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HISTÓRIA DA AMÉRICA LATINA

VOLUME V

DE 1870A 1930
Leslíe Bethell / organizador
Professor Emériro de História da América Latina, Universidade de Londres,
e Diretor do Centro de Estudos Brasileiros, Universidade de Oxford

Tradução
Geraldo Gerson de Souz a

\I' ',,, . ,,-,,.,_,._.A,,


Copyright ,o 1984 by Cambridge Univcrsity Press

Título do original em inglês:


The Cambridge 1-fislory cfLatin América vol. V

Dados Internacionais de Catalogação na Publicaçâo (CIP)


(Cfimara Brasileira do Livro, SI', Brasil)

História da América Latina: de 1870 a 1930, volume V/ Lcslie Bcthell organização; tradução Geraldo Gerson de
Souza. - São Paulo : Editora da Universidade de S,10 Paulo; Imprensa Oficial do Estado; Brasília Fundação
A lexandrc de Gusmão, 2002_

Título original: The C,1mbridge History of Latin Amcrica vol. V


Bibliografia.
ISBN 85-314-0651-X (Edusp)
ISBN 85-7060-008-9 (Imprensa Oficial do flst:1do)

l _ América Latina -- Hisiória 1 - !. Bclhell, Lcslie.

O 1-3744 CDD-980

Índices para catúlogo sistcmútico:


J .Américn Latina · História
980

Direitos cm língua poriugucsa rc.:scrvado::: ;\

Edu:.p ~ Editora dn Universidade de S8o Paulo


Imprensa Orícial do Estado de São Paulo
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Printcd in Brazil 2002

Foi teito o ch::pósito legal


227
O
longe de resolver sua própria questão agrária. Isso demonstra até que ponto
México continua sendo, em 1930, um país rural.

A REFORMA AGRÁRIA, A AGRICULTURA E OS CAMPONESES

Talvez se tenha exagerado na participação que se atribuiu à questão agrária


na derrocada do Porfiriato. Do mesmo modo, talvez se tenha superestimado,
na história ela Revolução, a importância da reforma agrária. No curso da guer-
ra civil, medidas legais decisivas foram adotadas, de maneira improvisada e
sob a pressão da necessidade, contra a propriedade privada ela terra em grande
escala, como ilustram o decreto de janeiro de 1915 e o artigo 27 da Constitui-
ção de 1917. No entanto, uma versão modificada dos princípios corporificados
no decreto de 1915 e no artigo 27 da Constituição foi posta em vigor somente
em 1934, e então apenas de maneira lenta e confusa, com a publicação do
Código Agrário. De acordo com a Constituição e com o código de regulamen-
tação, a terra pertencia à nação que, por meio do Estado, podia reconhecê-la
como propriedade privada legítima ou desapropriá-la e concedê-la a comuni-
dades definidas pelo termo ejido ou a pequenos proprietários individuais. A
concessão era inalienável e não podia ser alugada, vendida ou herdada.
Antes ela derrota dos zapatistas e de outras forças guerrilheiras importan-
tes para Obregón e seus soldados, Carranza já distribuíra de forma um tanto
tímida e irresoluta vinte mil hectares de terras, ratificando as ocupações fei-
tas durante a guerra civil, sobretudo na zona zapatista (Morelos e Guerrero).
No curso de quatro anos, Obregón, com o objetivo político de comprar a paz,
distribuiu mais de um milhão de hectares. A princípio o presidente Calles
seguiu essa iniciativa, mas depois reduziu o ritmo do processo. Como
Obregón, teria preferido encerrar a reforma agrária dentro ele um quadro
político e concluí-la rapidamente, a fim de passar à modernização e à produ-
tividade - colonização, irrigação e agricultura capitalista em grande escala -
que lhe interessavam mais do que a distribuição.
O movimento colonizador iniciado no Porfiriato, um ataque pioneiro às
terras secas e irrigáveis de Sonora e às florestas tropicais de Veracruz,
Tabasco, Campeche etc., teve de ser interrompido por causa da Revolução.
foi relançado por Obregón e por Calles com o apoio do Estado (Lei da
Colonização, de 5 de abril de 1926). Todavia, a grande depressão interferiu
nesse projeto de obras públicas em massa, como vimos: as exportações agrí-
228
colas ruíram· 400 mil mexicanos voltaram dos Estados Unidos; e O governdo
) . . o o
foi obrigado a rever sua estratégia económica, favorecendo assim O JOg
"o agra-
grupo de pressão agrário. Apesar de sua declaração, em 1929, de que . e _
. . . "21 Calles foi tor
rismo tal como o entendemos e aplicamos fo1. um fracasso ,
. - d e t en·as · No governo Ne e
1,
çad o a concorc I ar com a retoma d a d a diistriib uiçao
Portes Gil, em 1929/1930, foram distribuídos 1 ,7 milhões de hectares. ~
t egues ao
período de 1915 a 1933, mais 7,6 milhões de hectares foram en r dis
clríguez is-
camponeses. E em menos de dois anos (1933-1934), Abelarc I o R O
tribuiu mais 2,5 milhões de hectares. ,
, , . . . - . . Cárdenas,
Em 1934, as vesperas da grande distribuição de terras feita por .
1 . , s caracte-
num total de 18 milhões de hectares o balanço da reforma reve a tre h
' d ec-
rísticas. Em primeiro lugar, as concessões foram limitadas: dez milhões e da
tares, 10 por cento talvez da terra cultivável, foram entregues a 10 por cento!
J a o-
classe camponesa. (Até 1934, os peones acasillados, trabalhadores agríc~ ~:: )
0
jados nas haciendas, não podiam ser beneficiados pela reforma agrai · d
. . .
resultado institucional .
foi um total talvez de quatro mil ejtc os.
. íid E'm segun o
, . . . t s E, em
lugar, as concessões concentraram-se num pequeno número ele distrt ~· · Ja-
· 1 ugar, esses e1·istrrtos
t erceiro · ·
estiveram confinados ao Ve11no M'exrico do ,i]to P
. . ,
nalto central e a suas escarpas tropicais cio Sul e cio Sudeste (More os,
l . Veracruz,
. . . do e os
Hiclalgo). Na maioria dos casos, o núcleo central da hacienda foi respeita ·
ue-
peclaços de terra foram distribuídos aos ejidos em títulos separados, em peq
. - . d minantes
nos lotes de quatro a dez hectares. De acordo com as condições pre O
: . vezes
em cada Estado, as reformas, administradas pelas autoridades, eram as
executadas com vigor, . outras vezes eludidas . .
e outras ainda · 1 as. P ara_ u!11
ad1ac
. çoes e
tempo futuro. Conseqüentemente, surgiu uma ampla diversidade de situa _
corruP
uma certa falta de controle no curso das operações, o que resultou em . _
- .
çao e em extorsão dos camponeses, inclusive dos beneficiados pela istr dis ibU!ÇaO· .
caCJ-
A política local complicou a questão agrária, porque permitiu que os .
, . , . lassem o 5
ques controlassem uma grande clientela e ao mesmo tempo mampu .. u-
.
propnetanos.' · D 1 .. ·
entro e o eiido a comissão administrativa ispun di ha e redisp ll
. . . - . , . b efício, ur
nha sobre a distribuição dos pedaços de terra em seu propno en .·_
d , ssassI
fato que explica a violência da luta pelo poder e o grande número eªº erdu-
natos perpetrados nos ejidos. Paul Friedrich estudou os massacres que_ p Gon-
ratam por mais de 25 anos na região de Naranja (Michoacán), e Luis

2 l. MEYER, La i<évolution mexicaine, op. cit., pp. 244-245.


229
zález registrou um episódio em San José de Gracia que ele descreve como
"uma insanidade assassina"22. O ejído de Auchén chegou a ser apelidado de
"ejído das viúvas", porque todos os homens foram mortos com exceção de
um que se tornara o clono e explorava todo o ejído.
A reforma agrária não criou divisões apenas entre os próprios ejídataríos;
também dividiu a classe camponesa em dois grupos: os 10 por cento que
tinham recebido um pedaço de terra e aqueles que nada haviam recebido. A
tática ele dividir os camponeses em facções hostis e inconciliáveis garantiu ao
governo o controle da terra e a lealdade eleitoral de seus donos. Desde o
começo, a política agrária fora uma arma brandida tanto contra os fazendei-
ros, que eram ameaçados com desapropriação, quanto contra os beneficiá-
rios, que tinham medo de ser expulsos dos ejídos. Às milícias dos ejídos,
denominadas "forças sociais de defesa", eram distribuídas armas sem pensar
no risco de nunca mais serem recuperadas, como aconteceu em Veracruz em
1932; assim, essas milícias podiam usá-las como um instrumento de repres-
são contra outros camponeses ou como um meio de chantagem· os fazendei-
ros, grandes e pequenos.
O hacendado tradicional foi atingido duramente pelo tríplice ordálio: as
guerras de 1913-1917 e ele 1926-1929, a crise econômica depois de 1929 e a
própria reforma agrária. Daí por diante o conflito rural colocou o camponês
sem terra contra seu vizinho com terra, ou o pequeno proprietário privado
tradicional ou ejidatario, e o pequeno proprietário ou o comunero (membro
de uma comunidade indígena) contra o ejídatarío. O programa agrário foi
imprevidente, pois o colapso da sociedade estabelecida e a reforma multipli-
caram interminavelmente diversos antagonismos entre os camponeses. Não
se pode esquecer os outros elementos humanos envolvidos: o arrendatário, o
meeiro, o trabalhador rural, o criador de gado migrante. Multiplicaram-se os
conflitos de classe, de raça e de cultura, e a disputa religiosa certamente não
ajudou a pacificar o sentimento popular.
Grupos regionais diferentes, que representavam as províncias contra a
capital, a periferia contra o Centro e o Norte contra o Sul, todos exploravam
os camponeses que haviam ajudado a derrubar Don Porfirio e que, em alguns

o
u
22. PAUL FRIEDRlCH, Agrarian Revo!t tn a Mexican \lillage, Englewood Cliffs (N. J.), 1970; LUIS 'X

GONZALEZ, Puebla en \li/o: Microhistoria de San José de Gracia, 3. ed., México, 1979, pp. ""::E
o
186 e 190.
230
. . . . , . - l força recupe-
distritos, haviam consegmdo com uma rápida clemonstraçao e e . á-

.
rar elas grandes fazendas parte de suas terras desapropria as. d O.s revoluc10n : io:
. . . . . rama agrar ,
nos que subiram ao poder nunca tiveram um verdadeiro prog
. . um programa agncola,
, O
tiveram o que não e, a mesma coisa. . . Nun ca atacaram.
. , . . . la média pr 0_
prmcipio da hacienda, mas foram apenas a favor da pequena e e ro-
. .
pneclacle. Entre 1915 e 1928, apenas 1 O por cento dos 1iacen dados eram Prarn
ssu1.
prietários legítimos e, paradoxalmente, a metade das fazendas que Pº rn
, . . , . . , poneses era
eram pequenas. De fato, as areas invadidas pelos propnos cam ,re
. . . . _,, ia de toma
murto maiores. Aos camponeses foi dada a satisfação temporar! ... as
. . .. . , desrnont.u
consolidar seu poder; depois fizeram uso desse poder para . os
. . . .
grandes propriedades privadas no mteresse de uma agncu 1 tura c
apitahsta.
er- ·
.
camponeses estavam fadados a ser os instrumentos , .
e as vit1m.1s , de urna v

são mexicana da acumulação primitiva de capital. ,vo-


. . . , ,rama re
Os camponeses obtiveram mais cio que estava incluído no prog f en-
.. , . . . . , .
.1 ucionario, mas seu sucesso foi limitado. O político tomou o
lugar elo iac
·ar-
• - º . era an ten
dado e o campones teve com o governo a mesma relação que trv ira
. , .. elo de manei
mente com seu empregador, salvo que o governo devia ser temi veu
.
diferente. "Nada foi feito para libertar o camponês do po 1'[tic· o" ' escre
Marjorie Clark em sua obra Organized Labor in Mexico (1934).

ja O
Se ele quer fugir da repressão, deve cuidar de relacionar-se com quem quer que se/rar
. ·. . . . ._ . . . . , .. ·e se campo
mais for te em sua reziao. Prometem-lhe terra dinheiro, ímplementcs 5 ·as
o . , · l·vou1
beem,
.. e; a. ameaçado
. . . . . . . ·
com a perda da terra que ia recebeu, com a vrsao .e de suas a ue
, . , . . . . , . , . . s do grupo q
destr uídas e de seu zado abatido se deixar de responder as ex1gencia . ,·-
º . . . los cac
está no poder. No regime de Porfirio Díaz foi instaurada uma tirania igual a e
ques (chefes)23_

N ao wsias-
- e' e['11e1
f' ·1 perceber por que a reforma agrána· nao
- desp
, ertou o en, buro-
.
mo d os camponeses. · As organizações agránas· foram. domma· , das pel.i
·, s A 1 gL 111s
cracia; nunca se transformaram em verdadeiros órgãos camponese · .,1 a
. . . . º de tefl'
camponeses prefenram manter-se fora delas e recusaram os lotes fazen-
que tm . · 1. iam
. . .
d1re1to. , . recusas foram atnbmdas
1a1s . , . l d O grande • ara-
ao meco
·
d eiro , 1, · " ,, .: ios ao proo
e e e sua guarda branca ou elos padres que eram contr ar , ecado
ma e, que a 1 gumas · vezes, contra a ordem e[ os l)tspos,
· eJ ec lar·anrn
' ser P

~--- 161-162,
23. M;\RJORIE CLARK, Organized Labur i11 Mexicu, Chape! Hill (N. C.), l 934, PP·
231
mortal aceitar um ejído. Sem dúvida, o medo desempenhou seu papel, mas
houve também a própria concepção que os camponeses tinham ela proprie-
dade e dos meios adequados para adquiri-la. Todos sonhavam em tornar-se
fazendeiros, mas não por quaisquer métodos. Luís González dizia que havia
apenas dois meios honrados de tornar-se um fazendeiro: por compra ou por
herança. Centenas de milhares de camponeses migraram para os Estados
Unidos na década de 1920, trabalhando duro para poupar oito de cada dez
dólares que ganhavam a fim de um dia comprar um pedaço ele terra em sua
aldeia natal. Um presente sempre compromete aquele que o recebe, e, quando
era oferecido por um governo de quem tradicionalmente se desconfiava, era
difícil aceitar. Não pôde ser aceito decididamente entre 1926 e 1929 quando o
Estado e a Igreja estavam em guerra. Durante esses anos terríveis, muitas
vezes os Cristeros fizeram os agraristas (pelo menos aqueles que tinham rece-
bido pedaços de terra) pagar caro, com seu sangue, sua ligação com o Estado.
Obregón e Calles sonharam em criar uma grande classe de pequenos pro-
prietários dinâmicos e donos de propriedades de tama nho médio, no modelo
e azerideiro" californiano. Essa classe já existia em seu Noroeste natal - o
lO "f
próprio Obregón era um seu representante perfeito - e fora beneficiada pelas
atividades económicas do governo, corno crédito agrícola, obras de irrigação
e novas estradas. Segundo parece, enquanto parcelou a terra no planalto e no
Sudeste em pequenos lotes, 0 governo derramou muito dinheiro no Noroes-
te. A distribuição de terra contemplou os índios e mestiços mexicanos do
Velho México, mas os investimentos de capital beneficiaram os donos de "'o
V,

grandes e médias propriedades em outras regiões. Nas áreas setentrionais o


z
<
protegidas pelos sonorenses, raramente se podia encontrar um ejido em
~934, mas havia importantes estradas e um programa de irrigação em que foi
investido um quarto dos recursos públicos entre 1925 e 1935. Nas palavras de
Obregón: "A justa distribuição de terra ao proletariado é a primeira essência
do programa revolucionário, mas os fundamentos da vida agrícola do país

não elevem ser solapados"24.


De 1907 a 1929 a produção de milho e de feijão preto, os alimentos bási-
cos do povo, caiu 40 e 31 por cento respectivamente, enquanto a população
aumentou nove por cento. (Embora por motivo ele guerras, fome, epidemias

24.
~~~~~~~~~~~------------~~~~~~~~~~~~~-
Em LUIS G01'1ZALEZ y GONZALEZ, Los Presidentes de México ante la Naciôn, México, 1966,
o

vol. lll, p. 423.


232
TABELA 5 / PRODUÇÃO AGRÍCOLA PER CAPITA (1900 = 100)
Regiões 1907 1929

Centro 112 69
Sul 145 98
Norte 60 318

Fonte: CLJ\RKE REYNOLDS, The Mexican Economy: Twentieth Century Structure and Growth, New
1-laven, 1970, p. 105.

. -
e errugracao o M'exico
. .
não tivesse 1 a ntes do que tinha em
em 19 20 mais. h a· bit tre
·111 O- es en
1910, sua população cresceu de menos de 15 milhões para 16 mi ) Em
. _ _ . . . _ m 1934.
1920 e 1930 e para 17 ou 18 milhões - os dados sao inexatos e bais
1 . - 1· - e . l os números g Io e
a gumas regioes, as cone içoes toram mais graves e o que
1930,
sugerem. A região central, lar ele 45 por cento da população rural em a
e101. testemun h a d a queda de 31 por cento de sua pro d uçao - ag rícola de l 913
· ita
1929. A Tabela 5 demonstra as disparidades
na produçao agrrcoi- _ . de
_ , la per cap
.
entre 1907 e 1929. A produção total ele milho, que fora d e 3 ,::>r- milhoes
. . -
toneladas em 1910 e ele 2 9 rrnlhoes em 1920, caiu para 2,2 mi 10 es em l ~ão .
979, ·u -
. .
por causa ela eliminação ' haciendas
elas . . .
produtoras de milho e d:a proliferaç,
. a-
ele produtores .·-
pequenos e pobres->. A produção de feijão .
CJ esce
u cont1nu . de
. . . . . . . a menos
mente para mais ele 200 mil toneladas em 1926, mas diminuiu pM , · os
. . . - . - , s alimentJCl
100 mil em 192926. Em compensaçao, a exportaçao ele genero, e ta-
aumentou durante todo o período ele 1920 a 1927. Por exemp o,' l as expor
19z9
ções ele café subiram de lO 500 toneladas (9,3 milhões de pesos) em _,·ce-
para 26 100 toneladas (28 9 milhões de pesos) em 1927; as ele b:an:ana cres _ . de
· ' ·1hoes
ram de 700 toneladas (300 mil pesos) para 5 700 toneladas (8 mi . ra
pesos); as ele tomate aumentaram ele 9 200 toneladas ( 700 mi·1 P esos) _ es Pªde
57 400 toneladas (19,6 milhões de pesos); e finalmente as export~ço os)
outras verduras e legumes . ·
frescos subiram ele 800 toneladas .(200 mil pes
para 14 800 toneladas (5,5 milhões de pesos)27.
S egunc l o o f undador cio .Banco Nacional , , 1· ito Agrícola ( 1 975),
d e Crec ~'rio
, , , . , . , dito agra
Manuel Gomez Mono, endossado pelo presidente Calles, o cre

25. E N. SIMl'S'ON ·1·1


. . · , . ze r·}LI
· 1 o: lvlextcc
· 'S Way out, Chape 1 H, '11 IN
. . e:.), 193· 7 ' pp · J7S . e 214. 7 J4.
26. l 7r,,
) '~
o Estadística Nacional, marzo 1929, p. 95; mayo 1929, p. 76; e SIMPSON, The ejido, PP·
27.
STERRETT & DAVIS, The Fiscal anel Economic Condilion ofMexico, op. cit., P· 152·
233

foi criado c om o propos1to , · de levar a classe camponesa ao segundo estágío. da


. '
reforma ·1g ,. .
e rana: , d. istri .b uição
a . d a terra el evena. seguu-se . a produção.
.
1 nfehzmente · 1 irucia
, o capita · · · 1 eroí · insu
· f.icierite
· e o b anco nao - teve con di1ções d e
resistir à pr .áati ica d os cc emprest1rnos
• • preferenoa1s •• ,,, isto
• e,• crédito
, • disponível

~ara personagens importantes, generais ou políticos, os novos latifundistas.


;m 1926, o próprio general Obregón foi o maior beneficiário do crédito
preferencial". Nessas circunstâncias, o dinheiro não chegou às mãos de
quem realmente precisava dele, e só por milagre o banco conseguiu sobrevi-
ver até 1930, o ano do desastre financeiro e da pilhagem pelos políticos.
A utopia dos sonorenses era um México com uma agricultura próspera,
baseada num grande esforço e no trabalho duro dos lavradores servidos por
uma
. solída · fra-estrutura
111 d e irrigação,
· · estra d as, tecno l ogia
· e creêdiito b anca-·
~:1º· Não houve qualquer idéia séria de industrializar o país - Calles dissera:
. Nossa indústria pesada é a agricultura"-, mas apenas de dar um acabamento
mdustrial aos produtos agrícolas para exportação. O México deveria tornar-
se um·1e e. spec1e
, . el e E'stados Unidos agríco 1 a: esse pnnop10
. , . era essenoa. 1 para a
nova política económica, e é muito significativo o envolvimento primeira-
mente do general Obregón e depois do general Calles em grandes empreendi-
mentos agrícolas no Noroeste do país. As regiões do Norte aumentaram real-
mente sua produção e obtiveram resultados excelentes; sua participação nas
e~portações nacionais cresceu, apesar de alguns obstáculos como a concor-
rencia e o boicote norte-americanos, a inexperiência e a escassez de crédito.

V)

o
z
-c
CJ)

CONCLUSÃO o
z
o
a<
Em 1920, depois de dez anos de revolução e guerra civil, um grupo de u-

home· ns d o Noroeste mexicano assmniu· urna empresa 111stonca:


· · · nac l a menos
do que transformar mosaico que era o México numa nação-Estado moder-
O
na. Na década de 1920, os grupos belicosos foram eliminados a ferro e fogo.
Não só o exército foi controlado como também os principais generais revolu-
.
c1oná · e caudilhos
· , e po J'íticos
· d as 1111·1· reias
· regionais
· ·
nos desapareceram, os cheieS
foram colocados na linha, e triunfou uma espécie de centralismo. Saturnino
Ceclillo, ele San Luís Potosí, era na década de 1930 o único cacique do velho o
o
estilo que sobrevivera. Ao mesmo tempo, os trabalhadores tiveram permissão X
"-'
;;:
para se organizar, a Igreja foi posta em seu lugar e a educação recebeu um o
caráter nacional. o problema do poder e de sua transmissão ordeira numa
234
. . · .· ... ·! entar não
sociedade mais ou menos fragmentada, onde a democracia par am d
di f . e . l . l . t
po ia . uncroriar, 101 reso vrc o ate certo pon o corn a erreiação , em 1929, o
PNR. Cinquenta anos depois, seu sucessor, o PRI, ainda estava no poder,
dando um exemplo único de estabilidade política
na América Latina. , .
Nos governos de Obregón e de Calles, o poder economico e a
• . . fO rça poht1-

ca estiveram mais uma vez concentrados


. l
nas mãos do pres1c ente e
de seus
_
· ·
rrumstros e conse lh erros
· · ·
tecmcos. F 01· cl a el a priori
· ·d a d e a b so
· lutae à construçao
1
de urna economia moderna, ao mesmo tempo nacional e capitalista. O p~pe
cl o E·sta d o et01· pre d ommante:
· assumiu· a responsa bilid
1 1 a d e pe l a c1·1· e·1ç10
e das- ms-
· · - f inanceiras
tituições · e pe 1 os projetos
· · ·
ele infra-estrutura que na;-0 estavam ao
.
alcance ela empresa privada .
mexicana. .
Houve uma identic . l ac l e d eº interessesd
- o
entre o Estado e o setor privado. Na verdade, nessa fase de construçao .
.
Estado e de desenvolvimento . .
capitalista .
nacional, houve um entenº dimento
· ··
b asrco entre a "f amília
· · revolucionária
· · · ,, os mel · · os b anqu eiros e os
· ustriars,
. . . .' . . . italistas
empresanos, a CROM, os interesses rurais capitalistas e mesmo os cap
estrangeiros. As companhias ele petróleo, os anarquistas e o Partido Comu-
nista foram os únicos grupos que se recusaram a colaborar.
. ·- . . íoís esco-
No entanto, as ambições dos homens de Sonora afundaram nos e
. . . . 'talista
lhos: a dependência e a recessão económicas. O desenvolvunento c<1pl
· ·
el o M exico f'01· f maneta· cl o em parte pelos investimentos estrangeiros
· e ' acima
. . icana
de tudo, pelas exportações. Desde a década de 1870, a economia mex .
· h: · l ·
vin a senc o mtegra d · · ·
a com sucesso na economia mternacrona · l por ·nterme-
1 _
d io de suas exportações de minérios e de produtos agrícolas. A Revolução na~
mudou a estrutura fundamental da economia mexicana. E até 1926 as expor-
tações financiaram o crescimento econômico. Mas seguiram-se sete anos de
vacas magras, e quando o poder de compra das exportações
mexicanas entrou
. ·. sido
em colapso, revelou-se a fraqueza estrutural de sua economia. Haviam
. .l . 1· .
at111g1c os os amtes do nacionalismo
. d firmado
económico que vinha sen o a
desde 1917. Obregón, Calles, Górnez Morín, Par1i e Morones, no final, for_am
·
mcapazes · el e rea 1 1zar
· ·
o milagre · ·
nac10nahsta ·
de crescimento · l epei, 1dênC1ª·
e me