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“A pesquisa científica começa pelo problema. [...

] E problema é dúvida, é dificuldade, é


quebra-cabeça, é curiosidade, é mistério, é assombro”. Essas palavras de Salomon
(1997, p.196) revelam a importância de defini-lo adequadamente para o projeto
(Trabalho cientifico) de pesquisa. A formulação do problema envolve dois aspectos: de
um lado, a lógica da formulação e de outro, a delimitação do problema. É importante
que esclareça dificuldade com a qual se defronta o pesquisador e que ele pretende
resolver através da pesquisa.” (Maria De Assis p22)

É a partir desta senda que iremos formular e apresentar questões que a posterior
iremos enunciar com as suas devidas hipóteses.

FORMULAÇÃO DO PROBLEMA

1-Podemos falar do funcionamento justo e correcto da administração pública sem a


existência da existência dos princípios a que a ela pertence?

2- Qual a relevância que têm estes princípios na organização e na actividade da


administração pública de forma categórica?

3- Que contributos estes princípios trazem dentro do estado na prossecução do interesse


público?

Objectivos

Por conseguinte, não ficamos por aqui quanto aos procedimentos para
começarmos um trabalho cientifico portanto ainda dentro da obra de (Maria De Assis,
p22) Enuncia-nos que:
Os objectivos da pesquisa indicam o que o autor pretende alcançar e as metas a
serem atingidas com a pesquisa. Constituem-se em declarações claras e explícitas do
que se pretende alcançar e devem ser formuladas relacionando-se com as questões de
pesquisa, quase que uma formulação afirmativa daquilo que foi colocado em forma de
pergunta.

Assim, com base a visão de Maria De Assis que vamos formular os nossos
objectivos Gerais e Específicos.
Objectivo Geral

Trazer ao conhecimento dos ilustres colegas e a sua excelência Senhor professor


Dr Janota os principais conceitos que fazem forma aos princípios da administração
pública bem como as suas formas de aplicação no funcionamento para a materialização
do interesse público bem como as suas formas de organização e actividade dentro do
estado.

Objectivos Específicos

1- Entender aplicação pratica dos princípios da administração pública dentro do


aparelho estadual.
2- Esclarecer de forma exaustiva e categórica com base a fundamentações legal e
doutrinaria os princípios da administração pública.
3- Contribuir de forma significativa para a evolução intelectual da comunidade
acadêmica.

Maria De Assis não fica por aqui, porém indica-nos mais um outro procedimento
para a prossecução efectiva de um trabalho cientifico que são as hipóteses.
Dizendo o seguinte:
O papel fundamental da hipótese na pesquisa é sugerir explicações para os factos
que podem ser a solução do problema. Devem ser elaboradas de modo a conduzir a uma
verificação empírica. Normalmente se originam da observação de factos, de outras
pesquisas, de teorias e da intuição. O trabalho de pesquisa, então, irá confirmar ou negar
a hipótese (ou suposição) levantada. (Maria De Assis, p.23)

H. 1- Não! Porque administrar não significa apenas prestar serviço também se


consubstancia na execução deste isto com base a princípios que irão ditar e formar os
regulamentos a que os órgãos e agentes da administração terão de se submeter para não
se colocar a vontade de particulares, mas sim da colectividade.
H.2- A relevância destes princípios encontra-se ligada a existência funcional e
organizacional correcta e justa da administração pública na prossecução do interesse da
colectividade pois eles servem de principais bastião de orientação para a execução dos
diversos serviços a que a administração pública deve conceder ao cidadão bem como a
governação lesta.
H.3- Acreditamos que estes princípios contribuem para o desenvolvimento sustentável
para a harmonia a estabilidade e para uma sociedade mais activa e mais moderna, sendo
estes os contributos que podemos encontrar dentro de uma sociedade actual que coloca
em execução alguns destes princípios na prossecução do interesse público...
METODOLOGIA

Consiste na explicação minuciosa, detalhada, rigorosa e exata de toda a ação


desenvolvida e de tudo aquilo que se utilizou no trabalho de pesquisa: o tipo de
pesquisa, o instrumental utilizado, como questionários, entrevistas, entre outros, o
tempo previsto, a divisão do trabalho, as formas de tabulação e tratamento de dados,
etc.(Maria de Assis, p24)
Assim Partindo desta abordagem de Maria Assis sobre a metodologia é que
podemos dizer que usamos os seguintes métodos:

MÉTODO COMPARATIVO
Este método procura identificar semelhanças e explicar diferenças entre grupos,
pessoas, sociedades, culturas, sistema e organizações políticas, padrões de
comportamento familiar ou religioso etc. Seu objectivo é entender o comportamento
humano, não só no presente, como também no passado. Ele se propõe a explicar o
fenómeno por meio da análise completa de seus elementos.

MÉTODO DEDUTIVO

Método proposto pelos racionalistas Descartes, Spinoza e Leibniz que


pressupõe que só a razão é capaz de levar ao conhecimento verdadeiro. O raciocínio
dedutivo tem o objectivo de explicar o conteúdo das premissas. Por intermédio de uma
cadeia de raciocínio em ordem descendente, de análise do geral para o particular, chega
a uma conclusão. Usa o silogismo, construção lógica para, a partir de duas premissas,
retirar uma terceira logicamente decorrente das duas primeiras, denominada de
conclusão (Gil, 1999; Lakatos; Marconi, 1993).
Resumo

A Administração Pública é o sistema de serviços, organismo e entidades, que


actuam de modo regular e contínuo para a cabal satisfação das necessidades colectivas
todavia princípios são as diretrizes gerais de um ordenamento jurídico (ou de parte
dele). Seu espectro de incidência é muito mais amplo que o das regras. Entre eles pode
haver “colisão”, não conflito. Quando colidem, não se excluem.
A República De Angola, como estado democrático de direito que é, rege-se por
preceitos legais. No que se refere à administração pública, a obediência a tais preceitos é
ainda mais necessária, pois, caso assim não o fosse, estaria a sociedade à mercê dos
gostos e caprichos dos administradores.
Também em razão disso, há princípios ou conceitos basilares que devem ser
observados em toda prática administrativa. Havendo esses princípios, a própria
legislação existente em um país deve estar adequada a eles, sob pena de perder
sua eficácia efetiva.
Em nosso País, os princípios gerais da administração pública estão previstos
no próprio texto constitucional, de forma que devem ser observados pelos
administradores. Conforme artigo 198 e 199 da CRA.
Em Angola encontramos estes princípios nos artigos supracitados e são eles:
Princípios da Actividade da administração pública: Principios da Igualidade,
Legalidade, Justiça, Proporcionalidade, Imparcialidade, Responsabilidade, Probidade
administrativa e respeito pelo património público e do respeito aos direitos e interesses
legalmente protegidos dos particulares. (CRA, 2010, artigo 198)
Princípios da Organização da administração pública: Princípios da
Simplificação administrativa, da aproximação dos serviços às populações e da
desconcentração e descentralização administrativa. (CRA, 2010, artigo 199)

São estes os princípios que permitem a criação de outras leis ou decretos leis que
surgem dentro da administração para a prossecução do interesse público.

Palavras-Chaves: Administração, Pública, Princípios.


Introdução

A Administração Pública tem como objectivo trabalhar em favor do interesse


público e dos direitos e interesses dos cidadãos que administra. “Administrar significa
não só prestar serviço executá-lo como, igualmente, dirigir, governar, exercer a vontade
com o objectivo de obter um resultado útil e que até, em sentido vulgar, administrar
quer dizer traçar programa de acção e executá-lo”, (Di Pietro, 2010, p. 44).

A Presenta matéria vai versar sobre os princípios da administração pública,


tendo em conta que em sentindo técnico jurídico princípios: são fundamentos ou
preceitos gerais os quais possibilitam o norteamento e compreensão dos mais
diversificados temas do ordenamento jurídico em sua constituição, em suas leis e
demais normas que compõem a sua unidade, e não menos importante que
administração pública se define como o poder de gestão do Estado, no qual inclui o
poder de legislar e tributar, fiscalizar e regulamentar, através de seus órgãos e outras
instituições; visando sempre um serviço público efetivo.
A convergência dos elementos supracitados é que vai formar o nosso tema.

É válido salientar que os princípios são necessários para nortear o direito,


embasando como deve ser. Na Administração Pública não é diferente, temos os
princípios expressos na constituição que são responsáveis por organizar toda a estrutura
e além disso mostrar requisitos básicos para uma “boa administração”, não apenas isso,
mas também gerar uma segurança jurídica aos cidadãos, como por exemplo, no
princípio da legalidade, que atribui ao indivíduo a obrigação de realizar algo, apenas em
virtude da lei, impedindo assim que haja abuso de poder.
No texto da CRA, temos no seu art. 198 e 199, em seus caput, prescreve os
princípios constitucionais relacionados com a Administração Pública (relativamente aos
princípios da atividade e da organização administrativa), ficando com a doutrina, a
necessidade de compreender quais são as verdadeiras aspirações destes princípios e
como eles estão sendo utilizados na prática, sendo isso uma dos objetos do presente
trabalho.
Por conseguinte, tendo nós em conta que existem dois tipos de princípios nos
ordenamentos jurídicos a nível do mundo que são os Gerais e os específicos vamos
procurar de forma sucinta debruçar sobre os princípios específicos tendo como
referência a nossa administração pública. No entanto esses princípios específicos
encontram facilmente aguaritas na CRA e que é por meio destas que eles foram
concebidos e puderam então ter um sentido funcional na vida de cada cidadão e em
geral da sociedade angolana.
Existem no ordenamento jurídico angolano princípios gerais, bem como
princípios próprios de cada ramo de Direito ou específicos a uma determinada área do
direito.

Os princípios gerais são aqueles constitucionalmente garantidos por estarem


expressamente previstos no corpo da nossa Constituição e podemos encontra-los nos
artigos 22 e 23 da CRA. Todavia os princípios específicos são aqueles
constitucionalmente garantidos, porém foram criados como o próprio termo o diz
especificamente isto é para uma determinada área do direito, trazemos como exemplo os
princípios da actividade e da organização da administração pública que se encontram
previstos nos artigos 198 e 199 da CRA, importa salientar que vai ser com base estes
princípios que iremos desenvolver o nosso trabalho.

Sendo os princípios supracitado de extrema importância no ordenamento


jurídico angolano servindo estes de baluarte para a criação de variados decretos e
regulamentos um deles é o decreto lei 16A/96que servem de guia para a efectivação do
interesse público importa-nos falar sobre os princípios específicos expressamente
previstos na nossa Constituição que são relativamente importantes a administração
pública, ou seja, que permitem a orientação afectiva para a materialização e
funcionamento da administração pública para a prossecução do interesse da
colectividade.

PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM ANGOLA:

Princípio da atividade administrativa e da organização administrativa

A administração pública é resumidamente entendida como o conjunto de órgãos


e serviços que actuam segundo regras estabelecidas pelo Direito Público com vista a
satisfação de interesses públicos. São exemplos o Governo, Governos Provinciais,
Administrações Municipais ou Comunais; Instituto Nacional de Defesa do Consumidor
ou Instituto Nacional das Estradas de Angola entre outros semelhantes; o fiscal ou
agente da polícia no exercício das suas actividades, etc. Não são órgãos da
administração pública, a Sonangol, a Endiama, a TAAG, a EDEL e outras empresas
públicas ou as Federações Desportivas. Pois, embora persigam fins ou interesses
públicos as suas actividades não são reguladas pelo Direito Público e nem se relacionam
com os particulares com poderes privilegiados.

Os particulares para efeitos de relação com a administração pública, são as


pessoas físicas ou morais, as sociedades comerciais, as associações, as fundações e
todas outras pessoas morais e jurídicas cuja actividade é regulada pelo Direito Privado.

Se numa relação entre a Administração Pública e os particulares (em caso destes


serem pessoas físicas ou morais) agem com base na boa-fé, àquele agirá com base na
observância da Lei; com base no princípio da Legalidade. Sendo o princípio que
fundamenta a acção da Administração Pública é reforçado por outros princípios cuja
totalidade realiza o comportamento do mesmo. Á moral do indivíduo opõe-se a
legalidade dos actos da Administração Pública, devendo, em momento nenhum, agir a
margem da Lei, seja para a fundamentação dos actos seja na observância dos prazos
para execução destes mesmos actos.

Quando damos entrada de um pedido para concessão de um terreno para


construção de habitação ou para reclamarmos sobre um prejuízo causado pelos órgãos
ou serviços da administração pública, este tem prazos legalmente definidos para nos
atender e tem a obrigação de sustentar a sua decisão. Se negar o pedido, deve justificar
com base na Lei, se aceitar o pedido, também deve justificar com base na Lei. Se
notificar-nos para abandonar a casa, deve justificar, se forçar a nossa retirada do terreno,
deve justificar. É o que se chama Dever de Fundamentação (art.º 67º Decreto-Lei 16-
A/95 – Normas do Procedimento e da Actividade Administrativa – doravante NPAA)
necessário para atestar a legalidade da acção da administração pública já que não deve
agir com base na boa-fé por não ser pessoal física ou moral.

São oito os princípios que determinam a acção e o comportamento da


Administração Pública (art.º 3º e seguintes – NPAA). Nomeadamente, os princípios da
Legalidade, da prossecução do interesse público, da proporcionalidade, da
imparcialidade, da colaboração da administração com os particulares, da participação,
da decisão e de acesso à justiça.
PRINCIPIO DA LEGALIDADE

Tido como trave mestra de todo sistema do Direito Público, este princípio
determina que a administração pública deve actuar em conformidade com a Lei, i.e., o
cidadão deve exigir sempre a justificação da Lei para tudo quanto seja a posição tomada
pela Administração Pública como já referimos em parágrafos anteriores. Haverá ofensa
ao princípio da Legalidade sempre que somos abordados pelo agente regulador de
trânsito sem justificação com base no Código de Estrada ou pelos serviços de
fiscalização do Governo da Província para retiramos a viatura mal parqueada sem
justificação.

Da mesma forma haverá inobservância deste princípio nos casos em que nos
mandam uma notificação para comparecer a esquadra de polícia sem a devida
fundamentação legal ou temos a casa demolida com argumento de que o terreno
compreende a via expressa que será construída sem a devida justificação legal.

PRINCIPIO DA PROSSECUÇÃO DO INTERESSE PÚBLICO

Todas as actividades e acções da Administração Pública devem ter como fim o


interesse público; o interesse da comunidade em geral. Quando o fiscal do GPL recolhe
a viatura mal parqueada o interesse público que persegue é a utilização adequada do
parque ou a desobstrução da via para servir a toda a comunidade, incluindo o
proprietário da viatura em causa. Da mesma forma, quando somos recrutados para o
cumprimento do serviço militar estamos a servir os interesses de toda a nação com a
manutenção da paz.

Assim é o pagamento dos impostos para capacitação financeira do Estado afim


de satisfazer as necessidades colectivas; a prisão do criminoso para garantir a segurança
da comunidade e reeducá-lo para melhor servir a sociedade; a multa pela infracção para
o senso de responsabilidade do cidadão no cumprimento pontual das suas obrigações em
nome de uma comunidade mais responsável por si mesma, etc.

Já não haverá interesse público no caso em o Governo Provincial contratar uma


empresa de refeições para servir diariamente os seus funcionários ou nos casos em que a
Polícia Nacional decide arrendar um imóvel para instalar serviços.

São actos de gestão privada da administração pública no seu interesse específico,


enquanto pessoa jurídica, e não da comunidade. Não sendo por isso conforme estes
princípios, mas conforme o Direito privado correspondente, donde a igualdade de
tratamento com os particulares nos actos aí praticados.

PRINCIPIO DA PROPORCIONALIDADE

Sempre que a administração pública sacrificar um bem ou interesse legítimo do


particular, deve fazê-lo atendendo o equilíbrio entre a situação actual e a situação futura
deste. Quando o Governo Provincial remove moradores de um bairro pelo perigo que
representa o local em que habitam, as casas demolidas e as condições em que viviam as
pessoas devem ser substituídas em termos mais ou menos equiparados, quando não
melhores.

É assim no caso de um camião pertença de um particular que tenha sido


usado mediante requisição administrativa no âmbito da transportação dos moradores a
serem mudados e a mesma contrai danos irreparáveis, haverá a reposição do meio em
termos proporcionais. A proporcionalidade é um conceito legal que não leva a ideia de
equiparação estrita das situações ou equivalência aritmética dos meios. O Estado pode
sempre compensar de acordo com as possibilidades reais sem, contudo, ferir este
princípio.

Entretanto, não haverá proporcionalidade nos casos de transferência de um


cidadão para uma tenda ou moradia de condições precárias que teve a seu imóvel caro e
confortável demolido pela administração pública; da mesma forma que não haverá
proporcionalidade no caso de libertação de inocente que foi detido por muitos dias por
suspeita de um crime vindo depois provar-se a sua inocência sem qualquer reparação
dos danos pela perda da casa arrendada a favor do senhorio por créditos vencidos, perda
do ano lectivo ou de emprego por faltas acumuladas, etc.
Também não haverá proporcionalidade, havendo inclusive suspeição de
favorecimento, no caso de atribuição de uma moradia de luxo a favor de um cidadão
cuja casa demolida era por exemplo do tipo económica quando os vizinhos na mesma
condição terão beneficiado de casas equivalentes as demolidas, embora em melhores
condições.

A proporcionalidade é um critério de equivalência razoável das condições


interpretado pela administração pública a luz da Lei.

PRINCIPIO DA IMPARCIALIDADE

A administração deve tratar os particulares da mesma forma para as mesmas


condições. Num concurso público em que tenham sido admitidos professores a direcção
provincial da Educação ou Ministério da Educação conforme o caso, deve avaliar os
candidatos segundo critérios objectivos (ter preenchido os requisitos publicitados –
habilitações literárias mínimas, experiências técnicas e pedagógicas, idade mínima
exigida) e nunca subjectivos (sexo, altura e beleza, parentesco com o chefe ou por
simpatia demonstrada durante os testes).

Assim, deve ser o procedimento no acesso aos serviços públicos. Quando nos
dirigimos aos serviços de Identificação devemos ser tratados pela ordem de chegada e
sem visível favorecimento de alguns por ser mais chegados aos funcionários. Normas de
convivência social podem afastar este princípio por ter cariz deontológico. É o caso da
prioridade dada as mulheres grávidas e aos diminuídos físicos. De qualquer modo uma
pauta ou instrutivo interpretando a Lei deverá fundamentar este procedimento.

PRINCIPIO DA COLABORAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO COM OS


PARTICULARES

A Lei exige que a administração pública colabore com os particulares


destinatários dos projectos e serviços que implementa, prestando informações e
esclarecimentos bem como receber sugestões e informações. Antes de instalar uma
ponte que venha a servir a comunidade como passagem aérea sobre uma via rápida, a
administração municipal ou comunal conforme a responsabilidade deve reunir com a
comunidade beneficiaria e informar sobre a pretensão e colher as sugestões devidas
afim de aperfeiçoar o projecto ou adequá-lo as necessidades locais.

PRINCIPIO DA PARTICIPAÇÃO

A colaboração devida à administração pública ocorre mediante a criação de


condições a estabelecer por esta. Os luandenses ao opinarem sobre a viabilidade do
projecto de desassoreamento da Baía de Luanda (Marginal) com vista a implementação
de empreendimentos turísticos devem ocorrer com o convite aos citadinos a uma sala,
eventualmente de cinema, ou estádio de futebol para a apresentação e discussão do
projecto; mediante envio de propostas via e-mail ou mediante ligação telefónica grátis.

A administração custeia as formas de participação dos particulares na projecção


e elaboração dos planos de execução. Sendo que a execução deve correr por conta da
administração pública a qual é financiada com impostos pagos pelos particulares. Este
princípio leva a um melhor controlo da gestão de bens e interesses públicos e um maior
espírito de protecção dos bens e interesses assim realizados. Porquê que os cidadãos têm
dificuldades de preservar os bens públicos? Resposta: porque não participam e nem se
sentem a participar na sua materialização!

PRINCIPIO DA DECISÃO

Sempre que se coloca um pedido pelo particular a administração pública deve


responder. Só não precisa responder nos casos em que este pedido tenha sido já
respondido (negado por exemplo) em menos de 2 anos, facto que dispensa a resposta do
titular do órgão ou serviço da administração pública. Quando pedimos um terreno
mediante requerimento a administração do Sambizanga ou do Chongoroi deve
responder ao particular, mesmo quando negar. A administração pública nem sempre
responde. Aí, devemos valorar o silêncio.

Haverá situações em que o silêncio da administração pública significará negação


e casos em que o silêncio significará aceitação ou autorização. A lei estabelece os casos
para efeito de uma resposta tácita ou outra. De qualquer modo sempre que solicitarmos
por requerimento um terreno para construção e a administração municipal não
responder por escrito no prazo determinado significa que houve lugar a autorização
tácita, da mesma forma quando um conjunto de cidadãos solicitar autorização de
manifestação, o silêncio do Governo Provincial ao qual foi dirigido o pedido significará
autorização para realizar a respectiva marcha, pelo roteiro anexado no pedido.

PRINCIPIO DE ACESSO À JUSTIÇA

Sempre que administração pública violar qualquer dos princípios acima


anunciados e disto resultar danos ou simples ameaça de danos aos particulares, estes
podem reclamar junto do funcionário público que praticou o acto, recorrer ao seu
superior hierárquico ou mesmo ao tribunal. Se de um pedido de um talhão de terreno
para fins habitacionais resultar a negação de provimento por parte do administrador
municipal competente sem justificação convincente, a Lei faculta-nos a possibilidade de
reclamar junto do administrador municipal para reconsiderar o pedido e em caso de
insistência deste, a possibilidade de recorrer ao Governador da Província. E se este
manter a posição do seu subordinado, então levamos o Governo da Província ao
tribunal, para que a sentença produzida a nosso favor, obrigue o administrador
municipal a conceder o terreno pedido.

Não é por exemplo o que se passa quando somos vítimas de um “arrombamento”


em casa por parte de agentes da polícia sem autorização para busca ou apreensão
durante a noite e resulte danos com porta e outros bens destruídos pela pressa e
violência dos mesmos para além de espancamentos por refilarmos. Haverá aqui a
possibilidade de denunciarmos o acto junto da corporação para efeito de
responsabilidade disciplinar (suspensão ou mesmo expulsão), de responsabilidade
criminal (eventuais crimes de ofensas corporais) e responsabilidade civil do agente ou
do Estado (danos patrimoniais – geleira ou fogão danificados), mas não haverá a
processo contra a administração pública em juízo administrativo para decidir sobre uma
posição tomada pelo titular do órgão da administração pública.

Visto que o fim da justiça administrativa está em anular o acto praticado pelo
órgão da administração pública; anular a negação do administrador municipal sobre o
pedido de terreno. Por isso, é que se diz que o contencioso administrativo angolano é de
mera anulação. O juiz anula a “negação” do administrador e por via disto este produz
outra decisão, que infelizmente pode ser igual a anterior se legalmente justificada dando
lugar a inexecução da sentença judicial.

Princípios Da Organização Administrativa de angola

O princípio da aproximação dos serviços às populações bem como o princípio da


participação dos interessados na gestão da Administração Pública

Pressupõem a aproximação máxima e crescente dos serviços da Administração


às populações bem como a interferência das mesmas em diferentes áreas de
funcionamento da Administração.
No que respeita ao primeiro princípio, este estabelece que as estruturas e
serviços da Administração Pública, devem por regra localizar-se o mais próximo
possível das populações de forma a garantir sempre um melhor serviço. Sendo que a
Constituição ao referir “aproximação”, entende-se que não se referi apenas à posição
geográfica, mas também social e humana, ou seja, uma Administração que não só esteja
perto fisicamente, mas que se interesse pelas aspirações, necessidades, queixas e
interesses de todos os que administra. O segundo princípio entende que os cidadãos não
devem apenas intervir e ficar “reféns” das eleições para os seus representantes, mas a
contrário, devem também participar nas tomadas de decisões administrativas que
possam dizer-lhes respeito.
O Professor Freitas do Amaral chama aqui a atenção, que não se pretende impor
formas de democracia direta como substituição ou eliminação da democracia
representativa, o que se deseja é apenas que haja esquemas estruturados e funcionais
para a participação ativa dos cidadãos no funcionamento da Administração. Os
esquemas estruturais devem, na prespectiva do professor, dividir-se num ponto de vista
estrutural e ponto de vista funcional. De ponto de vista estrutural pretende-se que a
Administração Pública seja organizada para que existam órgãos em que os particulares
participem. É efetivamente uma situação que se verifica, por todas as pessoas coletivas
terem, em princípio, esse órgão. Por outro lado, o ponto de vista funcional decorre do
princípio da participação abrangido pelo artigo 2.º da administração local do estado,
bem como do princípio da colaboração com os particulares, presente no artigo 2.

Princípio da descentralização

O princípio da descentralização vem no sentido do que já sabemos ser a


descentralização e da sua importância em Angola como Estado Unitário (artigo Nº8, da
CRA). Esta referência reforçada na Constituição da orientação descentralizadora trata-se
apenas de uma forma de impugnar no Tribunal Constitucional quaisquer diplomas legais
que levem o legislador a prosseguir uma orientação de cariz centralizadora

Princípio da desconcentração
Consequentemente, o princípio da desconcentração, também já estudada e num
sentido comparado ao da descentralização (apesar de não ser uma figura igual) pretende
que a Administração venha a ser cada vez mais desconcentrada, sendo que não estando
estabelecido como deve ser seguida essa desconcentração, sou da mesma opinião que o
Professor Freitas do Amaral, ambas as modalidades são possíveis: desconcentração
legal ou através de delegação de poderes. Há no entanto que referenciar que tanto o
princípio da descentralização como da desconcentração, têm na Constituição limites
instituídos “sem prejuízo de necessária eficácia e unidade de ação da Administração e
dos poderes de direção, superintendência e tutela dos órgãos competentes” , artigo 199.º
n.º2 da CRAdifere, fazendo por isso com que não sejam princípios absolutos.

Princípio do interesse público


Na prossecução do interesse público, a Administração detém flexibilidade para
decidir em cada caso concreto a melhor solução possível, do ponto de vista técnico e
financeiro, o que introduz um conceito importante: o dever de boa administração. Este
conceito está retratado no artigo 2.º da LEI DA ADMINISTRAÇÃO LOCAL DO ESTADO .
Apesar de se tratar de um dever da administração, não há consequências jurídicas no
caso da administração não utilizar os meios mais eficientes do ponto de vista técnico,
financeiro ou administrativo. No entanto, e apesar de existir garantias para os
particulares que podem ter como fundamento os vícios de mérito do ato administrativo,
bem como existem sanções para os funcionários, órgãos e agentes da administração que
não cumprem com os deveres de zelo e aplicação ou pratiquem atos ilícitos culposos,
não há maneira dos tribunais controlarem o mérito da ação administrativa.

Princípio da boa administração


Para falar-nos destes princípios buscamos um dos grandes pensadores que foi o
Professor Mério Aroso de Almeida. Assim Para uma boa administração ele vem-nos
explicar o triplo critério que são:
O critério da eficiência se identifica com a procura do máximo de rendimento das
atuações da Administração Pública;
- O critério da economicidade se identifica com uma lógica de menos gastos possíveis,
sem prejuízo dos gastos necessários ao regular funcionamento da Administração;
- O critério da celeridade se identifica com uma ideia de rapidez na atuação da A.P. e
com uma consequente desburocratização da mesma.

Assim acreditamos nós que os princípios apresentados neste artigo são de


estrema importância não desvalorizando outros princípios que fazem a administração
pública de Angola (que por nós não foi citado) correcta e justa na materialização e
concretização das do interesse da colectividade que devem sempre ser atendidas com
base a estes princípios que norteiam a administração.
Bibliografia

Almeida, M.A. (2015). Teoria Geral do Direito Administrativo. O novo regime do


Código do Procedimento Administrativo. 2ª edição, Coimbra; Almedina.
Di Pietro, M. S. (2010) Direito Administrativo (23ª ed.). São Paulo: Atlas.
Carvalho F, José dos S. (2012.) Manual de direito administrativo. 25 ed. São Paulo:
Atlas,
Diogo. F. Do A, 1994.Curso de Direito Administrativo Vol. I, 2ª edição, Almedina.
Legislação Consultada:

Constituição da República de Angola de 2010.


Lei nº 3/10. Lei da Probidade Pública. (29 de março de 2010). [I Série – N.º 57].
Luanda: Imprensa Nacional.
Decreto lei 16ª/96 de 25 De dezembro Normas de Procedimentos da Administração
Pública.

Sites Visitados

http://jukulomesso.blogspot.com/2009/02/principios-da-administracao-publica.html
https://evandroamaral.blogs.sapo.ao/a-administracao-publica-angolana-3940
https://dicionariodireito.com.br/principios
Conclusão

Ponderando tudo que foi visto atrás podemos concluir a gestão democrática é de
suma importância para implementação de políticas públicas sustentáveis, sendo que o
Estatuto da Cidade é o instrumento democrático de maior influência, pois aponta
directrizes básicas para uma planificação urbana estruturada e ainda, tem-se o Plano
Director que vem para efectivar a participação popular e gestão democrática na
elaboração de políticas públicas adequadas.
Portanto para uma boa administração administrativa quem no âmbito da
actividade quer no âmbito da organização administrativa devem sempre obedecer aos
preceitos legais previstos constitucionalmente e aos seus princípios que pelo que
pudemos observar neste artigo são de capital relevância nos serviços e na execução dos
mesmos, que a administração pública vai conceder a população.
Abstract

These principles are of great relevance to administrative law since many of


them are specifically directed towards public administration. Thus, we can distinguish
two strands of the general principles of administrative organization.

Firstly, we have the principles of Public Administration in an organic or


subjective sense that allow us to delineate how relations between administrative subjects
should take place.

Secondly, we point out the principles of public administration in a material or


substantive sense that establish how public administration should act in the exercise of
its administrative function.

Keywords: Administration, Public, Principles.

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