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Caros Amigos, Companheiros e Camaradas

Nesta minha intervenção vou abordar:

1. O papel da Assembleia Municipal na estrutura democrática de


Portugal

Diz o artº 41º da Lei 169/99 (Regulamento Autárquico) – que

“A Assembleia Municipal é o órgão deliberativo do município”

Diz ainda o artº 52º A – que são competências da Assembleia Municipal, entre
outras:

1.c) Acompanhar e fiscalizar a actividade da câmara municipal, dos serviços


municipalizados, das fundações e das empresas municipais;

1.d) Acompanhar, com base em informação útil da câmara, facultada em


tempo oportuno, a actividade desta e os respectivos resultados, nas
associações e federações de municípios, empresas cooperativas etc em que o
município tenha alguma participação no respectivo capital social ou
equiparado;

1. l) Censurar a actuação da Câmara Municipal seja pelo não cumprimento


seja pela omissão de propostas…

2.a) Aprovar as posturas e regulamentos da Câmara Municipal…

2.b) Aprovar as opções do Plano e a Proposta de Orçamento da Câmara


Municipal…

2.d) Aprovar a contratação de empréstimos…;

2. e) Estabelecer as taxas municipais…

2.f) Fixar anualmente a taxa de contribuição imobiliária autárquica – IMI--

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Tendo em conta as possibilidades que a Lei dá à Assembleia Municipal, para o
controlo de toda a actividade da Câmara Municipal, não podemos ignorar que a
responsabilidade das boas ou más prestações ou omissões do executivo
camarário são da responsabilidade da Assembleia Municipal e dos elementos que
sustentam as suas votações.

Por isso é que é importante votar contra quando não se comunga totalmente ou
quando não se tem a informação suficiente e se não se pode eliminar a hipótese
de haver “gato escondido com rabo de fora” ou se nos é mostrada apenas “a
ponta do iceberg”

2. Compromisso da minha Candidatura à Assembleia Municipal de


Paredes pelo PS em 2009

Na altura da minha apresentação realcei que a lista do PS na Assembleia


Municipal, seria uma lista representativa da maioria das freguesias do concelho,
da JS e dos históricos do PS em Paredes:
Em 8 eleitos temos representadas a JS, os históricos (Manuel Luís, Luísa Tadeu e
Paulo Silva) e sete freguesias: Lordelo, Rebordosa, Castelões de Cepeda, Parada,
Cête, Beire, Duas Igrejas e o próximo será Gandra.

Prometi que a minha condução respeitaria os projectos de Partido Socialista mas


também o respeito pelos projectos que levem ao desenvolvimento do concelho de
Paredes, assim como, respeitar a vontade dos autarcas. Prometi respeitar os
adversários e os órgãos sociais democráticos, combatendo as suas propostas
quando estas não merecerem a nossa aprovação mas com elevação e educação.

Prometi que os membros do PS na Assembleia Municipal não seriam mera


“correia de transmissão” de qualquer dos interesses tradicionais. Realcei que não
seriamos uma segunda Câmara, mesmo que a ganhássemos. Respeitaríamos
integralmente o papel fiscalizador que justifica a sua existência no contexto das
autarquias democráticas.
Defendi que lutaríamos contra todas as medidas que degradassem a imagem da
Assembleia Municipal.

Referi que seriamos na assembleia a voz do povo que nos elegeu, mas apenas das
propostas que fossem relevantes e defendessem o interesse colectivo do concelho.

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Prometi que se fossemos eleitos criaríamos “comissões parcelares” para
acompanhar e propor projectos que achássemos úteis para o desenvolvimento do
concelho.

“Estamos dispostos a trabalhar em conjunto. A Democracia faz-se a partir do


confronto de opiniões, do pluralismo democrático e do respeito mútuo, na certeza
de que da discussão nasce a luz, surgem ideias e constrói-se o futuro.

Termino com o meu desejo sincero de que os autarcas deste Concelho, os que
vão governar e os que serão eleitos pela oposição, saibam encontrar caminhos
que permitam, rapidamente e de uma vez por todas, realizar as infra-estruturas do
saneamento básico do Concelho, tarefa que se arrasta há mais de 30 anos e que
nos envergonha a todos.

Que Deus nos ajude "a cumprir com lealdade as funções a que nos
candidatamos" e nos permita iniciar uma nova rota, rumo ao futuro, colocando
PAREDES a par dos outros concelhos desenvolvidos, mas sem necessidade de
recorrer a projectos megalómanos e inconsequentes.

Temos confiança no Povo do Concelho de Paredes e na sua capacidade de


discernir entre o trigo e o joio.”

Parece-nos óbvio que o Povo do Concelho de Paredes, incluindo alguns dos


militantes e simpatizantes socialistas, não perceberam a nossa mensagem e
trataram-nos como joio e preferiram o trigo do Dr. Celso Ferreira e do PSD.

Resta-nos esperar que agora não se queixem do que estão a comer e que não nos
acusem da indigestão – endividamento da Câmara, aumento dos Impostos
Municipais, perda das principais infra-estruturas da cidade – estádio municipal,
pavilhão desportivo, biblioteca – continuação do não investimento no
saneamento básico e os aumentos progressivos das taxas de consumo de água,
etc…

3. Particularidades do exercício da Assembleia Municipal de Paredes

O PS na Assembleia Municipal representa uma diminuta parte da população do


concelho de Paredes

Este facto é da responsabilidade da maioria dos paredenses e incluindo de alguns


reconhecidos militantes e simpatizantes socialistas;

O PS é o “alvo a abater” segundo palavras do senhor Presidente da Câmara de


Paredes.

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O funcionamento da Assembleia Municipal de Paredes não cumpre com as suas
obrigações democráticas.

A Assembleia Municipal de Paredes é uma extensão do executivo Camarário


senão vejamos:

As datas e hora para a realização das reuniões ordinárias da Assembleia


Municipal dependem da vontade do senhor Presidente da Câmara;

O senhor Presidente da Câmara de Paredes é o único que pode ser interrogado e o


único que fala pelo executivo. Só ele pode autorizar que alguém na vereação fale
nas sessões. Os vereadores da Câmara que representam a oposição, podem estar
presentes, mas não podem ser interpelados nem podem apresentar
esclarecimentos. “Entram mudos e saem calados”. É a Lei da Rolha da vereação.
Não é isto que está legislado nem é isto que está no Regulamento do
funcionamento da Assembleia Municipal.

O senhor Presidente da Câmara de Paredes, que pode estar presente (mas não tem
que estar) tal como toda a vereação, é sempre o último a falar em todas as
intervenções e não há possibilidade de o interpelar ou contradizer em seguida;

O senhor Presidente da Câmara de Paredes aproveita esse momento de glória que


lhe é concedido para impunemente:

- Contrariar o que é dito pela oposição:

- Atacar, humilhar e insultar os membros da oposição;

- Atacar a actuação do governo e dos membros governos com o propósito de


atingir os membros da oposição PS;

- Dizer o que lhe apetece, tendo como destinatário o povo das galerias, porque
sabe que o presidente da assembleia municipal não deixará que o desmintam ou
contrariem;

As ACTAS da Assembleia Municipal não transcrevem o que se passa nas


reuniões. Tem havido “quebras de gravação cirúrgicas”. As intervenções de
fundo dos membros da oposição são apagadas (justificando com a falha de
gravação) ou resumidas de forma a nada dizerem a ponto de se tornarem ridículas
para quem as lê;

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As intervenções dos deputados municipais que realcem a actividade do governo
ou que ataquem a oposição são transcritas quase “ipsis verbis”. O cúmulo
atingiu-se na primeira reunião da Assembleia Municipal em que não esteve
presente o senhor Presidente da Câmara. Foi uma reunião polémica e deliciosa.
Sem o controlo e a censura do senhor presidente, alguns dos protagonistas do
PSD ávidos de glória, deram asas à sua verborreia e excederam-se em
intervenções comprometedoras e nas tricas entre eles. Quando esperávamos ver
essas intervenções traduzidas em papel, fomos informados que drasticamente que
desta vez a falha de gravação foi total. Não houve gravação da sessão. Não vimos
ninguém a tomara notas das intervenções. Quando nos preparávamos para
protestar pela falta de ACTA, a ACTA aparece. Traz as nossas intervenções
como se tivessem sido gravadas mas não traz as intervenções polémicas do
PSD – do senhor Dr. Luciano, da senhora Dra. Raquel Moreira da Silva, das
tricas entre eles, da diferente condução da sessão pelo senhor presidente, etc.
De notar que, pela primeira vez, me foi já enviada a ACTA da última sessão da
Assembleia Municipal de 5 de Outubro, muito completa, transcrevendo de forma
muito detalhada as diversas intervenções, pedindo para que apontasse as
disparidades que encontrasse a fim de serem corrigidas antes de elaborar a
ACTA definitiva.

Este procedimento que nos foi sempre negado, é agora efectuado na ACTA de
uma sessão onde nada houve de importante ou polémico – discursos recordando
o 5 de Outubro e a votação de um único processo de postura municipal votado
por unanimidade sem qualquer polémica. Uma tentativa de lavar a face.

Destas anomalias de procedimento temos sempre protestado de tal forma que


temos votado sempre contra as ACTAS apresentadas.
Protestamos pela imposição da Lei da Rolha imposta aos vereadores da oposição,
Protestamos contra a protecção permanente que é dada ao senhor presidente da
câmara,
Protestamos contra a forma como este se impõe e impõe a sua vontade num
órgão que o devia controlar.

Tenho dito

Baptista Pereira

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