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A Autoridade Bíblica - Josaías Cardoso Ribeiro Júnior http://www.monergismo.com/textos/bibliologia/autoridade_biblica.

htm

A Autoridade Bíblica
por

Josaías Cardoso Ribeiro Júnior

Estudo em 10 partes originalmente diárias

Parte 1

“Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em


Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra,
examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.”
(Atos 17.11)

Já me aconteceu de conversar com pessoas que se dizem cristãs e


negam a Bíblia como única regra de fé e prática do crente em
Jesus Cristo. Afirmam que uma certa "tradição apostólica" tem
tanto valor quanto as Escrituras Sagradas e que em nenhum
momento a Bíblia ensina sua própria autoridade sobre
ensinamentos humanos. Este texto em Atos é apenas uma das
diversas provas de que Deus nos entregou palavras que estão
acima de qualquer tradição do homem.

Esta passagem de Atos trata da pregação de Paulo e Silas na


sinagoga de Beréia. Repare que Lucas registra o caráter nobre
destes cidadãos bereanos. Por que eles se destacam em relação
aos tessalonicenses? A resposta está no próprio versículo -
receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas
coisas eram assim.

Ou seja, vemos aí um ensino apostólico tendo de passar pelo crivo


da Bíblia antes de ser aceito. E o que é mais interessante: doutor
Lucas apresenta esta atitude como algo positivo. Outro detalhe:
quando esta pregação de Paulo aconteceu, é muito provável que
poucos livros do Novo Testamento já estivessem escritos - talvez
nenhum deles existisse ainda. Então, as Escrituras que os
bereanos examinavam eram nada menos que textos do Antigo
Testamento.

Daqui podemos tirar uma lição, se realmente cremos que a Bíblia


é a Palavra de Deus, inspirada e suficiente para levar o homem à
salvação e santificação. Lucas mostra claramente que, se o ensino
dos apóstolos não batesse com os textos do Antigo Testamento
(que eram examinados diariamente), os bereanos não aceitariam
a mensagem do Evangelho. E mais – mostra que esta atitude é
louvável!

Imagino às vezes se não seria por isso que não sabemos de uma
carta de Paulo aos Bereanos, mas temos duas aos
Tessalonicenses...

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“Toda a Palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam


nele. Nada acrescentes às suas palavras, para que não te
repreenda e sejas achado mentiroso.” (Provérbios 30.5-6)

Parte 2

“E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como


também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a
sabedoria que lhe foi dada; falando disto, como em todas as suas
epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os
indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras
Escrituras, para sua própria perdição.” (2 Pedro 3.15,16)

Um dos maiores problemas que existe na igreja atualmente é um


efeito colateral do acesso universal às Escrituras que os
reformadores nos proporcionaram. Este grave problema é a livre
interpretação das Escrituras. Ao contrário do que alguns
afirmam, a Reforma Protestante não foi a grande responsável por
isso. Lutero, por exemplo, era a favor do livre-exame da Bíblia e
não da livre interpretação. Nas palavras do ex-monge, se fosse
assim, “cada um inventaria sua própria forma de ir para o inferno”.

Hoje, porém, tantos pastores evangélicos (?) quanto grupos


cristãos declaradamente não-evangélicos insistem em afirmar que
os cristãos protestantes defendem o direito de cada um
interpretar a Bíblia como bem entende. É quase impossível que
existam duas pessoas que interpretem todos os textos bíblicos da
mesma forma, mesmo tendo a mesma formação teológica. Não
porque existam ambigüidades, mas por próprios pressupostos e
motivos pessoais, em algum momento alguém pode entender de
forma inexata o que algum texto está dizendo. Neste caso, se esta
pessoa realmente viver a Palavra de Deus, ela estará atenta à
repreensão e humildemente aceitará seu erro.

O perigo, portanto, não são pessoas que conhecem e vivem a


Bíblia, mas algo parecido - pessoas que conhecem, mas não vivem
a Palavra. Homens que preferem apegar-se à própria tradição ou
necessitam comprovar um assunto de qualquer forma e se
utilizam de um fragmento do texto sagrado para isto. Pelo menos
sabemos que este problema não é recente. Já no primeiro século,
Pedro alertava para pessoas que interpretavam mal e
levianamente as cartas de Paulo, além das outras Escrituras.
(Aproveito para destacar que Pedro acaba de colocar os escritos
do Apóstolo Paulo, e não tradições apostólicas, com a mesma
autoridade do Antigo Testamento).

Não sabemos ao certo como tais textos estavam sendo torcidos,


mas vemos este mesmo problema hoje em dia. Ao mesmo tempo
em que algumas igrejas “cristãs” afirmam que a Bíblia não ensina
ser a única regra de fé e prática do crente, usam textos soltos
para comprovar que ela ensina a guardar certas tradições - que,
teoricamente, existem desde a igreja primitiva. Outras igrejas
fazem uso disto para acrescentarem novas profecias e novos
conceitos, tentando resgatar uma outra 'igreja primitiva', que hoje

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desapareceu. Por fim, até não-cristãos tentam provar que Jesus


não pretendia fundar uma igreja primitiva, e que os seguidores de
Cristo, em algum momento, resolveram criar este novo paradigma
de religião.

Mesmo que gritem que não era assim que Jesus ou os primeiros
cristãos agiam, uma acusação comum aos poucos cristãos que
ainda tentam guardar a sã doutrina, a estes só resta agir,
ironicamente, como a própria igreja primitiva e apostólica,
fundada por Jesus Cristo. Nas palavras do próprio Mestre:

“E por que vocês transgridem o mandamento de Deus por causa


da tradição de vocês? Assim vocês anulam a palavra de Deus por
causa da tradição de vocês. Este povo me honra com os lábios,
mas o seu coração está longe de mim. Em vão me adoram; seus
ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens.” (cf.
Mateus 15.1-9)

Parte 3

“Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para


ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça;
para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente
instruído para toda a boa obra.” (2 Timóteo 3.16,17)

Provavelmente não existe texto mais claro quanto à autoridade


das Escrituras quanto este. Acredito que ao chegar nestas
palavras de Paulo, aquele que professa ou não a fé cristã tem
apenas duas opções - aceitar toda a Escritura como inspirada por
Deus e única suficiente como regra de fé e prática do crente ou
rejeitá-la. Quem aceita isto positivamente é um verdadeiro
seguidor de Cristo. Aquele que não aceita esta idéia simplesmente
não é.

Alguns dizem que existem textos nas Escrituras que são


declaradamente não-inspirados. Quase sempre são textos em que
Paulo está no meio de uma argumentação, falando “como homem”.
Ou seja, em seu próprio raciocínio, Paulo apresenta afirmações
que ímpios fariam e as responde. Por exemplo: “Mas, se a nossa
injustiça ressalta de maneira ainda mais clara a justiça de Deus,
que diremos? Que Deus é injusto por aplicar a sua ira? (Estou
usando um argumento humano.)” (Romanos 3.5, NVI). Se
quisermos ignorar o versículo seguinte, e todo o contexto da carta
aos Romanos, realmente teremos uma passagem “não-inspirada”
na Bíblia. Porém, qualquer ser humano com o mínimo de
inteligência perceberá que Paulo responde sua pergunta na
continuação do texto, demonstrando que o argumento humano é
falho.

Outra idéia, tolamente acatada pelos ateus, em especial, é um


bizarro pensamento de que o texto bíblico foi pneumografado
(neologismo usado pelo professor e pastor Marcos Alexandre), um
equivalente a dizer que a Bíblia é algo psicografado, como se o
Espírito Santo tomasse o corpo da pessoa, quando esta ia escrever

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e Ele próprio fosse o escritor. Assim, os pobres caçadores de


falhas bíblicas tentam achar contradições, diferenças de um texto
pra outro, entre outras coisas. Adoram encontrar erros
astronômicos e geológicos em suas interpretações superficiais,
mas dificilmente algum deles tenha se dado ao trabalho de
pesquisar o Evangelho de Marcos no original grego, por exemplo.
Se algum dia os acusadores do texto sagrado fossem além do que
suas capacidades permitem, talvez dissessem “o Espírito Santo é
analfabeto?”. Isto é apenas uma prova de sua argumentação
limitada a buscas em sites da internet e leitura de reportagens
sensacionalistas.

A seguir, desenvolverei mais o assunto, mas as duas citações


abaixo já nos mostram quão antiga e, sinceramente, repetitiva é
qualquer acusação contra a Palavra de Deus:

“Deve-se lembrar que Moisés não fala com perspicácia filosófica


sobre mistérios ocultos, mas relata as coisas que são observadas
em todos os lugares (...) A desonestidade daqueles homens é
suficientemente repreensível, por censurarem Moisés por não falar
com maior exatidão. Porque, como se tornou um teólogo, ele tinha
mais respeito por nós do que pelas estrelas (...) Se o astrônomo
indaga a respeito da dimensão real das estrelas, ele vai descobrir
que a lua é menor que Saturno. Deixemos os astrônomos com seu
conhecimento mais elevado; mas, nesse ínterim, aqueles que
percebem pela lua o esplendor da noite são condenados por seu
uso de perversa ingratidão, a menos que reconheçam a
beneficência de Deus. Aquele que deseja aprender astronomia (...)
deixe-o ir aonde quiser.”

“Pois quem, mesmo que de bem parco entendimento, não percebe


que Deus assim conosco fala como que balbuciar, como as amas
costumam [fazer] com as crianças? Por isso, formas de expressão
que tais não exprimem, de maneira clara e precisa tanto o que Deus
seja, quanto Lhe acomodam o conhecimento à paucidade da
compreensão nossa.” (João Calvino)

Parte 4

“Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para


ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça;
para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente
instruído para toda a boa obra.” (2 Timóteo 3.16,17)

O que significa dizer que a Escritura é inspirada? A idéia é a


seguinte - suponha que eu deseje escrever uma carta para uma
pessoa, mas minha linguagem usa muitas expressões peculiares,
o que tornaria minha mensagem obscura. Por exemplo, suponha
que esta pessoa seja um crente que more numa pequena aldeia
lusófona em outro continente, aonde não chegou luz. Conto que
digitei a carta no Word e depois imprimi na minha
multifuncional, e que o Lula não pagou meu pai, por isso não
revelei fotos tiradas com um repórter da TV Globo local.
Provavelmente meu amigo não saberia o que é Word,
multifuncional, TV Globo Local e talvez não teria idéia de quem é

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Lula ou o repórter citado. Sem contar possíveis gírias que por


acaso eu usasse.

O que eu faria para resolver a situação? Como se trata de uma


situação hipotética, suponha que eu conheça uma colega da
mesma etnia, que faça intercâmbio no Brasil. Eu poderia ditar a
carta para ela, e ela trataria de adaptar minhas novidades para
que meu amigo pudesse entender. Ele poderia chamar o Lula de
Chefe, por exemplo. Também poderia omitir o que fiz no Word e
apenas dizer que escrevi a carta numa máquina. E o repórter da
Globo se tornaria um mensageiro muito famoso em minha cidade.
Suponha também que minha amiga não seja boa em ortografia.
Assim, corro o risco de ter alguns erros de português. Mas como
ela é uma pessoa de confiança, tenho a certeza absoluta que
minha mensagem seria transmitida e analiso atentamente para
saber se a idéia que queria passar foi perfeitamente adaptada à
realidade do meu irmão estrangeiro.

A idéia é mais ou menos essa. É por isso que Moisés não cita a
criação de todos os planetas do Sistema Solar, por isso que
Marcos escreve seu Evangelho com alguns erros de grego, por isso
que a Terra parece ser plana em certos textos. Eram homens com
uma visão limitada do Universo sendo usados pelo próprio Deus
Eterno para escrever sobre assuntos inefáveis para pessoas
limitadas. E eles cumpriram sua missão. A mensagem foi
transmitida, apesar de “erros”.

Os homens escreveram como escreveriam normalmente. Mas o


Espírito Santo transmitiu a mensagem como aprouve a Ele. Muito
provavelmente, alguns dos autores nem imaginavam que
estariam sendo lidos 3000 anos depois. Mas o Espírito Santo
sabia. E por isso Ele formou este Livro Santo, Perfeito e Único.
Formado de dois testamentos, sessenta e seis livros, mas um
único Livro com uma única história - a história da Salvação.

“Eu, eu sou o SENHOR, e fora de mim não há Salvador. Eu


anunciei, e eu salvei, e eu o fiz ouvir, e deus estranho não houve
entre vós, pois vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR;
eu sou Deus.” (Isaías 43.11,12)

Parte 5

“Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para


ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça;
para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente
instruído para toda a boa obra.” (2 Timóteo 3.16,17)

É estranho que "cristãos" digam que não existe um texto na Bíblia


que prove a autoridade das Escrituras sobre qualquer outro
ensinamento. Em primeiro lugar, é irônico que eles queiram que
tal heresia seja comprovada por um texto bíblico. Temos uma
discussão sem fim, porque se alguém não crê que a Bíblia tenha
toda a autoridade sobre a vida do cristão, que diferença um texto
bíblico fará? E se você não acha que a Bíblia tenha tal prioridade,

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por que basear seus argumentos justamente na própria


Escritura?

Em compensação, aquele que crê pode perceber facilmente que


um trecho como estes versículos da segunda carta de Paulo a
Timóteo comprova o que aprendemos sobre a Bíblia. Proponho
que examinemos lentamente a idéia que o Apóstolo quer passar
sobre as Escrituras (quanto à autoridade de Paulo, veja a parte 2
desta reflexão).

Primeiramente, ele diz que Toda a Escritura é inspirada por


Deus. Sendo a revelação escrita de Deus aos homens, um livro
que teve a mão do Criador do Universo, é impossível que
imaginemos a possibilidade de uma obra mais completa e perfeita
aqui na Terra. Uma pessoa que tenta adicionar ou retirar algo da
Palavra de Deus está claramente dizendo que o Senhor não foi
capaz de transmitir sua mensagem muito bem e precisa de uma
forcinha. Ora, um ateu ou não-cristão negar o valor da Bíblia já é
algo reprovável, mas um suposto cristão que solapa a soberania e
o poder divinos desta forma é, no mínimo, um blasfemo.

Dizer que tradição humana, revelações misteriosas ou apócrifos


que contradizem a Palavra têm tanto valor quanto as Escrituras
Santas é dizer que aquilo que o Senhor nos deixou está
incompleto, é imperfeito, precisa de algo mais. Dizer que Deus
poderia fazer uma obra melhor, ou pior, é simplesmente dizer
que Deus está abaixo do homem. Afinal, se homens limitados
foram capazes de notar que faltava algo no Livro inspirado pelo
Espírito de Deus, então somos mais espertos que o
Todo-Poderoso, que deixou essa passar...

Não me resta dúvida que tais pessoas em nada diferem da


serpente do Éden, o primeiro exemplo de alguém que
"aperfeiçoou" as palavras do Senhor.

Parte 6

“Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a


repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para
que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para
toda boa obra.” (2 Timóteo 3.16,17 - NVI)

Continuando a análise deste texto, nos deparamos com outra


afirmação - “Toda Escritura é útil”. O que o texto quer dizer com
isto? Parece-me claro que dentre as 66 subdivisões, que
chamamos de “livros”, e os quase 1200 capítulos não existe um
mínimo trecho que não tenha seu valor. Não importa o quanto
você não goste de ler as imensas descrições de rituais de Levítico
ou as grandes listas genealógicas - tudo isto é proveitoso e útil
para a preparação do homem de Deus. Esta preparação Paulo
divide em quatro ramos, que estudaremos a seguir.

Ensino

Mais do que qualquer comentário ou livro cristão, a Palavra de

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Deus é a bibliografia imprescindível para educarmos uma pessoa


nos caminhos do Senhor. É incrível que hoje em dia tão pouca
ênfase tem se dado ao ensino da Bíblia. As igrejas históricas
muitas vezes oferecem escolas bíblicas descontextualizadas e
ultrapassadas, que agradam normalmente apenas aqueles que
têm muita vontade de aprender ou os crentes já acostumados
com as aulas dominicais desde a infância.

A formação dos professores também deixa a desejar. Presenciei


casos de professores ensinarem conceitos errados sobre Lei e
Graça para os alunos - assunto que foi tratado em uma de
minhas primeiras aulas na Faculdade Teológica! Antes que me
acusem de esperar demais de pessoas que se oferecem para
ensinar, aviso que se tratava de uma pessoa com formação em
teologia. E mais - por que esperamos que nossos professores ou
de nossos filhos em escolas “seculares” tenham excelentes
formação e currículo, mas não exigimos o mínimo das pessoas
que fazem um serviço bem mais importante, que é o ensino de
verdades eternas?

Quanto a igrejas menos organizadas e mais modernas (para ser


eufemístico), me assusta saber que muitas delas sequer têm uma
preocupação com a formação dos santos. Quando se critica isto,
utilizam-se do ridículo argumento que “a letra mata, mas o Espírito
vivifica”. Como se não fosse o Espírito Santo o grande Autor da
Palavra de Deus! Ou pior - alguns cristãos medíocres acreditam
que deve haver uma separação entre razão e fé, como se Deus
não fosse o Criador de Suas mentes, como se as cartas de Paulo
estivessem lá para sentirmos apenas fortes emoções e não para
também estudarmos. Defendem que não deve haver raciocínio
sobre textos bíblicos. Eu pergunto - para que servem os livros
sapienciais então? Como Paulo formaria sua teologia sem meditar
sobre o texto do Antigo Testamento e perceber que a vinda de
Cristo tinha realmente lógica quando os textos eram estudados?

Este trecho de 2 Timóteo deixa claro que um homem de Deus só


estará plenamente apto para seu serviço, sua boa obra, quando
for ensinado pela Escritura. Todo aquele que nega esta verdade,
nega a Palavra de Deus. E quem nega a Palavra de Deus, nega ao
Senhor.

Parte 7

“Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a


repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para
que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para
toda boa obra.” (2 Timóteo 3.16,17 - NVI)

Repreensão

A seguir, o apóstolo Paulo nos apresenta uma característica


aparentemente negativa da Palavra de Deus - a função de
repreender o homem de Deus. Ninguém gosta de ser repreendido,
mas é importante notar que uma repreensão verdadeiramente

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baseada na Santa Escritura não deve nunca ser motivo de


desgosto. Pelo contrário, apenas mostra a preocupação que o
Senhor teve para conosco, a ponto de nos mostrar como não
devemos agir se quisermos viver para Sua glória.

Infelizmente, nem todos pensam assim; um homem que utiliza a


Palavra de Deus para diagnosticar e arrancar alguma doença da
Igreja ou da vida de seu irmão não é recebido muito bem - com a
exceção do caso de ele estar em cima de um púlpito, usando o
título de “pastor”. Mesmo assim, existem casos em que sua
repreensão não é bem recebida, como por exemplo, um jovem
pregador criticando tradições sem sentido, ou um pastor visitante
demonstrando que certas atitudes de namorados crentes não
estão necessariamente corretas.

A verdade é que ninguém gosta de ser repreendido, seja por um


homem, pela Palavra de Deus, ou pelo próprio Deus. A Bíblia nos
mostra inúmeros casos de pessoas que não seguiram o conselho
do Senhor e não se saíram muito bem seguindo seus próprios
caminhos. Apenas para ilustrar, o primeiro pecado foi justamente
este caso e o motivo do primeiro assassinato foi o desgosto por
uma repreensão do Criador do Universo. Pessoas que não aceitam
que sua dura cerviz seja amolecida sofrem uma repreensão ainda
pior por conta de seu orgulho.

Não existe uma fórmula mágica para percebermos se uma


palavra contra algum ato nosso é válida ou não, mas a Bíblia
ainda é o melhor juiz quando se trata do assunto. Se a
repreensão não teve um respaldo bíblico, provavelmente você
poderá replicá-la com a própria Palavra. Se a repreensão veio da
própria Palavra de Deus, aplicada à sua vida, só lhe resta abaixar
a cabeça e aceitar tal confrontação.

Nos dois casos, um homem de Deus sábio só tem a ganhar.

“Com que purificará o jovem o seu caminho? Observando-o


conforme a tua palavra.” (Salmo 119.9)

Parte 8

“Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a


repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para
que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para
toda boa obra.” (2 Timóteo 3.16,17 - NVI)

Correção

Perceba que as funções bíblicas seguem uma lógica -


primeiramente ensinamos, depois repreendemos. A partir daí
podemos entrar no terceiro passo, que é corrigir o erro.
Aparentemente, repreensão e correção parecem estar ligadas,
mas o homem corrigido pelo Senhor é aquele a quem ele ama.
Enquanto todos são repreendidos, a correção que vem da Palavra
de Deus é reservada para pessoas especiais. Uma prova disso é
que o diabo foi repreendido por Jesus (Mateus 4), e o anjo Miguel
disse apenas “o Senhor te repreenda” para ele (Judas 9). É óbvio

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que uma repreensão ao demônio não inclui uma correção da


parte de Deus. Então, quem são aqueles que recebem a correção
de Deus?

a) Seu povo: Depois de todas aquelas provações e humilhações


no deserto, o Deus de Israel traz estas palavras para os judeus:
“Sabes, pois, no teu coração que, como um homem corrige a seu
filho, assim te corrige o SENHOR teu Deus” (Deuteronômio 8.5). O
motivo para isto é que o povo não deveria se esquecer nunca
quem estava no comando e de quem vinha todas as bênçãos. Eles
não deveriam cometer os erros que seus pais haviam cometido.
“Antes te lembrarás do SENHOR teu Deus, que ele é o que te dá
força para adquirires riqueza; para confirmar a sua aliança, que
jurou a teus pais, como se vê neste dia” (Deuteronômio 8.18).

b) Os felizes: “Como é feliz o homem a quem Deus corrige;


portanto, não despreze a disciplina do Todo-poderoso” (Jó 5.17).
Em algumas versões temos “bem-aventurado”, palavra que tem
basicamente o mesmo significado de “como é feliz”. A pessoa que
bem-aventurada não tem apenas uma felicidade dada por Deus,
ela é feliz de uma forma indescritível, porque o Senhor, Criador
do Universo, Todo-Poderoso, reserva um “tempo” para corrigi-la.
Que privilégio é ser agraciado com a correção da Sabedoria de
Deus. “O zombador não gosta de quem o corrige, nem procura a
ajuda do sábio” (Provérbios 19.15)

c) Os humildes: Esta é, na verdade, uma conseqüência do item


anterior. Um homem que aceita a correção é alguém que
demonstra humildade para perceber que está errado. É alguém
que reconhece sua total incapacidade de se guiar sozinho - “Eu
sei, Senhor, que não está nas mãos do homem o seu futuro; não
compete ao homem dirigir os seus passos. Corrige-me, Senhor,
mas somente com justiça, não com ira, para que não me reduzas
a nada” (Jeremias 10.23,24). Deus não quer pessoas que lutam
para ser boas, mas pessoas que sabem que sem Ele é impossível
ser bom. “Mas ele nos concede graça maior. Por isso diz a
Escritura: 'Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos
humildes'” (Tiago 4.6).

d) Seus amados: “Filho meu, não desprezes a correção do


SENHOR, E não desmaies quando por ele fores repreendido;
porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que
recebe por filho. Na verdade, toda a correção, ao presente, não
parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um
fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela” (Hebreus
12.5,6.11). Todos sabem o que é uma correção paterna e, fora
casos de pais abusivos, só uma criança ou alguém imaturo não
tem plena certeza que apanhou da mãe porque fez algo errada.
Não há necessidade de dizer que nossos pais fazem isso por amor
e devemos ser gratos por tanto. E tenho certeza que ninguém
deixou de amar seus pais por causa de chineladas justas. É
estranho que supostos cristãos não aceitem uma correção bíblica
em suas preciosas doutrinas.

O mais interessante é notar que todos os pontos resumem numa

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coisa só - aqueles que são corrigidos pelo Senhor são os filhos


escolhidos de Deus. Apenas estes reconhecem sua total
incapacidade de seguir sozinhos, amam ao Senhor porque Ele
primeiro os amou, são o povo de Deus e são bem-aventurados,
pois foram alcançados pela Graça. Agora, pergunto - o que vem
primeiro nestes quatro itens?

Poderia levar horas formulando uma boa resposta. Mas preciso


resumir tudo em: Deus e Sua inexplicável misericórdia eterna. Que
sejamos eternamente gratos pelo trabalho de nosso Pai em nossas
vidas.

“Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir


as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para
confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e
as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são” (1
Coríntios 1.27,28).

Parte 9

“Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a


repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para
que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para
toda boa obra.” (2 Timóteo 3.16,17 - NVI)

Instrução

A maioria das pessoas me olha de forma admirada quando digo


que o melhor presente de aniversário - na verdade, o melhor
presente de todos - que já recebi na vida foi uma pequena Bíblia
dada por uma amiga. Os crentes não entendem por que esta
Bíblia é diferente das outras; além de ela não ter anotações ou
comentários, alguém que nasceu em lar cristão não deveria achar
este presente tão sensacional assim. No caso dos incrédulos,
apenas preciso dizer que eles acham uma coisa sem sentido.

O fato é que esta Bíblia foi a primeira que li completa,


devocionalmente - e este é um dos motivos (além do fato de ter
recebido o presente de uma pessoa querida) pelo qual o presente
é tão importante. Não há professor, teólogo ou pastor que consiga
abafar a Palavra de Deus, caso esteja falando dela. Quando a
Bíblia fala através de alguém, para outras pessoas, sua infinita
sabedoria e poder falam mais alto que o instrumento humano
usado para isso.

A instrução (ou educação em algumas versões) é a última das


quatro funções que Paulo lista neste texto. Como disse antes, é
interessante notar que há uma lógica na seqüência de Paulo.
Primeiramente, você é ensinado e, depois de repreendido pela
Palavra de Deus, seus erros são corrigidos... até que um dia você
completará a sua instrução na justiça. É claro que este é um alvo
inatingível em nossa vida terrena, mas com certeza haverá um
momento em que você é aquele que estará ensinando,
repreendendo, corrigindo e instruindo.

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E não é justamente isso que acontece entre Paulo e Timóteo neste


trecho que estamos estudando?

Parte final

“Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a


repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para
que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para
toda boa obra.” (2 Timóteo 3.16,17 - NVI)

Para concluir, lembremo-nos do motivo pelo qual iniciei este


estudo - alguém disse que não existe qualquer texto na Bíblia que
prove as Escrituras como única regra de fé e prática do crente.
Depois de vários trechos confirmando esta idéia, que só não vê
quem não quer, passamos um pouco de tempo neste versículo,
que provavelmente é o mais usado para comprovar o que
queremos. As conclusões até então:

a) Toda a Escritura é inspirada por Deus - Se quisermos


adicionar ou retirar alguma coisa da Bíblia, teremos de admitir
que o Senhor não foi capaz, através de seus instrumentos
humanos, de produzir uma obra tão perfeita que não necessite de
acréscimos para melhorá-la.

b) Toda a Escritura é útil para o ensino, repreensão, correção


e instrução - Todo o texto bíblico serve como ferramenta para a
completa formação de uma pessoa na justiça de Deus. Dos
primeiros passos de discipulado até a maturidade espiritual, a
Escritura tem seu valor.

Agora vejamos o que Paulo diz no final do verso 17. O texto


explica melhor o que a formação bíblica pode fazer com um
homem de Deus. Repare que não é um homem qualquer, mas
um homem de Deus. É aquela pessoa lavada e remida no sangue
do Cordeiro, que se entregou completamente ao Senhor, não
todas as pessoas. É por isso que muitos não conseguem enxergar
ensinamentos na Bíblia, a colocam no nível de um livro qualquer
de sabedoria ou auto-ajuda ou precisam dar sua colaboração
pessoal nos ensinamentos. O homem de Deus não tem essa
necessidade, pois sabe que o Senhor proveu aquilo que é
necessário para sua formação. Prova disso é a continuação do
raciocínio de Paulo.

O Apóstolo diz que este aprendizado do homem de Deus o tornará


apto e completamente pronto para qualquer boa obra. Ou seja, as
Escrituras não apenas conferem aptidão para alguém fazer o
trabalho do Senhor (acredito que "toda boa obra" é
necessariamente qualquer ato que glorifique a Deus), como o
deixam plenamente preparado (isto é, o máximo que o homem
pode conseguir). Eu não vejo como não enxergar claramente que
um cristão, um homem de Deus, não precisa de outra regra que
não seja a Bíblia Sagrada.

Agora, se alguém acha que existe tal necessidade, precisa ler um

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A Autoridade Bíblica - Josaías Cardoso Ribeiro Júnior http://www.monergismo.com/textos/bibliologia/autoridade_biblica.htm

pouco mais. Ou, simplesmente, não é um homem de Deus e,


portanto, não vê a Palavra que nos foi entregue como a perfeita
mensagem que ela é. Nos dois casos a única solução é que esta
pessoa seja ensinada, repreendida, corrigida e instruída... pela
Bíblia.

Sobre o autor: O autor do presente artigo é estudante de teologia


na Faculdade Teológica Batista de Brasília e membro da Terceira
Igreja Batista do Plano Piloto (Brasília-DF), onde atua nas áreas
da Juventude, Missões e dá aulas na classe de adolescentes da
EBD. É um dos colaboradores nas traduções do Monergismo.com.

E-mail/MSN: josaias@hotmail.com

www.monergismo.com

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