Você está na página 1de 11

EMERJ CPIII C

Tópicos de Redação Jurídica


Comunicação Jurídica
Funções da Linguagem
Linguagem Jurídica

Problemas de Construção

1. paralelismo
I - sintático
II - verbal
III - semântico

I — Paralelismo Sintático: CF, art. 1º, incisos CF, art. 3º, incisos CF, art. 78, caput.

Estudo de casos – falsos paralelismos:

a) Não se trata de defender a intervenção do Estado na economia ou que o Estado


volte a controlar as taxas de câmbio.
b) É importante comprovar os fatos alegados e que os denunciem a tempo.
c) As pesquisas revelam grande número de indecisos e que pode haver segundo turno
na eleição presidencial.
d) O presidente negou interesse na reeleição e que o governo esteja sem rumo.
e) No discurso de posse mostrou determinação, não ser inseguro, inteligência e ter
ambição.

f) Os ministros negaram estar o governo atacando a Assembleia e que ele tem feito tudo
para prolongar a votação do projeto.
g) É comum vermos, nas esquinas brasileiras, crianças pedindo esmolas ou que limpam
vidros de carros.
h) O acusado gosta muito de filmes e de ouvir boa música.
i) Para minha ex-namorada, homem tem que ser gentil, culto e não fumar.
j) São funções do Banco Central:
. emitir moedas;
. a fiscalização do sistema financeiro;
. controlar a moeda.

k) Fiquei com medo de seu tom de voz ao se dirigir a mim e quando me ameaçou em
público.
l) Recomendou aos Ministérios economizar energia e que elaborassem planos de
redução de despesas.
m) Era esperado o seu comparecimento e que estivesse portando os documentos
necessários.
n) Obedecer às leis de trânsito é necessário, importante e traz benefícios à segurança
de todo motorista.
o) Não devemos adotar medidas precipitadas e que comprometam o andamento de
todo o programa.
p) Trata-se de um argumento forte e que pode encerrar o debate.
q) O novo procurador é jurista renomado e que tem sólida formação acadêmica.
r) O atleta brasileiro vencedor da maratona foi seguido pelo atleta argentino e do atleta
uruguaio.
s) Pedida a prisão de candidato e empresário. Ambos têm duas semanas para recorrer.

Exemplos de pares correlativos (equivalência):

Quanto mais se esforçava para obter bons resultados, mais era reconhecido por todos.
Aja sempre desta forma, seja em situações formais, seja em ocasiões informais.
Cuidado no trânsito é bom para ambos os lados, tanto para o motorista quanto para o
pedestre.
Não gostei de sua atitude: primeiro porque não cabia à situação; segundo porque a odos
desagradou.
Se por um lado a situação parece mudar, por outro, não vejo perspectiva por parte de
ninguém.
O interventor tem obrigação não só de apurar a fraude como também de punir os
culpados.

Estruturas de paralelismo sintático mais comuns:

por um lado... por outro...

não... nem...

tanto... quanto...

primeiro... segundo...

seja... seja...

quer... quer...

ora... ora...

ou... ou...

quanto mais... mais (menos)...

quanto menos... menos (mais)...

não só... mas também...

(*) Regências diferentes, complementos diferentes:


Você se posiciona contra as reformas ou a favor delas?
Faça a correção:
Li e não gostei de seu relatório.
Entrei e saí do Fórum imediatamente.
Foram a favor ou contra essa decisão?
Certifico e dou fé que o intimado...
Quero e necessito muito de sua ajuda.
Ouvi falar, mas não cheguei a assistir ao debate.
Muitas pessoas reconhecem e despertam para o valor dos alimentos.
Não era hora de fazer menção, apossar-se ou empregar os argumentos.

Importante era sua adesão ao evento e que o horário fosse cumprido, a fim de
alcançar e ter sucesso com os resultados.
Era indispensável o investimento naquelas ações e que o mercado as valorizasse, a
fim de alcançarmos e nos orgulharmos da nossa independência financeira.

(*) Gosto de uva, da laranja, do mamão.


Gosto de uva, laranja, mamão.
Gosto da uva, da laranja, do mamão.

(*) A festa acontecerá com ou sem você. A festa acontecerá com você ou sem você.
Houve luta antes e depois do jogo. Houve luta antes do jogo e depois do jogo.

(*) locuções: termo inicial - de; termo final – a


O Congresso funciona de segunda a sexta-feira?
Analisei os autos da página 5 à (página) 18.
Conferi a petição de folha 20 a (folha) 24.
Abrimos de segunda a sábado.
Trabalhamos das 8h às 10.
Trabalhamos de 8 a 10h.
As audiências ocorrem da segunda à quinta-feira.
As audiências vão de segunda a quinta-feira.
Folgamos de sábado a segunda.

II — Paralelismo Verbal (correlação verbal – coerência que, em uma frase ou sequência


de frases, deve haver entre as formas verbais utilizadas; o paralelismo verbal deve estar
presente em frases condicionais)

- Se o clima ajudar, a produção mundial subirá para 660 milhões de toneladas.


- Se a decisão da casa for política, ele correrá sérios riscos.
(futuro do subjuntivo – futuro do presente)
- Se o clima ajudasse, a produção mundial subiria para 660 milhões de toneladas.
- Se a decisão da casa fosse política, ele correria sérios riscos.
(imperfeito do subjuntivo – futuro do pretérito)

Se todos comparecessem, a festa ocorreria na data prevista.


Se todos comparecerem, a festa ocorrerá na data prevista.

Quebra do paralelismo verbal:

Quando estudamos muito para o vestibular, espera-se fazer boa prova. (X)
O soldado conseguiu completar toda a prova, mas passa mal ao cruzar a linha de
chegada. (X)

III —Paralelismo Semântico (campo semântico: ideias afins)


Alimentava-se de frutas, ovos e legumes.
Amava os Beatles e os Rolling Stones.

Quebra do paralelismo semântico (muitas vezes despercebida, dá para consertar):


. O presidente visitou Paris, Londres, Roma e o Papa. (X)
O presidente visitou Paris, Londres e Roma. Nessa última capital, esteve (encontrou--
se) com o Papa.
. A seleção brasileira enfrentou a Alemanha na final da Olimpíada. (X)
A seleção brasileira enfrentou a alemã na final da Olimpíada.
. O presidente brasileiro negocia com os Estados Unidos as novas propostas sobre a
ALCA. (X)
O presidente brasileiro negocia com o presidente americano as novas propostas
sobre a ALCA.
O Brasil negocia com os Estados Unidos as novas propostas sobre a ALCA.

Outras vezes...
O renomado cirurgião realizou duas cirurgias: uma na cabeça e outra em Madri. [?]

E há casos em que a quebra da simetria semântica, intencional, resulta em curiosos


efeitos:
Gostava de frutas, legumes e elogios.
Amava os Beatles, os Rolling Stones e os carros de luxo.
Na confusão que houve no estacionamento da loja, perdeu as chaves do carro e a sogra.

São exemplos machadianos:


“Marcela amou-me durante 15 meses e 11 contos de réis.”
“[...] antes cair das nuvens que de um terceiro andar.”
“[...] encontrei um rapaz, que conheço de vista e de chapéu.”

2. Pontuação:
I — aspas nas citações;

. Quando todo o período faz parte da transcrição, a pontuação que o encerra fica antes
das aspas.
“O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever.”

A contrario sensu (a citação é parte do período), o sinal de pontuação que encerra o


texto fica excluído das aspas, isto é, depois delas.
A frase “O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever” é do Almirante Barroso.
Ninguém acreditou na desculpa de que “parafuso frouxo detonou o apagão”.

. Pontos de interrogação ou exclamação que integram a frase citada ficam dentro


das aspas.
Uma pergunta deve orientar os redatores: “O que eu quero com meu texto?” (O
ponto da citação vale para o período.)

. Quando o trecho transcrito constar apenas de um parágrafo, as aspas de abrir


deverão ser colocadas no começo do parágrafo, e as de fechar no fim da última linha.
“Que a sentença seja compreensível a quem apresentou a demanda e se enderece
às partes em litígio. A decisão deve ter caráter esclarecedor e didático. Destinatário de
nosso trabalho é o cidadão jurisdicionado, não as academias jurídicas, as publicações
especializadas ou as instâncias superiores. Nada deve ser mais claro e acessível do que
uma decisão judicial bem fundamentada.”
. Se o trecho transcrito contiver diversos parágrafos, as aspas de abrir serão colocadas
no início de cada parágrafo, e as de fechar somente no final do último parágrafo.

“A linguagem usada nos tribunais brasileiros, embora seja a norma culta da língua
portuguesa, não é de fácil entendimento para a maioria dos cidadãos.
“O jargão dos operadores do Direito é chamado ‘juridiquês’, isto é, linguagem técnica
incompreensível para quem utiliza, na maior parte do tempo, o coloquial.

“[...] a Associação dos Magistrados Brasileiros lançou uma campanha para acabar
com os textos rebuscados. Um comitê da AMB foi designado para promover a
reeducação linguística dos juízes, advogados e até de membros do Ministério Público.”

. Quando ocorre citação dentro de uma transcrição, deve-se - para evitar o excesso de
aspas - empregar as aspas simples (‘ ’).
“O testamento é ato ‘mortis causa’, só produzindo efeitos após a morte do testador.”
“O ideal é o falante ser ‘poliglota’ na sua língua.”

Obs. Aspas também são usadas para destacar palavras estrangeiras (“impeachment”)
ou seu significado (“impedimento”), neologismos (“Inobstante”), gírias (“corno”),
nomes de livros ou legendas (“Os Lusíadas” foram escritos no século XVI. O lema de
nossa bandeira é “Ordem e Progresso”.); para marcar ironia (“inteligentíssimo”), palavra
escrita propositadamente de maneira incorreta (“poblema”), termo não muito preciso
para o contexto (“através” do tio, do D.O.); para indicar o discurso direto (“Parabéns!”);
na referência às alíneas (“a”, “b”).
No caso de estrangeirismos, a tendência é substituir as aspas pelo itálico.

II — travessão;

Obs. Travessão e hífen têm empregos diferentes.

Empregos do hífen:

. ligar os elementos na composição ou na derivação prefixal (surdo-mudo,


homem-bomba; ex-presidente, inter-racial);
. unir pronomes átonos a verbos (condenaram-no, julgá-lo-ia);
. marcar a separação de sílabas no final da linha (translineação):

Não houve víti-


mas.
Configurado está o crime de lesa-
-pátria.

Empregos do travessão:
. indicar mudança de interlocutor nos diálogos;
— Chegamos lá depois da polícia.
— Chegamos? O senhor e quem mais?

. isolar a fala da personagem da fala do narrador;

— Não atire — gritou o menor.

. destacar ou isolar palavras ou expressões no interior de frases;


O ministro — profundo conhecedor do mercado internacional — está consciente
das dificuldades.

. separar oração intercalada, substituindo a vírgula.


O ministro — que é profundo conhecedor do mercado internacional — está
consciente das dificuldades.

Usa-se, ainda, o travessão na numeração feita com algarismos romanos.


I — Relatório;
II — Fundamentação;
III — Dispositivo.

OBS. 12–09–2018 fls. 08–11 ponte Rio–Niterói (meia-risca)

III — parêntese(s).
.Inserem no texto uma explicação, um exemplo, uma circunstância incidental,
uma reflexão, um comentário ou uma observação.
Naquele mês (dezembro), não chovera sequer um dia.
“Seja a mudança que você quer ver no mundo.” (Gandhi)
Que vida mais tranquila a de vocês! (Lembra-me o interior.)

(*) O asterisco entre parênteses chama a atenção do leitor para alguma observação
ou nota explicativa.
Nunca se usa vírgula antes de parênteses.
No caso de estrangeirismos (de cujus, sursis etc.) a tendência é utilizar o itálico.
O advérbio latino sic, significando “assim”, “desse jeito”, é usado entre parênteses
ou colchetes (forma preferível), depois de palavra(s) com grafia incorreta ou inadequada
para o contexto. É usado internacionalmente para indicar ao leitor que aquilo que
acabou de ler, por mais estranho ou errado que pareça, é assim mesmo que deve ficar.
Deve ser escrito em negrito ou itálico, entre colchetes, pois os colchetes representam a
pontuação recomendada para qualquer intromissão no texto que se lê: [sic] ou [sic]:
É de rigor o reconhecimento da prescrição, sendo que [sic] o prazo prescricional deve
ser contado a partir do fato gerador.
. Incluem, ainda, no texto, letra, número de caráter enumerativo: (a), (b), (c); 1),
2), 3) etc.

3. Estudo de Casos em Peças Jurídicas

a) sentença:

I — Relatório

Trata-se de Exceção de Incompetência apresentada por Seguradora XX S/A em


face de ZZZ, por conta de responsabilidade civil em apenso.

Alega o Excipiente ser este Juízo incompetente para conhecer e julgar o pedido
formulado na ação principal, tendo em vista que a residência da parte autora e o local
onde ocorreu o fato (falecimento de se filho, vítima de acidente de trânsito) pertencem
a São Paulo.

A Excepta não apresenta resposta.


II — Fundamentação

Sustenta o Excipiente a incompetência do Juízo com base no art. 53, IV, alínea
“a” do CPC.

Dúvidas não restam de que há tríplice opção para o ajuizamento das ações para
recebimento do seguro DPVAT, podendo aquelas serem propostas no domicílio do
Autor, no local do acidente e no domicílio do Réu.

Tanto o domicílio da parte autora como o acidente compreendem o Estado de


São Paulo e não este estado.

De fato, a jurisprudência admite que ações dessa natureza possam ser propostas
em local onde fica estabelecida a Ré, mas somente se a Autora lá residir ou lá tenha o
fato ocorrido, de forma a facilitar seu acesso à Justiça, o que não é o caso dos autos.

Não há que se admitir que seja a Comarca do Rio de Janeiro competente para o
julgamento da ação, quando a residência da parte autora e o local do acidente estão em
São Paulo.

III — Dispositivo

Posto isso, acolho a Exceção e declino da competência em favor de uma das


Varas Cíveis de São Paulo, competente por distribuição, por entender ser mais benéfico
à Autora que a ação venha a tramitar na Comarca de seu domicílio.

b) ementa:

Veículo estacionado junto à calçada, em faixa de


circulação regular. Afastada a presunção de culpa do
condutor do veículo, que bate por trás, uma vez que
a causa adequada à ocorrência do acidente foi o local
onde estava estacionado um dos veículos.

Chega-se a tal conclusão na medida em que, se o veículo


que estava em movimento tivesse efetuado a manobra -
lícita- de deslocamento, sem encontrar o outro parado -
de forma ilícita -, nada teria acontecido.

Sentença que se reforma para, fixando a culpa exclusiva do


condutor do carro que estava parado, estabelecer o dever
deste em indenizar o proprietário do outro veículo.

c) decisão em Reintegração de Posse:

Cuida-se de Ação de Reintegração de Posse movida por XXXXX em face de YYYYY,


deduzindo, na inicial, pedido de reintegração de posse em sede liminar.

O direito pleiteado é patente, diante da documentação que instrui a inicial.


Contudo, em que pesem os imbatíveis argumentos do autor, não se pode olvidar que no
imóvel objeto do pedido funciona uma instituição de ensino e que estamos em pleno
período letivo.

Assim, reconhecendo o direito do autor, mas, ao mesmo tempo, visando evitar


prejuízos aos alunos, DEFIRO O PEDIDO LIMINAR DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE,
concedendo ao réu o prazo de 180 dias para encerrar suas atividades no local, de modo
que o cumprimento da liminar coincida com o recesso escolar, medida que se adota por
analogia ao disposto no art. 63, § 2º, 8245/91.

.;