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HABEAS CORPUS

(- Art. 5º, LXVIII da C.F. e artigos 647 e 667 do CPP)

0 habeas corpus é um remédio constitucional, destinado a tutelar, de maneira eficaz e


imediata a liberdade de locomoção (direito de ir, vir e de permanecer).

“conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de


sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso
de poder” (art. 5°, LXVIII, da CF).

Embora incluído no Código de Processo Penal, no capítulo de recurso, a doutrina é


unânime em considerar o habeas corpus como verdadeira ação, que tem por
finalidade amparar o direito de liberdade.

Pode ser impetrado por qualquer pessoa, inclusive pelo paciente (aquele que está
sofrendo a coação ilegal, ou se encontra na iminência de sofrê-la).

0 habeas corpus é sempre dirigido à autoridade jurisdicional hierarquicamente


superior àquela tida como autoridade coatora.:

0 habeas corpus pode ser:

a) Preventivo: quando impetrado contra uma ameaça à liberdade de


locomoção;quando se pretende evitar que a coação se efetive, desde que haja
fundado receio de que se consume.
b) Liberatório: (corretivo ou repressivo) – quando se pretende a restituição da
liberdade de alguém que já se acha com esse direito violado; quando o
paciente já estiver sofrendo a coação ilegal em sua liberdade de locomoção.

Existe liminar em pedido de habeas corpus. Ela visa a atender casos em que a cessação
da coação ilegal exige pronta intervenção do judiciário.

Se o habeas corpus for negado em 1ª instância, caberá Recurso em Sentido Estrito,


denegado em 2ª instância caberá o Recurso Ordinário Constitucional.

Natureza jurídica do habeas corpus: embora tenha sido regulamentado pelo Código
como recurso, é uma ação penal popular constitucional voltada à proteção do direito
de liberdade de locomoção.

- legitimidade: Pode ser:

- ativa – pode ser impetrado por qualquer pessoa (que tenha interesse de agir), em
seu favor ou de outrem, independentemente de representação de advogado –
denominado de impetrante.

- passiva – aquele que exerce a violência, coação ou ameaça – denominado de coator


(ou autoridade coatora).
Objeto do habeas corpus

Nos termos do artigo 647 do CPP, será concedida ordem de habeas


corpus: “sempre que alguém sofra ou se encontre na iminência de sofrer violência ou
coação ilegal em sua liberdade de ir e vir, salvo nos casos de punição disciplinar”

- Hipóteses de cabimento (art. 648, CPP - enumeração exemplificativa):

I – quando não houver justa causa;

II – quando alguém estiver preso por mais tempo do que determina a lei;

III – quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo;

IV – quando houver cessado o motivo que autorizou a coação;

V – quando não for alguém admitido a prestar fiança, nos casos em que a lei
autoriza;

VI – quando o processo for manifestamente nulo;

VII – quando extinta a punibilidade.

Assim, para o Código de Processo penal, a coação será ilegal, quando (648, do
CPP):

I- ausência de justa causa: Seja falta por de previsão legal para engendrar a coação;
falta ou déficit de elementos indiciários para o inquérito ou ação penal, bem como,
pela aceitação por parte do juiz de ação penal deficitária, inviável. Nas palavras do
eminente professor Nestor Távora apud Luiz Flávio Gomes, a expressão significaria
ausência de lastro probatório mínimo ou ausência de legalidade. Verbis gratia,
persecutio criminisembasada em fato atípico. Aqui, estar-se-à falando do manejo
de habeas corpus trancativo, arquivando-se o inquérito policial ou extinguindo
sumariamente a ação penal pela ilegalidade ou falta de justa causa.

II- Quando alguém estiver preso por mais tempo do que a lei determina: Em face do
princípio da restrita legalidade, apenas com base na lei o juiz poderá privar a liberdade
individual de alguém. Extrapolando a previsão legal, cabível é o manejo de habeas
corpus (repressivo/ liberatório). Lembremos que na fase criminal, o delegado de polícia
deverá colocar o indiciado imediatamente em liberdade, sob pena de incorrer em
crime de abuso de autoridade;

III- incompetência da autoridade coatora: Diz a Constituição Federal que ninguém será
preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade
judiciária competente (art. 5º, LXI). Deveras lembrar que, apenas a ordem de juiz
competente e de forma fundamentada, é que pode resultar em privação da liberdade.
Se, portanto, a autoridade não tinha competência para a ordem ou a extrapolou, há de
se acolher ohabeas corpus impetrado;

IV- Quando houver cessado o motivo que autorizou a coação: Importante aqui, citar
Mougenot Bonfim: “...cessada a necessidade da prisão cautelar, seja pelo fato de o réu
não representar um perigo à ordem pública ou porque não se furtará à aplicação da lei
penal, seja em razão do término da instrução criminal, ocasião em que o acusado não
poderá mais influenciar no ânimo das testemunhas, oportuno será o remédio heróico
para fazer cessar o constrangimento da liberdade, uma vez verificada a ilegalidade da
restrição”. (BONFIM, p. 2009, 2012)

V- Inadmissão da prestação da fiança quando autorizada por lei: A prisão, como em um


Estado Social Democrático de Direito deve ser, é medida excepcional, se a lei autoriza
a prestação da fiança, que é espécie de prisão cautelar, o habeas corpus deve ser
manejado, não para soltar o indivíduo, mas sim para que seja arbitrada a fiança ou ela
admitida, permitindo, assim a liberdade provisória.

Abaixo, veremos as duas possibilidades de impetração de habeas


corpus mesmo após o trânsito em julgado da decisão.

VI- Quando o processo for manifestamente nulo: Independente de o processo estar


em curso ou não, poderá o “writ” ser usado para que se reconheça a nulidade do
processo, v.g., falta de citação. Este habeas corpusé chamado pela doutrina de habeas
corpus nulificador.

VII- Quando extinta a punibilidade: Se extinto o jus puniendi Estatal, deve


imediatamente ser declarada de ofício pelo magistrado a extinção da punibilidade ou
se isso não ocorrer, deve ser requerida pelas partes, encerrando a persecução em que
pé estiver.

Há de se lembrar que o juiz deve sempre reconhecer de ofício a ordem


de habeas corpus, relaxando a prisão em flagrante, quando esta lhe for comunicada e
se verificar a ilegalidade da sua medida ou quando verificada a ilegalidade no decorrer
do processo.

Partes processuais do habeas corpus

O paciente é aquele que está na iminência de sofrer ou está sofrendo a


coação ou violência ilegal, sendo pacífico que deverá ser impetrado em favor de
pessoas determinadas, vedado, portanto, é o remédio impetrado em favor de um
coletivo de pessoas. A maior parte da doutrina não admite a pessoa jurídica como
paciente, pois ela não se locomove. O professor Aury discorda: “Noutra dimensão, é
absolutamente ilógico admitir que a pessoa jurídica figure no polo passivo de uma ação
penal e, ao mesmo tempo, negar-lhe legitimidade para utilizar o habeas corpus como
instrumento processual destinado a fazer cessar uma coação ilegal (collateral attack).

Por que teria a pessoa jurídica que suportar o ônus de um processo penal nulo ou
inútil? Pode ser ré, mas não está legitimada a resistir a uma imputação ilegal? É
flagrante a incongruência e a inadequação da tese que nega à pessoa jurídica
legitimidade para impetração do habeas corpus.”

A autoridade coatora é aquela responsável pela ilegalidade ou pelo abuso


de poder que compromete a liberdade individual de locomoção.

a) Magistrado: O juiz é a única autoridade civil que pode decretar a prisão de


quem quer que seja, desde que presentes os requisitos para prisão temporária ou
preventiva. Caso decrete a prisão de alguém sem a presença dos pressupostos
autorizadores, haverá ilegalidade.

b) Promotor de Justiça: Pode trazer dúvida se o membro do Ministério Público


pode ser sujeito passivo do HC, já que ele não pratica atos de jurisdição. Será
autoridade coatora, porém, quando praticar atos administrativos com teor decisório
que podem causar constrangimento à liberdade de locomoção, por exemplo,
requisição de instauração de inquérito policial para apurar crime já prescrito, ou fato
atípico (RANGEL, p. 1065, 2014).

c) Delegado de polícia: caso venha a realizar prisão sem os requisitos do estado de


flagrância, seja ele próprio ou impróprio (302, do CPP), ou instaure inquérito de ofício
para apurar fato atípico, a autoridade policial estará atuando na ilegalidade, tornando-
se sujeito passivo do manejo do habeas corpus.

Uma questão que pode gerar dúvida, será, se nas mesmas hipóteses, o
delegado já tiver remetido os autos ao Ministério público, que ao recebê-los, ofereceu
denúncia. Nesta situação, a autoridade coatora será o Promotor de Justiça, e não mais
o delegado. Caso o juiz receba essa denúncia infundada oferecida pelo Ministério
Público, será ele a autoridade coatora em eventual habeas corpus, deslocando a
competência para TJ respectivo.

Como visto, a autoridade coatora, via de regra, é um agente público,


podendo, porém ser um particular, como admite a maioria da doutrina, que traz como
clássico exemplo de custódia forçada em hospital, seitas religiosas, asilos para idosos,
clínicas de reabilitação para alcoólatras e etc.

A pessoa jurídica também é legítima para impetração da ordem em favor


de pessoa física, pois a lei penal não fez qualquer restrição quanto a essa
possibilidade; por se tratar de uma garantia, permite-se interpretação extensiva; pela
teoria da realidade (artigo 45 do CC), já defendida na vigência do Código Civil de 1916
por Vicente Rao e Clóvis Beviláqua, as pessoas jurídicas são sujeitos de deveres e
direitos, podendo se fazer representar em juízo ativa e passivamente (artigo 12, VI, do
CPC).

É vedado, no entanto, ao delegado de polícia impetrá-lo nesta qualidade,


podendo, contudo, faze-lo como cidadão.

Habeas corpus, transgressões disciplinares e prisão administrativa


Quanto a possibilidade do uso do remédio heroico para combater as
punições disciplinares militares, a Constituição da República, veda-o expressamente no
artigo 142, §2º. O que o constituinte originário pretendeu com essa vedação foi
resguardar a hierarquia e a disciplina, atributos próprios das carreiras militares.

Ocorre que, é requisito dos atos administrativos a sua prática de acordo


com a lei, podendo, então, o Poder Judiciário examinar os requisitos formais que
integram o ato administrativo punitivo, sendo vedado, porém, análise de seu mérito,
esse é o entendimento do Supremo Tribunal Federal.

Quando a prisão administrativa, assim preceitua o artigo 5º, LXI, da


Constituição Federal: dispõe: “ninguém será preso senão em flagrante delito ou por
ordem escrita fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de
transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei ”. Como se pode
visualizar, a prisão administrativa inexiste na ordem constitucional pós 1988, pois,
como já visto, somente o juiz competente poderá decretar a prisão de alguém, salvo, é
claro, nos casos de prisão administrativa militar. Restando, assim, revogado o artigo
650, §2º do CPP. Se ela vir a ser praticada, cabível será o manejo de habeas corpus.

- competência: exs.: o juiz de 1° grau julgará HC em que figurar como coator um


delegado de polícia; o juiz de 2° grau julgará HC em que figurar como coator o juiz de
1° grau ou o promotor de justiça etc.

Competência para julgamento do habeas corpus

A doutrina aponta três regras interpretativas:

1) Via de regra, a competência para julgar o habeas corpus é definida em razão


da autoridade coatora. Contra ato de Promotor de Justiça e de delegado de
polícia, será o Juiz de Direito de primeira instância, contra ato Juiz de Direito, a
competência é do Tribunal de Justiça respectivo. Contra ato de juiz federal, a
competência será do Tribunal Regional Federal, Contra TJ ou TRF, a
competência será do Superior Tribunal de Justiça. Contra ato de membro de
tribunal superior, a competência será do Supremo Tribunal Federal. Contra ato
de juiz do Juizado Especial, a competência será da respectiva turma recursal.
Com o cancelamento da Súmula 690 do STF, há de reconhecer que sendo a
autoridade coatora a turma Recursal de Juizado Especial, o habeas corpus não
será mais julgado no STF, e sim no TJ ou TRF, conforme a matéria.

2) Para identificar a competência do STF para julgamento do habeas corpus,


adotar-se-à os seguintes critérios:

a) Se o paciente está submetido à jurisdição do STF (prerrogativa de função),


competirá a ele mesmo o julgamento do habeas corpus, nos termos do artigo 102, I,
“d”, da CRFB (como exceção ao princípio do duplo grau de jurisdição);

b) Se o coator se submete a jurisdição do pretório excelso, o habeas


corpus deverá ser julgado pelo STF, ainda que o coator não integre a estrutura do
Poder Judiciário (102, I, “i”, da CRFB).
3) Pela terceira regra interpretativa, a competência do STJ para julgar habeas
corpus tem como referência os seguintes parâmetros:

a) Paciente submetido a sua jurisdição, assim diz o artigo 105, I, “d”, da CRFB: “os
conflitos de competência entre quaisquer tribunais, ressalvado o disposto no art. 102, I,
“o”, bem como entre tribunal e juízes a ele não vinculados e entre juízes vinculados a
tribunais diversos”.;

b) Quando o coator estiver submetido à jurisdição do STJ, cabe a ele julgar


o habeas corpus, mesmo quando o coator não integrar a estrutura do Judiciário.
(artigo 105, I, “d”, CRFB).

Mister salutar que, os Ministros de Estado de os Comandantes das Forças


Armadas serão julgados pelo STF quando praticarem infrações penais comuns e crimes
de responsabilidade (artigo 102, I, “ c”, CRFB). Quando coatores forem, porém, será
o STJ competente para recebimento do habeas corpus contra seus atos ilegais. (artigo
105, I, “c”, da CRFB)

- processamento em 1ª instância: petição  o juiz, após analisar o pedido liminar,


determinará, caso entenda necessário e se estiver preso o paciente, que seja ele
apresentado  seguir-se-á a requisição de informações da autoridade coatora,
assinando-se prazo para apresentação  após, o juiz poderá determinar a realização
de diligências, decidindo em 24 horas.

- efeitos e recursos: se concedida a ordem de HC, determinar-se-á a imediata soltura


do paciente, se preso estiver; caso se cuide de pedido preventivo, será expedido salvo-
conduto; na hipótese de o pedido voltar-se parar anulação de processo ou
trancamento de IP ou processo, será expedida ordem nesse sentido, renovando-se os
atos processuais no primeiro caso; quando não há concessão, diz-se que a ordem foi
denegada; se se verificar que a violência ou ameaça à liberdade de locomoção já havia
cessado por ocasião do julgamento, o pedido será julgado prejudicado; da decisão de
1° grau que conceder ou denegar a ordem de HC cabe RESE; se concedida a ordem, a
revisão pela superior instância é obrigatória.

- processamento no tribunal: petição apresentada ao secretário, que a enviará


imediatamente ao presidente do tribunal, ou da câmara criminal, ou da turma que
estiver reunida ou que primeiro tiver de reunir-se  se a petição obedecer os
requisitos legais, o presidente, entendendo necessário, requisitará da autoridade
coatora informações por escrito (se ausentes os requisitos legais da petição, o
presidente mandará supri-los)  pode o presidente entender que é caso de
indeferimento liminar do HC, situação em que não determinará o suprimento de
eventuais irregularidades e levará a petição ao tribunal, câmara ou turma, para que
delibere a respeito  recebidas as informações, ou dispensadas, o HC será julgado na
primeira sessão, podendo, entretanto, adiar-se o julgamento para a sessão seguinte 
a decisão será tomada por maioria de votos; havendo empate, caberá ao presidente
decidir, desde que não tenha participado da votação; na hipótese contrária,
prevalecerá a decisão mais favorável ao paciente.

LIMINAR EM HABEAS CORPUS: Sendo o habeas corpus o remédio constitucional que


protege o mais valioso bem do indivíduo, sua liberdade, seria inconcebível um sistema
processual penal de natureza acusatória, balizado por uma constituição garantista,
negar a possibilidade da concessão de ordem de forma liminar, desprezando-se o
princípio da presunção de inocência, negando ao acusado o seu direito fundamental
de responder ao processo em liberdade e subjugando-o ao cárcere.
Liminar é uma ordem judicial que tem como escopo resguardar direitos alegados pela
parte antes da discussão do mérito da causa. Ou seja, é uma concessão ante tempus da
pedido, devendo o mérito ser aferido posteriormente.
Apesar de tal pedido ser amplamente utilizado em diversos atos judiciais, a liminar
de habeas corpus não tem previsão legal explícita. Trata-se, na verdade, de uma
criação jurisprudencial voltada ao combate imediato de ato indevido de
constrangimento ou ameaça ao direito à liberdade de locomoção, devendo ser
concedida apenas em casos nos quais a urgência, a necessidade e a relevância da
medida se evidenciem de forma incontroversa na própria impetração e nos elementos
de prova a ela colacionados.
A própria ordem mandamental já traz em si a urgência necessária para reparar lesão
ao referido direito fundamental à liberdade de locomoção. tratando-se de garantia
inscrita no art. 5º, LXVIII, da Constituição Federal, só se admite a concessão da medida
antecipatória (liminar) em casos extremos, restando demonstrada, em simples análise
superficial, a ilegalidade ou o abuso de poder da autoridade coatora.
O pedido antecipatório deve, aliás, fundar-se exclusivamente no fumus boni
iuris (“fumaça do bom direito”) e no periculum in mora(“perigo na demora”). Em
outras palavras, deve haver plausibilidade do direito alegado (ofensa à liberdade de
locomoção do paciente) e possibilidade de que a demora na sua satisfação venha a
causar grave dano ou de difícil reparação à parte (a liberdade do paciente somente ao
final do processo importará em inaceitável e injusta manutenção de violação ao
seu status libertatis).
Pelos motivos expostos, justifica-se a desnecessidade de um exame mais profundo
quanto ao mérito da causa. Em verdade, deve ser feita uma análise superficial dos
autos, a fim de ser aferida se há alguma coação ilegal patente, clara, inegável para ser
desfeita até o julgamento definitivo da ordem.

TESES DE DEFESA EM HABEAS CORPUS


1) FALTA DE JUSTA CAUSA: Toda vez que o seu cliente for preso ou estiver sendo
processado por um crime que ele não cometeu ou não está expresso em Lei.
Inexistência do crime, ou não existe prova de que o réu tenha sido o autor do crime.

2) NULIDADE: Trata-se de irregularidade no andamento do processo. É uma mera


questão de forma. As nulidades estão previstas no artigo 564 do Código de Processo
Penal. Acarretará a nulidade a falta de laudo, a citação irregular, deixar de intimar as
partes para comparecer em juízo, deixar de cumprir um dispositivo expresso de Lei.

3) EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE: Os casos que ensejam a extinção de punibilidade,


estão previstos no artigo 107 do Código Penal. 0 agente pratica um crime, mas por
algum motivo, não pode mais ser punido.

4) ABUSO DE AUTORIDADE - Réu preso a mais tempo do que determina a própria Lei
ou quando que lhe é negado um benefício a que tenha direito (fiança, "sursis")

Observação: toda vez que se impetra um habeas corpus deveremos observar com
atenção o pedido, pois o pedido será específico para cada tipo de tese.

Verificamos então como ficam as teses de defesa com seus pedidos em Habeas
Corpus: (artigo 647, 648, CPP)

Se a tese for FALTA DE JUSTA CAUSA o pedido será:

- CASSAÇAO DA SENTENÇA se houver sentença.

- TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL se não houver sentença e se for caso de paralisação


da ação. Por exemplo por atipicidade do fato.

Se a tese for NULIDADE o pedido será:

- Anulação "ab initio" da ação penal, se a falha processual ocorreu até a fase da defesa
preliminar.
- Anulação da ação penal à partir (do momento que ocorrer a falha processual) se a
falha processual ocorreu após a defesa preliminar.

Se a tese for EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE o pedido será:


- A extinção da punibilidade do fato imputado ao paciente na ação penal
Se a tese for ABUSO DE AUTORIDADE o pedido será:

- Expedição de alvará de soltura - se estiver preso.


- Relaxamento da prisão em flagrante - se preso em flagrante.
- Contramandado de prisão - iminência de ser preso, ou "HC" preventivo.
- Revogação da prisão - prisão preventiva decretada.

Em "habeas corpus" podemos fazer até 3 pedidos, desde que o primeiro pedido seja o
da tese respectiva ( falta de justa causa, nulidade, extinção de punibilidade) e os
demais sejam em razão da coação (alvará, contramandado, salvo conduto, revogação
da prisão, relaxamento do flagrante), por exemplo:

Decretando-se o trancamento da ação penal (tese de falta de justa causa), o


relaxamento da prisão em flagrante e a expedição do alvará de soltura.

Decretando-se anulação "ab initio" da ação penal (tese de nulidade), a revogação da


prisão preventiva e a expedição do alvará de soltura.
PROBLEMAS

1) Protágoras encontra-se preso há 28 dias em virtude de auto da prisão em


flagrante, lavrado por infração ao artigo 250, parágrafo 1º, inciso I, do Código Penal.
O laudo do instituto de criminalística ainda não foi elaborado, estando o inquérito
policial aguardando a sua feitura. O juízo competente, que se encontra na posse da
cópia do auto da prisão em flagrante, indeferiu o pedido de relaxamento desta, por
excesso de prazo, sob o fundamento de que a gravidade do fato impõe a segregação
de Protágoras.

QUESTÃO: Com o objetivo de conseguir a liberdade de Protágoras, elabore a peça


profissional condizente.

2) José da Silva foi condenado por violação do artigo 33, da Lei Federal no 11.343/06, a pena
de 4 (quatro) anos de reclusão. Tendo ocorrido o trânsito em julgado, eis que não apelou da
decisão de primeiro grau. Está recolhido na Casa de Detenção. Compulsando-se os autos,
verifica-se que a materialidade do delito está demonstrada pelo auto de constatação que
instruiu o auto de prisão em flagrante delito, conforme, aliás, frisado pelo MM. Juiz
sentenciante da 1a Vara Criminal da Capital. A substância entorpecente já foi incinerada.
QUESTÃO: Como advogado de José da Silva, busque sua libertação.

3) Antonio é presidente de um grande clube local, com mais de três mil sócios, onde
existem piscinas, salão de festas, campo de futebol, etc. O clube é freqüentado por
muitos jovens da localidade. No mês de janeiro de 2019, o garoto Cipriano, sem
perceber que o nível da água de uma das piscinas estava baixo, lá jogou-se para
brincar. Ao mergulhar, Cipriano bateu a cabeça no fundo da piscina e veio a falecer.
O presidente do clube, Antonio, agora, está sendo processado criminalmente
perante a 1ª Vara Criminal da Capital, em razão da aceitação da denúncia formulada
pelo Ministério Público, acusando-o da prática da figura prevista no artigo 121,
parágrafo 3º, do Código Penal. Antonio não aceitou a suspensão processual, que lhe
foi proposta pelo Órgão Ministerial. A ação penal está tramitando.

QUESTÃO: Na condição de advogado de Antonio, atue em favor do constituinte.

4) O Delegado de Polícia representou ao Juiz de Direito a fim de que fosse decretada


a prisão temporária de João, alegando que ele estava sendo investigado por crimes
de estelionato e furto e se tratava de pessoa sem residência fixa, sendo a sua prisão
imprescindível para as investigações. O juiz, após ouvir o Ministério Público,
decretou a prisão temporária por 5 (cinco) dias, autorizando, desde logo, a
prorrogação da prisão por mais 5 (cinco) dias, se persistissem os motivos que
levaram à sua decretação. Foi expedido mandado de prisão. Sem ser preso, João
soube da decisão e procurou um advogado para defendê-lo. Este requereu a
revogação da prisão temporária, sendo mantida pelos mesmos fundamentos.

QUESTÃO: Como advogado de João, redija a peça processual mais adequada à sua
defesa.
HABEAS CORPUS com tese de NULIDADE
EXCELENTíSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE
JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO.
Ou
EXCELENTíSSIMO SENHOR DOUTOR MINISTRO PRESIDENTE DO SUPERIOR TRIBUNAL
DE JUSTIÇA.

Ou

EXCELENTISSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA .... VARA CRIMINAL DA


CAPITAL.-SP(quando a autoridade coatora for o delegado de polícia)

(10 linhas)

X.X.X., advogado inscrito na OAB/SP nº___com escritório na


rua______nº, nesta Capital, vem, com fundamento no artigo 5º, LXVIII da Constituição
Federal e arts 647, .... e art 648 do CPP, impetrar

HABEAS CORPUS

em favor de "A", nacionalidade, estado civil, profissão, portador da cédula de


identidade RG. nº ___residente na rua_____nº___,nesta Capital, que vem sofrendo
constrangimento ilegal por parte do Meritíssimo Juiz da___Vara Criminal (Ilustrissimo
Delegado do__Distrito Policial), pelas razões a seguir aduzidas:

I - 0 paciente.. (resumir o problema dado)

II - Referida (ação ou condenação) constitui uma coação ilegal contra o paciente, por
ter sido proferida num processo manifestamente nulo. Com efeito,...

III - Conforme entendimento predominante na jurisprudência: (copiar a jurisprudência"


Acórdão, etc ... ).

Diante de todo o exposto, postula-se após as informações


prestadas junto à autoridade coatora, a concessão da ordem impetrada, decretando-se
a anulação "ab initio" (ou a partir da falha processual) da ação penal, como medida de
justiça. i

Nestes Termos,

Pede Deferimento.

São Paulo, de de 2___.

OAB/SP. Nº
MODELO DE “HABEAS CORPUS” COM TODAS AS TESES

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA CRIMINAL DA


COMARCA DE , ESTADO DE SÃO PAULO

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA DO TRIBUNAL DO


JÚRI DA COMARCA DE , ESATDO DE SÃO PAULO

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ/DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO


TRIBUNAL , ESTADO DE SÃO PAULO

EXCELENTíSSIMO SENHOR DOUTOR MINISTRO PRESIDENTE DO SUPERIOR TRIBUNAL


DE JUSTIÇA.

EXCELENTíSSIMO SENHOR DOUTOR MINISTRO PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL


FEDERAL.

(10 linhas)

“XXXXXXXX“, advogado (qualificação), vem com


fundamento no artigo 5º inciso LXVIII DA CF, e arts 647, 648,.... do CPP , impetrar

“HABEAS CORPUS”

em favor de “ “(qualificação), pelas razões que passa expor:


(2 linhas)

HISTÓRICO (copiar o problema)


(2 linhas)

ARGUMENTAÇÃO

NULIDADE COM SENTENÇA

A referida condenação constitui entretanto uma


coação ilegal contra o paciente por ter sido proferida num processo manifestamente
nulo. Com efeito, deixou o Meritíssimo Juiz de cumprir / de ser cumprido o disposto
artigo do CPP/CF, ocorrendo assim a nulidade prevista no artigo 564, inciso ,
alínea, do Código de Processo Penal / mesmo Código.

NULIDADE SEM SENTENÇA

O referido processo/inquérito/ação penal constitui


entretanto uma coação ilegal contra o paciente por ter sido proferida num processo
manifestamente nulo. Com efeito, deixou o Meritíssimo Juiz/Doutor Delegado de
cumprir/ de ser cumprido o disposto no artigo do CPP/CF, ocorrendo assim a
nulidade prevista no artigo 564, inciso , alínea , do Código de Processo Penal/
mesmo Código.

FALTA DE JUSTA CAUSA COM SENTENÇA

A referida condenação constitui entretanto uma


coação ilegal contra o paciente por falta de justa causa. Com efeito, (tese de
argumentação).

FALTA DE JUSTA CAUSA SEM SENTENÇA

O referido processo/inquérito/ação penal constitui


entretanto uma coação ilegal contra o paciente por falta de justa causa. Com efeito,
(tese de argumentação).

EXTINÇÃO DE PUNIBILIDADE COM SENTENÇA

A referida condenação constitui entretanto uma


coação ilegal contra o paciente por ter sido proferida quando já estava extinta a
punibilidade. Com efeito, quando foi proferida a respeitável sentença condenatória já
tinha ocorrido a prescrição/ decadência/ perempção, conforme disposto no artigo 107,
inciso IV, do Código Penal. Com efeito, (tese de argumentação).

EXTINÇÃO DE PUNIBILIDADE SEM SENTENÇA

O referido processo/ inquérito/ ação penal


constitui entretanto uma coação ilegal contra o paciente por ter sido instaurada
quando já estava extinta a punibilidade. (prescrição/ decadência/ perempção),
conforme disposto no artigo 107, inciso IV, do Código Penal.

ABUSO DE AUTORIDADE

A referida prisão constitui entretanto uma coação


ilegal contra o paciente, por abuso de autoridade. Com efeito (tese de argumentação).

Conforme entendimento jurisprudencial


predominante:

Diante do exposto, vem requerer seja concedida a


ordem impetrada, com fundamento nos artigos 647 e 648, inciso , do Código de
Processo Penal

decretando-se a anulação “ab inítio”/ a partir de,


daquela ação penal (NULIDADE)

decretando-se o trancamento da ação penal


(FALTA DE JUSTA CAUSA SEM SENTENÇA)
com a cassação da setença proferida contra o
paciente (FALTA DE JUSTA CAUSA COM SENTENÇA)

decretando-se a extinção de punibilidade do fato


imputado ao paciente naquela ação penal/ I.P. (EXTINÇÃO DE PUNIBILIDADE)

com a revogação da prisão preventiva decretada


contra a paciente

com o relaxamento da prisão flagrante imposta


contra a paciente

e a expedição de alvará de soltura/ e a expedição


de contra-mandado de prisão, em seu favor, como medida de inteira

JUSTIÇA!

Nestes Termos

Pede Deferimento

LOCAL, DATA

ADVOGADO
OAB/SP