretudo quando esses enganos são causados
autoria, quem é autoridade, mas não de polícia por melindres pessoais ou de classe que se supõem
judiciária. humilhadas pelo papel de agentes que a lei lhes
As premissas assentadas permitem concluir que reserva. Assim como a força militar está ao serviço do
são autoridades policiais de que fala a lei de processo, poder civil, sem que isso lhe arranhe a dignidade ou o
os que: pundonor, assim também a Força Pública é agente da
1.º) exercem o poder de público para autoridade policial sem que isso importe qualquer
consecução dos fins do Estado; diminuição ao eminente valor que ela representa. Ferida
ela fica é quando esquece sua destinação legal para
2.º) em matéria de polícia judiciária.
apropriar-se de um poder que não é seu.
Não são autoridades policiais, no sentido do
art.4º:
1.º) os que não perseguem os fins do Estado, INQUÉRITO POLICIAL
mas são apenas órgãos-meios, como por 1. HISTÓRICO
exemplo, os médicos do serviço público, os
O Código de Processo de 1832 e As Ordenações
procuradores de autarquias, os oficiais de
Filipinas, conforme Tourinho Filho, embora
Polícia Militar (ou força Pública);
apresentassem dispositivos acerca de procedimento
2.º) os que mesmo pertencendo à Polícia em seu informativo, não o denominavam como inquérito policial.
sentido amplo, não são polícia judiciária, mas Esse nomem juris foi observado pela legislação pátria
polícia administrativa (ex., Polícia de pela primeira vez com o Decreto 4.824, de 28 de
Parques, corpos de bombeiro) ou polícia de novembro de 1871, que regulamentou a Lei 2.033, de
segurança (ex., Força Pública). 1871, referente a disposições da legislação judiciária e
dispunha assim de dois de seus artigos:
Autoridade e agente de autoridade. Art. 38. Os chefes, delegados e
Estabelecido o conceito de autoridade, vejamos subdelegados de policia, logo que, por
agora que se deve entender por agente da autoridade. qualquer meio lhes cheque a noticia de se ter
praticado algum crime comum, procederão em
Existe entre os servidores do Estado, que diz seus distritos as diligencias necessárias para
respeito ao poder público, uma escala que pode ser verificação da existência do mesmo crime,
assim reduzida à expressão mais simples. descobrindo de todas as suas circunstancias e
- servidores que exercem o nome próprio o poder dos delinquentes.
de Estado. Tomam decisões, impõem regras, dão Art. 42. O inquérito Policial consiste em
ordens, restringem bens jurídicos e direitos individuais, todas as diligencias necessárias para o
DIREITO PROCESSUAL PENAL 13
descobrimento dos fatos criminosos, de suas que podem desaparecer, após o cometimento do crime.
circunstâncias e dos seus autores e cúmplices. Não podemos olvidar, ainda, que o inquérito serve à
O dispositivo legal supra destacado é oriundo de composição das indispensáveis provas pré-constituídas
um momento histórico em que o Brasil ainda não havia que servem de base à vítima, em determinados casos,
proclamado a República e, como regra geral, os países para a propositura da ação penal privada.
do mundo, impregnados pela postura individualista do Fernando da Costa TOURINHO FILHO, por sua
século XIX, não buscavam imprimir uma proteção vez, de forma sucinta, conceitua o inquérito policial
efetiva a bens e direitos dos indivíduos. como sendo ―o conjunto de diligências realizadas pela
De fato já existia em 1841 um sistema de Polícia Judiciária para a apuração de uma infração
investigação preliminar para munir o juízo de provas e penal e sua autoria, a fim de que o titular da ação penal
informações sobre o fato delituoso, mas formalmente o possa ingressar em juízo‖.
Inquérito Policial só foi criado em 1871. DICA DE CONCURSO:
Já na República houve reformulação da peça
Todo IP é modalidade de investigação que tem
inquisitória, no entanto na década de 30 ocorreu a
seu regime jurídico traçado a partir da Constituição
primeira derrota, quando se pretendeu acabar com o
Federal, mecanismo que é das atividades genuinamente
inquérito policial e criar o chamado ―Juizado de
estatais de segurança pública. (OAB I
Instrução‖ e somente com o Decreto-lei nº 3.689, de
Nac.CESPE/2007)
03.10.1941, foi introduzido o, novo e atual Código de
Processo Penal, ficando mantido e reservado o Título II
de seu texto. INQUÉRITOS EXTRAPOLICIAIS.
Desde sua origem, foi conferido, ao inquérito O artigo 4º, parágrafo único, do Código de
policial, o desempenho de um papel informativo, que, Processo Penal deixa claro que o inquérito realizado
precipuamente, consiste em apurar infrações ocorridas pela polícia judiciária não é a única forma de
e em determinar a respectiva autoria, com a finalidade investigação criminal, como, aliás, ressalta o Prof.
de embasar uma possível propositura de ação penal. Fernando da Costa Tourinho Filho.
Deveria causar uma perplexidade o fato de que, Os inquéritos extrapoliciais são aqueles
ainda hoje, o instituto do inquérito policial mantenha
procedimentos não elaborados pela polícia judiciária,
intacta sua essência. Entretanto, majoritariamente, quais sejam:
operadores do direito anuem a manutenção da
inquisitoriedade na apuração de infrações. a) o inquérito realizado pelas autoridades
militares para apuração de infrações de
Os defensores do inquérito policial inquisitório
argumentam que, em razão de sua função supra competência da justiça militar (IPM –
destacada, ele não gera prejuízos para o indiciado, uma Inquérito Policial Militar);
vez que, em sendo denunciado, os indícios produzidos b) as investigações efetuadas pelas Comissões
na fase pré - processual não são considerados pelo Parlamentares de Inquérito (CPI), as quais
magistrado na formação de sua convicção. terão poderes de investigação das próprias
autoridades judiciais, além de outros
2. NATUREZA JURÍDICA previstos nos regimentos das próprias Casas,
e serão criadas pela Câmara dos Deputados
O inquérito policial (informatio delicti) tem
e pelo Senado Federal, em conjunto ou
natureza de procedimento administrativo destinado a
separadamente, mediante requerimento de
materializar o poder de punir do Estado, consistindo
1/3 de seus membros, para apuração de fato
numa sequência de atos voltados a colher informações
determinado, e por prazo certo, sendo suas
pertinentes ao fato criminoso. Para tanto, a Polícia
conclusões, se for o caso, encaminhadas ao
Judiciária realiza uma série de diligências, tais como:
Ministério Público, para que promova a
buscas e apreensões, exames de corpo de delito,
responsabilidade civil ou criminal dos
interrogatórios, depoimentos, declarações, acareações,
infratores (CF, art.58, § 3º);
reconhecimentos que, reduzidos a escrito, constituem
os autos do inquérito. c) o inquérito civil público (RT. 6511314-21; Lei
nº7.347/85, art.9º), instaurado pelo Ministério
JURISPRUDÊNCIA: (...) Público para a proteção do patrimônio
Os princípios do contraditório e da ampla defesa público, social e cultural, do meio ambiente e
não se aplicam ao inquérito policial, que é mero de outros interesses difusos e coletivos (CF,
procedimento administrativo de investigação art.129, III), e que, eventualmente, poderá
inquisitorial. (RHC 15814/CE; - STJ, 2004/0028459-1 apurar também a existência de crime conexo
Relator(a) Ministro GILSON DIPP (1111) Órgão ao objeto da investigação;
Julgador T5 - QUINTA TURMA Data do Julgamento d) o inquérito no caso de infração cometida na
25/05/2004 Data da Publicação/Fonte DJ 02.08.2004 p. sede ou dependência do Supremo Tribunal
426. Federal (RISTF, art.43);
e) o inquérito instaurado pela Câmara dos
3. CONCEITO DE INQUÉRITO POLICIAL Deputados ou Senado Federal, em caso de
Guilherme de Souza NUCCI conceitua o crime cometido nas suas dependências,
inquérito policial: O inquérito policial é um procedimento hipótese em que, de acordo como o que
preparatório da ação penal, de caráter administrativo, dispuser o respectivo regimento interno,
conduzido pela polícia judiciária e voltado à colheita caberá à Casa a prisão em flagrante e a
preliminar de provas para apurar a prática de uma realização do inquérito (conforme a súmula nº
infração penal e sua autoria. Seu objetivo precípuo é a 397 do STF – "o poder de polícia da Câmara
formação da convicção do representante do Ministério dos Deputados e do Senado Federal, em
Público, mas também a colheita de provas urgentes, caso de crime cometido nas suas
14 DIREITO PROCESSUAL PENAL
dependências, compreende, consoante o datilografadas e, neste caso, rubricadas pela
regimento, a prisão em flagrante do acusado autoridade (art.9º, do CPP).
e a realização do inquérito"); e b) Procedimento sigiloso: A autoridade
f) a lavratura de auto de prisão em flagrante assegurará o sigilo necessário à elucidação do
presidida pela autoridade judiciária, quando o fato ou exigido pelo interesse da sociedade
crime for praticado na sua presença ou contra (art. 20 do CPP).
ela (CPP, art. 307). MUITO IMPORTANTE!!
Art. 307. Quando o fato for praticado em
presença da autoridade, ou contra esta, no
O Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou
exercício de suas funções, constarão do auto a súmula vinculante que garante a advogados acesso a
narração deste fato, a voz de prisão, as provas já documentadas em autos de inquéritos policiais
declarações que fizer o preso e os depoimentos que envolvam seus clientes, inclusive os que tramitam
das testemunhas, sendo tudo assinado pela em sigilo.
autoridade, pelo preso e pelas testemunhas e O texto a 14ª Súmula Vinculante diz o seguinte:
remetido imediatamente ao juiz a quem couber
tomar conhecimento do fato delituoso, se não o
―É direito do defensor, no interesse do representado, ter
for a autoridade que houver presidido o auto. acesso amplo aos elementos de prova que, já
documentados em procedimento investigatório realizado
Quando surgirem indícios da prática de
por órgão com competência de polícia judiciária, digam
infração penal por parte de membro da Magistratura ou
respeito ao exercício do direito de defesa‖.
do Ministério Público no curso das investigações, os
autos do inquérito, como lembra Capez, deverão ser c) Procedimento inquisitivo: A autoridade policial
remetidos, imediatamente, no primeiro caso, ao tribunal concentra o poder de decidir os rumos a serem
ou órgão especial competente para o julgamento e, no dados às investigações, podendo indeferir
segundo, ao procurador-geral se justiça, a quem caberá pedido de diligência (exceto o exame
dar prosseguimento aos feitos (Lei complementar d) Oficiosidade: decorre do princípio da
nº35/79 – LOMN, art. 33, parágrafo único, e Lei obrigatoriedade, eis que a autoridade policial
nº8.625/93 – LONMP, art. 41, parágrafo único). tem a obrigação de instaurar de ofício o
JURISPRUDÊNCIA: competente inquérito policial diante da notícia
do crime, a não ser nos casos de ação penal
PROCESSO PENAL. INQUÉRITOS EXTRAPOLICIAIS.
pública condicionada ou ação penal privada.
SENADO FEDERAL.
e) Oficialidade: não se admite o inquérito policial
1. Os atos investigatórios destinados a
dirigido por particular, ainda que verse sobre
apuração de crimes não são exclusivos da polícia
matéria de ação penal, devendo ser
judiciária.
comandado por órgãos públicos oficiais, no
2. O Senado Federal tem atribuição caso, a autoridade policial.
constitucional para proceder investigação de crimes
f) Indisponibilidade: a autoridade policial não
ocorridas em suas dependências, instaurando inquérito.
poderá mandar arquivar autos de inquérito (art.
3. As medidas cautelares, a busca e 17 do CPP).
apreensão, quebra de sigilos, autorizadas,
g) Autoritariedade: o inquérito será dirigido por
evidentemente pelo juiz, deverão ser cumpridas pela
autoridade pública, o delegado de polícia de
Policia Federal, por constituírem atividade de polícia
carreira (CF/88, art. 144, § 4.º).
judiciária.
TRF1 - MANDADO DE SEGURANÇA: MS 27250 DF
h) Incomunicabilidade: entende-se que com a
2006.01.00.027250-1 promulgação da constituição, o instituto de
incomunicabilidade do preso, previsto no artigo
21 do CPP, não foi recepcionado e que, de
JURISPRUDÊNCIA: maneira direta, viola as garantias fundamentais
(...) de liberdade e proteção ao preso garantido por
nossa carta maior.
Os princípios do contraditório e da ampla defesa
De fato, a aplicabilidade do artigo 21 do CPP
não se aplicam ao inquérito policial, que é mero
não é possível na contemporaneidade, pois
procedimento administrativo de investigação
encontra-se esquecido tal dispositivo tornando-
inquisitorial. (RHC 15814/CE; - STJ, 2004/0028459-1
o letra morta, inutilizável.
Relator(a) Ministro GILSON DIPP (1111) Órgão
Pela maioria dos doutrinadores não é mais
Julgador T5 - QUINTA TURMA Data do Julgamento
aplicável tendo em vista a constituição, se
25/05/2004 Data da Publicação/Fonte DJ 02.08.2004 p.
valendo, portanto, o inquérito policial, de outros
426.
instrumentos que disponibilizam o êxito das
investigações.
4. FINALIDADE TACRSP:"
O inquérito tem o fim de apurar a existência da O inquérito policial, embora simples informatio
infração penal e a respectiva autoria, a fim de fornecer delicti, não pode ser arquivado de ofício pelo juiz, pois é
ao titular da ação penal (Ministério Público ou o próprio peça que interessa precisamente ao órgão de
ofendido) subsídios necessários ao ingresso da ação acusação." (RT 464/401).
penal em juízo.
6. FUNDAMENTAÇÃO
5. CARACTERÍSTICAS O objetivo primordial do Inquérito Policial é reunir
a) Peça escrita: Todas as peças do inquérito provas da materialidade e da autoria de determinado
policial serão reduzidas a escrito ou crime, que servirão de fundamento para o oferecimento
da denúncia, sendo o mesmo, uma garantia contra
DIREITO PROCESSUAL PENAL 15
apressados e errôneos juízos, formados quando ainda Quanto à investigação preliminar, para sua
persiste a trepidação moral causada pelo crime, ou deflagração, basta um juízo de possibilidade (razões
antes, para que seja possível uma exata visão do favoráveis forem equivalentes às contrárias).
conjunto dos fatos, nas suas circunstâncias objetivas e Por outro lado, como seu objetivo é tão somente
subjetivas. averiguar os fatos, embasando ou não uma futura ação
O inquérito é necessário para a colheita de penal, percebe-se, desde logo, que não há razões para
elementos indispensáveis à propositura da ação penal, que se busque esgotar toda matéria probatória, o que só
no entanto, não é obrigatório, pois quaisquer outras geraria morosidade desnecessária ao procedimento
peças de informação podem servir de base para a preliminar.
formação da ―opinio delicti‖ do ―dominus litis‖ e, Ademais, esgotando-se quase que totalmente a
consequentemente, a propositura da ação penal. matéria probatória na fase preliminar, haverá um grande
prejuízo à defesa, eis que além de não ter podido contar
7. TITULARIDADE inteiramente com as garantias constitucionais naquela
fase, tenderá a haver na instrução judicial somente
Polícia judiciária
ratificação dos atos investigativos e não propriamente
A polícia judiciária (sua atividade se volta para produção de provas.
o Poder Judiciário), exercida pelas autoridades policiais, Logo, a investigação no plano de cognição
tem natureza repressiva quanto ao seu objeto, tendo, deverá ser sumária, limitando-se a atividade mínima de
portanto, a função de auxiliar a justiça na aplicação da comprovação e averiguação dos fatos e da autoria, para
lei penal, apurando as infrações penais e suas justificar o processo ou o não processo.
respectivas autorias.
A presidência do inquérito policial é
conferida aos Delegados de Polícia, que exercerá suas 10. VALOR PROBATÓRIO
atribuições no território de suas respectivas Tendo em vista seu conteúdo informativo, o
circunscrições. inquérito policial tem valor probatório relativo, em face
da ausência de contraditório e da ampla defesa, e ainda
ATENÇÃO:
pelo fato de não tratar-se de procedimento judicial e sim
Em face de exercer mero procedimento administrativo inquisitorial.
investigativo, não se cogita a aplicação à autoridade
policial do disposto no inciso LIII do artigo 5.º da STF:
Constituição Federal (ninguém será processado nem "Não se justifica decisão condenatória apoiada
sentenciado senão pela autoridade competente), eis que exclusivamente em inquérito policial, pois se viola o
no inquérito não há processo nem sentença. principio constitucional do contraditório" (RT 59/786).

É BOM SABER: 11. DISPENSABILIDADE


Não exercendo a polícia atividade jurisdicional, O inquérito policial não constitui
não se submete ela a competência jurisdicional ratione obrigatoriamente fase da persecução criminal, uma vez
loci (RT, 531/364, 542/315). que, embora útil, será prescindível em alguns casos.
Assim, poderá ser dispensado sempre que o Ministério
Público (na ação penal pública) ou o ofendido (na ação
8. DESTINATÁRIOS DO INQUÈRITO POLICIAL penal privada) dispuser de dados bastantes para a
O inquérito policial apresenta como propositura da respectiva ação penal.
destinatário imediato o titular da ação a que preceda, Conforme o disposto no artigo 27 do Código de
a saber: Processo Penal ―qualquer pessoa do povo poderá
a) nas ações penais públicas: o Ministério provocar a iniciativa do Ministério Público, nos casos em
Público, seu titular exclusivo; que caiba a ação pública, fornecendo-lhe, por escrito,
b) nas ações privadas: o ofendido, titular de informações sobre o fato e a autoria e indicando o
tais ações. tempo, o lugar e os elementos de convicção‖, deixando
clara a possibilidade do inquérito ser dispensado para
O destinatário mediato do inquérito policial é
propositura da ação penal, caso seja desnecessário.
o juiz, uma vez que o inquérito fornece subsídios para
que ele receba a peça inicial e decida quanto à No mesmo sentido, de forma expressa, o § 5.º
necessidade de decretar medidas cautelares. do art. 39 do CPP autoriza a dispensa do inquérito caso
o Ministério Público tenha em mãos elementos que o
habilitem a promover a ação penal, oferecidos juntos
9. GRAU DE COGNIÇÃO com a representação na ação penal pública
No processo penal há três diferentes níveis de condicionada à representação.
cognição, segundo se busque um juízo de possibilidade,
STF:
de probabilidade ou de certeza.
Para se chegar a um juízo de certeza, é "Não é essencial ao oferecimento da denúncia a
necessário esgotar toda a matéria probatória, através de instauração de inquérito policial, desde que a peça
uma cognição plena, o que justificaria uma sentença acusatória esteja sustentada por documentos suficientes
condenatória. à caracterização da materialidade do crime e de indícios
suficientes à autoria." (RTJ 76/741).
Já para o início de uma ação penal, é
necessário tão somente um juízo de probabilidade, que STJ:
seria o predomínio das razões positivas que afirmam a "A falta de inquérito policial não é óbice para o
existência do delito e sua autoria. oferecimentos da denúncia, se atentarmos para o
caráter subsidiários desta" (CF/88, art.129, I e VIII e
CCC, art.12)." (RT 716/502).
16 DIREITO PROCESSUAL PENAL
Ocorre quando o Delegado instaura o inquérito
12. JUIZADOS ESPECIAIS em crimes de ação penal pública incondicionada. O
termo de ofício significa que o Delegado produziu uma
Determina a Lei nº 9.099/95, que a autoridade
peça chamada portaria.
policial que tomar conhecimento da ocorrência no
âmbito dos Juizados Especiais, não deverá lavrar
Inquérito Policial, mas Termo Circunstanciado de b) Por requisição da autoridade judiciária do
Ocorrência, encaminhando-o imediatamente ao Ministério Público ou do Ministro da Justiça e/ou
Juizado, servindo este termo de base para o portaria
oferecimento da denúncia. (Art. 60 da Lei 9.099/95). Poderá ser aplicada em ações penais públicas
Segundo o art. 69 da Lei n.º 9.099/95, in verbis, condicionadas e incondicionadas. A requisição é uma
"a autoridade policial que tomar conhecimento da determinação obrigando a autoridade policial a instaurar
ocorrência lavrará termo circunstanciado e o o inquérito.
encaminhará imediatamente ao Juizado, com o autor do Se o Fato for atípico ou absurdo, o delegado não
fato e a vítima, providenciando-se as requisições dos instaurará o inquérito, mandará para o Chefe de Polícia.
exames periciais necessários".
O mesmo dispositivo legal ainda assevera em c) Por representação da vítima ou de seu
seu art. 92 que "aplicam-se subsidiariamente as representante legal e/ou portaria
disposições dos Códigos Penal e de Processo Penal, no É aplicada na ação penal pública condicionada, e
que não forem incompatíveis com esta Lei." consiste na permissão da vítima ou do seu
representante legal, para que a autoridade policial possa
O art. 4º do Código de Processo Penal é claro
instaurar o inquérito.
em estabelecer que a polícia judiciária será exercida
pelas autoridades policiais no território de suas OBS:.
respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das Nos termos do art. 38, do CPP, e do art. 103, do
infrações penais e da sua autoria. CP, o prazo para a apresentação da representação é de
Ora, o fato da infração penal ser de menor 06 (seis) meses, contado do dia em que o ofendido vem
potencial ofensivo ou não, de maneira alguma, altera a a saber quem é o autor do crime
legitimidade para as práticas processuais penais O prazo é decadencial.
previstas em lei.
Dessa forma, o Termo Circunstanciado de d) Requerimento da vítima ou de seu representante
Ocorrência, da mesma forma que o Inquérito Policial, legal e/ou portaria
somente pode ser presidido por Delegado de Polícia, Será feita por advogado.
nos termos da Carta Magna, em seu art. 144, cabendo a Ocorrerá nos crimes de ação penal privada e
Polícia Militar sua função constitucional de polícia consiste quase numa petição inicial, ou seja , é similar a
ostensiva e a preservação da ordem pública. uma petição inicial.
Lei nº 9.099/95:
Art. 61. Consideram-se infrações penais de e) Auto de prisão em flagrante
menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei, as Exclui a portaria. Nunca haverá portaria. Ocorre
contravenções penais e os crimes a que a lei comine quando o autor do delito é preso no ato da prática do
pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou crime ou logo após o mesmo.
não com multa. OBS:
Neste caso será excluída a portaria, pois é a
única peça que a substitui.
13. INCOMUNICABILIDADE
Note-se que a autoridade policial não poderá
O art. 21 do Código de Processo Penal, que instaurar o inquérito se não houver justa causa, com,
prevê a possibilidade do juiz decretar a
por exemplo, se o fato não configurar, nem em tese,
incomunicabilidade do preso por até três dias, não foi
ilícito penal. Se o fizer, o ato será impugnável pela via
recepcionado pela atual Constituição Federal.
do habeas corpus (CPP, art. 648 e incisos). Contudo, o
desconhecimento da autoria ou a possibilidade do
14. FORMAS DE INSTAURAÇÃO DO INQUÉRITO sujeito ter agido sob a proteção de alguma excludente
POLICIAL de ilicitude (CP, art. 23) não impedem, como é lógico, a
A instauração do inquérito pode se dar ex officio, instauração do inquérito.
ou seja, quando a própria autoridade instaura o inquérito
por si só. Nos Crimes de Ação Pública Incondicionada
A materialização do inquérito se dá com a
1) De ofício: ocorrerá quando a autoridade
portaria (é uma ordem de serviço, uma determinação do
policial tomar conhecimento através da notícia crime de
delegado de polícia para que o escrivão de polícia e os
cognição imediata, ou seja, em razão de sua atividade
agentes policiais iniciem o Inquérito Policial). Também
rotineira. O ato de instauração é a portaria.
podendo ser por requisição do juiz (requisitar é exigir
aquilo que deve ser feito) ou a requerimento do ofendido 2) Por requisição da autoridade judiciária ou
(é um pedido feito através de comunicação oficial do Ministério Público: a autoridade judiciária ou o
―ofício, petição‖ somente o ofendido ou o representante membro do Ministério Público poderão requisitar a
legal podem requerer). instauração de inquérito policial para a elucidação dos
fatos, sendo que a autoridade policial não pode se
recusar a instaurar o inquérito, pois a requisição tem
Formas de início do Inquérito Policial
natureza de determinação, muito embora inexista
a) De ofício (Portaria)
subordinação hierárquica.
DIREITO PROCESSUAL PENAL 17
3) Requerimento do ofendido ou de quem  Observações:
tenha qualidade para representá-lo: O pedido de  O inquérito policial também pode começar
abertura do inquérito conterá sempre que possível: a) a mediante auto de prisão em flagrante nos três casos
narração do fato, com todas as circunstâncias; b) a (ação penal pública incondicionada, condicionada e
individualização do indiciado ou seus sinais ação penal privada). Nos crimes de ação pública
característicos e as razões de convicção ou de condicionada e de ação privada, o ofendido deverá
presunção de ser ele o autor da infração, ou os motivos ratificar o flagrante até a entrega da nota de culpa (24h).
de impossibilidade de o fazer; c) a nomeação das
testemunhas, com indicação de sua profissão e  A autoridade policial não poderá instaurar o
residência. inquérito policial se não houver justa causa (se o fato for
atípico ou se estiver extinta a punibilidade). Porém, o
ATENÇÃO: desconhecimento da autoria ou a possibilidade do
Do despacho que indeferir o requerimento de sujeito ter agido sob a proteção de alguma excludente
abertura de inquérito caberá recurso para o chefe de da ilicitude não impede a instauração do inquérito.
Polícia, correspondendo ao atual Secretário de
Segurança Pública, ou outra autoridade
hierarquicamente superior àquela que indeferiu o 15. “NOTITIA CRIMINIS”
pedido. É o conhecimento, espontâneo ou provocado,
de um fato aparentemente delituoso pela autoridade
policial, ensejando a competente investigação.
Nos Crimes de Ação Pública Condicionada
É o objeto do IP.
1) Mediante representação do ofendido ou de
ESPÉCIES DE NOTÍCIA CRIME
seu representante legal: a representação é a
manifestação de vontade da vítima ou de seu Cognição Ocorre quando a autoridade policial toma
representante legal no sentido de ser iniciada a imediata conhecimento do fato ilícito em decorrência
persecução criminal contra o autor do delito, não de suas atividades rotineiras, como
havendo exigência formal para a sua elaboração. policiamento, imprensa, encontro de
2) Mediante requisição do Ministro da Justiça: cadáver.
nos casos em que a lei exigir, devendo ser Cognição É verificada quando a consumação de um
encaminhada ao chefe do Ministério Público o qual mediata crime é transmitida a autoridade policial,
poderá, desde logo, oferecer a denúncia ou requisitar por requerimento da vítima, ou de quem
diligências à polícia. possa representá-la (delatio criminis),
requisição da autoridade judiciária ou do
 São exemplos de crimes submetidos a
órgão do Ministério Público, ou mediante
requisição do Ministro da Justiça: crime cometido por
representação do ofendido.
brasileiro fora do Brasil; crime contra a honra contra
chefe estrangeiro, independente da publicidade ou não; Cognição Acontece na hipótese da prisão em
crime contra a honra do Presidente da República; coercitiva flagrante, onde junto com a noticia criminis
algumas hipótese previstas na lei de Imprensa, no é apresentado à autoridade competente o
Código Militar, entre outras. autor do delito. ((CPP, arts. 301 e 302)

16. DELATIO CRIMINIS


DICAS DE CONCURSOS:
É a comunicação por escrito ou verbal, prestada
Nos crimes de ação penal pública, o inquérito por pessoa identificada. (CPP, art. 5º, II). Somente
policial poderá ser iniciado a requerimento do ofendido. autorizará a instauração do inquérito policial nos crimes
Nessa situação, caberá recurso para o chefe de polícia de ação penal pública incondicionada
contra despacho que, eventualmente, indeferir o Art. 5º - Nos crimes de ação pública o
requerimento de abertura do inquérito. (Anal.Jud.TRE- inquérito policial será iniciado:
GO/CESPE/2009). II - mediante requisição da autoridade
Qualquer pessoa pode encaminhar ao promotor judiciária ou do Ministério Público, ou a
de justiça uma petição requerendo providências e requerimento do ofendido ou de quem tiver
fornecendo dados e documentos, para que seja, se for o qualidade para representá-lo.
caso, instaurado inquérito policial.
(Adv.OAB/CESPE/2008) 17. PROCEDIMENTO INVESTIGATIVOS
Embora não exista legalmente um
Nos Crimes de Ação Privada procedimento rígido para a sequência de atos do
Nesses casos a instauração do inquérito policial inquérito policial, o artigo 6.º do Código de Processo
depende de requerimento do ofendido, de seu Penal indica algumas providências que, de regra, devem
representante legal ou sucessores (art. 5º, § 5º, CPP). ser tomadas pela autoridade policial para a apuração da
infração e de sua autoria:
I) Dirigir-se ao Local do Crime
JURISPRUDÊNCIA:
A autoridade policial, se possível e
INQUÉRITO. INSTAURAÇÃO. AÇÃOPENAL PRIVADA conveniente, deve se dirigir ao local do crime e
(TACrimSP): preservar o estado das coisas até a chegada da perícia.
"Em se tratando de infração onde a ação é de
iniciativa privada, é inadmissível a requisição de
II) Apreender os Objetos Relacionados com o Fato
instauração de inquérito policial por parte do Ministério
Público" (RJDTACrimSP, 12/211). Os objetos e instrumentos do crime que
interessam à prova devem ser apreendidos após
18 DIREITO PROCESSUAL PENAL
liberação pela perícia, devendo ser anexados ao VII) Exame de corpo de delito
inquérito policial. O exame do corpo de delito (análise dos
 A apreensão é realizada através de vestígios materiais deixados pelo crime), bem como
diligência de busca e apreensão, que pode ser efetuada outras perícias, serão determinadas sempre que as
no local do crime, em domicílio ou na própria pessoa. circunstâncias exigirem.
 No Distrito Federal e nas comarcas em que
III) Ouvir o Ofendido e as Testemunhas houver mais de uma circunscrição policial, a autoridade
com exercício em uma delas poderá, nos inquéritos a
A lei impõe a todos o dever de colaborar com a
que esteja procedendo, ordenar diligências em
Justiça na elucidação dos fatos criminosos, resultando
circunscrição de outra, independentemente de
que podem ser conduzidos coercitivamente se
precatórias ou requisições, e bem assim providenciará,
desatenderem, sem justificativa, a intimação da
até que compareça a autoridade competente, sobre
autoridade policial, respondendo, ainda, o ofendido e a
qualquer fato que ocorra em sua presença, noutra
testemunha faltosa, por crime de desobediência.
circunscrição.
 Se o ofendido ou a testemunha for membro
do Ministério Público ou da Magistratura deverá ser
observada a prerrogativa de serem ouvidos, em VIII) Reprodução simulada dos fatos
qualquer processo ou inquérito, em dia, hora e local A autoridade policial pode decidir pela
previamente ajustados com a autoridade competente. reprodução simulada dos fatos caso julgue que a
A testemunha tem o dever de falar a verdade, mesma possa trazer elementos relevantes para
sob pena de responder pelo crime de falso testemunho esclarecimento dos fatos delituosos, desde que não
(art. 342 do CP), entretanto, o ofendido que mentir não contrarie a moralidade (estupro) e a ordem pública
comete crime de falso testemunho, sendo protegido pelo (desabamento).
princípio da ampla defesa e ainda a não obrigatoriedade  O indiciado só participará se concordar,
de produzir provas contra si. dado que não pode ser forçado a acusar a si próprio.
Falso testemunho ou falsa perícia JURISPRUDÊNCIA:
Art. 342 (CP). Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar
a verdade como testemunha, perito, contador, tradutor ou
RECONSTITUIÇÃO SIMULADA.
intérprete em processo judicial, ou administrativo, COMPARECIMENTO DO INVESTIGADO.
inquérito policial, ou em juízo arbitral: (Redação dada OBRIGATORIEDADE (STF): "O suposto autor do ilícito
pela Lei nº 10.268, de 28.8.2001) penal não pode ser compelido, sob pena de
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. caracterização de injusto constrangimento, a participar
VOCÊ PRECISA SABER!!! da reprodução simulada do fato delituoso. O magistério
doutrinário, atento ao princípio que concede a qualquer
IV) Indiciamento
indiciado ou réu o privilégio contra a autoincriminação,
Significa que dos razoáveis indícios da autoria resulta a circunstância de que é essencialmente
colhidos nas diligências investigatórias autorizam a voluntária a participação do imputado ao ato – provido
autoridade policial a reconhecer oficialmente alguém de indiscutível eficácia probatória – concretizador da
como provável autor da prática de ilícito penal. reprodução simulada do fato delituoso" (RT, 697/385).
JURISPRUDÊNCIA:
Representação e inquérito contra magistrado. IX) Identificação criminal
STJ: ―Se quando surge envolvimento de magistrado
A autoridade policial deverá ordenar a
deve o inquérito ser remetido ao Tribunal para
identificação do indiciado pelo processo datiloscópico,
prosseguir, com maior razão não deve inverter o sentido
se possível, e fazer juntar aos autos sua folha de
da Lei remetendo à Polícia representação do Ministério
antecedentes, salvo se ele já tiver sido civilmente
Público contra magistrado‖. (JSTJ, 15/154)
identificado (CF/88, art. 5.º, LVIII).
Embora a Constituição Federal assegure que o
V) Ouvir o Indiciado civilmente identificado não será submetido à
A oitiva do indiciado observará as mesmas identificação criminal, ressalva a possibilidade de o
regras utilizadas no interrogatório judicial (art. 6.º, V, do legislador infraconstitucional estabelecer algumas
CPP), devendo o respectivo termo ser assinado por hipóteses em que até mesmo o portador da cédula de
duas testemunhas que Ihe tenham ouvido a leitura identidade civil esteja obrigado a submeter-se à
(testemunhas instrumentárias, que não depõem sobre identificação criminal (Lei nº 12.037, de 1º de outubro
fatos, mas sobre a regularidade de um procedimento). de 2009)
 O interrogatório extrajudicial tem valor JURISPRUDÊNCIA:
probatório relativo; só valerá se confirmado por outros IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL (TACrimSP):
elementos de prova. "O art. 6º, VIII, do CPP, que prevê a identificação
criminal do indiciado pelo processo datiloscópico, sendo
VI) Reconhecimento de pessoas e coisas e norma legal, não foi revogado pela nova Constituição
acareações Federal, que em seu art. 5º, LVIII. Ao se referir à
prevalência da identificação civil, ressalta as hipóteses
Julgando necessário à elucidação dos fatos, a
previstas em lei. Assim, a identificação datiloscópica
autoridade policial poderá proceder o reconhecimento
deverá ser preservada quando indispensável para
de pessoas e coisas e acareações, esta colocando
apurar a verdadeira identidade do indiciado, se o
frente a frente pessoas que prestaram depoimentos
documento oferecido apresentar dúvidas quanto à sua
divergentes a fim de extrair a verdade.
identidade e mesmo se a cautela e o bom senso
recomendam-na, quando a identificação civil for
DIREITO PROCESSUAL PENAL 19
originária de outro Estado da Federação" personalidades humanas.
(RJDTACrimSP, 1/202) Não se pode olvidar que a Instituição Policial Civil é
um órgão constitucionalmente consagrado à defesa das
instituições democráticas, sendo que, a mesma deve o
 A identificação criminal compreende a mais efetivo irrestrito respeito à cidadania e a dignidade
datiloscópica (impressões digitais) e a fotográfica. da pessoa humana.
Tem a Polícia Civil, portanto, desenvolvendo suas
X) Relatório funções de Polícia Judiciária, inequívoco compromisso
democrático, sendo que toda e qualquer atividade
Concluídas as investigações, a autoridade policial, residirá no seu exercício como garantia dos
fará minucioso relatório de tudo quanto tiver sido direitos fundamentais assegurados pela Constituição
apurado pelas investigações, podendo indicar Federal.
testemunhas ainda não ouvidas, mencionando o lugar As atividades persecutórias investigativas
onde possam ser encontradas. desenvolvidas pela Instituição Policial Civil deverão
ATENÇÃO: sempre pautar-se consoante aos imperativos
No relatório, autoridade somente pode fornecer constitucionais, éticos e técnicos voltados à preservação
a classificação jurídica do fato, sem emitir qualquer juízo do ―status dignitatis‖ da pessoa humana, mediante
de valor, e a classificação não vincula o Ministério transparentes procedimentos garantistas a serem
Público. evidenciados e assegurados no Inquérito Policial.

20. CONCLUSÃO (ENCERRAMENTO DO INQUÉRITO


JURISPRUDÊNCIA: POLICIAL
"RELATÓRIO. ALTERAÇÃO DA O inquérito policial será encerrado após a
CLASSIFICAÇÃO DO CRIME (TACrimSP): "A conclusão das diligências, sendo certo que a autoridade
classificação da infração penal pela autoridade policial é policial deverá elaborar relatório minucioso das dili-
sempre provisória e não tem efeitos permanentes. gências e dos resultados produzidos, remetendo-o à
Assim, existindo elementos de convicção, pode ser autoridade judiciária.
alterada, sem que se configure constrangimento ilegal"
O relatório sempre será remetido ao juiz criminal
(RT, 617/303).
nos casos a seguir:
a) Ação penal privada
XI) Remessa O juiz determinará que os autos de inquérito
Encerrado o inquérito, os autos serão policial permaneçam em cartório, aguardando a
remetidos ao juiz competente, devendo a autoridade manifestação da vítima que, ao oferecer a queixa-crime,
policial oficiar ao Instituto de Identificação e Estatística, deverá fazer o requerimento do traslado do inquérito.
ou repartição congênere, mencionando o juízo a que
tiverem sido distribuídos, e os dados relativos à infração
b) Ação penal pública
penal e à pessoa do indiciado.
O juiz determinará que os autos de inquérito
 Nos crimes em que não couber ação pública,
policial sejam encaminhados para o órgão do Ministério
os autos do inquérito serão remetidos ao juízo
Público que poderá, optando por uma entre três
competente, onde aguardarão a iniciativa do ofendido
decisões:
ou de seu representante legal, ou serão entregues ao
requerente, se o pedir, mediante traslado. a) requerer arquivamento do inquérito policial
- após apreciação do juiz criminal poderá ser deferido e
determinado o seu arquivamento.
Contudo, se o juiz não concordar com o pedido
18. INDICIAMENTO de arquivamento, determinará a remessa dos autos ao
Só se considera "indiciado" o investigado procurador geral de justiça. Este, por sua vez, fará a
contra o qual, no inquérito policial, foram produzidas análise dos autos, entendendo que é caso de
provas suficientes da existência do delito (materialidade) arquivamento, baixará os autos e o juiz deverá
e encontrados indícios de sua autoria, segundo os determinar o arquivamento; porém, se entender que é
fundamentos externados no inquérito pela autoridade caso de oferecimento de denúncia, ele próprio a
policial. É uma garantia ao investigado, pois só será oferecerá ou designará outro promotor para oferecê-la.
indicado como provável autor do delito após a sua Essa é a aplicação do art. 28 do CPP
lavratura. Nesse despacho constará a relação das
provas produzidas contra o suspeito, devendo ser ATENÇÃO!
mencionados o depoimento das testemunhas, as provas O delegado de polícia não poderá mandar
documentais carreadas aos autos (documentos arquivar autos de inquérito (art.17 do CPP).
arrecadados e apreendidos, recebidos de terceiros ou b) requerer novas diligências - o Ministério
via ofício), e, especialmente, a prova pericial Público, quando entender que existem fatos que devem
(representada por um laudo). ser apurados, poderá requerer diligências para tanto,
sendo certo que o pedido será submetido à apreciação
19. GARANTIAS DO INVESTIGADO do juiz, que poderá deferir ou indeferir. Neste caso, o
O Estado Democrático de Direito está indeferimento poderá ser objeto de correição parcial.
consagrado no artigo 1º da Constituição Federal, tanto é DICA DE CONCURSO:
assim que, o próprio artigo em seu inciso III, assegura No exercício do controle externo da atividade
como um dos fundamentos do Estado ―a dignidade da policial, pode o MP, além de fiscalizar o atendimento
pessoa humana‖, como sendo a concessão de unidade das normas que regem a atuação da polícia, requerer a
aos direitos e garantias fundamentais, sendo inerente às
20 DIREITO PROCESSUAL PENAL
instauração de IP e requisitar diligências. A participação RÉU PRESO RÉU SOLTO
de membro do MP na fase investigatória criminal não CPP – 10 dias CPP – 30 dias  admite
acarreta seu impedimento ou suspeição para o dilação de prazo
oferecimento da denúncia. (Admin.PM-DF/CESPE/2010)
CPPM – 20 dias CPPM – 40 dias
c) oferecer a denúncia - caso tenha elementos,
J. Federal – 15 dias  J. Federal – 30 dias 
o Ministério Público fará a denúncia no prazo de 5
pode ser dobrado pode ser dobrado
(cinco) dias, se o réu estiver preso, ou 15 (quinze) dias,
se estiver solto (art. 46 do CPP). Lei 11.343/06 – 30 dias Lei 11.343/06 – 90 dias 
 admite uma admite uma prorrogação
Se o juiz criminal receber a denúncia, em regra,
prorrogação
não cabe nenhum recurso. No caso de não recebimento
da denúncia, caberá recurso em sentido estrito (art. 581, Lei 1.521/51 – 10 dias Lei 1.521/51 – 10 dias
I, do CPP).
22. ARQUIVAMENTO DO INQUÉRITO
21. PRAZO PARA ENCERRAMENTO DO INQUÉRITO Essa providencia caberá exclusivamente ao
POLICIAL juízo competente, que só poderá determinar após
1) Indiciado solto mediante fiança ou sem ela requerimento nesse sentido do Ministério Público, titular
Deve ser encerrado e enviado ao juiz no prazo da ação penal.
de 30 dias, contados a partir da instauração. Se o Juiz discordar do pedido de arquivamento,
 No caso de réu solto, e se o fato for de difícil remeterá os autos ao Procurador-Geral, que poderá:
elucidação, a autoridade policial poderá requerer ao juiz a) oferecer a denúncia;
a devolução dos autos, para ulteriores diligências a b) designar outro órgão do Ministério Público
serem realizadas no prazo fixado pelo juiz. para oferecer a denúncia;
ATENÇÃO:  O membro do Ministério Público designado se
O Ministério Público não poderá requerer a obriga a oferecer a denúncia, eis que age por delegação
devolução do inquérito à autoridade policial, a não ser e não em seu próprio nome.
para realização de novas diligencias, se estas forem c) insistir no arquivamento: neste caso, o Poder
imprescindíveis ao oferecimento da denúncia – (Art. 16, Judiciário não poderá discordar do
CPP) arquivamento.
 A autoridade policial não pode arquivar o
2) Indiciado preso inquérito policial (art. 17 do CPP)
Se o indiciado estiver preso (em flagrante ou ATENÇÃO:
preventivamente), o prazo para conclusão do inquérito Arquivado o inquérito policial, não poderá ser
será de 10 dias, contados da data da efetivação da promovida a ação privada subsidiária, pois esta só é
prisão, e não se admitirá qualquer prorrogação. possível no caso de inércia do Ministério Público.
 No caso de ser decretada a prisão
temporária, o tempo de prisão será acrescido ao prazo
JURISPRUDÊNCIA:
de encerramento do inquérito (Lei n. 7.960/90).
O inquérito policial, arquivado por falta de provas,
ATENÇÃO: O não atendimento do prazo não acarretará só poderá ser reaberto se surgirem novas provas
a perda do direito de punir do Estado, mas poderá (súmula n. 524 do Supremo Tribunal Federal).
ensejar o relaxamento da prisão.
 Depois de ordenado o arquivamento do
inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base
21.2 PRAZOS ESPECIAIS para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a
Justiça Federal - Se o inquérito estiver novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia.
tramitando perante a Justiça Federal, o prazo será de 15
dias, prorrogável por mais 15, se o indiciado estiver Tipos de arquivamento:
preso. Se o indiciado estiver solto, o prazo será de 30
dias, com a possibilidade de prorrogação por mais 30 São três as espécie de arquivamento do
dias (artigo 66 da Lei n. 5.010/66). Inquérito Policial - IP: direto, indireto e implícito.
Arquivamento direto - também chamado
Tóxicos - Lei nº. 11.343, de 23/08/2006:
explícito, ocorre por decisão expressa do Juiz, motivada
Art. 51. O inquérito policial será concluído no pelas razões do MP. É o previsto no art. 28 do CPP.
prazo de 30 (trinta) dias, se o indiciado estiver preso, e Arquivamento indireto - são os casos de
de 90 (noventa) dias, quando solto.
inércia consciente do MP. Segundo a doutrina, tem
Parágrafo único. Os prazos a que se refere origem quando o Promotor deixa de oferecer denúncia
este artigo podem ser duplicados pelo juiz, ouvido o sob o fundamento de ser o juízo incompetente. Ocorre
Ministério Público, mediante pedido justificado da também quando o MP não oferece a peça acusatória,
autoridade de polícia judiciária. requerendo diligências desnecessárias, o que acaba por
projetar indiretamente um arquivamento, em virtude da
Crimes contra a economia popular prescrição ou outra causa de extinção da punibilidade.
Nesse casos cabe ao Juiz invocar o dispositivo do artigo
No caso de crimes contra a economia popular, 28 do CPP, se não corroborar com a requerimento do
o prazo é de 10 dias, estando o indiciado preso ou solto órgão do MP.
(Lei nº 1.521/51, artigo 10, § 1.º).
Arquivamento implícito - esse é o mais
complexo, haja vista que, há uma omissão consciente
Resumo dos prazos:
DIREITO PROCESSUAL PENAL 21
do Mp e do Juiz. A omissão do MP consiste em deixar penais e da sua autoria. (Redação dada pela Lei nº
de incluir algum investigado ou fato em sua denúncia. A 9.043, de 9.5.1995)
do Juiz refere-se a não alertar o MP daquela omissão. Parágrafo único. A competência definida neste
Nesse contesto há dois casos de arquivamento artigo não excluirá a de autoridades administrativas, a
implícito: um objetivo - quando envolve fatos não quem por lei seja cometida a mesma função.
relatados; e subjetivo - quando se tratar de pessoas o
Art. 5 Nos crimes de ação pública o inquérito
investigadas, onde o MP não encontrou indícios
policial será iniciado:
suficientes para denunciá-las. O reconhecimento desta
modalidade afasta uma situação de insegurança jurídica I - de ofício;
ao investigado, o que, de fato, haveria ao se negar a II - mediante requisição da autoridade judiciária
ocorrência do arquivamento implícito. Mister se faz ou do Ministério Público, ou a requerimento do ofendido
ressaltar ainda que, tal modalidade de arquivamento ou de quem tiver qualidade para representá-lo.
não gera coisa julgada material, podendo o MP requerer o o
§ 1 O requerimento a que se refere o n II
o seu desarquivamento se dos fatos possuir novas conterá sempre que possível:
provas. a) a narração do fato, com todas as
JURISPRUDÊNCIA: circunstâncias;
INQUÉRITO POLICIAL. VÍCIOS: b) a individualização do indiciado ou seus sinais
"Eventuais vícios concernentes ao inquérito característicos e as razões de convicção ou de
policial não têm o condão de infirmar a validade jurídica presunção de ser ele o autor da infração, ou os motivos
do subsequente processo penal condenatório. As de impossibilidade de o fazer;
nulidades processuais concernem, tão-somente, aos c) a nomeação das testemunhas, com indicação
efeitos de ordem jurídica que afetam os atos praticados de sua profissão e residência.
ao longo da ação penal condenatória" (STF, 1ª T., rel. o
§ 2 Do despacho que indeferir o requerimento
Min. Celso de Mello, DJU, 4 de out. 1996, p. 37100). de abertura de inquérito caberá recurso para o chefe de
Polícia.
o
DICAS DE CONCURSOS: § 3 Qualquer pessoa do povo que tiver
conhecimento da existência de infração penal em que
O arquivamento do IP, em regra, não faz coisa
caiba ação pública poderá, verbalmente ou por escrito,
julgada nem causa preclusão, pois se trata de uma
comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada a
decisão tomada rebus sic stantibus. (Juiz Sub.TJ-
procedência das informações, mandará instaurar
PI/CESPE/2007)
inquérito.
Quando o IP é arquivado com base na o
§ 4 O inquérito, nos crimes em que a ação
atipicidade do fato, tal decisão tem eficácia de coisa
pública depender de representação, não poderá sem
julgada material e gera preclusão, mesmo que a decisão
ela ser iniciado.
seja emanada de juiz absolutamente incompetente, o o
que impede a instauração de processo que tenha por § 5 Nos crimes de ação privada, a autoridade
objeto os mesmos fatos. (Juiz Sub.TJ-PI/CESPE/2007) policial somente poderá proceder a inquérito a
requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la.
o
Art. 6 Logo que tiver conhecimento da prática
SÚMULAS: da infração penal, a autoridade policial deverá:
> STJ:234 - A participação de membro do Ministério I - dirigir-se ao local, providenciando para que
Público na fase investigatória criminal não acarreta seu não se alterem o estado e conservação das coisas, até
impedimento ou suspeição para o oferecimento de a chegada dos peritos criminais; (Redação dada pela
denúncia. Lei nº 8.862, de 28.3.1994) (Vide Lei nº 5.970, de 1973)
> STF:397 - O poder de polícia da Câmara dos II - apreender os objetos que tiverem relação
Deputados e do Senado Federal, em caso de crime com o fato, após liberados pelos peritos criminais;
cometido nas suas dependências, compreende, (Redação dada pela Lei nº 8.862, de 28.3.1994)
consoante o regimento, a prisão em flagrante do III - colher todas as provas que servirem para o
acusado e a realização do inquérito.
esclarecimento do fato e suas circunstâncias;
 524 - Arquivado o inquérito policial, por IV - ouvir o ofendido;
despacho do juiz, a requerimento do promotor de
justiça, não pode a ação penal ser iniciada sem novas V - ouvir o indiciado, com observância, no que
provas. for aplicável, do disposto no Capítulo III do Título Vll,
 Súmula vinculante 14 - É direito do defensor, deste Livro, devendo o respectivo termo ser assinado
por duas testemunhas que Ihe tenham ouvido a leitura;
no interesse do representado, ter acesso amplo aos
elementos de prova que, já documentados em VI - proceder a reconhecimento de pessoas e
procedimento investigatório realizado por órgão com coisas e a acareações;
competência de polícia judiciária, digam respeito ao VII - determinar, se for caso, que se proceda a
exercício do direito de defesa. exame de corpo de delito e a quaisquer outras perícias;
VIII - ordenar a identificação do indiciado pelo
DISPOSITIVO DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL: processo datiloscópico, se possível, e fazer juntar aos
autos sua folha de antecedentes;
(...)
IX - averiguar a vida pregressa do indiciado, sob
DO INQUÉRITO POLICIAL o ponto de vista individual, familiar e social, sua
Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas condição econômica, sua atitude e estado de ânimo
autoridades policiais no território de suas respectivas antes e depois do crime e durante ele, e quaisquer
circunscrições e terá por fim a apuração das infrações
22 DIREITO PROCESSUAL PENAL
outros elementos que contribuírem para a apreciação do artigo 12 do Código de Processo Penal ao dispor que, "o
seu temperamento e caráter. inquérito policial acompanhará a denúncia ou queixa, sempre
o que servir de base a uma ou a outra".
Art. 7 Para verificar a possibilidade de haver a
infração sido praticada de determinado modo, a Jurisprudência – INQUÉRITO.
autoridade policial poderá proceder à reprodução DISPENSABILIDADE (STF): "Não é essencial ao
simulada dos fatos, desde que esta não contrarie a oferecimento da denúncia à instauração de inquérito policial,
moralidade ou a ordem pública. desde que a peça acusatória esteja sustentada por documentos
O indiciado não está obrigado a participar dos atos suficientes à caracterização da materialidade do crime e de
de reconstituição, já que constituiria constrangimento ilegal o indícios suficientes de autoria" (RTJ, 76/741).
qual na está obrigado a suportar. A doutrina é uníssona neste Art. 13. Incumbirá ainda à autoridade policial:
aspecto. Pode o indiciado ou réu legitimamente recusar-se a I - fornecer às autoridades judiciárias as
participar, sem que se caracterize nenhuma desobediência ou informações necessárias à instrução e julgamento dos
desrespeito à autoridade. Mesmo trilho percorre a processos;
Jurisprudência do STF deferindo Habeas corpus para remediar
II - realizar as diligências requisitadas pelo juiz
a ilegalidade como podemos conferir: "O suposto autor do
ou pelo Ministério Público;
ilícito penal não pode ser compelido, sob pena de
caracterização de injusto constrangimento, a participar da III - cumprir os mandados de prisão expedidos
reprodução simulada do fato delituoso. pelas autoridades judiciárias;
IV - representar acerca da prisão preventiva.
o Art. 14. O ofendido, ou seu representante legal,
Art. 8 Havendo prisão em flagrante, será
e o indiciado poderão requerer qualquer diligência, que
observado o disposto no Capítulo II do Título IX deste
será realizada, ou não, a juízo da autoridade.
Livro.
Art. 15. Se o indiciado for menor, ser-lhe-á
DA PRISÃO EM FLAGRANTE nomeado curador pela autoridade policial.
Art. 301 (CPP). Qualquer do povo poderá e as
autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem Atualmente, todo indiciado é, maior, pois todo
quer que seja encontrado em flagrante delito. menor está sujeito ao procedimento do Estatuto da Criança e
Art. 302(CPP). Considera-se em flagrante delito quem: do Adolescente, inclusive na fase policial. Logo, "indiciado
menor" não existe mais. O art. 15 perdeu o seu sentido como
I - está cometendo a infração penal;
norma jurídica.
II - acaba de cometê-la;
III - é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo Art. 16. O Ministério Público não poderá requerer
ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça a devolução do inquérito à autoridade policial, senão
presumir ser autor da infração; para novas diligências, imprescindíveis ao oferecimento
IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, da denúncia.
objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da Art. 17. A autoridade policial não poderá
infração. mandar arquivar autos de inquérito.
Art. 303 (CPP). Nas infrações permanentes, entende-se o Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento
agente em flagrante delito enquanto não cessar a permanência. do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base
o para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a
Art. 9 Todas as peças do inquérito policial
serão, num só processado, reduzidas a escrito ou novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia.
datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade. DESARQUIVAMENTO DO INQUÉRITO POLICIAL
Art. 10. O inquérito deverá terminar no prazo de Novas diligências: mesmo sendo o inquérito
10 dias, se o indiciado tiver sido preso em flagrante, ou arquivado por ordem da autoridade judiciária (a pedido do
estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta MP), poderá o Delegado empreender novas diligências, se
hipótese, a partir do dia em que se executar a ordem de tomar conhecimento de outros elementos de convicção (art.
prisão, ou no prazo de 30 dias, quando estiver solto, 18).
mediante fiança ou sem ela. Súmula n° 524: “Arquivado o inquérito policial, por
o
§ 1 A autoridade fará minucioso relatório do que despacho do juiz, a requerimento do promotor de justiça, não
tiver sido apurado e enviará autos ao juiz competente. pode a ação penal ser iniciada sem novas provas”.
o
§ 2 No relatório poderá a autoridade indicar Art. 19. Nos crimes em que não couber ação
testemunhas que não tiverem sido inquiridas, pública, os autos do inquérito serão remetidos ao juízo
mencionando o lugar onde possam ser encontradas. competente, onde aguardarão a iniciativa do ofendido
o
§ 3 Quando o fato for de difícil elucidação, e o ou de seu representante legal, ou serão entregues ao
indiciado estiver solto, a autoridade poderá requerer ao requerente, se o pedir, mediante traslado.
juiz a devolução dos autos, para ulteriores diligências, Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o
que serão realizadas no prazo marcado pelo juiz. sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo
Art. 11. Os instrumentos do crime, bem como os interesse da sociedade.
objetos que interessarem à prova, acompanharão os Parágrafo único. Nos atestados de antecedentes
autos do inquérito. que lhe forem solicitados, a autoridade policial não
Art. 12. O inquérito policial acompanhará a poderá mencionar quaisquer anotações referentes a
denúncia ou queixa, sempre que servir de base a uma instauração de inquérito contra os
ou outra. requerentes. (Redação dada pela Lei nº 12.681, de
Dispensabilidade – O inquérito policial não é 2012)
indispensável ao oferecimento da denúncia ou da queixa, Art. 21. A incomunicabilidade do indiciado
sendo essa a opinião abalizada do Profº Fernando da Costa dependerá sempre de despacho nos autos e somente
Tourinho Filho . Tal afirmação, aliás, pode ser extraída do
DIREITO PROCESSUAL PENAL 23
será permitida quando o interesse da sociedade ou a de quem tenha qualidade para intentá-la.
conveniência da investigação o exigir. (Anal.Fina.Cont.CGU/ESAF/2008)
Parágrafo único. A incomunicabilidade, que não 10-Entre as providências que a autoridade policial
excederá de três dias, será decretada por despacho deverá tomar logo que tiver conhecimento da prática
fundamentado do Juiz, a requerimento da autoridade da infração penal, encontra-se a reprodução
policial, ou do órgão do Ministério Público, respeitado, simulada dos fatos, que somente deverá ser
em qualquer hipótese, o disposto no artigo 89, inciso III, efetivada se não contrariar a moralidade ou a ordem
do Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (Lei n. pública. (Anal.Jud.Exec.Mand. TRF/FCC/2008)
4.215, de 27 de abril de 1963) (Redação dada pela Lei 11-A representação do ofendido depende de poderes
nº 5.010, de 30.5.1966) especiais quando exercida através de procurador.
Art. 22. No Distrito Federal e nas comarcas em (Anal.Jud.Exec.Mand.TRF/FCC/2008)
que houver mais de uma circunscrição policial, a 12-O réu não é obrigado a participar da reconstituição
autoridade com exercício em uma delas poderá, nos do crime, pois ninguém é obrigado a produzir prova
inquéritos a que esteja procedendo, ordenar diligências contra si. (Juiz Sub.TJ-PI/CESPE/2007)
em circunscrição de outra, independentemente de
13-Entende a doutrina majoritária que, se o promotor
precatórias ou requisições, e bem assim providenciará,
detém elementos suficientes para denunciar, não
até que compareça a autoridade competente, sobre
cabe o pedido de prisão preventiva do acusado
qualquer fato que ocorra em sua presença, noutra
simultaneamente ao pedido de retorno do IP à
circunscrição.
delegacia para novas diligências. (Juiz Sub.TJ-
Art. 23. Ao fazer a remessa dos autos do PI/CESPE/2007)
inquérito ao juiz competente, a autoridade policial
14-Segundo o Código de Processo Penal, é cabível a
oficiará ao Instituto de Identificação e Estatística, ou
incomunicabilidade do indiciado, que dependerá
repartição congênere, mencionando o juízo a que
sempre de despacho nos autos e somente será
tiverem sido distribuídos, e os dados relativos à infração
permitida quando o interesse da sociedade ou a
penal e à pessoa do indiciado.
conveniência da investigação o exigir. (Juiz Sub.TJ-
PI/CESPE/2007)
DICAS DE CONCURSOS 15-Se o IP for instaurado com base em apreensão ilícita
1-Dados obtidos em interceptação de comunicações de documentos, o eventual vício na primeira
telefônicas e em escutas ambientais judicialmente apreensão não contaminará a segunda, se esta for
autorizadas para produção de prova em inquérito precedida de autorização judicial. Assim, não caberá
policial podem ser usados, em procedimento o trancamento do inquérito. (Juiz Sub.TJ-
administrativo disciplinar, contra servidores cujos PI/CESPE/2007)
supostos ilícitos tenham despontado à colheita 16-O inquérito policial, nos crimes de ação penal
dessa prova. (STF/Exec.Mand.CESPE/2008) pública, será iniciado de ofício; mediante requisição
2-O Ministério Público pode oferecer denúncia com da autoridade judiciária ou do Ministério Público, ou
base em peças de informações fornecidas por a requerimento do ofendido ou de quem tiver
qualquer pessoa do povo, uma vez convencido da qualidade para representá-lo.
existência dos requisitos necessários à propositura (Anal.Jud.Adm.TRE/MS/FCC/2007)
da ação. (Ag.Tec.MPE/AM/CESPE/2008) 17-Se a ação penal pública incondicionada não for
3-O inquérito policial é um procedimento administrativo, instaurada no prazo legal pelo Ministério Público, o
informativo, provisório, preparatório, destinado a ofendido ou seu representante legal poderão
fornecer o mínimo de elementos necessários ao promover, através de queixa, a ação penal privada
órgão de acusação para a propositura da ação subsidiária da pública. (Tec.Jud.Adm.TRF 4ª
penal. (Ag.Pent.SEJUS/RO/FUNRIO/2008) R/FCC/2007)
4-Os autos de inquérito policial, uma vez relatados e 18-Do despacho que indeferir o requerimento de
encaminhados a Juízo, não poderão mais ser abertura de inquérito policial caberá recurso para o
devolvidos, exceto: requerimento do Promotor para chefe de Polícia (atualmente, Corregedor de Polícia
diligências imprescindíveis ao oferecimento da ou Delegado-Geral de Polícia). (OAB III/DF/2006)
denúncia. (Ag.Pent.SEJUS/RO/FUNRIO/2008)
5-O indiciado poderá requerer à autoridade policial a EXERCÍCIOS
realização de qualquer diligência.(Juiz
01.(CESPE/Defensor Público da União/2010)
Sub.TJ/MG/FGV/2008)
Segundo o STJ, a recusa da autoridade policial em
6-O inquérito policial é um procedimento persecutório de cumprir requisição judicial relativa a cumprimento de
caráter administrativo com diligências realizadas diligências configura o crime de desobediência.
pela polícia judiciária, tendo como destinatário
mediato o juiz. (Anal.Fina.Cont.CGU/ESAF/2008) 02.(CESPE/AGU/2010) Embora o inquérito policial
7-O inquérito é um procedimento inquisitivo, não se tenha natureza de procedimento informativo, e não
aplicando os princípios do contraditório e da ampla de ato de jurisdição, os vícios nele existentes podem
defesa. (Anal.Fina.Cont. CGU/ESAF/2008) contaminar a ação penal subsequente, com base na
8-Os vícios existentes no inquérito policial não têm o teoria norte-americana dos frutos da árvore
condão de infi rmar validade jurídica do subsequente envenenada, ou ―fruits of the poisonouss tree‖.
processo penal condenatório.
(Anal.Fina.Cont.CGU/ESAF/2008) 03.(CESPE/AGU/2010) O arquivamento do inquérito
9-Nos crimes de ação privada, a autoridade policial policial nãogera preclusão, sendo uma decisão
somente poderá proceder a inquérito a requerimento tomada ―rebus sic stantibus‖; todavia, uma vez
arquivado o inquérito a pedido do promotor de
24 DIREITO PROCESSUAL PENAL
justiça, somente com novas provas pode ser iniciada policial responsável, que não pode,nesse relatório,
a ação penal. indicar testemunhas que não tiverem sido inquiridas.

04.(CESPE/Promotor MPE-RO/2010) O IP é um 14.(CESPE/Agente da Polícia Federal/2009) No


procedimento sigiloso, não se estendendo o sigilo ao inquérito policial, o ofendido, ou seu representante
advogado, que poderá teramplo acesso aos legal, e o indiciado poderão requerer qualquer
elementos de prova que já estiverem documentados diligência, que será realizada, ou não, a juízo da
nos autos e se refiram ao exercício do direito de autoridade.
defesa.
15.(CESPE/Agente da Polícia Federal/2009) O
05.(CESPE/Promotor MPE-RO/2010) De acordo com a inquérito policial tem natureza judicial, visto que é
Lei d e Falências, cabe ao juiz responsável pelo um procedimento inquisitório conduzido pela polícia
processo falimentar presidir o inquérito de apuração judiciária, com a finalidade de reunir elementos e
dos crimes falimentares e, após a conclusão, informações necessárias à elucidação do crime.
remetê-lo ao MP para, se for o caso, este oferecer a
denúncia. 16.(CESPE/Agente da Polícia Federal/2009) Depois de
ordenado o arquivamento do inquérito pela
06.(CESPE/Promotor MPE-RO/2010) A oitiva do autoridade judiciária, por falta de base para a
indiciado durante o IP deve observar o mesmo denúncia, a autoridade policial não poderá proceder
procedimento do interrogatório judicial, sendo-lhe a novas pesquisas se de outras provas tiver
assegurado o direito ao silêncio e a assistência de notícia,salvo com expressa autorização judicial.
advogado, que poderá fazer perguntas durante a
inquirição e acompanhar a oitiva das testemunhas. 17.(CESPE/Procurador do Estado-PE/2009) A polícia
judiciária tem total autonomia em relação ao MP.
07.(CESPE/Promotor MPE-RO/2010) A prova pericial,
apesar de colhida durante o IP, é prova técnica e se 18.(CESPE/Procurador do Estado-PE/2009) O caráter
submete ao contraditório diferido, razão pela qual sigiloso do inquérito policial pode ser estendido até
tem valor probatório absoluto e não pode ser mesmo ao MP e ao Poder Judiciário.
desconsiderada pelo juiz no momento da sentença.
19.(CESPE/Procurador do Estado-PE/2009) A decisão
08.(CESPE/Exame de Ordem 2009.1) Nas hipóteses judicial nãose pode fundamentar, no inquérito
de ação penal pública, condicionada ou policial, mesmo que não exclusivamente.
incondicionada, a autoridade policial deverá
instaurar, de ofício, o inquérito, sem que seja 20.(CESPE/Procurador do Estado-PE/2009) O
necessária a provocação ou a representação. inquérito policial não é indispensável.

09.(CESPE/Procurador do Estado-PE/2009) Não 21.(CESPE/Procurador do Estado-PE/2009) A


obstante o princípio da indisponibilidade do autoridade policial não pode indeferir um pedido de
processo, que vigora até mesmo na fase do inquérito realização de prova feito pelo indiciado ou ofendido.
policial, uma vez ajuizada a ação penal pública
incondicionada, o MP tem livre arbítrio para dela
22(CESPE/Juiz Federal Substituto-TRF 2ª/2009) Não
desistir.
há contraditório no inquérito policial, procedimento
eminentemente inquisitório, de forma que o
10.(CESPE/MMA/2009) Se um indivíduo, ao se defensor, ainda que no interesse do representado,
desentender com sua esposa, desferir contra ela não tem direito a acesso amplo aos elementos de
inúmeros golpes, agredindo-a fisicamente, causando prova já documentados nos autos e que digam
lesões graves, as autoridades policiais,considerando respeito ao direito de defesa; poderá ele, sobre tais
tratar-se de flagrante delito, poderão penetrar na documentos, exercer o contraditório diferido.
casa desse indivíduo, ainda que à noite e sem
determinação judicial, e prendê-lo.
23.(CESPE/Juiz Federal Substituto-TRF 5ª/2009)
Acerca do tráfico ilícito de substâncias
11.(CESPE/Procurador-BACEN/2009) Com relação ao entorpecentes, a infiltração de agentes de polícia em
inquérito policial, é presidido pela autoridade policial, tarefas de investigação pode ser realizada em
da chamada polícia judiciária, pois atua em face do qualquer fase da persecução criminal, dependendo,
fato criminoso já ocorrido. no entanto,de autorização judicial e oitiva do MP.

12.CESPE/Defensor Público-AL/2009) Impede-se 24.(CESPE/Juiz Federal Substituto-TRF 5ª/2009)


desarquivamento do inquérito policial com vistas a Acerca do tráfico ilícito de substâncias
prosseguir as investigações nas hipóteses de entorpecentes, não há, na legislação específica,
decisões judiciais, reconhecendo a atipicidade do disposição expressa a respeito da pena de
fato ou a presença de alguma excludente de multa,devendo o juiz aplicar, subsidiariamente, os
ilicitude. dispositivos do CPP acerca do tema.

13.(CESPE/Agente da Polícia Federal/2009) O término 25.(CESPE/Escrivão da Polícia Federal/2009) Não há


do inquérito policial é caracterizado pela elaboração crime quando a preparação do flagrante pela polícia
de um relatório e por sua juntada pela autoridade torna impossível a sua consumação.
DIREITO PROCESSUAL PENAL 25
26.(CESPE/Escrivão da Polícia Federal/2009) Não se pleitear ao Estado-Juiz a aplicação do direito penal
admite a acareação entre o acusado e a pessoa objetivo, com a consequente satisfação da pretensão
ofendida, considerando-se que o acusado tem o punitiva.
direito constitucional ao silêncio, e o ofendido não De acordo com Luiz Regis Prado, a ação penal
será compromissado. consiste na faculdade de exigir a intervenção do poder
jurisdicional do Estão para a investigação de sua
27.(CESPE/Agente de Escolta e Vigilância pretensão punitiva no caso concreto.
Penitenciário-ES/2009)Por inviabilizar a Brilhante, todavia, em que pese simples, a
responsabilização criminal, não se admite a ―notitia conceituação dispensada por Guilherme de Souza
criminis‖ anônima. Nucci. Para ele, ação penal é o direito de pleitear ao
Poder Judiciário a aplicação da lei penal ao caso
28.CESPE/Soldado-DF/2009) Um marido traído concreto, fazendo valer o poder punitivo do Estado em
assassinou sua esposa. Encerrado o inquérito face do cometimento de um a infração penal.
policial para a apuração do fato,os autos foram DICA DE CONCURSO:
encaminhados ao Ministério Público, e o promotor
de justiça responsável requereu o arquivamento do A ação penal é o instrumento utilizado para
procedimento por entender que o indiciado agiu em provocar a jurisdição a conhecer o fato delituoso e
legítima defesa. Nessa situação, caso o juiz discorde aplicar a sanção penal ao caso concreto. Em
da opinião do titular da ação penal, deve receber a determinadas situações, a lei condiciona o exercício da
denúncia de ofício e dar seguimento à ação penal. ação penal à representação da vítima.
(Manut.Armam./DF/CESPE/2010)
29.CESPE/Soldado-DF/2009) Tendo o titular da ação
penal outros elementos, em mãos, necessários ao CARACTERÍSTICAS DO DIREITO DE AÇÃO
oferecimento da denúncia ou queixa, o inquérito é 4
Para CAPEZ , a ação penal tem as seguintes
perfeitamente dispensável. características:
a) Direito autônomo – distinto do direito material
30.(CESPE/Soldado-DF/2009) Segundo o Código de
(direito de punir);
Processo Penal(CPP), o inquérito policial deve
terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado estiver b) Direito abstrato – independe da existência do
preso, e em 30 dias, acaso esteja solto. direito material e, portanto, da sentença
favorável; que independe do resultado final
do processo
31.(CESPE/Procurador do Estado-PE/2009) Mesmo
em face do princípio da obrigatoriedade, vigente no c) Direito público – exercido perante o Estado
ordenamento processual penal, a autoridade policial para a invocação da tutela jurisdicional; e
não tem o dever de instaurar inquérito policial d) Direito subjetivo – dado potencialmente a
quando é informada da ocorrência de crime que se qualquer pessoa; o titular pode exigir do
apure mediante ação penal pública. Estado-juiz a prestação jurisdicional.

32.(CESPE/PM-DF/2009) A incomunicabilidade do DO FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL DA E BASE


preso é vedada na vigência de estado de defesa. LEGAL DA AÇÃO PENAL
Dada à importância do instituto, a ação se
Gabarito: 01-E/ 02-E/ 03-C/ 04-C/ 05-E/ 06-E/ 07-E/ / encontra fundamentada no art. 5°, XXXV da
08-E/ 09-E/ 10-C/ 11-C/ 12-E/ 13-E/ 14-C/ 15-E/ 16-E/ Constituição: "a lei não excluirá da apreciação do Poder
17-E/ 18-E/ 19-E/ 20-C/ 21-E/ 22-E/ 23-C/ 24-E/ 25-C/ Judiciário lesão ou ameaça a direito".
26-E/ 27-E/ 28-E/ 29-C/ 30-C/ 31-E/ 32-C
Assim, o Judiciário tem a atribuição de examinar
todas as demandas que lhe forem propostas, mesmo
DA AÇÃO PENAL - Arts. 24 a 62 que, posteriormente, as considere improcedentes. Além
disso, só o Judiciário pode realizar a jurisdição, sendo
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
vedado ao particular exercer justiça com as próprias
Quando ocorre uma infração penal, surge o jus mãos e ao próprio Estado executar diretamente o Direito
puniendi, ou seja, o direito de punir exercício pelo Penal.
Estado. Inicia-se, então o persecutio criminis, o caminho
A Ação Penal tem como base legal os arts. 100 a
percorrido pelo Estado-administração para que seja
106 do Código Penal e arts. 24 a 62 do Código de
aplicada a pena ou medida de segurança àquele que
Processo Penal.
cometeu a infração.
O persecutio criminis se exerce em dois
momentos: na investigação (inquérito policial) e na ação CONDIÇÕES DA AÇÃO PENAL
penal (fase judicial). São requisitos obrigatórios exigidos por lei para
Neste momento nos limitaremos à análise da que a ação penal tenha acolhimento perante o Poder
segunda e última fase, a ação penal (fase judicial, in Judiciário, sem as quais não poderá ter seu
judicio). desenvolvimento válido.
Segundo Távora e Alencar (2009, p. 120-125), as
condições da ação penal podem ser divididas da
CONCEITO
seguinte forma:
Ação Penal é o direito de pedir ao Estado-Juiz a
1 Condições genéricas:
aplicação do direito penal objetivo a um caso concreto.
É também o direito público subjetivo do Estado-
4
Administração, único titular do poder-dever de punir, de Curso de Processo Penal/2010, pag. 153.
26 DIREITO PROCESSUAL PENAL
1.1 Possibilidade Jurídica do Pedido ATENÇÃO:
A conduta humana que se pretende apurar e Conforme redação do Art. 395 do CPP dada pela
punir mediante a ação penal, deve constituir infração Lei nº 11.719/2008, a denúncia ou queixa será rejeitada
penal, ou seja, deve encontrar-se tipificado pela lei quando:
penal como crime ou contravenção. Por exemplo, não I - for manifestamente inepta;
pode haver ação penal para apurar ato incestuoso, já
que essa conduta não é classificada com tipo penal. II - faltar pressuposto processual ou condição
para o exercício da ação penal; ou
III - faltar justa causa para o exercício da ação
1.2 Interesse de agir penal.
Deve haver justo motivo para instauração da Do contrário, ocorrerá carência de ação.
ação penal, pelo menos indícios do cometimento de
infração penal que demonstre alguma lesão à sociedade Observa-se ainda que se falta a justa causa, a
ou um cidadão, nascendo daí a razão da persecução ação penal pode ser trancada por habeas corpus.
estatal. Se assim não fosse, a sociedade estaria em
constante sobressalto, já que por qualquer motivo, 2 Condições específicas (ou de procedibilidade).
inclusive torpe (vingança, inveja, etc) se instaurariam
As condições específicas (ou de procedibilidade)
ações penais.
variam de acordo com a ação penal a ser iniciada. São
Desdobra-se no trinômio necessidade e utilidade elas:
do uso das vias jurisdicionais para a defesa do interesse
-Representação - ação penal pública
material pretendido, e adequação à causa, do
condicionada à representação do ofendido ou
procedimento e do provimento, de forma a possibilitar a
das pessoas arroladas no art. 24, § 1º; 39,
atuação da vontade concreta da lei segundo os
CPP;
parâmetros do devido processo legal.
-Requisição do Ministro da Justiça (art. 24, CPP)
A necessidade é inerente ao processo penal,
- Ex.: art. 145, parágrafo único, CP;
tendo em vista a impossibilidade de se impor pena sem
o devido processo legal. -Causas objetivas de punibilidade - ex.:
autorização da Câmara dos Deputados para
Por conseguinte, não está recebida a denúncia,
processamento do Presidente da República -
quando já estiver extinta a punibilidade do acusado, já
art. 86, CRFB; sentença de anulação de
que, nesse caso, a perda do direito material de punir
casamento por erro ou impedimento, para a
resultou na desnecessidade de utilização das vias
deflagração da ação penal privada com o
processuais.
escopo de apurar o crime do art. 236, CP.
Note-se que, com a edição da Lei 11.719/2008,
-Trânsito em julgado da sentença que, por motivo
essa hipótese poderá, após oferecida a defesa dos arts.
de erro ou impedimento, anule o casamento,
396 e 396-A do CPP, dar causa à absolvição sumária do
no crime de induzimento a erro essencial ou
agente (CPP, art. 397, IV). 5
ocultamento do impedimento.
A utilidade traduz-se na eficácia da atividade
jurisdicional para satisfazer o interesse do autor. ATENÇÃO!
Se, de plano, for possível perceber a inutilidade A condição de procedibilidade tratada no
da persecução penal aos fins a que se presta, dir-se-á processo penal se refere à representação da vítima, ou
que inexiste interesse de agir. representante legal, ou requisição do ministro da
Justiça, quando a lei o exigir.
É o caso, e.g., de se oferecer denúncia quando,
pela análise da pena possível de ser imposta ao final, se Não confundir com condição de
eventualmente comprovada a culpabilidade do réu, já se prosseguimento da ação (condição de
pode antever a ocorrência da prescrição retroativa. prosseguibilidade) - trata-se de determinação que
permite ou não a continuação de um processo ou sua
Nesse caso, toda a atividade jurisdicional seria suspensão.
inútil; falta, portanto, interesse de agir. Esse
entendimento, todavia, não é absolutamente pacífico,
quer na doutrina, quer na jurisprudência. PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS:
Por fim, a adequação reside no processo penal Os pressupostos processuais são circunstâncias
condenatório e no pedido de aplicação de sanção penal. necessárias para a existência e o desenvolvimento
válido do processo. São essenciais a formação e
desenvolvimento do processo.
1.3 Legitimidade da parte
Somente o autor da ação tem a titularidade do
Espécies de pressupostos processuais.
direito de buscar a prestação jurisdicional, para evitar
a) Pressupostos processuais de existência
que outrem proponha ação penal buscando direito que
não é seu, de que não tem titularidade. É o caso, por a.1) As partes
exemplo, de uma ação penal personalíssima, como o Autor e réu
crime de Induzimento a erro essencial e ocultação de a.2)Jurisdição
impedimento (art. 236, CP). Juiz formal e legalmente constituído
a.3) Pedido
1.4 Justa causa Demanda. Condenação
Significa presença do ―fumus boni juris‖, isto é,
prova do crime e ao menos indícios de autoria. A ação
penal deve ser viável, séria. Fundada, portanto, em 5
(Grinover, Scarance e Magalhães. As nulidades no processo
provas que deem plausibilidade ao pedido.
penal).
DIREITO PROCESSUAL PENAL 27
b) Pressupostos processuais de validade Vannini já afirmava que oportunidade, ao invés do
b.1) Competência e imparcialidade do juiz a ação penal é oficial devido à princípio da obrigatoriedade,
presença de um órgão do e o princípio da
b.2) Capacidade das partes. (processual e civil) Estado na mesma. O disponibilidade em oposição
b.3) Capacidade postulatória das partes Ministério Público, instituição ao princípio da
b.4) Inexistência de coisa julgada, litispendência do Estado, representa a indisponibilidade.
e perempção. sociedade, é o órgão
Perempção: Só atinge a ação penal privada. legitimado para agir, para
impetrar a ação penal pública.
É a desídia, punição processual pela desídia da
parte que não que não praticou o ato Se toda a sociedade é
agredida com o crime, deve
processual que deveria praticar, só incide nas
um órgão do Estado ter o
ações de natureza privada. direito de movimentar a
máquina judiciária para a
INÉPCIA DA AÇÃO PENAL aplicação ou não da pena.
O Art. 41 do CPP determina que: a denúncia ou Princípio da Pelo princípio da
queixa conterá a exposição do fato criminoso, com indisponibilidade disponibilidade, o titular
Deriva do da desse direito pode renunciá-
todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado lo expressa ou tacitamente.
ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a obrigatoriedade. Uma vez
impetrada ação penal, o Poderá perdoar o
classificação do crime e, quando necessário, o rol das Ministério Público não pode ofensor, dar lugar a
testemunhas. dela dispor, a ação é, perempção, poderá dispor a
 É inepta a denúncia que, contendo narração destarte, irretratável. Isso se qualquer instante do
incongruente dos fatos, impossibilita o exercício pleno dá ―porque no processo conteúdo material do
penal, o Estado, pelo processo.
do direito de defesa (OAB 2007).
Ministério Público, atua como
 O interesse de agir é instrumental e representante da sociedade,
secundário e, desta maneira, a ausência de justa causa e porque o direito não é seu,
para a persecutio criminis torna inepta a acusação. exclusivamente por isso que
(Pro.Justiça/BA/2004) exerce uma função
delegatória, é que dele não
pode dispor. Daí a
PRINCÍPIOS INERENTES À AÇÃO PENAL indisponibilidade processo
penal‖
AÇÃO PENAL PÚBLICA AÇÃO PENAL PRIVADA
Princípio da idem
Princípio da Princípio da Oportunidade
intranscedência (Art. 5º,
obrigatoriedade Cabe ao titular do XLV, da CF)
Estando diante de uma direito de agir a faculdade de
A ação penal é limitada
figura típica, o promotor de propor, ou não, a ação
à pessoa do ofensor (réu ou
justiça deverá exercer o privada, segundo sua
querelado), não atingindo
mister que recebeu da conveniência. Sem a sua
seus familiares.
Constituição Federal e concordância não se lavra o
oferecer a denúncia. Caso auto de prisão em flagrante, Princípio da suficiência
não o faça, segundo não se instaura o inquérito Tal princípio refere-se
Fernando Capez, incorrerá policial e muito menos a ao art. 93, CPP. Segundo
em crime de prevaricação. ação penal. este princípio, se a ação
 Enquanto na ação penal é suficiente para
pública incondicionada apreciar a questão prejudicial
vigora o Princípio da relativa, o juiz criminal deve
Obrigatoriedade, a ação julgá-la. Vale dizer, se o juiz
privada está submetida ao criminal entender que é o
Princípio da Oportunidade. caso, decide a questão
prejudicial (embora seja de
O princípio da divisibilidade Princípio da natureza civil). Do contrário,
Permite ao Ministério indivisibilidade remete os autos para o juízo
Público na formulação da Significa que o cível.
denúncia, instituto exclusivo ofendido não pode, quando
da ação penal pública, excluir optar pela queixa, deixar de DICA:
alguns dos agentes que nela incluir todos os co-
concorreram para a prática do autores ou partícipes do fato, Para atender ao princípio da obrigatoriedade da
crime. Não deve, porém, sob pena de renunciar ao ação penal pública, a lei processual penal veda ao MP a
deixar de justificar, direito em relação aos possibilidade de desistir da ação penal e, do mesmo
previamente, o motivo de tal demais réus. modo, do recurso criminal ofertado.
exclusão. ATENÇÃO! (Manut.Armam.PM/DF/CESPE/2010)
A jurisprudência Na jurisprudência e
amplamente majoritária do para parte da doutrina na
Supremo Tribunal Federal e INÍCIO DA AÇÃO PENAL
ação penal pública, admite-
do Superior Tribunal de se o princípio da A Ação Penal Pública inicia-se com a denúncia.
Justiça entende ser aplicável divisibilidade, desde que o Já a Ação Penal Privada inicia-se com a queixa.
o princípio da indivisibilidade Ministério Público apresente
apenas, e tão somente, à justificação prévia.
ação penal privada.
O princípio da Não há o princípio da
oficialidade deriva da oficialidade, posto que não
presença do Estado em um cabe ao Estado o direito de
dos polos da ação penal. impetrá-la, há o princípio da
28 DIREITO PROCESSUAL PENAL
TIPOS DE AÇÕES PENAIS: CF/88) e a ação penal pública é promovida,
privativamente, pelo MINISTÉRIO PÚBLICO (art. 129, I
CF/88), seja ele da União ou dos Estados (art. 128, I e II
CF/88).
Como órgãos encarregados da repressão penal,
a Policia e o Ministério Público têm autoridade, ou seja,
podem determinar ou requisitar documentos, diligências
ou quaisquer atos necessários à instrução do inquérito
policial ou da ação penal, ressalvadas as restrições
constitucionais.
1. AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA
 Em regra a ação penal pública é promovida
São aquelas em que para o Estado acusador pelo Ministério Público à vista do Inquérito Policial.
nasce o direito de buscar a prestação jurisdicional logo
que toma conhecimento de um fato delituoso. O Estado
agirá de ofício. 2. AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA
É iniciada mediante denuncia do Ministério Tem as mesmas características das ações
Público (art. 24, CPP) para apuração de infrações penais públicas incondicionadas, iniciando-se também
penais que interferem diretamente no interesse geral da com o oferecimento da DENÚNCIA pelo Ministério
sociedade. (Noberto Havena, Processo Penal, pág. 55). Público, no entanto o direito do Estado acusador só
 A peça processual iniciadora desse tipo de nasce depois de manifestado o interesse do ofendido ou
ação denomina-se DENÚNCIA. de requisição do Ministro da Justiça.
Prevalece o Princípio da Obrigatoriedade, ou ATENÇÃO:
seja, haverá a propositura da ação penal independente A Lei 12.015/09 deu nova redação ao art. 225 do
do interesse da vítima ou de seus representantes legais. Código Penal estabelecendo que nos crimes definidos
Está presente também o Princípio da Indisponibilidade, nos arts. 213 a 218-B a ação penal passou a ser pública
que anuncia que depois de iniciada a ação, não pode o condicionada à representação (regra), salvo quando a
Estado desistir do direito à prestação jurisdicional. vítima é menor de dezoito anos ou pessoa vulnerável,
São exemplos de crimes de ação pública hipóteses em que a ação penal será pública
incondicionada: o homicídio, o latrocínio, extorsão, incondicionada (exceção). Não há mais falar-se,
crimes contra o patrimônio público em geral, etc. portanto, em ação penal de iniciativa privada em tais
crimes, salvo se subsidiária da pública (art. 29 do CPP
CPP: Art. 24: c/c art. 5º. LIX, da CF).
o
§ 2 Seja qual for o crime, quando praticado em
detrimento do patrimônio ou interesse da União, Estado
e Município, a ação penal será pública incondicionada. 2.1 Representação do Ofendido
Pode a ação penal pública depender da
representação do ofendido, que se constitui numa
ATENÇÃO: espécie de pedido-autorização em que a vítima ou
Via de regra, a ação penal é pública seu representante legal expressam o desejo de que a
incondicionada, salvo quando a lei declara, ação seja instaurada, autorizando a persecução
expressamente, que só se procede mediante criminal. A representação é, assim, a manifestação de
representação do ofendido ou requisição do Ministro vontade do ofendido ou de seu representante legal no
da Justiça (ação pública condicionada) ou mediante sentido de autorizar o Ministério Público a desencadear
queixa (ação de iniciativa privada). a persecução criminal.
Segundo o STJ:
1.1 Titularidade da Ação Penal Pública ―Em se tratando de ação penal pública
O Ministério Público é o dono da ação penal condicionada, não se exige rigor formal da
pública. É o órgão representado por Promotores e representação do ofendido ou de seu representante
Procuradores de Justiça que pede providência legal, bastando a sua manifestação de vontade para que
jurisdicional de aplicação da lei penal, exercendo o que se promova a responsabilização do autor do delito (HC
se denomina de pretensão punitiva. 86232/SP - 5ª Turma – 04/10/2007)‖.
Trata-se o Ministério Público de órgão uno e ―Qualquer manifestação da vítima ou de seu
indivisível, e assim, seus membros podem ser representante legal que espelhe o dever de processar
substituídos no processo, por razões de serviço, sem deve ser aceito para efeito de representação.
que haja prejuízo para a marcha processual. O Prevalência do caráter de informalidade (REsp
Ministério Público promove a ação penal pública desde 819766/RS – 5ª Turma – 06/06/2006‖.
a peça inicial (denúncia) até os termos finais, em
primeira e demais instâncias, acompanhando, Na mesma linha, o STF:
presenciando, fiscalizando a sequência dos atos, ―A representação prescinde de rigor formal.
zelando e velando pela observância da lei até a decisão Basta a demonstração inequívoca de interesse do
final. ofendido, ou de seu representante legal, para que tenha
A titularidade do Ministério Público é decorrente início a ação penal (HC 73226/PA – 2ª Turma –
do Princípio da Oficialidade, eis que a repressão ao 14/11/95).
criminoso é função essencial do Estado, devendo ele
instituir órgãos que assumam a persecução penal. No O direito de representação só pode ser exercido
no prazo de seis meses, contados do dia em que a
nosso país, em termos constitucionais, a apuração das
infrações penais é efetuada pela POLÍCIA (art. 144 vítima ou seu representante legal veio a saber quem é o
DIREITO PROCESSUAL PENAL 29
autor do crime. Não oferecida a representação no prazo É necessária a requisição, segundo o Código
legal, ocorre a decadência, causa extintiva da Penal, nos crimes contra a honra praticados contra o
punibilidade, o que impede o início dessa espécie de Presidente da República ou chefe de governo
a
ação. estrangeiro (art. 145, parágrafo único, 1 parte) e nos
A representação é irretratável depois de delitos praticados por estrangeiro contra brasileiro fora
o o
oferecida a denúncia (art. 25 do CPP), não produzindo a do Brasil (art. 7 , § 3 ).
retratação (retirar o que disse, desdizer-se) após essa ATENÇÃO!!
data, nenhum efeito, devendo a ação, que teve início O Ministério Público não está obrigado a acatar a
com a denúncia, prosseguir até seu término. De outro requisição do MJ, caso entenda que não há indícios
lado, ocorrendo a representação e, antes do suficientes para o comprovação da existência do crime.
oferecimento da denúncia, vindo a retratação, haverá
impedimento à propositura da ação penal.
2.3 DENÚNCIA
Segundo o STF (HC 85056/MG – Tribunal Pleno – Diante dos elementos apresentados pelo
17/11/2005): Inquérito Policial ou pelas peças de informação que
recebeu, o órgão do Ministério Público, verificando a
―É irretratável a representação da vítima depois
prova da existência de fato que caracteriza crime em
de oferecida a denúncia (CPP, art. 25). Não gera a
tese e indícios da sua autoria, forma sua convicção para
extinção do processo penal a retratação que, somente
promover a ação penal pública com o oferecimento em
formalizada após o oferecimento da denúncia, tem como
juízo da DENÚNCIA.
objetivo obstar a continuidade de feito já instaurado‖.
2.3.1 Conceito
A imposição legal da representação para
propositura da ação penal pública deriva do fato de que, É a peça inaugural das ações penais públicas,
por vezes, o interesse do ofendido se coloca mais consistindo na exposição, por escrito, de fatos que
importante que o interesse público na repressão do ato constituem em tese um ilícito penal, ou seja, de fato
criminoso quando o processo, a critério do interessado, caracterizador de tipo penal, com a expressa
pode acarretar males maiores do que aqueles manifestação da intenção de que se aplique a lei penal
resultantes do próprio crime. Assim é que dependem de a quem é presumivelmente seu autor e a indicação das
representação, por exemplo, a instauração da ação provas em que se baseia.
penal nos crimes de perigo de contágio venéreo (art.
o
130, § 2 , CP), crimes contra os costumes (Arts. 213 a 2.3.2 Requisitos da denúncia
221), pela redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009,
2.3.1 Exposição do fato criminoso
procede-se mediante ação penal pública condicionada à
representação, entretanto, mediante ação penal pública Narrativa dos fatos apontados como delituosos,
incondicionada se a vítima é menor de 18 (dezoito) anos devendo tais fatos enquadrar-se em um tipo penal, não
ou pessoa vulnerável. devendo ser aceita denúncia que não especifica, nem
descreve, ainda que sucintamente, o fato criminoso
 A representação do ofendido é necessária atribuído ao acusado.
inclusive para instauração do inquérito policial, não
podendo a autoridade agir de ofício. DICAS DE CONCURSOS:
A falta de descrição de uma elementar na
Importante esclarecer que uma vez oferecida a
denúncia provoca sua inépcia.
representação, não está o Ministério Público obrigado a
(Proc.BACEN/CESPE/2009)
respectiva ação penal, eis que cabe a este aferir a
presença dos requisitos mínimos para sua propositura. Tendo o titular da ação penal outros elementos,
Daí a conclusão de que a representação não vincula o em mãos, necessários ao oferecimento da denúncia ou
Ministério Público, caso não haja indícios da autoria ou queixa, o inquérito é perfeitamente dispensável. (PM-
prova da materialidade delitiva. DF-Curso Form.CESPE/2009).
Nesse sentido, a posição do STJ (RMS
11673/RJ – 5ª Turma – 19/06/2001): 2.3.2 Qualificação do acusado
―O oferecimento da representação pelo ofendido A identificação do acusado se dá com a
não obriga o representante do Ministério Público a referência ao seu nome, cognome, nome de família,
oferecer a denúncia. Pode o agente do Parquet, desde pseudônimo, estado civil, filiação, cidadania, idade sexo,
que entenda, como in casu, pela inexistência de características físicas, sinais de nascença, etc.
elementos para instauração da ação penal, se
manifestar pelo arquivamento da peça.
2.3.3 Classificação do crime
DICA DE CONCURSOS:
É necessária também a indicação do dispositivo
Nas ações penais públicas condicionadas à legal que contém o tipo penal relativo ao fato concreto.
representação, será esta irretratável, depois de
oferecida a denúncia. (Exec.Mand.STF/CESPE/2008)
2.3.4 Rol de testemunhas
No rito ordinário: cada parte arrolará até 8 (oito);
2.3 Requisição do Ministro da Justiça no rito sumário:Cada parte arrolará até 5 (cinco)
Também constitui condição da ação, sendo ato
administrativo, discricionário e irrevogável que deve
2.3.3 Características da denúncia
conter a manifestação de vontade para instauração da
ação penal, com menção do fato criminoso, nome e São características da denúncia:
qualidade da vítima, nome e qualificação do autor do - é oferecida pelo Ministério Público;
crime, etc, embora não exija forma especial. - é a peça inicial da ação penal pública;
30 DIREITO PROCESSUAL PENAL
- é peça na qual o promotor de justiça arrola as ascendente, descendente ou irmão (Art. 24, § 1º do
testemunhas de acusação e requer os demais tipos de CPP).
provas. Prevê a lei (art. 37) a nomeação pelo juiz de
curador especial para mover a ação privada, se o
2.3.4 Prazo para oferecimento da denúncia ofendido for menor de 18 anos, mentalmente enfermo
ou retardado mental. Caso seja maior de 18 e menor de
Réu preso: 5 (cinco) dias
21 anos, o direito de queixa pode ser exercido por ele
Réu em liberdade: 15 (quinze) dias ou por seu representante legal.
 Conta-se o prazo a partir do recebimento do FIQUE ATENTO!
Inquérito Policial pelo Ministério Público.
O Ministério Público, não sendo titular, funciona
apenas como fiscal da lei, podendo ou não, no prazo de
3. AÇÃO PENAL PRIVADA três dias, aditar a queixa, velando também, pela
indivisibilidade da ação.
3.1 CONCEITO
Embora o direito de punir pertença
exclusivamente ao Estado, este transfere ao particular o ATENÇÃO: Caso a vítima do delito seja pessoa
direito de acusar em algumas hipóteses. O direito de jurídica, a queixa poderá ser iniciada pelo
punir continua sendo do Estado, mas ao particular cabe representante lega da empresa ou instituição.
o direito de agir.
Justifica-se essa concessão à vítima quando seu 3.3 PRINCÍPIOS
interesse se sobrepõe ao menos relevante interesse
público, em que a repressão do ilícito penal interessa Ver tópico ―Princípios inerentes à ação penal‖.
muito mais de perto apenas ao ofendido.
A QUEIXA é o equivalente à denúncia, pela qual 3.4 ESPÉCIES
se instaura a Ação Penal, diferenciando-se formalmente A ação Penal Privada divide-se em:
apenas por quem subscreve, ou seja, a denúncia é a) Ação Penal Privada Exclusiva – Art. 110 do CPP e
oferecida pelo membro do Ministério Público (Promotor art. 100, § 2º do CP.
de Justiça) e a queixa é apresentada pelo particular
Somente pode ser proposta pelo ofendido ou
ofendido, através de procurador com poderes
pelo seu representante legal (Art. 30). Na Parte Especial
expressos.
do Código Penal são identificados os delitos que a
ATENÇÃO!!! admitem, com a expressão ―só se procede mediante
Art. 36 (CPP). Se comparecer mais de uma queixa‖. Ex.: Crimes contra a honra (art. 145 do CP).
pessoa com direito de queixa, terá preferência o
 Existem ações penais ditas personalíssimas,
cônjuge, e, em seguida, o parente mais próximo na
em que somente está legitimada a própria pessoa
ordem de enumeração constante do art. 31, podendo,
indicada na lei, não havendo sucessão por morte ou
entretanto, qualquer delas prosseguir na ação, caso o
ausência.
querelante desista da instância ou a abandone.

ATENÇÃO! b) Ação Penal Privada Subsidiária da Pública


A ação de iniciativa privada é promovida Ocorre nos casos em que o Ministério Público
mediante queixa do ofendido ou de quem tenha deixar de intentar Ação Penal Pública no prazo legal
qualidade para representá-lo. (Art. 100, § 2º do CP). (Art. 29) (réu preso: 5 dias – réu solto: 15 dias) podendo
a vítima ou seu representante legal tomar para si o
A ação de iniciativa privada pode intentar-se nos direito de buscar a prestação jurisdicional, oferecendo
crimes de ação pública, se o Ministério Público não QUEIXA SUBSTITUTIVA DA DENÚNCIA.
oferece denúncia no prazo legal. (Art. 100, § 3º do CP).
Essa ação passou a constituir garantia
o
constitucional com a nova Carta Magna (art. 5 , LIX), em
3.2 TITULARIDADE conformidade com o princípio de que a lei não pode
O titular do direito de agir na Ação Penal Privada excluir da apreciação do Poder Judiciário lesão ou
o
é a vítima (ou ofendido). ameaça a direito (art. 5 , XXXV).
Art. 30. Ao ofendido ou a quem tenha qualidade Apresentada a queixa, o Ministério Público
para representá-lo caberá intentar a ação privada. poderá retomar para si a ação, se repudia-la,
oferecendo denúncia substitutiva. Poderá ainda aditar a
Como a propositura da queixa exige procurador queixa e retomar a ação para si caso o ofendido venha
legalmente habilitado (advogado), prevê a lei que, nos a negligenciar seu andamento.
crimes de ação privada, o juiz, a requerimento da parte
que comprovar sua pobreza, nomeará advogado para DICAS DE CONCURSOS:
promover a ação penal.  Na ação penal privada subsidiária, oferecida a
queixa, a negligência do querelante não causa a
Art. 44. A queixa poderá ser dada por procurador
perempção, devendo o Ministério Público retomar a
com poderes especiais, devendo constar do instrumento
ação como parte principal (Anal.Proc.MPU/FCC/2007)
do mandato o nome do querelante e a menção do fato
criminoso, salvo quando tais esclarecimentos  Caberá ação penal privada subsidiária da
dependerem de diligências que devem ser previamente pública se o representante do parquet se mantiver
requeridas no juízo criminal. inerte, não oferecendo a denúncia, no prazo legal,
desde que não tenha ele, tempestivamente, pugnado
No caso de morte ou ausência do ofendido, o pela necessidade de novas diligências a serem
direito de queixa poderá ser exercido pelo cônjuge, realizadas pela autoridade policial, nem tenha se
DIREITO PROCESSUAL PENAL 31
manifestado pelo arquivamento dos autos. A queixa deve ser revestida dos mesmos
(Def.Publ.DPE-PI/CESPE/2009) requisitos da denúncia (Exposição do fato criminoso,
Qualificação do acusado, Classificação do crime e Rol
de testemunhas) diferenciando uma da outra apenas
Prazo: pelo titular: a denúncia é a peça inicial da ação pública,
Para o ofendido oferecer queixa-crime cuja titularidade cabe ao Ministério Público, a queixa, da
substitutiva da denúncia é de seis meses contados de ação privada, cujo titular é o ofendido.
término do prazo destinado ao MP para oferecimento da O direito de queixa deve ser exercido pelo
denúncia, findo os quais ocorrerá decadência do direito. ofendido ou seu representante legal por meio de
 Arquivado o inquérito policial, por despacho do procurador legalmente habilitado – advogado – com
juiz, a requerimento do Promotor de Justiça, não pode a poderes especiais, devendo constar na procuração uma
ação penal ser iniciada sem novas provas, e em breve narrativa dos fatos e a qualificação do querelado.
consequência, não cabe ação penal subsidiária.
3.5.2 Prazo para oferecimento da Queixa
c) Ação Penal Privada Personalíssima O prazo para oferecimento da queixa é de seis
Atualmente, o Código Penal prevê apenas uma meses, contados do dia em que o ofendido veio a saber
hipótese de ação penal privada personalíssima: quem é o autor do crime, na ação privada exclusiva, e
- Induzimento a erro essencial e ocultação de do dia em que se esgota o prazo para oferecimento da
impedimento (art. 236 do CP). denúncia, na ação subsidiária.
Nesse tipo de ação privada, a titularidade Importante ressaltar que o direito de oferecer
pertence exclusivamente ao cônjuge enganado, não se queixa (bem como o de representação), no caso de
transferindo em nenhuma hipótese ao seu representante ofendido menor, tanto pertence ao representante legal
legal ou sucessores, de modo que se a vítima morrer, como ao próprio menor, sendo independentes. Caso o
estará extinta a punibilidade do agente. representante não apresente a queixa, poderá o menor,
ao completar maioridade, fazê-lo, desde que obedeça o
Se a vítima for menor de 18 anos, por não prazo decadencial.
possuir capacidade postulatória, não poderá oferecer a
queixa, mesmo porque o prazo não corre para ela, ATENÇÃO:
começando a fluir quando completar os 18 anos. O prazo decadencial não será interrompido ou
ATENÇÃO: suspenso com a instauração do inquérito policial.
A doutrina majoritária entende que o prazo de 6
meses para oferecer a queixa decai para o Sobre essa hipótese, há manifestação expressa do
representante legal. STF (HC 53893/GO – 5ª Turma – 21/11/2006):
―I - Os prazos para o exercício de queixa ou
JURISPRUDÊNCIA representação correm separadamente para o ofendido e
- AÇÃO PENAL SUBSIDIARIA - ART. 29 DO seu representante legal (Súmula 594 do STF e
CPP, E ART. 5 LIX, DA CF. QUEIXA-CRIME. QUANDO precedente). II – Assim escoado o prazo para o
O MINISTÉRIO PÚBLICO, NÃO TENDO FICADO representante, conserva-se o direito de representação
INERTE, REQUER, NO PRAZO LEGAL (ART. 46. para o ofendido, contado a partir de sua maioridade‖.
CPP), O ARQUIVAMENTO DO INQUERITO OU DA ATENÇÃO:
REPRESENTAÇÃO, NÃO CABE A AÇÃO PENAL O fato de ter cessado a incapacidade para a
PRIVADA SUBSIDIARIA. HABEAS CORPUS prática de atos da vida civil (ex.: casamento) não
CONCEDIDO PARA TRANCAR O PROCEDIMENTO outorga ao menor de 18 anos de idade a possibilidade
PENAL INSTAURADO EM DECORRÊNCIA DA de propor ação penal privada ou até mesmo oferecer a
QUEIXA-CRIME SUBSIDIARIA OFERECIDA. . STF - representação na ação penal pública a ela
HABEAS CORPUS: HC 67502 RJ. Relator(a): PAULO condicionada.
BROSSARD. Julgamento: 05/12/1989.

De acordo com o STF:


3.5 QUEIXA
―Decadência do direito de queixa. O prazo de
Assim como a denúncia é a peça que inicia a seis meses fixado nos arts. 105 do Código Penal e 38
ação penal pública, a queixa dá início à ação penal do Código de Processo Penal, é fatal e improrrogável e
privada. insuscetível de suspensão ou interrupção‖ (RHC 40643
Queixa-crime, ou simplesmente queixa, é a – Pleno – 13/05/64).
denominação dada pela lei à petição inicial da ação
penal privada intentada pelo ofendido ou seu
Por seu turno, o STJ também já firmou posição:
representante legal, tanto quando é ela exclusiva,
quando é subsidiária. ―O prazo para propositura da ação penal privada,
 O autor aqui é chamado ―querelante‖ e o réu ante seu caráter decadencial, não se suspende ou
―querelado‖. interrompe pela formulação de pedido de explicações
nos moldes dos art. 144 do Código Penal, em face da
Súmula 594 do STF: ausência de previsão legal a respeito (REsp 204291 –
Os direitos de queixa e de representação podem 6ª Turma – 17/08/2000).
ser exercidos, independentemente, pelo ofendido ou por
seu representante legal. 3.6 PERDÃO – ART. 51
Consiste na revogação do ato praticado pelo
3.5.1 Requisitos da Queixa querelante, que desiste do prosseguimento da ação
32 DIREITO PROCESSUAL PENAL
penal, desculpando o ofensor, somente sendo possível contra aquele que dela é conhecido, não importa em
na ação penal privada. Ao contrário da renúncia, o renúncia quanto aos demais.
perdão é um ato bilateral, não produzindo efeito se o ATENÇÃO:
querelado não o aceita.
Por tratar-se de ato unilateral, a renúncia não
O perdão pode ser processual ou necessita da aceitação por parte do autor do fato.
extraprocessual. É processual quando ocorre mediante
petição dirigida ao Juízo. É extraprocessual quando A renúncia nos crimes de ação penal privada não
concedida fora dos autos em declaração assinada por admite retratação, tendo em vista que extingue a
quem de direito. punibilidade, que não pode ser retratada.
O perdão pode ser expresso ou tácito. O perdão
expresso deve constar de declaração assinada pelo Para o STJ (HC 34764/SP – 5ª Turma – 16/12/2004):
próprio ofendido, por ser representante legal ou ―A impossibilidade da inclusão no pólo passivo
procurador com poderes especiais. O perdão tácito da demanda, em razão do desconhecimento por parte
ocorre quando o titular da ação privada pratica ato da querelante de outros envolvidos na conduta tida
incompatível com o direito de queixa. Ex.: como delituosa, afasta eventual ofensa ao princípio da
casamento do autor do crime com a vítima. indivisibilidade da ação penal (arts. 48 e 49 do CPP).
Como na renúncia, o perdão concedido a
qualquer dos querelados a todos aproveita. Concedido,
Diferença entre perdão e renúncia
porém, por um dos ofendidos, não prejudica o direito
dos outros. Perdão Renúncia
Concedido o perdão, mediante declaração somente é possível na ação pode ocorrer na ação
privada exclusiva; privada subsidiária, mas
expressa nos autos, o querelado é intimado a dizer,
não impede que o MP
dentro de três dias, se o aceita, devendo no mesmo ato ofereça denúncia;
ser cientificado que seu silencio resultará em aceitação
é ato bilateral, depende da é ato unilateral
tácita do perdão oferecido. Aceito o perdão, deve o aceitação do querelado;
juiz declarar extinta a punibilidade. Não aceito,
pode ser oferecido até o trânsito antecede à propositura
prossegue a ação em relação àquele que não aceitar.
em julgado da sentença; da ação penal;
ATENÇÃO: pode ser processual ou pré-processual
O perdão não poderá ser oferecido quando já extraprocessual, expresso ou
transitado em julgado a sentença penal condenatória, tácito;
uma vez que não há mais ação penal. o perdão concedido a um dos a renúncia de um dos
O STJ (HC 45417/SP – 6ª Turma – 17/08/2006) já querelados a todos aproveita; sucessores não extingue a
punibilidade do querelado;
manifestou-se:
―O perdão do ofendido, seja ele expresso ou
tácito, só é causa de extinção da punibilidade nos 3.8 DECADÊNCIA
crimes que se apuram exclusivamente por ação penal No processo penal decadência é a causa
privada‖. extintiva da punibilidade consistente na perda do direito
de ação privada ou de representação em decorrência de
não ter sido exercido no prazo previsto em lei.
DICA DE CONCURSO:
ATENÇÃO:
A queixa, ainda quando a ação penal for
privativa do ofendido, poderá ser aditada pelo O prazo de decadência é de seis meses, sendo
Ministério Público, a quem caberá intervir em todos os fatal e improrrogável, não se interrompendo pela
termos subsequentes do instauração do inquérito policial ou sua remessa ao
processo.(Anal.Jud.TJ/RJ/CESPE/2008) Poder Judiciário.

3.7 RENÚNCIA AO DIREITO DE QUEIXA 3.9 PEREMPÇÃO E DESISTÊNCIA


É a desistência do direito de ação por parte do Perempção é a perda do direito de prosseguir na
ofendido, podendo ser expressa ou tácita. A renúncia ação privada, ou seja, a penalidade aplicada ao
expressa deve constar de declaração assinada pelo querelante em decorrência de sua inércia ou
ofendido, por seu procurador legal com poderes negligência.
especiais. A renúncia é tácita quando o querelante DICA DE CONCURSO:
pratica ato incompatível com a vontade de exercer o Considera-se perempta a ação penal privada
direito de queixa, como, ocorre, por exemplo, no quando, iniciada esta, o querelante deixa de promover o
reatamento de amizade com o ofensor, a visita andamento do processo durante trinta dias seguidos.
amigável, a aceitação de convite para festa, etc. (OAB-SP/CESPE/2009 e rep. Anal.Jud.Exec.Mand.STF/
Em decorrência do princípio da indivisibilidade, a CESPE/2008)
renúncia ao exercício do direito de queixa em relação a
um dos autores do crime, a todos se estenderá,
CÓDIGO PROCESSO PENAL: COPLEMENTAR
obrigando-se o querelante a promover a queixa contra
todos co-autores do fato delituoso, não podendo excluir Art. 60. Nos casos em que somente se
procede mediante queixa, considerar-se-á perempta a
nenhum. ação penal:
É oportuno salientar que, se o autor da ação I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de
penal privada desconhece o co-autor ou partícipe do promover o andamento do processo durante 30 (trinta)
crime que a vitimou, o fato de promover a ação penal dias seguidos;
DIREITO PROCESSUAL PENAL 33
II - quando, falecendo o querelante, ou Ação penal secundária é aquela em que a lei
sobrevindo sua incapacidade, não comparecer em estabelece um titular ou uma modalidade de ação penal para
juízo, para prosseguir no processo, dentro do prazo de determinado crime, mas, mediante o surgimento de
60 (sessenta) dias, qualquer das pessoas a quem circunstâncias especiais, prevê, secundariamente, nova
couber fazê-lo, ressalvado o disposto no art. 36; espécie de ação para aquela mesma infração. (Anal.Jud.TRE-
III - quando o querelante deixar de comparecer, MA/CESPE/2009)
sem motivo justificado, a qualquer ato do processo a
que deva estar presente, ou deixar de formular o
pedido de condenação nas alegações finais; EXTINÇÃO DA AÇÃO PENAL
IV - quando, sendo o querelante pessoa Alguns Códigos usam a rubrica ―extinção da
jurídica, esta se extinguir sem deixar sucessor. ação penal‖ para designar a extinção da pretensão
Desistência ocorre quando a ação está em punitiva ou o direito subjetivo de punir.
curso, constituindo direito do querelante em face do O Código Penal brasileiro preceitua que
princípio da disponibilidade, que pode ser exercido de Art. 107. Extingue-se a punibilidade:
forma expressa, quando a manifestação se dá por IV - pela prescrição...
escrito, ou de forma tácita, quando o querelante der
(...)
causa à perempção.
Art. 109. A prescrição, antes de transitar em
Segundo o entendimento do STF, ―A desistência julgado a sentença final, salvo o disposto no §
da ação penal privada pode ocorrer a qualquer 1o do art. 110 deste Código, regula-se pelo
momento, somente surgindo óbice instransponível máximo da pena privativa de liberdade cominada
quando já existente decisão condenatória transitada em ao crime, verificando-se: (Redação dada pela Lei
julgado‖ (HC 83228/MG – Tribunal Pleno – 01/08/2005). nº 12.234, de 2010).
Portanto, o querelante (autor), poderá desistir da I - em vinte anos, se o máximo da pena é
ação penal privada, durante o processo, por meio da superior a doze;
perempção. II - em dezesseis anos, se o máximo da pena
é superior a oito anos e não excede a doze;
4. AÇÃO PENAL NOS CRIMES CONTRA A III - em doze anos, se o máximo da pena é
DIGNIDADE SEXUAL superior a quatro anos e não excede a oito;
IV - em oito anos, se o máximo da pena é
Para os crimes contra a dignidade sexual
praticados após o advento da Lei 12.015/2009, o V - em quatro anos, se o máximo da pena é
cenário é completamente distinto, pois não mais haverá igual a um ano ou, sendo superior, não excede a
dois;
ação penal privada. Com isso, nos termos da nova
redação do art. 225 do Código Penal: VI - em 3 (três) anos, se o máximo da pena é
inferior a 1 (um) ano. (Redação dada pela Lei nº
a) como regra geral, a ação penal será pública 12.234, de 2010).
condicionada a representação;
Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal
b) a ação penal será pública incondicionada se a Federal, a extinção de ação penal de forma prematura
vítima for menor de 18 anos; somente se dá em hipóteses excepcionais, quando
c) a ação penal será pública incondicionada se a patentemente demonstrada (a) a atipicidade da conduta;
vítima estiver em situação de vulnerabilidade, ou seja, (b) a ausência de indícios mínimos de autoria e
for menor de catorze anos ou alguém que, por materialidade delitivas; ou (c) a presença de causa
enfermidade ou deficiência mental, não tem o extintiva da punibilidade. (Informativo 702)
necessário discernimento para a prática do ato, ou que,
por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência.
DIAGRAMA DA CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES
d) será pública incondicionada quando ocorrer o
PENAIS (Nucci):
resultado morte ou lesão corporal grave ou gravíssima
(aplicação da Súmula 608 do STF).

5. PENAL SECUNDÁRIA
O prof. Norberto Avena descreve em linhas
magistrais: ―A legitimação secundária (ação penal
secundária) ocorre quando a lei, como regra geral,
estabelece um titular par ao ajuizamento da ação penal
visando à apuração de determinado crime, mas, em
decorrência do surgimento de circunstâncias especiais,
prevê, secundariamente, uma nova espécie de ação
para aquela mesma infração, modificando-se (v.g, a
ação penal de privada transforma-se em pública) ou
condicionando-se (v.g, a ação penal de pública
incondicionada transforma-se em pública condicionada)
a legitimidade para intentá-la.‖ (Processo Penal
Esquematizado – 1ª edição, página 200).
DICAS DE CONCURSOS:
Ação penal secundária ocorre quando a lei estabelece
um titular ou uma modalidade de ação penal para determinado
crime, mas mediante o surgimento de circunstâncias especiais,
prevê, secundariamente, uma nova espécie de ação penal para
aquela mesma infração. (Juiz de Direito-TJ-SE/CESPE/2008)
34 DIREITO PROCESSUAL PENAL
QUADRO SINÓTICO*: improcedentes as razões invocadas, fará remessa do
inquérito ou peças de informação ao procurador-geral, e
este oferecerá a denúncia, designará outro órgão do
Ministério Público para oferecê-la, ou insistirá no pedido
de arquivamento, ao qual só então estará o juiz
obrigado a atender.
Art. 29. Será admitida ação privada nos crimes
de ação pública, se esta não for intentada no prazo
legal, cabendo ao Ministério Público aditar a queixa,
repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva, intervir em
todos os termos do processo, fornecer elementos de
prova, interpor recurso e, a todo tempo, no caso de
negligência do querelante, retomar a ação como parte
principal.
Art. 30. Ao ofendido ou a quem tenha qualidade
para representá-lo caberá intentar a ação privada.
Art. 31. No caso de morte do ofendido ou
quando declarado ausente por decisão judicial, o direito
de oferecer queixa ou prosseguir na ação passará ao
cônjuge, ascendente, descendente ou irmão.
Art. 32. Nos crimes de ação privada, o juiz, a
requerimento da parte que comprovar a sua pobreza,
nomeará advogado para promover a ação penal.
o
§ 1 Considerar-se-á pobre a pessoa que não
puder prover às despesas do processo, sem privar-se
dos recursos indispensáveis ao próprio sustento ou da
família.
o
§ 2 Será prova suficiente de pobreza o atestado
*Fonte: Apostila de Processo Penal, Editora Degrau da autoridade policial em cuja circunscrição residir o
Cultural/2009. ofendido.
Art. 33. Se o ofendido for menor de 18 (dezoito)
anos, ou mentalmente enfermo, ou retardado mental, e
LEGISLAÇÃO APLICÁVEL
não tiver representante legal, ou colidirem os interesses
1. CÓDIGO DE PROCESSO PENAL –DECRETO-LEI deste com os daquele, o direito de queixa poderá ser
Nº 3.689, DE 03.10.41 exercido por curador especial, nomeado, de ofício ou a
TÍTULO III requerimento do Ministério Público, pelo juiz competente
DA AÇÃO PENAL para o processo penal.
Art. 24. Nos crimes de ação pública, esta será Art. 34. Se o ofendido for menor de 21 (vinte e
promovida por denúncia do Ministério Público, mas um) e maior de 18 (dezoito) anos, o direito de queixa
dependerá, quando a lei o exigir, de requisição do poderá ser exercido por ele ou por seu representante
Ministro da Justiça, ou de representação do ofendido ou legal.
de quem tiver qualidade para representá-lo. Art. 35. (Revogado pela Lei nº 9.520, de
o
§ 1 No caso de morte do ofendido ou quando 27.11.1997)
declarado ausente por decisão judicial, o direito de Art. 36. Se comparecer mais de uma pessoa
representação passará ao cônjuge, ascendente, com direito de queixa, terá preferência o cônjuge, e, em
descendente ou irmão. (Parágrafo único renumerado seguida, o parente mais próximo na ordem de
pela Lei nº 8.699, de 27.8.1993) enumeração constante do art. 31, podendo, entretanto,
o
§ 2 Seja qual for o crime, quando praticado em qualquer delas prosseguir na ação, caso o querelante
detrimento do patrimônio ou interesse da União, Estado desista da instância ou a abandone.
e Município, a ação penal será pública. (Incluído pela Art. 37. As fundações, associações ou
Lei nº 8.699, de 27.8.1993) sociedades legalmente constituídas poderão exercer a
Art. 25. A representação será irretratável, depois ação penal, devendo ser representadas por quem os
de oferecida a denúncia. respectivos contratos ou estatutos designarem ou, no
silêncio destes, pelos seus diretores ou sócios-gerentes.
Art. 26. A ação penal, nas contravenções, será
iniciada com o auto de prisão em flagrante ou por meio Art. 38. Salvo disposição em contrário, o
de portaria expedida pela autoridade judiciária ou ofendido, ou seu representante legal, decairá no direito
policial. de queixa ou de representação, se não o exercer dentro
do prazo de seis meses, contado do dia em que vier a
Art. 27. Qualquer pessoa do povo poderá
saber quem é o autor do crime, ou, no caso do art. 29,
provocar a iniciativa do Ministério Público, nos casos em
do dia em que se esgotar o prazo para o oferecimento
que caiba a ação pública, fornecendo-lhe, por escrito,
da denúncia.
informações sobre o fato e a autoria e indicando o
tempo, o lugar e os elementos de convicção. Parágrafo único. Verificar-se-á a decadência do
direito de queixa ou representação, dentro do mesmo
Art. 28. Se o órgão do Ministério Público, ao
prazo, nos casos dos arts. 24, parágrafo único, e 31.
invés de apresentar a denúncia, requerer o
arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer Art. 39. O direito de representação poderá ser
peças de informação, o juiz, no caso de considerar exercido, pessoalmente ou por procurador com poderes
DIREITO PROCESSUAL PENAL 35
especiais, mediante declaração, escrita ou oral, feita ao Art. 47. Se o Ministério Público julgar
juiz, ao órgão do Ministério Público, ou à autoridade necessários maiores esclarecimentos e documentos
policial. complementares ou novos elementos de convicção,
o deverá requisitá-los, diretamente, de quaisquer
§ 1 A representação feita oralmente ou por
escrito, sem assinatura devidamente autenticada do autoridades ou funcionários que devam ou possam
ofendido, de seu representante legal ou procurador, fornecê-los.
será reduzida a termo, perante o juiz ou autoridade Art. 48. A queixa contra qualquer dos autores do
policial, presente o órgão do Ministério Público, quando crime obrigará ao processo de todos, e o Ministério
a este houver sido dirigida. Público velará pela sua indivisibilidade.
o
§2 A representação conterá todas as Art. 49. A renúncia ao exercício do direito de
informações que possam servir à apuração do fato e da queixa, em relação a um dos autores do crime, a todos
autoria. se estenderá.
o
§3 Oferecida ou reduzida a termo a Art. 50. A renúncia expressa constará de
representação, a autoridade policial procederá a declaração assinada pelo ofendido, por seu
inquérito, ou, não sendo competente, remetê-lo-á à representante legal ou procurador com poderes
autoridade que o for. especiais.
o
§ 4 A representação, quando feita ao juiz ou Parágrafo único. A renúncia do representante
perante este reduzida a termo, será remetida à legal do menor que houver completado 18 (dezoito)
autoridade policial para que esta proceda a inquérito. anos não privará este do direito de queixa, nem a
o renúncia do último excluirá o direito do primeiro.
§ 5 O órgão do Ministério Público dispensará o
inquérito, se com a representação forem oferecidos Art. 51. O perdão concedido a um dos
elementos que o habilitem a promover a ação penal, e, querelados aproveitará a todos, sem que produza,
neste caso, oferecerá a denúncia no prazo de quinze todavia, efeito em relação ao que o recusar.
dias. Art. 52. Se o querelante for menor de 21 e maior
Art. 40. Quando, em autos ou papéis de que de 18 anos, o direito de perdão poderá ser exercido por
conhecerem, os juízes ou tribunais verificarem a ele ou por seu representante legal, mas o perdão
existência de crime de ação pública, remeterão ao concedido por um, havendo oposição do outro, não
Ministério Público as cópias e os documentos produzirá efeito.
necessários ao oferecimento da denúncia. Art. 53. Se o querelado for mentalmente enfermo
Art. 41. A denúncia ou queixa conterá a ou retardado mental e não tiver representante legal, ou
exposição do fato criminoso, com todas as suas colidirem os interesses deste com os do querelado, a
circunstâncias, a qualificação do acusado ou aceitação do perdão caberá ao curador que o juiz Ihe
esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a nomear.
classificação do crime e, quando necessário, o rol das Art. 54. Se o querelado for menor de 21 anos,
testemunhas. observar-se-á, quanto à aceitação do perdão, o disposto
Art. 42. O Ministério Público não poderá desistir no art. 52.
da ação penal. (Princípio da Indisponibilidade). Art. 55. O perdão poderá ser aceito por
Art. 43. (Revogado pela Lei nº 11.719, de 2008). procurador com poderes especiais.
Art. 44. A queixa poderá ser dada por procurador Art. 56. Aplicar-se-á ao perdão extraprocessual
com poderes especiais, devendo constar do instrumento expresso o disposto no art. 50.
do mandato o nome do querelante e a menção do fato Art. 57. A renúncia tácita e o perdão tácito
criminoso, salvo quando tais esclarecimentos admitirão todos os meios de prova.
dependerem de diligências que devem ser previamente
Art. 58. Concedido o perdão, mediante
requeridas no juízo criminal.
declaração expressa nos autos, o querelado será
Art. 45. A queixa, ainda quando a ação penal for intimado a dizer, dentro de três dias, se o aceita,
privativa do ofendido, poderá ser aditada pelo Ministério devendo, ao mesmo tempo, ser cientificado de que o
Público, a quem caberá intervir em todos os termos seu silêncio importará aceitação.
subsequentes do processo.
Parágrafo único. Aceito o perdão, o juiz julgará
Art. 46. O prazo para oferecimento da denúncia, extinta a punibilidade.
estando o réu preso, será de 5 dias, contado da data em
Art. 59. A aceitação do perdão fora do processo
que o órgão do Ministério Público receber os autos do
constará de declaração assinada pelo querelado, por
inquérito policial, e de 15 dias, se o réu estiver solto ou
seu representante legal ou procurador com poderes
afiançado. No último caso, se houver devolução do
especiais.
inquérito à autoridade policial (art. 16), contar-se-á o
prazo da data em que o órgão do Ministério Público Art. 60. Nos casos em que somente se procede
receber novamente os autos. mediante queixa, considerar-se-á perempta a ação
o penal:
§ 1 Quando o Ministério Público dispensar o
inquérito policial, o prazo para o oferecimento da I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de
denúncia contar-se-á da data em que tiver recebido as promover o andamento do processo durante 30 dias
peças de informações ou a representação. seguidos;
o
§ 2 O prazo para o aditamento da queixa será II - quando, falecendo o querelante, ou
de 3 dias, contado da data em que o órgão do Ministério sobrevindo sua incapacidade, não comparecer em juízo,
Público receber os autos, e, se este não se pronunciar para prosseguir no processo, dentro do prazo de 60
dentro do tríduo, entender-se-á que não tem o que (sessenta) dias, qualquer das pessoas a quem couber
aditar, prosseguindo-se nos demais termos do fazê-lo, ressalvado o disposto no art. 36;
processo.
36 DIREITO PROCESSUAL PENAL
III - quando o querelante deixar de comparecer, entre duas ou mais figuras típicas. O crime de roubo, por
sem motivo justificado, a qualquer ato do processo a exemplo, previsto no art. 157, caput do Código Penal,
que deva estar presente, ou deixar de formular o pedido constitui uma fusão entre os delitos de furto e ameaça/lesão
de condenação nas alegações finais; corporal. No caso do latrocínio, tem-se que essa infração penal
IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica, combina elementos dos crimes roubo (art. 157, § 3º) e
esta se extinguir sem deixar sucessor. homicídio (art. 121). A consumação do crime complexo
ocorre “quando o agente preenche o tipo penal levando a
Art. 61. Em qualquer fase do processo, o juiz, se
efeito condutas que, unidas, formam a unidade complexa”.
reconhecer extinta a punibilidade, deverá declará-lo de
ofício. Irretratabilidade da representação
Parágrafo único. No caso de requerimento do Art. 102 - A representação será irretratável depois
Ministério Público, do querelante ou do réu, o juiz de oferecida a denúncia. (Redação dada pela Lei nº
mandará autuá-lo em apartado, ouvirá a parte contrária 7.209, de 11.7.1984)
e, se o julgar conveniente, concederá o prazo de cinco Decadência do direito de queixa ou de
dias para a prova, proferindo a decisão dentro de cinco representação
dias ou reservando-se para apreciar a matéria na Art. 103 - Salvo disposição expressa em contrário,
sentença final. o ofendido decai do direito de queixa ou de
Art. 62. No caso de morte do acusado, o juiz representação se não o exerce dentro do prazo de 6
somente à vista da certidão de óbito, e depois de ouvido (seis) meses, contado do dia em que veio a saber quem
o Ministério Público, declarará extinta a punibilidade. é o autor do crime, ou, no caso do § 3º do art. 100 deste
Código, do dia em que se esgota o prazo para
2. CÓDIGO PENAL: oferecimento da denúncia. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
TÍTULO VII
Renúncia expressa ou tácita do direito de queixa
DA AÇÃO PENAL
Art. 104 - O direito de queixa não pode ser
Ação pública e de iniciativa privada
exercido quando renunciado expressa ou tacitamente.
Art. 100 - A ação penal é pública, salvo quando a (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
lei expressamente a declara privativa do ofendido.
Parágrafo único - Importa renúncia tácita ao direito
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
de queixa a prática de ato incompatível com a vontade
§ 1º - A ação pública é promovida pelo Ministério de exercê-lo; não a implica, todavia, o fato de receber o
Público, dependendo, quando a lei o exige, de ofendido a indenização do dano causado pelo crime.
representação do ofendido ou de requisição do Ministro (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
da Justiça. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
Perdão do ofendido
11.7.1984)
Art. 105 - O perdão do ofendido, nos crimes em
§ 2º - A ação de iniciativa privada é promovida
que somente se procede mediante queixa, obsta ao
mediante queixa do ofendido ou de quem tenha
prosseguimento da ação. (Redação dada pela Lei nº
qualidade para representá-lo. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
7.209, de 11.7.1984)
Art. 106 - O perdão, no processo ou fora dele,
§ 3º - A ação de iniciativa privada pode intentar-se
expresso ou tácito: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
nos crimes de ação pública, se o Ministério Público não
11.7.1984)
oferece denúncia no prazo legal. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984) I - se concedido a qualquer dos querelados, a
todos aproveita; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
§ 4º - No caso de morte do ofendido ou de ter sido
11.7.1984)
declarado ausente por decisão judicial, o direito de
oferecer queixa ou de prosseguir na ação passa ao II - se concedido por um dos ofendidos, não
cônjuge, ascendente, descendente ou irmão. (Redação prejudica o direito dos outros; (Redação dada pela Lei
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) nº 7.209, de 11.7.1984)
A ação penal no crime complexo III - se o querelado o recusa, não produz
efeito. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 101 - Quando a lei considera como elemento
ou circunstâncias do tipo legal fatos que, por si mesmos, § 1º - Perdão tácito é o que resulta da prática de
constituem crimes, cabe ação pública em relação ato incompatível com a vontade de prosseguir na ação.
àquele, desde que, em relação a qualquer destes, se (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
deva proceder por iniciativa do Ministério Público. § 2º - Não é admissível o perdão depois que
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) passa em julgado a sentença condenatória. (Redação
O crime complexo é aquele que agrega, em seus dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
elementos constitutivos ou circunstâncias, fatos que,
isoladamente considerados, por si só, já são crimes. DICAS DE CONCURSOS
A norma quer dar a entender que só se processará
Quando a ação penal pública for condicionada à
mediante ação penal pública o crime que, contendo elementos
representação do ofendido, o exercício desta pelo
típicos de crimes de ação penal privada, tenha também outros
ofendido ou por quem tenha qualidade para
advindos de delitos que se processam mediante ação penal
representá-lo não torna obrigatório o oferecimento
pública. A contrario sensu, se todos os elementos fossem
de denúncia pelo Ministério Público. (Tec.Jud.TJ-
correlatos apenas aos delitos de ação penal privada, o
PE/FCC/2007)
Ministério Público não poderia ajuizar a ação penal pública.
O latrocínio é doutrinariamente classificado como A ação penal privada subsidiária pode ser ajuizada
sendo um crime complexo. Diz-se complexo o crime quando pelo ofendido ou por quem tenha qualidade para
um determinado tipo penal é o resultado de uma fusão operada representá-lo se esta não for intentada pelo
DIREITO PROCESSUAL PENAL 37
Ministério Público no prazo legal. (Ofic.Just.TJ- a) A queixa, quando a ação penal for privativa do
PE/FCC/2007) ofendido, não poderá ser aditada pelo MP, que em
Na ação penal pública condicionada, a representação tal situação atua apenas como fiscal da lei.
será irretratável depois de oferecida a denúncia. b) O perdão concedido a um dos querelados aproveitará
(Adv.METRO/SP/FCC/2008, Idem Adv.Traine a todos, não havendo possibilidade de recusa, pois
METRO/SP-FCC/2008) se trata de ato unilateral.
Quando a lei o exigir, dependerão de requisição do c) O perdão judicial somente pode ser expresso, não
Ministro da Justiça os crimes de ação pública. admitindo, o Código de Processo Penal (CPP), o
(Ag.Penit.SEJUS-RO/FUNRIO/2008) perdão tácito.
As fundações, associações ou sociedades legalmente d) A queixa contra qualquer dos autores do crime
constituídas poderão exercer a ação penal privada. obrigará ao processo de todos, e o MP velará pela
(Proc.TCE-AL/FCC/2008) sua indivisibilidade.
Nos casos de exclusiva ação penal privada, o
querelante poderá preferir o foro de domicílio ou de 03. (OAB/SP/CESPE/2009) Assinale a opção correta de
residência do réu, ainda quando conhecido o lugar acordo com o que dispõe o CPP acerca da
da infração. (Juiz Sub.TJ-RR/FCC/2008) perempção.
Quando a ação penal for privativa do ofendido, a a) Na ação penal pública, a perempção é causa extintiva
queixa poderá ser dada por procurador com poderes da punibilidade.
especiais. (Anal.Jud.TRF 5ª R/FCC/2008)
b) A perempção se aplica à ação penal privada
Qualquer que seja o crime, se for praticado em subsidiária da pública.
detrimento do patrimônio ou interesse da União, dos
c) Considera-se perempta a ação penal privada quando,
estados e(ou) dos municípios, a ação penal será
iniciada esta, o querelante deixa de promover o
sempre pública. (Anal.Jud.Exec.Mand.TJ/DF/CESPE
andamento do processo durante trinta dias seguidos.
/2008)
d) A ausência de pedido de condenação, nas alegações
Considera-se perempta a ação penal, nos casos em
finais, por parte do querelante, não enseja a
que se procede somente mediante queixa, quando o
perempção.
querelante deixar de formular o pedido de
condenação nas alegações finais.
(Ana.Fin.Cont.CGU/2008) 04. (Anal.Jud.Exec.Mand/STF/CESPE/2008) Acerca das
O prazo para o aditamento da queixa será de 3 dias, ações penais, julgue os itens que se seguem.
contado da data em que o órgão do Ministério [133] Nas ações penais privadas, considerar-se-á
Público receber os autos, e, se este não se perempta a ação penal quando, iniciada esta, o
pronunciar dentro do tríduo, entender-se-á que não querelante deixar de promover o andamento do
tem o que aditar, prosseguindo-se nos demais processo durante 30 dias seguidos.
termos do processo. (Anal.Jud.TRF 3ª R/FCC/2007) [134] Nas ações penais privadas, a renúncia ao
Quando a ação penal pública for condicionada à exercício do direito de queixa em relação a um dos
representação do ofendido, o exercício desta pelo autores do crime aproveitará a todos, sem que
ofendido ou por quem tenha qualidade para produza, todavia, efeito em relação ao que o
representá-lo não torna obrigatório o oferecimento recusar.
de denúncia pelo Ministério Público. (Tec.Jud.TJ- [135] Nas ações penais públicas condicionadas à
PE/FCC/2007) representação, será esta irretratável, depois de
oferecida a denúncia.
EXERCÍCIOS – AÇÃO PENAL
01. (Anal.Jud.TRE/GO/CESPE/2009) Acerca da ação 05. (Juiz Su.TJ-SE/CESPE/2008) Assinale a opção
penal pública, assinale a opção correta. correta quanto à ação penal.
a) Quando o ofendido for declarado ausente por decisão a) Ação penal secundária ocorre quando a lei
judicial, haverá caducidade do direito de estabelece um titular ou uma modalidade de ação
representação. penal para determinado crime, mas mediante o
surgimento de circunstâncias especiais, prevê,
b) Seja qual for o crime, quando praticado em secundariamente, uma nova espécie de ação penal
detrimento do patrimônio ou interesse da União, para aquela mesma infração.
estado ou município, a ação penal será pública.
b) O princípio da suficiência da ação penal relaciona-se
c) Depois de iniciado o inquérito policial, a com as questões prejudiciais heterogêneas, em que
representação, no caso de ação penal pública a ela a ação penal é suficiente para resolver a questão
condicionada, será irretratável. prejudicial ligada ao estado de pessoas, sendo
d) Se o órgão do MP, em vez de apresentar a denúncia, desnecessário aguardar a solução no âmbito cível.
requerer o arquivamento do inquérito policial ou de c) Nos crimes de ação penal pública condicionada, a
quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de requisição do ministro da Justiça admite retratação,
considerar improcedentes as razões invocadas, desde que esta ocorra antes do oferecimento da
remeterá os autos a outro promotor, para que esse denúncia, e o direito à requisição deve ser exercido
ofereça a denúncia. no prazo de seis meses.
d) O prazo de seis meses para mover a ação penal
02. (Anal.Jud.TRE/GO/CESPE/2009) Com relação à privada é prescricional e se inicia da data em que
ação penal privada, assinale a opção correta. ocorreu o fato.
e) Ação penal privada subsidiária da pública é a única
exceção à regra da titularidade exclusiva do
38 DIREITO PROCESSUAL PENAL
Ministério Público sobre a ação penal pública, e tem 3) e, recebida a peça de acusação, o ofendido vier a
cabimento tanto no caso de inércia da acusação conceder perdão a Firmino, o juiz não deverá
quanto no pedido de arquivamento. extinguir a ação penal, se Firmino recusar o perdão.
4) se, intimado para apresentar alegações finais, o
06. (Anal.Jud.TJ-RJ/CESPE/2008) Quanto à ação penal, acusador deixar de apresentá-las, estará perempta a
assinale a opção correta. ação penal instaurada e Firmino não poderá receber
sentença penal condenatória.
a) Salvo disposição em contrário, em caso de ação
penal pública condicionada à representação, o 5) por tratar-se de ação penal privada, mesmo se
direito de representação prescreve, para o ofendido, condenado, Firmino não estará sujeito à ação de
se ele não o exercer dentro do prazo de seis meses, execução civil para reparação do dano causado por
contado do dia em que o crime foi praticado. seu crime.
b) A representação é ato formal, exigindo a lei forma
especial, isto é, deve ser feita por procurador 09. (Anal.Jud.TSE/CESPE/2007) Fernando Capez
especial, em documento em que conste o crime, o sustenta que o fundamento da ação penal privada é
nome do autor do fato e da vítima, além da evitar que o escândalo do processo provoque ao
assinatura do representante e do advogado ofendido mal maior que a impunidade do criminoso,
legalmente habilitado. decorrente da não propositura da ação penal. A
c) Nos crimes sujeitos à ação penal pública diferença básica entre a ação penal pública e a ação
incondicionada, se o Ministério Público não oferecer penal privada seria apenas a legitimidade de agir;
a denúncia no prazo legal ou se requerer o nesta última, extraordinariamente atribuída à vítima
arquivamento do inquérito policial e o juiz não apenas devida a razões de política criminal - em
concordar com o pedido, será admitida ação penal ambos os casos, todavia, o Estado retém consigo a
privada. titularidade do direito de punir. Rafael Lopes do
Amaral. A ação penal privada e os institutos da lei
d) A queixa, ainda quando a ação penal for privativa do
dos juizados especiais criminais. In: Jus Navigandi.
ofendido, poderá ser aditada pelo Ministério Público,
Teresina, ano 9, n.º 765, ago./2005 (com
a quem caberá intervir em todos os termos
adaptações). Acerca da ação penal privada, assinale
subsequentes do processo.
a opção correta.
e) Ainda que a representação contenha elementos que
a) Quando o Ministério Público pede arquivamento da
habilitem o Ministério Público a promover a ação
representação, descabe o ajuizamento de ação
penal, não poderá o promotor oferecer denúncia
penal privada, subsidiária da ação penal pública, já
imediatamente, devendo remeter a representação à
que não houve omissão do Ministério Público.
autoridade policial para que esta proceda ao
inquérito. b) Em crimes contra a honra praticados contra
funcionário público propter officium, não se admite a
legitimidade concorrente do ofendido para promover
07. (Prom.Justiça/MPE/AM/CESPE/2007) A respeito de ação penal privada. Nesses casos, a ação deve ser
denúncia, assinale a opção correta. pública condicionada à representação.
a) Denúncia alternativa é aquela que omite a descrição c) O perdão do ofendido, seja expresso ou tácito, é
de comportamento típico e sua atribuição a cada causa de extinção da punibilidade nos crimes que se
autor individualizado. apuram exclusivamente por ação penal privada e
b) Se o promotor denuncia o autor de crime de naqueles em que há ação penal pública
homicídio por crime qualificado por motivo fútil ou incondicionada.
torpe, trata-se de denúncia genérica. d) O benefício do sursis processual, previsto na Lei n.º
c) O acórdão que provê recurso contra rejeição da 9.099/1995, não permite a aplicação da analogia in
denúncia vale, desde logo, por seu recebimento, se bonam partem, prevista no Código de Processo
não for nula a decisão de primeiro grau. Penal, razão pela qual não é cabível nos casos de
d) É inepta a denúncia que, nos crimes societários, não crimes de ação penal privada.
descreve e individualiza a conduta de cada um dos
sócios. 10. (Anal.Tec.Adm.DPU/CESPE/2010) No tocante às
e) Rejeitada a denúncia por falta de condição da ação, condições da ação penal, assinale a opção correta.
fica obstado posterior exercício da ação penal, em a) As chamadas condições de procedibilidade, para a
face da coisa julgada material. doutrina, constituem situações específicas a serem
atendidas antes da propositura de todas as ações
08. (Consltuor Leg.SF/CESPE/2002) Firmino foi penais públicas condicionadas.
acusado, em juízo, pelo cometimento de um crime b) O interesse de agir, como condição da ação penal,
sujeito, exclusivamente, a ação penal privada. Nesse está sempre presente em todas as infrações penais,
caso, uma vez que somente o Estado é o titular da
1) a peça de acusação, seguramente, foi uma queixa. persecução penal em juízo. Desse modo, sempre
2) e o crime cometido por Firmino contou com a co- que ocorrer um crime, haverá interesse de agir do
autoria de Mário, e o acusador renunciou, Estado na persecução penal, obrigando-o, em
expressamente, ao seu direito de formalizar a qualquer hipótese, a propor a ação penal em face do
acusação contra Mário, essa renúncia abrangerá agressor.
Firmino e a peça de acusação não deverá ser c) No sistema jurídico brasileiro, a legitimidade ativa
recebida. para persecução penal em juízo, como condição da
ação penal, encontra-se somente nas mãos do MP,
por expresso dispositivo constitucional.
DIREITO PROCESSUAL PENAL 39
d) A possibilidade jurídica do pedido diz respeito à 1. Princípio da inafastabilidade de jurisdição
previsão legal do tipo e da sanção a ser aplicada ao Esse princípio basilar de nosso ordenamento
réu e requerida pelo autor da ação penal, sob pena veda qualquer tentativa, ainda que por meio de lei, de se
de ofensa ao princípio da legalidade estabelecido na dificultar ou de excluir o acesso dos particulares ao
Constituição Federal de 1988. O juiz julgará Poder Judiciário na busca de tutela a direitos que
improcedente o pedido constante na ação penal, entendam estarem sofrendo ou ameaçados de sofrer
caso o fato narrado não se ajuste ao tipo descrito lesão.
pelo autor.
Por força desse princípio, no Brasil, somente o
e) A justa causa, que constitui condição da ação penal, Poder Judiciário tem jurisdição, ou seja, somente ele
é prevista de forma expressa no Código de Processo pode fazer a coisa julgada, dizendo, em caráter
Penal (CPP) e consubstancia-se no lastro probatório definitivo e imutável, o direito aplicável a determinado
mínimo e firme, indicativo da autoria e da caso concreto.
materialidade da infração penal.
2. Princípio da investidura
Gabarito: 01/B; 02/D; 03/C; 04/CEC; 05/A; 06/D; 07/C;
A jurisdição só pode ser exercida por quem tenha
08/CCCCE; 09/A; 10/E
sido legalmente investido no cargo e esteja em
exercício. A falta de jurisdição importa nulidade do
JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA processo e da sentença e dá lugar ao excesso de poder
jurisdicional. A usurpação de função pública, como a
JURISDIÇÃO jurisdicional, é crime - art. 328,CP.
CONCEITO
Significando o poder, a função e a atividade 3. Princípio do juiz natural
estatal exercida com exclusividade pelo Poder Este princípio diz que o autor do ilícito só pode
Judiciário, consistente na aplicação de normas da ser processado e julgado perante o órgão a que a CF,
ordem jurídica a um caso concreto, com a consequente implícita ou explicitamente, atribui a competência para o
solução do litígio. julgamento.
Como Poder: emanação da soberania nacional De acordo com a CF "ninguém será processado
Como Função: incumbência afeta ao juiz. nem sentenciado senão pela autoridade competente
Como Atividade: é toda diligência do Juiz, dentro (art. 5° LID). Assim, prevê ela quais são os órgãos
do processo, visando dar a cada um o que é seu, jurisdicionais, federais ou estaduais, comuns ou
objetivando fazer justiça. especiais, competentes para a apreciação das ações
inclusive penais (art., 92 a 126). Daí decorre a vedação '
de juízos ou tribunais de exceção (art. 5°, XXXVII, CF).
ELEMENTOS
A Jurisdição caracteriza-se pelos seguintes
6 4. Princípio do devido processo legal (nulla poena
elementos :
sine judiclo)
- finalidade de realizar o Direito;
Quando a Constituição assegurou a prestação
- inércia, ou seja, o juiz em regra deve aguardar jurisdicional pelo Estado, também assegurou o princípio
a provocação da parte; do devido processo legal. Para que o socorro
- presença de lide, ou seja, presença de conflito jurisdicional seja efetivo é preciso que o órgão
de interesse; jurisdicional observe um processo que assegure o
- produção de coisa julgada, ou seja, respeito aos direitos fundamentais, o devido processo
definitividade da solução dada. legal.
Art. 5°, inciso LIV, da CF "ninguém será privado
ELEMENTOS QUE ENTREGAM A JURISDIÇÃO da liberdade ou de seus bens sem devido
processo legar.”
a) Notio ou cognitio (conhecimento) - poder
atribuído aos órgãos jurisdicionais de conhecer 40s
litígios, 5. Princípio da indeclinabilidade
b) Vocatio (chamamento) - poder de fazer Consagrando expressamente o princípio da
comparecer em juízo todo aquele cuja presença é indeclinabilidade (ou da inafastabilidade, também
necessária ao regular desenvolvimento do processo, chamado de princípio do controle jurisdicional por
c) Coertio - poder de aplicar medidas de coação Cintra, Grinover e Dinamarco), dispõe o artigo 5°, inciso
processual para garantir a função jurisdicional, como XXXV, da Constituição Federal que "a lei não excluirá
fazer comparecer testemunhas, decretar a prisão da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a
preventiva, etc, direito".
Desta forma, a Lei Maior garante o acesso ao
d) Juditium (julgamento) - é a função conclusiva
Poder Judiciário a todos aqueles que tiverem seu direito
da jurisdição.
violado ou ameaçado, não sendo possível o Estado-Juiz
e) Executio (execução) - consiste no eximir-se de prover a tutela jurisdicional àqueles que o
cumprimento da sentença, tornando-a obrigatória. procurem para pedir uma solução baseada em uma
pretensão amparada pelo direito.
PRINCÍPIOS Em suma, apregoa o princípio da
indeclinabilidade que o juiz não pode subtrair-se da
função jurisdicional, sendo que, mesmo havendo lacuna
6
FUHRER, Maxiliannus. Resumo de Processo Civil, 1995, p. ou obscuridade na lei, deverá proferir decisão (art. 126,
45). CPC).
40 DIREITO PROCESSUAL PENAL
Art. 126.(CPC). O juiz não se exime de terceiro grau, inclusive, for parte ou diretamente
sentenciar ou despachar alegando lacuna ou interessado no feito.
obscuridade da lei. No julgamento da lide caber-
lhe-á aplicar as normas legais; não as havendo,
recorrerá à analogia, aos costumes e aos princípios DICAS DE CONCURSOS:
gerais de direito. (Redação dada pela Lei nº 5.925,
de 1º.10.1973). O juiz poderá exercer jurisdição no processo
criminal em que tiver funcionado seu amigo íntimo como
defensor do acusado. (Anal.Jud.TJ-RL/FCC/2008)
6. Princípio da indelegabilidade
Nenhum juiz pode subtrair-se ao exercício de sua
O juiz não pode delegar sua jurisdição a outro função jurisdicional porque a lei não excluirá da
órgão, exceto nos casos permitidos, como nas cartas de
apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a
ordem, art.9°, §. 1°, Lei 8.038/90.
direito. Essas situações dizem respeito,
respectivamente, aos princípios da relatividade e
7. Princípio da correlação (congruência ou indeclinabilidade. (Anal.Jud.TRE-RN/FCC/2005)
relatividade)
Estabelece o princípio da correlação que há
necessidade imperiosa da correspondência entre a DA COMPETÊNCIA
condenação e a imputação, ou seja, o fato descrito na INTRODUÇÃO
peça inaugural de um processo – queixa ou denúncia – O instituto jurídico da competência surge, através
deve guardar estrita relação com o fato constante na da demarcação da jurisdição Estatal, como sendo a
sentença pelo qual o réu é condenado. parte da jurisdição a que cabe cada órgão, mais
O princípio da correlação, também chamado de especificamente, como sendo o âmbito no qual
princípio da relatividade ou da congruência da magistrado pode exercer a jurisdição.
condenação com a imputação ou ainda da Embora seja una a jurisdição (atividade do juiz
correspondência entre o objeto da ação e o objeto da quando aplica o direito), pela soberania estatal que a
sentença, [32] representa uma das mais relevantes consagra, inconcebível seria a existência de um único
garantias do direito de defesa, pois assegura ao réu a juízo incumbido de atuar em todo o Estado.
certeza de que não poderá ser condenado sem que
tenha tido oportunidade de, previa e Em razão da vastidão do território, a dimensão
pormenorizadamente, ter ciência dos fatos criminosos populacional e o consequente número gigantesco de
que lhe são imputados, podendo, assim, defender-se controvérsias presentes nas sociedades modernas, das
amplamente da acusação. mais simples as mais complexas, é imprescindível não
só a criação de numerosos órgãos jurisdicionais, como
Este princípio assegura a correspondência entre
a sentença e o pedido. também a correlata limitação do poder jurisdicional
destes órgãos. Neste contexto, todos exerceriam a
função jurisdicional, dentro, porém, de restrições
8. Princípio da improrrogabilidade (aderência) delineadas em lei. Assim sendo, o autor conceitua
Como um juiz não pode invadir a jurisdição competência como ―medida de jurisdição‖, mais
alheia, também não pode o crime de competência de precisamente como ―porção do Poder Jurisdicional que
um juiz ser julgado por outro, mesmo que haja cada órgão pode exercer‖ (TOURINHO FILHO, 1989,
concordância das partes. O que pode ocorrer, por p.64).
vezes, é a prorrogação da competência" (arts.73; 74,2°; É através da competência que se alcança o
76-83; 85, 108; 424, do CPP). Por tal princípio as partes efetivo funcionamento dos órgãos jurisdicionais dentro
estão sujeitas ao juiz" que o Estado lhes deu e que não de uma determinada limitação, sempre imposta pela
pode ser: recusado, a não ser nos casos de suspeição, norma legal, tendo em vista que apenas a lei tem o
impedimento e incompetência. poder de designar as competências dos vários órgãos
ATENÇÃO 1! jurisdicionais, isto é, somente através da lei é possível
estabelecer as limitações do exercício de cada um
Esses princípios são imprescindíveis à
destes órgãos.
regularidade processual, sob pena de NULIDADE.
A competência é delimitada, inexoravelmente, por
intermédio do direito positivo, principalmente no que
ATENÇÃO 2!! tange à competência no âmbito penal, tendo em vista a
CPP, ART. 252 ultima ratio do direito penal.
O juiz não poderá exercer jurisdição no processo
em que: CONCEITO
I - tiver funcionado seu cônjuge ou parente, Portanto, a competência nada mais é do que a
consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral até o função de exercer a jurisdição nos limites legalmente
terceiro grau, inclusive, como defensor ou advogado, predeterminados.
órgão do Ministério Público, autoridade policial, auxiliar De acordo com a dicção de Vicente Greco Filho,
da justiça ou perito; a competência é ―o poder de fazer atuar a jurisdição que
II - ele próprio houver desempenhado qualquer tem um órgão jurisdicional diante de um caso concreto.
dessas funções ou servido como testemunha; Decorre esse poder de uma delimitação prévia,
III - tiver funcionado como juiz de outra instância, constitucional e legal, estabelecida segundo critérios de
pronunciando-se, de fato ou de direito, sobre a questão; especialização da justiça, distribuição territorial e divisão
de serviço. A exigência dessa distribuição decorre da
IV - ele próprio ou seu cônjuge ou parente,
evidente impossibilidade de um juiz único decidir toda a
consanguíneo ou afim em linha reta ou colateral até o
massa de lides existente no universo e, também, da
DIREITO PROCESSUAL PENAL 41
necessidade de que as lides sejam decididas pelo órgão Assim, estabelece o CPP em seu art. 69 que a
jurisdicional adequado, mais apto a melhor resolvê-las.‖ competência jurisdicional será determinada:
Competência é a medida da jurisdição, é a I - pelo lugar da infração:
quantidade de jurisdição cujo exercício é atribuído por Ratione II – pelo domicílio ou relativa
lei a um órgão ou grupo de órgãos. loci residência do réu;
É, portanto, uma verdade medida da extensão do
poder de julgar. (Fernando Capez).
Ratione III – pela natureza da absoluta
materiae infração;
FIXAÇÃO DA COMPETÊNCIA
A Constituição Federal e as leis de
IV - pela distribuição;
organização judiciária fixam a competência dos Juízes
e dos Tribunais, que se distribuem por seu território, Ratione V - pela conexão ou
para os casos concretos, permitindo-lhes exercer suas personae continência; absoluta
atribuições jurisdicionais. VI - pela prevenção;
A fixação da competência se realiza em razão de VII - por prerrogativa de
dois elementos: função.
a) causa criminal: a competência é delimitada As competências material e pessoal são
tendo em vista a natureza do litígio, é determinada conteúdo de interesse público e de natureza absoluta,
conforme a causa a ser julgada (competência material). não podendo ser modificadas pelas partes sob pena de
b) atos processuais: o poder de julgar é nulidade absoluta do processo.
distribuído de acordo com as fases do processo, ou o 7
Já a competência territorial caracteriza-se por
objeto do juízo, ou o grau de jurisdição (competência ser de caráter relativo, onde prevalece o interesse
funcional). privado de uma das partes, não sendo alegada a
irregularidade em tempo oportuno, é possível haver
TIPOS DE COMPETÊNCIA: prorrogação da competência, podendo gerar apenas a
Competência absoluta - as partes não podem nulidade relativa do processo, desde que comprovado
dispor da justiça, sendo assim, o juiz recebendo uma que a parte interessada sofreu prejuízo.
causa que está fora de sua competência, declara a sua
incompetência e envia à justiça respectiva para COMPETÊNCIA EM RAZÃO DO LUGAR –
julgamento, ainda que nada aleguem as partes. Esta TERRITORIAL (RATIONE LOCI - TERRITORIAL)
competência é improrrogável. A competência territorial atende ao princípio
Competência relativa – é prorrogável, isto é, a jurisdicional de aderência ao território por estarem,
vontade das partes ou a eleição de foro pode modificar obviamente, intimamente relacionadas. Esta
as regras da competência. O valor da causa é também competência diz respeito à que o juiz ou tribunal terá
um fator importante para determinação de competência, para conhecer, processar, julgar e executar o direito
este é um fator relevante. Pois há justiças que só julgam contido na pretensão deduzida no âmbito dos limites
causas até determinadas quantias, tal qual se dá nas físicos de atuação de sua jurisdição.
justiças de pequenas causas.
ATENÇÃO!!
As espécies de competência definidas na lei
A competência territorial é relativa: não alegada
processual penal levam em consideração três aspectos
no momento oportuno, ocorre a preclusão (art. 108 do
diferentes:
CPP). Por conseguinte, é prorrogável.
1. Ratione loci - territorial - Em razão do lugar:
de acordo com o local em que foi praticada a Dispõe o art. 70, caput, que a competência é
infração ou pelo domicílio ou residência do réu determinada "pelo lugar em que se consumou a
(Art. 69, I e II do CPP). infração". Lugar da infração é o foro competente para
apreciá-la. Assim, é da competência de cada juiz o
2. Ratione materiae – Competência Material:
processo e julgamento dos fatos ocorridos em sua
estabelecida em natureza da infração (Art. 69,
circunscrição territorial, ou seja, sua "comarca" ou
III do CPP) em que o juiz pode conhecer
"distrito".
unicamente de determinadas causas. É ela
delimitada pelas leis, inclusive as de ATENÇÃO!!
organização judiciária, salvo quanto à A regra é o lugar da infração. O domicilio ou
competência fixada por preceito constitucional residência do réu é a exceção.
(art. 5°, XXXVIII, CF). DICA DE CONCURSOS:
3. Ratione personae – Competência em razão Caso o lugar da infração seja desconhecido, a
da função: não importa o lugar da prática da competência será regulada pelo domicílio ou residência
infração, é ditada pela prerrogativa da função do réu. (Anal.Jud.Exec.Mand.TJ-DFR/CESEP/2008)
que a pessoa exerce (Art. 69, VII, CPP),
delimita-se a competência de modo a que nem
todos os juízes exerçam jurisdição sobre
qualquer pessoa, pois é ela fixada pela função
exercida pelo autor da infração.

7
A competência territorial é relativa; não alegada no momento
oportuno, ocorre a preclusão. Por conseguinte, ela é
prorrogável. (Anal.Mun.Pre.Mun.B.Vista/ CESPE/2010)
42 DIREITO PROCESSUAL PENAL
TEORIAS SOBRE DO LUGAR DO CRIME: sido praticado, no Brasil, o último ato de execução" (§1°)
a) Teoria da atividade - o lugar do delito é o e "quando o último ato de execução for praticado fora do
da infração (ação ou omissão), independentemente do território nacional, será competente o juiz do lugar em
lugar da produção do resultado; que o crime, embora parcialmente, tenha produzido ou
devia produzir seu resultado" (§2°).
b) Teoria do resultado – o lugar do delito é o
do resultado, independentemente do local da ação ou Seguindo as regras do art. 70 do CPP, seu §3°
omissão; estipula que "quando incerto o limite territorial entre
duas ou mais jurisdições, ou quando incerta a jurisdição
c) Teoria da ubiquidade – o lugar do delito é
por ter sido a infração consumada ou tentada nas
tanto o da ação ou omissão quanto o do resultado.
divisas de duas ou mais jurisdições, a competência
A teoria contemplada no CPP é a teoria do firmar-se-á pela prevenção". Neste caso específico,
resultado, para a qual o foro é o lugar onde o delito se Mirabete leciona que a sede do delito se equipara à
consumou. Isto posto que a lógica do legislador foi a de sede do juízo, tornando-se prevento o órgão jurisdicional
considerar como lugar do crime o local onde a que primeiro tiver praticado algum ato do processo ou
sociedade teve sua realidade perturbada e, assim, onde de medida a este relativa (art. 83, CPP).
o agente deva ser punido.
Quanto aos delitos qualificados pelo
O Código Penal adotou a teoria pura da resultado, como seria o caso dos previstos nos artigos
ubiquidade, valendo ressaltar que na própria previsão 127, 129, §3°, 133, §§1° e 2°, 135, parágrafo único, 136,
do art. 6° do Código Penal esta incluída o lugar da §§1° e 2°, 137, parágrafo único, 148, §2°, 157, §3°, 159,
tentativa, ou seja, "...onde se produziu ou deveria §§2° e 3°, 223, parágrafo único, 258, 263 e 264,
produzir-se o resultado". parágrafo único, todos do Código Penal, a doutrina
A teoria da ubiquidade se explica pelo fato de entende que a consumação ocorre onde se verifica um
que um crime que se inicia no país e produz resultado dos eventos que majoram a pena.
no exterior (e vice-versa), ou seja, o fato de o crime A fixação de competência relativa aos crimes
tocar o país em algum momento, afeta sua soberania, continuados e permanentes, praticados em duas ou
ensejando punição. mais áreas distintas de exercício jurisdicional, é tratada
DICAS DE CONCURSOS: com bastante clareza no art. 71 do Código Processual
Reserva-se a teoria da ubiquidade para a Penal, onde está previsto o critério da prevenção para
hipótese do delito que tenha se iniciado em um país sua determinação.
estrangeiro e findado no Brasil ou vice-versa. DICA DE CONCURSO:
(Adv.SP/CESPE/2008) Tratando-se de infração permanente, praticada
O foro competente no caso de tentativa é o local em território de duas ou mais jurisdições, a competência
onde o agente praticou o primeiro ato executório. firmar-se-á pela prevenção.(Outorga de Deleg.TJ-
(Adv.OAB/SP/CESEP/2008) AP/FCC/2011)

LUGAR DA CONSUMAÇÃO DA INFRAÇÃO (REGRA REGRAS ESPECIAIS SOBRE A COMPETÊNCIA EM


GERAL) - ART. 70, CPP (Teoria do resultado) RAZÃO DO LUGAR:
Para Nucci, “Utiliza o Código de Processo Penal Homicídio doloso consumado: A jurisprudência
o preceito de ser competente o foro do lugar onde se entende que o foro competente será o do local da ação
consumar a infração penal. Quando se tratar de e não do resultado, pois, dessa forma, o réu será
tentativa, verifica-se o foro competente no local onde se julgado pelos seus pares, além de facilitar a produção
deu o último ato executório. È natural que assim seja, de provas, já que as testemunhas que não residem na
pois o lugar do crime deve ser onde a sociedade sofreu mesma comarca onde se processa a ação não têm
o abalo, razão pela qual o agente ai deve se punido. obrigação de comparecer.
Trata-se de competência territorial, logo, relativa, valer
Crimes a distância ou de espaço máximo ou
dizer, passível de prorrogação, caso não seja arguida a
de trânsito: são aqueles em que os atos de execução
tempo‖.
ocorreram no território nacional e a consumação ocorreu
Excetuando a regra geral, a Lei n° 9.099/95, que ou deveria ocorrer no estrangeiro, ou o contrário.
dispõe sobre os Juizados Especiais Cíveis e Criminais, Nesses crimes, a lei penal brasileira é aplicável em face
optou pela Teoria da Ubiquidade, posto que, em seu da regra do artigo 6º do Código Penal (lugar do crime –
artigo 63, prescreve que "a competência do Juizado teoria mista ou da ubiquidade). O foro competente, para
será determinada pelo lugar em que foi praticada a os crimes a distância, está previsto no artigo 70, §§ 1º e
infração penal". 2º, do Código de Processo Penal. Essa disciplina do
Nos casos de tentativa, a segunda parte do Código de Processo Penal está em perfeita consonância
artigo 70, caput, do CPP, apregoa que a competência com a regra adotada pelo artigo 6º do Código Penal, em
será firmada "pelo lugar em que for praticado o último relação ao local do crime.
ato de execução", assim entendido com o último ato Infrações penais cometidas nas divisas de
comissivo ou omissivo praticado pelo agente ou duas ou mais comarcas ou quando incerto o limite
omitente. territorial entre duas ou mais comarcas: O artigo 70,
Os parágrafos 1° e 2° do art. 70 do Código de § 3º, do CPP, disciplina ainda o foro competente quando
Processo Penal versam sobre as hipóteses dos for incerto o limite territorial entre duas ou mais
chamados crimes à distância ou de espaço máximo, comarcas, ou quando incerta a jurisdição por ter sido a
onde estão em evidência a jurisdição de dois ou mais infração penal consumada ou tentada nas divisas de
países soberanos. Dispõem os citados dispositivos duas ou mais comarcas.
legais que "se, iniciada a execução no território Infrações penais de menor potencial
nacional, a infração se consumar fora dele, a ofensivo: o artigo 63 da Lei nº 9.099/95 estabelece que:
competência será determinada pelo lugar em que tiver
DIREITO PROCESSUAL PENAL 43
“A competência do Juizado será determinada pelo lugar Crime praticado no território marítimo ou em
em que foi praticada a infração penal.” alto-mar: aplicando-se a lei penal brasileira ao crime
Crimes qualificados pelo resultado: a cometido no interior de uma embarcação, qualquer que
consumação se dá no lugar onde ocorre o evento seja ela, o foro competente para o processo e
agravador. Observação: Em certos casos, como, por julgamento será o do primeiro porto onde a embarcação
exemplo, num latrocínio (roubo numa cidade e morte em tocar após o crime, sendo que, no caso da embarcação
outra) ou num aborto agravado pelo evento morte se afastar do país, o foro competente será o último porto
(aborto numa cidade e morte da gestante em outra), em que tiver tocado a embarcação (artigo 89 do CPP).
também é possível adotar-se o mesmo entendimento Se, mesmo em face dessas regras, não for possível
jurisprudencial referido no caso do homicídio doloso e estabelecer o foro competente, a competência será
culposo. determinada pela prevenção (artigo 91 do CPP).
Falso testemunho praticado por precatória: a Crime praticado no espaço aéreo: aplicando-
jurisprudência tem entendido que a competência é do se a lei penal brasileira ao crime cometido no interior de
juízo deprecado, uma vez que foi nele que ocorreu o uma aeronave, qualquer que seja ela, o foro competente
depoimento fraudulento. será o do local onde se ocorrer o pouso após o crime,
ou o do local onde houver partido a aeronave, caso esta
Estelionato mediante cheque falsificado:
deixe o país (artigo 90 do CPP). Se, mesmo em face
Súmula 48 do STJ: a competência é do juízo do local
dessas regras, não for possível estabelecer o foro
onde ocorreu a obtenção da vantagem ilícita.
competente, a competência será determinada pela
DICA DE CONCURSOS: prevenção (artigo 91 do CPP).
O foro competente para o processo e julgamento
dos crimes de estelionato, sob a modalidade de emissão COMPETÊNCIA PELO DOMICÍLIO OU RESIDÊNCIA
dolosa de cheque sem provisão de fundos, é o do local DO RÉU (FORO SUBSIDIÁRIO, SUPLETIVO OU
onde se deu a recusa do pagamento pelo sacado. SECUNDÁRIO)
(OAB/SP/2006)
Duas são as hipóteses em que, não ocorrendo
Emissão dolosa de cheque sem provisão de fixação por outra razão, determina-se para o CPP o
fundos: Súmula 521 do STF: o foro competente é o do forum domicilii.
local onde se deu a recusa do pagamento pelo sacado.
a) Não sendo conhecido o lugar da infração, a
Estelionato cometido por meio de saque em competência regular-se-á pelo domicílio ou residência
conta bancária: tratando-se de estelionato cometido do réu. Assim, fora as hipóteses de incerteza do limite
por meio de saque em conta bancária, mediante uso de territorial entre duas circunscrições ou incerta a
senha cartão magnético: competência do local onde o competência por ter sido a infração consumada ou
dinheiro foi retirado e não do lugar onde é mantida a tentada nas divisas de duas ou mais jurisdições,
conta – posição do STF. quando a competência é firmada pela prevenção (art.
Crime de uso de passaporte falso: Súmula 70, § 3°), não se apurando o lugar da infração a ação
200 do STJ - "o juízo federal competente para deve ser proposta no foro do domicílio ou da residência
processar e julgar acusado de crime de uso de do réu: é o foro subsidiário.
passaporte falso é o lugar onde o delito se consumou" b) refere-se à ação privada exclusiva, em que o
Crime de imprensa: a competência é do lugar querelante poderá preferir o foro do domicílio ou
em que foi impresso o jornal ou periódico, e do local do residência do réu, ainda quando conhecido o lugar da
estúdio do permissionário ou concessionário do serviço infração (art. 73, caput). Esse critério, que pode trazer +
de radiofusão, bem como o da administração da agência vantagem ao querelante, firma uma competência
noticiosa (artigo 42 da Lei nº 5.250/67). relativa, não se aplicando o dispositivo citado à ação
Crimes falimentares: a ação penal deve ser privada subsidiária e muito menos à ação penal pública
proposta no juízo da quebra. incondicionada ou condicionada.
Crimes de competência da Lei nº 9.099/95: A Porém, no caso de ter o réu mais de uma
doutrina diverge quanto ao foro competente para residência a competência firmar-se-á pela prevenção
processar a ação. (art. 72, § 1°). Não sendo possível a aplicação das
regras acima mencionadas por não ter o réu domicílio
1.ª corrente: foro competente será o local da
ou residência certa, sendo ignorado o seu paradeiro, é
ação, teoria da atividade.
competente o juiz que primeiro tome conhecimento do
2.ª corrente: foro competente será o local da ação fato (art. 72, § 2°).
ou do resultado, teoria da ubiquidade.
Conflitos de atribuições (art. 105, I, "g", da
3.ª corrente: foro competente será o local do CF)
resultado, teoria do resultado.
Art. 105. Compete ao Superior
Como a competência é relativa, pode-se usar Tribunal de Justiça:
qualquer uma delas.
I - processar e julgar, originariamente:
g) os conflitos de atribuições entre
Foros Especiais: autoridades administrativas e judiciárias da
Crime praticado fora do território nacional: União, ou entre autoridades judiciárias de um
caso de extraterritorialidade da lei penal, ou seja, Estado e administrativas de outro ou do
mesmo tendo o crime ocorrido fora do território nacional Distrito Federal, ou entre as deste e da União;
será aplicada a lei penal brasileira. Nesse caso, o foro
DICA DE CONCURSO:
competente será, em regra, o do local onde houver por
último residido o acusado. Todavia, se ele nunca tiver Em matéria de competência, conforme se extrai
residido no Brasil, será competente o juízo da Capital da da Constituição Federal e do Código de Processo Penal,
República (artigo 88 do CPP). nos casos de exclusiva ação penal privada, o
44 DIREITO PROCESSUAL PENAL
querelante poderá preferir o foro de domicílio ou de Tribunal de Justiça (art. 105, II e III) e dos Tribunais
residência do réu, ainda quando conhecido o lugar da Regionais Federais (art. 108, I e II).
infração. (Juiz Sub.TJ-RR/FCC/2008) A competência dos Tribunais dos Estados é
definida nas Constituições estaduais e nas leis de
COMPETÊNCIA MATERIAL - RATIONE MATERIAE organização judiciária.
(NATUREZA DA INFRAÇÃO)
Conforme a natureza do delito, a ação será 2. Justiça Especial (ou especializada)
julgada por uma determinada justiça competente. 2.a Justiça Eleitoral (art. 118, CF e Código
A competência em razão da natureza da infração Eleitoral) - É competente para julgar os crimes eleitorais;
8
não constitui critério de fixação do Juízo, mas de fixação 2.b Justiça Militar (CF, art. 124: crimes militares
do Juiz. É a lei de organização judiciária (federal ou definidos em lei; e Cód. Penal Militar: crimes dolosos
estadual) que vai determinar a competência de juiz, contra a vida de civil são da competência da justiça
podendo estabelecer critérios variados para a divisão: comum) - compete processar e julgar os crimes militares
da qualidade da pena principal; pelo elemento subjetivo; definidos em lei; e
pela natureza da infração penal; pelo bem jurídico 2.c Justiça do Trabalho- Os órgãos da Justiça
protegido, pela espécie da lei penal. Pode ocorrer do Trabalho são o Tribunal Superior do Trabalho (TST),
durante o processo a desclassificação do crime, ou seja, os Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs) e os juízes
ser dado ao fato classificação diversa daquela feita pela do Trabalho. Compete-lhe julgar as causas oriundas das
denúncia ou queixa. Assim, se o juiz verificar que é relações de trabalho.
incompetente para o processo em decorrência da
Por meio da Emenda Constitucional n. 45, sua
desclassificação operada durante a instrução ou quando
competência foi ampliada, passando a processar e
for proferir a sentença, deve remeter o processo ao juiz
julgar toda e qualquer causa decorrente das relações de
competente. Exceção a tal regra, se a jurisdição do juiz
trabalho, o que inclui os litígios envolvendo os sindicatos
que desclassifica a infração for mais graduada que a do
de trabalhadores, sindicatos de empregadores, análise
juiz competente terá, ele sua competência prorrogada,
das penalidades administrativas impostas pelos órgãos
ou seja, continuará a presidi-lo até o final.
do governo incumbidos da fiscalização do trabalho e
Doutrinariamente ela é divida em: direito de greve.
1. Justiça Comum SÚMULAS:
1.a Federal (foro = secção) – Art. 109 da CF. STJ Súmula nº 78:
A competência da Justiça Federal está prevista Competência - Processo e Julgamento -
no artigo 109 da CF, competindo-lhe, na esfera penal, Policial Militar - Delito em Outra Unidade Federativa -
processar e julgar: Compete à Justiça Militar processar e julgar policial de
a) os crimes políticos e as infrações penais corporação estadual, ainda que o delito tenha sido
praticadas em detrimento de bens, serviços praticado em outra unidade federativa.
ou interesse da União ou de suas entidades STJ Súmula nº 73:
autárquicas ou empresas públicas, excluídas
Papel Moeda Falsificado - Estelionato –
as contravenções penais (inc. IV);
Competência - A utilização de papel moeda
b) os crimes previstos em tratado ou convenção grosseiramente falsificado configura, em tese, o crime
internacional, desde que a distância (inc. V); de estelionato, da competência da Justiça Estadual.
c) os crimes contra a Organização do trabalho e, STJ Súmula nº 107:
nos casos determinados por lei, contra o
Competência - Estelionato - Guias de
sistema financeiro e a ordem econômica e
Recolhimento das Contribuições Previdenciárias -
financeira (inc. VI);
Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar
d) os crimes cometidos a bordo de navios ou crime de estelionato praticado mediante falsificação das
aeronaves (inc. IX); guias de recolhimento das contribuições previdenciárias,
e) ingresso de permanência de estrangeiro quando não ocorrente lesão à autarquia federal.
permanente no Brasil (art. 125, Lei 6.815/80). Súmula STJ Nº 104:
1.b Estadual (foro = comarca) - também é Compete à Justiça Estadual o processo e
conhecida como residual ou remanescente; julgamento dos crimes de falsificação e uso de
competência fixada por exclusão, para ela resta o que documento falso relativo a estabelecimento particular de
não for da competência das Justiças Eleitoral, Militar e ensino.
Federal.
Súmula nº 140:
A competência da Justiça Comum Estadual é
Competência - Crime - Índios - Processo e
fixada, de um modo geral, por exclusão, ou seja, tudo
Julgamento - Compete à Justiça Comum Estadual
quanto não cabe na competência das justiças especiais
processar e julgar crime em que o indígena figure como
e da Justiça Federal é da competência dela (art. 125, §
autor ou vítima.
1°, CF).
STJ Súmula nº 38:
Também cabe ao Estado a criação de "juizados
especiais" para infrações penais de menor potencial
ofensivo na área de sua competência.
Prevê ainda a Constituição Federal a 8
competência originária e recursal do Supremo Tribunal Caso um policial militar cometa, em uma mesma comarca,
Federal, a quem cabe, precipuamente, a guarda da dois delitos conexos, um cujo processo e julgamento seja de
Constituição (art. 102, incisos I, II e III), do Superior competência da justiça estadual militar e o outro, da justiça
comum estadual, haverá cisão
processual.(OAB/CESPE/2010)
DIREITO PROCESSUAL PENAL 45
Competência - Contravenção Penal - unitária das provas, melhor conhecimento dos fatos e
Detrimento da União ou de Suas Entidades - maior firmeza e justiça nas decisões.
Compete à Justiça Estadual Comum, na vigência da Distingue-se conexão material (ou substantiva),
Constituição de 1988, o processo por contravenção em que as várias infrações estão ligadas por laços
penal, ainda que praticada em detrimento de bens, circunstanciais e conexão processual (ou instrumental),
serviços ou interesse da União ou de suas entidades. em que não há nexo entre as infrações, mas a prova de
STJ Súmula nº 147: uma infração ou de qualquer circunstância elementar
Competência - Crimes Contra Funcionário influi na de outra.
Público Federal - Exercício da Função - Processo e A conexão pode ser:
Julgamento - Compete à Justiça Federal processar e Intersubjetiva (Art. 76, I) – quando as infrações
julgar os crimes praticados contra funcionário público houverem sido praticadas: ao mesmo tempo,
federal, quando relacionados com o exercício da função. por várias pessoas reunidas; por várias
STJ Súmula nº 208: pessoas em concurso, embora diverso o
Competência - Processo e Julgamento - tempo e o lugar; por várias pessoas, umas
Prefeito - Desvio de Verba - Prestação de Contas contra as outras (reciprocidade).
Perante Órgão Federal - Compete à Justiça Federal Objetiva (Art. 76, II) – quando as infrações
processar e julgar prefeito municipal por desvio de verba houverem sido praticadas: para facilitar ou
sujeita a prestação de contas perante órgão federal. ocultar outras; para conseguir impunidade ou
STJ Súmula nº 209: vantagem em relação a qualquer delas. A
conexão objetiva consequencial compreende
Competência - Processo e Julgamento - os casos acima descritos, e a conexão
Prefeito - Desvio de Verba Transferida e Incorporada objetiva teleológica é aquela que ocorre
ao Patrimônio Municipal - Compete à Justiça Estadual quando um crime é praticado para facilitar ou
processar e julgar prefeito por desvio de verba assegurar a execução de outro crime.
transferida e incorporada ao patrimônio municipal.
Instrumental ou probatória (Art. 76, III): quando
STJ Súmula nº 165: a prova de uma infração ou qualquer de suas
Competência - Falso Testemunho - Processo circunstâncias elementares influir na prova de
e Julgamento Trabalhista - Compete à Justiça Federal outra infração; tem fins probatórios.
processar e julgar crime de falso testemunho cometido
no processo trabalhista.
b) Competência pela continência – Art. 77
―Art. 77. A competência será determinada pela
COMPETÊNCIA POR DISTRIBUIÇÃO continência quando:
Havendo vários juízes no foro competente para o I - duas ou mais pessoas forem acusadas pela
processo e julgamento do crime a competência será mesma infração‖
9

determinada, pela distribuição. Findo o inquérito é ele


Continência é uma espécie de conexão, ocorre
remetido à distribuição, que o encaminhará à vara a que
nos casos em que duas ou mais ações tem identidade
tocar recebê-lo. A distribuição constitui matéria de
entre as partes e a causa à pedir, mas o objeto de uma
organização judiciária e por isso a União ou ao Estado,
por ser mais amplo, abrange os das outras (artigo 104
conforme o caso disciplina a matéria com normas
CPC).
peculiares. É ela, entretanto, obrigatória no caso de
haver dois ou mais juízes no Juízo competente. São É a hipótese da prática do crime em concurso de
ocorrências próprias da distribuição: a compensação; a pessoas em que duas ou mais pessoas colaboram para
dependência; e baixa na distribuição. Por vezes, antes a prática de uma infração penal (art. 29, CP),
da ultimação do inquérito, o juiz pratica atos eventualmente em lugares diversos ou por pessoas que
jurisdicionais nos autos. Isso significa que, findo o gozam do foro por prerrogativa de função. Haverá
inquérito em que houve uma dessas medidas judiciais, unidade de processo e julgamento nessa hipótese
evidentemente precedida de distribuição, que não será embora, em princípio, houvesse Juízos ou juízes
ele novamente distribuído, mas enviado àquele juiz que diversos para cada um dos participantes do ilícito.
praticou aqueles atos. Dispõe ainda o art. 77 que a competência é determinada
pela continência no caso de infração cometida nas
condições previstas nos arts. 70, 73 e 74 do CP.
COMPETÊNCIA POR CONEXÃO OU CONTINÊNCIA
Assim, temos como hipótese de continência nas
(ARTS. 76 A 82, CPP):
seguintes situações:
a) Competência por conexão
a) concurso de pessoas;
Existe a conexão quando em duas ou mais
b) concurso formal de crimes, em que, com
ações há um ou dois elementos que lhes são comuns
uma mesma conduta o agente pratica dois ou
(Art. 103, CPC), devendo assim, ser apreciada por um
mais crimes;
só juiz, para que não haja duplicidade de decisões.
c) erro na execução (aberratio ictus), em que,
Estas, porém, não são causas determinantes
por acidente ou erro no uso dos meios de
da fixação da competência, mas motivos que
execução, o agente, além de atingir a pessoa
determinam a sua alteração, atraindo para a atribuição
que pretendia ofender lesa outra; e
de um juiz ou juízo o crime que seria da atribuição de
outro.
Motivando a reunião em um processo e,
consequentemente, a unidade de julgamento, têm por
finalidade a adequação unitária e a reconstrução crítica 9
Assunto cobrado no concurso de Adv.Nossa Caixa,
FCC/2011)
46 DIREITO PROCESSUAL PENAL
d) resultado diverso do pretendido (aberratio Compete à Justiça Federal o processo e
criminis), em que, o agente além do resultado julgamento unificado dos crimes conexos de
pretendido, causa outro. competência federal e estadual, não se aplicando a
DICAS DE CONCURSOS: regra do Art. 78, II, "a", do Código de Processo Penal.
Em caso de conexão entre crime de competência STJ Súmula nº 235 - Conexão - Reunião de
do juizado especial criminal e crime de competência do Processos - Coisa Julgada
juízo comum, prevalecerá a competência deste último, A conexão não determina a reunião dos
que deverá aplicar os institutos da transação penal e da processos, se um deles já foi julgado.
composição dos danos civis.(Juiz Sub.TJ-
PI/CESPE/2007
SEPARAÇÃO DE PROCESSOS
Verificada a reunião dos processos por conexão
Conforme arts. 79 e 80, CPP, temos as seguintes
ou continência, ainda que no processo da sua
espécies de separação de processo:
competência própria venha o juiz ou tribunal a proferir
sentença absolutória ou que desclassifique a infração
para outra que não se inclua na sua competência, 1. Separação obrigatória dos processos (art. 79,
continuará competente em relação aos demais CPP)
processos. (Anal.Jud.Exec.Mand.TJ-DFR/CESEP/2008) a) Concurso entre jurisdição comum e militar (79,
A conexão e a continência não importarão em I). A justiça especial prevaleceria, porém, cada um
unidade de processo e julgamento quando houver julgará a sua causa. Ex: APC (art. 129, CP) e um militar
concurso entre a jurisdição comum e a militar. (art. 209, CPM), em serviço praticam, em concurso,
(Adv.SGA/-AC/CESEP/2008) lesões corporais na vítima. O APC será julgado pela
De acordo com o Código de Processo Penal a justiça comum e o militar pela justiça militar estadual.
competência será determinada pela continência quando b) Concurso entre jurisdição comum e a do juízo
duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma de menores (art. 79,II). Não há razão para este
infração. (Anal.Jud.TRE-PB/FCC/2007) dispositivo, pois o processo de qualquer forma seria
separado, já que o adulto é sujeito à pena, julgado pelo
juiz criminal, e o adolescente, inimputável, menor de 18
FORO PREVALENTE anos (art. 27, CP), é julgado pelo juiz da infância e
É necessário que a lei determine qual o foro juventude, estando sujeito à medidas sócio-educativa
competente para apreciar os fatos (forum attractionis). O e\ou específicas de proteção.
art. 78, II, versa o concurso de "jurisdições" da mesma c) Sobrevindo doença mental a um dos
categoria, isto é, que tenham o mesmo grau de acusados, em qualquer caso cessará a unidade de
hierarquia, prevendo três hipóteses. processo (art.79, par. 1º), ficando suspenso o processo
a) preponderará competência "do lugar da quanto ao enfermo.
infração à qual for cominada a pena + grave".
b) Prevalecerá a competência "do lugar em que 1. Separação facultativa dos processos (art. 80,
houver ocorrido o maior número de infrações CPP):
se as respectivas penas forem de igual
a) infrações praticadas em circunstâncias de
gravidade".
tempo ou de lugar diferentes;
c) não sendo possível a determinação da
b) excessivo número de acusados e para não
competência pelas regras citadas, a
lhes prolongar a prisão provisória, o juiz reputar
competência será firmada pela prevenção.
conveniente a separação;
No art. 78, III, trata do concurso de "jurisdições"
c) por outro motivo relevante, o juiz reputar
de categorias diversas, onde prevalece, a competência
conveniente a separação.
dos Tribunais de Justiça sobre os juízes de 1ª instância;
do juiz de direito sobre o juiz temporário, pretor.
O inciso IV do art. 78 versa sobre o concurso Perpetuatio jurisdiciones - Perpetuação da
entre a "jurisdição" comum e a ―especial‖. Jurisdição:
DICA DE CONCURSO: Uma vez iniciada a ação penal em determinado
foro, mesmo que posteriormente seja alterado o
A conexão e a continência não importarão em território da comarca, por força de lei, o Superior
unidade de processo e julgamento quando houver Tribunal de Justiça tem aplicado analogicamente o art.
concurso entre a jurisdição comum e a militar. 87 do CPC, que trata da perpetuação da jurisdição,
mantendo-se a competência original. Verifica-se, no
SUMÚLAS: entanto, que a perpetuação da jurisdição não se aplica
quando houver alteração da competência material.
STJ Súmula nº 90 - Competência - Processo e
Julgamento - Crime Militar - Crime Comum - Está transcrito no art. 87 do CPC:
Simultaneidade "Art. 87. Determina-se a competência no
Compete à Justiça Estadual Militar processar e momento em que a ação é proposta. São
julgar o policial militar pela prática do crime militar, e à irrelevantes as modificações do estado de fato
Comum pela prática do crime comum simultâneo ou de direito ocorridas posteriormente, salvo
àquele. quando suprimirem o órgão judiciário ou
alterarem a competência em razão da matéria
ou da hierarquia."
STJ Súmula nº 122: Competência - Crimes Conexos
Conforme art. 81, caput, CPP reunidos os
- Federal e Estadual - Processo e Julgamento
processos por conexão ou continência, o juiz ou tribunal
DIREITO PROCESSUAL PENAL 47
continuará competente em relação às demais infrações demonstrar já ter, o Magistrado, conhecimento sobre o
penais atraídas, ainda que no processo da sua fato tido como delituoso‖.
competência própria venha a:
a) absolver o acusado daquela que promoveu a COMPETÊNCIA EM RAZÃO DA FUNÇÃO - RATIONE
atração; PERSONAE
b) desclassificar a infração que promoveu a Fala-se em competência em razão da pessoa,
atração para outra que não se inclua na sua quando a competência é ditada pela função da pessoa,
competência; tendo em vista a dignidade do cargo exercido e não do
c) por interpretação extensiva, declarar a extinção indivíduo que o exerce. É usual também o nome de foro
da punibilidade em relação à infração que privilegiado, já que a CF não menciona proibição ao
promoveu a atração (ex: morte do co-réu). "foro privilegiado", mas, apenas a "juízo ou tribunal de
exceção" (art. 5°, XXXVII).
COMPETÊNCIA POR PREVENÇÃO (ART. 69, VI)
Diz-se, prevenida ou preventa a competência de Foro privilegiado e competência pela prerrogativa de
um juiz quando ele se antecipa a outro, também função
competente, por haver praticado algum ato ou ordenado O foro privilegiado, privilégios na função, foi
alguma medida do processo, mesmo antes do instituído para favorecer o acusado, para ser
oferecimento da denúncia ou da queixa. A prevenção condescendente com ele, isso em decorrência de
também firma a competência quando se trata de atributos pessoais, de privilégios de nascimento. Trata-
infração continuada ou permanente, praticadas em se de foro especial que julga pessoas com atributos
território de duas ou mais jurisdições. A regra do art. 83, pessoais significativos aos olhos e interesse de alguém
CPP, porém, não soluciona apenas o conflito positivo de (MUCCIO, 2001, p. 166).
competência, ou seja, não resolve a questão apenas Na realidade, não pode haver ―privilégio‖ às
quando há dois ou mais juízes competentes. Por fim, a pessoas, pois a lei não pode ter preferências.
prevenção fixa a competência quando, de outra forma
não se puder firmar a competência por conexão ou A C.F de 1988, em seu artigo 5º, XXXVII, veda e
continência no concurso de jurisdições da mesma proíbe o ―juízo ou tribunal de exceção‖, como
categoria (art. 78, II, c). consequência do princípio de que todos são iguais
perante a lei, permite, porém, o foro especial em
São exemplos típicos de atos que provocam a atenção à relevância, à importância do cargo ou função
fixação da competência por prevenção: da pessoa.
a) decretação de prisão preventiva;
b) concessão de fiança; Critérios determinadores
c) pedido de explicações em juízo; Um dos critérios determinadores da competência
d) distribuição de inquérito policial para estabelecidos em nosso Código de Processo Penal é
concessão ou denegação de pedido de exatamente o da prerrogativa de função, conforme
liberdade provisória. está estabelecido nos seus arts. 69, VII, 84, 85, 86 e 87.
Os seguintes dispositivos do CPC referentes à É a chamada competência originária ratione personae.
competência por prevenção merecem destaque: Os arts. 86 e 87 do Código de Processo Penal
"Art. 83. Verificar-se-á a competência por estabelecem as pessoas que, em razão do cargo,
prevenção toda vez que, concorrendo dois ou devem ser julgadas por órgãos superiores da Justiça,
mais juízes igualmente competentes ou com disposições estas que precisam ser relidas à luz da
jurisdição cumulativa, um deles tiver antecedido Constituição Federal e das constituições estaduais.
aos outros na prática de algum ato do processo
ou de medida a este relativa, ainda que anterior A Constituição Federal
ao oferecimento da denúncia ou da queixa (arts.
70, § 3º, 71, 72, § 2º, e 78, II, c)." O art. 29, X da Constituição Federal determina o
julgamento do Prefeito perante o Tribunal de Justiça. Se
"Art. 70, § 3º Quando incerto o limite o Prefeito, porém, vier a cometer um delito da alçada da
territorial entre duas ou mais jurisdições, ou Justiça Comum Federal (por exemplo, desvio de
quando incerta a jurisdição por ter sido a infração recursos federais sujeitos à fiscalização da União) a
consumada ou tentada nas divisas de duas ou competência será do respectivo Tribunal Regional
mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela Federal, segundo entendimento firmado na
prevenção." jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (RT
"Art. 71. Tratando-se de infração continuada 745/479 e JSTF 177/340). A propósito, há duas
ou permanente, praticada em território de duas súmulas do Superior Tribunal de Justiça:
ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á ―Compete à Justiça Federal processar e
pela prevenção." julgar prefeito municipal por desvio de verba
"Art. 72, § 2º Se o réu não tiver residência sujeita a prestação de contas perante órgão
certa ou for ignorado o seu paradeiro, será federal.‖ (Súmula 208).
competente o juiz que primeiro tomar ―Compete à Justiça Estadual processar e
conhecimento do fato." julgar prefeito por desvio de verba transferida e
ATENÇÃO!! incorporada ao patrimônio municipal.‖ (Súmula
É entendimento do STJ que ―o ato praticado 209).
pela autoridade judicial, relativo a processo de sua
função, apto a firmar prevenção, há que conter certa
carga decisória, ou seja, há que ser capaz de
48 DIREITO PROCESSUAL PENAL
O Código Eleitoral Desembargadores (art. 105, I, a, CF) – Superior
A Lei nº. 4.737/65 - Código Eleitoral, Tribunal de Justiça.
recepcionada pela Constituição Federal de 1988 como Nas ações de competência originária do TJ, a
lei complementar (art. 121, CF/88), estabelece a atribuição para a denúncia é do Procurador-Geral de
competência da Justiça Eleitoral para o julgamento dos Justiça. Poderá haver delegação (art. 29, IV, Lei nº
crimes eleitorais e daqueles a eles conexos (art. 35, II 8.625/93).
do Código Eleitoral). Procurador-Geral da República (art. 102, I, b,
CF) – infrações penais comuns - Supremo Tribunal
A Justiça Militar Federal.
A Lei nº. 8.457/92 que organiza a Justiça Militar Procurador-Geral de Justiça (art. 83, XI, a, CE)
da União estabelece que compete ao Superior Tribunal – Crime comum: Tribunal de Justiça. De
Militar processar e julgar originariamente os oficiais- responsabilidade: Assembleia Legislativa.
generais das Forças Armadas, nos crimes militares Juízes Estaduais e Membros do Ministério
definidos em lei (redação dada pela Lei nº 8.719, de Público (art. 96, III, CF) – Tribunal de Justiça. Ressalva
19/10/93). Ao Conselho Especial de Justiça compete apenas nos crimes eleitorais – TRF. Não importa a
processar e julgar oficiais, exceto oficiais-generais, nos natureza do crime ou o local em que foi praticado.
delitos previstos na legislação penal militar e ao Competência do Tribunal de Justiça de seu Estado.
Conselho Permanente de Justiça processar e julgar Juízes Federais (art. 108, I, CF) – Tribunal
acusados que não sejam oficiais naqueles mesmos Regional Federal.
crimes.
Membros do Ministério Público da União (art.
105, I, a, in fine, CF) – Crimes comuns - Superior
O art. 85 do Código de Processo Penal Tribunal de Justiça.
A respeito do tema, merece destaque o art. 85 do OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:
Código de Processo Penal, intimamente ligado à Crime no exercício das funções.
questão da competência por prerrogativa de função, in
verbis: Súmula 394 STF: Cometido o crime durante o
exercício funcional prevalece a competência especial
Nos processos por crime contra a honra, em que
forem querelantes as pessoas que a Constituição
por prerrogativa de função, ainda que o inquérito ou a
sujeita à jurisdição do Supremo Tribunal Federal e dos ação penal sejam iniciados após a cessação daquele
Tribunais de Apelação, àquele ou a estes caberá o exercício‖ – Cancelada. O art. 84, parágrafo 1º, do CPP:
julgamento, quando oposta e admitida a exceção da atos administrativos.
verdade. Súmula 451 STF – ―A competência especial não
se estende ao crime cometido após a cessação
AUTORIDADES QUE SÃO JULGADAS PELOS definitiva do exercício funcional‖. A prerrogativa alcança
CRIMES DE PRERROGATIVA DE FUNÇÃO: o crime cometido antes da investidura, mas se encerra
Presidente da República (art. 102, I, b, CF) – quando da cessação efetiva do exercício funcional.
Crimes comuns: Supremo Tribunal Federal. Crimes de Sendo o crime praticado antes de o agente ser investido
responsabilidade: Senado Federal (art. 52, I, CF). na função, cessada esta, o processo volta a se deslocar
para o juízo originalmente competente antes da
Deputados Federais e Senadores (arts. 53, investidura.
parágrafo 1º, e 102, I, b, CF) – Supremo Tribunal
Federal, qualquer que seja o crime. Mesmo os A competência determinada pelo foro por
praticados fora da atividade parlamentar e antes da prerrogativa de função exclui a regra do foro pelo lugar
posse. Deputado Federal nomeado Secretário de da infração. Estende-se a competência do Tribunal de
Estado – mantém a prerrogativa de função quando Justiça do Estado sobre o seu jurisdicionado a qualquer
afastado para exercer cargo público constitucionalmente região do território nacional. O Tribunal competente é o
permitido (STF). do Estado da respectiva autoridade, ainda que o crime
tenha sido praticado em outro Estado.
Governador do Estado (art. 105, I, a, CF, e 73,
CE) – Superior Tribunal de Justiça nos crimes comuns. A competência originária por prerrogativa de
Nos de responsabilidade será a Assembleia Legislativa. função se exerce em única instância, não cabendo
recurso ordinário da decisão.
Secretários de Estado (art. 75 CE). Crimes
comuns e de responsabilidade: Competência do TJ. Não havendo indícios suficientes quanto ao
Nos crimes conexos com o do Governador do Estado envolvimento no crime do indiciado sujeito ao foro por
será o STJ. prerrogativa de função, o Tribunal deve remeter os
autos do inquérito policial à autoridade judiciária
Deputados Estaduais (arts. 27, parágrafo 1º, competente para o processo contra os demais. Assim
CF; 42, parágrafo 4º, CE) – Tribunal de Justiça. Ainda também quando for suspenso o processo em relação ao
que cometido antes da posse, visto que a prerrogativa parlamentar (anteriormente à EC 35/01, quando era
tem natureza objetiva, perdurando enquanto o negada licença ao parlamentar, os autos eram
parlamentar detiver o mandato. Eleitoral e Federal: TRE encaminhados ao juízo competente para o processo
ou TRF, conforme o caso. contra o co-autor que não gozava de prerrogativa de
Prefeito Municipal (art. 29, X, CF) – Tribunal de função).
Justiça. Não tendo o TJ jurisdição para julgar crimes Nas ações penais em andamento, sobrevindo
contra bens e serviços da União, neste caso competente competência especial por prerrogativa de função,
será o TRF. Nos crimes eleitorais, será competente o desloca-se a competência imediatamente. São válidos
TRE. Doloso contra a vida, também o Tribunal de os atos anteriores. Tempus regit actum.
Justiça.
A instauração de inquérito policial e o
oferecimento de denúncia independem de prévia licença
DIREITO PROCESSUAL PENAL 49
o
nos casos de imunidade processual (Com a EC § 3 Quando incerto o limite territorial entre duas ou
35/2001, não há mais exigência de prévia licença). mais jurisdições, ou quando incerta a jurisdição por ter
Súmula 245 STF – ―A imunidade parlamentar sido a infração consumada ou tentada nas divisas de
não se estende ao co-réu sem essa prerrogativa‖. A duas ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á
competência por prerrogativa de função o abrange nos pela prevenção.
casos de conexão. Art. 71. Tratando-se de infração continuada ou
Nos casos de conexão e continência, havendo permanente, praticada em território de duas ou mais
crime doloso contra a vida e outro foro por prerrogativa jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção.
de função, não poderá haver reunião das infrações em CAPÍTULO II
um único processo. Cada qual deverá ser julgado por DA COMPETÊNCIA PELO DOMICÍLIO OU
seu Juiz Natural. RESIDÊNCIA DO RÉU
A competência especial por prerrogativa de Art. 72. Não sendo conhecido o lugar da infração, a
função estabelecida no plano constitucional prevalece competência regular-se-á pelo domicílio ou residência
sobre a competência constitucional do Júri, em razão da do réu.
matéria. o
§ 1 Se o réu tiver mais de uma residência, a
Nos processos por crime contra a honra em que competência firmar-se-á pela prevenção.
seja cabível a exceção da verdade, sendo esta oposta, o
§ 2 Se o réu não tiver residência certa ou for
e o querelante gozar de privilégio de foro, o foro
ignorado o seu paradeiro, será competente o juiz que
especial é o competente para apreciar a exceptio
primeiro tomar conhecimento do fato.
veritatis (art. 85 CPP).
Art. 73. Nos casos de exclusiva ação privada, o
STF Súmula nº 394 - Cometido o crime durante
querelante poderá preferir o foro de domicílio ou da
o exercício funcional, prevalece a competência especial
residência do réu, ainda quando conhecido o lugar da
por prerrogativa de função, ainda que o inquérito ou a
infração.
ação penal sejam iniciados após a cessação daquele
exercício. (Cancelada "ex nunc" pelos Inq 687 QO-RTJ CAPÍTULO III
179/912, AP 315 QO-RTJ 180/11, AP 319 QO-DJ de DA COMPETÊNCIA PELA NATUREZA DA INFRAÇÃO
31/10/2001, Inq 656 QO-DJ de 31/10/2001, Inq 881 QO- Art. 74. A competência pela natureza da infração
RTJ 179/440 e AP 313 QO-RTJ 171/745). será regulada pelas leis de organização judiciária, salvo
STF Súmula nº 451 - A competência especial a competência privativa do Tribunal do Júri.
por prerrogativa de função não se estende ao crime § 1º Compete ao Tribunal do Júri o julgamento dos
cometido após a cessação definitiva do exercício o o
crimes previstos nos arts. 121, §§ 1 e 2 , 122,
funcional. parágrafo único, 123, 124, 125, 126 e 127 do Código
Conforme entendimento sumulado do STF, Penal, consumados ou tentados. (Redação dada pela
quando o foro por prerrogativa de função for Lei nº 263, de 23.2.1948)
o
estabelecido exclusivamente pela constituição estadual, § 2 Se, iniciado o processo perante um juiz,
prevalecerá o juízo natural previsto na CF, ou seja, a houver desclassificação para infração da competência
competência do tribunal do júri, para os crimes dolosos de outro, a este será remetido o processo, salvo se mais
contra a vida, por exemplo.(Anal.Jud.TRE- graduada for a jurisdição do primeiro, que, em tal caso,
ES/CESPE/2011) terá sua competência prorrogada.
o
§ 3 Se o juiz da pronúncia desclassificar a infração
DISPOSITIVOS DO CPP: para outra atribuída à competência de juiz singular,
observar-se-á o disposto no art. 410; mas, se a
DA COMPETÊNCIA desclassificação for feita pelo próprio Tribunal do Júri, a
Art. 69. Determinará a competência jurisdicional: seu presidente caberá proferir a sentença (art. 492, §
o
I - o lugar da infração: 2 ).
II - o domicílio ou residência do réu; CAPÍTULO IV
III - a natureza da infração; DA COMPETÊNCIA POR DISTRIBUIÇÃO
IV - a distribuição; Art. 75. A precedência da distribuição fixará a
V - a conexão ou continência; competência quando, na mesma circunscrição judiciária,
houver mais de um juiz igualmente competente.
VI - a prevenção;
Parágrafo único. A distribuição realizada para o
VII - a prerrogativa de função. efeito da concessão de fiança ou da decretação de
CAPÍTULO I prisão preventiva ou de qualquer diligência anterior à
DA COMPETÊNCIA PELO LUGAR DA INFRAÇÃO denúncia ou queixa prevenirá a da ação penal.
Art. 70. A competência será, de regra, determinada CAPÍTULO V
pelo lugar em que se consumar a infração, ou, no caso DA COMPETÊNCIA POR CONEXÃO OU
de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato CONTINÊNCIA
de execução. Art. 76. A competência será determinada pela
o
§ 1 Se, iniciada a execução no território nacional, a conexão:
infração se consumar fora dele, a competência será I - se, ocorrendo duas ou mais infrações, houverem
determinada pelo lugar em que tiver sido praticado, no sido praticadas, ao mesmo tempo, por várias pessoas
Brasil, o último ato de execução. reunidas, ou por várias pessoas em concurso, embora
o
§ 2 Quando o último ato de execução for praticado diverso o tempo e o lugar, ou por várias pessoas, umas
fora do território nacional, será competente o juiz do contra as outras;
lugar em que o crime, embora parcialmente, tenha
produzido ou devia produzir seu resultado.
50 DIREITO PROCESSUAL PENAL
II - se, no mesmo caso, houverem sido umas a desclassificar a infração ou impronunciar ou absolver
praticadas para facilitar ou ocultar as outras, ou para o acusado, de maneira que exclua a competência do
conseguir impunidade ou vantagem em relação a júri, remeterá o processo ao juízo competente.
qualquer delas; Art. 82. Se, não obstante a conexão ou
III - quando a prova de uma infração ou de continência, forem instaurados processos diferentes, a
qualquer de suas circunstâncias elementares influir na autoridade de jurisdição prevalente deverá avocar os
prova de outra infração. processos que corram perante os outros juízes, salvo se
Art. 77. A competência será determinada pela já estiverem com sentença definitiva. Neste caso, a
continência quando: unidade dos processos só se dará, ulteriormente, para o
efeito de soma ou de unificação das penas.
I - duas ou mais pessoas forem acusadas pela
mesma infração; CAPÍTULO VI
II - no caso de infração cometida nas condições DA COMPETÊNCIA POR PREVENÇÃO
o
previstas nos arts. 51, § 1 , 53, segunda parte, e 54 do Art. 83. Verificar-se-á a competência por
Código Penal. prevenção toda vez que, concorrendo dois ou mais
Art. 78. Na determinação da competência por juízes igualmente competentes ou com jurisdição
conexão ou continência, serão observadas as seguintes cumulativa, um deles tiver antecedido aos outros na
regras: (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) prática de algum ato do processo ou de medida a este
relativa, ainda que anterior ao oferecimento da denúncia
I - no concurso entre a competência do júri e a de o o
ou da queixa (arts. 70, § 3 , 71, 72, § 2 , e 78, II, c).
outro órgão da jurisdição comum, prevalecerá a
competência do júri; (Redação dada pela Lei nº 263, de CAPÍTULO VII
23.2.1948) DA COMPETÊNCIA PELA PRERROGATIVA DE
Il - no concurso de jurisdições da mesma categoria: FUNÇÃO
(Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) Art. 84. A competência pela prerrogativa de função
a) preponderará a do lugar da infração, à qual for é do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de
cominada a pena mais grave; (Redação dada pela Lei Justiça, dos Tribunais Regionais Federais e Tribunais de
nº 263, de 23.2.1948) Justiça dos Estados e do Distrito Federal, relativamente
às pessoas que devam responder perante eles por
b) prevalecerá a do lugar em que houver ocorrido o
crimes comuns e de responsabilidade. (Redação dada
maior número de infrações, se as respectivas penas
pela Lei nº 10.628, de 24.12.2002)
forem de igual gravidade; (Redação dada pela Lei nº
263, de 23.2.1948) § 1o A competência especial por prerrogativa de
função, relativa a atos administrativos do agente,
c) firmar-se-á a competência pela prevenção, nos
prevalece ainda que o inquérito ou a ação judicial sejam
outros casos; (Redação dada pela Lei nº 263, de
iniciados após a cessação do exercício da função
23.2.1948)
pública. (Incluído pela Lei nº 10.628, de 24.12.2002)
III - no concurso de jurisdições de diversas (Vide ADIN nº 2797)
categorias, predominará a de maior graduação;
§ 2o A ação de improbidade, de que trata a Lei no
(Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)
8.429, de 2 de junho de 1992, será proposta perante o
IV - no concurso entre a jurisdição comum e a tribunal competente para processar e julgar
especial, prevalecerá esta. (Redação dada pela Lei nº criminalmente o funcionário ou autoridade na hipótese
263, de 23.2.1948) de prerrogativa de foro em razão do exercício de função
Art. 79. A conexão e a continência importarão pública, observado o disposto no § 1º. (Incluído pela Lei
unidade de processo e julgamento, salvo: nº 10.628, de 24.12.2002) (Vide ADIN nº 2797)
I - no concurso entre a jurisdição comum e a militar; Art. 85. Nos processos por crime contra a honra,
II - no concurso entre a jurisdição comum e a do em que forem querelantes as pessoas que a
juízo de menores. Constituição sujeita à jurisdição do Supremo Tribunal
o
§ 1 Cessará, em qualquer caso, a unidade do Federal e dos Tribunais de Apelação, àquele ou a estes
processo, se, em relação a algum co-réu, sobrevier o caberá o julgamento, quando oposta e admitida a
caso previsto no art. 152. exceção da verdade.
o
§ 2 A unidade do processo não importará a do Art. 86. Ao Supremo Tribunal Federal competirá,
julgamento, se houver co-réu foragido que não possa privativamente, processar e julgar:
ser julgado à revelia, ou ocorrer a hipótese do art. 461. I - os seus ministros, nos crimes comuns;
Art. 80. Será facultativa a separação dos II - os ministros de Estado, salvo nos crimes
processos quando as infrações tiverem sido praticadas conexos com os do Presidente da República;
em circunstâncias de tempo ou de lugar diferentes, ou, III - o procurador-geral da República, os
quando pelo excessivo número de acusados e para não desembargadores dos Tribunais de Apelação, os
Ihes prolongar a prisão provisória, ou por outro motivo ministros do Tribunal de Contas e os embaixadores e
relevante, o juiz reputar conveniente a separação. ministros diplomáticos, nos crimes comuns e de
Art. 81. Verificada a reunião dos processos por responsabilidade.
conexão ou continência, ainda que no processo da sua Art. 87. Competirá, originariamente, aos Tribunais
competência própria venha o juiz ou tribunal a proferir de Apelação o julgamento dos governadores ou
sentença absolutória ou que desclassifique a infração interventores nos Estados ou Territórios, e prefeito do
para outra que não se inclua na sua competência, Distrito Federal, seus respectivos secretários e chefes
continuará competente em relação aos demais de Polícia, juízes de instância inferior e órgãos do
processos. Ministério Público.
Parágrafo único. Reconhecida inicialmente ao júri a CAPÍTULO VIII
competência por conexão ou continência, o juiz, se vier
DIREITO PROCESSUAL PENAL 51
DISPOSIÇÕES ESPECIAIS 4 [64] A competência criminal da justiça federal é ampla,
Art. 88. No processo por crimes praticados fora do aberta e residual, podendo os juízes e tribunais
território brasileiro, será competente o juízo da Capital federais intervir e julgar todas as causas em que
do Estado onde houver por último residido o acusado. vislumbrem interesse interestadual.
Se este nunca tiver residido no Brasil, será competente 5 [65] A competência territorial se fixa prioritariamente
o juízo da Capital da República. pelo local em que se consumou a infração, sendo
Art. 89. Os crimes cometidos em qualquer que, no caso de crimes continuados ou
embarcação nas águas territoriais da República, ou nos permanentes, praticados em mais de uma jurisdição,
rios e lagos fronteiriços, bem como a bordo de será competente o titular da jurisdição sobre o
embarcações nacionais, em alto-mar, serão último, ou mais recente, local de execução.
processados e julgados pela justiça do primeiro porto
brasileiro em que tocar a embarcação, após o crime, ou, 03. (Prom.Just.MPE-RN/CESP/2009) Em relação à
quando se afastar do País, pela do último em que competência no âmbito do direito processual penal,
houver tocado. assinale a opção correta.
Art. 90. Os crimes praticados a bordo de aeronave a) A competência para julgar conflito negativo de
nacional, dentro do espaço aéreo correspondente ao atribuições entre órgãos do MP de estados-membros
território brasileiro, ou ao alto-mar, ou a bordo de diversos é do STJ.
aeronave estrangeira, dentro do espaço aéreo
b) Caso determinada autoridade do estado do Rio
correspondente ao território nacional, serão
Grande do Norte, detentora de foro especial por
processados e julgados pela justiça da comarca em cujo
prerrogativa de função no TJRN, cuja previsão
território se verificar o pouso após o crime, ou pela da
encontra-se apenas na respectiva constituição
comarca de onde houver partido a aeronave.
estadual, cometa crime doloso contra a vida, a
Art. 91. Quando incerta e não se determinar de competência para processá-la e julgá-la deve ser do
acordo com as normas estabelecidas nos arts. 89 e 90, tribunal do júri.
a competência se firmará pela prevenção. (Redação
c) Por se tratar de hipótese de competência criminal
dada pela Lei nº 4.893, de 9.12.1965)
absoluta, verificada a ocorrência de conexão entre
delitos diversos, deve ser determinada a reunião dos
EXERCÍCIOS / COMPETÊNCIA processos, ainda que um deles já tenha sido julgado,
sob pena de nulidade, que pode ser alegada a
01. (Anal.Jud.TRE-ES/CESPE/2011) No que concerne
qualquer tempo e em qualquer grau de jurisdição.
às regras de competência que regem o processo
penal brasileiro, julgue os itens a seguir d) Tratando-se de competência territorial pelo lugar da
infração, em regra, o CPP adotou a teoria da
1 [100] O tribunal de justiça não tem competência para
atividade.
julgar prefeito municipal pela prática de crime
eleitoral. e) Em regra, observa-se a teoria do resultado para se
firmar a competência no âmbito dos juizados
2 [101] O tribunal do júri é competente para julgar
especiais criminais estaduais.
promotor de justiça que comete crime doloso contra
a vida, consumado ou tentado.
3 [102] Conforme entendimento sumulado do STF, 04. (Del.Pol.Civil-PB/CESPE/2009) Assinale a opção
quando o foro por prerrogativa de função for correta no que concerne à competência.
estabelecido exclusivamente pela constituição a) Compete ao juízo do local da emissão da cártula
estadual, prevalecerá o juízo natural previsto na CF, processar e julgar crime de estelionato mediante
ou seja, a competência do tribunal do júri, para os emissão de cheque sem fundo.
crimes dolosos contra a vida, por exemplo. b) Nos crimes qualificados pelo resultado, por força da
teoria da atividade, adotada pelo CPP, o foro
02. (Pertio Telec.PC-ES/CESPE/2010) Julgue os competente é o do local da prática da ação,
seguintes itens, acerca da competência no processo independentemente do local em que se consumou o
penal. delito.
1 [61] A competência definida de acordo com a c) O juízo deprecado é o competente para processar e
modalidade da infração é espécie de competência julgar crime de falso testemunho praticado mediante
absoluta, e é especificada pelas leis e normas de carta precatória.
organização judiciária e também pela CF, no caso d) Ocorre a conexão intersubjetiva concursal quando
do tribunal do júri. duas ou mais infrações tiverem sido praticadas ao
2 [62] Será competente por conexão o juízo sob cuja mesmo tempo e por várias pessoas reunidas, ainda
jurisdição territorial for cometido o crime ao qual for que sem liame subjetivo entre as condutas.
cominada a pena mais grave, quando, havendo duas e) Ocorre a conexão probatória quando a infração é
ou mais infrações consumadas em locais diversos, praticada para facilitar ou ocultar outra, ou ainda
para as quais sejam isoladamente competentes para conseguir impunidade ou vantagem em relação
diferentes juízos de uma mesma categoria, estas a qualquer uma delas.
houverem sido umas praticadas para facilitar ou
ocultar as outras, ou para conseguir impunidade ou 05. (OAB 130º SP/2006) Quanto à competência, aponte
vantagem em relação a qualquer delas.
a alternativa incorreta.
3 [63] Entre juízes igualmente competentes, ou com
a) Quando incerto o limite territorial entre duas
competência cumulativa, a competência será fixada
comarcas, se a infração for praticada na divisa, a
por prevenção, definida pela prática anterior de
competência será firmada pela prevenção.
qualquer ato ou medida, ainda que na fase pré-
processual ou de inquérito.
52 DIREITO PROCESSUAL PENAL
b) No caso de crime continuado, praticado em território armados, que roubaram a quantia de R$ 500,00.
de duas ou mais comarcas, será competente o foro Nesse caso, a competência para processar e julgar
do domicílio do réu. eventual ação penal será da justiça federal.
c) O foro competente para o processo e julgamento dos
crimes de estelionato, sob a modalidade de emissão 09. (CESPE - 2012 - PC-CE - Inspetor de Polícia - Civil)
dolosa de cheque sem provisão de fundos, é o do Considere que um agente tenha sido surpreendido
local onde se deu a recusa do pagamento pelo por inspetores civis, na cidade de Fortaleza – CE,
sacado. com mercadorias que adentraram no Brasil, por
d) Nos casos de exclusiva ação de iniciativa privada, o meio de contrabando, pela cidade de Foz do Iguaçu
querelante poderá preferir o foro de domicílio ou da – PR. Nesse caso, a competência da justiça federal
residência do réu, ainda quando conhecido o lugar será determinada pelo local de entrada dos
da infração. produtos, e não pelo local da apreensão.

10. (CESPE - 2011 - PC-ES - Perito Papiloscópico) A


06. (Juiz Su.TJ-SE/CESPE/2008) Segundo
competência criminal da justiça federal é ampla,
entendimento dos tribunais superiores sobre
aberta e residual, podendo os juízes e tribunais
competência, assinale a opção correta.
federais intervir e julgar todas as causas em que
a) Viola as garantias do juiz natural, da ampla defesa e vislumbrem interesse interestadual.
do devido processo legal a atração por continência
do processo do co-réu ao foro por prerrogativa de
Gabarito: 01/CEC; 02/CCCEE; 03/B; 04/C; 05/B; 06/B;
função do outro denunciado.
07/D; 08/C; 09/E; 10/E
b) A competência do tribunal de justiça para julgar
prefeitos restringe-se aos crimes de competência da
justiça comum estadual. QUESTÕES E PROCESSOS INCIDENTES
c) A competência constitucional do tribunal do júri não 10
INTRODUÇÃO
prevalece sobre o foro por prerrogativa de função
estabelecida exclusivamente pela Constituição O processo penal tem por finalidade resolver
estadual. uma dupla questão fundamental: se o delito realmente
existiu (materialidade) e se o réu cometeu o crime
d) O processo e julgamento dos crimes conexos de
(autoria). Se as duas questões forem respondidas de
competência federal, eleitoral e estadual compete à
modo afirmativo, o acusado será condenado ou, caso
justiça federal, uma vez que prevalece a justiça
contrário, será absolvido.
especial em relação à comum.
Porém, podem aparecer controvérsias que
e) O processo por contravenção penal praticada em
devem ser resolvidas antes da questão principal. Tais
detrimento de bens da União compete à justiça
controvérsias são chamadas de questões e processos
federal.
incidentes, ou seja, discussões que têm relação com o
crime ou com o processo e devem, necessariamente,
07. (OAB/CESPE/2008.1) Em relação à delimitação da ser resolvidas, antes da questão principal.
competência no processo penal, às prerrogativas de São espécies de questões e processos
função e ao foro especial, assinale a opção correta. incidentes:
a) O militar que, no exercício da função, pratica crime 1) questões prejudiciais (arts. 92 a 94);
doloso contra a vida de um civil deve ser processado
2) processos incidentes (arts. 95 a 154), que se
perante a justiça militar.
dividem em:
b) Membro do Ministério Público estadual que pratica
I) exceções (arts. 95 a 111);
crime doloso contra a vida deve ser processado
perante o tribunal do júri e, não, no foro por II) incompatibilidade e impedimentos (art. 112);
prerrogativa de função ou especial, visto que a II) conflito de jurisdição (arts. 113 a 117);
competência do tribunal do júri está expressa na IV) restituição das coisas apreendidas (arts.
Constituição Federal. 118 a 124);
c) No caso de conexão entre um crime comum e um V) medidas assecuratórias (arts. 125 a 144);
crime eleitoral, este deve ser processado perante a VI) incidente de falsidade (arts. 145 a 148);
justiça eleitoral e aquele, perante a justiça estadual,
visto que, no concurso de jurisdições de diversas VII) incidente de insanidade mental do acusado
categorias, ocorre a separação dos processos. (arts. 149 a 154).
d) Não viola a garantia do juiz natural a atração por 11
continência do processo do co-réu ao foro especial RESTITUIÇÃO DAS COISAS APREENDIDAS (ARTS.
do outro denunciado, razão pela qual um advogado 118 A 124)
e um juiz de direito que pratiquem crime contra o Uma das primeiras atribuições da autoridade
patrimônio devem ser processados perante o policial durante o inquérito é apreender os objetos que
tribunal de justiça. tenham relação com o fato criminoso (art. 6°, II).
Também existe durante o processo a medida cautelar
08. (CESPE - 2012 - PC-CE - Inspetor de Polícia - Civil)
Acerca da competência no processo penal, julgue os 10
itens subsequentes. Fonte: Alexandre Magno Fernandes Moreira,
http://www.direitonet.com.br
I- Considere que a agência dos Correios de determinado 11
bairro de Fortaleza – CE, que funciona em prédio Tem a finalidade de restituir os bens apreendidos na faze de
próprio da ECT, tenha sido assaltada por agentes inquérito policial ou durante a instrução criminal que não
tenho mais utilidades para o processo.
DIREITO PROCESSUAL PENAL 53
de busca e apreensão (art. 240). O objetivo desses b) hipoteca legal (arts. 134/136) - medida
procedimentos é auxiliar na elucidação do crime. assecuratória que torna indisponíveis os bens imóveis
Desses objetos apreendidos, podem ser do acusado adquiridos legalmente;
restituídas, antes de transitar em julgado a sentença c) arresto (art. 137) - medida assecuratória que
condenatória, aquelas peças que não interessarem a o torna indisponíveis os bens móveis do acusado
processo (art. 118). Nos outros casos, a restituição se adquiridos legalmente.
dá com o trânsito em julgado da sentença (art. 119), a d) Busca e apreensão (art. 240 CPP)
não ser que se trate de (CP, art. 91, II): a) instrumentos
do crime, cujo uso, porte ou fabricação, seja
considerado ilícito; b) produto do crime ou qualquer bem 1 Sequestro:
ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com Significa retenção de coisa litigiosa.
a prática do crime. Mesmo nesses casos, a restituição De bens imóveis – podem ser objeto de
pode ser feita se os objetos pertencerem ao lesado ou sequestro os imóveis adquiridos pelo agente com os
terceiro de boa-fé. proveitos da infração, ainda que transferidos a terceiros
DICAS DE CONCURSOS: (art. 125 do Código de Processo Penal – CPP).
A restituição de coisas apreendidas, inexistindo De bens móveis – se o réu adquiriu bens móveis
dúvidas ou óbices sobre o direito do reclamante, pode com os proventos ou produtos do crime, poderão eles
ser determinada pela autoridade policial, mediante ser objeto de sequestro. Essa medida somente será
termo nos autos do inquérito policial, sendo tomada se o bem não foi apreendido em busca e
dispensáveis a manifestação do órgão do MP e decisão apreensão efetivadas nos termos do art. 244 do CPP.
do juízo criminal. (Prom.Just.Sub.MPE-
SE/CESPE/2010. Oportunidade para interposição
De acordo com o artigo 127 do Código de
12
MEDIDAS ASSECURATÓRIAS (ARTS. 125-144) Processo Penal, o sequestro pode ser concedido antes
de iniciada a ação penal, ou seja, durante a fase de
A finalidade principal do Processo Penal é inquérito, bem como após o seu início. A razão de ser
descobrir a verdade dos fatos, condenando ou possível a sua proposição antes de começada a ação,
absolvendo o réu. A sentença condenatória, além de se deve ao risco de que durante o procedimento
aplicar ao réu uma pena, gera também as seguintes investigativo, o investigado se desfaça de seus bens
consequências: impossibilitar ao agente que tenha lucro tornando difícil a reparação do dano.
com a atividade criminosa; dá direito à vítima ao
ressarcimento dos danos causados; e pode,
eventualmente, obrigar o condenado ao pagamento de Requisitos para a concessão da medida
uma pena pecuniária. Os artigos 125, 126 e 127 do Código de
Para que o processo tenha condições de gerar Processo Penal, estabelecem que o sequestro poderá
essas consequências, o CPP previu as medidas ser decretado se existirem indícios veementes da
assecuratórias: providências tomadas no curso do origem ilícita dos bens imóveis ou móveis do indiciado
processo que objetivam assegurar o direito à ou acusado, mesmo que estes tenham sido transferidos
indenização da vítima do crime, o pagamento de a terceiros.
eventual pena pecuniária ou evitar que o acusado Consideramos necessário, explicar
obtenha lucro com a atividade criminosa. individualmente cada um dos elementos exigidos pela
Nesse sentido, as medidas assecuratórias são lei para a determinação da medida do sequestro.
as seguintes:
13
a) sequestro de bens (arts. 125/133) – medida Competência para decretar a medida
assecuratória consistente em reter os bens móveis e Somente o juiz penal é que possui competência
imóveis do acusado quando adquiridos com o proveito para determinar o sequestro. Mas para saber qual o juiz
da infração penal; penal o competente, deve-se observar algumas regras.
A primeira é a de que se os autos do inquérito já foram
distribuídos, a competência será o juiz da ação. Se os
autos da peça investigativa ainda não foram
distribuídos, a competência será do juiz penal da
12 comarca. Existindo mais de um juiz criminal na comarca,
Medidas Assecuratórias ―são providências
cautelares de natureza processual, urgentes e a competência será definida por sorteio realizado no
provisórias, determinadas com o fim de assegurar a Cartório do Distribuidor.
eficácia de uma futura decisão judicial, seja quanto à Uma observação a ser feita, é que havendo
reparação do dano decorrente do crime seja para a determinação da medida antes da distribuição do
efetiva execução da pena a ser imposta”. Fernando inquérito policial, o juiz que a concedeu, será o prevento
Capez. para conhecer da ação penal.
13
Sequestro: “medida assecuratória, fundada no
interesse público e antecipativa do perdimento de Legitimidade
bens como efeito da condenação, no caso de bens
Possuem legitimidade e podem requerer o
produto do crime ou adquiridos pelo agente com a
sequestro:
prática do fato criminoso. Por ter por fundamento o
interesse público, qual seja o de que a atividade a) o Ministério Público, mesmo em fase de
criminosa não tenha vantagem econômica, o inquérito, obedecidas as regras de
sequestro pode, inclusive, ser decretado de ofício‖. competência;
Vicente Grecco Filho, Manual de Processo Penal. b) a autoridade policial, mediante representação
3ª ed. atual., São Paulo : 1995, p. 163. para o juiz;
54 DIREITO PROCESSUAL PENAL
c) o ofendido no delito; se for incapaz, seus Se a especialização da hipoteca legal for
representantes legais; se estiver morto, seus requerida no juízo cível, obviamente será este o
herdeiros; competente para decidi-la. Como estamos falando sobre
d) o juiz pode decretar a medida de ofício, uma medida assecuratória penal, a competência neste
independentemente de provocação de caso, será da autoridade judiciária que estiver
qualquer das partes anteriormente citadas. presidindo a ação penal.

Legitimidade
Fases da decretação do sequestro
O pedido de especialização da hipoteca legal
Pode ser decretado em qualquer fase do
pode ser formulado pelo ofendido (art. 134 do CPP),
processo, ou ainda antes de oferecer a denúncia ou
pela parte (art. 135 do CPP), pelo representante legal da
queixa.
vítima ou seus herdeiros (art. 842, I e 827, VI do CCB) e
pelo Ministério Público, quando o ofendido for pobre e a
Depósito e Leilão dos bens sequestrados ele requeira, ou se houver interesse da fazenda pública
O depósito e a administração dos bens (municipal, estadual ou federal).
sequestrados é regulado de acordo com as regras do
Código de Processo Civil (arts. 148 a 150), que serão Finalidade da medida
aplicadas subsidiariamente no processo penal. A especialização da hipoteca legal possui duas
Transitada em julgado a sentença penal finalidades básicas, a primeira, é a de satisfazer o dano
condenatória, sem ter sido a medida de sequestro sobre ex delicto; e a segunda, pagar as penas pecuniárias se
os bens levantada, o juiz que determinou a medida será aplicadas, e também, as despesas processuais. Deve-
o competente para ordenar a avaliação dos bens e a se ficar bem claro, que a primeira finalidade tem
venda destes em leilão público. O dinheiro obtido servirá prioridade em relação à segunda, isto é, indeniza-se a
para indenizar à vítima, o terceiro de boa-fé, por ventura vítima primeiro, e o que sobrar o Estado recolhe,
lesado, e para pagar as despesas existentes no conforme o disposto no artigo 140 do CPP.
processo; o restante, se houver, será recolhido ao
tesouro nacional. Não existindo licitante, o bem será Procedimento para a especialização da hipoteca legal
adjudicado à vítima.
O procedimento para especialização da hipoteca
DICA DE CONCURSO: legal está expresso no art. 135, caput e seus
O sequestro será levantado se for julgada extinta parágrafos.
a punibilidade ou absolvido o réu, por sentença
transitada em julgado. (OAB/CESPE/2009). Caução para evitar a hipoteca legal
O Código de Processo Penal, no § 6º do artigo
2 Hipoteca legal: 135, permite que a hipoteca legal seja impedida através
Destina-se a assegurar a reparação do dano de caução, prestada pelo réu. A caução poderá ser
causado à vítima, bem assim o pagamento de eventual realizada em dinheiro ou títulos da dívida pública, a
pena de multa e despesas processuais, tendo a primeira serem cotados na bolsa, no dia em que for procedida.
preferência sobre estas últimas. A grande discussão a respeito da caução, gira
Hipoteca legal é o direito real de garantia em em torno desta ser mera faculdade do juiz ou direito
virtude do qual um bem imóvel, que continua em poder subjetivo do réu.
do devedor, assegura ao credor, precipuamente, o Os que entendem da última forma, argumentam
pagamento da dívida. que se estiverem presentes todos os requisitos legais
Três são as espécies de hipoteca: a para se evitar a medida, não poderá o juiz, negá-la ao
convencional, a judicial ou a legal. A primeira, decorre requerente. Entendemos ser este posicionamento o
do contrato celebrado entre o credor e o devedor da mais acertado, pelos motivos esposados.
obrigação. A segunda, advém de uma sentença judicial. Os defensores da primeira posição, afirmam que
A terceira, a legal, é a que nos interessa, pois sobre ela o dispositivo é bem claro ao expressar ―o juiz poderá
que se refere o Código de Processo Penal. A hipoteca deixar de mandar proceder à inscrição da hipoteca
legal é aquela instituída pela lei, como medida cautelar, legal‖.27 Tratando-se a decisão, de liberalidade do juiz.
favorável a certas pessoas, com o fim de garantir
determinadas obrigações (vide art. 827, VI do Código
Civil Brasileiro). 3 Arresto:
Enquanto o sequestro recai necessariamente
sobre bens relacionados à prática criminosa (adquiridos
com os proventos da infração), o arresto consiste na
constrição de bens móveis pertencentes ao agente, para
garantir a satisfação da pretensão indenizatória do
ofendido.
Requisitos Arresto é a retenção de qualquer bem do
Dois são os requisitos necessários para a acusado, com a finalidade de assegurar o ressarcimento
especialização da hipoteca legal: do dano, evitando-se desta feita, a dissipação do
a) a prova inequívoca da materialidade do fato patrimônio deste.
delituoso; Art. 137. Se o responsável não possuir bens
b) indícios suficientes de autoria. imóveis ou os possuir de valor insuficiente, poderão
ser arrestados bens móveis suscetíveis de penhora,
nos termos em que é facultada a hipoteca legal dos
Competência para autorizar a medida imóveis.
DIREITO PROCESSUAL PENAL 55
§ 1o Se esses bens forem coisas fungíveis e substituídos por outros do mesmo gênero, qualidade e
facilmente deterioráveis, proceder-se-á na forma do quantidade.
§ 5o do art. 120.
§ 2o Das rendas dos bens móveis poderão ser
Rendas
fornecidos recursos arbitrados pelo juiz, para a
manutenção do indiciado e de sua família. Se os bens móveis arrestados gerarem rendas,
caberá ao juiz arbitrar uma importância proveniente
destes rendimentos, a ser entregue à vítima para a sua
Oportunidade e Requisitos manutenção e a de sua família.
O arresto poderá será interposto em qualquer
fase do processo, pois, como veremos no Arresto
Recurso cabível
(sequestro) prévio, pode servir de preparação para a
especialização da hipoteca legal. O recurso cabível contra a decisão que concede
ou não o arresto, será a apelação, como nas demais
Dois requisitos deverão ser satisfeitos para poder medidas assecuratórias.
se interpor o arresto: a) a prova da materialidade do
delito; b) a existência de indícios suficientes de autoria.
4 Busca e apreensão
Depósito e administração dos bens arrestados Busca do verbo buscar, sinônimo de encontrar,
Os bens arrestados (sequestrados) serão descobrir, procurar, investigar. Significa a procura de
entregues a terceiro estranho à lide, que ficará alguma coisa ou de alguém.
responsável pelo depósito e administração dos objetos, Apreensão do verbo apreender. É a medida
segundo as regras processuais civis (art. 139 do CPP). que se sucede à busca.
Busca domiciliar. Expressão dia e noite.
Arresto (sequestro) prévio Critérios a serem usados: luz solar e critério legal (art.
A lei possibilita um arresto prévio, cautelar, diante 172 CPC).
da possibilidade de haver demora no processo de Art. 5º, (...)
especialização e inscrição da hipoteca legal. Assim, XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo,
quaisquer bens imóveis do réu podem ser sequestrados, ninguém nela podendo penetrar sem
para posteriormente ser objeto do pedido de inscrição consentimento do morador, salvo em caso de
flagrante delito ou desastre, ou para prestar
da hipoteca legal, não se confundindo com o sequestro
socorro, ou, durante o dia, por determinação
previsto no art. 125. O arresto provisório é revogado, se judicial;
no prazo de quinze dias, não for promovido o pedido de
inscrição da hipoteca legal. A noite, portanto, é possível o ingresso no
domicílio do investigado (ou réu) quando:
Note-se que esta medida, aplicar-se-á, apenas a
bens imóveis, vez que é preparatória para a a) o morador der o consentimento;
especialização da hipoteca legal. b) houver flagrante delito;
c) ocorrer desastre;
Arresto (sequestro) definitivo d) for para prestar socorro.
Antes de tudo, cabe-nos alertar sobre o erro
tipográfico na última palavra do caput do artigo 137: Requisitos do mandado
trata-se de ―imóveis‖ e não de ―móveis‖, pois só os
Prova irregular. Vide art. 243 CPP, in verbis:
primeiros podem ser hipotecados, salvo as exceções
legais. Além disso, a lei trata não verdadeiramente de Art. 243. O mandado de busca deverá:
―sequestro‖ (art. 822 do CPC), mas de ―arresto‖ (art. 813 I - indicar, o mais precisamente possível, a casa em
do CPC). Só podem ser objeto desse tipo de sequestro que será realizada a diligência e o nome do
respectivo proprietário ou morador; ou, no caso de
os bens que sejam suscetíveis de penhora. busca pessoal, o nome da pessoa que terá de
Além disso, é necessário que não haja bens sofrê-la ou os sinais que a identifiquem;
imóveis ou sejam eles insuficientes para garantir a II - mencionar o motivo e os fins da diligência;
responsabilidade do acusado ou de seu responsável, III - ser subscrito pelo escrivão e assinado pela
para que os bens móveis possam ser arrestados. autoridade que o fizer expedir.
Logo, não se admite expedição de mandado de
Levantamento busca e apreensão coletivo. Se houver, a prova será
O arresto será levantado ou cancelado, quando a irregular.
sentença penal for absolutória ou houver sido julgada
extinta a punibilidade. Cancelada a medida nestes dois Sistema acusatório e a busca feita pelo magistrado:
casos, os bens deverão ser devolvidos ao acusado. art. 241 CPP.
Quando a própria autoridade policial ou judiciária
Bens Fungíveis não a realizar pessoalmente, a busca domiciliar deverá
Se os bens móveis arrestados, nos termos do art. ser precedida da expedição de mandado
137, forem fungíveis e facilmente deterioráveis, estes
deverão ser avaliados e levados à leilão público,
devendo ser o dinheiro apurado, depositado ou entregue
a terceiro idôneo, que assinará termo de
responsabilidade (art. 137, § 1º c/c art. 120, § 5º do
CPP).
São fungíveis os bens móveis que podem ser
56 DIREITO PROCESSUAL PENAL
14
VII INSANIDADE MENTAL DO ACUSADO (ARTS.
149-154) Autuação e nomeação de curador
Introdução: O juiz mandará autuar o pedido em apartado (art.
Crime é fato típico e ilícito. A culpabilidade é 153, primeira parte) e nomeará um curador ao réu,
pressuposto de aplicação da pena e se compõe de quando determinar o exame (art. 149, § 2º, primeira
imputabilidade, exigibilidade de conduta diversa e parte).
potencial conhecimento da ilicitude. A imputabilidade é a Somente após a apresentação do laudo o
capacidade de ser responsabilizado por determinado incidente será apensado ao processo principal (art. 153,
crime. Para ser imputável, alguém deve ser capaz de última parte).
compreender o ilícito e de se comportar de acordo com
essa compreensão. Suspensão do processo
A pessoa que não tem esse discernimento e/ou Tendo sido iniciado a ação penal, o juiz
essa liberdade é inimputável. A causa dessa determinará a suspensão do processo, salvo quanto as
inimputabilidade pode advir de doença mental, diligências que possam ser prejudicadas com o
desenvolvimento mental incompleto ou retardado (CP, adiamento (art. 149, § 2º, última parte). A prescrição, no
art. 26) ou da menoridade (CP, art. 28). Esse último entanto, corre normalmente.
caso não nos interessa, pois o menor de 18 anos e
maior de 12 que cometa crime (chamado de ato Exame pericial
infracional) é julgado de acordo com o Estatuto da
O juiz ordenará a realização de exame pericial,
Criança e do Adolescente (ECA) e o menor de 12 anos
que será feito por dois peritos, normalmente por dois
não é responsabilizado, podendo contar ainda com
médicos psiquiatras. Os peritos deverão concluir a
medidas protetivas.
perícia em 45 dias, podendo tal prazo ser prorrogado se
A pessoa portadora de insanidade mental não demonstrarem necessidade (art. 150, § 1º).
pode ser punida, nem condenada, pois não tem
Se o acusado estiver preso, será internado em
capacidade de se responsabilizar pelos próprios atos.
manicômio judiciário, onde houver, para que se realize o
Pode, porém, ser processada, e, caso o juiz considere
exame. Se estiver solto, os peritos poderão requerer
que o réu cometeu um fato típico e ilícito, lhe aplicará
que o réu seja recolhido em estabelecimento adequado
uma medida de segurança, espécie de sanção voltada
designado pelo juiz (art. 150, caput).
para a cura e tratamento.
Pois bem. Se, durante o processo ou inquérito,
Resultado do exame pericial
surge dúvida a respeito da sanidade mental do acusado,
o juiz deve instaurar uma perícia médico-legal para - Se os peritos concluírem que o acusado era, ao
esclarecer a situação. tempo da infração, irresponsável nos termos do art. 26
do Código Penal, o processo prosseguirá, com a
A perícia pode mostrar uma das seguintes
presença do curador (art. 151, CPP).
possibilidades:
- Se os peritos verificarem que a doença mental
a) o acusado não é insano – o processo continua
surgiu após a prática da infração, o processo continuará
normalmente;
suspenso até que o acusado se restabeleça (art. 152,
b) o acusado é insano – o juiz deve nomear um CPP). O juiz poderá, nesse caso, ordenar a internação
curador, que é um representante legal do réu. Podem do acusado em manicômio judiciário ou em outro
ocorrer as seguintes hipóteses: estabelecimento adequado (art. 152, § 1º, CPP).
I) o acusado se tornou insano após o O processo retomará o seu curso, desde que se
cometimento do crime – o processo fica restabeleça o acusado, ficando-lhe assegurada a
suspenso até o seu restabelecimento, faculdade de reinquirir as testemunhas que houverem
podendo ser internado em manicômio (CPP, prestado depoimento sem a sua presença (art. 152, §
art. 152); 2°, CPP).
II) o acusado já era insano ao tempo do crime. Observação:
A insanidade pode ser verificada no inquérito,
durante o processo ou mesmo após a Se a insanidade mental ocorrer no curso da
condenação. No último caso, a pena será execução penal, o réu deverá ser removido do
substituída por medida de segurança (LEP, estabelecimento prisional para a casa de custódia
183). judicial. Se for caso de doença incurável, a pena será
substituída pela medida de segurança. Se o réu se
curar, os dias de internação contarão como dias de
Abertura do incidente pena e retornará ao presídio para cumprir o resto da
O incidente poderá ser instaurado mediante (art. pena.
149/CPP):
a) representação da autoridade policial, sendo o exame
pericial efetuado ainda na fase do Inquérito Policial DICA DE CONCURSO:
(art. 149, § 1º); O exame de avaliação da saúde mental do
b) requerimento do Ministério Público; acusado poderá ser ordenado na fase do inquérito,
c) de ofício pelo juiz; mediante representação da autoridade policial ao juiz
d) requerimento do defensor, do curador, do competente. (OAB/CESPE/2009.3)
ascendente, do descendente, irmão ou cônjuge do
réu.
DISPOSITIVOS DO CPP:

14
TÍTULO VI
Tem como finalidade verificar a saúde mental do acusado
DAS QUESTÕES E PROCESSOS INCIDENTES
quando da prática do ilícito penal.
DIREITO PROCESSUAL PENAL 57
CAPÍTULO I depositário ou do próprio terceiro que as detinha, se for
DAS QUESTÕES PREJUDICIAIS pessoa idônea.
o
Art. 92. Se a decisão sobre a existência da § 5 Tratando-se de coisas facilmente
infração depender da solução de controvérsia, que o juiz deterioráveis, serão avaliadas e levadas a leilão público,
repute séria e fundada, sobre o estado civil das depositando-se o dinheiro apurado, ou entregues ao
pessoas, o curso da ação penal ficará suspenso até que terceiro que as detinha, se este for pessoa idônea e
no juízo cível seja a controvérsia dirimida por sentença assinar termo de responsabilidade.
passada em julgado, sem prejuízo, entretanto, da Art. 121. No caso de apreensão de coisa adquirida
inquirição das testemunhas e de outras provas de com os proventos da infração, aplica-se o disposto no
natureza urgente. art. 133 e seu parágrafo.
Parágrafo único. Se for o crime de ação pública, o Art. 122. Sem prejuízo do disposto nos arts. 120 e
Ministério Público, quando necessário, promoverá a 133, decorrido o prazo de 90 dias, após transitar em
ação civil ou prosseguirá na que tiver sido iniciada, com julgado a sentença condenatória, o juiz decretará, se for
a citação dos interessados. caso, a perda, em favor da União, das coisas
Art. 93. Se o reconhecimento da existência da apreendidas (art. 74, II, a e b do Código Penal) e
infração penal depender de decisão sobre questão ordenará que sejam vendidas em leilão público.
diversa da prevista no artigo anterior, da competência Parágrafo único. Do dinheiro apurado será
do juízo cível, e se neste houver sido proposta ação recolhido ao Tesouro Nacional o que não couber ao
para resolvê-la, o juiz criminal poderá, desde que essa lesado ou a terceiro de boa-fé.
questão seja de difícil solução e não verse sobre direito Art. 123. Fora dos casos previstos nos artigos
cuja prova a lei civil limite, suspender o curso do anteriores, se dentro no prazo de 90 dias, a contar da
processo, após a inquirição das testemunhas e data em que transitar em julgado a sentença final,
realização das outras provas de natureza urgente. condenatória ou absolutória, os objetos apreendidos não
o
§ 1 O juiz marcará o prazo da suspensão, que forem reclamados ou não pertencerem ao réu, serão
poderá ser razoavelmente prorrogado, se a demora não vendidos em leilão, depositando-se o saldo à disposição
for imputável à parte. Expirado o prazo, sem que o juiz do juízo de ausentes.
cível tenha proferido decisão, o juiz criminal fará Art. 124. Os instrumentos do crime, cuja perda em
prosseguir o processo, retomando sua competência favor da União for decretada, e as coisas confiscadas,
para resolver, de fato e de direito, toda a matéria da de acordo com o disposto no art. 100 do Código Penal,
acusação ou da defesa. serão inutilizados ou recolhidos a museu criminal, se
o
§ 2 Do despacho que denegar a suspensão não houver interesse na sua conservação.
caberá recurso. CAPÍTULO VI
o DAS MEDIDAS ASSECURATÓRIAS
§ 3 Suspenso o processo, e tratando-se de crime
de ação pública, incumbirá ao Ministério Público intervir Art. 125. Caberá o sequestro dos bens imóveis,
imediatamente na causa cível, para o fim de promover- adquiridos pelo indiciado com os proventos da infração,
lhe o rápido andamento. ainda que já tenham sido transferidos a terceiro.
Art. 94. A suspensão do curso da ação penal, nos Art. 126. Para a decretação do sequestro, bastará
casos dos artigos anteriores, será decretada pelo juiz, a existência de indícios veementes da proveniência
de ofício ou a requerimento das partes. ilícita dos bens.
CAPÍTULO V Art. 127. O juiz, de ofício, a requerimento do
DA RESTITUIÇÃO DAS COISAS APREENDIDAS Ministério Público ou do ofendido, ou mediante
Art. 118. Antes de transitar em julgado a sentença representação da autoridade policial, poderá ordenar o
final, as coisas apreendidas não poderão ser restituídas sequestro, em qualquer fase do processo ou ainda
enquanto interessarem ao processo. antes de oferecida a denúncia ou queixa.
Art. 119. As coisas a que se referem os arts. 74 e Art. 128. Realizado o sequestro, o juiz ordenará a
100 do Código Penal não poderão ser restituídas, sua inscrição no Registro de Imóveis.
mesmo depois de transitar em julgado a sentença final, Art. 129. O sequestro autuar-se-á em apartado e
salvo se pertencerem ao lesado ou a terceiro de boa-fé. admitirá embargos de terceiro.
Art. 120. A restituição, quando cabível, poderá ser Art. 130. O sequestro poderá ainda ser
ordenada pela autoridade policial ou juiz, mediante embargado:
termo nos autos, desde que não exista dúvida quanto ao I - pelo acusado, sob o fundamento de não terem
direito do reclamante. os bens sido adquiridos com os proventos da infração;
o
§ 1 Se duvidoso esse direito, o pedido de II - pelo terceiro, a quem houverem os bens sido
restituição autuar-se-á em apartado, assinando-se ao transferidos a título oneroso, sob o fundamento de tê-los
requerente o prazo de 5 (cinco) dias para a prova. Em adquirido de boa-fé.
tal caso, só o juiz criminal poderá decidir o incidente. Parágrafo único. Não poderá ser pronunciada
o
§ 2 O incidente autuar-se-á também em apartado decisão nesses embargos antes de passar em julgado a
e só a autoridade judicial o resolverá, se as coisas forem sentença condenatória.
apreendidas em poder de terceiro de boa-fé, que será Art. 131. O sequestro será levantado:
intimado para alegar e provar o seu direito, em prazo I - se a ação penal não for intentada no prazo de
igual e sucessivo ao do reclamante, tendo um e outro sessenta dias, contado da data em que ficar concluída a
dois dias para arrazoar. diligência;
o
§ 3 Sobre o pedido de restituição será sempre II - se o terceiro, a quem tiverem sido transferidos
ouvido o Ministério Público. os bens, prestar caução que assegure a aplicação do
o
§ 4 Em caso de dúvida sobre quem seja o disposto no art. 74, II, b, segunda parte, do Código
verdadeiro dono, o juiz remeterá as partes para o juízo Penal;
cível, ordenando o depósito das coisas em mãos de
58 DIREITO PROCESSUAL PENAL
III - se for julgada extinta a punibilidade ou Art. 138. O processo de especialização da
absolvido o réu, por sentença transitada em julgado. hipoteca e do arresto correrão em auto apartado.
Art. 132. Proceder-se-á ao sequestro dos bens (Redação dada pela Lei nº 11.435, de 2006).
móveis se, verificadas as condições previstas no Art. 139. O depósito e a administração dos bens
art. 126, não for cabível a medida regulada no Capítulo arrestados ficarão sujeitos ao regime do processo civil.
Xl do Título Vll deste Livro. (Redação dada pela Lei nº 11.435, de 2006).
Art. 133. Transitada em julgado a sentença Art. 140. As garantias do ressarcimento do dano
condenatória, o juiz, de ofício ou a requerimento do alcançarão também as despesas processuais e as
interessado, determinará a avaliação e a venda dos penas pecuniárias, tendo preferência sobre estas a
bens em leilão público. reparação do dano ao ofendido.
Parágrafo único. Do dinheiro apurado, será Art. 141. O arresto será levantado ou cancelada a
recolhido ao Tesouro Nacional o que não couber ao hipoteca, se, por sentença irrecorrível, o réu for
lesado ou a terceiro de boa-fé. absolvido ou julgada extinta a punibilidade. (Redação
Art. 134. A hipoteca legal sobre os imóveis do dada pela Lei nº 11.435, de 2006).
indiciado poderá ser requerida pelo ofendido em Art. 142. Caberá ao Ministério Público promover
qualquer fase do processo, desde que haja certeza da as medidas estabelecidas nos arts. 134 e 137, se
infração e indícios suficientes da autoria. houver interesse da Fazenda Pública, ou se o ofendido
Art. 135. Pedida a especialização mediante for pobre e o requerer.
requerimento, em que a parte estimará o valor da Art. 143. Passando em julgado a sentença
responsabilidade civil, e designará e estimará o imóvel condenatória, serão os autos de hipoteca ou arresto
ou imóveis que terão de ficar especialmente remetidos ao juiz do cível (art. 63). (Redação dada pela
hipotecados, o juiz mandará logo proceder ao Lei nº 11.435, de 2006).
arbitramento do valor da responsabilidade e à avaliação Art. 144. Os interessados ou, nos casos do
do imóvel ou imóveis. art. 142, o Ministério Público poderão requerer no juízo
o
§ 1 A petição será instruída com as provas ou cível, contra o responsável civil, as medidas previstas
indicação das provas em que se fundar a estimação da nos arts. 134, 136 e 137.
responsabilidade, com a relação dos imóveis que o Art. 144-A. O juiz determinará a alienação
responsável possuir, se outros tiver, além dos indicados antecipada para preservação do valor dos bens sempre
no requerimento, e com os documentos comprobatórios que estiverem sujeitos a qualquer grau de deterioração
do domínio. ou depreciação, ou quando houver dificuldade para sua
o
§ 2 O arbitramento do valor da responsabilidade e manutenção. (Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012)
a avaliação dos imóveis designados far-se-ão por perito o
§ 1 O leilão far-se-á preferencialmente por meio
nomeado pelo juiz, onde não houver avaliador judicial, eletrônico. (Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012)
sendo-lhe facultada a consulta dos autos do processo o
respectivo. § 2 Os bens deverão ser vendidos pelo valor
o fixado na avaliação judicial ou por valor maior. Não
§ 3 O juiz, ouvidas as partes no prazo de dois
alcançado o valor estipulado pela administração judicial,
dias, que correrá em cartório, poderá corrigir o
será realizado novo leilão, em até 10 (dez) dias
arbitramento do valor da responsabilidade, se Ihe
contados da realização do primeiro, podendo os bens
parecer excessivo ou deficiente.
o ser alienados por valor não inferior a 80% (oitenta por
§ 4 O juiz autorizará somente a inscrição da cento) do estipulado na avaliação judicial. (Incluído pela
hipoteca do imóvel ou imóveis necessários à garantia da Lei nº 12.694, de 2012)
responsabilidade. o
o § 3 O produto da alienação ficará depositado em
§ 5 O valor da responsabilidade será liquidado
conta vinculada ao juízo até a decisão final do processo,
definitivamente após a condenação, podendo ser
procedendo-se à sua conversão em renda para a União,
requerido novo arbitramento se qualquer das partes não
Estado ou Distrito Federal, no caso de condenação, ou,
se conformar com o arbitramento anterior à sentença
no caso de absolvição, à sua devolução ao
condenatória.
o acusado. (Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012)
§ 6 Se o réu oferecer caução suficiente, em o
dinheiro ou em títulos de dívida pública, pelo valor de § 4 Quando a indisponibilidade recair sobre
sua cotação em Bolsa, o juiz poderá deixar de mandar dinheiro, inclusive moeda estrangeira, títulos, valores
proceder à inscrição da hipoteca legal. mobiliários ou cheques emitidos como ordem de
Art. 136. O arresto do imóvel poderá ser pagamento, o juízo determinará a conversão do
decretado de início, revogando-se, porém, se no prazo numerário apreendido em moeda nacional corrente e o
de 15 (quinze) dias não for promovido o processo de depósito das correspondentes quantias em conta
inscrição da hipoteca legal. (Redação dada pela Lei nº judicial. (Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012)
o
11.435, de 2006). § 5 No caso da alienação de veículos,
Art. 137. Se o responsável não possuir bens embarcações ou aeronaves, o juiz ordenará à
imóveis ou os possuir de valor insuficiente, poderão ser autoridade de trânsito ou ao equivalente órgão de
arrestados bens móveis suscetíveis de penhora, nos registro e controle a expedição de certificado de registro
termos em que é facultada a hipoteca legal dos imóveis. e licenciamento em favor do arrematante, ficando este
(Redação dada pela Lei nº 11.435, de 2006). livre do pagamento de multas, encargos e tributos
o
§ 1 Se esses bens forem coisas fungíveis e anteriores, sem prejuízo de execução fiscal em relação
facilmente deterioráveis, proceder-se-á na forma do § 5
o ao antigo proprietário. (Incluído pela Lei nº 12.694, de
do art. 120. 2012)
o
o
§ 2 Das rendas dos bens móveis poderão ser § 6 O valor dos títulos da dívida pública, das
fornecidos recursos arbitrados pelo juiz, para a ações das sociedades e dos títulos de crédito
manutenção do indiciado e de sua família. negociáveis em bolsa será o da cotação oficial do dia,
DIREITO PROCESSUAL PENAL 59
16
provada por certidão ou publicação no órgão processo de modo permanente ou acidental, no
oficial. (Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012) exercício de uma profissão ou em defesa de um
o interesse.
§ 7 (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.694, de
2012) Os sujeitos processuais podem ser considerados
principal (ou essencial) e secundário (ou colaterais ou
CAPÍTULO VIII assessórios).
DA INSANIDADE MENTAL DO ACUSADO Sujeitos Principais
Art. 149. Quando houver dúvida sobre a Os sujeitos principais ou essenciais do processo
integridade mental do acusado, o juiz ordenará, de ofício são o Juiz e as partes, quais sejam, autor (Ministério
ou a requerimento do Ministério Público, do defensor, do Público/acusação) e Réu (acusado/defesa).
curador, do ascendente, descendente, irmão ou cônjuge
do acusado, seja este submetido a exame médico-legal.
o
§ 1 O exame poderá ser ordenado ainda na fase Sujeitos Secundários
do inquérito, mediante representação da autoridade Os sujeitos secundários (acessórios ou
policial ao juiz competente. colaterais) são as pessoas que têm direitos perante o
o
§ 2 O juiz nomeará curador ao acusado, quando processo, podendo existir ou não, sem afetar a relação
determinar o exame, ficando suspenso o processo, se já processual, citando como exemplos, o ofendido, que
iniciada a ação penal, salvo quanto às diligências que pode ser assistente de acusação, o fiador do réu, etc.
possam ser prejudicadas pelo adiamento.
Art. 150. Para o efeito do exame, o acusado, se Terceiros
estiver preso, será internado em manicômio judiciário,
Terceiros são os sujeitos que não têm direitos
onde houver, ou, se estiver solto, e o requererem os
processuais, e que apenas colaboram com o processo,
peritos, em estabelecimento adequado que o juiz
podendo ser eles, interessados (ex. o Ministério da
designar.
o Justiça nos crimes de ação pública condicionada à
§ 1 O exame não durará mais de quarenta e cinco sua requisição) e os não interessados (ex. as
dias, salvo se os peritos demonstrarem a necessidade testemunhas, os peritos, os intérpretes, os tradutores,
de maior prazo. os auxiliares de justiça).
o
§ 2 Se não houver prejuízo para a marcha do
processo, o juiz poderá autorizar sejam os autos
entregues aos peritos, para facilitar o exame. PARTES
Art. 151. Se os peritos concluírem que o acusado Partes em sentido material, quanto à infração
era, ao tempo da infração, irresponsável nos termos do penal em si, são o autor do crime e a vítima. Em sentido
art. 22 do Código Penal, o processo prosseguirá, com a formal, ou seja, no processo penal, parte é aquele
presença do curador. sujeito processual que deduz ou contra o qual é
Art. 152. Se se verificar que a doença mental deduzida uma relação de direito material-penal,
sobreveio à infração o processo continuará suspenso portanto, autor e réu.
o
até que o acusado se restabeleça, observado o § 2 do Para haver a aptidão de ser parte exige-se:
art. 149. a) Capacidade processual, qual seja, a
o
§ 1 O juiz poderá, nesse caso, ordenar a capacidade de ser parte que o indivíduo tem
internação do acusado em manicômio judiciário ou em por ser titular de direitos e obrigações.
outro estabelecimento adequado. b) Legitimação para a causa, ativa ou passiva,
o
§ 2 O processo retomará o seu curso, desde que que reflete o vínculo das pessoas com o
se restabeleça o acusado, ficando-lhe assegurada a litígio, ou seja, a pessoa tem que ter interesse
faculdade de reinquirir as testemunhas que houverem na lide. A legitimação para a causa ativa é a
prestado depoimento sem a sua presença. titularidade do direito de ação: o Ministério
Art. 153. O incidente da insanidade mental Público. A parte passiva é a pessoa que
processar-se-á em auto apartado, que só depois da transgrediu, ou se presume que transgrediu,
apresentação do laudo, será apenso ao processo a ordem do direito com a prática da infração
principal. penal: o réu.
Art. 154. Se a insanidade mental sobrevier no c) Capacidade postulatória, que é a capacidade
curso da execução da pena, observar-se-á o disposto de requerer, representar ou postular em
no art. 682. juízo: Ministério Público e o advogado.

SUJEITOS DA RELAÇÃO PROCESSUAL- 1. O JUIZ - Arts. 251 ao 256


ARTS. 251 A 281 Poderes
A relação processual abrange, direta ou De acordo com o art. 251, CPP, o juiz é o
indiretamente, várias pessoas denominadas sujeitos detentor da função jurisdicional e quem preside o
processuais. processo. “Ao juiz incumbirá prover à regularidade do
15
Sujeitos da relação processual são as pessoas processo e manter a ordem no curso dos respectivos
entre as quais se constitui, se desenvolve e se completa atos, podendo, para tal fim, requisitar a força pública.”
a relação jurídica processual. Estas pessoas atuam no Jurisdicional: O juiz decide a questão
declarando o réu culpado ou inocente.

15 16
Sujeito propriamente dito, é aquele que participa do Processo – relação jurídica estabelecida entre as partes e
processo penal sem efetivar qualquer tipo de postulação, juiz, por isso mesmo, é uma relação pública angular, isto
qual seja, o juiz. é, sempre no topo estará o juiz.
60 DIREITO PROCESSUAL PENAL
Administrativo ou de Polícia: manutenção da b) se ele, seu cônjuge, ascendente ou
ordem no decorrer do processo. descendente, estiver respondendo a
Instrutório: o juiz pode requisitar a produção de processo por fato análogo, cujo caráter
provas para esclarecer algum ponto da controvérsia. criminoso haja controvérsia;
Anômalo: o juiz atua como um auxiliar da c) se ele, seu cônjuge ou parente consanguíneo,
acusação (parcial). ou afim até o terceiro grau, sustentar
demanda ou responder a processo que tenha
de ser julgado por qualquer das partes;
Funções não jurisdicionais
d) se tiver aconselhado qualquer das partes;
Funções não jurisdicionais (anômalas) exercidas
e) se for credor ou devedor, tutor ou curador de
pelo juiz:
qualquer das partes;
a) quando requisita o inquérito policial;
f) se for sócio, acionista ou administrador de
b) quando concorda com uma decisão de sociedade interessada no processo.
arquivamento do inquérito policial;
c) quando ele leva a notitia criminis;
Capacidade para ser juiz do processo
d) quando preside o ato de prisão em flagrante.
Para ser juiz de um processo, deve ter
capacidade funcional, especial e objetiva:
Prerrogativas a) capacidade funcional: capacidade para o
O juiz possui algumas garantias (prerrogativas) exercício das funções judicantes;
constitucionais tais como, a vitaliciedade, a b) capacidade especial (não deve ser suspeito ou
inamovibilidade e a irredutibilidade dos vencimentos. estar impedido), sob pena de praticar atos
No que se refere a vitaliciedade (adquirida após nulos;
2 anos de exercício da função), a mesma somente c) capacidade objetiva: competência para o
poderá ser perdida em virtude de sentença judicial. processo.
A prerrogativa da inamovibilidade garante ao juiz Resguardar os direitos e garantias do cidadão
a estabilidade no local onde ele exerce sua função. (réu, em especial), daí, não poder participar da
Neste sentido, o juiz está livre de eventuais produção de provas, apenas na função supletiva
transferências exigidas pelo Executivo, salvo em
CPP:
situações de interesse público onde deverá constar o
voto de 2/3 dos membros do Tribunal. Trata-se da Art. 155. O juiz formará sua convicção pela
denominada remoção compulsória, penalidade livre apreciação da prova produzida em
administrativa aplicada ao magistrado que, contraditório judicial, não podendo fundamentar
comprovadamente, através do devido processo sua decisão exclusivamente nos elementos
administrativo, haja cometido falta funcional. informativos colhidos na investigação,
ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis
Finalmente, quanto a irredutibilidade dos
e antecipadas. (Redação dada pela Lei nº
vencimentos, a Constituição Federal assegura que os
11.690, de 2008)
vencimentos dos juízes são irredutíveis.
O juiz deve ser sempre imparcial, e, desta forma,
não poderá exercer jurisdição no processo em que: Pressupostos processuais do juiz
a) houver funcionado seu cônjuge ou parente, Investidura: a pessoa deve estar legalmente
consanguíneo ou afim, em linha reta ou empossada no cargo de juiz.
colateral até o terceiro grau, inclusive, como Competência: o juiz deve ter a atribuição legal
defensor ou advogado, órgão do Ministério de julgar o caso.
Público, autoridade policial, auxiliar da justiça Imparcialidade: o interesse do juiz deve ser a
ou perito; descoberta da verdade dos fatos, sem dar preferência à
b) ele próprio houver desempenhado qualquer acusação ou à defesa.
dessas funções ou servido como testemunha;
c) tiver funcionado como juiz de outra instância, Jurisdição
pronunciando-se, de fato ou de direito, sobre
Quando se fala em jurisdição (a soberania do
a questão;
Estado-juiz de trazer para si a resolução dos conflitos),
d) ele próprio ou seu cônjuge ou parente, há que se ter em mente conceitos como: investidura,
consanguíneo ou afim em linha reta ou capacidade e imparcialidade.
colateral até o terceiro grau, inclusive, for
Capacidade se presume a partir do concurso
parte ou diretamente interessado no feito.
público. Imparcialidade diz respeito tratar com igualdade
Esses impedimentos, em regra, têm caráter as proposições das partes, art 252, CPP. Ato processual
objetivo e geram a nulidade absoluta do processo. Já as praticado por juiz incompetente, torna-se inexistente.
suspeições terão também, em regra, caráter subjetivo, Vício mais grave que a nulidade. No impedimento o
gerando nulidades relativas, ou seja, se não arguidas vício é da causa.
pelas partes interessadas, não impedirão que o juiz
Há que se ressaltar que se exige a prova da
continue instruindo o processo.
parcialidade do juiz. (exemplo: suborno ao juiz), artigos
Será considerado suspeito o juiz, e, com isso, 112 e 564 do CPP.
poderá ser recusado por qualquer das partes:
a) se for amigo íntimo ou inimigo capital de
qualquer das partes;
DIREITO PROCESSUAL PENAL 61
Identidade física do juiz As causas de suspeição se referem ao ânimo
O juiz que instrui o processo deverá ser o mesmo subjetivo do juiz quanto às partes. Em regra, têm caráter
a julgar o feito. Consagra o princípio da imediatidade, subjetivo e geram nulidade relativa. São denunciáveis
facilita, portanto, a busca da verdade real, art. 502, tanto por objeção (nos autos, sem forma especial) como
parágrafo único. por exceção (em petição autuada em separado).
A Lei 11.719/08 alterou os artigos 399 do CPP, Conforme o art. 254 do Código de Processo
acrescentando o parágrafo 2º, que diz: ―o juiz que Penal, o juiz deverá dar-se por suspeito, e, se não o
presidir a instrução deverá proferir a sentença.‖ fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes:
> se for amigo íntimo ou inimigo capital de
qualquer deles;
Regularidade do processo: Princípio do impulso
oficial > se ele, seu cônjuge, ascendente ou
descendente, estiver respondendo a
O juiz no processo penal, deve, a todo momento,
processo por fato análogo, sobre cujo caráter
manter a regularidade do processo. O processo deve
criminoso haja controvérsia;
ser isento de vícios e nulidades. O juiz deve a todo
tempo dar andamento regular ao processo, > se ele, seu cônjuge, ou parente, consanguíneo,
promovendo-o naturalmente, por isso, que em processo ou afim, até o terceiro grau, inclusive,
penal, não existe abandono da causa, como no caso da sustentar demanda ou responder a processo
perempção no Processo Civil, que ensejará julgamento que tenha de ser julgado por qualquer das
sem resolução do mérito. partes;
> se tiver aconselhado qualquer das partes;
Impedimento e suspeição > se for credor ou devedor, tutor ou curador, de
qualquer das partes;
O juiz, se for o caso, deve dar-se por suspeito ou
impedido, declarando o motivo e remetendo o processo > se for sócio, acionista ou administrador de
ao seu substituto. Se a abstenção se der por motivo sociedade interessada no processo.
íntimo, este não constará dos autos, sendo apenas
comunicado aos órgãos superiores (em analogia com o Suspeição provocada
art. 135, parágrafo único do Código de Processo Civil).
A suspeição não poderá ser declarada nem
Pelas partes, o impedimento do juiz pode ser
reconhecida, quando a parte injuriar o juiz ou de
denunciado por objeção, sem forma especial. E a
propósito der motivo para criá-la (CPP, art. 256).
suspeição pode ser denunciada tanto por objeção como
por exceção, esta última, autuada e decidida em O impedimento ou suspeição decorrente de
separado (arts. 98 a 100). parentesco por afinidade cessará pela dissolução
do casamento que lhe tiver dado causa, salvo
ATENÇÃO: Conforme o Código de Processo Penal, os sobrevindo descendentes; mas, ainda que
impedimentos e suspeições aplicam-se também aos dissolvido o casamento sem descendentes, não
jurados (arts. 106 e 462), ao representante do Ministério funcionará como juiz o sogro, o padrasto, o
Público (arts. 104, 112 e 258), bem como aos peritos, cunhado, o genro ou enteado de quem for parte
intérpretes e funcionários da Justiça (arts. 105 e 112). no processo (CPP, art. 255).
Não se pode opor suspeição à autoridade policial (art.
107).
2. MINISTÉRIO PÚBLICO - Arts. 257 e 258
Conceito
Impedimentos - Arts. 252 e 253
De acordo com a Constituição Federal, em seu
As causas de impedimento se referem a vínculos art. 127, "o Ministério Público é instituição permanente,
objetivos do juiz com o processo, independentemente essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-
de seu ânimo subjetivo. Em regra, têm caráter objetivo e lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e
geram nulidade absoluta. Em geral, são denunciáveis dos interesses sociais e individuais indisponíveis".
por objeção, sem forma especial. Os casos estão
previstos no artigo 252 do Código de Processo Penal, O Ministério Público, desta maneira, é um órgão
que veda o juiz exercer jurisdição no processo em que: constitucional, que tem a função de promover e
fiscalizar a execução da lei.
> tiver funcionado seu cônjuge ou parente,
consanguíneo ou afim, em linha reta ou Os órgãos do Ministério Público não funcionarão
colateral até o terceiro grau, inclusive, como nos processos em que o juiz ou qualquer das partes for
defensor ou advogado, órgão do Ministério seu cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim, em linha
Público, autoridade policial, auxiliar da justiça reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive, e a eles
ou perito; se estendem, no que lhes for aplicável, as prescrições
relativas à suspeição e aos impedimentos dos juízes.
> ele próprio houver desempenhado qualquer
dessas funções ou servido como testemunha; Aos membros do Ministério Público, assim como
aos magistrados, são atribuídas garantias que lhes
> tiver funcionado como juiz de outra instância, asseguram autonomia no exercício de suas atribuições,
pronunciando-se, de fato ou de direito, sobre a tais como a vitaliciedade, inamovibilidade e
questão; irredutibilidade dos vencimentos.
> ele próprio ou seu cônjuge ou parente,
consanguíneo ou afim em linha reta ou
colateral até o terceiro grau, inclusive, for parte Divisão do MP
ou diretamente interessado no feito. O MP divide-se em Estadual e da União, que, por
sua vez, se divide em Federal, Militar, do Trabalho e do
Distrito Federal e Territórios.
Suspeição - Arts. 254 e 255
62 DIREITO PROCESSUAL PENAL
ou da execução da sentença, se for descoberta a sua
Funções - Art. 257 qualificação, far-se-á a retificação por termo nos autos,
sem prejuízo da validade dos atos precedentes.
- promover, privativamente, a ação penal pública,
na forma estabelecida e (Incluído pela Lei nº 11.719, de Se o acusado não atender à intimação para o
2008). interrogatório, reconhecimento ou qualquer outro ato
que, sem ele, não possa ser realizado, a autoridade
- fiscalizar a execução da lei (Incluído pela Lei nº
poderá mandar conduzi-lo à sua presença.
11.719, de 2008).
Ao acusado, por ser este considerado a parte
mais fraca da relação jurídica, são asseguradas
Princípios algumas garantias constitucionais, dentre as quais
Unidade: De onde se entende a capacidade dos pode-se citar: o preso será informado de seus direitos,
membros do Ministério Público de constituírem um só entre os quais de permanecer calado, sendo-lhe
corpo, uma só vontade, de tal forma que a manifestação assegurada a assistência da família e de advogado; às
de qualquer deles valerá sempre, na oportunidade, presidiárias serão asseguradas condições para que
como manifestação de todo o órgão; possam permanecer com seus filhos durante o período
Indivisibilidade: Que se caracteriza na medida de amamentação; é assegurado ao preso, também, o
em que os membros da instituição podem substituir-se respeito à sua integridade física e moral.
reciprocamente sem que haja prejuízo para o exercício DICAS DE CONCURSOS:
do ministério comum;
O acusado, embora preso, tem o direito de
Independência funcional: no exercício de suas comparecer, de assistir e de presenciar, sob pena de
atividades, o membro do MP é absolutamente livre para nulidade absoluta, os atos processuais, notadamente
agir como quiser. Em questões administrativas, porém, aqueles que se produzem na fase de instrução do
existe hierarquia dentro do mesmo MP. processo penal, que se realiza, sempre, sob a égide do
Autonomia funcional e administrativa: cada contraditório. (OAB/CESPE/2007)
MP tem orçamento próprio e liberdade para gerir esse A apresentação espontânea do acusado à
orçamento da maneira que achar melhor. autoridade não impede a decretação da prisão
preventiva nos casos em que a lei a autoriza.
Suspeição e impedimentos (Anal.Jud.TRE-MA/CESPE/2010).
Os órgãos do Ministério Público não funcionarão Se o acusado, citado por edital, não comparecer,
nos processos em que o juiz ou qualquer das partes for nem constituir advogado, ficarão suspensos o processo
seu cônjuge, ou parente, consanguíneo ou afim, em e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz
linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive, e a determinar a produção antecipada das provas
eles se estendem, no que lhes for aplicável, as consideradas urgentes e, se for o caso, decretar prisão
prescrições relativas à suspeição e aos impedimentos preventiva. (Anal.Jud.TRE-MA/CESPE/2010).
dos juízes (CPP, art. 258).
ENTENDIMENTO DO CESPE: Identidade do acusado
Considera-se impedido o juiz cujo cônjuge ou Dispõe o Art. 259 que: “A impossibilidade de
parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou identificação do acusado com o seu verdadeiro nome ou
colateral até o terceiro grau, inclusive, tenha funcionado outros qualificativos não retardará a ação penal, quando
como defensor ou advogado, órgão do Ministério certa a identidade física. A qualquer tempo, no curso do
Público, autoridade policial, auxiliar da justiça ou perito. processo, do julgamento ou da execução da sentença,
(OAB 137º-SP/CESPE/2009) se for descoberta a sua qualificação, far-se-á a
retificação, por termo, nos autos, sem prejuízo da
validade dos atos precedentes.”
3. DO ACUSADO E DEFENSOR - Arts. 259 a 267
3.1 ACUSADO
Condução coercitiva - art. 260
Acusado é a pessoa contra quem é interposta a
ação penal. É a parte passiva da relação processual. Se o acusado não comparecer ao interrogatório
será considerado revel (art. 366), mas o juiz poderá
O acusado é a pessoa contra quem é interposta a determinar a condução coercitiva, se necessário.
ação penal, é a parte passiva da relação processual.
Os menores de 18 anos não têm legitimidade
passiva, visto que são considerados inimputáveis, Garantia do acusado
ficando sujeitos apenas ao Estatuto da Criança e do A Constituição Federal prevê uma série de
Adolescente, que é uma legislação especial. Já os garantias ao acusado no processo penal, entre as quais:
inimputáveis portadores de doenças mentais, - Devido processo legal (art.5º, inciso LIV, da
desenvolvimento mental incompleto ou retardado Constituição Federal).
possuem legitimidade passiva, pois a eles pode ser - Contraditório e ampla defesa, com os meios e
aplicada medida de segurança. recursos a ela inerentes (artigo 5.º, inciso LV,
Pessoas que gozam de imunidade parlamentar da Constituição Federal). A ampla defesa
ou diplomáticas também não podem ser acusadas no compreende a defesa técnica, exercida por
processo penal por falta de legitimação passiva ad profissional habilitado, e a autodefesa,
causam. manifestada no interrogatório, no direito de
A impossibilidade de identificação do acusado audiência com o juiz, possibilidade de interpor
com o seu verdadeiro nome ou outros qualificativos não recurso etc. Observação: o acusado poderá,
retardará a ação penal, quando certa a identidade física. sem o defensor: impetrar habeas corpus,
A qualquer tempo, no curso do processo, do julgamento interpor recurso (salvo algumas exceções),
DIREITO PROCESSUAL PENAL 63
promover revisão criminal, pagar fiança LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local
arbitrada pelo juiz e arguir suspeição. onde se encontre serão comunicados
- Direito de estar em juízo, devendo para tanto imediatamente ao juiz competente e à família
ser regularmente citado. Sendo citado, o do preso ou à pessoa por ele indicada;
acusado poderá ou não comparecer em juízo, LXIII - o preso será informado de seus
conforme sua conveniência. Poderá até direitos, entre os quais o de permanecer
utilizar sua ausência como meio de defesa. calado, sendo-lhe assegurada a assistência da
Há casos, entretanto, em que a presença do família e de advogado;
acusado é obrigatória, como nos crimes LXIV - o preso tem direito à identificação dos
inafiançáveis da competência do Tribunal do responsáveis por sua prisão ou por seu
Júri, cujo julgamento não se realiza à revelia interrogatório policial;
(artigo 451, § 1.º, do Código de Processo
LXV - a prisão ilegal será imediatamente
Penal). Há também outros atos que reclamam
relaxada pela autoridade judiciária;
a presença do acusado. ―Se o acusado não
atender à intimação para o interrogatório, LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela
reconhecimento ou qualquer outro ato que mantido, quando a lei admitir a liberdade
sem ele não possa ser realizado, a provisória, com ou sem fiança;
autoridade poderá mandar conduzi-lo à sua LXXIV - o Estado prestará assistência
presença‖ (artigo 260 do Código de Processo jurídica integral e gratuita aos que
Penal). Quanto ao interrogatório vale a comprovarem insuficiência de recursos;
seguinte observação: o réu pode calar-se LXXV - o Estado indenizará o condenado por
quanto aos fatos, mas deve comparecer para erro judiciário, assim como o que ficar preso
ser qualificado. além do tempo fixado na sentença;
- Direito à defesa técnica. ―O preso será Além desses, outros dispositivos da Constituição
informado de seus direitos, entre os quais o Federal dispõem sobre direitos individuais (artigo 5.º, §
de permanecer calado, sendo-lhe assegurada 2.º, da Constituição Federal).
a assistência da família e de advogado‖
JURISPRUDÊNCIA:
(artigo 5.º, inciso LXIII, da Constituição
Federal). ―Nenhum acusado, ainda que STF Súmula do STF nº 523 - No processo
ausente ou foragido, será processado ou penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas
julgado sem defensor‖ (artigo 261 do Código a sua deficiência só o anulará se houver prova de
de Processo Penal). Se o réu não tiver prejuízo para o réu.
advogado constituído, o juiz deverá nomear STF Súmula do STF nº 708 - É nulo o
um. A ausência de defesa técnica gera julgamento da apelação se, após a manifestação nos
nulidade absoluta. A defesa deficiente poderá autos da renúncia do único defensor, o réu não foi
gerar nulidade, se houver demonstração de previamente intimado para constituir outro.
prejuízo para o réu.
- Direito de permanecer em silêncio. Curador - art. 262
- Direito à integridade física e moral. Ao acusado menor de 21 anos deve ser
A Constituição Federal no art. 5º assegura ainda nomeado curador.
ao acusado:
ATENÇÃO!
XLIX - é assegurado aos presos o respeito à
integridade física e moral; Tem-se entendido que artigo 262 do CPP está
tacitamente revogado em decorrência do Código Civil de
L - às presidiárias serão asseguradas 2002 que reduziu a maioridade civil de 21 anos para 18
condições para que possam permanecer com anos de idade.
seus filhos durante o período de amamentação;
LIV - ninguém será privado da liberdade ou
de seus bens sem o devido processo legal; STF Súmula do STF nº 352:
LV - aos litigantes, em processo judicial ou Não é nulo o processo penal por falta de
administrativo, e aos acusados em geral são nomeação de curador ao réu menor que teve a
assegurados o contraditório e ampla defesa, assistência de defensor dativo.
com os meios e recursos a ela inerentes;
LVI - são inadmissíveis, no processo, as 3.2 DEFENSOR - Art. 263 e 264
provas obtidas por meios ilícitos;
Inicialmente cumpre esclarecer que o Defensor
LVII - ninguém será considerado culpado até não se encaixa como sujeito processual, mas sim um
o trânsito em julgado de sentença penal representante do acusado que age em nome e no
condenatória; interesse desde.
LVIII - o civilmente identificado não será Se o acusado não o tiver, ser-lhe-á nomeado
submetido a identificação criminal, salvo nas defensor pelo juiz, ressalvado o seu direito de, a todo
hipóteses previstas em lei; tempo, nomear outro de sua confiança, ou a si mesmo
LXI - ninguém será preso senão em flagrante defender-se, caso tenha habilitação.
delito ou por ordem escrita e fundamentada de Nenhum acusado, ainda que ausente ou foragido,
autoridade judiciária competente, salvo nos será processado ou julgado sem defensor, sendo que
casos de transgressão militar ou crime ao acusado menor será nomeado um curador.
propriamente militar, definidos em lei;
Duas são as espécies de defensor: o
constituído e o dativo.
64 DIREITO PROCESSUAL PENAL
O defensor constituído é o escolhido pelo a) propor meios de prova, entre eles, arrolar
acusado, por este confiar naquele. O defensor também testemunhas, se junto com o oferecimento da
é denominado de procurador. denúncia;
Já o defensor dativo é aquele nomeado pelo b) realizar perguntas à testemunhas, sempre
juiz, se o acusado não tiver um advogado de sua posteriores às do MP e da defesa;
confiança. Nada impede, porém, que o acusado, a c) editar, por analogia, o libelo em 48 hs.
qualquer tempo, nomeie outro de sua confiança, ou
d) oferecer alegações finais após o MP;
defender-se a si mesmo, caso tenha habilitação.
Somente o acusado sem condições financeiras ficará e) participar dos debates orais;
isento do pagamento dos honorários advocatícios de f) fazer seus recursos e os interpostos pelo MP.
seu advogado dativo. STF Súmula do STF nº 208:
JURISRPUDÊNCIA: O Defensora dativa não tem o O assistente do Ministério Público não pode
dever de recorrer, mas se o acusado interpor recurso, recorrer, extraordinariamente, de decisão concessiva de
aquele terá a obrigação de arrazoar o recurso (TR habeas-corpus.
605/426/382). STF Súmula do STF nº 210:
O defensor não poderá abandonar o processo O assistente do Ministério Público pode recorrer,
senão por motivo imperioso, a critério do juiz. A falta de inclusive extraordinariamente, na ação penal, nos casos
comparecimento do defensor, ainda que motivada, não dos arts. 584, parágrafo 1º e 598 do Código de
determinará o adiamento de ato algum do processo, Processo Penal.
devendo o juiz nomear substituto, ainda que STF Súmula do STF nº 448:
provisoriamente ou para o só efeito do ato. Este
defensor é denominado de defensor ad hoc. Porém, O prazo para o assistente recorrer,
nada impede que, neste caso, o juiz valendo-se de sua supletivamente, começa a correr imediatamente após o
discricionariedade adie a realização da audiência. transcurso do prazo do Ministério Público. (Revisão
Preliminar pelo HC 50417-RTJ 68/604)
Os parentes do juiz não poderão atuar como
defensores.
DICA DE CONURSO:
Abandono do defensor - art. 265 A vítima pode intervir no processo penal por
Art. 265. O defensor não poderá abandonar o intermédio de advogado, como assistente da acusação,
processo senão por motivo imperioso, depois de iniciada a ação penal e enquanto não
comunicado previamente o juiz, sob pena de transitada em julgado a decisão final.
multa de 10 (dez) a 100 (cem) salários (OAB/CESPE/2008)
mínimos, sem prejuízo das demais sanções
cabíveis. Impedimento do co-réu
o
§ 1 A audiência poderá ser adiada se, por Art. 270 - O co-réu no mesmo processo não
motivo justificado, o defensor não puder poderá intervir como assistente do Ministério
comparecer. Público.
o
§ 2 Incumbe ao defensor provar o
impedimento até a abertura da audiência. Não
Atuação
o fazendo, o juiz não determinará o adiamento
de ato algum do processo, devendo nomear O assistente pode secundar o Ministério Público
defensor substituto, ainda que provisoriamente em praticamente tudo, pode propor meios de prova,
ou só para o efeito do ato. requerer perguntas às testemunhas, aditar o libelo e os
articulados, participar do debate oral e arrazoar os
recursos interpostos pelo Ministério Público.
4. ASSISTENTE DE ACUSAÇÃO - Arts. 268 a 273
Na ação penal pública, onde o titular do direito de
Audiência do ministério público
ação é o Ministério Público, é possível ao ofendido ou
seu representante legal intervir em todos os termos do O Ministério Público será ouvido previamente
processo, a sua falta, qualquer das pessoas elencadas sobre a admissão do assistente.
no artigo 31 do CPP.
Trata-se, no caso, da figura do assistente de Irrecorribilidade do despacho negatório - art. 273
acusação. É irrecorrível o despacho que indefere a
É a posição ocupada pelo ofendido, quando atua assistência, porém, no caso de indeferimento, existe a
ao lado do MP, sendo parte secundária, haja vista tratar- possibilidade de ser impetrado mandado de segurança.
se de Ação Pública Incondicionada.
A figura do assistente só admissível após o 5. FUNCIONÁRIOS DA JUSTIÇA - Art. 274
recebimento da denúncia e antes do trânsito em julgado 5.1 Introdução
da sentença, sendo o processo recebido no estado em
que se encontrar. Para compor a lide, inúmeros atos devem ser
realizados: citação do réu, notificação das testemunhas,
O ofendido pode habilitar-se como assistente do
tomada de depoimentos e declarações, etc. E, se o juiz
Ministério Público, através de advogado, para reforçar a
não tivesse quem o auxiliasse nessa tarefa ingente,
acusação e acautelar a reparação civil.
seria quase impossível a realização da Justiça. Assim, é
O Art. 271 estabelece um rol taxativo dos notável o auxílio que prestam certas pessoas,
poderes do assistente: propiciando uma justiça mais rápida. São elas
denominadas, genericamente, ―auxiliares da Justiça‖.
DIREITO PROCESSUAL PENAL 65
O Código de Processo Penal, ao contrário do escrivães. No DF, são os analistas judiciários titulares
Código de Processo Civil, não menciona quais são os dos Cartórios de Distribuição.
funcionários da justiça, limitando-se a tratar apenas dos
casos de suspeição. f) Contador
Todos são considerados terceiros, não fazem É o servidor incumbido de proceder aos cálculos
requerimentos, mas atuam no processo auxiliando. aritméticos, por determinação do juiz. Assim, quando
transita em julgado uma sentença penal condenatória,
5.2 Categorias: os autos são remetidos ao contador para proceder à
a) Serventuários da Justiça liquidação. É ele quem vai dizer quando expirará a
pena. Procede, também, às contas de custas,
São aqueles que ocupam cargo criado em lei,
liquidações, etc. No DF, é considerado analista
com denominação própria, podendo receber
judiciário.
vencimentos do Estado e emolumentos das partes, ou
receber apenas custas ou emolumentos. No DF, são
apenas os oficiais e escreventes dos Ofícios de Notas, g) Depositário Público
Protesto e Registro Público. As coisas apreendidas, os objetos dados em
fiança (art. 331), objetos sequestrados ou arrestados, às
b) Servidores da Justiça vezes, são entregues ao depositário público para que
deles tome conta.
São aqueles que ocupam cargos criados por lei,
com denominação própria, sendo, entretanto,
estipendiados somente pelos cofres públicos. Podem h) Peritos (art. 159, 275-278)
ser escrivães de cartórios oficializados ou secretários de É aquele que tem pleno conhecimento sobre
Tribunal. Designam-se também como funcionários da determinado assunto e fornece materiais, opiniões e
Justiça todos os servidores do Poder Judiciário, conceitos que podem guiar o juiz na formação de seu
categoria esta que não será objeto de nosso estudo. convencimento.
Os peritos exercem o múnus público de
c) Escrivão assessorar tecnicamente o juiz. Os exames de corpo de
delito e outras perícias deverão ser realizados por dois
Dos auxiliares do juízo, o mais importante, pelas
peritos oficiais, e somente na hipótese de não havê-los
relevantes funções que desempenha, é o escrivão. É ele
é que o juiz ou a autoridade policial determinará a
quem redige normalmente os atos e termos
realização da perícia por duas pessoas idôneas que
processuais; quem executa as ordens judiciais,
prestam compromisso de bem desempenhar o cargo, de
promovendo citações e intimações, autenticação das
preferência aquelas que tiverem habilitação técnica.
folhas dos autos, e tem sob sua guarda e
responsabilidade os processos, não permitindo que eles A ausência de diploma superior ou de
sejam retirados dos cartórios, a não ser nos casos compromisso de um dos peritos não oficiais só acarreta
previstos em lei. No DF, a atividade é exercida pelo nulidade do processo ou da perícia se essa
técnico ou pelo analista judiciário. circunstância houver influído na decisão da causa,
prejudicando uma das partes. Não há no processo penal
DICA DE CONCURSOS: a figura do perito particular ou do assistente técnico; o
Encontra-se impedida de funcionar como defensor não poderá intervir na perícia (STF). O perito
escrivão no processo pessoa que nele tenha sido ouvida responde penalmente por sua negligência (CP, art. 342),
como testemunha. (Anal.Jud.TJ-DF/CESPE/2003) o que não inclui o especialista contratado pela parte que
redige parecer técnico.
d) Oficial de Justiça As partes não intervirão na nomeação do perito.
Dentre outras atribuições que lhe são conferidas, O perito, ainda quando não oficial, estará sujeito
destacam-se: à disciplina judiciária, e se uma vez nomeado recusar o
a) fazer pessoalmente as citações, prisões, encargo, incorrerá na pena de multa, do mesmo modo
sequestros, arrestos, buscas e apreensões e lhe será aplicada a pena se:
outras diligências próprias de seu ofício, a) deixar de acudir à intimação ou ao chamado
certificando no mandado tudo o que tenha da autoridade;
ocorrido, mencionando dia, local e hora; b) não comparecer no dia e local designados
b) entregar em cartório os mandados logo depois para o exame;
de cumpridos, com a certidão por eles assinada c) não der o laudo, ou concorrer para que a
de que cumpriu ou não, esclarecendo, neste perícia não seja feita nos prazos
último caso, porque não o fez. No DF, a estabelecidos.
atividade é exercida por analista judiciário –
De acordo com o art. 279 do CPP, não poderão
especialidade execução de mandados que
ser peritos:
pode também: auxiliar o juiz na manutenção da
ordem nas audiências; funcionar como perito I - os que estiverem sujeitos à interdição de
na determinação de valores que não exijam direito mencionada nos ns.I e IV do art. 69
conhecimento técnico especializado; e realizar do Código Penal;
praças. II - os que tiverem prestado depoimento no
processo ou opinado anteriormente sobre o
e) Distribuidor objeto da perícia;
É ele o servidor incumbido de proceder à III - os analfabetos e os menores de 21 (vinte e
repartição dos processos, entrados em juízo, entre os um) anos.
66 DIREITO PROCESSUAL PENAL
Os peritos, assim como os juízes, também podem TÍTULO VIII
ser considerados suspeitos pelas partes, pelas mesmas DO JUIZ, DO MINISTÉRIO PÚBLICO, DO ACUSADO
razões que geram a suspeição dos juízes. E DEFENSOR,
STF Súmula do STF nº 361 DOS ASSISTENTES E AUXILIARES DA JUSTIÇA
No processo penal, é nulo o exame realizado por CAPÍTULO I
um só perito, considerando-se impedido o que tiver DO JUIZ
funcionando anteriormente na diligência de apreensão.
Art. 251. Ao juiz incumbirá prover à regularidade
do processo e manter a ordem no curso dos respectivos
i) Intérpretes (art. 281, 192, 193 e 223) atos, podendo, para tal fim, requisitar a força pública.
São auxiliares eventuais, nomeados pelo juiz Art. 252. O juiz não poderá exercer jurisdição no
para analisar documento redigido em língua estrangeira, processo em que:
para verter em português as declarações das partes e I - tiver funcionado seu cônjuge ou parente,
das testemunhas que souberem o idioma e para consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral até o
traduzirem a linguagem mímica dos surdos-mudos que terceiro grau, inclusive, como defensor ou advogado,
não puderem se manifestar por escrito. Em sentido órgão do Ministério Público, autoridade policial, auxiliar
estrito, temos, no primeiro caso, intérprete, e, no da justiça ou perito;
segundo, tradutor. II - ele próprio houver desempenhado qualquer
dessas funções ou servido como testemunha;
Suspeição dos auxiliares da justiça (art. 274 e 105) III - tiver funcionado como juiz de outra instância,
Estendem-se aos serventuários e servidores da pronunciando-se, de fato ou de direito, sobre a questão;
Justiça as regras de suspeição dos juízes, no que lhes IV - ele próprio ou seu cônjuge ou parente,
for aplicável (art. 254). O termo suspeição, por consanguíneo ou afim em linha reta ou colateral até o
interpretação extensiva, inclui as causas de terceiro grau, inclusive, for parte ou diretamente
impedimentos e incompatibilidades (art. 252). As partes interessado no feito.
podem arguir de suspeitos ou impedidos os Art. 253. Nos juízos coletivos, não poderão servir
serventuários e os servidores da Justiça (art. 105). no mesmo processo os juízes que forem entre si
parentes, consanguíneos ou afins, em linha reta ou
Impedimentos (art. 279-280) colateral até o terceiro grau, inclusive.
Além da extensão das causas de suspeição dos Art. 254. O juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o
juízes aos peritos, estão estes impedidos por razões de: fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes:
a) indignidade ou inidoneidade (CP, art. 47, I e II); I - se for amigo íntimo ou inimigo capital de
b) incompatibilidade – os que já tiverem prestado qualquer deles;
depoimento no processo ou opinado II - se ele, seu cônjuge, ascendente ou
anteriormente sobre o objeto da perícia; descendente, estiver respondendo a processo por fato
c) incapacidade – analfabetos e menores de 18 análogo, sobre cujo caráter criminoso haja controvérsia;
anos. III - se ele, seu cônjuge, ou parente,
consanguíneo, ou afim, até o terceiro grau, inclusive,
Resumo: sustentar demanda ou responder a processo que tenha
de ser julgado por qualquer das partes;
IV - se tiver aconselhado qualquer das partes;
V - se for credor ou devedor, tutor ou curador, de
qualquer das partes;
Vl - se for sócio, acionista ou administrador de
sociedade interessada no processo.
Art. 255. O impedimento ou suspeição decorrente
de parentesco por afinidade cessará pela dissolução do
casamento que Ihe tiver dado causa, salvo sobrevindo
descendentes; mas, ainda que dissolvido o casamento
sem descendentes, não funcionará como juiz o sogro, o
padrasto, o cunhado, o genro ou enteado de quem for
parte no processo.
Art. 256. A suspeição não poderá ser declarada
nem reconhecida, quando a parte injuriar o juiz ou de
propósito der motivo para criá-la.
CAPÍTULO II
DO MINISTÉRIO PÚBLICO
Art. 257. Ao Ministério Público cabe: (Redação
dada pela Lei nº 11.719, de 2008).
I - promover, privativamente, a ação penal pública,
na forma estabelecida neste Código; e (Incluído pela Lei
nº 11.719, de 2008).
II - fiscalizar a execução da lei. (Incluído pela Lei
DISPOSITIVOS DO CPP: nº 11.719, de 2008).
DIREITO PROCESSUAL PENAL 67
Art. 258. Os órgãos do Ministério Público não Art. 268. Em todos os termos da ação pública,
funcionarão nos processos em que o juiz ou qualquer poderá intervir, como assistente do Ministério Público, o
das partes for seu cônjuge, ou parente, consanguíneo ofendido ou seu representante legal, ou, na falta,
ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, qualquer das pessoas mencionadas no Art. 31.
inclusive, e a eles se estendem, no que Ihes for Art. 269. O assistente será admitido enquanto não
aplicável, as prescrições relativas à suspeição e aos passar em julgado a sentença e receberá a causa no
impedimentos dos juízes. estado em que se achar.
CAPÍTULO III Art. 270. O co-réu no mesmo processo não
DO ACUSADO E SEU DEFENSOR poderá intervir como assistente do Ministério Público.
Art. 259. A impossibilidade de identificação do Art. 271. Ao assistente será permitido propor
acusado com o seu verdadeiro nome ou outros meios de prova, requerer perguntas às testemunhas,
qualificativos não retardará a ação penal, quando certa aditar o libelo e os articulados, participar do debate oral
a identidade física. A qualquer tempo, no curso do e arrazoar os recursos interpostos pelo Ministério
processo, do julgamento ou da execução da sentença, Público, ou por ele próprio, nos casos dos arts. 584,
o
se for descoberta a sua qualificação, far-se-á a § 1 , e 598.
retificação, por termo, nos autos, sem prejuízo da o
§ 1 O juiz, ouvido o Ministério Público, decidirá
validade dos atos precedentes. acerca da realização das provas propostas pelo
Art. 260. Se o acusado não atender à intimação assistente.
para o interrogatório, reconhecimento ou qualquer outro o
§ 2 O processo prosseguirá independentemente
ato que, sem ele, não possa ser realizado, a autoridade de nova intimação do assistente, quando este, intimado,
poderá mandar conduzi-lo à sua presença. deixar de comparecer a qualquer dos atos da instrução
Parágrafo único. O mandado conterá, além da ou do julgamento, sem motivo de força maior
ordem de condução, os requisitos mencionados no devidamente comprovado.
art. 352, no que Ihe for aplicável. Art. 272. O Ministério Público será ouvido
Art. 261. Nenhum acusado, ainda que ausente ou previamente sobre a admissão do assistente.
foragido, será processado ou julgado sem defensor. Art. 273. Do despacho que admitir, ou não, o
Parágrafo único. A defesa técnica, quando assistente, não caberá recurso, devendo, entretanto,
realizada por defensor público ou dativo, será sempre constar dos autos o pedido e a decisão.
exercida através de manifestação fundamentada. CAPÍTULO V
(Incluído pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003)
DOS FUNCIONÁRIOS DA JUSTIÇA
Art. 262. Ao acusado menor dar-se-á curador.
Art. 274. As prescrições sobre suspeição dos
Art. 263. Se o acusado não o tiver, ser-lhe-á juízes estendem-se aos serventuários e funcionários da
nomeado defensor pelo juiz, ressalvado o seu direito de, justiça, no que Ihes for aplicável.
a todo tempo, nomear outro de sua confiança, ou a si CAPÍTULO VI
mesmo defender-se, caso tenha habilitação.
DOS PERITOS E INTÉRPRETES
Parágrafo único. O acusado, que não for pobre,
será obrigado a pagar os honorários do defensor dativo, Art. 275. O perito, ainda quando não oficial, estará
arbitrados pelo juiz. sujeito à disciplina judiciária.
Art. 264. Salvo motivo relevante, os advogados e Art. 276. As partes não intervirão na nomeação do
solicitadores serão obrigados, sob pena de multa de perito.
cem a quinhentos mil-réis, a prestar seu patrocínio aos Art. 277. O perito nomeado pela autoridade será
acusados, quando nomeados pelo Juiz. obrigado a aceitar o encargo, sob pena de multa de cem
Art. 265. O defensor não poderá abandonar o a quinhentos mil-réis, salvo escusa atendível.
processo senão por motivo imperioso, comunicado Parágrafo único. Incorrerá na mesma multa o
previamente o juiz, sob pena de multa de 10 (dez) a 100 perito que, sem justa causa, provada imediatamente:
(cem) salários mínimos, sem prejuízo das demais a) deixar de acudir à intimação ou ao chamado da
sanções cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de autoridade;
2008). b) não comparecer no dia e local designados para
o
§ 1 A audiência poderá ser adiada se, por motivo o exame;
justificado, o defensor não puder comparecer. (Incluído c) não der o laudo, ou concorrer para que a
pela Lei nº 11.719, de 2008). perícia não seja feita, nos prazos estabelecidos.
o
§ 2 Incumbe ao defensor provar o impedimento Art. 278. No caso de não-comparecimento do
até a abertura da audiência. Não o fazendo, o juiz não perito, sem justa causa, a autoridade poderá determinar
determinará o adiamento de ato algum do processo, a sua condução.
devendo nomear defensor substituto, ainda que
provisoriamente ou só para o efeito do ato. (Incluído Art. 279. Não poderão ser peritos:
pela Lei nº 11.719, de 2008). I - os que estiverem sujeitos à interdição de direito
Art. 266. A constituição de defensor independerá mencionada nos ns. I e IV do art. 69 do Código Penal;
de instrumento de mandato, se o acusado o indicar por II - os que tiverem prestado depoimento no
ocasião do interrogatório. processo ou opinado anteriormente sobre o objeto da
Art. 267. Nos termos do art. 252, não funcionarão perícia;
como defensores os parentes do juiz. III - os analfabetos e os menores de 21 (vinte e
CAPÍTULO IV um) anos.
DOS ASSISTENTES Art. 280. É extensivo aos peritos, no que Ihes for
aplicável, o disposto sobre suspeição dos juízes.
68 DIREITO PROCESSUAL PENAL
Art. 281. Os intérpretes são, para todos os consanguíneos ou afins, em linha reta ou colateral,
efeitos, equiparados aos peritos. até o terceiro grau, inclusive.
b) A suspeição do juiz não poderá ser declarada nem
EXERCÍCIOS reconhecida, quando a parte injuriar o juiz ou de
propósito der motivo para criá-la.
01. (OAB/CESPE/2008.1) Acerca dos sujeitos
c) Aos órgãos do Ministério Público se estendem, no
processuais, assinale a opção correta.
que lhes for aplicável, as prescrições relativas às
a) O juiz deve declarar-se suspeito caso seja amigo ou suspeições e aos impedimentos dos juízes.
inimigo das partes, esteja interessado no feito ou
d) As partes intervirão na nomeação dos peritos.
quando a parte o injuriar de propósito.
b) A participação de membro do Ministério Público no
inquérito policial acarreta o seu impedimento para o 05. (Prom.Just.MPE-CE/FCC/2009) Contra a decisão do
oferecimento da denúncia. juiz que não admitir o assistente de acusação:
c) A vítima pode intervir no processo penal por a) não caberá recurso, nem será admissível habeas
intermédio de advogado, como assistente da corpus ou mandado de segurança.
acusação, depois de iniciada a ação penal e b) caberá recurso em sentido estrito.
enquanto não transitada em julgado a decisão final. c) caberá agravo, observado o procedimento do Código
d) O assistente da acusação pode arrolar testemunhas e de Processo Civil.
recorrer da decisão que rejeita a denúncia, d) não caberá recurso, mas será cabível mandado de
pronuncia ou absolve sumariamente o réu, tendo o segurança.
recurso efeito suspensivo.
e) caberá apelação.

02. (Def.Pub.DPE-PI/CESPE/2009) Assinale a opção


06. (Anal.Tec.Adm.DPU/CESPE/2010) Considerando
correta quanto às prerrogativas do acusado no
que, no curso de um processo, o juiz tenha
processo penal.
identificado que o advogado do assistente simples
a) O acusado, embora preso, tem o direito de assistir e do autor renunciou ao mandato, assinale a opção
de presenciar, sob pena de nulidade relativa, os atos correta.
processuais, notadamente aqueles que se produzem
a) Dependerá sempre de pedido do réu a exclusão do
na fase de instrução do processo penal, que se
assistente, caso este não resolva o vício de
realiza, sempre, sob a égide do contraditório; porém,
representação.
são relevantes, para esse efeito, as alegações do
poder público concernentes à dificuldade ou b) Por se tratar do procurador do assistente, não haverá
inconveniência de proceder à remoção de acusados consequência processual devido à renúncia.
presos a outros pontos da própria comarca, do c) O vício de representação implicará a imediata
estado ou do país. exclusão do assistente do feito.
b) O acusado tem direito ao contraditório e à plenitude d) Sob pena de exclusão, o assistente deverá sanar o
de defesa, sendo que esta última se restringe ao vício no prazo conferido pelo juiz.
direito à defesa técnica. e) No prazo concedido pelo juiz, o assistente ou o autor
c) O réu pode ser processado e julgado com base em deverá sanar o vício, sob pena de anulação do
leis ex post facto. processo.
d) O comportamento do réu durante o processo, na
tentativa de defender-se, presta-se a agravar-lhe a 07. (Anal.Jud.TRF 5ª R/FCC/2008) A respeito do
pena, pois a CF não consagra o princípio nemo Assistente do Ministério Público, é correto afirmar
tenetur se detegere. que
e) O réu tem direito de presença e de participação ativa a) o assistente poderá atuar na instrução, mas não lhe
nos atos de interrogatório judicial dos demais será permitido propor meios de prova.
litisconsortes penais passivos, quando existentes. b) poderá intervir como assistente do Ministério Público
o co-réu no mesmo processo.
03. (OAB-SP/CESPE/2009.) De acordo com o CPP, c) o assistente só será admitido até a publicação da
considera-se impedido o juiz sentença.
a) que seja amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer d) do despacho que admitir ou não o assistente não
das partes. caberá recurso.
b) cujo cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim, em e) o assistente poderá ser admitido na ação penal
linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive, privada.
tenha funcionado como defensor ou advogado,
órgão do Ministério Público, autoridade policial,
auxiliar da justiça ou perito. 08. (Anal.Jud.TRF 1ª R/FCC/2006) A respeito do
assistente do Ministério Público é correto afirmar que
c) que tenha aconselhado qualquer das partes.
a) o co-réu no mesmo processo poderá intervir como
d) que esteja respondendo a processo por fato análogo, assistente.
sobre cujo caráter criminoso haja controvérsia.
b) não será permitido ao assistente propor meios de
prova.
04. (OAB/SP/2006) Sobre o juiz, o ministério público e c) não caberá recurso do despacho que admitir ou não o
outros sujeitos processuais, é INCORRETO afirmar: assistente.
a) Nos juízos coletivos, não poderão servir no mesmo
processo os juízes que forem entre si parentes,
DIREITO PROCESSUAL PENAL 69
d) o assistente será admitido até a sentença de primeira
instância. OBJETO DE PROVA
e) o assistente poderá ser admitido sem prévia oitiva do Objeto da prova é toda circunstância, fato ou
Ministério Público. alegação referente ao litígio sobre os quais pesa incerteza
e que precisam ser demonstrados perante o juiz para o
09. (Prom.Just.TCE-MA/FCC/2006) No que se refere a deslinde da causa.
situação do assistente do Ministério Público é São, portanto, fatos capazes de influir na decisão
INCORRETO afirmar que do processo, na responsabilidade penal e na fixação da
a) o co-réu no mesmo processo não poderá intervir pena ou medida de segurança, necessitando, por essa
como assistente da acusação. razão, de adequada comprovação em juízo.
b) o assistente não pode aditar a denúncia, mas poderá Somente os fatos que revelem dúvida na sua
aditar o libelo acusatório. configuração e que tenham alguma relevância para o
julgamento da causa merecem ser alcançados pela
c) não tem cabimento a pluralidade de assistentes de
atividade probatória, como corolário do princípio da
acusação no mesmo processo.
economia processual.
d) não pode o assistente habilitar-se no processo antes
do recebimento da denúncia. DICA DE CONCURSO:
e) o prazo para recorrer, supletivamente, começa a O direito processual regula os meios de prova, que
correr imediatamente após o transcurso do prazo do são os instrumentos que trazem os elementos de
Ministério Público. convicção aos autos. A finalidade da prova é o
convencimento do juiz, que é seu destinatário.
(Proc.BACEN/CESPE/2009)
10. (Def.Pub.DPE-PI/CESPE/2009) Assinale a opção
correta quanto às prerrogativas do acusado no
processo penal. Fatos que independem de prova:
a) O acusado, embora preso, tem o direito de assistir e Existem fatos que não precisam ser objeto de
de presenciar, sob pena de nulidade relativa, os atos provas, sendo, portanto dispensado sua produção.
processuais, notadamente aqueles que se produzem a) Fatos axiomáticos ou intuitivos: aqueles
na fase de instrução do processo penal, que se que são evidentes. A evidência nada mais é do que um
realiza, sempre, sob a égide do contraditório; porém, grau de certeza que se tem dos conhecimentos sobre
são relevantes, para esse efeito, as alegações do algo.
poder público concernentes à dificuldade ou Nesses casos, se o fato é evidente, a convicção
inconveniência de proceder à remoção de acusados já está formada, logo, não carece de prova.
presos a outros pontos da própria comarca, do
Por exemplo, no caso de morte violenta, quando
estado ou do país.
as lesões externas forem de tal monta que tornarem
b) O acusado tem direito ao contraditório e à plenitude evidente a causa da morte, será dispensado o exame de
de defesa, sendo que esta última se restringe ao corpo de delito interno (CPP, art. 162, parágrafo único).
direito à defesa técnica.
Exemplo: um ciclista é atropelado por uma
c) O réu pode ser processado e julgado com base em jamanta e seu corpo é dividido em pedaços. Dispensa-
leis ex post facto. se o exame cadavérico interno, pois a causa da morte é
d) O comportamento do réu durante o processo, na evidente.
tentativa de defender-se, presta-se a agravar-lhe a b) Fatos notórios (aplica-se o princípio notorium
pena, pois a CF não consagra o princípio nemo nom eget probatione, ou seja, o notório não necessita
tenetur se detegere. de prova).
e) O réu tem direito de presença e de participação ativa É o caso da verdade sabida: por exemplo, não
nos atos de interrogatório judicial dos demais precisamos provar que no dia 07 de setembro
litisconsortes penais passivos, quando existentes. comemora-se a independência, ou que a água molha e
o foto queima. Fatos notórios são aqueles cujo
Gabarito: 01/C; 02/E; 03/B; 04/D; 05/D; 06/d; 07/D; conhecimento faz parte da cultura de uma sociedade.
08/C; 09/C; 10/E c) Presunções legais: porque são conclusões
decorrentes da própria lei, ou, ainda, o conhecimento
que decorre da ordem normal das coisas, podendo ser
DA PROVA absoluta (juris et de jure) ou relativas (juris tantum).
CONCEITO DE PROVA Por exemplo: a acusação não poderá provar que
Prova é todo meio capaz de colher elementos um menor de 18 anos tinha plena capacidade de
que demonstrem a veracidade (ou falsidade) de uma entender o caráter criminoso do fato, pois a legislação
afirmação, a existência ou inexistência de um fato, a fim presume sua incapacidade de (inimputabilidade) modo
de fornecer subsídios para a formação da convicção do absoluto (juris et de jure), sem sequer admitir prova em
julgador. É realizada pelo juiz, pelas partes ou por contrário.
terceiros. Alguém que pratica um crime em estado de
DICA DE CONCURSO: embriaguez completa, provocada por ingestão voluntária
ou culposa de álcool ou substância entorpecente, não
A prova, ainda que produzida por iniciativa de uma poderá provar que no momento da infração não sabia o
das partes, pertence ao processo e pode ser utilizada por que estava fazendo, pois a lei presume sua
todos os participantes da relação processual, destinando- responsabilidade sem admitir prova em contrário (actio
se à apuração da verdade dos fatos alegados. (Adv.OAB- libera in causa - a sua ação foi livre na causa).
SP/CESPE/2008)
70 DIREITO PROCESSUAL PENAL
d) Fatos inúteis: princípio frustra probatur quod real, no entanto, não confere às partes ou ao juiz a
probantum nom relevat. faculdade de violar normas legais para sua obtenção ou
São os fatos, verddeiros ou não, que não introdução no processo; a vedação encontra-se na
influenciam na solução da causa, na apuração da própria CF.
verdade real. Art. 5°, LVI, CF: "são inadmissíveis, no
Exemplo: a testemunha afirma que o crime se processo, as provas obtidas por meios
deu em momento próximo ao do jantar, e o juiz quer ilícitos."
saber quais os pratos que foram servidos durante tal O artigo 156 do Código de Processo Penal
refeição. dispõe que caberá a quem alegar o dever de comprovar,
O mesmo ocorre com os fatos imorais, aqueles é o ônus da prova.
que, em razão de seu caráter criminoso, inescrupuloso, São proibidas, portanto:
ofensivo à ordem pública e aos bons costumes, não - as provas ilícitas (são aquelas em cuja
podem beneficiar aquele que o pratica. obtenção há violação de norma de direito material - ex.:
ATENÇÃO: as provas obtidas com violação do domicílio, das
No Processo Penal, os fatos incontroversos comunicações, mediante tortura etc.) e
também são objeto de prova, não se aplicando a regra - as provas ilegítimas (são aquelas obtidas ou
que incide no Processo Civil, que admite a presunção introduzidas com violação de regras do direito
de veracidade em tais casos. processual - ex.: utilização no Plenário de Júri de prova
juntada nos 3 dias que antecedem o julgamento, oitiva
de testemunha que está proibida de depor etc.).
SUJEITOS DA PROVA
Os sujeitos da prova são as pessoas incumbidas
PROVAS ILÍCITAS E LEGÍTIMA
de levar ao juiz os meios de prova. São as testemunhas,
com o depoimento; o réu, com o interrogatório; e o a) Prova Ilegal = a prova é ilegal quando sua
perito, com o laudo. obtenção caracteriza violação de normas legais ou de
princípios gerais do ordenamento de natureza
processual ou material.
ÔNUS DA PROVA
b) Prova Ilegítima = proibida por norma
O ônus representa o encargo de cada parte de instrumental ou processual (ex: exibição de documentos
provar a verdade de suas afirmações. A regra é que a que a defesa não teve vista nos autos, de acordo com o
prova da alegação incumbirá a quem a fizer. Assim, o artigo 475 do CPP ou a obtenção de cartas particulares
Ministério Público deverá provar a ocorrência do fato por meios não permitidos em lei, de acordo com o artigo
denunciado e suas circunstâncias, enquanto ao acusado 233 do CPP). Obs: em relação às cartas particulares,
incumbe a prova que alegar em sua defesa (exclusão da diferentemente da constituição ditatorial brasileira de
ilicitude, da punibilidade, atenuantes). 1969, a atual carta federal permite a obtenção de prova
 A lei faculta ao juiz, de ofício, a produção ilegítima ou ilícita, quando requerida por Delegado ou
supletiva de prova sempre visando a busca da verdade Ministério Público, de acordo com a Lei nº. 9.296/96. As
real, podendo: correspondências de penitenciárias são violadas, com
I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação permissão legal, portanto, nem sempre a violação de
penal, a produção antecipada de provas consideradas correspondência é crime.
urgentes e relevantes, observando a necessidade, c) Prova Ilícita = quando for a prova de natureza
adequação e proporcionalidade da medida; material (ex: detector de mentias e narcoanálise).
II – determinar, no curso da instrução, ou antes Conceito de prova ilícita: São aquelas obtidas
de proferir sentença, a realização de diligências para em violação a normas constitucionais ou legais. São
dirimir dúvida sobre ponto relevante. inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do
processo e, uma vez preclusa a decisão de
ATENÇÃO! desentranhamento, serão inutilizadas por decisão
Pela Lei nº 11.690/2008, há a possibilidade de o judicial, facultado às partes acompanhar o incidente.
Juiz ordenar, também de ofício, "mesmo antes de Provas ilícitas por derivação (Teoria dos
iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas frutos da árvore envenenada) - São também
consideradas urgentes e relevantes, observando a inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas. A rigor, a
necessidade, adequação e proporcionalidade da prova obtida é lícita, entretanto, foi utilizado expediente
medida" (art. 156, I, CPP). considerado ilícito para se chegar a ela, contaminando-
a, assim, com o vício da ilicitude.
RESTRIÇÕES À PROVA – Artis.92 e 93 do CPP. Exceções à ilicitude por derivação: a) quando
Algumas provas são restritas, como o não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e
casamento, para o crime de bigamia (Art. 25, CP). outras; b) quando as derivadas puderem ser obtidas por
uma fonte independente das primeiras.
Conceito de fonte independente: é aquela
LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS DAS PROVAS
que por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe,
Pode servir de prova tudo o que, direta ou próprios da investigação ou instrução criminal, seria
indiretamente, seja útil na apuração da verdade real; o capaz de conduzir ao fato objeto da prova.
CPP enumera algumas delas (testemunhal, documental,
pericial etc.), mas não taxativamente; podem servir de JURISPRUDÊNCIA:
prova outros meios não previstos na lei: filmagens, PROVA ILÍCITA – CONTAMINAÇÃO.
fotografias (provas inominadas); assim, via de regra, Decorrendo as demais provas do que é levantado via
todas as provas são admissíveis; o princípio da verdade prova ilícita, tem-se a contaminação daquelas, motivo
DIREITO PROCESSUAL PENAL 71
pelo qual não subsistem. Precedente: habeas-corpus nº • inominados: são aqueles meios de prova que
69.912/RS, relatado pelo Ministro Sepúlveda Pertence não estão previstos expressamente na legislação. Ex.:
perante o Pleno, com acórdão veiculado no Diário da juntar fita de vídeo, com um programa de TV em que o
Justiça de 25 de março de 1994. (HC nº 73.510-0/SP, acusado aparece, para mostrar aos jurados.
STF, 2ª T, Rel. Min. Marco Aurélio, D. J. 12.12.97, ATENÇÃO!!
deferido, por maioria.
O juiz pode usar de outros meios lícitos de prova,
não precisa ficar restrito ao rol do CPP.
DICAS DE CONCURSOS: Art. 155 CPP dispões que somente quanto ao
A regra geral estabelecida no ordenamento estado das pessoas serão observadas as restrições à
jurídico brasileiro, no que diz respeito a provas, é a prova estabelecida na lei civil Ex.: casamento/certidão
inadmissibilidade das provas ilícitas no processo penal, civil e súmula 74 STJ – para efeitos penais, o
assim entendidas as obtidas com violação das normas reconhecimento da menoridade do réu requer prova por
constitucionais ou legais. As provas ilícitas devem, documento hábil.
portanto, ser desentranhadas dos autos do processo.
(Manut.Armamento PM/DF/CESPE/2010) HIERARQUIA DE PROVAS
A respeito de prova ilícita, a Constituição Federal No processo penal não há hierarquia de provas.
não contém dispositivos expressos sobre a produção de Todas as provas têm valor relativo. O juiz deve
prova derivada de prova ilícita e sobre a aplicação do examiná-las em conjunto e não isoladamente. No
princípio da proporcionalidade para a solução de processo penal, o que condena ou absolve, é o conjunto
questões sobre a ilicitude da prova. (Juiz Sub.TJ- probatório.
AL/FCC/2007).
Desde que vinculado à prova dos autos, o juiz
Considera-se fonte independente aquela que, por julga motivadamente, conforme seu livre
si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios convencimento. No Tribunal do Júri, os jurados julgam
da investigação ou instrução criminal, seja capaz de de acordo com o livre convencimento, sem a
conduzir ao fato objeto da prova. (OAB- necessidade de motivar a decisão.
SP/CESPE/2009.
Dispõe o Art. 155 do CPP, com redação dada
pela Lei nº 11.690/2008: ―O juiz formará sua convicção
FINALIDADE DAS PROVAS pela livre apreciação da prova produzida em
A atividade probatória destina-se a fornecer ao contraditório judicial, não podendo fundamentar sua
julgador, destinatário da prova, elementos suficientes decisão exclusivamente nos elementos informativos
para que possa conhecer a verdade acerca do fato colhidos na investigação, ressalvadas as provas
delituoso e, assim, aplicar o direito. cautelares, não repetíveis e antecipadas.”

PRODUÇÃO DAS PROVAS PRINCÍPIOS QUE NORTEIAM AS PROVAS


As provas a serem produzidas no transcorrer da Da auto-responsabilidade das partes - as
ação penal deverão se requeridas ou propostas pela partes têm responsabilidade nas provas, se deixa de
acusação na denúncia ou queixa-crime e pela defesa produzir a prova, a responsabilidade é dela. Ela que
quando do oferecimento da defesa prévia. usufrui como pode das provas que tem que buscar,
provar, para convencer o julgador.
Tanto defesa, quanto acusação, deverão ter
seus requerimentos acerca da produção de provas, Da audiência contraditória - toda prova admite
deferidos pelo juiz. o contraditório. Se o MP alega que o autor dolosamente
atirou em alguém, ele tenta provar, a defesa tem direito
No entanto, levando-se em conta os princípios
de acompanhar a prova e fazer o contraditório, senão a
constitucionais que imperam no processo penal, quais
prova é nula, precisa do contraditório.
sejam, princípio da verdade real e o princípio da ampla
defesa, poderão ser propostas e determinadas de ofício Da comunhão ou aquisição das provas –
pelo juiz ou pela autoridade policial, a qualquer tempo. tornar em comum as provas. A prova trazida ao
processo não pertence àquele que trouxe, mas para
ambos.
MEIOS DE PROVA
Oralidade – deve dominar o falado, o oral, saber
Meios de prova são os métodos por meio dos falar, com as palavras corretas.
quais a prova pode ser levada ao processo. Os meios
Da concentração – se busca concentrar as
de prova podem ser:
provas orais.
• nominados: são os documentos, acareações,
Publicidade - ato público, exceto em casos
reconhecimento de pessoas e objetos, interceptação
específicos.
telefônica, interrogatório. São todos os meios de prova
previstos na legislação; Do livre convencimento motivado – o juiz
fundamenta seu convencimento, ele analisa o conjunto
DICA DE CONCURSO: probatório para poder expor sua motivação.
Dados obtidos em interceptação de
comunicações telefônicas e em escutas ambientais
judicialmente autorizadas para produção de prova em SISTEMA DE APRECIAÇÃO OU VALORAÇÃO DAS
inquérito policial podem ser usados, em procedimento PROVAS
administrativo disciplinar, contra servidores cujos Utilizavam-se dois sistemas:
supostos ilícitos tenham despontado à colheita dessa - sistema religioso - invocava a divindade para
prova. (STF/Exec.Mand.CESPE/2008) apreciar as provas, qualquer que fosse o julgamento.
72 DIREITO PROCESSUAL PENAL
- sistema étnico-pagão - a apreciação das delicti, isto é, a formação da manto do princípio do
provas era feita de forma empírica, sem qualquer regra. opinião do titular da ação contraditório.
penal.
Sistema Moderno
São três os sistemas modernos: DICAS DE CONCURSOS:
• Sistema da íntima convicção ou da certeza Para prolação de sentença condenatória o juiz
moral do julgador. Nesse sistema, a decisão formará sua convicção, de acordo com o teor de nova
ficava a cargo do juiz, que decidia com base regra processual penal trazida pela Lei nº 11.719, de
em regras, porém, não havia necessidade de 20/06/2008, segundo livre apreciação da prova
fundamentação do julgamento. Ensejou produzida em contraditório judicial, não podendo
abusos. fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos
• Sistema da prova legal ou da certeza moral do informativos colhidos na investigação, ressalvadas as
legislador ou tarifada. É aquela cujo valor da provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.
prova já vem preestabelecido pela lei, não (Defensor Público/MA-2009).
deixando margem para discricionariedade do O juiz forma sua convicção pela livre
magistrado. Exemplo: O casamento se prova apreciação da prova produzida em contraditório judicial
com a certidão de casamento. e não pode, em regra, fundamentar sua decisão
• Sistema do livre convencimento motivado ou exclusivamente nos elementos informativos colhidos na
persuasão racional do juiz. Nesse sistema, o fase investigatória. (PM-DF/Curso Form.CESPE/2009)
julgador tem liberdade para decidir, porém, ATENÇÃO:
com a obrigação de fundamentar seu O juiz não pode, por expressa vedação legal,
julgamento. fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos
No Brasil, o Código de Processo Penal adota o informativos colhidos na investigação. Entretanto, se tais
sistema do livre convencimento motivado. A exceção provas colhidas na fase investigativa (inquérito policial),
é para o Tribunal do Júri. Os jurados, quando julgam, poderão ser consideradas no fundamento da decisão do
não justificam, sob pena de ser anulado o Júri. julgador, desde que corroboradas com as demais
provas produzidas na fase judicial.
ATENÇÃO!!
O sistema da persuasão do Juiz é o adotado pelo
Constituinte originário (art. 93, IX, CF). CLASSIFICAÇÃO DAS PROVAS
Art. 93, CF - quanto à natureza ou objeto:
IX - todos os julgamentos dos órgãos do -direta: por si só demonstra o fato controvertido.
Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas -indireta: demonstra um fato do qual se deduz o
todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a fato que se quer provar.
lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias
partes e a seus advogados, ou somente a estes, em
casos nos quais a preservação do direito à intimidade - quanto ao valor:
do interessado no sigilo não prejudique o interesse -plena (perfeita ou completa): é aquela apta a
público à informação; (Redação dada pela Emenda conduzir o julgador a um juízo de certeza.
Constitucional nº 45, de 2004) -não plena (imperfeita ou incompleta): traz
Existem três efeitos decorrentes da adoção deste apenas uma probabilidade acerca da
sistema do livre convencimento motivado dentro do ocorrência do fato e de sua autoria – ex.:
processo penal: indícios.
a. Não existe prova com valor absoluto;
b. O Juiz deve valorar todas as provas
- quanto à origem:
produzidas no processo, mesmo que para afastá-las;
c. Somente são válidas as provas constantes do -originária: quando não há intermediários entre o
processo, ou seja, conhecimentos privados do Juiz não fato e a prova (testemunha presencial).
podem ser usados como provas. -derivada: quando existe intermediação entre o
fato e a prova (testemunho do testemunho).

ELEMENTOS INFORMATIVOS E PROVA


- quanto à fonte:
ELEMENTOS INFORMATIVOS PROVAS
-pessoal: tem como fonte alguma manifestação
Os elementos informativos são As provas serão
aqueles colhidos na fase colhidas, em regra, na humana (testemunho, confissão, conclusões
investigatória. fase judicial, na periciais, documento escrito pela parte etc.).
presença do Juiz. -real: tem como fonte a apreciação de elementos
Não há partição dialética das Há inovação dentro do físicos distintos da pessoa humana (o cadáver,
partes no momento em que são processo penal, com a a arma do crime etc.).
colhidos. Isto é, não há observância do DICA CESPE:
contraditório. princípio da Quanto ao estado das pessoas, a observância
identidade física do das restrições à prova previstas na lei civil é uma
Juiz. limitação à liberdade probatória do processo penal. (Juiz
Estes elementos informativos Sub.TJ-SE/CESPE/2008)
são úteis para a fundamentação É importante observa-
de medidas cautelares e para se que as provas
auxiliar na formação da opinio serão colhidas sob o
DIREITO PROCESSUAL PENAL 73
PROVAS EM ESPÉCIE habilitação técnica relacionada com a
natureza do exame.
Conforme o Código de Processo Penal Brasileiro,
são provas em espécies:  Perito não-oficial (juramentado ou louvado:
particular nomeado pela autoridade policial ou judiciária
1- Exame do corpo de delito e perícias em geral
na falta de perito oficial, devendo logo que assume o
2- Interrogatório do acusado encargo, prestar o compromisso de bem e fielmente
3- Confissão cumprir suas funções (a falta de compromisso não
4- Declarações do ofendido invalida o laudo, tida como mera irregularidade).
5- Prova Testemunhas
6- Reconhecimento de pessoas e coisas Perícia por Precatória
7- Acareação Na perícia realizada por precatória, quem
8- Prova documental nomeia o perito é o juiz deprecado, salvo na Ação Penal
Privada em que, havendo acordo entre querelante e
9- Indícios querelado, a nomeação será feita pelo juiz deprecante.
10- Busca e apreensão
Direitos assegurados às partes
1. EXAME DO CORPO DE DELITO E PERÍCIAS Durante o curso do processo judicial, é
EM GERAL permitido às partes, quanto à perícia:
1.1 PERÍCIAS EM GERAL I – Esclarecimentos: requerer a oitiva dos
Conceito de perícia: peritos para esclarecerem a prova ou para responderem
a quesitos, desde que o mandado de intimação e os
A perícia é um exame realizado por quem tem quesitos ou questões a serem esclarecidas sejam
conhecimento técnico específico. Sua finalidade é prestar encaminhados com antecedência mínima de 10 (dez)
auxílio ao juiz em questões fora de sua área de dias, podendo apresentar as respostas em laudo
conhecimento profissional. complementar;
DICA DE CONCURSO: II – Indicação de assistentes técnicos: indicar
A chamada prova crítica nada mais é do que a assistentes técnicos que poderão apresentar pareceres
perícia, que, no ordenamento brasileiro, tem natureza em prazo a ser fixado pelo juiz ou ser inquiridos em
jurídica de meio de prova, admitindo-se que o juiz não audiência.
fique adstrito ao laudo, podendo aceitá-lo ou rejeitá-lo,
no todo ou em parte. (Juiz Sub.TJ-PI/CESPE/2007)
Quesitos
Como forma de implementar o princípio do
Momento da realização da perícia: contraditório na realização do exame pericial, serão
A perícia pode ser realizada a qualquer momento, facultadas ao Ministério Público, ao assistente de
desde o Inquérito Policial até a execução da sentença. acusação, ao ofendido, ao querelante e ao acusado a
formulação de quesitos (perguntas pertinentes à perícia
e que versem pontos a serem esclarecidos) e indicação
Natureza jurídica: de assistente técnico.
É um meio de prova nominado. Seu valor
probatório é idêntico ao dos demais meios de prova.
Assistente técnico
São especialistas indicados pelas partes com o
Determinação da perícia: fim de contrariar ou complementar o laudo oficial. O
a) Quando realizada no inquérito, a perícia é assistente técnico somente poderá atuar a partir de sua
determinada pela autoridade policial, que pode determinar admissão pelo juiz e após a conclusão dos exames e
a realização de qualquer perícia, exceto a perícia de elaboração do laudo pelos peritos oficiais, sendo as
insanidade mental, que somente pode ser determinada partes intimadas desta decisão.
pelo juiz; e
b) O juiz pode determinar a realização de Forma e prazo da perícia
qualquer perícia, seja de ofício ou a requerimento da parte.
Os peritos elaborarão o laudo pericial, onde
ATENÇÃO: descreverão minuciosamente o que examinarem, e
O juiz não ficará adstrito ao laudo pericial, responderão aos quesitos formulados, sendo que o
podendo aceitá-lo ou rejeitá-lo, no todo ou em parte. laudo será elaborado no prazo máximo de 10 dias,
podendo este prazo ser prorrogado, em casos
excepcionais, a requerimento dos peritos.
Competência para realização da perícia:
a) O exame de corpo de delito e outras
perícias serão realizados por um perito Perícias inúteis
oficial (servidor público), portador de Salvo o caso de exame de corpo de delito, o
diploma de curso superior; juiz ou a autoridade policial negará a perícia requerida
b) Na falta de perito oficial, o exame será pelas partes, quando não for necessária ao
realizado por 2 (duas) pessoas idôneas esclarecimento da verdade.
(perito louvado), portadoras de diploma de
curso superior preferencialmente na área Perícia complexa
específica, dentre as que tiverem Tratando-se de perícia complexa que abranja
mais de uma área de conhecimento especializado,
74 DIREITO PROCESSUAL PENAL
poder-se-á designar a atuação de mais de um perito peritos será feita pelo juízo deprecado, exceto se, em se
oficial, e a parte indicar mais de um assistente técnico. tratando de ação penal privada, as partes entabularem
acordo para que a nomeação dos peritos seja feita pelo
juiz deprecante. (Anal.Jud.TJ-DFT/CESPE/2008)
Material probatório
Havendo requerimento das partes, o material
probatório que serviu de base à perícia será Fotografias do cadáver
disponibilizado no ambiente do órgão oficial, que Os cadáveres serão sempre fotografados na
manterá sempre sua guarda, e na presença de perito posição em que forem encontrados, bem como, na
oficial, para exame pelos assistentes, salvo se for medida do possível, todas as lesões externas e
impossível a sua conservação. vestígios deixados no local do crime.
 Para representar as lesões encontradas no
1.2 EXAME DE CORPO DE DELITO cadáver, os peritos, quando possível, juntarão ao laudo
O Exame de Corpo de Delito é o exame pericial do exame provas fotográficas, esquemas ou desenhos,
obrigatório, destinado a comprovar a materialidade das devidamente rubricados.
infrações penais que deixam vestígios, podendo ser feito
em qualquer dia e a qualquer hora. Sua falta acarreta a Dispensa da autópsia
nulidade absoluta do processo. Nos casos de morte violenta, bastará o simples
exame externo do cadáver, quando não houver infração
Obrigatoriedade do exame penal que apurar, ou quando as lesões externas
Quando a infração deixar vestígios, será permitirem precisar a causa da morte e não houver
indispensável o exame de corpo de delito, direto ou necessidade de exame interno para a verificação de
indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado. alguma circunstância relevante, sendo, portanto
dispensada a autópsia.
a) Exame direto, quando se examinam os próprios
vestígios do crime (exemplo: cadáver);
b) Exame indireto, quando se analisa elemento Exumação de cadáver
secundário no qual o vestígio foi registrado Em caso de exumação para exame cadavérico,
(exemplo: os peritos não examinam a vítima, mas a autoridade providenciará para que, em dia e hora
suas vestes). previamente marcados, se realize a diligência, da qual
se lavrará auto circunstanciado. O administrador de
ATENÇÃO:
cemitério público ou particular indicará o lugar da
Excepcionalmente, na impossibilidade de sepultura, sob pena de desobediência.
realização do exame de corpo de delito, por haverem
desaparecido os vestígios, pode ser suprido pela prova  No caso de recusa ou de falta de quem
testemunhal. indique a sepultura, ou de encontrar-se o cadáver em
lugar não destinado a inumações, a autoridade
procederá às pesquisas necessárias, o que tudo
Preservação do local do crime constará do auto.
Para o efeito de exame do local onde houver
sido praticada a infração, a autoridade providenciará Identificação do cadáver exumado
imediatamente para que não se altere o estado das
coisas até a chegada dos peritos, que poderão instruir Havendo dúvida sobre a identidade do cadáver
seus laudos com fotografias, desenhos ou esquemas exumado, proceder-se-á ao reconhecimento pelo
elucidativos. Instituto de Identificação e Estatística ou repartição
congênere ou pela inquirição de testemunhas, lavrando-
 Os peritos registrarão, no laudo, as se auto de reconhecimento e de identidade, no qual se
alterações do estado das coisas e discutirão, no descreverá o cadáver, com todos os sinais e indicações.
relatório, as consequências dessas alterações na
dinâmica dos fatos.  Em qualquer caso, serão arrecadados e
autenticados todos os objetos encontrados, que possam
ser úteis para a identificação do cadáver.
Autópsia
A autópsia (exame necroscópico realizado em Lesões corporais
cadáver) com o objetivo de determinar a causa da morte
será feita pelo menos seis (06) horas depois do óbito, Em caso de lesões corporais, se o primeiro
salvo se os peritos, pela evidência dos sinais de morte, exame pericial tiver sido incompleto, proceder-se-á a
julgarem que possa ser feita antes daquele prazo, o que exame complementar por determinação da autoridade
declararão no auto. policial ou judiciária, de ofício, ou a requerimento do
Ministério Público, do ofendido ou do acusado, ou de
DICAS CONCURSOS: seu defensor, devendo os peritos ter presente o auto de
Por determinação legal, o exame necroscópico corpo de delito, a fim de suprir-lhe a deficiência ou
ou cadavérico deve ser realizado pelo menos seis horas retificá-lo.
após o óbito. Todavia, tal obrigatoriedade é dispensada DICA DE CONCURSOS:
se houver evidência da morte, como ausência de
movimentos respiratórios, desaparecimento do pulso ou ....A falta desse exame poderá ser suprida pela
enregelamento do corpo. (Deleg.Pol.Civil prova testemunhal.(AnalJud.Exec.
TO/CESPE/2008) Mand.STF/CESPE/2008)
Quando o exame de corpo de delito tiver de ser
feito por intermédio de carta precatória, a nomeação dos Exame complementar de Lesão Corporal
DIREITO PROCESSUAL PENAL 75
Se o exame tiver por fim precisar a III - a autoridade, quando necessário,
o
classificação do delito no art. 129, § 1 , I, do Código requisitará, para o exame, os documentos
Penal (Lesão corporal grave - se resulta incapacidade que existirem em arquivos ou
para as ocupações habituais, por mais de 30 dias), estabelecimentos públicos, ou nestes
deverá ser feito logo que decorra o prazo de 30 dias, realizará a diligência, se daí não puderem ser
contado da data do crime. retirados;
ATENÇÃO: IV - quando não houver escritos para a
A falta de exame complementar poderá ser comparação ou forem insuficientes os
suprida pela prova testemunhal. exibidos, a autoridade mandará que a pessoa
escreva o que Ihe for ditado.
 Se estiver ausente a pessoa, mas em lugar
JURISPRUDÊNCIA: certo, esta última diligência poderá ser feita por
"O prazo de 30 dias a que alude o § 2º do artigo precatória, em que se consignarão as palavras que a
168 do C.P.P. não é peremptório, mas visa a prevenir pessoa será intimada a escrever.
que, pelo decurso de tempo, desapareçam os
elementos necessários à verificação da existência de Perícia nos instrumentos do crime
lesões graves. Portanto, se mesmo depois da fluência
Serão sujeitos a exame os instrumentos
do prazo de 30 dias, houver elementos que permitam a
afirmação da ocorrência de lesões graves em empregados para a prática da infração, a fim de se lhes
decorrência da agressão, nada impede que se faça o verificar a natureza e a eficiência.
exame complementar depois de fluído esse prazo. (...)"
(STF - HC 73.444/RJ, Relator - Min. Moreira Alves, julg. Divergência entre peritos
27/02/1996, publ. DJ 11.10.96). Se houver divergência entre os peritos,
deverão ser observadas as seguintes regras:
Perícia de Laboratório 1ª) serão consignadas no auto do exame as
Nas perícias de laboratório, os peritos declarações e respostas de um e de outro, ou
guardarão material suficiente para a eventualidade de cada um redigirá separadamente o seu laudo;
nova perícia. Sempre que conveniente, os laudos serão 2ª) a autoridade nomeará um terceiro perito;
ilustrados com provas fotográficas, ou microfotográficas, 3ª) se o terceiro perito divergir dos dois
desenhos ou esquemas. primeiros, a autoridade poderá mandar
proceder a novo exame por outros peritos;
Perícias em casos de destruição, rompimento ou 4ª) caso o juiz entenda desnecessária a
escalada nomeação do terceiro perito para realização
Nos crimes cometidos com destruição ou de novo exame, poderá optar por uma das
rompimento de obstáculo a subtração da coisa, ou por opiniões já emitidas.
meio de escalada, os peritos, além de descrever os
vestígios, indicarão com que instrumentos, por que Correção de irregularidades da perícia
meios e em que época presumem ter sido o fato No caso de inobservância de formalidades, ou
praticado. no caso de omissões, obscuridades ou contradições, a
 Proceder-se-á, quando necessário, à autoridade judiciária mandará:
avaliação de coisas destruídas, deterioradas ou que a) Suprir a formalidade;
constituam produto do crime. Se impossível a avaliação
direta, os peritos procederão à avaliação por meio dos b) Complementar ou esclarecer o laudo;
elementos existentes nos autos e dos que resultarem de c) Ordenar que se proceda a novo exame,
diligências. por outros peritos, se julgar conveniente.
JURISPRUDÊNCIA:
Perícia em incêndio "A nulidade decorrente da falta de realização do
No caso de incêndio, os peritos verificarão a exame de corpo de delito não tem sustentação frente à
causa e o lugar em que houver começado, o perigo que jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que não
dele tiver resultado para a vida ou para o patrimônio considera imprescindível a perícia, desde que existentes
alheio, a extensão do dano e o seu valor e as demais outros elementos de prova" (1ª T, HC nº 76.265-3/RS,
circunstâncias que interessarem à elucidação do fato. Rel. Min. Ilmar Galvão, DJU, 18 out., 1996, p. 39847; 2ª
T, HC nº 70.118-3/SP, Rel. Min. Carlos Velloso, DJU, 28
maio 1993, p. 10385; 1ª T HC nº 72.788-3/MG, Rel. Min.
Perícia em escritos Moreira Alves, DJU, 20 out., 1995, p.35259; e 2ª T, HC
No exame para o reconhecimento de escritos, nº 72.283-1/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, DJU, 9 jun.
por comparação de letra, observar-se-á o seguinte: 1995, p. 17233).
I - a pessoa a quem se atribua ou se possa
atribuir o escrito será intimada para o ato, se
DICA CONCURSOS:
for encontrada;
II - para a comparação, poderão servir Dispõe a lei processual penal que os exames de
quaisquer documentos que a dita pessoa corpo de delito e as outras perícias serão feitos por dois
reconhecer ou já tiverem sido judicialmente peritos oficiais, o que significa que esses técnicos
reconhecidos como de seu punho, ou sobre podem desempenhar suas funções independentemente
cuja autenticidade não houver dúvida; de nomeação da autoridade policial ou do juiz, uma vez
que a investidura em tais cargos advém da lei.
(Del.Pol.Civil-TO/CESPE/2008).
76 DIREITO PROCESSUAL PENAL
que passou a constituir instrumento não só de
1.3 OUTRAS PERÍCIAS: autodefesa, mas também de prova, exigindo a
instauração de verdadeiro contraditório, sem dispensar
Vejamos abaixo algumas generalidades acerca
a presença do defensor (STJ, HC 42.780-PR).
de determinadas perícias.
a) Necropsia ou autópsia (é o exame interno
do cadáver, que será realizado, no mínimo, Direito ao silêncio (prerrogativa da não auto-
seis horas após a morte): dispensado pelo incriminação ou princípio do nemo tenetur se
exame externo nos casos de morte violenta detegere)
sem que haja infração penal a ser apurada Nos termos do art. 186 do Código de Processo
ou, ainda, mesmo havendo infração penal a Penal, antes de iniciar o interrogatório, o juiz deverá
ser apurada, as lesões externas permitirem advertir o acusado de seu direito de permanecer calado,
precisar a causa da morte. sendo que tal silêncio, não importando em confissão,
b) Exumação: é o desenterramento do não poderá ser interpretado em prejuízo de sua defesa.
cadáver (exige ordem judicial) e a inumação
é o enterramento do cadáver. Procedimento
c) Lesões corporais graves pela O interrogatório segue o seguinte procedimento:
incapacidade para as ocupações
1) Qualificação do acusado, nos termos do art.
habituais por mais de trinta dias: o
185 do CPP;
exame deverá ser feito logo que decorra o
prazo de trinta dias, contado da data do 2) Advertência quanto ao direito ao silêncio, nos
crime (conta conforme o art. 10 do Código termos do art. 186;
Penal, ou seja, incluindo o dia do início na 3) Realização, pelo juiz, de perguntas ao réu,
contagem). Não pode ser realizado antes conforme art. 187 do CPP, sendo,
do decurso desse prazo. inicialmente feitas as perguntas subjetivas
d) Perícia de laboratório (realizada em previstas no art. 188, § 1º, do CPP, e, após,
lugares próprios): findo o exame, os peritos serão realizadas as perguntas objetivas
devem guardar material suficiente do previstas no art. 188, § 2º do CPP;
produto analisado para nova perícia. 4) Juiz facultará às partes a realização de
e) Furto qualificado pelo rompimento de perguntas ao interrogando, apenas podendo
obstáculo ou mediante escalada: deve indeferi-las se impertinentes ou irrelevantes.
ser feita perícia para materializar a violação
ou o esforço anormal. Interrogatório por meio de videoconferência
f) Incêndio (crime previsto no art. 250, CP): O art. 185, § 2º do CPP autoriza o
importante para determinar se o incêndio foi interrogatório judicial do preso por meio do sistema de
acidental ou criminoso. videoconferência ou de outro recurso tecnológico de
g) Reconhecimento de escritos: a pessoa a transmissão de sons e imagens em tempo real. É
quem se atribua o escrito não poderá ser importante destacar que, tendo em vista a importância
obrigada a fornecer de seu próprio punho o desse ato processual como meio de prova para a
material para exame em face do privilégio defesa, sua efetivação por meio de videoconferência
da não auto-incriminação ou princípio nemo poderá ser adotada pelo juiz apenas em caráter
tenetur se detegere (assim, não foi excepcional, impondo-se, para tanto, decisão
recepcionada a previsão do art. 174, IV, fundamentada, com intimação das partes com no
CPP). mínimo 10 (dez) dias de antecedência em relação à
h) Instrumentos do crime (arma de fogo, data aprazada para o interrogatório (§ 3º),
faca, pedaço de madeira, etc.): importante condicionando-se, ainda, a que não tenha sido possível
para verificar a natureza (espécie e ao juiz interrogar o réu no estabelecimento prisional (§
qualidade) e a eficiência (eficácia do 1º) e à ocorrência de uma das seguintes hipóteses (§
instrumento) para produzir determinado 2º):
resultado. 1) Prevenir risco à segurança pública, quando
houver fundada suspeita de que o preso
integre organização criminosa;
2. INTERROGATÓRIO
2) Prevenir risco à segurança pública quando
Natureza jurídica possa o acusado fugir durante o
O interrogatório é predominantemente meio de deslocamento;
defesa, embora não tenha perdido sua natureza de meio 3) Viabilizar a participação do réu no
de prova. Com as mudanças ocorridas no Código de interrogatório judicial, quando haja relevante
Processo Penal tornou-se indispensável a presença do dificuldade para seu comparecimento em
advogado de defesa no interrogatório, tendo o réu juízo, por enfermidade ou outra circunstância
direito de entrevista pessoal e reservada com seu pessoal;
defensor antes do início do interrogatório. Antes das 4) Impedir a influência do réu no ânimo de
mudanças, apenas o juiz podia realizar perguntas ao testemunha ou da vítima, desde que não seja
réu, agora, acusação e defesa podem realizar perguntas possível colher o depoimento destas por
ao réu por meio do juiz (continuou o sistema videoconferência, nos termos do art. 217 do
presidencialista de inquirição, onde as partes fazem CPP;
perguntas por meio do juiz).
5) Responder à gravíssima questão de ordem
A novel legislação reformulou toda a pública.
sistemática do interrogatório (arts 185 a 196 do CPP),
DIREITO PROCESSUAL PENAL 77
DICA CONCURSOS: A confissão pode ser:
Em sede de persecução penal, o interrogatório • simples: o réu admite a autoria de fato único;
judicial qualifica-se como ato de defesa do réu, que não • complexa: quando o réu admite autoria de fato
é obrigado a responder a qualquer indagação feita pelo múltiplo;
magistrado processante, porém poderá sofrer alguma • qualificada: o réu admite autoria dos fatos a ele
restrição em sua esfera jurídica em virtude do exercício imputados, mas alega algo em seu benefício;
dessa especial prerrogativa. (Def.Pub.DPE-
• judicial: feita em Juízo;
PI/CESPE/2009).
• extrajudicial: qualquer confissão feita fora do
Juízo, no Inquérito Policial;
Outros atos sujeitos à videoconferência:
• Confissão implícita: é a confissão indireta,
Os §§ 8º e 9º do art. 185 do CPP dispõem que aquela que por presunção ou dedução lógica,
outros atos processuais podem ser praticados nos se consegue a autoria do crime. Trata-se de
termos dos §§ 2º, 3º, 4º, 5º do referido artigo, quais presunção "juris tantum", que admite prova e
sejam: a acareação, o reconhecimento de pessoas e sentido contrário. Exemplo: ressarcir os danos
coisas, e a inquirição de testemunhas ou tomada de causados à vítima.
decisões do ofendido, ficando, em qualquer caso,
garantido acompanhamento do ato pelo acusado e seu • Confissão explícita: é o tipo de confissão em
defensor. que o acusado de forma espontânea reconhece
a veracidade das acusações.
É importante destacar que a prática dos atos
processuais sujeitos a videoconferência depende da DICAS DE CONCURSOS:
existência de pessoa presa (§§ 8º e 9º, art. 185, CPP). A confissão é irretratável, por ser irrevogável,
Vale ressaltar também que o rol previsto no art. embora possa ser anulada. (OAB II
185, § 8º é exemplificativo. Nacion.CESPE/2007)
O direito ao silêncio do acusado e o valor da
confissão harmonizam-se, segundo a sistemática atual
3. CONFISSÃO - ARTS. 197 A 200
do Código de Processo Penal, com fundamento nas
Considerações gerais seguintes regras: o valor da confissão se aferirá pelos
Confissão é a admissão por parte do suposto critérios adotados para os outros elementos de prova, e
autor da infração, de fatos que lhe são atribuídos e que para a sua apreciação o juiz deverá confrontá-la com as
lhe são desfavoráveis. O reconhecimento da infração demais provas do processo, verificando se entre ela e
por alguém que não é sequer indiciado não configura estas existe compatibilidade ou concordância, sendo
tecnicamente a confissão, mas a auto-acusação (Nestor que o silêncio do acusado não importará confissão, mas
Távora). poderá constituir elemento para a formação do
convencimento do juiz. (Defensor Público/MA-2009)
A confissão deve ser valorada com as demais
provas do processo, para examinar se há
compatibilidade entre as mesmas (art. 197, CPP). Não 4. DECLARAÇÃO DO OFENDIDO – ART. 201
existe hierarquia entre as provas e a confissão não é
mais considerada a rainha de todas as provas. O ofendido está obrigado a comparecer sempre
que devidamente intimado para o ato. A falta
Importante lembrar que, se o crime deixar
injustificada pode implicar em condução coercitiva
vestígios, a materialidade não pode ser provada pela
determinada pelo juiz ou pela autoridade policial (art.
confissão, pois é necessária a realização do exame de
201, § 1º, CPP), mas não será responsabilizada por
corpo de delito (art. 158, CPP). Assim, a confissão é
crime de desobediência por ausência de previsão
meio de prova que serva para demonstrar a autoria, já
expressa no Código (Guilherme de Souza Nucci).
que a materialidade depende da realização da perícia.
O ofendido será ouvido a pedido das partes ou
Por fim, registre-se que a previsão da parte
por determinação judicial (de ofício).
final do art. 198 do CPP, admitindo que o silêncio,
apesar de não configurar confissão, poderá constituir A Lei nº 11.690/2008 promoveu algumas
elemento para a formação do convencimento do alterações no Código de Processo Penal em relação ao
magistrado, não tem mais aplicação, em virtude do ofendido, com o objetivo de promover uma maior
direito ao silêncio constitucionalmente assegurado e da participação sua no processo. O ofendido deverá ser
nova redação do parágrafo único do art. 168, CPP, ao comunicado dos atos processuais relativos ao ingresso
estabelecer que o silêncio não pode ser interpretado em e à saída do acusado da prisão, à designação de data
desfavor da defesa. para audiência e à sentença e respectivos acórdãos que
a mantenham ou modifiquem. Estas comunicações ao
ofendido deverão ser feitas no endereço por ele
Características indicado, admitindo-se, por opção do próprio ofendido, o
(1) Divisibilidade: o conteúdo da confissão uso de meio eletrônico.
pode ser desmembrado, tomando em partes, já que a
autoridade judiciária pode se convencer de parte do que
Normas importantes
foi admitido, e desconsiderar o restante.
Diante da Lei 11.690/08 a vítima conquistou
(2) Retratabilidade: O CPP admite que o réu
alguns direitos dentro do novo Processo Penal.
venha a desdizer o que afirmou como verdade
anteriormente (art. 200, CPP). Mas a retratação não (1) O ofendido tem o direito de ser comunicado
vincula o juiz, que poderá tomar como verdade a dos atos processuais relativos ao ingresso e
confissão anteriormente apresentada. à saída do acusado da prisão, à designação
de data para audiência e à sentença e
Espécies
78 DIREITO PROCESSUAL PENAL
respectivos acórdãos que a mantenham ou designados, sob pena de ser conduzida
modifiquem tal sentença (art. 201, § 2º, CPP). coercitivamente, multada, responsabilizada por crime de
(2) Deve ser reservado para o ofendido lugar desobediência, bem como o pagamento das custas da
separado antes da audiência e durante sua diligência para trazê-la coercitivamente.
realização, com o objetivo de que o ofendido Registre-se que o militar, ao figurar como
tenha o mínimo de contato com o ofensor ou testemunha, deve ser requisitado ao seu superior
seus familiares (§ 4º, art. 201, CPP). hierárquico (art. 221, § 2º, CPP). No caso de outros
(3) O ofendido poderá ser encaminhado pelo juiz funcionários públicos, deve haver intimação pessoal,
para atendimento multidisciplinar, mas também a expedição do mandado comunicando ao
especialmente nas áreas psicossocial, de chefe da repartição, para que, se for o caso, substituí-lo
assistência jurídica e de saúde, sendo que o no dia do seu depoimento.
ônus será suportado pelo agressor ou pelo
Estado. Recusa e impedimento
(4) Retirada do réu da sala para que o ofendido Aqueles que gozam de parentesco próximo
preste declarações livre de qualquer com o réu podem recusar-se a contribuir com o
desconforto psicológico. O acusado assistirá testemunho (art. 206, CPP). São eles: os ascendentes,
ao ato por videoconferência, evitando-se que descendentes, os afins em linha reta, o cônjuge, o
fique no mesmo ambiente que o ofendido irmão, o pai, a mãe e o filho adotivo do acusado.
quando houver risco comprovado de que sua Entretanto, se não for possível, por outro modo, obter-se
presença cause humilhação, temor ou a prova do fato, tais parentes estarão obrigados a
constrangimento à vítima. testemunhar.
(5) Ao juiz caberá ainda tomar as providências O CPP ainda faz referência às pessoas
necessárias à preservação da intimidade, impedidas de testemunhar, quais sejam, aquelas que
vida privada, honra e imagem do ofendido, pelo desempenho de ministério, ofício ou em razão de
evitando, assim, sua exposição aos meios de função, devam guardar segredo (art. 207, CPP).
comunicação (§ 6º, art. 201, CPP).
(6) Valor probatório: como em todo o processo
Número de testemunhas
penal, em matéria de provas, o valor de suas
declarações tem valor relativo. A vítima ao Prevalece o entendimento que o número de
depor poderá ser inquirida pelas partes. testemunhas deve ser contado em atenção a cada réu,
Assim, quando sua palavra resta isolada e no caso de concurso de pessoas, e para cada crime,
não corroborada por demais elementos de quando imputada mais de uma infração penal. O
convicção, não serve para a adoção de número também depende de cada procedimento, assim,
sentença condenatória. no procedimento comum ordinário são 8 testemunhas,
no procedimento sumário são 5 testemunhas, no
procedimento sumaríssimo são 3 testemunhas, na
5. PROVA TESTEMUNHAL segunda fase do procedimento do júri são 5
Considerações gerais testemunhas e, por fim, no procedimento da lei de
drogas são 5 testemunhas.
Testemunha é aquela pessoa que presta
depoimento perante o magistrado. A oitiva de
testemunha no inquérito, por exemplo, deve ser repetida Procedimento do depoimento da testemunha
em juízo, sob o manto do contraditório e da ampla (1) Intimação da testemunha para comparecer
defesa. no dia e hora aprazados, sob pena de condução
Na colheita da prova testemunhal deve coercitiva, bem como sanção por crime de
prevalecer a palavra escrita, mas nada impede que a desobediência (art. 219, CPP). É possível que a oitiva
testemunha faça breve consulta a apontamentos. Como da testemunha seja antecipada, se eventualmente a
exceção á oralidade, temos os mudos e os surdos- mesma tiver de ausentar-se, ou ainda receio de
mudos, bem como a prerrogativa de algumas falecimento antes da instrução, seja por enfermidade ou
autoridades, que podem optar por prestar o depoimento velhice (art. 225, CPP).
por escrito, oportunidade em que as perguntas também (2) As testemunhas ficarão incomunicáveis no
serão formuladas pelas partes e pelo juiz por escrito e fórum, antes e durante a audiência.
transmitidas por ofício (art. 221, § 1º, CPP). (3) A testemunha será compromissada e
A testemunha deve restringir-se a declarar advertida das penas cominadas ao falso testemunho
aquilo que apreciou, sem emitir opinião pessoal, salvo (art. 210, in fine, CPP). O art. 203 do CPP exclui do
quando inseparáveis da narrativa dos fatos (art. 213, dever de prestar compromisso os doentes mentais,
CPP). menores de 14 anos, parentes do réu enumerados no
Vale ressaltar que uma testemunha não deve art. 206 do CPP (ascendentes, descendentes, irmão e
ter contato com o depoimento da outra. Antes de cônjuge, ainda que separado judicialmente, e, por fim,
iniciada a audiência e no seu transcurso serão os afins em linha reta, como sogro e sogra, por
reservados espaços separados para garantia da exemplo). A testemunha não pode invocar o direito ao
incomunicabilidade das testemunhas. Ficando silêncio, salvo quando o fato possa incriminá-la.
demonstrado que a incomunicabilidade foi quebrada, (4) Após o compromisso a testemunha será
ainda assim a testemunha será ouvida, ficando qualificada (nome, idade, endereço, etc.).
registrado no termo para que o juiz der o valor que (5) Uma vez qualificada, abre-se oportunidade
entender. para a contradita, ou seja, a impugnação da testemunha
Ademais, a testemunha devidamente intimada a ser ouvida.
tem o dever de comparecer ao juízo no local, dia e hora
DIREITO PROCESSUAL PENAL 79
(6) Encerrada a inquirição pelo magistrado, as Havendo receio de intimidação, a autoridade
partes vão reperguntar, e o farão diretamente à providenciará para que o reconhecendo não veja o
testemunha (com as alterações ocorridas no CPP, o reconhecedor (nos termos do parágrafo único do art.
sistema presidencialista, onde as perguntas eram feitas 226 do CPP, não se aplica essa estratégia em juízo, por
por intermédio do juiz, ficou superado). violar o princípio da publicidade, apenas na fase do
(7) Em regra, o juiz não indefere pergunta das inquérito policial).
partes, salvo quando puderem induzir resposta, não Por fim, procede-se à lavratura de auto,
tiverem relação com a causa ou importarem na subscrito pela autoridade, pela pessoa que realizou o
repetição de outra já respondida (art. 212, CPP). reconhecimento e por duas testemunhas presenciais.
(8) As declarações serão reduzidas a escrito,
assinado pela testemunha, pelo juiz e pelas partes. 6.2. RECONHECIMENTO DE COISAS
Caso a testemunha não saiba ou não possa assinar, um
Aplica-se, no que couber, da mesma forma que
terceiro o fará por ela, depois de lido o depoimento na
o reconhecimento de pessoas. assim, o reconhecedor
presença de ambos.
narra o objeto a ser identificado e este será colocado, se
ATENÇÃO!! possível, ao lado de outros com características
As testemunhas, exceto na fase de instrução similares. Depois, lavra-se o termo circunstanciado,
preliminar do júri (CPP, art. 411, na redação dada pela assinado pelo reconhecedor, pela autoridade e por duas
Lei 11.689/08) que deverá se encerrar necessariamente testemunhas (art. 227, CPP).
em uma só audiência, poderão continuar a ser inquiridas
em audiências separadas, primeiro as da acusação, 7. ACAREAÇÃO
depois as da defesa, ou em uma só sessão, a critério do
juiz, uma vez que o art. 396 do CPP não sofreu Designa a ação de confrontar uma testemunha
modificação alguma. com outra;" pondo-as face a face uma das outras e
dando-se-Ihes a conhecer as divergências de seus
depoimentos, para que os acareados se expliquem.
ATENÇÃO!!
1. Utilização: a acareação pode ser realizada de
É direito do advogado recusar-se a depor como
ofício ou a requerimento das partes interessadas, desde
testemunha em processo no qual funcionou ou deva
que haja divergência ou contradição nos depoimentos
funcionar, ou sobre fato relacionado com pessoa de oferecidos. Colocam-se as pessoas frente a frente para
quem seja ou foi advogado, mesmo quando autorizado
que se possa apurar quem das partes está dizendo a
ou solicitado pelo constituinte, bem como sobre fato que
verdade. Desnecessário dizer que a pessoa que mentiu
constitua sigilo profissional (Lei 8.906/94, art. 7º).
poderá ser processada pelo crime de falso, no caso de
testemunhas.
STF Súmula nº 155: 2. Ocasião: a acareação pode ser realizada na
É relativa a nulidade do processo criminal por fase judicial como também na fase policial.
falta de intimação da expedição de precatória para 3. Pressuposto: para que a acareação seja
inquirição de testemunha. realizada necessário se faz a existência de divergência
entre fatos e circunstâncias relevantes para o deslinde
da causa, que possam influenciar no julgamento do
DICAS CONCURSOS:
processo.
As testemunhas serão inquiridas uma de cada 4. Pessoas que podem ser acareadas: a vítima
vez, de forma que umas não saibam nem ouçam os com o acusado, a vítima com a testemunha, o acusado
depoimentos das outras, devendo o juiz, na ocasião da com a testemunha, e a testemunha com a testemunha.
oitiva, adverti-las das penas cominadas ao falso
testemunho. (OAB/-SP/CESPE/2009) 5. Momento processual: a acareação pode ser
realizada após o interrogatório do réu ou da oitiva das
Se o juiz, ao pronunciar sentença final, testemunhas e pode ser requerida na fase das
reconhecer que alguma testemunha fez afirmação falsa, diligências do artigo 499 do CPP, devendo a parte que
calou ou negou a verdade, remeterá cópia do requereu a acareação apontar a parte do depoimento
depoimento à autoridade policial para a instauração de que entende contraditória.
inquérito. (OAB II Nacion.CESPE/2007)
6. Termo de Acareação: depois de realizada a
acareação' deve ser reduzida a escrito através do termo
6. RECONHECIMENTO DE PESSOAS E DE de acareação, com a explicação dos pontos
COISAS – ARTS. 226 A 226 divergentes.
7. Depoimento Prestado no Juízo Deprecado:
6.1 RECONHECIMENTO DE PESSOAS
caso ocorra tal fato, deverá ser expedida carta
Tem por finalidade identificar o acusado, o precatória para se esclareça os pontos divergentes,
ofendido ou testemunhas. devendo na deprecata descrever os pontos da
O reconhecimento pode ser determinado em divergência.
qualquer fase da persecução penal, pela autoridade
policial ou pela autoridade judicial.
8. PROVA DOCUMENTAL
A pessoa que irá fazer o reconhecimento
descreverá, inicialmente, a pessoa a ser reconhecida. Considerações gerais
Depois, a pessoa a ser reconhecida é colocada ao lado Atualmente, considera-se documento como
de outras de semelhantes características (havendo mais qualquer objeto representativo de um fato ou ato
de uma pessoa para realizar o reconhecimento, deverão relevante (exemplo: fotos, desenhos, figuras
fazê-lo separadamente, devendo-se evitar comunicação digitalizadas, etc.).
entre elas).
80 DIREITO PROCESSUAL PENAL
Como regra, os documentos podem ser Classificação
apresentados em qualquer fase do processo (art. 231, Classifica-se em busca e apreensão domiciliar
CPP). (efetivada no domicílio do indiciado/acusado e em locais
a ele equiparados) ou pessoal (realizada no corpo ou
Principais espécies objetos que alguém esteja trazendo consigo).
Documento particular: aquele produzido por
particular, ou elaborado por funcionário público que não Busca e apreensão domiciliar
esteja no exercício de suas funções. Sendo contestada Para o conceito de casa utilizam-se as
a sua autenticidade, será feito exame (art. 235, CPP). previsões do art. 150, § 4º do CP e do art. 246 do CPP,
Documento público: é o documento elaborado dando uma interpretação abrangente. Assim considera-
por funcionário público no exercício funcional. O art. se como casa o pátio da residência, desde que
297, § 2º do CP traz o conceito de documento público cercado, trailers, cabines de barcos, barracas, desde
por equiparação. Também podem ser submetidos à que destinados à habitação (ainda que provisória),
perícia, havendo fundadas suspeitas de falsificação. quarto ocupado de hotel, pensão, e hospedaria, etc.
Original: escrito na fonte originariamente Veículos não são tidos como extensão do conceito de
produtora. casa.
Cópia: é a reprodução de documento original.se Para determinar a busca e apreensão
estiver devidamente autenticada terá o mesmo valor do domiciliar o juiz precisa indicar a existência de fundadas
original (art. 232, parágrafo único, CPP). razões que a autorizem (art. 240, § 1º, CPP). Ausente
qualquer fundamentação na decisão que decretou a
busca e apreensão, determinando-se simplesmente a
9. INDÍCIOS E PRESUNÇÕES ―expedição do mandado solicitado‖, é de reconhecer a
Indício é a construção lógica de um raciocínio ilicitude da prova produzida com a medida (STJ, HC
que permite determinada conclusão sobre o fato 51.586-PE).
delituoso, é a presunção. A busca e apreensão domiciliar recai sobre os
OBSERVAÇÕES: objetos descritos no § 1º do art. 240 do CPP.
Indícios, segundo o art. 239 do CPP, consiste Na realização da busca e apreensão domiciliar
em circunstâncias conhecidas e provadas, a partir das deve-se obedecer às restrições quanto ao horário, nos
quais, por dedução, conclui-se sobre um determinado termos do art. 5º, XI, da Constituição Federal.
fato. Nos termos do art. 240 do CPP, a busca
Os indícios diferem das presunções. Sendo domiciliar, quando fundadas razões a autorizarem
(fumus bani iuris), será realizada para:
estas estabelecidas pela lei, como, por exemplo, o caso
da presunção de violência, prevista para a vítima menor a) prender criminosos;
de catorze anos de idade nos crimes contra a liberdade b) apreender coisas achadas ou obtidas por
sexual. meios criminosos;
c) apreender instrumentos de falsificação ou de
10. BUSCA E APREENSÃO contrafação e objetos falsificados ou
contrafeitos; d) apreender annas e munições,
Considerações gerais instrumentos utilizados na prática de crime ou
Busca e apreensão é a providência destinados a fim delituoso;
determinada pela autoridade policial (na fase e) descobrir objetos necessários à prova de
do inquérito policial) ou pelo juiz com o fim de infração ou à defesa do réu;
procurar e conservar pessoas ou bens que f) apreender cartas, abertas ou não destinadas
tenham relação com o fato criminoso. Trata-se ao acusado ou em seu poder, quando haja
de uma medida acautelatória e coercitiva que suspeita de que o conhecimento do seu
pode ser ajuizada antes mesmo da instauração conteúdo possa ser útil à elucidação do fato
do inquérito policial, durante este, na fase da (ATENÇÃO: apesar de constar
instrução criminal e durante a execução penal expressamente do art. 240 do CPP, essa
(art. 145 da Lei 7.210/1984 - disciplina a busca hipótese não foi recepcionada pela
e apreensão de condenado liberado Constituição Federal de 1988 que consagra,
condicionalmente que pratica nova infração no seu art. 5.°, XII, a inviolabilidade do sigilo
durante o período de prova), podendo ser das comunicações);
determinada de ofício ou a requerimento das
g) apreender pessoas vítimas de crimes;
partes (art. 242 do CPP). (Evilázio Ribeiro).
h) colher qualquer elemento de convicção.
Cabe busca e apreensão em qualquer fase da
persecução penal (no inquérito policial e no curso do
processo) respeitadas as exigências legais e Busca no escritório do advogado
constitucionais existentes em torno dessa providência. Está protegida pelo art. 7º, inciso II da Lei nº
Pode até mesmo ocorrer antes da persecução penal 8.906/94 (EOAB), salvo quando presentes indícios de
(apreensão de armas em blitz, sem sequer ter sido autoria e materialidade da prática de crime por parte do
instaurado inquérito policial). advogado, que, o juiz pode determinar mandado de
Poderá ser feita de ofício pelo juiz ou mediante busca e apreensão a ser cumprido acompanhado de
requerimento do MP, do defensor do réu ou por representante da OAB (STF decidiu que se a OAB foi
representação da autoridade policial. A busca pessoal comunicada e não indicou o representante, a busca e
pode ser determinada pela autoridade policial. apreensão pode ser feita sem o representante). A
medida de busca e apreensão não poderá recair sobre
DIREITO PROCESSUAL PENAL 81
objetos do cliente do advogado, salvo na hipótese de II – determinar, no curso da instrução, ou
indícios de participação ou co-autoria também do antes de proferir sentença, a realização de diligências
cliente. para dirimir dúvida sobre ponto relevante. (Incluído pela
Finda a diligência, os executores lavrarão auto Lei nº 11.690, de 2008)
circunstanciado, assinando-o com duas testemunhas Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser
presenciais (art. 245, § 7º, CPP). desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim
entendidas as obtidas em violação a normas
constitucionais ou legais. (Redação dada pela Lei nº
Busca e apreensão pessoal
11.690, de 2008)
Trata-se de diligência realizada no corpo da o
§ 1 São também inadmissíveis as provas
pessoa, em suas roupas ou objetos que tenham
derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o
consigo.
nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as
Ao contrário da busca domiciliar, que exige derivadas puderem ser obtidas por uma fonte
fundadas razões para que seja determinada (art. 240, § independente das primeiras. (Incluído pela Lei nº
1º CPP), a busca pessoal exige apenas fundada 11.690, de 2008)
suspeita (art. 240, § 2º, CPP) de que esteja o agente o
§ 2 Considera-se fonte independente aquela
portando algo proibido ou ilícito, podendo ser efetivada
que por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe,
pela própria autoridade policial.
próprios da investigação ou instrução criminal, seria
O objeto da busca pessoal está previsto no § 1º capaz de conduzir ao fato objeto da prova. (Incluído pela
do art. 240 do CPP. Lei nº 11.690, de 2008)
É possível dispensar o mandado da busca o
§ 3 Preclusa a decisão de desentranhamento da
pessoal nos seguintes casos: prova declarada inadmissível, esta será inutilizada por
a) quando da realização da prisão. decisão judicial, facultado às partes acompanhar o
b) fundadas suspeitas de o indivíduo portar incidente. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008)
o
armas, objetos ou papéis que componham § 4 (VETADO) (Incluído pela Lei nº 11.690, de
o corpo de delito. 2008)
c) no transcurso da busca domiciliar. CAPÍTULO II
DICA CONCURSOS: DO EXAME DO CORPO DE DELITO, E DAS
Considere que, em uma investigação policial, PERÍCIAS EM GERAL
determinado delegado requereu à autoridade judicial Art. 158. Quando a infração deixar vestígios,
competente a expedição de mandado de busca e será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou
apreensão na residência de um dos investigados, a fim indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado.
de que fossem apreendidos computadores e outros Art. 159. O exame de corpo de delito e outras
objetos pertinentes ao esclarecimento do fato criminoso perícias serão realizados por perito oficial, portador de
em apuração. Deferido o pedido e expedido o mandado, diploma de curso superior. (Redação dada pela Lei nº
a diligência iniciou-se às 14 horas estendendo-se até as 11.690, de 2008)
23 horas, mesmo sem o consentimento do morador, que o
§ 1 Na falta de perito oficial, o exame será
havia solicitado a retirada dos policiais de sua residência realizado por 2 (duas) pessoas idôneas, portadoras de
assim que anoiteceu. Nessa situação, não há diploma de curso superior preferencialmente na área
ilegalidade no cumprimento do mandado. (PM-DF-Curso específica, dentre as que tiverem habilitação técnica
Form.CESPE/2009) relacionada com a natureza do exame. (Redação dada
pela Lei nº 11.690, de 2008)
o
DISPOSITIVOS DO CPP: § 2 Os peritos não oficiais prestarão o
compromisso de bem e fielmente desempenhar o
TÍTULO VII
encargo. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008)
DA PROVA o
§ 3 Serão facultadas ao Ministério Público, ao
CAPÍTULO I assistente de acusação, ao ofendido, ao querelante e ao
DISPOSIÇÕES GERAIS acusado a formulação de quesitos e indicação de
Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre assistente técnico. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008)
o
apreciação da prova produzida em contraditório judicial, § 4 O assistente técnico atuará a partir de sua
não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente admissão pelo juiz e após a conclusão dos exames e
nos elementos informativos colhidos na investigação, elaboração do laudo pelos peritos oficiais, sendo as
ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e partes intimadas desta decisão. (Incluído pela Lei nº
antecipadas. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 11.690, de 2008)
2008) o
§ 5 Durante o curso do processo judicial, é
Parágrafo único. Somente quanto ao estado das permitido às partes, quanto à perícia: (Incluído pela Lei
pessoas serão observadas as restrições estabelecidas nº 11.690, de 2008)
na lei civil. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) I – requerer a oitiva dos peritos para
Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem esclarecerem a prova ou para responderem a quesitos,
a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de ofício: desde que o mandado de intimação e os quesitos ou
(Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) questões a serem esclarecidas sejam encaminhados
I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação com antecedência mínima de 10 (dez) dias, podendo
penal, a produção antecipada de provas consideradas apresentar as respostas em laudo
urgentes e relevantes, observando a necessidade, complementar; (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008)
adequação e proporcionalidade da medida; (Incluído II – indicar assistentes técnicos que poderão
pela Lei nº 11.690, de 2008) apresentar pareceres em prazo a ser fixado pelo juiz ou
82 DIREITO PROCESSUAL PENAL
ser inquiridos em audiência. (Incluído pela Lei nº 11.690, Art. 167. Não sendo possível o exame de corpo
de 2008) de delito, por haverem desaparecido os vestígios, a
o prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta.
§ 6 Havendo requerimento das partes, o
material probatório que serviu de base à perícia será Art. 168. Em caso de lesões corporais, se o
disponibilizado no ambiente do órgão oficial, que primeiro exame pericial tiver sido incompleto, proceder-
manterá sempre sua guarda, e na presença de perito se-á a exame complementar por determinação da
oficial, para exame pelos assistentes, salvo se for autoridade policial ou judiciária, de ofício, ou a
impossível a sua conservação. (Incluído pela Lei nº requerimento do Ministério Público, do ofendido ou do
11.690, de 2008) acusado, ou de seu defensor.
o o
§ 7 Tratando-se de perícia complexa que § 1 No exame complementar, os peritos terão
abranja mais de uma área de conhecimento presente o auto de corpo de delito, a fim de suprir-lhe a
especializado, poder-se-á designar a atuação de mais deficiência ou retificá-lo.
de um perito oficial, e a parte indicar mais de um o
§ 2 Se o exame tiver por fim precisar a
assistente técnico. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) o
classificação do delito no art. 129, § 1 , I, do Código
Art. 160. Os peritos elaborarão o laudo pericial, Penal, deverá ser feito logo que decorra o prazo de 30
onde descreverão minuciosamente o que examinarem, dias, contado da data do crime.
e responderão aos quesitos formulados. (Redação dada o
§ 3 A falta de exame complementar poderá ser
pela Lei nº 8.862, de 28.3.1994) suprida pela prova testemunhal.
Parágrafo único. O laudo pericial será elaborado Art. 169. Para o efeito de exame do local onde
no prazo máximo de 10 dias, podendo este prazo ser houver sido praticada a infração, a autoridade
prorrogado, em casos excepcionais, a requerimento dos providenciará imediatamente para que não se altere o
peritos. (Redação dada pela Lei nº 8.862, de 28.3.1994) estado das coisas até a chegada dos peritos, que
Art. 161. O exame de corpo de delito poderá ser poderão instruir seus laudos com fotografias, desenhos
feito em qualquer dia e a qualquer hora. ou esquemas elucidativos. (Vide Lei nº 5.970, de 1973)
Art. 162. A autópsia será feita pelo menos seis Parágrafo único. Os peritos registrarão, no laudo,
horas depois do óbito, salvo se os peritos, pela as alterações do estado das coisas e discutirão, no
evidência dos sinais de morte, julgarem que possa ser relatório, as consequências dessas alterações na
feita antes daquele prazo, o que declararão no auto. dinâmica dos fatos. (Incluído pela Lei nº 8.862, de
Parágrafo único. Nos casos de morte violenta, 28.3.1994)
bastará o simples exame externo do cadáver, quando Art. 170. Nas perícias de laboratório, os peritos
não houver infração penal que apurar, ou quando as guardarão material suficiente para a eventualidade de
lesões externas permitirem precisar a causa da morte e nova perícia. Sempre que conveniente, os laudos serão
não houver necessidade de exame interno para a ilustrados com provas fotográficas, ou microfotográficas,
verificação de alguma circunstância relevante. desenhos ou esquemas.
Art. 163. Em caso de exumação para exame Art. 171. Nos crimes cometidos com destruição
cadavérico, a autoridade providenciará para que, em dia ou rompimento de obstáculo a subtração da coisa, ou
e hora previamente marcados, se realize a diligência, da por meio de escalada, os peritos, além de descrever os
qual se lavrará auto circunstanciado. vestígios, indicarão com que instrumentos, por que
Parágrafo único. O administrador de cemitério meios e em que época presumem ter sido o fato
público ou particular indicará o lugar da sepultura, sob praticado.
pena de desobediência. No caso de recusa ou de falta Art. 172. Proceder-se-á, quando necessário, à
de quem indique a sepultura, ou de encontrar-se o avaliação de coisas destruídas, deterioradas ou que
cadáver em lugar não destinado a inumações, a constituam produto do crime.
autoridade procederá às pesquisas necessárias, o que Parágrafo único. Se impossível a avaliação
tudo constará do auto. direta, os peritos procederão à avaliação por meio dos
Art. 164. Os cadáveres serão sempre elementos existentes nos autos e dos que resultarem de
fotografados na posição em que forem encontrados, diligências.
bem como, na medida do possível, todas as lesões Art. 173. No caso de incêndio, os peritos
externas e vestígios deixados no local do crime. verificarão a causa e o lugar em que houver começado,
(Redação dada pela Lei nº 8.862, de 28.3.1994) o perigo que dele tiver resultado para a vida ou para o
Art. 165. Para representar as lesões patrimônio alheio, a extensão do dano e o seu valor e as
encontradas no cadáver, os peritos, quando possível, demais circunstâncias que interessarem à elucidação do
juntarão ao laudo do exame provas fotográficas, fato.
esquemas ou desenhos, devidamente rubricados. Art. 174. No exame para o reconhecimento de
Art. 166. Havendo dúvida sobre a identidade do escritos, por comparação de letra, observar-se-á o
cadáver exumado, proceder-se-á ao reconhecimento seguinte:
pelo Instituto de Identificação e Estatística ou repartição I - a pessoa a quem se atribua ou se possa
congênere ou pela inquirição de testemunhas, lavrando- atribuir o escrito será intimada para o ato, se for
se auto de reconhecimento e de identidade, no qual se encontrada;
descreverá o cadáver, com todos os sinais e indicações.
II - para a comparação, poderão servir quaisquer
Parágrafo único. Em qualquer caso, serão documentos que a dita pessoa reconhecer ou já tiverem
arrecadados e autenticados todos os objetos sido judicialmente reconhecidos como de seu punho, ou
encontrados, que possam ser úteis para a identificação sobre cuja autenticidade não houver dúvida;
do cadáver.
III - a autoridade, quando necessário, requisitará,
para o exame, os documentos que existirem em
DIREITO PROCESSUAL PENAL 83
arquivos ou estabelecimentos públicos, ou nestes bem como a presença do defensor e a publicidade do
realizará a diligência, se daí não puderem ser retirados; ato. (Redação dada pela Lei nº 11.900, de 2009)
o
IV - quando não houver escritos para a § 2 Excepcionalmente, o juiz, por decisão
comparação ou forem insuficientes os exibidos, a fundamentada, de ofício ou a requerimento das partes,
autoridade mandará que a pessoa escreva o que Ihe for poderá realizar o interrogatório do réu preso por sistema
ditado. Se estiver ausente a pessoa, mas em lugar de videoconferência ou outro recurso tecnológico de
certo, esta última diligência poderá ser feita por transmissão de sons e imagens em tempo real, desde
precatória, em que se consignarão as palavras que a que a medida seja necessária para atender a uma das
pessoa será intimada a escrever. seguintes finalidades: (Redação dada pela Lei nº
Art. 175. Serão sujeitos a exame os 11.900, de 2009)
instrumentos empregados para a prática da infração, a I - prevenir risco à segurança pública, quando exista
fim de se Ihes verificar a natureza e a eficiência. fundada suspeita de que o preso integre organização
Art. 176. A autoridade e as partes poderão criminosa ou de que, por outra razão, possa fugir
formular quesitos até o ato da diligência. durante o deslocamento; (Incluído pela Lei nº 11.900, de
2009)
Art. 177. No exame por precatória, a nomeação
dos peritos far-se-á no juízo deprecado. Havendo, II - viabilizar a participação do réu no referido ato
porém, no caso de ação privada, acordo das partes, processual, quando haja relevante dificuldade para seu
essa nomeação poderá ser feita pelo juiz deprecante. comparecimento em juízo, por enfermidade ou outra
circunstância pessoal; (Incluído pela Lei nº 11.900, de
Parágrafo único. Os quesitos do juiz e das partes
2009)
serão transcritos na precatória.
III - impedir a influência do réu no ânimo de
Art. 178. No caso do art. 159, o exame será
testemunha ou da vítima, desde que não seja possível
requisitado pela autoridade ao diretor da repartição,
colher o depoimento destas por videoconferência, nos
juntando-se ao processo o laudo assinado pelos peritos.
o termos do art. 217 deste Código; (Incluído pela Lei nº
Art. 179. No caso do § 1 do art. 159, o escrivão 11.900, de 2009)
lavrará o auto respectivo, que será assinado pelos
IV - responder à gravíssima questão de ordem
peritos e, se presente ao exame, também pela
pública. (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009)
autoridade. o
§ 3 Da decisão que determinar a realização de
Parágrafo único. No caso do art. 160, parágrafo
interrogatório por videoconferência, as partes serão
único, o laudo, que poderá ser datilografado, será
intimadas com 10 (dez) dias de antecedência. (Incluído
subscrito e rubricado em suas folhas por todos os
pela Lei nº 11.900, de 2009)
peritos. o
§ 4 Antes do interrogatório por videoconferência, o
Art. 180. Se houver divergência entre os peritos,
preso poderá acompanhar, pelo mesmo sistema
serão consignadas no auto do exame as declarações e
tecnológico, a realização de todos os atos da audiência
respostas de um e de outro, ou cada um redigirá
única de instrução e julgamento de que tratam os arts.
separadamente o seu laudo, e a autoridade nomeará
400, 411 e 531 deste Código. (Incluído pela Lei nº
um terceiro; se este divergir de ambos, a autoridade
11.900, de 2009)
poderá mandar proceder a novo exame por outros o
peritos. § 5 Em qualquer modalidade de interrogatório, o juiz
garantirá ao réu o direito de entrevista prévia e
Art. 181. No caso de inobservância de
reservada com o seu defensor; se realizado por
formalidades, ou no caso de omissões, obscuridades ou
videoconferência, fica também garantido o acesso a
contradições, a autoridade judiciária mandará suprir a
canais telefônicos reservados para comunicação entre o
formalidade, complementar ou esclarecer o laudo.
defensor que esteja no presídio e o advogado presente
(Redação dada pela Lei nº 8.862, de 28.3.1994)
na sala de audiência do Fórum, e entre este e o preso.
Parágrafo único. A autoridade poderá também (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009)
ordenar que se proceda a novo exame, por outros o
§ 6 A sala reservada no estabelecimento prisional
peritos, se julgar conveniente.
para a realização de atos processuais por sistema de
Art. 182. O juiz não ficará adstrito ao laudo, videoconferência será fiscalizada pelos corregedores e
podendo aceitá-lo ou rejeitá-lo, no todo ou em parte. pelo juiz de cada causa, como também pelo Ministério
Art. 183. Nos crimes em que não couber ação Público e pela Ordem dos Advogados do Brasil.
pública, observar-se-á o disposto no art. 19. (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009)
o
Art. 184. Salvo o caso de exame de corpo de § 7 Será requisitada a apresentação do réu preso em
delito, o juiz ou a autoridade policial negará a perícia juízo nas hipóteses em que o interrogatório não se
o o
requerida pelas partes, quando não for necessária ao realizar na forma prevista nos §§ 1 e 2 deste artigo.
esclarecimento da verdade. (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009)
o o o o o
CAPÍTULO III § 8 Aplica-se o disposto nos §§ 2 , 3 , 4 e 5 deste
DO INTERROGATÓRIO DO ACUSADO artigo, no que couber, à realização de outros atos
Art. 185. O acusado que comparecer perante a processuais que dependam da participação de pessoa
autoridade judiciária, no curso do processo penal, será que esteja presa, como acareação, reconhecimento de
qualificado e interrogado na presença de seu defensor, pessoas e coisas, e inquirição de testemunha ou
constituído ou nomeado. (Redação dada pela Lei nº tomada de declarações do ofendido. (Incluído pela Lei
10.792, de 1º.12.2003) nº 11.900, de 2009)
o o
o
§ 1 O interrogatório do réu preso será realizado, § 9 Na hipótese do § 8 deste artigo, fica garantido o
em sala própria, no estabelecimento em que estiver acompanhamento do ato processual pelo acusado e seu
recolhido, desde que estejam garantidas a segurança do defensor. (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009)
juiz, do membro do Ministério Público e dos auxiliares
84 DIREITO PROCESSUAL PENAL
Art. 186. Depois de devidamente qualificado e Art. 191. Havendo mais de um acusado, serão
cientificado do inteiro teor da acusação, o acusado será interrogados separadamente. (Redação dada pela Lei nº
informado pelo juiz, antes de iniciar o interrogatório, do 10.792, de 1º.12.2003)
seu direito de permanecer calado e de não responder Art. 192. O interrogatório do mudo, do surdo ou
perguntas que lhe forem formuladas. (Redação dada do surdo-mudo será feito pela forma seguinte: (Redação
pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) dada pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003)
Parágrafo único. O silêncio, que não importará I - ao surdo serão apresentadas por escrito as
em confissão, não poderá ser interpretado em prejuízo perguntas, que ele responderá oralmente; (Redação
da defesa. (Incluído pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) dada pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003)
Art. 187. O interrogatório será constituído de II - ao mudo as perguntas serão feitas oralmente,
duas partes: sobre a pessoa do acusado e sobre os respondendo-as por escrito; (Redação dada pela Lei nº
fatos. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) 10.792, de 1º.12.2003)
o
§ 1 Na primeira parte o interrogando será III - ao surdo-mudo as perguntas serão
perguntado sobre a residência, meios de vida ou formuladas por escrito e do mesmo modo dará as
profissão, oportunidades sociais, lugar onde exerce a respostas. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de
sua atividade, vida pregressa, notadamente se foi preso 1º.12.2003)
ou processado alguma vez e, em caso afirmativo, qual o
Parágrafo único. Caso o interrogando não saiba
juízo do processo, se houve suspensão condicional ou
ler ou escrever, intervirá no ato, como intérprete e sob
condenação, qual a pena imposta, se a cumpriu e outros
compromisso, pessoa habilitada a entendê-lo. (Redação
dados familiares e sociais. (Incluído pela Lei nº 10.792,
dada pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003)
de 1º.12.2003)
o Art. 193. Quando o interrogando não falar a
§ 2 Na segunda parte será perguntado sobre:
língua nacional, o interrogatório será feito por meio de
(Incluído pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003)
intérprete. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de
I - ser verdadeira a acusação que lhe é feita; 1º.12.2003)
(Incluído pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003)
Art. 195. Se o interrogado não souber escrever,
II - não sendo verdadeira a acusação, se tem não puder ou não quiser assinar, tal fato será
algum motivo particular a que atribuí-la, se conhece a consignado no termo. (Redação dada pela Lei nº
pessoa ou pessoas a quem deva ser imputada a prática 10.792, de 1º.12.2003)
do crime, e quais sejam, e se com elas esteve antes da
Art. 196. A todo tempo o juiz poderá proceder a
prática da infração ou depois dela; (Incluído pela Lei nº
novo interrogatório de ofício ou a pedido fundamentado
10.792, de 1º.12.2003)
de qualquer das partes. (Redação dada pela Lei nº
III - onde estava ao tempo em que foi cometida a 10.792, de 1º.12.2003)
infração e se teve notícia desta; (Incluído pela Lei nº
CAPÍTULO IV
10.792, de 1º.12.2003)
DA CONFISSÃO
IV - as provas já apuradas; (Incluído pela Lei nº
10.792, de 1º.12.2003) Art. 197. O valor da confissão se aferirá pelos
critérios adotados para os outros elementos de prova, e
V - se conhece as vítimas e testemunhas já
para a sua apreciação o juiz deverá confrontá-la com as
inquiridas ou por inquirir, e desde quando, e se tem o
demais provas do processo, verificando se entre ela e
que alegar contra elas; (Incluído pela Lei nº 10.792, de
estas existe compatibilidade ou concordância.
1º.12.2003)
Art. 198. O silêncio do acusado não importará
VI - se conhece o instrumento com que foi
confissão, mas poderá constituir elemento para a
praticada a infração, ou qualquer objeto que com esta
formação do convencimento do juiz.
se relacione e tenha sido apreendido; (Incluído pela Lei
nº 10.792, de 1º.12.2003) Art. 199. A confissão, quando feita fora do
interrogatório, será tomada por termo nos autos,
VII - todos os demais fatos e pormenores que
observado o disposto no art. 195.
conduzam à elucidação dos antecedentes e
circunstâncias da infração; (Incluído pela Lei nº 10.792, Art. 200. A confissão será divisível e retratável,
de 1º.12.2003) sem prejuízo do livre convencimento do juiz, fundado no
exame das provas em conjunto.
VIII - se tem algo mais a alegar em sua defesa.
(Incluído pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) CAPÍTULO V
Art. 188. Após proceder ao interrogatório, o juiz DO OFENDIDO
indagará das partes se restou algum fato para ser (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008)
esclarecido, formulando as perguntas correspondentes Art. 201. Sempre que possível, o ofendido será
se o entender pertinente e relevante. (Redação dada qualificado e perguntado sobre as circunstâncias da
pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) infração, quem seja ou presuma ser o seu autor, as
Art. 189. Se o interrogando negar a acusação, provas que possa indicar, tomando-se por termo as
no todo ou em parte, poderá prestar esclarecimentos e suas declarações. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de
indicar provas. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 2008)
o
1º.12.2003) § 1 Se, intimado para esse fim, deixar de
Art. 190. Se confessar a autoria, será comparecer sem motivo justo, o ofendido poderá ser
perguntado sobre os motivos e circunstâncias do fato e conduzido à presença da autoridade. (Incluído pela Lei
se outras pessoas concorreram para a infração, e quais nº 11.690, de 2008)
o
sejam. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de § 2 O ofendido será comunicado dos atos
1º.12.2003) processuais relativos ao ingresso e à saída do acusado
da prisão, à designação de data para audiência e à
DIREITO PROCESSUAL PENAL 85
sentença e respectivos acórdãos que a mantenham ou Art. 210. As testemunhas serão inquiridas cada
modifiquem. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) uma de per si, de modo que umas não saibam nem
o ouçam os depoimentos das outras, devendo o juiz
§ 3 As comunicações ao ofendido deverão ser
feitas no endereço por ele indicado, admitindo-se, por adverti-las das penas cominadas ao falso
opção do ofendido, o uso de meio eletrônico. (Incluído testemunho. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de
pela Lei nº 11.690, de 2008) 2008)
o Parágrafo único. Antes do início da audiência e
§ 4 Antes do início da audiência e durante a sua
realização, será reservado espaço separado para o durante a sua realização, serão reservados espaços
ofendido. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) separados para a garantia da incomunicabilidade das
o testemunhas. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008)
§ 5 Se o juiz entender necessário, poderá
encaminhar o ofendido para atendimento Art. 211. Se o juiz, ao pronunciar sentença final,
multidisciplinar, especialmente nas áreas psicossocial, reconhecer que alguma testemunha fez afirmação falsa,
de assistência jurídica e de saúde, a expensas do calou ou negou a verdade, remeterá cópia do
ofensor ou do Estado. (Incluído pela Lei nº 11.690, de depoimento à autoridade policial para a instauração de
2008) inquérito.
o Parágrafo único. Tendo o depoimento sido
§ 6 O juiz tomará as providências necessárias à
preservação da intimidade, vida privada, honra e prestado em plenário de julgamento, o juiz, no caso de
o
imagem do ofendido, podendo, inclusive, determinar o proferir decisão na audiência (art. 538, § 2 ), o tribunal
segredo de justiça em relação aos dados, depoimentos (art. 561), ou o conselho de sentença, após a votação
e outras informações constantes dos autos a seu dos quesitos, poderão fazer apresentar imediatamente a
respeito para evitar sua exposição aos meios de testemunha à autoridade policial.
comunicação. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) Art. 212. As perguntas serão formuladas pelas
CAPÍTULO VI partes diretamente à testemunha, não admitindo o juiz
aquelas que puderem induzir a resposta, não tiverem
DAS TESTEMUNHAS
relação com a causa ou importarem na repetição de
Art. 202. Toda pessoa poderá ser testemunha. outra já respondida. (Redação dada pela Lei nº 11.690,
Art. 203. A testemunha fará, sob palavra de de 2008)
honra, a promessa de dizer a verdade do que souber e Parágrafo único. Sobre os pontos não
Ihe for perguntado, devendo declarar seu nome, sua esclarecidos, o juiz poderá complementar a inquirição.
idade, seu estado e sua residência, sua profissão, lugar (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008)
onde exerce sua atividade, se é parente, e em que grau,
Art. 213. O juiz não permitirá que a testemunha
de alguma das partes, ou quais suas relações com
manifeste suas apreciações pessoais, salvo quando
qualquer delas, e relatar o que souber, explicando
inseparáveis da narrativa do fato.
sempre as razões de sua ciência ou as circunstâncias
pelas quais possa avaliar-se de sua credibilidade. Art. 214. Antes de iniciado o depoimento, as
partes poderão contraditar a testemunha ou arguir
Art. 204. O depoimento será prestado oralmente,
circunstâncias ou defeitos, que a tornem suspeita de
não sendo permitido à testemunha trazê-lo por escrito.
parcialidade, ou indigna de fé. O juiz fará consignar a
Parágrafo único. Não será vedada à testemunha, contradita ou arguição e a resposta da testemunha, mas
entretanto, breve consulta a apontamentos. só excluirá a testemunha ou não Ihe deferirá
Art. 205. Se ocorrer dúvida sobre a identidade compromisso nos casos previstos nos arts. 207 e 208.
da testemunha, o juiz procederá à verificação pelos Art. 215. Na redação do depoimento, o juiz
meios ao seu alcance, podendo, entretanto, tomar-lhe o deverá cingir-se, tanto quanto possível, às expressões
depoimento desde logo. usadas pelas testemunhas, reproduzindo fielmente as
Art. 206. A testemunha não poderá eximir-se da suas frases.
obrigação de depor. Poderão, entretanto, recusar-se a Art. 216. O depoimento da testemunha será
fazê-lo o ascendente ou descendente, o afim em linha reduzido a termo, assinado por ela, pelo juiz e pelas
reta, o cônjuge, ainda que desquitado, o irmão e o pai, a partes. Se a testemunha não souber assinar, ou não
mãe, ou o filho adotivo do acusado, salvo quando não puder fazê-lo, pedirá a alguém que o faça por ela,
for possível, por outro modo, obter-se ou integrar-se a depois de lido na presença de ambos.
prova do fato e de suas circunstâncias.
Art. 217. Se o juiz verificar que a presença do
Art. 207. São proibidas de depor as pessoas réu poderá causar humilhação, temor, ou sério
que, em razão de função, ministério, ofício ou profissão, constrangimento à testemunha ou ao ofendido, de modo
devam guardar segredo, salvo se, desobrigadas pela que prejudique a verdade do depoimento, fará a
parte interessada, quiserem dar o seu testemunho. inquirição por videoconferência e, somente na
Art. 208. Não se deferirá o compromisso a que impossibilidade dessa forma, determinará a retirada do
alude o art. 203 aos doentes e deficientes mentais e aos réu, prosseguindo na inquirição, com a presença do seu
menores de 14 (quatorze) anos, nem às pessoas a que defensor. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008)
se refere o art. 206. Parágrafo único. A adoção de qualquer das
Art. 209. O juiz, quando julgar necessário, medidas previstas no caput deste artigo deverá constar
poderá ouvir outras testemunhas, além das indicadas do termo, assim como os motivos que a determinaram.
pelas partes. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008)
o
§ 1 Se ao juiz parecer conveniente, serão Art. 218. Se, regularmente intimada, a
ouvidas as pessoas a que as testemunhas se referirem. testemunha deixar de comparecer sem motivo
o justificado, o juiz poderá requisitar à autoridade policial a
§ 2 Não será computada como testemunha a
pessoa que nada souber que interesse à decisão da sua apresentação ou determinar seja conduzida por
causa. oficial de justiça, que poderá solicitar o auxílio da força
pública.
86 DIREITO PROCESSUAL PENAL
Art. 219. O juiz poderá aplicar à testemunha sujeitando-se, pela simples omissão, às penas do não-
faltosa a multa prevista no art. 453, sem prejuízo do comparecimento.
processo penal por crime de desobediência, e condená- Art. 225. Se qualquer testemunha houver de
la ao pagamento das custas da diligência. (Redação ausentar-se, ou, por enfermidade ou por velhice, inspirar
dada pela Lei nº 6.416, de 24.5.1977) receio de que ao tempo da instrução criminal já não
Art. 220. As pessoas impossibilitadas, por exista, o juiz poderá, de ofício ou a requerimento de
enfermidade ou por velhice, de comparecer para depor, qualquer das partes, tomar-lhe antecipadamente o
serão inquiridas onde estiverem. depoimento.
Art. 221. O Presidente e o Vice-Presidente da CAPÍTULO VII
República, os senadores e deputados federais, os DO RECONHECIMENTO DE PESSOAS E COISAS
ministros de Estado, os governadores de Estados e
Art. 226. Quando houver necessidade de fazer-
Territórios, os secretários de Estado, os prefeitos do
se o reconhecimento de pessoa, proceder-se-á pela
Distrito Federal e dos Municípios, os deputados às
seguinte forma:
Assembléias Legislativas Estaduais, os membros do
Poder Judiciário, os ministros e juízes dos Tribunais de I - a pessoa que tiver de fazer o reconhecimento
Contas da União, dos Estados, do Distrito Federal, bem será convidada a descrever a pessoa que deva ser
como os do Tribunal Marítimo serão inquiridos em local, reconhecida;
dia e hora previamente ajustados entre eles e o juiz. Il - a pessoa, cujo reconhecimento se pretender,
(Redação dada pela Lei nº 3.653, de 4.11.1959) será colocada, se possível, ao lado de outras que com
o
§ 1 O Presidente e o Vice-Presidente da ela tiverem qualquer semelhança, convidando-se quem
República, os presidentes do Senado Federal, da tiver de fazer o reconhecimento a apontá-la;
Câmara dos Deputados e do Supremo Tribunal Federal III - se houver razão para recear que a pessoa
poderão optar pela prestação de depoimento por escrito, chamada para o reconhecimento, por efeito de
caso em que as perguntas, formuladas pelas partes e intimidação ou outra influência, não diga a verdade em
deferidas pelo juiz, Ihes serão transmitidas por ofício. face da pessoa que deve ser reconhecida, a autoridade
(Redação dada pela Lei nº 6.416, de 24.5.1977) providenciará para que esta não veja aquela;
o
§ 2 Os militares deverão ser requisitados à IV - do ato de reconhecimento lavrar-se-á auto
autoridade superior. (Redação dada pela Lei nº 6.416, pormenorizado, subscrito pela autoridade, pela pessoa
de 24.5.1977) chamada para proceder ao reconhecimento e por duas
o
§ 3 Aos funcionários públicos aplicar-se-á o testemunhas presenciais.
o
disposto no art. 218, devendo, porém, a expedição do Parágrafo único. O disposto no n III deste artigo
mandado ser imediatamente comunicada ao chefe da não terá aplicação na fase da instrução criminal ou em
repartição em que servirem, com indicação do dia e da plenário de julgamento.
hora marcados. (Incluído pela Lei nº 6.416, de Art. 227. No reconhecimento de objeto,
24.5.1977) proceder-se-á com as cautelas estabelecidas no artigo
Art. 222. A testemunha que morar fora da anterior, no que for aplicável.
jurisdição do juiz será inquirida pelo juiz do lugar de sua Art. 228. Se várias forem as pessoas chamadas
residência, expedindo-se, para esse fim, carta a efetuar o reconhecimento de pessoa ou de objeto,
precatória, com prazo razoável, intimadas as partes. cada uma fará a prova em separado, evitando-se
o
§ 1 A expedição da precatória não suspenderá qualquer comunicação entre elas.
a instrução criminal. CAPÍTULO VIII
o
§ 2 Findo o prazo marcado, poderá realizar-se o DA ACAREAÇÃO
julgamento, mas, a todo tempo, a precatória, uma vez Art. 229. A acareação será admitida entre
devolvida, será junta aos autos. acusados, entre acusado e testemunha, entre
o
§ 3 Na hipótese prevista no caput deste artigo, testemunhas, entre acusado ou testemunha e a pessoa
a oitiva de testemunha poderá ser realizada por meio de ofendida, e entre as pessoas ofendidas, sempre que
videoconferência ou outro recurso tecnológico de divergirem, em suas declarações, sobre fatos ou
transmissão de sons e imagens em tempo real, circunstâncias relevantes.
permitida a presença do defensor e podendo ser Parágrafo único. Os acareados serão
realizada, inclusive, durante a realização da audiência reperguntados, para que expliquem os pontos de
de instrução e julgamento. (Incluído pela Lei nº 11.900, divergências, reduzindo-se a termo o ato de acareação.
de 2009)
Art. 230. Se ausente alguma testemunha, cujas
Art. 222-A. As cartas rogatórias só serão expedidas declarações divirjam das de outra, que esteja presente,
se demonstrada previamente a sua imprescindibilidade, a esta se darão a conhecer os pontos da divergência,
arcando a parte requerente com os custos de envio. consignando-se no auto o que explicar ou observar. Se
(Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009) subsistir a discordância, expedir-se-á precatória à
Parágrafo único. Aplica-se às cartas rogatórias o autoridade do lugar onde resida a testemunha ausente,
o o
disposto nos §§ 1 e 2 do art. 222 deste Código. transcrevendo-se as declarações desta e as da
(Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009) testemunha presente, nos pontos em que divergirem,
Art. 223. Quando a testemunha não conhecer a bem como o texto do referido auto, a fim de que se
língua nacional, será nomeado intérprete para traduzir complete a diligência, ouvindo-se a testemunha
as perguntas e respostas. ausente, pela mesma forma estabelecida para a
Parágrafo único. Tratando-se de mudo, surdo ou testemunha presente. Esta diligência só se realizará
surdo-mudo, proceder-se-á na conformidade do art. 192. quando não importe demora prejudicial ao processo e o
juiz a entenda conveniente.
Art. 224. As testemunhas comunicarão ao juiz,
dentro de um ano, qualquer mudança de residência, CAPÍTULO IX
DIREITO PROCESSUAL PENAL 87
DOS DOCUMENTOS h) colher qualquer elemento de convicção.
o
Art. 231. Salvo os casos expressos em lei, as § 2 Proceder-se-á à busca pessoal quando
partes poderão apresentar documentos em qualquer houver fundada suspeita de que alguém oculte consigo
fase do processo. arma proibida ou objetos mencionados nas letras b a f e
Art. 232. Consideram-se documentos quaisquer letra h do parágrafo anterior.
escritos, instrumentos ou papéis, públicos ou Art. 241. Quando a própria autoridade policial ou
particulares. judiciária não a realizar pessoalmente, a busca
Parágrafo único. À fotografia do documento, domiciliar deverá ser precedida da expedição de
devidamente autenticada, se dará o mesmo valor do mandado.
original. Art. 242. A busca poderá ser determinada de
Art. 233. As cartas particulares, interceptadas ou ofício ou a requerimento de qualquer das partes.
obtidas por meios criminosos, não serão admitidas em Art. 243. O mandado de busca deverá:
juízo. I - indicar, o mais precisamente possível, a casa
Parágrafo único. As cartas poderão ser exibidas em que será realizada a diligência e o nome do
em juízo pelo respectivo destinatário, para a defesa de respectivo proprietário ou morador; ou, no caso de
seu direito, ainda que não haja consentimento do busca pessoal, o nome da pessoa que terá de sofrê-la
signatário. ou os sinais que a identifiquem;
Art. 234. Se o juiz tiver notícia da existência de II - mencionar o motivo e os fins da diligência;
documento relativo a ponto relevante da acusação ou da III - ser subscrito pelo escrivão e assinado pela
defesa, providenciará, independentemente de autoridade que o fizer expedir.
requerimento de qualquer das partes, para sua juntada o
§ 1 Se houver ordem de prisão, constará do
aos autos, se possível.
próprio texto do mandado de busca.
Art. 235. A letra e firma dos documentos o
§ 2 Não será permitida a apreensão de
particulares serão submetidas a exame pericial, quando
documento em poder do defensor do acusado, salvo
contestada a sua autenticidade.
quando constituir elemento do corpo de delito.
Art. 236. Os documentos em língua estrangeira,
Art. 244. A busca pessoal independerá de
sem prejuízo de sua juntada imediata, serão, se
mandado, no caso de prisão ou quando houver fundada
necessário, traduzidos por tradutor público, ou, na falta,
suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma
por pessoa idônea nomeada pela autoridade.
proibida ou de objetos ou papéis que constituam corpo
Art. 237. As públicas-formas só terão valor de delito, ou quando a medida for determinada no curso
quando conferidas com o original, em presença da de busca domiciliar.
autoridade.
Art. 245. As buscas domiciliares serão
Art. 238. Os documentos originais, juntos a executadas de dia, salvo se o morador consentir que se
processo findo, quando não exista motivo relevante que realizem à noite, e, antes de penetrarem na casa, os
justifique a sua conservação nos autos, poderão, executores mostrarão e lerão o mandado ao morador,
mediante requerimento, e ouvido o Ministério Público, ou a quem o represente, intimando-o, em seguida, a
ser entregues à parte que os produziu, ficando traslado abrir a porta.
nos autos. o
§ 1 Se a própria autoridade der a busca,
CAPÍTULO X declarará previamente sua qualidade e o objeto da
DOS INDÍCIOS diligência.
o
Art. 239. Considera-se indício a circunstância § 2 Em caso de desobediência, será arrombada
conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, a porta e forçada a entrada.
autorize, por indução, concluir-se a existência de outra o
§ 3 Recalcitrando o morador, será permitido o
ou outras circunstâncias. emprego de força contra coisas existentes no interior da
CAPÍTULO XI casa, para o descobrimento do que se procura.
o o o
DA BUSCA E DA APREENSÃO § 4 Observar-se-á o disposto nos §§ 2 e 3 ,
Art. 240. A busca será domiciliar ou pessoal. quando ausentes os moradores, devendo, neste caso,
o ser intimado a assistir à diligência qualquer vizinho, se
§ 1 Proceder-se-á à busca domiciliar, quando
houver e estiver presente.
fundadas razões a autorizarem, para: o
§ 5 Se é determinada a pessoa ou coisa que se
a) prender criminosos;
vai procurar, o morador será intimado a mostrá-la.
b) apreender coisas achadas ou obtidas por o
§ 6 Descoberta a pessoa ou coisa que se
meios criminosos;
procura, será imediatamente apreendida e posta sob
c) apreender instrumentos de falsificação ou de custódia da autoridade ou de seus agentes.
contrafação e objetos falsificados ou contrafeitos; o
§ 7 Finda a diligência, os executores lavrarão
d) apreender armas e munições, instrumentos auto circunstanciado, assinando-o com duas
utilizados na prática de crime ou destinados a fim testemunhas presenciais, sem prejuízo do disposto no
delituoso; §4 .
o

e) descobrir objetos necessários à prova de Art. 246. Aplicar-se-á também o disposto no


infração ou à defesa do réu; artigo anterior, quando se tiver de proceder a busca em
f) apreender cartas, abertas ou não, destinadas compartimento habitado ou em aposento ocupado de
ao acusado ou em seu poder, quando haja suspeita de habitação coletiva ou em compartimento não aberto ao
que o conhecimento do seu conteúdo possa ser útil à público, onde alguém exercer profissão ou atividade.
elucidação do fato; Art. 247. Não sendo encontrada a pessoa ou
g) apreender pessoas vítimas de crimes; coisa procurada, os motivos da diligência serão
88 DIREITO PROCESSUAL PENAL
comunicados a quem tiver sofrido a busca, se o de separação da cabeça do resto do corpo), e haja
requerer. necessidade da abertura do corpo, não é possível
Art. 248. Em casa habitada, a busca será feita que a autópsia seja feita antes das seis horas após o
de modo que não moleste os moradores mais do que o óbito.
indispensável para o êxito da diligência. c) Quando há morte violenta, basta o simples exame
Art. 249. A busca em mulher será feita por outra externo do cadáver, se não existe infração penal
mulher, se não importar retardamento ou prejuízo da para apurar, ou quando as lesões externas permitem
diligência. precisar a causa da morte e não há necessidade de
exame interno para a verificação de alguma
Art. 250. A autoridade ou seus agentes poderão
circunstância relevante.
penetrar no território de jurisdição alheia, ainda que de
outro Estado, quando, para o fim de apreensão, forem d) No caso de lesões corporais, se o primeiro exame
no seguimento de pessoa ou coisa, devendo pericial tiver sido incompleto, deverá ser feito exame
apresentar-se à competente autoridade local, antes da complementar. No exame exame complementar, os
diligência ou após, conforme a urgência desta. peritos devem elaborar novo auto de corpo de delito,
o desprezando o anterior.
§ 1 Entender-se-á que a autoridade ou seus
agentes vão em seguimento da pessoa ou coisa, e) segundo o CPP, nas perícias de laboratórios, os
quando: peritos guardarão material suficiente para a
eventualidade de nova perícia. A cautela de guardar
a) tendo conhecimento direto de sua remoção
o material examinado possui prazo certo
ou transporte, a seguirem sem interrupção, embora
estabelecido em lei, que é de 1 ano.
depois a percam de vista;
b) ainda que não a tenham avistado, mas
sabendo, por informações fidedignas ou circunstâncias 03. (CESPE-UnB/Anal.Jud/ Judiciária/TJDFT /2008)
indiciárias, que está sendo removida ou transportada em Acerca das provas no processo penal, julgue os
determinada direção, forem ao seu encalço. itens a seguir com base no Código de Processo
o Penal.
§ 2 Se as autoridades locais tiverem fundadas
razões para duvidar da legitimidade das pessoas que, 103. Em caso de infração que deixe vestígio, o exame
nas referidas diligências, entrarem pelos seus distritos, de corpo de delito pode ser suprido pela confissão
ou da legalidade dos mandados que apresentarem, do acusado, desde que espontânea e efetivada
poderão exigir as provas dessa legitimidade, mas de perante o juiz de direito.
modo que não se frustre a diligência. 104. Quando o exame de corpo de delito tiver de ser
feito por intermédio de carta precatória, a nomeação
dos peritos será feita pelo juízo deprecado, exceto
EXERCÍCIOS se, em se tratando de ação penal privada, as partes
01. (Juiz Sub.TJ-PB/CESPE/2011) No que concerne à entabularem acordo para que a nomeação dos
prova no processo penal, assinale a opção correta. peritos seja feita pelo juiz deprecante.
a) Consoante a jurisprudência do STJ, é indispensável 105. O juiz não fica vinculado ao laudo pericial
que a transcrição do conteúdo das interceptações apresentado pelos dois peritos oficiais, No entanto, a
telefônicas seja feita por peritos oficiais. rejeição ao laudo deve ser integral, não podendo o
b) Consoante jurisprudência do STJ, é inadmissível, juiz rejeitá-lo em parte e aceitá-lo em outra, pois, em
como meio de prova, a gravação unilateral feita por tal caso, ele estaria criando um terceiro laudo
um dos interlocutores sem o conhecimento do outro, pericial.
por afronta ao princípio da proporcionalidade.
c) Em habeas corpus e em recurso especial, é vedada a 04. (CESPE-UnB/Delegado de Polícia Civil/SECAD-
simples apreciação de provas, ou seja, a operação TO/2008) Acerca da prova no processo penal, julgue
mental de conta, peso e medida dos elementos de os próximos itens.
convicção. 103. Considere que em determinada ação penal foi
d) Se o acusado citado por edital não comparece nem realizada perícia de natureza contábil, nos moldes
constitui advogado, ficam suspensos o processo e o determinados pela legislação pertinente, o que
curso do prazo prescricional e, nesse caso, a resultou na elaboração do competente laudo de
produção antecipada de provas justifica-se tão exame pericial. Na fase decisória, o juiz discordou
somente pelo decurso do tempo. das conclusões dos peritos e, de forma
e) A apuração do crime de lavagem de bens depende fundamentada, descartou o laudo pericial ao exarar
do processamento e da condenação do crime a sentença. Nessa situação, a sentença é nula, pois
antecedente, não sendo suficiente a indicação dos o exame pericial vincula o juiz da causa.
indícios da prática do delito anterior. 104. Considere a seguinte situação hipotética. João,
imputável, agrediu fisicamente Francisco,
produzindo-lhe lesões corporais leves. Transcorridos
02. (CESPE-UnB/Perito Oficial Criminal/ PCPB/2009) A
alguns dias após a agressão, Francisco compareceu
respeito da prova pericial, assinale a opção correta.
à repartição policial, onde noticiou o crime.
a) Se for inviável a colheita das impressões Encaminhado para exame pericial, ficou constatado
dactiloscópicas e a análise da arcada dentária para que não mais existiam lesões. Nessa situação, por
identificação de um cadáver exumado, por estar em terem desaparecido os vestígios, a materialidade do
adiantado estado de decomposição, não são delito poderá ser demonstrada por meio de prova
suficientes para sua identificação simples declaração testemunhai.
de parentes e amigos.
b) Se a morte for nitidamente violenta, de maneira que
não suscite qualquer tipo de dúvida (como nos casos
DIREITO PROCESSUAL PENAL 89
105. Não se faz distinção entre corpo de delito e exame b) Se não for possível o exame de corpo de delito por
de corpo de delito, pois ambos representam o haverem desaparecido os vestígios, a prova
próprio crime em sua materialidade. testemunhal não poderá suprir-lhe a falta.
106. Por determinação legal, o exame necroscópico ou c) O juiz ficará adstrito ao laudo.
cadavérico deve ser realizado pelo menos seis horas d) Se a infração deixar vestígios, a confissão do
após o óbito. Todavia, tal obrigatoriedade é acusado poderá suprir o exame de corpo de delito,
dispensada se houver evidência da morte, como direto ou indireto.
ausência de movimentos respiratórios,
desaparecimento do pulso ou enregelamento do
corpo. 09. (CESPE-UnB/Perito Oficial Criminal/ PCPB/2009)
Em relação aos exames periciais, assinale a opção
107. Dispõe a lei processual penal que os exames de
correta.
corpo de delito e as outras perícias serão feitos por
dois peritos oficiais, o que significa que esses a) Nos casos de morte violenta, bastará o simples
técnicos podem desempenhar suas funções exame externo do cadavér, ainda que haja infração
independentemente de nomeação da autoridade penal a apurar.
policial ou do juiz, uma vez que a investidura em tais b) Quando encontrados em posição diversa, os
cargos advém da lei. cadávers deverão ser colocados em posição
horizontal para serem fotografados.
05. (CESPE-UnB/Escrivão/PF/2004). No que se refere à c) Em regra, a autópsia será feita pelo menos seis horas
produção de provas, julgue o item abaixo. depois do óbito.
80. Quando a infração penal deixa vestígios, é d) É vedado aos peritos instruir os laudos com fotografo
indispensável a realização do exame de corpo de que contenham imagens de forte mutilação corporal.
delito. O exame, contudo, poderá ser suprido pela e) Após a conclusão das perícias de laboratório, os
prova testemunhai na hipótese de desaparecimento peritos deverão descartar imediatamente o material
dos vestígios. periciado.

06. (CESPE-UnB/Ag. Trans./DETRAN-DF/2003). Acerca 10. (CESPE-UnB/Agente de Polícia Civil


da prova no processo penal, julgue os itens que se Substituto/PCRN/2009) Acerca da prova criminal,
seguem. assinale a opção correta.
119. Desaparecidos os vestígios de um crime, será A) O silêncio do acusado não importa em confissão,
possível a formação do corpo de delito indireto mas pode constituir elemento para a formação do
mediante prova testemunhai. convencimento do juiz e interpretado em prejuízo da
120. Considere a seguinte situação hipotética. Um defesa.
indivíduo arrombou a porta de uma residência e B) Antes de iniciar o interrogatório, o acusado deve ser
subtraiu do seu interior, em proveito próprio, um informado do seu direito de permanecer calado e de
aparelho de televisão, roupas, bebidas e a não responder às perguntas que lhe forem
importância de R$ 1 mil. Nessa situação, será formuladas.
necessária a prova pericial para classificar o crime C) A confissão é indivisível e irretratável e, para apreciar
de furto como qualificado, pela destruição e pelo seu valor, o juiz deverá confrontá-la com as demais
rompimento de obstáculo à subtração da coisa. provas, verificando se existe compatibilidade e
concordância.
07. (CESPE-UnB/Analista Judiciário/Execução de D) No procedimento de reconhecimento de indiciado,
Mandados/STF/2008) Com base no CPP, julgue os este deve ser colocado ao lado de, no mínimo, três
itens a seguir, relativos a provas. pessoas que tenham com ele grande semelhança
[131] Quando a infração deixar vestígios, será física.
indispensável o exame de corpo de delito, direto ou E) A acareação é uma confrontação entre acusado e
indireto. Não sendo possível sua realização em vítima, quando há dúvida acerca da existência do
decorrência de os vestígios terem desaparecido, a crime e permite que se esclareça qual versão é a
prova testemunhal ou a confissão poderão suprir-lhe verdadeira.
a falta.
[132] Em caso de lesões corporais, se o primeiro exame 11. (CESPE-UnB/Agente de Polícia Civil
pericial tiver sido incompleto, proceder-se-á a exame Substituto/PCRN/2009) Considerando a
complementar por determinação da autoridade regulamentação processual penal em relação às
policial ou judiciária, de ofício, ou a requerimento do testemunhas, assinale a opção correta.
MP, ou do ofendido ou do acusado, ou de seu A) Uma criança de seis anos de idade pode ser
defensor. A falta desse exame poderá ser suprida testemunha, mas não prestará o compromisso de
pela prova testemunhal. dizer a verdade do que souber e lhe for perguntado.
B) Os doentes e deficientes mentais não podem ser
08. (CESPE-UnB/136º Exame de Ordem/OAB-SP/2008) arrolados como testemunha, pois, por serem
Assinale a opção correta acerca do exame de corpo inimputáveis, suas declarações não têm
de delito e das perícias em geral, segundo o CPP. credibilidade.
a) Se a perícia requerida pelas partes não for C) O pai que presencia o filho cometer homicídio é
necessária ao esclarecimento da verdade, o juiz ou obrigado a depor acerca dos fatos, ainda que outras
a autoridade policial negará a perícia, exceto na pessoas tenham testemunhado o ocorrido.
hipótese de exame de corpo de delito.
90 DIREITO PROCESSUAL PENAL
D) O padre pode depor acerca da autoria de crime que e) Quando o interrogando não falar a língua portuguesa,
tomou conhecimento durante seu ministério, sendo o interrogatório será dispensado.
irrelevante a anuência da parte interessada.
E) Os surdos-mudos não podem ser testemunhas 13. (CESPE-UnB/Perito Oficial Criminal/ PCPB/2009)
porque o depoimento deve ser prestado oralmente, Em relação à vítima do crime (pessoa ofendida) e às
não sendo permitido fazê-lo por escrito. testemunhas, assinale a opção correta.
a) Se intimado para prestar esclarecimentos perante a
10. (CESPE-UnB/Perito Oficial Criminal /PCPB/2009) A autoridade judicial, deixar de comparecer sem
respeito da confissão com prova, assinale a opção motivo justo, o ofendido não poderá ser conduzido
correta. corecitivamente.
a) A prova confessional é meio de prova, isto é, um dos b) Se o juiz verificar que a presença do réu poderá
instrumentos disponíveis para que o juiz atinja a causar sério constrangimento à testemunha, de
verdadedos fatos. Seu objeto são os fatos, modo que prejudique a verdade do depoimento
inadmitindo-se questões relativas ao direeito e às deverá fazer a inquirição por videoconferência e,
regras de experiência. somente na impossibilidade dessa forma,
b) O CPP não admite a divisibilidade da confisão, isto é, detreminsrá a retirada do réu, prosseguindo na
o juiz não pode aproveitá-la por partes, acreditando inquirição, com a presença do seu defensor.
em um trecho e repelindo outro. c) As pessoas impossibilitadas, por enfermidade ou por
c) Se produzida diante de autoridade judicial velhice, de comparecer para depor, serão
competente para o deslinde do processo criminal, dispensadas de testemunhar.
trata-se da confissão judicial imprópria. d) Os governadores e os secretários de Estado, os
d) A confissão, isoladamente, pode significar a prefeitos, os vereadores e os deputados estaduais
condenação do réu, por ser considerada a rainha serão inquiridos em local, dia e hora previamente
das provas. ajustados entre eles e o juiz.
e) O indiciado ou o acusado não pode retrartar-se e) Ao contrário das pessoas acusadas, as testemunhas
apenas em parte da confissão, pois o CPP só estão dispensadas de comunicar ao juízo
permite a retratação integral. competente eventual mudança de endereço.

11. (CESPE-UnB/Perito Oficial Criminal/ PCPB/2009) 14. (CESPE - 2009 - PC - PB - Agente de Investigação e
Acerca da prova testemunhal, assinale a opção Agente de Polícia) Acerca da prova no processo
correta. penal, assinale a opção correta.
a) O informante, por não ter vínculo com a a) São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do
imparcialidade e com a obrigação de dizer a processo, as provas consideradas ilícitas. No
verdade, não presta compromisso. entanto, a legislação não proíbe a produção de
provas derivadas das ilícitas.
b) Testemunha referida é a denominação dada à pessoa
que testemunha a leitura do auto de prisão em b) Poderá o juiz, de ofício, ordenar, mesmo antes de
flagrante na presença do acusado e assina ao iniciada a ação penal, a produção antecipada de
referido auto em lugar do indiciado que não quer, provas consideradas urgentes e relevantes.
não sabe ou não pode fazê-lo. c) Quando a infração deixar vestígios, será
d) Um animal pode ser levado a juízo para reconhecer, indispensável o exame de corpo de delito, podendo
pelo faro, um ladrão e pode, assim, ser considerado supri-lo a confissão do acusado.
testemunha. d) Em regra, a perícia deverá ser realizada por dois
d) A autoridade policial que presidiu o inquérito, indiciou peritos oficiais.
o acusado e colocou no relatório final as suas e) Em regra, o laudo pericial será elaborado no prazo
conclusões sobre o crime e seu autor não pode ser máximo de trinta dias, podendo este prazo ser
arrolado como testemunha. prorrogado, em casos excepcionais, a requerimento
e) Prevalece, em nosso ordenamento, o princípio dos peritos.
segundo o qual um único testemunho é considerado
de nenhuma validade (testis unus testis nullus). GABARITO: 01.C; 02.D; 03.ECE; 04.ECECE 05.E;
06.CC; 07.EC; 08.A; 09.C; 10.A; 11.A 12.A; 13.B;
12. (CESPE-UnB/Perito Oficial Criminal /PCPB/2009) 14/B
Quanto ao interrogatório do acusado, assinale
aopção correta.
DA PRISÃO
a) Antes da realização do interrogatório, o juiz terá de
assegurar o direito de entrevista reservada do Segundo Fernando Capez, prisão é a privação
acusado com seu defensor. da liberdade de locomoção determinada por ordem
b) O silêncio do acusado importará em confissão e será escrita da autoridade competente ou em caso de
interpretado em prejuízo da defesa. flagrante delito.
c) Havendo mais de um acusado, serão interrogados DICAS DE CONCURSOS:
simultaneamente na presença da mesma A lei processual penal considera em flagrante
autoridade. delito aquele que é perseguido pela autoridade, pelo
d) Não se toma o interrogatório do surdo-mudo em ofendido ou por qualquer pessoa, logo após cometer
respeito a sua peculiar situação. infração penal, e ainda quem é encontrado com
instrumentos, armas e objetos ou papéis que façam
presumir ser ele autor da infração. Nessas situações, a
DIREITO PROCESSUAL PENAL 91
autoridade policial tem o dever legal de prender o a lavratura do auto de prisão em flagrante, se for o caso,
agente do fato delituoso.(Adminstrador- e determinará a remoção do preso para a apresentação
PM/CESPE/2010) ao juiz que expediu o mandado original.

FASES DA PRISÃO PRISÃO FORA DO TERRITÓRIO DO JUIZ


a) Captura do agente; Regra – não há impedimento, dentro do
b) Condução coercitiva; território nacional, que a captura possa ser efetuada fora
da jurisdição territorial do juiz processante, por meio de
c) Lavratura do auto de prisão em flagrante; e carta precatória (art. 289 CPP).
d) Encarceramento do autuado. Havendo urgência, (ex. iminência de fuga para
o exterior), permite a lei ao juiz requisitar a prisão
CONCESSÃO E APLICAÇÃO DE MEDIDA qualquer meio de comunicação, do qual deverá constar
CAUTELAR o motivo da prisão, bem como o valor da fiança se
O Art. 282 do CPP, que teve sua redação arbitrada.
alterada pela Lei 12.403/2011, prevê os requisitos que
devem ser observado para a concessão de medica EMPREGO DE FORÇA
cautelar: A lei permite o emprego de força se for
I - necessidade para aplicação da lei penal, necessário, ou seja, indispensável no caso de
para a investigação ou a instrução criminal e, resistência ou tentativa de fuga do preso quando da
nos casos expressamente previstos, para execução do mandado, bem como quando resiste o
evitar a prática de infrações penais; e capturando e se opõe com violência ou ameaça à prisão
II - adequação da medida à gravidade do na exibição do mandado e intimação para acompanhar
crime, circunstâncias do fato e condições o executor. A fuga ou tentativa de fuga ocorre quando o
pessoais do indiciado ou acusado. capturando desobedece a ordem negando-se a
O juiz, ao receber o pedido de medida cautelar, acompanhar o executor, escapando ou procurando
em respeito ao contraditório e à ampla defesa, escapar do executor. No caso de resistência por parte
determinará a intimação da parte contrária, de terceiros o executor poderá usar os meios
acompanhada de cópia do requerimento e das peças necessários para defender-se ou para vencer a
necessárias, permanecendo os autos em juízo, desde resistência, fatos que serão lavrados em auto assinado
que respeitados os caos de urgência ou de perigo de por duas testemunhas (arts. 284, 291 e 292 CPP).
ineficácia da medida. (Art. 282, § 3º).
Observa-se que por disposição dos §1o do CUSTÓDIA
referido art. 282, as medidas cautelares poderão ser Regra - ninguém será recolhido à prisão sem
aplicadas isolada ou cumulativamente. que seja exibido o mandado ao respectivo diretor, a
O § 6º dispõe que ―a prisão preventiva será quem será entregue uma cópia, devendo ser passado o
determinada quando não for cabível a sua substituição recibo com dia e hora da entrega do preso (custódia)
por outra medida cautelar (art. 319)”. (art. 288 CPP).

COMUNICAÇÃO DA PRISÃO CAPTURA


O art. 289, com e redação da Lei nº Conforme o art. 299, com redação dada pela
12.403/2011, traz novas formas de comunicação da Lei 12.403/2011, a captura poderá ser requisitada, à
prisão entre comarcas, incluindo além da Carta vista de mandado judicial, não mais apenas por via
Precatória, outros meios de comunicação (como a rede telefônica, mas agora por qualquer meio de
mundial de computadores – Internet). comunicação, tomadas pela autoridade, a quem se fizer
o
O § 3 do art. 289-A, acrescentado pela Lei a requisição, as precauções necessárias para averiguar
12.403/2011, determina que a prisão será a autenticidade desta.
imediatamente comunicada ao juiz do local de
cumprimento da medida o qual providenciará a certidão MANDADO DE PRISÃO
extraída do registro do Conselho Nacional de Justiça e Regra – a prisão somente pode ser efetuada
informará ao juízo que a decretou .
mediante ordem escrita da autoridade judiciária
competente (art. 285 CPP).
PRISÃO EM PERSEGUIÇÃO
Regra – o perseguidor poderá efetuar a prisão Requisitos do mandado
no lugar onde alcançar o capturando (art. 290 CPP), Os requisitos para o mandado de prisão estão
inclusive se o perseguido tiver passado ao território de previstos nos art. 285, 288, 291 e 297, do CCP:
outro município ou comarca.
· será lavrado pelo escrivão e assinado pela
Entende-se por perseguição:
autoridade;
> tendo-o avistado, for perseguindo-o sem
· designar a pessoa que tiver de ser presa
interrupção, embora o tenha perdido de vista;
(perfeita individualização);
> Sabendo-se por indícios ou informações
· mencionar a infração penal que motivar a
fidedignas que o réu tenha passado, há
prisão (fundamento);
pouco tempo, em tal direção, pelo lugar em
que o procure, for no seu enlaço. · valor da fiança arbitrada, quando afiançável a
infração;
Em tal circunstância, o executor deverá
apresentar o preso à autoridade local, que determinará
92 DIREITO PROCESSUAL PENAL
· indicação de quem é dirigida para dar-lhe O RECOLHIMENTO DOMICILIAR
execução; Os art. 317 e 318 do CPP, alterados pela Lei
· gera nulidade – autoridade incompetente, não 12.403/2011, disciplinam a prisão domiciliar, até então
ser assinado pelo juiz; não designar a prevista apenas na Lei de Execução Penal como
pessoa ou não ter fundamento. OBS.: se medida excepcional a ser adotada em benefício de
atingida sua finalidade, não será nulo (art. determinados apenados do regime aberto (maiores de
572 II, CPP). 70 anos, acometidos de doenças graves, gestantes e
· poderão ser expedidos quantos mandados condenadas com filhos menores ou portadores de
forem necessários, desde que seja deficiências físicas ou mentais).
reprodução fiel do teor do original (art. 297 CPP:
CPP). Art. 317. A prisão domiciliar consiste no
recolhimento do indiciado ou acusado em sua
ATENÇÃO!! residência, só podendo dela ausentar-se com
O juiz competente providenciará o imediato autorização judicial. (Redação dada pela Lei nº 12.403,
registro do mandado de prisão em banco de dados de 2011).
mantido pelo Conselho Nacional de Justiça para essa Art. 318. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva
pela domiciliar quando o agente for: (Redação dada
finalidade. (Art. 298/A, CPP) .

pela Lei nº 12.403, de 2011).


I - maior de 80 (oitenta) anos; (Incluído pela Lei nº
Execução do mandado 12.403, de 2011).
II - extremamente debilitado por motivo de doença
Regra – a prisão será efetuada em qualquer grave; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
dia e a qualquer hora, respeitadas as restrições relativas III - imprescindível aos cuidados especiais de pessoa
à inviolabilidade do domicílio (art. 283 CPP e art. 5º XI menor de 6 (seis) anos de idade ou com
CF). deficiência; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
O mandado deverá ser expedido em duplicata, IV - gestante a partir do 7o (sétimo) mês de gravidez
cópia que o executor deverá entregar ao preso, sendo ou sendo esta de alto risco. (Incluído pela Lei nº
aposto dia, hora e lugar da diligência (art. 286 CPP). Se 12.403, de 2011).
o preso se recusar a recebê-la, não souber ou não Parágrafo único. Para a substituição, o juiz exigirá
prova idônea dos requisitos estabelecidos neste artigo.
puder escrever, será assinada por duas testemunhas
(Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
(art. 286 CPP). Será informado ao preso os seus
direitos, dentre os quais o de permanecer calado,
sendo-lhe assegurada a assistência da família e de ESPÉCIES DE PRISÕES
advogado e da identificação dos responsáveis por sua 1) Prisão penal
prisão (art. 5º LXII e LXIV CF). Que consiste em uma sansão penal - pena
Se a infração for inafiançável, a falta de privativa de liberdade -, aplicada apenas no caso de
exibição do mandado não obstará a prisão e o preso em trânsito em julgado de sentença penal condenatória e
tal caso, será imediatamente apresentado ao juiz que regulada pelo CP.
tiver expedido o mandado (art. 287 CPP).
2) Prisão provisória ou processual ou cautelar –
FORMALIDADES DA PRISÃO – ARTS. 283 A 300 Que é decretada antes do trânsito em julgado
O Código de Processo Penal prevê diversas da sentença penal condenatória, regulada pelo CPP.
formalidades para a efetivação de uma prisão A prisão provisória ou processual compreende
processual, se não vejamos: as seguintes espécies:
A 1ª. formalidade está descrita no caput de art. 1. Prisão em Flagrante – Arts. 301 a 310, CPP;
283: necessidade de ordem escrita para as prisões 2. Prisão preventiva – Arts. 311 a 316, CPP;
que não seja a em flagrante.
3. Prisão temporária – Lei 7.960/89;
A 2ª. é que a prisão pode ser efetuada em
qualquer dia e hora, respeitadas as restrições relativas 4. Prisão decorrente de pronúncia – Art. 413, §
a inviolabilidade de domicílio (CF, art. 5º, XI). 2º, CPP- É a prisão decorrente de uma
sentença de pronúncia, tem o objetivo de
Há que se observa que, ser for no período da submeter o acusado ao julgamento pelo júri
noite, só será possível o ingresso no domicilio alheiro se popular nos crimes dolosos contra a vida
o proprietário autorizar, ou em caso de flagrante delito (homicídio, por exemplo).
ou desastre, ou para prestar socorro.
Art. 413. O juiz, fundamentadamente,
pronunciará o acusado, se convencido da
SEPARAÇÃO DOS PRESOS PROVISÓRIOS materialidade do fato e da existência de indícios
suficientes de autoria ou de participação. (Redação
Antes, a lei mencionava que os presos dada pela Lei nº 11.689, de 2008)
provisórios ―sempre que possível‖ deveriam ficar
§ 2o Se o crime for afiançável, o juiz arbitrará o
separados dos presos condenados com trânsito em valor da fiança para a concessão ou manutenção
julgado. Doravante a lei é taxativa impondo que os da liberdade provisória. (Incluído pela Lei nº
presos provisórios deverão ficar separados dos presos 11.689, de 2008)
condenados com trânsito em julgado. 5. Prisão decorrente de sentença condenatória
Art. 300 (CPP). As pessoas presas provisoriamente recorrível – (Art. 387, parágrafo único)- É
ficarão separadas das que já estiverem definitivamente uma espécie de prisão processual, decretada
condenadas, nos termos da lei de execução pela autoridade judiciária, na sentença que
penal. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).
condena o acusado, ao término da instrução
criminal, desde que se façam presentes os
requisitos ensejadores da prisão preventiva.
DIREITO PROCESSUAL PENAL 93
Art. 387. Parágrafo único. O juiz decidirá, o) Pilotos de aeronaves mercantes
fundamentadamente, sobre a manutenção ou, se nacionais (Lei n. 3.988, de 24 de novembro
for o caso, imposição de prisão preventiva ou de de 1.961);
outra medida cautelar, sem prejuízo do
conhecimento da apelação que vier a ser p) Professores de primeiro e segundo graus
interposta. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (Lei n. 7.172, de 14 de dezembro de 1.983);
q) Diplomados por faculdades superiores do
Brasil;
3) Prisão especial
r) Cidadãos inscritos no "Livro do Mérito",
A prisão especial é concedida às pessoas que, desde que a inscrição não esteja cancelada
pela relevância do cargo, função, emprego ou atividade (Decreto-Lei n. 1.706, de 27.10.39);
desempenhada na sociedade nacional, regional ou
s) Cidadãos que já tiverem exercido
local, ou pelo grau de instrução, estão sujeitas à prisão
efetivamente a função de jurado do
cautelar, decorrente de infração penal. Abrange
Tribunal do Júri (art. 437, CPP); ou a de
autoridades civis e militares dos três poderes da
membro do Conselho Tutelar da Criança
República. Pode ser relacionada com a natureza do
e do Adolescente (art. 135, da Lei n. 8.069,
crime, a qualidade da pessoa e a fase do processo.
de 13 de julho de 1.990).
A Lei n.° 5.256/67, diante da realidade
t) vogais e suplentes, juízes e Ministros
nacional, determina que o juiz, considerando a
classistas da Justiça do Trabalho (art. 665,
gravidade das circunstâncias do crime, ouvido o
da CLT);
representante do Ministério Público, autorize a prisão
u) funcionário da administração da justiça
domiciliar do réu ou indiciado (acusado), nas localidades
criminal (arts. 84, § 2.°, e 106, § 3.º, da Lei
em que não houver estabelecimento prisional adequado
ao recolhimento dos beneficiários da prisão especial. de Execução Penal - Lei nº 7.210, de 11 de
julho de 1984);
O benefício penal visa oferecer um tratamento
v) comerciantes, sendo a aplicação facultada
mais humano ao indiciado ou réu que, pelas "qualidades
morais e sociais", merecem melhor tratamento e, ao juiz criminal.
Art. 295 (CPP). Serão recolhidos a quartéis ou
também, pelas consequências graves e irreparáveis que
a prisão especial, à disposição da autoridade
a convivência desordenada com presos perigosos, competente, quando sujeitos a prisão antes de
poderia lhes causar. condenação definitiva:
São beneficiados com a prisão em quartéis ou I - os ministros de Estado;
especial, relacionados, principalmente, no art. 295 do II - os governadores ou interventores de
Código de Processo Penal (CPP), as seguintes Estados ou Territórios, o prefeito do Distrito
pessoas: Federal, seus respectivos secretários, os prefeitos
municipais, os vereadores e os chefes de Polícia;
a) Ministros de Estado e do Tribunal de (Redação dada pela Lei nº 3.181, de 11.6.1957)
Contas da União; III - os membros do Parlamento Nacional, do
b) Senadores, Deputados Federais, Conselho de Economia Nacional e das
Estaduais, Territoriais e Distritais; Assembléias Legislativas dos Estados;
c) Governadores ou Interventores dos IV - os cidadãos inscritos no "Livro de Mérito";
Estados, dos Territórios, do Distrito V – os oficiais das Forças Armadas e os
militares dos Estados, do Distrito Federal e dos
Federal e seus respectivos Secretários;
Territórios; (Redação dada pela Lei nº 10.258, de
d) Prefeito Municipal e Vereadores (Lei n. 11.7.2001)
3.181, de 11.06.57); VI - os magistrados;
e) Magistrados(1) e juízes de paz (arts. 33, VII - os diplomados por qualquer das
III, e 112, §° 2.º, respectivamente, da Lei faculdades superiores da República;
Complementar nº 35, de 14 de março de VIII - os ministros de confissão religiosa;
IX - os ministros do Tribunal de Contas;
1979);
X - os cidadãos que já tiverem exercido
f) Advogados e Procuradores (art. 89, V, da efetivamente a função de jurado, salvo quando
Lei n. 4.215, de 27 de abril de 1963, excluídos da lista por motivo de incapacidade para
substituído pelo art. 6.º, V, da Lei n. 8.906, o exercício daquela função;
de 05 de julho de 1.995), Defensores XI - os delegados de polícia e os guardas-civis
Públicos (art. 44, III, da Lei Complementar dos Estados e Territórios, ativos e inativos.
nº 80, de 12 de janeiro de 1994), e (Redação dada pela Lei nº 5.126, de 20.9.1966)
membros do Ministério Público(2) (art.
18, II, "e", da Lei Complementar n. 75,de 20 4) Prisão para averiguação
de maio de 1993; e art. 40, V, da Lei nº Privação momentânea da liberdade fora das
8.625, de 12 de fevereiro de 1993); hipóteses de flagrante e sem ordem escrita do juiz
g) Dirigentes e empregados, eleitos, dos competente, com a finalidade de investigação.
sindicatos (Lei n. 2.860, de 31 de agosto É inconstitucional e configura crime de abuso
de 1.966); de autoridade (Lei n. 4.898/65, art. 3º, a e i).
h) Delegados de Polícia e policiais civis ;
i) Líderes religiosos;
5) Prisão civil
j) Jornalistas profissionais (art. 66, da Lei n.
5.250, de fevereiro de 1967), em qualquer A prisão civil por dívida, que não tem natureza
caso; criminal e nem administrativa, somente pode ser
k) Oficiais das Forças Armadas, da Polícia decretada em razão do inadimplemento voluntário e
Militar e do Corpo de Bombeiro; inescusável de pensão alimentícia, consoante se extrai
l) Oficiais da Marinha Mercante (Lei n. 799, do julgamento dos Res 349.703 e 466.343, pelo
de 01.09.49, e Lei n. 5.606/70); Plenário daquela Corte. Ver, ainda, mais recentemente:
94 DIREITO PROCESSUAL PENAL
STF – HC 92.817, Rel. Min. Ricardo Lewandowski,
Primeira Turma, Dje 12.02.2009. Também: HC 96.772- SUJEITOS DO FLAGRANTE
8/ SP, Rel. Min. Celso de Mello, 2ª. Turma, unânime,
Sujeito ativo
DE, 21.08.2009.
Qualquer um do povo poderá e as autoridades
Vedada, portanto, a prisão civil do depositário
policiais deverão prender quem que seja encontrado em
infiel, por força da adesão nacional a tratados
flagrante delito, conforme explicita o art. 301 do CPP.
internacionais que não a autorizam.
Sendo assim, a prisão em flagrante realizada
“Não haverá prisão civil por dívida, salvo a do
por particular, se denomina facultativa e quando levada
responsável pelo inadimplemento voluntário e
a cabo pela Autoridade Policial, tem caráter obrigatório.
inescusável de obrigação alimentícia e a do
depositário infiel”. (CF, ART. 5º, LXVII.)
Sujeito passivo
Súmula 419 do STJ: “Descabe a prisão civil
do depositário infiel” A regra é que pode recair sobre qualquer
pessoa. Em contrapartida, os ocupantes de certos
Súmula Vinculante n. 25 do STF: “É ilícita a
cargos gozam de prerrogativa funcional, ficando imunes
prisão civil do depositário infiel, qualquer que
à prisão processual (art. 301 CPP, parte final).
seja a modalidade do depósito”.

CONCEITO DE FLAGRANTE
6) Prisão administrativa
O flagrante é a situação, prevista na lei, de
Não há mais, por revogação, a previsão de
imediatidade em relação à prática da infração penal
prisão de natureza administrativa, como havia na
(crime ou contravenção) que autoriza a prisão,
anterior redação do art. 319, do CPP. A Lei 12.403/11,
independentemente de determinação judicial.
corretamente, aboliu semelhante despautério.
O ideal é que ela tivesse se referido de modo
expresso à prisão cautelar para fins de extradição. Não ESPÉCIES DE FLAGRANTE
o fez, porém. 1. Flagrante obrigatório ou compulsório X Flagrante
Por isso, somente será possível a aludida facultativo
modalidade de prisão quando as circunstâncias do Será compulsória a prisão em flagrante
crime e dos fatos se enquadrem nas hipóteses do art. quando resultar da obrigação imposta à autoridade
312 e art. 313, ambos do CPP, embora, nos processos policial e seus agentes sempre que encontrarem-se
de extradição não se encontrem os riscos para a diante das situações de flagrância, e facultativo quando
instrução ou investigação ali previstos. A prisão seria, ocorrer a opção do cidadão comum em efetuar a prisão,
então, para garantir a aplicação da lei (não a lei penal, ou não, de acordo com as circunstâncias de cada caso.
que não seria a nossa!).
2. Flagrante próprio (perfeito ou real – art. 302, I e II)
PRISÃO EM FLAGRANTE São as duas primeiras hipóteses do art. 302 do
CPP (o agente está cometendo a infração penal ou
CONCEITO
acaba de cometê-la). O agente é surpreendido no
É uma prisão que consiste na restrição da exato momento da ação delituosa ou após o
liberdade de alguém, independente de ordem judicial, cometimento, mas ainda se encontra no local onde se
possuindo natureza cautelar, desde que esse alguém deu a ação criminosa, sem intervalo de tempo.
esteja cometendo ou tenha acabado de cometer uma
infração penal ou esteja em situação semelhante
prevista nos incisos III e IV, do Art. 302, do CPP. É uma 3. Flagrante Impróprio (ou quase-flagante, irreal ou
forma de autodefesa da sociedade. imperfeito- art. 302, III)
Trata-se de uma prisão provisória. Havendo evasão, o agente é perseguido, logo
após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer
pessoa, em situação que faça presumir ser autor da
NATUREZA JURÍDICA infração. É necessário que a perseguição se inicie
 Prisão cautelar de natureza processual: a imediatamente após o fato e que seja contínua até a
prisão em flagrante é providência nitidamente efetivação da prisão.
cautelar e como toda medida cautelar se sujeita  A lei não fixa nenhum prazo limite para a
aos seus dois pressupostos: o fumus boni juris duração da perseguição, mas há exigência de que esta
e periculum in mora. não sofra interrupção. Entretanto, as buscas aleatórias
 Ato de natureza administrativa: se for não caracterizam estado de flagrância.
particular, ainda assim continua sendo um ato
administrativo, e o cidadão estará exercendo 4. Flagrante Presumido (ficto ou assimilado – Art.
um direito público subjetivo de natureza 302, IV)
política. O agente é encontrado logo depois do fato,
Embora a prisão em flagrante se efetive pelo com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam
juiz, esse ato não deixa de ser administrativo, pois o presumir ser ele o autor da infração. Se distingue da
magistrado estaria, então, exercendo uma função hipótese em que o agente acaba de cometer a infração,
administrativa e não jurisdicional. Entretanto, depois de porque não existe, no caso, a imediatidade visual da
efetivada a prisão e lavrado o auto de prisão em infração penal, mas da descoberta de materiais
flagrante, ela pode converter-se e se convolar numa supostamente utilizados no evento delituoso.
verdadeira medida cautelar, analisando então seus
pressupostos aqui já mencionados.
DIREITO PROCESSUAL PENAL 95
5. Flagrante Preparado X Flagrante Esperado entende que é possível quando evidenciada a intenção
Tem-se impossível o crime, mesmo que o meio do agente em burlar a aplicação da lei penal.
empregado e o objeto sejam idôneos, se não há
qualquer possibilidade de sua consumação em face das FLAGRANTE NOS CRIMES PERMANENTES,
providências adotadas previamente pela polícia ou até CONTINUADOS, HABITUAIS, NAS
por terceiro, que induzem o agente ao cometimento da CONTRAVENÇÕES PENAIS E NOS CRIMES DE
ação delituosa. Não haverá flagrante, porque não há AÇÃO PENAL PRIVADA
crime, já que impossível a consumação.
Crime permanente: Nas infrações permanentes,
JURISPRUDÊNCIA: Súmula 145 do STF: entende-se o agente em flagrante delito enquanto não
"Não há crime quando a preparação do cessar a permanência (art. 303, CPP). Como a
flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação nesse tipo de delito se prolonga no tempo,
consumação". o agente encontra-se sempre em estado de flagrância,
podendo a prisão ocorrer a qualquer momento enquanto
Se há intervenção policial ou de terceiro apenas
perdurar a conduta típica. Ex: cárcere privado, redução
aguardando o exato momento da ocorrência do delito,
a condição análoga de escravo, ter em depósito drogas.
sendo perfeitamente possível que este venha a se
No crime permanente cabe o flagrante em qualquer
consumar, ocorre o flagrante esperado, de modo que a
tempo, enquanto não cessada a permanência, art. 303
interrupção da atividade criminosa é válida, e válido o
do CPP.
flagrante.
Continuidade delitiva: um benefício para agente
JURISPRUDÊNCIA: que pratica uma série de crimes da mesma espécie,
Se o agente policial induz ou instiga o acusado a modo e lugar. Ex: estuprador em série, ladrão de carros.
fornecer-lhe a droga que no momento não a possuía, Na continuidade delitiva cabe o flagrante em cada crime
porém saindo do local e retornando minutos depois com isoladamente.
certa quantidade de entorpecente pedido pelo policial Crime habitual: crime plurissubsistente, precisa
que, no ato da entrega lhe dá voz de prisão, cumpre de vários atos. Ex: curandeirismo. No crime habitual
reconhecer a ocorrência de flagrante preparado(RT prevalece na doutrina o descabimento do flagrante
707/29) porque, por se tratar de crime plurissubsistente que
Não há flagrante preparado quando a ação exige a reiteração de atos para a sua configuração, um
policial aguarda o momento da prática delituosa, só deles isoladamente representa fato atípico.
valendo-se de investigação anterior, para efetivar a Contravenções penais: só se admite o flagrante
prisão, sem utilização de agente provocador (RSTJ, quando o autor do fato não assume o compromisso de
10/389). comparecimento ao Juizado Especial Criminal (JECrim).
Flagrante em crimes de Ação Penal Privada -
6. Flagrante prorrogado, retardado, adiado ou É possível o flagrante, desde que haja requerimento do
diferido ofendido no prazo da entrega da nota de culpa, sob
É possível ao agente público, segundo a Lei do pena de não se lavrar o auto, liberando-se o agente.
Crime Organizado, prorrogar o flagrante, que ―consiste
em retardar a interdição policial do que se supõe ação PROCEDIMENTOS DA AUTORIDADE POLICIAL
praticada por organizações criminosas ou a ela Além das situações de flagrância que são o
vinculada, desde que mantida sob observação e seu requisito substancial, o flagrante tem requisitos
acompanhamento para que a medida legal se concretize formais, sob pena de invalidade.
no momento mais eficaz do ponto de vista da formação
Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem:
de provas e fornecimento de informações‖ (Lei nº
9.034/95, art. 2º, II). I - está cometendo a infração penal;
II - acaba de cometê-la;
Também na Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas)
como medida de maior eficiência da atuação policial, é III - é perseguido, logo após, pela autoridade,
pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação
possível o flagrante prorrogado em qualquer fase da
que faça presumir ser autor da infração;
persecução criminal, mediante autorização judicial,
IV - é encontrado, logo depois, com
ouvido o Ministério Público.
instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam
presumir ser ele autor da infração.
7. Forjado, fabricado, maquinado ou urgido
Ocorre quando alguém cria provas de um crime ETAPAS DA PRISÃO EM FLAGRANTE
inexistente, tentando incriminar a vítima. Sempre que o Estado toma conhecimento
(notitia criminis) de uma infração é dever deste
SITUAÇÕES QUE IMPEDEM A LAVRATURA DO APF averiguar e apurar os fatos. No caso de prisão em
>Art. 69, parágrafo único da Lei 9.099/95: nas flagrante, estando presentes os pressupostos legais, a
infrações de menor potencial ofensivo, lavra-se termo autoridade policial está obrigada à lavratura do
circunstanciado. competente auto de prisão em flagrante.
>Art. 301 da Lei 9.503/97: motorista que presta a) Apresentado o preso à autoridade
pronto e imediato socorro para a vítima. competente, que é a autoridade policial do local da
prisão, o condutor (a pessoa que trouxe o preso até a
> Art. 48, § 3º, ―in fine‖ da Lei 11. 343/06: usuário autoridade policial, podendo ser agente público ou o
de drogas – termo circunstanciado. particular) será ouvido e colhida, desde logo, sua
>Apresentação Espontânea – prevalece na assinatura no auto, e lhe será entregue cópia do termo e
doutrina que impede a lavratura do Auto de Prisão em recibo de entrega do preso.
Flagrante, mas não impede a prisão preventiva. Nucci
96 DIREITO PROCESSUAL PENAL
b) Em seguida, a autoridade procederá à oitiva fielmente, os requisitos formais para a
das testemunhas que acompanharam (no mínimo lavratura do auto, que está substituindo o
duas), podendo o próprio condutor ser testemunha. A mandado de prisão expedido pelo Juiz.
testemunha lançará sua assinatura logo em seguida ao Assim, a ordem de inquirição deve ser
seu depoimento, em termo próprio, devendo ser liberada exatamente exposta no art. 304 do CPP: o
imediatamente. condutor em primeiro lugar; as testemunhas,
 Na falta de testemunhas presenciais da em seguida, e, por último, o indiciado. A
infração, deverão assinar o termo com o condutor, pelo inversão dessa ordem deve acarretar o
menos duas pessoas que tenham presenciado a relaxamento da prisão, apurando-se a
17
apresentação (testemunhas de apresentação, responsabilidade da autoridade (pg. 598).
instrumentais ou indiretas). Com o objetivo de efetivar o controle jurisdicional
da prisão em flagrante, é necessário que em até 24
c) Passo seguinte, proceder-se-á ao (vinte e quatro) horas da sua realização, os autos sejam
interrogatório do acusado sobre a imputação que lhe
encaminhados ao juiz competente para a sua avaliação,
é feita, devendo ser alertado do direito constitucional de para que possa, depois de analisá-lo, relaxá-la, caso a
permanecer calado. Após a oitiva, deverá ser colhida considere ilegal; a converta em preventiva, desde que
sua assinatura, lavrando, a autoridade, afinal, o AUTO todos os pressupostos estejam presentes; ou, conceder
DE PRISÃO EM FLAGRANTE. a liberdade provisória com ou sem fiança.
d) Em até 24 horas após a realização da
prisão, será encaminhado ao juiz competente o auto
de prisão em flagrante e, caso o autuado não informe o EXCEÇÕES À REALIZAÇÃO DA PRISÃO EM
nome de seu advogado, cópia integral para a FLAGRANTE
DEFENSORIA PÚBLICA. Existem algumas exceções constitucionais ou
e) No mesmo prazo de 24 horas, será legais à realização da prisão em flagrante, pois há
entregue ao preso, mediante recibo, a NOTA DE pessoas que, em razão do cargo ou da função exercida,
CULPA, assinada pela autoridade, com o motivo da não podem ser presas dessa forma ou somente dentro
prisão, o nome do condutor e o das testemunhas. A de limitadas opções.
finalidade da nota de culpa é que o preso fique ciente É o que ocorre nos seguintes casos:
dos motivos de sua prisão, bem como a identidade de a) diplomatas, que não são submetidos à prisão
quem o prendeu, fornecendo-lhe breve relatório do fato em flagrante, por força de convenção
criminoso de que é acusado. internacional, assegurando-lhes imunidade;
ATENÇÃO: b) parlamentares federais e estaduais, que
A falta de entrega da nota de culpa provoca o somente podem ser detidos em flagrante de
relaxamento da prisão. crime inafiançável e, ainda assim, devem,
logo após a lavratura do auto, ser
f) Por fim, a autoridade policial deverá observar imediatamente encaminhados à sua
se é caso em que o agente se livra solto respectiva Casa Legislativa;
independentemente de fiança, hipótese em que o
acusado deverá ser colocado imediatamente em c) magistrados e membros do Ministério
liberdade após a lavratura do auto de prisão em Público, que somente podem ser presos em
flagrante. flagrante de crime inafiançável sendo que,
após a lavratura do auto, devem ser
apresentados, respectivamente, ao
FORMALIDADES PARA A LAVRATURA DO AUTO Presidente do Tribunal ou ao Procurador
DE PRISÃO EM FLAGRANTE Geral de Justiça ou da República, conforme o
O art. 304 traz as assertivas que, depois de caso;
apresentado o preso à autoridade competente, será d) Presidente da República, cumprindo-se o
ouvido o condutor e as testemunhas que o estabelecido no art. 86, § 3º, da Constituição
acompanharem, será pega a sua assinatura e lhe será Federal: "enquanto não sobrevier sentença
entregue a cópia do termo e recibo de entrega do preso. condenatória, nas infrações comuns, o
O texto se utiliza da palavra testemunha no plural, Presidente da República não estará sujeito a
dando a impressão que seria necessária mais de uma, prisão";
mas, nada impede que uma pessoa prenda em flagrante STF entendeu que governador do estado não goza da
algum infrator que invada sua casa e ao conduzi-lo para mesma garantia, todavia o STJ tem decisões reconhecendo a
as autoridades competentes poderá também ser garantia por simetria de cargos.
considerado uma testemunha necessitando apenas de e) advogados, se o crime for cometido no
mais uma. desempenho de suas atividades profissionais
Quanto ao interrogatório, o indiciado não é (art. 7º, § 3º da Lei 8.906/94);
obrigado a realizá-lo, uma vez que a Constituição f) menores de 18 anos de idade - art. 228 da CF
Federal de 1988 assegura expressamente no rol das e art. 27 do CP. Porque não cometem
garantias do art. 5º, mais precisamente em seu inciso qualquer crime, cometem ato infracional.
LXIII, a direito inquestionável de permanecer calado.
OBS.:
Como preleciona GUILHERME DE SOUZA
Doente mental pode ser preso em flagrante – no
NUCCI, decorrer do processo, auferida a doença mental, terá medida
Registre-se ser a prisão em flagrante uma de segurança.
exceção à regra da necessidade de
existência de ordem escrita e fundamentada
de autoridade judiciária para a detenção de
alguém. Por isso, é preciso respeitar, 17
Manual de Processo Penal e Execução Penal, 5ª ed.RT/SP.
DIREITO PROCESSUAL PENAL 97
DECISÕES A SEREM TOMAS PELO JUIZ AO c) quando do fato atípico;
RECEBER O AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE d) quando os prazos não forem respeitados ou
Conforme art. 310, com redação da Lei 12.403, quando houver excesso no prazo da prisão.
quando o Juiz receber o auto de prisão em flagrante É necessário que se observem estes requisitos
deverá, fundamentadamente tomar uma das seguintes para que a prisão não seja relaxada.
decisões:
Uma vez relaxada a prisão, a consequência
a) relaxar a prisão ilegal; imediata será a soltura do preso, sem a imposição a ele
b) converter a prisão em flagrante em prisão de quaisquer restrições de direitos, uma vez que não se
preventiva, quando presentes os requisitos cuida de concessão de liberdade provisória, mas de
dessa modalidade de prisão ou quando forem anulação de ato praticado com violação à lei. A
inadequadas ou insuficientes as medidas liberdade deverá ser plenamente restituída, tal como
cautelares diversas da prisão; ocorre na revogação da preventiva, por ausência dos
c) conceder a liberdade provisória, com ou sem motivos que justificaram a sua decretação.
fiança, podendo impor ou não uma das
medidas cautelares abaixo analisadas. CONCESSÃO DA LIBERDADE PROVISÓRIA
Parágrafo único do referido artigo dispõe ainda A liberdade provisória, agora, passou a
que, “Se o juiz verificar, pelo auto de prisão em significar apenas a diversidade de modalidades de
flagrante, que o agente praticou o fato nas condições restituição da liberdade, após a prisão em flagrante. O
constantes dos incisos I a III do caput do art. 23 do art. 321, CPP (ausentes os requisitos que autorizam a
Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - prisão preventiva, o juiz deverá conceder liberdade
Código Penal, poderá, fundamentadamente, conceder provisória, impondo, se for o caso, as medidas
ao acusado liberdade provisória, mediante termo de cautelares previstas no art. 319) deve ser entendido
comparecimento a todos os atos processuais, sob pena nesse sentido (de restituição da liberdade do
de revogação.“ aprisionado) e não como fundamento para a decretação
A regra de concessão da liberdade, quando for o de medidas cautelares sem anterior prisão em flagrante.
caso da presença de uma excludente de ilicitude A base legal para estas últimas providências reside no
(estado de necessidade, legítima defesa, estrito art. 282, § 2º, CPP.
cumprimento do dever legal e exercício regular do SÚMULA Nº 697 – STF:
direito) permanece.
Liberdade Provisória nos Crimes Hediondos -
Relaxamento da Prisão por Excesso de Prazo
APRESENTAÇÃO ESPONTÂNEA A proibição de liberdade provisória nos processos
A Lei 12.403/11 suprimiu os arts. 317 e 318 do por crimes hediondos não veda o relaxamento da prisão
CPP. Contudo, o regramento legal da apresentação processual por excesso de prazo.
espontânea do acusado segue vivo e ativo com base
em sua natureza enraizada na lógica.
DISPOSITIVOS DO CÓDIGO PENAL:
Cumpre obervar que a Lei 12.403/2011 mudou o
o
seu foco do Capítulo IV, que antes tratava ―Da Art. 8 Havendo prisão em flagrante, será
Apresentação Espontânea do Acusado‖ e passa a tratar observado o disposto no Capítulo II do Título IX deste
―Da Prisão Domiciliar‖. Livro.
Poderá o agente ficar em prisão domiciliar (na ...
sua própria residência) quando: Art. 26. A ação penal, nas contravenções, será
- for maior de 80 (oitenta) anos; iniciada com o auto de prisão em flagrante ou por meio
- extremamente debilitado por motivo de doença de portaria expedida pela autoridade judiciária ou
grave policial.
- quando imprescindível aos cuidados especiais
de pessoa menor de 6 (seis) anos de idade DISPOSITIVOS DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL:
ou com deficiência TÍTULO IX
-ou ainda quando gestante a partir do 7 (sétimo) DA PRISÃO, DAS MEDIDAS CAUTELARES E DA
mês de gravidez ou sendo esta de alto risco LIBERDADE PROVISÓRIA
Para a substituição da prisão preventiva por (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
prisão domiciliar o juiz deverá ter prova idônea da Art. 282. As medidas cautelares previstas neste
ocorrência de um dos casos retro expostos Título deverão ser aplicadas observando-se a: (Redação
dada pela Lei 12.403/2011)
RELAXAMENTO DO FLAGRANTE I - necessidade para aplicação da lei penal, para a
A prisão em flagrante é imediatamente relaxada investigação ou a instrução criminal e, nos casos
pela autoridade judiciária quando se constata sua expressamente previstos, para evitar a prática de
ilegalidade, nos termos do Art. 5º, LXV da CF/88. infrações penais; (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
As hipóteses são as seguintes: II - adequação da medida à gravidade do crime,
a) na falta de formalidade essencial na lavratura circunstâncias do fato e condições pessoais do indiciado
do auto. Ex.: falta de entrega da nota de ou acusado. (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
culpa; § 1o As medidas cautelares poderão ser aplicadas
b) quando não estiverem presentes os requisitos isolada ou cumulativamente. (Redação dada pela Lei
da prisão em flagrante presentes no Art. 302 12.403/2011)
do CPP;
98 DIREITO PROCESSUAL PENAL
§ 2o As medidas cautelares serão decretadas pelo Art. 287. Se a infração for inafiançável, a falta de
juiz, de ofício ou a requerimento das partes ou, quando exibição do mandado não obstará à prisão, e o preso,
no curso da investigação criminal, por representação da em tal caso, será imediatamente apresentado ao juiz
autoridade policial ou mediante requerimento do que tiver expedido o mandado.
Ministério Público. (Redação dada pela Lei 12.403/2011) Art. 288. Ninguém será recolhido à prisão, sem
§ 3o Ressalvados os casos de urgência ou de que seja exibido o mandado ao respectivo diretor ou
perigo de ineficácia da medida, o juiz, ao receber o carcereiro, a quem será entregue cópia assinada pelo
pedido de medida cautelar, determinará a intimação da executor ou apresentada a guia expedida pela
parte contrária, acompanhada de cópia do requerimento autoridade competente, devendo ser passado recibo da
e das peças necessárias, permanecendo os autos em entrega do preso, com declaração de dia e hora.
juízo. (Redação dada pela Lei 12.403/2011) Parágrafo único. O recibo poderá ser passado no
§ 4o No caso de descumprimento de qualquer das próprio exemplar do mandado, se este for o documento
obrigações impostas, o juiz, de ofício ou mediante exibido.
requerimento do Ministério Público, de seu assistente ou Art. 289. Quando o acusado estiver no território
do querelante, poderá substituir a medida, impor outra nacional, fora da jurisdição do juiz processante, será
em cumulação, ou, em último caso, decretar a prisão deprecada a sua prisão, devendo constar da precatória
preventiva (art. 312, parágrafo único). (Redação dada o inteiro teor do mandado. (Redação dada pela Lei
pela Lei 12.403/2011) 12.403/2011
§ 5o O juiz poderá revogar a medida cautelar ou § 1o Havendo urgência, o juiz poderá requisitar
substituí-la quando verificar a falta de motivo para que a prisão por qualquer meio de comunicação, do qual
subsista, bem como voltar a decretá-la, se sobrevierem deverá constar o motivo da prisão, bem como o valor da
razões que a justifiquem. (Redação dada pela Lei fiança se arbitrada. (Redação dada pela Lei
12.403/2011) 12.403/2011)
§ 6o A prisão preventiva será determinada quando § 2o A autoridade a quem se fizer a requisição
não for cabível a sua substituição por outra medida tomará as precauções necessárias para averiguar a
cautelar (art. 319). (Redação dada pela Lei autenticidade da comunicação. (Redação dada pela Lei
12.403/2011) 12.403/2011)
Art. 283. Ninguém poderá ser preso senão em § 3o O juiz processante deverá providenciar a
flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da remoção do preso no prazo máximo de 30 (trinta) dias,
autoridade judiciária competente, em decorrência de contados da efetivação da medida. (Redação dada pela
sentença condenatória transitada em julgado ou, no Lei 12.403/2011)
curso da investigação ou do processo, em virtude de
Art. 289-A. O juiz competente providenciará o
prisão temporária ou prisão preventiva. (Redação dada
imediato registro do mandado de prisão em banco de
pela Lei 12.403/2011)
dados mantido pelo Conselho Nacional de Justiça para
§ 1o As medidas cautelares previstas neste Título essa finalidade. (Acrescentado pela Lei 12.403/2011)
não se aplicam à infração a que não for isolada,
§ 1o Qualquer agente policial poderá efetuar a
cumulativa ou alternativamente cominada pena privativa
prisão determinada no mandado de prisão registrado no
de liberdade. (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
Conselho Nacional de Justiça, ainda que fora da
§ 2o A prisão poderá ser efetuada em qualquer competência territorial do juiz que o
dia e a qualquer hora, respeitadas as restrições relativas expediu. (Acrescentado pela Lei 12.403/2011)
à inviolabilidade do domicílio. (Redação dada pela Lei
§ 2o Qualquer agente policial poderá efetuar a
12.403/2011)
prisão decretada, ainda que sem registro no Conselho
Art. 284. Não será permitido o emprego de força, Nacional de Justiça, adotando as precauções
salvo a indispensável no caso de resistência ou de necessárias para averiguar a autenticidade do mandado
tentativa de fuga do preso. e comunicando ao juiz que a decretou, devendo este
Art. 285. A autoridade que ordenar a prisão fará providenciar, em seguida, o registro do mandado na
expedir o respectivo mandado. forma do caput deste artigo. (Acrescentado pela Lei
Parágrafo único. O mandado de prisão: 12.403/2011)
a) será lavrado pelo escrivão e assinado pela § 3o A prisão será imediatamente comunicada
autoridade; ao juiz do local de cumprimento da medida o qual
providenciará a certidão extraída do registro do
b) designará a pessoa, que tiver de ser presa, por
Conselho Nacional de Justiça e informará ao juízo que a
seu nome, alcunha ou sinais característicos;
decretou. (Acrescentado pela Lei 12.403/2011)
c) mencionará a infração penal que motivar a
§ 4o O preso será informado de seus direitos,
prisão;
nos termos do inciso LXIII do art. 5o da Constituição
d) declarará o valor da fiança arbitrada, quando Federal e, caso o autuado não informe o nome de seu
afiançável a infração; advogado, será comunicado à Defensoria
e) será dirigido a quem tiver qualidade para dar-lhe Pública. (Acrescentado pela Lei 12.403/2011)
execução. § 5o Havendo dúvidas das autoridades locais
Art. 286. O mandado será passado em duplicata, sobre a legitimidade da pessoa do executor ou sobre a
e o executor entregará ao preso, logo depois da prisão, identidade do preso, aplica-se o disposto no § 2o do art.
um dos exemplares com declaração do dia, hora e lugar 290 deste Código. (Acrescentado pela Lei 12.403/2011)
da diligência. Da entrega deverá o preso passar recibo § 6o O Conselho Nacional de Justiça
no outro exemplar; se recusar, não souber ou não puder regulamentará o registro do mandado de prisão a que
escrever, o fato será mencionado em declaração, se refere o caput deste artigo. (Acrescentado pela Lei
assinada por duas testemunhas. 12.403/2011)
DIREITO PROCESSUAL PENAL 99
Art. 290. Se o réu, sendo perseguido, passar ao VII - os diplomados por qualquer das faculdades
território de outro município ou comarca, o executor superiores da República;
poderá efetuar-lhe a prisão no lugar onde o alcançar, VIII - os ministros de confissão religiosa;
apresentando-o imediatamente à autoridade local, que,
IX - os ministros do Tribunal de Contas;
depois de lavrado, se for o caso, o auto de flagrante,
providenciará para a remoção do preso. X - os cidadãos que já tiverem exercido
o efetivamente a função de jurado, salvo quando
§ 1 - Entender-se-á que o executor vai em
excluídos da lista por motivo de incapacidade para o
perseguição do réu, quando:
exercício daquela função;
a) tendo-o avistado, for perseguindo-o sem
XI - os delegados de polícia e os guardas-civis dos
interrupção, embora depois o tenha perdido de vista;
Estados e Territórios, ativos e inativos. (Redação dada
b) sabendo, por indícios ou informações fidedignas, pela Lei nº 5.126, de 20.9.1966)
que o réu tenha passado, há pouco tempo, em tal ou o
§ 1 A prisão especial, prevista neste Código ou em
qual direção, pelo lugar em que o procure, for no seu
outras leis, consiste exclusivamente no recolhimento em
encalço.
o
local distinto da prisão comum. (Incluído pela Lei nº
§2 Quando as autoridades locais tiverem 10.258, de 11.7.2001)
fundadas razões para duvidar da legitimidade da pessoa o
§ 2 Não havendo estabelecimento específico para
do executor ou da legalidade do mandado que
o preso especial, este será recolhido em cela distinta do
apresentar, poderão pôr em custódia o réu, até que
mesmo estabelecimento. (Incluído pela Lei nº 10.258,
fique esclarecida a dúvida.
de 11.7.2001)
Art. 291. A prisão em virtude de mandado o
§ 3 A cela especial poderá consistir em alojamento
entender-se-á feita desde que o executor, fazendo-se
coletivo, atendidos os requisitos de salubridade do
conhecer do réu, lhe apresente o mandado e o intime a
ambiente, pela concorrência dos fatores de aeração,
acompanhá-lo.
insolação e condicionamento térmico adequados à
Art. 292. Se houver, ainda que por parte de existência humana. (Incluído pela Lei nº 10.258, de
terceiros, resistência à prisão em flagrante ou à 11.7.2001)
determinada por autoridade competente, o executor e as o
§ 4 O preso especial não será transportado
pessoas que o auxiliarem poderão usar dos meios
juntamente com o preso comum. (Incluído pela Lei nº
necessários para defender-se ou para vencer a
10.258, de 11.7.2001)
resistência, do que tudo se lavrará auto subscrito o
também por duas testemunhas. § 5 Os demais direitos e deveres do preso
especial serão os mesmos do preso comum. (Incluído
Art. 293. Se o executor do mandado verificar, com
pela Lei nº 10.258, de 11.7.2001)
segurança, que o réu entrou ou se encontra em alguma
casa, o morador será intimado a entregá-lo, à vista da Art. 296. Os inferiores e praças de pré, onde for
ordem de prisão. Se não for obedecido imediatamente, possível, serão recolhidos à prisão, em
o executor convocará duas testemunhas e, sendo dia, estabelecimentos militares, de acordo com os
entrará à força na casa, arrombando as portas, se respectivos regulamentos.
preciso; sendo noite, o executor, depois da intimação ao Art. 297. Para o cumprimento de mandado
morador, se não for atendido, fará guardar todas as expedido pela autoridade judiciária, a autoridade policial
saídas, tornando a casa incomunicável, e, logo que poderá expedir tantos outros quantos necessários às
amanheça, arrombará as portas e efetuará a prisão. diligências, devendo neles ser fielmente reproduzido o
Parágrafo único. O morador que se recusar a teor do mandado original.
entregar o réu oculto em sua casa será levado à Art. 298. (Revogado pela Lei 12.403/2011)
presença da autoridade, para que se proceda contra ele Art. 299. A captura poderá ser requisitada, à
como for de direito. vista de mandado judicial, por qualquer meio de
Art. 294. No caso de prisão em flagrante, comunicação, tomadas pela autoridade, a quem se fizer
observar-se-á o disposto no artigo anterior, no que for a requisição, as precauções necessárias para averiguar
aplicável. a autenticidade desta. (Redação dada pela Lei
Art. 295. Serão recolhidos a quartéis ou a 12.403/2011)
prisão especial, à disposição da autoridade Art. 300. As pessoas presas provisoriamente
competente, quando sujeitos a prisão antes de ficarão separadas das que já estiverem definitivamente
condenação definitiva: condenadas, nos termos da lei de execução penal.
I - os ministros de Estado; Parágrafo único. O militar preso em flagrante
II - os governadores ou interventores de Estados delito, após a lavratura dos procedimentos legais, será
ou Territórios, o prefeito do Distrito Federal, seus recolhido a quartel da instituição a que pertencer, onde
respectivos secretários, os prefeitos municipais, os ficará preso à disposição das autoridades competentes.
vereadores e os chefes de Polícia; (Redação dada pela (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
Lei nº 3.181, de 11.6.1957) DA PRISÃO EM FLAGRANTE
III - os membros do Parlamento Nacional, do Art. 301. Qualquer do povo poderá e as
Conselho de Economia Nacional e das Assembléias autoridades policiais e seus agentes deverão prender
Legislativas dos Estados; quem quer que seja encontrado em flagrante delito.
IV - os cidadãos inscritos no "Livro de Mérito"; Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem:
V – os oficiais das Forças Armadas e os militares I - está cometendo a infração penal;
dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios; II - acaba de cometê-la;
(Redação dada pela Lei nº 10.258, de 11.7.2001) III - é perseguido, logo após, pela autoridade,
VI - os magistrados; pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que
faça presumir ser autor da infração;
100 DIREITO PROCESSUAL PENAL
IV - é encontrado, logo depois, com Art. 310. Ao receber o auto de prisão em
instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam flagrante, o juiz deverá fundamentadamente:
presumir ser ele autor da infração. I - relaxar a prisão ilegal; ou(Redação dada pela
Art. 303. Nas infrações permanentes, entende- Lei 12.403/2011)
se o agente em flagrante delito enquanto não cessar a II - converter a prisão em flagrante em
permanência. preventiva, quando presentes os requisitos constantes
Art. 304. Apresentado o preso à autoridade do art. 312 deste Código, e se revelarem inadequadas
competente, ouvirá esta o condutor e colherá, desde ou insuficientes as medidas cautelares diversas da
logo, sua assinatura, entregando a este cópia do termo prisão; ou (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
e recibo de entrega do preso. Em seguida, procederá à III - conceder liberdade provisória, com ou sem
oitiva das testemunhas que o acompanharem e ao fiança. (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
interrogatório do acusado sobre a imputação que lhe é
Parágrafo único. Se o juiz verificar, pelo auto de
feita, colhendo, após cada oitiva suas respectivas
prisão em flagrante, que o agente praticou o fato nas
assinaturas, lavrando, a autoridade, afinal, o auto.
condições constantes dos incisos I a III do caput do art.
(Redação dada pela Lei nº 11.113, de 2005)
o
23 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940
§ 1 Resultando das respostas fundada a - Código Penal, poderá, fundamentadamente, conceder
suspeita contra o conduzido, a autoridade mandará ao acusado liberdade provisória, mediante termo de
recolhê-lo à prisão, exceto no caso de livrar-se solto ou comparecimento a todos os atos processuais, sob pena
de prestar fiança, e prosseguirá nos atos do inquérito ou de revogação. (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
processo, se para isso for competente; se não o for,
enviará os autos à autoridade que o seja.
o
§ 2 A falta de testemunhas da infração não PRISÃO PREVENTIVA
impedirá o auto de prisão em flagrante; mas, nesse CONCEITO
caso, com o condutor, deverão assiná-lo pelo menos Trata-se de medida cautelar de privação de
duas pessoas que hajam testemunhado a apresentação liberdade adotada na persecução penal, em face da
do preso à autoridade. presença dos pressupostos legais e diante dos motivos
o
§ 3 Quando o acusado se recusar a assinar, autorizadores da medida, com o objetivo de impedir que
não souber ou não puder fazê-lo, o auto de prisão em eventuais condutas praticadas pelo alegado autor do
flagrante será assinado por duas testemunhas, que delito possam comprometer a efetividade do processo.
tenham ouvido sua leitura na presença deste. (Redação
DICAS DE CONCURSOS:
dada pela Lei nº 11.113, de 2005)
Diferem a prisão temporária e a prisão preventiva
Art. 305. Na falta ou no impedimento do
porque esta pode ser decretada em qualquer fase do
escrivão, qualquer pessoa designada pela autoridade
inquérito policial ou da instrução criminal, podendo ser
lavrará o auto, depois de prestado o compromisso legal.
decretada de oficio pelo juiz, enquanto a prisão
Art. 306. A prisão de qualquer pessoa e o local temporária somente tem cabimento antes da propositura
onde se encontre serão comunicados imediatamente ao da ação penal e não pode ser decretada de oficio pelo
juiz competente, ao Ministério Público e à família do juiz.( Analista Judiciário/Jud./ TJDFT/ CESPE/2008)
preso ou à pessoa por ele indicada. (Redação dada pela
Lei 12.403/2011)
§ 1o Em até 24 (vinte e quatro) horas após a CABIMENTO DA PRISÃO PREVENTIVA
realização da prisão, será encaminhado ao juiz O § 6º do art. 282, em sua atual redação, trata
competente o auto de prisão em flagrante e, caso o das hipóteses em que, à exceção da prisão em
autuado não informe o nome de seu advogado, cópia flagrante, é possível a decretação da prisão preventiva:
integral para a Defensoria Pública. (Redação dada pela pronúncia e demais casos consubstanciados em lei.
Lei 12.403/2011) Dispôs de forma louvável a legislação ao
§ 2o No mesmo prazo, será entregue ao preso, prever expressamente ser a prisão preventiva ultima
mediante recibo, a nota de culpa, assinada pela ratio no que se refere às prisões cautelares (§§ 4º e 6º
autoridade, com o motivo da prisão, o nome do condutor do art. 282 do CPP), forçando o juiz, no momento da
e os das testemunhas. (Redação dada pela Lei escolha, a fundamentar o motivo da opção por
12.403/2011) determinada medida cautelar ao invés de outra. Assim,
Art. 307. Quando o fato for praticado em a decretação da prisão preventiva, que antes já deveria
presença da autoridade, ou contra esta, no exercício de ser excepcional, passará a ser, em tese, ainda
suas funções, constarão do auto a narração deste fato, subsidiária, sendo apenas cabível quando não possível
a voz de prisão, as declarações que fizer o preso e os substituir a prisão por uma das medidas cautelares
depoimentos das testemunhas, sendo tudo assinado previstas no art. 319.
pela autoridade, pelo preso e pelas testemunhas e No sistema anterior à Lei 12.403/11, a prisão
remetido imediatamente ao juiz a quem couber tomar preventiva somente seria cabível nos casos
conhecimento do fato delituoso, se não o for a expressamente arrolados no art. 313, CPP, e desde que
autoridade que houver presidido o auto. presentes as circunstâncias de fato do art. 312, CPP. É
Art. 308. Não havendo autoridade no lugar em dizer: se o crime em apuração ou sob acusação não se
que se tiver efetuado a prisão, o preso será logo enquadrasse nas hipóteses do art. 313 não caberia a
apresentado à do lugar mais próximo. prisão, ainda que em risco a efetividade do processo.
Art. 309. Se o réu se livrar solto, deverá ser Agora, com a introdução de diversas medidas
posto em liberdade, depois de lavrado o auto de prisão cautelares alternativas ao cárcere, haverá nova
em flagrante. fundamentação e novas situações de cabimento da
prisão preventiva, independentemente das situações
arroladas no art. 313, CPP.
DIREITO PROCESSUAL PENAL 101
É que também será possível a decretação da penal, ou a requerimento do Ministério Público, do
preventiva, não só na presença das circunstâncias querelante ou do assistente, ou por representação da
fáticas do art. 312, CPP, mas sempre que for necessário autoridade policial.
para garantir a execução de outra medida cautelar, Com a nova lei, a prisão preventiva tanto poderá
diversa da prisão (art. 282, § 4º, CPP). ser decretada independentemente da anterior imposição
Assim, será admitida a decretação da prisão de alguma medida cautelar (art. 282, § 6º, art. 311, art.
preventiva: 312 e art. 313, CPP), quanto em substituição àquelas
I - nos crimes dolosos punidos com pena (cautelares) previamente impostas e eventualmente
privativa de liberdade máxima superior a 4 descumpridas (art. 282, § 4º, art. 312, parágrafo único,
(quatro) anos; CPP).
II - se tiver sido condenado por outro crime Poderá, do mesmo modo, ser decretada como
doloso, em sentença transitada em julgado, conversão da prisão em flagrante, quando presentes os
ressalvado o disposto no inciso I do caput do seus requisitos (art. 310, II, CPP), e forem insuficientes
art. 64 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de as demais cautelares.
dezembro de 1940 - Código Penal; Poderá, ainda, ser substituída por medida
III - se o crime envolver violência doméstica e cautelar menos gravosa, quando esta se revelar mais
familiar contra a mulher, criança, adequada e suficiente para a efetividade do processo
adolescente, idoso, enfermo ou pessoa (art. 282, § 5º, CPP).
com deficiência, para garantir a execução Quando decretada autonomamente, ou seja,
das medidas protetivas de urgência; como medida independente do flagrante, ou, ainda,
Por disposição do parágrafo único do art. 312, como conversão deste, a prisão preventiva submete-se
também será admitida a prisão preventiva quando às exigências do art. 312 e do art. 313, ambos do CPP;
houver dúvida sobre a identidade civil da pessoa ou quando, porém, for decretada subsidiariamente, isto é,
quando esta não fornecer elementos suficientes como substitutiva de outra cautelar descumprida, não se
para esclarecê-la. Porem, após a identificação, salvo exigirá a presença das situações do art. 313, CPP.
se outra hipótese recomendar a manutenção da medida, DICAS DE CONCURSOS:
o preso deve ser colocado em liberdade imediatamente. A prisão preventiva pode ser decretada em
DICAS DE CONCURSOS: qualquer fase da persecução penal. A apresentação
A simples alusão à gravidade abstrata do delito espontânea do acusado à autoridade policial não
ou referência a dispositivos legais não valida a ordem de impede a sua decretação, nos casos em que a lei a
prisão preventiva, porque o juízo de que determinada autoriza. (Manut.Armamento PM/DF/CESPE/2010)
pessoa encarna verdadeiro risco à coletividade só é de Não cabe prisão preventiva na hipótese de crime
ser feito com base no quadro fático da causa e, nele, culposo, de contravenção penal e no caso de o réu ter
fundamentado o respectivo decreto agido acobertado por causa de exclusão da ilicitude.
prisional.(Adv.DETRAN-ES/CESPE/2010) (Anal.Jud.TRE-MACESPE/2009)
A prisão preventiva é decretada para garantir a
CARACTERÍSTICAS DA PRISÃO PREVENTIVA ordem pública, a ordem econômica, por necessidade da
instrução criminal e para a segurança da aplicação da
A prisão preventiva passou a apresentar duas pena. (Proc.BACNE/CESPE/2009).
características bem definidas, a saber,
a) ela será autônoma, podendo ser decretada
independentemente de qualquer outra FUNDAMENTAÇÃO
providência cautelar anterior; e, A decisão que decretar, substituir ou denegar a
b) ela será subsidiária, a ser decretada em prisão preventiva será sempre motivada(art. 315),
razão do descumprimento de medida constituindo exigência formal de validade da decisão,
cautelar anteriormente imposta. devendo citar com precisão os motivos concretos de
convicção do magistrado, não sendo suficiente a
simples remissão genérica às hipóteses legais.
SITUAÇÕES EM QUE PODERÁ SER IMPOSTA A
PRISÃO PREVENTIVA JURISPRUDÊNCIA:
Há três situações claras em que poderá ser O despacho que decreta a prisão preventiva,
imposta a prisão preventiva: quando falho, não se considera sanado por
a) a qualquer momento da fase de fundamentação suplementar, depois de haver produzido
investigação ou do processo, de modo efeitos. (1) Com base nesse entendimento, a Turma
deferiu habeas corpus para conceder liberdade
autônomo e independente (art. 311, CPP);
provisória ao paciente, cuja situação fora agravada por
b) como conversão da prisão em flagrante, despacho de juiz convocado do TRF da 2ª Região. Na
quando insuficientes ou inadequadas outras espécie, o aludido magistrado, em igual medida, embora
medidas cautelares (art. 310, II, CPP); e tivesse reconhecido a fragilidade do decreto de prisão
c) em substituição à medida cautelar preventiva, determinara ao juízo de origem que
eventualmente descumprida (art. 282, §4º, motivasse adequadamente sua decisão. Considerou-se
CPP). que, no caso, o ato do juiz convocado configurara
reformatio in pejus, viabilizada com a impetração do writ
MOMENTO DA DECRETAÇÃO – ART. 312 naquela Corte, uma vez que o correto seria a concessão
da liminar. (2) Asseverou-se, também, que a
Em qualquer fase da investigação policial jurisprudência do STF orienta-se no sentido de que, se o
ou do processo penal, caberá a prisão preventiva paciente foge para não se sujeitar à prisão reputada
decretada pelo juiz, de ofício, se no curso da ação injusta, não há razão nem necessidade da prisão
102 DIREITO PROCESSUAL PENAL
cautelar para garantia da aplicação da lei penal. d) Garantia da ordem econômica: Hipótese
Precedentes citados: HC 44499/SP (DJU de 23.2.68); introduzida pela Lei Antitruste (Lei nº 8.884/94) consiste.
RHC 56900/RJ (DJU de 27.4.79); HC 91971/RJ (DJE Na verdade, trata-se de uma especificação da garantia
22.2.2008). (3) HC 93803/RJ, rel. Min. Eros Grau, da ordem pública.
10.6.2008". e) descumprimento das obrigações impostas
com as medidas cautelares.
DICA DE CONCURSO: Com a nova Lei 12.403/2011 , além dos
elementos já consagrados para fundamentar o decreto
Configura reformatio in pejus, que invalida a
de prisão preventiva (garantia da ordem pública,
ordem de prisão, a decisão de tribunal de justiça que, ao
conveniência da instrução processual e para assegurar
negar provimento à apelação da defesa, determina a
a aplicação da lei penal) foi acrescido mais um motivo
expedição de mandado de prisão contra recorrente que
para o decreto de prisão preventiva: quando for
adquiriu, na sentença condenatória, o direito de recorrer
violada uma das medidas cautelares impostas.
em liberdade até o trânsito em julgado da decisão.
(Anal.Jud.Exec.Mand.STF/CESPE/2008) ATENÇÃO:
Os motivos ou fundamentos da prisão
REQUISITOS PARA A DECRETAÇÃO DA PRISÃO preventiva são taxativos, não se permitindo a utilização
PREVENTIVA fora das hipóteses legais, sob pena de ensejar
concessão de habeas corpus, face à ilegalidade do
O Art. 312 do CPP exige três requisitos: decreto prisional.
1) Indícios suficientes de autoria
Já não será exigida a absoluta certeza da autoria
CONDIÇÕES DE ADMISSIBILIDADE - REQUISITOS
delitiva, entretanto, deverá estar presente uma
NORMATIVOS:
convicção razoável, em termos de probabilidade, de que
o acusado tenha sido o autor da infração ou de que Uma vez presentes os pressupostos e
tenha dela participado. fundamentos, nos termos do art. 312, será admitida a
decretação da prisão preventiva:
JURISPRUDÊNCIA:
a) nos crimes dolosos punidos com pena
'Não se pode exigir para a prisão preventiva a privativa de liberdade máxima superior a 4
mesma certeza que se exige para a condenação. O in (quatro) anos;
dubio pro reo vale ao ter o juiz que absolver ou
b) se tiver sido condenado por outro crime
condenar o réu. Não, porém ao decidir se decreta ou
doloso, em sentença transitada em julgado,
não a custódia provisória' (RT, 554/386)".
ressalvado o disposto no inciso I do caput do
o
art. 64 do Decreto-Lei n 2.848, de 7 de
2) Prova da existência (materialidade) do crime dezembro de 1940 - Código Penal;
Não bastam indícios, devendo ser conclusiva a c) se o crime envolver violência doméstica e
prova da materialidade da infração penal, representada, familiar contra a mulher, criança,
via de regra, em se tratando de infração que deixou adolescente, idoso, enfermo ou pessoa
vestígios, pela presença do exame de corpo de delito. com deficiência, para garantir a execução
das medidas protetivas de urgência.
3) Requisitos de necessidade (periculum in mora): ATENÇÃO!!
a) Garantia da ordem pública: Visa evitar que o Também será admitida a prisão preventiva
delinquente pratique novos crimes contra a vítima, seus quando houver dúvida sobre a identidade civil da
familiares ou testemunhas, representando ainda pessoa ou quando esta não fornecer elementos
proteção social contra réu perigoso que poderá voltar a suficientes para esclarecê-la, devendo o preso ser
delinquir, garantindo credibilidade à Justiça, em crimes colocado imediatamente em liberdade após a
que provoquem grande clamor público, diante do perigo identificação, salvo se outra hipótese recomendar a
social decorrente na demora do provimento definitivo. manutenção da medida.
JURISPRUDÊNCIA: A Lei nº 11.340/06, que cuida do sistema de
STJ: "... quando o crime praticado se reveste de proteção à mulher contra a Violência Doméstica e
grande crueldade e violência, causando indignação na Familiar, já havia incluído nova modalidade de
opinião pública, fica demonstrada a necessidade da autorização para a preventiva, quando o crime
cautela" (RT, 656/374). envolvesse violência doméstica e familiar contra a
mulher, nos termos da lei específica, para garantir a
b) Conveniência da instrução criminal: Quando execução das medidas protetivas de urgência (art. 42).
ressaltar a necessidade de assegurar a prova
A recente Lei 12.403/11 manteve a aludida
processual, de modo a impedir a ação do criminoso no
modalidade de prisão preventiva, ampliando-a para a
sentido de fazer desaparecer as provas do crime,
proteção da criança, o adolescente e do idoso, enfermo
apagar vestígios, subornar, aliciar testemunhas ou
ou pessoa com deficiência, de modo a garantir a
ameaçá-las, etc.
execução das medidas protetivas previstas em leis (art.
c) Segurança da aplicação da lei penal: A 313, III, CPP).
necessidade da prisão impõe-se como forma de impedir
o desaparecimento do autor da infração que pretenda se ATENÇÃO!!!
subtrair aos efeitos penais da eventual condenação, Nas modalidades de prisão preventiva, incisos
podendo tornar ineficaz a punição. II e III, do art. 313, e seu parágrafo único:
 Não pode ser decretada a preventiva para a) a preventiva somente será decretada se as
assegurar a execução da pena de multa. demais cautelares não se revelarem suficientes ou
adequadas;
DIREITO PROCESSUAL PENAL 103

b) somente será possível a preventiva para A nosso aviso, a nova contagem, no rito
crimes dolosos; ordinário, chegará aos 86 (oitenta e seis) dias, como
regra (e de 107 dias, na Justiça Federal), ressalvadas
c) não se exigirá a pena máxima superior a
circunstâncias específicas de cada caso concreto:
quatro anos, mas, sim, que se trate de pena privativa da
liberdade (ver art. 283, §1º, CPP). a) 10 (dez) dias, ou 15 (quinze) na Justiça
Federal, prorrogáveis, para a conclusão das
investigações;
PRISÃO PREVENTIVA EX OFFICIO b) 05 (cinco) dias para o oferecimento de
Nos termos do art. 311 do CPP, na fase de denúncia;
investigação, a prisão preventiva poderá ser requerida c) 10 (dez) dias para a resposta escrita (art.
pelo Ministério Público, pelo querelante (na ação 396, CPP);
privada) e pelo assistente, além da capacidade de
d) até 60 (sessenta) dias para a audiência de
representação da autoridade policial. Já na fase de
instrução (art. 400, CPP), a serem
processo, instaurada a ação penal, poderão fazê-lo as
acrescidos do prazo de vinte e quatro horas
partes, o assistente e o juiz, de ofício.
para a decisão de recebimento da peça
Uma observação já se impõe: a assistência da acusatória, e, eventualmente, do prazo de
acusação somente tem início no curso da ação penal, prisão temporária (Lei nº 7.690/89).
ou seja, na fase de processo (art. 268, CPP), daí porque
No processo do Tribunal do Júri, o prazo de
incorreto afirmar-se possível o requerimento do
conclusão do procedimento reservado à acusação e à
assistente para a decretação da preventiva na fase
instrução preliminar é de 90 (noventa) dias (art. 412,
preliminar, investigatória, tal como consta do disposto no
CPP), aos quais se somariam o prazo de prisão anterior
citado art. 311, CPP.
(preventiva e temporária, se houver) ao recebimento da
De tudo quanto se disse, chega-se a algumas denúncia ou queixa.
conclusões, a saber:
a) a prisão preventiva, na fase de investigação,
VEDAÇÃO LEGAL À PRISÃO PREVENTIVA
somente pode ser decretada a requerimento
dos responsáveis pela investigação e A prisão preventiva em nenhum caso será
legitimados à persecução em juízo; decretada se o juiz verificar pelas provas constantes
dos autos ter o agente praticado o fato nas condições
b) no curso da ação penal, será possível a
previstas nos incisos I, II e III do caput do art. 23 do
decretação ex officio da prisão preventiva, já
Código Penal, quais sejam:
que, uma vez em curso a atividade
jurisdicional, pode e deve o juiz velar pelo seu I - em estado de necessidade;
desenvolvimento regular e finalístico. II - em legítima defesa;
III - em estrito cumprimento de dever legal ou
PRAZO DA PRISÃO PREVENTIVA no exercício regular de direito.
O CPP não prevê prazo expresso para a duração O Código Eleitoral (Lei nº 4.737/65), por sua vez
da prisão preventiva e nem das demais cautelares, ao no art. 236, vedada a prisão ou detenção de qualquer
contrário de algumas legislações. A única exceção em eleitor, no período de cinco dias antes e 48 horas depois
nossa legislação encontra-se na Lei nº 9.034/95, que do encerramento das eleições, salvo em flagrante delito,
cuida das ações praticadas por organizações em virtude de sentença penal condenatória por crime
criminosas, cujo art. 8º estabelece o prazo de 81 dias inafiançável, ou, ainda, por desrespeito a salvo-conduto.
para o encerramento da instrução criminal, quando De outro lado, o § 1º do citado art. 236 prevê que
preso o acusado. os membros de mesa receptora e os fiscais do partido,
bem como todos os candidatos, gozarão do mesmo
Súmula 52 do STJ:
benefício, vedada a prisão ou detenção, porém, 15 dias
―Encerrada a instrução criminal, fica superada a antes das eleições (e, também, 48 horas depois).
alegação de constrangimento por excesso de prazo.‖
Embora o Código Eleitoral não se refira à prisão
A Súmula 21 do STF é no mesmo sentido, temporária, cumpre assinalar a desnecessidade de
referindo-se, porém, à decisão de pronúncia, nos qualquer referência expressa, para estender também a
procedimentos do Tribunal do Júri, para o fim de superar ela (a temporária) a vedação contida no citado art. 236
a alegação de excesso de prazo. do Código Eleitoral.
A Lei nº 11.719/08, no entanto, veio modificar Em primeiro lugar, porque tanto a prisão
totalmente os ritos procedimentais do processo comum, preventiva quanto a temporária são prisões de natureza
ordinário e sumário, com o que haverá que ser feita cautelares, devendo, no ponto, receber o mesmo
nova contagem de prazos para a aplicação da antiga tratamento.
jurisprudência. Em segundo lugar, porque, ao tempo do Código
A contagem do prazo terá início com a prisão do Eleitoral, não existia ainda a prisão temporária, daí por
acusado, seja ela preventiva, seja ela decorrente de que impossível qualquer referência legislativa a ela.
flagrante delito, convertida (em preventiva) em razão da
existência de seus requisitos (art. 310, II, parágrafo
REVOGAÇÃO
único, CPP). É que, a partir da prisão, terá início a
contagem de prazo para o encerramento do inquérito Conforme § 5o do art. 282, o juiz poderá revogar
policial (dez dias na Justiça Estadual; 15 dias, a medida cautelar ou substituí-la quando verificar a falta
prorrogáveis, na Justiça Federal), seguindo-se os de motivo para que subsista, bem como voltar a
demais atos processuais (oferecimento da denúncia e decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem. O §
início da instrução criminal). 6o ainda dispõe que ―a prisão preventiva será
104 DIREITO PROCESSUAL PENAL
determinada quando não for cabível a sua substituição se sobrevierem razões que a justifiquem. (Redação
por outra medida cautelar (art. 319).‖ dada pela Lei nº 5.349, de 3.11.1967)
Já o art. 361 dispõe que ―O juiz poderá revogar a
prisão preventiva se, no correr do processo, verificar a DA PRISÃO DOMICILIAR
falta de motivo para que subsista, bem como de novo
decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem.‖ A Lei 12.403 deu nova redação ao art. 317 do
CPP, que antes tratava da apresentação espontânea do
acusado. O novo texto trata da prisão domiciliar, que
DISPOSITIVOS DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL:
determina o recolhimento permanente do indiciado
CAPÍTULO III ou acusado em sua residência, dali não podendo
DA PRISÃO PREVENTIVA ausentar-se senão por meio de autorização judicial
expressa.
Art. 311. Em qualquer fase da investigação
policial ou do processo penal, caberá a prisão A prisão domiciliar, portanto, não se inclui como
preventiva decretada pelo juiz, de ofício, se no curso da alternativa à prisão preventiva, tal como ocorre com as
ação penal, ou a requerimento do Ministério Público, do medidas previstas no art. 319. Ela somente será
querelante ou do assistente, ou por representação da aplicada como substitutivo da prisão preventiva e desde
autoridade policial. (Redação dada pela Lei que estejam presentes algumas das hipóteses arroladas
12.403/2011) no art. 318, CPP, ou seja:
Art. 312. A prisão preventiva poderá ser I- ser o indiciado ou acusado maior de 80
decretada como garantia da ordem pública, da ordem (oitenta) anos;
econômica, por conveniência da instrução criminal, ou II- estiver ele extremamente debilitado por motivo
para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver de doença grave;
prova da existência do crime e indício suficiente de III- for imprescindível a medida para os cuidados
autoria. (Redação dada pela Lei 12.403/2011) especiais de pessoa menor de 6 (seis) anos
Parágrafo único. A prisão preventiva também ou com deficiência;
poderá ser decretada em caso de descumprimento de IV- para a gestante a partir do 7º (sétimo) mês de
qualquer das obrigações impostas por força de outras gravidez, ou quando esta for de alto risco.
medidas cautelares (art. 282, § 4o). (Redação dada pela
Observa-se que, em caso de o juiz determine a
Lei 12.403/2011)
prisão domiciliar, este poderá definir a fiscalização por
Art. 313. Nos termos do art. 312 deste Código, meio da monitoração eletrônica, conforme art. 146-B, da
será admitida a decretação da prisão Lei 7.210/84 com redação dada pela Lei 12.258/2010.
preventiva: (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
I - nos crimes dolosos punidos com pena
DISPOSITIVOS DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL:
privativa de liberdade máxima superior a 4 (quatro)
anos; (Redação dada pela Lei 12.403/2011) CAPÍTULO IV
II - se tiver sido condenado por outro crime DA PRISÃO DOMICILIAR
doloso, em sentença transitada em julgado, ressalvado (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
o disposto no inciso I do caput do art. 64 do Decreto-Lei Art. 317. A prisão domiciliar consiste no
no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código recolhimento do indiciado ou acusado em sua
Penal; (Redação dada pela Lei 12.403/2011) residência, só podendo dela ausentar-se com
III - se o crime envolver violência doméstica e autorização judicial. (Redação dada pela Lei
familiar contra a mulher, criança, adolescente, idoso, 12.403/2011)
enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a Art. 318. Poderá o juiz substituir a prisão
execução das medidas protetivas de preventiva pela domiciliar quando o agente
urgência; (Redação dada pela Lei 12.403/2011) for: (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
IV - (revogado). I - maior de 80 (oitenta) anos; (Redação dada
Parágrafo único. Também será admitida a prisão pela Lei 12.403/2011)
preventiva quando houver dúvida sobre a identidade II - extremamente debilitado por motivo de
civil da pessoa ou quando esta não fornecer elementos doença grave; (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
suficientes para esclarecê-la, devendo o preso ser
colocado imediatamente em liberdade após a III - imprescindível aos cuidados especiais de
identificação, salvo se outra hipótese recomendar a pessoa menor de 6 (seis) anos de idade ou com
manutenção da medida. (Redação dada pela Lei deficiência; (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
12.403/2011) IV - gestante a partir do 7o (sétimo) mês de
Art. 314. A prisão preventiva em nenhum caso gravidez ou sendo esta de alto risco. (Redação dada
será decretada se o juiz verificar pelas provas pela Lei 12.403/2011)
constantes dos autos ter o agente praticado o fato nas Parágrafo único. Para a substituição, o juiz
condições previstas nos incisos I, II e III do caput do art. exigirá prova idônea dos requisitos estabelecidos neste
23 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 artigo. (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
- Código Penal. (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
Art. 315. A decisão que decretar, substituir ou DAS MEDIDAS CAUTELARES
denegar a prisão preventiva será sempre motivada.
(Redação dada pela Lei 12.403/2011) A Lei 11.403/2011 criou no capitulo o título ―Das
Art. 316. O juiz poderá revogar a prisão Outras Medidas Cautelares‖ em substituição ao ―Da
Prisão Administrativa‖.
preventiva se, no correr do processo, verificar a falta de
motivo para que subsista, bem como de novo decretá-la,
DIREITO PROCESSUAL PENAL 105
A nova redação apresenta uma gama de imposição de cautelares e, menos ainda, da prisão
medidas cautelares pessoais diferentes da prisão para preventiva, aos crimes para os quais seja cabível a
assegurar a ordem processual. Não são medidas transação penal, bem como nos casos em que seja
originais ou estranhas ao nosso ordenamento. Parte proposta e aceita a suspensão condicional do processo,
delas já estava prevista na legislação penal pátria, seja conforme previsto na Lei 9.099/95, que cuida dos
como sanção restritiva de direitos - como a proibição de Juizados Especiais Criminais e das infrações de menor
frequentar determinados lugares - , seja como espécie potencial ofensivo.
peculiar de cumprimento de privação de liberdade - Em se tratando de crimes culposos, a
como a prisão domiciliar. imposição de medida cautelar, em princípio, não será
admitida, em face do postulado da proporcionalidade;
Espécies: contudo, quando – e somente quando – se puder
antever a possibilidade concreta de imposição de pena
Alem da prisão cautelar, passa a compor o rol de
privativa da liberdade ao final do processo, diante das
medidas cautelares:
condições pessoais do agente, serão cabíveis,
I- comparecimento periódico em juízo, no prazo e excepcionalmente para os crimes culposos, as
nas condições fixadas pelo juiz, para informar cautelares do art. 319 e art. 320, segundo a respectiva
e justificar atividades; necessidade e fundamentação.
II- proibição de acesso ou frequência a
determinados lugares quando, por
circunstâncias relacionadas ao fato, deva o DA LIBERDADE PROVISÓRIA E FIANÇA
indiciado ou acusado permanecer distante Introdução
desses locais para evitar o risco de novas
A Constituição Federal garante o princípio da
infrações;
presunção da inocência ao dispor em seu artigo 5º,
II- proibição de manter contato com pessoa inciso LVII, que "ninguém será considerado culpado até
determinada quando, por circunstâncias o trânsito em julgado de sentença penal condenatória".
relacionadas ao fato, deva o indiciado ou Assim, o agente preso em flagrante tem o direito
acusado dela permanecer distante; à concessão da liberdade provisória, para que responda
IV- proibição de ausentar-se da Comarca quando ao processo em liberdade.
a permanência seja conveniente ou Dispõe o art. 310, do CPP:
necessária para a investigação ou instrução; Art. 310. Ao receber o auto de prisão em flagrante,
V- recolhimento domiciliar no período noturno e o juiz deverá fundamentadamente:
nos dias de folga quando o investigado ou (...)
acusado tenha residência e trabalho fixos; III – conceder liberdade provisória, com ou sem
VI- suspensão do exercício de função pública ou fiança.
de atividade de natureza econômica ou
financeira quando houver justo receio de sua Definição
utilização para a prática de infrações penais;
A liberdade provisória, segundo Nucci
VII- internação provisória do acusado nas
hipóteses de crimes praticados com violência é a liberdade concedida ao indiciado ou réu,
ou grave ameaça, quando os peritos preso em flagrante ou em decorrência de
concluírem ser inimputável ou semi-imputável pronúncia ou sentença condenatória
(art. 26 do Código Penal) e houver risco de recorrível, que, por não necessitar ficar
reiteração; segregado, provisoriamente, em homenagem
ao princípio da presunção de inocência, deve
VIII- fiança, nas infrações que a admitem, para ser liberado, sob determinadas condições. O
assegurar o comparecimento a atos do fundamento constitucional é encontrado no
processo, evitar a obstrução do seu art. 5º, XXVI (NUCCI, 2006, p.621)
andamento ou em caso de resistência
injustificada à ordem judicial; Trata-se de um Direito subjetivo do acusado
quando se verificar a ocorrência das hipóteses legais
IX- monitoração eletrônica. (Lei nº 12.258, de 15 de que a autorizam.
junho de 2010)
Tem a denominação de liberdade provisória
As medidas cautelares, quando diversas da
porque:
prisão, podem ser impostas independentemente de
prévia prisão em flagrante (art. 282, § 2º, CPP), ao - pode ser revogada a qualquer tempo;
contrário da legislação anterior, que somente previa a - vigora até o trânsito em julgado da sentença
concessão de liberdade provisória para aquele que final condenatória.
fosse aprisionado em flagrante delito. Por isso, podem
ser impostas tanto na fase de investigação quanto na do Diferença entre liberdade provisória, relaxamento e
processo; revogação
As referidas medidas cautelares, diversas da 18
Lembra Leonardo Barreto que ―a liberdade
prisão, poderão também substituir a prisão em flagrante provisória é o remédio cabível para atacar uma prisão
(art. 310, II, e art. 321, CPP), quando não for cabível e em flagrantes legal desnecessária (jamais combate
adequada a prisão preventiva (art. 310, II, CPP). prisão preventiva). Todavia, se a prisão for ilegal, o
Nenhuma medida cautelar (prisão ou outra remédio a ser utilizado é o relaxamento desta prisão.‖
qualquer) poderá ser imposta quando não for cominada
à infração, objeto de investigação ou de processo, pena
privativa da liberdade, cumulativa ou isoladamente (art. 18
283, § 3º, CPP); do mesmo modo, não se admitirá a ALVES, Leonardo Barreto Moreira. Processo Penal - Parte
Especial. Ed.Juspodivm/2011.
106 DIREITO PROCESSUAL PENAL
No que diz respeito a revogação da prisão, está Nos casos em que couber fiança, o juiz,
pode ocorrer nos casos de prisão preventiva legal e verificando a situação econômica do preso, poderá
necessária e prisão temporária quando esgotado os eu conceder-lhe liberdade provisória, sujeitando-o às
prazo de duração. obrigações constantes dos arts. 327 e 328 deste Código
e a outras medidas cautelares, se for o caso. (Art. 530)
Espécies de liberdade provisória: A autoridade policial somente poderá conceder
fiança nos casos de infração cuja pena privativa de
a) Liberdade Provisória com fiança.
liberdade máxima não seja superior a 4 (quatro) anos.
b) Liberdade Provisória sem fiança;
ATENÇÃO!
Antes da Lei 12.403 a Autoridade Policial
LIBERDADE PROVISÓRIA COM FIANÇA
somente poderia conceder fiança se a infração fosse
Trata-se de uma premissa constitucional do punida com detenção ou prisão simples.
instituto da liberdade provisória (5º, LXVI).
Nos demais casos, a fiança será requerida à
―ninguém será levado à prisão ou nela mantido, autoridade judiciária, que decidirá em 48 (quarenta e
quando a lei permitir a liberdade provisória, com oito) horas.
ou sem fiança.‖
Pode ser conceda de ofício ou a requerimento do
Para Frederico Marques ―trata-se, pois, de interessado ou de terceiro, sempre em decisão
contracautela destinada a impedir que a dilação do motivada, quando o Juiz julgar conveniente (art. 333
processo condenatório cause dano ao ‗jus libertatis‘ de CPP):
par com o caráter de sub-rogado cautelar da prisão
provisória‖.  a autoridade policial, mas apenas nos casos
de infração cuja pena privativa de liberdade
A liberdade com fiança tem, portanto, natureza
máxima não seja superior a 4 (quatro) anos;
cautelar.
 a autoridade que presidir os autos nos casos
A principal finalidade da fiança é fazer com que
de prisão em flagrante;
o indivíduo fique vinculado ao processo por laços
econômicos rígidos, evitando seu encarceramento, de  juiz competente, nos casos de recusa ou
forma que acompanhe os atos processuais dos quais foi demora da autoridade policial na concessão
intimado e que se apresente em caso de condenação. da fiança, mediante simples petição (Art. 310,
III);
Outras finalidades são a de garantir as custas, a
multa e o pagamento da indenização do dano ex delicto  juiz competente nos casos de habeas corpus;
causado pelo crime se for condenado, conforme art.336  juiz competente ou a autoridade policial – a
do CPP (NUCCI, 2008). quem tiver sido requisitada a prisão;
A liberdade provisória com fiança se distinguirá  relator nos casos de competência originária
das outras, sem fiança, ou vinculada, pela simples dos Tribunais (art. 557 CPP);
imposição da fiança, que poderá, ou não, vir O termo de fiança deve ser explícito quanto às
acompanhada de outra cautelar (art. 282, §1º e art. 319, condições o obrigações do afiançado e juntado aos
§4º, CPP). autos (art. 329 CPP) e o valor será recolhidos aos cofres
A imposição de fiança será cabível para todos os públicos (art. 331 CPP).
crimes, à exceção: Recusando ou retardando a autoridade policial a
a) dos crimes aos quais não seja imposta pena concessão da fiança, o preso, ou alguém por ele,
privativa da liberdade (art. 283, §1º) poderá prestá-la, mediante simples petição, perante o
b) no caso em for cabível a transação penal, e, juiz competente, que decidirá em 48 (quarenta e oito)
ainda, na hipótese de efetiva (proposta e horas.
aceita) suspensão condicional do processo
(art. 76 e art. 89, da Lei 9.099/95); Valor da Fiança – Arts. 325 e 326
c) nos crimes culposos, salvo situação O valor da fiança será fixado pela autoridade que
excepcional, em que seja possível a a conceder nos seguintes limites:
aplicação da pena privativa da liberdade ao
final do processo, em razão das condições a) de 1 (um) a 100 (cem) salários mínimos,
pessoais do agente; quando se tratar de infração cuja pena
privativa de liberdade, no grau máximo, não
d) dos crimes para os quais é vedada a fiança, for superior a 4 (quatro) anos;
expressamente, conforme art.323 e art. 324.
b) de 10 (dez) a 200 (duzentos) salários mínimos,
A primeira e a última hipótese de não cabimento quando o máximo da pena privativa de
da fiança estão previstas em lei e apresentam liberdade cominada for superior a 4 (quatro)
justificativas totalmente diferentes e quase anos.
contraditórias, como já alertamos.
Se assim recomendar a situação econômica do
preso, a fiança poderá ser:
Concessão - Arts. 322 e 335
a) dispensada, na forma do art. 350 deste
Ausentes os requisitos que autorizam a Código;
decretação da prisão preventiva, o juiz deverá
b) reduzida até o máximo de 2/3 (dois terços); ou
conceder liberdade provisória, impondo, se for o
caso, as medidas cautelares previstas no art. 319 deste c) aumentada em até 1.000 (mil) vezes.
Código e observados os critérios constantes do art. O dinheiro ou objetos dados como fiança servirão
282. (Art. 321) ao pagamento das custas, da indenização do dano,
DIREITO PROCESSUAL PENAL 107
da prestação pecuniária e da multa, se o réu for inquérito e da instrução criminal e para
condenado. julgamento;
Se a fiança for declarada sem efeito ou passar >não poderá mudar de residência sem prévia
em julgado sentença que houver absolvido o acusado permissão da autoridade processante, ou
ou declarada extinta a ação penal, o valor que a ausentar-se por mais de oito dias de sua
constituir, atualizado, será restituído sem desconto, residência, sem comunicar àquela autoridade
salvo o disposto no parágrafo único do art. 336 deste o lugar onde será encontrado.
Código. (Art. 337). >não pratica outra infração penal (art. 341)
DICA DE CONCURSO:
A fiança, nos casos em que é admitida, será Consequências do descumprimento
prestada enquanto não transitar em julgado a sentença Em caso de descumprimento das obrigações dos
condenatória e tem por finalidade, se o réu for art. 327 e 328, ou de outras medidas cautelares fixadas
condenado, o pagamento das custas, da indenização do pelo juiz, aplica-se o § 4.° do art. 282: "(...) o juiz, de
dano, da prestação pecuniária e da multa.(Anal.Min.MP- ofício ou mediante requerimento do Ministério Público,
PI/CESPE/2012) de seu assistente ou do querelante, poderá substituir a
medida, impor outra em cumulação, ou, em último caso,
decretar a prisão preventiva (art. 312, parágrafo único).
Formas de Prestação de Fiança
-Dinheiro
Cassação - Arts. 338 e 339 CPP
-Pedras
Hipóteses:
-Títulos da Dívida Pública (TDP)
 a fiança que se reconheça não ser cabível na
-Imóvel que não esteja gravado com cláusula de
espécie será cassada em qualquer fase do
hipoteca (o juiz analisa o valor do imóvel).
processo;
A fiança poderá ser prestada enquanto não
 será cassada a fiança quando se reconheça a
transitar em julgado a sentença condenatória.
existência de delito inafiançável, no caso de
inovação na classificação do delito.
Vedação da fiança – Arts. 323 e 324 Da decisão que cassar a fiança cabe recurso em
O art. 323 traz as situações em que não é cabível sentido estrito (art. 581, V, CPP) sem efeito suspensivo,
fiança, contemplando, de forma expressa, os crimes de que só ocorre no caso de perda de fiança (art. 584
racismo, tortura, tráfico de drogas e terrorismo. Por meio CPP), oportunidade em que a coisa caucionada será
de cláusula aberta, prevê que nos crimes previstos devolvida integralmente ao acusado.
como hediondo e equiparado também não pode haver a
aplicação do beneficio.
Reforço da fiança
Assim não é cabível fiança
O Art. 340 trata das hipóteses de reforço da
a) nos crimes de racismo; fiança.
b) nos crimes de tortura, tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins, terrorismo e
nos definidos como crimes hediondos; Quebra da fiança
c) nos crimes cometidos por grupos armados, Hipóteses:
civis ou militares, contra a ordem  regularmente intimado para ato do processo,
constitucional e o Estado Democrático. deixar de comparecer, sem motivo justo;
 deliberadamente praticar ato de obstrução ao
Outros casos de não concessão de fiança andamento do processo;
encontra-se disposto no artigo 324 CPP.
 descumprir medida cautelar imposta
a) aos que, no mesmo processo, tiverem cumulativamente com a fiança;
quebrado fiança anteriormente concedida ou
 resistir injustificadamente a ordem judicial;
infringido, sem motivo justo, qualquer das
obrigações a que se referem os arts. 327 e  praticar nova infração penal dolosa.‖
328 deste Código; O quebramento injustificado da fiança importará
b) em caso de prisão civil ou militar; na perda de metade do seu valor, cabendo ao juiz
c) quando presentes os motivos que autorizam a decidir sobre a imposição de outras medidas cautelares
decretação da prisão preventiva (art. 312). ou, se for o caso, a decretação da prisão preventiva.
Súmula nº 697 do STF: (Art. 343)
A proibição de liberdade provisória nos No caso de quebramento de fiança, feitas as
processos por crimes hediondos não veda o deduções previstas no art. 345 deste Código, o valor
relaxamento da prisão processual por excesso de prazo. restante será recolhido ao fundo penitenciário, na forma
da lei.(Art. 346)

Condições da fiança - Arts. 327, 328 e 341


Restauração da fiança
Na hipótese de ser concedida a liberdade
Uma vez cassada a fiança, cabe recurso em
provisória com fiança, o acusado fica sujeito às
sentido estrito (581, V, CPP) podendo o tribunal dar-lhe
seguintes condições:
provimento além de poder o juiz, no juízo de retratação
>comparecer perante a autoridade todas as desse recurso, rever a decisão e restaurar a fiança.
vezes que for intimado para os atos do
108 DIREITO PROCESSUAL PENAL
Lembre-se que não há efeito suspensivo no comunicar àquela autoridade o lugar onde será
RSE, de modo que, tendo sido a cassação um nítido encontrado.
constrangimento ilegal, cabe impetração de HC.
Hipóteses legais:
Perda da fiança Pode ser concedida sem vinculação (art. 321) e
Entender-se-á perdido, na totalidade, o valor da com vinculação (310, caput).
fiança, se, condenado, o acusado não se apresentar
para o início do cumprimento da pena definitivamente
a) Liberdade provisória obrigatória e sem vinculação
imposta. (Art. 344)
>quando o réu se livrar solto; e
No caso de perda da fiança, o seu valor,
deduzidas as custas e mais encargos a que o acusado >crime de entorpecentes.
estiver obrigado, será recolhido ao fundo penitenciário,
na forma da lei. (Art. 345) b) Liberdade provisória com vinculação
>quando o fato for praticado sob o manto de uma
Restituição da fiança causa de excludente de ilicitude;
Se a fiança for declarada sem efeito ou passar >quando o juiz verificar, pelo auto re prisão em
em julgado sentença que houver absolvido o acusado flagrante, a inocorrência de qualquer das
ou declarada extinta a ação penal, o valor que a hipóteses que autorizem a prisão preventiva;
constituir, atualizado, será restituído sem desconto, e
salvo o disposto no parágrafo único do art. 336 deste >quando a infração for de pequeno potencial
Código. ofensivo e o agente comparecer
imediatamente ao Juizado Especial Criminal
Dispensa - Art. 350 CPP ou se comprometer a ele comparecer.
Nos casos em que couber fiança, o juiz,
19
verificando a situação econômica do preso (falta de Resumidamente, Eugênio Paccelli traça o
recurso para prestá-la sem que acarrete sacrifícios ou seguinte quadro das liberdades provisórias:
privações para o sustento do acusado e de sua família), a) liberdade provisória em que é vedada a fiança:
poderá conceder-lhe liberdade provisória, sujeitando-o cabível sempre após a prisão em flagrantes,
às obrigações constantes dos arts. 327 e 328 do Código com obrigatória imposição de qualquer das
e a outras medidas cautelares, se for o caso. cautelares do art. 319 e do art. 320, CPP,
Parágrafo único. Se o beneficiado descumprir, com exceção da fiança, quando necessária a
sem motivo justo, qualquer das obrigações ou medidas prisão preventiva e quando for
impostas, aplicar-se-á o disposto no § 4o do art. 282 do expressamente proibida a imposição daquela
Código. (fiança –a Art. 323 e art. 324);
§ 4o No caso de descumprimento de qualquer das b) liberdade provisória com fiança: cabível
obrigações impostas, o juiz, de ofício ou mediante sempre após a prisão em flagrante e quando
requerimento do Ministério Público, de seu assistente não necessária a preventiva. Será imposta,
ou do querelante, poderá substituir a medida, impor
outra em cumulação, ou, em último caso, decretar a obrigatoriamente, afiança, além de outra
prisão preventiva (art. 312, parágrafo único). cautelar, se entender necessário o juiz;
c) liberdade provisória sem fiança: cabível após a
LIBERDADE PROVISÓRIA SEM FIANÇA prisão em flagrante, quando inadequada ou
incabível a preventiva, com a imposição de
A atual redação do art. 350 do Código de qualquer outra medida cautelar, por julgar o
Processo Penal, cuida da possibilidade de o juiz juiz desnecessária a fiança;
conceder a liberdade provisória para o acusado sem
arbitrar fiança, nos casos em que a pessoa presa d) liberdade provisória vinculada, ao
cautelarmente não tiver situação econômica compatível comparecimento obrigatório a todos os atos
com o recolhimento de dinheiro ou objetos de valor, do processo, sob pena de revogação (art.
como forma de caucionar sua presença e colaboração 310, parágrafo único).
processual.
O legislador adaptou a dispensa de recolhimento DISPOSITIVOS DO CPP:
de valor para réu pobre com a nova sistemática das CAPÍTULO VI
cautelares do CPP. Dessa forma, o réu não precisará
DAS OUTRAS MEDIDAS CAUTELARES
recolher a fiança, mas poderá receber do juiz outras
incumbências de igual natureza cautelar, previstas nos (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
arts. 327 e 328 do CPP, a saber: Art. 319. São medidas cautelares diversas da
a) Art. 327. A fiança tomada por termo obrigará o prisão: (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
afiançado a comparecer perante a autoridade, I - comparecimento periódico em juízo, no prazo
todas as vezes que for intimado para atos do e nas condições fixadas pelo juiz, para informar e
inquérito e da instrução criminal e para o justificar atividades; (Redação dada pela Lei
julgamento. Quando o réu não comparecer, a 12.403/2011)
fiança será havida como quebrada. II - proibição de acesso ou frequência a
b) Art. 328. O réu afiançado não poderá, sob determinados lugares quando, por circunstâncias
pena de quebramento da fiança, mudar de relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado
residência, sem prévia permissão da
autoridade processante, ou ausentar-se por
19
mais de 8 (oito) dias de sua residência, sem Curso de Processo Penal, 15ª ed. 2011.
DIREITO PROCESSUAL PENAL 109
permanecer distante desses locais para evitar o risco de II - nos crimes de tortura, tráfico ilícito de
novas infrações; (Redação dada pela Lei 12.403/2011) entorpecentes e drogas afins, terrorismo e nos definidos
III - proibição de manter contato com pessoa como crimes hediondos; (Redação dada pela Lei
determinada quando, por circunstâncias relacionadas ao 12.403/2011)
fato, deva o indiciado ou acusado dela permanecer III - nos crimes cometidos por grupos armados,
distante; (Redação dada pela Lei 12.403/2011) civis ou militares, contra a ordem constitucional e o
IV - proibição de ausentar-se da Comarca Estado Democrático; (Redação dada pela Lei
quando a permanência seja conveniente ou necessária 12.403/2011)
para a investigação ou instrução; (Redação dada pela IV - (revogado)
Lei 12.403/2011) V - (revogado).
V - recolhimento domiciliar no período noturno e Art. 324. Não será, igualmente, concedida
nos dias de folga quando o investigado ou acusado fiança: (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
tenha residência e trabalho fixos; (Redação dada pela
I - aos que, no mesmo processo, tiverem
Lei 12.403/2011)
quebrado fiança anteriormente concedida ou infringido,
VI - suspensão do exercício de função pública ou sem motivo justo, qualquer das obrigações a que se
de atividade de natureza econômica ou financeira referem os arts. 327 e 328 deste Código; (Redação
quando houver justo receio de sua utilização para a dada pela Lei 12.403/2011)
prática de infrações penais; (Redação dada pela Lei
II - em caso de prisão civil ou militar; (Redação
12.403/2011)
dada pela Lei 12.403/2011)
VII - internação provisória do acusado nas
III - (revogado);
hipóteses de crimes praticados com violência ou grave
ameaça, quando os peritos concluírem ser inimputável IV - quando presentes os motivos que autorizam
ou semi-imputável (art. 26 do Código Penal) e houver a decretação da prisão preventiva (art. 312). (Redação
risco de reiteração; (Redação dada pela Lei dada pela Lei 12.403/2011)
12.403/2011) Art. 325. O valor da fiança será fixado pela
VIII - fiança, nas infrações que a admitem, para autoridade que a conceder nos seguintes
assegurar o comparecimento a atos do processo, evitar limites: (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
a obstrução do seu andamento ou em caso de a) (revogada);
resistência injustificada à ordem judicial; (Redação dada b) (revogada);
pela Lei 12.403/2011) c) (revogada).
IX - monitoração eletrônica. (Redação dada pela I - de 1 (um) a 100 (cem) salários mínimos,
Lei 12.403/2011) quando se tratar de infração cuja pena privativa de
§ 1o (Revogado). liberdade, no grau máximo, não for superior a 4 (quatro)
§ 2o (Revogado). anos; (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
§ 3o (Revogado). II - de 10 (dez) a 200 (duzentos) salários
§ 4o A fiança será aplicada de acordo com as mínimos, quando o máximo da pena privativa de
disposições do Capítulo VI deste Título, podendo ser liberdade cominada for superior a 4 (quatro)
cumulada com outras medidas cautelares. (Redação anos. (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
dada pela Lei 12.403/2011) § 1o Se assim recomendar a situação
Art. 320. A proibição de ausentar-se do País econômica do preso, a fiança poderá ser: (Redação
será comunicada pelo juiz às autoridades encarregadas dada pela Lei 12.403/2011)
de fiscalizar as saídas do território nacional, intimando- I - dispensada, na forma do art. 350 deste
se o indiciado ou acusado para entregar o passaporte, Código; (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
no prazo de 24 (vinte e quatro) horas. (Redação dada II - reduzida até o máximo de 2/3 (dois terços);
pela Lei 12.403/2011) ou (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
Art. 321. Ausentes os requisitos que autorizam a III - aumentada em até 1.000 (mil)
decretação da prisão preventiva, o juiz deverá conceder vezes. (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
liberdade provisória, impondo, se for o caso, as medidas § 2o (Revogado):
cautelares previstas no art. 319 deste Código e
observados os critérios constantes do art. 282 deste I - (revogado);
Código. (Redação dada pela Lei 12.403/2011) II - (revogado);
I - (revogado) III - (revogado).
II - (revogado). Art. 326. Para determinar o valor da fiança, a
Art. 322. A autoridade policial somente poderá autoridade terá em consideração a natureza da infração,
conceder fiança nos casos de infração cuja pena as condições pessoais de fortuna e vida pregressa do
privativa de liberdade máxima não seja superior a 4 acusado, as circunstâncias indicativas de sua
(quatro) anos. periculosidade, bem como a importância provável das
custas do processo, até final julgamento.
Parágrafo único. Nos demais casos, a fiança
será requerida ao juiz, que decidirá em 48 (quarenta e Art. 327. A fiança tomada por termo obrigará o
oito) horas. (Redação dada pela Lei 12.403/2011) afiançado a comparecer perante a autoridade, todas as
vezes que for intimado para atos do inquérito e da
Art. 323. Não será concedida fiança: (Redação instrução criminal e para o julgamento. Quando o réu
dada pela Lei 12.403/2011) não comparecer, a fiança será havida como quebrada.
I - nos crimes de racismo; (Redação dada pela Art. 328. O réu afiançado não poderá, sob pena
Lei 12.403/2011) de quebramento da fiança, mudar de residência, sem
prévia permissão da autoridade processante, ou
110 DIREITO PROCESSUAL PENAL
ausentar-se por mais de 8 (oito) dias de sua residência, a constituir, atualizado, será restituído sem desconto,
sem comunicar àquela autoridade o lugar onde será salvo o disposto no parágrafo único do art. 336 deste
encontrado. Código. (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
Art. 329. Nos juízos criminais e delegacias de Art. 338. A fiança que se reconheça não ser
polícia, haverá um livro especial, com termos de cabível na espécie será cassada em qualquer fase do
abertura e de encerramento, numerado e rubricado em processo.
todas as suas folhas pela autoridade, destinado Art. 339. Será também cassada a fiança quando
especialmente aos termos de fiança. O termo será reconhecida a existência de delito inafiançável, no caso
lavrado pelo escrivão e assinado pela autoridade e por de inovação na classificação do delito.
quem prestar a fiança, e dele extrair-se-á certidão para
Art. 340. Será exigido o reforço da fiança:
juntar-se aos autos.
I - quando a autoridade tomar, por engano, fiança
Parágrafo único. O réu e quem prestar a fiança
insuficiente;
serão pelo escrivão notificados das obrigações e da
sanção previstas nos arts. 327 e 328, o que constará II - quando houver depreciação material ou
dos autos. perecimento dos bens hipotecados ou caucionados, ou
depreciação dos metais ou pedras preciosas;
Art. 330. A fiança, que será sempre definitiva,
consistirá em depósito de dinheiro, pedras, objetos ou III - quando for inovada a classificação do delito.
metais preciosos, títulos da dívida pública, federal, Parágrafo único. A fiança ficará sem efeito e o
estadual ou municipal, ou em hipoteca inscrita em réu será recolhido à prisão, quando, na conformidade
primeiro lugar. deste artigo, não for reforçada.
o
§ 1 A avaliação de imóvel, ou de pedras, Art. 341. Julgar-se-á quebrada a fiança quando
objetos ou metais preciosos será feita imediatamente o acusado: (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
por perito nomeado pela autoridade. I - regularmente intimado para ato do processo,
o
§ 2 Quando a fiança consistir em caução de deixar de comparecer, sem motivo justo; (Redação dada
títulos da dívida pública, o valor será determinado pela pela Lei 12.403/2011)
sua cotação em Bolsa, e, sendo nominativos, exigir-se-á II - deliberadamente praticar ato de obstrução ao
prova de que se acham livres de ônus. andamento do processo; (Redação dada pela Lei
Art. 331. O valor em que consistir a fiança será 12.403/2011)
recolhido à repartição arrecadadora federal ou estadual, III - descumprir medida cautelar imposta
ou entregue ao depositário público, juntando-se aos cumulativamente com a fiança; (Redação dada pela Lei
autos os respectivos conhecimentos. 12.403/2011)
Parágrafo único. Nos lugares em que o depósito IV - resistir injustificadamente a ordem
não se puder fazer de pronto, o valor será entregue ao judicial; (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
escrivão ou pessoa abonada, a critério da autoridade, e V - praticar nova infração penal dolosa. (Redação
dentro de três dias dar-se-á ao valor o destino que Ihe dada pela Lei 12.403/2011)
assina este artigo, o que tudo constará do termo de
fiança. Art. 342. Se vier a ser reformado o julgamento
em que se declarou quebrada a fiança, esta subsistirá
Art. 332. Em caso de prisão em flagrante, será em todos os seus efeitos.
competente para conceder a fiança a autoridade que
presidir ao respectivo auto, e, em caso de prisão por Art. 343. O quebramento injustificado da fiança
mandado, o juiz que o houver expedido, ou a autoridade importará na perda de metade do seu valor, cabendo ao
judiciária ou policial a quem tiver sido requisitada a juiz decidir sobre a imposição de outras medidas
prisão. cautelares ou, se for o caso, a decretação da prisão
preventiva. (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
Art. 333. Depois de prestada a fiança, que será
concedida independentemente de audiência do Art. 344. Entender-se-á perdido, na totalidade, o
Ministério Público, este terá vista do processo a fim de valor da fiança, se, condenado, o acusado não se
requerer o que julgar conveniente. apresentar para o início do cumprimento da pena
definitivamente imposta. (Redação dada pela Lei
Art. 334. A fiança poderá ser prestada enquanto 12.403/2011)
não transitar em julgado a sentença condenatória.
(Redação dada pela Lei 12.403/2011) Art. 345. No caso de perda da fiança, o seu
valor, deduzidas as custas e mais encargos a que o
Art. 335. Recusando ou retardando a autoridade acusado estiver obrigado, será recolhido ao fundo
policial a concessão da fiança, o preso, ou alguém por penitenciário, na forma da lei. (Redação dada pela Lei
ele, poderá prestá-la, mediante simples petição, perante 12.403/2011)
o juiz competente, que decidirá em 48 (quarenta e oito)
horas. (Redação dada pela Lei 12.403/2011) Art. 346. No caso de quebramento de fiança,
feitas as deduções previstas no art. 345 deste Código, o
Art. 336. O dinheiro ou objetos dados como fiança valor restante será recolhido ao fundo penitenciário, na
servirão ao pagamento das custas, da indenização do forma da lei. (Redação dada pela Lei 12.403/2011)
dano, da prestação pecuniária e da multa, se o réu for
condenado. Art. 347. Não ocorrendo a hipótese do art. 345, o
saldo será entregue a quem houver prestado a fiança,
Parágrafo único. Este dispositivo terá aplicação depois de deduzidos os encargos a que o réu estiver
ainda no caso da prescrição depois da sentença obrigado.
condenatória (art. 110 do Código Penal). (Redação dada
pela Lei 12.403/2011) Art. 348. Nos casos em que a fiança tiver sido
prestada por meio de hipoteca, a execução será
Art. 337. Se a fiança for declarada sem efeito ou promovida no juízo cível pelo órgão do Ministério
passar em julgado sentença que houver absolvido o Público.
acusado ou declarada extinta a ação penal, o valor que
DIREITO PROCESSUAL PENAL 111
Art. 349. Se a fiança consistir em pedras, flagrante apresentação da nota de culpa em
objetos ou metais preciosos, o juiz determinará a venda prazo não superior a 24 horas. (Per.Crim.PE/2006)
por leiloeiro ou corretor. Segundo o CPP, a prisão especial consiste
Art. 350. Nos casos em que couber fiança, o exclusivamente no recolhimento em local distinto da
juiz, verificando a situação econômica do preso, poderá prisão comum. Não havendo estabelecimento
conceder-lhe liberdade provisória, sujeitando-o às específico para o preso especial, ele deve ser
obrigações constantes dos arts. 327 e 328 deste Código recolhido em cela distinta em estabelecimento
e a outras medidas cautelares, se for o caso. prisional comum. (Prom.Just.MPE-SE/CESPE/2010)
Parágrafo único. Se o beneficiado descumprir,
sem motivo justo, qualquer das obrigações ou medidas EXERCÍCIOS
impostas, aplicar-se-á o disposto no § 4o do art. 282 01. (Ana.Jud.Exec.Mand.TJ-ES/CESPE/2011) Julgue
deste Código. (Redação dada pela Lei 12.403/2011) os itens subsequentes, referentes a prisões,
liberdade provisória e procedimentos
DICAS DE CONCURSOS processuais penais
Diferem a prisão temporária e a prisão preventiva 1 [90] Caberá liberdade provisória sem fiança e sem
porque esta pode ser decretada em qualquer fase do vinculação ao réu que praticar infrações cuja pena
inquérito policial ou da instrução criminal, podendo de multa seja a única cominada e cujo máximo de
ser decretada de ofício pelo juiz, enquanto a prisão pena privativa de liberdade - isolada, cumulada ou
temporária somente tem cabimento antes da alternada - não ultrapasse três meses.
propositura da ação penal e não pode ser decretada 2 [91] O procedimento comum será ordinário, quando
de ofício pelo juiz. (Anal.Jud.TJ/DF/CESEP/2008) tiver por objeto crime cuja sanção máxima cominada
A exigência da prisão provisória, para apelar, não seja igual ou superior a quatro anos de pena
ofende a garantia constitucional da presunção de privativa de liberdade; ou sumário, quando tiver por
inocência. (Anal.Fin.Cont.CGU/2008) objeto crime cuja sanção máxima cominada seja
Se considera em flagrante delito quem é encontrado, inferior a quatro anos de pena privativa de liberdade.
logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou 3 [92] A sentença de pronúncia, que possui natureza de
papéis que façam presumir ser ele o autor da decisão interlocutória mista terminativa, é uma das
infração. (Anal.Jud.TRF 5ª R/FCC/2008) decisões que encerra a primeira fase do rito especial
Embora sem testemunhas presenciais do fato, deverá o do júri, denominada judicium accusationis.
delegado prender em flagrante, lavrando o 4 [93] Caberá prisão preventiva na persecução penal
respectivo auto e tomando as demais providências para a apuração de crimes dolosos e culposos
legalmente previstas, a pessoa encontrada, logo sujeitos à punição com pena de reclusão ou
depois da prática do delito, com instrumentos, detenção.
armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ela
autora da infração. (Dep.Pub.PE/CESPE/2008) 02. (Anal.Jud.Exec.Mand. 1ª R/FCC/2011) A prisão
Por ser medida de exceção, a prisão preventiva há temporária
sempre de vir apoiada em bons elementos de a) não possibilita a liberação do agente pela autoridade
convicção - elementos certos, determinados, policial sem alvará de soltura expedido pelo juiz que
concretos -, sob pena de ser havido o decreto como a decretou, ainda que tenha terminado o prazo de
não-fundamentado. (Ag.Tec.MPE/AM/CESPE/2008) sua duração.
A apresentação espontânea do acusado à autoridade b) pode ser decretada pelo juiz de ofício,
não impedirá a decretação da prisão preventiva nos independentemente de representação da autoridade
casos em que a lei a autoriza. policial.
(Anal.Jud.Exec.Mand.TRF 3ª R/FCC/2007) c) só pode ser decretada no curso da ação penal, se
Ocorre o flagrante presumido quando encontrado o houver prova da materialidade do delito e indícios
autor do fato, logo depois, com instrumentos, armas, veementes da autoria.
objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor d) é uma modalidade de prisão cautelar, cuja finalidade
da infração. (Anal.Jud.Exec.Mand.TRF 3ª é assegurar uma eficaz investigação policial, quando
R/FCC/2007) se tratar da apuração de infração penal de natureza
Lei nova, ampliando o prazo de duração da prisão grave.
temporária, incidirá apenas em relação aos fatos e) pode ser prorrogada tantas vezes quantas forem
ocorridos após a sua entrada em vigor, por se tratar necessárias, desde que seja imprescindível para a
de lei processual penal material. investigação do delito.
(Def.Pub.SP/FCC/2007)
Em regra, os cidadãos que já tiverem exercido 03. (Outorga de Del.TJ-PA/FCC/2011) A prisão
efetivamente a função de jurado serão recolhidos a preventiva
prisão especial. (Anal.Jud.TRE-MS/FCC/2007) a) poderá ser decretada quando se tratar de crime
A prisão especial consiste exclusivamente no culposo.
recolhimento em local distinto da prisão comum. b) poderá ser decretada nos crimes punidos com
(Anal.Jud.TRE-MS/FCC/2007) detenção quando se apurar que o indiciado é vadio.
A prisão temporária não pode ser decretada pelo juiz de c) poderá ser decretada quando se tratar de ilícito
ofício, mas apenas em decorrência de contravencional.
representação da autoridade policial ou do Ministério d) poderá ser decretada mesmo se o juiz verificar pela
Público. (Anal.Jud.TRF 1ª R/FCC/2006) prova dos autos que o agente praticou o fato em
As prisões processuais, admitidas no Inquérito Policial legítima defesa.
têm como exigência de validade: prisão em e) não poderá ser decretada pelo juiz de ofício.
112 DIREITO PROCESSUAL PENAL
04. (Anal.Jud.TRE-TO/FCC/2011) De acordo com o d) na perda de metade do valor.
Código de Processo Penal, serão recolhidos a
quartéis ou a prisão especial, à disposição da 11. Condenado o réu, os valores e objetos prestados
autoridade competente, quando sujeitos a prisão a título de fiança servirão:
antes de condenação definitiva, dentre outros, a) ao pagamento da pena de multa.
a) os estudantes universitários. b) ao pagamento da pena privativa de liberdade.
b) os cidadãos inscritos no "Livro de Mérito". c) ao pagamento do auxílio reclusão.
c) os vereadores, exceto os de cidade com menos de d) ao Fundo Penitenciário do Estado-membro.
cem mil habitantes.
d) os estrangeiros. 12. A fiança poderá ser prestada enquanto:
e) os filhos de magistrados.