Você está na página 1de 37

Sumário

TANATOPRAXIA ........................................................................................................................... 2

O CORPO HUMANO E O AMBIENTE ...................................................................................... 5

EQUIPAMENTOS E PRODUTOS NECESSÁRIOS PARA A EXECUÇÃO DA TANATOPRAXIA


................................................................................................................................................. 12

TIPOS E CARACTERÍSTICAS DO PREPARO ....................................................................... 21

PROCEDIMENTOS DO TANATOPRAXISTA ......................................................................... 23

PROCEDIMENTO DE TANATOPRAXIA ................................................................................ 23

PADRÕES DE TRABALHO ..................................................................................................... 30

RISCO QUÍMICO ..................................................................................................................... 30

TANATOPRAXIA E O CÓDIGO DO CONSUMIDOR.............................................................. 31

DOCUMENTAÇÃO E PADRONIZAÇÃO ................................................................................ 34

p. 1
TANATOPRAXIA

INTRODUÇÃO
Etimologicamente tanato vem do grego thanatos e significa morte; e praxia vem do grego
práxis e representa o que se pratica habitualmente, a ação, a rotina. O conjunto tanatopraxia,
no que diz respeito à origem da palavra, significa “o que se faz habitualmente diante da
morte”, isto é, quais as providências que se devem tomar frente ao fato ocorrido. A
tanatopraxia corresponde à aplicação de produtos químicos em corpos falecidos, visando a
sua desinfecção e o retardamento do processo biológico de decomposição, permitindo
melhores feições ao corpo no momento em que será velado. Essa técnica vem sendo
utilizada há muito tempo em outros países, uma vez que ela devolve a aparência natural do
corpo, evitando o extravasamento de líquidos, inchaço e garantindo, assim, um aspecto
semelhante ao que apresentava em vida. Além disso, pode-se evitar a propagação de
moléstias contagiosas e doenças na sociedade, visto que o corpo recebe um tratamento
especial com substâncias germicidas. É muito comum as pessoas confundirem a
tanatopraxia com o embalsamamento, por isso é importante lembrar que a tanatopraxia
envolve:
1º - Ausência de evisceração (as vísceras são mantidas nas próprias cavidades);
2º - Metodologia (utilização de equipamentos modernos apropriados para injeção e
aspiração), e;
3º - Diferentes produtos químicos cientificamente testados.
Através da tanatopraxia é possível realizar a restauração da face e do corpo, mesmo em
casos de acidentes, permitindo que a família possa permanecer mais tempo no velório ou
mesmo para que o corpo possa ser transportado para grandes distâncias, bem como para
cumprir com as determinações legais de translado. Na grande maioria das vezes, pode-se
atender às necessidades dos familiares, preservando o corpo em condições ambientais
normais, sem a necessidade de um sistema de refrigeração. Quanto ao tempo mínimo de
preparação de um corpo com “causas mortis” natural, pode-se dizer que varia de 60 a 90
minutos, dependendo de fatores intrínsecos e extrínsecos que acometeram o corpo, ou seja,
o local, a forma e o tempo em que ocorreu o óbito. Estas e outras variáveis existentes
determinam o tempo de preparação, que pode se estender a aproximadamente 4 (quatro)
horas para o completo processo de preservação corporal. Um exemplo recente de
tanatopraxia foi realizado no corpo do Papa João Paulo II, permitindo que as homenagens
ao pontífice pudessem ser realizadas por um longo período, conforme programado para
essas ocasiões.

p. 2
ÉTICA PROFISSIONAL
Segundo o dicionário a palavra ética pode ser definida como uma parte da filosofia que
estuda os valores morais da conduta humana ou conjunto de princípios morais que se devem
observar no exercício de uma profissão. As duas definições têm valor pleno para a nossa
realidade, mas no momento vamos nos fixar na segunda, ou seja, na conduta e no local em
que se deve apresentar a execução de um trabalho, conduta esta que reflete diretamente na
qualidade do serviço prestado. Ter ética e praticá-la no dia-a-dia é um exercício que deve se
tornar um hábito. A conduta dentro de uma profissão pode ser o diferencial entre um bom e
um mau profissional. Por isso, um bom tanatopraxista deve enxergar, além do corpo, os entes
queridos daquele que um dia estava vivo. Ter segurança no que se faz é muito importante,
mas a insegurança ou o excesso de segurança podem acarretar erros no trabalho, o que
acarretará na queda da qualidade. Por isso, devemos trabalhar bem atentos, respeitando os
corpos falecidos e seus entes queridos. Sempre evitar comentários desnecessários e
discussões no ambiente de trabalho, pois isso acarretará desgaste emocional, além de
constrangir familiares ou outros funcionários que estejam no local.
Saiba mais:
1º) Evite comentários sobre o corpo que vai ser tratado, como por exemplo o fato de ser uma
mulher bonita ou uma mulher que não teve em vida uma aparência que se enquadrasse no
que nós definimos como beleza. Nunca chame um corpo de tia ou tio. Caso não queira usar
o nome da pessoa que faleceu, utilize uma numeração ou algum código. Talvez alguém
possa achar que essas atitudes são insignificantes, mas devemos nos atentar que a morte
um dia virá para todos nós. Assim sendo, devemos tratar um corpo como se fosse um ente
querido nosso, sempre respeitando-o.
2º) Trabalhe com atenção, uma vez que isso traz bons resultados para você e para a
empresa, mas lembre-se que não se deve ser perfeito e que o importante é fazer um bom
trabalho.
3º) Sempre confira o nome ou o código estabelecido na identificação dos corpos. Uma família
que tem o corpo do seu ente querido trocado terá todo o direito de se sentir desrespeitada e
essa falha irá chocar várias famílias.
4º) Respeite seu colega de trabalho, trate a todos com igualdade.
5º) Aja com o próximo do mesmo jeito que você gostaria que agisse com você, mesmo que
ele esteja morto.

SOBREVIVÊNCIA, HIPERMORTALIDADE, PREMORIÊNCIA E COMORIÊNCIA


Sobrevivência é a condição pouco frequente em que um indivíduo é capaz de permanecer
vivo, contando do momento em que recebeu lesões de tal magnitude que poderiam ser
responsáveis pela sua morte. Durante este lapso, embora letalmente ferida, a vítima poderá
locomover-se e executar movimentos, enfim, cumprir atos que depois parecerão impossíveis
em face das lesões que apresenta e que, por isso, podem provocar grandes dúvidas ou levar
a estabelecer hipóteses completamente errôneas que, não raro, prejudicam e retardam

p. 3
bastante as investigações. Assim, lesões encefálicas graves por projéteis de arma de fogo,
por exemplo, desde que não atinjam centros vitais, podem permitir que a vítima revide a
agressão sofrida, possa lutar com seu vitimário e, por vezes, até provocar-lhe ferimentos ou
matá-lo.É conhecido também, o caso das lesões cardíacas de pequeno tamanho que ora
pela sua incidência oblíqua, ora porque podem ser obliterados por pequenos coágulos,
lentificam ou retardam a hemorragia que acabará sendo letal, quer por anemia, quer por
tamponamento. Hipermortalidade é a condição em que uma situação atual é capaz de
provocar um agravamento, muitas vezes terminado em óbito, de uma moléstia da qual a
vítima já era portadora. Este conceito é de grande importância para a Medicina Legal aplicada
à Infortunística, por enquanto é neste ramo das ciências que, com maior frequência, dá-se a
ocorrência de agentes traumáticos que agem sobre o organismo da vítima, já minado por
uma doença consumptiva, infectocontagiosa, profissional ou do trabalho. Nestas condições,
aquele mal que por si próprio levaria o trabalhador ao óbito, será agravado pelo traumatismo,
somando e acelerando a superveniência da morte.

CONSIDERAÇÕES SOCIAIS, PSICOLÓGICAS, ÉTICAS E FUNDAMENTOS BÁSICOS


Respeito aos mortos é o principio fundamental do serviço funerário. Ver e tocar o corpo são
as melhores formas de superar os sentimentos de negação da morte. A visão do corpo gera
uma última imagem em nossas mentes. É importante que essa imagem seja a menos
traumática e o mais agradável possível para os familiares e amigos. Embalsamar ou preparar
um corpo pelas técnicas de tanatopraxia retarda o processo de decomposição e elimina as
bactérias, gerando tempo para a cerimônia, tornando-o menos infectante e mais apresentável
para visualização, podendo assim, restaurar a imagem do corpo para um aspecto mais
aceitável.

HISTÓRICO
O estudo arqueológico relacionado à história evolutiva da espécie humana, sob a face da
terra, tem demonstrado que o homem já se preocupava com o destino dos restos mortais
dos indivíduos pertencentes ao seu grupo, desde a pré-história. Nos últimos 10.000 anos,
antes da era cristã, a prática de preservação, adorno e preparo de corpos em urnas
mortuárias e santuários pré-estabelecidos, ficaram constatadas por escavações
arqueológicas em todas as partes do mundo, apresentando características regionais
diretamente ligadas ao desenvolvimento da civilização, estudada suas crenças e costumes
religiosos. As descobertas de corpos mumificados adornados e em bom estado de
conservação, datadas de 5.000 anos, principalmente no Egito, evidenciam que esta
avançada civilização detinha um conhecimento especial sobre a decomposição do corpo e
das medidas necessárias para preservá-lo. Analisando os conhecimentos que os egípcios
tinham e os procedimentos que realizavam em seus mortos pertencentes à “Realeza” e em
animais considerados sagrados como o gato, podemos entender melhor o processo de
decomposição biológica dos tecidos e como eles podem ser preservados. Sob a superfície

p. 4
do corpo (pele, cabelos, unhas), existe um número muito alto de bactérias, vírus ou fungos,
que se alimentam da matéria orgânica.

Os egípcios sabiam que neutralizando a presença ou a ação desses micro-organismos, o


corpo não entraria em decomposição podendo, portanto, ser preservado. Perceberam,
através de observações, que o sal marinho ajudava na preservação de matéria orgânica,
uma vez que retirava a água destes tecidos e das próprias bactérias, fungos e vírus,
retardando ou impedindo a decomposição dos corpos. Atualmente, sabe-se como os
embalsamamentos egípcios eram realizados e suas técnicas foram repetidas com sucesso
nos anos 80, e consistiam nas seguintes técnicas:
1 - Levar o corpo para um local de preparo quente e seco, sem a presença de matéria
orgânica (câmara de embalsamento);
2 - Abrir o tórax e o abdômen e retirar todo o conteúdo visceral, além de drenar os líquidos
corporais nas primeiras 42 horas.
3 - Colocar areia quente com alto teor de sal, no interior do corpo a ser preparado e colocá-
lo em um recipiente semelhante a uma grande banheira cheia de areia salgada, cobrindo
totalmente o corpo por um período de 30 a 70 dias, aproximadamente. Após esse período o
corpo era tratado com essências e aromas sendo envolvido totalmente em ataduras secas e
colocadas em suas urnas mortuárias.

Os estudos arqueológicos mundiais demonstram que o segredo da preservação dos corpos


não era um conhecimento exclusivo dos egípcios, pois por toda a América do Sul,
principalmente na região da cadeia montanhosa dos Andes e na América Central, foram
descobertas múmias em ótimo estado de conservação, pertencentes aos povos Astecas,
Maias e Incas. Até a natureza, quando reúne condições ideais, pode preservar um corpo por
milhares de anos em boas condições. Foi o que aconteceu com o corpo de um caçador,
datado de aproximadamente 5.000 anos A.C. (Idade do Bronze), encontrado em uma valeta
localizada entre duas montanhas de gelo na fronteira norte da Itália com a Suíça. Mais
recentemente, descobriu-se a carcaça intacta e perfeita de um mamute (elefante pré-histórico
com 25.000 anos) na planície desértica e gelada ao norte da Sibéria, ainda sob investigação
científica.

O CORPO HUMANO E O AMBIENTE


Os micro-organismos existentes no ambiente estão em constante luta pela sobrevivência e
muitas vezes se alimentam de nossas secreções corporais. Como por exemplo, o odor
característico exalado pelas axilas. O referido odor, na verdade, não é da pessoa e sim
resultante da atividade bacteriana que está no local onde se alimenta das secreções
sudoríparas e sebáceas, reproduzindo e eliminando o odor resultante de seu metabolismo.
A atividade antisséptica do desodorante elimina a grande maioria das bactérias permitindo o

p. 5
controle do odor local. Assim, como na axila e em todo o nosso corpo, o intestino está em
comunicação com o ambiente através da boca e do ânus, apresentando uma enorme
quantidade de bactérias que nos ajudam a promover a digestão e decomposição dos
alimentos, produzindo gazes e material orgânico parcialmente decomposto.

Ao longo do intestino, quanto mais nos aproximamos do ânus, maior é o número e a


diversidade das bactérias encontradas em sua luz, bactérias essas que podem nos causar
doenças ou nos levar a morte, mas não o fazem porque vivem em equilíbrio com seu
hospedeiro (homem) e devido à eficiência do nosso sistema de defesa, que não permite que
elas invadam o corpo humano. Outra condição fundamental para obter a preservação
adequada do corpo humano é a sua desidratação. Cerca de 40% do nosso peso corporal é
constituído de água e o restante de carbono (matéria orgânica); o sangue humano
corresponde a aproximadamente 5,5% do peso corporal. Portanto, um individuo de 100Kg
tem aproximadamente 5,5 litros de sangue em 35 litros de água. O sangue tem como papel
fundamental transportar o oxigênio e alimentos para as células (sangue arterial) e retirar o
gás carbônico e restos das atividades celulares para serem lançados fora do corpo, além de
distribuir e integrar os sistemas.

ASPECTOS ANATÔMICOS
Existe no corpo um sistema de distribuição do sangue denominado arterial e dois sistemas
de captação, um denominado sistema venoso e outro linfático. O reconhecimento dos
sistemas arterial e venenoso é fundamental para a realização dos procedimentos de
tanatopraxia. A circulação arterial é composta por vasos calibrosos semelhantes a canos de
uma parede rígida e flexível (estrutura semelhante à borracha), conectada ao coração e
espalhadas por todo o corpo. Quando o coração bombeia o sangue, ele faz através das
artérias que o distribui pelo corpo. Elas são estruturas fortes, suficientes para aguentar a
pressão causada dentro do sistema durante o trabalho do coração. É através das artérias
que são distribuídos os líquidos conservantes corporais de embalsamamento. As artérias
comunicam-se com o sistema venenoso através da microcirculação que ocorre na periferia
do corpo. Neste ponto, de forma microscópica, as artérias dão início às veias que captam o
sangue proveniente das artérias e o levam em direção ao coração, juntamente com seus
dejetos. As veias são estruturas tubulares delicadas por não sofrerem pressão hídrica em
seu interior.As artérias transportam o sangue arterial, ou seja, sangue rico em oxigênio e,
portanto, de cor vermelho vivo, que dá característica ao individuo. As veias transportam
sangue contendo as impurezas das células e o gás carbônico proveniente da respiração
celular, adquirindo coloração vermelha escura (roxa) comum nos indivíduos após a morte.
Após o óbito, com a interrupção da respiração, o CO2 (gás carbônico) predomina no sangue,
tornando-o vermelho escuro arroxeado, impregnando a microcirculação (transição entre a
circulação arterial e venenosa) presente na pele, dando o aspecto escurecido e arroxeado
comum nos cadáveres. Um dos objetivos da tanatopraxia é remover esse sangue arroxeado,

p. 6
substituindo-o por solução fixadora tecidual de coloração rosa clara, devolvendo o aspecto
anterior ao individuo. O acesso aos sistemas descritos na tanatopraxia é feito
preferencialmente na região cervical. Os pontos anatômicos de referência que devem ser
reconhecidos são: clavícula, o manúbrio esternal e o músculo esternocleidomastóideo. As
estruturas anatômicas importantes para realização do procedimento de tanatopraxia são as
seguintes:

Região Cervical: Artéria Carótida Comum, Veia Jugular Interna


Incisão à altura do esternocleidomastóideo.

Região Inguinal - Figura acima


Artéria Femoral - Veia Femoral
Pontos anatômicos de referência: Região interior da coxa, ligamento inguinal.

Acesso pela região inguinal

p. 7
ANTES E DEPOIS.

p. 8
p. 9
p. 10
A Tanatopraxia é realizada em ambiente equipado apropriadamente, chamado de tanatório
e é desenvolvida por técnicos habilitados e especialmente treinados chamados de
tanatopraxistas. Para estar apto a desenvolver essa função, o profissional necessita de uma
boa carga horária, com aulas teóricas e práticas.

p. 11
EQUIPAMENTOS E PRODUTOS NECESSÁRIOS PARA A EXECUÇÃO DA
TANATOPRAXIA

1. Bomba Injetora;
2. Bomba Aspiradora;
3. Mesa de Praxitanatologia;
4. Instrumental de Acesso;

p. 12
5. Instrumental de Síntese;
6. Líquidos apropriados;
7. Material de segurança - pessoa (gorro, óculos, avental, máscara e botas de borracha).
Instrumental Injetora Laboratório para execução da tanatopraxia.

Bomba injetora

p. 13
Bomba aspiradora

p. 14
Mesa de Tanatopraxia

p. 15
Agulha em S Agulha pequena em S Agulha MR Agulha
pequena MR

Dissecador
Espátula
Bisturi Cabo de
bisturi

Espaçador Fixador de cânula de dois furos

Fixador de cânula de três furos

p. 16
Pinça de dissecação Pinça dente de rato Pinça hemostática Pinça de drenagem
curva longa

Tesoura curva romba Trocarte 10x60 Trocarte 10x65 Tubo de cavidade


chato

p. 17
Tubo de cavidade longo Tubo nasal Injetor de líquido de
cavidade

Cânula curta Cânula curta 3mm Conexão de cânula


dissecação

Ponteira de trocarte Molde para a boca


Lamparina a álcool

p. 18
Aplicador de botão Desinfetânatus Tanatofluído – doenças hepáticas

Tanatogel Tanatofluído arterial Tanatofluído arterial Tanatofluído de


cavidade

Tanatofluído de cavidade Tanatofluído de cavidade Tanatofluído de


cavidade

p. 19
Tanato pó Tanatossolvente arterial Linha para
sutura

NÍVEIS DE TANATOPRAXIA
Nível 1 - Recomendada para corpos que serão velados por até 12 horas;
Nível 2 - Recomendada para corpos que serão velados por até 14 horas e para traslados
intermunicipais;
Nivel 3 - Recomendada para corpos necropsiados (IML, ITEP ou SVO) e para traslados
interestaduais.

TANATÓRIO
Não deve ser um ambiente escondido ou um cubículo da funerária, mas sim um local
estrategicamente bem situado na empresa. Apesar de reservado e frequentado apenas pelos
técnicos à prática da tanatopraxia, o tanatório merece ser o local de destaque da empresa
funerária, devendo estar sempre limpo e higienizado.
O acesso ao tanatório deve ser fácil pra os veículos e funcionários da empresa, porém
proibido para pessoas estranhas. Nunca pode ser permitido que um amigo ou um familiar do
falecido esteja presente durante os procedimentos. O tanatório deve ser uma sala planejada
e muito bem construída, com projeto de arquitetura próprio para cada funerária, levando em
consideração muitos detalhes, como:
 O tamanho da cidade;
 A previsão de crescimento do serviço;
 O fluxo de veículos, de macas e de agentes,
 O espaço disponível para construção e/ou reforma;
 A altura e o revestimento do laboratório;
 A ventilação, exaustão, iluminação, distribuição de tomadas e pontos de água;
 As alturas das bancadas e armários;

p. 20
 O banheiro anexo contendo chuveiro de emergência;
 Sistema de esgoto destinado à fossa séptica própria, além de outros detalhes e cuidados
que garantem a colocação correta dos equipamentos e que venham a facilitar a
preparação do corpo e a limpeza do laboratório;
 Água corrente. Recomenda-se que o tanatório possua reservatório independente das
outras instalações da funerária.
 O esgoto deve ser lançado em fossa séptica de decantação em carvão ativado. Os
resíduos contaminados utilizados na preparação como: aventais, luvas, gazes, frascos e
roupas eventuais, devem ser descartados após o uso. Com exceção dos aventais que,
após o uso, poderão ser lavados e reutilizados.

O TANATÓRIO IDEAL DEVE SER COMPOSTO DE VÁRIOS AMBIENTES:


 Uma sala acoplada para vestir e enfeitar o corpo na urna, após a tanatopraxia;
 Um vestiário exclusivo para o tanatopraxista e um banheiro equipado com chuveiro
especial;
 O piso do tanatório deve ser frio, de cor clara, antiderrapante e de fácil limpeza;
 As paredes devem ser revestidas com azulejos brancos bem rejuntados e, no teto deve
ser aplicado massa corrida e tinta látex branca;
 As pias, balcões e prateleiras, se possível, devem ser de aço inoxidável ou granito. Isso
é um importante cuidado que facilita a assepsia do laboratório;
 A mesa ideal para a prática da tanatopraxia deve ser em aço inoxidável, assim como os
suportes que mantém o corpo suspenso do fundo da mesa, os quais devem ser
removíveis para também facilitar a limpeza. O fundo da mesa deve ser discretamente
inclinado e ter fluxo contínuo de água no decorrer da preparação de um corpo.
 A tubulação hidráulica da mesa deve estar embutida, com registros de segurança e
mangueira com esguicho para lavagem do corpo.
 Mesas de alvenaria não são recomendadas, pois são de difícil limpeza e isso aumenta
o risco de contaminação.
 O tanatório deve ser bem arejado, com sistema de renovação de ar, contendo um
aparelho de ar condicionado.
 A iluminação precisa ser intensa, semelhante à luz natural, procurando ser direcionada
principalmente para a mesa de tanatopraxia.
Após estes rápidos comentários, pode-se notar que nesse laboratório há muitas das
características de uma sala de cirurgia e que todos os detalhes devem ser observados, para
que esta atividade possa ser desempenhada corretamente. Como em todo procedimento
devemos conferir a identificação do corpo, a existência do atestado de óbito e a guia de
sepultamento. Verificar o pedido e autorização da família para a execução da tanatopraxia é
muito importante.

TIPOS E CARACTERÍSTICAS DO PREPARO

p. 21
TAMPONAMENTO
Aspiração das cavidades nasal e bucal e introdução de algodão nos respectivos orifícios.

TANATOPRAXIA PARA NECROPSIADOS


Aspiração das cavidades nasal e oral e introdução de algodão nos respectivos orifícios.
Higienização (banho com sabão degermante, inclusive couro cabeludo com shampoo).
Reabertura das cavidades torácica-abdominal e craniana, com retirada e tratamento das
vísceras ocas abdominais (alças intestinais), com solução conservante e recolocação no
interior do corpo. Sutura das incisões. Injeção de líquido conservante por via intravascular
arterial com drenagem venosa. Aspirações das cavidades abdominais.

INDICAÇÕES
Indicado para os corpos necropsiados em bom ou moderado estado de conservação, (sem
ou com sinais iniciais evidentes de formação de gases, inchaço, secreção oral e nasal, odor
desagradável, bolhas aquosas cutâneas difusas e/ou alteração de tonalidade da pele), cujo
sepultamento se dará a partir de 2 horas até 24 horas após o procedimento. Indicado ainda
para viagens terrestres curtas e para fins estéticos, mesmo em velórios curtos. Agrega-se
higienização para limpeza externa de secreções, sangue e outros detritos resultantes do
processo de óbito (acidentes, hospitalizações, etc.). Assegura mais higiene e menos
possibilidades de contaminação ou de transmissão de moléstias pelo contato do corpo por
amigos ou familiares. A aspiração ajuda a evitar a formação de gases em abdômen e tórax,
diminuindo a possibilidade de inchaço do corpo e de vazamentos durante o período do
velório. Há melhoria na aparência externa relacionada à pele.

EMBALSAMAMENTO
Aspiração das cavidades nasal e oral e introdução de algodão nos respectivos orifícios.
Higienização (banho com sabão degermante, inclusive couro cabeludo com shampoo).
Injeção de líquido conservante por via intravascular arterial, de forma maciça. Abertura das
cavidades torácica e abdominal, com retirada de todas as vísceras, que são abertas, lavadas,
tratadas com solução conservante e acondicionadas em recipiente plástico, que é recolocado
no interior do corpo.. Sutura-se todas as incisões.

INDICAÇÕES
É indicado para viagens aéreas nacionais ou terrestres (acima de 16 horas), em corpos em
bom ou moderado estado de conservação (sem ou com sinais iniciais evidentes de formação
de gases, inchaço, secreção oral e nasal, odor desagradável, bolhas aquosas cutâneas
difusas e/ou alteração de tonalidade da pele), para sepultamento em 2 ou até 72 horas.
Preservam-se os corpos por um período mais longo que o da tanatopraxia. Há melhora na
aparência externa relacionada à pele. Agrega-se higienização para limpeza externa de

p. 22
secreções, sangue ou outros detritos resultantes do processo de óbito (acidentes,
hospitalizações). Assegura-se mais higiene e menos possibilidade de contaminação ou de
transmissão de moléstias pelo contato do corpo por amigos ou familiares.

PROCEDIMENTOS DO TANATOPRAXISTA
 Preparar-se adequadamente para o procedimento, usando o material de proteção
individual: gorro, máscara, óculos, luvas, avental e bota de borracha;
 Colocar o corpo na mesa adequada de trabalho (mesa de Tanatopraxia com rede de
esgoto própria).
 Quando houver, abrir a sutura da necropsia realizada no corpo (cavidade torácica,
abdominal e cerebral);
 Aspirar as secreções contidas dentro da cavidade torácica e abdominal.
 Tratar a massa encefálica e cavidade cerebral com líquido conservante cavitário.
 Identificar o saco pericárdico e o coração. Isolar a artéria aorta para infusão de líquido
conservante pelo sistema arterial. Realizar a abertura da veia, junto ao coração, com
bisturi e introduzir a pinça drenadora em seu interior para escoamento de sangue e
fluídos;
 Preparar o líquido conservante adequado dentro da bomba de infusão de líquidos na
proporção 4 (quatro) litros de água para meio litro de conservante, ou conforme
necessário;
 Ligar a bomba para proceder à infusão do líquido até sua saída pela veia drenada.
 Pinçar ou amarrar pontos de drenagem ou vazamentos em vísceras ou vasos
lesionados. Durante a infusão, proceder à massagem da superfície corporal usando
sabão degermante; após a infusão, retirar a cânula e pinça drenadora.
 Rebater vísceras das cavidades torácica e abdominal; após aspiração aplicar produto
conservante (gel ou pó) nas cavidades;
 Promover a sutura de fechamento das incisões de necropsia (incisão torácico-abdominal
e cerebral).
PROCEDIMENTO DE TANATOPRAXIA
O corpo é colocado em uma mesa de Tanatopraxia (mesa inox, inclinada em torno de 25º),
ou com sistema de drenagem constante de fluídos. O acesso aos grandes vasos é planejado,
deve-se dar preferência ao acesso da veia jugular e a artéria carótida pelo lado direito do
pescoço do indivíduo, onde a drenagem venosa pela jugular é mais fácil. Em alguns casos,
devido a procedimentos médicos já realizados nesta região, esse acesso aos vasos arteriais
e venosos poderá ser feito na região antero-medial da coxa, através de dissecção da artéria
a da veia femoral, que poderá ser realizada de qualquer um dos lados do corpo. A pele da
região cervical anterior à direita é incisada com lâmina de bisturi em trajetória transversal ao
eixo da coluna, cerca de 1 cm acima da junção entre as estruturas ósseas denominadas
clavícula e o manúbrio do osso esterno. Esta incisão é prolongada por aproximadamente 4
cm. Através da incisão a veia jugular é acessada pela pinça “drenadora” e o sangue venoso

p. 23
começa a ser escoado. Enquanto ocorre a drenagem venenosa é importante isolar a artéria
carótida e introduzir em sua extremidade distal (seguimento que vai para a região inferior do
corpo) a “cânula de infusão” e infundir o tanatofluído arterial, adequado ao estado geral do
corpo e seu destino. Para cada litro do produto deve-se adicionar 9 litros de água. No
momento da infusão de líquidos pelo sistema arterial, o sistema venoso permanece drenando
que, neste momento, estará sendo impulsionada pelo fluído arterial injetado.

Durante esse procedimento o Tanatopraxia deve realizar no corpo massagens pelas pernas,
braços, mãos e face, com o objetivo de facilitar a drenagem do sangue da microcirculação e
a sua substituição pelos líquidos fixadores do tecido. Após o termino da drenagem de sangue
do corpo e o início da saída de fluido arterial pela jugular, o processo é interrompido, a pina
drenadora e a cânula de infusão são retiradas e a pele é fechada por sutura continua com fio
de seda encerado. Com auxílio de uma “vaca trocadora nº 16” de ponta perfuro cortante é
realizada a perfuração lateral na cicatriz umbilical (deve-se evitar a cicatriz umbilical, para
que se possa evitar o vazamento de secreções abdominais), conectada a uma bomba
aspiradora do tipo “bomba d’agua”. Com movimento do tipo “vaivém”, a vareta, ligada a
bomba de aspiração é introduzida várias vezes na cavidade, em todas as direções (360º
graus), com o objetivo de perfurar as vísceras internas e aspirar seu conteúdo liquido, sólido
e gasosos. Após este procedimento, o corpo é tamponado, lavado, barbeado, penteado,
vestido, maquiado, preparado em sua urna e entregue a seus familiares para suas últimas
homenagens.

Incisão à altura do esternocleidomastóideo.

p. 24
Artéria carótida pinçada e a jugular drenada.

Injetando o tanatofluído arterial.

Fazendo o bloqueio das artérias após injetar o tanatofluído.

p. 25
Sutura da incisão.

Aspiração nasal.

Aspiração bucal.

p. 26
Início da aspiração torácica e abdominal.

Aspiração abdominal e torácica.

Sutura da incisão abdominal.

p. 27
Tamponamento nasal.

Tamponamento bucal.

Fechamento bucal.

p. 28
p. 29
PADRÕES DE TRABALHO
TANATOPRAXIA – RESUMO DOS PROCEDIMENTOS
Siga-os:
 Conferir o nome do corpo na etiqueta de identificação. Não iniciar o ato se houver alguma
dúvida na identificação;
 Após a devida autorização e identificação, colocar o corpo na mesa;
 Planejar o acesso aos vasos (dar preferência aos vasos cervicais – carótida e jugular,
do lado direito, não sendo o mais recomendado acessar os vasos femorais);
 Dissecar os vasos escolhidos com bisturi. Após alcançá-los fazer uma pequena
perfuração em cada um deles;
 Introduzir a cânula de infusão na artéria e a pinça drenadora na veia. Pinçar a artéria
com cânula para que ela não se desloque;
 Iniciar a infusão de tanatofluidos laranja diluído em cerca de 10%. O sangue venoso
começará a escoar pela veia;
 Durante a infusão, massagear a superfície corporal para facilitar a drenagem do fluído,
interromper o processo quando houver saída de fluido pela veia. Iniciar a fase de
aspiração;
 Fazer uma perfuração no abdômen para introdução da vara trocadora de ponta perfuro
cortante;
 Ligar a bomba e iniciar a aspiração com movimentos de vaivém em todas as direções
(360º graus);
 As alças intestinais devem ser perfuradas para aspirarmos seu conteúdo sólido, liquido
e gasoso;
 Após a aspiração, infundir solução conservante (verde) na cavidade;
Por fim, suturar os locais de incisão, tamponar e encaminhar o corpo para a ornamentação
e maquiagem.

Obs.: O procedimento acima é realizado em corpos normais. Em corpos necropsiados


(abertos) procedentes do IML ou de hospitais universitários, deve-se proceder à inspeção da
cavidade abdominal e torácica juntamente com o médico de plantão, para que sejam
infundidos os tanatofluidos em uma artéria da cavidade aorta, de preferência, fazendo a
aspiração a céu aberto. É necessário fazer a perfuração das alças intestinais. Terminado o
ato, preencha o relatório e a ata e anote o procedimento no caderno de entrada de serviços.

RISCO QUÍMICO
Em uma sala de Tanatopraxia a todo o momento se estará lidando com objetos e ou produtos
químicos que são nocivos à saúde humana, daí a necessidade de se criar uma consciência
de autoproteção. Num primeiro momento poderá gerar desconforto, porém a não utilização
dos EPIs ou o desconhecimento dos riscos, poderá trazer sérios danos à saúde do
profissional. No procedimento de Tanatopraxia ou embalsamamento serão utilizados dois

p. 30
produtos químicos com a finalidade de preservar os corpos durante o tempo necessário para
seu traslado. São misturas de substâncias químicas, sendo eles o fluido arterial e o fluido
visceral. Os riscos químicos que podem ser apresentados por ambos são os seguintes:

1 - Fluido arterial - Apresenta em sua composição uma substância chamada aldeído fórmico,
comercialmente conhecida como formol. Normalmente esse produto é comprado no mercado
em concentrações 40% p/p (peso por peso). É uma substância volátil (evapora com
facilidade). Em produtos de tratamento de corpos ou peças anatômicas e utiliza-se uma
solução, cuja concentração gira em torno de 4% a 10%. Podem ser destacados os seguintes
riscos à saúde:
 Irritação das mucosas (vias aéreas superiores - nariz e garganta);
 Irritação dos olhos, lacrimação;
 Tosse, irritação pulmonar;
 Ataca a camada mais externa da pele das mãos, podendo descascar (dematite); o formol
em contatos com feridas provoca ardência, além de úlceras;
 O formol em altas concentrações (igual ou superior a 40%) pode com o passar dos anos
ser um agente cancerígeno.
2 - Fluido visceral - Da mesma forma que o fluido arterial possui formol em sua constituição,
além de uma substância de caráter básico, hidróxido de sódio. O hidróxido de sódio que se
encontra presente com baixas concentrações, exige um maior cuidado no sentido de se evitar
contato com a pele e os olhos, não apresenta riscos em relação ao sistema respiratório por
não ser um produto volátil. Os produtos químicos apresentam uma simbologia universal que
por lei devem ser indicados junto aos recipientes que os armazenam. Segue abaixo as
simbologias mais comuns para os produtos químicos utilizados com centros de Tanatopraxia.
 Substância tóxica (T)
 Substâncias irritantes (XI)
 Substância corrosiva (C) ou muito tóxica (T+)
 Substância irritante (Xn)

TANATOPRAXIA E O CÓDIGO DO CONSUMIDOR


Já tendo sido publicado há aproximadamente 15 anos, o Código do Consumidor revelou-se
de extrema valia nas relações de consumo. Estabeleceu normas de grande importância e
significou um avanço social, protegendo e respeitando os consumidores. Ao falarmos de
praxitanatologia (prestação de serviço), as relações jurídicas são regidas pelo Código do
Consumidor. Entendemos que o conhecimento desta legislação seja extremamente
importante, motivo pelo qual destacamos alguns artigos de grande aplicação nesta atividade,
que transcreveremos para uma análise detalhada:
Art. 2º - Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço
como destinatário final.

p. 31
Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que
indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.
Art. 3º - Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou
estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de
produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação,
distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços.
§ 1º - Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial.
§2º - Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante
remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira de credito e securitária, salvo as
decorrentes das relações de caráter trabalhista.

CAPÍTULO III – Dos direitos básicos do consumidor


Art. 6º - São direitos básicos do consumidor:
(...)
III – A informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com
especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade e preço, bem
como sobre os riscos que apresentem;
VIII – a facilitação da defesa de seus direitos inclusive com a inversão do ônus da prova, a
seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando
for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências;
Seção II – Da responsabilidade pelo fato do produto e do serviço
(...).
Art. 12. O fabricante, o produto, o consumidor, nacional ou estrangeiro, e o importador
respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados
aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem,
fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por
informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos.
(...)
§ 2º - O serviço não é considerado defeituoso pela adoção de novas técnicas.
§3º- O fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não será responsabilizado
quando provar:
I – Que não colocou o produto no mercado;
II – Que, embora haja colocado o produto no mercado, o defeito é inexistente;
III – a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiros.
§ 4º - Da responsabilidade por vício do produto e do serviço.
(...).
§ 5º - Não sendo vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir,
alternativamente e à sua escolha:
I – A substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso;

p. 32
II – A restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de
eventuais perdas e danos;
III – o abatimento proporcional do preço.
Art. 23. A ignorância do fornecedor sobre os vícios de qualidade por inadequação dos
produtos e serviços não exime de responsabilidade.
Art. 25. É vedada a estipulação contratual de clausula que impossibilite, exonere ou atenue
a obrigação de indenizar prevista nesta e nas seções anteriores.
§ 1º Havendo mais de um responsável pela causa do dano, todos responderão
solidariamente pela reparação prevista nesta e nas seções anteriores.
Seção IV – Da decadência e da prescrição.
Art. 26. O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em:
I – trinta Dias, tratando-se de fornecimento de serviços e de produtos não-duráveis;
II – noventa Dias, tratando-se de fornecimento de serviços e de produtos duráveis.
§ 1 º - Inicia-se a contagem do prazo decadencial a partir da entrega efetiva do produto ou
do término da execução dos serviços.
§ 2º - Obstam a decadência:
I – A reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante o fornecedor de
produtos e serviços até a resposta negativa correspondente, que deve ser transmitida de
forma inequívoca;
II - (vetado).
III – a instauração de inquérito civil, até seu encerramento.
§ 3º - Tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial inicia-se no momento em que ficar
evidenciado o defeito.
Art. 27. Prescreve em cinco anos a pretensão à reparação pelos danos causados por fato do
produto ou do serviço prevista na Seção II deste capítulo, iniciando-se a contagem do prazo
a partir do conhecimento do dano e de sua autoria.
(...).
Seção IV – Das práticas abusivas
Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços:
I – Condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de outro produto
ou serviço, bem como, sem justa causa, a limites quantitativos;
(...).
IV – Prevalecer-se da fraqueza ou ignorância do consumidor, tendo em vista sua idade,
saúde, conhecimento ou condição social, para impingir-lhe seus produtos ou serviços;
V – Exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva;
Art. 40. O fornecedor de serviço será obrigado a entregar ao consumidor orçamento prévio
discriminando o valor de mão-de-obra, dos materiais e equipamentos a serem empregados,
as condições de pagamento, bem como as datas de início e término dos serviços.

p. 33
DOCUMENTAÇÃO E PADRONIZAÇÃO
ATA DE TANATOPRAXIA

Aos _____ dias do mês de __________ de 20__


Deu entrada no serviço funerário ____________________________________
O corpo de: _____________________________________________________
Proveniente do __________________________________________________
Com relato de “causa mortis” _______________________________________
______________________________________________________________.

AUTORIZAÇÕES PARA PREPARO DE CORPOS


AUTORIZAÇÃO DE TAMPONAMENTO E HIGIENIZAÇÃO

Pelo presente, eu ________________________________________________


Representante legal do falecido: ____________________________________
______________________________________________________________.
Após obter informações sobre o procedimento de tamponamento e higienização, solicito e
autorizo a sua realização.
Esclareço que tenho ciência de que são realizados banho e coloração de algodão nas
cavidades nasal e oral, objetivando conservar e manter a aparência natural do corpo.
São Paulo, ____ de ____________ de _____.
Identidade: RG: ______________________ CPF: ______________________

_____________________________________________________
Assinatura do representante legal.

AUTORIZAÇÃO DE ASPIRAÇÃO/TANATOPRAXIA
Pelo presente eu: ________________________________________________
Representante legal do falecido: ____________________________________
______________________________________________________________
Após obter informações sobre o procedimento de aspiração/tanatopraxia, solicito e autorizo
a sua realização.

Esclareço que tenho ciência de que são realizados pequenos cortes e/ou perfurações na
região cervical ou inguinal e na região epigástrica, com injeção de líquidos, objetivando
restaurar, conservar e manter a aparência natural do corpo.
São Paulo, ____ de ____________ de _____.
Identidade: ___________________ CPF: _____________________

p. 34
_______________________________________________________
Assinatura do representante legal.

AUTORIZAÇÃO DE TANATOPRAXIA PARA NECROPSIADOS


Pelo representante, eu: ___________________________________________
Representante legal do falecido: _____________________________________
_______________________________________________________________.
Após obter informações sobre o procedimento de tanatopraxia em corpo necropsiado, solicito
e autorizo a sua realização.

Esclareço que tenho ciência de que o corpo é necessariamente reaberto nos locais de incisão
de necropsia, para injeção de líquidos, aspiração de secreções e retirada de alças intestinais
(intestino grosso e delgado) e massa encefálica (se necessário), com a recolocação de tais
órgãos na cavidade abdominal, embebidas em solução conservante à base de formol, onde
nova sutura dos pontos de incisão será feita, objetivando restaurar, conservar e manter a
aparência natural do corpo.
São Paulo, _____ de ____________ de _____.
Identidade: ___________________ CPF: ___________________
____________________________________________________
Assinatura do representante legal

AUTORIZAÇÃO DE EMBALSAMENTO
Pelo presente, eu: _______________________________________________
Representante legal do falecido: ____________________________________
______________________________________________________________
Após obter informações sobre o procedimento de embalsamento, solicito e autorizo a sua
realização.
Esclareço que tenho ciência de que o corpo é necessariamente aberto na região do tronco,
abdômen e crânio (ou reaberto, em casos de corpo necropsiado provenientes de hospitais
universitários ou do IML), com retirada de vísceras torácicas-abdominais e encéfalo,
recolocação de tais órgãos na cavidade torácica-abdominal, dentro do plástico, embebidas
em solução conservante à base de formol e sutura dos pontos de incisão, objetivando
restaurar, conservar e manter a aparência natural do corpo.
Caso não haja possibilidade de recolocação das vísceras na cavidade, autorizo que elas
sejam sepultadas dentro da urna, junto aos pés do corpo.
Em caso de traslado por via aérea, ou de impossibilidade de sepultamento nas formas
descritas acima, esclareço que tenho ciência e autorizo que as vísceras sejam sepultadas
separadamente do corpo.
São Paulo, ____ de __________ de _____.
Identidade: _________________ CPF: ______________________.

p. 35
______________________________________________________
Assinatura do representante legal.

ATA DE EMBALSAMAMENTO

Aos ____ dias do mês _________ de 20__


Deu entrada no serviço funerário
__________________________________________________________
O corpo de:
_________________________________________________________________________
__
Proveniente do
________________________________________________________________________
Com relato de “causa de morte”
___________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
____________________________________________
Atestado pelo Dr.(a)
___________________________________________________________________,

Para procedimento de EMBALSAMAMENTO (infusão de solução conservante via arterial,


com drenagem venosa, seguida de abertura da cavidade torácica-abdominal – ou reabertura,
em caso de corpo previamente necropsiado – com retirada das vísceras abdominais e
torácicas, colocação das mesmas em saco plástico duplo com solução a base de formol e
recolocação dentro da cavidade abdominal. Nos casos em que não seja possível a
recolocação dentro da cavidade, ou tal prática não seja apropriada, como em casos de
traslado via aérea ou viagens para o exterior, tais vísceras são sepultadas separadamente,
mediante a solicitação do médico responsável. Em seguida, são suturados os pontos de
infusão com chuleio contínuo e o corpo é lavado, tamponado e colocado em urna zincada e
lacrada. Durante a inspeção do corpo pelo médico responsável, nenhuma anormalidade
digna de nota foi verificada, tendo sido realizado procedimento padrão.
Nada mais a constar, lavrou-se esta ata em presença de duas testemunhas:
São Paulo, ___ de __________ de 20__
Médico responsável: _________________________________________________
Dr. Xxxxxxxxxxxxxx Xxxxxxxxxxxxxx

p. 36
CRM-SP 00.000
Responsável
Técnico: ___________________________________________________________
Testemunha: _______________________________________________________

Testemunha: _______________________________________________________

p. 37