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lançamento deste livro, escrito pelas companheiras

Cinzia Arruzza, TíthiBhattacharyae Nancy Fraser. E

um manifesto,uma provocação,um chamadoà luta

feminista anticapitalista,ecossocialista, antirracista

internacionalista.

serviço das lutas das mulheres que sofrem cotidiana

mente no corpo a barbárie que sustenta o capitalismo radicalidade depende a própria sobrevivên

cia e a dignidadedos 99% dos quais fazemosparte

Não nos calaremos. Temos lado. Não vamos arredar o

corporativo

troso para as mulheres da classe trabalhadora, nem é

o "feminismo de microcrédito", que alega "empoderar"

HIHIHgB

!i!!Bq11neHleülHBllBql11ellggBlql111global ao emprestar-lhesp!!ç1111ç!!!!!N

perança são as greves feministasfeitas por mulheres

em 2017 e 2018.

São

ra corporificam

essas

greves

e

inspira ram

os movimentos

desenvolven

Cinzia Arruzza, Tithi Bhattacharya, Nancy Fraser

n U que o patriarcalismo, a apartação e a desigualdade imperam. E um século de
n
U
que o patriarcalismo, a apartação e a
desigualdade imperam. E um século de
múltiplascrises: social, económica
política, ética, ambiental, cultural,de
dentidade, de pertencimento, de escolha
H
R
do problema, a soma das interações
das crises múltiplasque assolam o
H
planeta, não pode nos paralisar.

que o capitalismo

de enfrentamentos, próprias para cada

ocal, cada cultura,cada situação. Embora

coordenação dos esforços, a articulação

nem as esquerdas diversidades

respondem

de aspirações ou

Flk«el:l:K61P lillllllõlõH

As relações de poder precisam ser revistas transformadas - sejam elas

a

OB5ejuouuolduioooeounuoç5eioldxo

opueAlllnosog5eloi'seAlleioqelooseAlloloo

opueuoloollpousouoluouuesuodelede opueinlnilsooi

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E

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© 20 19: Boitempo

(desta edição)

©

2019,

I'odes

Gius.

Laterzã

&: Fig1i

os direitos reservados

V luxo OliÜna\l Femin s } Íb

the 99 Percetlt; a ]Wan Êste

Z)/r?fáogfftz/ ivana Jiilkings

E#zfáa lsabeilaMarcatti

7}a2 fáa Heci Regina Candiani

/'rega/wfão Ihais Rlnkus

Reuído Carmen T S. Costa

Coo?z/r?zzfáa df pro#z/f.2a Livra Campos

C}P/z Hailina Beltrão Z)fízWam/zçúaAntonio Kehl

E4zí@edf apa/o:Ana Caro]inaMedra,Ana Yumi Kaji]d,André Alber{, Arttlr ]ienzo,]3ibiana

Leme: Clarissa Bongiovanni, Eduardo h4arques,Elaine Ramos, Frederico Indiana, Heleni Andrade, ívam Oiíveila, Kim Dona, Luciana Capelii, Marlene Baptista,Maurício garbosa, Raí Alves, RenamoSobres,chita Lama,Tubo Candiotto

A Boitempo agradece a NaEhalie Bressiani, Vara Frateschi, Agnese Gualdrini,

PautaMarian, 'l'alíriaPetrone, Mude! Saragoussi,Rogérlo So ii ejoênia Wapichana

que colaboraram para a realizaçãodesta edição.

C[P-BRAS]],. C/[lL\LOGAÇÂO NA PUBLICAÇÃO

SINDICX10 NACIONj\l

A82].f

Arruzza, Cinzia, i976-

DOS EDI'1'ARESDE LIVROS, R]

Feminismo para os 99% : um maní$esco/ Cingia Arrtizza, Tithi Bhattacharya,

NancyFraser; traduçãoHeci ReginaCandiani. - 1. ed. - SáoPauta: Boitempo,2019 ].28 p. ; 23 cm Traduçãode: Feminism6orthe99% .: a manifesto

;Prefácio à edição brasileirade Talíria Pecrone:

ISBN 978-85-7559-680-7

! . Feminismo. 2. Mulheres - História. 3. Mulheres - Condições sociais. história.

1.Bhattacharya,Tithi. !!. FraserNancy. 1111.Candiani, }íeci Resina.IV Titula.

CDD: 305.42

CDU; 141.72

MleriGleice Rodrigues de Souza - Bibliotecário CRB-7/6439

É vedada a reprodução de qualquer parte

deste livro sem a expressa autorização da editora

1: edição: fevereiro de 20 19

RoÍTF NÁP(lFnTTr)RTAT

Jinldngs Editores Associados Leda. Rüa PereiraLeite, 373

05442 000São PauloSP

['e].:(] 1) 3875-7250/ 3875-728S editor@boitempoeditorial.com.brl wwwboieempoeditoriai.com.br wwwblogdaboitempo com.br i www6cebaol( com/boitempo www.[witter,com/editoraboitempol wxwv.youtube:com/wboitempo

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Tese6: A violência de gênero assumemuitas formas,

sempre enredadas nas relações sociais capitalestas.

Prometemos combater todas elas.

57

Tese 7: O capitalismo tenra regular a sexualidade.

Nós

queremos

liberta-la.

67

Tese 8: O capitalismo nasceu da violência racista e

colonial. 0 feminismo para os 99% é antirracistae

an ti-imperialis

ta.

Tese 9: Lutando para reverter a destruição da Terra pelo

capital, o feminismo para os 99% é ecossocialista.

Tese 10: O capitalismo é incompatível com a verdadeira

democracia e a paz Nossa resposta é o

internacionalismo feminista.

75

83

87

Tese 11: 0 feminismo para os 99% convoca todos os

movimentos radicais a se unir em uma insurgência

anticapitalista comum.

Posfácio

Começando pelo meio.

Conceituando novamente o capitalismo e suas crises

O

que é reprodução

social?

Crise

da reprodução

social

A política do feminismo para os 99(%

Sobre as autoras

97

97

101

11]

118

125

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}2

na escola, sua história raramente é contada e sua resistência

é silenciada.

Carolina

é exemplo

da urgência

de reflexões,

necessariamentearticuladas, sobre raça, sexo, gênero e clas-

se. Eu mesma conheci Carolina muito depois de formada

professora, ao mesmo tempo que se deu a consolidação da

minha identidadenegra-- que também chegoutão tardia-

mente. Carolina de Jesus diz muito de um feminismo pro-

fundamente necessário. Mulheres como fora do nosso feminismo.

ela não podem ficar

O feminismo é uma urgência no mundo. 0 feminismo é uma

urgência na América Latina. O feminismo é uma urgência no

Brasil. Mas é preciso afirmar que nem todo feminismo liberta,

emancipa, acolhe o conjunto dc mulheres que carregam tantas dores nas costas. E não é possível que nosso feminismo deixe

corpos pelo caminho. Não há liberdade possívelse a maioria das

mulheres não couber nela. É disso que trata este potente e neces-

sário manifestoescritopor Cinzia Arruzza, Tithi Bhattacharya e

Nancy Fraser.Da maioriadasmulheres.Das 99%.

Nosso feminismoé sobre mulherescomo Dona Nininha.

Chefe de família, arrimo de filhos e netos, trabalhou a vida

inteira como trabalhadoradomésticapara construir a casa

onde viveu com a famílianuma favelaem Niterói, região

metropolitana do Rio de Janeiro. A chuva fez desabar um

trecho da escadariade acessoao morro e sua casa foi atingida

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que tombam, em especial, pelas mãos do Estado. O feminis

mo das 99% é antirracista.

Nosso feminismo é sobre mulheres indígenas, caiçarm, campo- nesas, ribeirinha, quilombolas e não pode ignorar que o Brasil

é o país que mais assassinadefensoresde direitos humanos do

mundo,

em especial ligados à luta pelo território e pela Justiça

ambiental. Nosso feminismo anda de mãos dadascom mulheres

como S6nia, atropeladapor um caminhão madeireiro,no Mara-

nhão, por lutar contra práticas ilegaisde extraçãode madeira no

território do seu povo. Segundo a Comissão Pastoralda Terra,

157 pessoas coram assassinadas nas últimas três décadas apenas

no Estadodo Maranhão em coníiitos no campo. Nosso femi-

nismo não pode prescindir de luta- pelo bem viver, pelajustiça

ecológica e pela superação da separação, que remete aos tempos

coloniais no Su] g]oba], entre homens, mu]heres e natureza. No

país em que a maior parte dos alimentos é envenenada, cm que a

soberania e saberes dos povos tradicionais são aniquilados, é pre-

ciso afirmar que nosso feminismo é indissociável da perspectiva ecológica do bem viver. 0 feminismo das 99(% é ecossocialista.

®

Nosso feminismo é sobre Luana, mulher, negra, periférica e lésbica, espancadae morta porque sc recusoua ser revistada

por policiais homens, no Estado de São Paulo. É sobre as tan-

tas transexuais e travestis assassinadas,a maioria negra, pobre,

scm direito à vida, no país recordede assassinatosde pessoas

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precisaser um compromisso teórico, político e prático do fe-

minismo para as 99%).Esse mani6esroé um chamado para um

feminismo vivo e pela vida, pela dignidade, pelafelicidade da

maioria das mulheres.

A formação da sociedadebrasileira foi marcada por desigual-

dades sociais, étnico-raciaise de gênero que permanecem

muito presentes. Nos mais de trezentos anos de escravidão, o

predomínio de uma elite agrária, proprietária e branca como

grupo socialdominante produziu profundas violênciaspara as

mulheres e especialmente para as mulheres negras e indígenas.

O patriarcalismo e a escravidão são constitutivos da sociabi-

lidade burguesa, possuindo expressõesespecíficasem lugares como o Brasil e outros territórios colonizados.

A consolidação do sistema capitalista no mundo está im-

bricada com a invasão e a dominação dos territórios latino-

-americanose a imposiçãoao mundo de um modelo de ser

humano universal moderno que corresponde,na prática, ao

homem, branco. patriarcal, hcrerossexual, cristão, proprietá-

rio. Um modelo que deixa de fora diversas facese sujeitos, cm especial as mulheres. O feminismo das 99% náo se furta do esforço de romper com essalógica colonizadora.

Até mesmo porque, mesmo com o fim histórico da coloniza-

ção,

esse modelo

de "universalidade"

persiste.

Os

grupos

so-

ciais que assumiram o poder nos processosde independência

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da exploração de trabalhadoras domésticas, de mulheres como

Dona Nininha.

Por isso, o feminismo das 99% é radicalmen-

te anticapitalista. [)o mesmo modo, é preciso reconhecerque

muitas das formulaçõesanticapitalistasnão partem de uma

classetrabalhadora concreta: mulher, negra, indígena, vivendo

em territórios militarizados e com seus povos perseguidos.

Este manifesto chegaàs nossas mãos no momento de uma esticadacrise do capitalismoque precisaser mais debatida c

mais bem compreendidaem suas contradições.Pois é justa-

mente nesta fase de crise que se acentuam a desigualdade e a

concentração de renda, com os ricos cada vez mais ricos e os

pobres cada vez mais pobres. Em todo o mundo, observa-se

um giro do neoliberalismopara um novo período marcado

por práticas de selvageriado mercado e de ascensãode gover-

nos comprometidos com a sanha desseprometodo capital de

recuperação das antigas margens de lucro. O cenário da crise

tem se mostrado propício à retomada de projetos políticos em

diversos países, do primeiro mundo e periféricos, alinhados

com um neofascismo a serviço do capital.

A urgência do feminismo para os 99% se porencializaneste

momento de crise do capitalismo e ascensãointernacional da extrema direita. O contexto internacional apresenta o avan-

ço de um reacionarismoperigoso,que ganhaforça em países europeuscomo a França, em que Marina Le Pen, da Frente

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20

período,dá uma médiade 5 casosa cada24 horas. O hori-

zonte é sombriamente ameaçador c exige um novo patamar

de organização da luta de resistência.)

Nosso feminismo das 99%) é internacionalista.

Nenhum momento poderia ser mais propício para o lança-

mento deste livro, escrito pelas companheiras Cínzia Arruzza,

Tithi Bhattacharya e Nancy Fraser.É um manifesto, uma pro'

vocação, um chamado à luta feminista anticapitalista, ecosso- cialista, antírracista, internacionalista.

O feminismo que nos interessaé o feminismo compromissado

com o direito à vida, com o bem viver, com a liberdadecarac-

terizada pela responsabilidade com o outro e com a natureza.

Porque nem todo feminismo serve a todas as mulheres, à hu-

manidade, ao planeta. Precisamosavançarcontra o feminismo do 1% que detém mais da metadeda riqueza deste mundo às custasda exploração e da opressão da maioria.

Este manifesto é um instrumento a serviço das lutas das mulhe-

res que sofrem cotidianamente no corpo a barbárie que sustenta

o capitalismo. Da nossa radicajidade depende a própria

sobrevi-

vência e a dignidade dos 99%) dos quais Êzemos parte. Não nos

calaremos. Temos lado. Não vamos arredar o pé

das ruas.

Se

este

manifesto

é planetário,

como

um

dia

Goi o iMzz# Áef/a

de Marx e de Engels, também, como aquele,é revolucionário.

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eJ]UO)oolpJ)ovas'oiSaut?Tadoç5t?zlTt:uluulnsapop'o]ioqe

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t?Tadpp!'tst:p'saJaqTnuuoçNiodost?)t?Toy'ept?ulsspsspulo)

'slt:lt?lsa-t?ieduit:it?3elNonas'odimOnaso:ilijdsaap't?lnl'oçu

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oi)t:nbse.i!]assauodimt:3slp!)osa'oliF3iaqlTuunoupsa[up

aaJsa'oiAlTapoJln'opouu?uJno)sayluewanbeiuoq

aTTalitl'yast?po)sesaiaqlnuüanbouuo)rlaui?]op!sçspnl

22

para tentar salvar a humanidade e o planeta. Marielle sempre

citava a mensagem ubunru "cu sou porque nós somos". Essa

frasetem tudo a ver com a luta a que nos convoca estemani- festo: mulheres de todo o mundo, uni-vosl

t:pt?qTTzni)u'l

epeilsluluüppiodsaiaqTnuiaape3auaapsopo)sesaJeTassou-pt?

oç3enloJlnulioqlauuasapelauisopsasledast?pstsaiduuaasse

IÁiatlS'giaqput?Sasslpot?opunuuanbsoft?Jit?Jsa,,ulaeu:rn-!s

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suauuoqaanbOEU,,souuejiaAapitnyse)!aysT)t:s

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OAlJafqoiapllaJuaodxaopouasluluaay

osopeJslnbumiodolawapeuunapnll3pauuJyouopunulsop

oçut?qualolmaJapit?psçsaiaqlnuiooqlasuo)apanbo-sins

uuauioqanbnluulidnsEOE5t?3uauut?lnBaiEtTt:z)h.)aailS'--t?Ta

oliFlai3asopoinosalsopsopé?ls']'sop]uOÁiit?]siauauunS--

saglunaiap't?!jODJlpeNoç5Tpumapayaq)-xaapa3aulqeSop

leJloxasaiat]]nuiseAiln)axae.iazeylaaaJuo)pz/272lr][z/zula

'oAl3piodio)Siaqput?Spft?!APqopl3qoauiouala)(OJtaquTPot?

se!)graupaaooquluunslpuull3Fypit?dEapt?plt:ng!apoiau?S

e]noiedePqut:ds]u[[o:)Eoçsap13apslpuuapçsagq]Tuiap

t?Tanbt?NIeulsaua'e.iaAt:uilidt:uaneA1lt?quemaAaaS-sluluuay

2G

participantes

à

marcha,

as organizadoras

da Aae@zz.Pmí7z/s/.z

de 24 horas exigiam "uma sociedadelivre da opressãosexista,

da exp]oraçãoe da violência

aliança entre o patriarcado e o capitalismo que nos quer obe-

dientes, submissas e caladas". Enquanto o sol se punha em

Madri e Barcelona,as grevistasfeministasanunciavamao

.] por rebeliãoe luta contra a

mundo:

"Em

8 de março, cruzaremos os braços, interrom-

pejndo] todas as atividades produtivas e reprodutivos", decla-

rando que não "aceitariam condições de trabalho piores nem recebermenos do que os homens pelo mesmo trabalho".

Essas duas vozes representam vertentes opostas para o movi-

mento feminista.De um lado, Sandberge sua laia veem o

feminismo como serviça]do capitalismo. (querem um mundo

onde a tarefa de administrar a exploração no local de trabalho

e a opressão no todo social seja compartilhada igualmente por homens e mulheres da classedominante. Esta é uma visão no-

@ távelda #om/mzfáo fom oporfzzn/dareiÜz//z/l:aquela que pede ê quc pessoascomuns, em nome do feminismo, sejam
@
távelda #om/mzfáo fom oporfzzn/dareiÜz//z/l:aquela que pede
ê
quc pessoascomuns, em nome do feminismo, sejam gratas
por ser uma mulher, não um homem, a desmantelarseusin-
®
dicato, a ordenar que um #romfmate seu pai ou sua mãe ou a
trancar seus filhos em uma jaula na fronteira. Em nítida con-
W

traposição ao feminismo liberal de Sandberg, as organizadoras

da- bueLga feminista

l.ns\atem em põr.Fm

'zo capitalismo.

o siste-

ma que cria o chego,produz asfronteiras nacionais e fabrica os

dro/zes que as vigiam.

ezanbasesosan)aasleinJeuun?jassopé:qll3iedwmiodsop03a

noinSysousoquosslt?uu:soppAaTauunopunwOJsnft?Ín)-Ti

'TaAJssodOOlJnoeluodpeatduunodl3apopunuianb)iduaas

t?OJuodapaslt?ulo]TaAJ)aqumaii!as?anbt?lamaus?uuJad

Euune)aueld'opt?serieoult?nbt?mplaeutuinq?t?peiadnedap

ytlstopsa)uozlioqt:aedt?'apeplut?uunquuQoqultutnznpum

souae]]uiat?uan'ept:qllznmua'aopuapuadapapassou'eqTO)sa

sppe3uoJyuo:)uuo)sessasenpsagsTAap'ouuslultuaysou-uo)ua

W

aptot:apt?plcnB!at?apt?piaqTTult:Ías'spssluuaidoçusag5eildst:

t?uiolEtqlmsaa3u)Bintit:dsgualsauoluauiouJ?t:e!)u?snt:

Oasse.iluo)oçueljapodlasslt:u-íouuailxaONI'oJut?Juaoanb

apianbTt:nboquluimoliFlpauiaalu!'laAFIAsouJaAa(]e-sonsa

t?Jaopt?ioTdst:sag51pumapt?pTAuialEiaSt:it:depJspAeTiolt:uü

'm!]oplpua3slpspssousapo:p!)t:dmslt?T)osot:o)uodap-n]dnJ

't?iaysounEopt:zlit:ln)mplat?po)oç5ua3ulapouiaAoS-ynouiap

opt?iqtsoladsoui1llDt?Juaienb'souesgdyla]opt:uauaAuat?

elig)ppaid3t:ppzlilmut:uyopouuslTeJldmanbnoiaduü!-unha

zasapseA1lEuiallrOE:ouiís11eiaqlToauessapuloua3uaunEuuallxa

sep'seossadessaoçslaAopouus11eJldmnoTTduuesesepiadap

se)sluluaayumAaplluansspEuun:oç51sodsoulalenu1luo)t?-snq

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suuuioyselsapouiuuast:qltlpqsltduumJOdp!)u?ATAaJqosqoS

sepoJst:st?Jnl'sle!)osopus?uiioysueiJso5ioysasolpsuasiod-al

ltnsapt3plunJiodo,,slt:nS!ap

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êpuulanbnOsouueAit:JloAEJt3UlBeUUIEe5TJsnfapoiau?Suua

um modelo anticapitalista

crise atual, para uma nova sociedade?

aquele que conduz para além da

Este manifesto é um guia para o segundo caminho, uma rota

que julgamos tanto necessáriaquanto eactível.Um feminismo anticapitalista se tornou imaginável na atualidade, em parte

porque, ao redor do mundo, a credibilidade política das elites

está desmoronando. As perdas incluem não apenas os partidos

de centro-esquerda e de centro-direita que promoveram o neo-

liberalismo -- agora restos desprezados do que foram no passa'

do --, mas também suas aliadas feministas ao

estilo Sandberg,

cujo verniz "progressista"perdeu o brilho. O feminismo li-

beral enfrentou sua grande derrota na eleiçãopresidencial de

20 16 nos Estados Unidos, quando a tão alardeada candidatura

de Hillary Clinton não conseguiu entusiasmaras eleitores.E

por um bom motivo: Clinton personificoua dissociaçãocada

vez mais profunda entre a ascensão de mulheres da elite a altos

cargos e as melhorias na vida da vasta maioria.

A derrota de Clinton é nosso sinal de alerta. Ao expor.a fa-

lência do feminismo liberal, ela criou uma abertura para sua

contestação pela esquerda. No vácuo produzido pelo declínio

do liberalismo,temos a oportunidade de construir outro fe-

minismo: um feminismo que traz uma definição diferente do

que conta como questãofeminista, uma orientaçãode classe

diferente, um éróasdiferente -- radical e transformador.

@$

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aJs:lOJsaylueuu?pesout:Al3t:!)!u!t:aed.iaAou.íoadasma"olJno,,

'cppust?uieit:dapFulsst:t?plAt?last:pliio)iadeuuyapie5utnlt

'ouisTuluiayOENsouaaAansat?it?diPaulTapeuuneld03n-lSpuu!

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omizz/zmél/'dauzfo%66spuadypssapeuiioyeladoç5t?!)osso

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souiaAapsou-ílunEsoalhosoluauilAouiseJslttJldtnTJut?a-um

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'niadsopé?3s]'sop]uO'031x?]'yaTlq:.)ast?uazapapsollnoy

st?uiuut?il3n)iadaia)uauJpsua)UTolad:oqolB'souutiedstiJosoN#

elpluiat:p'ml3JlodoyoSuolsopsoui!)ITstop'soupsuas-al

'allíiJSa/)h.#'souiaiantl)soNseAÍA#'soual'yt:uíllN#'df'lsauu!.L#

oçJuaBwnauu.loba:aJualio)wnOrouoJuawlAowe3slulway

66aqJpuslultua:l#ONo!)Ju!t?uln't?loipuuslodapt:uln't?puo

32

global que pode adquirir Garçasuficiente para romper alianças

vigentes e alterar o mapa político.

O que havia sido uma série de ações nacionais se tornou um

movimento transnacionalem 8 de março dc 2017, quando

organizadorasde rodo o globo decidiram entrar em grevejun-

tas. Com esse golpe corajoso, elas politizaram novamente o Dia Internacional das Mulheres. Colocando de lado as quin-

quilharias cafonas da dcspolitização

as flores, os cartões e

as mensagens de felicitação --, as grevistas restabcleceramas

raízes históricas quase esquecidas dessadata: a classetrabalha-

dora e o 6cminismosocialista.Suas açõesevocam o espírito de

mobilização das mulheres da classetrabalhadora do início

do

século XX

de forma pragmática, greves e manifestações em

massa, na maioria conduzidas por mulheres imigrantes e ju-

dias nos Estados Unidos, que inspiraram as socialistasestadu-

nidensesa organizar o primeiro Dia Nacional da Mulher e as

socialistasalemãsLuiseZietz e Clara Zetkin a convocarum

Dia Internacional das Mulheres da Classe Trabalhadora.

Reanimando aquele espírito combativo, as greves eeminisras

de hoje estão recuperando nossas raízes nas lutas históricas pe- los direitos da classetrabalhadora e pela Justiça social. Unindo

mulheres separadas por oceanos, montanhas e continentes.

bem como por fronteiras, cercas de arame farpado e muros,

elas dáo um novo significado ao lema "Solidariedade é nossa

t3uuat:opuliqyoquluat3auaaolauiot:o)uauuelos!sopsolnui

'

Tpt)ua3ml3JTodopiapodst:p:saiaqTnuiox2podõ#pfqoÉ/zi

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'ossoou'olut?Juaoçu?:opn3as9oluauilAouuaJuaSiauia

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y)saopus'\oraioolig3mdaJapsag5t3ap'aAaagoldun?ou-std

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'opt:liplt:ssEoouls!'\!Jesepsaiaqlnuist?3slAaiSui?quut3aJt:q

slenboTt?lldtnas'p!)yauaqseusseTadslt?nboçu.eSpd']

'sepeuiofselauu?qu.ít:lw?]ouuo]OATt?oolp?sst?at?oçssaige

oç]'t:]slqTt?qt?i)aSuolapasJt?[JU»umst:uadt?uuasoliylt?sa

u]u]euunoçslAa3uagut?iqtaiposoanb?optaapísum-sanb

ouanbzlp03Tadsait?oqlt?qeiJ'opt?iaunuiaJst:st?lslAaaS-opt:

â

34

Í

Í

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sexual, as barreiras à justiça reprodutiva e a repressãoao di-

reito de greve.

Como consequência,a nova onda feminista tem potencial

para superar a oposição obstinada e dissociadoraentre "po-

lítica identitária" e "política de classe". Desvelando a unidade

entre "local de trabalho" e "vida privada", essaonda se recusa

a limitar suas lutasa um dessesespaços-E, ao redefinir o que

é considerado "trabalho" e quem é considerado "trabalhador",

rejeita a subvalorização estrutural do trabalho -- tanto remu-

nerado como não remunerado -- das mulheres no

capitalismo.

No geral, o feminismo das grevistasantecipa a possibilidade

de

ta, internacionalista, ambientalista e antirracista.

uma fase nova e sem precedentes da luta de classes: feminis-

Essa intervençãoé oportuna. A militância das mulheresgre-

vistas irrompeu em um momento em que sindicatos anterior-

mente poderosos, baseados na produção fabril, coram bastante

enfraquecidos. Para

voltaram para outra arena: a agressãoneoliberal ao sistemade

revitalizar a luta de classes,as ativistas se

saúde, à educação, às pensões e à habitação. Ao atingir essa

outra ponta das quatro décadasde ataque do capital contra

as condições de vida da classe trabalhadora e da classe mé-

dia, elasexercitaram suas visões sobre trabalhos e serviços que

são necessários para sustentar seres humanos e comunidades

sociais.É aqui, na esferada "reproduçãosocial",que hoje

aps7#ppsaio)aTO)aseio)almapox11t:ut?!pu!sep03-!znpuoo

sopçp)nTenumeoç5t?zl3t:Alidt:penSTeut?puplilasçsaAaiB

eQppuoeJslAaiSapSeJOSSayOidasaiossayoidsousope3s:l-luO

souit:JJumuaseJlnulst:psleuust?AIJpquumSaAaJS3seT3u?Jslsa.i

c ilznpoidaiassout?plAoeouasauloduiaJanbasuaagdot?ens uio]'aTaui?quis:lst:lauiezTioltAoOqTeqt:J)oliyssmaulied C
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ouusluluiayppaAaiBapsaiaqTnuinlti)t:ulnOTduut:olodpap

uuç)ly'osslpuiasasjt?douço)'EulJuaSiyt:qut:ds:la'e11y)lo

st5ioyanbasuuagdo

'appplialsneoçNst?uadEsaiaqTnua

'tn1lqtid'oÇ5pJlqetlaliodsuei)asag5aJoid'slt:)ualquüp-sy

OJuawjAouit?lJumt?ept?ilJaiapsopunJt?ied'spTmsaapges

ui?qun:)'suauioqasuuellunSÇsapueJSsag5t?3saylueuiop

st:ossadanboçuasuüequlTt:çapt?pluuioyumap'oiau?Ssew

'ullsiodolauut:poç5Tsodoot:anbt?)t?oplt?31dmoilmupuye

sassasuam,,'

smllqDdspSaAaJSselsTuluiayoçJsaasOPUS?UJO)

oiopt?sllp)maoOTapouueit?dst?A1le!)!u!saJuaSut?iqt:E-uayap

iapst?usousapepiunmm

Em resumo, a nova onda de atavismo feminista combativo está

redescobrindo a ideia do impossível, reivindicando tanto pão

como rosas:o pão que décadasde neoliberalismotiraram de

nossas mesas, mas também a beleza que nutre nosso espírito por meio da euforia da rebelião.

© ]eioqapOT-Fiadas W asar:ZOowsTUTuiqTt3iaqTTf)saopTTty ©
©
]eioqapOT-Fiadas
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asar:ZOowsTUTuiqTt3iaqTTf)saopTTty
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a3ioNI'TeqoTSalJuat?tpruim'leuoTssyoid-Tp!)uaiagalay3sa

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sppelBaTIAíidaTnsaEt:Tnbit?ialqt:ATIEJOdiO)asesaga)sast:p

opmTpa(lEi1lluiJadanbwnouanbadOJaulUUapsaiaqTnua

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apeppppaseqou'opniawanbaspzluowit:qaluauip)!ayiad

ioquilauapume

oç5puluilnslp,,aepuayapEapppiaq11,,

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'E!)pi30:11iauuui:lzaAapJnsnqJITOqtEPlnbit:Jalq'Tp!)os

ap'saJaqlnulnaSoilapepia'\OAlJafqoOÇU?'aptpTenS!SEuu

ao03uauieiapodwaslaAJssodui!pipdt:uinPTdun?t:1lolt:w

lz]sppsag51i3saismluugumao!)osanbUnUJO]EaptpiaqlT

êã$ê

®

visa a "diversifica-la",

"empodcrando"

mulheres "talentosas"

para ascender ao topo. Ao tratar as mulheres como "grupo

sub-representado", suas proponentes buscam garantir que al-

gumas poucas almas privilegiadas alcancem cargos e salários

iguaisaos dos homens #esz/aPr(@r/ rZaiie.Por definição, as

principais beneficiárias são aquelas que já contam com con- sideráveis vantagenssociais, culturais e económicas. Todas as

demais permanecem presasno porão.

Completamente compatível com a crescente desigualdade,o feminismo liberal tercciriza a opressão. Permite que mulheres

em postos profissionais-gcrenciais.Param .zro tecerprecisamen- te por possibilitar que elasseapo/emsobre mulheres imigrantes

mal remuneradasa quem subcontratampara realizaro papel

de cuidadosas e o trabalho doméstico. Insensível à classee à

etnia, essefeminismo vincula nossa causa ao elitismo e ao in-

dividualismo. Apresentandoo feminismo como movimento

"independente", elc nos associaa políticas que prejudicam a maioria e nos isolam das lutas que se opõem a essaspolíticas.

Em resumo, o feminismo liberal difama o feminismo.

O éíÁoi do feminismo liberal encontra-senão apenas com

as convenções corporativas, mas também com as correntes

supostamente"transgressoras"da cultura neoliberal. Seu caso

deamor com o avançoindividual permeiaigualmenteo mun-

do das celebridades das médias sociais, que também confunde

ouasluluiayuumoçsumst?apsaiaqTnuiOlut?nbuasonpJAlpu!

c

assar'opunuio

ouisluluaay,,alto)oo)STiapasit:ulo]pum

i#ygfzzqopoJuauuouiauunoln)JaAap'OÇ5OUiOJdO)ncsouaui

OPt:31TdeEip)JaqltEp1lolpuiopanbEaaAouioidEpliouluu

'«stlsTSopelD'oepwalslsoilmut?uyleqoTSsousopPls]-!uO

we:luar0Tt?)!dt?3Tt:qoTSuiaJpi:lait:!sseuisauuouço:.)-saião.id,

pumt?lneap'oç5t?d!)upuuaaTaa31uuiadanbsese5ioyanb-sns

o]t?ipdo'ouis11tiaqlToauopus:]ln)OsmlJJlodSEAlssaJgaiqos

'oE:luluia'jEJaSoouasluluiayTpiaqlTmaiayoo!q11y-!ayiad

'sopot?ousauioduialanbmaiayoeinliaqm

tlqqouit:Ts!pu

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soligllnsaslt?uü'sosonxnTsouuaianbsouit?iA11apSO]Da

adulase'se)tnaguolapitiqaTmspS093anbuuedn)ose

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E!sseuüsauuouumsaJut?Jga)u!ppasspT),,

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42

í

capital as explora. E isso não é tudo. Esse feminismo não se

limita às "questõesdas mulheres"como tem sido tradicional-

mente definido. Defendendo todas as pessoasque são explora-

das, dominadas e oprimidas,

ele tem como objetivo se tornar

uma conte de esperança para

a humanidade. É por isso que o

chamamos

feminismo para os 99%.

Inspirado pela nova onda de grevesde mulheres, o feminismo

para os 99% estáemergindo do cadinho da experiênciaprá-

tica, tanto quanto possívelinfluenciada pela reflexãoteórica.

Enquanto o neoliberalismo remodela a opressão de gênero diante de nossos olhos, vemos quc a única maneira de as mu-

lherese as pessoasnão alinhadasà conformidadede gênero

atualizarem os direitos que têm no papel ou que ainda podem

conquistar é transformando o sistema social subjacente que

oculta nossos direitos. O aborto legal, em si, faz pouco pelas

mulheres pobres e da classetrabalhadora que não têm nem

recursos para pagar por ele nem acessoa clínicas que o rea- lizam. Em vez disso, a justiça reprodutiva exige assistênciaà

saúde gratuita, universal e não lucrativa, bem como o fim de

práticas racistas e eugenistas na profissão médica. Da mesma

maneira, para as mulheres pobres e da classetrabalhadora, a

igualdade salarial pode significar apenas igualdade na miséria,

a menos que venha com empregosque paguem pisos salariais

generosos, com direitos trabalhistassubstanciais, que possam

ser reivindicados, c com uma nova organizaçãodo trabalho

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OouJsluluiayliedse%(;6tDJeqEt:t:lnTapsassepao-pquum

migrantesou brancas; cis, trans ou náo alinhadas à conformi-

dade de gênero; que se ocupam da casa ou são trabalhadoras sexuais; remuneradas por hora, semana, mês ou nunca remu-

neradas; desempregadas ou subempregadas; jovens ou idosas.

Incondicionalmente

firmemente

internacionalista,

esse feminismo

se opõe

xa oi

ao imperialismo

e à guerra.

O./ãm/m/imc7 p

99%

não é a))Chás antineoliberül,

mas também

anticcLpitüLista.

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46

servindo-se de todas essas coisas sem pagar por sua substituição

(excito seé obrigadoa Cozerisso). Preparadopor suaprópria

lógica para degradar a natureza, instrumentalizar os poderes

públicos e recrutar o trabalho não remunerado do cuidado, o

capital desestabiliza periodicamente as próprias condições das

H

quais ele -- e o resto dc nós

depende para sobreviver. A crise

está entranhada em seu DNA.

A

anual crise do

capitalismo

é especialmente

severa.

(quatro

W

décadas de neoliberalismo derrubaram os salários, enfraque-

ceram os direitos trabalhistas,devastaramo meio ambiente

e usurparam as energiasdisponíveispara sustentarFamíliasc

comunidades -- tudo isso enquanto os tentáculos do sistema hnanceiro se espalhavam pelo tecido social. Não é de admi-

rar, portanto, que as massas por todo o mundo agora digam

H

"B,ziía.f'.

Abertas

a pensar

de

forma

não

convencional,

elas

estão rejeitando os partidos políticos estabelecidosc o senso

comum neoliberalsobre a "competiçãodo livre mercado", a

"economiado gotejamento",a "flexibilidadedo mercadode

trabalho" e a "dívida insustentável". O resultado é um imenso

vácuo de liderança e organização -- e uma sensaçãocrescente de que alguém deveceder.

O feminismo para os 99% estáentre as forças sociaisque se

lançaram nessabrecha. Nós, entretanto, não dominamos o

terreno. Em vez disso, compartilhamos o palco com diversos

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48

o processo de transformação social? Segundo o interessede

quem? E com que flm?

Esse tipo de processo, pelo qual a crise generalizadaconduz à reorganizaçãosocial, ocorreu muitas vezesna história moder- na -- sobretudo em benefício do capital. Buscando restaurara lucratividade, seus paladinos reinventaram o capitalismo re-

petidas vezes -- não apenas reconfigurando a economia oficial,

mas também a política, a reprodução social e nossa relação

com a natureza não humana. Ao Fazerisso, eles reorganizaram não apenas a exploração de classe, como também a opressão

racial e de gênero, muitas vezes se apropriando de energias

rebeldes (incluindo

energias feministas)

para projetos

que be-

neficiampredominantementeo 1%.

Esse processo será repetido hoje? Historicamente, o ] % sem-

pre foi indiferenteaos interessesda sociedadeou da maioria.

H Hoje, porém, ele é especialmente perigoso. Em sua busca obs-

tinada por lucros de curto prazo, elefalha não apenasao ava-

liar a profundidadeda crise, mas tambéma ameaçaque ela

representa, no longo prazo, à saúde do sistema capitalista em

si: prefereperfurarem buscade petróleoagoraa garantiras

condições ecológicas para os próprios lucros futurosl

Como resultado, a crise que enfrentamos ameaça o gae canóe-

crmoipar z,/dd.A luta para superar a crise Cazas mais funda-

mentaisperguntasde organizaçãosocial: onde vamos traçar

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$$

52

opressãodas mulheres e, ao mesmo tempo, virou o mundo

de cabeça para baixo.

A perversidade se torna nítida quando relembramos o quan-

to o trabalho de produção de pessoasé, na verdade, vital e

complexo. Essa atividade não apenascria c mantém a vida no

sentido biológico, ela também

cria e mantém nossa capacidade

de trabalhar -- ou o que Marx chamou de "corça de trabalho"

E isso significa moldar as pessoascom atitudes, disposições e

valores, habilidades, competências e qualificações "certas". Em

resumo, o trabalho de produção de pessoassupre algumas das

precondiçóes -- materiais, sociais e culturais -- fundamentais para a sociedadehumana em gerale para a produção capitalis- ta em particular. Sem ele, nem a vida nem a força de trabalho

estariam encarnadas nos sereshumanos.

@

Chamamos esseamplo corpo de atividade vital de rrpro#z/-

ção social.

Nas sociedadescapitalistas,o papelde fundamental importân-

cia da reprodução social é encoberto e renegado. Longe de ser

valorizada por si mesma,

a produção

de pessoas é tratada como

mero meio para gerar lucro. Como o capital evita pagar por

essetrabalho, na medida do possível,ao mesmo tempo que

trata o dinheiro como essênciae finalidade supremas, ele rele-

ga quem realiza o trabalho de reprodução social a uma posição

de subordinação --não apenaspara os proprietários do capital,

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54

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médicas, entre outras, a garantir que as crianças fossem rigida-

mente conformadas como meninas-cise meninos-cis e como

heterossexuais.Portanto, os Estados modernos com frequência

tentaram instrumcntalizar o trabalho de produção de pessoas

para projetos nacionais e imperiais. incentivavam os nasci-

mentos

do tipo

"certo"

enquanto

desencorajavam

aqueles do

tipo "errado", desenharam políticas de educação e família para

produzir não apenas"pessoas",mas (por exemplo)"alemães",

"italianos"

ou "estadunidenses",

que podem

ser convocados

a

se sacrificar pela nação quando necessário. Enfim,

o atributo

classistada reprodução social é fundamental. O esperado de mães e escolasda classetrabalhadora era preparar as crianças

para viverem como "trabalhadorase trabalhadores" perfeitos:

obedientes, deferentes para com chefes, preparados para aceitar

"seu posto" e tolerar a exploração. Essas pressões nunca funcio-

naram perfeitamente -- na verdade, até mesmo fracassaram, por

vezes de forma espetacular. E algumas delas estão se atenuando

hoje. Ainda assim, a reprodução social se encontra profunda- mente entrelaçada à dominação -- e com a luta contra ela.

Uma vez que compreendemosa centralidadeda reprodução

social na sociedadecapitalista, não podemos mais encarar de modo habitual a classe.Contrariamente ao entendimento tra-

dicional, o que produz a classena sociedade capitalista não são

apenas as relações que diretamente exploram a "mão de obra",

mas também as relaçõesque a geram e a repõem. Tampouco

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$$ã

H @ % Tais conflitos sempre foram fundamentais para a sociedade ca- pitalista, que se
H
@
%
Tais conflitos sempre foram fundamentais para a sociedade ca-
pitalista, que se vale do trabalho reprodutivo, ao mesmo tem-
po que renegaseuvalor.As lutas da reprodução social, porém,
são especialmente explosivas hoje. Enquanto o neoliberalismo
@
exigemais horas de trabalho remunerado por unidade familiar
e menos suporte estatal à assistência social, ele pressiona até o
limite famílias, comunidades c (acima de tudo) mulheres. Sob
essascondições
de expropriação universal, as lutas cm torno da
H
reprodução social ocuparam o centro do palco. Agora formam

M

a linha de frente de projetos com potencial de alterar a socie-

dade por completo-

asar:gye!)u?TOT'\apoiau?Saulnsse

se3Tnui'seunioyaiduüasst?pepaiuaseu

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poder sobre a vida c a morte das pessoasque deles dependiam --

para a família nuclear heterossexual e restrita da modernidade

capitalista, que conferiu aos homens "humildes" que comanda-

vam famílias menores um direito atenuado de dominar. Com

essamudança, o caráter da violência de gênero baseada no pa-

rentesco Goitransfigurado. O que no passado era abertamente

político se tornou "privado": mais informal e "psicológico",

menos

"racional"

e conrraZa2o. Muitas

vezes incitado

pelo ál-

cool, a vergonhae a ansiedadeem relaçãoà manutençãoda

dominação, essetipo

todos os períodos do desenvolvimentocapitalista. No entan-

to, torna-se particularmente virulento e difuso em épocas de

crise. Nesses momentos, quando a ansiedade em relação à pró-

pria condição, à precariedade económica e à incerteza política

Nguns

surge, também a ordem de gênero pareceestremecer

de violência de gênero é encontrado em

@

homens sentemque as mulheresestão"fora de controle" e a

sociedade moderna, com suas novas liberdades sexuaise fluidez

de gênero, está "cora do eixo". Suas esposas ou namoradas são

"arrogantes",

suas casas,

"bagunçadas",

e suas crianças,

"selva-

gens". Seus chegassão implacáveis, seus colegasde trabalho são

injustamente Favorecidos e seus empregos estão em risco. Sua destreza sexual e seus poderes de sedução estão em questão. Percebendo sua masculinidade ameaçada, elesexplodem.

Na sociedadecapitalista,porém, nem toda violência de gêne-

ro assume essa forma aparentemente "privada",

"irracional"

se.i)nOsod1loçsoJlnul'

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@ institucionalizada, rivalizam uns com os outros por prestígioe Í se vangloriam de abusar de
@
institucionalizada, rivalizam uns com os outros por prestígioe
Í
se vangloriam de abusar de mulheres. Além disso, algumas for-
mas de violência de gênero pública e privada formam um cír-
culo vicioso em que sereforçam mutuamente. Como o capita-
lismo atribui o trabalho reprodutivo sobretudo às mulheres, ele
restringenossa capacidadede participar de forma plena, como
iguais,no mundo do "trabalhoprodutivo", com o resultadode
que a maioria de nós acaba em empregossem futuro que não
pagam o suficiente para sustentar uma família. Isso repercute
na vida "privada", nos colocando em situaçãodesvantajosa,já
@
que nossa menor
capacidadede sair de relacionamentosnos
tira o poder nesse âmbito. O primeiro
beneficiário de todo esse
arranjo é, sem dúvida, o capital. No entanto, seu impacto é nos
tornar duplamente sujeitasà violação-- primeiro, nas mãos de
parentes próximos e nas relações pessoais; segundo, nas mãos
de agentes e promotores
do capital.
As
respostas feministas convencionais à violência de gênero
$
são compreensíveis, mas, ainda assim, inadequadas. A resposta
mais comum é a reivindicaçãode criminalizaçãoe punição.
Esse "feminismo carcerário", como tem sido chamado, acei-
ta como natural precisamente o que deve ser questionado: a
suposiçãoequivocada de que as leis, a polícia e os tribunais
mantêm autonomia suficiente em relação à estrutura de po-
der capitalista para contestar sua profunda tendência a gerar a
violência de gênero. Na verdade, o sistema de justiça criminal
@

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G2

ou promovem a independênciadas mulheresem relaçãoaos

homens são, na melhor das hipóteses, irregulares. Entretanto,

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um dos efeitos é cristalino: o m/fr(@mzznc/rzmemro zZZ/WC#Í# .z dependência, das mulheres em relação ü
um
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é
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dependência, das mulheres em relação ü seus crehres.
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o nó da dívida ao redor do pescoço das mulheres pobres e da
(
classe trabalhadora,
essa abordagem em relação à violência de
V
gênero impõe sua própria violência.
N

O feminismo para os 99% rejeita tanto a abordagem carcerá-

ria quanto a do feminismo burocrático em relaçãoà violência

de gênero. Sabemos que, no capitalismo, a violência de gênero

não é uma ruptura da ordem regulardas coisas,e sim uma

condição sistêmica.Profundamente ancorada na ordem social, ela não pode ser entendida nem reparada isoladamente em

relação ao complexo mais amplo da violência capitalista: a vio- lência biopolítica das leis que negam a liberdade reprodutiva; a

violência económica do mercado, do banco, do senhorio e do

v(

;

agiota; a violência estatalda polícia, dos tribunais e dos agen- tesprisionais; a violência transnacional de agentesde frontei-

ra, regimes de imigração e exércitos imperiais; a violência sim-

bólica da cultura predominante, que coloniza nossa mente,

distorce nosso corpo e silencia nossa voz; a "lenta" violência

ambienta) que corrói nossascomunidades e nossos habitats.

Essasdinâmicas, embora endêmicas no capitalismo, seexpan-

diram acentuadamenteno atual período de crise. Em nome

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64

Além disso,hoje, as leiscontráriasao interesseda classetra-

balhadora agravam a violência em setoreseconómicos que de-

pendem muito das mulheres. Em zonas de processamentode

exportação, como as 3 mil fábricas de montagem no México,

a violência de gênero é amplamente empregada como ferra-

menta de disciplina da mão de obra. Nas fábricas, chefese su-

pervisores usam estupro em série, ofensas e revistas corporais

humilhantes para aumentar a produtividade e desencorajara

organização trabalhista. Uma vez estabelecidasem uma zona de

processamentode exportação, é apenasquestão de tempo até

que essas práticas sejam generalizadas por toda a sociedade --

incluindo os laresda classetrabalhadora.

Nas sociedades capitalistas, portanto, a violência de género

não é autónoma. Ao contrário, ela tcm raízes profundas em

uma ordem social que entrelaça a subordinação das mulheres

à organização do trabalho com base no gênero e à dinâmica

de acumulaçãode capital. Visto dessaforma, não é surpresa

quc

o movimento

#MeToo

tenha

começado

como

protesto

contra o abuso no ambiente de trabalho nem que a primei-

ra declaração de solidariedade com as mulheres do merca-

do de entretenimento tenha partido de trabalhadoras rurais

imigrantes da Cali6órnia: imediatamente, elas reconheceram

Harvey Weinstein náo apenascomo predador, mas como có@'

poderoso, capaz de ditar quem teria permissão para trabalhar em Hollywood c quem não teria.

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L

modernidade

dade sexual. Como

liberdade individual,

autoexpressão e diversa

a escolha poderia não ser óbvia?

Na realidade, entretanto, nenhum dos lados é o que parece. Por

um lado, o autoritarismo sexualque encontramos hoje é tudo

menos arcaico. Embora apresentadascomo ordens divinas

atemporais ou costumes antigos, as proibições que busca es-

tabelecer

são,

na verdade,

"neotradicionais":

respostas

reativas

ao desenvolvimento capitalista, tão modernas quanto aquelas a

que se opõem. De modo similar, os direitos sexuais prometidos

pelas oponentes liberais são concebidos em termos que pressu'

põem asformas capitalistasda modernidade; longe de permitir

a real libertação, são normatizadoras, estadistase consumistas.

Para entender por que isso é assim, consideremos a genealogia

dessa oposição. As sociedades capitalistas sempre tentaram re-

gular a sexualidade, mas os meios e os métodos para issovaria-

ram historicamente. Nos primórdios do sistema, antes que as

relações capitalistas se estabelecessemde forma patente, cabia

às autoridades preexistentes(em especial igrejase comunidades)

estabelecer e impor as normas que distinguiam o sexo aceitável

do pecaminoso. Depois, à medida quc o capitalismo começou a remodelar toda a sociedade, ele incubou novas normas e modos

de regulaçãoburgueses,incluindo o binarismo de géneroe a

heteronormatividade sancionados pelo Estado. Sem estar con-

finadas à metrópole capitalista nem às classes burguesas, essas

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as grandescorporaçõesinsistemmais em uma única forma

normativa de Família ou sexo; muitas delas agora estão dispos-

tas a permitir que um número significativo de funcionários e

funcionáriasviva fora dc Famíliasheterossexuais iscoé, desde

que cumpram as normas, tango no local de trabalho como nas

ruas. Também nas atividades comerciais a dissidência sexual

encontra um nicho como fonte de imagenspublicitárias sedu-

toras, linhas de produtos, mercadorias que promovem um es-

tilo de vida e prazeres prontos para o consumo. Na sociedade

capitalista, o sexo vende -- e o neoliberalismo o comercializa em muitos sabores.

As lutas anuaisem torno da sexualidadetomaram o palco em

um momento de imensa fluidez de gênero em meio à juven-

tude e entre movimentos gz/rfr e feministas em expansão E

também uma época de vitórias legais significativas, incluindo

a igualdade de gênero formal, os direitos LGBTQ+

e o casa-

mento igualitário-- todos entronizadosna lei em uma lista

crescente de países mundo adora. Essas vitórias são fruto de

batalhas acirradas, ao mesmo tempo que reftetem importan-

tes mudanças sociais e culturais associadas ao neoliberalismo. Ainda assim, são ínerentemente frágeis e constantemente

ameaçadas.

Novos

direitos

contra pessoasLGBTQ+,

legais náo impedem

a agressão

que continuam a vivencial a vio-

lência de género e sexual, a falta de reconhecimento simbóli-

co e a discriminação social.

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$

'72

regulatórios de base estatal quc normatizam c impõem a fa-

mília monogâmica, com a qual a conformidade é o preço a

pagar pela aceitação de gays c lésbicas. Embora pareça valori-

zar a liberdade individual, o liberalismo sexual não desafia as

condições estruturais que incitam a homoGobia e a trans6obia,

incluindo o papel da Famíliana reprodução social.

Também fora da famíliao que passapor liberaçãosexualmui-

tas vezesreutiliza valores capitalistas.As

novas culturas hete-

rossexuais baseadas em relações sexuais e encontros on-linfa

conclamamas mulheresjovens a ser "donas" de sua sexuali-

dade, mas continuam a classifica-laspela aparência de acordo

com a determinaçãodos homens. Encorajando a "domínio

sobre o próprio corpo", os discursos neoliberais pressionam

as garotas a agradar aos rapazes, autorizando o egoísmo sexual

masculino de maneira exemplarmentecapitalista.

Da

mesma forma,

as novas formas de "normalidade

gay"

pressupõem

a normzz#2a#e capZia&iza.As classes médias gays

emergentessão definidasem muitos paísespor seu estilo de

consumo e seu direito à respeitabilidade. A aceitação dessa camada social não apenas coexiste com a marginalização e

a repressãoduradouras de pessoasgz/rrr pobres, em espe- cial de grupos étnicos minoritários, como participa da "la-

vagem rosa", quando as pessoasno poder citam a aceitação

de pessoas gays "sensatas", "corretas", para legitimar projctos

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forma de sociedadenova, não capitalista,que assegureas bases materiais da liberação sexual, entre elas o amplo suporte pú-

blico à reprodução social, redesenhadapara uma gama muito

mais ampla de famíliase uniões a6etivas.

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Muitas pessoas ficam escandal izadas com esses desdobramen-

tos, e algumastentaramresistir.Ativistas da Alemanha, do

Brasil, dos Estados Unidos e de outros lugaresprotestaram

em massa contra a violência

policial racista e as manifestações

de defensores da supremacia

branca.

.\lgumas pessoas estão

lutando para dar um novo significado ao termo "abolição",

exigindo o fim do encarceramento e da eliminação da ICE,

agênciado governodos EstadosUnidos responsávelpor fa-

zer cumprir as restriçõesà imigração no país. Outras pessoas

escolhem brincar com fogo: são os partidos de correntes de es-

querda da Europa que sugerem "cooptar" a direita opondo-se

ptp' mesmos à imiarâcão

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--

Nessa situação, as feministas, como todas as outras pessoas, devem assumir um lado. Entretanto, o histórico feminista ao

tratar da raça tem sido, na melhor das hipóteses,ambivalente.

As influentes sufragistas brancas fizeram reclamações explici-

tamente racistasdepois da Guerra Civil dos Estados Unidos,

quando os homens negrosobtiveram o direito ao voto e elas

não. No mesmo período, e por boa parte do século XX. impor-

tantesfeministas britânicas defenderam o governo colonial na

Índia em áreas "de civilizações" racialmcnte codificadas como

necessáriopara "erguer as mulheres pardas de sua condição

simplóría".

Mesmo

hoje, feministas proeminentes dc países

europeus justiâcam políticas contra pessoasmuçulmanas em

termos semelhantes.

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do "trabalho livre" e do "contrato salarial"só pede ter início devido à violenta pilhagem colonial e à "caça comercial dc

peles negras" na África,

vidão no "Novo Mundo"

seu recrutamento

forçado para a escra-

e a expropriação de povos indígenas.

Longe de ser interrompida quando o capitalismodecolou, a

expropriação baseada na raça de povos privados de liberdade

ou dependentesserviu, desdeentão, como condição oculta

para possibilitar a exploração lucrativa do "trabalho livre". A

distinção entre "trabalhadorese trabalhadoras"exploradosc

os demais, dependentese expropriados, assumiu diversasfor-

mas ao longo de toda a história do capitalismo -- escravidão,

colonialismo, ap/zrrór/ó/e divisão internacional do trabalho --

e Goiindistinta algumas vezes. Em cada fase, até o presente e

incluindo-o, a expropriação de pessoas racializadas permitiu

ao capitalaumentarseuslucrospor meio do confiscode re-

cursos naturais e capacidades humanas por cuja renovação e

reprodução ele nada paga. Por razC)essistêmicas, o capitalismo sempre criou classes de seres humanos racializados, que têm

sua pessoae seu trabalho desvalorizadose submetidos a ex-

plo pt\anão. Um feminismo

que é verdadeiramenteantirracista e

üntt- impericlLista também deve ser anticapitüListü.

Essa proposição é agora, quando a expropriaçãoracializada

avança potencializada. Ampliando

a desapropriação por meio

de dívidas, o capitalismo neoliberal de hoje promove a opres'

são racialem todo o mundo. No Sul global"pós-colonial",o

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à infraestrutura pública é desviada para o serviço da dívida,

com impactos especialmente desastrosos para as comunidades

de minorias étnicas -- segregadasem termos geográficose por

muito tempo privadas de recursos públicos para escolase hos-

pitais, habitação e transporte, fornecimento de ar e água despo- luídos. Em todos os níveis e em todas as regiões, o capitalismo

financeiro gera novas ondas de expropriação racializada.

Os efeitos desse esquema em pirâmide global também são mar-

cados pelo gênero. Hoje, milhões de mulheres negras e imigran-

tessão empregadas como cuidadosas etrabalhadoras domésticas. Muita vezes sem documentação e distantes da Família, elas são

simultaneamente exploradas e expropriadas -- forçadas a traba-

lhos precários e mal remunerados, privadas de direitos e sujeitas

a abusos de todo tipo. Forjada por cadeias globais dc cuidado,

$ua opressão possibilita melhores condições para as mulheres

mais privilegiadas,que evitam (parte) do trabalho doméstico e

perseguem carreiras exigentes. Como

algumas dessasmulheres privilegiadasinvoquem os direitos das

mulheres para dar apoio a campanhas políticas pelo encarcera-

mento de estupradoresnegros, perseguição de imigrantes e pes-

soasde origem muçulmana e para exigir que mulheresnegrase

muçulmanas assimilem a cultura dominantes

é irónico, portanto, que

A verdade é que o racismo, o imperialismo e o etnonaciona-

lismo são escoras fundamentais para a misoginia g?nrxaáz.zzóz

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carbonosos formados ao longo de centenas de milhares de anos

sob a crosta terrestre;e foi o cap/ía/que os consumiu em um

piscar de olhos com total descasoem relaçãoà renovação ou

aos impactos da poluição e da emissão de gases do efeito estufa.

Mudanças subsequentes,primeiro do carvão para o petróleo e

depois para o Eaturamcntohidráulico e o gás natural, apenas

intensificaram as emíss(5esde carbono, ao mesmo tempo que

descarregaram,

de forma

desproporcional,

os "efeitos

colate-

rais" nas comunidades pobres, com frequência formadas por

grupos étnicos minoritários, no Norte globale no Sul global.

Se a crise ecológica de hoje está diretamente vinculada ao ca-

pitalismo, ela também reproduz e agravaa opressão das mu- lheres.As mulheres ocupam as linhas de frente da anualcrise

ecológica, constituindo 80% das pessoas refugiadasem fun-

ção do clima. No Sul global, elas constituem a vasta maioria

da corça de trabalho rural, ao mesmo tempo que carregam a

responsabilidade pela maior parte do trabalho de reprodução social. Devido a seu papel central em prover alimentação, ves-

timenta e abrigo para a família, asmulheres representampar'

celadescomunalno trabalhode lidar com a seca,a poluição e a superexploraçãoda terra.De formasemelhante,no Nor-

te global, as mulheres pobres de grupos étnicos minoritários

estão desproporcionalmente

vulneráveis.

.Sujeitas

ao racismo

ambiental, elas constituem a espinha dorsal de comunidades

submetidas a enchentes e envenenamento por chumbo.

 

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projetosde "financiamentoverde", que dissolvema natureza

em um miasma de abstração quantitativa, as luras das mulhe-

res se concentram no mundo real, no qual a justiçasocial, o

bem-estar das comunidades humanas c a sustentabilidade da natureza não humana estão inseparavelmente associados.

A libertação das mulheres c a preservação de nosso plan'ta contra o desastreecológico andam de mãos dadas-- uma com

a outra e ambas com a superação do capitalismo.