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LUCAS CARNEIRO SANTOS VERAS

PERFIL DO EMPREENDEDOR DAS UNIDADES DE COMÉRCIO DO BAIRRO


VINHAIS EM SÃO LUÍS (MA)

Monografia apresentada ao Curso de


Administração da Universidade Estadual do
Maranhão para obtenção do grau de
Bacharel em Administração.
Orientadora: Profa. Mestre Lúcia Helena
Saraiva de Oliveira.
Co-orientadora: Profa. Especialista Maria de
Fátima Ribeiro dos Santos

São Luís

2014
2

LUCAS CARNEIRO SANTOS VERAS

PERFIL DO EMPREENDEDOR DAS UNIDADES DE COMÉRCIO DO BAIRRO


VINHAIS EM SÃO LUÍS (MA)

Monografia apresentada ao Curso de


Administração da Universidade Estadual do
Maranhão para obtenção do grau de
Bacharel em Administração

Aprovada em: 09/12/2014

BANCA EXAMINADORA

_________________________________________

Profa. Ma. Lúcia Helena Saraiva de Oliveira (Orientadora)

Universidade Estadual do Maranhão

_________________________________________

Profa. Esp. Maria de Fátima Ribeiro dos Santos (Co-orientadora)

Universidade Estadual do Maranhão

_________________________________________

Profa. Dra. Irlane Regina Moraes Novaes (2ª Examinadora)

Universidade Estadual do Maranhão


3

Dedico este trabalho a meus familiares e amigos,


sobretudo a minha mãe Maria Helena dos Santos,
minha avó materna Maria do Carmo Carneiro Santos
(in memoriam), e ao meu pai Antonio da Cunha
Veras.
4

AGRADECIMENTOS

Este trabalho não é resultado de um esforço individual. Primeiramente


sou grato à Maria Helena dos Santos, minha mãe, Antonio da Cunha Veras, meu pai
e Maria do Carmo Carneiro Santos, minha avó. Estou grato também aos meus tios e
tias, primos e primas.

Agradeço também a todos meus professores, sobretudo às professoras e


orientadoras deste trabalho, Lúcia Helena Saraiva de Oliveira e Maria de Fátima
Ribeiro dos Santos, por sua disposição, atenção e compreensão. Além destas,
também sou muito grato aos professores Irlane Regina Moraes Novaes, José
Antônio Ribeiro de Carvalho, Káty Maria Nogueira Morais e Protásio Cézar dos
Santos, por me orientarem em outros trabalhos acadêmicos, os quais também me
acumularam experiência e conhecimento.

Ainda agradeço a todos os colaboradores do Centro de Ciências Sociais


Aplicadas por sempre estarem dispostos a sanarem problemas sobre procedimentos
administrativos relacionados a esta pesquisa.

Considerando o esforço e tempo usados para fornecer dados à pesquisa,


agradeço aos comerciantes do Vinhais.
5

Não podemos mudar as cartas que recebemos, só


escolher como jogar com elas.

Randy Pausch (2007)


6

RESUMO

Este trabalho tem como objetivo traçar o perfil do empreendedor que possui
comércio nas principais ruas e avenidas do bairro Residencial Vinhais, em São Luís
do Maranhão. Apresenta-se um breve panorama conceitual de empresa, comércio e
empresário. Mostram-se conceitos, características e tipos de empreendedor, assim
como tipos e estilos de liderança do gestor das unidades de comércio. Os
procedimentos metodológicos deram-se mediante abordagem quantitativa e
qualitativa, pesquisa exploratória, descritiva, e bibliográfica e de campo. O
instrumento de pesquisa foi o questionário distribuído junto aos comerciantes do
citado bairro. A partir dos resultados, é possível dizer que o perfil dos comerciantes
do bairro Vinhais se aproxima do modelo de Dornelas (2007) de maneira igual aos
tipos “que aprende ou inesperado” e “normal ou planejado”.

Palavras-chave: Perfil empreendedor. Comércio. Bairro Vinhais. São Luís.


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ABSTRACT

This paper aims to outline the entrepreneur's profile that has business in the main
streets and avenues of Residential Vinhais, a district of São Luis, Maranhão. We
present a brief conceptual overview of business, commerce and entrepreneur.
Shown are concepts, features and types of entrepreneur, as well as types and
leadership styles of managers of commercial units. The methodological procedures
have taken place by means of quantitative and qualitative approach, exploratory,
descriptive, and bibliographic and field research. The research instrument was a
questionnaire distributed together with the said neighborhood merchants. From the
results, one can say that the profile of Vinhais neighborhood marketers approach the
model of Dornelas (2007) equally to the types "learning or unexpected" and "normal
or planned."

Keywords: Entrepreneur’s profile. Trade. Vinhais District. São Luís.


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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Quadro 1 Características das principais naturezas jurídicas de empresas...... 17


Quadro 2 Classificação Nacional das Atividades Econômicas (IBGE)............. 22
Quadro 3 Possível relação entre a classificação oficial e a teórica.................. 23
Quadro 4 Histórico da palavra empreendedor.................................................. 28
Quadro 5 Características dos empreendedores............................................... 30
Quadro 6 Tipos de empreendedor na ótica de Dornelas.................................. 33
Mapa 1 São Luís - delimitação do município e localização do Residencial
Vinhais.............................................................................................. 38
Quadro 7 Ramos de vendas das avenidas e ruas comerciais do Vinhais 40
Gráfico 1 Fonte de recursos I........................................................................... 42
Gráfico 2 Fonte de recursos II.......................................................................... 43
Gráfico 3 Elaboração do plano de negócios.................................................... 44
Gráfico 4 Forma de elaboração do plano de negócios.................................... 44
Gráfico 5 Formalidade das empresas.............................................................. 45
Gráfico 6 Natureza Jurídica das empresas registradas (Valor absoluto)......... 45
Gráfico 7 Faturamento ou receita bruta anual de 2013.................................... 46
Gráfico 8 Número de empregados no comércio.............................................. 47
Gráfico 9 Motivo da escolha do Vinhais para montar a empresa..................... 47
Gráfico 10 Tempo de atuação como comerciante............................................. 48
Gráfico 11 Sexo do comerciante........................................................................ 48
Gráfico 12 Faixa etária do comerciante............................................................. 49
Gráfico 13 Escolaridade do comerciante........................................................... 49
Gráfico 14 Importância do comércio na renda do comerciante.......................... 50
Gráfico 15 Renda mensal do comerciante (R$)................................................. 50
Gráfico 16 Perfil do empreendedor, segundo os tipos de Dornelas................... 51
Gráfico 17 Características mais importantes para a atividade
empreendedora................................................................................ 52
Gráfico 18 Fatores motivantes para o empreendedorismo................................ 53
Gráfico 19 Desafios para ser empreendedor..................................................... 54
9

Gráfico 20 Qual a qualificação o comerciante acredita que é mais necessária


na hora de buscar recursos de terceiros para financiar o
empreendimento............................................................................... 55
Gráfico 21 Tipo de liderança do empreendedor comercial do Vinhais............... 55
Gráfico 22 Estilo de liderança do empreendedor das unidades de comércio do
Vinhais.............................................................................................. 56
Gráfico 23 Experiência profissional com comércio antes de ser comerciante... 56
10

LISTA DE SIGLAS

CNAE 2.0 Segunda Versão do Cadastro Nacional de Atividades Econômicas

Coop. Cooperativa

EI Empresário Individual

EIRELI Empresa Individual de Responsabilidade Limitada

EPP Empresa de Pequeno Porte

IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

LTDA Sociedade Empresária Limitada

ME Microempresa

MEI Microempreendedor Individual

MPEs Micro e Pequenas Empresas

SEBRAE Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas

SPE Sociedade de Propósito Específico


11

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO................................................................................................ 12
2 PANORAMA CONCEITUAL DE EMPRESA, DE COMÉRCIO E DE
16
EMPRESÁRIO................................................................................................
2.1 Conceitos de empresa................................................................................. 16
2.1.1 Algumas naturezas jurídicas de empresas no Brasil.......................... 17
2.2 Conceitos de comércio................................................................................ 19
2.3 Conceitos de empresário............................................................................ 25
3 EMPREENDEDOR.......................................................................................... 27
3.1 Conceitos e características do empreendedor......................................... 27
3.2 Tipos de empreendedor............................................................................... 33
3.3 Tipos e estilos de liderança do empreendedor......................................... 35
3.4 Desafios do empreendedor e qualificações necessárias para buscar
36
recursos de terceiros para financiar o empreendimento.........................
4 METODOLOGIA E ANÁLISE DOS RESULTADOS..................................... 38
4.1 Metodologia da pesquisa............................................................................ 38
4.2 Análise dos resultados................................................................................ 41
4.2.1 Unidades de comércio do Vinhais.................................................................. 42
4.2.2 Características sociodemográficas do empreendedor das unidades de
48
comércio do Vinhais.......................................................................................
4.2.3 Características do perfil do empreendedor das unidades de comércio do
51
Vinhais............................................................................................................
5 CONSDERAÇÕES FINAIS............................................................................ 57
REFERÊNCIAS.............................................................................................. 60
APÊNDICE..................................................................................................... 63
12

1 INTRODUÇÃO

A competitividade no mercado tem acelerado o ritmo das mudanças das


formas de gestão, e a cada momento as empresas necessitam lançar novos
produtos, melhorar e diversificar os mesmos. E mais, precisam aperfeiçoar produtos
e processos existentes para conquistar novos clientes e fidelizar os já existentes.

O número de novas empresas concorrentes aumenta a cada dia, exigindo


que organizações já existentes tenham um diferencial de mercado. Entre 2010 e
2014 observou-se a expansão do número de empresas abertas no Brasil. Entre
janeiro e maio de 2010 foram abertas 575.247 empresas no Brasil, já no mesmo
período de 2014 nasceram 795.328 organizações empresariais no Brasil (SERASA
EXPERIAN, 2014).

Com a expansão desordenada da população das grandes cidades


brasileiras desde a década de 1980 do último século, demandou-se um processo de
descentralização do comércio e das prestações de serviços das maiores cidades: ter
tudo em um só conglomerado de bairros não era mais suficiente para responder às
necessidades da sociedade.

Alguns urbanistas, da Rede Nossa São Paulo, não falam mais em


centralidade, mas em centralidades nas grandes cidades. Ter vários polos em uma
mesma cidade ajuda a desenvolver a economia local, gerando mais emprego e
renda para as pessoas e dando a opção para que estas trabalhem mais próximas a
suas moradias, para que tenham menos contratempos com trânsito e dando-lhes
uma opção de ter melhor qualidade de vida (REDE NOSSA SÃO PAULO, 2014?).

Para as empresas e até mesmo para o poder público, descentralizar as


operações nas grandes cidades em um primeiro momento pode representar um
pesadelo, pois envolve uma análise de demanda geográfica, compra ou aluguel de
mais um imóvel, e mais custos com pessoas. Porém, as empresas que expandem
primeiro são reconhecidas pelas comunidades locais dos seus novos
estabelecimentos por serem as primeiras a atuar em determinado ramo, e com isso
tendem a ficar na memória das pessoas que residem por ali. Por exemplo, se em um
determinado bairro ainda não há uma farmácia, os moradores sempre necessitarão
comprar remédios e itens de primeiros socorros em outro local, mas a primeira
13

farmácia que tiver um estabelecimento naquele bairro provavelmente será mais


lembrada pelos moradores do que as outras que virão atuar naquela região.

O processo de descentralização urbana não foi diferente com o caso de


São Luís, capital do Maranhão, que conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) possui 1.064.197 habitantes, sendo a 15ª cidade mais populosa
do Brasil (IBGE, 2014).

Nas últimas décadas foi possível notar o crescimento do comércio nos


bairros residenciais ludovicenses, inclusive o Vinhais (também conhecido como
Residencial Vinhais). Neste conjunto habitacional há uma variedade de empresas,
tanto prestadoras de serviço como comerciais, concentradas em vias de fácil
acesso. A maioria destas empresas, aparentemente, é de Micro e Pequenas
Empresas (MPEs), representando uma opção conveniente para quem reside nas
proximidades e necessita com urgência de algum produto ou serviço. Por outro lado,
um bairro com comércio próprio evita que seus moradores se desloquem para longe,
visto que, as lojas para adquirir produtos de primeira necessidade estão mais
próximas dos clientes.

De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas


Empresas (SEBRAE), simultaneamente à abertura de muitas empresas ocorre a
falência de outras por diversos motivos, dentre os quais a falta de comportamento
empreendedor e de planejamento prévio são fatores contribuintes para a
mortalidade das empresas (SEBRAE, 2008).

Reconhecendo que o bairro do Vinhais vem se expandindo em termos


populacional e comercial, este último como demanda do primeiro, sentiu-se a
necessidade de conhecer mais de perto as características do empresário para o
exercício da atividade comercial.

Com isso, vem a questão de pesquisa: Qual o perfil do empreendedor


das unidades de comércio do bairro Vinhais em São Luís (MA)? Além deste
problema, têm-se as seguintes questões norteadoras: Qual é o tipo de
empreendedor mais frequente dentre os comerciantes? Que características os
comerciantes acreditam que são essenciais à atividade empreendedora comercial?
O que é mais motivador para ser empreendedor? O que é mais desafiador para ser
14

empresário comercial? Qual foi a fonte de recursos dos empreendimentos


comerciais? Qual a qualificação mais necessária na hora de buscar recursos de
terceiros para financiar o empreendimento? Houve elaboração de plano de
negócios? Como foi elaborado o plano, apenas os sócios ou com consultoria de
terceiros? Que tipo de liderança predomina entre os comerciantes? Qual o estilo de
liderança predomina entre os comerciantes? A empresa está registrada ou é
informal? Se ela está legalizada qual a sua natureza jurídica? Se ela é o primeiro
empreendimento do comerciante? Quais as características demográficas e sociais
básicas do comércio (sexo; idade; escolaridade do comerciante; tempo de atuação
do comerciante; renda bruta anual empresarial; importância do comércio na renda
do comerciante; renda mensal do comerciante; número de empregados) do Vinhais?

Ao lado dessas questões tem-se como objetivo geral traçar o perfil do


empreendedor que possui comércio nas principais ruas e avenidas do Bairro
Residencial Vinhais em São Luís (MA).

Especificamente têm-se ainda os seguintes objetivos: Demonstrar os


aspectos teóricos que abordem empreendedorismo e negócios; Identificar
características específicas das empresas (plano de negócios, formalidade,
financiamento, etc.); Levantar tipos e estilos de liderança entre os comerciantes;
Verificar características sociodemográficas (sexo, idade, escolaridade, renda) do
empresário; Relacionar o comerciante do Vinhais aos tipos de empreendedor citados
na literatura.

Para atingir esses objetivos, buscou-se respaldo na abordagem


quantitativa/qualitativa e nas pesquisas bibliográfica, de campo, exploratória e
descritiva.

Considerando que a taxa de mortalidade das empresas no Brasil é alta,


justifica-se a escolha do tema porque a intenção é saber se o perfil do comerciante
do Vinhais se coloca favorável ou não ao sucesso da atividade comercial,
identificando as dificuldades enfrentadas e erros cometidos pelo empresário do local,
além de características das empresas.

Para a academia este trabalho tem condições de contribuir como modelo


para outras pesquisas similares que visem delinear o empreendedor comercial.
15

Este trabalho também torna-se relevante para a sociedade e a classe de


empresários/comerciantes, visto que a finalidade é mostrar através de dados
empíricos como se encontra o perfil do empreendedor dos comerciantes do bairro do
Vinhais. Por fim, para a comunidade em geral, este trabalho tem possibilidade de
expor como o comércio do bairro Vinhais está desenvolvendo o empreendedorismo.
Expor também o perfil do empreendedor, agente responsável em impulsionar o
desenvolvimento comercial, gerando emprego, renda e maior acessibilidade aos
produtos.

Assim, este trabalho está dividido em cinco capítulos. No primeiro, a


introdução contemplando a contextualização do tema, o problema principal,
questões norteadoras, objetivos, metodologia, justificativa e o plano de trabalho. No
segundo, um panorama dos conceitos de empresa, comércio e empresário
encontrados na literatura consultada, bem como temas correlacionados. No terceiro
capítulo tem-se conteúdo relacionado ao empreendedor: conceitos, características,
tipos e aspectos relacionados à liderança. No capítulo quatro estão a metodologia e
a análise de resultados. As considerações finais sobre o trabalho estão no quinto e
último capítulo.
16

2 PANORAMA CONCEITUAL DE EMPRESA, DE COMÉRCIO E DE EMPRESÁRIO

Neste capítulo serão abordados alguns conceitos básicos sobre empresa,


comércio e empresário. O entendimento destes conceitos dará o necessário suporte
para adentrar ao estudo de empreendedor, assunto que será explorado no próximo
capítulo.

2.1 Conceitos de empresa

No contexto econômico, as empresas se estabelecem como organismo


vivo, cuja finalidade é ampliar seus recursos financeiros. Sabendo-se que uma
empresa é uma instituição organizada e que se caracteriza pela atividade
econômica, procura-se mostrar algumas concepções de empresa.

O IBGE conceitua empresa na segunda versão do Cadastro Nacional de


Atividades Econômicas (CNAE 2.0):

A empresa é a unidade jurídica caracterizada por uma firma ou razão social


que engloba o conjunto de atividades econômicas exercidas em uma ou
mais unidades locais/endereços de atuação.

A empresa é a unidade de decisão que assume obrigações financeiras e


está à frente das transações de mercado. É sobre ela que recai a
obrigatoriedade dos registros contábeis, onde aparece a totalidade de suas
operações econômicas e financeiras, efetuadas durante o período de
referência, e um balanço dos seus ativos e passivos. A empresa é, portanto,
o locus de decisão, de apropriação da renda e de responsabilidade legal no
sistema econômico. (IBGE, 2007, p. 22).

Paralelamente ao conceito do IBGE (2007), Lacombe (2004, p. 128)


conceitua empresa como:

1 organização jurídica, econômica e social, constituída para produzir e/ou


comercializar bens e/ou serviços e que possui objetivos próprios e fins
lucrativos 2 sistema organizacional contendo componentes humanos e
materiais, empenhados coordenadamente, em atividades orientadas para
resultados econômicos, ligados por sistemas de informação e influenciados
por uma ambiente externo.

Dessa forma, compreende-se que empresa é uma unidade social,


juridicamente constituída com objetivos econômicos de produção e lucro,
relacionando-se com elementos do ambiente (clientes, concorrentes, sociedade e
17

natureza), com alguma organização de seus fatores de produção (pessoas,


materiais e capital) e ações de gerência administrativa e contábil.

Outro conceito que pode ser inserido aqui é o de Duarte (2005, p. 249):

1 Organização econômica com finalidade de produção de bens ou de


serviços objetivando lucro. 2 Unidade econômica de natureza privada,
pública ou mista, constituída por uma grupo de pessoas visando a um
negócio produtivo. 3 Na atualidade, além do lucro a empresa possui
objetivos socio-ambientais. (DUARTE, 2005, p. 249).

Percebe-se que o pensamento de Duarte (2005) se aproxima dos autores


anteriores no aspecto lucro e grupo de pessoas, mas se distancia quando
acrescenta objetivos socioambientais. A questão ambiental tem sido um grande
desafio para as empresas, isto porque na sociedade moderna a empresa que não
demonstra preocupação com a natureza recebe sanções dos seus consumidores e
da sociedade em geral.

2.1.1 Algumas naturezas jurídicas de empresas no Brasil

De acordo com o Portal do Empreendedor (2014) no Brasil existem 11


naturezas jurídicas de empresas no Brasil. São elas: Empresário Individual (EI);
Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI); Microempreendedor
Individual (MEI); Sociedade Empresária Limitada (LTDA); Cooperativa (Coop.);
Sociedade de Advogados; Sociedade Anônima; Sociedade em Comandita por
Ações; Sociedade Simples; Filial de Empresa Estrangeira; e Sociedade de Propósito
Específico (SPE). No Quadro 1 figuram características básicas de algumas
naturezas jurídicas, conforme consulta no Portal do Empreendedor.

Quadro 1 - Características das principais naturezas jurídicas de empresas

Natureza
Características
Jurídica
Pessoa que trabalha por conta própria e que se legaliza como pequeno
empresário. Para ser um microempreendedor individual, é necessário
MEI faturar no máximo até R$ 60.000,00 por ano e não ter participação em
outra empresa como sócio ou titular. O MEI também pode ter um
empregado contratado que receba o salário mínimo ou o piso da
18

Natureza
Características
Jurídica
categoria.
O empresário individual é aquele que exerce em nome próprio uma
atividade empresarial. É a pessoa física (natural) titular da empresa. O
EI
patrimônio da pessoa natural e o do empresário individual são os
mesmos, logo o titular responderá de forma ilimitada pelas dívidas.
A empresa individual de responsabilidade limitada (EIRELI) é aquela
constituída por uma única pessoa titular da totalidade do capital social,
devidamente integralizado, que não poderá ser inferior a 100 (cem)
vezes o maior salário-mínimo vigente no País. O titular não responderá
com seus bens pessoais pelas dívidas da empresa. A pessoa natural
que constituir empresa individual de responsabilidade limitada somente
EIRELI
poderá figurar em uma única empresa dessa modalidade. A EIRELI
também poderá resultar da concentração das quotas de outra
modalidade societária num único sócio, independentemente das razões
que motivaram tal concentração. A Empresa individual de
responsabilidade limitada será regulada, no que couber, pelas normas
aplicáveis às sociedades limitadas.
Sociedade limitada é aquela que realiza atividade empresarial, formada
por dois ou mais sócios que contribuem com moeda ou bens avaliáveis
em dinheiro para formação do capital social. A responsabilidade dos
sócios é restrita ao valor do capital social, porém respondem
LTDA
solidariamente pela integralização da totalidade do capital, ou seja,
cada sócio tem obrigação com a sua parte no capital social, no entanto
poderá ser chamado a integralizar as quotas dos sócios que deixaram
de integralizá-las.
A cooperativa é sociedade de pessoas, com forma e natureza jurídica
própria e, independentemente de seu objeto, a legislação a classifica
como sociedade simples, não é sujeita à falência. É constituída para
Coop.
prestar serviços em proveito dos associados, sem finalidade lucrativa.
Exige-se, para constituição de uma cooperativa singular, o concurso de
associados, pessoas físicas, em número mínimo necessário para
19

Natureza
Características
Jurídica
compor a administração da sociedade, órgão de administração e
conselho fiscal, levando em conta a necessidade de renovação desses
órgãos. Apesar de ser classificada como sociedade simples, o
arquivamento dos seus atos devem ser realizados na Junta Comercial.
Fonte: Portal do Empreendedor (2014), adaptado pelo autor

Além da Lei 10.406/20021 distinguir as empresas por sua natureza


jurídica, ela também distingue as empresas pela receita bruta auferida. O MEI pode
ter receita bruta anual de até R$ 60.000,002 (sessenta mil reais). Já a Microempresa
(ME) pode ter faturamento bruto de até R$ 360.000,00 3 (trezentos e sessenta mil
reais). O último tratamento distinto devido à receita operacional bruta é dado à
Empresa de Pequeno Porte (EPP), a qual deve auferir quantia superior a R$
360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e inferior a R$ 3.600.000,00 4 (três
milhões e seiscentos mil reais).

2.2 Conceitos de comércio

Assim como a empresa, o comércio também é uma atividade econômica.


Esse especificamente se estabelece na permutação, na troca, na compra, na venda
de produtos e valores. Para melhor compreensão sobre comércio, apresentam-se
três conceitos que a literatura registra como fonte de conhecimento, começando pelo
o oficial.

Conforme o IBGE (2007, p. 212) o comércio é a atividade econômica que


envolve:

[...] as atividades de compra e venda de mercadorias, sem transformação


significativa, inclusive quando realizadas sob contrato.

[...]

A venda sem transformação inclui operações (ou manipulações) que são


usualmente associadas ao comércio, tais como: montagem, mistura de

1 Conforme a Lei 10.406/2002, o Código Civil


2 Conforme a Lei Complementar 128/2008 e a alteração do teto de R$ 36.000 anuais para R$ 60.000
anuais em 1º de Janeiro de 2012.
3 Conforme a Lei Complementar 123/2006
4 Conforme a Lei Complementar 123/2006
20

produtos, engarrafamento, empacotamento, fracionamento etc., quando


realizadas pela própria unidade comercial.

O IBGE (2007, p. 29) ressalta que independentemente da loja ser física


ou comércio eletrônico (transação econômica que transfere a propriedade do bem
feita através da internet), as unidades de comércio varejista devem ser classificadas
conforme o principal tipo de mercadoria que vendem.

Duarte (2005, p. 188), dicionarista de Administração, define comércio


como:

[...] atividade de mercado em que produtos são colocados à disposição de


público consumidor ou usuário para, através de vendas ou pagamentos por
serviços, serem reconvertidos em moeda ou em crédito, objetivando o lucro
ou a recuperação do capital aplicado. (DUARTE, 2005, p. 188).

Lacombe (2004, p. 66), outro dicionarista de Administração define


comércio como “troca, compra ou venda de bens e serviços entre pessoas físicas ou
jurídicas, ou grupos de pessoas físicas e jurídica”.

Mediante os conceitos apresentados, infere-se que os três não se


diferenciam, pelo contrário, se aproximam consideravelmente na medida em que
contextualizam comércio como uma atividade de compra e venda de mercadorias.

Assim, para esta pesquisa, comércio será entendido como a atividade na


qual ocorre a venda de mercadoria.

Vale inserir a classificação teórica e a oficial das atividades econômicas,


onde na primeira o comércio é o setor terciário e na segunda é a categoria G.

Clark (1984), economista anglo-australiano do século XX foi um dos


pioneiros na classificação das atividades econômicas. Sua obra que classifica a
economia em três setores é The conditions of economic progres, (As condições do
progresso econômico, em tradução livre). A sua teoria é conhecida como teoria dos
três setores, respectivamente: primário (extrativismo, mineração, e agropecuária),
secundário (indústria) e terciário (comércio e serviços). Clark (1984) preocupou-se
em entender o grau de desenvolvimento econômico dos países estudados
(Austrália, Canadá, China, República da Coréia, Estados Unidos, Índia, Japão, Nova
Zelândia, Paquistão - que na época ainda incorporava o atual Bangladesh, Reino
Unido, Sri Lanka e a antiga União Soviética - que corresponde à atual Rússia e
21

outros países menores) com o setor mais notável em cada uma de suas economias.
O autor relata que fez poucas vistas à América Latina e África.

Na coletânea intitulada Pioneer in development, “Pioneiros em


desenvolvimento”, (tradução livre), Clark (1984) destaca a importância dos três
setores econômicos identificados por ele na evolução da economia de um país:

A agricultura deve mostrar um declínio na sua importância relativa no


emprego e no produto nacional, com a fabricação mostrando primeiro um
aumento e depois um declínio em favor dos serviços, foi uma
generalização feita pela primeira vez como há muito tempo no século XVII
por Sir William Petty5. Este foi um tema principal de observação, com
amplos estudos sobre o material disponível, atuais e históricas, nas
condições do Progresso Econômico. Eu não consegui dar explicações
analíticas completas, que na verdade ainda agora nos escapam em parte.
Temos de lidar com as interações de renda e elasticidades-preço da
demanda para os produtos dos três setores, e a mão de obra necessária
por unidade de produção de cada um. (CLARK, 1984, p. 70, tradução
nossa, grifo nosso).

A teoria de Colin Clark já foi revisada por outros teóricos, criando mais
dois setores da economia, o Quaternário ou Terciário Superior e o Quinário,
conforme mencionado na obra de Kon (2013):

Além do mais, os setores de serviços aqui considerados compreendem não


apenas a categoria de atividades Terciárias, como determinada nas
hipóteses mais tradicionais neoclássicas de Fisher (1930) e Colin Clark
(1940) sobre os três setores da economia, ou seja, Primário, Secundário e
Terciário, mas se referem principalmente à expansão desta hipótese para a
visão mais recente dos setores Quaternário ou Terciário Superior e
Quinário da economia. Se a visão neoclássica considera o setor Terciário
como relacionado a todos os produtos não materiais ou intangíveis
(comércio e serviços), no entanto muitos estudiosos consideram que os
serviços intelectuais – como geração e troca de informação,
telecomunicações, educação, pesquisa e desenvolvimento de tecnologias
da informação, da comunicação e tecnologia de ponta, e outros serviços
baseados no conhecimento – não podem ser simplesmente considerados
como parte desta categoria, desde que tem características muito
específicas: os trabalhadores devem ser altamente qualificados e os
investimentos em pesquisa e inovação no caso dessas atividades são muito
maiores (Hatt and Foote,1953).

5 Segundo o Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro (CORECON-RJ), Sir William Petty
(1623-1687) “foi médico, poeta, cientista, estatístico e economista inglês. Estudou medicina nas
Universidades de Utrecht, Amsterdã, Paris e Oxford. Em Paris foi aluno de T. Hobbes. Ensinou
Anatomia em Oxford. Seus escritos de caráter econômico refletem sua visão anatômica como
profissional da medicina. Considerou o sistema econômico um corpo que necessita ser medido para
poder ser conhecido. Seus esforços pela quantificação de magnitudes econômicas o converteram no
precursor da contabilidade nacional. Afastando-se do mercantilismo dominante em sua época,
William Petty antecipou muitas das idéias dos clássicos. Destacou a importância econômica da
divisão do trabalho e propôs medir o valor baseado no trabalho. Considerava que a troca estava
submetida às leis naturais às quais é inútil se opor, e que os preços tendem sempre a seu nível
natural.” (CORECON-RJ, 2014).
22

Nesta linha de pensamento, Marc Porat (1976), salienta que determinadas


atividades incluídas no setor terciário levam a conflitos de análise e propõe
que algumas atividades tais como as ligadas a lazer, cultura e
comunicações, fossem incluídas em um outro setor em que todas as
atividades relacionadas com informação e conhecimento eventualmente
incluídas nos setores primário, secundário e terciário da economia, passem
a ser classificadas neste outro setor. Segundo Michèle Debonneuil (2010),
criadora do termo setor Quaternário, esta categoria engloba produtos do
setor Secundário e Terciário que não são apenas bens ou serviços na
acepção anterior das palavras, mas “novos serviços que incorporam bens”,
tais como a disponibilização temporária de bens, de pessoas ou de
combinações de bens e de pessoas.

Já o setor Quinário inclui os serviços sem objetivo de lucro como a saúde, a


educação, a cultura, a investigação (não remunerada), a polícia, os
bombeiros, outras instituições não governamentais (ONGs), e ainda
atividades de serviços domésticos prestados a famílias. Estas organizações
são usualmente consideradas como incluídas nos setores Terciário e
Quaternário, porém a necessidade de separá-las em um grupo específico
se justifica principalmente porque para operarem requerem uma base
populacional e de impostos gerados por outros setores com fins lucrativos e
oferecem uma importante contribuição para a geração de renda e valor
adicionado de uma economia. O conceito de Quinário leva em conta não
apenas a categorização a partir da condição de atividade lucrativa ou não
lucrativa, mas sim a base do uso do conhecimento, medindo então políticas
e sistemas de inovação. (FISHER, 1930; CLARK, 1940; HATT; FOOTE,
1953; PORAT, 1976; DEBONNEUIL, 2010 apud KON, 2013, p. 2-3, grifo
nosso).

Quanto à classificação oficial das atividades econômicas o IBGE (2007)


apresenta 21 grandes categorias. O Quadro 2 demonstra quais são as seções do
CNAE 2.0.

Quadro 2 - Classificação Nacional das Atividades Econômicas (IBGE)

Seções Atividades
A Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura
B Indústrias extrativas
C Indústrias de transformação
D Eletricidade e gás
E Água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e descontaminação
F Construção
G Comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas*
H Transporte, armazenagem e correio
I Alojamento e alimentação
J Informação e comunicação
23

Seções Atividades
K Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados
L Atividades imobiliárias
M Atividades profissionais, científicas e técnicas
N Atividades administrativas e serviços complementares
O Administração pública, defesa e seguridade social
P Educação
Q Saúde humana e serviços sociais
R Artes, cultura, esporte e recreação
S Outras atividades de serviços
T Serviços domésticos
U Organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais
Fonte: IBGE (2007) *Destaque devido ao tema da pesquisa.

Percebe-se que o IBGE não classificou o comércio como uma atividade


isolada das demais, ao contrário do que ocorreu com a construção (categoria F) e a
educação (categoria P). Pela CNAE 2.0 o comércio é tratado de maneira igual às
atividades de reparação de veículos automotores e motocicletas (categoria G).

Observando as duas classificações de maneira paralela, percebe-se que


elas são diferentes na quantidade de setores ou seções, mas isso não significa que
elas na prática são diferentes. O Quadro 3 mostra uma aproximação entre cada
seção da CNAE 2.0 e cada setor da classificação teórica demonstrada
anteriormente.

Quadro 3 - Possível relação entre a classificação oficial e a teórica

Oficial: Seções e suas atividades Teórica: Setor(es)

Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca


A Primário
e aquicultura
B Indústrias extrativas Primário
C Indústrias de transformação Secundário
D Eletricidade e gás Secundário
Água, esgoto, atividades de gestão de resíduos
E Secundário
e descontaminação
24

Oficial: Seções e suas atividades Teórica: Setor(es)

F Construção Secundário
Comércio; reparação de veículos automotores e
G Terciário
motocicletas
H Transporte, armazenagem e correio Terciário
I Alojamento e alimentação Terciário
J Informação e comunicação Quaternário
Atividades financeiras, de seguros e serviços
K Terciário
relacionados
L Atividades imobiliárias Terciário
M Atividades profissionais, científicas e técnicas Quaternário
Atividades administrativas e serviços
N Terciário
complementares
Administração pública, defesa e seguridade
O Quinário
social
P Educação Quaternário/Quinário
Q Saúde humana e serviços sociais Quaternário/Quinário
R Artes, cultura, esporte e recreação Terciário/Quaternário/Quinário
Terciário/
S Outras atividades de serviços
Quaternário/Quinário
T Serviços domésticos Quinário
Organismos internacionais e outras instituições
U Quinário
extraterritoriais
Fonte: CLARK (1984); IBGE (2007); KON (2013); adaptado pelo autor

Obviamente existem algumas atividades da classificação oficial que


podem ser enquadradas em mais de um setor da classificação teórica, visto que a
educação, saúde, e segurança são atividades realizadas pela gestão pública
(Quinário, pois se usa os impostos coletados em uma base populacional, gerando
emprego e geração de valor), e também pelo setor privado com trabalhadores
altamente qualificados e investimentos em inovação.
25

2.3 Conceitos de empresário

Antes de qualquer outro conceito, faz-se necessário ressaltar a


concepção de empresário da legislação federal brasileira, mencionada na Lei nº
10.406. O Código Civil de 2002, em seu Art. 966. “Considera-se empresário quem
exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a
circulação de bens ou de serviços.” (BRASIL, 2002).

Degen (2009) destaca que o empreendedor tem quatro papéis


(empreendedor, empresário, executivo e empregado), e que a pessoa que inicia um
negócio deve assumir (os riscos) e administrá-los. O empresário exerce o papel
daquele que financia o desenvolvimento do novo negócio e assume passivamente
somente os riscos financeiros do negócio. O autor utiliza a viagem do veneziano
Marco Pólo para detalhar como os quatro papéis do empreendedor estavam
presentes na situação: o papel do empresário era cumprido pelos banqueiros-
capitalistas que forneciam recursos financeiros, assumindo os passivos do risco
financeiro, tomando juros aproximados em 22%, incluído o seguro, e após o sucesso
da viagem do navegador os banqueiros-capitalistas ficaram com algo em torno de
3/4 dos lucros das mercadorias vendidas e o navegador aventureiro ficou com o
restante dos lucros.

O mesmo autor reconhece que: “Empresário é aquele que procura um


bom negócio e quando, o encontra, está disposto a arriscar o seu dinheiro e o de
outros investidores para obter os lucros esperados. A sua realização é o lucro do
negócio” (DEGEN, 2009, p. 8).

Lacombe (2004, p.129), um dicionarista de administração, define


empresário como:

1 Pessoa com a capacidade de compreender as necessidades dos


consumidores e combinar essa compreensão com conhecimento de capital
e custos para criar valor econômico por meio de uma empresa 2 pessoa
responsável pelo funcionamento de uma empresa 3 pessoa responsável
pelos contratos profissionais e pelos interesses comerciais de artistas
esportistas etc.

De maneira geral, percebe-se que empresário é o sujeito que pratica


atividade voltada para a venda, com lucros, de bens ou serviços. Degen (2009)
destaca que empresário é apenas uma das funções do empreendedor, mas deixa
26

bem específico que o empresário almeja o ganho financeiro. Já a legislação federal


(Código Civil de 2002) cita que empresário é quem pratica atividade
economicamente organizada (logo é algo deve ser produzido ou realizado com
geração de valor que é mensurado monetariamente). Por fim, Lacombe (2004)
reconhece que empresário usa a visão de mercado e o conhecimento de capital e
custos para criar valor econômico por meio de uma empresa.
27

3 EMPREENDEDOR

Neste capítulo serão explorados os conceitos, as características e os


tipos de empreendedor. Além disso, destacam-se os tipos e estilos de liderança que
caracterizam o empreendedor.

3.1 Conceitos e características do empreendedor

Em linhas gerais, para Cantillon6 (2002), ser empreendedor7 é aceitar


comprar algo e tentar revendê-lo de maneira incerta (com ganhos ou perdas). O
autor reconhece no “Ensaio sobre a natureza geral do comércio” que é quase
impossível um acordo entre mercadores e aldeões sobre os preços das mercadorias
vendidas. Se, para o mercador, o preço oferecido por um aldeão numa mercadoria
fosse muito baixo, o mercador iria arriscar-se numa viagem para uma aldeia vizinha
vender o produto por um preço melhor. O raciocínio inverso ocorreria quando o
mercador quisesse comprar algo de algum aldeão: se o comerciante julgasse que o
preço cobrado pelo chefe da aldeia fosse muito alto, bastava o mercador viajar para
outra aldeia buscando um preço mais vantajoso em uma mercadoria igual ou similar.
Além do mercador como exemplo de empreendedor, Cantillon (2002) cita o
arrendatário, pois este se comprometia a pagar um terço do produto da terra
arrendada, contudo, sem ter certeza de que auferiria lucro com a empresa, visto que
a produção e consumo variam conforme as estações e o consumo.

Já para Say8 (1971, p. 78), empreendedor (entrepreneur), em tradução


livre, significa:

O mestre de produção na indústria, o fazendeiro na agricultura, e o


comerciante no comércio; e de modo geral nos três ramos, a pessoa que
toma para si mesma a responsabilidade, risco, e direção de uma produção
organizada, independentemente se o capital é dela mesma ou emprestado.

6 Richard Cantilon escreveu “Ensaio sobre a natureza geral do comércio” em língua inglesa em 1755,
mas a obra só fora traduzida para a língua portuguesa em 2002. Por ser o primeiro na ordem
cronológica crescente da literatura consultada, ele é o primeiro a ser citado neste tópico.
7 Segundo Mendes (2009): “a partir do século XVIII, o sentido da palavra empresário torna-se geral e

passa a designar ‘aquele que empreende alguma coisa’ ou mais simplesmente uma pessoa muito
ativa que realiza diversas coisas ao mesmo tempo”.
8 Jean-Baptiste Say escreveu “Dissertação sobre política econômica ou a produção, distribuição e

consumo da riqueza” em língua inglesa em 1821, mas a obra consultada foi uma reimpressão de
1971. Por ser o segundo na ordem cronológica crescente da literatura consultada, ele é o segundo a
ser citado neste tópico.
28

Walker (1888) discorre duas noções distintas sobre o termo


empreendedor: o empreendedor-capitalista ou homem de negócios, o qual observa
o lucro e cobrança de juros sobre empréstimos a terceiros como a sua remuneração;
e o empreendedor-trabalhador, como aquele que tem domínio de habilidades
administrativas, aceitando o risco de ganhar ou perder receita nas atividades que
gerencia. Walker (1888) não deixa claro em The Wages Question: a treatise on
wages and the wages class (A questão da renda: uma dissertação sobre a renda e
as classes assalariada, tradução livre) se o segundo conceito, empreendedor-
trabalhador, necessariamente é dono do próprio negócio ou se ele pode ser
empregado ou sócio do primeiro, empreendedor-capitalista.

Dornelas (2014) cita o conceito de empreendedor estabelecido por


Schumpeter (1949): “O empreendedor é aquele que destrói a ordem econômica
existente pela introdução de novos produtos e serviços, pela criação de novas de
organização ou pela exploração de novos recursos e materiais”. (SCHUMPETER
apud DORNELAS, 2014, p. 28).

Levando-se em consideração a relevância do termo empreendedor,


mostra-se no Quadro 4, o resumo do desenvolvimento da teoria do
empreendedorismo e do termo empreendedor desde a idade média segundo os
estudos de Mendes (2009), mencionando as treze noções por ele encontradas:

Quadro 4 - Histórico da palavra empreendedor

Período Autor Conceito


Idade Participante e pessoa encarregada de projetos de
Desconhecido
Média produção em grande escala.
Século Pessoa que assumia riscos de lucro (ou prejuízo) em
Desconhecido
XVII um contrato de valor fixo com o governo.
Richard Pessoa que assume riscos é diferente da que fornece
1725
Cantillon capital.
Jean Baptiste Lucros do empreendedor separados dos lucros de
1803
Say capital.
Distinguir entre os que forneciam fundos e recebiam
1876 Francis Walker juros e aqueles que obtinham lucro com habilidades
administrativas.
29

Período Autor Conceito


Joseph O empreendedor é um inovador e desenvolve
1934
Schumpeter tecnologia que ainda não foi testada.
David O empreendedor é alguém dinâmico que corre riscos
1961
McClelland moderados.
1964 Peter Drucker O empreendedor maximiza oportunidades.
O empreendedor toma iniciativa, organiza alguns
1975 Albert Shapero mecanismos sociais e econômicos e aceita os ricos do
fracasso.
O empreendedor é visto de forma diferente por
1980 Karl Vésper
economistas, psicólogos, negociantes e políticos.
O intraempreendedor é um empreendedor que atua
1983 Gifford Pinchot
dentro de uma organização já estabelecida.
O empreendedorismo é o processo de criar algo
diferente e com valor, dedicando tempo e esforço
necessários, assumindo riscos financeiros, psicológicos
1985 Robert Hisrich
e sociais correspondentes e recebendo as
consequentes recompensas da satisfação econômica e
pessoal.
O empreendedor é aquele que faz as coisas
José Carlos
2001 acontecerem, se antecipa aos fatos e tem uma visão
Assis Dornelas
futura da organização.
Fonte: Mendes (2009)

A partir destes conceitos, Mendes (2009) conceitua empreendedor como


“o indivíduo capaz de transformar um simples obstáculo em oportunidade de
negócios.”

Outro conceito que pode ser mencionado é o de Dornelas (2014) que diz:
“o empreendedor do próprio negócio é aquele que detecta uma oportunidade e cria
um negócio para capitalizar sobre ela, assumindo riscos calculados.”

Logo, para esta pesquisa, de modo geral o empreendedor é visto como


alguém que aceita correr riscos investindo seu capital ou esforço em um negócio (de
30

qualquer setor da economia) objetivando retornos para si mesmo obtidos através


dos resultados positivos da gestão deste empreendimento.

Após a visão e compreensão do termo empreendedor é relevante mostrar


o que os autores identificam como características do empreendedor.

Degen (2009) reconhece as características do empreendedor: vencer


dificuldades para manter o negócio, ter necessidade de se realizar, inconformismo
com as coisas da forma como elas são e consequente desejo de mudança.

Por outro lado, Dornelas (2014, p. 29) cita três características referentes
ao empreendedor, dentre as quais ressaltam-se:

1. Tem iniciativa para criar um novo negócio e paixão pelo que faz.

2. Utiliza os recursos disponíveis de forma criativa, transformando o


ambiente social e econômico no qual vive.

3. Aceita assumir os riscos calculados e a possibilidade de fracassar

Segundo Mendes (2009), há valores e virtudes (características) universais


que determinam o sucesso ou fracasso do empreendedor. Os valores são felicidade,
liberdade, plenitude, excelência, autonomia ou independência e sentido de
realização ou reconhecimento. As virtudes são responsabilidade, disciplina,
honestidade, humildade, integridade, respeito, equanimidade a prática do não-
julgamento.

De acordo com André Neto et al. (2013), citam características levantadas


por Dornelas (2007) após analisar 25 artigos publicados em periódicos
internacionais e em livros de referência entre 1972 e 2005, bem como a quantidade
absoluta e frequência relativa decrescente das características estudadas. O Quadro
5 enumera quais são elas:

Quadro 5 - Características dos empreendedores

Característica Nº de citações %
Disposição para correr riscos 15 11,4
Independência, autonomia 10 7,6
Capacidade de inovar 9 6,8
Capacidade realizadora 9 6,8
31

Característica Nº de citações %
Autocontrole 8 6,0
Criatividade 8 6,0
Autoconfiança 7 5,3
Responsabilidade 6 4,6
Determinação 5 3,8
Energia, entusiasmo 5 3,8
Liderança 5 3,8
Definição de metas 5 3,8
Tolerância a incertezas 5 3,8
Ambição 4 3,0
Desejo de ganhar dinheiro 4 3,0
Iniciativa 4 3,0
Percepção de oportunidades 4 3,0
Rede de contatos 4 3,0
Busca de informação 3 2,3
Comprometimento 3 2,3
Persistência 3 2,3
Desejo de poder 3 2,3
Positividade 3 2,3
Total 132 100
Fonte: André Neto et al. (2013)

São tantas virtudes as atribuídas aos empreendedores, que Hashimoto


(2006, p. 5-8) usa o termo “empreendedor-herói” para referir-se a quem, com
criatividade, determinação e flexibilidade tornou-se o grande gerador de empregos e
salvador da economia americana depois da recessão de 1975 (crise do petróleo),
visto que à época muitos pequenos empreendimentos foram abertos nos EUA após
o fechamento ou desmonte de grandes corporações, provocando a migração do foco
da economia americana do setor produtivo para o setor de serviços. O autor ainda
cita que este mito do “empreendedor- herói” se torna ainda mais forte em países
como o Brasil, onde o ambiente de negócios é volátil e hostil aos pequenos
negócios, e o empreendedor consegue superar as dificuldades de se iniciar um
empreendimento próprio sem o menor apoio, apenas com uma ideia e muita
32

disposição, tanto para aprender e/ou trabalhar, às vezes até falhando e em muitos
casos recomeçando, lidando com inércia do passado, o excesso de burocracia para
abrir uma empresa e depender de clientes e fornecedores. O autor assume a
impossibilidade da existência de uma pessoa que possua só e somente só as
características atribuídas a um “empreendedor-herói”:

Comprometimento, criatividade, valores, habilidades específicas,


conhecimento do negócio, principio atitudes positivas, reconhecimento de
oportunidade, autoconfiança, sabedoria, coragem para enfrentar desafios,
perseverança e determinação, habilidades de relacionamento interpessoal,
boa comunicabilidade, liderança, facilidade de trabalhar em equipe,
automotivação, capacidade de tomar decisões rapidamente, pensamento
crítico, visão estratégica, foco em resultados, planejamento, fome de
aprender, familiaridade com o mundo dos negócios, ótima rede de
contatos, flexibilidade à mudança e aos ambientes dinâmicos, capacidade
de resolução de problemas e conflitos, visão sistêmica e holística, ousadia,
receptividade a riscos, tolerância a erros e falhas, familiaridade com
tecnologia, capacidade de realização, habilidade de negociação,
integridade, honestidade, fortes princípios éticos, eloquência, facilidade
para absorção de novos conceitos, alta percepção do ambiente, retórica,
agilidade e dinamismo, forte personalidade, firmeza de caráter, enérgico,
perfil voltado para desenvolver talentos, grande experiência, empatia,
persuasão, organização, rapidez de raciocínio, autocontrole, sonhador
realista, agressividade, independência, pragmatismo, entusiasmo, pro-
atividade, iniciativa, forte presença pessoal, arrojo, faro para negócio etc...
(HASHIMOTO, 2006, p. 6).

Vale ressaltar que paralelamente ao “empreendedor-herói” de Hashimoto


(2006, p. 5-8), Dornelas (2007, p. 11-12), utiliza o tipo de empreendedor “nato” ou
“mitológico”, como possível sinônimo daquele de Hashimoto. Já em 2014, Dornelas
utiliza outra expressão: “empreendedor de sucesso”, como possível sinônimo. Além
disso, Mendes (2009, p. 33) descreve um “empreendedor-ideal” com significado
similar aos termos dos autores recém citados.

Diante do exposto, percebe-se que não há unanimidade sobre quais as


características de um empreendedor, mas que a ânsia por mudança/transformação
do ambiente, e o fato de aceitar correr riscos por um objetivo maior são
características citadas por quase toda a literatura consultada. Bem como as noções
de um empreendedor perfeito, as quais são citadas por três dos cinco autores
consultados, Dornelas, Mendes e Hashimoto, embora apenas este último expresse
de maneira tácita que se trata de um empreendedor não existente na realidade.
33

3.2 Tipos de empreendedor

Não há um único tipo de empreendedor, visto que eles são pessoas e


estas sempre serão umas diferentes das outras, porém é conveniente separar os
empreendedores em grupos ou categorias devido ao seu comportamento. Dornelas
(2007) agrupa os empreendedores em oito grupos: o nato, o que aprende, o serial, o
corporativo, o social, o por necessidade, o herdeiro e o planejado. Porém, Degen
(2009) classifica os empreendedores em apenas dois tipos: por oportunidade e por
necessidade. Seguem os detalhes de cada tipo de empreendedor da classificação
dos dois autores. O Quadro 6 explica os oito grupos identificados por Dornelas:

Quadro 6 – Tipos de empreendedor na ótica de Dornelas

Tipo de Descrição
empreendedor
Começaram a trabalhar jovens e criaram uma empresa do
nada. Adquiriram as habilidades de negociar e de vender.
Consideram-se visionários, otimistas, pensam à frente do seu
Nato ou Mitológico
tempo e são comprometidos para realizar meus sonhos.
Seguem valores familiares e/ou religiosos e se considero uma
grande referência para os mais jovens.
Quando menos esperavam, se depararam com uma
oportunidade de negócio e tomaram a decisão de mudar o que
faziam na vida para se dedicar ao seu próprio negócio. O
momento de tomada de decisão ocorreu quando alguém o
Que aprende ou
convidou para fazer parte de uma sociedade ou ainda quando
inesperado
ele percebeu que podia criar seu empreendimento. Antes de se
tornar empreendedor, acreditava que não gostava de assumir
riscos. Teve de aprender a lidar com as novas situações e me
envolver em todas as atividades empresariais.
Consideram-se apaixonados não apenas pelas empresas que
criam, mas principalmente pelo ato de empreender. São
pessoas que não se contentam em criar um negócio e ficar à
Serial ou Criador
frente dele até que se torne uma grande corporação. Sua
de novos negócios
habilidade maior é acreditar nas oportunidades e não
descansar enquanto não as vir implementadas. Ao concluírem
um desafio, precisa de outros para se manter motivado.
São empregados em alguma empresa que não é sua.
Consideram-se competentes, com capacidade gerencial e
conhecimento de ferramentas administrativas, hábeis
comunicadores e vendedores de suas ideias. Trabalham de
Corporativo olho nos resultados para crescer no mundo corporativo.
Assumem riscos e tem o desafio de lidar com a falta de
autonomia, pois a empresa não é deles. Desenvolvem seu
networking dentro e fora da organização. Convencem as
pessoas a fazerem parte de seu time, mas sabem reconhecer o
34

Tipo de Descrição
empreendedor
empenho da equipe. Não se contentam em ganhar o que
ganham e preferem planos com metas ousadas e recompensas
variáveis.
Tem como missão de vida construir um mundo melhor para as
pessoas. Envolvem-me em causas humanitárias com
comprometimento. Consideram que tem um papel social
importante, já que através de suas ações e da(s)
Social organização(ões) que criaram ajudam a preencher lacunas
deixadas pelo poder público. Visam agregar valor estratégico
ao negócio, sem deixar de atender as expectativas do mercado
e da percepção dos seus consumidores e da sociedade em
geral.
Criaram o próprio negócio porque não tinham outra alternativa.
Não tiveram acesso ao mercado de trabalho ou foram
demitidos. Não lhes restava outra opção a não ser trabalhar por
conta própria. Já se envolveram e em negócios informais,
desenvolvendo tarefas simples, prestando serviços e
Por necessidade conseguindo como resultado pouco retorno financeiro.
Geralmente não tiveram acesso a recursos, à educação e às
mínimas condições para empreender de maneira estruturada.
Suas iniciativas empreendedoras são simples, pouco
inovadoras, geralmente não contribuem para a administração
pública com impostos e outras taxas.
Receberam a missão de levar à frente o legado de sua família.
O desafio deles é multiplicar o patrimônio que
herdaram/herdarão. Aprendem a arte de empreender com
exemplos da família, e geralmente seguem os exemplos dos
Herdeiro ou
pais. Qualificam-se em gestão profissional, através de cursos
Sucessor familiar
de administração, ou especialização em MBA, ou programas
especiais voltados para empresas familiares, com o objetivo de
não tomar decisões apenas com base na experiência e na
história de sucesso das gerações anteriores.
Creem que o planejamento aumenta a probabilidade de um
negócio ser bem sucedido. Buscam minimizar riscos, se
Normal ou
preocupando com os próximos passos do negócio, tendo uma
Planejado
visão de futuro clara e trabalham em função de metas que
estabelecem para gerenciar a própria empresa.
Fonte: Dornelas (2007), adaptado pelo autor

Com uma abordagem diferente, Degen (2009), explica que as pessoas


que mais sofrem com as desigualdades econômicas, que passam por crise
econômico-financeira, e as que estão empregadas em um sub-emprego geralmente
buscam empreender por necessidade: elas não observam outra alternativa para
obter um padrão de vida melhor a não se empreender. Já para outras pessoas,
empreender é uma oportunidade (uma opção) motivada por: uma possibilidade de
35

ganhar mais dinheiro do que seria possível na condição de empregado, desejo de


sair da rotina do atual emprego e colocar novas idéias em prática, vontade de
determinar o próprio futuro sem ter que dar satisfação aos outros, uma chance de
provar a si mesmo e aos outros que é capaz de montar um próprio negócio e por
último um desejo de desenvolver algo que traga reconhecimento e benefícios, não
só para si, mas para a sociedade. O autor ressalta que um empreendedor pode ser
motivado a iniciar seu negócio por uma ponderação das características descritas,
mas destaca que a grande parte das empresas de sucesso foi iniciada por pessoas
motivadas pela vontade de ganhar muito dinheiro e, em alguns casos, pelo desejo
de sair da rotina do emprego a que estavam submetidas.

Embora sejam classificações diferentes, não se pode dizer que são


opostas. Degen (2009) prioriza os motivos que o indivíduo teve para poder
categorizá-lo em um dos tipos de empreendedor. Já Dornelas (2007), observa além
dos motivos: ele leva também em consideração o comportamento do indivíduo
empreendedor. Percebe-se também que, para ambos os autores existe o
empreendedor necessitado.

3.3 Tipos e estilos de liderança

A liderança é a função administrativa que modela o comportamento dos


integrantes da organização, de acordo com Riccio (2012). Logo, percebe-se que a
liderança exercida pelo empreendedor sobre seus liderados pode ser fator
determinante para a sustentabilidade gerencial (Finanças e orçamento, Pessoas e
Materiais) do negócio.

Megginson, Mosley e Pietri (1998) e Maximiano (2000) usam termos e


critérios diferentes para classificar liderança. Os primeiros autores citam três “tipos”
de liderança (autocrático, democrático e liberal) e descrevem aspectos dos três tipos
de líderes quanto à tomada de decisão, programação e divisão dos trabalhos, e o
próprio comportamento do líder.

Para Megginson, Mosley e Pietri (1998), o líder autocrático geralmente


decide sozinho, determina as tarefas, equipe e método de trabalho e recompensar
ou punir seus liderados. O do tipo democrático discute a tomada de decisão,
36

recompensas e punições com seus liderados, ouvindo a opinião deles,


questionamentos, sugestões. Geralmente ele valoriza os debates na empresa. O
último tipo de líder, o liberal, faz a menor interferência possível sobre as atividades
que serão realizadas pelo grupo, inclusive dá liberdade ao grupo de trabalho para
que ele tome medidas diferentes das que foram sugeridas pelo líder.

Porém, outro autor, Maximiano (2000), classifica a liderança em três


“estilos”, de acordo com o enfoque do líder: tarefas, pessoas ou bidimensional. O
líder do estilo orientado para a tarefa costuma estabelecer metas (prazos), com a
qualidade da produção e o controle de custos. Esclarecendo as responsabilidades e
tarefas específicas de cada liderado. O líder com estilo focado nas pessoas
habitualmente valoriza a construção de relações humanas positivas e o
desenvolvimento da capacidade de trabalho em equipe de todos os seus liderados,
apoiando-lhes, ouvindo-lhes e prestando-lhes atenção quando estes aparentam ou
comunicam que estão com problemas. O último estilo de liderança é o
bidimensional, que trata da visão holística do líder em relação aos seus
subordinados, considerando que relações humanas e tarefas são partes
indissociáveis de um todo.

Novamente, têm-se duas classificações que não são opostas. Os três


primeiros autores Megginson, Mosley e Pietri (1998) observam o comportamento do
sujeito diante dos processos de gestão, sobretudo aqueles nos quais há relação do
líder com outras pessoas. Maximiano (2000) observa em que o líder foca, não em
como ele se comporta. Logo, determinado líder pode ser autocrático na tomada de
decisão, delegação de tarefas e controle e ao mesmo tempo focar no
desenvolvimento de sua equipe de trabalho (foco nas pessoas).

3.4 Desafios do empreendedor e qualificações necessárias para buscar


recursos de terceiros para financiar o empreendimento

Com base na pesquisa bibliográfica de André Neto et al. (2013), o


empreendedor brasileiro enfrenta dificuldades para a gestão do próprio negócio
devido a falta de planejamento, a falta de crédito, a dificuldade para inovar e o
excesso de burocracia. Os autores assumem que as dificuldades variam de
37

empreendedor para empreendedor, e de ramo para ramo, já que algumas atividades


são mais regularizadas pelo Estado que outras.

André Neto et al. (2013) ainda enumeram qualificações do empreendedor


que são importantes para buscar recursos de terceiros: envolvimento e
comprometimento com o negócio, responsabilidade na administração dos recursos,
saber vender (boa comunicação, transparência, saber atender e ser atencioso com o
cliente e suas necessidades), e manter uma boa rede de relacionamentos
(networking), não só com fornecedores e clientes, mas também com também com
outros empresários do mesmo ramo de atuação, para trocar boas idéias sobre a
gestão do negócio (benchmarking).

Entende-se que um empreendedor com estas qualificações para buscar


recursos, tem menos dificuldades com acesso ao crédito e a autofidelização por
parte dos clientes; principalmente a rede de contatos, pois o acesso à informação
torna-se uma ferramenta estratégica e o seu bom uso traz maior competitividade às
empresas.
38

4 METODOLOGIA E ANÁLISE DOS RESULTADOS

Neste capítulo serão descritos a metodologia da pesquisa, indicando seu


delineamento, local e instrumentos de coleta. Na sequencia se apresentará os
resultados da pesquisa empírica feita com os empreendedores/comerciantes do
bairro Vinhais.

4.1 Metodologia da pesquisa

A abordagem escolhida para este trabalho foi do tipo quanti-qualitativa. A


pesquisa foi do tipo exploratória e descritiva, pois se procurou identificar junto aos
comerciantes do bairro Vinhais as características que o representam. Quanto aos
procedimentos técnicos trata-se de uma pesquisa bibliográfica e de campo.

O local de pesquisa foi o bairro Vinhais (também conhecido como


Residencial Vinhais) está situado na região central da zona urbana da capital
maranhense, São Luís. É rodeado pelos bairros Cohama, Vila Menino Jesus de
Praga, Cohaserma, Planalto Vinhais I, Loteamento Quitandinha, Cohafuma, Recanto
dos Vinhais, e Planalto Vinhais II. Sua principal via de acesso é pela Avenida
Jerônimo de Albuquerque, e a principal via alternativa de entrada é pela Avenida
Daniel de La Touche. O Mapa 1 mostra a delimitação do município de São Luís,
segundo o IBGE, e o detalhe em vermelho é a localização do Residencial Vinhais.

Mapa 1 - São Luís - delimitação do município e localização do Residencial Vinhais

Fonte: IBGE (2014), adaptado pelo autor


39

Segundo Rios (2005), nas décadas de 1970 e 1980 São Luís urbanizou-
se aceleradamente, em decorrência da implantação dos conjuntos habitacionais
mais em direção à parte centro-oriental do município, como Angelim, Bequimão,
Cohab, Cohama, Ipase, Maranhão Novo, Radional, Vinhais (objeto de estudo deste
trabalho), etc. Porém o poder dos serviços permaneceu concentrado no centro
histórico9.

Ainda de acordo com Rios (2005), a situação urbana de São Luís é


classificada em quatro grupos: Cidade Histórica, Bairros Tradicionais ou Conjuntos
Habitacionais, Cidade Moderna e Cidade Inchada. O Vinhais é categorizado como
conjunto habitacional, e por isso possui

[...] uma infra-estrutura de serviços de atendimento à população local em


relação às demais localidade, no entanto, face ao padrão socioeconômico
mediano, estas áreas já têm apresentado problemas comuns ao Centro
Histórico, como congestionamento de veículos, por exemplo. (RIOS, 2005,
p. 218).

Com o passar dos anos é notório que o comércio tem tomado força no
Vinhais, talvez por causa da descentralização do comércio no município iniciada na
década de 1990. Além disso, a Rua 64 desse bairro é considerada rota alternativa
para quem almeja fugir dos horários de trânsito caótico de vias arteriais da cidade
(Avenida Jerônimo de Albuquerque e Avenida Daniel de La Touche). Nas Avenidas
1, 2, 3, e Ruas 51 e 64 observa-se a maior concentração de pontos de comércio e
empresas prestadoras de serviços. Dentre as prestadoras de serviços podem-se
elencar academias de fisioterapia, de ginástica e de pilates; assistências em
eletroeletrônicos, computadores e celulares; ateliês de costura; cemitério; clínica
veterinária; clínica de estética; consultorias imobiliárias; consultorias e assessorias
contábeis, de informática e jurídicas; consultórios odontológicos; escola de dança;
escolas técnicas; funerária; laboratórios de exames clínicos; lanhouses; locadoras
de DVD; oficinas de veículos; ourives; papelarias; recarga de cartucho e tonner;
salões de beleza e sapateiro.

Nas mesmas ruas e avenidas citadas o comércio se faz presente através


de lojas de 30 ramos conforme o Quadro 7:

9 Neste caso, “centro histórico” foi grafado com as letras iniciais minúsculas por não se tratar apenas
do bairro com mesmo nome: refere-se ao conglomerado dos bairros do Centro e Centro Histórico,
situados entre as fozes dos rios Anil e Bacanga.
40

Quadro 7 - Ramos de vendas das avenidas e ruas comerciais do Vinhais

Ramos de vendas Quantidade de estabelecimentos


Moda (acessórios, bijuterias, calçados e
1 36
confecção/roupas)
Bares, distribuidores de quentinhas,
2 17
lanchonetes, pizzarias e restaurantes
Conveniência, empórios, mercearias e
3 13
quitandas
4 Armarinhos e variedades 10
5 Churrasquinhos e galeterias 10
6 Papelarias 8
Acessórios e peças de celulares e
7 7
equipamentos de informática
Confeitarias, padarias, panificadoras e
8 7
salgadaria
9 Drogarias e farmácias 5
Depósito de água mineral, bebidas, gás
10 4
de cozinha, mesas e cadeiras
11 Itens de decoração e móveis 4
12 Pet shop 4
Acessórios e peças para bicicleta e
13 3
motocicletas
14 Itens infantis 3
15 Materiais de construção 3
16 Artesanato 2
17 Floriculturas 2
18 Itens de plástico 2
19 Joalheria, ótica e relojoaria 2
20 Nutrição esportiva 2
21 Vidraçaria 2
22 Açougue 1
23 Banca de jornal e revista 1
24 Chaveiro 1
41

Ramos de vendas Quantidade de estabelecimentos


25 Cosméticos 1
26 Distribuidor comercial de cimento 1
27 Fibras de unha 1
28 Frutarias 1
29 Funerária 1
30 Mariscos e peixes 1
Fonte: Elaborado pelo autor (2014)

Os instrumentos de coleta de dados foram a observação e um


questionário com questões fechadas de múltipla escolha que foi distribuído aos
comerciantes. A coleta de dados deu-se entre os dias 05 e 17 de novembro de 2014.
O universo estimado das empresas comerciais no Vinhais é superior a 150. A
amostragem foi não probabilística por acessibilidade, distribuiu-se 101 questionários,
porém apenas 48 questionários foram respondidos pelos proprietários dos
comércios.

O questionário foi elaborado com base na literatura consultada: Dornelas


(2007), André Neto et al (2013), Degen (2009), Megginson, Mosley e Pietri (1998),
Maximiano (2000), a Lei 10.406 (2002) e a Lei Complementar 123 (2006),
observando-se os aspectos teóricos e legais adaptando-os nas alternativas das
perguntas.

4.2 Análise dos resultados

Nesta parte serão apresentadas as análises e a interpretações dos


resultados da pesquisa. Para facilitar a compreensão, primeiramente se apresentará
as análises e em seguida os gráficos com os dados quantitativos das informações
coletadas sobre o perfil do comerciante do Vinhais.

A análise foi dividida em três dimensões, a saber: unidades de comércio


do Vinhais; características sociodemográficas do empreendedor e por último as
características do perfil do empreendedor do comércio Vinhais.
42

4.2.1 Unidades de comércio do Vinhais

Das 48 unidades de comércio da amostra, 58% são constituídas


exclusivamente com o capital do proprietário, enquanto 21% são de capital apenas
de terceiros e outros 21% tem capital misto, aquele que uma parte é do proprietário
e outra parte é de terceiros (Gráfico 1).

Como aproximadamente só dois em cada cinco comércios da amostra


são dependentes do capital de terceiros, é possível que o empreendedor local tenha
o hábito de guardar suas economias para abrir um negócio a fim de evitar a
dependência de capital alheio. Tal dependência poderia aumentar a interferência de
terceiros sobre a gestão ou parte das práticas administrativas da empresa.

Gráfico 1 - Fonte de recursos I

21%
Somente capital próprio

Somente capital de terceiros

21% 58%
Capital misto

Fonte: Dados da pesquisa (2014)

Observa-se que ao total 79% das empresas da amostra foram


constituídas com capital próprio do comerciante, independentemente de ter
participação ou não do capital de terceiros. Percebe-se ainda a importância de
familiares na capitalização de aproximadamente um quarto dos empreendimentos. A
distribuição da fonte de recursos dos empreendimentos dos números absolutos é
exposta no Gráfico 2:
43

Gráfico 2 - Fontes de recursos II

Capital próprio 38

Recursos de familiares 10
Melhores prazos de pagamento junto a
fornecedores 4

Sócio(s) 3

Bancos comerciais 3

Bancos de investimento 2

Outros 0
Receber pagamentos antecipados dos
clientes 0

Recursos de amigos 0

0 5 10 15 20 25 30 35 40

Fonte: Dados da pesquisa (2014)

Quanto à elaboração do plano de negócios (Gráfico 3), Aproximadamente


três quartos das empresas tiveram elaboração de plano de negócios enquanto um
quarto das empresas não teve plano de negócios. Isso mostra que a maior parte dos
empreendedores registram questões estratégicas para a sustentabilidade de suas
respectivas empresas, visto que, é no plano de negócios que se detalha as variáveis
do ambiente que interferem na organização, as características internas da empresa
e por último quais as diretrizes que a empresa adotará para ter mais longevidade no
mercado competitivo.
44

Gráfico 3 - Elaboração do plano de negócios

2%

25% Elaboraram

Não elaboraram

73% Não respondeu

Fonte: Dados da pesquisa (2014)

Das 35 empresas que possuem um plano de negócios, em 46% este foi


elaborado apenas pelo proprietário, 28% com a consultoria de terceiros e outros
26% com a companhia de pelo menos um sócio (Gráfico 4). Assim, há um equilíbrio
entre os planos que foram elaborados somente por um comerciante e aqueles que
pelo menos outra pessoa colaborou na construção do planejamento da empresa.

Gráfico 4 – Forma de elaboração do plano de negócios

O comerciante elaborou só
26%
46% Elaborou com a consultoria de
terceiros
Elaborou com pelo menos um
28% sócio

Fonte: Dados da pesquisa (2014)

Quanto ao registro das empresas (Gráfico 5), a maioria dos comerciantes


da amostra preocupa-se com a situação legal da empresa, a qual se estiver
registrada, poderá obter abatimentos nas compras junto aos fornecedores, bem
como pagar menores alíquotas de impostos (em alguns produtos e em alguns ramos
de atividades). Três em cada quatro das unidades de comércio do Vinhais estão
registradas.
45

Gráfico 5 - Formalidade das empresas

2% 6%
Registrada
17%
Informal
Registro em andamento

75% Não respondeu

Fonte: Dados da pesquisa (2014)

No que se refere à Natureza Jurídica das 36 empresas registradas


(Gráfico 6), 44% são MEIs; 28% são Eis; 19% são LTDAs e 6% dos comerciantes
não se lembravam ou não sabiam a natureza da sua empresa. Subentende-se que a
maior parte dos empresários que registraram o negócio não possuem sócios, e que
quase metade das unidades de comércio estão limitadas pela lei a terem somente
um trabalhador empregado.

Gráfico 6 - Natureza Jurídica das empresas registradas (Valor absoluto)

Microempreendedor Individual 16
Empresário Individial 10
Sociedade Limitada 7
O comerciante não se lembra ou não sabe 2
Não respondeu 1
Outras Naturezas 0
Cooperativa 0
Empresa Individual de Responsabilidade Limitada 0
0 2 4 6 8 10 12 14 16 18

Fonte: Dados da pesquisa (2014)

Conforme o faturamento das empresas com base no ano de 2013


(Gráfico 7), um terço dos empreendedores não se lembra, mas fizeram o registro da
receita bruta; um sexto dos comerciantes não se lembra e não fez o registro da
receita auferida; outra sexta parte dos empresários teve faturamento de até 60 mil
46

reais (faturamento máximo permitido para um MEI); 17% não informaram o intervalo
da receita bruta; um décimo da amostra faturou de 60 mil até 360 mil reais (valor
máximo permitido para uma Micro Empresa) e 4% auferiu receita bruta de 360 mil
até 3 milhões e 600 mil reais (valor máximo permitido para uma Empresa de
Pequeno Porte). Uma empresa não disse sobre o valor do faturamento de 2003,
informando apenas que esta entrou em funcionamento em dezembro de 2013.
Nenhuma empresa da amostra faturou valor superior a R$ 3.600.000,00. Logo,
como a universalização da simplificação tributária valerá a partir de 1º de janeiro de
201510, é possível que boa parte das empresas que tiverem registro possam ser
optantes do SIMPLES, o regime tributário diferenciado, simplificado, e favorecido às
MPEs11.

Gráfico 7 - Faturamento ou receita bruta anual de 2013

2% O proprietário não se lembra, mas


tem registrado
4%
Não se lembra e não faz este tipo
10% de controle

33% Até 60 mil reais

Não responderam
17%
Até 360 mil reais

Até 3 milhões e 600 mil reais


17% 17%
Outros

Fonte: Dados da pesquisa (2014)

Observando a mão-de-obra empregada (Gráfico 8), a maioria dos


comércios da amostra tem até um empregado, o que está relacionado ao alto
número de MEIs já demonstrados anteriormente. Um quinto das empresas da
amostra tem efetivo de mão-de-obra igual ou superior a quatro colaboradores.

10 Conforme a Lei Complementar 147/2014.


11 Conforme a Lei Complementar 123/2006.
47

Apenas um sexto das unidades de comércio possui de dois a três funcionários


colaborando com o empresário.

Gráfico 8 - Número de empregados no comércio

10%

10% Apenas 1
38%
Nenhum
17% De 2 a 3
De 4 a 5
Acima de 5
25%

Fonte: Dados da pesquisa (2014)

Ao analisar a razão da escolha do Vinhais (Gráfico 9), percebe-se que em


58% das vezes, o bairro Vinhais foi escolhido para a instalação das empresas por
que o comerciante já residia no Vinhais ou nas redondezas. Para 29% dos
empreendedores a localização foi um fator importante. Por último, para 19% a
escolha do Vinhais foi o fato de já terem um ponto comercial no bairro. Alguns
comerciantes escolheram o bairro por mais de um dos motivos citados.

Gráfico 9 - Motivo da escolha do Vinhais para montar a empresa

Resido/residia no Vinhais ou redondezas 28

Por causa da localização 14

Já tinha um ponto comercial no bairro 9

Outros 0

0 5 10 15 20 25 30

Fonte: Dados da pesquisa (2014)


48

4.2.2 Características sociodemográficas do empreendedor das unidades de


comércio do Vinhais.

Estudando o tempo de atuação do comerciante da amostra (Gráfico 10),


um em cada três deles atua entre um e três anos. Porém um a cada quatro já tem
muita experiência com proprietário do comércio: já tem mais de 15 anos de
experiência. Outros 19% atuam de 7 a 15 anos, e outros 17% atuam entre quatro e
seis anos. Observa-se que 6% dos empreendedores ainda não completaram um ano
de atividade comercial.

Gráfico 10 - Tempo de atuação como comerciante

6%
De 1 a 3 anos
17% 33% Acima de 15 anos
De 7 a 15 anos
19% De 4 a 6 anos
Menos de um ano
25%

Fonte: Dados da pesquisa (2014)

Quanto ao sexo do comerciante (Gráfico 11), as mulheres tem maior


participação na atividade empreendedora que os homens. De acordo com a amostra
nota-se que a distribuição está bem próxima a da população total das zonas
urbanas12:

Gráfico 11 - Sexo do comerciante

2%

Feminino
46% Maculino
52%
Não respondeu

Fonte: Dados da pesquisa (2014)

12
Segundo o Censo Demográfico de 2010, há 51,7% de mulheres para 48,29% de homens residentes nas zonas
urbanas do Brasil. (IBGE, 2011).
49

Agrupando-se a idade dos comerciantes da amostra em quatro intervalos


(Gráfico 12), observa-se que 40% dos comerciantes tem entre 26 e 40 anos. Outros
quatro em cada dez empreendedores tem entre 41 e 60 anos. Somente 10% dos
empresários tem entre 16 e 25 anos, e outros 10% já estão acima dos 60 anos.

Gráfico 12 - Faixa etária do comerciante

10%

10% 26 a 40 anos
40%
41 a 60 anos
16 a 25 anos
Acima de 60 anos
40%

Fonte: Dados da pesquisa (2014)

No que se refere à escolaridade do empreendedor das unidades de


comércio do Vinhais (Gráfico 13), embora 90% dos comerciantes tenha mais de 26
anos, apenas 42% (pelo menos) já entraram na educação superior. Possivelmente
isso significa que os empresários da amostra tendem a deixar os estudos formais de
lado por certo tempo após finalizarem a educação básica (o ensino médio).

Gráfico 13 - Escolaridade do comerciante

2% 2% 2% Ensino médio (2º grau)


completo
Ensino superior (3º grau)
6%
completo
9% Pós-graduado

Ensino superior (3º grau)


incompleto
54%
Ensino fundamental (1º grau)
25% incompleto
Ensino fundamental (1º grau)
completo
Pós-graduando

Fonte: Dados da pesquisa (2014)


50

Ao estudar a importância do comércio para a renda dos comerciantes


(Gráfico 14), identificou-se que a venda de mercadorias é única fonte de renda de
um em cada três dos empresários, enquanto para os outros dois terços dos
empreendedores tem pelo menos uma outra fonte de renda além do comércio.

Gráfico 14 - Importância do comércio na renda do comerciante

23% É uma fonte de renda


complementar
44%
É a única fonte de renda

É a principal fonte de
33% renda

Fonte: Dados da pesquisa (2014)

Quanto a renda mensal do comerciante em reais (Gráfico 15), quase três


em cada dez empresários preferiram não informar a sua renda mensal, o que
impede uma análise mais certa sobre este dado. Mas é possível afirmar que pelo
menos um terço dos empreendedores da amostra ganham R$3.000,00 ou mais por
mês.

Gráfico 15 - Renda mensal do comerciante (R$)

10%

29% Não responderam


10%
2.001 a 3.000
1.001 a 2.000
13% 5.001 ou mais
3.001 a 4.000
4.001 a 5.000
21%
17%

Fonte: Dados da pesquisa (2014)


51

4.2.3 Características do perfil do empreendedor das unidades de comércio do


Vinhais.

De acordo com as características de cada um dos tipos de empreendedor


mencionados por Dornelas (2007), 23% dos comerciantes tem qualidades de
empreendedor do tipo “Normal ou planejado” e/ou “Que aprende ou inesperado”
(Gráfico 16). Isso corrobora com o dado já exposto de que 73% das empresas tem
plano de negócios, pois o “Normal ou planejado”, como o nome já diz, planejou o
empreendimento. E o “Que aprende ou inesperado” possivelmente já aprendeu
noções administrativas em outra empresa ou então percebeu uma oportunidade de
mercado. Além do mais, um em cada seis empresários se consideram um
empreendedor “Nato ou Mitológico”, e estes por serem visionários, possivelmente
também elaboraram um plano de negócios. Alguns comerciantes assinalaram mais
de um tipo de empreendedor, o que é possível, visto que alguns tipos não são
mutualmente excludentes.

Gráfico 16 - Perfil do empreendedor, segundo os tipos de Dornelas

Não responderam 11
Normal ou Planejado 11
Que aprende ou inesperado 11
Nato ou Mitológico 8
Corporativo 5
Por necessidade 4
Herdeiro ou Sucessor familiar 3
Social 1
Serial ou Criador de novos negócios 0
0 2 4 6 8 10 12

Fonte: Dados da pesquisa (2014)

Os empresários da amostra consideram a responsabilidade, a


determinação, a disposição para correr riscos e a persistência como as quatro
principais características na atividade empreendedora (Gráfico 17). Ao comparar os
dados desta pesquisa com o que André Neto et al. (2013) citam de Dornelas, em
52

que as quatro características mais citadas são “disposição para correr riscos”,
“independência/autonomia”, “capacidade e inovar” e “capacidade realizadora”,
percebe-se que a única caraterística em comum é que o empreendedor dispõe-se
para correr riscos. Possivelmente o comerciante local usa as outras três qualidades
(responsabilidade, determinação e persistência) para atenuar os efeitos da
exposição aos riscos e garantir a continuidade da empresa. Cada empreendedor
questionado indicou aproximadamente quatro características.

Gráfico 17 – Características mais importantes para a atividade empreendedora

Responsabilidade 29
Determinação 21
Disposição para correr riscos 16
Persistência 14
Comprometimento 13
Capacidade de inovar 11
Independência, autonomia 10
Iniciativa 9
Criatividade 9
Percepção de oportunidades 8
Capacidade realizadora 7
Busca de informação 6
Definição de metas 6
Energia, entusiasmo 5
Desejo de ganhar dinheiro 4
Autoconfiança 4
Autocontrole 4
Positividade 3
Liderança 3
Não responderam 1
Desejo de poder 1
Rede de contatos (networking) 1
Ambição 1
Tolerância a incertezas 1
0 5 10 15 20 25 30 35

Fonte: Dados da pesquisa (2014)

Dos cinco fatores motivadores do empreendedor identificados por Degen


(2009), o que mais incentivou o empresário da amostra a abrir o próprio negócio foi
(Gráfico 18) o desejo de desenvolver algo que traga reconhecimento e benefícios,
não só para si, mas para a sociedade.
53

Gráfico 18 – Fatores motivantes para o empreendedorismo

Desejo de desenvolver algo que traga


reconhecimento e benefícios, nãos só
6% para mim, mas para a sociedade.
Desejo de sair da rotina de emprego e
10% levar minhas próprias idéias adiante

Necessidade de provar a mim e aos


42% outros que sou capaz de realizar um
10% empreendimento
Vontade de ganhar muito dinheiro, mais
do que seria possível na condição de
empregado
13%
Vontade de determinar meu futuro e
não dar satisfação a ninguém sobre
meus atos
19% Não responderam

Fonte: Dados da pesquisa (2014)

Dentre os quatro desafios para ser empreendedor identificados por André


Neto et al. (2013), os comerciantes locais indicam 31% das vezes o excesso de
burocracia como maior desafio (Gráfico 19), seguidos da falta de planejamento e da
falta e crédito, cada um citado com 29% de frequência. Percebe-se a similaridade
entre a quantidade de empresas que não tem plano de negócios (14 ao total) e a de
comerciantes que citaram a falta de planejamento como grande desafio para ser
empresário. Alguns comerciantes assinalaram mais de um grande desafio para ser
empreendedor.
54

Gráfico 19 - Desafios para ser empreendedor

Excesso de burocracia 15

Falta de crédito 14

Falta de planejamento 14

Dificuldade para inovar 3

Não encontrou dificuldade 1

Insegurança pública 1

Encontrar mão-de-obra qualificada 1

Não respondeu 1

0 2 4 6 8 10 12 14 16

Fonte: Dados da pesquisa (2014)

Quanto à qualidade mais necessária para buscar recursos de terceiros


para financiar o empreendimento (das enumeradas por André Neto et al., 2013),
48% dos comerciantes da amostra desta assinalaram que ainda não precisaram de
recursos de terceiros (Gráfico 20), indicando novamente que o empreendedor do
comércio local usa suas economias para abrir a empresa (como já foi analisado,
58% das empresas comerciais locais foram constituídas apenas com o capital do
próprio comerciante). Um sexto dos comerciantes indica que o envolvimento e
comprometimento com o empreendimento e/ou a responsabilidade na administração
dos recursos como qualidades importantes no momento da procura de
financiamento de terceiros. Alguns comerciantes indicaram mais de uma
característica, e mesmo os que ainda não precisaram de capital de terceiros
puderam indicar qual alternativa julgavam como facilitadora da busca de
financiamento.
55

Gráfico 20 - Qual a qualificação o comerciante acredita que é mais necessária na


hora de buscar recursos de terceiros para financiar o empreendimento

Ainda não precisou buscar recursos de


terceiros 23

Responsabilidade na administração dos


recursos 8

Envolvimento e comprometimento com o


empreendimento 8

Habilidade de vender, seja um produto, um


serviço, ou uma idéia 5

Não responderam 4

Manter e ampliar a suarede de


relacionamentos (networking) continuamente 2

0 5 10 15 20 25

Fonte: Dados da pesquisa (2014)

Em relação aos ao tipos de liderança de Megginson, Mosley e Pietri


(1998), baseando-se nas respostas que foram dadas, a maioria dos
empreendedores das unidades de comércio mais se aproxima do tipo democrático
(Gráfico 21). Isso indica que mais da metade dos comerciantes costuma discutir a
tomada de decisão com seus liderados.

Gráfico 21 - Tipo de liderança do empreendedor comercial do Vinhais

6%
13%
Democrático
Autorático
23% 58% Liberal
Não respondeu

Fonte: Dados da pesquisa (2014)

Já de acordo com os estilos de liderança listados por Maximiano (2000),


aproximadamente 4 em cada 10 do empreendedores da amostra (Gráfico 22)
responderam a alternativa com as características do estilo bidimensional, indicando
56

que boa parte dos empresários consultados tem uma visão holística das variáveis
internas (pessoas e tarefas) do empreendimento.

Gráfico 22 - Estilo de liderança do empreendedor das unidades de comércio do


Vinhais

4%

Bidimensional
29% 38%
Voltado para a tarefa
Voltado para as pessoas
Não responderam

29%

Fonte: Dados da pesquisa (2014)

Quanto ao número de empreendimento que os comerciantes da amostra


já tiveram, praticamente quatro em cada cinco ainda estão no seu primeiro
empreendimento. Apenas nove empresários estão no segundo empreendimento, e
apenas um está no terceiro. Com relação à experiência profissional em comércios
antes de ser comerciante (Gráfico 23), mais da metade dos empreendedores não
tiveram experiência como comerciários, assim indicando que eles se dispuseram a
um risco maior.

Gráfico 23 - Experiência profissional com comércio antes de ser comerciante

2%
Não fui comerciário
15%

Fui comerciário, mas em


outro(s) setor(es) de
vendas
27% 56%
Fui comerciário, inclusive
neste setor de vendas

Não responderam

Fonte: Dados da pesquisa (2014)


57

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do exposto, pode-se dizer que os objetivos geral e específicos


deste trabalho foram atingidos. O primeiro objetivo específico encontra-se nos
capítulos dois e três, nos quais se demonstram as noções relacionadas a negócios e
classificações das atividades econômicas.

Como se viu, a empresa é uma unidade social, constituída com objetivos


econômicos de produção e lucro, que se relaciona com elementos do ambiente
(clientes, concorrentes, sociedade e natureza), com organização de seus fatores de
produção (pessoas, materiais e capital) por meio de ações gerenciais.

Existem pelo menos duas classificações para as atividades econômicas,


uma teoria e outra oficial, esta última foi elaborada pelo IBGE (2007), e em ambas
classificações o comércio pode ser compreendido como a atividade na qual ocorre a
venda de mercadoria.

Os outros objetivos específicos encontram-se no capítulo quatro, no qual


se apresentam a metodologia e a análise de resultados utilizada. Verificou-se que
aproximadamente três quartos dos empreendedores das unidades de comércio do
Vinhais realizaram plano de negócios.

Além disso levantou-se que o tipo de liderança dos classificados por


Megginson, Mosley e Pietri (1998) os comerciantes na maioria das vezes são do tipo
democrático. Já quando se explora qual o estilo de liderança definidos por
Maximiano (2000), percebe-se que os empresários da amostra tendem a ser do
estilo bidimensional.

Identificou-se que três em cada quatro das empresas da amostra são


registradas, o que indica um alto padrão de formalização das empresas comerciais
do espaço estudado, o bairro Vinhais.

Quanto às características sociodemográficas mais frequentes, verificou-se


que na amostra existe um equilíbrio entre homens e mulheres, estas representando
um pouco mais da metade. Também há um equilíbrio quanto à faixa etária do
comerciante, visto que 40% tem entre 26 e 40 anos, e outros 40% estão entre os 41
e os 60 anos de vida. Ao observar o tempo de atuação como comerciante,
58

aproximadamente quatro em cada dez são pouco experientes, pois ainda não
completaram 4 anos de atuação, porém 25% dos empresários já atuam a mais de
uma década e meia com o comércio. Já em relação à escolaridade do
empreendedor comercial da amostra, afirma-se que mais da metade deles tem pelo
menos o ensino médio completo.

No que tange ao perfil do empreendedor das unidades de comércio do


Vinhais, em relação aos definidos na literatura de Dornelas (2007), observa-se que
quase um quarto dos comerciantes tem qualidades de empreendedor do tipo
“Normal ou planejado” e/ou “Que aprende ou inesperado”. Também pode-se dizer
que um em cada seis dos empresários locais se identificaram com as características
do empreendedor “Nato ou Mitológico”.

Portanto, respondendo ao problema do qual se partiu para a elaboração


desta pesquisa, é possível escrever que o perfil do empreendedor do Vinhais tende
a ser de ligeira predominância do sexo feminino, que atua a mais de 4 anos como
comerciante, com um equilíbrio entre aqueles com idade entre 26 e 40 anos e 41 e
60 anos, com pelo menos o ensino médio completo, que não tem o comércio como
única fonte de renda, possuindo renda mensal entre R$1.001,00 e R$5.000,00, que
foi motivado a empreender por ter observado uma oportunidade de negócios no
Vinhais e já residia no bairro ou nas redondezas antes de montar a empresa.

Geralmente, se dispõem a correr riscos após realizar um plano de


negócios, com responsabilidade, determinação e persistência, almejando
reconhecimento e benefícios não só para si mesma mas para a sociedade. Mesmo
enfrentando os excessos burocráticos para empreender, ainda não necessitaram de
buscar financiamento de terceiros, possuindo uma postura democrática em relação
aos seus liderados e uma visão holística das variáveis pessoas e tarefas dentro de
sua organização. Ainda estão no seu primeiro empreendimento e não tiveram
experiência profissional com a atividade de comércio antes de abrir o próprio
negócio, e por último que geralmente são microempreendedores individual ou
empresários individuais.

Como recomendação, sugere-se que os empresários locais deveriam


adotar mais práticas profissionais de gestão, tendo em vista que quase metade
deles realizaram o plano de negócios sozinhos, com uma escolaridade em geral
59

sendo o ensino médio completo. Outro ponto falho que pode ser melhorado é o
registro da receita operacional bruta, pois como foi constatado, um sexto dos
empreendedores nem fizeram tal registro no ano de 2013. Além disso, a falta de
experiência como vendedor antes de abrir um comércio pode ser um fator que
dificulte o crescimento da empresa. Assim, percebe-se que com uma escolaridade
mediana, sem experiência na atividade exercida pela empresa e sem um registro de
informações básicas de gestão, os comerciantes do Vinhais poderiam buscar uma
consultoria profissional em gestão de micro e pequenas empresas para potencializar
os ganhos das empresas com mais eficiência e práticas de gestão mais
profissionais, e portanto, menos arriscadas.

Sugere-se também que os empresários, não só do comércio do espaço


da amostra, mas de todos os ramos de atividades e qualquer lugar do país se
mobilizem para sensibilizar a classe política a fim de que esta flexibilize a legislação
para reduzir ainda mais os processos de abertura de um empreendimento.
60

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de 1990; e revoga as Leis nºs 9.317, de 5 de dezembro de 1996 , e 9.841, de 5 de
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2007. Alterada pela Lei Complementar nº 128, de 19 de dezembro de 2008.
Republicação em atendimento ao disposto no art. 6º da Lei Complementar nº 128,
de 19 de dezembro de 2008. Alterada pela Lei Complementar n° 133, de 28 de
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15 dez. 2006.
______. Lei Complementar nº 128, de 19 de dezembro de 2008. Altera a Lei
Complementar nº123, de 14 de dezembro de 2006 , altera as Leis nºs 8.212, de 24
de julho de 1991, 8.213, de 24 de julho de 1991, 10.406, de 10 de janeiro de 2002 –
Código Civil , 8.029, de 12 de abril de 1990, e dá outras providências. Diário Oficial
da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 22 dez. 2008.
______. Lei Complementar nº 147, de 7 de agosto de 2014. Altera a Lei
Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006, e as Leis nos 5.889, de 8 de
junho de 1973, 11.101, de 9 de fevereiro de 2005, 9.099, de 26 de setembro de
1995, 11.598, de 3 de dezembro de 2007, 8.934, de 18 de novembro de 1994,
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63

APÊNDICE: QUESTIONÁRIO - PERFIL DO EMPREENDEDOR DAS UNIDADES


DE COMÉRCIO DO BAIRRO VINHAIS EM SÃO LUÍS (MA)

Com qual das afirmativas abaixo você mais se identifica?


Acredito que nasci com forte inclinação para o empreendedorismo. Nasci para
ser empreendedor.
Iniciei minha carreira em uma organização, e em algum momento observei uma
oportunidade de negócio, e assim resolvi sair da empresa e empreender na
oportunidade.
Costumo abrir um novo negócio e gerenciá-lo e desenvolvê-lo, e a partir do
momento que a empresa se estabiliza, eu a vendo e procuro uma nova
oportunidade para criar outra empresa e repetir todo o processo.
Incentivo os meus colaboradores a agirem com inovação, disponibilizando
recursos e aceitando riscos, dando autonomia para que eles desenvolvam
idéias ou projetos na minha empresa, recompensando os colaboradores com
idéias bem sucedidas.
Minha empresa tem parcerias bem estabelecidas, repassando bens à
comunidade conforme sua missão, visando agregar valor estratégico ao
negócio, sem deixar de atender as expectativas do mercado e da percepção
dos meus consumidores e da sociedade em geral.
Abri o meu negócio por que não tive outra alternativa. Era uma necessidade.

Herdei este negócio da minha família. Estou apenas dando continuidade.

Percebi uma oportunidade de negócio aqui no Vinhais. E planejei esta empresa


em detalhes antes de abri-la, e continuo replanejando-a de tempos em tempos
para minimizar os riscos e dar maior sustentabilidade financeira ao
empreendimento.

Quais destas características, você empresário, acredita que são mais


importantes a atividade empreendedora? (Por favor, marque até 4 opções)
Disposição para correr riscos Tolerância a incertezas
Independência, autonomia Ambição
Capacidade de inovar Desejo de ganhar dinheiro
Capacidade realizadora Iniciativa
Autocontrole Percepção de oportunidades
Criatividade Rede de contatos (networking)
Autoconfiança Busca de informação
Responsabilidade Comprometimento
Determinação Persistência
Energia, entusiasmo Desejo de poder
Liderança Positividade
Definição de metas
64

O que mais motivou, você empresário, a ser empreendedor?


Vontade de ganhar muito dinheiro, mais do que seria possível na condição de
empregado
Desejo de sair da rotina de emprego e levar minhas próprias idéias adiante

Vontade de determinar meu futuro e não dar satisfação a ninguém sobre meus
atos
Necessidade de provar a mim e aos outros que sou capaz de realizar um
empreendimento
Desejo de desenvolver algo que traga reconhecimento e benefícios, nãos só
para mim, mas para a sociedade.

Qual o maior desafio para ser empresário?


Falta de planejamento
Falta de crédito
Dificuldade para inovar
Excesso de burocracia
Outros. Qual?_________________________________________________

Qual(ais) foi/foram a(s) fonte(s) de recursos do(s) empreendimento(s)


comercial(is)?
Capital próprio
Recursos de familiares
Recursos de amigos
Bancos comerciais (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa, Santander)
Bancos de investimento (BASA, BNB, BNDES)
Sócio(s) Quantos, incluindo você?_____
Melhores prazos de pagamento junto a fornecedores
Receber pagamentos antecipados dos clientes
Outros.
Qual?______________________________________________________

Qual a qualificação, você comerciante, acredita que é mais necessária na hora


de buscar recursos de terceiros para financiar o empreendimento?
Ainda não precisei buscar recursos de terceiros
Envolvimento e comprometimento com o empreendimento
Responsabilidade na administração dos recursos
Habilidade de vender, seja um produto, um serviço, ou uma idéia
Manter e ampliar a sua rede de relacionamentos (networking) continuamente
65

Como se deu a elaboração do o plano de negócios?


Não houve elaboração de plano de negócios
Eu elaborei sozinho o plano
Eu e pelo menos um sócio elaboramos o plano
Houve a consultoria de terceiros

Assinale a afirmativa com a qual você mais se identifica


Na maioria das vezes, uso meu poder para decidir sozinho, determinar as
tarefas, equipe e método de trabalho e recompensar ou punir meus liderados
como bem entender.
Na maioria das vezes, discuto a tomada de decisão, recompensas e punições
com meus liderados, ouvindo a opinião deles, questionamentos, sugestões.
Entendo que os debates são importantes na minha empresa.
Na maioria das vezes eu faço a menor interferência possível sobre as
atividades que serão realizadas pelo grupo. Dou liberdade ao grupo de
trabalho para que eles tomem medidas diferentes das que eu sugeri.

Assinale a afirmativa com a qual você mais se identifica


Enfatizo o cumprimento de tarefas, metas (prazos), com a qualidade e o
controle de custos. Esclareço as responsabilidades e tarefas específicas de
cada um.
Enfatizo as relações humanas e o desenvolvimento da capacidade de
trabalhoem equipe. Apoio, ouço e presto atenção em meus liderados.
Acredito que as tarefas e as relações humanas são partes inseparáveis de um
todo.

A empresa está registrada ou é informal?


Registrada
Registro em andamento
Informal

Caso a empresa esteja registrada, qual a natureza jurídica dela?


Não me lembro/Não sei
Micro Empreendedor Individual (MEI)
Empresário Individual (EI)
Empresa Individual de responsabilidade Limitada (EIRELI)
Sociedade Limitada (LTDA)
Cooperativa (Coop.)
Outros. Qual?________________________________________________
66

Este é o seu primeiro empreendimento?


Sim Não, é o terceiro

Não, é o segundo Não, é acima do terceiro


empreendimento

Há quanto tempo (em anos) atua como comerciante?


Menos de um ano
De 1 a 3 anos
De 4 a 6 anos
De 7 a 15 anos
Acima de 15 anos

Sexo
Masculino Feminino

Idade (do comerciante)


16 a 25 anos
26 a 40 anos
41 a 60 anos
Acima de 60 anos

Grau de escolaridade
Fundamental (1º grau) incompleto Superior (3º grau) incompleto
Fundamental (1º grau) completo Superior (3º grau) completo
Médio (2º grau) incompleto Pós-graduando
Médio (2º grau) completo Pós-graduado

Qual foi o faturamento ou receita bruta da empresa anual de 2013?


Não me lembro e não faço este tipo de controle
Não me lembro, mas tenho registrado
até 60 mil reais
até 360 mil reais
até 3 milhões e 600 mil reais
Mais do que a opção anterior

Qual a importância do comércio na sua renda mensal?


É minha única fonte de renda
É minha principal fonte de renda
É uma fonte de renda complementar
67

Qual a sua fonte de renda mensal (em reais)?


Até 1.000 3.001 a 4.000
1.001 a 2.000 4.001 a 5.000
2.001 a 3.000 5.001 ou mais

Quantos empregados você tem no comércio, além de você?


Nenhum
Apenas 1
De 2 a 3
De 4 a 5
Acima de 5

Já foi comerciário antes de ser comerciante?


Não
Sim, mas em outro(s) setor(es) de vendas
Sim, inclusive neste setor de vendas

Por que escolheu o Vinhais?


Resido no Vinhais ou redondezas
Já tinha um ponto comercial aqui
Por causa da localização
Outros. Qual? ________________________________________________