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Tecnologia assistiva

Fundação Biblioteca Nacional


ISBN 978-85-387-6317-8

9 788538 76317 8
Tecnologia
assistiva

Irene Carmem Picone Prestes

2017
© 2014-2017 IESDE BRASIL S/A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo,
sem autorização por escrito dos autores e do detentor dos direitos autorais.

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO


SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
________________________________________________________________________
P939t

Prestes, Irene Carmem Picone


Tecnologia assistiva / Irene Carmem Picone Prestes. - 1. ed. - Curitiba, PR : IESDE
Brasil, 2017.
114 p. : il. ; 21 cm.

ISBN 978-85-387-6317-8

1. Educação especial. 2. Inclusão escolar. 3. Educação - Inovações tecnológica.


I. Título.

17-40514 CDD: 371.9


CDU: 376
________________________________________________________________________

Capa: IESDE BRASIL S/A.


Imagem da capa: Max Krasnov/Shutterstock

Todos os direitos reservados.

Produção IESDE BRASIL S/A.


Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200
Batel – Curitiba – PR
0800 708 88 88 – www.iesde.com.br
Apresentação

No século XXI – da sociedade do conhecimento – todas as crianças


têm direito fundamental à educação. A Educação para todos tem o desafio
da promoção integral do desenvolvimento e da formação do aluno. A
escola é o espaço, por excelência, do processo e do progresso da apren-
dizagem, devendo também oferecer convivência humana e exercício de
cidadania.

A cidadania na sociedade informacional vai considerar como direito


de todos o acesso aos recursos tecnológicos. Mostra-se promissora na
implementação e consolidação de ações inclusivas e de acessibilidade,
que atendam às diferenças individuais e à diversidade cultural. Numa
visão psicológica, sócio-histórica, cultural e integrada do ser humano,
que requer observar o potencial expressivo e criativo inerente a ele em
qualquer idade.

A Tecnologia Assistiva desponta como área do conhecimento atuali-


zada capaz de pesquisar e planejar recursos e serviços em prol de efe-
tivas ações transformadoras das práticas discriminatórias da sociedade
em relação às pessoas com deficiência, mobilidade reduzida ou idosas.
Norteia suas ações na promoção de um estilo de vida independente e no
respeito aos estilos e ritmos de aprendizagem de cada aluno, essenciais
para a verdadeira inclusão socioeducativa.

Neste livro convidamos você a ser um promotor de tecnologias aces-


síveis a todas as pessoas em nossa sociedade.

Boa leitura!
Sobre a autora

Irene Carmem Picone Prestes

Mestre em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).


Especialista em Antropologia Cultural pela UFPR. Especialista em
Psicopedagogia pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). Psicanalista.
Psicóloga. Docente na UTP. Presidente da Comissão de Educação
Inclusiva da UTP.
Sumário

1 Dimensões de acessibilidade 9

1.1 Contextualização da acessibilidade 10


1.2 Legislação da acessibilidade 13
1.3 Compreendendo as dimensões da acessibilidade 18

2 Tecnologia Assistiva e a inclusão 27

2.1 Sobre o diagnóstico na inclusão 28


2.2 Impacto causado pela deficiência no ser humano 31
2.3 Tecnologia Assistiva – valorizando a diversidade humana 36

3 Tecnologia Assistiva aplicada I 41

3.1 Descrevendo as categorias da Tecnologia Assistiva 42


3.2 Tecnologia Assistiva aplicada à vida diária 47
3.3 Tecnologia Assistiva aplicada às habilidades físicas 50

4 Tecnologia Assistiva aplicada II 57

4.1 Sob o paradigma da inclusão psicossocial 58


4.2 Tecnologia Assistiva aplicada aos recursos ambientais 62
4.3 Tecnologia Assistiva aplicada ao esporte e lazer 66
Sumário

5 Conhecendo a CIF – Classificação Internacional de Funcionalidade,


Incapacidade e Saúde e o Desenho Universal 73

5.1 Modelos conceituais – médico e social 74


5.2 Aprendendo com o Desenho Universal 78
5.3 Compreender a incapacidade e a funcionalidade 82

6 Software Educativo 87

6.1 Tecnologias nas práticas educativas 88


6.2 Softwares e as deficiências 91
6.3 Dimensões do uso das tecnologias educativas 94

7 Sala de recursos multifuncionais e acessibilidade 101

7.1 Escola acessível 102


7.2 Reconhecendo a sala de recursos multifuncionais 105
7.3 Espaço multifuncional de aprender a ser 109
1
Dimensões de
acessibilidade

Objetivos:

Conhecer a contextualização
atual da acessibilidade, entender a
legislação que envolve a acessibilidade
e reconhecer a aplicabilidade das
dimensões de acessibilidade no
processo de inclusão.
1 Dimensões de acessibilidade

1.1 Contextualização da acessibilidade


Uma proposta de contextualização busca revelar a articulação das diver-
sas realidades presentes na sociedade do mundo globalizado para que possam
emergir um significado e um sentido da realidade observada. Assim apresenta-
mos alguns pontos relevantes para a contextualização e compreensão da aces-
sibilidade na atual sociedade inclusiva brasileira.
Para enfrentar os desafios do século XXI, novas concepções de educação de-
vem ser ampliadas para uma visão de plenitude, em que as pessoas possam, em
síntese, aprender a ser, conforme aponta o relatório da Comissão Internacional de
Educação para o século XXI feito para a Unesco (2010) sobre os pilares da educa-
ção. A Constituição Brasileira de 1988 garante o direito de igualdade a todos os
cidadãos no espaço social da nação. Esse direito inclui o acesso a serviços essen-
ciais, como habitação própria, saúde, educação e trabalho, para todas as pessoas
sem qualquer forma de discriminação. É direito do cidadão e cabe ao Estado a
promoção e a proteção desse direito por meio da implementação e manutenção
de ações que atendam, individual e coletivamente, às necessidades e às expecta-
tivas do cidadão.
Na celebração dos 25 anos de vigência da Carta Constitucional do Brasil,
como parte das comemorações, o Governo Federal lançou uma versão da
Constituição em texto, áudio e linguagem de sinais – Libras (Língua Brasileira
de Sinais), fortalecendo o paradigma vigente de acessibilidade na sociedade in-
clusiva brasileira. A Constituição pode ser consultada por todas as pessoas no
site PCD Legal, uma biblioteca virtual disponível em: <www.pcdlegal.com.br/
constituicaofederal/#.VDwiSPldWm2>.
É notório que grande parte da população é confrontada cotidianamente
com diferentes barreiras, que tornam inacessíveis o transporte coletivo, prédios
públicos, metodologias educacionais, tecnologias de baixo custo, comunicação
nos setores públicos, entre outros obstáculos. Vale verificar os números no

10 Tecnologia Assistiva
Dimensões de acessibilidade 1
Censo Demográfico do IBGE, realizado em 2010, de características da popula-
ção, religião e pessoa com deficiência:
Os resultados do Censo Demográfico de 2010 apontaram 45 606 048
milhões de pessoas que declaram ter pelo menos uma das deficiên-
cias investigadas, correspondendo a 23,9% da população brasileira.
Dessas pessoas 38 473 702 se encontravam em áreas urbanas e 7 132
347 em áreas rurais. A região Nordeste concentra os municípios com
os maiores percentuais da população com pelo menos uma das defi-
ciências investigadas [...]. (IBGE, 2010, p. 73)
Os dados do Censo são significativos e justificam o incremento nas ações
voltadas à acessibilidade, inclusão, tecnologias assistivas e comunicação alter-
nativa nos espaços de educação formal e não formal e organizações do estado
nacional. Ainda, vale um alerta, devemos considerar que a possibilidade de en-
frentamento das barreiras, obstáculos do cotidiano ou até mesmo da condição
de deficiência temporária assola qualquer pessoa em alguma situação de vida,
senão a todos os sujeitos no processo do desenvolvimento do envelhecer que
traz limitações naturais a todo o ser humano.
Outro aspecto fundamental nessa contextualização e que interfere na aces-
sibilidade e no processo inclusivo trata da globalização que, como um processo
complexo atual, traduz o modo das interações entre os continentes e os países.
Esse mecanismo interfere nas decisões numa gama de aspectos econômicos,
educacionais, culturais e políticos, que articulam os confrontos planetários.
Por meio da globalização, as pessoas estão mais próximas de todo mundo,
os governos e as organizações trocam ideias, realizam transações e disseminam
um modus operandi nas questões da educação e cultura pelos quatro cantos do
planeta, como as proposições da ONU e da Unesco, expandindo, dessa forma,
os limites das fronteiras e da territorialidade e consequentemente interferindo
nas atitudes das pessoas.

Tecnologia Assistiva 11
1 Dimensões de acessibilidade

O sociólogo português Boaventura de Sousa Santos confirma essa comple-


xidade e nos ajuda a refletir sobre o conceito de globalização quando considera
que “o global e o local são socialmente produzidos no interior dos processos de
globalização” (SANTOS, 2002, p. 63). Isso nos conduz a compreender a com-
plexidade da globalização, a qual produz trocas entre as redes humanas sem
fronteiras, indiscriminada e instantaneamente. Ampliam desta forma a terri-
torialidade dos continentes e estabelecem a complexidade das decisões, dos
recursos, dos instrumentos, entre outros, hoje em dia. Sem dúvida, favorecem
e fortalecem cada vez mais as ações coletivas civilizatórias.

Extra
Recomendamos a leitura da Declaração Mundial sobre Educação para Todos
(Conferência de Jomtien – 1990). Brasil, UNICEF. Disponível em: <www.unicef.
org/brazil/pt/resources_10230.htm>. Acesso em: 21 mar. 2017.

Atividades
Liste cinco palavras-chave relacionadas à acessibilidade.

Referências
DELORS, Jacques. Educação: um tesouro a descobrir. Relatório para a Unesco
da Comissão Internacional para a educação do século XXI. Brasília: julho, 2010.
Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0010/001095/109590por.pdf>.
Acesso em: 21 mar. 2017.

INSTITUTO BRASILEIRO DE ESTATÍSTICA E GEOGRAFIA – IBGE. Censo


Demográfico 2010. Características gerais da população, religião e pessoas com
deficiência. Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão. IBGE. ISSN 0104-
3145. Censo demogr. Rio de Janeiro, p. 1-215, 2010. Disponível em: <http://
biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/94/cd_2010_religiao_deficiencia.
pdf>. Acesso em: 21 mar. 2017.

12 Tecnologia Assistiva
Dimensões de acessibilidade 1
SOUSA SANTOS, Boaventura (Org.). A globalização e as Ciências Sociais. São Paulo:
Cortez, 2002. Disponível em: <http://www.do.ufgd.edu.br/mariojunior/arquivos/
boaventura/globalizacaoeciencias.pdf>. Acesso em: 21 mar. 2017.

UNICEF. Declaração Mundial sobre Educação para Todos (Conferência de Jomtien


–1990). Disponível em: <www.unicef.org/brazil/pt/resources_10230.htm>. Acesso em:
21 mar. 2017.

Resolução da atividade
Acessibilidade: lei, cidadania, autonomia, globalização, comunicação.

1.2 Legislação da acessibilidade


Inicialmente, define-se acessibilidade como a possibilidade para a remoção
dos entraves que representam as barreiras para a efetiva usabilidade e partici-
pação de pessoas nos diversos cenários da vida pessoal, social e profissional.
Ainda, entende-se que a acessibilidade está diretamente vinculada aos pressu-
postos da inclusão social e educacional, ou seja, trata-se de questões próprias
dos Direitos Humanos Universais e do pleno exercício da cidadania.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) é um do-
cumento marco na história dos direitos humanos. Elaborada por
representantes de diferentes origens jurídicas e culturais de todas
as regiões do mundo, a Declaração foi proclamada pela Assembleia
Geral das Nações Unidas em Paris, em 10 de Dezembro de 1948
[...]. Ela estabelece, pela primeira vez, a proteção universal dos di-
reitos humanos. [...]
Uma série de tratados internacionais de direitos humanos e outros
instrumentos adotados desde 1945 expandiram o corpo do direito
internacional dos direitos humanos. (ONUBR, 2017)

Tecnologia Assistiva 13
1 Dimensões de acessibilidade

A acessibilidade enquanto direito humano deve nortear-se nos alicerces da


inclusão que visam à autonomia, à independência e ao empoderamento da pessoa
com deficiência. Segundo Sassaki (1997, p. 38), empoderamento significa “o pro-
cesso pelo qual uma pessoa usa o seu poder pessoal inerente à sua condição para
fazer escolhas e tomar decisões, assumindo, assim, o controle de sua vida”.
Portanto, a acessibilidade nas dimensões arquitetônica, tecnológica, co-
municacional, linguística, pedagógica e atitudinal (preconceito, medo e igno-
rância), preconiza a construção de acesso e a eliminação dos diversos tipos de
barreiras, favorecendo a dignidade e o bem-estar daqueles que têm limitações
ou mobilidade reduzida.
A legislação, em geral, existe para promoção da igualdade de oportunida-
des entre as pessoas, especificamente da pessoa com deficiência, visando a um
fim comum: tornar a estrutura em que vivemos apta a acolher as diferenças
individuais e a diversidade cultural. Assim, é importante destacar e compreen-
der o sentido e o significado da lei, em uma citação de Dischinger.
Lei: no sentido jurídico, é a regra jurídica escrita, instituída pelo
legislador, no cumprimento de um mandato, que lhe é outorgado
pelo povo. Segundo Clóvis Beviláqua, “A ordem geral obrigatória
que, emanada de uma autoridade competente reconhecida, é im-
posta coativamente à obediência de todos”. A lei institui a ordem
jurídica, em que se funda a regulamentação, para manter o equi-
líbrio entre as relações do homem na sociedade, no tocante a seus
direitos e deveres. (DISCHINGER, 2012, p. 103-104)
A lei organizadora da sociedade visa, então, ao aprimoramento da civili-
zação e à evolução do ser humano. A legislação da acessibilidade consiste na
construção de um mundo includente, permitindo a existência integral e plena
da pessoa. Fazer parte de uma sociedade significa ter condições de desempe-
nhar papéis dos quais somos capazes, como o de pais, cidadãos, estudantes,
trabalhadores, entre outros, de modo que a nossa capacidade não seja obstada
por barreiras externas.

14 Tecnologia Assistiva
Dimensões de acessibilidade 1
O Decreto 5.296/2004, que regulamenta, inclusive, a Lei Federal 10.098/2000,
sustentando a acessibilidade e estabelecendo as normas e critérios básicos para
a promoção de acessibilidade de pessoas com deficiência ou mobilidade redu-
zida, em seu artigo 8° (incisos I e II) esclarece:
Das condições gerais da acessibilidade
Art. 8° Para os fins de acessibilidade, considera-se:
I. acessibilidade: condição para utilização, com segurança e auto-
nomia, total ou assistida, dos espaços, mobiliários e equipamentos
urbanos, das edificações, dos serviços de transporte e dos disposi-
tivos, sistemas e meios de comunicação e informação, por pessoa
portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida;
II. barreiras: qualquer entrave ou obstáculo que limite ou impeça
o acesso, a liberdade de movimento, a circulação com segurança
e a possibilidade de as pessoas se comunicarem ou terem acesso à
informação, classificadas em:
a) barreiras urbanísticas: as existentes nas vias públicas e nos es-
paços de uso público;
b) barreiras nas edificações: as existentes no entorno e interior das
edificações de uso público e coletivo e no entorno e nas áreas inter-
nas de uso comum nas edificações de uso privado multifamiliar;
c) barreiras nos transportes: as existentes nos serviços de trans-
portes; e
d) barreiras nas comunicações e informações: qualquer entra-
ve ou obstáculo que dificulte ou impossibilite a expressão ou o
recebimento de mensagens por intermédio dos dispositivos,
meios ou sistemas de comunicação, sejam ou não de massa,
bem como aqueles que dificultem ou impossibilitem o acesso à
informação. (BRASIL, 2004)

Tecnologia Assistiva 15
1 Dimensões de acessibilidade

Ainda baseando-se na legislação, é possível desdobrar a acessibilidade em


seis dimensões:
1. Acessibilidade arquitetônica – sem barreiras ambientais físicas em
todos os recintos internos e externos da escola e nos transportes
coletivos.
2. Acessibilidade comunicacional – sem barreiras na comunicação in-
terpessoal, na comunicação escrita e na comunicação virtual e digital.
3. Acessibilidade metodológica – sem barreiras nos métodos e técni-
cas de estudo, de ação comunitária, cultural e de educação dos filhos,
dos estudantes e nas relações familiares.
4. Acessibilidade instrumental – sem barreiras nos instrumentos e
utensílios de estudo, de atividades habituais da vida diária e de la-
zer, esporte e recreação (dispositivos que atendam às limitações sen-
soriais, físicas e mentais etc.).
5. Acessibilidade programática – sem barreiras invisíveis embutidas
em políticas públicas (leis, decretos, portarias, resoluções, medidas
provisórias etc.), em regulamentos (institucionais, escolares, empre-
sariais, comunitários etc.) e em normas de um modo geral.
6. Acessibilidade atitudinal – através de programas e práticas de sen-
sibilização e de conscientização das pessoas em geral e da convivên-
cia na diversidade humana resultando em quebra de preconceitos,
estigmas, estereótipos e discriminações.
A legislação de acessibilidade assim descrita pretende contribuir para que
todo ser humano, independentemente de suas diferenças físicas ou capacida-
des sensório-perceptivas, possa ter garantido a equidade de oportunidades
para além das deficiências, na valorização da dignidade, independência e au-
tonomia do cidadão.

16 Tecnologia Assistiva
Dimensões de acessibilidade 1
Extra
Recomendamos assistir ao vídeo Jovens brasileiros participam na sede da ONU
de debate sobre a inclusão. Disponível no link <http://www.inesc.org.br/noticias/
noticias-do-inesc/2014/setembro/quatro-adolescentes-e-jovens-brasileiros-participam
-na-sede-da-onu-de-debate-sobre-inclusao-escolar>. Acesso em: 21 mar. 2017.

Atividades
Construa um pequeno texto de três a quatro linhas relacionando Direitos
Humanos Universais – Cidadania – Diversidade.

Referências
BRASIL. Lei 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Estabelece normas gerais e critérios
básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou
com mobilidade reduzida e dá outras providências. Publicada no Diário Oficial da
União, em 20 dezembro de 2000. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/
l10098.htm>. Acesso em: 21 mar. 2017.

______. Decreto 5.296, de 02 de dezembro de 2004. Regulamenta as Leis 10.048, de 8


de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica, e
10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para
a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade
reduzida e dá outras providências. Publicado no Diário Oficial da União, em 3
dezembro de 2004. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/
Decreto/D5296.htm>. Acesso em: 21 mar. 2017.

DELORS, Jacques. Educação: um tesouro a descobrir. Relatório para a Unesco


da Comissão Internacional para a educação do século XXI. Brasília: julho, 2010.
Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0010/001095/109590por.pdf>.
Acesso em: 21 mar. 2017.

Tecnologia Assistiva 17
1 Dimensões de acessibilidade

DISCHINGER, Marta. Promovendo acessibilidade espacial nos edifícios públicos:


programa de acessibilidade às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida nas
edificações de uso público. Florianópolis: MPSC, 2012. 161p. Disponível em: <http://
www.mpam.mp.br/attachments/article/5533/manual_acessibilidade_compactado.pdf>.
Acesso em: 22 mar. 2017.

ONUBR. Declaração Universal dos Direitos Humanos. Disponível em: <https://


nacoesunidas.org/direitoshumanos/declaracao/>. Acesso em: 22 mar. 2017.

SASSAKI, Romeu. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. Rio de Janeiro:
WVA, 1997.

UNICEF. Declaração Mundial sobre Educação para Todos (Conferência de Jomtien –


1990). Disponível em: <www.unicef.org/brazil/pt/resources_10230.htm>. Acesso em: 21
mar. 2017.

Resolução da atividade
Entende-se que, em essência, o que as leis voltadas aos direitos humanos preservam
é o valor da diversidade humana e a garantia de igualdade social como instrumento
de bem-estar e de desenvolvimento inclusivo, social e educacional. Para ser cidadã ou
cidadão, cada pessoa, única e singular, precisa conviver com toda a sociedade e ofe-
recer a todos o seu saber, habilidades e competências, em uma troca de permanente
aperfeiçoamento.

1.3 Compreendendo as dimensões


da acessibilidade
Reconhecer a aplicabilidade das seis dimensões de acessibilidade propos-
tas na legislação nos fortalece no reconhecimento do caminho trilhado nas prá-
ticas para a verdadeira sociedade inclusiva, que abre suas portas à pessoa com
deficiência na vida escolar para a vida profissional, a fim de conquistar o pleno
exercício da cidadania, entendido como o lugar máximo de todo ser humano
na civilização.

18 Tecnologia Assistiva
Dimensões de acessibilidade 1
É importante considerar, na aplicação das propostas de acessibilidade, a
existência de situações ambientais, atitudinais, tecnológicas em que possam
ocorrer barreiras, obstáculos de diversos âmbitos. Essas situações devem ser
tomadas como parâmetros investigativos para se encontrar a solução viável aos
problemas vividos. A alternativa acessível deve considerar o processo históri-
co, cultural e educacional, demonstrando a necessidade de constante alinha-
mento para soluções criativas e enriquecedoras do ser humano na permanente
construção e atualização da sociedade inclusiva.
Para a aplicação das seis dimensões de acessibilidade apresentamos algu-
mas alternativas:
1. Acessibilidade arquitetônica – sem barreiras ambientais físicas
dentro dos critérios preconizados pela norma NBR 9050 (2004), que
estabelece os parâmetros técnicos a serem observados quando do
projeto, construção, instalação e adaptações de edificações, mobi-
liários, equipamentos urbanos ás condições de acessibilidade como
rampas, piso tátil, banheiros adaptados, nos transportes coletivos,
entre outros.

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2. Acessibilidade comunicacional – sem barreiras na comunicação in-


terpessoal (face a face, língua de sinais, linguagem corporal, lingua-
gem gestual etc.), na comunicação escrita (jornal, revista, livro, carta,
apostila etc., incluindo textos em braile, textos com letras ampliadas

Tecnologia Assistiva 19
1 Dimensões de acessibilidade

para quem tem baixa visão, notebook e outras tecnologias assistivas


para comunicar) e na comunicação virtual (acessibilidade digital).

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3. Acessibilidade metodológica – sem barreiras nos métodos e técni-


cas de estudo (adaptações curriculares, aulas baseadas nas inteligên-
cias múltiplas, uso de todos os estilos de aprendizagem, participação
do todo de cada aluno, novo conceito de avaliação de aprendizagem,
novo conceito de educação, novo conceito de logística didática etc.),
de ação comunitária (metodologia social, cultural, artística etc. ba-
seada em participação ativa) e de educação dos filhos (novos méto-
dos e técnicas nas relações familiares etc.).
4. Acessibilidade instrumental – sem barreiras nos instrumentos e uten-
sílios de estudo (lápis, caneta, transferidor, régua, teclado de computa-
dor, materiais pedagógicos), de atividades da vida diária (Tecnologia
Assistiva para comunicar, fazer a higiene pessoal, vestir, comer, an-
dar, tomar banho etc.) e de lazer, esporte e recreação (dispositivos que
atendam às limitações sensoriais, físicas e mentais etc.).

20 Tecnologia Assistiva
Dimensões de acessibilidade 1

Jaren Jai Wicklund/Shutterstock Huntstock.com/Shutterstock

5. Acessibilidade programática – sem barreiras invisíveis embutidas


em políticas públicas (leis, decretos, portarias, resoluções, medidas
provisórias etc.), em regulamentos (institucionais, escolares, empre-
sariais, comunitários etc.) e em normas no geral.
6. Acessibilidade atitudinal – por meio de programas e práticas de
sensibilização e de conscientização das pessoas em geral e da convi-
vência na diversidade humana, resultando em quebra de preconcei-
tos, estigmas, estereótipos e discriminações.
Finalizamos esta aula com uma reflexão significativa. A legislação brasi-
leira voltada à pessoa com deficiência nas suas diferentes expressões, acessi-
bilidade, tecnologias assistivas e comunicação alternativa é de boa qualidade
e possui quantidade bastante abrangente, a ponto de destacar o Brasil ao nível
de países mais desenvolvidos do ponto de vista político, econômico e social.
A questão “deficiente” está no cumprimento prático da legislação e no frágil
exercício prático da cidadania.

Tecnologia Assistiva 21
1 Dimensões de acessibilidade

Extra
Sugerimos a leitura do artigo de Romeu Sassaki intitulado “Inclusão: aces-
sibilidade no lazer, trabalho e educação”. Disponível em: <www.apabb.org.br/
admin/files/Artigos/Inclusao%20-%20Acessibilidade%20no%20lazer,%20tra-
balho%20e%20educacao.pdf>. Acesso em: 21 mar. 2017.

Atividades
No artigo indicado anteriormente, de Romeu Sassaki, é apresentado um
histórico da acessibilidade no Brasil. Monte um esquema com o principal as-
pecto de cada década.

Referências
BRASIL. Lei 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Estabelece normas gerais e critérios
básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com
mobilidade reduzida, e dá outras providências. Publicada no Diário Oficial da União, em
20 dezembro de 2000. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l10098.htm>.
Acesso em: 21 mar. 2017.
______. Decreto 5.296, de 02 de dezembro de 2004. Regulamenta as Leis 10.048, de 8
de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica, e
10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para
a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade
reduzida e dá outras providências. Publicada no Diário Oficial da União, em 3 dezembro
de 2004. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Decreto/
D5296.htm>. Acesso em: 21 mar. 2017.
SASSAKI, Romeu. Inclusão: acessibilidade no lazer, trabalho e educação. Disponível
em: <www.apabb.org.br/admin/files/Artigos/Inclusao%20-%20Acessibilidade%20no%20
lazer,%20trabalho%20e%20educacao.pdf>. Acesso em: 21 mar. 2017.
VILLAVERDE, Adão (Org.). Manual de redação – mídia inclusiva. Porto Alegre:
Assembleia Legislativa, 2011. Disponível em: <www.portaldeacessibilidade.rs.gov.br/
uploads/1313497232Manual_de_Redacao_AL_Inclusiva.pdf.> Acesso em: 21 mar. 2017.

22 Tecnologia Assistiva
Dimensões de acessibilidade 1
YOSHIDA, Maria Aparecida Gomes Bronhara. Pessoas com deficiência: legislação,
acessibilidade e trabalho. BEPA, Boletim Epidemiológico Paulista (online), vol. 5,
n. 57, São Paulo, set. 2008. Disponível em: < http://periodicos.ses.sp.bvs.br/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=S1806-42722008000900002&lng=pt>. Acesso em: 09 mar. 2017

Resolução da atividade
Breve histórico de acessibilidade no Brasil:
• Anos 50 – profissionais denunciam a existência de barreiras.
• Anos 60 – Universidades do EUA iniciam eliminação das barreiras
arquitetônicas.
• Anos 70 – 1975, ONU – Declaração dos Direitos das Pessoas Diferentes.
• Anos 80 – Participação plena e igualdade. Ano Internacional das pessoas
deficientes.
• Anos 90 – Desenho Universal. Diversidade Humana.
• Século XXI – 2006, ONU – Acessiblidade.

Ampliando seus conhecimentos

Pessoas com deficiência: legislação,


acessibilidade e trabalho
(YOSHIDA, 2008)

[...] Acessibilidade é a condição para utilização, com segurança e auto-


nomia, total ou assistida, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos,
das edificações, dos serviços de transporte e dos dispositivos, sistemas e
meios de comunicação e informação por pessoa com deficiência ou com
mobilidade reduzida.

Tecnologia Assistiva 23
1 Dimensões de acessibilidade

São consideradas pessoas com mobilidade reduzida as que, tempo-


rária ou permanentemente, têm limitada sua capacidade de relacionar-se
com o meio e de utilizá-lo, estando aí incluídos idosos, gestantes, lactantes
e pessoas acompanhadas por crianças de colo.
A questão da acessibilidade é uma das reivindicações mais antigas e
de maior visibilidade dos movimentos das pessoas com deficiência, tendo
paradigmas que variaram ao longo da história. No início dos anos 1980
buscava-se a eliminação de barreiras arquitetônicas, e em meados daquela
década identificavam-se as barreiras ambientais.
No início dos anos 1990 eram identificadas, além das barreiras am-
bientais e atitudinais, as de comunicação e de transporte. Em meados
daquele período surgiu o conceito de desenho universal, ou seja, um
planejamento arquitetônico ambiental, de comunicação e transporte em
que todas as características das pessoas são atendidas, independente-
mente de possuírem ou não uma deficiência. O desenho universal pro-
cura romper com a visão de uma arquitetura voltada para um ideal de
homem ou a um pretenso homem médio, buscando respeitar a diversi-
dade humana. No final daquela década, passou-se a usar simultanea-
mente acessibilidade ao termo desenho universal.
A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) elaborou em
2004 a segunda edição da Norma Brasileira NBR 9050, que versa sobre:
“Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos.”
Em decorrência do interesse social dessa norma, e tendo em vista a
relevância e o caráter público de que se reveste, foi firmado um Termo
de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o Ministério Público Federal e a
ABNT, para que essa norma fosse disponibilizada, na íntegra e gratuita-
mente, para acesso amplo e irrestrito a qualquer cidadão.

24 Tecnologia Assistiva
Dimensões de acessibilidade 1
Assim, por meio da Secretaria Especial de Direitos Humanos -
Coordenadoria Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de
Deficiência (CORDE) -, a NBR 9050 encontra-se no site: http://www.mj.
gov.br/sedh/ct/corde/dpdh/corde/normas_abnt.asp.
São exemplos das disposições da NBR 9050/ 2004: a vaga reservada
com o símbolo internacional de acessibilidade na entrada das empresas; as
rampas de acesso com até 8% de inclinação; largura das portas e áreas de
circulação adequadas às cadeiras de rodas; sinalização tátil, visual e audi-
tiva; tipos de piso; adequação de mobiliários, sanitários, vestiários e bebe-
douros, dentre outros. Assim, encontram-se normatizados, desde a entrada
nas empresas, edifícios até o detalhamento de como deve ser o ambiente de
trabalho para acolher todos os trabalhadores com deficiência ou não.

Tecnologia Assistiva 25
2
Tecnologia Assistiva
e a inclusão

Objetivos:

Refletir sobre a importância do


diagnóstico nos processos de inclusão
e apresentar a Tecnologia Assistiva.
2 Tecnologia Assistiva e a inclusão

2.1 Sobre o diagnóstico na inclusão


Saber lidar com a diversidade humana implica compreender os processos
diagnósticos e não o diagnóstico, “porque não entendemos que deva ser feito
em momentos específicos do tratamento, e sim, que deve ser uma preocupação
constante do profissional” (FABRICIO; CANTOS, 2011, p. 2). Desta maneira, o
diagnóstico deve ser um processo sistemático e permanente de investigação e
análise de hipóteses diagnósticas, com a finalidade primordial de evitar a dis-
criminação, a estigmatização ou a rotulação da pessoa com deficiência. Todo o
processo diagnóstico deve se sustentar na ética dos Direitos Universais do Ser
Humano. “Uma postura diagnóstica e a observação cuidadosa do momento do
indivíduo são pressupostos indispensáveis para construção de uma interven-
ção positiva” (FABRICIO; CANTOS, 2011, p. 2).
O tema do diagnóstico no processo inclusivo é delicado e fundamental
quando pensamos numa sociedade plenamente acessível e respeitosa da diver-
sidade e das diferenças individuais.
[...] as diferenças entre os indivíduos, indicadas pelos limites, são
também determinadas socialmente, mas tais limites, quando não
são produtos de um delírio, tem uma base real. Quem tem deficiên-
cia visual, deficiência auditiva, deficiência intelectual, deficiência
física, pode ter diversos destinos, dependendo dos significados que
a cultura atribui a essas deficiências; significados que dependem de
condições sociais objetivas. (CROCHIK, 2012, p. 43)
Quer dizer, ser deficiente, ser incapaz, está relacionado ao contexto sócio-his-
tórico-cultural. Por vezes, não reconhecemos que as diferenças individuais cons-
tituem aquilo que é o comum entre os seres humanos, somos todos digitalmente
diferentes, uns dos outros. Por vezes, desconsideramos este detalhe fundamental
e estruturante de cada pessoa. Saber sobre as diferenças individuais é considerar

28 Tecnologia Assistiva
Tecnologia Assistiva e a inclusão 2
que cada pessoa é única e detentora de potencialidades singulares. Boaventura
Souza Santos assim se expressa: “temos o direito a ser iguais quando a diferença
nos inferioriza, e temos o direito a ser diferentes quando a nossa igualdade nos
descaracteriza” (SANTOS, 2003 apud SOUSA, 2011, p. 1).
O diagnóstico é o início de um atendimento, que pode desdobrar-se num
plano de tratamento, num encaminhamento. É no ato de debruçar-se na pro-
cura de sinais, sintomas, causas que o levantamento de hipóteses diagnósticas
estabelece prováveis prognósticos e prescreve direções de tratamento para os
respectivos quadros particulares que singularizam o diagnóstico de cada pessoa.
Um processo diagnóstico satisfatório exige uma postura de distanciamen-
to do seu próprio ponto de vista para considerar os outros pontos de vista,
muitas vezes, contrários aos seus. Assim, o diagnóstico inclusivo sugere uma
prática em equipe multidisciplinar e interdisciplinar, entre profissionais de di-
versos segmentos da saúde como: psicólogo, médico, fisioterapeuta, fonoau-
diólogo, entre outros.
Finalmente, as práticas diagnósticas precisam ser repensadas dia a dia
para que os discursos não sejam abstrações de palavras vazias, sem sentido e
significado, ditos de todos, que se revestem de padronizações limitadoras, que
rotulam, e que excluem de maneira velada as diferenças existentes no espaço
escolar, até mesmo na sociedade.

Extra
A sugestão é assistir ao fime Somos todos diferentes (Taare Zameen Par,
Índia, 2007), dirigido por Aamir Khan, que trata de um assunto muito delicado
e importante: a dislexia e a falta de conhecimento e informação do educador
para observar e diagnosticar esses casos. Disponível em: <www.youtube.com/
watch?v=fK09tpyvEr4>. Acesso em: 21 mar. 2017.

Tecnologia Assistiva 29
2 Tecnologia Assistiva e a inclusão

Atividades
Sugerimos a leitura do artigo de Fernanda Rodrigues Cacciari, Flávia Teresa
de Lima e Marli da Rocha Mernard: “Ressignificando a prática: um caminho para
a inclusão”. Publicado em 2005. A atividade consiste em escrever uma síntese bre-
ve com as principais ideias apresentadas no artigo. Disponível em: <http://pepsic.
bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-69542005000100011>.
Acesso em: 22 mar. 2017.

Referências
CACCIARI, Fernanda Rodrigues; LIMA, Flávia Teresa De; BERNARDI, Marli
da Rocha. Ressignificando a prática: um caminho para a inclusão. Construção
Psicopedagógica, [online]. v. 13, n. 10. São Paulo: 2005. Disponível em: <http://pepsic.
bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-69542005000100011>. Acesso em:
22 mar. 2017.

CROCHIK, José Leon. Educação inclusiva e preconceito: Desafios para a prática


pedagógica. In: GALVÃO FILHO, Teófilo Alves; MIRANDA, Theresinha Guimarães
orgs. O professor e a educação inclusiva: formação, práticas e lugar. Salvador:
EDUFBA, 2012. Disponível em: <www.galvaofilho.net/noticias/baixar_livro.htm>.
Acesso em: 21 mar. 2017.

FABRICIO, Nivea Maria de Carvalho; CANTOS, Paula Virgínia Viana. Diagnóstico-


intervenção-perspectivas: atuação da escola inclusiva. Construção Psicopedagógica,
v 19, n. 19. São Paulo: 2011. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=S1415-69542011000200009>. Acesso em: 22 mar. 2017.

SOUSA, Nair Heloisa Bicalho de. Memorial de candidatura de Boaventura de Sousa


Santos ao título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Brasília. Brasília:
UnB, 2011. Disponível em: <www.boaventuradesousasantos.pt/media/Memorial_
Nair%20Heloisa%20Bicalho%20de%20Sousa_29%20Outubro%202012.pdf>. Acesso em:
21 mar. 2017.

30 Tecnologia Assistiva
Tecnologia Assistiva e a inclusão 2
Resolução da atividade
As autoras concluem que a instituição demanda tanta atenção e tantos cuidados
quanto a própria criança a ser incluída. O professor também merece um olhar diferen-
ciado, pois estabelece com essa criança uma relação que precisa ser cuidada. A atenção
dispensada a todos os envolvidos institucionalmente resultam na melhoria do ambiente
para todos que nela estão inseridos. A metodologia do diálogo percorreu o trabalho e se
pode entender a complexidade das atuações subjetivas, bem como das relações institu-
cionais estabelecidas. A atuação junto ao professor é fundamental para que a inclusão
escolar aconteça de forma satisfatória.

2.2 Impacto causado pela


deficiência no ser humano
Saber do impacto do diagnóstico sobre a pessoa com deficiência é importan-
te quando pensamos na longevidade do ser humano e os avanços das tecnologias
de informação e comunicação, quer dizer, após o diagnóstico é necessário atentar
às Ajudas Técnicas para o planejamento de ações que considerem o dia a dia das
pessoas, a limitação na execução das tarefas e a restrição na convivência em socie-
dade e, finalmente, o contexto ambiental que interfere facilitando ou dificultando
a responsividade da pessoa no desempenho das suas tarefas, comprometendo a
inclusão social.
As limitações de atividade são as dificuldades que o indivíduo pode
ter para executar uma determinada atividade. As restrições à partici-
pação social são os problemas que um indivíduo pode enfrentar ao se
envolver em situações de vida. (FARIAS, 2005, p. 190)

Tecnologia Assistiva 31
2 Tecnologia Assistiva e a inclusão

A inclusão social e educacional pautada na proposição de trabalhar com


a diversidade cultural deve focar sua atenção e ação na superação das práticas
educativas de exclusão, desta forma, vai buscar estratégias que promovam a
qualidade de vida e a equiparação de oportunidades para todas as pessoas.
Assim, a comunidade escolar constrói práticas educativas éticas, democráticas
e de respeito à cidadania.
Jacques Delors no relatório para a Unesco (2010) destaca que o século XXI
da Civilização do Conhecimento se alicerça:
[...] na esperança de um mundo melhor à medida que sabe respei-
tar os direitos humanos, colocar em prática a compreensão mú-
tua e transformar o avanço do conhecimento em um instrumento,
não de distinção, mas de promoção do gênero humano. (DELORS,
2010, p. 6)
Assim, é importante saber que a “deficiência” interfere no desenvolvimento
e na estruturação do ser humano, especificamente nele, o si mesmo e, também na
constelação e relação familiar, valer dizer que: “a informação sobre o diagnóstico
acrescido da funcionalidade fornece um quadro mais amplo sobre a saúde do
indivíduo” (FARIAS; BUCHALLA, 2005, p. 194).
Tomando como referência os sites Vez da voz e Espaço Psiquê1, apresentamos a
seguir uma breve descrição das deficiências com suas características, indicadores
mais comuns, que auxiliam no reconhecimento das mesmas:
Na deficiência visual, que significa a diminuição da resposta e acuidade
visual em virtude de causas hereditárias e adquiridas. A diminuição da res-
posta visual pode ser leve, moderada, severa ou profunda (que compõem o
grupo de visão subnormal ou baixa visão) e ausência total da resposta visual
(cegueira). Verifica-se que essas especificidades da deficiência visual interfe-
rem no desempenho diário, seja no âmbito social ou escolar, de modo diverso
1 Disponível em: <http://www.acessibilidadeinclusiva.com.br/category/visao/>. Acesso em: 21 mar. 2017.
Disponível em: <http://espacopsyque.blogspot.com.br/2009/12/deficiencia-visual.html>. Acesso
em: 21 mar. 2017.

32 Tecnologia Assistiva
Tecnologia Assistiva e a inclusão 2
a cada pessoa com baixa visão ou cega. O tempo de perda da acuidade visual
se ao nascer ou ainda na infância, exigirá necessidades sociais e educacionais
diferentes daquelas que perderam a visão mais tarde.
Na deficiência física, podemos dizer que existe uma variedade de fatores
que interferem na mobilidade corporal e na coordenação motora global e fina,
comprometendo o sistema dos movimentos físicos que compreende o sistema
ósteoarticular, o sistema muscular e o sistema nervoso. As causas podem ser
adquiridas e ou genéticas, com índices de alta incidência de malformações ge-
néticas que ocasionam alterações funcionais e estruturais no cérebro e como
consequência, levam a um parto com complicações, às paralisias cerebrais de
grau leve, moderado ou grave.
Na deficiência intelectual, são inúmeros os fatores de risco que podem
ocasioná-la. O atual conceito de deficiência intelectual compreende limitações
significativas tanto no funcionamento intelectual (raciocínio, aprendizagem,
resolução de problemas) quanto no comportamento adaptativo das pessoas,
que se expressam nas habilidades conceituais, práticas e sociais e ocorrem an-
tes dos 18 anos de idade (AAIDD, 2010 – American Association on Intellectual and
Developmental Disabilities). As Ajudas Técnicas ao deficiente intelectual devem
ser planejadas como os recursos e estratégias individuais necessários para a
promoção do desenvolvimento integral e da qualidade de vida.
Na deficiência auditiva conhecer os fatores que a ocasionam é importante,
para o planejamento de ações de prevenção e proteção das dificuldades do sur-
do. Uma vez que, na deficiência auditiva, a comunicação está comprometida
em diferentes graus, seja no reconhecimento das intenções do ouvinte e das
regras conversacionais para estabelecer um diálogo ou transmitir uma ideia. As
causas mais comuns da surdez são: genéticas, pré-natais (como, por exemplo,
rubéola, toxoplasmose, sífilis, medicamentos, incompatibilidade Rh), perina-
tais (como traumatismos de parto, falta de oxigênio) e pós-natais (como trau-
matismos, infecções, medicamentos).

Tecnologia Assistiva 33
2 Tecnologia Assistiva e a inclusão

Para minimizar os impactos da deficiência sobre o ser humano, atualmente


encontramos as tecnologias assistivas, no planejamento e desenvolvimento de
recursos ou procedimentos que aumentam ou restauram a função humana.

Extra
Para refletir sobre o impacto causado pela deficiência no ser humano, su-
gerimos alguns vídeos:
Comercial Inclusão Social – Pessoa com deficiência. Disponível em: <www.youtu-
be.com/watch?v=ANFu9gcIQho>. Acesso em: 21 mar. 2017.
Eficiente ou deficiente? Disponível em: <www.youtube.com/watch?v=
G9xjw7Wec8I>. Acesso em: 21 mar. 2017.
Além destes vídeos, sugerimos também alguns filmes consagrados sobre
diferentes casos de deficiência:
• Deficiência física – Meu pé esquerdo (1989).
• Deficiência visual – Ensaio sobre a cegueira (2008).
• Deficiência auditiva – Filhos do silêncio (1986).
• Deficência intelectual – Uma mente brilhante (2002).

Atividades
Retire do texto da ficha de estudo uma frase que apresenta a função com-
prometida em cada uma das deficiências descritas: deficiência auditiva, defi-
ciência visual, deficiência física e deficiência intelectual.

34 Tecnologia Assistiva
Tecnologia Assistiva e a inclusão 2
Referências
DEFICIENTES EM AÇÃO. Disponível em: <http://deficientesemacao.cpanel0076.
hospedagemdesites.ws>. Acesso em: 22 mar. 2017.

DELORS, Jacques. Educação um tesouro a descobrir. Relatório para a Unesco


da Comissão Internacional para a educação do século XXI. Brasília: julho, 2010.
Disponível em: <http://dhnet.org.br/dados/relatorios/a_pdf/r_unesco_educ_tesouro_
descobrir.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2017.

ESPAÇO PSIQUÊ. Disponível em: <http://espacopsyque.blogspot.com.br/2009/12/


deficiencia-visual.html>. Acesso em: 21 mar. 2017.

FARIAS, Norma; BUCHALLA, Cassia Maria. A classificação internacional de


funcionalidade, incapacidade e saúde da organização mundial da saúde: conceitos,
usos e perspectivas. 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbepid/v8n2/11.
pdf>. Acesso em: 22 mar. 2017.

VEZ DA VOZ. Disponível em: <http://www.acessibilidadeinclusiva.com.br/category/


visao/>. Acesso em: 21 mar. 2017.

Resolução da atividade
• Deficiência auditiva – reconhecer as intenções do ouvinte e as regras para
conversação e transmissão de ideias;
• Deficiência visual – diminuição da resposta visual pode ser leve, moderada,
severa ou profunda;
• Deficiência física – interfere na mobilidade corporal e na coordenação motora
global e fina, comprometendo o sistema dos movimentos físicos.
• Deficiência intelectual – limitações no funcionamento intelectual (raciocí-
nio, aprendizagem, resolução de problemas) e no comportamento adaptativo
da pessoa.

Tecnologia Assistiva 35
2 Tecnologia Assistiva e a inclusão

2.3 Tecnologia Assistiva – valorizando


a diversidade humana
Num giro histórico pela valorização da diversidade humana nos processos
educativos, apresentamos a precursora Maria Montessori, 1870-1952, médica e
educadora italiana, que se dedicou ao tratamento e a educação de crianças com
necessidades especiais, especificamente, com deficiência mental. Seu método
pedagógico voltado à estimulação sensório-perceptiva e intelectual, com ativi-
dades motoras e sensoriais dirigidas para cada aluno. Montessori teve a preo-
cupação em atender às diferenças individuais de modo a preservar a liberdade
e a espontaneidade do aluno para que se adapte à vida social e desenvolva suas
potencialidades integralmente.
Na atualidade destacamos a contribuição do relator Jacques Delors que
no relatório para a Unesco, 2010, descreve que o século XXI da Civilização do
Conhecimento deverá superar tensões, entre elas:
A tensão entre o extraordinário desenvolvimento dos conheci-
mentos e as capacidades de assimilação do homem. [...] acres-
centar novas disciplinas, tais como o autoconhecimento e a busca
dos meios adequados para garantir a saúde física e psicológica ou,
ainda, a aprendizagem de matérias que levem a conhecer melhor
e preservar o meio ambiente. (DELORS, 2010, p. 9, grifo nosso)
Nestas considerações, Delors ressalta o trabalho atual na construção da
sociedade acessível a todas as pessoas calcada na valorização da diversidade
cultural. Especificamente na educação, o trabalho com as diferenças indivi-
duais, no ambiente escolar, na sala de aula, deverá desenvolver ações para a
emergência das potencialidades e os variados ritmos de aprendizagem com os
alunos, sejam deficientes ou não.
Acrescentamos, neste momento, a contribuição da Tecnologia Assistiva –
TA, que por definição dirige-se aos recursos de acessibilidade que atendam à

36 Tecnologia Assistiva
Tecnologia Assistiva e a inclusão 2
pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida e limitada nas suas funções
motoras, auditivas, visuais ou de comunicação. Teófilo Galvão Filho (2013), ao
refletir sobre a definição de Tecnologia Assistiva, declara que em relação às
características, deve-se considerar na TA: o que, para quem e para quê. O primeiro
caracteriza o tipo de recurso tecnológico, por exemplo, um recurso de acessi-
bilidade física. O segundo, caracteriza a quem se destina o recurso, exemplo, o
usuário com limitação motora no caminhar. O terceiro, o para que, caracteriza a
finalidade do recurso em auxiliar na mobilidade de determinada limitação do
usuário em questão, para um idoso com dificuldade de locomoção será útil um
andador que lhe proporcione segurança e autonomia no caminhar. Favorece
deste modo, a vida independente e a inclusão social.
Percebe-se que os recursos das tecnologias assistivas configuram-se coe-
rentes com a civilização do conhecimento, valorizando as diferenças indivi-
duais e reconhecendo a diversidade cultural.

Extra
Sugere-se a consulta ao site Assistiva – tecnologia e educação que apresenta
comentários, informações e definições sobre Tecnologia Assistiva. Disponível
em: <www.assistiva.com.br/tassistiva.html>. Acesso em: 21 mar. 2017.

Atividades
Assista ao vídeo Método Montessori (Material sensorial), sobre a aplicação dos
materiais pedagógicos montessorianos ao desenvolvimento das experiências
sensoriais dirigidas, a qual destaca a diversidade na aprendizagem em sala de
aula. Em seguida, produza um pequeno texto que reflita sobre o trabalho com
os materiais apresentados no vídeo. Disponível em: <http://www.youtube.com/
watch?v=izomt9M5gw4&spfreload=1>. Acesso em: 21 mar. 2017.

Tecnologia Assistiva 37
2 Tecnologia Assistiva e a inclusão

Referências
DELORS, Jacques. Educação um tesouro a descobrir. Relatório para a Unesco
da Comissão Internacional para a educação do século XXI. Brasília. Julho, 2010.
Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0010/001095/109590por.pdf>.
Acesso em: 21 mar. 2017.
GALVÃO FILHO, Teófilo. A construção do conceito de tecnologia assistiva: alguns novos
interogantes e desafios. Revista Entreideias, Salvador, v. 2, n.1, p. 25-42, jan/jun.2013.
Disponível em: <www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo= 2430>. Acesso
em: 21 mar. 2017.
RODRIGUES, Patrícia Rocha; ALVES, Lynn Rosalina Gama. Tecnologia Assistiva: uma
revisão do tema. Holos. Ano 29, vol. 6, 2013. Disponível em: <http://www2.ifrn.edu.br/
ojs/index.php/HOLOS/article/viewFile/1595/765>. Acesso em: 09 mar. 2017.
SOUSA, Nair Heloisa Bicalho de. Memorial de candidatura de Boaventura de Sousa
Santos ao título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Brasília. Brasília:
UnB, 2011. Disponível em: <www.boaventuradesousasantos.pt/media/Memorial_
Nair%20Heloisa%20Bicalho%20de%20Sousa_29%20Outubro%202012.pdf>. Acesso em:
21 mar. 2017.

Resolução da atividade
Montessori partiu de um princípio básico: A criança é capaz de aprender natural-
mente: Ofereça a ela um ambiente adequado com riqueza nos materiais e com experiências
educativas. Um ambiente onde ela possa, sem a intervenção inadequada do adulto, mer-
gulhar em atividades e descobertas pessoais. O ambiente deve ser preparado para que a
criança consiga desenvolver a espontaneidade, iniciativa, independência. Revoluciona as
práticas pedagógicas com seu método inovador. Sua pedagogia se sustenta em valores para
que a criança se revelar era necessário que o educador interferisse no seu trabalho de modo
adequado e oportunamente. As origens do desenvolvimento são internas: o desenvolvimento
psico-mental, se faz pela interação; o ambiente preparado visa nutrir o desenvolvimento
mental da criança; os conceitos de percepção da criança são geralmente determinados pelo
meio social e físico; a criação determina a linguagem, os conceitos, as percepções e os valores
individuais; a capacidade é determinada pela aprendizagem.

38 Tecnologia Assistiva
Tecnologia Assistiva e a inclusão 2
Ampliando seus conhecimentos

Tecnologia Assistiva: uma revisão do tema


(RODRIGUES; ALVES, 2013)

[...] A área de TA vem crescendo nos últimos anos como consequên-


cia de alguns fatores que têm impulsionado demandas de recursos e ser-
viços destinados às pessoas com deficiência. O principal desses fatores
refere-se ao destaque que se tem dado aos arranjos sociais como promo-
tores ou não de acessibilidade para essas pessoas. Nessa concepção, são
questionados todos os mecanismos que de alguma forma impedem a par-
ticipação plena nos diferentes espaços e papéis sociais e, busca-se formas
de garantir efetivamente tal participação como direito de todos.
Diniz (2007) ao defender um conceito de deficiência, segundo um mode-
lo social e antropológico, destaca a experiência histórica de opressão e apar-
tação social vivida pelas pessoas com algum tipo de deficiência. Para essa
autora, esse fato é decorrente da incapacidade social em prever e incorporar a
diversidade humana. Além disso, a concepção de deficiência fora marcada (e
ainda é, em muitos contextos) pelo modelo médico que costuma considerar
as limitações como consequências intrínsecas ao corpo deficiente.
Assim, nessa nova perspectiva de sociedade que se mobiliza para ga-
rantir a participação de todos, independentemente de quaisquer caracte-
rísticas, surge a necessidade de ampliação dos recursos de TA nos mais
diferentes espaços.
No Brasil, as pessoas com deficiência (público alvo da TA) represen-
tam o percentual de 23,9% da população nacional, segundo os dados do
Censo 2010 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

Tecnologia Assistiva 39
2 Tecnologia Assistiva e a inclusão

(IBGE, 2012, p. 114). Esse número apresenta um significativo aumento, se


comparado aos 14,5% registrados no Censo de 2001. Além disso, é impor-
tante destacar que o público ao qual a TA se destina também engloba os
idosos. Nesse sentido, Diniz (2007, p. 78) destaca que “ser velho é expe-
rimentar o corpo deficiente”. E essa população também vem crescendo:
em 2000 era representada pelo percentual de 5,9%, passando para 7,4 em
2010 (IBGE, 2010). Esses números, por si só expressivos, tomam dimen-
sões maiores, uma vez que aqueles que convivem de forma direta ou in-
direta com idosos e/ou pessoas com deficiência também são impactados
com situações limitantes.
Atualmente, algumas políticas públicas brasileiras também têm
contribuído para gerar demandas de TA em larga escala. Uma delas é
a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação
Inclusiva (BRASIL, 2008), com suas normas e orientações para a inclu-
são de crianças, jovens e adultos com deficiência nas escolas regulares. A
plena participação desses alunos, em muitos casos, só pode ser garantida
com a presença dos recursos de TA, não só no ambiente escolar, mas para
permear todos os processos de aprendizagem desses sujeitos.
Outra contribuição importante é a Política de Inclusão Digital
(BRASIL, 2009b), com ações que possibilitam a implantação e a manuten-
ção de telecentros públicos e comunitários em todo o território nacional.
Mesmo que tal política não faça referência direta à necessidade de recur-
sos de TA nos telecentros, podemos presumir que isso é essencial diante
da diversidade do público ao qual se destina, e também em decorrência
das leis brasileiras que garantem a acessibilidade em diversos espaços.

40 Tecnologia Assistiva
3
Tecnologia Assistiva
aplicada I

Objetivos:

Conhecer a aplicação e
compreender o contexto atual e a
legislação da Tecnologia Assistiva.
3 Tecnologia Assistiva aplicada I

3.1 Descrevendo as categorias


da Tecnologia Assistiva
Vamos identificar a trajetória histórica da Tecnologia Assistiva – TA na
busca por uma melhor conceituação. Dizemos que o século XXI é o auge da TA,
uma vez que vai ao encontro do paradigma da inclusão social de potencializar
a autonomia, independência e o empoderamento das pessoas com deficiência,
mobilidade reduzida ou idosos. Em acordo à Conferência da Guatemala (1999),
promulgada no Brasil pelo Decreto 3.956/2001, que define como ato discrimi-
natório com base na deficiência toda diferenciação que impeça o exercício dos
direitos humanos e de suas liberdades fundamentais.
Outro ponto é destacar o contexto social atual, complexo, globalizado, tec-
nológico, comunicacional e as contingências das políticas públicas brasileiras,
conferências que na luta pelos direitos do cidadão com deficiência têm exigido
dos diversos arranjos sociais a acessibilidade, em todas as suas dimensões e
para todos, nos diversos aspectos da vida do cidadão.
As pesquisadoras Patricia Rodrigues e Lynn Rosalina Alves, no artigo
Tecnologia Assistiva – uma revisão do tema, discorrem sobre o conceito de
TA, que:
remete a concepções e paradigmas diferentes ao longo da história,
com características específicas a partir do referencial de cada país.
Contudo, em todas essas variáveis podemos identificar como obje-
tivo essencial a qualidade de vida, com referência a processos que
favorecem, compensam, potencializam ou auxiliam habilidades
ou funções pessoais comprometidas por algum tipo de deficiência
ou pelo envelhecimento. (ALVES e RODRIGUES, 2013, p. 174)
Em complemento à busca por uma configuração conceitual da TA, cita-
mos o Programa de Inovação em TA, que atrelado ao plano Viver sem limites

42 Tecnologia Assistiva
Tecnologia Assistiva aplicada I 3
(2012), instigam o desenvolvimento de produtos, estratégias e serviços inova-
dores que aumentem a autonomia, o bem-estar e a qualidade de vida das pes-
soas com deficiência. Também orientam uma rede de pesquisa em universi-
dades públicas do país. Ainda, disponibilizam uma linha de crédito facilitado
para aquisição de produtos.
Podemos mencionar também a conclusão do Comitê de Ajudas Técnicas1
que define como sendo adequada a nomenclatura TA e sugere uma definição
mais ampla para TA entendendo-a como área do conhecimento de prática mul-
tidisciplinar, voltada à promoção da funcionalidade de pessoas com o objetivo
de potencializar a autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão so-
cial. Deve ser coerente aos princípios do Desenho Universal na composição de
produtos, estratégias e serviços.
Vale citar que a Legislação Brasileira, no Decreto 3.298/99, reconhece que
os primeiros conceitos para TA foram iniciados a partir dos conceitos de Ajudas
Técnicas. O decreto apresenta no seu artigo 19 a referência ao direito do cida-
dão às Ajudas Técnicas:
Consideram-se Ajudas Técnicas, para os efeitos deste Decreto,
os elementos que permitem compensar uma ou mais limitações
funcionais motoras, sensoriais ou mentais da pessoa portadora de
deficiência, com o objetivo de permitir-lhe superar as barreiras da
comunicação e da mobilidade e de possibilitar sua plena inclusão
social. (BRASIL, 1999)
Acrescentam-se aqui as tecnologias para a inclusão social em conso-
nância com as políticas públicas brasileiras. Refere-se à tecnologia social
entendida como:

1
Comitê de Ajudas Técnicas-CAT, instituído em 2006, pela Portaria n. 142, estabelecido pelo Decreto
n. 5.296/2004 no âmbito da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, na
perspectiva de ao mesmo tempo aperfeiçoar, dar transparência e legitimidade ao desenvolvimento
da Tecnologia Assistiva no Brasil. Ajudas Técnicas é o termo anteriormente utilizado para o que hoje
se convencionou designar Tecnologia Assistiva.

Tecnologia Assistiva 43
3 Tecnologia Assistiva aplicada I

O termo “Tecnologia Social” é pensado de forma ampla para as


diferentes camadas da sociedade. O adjetivo “social” não tem a
pretensão de afirmar somente a necessidade de tecnologia para
os pobres ou países subdesenvolvidos. Também faz a crítica ao
modelo convencional de desenvolvimento tecnológico e propõe
uma lógica mais sustentável e solidária de tecnologia para to-
das as camadas da sociedade. Tecnologia social implica partici-
pação, empoderamento e autogestão de seus usuários. (JESUS,
2013, p. 17)
De posse dessas informações é que se poderá ajudar a estabelecer mode-
los para serviços e projetos de desenvolvimento tecnológico em nosso país.
Caminhamos, então, para a aplicação de Tecnologia Assistiva, a qual abrange
todas as ordens do desempenho humano, desde as tarefas básicas de autocui-
dado até o desempenho de atividades profissionais.
A TA pode ser descrita em onze categorias como:
1. auxílio para a vida diária;
2. comunicação suplementar e alternativa;
3. recursos de acessibilidade ao computador;
4. sistemas de controle de ambiente;
5. projetos arquitetônicos para acessibilidade;
6. órteses e próteses;
7. adequação postural;
8. auxílio de mobilidade;
9. auxílios para cegos ou com visão subnormal;
10. auxílios para surdos ou com déficit auditivo;
11. adaptações em veículos.

44 Tecnologia Assistiva
Tecnologia Assistiva aplicada I 3
A CIF descreve as Ajudas Técnicas coerentes à ISO 9.999:
A classificação ISO 9.999 das Ajudas Técnicas define-se como
‘qualquer produto, instrumento, equipamento ou sistema técnico
utilizado por uma pessoa incapacitada, especialmente produzido
ou geralmente disponível, que se destina a prevenir, compensar,
monitorizar, avaliar ou neutralizar a incapacidade’. É aceite que
qualquer produto ou tecnologia pode ser de apoio. (vide ISO 9.999:
Ajudas Técnicas para pessoas com incapacidade). (CIF, 2004, p. 157)
Finalmente, a TA está engajada em trabalhar para ampliar a compreensão
sobre ela e as necessidades de diferentes áreas do conhecimento e pessoas, se
envolvendo na pesquisa do tema, visando à inter-relação de saberes em prol de
efetivas ações transformadoras das práticas discriminatórias da sociedade em
relação às pessoas com deficiência.

Extra
A sugestão é a leitura do artigo de Luciana Baptista, intitulado “Novas
tecnologias da informação e comunicação no contexto educacional”.
O artigo, com base em pesquisas bibliográficas, apresenta como as novas
tecnologias de informação e comunicação (NTIC) se comportam no contexto
educacional, analisando seus pontos fortes, fracos, ameaças e oportunidades
para o processo de ensino e aprendizagem apresentados. Demonstra a im-
portância do recurso para a construção de conhecimentos enfatiza que to-
dos (educadores e alunos) devem se preparar para a utilização das NTIC no
ambiente educacional. Disponível em: <http://201.55.32.167/retc/index.php/
RETC/article/view/180/pdf>. Acesso em: 22 mar. 2017.

Tecnologia Assistiva 45
3 Tecnologia Assistiva aplicada I

Atividades
Baseando-se no texto desta aula retire o nome de quatro documentos le-
gais (leis, decretos etc.) que fundamentam a TA.

Referências
BRASIL. Decreto 3.298, de 20 de dezembro de 1999. Regulamenta a Lei n. 7.853, de
24 de outubro de 1989, dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa
Portadora de Deficiência. Publicada no Diário Oficial da União, de 20 de dezembro de
1999. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3298.htm>. Acesso em:
21 mar. 2017.

______. Decreto 3.956, de 8 de outubro de 2001. Promulga a Convenção


Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as
Pessoas Portadoras de Deficiência. Publicada no Diário Oficial da União, de 9 de
outubro de 2001. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2001/d3956.
htm>. Acesso em: 21 mar. 2017.

______. Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Secretaria


Nacional da Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Viver sem limite –
Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Brasília, 2013. Disponível
em: <www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sites/default/files/arquivos/%5Bfield_
generico_imagens-filefield-description%5D_0.pdf>. Acesso em: 21 mar. 2017.

JESUS, Vanessa. Tecnologia social: breve referencial teórico e experiências ilustrativas.


In: COSTA, Adriano(Org.). Tecnologia social e políticas públicas. São Paulo: Instituto
Polis, Brasilia, Fundação Banco do Brasil, 2013. Disponível em: <http://www.polis.org.
br/uploads/2061/2061.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2017.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. CIF – Classificação Internacional de


Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. Direção-Geral da Saúde. Lisboa-Portugal,
2004. Amélia Leitão – tradução e revisão. Disponível em: <www.inr.pt/uploads/docs/
cif/CIF_port_%202004.pdf>. Acesso em: 21 mar. 2017.

RODRIGUES, Patricia; ALVES, Lynn Rosalina. Tecnologia Assistiva – uma revisão do


tema. Holos, Ano 29, v. 6, 2013. Disponível em: <www2.ifrn.edu.br/ojs/index.php/
HOLOS/article/viewFile/1595/765>. Acesso em: 21 mar. 2017.

46 Tecnologia Assistiva
Tecnologia Assistiva aplicada I 3
Resolução da atividade
• Conferência da Guatemala;
• Decreto 3.956/2001;
• Decreto 3.298/99 – Política nacional para a integração da pessoa portadora
de deficiência;
• Plano Viver sem limite;
• Comitê Ajudas Técnicas.

3.2 Tecnologia Assistiva aplicada à vida diária


Iniciamos este conteúdo justificando que não há consenso entre os pesqui-
sadores e órgãos legislativos quanto à uma única forma de classificar e catego-
rizar as tecnologias assistivas.
O critério que optamos para descrever as tecnologias assistivas foi pelo cri-
tério da aplicação visto na troca usuário-tecnologia, considerando as três quali-
dades: acessibilidade, usabilidade e comunicabilidade. Nesse critério elegemos
onze categorias, sendo que nessa aula apresentaremos seis delas.
Outro aspecto relevante como proposição de aplicação surge do mode-
lo de classificação Horizontal European Activities in Rehabilitation Technology
(HEART), o qual propõe um foco em Tecnologia Assistiva, com base nos co-
nhecimentos envolvidos na sua utilização. Consideram-se três componentes de
planejamento em Tecnologia Assistiva: técnicos, humanos e socioeconômicos.
Especificamente, neste momento, destacamos o componente humano:
Este grupo de componentes de formação inclui tópicos relacio-
nados com o impacto causado pela deficiência no ser huma-
no. As noções adotadas pelas ciências biológicas, pela psicolo-
gia e pelas ciências sociais, podem ajudar na compreensão das

Tecnologia Assistiva 47
3 Tecnologia Assistiva aplicada I

transformações da pessoa, e como esta se relaciona com o espaço


em que vive, como resultado de uma deficiência, e como é que a
TA pode facilitar a autonomia dessa pessoa. (BRASIL, 2009, p. 21,
grifo nosso)
No componente humano analisa-se a limitação da deficiência que favoreça
a reabilitação e a autonomia, aceitação e imagem social da TA, análise de neces-
sidades e adequação da pessoa à tecnologia. Esses aspectos podem interferir no
sucesso ou fracasso da TA.
Na aplicação de um recurso ou serviço da tecnologia de informação e co-
municação deve-se observar que traduzam as melhores condições de vida, pre-
servem a igualdade de oportunidades, assegurem valores éticos socialmente
desejáveis por parte da comunidade e que seja uma maneira de enfrentar as
práticas excludentes e um bom caminho para uma ação que visa o exercício da
cidadania. Na comunidade escolar, especificamente, saber lidar com a diver-
sidade e saber visualizar cada aluno como possuidor de competências é um
desafio para a garantia de acesso e permanência na escola para todos.
Apresentamos aqui seis possíveis aplicações das tecnologias à vida diária:
1. Como auxílio às atividades do cotidiano – materiais e produtos para
ajudar em tarefas rotineiras, como: comer, cozinhar, vestir-se, tomar
banho e executar cuidados pessoais de higiene etc.
2. Na comunicação suplementar e alternativa – consiste de recursos ele-
trônicos ou não, que permitem a comunicação expressiva e receptiva
das pessoas. São muito utilizadas as pranchas de comunicação com
os símbolos PCS ou Bliss, além de vocalizadores e softwares dedicados
para este fim.

48 Tecnologia Assistiva
Tecnologia Assistiva aplicada I 3
3. Como auxílio de mobilidade – cadeiras de rodas manuais e motoriza-
das, bases móveis, andadores, scooters de três rodas e qualquer outro
veículo utilizado na melhoria da mobilidade pessoal.
4. Como auxílio para cegos ou com visão subnormal – inclui lupas e len-
tes, braille para equipamentos com síntese de voz, grandes telas de
impressão, sistema de TV com aumento para leitura de documentos
e publicações.
5. Como auxílio para surdos ou com déficit auditivo – inclui vários equi-
pamentos (infravermelho, FM) aparelhos para surdez, telefones com
teclado-teletipo (TTY), sistemas com alerta tátil-visual, entre outros.
6. Nas adaptações em veículos – acessórios e adaptações que possibilitam
a condução do veículo, elevadores para cadeiras de rodas, camionetas
modificadas e outros veículos automotores usados no transporte pessoal.

Extra
Sugerimos a leitura do material Tecnologia Assistiva nas escolas: Recursos
básicos de acessibilidade sócio-digital para pessoas com deficiência, da ITS Brasil
(Instituto de Tecnologia Social). Disponível em: <www.itsbrasil.org.br/sites/
itsbrasil.w20.com.br/files/Digite_o_texto/Cartilha_Tecnologia_Assistiva_
nas_escolas_-_Recursos_basicos_de_acessibilidade_socio-digital_para_
pessoal_com_deficiencia.pdf>. Acesso em: 21 mar. 2017.

Tecnologia Assistiva 49
3 Tecnologia Assistiva aplicada I

Atividades
Assista ao vídeo Tecnologia Assistiva. A partir do que é exposto, retire in-
formações importantes que se relacionam à TA. Disponível em: <https://www.
youtube.com/watch?v=WEF-PvLC_QE>. Acesso em: 21 mar. 2017.

Referências
BRASIL. Subsecretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
Comitê de Ajudas Técnicas Tecnologia Assistiva. Tecnologia Assistiva. – Brasília:
CORDE, 2009. Disponível em: <www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sites/default/
files/publicacoes/livro-tecnologia-assistiva.pdf>. Acesso em: 21 mar. 2017.

Resolução da atividade
O vídeo justifica de forma lúdica que a TA veio para mediar as relações do homem
com o ambiente, e isso decorre do advento do desenvolvimento da tecnologia, o efeito da
globalização e a mudança no perfil dos alunos.

3.3 Tecnologia Assistiva aplicada


às habilidades físicas
Nesta aula descrevemos as tecnologias aplicadas às habilidades físicas,
que como visto anteriormente, devem relacionar os recursos e serviços da TA
ao critério de aplicação, quer dizer, as possibilidades de propiciar uma maior
independência, autonomia, qualidade de vida, de outra maneira, que para sua
utilização deve atender as habilidades, as potencialidades do usuário incre-
mentando assim a inclusão social.

50 Tecnologia Assistiva
Tecnologia Assistiva aplicada I 3
Justifica-se o foco no aspecto social, na medida em que o indivíduo faz
trocas e tem experiências no ambiente social como: a família, a escola e o traba-
lho. É neste ambiente de convivência sócio-histórico-cultural que o indivíduo
se relaciona com pessoas e diversos grupos sociais. É no espaço interativo in-
divíduo-ambiente que é confrontado cotidianamente a resolver desafios e daí
extrair significados e sentidos para sua vida.
Esse aspecto está bem descrito no documento que o modelo de classifica-
ção Horizontal European Activities in Rehabilitation Technology – HEART (BRASIL,
2009) apresenta sobre a aplicação da Tecnologia Assistiva. Destaca que se deve
conhecer o seu uso e a sua utilização no ambiente de convivência social do
usuário. O HEART considera três componentes fundamentais de planejamento
e de produção em Tecnologia Assistiva: técnicos, humanos e socioeconômicos.
Especificamente, neste momento, destacamos o componente socioeconômico:
Este grupo de componentes indica que a tecnologia afeta as inte-
rações dentro do contexto social (pessoas, relacionamentos e im-
pacto no usuário final). Os socioeconômicos também enfatizam as
vantagens e desvantagens dos diferentes modelos de prestação de
serviços. (BRASIL, 2009, p. 22)
O HEART (BRASIL, 2009) destaca que o componente socioeconômico vai
contemplar no planejamento as qualidades de acessibilidade e usabilidade do
recurso ou serviço de TA, adaptações do local de trabalho, perspectivas na so-
ciedade, procedimentos para financiamento de TA. Lembrando que os contex-
tos de vida do usuário podem ser o profissional, o escolar ou familiar.
No espaço escolar, a questão da aplicação da TA focaliza a prática educa-
tiva facilitadora e promotora do aprender. “Potencializar pode ser a chave do
processo, no sentido de ampliar as facilidades do ensino e da aprendizagem”
(BARROS, 2012, p. 211). Quer dizer, para compreender como as pessoas apren-
dem e como focar no desenvolvimento das habilidades pessoais do aprendiz, a
descoberta de estilos de aprendizagem facilita esse processo. Assim, o sucesso

Tecnologia Assistiva 51
3 Tecnologia Assistiva aplicada I

escolar está associado à oferta de recursos e soluções da TA que auxiliem o alu-


no na superação de limitações funcionais no ambiente escolar.
Apresentamos nessa aula a descrição de outras cinco categorias de TA e
sua aplicação:
1. Recursos de acessibilidade ao computador – equipamentos de entra-
da e saída (síntese de voz, braille), teclados adaptados, auxílios alter-
nativos de acesso (ponteiras de cabeça, de luz), acionadores, softwares
especiais (de reconhecimento de voz).
2. Sistemas de controle de ambiente – sistemas eletrônicos que permitem
às pessoas com limitações locomotoras controlar remotamente apare-
lhos eletroeletrônicos, sistemas de segurança, entre outros, localiza-
dos em seu quarto, sala, escritório, casa e arredores.
3. Projetos arquitetônicos para acessibilidade – adaptações estruturais
na casa e/ou ambiente de trabalho, através de rampas, elevadores,
adaptações em banheiros entre outras, que eliminam ou reduzem as
barreiras físicas.
4. Órteses e próteses – troca ou ajuste de partes do corpo, faltantes ou
de funcionamento comprometido, por membros artificiais ou outros
recursos ortopédicos (talas, apoios etc.). Incluem-se os protéticos para
auxiliar nos déficits ou limitações cognitivas, como os gravadores de
fita magnética ou digital que funcionam como lembretes instantâneos.
5. Adequação postural – adaptações para cadeira de rodas ou outro sis-
tema de sentar, visando o conforto e distribuição adequada da pressão
na superfície da pele (almofadas especiais, assentos e encostos anatô-
micos), bem como posicionadores e contentores que propiciam maior
e melhor estabilidade e postura adequada do corpo através do supor-
te e posicionamento de tronco/cabeça/membros.

52 Tecnologia Assistiva
Tecnologia Assistiva aplicada I 3
Extra
A sugestão é a consulta às seguintes fontes:
Site: Assistiva – tecnologia e educação, de Mara Lucia Sortoretto, e Rita Bersch
(2014). Disponível em: <www.assistiva.com.br/tassistiva.html>. Acesso em: 21
mar. 2017.
Texto: “Design e avaliaçao de tecnologia web-acessível”, de Amanda Melo,
e Maria Cecilia C. Baranauskas, apresentado no XXV Congresso da Sociedade
Brasileira de Computação. Unisinos, São Leopoldo, RS. Disponível em: <www.
lbd.dcc.ufmg.br/colecoes/jai/2005/006.pdf>. Acesso em: 21 mar. 2017.

Atividades
É necessário conhecer o ambiente escolar para que a TA auxilie as práticas
educativas como facilitadora e promotora do aprender. A TA participa como
potencializadora do processo do aprender. Quais as perguntas iniciais que de-
vemos fazer ao ambiente escolar, a fim de identificar a TA adequada?

Referências
BARROS, Daniela. Estilos de aprendizagem e uso de tecnologias na formação
de professores para a prática pedagógica inclusiva valorizando as competências
individuais. In: GIROTO, Claudia; POKER, Rosimar e OMOTE, Sadao (Orgs.). As
tecnologias nas práticas pedagógicas inclusivas. Marília: Oficina Universitária.
São Paulo: Cultura acadêmica, 2012. Disponível em: <www.marilia.unesp.br/Home/
Publicacoes/as-tecnologias-nas-praticas_e-book.pdf>. Acesso em: 21 mar. 2017.

BRASIL. Subsecretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência.


Comitê de Ajudas Técnicas Tecnologia Assistiva. Tecnologia Assistiva. Brasília:
CORDE, 2009. 138 p. Disponível em: <www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sites/
default/files/publicacoes/livro-tecnologia-assistiva.pdf>. Acesso em: 21 mar. 2017.

Tecnologia Assistiva 53
3 Tecnologia Assistiva aplicada I

LUZ, Claudia Ferreira da Silva; SOUZA, Ana Lúcia Santos; DUARTE, Ana
Cristina Santos. Educação inclusiva e tecnologias assistivas: uma análise acerca
da aprendizagem de deficientes visuais. IV Colóquio Internacional Educação e
Contemporaneidade, São Cristóvão – SE, 2012. Disponível em: < http://educonse.com.
br/2012/eixo_11/PDF/25.pdf>. Acesso em: 09 mar. 2017.

Resolução da atividade
Perguntas básicas:
1. Quem é o aluno ? (por exemplo, ele tem deficiência física)
2. Quais são as barreiras que limitam sua aprendizagem? (por exemplo, limita-
ções motoras)
3. Que recursos a escola tem para minimizar as barreiras ? (TA disponíveis na
escola)
4. Que novos recursos podem ser construídos que vão facilitar a aprendizagem?
(planejamento e produção de TA)

Ampliando seus conhecimentos

Educação inclusiva e tecnologias


assistivas: uma análise acerca da
aprendizagem de deficientes visuais
(LUZ; SOUZA; DUARTE, 2012)

[...] Tecnologia Assistiva (TA) é o ramo da ciência que pesquisa, desen-


volve e aplica aparelhos, instrumentos ou procedimentos que aumentam
ou restauram a função humana.

54 Tecnologia Assistiva
Tecnologia Assistiva aplicada I 3
Tecnologias assistivas referem-se a todo o arsenal técnico
utilizado para compensar ou substituir funções quando as
técnicas reabilitadoras não são suficientes para resgatar a
função em sua totalidade, além do desenvolvimento e da
aplicação de aparelhos/instrumentos ou procedimentos
que aumentam ou restauram a função humana. O objetivo
maior da TA é proporcionar à pessoa com deficiência maior
independência, qualidade de vida e inclusão social, através
da ampliação de sua comunicação, mobilidade, controle de
seu ambiente, habilidades de seu aprendizado e trabalho
(MELLO, 2006, p. 7).
As modalidades de TAs estão em pleno desenvolvimento e agrupam-
-se em categorias como: acessibilidade física, acessibilidade a computador,
acessibilidade à internet, apoios educativos e comunicação. Cada uma
dessas categorias oferece recursos distintos que podem ser usados pela es-
cola pra facilitar a aprendizagem de alunos independente da deficiência.
A TA viabiliza que pessoas com deficiência (física, auditiva, visual e
mental), tenham melhor qualidade de vida, com mais possibilidades de
serem incluídas na escola e na sociedade. Por meio dessas tecnologias,
pessoas com deficiências ganham autonomia e possibilidade da realiza-
ção das tarefas do cotidiano desde as tarefas mais básicas de autocuidado
até o desempenho de atividades educacionais e profissionais.
O professor dispõe de um arsenal de material de apoio, mas indiscu-
tivelmente o computador é muito mais do que uma ferramenta, é a opor-
tunidade de comunicação, de autonomia e pode ser para ele um grande
aliado para melhorar a aprendizagem de todos os alunos, principalmente
dos alunos com necessidades educacionais especiais.

Tecnologia Assistiva 55
3 Tecnologia Assistiva aplicada I

Para pessoas com deficiências motoras, sensoriais ou cognitivas, o


computador pode contribuir para sua autonomia e acesso a informação.
Há uma quantidade significativa de softwares educacionais disponíveis no
mercado. Esses são aplicativos que contribuem par o desenvolvimento
cognitivo do aluno, facilitando a apresentação dos conteúdos, tornando a
ação pedagógica dinâmica e interessante.
Nos últimos anos, foram criados vários aparatos tecnológicos para
pessoas com deficiência visual. As dificuldades visuais são alterações
sensoriais, o que implica o comprometimento dos canais que fornece in-
formação visual. Podemos incluir alterações de visão, visão subnormal e
até cegueira total. Para minimizar as consequências sobre o aprendizado,
existem sistemas de ensino que utilizam tecnologias variadas que ofere-
cem vias alternativas de obtenção da informação.
Podemos citar como exemplo: os ampliadores de tela (softwares que
ampliam as representações gráficas na tela do computador melhorando a
compreensão de pessoas com baixa visão), as linhas braille (instrumento
de leitura que traduzem o conteúdo de um texto para o sistema Braille), a
impressora Braille (que identifica os caracteres utilizados em um texto e
imprime em braille no papel), os sistemas NVDA4 e Jaws , (que permitem
operar no sistema Windows e navegar pela internet) e o navegador de voz
(permite o uso do computador e a navegação na internet por meio de um
comando de voz). Dentre eles, um dos mais conhecidos e utilizados é o
sistema DOSVOX.

56 Tecnologia Assistiva
4
Tecnologia Assistiva
aplicada II

Objetivos:

Refletir sobre os pressupostos do


paradigma da inclusão e conhecer a
aplicação da Tecnologia Assistiva.
4 Tecnologia Assistiva aplicada II

4.1 Sob o paradigma da inclusão psicossocial


Esta aula busca refletir sob a égide do paradigma da inclusão psicossocial,
seus alicerces e alavancas como: as diferenças e a diversidade. Falar em evolução
e progresso, atualmente, implica em um respeitar as diferenças individuais e a
diversidade cultural. Vivemos numa sociedade que busca a inclusão psicossocial
que envolve dimensões políticas, sociais e educacionais e seus desdobramentos
no ambiente imediato do cidadão e nos ambientes do entorno. Trata-se aqui de
questões próprias aos Direitos Humanos Universais e ao pleno exercício da cida-
dania. Complementando, a conceituação de Direitos Humanos de acordo com a
Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF):
Direitos Humanos
Desfrutar de todos os direitos nacional e internacionalmente re-
conhecidos que são atribuídos às pessoas pelo simples facto da
sua condição humana, tais como, os direitos humanos reconheci-
dos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações
Unidas (1948) e as Normas Padronizadas para a Igualdade de
Oportunidades para Pessoas com Incapacidades (1993); o direito
à autodeterminação ou autonomia; e o direito de controlar o pró-
prio destino. (OMS, 2004, p. 150)
É essencial uma atitude compreensiva do contexto sócio-histórico-ambien-
tal que engendra o paradigma psicossocial.
Para que possamos assumir um posicionamento mais crítico e
construtivo em relação à inclusão numa perspectiva psicossocial
e as modificações que se atrelam a ela, precisamos conhecer o que
está sendo proposto. (MINETTO, 2008, p. 17)
A informação, os recursos e o conhecimento proporcionam um pensamen-
to crítico-reflexivo e apontam na direção de outra atitude frente às pessoas com

58 Tecnologia Assistiva
Tecnologia Assistiva aplicada II 4
deficiência, mobilidade reduzida ou idosos. Refere-se aqui à postura adotada
coerente com a acessibilidade atitudinal.
Nesse contexto identificamos outra postura, um outro estilo de vida,
um pensar e intervir, do/no século XXI. O clima ambiental promove mui-
tos dispositivos legais para o movimento inclusivo psicossocial. Um dos
dispositivos fundamentais apresentado por SASSAKI (2007), como sendo
a semente da inclusão, a Disabled People International (DPI), Organização
Não Governamental dirigida por pessoas com deficiência, define em sua
Declaração de Princípios de 1981, o conceito de equiparação de oportuni-
dades, que era, em parte, o seguinte:
O processo mediante o qual os sistemas gerais da sociedade, tais
como o meio físico, a habilitação e transporte, os serviços sociais e
de saúde, as oportunidades de educação e trabalho, e a vida cul-
tural e social, incluídas as instalações esportivas e de recreação, é
feito acessível para todos. Isto inclui a remoção de barreiras que
impedem a plena participação das pessoas deficientes em todas
estas áreas, permitindo-lhe assim alcançar uma qualidade de vida
igual à de outras pessoas. (SASSAKI, 1997, p. 39)
Conhecer os dispositivos legais atuais e históricos voltados aos proces-
sos inclusivos, o conceito de inclusão e a sua forma normatizadora significa
saber que, como toda relação social, a inclusão é pautada em direitos e de-
veres que constroem a cidadania participativa e transformadora da realidade
sócio-histórica-cultural.
A inclusão social e educacional ainda no século XXI depara-se com gran-
des obstáculos, uma vez que a sociedade não está preparada para os desafios
implícitos ao processo de inclusão. Entre eles, o estranhamento é o mais difícil
de ser percebido e vencido por todos. O estranhamento é uma reação humana
às novidades que permeiam as inter-relações, portanto, podem aparecer nas
relações pessoais a qualquer tempo e momento.

Tecnologia Assistiva 59
4 Tecnologia Assistiva aplicada II

A estabilidade é algo que buscamos frequentemente, pois ela


nos dá segurança. Quanto mais conhecemos determinado fato
ou assunto, mais nos sentimos seguros diante dele. O novo gera
insegurança e instabilidade, exigindo reorganização, mudança. É
comum sermos resistentes ao que nos desestabiliza. Sem dúvida,
as ideias inclusivas causaram muita desestabilidade e resistência.
(MINETTO, 2008, p. 17)
Aqui tratamos de uma das dimensões de acessibilidade que acredita-se ser
essencial e determinante à inclusão psicossocial: a acessibilidade atitudinal.
Na relação custo/benefício de acessibilidade, tem o menor custo financeiro e
o maior benefício, pois está na raiz da diversidade humana. Depende tão so-
mente da atitude, da postura pessoal de cada um de nós, ninguém fará isso por
você. Conceitua-se atitude como a manifestação de um ponto de vista interno
aplicado no meio externo, quer dizer, reflete os comportamentos e ações de
cada indivíduo frente às outras pessoas e situações do seu ambiente.

Extra
O filme Entre os muros da escola, do diretor Laurent Cantet, é baseado em
situações reais vividas por um professor e seus alunos. A escola está localizada
na periferia de Paris e o perfil do alunado é diverso.
A trama discute o choque entre as diferentes culturas na comunidade es-
colar, aborda as dificuldades na relação professor-aluno e abre diálogos funda-
mentais entre os personagens. O filme nos convoca a responsividade frente à
diversidade, e aponta para uma reflexão importante: como nós nos posiciona-
mos frente às barreiras atitudinais do preconceito, da arrogância e do egoísmo
que impedem a verdadeira inclusão psicossocial?

60 Tecnologia Assistiva
Tecnologia Assistiva aplicada II 4
Atividades
Assista ao filme Entre os muros da escola e em seguida relacione-o com os prin-
cipais conceitos da acessibilidade atitudinal, num breve texto de até 10 linhas.

Referências
MINETTO, Maria de Fátima. Currículo na educação inclusiva: entendendo esse
desafio. Curitiba: IBPEX, 2008.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. CIF – Classificação Internacional de


Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. Direção-Geral da Saúde. Lisboa-Portugal,
2004. Amélia Leitão – tradução e revisão. Disponível em: <www.inr.pt/uploads/docs/
cif/CIF_port_%202004.pdf>. Acesso em: 21 mar. 2017.

SASSAKI, Romeu. Construindo uma sociedade para todos. Rio de Janeiro: WVA, 1997.

_____. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. 7. ed. Rio de Janeiro: WVA, 2007.

Resolução da atividade
O filme retrata as relações intra e interpessoais do cotidiano de muitas escolas,
que pode nos remeter inclusive à realidade das escolas brasileiras. Retrata nos diálogos
entre os personagens as ambiguidades inter e intrapessoais frente às diferenças, quer
dizer, revela os amores e os ódios humanos, as qualidades e os defeitos, a natureza boa e
má das pessoas, quer seja aluno ou professor. Retrata de maneira brilhante as mazelas e
contradições sociais que engendram a convivência grupal, na lida com as hierarquias, a
liderança, a autoridade, as tarefas em grupo. Finalmente, revela as barreiras nas atitu-
des das pessoas em aceitar a diversidade e as diferenças individuais, marca a necessida-
de de normatizar os comportamentos estabelecendo critérios de normalidade para uma
convivência entre iguais. Esquecem o principal propósito da acessibilidade atitudinal

Tecnologia Assistiva 61
4 Tecnologia Assistiva aplicada II

que é aceitar a diferença, a singularidade constituinte das pessoas e respeitar os direitos


iguais de todos os cidadãos.

4.2 Tecnologia Assistiva aplicada


aos recursos ambientais
Refletir sobre as tecnologias assistivas aplicadas aos recursos ambientais
remete-nos aos impactos ambientais que envolvem o ambiente imediato do
indivíduo e o ambiente no entorno de todas as pessoas e seus grupos sociais.
O espaço ambiental constitui-se do ambiente físico, social e atitudinal no
qual as pessoas convivem desde o nascimento ao longo de toda a vida e o modo
como são reconhecidas e se sentem pertencentes ao grupo. As TAs integram,
interagem, e fazem continente ao estabelecimento da acessibilidade no ambien-
te a todos os indivíduos.
Compreende-se que os fatores ambientais são de natureza externa ao
indivíduo, e podem exercer uma influência favorável ou desfavorável ao de-
senvolvimento e a inclusão psicossocial. Especificamente, na escola, os fatores
ambientais impactam e podem interferir no aproveitamento, desempenho e
relacionamento intra e interpessoal daqueles que transitam no espaço escolar,
professores, pais, alunos, diretor, merendeiro, bibliotecário, terceirizado, den-
tre outros.
A CIF – Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e
Saúde apresenta os fatores ambientais referendados por dois níveis específicos:
(1) Os Fatores Ambientais estão organizados na classificação ten-
do em vista dois níveis distintos:
(a) Individual – no ambiente imediato do indivíduo, englobando
espaços como o domicílio, o local de trabalho e a escola. Esse nível
inclui as características físicas e materiais do ambiente em que o

62 Tecnologia Assistiva
Tecnologia Assistiva aplicada II 4
indivíduo se encontra, bem como o contato direto com outros in-
divíduos, tais como, família, conhecidos, colegas e estranhos.
(b) Social – estruturas sociais formais e informais, serviços e regras de
conduta ou sistemas na comunidade ou cultura que têm um impacto
sobre os indivíduos. Esse nível inclui organizações e serviços rela-
cionados com o trabalho, com atividades na comunidade, com orga-
nismos governamentais, serviços de comunicação e de transporte e
redes sociais informais, bem como, leis, regulamentos, regras formais
e informais, atitudes e ideologias.
(2) Os Fatores Ambientais interagem com os componentes das
Funções e Estruturas do Corpo e as Atividades e a Participação.
Para cada componente, a natureza e a extensão dessa interação po-
dem ser mais bem definidas com base nos resultados de trabalhos
científicos a desenvolver no futuro. A incapacidade é caracteriza-
da como o resultado de uma relação complexa entre a condição
de saúde do indivíduo e os fatores pessoais, com os fatores exter-
nos que representam as circunstâncias nas quais o indivíduo vive.
Assim, diferentes ambientes podem ter um impacto distinto so-
bre o mesmo indivíduo com uma determinada condição de saú-
de. Um ambiente com barreiras, ou sem facilitadores, vai restringir
o desempenho do indivíduo; outros ambientes mais facilitadores
podem melhorar esse desempenho. A sociedade pode limitar o de-
sempenho de um indivíduo criando barreiras (e.g. prédios inaces-
síveis) ou não fornecendo facilitadores (e.g. indisponibilidade de
dispositivos de auxílio). (OMS, 2004, p.19, grifos nossos)
Os fatores ambientais vão ao encontro, e devem se interagir e integrarem-
-se a acessibilidade nas suas dimensões: arquitetônica, comunicacional, instru-
mental, atitudinal, metodológica e programática. Conceitua-se aqui a TA como
área do conhecimento, que com seus recursos e serviços instrumentaliza as

Tecnologia Assistiva 63
4 Tecnologia Assistiva aplicada II

pessoas com deficiência para sua autonomia e empoderamento, para seu pleno
exercício de cidadania e para a conquista da inclusão psicossocial.
Apresentamos nesse grupo as possíveis aplicações de TA como dispositi-
vos de auxílio ambiental, seja pessoal ou para a vida coletiva:
• nos ambientes íntimos adaptados como quartos de dormir e banheiro;
• facilitadores na mobilidade pessoal como as cadeiras de rodas ma-
nuais e motorizadas, os mais variados tipos de andadores para pes-
soas com deficiência ou mobilidade reduzida;
• no ambiente do entorno do indivíduo levantamos as adaptações nos
veículos, como acessórios e adaptações que possibilitam a condução
do veículo, elevadores para cadeiras de roda e camionetas modifica-
das e outros veículos automotores usados no transporte pessoal;
• no ambiente natural e de mudanças feitas pelo homem, como a geo-
grafia física, clima, flora e fauna;
• na comunicação suplementar e alternativa que consiste de recursos
eletrônicos ou não, que permitem a comunicação expressiva e recep-
tiva das pessoas. São muito utilizadas as pranchas de comunicação
com os símbolos PCS ou Bliss, além de vocalizadores e softwares diri-
gidos para esta finalidade.

Extra
O documentário nacional Pro dia nascer feliz, dirigido por João Jardim, tem
o foco central no ambiente individual e social e seus efeitos ao indivíduo e ao
grupo social. Especificamente, mostra o cotidiano de escolas de três estados bra-
sileiros e as relações entre professores e alunos circunscritas no ambiente edu-
cacional, bem como seus comportamentos. Expõe o cotidiano da desigualdade,

64 Tecnologia Assistiva
Tecnologia Assistiva aplicada II 4
da discriminação, da violência, quer dizer, aponta para a complexidade am-
biental que envolve a vida pessoal e coletiva entre as pessoas. O documentário
pode ser acessado pelo link: <www.youtube.com/watch?v=g5W7mfOvqmU>.
Acesso em: 21 mar. 2017.

Atividades
Ao assistir o documentário Pro dia nascer feliz, verificamos que a ausência
de fatores ambientais, essenciais na vida individual e social dos alunos e pro-
fessores, interfere no sucesso das relações, do desempenho e do aproveitamen-
to escolar com reflexos na formação profissional.
Apresente sua análise reflexiva, num texto, com o máximo de 05 linhas,
sobre os efeitos da ausência de fatores ambientais na escola.

Referências
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. CIF – Classificação Internacional de
Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. Direção-Geral da Saúde. Lisboa-Portugal,
2004. Amélia Leitão – tradução e revisão. Disponível em: <www.inr.pt/uploads/docs/
cif/CIF_port_%202004.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2017.

Resolução da atividade
O documentário Pro dia nascer feliz mostra a diferença entre os ambientes das
escolas particulares e públicas e os efeitos da desigualdade social na educação dos ado-
lescentes e o drama vivenciado pelos professores. Desde as precárias condições físicas
das escolas, o desinteresse dos alunos pelo aprender, os péssimos salários dos professores
das escolas públicas, retrata a banalização da educação nacional, do ambiente social no
entorno dos alunos e professores.

Tecnologia Assistiva 65
4 Tecnologia Assistiva aplicada II

4.3 Tecnologia Assistiva aplicada


ao esporte e lazer
Estudar a TA aplicada ao esporte e lazer é considerar seu âmbito de apli-
cação que envolve atividades básicas da convivência social organizada distan-
ciadas das atividades essenciais familiares, assim, constituem atividades apli-
cadas à vida comunitária, social e cívica.
Recreação e lazer participar em qualquer forma de jogos, ativida-
de recreativa ou de lazer, como por exemplo, jogos ou desportos
informais ou organizados, programas de exercício físico, relaxa-
mento, diversão, ir a galerias de arte, museus, cinema ou teatro;
participar em trabalhos artesanais ou ocupar-se em passatempos,
ler por prazer, tocar instrumentos musicais; fazer excursões, turis-
mo e viajar por prazer. (OMS, 2004, p. 149)
Para o planejamento, execução e avaliação dos recursos e serviços da TA ao
esporte e lazer, usam-se balizadores de funcionalidade, que são: as limitações
da atividade e as restrições na participação eliminando barreiras discrimina-
tórias da sociedade em relação às pessoas com deficiência, mobilidade reduzi-
da ou idosas. Alinhada a essas ideias, as tecnologias assistivas contribuem no
enfrentamento dos desafios e na resolução de problemas com vistas a atuar de
forma cidadã, ética e responsável em sua comunidade e na sociedade.
Esses balizadores são conceituados na CIF – Classificação Internacional
de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, da Organização Mundial da Saúde
(2004, p. 187), sendo que:
Atividade é a execução de uma tarefa ou ação por um indivíduo.
Ela representa a perspectiva individual da funcionalidade.
Limitações da atividade são dificuldades que um indivíduo pode
ter na execução das atividades. Uma limitação da atividade pode

66 Tecnologia Assistiva
Tecnologia Assistiva aplicada II 4
variar de um desvio leve a grave em termos da quantidade ou da
qualidade na execução da atividade comparada com a maneira ou
a extensão esperada em pessoas sem essa condição de saúde.
Participação é o envolvimento de um indivíduo numa situação da
vida real. Ela representa a perspectiva social da funcionalidade.
Restrições na participação são problemas que um indivíduo pode
enfrentar quando está envolvido em situações da vida real. A pre-
sença da restrição de participação é determinada pela comparação
entre a participação individual com aquela esperada de um indi-
víduo sem deficiência naquela cultura ou sociedade.
Apresentamos neste grupo as possíveis aplicações de TA como dispositi-
vos ao esporte e lazer:
• apoios e relacionamentos com pares, colegas, pessoas em posição de
autoridade e animais domesticados;
• vida comunitária em todos os aspectos da vida social em comunida-
de, como, vínculos com associações esportivas, beneficentes e clubes
profissionais;
• nas atividades desportivas a participação em jogos colaborativos e
competitivos ou de atletismo, organizados informal ou formalmente,
sozinho ou em grupo, como por exemplo, atividades de ginástica,
tênis de mesa, basquete e nado sincronizado;
• participação em jogos com regras ou jogos sem regras, que podem
ser “livres” e a recreação espontânea ou dirigida, como por exemplo,
jogos de roda, jogo de xadrez, corrida do saco, brincadeiras, jogos de
tabuleiro e pular corda.

Tecnologia Assistiva 67
4 Tecnologia Assistiva aplicada II

Extra
A sugestão é navegar no site da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos
da Pessoa com Deficiência e conhecer as propostas voltadas às politicas públicas
no Esporte, Cultura e Lazer. Disponível em: <www.pessoacomdeficiencia.gov.br/
app/node/518>. Acesso em: 22 mar. 2017.

Atividade
Consulte o texto As modalidades paraolímpicas, da autora Ana França, no qual
ela indica os critérios paraolímpicos e a lista do quadro de modalidades espor-
tivas. Selecione os critérios de classificação dos atletas para as categorias espor-
tivas. Disponível em: <http://esporte.hsw.uol.com.br/jogos-paraolimpicos3.htm>.
Acesso em: 22 mar. 2017.

Referências
LUZ, GOMES, Thalison Carlos Fernandes; OLIVEIRA, Luciene Chagas de. Tecnologia
assistiva aplicada no desenvolvimento de um jogo para reabilitação de indivíduos com
deficiência física. XIII CEEL, Universidade Federal De Uberlândia, Uberlândia, 2015.
Disponível em: < http://www.ceel.eletrica.ufu.br/artigos2015/ceel2015_artigo014_r01.
pdf>. Acesso em: 09 mar. 2017.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. CIF – Classificação Internacional de


Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. Direção-Geral da Saúde. Lisboa-Portugal,
2004. Amélia Leitão – tradução e revisão. Disponível em: <www.inr.pt/uploads/docs/
cif/CIF_port_%202004.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2017.

Resolução da atividade
Conforme o Movimento Paraolímpico Internacional, os atletas podem ser classifi-
cados em seis grupos:

68 Tecnologia Assistiva
Tecnologia Assistiva aplicada II 4
• amputados;
• paralisados cerebrais;
• deficientes visuais;
• lesionados na medula espinhal;
• deficientes mentais;
• les autres (inclui todos os atletas com alguma deficiência de mobilidade e que
não se enquadram nos demais grupos).
Além desses critérios, o atleta ainda é classificado de acordo com os critérios pró-
prios de cada modalidade, segundo suas habilidades funcionais e desempenho.

Ampliando seus conhecimentos

Tecnologia Assistiva aplicada no


desenvolvimento de um jogo para
reabilitação de indivíduos com
deficiência física
(GOMES; OLIVEIRA, 2015)

[...] Na área da saúde, há sempre a necessidade de buscar mais inova-


ções com a finalidade de facilitar e melhorar a vida da sociedade. A inclu-
são social é uma preocupação para todos, evitar a exclusão por deficiência
é algo que não pode ser ignorado, a necessidade de se incluir o deficiente
nos atos sociais é cada vez maior. Sendo necessário assim o esforço de
pesquisadores e estudiosos para que essa meta seja uma realidade para
que todos possam ser inclusos na sociedade.

Tecnologia Assistiva 69
4 Tecnologia Assistiva aplicada II

Deficiência que é entendida como uma manifestação corporal ou


como a perda de uma estrutura ou função do corpo, a incapacidade re-
fere-se ao plano funcional, desempenho individual e a desvantagem diz
a respeito à condição social de prejuízo, resultante da deficiência ou da
incapacidade. A expressão pessoa com deficiência pode ser aplicada refe-
rindo-se a qualquer pessoa que possua uma deficiência e que estão sob o
amparo de uma determinada legislação.
A tecnologia vem melhorando e auxiliando a vida das pessoas no
passar dos anos, nos últimos anos a tecnologia tem se intensificado e o
que antes não era possível, principalmente para os deficientes, hoje já está
acessível. Para essa acessibilidade através da tecnologia foi dado o nome
de Tecnologia Assistiva (TA).
A TA deve ser entendida como um auxílio que promoverá a amplia-
ção de uma habilidade funcional deficitária ou possibilitará a realização
da função desejada e que se encontra impedida por circunstância de
deficiência ou pelo envelhecimento. Podemos então dizer que o objeti-
vo maior da TA é proporcionar à pessoa com deficiência maior indepen-
dência, qualidade de vida e inclusão social, através da ampliação de sua
comunicação, mobilidade, controle de seu ambiente, habilidades de seu
aprendizado e trabalho.
A Tecnologia Assistiva engloba as áreas de comunicação alternativa
e ampliada (CAA), adaptações de acesso ao computador; equipamentos
de auxílio para visão e audição; controle do meio ambiente, adaptações
de jogos e brincadeiras; adaptações da postura sentada; mobilidade alter-
nativa; próteses e a integração dessa tecnologia nos diferentes ambientes
como a casa, a escola, a comunidade e o local de trabalho.
O desenvolvimento tecnológico vem buscando alcançar uma me-
lhor interação entre o homem e a máquina, chamada de interação natural.

70 Tecnologia Assistiva
Tecnologia Assistiva aplicada II 4
Interação natural (IN) é considerada um conceito, quase ciência, que estu-
da formas de o homem interagir com dispositivos eletrônicos através dos
cinco sentidos do ser humano, seja através de gestos, comandos de voz,
movimentos e expressões corporais ou detecção e identificação de partes do
corpo humano como rosto, mão, polegar, retina, articulações, entre outros.
Com o surgimento de novos equipamentos, a interação natural veio
ganhando destaque nos jogos, onde o usuário interage por meios de ges-
tos e fala com a máquina. A Interação Natural se tornou popular com o
advento de jogos para videogame com tecnologias como o Kinect e o Wii.
No entanto, seu conceito já faz parte da ficção e da literatura científica.
Os jogos ajudam na circulação e movimentação dos músculos, o que
é algo essencial para os deficientes físicos, pois se não houver algum tipo
de movimento os atos mais superficiais podem se tornar dolorosos para
aqueles que não praticam algum tipo de atividade física. O jogo trará mo-
tivação ao deficiente físico, por se tratar de algo divertido que combaterá
muita das vezes até algum tipo de abalo emocional.

Tecnologia Assistiva 71
5
Conhecendo a CIF –
Classificação Internacional
de Funcionalidade,
Incapacidade e Saúde
e o Desenho Universal
Objetivos:

Conhecer as premissas que


organizam a CIF e o
Desenho Universal.
5 Conhecendo a CIF – Classificação Internacional de
Funcionalidade, Incapacidade e Saúde e o Desenho Universal

5.1 Modelos conceituais – médico e social


A sociedade inclusiva do século XXI, pautada no exercício pleno da cida-
dania, abre-se para as pessoas com deficiência a fim de que conquistem uma
vida independente. Dessa maneira, a compreensão do conceito e a classificação
de “deficiência” estão pautadas em um modelo denominado psicossocial.
A TA se alinha perfeitamente a essa conceituação, uma vez que funciona
como Ajuda Técnica, como recurso-chave pelo qual as pessoas com deficiência
têm equiparadas as oportunidades, a fim de conquistar um estilo de vida inde-
pendente, autônomo, no qual tenham a liberdade para escolher e arcar com as
consequências em todos os aspectos da vida social, familiar e profissional.
Historicamente, a legislação que referendou o direito à igualdade de oportu-
nidades se deu no ano 2000, na Lei 10.098, regulamentada pelo Decreto 5.296/2004
que aprovou a criação do Comitê de Ajudas Técnicas “com a finalidade principal
de propor a criação de políticas públicas, aos órgãos competentes, relacionadas
com o desenvolvimento e uso de Tecnologia Assistiva” (BRASIL, 2009, p. 11). A
Tecnologia Assistiva, anteriormente, era chamada de Ajuda Técnica.
Nessa retrospectiva, em torno dos anos de 1976-1980, a Organização
Mundial da Saúde (OMS), preocupada com os vários aspectos e estados
da saúde, busca um sistema de classificação às “deficiências” e propõe a
Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF),
tendo como balizador os componentes da funcionalidade e das atividades
desenvolvidas pela pessoa que tem alterações em seu desempenho da es-
trutura do corpo próprio e público. A funcionalidade e a incapacidade da
pessoa são determinadas pelos fatores ambientais, individuais e sociais, que
dizem respeito à pessoa e ao seu entorno.
A CIF, de acordo com Farias e Buchalla (2005), parte de uma referência
biopsicossocial de leitura da “deficiência” que integra os componentes de saú-
de nos níveis corporais e sociais, ou seja, na classificação da pessoa com defi-
ciência desconsidera o modelo biomédico

74 Tecnologia Assistiva
Conhecendo a CIF – Classificação Internacional de
Funcionalidade, Incapacidade e Saúde e o Desenho Universal 5
baseado no diagnóstico etiológico da disfunção, evoluindo para
um modelo que incorpora as três dimensões: a biomédica, a psico-
lógica (dimensão individual) e a social. Nesse modelo cada nível
age sobre e sofre a ação dos demais, sendo todos influenciados
pelos fatores ambientais. (FARIAS; BUCHALLA, 2005, p. 189)
Veja como esses mesmos autores descrevem em esquema as interações en-
tre as dimensões:

Figura 1 – Interação entre os componentes da CIF. Adaptação: OMS (2003)

Condição de saúde
(transtorno ou doença)

Funções e Atividades Participação


estruturas do corpo

Fatores Fatores
ambientais pessoais

(FARIAS; BUCHALLA, 2005, p. 190).

Historicamente, a “deficiência” foi definida e classificada sob a égide do


modelo médico que considerava as limitações da pessoa como consequências
intrínsecas ao corpo deficiente. Atualmente, as limitações da atividade e restri-
ções na participação da pessoa com deficiência articulam-se ao seu ambiente
imediato e ao seu entorno, considera o contexto sócio-histórico-cultural, por-
tanto a abordagem biopsicossocial, multifatorial proposta pela CIF e adotada
na OMS é o modelo social ou psicossocial. A CIF distingue os modelos concei-
tuais médico e social:
MODELO MÉDICO – considera a incapacidade como um proble-
ma de pessoa, causado diretamente pela doença, traumas ou ou-
tro problema de saúde, que requer assistência médica sob forma

Tecnologia Assistiva 75
5 Conhecendo a CIF – Classificação Internacional de
Funcionalidade, Incapacidade e Saúde e o Desenho Universal

de tratamento individual por profissionais. Os cuidados em re-


lação à incapacidade tem por objetivo a cura ou a adaptação do
indivíduo e mudança de comportamento. A assistência médica é
considerada como a questão principal e, a nível político, a princi-
pal resposta é a modificação ou reforma da política de saúde. (CIF,
2004, p. 21, grifo nosso.)
MODELO SOCIAL – incapacidade, por sua vez, considera a
questão como um problema criado pela sociedade e como uma
questão de integração plena do indivíduo na sociedade. A incapa-
cidade não é um atributo de um indivíduo, mas sim um conjunto
complexo de condições, muitas das quais criadas pelo ambiente
social. Assim, a solução do problema requer uma ação social e é
da responsabilidade coletiva da sociedade fazer as modificações
ambientais necessárias para a participação plena das pessoas
com incapacidade em todas as áreas da vida social. Portanto, é
uma questão atitudinal ou ideológica que requer mudanças so-
ciais que, a nível político se transformem numa questão de direi-
tos humanos. De acordo com este modelo, a incapacidade é uma
questão política. (CIF, 2004, p. 21-22, grifo nosso)
De posse dessas informações, é possível apresentar à pessoa com deficiên-
cia um diagnóstico funcional e planejar a TA adequada que fortaleça e favoreça
a vida independente e o desenvolvimento das potencialidades da pessoa com
deficiência, mobilidade reduzida ou idosa.

Extra
Sugerimos assistir ao filme Lutando contra o destino, dirigido por Andy
Wolk, 2005. O roteiro do filme baseia-se em fatos da vida real. O drama gira
em torno da personagem principal – Marilyn Gambrell. O enredo descreve os

76 Tecnologia Assistiva
Conhecendo a CIF – Classificação Internacional de
Funcionalidade, Incapacidade e Saúde e o Desenho Universal 5
obstáculos vividos por Marilyn para implantar um programa de autoajuda
com vistas a treinar o autocontrole e fortalecer a autoestima de crianças em
idade escolar cujos pais estão presos. O desejo de Marilyn é que as crianças
possam fazer escolhas na vida diferentes das escolhas feitas por seus pais.

Atividades
Conhecer a aplicação da CIF na abordagem da “deficiência” psicossocial
e nos critérios de aplicação, funcionalidade e restrições de participação. Em
poucas palavras, construa um texto identificando esses aspectos no estudo de
caso apresentado abaixo:

RFC CID (AVCH)

QUEIXA PRINCIPAL
- Desequilíbrio e RESTRIÇÕES
Instabilidade na Marcha

ATIVIDADES
PARTICIPAÇÃO
ESTRUTURA E FUNÇÃO - Sensação de cansaço durante
- Dificuldade em par-
CORPORAL o dia (d2301.13)
ticipar
- Cérebro (s1100.370) - Não realiza perfeitamente a
de eventos sociais (mis-
- Hemiparesia (b7302.2) limpeza de casa (d6402.24)
sa) (d9300.14)
- Hiperlonia Esquerda - Dificuldade para se deslocar
- Impossibilidade de
(b7352.2) dentro e
realizar
- Hiper-reflexia Esquerda fora de casa (d465.14)
atividades artesanais
(b7502.2) - Dificuldade em realizar
(pintura, crochê)
- Desiquilíbrio (b2351.2) movimentos finos
(d9203.23)
- Diminuição de ADM com a mão (d440.22)
(b7101.3)

FATORES PESSOAIS FATORES AMBIENTAIS


- Sente-se desanimado sobre seu - Faz uso de medicamentos
futuro
45 anos, do lar
(e1101+3)
- Faz uso de bengala para
locomoção (e1201+4)
(OLIVEIRA; SILVEIRA, 2011, p. 657)

Tecnologia Assistiva 77
5 Conhecendo a CIF – Classificação Internacional de
Funcionalidade, Incapacidade e Saúde e o Desenho Universal

Referências
BRASIL. Subsecretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
Comitê de Ajudas Técnicas. Tecnologia Assistiva. Brasília: CORDE, 2009. p. 138.
Disponível em <www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sites/default/files/publicacoes/
livro-tecnologia-assistiva.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2017.

FARIAS, Norma; BUCHALLA, Cassia. A Classificação Internacional de


Funcionalidade, Incapacidade e Saúde da Organização Mundial da Saúde: conceitos,
usos e perspectivas. Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 8,
n. 2, São Paulo, jun. 2005. Disponível em: <www.scielosp.org/pdf/rbepid/v8n2/11.pdf>.
Acesso em: 22 mar. 2017.

OLIVEIRA, Ana Irene Costa de; SILVEIRA, Katyana Rocha Mendes da. Utilização
da CIF em Pacientes com Sequelas de AVC. Rev Neurocienc, 2011; 19(4):653-662.
Disponível em: <www.revistaneurociencias.com.br/edicoes/2011/RN1904/relato%20
de%20caso%2019%2004/561%20relato%20de%20caso.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2017.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. CIF – Classificação Internacional de


Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. Direção-Geral da Saúde. Lisboa, Portugal,
2004. Tradução e revisão de Amélia Leitão. Disponível em: <www.inr.pt/uploads/docs/
cif/CIF_port_%202004.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2017.

Resolução da atividade
A avaliação considera a abordagem biopsicossocial da CIF nos fatores individuais
e coletivos, voltada à saúde integral do ser humano. Aborda a compreensão da “defi-
ciência” numa visão contextualizada e possibilita uma ação que atende e responsabiliza
o indivíduo e o grupo.

5.2 Aprendendo com o Desenho Universal


O Desenho Universal, atrelado aos demais dispositivos legais à acessibilidade,
mostra-se coerente com a abordagem biopsicossocial da “deficiência”, entendida

78 Tecnologia Assistiva
Conhecendo a CIF – Classificação Internacional de
Funcionalidade, Incapacidade e Saúde e o Desenho Universal 5
como um problema nas funções do corpo1 ou nas suas estruturas do corpo2, tais
como um desvio significativo ou uma perda. Assim, a conceituação de Desenho
Universal contempla a diversidade e o bem-estar3 do ser humano.
O conceito de Desenho Universal do Instituto Nacional de Reabilitação,
descrito a seguir, visa à concepção de objetos, equipamentos e estruturas do
meio físico destinados a ser utilizados por todas as pessoas indiscriminada-
mente. Seu fundamento é simplificar a vida de todos, tornando os produtos,
estruturas, a comunicação e o meio edificado utilizáveis pelo maior número de
pessoas possível, a baixo custo ou sem custos extras, para que todas as pessoas
possam integrar-se totalmente numa sociedade inclusiva.
Desenho Universal: O conceito de desenho universal se propõe a
gerar ambientes, serviços, programas e tecnologias acessíveis, uti-
lizáveis equitativamente, de forma segura e autônoma por todas
as pessoas – na maior extensão possível – sem que precisem ser
adaptados ou readaptados especificamente. O desenho universal
engloba e avança conceitualmente em relação à acessibilidade e
às ajudas técnicas. O propósito do desenho universal é atender às
diversas necessidades e viabilizar a participação social e o acesso
a bens e serviços à maior gama possível de usuários, contribuindo
para que pessoas impedidas de interagir com a sociedade passem
a fazê-lo. (ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO RS, 2011, p. 7)

1 Funções do corpo são as funções fisiológicas dos sistemas orgânicos, incluindo as funções psico-
lógicas. “Corpo” refere-se ao organismo humano como um todo e, portanto, inclui o cérebro. As-
sim, as funções mentais (ou psicológicas) são consideradas parte das funções do corpo. O padrão
para essas funções é a norma estatística para a população humana. (CIF, 2004, p. 186)
2 Estruturas do corpo são as partes estruturais ou anatômicas do corpo, tais como órgãos, membros
e seus componentes classificados de acordo com os sistemas orgânicos. O padrão para essas estru-
turas é a norma estatística para a população humana. (CIF, 2004, p. 187)
3 Bem-estar é um termo geral que engloba o universo total dos domínios da vida humana, incluindo
os aspectos físicos, mentais e sociais, que compõem o que pode ser chamado de uma “vida boa”. Os
domínios da saúde são um subconjunto dos domínios que compõem o universo total da vida huma-
na. Esta relação é apresentada no seguinte diagrama que representa o bem-estar. (CIF, 2004, p. 185)

Tecnologia Assistiva 79
5 Conhecendo a CIF – Classificação Internacional de
Funcionalidade, Incapacidade e Saúde e o Desenho Universal

A realização de um projeto em Desenho Universal obedece a sete princí-


pios básicos:
1. Uso equiparável – pode ser utilizado por qualquer grupo de usuários
com igualdade de oportunidade a todos;
2. Uso flexível – engloba as preferências e capacidades individuais; fle-
xibilização de utilização;
3. Utilização simples e intuitiva – fácil de compreender, independente-
mente da experiência do usuário, dos seus conhecimentos, aptidões
linguísticas ou nível de concentração;
4. Informação perceptível – Fornece a informação necessária a qualquer
usuário;
5. Tolerância ao erro – minimiza riscos decorrentes de ações acidentais
ou involuntárias;
6. Pouca exigência de esforço físico – pode ser utilizado de forma eficaz
e confortável com um mínimo de fadiga;
7. Tamanho, espaço de acesso e de utilização – dimensão e espaço ade-
quado para a abordagem, manuseamento e uso.
O Desenho Universal assume-se, assim, como instrumento privilegiado
para a concretização da acessibilidade e, por extensão, de promoção da inclu-
são social.
Finalmente, com mais esse dispositivo de acessibilidade, podemos dedu-
zir que qualquer produto de TA que seja desenvolvido, atendendo a limitações
e a funcionalidade derivadas de deficiências individuais, possibilitará e facili-
tará também o acesso por todos os usuários que, sem sofrer essas deficiências,
se encontrem em contextos coletivos, como é o caso da escola. A escola é defi-
nida aqui como espaço de cultura inclusiva e de convivência social, importante

80 Tecnologia Assistiva
Conhecendo a CIF – Classificação Internacional de
Funcionalidade, Incapacidade e Saúde e o Desenho Universal 5
para o desenvolvimento das habilidades e competências dos alunos. Desse
modo, a escola cumpre seu papel de formadora, facilitando assim o exercício
da cidadania.

Extra
Recomendamos a palestra de Romeu Sassaki: Acessibilidade, Inclusão,
Desenho Universal – Universalidade M2U03989. Disponível em: <www.
youtube.com/watch?v=FbBx-gfZCJI>. Acesso em: 30 nov. 2014.
Outra dica é navegar pelas propostas de acessibilidade da Cooperativa para
a Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Gaia (CERCIGaia), fun-
dada em 1976 (Portugal) por iniciativa de um grupo de pais de crianças deficien-
tes mentais que não encontravam resposta sobre seus filhos, em creches ou em
escolas. Disponível em: <http://cercigaia.weebly.com/>. Acesso em: 22 mar. 2017.

Atividades
Sugere-se a leitura do livro infantil O menino que tinha medo do escuro de
Susana Campos (Edições Vieira da Silva, 2014). Após a leitura escreva um breve
comentário sobre suas impressões.

Referências
ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO RIO GRANDE DO SUL. Manual de redação. Mídia
inclusiva. Assembleia inclusiva. Rio Grande do Sul, 2011. Disponível em: <www2.al.rs.
gov.br/assembleiainclusiva/LinkClick.aspx?fileticket=Pyw-mnmUWDc%3d&tabid=524
8&language=pt-BR>. Acesso em: 22 mar. 2017.

INSTITUTO NACIONAL DE REABILITAÇÃO. Desenho Universal. Disponível em:


<http://www.inr.pt/content/1/5/desenho-universal>. Acesso em: 22 mar. 2017.

Tecnologia Assistiva 81
5 Conhecendo a CIF – Classificação Internacional de
Funcionalidade, Incapacidade e Saúde e o Desenho Universal

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. CIF - Classificação Internacional de


Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. Direção-Geral da Saúde. Lisboa, Portugal,
2004. Tradução e revisão de Amélia Leitão. Disponível em: <www.inr.pt/uploads/docs/
cif/CIF_port_%202004.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2017.

Resolução da atividade
O livro traz, em formato alternativo, um exemplo de como um livro multiformato
pode se “abrir” a novos leitores e a novas leituras. Serve ao Desenho Universal uma vez
que pode ser lido por todos.

5.3 Compreender a incapacidade


e a funcionalidade
A CIF tem por objetivo organizar um sistema de classificação voltado a
pensar a saúde e o bem-estar do ser humano, que possibilite uma via de comuni-
cação universal às diferentes áreas do conhecimento e setores da saúde, em um
trabalho em equipes multi e interdisciplinares; descreve a saúde e os estados
relacionados com a saúde como “exemplos de domínios da saúde incluem ver,
ouvir, andar, aprender e recordar, enquanto que exemplos de domínios rela-
cionados com a saúde incluem transporte, educação e interações sociais” (CIF,
2004, p. 11, grifo nosso).
A CIF representa uma mudança de paradigma para se pensar e trabalhar a
deficiência e serve como uma aliada fundamental às propostas da TA enquanto
área do conhecimento que pesquisa as melhorias na funcionalidade, nos inte-
resses e na participação da pessoa com deficiência na sociedade.
Como a CIF é uma classificação da saúde e dos estados relacio-
nados com a saúde também é utilizada por setores, tais como,
seguros, segurança social, trabalho, educação, economia, política

82 Tecnologia Assistiva
Conhecendo a CIF – Classificação Internacional de
Funcionalidade, Incapacidade e Saúde e o Desenho Universal 5
social, desenvolvimento de políticas e de legislação em geral e al-
terações ambientais. Por estes motivos foi aceita como uma das
classificações sociais das Nações Unidas, sendo mencionada e
estando incorporada nas Normas Padronizadas para a Igualdade
de Oportunidades para Pessoas com Incapacidades. Assim, a CIF
constitui um instrumento apropriado para o desenvolvimento de
legislação internacional sobre os direitos humanos bem como de
legislação a nível nacional. (CIF, 2004, p. 9-10, grifo nosso)
A CIF permite descrever situações relacionadas com a funcionalidade do
ser humano que remete às funções do corpo e às suas incapacidades, ou, dito
de outra forma, às suas restrições e limitações na participação, e serve como
enquadramento para organizar essas informações. A CIF organiza a informa-
ção em duas partes com dois componentes cada.
1. Componentes da Funcionalidade e da Incapacidade
O componente Corpo inclui duas classificações, uma para as fun-
ções dos sistemas orgânicos e outra para as estruturas do corpo.
Nas duas classificações os capítulos estão organizados de acordo
com os sistemas orgânicos.
O componente Atividades e Participação cobre a faixa completa
de domínios que indicam os aspectos da funcionalidade, tanto na
perspectiva individual como social.
2. Componentes dos Fatores Contextuais
O primeiro componente dos Fatores Contextuais é uma lista de
Fatores Ambientais. Estes têm um impacto sobre todos os compo-
nentes da funcionalidade e da incapacidade e estão organizados
de forma sequencial, do ambiente mais imediato do indivíduo até
ao ambiente geral.
Os Fatores Pessoais também são um componente dos Fatores
Contextuais, mas eles não estão classificados na CIF devido

Tecnologia Assistiva 83
5 Conhecendo a CIF – Classificação Internacional de
Funcionalidade, Incapacidade e Saúde e o Desenho Universal

à grande variação social e cultural associada aos mesmos.


(CIF, 2004, p. 11-12)
A CIF articula-se desta maneira à acessibilidade e ao Desenho Universal,
removendo barreiras em todas as dimensões da acessibilidade, e a TA se re-
vela neste espaço como recurso e serviço chave que abre as portas para todas
as pessoas ao pleno exercício da cidadania, ou melhor, a vida com cidadania.
Significa ter oportunidade para tomar decisões que afetam a própria vida, res-
ponsividade e autodeterminação. Significa ter a liberdade de falhar e apren-
der com as próprias falhas, tal qual fazem todas as pessoas. Finalmente, a TA
promove um estilo de vida independente, essencial para acessar a verdadeira
inclusão social.

Extra
Sugere-se a leitura do livro Direitos das pessoas com deficiência: garantia de
igualdade na diversidade, de Eugênia Favero, Editora WVA, Rio de Janeiro: 2004.

Referências
FARIAS, Norma; BUCHALLA, Cassia Maria. A Classificação Internacional de
Funcionalidade, Incapacidade e Saúde da Organização Mundial da Saúde: Conceitos,
Usos e Perspectivas. Revista Brasileira de Epidemiologia, vol. 8, n. 2, 2005. Disponível
em: <http://www.scielo.br/pdf/rbepid/v8n2/11.pdf>. Acesso em: 09 mar. 2017.

OLIVEIRA, Ana Irene Costa de; SILVEIRA, Katyana Rocha Mendes da. Utilização
da CIF em Pacientes com Sequelas de AVC. Rev Neurocienc 2011; 19(4):653-662.
Disponível em: <www.revistaneurociencias.com.br/edicoes/2011/RN1904/relato%20
de%20caso%2019%2004/561%20relato%20de%20caso.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2017.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. CIF – Classificação Internacional de


Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. Direção-Geral da Saúde. Lisboa, Portugal,
2004. Tradução e revisão de Amélia Leitão. Disponível em: <www.inr.pt/uploads/docs/
cif/CIF_port_%202004.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2017.

84 Tecnologia Assistiva
Conhecendo a CIF – Classificação Internacional de
Funcionalidade, Incapacidade e Saúde e o Desenho Universal 5
Ampliando seus conhecimentos

A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e


Saúde da Organização Mundial da Saúde: Conceitos, Usos e Perspectivas

(FARIAS; BUCHALLA, 2005)

Visando responder às necessidades de se conhecer mais sobre as


consequências das doenças, em 1976 a OMS publicou a International
Classification of Impairment, Disabilities and Handicaps (ICIDH), em cará-
ter experimental. Esta foi traduzida para o Português como Classificação
Internacional das Deficiências, Incapacidades e Desvantagens (­handicaps),
a CIDID.
De acordo com esse marco conceitual, impairment (deficiência) é des-
crita como as anormalidades nos órgãos e sistemas e nas estruturas do
corpo; disability (incapacidade) é caracterizada como as consequências da
deficiência do ponto de vista do rendimento funcional, ou seja, no de-
sempenho das atividades; handicap (desvantagem) reflete a adaptação do
indivíduo ao meio ambiente resultante da deficiência e incapacidade.
O modelo da CIDID descreve, como uma sequencia linear, as condi-
ções decorrentes da doença:
Doença → Deficiência → Incapacidade → Desvantagem
O processo de revisão da ICIDH apontou suas principais fragili-
dades, como a falta de relação entre as dimensões que a compõe, a não
abordagem de aspectos sociais e ambientais, entre outras. Após várias
versões e numerosos testes, em maio de 2001 a Assembleia Mundial
da Saúde aprovou a International Classification of Functioning, Disability
and Health (ICF).

Tecnologia Assistiva 85
5 Conhecendo a CIF – Classificação Internacional de
Funcionalidade, Incapacidade e Saúde e o Desenho Universal

A versão em língua portuguesa foi traduzida pelo Centro Colaborador


da Organização Mundial da Saúde para a Família de Classificações
Internacionais em Língua Portuguesa com o título de Classificação
Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, CIF.

86 Tecnologia Assistiva
6
Software
Educativo

Objetivos:

Conhecer as tecnologias
nas práticas educativas.
6 Software Educativo

6.1 Tecnologias nas práticas educativas


Após conhecer e trabalhar sob as prerrogativas do Desenho Universal, da
CIF e da acessibilidade, a escola introduz parâmetros técnicos relacionados à
acessibilidade, por exemplo, arquitetônica, dos espaços escolares que devem
ser observados durante o projeto, construção, instalação e adaptação de edifi-
cações e mobiliário. Vamos pensar nas tecnologias: O que são tecnologias? Qual
a definição de tecnologia?
Verificamos que não existe consenso na definição de tecnologia. Veraszto
et al. (2008), no seu artigo “Tecnologia: buscando uma definição para o concei-
to”, apresenta uma revisão literária de envergadura histórica e atual conside-
rando a tecnologia como
[...] um corpo sólido de conhecimentos que vai muito além de ser-
vir como uma simples aplicação de conceitos e teorias científicas,
ou do manejo e reconhecimento de modernos artefatos. Precisamos
deixar bem claro que o conhecimento tecnológico tem uma estru-
tura bastante ampla e, apesar de formal, a tecnologia não é uma
disciplina como qualquer outra que conhecemos, nem tampouco
pode ser estruturada da mesma forma. O conhecimento tecnoló-
gico não é algo que pode ser facilmente compilado e categorizado
da mesma forma como o conhecimento científico. A tecnologia
poderia ser apresentada como uma disciplina, mas sabemos que
é mais bem qualificada como uma forma de conhecimento, e por
isso adquire formas e elementos específicos da atividade humana.
Dessa forma podemos dizer que o caráter da tecnologia pode ser
definido pelo seu uso. (VERASZTO et al., 2008, p. 75, grifo nosso)
Os autores finalizam dizendo que “a tecnologia abrange um conjunto or-
ganizado e sistematizado de diferentes conhecimentos, científicos, empíricos
e intuitivos. Sendo assim, possibilita a reconstrução constante do espaço das
relações humanas” (VERASZTO et al., 2008, p. 79).

88 Tecnologia Assistiva
Software Educativo 6
Na medida em que a escola norteia suas práticas educativas sob a diversi-
dade humana, as diferenças individuais e, propõem facilitadores1 ao processo
do aprender, avança diversos passos na efetivação do paradigma da inclusão
psicossocial, neste mesmo caminho, as TAs integram as práticas educativas
como ajudas tecnológicas adequadas no ambiente escolar.
As tecnologias, aplicadas ao contexto educacional, vêm para possibilitar
o acesso virtual, a inclusão digital a todas as pessoas que devido às restrições
participativas e limitações que podem ser motoras, visuais, auditivas e físicas
necessitam do uso dos recursos de hardware e software que a sociedade informa-
cional disponibiliza.
A Tecnologia Assistiva como área de conhecimento oferece muitas alter-
nativas e muitos recursos e serviços de apoio ao professor que ajudam na edu-
cação dos alunos com deficiência. Todos os alunos, em determinado momento
de sua vida escolar podem apresentar necessidades educacionais especiais que
comprometam o sucesso escolar pela falta de soluções que os auxiliem na su-
peração de dificuldades funcionais no ambiente da sala de aula e fora dele. Os
professores que conhecem as TAs se beneficiam de diferentes estratégias para
dar respostas às necessidades dos alunos. Garantem, desta maneira, o acesso e
a permanência na escola para todos os agentes escolares.
Buscar alternativas e estratégias que promovam melhores condições de
vida para toda a comunidade, na igualdade de oportunidades educativas e so-
ciais e na construção de valores éticos socialmente desejáveis, é uma maneira
de enfrentar a exclusão, eliminar barreiras e um bom caminho para uma vida
com mais qualidade, mais independência na coletividade.
1 Facilitadores são fatores ambientais que, através da sua ausência ou presença, melhoram a fun-
cionalidade e reduzem a incapacidade de uma pessoa. Estes fatores incluem aspectos como um
ambiente físico acessível, disponibilidade de tecnologia de assistência apropriada, atitudes posi-
tivas das pessoas em relação à incapacidade, bem como serviços, sistemas e políticas que visam
aumentar o envolvimento de todas as pessoas com uma condição de saúde em todas as áreas da
vida. A ausência de um fator também pode ser um facilitador, por exemplo, a ausência de estigma
ou de atitudes negativas. Os facilitadores podem impedir que uma deficiência ou limitação da
atividade se transforme numa restrição de participação, já que o desempenho real de uma ação é
melhorado, apesar do problema da pessoa estar relacionado com a capacidade (CIF, 2004, p. 187).

Tecnologia Assistiva 89
6 Software Educativo

Extra
Indicamos o livro Inclusão: construindo uma sociedade para todos, de Romeu
Sassaki (Rio de Janeiro, WVA, 1997).

Atividade
Assista a Mobiliário adaptado em PVC e comente brevemente, num tex-
to de até 10 linhas, o vídeo articulado ao conceito de tecnologia facilitadora.
Disponível em: <www.youtube.com/watch?v=JKy-dKQMEvc>. Acesso em:
22 mar. 2017.

Referências
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. CIF - Classificação Internacional de
Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. Direção-Geral da Saúde. Lisboa-Portugal,
2004. Amélia Leitão - tradução e revisão. Disponível em: <www.inr.pt/uploads/docs/
cif/CIF_port_%202004.pdf> Acesso em: 22 mar. 2017.

VERASZTO, Estéfano; et al. Tecnologia: buscando uma definição para o conceito.


Prisma, COM, n. 7, 2008. Disponivel em: <http://revistas.ua.pt/index.php/prismacom/
article/viewFile/681/pdf>. Acesso em: 22 mar. 2017.

Resolução da atividade
O vídeo mostra o desenvolvimento de Tecnologia Assistiva de baixo custo, aplicado
a crianças com disfunção neuromotora. As crianças precisam de um mobiliário para uso
cotidiano. O exemplo apresentado trabalha com tubos de PVC de solda e de roscas, que
mostra ser um material com acessibilidade e usabilidade. Neste sentido é um recurso
facilitador na eliminação de barreiras e, restrição de participação às crianças com defi-
ciência. O grupo relata que desenvolveu sete tipos de equipamentos, como: andadores,

90 Tecnologia Assistiva
Software Educativo 6
vaso sanitário, mesas, entre outros. Os recursos apresentados, por exemplo, o andador
pode ser ajustado com um sistema de roscas, de acordo ao tamanho da criança. Este
mobiliário, segundo relato de profissionais da saúde auxilia no tratamento complemen-
tar realizado em casa. A confecção do mobiliário é fácil e não exige alta tecnologia. Um
outro ponto interessante da reportagem trata da divulgação da TA, esta é uma atitude
importante que atende à acessibilidade atitudinal, ao Desenho Universal fortalecendo o
compromisso da TA com o estilo de vida independente das pessoas.

6.2 Softwares e as deficiências


O objetivo desta aula é descrever algumas Ajudas Técnicas à inclusão di-
gital, seus recursos e serviços em prol da acessibilidade instrumental, comuni-
cacional e atitudinal, que permitam a vida independente e autônoma das pes-
soas com deficiências. Muitos são os pesquisadores preocupados em divulgar
as tecnologias e sua aplicação às pessoas com deficiência, entre eles, Andrea
Poletto Sonza, Adrovane Kade, André Luiz Rezende e Sirlei Bortolini. A seguir
descrevemos algumas dessas tecnologias.
1. Deficiência visual e a acessibilidade digital, alguns exemplos:
a. Ampliadores de imagens
◦◦ Lupa eletrônica – ampliação de tela;
◦◦ Lente Pro – Projeto Dosvox;
◦◦ Magic – software de ampliação de tela.
b. Impressoras braille
◦◦ Thermoform – copiadora para material adaptado;
◦◦ Braille falado – sistema portátil de armazenamento e processa-
mento de informação;
◦◦ Linha braille – ligado ao computador por cabo, que possui uma ré-
gua de células braile, cujos pinos se movem para cima e para baixo
e que representam uma linha de texto da tela do computador.

Tecnologia Assistiva 91
6 Software Educativo

c. Sistema operacional
◦◦ DOSVOX – software de interface especializada que se comunica
com o usuário em português, por meio de síntese de voz. É um
recurso nacional de relação custo/benefício acessível.
d. Leitora de tela
◦◦ Virtual Vision – software de leitura de telas desenvolvido para
funcionar sobre os aplicativos mais comuns utilizados;
◦◦ Jaws – permite ao usuário que configure a intensidade da leitura;
◦◦ OpenBook – permite acesso e edição de materiais impressos me-
diante um processo de digitalização.
2. Deficiência auditiva e a acessibilidade digital, alguns exemplos:
a. Tecnologia baseada na oralização
◦◦ Comunicar e palavras baralhadas – videojogos educativos.
b. Tecnologia baseada na Libras
◦◦ Karytu – software de letramento;
◦◦ Falibras – tradutor de português para libras;
◦◦ Dicionário de Libras INES - Instituto Nacional de Educação de
Surdos;
◦◦ Teclado especial – utiliza recursos das ferramentas de autotexto
e autocorreção do Word.
3. Deficiência motora e a acessibilidade digital, alguns exemplos:
a. Hardwares
◦◦ Teclados - variedades de teclados;
◦◦ Máscara de teclado – placa de plástico com um orifício corres-
pondente a cada tecla;
◦◦ Pulseiras de pesos – diversos modelos ajudam a reduzir a ampli-
tude do movimento causada pela flutuação do tônus;

92 Tecnologia Assistiva
Software Educativo 6
◦◦ Mouses e acionadores – adaptados de acordo com as necessida-
des do usuário;
◦◦ Teclado virtual da PUCPR – reúne características de teclado vir-
tual, sintetizador de voz e sistema de predição da palavra.

Extra
Visite o site e conheça o Projeto Redescola, onde podem ser encontrados
diversos softwares educacionais. Disponível em: <http://www.redescola.com.
br/site/index.php?option=com_content&view=article&id=126&Itemid=55>.
Acesso em: 22 mar. 2017.

Atividades
Assista ao vídeo Educação e mudança, de Celso Antunes, e escreva um
breve comentário, de no máximo 10 linhas. Disponível em: <www.youtube.
com/watch?v=bLee1851_q0&feature=player_embedded#%21>. Acesso em: 22
mar. 2017.

Referências
MANZINI, Eduardo José; DELIBERATO, Débora. Portal de ajudas técnicas para
educação – Equipamento e material pedagógico especial para educação, capacitação
e recreação da pessoa com deficiência física - Recursos para comunicação alternativa.
2. ed. Brasília: MEC/SEESP, 2006. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/
arquivos/pdf/rec_adaptados.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2017.

SONZA, Andréa P. (Org.) Acessibilidade e tecnologia assistiva: pensando a inclusão


sociodigital de PNEs. Ministério da Educação. Bento Gonçalves, RS. 2013. Disponível
em: <www.planetaeducacao.com.br/portal/conteudo_referencia/acessibilidade-
tecnologia-assistiva.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2017.

Tecnologia Assistiva 93
6 Software Educativo

Resolução da atividade
O vídeo faz uma reflexão sobre o tema da mudança pessoal aplicada ao contexto
educacional. Destaca a importância da formação continuada para que o professor se
mantenha atualizado e que possa atualizar suas práticas educativas. Celso Antunes
sugere que o professor deva refletir sobre algumas interrogações, como: O mundo
mudou? O aluno não é mais o mesmo? Antunes diz que sim, o aluno mudou e mui-
tas vezes o professor percebe isso, mas não reconhece que ele também tem que mu-
dar, tem que se atualizar frente à sociedade informacional, globalizada. O professor
precisa perceber o papel fundamental da tecnologia na vida cotidiana e aplicá-la às
suas práticas pedagógicas.

6.3 Dimensões do uso das tecnologias educativas


Os softwares educativos são recursos tecnológicos indicados como Ajudas
Técnicas, assim, são planejados adequadamente para atender as características
individuais de cada aluno e da fase do desenvolvimento em que se encontra e
ainda, respeitam os dispositivos legais como: Desenho Universal, CIF e a aces-
sibilidade, para que pessoas com limitações visuais, auditivas, motoras possam
conquistar o mundo digital.
Para escolher um software educativo para um aluno com necessidades edu-
cacionais especiais, algumas perguntas básicas são importantes:
• Para que o sistema serve?
• Qual a vantagem de utilizá-lo?
• Como o sistema funciona?
• Quais os princípios gerais de interação com o sistema?

94 Tecnologia Assistiva
Software Educativo 6
O computador a serviço da educação oferece softwares que agregam no seu
planejamento, funcionalidade e usabilidade com objetivos pedagógicos (SONZA,
2013), podem ser classificados em: tutoriais, de programação, aplicativos, exercí-
cios e práticas, multimídia e internet, simulação, modelagem e jogos.
Tutoriais – apresentam informações planejadas e organizadas para instigar
a aprendizagem do aluno, partindo da interação computador – usuário e perti-
nência curricular. No site da Secretaria de Educação do Paraná: Dia a Dia Educação –
você pode encontrar orientações sobre diversos softwares educacionais. O site
pode ser acessado pelo link: <www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/modules/
conteudo/conteudo.php?conteudo=167>. Acesso em: 22 mar. 2017.
Veja alguns exemplos:
Programação/autoria – tecnologia usada como ferramenta auxiliando a
aprendizagem, dá liberdade ao usuário para criar seu próprio programa de ati-
vidade. Como exemplo, podemos citar o Scratch, um website desenvolvido com
o foco na aprendizagem e educação, onde é possível desenvolver e programar
diversas atividades de forma dinâmica e estimuladora. Pode ser acessado atra-
vés do link: <http://scratch.mit.edu/>. Acesso em: 22 mar. 2017.
Aplicativos – voltados para aplicações específicas, como processadores de
texto, planilhas eletrônicas e gerenciadores de banco de dados.
Exercícios e práticas – consiste somente na resolução de questões e ativi-
dades, sem se preocupar com o uso pedagógico, o aprendizado e o propósito
do software.
Multimídia e internet – com recursos de acessibilidade na escolha de mul-
timídias para executar uma navegação na internet.
Simulação e modelagem – consistem na apresentação de situações proble-
ma que devem ser resolvidas pelo aluno, possibilita vivências, teste de hipóteses,

Tecnologia Assistiva 95
6 Software Educativo

incentiva o aluno a procurar soluções para os desafios apresentados. A robótica


educativa é hoje um exemplo significativo de aplicação de simuladores.
Jogos – softwares educativos lúdicos consistem numa ferramenta pedagó-
gica excelente para motivar o aluno à aprendizagem, são planejados de acordo
com a idade do aluno.
Softwares educativos às pessoas com deficiência – que auxiliam os pro-
fessores no ensino de diversas disciplinas, como: língua portuguesa, inglês,
matemática, artes etc.
Sonza et al. (2013) apresentam uma lista de jogos, relacionados a seguir:
• Menino curioso – software direcionado a crianças em fase de alfabetização,
com jogos relacionados à caixinha mágica, por exemplo. Disponível
em: <http://infoeducindiaquaresma.blogspot.com.br/2010/03/software-
menino-curioso.html>. Acesso em: 22 mar. 2017.
• Programa Gcompris 9.2 – é um aplicativo amplo com muitas ati-
vidades e atende a diversas áreas do conhecimento. Disponível
(em inglês) em: <http://gcompris.net/index-en.html>. Acesso em:
22 mar. 2017.
• Cobpaint – desenvolvido para pessoas com dificuldades motoras e
deficiência visual.
• Creative Painter – personagens animados.
• Tux Paint – usada com crianças com paralisia cerebral.
• Smart Panda – software de matemática.
• Zac Browser – favorece a interação social.
• Hércules e Jiló – usado para a criança com deficiência intelectual.
A sociedade globalizada e tecnológica exige que o cidadão utilize os recursos
e serviços tecnológicos. Atualmente são muitos os recursos disponíveis ao processo
educativo e são muito eficazes, desde que sejam usados adequadamente.

96 Tecnologia Assistiva
Software Educativo 6
Extra
A sugestão é assistir à reportagem do Jornal Record – Prensa: tecnologias
acessíveis. Disponível em: <www.youtube.com/watch?v=9Z2WmHWdR7U>.
Acesso em: 22 mar. 2017.

Atividades
Quais as perguntas básicas ao escolher um software educativo para um alu-
no com necessidades educacionais especiais?

Referências
SOFFA, Marilice Mugnaini; ALCÂNTARA, Paulo Roberto de Carvalho. O uso do
software educativo: reflexões da prática docente na sala informatizada. Educere,
Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Curitiba, 2008. Disponível em: < http://
www.pucpr.br/eventos/educere/educere2008/anais/pdf/335_357.pdf>. Acesso em: 09
mar. 2017.

SONZA, Andréa P. (Org.) Acessibilidade e tecnologia assistiva: pensando a inclusão


sociodigital de PNEs. Ministério da Educação. Bento Gonçalves, RS. 2013. Disponível
no site: <www.planetaeducacao.com.br/portal/conteudo_referencia/acessibilidade-
tecnologia-assistiva.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2017.

Resolução da atividade
A escolha do software deve ser pautada a partir dos seguintes questionamentos:
• Para que o sistema serve?
• Qual a vantagem de utilizá-lo?
• Como o sistema funciona?
• Quais os princípios gerais de interação com o sistema?

Tecnologia Assistiva 97
6 Software Educativo

Ampliando seus conhecimentos

O uso do software educativo: reflexões da


prática docente na sala informatizada
(SOFFA; ALCÂNTARA, 2008)

[...] A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n.º 9.394,


de 20 de dezembro de 1996) é extremamente aberta e trata a escola par-
ticular com igualdade. Dá ampla liberdade para definir seus projetos
pedagógicos.
De acordo com dados obtidos do INEP (BRASIL, 2005), na rede priva-
da, o trabalho com capacitações para a formação docente é menor do que
nas redes públicas porque a instituição, por meio dos salários, consegue
escolher um pessoal mais qualificado. Aqueles que têm acesso a recursos
tecnológicos, curiosidade e domínio da ciência e da leitura passam isso
para seus alunos com paixão. Na medida em que se começa a refletir com
os educadores sobre ações pedagógicas, definição de projetos interdisci-
plinares ou pluridisciplinares, o trabalho - viagens, experiências de labo-
ratório, estudo do meio etc. - acaba dando resultados. Para isso, a escola
particular está mais aparelhada.
Como afirma Almeida (2005, p. 8), o “uso das Novas Tecnologias da
Informação e Comunicação impõe mudanças nos métodos de trabalho
dos professores, gerando modificações no funcionamento das instituições
e no sistema educativo”.
Portanto, é importante analisar em que medida o uso dos software na
visão dos professores, está colaborando para a aprendizagem dos alunos

98 Tecnologia Assistiva
Software Educativo 6
dos primeiros anos da educação básica privada, pois muito recurso finan-
ceiro e muito “suor educativo” estão sendo dispensados nos últimos anos
nestas escolas.
Mas qual o conceito de software educativo? O software educativo ou
Programa Educativo por Computador não é o mesmo que software educa-
cional. Um software educacional é um “produto [...] adequadamente utili-
zado pela escola, mesmo que não tenha sido produzido com a finalidade
de uso no sistema escolar” (OLIVEIRA, 2001, p. 73). Ou seja, são progra-
mas que podem ser utilizados na administração escolar ou em contextos
pedagógicos, ou seja, são caracterizados pela sua inserção em contextos
educacionais. Na verdade, o software educativo é uma classe pertencente a
este. O que diferencia um software educativo de outras classes de softwares
educacionais é o fato de ser desenvolvido com o desígnio de levar o aluno
a construir um determinado conhecimento referente a um conteúdo didá-
tico. O objetivo de um software educativo é a de favorecer os processos de
ensino-aprendizagem e sua característica principal é seu caráter didático.
A escolha do software, além de ser fundamental para o trabalho que o
educador irá desenvolver com seus alunos, pressupõe uma visão de mun-
do, uma concepção de educação. Fica assim evidenciada a importância
que deve ser dada à escolha dos programas que serão selecionados para
serem utilizados com intuito educacional. “A utilização de um software
está diretamente relacionada à capacidade de percepção do professor em
relacionar a tecnologia à sua proposta educacional” (TAJRA, 2001, p.74).

Tecnologia Assistiva 99
7
Sala de recursos
multifuncionais e
acessibilidade
Objetivos:

Conhecer a escola acessível e


compreender o uso da sala de
recursos multifuncionais.
7 Sala de recursos multifuncionais e acessibilidade

7.1 Escola acessível


A escola acessível é aquela instituição educacional que se instrumentaliza
das mudanças sociais e dos dispositivos legais de inclusão e acessibilidade para
atualizar os seus recursos e práticas didático-pedagógicas com fins de promover
o progresso educacional e a inclusão dos alunos com deficiência. “Toda criança
possui características, interesses, habilidades e necessidades de aprendizagem
que são únicas” (ONU, 1994, p. 1)1.
A escola acessível acompanha os avanços da ciência e da tecnologia e apli-
ca-os de acordo ao seu ambiente de uso, o espaço escolar, àquilo que é neces-
sário para potencializar a autonomia, a independência e o empoderamento do
aluno. Os “sistemas educacionais deveriam ser implementados no sentido de
se levar em conta a vasta diversidade de tais características e necessidades”
(ONU, 1994, p. 1).
A Tecnologia Assistiva ocupa lugar de destaque na escola acessível como
área de conhecimento que aborda a deficiência na sua abrangência psicossocial,
e pesquisa as possibilidades oferecidas pelos recursos e serviços tecnológicos e
as condições de sua aplicação no ambiente escolar para o aluno.
Tecnologia apropriada e viável deveria ser usada quando necessá-
rio para aprimorar a taxa de sucesso no currículo da escola e para
ajudar na comunicação, mobilidade e aprendizagem. Auxílios
técnicos podem ser oferecidos de modo mais econômico e efetivo
se eles forem providos a partir de uma associação central em cada
localidade, aonde haja know-how que possibilite a conjugação de ne-
cessidades individuais e assegure a manutenção. (ONU, 1994, p. 9,
grifo nosso)

1 Conferência Mundial de Educação Especial realizada em Salamanca, Espanha, de 7 a 10 de junho


de 1994. Dirigentes do governo e da comunidade internacional reafirmam o compromisso para
com a Educação para Todos em acordo a outras declarações, decretos e leis internacionais voltadas
aos direitos universais humanos.

102 Tecnologia Assistiva


Sala de recursos multifuncionais e acessibilidade 7
Cabe à gestão escolar abrir espaço à TA para experimentar e verificar como
a tecnologia informacional se transformou em algo tão importante para a so-
ciedade e, gradativamente, vem sendo incorporada ao dia a dia das pessoas,
no seu ambiente direto e de entorno, como um instrumento revolucionário. É o
que registra o Programa Nacional de Tecnologia Educacional (Proinfo):
Há uma nova gestão social do conhecimento a partir do desen-
volvimento de novas técnicas de produção, armazenamento e
processamento de informações, alavancado pelo progresso da
informática e das telecomunicações.
Os computadores estão mudando também a maneira de condu-
zir pesquisas e construir o conhecimento, e a forma de planejar
o desenvolvimento tecnológico, implicando novos métodos de
produção que deixam obsoleta a maioria das linhas de montagem
industriais clássicas. (PROINFO, 1997, p. 2, grifo nosso)
O desafio da escola acessível passa a ser compreender a diversidade e as
diferenças individuais em sua complexidade, multidimensionalidade e trans-
versalidade para que possa definir com clareza suas estratégias de ensino e
de aprendizagem. Dessa maneira, respeitará os diferentes estilos de aprendi-
zagem dos alunos, especificamente, daqueles com deficiência. E, finalmente,
deverá utilizar com eficácia os recursos presentes na sociedade informacional
para promover qualidade de vida, exercício de cidadania aos alunos com defi-
ciência, mobilidade reduzida ou em idade avançada (idosos).
A educação para a diversidade envolve a criação de um novo
olhar. Para que seja mais proveitosa, ela deve incluir alternati-
vas que permitam trabalhar essa temática de forma transversal.
Isso significa, por um lado, pensar a educação como algo além
de capacitação e formação e, por outro, assumir o desafio de
educar para transformar instituições e não somente indivíduos.
(MONTAGNER. et al., 2010, p. 53, grifo nosso)

Tecnologia Assistiva 103


7 Sala de recursos multifuncionais e acessibilidade

Extra
Assista à Campanha do plano Viver sem limite 2014. Disponível em: <www.
pessoacomdeficiencia.gov.br/app/viversemlimite/campanhas>. Acesso em: 22
mar. 2017.

Atividades
Para esta atividade, assista ao vídeo Tecnologia Assistiva – Inclusão Escolar
– Comunicação Alternativa – Treino de escrita. Disponível em: <https://www.
youtube.com/watch?v=WamEl8aeQxc>. Acesso em: 22 mar. 2017.
Esse vídeo exemplifica o que se entende por escola acessível. Recorte do
texto dessa aula uma frase de três linhas que contemple essa ideia.

Referências
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação a Distância.
Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Programa Nacional de Tecnologia
Educacional – Proinfo: diretrizes. Disponível em: <www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.
br/arquivos/File/pdf/proinfo_diretrizes1.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2017.

MONTAGNER, Paula. et al. Diversidade e capacitação em escolas de governo: mesa-


redonda de pesquisa-ação. Brasília: ENAP, 2010. Disponível em: <www.enap.gov.br/
downloads/Caderno_Diversidade.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2017.

ONU. Declaração de Salamanca. Sobre princípios, políticas e práticas na área das


necessidades educativas especiais. Espanha, 1994. Disponível em: <http://portal.mec.
gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2017.

104 Tecnologia Assistiva


Sala de recursos multifuncionais e acessibilidade 7
Resolução da atividade
A escola acessível acompanha os avanços da ciência e da tecnologia e aplica-os de
acordo ao seu ambiente de uso, ao espaço escolar e àquilo que é necessário para potencia-
lizar a autonomia, a independência e o empoderamento do aluno.

7.2 Reconhecendo a sala de


recursos multifuncionais
O Decreto 7.611/2011 reconhece e regulamenta a sala de recursos multifun-
cionais no seu artigo 5° parágrafo 3°: “As salas de recursos multifuncionais são
ambientes dotados de equipamentos, mobiliário e materiais didáticos e peda-
gógicos para a oferta do atendimento educacional especializado”.
O documento orientador do programa implantação de sala de recursos
multifuncionais, do Ministério da Educação, delineia os aspectos legais e peda-
gógicos do atendimento educacional especializado:
A inclusão educacional é um direito do aluno e requer mudan-
ças na concepção e nas práticas de gestão, de sala de aula e de
formação de professores, para a efetivação do direito de todos à
escolarização. No contexto das políticas públicas para o desen-
volvimento inclusivo da escola se insere a organização das salas
de recursos multifuncionais, com a disponibilização de recursos
e de apoio pedagógico para o atendimento às especificidades edu-
cacionais dos estudantes público-alvo da educação especial matri-
culados no ensino regular. (BRASIL, 2013, p. 5, grifo nosso)

Tecnologia Assistiva 105


7 Sala de recursos multifuncionais e acessibilidade

Galvão Filho e Miranda (2012), em uma análise crítica sobre questões da edu-
cação inclusiva na atualidade, discorrem sobre a parceria entre a sala de recursos
multifuncionais e as TAs e a extensão dos efeitos dessa parceria para além dos
muros da escola, incrementando a vida social do aluno e sua autonomia2.
É na sala de recursos multifuncional que o aluno aprende a utili-
zar os recursos de TA, tendo em vista o desenvolvimento da sua
autonomia. Porém, estes recursos não podem ser exclusivamen-
te utilizados nessa sala, encontra sentido quando o aluno utiliza
essa tecnologia no contexto escolar comum, apoiando a sua esco-
larização. Portanto, é função da sala de recursos avaliar esta TA,
­adaptar material e encaminhar esses recursos e materiais adapta-
dos, para que sirvam ao aluno na sala de aula comum, junto com
a família e nos demais espaços que frequenta. (GALVÃO FILHO;
MIRANDA, 2012, p. 249, grifo nosso)
Dessa forma, garantem a acessibilidade do aluno com deficiência. São ati-
tudes que paulatinamente eliminam ou evitam a segregação, a discriminação
e a exclusão no ambiente escolar. Preservam a equidade3 de oportunidades a
todos os alunos, “para que a deficiência não seja utilizada como impedimento
à realização de sonhos, desejos e projetos, valorizando o protagonismo e as
escolhas dos brasileiros com e sem deficiência” (BRASIL, 2013, p. 8).
2
Segundo Zatti (2007), a autonomia como condição de uma pessoa que determina ela mesma a lei
à qual se submete não está apenas na cabeça dos sujeitos. Como condição, sua construção envolve
dois aspectos: o poder de determinar a própria lei e também o poder ou capacidade de realizar.
O primeiro aspecto está ligado à liberdade de decidir e o segundo ao poder ou capacidade de fa-
zer. Para que haja autonomia, os dois aspectos devem estar presentes e o pensar autônomo deve
estar ligado ao fazer autônomo. No entanto, é preciso considerar que o fazer não acontece fora do
mundo, pois está cerceado pelas leis naturais, pelas leis civis, pelas convenções sociais, ou seja, a
autonomia é limitada por condicionantes, não é absoluta.
3
Equidade pode ser entendida como reconhecimento e efetivação dos direitos da população, com
igualdade, sem restringir o acesso a eles nem estigmatizar as diferenças entre os diversos segmen-
tos que a compõem. É a possibilidade de as diferenças serem manifestadas e respeitadas sem dis-
criminação, uma condição que favorece o combate das práticas de subordinação ou de preconceito
em relação às diferenças de gênero, políticas, étnicas, religiosas, culturais etc. (SPOSATI, 2002 apud
MONTAGNER et al., 2010, p. 16).

106 Tecnologia Assistiva


Sala de recursos multifuncionais e acessibilidade 7
Extra
Recomendamos a leitura da cartilha: Viver sem limite – plano nacional dos
direitos da pessoa com deficiência, do Governo Federal do Brasil, Secretaria de
Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR)/Secretaria Nacional
de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNPD). Brasília, 2013.
Disponível em: <www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sites/default/fi-
les/arquivos/%5Bfield_generico_imagens-filefield-description%5D_0.pdf>.
Acesso em: 22 mar. 2017.

Atividades
Assista ao vídeo da campanha do plano Viver sem limite. Reportagem com
Juliana Oliveira – deficiente motora, Fernanda Honorato – deficiente intelec-
tual, Vanessa Vidal – deficiente auditiva e Gabrielzinho do Irajá – deficiente vi-
sual. Disponível em: <www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/viversemlimite/
campanhas>. Acesso em: 22 mar. 2017.
Nessa reportagem os quatro entrevistados apresentam uma palavra-cha-
ve importante a todos nós para a verdadeira inclusão. Identifique e escreva
essa palavra.

Referências
BRASIL. Decreto n. 7.611, de 17 de novembro de 2011. Dispõe sobre a educação
especial, o atendimento educacional especializado e dá outras providências. Publicado
no Diário Oficial da União, em 18 de novembro de 2011. Disponível em: <www.
planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Decreto/D7611.htm#art11>. Acesso em:
22 mar. 2017.

______. Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República / Secretaria


Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Viver sem limite
– Plano nacional dos direitos da pessoa com deficiência. Brasília, 2013. Disponível

Tecnologia Assistiva 107


7 Sala de recursos multifuncionais e acessibilidade

em: <www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sites/default/files/arquivos/%5Bfield_
generico_imagens-filefield-description%5D_0.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2017.

______. Ministério da Educação. Documento orientador do programa implantação


de salas de recursos multifuncionais. 2013. Disponível em: <http://portal.mec.gov.
br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=11037-doc-orientador-
multifuncionais-pdf&Itemid=30192>. Acesso em: 22 mar. 2017.

______. Ministério da Educação. Edital n. 1 de 26 de abril de 2007. Programa de


implantação de salas de recursos multifuncionais. Disponível em: <http://portal.mec.gov.
br/arquivos/pdf/2007_salas.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2017.

GALVÃO FILHO, Teófilo; MIRANDA, Theresinha Guimarães. Tecnologia assistiva


e salas de recursos: análise crítica de um modelo. In: MIRANDA, Theresinha
Guimarães; GALVÃO FILHO, Teófilo (orgs). O professor e a educação inclusiva:
formação, práticas e lugares. Salvador: EDUFBA, Salvador, 2012. Disponível em:
<www.planetaeducacao.com.br/portal/conteudo_referencia/o-professor-e-a-educacao-
inclusiva.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2017.

MONTAGNER, Paul. et al. Diversidade e capacitação em escolas de governo: mesa-


redonda de pesquisa-ação. Brasília: ENAP, 2010. Disponível em:
<www.enap.gov.br/downloads/Caderno_Diversidade.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2017.

ZATTI, Vicente. Autonomia e educação em Immanuel Kant e Paulo Freire.


Porto Alegre: EDIPUCRS, 2007. Disponível em: <www.pucrs.br/edipucrs/online/
autonomiaeeducacao.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2017.

Resolução da atividade
A palavra é autonomia, importante para todos nós a fim de que possamos viver
plenamente. Autonomia é um dos alicerces da inclusão. Não é a deficiência que impede
a pessoa de exercer a autonomia e a cidadania e sim a falta de acessibilidade em todas as
dimensões. Assim, o programa Viver sem limite trabalha sob 4 eixos: atenção à saúde,
acesso à educação, inclusão social e acessibilidade.

108 Tecnologia Assistiva


Sala de recursos multifuncionais e acessibilidade 7
7.3 Espaço multifuncional de aprender a ser
No espaço multifuncional de aprendizagem, um dos aspectos fundamen-
tais trata do acesso e domínio das ferramentas tecnológicas, necessários para
uma convivência harmoniosa na civilização do conhecimento do século XXI.
É, portanto, vital para a sociedade brasileira que a maioria dos
indivíduos saiba operar com as novas tecnologias da informação
e valer-se destas para resolver problemas, tomar iniciativas e se
comunicar. Uma boa forma de se conseguir isto é usar o compu-
tador como prótese da inteligência e ferramenta de investigação,
comunicação, construção, representação, verificação, análise, divul-
gação e produção do conhecimento. E o locus ideal para deflagrar
um processo dessa natureza é o sistema educacional. (MEC, 1997,
p. 2, grifo nosso)
O Programa Nacional de Tecnologia Educacional (Proinfo), 1997, integra
os eixos Informática e Educação e justifica que para melhorar os processos de
ensino e de aprendizagem é necessário investir na melhoria da construção do
conhecimento e, para isso a qualidade do ensino nas escolas é determinante. É
urgente investir na melhoria dos espaços, ambientes educacionais e suas pro-
postas pedagógicas que atendam à diversidade do alunado e dos professores.
A tecnologia da informação, com seus serviços e recursos, é uma importante
aliada para essa transformação educacional. O Proinfo considera a igualdade de
oportunidades como uma marca de evolução da sociedade tecnológica, assim
nos seus objetivos visa abrir oportunidades a todos:
• a igualdade de acesso a instrumentos tecnológicos
disponibilizadores e gerenciadores de informação;
• os benefícios decorrentes do uso da tecnologia
para desenvolvimento de atividades apropria-
das de aprendizagem e para aperfeiçoamento dos

Tecnologia Assistiva 109


7 Sala de recursos multifuncionais e acessibilidade

modelos de gestão escolar construídos em nível


local, partindo de cada realidade, de cada contex-
to. (MEC, 1997, p. 3)
Outro aspecto fundamental no espaço multifuncional é o reconhecimento
e a promoção da diversidade humana como essencial ao aprender a ser. O edu-
car para a diversidade deve privilegiar o respeito às diferenças individuais, as
particularidades de cada pessoa e a igualdade de oportunidades a todos como
direito humano e como atitude de valorização da dignidade humana.
A educação é o espaço por excelência para se pensar e intervir na efetiva-
ção de novos comportamentos, atitudes inclusivas, em que a discriminação, o
preconceito, o estereótipo e o estigma são banidos das relações interpessoais no
ambiente escolar.
Esses conceitos são compreendidos de acordo com o descrito no caderno
Diversidade e capacitação em escolas de governo: mesa-redonda de pesquisa-
-ação, de Paula Montagner et al.:
Discriminar – ação de discriminar, tratar diferente, anular, tornar
invisível, excluir, marginalizar.
Preconceito – qualquer atitude negativa em relação a uma pessoa
ou grupo social que derive de uma ideia preconcebida sobre tal
pessoa ou grupo. É possível, então, dizer que a atitude preconcei-
tuosa está baseada não em uma opinião adquirida com a experiên-
cia, mas em generalizações que advêm de estereótipos.
Estereótipos – consiste na generalização e atribuição de valor (na
maioria das vezes negativo) a algumas características de um gru-
po, reduzindo-o a esses traços e definindo os “lugares de poder”
a serem ocupados. É uma generalização de julgamentos subjeti-
vos feitos em relação a um determinado grupo, impondo-lhes o
lugar de inferior e de incapaz no caso de estereótipos negativos.

110 Tecnologia Assistiva


Sala de recursos multifuncionais e acessibilidade 7
Estigma – marca ou rótulo atribuídos a pessoas e grupos, seja por
pertencerem a determinada classe social, por sua identidade de
gênero, por sua cor/raça/etnia. O estigma é sempre uma forma
de simplificação, de desqualificação da pessoa e do grupo. Os es-
tigmas decorrem de preconceitos e ao mesmo tempo os alimen-
tam, cristalizando pensamentos e expectativas com relação a indi-
víduos e grupos. (CLAM, 2009, p. 35 e 197, apud MONTAGNER et
al., 2010, p. 20-21)
As práticas educativas concretas para a diversidade permeiam as relações
humanas em todos os ambientes. Não há consenso para a definição de diversi-
dade segundo Montagner:
[...] vão desde descrições funcionais e declarações humanísticas
que defendem a aceitação da alteridade – isto é, do(a) outro(a). Na
prática, há definições que apontam diversidade como qualquer
uma(um) ou qualquer coisa que ‘não seja eu’ e, também, análises
razoavelmente detalhadas e abrangentes que consideram qualida-
des e características pessoais. (MONTAGNER et al., 2010, p. 21)
Trabalhar sob a perspectiva da diversidade implica considerá-las nos seus di-
versos desdobramentos, implicações e dimensões, a saber (MONTAGNER, 2010):
• Dimensão da personalidade – aspectos psíquicos e subjetivos.
• Dimensões internas – idade, gênero, língua, orientação sexual, habi-
lidades físicas.
• Dimensões externas – localização geográfica, hábitos de lazer, histó-
rico educacional.
• Dimensões organizacionais – local de trabalho, nível funcional, cam-
po de trabalho.

Tecnologia Assistiva 111


7 Sala de recursos multifuncionais e acessibilidade

Extra
Indicamos o vídeo Tecnologia Assistiva – Inclusão escolar – Sala de recursos
multifuncionais. Disponível em: <www.youtube.com/watch?v= BQvxfCYhaZg>.
Acesso em: 22 mar. 2017.

Atividades
Assista ao vídeo Tecnologia Assistiva – sobre os objetos de aprendizagem.
Disponível em: <www.youtube.com/watch?v=M7aHFTxX1pQ>. Acesso em: 22
mar. 2017. Depois disso, descreva em 3 linhas a inter-relação entre objetos de
aprendizagem e o espaço multifuncional.

Referências
BRASIL. Ministério da educação e do desporto. Programa Nacional de Tecnologia
Educacional – Proinfo: Diretrizes. Ministério da Educação e do Desporto – MEC;
Secretaria de Educação a Distância – SEED. 1997. Disponível em: <www.gestaoescolar.
diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/pdf/proinfo_diretrizes1.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2017.

LOPES, Esther; MARQUEZINE, Maria Cristina. Sala de recursos no processo de


inclusão do aluno com deficiência intelectual na percepção dos professores. Revista
Brasileira de Educação Especial, vol. 18, n. 3, Marília, jul/set 2012. Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-65382012000300009>.
Acesso em: 09 mar. 2017.

MONTAGNER, Paula; et al. Diversidade e capacitação em escolas de governo: mesa-


redonda de pesquisa-ação. Brasília: ENAP, 2010. Disponível em: <www.enap.gov.br/
downloads/Caderno_Diversidade.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2017.

Resolução da atividade
Os objetos de aprendizagem atendem às prerrogativas da acessibilidade e da in-
clusão quando servem de recursos para a aprendizagem significativa e ao progresso

112 Tecnologia Assistiva


Sala de recursos multifuncionais e acessibilidade 7
educacional do aluno. São mediadores nas práticas pedagógicas dos professores, assim,
servem adequadamente às salas multifuncionais.

Ampliando seus conhecimentos

Sala de recursos no processo de inclusão


do aluno com deficiência intelectual na
percepção dos professores
(LOPES; MARQUEZINE, 2012)

[...] Ao se fazer opção pela construção de um sistema educacional inclu-


sivo, em consonância com os postulados da Declaração de Salamanca (1994),
é iniciada, no Brasil, uma reconfiguração das modalidades de atendimento e
serviço aos alunos com deficiência, entre as quais figura a sala de recursos.
No texto das Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na
Educação Básica (BRASIL, 2001) encontra-se o conceito desse serviço de
apoio à inclusão, pelo qual deve ser desenvolvido o atendimento educa-
cional especializado (AEE) na escola, envolvendo-se professores com di-
ferentes funções:
Salas de Recursos: serviço de natureza pedagógica, conduzido
por professor especializado, que suplementa (no caso dos su-
perdotados) e complementa (para os demais alunos) o atendi-
mento educacional realizado em classes comuns [...]. Esse ser-
viço realiza-se em escolas, em local dotado de equipamentos e
recursos pedagógicos adequados às necessidades educacionais
especiais dos alunos, podendo estender-se a alunos de escolas
próximas, nas quais ainda não exista esse atendimento. Pode

Tecnologia Assistiva 113


7 Sala de recursos multifuncionais e acessibilidade

ser realizado individualmente ou em pequenos grupos, para


alunos que apresentem necessidades educacionais especiais se-
melhantes, em horário diferente daquele em que frequentam a
classe comum. [...]. (BRASIL, 2001, p. 50)
Os estados da Federação passaram a considerar a oferta da sala de re-
cursos, no espaço escolar do ensino regular, como um dos atendimentos da
Educação Especial, que visa contribuir para a inclusão de alunos com necessi-
dades educacionais especiais matriculados em classes comuns. Para demons-
trar a aceitação da posição da Secretaria de Educação Especial do Ministério
da Educação passaram, também, a legislar sobre esse serviço.
[...] Moretti e Corrêa (2009, p. 487) valorizaram esse serviço, afirmando
que na perspectiva inclusiva a sala de recursos tornou-se muito importante,
“pois visa oferecer o apoio educacional complementar necessário para que o
aluno se desempenhe e permaneça na classe comum, com sucesso escolar”.
Além das oportunidades de sucesso acadêmico que são oferecidas
no contexto da classe regular, pelas adequações curriculares possíveis e
recomendadas pela legislação, ao aluno está sendo garantido o direito ao
apoio especializado, a fim de complementar seu aprendizado em período
diverso daquele em que frequenta a classe regular.
Sobre a função e a importância da sala de recursos, Arnal e Mori
(2007, p. 3) alertam para o fato de que a sala de recursos só pode ser con-
siderada instrumento de inclusão “[...] desde que consiga atender à diver-
sidade, assegurando ao aluno a inclusão em situações de aprendizagem
no ensino regular”.
No objetivo da inclusão, o direito à aprendizagem e o acesso a níveis
mais elevados de educação fazem parte do que está posto como igualdade
de direitos e de oportunidades educacionais para todos.

114 Tecnologia Assistiva


Tecnologia assistiva

Fundação Biblioteca Nacional


ISBN 978-85-387-6317-8

9 788538 76317 8