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XXIV Encontro Nac. de Eng.

de Produção - Florianópolis, SC, Brasil, 03 a 05 de nov de 2004

Comparação entre o método de análise hierárquica e um modelo


decisório existente para a seleção de fornecedores de uma empresa
aeronáutica.

Mauricio Garcia Vieira (UFSC) vieiramauricio@bol.com.br

Resumo
Neste trabalho compara-se duas ferramentas de apoio à decisão para a seleção de
fornecedores para uma indústria aeronáutica - o método Kepner-Tregoe (KT) atualmente
utilizado pela empresa e o modelo de análise hierárquica (AHP) que foi modelado para esta
situação.
A análise mostra que os métodos se diferenciam no momento da atribuição de pesos para os
critérios decisórios e nas notas das alternativas. O método AHP mostrou-se melhor para
seleção de fornecedores dados as circunstâncias. Ele é mais trabalhoso e demorado, contudo
não exige um grande conhecimento de ferramentas de decisão, o que é muito importante
levando em conta que são várias as pessoas que utilizam a ferramenta e a seleção de
fornecedores é uma das atividades do grupo.
Sobre o método atualmente utilizado pela empresa, o Kepner-Tregoe, pode ser dito que tem
sido utilizado desrespeitando alguns conceitos como a forma de atribuição de pesos e notas.
Além disso, foi adaptada à tabela KT, um fator de risco que termina por descaracterizar todo
método de decisão.
Palavras chave: Análise de Processo Hierárquico (AHP), Ferramenta para auxílio a decisão
multicritério , Kepner-Tregoe.

1. Introdução
O mercado aeronáutico tem como peculiaridade não possuir uma imensa quantidade de
fornecedores no mesmo sistema. É muito comum empresas concorrentes como Boeing e
Airbus possuírem os mesmos fornecedores. O maior exemplo é a GE que fornece motor para
Boeing, Airbus, Dornier, Embraer e Bombardier.
Na indústria aeronáutica, seus fornecedores fabricam produtos de alta tecnologia, feitos sobre
encomenda ao ponto que boa parte do ferramental utilizado pelos fornecedores para fabricar
um determinado produto só serve para este produto e esse ferramental só tem valor para o
cliente que solicitou o produto. Dessa forma percebe-se que o fornecedor tem relacionamento
mais íntimo com a empresa.
Muitos fornecedores são encarados como parceiros de risco, isto é, eles entendem que se
aeronave não tiver um bom rendimento eles podem falir; os investimentos são altos e o boa
parte do retorno financeiro só é visto do mercado de reposição de peça. Alguns parceiros
fornecem para a produção quase pelo o valor de custo.
Uma outra característica do mercado é que o diferencial das empresas aeronáuticas se dão
pela qualidade do serviço prestado (manutenção, AOG, reposição de peça, etc.) e as condições
de garantias pois como muitos fornecedores são comuns, seus sistemas são semelhantes. Cabe
as empresas amarrarem os fornecedores com garantias maiores e uma busca incessante por
melhoria de custos de manutenção, confiabilidade, TAT (turn around time),etc.

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Essa característica da indústria aeronáutica de amarrar os fornecedores à empresa obriga com


que a empresa aeronáutica não falhe na escolha de seu fornecedor. É imprescindível que se
acerte de primeira. Dessa forma as ferramentas de auxílio à decisão são um grande apoio para
este quadro.
Dessa forma o trabalho tratará da comparação do modelo existente (KT) e da modelagem
AHP para o processo de seleção de fornecedor para indústria aeronáutica.

2. A Seleção de Fornecedor
No mercado Aeronáutico, quando se tem um sistema ou produto que se deseja adquirir de um
fornecedor, seja para a produção ou para o mercado pós-venda, envia-se RFPs (request for
proposal), que são os requisitos técnicos e comerciais exigidos, para os vários fornecedores
potenciais. Todo o trabalho de seleção dá-se pela pelos testes do produto e análise das
respostas desse documento e suas negociações subseqüentes.
Todas as áreas da empresa participam da seleção. Por terem focos diferentes as diversas áreas
(qualidade, compras, engenharia, comercial, programas, pós-venda, marketing, etc.) possuem
diferentes critérios para a seleção. Cada área usa uma ferramenta de auxílio à decisão para
obter uma melhor alternativa.

3. Modelo Atual de Auxílio à Decisão (KT)


Atualmente escolha do fornecedor é feita através de uma tabela KT (Kepner-Tregoe – vide
tabela 1) , no qual são avaliadas alternativas para 14 itens, que possuem pesos, de forma que
estes pesos e as notas das alternativas formam a nota final. Estes itens são justamente as
cláusulas do contrato de suporte pós-venda. Para dar as notas aos fornecedores são
comparadas suas as respostas às cláusulas do contrato enviado na RFP e o que foi pedido
nelas. Usam-se os pesos para ponderar as notas pois as cláusulas não possuem o mesmo
impacto sobre o suporte pós-venda. O somatório das notas ponderadas forma a nota final. O
fornecedor de maior nota é o que melhor corresponde a modelagem das expectativas da área
de Serviços ao Cliente.

TABELA DE PONTUAÇÃO: AQUECEDOR DE GALERIA

EMPRESA A EMPRESA B EMPRESA C

REQUISITOS PESO NOTA NOTA NOTA


(P) (N) (P) X (N) (N) (P) X (N) (N) (P) X (N)
1. SUPORTE DE CAMPO 8 3,0 24,7 2,8 23,0 2,8 23,0
2. SUPORTE TÉCNICO 6 2,5 15,3 2,8 17,2 2,5 15,3
3. PROGRAMA DE MANUTENÇÃO 6 3,0 18,4 3,0 18,4 2,0 12,3

4. GUARANTIA DE CUSTO DE
MANUTENÇÃO
21 3,0 62,3 4,0 83,1 2,0 41,6
5. CONFIABILIDADE DA FROTA 37 2,5 93,7 3,0 112,5 2,0 75,0
6. MANUTENABILIDADE 4 3,0 10,8 3,0 10,8 3,0 10,8
7. BOLETIM DE SERVIÇO 17 3,0 51,6 3,0 51,6 3,0 51,6
8. PUBLICAÇÕES TÉCNICAS 17 3,0 51,6 3,5 60,2 4,0 68,8
9. TREINAMENTO 12 3,0 37,3 3,0 37,3 3,0 37,3
10. SUPORTE DE MATERIAL 37 3,0 112,5 1,5 56,2 1,5 56,2
11. ESTAÇÕES DE REPARO 17 2,5 43,0 2,0 34,4 2,0 34,4

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12. EQUIPAMENTOS DE SOLO 4 3,0 13,2 3,0 13,2 3,0 13,2


13. GARANTIA 24 3,0 71,2 3,0 71,2 3,0 71,2

14. TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO 3 2,5 7,5 2,5 7,5 2,5 7,5

TOTAL 860 613,1 596,6 518,1


% 100% 71% 69% 60%

APOIO PÓS-VENDA 0,8 0,9 0,9


PRODUTO 0,8 0,9 0,9
PRÓ-ATIVIDADE E COMPROMISSO 0,8 0,9 0,9
FATOR DE RISCO 0,8 0,9 0,9

PONTUAÇÃO FINAL 57,0 62,4 54,2

0 - NÃO RESPONDIDO
NOTAS PARA FATOR DE RISCO : OBSERVAÇÃO: NOTAS:
SEM RISCO 1.0 1 - NÃO SATISFATÓRIO
2 - PARCIALMENTE
RISCO MUITO BAIXO
0.9 SATISFATÓRIO
RISCO BAIXO 0.8 3 – SATISFATÓRIO
RISCO MODERADO 0.7 4 - EXCEDE

Tabela 1 - Tabela KT para seleção de fornecedor

4. Comentários sobre o Modelo Atual


A tabela de decisão atual foi sendo modificada com o passar dos anos para se adaptar as
modificações do contrato, que era modificado, devido a novas necessidades do mercado.
Então uma tabela que possuía 6 linhas foi mudando de tamanho até atingir as 14 linhas atuais
(número de cláusulas do contrato). Não houve uma reconstrução da tabela, comparando todas
as cláusulas. Por isso, a tabela atual traz os pesos dos critérios fora da escala sugerida pelo
método (de 1 a 5 ou de 1 a 9).
As notas são atribuídas comparando as respostas dos fornecedores com uma meta (a cláusula
enviada pelo fornecedor) e não comparando as respostas dos fornecedores entre elas – como
deveria ser.
Na tabela 1 pode-se notar que as notas dos fornecedores são atribuídas com casas decimais e a
distribuição não está como o método sugere, elas variam de 0 a 4, e não, de 1 a 5 ou 1 a 9. Da
mesma forma observada na atribuição dos pesos, as notas sendo decimais não exprimem o
real valor das alternativas. Em relação a escala utilizada, é preciso ter cuidado quanto a
possibilidade de atribuir notas de 0 a 1, pois o processo envolve multiplicação de fatores.
Por fim, existe na parte de baixo da tabela de seleção, uma matriz identificada por fator de
risco. Esta matriz tem como função avaliar o risco de cada alternativa. Este risco é avaliado
por critérios subjetivos como o reconhecimento que o fornecedor tem no mercado, atitudes
anteriores como fornecedor, situação no mercado, tipo de material usado, etc. Este fator de
risco pode descaracterizar o modelo KT.

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5. Aplicação do Modelo AHP na Seleção de Fornecedor

Da mesma maneira que o modelo atual (tabela KT) os critérios utilizados para seleção foram
as cláusulas do contrato.
O modelo AHP só permite comparação direta de no máximo 9 critérios. Como o contrato
possui 14 cláusulas foi preciso separar estes critérios em grupos.
A primeira etapa da modelagem foi analisar a importância dos grupos entre si. Em seguida
foram analisados os graus de importância entre os critérios que formam os grupos. Os quadros
1 e 2 exemplificam como foram extraídos os pesos de cada critério sobre o processo global.

SELEÇÃO DE FORNECEDOR

SUPORTE MATERIA SUPORTE A


CONFIABILIDADE
TÉCNICO L OPERAÇÃO

14. 4. 3.
7. 6. 10. 11. 5. 8. 12.
1. 2. TECNOLO GUARANTI 9. PROGRAM
BOLETIM MANUTEN SUPORTE ESTAÇÕES 13. CONFIABIL PUBLICAÇ EQUIPAME
SUPORTE SUPORTE GIA DE A DE TREINAME A DE
DE ABILIDAD DE DE GARANTIA IDADE DA ÕES NTOS DE
DE CAMPO TÉCNICO INFORMAÇ CUSTO DE NTO MANUTEN
SERVIÇO E MATERIAL REPARO FROTA TÉCNICAS SOLO
ÃO MANUTEN ÇÃO

Figura 1- Hierarquia do Processo de Seleção

SUPORTE CONFIABILID SUPORTE A


MATERIAL
TÉCNICO ADE OPERAÇÃO P P' (normalizado)
SUPORTE TÉCNICO 1,00 1,00 0,67 1,50 1,00 0,25
MATERIAL 1,00 1,00 0,67 1,50 1,00 0,25
CONFIABILIDADE 1,50 1,50 1,00 1,00 1,22 0,30
SUPORTE A OPERAÇÃO 0,67 0,67 1,00 1,00 0,82 0,20
SOMATÓRIO 4,17 4,17 3,33 5,00
4,04 1,00

λ= [soma] x [P'] λ = 4,08

n 2 3 4 5 6 7 8 9
CA 0 0,52 0,89 1,11 1,25 1,35 1,4 1,45

C1= λ-n/ n-1


C1 = 0,0275
CR = C1/CA
CR = 0,0309 (coerente para < 0,10)
Quadro 1- Comparação entre os Grupos Técnicos

A coluna P’ do quadro 1 corresponde ao auto-vetor normalizado, equivale ao peso de cada


Grupo de Técnico. O Grupo de Suporte Técnico tem um peso de 25% dentro do processo

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Global. Observa-se que o critério de coerência está abaixo de 0,1, demonstrando que o
julgamento está coerente.

14.
6.
1. SUPORTE 2. SUPORTE 7. BOLETIM TECNOLOGI
MANUTENA P P' (normalizado)
DE CAMPO TÉCNICO DE SERVIÇO A DE
BILIDADE
INFORMAÇÃ
1. SUPORTE DE CAMPO 1,00 0,33 0,50 5,00 3,00 1,20 0,17
2. SUPORTE TÉCNICO 3,00 1,00 2,00 7,00 5,00 2,91 0,42
7. BOLETIM DE SERVIÇO 2,00 0,50 1,00 7,00 5,00 2,04 0,29
14. TECNOLOGIA DE
INFORMAÇÃO 0,20 0,14 0,14 1,00 1,00 0,33 0,05
6. MANUTENABILIDADE 0,33 0,14 0,14 3,00 1,00 0,46 0,07
SOMATÓRIO 6,53 2,12 3,79 23,00 15,00
6,94 1,00

λ = [soma] x [P'] λ =5,22

N 2 3 4 5 6 7 8 9
CA 0 0,52 0,89 1,11 1,25 1,35 1,4 1,45

C1= λ - n/ n-1
C1 = 0,056
CR = C1/CA
CR = 0,050 < 0,10 (coerente!)
Quadro 1 - Comparação entre os critérios do Grupo de Suporte Técnico

A coluna P’ do quadro 2 corresponde ao auto-vetor normalizado, equivale ao peso de cada


critério dentro do grupo de Suporte Técnico. Observa-se que o critério de coerência está
abaixo de 0,1, demonstrando que o julgamento está coerente.
O quadro 3 traz o resultado dos pesos dos critérios do grupo de Suporte Técnico em relação
ao processo global, isto é, a cláusula de suporte técnico tem um peso de 4% sobre o processo
total. Esta porcentagem é obtida multiplicando o valor 0,25, obtido no quadro 1, pelo valor de
0,17 obtido no quadro 2. As percentagens do quadro 5 estão arredondadas.

0,25
SUPORTE
TÉCNICO

0,17 0,42 0,29 0,05 0,07


14.
1. SUPORTE 2. SUPORTE 7. BOLETIM TECNOLOGIA 6.
DE CAMPO TÉCNICO DE SERVIÇO DE MANUTENABILIDADE
INFORMAÇÃO

Importância
Sobre o 4% 10% 7% 1% 2%
Processo

Quadro 2 - Resultado do método AHP para o grupo de Suporte Técnico

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Segue abaixo o resultados das análises dos grupos. O valor do número decimal acima do
grupo mostra a percentagem do grupo em relação aos outros grupos. Os números decimais
sobre os critérios mostram sua relevância dentro do seu próprio grupo. E por fim, o que é
chamado de “Importância sobre o processo mostra o peso de cada critério (cláusula) sobre o
processo global.
0,25 0,30

MATERIAL CONFIABILIDADE

0,33 0,33 0,33 0,33 0,67


10.
11. 4. GUARANTIA 5.
SUPORTE 13.
ESTAÇÕES DE CUSTO DE CONFIABILIDADE
DE GARANTIA
DE REPARO MANUTENÇÃO DA FROTA
MATERIAL

Importância Importância
Sobre o 8% 8% 8% Sobre o 10% 20%
Processo Processo

Quadro 3 - Resultado do método AHP para o Quadro 4 - Resultado do método AHP para o grupo
grupo de Material de Confiabilidade

0,20

SUPORTE A OPERAÇÃO

0,19 0,35 0,11 0,35

8. 12. 3. PROGRAMA
9.
PUBLICAÇÕES EQUIPAMENTOS DE
TREINAMENTO
TÉCNICAS DE SOLO MANUTENÇÃO

Importância
Sobre o 4% 7% 2% 7%
Processo

Quadro 5 - Resultado do método AHP para o grupo de Suporte a Operação

6. Comparação entre os Resultados dos Pesos de ambos os Modelos


A tabela 2 traz a comparação entre a importância dos critérios no processo de seleção como
um todo no modelo AHP e na tabela KT utilizada.

CLÁUSULAS KT AHP
1. SUPORTE DE CAMPO 4% 4%
2. SUPORTE TÉCNICO 3% 10%
3. PROGRAMA DE MANUTENÇÃO 3% 7%
4. GUARANTIA DE CUSTO DE
MANUTENÇÃO 10% 10%
5. CONFIABILIDADE DA FROTA 17% 20%
6. MANUTENIBILIDADE 2% 2%
7. BOLETIM DE SERVIÇO 8% 7%

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8. PUBLICAÇÕES TÉCNICAS 8% 7%
9. TREINAMENTO 6% 4%
10. SUPORTE DE MATERIAL 17% 8%
11. ESTAÇÕES DE REPARO 8% 8%
12. EQUIPAMENTOS DE SOLO 2% 2%
13. GARANTIA 11% 8%
14. TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO 1% 1%
Tabela 2 - Avaliação entre os resultados dos métodos AHP e KT

A tabela 2 mostra que na remodelagem algumas cláusulas mudaram sua importância no


processo global. Essa mudança fica nítida em suporte de material cuja a importância cai mais
de 50%, cláusulas como suporte técnico e programa de manutenção aumentaram
sensivelmente. A forma atual (KT) de dar peso para as cláusulas não permite a fácil
visualização.
A tabela 3 traz uma comparação dos valores dos grupos técnicos feitos no modelo AHP e dos
valores que estes grupos teriam se tivessem sido agrupados utilizando a percentagem da tabela
KT atual.

AHP KT
SUPORTE TÉCNICO 25% 18%
MATERIAL 25% 36%
CONFIABILIDADE 30% 27%
SUPORTE A OPERAÇÃO 20% 19%
Tabela 3 - Comparação entre os grupos técnicos nos modelos AHP e KT

Conforme a tabela 3, é nítido que a nova modelagem em AHP, deixou os grupos mais
equilibrados, o grupo de materiais era super valorizado.
O modelo AHP apresentou uma proposta muito mais “palpável” de análise de critérios ou de
notas para as alternativas que a tabela KT. Enquanto que para a tabela KT ter um bom
desempenho é necessário que a pessoa que a utiliza conheça o método e tenha experiência
nele, no modelo AHP, a tabela é praticamente auto-explicativa – fazendo as análises linha por
linha, usando a tabela de notas com bom senso e tendo conhecimento na área a ser analisada,
o resultado obtido é satisfatório.
Como já foi dito a tabela KT utilizada para a seleção traz falhas de conceito na elaboração
dos pesos e na maneira de dar as notas, contudo, em relação a avaliação de fornecedores, a
falha mais grave é a concepção errônea de como avaliar. Deve-se comparar as propostas entre
elas e não em relação a uma meta. A avaliação não é uma corrida onde os fornecedores
podem bater recordes em pontuação. Para evitar esse problema, o método Kepner-Tregoe
utiliza os critérios imprescindíveis e os critérios desejáveis, que são os que recebem notas
comparativas entre eles. Se for preciso trabalhar com metas, utiliza-se o critério
imprescindível que funciona como filtro.
Além disso o fator de risco tem se tornado um fator de “correção”. O técnico que está
analisando, ao invés de valorizar as garantias obtidas nos contratos através das extensas
negociações, tende a valorizar os fornecedores “mais seguros” de forma a garantir uma boa
escolha na sua tabela e para isso tem sido utilizado o fator de risco.
A grande vantagem da tabela KT é o modo rápido com que se pode monta-la, seu sistema de

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pontuação também é muito simples. Ao contrário do AHP que é mais trabalhoso e nesta
modelagem obriga o selecionador a fazer 14 matrizes.

7. Conclusões
Ambos os modelos apresentados mostram-se no campo operacional inquestionáveis em
relação a seus resultados nos últimos anos e as diversas aplicações. Como já foi dito a
intenção do trabalho não era identificar o melhor modelo e sim identificar características que
mais se adaptam a necessidade do processo de seleção da empresa.
Pode-se afirmar que o processo atualmente utlizado pela empresa possui uma metodologia de
decisão mas, com certeza, esta não é a Kepner-Tregoe. O modelo atual foge de regras básicas
e imprescindíveis do modelo Kepner-Tregoe de forma que não é possível dizer que a tabela
utilizada na seleção de fornecedores é uma tabela KT. Sobre o fator de risco ou de correção
adaptado à tabela, pode-se dizer que ele é totalmente dispensável. As ferramentas de apoio a
decisão sugerem a melhor alternativa para determinada modelagem. Para se tomar a decisão
deve-se levar em consideração o resultado da modelagem, os parâmetros subjetivos que não
couberam no modelo e as opções políticas das opções.
De certo, a melhor opção para empresa, na impossibilidade de treinar todos para dominar a
análise em tabela KT, é adaptar seu sistema de seleção de fornecedor para o modelo AHP.
Após a modelação inicial do AHP, que é trabalhosa e necessita certo conhecimento, as
pessoas não precisam de um conhecimento grande na ferramenta para avaliar as alternativas.
O AHP ainda tem o fator de coerência que é uma ferramenta muito útil pois norteia ou indica
se a análise dos critérios ou distribuição de notas está coerente.

Referências
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SAATY, T. L. (1977). A Scaling Method for Priorities in Hierarchical Structures. Journal of Mathematical
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MONTEVECHI & PAMPLONA, Análise Hierárquica Em Análise De Investimentos, Efei
SOLOMON, V. A. P., A Compilation Of Comparisons On The Analytic Hierarchy Process And Others Multiple
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SALOMON, V. A. P., MONTEVECHI, J. A. B. & PAMPLONA, E. O. (1999), “Justificativas para aplicação do
método de análise hierárquica”, 5th International Congress of Industrial Engineering (Proceedings CD-ROM),
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro (Brazil)
CHURCHMAN, C. W., ACKOFF, R. L. & ARNOFF, E. L. (1957), Introduction to Operations Research, John
Wiley & Sons, New York (USA)
http:\ \ www.kepnertregoe.com

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