Você está na página 1de 3

OFERTA CURRICULAR – 2019/2

Professor Responsável: MÁXIMO DANIEL LAMELA ADÓ

1. DISCIPLINA:

( x ) Seminário Avançado:
Título: Poéticas do arquivo em Filosofias da diferença e Educação:
primeira série, do artifício.

Nº Créditos: 2 créditos (30h/a)

Pré-Requisitos: Disposição para ler, escrever, ouvir e falar em aula.

2. VAGAS DESTINADAS A :

( x ) Alunos Regulares do PPGEDU e de outros PPGs/UFRGS: Nº vagas: 15


( x) Alunos PEC : Nº vagas: 10
( ) Disciplina restrita somente a orientandos

3. HORÁRIO DA DISCIPLINA:

Dia da semana: 2ª feira


Horário: das 18h30min. às 21h30min.
Periodicidade: Semanal (x) Quinzenal ( )

Data de início das aulas: 26 de agosto de 2019


Término: 14/10/2019
Cronograma de encontros presenciais:
26/08; 02/09, 09/09, 16/09, 23/09, 30/09; 07/10 e 14/10.

4. SÚMULA/EMENTA:

Súmula/ementa: Escrever, para Paul Valéry (Variations sur les Bucoliques, 1955), é um trabalho de
tradução comparável com a transmutação de um texto de uma língua em outra. Essa ideia ganha, com
Borges, uma prática de escrita que opera, via leitura, como obliteração do texto original por afirmar a
diferença na repetição. O procedimento borgiano faz da leitura produção ativa de uma estranha força
neutra e impessoal de escrita. E esta só se dimensiona, ou ganha forma, a partir da relação com o ato
de ler. Suponhamos que, pela ação de um daimon, pudéssemos expandir essa noção de leitura,
apropriadora e associada a um gesto de recolha, para um arquivo (certamente monstruoso) de nossas
vidas de estudantes. E logo, nos colocássemos a inventar modos de classificar, organizar, exumar
sentidos e memórias, inventar e pensar, portanto, com essas matérias. Ao mesmo tempo,

1
precisaríamos dar-lhes uma forma, buscar um modo de escrever com esse arquivo, forjar
verossimilhanças ao embaralhar essas realidades com a ficção da escrita, criar simulações e artifícios
para o factum. Trata-se de enveredar pela noção de arquivo e artifício, e com isso admitir a produção
de textos inesgotáveis. E, por sua vez, ilegíveis em um sentido unívoco. O Seminário investiga
conexões produtivas para pensar a docência e a pesquisa a partir de uma poética do arquivo e uma
poética do artifício.

OBJETIVOS: Estudar a noção de arquivo e de artifício e propor relações e agenciamentos de escrita.


Pensar com as artes, as ciências, as filosofias da diferença e a educação, com enfoque em uma escrita
sobre/com/para a docência.

Programa (conteúdo): A noção de Arquivo e artifício; a ideia de arquivo como forma. Com Paul Valéry,
Gilles Deleuze, Felix Guattari, Roland Barthes, Michel Foucault, Arlette Farge, Walter Benjamin,
Jacques Derrida, Jean-Luc Nancy; Jorge Luis Borges, Ricardo Piglia, Georges Perec entre outros que
serão propostos em aula.

Alguns encontros contarão com a participação de professores e pesquisadores convidados.

Método de trabalho (principais atividades): Leitura, recitação ativa, escrita, reescrita. Exercícios de
leitura e escrita como um modo de lidar com o conhecido e o heterogêneo. A forma do arquivo em
aula.

Procedimentos e/ou critérios de avaliação: Participação e contribuição nas aulas. Elaboração de um


texto, artigo acadêmico ou ensaio que aborde o tema do Seminário.

Bibliografia:

ADÓ, Máximo Daniel Lamela. Educação Potencial: autocomédia do intelecto. Porto Alegre, 2012.
Projeto de Tese (Doutorado em Educação). Programa de Pós-Graduação em Educação, Faculdade de
Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2013.
ADORNO, Theodor W. Notas de literatura I. (Tradução Jorge M. B. de Almeida.) São Paulo: Duas
Cidades, Ed. 34, 2003.
BARBOSA, João Alexandre. “Paulo Valéry e a comédia intelectual”. In.:______. A biblioteca imaginária.
São Paulo: Atelier Editorial, 1996, p. 249 – 269.
BARBOSA, João Alexandre. “Posfácio”. In.: VALÉRY, Paul. Monsieur Teste. Trad.Cristina Murachco. São
Paulo: Ática, 1997, p.133-166.
BARBOSA, João Alexandre. Paul Valéry e a Comédia Intelectual. São Paulo: Iluminuras, 2007.
BARTHES, Roland. Mitologias. Tradução Rita Buongermino, Pedro de Souza e Rejane Janowitzer. Rio
de Janeiro: DIFEL, 2003.
BARTHES, Roland. Rolando Barthes por Roland Barthes. Tradução Leyla Perrone-Moisés. São Paulo:
Cultrix, 1997.
BENJAMIN, Walter. Passagens. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2009.
BENJAMIN, Walter. Rua de mão única. Infância berlinense: 1900. Belo Horizonte, Autêntica, 2017.
BENJAMIN, Walter. Textos de Walter Benjamin. In. Textos escolhidos: Walter Benjamin, Max
Horkheimer, Theodor Adorno, Jurgen Habermas. São Paulo: Abril Cultural, 1980. (Os Pensadores)
BENJAMIN, W. Documentos de cultura, documentos de barbárie: escritos escolhidos. São Paulo:
Cutrix, 1986.
BORGES, Jorge Luis. El hacedor. Madrid: Alianza, 1998.
2
BORGES, Jorge Luis. Esse ofício do verso. Tradução José Marcos Macedo. São Paulo: Companhia das
Letras, 2000.
BORGES, Jorge Luis. Ficciones. Madrid: Alianza, 1971.
BORGES, Jorge Luis. Outras inquisiciones. Buenos Aires: Emecé, 1960.
CORAZZA, Sandra Mara. O que se transcria em educação? Porto Alegre: UFRGS/Doisa, 2013.
CORAZZA, Sandra Mara. Os cantos de Fouror: escrileitura em filosofia-educação. Porto Alegre: Sulina;
UFRGS, 2008.
CORAZZA, Sandra; ADÓ, Máximo; OLINI, Polyana (Orgs.) Panorama de pesquisa em escrileituras:
Observatório da Educação. Caderno de notas 9. Porto Alegre: UFRGS/Doisa, 2016.
CORAZZA, Sandra; OLIVEIRA, Marcos; ADÓ, Máximo. (Orgs.) Biografemática na Educação: vidarbos.
Caderno de notas 7. Porto Alegre: UFRGS/Doisa, 2015.
DELEUZE, Gilles. Crítica e clínica. Tradução Peter Pál Pelbart. São Paulo: Ed. 34, 1997.
DELEUZE, Gilles. Diferença e repetição. (Tradução Luiz Orlandi, Roberto Machado.) Rio de Janeiro:
Graal, 1988.
DELEUZE, Gilles. Lógica do sentido. Trad. Luiz Roberto Salinas São Paulo: Perspectiva, 2003.
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. Vol. 3. Tradução Ana Lúcia
de Oliveira. São Paulo: Ed. 34, 2004.
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. Vol. 1. Tradução Aurélio
Guerra Neto e Célia Pinto Costa. São Paulo: Ed. 34, 1995.
DERRIDA, Jacques. Mal de arquivo: uma impressão freudiana. Tradução Cláudia de Moraes Rego. Rio
de Janeiro: Relume Dumará, 2001.
DERRIDA, Jacques. “Qual Quel as fontes de Valéry”. In.: ______. Margens da filosofia. Trad. Joaquim
Torres Costa e Antonio M. Magalhães. São Paulo: Papirus, 1991, p.315-348.
FARGE, Arlette. O sabor do arquivo. Tradução Fátima Murad. São Paulo: Edusp, 2009.
FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. Tradução Luiz Felipe Baeta Neves. Rio de Janeiro: Forense
Universitária, 2008.
MACIEL, Maria Esther. As ironias da ordem: Coleções, inventários e enciclopédias ficcionais. Belo
Horizonte: Editora UFMG, 2009.
FOUCAULT, Michel. Linguagem e literatura. Tradução Jean-Robert Weisshaupt e Roberto Machado. In.:
MACHADO, Roberto. Foucault, a filosofia e a literatura. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005, p. 137-179.
NANCY, Jean-Luc. Arquivida: do senciente e do sentido. Tradução Marcela Vieira e Maria Paula Gurgel
Ribeiro. Iluminuras, 2014.
PEREC, Georges. Penser/Classer. Paris: Seuil, 2003.
PEREC, Georges. Un homme qui dort. Paris: Denoël, 1967.
PEREC, Georges. A vida modo de uso: romances. Tradução Ivo Barroso. São Paulo: Companhia das
Letras, 2009.
PIGLIA, Ricardo. Crítica y ficción. Buenos Aires: Contemporánea, 2014.
VALÉRY, Paul. Monsieur Teste. Tradução Cristina Murachco. São Paulo: Ática, 1997.
VALÉRY, Paul. Introdução ao método de Leonardo da Vinci. Tradução Geraldo Gérson de Souza. São
Paulo: Ed. 34, 1998.
VALÉRY, Paul. Variedades. Tradução João Alexandre Barbosa. São Paulo: Iluminuras, 1991.

Teses e Dissertações defendidas na Linha de Pesquisa Filosofias da Diferença e Educação –


PPGEDU/UFRGS