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HIGIENE DO TRABALHO I -

NORMATIZAÇÃO E
LEGISLAÇÃO APLICADAS
PROF.A MA. ANA CAROLINA BRITTO CASTILHO
Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira
REITOR

Reitor:
Prof. Me. Ricardo Benedito de
Oliveira
Pró-reitor:
Prof. Me. Ney Stival
Diretoria EAD:
Prezado (a) Acadêmico (a), bem-vindo Prof.a Dra. Gisele Caroline
(a) à UNINGÁ – Centro Universitário Ingá. Novakowski
Primeiramente, deixo uma frase de Só- PRODUÇÃO DE MATERIAIS
crates para reflexão: “a vida sem desafios não
vale a pena ser vivida.” Diagramação:
Alan Michel Bariani
Cada um de nós tem uma grande res- Thiago Bruno Peraro
ponsabilidade sobre as escolhas que fazemos,
e essas nos guiarão por toda a vida acadêmica Revisão Textual:
e profissional, refletindo diretamente em nossa Felipe Veiga da Fonseca
vida pessoal e em nossas relações com a socie- Letícia Toniete Izeppe Bisconcim
dade. Hoje em dia, essa sociedade é exigente Luana Ramos Rocha
e busca por tecnologia, informação e conheci-
mento advindos de profissionais que possuam Produção Audiovisual:
novas habilidades para liderança e sobrevivên- Eudes Wilter Pitta Paião
cia no mercado de trabalho. Márcio Alexandre Júnior Lara
Marcus Vinicius Pellegrini
De fato, a tecnologia e a comunicação Osmar da Conceição Calisto
têm nos aproximado cada vez mais de pessoas,
diminuindo distâncias, rompendo fronteiras e Gestão de Produção:
nos proporcionando momentos inesquecíveis. Kamila Ayumi Costa Yoshimura
Assim, a UNINGÁ se dispõe, através do Ensino
a Distância, a proporcionar um ensino de quali-
dade, capaz de formar cidadãos integrantes de
uma sociedade justa, preparados para o mer-
cado de trabalho, como planejadores e líderes
atuantes.

Que esta nova caminhada lhes traga


muita experiência, conhecimento e sucesso.

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UNIDADE ENSINO A DISTÂNCIA

01
DISCIPLINA:
HIGIENE DO TRABALHO I - NORMATIZAÇÃO E
LEGISLAÇÃO APLICADAS

CONCEITUANDO A HIGIENE OCUPACIONAL


PROF.A MA. ANA CAROLINA BRITTO CASTILHO

SUMÁRIO DA UNIDADE

INTRODUÇÃO..............................................................................................................................................................6
1. PRINCIPAIS CONCEITOS....................................................................................................................................... 7
1.1 TRABALHO E SEU IMPACTO NA VIDA DO TRABALHADOR............................................................................... 7
1.1.1 ANTECIPAÇÃO.....................................................................................................................................................8
1.1.2 RECONHECIMENTO...........................................................................................................................................8
1.1.3 AVALIAÇÃO .........................................................................................................................................................9
1.1.4 CONTROLE .........................................................................................................................................................9
1.2 LEGISLAÇÃO APLICADA À HIGIENE E SEGURANÇA DO TRABALHO.............................................................. 10
1.2.1 NR 1 - DISPOSIÇÕES GERAIS.......................................................................................................................... 10
1.2.2 NR 2 - INSPEÇÃO PRÉVIA .............................................................................................................................. 10
1.2.3 NR 3 - EMBARGO OU INTERDIÇÃO ............................................................................................................... 10

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1.2.4 NR 4 - SERVIÇOS ESPECIALIZADOS EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA E EM MEDICINA DO TRABALHO
(SESMT) .....................................................................................................................................................................11
1.2.5 NR 5 - COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES (CIPA) .......................................................11
1.2.6 NR 6 - EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL .....................................................................................11
1.2.7 NR 7 - PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO DE SAÚDE OCUPACIONAL ....................................................11
1.2.8 NR 8 - EDIFICAÇÕES ........................................................................................................................................11
1.2.9 NR 9 - PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOS AMBIENTAIS ................................................................. 12
1.2.10 NR 10 - INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE ........................................................................... 12
1.2.11 NR 11 - TRANSPORTE, MOVIMENTAÇÃO, ARMAZENAGEM E MANUSEIO DE MATERIAIS .................... 12
1.2.12 NR 12 - SEGURANÇA NO TRABALHO EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS .............................................. 12
1.2.13 NR 13 - CALDEIRAS E VASOS DE PRESSÃO................................................................................................. 12
1.2.14 NR 14 - FORNOS ............................................................................................................................................. 13
1.2.15 NR 15 - ATIVIDADES E OPERAÇÕES INSALUBRES .................................................................................... 13
1.2.16 NR 16 - ATIVIDADES E OPERAÇÕES PERIGOSAS ...................................................................................... 13
1.2.17 NR 17 - ERGONOMIA ...................................................................................................................................... 13
1.2.18 NR 18 - CONDIÇÕES E MEIO AMBIENTE DE TRABALHO NA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO ................ 13
1.2.19 NR 19 - EXPLOSIVOS...................................................................................................................................... 13
1.2.20 NR 20 - LÍQUIDOS COMBUSTÍVEIS E INFLAMÁVEIS ............................................................................... 13
1.2.21 NR 21 - TRABALHOS A CÉU ABERTO............................................................................................................ 14
1.2.22 NR 22 - SEGURANÇA E SAÚDE OCUPACIONAL NA MINERAÇÃO ............................................................ 14
1.2.23 NR 23 - PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS .................................................................................................. 14
1.2.24 NR 24 - CONDIÇÕES SANITÁRIAS E DE CONFORTO NOS LOCAIS DE TRABALHO ................................ 14
1.2.25 NR 25 - RESÍDUOS INDUSTRIAIS ............................................................................................................... 14
1.2.26 NR 26 - SINALIZAÇÃO DE SEGURANÇA ...................................................................................................... 14
1.2.27 NR 27 - REGISTRO PROFISSIONAL DO TÉCNICO DE SEGURANÇA DO TRABALHO NO MINISTÉRIO DO
TRABALHO................................................................................................................................................................. 15
1.2.28 NR 28 - FISCALIZAÇÃO E PENALIDADES ................................................................................................... 15
1.2.29 NR 29 - NORMA REGULAMENTADORA DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO PORTUÁRIO ........ 15
1.2.30 NR 30 - SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO AQUAVIÁRIO .................................................................. 15

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1.2.31 NR 31 - SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NA AGRICULTURA, PECUÁRIA SILVICULTURA, EXPLORA-
ÇÃO FLORESTAL E AQUICULTURA.......................................................................................................................... 16
1.2.32 NR 32 - SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO EM ESTABELECIMENTOS DE SAÚDE........................... 16
1.2.33 NR 33 - SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO EM ESPAÇOS CONFINADOS ......................................... 17
1.2.34 NR 34 - CONDIÇÕES E MEIO AMBIENTE DE TRABALHO NA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO E REPARA-
ÇÃO NAVAL ................................................................................................................................................................ 17
1.2.35 NR 35 - TRABALHO EM ALTURA .................................................................................................................. 17
1.2.36 NR 36 - NORMA REGULAMENTADORA SOBRE ABATE E PROCESSAMENTO DE CARNES E DERIVA-
DOS ............................................................................................................................................................................ 17
1.2.37 NR 37 – SEGURANÇA E SAÚDE EM PLATAFORMAS DE PETRÓLEO......................................................... 18
1.3 NORMAS DE HIGIENE OCUPACIONAL (NHO).................................................................................................. 18
1.3.1 NHO 01 - PROCEDIMENTO TÉCNICO: AVALIAÇÃO DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL AO RUÍDO............... 19
1.3.2 NHO 03 - MÉTODO DE ENSAIO: ANÁLISE GRAVIMÉTRICA DE AERODISPERSÓIDES SÓLIDOS COLETA-
DOS SOBRE FILTROS E MEMBRANA...................................................................................................................... 19
1.3.3 NHO 04 - MÉTODO DE ENSAIO: MÉTODO DE COLETA E A ANÁLISE DE FIBRAS EM LOCAIS DE TRABA-
LHO............................................................................................................................................................................. 19
1.3.4 NHO 05 - PROCEDIMENTO TÉCNICO: AVALIAÇÃO DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL AOS RAIOS X NOS
SERVIÇOS DE RADIOLOGIA..................................................................................................................................... 19
1.3.5 NHO 06 - AVALIAÇÃO DA EXPOSIÇÃO AO CALOR ....................................................................................... 19
1.3.6 NHO 07- CALIBRAÇÃO DE BOMBAS DE AMOSTRAGEM INDIVIDUAL PELO MÉTODO DA BOLHA DE
SABÃO........................................................................................................................................................................20
1.3.7 NHO 08 - COLETA DE MATERIAL PARTICULADO SÓLIDO SUSPENSO NO AR DE AMBIENTES DE TRABA-
LHO.............................................................................................................................................................................20
1.3.8 NHO 09 - PROCEDIMENTO TÉCNICO: AVALIAÇÃO DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL À VIBRAÇÃO DE COR-
PO INTEIRO...............................................................................................................................................................20
1.3.9 NHO 10 - PROCEDIMENTO TÉCNICO: AVALIAÇÃO DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL À VIBRAÇÃO EM
MÃOS E BRAÇOS.......................................................................................................................................................20
1.3.10 NHO 11 - AVALIAÇÃO DOS NÍVEIS DE ILUMINAMENTO EM AMBIENTES INTERNOS DE TRABALHO.. 21
1.4 CLASSIFICAÇÃO DOS RISCOS............................................................................................................................ 21
CONSIDERAÇÕES FINAIS.........................................................................................................................................23

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INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a), iniciaremos nossos estudos com o objetivo de estabelecer uma série
de elementos teóricos que proporcionem um entendimento sobre as normas e legislação sobre
segurança do trabalho.
O foco principal de construção e seleção dos conceitos a serem abordados inicialmente
são as contribuições de certos aspectos que a teoria pode trazer para a ação do profissional de
Segurança do trabalho.
A relevância dessa unidade é o destaque que considero importante para a compreensão
dos conceitos utilizados em segurança do trabalho, historicamente situados no modo de produção
capitalista, visto que é o sistema no qual estamos inseridos com todas as particularidades de uma

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sociedade contemporânea.
A Higiene Ocupacional é a disciplina que vai ajudar a reconhecer e quantificar os riscos
operacionais, pois fornecerá os conhecimentos necessários para que o profissional em Segurança
do Trabalho possa pautar suas ações, tanto qualitativas como quantitativas. O estudo dos riscos
ocupacionais, suas subdivisões, suas unidades de medida, a instrumentação necessária e as
normas envolvidas nesse trabalho são essenciais para o bom desempenho profissional.
As ações principais de identificação e redução dos riscos passam pelas etapas de
antecipação, reconhecimento, avaliação e controle, para tanto, é necessário que compreendamos
cada uma delas.
Você, a partir de agora, estará começando a aprender sobre uma das áreas fundamentais
do exercício profissional e, portanto, é necessário muito empenho e dedicação. Reforço que o que
diferencia um bom profissional dos outros é, sem dúvida, o conhecimento.

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1. PRINCIPAIS CONCEITOS

1.1 Trabalho e seu Impacto na Vida do Trabalhador


Com a evolução das tecnologias vários benefícios e conforto foram proporcionados ao
trabalhador. No entanto, esse progresso expôs os trabalhadores a diversos agentes que, sobre
determinadas condições, podem provocar doenças ocupacionais e problemas no organismo
humano.
Segundo o conceito emitido pela Organização Mundial de Saúde, a saúde é um estado
completo de bem-estar físico, mental e social e que não consiste somente na ausência de doença
ou de enfermidade. A definição de higiene ocupacional consiste na ciência e arte que se dedica à

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antecipação, reconhecimento, avaliação e controle dos riscos ambientais ou geradores de estresse
nos locais de trabalho, que podem causar doenças, danos à saúde ou ao bem estar ou, ainda,
significante desconforto ou ineficiência nos trabalhadores e podem causar impacto à comunidade
geral.
A higiene ocupacional, com seu caráter prevencionista, tem como objetivo fundamental
atuar nos ambientes de trabalho (e em ambientes afetados), aplicando princípios administrativos,
de engenharia e de medicina do trabalho no controle e prevenção das doenças ocupacionais.
Objetiva, também, detectar os agentes nocivos, quantificando sua intensidade ou concentração
e propondo medidas de controle necessárias para assegurar condições seguras para realização
de atividades de trabalho. A higiene ocupacional também é denominada higiene industrial ou
higiene do trabalho. É a área em que os profissionais de segurança exercerão grande parte de suas
atividades prevencionistas.

Risco é igual a concentração x frequência


Algumas definições:
Dose: quantidade, porção.
Risco: possibilidade de perigo, ameaça.
Ameaça: prenuncio de qualquer coisa ruim.
Perigo: situação que ameaça a existência ou integridade de uma pessoa ou coisa.

As definições de higiene podem conter uma ou outra variação conceitual, mas todas
elas, essencialmente, visam o mesmo objetivo que é proteger e promover a saúde e o bem-estar
dos trabalhadores como também do meio ambiente em geral, por meio de ações preventivas no
ambiente de trabalho.
Outro ponto relevante é que em praticamente todas as definições quatro palavras são
destaques: antecipação, reconhecimento, avaliação e controle.

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1.1.1 Antecipação
A antecipação constitui-se de normas, instruções e procedimentos para o correto
funcionamento dos processos, visando reduzir ou eliminar riscos que possam surgir, ou seja,
assegurar que sejam tomadas medidas eficazes para evitá-los. O primeiro passo está na consideração
e levantamento de riscos potenciais dentro daquela empresa e seus arredores para a elaboração de
medidas preventivas, antes que qualquer processo industrial seja implementado ou, até mesmo,
modificado.
Nessa etapa qualitativa pode-se fazer uso de técnicas de análise de riscos, como, por
exemplo, a APR (Análise Preliminar de Riscos) no projeto de novas instalações (PEIXOTO;
FERREIRA, 2012).

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Figura 1 – Antecipação dos riscos. Fonte: Google Imagens (2019).

1.1.2 Reconhecimento
Analisa de forma quantitativa as diferentes operações e processos, identificando a
presença de agentes físicos, químicos, biológicos e/ou ergonômicos que possam prejudicar a
saúde do trabalhador, estimando o grau de risco. O reconhecimento exige um conhecimento
extenso e cuidadoso de processos, operações, matérias-primas utilizadas ou geradas e eventuais
subprodutos. O PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – NR 09), o Mapa de Riscos
Ambientais (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – NR 05) e técnicas de análise de riscos
industriais são importantes ferramentas de informação nessa etapa (PEIXOTO; FERREIRA,
2012).

Figura 2 – Reconhecimento dos riscos em postos de trabalho. Fonte: UFSM (2019).

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1.1.3 Avaliação
A avaliação quantitativa dos riscos começa nesta fase, levando em conta todos os limites
de tolerância previamente estabelecidos pela NR 15.
Esses limites se referem ao nível de concentração e  intensidade relacionadas às
características dos agentes de riscos e tempo de exposição do funcionário a eles. A adequação
à norma, portanto, garantirá que não sejam causados danos à saúde do trabalhador enquanto
estiver em serviço.
Nessa etapa, serão obtidas as informações necessárias para determinar as prioridades
de monitoramento e controle ambiental, com a interpretação dos resultados das medições
representativas das exposições, de forma a subsidiar o equacionamento das medidas de controle
(PEIXOTO; FERREIRA, 2012).

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Figura 3 – Reconhecimento dos riscos em postos de trabalho. Fonte: Google Imagens (2019).

1.1.4 Controle
Adoção de medidas específicas para a eliminação ou minimização dos riscos levantados e
analisados anteriormente a um nível aceitável, a fim de atenuar os seus efeitos a valores compatíveis
com a preservação da saúde, do bem-estar e do conforto.
As medidas de controle podem estar relacionadas ao ambiente de trabalho ou ao
trabalhador. O conjunto dos controles deve ser (PEIXOTO; FERREIRA, 2012, p. 21):

a) Controle na fonte do risco: melhor forma de controle. Deve ser a primeira opção,
envolve substituição de materiais e/ou produtos, manutenção, substituição ou modificação
de processos e/ou equipamentos.

b) Controle na trajetória do risco (entre a fonte e o receptor): quando não for possível
o controle na fonte, podemos utilizar barreiras na transmissão do agente, tais como:
barreiras isolantes, refletoras, sistemas de exaustão etc.

c) Controle no receptor (trabalhador): as medidas de controle no trabalhador só devem


ser implantadas quando as medidas de controle na fonte e na trajetória forem inviáveis
ou em situações emergenciais. Como exemplo podemos citar: educação, treinamento,
equipamentos de proteção individual, higiene, limitação da exposição, rodízio de tarefas
etc.

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Figura 4 – Controle: ventilação local exaustora de processo. Fonte: UFSM (2019).

1.2 Legislação Aplicada à Higiene e Segurança do Trabalho


A Legislação Brasileira aplicada à higiene e segurança do trabalho é extensa e abrangente.
As instruções do Ministério do Trabalho e Emprego serão apresentadas na sequência de forma
resumida.

1.2.1 NR 1 - Disposições gerais


As NRs são de observância obrigatória pelas empresas privadas e públicas, e pelos órgãos
públicos de administração direta e indireta que possuam empregados regidos pela Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT). A NR1 estabelece a importância, funções e competência da Delegacia
Regional do Trabalho.

1.2.2 NR 2 - Inspeção prévia


Todo estabelecimento novo, antes de iniciar suas atividades, deverá solicitar aprovação de
suas instalações ao órgão do Ministério do Trabalho e Emprego

1.2.3 NR 3 - Embargo ou interdição


A Delegacia Regional do Trabalho, à vista de laudo técnico do serviço competente
que demonstre grave e iminente risco para o trabalhador, poderá interditar estabelecimento,
setor de serviço, máquina ou equipamento ou embargar a obra (CLT Artigo 161 inciso
3.6|3.4|3.7|3.8|3.9|3.10).

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1.2.4 NR 4 - Serviços especializados em engenharia de segurança e


em medicina do trabalho (SESMT)
A NR 4 estabelece os critérios para organização dos Serviços Especializados em
Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT), de forma a reduzir os acidentes
de trabalho e as doenças ocupacionais. Para cumprir suas funções, o SESMT deve ter os seguintes
profissionais: médico do trabalho, engenheiro de segurança do trabalho, enfermeiro do trabalho,
técnico de segurança do trabalho, auxiliar de enfermagem em quantidades estabelecidas em
função do número de trabalhadores e do grau de risco. O trabalho do SESMT é preventivo e
de competência dos profissionais citados anteriormente, com aplicação de conhecimentos de
engenharia de segurança e de medicina ocupacional no ambiente de trabalho para reduzir ou
eliminar os riscos à saúde dos trabalhadores. Dentre as atividades dos SESMT, estão a análise de
riscos e a orientação dos trabalhadores quanto ao uso dos equipamentos de proteção individual.

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É também de responsabilidade do SESMT o registro dos acidentes de trabalho (CLT - Artigo 162
inciso 4.1|4.2|4.8.9|4.10).

1.2.5 NR 5 - Comissão interna de prevenção de acidentes (CIPA)


As empresas privadas, públicas e órgãos governamentais que possuam empregados
regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ficam obrigados a organizar e manter
em funcionamento uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CLT Artigo 164 Inciso
5.6|5.6.1|5.6.2|5.7|5.11 e Artigo 165 inciso 5.8). A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes
(CIPA) tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de modo
a tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da vida e a promoção da
saúde do trabalhador.

1.2.6 NR 6 - Equipamento de proteção individual


Para os fins de aplicação desta NR, considera-se Equipamento de Proteção Individual (EPI)
todo dispositivo de uso individual, de fabricação nacional ou estrangeira, destinado a proteger a
saúde e a integridade física do trabalhador e que possua, enfim, o Certificado de Aprovação (CA),
pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A empresa é obrigada a fornecer aos empregados
gratuitamente (CLT - Artigo 166 inciso 6.3 subitem A - Artigo 167 inciso 6.2).

1.2.7 NR 7 - Programa de controle médico de saúde ocupacional


Esta NR estabelece a obrigatoriedade da elaboração e implementação por parte de todos
os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados, do Programa de
Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), cujo objetivo é promover e preservar a saúde
do conjunto dos seus trabalhadores.

1.2.8 NR 8 - Edificações
Esta NR estabelece requisitos técnicos mínimos que devem ser observados nas edificações
para garantir segurança e conforto aos que nelas trabalham.

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1.2.9 NR 9 - Programa de prevenção de riscos ambientais


Esta NR estabelece a obrigatoriedade da elaboração e implementação por parte de todos
os empregadores e instituições que admitam trabalhadores, como empregados do Programa de
Prevenção de Riscos Ambientais, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e consequente
controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de
trabalho.

1.2.10 NR 10 - Instalações e serviços em eletricidade


Esta NR estabelece os requisitos e condições mínimas exigidas para garantir a segurança
e saúde dos trabalhadores que interagem com instalações elétricas, em suas etapas de projeto,
construção, montagem, operação e manutenção, bem como de quaisquer trabalhos realizados

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em suas proximidades.

1.2.11 NR 11 - Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio


de materiais
Esta NR estabelece normas de segurança para operação de elevadores, guindastes,
transportadores industriais e máquinas transportadoras. O armazenamento de materiais deverá
obedecer aos requisitos de segurança para cada tipo de material.

1.2.12 NR 12 - Segurança no trabalho em máquinas e equipamentos


Esta NR estabelece os procedimentos obrigatórios nos locais destinados a máquinas e
equipamentos, como piso, áreas de circulação, dispositivos de partida e parada, normas sobre
proteção de máquinas e equipamentos, bem como manutenção e operação.
A Portaria nº 1.083, de 18 de dezembro de 2018, altera a Norma Regulamentadora nº 12
(NR-12) – Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos.
A alteração traz itens interessantes como:

• Redundância dos dispositivos responsáveis pela prevenção de partida inesperada ou pela


função de parada relacionada à segurança, conforme a categoria de segurança requerida,
o circuito elétrico da chave de partida de motores de máquinas e equipamentos.

• Anexo II que fala sobre o conteúdo programático da capacitação de segurança.

•  Medidas de segurança  para serviços em linhas, redes e  instalações energizadas com


tensões iguais ou inferiores a 1.000V.

1.2.13 NR 13 - Caldeiras e vasos de pressão


Esta NR estabelece os procedimentos obrigatórios nos locais onde se situam as caldeiras
de qualquer fonte de energia, projeto, acompanhamento de operação e manutenção, supervisão
de inspeção de caldeiras e vasos de pressão, em conformidade com a regulamentação profissional
vigente no país.

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1.2.14 NR 14 - Fornos
Esta NR estabelece os procedimentos mínimos, fixando construção sólida, revestida
com material refratário, de forma que o calor radiante não ultrapasse os limites de tolerância,
oferecendo o máximo de segurança e conforto aos trabalhadores.

1.2.15 NR 15 - Atividades e operações insalubres


Esta NR estabelece os procedimentos obrigatórios nas atividades ou operações insalubres
que são executadas acima dos limites de tolerância previstos na Legislação, comprovadas através
de laudo de inspeção do local de trabalho. Agentes agressivos: ruído, calor, radiações, pressões,
frio, umidade, agentes químicos.

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1.2.16 NR 16 - Atividades e operações perigosas
Esta NR estabelece os procedimentos nas atividades exercidas pelos trabalhadores que
manuseiam e/ou transportam explosivos ou produtos químicos, classificados como inflamáveis,
substâncias radioativas e serviços de operação e manutenção.

1.2.17 NR 17 - Ergonomia
Esta NR visa estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho
às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de
conforto, segurança e desempenho eficiente, incluindo os aspectos relacionados ao levantamento,
transporte e descarga de materiais, ao mobiliário, aos equipamentos e às condições ambientais do
posto de trabalho e à própria organização do trabalho.

1.2.18 NR 18 - Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da


construção
Esta NR estabelece diretrizes de ordem administrativa, de planejamento e de organização,
que objetivam a implementação de medidas de controle e sistemas preventivos de segurança nos
processos, nas condições e no meio ambiente de trabalho na indústria da construção.

1.2.19 NR 19 - Explosivos
Esta NR estabelece os procedimentos para manusear, transportar e armazenar explosivos
de uma forma segura, evitando acidentes.

1.2.20 NR 20 - Líquidos combustíveis e inflamáveis


Esta NR estabelece a definição para líquidos combustíveis, líquidos inflamáveis e gás de
petróleo liquefeito, parâmetros para armazenar, como transportar e como devem ser manuseados
pelos trabalhadores.

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1.2.21 NR 21 - Trabalhos a céu aberto


Esta NR estabelece os critérios mínimos para os serviços realizados a céu aberto, sendo
obrigatória a existência de abrigos, ainda que rústicos com boa estrutura, capazes de proteger os
trabalhadores contra intempéries.

1.2.22 NR 22 - Segurança e saúde ocupacional na mineração


Esta NR estabelece sobre procedimentos de Segurança e Medicina do Trabalho nas
atividades de minas, determinando que a empresa adotará métodos e manterá locais de trabalho
que proporcionem, a seus empregados, condições satisfatórias de Saúde, Segurança e Medicina
do Trabalho.

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1.2.23 NR 23 - Proteção contra incêndios
Esta NR estabelece os procedimentos que todas as empresas devam possuir no tocante à
proteção contra incêndio, saídas de emergência para os trabalhadores, equipamentos suficientes
para combater o fogo e pessoal treinado no uso correto.

1.2.24 NR 24 - Condições sanitárias e de conforto nos locais de tra-


balho
Esta NR estabelece critérios mínimos para fins de aplicação de aparelhos sanitários,
gabinete sanitário, banheiro, cujas instalações deverão ser separadas por sexo, vestiários,
refeitórios, cozinhas e alojamentos.

1.2.25 NR 25 - Resíduos industriais


Esta NR estabelece os critérios para eliminação de resíduos industriais dos locais de
trabalho, por meio de métodos, equipamentos ou medidas adequadas, de forma a evitar riscos à
saúde e à segurança do trabalhador.

1.2.26 NR 26 - Sinalização de segurança


Esta NR tem por objetivos fixar as cores que devam ser usadas nos locais de trabalho para
prevenção de acidentes, identificando, delimitando e advertindo contra riscos.

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1.2.27 NR 27 - Registro profissional do técnico de segurança do tra-


balho no ministério do trabalho
Esta NR estabelecia que o exercício da profissão de técnico de segurança do trabalho
dependia de registro no Ministério do Trabalho, efetuado pela SSST, com processo iniciado através
das DRT. Esta NR foi revogada pela portaria nº 262, de 29 de maio de 2008 (DOU de 30 de maio de
2008 – Seção 1 – p. 118). De acordo com o Art. 2º da supracitada portaria, o registro profissional
será efetivado pelo Setor de Identificação e Registro Profissional das Unidades Descentralizadas
do Ministério do Trabalho e Emprego, mediante requerimento do interessado, que poderá ser
encaminhado pelo sindicato da categoria. O lançamento do registro será diretamente na Carteira
de Trabalho e Previdência Social (CTPS).

1.2.28 NR 28 - Fiscalização e penalidades

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Esta NR estabelece que fiscalização, embargo, interdição e penalidades, no cumprimento
das disposições legais e/ou regulamentares sobre segurança e saúde do trabalhador, serão
efetuados obedecendo ao disposto nos decretos leis.

1.2.29 NR 29 - Norma regulamentadora de segurança e saúde no


trabalho portuário
Esta NR regulariza a proteção obrigatória contra acidentes e doenças profissionais,
alcançando as melhores condições possíveis de segurança e saúde dos trabalhadores que exerçam
atividades nos portos organizados e instalações portuárias de uso privativo e retroportuárias,
situadas dentro ou fora da área do porto organizado.

1.2.30 NR 30 - Segurança e saúde no trabalho aquaviário


Esta norma aplica-se aos trabalhadores das embarcações comerciais, de bandeira
nacional, bem como às de bandeiras estrangeiras, no limite do disposto na Convenção nº 147 da
Organização Internacional do Trabalho - Normas Mínimas para Marinha Mercante, utilizados
no transporte de mercadorias ou de passageiros, inclusive naquelas utilizadas na prestação de
serviços, seja na navegação marítima de longo curso, na de cabotagem, na navegação interior,
de apoio marítimo e portuário, bem como em plataformas marítimas e fluviais, quando em
deslocamento.

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1.2.31 NR 31 - Segurança e saúde no trabalho na agricultura, pecuária


silvicultura, exploração florestal e aquicultura
Esta NR tem por objetivo estabelecer os preceitos a serem observados na organização
e no ambiente de trabalho, de forma a tornar compatível o planejamento e o desenvolvimento
das atividades da agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e aquicultura, com a
segurança e saúde e meio ambiente do trabalho. Para fins de aplicação desta NR, considera-se
atividade agroeconômica aquela que, operando na transformação do produto agrário, não altere
a sua natureza, retirando-lhe a condição de matéria prima.
A Portaria nº 1.086, de 18 de dezembro de 2018, altera a Norma Regulamentadora nº 31
(NR-31) – Segurança e Saúde no Trabalho na Agricultura, Silvicultura, Exploração Florestal e
Aquicultura.
Itens interessantes do 31.3.1:

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• Previsão de elaboração de recomendações técnicas para os empregadores, empregados
e para trabalhadores autônomos, observados os usos e costumes regionais.

• Criação de banco de dados com base nas informações disponíveis sobre os acidentes e


doenças do trabalho.

No item 31.5 colocaram o nome Programa de Gestão de Segurança, Saúde e Meio


Ambiente do Trabalho Rural – PGSSMATR. Finalmente é fechada a lacuna se o tal programa
existe ou não.

1.2.32 NR 32 - Segurança e saúde no trabalho em estabelecimentos


de saúde
Esta NR tem por finalidade estabelecer as diretrizes básicas para a implementação
de medidas de proteção à segurança e à saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde, bem
como daqueles que exercem atividades de promoção e assistência à saúde em geral. Para fins
de aplicação desta NR, entende-se como serviços de saúde qualquer edificação destinada à
prestação de assistência à saúde da população e todas as ações de promoção, recuperação,
assistência, pesquisa e ensino em saúde em qualquer nível de complexidade. A responsabilidade
é solidária entre contratante e contratado quanto ao cumprimento da NR 32. A conscientização
e colaboração de todos é muito importante para prevenção de acidentes na área da saúde. As
atividades relacionadas aos serviços de saúde são aquelas que, no entendimento do legislador,
apresentam maior risco devido à possibilidade de contato com micro-organismos encontrados
nos ambientes e equipamentos utilizados no exercício do trabalho, com potencial de provocar
doenças nos trabalhadores. Os trabalhadores diretamente envolvidos com estes agentes são:
médicos, enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem, atendentes de ambulatórios e
hospitais, dentistas, limpeza e manutenção de equipamento hospitalar, motoristas de ambulância,
entre outros envolvidos em serviços de saúde.

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1.2.33 NR 33 - Segurança e saúde no trabalho em espaços confina-


dos
Esta NR tem por objetivo estabelecer os requisitos mínimos para identificação de espaços
confinados e o reconhecimento, avaliação, monitoramento e controle dos riscos existentes, de
forma a garantir permanentemente a segurança e saúde dos trabalhadores e que interagem direta
ou indiretamente nestes espaços. Espaço confinado é qualquer área ou ambiente não projetado
para ocupação humana contínua que possua meios limitados de entrada e saída, cuja ventilação
existente é insuficiente para remover contaminantes ou onde possa existir a deficiência ou
enriquecimento de oxigênio.

1.2.34 NR 34 - Condições e meio ambiente de trabalho na indústria

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da construção e reparação naval
Esta NR tem por finalidade estabelecer os requisitos mínimos e as medidas de proteção
à segurança, à saúde e ao meio ambiente de trabalho nas atividades da indústria de construção
e reparação naval. Cita nove procedimentos de trabalhos executados em estaleiros: trabalho
a quente; montagem e desmontagem de andaimes; pintura; jateamento e hidrojateamento;
movimentação de cargas; instalações elétricas provisórias; trabalhos em altura; utilização de
radionuclídeos e gamagrafia; máquinas portáteis rotativas.

1.2.35 NR 35 - Trabalho em altura


A NR-35 estabelece os requisitos mínimos e as medidas de proteção para o trabalho em
altura, como o planejamento, a organização e a execução, a fim de garantir a segurança e a saúde
dos trabalhadores com atividades executadas acima de dois metros do nível inferior, onde haja
risco de queda.

1.2.36 NR 36 - Norma regulamentadora sobre abate e processamen-


to de carnes e derivados
O objetivo desta Norma é estabelecer os requisitos mínimos para a avaliação, controle
e monitoramento dos riscos existentes nas atividades desenvolvidas na indústria de abate
e processamento de carnes e derivados destinados ao consumo humano, de forma a garantir
permanentemente a segurança, a saúde e a qualidade de vida no trabalho, sem prejuízo da
observância do disposto nas demais Normas Regulamentadoras - NR do Ministério do Trabalho
e Emprego.
A Portaria nº 1.087, de 18 de dezembro de 2018, altera o anexo II da NR 36.
Essa alteração impacta diretamente nos requisitos de segurança específicos para máquinas
utilizadas nas indústrias de abate e processamento de carnes e derivados destinados ao consumo
humano.
A alteração da Norma Regulamentadora nº 36 (NR-36) – Segurança e Saúde no Trabalho
em Empresas de Abate e Processamento de Carnes e Derivados traz muitas mudanças para o
maquinário e trará mais segurança para os trabalhadores que laboram com eles.

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1.2.37 NR 37 – Segurança e saúde em plataformas de petróleo


O texto, que entrará em vigor em dezembro de 2019, estabelece os requisitos mínimos de
SST para atividades a bordo de plataformas de exploração e produção de petróleo e gás.

1.3 Normas de Higiene Ocupacional (NHO)


A Fundacentro é uma instituição de pesquisa e estudos atinentes à segurança, higiene e
medicina do trabalho, vinculada ao Ministério do Trabalho. A Fundacentro tem por finalidade a
realização de estudos e pesquisas pertinentes aos problemas de segurança, higiene, meio ambiente
e medicina do trabalho e, especialmente:

I. pesquisar e analisar o meio ambiente do trabalho e do trabalhador, para a identificação

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das causas dos acidentes e das doenças no trabalho.

II. realizar estudos, testes e pesquisas relacionados com a avaliação e o controle de


medidas, métodos e de equipamentos de proteção coletiva e individual do trabalhador.

III. desenvolver e executar programas de formação, aperfeiçoamento e especialização de


mão-de-obra profissional, relacionados com as condições de trabalho nos aspectos de
saúde, segurança, higiene e meio ambiente do trabalho e do trabalhador.

IV. promover atividades relacionadas ao treinamento e à capacitação profissional de


trabalhadores e empregadores.

V. prestar apoio técnico aos órgãos responsáveis pela política nacional de segurança,
higiene e medicina do trabalho, bem como a orientação a órgãos públicos, entidades
privadas e sindicais, tendo em vista o estabelecimento e a implantação de medidas
preventivas e corretivas de segurança, higiene e medicina do trabalho.

VI. promover estudos que visem ao estabelecimento de padrões de eficiência e qualidade


referentes às condições de saúde, segurança, higiene e meio ambiente do trabalho e do
trabalhador.

VII. exercer outras atividades técnicas e administrativas que lhe forem delegadas pelo
Ministro de Estado do Trabalho e Emprego.

Sendo assim, as NHOs – Normas de Higiene Ocupacional – da Fundacentro são criadas


com foco em determinar limites de tolerância, metodologia de avaliação, critérios técnicos de
equipamentos usados nas avaliações de riscos ocupacionais, bem como servem de orientação
sobre formas de controle de agentes de riscos ambientais.

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1.3.1 NHO 01 - Procedimento técnico: avaliação da exposição ocupa-


cional ao ruído
A Coordenação de Higiene do Trabalho da Fundacentro publicou, em 1980, uma série de
Normas Técnicas denominadas Normas de Higiene Ocupacional- NHO. Desta forma, apresenta-
se ao público técnico que atua na área da saúde ocupacional a norma Avaliação da Exposição
Ocupacional ao Ruído, resultado do reestudo da equipe técnica da Coordenação de Higiene do
Trabalho.

1.3.2 NHO 03 - Método de ensaio: análise gravimétrica de aerodis-


persóides sólidos coletados sobre filtros e membrana

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Após 10 anos de publicação, o método de ensaio Determinação Gravimétrica de
Aerodispersóides, publicado em 1989 na Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, nº 66, v. 17, foi
revisado em 2001 para a introdução de conceitos mais abrangentes, recebendo um novo título
Análise Gravimétrica de Aerodispersóides Sólidos Coletados sobre Filtros de Membrana. O método
colabora na prevenção de doenças ocupacionais originadas pela exposição dos trabalhadores a
poeira, fornecendo subsídios para a proposição de medidas de controle e para a verificação de
sua eficiência.

1.3.3 NHO 04 - Método de ensaio: método de coleta e a análise de


fibras em locais de trabalho
A avaliação ambiental nos locais de trabalho é uma medida preventiva importante, uma
vez que pode indicar se determinadas condições de trabalho trarão prejuízos ou não à saúde dos
trabalhadores, especialmente quando as doenças causadas pelo trabalho se manifestam somente
após longo tempo de latência, como é o caso das doenças originadas pela maioria das fibras.

1.3.4 NHO 05 - Procedimento técnico: avaliação da exposição ocupa-


cional aos raios X nos serviços de radiologia
Esta norma apresenta-se aos profissionais que atuam na área de higiene ocupacional a
NHO 05: Avaliação da Exposição Ocupacional aos Raios X nos Serviços de Radiologia, resultado
da experiência obtida em vários levantamentos radiométricos realizados em diversos serviços de
saúde do Estado de São Paulo.

1.3.5 NHO 06 - Avaliação da exposição ao calor


A NHO 06 – 2ª Edição (2017) – estabelece critérios e procedimentos para a avaliação
da exposição ocupacional ao calor. A Norma introduz: níveis de ação para trabalhadores
aclimatizados, limite de exposição valor teto, correções no índice de bulbo úmido termômetro de
globo (IBUTG) médio em função do tipo de vestimenta utilizada, abordagem sobre avaliações
a céu aberto, critério de julgamento e tomada de decisão em função das condições de exposição
encontradas e apresenta considerações gerais sobre medidas preventivas e corretivas.

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1.3.6 NHO 07- Calibração de bombas de amostragem individual pelo


método da bolha de sabão
Aborda aspectos de novas tecnologias e conhecimentos disponíveis, gerados pela
Coordenação de Higiene do Trabalho.

1.3.7 NHO 08 - Coleta de material particulado sólido suspenso no ar


de ambientes de trabalho
É resultado da experiência acumulada nos últimos anos pela equipe da Coordenação de
Higiene do Trabalho e da atualização de conceitos utilizados como base para a coleta de material
particulado sólido, divulgados internacionalmente.

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1.3.8 NHO 09 - Procedimento técnico: avaliação da exposição ocupa-
cional à vibração de corpo inteiro
A NHO 09 estabelece critérios e procedimentos para avaliação da exposição ocupacional
a vibrações de corpo inteiro, tendo como principal foco a prevenção e o controle dos riscos.
Apresenta elementos para a análise preliminar e o enquadramento das situações abordadas,
sendo que as avaliações quantitativas são realizadas somente quando há incerteza em relação
à aceitabilidade das situações de exposição analisadas. Disponibiliza um critério de julgamento
e de tomada de decisão em relação à adoção de medidas preventivas e corretivas com base em
dados quantitativos.

1.3.9 NHO 10 - Procedimento técnico: avaliação da exposição ocupa-


cional à vibração em mãos e braços
A NHO 10 estabelece critérios e procedimentos para avaliação da exposição ocupacional
a vibrações em mãos e braços, tendo como principal foco a prevenção e o controle dos riscos.
Apresenta elementos para a análise preliminar e o enquadramento das situações abordadas,
sendo que as avaliações quantitativas são realizadas somente quando há incerteza em relação
à aceitabilidade das situações de exposição analisadas. Disponibiliza um critério de julgamento
e de tomada de decisão em relação à adoção de medidas preventivas e corretivas com base em
dados quantitativos.

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1.3.10 NHO 11 - Avaliação dos níveis de iluminamento em ambientes


internos de trabalho
A NHO 11 (2018) estabelece critérios e procedimentos para a avaliação dos níveis de
iluminamento indicando parâmetros quantitativos e qualitativos no âmbito da iluminação
interna dos ambientes de trabalho, voltados à segurança e ao desempenho eficiente do trabalho.
Apresenta os requisitos relacionados aos instrumentos de medição, sua calibração e um conteúdo
mínimo para a elaboração de relatórios técnicos. Foram inclusos nessa NHO anexos para auxiliar
os usuários na análise preliminar dos ambientes de trabalho e verificação de inconsistências no
sistema de iluminação, bem como foi introduzido um exemplo prático de aplicação da norma.

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Todas as NHOs ficam disponíveis em:
<http://www.fundacentro.gov.br/biblioteca/normas-de-higiene-ocupacional>.

1.4 Classificação dos Riscos


Segundo Mauro et al. (2004), considera-se fator de risco para provocar um dano, toda
característica ou circunstância que acompanha um aumento de probabilidade de ocorrência do
fator indesejado, sem que o dito fator tenha de intervir necessariamente em sua causalidade.
Os fatores de risco para a saúde e segurança dos trabalhadores podem ser classificados
em cinco grandes grupos:

• Físicos: agressões ou condições adversas de natureza ambiental que podem comprometer


a saúde do trabalhador.

• Químicos: agentes e substâncias químicas sob a forma líquida, gasosa ou de partículas


e poeiras minerais e vegetais, comuns nos processos de trabalho.

• Biológicos: microrganismos geralmente associados ao trabalho em hospitais,


laboratórios e na agricultura e pecuária.

• Ergonômicos e psicossociais: que decorrem da organização e gestão do trabalho.

• De acidentes: ligados à proteção das máquinas, arranjo físico, ordem e limpeza do


ambiente de trabalho, sinalização, rotulagem de produtos e outros que podem levar a
acidentes do trabalho.

Cada um destes grupos subdivide-se de acordo com as consequências fisiológicas que


podem provocar, quer em função das características físico-químicas, concentração ou intensidade
dos agentes, quer segundo sua ação sobre o organismo do colaborador.

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Leia atentamente o texto a seguir e identifique ações de antecipação, reconheci-


mento, avaliação e controle em segurança do trabalho.
“Um colaborador da limpeza realizava manutenção de uma sala administrativa,
encerava o piso. Quando a cera secou, para não marcar o piso com a sola da bo-
tina de segurança, o colaborador retirou-a e entrou na sala para colocar os mobi-
liários em seus devidos lugares. Ao apanhar uma cadeira de escritório para levar
ao seu local original, ela se desmontou e caiu em seu pé, causando uma luxação,
ficando de atestado por três dias.
Observação: Este colaborador recebeu as recomendações de segurança acerca
do uso constante da botina e demais EPIs quando forem exigidos e todos estão
registrados e protocolados em ficha de anotação”.

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Para mais informações sobre as NRs indica-se: BARSANO, P. R.; BARBOSA, R. P.
Segurança do Trabalho - Guia Prático e Didático. 2. ed. Editora Érica, 2018.

Uma revisão interessante do conceito de funções pode ser vista no vídeo:


História da Segurança do Trabalho no Brasil e no mundo [Melhor forma de contar]
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=t4JcQPDQ7bM>. Acesso em:
15 dez. 2018.

Acredito que depois de ter assistido esse filme, você, aluno(a), deve ter compre-
endido a importância das normas e legislação ligadas à segurança do trabalho.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro(a) aluno(a), procurei, nas primeiras reflexões desse estudo, abordar as principais
definições sobre higiene ocupacional, situando-os historicamente e contextualizando-a no
mundo atual.
Busquei apresentá-los às instituições de pesquisa na área, em âmbito nacional e
internacional.
As lutas históricas para a melhoria da qualidade de vida do trabalhador, devem ser
compreendidas de acordo com que a sociedade está estruturada.
Outro ponto relevante foi demonstrar as etapas de antecipação, reconhecimento e
avaliação dos riscos ocupacionais.

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UNIDADE ENSINO A DISTÂNCIA

02
DISCIPLINA:
HIGIENE DO TRABALHO I - NORMATIZAÇÃO E
LEGISLAÇÃO APLICADAS

AVALIAÇÃO DA EXPOSIÇÃO AOS


RISCOS AMBIENTAIS
PROF.A MA. ANA CAROLINA BRITTO CASTILHO

SUMÁRIO DA UNIDADE

INTRODUÇÃO.............................................................................................................................................................26
1. PRINCIPAIS CONCEITOS...................................................................................................................................... 27
1.1 FATORES DETERMINANTES DE UMA EXPOSIÇÃO......................................................................................... 27
1.2 CARACTERÍSTICAS DO AGENTE QUÍMICO OU NATUREZA DO AGENTE FÍSICO.......................................... 27
1.3 TEMPO DE EXPOSIÇÃO E INTENSIDADE DO AGENTE.................................................................................... 27
1.4 SUSCETIBILIDADE INDIVIDUAL E SINERGISMO.............................................................................................28
1.5 LIMITE DE TOLERÂNCIA (LT).............................................................................................................................28
1.6 NÍVEL DE AÇÃO (NA) E LIMITES DE EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL.................................................................28
1.7 VALOR TETO (VT) E NEXO CAUSAL...................................................................................................................29
2. RISCOS FÍSICOS ...................................................................................................................................................29
2.1 RUÍDOS.................................................................................................................................................................29

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2.1.1 SOM....................................................................................................................................................................30
2.1.2 RUÍDO................................................................................................................................................................30
2.1.3 FAIXA AUDÍVEL.................................................................................................................................................30
2.1.4 FREQUÊNCIA....................................................................................................................................................30
2.1.5 COMPRIMENTO DE ONDA..............................................................................................................................30
2.1.6 DECIBEL (DB)....................................................................................................................................................30
2.1.7 NÍVEL DE PRESSÃO SONORA......................................................................................................................... 31
2.1.8 AMPLITUDE...................................................................................................................................................... 31
2.1.9 DOSE DE RUÍDO................................................................................................................................................ 31
2.1.10 RUÍDO EQUIVALENTE.................................................................................................................................... 31
2.1.11 CLASSIFICAÇÃO DOS RUÍDOS....................................................................................................................... 31
2.1.12 MEDIDAS DE CONTROLE...............................................................................................................................35
2.2 TEMPERATURAS EXTREMAS............................................................................................................................35
2.2.1 CALOR................................................................................................................................................................35
2.2.2 TIPOS DE TROCAS TÉRMICAS.......................................................................................................................35
2.2.3 EQUILÍBRIO TÉRMICO.................................................................................................................................... 37
2.2.4 REAÇÕES DO ORGANISMO AO CALOR..........................................................................................................38
2.2.5 PRINCIPAIS EFEITOS DO CALOR ..................................................................................................................38
2.2.6 FRIO..................................................................................................................................................................39
2.3 VIBRAÇÕES..........................................................................................................................................................40
CONSIDERAÇÕES FINAIS.........................................................................................................................................42

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INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a), nessa unidade vamos tratar sobre os riscos que os trabalhadores estão
cada vez mais expostos A razão principal para que a segurança e saúde do trabalho seja estudada
é o forte impacto que essa área possui sobre a produção das empresas e sobre a qualidade de vida
dos trabalhadores. Para efetivamente reduzir os inaceitáveis índices de acidentes e doenças do
trabalho no país, é preciso agir com competência técnica e de maneira regular em cada ambiente
laboral onde existam perigos, sejam eles provocados por agentes físicos, químicos, biológicos,
mecânicos ou situações ergonômicas.
Assim, nessa unidade, vamos conhecer a classificação dos riscos ambientais e, também,
os fatores determinantes de uma exposição, as características e as estratégias de avaliação.

HIGIENE DO TRABALHO I - NORMATIZAÇÃO E LEGISLAÇÃO APLICADAS | UNIDADE 2

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1. PRINCIPAIS CONCEITOS
Segundo Mattos e Másculo (2011), os riscos podem ser definidos da seguinte forma:

I. Os riscos físicos são ocasionados por agentes que têm a capacidade de modificar as
características físicas do meio ambiente que, no momento seguinte, causará agressões em
quem nele estiver imerso.

II. Os riscos químicos, por sua vez, apresentam a caraterística de modificarem a


composição química do meio ambiente. Este tipo de risco pode atingir pessoas que não
estejam em contato direto com a fonte e, em geral, provocam lesões imediatas (doenças).

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III. Caracteriza-se como risco biológico a introdução de seres vivos, em geral
microrganismos, como parte integrante do processo produtivo, tais como vírus, bacilos,
bactérias etc., potencialmente nocivos ao ser humano.

IV. Por fim, os riscos ergonômicos são provocados por máquinas, métodos etc.,
inadequadas às limitações dos seus usuários.

1.1 Fatores Determinantes de uma Exposição


No dia a dia da higiene ocupacional, os resultados de avaliação da exposição são,
frequentemente, comparados com os limites de exposição ocupacional (limites de tolerância).
Esses limites fornecem orientações para estabelecer níveis aceitáveis de exposição e seu controle.
A exposição acima dos limites necessita de medidas corretivas imediatas, a intervenção será no
“nível de ação”, que, geralmente, é a metade do limite de tolerância.

1.2 Características do Agente Químico ou Natureza do


Agente Físico
É de suma importância o conhecimento das características específicas de cada agente,
pois, assim, é possível definir seu potencial de agressividade. Cada agente ambiental tem
características e efeitos específicos, de acordo com sua natureza. O primeiro passo na avaliação
de uma exposição é a identificação do(s) agente(s) presente(s) e as possíveis consequências desta
exposição.

1.3 Tempo de Exposição e Intensidade do Agente


Se o tempo de exposição for elevado, maiores serão as possibilidades de se desenvolver
uma doença ocupacional. O tempo real de exposição será determinado considerando-se a análise
da tarefa desenvolvida pelo trabalhador. Essa análise deve incluir estudos, tais como: tipo de
atividade e suas particularidades, movimento do trabalhador ao efetuar o seu serviço, jornada de
trabalho e descanso. Devem ser consideradas todas as suas possíveis variações durante a jornada
de trabalho, de forma a subsidiar o dimensionamento da avaliação quantitativa da exposição.

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1.4 Suscetibilidade Individual e Sinergismo


A complexidade do organismo humano implica em que a resposta do organismo, a
um determinado agente, possa variar de indivíduo para indivíduo. A “maioria” implica uma
“minoria”, ou seja, pessoas que não estarão necessariamente protegidas ao nível do Limite de
Exposição (LE) ou até abaixo deste. Portanto, a suscetibilidade individual é um fator importante
e os limites de tolerância não devem ser considerados como 100% seguros. Os controles fixados
a 50% dos limites de tolerância devem ser prioritários.
O sinergismo é uma ação combinada entre dois ou mais fatores que contribuem para o
resultado final de um processo. Assim, nos locais de trabalho pode haver a exposição simultânea
a mais de um agente, originando exposições combinadas e interações entre eles, modificando
os agentes. As consequências para a saúde, da exposição a um determinado agente, só podem
diferir, consideravelmente, das consequências da exposição a este mesmo agente em combinação

HIGIENE DO TRABALHO I - NORMATIZAÇÃO E LEGISLAÇÃO APLICADAS | UNIDADE 2


com os outros, particularmente se houver sinergismo ou potenciação dos efeitos.

1.5 Limite de Tolerância (LT)


Kitamura (2005, p. 60) define limite de tolerância como sendo “a concentração dos
agentes químicos ou a intensidade dos agentes físicos, máxima ou mínima, relacionados com a
natureza e o tempo de exposição ao agente, que não causará dano à saúde do trabalhador, durante
a sua vida laboral”. Este conceito visa “proteger” o trabalhador dos efeitos após longos períodos
de latência, que podem aparecer após a aposentadoria regular do trabalhador, mas, certamente,
em consequência de exposições ocupacionais.
De acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), no Capítulo V do Título II
- artigo 189,
serão consideradas atividades ou operações insalubres aquelas que, por natureza,
condições ou métodos de trabalho, exponham os trabalhadores a agentes
nocivos à saúde, acima dos Limites de Tolerância fixados em razão da natureza e
da intensidade do agente e do tempo de exposição aos seus efeitos.

A concepção dos limites de tolerância leva em consideração os seguintes fatores: a jornada


de trabalho e a proteção da “maioria” dos expostos, os seus valores refletem o atual estágio do
conhecimento técnico-científico.

1.6 Nível de Ação (NA) e Limites de Exposição Ocupacional


O grande desafio é avaliar as exposições e os riscos ocupacionais para todos os
trabalhadores, a todos os agentes ambientais presentes nos ambientes de trabalho, em todos os
dias da jornada de trabalho, de maneira precisa e eficiente, independente da diversidade e do
tempo de exposição aos trabalhadores. O objetivo final é garantir a segurança adequada para
todos os trabalhadores (BULLOCK; IGNACIO, 2006).
Uma estratégia para atender esse desafio é definir grupos de trabalhadores que possuem
exposições semelhantes. Essa definição é feita a partir de avaliações qualitativas e/ou quantitativas
das exposições. A estratificação dos trabalhadores permite que todos os riscos presentes no local
de trabalho sejam caracterizados coletivamente. Com base nessa estratégia, define-se o Grupo
Similar de Exposição (GSE), também conhecido como Grupo Homogêneo de Risco (GHR) ou,
ainda, Grupo Homogêneo de Exposição (GHE) (BULLOCK; IGNACIO, 2006; TARCÍSIO, 2014).

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Os GSEs são estabelecidos a partir das informações disponíveis sobre o local de trabalho,
força de trabalho e agentes ambientais. Esses dados são, então, utilizados para definir os perfis de
exposição para cada GSE e para selecionar Limites de Exposição Ocupacional (LEO) adequados.
Uma vez que o perfil de exposição é definido, o mesmo deve ser comparado com o LEO para
determinar a aceitabilidade do seu risco e avaliar a necessidade de implantação de medidas de
controle aplicáveis aos processos e ambientes de trabalho ou ao trabalhador, individualmente
(BULLOCK; IGNACIO, 2006).
De acordo com a NR 9, LEO pode ser definido a partir dos valores de LT previstos na
NR 15 ou dos valores adotados pela ACGIH (American Conference of Governmental Industrial
Higyenists) ou quaisquer outros limites mais rigorosos estabelecidos em negociação coletiva de
trabalho. Esta NR também define, no item 9.3.1, que Nível de Ação (NA) é o “valor acima do qual
devem ser iniciadas ações preventivas de forma a minimizar a probabilidade de que as exposições
a agentes ambientais ultrapassem os limites de exposição” e que, para agentes químicos, o NA é a
metade do LEO (NR 9, 1978h).

HIGIENE DO TRABALHO I - NORMATIZAÇÃO E LEGISLAÇÃO APLICADAS | UNIDADE 2


1.7 Valor Teto (VT) e Nexo Causal
Valor Teto (VT) é o valor que não pode ser ultrapassado, pois oferece risco iminente à
saúde do trabalhador.
Na execução de suas atividades, os trabalhadores estão expostos a riscos e, dessa exposição,
podem aparecer as doenças ocupacionais. O nexo causal é a comprovação da relação direta entre
a doença e o exercício do trabalho. O aparecimento da doença ocupacional pode indicar uma
deficiência na eficácia de uma medida de proteção fornecida pelo empregador, isto é, uma falha
nas medidas adotadas que não conseguiram, efetivamente, eliminar ou atenuar a exposição aos
riscos ambientais (PEIXOTO; FERREIRA, 2012, p. 33).

2. RISCOS FÍSICOS

2.1 Ruídos
De acordo com Ruiz (2019), a sociedade moderna tem multiplicado as fontes de ruído e
aumentado o seu nível de pressão sonora. O ruído é uma das formas de poluição mais frequentes
no meio industrial. No Brasil, a surdez é a segunda maior causa de doença profissional, sendo
que o ruído afeta o homem, simultaneamente, nos planos físico, psicológico e social. Pode, com
efeito:

• Lesar os órgãos auditivos.


• Perturbar a comunicação.
• Provocar irritação.
• Ser fonte de fadiga.
• Diminuir o rendimento do trabalho.

O risco da lesão auditiva aumenta com o nível de pressão sonora e com a duração da
exposição, mas depende também das características do ruído, sem falarmos da suscetibilidade
individual.

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ENSINO A DISTÂNCIA

Mas, para entendermos como o ruído afeta o ser humano é necessário que compreendamos
alguns conceitos básicos, os quais são fornecidos a seguir:

2.1.1 Som
É qualquer oscilação de pressão (no ar, água ou outro meio) que o ouvido humano possa
detectar. Quando o som não é desejado, é molesto e incômodo, pode ser chamado de barulho.

2.1.2 Ruído
É um fenômeno físico que, no caso da Acústica, indica uma mistura de sons, cujas
frequências não seguem uma regra precisa.

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2.1.3 Faixa audível
O alcance da audição humana se estende de aproximadamente 20 Hz a 20.000 Hz.

2.1.4 Frequência
É o número de vezes que a oscilação (de pressão) é repetida na unidade de tempo.
Normalmente, é medida em ciclos por segundo ou Hertz (Hz). Por exemplo:

• Alta Frequência: são os sons agudos.

• Baixa Frequência: são os sons graves.

2.1.5 Comprimento de onda


Conhecendo a velocidade e a frequência do som, podemos encontrar o seu comprimento
de onda, isto é, a distância física no ar entre um pico de onda até o próximo, pois: comprimento
de onda = velocidade / frequência. Para 20 Hz, o comprimento de onda é de 20 metros.

2.1.6 Decibel (dB)


O som mais fraco que o ouvido humano saudável pode detectar é de 20 milionésimos de
um pascal (ou 20 µPa... 20 micro pascals). Surpreendentemente, o ouvido humano pode suportar
pressões acima de um milhão de vezes mais alta. Assim, se nós tivéssemos que medir o som em
Pa, chegaríamos a números bastante grandes e de difícil manejo. Para evitar isto, outra escala foi
criada – a escala decibel (dB).
A escala decibel usa o limiar da audição de 20 µPa como o seu ponto de partida ou
pressão de referência, isto é definido para ser 0 dB. Cada vez que se multiplica por 10 a pressão
sonora em Pascal, adiciona-se 20 dB ao nível em dB.
Desta forma, a escala dB comprime os milhões de unidades de uma escala em apenas 120
dB de outra escala.

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2.1.7 Nível de Pressão Sonora


Mede a intensidade do som, cuja unidade é o decibel (dB).

2.1.8 Amplitude
É o valor máximo atingido pela grandeza que está sendo analisada, que pode ser:
deslocamento, velocidade, aceleração ou pressão. No caso de vibrações, as três primeiras
grandezas são utilizadas, enquanto que para as vibrações sonoras, a última.

2.1.9 Dose de ruído

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A dose de ruído é uma variante do ruído equivalente, para qual o tempo de medição é
fixado em 8 horas. A única diferença entre a dose de ruído e o ruído equivalente é que a dose é
expressa em percentagem da exposição diária tolerada.

2.1.10 Ruído equivalente

Os níveis de ruído industriais e exteriores flutuam ou variam de maneira aleatória com o


tempo e o potencial de dano à audição depende não só do seu nível, mas também da sua duração.
Para o nível de ruído contínuo, torna-se fácil avaliar o efeito, mas se ele varia com o tempo, deve-
se realizar uma dosimetria, de forma que todos os dados de nível de pressão sonora e tempo
possam ser analisados e calculado o nível de ruído equivalente (Leq), que representa um nível
de ruído contínuo em dB(A) e possui o mesmo potencial de lesão auditiva que o nível de ruído
variável amostrado.
A necessidade de se usar um dosímetro de ruído deve-se à dificuldade de se realizar os
cálculos de forma manual.

2.1.11 Classificação dos ruídos


Os ruídos, segundo Peixoto e Ferreira (2013, p. 51), podem ser classificados em:

• Ruídos contínuos: são aqueles cuja variação de nível de intensidade sonora é muito
pequena em função do tempo. Exemplos: geladeiras, ventiladores.

• Ruídos intermitentes: são aqueles que apresentam grandes variações de nível em


função do tempo. São os tipos mais comuns. Exemplos: fala, furadeira, esmerilhadeira.

• Ruídos impulsivos ou de impacto: apresentam altos níveis de intensidade sonora, num


intervalo de tempo muito pequeno. São os ruídos provenientes de explosões e impactos.
São característicos de rebitadeiras, prensas etc.

O ruído ocupacional é avaliado por meio de medidores de pressão sonora, tecnicamente


denominados sonômetros e comumente conhecidos como decibelímetros e dosímetros, conforme
a figura a seguir.

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Figura 1 – Decibelímetro e Dosímetro. Fonte: Google Imagens (2019).

A unidade de medida é o decibel (dB). Os decibelímetros são mais indicados para


avaliação do ruído de um determinado ambiente e os dosímetros para avaliação da exposição do
trabalhador (uma vez que ficam afixados ao trabalhador durante toda a jornada).
A NR 15 – Anexos 1 e 2 (1978c) e a NHO 01 (2001) estabelecem limites máximos de
exposição para vários níveis de ruído, segundo os seguintes parâmetros normatizados:

• Limiar de integração: valor a partir do qual serão contabilizados os níveis de pressão


sonora para fins de exposição ocupacional.

• Nível de critério: valor referência para uma exposição de 8 horas.

• Fator duplicativo de dose: incremento em dB para qual tempo de exposição permitido


será reduzido à metade.

• Curva de compensação: parâmetros de ponderação para compensar a diferente


sensibilidade do ouvido humano às diferentes frequências.

No Brasil, o LT permitido para uma jornada de 8 horas é de 85 dB(A). Evidentemente


que um aumento no nível de pressão sonora (ruído) vai implicar na diminuição do tempo de
exposição. A legislação ainda prevê o valor máximo, acima do qual não é permitida exposição em
nenhum momento da jornada de trabalho com ouvidos desprotegidos, que é de 115 dB(A). Vide
Anexo 1 e 2 da NR 15 (1978c) e NHO 01 (2001) (Avaliação da exposição ocupacional ao ruído).

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Figura 2 – Limites de exposição. Fonte: NR 15 (1978c).

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Na Figura 3 é possível observar alguns ruídos presentes em nosso dia a dia, quais
seus níveis sonoros e os efeitos em seres humanos.

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Figura 3 – Fontes Sonoras. Fonte: Bureau Internacional do Trabalho (2009).

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2.1.12 Medidas de controle


• Enclausuramento da fonte e barreiras na transmissão como medidas de proteção
coletiva.
• O fornecimento de EPIs e diminuição da jornada como medidas de proteção individual.
• Execução dos exames periódicos (audiometrias).
• Medidas educacionais (orientação e conscientização) para uso correto do equipamento
de proteção.

2.2 Temperaturas Extremas


Temperaturas extremas consideram-se o calor e o frio em intensidade suficiente para
causar desconforto, alterações e danos à saúde dos trabalhadores.

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2.2.1 Calor
A exposição ao calor é mais frequente em atividades como:

• Indústria Cerâmica.
• Minas.
• Fábrica de Vidros.
• Indústria Siderúrgica.
• Indústria Metalúrgica.

O calor que o organismo humano precisa dissipar para manter o equilíbrio homeotérmico.
A sobrecarga térmica no organismo humano é resultante de duas parcelas de carga térmica: uma
carga externa (ambiental) e outra interna (metabólica). A carga externa é resultante das trocas
térmicas com o ambiente e a carga metabólica é resultante da atividade física que exerce.

2.2.2 Tipos de trocas térmicas


• Condução: troca térmica entre dois corpos, em contato, de temperaturas diferentes
ou que ocorre dentro de um corpo cujas extremidades encontram-se em temperaturas
diferentes. Para o trabalhador, essas trocas são muito pequenas, geralmente por contato
do corpo com ferramentas e superfícies.

• Convecção: troca térmica realizada, geralmente, entre um corpo e um fluido, ocorrendo


movimentação do último por diferença de densidade provocada pelo aumento da
temperatura. Portanto, junto com a troca de calor, existe uma movimentação do fluido,
chamada de corrente natural convectiva. Se o fluido se movimenta por impulso externo,
diz-se que se tem uma convecção forçada. Para o trabalhador, essa troca ocorre com o ar
à sua volta.

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• Radiação: todos os corpos aquecidos emitem radiação infravermelha, que é o chamado


“calor radiante”. Assim como emitem, também recebem, havendo o que se chama de troca
líquida radiante. O infravermelho, sendo uma radiação eletromagnética não ionizante,
não necessita de um meio físico para se propagar. O ar é praticamente transparente à
radiação infravermelha. As trocas por radiação entre o trabalhador e seu entorno,
quando há fontes radiantes severas, serão as preponderantes no balanço térmico e podem
corresponder a 60% ou mais das trocas totais.

• Evaporação: é a mudança de fase de um líquido para vapor ao receber calor. É a troca de


calor produzida pela evaporação do suor, por meio da pele. O suor recebe calor da pele,
evaporando e aliviando o trabalhador. Grandes trocas de calor podem estar envolvidas (a
entalpia de vaporização da água é de 590 cal/grama). O mecanismo da evaporação pode
ser o único meio de perda de calor para o ambiente na indústria. Porém, a quantidade
de água que já está no ar é um limitante para a evaporação do suor; ou seja, quando a

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umidade relativa do ambiente é de 100%, não é possível evaporar o suor e a situação
pode ficar crítica. Interna: através do metabolismo, que é o calor resultante dos processos
intracelulares (presente mesmo quando o indivíduo está em repouso) (SESI, 2007).

Figura 4 – Atividade Fundição. Fonte: Google Imagens (2019).

Segundo Peixoto e Ferreira (2013, p. 54), na avaliação devem ser considerados fatores
tais como: temperatura, velocidade e umidade relativa do ar, calor radiante e calor gerado pelo
metabolismo (atividade física). Os índices de avaliação incluem: Temperatura Efetiva (TE),
Temperatura Efetiva Corrigida (TEC), Índice de Bulbo Úmido, Termômetro de Globo (IBUTG)
(NR 15, em seu Anexo 3, 1978c) e Índice de Sobrecarga Térmica (IST).

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2.2.3 Equilíbrio térmico


A exposição ao calor é regida pelo equilíbrio térmico, ou seja, o organismo ganha ou
perde calor para o meio ambiente segundo a equação:

Em que:
M = calor produzido pelo metabolismo, sendo um calor sempre ganho (+).
C = calor ganho ou perdido por condução/convecção (+/-).
R = calor ganho ou perdido por radiação (+/-).
E = calor perdido por evaporação (-).
Q = calor acumulado no organismo.

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Se: Q > 0, acúmulo de calor (sobrecarga térmica), Q < 0, perda de calor (hipotermia)

O limite de tolerância para exposições ao calor (NR 15, 1978c) é determinado de dois
modos: regime de trabalho com descanso no próprio local de trabalho, regime de trabalho
com descanso em outro local. Em ambos, a quantificação do calor pelo IBUTG leva em conta a
presença, ou não, de carga solar no momento da medição, sendo calculada tanto em ambientes
internos ou externos sem carga solar

IBUTG = 0,7 tbn + 0,3 tg

como em ambientes externos com carga solar

IBUTG = 0,7 tbn + 0,2 tg + 0,1 tbs.

Em que:
tbn = temperatura de bulbo úmido natural.
tg = temperatura de globo.
tbs = temperatura de bulbo seco.

Figura 5 – Monitor de stress térmico para avaliação do IBUTG. Fonte: CTISM (2019).

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A determinação dos tipos de atividade por classes ou a quantificação de calor metabólico


são dadas pela Figura 6

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Figura 6 – Quantificação de calor metabólico. Fonte: NR-15 (1978c).

2.2.4 Reações do organismo ao calor


À medida que ocorre a sobrecarga térmica, o organismo dispara certos mecanismos
para manter a temperatura interna constante, sendo os principais a vasodilatação periférica e a
sudorese.

• Vasodilatação periférica: a vasodilatação periférica permite o aumento de circulação


de sangue na superfície do corpo, aumentando a troca de calor para o meio ambiente. O
fluxo sanguíneo transporta calor do núcleo do corpo para a periferia. Como a rede de
vasos aumenta, pode haver queda de pressão (hidráulica aplicada).

• Sudorese: a sudorese permite a perda de calor por meio da evaporação do suor. O número
de glândulas ativadas pelo mecanismo termorregulador é proporcional ao desequilíbrio
térmico existente. A quantidade de suor produzido pode, em alguns instantes, atingir o
valor de até dois litros por hora. A evaporação de um litro por hora permite uma perda
de 590 kcal nesse período.

2.2.5 Principais efeitos do calor


O calor pode produzir efeitos que vão desde a desidratação progressiva e às cãibras,
até ocorrências bem mais sérias, como a exaustão por calor e o choque térmico. Os grandes
candidatos a incidentes mais sérios são as pessoas não aclimatadas, ou seja, os “novatos” no
ambiente termicamente severo.

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As medidas de controle adotadas são: a blindagem das fontes radiantes, o aumento da


distância entre o trabalhador e a fonte, a redução das temperaturas, o uso de barreiras refletivas,
o aumento da velocidade do ar, a redução da carga metabólica, a mecanização das atividades e o
ajuste do tempo de exposição e da relação trabalho/descanso térmico.

2.2.6 Frio
O organismo humano não se aclimata ao frio da mesma maneira que ao calor. Poucas
partes do corpo podem tolerar exposição ao frio sem proteção, podendo ocorrer consequências
à saúde, o conforto e a eficiência do trabalho. A exposição ao frio está presente, principalmente,
na indústria frigorífica, no trabalho em câmaras frias.
O objetivo, na avaliação do frio, é de impedir que a temperatura interna do corpo reduza
a valores abaixo dos 36°C e prevenir lesões pelo frio nas extremidades. Na avaliação do frio

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devem ser consideradas, principalmente, a temperatura e a velocidade do ar (temperatura
equivalente). A legislação básica encontra-se na NR 15 (1978c), em seu Anexo 9, que estabelece
uma caracterização qualitativa baseada apenas na temperatura.

As atividades ou operações executadas no interior de câmaras frigoríficas, ou em


locais que apresentem condições similares, que exponham os trabalhadores ao
frio, sem a proteção adequada, serão consideradas insalubres em decorrência de
laudo de inspeção realizado no local de trabalho (NR 15, anexo 9).

Como consequências da exposição ao frio, podemos citar as feridas, rachaduras, necroses,


enregelamento, agravamento de doenças articulares e respiratórias.
Como medidas de controle, podemos citar a aclimatização, o uso de vestimentas
adequadas, regimes de trabalho intercalados, exames médicos prévios e periódicos, educação e
treinamento.

Figura 7 – Caracterização da atividade Frigorífica. Fonte: Google Imagens (2019).

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2.3 Vibrações
É o movimento oscilatório de um corpo produzido por forças desequilibradas de
componentes de movimento rotativo ou alternativo de máquinas e equipamentos. Dependendo
da frequência do movimento oscilatório e sua intensidade, as vibrações podem causar desde
desconforto (formigamentos e adormecimento leves) até comprometimentos no tato e
sensibilidade à temperatura, perda de destreza e incapacidade para o trabalho (problemas
articulares) (PEIXOTO; FERREIRA, 2013).
A vibração só acarretará problemas quando houver o contato físico do trabalhador com
a fonte da vibração. Sua avaliação é feita por meio de acelerômetros (aceleração do movimento –
m/s2 e frequência – Hz).
Na prática, a exposição às vibrações é estudada de duas formas, isto é, vibrações de corpo
inteiro e vibrações localizadas (mão/braço).

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As vibrações de corpo inteiro são aquelas em que todo o corpo ou grande parte dele
está exposta a movimentos vibratórios e ocorre mais intensamente em veículos e equipamentos
móveis, em que há um posto de operação (em geral um assento) e a vibração do rolamento do
veículo ou equipamento é transmitida ao operador/motorista. Em menor escala, observam-se
superfícies, pisos, plataformas industriais etc., que podem transmitir vibração ao homem e que,
na maior parte dos casos, têm menor importância ocupacional.
As vibrações localizadas são transmitidas às mãos e aos braços, em geral, por meio de
ferramentas vibratórias, sejam elas elétricas, pneumáticas ou de outra forma de energia (lixadeiras,
marteletes, motosserras). Podem, também, ser transmitidas por equipamentos conduzidos
manualmente, como, por exemplo, manipulando-se compactadores de solo ou segurando-se
peças contra equipamentos abrasivos ou de polimento fixos (SESI, 2007).
Como medidas de controle, podemos citar o revezamento no trabalho, ou seja, a
diminuição no tempo de exposição e medidas técnicas que reduzam a intensidade das vibrações.

Para mais informações sobre limites de exposição ocupacional acesse o livro


Limites de Exposição Ocupacional (TLVs) da ACGIH, traduzido e comercializado
no Brasil pela Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais – ABHO (www.
abho.org.br). Também aparecem valores guias para exposição ao frio.

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O Brasil ocupa, atualmente, a 4ª posição no ranking dos países com maior número
de mortes de trabalhadores por ano, média de uma vítima a cada 4 horas. Essa
realidade, muitas vezes omitida pelos setores produtivos campeões em aciden-
tes, é exposta no documentário inédito Batalhadores: Histórias de quem foi à luta
e perdeu a vida no trabalho, produzido pelo Ministério Público do Trabalho (MPT).
O projeto faz parte das ações da Coordenadoria Nacional de Defesa do Meio Am-
biente do Trabalho (Codemat).
O vídeo é uma homenagem a todos os trabalhadores mortos em decorrência de
ilegalidades cometidas por empresas no ambiente de trabalho. Especificamen-
te a quatro deles: Aldo Vincentin, vítima da mesotelioma, um tipo de câncer por
exposição ao amianto; José Afonso de Oliveira Rodrigues, que faleceu durante a

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construção do estádio Mané Garrincha, em Brasília; Antônio Moreira, agricultor da
cana de açúcar; e Jorge Miguel de Moraes, trabalhador do setor de frigorífico.
O enredo leva o espectador a refletir sobre a desumanidade cometida dia após
dia contra os trabalhadores desses setores, por meio de depoimentos de parentes
que tiveram sua rotina completamente desestabilizada pela morte de um ente em
razão do trabalho.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?time_continue=118&v=9dz-5al-
g1IA>.

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ENSINO A DISTÂNCIA

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro(a) aluno(a), espero que, ao longo da leitura dessa segunda unidade, você tenha
percebido que há um alto grau de complexidade sobre os riscos físicos que estão presentes nas
diversas atividades laborais existentes no Brasil e em todo o mundo. Para isso, trouxe as leis que
regulamentam os limites de exposição aos diversos tipos de risco ao qual os trabalhadores estão
submetidos, os equipamentos que são utilizados para a suas devidas medições.
Foram abordadas quais as consequências à saúde do trabalhador e suas medidas de
controle para a redução e ou eliminação do risco, seja ela individual ou coletiva.
Nesse sentido faz-se necessário aprofundar discussões em torno do entendimento dessas
normas e limites. Para isso, é fundamental o papel do engenheiro de segurança do trabalho pelo
seu caráter educativo, de fiscalização e aplicação das normas estabelecidas pelo governo federal.

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UNIDADE ENSINO A DISTÂNCIA

03
DISCIPLINA:
HIGIENE DO TRABALHO I - NORMATIZAÇÃO E
LEGISLAÇÃO APLICADAS

RISCOS FÍSICOS – PRESSÕES ANORMAIS E


RADIAÇÃO IONIZANTE E NÃO IONIZANTE
PROF.A MA. ANA CAROLINA BRITTO CASTILHO

SUMÁRIO DA UNIDADE

INTRODUÇÃO.............................................................................................................................................................44
1. PRESSÕES ANORMAIS.........................................................................................................................................45
1.1. BAIXAS PRESSÕES.............................................................................................................................................45
1.2 ALTAS PRESSÕES ...............................................................................................................................................45
2. RADIAÇÕES IONIZANTES.....................................................................................................................................46
3. RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES............................................................................................................................49
3.1 EFEITOS À SAÚDE...............................................................................................................................................50
3.1.1 RADIOFREQUÊNCIA E MICRO-ONDAS ..........................................................................................................50
3.1.2 RADIAÇÃO INFRAVERMELHA......................................................................................................................... 51
3.1.3 RADIAÇÃO ULTRAVIOLETA.............................................................................................................................. 51
3.1.4 LASER................................................................................................................................................................52
CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................................................55

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INTRODUÇÃO
Estimado(a) aluno(a), nessa unidade continuaremos tratando dos riscos físicos presentes
no ambiente laboral. O principal objetivo é conhecer as pressões (hiper e hipobáricas) e sobre os
tipos de radiações, suas unidades de medida e a legislação básica a respeito.
O assunto é muito vasto, portanto, serão ressaltados apenas os pontos mais importantes
e aqueles relacionados ao dia-a-dia do trabalho de higiene ocupacional nas indústrias em geral.
Ao longo do texto são fornecidas orientações para o detalhamento do assunto e a busca
de informações complementares, assim como os controles para esses riscos ocupacionais.
Esperamos que, com as reflexões propostas nessa unidade, você seja instigado a, ao
menos, questionar a realidade na qual está inserido, analisando e verificando se cada um dos

HIGIENE DO TRABALHO I - NORMATIZAÇÃO E LEGISLAÇÃO APLICADAS | UNIDADE 3


argumentos apresentados são coerentes com a sua vivencia pessoal.
Como você está buscando uma especialização na área de segurança do trabalho, essas
reflexões certamente propiciarão uma formação diferenciada.

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ENSINO A DISTÂNCIA

1. PRESSÕES ANORMAIS
No desenvolvimento de suas atividades, os trabalhadores são influenciados
pela  pressão atmosférica em seu ambiente de trabalho. Em grande parte das
atividades a pressão de trabalho é a atmosférica ou próxima dela, pois, no
Brasil, não temos muitos locais de altitudes elevadas. No entanto algumas
atividades expõem os trabalhadores a  pressões acima do normal, em trabalhos
de mergulho e em tubulões pressurizados.
Atividades exercidas a pressões acima (hiperbárica) e abaixo (hipobárica) da atmosférica
normal são denominadas atividades sob pressões anormais. Elas são muito específicas e exigem
treinamento especializado, equipamentos sofisticados, pessoal e infraestrutura de apoio. A
legislação básica encontra-se na NR 15 (1978c) em seu Anexo 6 (PEIXOTO; FERREIRA, 2013).

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1.1. Baixas Pressões
Nos trabalhos em grandes altitudes, os trabalhadores estão sujeitos a baixas pressões. São
exemplo dessa atividade os aeronautas. À medida que se ganha altitude ao nível do mar a pressão
total do ar e a pressão parcial do oxigênio no ar vão diminuindo. Com o aumento da pressão do
ar, aumenta a solubilidade dos gases no sangue, mais nitrogênio e oxigênio se dissolvam nele,
alterando o equilíbrio dessa solução. Com a diminuição da pressão, diminui a solubilidade dos
gases no sangue. No caso dessas variações, o sangue atinge o seu equilíbrio em poucos minutos,
porém o tecido adiposo pode levar horas para liberar o nitrogênio dissolvido. Daí a necessidade
de se aumentar ou diminuir a pressão vagarosamente e em estágios, que são função da pressão e
do período que o trabalhador ficou nessa pressão.
O órgão mais sensível a redução de oxigenação é o cérebro, a falta de oxigênio pode levar
a dores de cabeça, perda de clareza mental, dificuldades para movimentos, perda de coordenação
e equilíbrio.
Assim, surge uma grande dúvida, por que pessoas que moram em lugares de alta altitude
não sofrem com o efeito da baixa pressão? Pois seu organismo é aclimatado, ou seja, basicamente
há um aumento no número de hemácias (maior captação de O2), aumento do número de vasos
sanguíneos (maior irrigação dos músculos) e aumento no número de mitocôndrias (responsáveis
pela respiração celular).

1.2 Altas Pressões


Ocorrem em atividades executadas por mergulhadores e em trabalhos em tubulões de ar
comprimido (escavações abaixo do nível do lençol de água), onde a pressão, acima do normal,
tem a finalidade de evitar, principalmente, a entrada de água. Ocorre, também, em trabalhos em
campânulas (compartimentos estanques utilizados para trabalhos submersos).
O trabalho sob condições de alta pressão só é permitido para trabalhadores com mais
de 18 anos e menos de 45 anos de idade. Antes de cada jornada de trabalho, os trabalhadores
devem ser inspecionados pelo médico, sendo que o trabalhador não poderá sofrer mais de uma
compressão num período de 24 horas.
A duração do período de trabalho sob ar comprimido não poderá ser superior a 8 horas,
em pressões de trabalho de 0 a 1,0 kgf/cm², a 6 horas em pressões de trabalho de 1,1 a 2,5 kgf/cm²
e a 4 horas, em pressão de trabalho de 2,6 a 3,4 kgf/cm².

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ENSINO A DISTÂNCIA

Segundo Peixoto e Ferreira (2013), para os mergulhadores, por exemplo, a profundidade,


o tempo de mergulho e a velocidade de subida são parâmetros de controle essenciais para evitar
as doenças descompressivas e os acidentes como os barotraumas, embolias, embriaguez das
profundidades (saturação por N2), afogamentos, intoxicação pelo oxigênio, intoxicação pelo gás
carbônico. Portanto, o processo de descompressão é fundamental e essencial na atividade de
mergulho. Esse processo cuidadoso segue o estabelecido nas tabelas de descompressão previstas
na legislação. Como regra simples e de fácil entendimento, poderíamos dizer que conforme mais
se avança no tempo de duração do mergulho e na profundidade atingida, maior será o tempo
necessário para que o corpo consiga eliminar as bolhas de nitrogênio que se formam no sangue
quando o ar é respirado sob pressão e, portanto, maior será o tempo necessário de descompressão
que acontece nas câmaras de descompressão, como exemplo na Figura 1.

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Figura 1 – Câmara de descompressão. Fonte: Google imagens (2019).

2. RADIAÇÕES IONIZANTES
As radiações ionizantes são ondas eletromagnéticas de frequência muito elevada (raios X
e gama), que contêm energia suficiente para produzir a ionização mediante a ruptura dos enlaces
atômicos que mantém unidas as moléculas na célula.
Para Peixoto e Ferreira (2013), o perigo das radiações ionizantes é que o organismo
não tem mecanismo de percepção dessas radiações. São exemplos de radiações ionizantes as
partículas alfa, beta (elétrons e prótons), o nêutron, os raios X e gama (γ).
As radiações eletromagnéticas do tipo X e γ são mais penetrantes e, dependendo de sua
energia, podem atravessar vários centímetros do tecido humano (por isso são utilizadas em
radiografias médicas).
As radiações beta são pouco penetrantes, em relação às anteriores. Dependendo de sua
energia, podem atravessar milímetros e até centímetros de tecido humano (permite aplicações
médicas em superfícies da pele para acelerar a cicatrização).

WWW.UNINGA.BR 46
ENSINO A DISTÂNCIA

Já as partículas alfa são inofensivas por possuírem um poder de penetração muito


pequeno, não conseguindo atravessar a pele, podendo ser detidas, até mesmo, por uma folha de
papel. Podem causar danos maiores em situações de contaminação, por inalação ou ingestão,
quando em grande quantidade, em função de sua toxicidade.
Os nêutrons são muito penetrantes devido à sua grande massa e à ausência de carga
elétrica. Das radiações apresentadas são as que produzem maior dano biológico aos seres
humanos. Podem, inclusive, tornar materiais expostos radioativos. São produzidos em reatores
nucleares.
A Figura 2 representa o poder da penetração das radiações e compara com a absorção
pelo corpo humano.

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Figura 2 – Poder de penetração das radiações. Fonte: Google imagens (2019).

Segundo a UNSCEAR (United Nations Scientific Committee on the Effects of Atomic


Radiation), não existe uma dose segura de exposição à radiação sob o ponto de vista genético,
sendo que qualquer exposição à radiação pode envolver um certo risco de indução de efeitos
hereditários e somáticos.
A radiação ionizante tornou-se, há muitos anos, parte integrante da vida do homem. Sua
aplicação se dá na área da medicina até às armas bélicas, contudo, sua utilidade é indiscutível.
Atualmente, por exemplo a sua utilização em alguns exames de diagnóstico médico, através da
aplicação controlada da radiação ionizante (a radiografia é mais comum), é uma metodologia
de grande ajuda. Porém os efeitos da radiação não podem ser considerados inofensivos, a sua
interação com os seres vivos pode levar a teratogenias e até a morte. A radiação é um risco e deve
ser usada de acordo com os seus benefícios.
As radiações ionizantes podem ser avaliadas no ambiente ocupacional por meio do
contador Geiger ou, individualmente, por meio dos dosímetros de filme de bolso.
Para avaliar a quantidade de exposição a radiações ionizantes, utilizamos o coulomb/
quilograma (C/kg) ou o roentgen (R), para avaliação da dose absorvida, utilizamos o gray (Gy)
ou o rad, para avaliação da dose equivalente, o sievert (Sv) ou o rem e para expressar a atividade
de uma fonte, utilizamos o becquerel (Bq) ou curie (Ci). O controle da exposição é efetuado por
isolamento da radiação (enclausuramento, barreiras de concreto ou chumbo).

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As medidas de controle empregadas encontram-se disponíveis na NR 32 como Plano de


Proteção Radiológica. O trabalhador deve permanecer o menor tempo possível em exposição, ter
conhecimento sobre os riscos radiológicos, ser capacitado inicialmente e de forma continuada,
usar o EPI adequado e monitorar individualmente a dose de radiação ionizante recebida. As
Figuras 3 e 4 mostram exemplos de dosímetros para a radiação e a Figura 5, exemplos de EPIs.

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Figura 3 – Dosímetro individual. Fonte: Google imagens (2019).

Figura 4 – Dosímetro individual. Fonte: Google imagens (2019).

Figura 5 – Exemplos de EPI. Fonte: Fundacentro (2018).

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O limite estabelecido para corpo inteiro, para o ser humano ocupacionalmente exposto,
anualmente, é de uma dose efetiva de 20 mSv/ano e para indivíduo público 0,1 mSv/ano (CNEN,
2011).
A CNEN é a responsável pela legislação e regulamentação de segurança relativa ao uso
da radiação ionizante. A legislação básica encontra-se na NR 15 (1978c), em seu Anexo 5, que
remete a uma norma CNEN.
No mundo tivemos o exemplo clássico de exposição às radiações ionizantes, como o caso
do acidente com a usina nuclear de Chernobyl e, no Brasil, o caso do Césio 137.

3. RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES


Segundo o manual SESI (2007), o que distingue as radiações não ionizantes das suas

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“primas”, as ionizantes, é justamente sua incapacidade em produzir a ionização da matéria.
Todavia, mesmo assim, possuem propriedades e energia suficiente para produzir danos à saúde
e serem consideradas riscos ambientais significativos. As radiações não ionizantes são ondas
eletromagnéticas. As ondas são definidas por sua frequência ou seu comprimento de onda, sua
velocidade de propagação é a velocidade da luz no vácuo (c), aproximadamente 3 x 108 m/s. O
comprimento de onda é inversamente proporcional à frequência da onda e é obtido pela relação:
λ = c / f [m]

Em que:
c — velocidade da luz
f — frequência em Hz

Os efeitos das radiações não ionizantes sobre o organismo humano dependem da


intensidade, duração da exposição e do comprimento da onda de radiação. A legislação básica
encontra-se na NR 15 (1978c), em seu Anexo 7. As mais importantes radiações não ionizantes
são:

a) Micro-ondas: os efeitos das micro-ondas dependem da frequência (ou comprimento


de onda da radiação) e da potência dos geradores. São produzidas em estações de radar,
radiotransmissão e em alguns processos industriais e medicinais. Causam aquecimento
localizado na pele.

b) Radiação infravermelha: é emitida por corpos cuja superfície encontra-se à temperatura


maior que a do ambiente ao redor deles. Tem como característica ser pouco penetrante
(alguns milímetros) e sua absorção causa, basicamente, o aquecimento superficial (pele).
Quanto maior a temperatura, maior será a quantidade irradiada. Segundo Peixoto e
Ferreira (2013), como medidas de controle, podemos citar o uso de barreiras, redução do
tempo de exposição, uso de equipamentos de proteção individual etc.

c) Radiação ultravioleta: de origem natural (sol – UVA e UVB) ou artificial (arco


voltaico em operações de solda, lâmpadas ultravioletas). A radiação ultravioleta é pouco
penetrante e seus efeitos serão sempre superficiais, normalmente envolvendo a pele e os
olhos. Um efeito importante e reconhecido da radiação ultravioleta é o câncer de pele.
Para Peixoto e Ferreira (2013), como medidas de controle podemos citar barreiras e
equipamentos de proteção individuais (óculos e protetor solar) etc.

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d) Radiação laser: feixe de luz direcional altamente concentrado em um único


comprimento de onda. LASER é uma sigla, cujo significado é Amplificação de Luz
por Emissão Estimulada de Radiação (Light Amplification by Stimulated Emission of
Radiation). O laser tem como característica a grande quantidade de energia concentrada
em uma área muito pequena (grande perigo de queimaduras graves), a manutenção
da intensidade com a distância (é que a luz refletida em superfícies polidas pode ser
tão perigosa quanto à emissão principal, apresentando risco de destruição de tecidos,
queimadura).

e) Radiofrequência: radiação de grande comprimento de onda encontradas em


radiofusão AM, ondas VHF, UHF, radioamadorismo, radionavegação, radioastronomia
e, normalmente, não apresentam problemas ocupacionais. Os efeitos à saúde são
predominantemente térmicos, ou seja, aquecimento por absorção da radiação pelos
tecidos.

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3.1 Efeitos à Saúde
3.1.1 Radiofrequência e micro-ondas
Os efeitos à saúde são predominantemente térmicos, ou seja, aquecimento por absorção
da radiação pelos tecidos. A intensidade do aquecimento depende da potência da fonte, da
distância da fonte ao indivíduo, do tempo de exposição e da dissipação térmica dos tecidos
expostos. Depende também da frequência da radiação, para o corpo inteiro de uma pessoa, como
apresentado na Figura 6.

Figura 6 – Frequência de radiação para o corpo humano. Fonte: SESI (2007).

As medidas básicas de controle são:

• Enclausuramento eletromagnético da fonte.


• Intertravamento de proteção no caso de fontes de alto risco.
• Uso de barreiras (chapas ou telas metálicas, devidamente aterradas).
• Distanciamento da fonte (equipamentos, transmissores, antenas).
• Automação dos processos, afastando o operador.
• Redução das atividades nas proximidades da fonte.
• Controle médico.

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3.1.2 Radiação infravermelha


O efeito de uma exposição não protegida à radiação infravermelha é uma das doenças
ocupacionais mais antigas, relacionando uma ocupação a uma moléstia. Trata-se da “catarata do
vidreiro”, reconhecida há milênios como parte do destino dessa ocupação, se houver exposição
excessiva e sem a devida proteção. Deve-se ressaltar que esse é um efeito crônico, que pode
levar muitos anos para se desenvolver. Evidentemente, toda exposição não protegida a fontes
infravermelhas significativas, por tempo prolongado, poderá produzir o mesmo efeito que nos
vidreiros.
Normalmente essas fontes não são muito brilhantes (parte visível) e, portanto, não
produzem aversão visual por ofuscamento. Dessa forma, as pessoas se expõem inadvertidamente
em muitas atividades industriais, como na regulagem de chamas, fornos, maçaricos, soldagem,
secagem de tintas com lâmpadas infravermelhas.

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Em todas as radiações não ionizantes, com exceção do LASER, afastar-se das fontes
sempre será benéfico.
A avaliação da radiação em termos da exposição de pele e olhos é feita por meio de
sensores especiais e radiômetros leitores. Há limites de exposição previstos na ACGIH que devem
ser consultados para essas avaliações.
O controle da exposição de pele e olhos deve ser tratado dentro dos mesmos princípios já
expostos anteriormente, com as seguintes peculiaridades:

• Blindar as fontes incandescentes, munindo fornos e estufas de portas e fechamento


adequado.
• Reduzir a área exposta das fontes.
• Promover o uso de barreiras feitas de material metálico polido (o melhor em termos
práticos e de eficiência será o alumínio polido).
• Afastar-se das fontes.
• Reduzir o tempo de exposição às áreas com radiação intensa.
• Prover-se de proteção ocular, seguindo a orientação da tabela apresentada.

3.1.3 Radiação ultravioleta


De acordo com o manual do SESI (2007), a radiação ultravioleta ocupa o espectro na
região que vai de 400 nanômetros a aproximadamente 100 nanômetros. Está subdividida em
bandas, como mostrado a seguir:

Figura 7 – Subdivisão de bandas de Radiação Ultravioleta. Fonte: SESI (2007).

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Ocorrência e Fontes de Radiação Ultravioleta:

• Sol, fonte natural, ao nível do mar, em que recebemos radiação que vai até os 290 nm,
aproximadamente.

• Todos os tipos de arcos elétricos, com especial atenção a todos os tipos de solda. As
modalidades de maior emissão UV são as protegidas com o gás Argônio (MIG, TIG,
MAG).

• Lâmpadas especiais, em que destacamos:

• Lâmpadas de luz negra.

• Lâmpadas germicidas.

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• Lâmpadas de vapor de mercúrio, sendo as de maior risco aquelas de maior pressão
e bulbo transparente.

• Lâmpadas na indústria gráfica, heliografia, cura de resinas.

• Corpos incandescentes a temperaturas acima dos dois mil graus Celsius.

A radiação ultravioleta é muito pouco penetrante, dessa forma, seus efeitos serão sempre
superficiais, envolvendo a pele e os olhos. Os efeitos agudos são, em geral, retardados de 6 a
12 horas e essa é uma característica típica da radiação. Não existe sensação no momento da
exposição e, por isso, doses elevadas podem ser recebidas sem qualquer advertência sensorial.
Na pele, a radiação produz o eritema ou “queimadura solar”, sendo bem conhecida por
experiência própria das pessoas. A pele exposta tende a se pigmentar e o aumento da pigmentação
protegerá a pessoa de novos eritemas. Evidentemente, aqui existe um papel importante
representado pelo tipo de pele, ou seja, uma maior ou menor facilidade de pigmentação.
Nos olhos, produz-se uma querato-conjuntivite (inflamação fotoquímica da córnea e da
conjuntiva ocular) muito dolorosa e granulosa (os atingidos têm a sensação de areia nos olhos).
Esse efeito é incapacitante, cedendo em um ou dois dias e não produzindo, em regra, nenhuma
sequela.
Os limites de exposição da ACGIH definem valores permissíveis para a prevenção desses
efeitos.
Um efeito importante e reconhecido da radiação ultravioleta é o câncer de pele, para o
qual não está vinculado um limite de exposição. Esse efeito é mais reconhecido nas profissões “ao
tempo”, como agricultura, pesca, salinas, offshore.

3.1.4 Laser
LASER não é uma outra radiação, mas sim uma outra forma de emissão das radiações
conhecidas.
A seguir as características da radiação e o fator de risco ocupacional:

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• Uma grande energia pode ser concentrada em uma área muito pequena (risco de
destruição de tecidos, queimadura).
• O feixe não perde intensidade com a distância (exceto se for absorvido pelo meio),
como as outras radiações (emissão comum).
• Reflexões especulares (vidros, azulejos, chapas polidas, pisos vitrificados) são tão
perigosas quanto o feixe principal.

As ocorrências industriais ainda são poucas, mas já são sensíveis. Alguns usos correntes
são:
• topografia, telemetria.
• solda e corte.
• mapeamento de superfícies.
• microfuração.
• barreiras para proteção e sensoriamento, cortinas de luz.

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Além disso, já existe há tempos o uso em diversos tipos de cirurgia e tratamentos dérmicos.
Basicamente, o risco é o de queimadura e destruição de tecidos. No caso do olho,
queimaduras de retina podem ocorrer em frações de segundo, mesmo com LASER de muito baixa
potência (alguns miliwatts). Um apontador LASER, do tipo que se vende para apresentações e,
mesmo, como brinquedo, pode produzir exposições acima dos limites permitidos para o olho, se
este for exposto com o feixe incidindo direta e frontalmente.
As seguintes medidas são importantes na prevenção de acidentes e exposição excessiva
com LASER:

• Isolamento da área, enclausuramento.


• Intertravamento de proteção.
• Iluminação geral alta.
• Alvos absorventes e incombustíveis.
• Evitar superfícies refletivas. Todos os acabamentos devem ser foscos.
• EPIs específicos segundo o tipo de LASER.
• Ler atentamente o manual do equipamento.

A radiação ionizante é a radiação que transfere energia suficiente para expulsar os


elétrons de sua órbita, resultando na criação de íons.
Existem vários mitos sobre os diferentes tipos de radiação. Porém, devido às ca-
racterísticas específicas a mais perigosa delas é a radiação ionizante.

Antes de mais nada, é importante que se entenda que as radiações nucleares são o resultado
das transformações do núcleo instável de um átomo na busca de estados de maior estabilidade.
Ou seja, tratam-se do produto da otimização de sua estrutura e dinâmica. Por causa da
intensidade das forças atuantes dentro do núcleo atômico, as radiações nucleares são altamente
energéticas.
A exposição à radiação ionizante oferece sérios riscos biológicos ao corpo humano e ao
meio ambiente.

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O trabalho a céu aberto, jornada completa, na agricultura, por exemplo, pode se


enquadrar como insalubre, uma vez que a avaliação é qualitativa?
Resposta: A exposição ao UV solar pode ser avaliada seguindo o critério da AC-
GIH, como recomenda a NR-9, quando não possuímos LTs na NR-15. Do ponto de
vista da insalubridade, é um anexo qualitativo, mas o perito deve buscar um crité-
rio técnico bom e isso remeteria à ACGIH. Deve-se lembrar, ainda, que, se houver
proteção correta de pele e olhos, a exposição pode ser tornada adequada.

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Acidentes nucleares severos e a questão da deposição de resíduos radiativos sus-
citam cada vez mais dúvidas sobre a continuidade de programas nucleares, seja
para o uso pacífico ou militar. Em verdade, ainda perduram dúvidas sobre as reais
propriedades e aplicações da radiação, que o livro Radiação: efeitos, riscos e be-
nefícios, Oficina de Textos, de Okuno, esclarece, com uma abordagem didática. A
obra permite ao leitor compreender os conceitos básicos da Física das radiações,
seus efeitos biológicos, formas de proteção e suas aplicações na indústria e na
Medicina, particularmente no tratamento do câncer. Apresenta a história das ra-
diações: a descoberta da radioatividade, os primeiros tratamentos radioterápicos,
o projeto Manhattan e as bombas atômicas, os reatores nucleares e os principais
acidentes envolvendo radiações.

Uma análise sobre o maior acidente nuclear do Brasil, que aconteceu em 1987, e
a consequência anos após para uma cidade e a sua população pode ser vista no
vídeo: Programa Césio-137 fala sobre os 30 anos do maior acidente radiológico
do mundo.
Disponivel em: <http://g1.globo.com/goias/videos/v/programa-cesio-137-fala-so-
bre-os-30-anos-do-maior-acidente-radiologico-do-mundo/6186328/>. Acesso em:
20 jan. 2019

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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta unidade pudemos conhecer, de maneira introdutória, os riscos físicos – pressões
anormais e radiações ionizantes e não ionizantes. Trouxemos para o seu conhecimento em quais
atividades o trabalhador está exposto a tal risco apresentado. Vimos também que tais riscos
podem causar danos irreversíveis à saúde do trabalhador. Dessa forma, foi abordado quais são as
medidas de controle e redução dos riscos.
Todos esses aspectos devem manter clara a concepção de que a higiene ocupacional
possuiu uma complexidade e importância muito grande para a vida do trabalhador.

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UNIDADE ENSINO A DISTÂNCIA

04
DISCIPLINA:
HIGIENE DO TRABALHO I - NORMATIZAÇÃO E
LEGISLAÇÃO APLICADAS

RISCOS QUÍMICOS - AGENTES QUÍMICOS


PROF.A MA. ANA CAROLINA BRITTO CASTILHO

SUMÁRIO DA UNIDADE

INTRODUÇÃO.............................................................................................................................................................58
1. CONCEITOS DE AGENTES E RISCOS QUÍMICOS...............................................................................................59
1.1 UNIDADE DE MEDIDAS........................................................................................................................................59
2. CLASSIFICAÇÃO DOS AGENTES QUÍMICOS.......................................................................................................60
2.1 GASES E VAPORES..............................................................................................................................................60
2.1.1 CLASSIFICAÇÃO FISIOLÓGICA DOS GASES E VAPORES ............................................................................. 61
2.1.1.1 GASES E VAPORES IRRITANTES .................................................................................................................62
2.1.1.1.1 IRRITANTES PRIMÁRIOS............................................................................................................................62
2.1.1.1.2 IRRITANTES SECUNDÁRIOS .....................................................................................................................62
2.1.1.2 GASES E VAPORES ANESTÉSICOS .............................................................................................................62
2.1.1.2.1 ANESTÉSICOS PRIMÁRIOS........................................................................................................................63

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2.1.1.2.2 ANESTÉSICOS DE EFEITOS SOBRE AS VÍSCERAS.................................................................................63
2.1.1.2.3 ANESTÉSICOS DE AÇÃO SOBRE O SISTEMA FORMADOR DE SANGUE ..............................................63
2.1.1.2.4 ANESTÉSICOS DE AÇÃO SOBRE SISTEMA NERVOSO ...........................................................................63
2.2 AERODISPERSÓIDES..........................................................................................................................................63
2.2.1 POEIRAS ...........................................................................................................................................................64
2.2.2 FUMOS .............................................................................................................................................................65
2.2.3 FIBRAS..............................................................................................................................................................65
2.2.4 NEBLINAS.........................................................................................................................................................65
2.2.5 NÉVOAS............................................................................................................................................................65
3. EFEITOS NO ORGANISMO...................................................................................................................................66
CONSIDERAÇÕES FINAIS.........................................................................................................................................69

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INTRODUÇÃO
Estimado(a) aluno(a), chegamos à última unidade de nossa disciplina. Você já estudou
os agentes ambientais correspondentes aos agentes físicos, podendo perceber que há uma grande
variedade de tipos de energia (ruídos, radiações, temperaturas extremas, vibrações, pressões
anormais, umidade).
No ambiente industrial além de termos a possibilidade da presença dos agentes físicos,
podem existir também os agentes químicos. Na visão da higiene ocupacional eles são substâncias,
elementos, compostos ou resíduos químicos que, durante a fabricação, armazenamento, manuseio
e transporte com capacidade de ação tóxica sobre o organismo ou que venha a contaminar o ar
do ambiente de trabalho.

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Assim, nessa última unidade iremos conhecer os tipos de agentes químicos, unidades de
medida e classificação, bem como seus efeitos sobre o organismo humano.

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1. CONCEITOS DE AGENTES E RISCOS QUÍMICOS


Consideram-se agentes químicos as substâncias, compostos ou produtos que possam
penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas,
gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser
absorvidos pelo organismo pela pele ou por ingestão (NR-9 do MTE - 9.1.5.2).
Os riscos químico são causados pelas substâncias químicas presentes no ambiente de
trabalho, na condição de matéria-prima, produto intermediário, produto final ou como material
auxiliar, os quais, em função das condições de utilização, poderão entrar em contato com o corpo
humano, interagindo em ação localizada, como no caso de queimadura ou irritação da pele, ou
em ação generalizada, quando for levado pelos fluidos internos, chegando aos diferentes órgãos
e tecidos do organismo (SESI, 2007).

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A grande variabilidade de agentes químicos presentes no meio ocupacional, causa uma
dificuldade maior para o reconhecimento em comparação ao que é feito para os agentes físicos.
Isso ocorre pois cada produto tem suas próprias características químicas como, por exemplo, pH
(indicação de acidez), concentração, estado físico, propriedades de alerta (com ou sem odor, por
exemplo), volatilidade, solubilidade (na água ou ar), reatividade e níveis de toxicidade, podendo
este agir de modo diferenciado em diversos órgãos, variando de acordo com a via de penetração
(respiratória, pele ou ingestão) e o tempo de exposição a que o trabalhador está submetido
ao agente. Além do fato de que a avaliação de um agente químico pode ser prejudicada pelas
condições do clima, como, por exemplo, um dia de chuva ou dias frios (PEIXOTO; FERREIRA,
2013).
Peixoto e Ferreira (2013) classificam os agentes químicos de acordo com a sua estrutura
física. Em outras palavras, por estado físico, como os aerodispersóides (particulados na forma
sólida ou líquida), gases e vapores. Cada um, também pode ser dividido conforme o efeito
causador de dano ao organismo humano. Eles são capazes de produzir desde uma sensação de
desconforto ou incômodo até um câncer.

1.1 Unidade de Medidas


Antes de aprofundarmos sobre os agentes, é necessário que se conheça as unidades de
concentração que são usadas para quantificá-los no ambiente contaminado. Na NR 15 (1978c),
em seu Anexo 11, há os limites de tolerância para estas unidades.

• ppm (partes por milhão) – esta unidade é empregada, comumente, para representar a
concentração de gases e vapores. Quando a concentração de um agente químico for de 1
ppm, significa que existe uma parte, em volume, deste agente que está junto a um milhão
de partes, em volume, de ar contaminado.

• mg/m3 (miligrama por metro cúbico) – unidade, normalmente, empregada para


representar a quantidade de aerodispersóides. Quando temos, por exemplo, a concentração
de 1 mg/m³ de um agente químico, significa que existe um miligrama deste produto em
um metro cúbico de ar.

• % em volume – não é uma unidade, porém usa-se para representar a quantidade de gás
ou vapor na forma de volume que está acompanhando o ar contaminado.

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O anexo 11 da NR 15 apresenta os limites de tolerância para os agentes químicos. Na


Tabela 1 são apresentados alguns agentes químicos mais comuns existentes no meio laboral.

A G E N T E S V A L O R A B S O R Ç Ã O ATÉ 48 HORAS/ SE- GRAU DE


QUÍMICOS TETO TAMBÉM PELA MANA INSALUBRIDADE
PELE PPM mg/m³

Amônia 20 14 Médio
Cloro 0,8 2,3 Máximo
Dióxido de + 4 7 Máximo
nitrogênio
Tolueno + 78 290 Médio

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Álcool n-Bu- + + 40 115 Máximo
tílico
Acetileno Asfixiantes
simples

Tabela 1 - Limites de tolerância para os agentes químicos. Fonte: Brasil TEM (2018).

2. CLASSIFICAÇÃO DOS AGENTES QUÍMICOS


Os agentes químicos são classificados em gases, vapores e aerodispersóides (estes últimos
são subdivididos, ainda, em poeiras, fumos, névoas, neblinas, fibras). Podemos entender os
agentes químicos como todas as substâncias puras, compostos ou produtos (misturas) que podem
entrar em contato com o organismo por diferentes vias, expondo o trabalhador. Cada caso tem
sua toxicologia específica, sendo, também, possível agrupá-los em famílias químicas, quando de
importância toxicológica.

2.1 Gases e Vapores


Muitas pessoas acreditam que gases e vapores são sinônimos. Entretanto, não são e
apresentam conceitos bem diferentes. Segundo Peixoto e Ferreira (2013), o gás é uma dispersão de
moléculas que estão espalhadas e misturadas no ar ambiente, com movimentação desordenada,
resultante de forças internas fracas e que, sob condições de temperatura e pressão atmosféricas
(normais), já estão no estado gasoso. Por apresentarem estas características, os gases têm a
capacidade de preencher espaços, em sua totalidade, ou seja, podem adquirir a concentração de
100% do volume. Enquanto o vapor é definido como o estado gasoso de agentes químicos que,
quando condicionados à temperatura e pressão atmosféricas, apresentam-se no estado líquido. A
sua concentração no meio ambiente dependerá de variáveis como pressão de vapor e temperatura
ambiente. Quando houver aumento da temperatura, ocorrerá uma elevação da pressão de vapor
e, por conseguinte, maior vaporização do produto no ar.

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Do ponto de vista da Higiene Industrial, gases e vapores são tratados juntos devido ao
seu comportamento similar. Os métodos utilizados para sua amostragem nos locais de trabalho,
assim como sua posterior análise laboratorial, são frequentemente similares.
Como exemplo de gases podemos citar o próprio ar que respiramos, uma mistura
formada, na sua maior parte, por nitrogênio (N2) e oxigênio (O2). Assim como o gás carbônico ou
dióxido de carbono (CO2), monóxido de carbono (CO), amônia (NH3) e o GLP (Gás Liquefeito
de Petróleo ou gás de cozinha), este último de ampla utilização nas indústrias e lares brasileiros.
Para vapores, os mais conhecidos são originados dos solventes orgânicos, como o tolueno, xileno,
benzeno, éteres, cetonas e hidrocarbonetos, como a gasolina, querosene e álcoois.
Os solventes são vastamente utilizados nos ambientes de trabalho. Temos de conhecê-
los bem para que possamos saber como avaliá-los e controlá-los, uma vez que a maioria das
substâncias ou compostos são tóxicos e, em graus variados, causam algum prejuízo à saúde dos
trabalhadores.
Assim, solvente é uma substância química ou uma mistura de substâncias químicas

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capazes de dissolver outros materiais, tais como borrachas, resinas, tintas, vernizes etc. São usados
também como desengraxantes, para limpeza de peças e de ambientes muito sujos. A maioria dos
solventes usados em diversos processos e atividades são de natureza orgânica e possuem certo
número de propriedades comuns.
Podemos destacar algumas delas:

• são líquidos voláteis de elevada pressão de vapor.


• trata-se de uma mistura de vários componentes, às vezes bastante complexa quando se
trata de componentes derivados de petróleo.
• geralmente são substâncias inflamáveis, que podem formar misturas explosivas.
• geralmente são substâncias pouco polares e pouco solúveis em água.

Devido a essas características, os solventes têm facilidade para evaporar e misturar-se


com o ar dos locais de trabalho, podendo atingir concentração bastante elevada. Sua natureza
química é variada e eles são classificados em vários grupos, de acordo com suas propriedades
químicas. Exemplificaremos os mais utilizados a seguir.

2.1.1 Classificação fisiológica dos gases e vapores


Os gases e vapores são classificados segundo a sua ação sobre o organismo humano em
três grupos importantes:

• Irritantes
• Anestésicos
• Asfixiantes

Não quer dizer que, se uma substância é classificada em um dos grupos citados, isso
não implicará que possa ter características dos outros grupos. Essa classificação baseia-se no
efeito mais importante, isto é, mais significativo sobre o organismo. Por exemplo, sabemos que a
maioria dos solventes está classificada como anestésica; no entanto, qualquer pessoa que já esteve
exposta a um solvente do tipo (álcool, thinner, acetona) percebeu que essas substâncias também
têm como propriedade irritar as vias respiratórias superiores.

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2.1.1.1 Gases e vapores irritantes


Existe uma grande quantidade de gases e vapores classificados nesse grupo, os quais
diferem em suas propriedades físico-químicas, mas possuem uma característica comum:
produzem inflamação nos tecidos com os quais entram em contato direto, tais como a pele, a
conjuntiva ocular e as vias respiratórias.
O modo de ação dos gases e vapores irritantes é determinado, principalmente, pela sua
solubilidade.
A irritabilidade das vias respiratórias está ligada à solubilidade dos gases e vapores, pois
elas são extremamente úmidas. Os gases e os vapores muito solúveis atacam preferencialmente as
vias aéreas superiores (nariz e gargantas), porque se solubilizam ao primeiro contato com o trato
respiratório; já os pouco solúveis atacam aéreas inferiores (bronquíolos e alvéolos).
Podem provocar lesões de natureza inflamatória, localizada na pele ou na mucosa, através

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dos gases exalados por substâncias que provocam irritação das vias aéreas superiores e inferiores.

2.1.1.1.1 Irritantes primários


São os que atuam no local de contato com o organismo. Não exercem ação tóxica sistêmica,
isto é, não atingem o organismo como um todo.

• Irritantes do trato respiratório: são substâncias muito solúveis em meio aquoso


(ácidos e bases).

• Irritantes do trato respiratório superior e tecido pulmonar: são substâncias de


solubilidade moderada em fluídos aquosos, atuam sobre todo o sistema respiratório
(halogênios, ozônio e anidridos).

• Irritantes do tecido pulmonar: este grupo é constituído por substâncias insolúveis em


fluídos aquosos (dióxido de nitrogênio e fosgênio).

2.1.1.1.2 Irritantes secundários


Essas substâncias, apesar de possuírem efeito irritante, possuem ação tóxica generalizada
sobre o organismo. Exemplo de substância desse grupo é o gás sulfídrico.

2.1.1.2 Gases e vapores anestésicos


O efeito anestésico se deve à ação depressiva sobre o sistema nervoso central. É importante
ressaltar que essas substâncias são introduzidas em nosso organismo pela via respiratória,
alcançando o pulmão, do qual são transferidas para o sangue, que as distribuirá para o resto do
corpo. Muitas delas também podem penetrar pela pele intacta, alcançando a corrente sanguínea.
Os anestésicos podem ser divididos de acordo com sua ação sobre o organismo.

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2.1.1.2.1 Anestésicos primários


São assim chamadas as substâncias que não produzem outro efeito além da anestesia,
mesmo em exposições repetidas a baixas concentrações. Exemplos: hidrocarbonetos alifáticos
(butano, propano, etano etc.), ésteres, aldeídos, cetonas.

2.1.1.2.2 Anestésicos de efeitos sobre as vísceras


Exposições a esse grupo podem acarretar danos ao fígado e aos rins. Exemplos:
hidrocarbonetos clorados, tais como tetracloreto de carbono.

2.1.1.2.3 Anestésicos de ação sobre o sistema formador de sangue

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Essas substâncias acumulam-se, de preferência, nos tecidos graxos, medula óssea e
sistema nervoso. Exemplos: hidrocarbonetos aromáticos, tais como tolueno, xileno, benzeno.
Temos de salientar que a substância que representa o maior risco é o benzeno, que, em exposições
repetidas a baixas concentrações, pode produzir uma anemia irreversível, podendo chegar a uma
leucemia. Os homólogos, tolueno e xileno, têm efeitos anestésicos similares ao do benzeno, mas
possuem efeitos tóxicos consideravelmente menores. Há muito tempo, tanto o xileno como o
tolueno eram recomendados para substituírem o benzeno. Todavia, atualmente o tolueno já não
se recomenda mais, pois este teve seu limite de tolerância reduzido à metade e está classificado
como uma substância carcinogênica classe A4 pela ACGIH.

2.1.1.2.4 Anestésicos de ação sobre sistema nervoso


Álcoois (metílico e etílico), ésteres de ácidos orgânicos, dissulfeto de carbono. Em geral,
os álcoois são altamente solúveis na água, fato que determina a sua eliminação de forma lenta.
No caso do álcool etílico, a lenta eliminação contrapõe-se à rápida oxidação dentro do ciclo
de combustão dos açúcares e raramente são inaladas quantidades suficientes para produzir
anestesia. O álcool metílico, diferentemente do etílico, é eliminado lentamente pelo organismo, o
que favorece a sua ação tóxica, que está dirigida, principalmente, sobre o nervo ótico.

2.2 Aerodispersóides
Os aerodispersóides são definidos como partículas sólidas ou líquidas que podem estar
em suspensão no ar atmosférico. Apresentam, aproximadamente, tamanho inferior a 150 µm.
Estes também são conhecidos como aerossóis. Podem ser classificados de acordo com o seu estado
físico, assim como pelos efeitos que provocam no organismo humano em razão da natureza e da
reatividade do material (PEIXOTO; FERREIRA, 2013).
O tempo que os aerodispersóides podem permanecer no ar depende do seu tamanho,
peso específico (quanto maior o peso específico, menor o tempo de permanência) e velocidade
de movimentação do ar. Evidentemente, quanto mais tempo o aerodispersóide permanece no ar,
maior é a chance de ser inalado e produzir intoxicações no trabalhador.
Os aerodispersóides são resultantes de processos industriais e, devido à variabilidade de
tamanho com que são gerados, a maioria deles não é possível visualizar com o olho humano. É
possível classificar o tamanho das partículas conforme a Figura 1.

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Tipo de particulado Tamanho aproximado (µm)


Sedimentável 10 < Ø < 150
Visível Ø > 50
Inalável Ø < 10
Respirável Ø<5

Figura 1 - Tipos e tamanho das partículas. Fonte: Peixoto e Ferreira (2013, p. 62).

O conceito usado em Higiene Ocupacional para definir tamanho de partículas deriva


da velocidade de queda da partícula no ar em repouso, quando esta atinge o equilíbrio (força
da gravidade igual à força da resistência aerodinâmica exercida pela atmosfera) e desce com
velocidade constante, conhecida como velocidade terminal de sedimentação (PEIXOTO;
FERREIRA, 2013).

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2.2.1 Poeiras
Poeira são partículas sólidas que estão uniformemente, ou não, dispersas
no ar. Essas partículas podem ser tanto visíveis como invisíveis ao olho humano.
Essas partículas são, geralmente, criadas através da ruptura de sólidos maiores.
As poeiras podem ser entendidas como um conjunto de partículas que são geradas
mecanicamente por procedimento de ruptura ou rompimento ou, ainda, por uma desagregação
de partículas maiores em menores, com diâmetros produzidos na faixa aproximada de 0,1 µm
a 25 µm. Quando expostos a um longo período de tempo, os trabalhadores podem adquirir
doenças do grupo das pneumoconioses, que oferecem perigo por causar enrijecimento dos
tecidos pulmonares (PEIXOTO; FERREIRA, 2013).
Pertence a este grupo uma doença que merece destaque: a pneumoconiose dos
trabalhadores do carvão (ou dos mineiros). Esta é uma doença profissional cuja causa é a inalação
de poeiras de carvão mineral. Tem como características o depósito destas poeiras nos alvéolos
pulmonares e uma reação tissular (tecidos) em razão de sua presença. Um exemplo de poeira
bem comum em uma construção civil é o provocado pela remoção de areia (seja no depósito de
areia em um local ou na retirada desta, como na escavação).
Outros exemplos de poeiras que são bastante prejudiciais à saúde dos trabalhadores são:

• processo de britagem.
• terraplanagem.
• detonação de rochas.
• destruição de paredes e outros tipos de obras.
• trabalhos com cimento (preparação, transporte, mistura etc.).
• lixamento de materiais.
• peneiramento de minérios.
• corte de granito com máquinas, como a maquita.
• dentre outros tipos de trabalho que formam poeira.

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2.2.2 Fumos
Os fumos são produzidos por condensação de vapores.
que é originado de uma substância no estado sólido em condições normais de temperatura e
pressão. As partículas dos fumos são sólidas.
Os fumos são originados pela volatilização de substâncias sólidas, em sua grande maioria,
de metais quando estão sendo fundidos. Por exemplo, o fumo de chumo (Pb), quando se faz
pontas em arames e fumo de zinco (Zn), na galvanoplastia.
Os fumos são responsáveis pelas principais doenças em indústrias que trabalham com
soldagem e fundição de metais.
Essa doença é tão comum nesse meio que foi batizada de “febre dos fundidores”, que não
é tão grave assim, mas à longo prazo pode trazer problemas de saúde aos trabalhadores que tem
contato com o vapor e partículas dos metais fundidos.

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A respiração destes fumos por um longo tempo e a não adoção de cuidados pode causar
ulcerações do septo nasal.

2.2.3 Fibras
Segundo Peixoto e Ferreira (2013), são partículas sólidas produzidas por ruptura mecânica
de sólidos, que se diferenciam das poeiras porque têm forma alongada, com um comprimento de
3 a 5 vezes superior ao seu diâmetro. Exemplos:

• Animal – lã, seda, pelo de camelo.


• Vegetal – algodão, linho e cânhamo.
• Mineral – asbestos, vidros e cerâmicas.

2.2.4 Neblinas
A neblina é composta por partículas no estado físico líquido.
Porém, essas partículas não originaram da ruptura do líquido, mas sim por meio da condensação
de vapores das substâncias que estavam no estado líquido nas condições normais de temperatura
e pressão.
A neblina que vemos em uma estrada é resultado da condensação (passagem de um
líquido para o estado gasoso) das partículas de água presente no ar. A condensação só ocorre
quando o vapor do líquido está saturado.
A necessidade de ter-se a condição de uma saturação do vapor e uma posterior condensação
tornam as neblinas mais difíceis de serem vistas nas indústrias. Elas são mais conhecidas como
um fenômeno do clima (PEIXOTO; FERREIRA, 2013).

2.2.5 Névoas
A névoa é composta por partículas no estado físico líquido, que são produzidas por
substâncias líquidas que sofreram ruptura, se tornando pequenas partículas que acabaram por se
dispersar no ar.

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Névoa ocorre quando a umidade do ar passa para o estado líquido, outro


tipo de névoa é o spray, como o de desodorante, por exemplo. Aquilo não é um gás
ou vapor, na verdade é o líquido desodorante presente em pequenas partículas no ar.
Um exemplo de névoa que pode ser extremamente prejudicial à saúde do trabalho, é a névoa
ocasionada quando o trabalhador está aplicando agrotóxicos em uma plantação. Alguns solventes
são usados em tintas em spray e contêm chumbo, que é um elemento muito perigoso e de alto
risco para a saúde do trabalhador.

3. EFEITOS NO ORGANISMO
Os danos físicos relacionados à exposição química incluem, desde irritação na pele e
olhos, passando por queimaduras leves, indo até aqueles de maior severidade, causados por

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incêndio ou explosão. Os danos à saúde podem advir de exposição de curta e/ou longa duração,
relacionadas ao contato de produtos químicos tóxicos com a pele e olhos, bem como a inalação de
seus vapores, resultando em doenças respiratórias crônicas, doenças do sistema nervoso, doenças
nos rins e fígado e, até mesmo, alguns tipos de câncer.

Asbestose é uma pneumoconiose causada pela inalação de fibras de amianto ou


asbesto. Locais em que se utiliza amianto para a fabricação de artigos à prova
de fogo e fibrocimento amianto incluindo o seu manuseio (BRASIL, 2001, p. 337).
A exposição ao asbesto, considerando as indústrias de extração deste minério e
de transformação, envolve cerca de 20 mil trabalhadores. Trabalhando de forma
inadvertida, tem-se de 250 mil a 300 mil trabalhadores, na indústria da construção
e mecânica (BRASIL, 2001, p. 15).

A sigla FISPQ significa Ficha de Informação de Segurança de Produtos Químicos,


é um documento normalizado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ABNT) conforme NBR 14725-4.

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Risco Químico é o perigo a que está exposto a pessoa ao manipular produtos quí-
micos ou se expor de alguma forma a agentes químicos agressores ao organismo.
Os compostos químicos podem causar uma infinidade de males ao organismo.
O SESMT e a CIPA podem fazer muito em favor da gestão dos riscos químicos na
empresa. Sendo assim, o que o SESMT e a CIPA podem fazer para reduzir esses
riscos?
O reconhecimento dos riscos é parte muito importante na adoção das medidas
de segurança necessárias. A partir do reconhecimento podermos agir na fonte do
risco até mesmo evitando que o produto seja disperso no ambiente.

Avaliação quantitativa: diferente do que acontece com o ruído, em que com ape-

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nas uma avaliação é possível avaliar todo o risco, na avaliação dos riscos quími-
cos cada agente deve ser avaliado separadamente na maioria das vezes. Isso
demanda maior conhecimento e tempo do profissional avaliador, além de deman-
dar maior investimento por parte da empresa. Alguns tipos de produtos não são
avaliados quantitativamente.

Avaliação qualitativa: aplica-se somente a avaliação da exposição a contaminan-


tes atmosféricos para os quais não foram definidos limites de exposição ocu-
pacional, ou seja, se não houver norma para fornecer um parâmetro ou fornecer
danos que a exposição pode causar não existe motivo para análise quantitativa. A
análise quantitativa é feita somente em substâncias com dados disponíveis sobre
a relação dose-efeito ou dose-resposta.

É IMPORTANTE CONSIDERAR E OBSERVAR:

• Se há alternativa para a substituição de produtos agressivos por menos


agressivos.
• Se há formas de utilizar os produtos com níveis maiores de segurança.
• Se a forma de estocagem está sendo adequada.
• Se as informações da FISPQ têm sido corretamente observadas na em-
presa.
• Que conhecer os produtos utilizados e os males que pode causar é obri-
gação do SESMT e direito do trabalhador.
• Que todo empregado seja treinado e continuamente orientado sobre for-
mas de trabalhar com segurança.
• Que só deve ter acesso às áreas de risco pessoas indispensáveis ao an-
damento do trabalho.
• Que as medidas coletivas venham como prioridade e que os EPIs sejam
adequados ao risco do trabalho.
• Que o monitoramento e classificação dos produtos químicos são partes
obrigatórias para implantação de formas de uso mais eficientes e seguras.

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Livro: Controle de Riscos. Prevenção de Acidentes no Ambiente Ocupacional.


Autores: Paulo Roberto Barsano e Rildo Pereira Barbosa.

De maneira simples e didática, o livro aborda controle de riscos e suas tecnolo-


gias, como histórico da segurança e da medicina do trabalho, além da saúde ocu-
pacional; conceitos de risco e perigo; olhar prevencionista e a teoria da magnitude
dos riscos. Apresenta a tecnologia de controle e prevenção dos principais riscos
ocupacionais: químicos, físicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes. Comen-
ta processos industriais, bem como rotulagem, transporte, armazenagem e manu-
seio de materiais, sinalização de segurança e uso de cores para identificar riscos.
Traz fundamentos que norteiam a segurança do trabalho nas instalações e nos

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serviços em eletricidade, considerando a Norma Regulamentadora 10 (NR-10):
equipamentos e dispositivos elétricos, instalações elétricas provisórias, riscos de
eletricidade, equipamentos de proteção coletiva e individual. Por fim, aborda clas-
ses de incêndio e métodos para sua extinção, controle de incêndios e explosões,
sistemas de alarme e as diversas medidas de segurança.

Convenção n. 174 foi adotada pela Organização Internacional do Trabalho, em


1993, e ratificada pelo Governo Brasileiro, em 2002.Tem como objetivo a preven-
ção dos grandes acidentes e amenização.
Assista ao vídeo Prevenção de Grandes Acidentes Químicos. Disponível em: <ht-
tps://www.youtube.com/watch?v=NehENU60t0w>. Acesso em: 20 jan. 2019.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Estimados(as), nesta disciplina foi introduzido a área de riscos químicos para a higiene
ocupacional. Foi possível identificar quais são esses riscos, as características dos agentes químicos
e, principalmente, os principais efeitos no organismo. Obteve-se uma noção de quais são as
medidas de controle para esses agentes.
Espero que essa disciplina tenha sido bem aproveitada, pois é uma introdução para as
demais que você terá ao longo do curso.
Bons estudos!

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REFERÊNCIAS
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