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UNIVERSIDADE CATÓLICA DO SALVADOR

Rafael Lemos Oliveira

O LIBERALISMO NA CONSTITUIÇAO FEDERAL BRASILEIRA DE 1988

Salvador
2016
UNIVERSIDADE CATÓLICA DO SALVADOR

Rafael Lemos Oliveira

O LIBERALISMO NA CONSTITUIÇAO FEDERAL BRASILEIRA DE 1988

Trabalho de conclusão de curso de


graduação apresentado à Universidade
Católica do Salvador como requisito parcial
para a obtenção do título de Bacharel(a) em
Direito

Orientador: Adhemar Ferreira

Salvador
2016
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RESUMO

O trabalho tem como objetivo, fazer uma análise critica sobre como o Liberalismo é
abordado dentro da constituição brasileira e como o mesmo exerce influência na
mesma, pesquisar e relacionar seus conceitos estabelecendo uma relação com o
atual contexto econômico e politico brasileiro. Através desse trabalho, busca-se
também, chegar a conclusões sobre como pode ou não o Liberalismo ser usado
como ferramenta para retomada do crescimento econômico brasileiro, suas
principais virtudes, defeitos, contradições, experiências em outros países, o porquê
do antagonismo do mesmo com o socialismo e também sua rejeição entre setores
da sociedade.

.PALAVRAS CHAVE
LIBERALISMO, CONSTITUIÇÃO FEDERAL, AUTONOMIA PRIVADA, NEGÓCIO
JURIDICO, ECONOMIA, CAPITALISMO.

ABSTRACT
The work aims to make a critical analysis of how liberalism is discussed within the
Brazilian constitution and how it influences the same, search and relate their
concepts establishing a relationship with the current economic context and Brazilian
politician. Through this work, we seek to also reach conclusions on how may or may
not Liberalism be used as a tool for recovery of Brazilian economic growth, its main
virtues, flaws, contradictions, experiences in other countries, the same antagonism
why with socialism and also its rejection among sectors of society.

KEY WORDS
LIBERALISM, FEDERAL CONSTITUTION, AUTONOMY PRIVATE, BUSINESS
LEGAL, ECONOMIC, CAPITALISM
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SUMÁRIO
1- INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 4
2- CONCEITOS DE LIBERALISMO, LIBERALISMO POLITICO E LIBERALISMO
ECONÔMICO..............................................................................................................5

3- INFLUÊNCIA DO PENSAMENTO LIBERAL NA ELABORAÇÃO


CONSTITUIÇÃO DE 1988...........................................................................................7

4- ARTIGOS DA CONSTITUIÇÃO RELACIONADOS COM O LIBERALISMO

5- INSTITUTOS DA CONSTITUIÇÃO DE 1988 RELACIONADOS COM O


LIBERALISMO.............................................................................................................8

5.1- COM O LIBERALISMO POLITICO....................................................8

5.1.1- LIBERDADE INDIVIDUAL......................................................8

5.1.2- PROPRIEDADE PRIVADA.....................................................9

5.1.3- SEPARAÇÃO DE PODERES...............................................10

5.2- COM O LIBERALISMO ECONÔMICO.............................................11

5.2.1- LIVRE INICIATIVA..................................................................12


5.2.2- LIVRE CONCORRÊNCIA.......................................................13

5.2.3- LIMITAÇÕES AO PODER DE TRIBUTAR.............................14

6- CONCLUSÃO........................................................................................................14
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1- INTRODUÇÃO

O presente artigo busca informar e verificar a viabilidade do uso da visão liberal no


atual contexto econômico brasileiro, como alternativa para fomentar a retomada do
crescimento econômico, quais os limites presentes dentro da Constituição brasileira
para a participação do estado, o conceito de autonomia privada, como estão
pautados os negócios jurídicos no ordenamento brasileiro, enfim destaca-se a
importância de mergulhar nesse tema a fim de criar uma visão abrangente do
mesmo, além de propor soluções voltadas para o fortalecimento das relações
contratuais sem fugir dos princípios da lei maior, a Carta Magna, que rege o Estado
brasileiro.
Muito abordado atualmente, o Liberalismo ganha força, fundamentalmente devido à
dificuldade que países tradicionalmente com visões de maior participação estatal,
como os da América latina, que sofrem quanto ao crescimento da sua economia e
em alguns casos com forte recessão. Nesse contexto, é de grande relevância
estabelecer um paralelo, verificando como o Liberalismo estaria “respaldado” na
Constituição Federal de 1988, que ao mesmo tempo garante grandes avanços no
que tange à garantias e proteção social para os seus cidadãos, impõe controle para
com diversas formas de relação a fim de garantir a sonhada justiça social
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2- CONCEITOS DE LIBERALISMO, LIBERALISMO POLITICO E LIBERALISMO


ECONÔMICO

O ponto central do liberalismo é a ênfase na liberdade dos indivíduos, com igualdade


de direitos jurídicos e políticos, mas cujas ações devem ser recompensadas de
acordo com os talentos individuais e disposição para o trabalho, ou seja, com o uso
que cada indivíduo faz de sua liberdade, como podemos perceber no próprio sentido
da palavra “liberal”, que deriva do latim “liber” e “referia-se a uma classe de homens
livres; em outras palavras, homens que não eram nem servos nem escravos [...]
passou a ser cada vez mais associado a ideias de liberdade de escolha”
(HEYWOOD, 2010, p. 37)

O liberalismo é uma doutrina que se baseia na defesa das iniciativas individuais e


que procura limitar a intervenção do Estado na vida económica, social e cultural.
Trata-se de um sistema filosófico e político que promove as liberdades civis e que se
opõe ao despotismo. A democracia representativa e os princípios republicanos têm
por base as doutrinas liberais.
Embora se costume falar do liberalismo como um todo uniforme, é possível fazer a
distinção entre vários tipos de liberalismo. O liberalismo económico é o mais
divulgado, já que é defendido pelas grandes corporações e pelos grupos
económicos de maior envergadura. Visa limitar a intromissão estatal nas relações
comerciais, promulgando a redução dos impostos e acabando com os regulamentos.
O liberalismo económico é da opinião que, ao não intervir o Estado, é garantida a
igualdade de condições e é estabelecido um mercado competitivo perfeito. A falta de
intervenção do Estado, porém, não dá acesso à ajuda social (são cancelados os
subsídios, por exemplo).
O liberalismo social, por sua vez, defende a liberdade nos comportamentos privados
dos indivíduos e nas suas relações sociais. A legalização do consumo de drogas
tem o aval do liberalismo social.
O liberalismo político, por fim, entrega o poder aos cidadãos, os quais elegem os
seus representantes de forma livre e soberana. Os funcionários estatais são portanto
eleitos pelo poder popular da democracia.
Cada uma destas doutrinas do liberalismo tem, como é óbvio, variantes e
defensores mais ou menos acérrimos das liberdades promovidas.
Definição

Liberalismo pode ser definido como um conjunto de princípios e teorias políticas, que
apresenta como ponto principal a defesa da liberdade política e econômica. Neste
sentido, os liberais são contrários ao forte controle do Estado na economia e na vida
das pessoas.
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Origem

O pensamento liberal teve sua origem no século XVII, através dos trabalhos sobre
política publicados pelo filósofo inglês John Locke. Já no século XVIII, o liberalismo
econômico ganhou força com as ideias defendidas pelo filósofo e economista
escocês Adam Smith.

Podemos citar como princípios básicos do liberalismo:

- Defesa da propriedade privada;

- Liberdade econômica (livre mercado);

- Mínima participação do Estado nos assuntos econômicos da nação (governo


limitado);

- Igualdade perante a lei (estado de direito).

Neoliberalismo

Na década de 1970 surgiu o neoliberalismo, que é a aplicação dos princípios liberais


numa realidade econômica pautada pela globalização e por novos paradigmas do
capitalismo.
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4- ARTIGOS DA CONSTITUIÇÃO RELACIONADOS COM O LIBERALISMO

. Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos


Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de
Direito e tem como fundamentos:

I - a soberania;

II - a cidadania

III - a dignidade da pessoa humana;

IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;

V - o pluralismo político.

Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de
representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II - garantir o desenvolvimento nacional;

III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e


regionais;

IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor,


idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações


internacionais pelos seguintes princípios:

I - independência nacional;

II - prevalência dos direitos humanos;

III - autodeterminação dos povos;

IV - não-intervenção;

V - igualdade entre os Estados;

VI - defesa da paz;

VII - solução pacífica dos conflitos;


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VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;

IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;

X - concessão de asilo político.

Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração


econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à
formação de uma comunidade latino-americana de nações.

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos
seguintes:

I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta


Constituição;

II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em


virtude de lei;

IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da


indenização por dano material, moral ou à imagem;

IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de


comunicação, independentemente de censura ou licença;

X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das


pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente
de sua violação;

XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem


consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para
prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;

XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as


qualificações profissionais que a lei estabelecer;

XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da


fonte, quando necessário ao exercício profissional;

XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo


qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus
bens;

XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao


público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião
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anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à
autoridade competente;

XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter


paramilitar;

XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas


independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu
funcionamento;

XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas


atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito
em julgado;

XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado;

XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm


legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente;

XXII - é garantido o direito de propriedade;

XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;

XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade


ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em
dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;

XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá


usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se
houver dano;

XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que


trabalhada pela família, não será objeto de penhora para pagamento de débitos
decorrentes de sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de financiar o
seu desenvolvimento;

XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou


reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar;

XXVIII - são assegurados, nos termos da lei:

b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem


ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes e às respectivas
representações sindicais e associativas;

XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário


para sua utilização, bem como proteção às criações industriais, à propriedade das
marcas, aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista o
interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País;
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XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor;

XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu
interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo
da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja
imprescindível à segurança da sociedade e do Estado;

XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a


direito;

XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa
julgada;

XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção;

XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados,


civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático;

XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a


natureza do delito, a idade e o sexo do apenado;

XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;

L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer


com seus filhos durante o período de amamentação;

LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime


comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em
tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei;

LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de


opinião;

LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido


processo legal;

LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em


geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a
ela inerentes;

LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão


comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa
por ele indicada;

§ 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros


decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados
internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.
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Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na


livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames
da justiça social, observados os seguintes princípios:

I - soberania nacional;

II - propriedade privada;

III - função social da propriedade;

IV - livre concorrência;

V - defesa do consumidor;

VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado


conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de
elaboração e prestação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de
19.12.2003)

VII - redução das desigualdades regionais e sociais;

VIII - busca do pleno emprego;

IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob


as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 6, de 1995)

Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade


econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos
previstos em lei.
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5- A CONSTITUIÇÃO COMO FERRAMENTA PARA HARMONIZAR GERAÇÃO DE


RIQUEZA E DIMINUIÇÃO DA DESIGUALDADE SOCIAL
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6- CONCLUSÃO
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REFERÊNCIAS

- Wambier, Luiz Rodrigues. Curso Avançado de Processo Civil, São Paulo:


Editora Revista dos Tribunais, 2007
- Theodoro, Humberto. Lei de Execução Fiscal, São Paulo: Editora Saraiva,
2016

APÊNDICE A – INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS


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Inserir apêndice (se houver).


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ANEXO A – NORMAS DE PUBLICAÇÃO DA REVISTA X

Inserir normas de publicação da revista selecionada para a publicação do


artigo (item obrigatório).