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Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Tocantins

IFTO
Administrador

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OBRA

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Tocantins - IFTO

Administrador

Edital N.º 16/2019/REI/IFTO, de 28 de março de 2019

AUTORES
Língua Portuguesa - Profª Zenaide Auxiliadora Pachegas Branco
Informática Básica - Prof° Ovidio Lopes da Cruz Netto
Fundamentos em Educação e Legislação - Profª Bruna Pinotti e Prof°Fernando Zantedeschi
Conhecimentos Específicos - Prof°Ana Luisa M. da Costa Lacida e Prof° Bruna P.inotti

PRODUÇÃO EDITORIAL/REVISÃO
Elaine Cristina
Érica Duarte
Leandro Filho
Karina Fávaro

DIAGRAMAÇÃO
Elaine Cristina
Thais Regis
Danna Silva

CAPA
Joel Ferreira dos Santos

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SUMÁRIO
LÍNGUA PORTUGUESA
Leitura e compreensão de textos: informações explícitas e implícitas................................................................................................ 01
Leitura e análise de textos de diferentes gêneros textuais.................................................................................................................... 01
Linguagem verbal e não verbal.......................................................................................................................................................................... 01
Mecanismos de produção de sentidos nos textos: metáfora, metonímia, paralelismo, ambiguidade, citação....................... 18
Ortografia oficial.................................................................................................................................................................................................... 23
Acentuação tônica e gráfica.............................................................................................................................................................................. 26
Morfologia: estrutura e formação de palavras........................................................................................................................................... 29
Classes de palavras: emprego e funções...................................................................................................................................................... 31
Colocação pronominal........................................................................................................................................................................................ 31
Fatores de textualidade: coesão e coerência............................................................................................................................................... 72
Dialogismo entre textos: intertextualidade e paráfrase............................................................................................................................. 74
Redação Oficial: normas para composição do texto oficial.................................................................................................................... 77
Tipos de correspondência oficial...................................................................................................................................................................... 77
Teoria geral da frase e sua análise: orações, períodos e funções sintáticas........................................................................................... 89
Sintaxe de concordância verbal e nominal.................................................................................................................................................. 98
Sintaxe de regência verbal e nominal............................................................................................................................................................ 104
Norma-padrão e variação linguística: estilística, sociocultural, geográfica histórica................................................................... 109
Crase.......................................................................................................................................................................................................................... 122
Sinais de pontuação em períodos simples e compostos...................................................................................................................... 124
A pontuação e o entendimento do texto..................................................................................................................................................... 124
Semântica: polissemia, ambiguidade, denotação e conotação, figuras e funções de linguagem, vícios de linguagem... 128
Características dos diferentes discursos (jornalístico, político, acadêmico, publicitário, literário, científico, etc................ 132

INFORMÁTICA BÁSICA
Hardware e Software – conceitos básicos, sistemas operacionais: GNU/Linux e Windows 7 ou superior...................... 35
Conceitos de Internet e Intranet e suas tecnologias, World Wide Web – WWW –, Navegador de Internet (Internet
Explorer 9 ou superior, Mozilla Firefox 45 ou superior, Chrome 45 ou superior);.................................................................... 42
Correio Eletrônico;.............................................................................................................................................................................................. 42
Conceitos de segurança da informação;.................................................................................................................................................... 57
Conceitos de organização e de gerenciamento de informações, arquivos, pastas e programas. ...................................... 01
Dispositivos de armazenamento, entrada e saída....................................................................................................................................... 01
Conhecimento sobre Processador de Texto (LibreOffice Writer versão 5), Planilha eletrônica (LibreOffice Calc ver-
são 5), Editor de Apresentações (LibreOffice Impress versão 5)...................................................................................................... 06

FUNDAMENTOS EM EDUCAÇÃO E LEGISLAÇÃO


Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990: Do Provimento; Da Vacância; Da Remoção; e Da Redistribuição; Do
Regime Disciplinar.............................................................................................................................................................................................. 01
Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988: Da educação (art. 205 ao 214); as
disposições constitucionais aplicadas aos servidores públicos (art. 37 ao 41)............................................................................ 08
SUMÁRIO
Decreto nº 1.171, de 22 de junho de 1994: Dos principais deveres do servidor público e das vedações ao servidor
público..................................................................................................................................................................................................................... 15
Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993 - Licitação........................................................................................................................................ 27
Lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008............................................................................................................................................... 60
Lei nº 11.091, de 12 de janeiro de 2005, com as alterações da Lei nº 11.784, de 22 de setembro de 2008.......................... 64
Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011............................................................................................................................................... 70

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
Teorias Administrativas: evolução do pensamento administrativo: as principais escolas.................................................... 01
Planejamento: importância e significado................................................................................................................................................ 01
Princípios e elementos do planejamento: tipos de planos; limitações do planejamento; logística e estratégia; o proces-
so de tomada de decisão; planejamento eficaz........................................................................................................................................ 02
Organização: a natureza e a finalidade da organização; os fundamentos da organização formal: divisão do trabalho, es-
pecialização, responsabilidade, autoridade e alcance de controle..................................................................................................... 03
Departamentalização básica: critérios; delegação; princípios e técnicas; funções de linha e assessoria; tipos de es-
trutura: linha, linha-staff, funcional e matricial; a organização informal; característica e implicações; a organização
eficaz................................................................................................................................................................................................................... 04
Direção: natureza e fundamentos da direção; motivação; coordenação; comunicação, liderança...................................... 07
Controle: conceitos e objetivos do controle; o processo de controle; premissas para institucionalização de contro-
le; técnicas de controle.................................................................................................................................................................................... 22
Organização, sistemas e métodos................................................................................................................................................................ 04
Áreas de atuação: estrutura, funcionamento; tipos de projetos de OSM; fases de um projeto de OSM, instrumentos
(questionários, entrevistas, organogramas, fluxogramas, etc.) utilizados em cada etapa (planejamento, coleta de
dados e informações, análise e interpretação, criação de soluções, relatórios, implantação e acompanhamento);.... 22
Análise da distribuição do trabalho: quadro de distribuição do trabalho, análise e conclusões; manuais, objetivo, tipo,
raios de ação e atualização; aspectos de resistência à mudança........................................................................................................... 25
Elaboração de relatórios: técnicas; tipos de relatórios; uniformizações................................................................................................ 26
Administração de material e logística: análise de diversos sistemas de classificação de materiais existentes; codifica-
ção e catalogação de material; política de estoques; sistemas de armazenamento; centralização versus descentrali-
zação de materiais; inventário físico, levantamento, contagem, apuração e conciliação; planejamento e organização
do cadastro de fornecedores; instrumentos e processos de licitação pública........................................................................... 26
Administração mercadológica: planejamento estratégico empresarial voltado para o mercado...................................... 30
Pesquisa de mercado. Segmentação de mercado. Estratégias de marketing. Marketing de serviços....................................... 31
Gestão do relacionamento com cliente..................................................................................................................................................... 32
Responsabilidade social.................................................................................................................................................................................. 32
Sistemas de informação gerencial. Administração de vendas. Administração de recursos humanos: estratégias de
RH, relações com empregados, equipes, liderança, gerenciamento de desempenho, remuneração e benefícios, mo-
tivação, desenvolvimento de RH, organizações de aprendizagem e cultura organizacional............................................... 34
Estratégia Empresarial: estruturas organizacionais, planejamento estratégico empresarial. Análise dos ambientes
interno e externo................................................................................................................................................................................................. 40
A Administração Pública na CF/88. Noções de direito administrativo........................................................................................;; 56
Ato administrativo: conceito, requisitos, atributos, classificação, espécies e invalidação. Anulação e revogação.
Prescrição. ............................................................................................................................................................................................................. 67
Controle da administração pública: controle administrativo, controle legislativo e controle judiciário............................... 75
SUMÁRIO

Agentes administrativos: investidura e exercício da função pública. Direitos e deveres dos servidores públicos.......... 84
Regimes jurídicos............................................................................................................................................................................................... 119
Processo administrativo: conceito, princípios, fases e modalidades............................................................................................... 121
Poderes da administração: vinculado, discricionário, hierárquico, disciplinar e regulamentar..................................................... 131
Princípios básicos da administração........................................................................................................................................................... 135
Responsabilidade civil da administração................................................................................................................................................... 138
Improbidade administrativa.......................................................................................................................................................................... 140
Serviços públicos: conceito, classificação, regulamentação, formas e competência de prestação......................................... 146
Organização administrativa: noções gerais. Administração direta e indireta, centralizada e descentralizada.................. 159
Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999: o Processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal......... 167
ÍNDICE

LÍNGUA PORTUGUESA

Leitura e compreensão de textos: informações explícitas e implícitas........................................................................................................... 01


Leitura e análise de textos de diferentes gêneros textuais................................................................................................................................ 01
Linguagem verbal e não verbal.................................................................................................................................................................................... 01
Mecanismos de produção de sentidos nos textos: metáfora, metonímia, paralelismo, ambiguidade, citação............................ 18
Ortografia oficial................................................................................................................................................................................................................ 23
Acentuação tônica e gráfica........................................................................................................................................................................................... 26
Morfologia: estrutura e formação de palavras........................................................................................................................................................ 29
Classes de palavras: emprego e funções................................................................................................................................................................... 31
Colocação pronominal..................................................................................................................................................................................................... 31
Fatores de textualidade: coesão e coerência........................................................................................................................................................... 72
Dialogismo entre textos: intertextualidade e paráfrase....................................................................................................................................... 74
Redação Oficial: normas para composição do texto oficial................................................................................................................................ 77
Tipos de correspondência oficial.................................................................................................................................................................................. 77
Teoria geral da frase e sua análise: orações, períodos e funções sintáticas................................................................................................. 89
Sintaxe de concordância verbal e nominal................................................................................................................................................................ 98
Sintaxe de regência verbal e nominal......................................................................................................................................................................... 104
Norma-padrão e variação linguística: estilística, sociocultural, geográfica histórica............................................................................... 109
Crase....................................................................................................................................................................................................................................... 122
Sinais de pontuação em períodos simples e compostos...................................................................................................................................... 124
A pontuação e o entendimento do texto................................................................................................................................................................. 124
Semântica: polissemia, ambiguidade, denotação e conotação, figuras e funções de linguagem, vícios de linguagem........... 128
Características dos diferentes discursos ( jornalístico, político, acadêmico, publicitário, literário, científico, etc......................... 132
Compreender significa
LEITURA E COMPREENSÃO DE TEXTOS: Entendimento, atenção ao que realmente está escrito.
INFORMAÇÕES EXPLÍCITAS E IMPLÍCITAS O texto diz que...
LEITURA E ANÁLISE DE TEXTOS DE É sugerido pelo autor que...
DIFERENTES GÊNEROS TEXTUAIS. De acordo com o texto, é correta ou errada a afirmação...
O narrador afirma...
LINGUAGEM VERBAL E NÃO VERBAL.
Erros de interpretação

Interpretação Textual  Extrapolação (“viagem”) = ocorre quando se


sai do contexto, acrescentando ideias que não
Texto – é um conjunto de ideias organizadas e rela- estão no texto, quer por conhecimento prévio
cionadas entre si, formando um todo significativo capaz do tema quer pela imaginação.
de produzir interação comunicativa (capacidade de codi-  Redução = é o oposto da extrapolação. Dá-se
ficar e decodificar). atenção apenas a um aspecto (esquecendo que
Contexto – um texto é constituído por diversas frases. um texto é um conjunto de ideias), o que pode
Em cada uma delas, há uma informação que se liga com ser insuficiente para o entendimento do tema
a anterior e/ou com a posterior, criando condições para desenvolvido.
a estruturação do conteúdo a ser transmitido. A essa in-  Contradição = às vezes o texto apresenta ideias
terligação dá-se o nome de contexto. O relacionamento contrárias às do candidato, fazendo-o tirar con-
entre as frases é tão grande que, se uma frase for retirada clusões equivocadas e, consequentemente, er-
de seu contexto original e analisada separadamente, po- rar a questão.
derá ter um significado diferente daquele inicial.
Observação: Muitos pensam que existem a ótica do
Intertexto - comumente, os textos apresentam refe-
escritor e a ótica do leitor. Pode ser que existam, mas em
rências diretas ou indiretas a outros autores através de
uma prova de concurso, o que deve ser levado em consi-
citações. Esse tipo de recurso denomina-se intertexto.
deração é o que o autor diz e nada mais.
Interpretação de texto - o objetivo da interpretação
de um texto é a identificação de sua ideia principal. A
Coesão e Coerência
partir daí, localizam-se as ideias secundárias (ou fun-
damentações), as argumentações (ou explicações), que Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que
levam ao esclarecimento das questões apresentadas na relaciona palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre
prova. si. Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de
um pronome relativo, uma conjunção (NEXOS), ou um
Normalmente, em uma prova, o candidato deve: pronome oblíquo átono, há uma relação correta entre o
 Identificar os elementos fundamentais de uma que se vai dizer e o que já foi dito.
argumentação, de um processo, de uma época
(neste caso, procuram-se os verbos e os advérbios, São muitos os erros de coesão no dia a dia e, entre
os quais definem o tempo). eles, está o mau uso do pronome relativo e do prono-
 Comparar as relações de semelhança ou de dife- me oblíquo átono. Este depende da regência do verbo;
renças entre as situações do texto. aquele, do seu antecedente. Não se pode esquecer tam-
 Comentar/relacionar o conteúdo apresentado bém de que os pronomes relativos têm, cada um, valor
com uma realidade. semântico, por isso a necessidade de adequação ao an-
 Resumir as ideias centrais e/ou secundárias. tecedente.
 Parafrasear = reescrever o texto com outras pa- Os pronomes relativos são muito importantes na in-
lavras. terpretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros de
coesão. Assim sendo, deve-se levar em consideração que
Condições básicas para interpretar existe um pronome relativo adequado a cada circunstân-
cia, a saber:
Fazem-se necessários: conhecimento histórico-literá- que (neutro) - relaciona-se com qualquer anteceden-
rio (escolas e gêneros literários, estrutura do texto), lei- te, mas depende das condições da frase.
tura e prática; conhecimento gramatical, estilístico (qua- qual (neutro) idem ao anterior.
lidades do texto) e semântico; capacidade de observação quem (pessoa)
e de síntese; capacidade de raciocínio. cujo (posse) - antes dele aparece o possuidor e depois
o objeto possuído.
LÍNGUA PORTUGUESA

Interpretar/Compreender como (modo)


onde (lugar)
Interpretar significa: quando (tempo)
Explicar, comentar, julgar, tirar conclusões, deduzir. quanto (montante)
Através do texto, infere-se que... Exemplo:
É possível deduzir que... Falou tudo QUANTO queria (correto)
O autor permite concluir que... Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, deveria
Qual é a intenção do autor ao afirmar que... aparecer o demonstrativo O).

1
Dicas para melhorar a interpretação de textos Sei que a palavra da moda é precocidade, mas eu acre-
dito em conquistas tardias. Elas têm na minha vida um
 Leia todo o texto, procurando ter uma visão geral gosto especial.
do assunto. Se ele for longo, não desista! Há muitos Quando aprendi a guiar, aos 34 anos, tudo se transfor-
candidatos na disputa, portanto, quanto mais infor- mou. De repente, ganhei mobilidade e autonomia. A ci-
mação você absorver com a leitura, mais chances dade, minha cidade, mudou de tamanho e de fisionomia.
terá de resolver as questões. Descer a Avenida Rebouças num táxi, de madrugada, era
 Se encontrar palavras desconhecidas, não inter- diferente – e pior – do que descer a mesma avenida com
rompa a leitura. as mãos ao volante, ouvindo rock and roll no rádio. Pegar
 Leia o texto, pelo menos, duas vezes – ou quantas a estrada com os filhos pequenos revelou-se uma delícia
forem necessárias. insuspeitada.
 Procure fazer inferências, deduções (chegar a uma Talvez porque eu tenha começado tarde, guiar me pare-
conclusão). ce, ainda hoje, uma experiência incomum. É um ato que,
 Volte ao texto quantas vezes precisar. mesmo repetido de forma diária, nunca se banalizou in-
 Não permita que prevaleçam suas ideias sobre as teiramente.
do autor. Na véspera do Ano Novo, em Ubatuba, eu fiz outra des-
 Fragmente o texto (parágrafos, partes) para melhor coberta temporã.
compreensão. Depois de décadas de tentativas inúteis e frustrantes,
 Verifique, com atenção e cuidado, o enunciado de num final de tarde ensolarado eu conquistei o dom da
cada questão. flutuação. Nas águas cálidas e translúcidas da praia Bra-
 O autor defende ideias e você deve percebê-las. va, sob o olhar risonho da minha mulher, finalmente con-
 Observe as relações interparágrafos. Um parágra- segui boiar.
fo geralmente mantém com outro uma relação de Não riam, por favor. Vocês que fazem isso desde os oito
continuação, conclusão ou falsa oposição. Identifi- anos, vocês que já enjoaram da ausência de peso e esfor-
que muito bem essas relações. ço, vocês que não mais se surpreendem com a sensação
 Sublinhe, em cada parágrafo, o tópico frasal, ou de balançar ao ritmo da água – sinto dizer, mas vocês se
seja, a ideia mais importante. esqueceram de como tudo isso é bom.
 Nos enunciados, grife palavras como “correto” ou Nadar é uma forma de sobrepujar a água e impor-se a
“incorreto”, evitando, assim, uma confusão na hora ela. Boiar é fazer parte dela – assim como do sol e das
da resposta – o que vale não somente para Interpre- montanhas ao redor, dos sons que chegam filtrados ao
tação de Texto, mas para todas as demais questões! ouvido submerso, do vento que ergue a onda e lança
 Se o foco do enunciado for o tema ou a ideia princi- água em nosso rosto. Boiar é ser feliz sem fazer força, e
pal, leia com atenção a introdução e/ou a conclusão. isso, curiosamente, não é fácil.
 Olhe com especial atenção os pronomes relativos, Essa experiência me sugeriu algumas considerações so-
pronomes pessoais, pronomes demonstrativos, etc.,
bre a vida em geral.
chamados vocábulos relatores, porque remetem a
Uma delas, óbvia, é que a gente nunca para de apren-
outros vocábulos do texto.
der ou de avançar. Intelectualmente e emocionalmente,
de um jeito prático ou subjetivo, estamos sempre incor-
SITES
porando novidades que nos transformam. Somos gene-
Disponível em: <http://www.tudosobreconcursos.
ticamente elaborados para lidar com o novo, mas não
com/materiais/portugues/como-interpretar-textos>
só. Também somos profundamente modificados por ele.
Disponível em: <http://portuguesemfoco.com/pf/
09-dicas-para-melhorar-a-interpretacao-de-textos-em- A cada momento da vida, quando achamos que tudo já
-provas> aconteceu, novas capacidades irrompem e fazem de nós
Disponível em: <http://www.portuguesnarede. uma pessoa diferente do que éramos. Uma pessoa capaz
com/2014/03/dicas-para-voce-interpretar-melhor-um. de boiar é diferente daquelas que afundam como pedras.
html> Suspeito que isso tenha importância também para os re-
Disponível em: <http://vestibular.uol.com.br/cursinho/ lacionamentos.
questoes/questao-117-portugues.htm> Se a gente não congela ou enferruja – e tem gente que já
está assim aos 30 anos – nosso repertório íntimo tende a
se ampliar, a cada ano que passa e a cada nova relação.
Penso em aprender a escutar e a falar, em olhar o outro,
EXERCÍCIOS COMENTADOS em tocar o corpo do outro com propriedade e deixar-se
tocar sem susto. Penso em conter a nossa própria frustra-
ção e a nossa fúria, em permitir que o parceiro floresça,
LÍNGUA PORTUGUESA

1. (EBSERH – Analista Administrativo – Estatística –


AOCP-2015) em dar atenção aos detalhes dele. Penso, sobretudo, em
conquistar, aos poucos, a ansiedade e insegurança que
O verão em que aprendi a boiar nos bloqueiam o caminho do prazer, não apenas no sen-
Quando achamos que tudo já aconteceu, novas capaci- tido sexual. Penso em estar mais tranquilo na companhia
dades fazem de nós pessoas diferentes do que éramos do outro e de si mesmo, no mundo.
Assim como boiar, essas coisas são simples, mas preci-
IVAN MARTINS sam ser aprendidas.

2
Estar no interior de uma relação verdadeira é como estar Em “c”: haver sempre tempo para aprender a ser mais
na água do mar. Às vezes você nada, outras vezes você criterioso com seus relacionamentos, a fim de que eles
boia, de vez em quando, morto de medo, sente que pode sejam vividos intensamente = incorreta – ser menos
afundar. É uma experiência que exige, ao mesmo tem- objetivo nos relacionamentos.
po, relaxamento e atenção, e nem sempre essas coisas Em “d”: haver sempre tempo para aprender coisas
se combinam. Se a gente se põe muito tenso e cerebral, novas, inclusive agir com o raciocínio nas relações
a relação perde a espontaneidade. Afunda. Mas, largada amorosas = incorreta – ser mais emoção.
apenas ao sabor das ondas, sem atenção ao equilíbrio, a Em “e”: ser necessário aprender nos relacionamentos,
relação também naufraga. Há uma ciência sem cálculos porém sempre estando alerta para aquilo de ruim
que tem de ser assimilada a cada novo amor, por cada que pode acontecer = incorreta – estar sempre cui-
um de nós. Ela fornece a combinação exata de atenção e dando, não pensando em algo ruim.
relaxamento que permite boiar. Quer dizer, viver de for-
ma relaxada e consciente um grande amor. 2. (BACEN – TÉCNICO – CONHECIMENTOS BÁSICOS
Na minha experiência, esse aprendizado não se fez ra- – ÁREA 1 e 2 – CESPE-2013)
pidamente. Demorou anos e ainda se faz. Talvez porque
eu seja homem, talvez porque seja obtuso para as coi- Uma crise bancária pode ser comparada a um venda-
sas do afeto. Provavelmente, porque sofro das limitações val. Suas consequências sobre a economia das famílias e
emocionais que muitos sofrem e que tornam as relações das empresas são imprevisíveis. Os agentes econômicos
afetivas mais tensas e trabalhosas do que deveriam ser. relacionam-se em suas operações de compra, venda e
Sabemos nadar, mas nos custa relaxar e ser felizes nas troca de mercadorias e serviços de modo que cada fato
águas do amor e do sexo. Nos custa boiar. econômico, seja ele de simples circulação, de transfor-
A boa notícia, que eu redescobri na praia, é que tudo se mação ou de consumo, corresponde à realização de ao
aprende, mesmo as coisas simples que pareciam impos- menos uma operação de natureza monetária junto a um
síveis. intermediário financeiro, em regra, um banco comercial
Enquanto se está vivo e relação existe, há chance de me- que recebe um depósito, paga um cheque, desconta um
lhorar. Mesmo se ela acabou, é certo que haverá outra título ou antecipa a realização de um crédito futuro. A
no futuro, no qual faremos melhor: com mais calma, com estabilidade do sistema que intermedeia as operações
mais prazer, com mais intensidade e menos medo. monetárias, portanto, é fundamental para a própria se-
O verão, afinal, está apenas começando. Todos os dias se gurança e estabilidade das relações entre os agentes
pode tentar boiar. econômicos.
http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/ivan-mar- A iminência de uma crise bancária é capaz de afetar e
tins/noticia/2014/01/overao-em-que-aprendi-boiar.html contaminar todo o sistema econômico, fazendo que os
titulares de ativos financeiros fujam do sistema financei-
De acordo com o texto, quando o autor afirma que “To- ro e se refugiem, para preservar o valor do seu patrimô-
dos os dias se pode tentar boiar.”, ele refere-se ao fato de nio, em ativos móveis ou imóveis e, em casos extremos,
em estoques crescentes de moeda estrangeira. Para se
a) haver sempre tempo para aprender, para tentar relaxar evitar esse tipo de distorção, é fundamental a manuten-
e ser feliz nas águas do amor, agindo com mais cal- ção da credibilidade no sistema financeiro. A experiên-
ma, com mais prazer, com mais intensidade e menos cia brasileira com o Plano Real é singular entre os países
medo. que adotaram políticas de estabilização monetária, uma
b) ser necessário agir com mais cautela nos relaciona- vez que a reversão das taxas inflacionárias não resultou
mentos amorosos para que eles não se desfaçam. na fuga de capitais líquidos do sistema financeiro para
c) haver sempre tempo para aprender a ser mais criterio- os ativos reais.
so com seus relacionamentos, a fim de que eles sejam Pode-se afirmar que a estabilidade do Sistema Financei-
vividos intensamente. ro Nacional é a garantia de sucesso do Plano Real. Não
d) haver sempre tempo para aprender coisas novas, in- existe moeda forte sem um sistema bancário igualmen-
clusive agir com o raciocínio nas relações amorosas. te forte. Não é por outra razão que a Lei n.º 4.595/1964,
e) ser necessário aprender nos relacionamentos, porém que criou o Banco Central do Brasil (BACEN), atribuiu-
sempre estando alerta para aquilo de ruim que pode -lhe simultaneamente as funções de zelar pela estabili-
acontecer. dade da moeda e pela liquidez e solvência do sistema
financeiro.
Resposta: Letra A. Ao texto: (...) tudo se aprende, Atuação do Banco Central na sua função de zelar
mesmo as coisas simples que pareciam impossíveis. / pela estabilidade do Sistema Financeiro Nacional. Inter-
Enquanto se está vivo e relação existe, há chance de net: < www.bcb.gov.br > (com adaptações).
LÍNGUA PORTUGUESA

melhorar = sempre há tempo para boiar (aprender).


Em “a”: haver sempre tempo para aprender, para ten- Conclui-se da leitura do texto que a comparação entre
tar relaxar e ser feliz nas águas do amor, agindo com “crise bancária” e “vendaval” embasa-se na impossibi-
mais calma, com mais prazer, com mais intensidade e lidade de se preverem as consequências de ambos os
menos medo = correta. fenômenos.
Em “b”: ser necessário agir com mais cautela nos rela-
cionamentos amorosos para que eles não se desfaçam ( ) CERTO ( ) ERRADO
= incorreta – o autor propõe viver intensamente.

3
Resposta: Certo. Conclui-se da leitura do texto que De acordo com o autor do texto Lastro e o sistema bancá-
a comparação entre “crise bancária” e “vendaval” em- rio, a reserva fracional foi criada com o objetivo de
basa-se na impossibilidade de se preverem as conse-
quências de ambos os fenômenos. a) tornar ilimitada a produção de dinheiro.
Voltemos ao texto: Uma crise bancária pode ser compa- b) proteger os bens dos clientes de bancos.
rada a um vendaval. Suas consequências sobre a econo- c) impedir que os bancos fossem à falência.
mia das famílias e das empresas são imprevisíveis. d) permitir o empréstimo de mais dinheiro
e) preservar as economias das pessoas.
3. (BANPARÁ – ASSISTENTE SOCIAL – FADESP-2018)
Resposta: Letra D. Ao texto: (...) Com o tempo, os ban-
Lastro e o Sistema Bancário queiros se deram conta de que ninguém estava interes-
sado em trocar dinheiro por ouro e criaram manobras,
[...] como a reserva fracional, para emprestar muito mais
Até os anos 60, o papel-moeda e o dinheiro depositado dinheiro do que realmente tinham em ouro nos cofres.
nos bancos deviam estar ligados a uma quantidade de Em “a”, tornar ilimitada a produção de dinheiro = in-
ouro num sistema chamado lastro-ouro. Como esse me- correta
tal é limitado, isso garantia que a produção de dinheiro Em “b”, proteger os bens dos clientes de bancos = in-
fosse também limitada. Com o tempo, os banqueiros se correta
deram conta de que ninguém estava interessado em tro- Em “c”, impedir que os bancos fossem à falência = in-
car dinheiro por ouro e criaram manobras, como a reserva correta
fracional, para emprestar muito mais dinheiro do que real- Em “d”, permitir o empréstimo de mais dinheiro =
mente tinham em ouro nos cofres. Nas crises, como em correta
1929, todos queriam sacar dinheiro para pagar suas contas Em “e”, preservar as economias das pessoas = incorreta
e os bancos quebravam por falta de fundos, deixando sem
nada as pessoas que acreditavam ter suas economias se- 4. (BANPARÁ – ASSISTENTE SOCIAL – FADESP-2018) A
guramente guardadas. leitura do texto permite a compreensão de que
Em 1971, o presidente dos EUA acabou com o padrão-ou-
ro. Desde então, o dinheiro, na forma de cédulas e prin- a) as dívidas dos clientes são o que sustenta os bancos.
cipalmente de valores em contas bancárias, já não tendo b) todo o dinheiro que os bancos emprestam é imaginário.
nenhuma riqueza material para representar, é criado a c) quem pede um empréstimo deve a outros clientes.
partir de empréstimos. Quando alguém vai até o banco d) o pagamento de dívidas depende do “livre-mercado”.
e recebe um empréstimo, o valor colocado em sua conta e) os bancos confiscam os bens dos clientes endividados.
é gerado naquele instante, criado a partir de uma decisão
administrativa, e assim entra na economia. Essa explicação Resposta: Letra A.
permaneceu controversa e escondida por muito tempo, Em “a”, as dívidas dos clientes são o que sustenta os
mas hoje está clara em um relatório do Bank of England bancos = correta
de 2014. Em “b”, todo o dinheiro que os bancos emprestam é
Praticamente todo o dinheiro que existe no mundo é cria- imaginário = nem todo
do assim, inventado em canetaços a partir da concessão Em “c”, quem pede um empréstimo deve a outros
de empréstimos. O que torna tudo mais estranho e per- clientes = deve ao banco, este paga/empresta a outros
verso é que, sobre esse empréstimo, é cobrada uma dívida. clientes
Então, se eu peço dinheiro ao banco, ele inventa números Em “d”, o pagamento de dívidas depende do “livre-mer-
em uma tabela com meu nome e pede que eu devolva cado” = não só: (...) preciso ir até o dito “livre-mercado”
uma quantidade maior do que essa. Para pagar a dívida, e trabalhar, lutar, talvez trapacear.
preciso ir até o dito “livre-mercado” e trabalhar, lutar, talvez Em “e”, os bancos confiscam os bens dos clientes endi-
trapacear, para conseguir o dinheiro que o banco inventou vidados = desde que não paguem a dívida
na conta de outras pessoas. Esse é o dinheiro que vai ser
usado para pagar a dívida, já que a única fonte de moeda 5. (BANESTES – ANALISTA ECONÔMICO FINANCEIRO
é o empréstimo bancário. No fim, os bancos acabam com GESTÃO CONTÁBIL – FGV-2018) Observe a charge abai-
todo o dinheiro que foi inventado e ainda confiscam os xo, publicada no momento da intervenção nas atividades
bens da pessoa endividada cujo dinheiro tomei. de segurança do Rio de Janeiro, em março de 2018.
Assim, o sistema monetário atual funciona com uma moe-
da que é ao mesmo tempo escassa e abundante. Escassa
porque só banqueiros podem criá-la, e abundante porque
é gerada pela simples manipulação de bancos de dados.
LÍNGUA PORTUGUESA

O resultado é uma acumulação de riqueza e poder sem


precedentes: um mundo onde o patrimônio de 80 pessoas
é maior do que o de 3,6 bilhões, e onde o 1% mais rico
tem mais do que os outros 99% juntos.
[...]
Disponível em https://fagulha.org/artigos/inventando-
-dinheiro/
Acessado em 20/03/2018

4
Há uma série de informações implícitas na charge; NÃO seus clientes e a dar recibos escritos das quantias guar-
pode, no entanto, ser inferida da imagem e das frases a dadas. Esses recibos passaram, com o tempo, a servir
seguinte informação: como meio de pagamento por seus possuidores, por ser
mais seguro portá-los do que portar dinheiro vivo. Assim
a) a classe social mais alta está envolvida nos crimes co- surgiram as primeiras cédulas de “papel moeda”, ou cé-
metidos no Rio; dulas de banco; concomitantemente ao surgimento das
b) a tarefa da investigação criminal não está sendo bem- cédulas, a guarda dos valores em espécie dava origem a
-feita; instituições bancárias.
c) a linguagem do personagem mostra intimidade com Casa da Moeda do Brasil: 290 anos de História,
o interlocutor; 1694/1984.
d) a presença do orelhão indica o atraso do local da charge;
e) as imagens dos tanques de guerra denunciam a pre- Depreende-se do texto que duas características das
sença do Exército. moedas se mantiveram ao longo do tempo: a veiculação
de formas em sua superfície e a associação de seu valor
monetário a atributos como beleza.
Resposta: Letra D.
( ) CERTO ( ) ERRADO

Resposta: Errado. Depreende-se do texto que duas


características das moedas se mantiveram ao longo do
tempo: a veiculação de formas em sua superfície e a
associação de seu valor monetário a atributos como
beleza = errado (é o inverso).
Texto: (...) a associação dos atributos de beleza e ex-
pressão cultural ao valor monetário das moedas, que
NÃO pode ser inferida da imagem e das frases a se- quase sempre, na atualidade, apresentam figuras re-
guinte informação: presentativas da história, da cultura, das riquezas e do
Em “a”, a classe social mais alta está envolvida nos cri- poder das sociedades.
mes cometidos no Rio = inferência correta
Em “b”, a tarefa da investigação criminal não está sen- 7. (Câmara de Salvador-BA – Assistente Legislativo
do bem-feita = inferência correta Municipal – FGV-2018-adaptada) “Hoje, esse termo
Em “c”, a linguagem do personagem mostra intimida- denota, além da agressão física, diversos tipos de impo-
de com o interlocutor = inferência correta sição sobre a vida civil, como a repressão política, familiar
Em “d”, a presença do orelhão indica o atraso do local ou de gênero, ou a censura da fala e do pensamento de
da charge = incorreta determinados indivíduos e, ainda, o desgaste causado
Em “e”, as imagens dos tanques de guerra denunciam pelas condições de trabalho e condições econômicas”. A
a presença do Exército = inferência correta manchete jornalística abaixo que NÃO se enquadra em
nenhum tipo de violência citado nesse segmento é:
6. (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL – NÍVEL SUPERIOR –
CONHECIMENTOS BÁSICOS – CESPE-2014) a) Presa por mensagem racista na internet;
b) Vinte pessoas são vítimas da ditadura venezuelana;
As primeiras moedas, peças representando valores, ge- c) Apanhou de policiais por destruir caixa eletrônico;
ralmente em metal, surgiram na Lídia (atual Turquia), no d) Homossexuais são perseguidos e presos na Rússia;
século VII a.C. As características que se desejava ressaltar e) Quatro funcionários ficaram livres do trabalho escravo.
eram transportadas para as peças por meio da panca-
da de um objeto pesado, em primitivos cunhos. Com o Resposta: Letra C. Em “a”: Presa por mensagem ra-
surgimento da cunhagem a martelo e o uso de metais cista na internet = como a repressão política, familiar
nobres, como o ouro e a prata, os signos monetários pas- ou de gênero
saram a ser valorizados também pela nobreza dos metais Em “b”: Vinte pessoas são vítimas da ditadura vene-
neles empregados. zuelana = como a repressão política, familiar ou de gê-
Embora a evolução dos tempos tenha levado à substi- nero
tuição do ouro e da prata por metais menos raros ou Em “c”: Apanhou de policiais por destruir caixa eletrô-
suas ligas, preservou-se, com o passar dos séculos, a as- nico = não consta na Manchete acima
LÍNGUA PORTUGUESA

sociação dos atributos de beleza e expressão cultural ao Em “d”: Homossexuais são perseguidos e presos na
valor monetário das moedas, que quase sempre, na atua- Rússia = como a repressão política, familiar ou de gê-
lidade, apresentam figuras representativas da história, da nero
cultura, das riquezas e do poder das sociedades. Em “e”: Quatro funcionários ficaram livres do trabalho
A necessidade de guardar as moedas em segurança le- escravo = o desgaste causado pelas condições de tra-
vou ao surgimento dos bancos. Os negociantes de ouro balho
e prata, por terem cofres e guardas a seu serviço, passa-
ram a aceitar a responsabilidade de cuidar do dinheiro de

5
8. (MPE-AL – ANALISTA DO MINISTÉRIO PÚBLICO – 9. (PC-MA – DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL – CESPE-2018)
ÁREA JURÍDICA – FGV-2018)
Texto CG1A1AAA
Oportunismo à Direita e à Esquerda
A paz não pode ser garantida apenas pelos acordos po-
Numa democracia, é livre a expressão, estão garantidos líticos, econômicos ou militares. Cada um de nós, inde-
o direito de reunião e de greve, entre outros, obedecidas pendentemente de idade, sexo, estrato social, crença reli-
leis e regras, lastreadas na Constituição. Em um regime giosa etc. é chamado à criação de um mundo pacificado,
de liberdades, há sempre o risco de excessos, a serem de- um mundo sob a égide de uma cultura da paz.
vidamente contidos e seus responsáveis, punidos, con- Mas, o que significa “cultura da paz”?
forme estabelecido na legislação. Construir uma cultura da paz envolve dotar as crianças
É o que precisa acontecer no rescaldo da greve dos cami- e os adultos da compreensão de princípios como liber-
nhoneiros, concluídas as investigações, por exemplo, da dade, justiça, democracia, direitos humanos, tolerância,
ajuda ilegal de patrões ao movimento, interessados em igualdade e solidariedade. Implica uma rejeição, indivi-
se beneficiar do barateamento do combustível. dual e coletiva, da violência que tem sido percebida na
Sempre há, também, o oportunismo político-ideológico sociedade, em seus mais variados contextos. A cultura da
para se aproveitar da crise. Inclusive, neste ano de elei- paz tem de procurar soluções que advenham de dentro
ção, com o objetivo de obter apoio a candidatos. Não da(s) sociedade(s), que não sejam impostas do exterior.
faltam, também, os arautos do quanto pior, melhor, para Cabe ressaltar que o conceito de paz pode ser abordado
desgastar governantes e reforçar seus projetos de po- em sentido negativo, quando se traduz em um estado de
der, por mais delirantes que sejam. Também aqui vale o não guerra, em ausência de conflito, em passividade e
que está delimitado pelo estado democrático de direito, permissividade, sem dinamismo próprio; em síntese, con-
defendido pelos diversos instrumentos institucionais de denada a um vazio, a uma não existência palpável, difícil
que conta o Estado – Polícia, Justiça, Ministério Público, de se concretizar e de se precisar. Em sua concepção po-
Forças Armadas etc. sitiva, a paz não é o contrário da guerra, mas a prática da
A greve atravessou vários sinais ao estrangular as vias de não violência para resolver conflitos, a prática do diálogo
suprimento que mantêm o sistema produtivo funcionan- na relação entre pessoas, a postura democrática frente à
do, do qual depende a sobrevivência física da população. vida, que pressupõe a dinâmica da cooperação planejada
Isso não pode ser esquecido e serve de alerta para que as e o movimento constante da instalação de justiça.
autoridades desenvolvam planos de contingência. Uma cultura de paz exige esforço para modificar o pen-
O Globo, 31/05/2018. samento e a ação das pessoas para que se promova a
paz. Falar de violência e de como ela nos assola deixa de
“É o que precisa acontecer no rescaldo da greve dos ca- ser, então, a temática principal. Não que ela vá ser esque-
minhoneiros, concluídas as investigações, por exemplo, cida ou abafada; ela pertence ao nosso dia a dia e temos
da ajuda ilegal de patrões ao movimento, interessados consciência disso. Porém, o sentido do discurso, a ideo-
em se beneficiar do barateamento do combustível.” Se- logia que o alimenta, precisa impregná-lo de palavras e
gundo esse parágrafo do texto, o que “precisa aconte- conceitos que anunciem os valores humanos que decan-
cer” é tam a paz, que lhe proclamam e promovem. A violência
já é bastante denunciada, e quanto mais falamos dela,
a) manter-se o direito de livre expressão do pensamento. mais lembramos de sua existência em nosso meio social.
b) garantir-se o direito de reunião e de greve. É hora de começarmos a convocar a presença da paz em
c) lastrear leis e regras na Constituição. nós, entre nós, entre nações, entre povos.
d) punirem-se os responsáveis por excessos. Um dos primeiros passos nesse sentido refere-se à ges-
e) concluírem-se as investigações sobre a greve. tão de conflitos. Ou seja, prevenir os conflitos potencial-
mente violentos e reconstruir a paz e a confiança en-
Resposta: Letra D. Em “a”: manter-se o direito de livre tre pessoas originárias de situação de guerra é um dos
expressão do pensamento. = incorreto exemplos mais comuns a serem considerados. Tal missão
Em “b”: garantir-se o direito de reunião e de greve. = estende-se às escolas, instituições públicas e outros lo-
incorreto cais de trabalho por todo o mundo, bem como aos parla-
Em “c”: lastrear leis e regras na Constituição. = incor- mentos e centros de comunicação e associações.
reto Outro passo é tentar erradicar a pobreza e reduzir as desi-
Em “d”: punirem-se os responsáveis por excessos. gualdades, lutando para atingir um desenvolvimento sus-
Em “e”: concluírem-se as investigações sobre a greve. tentado e o respeito pelos direitos humanos, reforçando
= incorreto as instituições democráticas, promovendo a liberdade de
LÍNGUA PORTUGUESA

Ao texto: (...) há sempre o risco de excessos, a serem expressão, preservando a diversidade cultural e o ambiente.
devidamente contidos e seus responsáveis, punidos, É, então, no entrelaçamento “paz — desenvolvimento —
conforme estabelecido na legislação. / É o que precisa direitos humanos — democracia” que podemos vislum-
acontecer... = precisa acontecer a punição dos exces- brar a educação para a paz.
sos. Leila Dupret. Cultura de paz e ações sócio-educativas:
desafios para a escola contemporânea. In: Psicol. Esc.
Educ. (Impr.) v. 6, n.º 1. Campinas, jun./2002 (com adap-
tações).

6
De acordo com o texto CG1A1AAA, os elementos “gestão de conflitos” e “erradicar a pobreza” devem ser concebidos como

a) obstáculos para a construção da cultura da paz.


b) dispensáveis para a construção da cultura da paz.
c) irrelevantes na construção da cultura da paz.
d) etapas para a construção da cultura da paz.
e) consequências da construção da cultura da paz.

Resposta: Letra D. Em “a”: obstáculos para a construção da cultura da paz. = incorreto


Em “b”: dispensáveis para a construção da cultura da paz. = incorreto
Em “c”: irrelevantes na construção da cultura da paz. = incorreto
Em “d”: etapas para a construção da cultura da paz.
Em “e”: consequências da construção da cultura da paz. = incorreto
Ao texto: Um dos primeiros passos nesse sentido refere-se à gestão de conflitos. (...) Outro passo é tentar erradicar a
pobreza e reduzir as desigualdades = etapas para construção da paz.

10. (PC-SP - PAPILOSCOPISTA POLICIAL – VUNESP-2013) Leia o cartum de Jean Galvão

(https://www.facebook.com/jeangalvao.cartunista)

Considerando a relação entre a fala do personagem e a imagem visual, pode-se concluir que o que o leva a pular a
onda é a necessidade de

a) demonstrar respeito às religiões.


b) realizar um ritual místico.
c) divertir-se com os amigos.
d) preservar uma tradição familiar.
e) esquivar-se da sujeira da água.

Resposta: Letra E. Em “a”: demonstrar respeito às religiões. = incorreto


Em “b”: realizar um ritual místico. = incorreto
Em “c”: divertir-se com os amigos. = incorreto
Em “d”: preservar uma tradição familiar. = incorreto
Em “e”: esquivar-se da sujeira da água.
O personagem pula a onda para que não seja atingido pelo lixo que se encontra no mar.

11. (PM-SP - SARGENTO DA POLÍCIA MILITAR – VUNESP-2015) Leia a tira.


LÍNGUA PORTUGUESA

(Folha de S.Paulo, 02.10.2015. Adaptado)

7
Com sua fala, a personagem revela que

a) a violência era comum no passado.


b) as pessoas lutam contra a violência.
c) a violência está banalizada.
d) o preço que pagou pela violência foi alto.

Resposta: Letra C. Em “a”: a violência era comum no passado. = incorreto


Em “b”: as pessoas lutam contra a violência. = incorreto
Em “c”: a violência está banalizada.
Em “d”: o preço que pagou pela violência foi alto. = incorreto
Infelizmente, a personagem revela que a violência está banalizada, nem há mais “punições” para os agressivos.

12. (PM-SP - ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR [INTERIOR] – VUNESP-2017) Leia a charge.

(Pancho. www.gazetadopovo.com.br)

É correto associar o humor da charge ao fato de que

a) os personagens têm uma autoestima elevada e são otimistas, mesmo vivendo em uma situação de completo confi-
namento.
b) os dois personagens estão muito bem informados sobre a economia, o que não condiz com a imagem de criminosos.
c) o valor dos cosméticos afetará diretamente a vida dos personagens, pois eles demonstram preocupação com a apa-
rência.
d) o aumento dos preços de cosméticos não surpreende os personagens, que estão acostumados a pagar caro por eles
nos presídios.
e) os preços de cosméticos não deveriam ser relevantes para os personagens, dada a condição em que se encontram.

Resposta: Letra E. Em “a”: os personagens têm uma autoestima elevada e são otimistas, mesmo vivendo em uma
situação de completo confinamento. = incorreto
Em “b”: os dois personagens estão muito bem informados sobre a economia, o que não condiz com a imagem de
criminosos. = incorreto
Em “c”: o valor dos cosméticos afetará diretamente a vida dos personagens, pois eles demonstram preocupação com
a aparência. = incorreto
Em “d”: o aumento dos preços de cosméticos não surpreende os personagens, que estão acostumados a pagar caro
por eles nos presídios. = incorreto
Em “e”: os preços de cosméticos não deveriam ser relevantes para os personagens, dada a condição em que se
encontram.
Pela condição em que as personagens se encontram, o aumento no preço dos cosméticos não os afeta.

13. (TJ-AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR – FGV-2018)


LÍNGUA PORTUGUESA

Texto 1 – Além do celular e da carteira, cuidado com as figurinhas da Copa


Gilberto Porcidônio – O Globo, 12/04/2018

A febre do troca-troca de figurinhas pode estar atingindo uma temperatura muito alta. Preocupados que os mais afoi-
tos pelos cromos possam até roubá-los, muitos jornaleiros estão levando seus estoques para casa quando termina o
expediente. Pode parecer piada, mas há até boatos sobre quadrilhas de roubo de figurinha espalhados por mensagens
de celular.

8
Sobre a estrutura do título dado ao texto 1, a afirmativa Em “c”: a falta de muitas figurinhas no álbum; = incor-
adequada é: reto
Em “d”: a reclamação ser apresentada pelo pai e não
a) as figurinhas da Copa passaram a ocupar o lugar do pelo filho; = incorreto
celular e da carteira nos roubos urbanos; Em “e”: uma criança ajudar a um adulto e não o con-
b) as figurinhas da Copa se somaram ao celular e à car- trário. = incorreto
teira como alvo de desejo dos assaltantes; O humor está no fato de o álbum ser sobre um tema
c) o alerta dado no título se dirige aos jornaleiros que incomum: assuntos sociais.
vendem as figurinhas da Copa;
d) os ladrões passaram a roubar as figurinhas da Copa 15. (TJ-AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FGV-2018) Obser-
nas bancas de jornais; ve a charge abaixo.
e) as figurinhas da Copa se transformaram no alvo prin-
cipal dos ladrões.

Resposta: Letra B. Em “a”: as figurinhas da Copa


passaram a ocupar o lugar do celular e da carteira nos
roubos urbanos; = incorreto
Em “b”: as figurinhas da Copa se somaram ao celular e
à carteira como alvo de desejo dos assaltantes;
Em “c”: o alerta dado no título se dirige aos jornaleiros
que vendem as figurinhas da Copa; = incorreto
Em “d”: os ladrões passaram a roubar as figurinhas da
Copa nas bancas de jornais; = incorreto
Em “e”: as figurinhas da Copa se transformaram no
alvo principal dos ladrões. = incorreto
O título do texto já nos dá a resposta: além do celular
No caso da charge, a crítica feita à internet é:
e da carteira, ou seja, as figurinhas da Copa também
passaram a ser alvo dos assaltantes.
a) a criação de uma dependência tecnológica excessiva;
b) a falta de exercícios físicos nas crianças;
14. (TJ-AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUS-
c) o risco de contatos perigosos;
TIÇA AVALIADOR – FGV-2018)
d) o abandono dos estudos regulares;
e) a falta de contato entre membros da família.

16. (TJ-SC – ANALISTA ADMINISTRATIVO – FGV-


2018) Observe a charge a seguir:

O humor da tira é conseguido através de uma quebra de A charge acima é uma homenagem a Stephen Hawking,
expectativa, que é: destacando o fato de o cientista:

a) o fato de um adulto colecionar figurinhas; a) ter alcançado o céu após sua morte;
b) as figurinhas serem de temas sociais e não esportivos; b) mostrar determinação no combate à doença;
LÍNGUA PORTUGUESA

c) a falta de muitas figurinhas no álbum; c) ser comparado a cientistas famosos;


d) a reclamação ser apresentada pelo pai e não pelo filho; d) ser reconhecido como uma mente brilhante;
e) uma criança ajudar a um adulto e não o contrário. e) localizar seus interesses nos estudos de Física.

Resposta: Letra B. Em “a”: o fato de um adulto cole- Resposta: Letra A. Em “a”: a criação de uma depen-
cionar figurinhas; = incorreto dência tecnológica excessiva;
Em “b”: as figurinhas serem de temas sociais e não Em “b”: a falta de exercícios físicos nas crianças; = in-
esportivos; correto

9
Em “c”: o risco de contatos perigosos; = incorreto A produção da obra acima, Os Retirantes (1944), foi rea-
Em “d”: o abandono dos estudos regulares; = incorreto lizada seis anos depois da publicação do romance Vidas
Em “e”: a falta de contato entre membros da família. = Secas. Nessa obra, ao abordar a miséria e a seca clara-
incorreto mente vistas através da representação de uma família de
Através da fala do garoto chegamos à resposta: de- retirantes, Cândido Portinari
pendência tecnológica - expressa em sua fala.
a) apresenta uma temática, assim como a descrição dos
Resposta: Letra D. Em “a”: ter alcançado o céu após personagens e do ambiente, de forma sutil e dinâmica.
sua morte; = incorreto b) permite visualizar a degradação da figura humana e
Em “b”: mostrar determinação no combate à doença; o retrato da figura da morte afugentada pelos perso-
= incorreto nagens.
Em “c”: ser comparado a cientistas famosos; = incor- c) apresenta elementos físicos presentes no cotidiano
reto dos retirantes vítimas da seca e aspectos relacionados
Em “d”: ser reconhecido como uma mente brilhante; à desigualdade social.
Em “e”: localizar seus interesses nos estudos de Física. d) utiliza a linguagem não verbal com o objetivo de cons-
= incorreto truir uma imagem cuja ênfase mística se opõe aos fa-
Usemos a fala de Einstein: “a mente brilhante que es- tos da realidade observável.
távamos esperando”.
Resposta: Letra C. Em “a”: apresenta uma temática,
17. (TJ-PE – ANALISTA JUDICIÁRIO – FUNÇÃO ADMI- assim como a descrição dos personagens e do am-
NISTRATIVA – IBFC-2017) biente, de forma sutil e dinâmica.
Em “b”: permite visualizar a degradação da figura hu-
Texto II mana e o retrato da figura da morte afugentada pelos
personagens.
Em “c”: apresenta elementos físicos presentes no co-
tidiano dos retirantes vítimas da seca e aspectos rela-
cionados à desigualdade social.
Em “d”: utiliza a linguagem não verbal com o objetivo
de construir uma imagem cuja ênfase mística se opõe
aos fatos da realidade observável.
A obra retrata, de forma nada sutil, os elementos físi-
cos de uma família vítima da seca.
A observação dos elementos não verbais do texto é res-
ponsável pelo entendimento do humor sugerido. Nesse Linguagem Verbal e Não Verbal
sentido, a evolução do homem e do computador, através
de tais elementos, deve ser entendida como: O que é linguagem? É o uso da língua como forma de
expressão e comunicação entre as pessoas. A linguagem
a) complementar. não é somente um conjunto de palavras faladas ou es-
b) semelhante. critas, mas também de gestos e imagens. Afinal, não nos
c) conflitante. comunicamos apenas pela fala ou escrita, não é verdade?
d) antitética. Então, a linguagem pode ser verbalizada, e daí vem
e) idealizada. a analogia ao verbo. Você já tentou se pronunciar sem
utilizar o verbo? Se não, tente, e verá que é impossível se
Resposta: Letra D. As imagens mostram um con- ter algo fundamentado e coerente! Assim, a linguagem
traste entre o desenvolvimento do computador e do verbal é a que utiliza palavras quando se fala ou quando
homem; enquanto aquele vai se tornando mais “fino, se escreve.
elegante”, este fica sedentário, engorda. A palavra “an- A linguagem pode ser não verbal, ao contrário da ver-
titética” significa “oposta, oposição”. bal, não utiliza vocábulo, palavras para se comunicar. O
objetivo, neste caso, não é de expor verbalmente o que
18. (TRF-2.ª REGIÃO – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA se quer dizer ou o que se está pensando, mas se utilizar
ADMINISTRATIVA – CONSULPLAN-2017) de outros meios comunicativos, como: placas, figuras,
gestos, objetos, cores, ou seja, dos signos visuais.
Vejamos: um texto narrativo, uma carta, o diálogo,
uma entrevista, uma reportagem no jornal escrito ou tele-
LÍNGUA PORTUGUESA

visionado, um bilhete? = Linguagem verbal!


Agora: o semáforo, o apito do juiz numa partida de
futebol, o cartão vermelho, o cartão amarelo, uma dança,
o aviso de “não fume” ou de “silêncio”, o bocejo, a identi-
ficação de “feminino” e “masculino” através de figuras na
porta do banheiro, as placas de trânsito? = Linguagem
não verbal!

10
A linguagem pode ser ainda verbal e não verbal ao Texto Original
mesmo tempo, como nos casos das charges, cartoons e
anúncios publicitários. Minha terra tem palmeiras
Alguns exemplos: Onde canta o sabiá,
Cartão vermelho – denúncia de falta grave no futebol. As aves que aqui gorjeiam
Placas de trânsito. Não gorjeiam como lá.
Imagem indicativa de “silêncio”. (Gonçalves Dias, “Canção do exílio”).
Semáforo com sinal amarelo advertindo “atenção”.
Paráfrase
SITE
Disponível em: <http://www.brasilescola.com/reda- Meus olhos brasileiros se fecham saudosos
cao/linguagem.htm> Minha boca procura a ‘Canção do Exílio’.
Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’?
A Linguagem Literária e a não Literária Eu tão esquecido de minha terra...
Ai terra que tem palmeiras
A linguagem literária é bem diferente da linguagem Onde canta o sabiá!
não literária. A linguagem literária é bela, emotiva, senti- (Carlos Drummond de Andrade, “Europa, França e
mental, trazendo as figuras de linguagem como a metá- Bahia”).
fora, a metonímia, a inversão, etc. Apresenta o fantástico
Este texto de Gonçalves Dias, “Canção do Exílio”, é
que precisa ser descoberto através de uma leitura atenta.
muito utilizado como exemplo de paráfrase e de paródia.
A linguagem não literária é própria para a transmissão
Aqui o poeta Carlos Drummond de Andrade retoma o
do conhecimento, da informação, no âmbito das neces-
texto primitivo conservando suas ideias, não há mudança
sidades da comunicação social. É a língua na sua função
pragmática, empregada pela ciência, pela técnica, pelo do sentido principal do texto, que é a saudade da terra
jornalismo, pela conversação entre os falantes. natal.
Podemos estabelecer o seguinte confronto entre as
duas formas: Paródia

Linguagem Literária Linguagem não Literária A paródia é uma forma de contestar ou ridicularizar
Intralinguística Extralinguística outros textos, há uma ruptura com as ideologias impos-
ambígua clara/exata tas e por isso é objeto de interesse para os estudiosos
conotação denotação da língua e das artes. Ocorre, aqui, um choque de inter-
sugestão precisão pretação, a voz do texto original é retomada para trans-
transfiguração da realidade realidade formar seu sentido, leva o leitor a uma reflexão crítica
subjetiva objetiva de suas verdades incontestadas anteriormente. Com esse
ordem inversa ordem direta processo há uma indagação sobre os dogmas estabeleci-
dos e uma busca pela verdade real, concebida através do
Intertextualidade raciocínio e da crítica. Os programas humorísticos fazem
uso contínuo dessa arte. Frequentemente os discursos
Intertextualidade acontece quando há uma referên- de políticos são abordados de maneira cômica e contes-
cia explícita ou implícita de um texto em outro. Também tadora, provocando risos e também reflexão a respeito
pode ocorrer com outras formas além do texto, música, da demagogia praticada pela classe dominante. Com o
pintura, filme, novela etc. Toda vez que uma obra fizer mesmo texto utilizado anteriormente, teremos, agora,
alusão à outra ocorre a intertextualidade. uma paródia.
Apresenta-se explicitamente quando o autor informa
o objeto de sua citação. Num texto científico, por exem- Texto Original
plo, o autor do texto citado é indicado; já na forma im-
plícita, a indicação é oculta. Por isso é importante para o
Minha terra tem palmeiras
leitor o conhecimento de mundo, um saber prévio, para
Onde canta o sabiá,
reconhecer e identificar quando há um diálogo entre os
As aves que aqui gorjeiam
textos. A intertextualidade pode ocorrer afirmando as
Não gorjeiam como lá.
mesmas ideias da obra citada ou contestando-as. Há
duas formas: a Paráfrase e a Paródia. (Gonçalves Dias, “Canção do exílio”).

Paródia
LÍNGUA PORTUGUESA

Paráfrase

Na paráfrase as palavras são mudadas, porém a ideia Minha terra tem palmares
do texto é confirmada pelo novo texto, a alusão ocorre onde gorjeia o mar
para atualizar, reafirmar os sentidos ou alguns sentidos os passarinhos daqui
do texto citado. É dizer com outras palavras o que já foi não cantam como os de lá.
dito. Temos um exemplo citado por Affonso Romano (Oswald de Andrade, “Canto de regresso à pátria”).
Sant’Anna em seu livro “Paródia, paráfrase & Cia” (p. 23):

11
O nome Palmares, escrito com letra minúscula, subs- Os principais erros cometidos no desenvolvimento
titui a palavra palmeiras, há um contexto histórico, social são o desvio e a desconexão da argumentação. O pri-
e racial neste texto, Palmares é o quilombo liderado por meiro está relacionado ao autor tomar um argumen-
Zumbi, foi dizimado em 1695, há uma inversão do sen- to secundário que se distancia da discussão inicial, ou
tido do texto primitivo que foi substituído pela crítica à quando se concentra em apenas um aspecto do tema e
escravidão existente no Brasil. esquece o seu todo. O segundo caso acontece quando
quem redige tem muitas ideias ou informações sobre o
Estrutura Textual que está sendo discutido, não conseguindo estruturá-
-las. Surge também a dificuldade de organizar seus pen-
Primeiramente, o que nos faz produzir um texto é a samentos e definir uma linha lógica de raciocínio.
capacidade que temos de pensar. Por meio do pensa-
mento, elaboramos todas as informações que recebemos Conclusão
e orientamos as ações que interferem na realidade e or-
ganização de nossos escritos. O que lemos é produto de Considerada como a parte mais importante do texto,
um pensamento transformado em texto. é o ponto de chegada de todas as argumentações ela-
Logo, como cada um de nós tem seu modo de pen- boradas. As ideias e os dados utilizados convergem para
sar, quando escrevemos sempre procuramos uma manei- essa parte, em que a exposição ou discussão se fecha.
ra organizada do leitor compreender as nossas ideias. A Em uma estrutura normal, ela não deve deixar uma
finalidade da escrita é direcionar totalmente o que você brecha para uma possível continuidade do assunto; ou
quer dizer, por meio da comunicação. seja, possui atributos de síntese. A discussão não deve
Para isso, os elementos que compõem o texto se sub- ser encerrada com argumentos repetitivos, como por
dividem em: introdução, desenvolvimento e conclusão. exemplo: “Portanto, como já dissemos antes...”, “Con-
Todos eles devem ser organizados de maneira equilibrada. cluindo...”, “Em conclusão...”.
Sua proporção em relação à totalidade do texto deve
Introdução ser equivalente ao da introdução: de 1/5. Essa é uma das
características de textos bem redigidos.
Caracterizada pela entrada no assunto e a argumen-
Os seguintes erros aparecem quando as conclusões
tação inicial. A ideia central do texto é apresentada nessa
ficam muito longas:
etapa. Essa apresentação deve ser direta, sem rodeios.
 O problema aparece quando não ocorre uma ex-
O seu tamanho raramente excede a 1/5 de todo o tex-
ploração devida do desenvolvimento, o que gera
to. Porém, em textos mais curtos, essa proporção não é
uma invasão das ideias de desenvolvimento na
equivalente. Neles, a introdução pode ser o próprio tí-
conclusão.
tulo. Já nos textos mais longos, em que o assunto é ex-
 Outro fator consequente da insuficiência de fun-
posto em várias páginas, ela pode ter o tamanho de um
damentação do desenvolvimento está na conclu-
capítulo ou de uma parte precedida por subtítulo. Nessa
situação, pode ter vários parágrafos. Em redações mais são precisar de maiores explicações, ficando bas-
comuns, que em média têm de 25 a 80 linhas, a introdu- tante vazia.
ção será o primeiro parágrafo.  Enrolar e “encher linguiça” são muito comuns no
texto em que o autor fica girando em torno de
Desenvolvimento ideias redundantes ou paralelas.
 Uso de frases vazias que, por vezes, são perfeita-
A maior parte do texto está inserida no desenvolvi- mente dispensáveis.
mento, que é responsável por estabelecer uma ligação  Quando não tem clareza de qual é a melhor con-
entre a introdução e a conclusão. É nessa etapa que são clusão, o autor acaba se perdendo na argumenta-
elaboradas as ideias, os dados e os argumentos que sus- ção final.
tentam e dão base às explicações e posições do autor. É
caracterizado por uma “ponte” formada pela organização Em relação à abertura para novas discussões, a con-
das ideias em uma sequência que permite formar uma clusão não pode ter esse formato, exceto pelos seguin-
relação equilibrada entre os dois lados. tes fatores:
O autor do texto revela sua capacidade de discutir um  Para não influenciar a conclusão do leitor sobre
determinado tema no desenvolvimento, e é através des- temas polêmicos, o autor deixa a conclusão em
se que o autor mostra sua capacidade de defender seus aberto.
pontos de vista, além de dirigir a atenção do leitor para  Para estimular o leitor a ler uma possível conti-
a conclusão. As conclusões são fundamentadas a partir nuidade do texto, o autor não fecha a discussão
LÍNGUA PORTUGUESA

daqui. de propósito.
Para que o desenvolvimento cumpra seu objetivo, o  Por apenas apresentar dados e informações so-
escritor já deve ter uma ideia clara de como será a con- bre o tema a ser desenvolvido, o autor não deseja
clusão. Daí a importância em planejar o texto. concluir o assunto.
Em média, o desenvolvimento ocupa 3/5 do texto, no  Para que o leitor tire suas próprias conclusões,
mínimo. Já nos textos mais longos, pode estar inserido o autor enumera algumas perguntas no final do
em capítulos ou trechos destacados por subtítulos. Apre- texto.
sentar-se-á no formato de parágrafos medianos e curtos.

12
A maioria dessas falhas pode ser evitada se antes o  Emprego adequado de tempos e modos verbais:
autor fizer um esboço de todas as suas ideias. Essa técnica Embora não gostassem de estudar, participaram da
é um roteiro, em que estão presentes os planejamentos. aula.
Naquele devem estar indicadas as melhores sequências a  Emprego adequado de pronomes, conjunções,
serem utilizadas na redação; ele deve ser o mais enxuto preposições, artigos:
possível.
O papa Francisco visitou o Brasil. Na capital brasileira,
SITE Sua Santidade participou de uma reunião com a Presiden-
Disponível em: te Dilma. Ao passar pelas ruas, o papa cumprimentava as
<http://producao-de-textos.info/mos/view/Carac- pessoas. Estas tiveram a certeza de que ele guarda respeito
ter%C3%ADsticas_e_Estruturas_do_Texto/> por elas.
 Uso de hipônimos – relação que se estabelece
Coesão e Coerência com base na maior especificidade do significado
de um deles. Por exemplo, mesa (mais específico) e
Na construção de um texto, assim como na fala, usa-
móvel (mais genérico).
mos mecanismos para garantir ao interlocutor a com-
 Emprego de hiperônimos - relações de um termo
preensão do que é dito, ou lido. Estes mecanismos lin-
de sentido mais amplo com outros de sentido mais
guísticos que estabelecem a coesão e retomada do que
foi escrito - ou falado - são os referentes textuais, que específico. Por exemplo, felino está numa relação
buscam garantir a coesão textual para que haja coerência, de hiperonímia com gato.
não só entre os elementos que compõem a oração, como  Substitutos universais, como os verbos vicários.
também entre a sequência de orações dentro do texto.
Essa coesão também pode muitas vezes se dar de modo Verbo vicário é aquele que substitui outro já utilizado
implícito, baseado em conhecimentos anteriores que os no período, evitando repetições. Geralmente é o verbo
participantes do processo têm com o tema. fazer e ser. Exemplo: Não gosto de estudar. Faço porque
Numa linguagem figurada, a coesão é uma linha ima- preciso. O “faço” foi empregado no lugar de “estudo”, evi-
ginária - composta de termos e expressões - que une os tando repetição desnecessária.
diversos elementos do texto e busca estabelecer relações
de sentido entre eles. Dessa forma, com o emprego de A coesão apoiada na gramática se dá no uso de co-
diferentes procedimentos, sejam lexicais (repetição, subs- nectivos, como pronomes, advérbios e expressões ad-
tituição, associação), sejam gramaticais (emprego de verbiais, conjunções, elipses, entre outros. A elipse jus-
pronomes, conjunções, numerais, elipses), constroem-se tifica-se quando, ao remeter a um enunciado anterior,
frases, orações, períodos, que irão apresentar o contexto – a palavra elidida é facilmente identificável (Exemplo.: O
decorre daí a coerência textual. jovem recolheu-se cedo. Sabia que ia necessitar de todas
Um texto incoerente é o que carece de sentido ou o as suas forças. O termo o jovem deixa de ser repetido e,
apresenta de forma contraditória. Muitas vezes essa incoe- assim, estabelece a relação entre as duas orações).
rência é resultado do mau uso dos elementos de coesão
textual. Na organização de períodos e de parágrafos, um Dêiticos são elementos linguísticos que têm a pro-
erro no emprego dos mecanismos gramaticais e lexicais priedade de fazer referência ao contexto situacional ou
prejudica o entendimento do texto. Construído com os ao próprio discurso. Exercem, por excelência, essa fun-
elementos corretos, confere-se a ele uma unidade formal. ção de progressão textual, dada sua característica: são
Nas palavras do mestre Evanildo Bechara, “o enunciado elementos que não significam, apenas indicam, remetem
não se constrói com um amontoado de palavras e orações.
aos componentes da situação comunicativa.
Elas se organizam segundo princípios gerais de dependên-
Já os componentes concentram em si a significação.
cia e independência sintática e semântica, recobertos por
Elisa Guimarães ensina-nos a esse respeito:
unidades melódicas e rítmicas que sedimentam estes prin-
cípios”. “Os pronomes pessoais e as desinências verbais in-
Não se deve escrever frases ou textos desconexos – dicam os participantes do ato do discurso. Os pronomes
é imprescindível que haja uma unidade, ou seja, que as demonstrativos, certas locuções prepositivas e adverbiais,
frases estejam coesas e coerentes formando o texto. Re- bem como os advérbios de tempo, referenciam o momento
lembre-se de que, por coesão, entende-se ligação, rela- da enunciação, podendo indicar simultaneidade, anterio-
ção, nexo entre os elementos que compõem a estrutura ridade ou posterioridade. Assim: este, agora, hoje, neste
textual. momento (presente); ultimamente, recentemente, ontem,
há alguns dias, antes de (pretérito); de agora em diante,
Formas de se garantir a coesão entre os elementos de no próximo ano, depois de (futuro).”
LÍNGUA PORTUGUESA

uma frase ou de um texto


A coerência de um texto está ligada:
 Substituição de palavras com o emprego de sinô- 1. à sua organização como um todo, em que devem
nimos - palavras ou expressões do mesmo campo estar assegurados o início, o meio e o fim;
associativo. 2. à adequação da linguagem ao tipo de texto. Um
 Nominalização – emprego alternativo entre um texto técnico, por exemplo, tem a sua coerência
verbo, o substantivo ou o adjetivo correspondente fundamentada em comprovações, apresentação
(desgastar / desgaste / desgastante). de estatísticas, relato de experiências; um texto

13
informativo apresenta coerência se trabalhar com c) “O nível de dificuldade dos desafios é ajustado pela
linguagem objetiva, denotativa; textos poéticos, rede, para que a moeda cresça dentro de uma faixa
por outro lado, trabalham com a linguagem figura- limitada, que é de até 21 milhões de unidades” [rede]
da, livre associação de ideias, palavras conotativas. d) “Elas são guardadas em uma espécie de carteira, que é
criada quando o usuário se cadastra no software.” [es-
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA pécie ]
CAMPEDELLI, Samira Yousseff, SOUZA, Jésus Barbosa. e) “Críticos afirmam que a moeda vive uma bolha que em
Português – Literatura, Produção de Textos & Gramá- algum momento deve estourar.” [bolha]
tica – volume único – 3.ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2002.
Resposta: Letra E. Em “a”: “Ela é produzida de forma
SITE descentralizada por milhares de computadores, man-
Disponível em: <http://www.mundovestibular.com. tidos por pessoas que (= as quais – retoma o termo
br/articles/2586/1/COESAO-E-COERENCIA-TEXTUAL/ “pessoas”)
Paacutegina1.html> Em “b”: “No processo de nascimento de uma bitcoin,
que é chamado de ‘mineração’ (= o qual - retoma o
termo “processo de nascimento”)
Em “c”: “O nível de dificuldade dos desafios é ajustado
EXERCÍCIOS COMENTADOS pela rede, para que a moeda cresça dentro de uma faixa
limitada, que é de até 21 milhões de unidades” = retoma
1. (BANESTES – ANALISTA ECONÔMICO FINANCEIRO o termo “faixa limitada”
GESTÃO CONTÁBIL – FGV-2018) Em “d”: “Elas são guardadas em uma espécie de carteira,
que é criada (= a qual – retoma “carteira”)
Texto 2 Em “e”: “Críticos afirmam que a moeda vive uma bolha
que (= a qual) em algum momento deve estourar.” [bo-
“A prefeitura da capital italiana anunciou que vai banir a lha] = correta
circulação de carros a diesel no centro a partir de 2024. O
objetivo é reduzir a poluição, que contribui para a erosão 3. (PETROBRAS – ADMINISTRADOR JÚNIOR – CES-
dos monumentos”. GRANRIO-2018-ADAPTADA)
(Veja, 7/3/2018)
O vício da tecnologia
A ordem cronológica dos fatos citados no texto 2 é:
Entusiastas de tecnologia passaram a semana com os
a) redução da poluição / banimento da circulação de car- olhos voltados para uma exposição de novidades eletrô-
ros / erosão dos monumentos; nicas realizada recentemente nos Estados Unidos. Entre as
b) banimento da circulação de carros / erosão dos monu- inovações, estavam produtos relacionados a experiências
mentos / redução da poluição; de realidade virtual e à utilização de inteligência artificial
c) erosão dos monumentos / redução da poluição / bani- — que hoje é um dos temas que mais desperta interesse
mento da circulação de carros;
em profissionais da área, tendo em vista a ampliação do
d) redução da poluição / erosão dos monumentos / bani-
uso desse tipo de tecnologia nos mais diversos segmentos.
mento da circulação de carros;
Mais do que prestar atenção às novidades lançadas no
e) erosão dos monumentos / banimento da circulação de
evento, vale refletir sobre o motivo que nos leva a uma an-
carros / redução da poluição.
siedade tão grande para consumir produtos que prome-
tem inovação tecnológica. Por que tanta gente se dispõe a
Resposta: Letra E. “A prefeitura da capital italiana
dormir em filas gigantescas só para ser um dos primeiros
anunciou que vai banir a circulação de carros a diesel
no centro a partir de 2024. O objetivo é reduzir a po- a comprar um novo modelo de smartphone? Por que nos
luição, que contribui para a erosão dos monumentos”. dispomos a pagar cifras astronômicas para comprar apare-
Primeiro ocorreu a erosão dos monumentos (=1) de- lhos que não temos sequer certeza de que serão realmente
vido à poluição; optou-se pelo banimento da circula- úteis em nossas rotinas?
ção dos carros (=2) para que a poluição diminua (=3), A teoria de um neurocientista da Universidade de Oxford
o que preservará os monumentos. (Inglaterra) ajuda a explicar essa “corrida desenfreada” por
novos gadgets. De modo geral, em nosso processo evoluti-
2. (BANCO DA AMAZÔNIA – TÉCNICO BANCÁRIO – CES- vo como seres humanos, nosso cérebro aprendeu a suprir
GRANRIO-2018) A ideia a que o pronome destacado se necessidades básicas para a sobrevivência e a perpetuação
refere está adequadamente explicitada entre colchetes em: da espécie, tais como sexo, segurança e status social.
LÍNGUA PORTUGUESA

Nesse sentido, a compra de uma novidade tecnológica


a) “Ela é produzida de forma descentralizada por mi- atende a essa última necessidade citada: nós nos senti-
lhares de computadores, mantidos por pessoas que mos melhores e superiores, ainda que momentaneamente,
‘emprestam’ a capacidade de suas máquinas para criar quando surgimos em nossos círculos sociais com um pro-
bitcoins” [computadores] duto que quase ninguém ainda possui.
b) “No processo de nascimento de uma bitcoin, que é Foi realizado um estudo de mapeamento cerebral que
chamado de ´mineração´, os computadores conecta- mostrou que imagens de produtos tecnológicos ativa-
dos à rede competem entre si” [bitcoin] vam partes do nosso cérebro idênticas às que são ativa-

14
das quando uma pessoa muito religiosa se depara com Em “b”: “tendo em vista a ampliação do uso desse tipo
um objeto sagrado. Ou seja, não seria exagero dizer que de tecnologia nos mais diversos segmentos” [inteli-
o vício em novidades tecnológicas é quase uma religião gência artificial]
para os mais entusiastas. Texto: Entre as inovações, estavam produtos relaciona-
O ato de seguir esse impulso cerebral e comprar o mais dos a experiências de realidade virtual e à utilização de
novo lançamento tecnológico dispara em nosso cérebro inteligência artificial — que hoje é um dos temas que
a liberação de um hormônio chamado dopamina, res- mais desperta interesse em profissionais da área, tendo
ponsável por nos causar sensações de prazer. Ele é libera- em vista a ampliação do uso desse tipo de tecnologia
do quando nosso cérebro identifica algo que represente nos mais diversos segmentos.= correta
uma recompensa. Em “c”: “a compra de uma novidade tecnológica aten-
de a essa última necessidade citada” [segurança]
O grande problema é que a busca excessiva por recom-
pensas pode resultar em comportamentos impulsivos, Texto: (...) suprir necessidades básicas para a sobrevi-
que incluem vícios em jogos, apego excessivo a redes vência e a perpetuação da espécie, tais como sexo, se-
sociais e até mesmo alcoolismo. No caso do consumo, gurança e status social. / Nesse sentido, a compra de
podemos observar a situação problematizada aqui: gasto uma novidade tecnológica atende a essa última neces-
excessivo de dinheiro em aparelhos eletrônicos que nem sidade citada... = status social
sempre trazem novidade –– as atualizações de modelos Em “d”: “O ato de seguir esse impulso cerebral e com-
de smartphones, por exemplo, na maior parte das vezes prar o mais novo lançamento tecnológico dispara em
apresentam poucas mudanças em relação ao modelo nosso cérebro a liberação de um hormônio chamado
anterior, considerando-se seu preço elevado. Em outros dopamina” [mapeamento cerebral]
casos, gasta-se uma quantia absurda em algum aparelho (...) vício em novidades tecnológicas é quase uma re-
novo que não se sabe se terá tanta utilidade prática ou ligião para os mais entusiastas. / O ato de seguir esse
inovadora no cotidiano. impulso cerebral e comprar
No fim das contas, vale um lembrete que pode ajudar a Em “e”: “Ele é liberado quando nosso cérebro identi-
conter os impulsos na hora de comprar um novo smart- fica algo que represente uma recompensa.” [impulso
cerebral]
phone ou alguma novidade de mercado: compare o efei-
(...) a liberação de um hormônio chamado dopamina,
to momentâneo da dopamina com o impacto de imagi-
responsável por nos causar sensações de prazer. Ele é
nar como ficarão as faturas do seu cartão de crédito com
liberado = dopamina
a nova compra.
O choque ao constatar o rombo em seu orçamento pode
4. (PETROBRAS – ENGENHEIRO(A) DE MEIO AMBIEN-
ser suficiente para que você decida pensar duas vezes a
TE JÚNIOR – CESGRANRIO-2018)
respeito da aquisição.
DANA, S. O Globo. Economia. Rio de Janeiro, 16 jan.
Texto I
2018. Adaptado.
Portugueses no Rio de Janeiro
A ideia a que a expressão destacada se refere está expli-
citada adequadamente entre colchetes em: O Rio de Janeiro é o grande centro da imigração por-
a) “relacionados a experiências de realidade virtual e à tuguesa até meados dos anos cinquenta do século pas-
utilização de inteligência artificial — que hoje é um sado, quando chega a ser a “terceira cidade portuguesa
dos temas que mais desperta interesse em profissio- do mundo”, possuindo 196 mil portugueses — um déci-
nais da área” [experiências de realidade virtual] mo de sua população urbana. Ali, os portugueses dedi-
b) “tendo em vista a ampliação do uso desse tipo de tec- cam-se ao comércio, sobretudo na área dos comestíveis,
nologia nos mais diversos segmentos” [inteligência como os cafés, as panificações, as leitarias, os talhos,
artificial] além de outros ramos, como os das papelarias e lojas
c) “a compra de uma novidade tecnológica atende a essa de vestuários. Fora do comércio, podem exercer as mais
última necessidade citada” [segurança] variadas profissões, como atividades domésticas ou as de
d) “O ato de seguir esse impulso cerebral e comprar o barbeiros e alfaiates. Há, de igual forma, entre os mais
mais novo lançamento tecnológico dispara em nosso afortunados, aqueles ligados à indústria, voltados para
cérebro a liberação de um hormônio chamado dopa- construção civil, o mobiliário, a ourivesaria e o fabrico de
mina” [mapeamento cerebral] bebidas.
e) “Ele é liberado quando nosso cérebro identifica algo A sua distribuição pela cidade, apesar da não formação
que represente uma recompensa.” [impulso cerebral] de guetos, denota uma tendência para a sua concentra-
LÍNGUA PORTUGUESA

ção em determinados bairros, escolhidos, muitas das ve-


Resposta: Letra B. Ao texto: zes, pela proximidade da zona de trabalho. No Centro da
Em “a”: “relacionados a experiências de realidade vir- cidade, próximo ao grande comércio, temos um grupo
tual e à utilização de inteligência artificial — que hoje significativo de patrícios e algumas associações de por-
é um dos temas que mais desperta interesse em pro- te, como o Real Gabinete Português de Leitura e o Liceu
fissionais da área” [experiências de realidade virtual] Literário Português. Nos bairros da Cidade Nova, Estácio
Nesse caso, a resposta se encontra na alternativa: in- de Sá, Catumbi e Tijuca, outro ponto de concentração
teligência artificial da colônia, se localizam outras associações portuguesas,

15
como a Casa de Portugal e um grande número de casas 6. (MPE-AL - TÉCNICO DO MINISTÉRIO PÚBLICO –
regionais. Há, ainda, pequenas concentrações nos bairros FGV-2018)
periféricos da cidade, como Jacarepaguá, originalmente
formado por quintas de pequenos lavradores; nos subúr- Não Faltou Só Espinafre
bios, como Méier e Engenho Novo; e nas zonas mais pri-
vilegiadas, como Botafogo e restante da zona sul carioca, A crise não trouxe apenas danos sociais e econômicos.
área nobre da cidade a partir da década de cinquenta, Mostrou também danos morais.
preferida pelos mais abastados. Aconteceu num mercadinho de bairro em São Paulo. A
PAULO, Heloísa. Portugueses no Rio de Janeiro: sa- dona, diligente, havia conseguido algumas verduras e
lazaristas e opositores em manifestação na cidade. In: avisou à clientela. Formaram-se uma pequena fila e uma
ALVES, Ida et alii. 450 Anos de Portugueses no Rio de grande discussão. Uma senhora havia arrematado todos
Janeiro. Rio de Janeiro: Ofi cina Raquel, 2017, pp. 260-1. os dez maços de espinafre. No caixa, outras freguesas
Adaptado. perguntaram se ela tinha restaurante. Não tinha. Obser-
“No Centro da cidade, próximo ao grande comércio, te- varam que a verdura acabaria estragada. Ela explicou que
mos um grupo significativo de patrícios e algumas as- ia cozinhar e congelar. Então, foram ao ponto: caramba,
sociações de porte”. No trecho acima, a autora usou em havia outras pessoas na fila, ela não poderia levar só o
itálico a palavra destacada para fazer referência aos que consumiria de imediato?
“Não, estou pagando e cheguei primeiro”, foi a resposta.
a) luso-brasileiros Compras exageradas nos supermercados, estoques do-
b) patriotas da cidade mésticos, filas nervosas nos postos de combustível – teve
c) habitantes da cidade muito comportamento na base de cada um por si.
d) imigrantes portugueses Cabem nessa categoria as greves e manifestações opor-
e) compatriotas brasileiros tunistas. Governo, cedendo, também vou buscar o meu
– tal foi o comportamento de muita gente.
Resposta; Letra D. Ainda hoje é o utilizado o termo Carlos A. Sardenberg, in O Globo, 31/05/2018.
“patrício” para se referir aos portugueses. “Patrício”
significa “da mesma pátria”. “A crise não trouxe apenas danos sociais e econômicos.
Mostrou também danos morais”. A palavra ou expressão
5. (BANESTES – TÉCNICO BANCÁRIO – FGV-2018) do primeiro período que leva à produção do segundo
Todas as frases abaixo apresentam elementos sublinha- período é
dos que estabelecem coesão com elementos anteriores
(anáfora); a frase em que o elemento sublinhado se refe- a) a crise.
re a um elemento futuro do texto (catáfora) é: b) não trouxe.
c) apenas.
a) “A civilização converteu a solidão num dos bens mais d) danos sociais.
preciosos que a alma humana pode desejar”; e) (danos) econômicos.
b) “Todo o problema da vida é este: como romper a pró-
pria solidão”; Resposta; Letra C. 1.º período: A crise não trouxe
c) “É sobretudo na solidão que se sente a vantagem de apenas danos sociais e econômicos.
2.º período: Mostrou também danos morais.
viver com alguém que saiba pensar”;
A expressão que nos dá a ideia de que haverá mais
d) “O homem ama a companhia, mesmo que seja apenas
informações que complementarão a primeira “tese”
a de uma vela que queima”;
apresentada é “apenas”.
e) “As pessoas que nunca têm tempo são aquelas que
produzem menos”.
7. (IBGE – RECENSEADOR – FGV-2017)
Resposta: Letra B. Em “a”: “A civilização converteu
Texto 3 – “Silva, Oliveira, Faria, Ferreira... Todo mundo
a solidão num dos bens mais preciosos que a alma
tem um sobrenome e temos de agradecer aos romanos
humana pode desejar” = retoma “bens preciosos”
por isso. Foi esse povo, que há mais de dois mil anos
Em “b”: “Todo o problema da vida é este: como rom- ergueu um império com a conquista de boa parte das
per a própria solidão” = o pronome se refere ao perío- terras banhadas pelo Mediterrâneo, o inventor da moda.
do que virá (= catáfora) Eles tiveram a ideia de juntar ao nome comum, ou pre-
Em “c”: “É sobretudo na solidão que se sente a vanta- nome, um nome.
gem de viver com alguém que saiba pensar” = retoma
LÍNGUA PORTUGUESA

Por quê? Porque o império romano crescia e eles preci-


“solidão” savam indicar o clã a que a pessoa pertencia ou o lugar
Em “d”: “O homem ama a companhia, mesmo que seja onde tinha nascido”. (Ciência Hoje, março de 2014)
apenas a de uma vela que queima” = retoma “com-
panhia” “Todo mundo tem um sobrenome e temos de agradecer
Em “e”: “As pessoas que nunca têm tempo são aque- aos romanos por isso”. (texto 3) O pronome “isso”, nesse
las que produzem menos” = retoma “pessoas” segmento do texto, se refere a(à):

16
a) todo mundo ter um sobrenome; exige a existência de um poder institucional. Mas a con-
b) sobrenomes citados no início do texto; quista da liberdade humana também reclama a distri-
c) todos os sobrenomes hoje conhecidos; buição do poder em ramos diversos, com a disposição
d) forma latina dos sobrenomes atuais; de meios que assegurem o controle recíproco entre eles
e) existência de sobrenomes nos documentos. para o advento de um cenário de equilíbrio e harmonia
nas sociedades estatais. A concentração do poder em um
Resposta: Letra A. Todo mundo tem um sobrenome só órgão ou pessoa viria sempre em detrimento do exer-
e temos de agradecer aos romanos por isso = ter um cício da liberdade. É que, como observou Montesquieu,
sobrenome. “todo homem que tem poder tende a abusar dele; ele vai
até onde encontra limites. Para que não se possa abusar
8. (MPU – ANALISTA – ANTROPOLOGIA – CESPE-2010) do poder, é preciso que, pela disposição das coisas, o
Inovar é recriar de modo a agregar valor e incrementar a poder limite o poder”.
eficiência, a produtividade e a competitividade nos pro- Até Montesquieu, não eram identificadas com clareza
cessos gerenciais e nos produtos e serviços das organi- as esferas de abrangência dos poderes políticos: “só se
zações. Ou seja, é o fermento do crescimento econômico concebia sua união nas mãos de um só ou, então, sua
e social de um país. Para isso, é preciso criatividade, ca- separação; ninguém se arriscava a apresentar, sob a for-
pacidade de inventar e coragem para sair dos esquemas ma de sistema coerente, as consequências de conceitos
tradicionais. Inovador é o indivíduo que procura respos- diversos”. Pensador francês do século XVIII, Montesquieu
tas originais e pertinentes em situações com as quais ele situa-se entre o racionalismo cartesiano e o empirismo
se defronta. É preciso uma atitude de abertura para as de origem baconiana, não abandonando o rigor das
coisas novas, pois a novidade é catastrófica para os mais certezas matemáticas em suas certezas morais. Porém,
céticos. Pode-se dizer que o caminho da inovação é um refugindo às especulações metafísicas que, no plano da
percurso de difícil travessia para a maioria das institui- idealidade, serviram aos filósofos do pacto social para a
ções. Inovar significa transformar os pontos frágeis de explicação dos fundamentos do Estado ou da sociedade
um empreendimento em uma realidade duradoura e lu- civil, ele procurou ingressar no terreno dos fatos.
crativa. A inovação estimula a comercialização de produ-
Fernanda Leão de Almeida. A garantia institucional
tos ou serviços e também permite avanços importantes
do Ministério Público em função da proteção dos direitos
para toda a sociedade. Porém, a inovação é verdadeira
humanos. Tese de doutorado. São Paulo: USP, 2010, p. 18-
somente quando está fundamentada no conhecimento.
9. Internet: <www.teses.usp.br> (com adaptações).
A capacidade de inovação depende da pesquisa, da ge-
ração de conhecimento. É necessário investir em pesqui-
No trecho “controle recíproco entre”, o pronome “eles” faz
sa para devolver resultados satisfatórios à sociedade. No
referência a “ramos diversos”.
entanto, os resultados desse tipo de investimento não
são necessariamente recursos financeiros ou valores eco-
nômicos, podem ser também a qualidade de vida com ( ) CERTO ( ) ERRADO
justiça social.
Luís Afonso Bermúdez. O fermento tecnológico. In: Resposta: Errado. Ao período: (...) reclama a distri-
Darcy. Revista de jornalismo científico e cultural da Uni- buição do poder em ramos diversos, com a dispo-
versidade de Brasília, novembro e dezembro de 2009, p. sição de meios que assegurem o controle recíproco
37 (com adaptações). entre eles para o advento de um cenário de equilíbrio
e harmonia.
Subentende-se da argumentação do texto que o prono-
me demonstrativo, no trecho “desse tipo de investimen- 10. (PC-PI – AGENTE DE POLÍCIA CIVIL – 3.ª CLAS-
to”, refere-se à ideia de “fermento do crescimento econô- SE – NUCEPE-2018 - ADAPTADA) Alguém apaixonado
mico e social de um país”. sempre atrai novas oportunidades, se destaca do grupo, é
promovido primeiro, é celebrado quando volta de férias,
( ) CERTO ( ) ERRADO é convidado para ser padrinho ou madrinha e para ser
companhia em momentos prazerosos. Quanto melhor vi-
Resposta: Errado. Ao trecho: (...) É necessário inves- vemos, mais motivos surgem para vivermos bem. A pros-
tir em pesquisa para devolver resultados satisfatórios peridade é um ciclo que se retroalimenta. O importante é
à sociedade. No entanto, os resultados desse tipo de decidir fazer parte dele.
investimento = investir em pesquisa / desse tipo de Em: O importante é decidir fazer parte dele, a palavra
investimento. Dele retoma, textualmente,

9. (MPU – ANALISTA DO MPU – CESPE-2015) a) ciclo.


LÍNGUA PORTUGUESA

b) Alguém.
Texto I c) padrinho.
d) grupo.
Na organização do poder político no Estado moderno, e) apaixonado.
à luz da tradição iluminista, o direito tem por função a
preservação da liberdade humana, de maneira a coibir Resposta: Letra A. Voltemos ao período:
a desordem do estado de natureza, que, em virtude do A prosperidade é um ciclo que se retroalimenta. O im-
risco da dominação dos mais fracos pelos mais fortes, portante é decidir fazer parte dele.

17
MECANISMOS DE PRODUÇÃO DE SENTIDOS NOS TEXTOS: METÁFORA, METONÍMIA,
PARALELISMO, AMBIGUIDADE, CITAÇÃO.

FIGURA DE LINGUAGEM, PENSAMENTO E CONSTRUÇÃO

Disponível em: <http://www.terapiadapalavra.com.br/figuras-de-linguagem-na-escrita-literaria/> Acesso abr,


2018.

A figura de palavra consiste na substituição de uma palavra por outra, isto é, no emprego figurado, simbólico,
seja por uma relação muito próxima (contiguidade), seja por uma associação, uma comparação, uma similaridade.
São construções que transformam o significado das palavras para tirar delas maior efeito ou para construir uma
mensagem nova.

1. Tipos de Figuras de Linguagem

1.1. Figuras de Som

Aliteração - Consiste na repetição de consoantes como recurso para intensificação do ritmo ou como efeito sonoro
significativo.
Três pratos de trigo para três tigres tristes.
Vozes veladas, veludosas vozes... (Cruz e Sousa)
Quem com ferro fere com ferro será ferido.

Assonância - Consiste na repetição ordenada de sons vocálicos idênticos: “Sou um mulato nato no sentido lato
mulato democrático do litoral.”

Onomatopeia - Ocorre quando se tentam reproduzir na forma de palavras os sons da realidade: Os sinos faziam
blem, blem, blem.
Paranomásia – é o uso de sons semelhantes em palavras próximas: “A fossa, a bossa, a nossa grande dor...” (Carlos
Lyra)

1.2. Figuras de Palavras ou de Pensamento

1.2.1. Metáfora

Consiste em utilizar uma palavra ou uma expressão em lugar de outra, sem que haja uma relação real, mas em
virtude da circunstância de que o nosso espírito as associa e percebe entre elas certas semelhanças. É o emprego da
LÍNGUA PORTUGUESA

palavra fora de seu sentido normal.

Observação:
Toda metáfora é uma espécie de comparação implícita, em que o elemento comparativo não aparece.
Seus olhos são como luzes brilhantes.
O exemplo acima mostra uma comparação evidente, através do emprego da palavra como.
Observe agora: Seus olhos são luzes brilhantes.

18
Neste exemplo não há mais uma comparação (note a 1.2.3. Catacrese
ausência da partícula comparativa), e sim símile, ou seja,
qualidade do que é semelhante. Trata-se de uma metáfora que, dado seu uso contínuo,
Por fim, no exemplo: As luzes brilhantes olhavam-me. cristalizou-se. A catacrese costuma ocorrer quando, por
Há substituição da palavra olhos por luzes brilhantes. falta de um termo específico para designar um conceito,
Esta é a verdadeira metáfora. toma-se outro “emprestado”. Assim, passamos a empre-
gar algumas palavras fora de seu sentido original. Exem-
Outros exemplos: plos: “asa da xícara”, “batata da perna”, “maçã do rosto”,
“Meu pensamento é um rio subterrâneo.” (Fernando “pé da mesa”, “braço da cadeira”, “coroa do abacaxi”.
Pessoa)
Neste caso, a metáfora é possível na medida em que 1.2.4. Perífrase ou Antonomásia
o poeta estabelece relações de semelhança entre um rio
subterrâneo e seu pensamento (pode estar relacionando Trata-se de uma expressão que designa um ser através
a fluidez, a profundidade, a inatingibilidade, etc.). de alguma de suas características ou atributos, ou de um
fato que o celebrizou. É a substituição de um nome por
Minha alma é uma estrada de terra que leva a lugar outro ou por uma expressão que facilmente o identifique:
algum. A Cidade Maravilhosa (= Rio de Janeiro) continua
Uma estrada de terra que leva a lugar algum é, na fra- atraindo visitantes do mundo todo.
se acima, uma metáfora. Por trás do uso dessa expressão A Cidade-Luz (=Paris)
que indica uma alma rústica e abandonada (e angustia- O rei das selvas (=o leão)
damente inútil), há uma comparação subentendida: Mi-
nha alma é tão rústica, abandonada (e inútil) quanto uma Observação:
estrada de terra que leva a lugar algum. Quando a perífrase indica uma pessoa, recebe o
nome de antonomásia. Exemplos:
A Amazônia é o pulmão do mundo.
O Divino Mestre (= Jesus Cristo) passou a vida prati-
Em sua mente povoa só inveja.
cando o bem.
O Poeta dos Escravos (= Castro Alves) morreu muito
1.2.2. Metonímia (ou sinédoque)
jovem.
O Poeta da Vila (= Noel Rosa) compôs lindas canções.
É a substituição de um nome por outro, em virtude de
existir entre eles algum relacionamento. Tal substituição
1.2.4. Sinestesia
pode acontecer dos seguintes modos:
Autor pela obra: Gosto de ler Machado de Assis. (=
Gosto de ler a obra literária de Machado de Assis). Consiste em mesclar, numa mesma expressão, as sen-
Inventor pelo invento: Édson ilumina o mundo. (= sações percebidas por diferentes órgãos do sentido. É o
As lâmpadas iluminam o mundo). cruzamento de sensações distintas.
Símbolo pelo objeto simbolizado: Não te afastes da Um grito áspero revelava tudo o que sentia. (grito =
cruz. (= Não te afastes da religião). auditivo; áspero = tátil)
Lugar pelo produto do lugar: Fumei um saboroso No silêncio escuro do seu quarto, aguardava os aconte-
Havana. (= Fumei um saboroso charuto). cimentos. (silêncio = auditivo; escuro = visual)
Efeito pela causa: Sócrates bebeu a morte. (= Sócra- Tosse gorda. (sensação auditiva X sensação tátil)
tes tomou veneno).
Causa pelo efeito: Moro no campo e como do meu tra- 1.2.5. Antítese
balho. (= Moro no campo e como o alimento que produzo).
Continente pelo conteúdo: Bebeu o cálice todo. (= Consiste no emprego de palavras que se opõem
Bebeu todo o líquido que estava no cálice). quanto ao sentido. O contraste que se estabelece serve,
Instrumento pela pessoa que utiliza: Os microfones essencialmente, para dar uma ênfase aos conceitos en-
foram atrás dos jogadores. (= Os repórteres foram atrás volvidos que não se conseguiria com a exposição isolada
dos jogadores). dos mesmos. Observe os exemplos:
Parte pelo todo: Várias pernas passavam apressada- “O mito é o nada que é tudo.” (Fernando Pessoa)
mente. (= Várias pessoas passavam apressadamente). O corpo é grande e a alma é pequena.
Gênero pela espécie: Os mortais pensam e sofrem “Quando um muro separa, uma ponte une.”
nesse mundo. (= Os homens pensam e sofrem nesse Não há gosto sem desgosto.
mundo).
Singular pelo plural: A mulher foi chamada para ir às 1.2.6. Paradoxo ou oximoro
LÍNGUA PORTUGUESA

ruas na luta por seus direitos. (= As mulheres foram cha-


madas, não apenas uma mulher). É a associação de ideias, além de contrastantes, con-
Marca pelo produto: Minha filha adora danone. (= traditórias. Seria a antítese ao extremo.
Minha filha adora o iogurte que é da marca Danone). Era dor, sim, mas uma dor deliciosa.
Espécie pelo indivíduo: O homem foi à Lua. (= Alguns Ouvimos as vozes do silêncio.
astronautas foram à Lua).
Símbolo pela coisa simbolizada: A balança penderá
para teu lado. (= A justiça ficará do teu lado).

19
1.2.7. Eufemismo 1.3.2. Gradação (ou clímax)

É o emprego de uma expressão mais suave, mais no- Apresentação de ideias por meio de palavras, sinôni-
bre ou menos agressiva, para comunicar alguma coisa mas ou não, em ordem ascendente (clímax) ou descen-
áspera, desagradável ou chocante. dente (anticlímax). Observe este exemplo:
Depois de muito sofrimento, entregou a alma ao Se- Havia o céu, havia a terra, muita gente e mais Joana
nhor. (= morreu) com seus olhos claros e brincalhões...
O prefeito ficou rico por meios ilícitos. (= roubou) O objetivo do narrador é mostrar a expressividade
Fernando faltou com a verdade. (= mentiu) dos olhos de Joana. Para chegar a este detalhe, ele se
Faltar à verdade. (= mentir) refere ao céu, à terra, às pessoas e, finalmente, a Joana e
seus olhos. Nota-se que o pensamento foi expresso em
1.2.8. Ironia ordem decrescente de intensidade. Outros exemplos:
“Vive só para mim, só para a minha vida, só para meu
É sugerir, pela entoação e contexto, o contrário do amor”. (Olavo Bilac)
que as palavras ou frases expressam, geralmente apre- “O trigo... nasceu, cresceu, espigou, amadureceu, co-
sentando intenção sarcástica. A ironia deve ser muito lheu-se.” (Padre Antônio Vieira)
bem construída para que cumpra a sua finalidade; mal
construída, pode passar uma ideia exatamente oposta à 1.3.3. Elipse
desejada pelo emissor.
Como você foi bem na prova! Não tirou nem a nota Consiste na omissão de um ou mais termos numa
mínima. oração e que podem ser facilmente identificados, tanto
Parece um anjinho aquele menino, briga com todos por elementos gramaticais presentes na própria oração,
que estão por perto. quanto pelo contexto.
O governador foi sutil como um elefante. A catedral da Sé. (a igreja catedral)
Domingo irei ao estádio. (no domingo eu irei ao es-
1.2.9. Hipérbole tádio)

É a expressão intencionalmente exagerada com o in- 1.3.4. Zeugma


tuito de realçar uma ideia.
Faria isso milhões de vezes se fosse preciso. Zeugma é uma forma de elipse. Ocorre quando é fei-
“Rios te correrão dos olhos, se chorares.” (Olavo Bilac) ta a omissão de um termo já mencionado anteriormente.
O concurseiro quase morre de tanto estudar! Ele gosta de geografia; eu, de português. (eu gosto de
português)
1.2.10. Prosopopeia ou Personificação Na casa dela só havia móveis antigos; na minha, só
modernos. (só havia móveis)
É a atribuição de ações ou qualidades de seres ani- Ela gosta de natação; eu, de vôlei. (gosto de)
mados a seres inanimados, ou características humanas a
seres não humanos. Observe os exemplos: 1.3.5. Silepse
As pedras andam vagarosamente.
O livro é um mudo que fala, um surdo que ouve, um A silepse é a concordância que se faz com o termo
cego que guia. que não está expresso no texto, mas, sim, subentendido.
A floresta gesticulava nervosamente diante da serra. É uma concordância anormal, psicológica, porque se faz
Chora, violão. com um termo oculto, facilmente identificado. Há três
1.3. Figuras de Construção ou de Sintaxe tipos de silepse: de gênero, número e pessoa.

1.3.1. Apóstrofe Silepse de Gênero - Os gêneros são masculino e fe-


minino. Ocorre a silepse de gênero quando a concordân-
Consiste na “invocação” de alguém ou de alguma cia se faz com a ideia que o termo comporta. Exemplos:
coisa personificada, de acordo com o objetivo do dis-
curso, que pode ser poético, sagrado ou profano. Carac- A) A bonita Porto Velho sofreu mais uma vez com o
teriza-se pelo chamamento do receptor da mensagem, calor intenso.
seja ele imaginário ou não. A introdução da apóstrofe Neste caso, o adjetivo bonita não está concordando
interrompe a linha de pensamento do discurso, desta-
LÍNGUA PORTUGUESA

com o termo Porto Velho, que gramaticalmente pertence


cando-se assim a entidade a que se dirige e a ideia que ao gênero masculino, mas com a ideia contida no termo
se pretende pôr em evidência com tal invocação. Reali- (a cidade de Porto Velho).
za-se por meio do vocativo. Exemplos:
Moça, que fazes aí parada? B) Vossa Excelência está preocupado.
“Pai Nosso, que estais no céu” O adjetivo preocupado concorda com o sexo da pes-
Deus, ó Deus! Onde estás? soa, que nesse caso é masculino, e não com o termo
Vossa Excelência.

20
Silepse de Número - Os números são singular e Nesta oração, os termos “o problema da violência”
plural. A silepse de número ocorre quando o verbo da e “lo” exercem a mesma função sintática: objeto direto.
oração não concorda gramaticalmente com o sujeito da Assim, temos um pleonasmo do objeto direto, sendo o
oração, mas com a ideia que nele está contida. Exemplos: pronome “lo” classificado como objeto direto pleonástico.
A procissão saiu. Andaram por todas as ruas da cidade Outro exemplo:
de Salvador. Aos funcionários, não lhes interessam tais medidas.
O povo corria por todos os lados e gritavam muito alto. Aos funcionários, lhes = Objeto Indireto

Note que nos exemplos acima, os verbos andaram e Neste caso, há um pleonasmo do objeto indireto, e o
gritavam não concordam gramaticalmente com os sujei- pronome “lhes” exerce a função de objeto indireto pleo-
tos das orações (que se encontram no singular, procissão nástico.
e povo, respectivamente), mas com a ideia que neles está
contida. Procissão e povo dão a ideia de muita gente, por Observação:
O pleonasmo só tem razão de ser quando confere mais
isso que os verbos estão no plural.
vigor à frase; caso contrário, torna-se um pleonasmo vicioso:
Vi aquela cena com meus próprios olhos.
Silepse de Pessoa - Três são as pessoas gramaticais:
Vamos subir para cima.
eu, tu e ele (as três pessoas do singular); nós, vós, eles Ele desceu pra baixo.
(as três do plural). A silepse de pessoa ocorre quando há
um desvio de concordância. O verbo, mais uma vez, não 1.3.8. Anáfora
concorda com o sujeito da oração, mas sim com a pessoa
que está inscrita no sujeito. Exemplos: É a repetição de uma ou mais palavras no início de
O que não compreendo é como os brasileiros persista- várias frases, criando, assim, um efeito de reforço e de
mos em aceitar essa situação. coerência. Pela repetição, a palavra ou expressão em cau-
Os agricultores temos orgulho de nosso trabalho. sa é posta em destaque, permitindo ao escritor valorizar
“Dizem que os cariocas somos poucos dados aos jar- determinado elemento textual. Os termos anafóricos po-
dins públicos.” (Machado de Assis) dem muitas vezes ser substituídos por pronomes.
Encontrei um amigo ontem. Ele me disse que te co-
Observe que os verbos persistamos, temos e somos nhecia.
não concordam gramaticalmente com os seus sujeitos “Tudo cura o tempo, tudo gasta, tudo digere, tudo aca-
(brasileiros, agricultores e cariocas, que estão na terceira ba.” (Padre Vieira)
pessoa), mas com a ideia que neles está contida (nós, os
brasileiros, os agricultores e os cariocas). 1.3.9. Anacoluto

1.3.6. Polissíndeto / Assíndeto Consiste na mudança da construção sintática no meio


da frase, ficando alguns termos desligados do resto do
Para estudarmos as duas figuras de construção é ne- período. É a quebra da estrutura normal da frase para a
cessário recordar um conceito estudado em sintaxe sobre introdução de uma palavra ou expressão sem nenhuma
período composto. No período composto por coordena- ligação sintática com as demais.
ção, podemos ter orações sindéticas ou assindéticas. A Esses alunos da escola, não se pode duvidar deles.
oração coordenada ligada por uma conjunção (conecti- Morrer, todo haveremos de morrer.
Aquele garoto, você não disse que ele chegaria logo?
vo) é sindética; a oração que não apresenta conectivo é
assindética. Recordado esse conceito, podemos definir as
A expressão “esses alunos da escola”, por exemplo,
duas figuras de construção:
deveria exercer a função de sujeito. No entanto, há uma
A) Polissíndeto - É uma figura caracterizada pela re- interrupção da frase e esta expressão fica à parte, não
petição enfática dos conectivos. Observe o exem- exercendo nenhuma função sintática. O anacoluto tam-
plo: O menino resmunga, e chora, e grita, e nin- bém é chamado de “frase quebrada”, pois corresponde
guém faz nada. a uma interrupção na sequência lógica do pensamento.
B) Assíndeto - É uma figura caracterizada pela au-
sência, pela omissão das conjunções coordenati- Observação:
vas, resultando no uso de orações coordenadas O anacoluto deve ser usado com finalidade expressi-
assindéticas. Exemplos: va em casos muito especiais. Em geral, evite-o.
Tens casa, tens roupa, tens amor, tens família.
“Vim, vi, venci.” (Júlio César) 1.3.10. Hipérbato / Inversão
LÍNGUA PORTUGUESA

1.3.7. Pleonasmo É a inversão da estrutura frásica, isto é, a inversão da


ordem direta dos termos da oração, fazendo com que o
Consiste na repetição de um termo ou ideia, com as sujeito venha depois do predicado:
mesmas palavras ou não. A finalidade do pleonasmo é Ao ódio venceu o amor. (Na ordem direta seria: O
realçar a ideia, torná-la mais expressiva. amor venceu ao ódio)
O problema da violência, é necessário resolvê-lo logo. Dos meus problemas cuido eu! (Na ordem direta seria:
Eu cuido dos meus problemas)

21
#FicaDica
O nosso Hino Nacional é um exemplo de hipérbato, já que, na ordem direta, teríamos: “As margens
plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico”.

EXERCÍCIOS COMENTADOS

1. (DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – TÉCNICO SUPERIOR ESPECIALIZADO EM BIBLIO-


TECONOMIA SUPERIOR – FGV/2014 - adaptada) Ao dizer que os shoppings são “cidades”, faz-se o uso de um tipo
de linguagem figurada denominada

a) metonímia.
b) eufemismo.
c) hipérbole.
d) metáfora.
e) catacrese.

Resposta: Letra D. A metáfora consiste em retirar uma palavra de seu contexto convencional (denotativo) e trans-
portá-la para um novo campo de significação (conotativa), por meio de uma comparação implícita, de uma simila-
ridade existente entre as duas.
(Fonte:http://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/metafora-figura-de-palavra-variacoes-e-exemplos.htm)

2. (PREFEITURA DE ARCOVERDE/PE - ADMINISTRADOR DE RECURSOS HUMANOS – SUPERIOR - CONPASS/2014)


Identifique a figura de linguagem presente na tira seguinte:

a) metonímia
b) prosopopeia
c) hipérbole
d) eufemismo
e) onomatopeia

Resposta: Letra D. “Eufemismo = é o emprego de uma expressão mais suave, mais nobre ou menos agressiva, para
comunicar alguma coisa áspera, desagradável ou chocante”. No caso da tirinha, é utilizada a expressão “deram suas
vidas por nós” no lugar de “que morreram por nós”.

3. (CASAL/AL - ADMINISTRADOR DE REDE – SUPERIOR - COPEVE/UFAL/2014)


Está tão quente que dá para fritar um ovo no asfalto.
LÍNGUA PORTUGUESA

O dito popular é, na maioria das vezes, uma figura de linguagem. Entre as 14h30min e às 15h desta terça-feira, horário
do dia em que o calor é mais intenso, a temperatura do asfalto, medida com um termômetro de contato, chegou a
65ºC. Para fritar um ovo, seria preciso que o local alcançasse aproximadamente 90ºC.
Disponível em: http://zerohora.clicrbs.com.br. Acesso em: 22 jan. 2014.

22
O texto cita que o dito popular “está tão quente que dá
para fritar um ovo no asfalto” expressa uma figura de ORTOGRAFIA OFICIAL.
linguagem. O autor do texto refere-se a qual figura de
linguagem?
Ortografia
a) Eufemismo.
b) Hipérbole. A ortografia é a parte da Fonologia que trata da corre-
c) Paradoxo. ta grafia das palavras. É ela quem ordena qual som devem
d) Metonímia. ter as letras do alfabeto. Os vocábulos de uma língua são
e) Hipérbato. grafados segundo acordos ortográficos.
A maneira mais simples, prática e objetiva de apren-
Resposta: Letra B. A expressão é um exagero! Ela ser- der ortografia é realizar muitos exercícios, ver as palavras,
ve apenas para representar o calor excessivo que está familiarizando-se com elas. O conhecimento das regras
fazendo. A figura que é utilizada “mil vezes” (!) para é necessário, mas não basta, pois há inúmeras exceções
atingir tal objetivo é a hipérbole. e, em alguns casos, há necessidade de conhecimento de
etimologia (origem da palavra).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa 1. Regras ortográficas
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co- A) O fonema S
char. Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform. – São escritas com S e não C/Ç
São Paulo: Saraiva, 2010.  Palavras substantivadas derivadas de verbos com
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, radicais em nd, rg, rt, pel, corr e sent: pretender
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira - pretensão / expandir - expansão / ascender - as-
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – censão / inverter - inversão / aspergir - aspersão /
São Paulo: Saraiva, 2002. submergir - submersão / divertir - diversão / impelir
- impulsivo / compelir - compulsório / repelir - repul-
SITES sa / recorrer - recurso / discorrer - discurso / sentir
- sensível / consentir – consensual.
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/se-
coes/estil/estil8.php>
São escritos com SS e não C e Ç
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/se-
 Nomes derivados dos verbos cujos radicais termi-
coes/estil/estil5.php>
nem em gred, ced, prim ou com verbos termina-
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/se-
dos por tir ou - meter: agredir - agressivo / impri-
coes/estil/estil2.php>
mir - impressão / admitir - admissão / ceder - cessão
/ exceder - excesso / percutir - percussão / regredir -
regressão / oprimir - opressão / comprometer - com-
promisso / submeter – submissão.
 Quando o prefixo termina com vogal que se junta
com a palavra iniciada por “s”. Exemplos: a + simé-
trico - assimétrico / re + surgir – ressurgir.
 No pretérito imperfeito simples do subjuntivo.
Exemplos: ficasse, falasse.
São escritos com C ou Ç e não S e SS
 Vocábulos de origem árabe: cetim, açucena, açúcar.
 Vocábulos de origem tupi, africana ou exótica: cipó,
Juçara, caçula, cachaça, cacique.
 Sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, nça, uça,
uçu, uço: barcaça, ricaço, aguçar, empalidecer, car-
niça, caniço, esperança, carapuça, dentuço.
 Nomes derivados do verbo ter: abster - abstenção
/ deter - detenção / ater - atenção / reter – retenção.
 Após ditongos: foice, coice, traição.
 Palavras derivadas de outras terminadas em -te,
to(r): marte - marciano / infrator - infração / absor-
LÍNGUA PORTUGUESA

to – absorção.

B) O fonema z
São escritos com S e não Z
 Sufixos: ês, esa, esia, e isa, quando o radical é
substantivo, ou em gentílicos e títulos nobiliárqui-
cos: freguês, freguesa, freguesia, poetisa, baronesa,
princesa.

23
 Sufixos gregos: ase, ese, ise e ose: catequese, me- São escritas com CH e não X
tamorfose.  Palavras de origem estrangeira: chave, chumbo,
 Formas verbais pôr e querer: pôs, pus, quisera, chassi, mochila, espadachim, chope, sanduíche, sal-
quis, quiseste. sicha.
 Nomes derivados de verbos com radicais termi-
nados em “d”: aludir - alusão / decidir - decisão / E) As letras “e” e “i”
empreender - empresa / difundir – difusão.  Ditongos nasais são escritos com “e”: mãe, põem.
 Diminutivos cujos radicais terminam com “s”: Luís Com “i”, só o ditongo interno cãibra.
- Luisinho / Rosa - Rosinha / lápis – lapisinho.  Verbos que apresentam infinitivo em -oar, -uar
 Após ditongos: coisa, pausa, pouso, causa. são escritos com “e”: caçoe, perdoe, tumultue. Es-
 Verbos derivados de nomes cujo radical termina crevemos com “i”, os verbos com infinitivo em -air,
com “s”: anális(e) + ar - analisar / pesquis(a) + ar -oer e -uir: trai, dói, possui, contribui.
– pesquisar.

São escritos com Z e não S FIQUE ATENTO!


 Sufixos “ez” e “eza” das palavras derivadas de Há palavras que mudam de sentido quan-
adjetivo: macio - maciez / rico – riqueza / belo – do substituímos a grafia “e” pela grafia “i”:
beleza. área (superfície), ária (melodia) / delatar
Sufixos “izar” (desde que o radical da palavra de ori- (denunciar), dilatar (expandir) / emergir
gem não termine com s): final - finalizar / concreto (vir à tona), imergir (mergulhar) / peão (de
– concretizar. estância, que anda a pé), pião (brinquedo).
 Consoante de ligação se o radical não terminar
com “s”: pé + inho - pezinho / café + al - cafezal
Exceção: lápis + inho – lapisinho.
#FicaDica
C) O fonema j
São escritas com G e não J Se o dicionário ainda deixar dúvida quanto
 Palavras de origem grega ou árabe: tigela, girafa, à ortografia de uma palavra, há a possibili-
gesso. dade de consultar o Vocabulário Ortográfi-
 Estrangeirismo, cuja letra G é originária: sargento, co da Língua Portuguesa (VOLP), elaborado
gim. pela Academia Brasileira de Letras. É uma
 Terminações: agem, igem, ugem, ege, oge (com obra de referência até mesmo para a criação
poucas exceções): imagem, vertigem, penugem, de dicionários, pois traz a grafia atualizada
bege, foge. das palavras (sem o significado). Na Internet,
Exceção: pajem. o endereço é www.academia.org.br.

 Terminações: ágio, égio, ígio, ógio, ugio: sortilégio,


litígio, relógio, refúgio. 2. Informações importantes
 Verbos terminados em ger/gir: emergir, eleger, fu-
gir, mugir. Formas variantes são as que admitem grafias ou pro-
 Depois da letra “r” com poucas exceções: emergir, núncias diferentes para palavras com a mesma significa-
surgir. ção: aluguel/aluguer, assobiar/assoviar, catorze/quatorze,
 Depois da letra “a”, desde que não seja radical ter- dependurar/pendurar, flecha/frecha, germe/gérmen, in-
minado com j: ágil, agente. farto/enfarte, louro/loiro, percentagem/porcentagem, re-
lampejar/relampear/relampar/relampadar.
São escritas com J e não G Os símbolos das unidades de medida são escritos
 Palavras de origem latinas: jeito, majestade, hoje. sem ponto, com letra minúscula e sem “s” para indicar
 Palavras de origem árabe, africana ou exótica: plural, sem espaço entre o algarismo e o símbolo: 2kg,
jiboia, manjerona. 20km, 120km/h.
 Palavras terminadas com aje: ultraje. Exceção para litro (L): 2 L, 150 L.

D) O fonema ch Na indicação de horas, minutos e segundos, não


São escritas com X e não CH deve haver espaço entre o algarismo e o símbolo: 14h,
 Palavras de origem tupi, africana ou exótica: aba- 22h30min, 14h23’34’’(= quatorze horas, vinte e três mi-
LÍNGUA PORTUGUESA

caxi, xucro. nutos e trinta e quatro segundos).


 Palavras de origem inglesa e espanhola: xampu, O símbolo do real antecede o número sem espaço:
lagartixa. R$1.000,00. No cifrão deve ser utilizada apenas uma bar-
 Depois de ditongo: frouxo, feixe. ra vertical ($).
 Depois de “en”: enxurrada, enxada, enxoval.
Exceção: quando a palavra de origem não derive de
outra iniciada com ch - Cheio - (enchente)

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ALGUNS USOS ORTOGRÁFICOS ESPECIAIS 3. substantivo, podendo estar precedido de artigo ou
pronome = Há males que vêm pra bem! / O mal
1. Por que / por quê / porquê / porque não compensa.

POR QUE (separado e sem acento) REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
É usado em: Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
1. interrogações diretas (longe do ponto de interro- Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
gação) = Por que você não veio ontem? reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
2. interrogações indiretas, nas quais o “que” equivale Paulo: Saraiva, 2010.
a “qual razão” ou “qual motivo” = Perguntei-lhe por Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
que faltara à aula ontem. ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
3. equivalências a “pelo(a) qual” / “pelos(as) quais” = CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
Ignoro o motivo por que ele se demitiu. Produção de Textos & Gramática. Volume único / Samira
Yousseff, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – São Paulo:
POR QUÊ (separado e com acento) Saraiva, 2002.

Usos: SITE
1. como pronome interrogativo, quando colocado no http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/or-
fim da frase (perto do ponto de interrogação) = tografia
Você faltou. Por quê?
2. quando isolado, em uma frase interrogativa = Por 4. Hífen
quê?
O hífen é um sinal diacrítico (que distingue) usado para
PORQUE (uma só palavra, sem acento gráfico) ligar os elementos de palavras compostas (como ex-presi-
dente, por exemplo) e para unir pronomes átonos a verbos
(ofereceram-me; vê-lo-ei). Serve igualmente para fazer a
Usos:
translineação de palavras, isto é, no fim de uma linha, se-
1. como conjunção coordenativa explicativa (equivale
parar uma palavra em duas partes (ca-/sa; compa-/nheiro).
a “pois”, “porquanto”), precedida de pausa na escri-
ta (pode ser vírgula, ponto-e-vírgula e até ponto
A) Uso do hífen que continua depois da Reforma
final) = Compre agora, porque há poucas peças.
Ortográfica:
2. como conjunção subordinativa causal, substituível
por “pela causa”, “razão de que” = Você perdeu por- 1. Em palavras compostas por justaposição que for-
que se antecipou. mam uma unidade semântica, ou seja, nos termos
que se unem para formam um novo significado:
PORQUÊ (uma só palavra, com acento gráfico) tio-avô, porto-alegrense, luso-brasileiro, tenente-co-
ronel, segunda-feira, conta-gotas, guarda-chuva, ar-
Usos: co-íris, primeiro-ministro, azul-escuro.
1. como substantivo, com o sentido de “causa”, “ra- 2. Em palavras compostas por espécies botânicas e
zão” ou “motivo”, admitindo pluralização (porquês). Ge- zoológicas: couve-flor, bem-te-vi, bem-me-quer, abó-
ralmente é precedido por artigo = Não sei o porquê da bora-menina, erva-doce, feijão-verde.
discussão. É uma pessoa cheia de porquês. 3. Nos compostos com elementos além, aquém, re-
cém e sem: além-mar, recém-nascido, sem-número,
2. ONDE / AONDE recém-casado.
4. No geral, as locuções não possuem hífen, mas algumas
Onde = empregado com verbos que não expressam exceções continuam por já estarem consagradas pelo
a ideia de movimento = Onde você está? uso: cor-de-rosa, arco-da-velha, mais-que-perfeito, pé-
-de-meia, água-de-colônia, queima-roupa, deus-dará.
Aonde = equivale a “para onde”. É usado com verbos 5. Nos encadeamentos de vocábulos, como: ponte Rio-
que expressam movimento = Aonde você vai? -Niterói, percurso Lisboa-Coimbra-Porto e nas com-
binações históricas ou ocasionais: Áustria-Hungria,
3. MAU / MAL Angola-Brasil, etc.
6. Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e su-
Mau = é um adjetivo, antônimo de “bom”. Usa-se per- quando associados com outro termo que é ini-
LÍNGUA PORTUGUESA

como qualificação = O mau tempo passou. / Ele é um ciado por “r”: hiper-resistente, inter-racial, super-ra-
mau elemento. cional, etc.
7. Nas formações com os prefixos ex-, vice-: ex-diretor,
Mal = pode ser usado como ex-presidente, vice-governador, vice-prefeito.
1. conjunção temporal, equivalente a “assim que”, 8. Nas formações com os prefixos pós-, pré- e pró-: pré-
“logo que”, “quando” = Mal se levantou, já saiu. -natal, pré-escolar, pró-europeu, pós-graduação, etc.
2. advérbio de modo (antônimo de “bem”) = Você foi 9. Na ênclise e mesóclise: amá-lo, deixá-lo, dá-se, abra-
mal na prova? ça-o, lança-o e amá-lo-ei, falar-lhe-ei, etc.

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10. Nas formações em que o prefixo tem como segun- REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
do termo uma palavra iniciada por “h”: sub-hepático, SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
geo-história, neo-helênico, extra-humano, semi-hos- Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
pitalar, super-homem.
11. Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo SITE
termina com a mesma vogal do segundo elemento: http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/
micro-ondas, eletro-ótica, semi-interno, auto-obser- ortografia
vação, etc.

O hífen é suprimido quando para formar outros termos:


reaver, inábil, desumano, lobisomem, reabilitar. EXERCÍCIOS COMENTADOS

1. (Polícia Federal – Escrivão de Polícia Federal – Ces-


#FicaDica pe – 2013 – adaptada)
Lembrete da Zê!
A fim de solucionar o litígio, atos sucessivos e concatena-
Ao separar palavras na translineação (mu-
dos são praticados pelo escrivão. Entre eles, estão os atos
dança de linha), caso a última palavra a ser
de comunicação, os quais são indispensáveis para que
escrita seja formada por hífen, repita-o na
os sujeitos do processo tomem conhecimento dos atos
próxima linha. Exemplo: escreverei anti-in-
acontecidos no correr do procedimento e se habilitem a
flamatório e, ao final, coube apenas “anti-”.
exercer os direitos que lhes cabem e a suportar os ônus
Na próxima linha escreverei: “-inflamatório”
que a lei lhes impõe.
(hífen em ambas as linhas). Devido à diagra-
Disponível em: <http://jus.com.br> (com adaptações).
mação, pode ser que a repetição do hífen na
translineação não ocorra em meus conteú-
No que se refere ao texto acima, julgue os itens seguin-
dos, mas saiba que a regra é esta!
tes.
Não haveria prejuízo para a correção gramatical do texto
B) Não se emprega o hífen: nem para seu sentido caso o trecho “A fim de solucionar
1. Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo ter- o litígio” fosse substituído por Afim de dar solução à de-
mina em vogal e o segundo termo inicia-se em “r” ou manda e o trecho “tomem conhecimento dos atos acon-
“s”. Nesse caso, passa-se a duplicar estas consoantes: tecidos no correr do procedimento” fosse, por sua vez,
antirreligioso, contrarregra, infrassom, microssistema, substituído por conheçam os atos havidos no transcurso
minissaia, microrradiografia, etc. do acontecimento.
2. Nas constituições em que o prefixo ou pseudopre-
fixo termina em vogal e o segundo termo inicia-se ( ) CERTO ( ) ERRADO
com vogal diferente: antiaéreo, extraescolar, coedu-
cação, autoestrada, autoaprendizagem, hidroelétrico, Resposta: Errado. “A fim” tem o sentido de “com a
plurianual, autoescola, infraestrutura, etc. intenção de”; já “afim”, “semelhança, afinidade”. Se a
3. Nas formações, em geral, que contêm os prefixos primeira substituição fosse feita, o trecho estaria in-
“dês” e “in” e o segundo elemento perdeu o “h” ini- correto gramatical e coerentemente. Portanto, nem há
cial: desumano, inábil, desabilitar, etc. a necessidade de avaliar a segunda substituição.
4. Nas formações com o prefixo “co”, mesmo quando
o segundo elemento começar com “o”: cooperação,
coobrigação, coordenar, coocupante, coautor, coedi- ACENTUAÇÃO TÔNICA E GRÁFICA.
ção, coexistir, etc.
5. Em certas palavras que, com o uso, adquiriram noção
de composição: pontapé, girassol, paraquedas, para- Acentuação.
quedista, etc.
6. Em alguns compostos com o advérbio “bem”: benfei- Quanto à acentuação, observamos que algumas pa-
to, benquerer, benquerido, etc. lavras têm acento gráfico e outras não; na pronúncia, ora
se dá maior intensidade sonora a uma sílaba, ora a outra.
Os prefixos pós, pré e pró, em suas formas correspon- Por isso, vamos às regras!
dentes átonas, aglutinam-se com o elemento seguinte,
não havendo hífen: pospor, predeterminar, predeterminado, 1. Regras básicas
LÍNGUA PORTUGUESA

pressuposto, propor.
Escreveremos com hífen: anti-horário, anti-infeccioso, A acentuação tônica está relacionada à intensida-
auto-observação, contra-ataque, semi-interno, sobre-huma- de com que são pronunciadas as sílabas das palavras.
no, super-realista, alto-mar. Aquela que se dá de forma mais acentuada, conceitua-se
Escreveremos sem hífen: pôr do sol, antirreforma, an- como sílaba tônica. As demais, como são pronunciadas
tisséptico, antissocial, contrarreforma, minirrestaurante, ul- com menos intensidade, são denominadas de átonas.
trassom, antiaderente, anteprojeto, anticaspa, antivírus, au-
toajuda, autoelogio, autoestima, radiotáxi.

26
De acordo com a tonicidade, as palavras são classifi- C) Proparoxítona: a palavra é proparoxítona quando
cadas como: a sua antepenúltima sílaba é tônica (mais forte). Quanto à
Oxítonas – São aquelas cuja sílaba tônica recai sobre regra de acentuação: todas as proparoxítonas são acen-
a última sílaba: café – coração – Belém – atum – caju – tuadas, independentemente de sua terminação: árvore,
papel paralelepípedo, cárcere.
Paroxítonas – a sílaba tônica recai na penúltima síla-
ba: útil – tórax – táxi – leque – sapato – passível 2.2 Regras especiais
Proparoxítonas - a sílaba tônica está na antepenúlti-
ma sílaba: lâmpada – câmara – tímpano – médico – ônibus Os ditongos de pronúncia aberta “ei”, “oi” (ditongos
abertos), que antes eram acentuados, perderam o acento
Há vocábulos que possuem uma sílaba somente: são de acordo com a nova regra, mas desde que estejam em
os chamados monossílabos. Estes são acentuados quando palavras paroxítonas.
tônicos e terminados em “a”, “e” ou “o”: vá – fé – pó - ré.

2 Os acentos FIQUE ATENTO!


Alerta da Zê! Cuidado: Se os ditongos aber-
A) acento agudo (´) – Colocado sobre as letras “a” tos estiverem em uma palavra oxítona (he-
e “i”, “u” e “e” do grupo “em” - indica que estas letras rói) ou monossílaba (céu) ainda são acen-
representam as vogais tônicas de palavras como pá, caí, tuados: dói, escarcéu.
público. Sobre as letras “e” e “o” indica, além da tonicida-
de, timbre aberto: herói – céu (ditongos abertos).
B) acento circunflexo – (^) Colocado sobre as letras Antes Agora
“a”, “e” e “o” indica, além da tonicidade, timbre fechado:
tâmara – Atlântico – pêsames – supôs. assembléia assembleia
C) acento grave – (`) Indica a fusão da preposição “a” idéia ideia
com artigos e pronomes: à – às – àquelas – àqueles
D) trema (¨) – De acordo com a nova regra, foi total- geléia geleia
mente abolido das palavras. Há uma exceção: é utilizado jibóia jiboia
em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros: apóia (verbo apoiar) apoia
mülleriano (de Müller)
E) til – (~) Indica que as letras “a” e “o” representam paranóico paranoico
vogais nasais: oração – melão – órgão – ímã
2.3 Acento Diferencial
2.1 Regras fundamentais
Representam os acentos gráficos que, pelas regras de
A) Palavras oxítonas: acentuam-se todas as oxítonas acentuação, não se justificariam, mas são utilizados para
terminadas em: “a”, “e”, “o”, “em”, seguidas ou não do plu- diferenciar classes gramaticais entre determinadas pala-
ral(s): Pará – café(s) – cipó(s) – Belém. vras e/ou tempos verbais. Por exemplo:
Esta regra também é aplicada aos seguintes casos: Pôr (verbo) X por (preposição) / pôde (pretérito per-
Monossílabos tônicos terminados em “a”, “e”, “o”, se- feito do Indicativo do verbo “poder”) X pode (presente do
guidos ou não de “s”: pá – pé – dó – há Indicativo do mesmo verbo).
Formas verbais terminadas em “a”, “e”, “o” tônicos, Se analisarmos o “pôr” - pela regra das monossílabas:
seguidas de lo, la, los, las: respeitá-lo, recebê-lo, compô-lo terminada em “o” seguida de “r” não deve ser acentuada,
mas nesse caso, devido ao acento diferencial, acentua-se,
B) Paroxítonas: acentuam-se as palavras paroxítonas para que saibamos se se trata de um verbo ou preposição.
terminadas em: Os demais casos de acento diferencial não são mais
i, is: táxi – lápis – júri utilizados: para (verbo), para (preposição), pelo (substanti-
us, um, uns: vírus – álbuns – fórum vo), pelo (preposição). Seus significados e classes grama-
l, n, r, x, ps: automóvel – elétron - cadáver – tórax – ticais são definidos pelo contexto.
fórceps Polícia para o trânsito para que se realize a operação
ã, ãs, ão, ãos: ímã – ímãs – órfão – órgãos planejada. = o primeiro “para” é verbo; o segundo, con-
ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou junção (com relação de finalidade).
não de “s”: água – pônei – mágoa – memória
#FicaDica
LÍNGUA PORTUGUESA

#FicaDica Quando, na frase, der para substituir o


Memorize a palavra LINURXÃO. Repare que “por” por “colocar”, estaremos trabalhando
esta palavra apresenta as terminações das com um verbo, portanto: “pôr”; nos de-
paroxítonas que são acentuadas: L, I N, U mais casos, “por” é preposição: Faço isso
(aqui inclua UM = fórum), R, X, Ã, ÃO. Assim por você. / Posso pôr (colocar) meus livros
ficará mais fácil a memorização! aqui?

27
2.4 Regra do Hiato Acentuam-se os verbos pertencentes a terceira pessoa
do plural de: ele tem – eles têm / ele vem – eles vêm (verbo
Quando a vogal do hiato for “i” ou “u” tônicos, segun- vir). A regra prevalece também para os verbos conter, obter,
da vogal do hiato, acompanhado ou não de “s”, haverá reter, deter, abster: ele contém – eles contêm, ele obtém – eles
acento: saída – faísca – baú – país – Luís obtêm, ele retém – eles retêm, ele convém – eles convêm.
Não se acentuam o “i” e o “u” que formam hiato
quando seguidos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z: REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Ra-ul, Lu-iz, sa-ir, ju-iz SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se esti- coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
verem seguidas do dígrafo nh: Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Cereja, There-
ra-i-nha, ven-to-i-nha. za Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo: Saraiva, 2010.
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se vie-
rem precedidas de vogal idêntica: xi-i-ta, pa-ra-cu-u-ba SITE
Não serão mais acentuados “i” e “u” tônicos, forman- http://www.brasilescola.com/gramatica/acentuacao.htm
do hiato quando vierem depois de ditongo (nas paroxí-
tonas):
EXERCÍCIOS COMENTADOS
Antes Agora
bocaiúva bocaiuva 1. (Polícia Federal – Agente de Polícia Federal – Cespe
– 2014) Os termos “série” e “história” acentuam-se em con-
feiúra feiura
formidade com a mesma regra ortográfica.
Sauípe Sauipe
( ) CERTO ( ) ERRADO
O acento pertencente aos encontros “oo” e “ee” foi
abolido: Resposta: Certo. “Série” = acentua-se a paroxítona ter-
minada em ditongo / “história” - acentua-se a paroxítona
Antes Agora terminada em ditongo
Ambas são acentuadas devido à regra da paroxítona ter-
crêem creem minada em ditongo.
lêem leem Observação: nestes casos, admitem-se as separações
“sé-ri-e” e “his-tó-ri-as”, o que as tornaria proparoxítonas.
vôo voo
enjôo enjoo 2. (Anatel – Técnico Administrativo – cespe – 2012) Nas
palavras “análise” e “mínimos”, o emprego do acento gráfi-
co tem justificativas gramaticais diferentes.
#FicaDica
( ) CERTO ( ) ERRADO
Memorize a palavra CREDELEVÊ. São os
verbos que, no plural, dobram o “e”, mas Resposta: Errado. Análise = proparoxítona / mínimos =
que não recebem mais acento como antes: proparoxítona. Ambas são acentuadas pela mesma regra
CRER, DAR, LER e VER. (antepenúltima sílaba é tônica, “mais forte”).

Repare: 3. (Ancine – Técnico Administrativo – cespe – 2012) Os


O menino crê em você. / Os meninos creem em você. vocábulos “indivíduo”, “diária” e “paciência” recebem acento
Elza lê bem! / Todas leem bem! gráfico com base na mesma regra de acentuação gráfica.
Espero que ele dê o recado à sala. / Esperamos que os
garotos deem o recado! ( ) CERTO ( ) ERRADO
Rubens vê tudo! / Eles veem tudo!
Resposta: Certo. Indivíduo = paroxítona terminada em
Cuidado! Há o verbo vir: Ele vem à tarde! / Eles vêm
ditongo; diária = paroxítona terminada em ditongo; pa-
à tarde!
ciência = paroxítona terminada em ditongo. Os três vo-
As formas verbais que possuíam o acento tônico na
cábulos são acentuados devido à mesma regra.
raiz, com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de
“e” ou “i” não serão mais acentuadas:
4. (Ibama – Técnico Administrativo – cespe – 2012) As
LÍNGUA PORTUGUESA

palavras “pó”, “só” e “céu” são acentuadas de acordo com a


Antes Depois mesma regra de acentuação gráfica.
apazigúe (apaziguar) apazigue
( ) CERTO ( ) ERRADO
averigúe (averiguar) averigue
argúi (arguir) argui Resposta: Errado. Pó = monossílaba terminada em “o”;
só = monossílaba terminada em “o”; céu = monossílaba
terminada em ditongo aberto “éu”.

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dos nomes terminados em –r e –z, a desinência de
MORFOLOGIA: ESTRUTURA E FORMAÇÃO plural assume a forma -es: mar/mares; revólver/re-
DE PALAVRAS. vólveres; cruz/cruzes.
C.2 Desinências verbais: em nossa língua, as desi-
nências verbais pertencem a dois tipos distintos. Há
desinências que indicam o modo e o tempo (desi-
ESTRUTURA DAS PALAVRAS nências modo-temporais) e outras que indicam o
número e a pessoa dos verbos (desinência núme-
As palavras podem ser analisadas sob o ponto de ro-pessoais):
vista de sua estrutura significativa. Para isso, nós as divi-
dimos em seus menores elementos (partes) possuidores cant-á-va-mos:
de sentido. A palavra inexplicável, por exemplo, é consti- cant: radical / -á-: vogal temática / -va-: desinência
modo-temporal (caracteriza o pretérito imperfeito do in-
tuída por três elementos significativos:
dicativo) / -mos: desinência número-pessoal (caracteriza a
In = elemento indicador de negação primeira pessoa do plural)
Explic – elemento que contém o significado básico
da palavra cant-á-sse-is:
Ável = elemento indicador de possibilidade cant: radical / -á-: vogal temática / -sse-:desinência mo-
do-temporal (caracteriza o pretérito imperfeito do subjun-
Estes elementos formadores da palavra recebem o tivo) / -is: desinência número-pessoal (caracteriza a segun-
nome de morfemas. Através da união das informações da pessoa do plural)
contidas nos três morfemas de inexplicável, pode-se
entender o significado pleno dessa palavra: “aquilo que D) Vogal temática
não tem possibilidade de ser explicado, que não é possível Entre o radical cant- e as desinências verbais, surge
tornar claro”. sempre o morfema –a. Este morfema, que liga o ra-
Morfemas = são as menores unidades significativas dical às desinências, é chamado de vogal temática.
Sua função é ligar-se ao radical, constituindo o cha-
que, reunidas, formam as palavras, dando-lhes sentido.
mado tema. É ao tema (radical + vogal temática)
que se acrescentam as desinências. Tanto os verbos
1. Classificação dos morfemas como os nomes apresentam vogais temáticas. No
caso dos verbos, a vogal temática indica as conjuga-
A) Radical, lexema ou semantema – é o elemento ções: -a (da 1.ª conjugação = cantar), -e (da 2.ª con-
portador de significado. É através do radical que jugação = escrever) e –i (3.ª conjugação = partir).
podemos formar outras palavras comuns a um
D.1 Vogais temáticas nominais: São -a, -e, e -o, quan-
grupo de palavras da mesma família. Exemplo: do átonas finais, como em mesa, artista, perda, es-
pequeno, pequenininho, pequenez. O conjunto de cola, base, combate. Nestes casos, não poderíamos
palavras que se agrupam em torno de um mesmo pensar que essas terminações são desinências indi-
radical denomina-se família de palavras. cadoras de gênero, pois mesa e escola, por exemplo,
B) Afixos – elementos que se juntam ao radical antes não sofrem esse tipo de flexão. É a estas vogais te-
(os prefixos) ou depois (sufixos) dele. Exemplo: máticas que se liga a desinência indicadora de plu-
beleza (sufixo), prever (prefixo), infiel (prefixo). ral: mesa-s, escola-s, perda-s. Os nomes terminados
C) Desinências - Quando se conjuga o verbo amar, em vogais tônicas (sofá, café, cipó, caqui, por exem-
obtêm-se formas como amava, amavas, amava, plo) não apresentam vogal temática.
amávamos, amáveis, amavam. Estas modificações
ocorrem à medida que o verbo vai sendo flexio- D.2 Vogais temáticas verbais: São -a, -e e -i, que
nado em número (singular e plural) e pessoa (pri- caracterizam três grupos de verbos a que se dá o
nome de conjugações. Assim, os verbos cuja vogal
meira, segunda ou terceira). Também ocorrem se
temática é -a pertencem à primeira conjugação;
modificarmos o tempo e o modo do verbo (ama- aqueles cuja vogal temática é -e pertencem à se-
va, amara, amasse, por exemplo). Assim, pode- gunda conjugação e os que têm vogal temática -i
mos concluir que existem morfemas que indicam pertencem à terceira conjugação.
as flexões das palavras. Estes morfemas sempre
surgem no fim das palavras variáveis e recebem o E) Interfixos
nome de desinências. Há desinências nominais e São os elementos (vogais ou consoantes) que se in-
desinências verbais. tercalam entre o radical e o sufixo, para facilitar ou mes-
LÍNGUA PORTUGUESA

C.1 Desinências nominais: indicam o gênero e o mo possibilitar a leitura de uma determinada palavra. Por
número dos nomes. Para a indicação de gênero, o exemplo:
português costuma opor as desinências -o/-a: ga- Vogais: frutífero, gasômetro, carnívoro.
roto/garota; menino/menina. Para a indicação de Consoantes: cafezal, sonolento, friorento.
número, costuma-se utilizar o morfema –s, que in-
dica o plural em oposição à ausência de morfema,
que indica o singular: garoto/garotos; garota/ga-
rotas; menino/meninos; menina/meninas. No caso

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2. Formação das Palavras • Derivação imprópria: a palavra nova (derivada) é
obtida pela mudança de categoria gramatical da
Há em Português palavras primitivas, palavras deriva- palavra primitiva. Não ocorre, pois, alteração na
das, palavras simples, palavras compostas. forma, mas somente na classe gramatical.
A) Palavras primitivas: aquelas que, na língua por- Não entendi o porquê da briga. (o substantivo “por-
tuguesa, não provêm de outra palavra: pedra, flor. quê” deriva da conjunção porque)
B) Palavras derivadas: aquelas que, na língua por- Seu olhar me fascina! (olhar aqui é substantivo, deriva
tuguesa, provêm de outra palavra: pedreiro, flori- do verbo olhar).
cultura.
C) Palavras simples: aquelas que possuem um só ra- #FicaDica
dical: azeite, cavalo.
D) Palavras compostas: aquelas que possuem mais A derivação regressiva “mexe” na estrutura
de um radical: couve-flor, planalto. da palavra, geralmente transforma verbos em
substantivos: caça = deriva de caçar, saque =
As palavras compostas podem ou não ter seus ele- deriva de sacar
mentos ligados por hífen. A derivação imprópria não “mexe” com a pa-
lavra, apenas faz com que ela pertença a uma
2.1. Processos de Formação de Palavras classe gramatical “imprópria” da qual ela real-
mente, ou melhor, costumeiramente faz parte.
A alteração acontece devido à presença de ou-
Na Língua Portuguesa há muitos processos de for-
tros termos, como artigos, por exemplo:
mação de palavras. Entre eles, os mais comuns são a de-
O verde das matas! (o adjetivo “verde” passou a
rivação, a composição, a onomatopeia, a abreviação e o
funcionar como substantivo devido à presença
hibridismo.
do artigo “o”)
2.2. Derivação por Acréscimo de Afixos
2.4. Composição
É o processo pelo qual se obtêm palavras novas (deri-
vadas) pela anexação de afixos à palavra primitiva. A de- Haverá composição quando se juntarem dois ou mais
rivação pode ser: prefixal, sufixal e parassintética. radicais para formar uma nova palavra. Há dois tipos de
composição: justaposição e aglutinação.
A) Prefixal (ou prefixação): a palavra nova é obtida A) Justaposição: ocorre quando os elementos que
por acréscimo de prefixo. formam o composto são postos lado a lado, ou
In feliz / des leal seja, justapostos: para-raios, corre-corre, guarda-
Prefixo radical prefixo radical -roupa, segunda-feira, girassol.
B) Composição por aglutinação: ocorre quando os
B) Sufixal (ou sufixação): a palavra nova é obtida elementos que formam o composto aglutinam-se
por acréscimo de sufixo. e pelo menos um deles perde sua integridade so-
Feliz mente / leal dade nora: aguardente (água + ardente), planalto (plano
Radical sufixo radical sufixo + alto), pernalta (perna + alta), vinagre (vinho +
acre).
C) Parassintética: a palavra nova é obtida pelo acrés-
Onomatopeia – é a palavra que procura reproduzir
cimo simultâneo de prefixo e sufixo. Por parassín-
certos sons ou ruídos: reco-reco, tique-taque, fom-fom.
tese formam-se principalmente verbos.
En trist ecer Abreviação – é a redução de palavras até o limite
Prefixo radical sufixo permitido pela compreensão: moto (motocicleta), pneu
(pneumático), metrô (metropolitano), foto (fotografia).
En tard ecer
prefixo radical sufixo Abreviatura: é a redução na grafia de certas palavras,
limitando-as quase sempre à letra inicial ou às letras ini-
Há dois casos em que a palavra derivada é formada ciais: p. ou pág. (para página), Sr. (para senhor).
sem que haja a presença de afixos. São eles: a derivação
regressiva e a derivação imprópria. Sigla: é um caso especial de abreviatura, na qual se re-
duzem locuções substantivas próprias às suas letras iniciais
LÍNGUA PORTUGUESA

2.3. Derivação (são as siglas puras) ou sílabas iniciais (siglas impuras), que
se grafam de duas formas: IBGE, MEC (siglas puras); DE-
• Derivação regressiva: a palavra nova é obtida por TRAN ou Detran, PETROBRAS ou Petrobras (siglas impuras).
redução da palavra primitiva. Ocorre, sobretudo,
na formação de substantivos derivados de verbos. Hibridismo: é a palavra formada com elementos
janta (substantivo) - deriva de jantar (verbo) / pesca oriundos de línguas diferentes: automóvel (auto: grego;
(substantivo) – deriva de pescar (verbo) móvel: latim); sociologia (socio: latim; logia: grego); sam-
bódromo (samba: dialeto africano; dromo: grego).

30
CLASSES DE PALAVRAS: EMPREGO E
EXERCÍCIOS COMENTADOS
FUNÇÕES. COLOCAÇÃO PRONOMINAL.
1. (RIOPREVIDÊNCIA – ESPECIALISTA EM PREVIDÊN-
CIA SOCIAL – SUPERIOR - CEPERJ/2014) A palavra “in- Adjetivo
fraestrutura” é formada pelo seguinte processo:
É a palavra que expressa uma qualidade ou caracterís-
a) sufixação tica do ser e se relaciona com o substantivo, concordan-
b) prefixação do com este em gênero e número.
c) parassíntese As praias brasileiras estão poluídas.
d) justaposição Praias = substantivo; brasileiras/poluídas = adjetivos
e) aglutinação (plural e feminino, pois concordam com “praias”).

Resposta: Letra B. Infra = prefixo + estrutura – temos 1. Locução adjetiva


a junção de um prefixo com um radical, portanto: de- Locução = reunião de palavras. Sempre que são ne-
rivação prefixal (ou prefixação). cessárias duas ou mais palavras para falar sobre a mes-
ma coisa, tem-se locução. Às vezes, uma preposição +
2. (SECRETARIA DE ESTADO DE DEFESA SOCIAL/MG – substantivo tem o mesmo valor de um adjetivo: é a Lo-
AGENTE DE SEGURANÇA SOCIOEDUCATIVO – MÉDIO cução Adjetiva (expressão que equivale a um adjetivo).
- IBFC/2014) O vocábulo “entristecido” é um exemplo Por exemplo: aves da noite (aves noturnas), paixão sem
de: freio (paixão desenfreada).
a) palavra composta
b) palavra primitiva Observe outros exemplos:
c) palavra derivada
d) neologismo
de águia aquilino
Resposta: Letra C. en + triste + ido (com consoante de aluno discente
de ligação “c”) = ao radical “triste” foram acrescidos o de anjo angelical
prefixo “en” e o sufixo “ido”, ou seja, “entristecido” é
palavra derivada do processo de formação de palavras de ano anual
chamado de: prefixação e sufixação. Para o exercício, de aranha aracnídeo
basta “derivada”!
de boi bovino
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS de cabelo capilar
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
de cabra caprino
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co- de campo campestre ou rural
char. Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform. – de chuva pluvial
São Paulo: Saraiva, 2010.
AMARAL, Emília... [et al.] Português: novas palavras: li- de criança pueril
teratura, gramática, redação. – São Paulo: FTD, 2000. de dedo digital
SITE de estômago estomacal ou gástrico
Disponível em: http://www.brasilescola.com/gramati- de falcão falconídeo
ca/estrutura-e-formacao-de-palavras-i.htm
de farinha farináceo
de fera ferino
de ferro férreo
de fogo ígneo
de garganta gutural
de gelo glacial
de guerra bélico
LÍNGUA PORTUGUESA

de homem viril ou humano


de ilha insular
de inverno hibernal ou invernal
de lago lacustre
de leão leonino

31
de lebre l eporino
de lua lunar ou selênico
de madeira lígneo
de mestre magistral
de ouro áureo
de paixão passional
de pâncreas pancreático
de porco suíno ou porcino
dos quadris ciático
de rio fluvial
de sonho onírico
de velho senil
de vento eólico
de vidro vítreo ou hialino
de virilha inguinal
de visão óptico ou ótico

Observação:
Nem toda locução adjetiva possui um adjetivo correspondente, com o mesmo significado: Vi as alunas da 5ª série.
/ O muro de tijolos caiu.

2 Morfossintaxe do Adjetivo (Função Sintática):


O adjetivo exerce sempre funções sintáticas (função dentro de uma oração) relativas aos substantivos, atuando
como adjunto adnominal ou como predicativo (do sujeito ou do objeto).

3 Adjetivo Pátrio (ou gentílico)


Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser. Observe alguns deles:

Estados e cidades brasileiras:

Alagoas alagoano
Amapá amapaense
Aracaju aracajuano ou aracajuense
Amazonas amazonense ou baré
Belo Horizonte belo-horizontino
Brasília brasiliense
Cabo Frio cabo-friense
Campinas campineiro ou campinense
LÍNGUA PORTUGUESA

32
4 Adjetivo Pátrio Composto

Na formação do adjetivo pátrio composto, o primeiro elemento aparece na forma reduzida e, normalmente, erudita.
Observe alguns exemplos:

África afro- / Cultura afro-americana


Alemanha germano- ou teuto-/Competições teuto-inglesas
América américo- / Companhia américo-africana
Bélgica belgo- / Acampamentos belgo-franceses
China sino- / Acordos sino-japoneses
Espanha hispano- / Mercado hispano-português
Europa euro- / Negociações euro-americanas
França franco- ou galo- / Reuniões franco-italianas
Grécia greco- / Filmes greco-romanos
Inglaterra anglo- / Letras anglo-portuguesas
Itália ítalo- / Sociedade ítalo-portuguesa
Japão nipo- / Associações nipo-brasileiras
Portugal luso- / Acordos luso-brasileiros

5 Flexão dos adjetivos

O adjetivo varia em gênero, número e grau.

6. Gênero dos Adjetivos

Os adjetivos concordam com o substantivo a que se referem (masculino e feminino). De forma semelhante aos
substantivos, classificam-se em:

A) Biformes - têm duas formas, sendo uma para o masculino e outra para o feminino: ativo e ativa, mau e má.
Se o adjetivo é composto e biforme, ele flexiona no feminino somente o último elemento: o moço norte-americano,
a moça norte-americana.
Exceção: surdo-mudo e surda-muda.

B) Uniformes - têm uma só forma tanto para o masculino como para o feminino: homem feliz e mulher feliz.
Se o adjetivo é composto e uniforme, fica invariável no feminino: conflito político-social e desavença político-social.

7 Número dos Adjetivos

A) Plural dos adjetivos simples


Os adjetivos simples se flexionam no plural de acordo com as regras estabelecidas para a flexão numérica dos subs-
tantivos simples: mau e maus, feliz e felizes, ruim e ruins, boa e boas.
Caso o adjetivo seja uma palavra que também exerça função de substantivo, ficará invariável, ou seja, se a palavra
que estiver qualificando um elemento for, originalmente, um substantivo, ela manterá sua forma primitiva. Exemplo: a
palavra cinza é, originalmente, um substantivo; porém, se estiver qualificando um elemento, funcionará como adjetivo.
Ficará, então, invariável. Logo: camisas cinza, ternos cinza.
Motos vinho (mas: motos verdes)
Paredes musgo (mas: paredes brancas).
Comícios monstro (mas: comícios grandiosos).
LÍNGUA PORTUGUESA

B) Adjetivo Composto
É aquele formado por dois ou mais elementos. Normalmente, esses elementos são ligados por hífen. Apenas o últi-
mo elemento concorda com o substantivo a que se refere; os demais ficam na forma masculina, singular. Caso um dos
elementos que formam o adjetivo composto seja um substantivo adjetivado, todo o adjetivo composto ficará invariável.
Por exemplo: a palavra “rosa” é, originalmente, um substantivo, porém, se estiver qualificando um elemento, funcionará
como adjetivo. Caso se ligue a outra palavra por hífen, formará um adjetivo composto; como é um substantivo adjeti-
vado, o adjetivo composto inteiro ficará invariável. Veja:

33
Camisas rosa-claro. B.1 Superlativo Absoluto: ocorre quando a quali-
Ternos rosa-claro. dade de um ser é intensificada, sem relação com outros
Olhos verde-claros. seres. Apresenta-se nas formas:
Calças azul-escuras e camisas verde-mar.  Analítica: a intensificação é feita com o auxílio de
Telhados marrom-café e paredes verde-claras. palavras que dão ideia de intensidade (advérbios).
Por exemplo: O concurseiro é muito esforçado.
Observação:  Sintética: nessa, há o acréscimo de sufixos. Por
Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qualquer exemplo: O concurseiro é esforçadíssimo.
adjetivo composto iniciado por “cor-de-...” são sempre in-
variáveis: roupas azul-marinho, tecidos azul-celeste, vesti- Observe alguns superlativos sintéticos:
dos cor-de-rosa.
O adjetivo composto surdo-mudo tem os dois ele-
mentos flexionados: crianças surdas-mudas. benéfico - beneficentíssimo
bom - boníssimo ou ótimo
8 Grau do Adjetivo
comum - comuníssimo
Os adjetivos se flexionam em grau para indicar a in- cruel - crudelíssimo
tensidade da qualidade do ser. São dois os graus do ad- difícil - dificílimo
jetivo: o comparativo e o superlativo.
doce - dulcíssimo
A) Comparativo fácil - facílimo
Nesse grau, comparam-se a mesma característica
atribuída a dois ou mais seres ou duas ou mais caracte- fiel - fidelíssimo
rísticas atribuídas ao mesmo ser. O comparativo pode ser
de igualdade, de superioridade ou de inferioridade. B.2 Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade
Sou tão alto como você. = Comparativo de Igualdade de um ser é intensificada em relação a um conjunto de
No comparativo de igualdade, o segundo termo da seres. Essa relação pode ser:
comparação é introduzido pelas palavras como, quanto  De Superioridade: Essa matéria é a mais fácil de
ou quão. todas.
 De Inferioridade: Essa matéria é a menos fácil de
Sou mais alto (do) que você. = Comparativo de Su- todas.
perioridade
O superlativo absoluto analítico é expresso por meio
Sílvia é menos alta que Tiago. = Comparativo de In- dos advérbios muito, extremamente, excepcionalmente,
ferioridade antepostos ao adjetivo.
O superlativo absoluto sintético se apresenta sob
Alguns adjetivos possuem, para o comparativo de duas formas: uma erudita - de origem latina – e outra
superioridade, formas sintéticas, herdadas do latim. São popular - de origem vernácula. A forma erudita é cons-
eles: bom /melhor, pequeno/menor, mau/pior, alto/supe- tituída pelo radical do adjetivo latino + um dos sufixos
rior, grande/maior, baixo/inferior. -íssimo, -imo ou érrimo: fidelíssimo, facílimo, paupérrimo;
a popular é constituída do radical do adjetivo português
Observe que: + o sufixo -íssimo: pobríssimo, agilíssimo.
 As formas menor e pior são comparativos de su- Os adjetivos terminados em –io fazem o superlativo
perioridade, pois equivalem a mais pequeno e mais com dois “ii”: frio – friíssimo, sério – seriíssimo; os termi-
mau, respectivamente. nados em –eio, com apenas um “i”: feio - feíssimo, cheio
 Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas – cheíssimo.
(melhor, pior, maior e menor), porém, em compa-
rações feitas entre duas qualidades de um mesmo REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
elemento, deve-se usar as formas analíticas mais Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
bom, mais mau,mais grande e mais pequeno. Por reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
exemplo: Paulo: Saraiva, 2010.
Pedro é maior do que Paulo - Comparação de dois SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
elementos. Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Pedro é mais grande que pequeno - comparação de Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
duas qualidades de um mesmo elemento. ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
LÍNGUA PORTUGUESA

Sou menos alto (do) que você. = Comparativo de In-


ferioridade SITE
Sou menos passivo (do) que tolerante. http://www.sopor tugues.com.br/secoes/morf/
morf32.php
B) Superlativo
O superlativo expressa qualidades num grau muito
elevado ou em grau máximo. Pode ser absoluto ou rela-
tivo e apresenta as seguintes modalidades:

34
Advérbio 2. Classificação dos Advérbios

Compare estes exemplos: De acordo com a circunstância que exprime, o advér-


O ônibus chegou. bio pode ser de:
O ônibus chegou ontem. A) Lugar: aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, aco-
lá, atrás, além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde,
Advérbio é uma palavra invariável que modifica o perto, aí, abaixo, aonde, longe, debaixo, algures, de-
sentido do verbo (acrescentando-lhe circunstâncias de fronte, nenhures, adentro, afora, alhures, nenhures,
tempo, de modo, de lugar, de intensidade), do adjetivo e aquém, embaixo, externamente, à distância, à dis-
do próprio advérbio. tância de, de longe, de perto, em cima, à direita, à
Estudei bastante. = modificando o verbo estudei esquerda, ao lado, em volta.
Ele canta muito bem! = intensificando outro advérbio B) Tempo: hoje, logo, primeiro, ontem, tarde, outrora,
(bem) amanhã, cedo, dantes, depois, ainda, antigamente,
Ela tem os olhos muito claros. = relação com um ad- antes, doravante, nunca, então, ora, jamais, agora,
jetivo (claros) sempre, já, enfim, afinal, amiúde, breve, constan-
temente, entrementes, imediatamente, primeira-
Quando modifica um verbo, o advérbio pode acres- mente, provisoriamente, sucessivamente, às vezes,
centar ideia de: à tarde, à noite, de manhã, de repente, de vez em
Tempo: Ela chegou tarde. quando, de quando em quando, a qualquer mo-
Lugar: Ele mora aqui. mento, de tempos em tempos, em breve, hoje em
Modo: Eles agiram mal. dia.
Negação: Ela não saiu de casa. C) Modo: bem, mal, assim, adrede, melhor, pior, de-
Dúvida: Talvez ele volte. pressa, acinte, debalde, devagar, às pressas, às cla-
ras, às cegas, à toa, à vontade, às escondidas, aos
1. Flexão do Advérbio poucos, desse jeito, desse modo, dessa maneira, em
geral, frente a frente, lado a lado, a pé, de cor, em
Os advérbios são palavras invariáveis, isto é, não apre- vão e a maior parte dos que terminam em “-men-
sentam variação em gênero e número. Alguns advérbios, te”: calmamente, tristemente, propositadamente,
porém, admitem a variação em grau. Observe: pacientemente, amorosamente, docemente, escan-
dalosamente, bondosamente, generosamente.
A) Grau Comparativo D) Afirmação: sim, certamente, realmente, decerto,
Forma-se o comparativo do advérbio do mesmo efetivamente, certo, decididamente, deveras, indu-
modo que o comparativo do adjetivo: bitavelmente.
 de igualdade: tão + advérbio + quanto (como): E) Negação: não, nem, nunca, jamais, de modo algum,
Renato fala tão alto quanto João. de forma nenhuma, tampouco, de jeito nenhum.
 de inferioridade: menos + advérbio + que (do F) Dúvida: acaso, porventura, possivelmente, pro-
que): Renato fala menos alto do que João. vavelmente, quiçá, talvez, casualmente, por certo,
 de superioridade: quem sabe.
A.1 Analítico: mais + advérbio + que (do que): Renato G) Intensidade: muito, demais, pouco, tão, em ex-
fala mais alto do que João. cesso, bastante, mais, menos, demasiado, quanto,
A.2 Sintético: melhor ou pior que (do que): Renato quão, tanto, assaz, que (equivale a quão), tudo,
fala melhor que João. nada, todo, quase, de todo, de muito, por completo,
extremamente, intensamente, grandemente, bem
B) Grau Superlativo (quando aplicado a propriedades graduáveis).
O superlativo pode ser analítico ou sintético: H) Exclusão: apenas, exclusivamente, salvo, senão, so-
B.1 Analítico: acompanhado de outro advérbio: Re- mente, simplesmente, só, unicamente. Por exemplo:
nato fala muito alto. Brando, o vento apenas move a copa das árvores.
muito = advérbio de intensidade / alto = advérbio I) Inclusão: ainda, até, mesmo, inclusivamente, tam-
de modo bém. Por exemplo: O indivíduo também amadurece
B.2 Sintético: formado com sufixos: Renato fala al- durante a adolescência.
tíssimo. J) Ordem: depois, primeiramente, ultimamente. Por
exemplo: Primeiramente, eu gostaria de agradecer
Observação: aos meus amigos por comparecerem à festa.
As formas diminutivas (cedinho, pertinho, etc.) são
LÍNGUA PORTUGUESA

comuns na língua popular. Saiba que:


Maria mora pertinho daqui. (muito perto) Para se exprimir o limite de possibilidade, antepõe-se
A criança levantou cedinho. (muito cedo) ao advérbio “o mais” ou “o menos”. Por exemplo: Ficarei
o mais longe que puder daquele garoto. Voltarei o menos
tarde possível.
Quando ocorrem dois ou mais advérbios em -mente,
em geral sufixamos apenas o último: O aluno respondeu
calma e respeitosamente.

35
3. Distinção entre Advérbio e Pronome Indefinido Usam-se, de preferência, as formas mais bem e mais
mal antes de adjetivos ou de verbos no particípio:
Há palavras como muito, bastante, que podem apare- Essa matéria é mais bem interessante que aquela.
cer como advérbio e como pronome indefinido. Nosso aluno foi o mais bem colocado no concurso!
O numeral “primeiro”, ao modificar o verbo, é advér-
Advérbio: refere-se a um verbo, adjetivo, ou a outro bio: Cheguei primeiro.
advérbio e não sofre flexões. Por exemplo: Eu corri muito.
Pronome Indefinido: relaciona-se a um substantivo Quanto a sua função sintática: o advérbio e a locução
e sofre flexões. Por exemplo: Eu corri muitos quilômetros. adverbial desempenham na oração a função de adjunto
adverbial, classificando-se de acordo com as circunstân-
cias que acrescentam ao verbo, ao adjetivo ou ao advér-
#FicaDica bio. Exemplo:
Meio cansada, a candidata saiu da sala. = adjunto ad-
Como saber se a palavra bastante é advérbio verbial de intensidade (ligado ao adjetivo “cansada”)
(não varia, não se flexiona) ou pronome Trovejou muito ontem. = adjunto adverbial de intensi-
indefinido (varia, sofre flexão)? Se der, na dade e de tempo, respectivamente.
frase, para substituir o “bastante” por “muito”,
estamos diante de um advérbio; se der para REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
substituir por “muitos” (ou muitas), é um Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
pronome. Veja: reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
1. Estudei bastante para o concurso. (estudei Paulo: Saraiva, 2010.
muito, pois “muitos” não dá!) = advérbio Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
2. Estudei bastantes capítulos para o concurso. ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
(estudei muitos capítulos) = pronome indefinido SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.

4. Advérbios Interrogativos SITE


http://www.sopor tugues.com.br/secoes/morf/
São as palavras: onde? aonde? donde? quando? como? morf75.php
por quê? nas interrogações diretas ou indiretas, referen-
tes às circunstâncias de lugar, tempo, modo e causa. Veja: Artigo

Interrogação Direta Interrogação Indireta O artigo integra as dez classes gramaticais, definindo-
-se como o termo variável que serve para individualizar
Como aprendeu? Perguntei como aprendeu. ou generalizar o substantivo, indicando, também, o gê-
Onde mora? Indaguei onde morava. nero (masculino/feminino) e o número (singular/plural).
Os artigos se subdividem em definidos (“o” e as va-
Por que choras? Não sei por que choras. riações “a”[as] e [os]) e indefinidos (“um” e as variações
Aonde vai? Perguntei aonde ia. “uma”[s] e “uns]).
Donde vens? Pergunto donde vens.
A) Artigos definidos – São usados para indicar se-
Quando voltas? Pergunto quando voltas. res determinados, expressos de forma individual: O
concurseiro estuda muito. Os concurseiros estudam
5. Locução Adverbial muito.
B) Artigos indefinidos – usados para indicar seres de
Quando há duas ou mais palavras que exercem fun- modo vago, impreciso: Uma candidata foi aprova-
ção de advérbio, temos a locução adverbial, que pode da! Umas candidatas foram aprovadas!
expressar as mesmas noções dos advérbios. Iniciam ordi-
nariamente por uma preposição. Veja: 1. Circunstâncias em que os artigos se manifestam:
A) lugar: à esquerda, à direita, de longe, de perto,
para dentro, por aqui, etc. Considera-se obrigatório o uso do artigo depois do
B) afirmação: por certo, sem dúvida, etc. numeral “ambos”: Ambos os concursos cobrarão tal con-
C) modo: às pressas, passo a passo, de cor, em vão, teúdo.
em geral, frente a frente, etc. Nomes próprios indicativos de lugar (ou topônimos)
LÍNGUA PORTUGUESA

D) tempo: de noite, de dia, de vez em quando, à tarde, admitem o uso do artigo, outros não: São Paulo, O Rio de
hoje em dia, nunca mais, etc. Janeiro, Veneza, A Bahia...
A locução adverbial e o advérbio modificam o verbo, Quando indicado no singular, o artigo definido pode
o adjetivo e outro advérbio: indicar toda uma espécie: O trabalho dignifica o homem.
Chegou muito cedo. (advérbio) No caso de nomes próprios personativos, denotando
Joana é muito bela. (adjetivo) a ideia de familiaridade ou afetividade, é facultativo o uso
De repente correram para a rua. (verbo) do artigo: Marcela é a mais extrovertida das irmãs. / O
Pedro é o xodó da família.

36
No caso de os nomes próprios personativos estarem 1. Morfossintaxe da Conjunção
no plural, são determinados pelo uso do artigo: Os Maias,
os Incas, Os Astecas... As conjunções, a exemplo das preposições, não exer-
Usa-se o artigo depois do pronome indefinido todo(a) cem propriamente uma função sintática: são conectivos.
para conferir uma ideia de totalidade. Sem o uso dele (do
artigo), o pronome assume a noção de “qualquer”. 2. Classificação da Conjunção
Toda a classe parabenizou o professor. (a sala toda)
Toda classe possui alunos interessados e desinteressa- De acordo com o tipo de relação que estabelecem,
dos. (qualquer classe) as conjunções podem ser classificadas em coordenati-
Antes de pronomes possessivos, o uso do artigo é fa- vas e subordinativas. No primeiro caso, os elementos
cultativo: Preparei o meu curso. Preparei meu curso. ligados pela conjunção podem ser isolados um do outro.
A utilização do artigo indefinido pode indicar uma Esse isolamento, no entanto, não acarreta perda da uni-
ideia de aproximação numérica: O máximo que ele deve dade de sentido que cada um dos elementos possui. Já
ter é uns vinte anos. no segundo caso, cada um dos elementos ligados pela
O artigo também é usado para substantivar palavras conjunção depende da existência do outro. Veja:
pertencentes a outras classes gramaticais: Não sei o por- Estudei muito, mas ainda não compreendi o conteúdo.
quê de tudo isso. / O bem vence o mal. Podemos separá-las por ponto:
Estudei muito. Ainda não compreendi o conteúdo.
2. Há casos em que o artigo definido não pode ser
usado: Temos acima um exemplo de conjunção (e, conse-
Antes de nomes de cidade (topônimo) e de pessoas quentemente, orações coordenadas) coordenativa –
conhecidas: O professor visitará Roma. “mas”. Já em:
Espero que eu seja aprovada no concurso!
Mas, se o nome apresentar um caracterizador, a pre- Não conseguimos separar uma oração da outra, pois
sença do artigo será obrigatória: O professor visitará a a segunda “completa” o sentido da primeira (da oração
bela Roma. principal): Espero o quê? Ser aprovada. Nesse período te-
mos uma oração subordinada substantiva objetiva direta
(ela exerce a função de objeto direto do verbo da oração
Antes de pronomes de tratamento: Vossa Senhoria
principal).
sairá agora?
Exceção: O senhor vai à festa?
3. Conjunções Coordenativas
Após o pronome relativo “cujo” e suas variações: Esse
São aquelas que ligam orações de sentido completo
é o concurso cujas provas foram anuladas?/ Este é o can-
e independente ou termos da oração que têm a mesma
didato cuja nota foi a mais alta. função gramatical. Subdividem-se em:
A) Aditivas: ligam orações ou palavras, expressando
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ideia de acréscimo ou adição. São elas: e, nem (= e
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- não), não só... mas também, não só... como também,
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São bem como, não só... mas ainda.
Paulo: Saraiva, 2010. A sua pesquisa é clara e objetiva.
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- Não só dança, mas também canta.
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.SAC-
CONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. B) Adversativas: ligam duas orações ou palavras,
30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. expressando ideia de contraste ou compensação.
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce- São elas: mas, porém, contudo, todavia, entretanto,
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São no entanto, não obstante.
Paulo: Saraiva, 2010. Tentei chegar mais cedo, porém não consegui.

SITE C) Alternativas: ligam orações ou palavras, expres-


http://www.brasilescola.com/gramatica/artigo.htm sando ideia de alternância ou escolha, indicando
fatos que se realizam separadamente. São elas: ou,
ou... ou, ora... ora, já... já, quer... quer, seja... seja, tal-
Conjunção vez... talvez.
Ou escolho agora, ou fico sem presente de aniversário.
Além da preposição, há outra palavra também inva-
LÍNGUA PORTUGUESA

riável que, na frase, é usada como elemento de ligação: D) Conclusivas: ligam a oração anterior a uma oração
a conjunção. Ela serve para ligar duas orações ou duas que expressa ideia de conclusão ou consequência.
palavras de mesma função em uma oração: São elas: logo, pois (depois do verbo), portanto, por
O concurso será realizado nas cidades de Campinas e conseguinte, por isso, assim.
São Paulo. Marta estava bem preparada para o teste, portanto
A prova não será fácil, por isso estou estudando muito. não ficou nervosa.
Você nos ajudou muito; terá, pois, nossa gratidão.

37
E) Explicativas: ligam a oração anterior a uma oração
que a explica, que justifica a ideia nela contida. São #FicaDica
elas: que, porque, pois (antes do verbo), porquanto. Você deve ter percebido que a conjunção con-
Não demore, que o filme já vai começar. dicional “se” também é conjunção integrante.
Falei muito, pois não gosto do silêncio! A diferença é clara ao ler as orações que são
introduzidas por ela. Acima, ela nos dá a ideia
4. Conjunções Subordinativas da condição para que recebamos um telefo-
nema (se for preciso ajuda). Já na oração: Não
São aquelas que ligam duas orações, sendo uma de- sei se farei o concurso. Não há ideia de
las dependente da outra. A oração dependente, intro- condição alguma, há? Outra coisa: o verbo da
duzida pelas conjunções subordinativas, recebe o nome oração principal (sei) pede complemento (ob-
de oração subordinada. Veja o exemplo: O baile já tinha jeto direto, já que “quem não sabe, não sabe
começado quando ela chegou. algo”). Portanto, a oração em destaque exerce
O baile já tinha começado: oração principal a função de objeto direto da oração principal,
quando: conjunção subordinativa (adverbial tempo- sendo classificada como oração subordinada
ral) substantiva objetiva direta.
ela chegou: oração subordinada

As conjunções subordinativas subdividem-se em in- D) Conformativas: introduzem uma oração que ex-
tegrantes e adverbiais: prime a conformidade de um fato com outro. São
elas: conforme, como (= conforme), segundo, con-
Integrantes - Indicam que a oração subordinada por soante, etc.
elas introduzida completa ou integra o sentido da prin- O passeio ocorreu como havíamos planejado.
cipal. Introduzem orações que equivalem a substantivos,
ou seja, as orações subordinadas substantivas. São elas: E) Finais: introduzem uma oração que expressa a fi-
que, se. nalidade ou o objetivo com que se realiza a oração
Quero que você volte. (Quero sua volta) principal. São elas: para que, a fim de que, que, por-
que (= para que), que, etc.
Adverbiais - Indicam que a oração subordinada exer- Toque o sinal para que todos entrem no salão.
ce a função de adjunto adverbial da principal. De acordo
com a circunstância que expressam, classificam-se em: F) Proporcionais: introduzem uma oração que ex-
pressa um fato relacionado proporcionalmente à
A) Causais: introduzem uma oração que é causa da ocorrência do expresso na principal. São elas: à
ocorrência da oração principal. São elas: porque, medida que, à proporção que, ao passo que e as
que, como (= porque, no início da frase), pois que, combinações quanto mais... (mais), quanto me-
visto que, uma vez que, porquanto, já que, desde nos... (menos), quanto menos... (mais), quanto me-
que, etc. nos... (menos), etc.
Ele não fez a pesquisa porque não dispunha de meios. O preço fica mais caro à medida que os produtos es-
casseiam.
B) Concessivas: introduzem uma oração que expres-
Observação:
sa ideia contrária à da principal, sem, no entanto,
São incorretas as locuções proporcionais à medida
impedir sua realização. São elas: embora, ainda
em que, na medida que e na medida em que.
que, apesar de que, se bem que, mesmo que, por
mais que, posto que, conquanto, etc.
G) Temporais: introduzem uma oração que acrescen-
Embora fosse tarde, fomos visitá-lo.
ta uma circunstância de tempo ao fato expresso na
oração principal. São elas: quando, enquanto, antes
C) Condicionais: introduzem uma oração que indica
que, depois que, logo que, todas as vezes que, desde
a hipótese ou a condição para ocorrência da princi- que, sempre que, assim que, agora que, mal (= as-
pal. São elas: se, caso, contanto que, salvo se, a não sim que), etc.
ser que, desde que, a menos que, sem que, etc. A briga começou assim que saímos da festa.
Se precisar de minha ajuda, telefone-me.
H) Comparativas: introduzem uma oração que ex-
pressa ideia de comparação com referência à ora-
LÍNGUA PORTUGUESA

ção principal. São elas: como, assim como, tal como,


como se, (tão)... como, tanto como, tanto quanto, do
que, quanto, tal, qual, tal qual, que nem, que (com-
binado com menos ou mais), etc.
O jogo de hoje será mais difícil que o de ontem.

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I) Consecutivas: introduzem uma oração que expressa As interjeições cumprem, normalmente, duas funções:
a consequência da principal. São elas: de sorte que, A) Sintetizar uma frase exclamativa, exprimindo ale-
de modo que, sem que (= que não), de forma que, gria, tristeza, dor, etc.: Ah, deve ser muito interes-
de jeito que, que (tendo como antecedente na oração sante!
principal uma palavra como tal, tão, cada, tanto, ta- B) Sintetizar uma frase apelativa: Cuidado! Saia da mi-
manho), etc. nha frente.
Estudou tanto durante a noite que dormiu na hora do
exame. As interjeições podem ser formadas por:
 simples sons vocálicos: Oh!, Ah!, Ó, Ô
FIQUE ATENTO!  palavras: Oba! Olá! Claro!
Muitas conjunções não têm classificação única,  grupos de palavras (locuções interjetivas): Meu
imutável, devendo, portanto, ser classificadas Deus! Ora bolas!
de acordo com o sentido que apresentam no
contexto (destaque da Zê!). 1. Classificação das Interjeições

Comumente, as interjeições expressam sentido de:


A) Advertência: Cuidado! Devagar! Calma! Sentido!
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Atenção! Olha! Alerta!
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa B) Afugentamento: Fora! Passa! Rua!
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. C) Alegria ou Satisfação: Oh! Ah! Eh! Oba! Viva!
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- D) Alívio: Arre! Uf! Ufa! Ah!
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São E) Animação ou Estímulo: Vamos! Força! Coragem!
Paulo: Saraiva, 2010. Ânimo! Adiante!
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- F) Aplauso ou Aprovação: Bravo! Bis! Apoiado! Viva!
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
G) Concordância: Claro! Sim! Pois não! Tá!
H) Repulsa ou Desaprovação: Credo! Ih! Francamen-
SITE
te! Essa não! Chega! Basta!
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf84.
I) Desejo ou Intenção: Pudera! Tomara! Oxalá! Quei-
php
ra Deus!
J) Desculpa: Perdão!
Interjeição
K) Dor ou Tristeza: Ai! Ui! Ai de mim! Que pena!
Interjeição é a palavra invariável que exprime emo- L) Dúvida ou Incredulidade: Que nada! Qual o quê!
ções, sensações, estados de espírito. É um recurso da M) Espanto ou Admiração: Oh! Ah! Uai! Puxa! Céus!
linguagem afetiva, em que não há uma ideia organizada Quê! Caramba! Opa! Nossa! Hein? Cruz! Putz!
de maneira lógica, como são as sentenças da língua, mas N) Impaciência ou Contrariedade: Hum! Raios!
sim a manifestação de um suspiro, um estado da alma de- Puxa! Pô! Ora!
corrente de uma situação particular, um momento ou um O) Pedido de Auxílio: Socorro! Aqui! Piedade!
contexto específico. Exemplos: P) Saudação, Chamamento ou Invocação: Salve!
Ah, como eu queria voltar a ser criança! Viva! Olá! Alô! Tchau! Psiu! Socorro! Valha-me,
ah: expressão de um estado emotivo = interjeição Deus!
Hum! Esse pudim estava maravilhoso! Q) Silêncio: Psiu! Silêncio!
hum: expressão de um pensamento súbito = interjei- R) Terror ou Medo: Credo! Cruzes! Minha nossa!
ção
O significado das interjeições está vinculado à maneira Saiba que:
como elas são proferidas. O tom da fala é que dita o senti- As interjeições são palavras invariáveis, isto é, não so-
do que a expressão vai adquirir em cada contexto em que frem variação em gênero, número e grau como os no-
for utilizada. Exemplos: mes, nem de número, pessoa, tempo, modo, aspecto e
voz como os verbos. No entanto, em uso específico, al-
Psiu! gumas interjeições sofrem variação em grau. Não se trata
contexto: alguém pronunciando esta expressão na rua; de um processo natural desta classe de palavra, mas tão
significado da interjeição (sugestão): “Estou te chamando! só uma variação que a linguagem afetiva permite. Exem-
Ei, espere!” plos: oizinho, bravíssimo, até loguinho.

Psiu! 2. Locução Interjetiva


LÍNGUA PORTUGUESA

contexto: alguém pronunciando em um hospital; signi-


ficado da interjeição (sugestão): “Por favor, faça silêncio!” Ocorre quando duas ou mais palavras formam uma
expressão com sentido de interjeição: Ora bolas!, Virgem
Puxa! Ganhei o maior prêmio do sorteio! Maria!, Meu Deus!, Ó de casa!, Ai de mim!, Graças a Deus!
puxa: interjeição; tom da fala: euforia Toda frase mais ou menos breve dita em tom excla-
mativo torna-se uma locução interjetiva, dispensando
Puxa! Hoje não foi meu dia de sorte! análise dos termos que a compõem: Macacos me mor-
puxa: interjeição; tom da fala: decepção dam!, Valha-me Deus!, Quem me dera!

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1. As interjeições são como frases resumidas, sinté-
ticas. Por exemplo: Ué! (= Eu não esperava por #FicaDica
essa!) / Perdão! (= Peço-lhe que me desculpe)
As palavras anterior, posterior, último, antepe-
2. Além do contexto, o que caracteriza a interjeição é
núltimo, final e penúltimo também indicam
o seu tom exclamativo; por isso, palavras de outras
posição dos seres, mas são classificadas como
classes gramaticais podem aparecer como inter-
adjetivos, não ordinais.
jeições. Por exemplo: Viva! Basta! (Verbos) / Fora!
Francamente! (Advérbios)
3. A interjeição pode ser considerada uma “palavra-
-frase” porque sozinha pode constituir uma men- C) Fracionários: indicam parte de uma quantidade,
sagem. Por exemplo: Socorro! Ajudem-me! Silêncio! ou seja, uma divisão dos seres: meio, terço, dois
Fique quieto! quintos, etc.
4. Há, também, as interjeições onomatopaicas ou imi- D) Multiplicativos: expressam ideia de multiplicação
tativas, que exprimem ruídos e vozes. Por exemplo: dos seres, indicando quantas vezes a quantidade
Miau! Bumba! Zás! Plaft! Pof! Catapimba! Tique-ta- foi aumentada: dobro, triplo, quíntuplo, etc.
que! Quá-quá-quá!, etc.
5. Não se deve confundir a interjeição de apelo “ó” 2. Flexão dos numerais
com a sua homônima “oh!”, que exprime admira-
ção, alegria, tristeza, etc. Faz-se uma pausa depois Os numerais cardinais que variam em gênero são um/
do “oh!” exclamativo e não a fazemos depois do uma, dois/duas e os que indicam centenas de duzentos/
“ó” vocativo. Por exemplo: “Ó natureza! ó mãe pie- duzentas em diante: trezentos/trezentas, quatrocentos/
dosa e pura!” (Olavo Bilac) quatrocentas, etc. Cardinais como milhão, bilhão, trilhão,
variam em número: milhões, bilhões, trilhões. Os demais
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS cardinais são invariáveis.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Os numerais ordinais variam em gênero e número:
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português – Literatura, Produção de Textos & Gramá- primeiro segundo milésimo
tica – volume único / Samira Yousseff Campedelli, Jésus
Barbosa Souza. – 3. Ed. – São Paulo: Saraiva, 2002. primeira segunda milésima
primeiros segundos milésimos
SITE
http://www.sopor tugues.com.br/secoes/morf/ primeiras segundas milésimas
morf89.php
Os numerais multiplicativos são invariáveis quando
NUMERAL atuam em funções substantivas: Fizeram o dobro do es-
forço e conseguiram o triplo de produção.
Numeral é a palavra variável que indica quantidade Quando atuam em funções adjetivas, esses numerais
numérica ou ordem; expressa a quantidade exata de pes- flexionam-se em gênero e número: Teve de tomar doses
soas ou coisas ou o lugar que elas ocupam numa deter- triplas do medicamento.
minada sequência. Os numerais fracionários flexionam-se em gênero e
número. Observe: um terço/dois terços, uma terça parte/
Os numerais traduzem, em palavras, o que os núme- duas terças partes.
ros indicam em relação aos seres. Assim, quando a ex-
pressão é colocada em números (1, 1.º, 1/3, etc.) não se Os numerais coletivos flexionam-se em número: uma
trata de numerais, mas sim de algarismos. dúzia, um milheiro, duas dúzias, dois milheiros.
Além dos numerais mais conhecidos, já que refletem É comum na linguagem coloquial a indicação de grau
a ideia expressa pelos números, existem mais algumas nos numerais, traduzindo afetividade ou especialização
palavras consideradas numerais porque denotam quan- de sentido. É o que ocorre em frases como:
“Me empresta duzentinho...”
tidade, proporção ou ordenação. São alguns exemplos:
É artigo de primeiríssima qualidade!
década, dúzia, par, ambos(as), novena.
O time está arriscado por ter caído na segundona. (=
segunda divisão de futebol)
1. Classificação dos Numerais
3. Emprego e Leitura dos Numerais
A) Cardinais: indicam quantidade exata ou determi-
LÍNGUA PORTUGUESA

nada de seres: um, dois, cem mil, etc. Alguns car-


Os numerais são escritos em conjunto de três algaris-
dinais têm sentido coletivo, como por exemplo: mos, contados da direita para a esquerda, em forma de
século, par, dúzia, década, bimestre. centenas, dezenas e unidades, tendo cada conjunto uma
B) Ordinais: indicam a ordem, a posição que alguém separação através de ponto ou espaço correspondente a
ou alguma coisa ocupa numa determinada se- um ponto: 8.234.456 ou 8 234 456.
quência: primeiro, segundo, centésimo, etc. Em sentido figurado, usa-se o numeral para indicar
exagero intencional, constituindo a figura de linguagem
conhecida como hipérbole: Já li esse texto mil vezes.

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No português contemporâneo, não se usa a conjunção “e” após “mil”, seguido de centena: Nasci em mil novecentos
e noventa e dois.
Seu salário será de mil quinhentos e cinquenta reais.

Mas, se a centena começa por “zero” ou termina por dois zeros, usa-se o “e”: Seu salário será de mil e quinhentos
reais. (R$1.500,00)
Gastamos mil e quarenta reais. (R$1.040,00)

Para designar papas, reis, imperadores, séculos e partes em que se divide uma obra, utilizam-se os ordinais até dé-
cimo e, a partir daí, os cardinais, desde que o numeral venha depois do substantivo;

Ordinais Cardinais
João Paulo II (segundo) Tomo XV (quinze)
D. Pedro II (segundo) Luís XVI (dezesseis)
Ato II (segundo) Capítulo XX (vinte)
Século VIII (oitavo) Século XX (vinte)
Canto IX (nono) João XXIII ( vinte e três)

Se o numeral aparece antes do substantivo, será lido como ordinal: XXX Feira do Bordado. (trigésima)

#FicaDica
Ordinal lembra ordem. Memorize assim, por associação. Ficará mais fácil!

Para designar leis, decretos e portarias, utiliza-se o ordinal até nono e o cardinal de dez em diante:
Artigo 1.° (primeiro) Artigo 10 (dez)
Artigo 9.° (nono) Artigo 21 (vinte e um)

Ambos/ambas = numeral dual, porque sempre se refere a dois seres. Significam “um e outro”, “os dois” (ou “uma
e outra”, “as duas”) e são largamente empregados para retomar pares de seres aos quais já se fez referência. Sua uti-
lização exige a presença do artigo posposto: Ambos os concursos realizarão suas provas no mesmo dia. O artigo só é
dispensado caso haja um pronome demonstrativo: Ambos esses ministros falarão à imprensa.

Quadro de alguns numerais

Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários


um primeiro - -
dois segundo dobro, duplo meio
três terceiro triplo, tríplice terço
quatro quarto quádruplo quarto
cinco quinto quíntuplo quinto
seis sexto sêxtuplo sexto
sete sétimo sétuplo sétimo
oito oitavo óctuplo oitavo
nove nono nônuplo nono
dez décimo décuplo décimo
LÍNGUA PORTUGUESA

onze décimo primeiro - onze avos


doze décimo segundo - doze avos
treze décimo terceiro - treze avos
catorze décimo quarto - catorze avos
quinze décimo quinto - quinze avos

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dezesseis décimo sexto - dezesseis avos
dezessete décimo sétimo - dezessete avos
dezoito décimo oitavo - dezoito avos
dezenove décimo nono - dezenove avos
vinte vigésimo - vinte avos
trinta trigésimo - trinta avos
quarenta quadragésimo - quarenta avos
cinqüenta quinquagésimo - cinquenta avos
sessenta sexagésimo - sessenta avos
setenta septuagésimo - setenta avos
oitenta octogésimo - oitenta avos
noventa nonagésimo - noventa avos
cem centésimo cêntuplo centésimo
duzentos ducentésimo - ducentésimo
trezentos trecentésimo - trecentésimo
quatrocentos quadringentésimo - quadringentésimo
quinhentos quingentésimo - quingentésimo
seiscentos sexcentésimo - sexcentésimo
setecentos septingentésimo - septingentésimo
oitocentos octingentésimo - octingentésimo
novecentos nongentésimo
ou noningentésimo - nongentésimo
mil milésimo - milésimo
milhão milionésimo - milionésimo
bilhão bilionésimo - bilionésimo

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.

SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf40.php

Preposição

Preposição é uma palavra invariável que serve para ligar termos ou orações. Quando esta ligação acontece, nor-
malmente há uma subordinação do segundo termo em relação ao primeiro. As preposições são muito importantes na
estrutura da língua, pois estabelecem a coesão textual e possuem valores semânticos indispensáveis para a compreen-
são do texto.

1. Tipos de Preposição
LÍNGUA PORTUGUESA

A) Preposições essenciais: palavras que atuam exclusivamente como preposições: a, ante, perante, após, até, com,
contra, de, desde, em, entre, para, por, sem, sob, sobre, trás, atrás de, dentro de, para com.
B) Preposições acidentais: palavras de outras classes gramaticais que podem atuar como preposições, ou seja,
formadas por uma derivação imprópria: como, durante, exceto, fora, mediante, salvo, segundo, senão, visto.
C) Locuções prepositivas: duas ou mais palavras valendo como uma preposição, sendo que a última palavra é uma
(preposição): abaixo de, acerca de, acima de, ao lado de, a respeito de, de acordo com, em cima de, embaixo de, em
frente a, ao redor de, graças a, junto a, com, perto de, por causa de, por cima de, por trás de.

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A preposição é invariável e, no entanto, pode unir-se REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
a outras palavras e, assim, estabelecer concordância em SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
gênero ou em número. Exemplo: por + o = pelo / por + Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
a = pela. Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
Essa concordância não é característica da preposição, reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
mas das palavras às quais ela se une. Paulo: Saraiva, 2010.
Esse processo de junção de uma preposição com ou- Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
tra palavra pode se dar a partir dos processos de: ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
 Combinação: união da preposição “a” com o ar-
tigo “o”(s), ou com o advérbio “onde”: ao, aonde, SITE
aos. Os vocábulos não sofrem alteração. http://www.infoescola.com/portugues/preposicao/
 Contração: união de uma preposição com outra
palavra, ocorrendo perda ou transformação de fo- Substantivo
nema: de + o = do, em + a = na, per + os = pelos,
de + aquele = daquele, em + isso = nisso. Substantivo é a classe gramatical de palavras variá-
 Crase: é a fusão de vogais idênticas: à (“a” preposi- veis, as quais denominam todos os seres que existem,
ção + “a” artigo), àquilo (“a” preposição + 1.ª vogal sejam reais ou imaginários. Além de objetos, pessoas e
do pronome “aquilo”). fenômenos, os substantivos também nomeiam:
 lugares: Alemanha, Portugal
#FicaDica  sentimentos: amor, saudade
 estados: alegria, tristeza
O “a” pode funcionar como preposição, prono-  qualidades: honestidade, sinceridade
me pessoal oblíquo e artigo. Como distingui-  ações: corrida, pescaria
-los? Caso o “a” seja um artigo, virá preceden-
do um substantivo, servindo para determiná-lo 1. Morfossintaxe do substantivo
como um substantivo singular e feminino: A
matéria que estudei é fácil! Nas orações, geralmente o substantivo exerce fun-
ções diretamente relacionadas com o verbo: atua como
núcleo do sujeito, dos complementos verbais (objeto di-
reto ou indireto) e do agente da passiva, podendo, ainda,
Quando é preposição, além de ser invariável, liga dois
funcionar como núcleo do complemento nominal ou do
termos e estabelece relação de subordinação entre eles.
aposto, como núcleo do predicativo do sujeito, do obje-
Irei à festa sozinha.
Entregamos a flor à professora! = o primeiro “a” é ar- to ou como núcleo do vocativo. Também encontramos
tigo; o segundo, preposição. substantivos como núcleos de adjuntos adnominais e de
Se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o adjuntos adverbiais - quando essas funções são desem-
lugar e/ou a função de um substantivo: Nós trouxemos a penhadas por grupos de palavras.
apostila. = Nós a trouxemos.
2. Classificação dos Substantivos
2. Relações semânticas (= de sentido) estabeleci-
das por meio das preposições: A) Substantivos Comuns e Próprios
Observe a definição:
Destino = Irei a Salvador.
Modo = Saiu aos prantos. Cidade: s.f. 1. Povoação maior que vila, com muitas
Lugar = Sempre a seu lado. casas e edifícios, dispostos em ruas e avenidas (no Brasil,
Assunto = Falemos sobre futebol. toda a sede de município é cidade). 2. O centro de uma
Tempo = Chegarei em instantes. cidade (em oposição aos bairros).
Causa = Chorei de saudade. Qualquer “povoação maior que vila, com muitas casas
Fim ou finalidade = Vim para ficar. e edifícios, dispostos em ruas e avenidas” será chamada
Instrumento = Escreveu a lápis. cidade. Isso significa que a palavra cidade é um substan-
Posse = Vi as roupas da mamãe. tivo comum.
Autoria = livro de Machado de Assis Substantivo Comum é aquele que designa os seres de
Companhia = Estarei com ele amanhã. uma mesma espécie de forma genérica: cidade, menino,
Matéria = copo de cristal. homem, mulher, país, cachorro.
Meio = passeio de barco. Estamos voando para Barcelona.
LÍNGUA PORTUGUESA

Origem = Nós somos do Nordeste.


Conteúdo = frascos de perfume. O substantivo Barcelona designa apenas um ser da
Oposição = Esse movimento é contra o que eu penso. espécie cidade. Barcelona é um substantivo próprio –
Preço = Essa roupa sai por cinquenta reais. aquele que designa os seres de uma mesma espécie de
forma particular: Londres, Paulinho, Pedro, Tietê, Brasil.
Quanto à preposição “trás”: não se usa senão nas lo-
cuções adverbiais (para trás ou por trás) e na locução pre-
positiva por trás de.

43
B) Substantivos Concretos e Abstratos cancioneiro canções, poesias líricas
B.1 Substantivo Concreto: é aquele que designa o
ser que existe, independentemente de outros seres. colmeia abelhas
concílio bispos
Observação:
Os substantivos concretos designam seres do mundo congresso parlamentares, cientistas
real e do mundo imaginário. elenco atores de uma peça ou filme
Seres do mundo real: homem, mulher, cadeira, cobra, esquadra navios de guerra
Brasília.
Seres do mundo imaginário: saci, mãe-d’água, fantas- enxoval roupas
ma. falange soldados, anjos

B.2 Substantivo Abstrato: é aquele que designa se- fauna animais de uma região
res que dependem de outros para se manifestarem ou feixe lenha, capim
existirem. Por exemplo: a beleza não existe por si só, flora vegetais de uma região
não pode ser observada. Só podemos observar a beleza
numa pessoa ou coisa que seja bela. A beleza depende frota navios mercantes, ônibus
de outro ser para se manifestar. Portanto, a palavra bele- girândola fogos de artifício
za é um substantivo abstrato.
Os substantivos abstratos designam estados, quali- horda bandidos, invasores
dades, ações e sentimentos dos seres, dos quais podem junta médicos, bois, credores, exa-
ser abstraídos, e sem os quais não podem existir: vida minadores
(estado), rapidez (qualidade), viagem (ação), saudade
júri jurados
(sentimento).
legião soldados, anjos, demônios
 Substantivos Coletivos leva presos, recrutas

Ele vinha pela estrada e foi picado por uma abelha, malta malfeitores ou desordeiros
outra abelha, mais outra abelha. manada búfalos, bois, elefantes,
Ele vinha pela estrada e foi picado por várias abelhas.
matilha cães de raça
Ele vinha pela estrada e foi picado por um enxame.
molho chaves, verduras
Note que, no primeiro caso, para indicar plural, foi ne- multidão pessoas em geral
cessário repetir o substantivo: uma abelha, outra abelha,
mais outra abelha. No segundo caso, utilizaram-se duas nuvem insetos (gafanhotos, mosqui-
palavras no plural. No terceiro, empregou-se um subs- tos, etc.)
tantivo no singular (enxame) para designar um conjunto penca bananas, chaves
de seres da mesma espécie (abelhas).
pinacoteca pinturas, quadros
O substantivo enxame é um substantivo coletivo.
Substantivo Coletivo: é o substantivo comum que, quadrilha ladrões, bandidos
mesmo estando no singular, designa um conjunto de se- ramalhete flores
res da mesma espécie.
rebanho ovelhas

Substantivo coletivo Conjunto de: repertório peças teatrais, obras musicais

assembleia pessoas reunidas réstia alhos ou cebolas

alcateia lobos romanceiro poesias narrativas

acervo livros revoada pássaros

antologia trechos literários selecionados sínodo párocos

arquipélago ilhas talha lenha

banda músicos tropa muares, soldados

bando desordeiros ou malfeitores turma estudantes, trabalhadores


LÍNGUA PORTUGUESA

banca examinadores vara porcos

batalhão soldados
cardume peixes
caravana viajantes peregrinos
cacho frutas

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3. Formação dos Substantivos A) Epicenos: referentes a animais. A distinção de sexo
se faz mediante a utilização das palavras “macho”
A) Substantivos Simples e Compostos e “fêmea”: a cobra macho e a cobra fêmea, o jacaré
Chuva - subst. Fem. 1 - água caindo em gotas sobre a terra. macho e o jacaré fêmea.
O substantivo chuva é formado por um único ele- B) Sobrecomuns: substantivos uniformes referentes
mento ou radical. É um substantivo simples. a pessoas de ambos os sexos: a criança, a teste-
A.1 Substantivo Simples: é aquele formado por um munha, a vítima, o cônjuge, o gênio, o ídolo, o in-
único elemento. divíduo.
Outros substantivos simples: tempo, sol, sofá, etc. Veja C) Comuns de Dois ou Comum de Dois Gêneros:
agora: O substantivo guarda-chuva é formado por dois ele- indicam o sexo das pessoas por meio do artigo: o
mentos (guarda + chuva). Esse substantivo é composto. colega e a colega, o doente e a doente, o artista e
A.2 Substantivo Composto: é aquele formado por a artista.
dois ou mais elementos. Outros exemplos: beija-flor, pas-
satempo. Substantivos de origem grega terminados em ema
ou oma são masculinos: o fonema, o poema, o sistema, o
B) Substantivos Primitivos e Derivados sintoma, o teorema.
B.1 Substantivo Primitivo: é aquele que não deriva  Existem certos substantivos que, variando de
de nenhuma outra palavra da própria língua por- gênero, variam em seu significado:
tuguesa. o águia (vigarista) e a águia (ave; perspicaz); o cabeça
B.2 Substantivo Derivado: é aquele que se origi- (líder) e a cabeça (parte do corpo); o capital (dinheiro) e
na de outra palavra. O substantivo limoeiro, por a capital (cidade); o coma (sono mórbido) e a coma (ca-
exemplo, é derivado, pois se originou a partir da beleira, juba); o lente (professor) e a lente (vidro de au-
palavra limão. mento); o moral (estado de espírito) e a moral (ética; con-
clusão); o praça (soldado raso) e a praça (área pública);
4. Flexão dos substantivos o rádio (aparelho receptor) e a rádio (estação emissora).

O substantivo é uma classe variável. A palavra é variá- 6. Formação do Feminino dos Substantivos Bifor-
vel quando sofre flexão (variação). A palavra menino, por mes
exemplo, pode sofrer variações para indicar:
Plural: meninos / Feminino: menina / Aumentativo: Regra geral: troca-se a terminação -o por –a: aluno
meninão / Diminutivo: menininho - aluna.
 Substantivos terminados em -ês: acrescenta-se -a
A) Flexão de Gênero ao masculino: freguês - freguesa
Gênero é um princípio puramente linguístico, não de-  Substantivos terminados em -ão: fazem o femini-
vendo ser confundido com “sexo”. O gênero diz respeito no de três formas:
a todos os substantivos de nossa língua, quer se refiram 1. troca-se -ão por -oa. = patrão – patroa
a seres animais providos de sexo, quer designem apenas 2. troca-se -ão por -ã. = campeão - campeã
“coisas”: o gato/a gata; o banco, a casa. 3. troca-se -ão por ona. = solteirão - solteirona
Na língua portuguesa, há dois gêneros: masculino e Exceções: barão – baronesa, ladrão - ladra, sultão -
feminino. Pertencem ao gênero masculino os substanti- sultana
vos que podem vir precedidos dos artigos o, os, um, uns.
Veja estes títulos de filmes:  Substantivos terminados em -or:
O velho e o mar acrescenta-se -a ao masculino = doutor – doutora
Um Natal inesquecível troca-se -or por -triz: = imperador – imperatriz
Os reis da praia  Substantivos com feminino em -esa, -essa, -isa:
cônsul - consulesa / abade - abadessa / poeta - poe-
Pertencem ao gênero feminino os substantivos que tisa / duque - duquesa / conde - condessa / profeta
podem vir precedidos dos artigos a, as, uma, umas: - profetisa
A história sem fim  Substantivos que formam o feminino trocando o
Uma cidade sem passado -e final por -a: elefante - elefanta
As tartarugas ninjas  Substantivos que têm radicais diferentes no mas-
culino e no feminino: bode – cabra / boi - vaca
5. Substantivos Biformes e Substantivos Unifor-  Substantivos que formam o feminino de maneira
mes especial, isto é, não seguem nenhuma das regras
LÍNGUA PORTUGUESA

anteriores: czar – czarina, réu - ré


1. Substantivos Biformes (= duas formas): apresen-
tam uma forma para cada gênero: gato – gata, ho-
mem – mulher, poeta – poetisa, prefeito - prefeita
2. Substantivos Uniformes: apresentam uma única
forma, que serve tanto para o masculino quanto
para o feminino. Classificam-se em:

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7. Formação do Feminino dos Substantivos Uni- Femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a omoplata,
formes a cataplasma, a pane, a mascote, a gênese, a entorse, a
libido, a cal, a faringe, a cólera (doença), a ubá (canoa).
Epicenos:
Novo jacaré escapa de policiais no rio Pinheiros. São geralmente masculinos os substantivos de ori-
gem grega terminados em -ma: o grama (peso), o quilo-
Não é possível saber o sexo do jacaré em questão. grama, o plasma, o apostema, o diagrama, o epigrama, o
Isso ocorre porque o substantivo jacaré tem apenas uma telefonema, o estratagema, o dilema, o teorema, o trema,
forma para indicar o masculino e o feminino. o eczema, o edema, o magma, o estigma, o axioma, o tra-
Alguns nomes de animais apresentam uma só for- coma, o hematoma.
ma para designar os dois sexos. Esses substantivos são Exceções: a cataplasma, a celeuma, a fleuma, etc.
chamados de epicenos. No caso dos epicenos, quando
houver a necessidade de especificar o sexo, utilizam-se Gênero dos Nomes de Cidades - Com raras exce-
palavras macho e fêmea. ções, nomes de cidades são femininos: A histórica Ouro
A cobra macho picou o marinheiro. Preto. / A dinâmica São Paulo. / A acolhedora Porto Ale-
A cobra fêmea escondeu-se na bananeira. gre. / Uma Londres imensa e triste.
Exceções: o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto, o Havre.
8. Sobrecomuns:
Entregue as crianças à natureza. 10. Gênero e Significação

A palavra crianças se refere tanto a seres do sexo mas- Muitos substantivos, como já mencionado anterior-
culino, quanto a seres do sexo feminino. Nesse caso, nem mente, têm uma significação no masculino e outra no fe-
o artigo nem um possível adjetivo permitem identificar o minino. Observe: o baliza (soldado que à frente da tropa,
sexo dos seres a que se refere a palavra. Veja: indica os movimentos que se deve realizar em conjunto; o
A criança chorona chamava-se João. que vai à frente de um bloco carnavalesco, manejando um
A criança chorona chamava-se Maria. bastão), a baliza (marco, estaca; sinal que marca um limite
ou proibição de trânsito), o cabeça (chefe), a cabeça (par-
Outros substantivos sobrecomuns: te do corpo), o cisma (separação religiosa, dissidência), a
a criatura = João é uma boa criatura. Maria é uma cisma (ato de cismar, desconfiança), o cinza (a cor cinzen-
boa criatura. ta), a cinza (resíduos de combustão), o capital (dinheiro),
o cônjuge = O cônjuge de João faleceu. O cônjuge de a capital (cidade), o coma (perda dos sentidos), a coma
Marcela faleceu (cabeleira), o coral (pólipo, a cor vermelha, canto em coro),
a coral (cobra venenosa), o crisma (óleo sagrado, usado
9. Comuns de Dois Gêneros: na administração da crisma e de outros sacramentos), a
Motorista tem acidente idêntico 23 anos depois. crisma (sacramento da confirmação), o cura (pároco), a
cura (ato de curar), o estepe (pneu sobressalente), a estepe
Quem sofreu o acidente: um homem ou uma mulher? (vasta planície de vegetação), o guia (pessoa que guia ou-
É impossível saber apenas pelo título da notícia, uma tras), a guia (documento, pena grande das asas das aves),
vez que a palavra motorista é um substantivo uniforme. o grama (unidade de peso), a grama (relva), o caixa (fun-
A distinção de gênero pode ser feita através da análi- cionário da caixa), a caixa (recipiente, setor de pagamen-
se do artigo ou adjetivo, quando acompanharem o subs- tos), o lente (professor), a lente (vidro de aumento), o mo-
tantivo: o colega - a colega; o imigrante - a imigrante; ral (ânimo), a moral (honestidade, bons costumes, ética),
um jovem - uma jovem; artista famoso - artista famosa; o nascente (lado onde nasce o Sol), a nascente (a fonte),
repórter francês - repórter francesa. o maria-fumaça (trem como locomotiva a vapor), maria-
-fumaça (locomotiva movida a vapor), o pala (poncho), a
A palavra personagem é usada indistintamente nos pala (parte anterior do boné ou quepe, anteparo), o rádio
dois gêneros. Entre os escritores modernos nota-se acen- (aparelho receptor), a rádio (emissora), o voga (remador),
tuada preferência pelo masculino: O menino descobriu a voga (moda).
nas nuvens os personagens dos contos de carochinha.
Com referência à mulher, deve-se preferir o feminino: B) Flexão de Número do Substantivo
O problema está nas mulheres de mais idade, que não
aceitam a personagem. Em português, há dois números gramaticais: o singu-
lar, que indica um ser ou um grupo de seres, e o plural,
Diz-se: o (ou a) manequim Marcela, o (ou a) modelo que indica mais de um ser ou grupo de seres. A caracte-
LÍNGUA PORTUGUESA

fotográfico Ana Belmonte. rística do plural é o “s” final.

Masculinos: o tapa, o eclipse, o lança-perfume, o dó 11. Plural dos Substantivos Simples


)pena), o sanduíche, o clarinete, o champanha, o sósia, o
maracajá, o clã, o herpes, o pijama, o suéter, o soprano, o Os substantivos terminados em vogal, ditongo oral e
proclama, o pernoite, o púbis. “n” fazem o plural pelo acréscimo de “s”: pai – pais; ímã –
ímãs; hífen - hifens (sem acento, no plural).
Exceção: cânon - cânones.

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Os substantivos terminados em “m” fazem o plural A) Flexionam-se os dois elementos, quando for-
em “ns”: homem - homens. mados de:
Os substantivos terminados em “r” e “z” fazem o substantivo + substantivo = couve-flor e couves-flores
plural pelo acréscimo de “es”: revólver – revólveres; raiz substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores-per-
- raízes. feitos
adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis-ho-
Atenção: mens
O plural de caráter é caracteres. numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras

Os substantivos terminados em al, el, ol, ul flexio- B) Flexiona-se somente o segundo elemento,
nam-se no plural, trocando o “l” por “is”: quintal - quin- quando formados de:
tais; caracol – caracóis; hotel - hotéis. Exceções: mal e verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas
males, cônsul e cônsules. palavra invariável + palavra variável = alto-falante e
Os substantivos terminados em “il” fazem o plural alto-falantes
de duas maneiras: palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-
1. Quando oxítonos, em “is”: canil - canis -recos
2. Quando paroxítonos, em “eis”: míssil - mísseis.
C) Flexiona-se somente o primeiro elemento,
Observação: quando formados de:
A palavra réptil pode formar seu plural de duas ma- substantivo + preposição clara + substantivo = água-
neiras: répteis ou reptis (pouco usada). -de-colônia e águas-de-colônia
substantivo + preposição oculta + substantivo = ca-
Os substantivos terminados em “s” fazem o plural valo-vapor e cavalos-vapor
de duas maneiras: substantivo + substantivo que funciona como deter-
1. Quando monossilábicos ou oxítonos, mediante o minante do primeiro, ou seja, especifica a função ou o
acréscimo de “es”: ás – ases / retrós - retroses tipo do termo anterior: palavra-chave - palavras-chave,
2. Quando paroxítonos ou proparoxítonos, ficam in- bomba-relógio - bombas-relógio, homem-rã - homens-
variáveis: o lápis - os lápis / o ônibus - os ônibus. -rã, peixe-espada - peixes-espada.

Os substantivos terminados em “ão” fazem o plural D) Permanecem invariáveis, quando formados de:
de três maneiras. verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora
1. substituindo o -ão por -ões: ação - ações verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os
2. substituindo o -ão por -ães: cão - cães saca-rolhas
3. substituindo o -ão por -ãos: grão - grãos
13. Casos Especiais
Observação:
Muitos substantivos terminados em “ão” apresen- o louva-a-deus e os louva-a-deus
tam dois – e até três – plurais:
aldeão – aldeões/aldeães/aldeãos an- o bem-te-vi e os bem-te-vis
cião – anciões/anciães/anciãos o bem-me-quer e os bem-me-queres
charlatão – charlatões/charlatães cor-
o joão-ninguém e os joões-ninguém.
rimão – corrimãos/corrimões
guardião – guardiões/guardiães vilão
14. Plural das Palavras Substantivadas
– vilãos/vilões/vilães
As palavras substantivadas, isto é, palavras de outras
Os substantivos terminados em “x” ficam invariáveis:
classes gramaticais usadas como substantivo apresen-
o látex - os látex.
tam, no plural, as flexões próprias dos substantivos.
Pese bem os prós e os contras.
12. Plural dos Substantivos Compostos
O aluno errou na prova dos noves.
Ouça com a mesma serenidade os sins e os nãos.
A formação do plural dos substantivos compostos
depende da forma como são grafados, do tipo de pa-
Observação:
lavras que formam o composto e da relação que esta-
Numerais substantivados terminados em “s” ou “z”
LÍNGUA PORTUGUESA

belecem entre si. Aqueles que são grafados sem hífen


não variam no plural: Nas provas mensais consegui mui-
comportam-se como os substantivos simples: aguar-
tos seis e alguns dez.
dente/aguardentes, girassol/girassóis, pontapé/ponta-
pés, malmequer/malmequeres.
O plural dos substantivos compostos cujos elemen-
tos são ligados por hífen costuma provocar muitas dú-
vidas e discussões. Algumas orientações são dadas a
seguir:

47
15. Plural dos Diminutivos fosso fossos
Flexiona-se o substantivo no plural, retira-se o “s” fi- imposto impostos
nal e acrescenta-se o sufixo diminutivo. olho olhos
osso (ô) ossos (ó)
pãe(s) + zinhos = pãezinhos
ovo ovos
animai(s) + zinhos = animaizinhos
poço poços
botõe(s) + zinhos = botõezinhos
porto portos
chapéu(s) + zinhos = chapeuzinhos
posto postos
farói(s) + zinhos = faroizinhos
tijolo tijolos
tren(s) + zinhos = trenzinhos
colhere(s) + zinhas = colherezinhas Têm a vogal tônica fechada (ô): adornos, almoços,
bolsos, esposos, estojos, globos, gostos, polvos, rolos, so-
flore(s) + zinhas = florezinhas
ros, etc.
mão(s) + zinhas = mãozinhas
papéi(s) + zinhos = papeizinhos Observação:
Distinga-se molho (ô) = caldo (molho de carne), de
nuven(s) + zinhas = nuvenzinhas molho (ó) = feixe (molho de lenha).
funi(s) + zinhos = funizinhos
túnei(s) + zinhos = tuneizinhos Há substantivos que só se usam no singular: o sul, o
norte, o leste, o oeste, a fé, etc.
pai(s) + zinhos = paizinhos
pé(s) + zinhos = pezinhos Outros só no plural: as núpcias, os víveres, os pêsa-
mes, as espadas/os paus (naipes de baralho), as fezes.
pé(s) + zitos = pezitos
Outros, enfim, têm, no plural, sentido diferente do
singular: bem (virtude) e bens (riquezas), honra (probida-
16. Plural dos Nomes Próprios Personativos
de, bom nome) e honras (homenagem, títulos).
Devem-se pluralizar os nomes próprios de pessoas Usamos, às vezes, os substantivos no singular, mas
sempre que a terminação preste-se à flexão. com sentido de plural:
Os Napoleões também são derrotados. Aqui morreu muito negro.
As Raquéis e Esteres. Celebraram o sacrifício divino muitas vezes em cape-
las improvisadas.
17. Plural dos Substantivos Estrangeiros
C) Flexão de Grau do Substantivo
Substantivos ainda não aportuguesados devem ser
escritos como na língua original, acrescentando-se “s” Grau é a propriedade que as palavras têm de exprimir
(exceto quando terminam em “s” ou “z”): os shows, os as variações de tamanho dos seres. Classifica-se em:
shorts, os jazz. 1. Grau Normal - Indica um ser de tamanho consi-
Substantivos já aportuguesados flexionam-se de derado normal. Por exemplo: casa
acordo com as regras de nossa língua: os clubes, os cho- 2. Grau Aumentativo - Indica o aumento do tama-
pes, os jipes, os esportes, as toaletes, os bibelôs, os garçons, nho do ser. Classifica-se em:
os réquiens. Analítico = o substantivo é acompanhado de um
Observe o exemplo: adjetivo que indica grandeza. Por exemplo: casa grande.
Este jogador faz gols toda vez que joga. Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo in-
O plural correto seria gois (ô), mas não se usa. dicador de aumento. Por exemplo: casarão.

18. Plural com Mudança de Timbre 3. Grau Diminutivo - Indica a diminuição do tama-
nho do ser. Pode ser:
Certos substantivos formam o plural com mudança Analítico = substantivo acompanhado de um adje-
de timbre da vogal tônica (o fechado / o aberto). É um tivo que indica pequenez. Por exemplo: casa pequena.
fato fonético chamado metafonia (plural metafônico). Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo in-
LÍNGUA PORTUGUESA

dicador de diminuição. Por exemplo: casinha.


Singular Plural REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
corpo (ô) corpos (ó) SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
esforço esforços Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
fogo fogos reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010.
forno fornos

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CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, 1. Pronomes Pessoais
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – São aqueles que substituem os substantivos, indi-
São Paulo: Saraiva, 2002. cando diretamente as pessoas do discurso. Quem fala
ou escreve assume os pronomes “eu” ou “nós”; usa-se
SITE os pronomes “tu”, “vós”, “você” ou “vocês” para designar
http://www.sopor tugues.com.br/secoes/morf/ a quem se dirige, e “ele”, “ela”, “eles” ou “elas” para fazer
morf12.php referência à pessoa ou às pessoas de quem se fala.
Os pronomes pessoais variam de acordo com as fun-
ções que exercem nas orações, podendo ser do caso reto
ou do caso oblíquo.
Pronome
A) Pronome Reto
Pronome é a palavra variável que substitui ou acom- Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na sen-
panha um substantivo (nome), qualificando-o de alguma tença, exerce a função de sujeito: Nós lhe ofertamos
forma. flores.
O homem julga que é superior à natureza, por isso o Os pronomes retos apresentam flexão de número,
homem destrói a natureza... gênero (apenas na 3.ª pessoa) e pessoa, sendo essa úl-
Utilizando pronomes, teremos: O homem julga que é tima a principal flexão, uma vez que marca a pessoa do
superior à natureza, por isso ele a destrói... discurso. Dessa forma, o quadro dos pronomes retos é
Ficou melhor, sem a repetição desnecessária de ter- assim configurado:
mos (homem e natureza). 1.ª pessoa do singular: eu
Grande parte dos pronomes não possuem significa- 2.ª pessoa do singular: tu
dos fixos, isto é, essas palavras só adquirem significação 3.ª pessoa do singular: ele, ela
dentro de um contexto, o qual nos permite recuperar a 1.ª pessoa do plural: nós
referência exata daquilo que está sendo colocado por 2.ª pessoa do plural: vós
meio dos pronomes no ato da comunicação. Com ex- 3.ª pessoa do plural: eles, elas
ceção dos pronomes interrogativos e indefinidos, os de-
mais pronomes têm por função principal apontar para as Esses pronomes não costumam ser usados como
pessoas do discurso ou a elas se relacionar, indicando-
complementos verbais na língua-padrão. Frases como
-lhes sua situação no tempo ou no espaço. Em virtude
“Vi ele na rua”, “Encontrei ela na praça”, “Trouxeram eu
dessa característica, os pronomes apresentam uma for-
até aqui”- comuns na língua oral cotidiana - devem ser
ma específica para cada pessoa do discurso.
evitadas na língua formal escrita ou falada. Na língua for-
Minha carteira estava vazia quando eu fui assaltada.
mal, devem ser usados os pronomes oblíquos correspon-
[minha/eu: pronomes de 1.ª pessoa = aquele que fala]
dentes: “Vi-o na rua”, “Encontrei-a na praça”, “Trouxeram-
Tua carteira estava vazia quando tu foste assaltada?
-me até aqui”.
[tua/tu: pronomes de 2.ª pessoa = aquele a quem se fala]
Frequentemente observamos a omissão do pronome
A carteira dela estava vazia quando ela foi assaltada.
[dela/ela: pronomes de 3.ª pessoa = aquele de quem reto em Língua Portuguesa. Isso se dá porque as próprias
se fala] formas verbais marcam, através de suas desinências, as
pessoas do verbo indicadas pelo pronome reto: Fizemos
Em termos morfológicos, os pronomes são palavras boa viagem. (Nós)
variáveis em gênero (masculino ou feminino) e em núme-
ro (singular ou plural). Assim, espera-se que a referência B) Pronome Oblíquo
através do pronome seja coerente em termos de gênero Pronome pessoal do caso oblíquo é aquele que, na
e número (fenômeno da concordância) com o seu objeto, sentença, exerce a função de complemento verbal
mesmo quando este se apresenta ausente no enunciado. (objeto direto ou indireto): Ofertaram-nos flores. (ob-
Fala-se de Roberta. Ele quer participar do desfile da jeto indireto)
nossa escola neste ano.
[nossa: pronome que qualifica “escola” = concordân- Observação:
cia adequada] O pronome oblíquo é uma forma variante do prono-
[neste: pronome que determina “ano” = concordância me pessoal do caso reto. Essa variação indica a função
adequada] diversa que eles desempenham na oração: pronome reto
[ele: pronome que faz referência à “Roberta” = con- marca o sujeito da oração; pronome oblíquo marca o
complemento da oração. Os pronomes oblíquos sofrem
LÍNGUA PORTUGUESA

cordância inadequada]
variação de acordo com a acentuação tônica que pos-
Existem seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos, suem, podendo ser átonos ou tônicos.
demonstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos.
2. Pronome Oblíquo Átono
São chamados átonos os pronomes oblíquos que não
são precedidos de preposição. Possuem acentuação tô-
nica fraca: Ele me deu um presente.

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Lista dos pronomes oblíquos átonos A frase: “Foi fácil para mim resolver aquela questão!”
1.ª pessoa do singular (eu): me está correta, já que “para mim” é complemento de “fá-
2.ª pessoa do singular (tu): te cil”. A ordem direta seria: Resolver aquela questão foi fácil
3.ª pessoa do singular (ele, ela): o, a, lhe para mim!
1.ª pessoa do plural (nós): nos A combinação da preposição “com” e alguns prono-
2.ª pessoa do plural (vós): vos mes originou as formas especiais comigo, contigo, consi-
3.ª pessoa do plural (eles, elas): os, as, lhes go, conosco e convosco. Tais pronomes oblíquos tônicos
frequentemente exercem a função de adjunto adverbial
de companhia: Ele carregava o documento consigo.
FIQUE ATENTO! A preposição “até” exige as formas oblíquas tônicas:
Os pronomes o, os, a, as assumem formas es- Ela veio até mim, mas nada falou.
peciais depois de certas terminações verbais: Mas, se “até” for palavra denotativa (com o sentido de
1. Quando o verbo termina em -z, -s ou -r, o inclusão), usaremos as formas retas: Todos foram bem na
pronome assume a forma lo, los, la ou las, ao prova, até eu! (= inclusive eu)
mesmo tempo que a terminação verbal é su-
primida. Por exemplo: As formas “conosco” e “convosco” são substituídas
fiz + o = fi-lo por “com nós” e “com vós” quando os pronomes pes-
fazeis + o = fazei-lo soais são reforçados por palavras como outros, mesmos,
dizer + a = dizê-la próprios, todos, ambos ou algum numeral.
Você terá de viajar com nós todos.
2. Quando o verbo termina em som nasal, o Estávamos com vós outros quando chegaram as más
pronome assume as formas no, nos, na, nas. notícias.
Por exemplo: Ele disse que iria com nós três.
viram + o: viram-no
repõe + os = repõe-nos 3. Pronome Reflexivo
retém + a: retém-na São pronomes pessoais oblíquos que, embora fun-
tem + as = tem-nas cionem como objetos direto ou indireto, referem-se ao
sujeito da oração. Indicam que o sujeito pratica e recebe
a ação expressa pelo verbo.
B.2 Pronome Oblíquo Tônico Lista dos pronomes reflexivos:
Os pronomes oblíquos tônicos são sempre precedidos 1.ª pessoa do singular (eu): me, mim = Eu não me
por preposições, em geral as preposições a, para, de e com. lembro disso.
Por esse motivo, os pronomes tônicos exercem a função de 2.ª pessoa do singular (tu): te, ti = Conhece a ti mesmo.
objeto indireto da oração. Possuem acentuação tônica forte. 3.ª pessoa do singular (ele, ela): se, si, consigo = Gui-
Lista dos pronomes oblíquos tônicos: lherme já se preparou.
1.ª pessoa do singular (eu): mim, comigo Ela deu a si um presente.
2.ª pessoa do singular (tu): ti, contigo Antônio conversou consigo mesmo.
3.ª pessoa do singular (ele, ela): si, consigo, ele, ela
1.ª pessoa do plural (nós): nós, conosco 1.ª pessoa do plural (nós): nos = Lavamo-nos no rio.
2.ª pessoa do plural (vós): vós, convosco 2.ª pessoa do plural (vós): vos = Vós vos beneficiastes
3.ª pessoa do plural (eles, elas): si, consigo, eles, elas com esta conquista.
3.ª pessoa do plural (eles, elas): se, si, consigo = Eles se
Observe que as únicas formas próprias do pronome tô- conheceram. / Elas deram a si um dia de folga.
nico são a primeira pessoa (mim) e segunda pessoa (ti). As
demais repetem a forma do pronome pessoal do caso reto.
#FicaDica
As preposições essenciais introduzem sempre pronomes
O pronome é reflexivo quando se refere à mes-
pessoais do caso oblíquo e nunca pronome do caso reto. Nos
ma pessoa do pronome subjetivo (sujeito): Eu
contextos interlocutivos que exigem o uso da língua formal,
me arrumei e saí.
os pronomes costumam ser usados desta forma:
É pronome recíproco quando indica recipro-
Não há mais nada entre mim e ti.
cidade de ação: Nós nos amamos. / Olhamo-
Não se comprovou qualquer ligação entre ti e ela.
-nos calados.
Não há nenhuma acusação contra mim.
O “se” pode ser usado como palavra expletiva
Não vá sem mim.
ou partícula de realce, sem ser rigorosamente
LÍNGUA PORTUGUESA

necessária e sem função sintática: Os explora-


Há construções em que a preposição, apesar de surgir
dores riam-se de suas tentativas. / Será que eles
anteposta a um pronome, serve para introduzir uma oração
se foram?
cujo verbo está no infinitivo. Nesses casos, o verbo pode ter
sujeito expresso; se esse sujeito for um pronome, deverá
ser do caso reto.
Trouxeram vários vestidos para eu experimentar.
Não vá sem eu mandar.

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C) Pronomes de Tratamento Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos
São pronomes utilizados no tratamento formal, ceri- teus cabelos. (errado)
monioso. Apesar de indicarem nosso interlocutor (por-
tanto, a segunda pessoa), utilizam o verbo na terceira Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos
pessoa. Alguns exemplos: seus cabelos. (correto) = terceira pessoa do singular
Vossa Alteza (V. A.) = príncipes, duques
Vossa Eminência (V. E.ma) = cardeais ou
Vossa Reverendíssima (V. Ver.ma) = sacerdotes e religio-
sos em geral Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos
Vossa Excelência (V. Ex.ª) = oficiais de patente superior teus cabelos. (correto) = segunda pessoa do singular
à de coronel, senadores, deputados, embaixadores, profes-
sores de curso superior, ministros de Estado e de Tribunais, 4. Pronomes Possessivos
governadores, secretários de Estado, presidente da Repúbli-
ca (sempre por extenso) São palavras que, ao indicarem a pessoa gramatical
Vossa Magnificência (V. Mag.ª) = reitores de universida- (possuidor), acrescentam a ela a ideia de posse de algo
des (coisa possuída).
Vossa Majestade (V. M.) = reis, rainhas e imperadores Este caderno é meu. (meu = possuidor: 1.ª pessoa do
Vossa Senhoria (V. S.a) = comerciantes em geral, oficiais singular)
até a patente de coronel, chefes de seção e funcionários de
igual categoria
Vossa Meretíssima (sempre por extenso) = para juízes NÚMERO PESSOA PRONOME
de direito singular primeira meu(s), minha(s)
Vossa Santidade (sempre por extenso) = tratamento ce-
rimonioso singular segunda teu(s), tua(s)
Vossa Onipotência (sempre por extenso) = Deus singular terceira seu(s), sua(s)
Também são pronomes de tratamento o senhor, a se- plural primeira nosso(s), nossa(s)
nhora e você, vocês. “O senhor” e “a senhora” são empre-
gados no tratamento cerimonioso; “você” e “vocês”, no tra- plural segunda vosso(s), vossa(s)
tamento familiar. Você e vocês são largamente empregados plural terceira seu(s), sua(s)
no português do Brasil; em algumas regiões, a forma tu é
de uso frequente; em outras, pouco empregada. Já a forma Note que:
vós tem uso restrito à linguagem litúrgica, ultraformal ou A forma do possessivo depende da pessoa gramatical
literária. a que se refere; o gênero e o número concordam com o
objeto possuído: Ele trouxe seu apoio e sua contribuição
Observações:
naquele momento difícil.
1. Vossa Excelência X Sua Excelência: os pronomes de
tratamento que possuem “Vossa(s)” são empregados
Observações:
em relação à pessoa com quem falamos: Espero que
1. A forma “seu” não é um possessivo quando resul-
V. Ex.ª, Senhor Ministro, compareça a este encontro.
tar da alteração fonética da palavra senhor: Muito
2. Emprega-se “Sua (s)” quando se fala a respeito da
obrigado, seu José.
pessoa: Todos os membros da C.P.I. afirmaram que
Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, agiu 2. Os pronomes possessivos nem sempre indicam
com propriedade. posse. Podem ter outros empregos, como:
3. Os pronomes de tratamento representam uma forma A) indicar afetividade: Não faça isso, minha filha.
indireta de nos dirigirmos aos nossos interlocutores. B) indicar cálculo aproximado: Ele já deve ter seus 40
Ao tratarmos um deputado por Vossa Excelência, por anos.
exemplo, estamos nos endereçando à excelência que C) atribuir valor indefinido ao substantivo: Marisa tem
esse deputado supostamente tem para poder ocupar lá seus defeitos, mas eu gosto muito dela.
o cargo que ocupa. 3. Em frases onde se usam pronomes de tratamento,
4. Embora os pronomes de tratamento dirijam-se à 2.ª o pronome possessivo fica na 3.ª pessoa: Vossa Ex-
pessoa, toda a concordância deve ser feita com a celência trouxe sua mensagem?
3.ª pessoa. Assim, os verbos, os pronomes possessi- 4. Referindo-se a mais de um substantivo, o possessi-
vos e os pronomes oblíquos empregados em relação vo concorda com o mais próximo: Trouxe-me seus
a eles devem ficar na 3.ª pessoa. livros e anotações.
Basta que V. Ex.ª cumpra a terça parte das suas promes- 5. Em algumas construções, os pronomes pessoais
LÍNGUA PORTUGUESA

sas, para que seus eleitores lhe fiquem reconhecidos. oblíquos átonos assumem valor de possessivo: Vou
5. Uniformidade de Tratamento: quando escrevemos seguir-lhe os passos. (= Vou seguir seus passos)
ou nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar, 6. O adjetivo “respectivo” equivale a “devido, seu, pró-
ao longo do texto, a pessoa do tratamento escolhi- prio”, por isso não se deve usar “seus” ao utilizá-lo,
da inicialmente. Assim, por exemplo, se começamos para que não ocorra redundância: Coloque tudo
a chamar alguém de “você”, não poderemos usar nos respectivos lugares.
“te” ou “teu”. O uso correto exigirá, ainda, verbo na
terceira pessoa.

51
5. Pronomes Demonstrativos Os pronomes demonstrativos podem ser variáveis ou
invariáveis, observe:
São utilizados para explicitar a posição de certa pa- Variáveis: este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s),
lavra em relação a outras ou ao contexto. Essa relação aquela(s).
pode ser de espaço, de tempo ou em relação ao discurso. Invariáveis: isto, isso, aquilo.
Também aparecem como pronomes demonstrativos:
A) Em relação ao espaço:  o(s), a(s): quando estiverem antecedendo o “que”
Este(s), esta(s) e isto = indicam o que está perto da e puderem ser substituídos por aquele(s), aquela(s),
pessoa que fala: aquilo.
Este material é meu. Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.)
Essa rua não é a que te indiquei. (não é aquela que te
Esse(s), essa(s) e isso = indicam o que está perto da indiquei.)
pessoa com quem se fala:
Esse material em sua carteira é seu?  mesmo(s), mesma(s), próprio(s), própria(s):
variam em gênero quando têm caráter reforçativo:
Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam o que está Estas são as mesmas pessoas que o procuraram ontem.
distante tanto da pessoa que fala como da pessoa com Eu mesma refiz os exercícios.
quem se fala: Elas mesmas fizeram isso.
Aquele material não é nosso. Eles próprios cozinharam.
Vejam aquele prédio! Os próprios alunos resolveram o problema.

B) Em relação ao tempo:  semelhante(s): Não tenha semelhante atitude.


Este(s), esta(s) e isto = indicam o tempo presente em  tal, tais: Tal absurdo eu não cometeria.
relação à pessoa que fala: 1. Em frases como: O referido deputado e o Dr. Alcides
Esta manhã farei a prova do concurso! eram amigos íntimos; aquele casado, solteiro este.
(ou então: este solteiro, aquele casado) - este se re-
Esse(s), essa(s) e isso = indicam o tempo passado, po- fere à pessoa mencionada em último lugar; aquele,
rém relativamente próximo à época em que se situa a à mencionada em primeiro lugar.
pessoa que fala: 2. O pronome demonstrativo tal pode ter conotação
Essa noite dormi mal; só pensava no concurso! irônica: A menina foi a tal que ameaçou o professor?
Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam um afastamen- 3. Pode ocorrer a contração das preposições a, de, em
to no tempo, referido de modo vago ou como tempo com pronome demonstrativo: àquele, àquela, deste,
remoto: desta, disso, nisso, no, etc: Não acreditei no que esta-
Naquele tempo, os professores eram valorizados. va vendo. (no = naquilo)

C) Em relação ao falado ou escrito (ou ao que se 6. Pronomes Indefinidos


falará ou escreverá):
Este(s), esta(s) e isto = empregados quando se quer São palavras que se referem à 3.ª pessoa do discur-
fazer referência a alguma coisa sobre a qual ainda se fa- so, dando-lhe sentido vago (impreciso) ou expressando
lará: quantidade indeterminada.
Serão estes os conteúdos da prova: análise sintática, Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas recém-
ortografia, concordância. -plantadas.
Não é difícil perceber que “alguém” indica uma pessoa
Esse(s), essa(s) e isso = utilizados quando se pretende de quem se fala (uma terceira pessoa, portanto) de forma
fazer referência a alguma coisa sobre a qual já se falou: imprecisa, vaga. É uma palavra capaz de indicar um ser
Sua aprovação no concurso, isso é o que mais deseja- humano que seguramente existe, mas cuja identidade é
mos! desconhecida ou não se quer revelar. Classificam-se em:

Este e aquele são empregados quando se quer fazer A) Pronomes Indefinidos Substantivos: assumem o
referência a termos já mencionados; aquele se refere ao lugar do ser ou da quantidade aproximada de seres
termo referido em primeiro lugar e este para o referido na frase. São eles: algo, alguém, fulano, sicrano, bel-
por último: trano, nada, ninguém, outrem, quem, tudo.
Algo o incomoda?
Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São Pau- Quem avisa amigo é.
LÍNGUA PORTUGUESA

lo; este está mais bem colocado que aquele. (= este [São
Paulo], aquele [Palmeiras]) B) Pronomes Indefinidos Adjetivos: qualificam um
ser expresso na frase, conferindo-lhe a noção de
ou quantidade aproximada. São eles: cada, certo(s),
certa(s).
Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São Pau- Cada povo tem seus costumes.
lo; aquele está mais bem colocado que este. (= este [São Certas pessoas exercem várias profissões.
Paulo], aquele [Palmeiras])

52
Note que: Observe:
Ora são pronomes indefinidos substantivos, ora pro- Pronomes relativos variáveis = o qual, cujo, quanto, os
nomes indefinidos adjetivos: quais, cujos, quantos, a qual, cuja, quanta, as quais, cujas,
algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, mui- quantas.
tos), demais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum, ne- Pronomes relativos invariáveis = quem, que, onde.
nhuns, nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s),
qualquer, quaisquer, qual, que, quanto(s), quanta(s), tal, Note que:
tais, tanto(s), tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s), O pronome “que” é o relativo de mais largo empre-
vários, várias. go, sendo por isso chamado relativo universal. Pode ser
Menos palavras e mais ações. substituído por o qual, a qual, os quais, as quais, quando
Alguns se contentam pouco. seu antecedente for um substantivo.
O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. (= o qual)
Os pronomes indefinidos podem ser divididos em va- A cantora que acabou de se apresentar é péssima. (=
riáveis e invariáveis. Observe: a qual)
 Variáveis = algum, nenhum, todo, muito, pouco, Os trabalhos que eu fiz referem-se à corrupção. (= os
vário, tanto, outro, quanto, alguma, nenhuma, toda, quais)
muita, pouca, vária, tanta, outra, quanta, qualquer, As cantoras que se apresentaram eram péssimas. (=
quaisquer*, alguns, nenhuns, todos, muitos, poucos, as quais)
vários, tantos, outros, quantos, algumas, nenhumas,
todas, muitas, poucas, várias, tantas, outras, quan- O qual, os quais, a qual e as quais são exclusivamente
tas. pronomes relativos, por isso são utilizados didaticamen-
 Invariáveis = alguém, ninguém, outrem, tudo, te para verificar se palavras como “que”, “quem”, “onde”
nada, algo, cada. (que podem ter várias classificações) são pronomes rela-
tivos. Todos eles são usados com referência à pessoa ou
*Qualquer é composto de qual + quer (do verbo que- coisa por motivo de clareza ou depois de determinadas
preposições: Regressando de São Paulo, visitei o sítio de
rer), por isso seu plural é quaisquer (única palavra cujo
minha tia, o qual me deixou encantado. O uso de “que”,
plural é feito em seu interior).
neste caso, geraria ambiguidade. Veja: Regressando de
Todo e toda no singular e junto de artigo significa in-
São Paulo, visitei o sítio de minha tia, que me deixou en-
teiro; sem artigo, equivale a qualquer ou a todas as:
cantado (quem me deixou encantado: o sítio ou minha
Toda a cidade está enfeitada. (= a cidade inteira)
tia?).
Toda cidade está enfeitada. (= todas as cidades)
Essas são as conclusões sobre as quais pairam muitas
Trabalho todo o dia. (= o dia inteiro)
dúvidas? (com preposições de duas ou mais sílabas utili-
Trabalho todo dia. (= todos os dias)
za-se o qual / a qual)
São locuções pronominais indefinidas: cada qual, O relativo “que” às vezes equivale a o que, coisa que,
cada um, qualquer um, quantos quer (que), quem quer e se refere a uma oração: Não chegou a ser padre, mas
(que), seja quem for, seja qual for, todo aquele (que), tal deixou de ser poeta, que era a sua vocação natural.
qual (= certo), tal e qual, tal ou qual, um ou outro, uma
ou outra, etc. O pronome “cujo”: exprime posse; não concorda com
Cada um escolheu o vinho desejado. o seu antecedente (o ser possuidor), mas com o conse-
quente (o ser possuído, com o qual concorda em gêne-
7. Pronomes Relativos ro e número); não se usa artigo depois deste pronome;
“cujo” equivale a do qual, da qual, dos quais, das quais.
São aqueles que representam nomes já mencionados Existem pessoas cujas ações são nobres.
anteriormente e com os quais se relacionam. Introduzem (antecedente) (consequente)
as orações subordinadas adjetivas.
O racismo é um sistema que afirma a superioridade de Se o verbo exigir preposição, esta virá antes do pro-
um grupo racial sobre outros. nome: O autor, a cujo livro você se referiu, está aqui! (re-
(afirma a superioridade de um grupo racial sobre ou- feriu-se a)
tros = oração subordinada adjetiva).
“Quanto” é pronome relativo quando tem por ante-
O pronome relativo “que” refere-se à palavra “siste- cedente um pronome indefinido: tanto (ou variações) e
ma” e introduz uma oração subordinada. Diz-se que a tudo:
LÍNGUA PORTUGUESA

palavra “sistema” é antecedente do pronome relativo que.


O antecedente do pronome relativo pode ser o pro- Emprestei tantos quantos foram neces-
nome demonstrativo o, a, os, as. sários.
Não sei o que você está querendo dizer. (antecedente)
Às vezes, o antecedente do pronome relativo não vem
expresso. Ele fez tudo quanto ha-
Quem casa, quer casa. via falado.
(antecedente)

53
O pronome “quem” se refere a pessoas e vem sempre Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou
precedido de preposição. tônicos: os primeiros não são precedidos de preposição,
diferentemente dos segundos, que são sempre precedi-
É um professor a quem mui- dos de preposição.
to devemos. A) Pronome oblíquo átono: Joana me perguntou o
(preposição) que eu estava fazendo.
B) Pronome oblíquo tônico: Joana perguntou para
“Onde”, como pronome relativo, sempre possui ante- mim o que eu estava fazendo.
cedente e só pode ser utilizado na indicação de lugar: A
casa onde morava foi assaltada. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Na indicação de tempo, deve-se empregar quando ou Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
em que: Sinto saudades da época em que (quando) morá- Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
vamos no exterior. reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010.
Podem ser utilizadas como pronomes relativos as pa- Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
lavras: ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
 como (= pelo qual) – desde que precedida das CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
palavras modo, maneira ou forma: Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira
Não me parece correto o modo como você agiu sema- Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição –
na passada. São Paulo: Saraiva, 2002.

 quando (= em que) – desde que tenha como SITE


antecedente um nome que dê ideia de tempo: http://www.sopor tugues.com.br/secoes/morf/
Bons eram os tempos quando podíamos jogar video- morf42.php
game.
9. Colocação Pronominal
Os pronomes relativos permitem reunir duas orações
numa só frase. Colocação Pronominal trata da correta colocação dos
O futebol é um esporte. / O povo gosta muito deste pronomes oblíquos átonos na frase.
esporte.
= O futebol é um esporte de que o povo gosta muito.
#FicaDica
Numa série de orações adjetivas coordenadas, pode
ocorrer a elipse do relativo “que”: A sala estava cheia de Pronome Oblíquo é aquele que exerce a fun-
gente que conversava, (que) ria, observava. ção de complemento verbal (objeto). Por isso,
memorize:
8. Pronomes Interrogativos OBlíquo = OBjeto!

São usados na formulação de perguntas, sejam elas


diretas ou indiretas. Assim como os pronomes indefini- Embora na linguagem falada a colocação dos prono-
dos, referem-se à 3.ª pessoa do discurso de modo im- mes não seja rigorosamente seguida, algumas normas
preciso. São pronomes interrogativos: que, quem, qual (e devem ser observadas na linguagem escrita.
variações), quanto (e variações).
Com quem andas? Próclise = É a colocação pronominal antes do verbo.
Qual seu nome? A próclise é usada:
Diz-me com quem andas, que te direi quem és.
 Quando o verbo estiver precedido de palavras
O pronome pessoal é do caso reto quando tem fun- que atraem o pronome para antes do verbo. São elas:
ção de sujeito na frase. O pronome pessoal é do caso A) Palavras de sentido negativo: não, nunca, ninguém,
oblíquo quando desempenha função de complemento. jamais, etc.: Não se desespere!
1. Eu não sei essa matéria, mas ele irá me ajudar. B) Advérbios: Agora se negam a depor.
2. Maria foi embora para casa, pois não sabia se devia C) Conjunções subordinativas: Espero que me expli-
lhe ajudar. quem tudo!
LÍNGUA PORTUGUESA

Na primeira oração os pronomes pessoais “eu” e “ele” D) Pronomes relativos: Venceu o concurseiro que se
exercem função de sujeito, logo, são pertencentes ao esforçou.
caso reto. Já na segunda oração, o pronome “lhe” exerce E) Pronomes indefinidos: Poucos te deram a oportu-
função de complemento (objeto), ou seja, caso oblíquo. nidade.
Os pronomes pessoais indicam as pessoas do discur- F) Pronomes demonstrativos: Isso me magoa muito.
so. O pronome oblíquo “lhe”, da segunda oração, aponta
para a segunda pessoa do singular (tu/você): Maria não
sabia se devia ajudar... Ajudar quem? Você (lhe).

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 Orações iniciadas por palavras interrogativas: 11. Emprego de o, a, os, as
Quem lhe disse isso?
 Orações iniciadas por palavras exclamativas:  Em verbos terminados em vogal ou ditongo oral,
Quanto se ofendem! os pronomes: o, a, os, as não se alteram.
 Orações que exprimem desejo (orações optativas): Chame-o agora.
Que Deus o ajude. Deixei-a mais tranquila.
 A próclise é obrigatória quando se utiliza o pro-
nome reto ou sujeito expresso: Eu lhe entregarei o  Em verbos terminados em r, s ou z, estas consoan-
material amanhã. / Tu sabes cantar? tes finais alteram-se para lo, la, los, las. Exemplos:
(Encontrar) Encontrá-lo é o meu maior sonho.
Mesóclise = É a colocação pronominal no meio do (Fiz) Fi-lo porque não tinha alternativa.
verbo. A mesóclise é usada:
 Em verbos terminados em ditongos nasais (am,
Quando o verbo estiver no futuro do presente ou fu- em, ão, õe), os pronomes o, a, os, as alteram-se
turo do pretérito, contanto que esses verbos não estejam para no, na, nos, nas.
precedidos de palavras que exijam a próclise. Exemplos: Chamem-no agora.
Realizar-se-á, na próxima semana, um grande evento em Põe-na sobre a mesa.
prol da paz no mundo.
Repare que o pronome está “no meio” do verbo “rea-
lizará”: realizar – SE – á. Se houvesse na oração alguma
palavra que justificasse o uso da próclise, esta prevalece- #FicaDica
ria. Veja: Não se realizará...
Dica da Zê!
Não fossem os meus compromissos, acompanhar-te-ia
Próclise – pró lembra pré; pré é prefixo que sig-
nessa viagem.
nifica “antes”! Pronome antes do verbo!
(com presença de palavra que justifique o uso de pró-
Ênclise – “en” lembra, pelo “som”, /Ənd/ (end,
clise: Não fossem os meus compromissos, EU te acompa-
em Inglês – que significa “fim, final!). Pronome
nharia nessa viagem).
depois do verbo!
Mesóclise – pronome oblíquo no Meio do ver-
Ênclise = É a colocação pronominal depois do verbo.
bo
A ênclise é usada quando a próclise e a mesóclise não
forem possíveis:
 Quando o verbo estiver no imperativo afirmativo:
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Quando eu avisar, silenciem-se todos.
 Quando o verbo estiver no infinitivo impessoal: SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Não era minha intenção machucá-la. Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
 Quando o verbo iniciar a oração. (até porque não Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce-
se inicia período com pronome oblíquo). reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Vou-me embora agora mesmo. Paulo: Saraiva, 2010.
Levanto-me às 6h.
 Quando houver pausa antes do verbo: Se eu passo SITE
no concurso, mudo-me hoje mesmo! http://www.portugues.com.br/gramatica/colocacao-
 Quando o verbo estiver no gerúndio: Recusou a -pronominal-.html
proposta fazendo-se de desentendida.
Observação: Não foram encontradas questões
10. Colocação pronominal nas locuções verbais abrangendo tal conteúdo.

 Após verbo no particípio = pronome depois do VERBO


verbo auxiliar (e não depois do particípio):
Tenho me deliciado com a leitura! Verbo é a palavra que se flexiona em pessoa, número,
Eu tenho me deliciado com a leitura! tempo e modo. A estes tipos de flexão verbal dá-se o
Eu me tenho deliciado com a leitura! nome de conjugação (por isso também se diz que verbo
 Não convém usar hífen nos tempos compostos e é a palavra que pode ser conjugada). Pode indicar, entre
nas locuções verbais: outros processos: ação (amarrar), estado (sou), fenôme-
Vamos nos unir! no (choverá); ocorrência (nascer); desejo (querer).
LÍNGUA PORTUGUESA

Iremos nos manifestar.


 Quando há um fator para próclise nos tempos 1. Estrutura das Formas Verbais
compostos ou locuções verbais: opção pelo uso
do pronome oblíquo “solto” entre os verbos = Não Do ponto de vista estrutural, o verbo pode apresentar
vamos nos preocupar (e não: “não nos vamos preo- os seguintes elementos:
cupar”). A) Radical: é a parte invariável, que expressa o signi-
ficado essencial do verbo. Por exemplo: fal-ei; fal-
-ava; fal-am. (radical fal-)

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B) Tema: é o radical seguido da vogal temática que #FicaDica
indica a conjugação a que pertence o verbo. Por
exemplo: fala-r. São três as conjugações: Observe que, retirando os radicais, as desi-
1.ª - Vogal Temática - A - (falar), 2.ª - Vogal Temática nências modo-temporal e número-pessoal
- E - (vender), 3.ª - Vogal Temática - I - (partir). mantiveram-se idênticas. Tente fazer com
C) Desinência modo-temporal: é o elemento que outro verbo e perceberá que se repetirá o
designa o tempo e o modo do verbo. Por exemplo: fato (desde que o verbo seja da primeira
falávamos (indica o pretérito imperfeito do indicativo) conjugação e regular!). Faça com o verbo
/ falasse ( indica o pretérito imperfeito do subjuntivo) “andar”, por exemplo. Substitua o radical
D) Desinência número-pessoal: é o elemento que “cant” e coloque o “and” (radical do verbo
designa a pessoa do discurso (1.ª, 2.ª ou 3.ª) e o andar). Viu? Fácil!
número (singular ou plural):
falamos (indica a 1.ª pessoa do plural.) / falavam
(indica a 3.ª pessoa do plural.) B) Irregulares: são aqueles cuja flexão provoca alterações
no radical ou nas desinências: faço, fiz, farei, fizesse.
FIQUE ATENTO! Observação:
O verbo pôr, assim como seus derivados (com- Alguns verbos sofrem alteração no radical apenas
por, repor, depor), pertencem à 2.ª conjugação, para que seja mantida a sonoridade. É o caso de: corrigir/
pois a forma arcaica do verbo pôr era poer. corrijo, fingir/finjo, tocar/toquei, por exemplo. Tais altera-
A vogal “e”, apesar de haver desaparecido do ções não caracterizam irregularidade, porque o fonema
infinitivo, revela-se em algumas formas do permanece inalterado.
verbo: põe, pões, põem, etc.
C) Defectivos: são aqueles que não apresentam con-
jugação completa. Os principais são adequar, pre-
2. Formas Rizotônicas e Arrizotônicas caver, computar, reaver, abolir, falir.
D) Impessoais: são os verbos que não têm sujeito e,
Ao combinarmos os conhecimentos sobre a estrutura normalmente, são usados na terceira pessoa do
dos verbos com o conceito de acentuação tônica, perce- singular. Os principais verbos impessoais são:
bemos com facilidade que nas formas rizotônicas o acen-
to tônico cai no radical do verbo: opino, aprendam, amo, 1. Haver, quando sinônimo de existir, acontecer, reali-
por exemplo. Nas formas arrizotônicas, o acento tônico zar-se ou fazer (em orações temporais).
não cai no radical, mas sim na terminação verbal (fora do Havia muitos candidatos no dia da prova. (Havia =
radical): opinei, aprenderão, amaríamos. Existiam)
Houve duas guerras mundiais. (Houve = Aconteceram)
Haverá debates hoje. (Haverá = Realizar-se-ão)
3. Classificação dos Verbos
Viajei a Madri há muitos anos. (há = faz)
Classificam-se em:
2. Fazer, ser e estar (quando indicam tempo)
A) Regulares: são aqueles que apresentam o radi-
Faz invernos rigorosos na Europa.
cal inalterado durante a conjugação e desinências
Era primavera quando o conheci.
idênticas às de todos os verbos regulares da mes-
Estava frio naquele dia.
ma conjugação. Por exemplo: comparemos os ver-
bos “cantar” e “falar”, conjugados no presente do 3. Todos os verbos que indicam fenômenos da natu-
Modo Indicativo: reza são impessoais: chover, ventar, nevar, gear, tro-
vejar, amanhecer, escurecer, etc. Quando, porém,
canto falo se constrói, “Amanheci cansado”, usa-se o verbo
“amanhecer” em sentido figurado. Qualquer verbo
cantas falas
impessoal, empregado em sentido figurado, dei-
canta falas xa de ser impessoal para ser pessoal, ou seja, terá
cantamos falamos conjugação completa.
Amanheci cansado. (Sujeito desinencial: eu)
cantais falais Choveram candidatos ao cargo. (Sujeito: candidatos)
cantam falam Fiz quinze anos ontem. (Sujeito desinencial: eu)
LÍNGUA PORTUGUESA

4. O verbo passar (seguido de preposição), indicando


tempo: Já passa das seis.

5. Os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição


“de”, indicando suficiência:
Basta de tolices.
Chega de promessas.
6. Os verbos estar e ficar em orações como “Está bem,

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Está muito bem assim, Não fica bem, Fica mal”, sem referência a sujeito expresso anteriormente (por exemplo: “ele
está mal”). Podemos, nesse caso, classificar o sujeito como hipotético, tornando-se, tais verbos, pessoais.

7. O verbo dar + para da língua popular, equivalente de “ser possível”. Por exemplo:
Não deu para chegar mais cedo.
Dá para me arrumar uma apostila?

E) Unipessoais: são aqueles que, tendo sujeito, conjugam-se apenas nas terceiras pessoas, do singular e do plural.
São unipessoais os verbos constar, convir, ser (= preciso, necessário) e todos os que indicam vozes de animais
(cacarejar, cricrilar, miar, latir, piar).

Os verbos unipessoais podem ser usados como verbos pessoais na linguagem figurada:
Teu irmão amadureceu bastante.
O que é que aquela garota está cacarejando?

Principais verbos unipessoais:

 Cumprir, importar, convir, doer, aprazer, parecer, ser (preciso, necessário):


Cumpre estudarmos bastante. (Sujeito: estudarmos bastante)
Parece que vai chover. (Sujeito: que vai chover)
É preciso que chova. (Sujeito: que chova)

 Fazer e ir, em orações que dão ideia de tempo, seguidos da conjunção que.
Faz dez anos que viajei à Europa. (Sujeito: que viajei à Europa)
Vai para (ou Vai em ou Vai por) dez anos que não a vejo. (Sujeito: que não a vejo)

F) Abundantes: são aqueles que possuem duas ou mais formas equivalentes, geralmente no particípio, em que,
além das formas regulares terminadas em -ado ou -ido, surgem as chamadas formas curtas (particípio irregular).
O particípio regular (terminado em “–do”) é utilizado na voz ativa, ou seja, com os verbos ter e haver; o irregular é
empregado na voz passiva, ou seja, com os verbos ser, ficar e estar. Observe:

Infinitivo Particípio Regular Particípio Irregular


Aceitar Aceitado Aceito
Acender Acendido Aceso
Anexar Anexado Anexo
Benzer Benzido Bento
Corrigir Corrigido Correto
Dispersar Dispersado Disperso
Eleger Elegido Eleito
Envolver Envolvido Envolto
Imprimir Imprimido Impresso
Inserir Inserido Inserto
Limpar Limpado Limpo
Matar Matado Morto
Misturar Misturado Misto
Morrer Morrido Morto
Murchar Murchado Murcho
Pegar Pegado Pego
LÍNGUA PORTUGUESA

Romper Rompido Roto


Soltar Soltado Solto
Suspender Suspendido Suspenso
Tingir Tingido Tinto
Vagar Vagado Vago

57
FIQUE ATENTO!
Estes verbos e seus derivados possuem, apenas, o particípio irregular: abrir/aberto, cobrir/coberto, dizer/
dito, escrever/escrito, pôr/posto, ver/visto, vir/vindo.

G) Anômalos: são aqueles que incluem mais de um radical em sua conjugação. Existem apenas dois: ser (sou, sois,
fui) e ir (fui, ia, vades).

H) Auxiliares: São aqueles que entram na formação dos tempos compostos e das locuções verbais. O verbo prin-
cipal (aquele que exprime a ideia fundamental, mais importante), quando acompanhado de verbo auxiliar, é
expresso numa das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.
Vou espantar todos!
(verbo auxiliar) (verbo principal no infinitivo)

Está chegando a hora!


(verbo auxiliar) (verbo principal no gerúndio)

Observação:
Os verbos auxiliares mais usados são: ser, estar, ter e haver.

4. Conjugação dos Verbos Auxiliares

4.1. SER - Modo Indicativo

Presente Pret.Perfeito Pret. Imp. Pret.mais-que-perf. Fut.do Pres. Fut. Do Pretérito


sou fui era fora serei seria
és foste eras foras serás serias
é foi era fora será seria
somos fomos éramos fôramos seremos seríamos
sois fostes éreis fôreis sereis seríeis
são foram eram foram serão seriam

4.2. SER - Modo Subjuntivo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro


que eu seja se eu fosse quando eu for
que tu sejas se tu fosses quando tu fores
que ele seja se ele fosse quando ele for
que nós sejamos se nós fôssemos quando nós formos
que vós sejais se vós fôsseis quando vós fordes
que eles sejam se eles fossem quando eles forem

4.3. SER - Modo Imperativo

Afirmativo Negativo
sê tu não sejas tu
LÍNGUA PORTUGUESA

seja você não seja você


sejamos nós não sejamos nós
sede vós não sejais vós
sejam vocês não sejam vocês

58
4.4. SER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


ser ser eu sendo sido
seres tu
ser ele
sermos nós
serdes vós
serem eles

4.5. ESTAR - Modo Indicativo

Presente Pret. perf. Pret. Imp. Pret.mais-q-perf. Fut.doPres. Fut.do Preté.


estou estive estava estivera estarei estaria
estás estiveste estavas estiveras estarás estarias
está esteve estava estivera estará estaria
estamos estivemos estávamos estivéramos estaremos estaríamos
estais estivestes estáveis estivéreis estareis estaríeis
estão estiveram estavam estiveram estarão estariam

4.6. ESTAR - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


esteja estivesse estiver
estejas estivesses estiveres está estejas
esteja estivesse estiver esteja esteja
estejamos estivéssemos estivermos estejamos estejamos
estejais estivésseis estiverdes estai estejais
estejam estivessem estiverem estejam estejam

4.7. ESTAR - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


estar estar estando estado
estares
estar
estarmos
estardes
estarem

4.8. HAVER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Pret.Mais-Q-Perf. Fut.do Pres. Fut.doPreté.


LÍNGUA PORTUGUESA

hei houve havia houvera haverei haveria


hás houveste havias houveras haverás haverias
há houve havia houvera haverá haveria
havemos houvemos havíamos houvéramos haveremos haveríamos
haveis houvestes havíeis houvéreis havereis haveríeis
hão houveram haviam houveram haverão haveriam

59
4.9. HAVER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


ja houvesse houver
hajas houvesses houveres há hajas
haja houvesse houver haja haja
hajamos houvéssemos houvermos hajamos hajamos
hajais houvésseis houverdes havei hajais
hajam houvessem houverem hajam hajam

4.10. HAVER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


haver haver havendo havido
haveres
haver
havermos
haverdes
Haverem

4.11. TER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Preté.mais-q-perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
tenho tive tinha tivera terei teria
tens tiveste tinhas tiveras terás terias
tem teve tinha tivera terá teria
temos tivemos tínhamos tivéramos teremos teríamos
tendes tivestes tínheis tivéreis tereis teríeis
têm tiveram tinham tiveram terão teriam

4.12. TER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


tenha tivesse tiver
tenhas tivesses tiveres tem tenhas
tenha tivesse tiver tenha tenha
tenhamos tivéssemos tivermos tenhamos tenhamos
Tenhais tivésseis tiverdes tende tenhais
tenham tivessem tiverem tenham tenham

I) Pronominais: São aqueles verbos que se conjugam com os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, se, na
mesma pessoa do sujeito, expressando reflexibilidade (pronominais acidentais) ou apenas reforçando a ideia já
implícita no próprio sentido do verbo (pronominais essenciais). Veja:
 Essenciais: são aqueles que sempre se conjugam com os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, se. São poucos:
LÍNGUA PORTUGUESA

abster-se, ater-se, apiedar-se, atrever-se, dignar-se, arrepender-se, etc. Nos verbos pronominais essenciais a refle-
xibilidade já está implícita no radical do verbo. Por exemplo: Arrependi-me de ter estado lá.

A ideia é de que a pessoa representada pelo sujeito (eu) tem um sentimento (arrependimento) que recai sobre ela mesma,
pois não recebe ação transitiva nenhuma vinda do verbo; o pronome oblíquo átono é apenas uma partícula integrante do
verbo, já que, pelo uso, sempre é conjugada com o verbo. Diz-se que o pronome apenas serve de reforço da ideia reflexiva
expressa pelo radical do próprio verbo. Veja uma conjugação pronominal essencial (verbo e respectivos pronomes):
Eu me arrependo, Tu te arrependes, Ele se arrepende, Nós nos arrependemos, Vós vos arrependeis, Eles se arrependem.

60
 Acidentais: são aqueles verbos transitivos diretos em que a ação exercida pelo sujeito recai sobre o objeto re-
presentado por pronome oblíquo da mesma pessoa do sujeito; assim, o sujeito faz uma ação que recai sobre ele
mesmo. Em geral, os verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos podem ser conjugados com os
pronomes mencionados, formando o que se chama voz reflexiva. Por exemplo: A garota se penteava.
A reflexibilidade é acidental, pois a ação reflexiva pode ser exercida também sobre outra pessoa: A garota penteou-
-me.

Por fazerem parte integrante do verbo, os pronomes oblíquos átonos dos verbos pronominais não possuem função
sintática.
Há verbos que também são acompanhados de pronomes oblíquos átonos, mas que não são essencialmente prono-
minais - são os verbos reflexivos. Nos verbos reflexivos, os pronomes, apesar de se encontrarem na pessoa idêntica à
do sujeito, exercem funções sintáticas. Por exemplo:
Eu me feri. = Eu (sujeito) – 1.ª pessoa do singular; me (objeto direto) – 1.ª pessoa do singular.

5. Modos Verbais

Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas pelo verbo na expressão de um fato certo, real, verdadeiro.
Existem três modos:
A) Indicativo - indica uma certeza, uma realidade: Eu estudo para o concurso.
B) Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade: Talvez eu estude amanhã.
C) Imperativo - indica uma ordem, um pedido: Estude, colega!

6. Formas Nominais

Além desses três modos, o verbo apresenta ainda formas que podem exercer funções de nomes (substantivo, adje-
tivo, advérbio), sendo por isso denominadas formas nominais. Observe:

A) Infinitivo
A.1 Impessoal: exprime a significação do verbo de modo vago e indefinido, podendo ter valor e função de subs-
tantivo. Por exemplo:
Viver é lutar. (= vida é luta)
É indispensável combater a corrupção. (= combate à)

O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente (forma simples) ou no passado (forma composta). Por exem-
plo:
É preciso ler este livro.
Era preciso ter lido este livro.

A.2 Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às três pessoas do discurso. Na 1.ª e 3.ª pessoas do singular, não
apresenta desinências, assumindo a mesma forma do impessoal; nas demais, flexiona-se da seguinte maneira:
2.ª pessoa do singular: Radical + ES = teres (tu)
1.ª pessoa do plural: Radical + MOS = termos (nós)
2.ª pessoa do plural: Radical + DES = terdes (vós)
3.ª pessoa do plural: Radical + EM = terem (eles)
Foste elogiado por teres alcançado uma boa colocação.

B) Gerúndio: o gerúndio pode funcionar como adjetivo ou advérbio. Por exemplo:


Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de advérbio)
Água fervendo, pele ardendo. (função de adjetivo)

Na forma simples (1), o gerúndio expressa uma ação em curso; na forma composta (2), uma ação concluída:
Trabalhando (1), aprenderás o valor do dinheiro.
Tendo trabalhado (2), aprendeu o valor do dinheiro.
LÍNGUA PORTUGUESA

Quando o gerúndio é vício de linguagem (gerundismo), ou seja, uso exagerado e inadequado do gerúndio:
1. Enquanto você vai ao mercado, vou estar jogando futebol.
2. – Sim, senhora! Vou estar verificando!
Em 1, a locução “vou estar” + gerúndio é adequada, pois transmite a ideia de uma ação que ocorre no momento da
outra; em 2, essa ideia não ocorre, já que a locução verbal “vou estar verificando” refere-se a um futuro em andamento,
exigindo, no caso, a construção “verificarei” ou “vou verificar”.

61
C) Particípio: quando não é empregado na formação dos tempos compostos, o particípio indica, geralmente, o re-
sultado de uma ação terminada, flexionando-se em gênero, número e grau. Por exemplo: Terminados os exames,
os candidatos saíram.
Quando o particípio exprime somente estado, sem nenhuma relação temporal, assume verdadeiramente a função
de adjetivo. Por exemplo: Ela é a aluna escolhida pela turma.

(Ziraldo)

8. Tempos Verbais

Tomando-se como referência o momento em que se fala, a ação expressa pelo verbo pode ocorrer em diversos
tempos.

A) Tempos do Modo Indicativo


Presente - Expressa um fato atual: Eu estudo neste colégio.
Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual, mas que não foi completamente
terminado: Ele estudava as lições quando foi interrompido.
Pretérito Perfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual e que foi totalmente terminado: Ele
estudou as lições ontem à noite.
Pretérito-mais-que-perfeito - Expressa um fato ocorrido antes de outro fato já terminado: Ele já estudara as lições
quando os amigos chegaram. (forma simples).
Futuro do Presente - Enuncia um fato que deve ocorrer num tempo vindouro com relação ao momento atual: Ele
estudará as lições amanhã.
Futuro do Pretérito - Enuncia um fato que pode ocorrer posteriormente a um determinado fato passado: Se ele
pudesse, estudaria um pouco mais.

B) Tempos do Modo Subjuntivo


Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer no momento atual: É conveniente que estudes para o exame.
Pretérito Imperfeito - Expressa um fato passado, mas posterior a outro já ocorrido: Eu esperava que ele vencesse
o jogo.
Futuro do Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer num momento futuro em relação ao atual: Quando ele vier
à loja, levará as encomendas.

FIQUE ATENTO!
Há casos em que formas verbais de um determinado tempo podem ser utilizadas para indicar outro.
Em 1500, Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil.
descobre = forma do presente indicando passado ( = descobrira/descobriu)

No próximo final de semana, faço a prova!


faço = forma do presente indicando futuro ( = farei)
LÍNGUA PORTUGUESA

62
Tabelas das Conjugações Verbais

1. Modo Indicativo

1.1. Presente do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
cantO vendO partO O
cantaS vendeS parteS S
canta vende parte -
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaIS vendeIS partIS IS
cantaM vendeM parteM M

1.2. Pretérito Perfeito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
canteI vendI partI I
cantaSTE vendeSTE partISTE STE
cantoU vendeU partiU U
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaSTES vendeSTES partISTES STES
cantaRAM vendeRAM partiRAM RAM

1.3. Pretérito mais-que-perfeito

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal
1.ª/2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantaRAS vendeRAS partiRAS RA S
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantáRAMOS vendêRAMOS partíRAMOS RA MOS
cantáREIS vendêREIS partíREIS RE IS
cantaRAM vendeRAM partiRAM RA M

1.4. Pretérito Imperfeito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3ª. conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantAVA vendIA partIA
LÍNGUA PORTUGUESA

cantAVAS vendIAS partAS


CantAVA vendIA partIA
cantÁVAMOS vendÍAMOS partÍAMOS
cantÁVEIS vendÍEIS partÍEIS
cantAVAM vendIAM partIAM

63
1.5. Futuro do Presente do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar ei vender ei partir ei
cantar ás vender ás partir ás
cantar á vender á partir á
cantar emos vender emos partir emos
cantar eis vender eis partir eis
cantar ão vender ão partir ão

1.6. Futuro do Pretérito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantarIA venderIA partirIA
cantarIAS venderIAS partirIAS
cantarIA venderIA partirIA
cantarÍAMOS venderÍAMOS partirÍAMOS
cantarÍEIS venderÍEIS partirÍEIS
cantarIAM venderIAM partirIAM

1.7. Presente do Subjuntivo

Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do
indicativo pela desinência -E (nos verbos de 1.ª conjugação) ou pela desinência -A (nos verbos de 2.ª e 3.ª conjugação).

1.ª conjug. 2.ª conjug. 3.ª conju. Desinên. pessoal Des. temporal Des.temporal
1.ª conj. 2.ª/3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantE vendA partA E A Ø
cantES vendAS partAS E A S
cantE vendA partA E A Ø
cantEMOS vendAMOS partAMOS E A MOS
cantEIS vendAIS partAIS E A IS
cantEM vendAM partAM E A M
LÍNGUA PORTUGUESA

64
1.8. Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito,
obtendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE mais a desinência de
número e pessoa correspondente.

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantaSSES vendeSSES partiSSES SSE S
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantáSSEMOS vendêSSEMOS partíSSEMOS SSE MOS
cantáSSEIS vendêSSEIS partíSSEIS SSE IS
cantaSSEM vendeSSEM partiSSEM SSE M

1.9. Futuro do Subjuntivo

Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito, ob-
tendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de número
e pessoa correspondente.

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRES vendeRES partiRES R ES
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRMOS vendeRMOS partiRMOS R MOS
cantaRDES vendeRDES partiRDES R DES
cantaREM vendeREM partiREM R EM

C) Modo Imperativo

1. Imperativo Afirmativo

Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2.ª pessoa do singular (tu) e a segunda
pessoa do plural (vós) eliminando-se o “S” final. As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do subjuntivo. Veja:

Presente do Indicativo Imperativo Afirmativo Presente do Subjuntivo


Eu canto --- Que eu cante
Tu cantas CantA tu Que tu cantes
Ele canta Cante você Que ele cante
Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos
LÍNGUA PORTUGUESA

Vós cantais CantAI vós Que vós canteis


Eles cantam Cantem vocês Que eles cantem

65
2. Imperativo Negativo

Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar a negação às formas do presente do subjuntivo.

Presente do Subjuntivo Imperativo Negativo

Que eu cante ---


Que tu cantes Não cantes tu
Que ele cante Não cante você
Que nós cantemos Não cantemos nós
Que vós canteis Não canteis vós
Que eles cantem Não cantem eles

 No modo imperativo não faz sentido usar na 3.ª pessoa (singular e plural) as formas ele/eles, pois uma ordem,
pedido ou conselho só se aplicam diretamente à pessoa com quem se fala. Por essa razão, utiliza-se você/vocês.
 O verbo SER, no imperativo, faz excepcionalmente: sê (tu), sede (vós).

3. Infinitivo Pessoal

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar vender partir
cantarES venderES partirES
cantar vender partir
cantarMOS venderMOS partirMOS
cantarDES venderDES partirDES
cantarEM venderEM partirEM

 O verbo parecer admite duas construções:


Elas parecem gostar de você. (forma uma locução verbal)
Elas parece gostarem de você. (verbo com sujeito oracional, correspondendo à construção: parece gostarem de você).

 O verbo pegar possui dois particípios (regular e irregular):


Elvis tinha pegado minhas apostilas.
Minhas apostilas foram pegas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.

SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf54.php

VOZES DO VERBO

Dá-se o nome de voz à maneira como se apresenta a ação expressa pelo verbo em relação ao sujeito, indicando
se este é paciente ou agente da ação. Importante lembrar que voz verbal não é flexão, mas aspecto verbal. São três as
LÍNGUA PORTUGUESA

vozes verbais:

A) Ativa = quando o sujeito é agente, isto é, pratica a ação expressa pelo verbo:
Ele fez o trabalho.
sujeito agente ação objeto (paciente)

66
B) Passiva = quando o sujeito é paciente, recebendo a ação expressa pelo verbo:
O trabalho foi feito por ele.
sujeito paciente ação agente da passiva

C) Reflexiva = quando o sujeito é, ao mesmo tempo, agente e paciente, isto é, pratica e recebe a ação:
O menino feriu-se.

#FicaDica
Não confundir o emprego reflexivo do verbo com a noção de reciprocidade:
Os lutadores feriram-se. (um ao outro)
Nós nos amamos. (um ama o outro)

1. Formação da Voz Passiva

A voz passiva pode ser formada por dois processos: analítico e sintético.
A) Voz Passiva Analítica = Constrói-se da seguinte maneira:
Verbo SER + particípio do verbo principal. Por exemplo:
A escola será pintada pelos alunos. (na ativa teríamos: os alunos pintarão a escola)
O trabalho é feito por ele. (na ativa: ele faz o trabalho)

Observações:
 O agente da passiva geralmente é acompanhado da preposição por, mas pode ocorrer a construção com a pre-
posição de. Por exemplo: A casa ficou cercada de soldados.
 Pode acontecer de o agente da passiva não estar explícito na frase: A exposição será aberta amanhã.
 A variação temporal é indicada pelo verbo auxiliar (SER), pois o particípio é invariável. Observe a transformação
das frases seguintes:

Ele fez o trabalho. (pretérito perfeito do Indicativo)


O trabalho foi feito por ele. (verbo ser no pretérito perfeito do Indicativo, assim como o verbo principal da voz ativa)

Ele faz o trabalho. (presente do indicativo)


O trabalho é feito por ele. (ser no presente do indicativo)

Ele fará o trabalho. (futuro do presente)


O trabalho será feito por ele. (futuro do presente)

 Nas frases com locuções verbais, o verbo SER assume o mesmo tempo e modo do verbo principal da voz ativa.
Observe a transformação da frase seguinte:
O vento ia levando as folhas. (gerúndio)
As folhas iam sendo levadas pelo vento. (gerúndio)

B) Voz Passiva Sintética = A voz passiva sintética - ou pronominal - constrói-se com o verbo na 3.ª pessoa, seguido
do pronome apassivador “se”. Por exemplo:
Abriram-se as inscrições para o concurso.
Destruiu-se o velho prédio da escola.

Observação:
O agente não costuma vir expresso na voz passiva sintética.

1.1 Conversão da Voz Ativa na Voz Passiva


LÍNGUA PORTUGUESA

Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar substancialmente o sentido da frase.
O concurseiro comprou a apostila. (Voz Ativa)
Sujeito da Ativa objeto Direto

A apostila foi comprada pelo concurseiro. (Voz Passiva)


Sujeito da Passiva Agente da Passiva

67
Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva; 2. (TST – Analista Judiciário – Área Apoio Especiali-
o sujeito da ativa passará a agente da passiva, e o verbo zado – Especialidade Medicina do Trabalho – FCC –
ativo assumirá a forma passiva, conservando o mesmo 2012) Está inadequado o emprego do elemento subli-
tempo. nhado na seguinte frase:
Os mestres têm constantemente aconselhado os alunos.
Os alunos têm sido constantemente aconselhados pelos a) Sou ateu e peço que me deem tratamento similar ao
mestres. que dispenso aos homens religiosos.
b) A intolerância religiosa baseia-se em preconceitos de
Eu o acompanharei. que deveriam desviar-se todos os homens verdadeira-
Ele será acompanhado por mim. mente virtuosos.
Quando o sujeito da voz ativa for indeterminado, não c) A tolerância é uma virtude na qual não podem prescin-
haverá complemento agente na passiva. Por exemplo: dir os que se dizem homens de fé.
Prejudicaram-me. / Fui prejudicado.
d) O ateu desperta a ira dos fanáticos, a despeito de nada
Com os verbos neutros (nascer, viver, morrer, dormir,
fazer que possa injuriá-los ou desrespeitá-los.
acordar, sonhar, etc.) não há voz ativa, passiva ou reflexiva,
e) Respeito os homens de fé, a menos que deixem de
porque o sujeito não pode ser visto como agente, pacien-
fazer o mesmo com aqueles que não a têm.
te ou agente paciente.
Resposta: Letra C.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Corrigindo o inadequado:
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Em “a”: Sou ateu e peço que me deem tratamento si-
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. milar ao que dispenso aos homens religiosos.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- Em “b”: A intolerância religiosa baseia-se em precon-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São ceitos de que deveriam desviar-se todos os homens
Paulo: Saraiva, 2010. verdadeiramente virtuosos.
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- Em “c”: A tolerância é uma virtude na qual (de que)
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. não podem prescindir os que se dizem homens de fé.
Em “d”: O ateu desperta a ira dos fanáticos, a despeito
SITE de nada fazer que possa injuriá-los ou desrespeitá-los.
http://www.sopor tugues.com.br/secoes/morf/ Em “e”: Respeito os homens de fé, a menos que dei-
morf54.php xem de fazer o mesmo com aqueles que não a têm.

3. (TST – Analista Judiciário – Área Apoio Especiali-


zado – Especialidade Medicina do Trabalho – FCC –
EXERCÍCIOS COMENTADOS 2012)
Transpondo-se para a voz passiva a construção Os ateus
1. (TST – Técnico Judiciário – Área Administrativa – FCC despertariam a ira de qualquer fanático, a forma ver-
– 2012) As vitórias no jogo interior talvez não acrescen- bal obtida será:
tem novos troféus, mas elas trazem recompensas valiosas,
[...] que contribuem de forma significativa para nosso su- a) seria despertada.
cesso posterior, tanto na quadra como fora dela. b) teria sido despertada.
c) despertar-se-á.
Mantêm-se adequados o emprego de tempos e modos
d) fora despertada.
verbais e a correlação entre eles, ao se substituírem os
e) teriam despertado.
elementos sublinhados na frase acima, na ordem dada,
por:
a) tivessem acrescentado − trariam − contribuírem Resposta: Letra A.
b) acrescentassem − têm trazido − contribuírem Os ateus despertariam a ira de qualquer fanático
c) tinham acrescentado − trarão − contribuiriam Fazendo a transposição para a voz passiva, temos: A
d) acrescentariam − trariam− contribuíram ira de qualquer fanático seria despertada pelos ateus.
e) tenham acrescentado − trouxeram − Contribuíram GABARITO OFICIAL: A

Resposta: Letra E. 4. (TST – Técnico Judiciário – Área Administrativa –


Questão que envolve correlação verbal. Realizando as Especialidade Segurança Judiciária – FCC – 2012)
alterações solicitadas, segue como ficariam (em des- ...ela nunca alcançava a musa.
taque): Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma
LÍNGUA PORTUGUESA

Em “a”: tivessem acrescentado – trariam − contribui- verbal resultante será:


riam
Em “b”: acrescentassem – trariam − contribuiriam a) alcança-se.
Em “c”: tinham acrescentado – trouxeram − contribuí- b) foi alcançada.
ram c) fora alcançada.
Em “d”: acrescentassem – trariam − contribuíram d) seria alcançada.
Em “e”: tenham acrescentado – trouxeram − Contribuí- e) era alcançada.
ram = correta

68
Resposta: Letra E. 7. (TRT 23.ª REGIÃO-MT – Analista Judiciário – Área
Temos um verbo na voz ativa, então teremos dois Administrativa – FCC – 2016 ) ... para quem Manoel de
na passiva (auxiliar + o verbo da oração da ativa, no Barros era comparável a São Francisco de Assis...
mesmo tempo verbal, forma particípio): A musa nun- O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o da
ca era alcançada por ela. O verbo “alcançava” está no frase acima está em:
pretérito imperfeito, por isso o auxiliar tem que estar
também (é = presente, foi = pretérito perfeito, era = a) Dizia-se um “vedor de cinema”...
imperfeito, fora = mais que perfeito, será = futuro do b) Porque não seria certo ficar pregando moscas no es-
presente, seria = futuro do pretérito). paço...
c) Na juventude, apaixonou-se por Arthur Rimbaud e
5. (TST – Analista Judiciário – Área Apoio Especiali- Charles Baudelaire.
zado – Especialidade Medicina do Trabalho – FCC – d) Quase meio século separa a estreia de Manoel de Bar-
2012) Aos poucos, contudo, fui chegando à constatação ros na literatura...
de que todo perfil de rede social é um retrato ideal de nós e) ... para depois casá-las...
mesmos.
Mantendo-se a correção e a lógica, sem que outra al- Resposta: Letra A.
teração seja feita na frase, o elemento grifado pode ser “Era” = verbo “ser” no pretérito imperfeito do Indicati-
substituído por: vo. Procuremos nos itens:
a) ademais. Em “a”: Dizia-se = pretérito imperfeito do Indicativo
b) conquanto. Em “b”: Porque não seria = futuro do pretérito do In-
c) porquanto. dicativo
d) entretanto. Em “c”: Na juventude, apaixonou-se = pretérito perfei-
e) apesar. to do Indicativo
Em “d”: Quase meio século separa = presente do Indi-
Resposta: Letra D. cativo
Contudo é uma conjunção adversativa (expressa opo- Em “e”: para depois casá-las = Infinitivo pessoal (casar
sição). A substituição deve utilizar outra de mesma elas)
classificação, para que se mantenha a ideia do perío-
do. A correta é entretanto. 8. (TRT 20.ª REGIÃO-SE – Analista Judiciário – Área
Administrativa – FCC – 2016 ) Aí conheci o escritor e
6. (TST – Analista Judiciário – Área Administrativa – historiador de sua gente, meu saudoso amigo Alcino Al-
FCC – 2012) O verbo indicado entre parênteses deverá ves Costa. E foi dele que ouvi oralmente a história de Zé
flexionar-se no singular para preencher adequadamente de Julião. Considerando-se a norma-padrão da língua,
a lacuna da frase: ao reescrever-se o trecho acima em um único período, o
segmento destacado deverá ser antecedido de vírgula e
a) A nenhuma de nossas escolhas...... (poder) deixar de substituído por
corresponder nossos valores éticos mais rigorosos.
b) Não se...... (poupar) os que governam de refletir sobre a) perante ao qual
o peso de suas mais graves decisões. b) de cujo
c) Aos governantes mais responsáveis não...... (ocorrer) c) o qual
tomar decisões sem medir suas consequências. d) frente à quem
d) A toda decisão tomada precipitadamente...... (cos- e) de quem
tumar) sobrevir consequências imprevistas e injustas.
e) Diante de uma escolha,...... (ganhar) prioridade, reco- Resposta: Letra E.
menda Gramsci, os critérios que levam em conta a dor Voltemos ao trecho: ... meu saudoso amigo Alcino Alves
humana. Costa. E foi dele que ouvi oralmente... = a única alter-
nativa que substitui corretamente o trecho destacado é
Resposta: Letra C. “de quem ouvi oralmente”.
Flexões em destaque e sublinhei os termos que esta-
belecem concordância: 9. (TRT 14.ª REGIÃO-RO e AC – Técnico Judiciário –
Em “a”: A nenhuma de nossas escolhas podem deixar FCC – 2016) “Isto pode despertar a atenção de outras pes-
de corresponder nossos valores éticos mais rigorosos. soas que tenham documentos em casa e se disponham
Em “b”: Não se poupam os que governam de refletir a trazer para a Academia, que é a guardiã desse tipo de
sobre o peso de suas mais graves decisões. acervo, que é muito difícil de ser guardado em casa, pois o
Em “c”: Aos governantes mais responsáveis não ocor- tempo destrói e aqui temos a melhor técnica de conserva-
LÍNGUA PORTUGUESA

re tomar decisões sem medir suas consequências. = ção de documentos”, disse Cavalcanti.
Isso não ocorre aos governantes – uma oração exerce O termo sublinhado faz referência a
a função de sujeito (subjetiva)
Em “d”: A toda decisão tomada precipitadamente cos- a) pessoas.
tumam sobrevir consequências imprevistas e injustas. b) acervo.
Em “e”: Diante de uma escolha, ganham prioridade, c) Academia.
recomenda Gramsci, os critérios que levam em conta d) tempo.
a dor humana. e) casa.

69
Resposta: Letra B. Resposta: Letra C.
Ao trecho: a guardiã desse tipo de acervo, que (o qual) Há um verbo na ativa, então teremos dois na passiva
é muito difícil de ser guardado... (auxiliar + o particípio de “privilegia”) = O Estado e
o mundo são privilegiados pelo modelo ainda domi-
10. (TRT 14.ª REGIÃO-RO e AC – Técnico Judiciário – nante.
FCC – 2016) O marechal organizou o acervo...
A forma verbal está corretamente transposta para a voz 13. (TRT 23.ª REGIÃO-MT – Técnico Judiciário – FCC –
passiva em: 2016 ) Empregam-se todas as formas verbais de acordo
com a norma culta na seguinte frase:
a) estava organizando
b) tinha organizado a) Para que se mantesse sua autenticidade, o documento
c) organizando-se não poderia receber qualquer tipo de retificação.
d) foi organizado b) Os documentos com assinatura digital disporam de
e) está organizado algoritmos de criptografia que os protegeram.
Resposta: Letra D. c) Arquivados eletronicamente, os documentos poderam
Temos: sujeito (o marechal), verbo na ativa (organizou) contar com a proteção de uma assinatura digital.
e objeto (o acervo). Como há um verbo na ativa, ao d) Quem se propor a alterar um documento criptogra-
passarmos para a passiva teremos dois (o auxiliar no fado deve saber que comprometerá sua integridade.
mesmo tempo que o verbo da ativa + o particípio do e) Não é possível fazer as alterações que convierem sem
verbo da voz ativa = organizado). O objeto exercerá comprometer a integridade dos documentos.
a função de sujeito paciente, e o sujeito da ativa será
o agente da passiva (ufa!). A frase ficará: O acervo foi Resposta: Letra E.
organizado pelo marechal. Em “a”: Para que se mantesse (mantivesse) sua auten-
ticidade, o documento não poderia receber qualquer
tipo de retificação.
11. (TRT 20.ª REGIÃO-SE – TÉCNICO JUDICIÁRIO –
Em “b”: Os documentos com assinatura digital dispo-
FCC – 2016) Precisamos de um treinador que nos ajude
ram (dispuseram) de algoritmos de criptografia que os
a comer...
protegeram.
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o
Em “c”: Arquivados eletronicamente, os documentos
sublinhado acima está também sublinhado em:
poderam (puderam) contar com a proteção de uma
assinatura digital.
a) [...] assim que conseguissem se virar sem as mães ou
Em “d”: Quem se propor (propuser) a alterar um docu-
as amas...
mento criptografado deve saber que comprometerá
b) Não é por acaso que proliferaram os coaches. sua integridade.
c) [...] país que transformou a infância numa bilionária in- Em “e”: Não é possível fazer as alterações que convie-
dústria de consumo... rem sem comprometer a integridade dos documentos
d) E, mesmo que se esforcem muito [...] = correta
e) Hoje há algo novo nesse cenário.
14. (TRT 21.ª REGIÃO-RN – Técnico Judiciário – FCC
Resposta: Letra D. – 2017) Sessenta anos de história marcam, assim, a traje-
que nos ajude = presente do Subjuntivo tória da utopia no país.
Em “a”: que conseguissem = pretérito do Subjuntivo Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma
Em “b”: que proliferaram = pretérito perfeito (e tam- verbal resultante será:
bém mais-que-perfeito) do Indicativo
Em “c”: que transformou = pretérito perfeito do Indi- a) foram marcados.
cativo b) foi marcado.
Em “d”: que se esforcem = presente do Subjuntivo c) são marcados.
Em “e”: há algo novo nesse cenário = presente do In- d) foi marcada.
dicativo e) é marcada.

12. (TRT 23.ª REGIÃO-MT – Técnico Judiciário – FCC Resposta: Letra E.


– 2016) O modelo ainda dominante nas discussões ecoló- Temos um verbo (no tempo presente) na ativa, então
gicas privilegia, em escala, o Estado e o mundo... teremos dois na passiva (auxiliar [no tempo presente]
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma + particípio de “marcam”) = Assim, a trajetória da uto-
LÍNGUA PORTUGUESA

verbal resultante será: pia do país é marcada pelos sessenta anos de história.

a) é privilegiado. 15. (Polícia Militar do Estado de São Paulo – Soldado


b) sendo privilegiadas. PM 2.ª Classe – Vunesp – 2017) Considere as seguintes
c) são privilegiados. frases:
d) foi privilegiado. Primeiro, associe suas memórias com objetos físicos.
e) são privilegiadas. Segundo, não memorize apenas por repetição.
Terceiro, rabisque!

70
Um verbo flexionado no mesmo modo que o dos verbos d) Bem, o fato é que eu era o técnico de som do horário,
empregados nessas frases está em destaque em: precisava “passar” a transmissão lá para a câmara, e o
locutor não chegava para os textos de abertura, pu-
a) [...] o acesso rápido e a quantidade de textos fazem blicidade, chamadas.
com que o cérebro humano não considere útil gravar e) ... estremecíamos quando ele nos chamava para qual-
esses dados [...] quer coisa, fazendo-nos entrar na sua sala imensa, já
b) Na internet, basta um clique para vasculhar um sem- suando frio e atentos às suas finas e cortantes pala-
-número de informações. vras.
c) [...] após discar e fazer a ligação, não precisamos mais
dele... Resposta: Letra C.
d) Pense rápido: qual o número de telefone da casa em Aos itens:
que morou quando era criança? Em “a”: há = presente / acabam = presente / são =
e) É o que mostra também uma pesquisa recente condu- presente
zida pela empresa de segurança digital Kaspersky [...] Em “b”: Voltei = pretérito perfeito / acreditei = preté-
rito perfeito
Resposta: Letra D. Em “c”: deixe / largue / vá / ponha = verbos no modo
Os verbos das frases citadas estão no Modo Imperati- imperativo afirmativo (ordens)
vo (expressam ordem). Vamos aos itens: Em “d”: era = pretérito imperfeito / precisava = pretéri-
Em “a”: ... o acesso rápido e a quantidade de textos to imperfeito / chegava = pretérito imperfeito
fazem = presente do Indicativo Em “e”: fazendo-nos = gerúndio / suando = gerúndio
Em “b”: Na internet, basta um clique = presente do
Indicativo 18. (PC-SP – Agente de Polícia – Vunesp – 2013) Em
Em “c”: ... após discar e fazer a ligação, não precisamos – O destino me prestava esse pequeno favor: completa-
= presente do Indicativo va minha identificação com o resto da humanidade, que
Em “d”: Pense rápido: = Imperativo tem sempre para contar uma história de objeto achado;
Em “e”: É o que mostra também uma pesquisa = pre- – o pronome em destaque retoma a seguinte palavra/
sente do Indicativo expressão:

16. (PC-SP – Atendente de Necrotério Policial – Vu- a) o resto da humanidade.


nesp – 2014) Assinale a alternativa em que a palavra em b) esse pequeno favor.
c) minha identificação.
destaque na frase pertence à classe dos adjetivos (pala-
d) O destino.
vra que qualifica um substantivo).
e) completava.
a) Existe grande confusão entre os diversos tipos de eu-
Resposta: Letra A.
tanásia...
Completava minha identificação com o resto da huma-
b)... o médico ou alguém causa ativamente a morte...
nidade, que (a qual) tem sempre para contar uma his-
c) prolonga o processo de morrer procurando distanciar
tória de objeto achado = pronome relativo que retoma
a morte. o resto da humanidade.
d) Ela é proibida por lei no Brasil,...
e) E como seria a verdadeira boa morte? 19. (PC-SP – Agente de Polícia – Vunesp – 2013) Con-
sidere o trecho a seguir.
Resposta: Letra E. É comum que objetos ____________ esquecidos em locais
Em “a”: Existe grande confusão = substantivo públicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados
Em “b”: o médico ou alguém causa ativamente a mor- se as pessoas __________ a atenção voltada para seus per-
te = pronome tences, conservando-os junto ao corpo.
Em “c”: prolonga o processo de morrer procurando Assinale a alternativa que preenche, correta e respectiva-
distanciar a morte = substantivo mente, as lacunas do texto.
Em “d”: Ela é proibida por lei no Brasil = substantivo
Em “e”: E como seria a verdadeira boa morte? = ad- a) sejam ... mantesse
jetivo b) sejam ... mantém
c) sejam ... mantivessem
17. (PC-SP – Escrivão de Polícia – Vunesp – 2014) As for- d) seja ... mantivessem
mas verbais conjugadas no modo imperativo, expressan- e) seja ... mantêm
do ordem, instrução ou comando, estão destacadas em
LÍNGUA PORTUGUESA

Resposta: Letra C.
a) Mas há outros cujas marcas acabam ficando bem ní- Completemos as lacunas e depois busquemos o item
tidas na memória: são aqueles donos de qualidades correspondente. A pegadinha aqui é a conjugação do
incomuns. verbo “manter”, no presente do Subjuntivo (mantiver):
b) Voltei uns cinquenta minutos depois, cauteloso, e É comum que objetos sejam esquecidos em locais pú-
quase não acreditei no que ouvi. blicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados se
c) – Ei rapaz, deixe ligado o microfone, largue isso aí, vá as pessoas mantivessem a atenção voltada para seus
pro estúdio e ponha a rádio no ar. pertences, conservando-os junto ao corpo.

71
20. (PC-SP – Atendente de Necrotério Policial – Vu-
nesp – 2013) Nas frases – Não vou mais à escola!… – e FATORES DE TEXTUALIDADE: COESÃO E
– Hoje estão na moda os métodos audiovisuais. – as pala- COERÊNCIA.
vras em destaque expressam, correta e respectivamente,
circunstâncias de

a) dúvida e modo. COESÃO E COERÊNCIA


b) dúvida e tempo.
c) modo e afirmação. Na construção de um texto, assim como na fala, usa-
d) negação e lugar. mos mecanismos para garantir ao interlocutor a com-
e) negação e tempo. preensão do que é dito, ou lido. Estes mecanismos lin-
guísticos que estabelecem a coesão e retomada do que
Resposta: Letra E. foi escrito - ou falado - são os referentes textuais, que
“não” – advérbio de negação / “hoje” – advérbio de buscam garantir a coesão textual para que haja coerên-
tempo. cia, não só entre os elementos que compõem a oração,
como também entre a sequência de orações dentro do
21. (PC-SP – Escrivão de Polícia – Vunesp – 2013) texto. Essa coesão também pode muitas vezes se dar de
Assinale a alternativa que completa respectivamente as modo implícito, baseado em conhecimentos anteriores
lacunas, em conformidade com a norma-padrão de con- que os participantes do processo têm com o tema.
jugação verbal. Numa linguagem figurada, a coesão é uma linha ima-
Há quem acredite que alcançará o sucesso profissional ginária - composta de termos e expressões - que une
quando __________ um diploma de mestrado, mas há os diversos elementos do texto e busca estabelecer rela-
aqueles que _________ de opinião e procuram investir em ções de sentido entre eles. Dessa forma, com o emprego
cursos profissionalizantes. de diferentes procedimentos, sejam lexicais (repetição,
substituição, associação), sejam gramaticais (emprego de
a) obtiver … divirgem pronomes, conjunções, numerais, elipses), constroem-se
b) obter … divergem frases, orações, períodos, que irão apresentar o contexto
c) obtesse … devirgem – decorre daí a coerência textual.
d) obter … divirgem Um texto incoerente é o que carece de sentido ou o
e) obtiver … divergem apresenta de forma contraditória. Muitas vezes essa incoe-
rência é resultado do mau uso dos elementos de coesão
Resposta: Letra E. textual. Na organização de períodos e de parágrafos, um
Há quem acredite que alcançará o sucesso profissio- erro no emprego dos mecanismos gramaticais e lexicais
nal quando obtiver um diploma de mestrado, mas há prejudica o entendimento do texto. Construído com os
aqueles que divergem de opinião e procuram investir elementos corretos, confere-se a ele uma unidade formal.
em cursos profissionalizantes. Nas palavras do mestre Evanildo Bechara, “o enun-
ciado não se constrói com um amontoado de palavras e
22. (PC-SP – Auxiliar de Necropsia – Vunesp – 2014) orações. Elas se organizam segundo princípios gerais de
Considerando que o adjetivo é uma palavra que modifica dependência e independência sintática e semântica, reco-
o substantivo, com ele concordando em gênero e núme- bertos por unidades melódicas e rítmicas que sedimentam
ro, assinale a alternativa em que a palavra destacada é estes princípios”.
um adjetivo. Não se deve escrever frases ou textos desconexos –
é imprescindível que haja uma unidade, ou seja, que as
a) ... um câncer de boca horroroso, ... frases estejam coesas e coerentes formando o texto. Re-
b) Ele tem dezesseis anos... lembre-se de que, por coesão, entende-se ligação, rela-
c) Eu queria que ele morresse logo, ... ção, nexo entre os elementos que compõem a estrutura
d) ... com a crueldade adicional de dar esperança às fa- textual.
mílias.
e) E o inferno não atinge só os terminais. FORMAS DE SE GARANTIR A COESÃO ENTRE OS
ELEMENTOS DE UMA FRASE OU DE UM TEXTO:
Resposta: Letra A.
Em “a”: um câncer de boca horroroso = adjetivo  Substituição de palavras com o emprego de sinô-
Em “b”: Ele tem dezesseis anos = numeral nimos - palavras ou expressões do mesmo campo
Em “c”: Eu queria que ele morresse logo = advérbio associativo.
LÍNGUA PORTUGUESA

Em “d”: com a crueldade adicional de dar esperança às  Nominalização – emprego alternativo entre um
famílias = substantivo verbo, o substantivo ou o adjetivo correspondente
Em “e”: E o inferno não atinge só os terminais = subs- (desgastar / desgaste / desgastante).
tantivo  Emprego adequado de tempos e modos verbais:
Embora não gostassem de estudar, participaram
da aula.
 Emprego adequado de pronomes, conjunções,
preposições, artigos:

72
 O papa Francisco visitou o Brasil. Na capital bra- REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
sileira, Sua Santidade participou de uma reunião Português – Literatura, Produção de Textos & Gramá-
com a Presidente Dilma. Ao passar pelas ruas, o tica – volume único / Samira Yousseff Campedelli, Jésus
papa cumprimentava as pessoas. Estas tiveram a Barbosa Souza. – 3.ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2002.
certeza de que ele guarda respeito por elas.
 Uso de hipônimos – relação que se estabelece com SITE
base na maior especificidade do significado de um de- http://www.mundovestibular.com.br/articles/2586/1/
les. Por exemplo, mesa (mais específico) e móvel (mais COESAO-E-COERENCIA-TEXTUAL/Paacutegina1.html
genérico).
 Emprego de hiperônimos - relações de um ter-
mo de sentido mais amplo com outros de sentido
mais específico. Por exemplo, felino está numa re- EXERCÍCIOS COMENTADOS
lação de hiperonímia com gato.
 Substitutos universais, como os verbos vicários. 1. (Polícia Federal – Agente de Polícia Federal –
Cespe – 2014 – adaptada)
AJUDA DA ZÊ:
Verbo vicário é aquele que substitui outro já utilizado Hoje, todos reconhecem, porque Marx impôs esta de-
no período, evitando repetições. Geralmente é o verbo monstração no Livro II d’O Capital, que não há produção
fazer e ser. Exemplo: Não gosto de estudar. Faço porque possível sem que seja assegurada a reprodução das con-
preciso. O “faço” foi empregado no lugar de “estudo”, dições materiais da produção: a reprodução dos meios
evitando repetição desnecessária. de produção.
A coesão apoiada na gramática se dá no uso de co- Qualquer economista, que neste ponto não se distingue
nectivos, como pronomes, advérbios e expressões ad- de qualquer capitalista, sabe que, ano após ano, é preciso
verbiais, conjunções, elipses, entre outros. A elipse jus-
prever o que deve ser substituído, o que se gasta ou se
tifica-se quando, ao remeter a um enunciado anterior,
usa na produção: matéria-prima, instalações fixas (edi-
a palavra elidida é facilmente identificável (Exemplo.: O
fícios), instrumentos de produção (máquinas) etc. Dize-
jovem recolheu-se cedo. Sabia que ia necessitar de todas
mos: qualquer economista é igual a qualquer capitalista,
as suas forças. O termo o jovem deixa de ser repetido e,
pois ambos exprimem o ponto de vista da empresa.
assim, estabelece a relação entre as duas orações).
Louis Althusser. Ideologia e aparelhos ideológicos do Es-
Dêiticos são elementos linguísticos que têm a pro-
priedade de fazer referência ao contexto situacional ou tado. 3.ª ed. Lisboa: Presença, 1980 (com adaptações).
ao próprio discurso. Exercem, por excelência, essa fun-
ção de progressão textual, dada sua característica: são
elementos que não significam, apenas indicam, remetem Julgue os itens a seguir, a respeito dos sentidos do texto
aos componentes da situação comunicativa. acima.
Já os componentes concentram em si a significação. No texto, os termos “matéria-prima”, “instalações fixas
Elisa Guimarães ensina-nos a esse respeito: (edifícios)” e “instrumentos de produção (máquinas)” são
“Os pronomes pessoais e as desinências verbais in- exemplos de “meios de produção”.
dicam os participantes do ato do discurso. Os pronomes
demonstrativos, certas locuções prepositivas e adverbiais, ( ) CERTO ( ) ERRADO
bem como os advérbios de tempo, referenciam o momen-
to da enunciação, podendo indicar simultaneidade, ante- Resposta: Certo. Voltemos ao texto: (...) é preciso pre-
rioridade ou posterioridade. Assim: este, agora, hoje, neste ver o que deve ser substituído, o que se gasta ou se
momento (presente); ultimamente, recentemente, ontem, usa na produção: matéria- -prima, instalações fixas
há alguns dias, antes de (pretérito); de agora em diante, (edifícios), instrumentos de produção (máquinas) etc.
no próximo ano, depois de (futuro).” Os dois-pontos são utilizados para exemplificar o
termo antecedente (produção), portanto a afirmação
A coerência de um texto está ligada: está correta.
1. à sua organização como um todo, em que devem
estar assegurados o início, o meio e o fim; 2. (EBSERH – Conhecimentos Básicos para todos os
2. à adequação da linguagem ao tipo de texto. Um Cargos de Nível Superior – Cespe – 2018 – adapta-
texto técnico, por exemplo, tem a sua coerência da)
fundamentada em comprovações, apresentação de
estatísticas, relato de experiências; um texto infor- Texto CB1A1AAA
LÍNGUA PORTUGUESA

mativo apresenta coerência se trabalhar com lin-


guagem objetiva, denotativa; textos poéticos, por Já houve quem dissesse por aí que o Rio de Janeiro é a ci-
outro lado, trabalham com a linguagem figurada, dade das explosões. Na verdade, não há semana em que
livre associação de ideias, palavras conotativas. os jornais não registrem uma aqui e ali, na parte rural.
A ideia que se faz do Rio é a de que é ele um vasto paiol,
e que vivemos sempre ameaçados de ir pelos ares, como
se estivéssemos a bordo de um navio de guerra, ou habi-
tando uma fortaleza cheia de explosivos terríveis.

73
Certamente que essa pólvora terá toda ela emprego útil; Na linha 1, o elemento “ele” tem como referente textual
mas, se ela é indispensável para certos fins industriais, “O riso”.
convinha que se averiguassem bem as causas das ex-
plosões, se são acidentais ou propositais, a fim de que ( ) CERTO ( ) ERRADO
fossem removidas na medida do possível. Isso, porém,
é que não se tem dado e creio que até hoje não têm as Resposta: Certo. Vamos ao texto: O riso é tão uni-
autoridades chegado a resultados positivos. versal como a seriedade; ele abarca a totalidade do
Entretanto, é sabido que certas pólvoras, submetidas a universo (...). Os termos destacados se relacionam. O
dadas condições, explodem espontaneamente, e tem pronome “ele” retoma o sujeito “riso”.
sido essa a explicação para uma série de acidentes bas-
tante dolorosos, a começar pelo do Maine, na baía de
Havana, sem esquecer também o do Aquidabã. DIALOGISMO ENTRE TEXTOS:
Noticiam os jornais que o governo vende, quando avaria- INTERTEXTUALIDADE E PARÁFRASE.
da, grande quantidade dessas pólvoras.
Tudo indica que o primeiro cuidado do governo devia ser não
entregar a particulares tão perigosas pólvoras, que explodem
assim sem mais nem menos, pondo pacíficas vidas em cons- Imagine a situação: você passa uma tarde lendo o
tante perigo. romance Crime e Castigo do escritor russo Fiodor Dos-
Creio que o governo não é assim um negociante ganan- toievski. Tal romance trata da história de um assassinato e
cioso que vende gêneros que possam trazer a destruição do sentimento de culpa gerado por esse ato. Você fecha
de vidas preciosas; e creio que não é, porquanto anda o livro e liga a televisão. O telejornal está transmitindo a
sempre zangado com os farmacêuticos que vendem co- notícia de um crime. Então você lembra o que leu e as-
caína aos suicidas. Há sempre no Estado curiosas contra- siste ao noticiário influenciado pelo romance russo. Tenta
dições. verificar, no agressor da vida real, características descritas
nas páginas ficcionais. Isso nada mais é do que um modo
Lima Barreto Pólvora e cocaína In: Vida urbana, 5/1/1915 de leitura muito comum chamado intertextualidade, a
Internet: <www dominiopublico gov br> (com adapta- fusão e interferência de um texto lido sobre o outro.
ções) Somos seres dotados de memória. Mas a memória
humana é menos imparcial do que a dos computadores.
A correção gramatical do penúltimo parágrafo do tex- Quando pensamos estar criando algo, muitas vezes não
to seria preservada, embora seu sentido fosse alterado, passa de uma lembrança de algo visto em tempo remo-
caso o advérbio “não” fosse deslocado para imediata- to, atravessada por outras lembranças. No século XIX,
mente após “governo”. período marcado pela estética romântica, encarava-se o
artista enquanto um gênio criador, que criava suas obras
Resposta: Certo. Voltemos ao texto: (...) Tudo indica a partir do zero. Entretanto, no século XX, percebeu-se
que o primeiro cuidado do governo devia ser não en- que não existe criação pura, qualquer artista ou pessoa
tregar a particulares tão perigosas pólvoras, que explo- cria influenciado pelo que já leu, viu e ouviu ao longo da
dem assim sem mais nem menos, pondo pacíficas vidas vida. Somos uma colcha de retalhos, ou seja, somos seres
em constante perigo. Façamos a alteração proposta: o marcados pela intertextualidade por excelência.
primeiro cuidado do governo não devia ser entregar...
Haveria correção gramatical, mas mudaríamos o senti- 1 – Conceito de intertextualidade
do do texto, já que no original o que se quer dizer é o
primeiro cuidado do governo deve ser o de não entre- Intertextualidade é o diálogo estabelecido entre
gar a particulares; com a alteração: o primeiro cuidado textos, através das referências presentes um no outro.
do governo não deve ser o de entregar a particulares, Segundo a linguista Julia Kristeva, “qualquer texto se
ou seja, ele tem que tomar cuidado com outras coisas constrói como um mosaico de citações e é a absorção
primeiramente, depois com este fato. e transformação de um outro texto.” Isso não quer dizer
que intertextualidade seja um fenômeno que se apresen-
3. (Ancine – Técnico Administrativo – cespe – 2012) te quando o autor cita diretamente outros autores. Pelo
contrário, esse diálogo textual se dá de modo implícito,
O riso é tão universal como a seriedade; ele abarca a to- quando as ideias apresentadas numa página sofreram in-
talidade do universo, toda a sociedade, a história, a con- fluências de outros autores e pensamentos.
cepção de mundo. É uma verdade que se diz sobre o Isso nos faz concluir que não existe texto neutro, nem
mundo, que se estende a todas as coisas e à qual nada texto puro. Se toda escrita é um mosaico de citações é
LÍNGUA PORTUGUESA

escapa. É, de alguma maneira, o aspecto festivo do mun- porque escrevemos o que quer que seja auxiliados pela
do inteiro, em todos os seus níveis, uma espécie de se- memória, que é uma faculdade humana e influenciável
gunda revelação do mundo. por tudo o que guarda. Quando acreditamos estarmos
Mikhail Bakhtin. A cultura popular na Idade Média e o Re- criando algo original, fatalmente nos esbarramos nas
nascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo: lembranças das coisas que lemos e ouvimos. Nesse sen-
Hucitec, 1987, p. 73 (com adaptações). tido, não existe originalidade absoluta, mas modos ori-
ginais de reorganizar essa colcha de retalhos chamada
memória.

74
Assim sendo, quando lemos um texto, quantas vozes Tem poucos, raros amigos
estão presentes dentro dele? Somente a daquele que es- o homem atrás dos óculos e do -bigode,
creve ou também de alguns autores que o influenciaram até Meu Deus, por que me abandonaste
o momento da escrita? O linguista Mikhail Bakthin usava se sabias que eu não era Deus
os conceitos de dialogismo e polifonia (várias vozes) para se sabias que eu era fraco.
tratar dessa questão. Segundo o pensador russo, um texto Mundo mundo vasto mundo,
sempre lembra outros textos, pois escrever é dialogar com se eu me chamasse Raimundo
o mundo. Para que se entenda melhor tal questão, atente à seria uma rima, não seria uma solução.
música do compositor Chico Buarque “Até o fim”: Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Quando nasci veio um anjo safado Eu não devia te dizer
O chato do querubim mas essa lua
E decretou que eu estava predestinado mas esse conhaque
A ser errado assim botam a gente comovido como o diabo.
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim Lendo agora o poema de Drummond percebemos sua
“inda” garoto deixei de ir à escola influência sobre a música de Chico Buarque, agora, claro
Cassaram meu boletim exemplo de intertextualidade. O anjo torno do poema mi-
Não sou ladrão , eu não sou bom de bola neiro é transformado em anjo safado e a referência é clara
Nem posso ouvir clarim ao texto poético. Uma forma de intertextualidade bastante
Um bom futuro é o que jamais me esperou usada pelos poetas é a paródia, quando se faz uma explíci-
Mas vou até o fim ta menção a um poema conhecido, invertendo ou humori-
Eu bem que tenho ensaiado um progresso zando sua mensagem. Veja os exemplos abaixo:
Virei cantor de festim
Mamãe contou que eu faço um bruto sucesso Canção do exílio – Gonçalves Dias
Em quixeramobim Minha terra tem palmeiras,
Não sei como o maracatu começou Onde canta o Sabiá;
Mas vou até o fim As aves, que aqui gorjeiam,
Por conta de umas questões paralelas Não gorjeiam como lá.
Quebraram meu bandolim Nosso céu tem mais estrelas,
Não querem mais ouvir as minhas mazelas Nossas várzeas têm mais flores,
E a minha voz chinfrim Nossos bosques têm mais vida,
Criei barriga, a minha mula empacou Nossa vida mais amores.
Mas vou até o fim Em cismar, sozinho, à noite,
Não tem cigarro acabou minha renda Mais prazer eu encontro lá;
Deu praga no meu capim Minha terra tem palmeiras,
Minha mulher fugiu com o dono da venda Onde canta o Sabiá.
O que será de mim ? Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Aqueles que não têm costume de ler poesia podem Em cismar, sozinho, à noite,
gostar dessa letra de Chico Buarque e classificarem-na Mais prazer eu encontro lá;
como original, devido ao tema do “anjo safado”. Entre- Minha terra tem palmeiras,
tanto, quando Chico escreve esse texto dialoga direta- Onde canta o Sabiá.
mente com o poeta mineiro Carlos Drummond de An- Não permita Deus que eu morra,
drade, autor do “Poema de Sete Faces”: Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Quando nasci, um anjo torto Que não encontro por cá;
desses que vivem na sombra Sem qu’inda aviste as palmeiras,
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. Onde canta o Sabiá.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres. De Primeiros cantos (1847)
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos. Esse é um clássico da poesia romântica, de um perío-
O bonde passa cheio de pernas: do em que se tentou desenhar a identidade do Brasil a
LÍNGUA PORTUGUESA

pernas brancas pretas amarelas. partir da apresentação de uma natureza paradisíaca. Mais
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu co- tarde, vários poetas vão criticar essa postura artificial do
ração. romantismo usando Canção do Exílio como alvo, recrian-
Porém meus olhos do-o sob um viés mais crítico e humorístico. É o caso de
não perguntam nada. Canto de regresso à Pátria, de Oswald de Andrade:
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.

75
CANTO DE REGRESSO À PÁTRIA Quem nunca ouviu falar da Monalisa, iniciada em 1503
por Leonardo Da Vinci, e considerada uma das obras mais
Minha terra tem palmares famosas do mundo? Durante séculos vista como símbolo
onde gorjeia o mar de perfeição, tal obra foi relida em 1919 pelo artista da-
Os passarinhos daqui daísta Marcel Duchamp e tomou essa feição:
Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas


E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra

Ouro terra amor e rosas


Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá

Não permita Deus que eu morra


Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo

A intertextualidade tecida por Oswald de Andrade se


quer crítica, substituindo as “palmeiras” naturais pelos “pal-
mares” escravocratas. Esse método é comum no século XX, Um simples bigode numa musa como Gioconda é bem
século de releitura da tradição. Um outro modo de inter- mais que uma paródia, é também intertextualidade crítica.
textualidade é a paráfrase (do grego, reprodução de uma Ao mesmo tempo que Duchamp dialoga com Da Vinci,
resgatando sua obra máxima, o francês dialoga também
sentença), em que se resgata um texto original, modifican-
com artistas e pensadores do século XX, os quais estão
do-o, sem alterar sua mensagem. Veja o exemplo:
criticando a noção do pintor enquanto gênio criador.
“Meus olhos brasileiros se fecham saudosos
Há outras formas de intertextualidade. Vejamos:
Minha boca procura a ‘Canção do Exílio’.
- Epígrafe: originalmente “o que está na posição su-
Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’?
perior”, a epígrafe é utilizada no início de textos, quando
Eu tão esquecido de minha terra...
o autor resgata uma citação de outro pensador e a colo-
Ai terra que tem palmeiras
ca como indicação do que será analisado nas linhas que
Onde canta o sabiá!” seguem.
(Carlos Drummond de Andrade, “Europa, França e Exemplo:
Bahia”) Uma análise dos aspectos sociolinguísticos dos falan-
Notamos acima a intertextualidade oferecida por tes do sul do Brasil
Drummond, que dialoga com o poema de Gonçalves Maria Silva
Dias mas, ao contrário de Oswald de Andrade, não des- “O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o
via o sentido do texto original, antes reforça sua primeira que nós mesmos fazemos com aquilo que fazem de nós”
mensagem. - Jean-Paul Sartre
Nas artes visuais a intertextualidade também é co- A epígrafe apresentada acima já adianta ao leitor o
nhecida. Vejamos: tom que será usado na análise posterior.

- Citação: essa palavra, oriunda do latim, significa


convocação. Utilizada principalmente em textos cientí-
ficos e acadêmicos, consiste no resgate da fala de uma
autoridade do assunto em questão para reforçar os argu-
mentos apresentados no texto.
Exemplo:
Diz-se que a racionalidade é o que separa o homem
do seu outro, animal. Como diria Jean-Paul Sartre: “No
ponto de partida não pode haver outra verdade além
LÍNGUA PORTUGUESA

desta: «penso, logo existo», esta é a verdade absoluta da


consciência alcançando-se a si mesma.”

- Alusão: do latim alludere (para brincar), usado


quando se faz uma menção direta a algum fato explicita-
do em outro texto.
Exemplo: E ela ainda diz que não se trata de uma
Amélia.

76
Na frase acima, faz-se uma alusão à música de Mário Outros procedimentos rotineiros na redação de co-
Lago, “Amélia”, em que se apresenta a imagem de uma municações oficiais foram incorporados ao longo do
mulher submissa e do lar. tempo, como as formas de tratamento e de cortesia,
Podemos perceber, portanto, que a intertextualidade certos clichês de redação, a estrutura dos expedientes,
faz parte da própria cultura diária. A todo momento so- etc. Mencione-se, por exemplo, a fixação dos fechos para
mos influenciados pelo que lemos e vemos e o reprodu- comunicações oficiais, regulados pela Portaria n.º 1 do
zimos de forma criativa. Como diria Julia Kristeva, todos Ministro de Estado da Justiça, de 8 de julho de 1937.
somos um “mosaico de citações”. Acrescente-se, por fim, que a identificação que se
buscou fazer das características específicas da forma ofi-
cial de redigir não deve ensejar o entendimento de que
REDAÇÃO OFICIAL: NORMAS PARA se proponha a criação – ou se aceite a existência – de
COMPOSIÇÃO DO TEXTO OFICIAL. uma forma específica de linguagem administrativa, o que
TIPOS DE CORRESPONDÊNCIA OFICIAL. coloquialmente e pejorativamente se chama burocratês.
Este é antes uma distorção do que deve ser a redação
oficial, e se caracteriza pelo abuso de expressões e clichês
do jargão burocrático e de formas arcaicas de construção
O que é Redação Oficial de frases.
A redação oficial não é, portanto, necessariamente
Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial é a árida e infensa à evolução da língua. É que sua finali-
maneira pela qual o Poder Público redige atos normati- dade básica – comunicar com impessoalidade e máxima
vos e comunicações. Interessa-nos tratá-la do ponto de clareza – impõe certos parâmetros ao uso que se faz da
vista do Poder Executivo. língua, de maneira diversa daquele da literatura, do texto
A redação oficial deve caracterizar-se pela impessoa- jornalístico, da correspondência particular, etc.
lidade, uso do padrão culto de linguagem, clareza, con- Apresentadas essas características fundamentais da
cisão, formalidade e uniformidade. Fundamentalmente redação oficial, passemos à análise pormenorizada de
esses atributos decorrem da Constituição, que dispõe,
cada uma delas.
no artigo 37: “A administração pública direta, indireta ou
fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Es-
1. A Impessoalidade
tados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, pu-
A finalidade da língua é comunicar, quer pela fala,
blicidade e eficiência (...)”. Sendo a publicidade e a impes-
quer pela escrita. Para que haja comunicação, são neces-
soalidade princípios fundamentais de toda administração
sários: a) alguém que comunique, b) algo a ser comuni-
pública, claro está que devem igualmente nortear a ela-
cado, e c) alguém que receba essa comunicação. No caso
boração dos atos e comunicações oficiais.
Não se concebe que um ato normativo de qualquer da redação oficial, quem comunica é sempre o Serviço
natureza seja redigido de forma obscura, que dificulte ou Público (este ou aquele Ministério, Secretaria, Depar-
impossibilite sua compreensão. A transparência do sen- tamento, Divisão, Serviço, Seção); o que se comunica é
tido dos atos normativos, bem como sua inteligibilidade, sempre algum assunto relativo às atribuições do órgão
são requisitos do próprio Estado de Direito: é inaceitável que comunica; o destinatário dessa comunicação ou é o
que um texto legal não seja entendido pelos cidadãos. público, o conjunto dos cidadãos, ou outro órgão públi-
A publicidade implica, pois, necessariamente, clareza e co, do Executivo ou dos outros Poderes da União.
concisão. Percebe-se, assim, que o tratamento impessoal que
Além de atender à disposição constitucional, a forma deve ser dado aos assuntos que constam das comunica-
dos atos normativos obedece a certa tradição. Há nor- ções oficiais decorre:
mas para sua elaboração que remontam ao período de a) da ausência de impressões individuais de quem co-
nossa história imperial, como, por exemplo, a obrigato- munica: embora se trate, por exemplo, de um expediente
riedade – estabelecida por decreto imperial de 10 de de- assinado por Chefe de determinada Seção, é sempre em
zembro de 1822 – de que se aponha, ao final desses atos, nome do Serviço Público que é feita a comunicação. Ob-
o número de anos transcorridos desde a Independência. tém-se, assim, uma desejável padronização, que permite
Essa prática foi mantida no período republicano. Esses que comunicações elaboradas em diferentes setores da
mesmos princípios (impessoalidade, clareza, uniformida- Administração guardem entre si certa uniformidade;
de, concisão e uso de linguagem formal) aplicam-se às b) da impessoalidade de quem recebe a comunica-
comunicações oficiais: elas devem sempre permitir uma ção, com duas possibilidades: ela pode ser dirigida a um
única interpretação e ser estritamente impessoais e uni- cidadão, sempre concebido como público, ou a outro ór-
LÍNGUA PORTUGUESA

formes, o que exige o uso de certo nível de linguagem. gão público. Nos dois casos, temos um destinatário con-
Nesse quadro, fica claro também que as comuni- cebido de forma homogênea e impessoal;
cações oficiais são necessariamente uniformes, pois há c) do caráter impessoal do próprio assunto tratado: se
sempre um único comunicador (o Serviço Público) e o o universo temático das comunicações oficiais se restrin-
receptor dessas comunicações ou é o próprio Serviço ge a questões que dizem respeito ao interesse público, é
Público (no caso de expedientes dirigidos por um órgão natural que não cabe qualquer tom particular ou pessoal.
a outro) – ou o conjunto dos cidadãos ou instituições Desta forma, não há lugar na redação oficial para im-
tratados de forma homogênea (o público). pressões pessoais, como as que, por exemplo, constam

77
de uma carta a um amigo, ou de um artigo assinado de que o padrão culto nada tem contra a simplicidade de
jornal, ou mesmo de um texto literário. A redação oficial expressão, desde que não seja confundida com pobreza
deve ser isenta da interferência da individualidade que a de expressão. De nenhuma forma o uso do padrão culto
elabora. implica emprego de linguagem rebuscada, nem dos con-
A concisão, a clareza, a objetividade e a formalidade torcionismos sintáticos e figuras de linguagem próprios
de que nos valemos para elaborar os expedientes oficiais da língua literária.
contribuem, ainda, para que seja alcançada a necessária Pode-se concluir, então, que não existe propriamente
impessoalidade. um “padrão oficial de linguagem”; o que há é o uso do
padrão culto nos atos e comunicações oficiais. É claro que
2. A Linguagem dos Atos e Comunicações Oficiais haverá preferência pelo uso de determinadas expressões,
ou será obedecida certa tradição no emprego das formas
A necessidade de empregar determinado nível de lin- sintáticas, mas isso não implica, necessariamente, que se
guagem nos atos e expedientes oficiais decorre, de um consagre a utilização de uma forma de linguagem buro-
lado, do próprio caráter público desses atos e comuni- crática. O jargão burocrático, como todo jargão, deve ser
cações; de outro, de sua finalidade. Os atos oficiais, aqui evitado, pois terá sempre sua compreensão limitada.
entendidos como atos de caráter normativo, ou estabe- A linguagem técnica deve ser empregada apenas em
lecem regras para a conduta dos cidadãos, ou regulam situações que a exijam, sendo de evitar o seu uso indis-
o funcionamento dos órgãos públicos, o que só é alcan- criminado. Certos rebuscamentos acadêmicos, e mesmo
çado se em sua elaboração for empregada a linguagem o vocabulário próprio à determinada área, são de difícil
adequada. O mesmo se dá com os expedientes oficiais, entendimento por quem não esteja com eles familiariza-
cuja finalidade precípua é a de informar com clareza e do. Deve-se ter o cuidado, portanto, de explicitá-los em
objetividade. As comunicações que partem dos órgãos comunicações encaminhadas a outros órgãos da admi-
públicos federais devem ser compreendidas por todo e nistração e em expedientes dirigidos aos cidadãos.
qualquer cidadão brasileiro. Para atingir esse objetivo, há
3. Formalidade e Padronização
que evitar o uso de uma linguagem restrita a determina-
dos grupos. Não há dúvida que um texto marcado por
As comunicações oficiais devem ser sempre formais,
expressões de circulação restrita, como a gíria, os regio-
isto é, obedecem a certas regras de forma: além das já
nalismos vocabulares ou o jargão técnico, tem sua com-
mencionadas exigências de impessoalidade e uso do pa-
preensão dificultada.
drão culto de linguagem, é imperativo, ainda, certa for-
Ressalte-se que há necessariamente uma distância
malidade de tratamento. Não se trata somente da eterna
entre a língua falada e a escrita. Aquela é extremamente
dúvida quanto ao correto emprego deste ou daquele
dinâmica, reflete de forma imediata qualquer alteração pronome de tratamento para uma autoridade de certo;
de costumes, e pode eventualmente contar com outros mais do que isso, a formalidade diz respeito à polidez, à
elementos que auxiliem a sua compreensão, como os civilidade no próprio enfoque dado ao assunto do qual
gestos, a entoação, etc., para mencionar apenas alguns cuida a comunicação.
dos fatores responsáveis por essa distância. Já a língua A formalidade de tratamento vincula-se, também, à
escrita incorpora mais lentamente as transformações, necessária uniformidade das comunicações. Ora, se a ad-
tem maior vocação para a permanência, e vale-se apenas ministração federal é una, é natural que as comunicações
de si mesma para comunicar. que expede sigam um mesmo padrão. O estabelecimen-
A língua escrita, como a falada, compreende diferen- to desse padrão, uma das metas deste Manual, exige que
tes níveis, de acordo com o uso que dela se faça. Por se atente para todas as características da redação oficial e
exemplo, em uma carta a um amigo, podemos nos valer que se cuide, ainda, da apresentação dos textos.
de determinado padrão de linguagem que incorpore ex- A clareza datilográfica, o uso de papéis uniformes
pressões extremamente pessoais ou coloquiais; em um para o texto definitivo e a correta diagramação do texto
parecer jurídico, não se há de estranhar a presença do são indispensáveis para a padronização.
vocabulário técnico correspondente. Nos dois casos, há
um padrão de linguagem que atende ao uso que se faz 4. Concisão e Clareza
da língua, a finalidade com que a empregamos.
O mesmo ocorre com os textos oficiais: por seu ca- A concisão é antes uma qualidade do que uma carac-
ráter impessoal, por sua finalidade de informar com o terística do texto oficial. Conciso é o texto que consegue
máximo de clareza e concisão, eles requerem o uso do transmitir um máximo de informações com um mínimo
padrão culto da língua. Há consenso de que o padrão de palavras. Para que se redija com essa qualidade, é fun-
culto é aquele em que a) se observam as regras da gra- damental que se tenha, além de conhecimento do assun-
LÍNGUA PORTUGUESA

mática formal, e b) se emprega um vocabulário comum to sobre o qual se escreve, o necessário tempo para revi-
ao conjunto dos usuários do idioma. É importante res- sar o texto depois de pronto. É nessa releitura que muitas
saltar que a obrigatoriedade do uso do padrão culto na vezes se percebem eventuais redundâncias ou repetições
redação oficial decorre do fato de que ele está acima das desnecessárias de ideias.
diferenças lexicais, morfológicas ou sintáticas regionais, O esforço de sermos concisos atende, basicamente,
dos modismos vocabulares, das idiossincrasias linguísti- ao princípio de economia linguística, à mencionada fór-
cas, permitindo, por essa razão, que se atinja a pretendi- mula de empregar o mínimo de palavras para informar o
da compreensão por todos os cidadãos. Lembre-se de máximo. Não se deve de forma alguma entendê-la como

78
economia de pensamento, isto é, não se devem eliminar tratadas em detalhe neste capítulo. Antes de passarmos
passagens substanciais do texto no afã de reduzi-lo em à sua análise, vejamos outros aspectos comuns a quase
tamanho. Trata-se exclusivamente de cortar palavras inú- todas as modalidades de comunicação oficial: o empre-
teis, redundâncias, passagens que nada acrescentem ao go dos pronomes de tratamento, a forma dos fechos e a
que já foi dito. identificação do signatário.
Procure perceber certa hierarquia de ideias que existe
em todo texto de alguma complexidade: ideias funda- 6. Pronomes de Tratamento
mentais e ideias secundárias. Estas últimas podem es-
clarecer o sentido daquelas, detalhá-las, exemplificá-las; 6.1. Breve História dos Pronomes de Tratamento
mas existem também ideias secundárias que não acres-
centam informação alguma ao texto, nem têm maior re- O uso de pronomes e locuções pronominais de tra-
lação com as fundamentais, podendo, por isso, ser dis- tamento tem larga tradição na língua portuguesa. De
pensadas. acordo com Said Ali, após serem incorporados ao por-
A clareza deve ser a qualidade básica de todo texto tuguês os pronomes latinos tu e vos, “como tratamento
oficial. Pode-se definir como claro aquele texto que pos- direto da pessoa ou pessoas a quem se dirigia a palavra”,
sibilita imediata compreensão pelo leitor. No entanto, a passou-se a empregar, como expediente linguístico de
clareza não é algo que se atinja por si só: ela depende es- distinção e de respeito, a segunda pessoa do plural no
tritamente das demais características da redação oficial. tratamento de pessoas de hierarquia superior. Prossegue
Para ela concorrem: o autor: “Outro modo de tratamento indireto consistiu
a) a impessoalidade, que evita a duplicidade de inter- em fingir que se dirigia a palavra a um atributo ou qua-
pretações que poderia decorrer de um tratamento lidade eminente da pessoa de categoria superior, e não
personalista dado ao texto; a ela própria. Assim aproximavam-se os vassalos de seu
b) o uso do padrão culto de linguagem, em princí- rei com o tratamento de vossa mercê, vossa senhoria (...);
pio, de entendimento geral e por definição avesso assim usou-se o tratamento ducal de vossa excelência e
a vocábulos de circulação restrita, como a gíria e adotaram-se na hierarquia eclesiástica vossa reverência,
o jargão; vossa paternidade, vossa eminência, vossa santidade.”
c) a formalidade e a padronização, que possibilitam a A partir do final do século XVI, esse modo de trata-
imprescindível uniformidade dos textos; mento indireto já estava em voga também para os ocu-
d) a concisão, que faz desaparecer do texto os exces- pantes de certos cargos públicos. Vossa mercê evoluiu
sos linguísticos que nada lhe acrescentam. para vosmecê, e depois para o coloquial você. E o prono-
É pela correta observação dessas características que me vós, com o tempo, caiu em desuso. É dessa tradição
se redige com clareza. Contribuirá, ainda, a indispensável que provém o atual emprego de pronomes de tratamen-
releitura de todo texto redigido. A ocorrência, em tex- to indireto como forma de dirigirmo-nos às autoridades
tos oficiais, de trechos obscuros e de erros gramaticais civis, militares e eclesiásticas.
provém, principalmente, da falta da releitura que torna
possível sua correção. 6.2. Concordância com os Pronomes de Tratamento
Na revisão de um expediente, deve-se avaliar, ainda,
se ele será de fácil compreensão por seu destinatário. O Os pronomes de tratamento (ou de segunda pes-
que nos parece óbvio pode ser desconhecido por ter- soa indireta) apresentam certas peculiaridades quanto
ceiros. O domínio que adquirimos sobre certos assuntos à concordância verbal, nominal e pronominal. Embora
em decorrência de nossa experiência profissional muitas se refiram a segunda pessoa gramatical (à pessoa com
vezes faz com que os tomemos como de conhecimento quem se fala, ou a quem se dirige a comunicação), levam
geral, o que nem sempre é verdade. Explicite, desenvolva, a concordância para a terceira pessoa. É que o verbo con-
esclareça, precise os termos técnicos, o significado das corda com o substantivo que integra a locução como seu
siglas e abreviações e os conceitos específicos que não núcleo sintático: “Vossa Senhoria nomeará o substituto”;
possam ser dispensados. “Vossa Excelência conhece o assunto”.
A revisão atenta exige, necessariamente, tempo. A Da mesma forma, os pronomes possessivos referidos a
pressa com que são elaboradas certas comunicações pronomes de tratamento são sempre os da terceira pes-
quase sempre compromete sua clareza. Não se deve soa: “Vossa Senhoria nomeará seu substituto” (e não “Vossa
proceder à redação de um texto que não seja seguida ... vosso...”). Já quanto aos adjetivos referidos a esses pro-
por sua revisão. “Não há assuntos urgentes, há assuntos nomes, o gênero gramatical deve coincidir com o sexo da
atrasados”, diz a máxima. Evite-se, pois, o atraso, com sua pessoa a que se refere, e não com o substantivo que com-
indesejável repercussão no redigir. põe a locução. Assim, se nosso interlocutor for homem, o
correto é “Vossa Excelência está atarefado”, “Vossa Senhoria
LÍNGUA PORTUGUESA

5. As Comunicações Oficiais deve estar satisfeito”; se for mulher, “Vossa Excelência está
atarefada”, “Vossa Senhoria deve estar satisfeita”.
5.1. Introdução
6.3. Emprego dos Pronomes de Tratamento
A redação das comunicações oficiais deve, antes de
tudo, seguir os preceitos explicitados no Capítulo I, As- Como visto, o emprego dos pronomes de tratamento
pectos Gerais da Redação Oficial. Além disso, há caracte- obedece a secular tradição. São de uso consagrado:
rísticas específicas de cada tipo de expediente, que serão Vossa Excelência, para as seguintes autoridades:

79
a) do Poder Executivo; Em comunicações oficiais, está abolido o uso do tra-
Presidente da República; tamento Digníssimo (DD), às autoridades arroladas na
Vice-Presidente da República; lista anterior. A dignidade é pressuposto para que se
Ministros de Estado; ocupe qualquer cargo público, sendo desnecessária sua
Governadores e Vice-Governadores de Estado e do repetida evocação.
Distrito Federal;
Oficiais-Generais das Forças Armadas; Vossa Senhoria é empregado para as demais autori-
Embaixadores; dades e para particulares. O vocativo adequado é:
Secretários-Executivos de Ministérios e demais ocu- Senhor Fulano de Tal,
pantes de cargos de natureza especial; (...)
Secretários de Estado dos Governos Estaduais; No envelope, deve constar do endereçamento:
Prefeitos Municipais. Ao Senhor
Fulano de Tal
b) do Poder Legislativo: Rua ABC, n.º 123
Deputados Federais e Senadores; 12345-000 – Curitiba. PR
Ministros do Tribunal de Contas da União;
Deputados Estaduais e Distritais; Como se depreende do exemplo acima, fica dispen-
Conselheiros dos Tribunais de Contas Estaduais; sado o emprego do superlativo ilustríssimo para as au-
Presidentes das Câmaras Legislativas Municipais. toridades que recebem o tratamento de Vossa Senhoria
e para particulares. É suficiente o uso do pronome de
c) do Poder Judiciário: tratamento Senhor.
Ministros dos Tribunais Superiores; Acrescente-se que doutor não é forma de tratamen-
Membros de Tribunais; to, e sim título acadêmico. Evite usá-lo indiscriminada-
Juízes; mente. Como regra geral, empregue-o apenas em co-
Auditores da Justiça Militar. municações dirigidas a pessoas que tenham tal grau por
terem concluído curso universitário de doutorado. É cos-
tume designar por doutor os bacharéis, especialmente os
O vocativo a ser empregado em comunicações diri-
bacharéis em Direito e em Medicina. Nos demais casos,
gidas aos Chefes de Poder é Excelentíssimo Senhor, se-
o tratamento Senhor confere a desejada formalidade às
guido do cargo respectivo:
comunicações.
Excelentíssimo Senhor Presidente da República,
Mencionemos, ainda, a forma Vossa Magnificência,
Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional,
empregada, por força da tradição, em comunicações di-
Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal
rigidas a reitores de universidade. Corresponde-lhe o vo-
Federal.
cativo: Magnífico Reitor, (...)
Os pronomes de tratamento para religiosos, de acor-
As demais autoridades serão tratadas com o vocativo
do com a hierarquia eclesiástica, são:
Senhor, seguido do cargo respectivo: Vossa Santidade, em comunicações dirigidas ao
Senhor Senador, Papa. O vocativo correspondente é: Santíssimo Padre,
Senhor Juiz, (...)
Senhor Ministro, Vossa Eminência ou Vossa Eminência Reverendís-
Senhor Governador, sima, em comunicações aos Cardeais. Corresponde-lhe
o vocativo: Eminentíssimo Senhor Cardeal, ou Eminen-
No envelope, o endereçamento das comunicações di- tíssimo e Reverendíssimo Senhor Cardeal, (...)
rigidas às autoridades tratadas por Vossa Excelência, terá Vossa Excelência Reverendíssima é usado em co-
a seguinte forma: municações dirigidas a Arcebispos e Bispos;
A Sua Excelência o Senhor Vossa Reverendíssima ou Vossa Senhoria Reveren-
Fulano de Tal díssima para Monsenhores, Cônegos e superiores reli-
Ministro de Estado da Justiça giosos.
70064-900 – Brasília. DF Vossa Reverência é empregado para sacerdotes, clé-
rigos e demais religiosos.
A Sua Excelência o Senhor
Senador Fulano de Tal 7. Fechos para Comunicações
Senado Federal
LÍNGUA PORTUGUESA

70165-900 – Brasília. DF O fecho das comunicações oficiais possui, além da


finalidade óbvia de arrematar o texto, a de saudar o des-
A Sua Excelência o Senhor tinatário. Os modelos para fecho que vinham sendo uti-
Fulano de Tal lizados foram regulados pela Portaria n.º 1 do Ministério
Juiz de Direito da 10.ª Vara Cível da Justiça, de 1937, que estabelecia quinze padrões. Com
Rua ABC, n.º 123 o fito de simplificá-los e uniformizá-los, este Manual es-
01010-000 – São Paulo. SP tabelece o emprego de somente dois fechos diferentes
para todas as modalidades de comunicação oficial:

80
a) para autoridades superiores, inclusive o Presidente – desenvolvimento, no qual o assunto é detalhado;
da República: Respeitosamente, se o texto contiver mais de uma ideia sobre o assunto,
b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hie- elas devem ser tratadas em parágrafos distintos, o que
rarquia inferior: Atenciosamente, confere maior clareza à exposição;
– conclusão, em que é reafirmada ou simplesmente
Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações di- reapresentada a posição recomendada sobre o assunto.
rigidas a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e Os parágrafos do texto devem ser numerados, exceto
tradição próprios, devidamente disciplinados no Manual nos casos em que estes estejam organizados em itens ou
de Redação do Ministério das Relações Exteriores. títulos e subtítulos. Já quando se tratar de mero encami-
nhamento de documentos a estrutura é a seguinte:
8. Identificação do Signatário – introdução: deve iniciar com referência ao expe-
diente que solicitou o encaminhamento. Se a remessa do
Excluídas as comunicações assinadas pelo Presiden- documento não tiver sido solicitada, deve iniciar com a
te da República, todas as demais comunicações oficiais informação do motivo da comunicação, que é encami-
devem trazer o nome e o cargo da autoridade que as nhar, indicando a seguir os dados completos do docu-
expede, abaixo do local de sua assinatura. A forma da mento encaminhado (tipo, data, origem ou signatário,
identificação deve ser a seguinte: e assunto de que trata), e a razão pela qual está sendo
(espaço para assinatura) encaminhado, segundo a seguinte fórmula: “Em resposta
NOME ao Aviso n.º 12, de 1.º de fevereiro de 1991, encaminho,
Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República anexa, cópia do Ofício n.º 34, de 3 de abril de 1990, do
(espaço para assinatura) Departamento Geral de Administração, que trata da re-
NOME quisição do servidor Fulano de Tal.” Ou “Encaminho, para
Ministro de Estado da Justiça exame e pronunciamento, a anexa cópia do telegrama no
12, de 1.º de fevereiro de 1991, do Presidente da Confe-
Para evitar equívocos, recomenda-se não deixar a as- deração Nacional de Agricultura, a respeito de projeto de
sinatura em página isolada do expediente. Transfira para modernização de técnicas agrícolas na região Nordeste.”
essa página ao menos a última frase anterior ao fecho.
– desenvolvimento: se o autor da comunicação dese-
jar fazer algum comentário a respeito do documento que
9. O Padrão Ofício
encaminha, poderá acrescentar parágrafos de desenvol-
vimento; em caso contrário, não há parágrafos de desen-
Há três tipos de expedientes que se diferenciam antes
volvimento em aviso ou ofício de mero encaminhamento.
pela finalidade do que pela forma: o ofício, o aviso e o
f) fecho (v. 2.2. Fechos para Comunicações);
memorando. Com o fito de uniformizá-los, pode-se ado-
tar uma diagramação única, que siga o que chamamos g) assinatura do autor da comunicação; e
de padrão ofício. h) identificação do signatário (v. 2.3. Identificação do
Signatário).
10. Partes do documento no Padrão Ofício
11. Forma de diagramação
O aviso, o ofício e o memorando devem conter as se-
guintes partes: Os documentos do Padrão Ofício devem obedecer à
a) tipo e número do expediente, seguido da sigla do seguinte forma de apresentação:
órgão que o expede: Exemplos: Mem. 123/2002-MF Aviso a) deve ser utilizada fonte do tipo Times New Roman
123/2002-SG Of. 123/2002-MME de corpo 12 no texto em geral, 11 nas citações, e
b) local e data em que foi assinado, por extenso, com 10 nas notas de rodapé;
alinhamento à direita: Exemplo: b) para símbolos não existentes na fonte Times New
Brasília, 15 de março de 1991. Roman poder-se-á utilizar as fontes Symbol e
Wingdings;
c) assunto: resumo do teor do documento Exemplos: c) é obrigatório constar a partir da segunda página o
Assunto: Produtividade do órgão em 2002. número da página;
Assunto: Necessidade de aquisição de novos compu- d) os ofícios, memorandos e anexos destes poderão
tadores. ser impressos em ambas as faces do papel. Neste
d) destinatário: o nome e o cargo da pessoa a quem caso, as margens esquerda e direita terão as dis-
é dirigida a comunicação. No caso do ofício deve ser in- tâncias invertidas nas páginas pares (“margem es-
cluído também o endereço. pelho”);
e) texto: nos casos em que não for de mero encami- e) o início de cada parágrafo do texto deve ter 2,5 cm
LÍNGUA PORTUGUESA

nhamento de documentos, o expediente deve conter a de distância da margem esquerda;


seguinte estrutura: f) o campo destinado à margem lateral esquerda terá,
no mínimo, 3,0 cm de largura;
– introdução, que se confunde com o parágrafo de g) o campo destinado à margem lateral direita terá
abertura, na qual é apresentado o assunto que motiva a 1,5 cm;
comunicação. Evite o uso das formas: “Tenho a honra de”, O constante neste item aplica-se também à exposição
“Tenho o prazer de”, “Cumpre-me informar que”, empre- de motivos e à mensagem (v. 4. Exposição de Moti-
gue a forma direta; vos e 5. Mensagem).

81
h) deve ser utilizado espaçamento simples entre as níveis diferentes. Trata-se, portanto, de uma forma de co-
linhas e de 6 pontos após cada parágrafo, ou, se o municação eminentemente interna. Pode ter caráter me-
editor de texto utilizado não comportar tal recurso, ramente administrativo, ou ser empregado para a expo-
de uma linha em branco; sição de projetos, ideias, diretrizes, etc. a serem adotados
i) não deve haver abuso no uso de negrito, itálico, por determinado setor do serviço público. Sua caracterís-
sublinhado, letras maiúsculas, sombreado, sombra, tica principal é a agilidade. A tramitação do memorando
relevo, bordas ou qualquer outra forma de forma- em qualquer órgão deve pautar-se pela rapidez e pela
tação que afete a elegância e a sobriedade do do- simplicidade de procedimentos burocráticos. Para evitar
cumento; desnecessário aumento do número de comunicações, os
j) a impressão dos textos deve ser feita na cor preta despachos ao memorando devem ser dados no próprio
em papel branco. A impressão colorida deve ser documento e, no caso de falta de espaço, em folha de
usada apenas para gráficos e ilustrações; continuação. Esse procedimento permite formar uma
k) todos os tipos de documentos do Padrão Ofício espécie de processo simplificado, assegurando maior
devem ser impressos em papel de tamanho A-4,
transparência à tomada de decisões, e permitindo que se
ou seja, 29,7 x 21,0 cm;
historie o andamento da matéria tratada no memorando.
l) deve ser utilizado, preferencialmente, o formato de
arquivo Rich Text nos documentos de texto;
m) dentro do possível, todos os documentos elabora- 13.2. Forma e Estrutura
dos devem ter o arquivo de texto preservado para
consulta posterior ou aproveitamento de trechos Quanto a sua forma, o memorando segue o modelo
para casos análogos; do padrão ofício, com a diferença de que o seu destina-
n) para facilitar a localização, os nomes dos arquivos tário deve ser mencionado pelo cargo que ocupa. Exem-
devem ser formados da seguinte maneira: tipo do plos:
documento + número do documento + palavras- Ao Sr. Chefe do Departamento de Administração
-chaves do conteúdo. Ex.: “Of. 123 - relatório pro- Ao Sr. Subchefe para Assuntos Jurídicos
dutividade ano 2002”
14. Exposição de Motivos
12. Aviso e Ofício
14.1. Definição e Finalidade
12.1. Definição e Finalidade
Exposição de motivos é o expediente dirigido ao Pre-
Aviso e ofício são modalidades de comunicação ofi- sidente da República ou ao Vice-Presidente para:
cial praticamente idênticas. A única diferença entre eles é a) informá-lo de determinado assunto;
que o aviso é expedido exclusivamente por Ministros de b) propor alguma medida; ou
Estado, para autoridades de mesma hierarquia, ao passo c) submeter a sua consideração projeto de ato nor-
que o ofício é expedido para e pelas demais autoridades. mativo.
Ambos têm como finalidade o tratamento de assuntos Em regra, a exposição de motivos é dirigida ao Presi-
oficiais pelos órgãos da Administração Pública entre si e, dente da República por um Ministro de Estado. Nos casos
no caso do ofício, também com particulares. em que o assunto tratado envolva mais de um Ministério,
a exposição de motivos deverá ser assinada por todos os
12.2. Forma e Estrutura Ministros envolvidos, sendo, por essa razão, chamada de
interministerial.
Quanto a sua forma, aviso e ofício seguem o modelo
do padrão ofício, com acréscimo do vocativo, que invoca
14.2. Forma e Estrutura
o destinatário (v. 2.1 Pronomes de Tratamento), seguido
de vírgula. Exemplos:
Excelentíssimo Senhor Presidente da República Formalmente, a exposição de motivos tem a apresen-
Senhora Ministra tação do padrão ofício (v. 3. O Padrão Ofício).
Senhor Chefe de Gabinete A exposição de motivos, de acordo com sua finalida-
de, apresenta duas formas básicas de estrutura: uma para
Devem constar do cabeçalho ou do rodapé do ofício aquela que tenha caráter exclusivamente informativo e
as seguintes informações do remetente: outra para a que proponha alguma medida ou submeta
– nome do órgão ou setor; projeto de ato normativo.
– endereço postal; No primeiro caso, o da exposição de motivos que
– telefone e endereço de correio eletrônico. simplesmente leva algum assunto ao conhecimento do
LÍNGUA PORTUGUESA

Presidente da República, sua estrutura segue o mode-


13. Memorando lo antes referido para o padrão ofício. Já a exposição de
motivos que submeta à consideração do Presidente da
13.1. Definição e Finalidade República a sugestão de alguma medida a ser adotada
ou a que lhe apresente projeto de ato normativo – embo-
O memorando é a modalidade de comunicação en- ra sigam também a estrutura do padrão ofício –, além de
tre unidades administrativas de um mesmo órgão, que outros comentários julgados pertinentes por seu autor,
podem estar hierarquicamente em mesmo nível ou em devem, obrigatoriamente, apontar:

82
a) na introdução: o problema que está a reclamar a Nacional, e os respectivos avisos são endereçados ao
adoção da medida ou do ato normativo proposto; Primeiro Secretário do Senado Federal. A razão é que o
b) no desenvolvimento: o porquê de ser aquela medi- art. 166 da Constituição impõe a deliberação congressual
da ou aquele ato normativo o ideal para se solucio- sobre as leis financeiras em sessão conjunta, mais preci-
nar o problema, e eventuais alternativas existentes samente, “na forma do regimento comum”. E à frente da
para equacioná-lo; Mesa do Congresso Nacional está o Presidente do Sena-
c) na conclusão, novamente, qual medida deve ser to- do Federal (Constituição, art. 57, § 5.º), que comanda as
mada, ou qual ato normativo deve ser editado para sessões conjuntas.
solucionar o problema. As mensagens aqui tratadas coroam o processo de-
senvolvido no âmbito do Poder Executivo, que abrange
Deve, ainda, trazer apenso o formulário de anexo à ex- minucioso exame técnico, jurídico e econômico-financei-
posição de motivos, devidamente preenchido, de acordo ro das matérias objeto das proposições por elas encami-
Com o modelo previsto no Anexo II do Decreto n.º 4.176, nhadas.
de 28 de março de 2002. Tais exames materializam-se em pareceres dos di-
Ao elaborar uma exposição de motivos, tenha presen- versos órgãos interessados no assunto das proposições,
te que a atenção aos requisitos básicos da redação oficial entre eles o da Advocacia-Geral da União. Mas, na ori-
(clareza, concisão, impessoalidade, formalidade, padro- gem das propostas, as análises necessárias constam da
nização e uso do padrão culto de linguagem) deve ser exposição de motivos do órgão onde se geraram (v. 3.1.
redobrada. Exposição de Motivos) – exposição que acompanhará, por
A exposição de motivos é a principal modalidade de cópia, a mensagem de encaminhamento ao Congresso.
comunicação dirigida ao Presidente da República pelos b) encaminhamento de medida provisória.
Ministros. Para dar cumprimento ao disposto no art. 62 da Cons-
Além disso, pode, em certos casos, ser encaminhada tituição, o Presidente da República encaminha mensa-
cópia ao Congresso Nacional ou ao Poder Judiciário ou, gem ao Congresso, dirigida a seus membros, com aviso
ainda, ser publicada no Diário Oficial da União, no todo para o Primeiro Secretário do Senado Federal, juntando
ou em parte. cópia da medida provisória, autenticada pela Coordena-
ção de Documentação da Presidência da República.
15. Mensagem c) indicação de autoridades.
As mensagens que submetem ao Senado Federal a
15.1. Definição e Finalidade indicação de pessoas para ocuparem determinados car-
gos (magistrados dos Tribunais Superiores, Ministros do
É o instrumento de comunicação oficial entre os Che- TCU, Presidentes e Diretores do Banco Central, Procura-
fes dos Poderes Públicos, notadamente as mensagens en- dor-Geral da República, Chefes de Missão Diplomática,
viadas pelo Chefe do Poder Executivo ao Poder Legislativo etc.) têm em vista que a Constituição, no seu art. 52, in-
para informar sobre fato da Administração Pública; expor cisos III e IV, atribui àquela Casa do Congresso Nacional
o plano de governo por ocasião da abertura de sessão competência privativa para aprovar a indicação.
legislativa; submeter ao Congresso Nacional matérias que O curriculum vitae do indicado, devidamente assina-
dependem de deliberação de suas Casas; apresentar veto; do, acompanha a mensagem.
enfim, fazer e agradecer comunicações de tudo quanto d) pedido de autorização para o Presidente ou o Vi-
seja de interesse dos poderes públicos e da Nação. ce-Presidente da República se ausentar do País por mais
Minuta de mensagem pode ser encaminhada pelos de 15 dias.
Ministérios à Presidência da República, a cujas assessorias Trata-se de exigência constitucional (Constituição, art.
caberá a redação final. 49, III, e 83), e a autorização é da competência privativa
As mensagens mais usuais do Poder Executivo ao do Congresso Nacional.
Congresso Nacional têm as seguintes finalidades: O Presidente da República, tradicionalmente, por cor-
a) encaminhamento de projeto de lei ordinária, com- tesia, quando a ausência é por prazo inferior a 15 dias, faz
plementar ou financeira. Os projetos de lei ordinária ou uma comunicação a cada Casa do Congresso, enviando-
complementar são enviados em regime normal (Consti- -lhes mensagens idênticas.
tuição, art. 61) ou de urgência (Constituição, art. 64, §§ 1.º e) encaminhamento de atos de concessão e renova-
a 4.º). Cabe lembrar que o projeto pode ser encaminha- ção de concessão de emissoras de rádio e TV.
do sob o regime normal e mais tarde ser objeto de nova A obrigação de submeter tais atos à apreciação do
mensagem, com solicitação de urgência. Congresso Nacional consta no inciso XII do artigo 49 da
Em ambos os casos, a mensagem se dirige aos Mem- Constituição. Somente produzirão efeitos legais a ou-
bros do Congresso Nacional, mas é encaminhada com torga ou renovação da concessão após deliberação do
LÍNGUA PORTUGUESA

aviso do Chefe da Casa Civil da Presidência da República Congresso Nacional (Constituição, art. 223, § 3.º). Des-
ao Primeiro Secretário da Câmara dos Deputados, para cabe pedir na mensagem a urgência prevista no art. 64
que tenha início sua tramitação (Constituição, art. 64, da Constituição, porquanto o § 1.º do art. 223 já define o
caput). prazo da tramitação.
Quanto aos projetos de lei financeira (que compreen- Além do ato de outorga ou renovação, acompanha
dem plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamen- a mensagem o correspondente processo administrativo.
tos anuais e créditos adicionais), as mensagens de en- f) encaminhamento das contas referentes ao exercício
caminhamento dirigem-se aos Membros do Congresso anterior.

83
O Presidente da República tem o prazo de sessenta – proposta de modificação de projetos de leis finan-
dias após a abertura da sessão legislativa para enviar ao ceiras (Constituição, art. 166, § 5.º);
Congresso Nacional as contas referentes ao exercício an- – pedido de autorização para utilizar recursos que
terior (Constituição, art. 84, XXIV), para exame e parecer ficarem sem despesas correspondentes, em decorrência
da Comissão Mista permanente (Constituição, art. 166, de veto, emenda ou rejeição do projeto de lei orçamen-
§ 1.º), sob pena de a Câmara dos Deputados realizar a tária anual (Constituição, art. 166, § 8.º);
tomada de contas (Constituição, art. 51, II), em procedi- – pedido de autorização para alienar ou conceder ter-
mento disciplinado no art. 215 do seu Regimento Interno. ras públicas com área superior a 2.500 ha (Constituição,
g) mensagem de abertura da sessão legislativa. art. 188, § 1.º); etc.
Ela deve conter o plano de governo, exposição sobre
a situação do País e solicitação de providências que jul- 5.2. Forma e Estrutura
gar necessárias (Constituição, art. 84, XI).
O portador da mensagem é o Chefe da Casa Civil da As mensagens contêm:
Presidência da República. Esta mensagem difere das de- a) a indicação do tipo de expediente e de seu número,
mais porque vai encadernada e é distribuída a todos os horizontalmente, no início da margem esquerda:
Congressistas em forma de livro. Mensagem n.º
h) comunicação de sanção (com restituição de autó-
grafos). b) vocativo, de acordo com o pronome de tratamento
Esta mensagem é dirigida aos Membros do Congres- e o cargo do destinatário, horizontalmente, no início da
so Nacional, encaminhada por Aviso ao Primeiro Secre- margem esquerda;
tário da Casa onde se originaram os autógrafos. Nela se Excelentíssimo Senhor Presidente do Senado Federal,
informa o número que tomou a lei e se restituem dois
exemplares dos três autógrafos recebidos, nos quais o c) o texto, iniciando a 2 cm do vocativo;
Presidente da República terá aposto o despacho de san- d) o local e a data, verticalmente a 2 cm do final do
ção. texto, e horizontalmente fazendo coincidir seu final com
i) comunicação de veto. a margem direita.
Dirigida ao Presidente do Senado Federal (Constitui- A mensagem, como os demais atos assinados pelo
ção, art. 66, § 1.º), a mensagem informa sobre a decisão Presidente da República, não traz identificação de seu
de vetar, se o veto é parcial, quais as disposições vetadas, signatário.
e as razões do veto. Seu texto vai publicado na íntegra
no Diário Oficial da União (v. 4.2. Forma e Estrutura), ao 16. Telegrama
contrário das demais mensagens, cuja publicação se res-
tringe à notícia do seu envio ao Poder Legislativo. 16.1. Definição e Finalidade
j) outras mensagens.
Também são remetidas ao Legislativo com regular Com o fito de uniformizar a terminologia e simplificar
frequência mensagens com: os procedimentos burocráticos, passa a receber o títu-
– encaminhamento de atos internacionais que acarre- lo de telegrama toda comunicação oficial expedida por
tam encargos ou compromissos gravosos (Constituição, meio de telegrafia, telex, etc.
art. 49, I); Por tratar-se de forma de comunicação dispendiosa
– pedido de estabelecimento de alíquotas aplicáveis aos cofres públicos e tecnologicamente superada, deve
às operações e prestações interestaduais e de exporta- restringir-se o uso do telegrama apenas àquelas situa-
ção (Constituição, art. 155, § 2.º, IV); ções que não seja possível o uso de correio eletrônico ou
– proposta de fixação de limites globais para o mon- fax e que a urgência justifique sua utilização e, também
tante da dívida consolidada (Constituição, art. 52, VI); em razão de seu custo elevado, esta forma de comuni-
– pedido de autorização para operações financeiras cação deve pautar-se pela concisão (v. 1.4. Concisão e
externas (Constituição, art. 52, V); e outros. Clareza).
Entre as mensagens menos comuns estão as de:
– convocação extraordinária do Congresso Nacional 16.2. Forma e Estrutura
(Constituição, art. 57, § 6.º);
– pedido de autorização para exonerar o Procurador- Não há padrão rígido, devendo-se seguir a forma e
-Geral da República (art. 52, XI, e 128, § 2.º); a estrutura dos formulários disponíveis nas agências dos
– pedido de autorização para declarar guerra e decre- Correios e em seu sítio na Internet.
tar mobilização nacional (Constituição, art. 84, XIX);
– pedido de autorização ou referendo para celebrar a 17. Fax
LÍNGUA PORTUGUESA

paz (Constituição, art. 84, XX);


– justificativa para decretação do estado de defesa ou 17.1. Definição e Finalidade
de sua prorrogação (Constituição, art. 136, § 4.º);
– pedido de autorização para decretar o estado de O fax (forma abreviada já consagrada de fac-símile)
sítio (Constituição, art. 137); é uma forma de comunicação que está sendo menos
– relato das medidas praticadas na vigência do estado usada devido ao desenvolvimento da Internet. É utiliza-
de sítio ou de defesa (Constituição, art. 141, parágrafo do para a transmissão de mensagens urgentes e para o
único); envio antecipado de documentos, de cujo conhecimen-

84
to há premência, quando não há condições de envio do Elementos de Ortografia e Gramática
documento por meio eletrônico. Quando necessário o
original, ele segue posteriormente pela via e na forma 1. Problemas de Construção de Frases
de praxe.
Se necessário o arquivamento, deve-se fazê-lo com A clareza e a concisão na forma escrita são alcança-
cópia xerox do fax e não com o próprio fax, cujo papel, das, principalmente, pela construção adequada da frase,
em certos modelos, deteriora-se rapidamente. “a menor unidade autônoma da comunicação”, na defini-
ção de Celso Pedro Luft.
17.2. Forma e Estrutura A função essencial da frase é desempenhada pelo
predicado, que, para Adriano da Gama Kury, pode ser en-
Os documentos enviados por fax mantêm a forma e a tendido como “a enunciação pura de um fato qualquer”.
estrutura que lhes são inerentes. Sempre que a frase possuir pelo menos um verbo, recebe
É conveniente o envio, juntamente com o documento o nome de período, que terá tantas orações quantos fo-
principal, de folha de rosto e de pequeno formulário com rem os verbos não auxiliares que o constituem.
os dados de identificação da mensagem a ser enviada, Outra função relevante é a do sujeito – mas não indis-
conforme exemplo a seguir: pensável, pois há orações sem sujeito, ditas impessoais –,
de quem se diz algo, cujo núcleo é sempre um substan-
[Órgão Expedidor] tivo. Sempre que o verbo o exigir, teremos nas orações
[setor do órgão expedidor] substantivos (nomes ou pronomes) que desempenham a
[endereço do órgão expedidor] função de complementos (objetos direto e indireto, pre-
Destinatário:____________________________________ dicativo e complemento adverbial). Função acessória de-
No do fax de destino:_______________ Data:___/___/___ sempenham os adjuntos adverbiais, que vêm geralmente
Remetente: ____________________________________ ao final da oração, mas que podem ser ou intercalados
Tel. p/ contato:____________ Fax/correio eletrônico:____ aos elementos que desempenham as outras funções, ou
No de páginas: ________No do documento:____________ deslocados para o início da oração.
Temos, assim, a seguinte ordem de colocação dos
Observações:___________________________________ elementos que compõem uma oração (Observação: os
parênteses indicam os elementos que podem não ocor-
18. Correio Eletrônico rer):
(sujeito) - verbo - (complementos) - (adjunto adver-
18.1 Definição e finalidade bial).

O correio eletrônico (“e-mail”), por seu baixo custo e Podem ser identificados seis padrões básicos para as
celeridade, transformou-se na principal forma de comu- orações pessoais (isto é, com sujeito) na língua portu-
nicação para transmissão de documentos. guesa (a função que vem entre parênteses é facultativa e
pode ocorrer em ordem diversa):
18.2. Forma e Estrutura
1. Sujeito - verbo intransitivo - (Adjunto Adverbial)
Um dos atrativos de comunicação por correio eletrô- O Presidente - regressou - (ontem).
nico é sua flexibilidade. Assim, não interessa definir for-
ma rígida para sua estrutura. Entretanto, deve-se evitar o 2. Sujeito - verbo transitivo direto - objeto direto -
uso de linguagem incompatível com uma comunicação (adjunto adverbial)
oficial (v. 1.2 A Linguagem dos Atos e Comunicações Ofi- O Chefe da Divisão - assinou - o termo de posse - (na
ciais). manhã de terça-feira).
O campo assunto do formulário de correio eletrônico
deve ser preenchido de modo a facilitar a organização 3. Sujeito - verbo transitivo indireto - objeto indireto
documental tanto do destinatário quanto do remetente. - (adjunto adverbial).
Para os arquivos anexados à mensagem deve ser uti- O Brasil - precisa - de gente honesta - (em todos os
lizado, preferencialmente, o formato Rich Text. A mensa- setores).
gem que encaminha algum arquivo deve trazer informa-
ções mínimas sobre seu conteúdo. 4. Sujeito - verbo transitivo direto e indireto - obj. di-
Sempre que disponível, deve-se utilizar recurso de reto - obj. indireto - (adj. Adv.)
confirmação de leitura. Caso não seja disponível, deve Os desempregados - entregaram - suas reivindicações
constar da mensagem pedido de confirmação de rece- - ao Deputado - (no Congresso).
bimento.
LÍNGUA PORTUGUESA

5. Sujeito - verbo transitivo indireto - complemento


18.3 Valor documental adverbial - (adjunto adverbial)
A reunião do Grupo de Trabalho - ocorrerá - em Bue-
Nos termos da legislação em vigor, para que a mensa- nos Aires - (na próxima semana).
gem de correio eletrônico tenha valor documental, e para O Presidente - voltou - da Europa - (na sexta-feira)
que possa ser aceito como documento original, é neces- 6. Sujeito - verbo de ligação - predicativo - (adjunto ad-
sário existir certificação digital que ateste a identidade verbial)
do remetente, na forma estabelecida em lei. O problema - será - resolvido - prontamente.

85
Estes seriam os padrões básicos para as orações, ou Errado: O projeto de Convenção foi oportunamente sub-
seja, as frases que possuem apenas um verbo conjuga- metido ao Presidente da República, que o aprovou. Consul-
do. Na construção de períodos, as várias funções podem tadas as áreas envolvidas na elaboração do texto legal.
ocorrer em ordem inversa à mencionada, misturando-se Certo: O projeto de Convenção foi oportunamente sub-
e confundindo-se. Não interessa aqui análise exaustiva metido ao Presidente da República, que o aprovou, consulta-
de todos os padrões existentes na língua portuguesa. das as áreas envolvidas na elaboração do texto legal.
O que importa é fixar a ordem normal dos elementos
nesses seis padrões básicos. Acrescente-se que períodos 4. Erros de Paralelismo
mais complexos, compostos por duas ou mais orações,
em geral podem ser reduzidos aos padrões básicos (de Uma das convenções estabelecidas na linguagem es-
que derivam). crita “consiste em apresentar ideias similares numa forma
Os problemas mais frequentemente encontrados na gramatical idêntica”, o que se chama de paralelismo. As-
construção de frases dizem respeito à má pontuação, à sim, incorre-se em erro ao conferir forma não paralela a
ambiguidade da ideia expressa, à elaboração de falsos elementos paralelos. Vejamos alguns exemplos:
paralelismos, erros de comparação, etc. Decorrem, em Errado: Pelo aviso circular recomendou-se aos Minis-
geral, do desconhecimento da ordem das palavras na térios economizar energia e que elaborassem planos de
frase. Indicam-se, a seguir, alguns desses defeitos mais redução de despesas.
comuns e recorrentes na construção de frases, registra-
dos em documentos oficiais. Na frase temos, nas duas orações subordinadas que
completam o sentido da principal, duas estruturas dife-
2. Sujeito rentes para ideias equivalentes: a primeira oração (eco-
nomizar energia) é reduzida de infinitivo, enquanto a se-
Como dito, o sujeito é o ser de quem se fala ou que gunda (que elaborassem planos de redução de despesas)
executa a ação enunciada na oração. Ele pode ter com- é uma oração desenvolvida introduzida pela conjunção
plemento, mas não ser complemento. Devem ser evita- integrante que. Há mais de uma possibilidade de escre-
das, portanto, construções como: vê-la com clareza e correção; uma seria a de apresentar
as duas orações subordinadas como desenvolvidas, in-
Errado: É tempo do Congresso votar a emenda. troduzidas pela conjunção integrante que:
Certo: É tempo de o Congresso votar a emenda. Certo: Pelo aviso circular, recomendou-se aos Ministé-
rios que economizassem energia e (que) elaborassem pla-
Errado: Apesar das relações entre os países estarem nos para redução de despesas.
cortadas, (...).
Certo: Apesar de as relações entre os países estarem Outra possibilidade: as duas orações são apresenta-
cortadas, (...). das como reduzidas de infinitivo:
Certo: Pelo aviso circular, recomendou-se aos Minis-
Errado: Não vejo mal no Governo proceder assim. térios economizar energia e elaborar planos para redução
Certo: Não vejo mal em o Governo proceder assim. de despesas.
Nas duas correções respeita-se a estrutura paralela na
Errado: Antes destes requisitos serem cumpridos, (...). coordenação de orações subordinadas.
Certo: Antes de estes requisitos serem cumpridos, (...).
Mais um exemplo de frase inaceitável na língua es-
Errado: Apesar da Assessoria ter informado em tempo, (...). crita culta:
Certo: Apesar de a Assessoria ter informado em tempo, (...). Errado: No discurso de posse, mostrou determinação,
não ser inseguro, inteligência e ter ambição.
3. Frases Fragmentadas O problema aqui decorre de coordenar palavras
(substantivos) com orações (reduzidas de infinitivo).
A fragmentação de frases “consiste em pontuar uma
oração subordinada ou uma simples locução como se Para tornar a frase clara e correta, pode-se optar ou
fosse uma frase completa”. Decorre da pontuação errada por transformá-la em frase simples, substituindo as ora-
de uma frase simples. Embora seja usada como recurso ções reduzidas por substantivos:
estilístico na literatura, a fragmentação de frases deve ser Certo: No discurso de posse, mostrou determinação,
evitada nos textos oficiais, pois muitas vezes dificulta a segurança, inteligência e ambição.
compreensão. Exemplo:
Errado: O programa recebeu a aprovação do Congres- Atentemos, ainda, para o problema inverso, o falso
LÍNGUA PORTUGUESA

so Nacional. Depois de ser longamente debatido. paralelismo, que ocorre ao se dar forma paralela (equi-
Certo: O programa recebeu a aprovação do Congresso valente) a ideias de hierarquia diferente ou, ainda, ao
Nacional, depois de ser longamente debatido. se apresentar, de forma paralela, estruturas sintáticas
Certo: Depois de ser longamente debatido, o progra- distintas:
ma recebeu a aprovação do Congresso Nacional. Errado: O Presidente visitou Paris, Bonn, Roma e o
Papa.

86
Nesta frase, colocou-se em um mesmo nível cidades 6. Ambiguidade
(Paris, Bonn, Roma) e uma pessoa (o Papa). Uma possibili-
dade de correção é transformá-la em duas frases simples, Ambígua é a frase ou oração que pode ser tomada
com o cuidado de não repetir o verbo da primeira (visitar): em mais de um sentido. Como a clareza é requisito bási-
Certo: O Presidente visitou Paris, Bonn e Roma. Nesta co de todo texto oficial, deve-se atentar para as constru-
última capital, encontrou-se com o Papa. ções que possam gerar equívocos de compreensão.
A ambiguidade decorre, em geral, da dificuldade
Mencionemos, por fim, o falso paralelismo provocado de identificar a qual palavra se refere um pronome que
pelo uso inadequado da expressão “e que” num período possui mais de um antecedente na terceira pessoa. Pode
que não contém nenhum “que” anterior. ocorrer com:
Errado: O novo procurador é jurista renomado, e que
tem sólida formação acadêmica. A) pronomes pessoais:
Ambíguo: O Ministro comunicou a seu secretariado
Para corrigir a frase, suprimimos o pronome relativo: que ele seria exonerado.
Certo: O novo procurador é jurista renomado e tem Claro: O Ministro comunicou exoneração dele a seu
sólida formação acadêmica. secretariado.
Ou então, caso o entendimento seja outro:
Outro exemplo de falso paralelismo com “e que”: Claro: O Ministro comunicou a seu secretariado a exo-
Errado: Neste momento, não se devem adotar medi- neração deste.
das precipitadas, e que comprometam o andamento de
todo o programa. B) pronomes possessivos e pronomes oblíquos:
Ambíguo: O Deputado saudou o Presidente da Repú-
Da mesma forma com que corrigimos o exemplo an- blica, em seu discurso, e solicitou sua intervenção no seu
terior, aqui podemos suprimir a conjunção: Estado, mas isso não o surpreendeu.
Certo: Neste momento, não se devem adotar medidas Observe a multiplicidade de ambiguidade no exemplo
acima, a qual torna incompreensível o sentido da frase.
precipitadas, que comprometam o andamento de todo o
programa.
Claro: Em seu discurso o Deputado saudou o Presiden-
te da República. No pronunciamento, solicitou a interven-
5. Erros de Comparação
ção federal em seu Estado, o que não surpreendeu o Pre-
sidente da República.
A omissão de certos termos ao fazermos uma compa-
ração, omissão própria da língua falada, deve ser evitada C) pronome relativo:
na língua escrita, pois compromete a clareza do texto: Ambíguo: Roubaram a mesa do gabinete em que eu
nem sempre é possível identificar, pelo contexto, qual o costumava trabalhar.
termo omitido. A ausência indevida de um termo pode Não fica claro se o pronome relativo da segunda ora-
impossibilitar o entendimento do sentido que se quer ção faz referência “à mesa” ou “a gabinete”. Esta ambi-
dar a uma frase: guidade se deve ao pronome relativo “que”, sem marca
de gênero. A solução é recorrer às formas o qual, a qual,
Errado: O salário de um professor é mais baixo do que os quais, as quais, que marcam gênero e número.
um médico. Claro: Roubaram a mesa do gabinete no qual eu cos-
A omissão de termos provocou uma comparação in- tumava trabalhar.
devida: “o salário de um professor” com “um médico”. Se o entendimento é outro, então:
Certo: O salário de um professor é mais baixo do que Claro: Roubaram a mesa do gabinete na qual eu cos-
o salário de um médico. tumava trabalhar.
Certo: O salário de um professor é mais baixo do que
o de um médico. Há, ainda, outro tipo de ambiguidade, que decorre da
Errado: O alcance do Decreto é diferente da Portaria. dúvida sobre a que se refere a oração reduzida:
Ambíguo: Sendo indisciplinado, o Chefe admoestou o
Novamente, a não repetição dos termos comparados funcionário.
confunde. Alternativas para correção: Para evitar o tipo de ambiguidade do exemplo acima,
Certo: O alcance do Decreto é diferente do alcance da deve-se deixar claro qual o sujeito da oração reduzida.
Portaria. Claro: O Chefe admoestou o funcionário por ser este
Certo: O alcance do Decreto é diferente do da Portaria. indisciplinado.
Errado: O Ministério da Educação dispõe de mais ver-
LÍNGUA PORTUGUESA

bas do que os Ministérios do Governo. Ambíguo: Depois de examinar o paciente, uma se-
nhora chamou o médico.
No exemplo acima, a omissão da palavra “outros” (ou Claro: Depois que o médico examinou o paciente, foi
“demais”) acarretou imprecisão: chamado por uma senhora.
Certo: O Ministério da Educação dispõe de mais ver-
bas do que os outros Ministérios do Governo. SITE
Certo: O Ministério da Educação dispõe de mais ver- http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/manual-
bas do que os demais Ministérios do Governo. redpr2aed.pdf

87
4. (Tribunal de Justiça-se – Técnico Judiciário – cespe
– 2014) Em toda comunicação oficial, exceto nas direcio-
EXERCÍCIOS COMENTADOS nadas a autoridades estrangeiras, deve-se fazer uso dos
fechos Respeitosamente ou Atenciosamente, de acordo
1. (antaq – Especialista em Regulação de Serviços de com as hierarquias do destinatário e do remetente.
Transportes Aquaviários – superior – cespe – 2014) Con-
siderando aspectos estruturais e linguísticos das correspon- ( ) CERTO ( ) ERRADO
dências oficiais, julgue os itens que se seguem, de acordo
com o Manual de Redação da Presidência da República. Resposta: Certo. Segundo o Manual de Redação Ofi-
O tratamento Digníssimo deve ser empregado para to- cial: (...) Manual estabelece o emprego de somente
das as autoridades do poder público, uma vez que a dig- dois fechos diferentes para todas as modalidades de
nidade é tida como qualidade inerente aos ocupantes de comunicação oficial:
cargos públicos. a) para autoridades superiores, inclusive o Presidente
da República: Respeitosamente,
( ) CERTO ( ) ERRADO b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hierar-
quia inferior: Atenciosamente,
Resposta: Errado. Vamos ao Manual: O Manual ainda
Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigi-
preceitua que a forma de tratamento “Digníssimo” fica
das a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e
abolida (...) afinal, a dignidade é condição primordial
tradição próprios, devidamente disciplinados no Ma-
para que tais cargos públicos sejam ocupados.
nual de Redação do Ministério das Relações Exteriores.
Fonte: http://www.redacaooficial.com.br/redacao_ofi-
cial_publicacoes_ver.php?id=2
5. (antaq – Especialista em Regulação de Serviços de
2. (tribunal de justiça-se – técnico judiciário – Médio – Transportes Aquaviários – cespe – 2014) Considerando
cespe – 2014) Em toda comunicação oficial, exceto nas aspectos estruturais e linguísticos das correspondências
direcionadas a autoridades estrangeiras, deve-se fazer oficiais, julgue os itens que se seguem, de acordo com o
uso dos fechos Respeitosamente ou Atenciosamente, de Manual de Redação da Presidência da República.
acordo com as hierarquias do destinatário e do reme- O tratamento Digníssimo deve ser empregado para to-
tente. das as autoridades do poder público, uma vez que a dig-
nidade é tida como qualidade inerente aos ocupantes de
( ) CERTO ( ) ERRADO cargos públicos.

Resposta: Certo. Segundo o Manual de Redação Ofi- ( ) CERTO ( ) ERRADO


cial: (...) Manual estabelece o emprego de somente
dois fechos diferentes para todas as modalidades de Resposta: Errado. Vamos ao Manual: O Manual ainda
comunicação oficial: preceitua que a forma de tratamento “Digníssimo” fica
A) para autoridades superiores, inclusive o Presidente abolida (...) afinal, a dignidade é condição primordial
da República: Respeitosamente, para que tais cargos públicos sejam ocupados.
Fonte: http://www.redacaooficial.com.br/redacao_ofi-
B) para autoridades de mesma hierarquia ou de hie- cial_publicacoes_ver.php?id=2
rarquia inferior: Atenciosamente,
Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigi-
das a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e
tradição próprios, devidamente disciplinados no Ma-
nual de Redação do Ministério das Relações Exteriores.

3. (anp – Conhecimento Básico para todos os Cargos –


cespe – 2013) Na redação de uma ata, devem-se relatar
exaustivamente, com o máximo de detalhamento possí-
vel, incluindo-se os aspectos subjetivos, as discussões, as
propostas, as resoluções e as deliberações ocorridas em
reuniões e eventos que exigem registro.

( ) CERTO ( ) ERRADO
LÍNGUA PORTUGUESA

Resposta: Errado. Ata é um documento administrativo


que tem a finalidade de registrar de modo sucinto a
sequência de eventos de uma reunião ou assembleia de
pessoas com um fim específico. É característica da Ata
apresentar um resumo, cronologicamente disposto, de
modo infalível, de todo o desenrolar da reunião.
(Fonte: https://www.10emtudo.com.br/aula/ensino/a_
redacao_oficial_ata/)

88
Período composto é aquele constituído por duas ou
TEORIA GERAL DA FRASE E SUA ANÁLISE: mais orações:
ORAÇÕES, PERÍODOS E FUNÇÕES Cantei, dancei e depois dormi.
SINTÁTICAS Quero que você estude mais.

1.1. Termos da Oração

Frase, oração e período 1.1.1 Termos essenciais

1. Sintaxe da Oração e do Período O sujeito e o predicado são considerados termos es-


senciais da oração, ou seja, são termos indispensáveis
Frase é todo enunciado suficiente por si mesmo para para a formação das orações. No entanto, existem ora-
estabelecer comunicação. Normalmente é composta por ções formadas exclusivamente pelo predicado. O que de-
dois termos – o sujeito e o predicado – mas não obrigato- fine a oração é a presença do verbo. O sujeito é o termo
riamente, pois há orações ou frases sem sujeito: Trovejou que estabelece concordância com o verbo.
muito ontem à noite. O candidato está preparado.
Quanto aos tipos de frases, além da classificação em Os candidatos estão preparados.
verbais (possuem verbos, ou seja, são orações) e nominais
(sem a presença de verbos), feita a partir de seus elementos Na primeira frase, o sujeito é “o candidato”. “Candida-
constituintes, elas podem ser classificadas a partir de seu to” é a principal palavra do sujeito, sendo, por isso, deno-
sentido global: minada núcleo do sujeito. Este se relaciona com o verbo,
A) frases interrogativas = o emissor da mensagem for- estabelecendo a concordância (núcleo no singular, verbo
no singular: candidato = está).
mula uma pergunta: Que dia é hoje?
A função do sujeito é basicamente desempenhada
B) frases imperativas = o emissor dá uma ordem ou faz
por substantivos, o que a torna uma função substantiva
um pedido: Dê-me uma luz!
da oração. Pronomes, substantivos, numerais e quaisquer
C) frases exclamativas = o emissor exterioriza um esta- outras palavras substantivadas (derivação imprópria)
do afetivo: Que dia abençoado! também podem exercer a função de sujeito.
D) frases declarativas = o emissor constata um fato: A Os dois sumiram. (dois é numeral; no exemplo, subs-
prova será amanhã. tantivo)
Um sim é suave e sugestivo. (sim é advérbio; no exem-
Quanto à estrutura da frase, as que possuem verbo plo: substantivo)
(oração) são estruturadas por dois elementos essenciais:
sujeito e predicado. Os sujeitos são classificados a partir de dois elemen-
O sujeito é o termo da frase que concorda com o verbo tos: o de determinação ou indeterminação e o de núcleo
em número e pessoa. É o “ser de quem se declara algo”, “o do sujeito.
tema do que se vai comunicar”; o predicado é a parte da Um sujeito é determinado quando é facilmente
frase que contém “a informação nova para o ouvinte”, é o identificado pela concordância verbal. O sujeito determi-
que “se fala do sujeito”. Ele se refere ao tema, constituindo nado pode ser simples ou composto.
a declaração do que se atribui ao sujeito. A indeterminação do sujeito ocorre quando não é
Quando o núcleo da declaração está no verbo (que indi- possível identificar claramente a que se refere a concor-
que ação ou fenômeno da natureza, seja um verbo signifi- dância verbal. Isso ocorre quando não se pode ou não
cativo), temos o predicado verbal. Mas, se o núcleo estiver interessa indicar precisamente o sujeito de uma oração.
em um nome (geralmente um adjetivo), teremos um pre- Estão gritando seu nome lá fora.
dicado nominal (os verbos deste tipo de predicado são os Trabalha-se demais neste lugar.
que indicam estado, conhecidos como verbos de ligação): O sujeito simples é o sujeito determinado que apre-
O menino limpou a sala. = “limpou” é verbo de ação senta um único núcleo, que pode estar no singular ou no
(predicado verbal) plural; pode também ser um pronome indefinido. Abaixo,
A prova foi fácil. – “foi” é verbo de ligação (ser); o núcleo sublinhei os núcleos dos sujeitos:
é “fácil” (predicado nominal) Nós estudaremos juntos.
A humanidade é frágil.
Quanto ao período, ele denomina a frase constituída
Ninguém se move.
por uma ou mais orações, formando um todo, com sentido
O amar faz bem. (“amar” é verbo, mas aqui houve
completo. O período pode ser simples ou composto.
uma derivação imprópria, tranformando-o em substan-
LÍNGUA PORTUGUESA

tivo)
Período simples é aquele constituído por apenas uma As crianças precisam de alimentos saudáveis.
oração, que recebe o nome de oração absoluta.
Chove. O sujeito composto é o sujeito determinado que
A existência é frágil. apresenta mais de um núcleo.
Amanhã, à tarde, faremos a prova do concurso. Alimentos e roupas custam caro.
Ela e eu sabemos o conteúdo.
O amar e o odiar são duas faces da mesma moeda.

89
Além desses dois sujeitos determinados, é comum a Está tarde.
referência ao sujeito implícito na desinência verbal (o Já são dez horas.
“antigo” sujeito oculto [ou elíptico]), isto é, ao núcleo Faz frio nesta época do ano.
do sujeito que está implícito e que pode ser reconhecido Há muitos concursos com inscrições abertas.
pela desinência verbal ou pelo contexto.
Abolimos todas as regras. = (nós) Predicado é o conjunto de enunciados que contém a
Falaste o recado à sala? = (tu) informação sobre o sujeito – ou nova para o ouvinte. Nas
Os verbos deste tipo de sujeito estão sempre na pri- orações sem sujeito, o predicado simplesmente enuncia
meira pessoa do singular (eu) ou plural (nós) ou na se- um fato qualquer. Nas orações com sujeito, o predicado
gunda do singular (tu) ou do plural (vós), desde que os é aquilo que se declara a respeito deste sujeito. Com ex-
pronomes não estejam explícitos. ceção do vocativo - que é um termo à parte - tudo o que
Iremos à feira juntos? (= nós iremos) – sujeito implíci- difere do sujeito numa oração é o seu predicado.
to na desinência verbal “-mos” Chove muito nesta época do ano.
Cantais bem! (= vós cantais) - sujeito implícito na de- Houve problemas na reunião.
sinência verbal “-ais”
Em ambas as orações não há sujeito, apenas predi-
Mas: cado. Na segunda oração, “problemas” funciona como
Nós iremos à festa juntos? = sujeito simples: nós objeto direto.
Vós cantais bem! = sujeito simples: vós As questões estavam fáceis!
Sujeito simples = as questões
O sujeito indeterminado surge quando não se quer - Predicado = estavam fáceis
ou não se pode - identificar a que o predicado da oração
refere-se. Existe uma referência imprecisa ao sujeito, caso Passou-me uma ideia estranha pelo pensamento.
contrário, teríamos uma oração sem sujeito. Sujeito = uma ideia estranha
Na língua portuguesa, o sujeito pode ser indetermi- Predicado = passou-me pelo pensamento
nado de duas maneiras:
Para o estudo do predicado, é necessário verificar
se seu núcleo é um nome (então teremos um predicado
A) com verbo na terceira pessoa do plural, desde que
nominal) ou um verbo (predicado verbal). Deve-se con-
o sujeito não tenha sido identificado anteriormen-
siderar também se as palavras que formam o predicado
te:
referem-se apenas ao verbo ou também ao sujeito da
Bateram à porta;
oração.
Andam espalhando boatos a respeito da queda do mi-
Os homens sensíveis pedem amor sincero às mulheres
nistro. de opinião.
Predicado
Se o sujeito estiver identificado, poderá ser simples
ou composto: O predicado acima apresenta apenas uma palavra
Os meninos bateram à porta. (simples) que se refere ao sujeito: pedem. As demais palavras se
Os meninos e as meninas bateram à porta. (composto) ligam direta ou indiretamente ao verbo.
A cidade está deserta.
B) com o verbo na terceira pessoa do singular, acres- O nome “deserta”, por intermédio do verbo, refere-
cido do pronome “se”. Esta é uma construção típi- -se ao sujeito da oração (cidade). O verbo atua como
ca dos verbos que não apresentam complemento elemento de ligação (por isso verbo de ligação) entre o
direto: sujeito e a palavra a ele relacionada (no caso: deserta =
Precisa-se de mentes criativas. predicativo do sujeito).
Vivia-se bem naqueles tempos.
Trata-se de casos delicados. O predicado verbal é aquele que tem como núcleo
Sempre se está sujeito a erros. significativo um verbo:
Chove muito nesta época do ano.
O pronome “se”, nestes casos, funciona como índice Estudei muito hoje!
de indeterminação do sujeito. Compraste a apostila?

As orações sem sujeito, formadas apenas pelo pre- Os verbos acima são significativos, isto é, não servem
dicado, articulam-se a partir de um verbo impessoal. A apenas para indicar o estado do sujeito, mas indicam
mensagem está centrada no processo verbal. Os princi- processos.
LÍNGUA PORTUGUESA

pais casos de orações sem sujeito com:


 os verbos que indicam fenômenos da natureza:
Amanheceu. O predicado nominal é aquele que tem como nú-
Está trovejando. cleo significativo um nome; este atribui uma qualidade
ou estado ao sujeito, por isso é chamado de predicativo
 os verbos estar, fazer, haver e ser, quando indicam do sujeito. O predicativo é um nome que se liga a ou-
fenômenos meteorológicos ou se relacionam ao tro nome da oração por meio de um verbo (o verbo de
tempo em geral: ligação).

90
Nos predicados nominais, o verbo não é significativo, C) para evitar ambiguidade: Ao povo prejudica a crise.
isto é, não indica um processo, mas une o sujeito ao pre- (sem preposição, o sentido seria outro: O povo prejudica
dicativo, indicando circunstâncias referentes ao estado a crise)
do sujeito: Os dados parecem corretos. O objeto indireto é o complemento que se liga indi-
O verbo parecer poderia ser substituído por estar, an- retamente ao verbo, ou seja, através de uma preposição.
dar, ficar, ser, permanecer ou continuar, atuando como Gosto de música popular brasileira.
elemento de ligação entre o sujeito e as palavras a ele Necessito de ajuda.
relacionadas.
A função de predicativo é exercida, normalmente, 1.2.1 Objeto Pleonástico
por um adjetivo ou substantivo.
É a repetição de objetos, tanto diretos como indiretos.
O predicado verbo-nominal é aquele que apresen- Normalmente, as frases em que ocorrem objetos
ta dois núcleos significativos: um verbo e um nome. No pleonásticos obedecem à estrutura: primeiro aparece o
predicado verbo-nominal, o predicativo pode se referir objeto, antecipado para o início da oração; em seguida,
ao sujeito ou ao complemento verbal (objeto). ele é repetido através de um pronome oblíquo. É à repe-
tição que se dá o nome de objeto pleonástico.
“Aos fracos, não os posso proteger, jamais.” (Gonçal-
O verbo do predicado verbo-nominal é sempre sig-
ves Dias)
nificativo, indicando processos. É também sempre por
intermédio do verbo que o predicativo se relaciona com
objeto pleonástico
o termo a que se refere.
O dia amanheceu ensolarado; Ao traidor, nada lhe devemos.
As mulheres julgam os homens inconstantes.
O termo que integra o sentido de um nome chama-se
No primeiro exemplo, o verbo amanheceu apresenta complemento nominal, que se liga ao nome que com-
duas funções: a de verbo significativo e a de verbo de pleta por intermédio de preposição:
ligação. Este predicado poderia ser desdobrado em dois: A arte é necessária à vida. = relaciona-se com a pala-
um verbal e outro nominal. vra “necessária”
O dia amanheceu. / O dia estava ensolarado. Temos medo de barata. = ligada à palavra “medo”

No segundo exemplo, é o verbo julgar que relaciona 1.3 Termos acessórios da oração e vocativo
o complemento homens com o predicativo “inconstan-
tes”. Os termos acessórios recebem este nome por serem
explicativos, circunstanciais. São termos acessórios o ad-
1.2 Termos integrantes da oração junto adverbial, o adjunto adnominal, o aposto e o voca-
tivo – este, sem relação sintática com outros temos da
Os complementos verbais (objeto direto e indireto) e o oração.
complemento nominal são chamados termos integrantes
da oração. O adjunto adverbial é o termo da oração que indi-
ca uma circunstância do processo verbal ou intensifica o
Os complementos verbais integram o sentido dos sentido de um adjetivo, verbo ou advérbio. É uma função
verbos transitivos, com eles formando unidades signifi- adverbial, pois cabe ao advérbio e às locuções adverbiais
cativas. Estes verbos podem se relacionar com seus com- exercerem o papel de adjunto adverbial: Amanhã voltarei
plementos diretamente, sem a presença de preposição, a pé àquela velha praça.
ou indiretamente, por intermédio de preposição.
O adjunto adnominal é o termo acessório que de-
O objeto direto é o complemento que se liga dire-
termina, especifica ou explica um substantivo. É uma fun-
tamente ao verbo.
ção adjetiva, pois são os adjetivos e as locuções adjetivas
Houve muita confusão na partida final.
que exercem o papel de adjunto adnominal na oração.
Queremos sua ajuda.
Também atuam como adjuntos adnominais os artigos, os
numerais e os pronomes adjetivos.
O objeto direto preposicionado ocorre principal- O poeta inovador enviou dois longos trabalhos ao seu
mente: amigo de infância.
A) com nomes próprios de pessoas ou nomes co-
muns referentes a pessoas:
LÍNGUA PORTUGUESA

O adjunto adnominal se liga diretamente ao subs-


Amar a Deus; Adorar a Xangô; Estimar aos pais. tantivo a que se refere, sem participação do verbo. Já o
(o objeto é direto, mas como há preposição, denomi- predicativo do objeto se liga ao objeto por meio de um
na-se: objeto direto preposicionado) verbo.
O poeta português deixou uma obra originalíssima.
B) com pronomes indefinidos de pessoa e pronomes O poeta deixou-a.
de tratamento: Não excluo a ninguém; Não quero (originalíssima não precisou ser repetida, portanto:
cansar a Vossa Senhoria. adjunto adnominal)

91
O poeta português deixou uma obra inacabada. Podemos dizer:
O poeta deixou-a inacabada. 1. Estou comprando um protetor solar.
(inacabada precisou ser repetida, então: predicativo 2. Irei à praia.
do objeto)
Separando as duas, vemos que elas são independen-
Enquanto o complemento nominal se relaciona a um tes. Tal período é classificado como Período Composto
substantivo, adjetivo ou advérbio, o adjunto nominal se por Coordenação.
relaciona apenas ao substantivo. Quanto à classificação das orações coordenadas, te-
O aposto é um termo acessório que permite ampliar, mos dois tipos: Coordenadas Assindéticas e Coordenadas
explicar, desenvolver ou resumir a ideia contida em um Sindéticas.
termo que exerça qualquer função sintática: Ontem, se-
gunda-feira, passei o dia mal-humorado. A) Coordenadas Assindéticas
São orações coordenadas entre si e que não são li-
Segunda-feira é aposto do adjunto adverbial de tem- gadas através de nenhum conectivo. Estão apenas jus-
po “ontem”. O aposto é sintaticamente equivalente ao tapostas.
termo que se relaciona porque poderia substituí-lo: Se- Entrei na sala, deitei-me no sofá, adormeci.
gunda-feira passei o dia mal-humorado.
O aposto pode ser classificado, de acordo com seu B) Coordenadas Sindéticas
valor na oração, em: Ao contrário da anterior, são orações coordenadas
A) explicativo: A linguística, ciência das línguas hu- entre si, mas que são ligadas através de uma conjunção
manas, permite-nos interpretar melhor nossa rela- coordenativa, que dará à oração uma classificação. As
ção com o mundo. orações coordenadas sindéticas são classificadas em cin-
B) enumerativo: A vida humana compõe-se de muitas co tipos: aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas e
coisas: amor, arte, ação. explicativas.
C) resumidor ou recapitulativo: Fantasias, suor e so-
Dica: Memorize SINdética = SIM, tem conjunção!
nho, tudo forma o carnaval.
 Orações Coordenadas Sindéticas Aditivas:
D) comparativo: Seus olhos, indagadores holofotes, fi-
suas principais conjunções são: e, nem, não só... mas tam-
xaram-se por muito tempo na baía anoitecida.
bém, não só... como, assim... como.
Nem comprei o protetor solar nem fui à praia.
O vocativo é um termo que serve para chamar, in-
Comprei o protetor solar e fui à praia.
vocar ou interpelar um ouvinte real ou hipotético, não
mantendo relação sintática com outro termo da oração.
 Orações Coordenadas Sindéticas Adversativas:
A função de vocativo é substantiva, cabendo a substan- suas principais conjunções são: mas, contudo, to-
tivos, pronomes substantivos, numerais e palavras subs- davia, entretanto, porém, no entanto, ainda, assim,
tantivadas esse papel na linguagem. senão.
João, venha comigo! Fiquei muito cansada, contudo me diverti bastante.
Traga-me doces, minha menina! Li tudo, porém não entendi!
1.4 Períodos Compostos  Orações Coordenadas Sindéticas Alternativas:
1.4.1 Período Composto por Coordenação suas principais conjunções são: ou... ou; ora...ora;
quer...quer; seja...seja.
O período composto se caracteriza por possuir mais Ou uso o protetor solar, ou uso o óleo bronzeador.
de uma oração em sua composição. Sendo assim:
Eu irei à praia. (Período Simples = um verbo, uma  Orações Coordenadas Sindéticas Conclusivas:
oração) suas principais conjunções são: logo, portanto, por
Estou comprando um protetor solar, depois irei à fim, por conseguinte, consequentemente, pois (pos-
praia. (Período Composto =locução verbal + verbo, duas posto ao verbo).
orações) Passei no concurso, portanto comemorarei!
Já me decidi: só irei à praia, se antes eu comprar A situação é delicada; devemos, pois, agir.
um protetor solar. (Período Composto = três verbos, três
orações).  Orações Coordenadas Sindéticas Explicativas:
suas principais conjunções são: isto é, ou seja, a sa-
Há dois tipos de relações que podem se estabelecer ber, na verdade, pois (anteposto ao verbo).
LÍNGUA PORTUGUESA

entre as orações de um período composto: uma relação Não fui à praia, pois queria descansar durante o Do-
de coordenação ou uma relação de subordinação. mingo.
Duas orações são coordenadas quando estão juntas Maria chorou porque seus olhos estão vermelhos.
em um mesmo período, (ou seja, em um mesmo bloco
de informações, marcado pela pontuação final), mas têm,
ambas, estruturas individuais, como é o exemplo de:
Estou comprando um protetor solar, depois irei à praia.
(Período Composto)

92
1.4.2 Período Composto Por Subordinação

Quero que você seja aprovado!


Oração principal oração subordinada
Observe que na oração subordinada temos o verbo “seja”, que está conjugado na terceira pessoa do singular do presen-
te do subjuntivo, além de ser introduzida por conjunção. As orações subordinadas que apresentam verbo em qualquer dos
tempos finitos (tempos do modo do indicativo, subjuntivo e imperativo) e são iniciadas por conjunção, chamam-se orações
desenvolvidas ou explícitas.

Podemos modificar o período acima. Veja:


Quero ser aprovado.
Oração Principal Oração Subordinada

A análise das orações continua sendo a mesma: “Quero” é a oração principal, cujo objeto direto é a oração su-
bordinada “ser aprovado”. Observe que a oração subordinada apresenta agora verbo no infinitivo (ser). Além disso, a
conjunção “que”, conectivo que unia as duas orações, desapareceu. As orações subordinadas cujo verbo surge numa
das formas nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio) são chamadas de orações reduzidas ou implícitas (como no
exemplo acima).

Observação:
As orações reduzidas não são introduzidas por conjunções nem pronomes relativos. Podem ser, eventualmente,
introduzidas por preposição.

A) Orações Subordinadas Substantivas


A oração subordinada substantiva tem valor de substantivo e vem introduzida, geralmente, por conjunção integrante
(que, se).

Não sei se sairemos hoje.


Oração Subordinada Substantiva

Temos medo de que não sejamos aprovados.


Oração Subordinada Substantiva

Os pronomes interrogativos (que, quem, qual) também introduzem as orações subordinadas substantivas, bem como
os advérbios interrogativos (por que, quando, onde, como).

O garoto perguntou qual seu nome.


Oração Subordinada Substantiva

Não sabemos quando ele virá.


Oração Subordinada Substantiva

1.4.3 Classificação das Orações Subordinadas Substantivas

Conforme a função que exerce no período, a oração subordinada substantiva pode ser:
1. Subjetiva - exerce a função sintática de sujeito do verbo da oração principal:
É fundamental o seu comparecimento à reunião.
Sujeito

É fundamental que você compareça à reunião.


Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Subjetiva
LÍNGUA PORTUGUESA

93
FIQUE ATENTO!
Observe que a oração subordinada substantiva pode ser substituída pelo pronome “isso”. Assim, temos
um período simples:
É fundamental isso ou Isso é fundamental.
Desta forma, a oração correspondente a “isso” exercerá a função de sujeito.

Veja algumas estruturas típicas que ocorrem na oração principal:


 Verbos de ligação + predicativo, em construções do tipo: É bom - É útil - É conveniente - É certo - Parece
certo - É claro - Está evidente - Está comprovado
É bom que você compareça à minha festa.

 Expressões na voz passiva, como: Sabe-se, Soube-se, Conta-se, Diz-se, Comenta-se, É sabido, Foi anunciado,
Ficou provado.
Sabe-se que Aline não gosta de Pedro.

 Verbos como: convir - cumprir - constar - admirar - importar - ocorrer - acontecer


Convém que não se atrase na entrevista.

Observação:
Quando a oração subordinada substantiva é subjetiva, o verbo da oração principal está sempre na 3.ª pessoa do
singular.
2. Objetiva Direta = exerce função de objeto direto do verbo da oração principal:
Todos querem sua aprovação no concurso.
Objeto Direto

Todos querem que você seja aprovado. (Todos querem isso)


Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta

As orações subordinadas substantivas objetivas diretas (desenvolvidas) são iniciadas por:


 Conjunções integrantes “que” (às vezes elíptica) e “se”: A professora verificou se os alunos estavam presentes.
 Pronomes indefinidos que, quem, qual, quanto (às vezes regidos de preposição), nas interrogações indiretas: O
pessoal queria saber quem era o dono do carro importado.
 Advérbios como, quando, onde, por que, quão (às vezes regidos de preposição), nas interrogações indiretas: Eu
não sei por que ela fez isso.

3. Objetiva Indireta = atua como objeto indireto do verbo da oração principal. Vem precedida de preposição.

Meu pai insiste em meu estudo.


Objeto Indireto

Meu pai insiste em que eu estude. (= Meu pai insiste nisso)


Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta
Observação:
Em alguns casos, a preposição pode estar elíptica na oração.
Marta não gosta (de) que a chamem de senhora.
Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta

4. Completiva Nominal = completa um nome que pertence à oração principal e também vem marcada por pre-
posição.
Sentimos orgulho de seu comportamento.
Complemento Nominal
LÍNGUA PORTUGUESA

Sentimos orgulho de que você se comportou. (= Sentimos orgulho disso.)


Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal

As orações subordinadas substantivas objetivas indiretas integram o sentido de um verbo, enquanto que orações
subordinadas substantivas completivas nominais integram o sentido de um nome. Para distinguir uma da outra, é ne-
cessário levar em conta o termo complementado. Esta é a diferença entre o objeto indireto e o complemento nominal:
o primeiro complementa um verbo; o segundo, um nome.

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5. Predicativa = exerce papel de predicativo do sujeito do verbo da oração principal e vem sempre depois do verbo
ser.
Nosso desejo era sua desistência.
Predicativo do Sujeito

Nosso desejo era que ele desistisse. (= Nosso desejo era isso)
Oração Subordinada Substantiva Predicativa

6. Apositiva = exerce função de aposto de algum termo da oração principal.


Fernanda tinha um grande sonho: a felicidade!
Aposto
Fernanda tinha um grande sonho: ser feliz!
Oração subordinada substantiva apositiva reduzida de infinitivo

(Fernanda tinha um grande sonho: isso)

Dica: geralmente há a presença dos dois pontos! ( : )

B) Orações Subordinadas Adjetivas


Uma oração subordinada adjetiva é aquela que possui valor e função de adjetivo, ou seja, que a ele equivale. As
orações vêm introduzidas por pronome relativo e exercem a função de adjunto adnominal do antecedente.
Esta foi uma redação bem-sucedida.
Substantivo Adjetivo (Adjunto Adnominal)

O substantivo “redação” foi caracterizado pelo adjetivo “bem-sucedida”. Neste caso, é possível formarmos outra
construção, a qual exerce exatamente o mesmo papel:
Esta foi uma redação que fez sucesso.
Oração Principal Oração Subordinada Adjetiva

Perceba que a conexão entre a oração subordinada adjetiva e o termo da oração principal que ela modifica é feita
pelo pronome relativo “que”. Além de conectar (ou relacionar) duas orações, o pronome relativo desempenha uma fun-
ção sintática na oração subordinada: ocupa o papel que seria exercido pelo termo que o antecede (no caso, “redação”
é sujeito, então o “que” também funciona como sujeito).

FIQUE ATENTO!
Vale lembrar um recurso didático para reconhecer o pronome relativo “que”: ele sempre pode ser substi-
tuído por: o qual - a qual - os quais - as quais
Refiro-me ao aluno que é estudioso. = Esta oração é equivalente a: Refiro-me ao aluno o qual estuda.

Forma das Orações Subordinadas Adjetivas

Quando são introduzidas por um pronome relativo e apresentam verbo no modo indicativo ou subjuntivo, as ora-
ções subordinadas adjetivas são chamadas desenvolvidas. Além delas, existem as orações subordinadas adjetivas redu-
zidas, que não são introduzidas por pronome relativo (podem ser introduzidas por preposição) e apresentam o verbo
numa das formas nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio).
Ele foi o primeiro aluno que se apresentou.
Ele foi o primeiro aluno a se apresentar.

No primeiro período, há uma oração subordinada adjetiva desenvolvida, já que é introduzida pelo pronome relativo
“que” e apresenta verbo conjugado no pretérito perfeito do indicativo. No segundo, há uma oração subordinada adje-
tiva reduzida de infinitivo: não há pronome relativo e seu verbo está no infinitivo.
LÍNGUA PORTUGUESA

1. Classificação das Orações Subordinadas Adjetivas

Na relação que estabelecem com o termo que caracterizam, as orações subordinadas adjetivas podem atuar de
duas maneiras diferentes. Há aquelas que restringem ou especificam o sentido do termo a que se referem, individuali-
zando-o. Nestas orações não há marcação de pausa, sendo chamadas subordinadas adjetivas restritivas. Existem tam-
bém orações que realçam um detalhe ou amplificam dados sobre o antecedente, que já se encontra suficientemente
definido. Estas orações denominam-se subordinadas adjetivas explicativas.

95
Exemplo 1: vida, pois é introduzida por uma conjunção subordina-
Jamais teria chegado aqui, não fosse um homem que tiva (quando) e apresenta uma forma verbal do modo
passava naquele momento. indicativo (“vi”, do pretérito perfeito do indicativo). Seria
Oração Subordinada Adjetiva Restritiva possível reduzi-la, obtendo-se:
Ao ver o mar, senti uma das maiores emoções de mi-
No período acima, observe que a oração em desta- nha vida.
que restringe e particulariza o sentido da palavra “ho- A oração em destaque é reduzida, apresentando uma
mem”: trata-se de um homem específico, único. A oração das formas nominais do verbo (“ver” no infinitivo) e não
limita o universo de homens, isto é, não se refere a todos é introduzida por conjunção subordinativa, mas sim por
os homens, mas sim àquele que estava passando naque- uma preposição (“a”, combinada com o artigo “o”).
le momento.
Exemplo 2: Observação:
A classificação das orações subordinadas adverbiais
O homem, que se considera racional, muitas vezes é feita do mesmo modo que a classificação dos adjun-
age animalescamente. tos adverbiais. Baseia-se na circunstância expressa pela
Oração Subordinada Adjetiva Explicativa oração.

Agora, a oração em destaque não tem sentido restri- 2. Classificação das Orações Subordinadas Adver-
tivo em relação à palavra “homem”; na verdade, apenas biais
explicita uma ideia que já sabemos estar contida no con-
ceito de “homem”. A) Causal = A ideia de causa está diretamente ligada
àquilo que provoca um determinado fato, ao motivo do
Saiba que: que se declara na oração principal. Principal conjunção
A oração subordinada adjetiva explicativa é separa- subordinativa causal: porque. Outras conjunções e locu-
da da oração principal por uma pausa que, na escrita, ções causais: como (sempre introduzido na oração ante-
é representada pela vírgula. É comum, por isso, que a posta à oração principal), pois, pois que, já que, uma vez
que, visto que.
pontuação seja indicada como forma de diferenciar as
As ruas ficaram alagadas porque a chuva foi muito
orações explicativas das restritivas; de fato, as explicativas
forte.
vêm sempre isoladas por vírgulas; as restritivas, não.
Já que você não vai, eu também não vou.
C) Orações Subordinadas Adverbiais
A diferença entre a subordinada adverbial causal e a
Uma oração subordinada adverbial é aquela que
sindética explicativa é que esta “explica” o fato que acon-
exerce a função de adjunto adverbial do verbo da ora-
teceu na oração com a qual ela se relaciona; aquela apre-
ção principal. Assim, pode exprimir circunstância de tem- senta a “causa” do acontecimento expresso na oração à
po, modo, fim, causa, condição, hipótese, etc. Quando qual ela se subordina. Repare:
desenvolvida, vem introduzida por uma das conjunções 1. Faltei à aula porque estava doente.
subordinativas (com exclusão das integrantes, que intro- 2. Melissa chorou, porque seus olhos estão vermelhos.
duzem orações subordinadas substantivas). Classifica-se Em 1, a oração destacada aconteceu primeiro (causa)
de acordo com a conjunção ou locução conjuntiva que que o fato expresso na oração anterior, ou seja, o
a introduz (assim como acontece com as coordenadas fato de estar doente impediu-me de ir à aula. No
sindéticas). exemplo 2, a oração sublinhada relata um fato que
aconteceu depois, já que primeiro ela chorou, de-
Durante a madrugada, eu olhei você dormindo. pois seus olhos ficaram vermelhos.
Oração Subordinada Adverbial
B) Consecutiva = exprime um fato que é consequên-
A oração em destaque agrega uma circunstância de cia, é efeito do que se declara na oração principal.
tempo. É, portanto, chamada de oração subordinada ad- São introduzidas pelas conjunções e locuções: que,
verbial temporal. Os adjuntos adverbiais são termos aces- de forma que, de sorte que, tanto que, etc., e pelas
sórios que indicam uma circunstância referente, via de estruturas tão...que, tanto...que, tamanho...que.
regra, a um verbo. A classificação do adjunto adverbial Principal conjunção subordinativa consecutiva: que
depende da exata compreensão da circunstância que ex- (precedido de tal, tanto, tão, tamanho)
prime. Nunca abandonou seus ideais, de sorte que acabou
Naquele momento, senti uma das maiores emoções de concretizando-os.
minha vida. Não consigo ver televisão sem bocejar. (Oração Redu-
LÍNGUA PORTUGUESA

Quando vi o mar, senti uma das maiores emoções de zida de Infinitivo)


minha vida.
C) Condicional = Condição é aquilo que se impõe
No primeiro período, “naquele momento” é um ad- como necessário para a realização ou não de um
junto adverbial de tempo, que modifica a forma verbal fato. As orações subordinadas adverbiais condicio-
“senti”. No segundo período, este papel é exercido pela nais exprimem o que deve ou não ocorrer para que
oração “Quando vi o mar”, que é, portanto, uma oração se realize - ou deixe de se realizar - o fato expresso
subordinada adverbial temporal. Esta oração é desenvol- na oração principal.

96
Principal conjunção subordinativa condicional: se. ções conjuntivas proporcionais: à medida que, ao
Outras conjunções condicionais: caso, contanto que, des- passo que. Há ainda as estruturas: quanto maior...
de que, salvo se, exceto se, a não ser que, a menos que, (maior), quanto maior...(menor), quanto menor...
sem que, uma vez que (seguida de verbo no subjuntivo). (maior), quanto menor...(menor), quanto mais...
Se o regulamento do campeonato for bem elaborado, (mais), quanto mais...(menos), quanto menos...
certamente o melhor time será campeão. (mais), quanto menos...(menos).
Caso você saia, convide-me. À proporção que estudávamos mais questões acertá-
vamos.
D) Concessiva = indica concessão às ações do verbo À medida que lia mais culto ficava.
da oração principal, isto é, admitem uma contradi-
ção ou um fato inesperado. A ideia de concessão I) Temporal = acrescenta uma ideia de tempo ao
está diretamente ligada ao contraste, à quebra de fato expresso na oração principal, podendo expri-
expectativa. Principal conjunção subordinativa con- mir noções de simultaneidade, anterioridade ou
cessiva: embora. Utiliza-se também a conjunção: posterioridade. Principal conjunção subordinativa
conquanto e as locuções ainda que, ainda quando, temporal: quando. Outras conjunções subordina-
mesmo que, se bem que, posto que, apesar de que. tivas temporais: enquanto, mal e locuções conjun-
Só irei se ele for. tivas: assim que, logo que, todas as vezes que, antes
A oração acima expressa uma condição: o fato de “eu” que, depois que, sempre que, desde que, etc.
ir só se realizará caso essa condição seja satisfeita. Assim que Paulo chegou, a reunião acabou.
Compare agora com: Terminada a festa, todos se retiraram. (= Quando ter-
Irei mesmo que ele não vá. minou a festa) (Oração Reduzida de Particípio)
A distinção fica nítida; temos agora uma concessão: 3. Orações Reduzidas
irei de qualquer maneira, independentemente de sua ida.
A oração destacada é, portanto, subordinada adverbial
As orações subordinadas podem vir expressas como
concessiva.
reduzidas, ou seja, com o verbo em uma de suas formas
Observe outros exemplos:
nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio) e sem co-
Embora fizesse calor, levei agasalho.
nectivo subordinativo que as introduza.
Foi aprovado sem estudar (= sem que estudasse / em-
É preciso estudar! = reduzida de infinitivo
bora não estudasse). (reduzida de infinitivo)
É preciso que se estude = oração desenvolvida (pre-
E) Comparativa= As orações subordinadas adver-
sença do conectivo)
biais comparativas estabelecem uma comparação
Para classificá-las, precisamos imaginar como seriam
com a ação indicada pelo verbo da oração princi-
pal. Principal conjunção subordinativa comparati- “desenvolvidas” – como no exemplo acima.
va: como. É preciso estudar = oração subordinada substantiva
Ele dorme como um urso. (como um urso dorme) subjetiva reduzida de infinitivo
Você age como criança. (age como uma criança age) É preciso que se estude = oração subordinada subs-
tantiva subjetiva
• geralmente há omissão do verbo.
4. Orações Intercaladas
F) Conformativa = indica ideia de conformidade, ou
seja, apresenta uma regra, um modelo adotado São orações independentes encaixadas na sequên-
para a execução do que se declara na oração prin- cia do período, utilizadas para um esclarecimento, um
cipal. Principal conjunção subordinativa conforma- aparte, uma citação. Elas vêm separadas por vírgulas ou
tiva: conforme. Outras conjunções conformativas: travessões.
como, consoante e segundo (todas com o mesmo Nós – continuava o relator – já abordamos este as-
valor de conforme). sunto.
Fiz o bolo conforme ensina a receita.
Consoante reza a Constituição, todos os cidadãos têm REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
direitos iguais. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
G) Final = indica a intenção, a finalidade daquilo que CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
se declara na oração principal. Principal conjunção Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira
subordinativa final: a fim de. Outras conjunções Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição –
LÍNGUA PORTUGUESA

finais: que, porque (= para que) e a locução con- São Paulo: Saraiva, 2002.
juntiva para que.
Aproximei-me dela a fim de que ficássemos amigas. SITE
Estudarei muito para que eu me saia bem na prova. http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/
H) Proporcional = exprime ideia de proporção, ou frase-periodo-e-oracao
seja, um fato simultâneo ao expresso na oração
principal. Principal locução conjuntiva subordina-
tiva proporcional: à proporção que. Outras locu-

97
SINTAXE DE CONCORDÂNCIA VERBAL E
EXERCÍCIOS COMENTADOS NOMINAL.
1. (Cnj – Técnico Judiciário – cespe – 2013 – adaptada)
Jogadores de futebol de diversos times entraram em cam- Concordância Verbal e Nominal
po em prol do programa “Pai Presente”, nos jogos do Cam-
peonato Nacional em apoio à campanha que visa reduzir Os concurseiros estão apreensivos.
o número de pessoas que não possuem o nome do pai em Concurseiros apreensivos.
sua certidão de nascimento. (...)
A oração subordinada “que não possuem o nome do pai No primeiro exemplo, o verbo estar se encontra na ter-
em sua certidão de nascimento” não é antecedida por vír- ceira pessoa do plural, concordando com o seu sujeito, os
gula porque tem natureza restritiva. concurseiros. No segundo exemplo, o adjetivo “apreensivos”
está concordando em gênero (masculino) e número (plu-
( ) CERTO ( ) ERRADO ral) com o substantivo a que se refere: concurseiros. Nesses
dois exemplos, as flexões de pessoa, número e gênero se
Resposta: Certo. A oração restringe o grupo que par- correspondem. A correspondência de flexão entre dois ter-
ticipará da campanha (apenas os que não têm o nome mos é a concordância, que pode ser verbal ou nominal.
do pai na certidão de nascimento). Se colocarmos uma
vírgula, a oração se tornará “explicativa”, generalizan- 1. Concordância Verbal
do a informação, o que dará a entender que TODAS as
pessoas não têm o nome do pai na certidão. É a flexão que se faz para que o verbo concorde com
seu sujeito.
2. (Instituto Rio Branco – Admissão à Carreira de Di-
plomata – cespe – 2014 – adaptada) 1.1. Sujeito Simples - Regra Geral
O sujeito, sendo simples, com ele concordará o verbo
A crônica não é um “gênero maior”. Não se imagina uma em número e pessoa. Veja os exemplos:
literatura feita de grandes cronistas, que lhe dessem o A prova para ambos os cargos será aplicada às 13h.
brilho universal dos grandes romancistas, dramaturgos 3.ª p. Singular 3.ª p. Singular
e poetas. Nem se pensaria em atribuir o Prêmio Nobel a
um cronista, por melhor que fosse. Portanto, parece mes- Os candidatos à vaga chegarão às 12h.
mo que a crônica é um gênero menor. 3.ª p. Plural 3.ª p. Plural
“Graças a Deus”, seria o caso de dizer, porque, sendo as-
sim, ela fica mais perto de nós. E para muitos pode servir 1.1.1. Casos Particulares
de caminho não apenas para a vida, que ela serve de
perto, mas para a literatura. Por meio dos assuntos, da A) Quando o sujeito é formado por uma expressão
composição solta, do ar de coisa sem necessidade que partitiva (parte de, uma porção de, o grosso de,
costuma assumir, ela se ajusta à sensibilidade de todo metade de, a maioria de, a maior parte de, grande
dia. Principalmente porque elabora uma linguagem que parte de...) seguida de um substantivo ou prono-
fala de perto ao nosso modo de ser mais natural. Na sua me no plural, o verbo pode ficar no singular ou
despretensão, humaniza; e esta humanização lhe permi- no plural.
te, como compensação sorrateira, recuperar com a outra A maioria dos jornalistas aprovou / aprovaram a ideia.
mão certa profundidade de significado e certo acaba- Metade dos candidatos não apresentou / apresenta-
mento de forma, que de repente podem fazer dela uma ram proposta.
inesperada, embora discreta, candidata à perfeição.
Antonio Candido. A vida ao rés do chão. In: Recortes. São Esse mesmo procedimento pode se aplicar aos casos
Paulo: Companhia das Letras, 1993, p. 23 (com adapta- dos coletivos, quando especificados: Um bando de vân-
ções). dalos destruiu / destruíram o monumento.

As formas verbais “imagina” (R.1), “atribuir” (R.4) e “ser- Observação:


vir” (R.8) foram utilizadas como verbos transitivos indi- Nesses casos, o uso do verbo no singular enfatiza a
retos. unidade do conjunto; já a forma plural confere destaque
aos elementos que formam esse conjunto.
( ) CERTO ( ) ERRADO
LÍNGUA PORTUGUESA

B) Quando o sujeito é formado por expressão que


Resposta: Errado. indica quantidade aproximada (cerca de, mais de,
imagina uma literatura = transitivo direto menos de, perto de...) seguida de numeral e subs-
atribuir o Prêmio Nobel a um cronista = bitransitivo tantivo, o verbo concorda com o substantivo.
(transitivo direto e indireto) Cerca de mil pessoas participaram do concurso.
pode servir de caminho = intransitivo Perto de quinhentos alunos compareceram à solenidade.
Mais de um atleta estabeleceu novo recorde nas últi-
mas Olimpíadas.

98
Observação: F) O pronome “que” não interfere na concordância;
Quando a expressão “mais de um” se associar a ver- já o “quem” exige que o verbo fique na 3.ª pessoa
bos que exprimem reciprocidade, o plural é obrigatório: do singular.
Mais de um colega se ofenderam na discussão. (ofende- Fui eu que paguei a conta.
ram um ao outro) Fomos nós que pintamos o muro.
És tu que me fazes ver o sentido da vida.
C) Quando se trata de nomes que só existem no Sou eu quem faz a prova.
plural, a concordância deve ser feita levando-se Não serão eles quem será aprovado.
em conta a ausência ou presença de artigo. Sem
artigo, o verbo deve ficar no singular; com artigo G) Com a expressão “um dos que”, o verbo deve as-
no plural, o verbo deve ficar o plural. sumir a forma plural.
Os Estados Unidos possuem grandes universidades. Ademir da Guia foi um dos jogadores que mais encan-
Estados Unidos possui grandes universidades. taram os poetas.
Alagoas impressiona pela beleza das praias. Este candidato é um dos que mais estudaram!
As Minas Gerais são inesquecíveis.
Minas Gerais produz queijo e poesia de primeira.  Se a expressão for de sentido contrário – nenhum
dos que, nem um dos que -, não aceita o verbo no
D) Quando o sujeito é um pronome interrogativo ou singular:
indefinido plural (quais, quantos, alguns, poucos, Nenhum dos que foram aprovados assumirá a vaga.
muitos, quaisquer, vários) seguido por “de nós” ou Nem uma das que me escreveram mora aqui.
“de vós”, o verbo pode concordar com o primeiro
pronome (na terceira pessoa do plural) ou com o  Quando “um dos que” vem entremeada de subs-
tantivo, o verbo pode:
pronome pessoal.
1. ficar no singular – O Tietê é um dos rios que atraves-
Quais de nós são / somos capazes?
sa o Estado de São Paulo. ( já que não há outro rio
Alguns de vós sabiam / sabíeis do caso?
que faça o mesmo).
Vários de nós propuseram / propusemos sugestões ino-
2. ir para o plural – O Tietê é um dos rios que estão po-
vadoras.
luídos (noção de que existem outros rios na mesma
condição).
Observação:
Veja que a opção por uma ou outra forma indica a
H) Quando o sujeito é um pronome de tratamento, o
inclusão ou a exclusão do emissor. Quando alguém diz verbo fica na 3ª pessoa do singular ou plural.
ou escreve “Alguns de nós sabíamos de tudo e nada fize- Vossa Excelência está cansado?
mos”, ele está se incluindo no grupo dos omissos. Isso Vossas Excelências renunciarão?
não ocorre ao dizer ou escrever “Alguns de nós sabiam de
tudo e nada fizeram”, frase que soa como uma denúncia. I) A concordância dos verbos bater, dar e soar faz-se
Nos casos em que o interrogativo ou indefinido esti- de acordo com o numeral.
ver no singular, o verbo ficará no singular. Deu uma hora no relógio da sala.
Qual de nós é capaz? Deram cinco horas no relógio da sala.
Algum de vós fez isso. Soam dezenove horas no relógio da praça.
Baterão doze horas daqui a pouco.
E) Quando o sujeito é formado por uma expressão
que indica porcentagem seguida de substantivo, o Observação:
verbo deve concordar com o substantivo. Caso o sujeito da oração seja a palavra relógio, sino,
25% do orçamento do país será destinado à Educação. torre, etc., o verbo concordará com esse sujeito.
85% dos entrevistados não aprovam a administração O tradicional relógio da praça matriz dá nove horas.
do prefeito. Soa quinze horas o relógio da matriz.
1% do eleitorado aceita a mudança.
1% dos alunos faltaram à prova. J) Verbos Impessoais: por não se referirem a nenhum
sujeito, são usados sempre na 3.ª pessoa do sin-
 Quando a expressão que indica porcentagem não gular. São verbos impessoais: Haver no sentido de
é seguida de substantivo, o verbo deve concordar existir; Fazer indicando tempo; Aqueles que indi-
com o número. cam fenômenos da natureza. Exemplos:
25% querem a mudança. Havia muitas garotas na festa.
LÍNGUA PORTUGUESA

1% conhece o assunto. Faz dois meses que não vejo meu pai.
Chovia ontem à tarde.
 Se o número percentual estiver determinado por
artigo ou pronome adjetivo, a concordância far-se-
-á com eles:
Os 30% da produção de soja serão exportados.
Esses 2% da prova serão questionados.

99
1.2. Sujeito Composto Drummond ou Bandeira representam a essência da
poesia brasileira.
A) Quando o sujeito é composto e anteposto ao ver- Nem o professor nem o aluno acertaram a resposta.
bo, a concordância se faz no plural: Em ambas as orações, as conjunções dão ideia de
Pai e filho conversavam longamente. “adição”. Já em:
Sujeito Juca ou Pedro será contratado.
Roma ou Buenos Aires será a sede da próxima Olimpíada.
Pais e filhos devem conversar com frequência.
Sujeito Temos ideia de exclusão, por isso os verbos ficam
no singular.
B) Nos sujeitos compostos formados por pessoas
gramaticais diferentes, a concordância ocorre da seguin-  Com as expressões “um ou outro” e “nem um
te maneira: a primeira pessoa do plural (nós) prevalece nem outro”, a concordância costuma ser feita no singular.
sobre a segunda pessoa (vós) que, por sua vez, prevalece Um ou outro compareceu à festa.
sobre a terceira (eles). Veja: Nem um nem outro saiu do colégio.
Teus irmãos, tu e eu tomaremos a decisão.
Primeira Pessoa do Plural (Nós)  Com “um e outro”, o verbo pode ficar no plural
ou no singular: Um e outro farão/fará a prova.
Tu e teus irmãos tomareis a decisão.
Segunda Pessoa do Plural (Vós)  Quando os núcleos do sujeito são unidos por
“com”, o verbo fica no plural. Nesse caso, os núcleos re-
Pais e filhos precisam respeitar-se. cebem um mesmo grau de importância e a palavra “com”
Terceira Pessoa do Plural (Eles) tem sentido muito próximo ao de “e”.
O pai com o filho montaram o brinquedo.
Observação: O governador com o secretariado traçaram os planos
Quando o sujeito é composto, formado por um ele- para o próximo semestre.
mento da segunda pessoa (tu) e um da terceira (ele), é O professor com o aluno questionaram as regras.
possível empregar o verbo na terceira pessoa do plural
Nesse mesmo caso, o verbo pode ficar no singular, se
(eles): “Tu e teus irmãos tomarão a decisão.” – no lugar
a ideia é enfatizar o primeiro elemento.
de “tomaríeis”.
O pai com o filho montou o brinquedo.
O governador com o secretariado traçou os planos para
C) No caso do sujeito composto posposto ao verbo,
o próximo semestre.
passa a existir uma nova possibilidade de concordância:
O professor com o aluno questionou as regras.
em vez de concordar no plural com a totalidade do sujei-
to, o verbo pode estabelecer concordância com o núcleo Com o verbo no singular, não se pode falar em sujeito
do sujeito mais próximo. composto. O sujeito é simples, uma vez que as expres-
Faltaram coragem e competência. sões “com o filho” e “com o secretariado” são adjuntos ad-
Faltou coragem e competência. verbiais de companhia. Na verdade, é como se houvesse
Compareceram todos os candidatos e o banca. uma inversão da ordem. Veja:
Compareceu o banca e todos os candidatos. “O pai montou o brinquedo com o filho.”
“O governador traçou os planos para o próximo semes-
D) Quando ocorre ideia de reciprocidade, a concor- tre com o secretariado.”
dância é feita no plural. Observe: “O professor questionou as regras com o aluno.”
Abraçaram-se vencedor e vencido.
Ofenderam-se o jogador e o árbitro. Casos em que se usa o verbo no singular:
Café com leite é uma delícia!
1.2.1. Casos Particulares O frango com quiabo foi receita da vovó.

 Quando o sujeito composto é formado por nú- Quando os núcleos do sujeito são unidos por expres-
cleos sinônimos ou quase sinônimos, o verbo fica no sin- sões correlativas como: “não só... mas ainda”, “não somen-
gular. te”..., “não apenas... mas também”, “tanto...quanto”, o verbo
Descaso e desprezo marca seu comportamento. ficará no plural.
A coragem e o destemor fez dele um herói. Não só a seca, mas também o pouco caso castigam o
Nordeste.
LÍNGUA PORTUGUESA

 Quando o sujeito composto é formado por nú- Tanto a mãe quanto o filho ficaram surpresos com a notícia.
cleos dispostos em gradação, verbo no singular:
Com você, meu amor, uma hora, um minuto, um se- Quando os elementos de um sujeito composto são re-
gundo me satisfaz. sumidos por um aposto recapitulativo, a concordância é
feita com esse termo resumidor.
 Quando os núcleos do sujeito composto são Filmes, novelas, boas conversas, nada o tirava da apatia.
unidos por “ou” ou “nem”, o verbo deverá ficar no plural, Trabalho, diversão, descanso, tudo é muito importante
de acordo com o valor semântico das conjunções: na vida das pessoas.

100
1.2.2 Outros Casos B) nome de coisa e um estiver no singular e o outro
no plural, o verbo SER concordará, preferencial-
O Verbo e a Palavra “SE” mente, com o que estiver no plural:
Dentre as diversas funções exercidas pelo “se”, há Os livros são minha paixão!
duas de particular interesse para a concordância verbal: Minha paixão são os livros!
A) quando é índice de indeterminação do sujeito;
B) quando é partícula apassivadora. Quando o verbo SER indicar
Quando índice de indeterminação do sujeito, o “se”
acompanha os verbos intransitivos, transitivos indiretos  horas e distâncias, concordará com a expressão
e de ligação, que obrigatoriamente são conjugados na numérica:
terceira pessoa do singular: É uma hora.
Precisa-se de funcionários. São quatro horas.
Confia-se em teses absurdas. Daqui até a escola é um quilômetro / são dois quilô-
metros.
Quando pronome apassivador, o “se” acompanha ver-
bos transitivos diretos (VTD) e transitivos diretos e indi-  datas, concordará com a palavra dia(s), que pode
retos (VTDI) na formação da voz passiva sintética. Nesse estar expressa ou subentendida:
caso, o verbo deve concordar com o sujeito da oração.
Exemplos: Hoje é dia 26 de agosto.
Construiu-se um posto de saúde. Hoje são 26 de agosto.
Construíram-se novos postos de saúde.
Aqui não se cometem equívocos  Quando o sujeito indicar peso, medida, quantida-
Alugam-se casas. de e for seguido de palavras ou expressões como
pouco, muito, menos de, mais de, etc., o verbo SER
fica no singular:
#FicaDica Cinco quilos de açúcar é mais do que preciso.
Três metros de tecido é pouco para fazer seu vestido.
Para saber se o “se” é partícula apassivadora Duas semanas de férias é muito para mim.
ou índice de indeterminação do sujeito, tente
transformar a frase para a voz passiva. Se a  Quando um dos elementos (sujeito ou predica-
frase construída for “compreensível”, estare- tivo) for pronome pessoal do caso reto, com este
mos diante de uma partícula apassivadora; concordará o verbo.
se não, o “se” será índice de indeterminação. No meu setor, eu sou a única mulher.
Veja: Aqui os adultos somos nós.
Precisa-se de funcionários qualificados.
Tentemos a voz passiva: Observação:
Funcionários qualificados são precisados (ou Sendo ambos os termos (sujeito e predicativo) repre-
precisos)? Não há lógica. Portanto, o “se” des- sentados por pronomes pessoais, o verbo concorda com
tacado é índice de indeterminação do sujeito. o pronome sujeito.
Agora: Eu não sou ela.
Vendem-se casas. Ela não é eu.
Voz passiva: Casas são vendidas. Construção
correta! Então, aqui, o “se” é partícula apassi-  Quando o sujeito for uma expressão de sentido
vadora. (Dá para eu passar para a voz passiva. partitivo ou coletivo e o predicativo estiver no plu-
Repare em meu destaque. Percebeu seme- ral, o verbo SER concordará com o predicativo.
lhança? Agora é só memorizar!) A grande maioria no protesto eram jovens.
O resto foram atitudes imaturas.
O Verbo “Ser”
O Verbo “Parecer”
A concordância verbal dá-se sempre entre o verbo e o O verbo parecer, quando é auxiliar em uma locução
sujeito da oração. No caso do verbo ser, essa concordân- verbal (é seguido de infinitivo), admite duas concor-
cia pode ocorrer também entre o verbo e o predicativo dâncias:
do sujeito.  Ocorre variação do verbo PARECER e não se fle-
xiona o infinitivo: As crianças parecem gostar do
LÍNGUA PORTUGUESA

Quando o sujeito ou o predicativo for: desenho.

A) Nome de pessoa ou pronome pessoal – o verbo  A variação do verbo parecer não ocorre e o infini-
SER concorda com a pessoa gramatical: tivo sofre flexão:
Ele é forte, mas não é dois. As crianças parece gostarem do desenho.
Fernando Pessoa era vários poetas. (essa frase equivale a: Parece gostarem do desenho
A esperança dos pais são eles, os filhos. aas crianças)

101
C) Expressões formadas pelo verbo SER + adjetivo:
O adjetivo fica no masculino singular, se o substanti-
FIQUE ATENTO!
vo não for acompanhado de nenhum modificador:
Com orações desenvolvidas, o verbo PARE- Água é bom para saúde.
CER fica no singular. Por exemplo: As paredes O adjetivo concorda com o substantivo, se este for
parece que têm ouvidos. (Parece que as pare- modificado por um artigo ou qualquer outro determina-
des têm ouvidos = oração subordinada subs- tivo: Esta água é boa para saúde.
tantiva subjetiva).
D) O adjetivo concorda em gênero e número com os
pronomes pessoais a que se refere: Juliana encon-
Concordância Nominal trou-as muito felizes.

A concordância nominal se baseia na relação entre E) Nas expressões formadas por pronome indefinido
nomes (substantivo, pronome) e as palavras que a eles se neutro (nada, algo, muito, tanto, etc.) + preposição
ligam para caracterizá-los (artigos, adjetivos, pronomes DE + adjetivo, este último geralmente é usado no
adjetivos, numerais adjetivos e particípios). Lembre-se: masculino singular: Os jovens tinham algo de mis-
normalmente, o substantivo funciona como núcleo de terioso.
um termo da oração, e o adjetivo, como adjunto adno- F) A palavra “só”, quando equivale a “sozinho”, tem
minal. função adjetiva e concorda normalmente com o
A concordância do adjetivo ocorre de acordo com as nome a que se refere:
seguintes regras gerais: Cristina saiu só.
A) O adjetivo concorda em gênero e número quando Cristina e Débora saíram sós.
se refere a um único substantivo: As mãos trêmulas
denunciavam o que sentia. Observação:
Quando a palavra “só” equivale a “somente” ou “ape-
B) Quando o adjetivo refere-se a vários substantivos, nas”, tem função adverbial, ficando, portanto, invariável:
a concordância pode variar. Podemos sistematizar Eles só desejam ganhar presentes.
essa flexão nos seguintes casos:
#FicaDica
 Adjetivo anteposto aos substantivos:
O adjetivo concorda em gênero e número com o Substitua o “só” por “apenas” ou “sozinho”. Se
substantivo mais próximo. a frase ficar coerente com o primeiro, trata-se
Encontramos caídas as roupas e os prendedores. de advérbio, portanto, invariável; se houver
Encontramos caída a roupa e os prendedores. coerência com o segundo, função de adjetivo,
Encontramos caído o prendedor e a roupa. então varia:
Ela está só. (ela está sozinha) – adjetivo
Caso os substantivos sejam nomes próprios ou de Ele está só descansando. (apenas descansan-
parentesco, o adjetivo deve sempre concordar no plural. do) - advérbio
As adoráveis Fernanda e Cláudia vieram me visitar. Mas cuidado! Se colocarmos uma vírgula de-
Encontrei os divertidos primos e primas na festa. pois de “só”, haverá, novamente, um adjetivo:
Ele está só, descansando. (ele está sozinho e
 Adjetivo posposto aos substantivos: descansando)
O adjetivo concorda com o substantivo mais próximo
ou com todos eles (assumindo a forma masculina G) Quando um único substantivo é modificado por
plural se houver substantivo feminino e masculi- dois ou mais adjetivos no singular, podem ser usa-
no). das as construções:
A indústria oferece localização e atendimento perfeito.  O substantivo permanece no singular e coloca-se
A indústria oferece atendimento e localização perfeita. o artigo antes do último adjetivo: Admiro a cultura
A indústria oferece localização e atendimento perfeitos. espanhola e a portuguesa.
A indústria oferece atendimento e localização perfeitos.  O substantivo vai para o plural e omite-se o artigo
antes do adjetivo: Admiro as culturas espanhola e
Observação: portuguesa.
Os dois últimos exemplos apresentam maior clareza,
pois indicam que o adjetivo efetivamente se refere aos 1. Casos Particulares
LÍNGUA PORTUGUESA

dois substantivos. Nesses casos, o adjetivo foi flexionado


no plural masculino, que é o gênero predominante quan- É proibido - É necessário - É bom - É preciso - É per-
do há substantivos de gêneros diferentes. mitido
Se os substantivos possuírem o mesmo gênero, o ad-
jetivo fica no singular ou plural.  Estas expressões, formadas por um verbo mais um
A beleza e a inteligência feminina(s). adjetivo, ficam invariáveis se o substantivo a que se
O carro e o iate novo(s). referem possuir sentido genérico (não vier prece-
dido de artigo).

102
É proibido entrada de crianças. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Em certos momentos, é necessário atenção. Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce-
No verão, melancia é bom. reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
É preciso cidadania. Paulo: Saraiva, 2010.
Não é permitido saída pelas portas laterais. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
 Quando o sujeito destas expressões estiver deter- Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
minado por artigos, pronomes ou adjetivos, tanto ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
o verbo como o adjetivo concordam com ele.
É proibida a entrada de crianças. SITE
Esta salada é ótima. http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint49.php
A educação é necessária.
São precisas várias medidas na educação.

Anexo - Obrigado - Mesmo - Próprio - Incluso - EXERCÍCIOS COMENTADOS


Quite
1. (Polícia Federal – Escrivão de Polícia Federal – Ces-
Estas palavras adjetivas concordam em gênero e nú- pe – 2013) Formas de tratamento como Vossa Excelência
mero com o substantivo ou pronome a que se referem. e Vossa Senhoria, ainda que sejam empregadas sempre
Seguem anexas as documentações requeridas. na segunda pessoa do plural e no feminino, exigem fle-
A menina agradeceu: - Muito obrigada. xão verbal de terceira pessoa; além disso, o pronome
Muito obrigadas, disseram as senhoras. possessivo que faz referência ao pronome de tratamento
Seguem inclusos os papéis solicitados. também deve ser o de terceira pessoa, e o adjetivo que
Estamos quites com nossos credores. remete ao pronome de tratamento deve concordar em
gênero e número com a pessoa — e não com o pronome
Bastante - Caro - Barato - Longe — a que se refere.

Estas palavras são invariáveis quando funcionam ( ) CERTO ( ) ERRADO


como advérbios. Concordam com o nome a que se refe-
rem quando funcionam como adjetivos, pronomes adje- Resposta: Certo. Afirmações corretas. As concordân-
tivos, ou numerais. cias verbal e nominal ao se utilizar pronome de trata-
As jogadoras estavam bastante cansadas. (advérbio) mento devem ser na terceira pessoa e concordar em
Há bastantes pessoas insatisfeitas com o trabalho. gênero (masculino ou feminino) com a pessoa a quem
(pronome adjetivo) se dirige: “Vossa Excelência está cansada(o)?” – con-
Nunca pensei que o estudo fosse tão caro. (advérbio) cordará com quem está se falando: uma mulher ou um
As casas estão caras. (adjetivo) homem / “Vossa Santidade trouxe seus pertences?” /
Achei barato este casaco. (advérbio) “Vossas Senhorias gostariam de um café?”.
Hoje as frutas estão baratas. (adjetivo)
2. (Prefeitura de São Luís-MA – Conhecimentos Bási-
Meio - Meia cos Cargos de Técnico Municipal – Nível Médio – Ces-
pe – 2017)
A palavra “meio”, quando empregada como adjetivo,
concorda normalmente com o nome a que se refere: Pedi Texto CB3A2BBB
meia porção de polentas.
Quando empregada como advérbio permanece inva- O reconhecimento e a proteção dos direitos humanos
riável: A candidata está meio nervosa. estão na base das Constituições democráticas modernas.
A paz, por sua vez, é o pressuposto necessário para o re-
conhecimento e a efetiva proteção dos direitos humanos
#FicaDica em cada Estado e no sistema internacional. Ao mesmo
Dá para eu substituir por “um pouco”, assim
tempo, o processo de democratização do sistema inter-
saberei que se trata de um advérbio, não de
nacional, que é o caminho obrigatório para a busca do
adjetivo: “A candidata está um pouco nervo-
ideal da paz perpétua, não pode avançar sem uma gra-
sa”.
dativa ampliação do reconhecimento e da proteção dos
direitos humanos, acima de cada Estado. Direitos huma-
LÍNGUA PORTUGUESA

nos, democracia e paz são três elementos fundamentais


Alerta - Menos do mesmo movimento histórico: sem direitos humanos
reconhecidos e protegidos, não há democracia; sem de-
Essas palavras são advérbios, portanto, permanecem mocracia, não existem as condições mínimas para a so-
sempre invariáveis. lução pacífica dos conflitos. Em outras palavras, a demo-
Os concurseiros estão sempre alerta. cracia é a sociedade dos cidadãos, e os súditos se tornam
Não queira menos matéria! cidadãos quando lhes são reconhecidos alguns direitos
fundamentais; haverá paz estável, uma paz que não te-

103
nha a guerra como alternativa, somente quando existirem 5. (Tribunal de Contas do Distrito Federal-df – Conheci-
cidadãos não mais apenas deste ou daquele Estado, mas mentos BÁSICOS – ANALISTA DE ADMINISTRAÇÃO PÚ-
do mundo. BLICA – ARQUIVOLOGIA – cespe – 2014 – adaptada) (...)
Norberto Bobbio. A era dos direitos. Trad. Carlos Nel- Há décadas, países como China e Índia têm enviado estudan-
son Coutinho. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004, p. 1 (com tes para países centrais, com resultados muito positivos.(...)
adaptações). A forma verbal “Há” poderia ser corretamente substituída
por Fazem.
Preservando-se a correção gramatical do texto CB3A-
2BBB, os termos “não há” e “não existem” poderiam ser ( ) CERTO ( ) ERRADO
substituídos, respectivamente, por
a) não existe e não têm. Resposta: Errado. O verbo “fazer”, quando empregado
b) não existe e inexiste. no sentido de tempo passado, não sofre flexão. Portan-
c) inexiste e não há. to, sua forma correta seria: “faz décadas”
d) inexiste e não acontece.
e) não tem e não têm.
SINTAXE DE REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL.
Resposta: Letra C.
Busquemos o contexto:
- sem direitos humanos reconhecidos e protegidos, não Regência Verbal e Nominal
há democracia = poderíamos substituir por “não exis-
te”, inexiste (verbo “haver” empregado com o sentido Dá-se o nome de regência à relação de subordinação
de “existir”) que ocorre entre um verbo (regência verbal) ou um nome
- sem democracia, não existem as condições mínimas (regência nominal) e seus complementos.
para a solução pacífica dos conflitos = sentido de “exis- 1. Regência Verbal = Termo Regente: VERBO
tir”. Poderíamos substituir por inexiste, mas no plural, já
que devemos concordar com “as condições mínimas”. A regência verbal estuda a relação que se estabelece
A única “troca” adequada seria o verbo “haver” – que entre os verbos e os termos que os complementam (obje-
pode ser utilizado com o sentido de “existir”. Teríamos: tos diretos e objetos indiretos) ou caracterizam (adjuntos
sem direitos humanos reconhecidos e protegidos, ine- adverbiais). Há verbos que admitem mais de uma regên-
xiste democracia; sem democracia, não há as condições cia, o que corresponde à diversidade de significados que
mínimas para a solução pacífica dos conflitos. estes verbos podem adquirir dependendo do contexto em
que forem empregados.
3. (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comér- A mãe agrada o filho = agradar significa acariciar, contentar.
cio Exterior – Analista Técnico Administrativo – cespe A mãe agrada ao filho = agradar significa “causar agra-
– 2014) Em “Vossa Excelência deve estar satisfeita com os do ou prazer”, satisfazer.
resultados das negociações”, o adjetivo estará corretamen- Conclui-se que “agradar alguém” é diferente de “agra-
te empregado se dirigido a ministro de Estado do sexo dar a alguém”.
masculino, pois o termo “satisfeita” deve concordar com
a locução pronominal de tratamento “Vossa Excelência”. O conhecimento do uso adequado das preposições
é um dos aspectos fundamentais do estudo da regência
( ) CERTO ( ) ERRADO verbal (e também nominal). As preposições são capazes
de modificar completamente o sentido daquilo que está
Resposta: Errado. Se a pessoa, no caso o ministro, for sendo dito.
do sexo feminino (ministra), o adjetivo está correto; Cheguei ao metrô.
mas, se for do sexo masculino, o adjetivo sofrerá flexão Cheguei no metrô.
de gênero: satisfeito. O pronome de tratamento é ape- No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no se-
nas a maneira como tratar a autoridade, não regendo gundo caso, é o meio de transporte por mim utilizado.
as demais concordâncias. A voluntária distribuía leite às crianças.
A voluntária distribuía leite com as crianças.
4. (Abin – Agente Técnico de Inteligência – cespe – Na primeira frase, o verbo “distribuir” foi empregado
2010 – adaptada) (...) Da combinação entre velocidade, como transitivo direto (objeto direto: leite) e indireto (obje-
persistência, relevância, precisão e flexibilidade surge a no- to indireto: às crianças); na segunda, como transitivo direto
ção contemporânea de agilidade, transformada em princi- (objeto direto: crianças; com as crianças: adjunto adverbial).
pal característica de nosso tempo. Para estudar a regência verbal, agruparemos os verbos
LÍNGUA PORTUGUESA

A forma verbal “surge” poderia, sem prejuízo gramatical para de acordo com sua transitividade. Esta, porém, não é um
o texto, ser flexionada no plural, para concordar com “veloci- fato absoluto: um mesmo verbo pode atuar de diferentes
dade, persistência, relevância, precisão e flexibilidade” formas em frases distintas.

( ) CERTO ( ) ERRADO A) Verbos Intransitivos


Os verbos intransitivos não possuem complemento. É
Resposta: Errado. O verbo está concordando com o importante, no entanto, destacar alguns detalhes relativos
termo “combinação”, por isso deve ficar no singular. aos adjuntos adverbiais que costumam acompanhá-los.

104
Chegar, Ir Os verbos transitivos indiretos são os seguintes:
Normalmente vêm acompanhados de adjuntos adver- Consistir - Tem complemento introduzido pela prepo-
biais de lugar. Na língua culta, as preposições usadas para sição “em”: A modernidade verdadeira consiste em direitos
indicar destino ou direção são: a, para. iguais para todos.
Fui ao teatro.
Adjunto Adverbial de Lugar Obedecer e Desobedecer - Possuem seus comple-
mentos introduzidos pela preposição “a”:
Ricardo foi para a Espanha. Devemos obedecer aos nossos princípios e ideais.
Adjunto Adverbial de Lugar Eles desobedeceram às leis do trânsito.

Comparecer Responder - Tem complemento introduzido pela pre-


O adjunto adverbial de lugar pode ser introduzido por posição “a”. Esse verbo pede objeto indireto para indicar “a
em ou a. quem” ou “ao que” se responde.
Comparecemos ao estádio (ou no estádio) para ver o Respondi ao meu patrão.
último jogo. Respondemos às perguntas.
Respondeu-lhe à altura.
B) Verbos Transitivos Diretos Observação:
O verbo responder, apesar de transitivo indireto quan-
Os verbos transitivos diretos são complementados por do exprime aquilo a que se responde, admite voz passiva
objetos diretos. Isso significa que não exigem preposição analítica:
para o estabelecimento da relação de regência. Ao empre- O questionário foi respondido corretamente.
gar esses verbos, lembre-se de que os pronomes oblíquos Todas as perguntas foram respondidas satisfatoriamente.
o, a, os, as atuam como objetos diretos. Esses pronomes
podem assumir as formas lo, los, la, las (após formas ver- Simpatizar e Antipatizar - Possuem seus complemen-
bais terminadas em -r, -s ou -z) ou no, na, nos, nas (após tos introduzidos pela preposição “com”.
formas verbais terminadas em sons nasais), enquanto lhe e Antipatizo com aquela apresentadora.
lhes são, quando complementos verbais, objetos indiretos. Simpatizo com os que condenam os políticos que gover-
São verbos transitivos diretos, dentre outros: aban- nam para uma minoria privilegiada.
donar, abençoar, aborrecer, abraçar, acompanhar, acusar,
admirar, adorar, alegrar, ameaçar, amolar, amparar, auxi- D) Verbos Transitivos Diretos e Indiretos
liar, castigar, condenar, conhecer, conservar, convidar, de-
fender, eleger, estimar, humilhar, namorar, ouvir, prejudicar, Os verbos transitivos diretos e indiretos são acompa-
prezar, proteger, respeitar, socorrer, suportar, ver, visitar. nhados de um objeto direto e um indireto. Merecem des-
Na língua culta, esses verbos funcionam exatamente taque, nesse grupo: agradecer, perdoar e pagar. São ver-
como o verbo amar: bos que apresentam objeto direto relacionado a coisas e
Amo aquele rapaz. / Amo-o. objeto indireto relacionado a pessoas.
Amo aquela moça. / Amo-a.
Amam aquele rapaz. / Amam-no. Agradeço aos ouvintes a audiência.
Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la. Objeto Indireto Objeto Direto

Observação: Paguei o débito ao cobrador.


Os pronomes lhe, lhes só acompanham esses verbos Objeto Direto Objeto Indireto
para indicar posse (caso em que atuam como adjuntos ad-
nominais): O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito
Quero beijar-lhe o rosto. (= beijar seu rosto) com particular cuidado:
Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua car- Agradeci o presente. / Agradeci-o.
reira) Agradeço a você. / Agradeço-lhe.
Conheço-lhe o mau humor! (= conheço seu mau hu- Perdoei a ofensa. / Perdoei-a.
mor) Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe.
Paguei minhas contas. / Paguei-as.
C) Verbos Transitivos Indiretos Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes.

Os verbos transitivos indiretos são complementados Informar


por objetos indiretos. Isso significa que esses verbos exi- Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto
gem uma preposição para o estabelecimento da relação de indireto ao se referir a pessoas, ou vice-versa.
LÍNGUA PORTUGUESA

regência. Os pronomes pessoais do caso oblíquo de ter- Informe os novos preços aos clientes.
ceira pessoa que podem atuar como objetos indiretos são Informe os clientes dos novos preços. (ou sobre os novos
o “lhe”, o “lhes”, para substituir pessoas. Não se utilizam preços)
os pronomes o, os, a, as como complementos de verbos Na utilização de pronomes como complementos, veja
transitivos indiretos. Com os objetos indiretos que não re- as construções:
presentam pessoas, usam-se pronomes oblíquos tônicos Informei-os aos clientes. / Informei-lhes os novos preços.
de terceira pessoa (ele, ela) em lugar dos pronomes átonos Informe-os dos novos preços. / Informe-os deles. (ou
lhe, lhes. sobre eles)

105
Observação: Agradar é transitivo indireto no sentido de causar
A mesma regência do verbo informar é usada para os agrado a, satisfazer, ser agradável a. Rege complemento
seguintes: avisar, certificar, notificar, cientificar, prevenir. introduzido pela preposição “a”.
O cantor não agradou aos presentes.
Comparar O cantor não lhes agradou.
Quando seguido de dois objetos, esse verbo admite
as preposições “a” ou “com” para introduzir o comple- O antônimo “desagradar” é sempre transitivo indire-
mento indireto: Comparei seu comportamento ao (ou com to: O cantor desagradou à plateia.
o) de uma criança.
Aspirar
Pedir Aspirar é transitivo direto no sentido de sorver, ins-
Esse verbo pede objeto direto de coisa (geralmente pirar (o ar), inalar: Aspirava o suave aroma. (Aspirava-o)
na forma de oração subordinada substantiva) e indireto
Aspirar é transitivo indireto no sentido de desejar, ter
de pessoa.
como ambição: Aspirávamos a um emprego melhor. (As-
Pedi-lhe favores.
pirávamos a ele)
Objeto Indireto Objeto Direto
Como o objeto direto do verbo “aspirar” não é pes-
soa, as formas pronominais átonas “lhe” e “lhes” não são
Pedi-lhe que se mantivesse em silêncio. utilizadas, mas, sim, as formas tônicas “a ele(s)”, “a ela(s)”.
Objeto Indireto Oração Subordinada Subs- Veja o exemplo: Aspiravam a uma existência melhor. (=
tantiva Objetiva Direta Aspiravam a ela)

A construção “pedir para”, muito comum na lingua- Assistir


gem cotidiana, deve ter emprego muito limitado na lín- Assistir é transitivo direto no sentido de ajudar, pres-
gua culta. No entanto, é considerada correta quando a tar assistência a, auxiliar.
palavra licença estiver subentendida. As empresas de saúde negam-se a assistir os idosos.
Peço (licença) para ir entregar-lhe os catálogos em As empresas de saúde negam-se a assisti-los.
casa.
Assistir é transitivo indireto no sentido de ver, presen-
Observe que, nesse caso, a preposição “para” intro- ciar, estar presente, caber, pertencer.
duz uma oração subordinada adverbial final reduzida de Assistimos ao documentário.
infinitivo (para ir entregar-lhe os catálogos em casa). Não assisti às últimas sessões.
Essa lei assiste ao inquilino.
Preferir
Na língua culta, esse verbo deve apresentar objeto No sentido de morar, residir, o verbo “assistir” é in-
indireto introduzido pela preposição “a”: transitivo, sendo acompanhado de adjunto adverbial de
Prefiro qualquer coisa a abrir mão de meus ideais. lugar introduzido pela preposição “em”: Assistimos numa
Prefiro trem a ônibus. conturbada cidade.

Observação: Chamar
Na língua culta, o verbo “preferir” deve ser usado sem Chamar é transitivo direto no sentido de convocar, so-
licitar a atenção ou a presença de.
termos intensificadores, tais como: muito, antes, mil ve-
Por gentileza, vá chamar a polícia. / Por favor, vá cha-
zes, um milhão de vezes, mais. A ênfase já é dada pelo
má-la.
prefixo existente no próprio verbo (pre).
Chamei você várias vezes. / Chamei-o várias vezes.
Chamar no sentido de denominar, apelidar pode
Mudança de Transitividade - Mudança de Signifi- apresentar objeto direto e indireto, ao qual se refere pre-
cado dicativo preposicionado ou não.
A torcida chamou o jogador mercenário.
Há verbos que, de acordo com a mudança de transi- A torcida chamou ao jogador mercenário.
tividade, apresentam mudança de significado. O conhe- A torcida chamou o jogador de mercenário.
cimento das diferentes regências desses verbos é um re- A torcida chamou ao jogador de mercenário.
curso linguístico muito importante, pois além de permitir Chamar com o sentido de ter por nome é pronominal:
a correta interpretação de passagens escritas, oferece Como você se chama? Eu me chamo Zenaide.
possibilidades expressivas a quem fala ou escreve. Dentre
LÍNGUA PORTUGUESA

os principais, estão: Custar


Custar é intransitivo no sentido de ter determinado
Agradar valor ou preço, sendo acompanhado de adjunto adver-
Agradar é transitivo direto no sentido de fazer cari- bial: Frutas e verduras não deveriam custar muito.
nhos, acariciar, fazer as vontades de.
Sempre agrada o filho quando. No sentido de ser difícil, penoso, pode ser intransitivo
Aquele comerciante agrada os clientes. ou transitivo indireto, tendo como sujeito uma oração re-
duzida de infinitivo.

106
Muito custa viver tão longe da família. Visar
Verbo Intransitivo Oração Subordinada Como transitivo direto, apresenta os sentidos de mi-
Substantiva Subjetiva Reduzida de Infinitivo rar, fazer pontaria e de pôr visto, rubricar.
O homem visou o alvo.
Custou-me (a mim) crer nisso. O gerente não quis visar o cheque.
Objeto Indireto Oração Subordinada Subs-
tantiva Subjetiva Reduzida de Infinitivo No sentido de ter em vista, ter como meta, ter como
objetivo é transitivo indireto e rege a preposição “a”.
A Gramática Normativa condena as construções que O ensino deve sempre visar ao progresso social.
atribuem ao verbo “custar” um sujeito representado por Prometeram tomar medidas que visassem ao bem-es-
pessoa: Custei para entender o problema. tar público.
= Forma correta: Custou-me entender o problema.
Esquecer – Lembrar
Implicar Lembrar algo – esquecer algo
Como transitivo direto, esse verbo tem dois sentidos: Lembrar-se de algo – esquecer-se de algo (pronominal)
A) dar a entender, fazer supor, pressupor: Suas atitudes
implicavam um firme propósito. No 1.º caso, os verbos são transitivos diretos, ou seja,
B) ter como consequência, trazer como consequência, exigem complemento sem preposição: Ele esqueceu o livro.
acarretar, provocar: Uma ação implica reação. No 2.º caso, os verbos são pronominais (-se, -me, etc)
e exigem complemento com a preposição “de”. São, por-
Como transitivo direto e indireto, significa compro- tanto, transitivos indiretos:
meter, envolver: Implicaram aquele jornalista em questões Ele se esqueceu do caderno.
econômicas. Eu me esqueci da chave.
Eles se esqueceram da prova.
No sentido de antipatizar, ter implicância, é transiti- Nós nos lembramos de tudo o que aconteceu.
vo indireto e rege com preposição “com”: Implicava com
quem não trabalhasse arduamente. Há uma construção em que a coisa esquecida ou lem-
brada passa a funcionar como sujeito e o verbo sofre leve
Namorar alteração de sentido. É uma construção muito rara na lín-
Sempre tansitivo direto: Luísa namora Carlos há dois anos. gua contemporânea, porém, é fácil encontrá-la em textos
clássicos tanto brasileiros como portugueses. Machado
Obedecer - Desobedecer de Assis, por exemplo, fez uso dessa construção várias
Sempre transitivo indireto: vezes.
Todos obedeceram às regras. Esqueceu-me a tragédia. (cair no esquecimento)
Ninguém desobedece às leis. Lembrou-me a festa. (vir à lembrança)
Não lhe lembram os bons momentos da infância? (=
Quando o objeto é “coisa”, não se utiliza “lhe” nem momentos é sujeito)
“lhes”: As leis são essas, mas todos desobedecem a elas.
Simpatizar - Antipatizar
Proceder São transitivos indiretos e exigem a preposição “com”:
Proceder é intransitivo no sentido de ser decisivo, ter Não simpatizei com os jurados.
cabimento, ter fundamento ou comportar-se, agir. Nessa Simpatizei com os alunos.
segunda acepção, vem sempre acompanhado de adjunto
adverbial de modo. A norma culta exige que os verbos e expressões que dão
As afirmações da testemunha procediam, não havia ideia de movimento sejam usados com a preposição “a”:
como refutá-las. Chegamos a São Paulo e fomos direto ao hotel.
Você procede muito mal. Cláudia desceu ao segundo andar.
Hoje, com esta chuva, ninguém sairá à rua.
Nos sentidos de ter origem, derivar-se (rege a preposi-
ção “de”) e fazer, executar (rege complemento introduzido 2 Regência Nominal
pela preposição “a”) é transitivo indireto.
O avião procede de Maceió. É o nome da relação existente entre um nome (subs-
Procedeu-se aos exames. tantivo, adjetivo ou advérbio) e os termos regidos por
O delegado procederá ao inquérito. esse nome. Essa relação é sempre intermediada por uma
preposição. No estudo da regência nominal, é preciso le-
LÍNGUA PORTUGUESA

Querer var em conta que vários nomes apresentam exatamente


Querer é transitivo direto no sentido de desejar, ter o mesmo regime dos verbos de que derivam. Conhecer
vontade de, cobiçar. o regime de um verbo significa, nesses casos, conhecer
Querem melhor atendimento. o regime dos nomes cognatos. Observe o exemplo: Ver-
Queremos um país melhor. bo obedecer e os nomes correspondentes: todos regem
complementos introduzidos pela preposição a. Veja:
Querer é transitivo indireto no sentido de ter afeição, Obedecer a algo/ a alguém.
estimar, amar: Quero muito aos meus amigos. Obediente a algo/ a alguém.

107
Se uma oração completar o sentido de um nome, ou seja, exercer a função de complemento nominal, ela será com-
pletiva nominal (subordinada substantiva).

Regência de Alguns Nomes

Substantivos
Admiração a, por Devoção a, para, com, por Medo a, de
Aversão a, para, por Doutor em Obediência a
Atentado a, contra Dúvida acerca de, em, sobre Ojeriza a, por
Bacharel em Horror a Proeminência sobre
Capacidade de, para Impaciência com Respeito a, com, para com, por

Adjetivos
Acessível a Diferente de Necessário a
Acostumado a, com Entendido em Nocivo a
Afável com, para com Equivalente a Paralelo a
Agradável a Escasso de Parco em, de
Alheio a, de Essencial a, para Passível de
Análogo a Fácil de Preferível a
Ansioso de, para, por Fanático por Prejudicial a
Apto a, para Favorável a Prestes a
Ávido de Generoso com Propício a
Benéfico a Grato a, por Próximo a
Capaz de, para Hábil em Relacionado com
Compatível com Habituado a Relativo a
Contemporâneo a, de Idêntico a Satisfeito com, de, em, por
Contíguo a Impróprio para Semelhante a
Contrário a Indeciso em Sensível a
Curioso de, por Insensível a Sito em
Descontente com Liberal com Suspeito de
Desejoso de Natural de Vazio de

Advérbios
Longe de Perto de

Observação:
Os advérbios terminados em -mente tendem a seguir o regime dos adjetivos de que são formados: paralela a; pa-
ralelamente a; relativa a; relativamente a.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
LÍNGUA PORTUGUESA

SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint61.php

108
Michel Foucault descreveu a Ordem do Discurso como
uma construção de características sociais. A sociedade que
EXERCÍCIO COMENTADO promove o contexto do discurso analisado é a base de toda
a estrutura do texto, atrelando, deste modo, todo e qualquer
1. (Polícia Federal – Agente de Polícia Federal – Cespe elemento que possa fazer parte do sentido do discurso. O
– 2014 – adaptada) texto só pode assim ser chamado se o seu receptor for capaz
O uso indevido de drogas constitui, na atualidade, séria e de compreender o seu sentido, e isto cabe ao autor do texto
persistente ameaça à humanidade e à estabilidade das es- e à atenção que o mesmo der ao contexto da construção de
truturas e valores políticos, econômicos, sociais e culturais seu discurso. É a relação básica para a existência da comuni-
de todos os Estados e sociedades. Suas consequências in- cação verbal: emissão – recepção – compreensão.
fligem considerável prejuízo às nações do mundo inteiro, As práticas discursivas geram também outros âmbitos
e não são detidas por fronteiras: avançam por todos os de análise do discurso, como o Universo de Concorrências,
cantos da sociedade e por todos os espaços geográficos, que consiste na competição entre vários emissores para
afetando homens e mulheres de diferentes grupos étni- atingir um mesmo público-alvo. A partir disto, os emissores
cos, independentemente de classe social e econômica ou precisam inteirar-se do contexto da vida do seu receptor,
mesmo de idade. Questão de relevância na discussão dos para que deste modo possam interpelá-lo segundo sua
efeitos adversos do uso indevido de drogas é a associação própria ideologia, fazendo com que sua mensagem seja
do tráfico de drogas ilícitas e dos crimes conexos — geral- recebida e assimilada pelo receptor sem que o mesmo per-
mente de caráter transnacional — com a criminalidade e ceba que está sendo alvo de uma tentativa de convenci-
a violência. Esses fatores ameaçam a soberania nacional e mento, por assim dizer.
afetam a estrutura social e econômica interna, devendo o Dentro da análise do Discurso há também o discurso
governo adotar uma postura firme de combate ao tráfico estético, feito por meio de imagens, e que interpelam o
de drogas, articulando-se internamente e com a socieda- indivíduo através de sua sensibilidade, que está ligada ao
de, de forma a aperfeiçoar e otimizar seus mecanismos seu contexto também. A sensibilidade de um indivíduo se
de prevenção e repressão e garantir o envolvimento e a define a partir do que, ao longo de sua vida, torna-se im-
aprovação dos cidadãos. portante e desperta-lhe sentimentos. Com isto, podemos
Internet: <www.direitoshumanos.usp.br>. analisar as artes produzidas em diferentes épocas da his-
tória em todo o mundo e perceber as diferentes formas de
Nas linhas 12 e 13, o emprego da preposição “com”, em interpelação e contextualidade presentes nas mesmas. O
“com a criminalidade e a violência”, deve-se à regência discurso estético tem a mesma capacidade ideológica que
do vocábulo “conexos”. o discurso verbal, com a vantagem de atingir o indivíduo
esteticamente, o que pode render muito mais rapidamente
( ) CERTO ( ) ERRADO o sucesso do discurso aplicado.
A partir na análise de todos os aspectos do discurso
Resposta: Errado. Ao texto: (...) Questão de relevância chega-se ao mais importante: o sentido. O sentido do dis-
na discussão dos efeitos adversos do uso indevido de curso não é fixo, por vários motivos: pelo contexto, pela es-
drogas é a associação do tráfico de drogas ilícitas e dos tética, pela ordem do discurso, pela sua forma de constru-
crimes conexos — geralmente de caráter transnacional ção. O sentido do discurso encontra-se sempre em aberto
— com a criminalidade e a violência. para a possibilidade de interpretação do seu receptor. O
O termo está se referindo à associação – associação efeito do discurso é, claramente, transmitir uma mensagem
do tráfico de drogas e crimes conexos (1) com a crimi- e alcançar um objetivo premeditado através da interpreta-
nalidade (2) (associação daquilo [1] com isso [2]) ção e interpelação do indivíduo alvo.

1. Tipos de Discurso: direto, indireto e indireto livre


NORMA-PADRÃO E VARIAÇÃO
LINGUÍSTICA: ESTILÍSTICA, 1.1. Vozes do Discurso
SOCIOCULTURAL, GEOGRÁFICA HISTÓRICA.
Ao lermos um texto, observamos que há um narrador
- que é quem conta o fato. Esse locutor ou narrador pode
ANÁLISE E TIPO DE DISCURSO introduzir outras vozes no texto para auxiliar a narrativa.
Para fazer a introdução dessas outras vozes no texto, a voz
A Análise do Discurso é uma prática da linguística no principal ou privilegiada - o narrador - usa o que chama-
campo da Comunicação, e consiste em analisar a estru- mos de discurso. O que vem a ser discurso dentro do tex-
tura de um texto e, a partir disto, compreender as cons- to? É a forma como as falas são inseridas na narrativa. Ele
LÍNGUA PORTUGUESA

truções ideológicas presentes no mesmo. pode ser classificado em: direto, indireto e indireto livre.
O discurso em si é uma construção linguística atre- A) Discurso direto: reproduz fiel e literalmente algo
lada ao contexto social no qual o texto é desenvolvido. dito por alguém. Um bom exemplo de discurso direto são
Ou seja, as ideologias presentes em um discurso são as citações ou transcrições exatas da declaração de alguém.
diretamente determinadas pelo contexto político-social  Primeira pessoa (eu, nós) – é o narrador quem
em que vive o seu autor. Mais que uma análise textual, a fala, usando aspas ou travessões para demarcar que está
análise do Discurso é uma análise contextual da estrutura reproduzindo a fala de outra pessoa: “Não gosto disso” –
discursiva em questão. disse a menina em tom zangado.

109
B) Discurso indireto: o narrador, usando suas pró- 1.4. O conceito de erro em língua
prias palavras, conta o que foi dito por outra pessoa. Te-
mos então uma mistura de vozes, pois as falas dos per- Em rigor, ninguém comete erro em língua, exceto nos
sonagens passam pela elaboração da fala do narrador. casos de ortografia. O que normalmente se comete são
 Terceira pessoa - ele(s), ela(s) – O narrador só transgressões da norma culta. De fato, aquele que, num
usa sua própria voz, o que foi dito pela personagem pas- momento íntimo do discurso, diz: “Ninguém deixou ele fa-
sa pela elaboração do narrador. Não há uma pontuação lar”, não comete propriamente erro; na verdade, transgri-
específica que marque o discurso indireto: A menina dis- de a norma culta.
se em tom zangado, que não gostava daquilo. Um repórter, ao cometer uma transgressão em sua
fala, transgride tanto quanto um indivíduo que comparece
C) Discurso indireto livre: É um discurso no qual há a um banquete trajando xortes ou quanto um banhista,
uma maior liberdade, o narrador insere a fala do perso- numa praia, vestido de fraque e cartola.
nagem de forma sutil, sem fazer uso das marcas do dis- Releva considerar, assim, o momento do discurso, que
curso direto. É necessário que se tenha atenção para não pode ser íntimo, neutro ou solene. O momento íntimo é o
confundir a fala do narrador com a fala do personagem, das liberdades da fala. No recesso do lar, na fala entre ami-
pois esta surge de repente em meio à fala do narrador: A gos, parentes, namorados, etc., portanto, são consideradas
menina perambulava pela sala irritada e zangada. Eu não perfeitamente normais construções do tipo:
gosto disso! E parecia que ninguém a ouvia. Eu não vi ela hoje.
Ninguém deixou ele falar.
1.2. Níveis de Linguagem Deixe eu ver isso!
Eu te amo, sim, mas não abuse!
A língua é um código de que se serve o homem para Não assisti o filme nem vou assisti-lo.
elaborar mensagens, para se comunicar. Existem basica- Sou teu pai, por isso vou perdoá-lo.
mente duas modalidades de língua, ou seja, duas línguas
funcionais: Nesse momento, a informalidade prevalece sobre a
A) a língua funcional de modalidade culta, lín- norma culta, deixando mais livres os interlocutores.
gua culta ou língua-padrão, que compreende a língua O momento neutro é o do uso da língua-padrão, que é
a língua da Nação. Como forma de respeito, tomam-se por
literária, tem por base a norma culta, forma linguística
base aqui as normas estabelecidas na gramática, ou seja, a
utilizada pelo segmento mais culto e influente de uma
norma culta. Assim, aquelas mesmas construções se alteram:
sociedade. Constitui, em suma, a língua utilizada pelos
Eu não a vi hoje.
veículos de comunicação de massa (emissoras de rádio
Ninguém o deixou falar.
e televisão, jornais, revistas, painéis, anúncios, etc.), cuja
Deixe-me ver isso!
função é a de serem aliados da escola, prestando serviço
Eu te amo, sim, mas não abuses!
à sociedade, colaborando na educação; Não assisti ao filme nem vou assistir a ele.
B) a língua funcional de modalidade popular; lín- Sou seu pai, por isso vou perdoar-lhe.
gua popular ou língua cotidiana, que apresenta grada-
ções as mais diversas, tem o seu limite na gíria e no calão. Considera-se momento neutro o utilizado nos veículos
de comunicação de massa (rádio, televisão, jornal, revista,
1.3. Norma culta etc.). Daí o fato de não se admitirem deslizes ou transgres-
sões da norma culta na pena ou na boca de jornalistas,
A norma culta, forma linguística que todo povo ci- quando no exercício do trabalho, que deve refletir serviço
vilizado possui, é a que assegura a unidade da língua à causa do ensino.
nacional. E justamente em nome dessa unidade, tão im- O momento solene, acessível a poucos, é o da arte
portante do ponto de vista político--cultural, que é ensi- poética, caracterizado por construções de rara beleza.
nada nas escolas e difundida nas gramáticas. Sendo mais Vale lembrar, finalmente, que a língua é um costume.
espontânea e criativa, a língua popular afigura-se mais Como tal, qualquer transgressão, ou chamado erro, deixa
expressiva e dinâmica. Temos, assim, à guisa de exem- de sê-lo no exato instante em que a maioria absoluta o co-
plificação: mete, passando, assim, a constituir fato linguístico registro
Estou preocupado. (norma culta) de linguagem definitivamente consagrado pelo uso, ainda
Tô preocupado. (língua popular) que não tenha amparo gramatical. Exemplos:
Tô grilado. (gíria, limite da língua popular) Olha eu aqui! (Substituiu: Olha-me aqui!)
Vamos nos reunir. (Substituiu: Vamo-nos reunir)
Não basta conhecer apenas uma modalidade de Não vamos nos dispersar. (Substituiu: Não nos vamos
língua; urge conhecer a língua popular, captando-lhe a dispersar e Não vamos dispersar-nos)
LÍNGUA PORTUGUESA

espontaneidade, expressividade e enorme criatividade, Tenho que sair daqui depressinha. (Substituiu: Tenho de
para viver; urge conhecer a língua culta para conviver. sair daqui bem depressa)
Podemos, agora, definir gramática: é o estudo das O soldado está a postos. (Substituiu: O soldado está no
normas da língua culta. seu posto)

As formas impeço, despeço e desimpeço, dos verbos im-


pedir, despedir e desimpedir, respectivamente, são exem-
plos também de transgressões ou “erros” que se tornaram

110
fatos linguísticos, já que só correm hoje porque a maioria mesmo nível de fala, para colegas e para pedreiros, assim
viu tais verbos como derivados de pedir, que tem início, como nenhum professor utiliza o mesmo nível de fala no
na sua conjugação, com peço. Tanto bastou para se arcai- recesso do lar e na sala de aula.
zarem as formas então legítimas impido, despido e desim- Existem, portanto, vários níveis de linguagem e, entre
pido, que hoje nenhuma pessoa bem-escolarizada tem esses níveis, destacam-se em importância o culto e o co-
coragem de usar. tidiano, a que já fizemos referência.
Em vista do exposto, será útil eliminar do vocabulário
escolar palavras como corrigir e correto, quando nos refe- Norma Culta
rimos a frases. “Corrija estas frases” é uma expressão que
deve dar lugar a esta, por exemplo: “Converta estas frases Norma culta ou linguagem culta é uma expressão
da língua popular para a língua culta”. empregada pelos linguistas brasileiros para designar o
Uma frase correta não é aquela que se contrapõe a conjunto de variedades linguísticas efetivamente faladas,
uma frase “errada”; é, na verdade, uma frase elaborada na vida cotidiana, pelos falantes cultos, sendo assim clas-
conforme as normas gramaticais; em suma, conforme a sificados os cidadãos nascidos e criados em zona urbana
norma culta. e com grau de instrução superior completo.
O Instituto Camões entende que a “noção de correção
1.5. Língua escrita e língua falada - Nível de lin- está [...] baseada no valor social atribuído às [...] formas
guagem [linguísticas]”. Ainda assim, informa que a norma-padrão
do português europeu é o dialeto da região que abrange
A língua escrita, estática, mais elaborada e menos Lisboa e Coimbra; refere também que se aceita no Brasil
econômica, não dispõe dos recursos próprios da língua como norma-padrão a fala do Rio e de São Paulo.
falada.
A acentuação (relevo de sílaba ou sílabas), a entoação 1. Aquisição da linguagem
(melodia da frase), as pausas (intervalos significativos no
decorrer do discurso), além da possibilidade de gestos, Iniciamos o aprendizado da língua em casa, no con-
olhares, piscadas, etc., fazem da língua falada a moda- tato com a família, que é o primeiro círculo social para
lidade mais expressiva, mais criativa, mais espontânea e uma criança, imitando o que se ouve e aprendendo, aos
natural, estando, por isso mesmo, mais sujeita a transfor- poucos, o vocabulário e as leis combinatórias da língua.
mações e a evoluções. Um jovem falante também vai exercitando o aparelho fo-
Nenhuma, porém, sobrepõe-se a outra em impor- nador, ou seja, a língua, os lábios, os dentes, os maxilares,
tância. Nas escolas, principalmente, costuma se ensinar as cordas vocais para produzir sons que se transformam,
a língua falada com base na língua escrita, considerada mais tarde, em palavras, frases e textos.
superior. Decorrem daí as correções, as retificações, as Quando um falante entra em contato com outra pes-
emendas, a que os professores sempre estão atentos. soa, na rua, na escola ou em qualquer outro local, percebe
Ao professor cabe ensinar as duas modalidades, mos- que nem todos falam da mesma forma. Há pessoas que
trando as características e as vantagens de uma e outra, falam de forma diferente por pertencerem a outras cidades
sem deixar transparecer nenhum caráter de superiorida- ou regiões do país, ou por terem idade diferente da nossa,
de ou inferioridade, que em verdade inexiste. ou por fazerem parte de outro grupo ou classe social. Es-
Isso não implica dizer que se deve admitir tudo na sas diferenças no uso da língua constituem as variedades
língua falada. A nenhum povo interessa a multiplicação linguísticas.
de línguas. A nenhuma nação convém o surgimento de
dialetos, consequência natural do enorme distanciamen- 2. Variedades linguísticas
to entre uma modalidade e outra.
A língua escrita é, foi e sempre será mais bem-ela- Variedades linguísticas são as variações que uma lín-
borada que a língua falada, porque é a modalidade que gua apresenta, de acordo com as condições sociais, cul-
mantém a unidade linguística de um povo, além de ser turais, regionais e históricas em que é utilizada.
a que faz o pensamento atravessar o espaço e o tem- Todas as variedades linguísticas são adequadas, des-
po. Nenhuma reflexão, nenhuma análise mais detida será de que cumpram com eficiência o papel fundamental de
possível sem a língua escrita, cujas transformações, por uma língua, o de permitir a interação verbal entre as pes-
isso mesmo, processam-se lentamente e em número soas, isto é, a comunicação.
consideravelmente menor, quando cotejada com a mo- Apesar disso, uma dessas variedades, a norma culta
dalidade falada. ou norma padrão, tem maior prestígio social. É a varieda-
Importante é fazer o educando perceber que o nível de linguística ensinada na escola, contida na maior parte
LÍNGUA PORTUGUESA

da linguagem, a norma linguística, deve variar de acordo dos livros e revistas e também em textos científicos e di-
com a situação em que se desenvolve o discurso. dáticos, em alguns programas de televisão etc. As demais
O ambiente sociocultural determina o nível da lingua- variedades, como a regional, a gíria ou calão, o jargão
gem a ser empregado. O vocabulário, a sintaxe, a pronún- de grupos ou profissões (a linguagem dos policiais, dos
cia e até a entoação variam segundo esse nível. Um pa- jogadores de futebol, dos metaleiros, dos surfistas), são
dre não fala com uma criança como se estivesse em uma chamadas genericamente de dialeto popular ou lingua-
missa, assim como uma criança não fala como um adulto. gem popular.
Um engenheiro não usará um mesmo discurso, ou um

111
3. Propósito da língua 2. Expressões não recomendadas

A língua que utilizamos não transmite apenas nossas - A partir de (a não ser com valor temporal). Opção:
ideias, transmite também um conjunto de informações com base em, tomando-se por base, valendo-se de;
sobre nós mesmos. Certas palavras e construções que - Através de (para exprimir “meio” ou instrumento).
empregamos acabam denunciando quem somos social- Opção: por, mediante, por meio de, por intermédio de,
mente, ou seja, em que região do país nascemos, qual segundo;
nosso nível social e escolar, nossa formação e, às vezes, - Devido a. Opção: em razão de, em virtude de, graças
até nossos valores, círculo de amizades e hobbies, como a, por causa de;
skate, rock, surfe, entre outros. O uso da língua também - Dito. Opção: citado, mensionado
pode informar nossa timidez, sobre nossa capacidade de - Enquanto. Opção: ao passo que;
nos adaptarmos e situações novas, nossa insegurança. - Fazer com que. Opção: compelir, constranger, fazer
A língua é um poderoso instrumento de ação social. que, forçar, levar a.
Ela pode tanto facilitar quanto dificultar o nosso relacio- - Inclusive (a não ser quando significa incluindo-se).
namento com as pessoas e com a sociedade em geral. Opção: até, ainda, igualmente, mesmo, também.
- No sentido de, com vistas a. Opção: a fim de, para,
4. Língua culta na escola com o fito (ou objetivo, ou intuito) de, com a finalidade
de, tendo em vista.
- Pois (no início da oração). Opção: já que, porque, uma
O ensino da língua culta na escola não tem a finali-
vez que, visto que.
dade de condenar ou eliminar a língua que falamos em
- Principalmente. Opção: especialmente, mormente,
nossa família ou em nossa comunidade. Ao contrário, o notadamente, sobretudo, em especial, em particular.
domínio da língua culta, somado ao domínio de outras - Sendo que. Opção: e.
variedades linguísticas, torna-nos mais preparados para
nos comunicarmos. Saber usar bem uma língua equivale 3. Expressões que demandam atenção
a saber empregá-la de modo adequado às mais diferen-
tes situações sociais de que participamos. - A caso, caso – com se, use acaso; caso rejeita o se;
- Aceitado, aceito – com ter e haver, aceitado; com ser
5. Graus de formalismo e estar, aceito;
- Acendido, aceso (formas similares) – idem;
São muitos os tipos de registros quanto ao formalis- - À custa de – e não às custas de;
mo, tais como: o registro formal, que é uma linguagem - À medida que – à proporção que, ao mesmo tempo
mais cuidada; o coloquial, que não tem um planejamen- que, conforme;
to prévio, caracterizando-se por construções gramaticais - Na medida em que – tendo em vista que, uma vez que;
mais livres, repetições frequentes, frases curtas e conec- - A meu ver – e não ao meu ver;
tores simples; o informal, que se caracteriza pelo uso de - A ponto de – e não ao ponto de;
ortografia simplificada, construções simples e usado en- - A posteriori, a priori – não tem valor temporal;
tre membros de uma mesma família ou entre amigos. - De modo (maneira, sorte) que – e não a;
As variações de registro ocorrem de acordo com o - Em termos de – modismo; evitar;
grau de formalismo existente na situação de comunica- - Em vez de – em lugar de;
ção; com o modo de expressão, isto é, se trata de um - Ao invés de – ao contrário de;
registro formal ou escrito; com a sintonia entre interlo- - Enquanto que – o que é redundância;
cutores, que envolve aspectos como graus de cortesia, - Entre um e outro – entre exige a conjunção e, e não a;
deferência, tecnicidade (domínio de um vocabulário es- - Implicar em – a regência é direta (sem em);
pecífico de algum campo científico, por exemplo). - Ir de encontro a – chocar-se com;
- Ir ao encontro de – concordar com;
- Junto a – usar apenas quando equivale a adido ou
ATITUDES NÃO RECOMENDADAS
similar;
- O (a, s) mesmo (a, s) – uso condenável para substituir
1. Expressões condenáveis pronomes;
- Se não, senão – quando se pode substituir por caso
- A nível de, ao nível. Opção: em nível, no nível; não, separado; quando não se pode, junto;
- Face a, frente a. Opção: ante, diante, em face de, em - Todo mundo – todos;
vista de, perante; - Todo o mundo – o mundo inteiro;
- Onde (quando não exprime lugar). Opção: em que, - Não-pagamento = hífen somente quando o segun-
na qual, nas quais, no qual, nos quais;
LÍNGUA PORTUGUESA

do termo for substantivo;


- (Medidas) visando... Opção: (medidas) destinadas a; - Este e isto – referência próxima do falante (a lugar,
- Sob um ponto de vista. Opção: de um ponto de vista; a tempo presente; a futuro próximo; ao anunciar e a que
- Sob um prisma. Opção: por (ou através de) um prisma; se está tratando);
- Como sendo. Opção: suprimir a expressão; - Esse e isso – referência longe do falante e perto do
- Em função de. Opção: em virtude de, por causa de, ouvinte (tempo futuro, desejo de distância; tempo passa-
em consequência de, por, em razão de. do próximo do presente, ou distante ao já mencionado
e a ênfase).

112
4. Erros Comuns 9) “Todos os deputados são corruptos”. Evite pensa-
mentos radicais. É recomendável não generalizar e evitar,
A seguir listamos mais de 100 erros comuns. assim, posições extremistas.
1) “Hoje ao receber alguns presentes no qual com- 10) “Bem, acho que - você sabe - não é fácil dizer
pleto vinte anos tenho muitas novidades para contar”. essas coisas. Olhe, acho que ele não vai concordar com a
Temos aí um exemplo de uso inadequado do pronome decisão que você tomou, quero dizer, os fatos levam você
relativo. Ele provoca falta de coesão, pois não consegue a isso, mas você sabe - todos sabem - ele pensa diferen-
perceber a que antecedente ele se refere, portanto nada te. É bom a gente pensar como vai fazer para, enfim, para
conecta e produz relação absurda. ele entender a decisão”. Não se esqueça que o ato de
2) “Tenho uma prima que trabalha num circo como má- escrever é diferente do ato de falar. O texto escrito deve
gica e uma das mágicas mais engraçadas era uma caneta se apresentar desprovido de marcas de oralidade.
com tinta invisível que em vez de tinta havia saído suco de 11) “Mal cheiro”, “mau-humorado”. Mal opõe-se à
lima”. Você percebe aí a incapacidade do concursando ou bem e mau, a bom. Assim: mau cheiro (bom cheiro), mal-
vestibulando organizar sintaticamente o período. Selecio- -humorado (bem-humorado). Igualmente: mau humor,
nar as frases e organizar as ideias é necessário. Escrever mal-intencionado, mau jeito, mal-estar;
com clareza é muito importante. 12) “Fazem” cinco anos. Fazer, quando exprime tem-
3) “Ainda brincava de boneca quando conheci Davi, po, é impessoal: Faz cinco anos. / Fazia dois séculos. / Fez
piloto de cart, moreno, 20 anos, com olhos cor de mel”. 15 dias;
“Tudo começou naquele baile de quinze anos”, “...é aos 13) “Houveram” muitos acidentes. Haver, como exis-
dezoito anos que se começa a procurar o caminho do tir, também é invariável: Houve muitos acidentes. / Havia
amanhã e encontrar as perspectivas que nos acompa- muitas pessoas. / Deve haver muitos casos iguais;
nham para sempre na estrada da vida”. Você pode ter 14) “Existe” muitas esperanças. Existir, bastar, faltar,
conhecimento do vocabulário e das regras gramaticais e, restar e sobrar admitem normalmente o plural: Existem
assim, construir um texto sem erros. Entretanto, se você muitas esperanças. / Bastariam dois dias. / Faltavam pou-
reproduz sem nenhuma crítica ou reflexão expressões cas peças. / Restaram alguns objetos. / Sobravam ideias;
gastas, vulgarizadas pelo uso contínuo. A boa qualidade 15) Para “mim” fazer. Mim não faz, porque não pode
do texto fica comprometida. ser sujeito. Assim: Para eu fazer, para eu dizer, para eu
4) Tema: Para você, as experiências genéticas de clo- trazer;
nagem põem em xeque todos os conceitos humanos so- 16) Entre “eu” e você. Depois de preposição, usa-se
bre Deus e a vida? “Bem a clonagem não é tudo, mas na mim ou ti: Entre mim e você. / Entre eles e ti;
vida tudo tem o seu valor e os homens a todo momento 17) “Há” dez anos “atrás”. Há e atrás indicam passado
necessitam de descobrir todos os mistérios da vida que na frase. Use apenas há dez anos ou dez anos atrás;
nos cerca a todo instante”. É importante você escrever 18) “Entrar dentro”. O certo: entrar em. Veja outras
atendendo ao que foi proposto no tema. Antes de come- redundâncias: Sair fora ou para fora, elo de ligação, mo-
çar o seu texto leia atentamente todos os elementos que nopólio exclusivo, já não há mais, ganhar grátis, viúva do
o examinador apresentou para você utilizar. Esquematize falecido;
suas ideias, veja se não há falta de correspondência entre 19) “Venda à prazo”. Não existe crase antes de palavra
o tema proposto e o texto criado. masculina, a menos que esteja subentendida a palavra
5) Uma biópsia do tumor retirado do fígado do meu moda: Salto à (moda de) Luís XV. Nos demais casos: A
primo (...) mostrou que ele não era maligno”. Esta frase salvo, a bordo, a pé, a esmo, a cavalo, a caráter;
está ambígua, pois não se sabe se o pronome ele refere- 20) “Porque” você foi? Sempre que estiver clara ou
-se ao fígado ou ao primo. Para se evitar a ambiguidade, implícita a palavra razão, use por que separado: Por que
você deve observar se a relação entre cada palavra do (razão) você foi? / Não sei por que (razão) ele faltou. /
seu texto está correta. Explique por que razão você se atrasou. Porque é usa-
6) “Ele me tratava como uma criança, mas eu era ape- do nas respostas: Ele se atrasou porque o trânsito estava
nas uma criança”. O conectivo mas indica uma circuns- congestionado;
tância de oposição, de ideia contrária a. Assim, a relação 21) Vai assistir “o” jogo hoje. Assistir como presen-
adversativa introduzida pelo “mas” no fragmento acima ciar exige a: Vai assistir ao jogo, à missa, à sessão. Ou-
produz uma ideia absurda. tros verbos com a: A medida não agradou (desagradou)
7) “Entretanto, como já diziam os sábios: depois da à população. / Eles obedeceram (desobedeceram) aos
tempestade sempre vem a bonança. Após longo suplí- avisos. / Aspirava ao cargo de diretor. / Pagou ao amigo.
cio, meu coração apaziguava as tormentas e a sensatez / Respondeu à carta. / Sucedeu ao pai. / Visava aos es-
me mostrava que só estaríamos separadas carnalmente”. tudantes;
Não utilize provérbios ou ditos populares. Eles empobre-
LÍNGUA PORTUGUESA

22) Preferia ir “do que” ficar. Prefere-se sempre uma


cem a redação, pois fazer parecer que seu autor não tem coisa a outra: Preferia ir a ficar. É preferível segue a mes-
criatividade ao lançar mão de formas já gastas pelo uso ma norma: É preferível lutar a morrer sem glória;
frequente. 23) O resultado do jogo, não o abateu. Não se separa
8) “Estou sem inspiração para fazer uma redação. Es- com vírgula o sujeito do predicado. Assim: O resultado do
crever sobre a situação dos sem-terra? Bem que o pro- jogo não o abateu. Outro erro: O prefeito prometeu, novas
fessor poderia propor outro tema”. Você não deve falar denúncias. Não existe o sinal entre o predicado e o comple-
de sua redação dentro do próprio texto. mento: O prefeito prometeu novas denúncias;

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24) Não há regra sem “excessão”. O certo é exceção. 40) Soube que os homens “feriram-se”. O que atrai
Veja outras grafias erradas e, entre parênteses, a forma o pronome: Soube que os homens se feriram. / A festa
correta: “paralizar” (paralisar), “beneficiente” (beneficen- que se realizou. O mesmo ocorre com as negativas, as
te), “xuxu” (chuchu), “previlégio” (privilégio), “vultuoso” conjunções subordinativas e os advérbios: Não lhe diga
(vultoso), “cincoenta” (cinquenta), “zuar” (zoar), “frustado” nada. / Nenhum dos presentes se pronunciou. / Quan-
(frustrado), “calcáreo” (calcário), “advinhar” (adivinhar), do se falava no assunto... / Como as pessoas lhe haviam
“benvindo” (bem-vindo), “ascenção” (ascensão), “pixar” dito... / Aqui se faz, aqui se paga. / Depois o procuro;
(pichar), “impecilho” (empecilho), “envólucro” (invólucro); 41) O peixe tem muito “espinho”. Peixe tem espinha.
25) Quebrou “o”óculos. Concordância no plural: os ócu- Veja outras confusões desse tipo: O “fuzil” (fusível) quei-
los, meus óculos. Da mesma forma: Meus parabéns, meus mou. / Casa “germinada” (geminada), “ciclo” (círculo) vi-
pêsames, seus ciúmes, nossas férias, felizes núpcias; cioso, “cabeçário” (cabeçalho);
26) Comprei “ele” para você. Eu, tu, ele, nós, vós e 42) Não sabiam “aonde” ele estava. O certo: Não sa-
eles não podem ser objeto direto. Assim: Comprei-o biam onde ele estava. Aonde se usa com verbos de mo-
para você. Também: Deixe-os sair, mandou-nos entrar, vimento, apenas: Não sei aonde ele quer chegar. / Aonde
viu-a, mandou-me; vamos?;
27) Nunca “lhe” vi. Lhe substitui a ele, a eles, a você e 43) “Obrigado”, disse a moça. Obrigado concorda
a vocês e por isso não pode ser usado com objeto direto: com a pessoa: “Obrigada”, disse a moça. / Obrigado pela
Nunca o vi. / Não o convidei. / A mulher o deixou. / Ela atenção. / Muito obrigados por tudo;
o ama; 44) O governo “interviu”. Intervir conjuga-se como vir.
28) “Aluga-se” casas. O verbo concorda com o sujeito: Assim: O governo interveio. Da mesma forma: intervinha,
Alugam-se casas. / Fazem-se consertos. / É assim que se intervim, interviemos, intervieram. Outros verbos deriva-
evitam acidentes. / Compram-se terrenos. / Procuram-se dos: entretinha, mantivesse, reteve, pressupusesse, pre-
empregados; disse, conviesse, perfizera, entrevimos, condisser;
29) “Tratam-se” de. O verbo seguido de preposição 45) Ela era “meia” louca. Meio, advérbio, não varia:
não varia nesses casos: Trata-se dos melhores profissio- meio louca, meio esperta, meio amiga;
nais. / Precisa-se de empregados. / Apela-se para todos. 46) “Fica” você comigo. Fica é imperativo do pronome
/ Conta-se com os amigos; tu. Para a 3.ª pessoa, o certo é fique: Fique você comigo. /
30) Chegou “em” São Paulo. Verbos de movimento Venha pra Caixa você também. / Chegue aqui;
exigem a, e não em: Chegou a São Paulo. / Vai amanhã 47) A questão não tem nada “haver” com você. A
ao cinema. / Levou os filhos ao circo; questão, na verdade, não tem nada a ver ou nada que
31) Atraso implicará “em” punição. Implicar é direto ver. Da mesma forma: Tem tudo a ver com você;
no sentido de acarretar, pressupor: Atraso implicará pu- 48)- A corrida custa 5 “real”. A moeda tem plural, e
nição. / Promoção implica responsabilidade; regular: A corrida custa 5 reais;
32) Vive “às custas” do pai. O certo: Vive à custa do 48) Vou “emprestar” dele. Emprestar é ceder, e não to-
pai. Use também em via de, e não “em vias de”: Espécie mar por empréstimo: Vou pegar o livro emprestado. Ou:
em via de extinção. / Trabalho em via de conclusão; Vou emprestar o livro (ceder) ao meu irmão. Repare nesta
33) Todos somos “cidadões”. O plural de cidadão é concordância: Pediu emprestadas duas malas;
cidadãos. Veja outros: caracteres (de caráter), juniores, 49) Foi “taxado” de ladrão. Tachar é que significa acu-
seniores, escrivães, tabeliães, gângsteres; sar de: Foi tachado de ladrão. / Foi tachado de leviano;
34) O ingresso é “gratuíto”. A pronúncia correta é gra- 50) Ele foi um dos que “chegou” antes. Um dos que
túito, assim como circúito, intúito e fortúito (o acento faz a concordância no plural: Ele foi um dos que chega-
não existe e só indica a letra tônica). Da mesma forma: ram antes (dos que chegaram antes, ele foi um). / Era um
flúido, condôr, recórde, aváro, ibéro, pólipo; dos que sempre vibravam com a vitória;
35) A última “seção” de cinema. Seção significa divi- 51) “Cerca de 18” pessoas o saudaram. Cerca de indica
são, repartição, e sessão equivale a tempo de uma reu- arredondamento e não pode aparecer com números exa-
nião, função: Seção Eleitoral, Seção de Esportes, seção tos: Cerca de 20 pessoas o saudaram;
de brinquedos; sessão de cinema, sessão de pancadas, 52) Ministro nega que “é” negligente. Negar que in-
sessão do Congresso; troduz subjuntivo, assim como embora e talvez: Ministro
36) Vendeu “uma” grama de ouro. Grama, peso, é pa- nega que seja negligente. / O jogador negou que tivesse
lavra masculina: um grama de ouro, vitamina C de dois cometido a falta. / Ele talvez o convide para a festa. /
gramas. Femininas, por exemplo, são a agravante, a ate- Embora tente negar, vai deixar a empresa;
nuante, a alface, a cal; 53) Tinha “chego” atrasado. “Chego” não existe. O cer-
37) “Porisso”. Duas palavras, por isso, como de repen- to: Tinha chegado atrasado;
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te e a partir de; 54) Tons “pastéis” predominam. Nome de cor, quando


38) Não viu “qualquer” risco. É nenhum, e não “qual- expresso por substantivo, não varia: Tons pastel, blusas
quer”, que se emprega depois de negativas: Não viu ne- rosa, gravatas cinza, camisas creme. No caso de adjeti-
nhum risco. / Ninguém lhe fez nenhum reparo. / Nunca vo, o plural é o normal: Ternos azuis, canetas pretas, fitas
promoveu nenhuma confusão; amarelas;
39) A feira “inicia” amanhã. Alguma coisa se inicia, se 55) Queria namorar “com” o colega. O com não existe:
inaugura: A feira inicia-se (inaugura-se) amanhã; Queria namorar o colega;

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56) O processo deu entrada “junto ao” STF. Processo 70) Não «se o» diz. É errado juntar o se com os prono-
dá entrada no STF. Igualmente: O jogador foi contratado mes o, a, os e as. Assim, nunca use: Fazendo-se-os, não se
do (e não “junto ao”) Guarani. / Cresceu muito o prestígio o diz (não se diz isso), vê-se-a;
do jornal entre os (e não “junto aos”) leitores. / Era gran- 71) Acordos “políticos-partidários”. Nos adjetivos
de a sua dívida com o (e não “junto ao”) banco. / A re- compostos, só o último elemento varia: acordos político-
clamação foi apresentada ao (e não “junto ao”) PROCON; -partidários. Outros exemplos: Bandeiras verde-amarelas,
57) As pessoas “esperavam-o”. Quando o verbo ter- medidas econômico-financeiras, partidos social-demo-
mina em m, ão ou õe, os pronomes o, a, os e as tomam cratas;
a forma no, na, nos e nas: As pessoas esperavam-no. / 72) Andou por “todo” país. Todo o (ou a) é que sig-
Dão-nos, convidam-na, põe-nos, impõem-nos; nifica inteiro: Andou por todo o país (pelo país inteiro). /
58) Vocês “fariam-lhe” um favor? Não se usa pronome Toda a tripulação (a tripulação inteira) foi demitida. Sem
átono (me, te, se, lhe, nos, vos, lhes) depois de futuro do o, todo quer dizer cada, qualquer: Todo homem (cada
presente, futuro do pretérito (antigo condicional) ou parti- homem) é mortal. / Toda nação (qualquer nação) tem
cípio. Assim: Vocês lhe fariam (ou far-lhe-iam) um favor? / inimigos;
Ele se imporá pelos conhecimentos (e nunca “imporá-se”). 73) “Todos” amigos o elogiavam. No plural, todos exi-
/ Os amigos nos darão (e não “darão-nos”) um presente. / ge os: Todos os amigos o elogiavam. / Era difícil apontar
Tendo-me formado (e nunca tendo “formado-me”); todas as contradições do texto;
59) Chegou “a” duas horas e partirá daqui “há” cinco 74) Favoreceu “ao” time da casa. Favorecer, nesse
minutos. Há indica passado e equivale a faz, enquanto a sentido, rejeita a: Favoreceu o time da casa. / A decisão
exprime distância ou tempo futuro (não pode ser substi- favoreceu os jogadores;
tuído por faz): Chegou há (faz) duas horas e partirá daqui 75) Ela “mesmo” arrumou a sala. Mesmo, quanto
a (tempo futuro) cinco minutos. / O atirador estava a (dis- equivale a próprio, é variável: Ela mesma (própria) ar-
tância) pouco menos de 12 metros. / Ele partiu há (faz) rumou a sala. / As vítimas mesmas recorreram à polícia;
pouco menos de dez dias; 76) Chamei-o e “o mesmo” não atendeu. Não se
60) Blusa “em” seda. Usa-se de, e não em, para definir pode empregar o mesmo no lugar de pronome ou subs-
o material de que alguma coisa é feita: Blusa de seda, tantivo: Chamei-o e ele não atendeu. / Os funcionários
casa de alvenaria, medalha de prata, estátua de madeira; públicos reuniram-se hoje: amanhã o país conhecerá a
61) A artista “deu à luz a” gêmeos. A expressão é dar decisão dos servidores (e não “dos mesmos”);
à luz, apenas: A artista deu à luz quíntuplos. Também é 77) Vou sair “essa” noite. É este que designa o tempo
errado dizer: Deu “a luz a” gêmeos; no qual se está o objeto próximo: Esta noite, esta se-
mana (a semana em que se está), este dia, este jornal (o
62) Estávamos “em” quatro à mesa. O em não existe:
jornal que estou lendo), este século (o século 20);
Estávamos quatro à mesa. / Éramos seis. / Ficamos cinco
78) A temperatura chegou a 0 “graus”. Zero indica
na sala;
singular sempre: Zero grau, zero-quilômetro, zero hora;
63) Sentou “na” mesa para comer. Sentar-se (ou sen-
79) Comeu frango “ao invés de” peixe. Em vez de indica
tar) em é sentar-se em cima de. Veja o certo: Sentou-se
substituição: Comeu frango em vez de peixe. Ao invés de
à mesa para comer. / Sentou ao piano, à máquina, ao
significa apenas ao contrário: Ao invés de entrar, saiu;
computador; 80) Se eu “ver” você por aí... O certo é: Se eu vir, revir,
64) Ficou contente “por causa que” ninguém se feriu. previr. Da mesma forma: Se eu vier (de vir), convier; se eu
Embora popular, a locução não existe. Use porque: Ficou tiver (de ter), mantiver; se ele puser (de pôr), impuser; se
contente porque ninguém se feriu; ele fizer (de fazer), desfizer; se nós dissermos (de dizer),
65) O time empatou “em” 2 a 2. A preposição é por: predissermos;
O time empatou por 2 a 2. Repare que ele ganha por e 81) Ele “intermedia” a negociação. Mediar e interme-
perde por. Da mesma forma: empate por; diar conjugam-se como odiar: Ele intermedeia (ou me-
66) À medida “em” que a epidemia se espalhava... O deia) a negociação. Remediar, ansiar e incendiar também
certo é: À medida que a epidemia se espalhava. Existe seguem essa norma: Remedeiam, que eles anseiem, in-
ainda na medida em que (tendo em vista que): É preciso cendeio;
cumprir as leis, na medida em que elas existem; 82) Ninguém se “adequa”. Não existem as formas
67) Não queria que «receiassem» a sua companhia. O “adequa”, “adeque”, por exemplo, mas apenas aquelas
i não existe: Não queria que receassem a sua companhia. em que o acento cai no a ou o: adequaram, adequou,
Da mesma forma: passeemos, enfearam, ceaste, receeis adequasse;
(só existe i quando o acento cai no e que precede a ter- 83) Evite que a bomba “expluda”. Explodir só tem as
minação ear: receiem, passeias, enfeiam); pessoas em que depois do “d” vêm “e” e “i”: Explode,
68) Eles “tem” razão. No plural, têm é assim, com explodiram. Portanto, não escreva nem fale “exploda”
acento. Tem é a forma do singular. O mesmo ocorre com ou “expluda”, substituindo essas formas por rebente, por
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vem e vêm e põe e põem: Ele tem, eles têm; ele vem, eles exemplo. Precaver-se também não se conjuga em to-
vêm; ele põe, eles põem; das as pessoas. Assim, não existem as formas “precave-
69) A moça estava ali «há» muito tempo. Haver con- jo”, “precavês”, “precavém”, “precavenho”, “precavenha”,
corda com estava. Portanto: A moça estava ali havia (fa- “precaveja”;
zia) muito tempo. / Ele doara sangue ao filho havia (fazia) 84) Governo “reavê” confiança. Equivalente: Governo re-
poucos meses. / Estava sem dormir havia (fazia) três me- cupera confiança. Reaver segue haver, mas apenas nos casos
ses. (O havia se impõe quando o verbo está no imperfei- em que este tem a letra v: Reavemos, reouve, reaverá, reou-
to e no mais-que-perfeito do indicativo.); vesse. Por isso, não existem “reavejo”, “reavê”;

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85) Disse o que “quiz”. Não existe z, mas apenas s, nas 99) É hora “dele” chegar. Não se deve fazer a con-
pessoas de querer e pôr: Quis, quisesse, quiseram, quisés- tração da preposição com artigo ou pronome, nos casos
semos; pôs, pus, pusesse, puseram, puséssemos; seguidos de infinitivo: É hora de ele chegar. / Apesar de
86) O homem “possue” muitos bens. O certo: O ho- o amigo tê-lo convidado. / Depois de esses fatos terem
mem possui muitos bens. Verbos em uir só têm a ter- ocorrido;
minação ui: Inclui, atribui, polui. Verbos em uar é que 100) Vou “consigo”. Consigo só tem valor reflexivo
admitem ue: Continue, recue, atue, atenue; (pensou consigo mesmo) e não pode substituir com você,
87) A tese “onde”. Onde só pode ser usado para lugar: com o senhor. Portanto: Vou com você, vou com o senhor.
A casa onde ele mora. / Veja o jardim onde as crianças Igualmente: Isto é para o senhor (e não “para si”);
brincam. Nos demais casos, use em que: A tese em que 101) Já «é» 8 horas. Horas e as demais palavras que
ele defende essa ideia. / O livro em que... / A faixa em que definem tempo variam: Já são 8 horas. / Já é (e não «são»)
ele canta... / Na entrevista em que...; 1 hora, já é meio-dia, já é meia-noite;
88) Já «foi comunicado» da decisão. Uma decisão é 102) A festa começa às 8 “hrs.”. As abreviaturas do sis-
comunicada, mas ninguém «é comunicado» de alguma tema métrico decimal não têm plural nem ponto. Assim: 8
coisa. Assim: Já foi informado (cientificado, avisado) da h, 2 km (e não “kms.”), 5 m, 10 kg;
decisão. Outra forma errada: A diretoria «comunicou» 103) “Dado” os índices das pesquisas... A concordância
os empregados da decisão. Opções corretas: A diretoria é normal: Dados os índices das pesquisas... / Dado o re-
comunicou a decisão aos empregados. / A decisão foi sultado... / Dadas as suas ideias...;
comunicada aos empregados; 104) Ficou “sobre” a mira do assaltante. Sob é que
89) “Inflingiu” o regulamento. Infringir é que significa significa debaixo de: Ficou sob a mira do assaltante. /
transgredir: Infringiu o regulamento. Infligir (e não “in- Escondeu-se sob a cama. Sobre equivale a em cima de
flingir”) significa impor: Infligiu séria punição ao réu; ou a respeito de: Estava sobre o telhado. / Falou sobre a
90) A modelo “pousou” o dia todo. Modelo posa (de inflação. E lembre-se: O animal ou o piano têm cauda e o
pose). Quem pousa é ave, avião, viajante. Não confun- doce, calda. Da mesma forma, alguém traz alguma coisa
da também iminente (prestes a acontecer) com emi- e alguém vai para trás;
nente (ilustre). Nem tráfico (contrabando) com tráfego 105) “Ao meu ver”. Não existe artigo nessas expres-
sões: A meu ver, a seu ver, a nosso ver.
(trânsito);
91) Espero que “viagem” hoje. Viagem, com g, é o
ESTUDO DE TEXTO(S)
substantivo: Minha viagem. A forma verbal é viajem (de
viajar): Espero que viajem hoje. Evite também “compri-
Texto Literário: expressa a opinião pessoal do autor
mentar” alguém: de cumprimento (saudação), só pode
que também é transmitida através de figuras, impreg-
resultar cumprimentar. Comprimento é extensão. Igual-
nado de subjetivismo. Exemplo: um romance, um conto,
mente: Comprido (extenso) e cumprido (concretizado); uma poesia... (Conotação, Figurado, Subjetivo, Pessoal).
92) O pai “sequer” foi avisado. Sequer deve ser usado Texto Não-Literário: preocupa-se em transmitir uma
com negativa: O pai nem sequer foi avisado. / Não disse mensagem da forma mais clara e objetiva possível. Exem-
sequer o que pretendia. / Partiu sem sequer nos avisar; plo: uma notícia de jornal, uma bula de medicamento.
93) Comprou uma TV “a cores”. Veja o correto: Com- (Denotação, Claro, Objetivo, Informativo).
prou uma TV em cores (não se diz TV “a” preto e branco). O objetivo do texto é passar conhecimento para o lei-
Da mesma forma: Transmissão em cores, desenho em tor. Nesse tipo textual, não se faz a defesa de uma ideia.
cores; Exemplos de textos explicativos são os encontrados em
94) “Causou-me” estranheza as palavras. Use o certo: manuais de instruções.
Causaram-me estranheza as palavras. Cuidado, pois é co- Informativo: Tem a função de informar o leitor a res-
mum o erro de concordância quando o verbo está antes peito de algo ou alguém, é o texto de uma notícia de
do sujeito. Veja outro exemplo: Foram iniciadas esta noite jornal, de revista, folhetos informativos, propagandas. Uso
as obras (e não “foi iniciado” esta noite as obras); da função referencial da linguagem, 3ª pessoa do singular.
95) A realidade das pessoas “podem” mudar. Cuida- Descrição: Um texto em que se faz um retrato por es-
do: palavra próxima ao verbo não deve influir na concor- crito de um lugar, uma pessoa, um animal ou um objeto.
dância. Por isso: A realidade das pessoas pode mudar. / A classe de palavras mais utilizada nessa produção é o
A troca de agressões entre os funcionários foi punida (e adjetivo, pela sua função caracterizadora. Numa aborda-
não “foram punidas”); gem mais abstrata, pode-se até descrever sensações ou
96) O fato passou “desapercebido”. Na verdade, o fato sentimentos. Não há relação de anterioridade e posterio-
passou despercebido, não foi notado. Desapercebido ridade. Significa “criar” com palavras a imagem do objeto
significa desprevenido; descrito. É fazer uma descrição minuciosa do objeto ou da
personagem a que o texto se refere.
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97) “Haja visto” seu empenho... A expressão é haja vis- Narração: Modalidade em que se conta um fato, fictí-
ta e não varia: Haja vista seu empenho. / Haja vista seus cio ou não, que ocorreu num determinado tempo e lugar,
esforços. / Haja vista suas críticas; envolvendo certos personagens. Refere-se a objetos do
98) A moça «que ele gosta». Como se gosta de, o mundo real. Há uma relação de anterioridade e posterio-
certo é: A moça de que ele gosta. Igualmente: O dinheiro ridade. O tempo verbal predominante é o passado. Es-
de que dispõe, o filme a que assistiu (e não que assistiu), tamos cercados de narrações desde as que nos contam
a prova de que participou, o amigo a que se referiu, são histórias infantis, como o “Chapeuzinho Vermelho” ou a
alguns exemplos; “Bela Adormecida”, até as picantes piadas do cotidiano.

116
Dissertação: Dissertar é o mesmo que desenvolver ou chetes, que servem para dar ao leitor maior informações
explicar um assunto, discorrer sobre ele. Assim, o texto que ele supostamente desconhece. O título da entrevista
dissertativo pertence ao grupo dos textos expositivos, é um enunciado curto que chama a atenção do leitor e
juntamente com o texto de apresentação científica, o re- resume a ideia básica da entrevista. Pode estar todo em
latório, o texto didático, o artigo enciclopédico. Em prin- letra maiúscula e recebe maior destaque da página. Na
cípio, o texto dissertativo não está preocupado com a maioria dos casos, apenas as preposições ficam com a
persuasão e sim, com a transmissão de conhecimento, letra minúscula. O subtítulo introduz o objetivo principal
sendo, portanto, um texto informativo. da entrevista e não vem seguido de ponto final. É um pe-
Argumentativo: Os textos argumentativos, ao contrá- queno texto e vem em destaque também. A fotografia do
rio, têm por finalidade principal persuadir o leitor sobre o entrevistado aparece normalmente na primeira página
ponto de vista do autor a respeito do assunto. Quando o da entrevista e pode estar acompanhada por uma frase
texto, além de explicar, também persuade o interlocutor dita por ele. As frases importantes ditas pelo entrevista-
e modifica seu comportamento, temos um texto disser- do e que aparecem em destaque nas outras páginas da
tativo-argumentativo. entrevista são chamadas de “olho”.
Exemplos: texto de opinião, carta do leitor, carta de
Crônica: Assim como a fábula e o enigma, a crônica
solicitação, deliberação informal, discurso de defesa e
é um gênero narrativo. Como diz a origem da palavra
acusação (advocacia), resenha crítica, artigos de opinião
ou assinados, editorial. (Cronos é o deus grego do tempo), narra fatos históri-
Exposição: Apresenta informações sobre assuntos, cos em ordem cronológica, ou trata de temas da atualida-
expõe ideias; explica, avalia, reflete. (analisa ideias). Es- de. Mas não é só isso. Lendo esse texto, você conhecerá as
trutura básica; ideia principal; desenvolvimento; conclu- principais características da crônica, técnicas de sua redação
são. Uso de linguagem clara. Exemplo: ensaios, artigos e terá exemplos.
científicos, exposições. Uma das mais famosas crônicas da história da litera-
Injunção: Indica como realizar uma ação. É também tura luso-brasileira corresponde à definição de crônica
utilizado para predizer acontecimentos e comportamen- como “narração histórica”. É a “Carta de Achamento do
tos. Utiliza linguagem objetiva e simples. Os verbos são, Brasil”, de Pero Vaz de Caminha”, na qual são narrados
na sua maioria, empregados no modo imperativo. Há ao rei português, D. Manuel, o descobrimento do Brasil
também o uso do futuro do presente. Exemplo: Receita e como foram os primeiros dias que os marinheiros por-
de um bolo e manuais. tugueses passaram aqui. Mas trataremos, sobretudo, da
Diálogo: é uma conversação estabelecida entre duas crônica como gênero que comenta assuntos do dia a dia.
ou mais pessoas. Pode conter marcas da linguagem oral, Para começar, uma crônica sobre a crônica, de Machado
como pausas e retomadas. de Assis:
Entrevista: é uma conversação entre duas ou mais pes-
soas (o entrevistador e o entrevistado), na qual perguntas
1. O nascimento da crônica
são feitas pelo entrevistador para obter informação do
entrevistado. Os repórteres entrevistam as suas fontes
para obter declarações que validem as informações apu- “Há um meio certo de começar a crônica por uma tri-
radas ou que relatem situações vividas por personagens. vialidade. É dizer: Que calor! Que desenfreado calor! Diz-
Antes de ir para a rua, o repórter recebe uma pauta que -se isto, agitando as pontas do lenço, bufando como um
contém informações que o ajudarão a construir a ma- touro, ou simplesmente sacudindo a sobrecasaca. Res-
téria. Além das informações, a pauta sugere o enfoque vala-se do calor aos fenômenos atmosféricos, fazem-se
a ser trabalhado assim como as fontes a serem entre- algumas conjeturas acerca do sol e da lua, outras sobre
vistadas. Antes da entrevista o repórter costuma reunir a febre amarela, manda-se um suspiro a Petrópolis, e la
o máximo de informações disponíveis sobre o assunto glace est rompue está começada a crônica. (...)
a ser abordado e sobre a pessoa que será entrevistada. Machado de Assis. Crônicas Escolhidas. São Paulo:
Munido deste material, ele formula perguntas que levem Editora Ática, 1994.
o entrevistado a fornecer informações novas e relevantes.
O repórter também deve ser perspicaz para perceber se Publicada em jornal ou revista onde é publicada, des-
o entrevistado mente ou manipula dados nas suas res- tina-se à leitura diária ou semanal e trata de aconteci-
postas, fato que costuma acontecer principalmente com mentos cotidianos. A crônica se diferencia no jornal por
as fontes oficiais do tema. Por exemplo, quando o repór- não buscar exatidão da informação. Diferente da notícia,
ter vai entrevistar o presidente de uma instituição pública que procura relatar os fatos que acontecem, a crônica
sobre um problema que está a afetar o fornecimento de
os analisa, dá-lhes um colorido emocional, mostrando
serviços à população, ele tende a evitar as perguntas e
aos olhos do leitor uma situação comum, vista por outro
a querer reverter a resposta para o que considera posi-
ângulo, singular.
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tivo na instituição. É importante que o repórter seja in-


sistente. O entrevistador deve conquistar a confiança do O leitor pressuposto da crônica é urbano e, em prin-
entrevistado, mas não tentar dominá-lo, nem ser por ele cípio, um leitor de jornal ou de revista. A preocupação
dominado. Caso contrário, acabará induzindo as respos- com esse leitor é que faz com que, dentre os assuntos
tas ou perdendo a objetividade. tratados, o cronista dê maior atenção aos problemas
As entrevistas apresentam com frequência alguns do modo de vida urbano, do mundo contemporâneo,
sinais de pontuação como o ponto de interrogação, o dos pequenos acontecimentos do dia a dia comuns nas
travessão, aspas, reticências, parêntese e as vezes col- grandes cidades.

117
Jornalismo e literatura: É assim que podemos dizer Charge do autor Tacho – exemplo de linguagem ver-
que a crônica é uma mistura de jornalismo e literatura. bal (óxente, polo Norte 2100) e não verbal (imagem: sol,
De um recebe a observação atenta da realidade cotidiana cactos, pinguim).
e do outro, a construção da linguagem, o jogo verbal.
Algumas crônicas são editadas em livro, para garantir sua
durabilidade no tempo.

O que é linguagem?

É o uso da língua como forma de expressão e comu-


nicação entre as pessoas. Agora, a linguagem não é so-
mente um conjunto de palavras faladas ou escritas, mas
também de gestos e imagens. Afinal, não nos comunica-
mos apenas pela fala ou escrita, não é verdade?
Então, a linguagem pode ser verbalizada, e daí vem
a analogia ao verbo. Você já tentou se pronunciar sem Placas de trânsito – à frente “proibido andar de bici-
utilizar o verbo? Se não, tente, e verá que é impossível cleta”, atrás “quebra-molas”.
se ter algo fundamentado e coerente! Assim, a lingua-
gem verbal é que se utiliza de palavras quando se fala ou
quando se escreve.
A linguagem pode ser não verbal, ao contrário da ver-
bal, não se utiliza do vocábulo, das palavras para se comu-
nicar. O objetivo, neste caso, não é de expor verbalmente o
que se quer dizer ou o que se está pensando, mas se utili-
zar de outros meios comunicativos, como: placas, figuras,
gestos, objetos, cores, ou seja, dos signos visuais.
Vejamos: um texto narrativo, uma carta, o diálogo, Símbolo que se coloca na porta para indicar “sanitário
uma entrevista, uma reportagem no jornal escrito ou te- masculino”.
levisionado, um bilhete? Linguagem verbal!
Agora: o semáforo, o apito do juiz numa partida de
futebol, o cartão vermelho, o cartão amarelo, uma dança,
o aviso de “não fume” ou de “silêncio”, o bocejo, a iden-
tificação de “feminino” e “masculino” através de figuras
na porta do banheiro, as placas de trânsito? Linguagem
não verbal!
A linguagem pode ser ainda verbal e não verbal ao
mesmo tempo, como nos casos das charges, cartoons e
anúncios publicitários.

Observe alguns exemplos:


Imagem indicativa de “silêncio”.

Cartão vermelho – denúncia de falta grave no futebol.

Semáforo com sinal amarelo advertindo “atenção”.


LÍNGUA PORTUGUESA

1. Linguagem como forma de Ação e Interação

A concepção da linguagem ainda é bastante debatida


entre os linguistas, que até hoje ainda não chegaram a
um consenso da sua concepção. Ela é sintetizada de três
maneiras diferentes, sendo que o modo que mais utiliza-
mos em nossos relacionamentos com outras pessoas é a
de ação e interação.

118
Neste modo, a linguagem funciona como uma “ativida- sua fala é resultado da sua maneira própria de organizar
de” de ação/interação entre os envolvidos nesta comunica- as suas ideias. O texto, dessa forma, nada tem a ver com o
ção. Os interlocutores expõem algo ao outro para que este leitor ou com quem se fala, e sim, somente com o enuncia-
seja induzido a interagir na conversa, que pode ser verbal, dor. Nessa linha de pensamento encontra-se a gramática
não verbal, mista e digital. normativa ou tradicional.
A atividade de comunicação é indispensável ao ser hu-
mano e aos animais. Existem diversos meios de comunica- 1.3. Linguagem como instrumento de comunicação
ção:
→ Entre os animais: a dança das abelhas, os odores, as Neste conceito a língua é vista como um código, que
produções vocais (como no caso das aves) deve ser dominado pelos falantes para que as comunica-
→ Entre os homens: a dança, a pintura, a mímica, os ções sejam efetivadas. A comunicação, pois, depende do
gestos, os sinais de trânsito, os símbolos, a linguagem dos grau de domínio que o falante tem da língua como sistema.
surdos-mudos, a dos deficientes visuais, a linguagem com- O falante utiliza-se dos conceitos estruturais que conhece
putacional, a linguagem matemática, as línguas naturais etc. para expressar o pensamento; o ouvinte decodifica os sinais
codificados por ele e transforma-os em nova mensagem.
De um modo geral, dá-se o nome de linguagem a todos Essa linha de pensamento pertence ao estruturalismo e
os meios de comunicação: linguagem animal e linguagem também ao gerativismo.
humana, em linguagem não verbal e linguagem verbal. O
termo é, pois, empregado à aptidão humana de associar os 1.4. Linguagem como forma ou processo de intera-
sons produzidos pelo aparelho fonador humano a um con- ção
teúdo significativo e utilizar o resultado dessa associação
para a interação verbal. Fala-se, pois, em linguagem verbal. Nesta concepção o falante realiza ações, age e interage
É um termo muito amplo: as línguas naturais (portu- com o outro (com quem ele fala). Dessa forma, a lingua-
guês, inglês, por exemplo) são manifestações desse algo gem toma uma dimensão mais ampla e não uniforme, pois
mais geral. Saussure, o linguista genebrino, concebia a lin- inserindo num contexto ideológico e sociocultural, ela não
guagem em duas partes: a língua e a fala, e era a primeira o tem direção preestabelecida vai depender unicamente da
seu objeto de estudo; embora, reconhecesse a interdepen- interação entre os dois sujeitos. Fazem parte dessa corrente
dência entre elas. a Teoria do Discurso, Linguística Textual, Semântica Argu-
Enquanto sistema de signos, a linguagem é um código mentativa, Análise do Discurso, Análise da Conversação.
- um conjunto de signos sujeitos a regras de combinação
e utilizado na produção e na compreensão de uma men- 1.5. As funções da linguagem
sagem.
Para entendermos com clareza as funções da lingua-
O signo é compreendido por: gem, é bom primeiramente conhecermos as etapas da co-
- Significante, veículo do significado (parte perceptível, municação.
sensível); Ao contrário do que muitos pensam, a comunicação
- Significado, o que se entende quando se usa o signo não acontece somente quando falamos, estabelecemos um
(parte inteligível). diálogo ou redigimos um texto, ela se faz presente em to-
dos (ou quase todos) os momentos.
Os linguistas compreendem que há no processo de co- Comunicamo-nos com nossos colegas de trabalho, com
municação seis elementos: o livro que lemos, com a revista, com os documentos que
- Emissor (remetente), envia a mensagem; manuseamos, através de nossos gestos, ações, até mesmo
- Receptor (destinatário), recebe a mensagem; através de um beijo de “boa-noite”.
- Mensagem - informação veiculada; É o que diz Bordenave quando se refere à comunica-
- Código, sistema de signos utilizados para codificar a ção: “A comunicação confunde-se com a própria vida. Te-
mensagem; mos tanta consciência de que comunicamos como de que
- Contexto (referente), aquilo a que a mensagem se re- respiramos ou andamos. Somente percebemos a sua es-
fere; sencial importância quando, por acidente ou uma doen-
- Contato (canal), veículo, meio físico utilizado para ça, perdemos a capacidade de nos comunicar. (Bordenave,
transmitir a mensagem. 1986. p.17-9)”

1.1. Concepção de linguagem No ato de comunicação, percebemos a existência de al-


guns elementos, são eles:
De acordo com o prof. Luiz C. Travaglia, no seu livro Gra- ▪ Emissor: é aquele que envia a mensagem (pode ser
LÍNGUA PORTUGUESA

mática e Interação, admite-se para a linguagem admite três uma única pessoa ou um grupo de pessoas).
concepções: ▪ Mensagem: é o conteúdo (assunto) das informações
que ora são transmitidas.
1.2. Linguagem como expressão do pensamento ▪ Receptor: é aquele a quem a mensagem é endereça-
da (um indivíduo ou um grupo), também conhecido como
Se a linguagem é expressão do pensamento, quando as destinatário.
pessoas não se expressam bem é porque não sabem elabo- ▪ Canal de comunicação: é o meio pelo qual a mensa-
rar o pensamento. Se o enunciador expressa o que pensa, gem é transmitida.

119
▪ Código: é o conjunto de signos e de regras de combi- mas usadas para chamar a atenção (ruídos como psiu,
nação desses signos utilizados para elaborar a mensagem: ahn, ei). Essa função ocorre quando a mensagem se
o emissor codifica aquilo que o receptor irá decodificar. orienta sobre o canal de comunicação ou contato, bus-
▪ Contexto: é o objeto ou a situação a que a mensagem cando verificar e fortalecer sua eficiência. Tipo de mensa-
se refere. gem cujo objetivo é prolongar ou interromper uma con-
Partindo desses seis elementos, Roman Jakobson, lin- versa. Nela, o emissor utiliza procedimentos para manter
guista russo, elaborou estudos acerca das funções da lin- contato físico ou psicológico com o interlocutor:
guagem, os quais são muito úteis para a análise e produção
de textos. As seis funções são: Exemplo:
“(...) Olá, como vai?
1. Função referencial: referente é o objeto ou situação Eu vou indo e você, tudo bem?
de que a mensagem trata. A função referencial privilegia Tudo bem eu vou indo correndo
justamente o referente da mensagem, buscando transmi- Pegar meu lugar no futuro, e você?
tir informações objetivas sobre ele. Essa função predomina Tudo bem, eu vou indo em busca
nos textos de caráter científico e é privilegiado nos textos De um sono tranquilo, quem sabe …
jornalísticos. Quanto tempo... pois é...
2. Função emotiva: através dessa função, o emissor im- Quanto tempo...
prime no texto as marcas de sua atitude pessoal: emoções, Me perdoe a pressa
avaliações, opiniões. O leitor sente no texto a presença do É a alma dos nossos negócios
emissor. Oh! Não tem de quê
Exemplo: “[…] Mas quem sou eu para censurar os cul- Eu também só ando a cem
pados? O pior é que preciso perdoá-los. É necessário che- Quando é que você telefona?
gar a tal nada que indiferentemente se ame ou não se ame Precisamos nos ver por aí (…)”.
o criminoso que nos mata. Mas não estou seguro de mim (Trecho da música Sinal Fechado, de Paulinho da Viola).
mesmo: preciso amar aquele que me trucida e perguntar
quem de vós me trucida. E minha vida, mais forte do que 5. Função metalinguística: quando a linguagem se
eu, responde que quer porque quer vingança e responde volta sobre si mesma, transformando-se em seu próprio
que devo lutar como quem se afoga, mesmo que eu morra referente, ocorre a função metalinguística.
depois. Se assim for, que assim seja [...]”.(Fragmento de A Linguagem utilizada para falar, explicar ou descrever
hora da estrela, de Clarice Lispector) o próprio código: esse é o principal objetivo da função
3. Função conativa: essa função procura organizar o metalinguística. Nas situações em que ela é empregada,
texto de forma que se imponha sobre o receptor da men- geralmente na poesia e na publicidade, a atenção está
sagem, persuadindo-o, seduzindo-o. Nas mensagens em voltada para o próprio código:
que predomina essa função, busca-se envolver o leitor com
o conteúdo transmitido, levando-o a adotar este ou aque- Exemplo:
le comportamento. Nos tipos de textos em que a função
conativa predomina, é possível perceber o uso da 2ª pes-
soa como maneira de interpelar alguém, além do emprego
dos verbos no imperativo para convencer o interlocutor:

Exemplo:
LÍNGUA PORTUGUESA

4. Função fática: a palavra fática significa “ruído, ru-


mor”. Foi utilizada inicialmente para designar certas for-

120
6. Função poética: quando a mensagem é elaborada A) Variações históricas: Dado o dinamismo que
de forma inovadora e imprevista, utilizando combinações a língua apresenta, a mesma sofre transformações ao
sonoras ou rítmicas, jogos de imagem ou de ideias, te- longo do tempo. Um exemplo bastante representativo
mos a manifestação da função poética da linguagem. Essa é a questão da ortografia, se levarmos em consideração
função é capaz de despertar no leitor prazer estético e a palavra farmácia, uma vez que a mesma era grafada
surpresa. É muito encontrada na Literatura, especialmente com “ph”, contrapondo-se à linguagem dos internautas,
na poesia, a função poética apresenta um texto no qual a qual se fundamenta pela supressão dos vocábulos.
a função está centrada na própria mensagem, rompendo Analisemos, pois, o fragmento exposto:
com o modo tradicional com o vemos a linguagem.
Antigamente
Exemplo:
“Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles
e eram todas mimosas e muito prendadas. Não faziam
anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os
janotas, mesmo sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-
alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses
debaixo do balaio.”
Carlos Drummond de Andrade

Comparando-o à modernidade, percebemos um


vocabulário antiquado.

B) Variações regionais: São os chamados dialetos,


que são as marcas determinantes referentes a diferentes
regiões. Como exemplo, citamos a palavra mandioca
que, em certos lugares, recebe outras nomenclaturas,
tais como: macaxeira e aipim. Figurando também esta
modalidade estão os sotaques, ligados às características
orais da linguagem.

Essas funções não são exploradas isoladamente; de C) Variações sociais ou culturais: Estão diretamente
modo geral, ocorre a superposição de várias delas. Há, no ligadas aos grupos sociais de uma maneira geral e
entanto, aquela que se sobressai, assim podemos identi- também ao grau de instrução de uma determinada
ficar a finalidade principal do texto. pessoa. Como exemplo, citamos as gírias, os jargões e o
linguajar caipira.
VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS As gírias pertencem ao vocabulário específico de
certos grupos, como os surfistas, cantores de rap,
A linguagem é a característica que nos difere dos tatuadores, entre outros. Os jargões estão relacionados
demais seres, permitindo-nos a oportunidade de ao profissionalismo, caracterizando um linguajar técnico.
expressar sentimentos, revelar conhecimentos, expor Representando a classe, podemos citar os médicos,
nossa opinião frente aos assuntos relacionados ao nosso advogados, profissionais da área de informática, dentre
cotidiano e, sobretudo, promovendo nossa inserção ao outros.
convívio social. Dentre os fatores que a ela se relacionam Vejamos um poema sobre o assunto:
destacam-se os níveis da fala, que são basicamente dois:
o nível de formalidade e o de informalidade. Vício na fala
O padrão formal está diretamente ligado à linguagem
escrita, restringindo-se às normas gramaticais de um Para dizerem milho dizem mio
modo geral. Razão pela qual nunca escrevemos da Para melhor dizem mió
mesma maneira que falamos. Este fator foi determinante Para pior pió
para a que a mesma pudesse exercer total soberania Para telha dizem teia
sobre as demais. Para telhado dizem teiado
Quanto ao nível informal, por sua vez, representa E vão fazendo telhados.
o estilo considerado “de menor prestígio”, e isto tem Oswald de Andrade
gerado controvérsias entre os estudos da língua, uma vez
LÍNGUA PORTUGUESA

que, para a sociedade, aquela pessoa que fala ou escreve SITE


de maneira errônea é considerada “inculta”, tornando-se Disponível em: <http://www.brasilescola.com/
desta forma um estigma. gramatica/variacoes-linguisticas.htm>
Compondo o quadro do padrão informal da
linguagem, estão as chamadas variedades linguísticas,
as quais representam as variações de acordo com as
condições sociais, culturais, regionais e históricas em que
é utilizada. Dentre elas destacam-se:

121
CRASE #FicaDica
Use a regrinha “Vou A volto DA, crase HÁ; vou
A volto DE, crase PRA QUÊ?” Exemplo: Vou a
CRASE Campinas. = Volto de Campinas. (crase pra
quê?)
A crase se caracteriza como a fusão de duas vogais Vou à praia. = Volto da praia. (crase há!)
idênticas, relacionadas ao emprego da preposição “a” com
o artigo feminino a(s), com o “a” inicial referente aos pro-
nomes demonstrativos – aquela(s), aquele(s), aquilo e com
Quando o nome de lugar estiver especificado, ocor-
o “a” pertencente ao pronome relativo a qual (as quais).
rerá crase. Veja:
Casos estes em que tal fusão encontra-se demarcada pelo
Retornarei à São Paulo dos bandeirantes. = mesmo
acento grave ( ` ): à(s), àquela, àquele, àquilo, à qual, às
que, pela regrinha acima, seja a do “VOLTO DE”
quais.
Irei à Salvador de Jorge Amado.
O uso do acento indicativo de crase está condiciona-
do aos nossos conhecimentos acerca da regência verbal e
A letra “a” dos pronomes demonstrativos aquele(s),
nominal, mais precisamente ao termo regente e termo re-
aquela(s) e aquilo receberão o acento grave se o termo
gido. Ou seja, o termo regente é o verbo - ou nome - que
regente exigir complemento regido da preposição “a”.
exige complemento regido pela preposição “a”, e o termo
Entregamos a encomenda àquela menina.
regido é aquele que completa o sentido do termo regente,
(preposição + pronome demonstrativo)
admitindo a anteposição do artigo a(s).
Refiro-me a (a) funcionária antiga, e não a (a)quela con-
Iremos àquela reunião.
tratada recentemente.
(preposição + pronome demonstrativo)
Após a junção da preposição com o artigo (destacados
entre parênteses), temos:
Sua história é semelhante às que eu ouvia quando
Refiro-me à funcionária antiga, e não àquela contrata-
criança. (àquelas que eu ouvia quando criança)
da recentemente.
(preposição + pronome demonstrativo)
O verbo referir, de acordo com sua transitividade, clas-
A letra “a” que acompanha locuções femininas (adver-
sifica-se como transitivo indireto, pois sempre nos refe-
biais, prepositivas e conjuntivas) recebem o acento grave:
rimos a alguém ou a algo. Houve a fusão da preposição
 locuções adverbiais: às vezes, à tarde, à noite, às
a + o artigo feminino (à) e com o artigo feminino a + o
pressas, à vontade...
pronome demonstrativo aquela (àquela).
 locuções prepositivas: à frente, à espera de, à pro-
cura de...
Observações importantes:
 locuções conjuntivas: à proporção que, à medida
Alguns recursos servem de ajuda para que possamos
que.
confirmar a ocorrência ou não da crase. Eis alguns:
 Substitui-se a palavra feminina por uma masculina
Cuidado: quando as expressões acima não exercerem
equivalente. Caso ocorra a combinação a + o(s), a
a função de locuções não ocorrerá crase. Repare:
crase está confirmada.
Eu adoro a noite!
Os dados foram solicitados à diretora.
Adoro o quê? Adoro quem? O verbo “adoro” requer
Os dados foram solicitados ao diretor.
objeto direto, no caso, a noite. Aqui, o “a” é artigo, não
 No caso de nomes próprios geográficos, substitui-
preposição.
-se o verbo da frase pelo verbo voltar. Caso resulte
na expressão “voltar da”, há a confirmação da crase.
Casos passíveis de nota:
Faremos uma visita à Bahia.
Faz dois dias que voltamos da Bahia. (crase confirmada)
 A crase é facultativa diante de nomes próprios fe-
mininos: Entreguei o caderno a (à) Eliza.
Não me esqueço da viagem a Roma.
 Também é facultativa diante de pronomes posses-
Ao voltar de Roma, relembrarei os belos momentos ja-
sivos femininos: O diretor fez referência a (à) sua
mais vividos.
empresa.
 Facultativa em locução prepositiva “até a”: A loja
Nas situações em que o nome geográfico se apresen-
ficará aberta até as (às) dezoito horas.
tar modificado por um adjunto adnominal, a crase está
LÍNGUA PORTUGUESA

 Constata-se o uso da crase se as locuções prepo-


confirmada.
sitivas à moda de, à maneira de apresentarem-se
Atendo-me à bela Fortaleza, senti saudades de suas
implícitas, mesmo diante de nomes masculinos:
praias.
Tenho compulsão por comprar sapatos à Luis XV. (à
moda de Luís XV)
 Não se efetiva o uso da crase diante da locução
adverbial “a distância”: Na praia de Copacabana,
observamos a queima de fogos a distância.

122
Entretanto, se o termo vier determinado, teremos  Não ocorre crase antes de nome feminino utiliza-
uma locução prepositiva, aí sim, ocorrerá crase: O pedes- do em sentido genérico ou indeterminado:
tre foi arremessado à distância de cem metros. Estamos sujeitos a críticas.
 De modo a evitar o duplo sentido – a ambiguidade Refiro-me a conversas paralelas.
-, faz-se necessário o emprego da crase.
Ensino à distância. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Ensino a distância. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
 Em locuções adverbiais formadas por palavras re- Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
petidas, não há ocorrência da crase. Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce-
Ela ficou frente a frente com o agressor. reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Eu o seguirei passo a passo. Paulo: Saraiva, 2010.

Casos em que não se admite o emprego da crase: SITE


http://www.portugues.com.br/gramatica/o-uso-cra-
Antes de vocábulos masculinos. se-.html
As produções escritas a lápis não serão corrigidas.
Esta caneta pertence a Pedro.
EXERCÍCIOS COMENTADOS
Antes de verbos no infinitivo.
Ele estava a cantar.
Começou a chover. 1. (Polícia Federal – Agente de Polícia Federal – Cespe
– 2014 – adaptada) O acento indicativo de crase em “à
Antes de numeral. humanidade e à estabilidade” é de uso facultativo, razão
O número de aprovados chegou a cem. por que sua supressão não prejudicaria a correção gra-
Faremos uma visita a dez países. matical do texto.

( ) CERTO ( ) ERRADO
Observações:
 Nos casos em que o numeral indicar horas – fun-
Resposta: Errado. Retomemos o contexto: (...) O uso
cionando como uma locução adverbial feminina –
indevido de drogas constitui, na atualidade, séria e per-
ocorrerá crase: Os passageiros partirão às dezenove
sistente ameaça à humanidade e à estabilidade das es-
horas.
truturas e valores políticos (...).
 Diante de numerais ordinais femininos a crase está
O uso do acento indicativo de crase é obrigatório, já
confirmada, visto que estes não podem ser empre-
que os termos “humanidade” e “estabilidade” comple-
gados sem o artigo: As saudações foram direciona-
mentam o nome “ameaça” – “ameaça a quê? a quem?”
das à primeira aluna da classe. = a regência nominal pede preposição.
 Não ocorrerá crase antes da palavra casa, quando
essa não se apresentar determinada: Chegamos to- 2. (TCE-PA – Conhecimentos Básicos – AUDITOR DE
dos exaustos a casa. CONTROLE EXTERNO – EDUCACIONAL – Cespe –
Entretanto, se vier acompanhada de um adjunto 2016)
adnominal, a crase estará confirmada: Chegamos todos
exaustos à casa de Marcela. Texto CB1A1BBB

 Não há crase antes da palavra “terra”, quando essa Estranhamente, governos estaduais cujas despesas com
indicar chão firme: Quando os navegantes regressa- o funcionalismo já alcançaram nível preocupante ou que
ram a terra, já era noite. estouraram o limite de gastos com pessoal fixado pela
Contudo, se o termo estiver precedido por um de- Lei Complementar n.º 101/2000, denominada Lei de Res-
terminante ou referir-se ao planeta Terra, ocorrerá crase. ponsabilidade Fiscal (LRF), estão elaborando sua própria
Paulo viajou rumo à sua terra natal. legislação destinada a assegurar, como alegam, maior ri-
O astronauta voltou à Terra. gor na gestão de suas finanças. Querem uma nova lei de
responsabilidade fiscal para, segundo argumentam, for-
 Não ocorre crase antes de pronomes que reque- talecer a estrutura legal que protege o dinheiro público
rem o uso do artigo. do mau uso por gestores irresponsáveis.
Os livros foram entregues a mim. Examinando-se a situação financeira dos estados que
LÍNGUA PORTUGUESA

Dei a ela a merecida recompensa. preparam sua versão da lei de responsabilidade fiscal,
fica difícil aceitar a argumentação. Desde maio de 2000,
 Pelo fato de os pronomes de tratamento relativos quando entrou em vigor a LRF, esses estados, como os
à senhora, senhorita e madame admitirem artigo, o demais, estão sujeitos a regras precisas para a gestão do
uso da crase está confirmado no “a” que os antece- dinheiro público, para a criação de despesas e, em par-
de, no caso de o termo regente exigir a preposição. ticular, para os gastos com pessoal. Por que, tendo des-
Todos os méritos foram conferidos à senhorita Patrícia. cumprido algumas dessas regras, estariam interessados
em torná-las ainda mais rigorosas?

123
Não foi a lei que não funcionou, mas os responsáveis
pelo dinheiro público que, por alguma razão, não a cum- SINAIS DE PONTUAÇÃO EM PERÍODOS
priram. De que adiantaria, então, tornar a lei mais rigoro- SIMPLES E COMPOSTOS.
sa, se nem nas condições atuais esses responsáveis estão A PONTUAÇÃO E O ENTENDIMENTO DO
sendo capazes de cumpri-la? O problema não está na TEXTO.
lei. Mudá-la pode ser o pretexto não para torná-la mais
rigorosa, mas para atribuir-lhe alguma flexibilidade que
a desfigure. O verdadeiro problema é a dificuldade do
setor público de adaptar suas despesas às receitas em Os sinais de pontuação são marcações gráficas que
queda por causa da crise. servem para compor a coesão e a coerência textual, além
de ressaltar especificidades semânticas e pragmáticas.
Internet: <http://opiniao.estadao.com.br> (com adapta- Um texto escrito adquire diferentes significados quando
ções). pontuado de formas diversificadas. O uso da pontuação
depende, em certos momentos, da intenção do autor do
O emprego do acento grave em “às receitas” decorre da discurso. Assim, os sinais de pontuação estão diretamen-
regência do verbo “adaptar” e da presença do artigo de- te relacionados ao contexto e ao interlocutor.
finido feminino determinando o substantivo “receitas”.
Principais funções dos sinais de pontuação
( ) CERTO ( ) ERRADO
A) Ponto (.)
Resposta: Certo. Texto: O verdadeiro problema é a di-
ficuldade do setor público de adaptar suas despesas às  Indica o término do discurso ou de parte dele, en-
receitas em queda por causa da crise = quem adapta, cerrando o período.
adapta algo/alguém A algo/alguém.  Usa-se nas abreviaturas: pág. (página), Cia. (Com-
panhia). Se a palavra abreviada aparecer em final
3. (Fnde – Técnico em Financiamento e Execução de de período, este não receberá outro ponto; neste
Programas e Projetos Educacionais – cespe – 2012) O caso, o ponto de abreviatura marca, também, o fim
emprego do sinal indicativo de crase em “adequando os de período. Exemplo: Estudei português, matemári-
objetivos às necessidades” justifica-se pela regência do ca, constitucional, etc. (e não “etc..”)
verbo adequar, que exige complemento regido pela pre-  Nos títulos e cabeçalhos é opcional o emprego do
posição “a”, e pela presença de artigo definido feminino ponto, assim como após o nome do autor de uma
antes de “necessidades”. citação:
Haverá eleições em outubro
( ) CERTO ( ) ERRADO O culto do vernáculo faz parte do brio cívico. (Napo-
leão Mendes de Almeida) (ou: Almeida.)
Resposta: Certo. Adequar o quê? – os objetivos (obje-  Os números que identificam o ano não utili-
to direto) – adequar o quê a quê? – a + as (=às) neces- zam ponto nem devem ter espaço a separá-los,
sidades – objeto indireto. A explicação do enunciado bem como os números de CEP: 1975, 2014, 2006,
está correta. 17600-250.

4. (Tribunal de Justiça-se – Técnico Judiciário – cespe B) Ponto e Vírgula (;)


– 2014 – adaptada) No trecho “deu início à sua cami-
nhada cósmica”, o emprego do acento grave indicativo  Separa várias partes do discurso, que têm a mes-
de crase é obrigatório. ma importância: “Os pobres dão pelo pão o traba-
lho; os ricos dão pelo pão a fazenda; os de espíritos
generosos dão pelo pão a vida; os de nenhum espí-
( ) CERTO ( ) ERRADO
rito dão pelo pão a alma...” (VIEIRA)
 Separa partes de frases que já estão separadas por
Resposta: Errado. “deu início à sua caminhada cós-
vírgulas: Alguns quiseram verão, praia e calor; ou-
mica” – o uso do acento indicativo de crase, neste caso, é
tros, montanhas, frio e cobertor.
facultativo (antes de pronome possessivo).
 Separa itens de uma enumeração, exposição de
motivos, decreto de lei, etc.
Ir ao supermercado;
Pegar as crianças na escola;
Caminhada na praia;
LÍNGUA PORTUGUESA

Reunião com amigos.

C) Dois pontos (:)

 Antes de uma citação = Vejamos como Afrânio


Coutinho trata este assunto:
 Antes de um aposto = Três coisas não me agra-
dam: chuva pela manhã, frio à tarde e calor à noite.

124
 Antes de uma explicação ou esclarecimento: Lá es- 2. Para marcar inversão:
tava a deplorável família: triste, cabisbaixa, vivendo A) do adjunto adverbial (colocado no início da ora-
a rotina de sempre. ção): Depois das sete horas, todo o comércio está de
 Em frases de estilo direto portas fechadas.
Maria perguntou: B) dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo: Aos
- Por que você não toma uma decisão? pesquisadores, não lhes destinaram verba alguma.
C) do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de
D) Ponto de Exclamação (!) maio de 1982.

 Usa-se para indicar entonação de surpresa, cóle- 3. Para separar entre si elementos coordenados
ra, susto, súplica, etc.: Sim! Claro que eu quero me (dispostos em enumeração):
casar com você! Era um garoto de 15 anos, alto, magro.
 Depois de interjeições ou vocativos A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e ani-
Ai! Que susto! mais.
João! Há quanto tempo!
4. Para marcar elipse (omissão) do verbo: Nós que-
E) Ponto de Interrogação (?) remos comer pizza; e vocês, churrasco.

 Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres. 5. Para isolar:


“- Então? Que é isso? Desertaram ambos?” (Artur Aze- A) o aposto: São Paulo, considerada a metrópole bra-
vedo) sileira, possui um trânsito caótico.
B) o vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem.
F) Reticências (...) Observações: Considerando-se que “etc.” é abrevia-
tura da expressão latina et coetera, que significa “e ou-
 Indica que palavras foram suprimidas: Comprei lá- tras coisas”, seria dispensável o emprego da vírgula antes
pis, canetas, cadernos... dele. Porém, o acordo ortográfico em vigor no Brasil exi-
 Indica interrupção violenta da frase: “- Não... quero ge que empreguemos etc. predecido de vírgula: Falamos
dizer... é verdad... Ah!” de política, futebol, lazer, etc.
 Indica interrupções de hesitação ou dúvida: Este As perguntas que denotam surpresa podem ter com-
mal... pega doutor? binados o ponto de interrogação e o de exclamação:
 Indica que o sentido vai além do que foi dito: Dei- Você falou isso para ela?!
xa, depois, o coração falar...
Temos, ainda, sinais distintivos:
G) Vírgula (,)  a barra ( / ) = usada em datas (25/12/2014), sepa-
ração de siglas (IOF/UPC);
Não se usa vírgula:  os colchetes ([ ]) = usados em transcrições feitas
pelo narrador ([vide pág. 5]), usado como primeira
Separando termos que, do ponto de vista sintático, opção aos parênteses, principalmente na matemá-
ligam-se diretamente entre si: tica;
1. Entre sujeito e predicado:  o asterisco (*) = usado para remeter o leitor a
Todos os alunos da sala foram advertidos. uma nota de rodapé ou no fim do livro, para subs-
Sujeito predicado tituir um nome que não se quer mencionar.

2. Entre o verbo e seus objetos: REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


O trabalho custou sacrifício aos CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
realizadores. char - Português linguagens: volume 3. – 7.ª ed. Re-
V.T.D.I. O.D. O.I. form. – São Paulo: Saraiva, 2010.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa.
Usa-se a vírgula: 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.

1. Para marcar intercalação: SITE


A) do adjunto adverbial: O café, em razão da sua Disponível em: <http://www.infoescola.com/portu-
abundância, vem caindo de preço. gues/pontuacao/>
B) da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. Estão Disponível em: <http://www.brasilescola.com/grama-
LÍNGUA PORTUGUESA

produzindo, todavia, altas quantidades de alimen- tica/uso-da-virgula.htm>


tos.
C) das expressões explicativas ou corretivas: As indús-
trias não querem abrir mão de suas vantagens, isto
é, não querem abrir mão dos lucros altos.

125
No texto 1, os termos inseridos nos parênteses – na Ale-
manha imperial de Bismarck e na Itália fascista de Musso-
EXERCÍCIOS COMENTADOS lini – têm a finalidade textual de:

1. (BANPARÁ – ASSISTENTE SOCIAL – FADESP-2018) a) enumerar os sistemas políticos fechados do passado;


O enunciado em que a vírgula foi empregada em desa- b) destacar os sistemas onde se originaram os regimes
cordo com as regras de pontuação é trabalhista e previdenciário;
c) criticar o atraso político de alguns sistemas da História;
a) Como esse metal é limitado, isso garantia que a produ- d) condenar nossos regimes trabalhista e previdenciário
ção de dinheiro fosse também limitada. por serem muito antigos;
b) Em 1971, o presidente dos EUA acabou com o padrão- e) exemplificar alguns dos nossos erros do passado.
-ouro.
c) Praticamente todo o dinheiro que existe no mundo é Resposta: Letra B. Arquitetados de início em siste-
criado assim, inventado em canetaços a partir da con- mas políticos fechados (na Alemanha imperial de Bis-
cessão de empréstimos. marck e na Itália fascista de Mussolini) = os termos
d) Assim, o sistema monetário atual funciona com uma entre parênteses servem para se referir aos sistemas
moeda que é ao mesmo tempo escassa e abundante. políticos fechados, exemplificando-os.
e) Escassa porque só banqueiros podem criá-la, e abun- Em “a”, enumerar os sistemas políticos fechados do
dante porque é gerada pela simples manipulação de passado = incorreta
bancos de dados. Em “b”, destacar os sistemas onde se originaram os
regimes trabalhista e previdenciário = correta
Resposta: Letra E. O enunciado pede a alternativa em Em “c”, criticar o atraso político de alguns sistemas da
desacordo: História = incorreta
Em “a”, Como esse metal é limitado, isso garantia que Em “d”, condenar nossos regimes trabalhista e previ-
a produção de dinheiro fosse também limitada = cor- denciário por serem muito antigos = incorreta
reta Em “e”, exemplificar alguns dos nossos erros do pas-
Em “b”, Em 1971, o presidente dos EUA acabou com o sado = incorreta
padrão-ouro = correta
Em “c”, Praticamente todo o dinheiro que existe no 3. (BADESC – ANALISTA DE SISTEMA – BANCO DE DA-
mundo é criado assim, inventado em canetaços a par- DOS – FGV-2010) Assinale a alternativa em que a vírgula
tir da concessão de empréstimos = correta está corretamente empregada.
Em “d”, Assim, o sistema monetário atual funciona
com uma moeda que é ao mesmo tempo escassa e a) O jeitinho, essa instituição tipicamente brasileira pode
abundante = correta ser considerado, sem dúvida, um desvio de caráter.
Em “e”, Escassa porque só banqueiros podem criá-la, b) Apareciam novos problemas, e o funcionário embora
(X) e abundante porque é gerada pela simples mani- competente, nem sempre conseguia resolvê-los.
pulação de bancos de dados = incorreta - a vírgula c) Ainda que os níveis de educação estivessem avançan-
pode ser utilizada antes da conjunção “e”, desde que do, o sentimento geral, às vezes, era de frustração.
haja mudança de sujeito, por exemplo (o que não d) É claro, que se fôssemos levar a lei ao pé da letra, mui-
acontece na questão) tos sofreriam sanções diariamente.
e) O tempo não para as transformações sociais são ur-
2. (BANESTES – ANALISTA ECONÔMICO FINANCEIRO gentes mas há quem não perceba esse fato, que é evi-
GESTÃO CONTÁBIL – FGV-2018) dente.

Texto 1 Resposta: Letra C. Indiquei com (X) os lugares inade-


quados e acrescentei a pontuação que faltou:
Em artigo publicado no jornal carioca O Globo, 19/3/2018, Em “a”, O jeitinho, essa instituição tipicamente brasi-
com o nome Erros do passado, o articulista Paulo Gue- leira , pode ser considerado, sem dúvida, um desvio
des escreve o seguinte: “Os regimes trabalhista e pre- de caráter.
videnciário brasileiros são politicamente anacrônicos, Em “b”, Apareciam novos problemas , (X) e o funcio-
economicamente desastrosos e socialmente perversos. nário , embora competente, nem sempre conseguia
Arquitetados de início em sistemas políticos fechados resolvê-los.
(na Alemanha imperial de Bismarck e na Itália fascista de Em “c”, Ainda que os níveis de educação estivessem
Mussolini), e desde então cultivados por obsoletos pro- avançando, o sentimento geral, às vezes, era de frustra-
LÍNGUA PORTUGUESA

gramas socialdemocratas, são hoje armas de destruição ção.= correta


em massa de empregos locais em meio à competição Em “d”, É claro , (X) que se fôssemos levar a lei ao pé da
global. Reduzem a competitividade das empresas, fabri- letra, muitos sofreriam sanções diariamente.
cam desigualdades sociais, dissipam em consumo cor- Em “e”, O tempo não para , as transformações sociais
rente a poupança compulsória dos encargos recolhidos, são urgentes , mas há quem não perceba esse fato, que
derrubam o crescimento da economia e solapam o valor é evidente.
futuro das aposentadorias”. (adaptado)

126
4. (BANCO DO BRASIL – ESCRITURÁRIO – CESGRANRIO-2018) De acordo com a norma-padrão da língua portugue-
sa, a pontuação está corretamente empregada em:

a) O conjunto de preocupações e ações efetivas, quando atendem, de forma voluntária, aos funcionários e à comuni-
dade em geral, pode ser definido como responsabilidade social.
b) As empresas que optam por encampar a prática da responsabilidade social, beneficiam-se de conseguir uma melhor
imagem no mercado.
c) A noção de responsabilidade social foi muito utilizada em campanhas publicitárias: por isso, as empresas precisam
relacionar-se melhor, com a sociedade.
d) A responsabilidade social explora um leque abrangente de beneficiários, envolvendo assim: a qualidade de vida o
bem-estar dos trabalhadores, a redução de impactos negativos, no meio ambiente.
e) Alguns críticos da responsabilidade social defendem a ideia de que: o objetivo das empresas é o lucro e a geração
de empregos não a preocupação com a sociedade como um todo.

Resposta: Letra A. Assinalei com (X) as inadequações e destaquei as inclusões:


Em “a”: O conjunto de preocupações e ações efetivas, quando atendem, de forma voluntária, aos funcionários e à
comunidade em geral, pode ser definido como responsabilidade social = correta
Em “b”: As empresas que optam por encampar a prática da responsabilidade social, (X) beneficiam-se de conseguir
uma melhor imagem no mercado.
Em “c”: A noção de responsabilidade social foi muito utilizada em campanhas publicitárias: (X) ; por isso, as empresas
precisam relacionar-se melhor, (X) com a sociedade.
Em “d”: A responsabilidade social explora um leque abrangente de beneficiários, envolvendo , assim: (X) , a qualida-
de de vida , o bem-estar dos trabalhadores, (X) e a redução de impactos negativos, (X) no meio ambiente.
Em “e”: Alguns críticos da responsabilidade social defendem a ideia de que: (X) o objetivo das empresas é o lucro e
a geração de empregos , não a preocupação com a sociedade como um todo.

5. (PC-SP - Investigador de Polícia – Vunesp-2014)

De acordo com a norma-padrão, no primeiro quadrinho, na fala de Hagar, deve ser utilizada uma vírgula, obrigatoria-
mente,

a) antes da palavra “olho”.


b) antes da palavra “e”.
c) depois da palavra “evitar”.
d) antes da palavra “evitar”.
e) depois da palavra “e”.

Resposta: Letra C. “Não posso evitar doutor” = no diálogo, Hagar fala com o doutor (vocativo); portanto, presença
obrigatória de vírgula após o verbo “evitar”.

6. (TJ-RS – JUIZ DE DIREITO – SUBSTITUTO – VUNESP-2018) No trecho do primeiro parágrafo do texto – Nas escolas
da Catalunha, a separação da Espanha tem apoio maciço. É uma situação que contrasta com outros lugares de Barcelona,
LÍNGUA PORTUGUESA

uma cidade que vive hoje em duas dimensões. De um lado, há a Barcelona dos turistas, que se cotovelam nos pontos
turísticos da cidade, … –, empregam-se as vírgulas para separar as expressões destacadas porque elas

a) acrescem às informações precedentes comentários que lhes ampliam o sentido.


b) sintetizam as ideias centrais das informações precedentes.
c) apresentam informações que se opõem às informações precedentes.
d) retificam as informações precedentes, dando-lhes o correto matiz semântico.
e) estabelecem certas restrições de sentido às informações precedentes.

127
Resposta: Letra A. É uma situação que contrasta com B) Homófonas: são palavras iguais na pronúncia e
outros lugares de Barcelona, uma cidade que vive hoje diferentes na escrita:
em duas dimensões. De um lado, há a Barcelona dos tu- acender (atear) e ascender (subir); concertar (harmo-
ristas, que se cotovelam nos pontos turísticos da cidade nizar) e consertar (reparar); cela (compartimento) e sela
Os períodos destacados acrescentam informações aos (arreio); censo (recenseamento) e senso ( juízo); paço (pa-
termos citados anteriormente. lácio) e passo (andar).
C) Homógrafas e homófonas simultaneamente (ou
perfeitas): São palavras iguais na escrita e na pro-
SEMÂNTICA: POLISSEMIA, AMBIGUIDADE, núncia:
DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO, FIGURAS caminho (subst.) e caminho (verbo); cedo (verbo) e
E FUNÇÕES DE LINGUAGEM, VÍCIOS DE cedo (adv.); livre (adj.) e livre (verbo).
LINGUAGEM
• Parônimos = palavras com sentidos diferentes, po-
rém de formas relativamente próximas. São pala-
vras parecidas na escrita e na pronúncia: cesta (re-
Significação das palavras ceptáculo de vime; cesta de basquete/esporte) e
sesta (descanso após o almoço), eminente (ilustre)
Semântica é o estudo da significação das palavras e e iminente (que está para ocorrer), osso (substan-
das suas mudanças de significação através do tempo ou tivo) e ouço (verbo), sede (substantivo e/ou verbo
em determinada época. A maior importância está em dis- “ser” no imperativo) e cede (verbo), comprimen-
tinguir sinônimos e antônimos (sinonímia / antonímia) e to (medida) e cumprimento (saudação), autuar
homônimos e parônimos (homonímia / paronímia). (processar) e atuar (agir), infligir (aplicar pena) e
infringir (violar), deferir (atender a) e diferir (diver-
Sinônimos gir), suar (transpirar) e soar (emitir som), aprender
São palavras de sentido igual ou aproximado: alfa- (conhecer) e apreender (assimilar; apropriar-se
beto - abecedário; brado, grito - clamor; extinguir, apagar de), tráfico (comércio ilegal) e tráfego (relativo
- abolir. a movimento, trânsito), mandato (procuração) e
Duas palavras são totalmente sinônimas quan