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UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP

INSTITUTO DE CIÊNCIAS EXATAS


BACHARELADO EM ENGENHARIA CIVIL

ANDREW RODRIGO FAGUNDES CRUZ


GABRIEL NORATO SANTOS SILVA
MARCOS DE PAULA SOUZA
VITOR JOSE ARTICO OLIVEIRA
WILLEN RICK DE MORAIS SOUZA

PAVIMENTO DE CONCRETO COLORIDO PERMEÁVEL COM ADIÇÃO DE


RESÍDUO DE PET

ARACATUBA - SP
2019
ANDREW RODRIGO FAGUNDES CRUZ
GABRIEL NORATO SANTOS SILVA
MARCOS DE PAULA SOUZA
VITOR JOSE ARTICO OLIVEIRA
WILLEN RICK DE MORAIS SOUZA

PAVIMENTO DE CONCRETO COLORIDO PERMEÁVEL COM ADIÇÃO DE


RESÍDUO DE PET

Trabalho de conclusão de curso para obtenção do


título de graduação em Engenharia Civil
apresentado à Universidade Paulista – UNIP.

Orientador: Prof. Me. Thiago Francisco da Silva


Trentin

ARAÇATUBA – SP

2019
ANDREW RODRIGO FAGUNDES CRUZ
GABRIEL NORATO SANTOS SILVA
MARCOS DE PAULA SOUZA
VITOR JOSE ARTICO OLIVEIRA
WILLEN RICK DE MORAIS SOUZA

PAVIMENTO DE CONCRETO COLORIDO PERMEÁVEL COM ADIÇÃO DE


RESÍDUO DE PET

Trabalho de conclusão de curso para obtenção do


título de graduação em Engenharia Civil
apresentado à Universidade Paulista – UNIP.

Orientador: Prof. Me. Thiago Francisco da Silva


Trentin

Aprovado em:

BANCA EXAMINADORA

_____________________________________/___/_______
Prof.:
Universidade Paulista – UNIP

_____________________________________/___/_______
Prof.:
Universidade Paulista – UNIP

_____________________________________/___/_______
Prof.:
Universidade Paulista – UNIP
RESUMO
Com o crescimento desordenado e a falta de planejamento das grandes áreas
urbanas, há o surgimento de alguns problemas, dentre eles, o problema com recursos
hídricos: enchentes, alagamentos, e consequentemente o assoreamento do solo.
Neste trabalho é apresentado um estudo sobre concreto permeável, com o intuito de
usá-lo em blocos para pavimentação de uma praça pública no município de
Araçatuba/SP. Atualmente, com a falta de referências na esfera nacional, fez-se
necessário aprofundar os conceitos relacionados ao tema, seguido por um princípio
dos maiores problemas enfrentados atualmente pela sociedade e apresentado como
solução eficaz para o dia a dia populacional. Primeiramente, iniciou-se a busca de
traços ideais, de forma a obter um traço que suprisse aos requisitos mínimos para o
uso dos blocos permeáveis na pavimentação da praça. Posteriormente serão feitos
ensaios em laboratório, para caracterização mecânica e hidráulica, para 3 diferentes
misturas, com variações no traço e a adição de resíduos de garrafa PET em alguns
dos traços. Serão realizados testes mecânicos de resistência à compressão, e
aferidas as resistências dos diferentes corpos de prova, concomitantemente,
identificará qual traço atende às necessidades para a aplicação. Verificar-se-á
também testes de permeabilidade com permeâmetro de carga variável, comprovando
a acuracidade do nível de porosidade e índice de vazios, parâmetros que caracterizam
o concreto permeável. Uma vez que, após os ensaios com os corpos de prova de
concreto poroso atenderem os requisitos mínimos, estarão aptos a serem aplicados
como pavimentação permeável na praça.

Palavras chaves: Concreto permeável, permeabilidade, enchentes, resíduo de


garrafa PET
ABSTRACT
As the disorderly growing and the lack of planning at great urban areas show
up, there has been the appearance of some hydraulic problems such as overflow, flood
and, hence, soil silting. In this work is shown a research on regarding of pervious
concrete, with the aim of use it on pavement blocks at a public park at Araçatuba
county. Nowadays, with the lack of researches on the subject nationwide, it was
needed to deepen the concepts on this matter, followed by a principle of the greatest
problems struggled currently by society, and presented as an efficient solution to the
day by day of communities. First of all, it started a search for the exact trace, with the
aiming of a trace which will afford all minimum requirements for the application of the
pervious concrete at pavement’s park. After that, it will be made laboratory tests for
mechanic and hydraulic acknowledgments, through three different mixtures, with
traces variations and adding plastic bottles waste in some of them. It will be made
compressive strength mechanics tests, and evaluated the strength of different proof
bodies and, simultaneously, it will identify which attend the needs for application. It will
verify permeability tests as well with a variable load permeameter, assuring the
accuracy of porosity levels and voids index, parameters which describe pervious
concrete. Once, after the tests with the pervious concrete bodies proof attending the
minimum requirements, they’ll be ready for usage as pervious pavement at the park.

Keywords: Pervious concrete, permeability, flood, plastic bottles waste


SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 7
2. OBJETIVO GERAL .............................................................................................. 9
2.1. Objetivos específicos ............................................................................................................... 9
3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .............................................................................. 10
3.1. PROBLEMÁTICA DAS ENCHENTES ........................................................................................ 10
3.1.1. Principais componentes do material de assoreamento................................................ 12
3.1.2. Medidas de controle ..................................................................................................... 12
3.2. DRENAGEM URBANA............................................................................................................ 13
3.2.1. Projeto de Drenagem Urbana ....................................................................................... 14
3.2.2. Impactos da Urbanização .............................................................................................. 15
3.2.3. Sistemas de Drenagem .................................................................................................. 16
3.2.4. Microdrenagem Urbana ................................................................................................ 16
3.2.5. Macrodrenagem Urbana ............................................................................................... 17
3.3. CONCRETO PERMEÁVEL – DEFINIÇÕES E CARACTERÍSTICAS .............................................. 17
3.3.1. Concreto permeável ...................................................................................................... 18
3.3.2. Concreto permeável no brasil ....................................................................................... 19
3.3.3. Tipos de concreto permeável ........................................................................................ 19
3.3.4. Aplicações...................................................................................................................... 20
3.3.5. Vantagens e desvantagens ............................................................................................ 22
3.4. UTILIZAÇÃO DE RESÍDUO DE GARRAFA PET NA CONSTRUÇÃO CIVIL ................................. 23
3.5. PIGMENTAÇÃO DO CONCRETO ............................................................................................ 26
3.5.1. Tipos de pigmento ......................................................................................................... 27
4. METODOLOGIA DA PESQUISA EM LABORATÓRIO ..................................... 27
4.1. Caracterização dos materiais e dosagem............................................................................. 27
4.1.1. Agregado graúdo ........................................................................................................... 27
4.1.2. Aglomerante .................................................................................................................. 27
4.1.3. Componentes adicionais ............................................................................................... 28
4.2. Moldagem dos corpos de prova........................................................................................... 29
4.2.1. Ensaio de permeabilidade nos corpos de prova ........................................................... 30
4.2.2. Ensaio de resistência à compressão uniaxial ................................................................ 32
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA ..................................................................... 34
7

1. INTRODUÇÃO
Em meio as alterações ambientais causadas pelas práticas urbanas citam-se o
aumento da temperatura (até 10 ºC) nas regiões centrais, segundo DREW, citado por
BOTTEON (2017) e maior índice de evaporação, que conduzem ao aumento na
quantidade de chuvas e, por conseguinte, da ocorrência de enchentes e alagamentos,
que são resultantes da modificação da cobertura terrestre por meio da
impermeabilização, causando redução drástica na taxa de infiltração do solo
implicando em aumento no volume escoado superficialmente, de acordo com TUCCI,
citado por BOTTEON (2017).

Nos dias atuais, o sistema de drenagem comum não corresponde as


necessidades exigidas para total escoamento de águas pluviais em épocas de chuvas
excessivas, alterando a gravidade dos alagamentos, causando transtornos à
população.

A construção civil é reconhecida como uma das mais importantes atividades


para o desenvolvimento econômico e social de uma cidade. Em contrapartida é um
dos segmentos das indústrias que causa maior impacto no meio ambiente.

Neste contexto, o concreto permeável é uma tecnologia que possibilita o


equilíbrio entre desenvolvimento e sustentabilidade, além de ser uma solução para
um dos grandes problemas da urbanização: a impermeabilização do solo e as
enchentes. O concreto permeável consiste em um pavimento de concreto estrutural
com alto índice de porosidade (15 a 25%) HÖLTZ (2011). Segundo Virgiliis (2009)
Possui diversas formas de aplicações, como:

1. A aplicação em rodovias com o objetivo de reduzir o efeito de


aquaplanagem e o “spray” em dias chuvosos garantindo maior segurança e
dirigibilidade.

2. A aplicação em locais para amenizar o nível de ruído, uma vez que este
tipo de revestimento permite que o som penetre pelos vazios levando a redução da
emissão de ondas sonoras.

Sendo assim, essa tecnologia incipiente será investigada todas as


caracteristicas técnicas sobre o concreto poroso, afim de obter resultados para
identificar parâmetros técnicos, desenvolvendo um corpo de prova que atenda aos
8

requisitos solicitados, e também, um estudo de viabilidade para aplicá-lo como


pavimento em uma praça.

Nesta pesquisa, serão apresentados os resultados de um trabalho experimental


desenvolvido através de otimização de traçõs, com confecção de corpos de prova e
avaliar o comportamento mecânico e hidráulico do concreto poroso, afim de
comprovar a sua eficiência perante o concreto convencional. A primeira parte foi
realizada com consulta ao limitado acervo bibliográfico e livros que tratam do assunto
de forma vasta no Brasil.
9

2. OBJETIVO GERAL
Este trabalho tem como propósito apresentar informações e características
técnicas sobre o concreto permeável, confeccionar e definir uma dosagem de concreto
permeável com as propriedades mecânicas e hidráulicas mínimas exigidas para uso
com blocos para pavimentação de uma praça.

Da mesma forma, mostrar a eficiência na substituição do concreto


convencional pelo concreto permeável, na drenagem de águas pluviais.

2.1. Objetivos específicos


 Identificar parâmetros técnicos para confecção do concreto permeável,
como: Tipo de cimento, fator a/c, pigmentação, agregados apropriados.

 Desenvolver um traço de concreto permeável que possua boa


resistência e boas caracteristicas drenantes.

 Investigar o comportamento do concreto permeável em relação ao


concreto convencional, em situação percolação de água.

 Confeccionar estudo de viabilidade de apicação do traço produzido em


uma praça pública na cidade de Araçatuba/SP.
10

3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
3.1. PROBLEMÁTICA DAS ENCHENTES
Segundo Tucci (2007) a ocorrência de inundações em centros urbanos é
antiga, como exemplo em fevereiro de 2019 Fortaleza com 56 ocorrências de
alagamento e inundações; Março de 2019, onde São Paulo e região com ao menos
12 mortes; Outubro de 2018 em Birigui, entre outros muitos casos registrados. (Folha
de São Paulo, Folha da Região, O Povo online).

A inundação ocorre quando as águas dos rios, riachos, galerias pluviais saem
do leito de escoamento devido à falta de capacidade de transporte de um destes
sistemas e ocupam áreas onde a população utiliza para moradia, transporte,
recreação, comércio, indústria, entre outros. O autor ainda ressalva que tais eventos
podem ser ocasionados devido ao comportamento natural dos rios e também
ampliados pelo efeito de alteração produzida pelo homem na urbanização, como, a
impermeabilização das superfícies e canalização de córregos (TUCCI, 2007).

Alagamentos ocorrem, geralmente, em áreas planas ou com depressões e


fundos de vales, com o escoamento superficial comprometido pela topografia e falta
ou insuficiência de um sistema pluvial no ambiente urbano. Ainda, quanto menor a
extensão de áreas verdes, menor a infiltração de água no solo, que alimenta os
aquíferos suspensos, causando menor auxílio para o escoamento superficial, as quais
poderiam atenuar as causas dos mesmos. (TEODORO; NUNES, 2007).

As enchentes, por sua vez, são divididas em dois tipos por Tucci (2001),
enchentes devido à urbanização e enchentes em áreas ribeirinhas: [...] a primeira é
caracterizada pelo aumento de sua frequência e magnitude devido à ocupação do solo
com superfícies impermeáveis e rede de condutos de escoamentos. Adicionalmente
o desenvolvimento urbano pode produzir obstruções ao escoamento como aterros e
pontes, drenagens inadequadas e obstruções ao escoamento junto a condutos e
assoreamento.

No atual contexto de desenvolvimento nacional em que se passa o aumento


descontrolado no processo de urbanização principalmente nas grandes metrópoles e
centros urbanos vem alterando drasticamente as condições hidrológicas e ambientais
tornando cada vez maior os desafios enfrentados nas drenagens urbanas, envolvendo
aspectos sanitários, técnicos, ambientais e legais. Com a expansão urbana e de
11

grandes massas, nas últimas décadas, a dinâmica e organização muitas vezes é feita
com falhas ou omissões no planejamento urbano, impactando em diversos pontos
negativos em locais ou pontuais, consequência da falta de infraestrutura adequada.
Com o desenvolvimento urbano tende ao aumento de áreas impermeáveis (telhados,
ruas, calçadas, pátios entre outros), assim a parte de agua que infiltraria de forma
natural passa a não infiltrar aumentando o escoamento superficial pelos condutores
propostos nas cidades. Antes da urbanização esta parte de agua que percorreria o
trecho de forma lenta e estável controlada pela vegetação até infiltrar aos poucos
passa a ser incontrolável e com velocidades superiores devido às parcelas com
menos rugosidade causada pelas construções.

As enchentes em áreas ribeirinhas são naturais por Tucci (2001), atingindo a


população que ocupa o leito maior dos rios. Essas enchentes ocorrem, principalmente,
pelo processo natural no qual o rio ocupa o seu leito maior, de acordo com os eventos
extremos, em média com tempo de retorno da ordem de dois anos.

Existem diversos perigos relacionados às enchentes, como a proliferação de


doenças, dentre elas a própria dengue. Além disso, a leptospirose é outro grande
risco, a qual é uma doença infecciosa causada pelo contato com determinadas
bactérias, sendo que estas são comumente encontradas na urina dos ratos, sendo
arrastadas junto com as águas nas enchentes. As enchentes representam grave
problema ambiental, mas também social, de modo que atingem populações e afetam
a qualidade de vida das pessoas, apenas com um adequado planejamento urbano,
reconhecendo áreas de risco, intervindo nos locais com maiores probabilidades.
(Luana Caroline)

Os principais efeitos da urbanização são o aumento da vazão máxima, a


antecipação do pico e o aumento do volume do escoamento superficial.

Enxurradas, que segundo a Classificação de Codificação Brasileira de


Desastres (COBRADE), em 2012, também conceitua a enxurrada como escoamento
superficial de alta velocidade e energia, provocado por chuvas intensas e
concentradas, normalmente em pequenas bacias de relevo acidentado. É
caracterizada pela elevação súbita das vazões de determinada drenagem e
transbordamento brusco da calha fluvial e consigo os assoreamentos causados pelo
detrito carregado pela mesma.
12

O assoreamento é um fator resultante, tanto da ação da própria natureza, como


da ação humana, segundo (Zucca 2014), porém, o fator antrópico aumenta e muito o
problema, tendo em vista que questões como desmatamento, poluição, descuidos
com o solo, ocupação de vertentes e outros, são prioritariamente causados pela
sociedade. Este processo traz prejuízos a todo ecossistema, bem como a própria
malha e estrutura urbana e consequentemente aos seres humanos, que
contraditoriamente são os principais causadores do problema.

3.1.1. Principais componentes do material de assoreamento


•CLASSE I - Sedimentos silto-areno-argilosos provenientes da erosão por
águas pluviais sobre solos naturais e de aterros. ~ 80% em peso

•CLASSE II - Entulho inerte areno-terroso-pedregoso proveniente de obras de


construção civil, demolições e pequenas reformas e desagregação de pavimentos
urbanos. ~ 15% em peso

•CLASSE III - Restos de madeiras, metais, vidros e plásticos originados da


construção civil, demolições e reformas, e lixo urbano (papéis-papelão, plásticos,
tecidos, vidros, pneus, móveis e outros utensílios, etc.). ~ 5% em peso.
(Geól. Álvaro Rodrigues dos Santos – CONVENÇÃO SECOVI 2012).

Existem diversos perigos relacionados às enchentes, como a proliferação de


doenças, dentre elas a própria dengue. Além disso, a leptospirose é outro grande
risco, a qual é uma doença infecciosa causada pelo contato com determinadas
bactérias, sendo que estas são comumente encontradas na urina dos ratos, sendo
arrastadas junto com as águas nas enchentes. As enchentes representam grave
problema ambiental, mas também social, de modo que atingem populações e afetam
a qualidade de vida das pessoas, apenas com um adequado planejamento urbano,
reconhecendo áreas de risco, intervindo nos locais com maiores probabilidades de
enchentes, é que será possível acabar com essa problemática que atinge muitas
pessoas no Brasil. Em relação às enchentes naturais, o distanciamento das margens
dos rios para construção das moradias pode amenizar o problema, evitando maiores
danos. (Luana Caroline).

3.1.2. Medidas de controle


Para reduzir os gastos com danos causados pelas enchentes urbanas, é
necessário que haja um controle contínuo mantido pela comunidade. Este controle
13

deve ser visto como ação onde a sociedade precisa participar de forma permanente,
e não ser visto como uma atividade isolada (TUCCI; PORTO; BARROS, 1995).

As medidas para o controle das enchentes podem ser realizadas de dois tipos,
as medidas estruturais e não estruturais. Porém é através de um conjunto das duas
medidas que se torna possível o controle da inundação. Sendo que, as medidas
estruturais são as que modificam o sistema fluvial, as medidas não estruturais são
aquelas onde os prejuízos são minimizados pela boa convivência da população com
as enchentes, permitindo desta forma que a população ribeirinha reduza suas perdas
e mantenha com o rio uma convivência harmônica. Estas medidas englobam obras
de engenharia, medidas sociais, econômicas e administrativas (BERTONI; TUCCI,
2003).

3.2. DRENAGEM URBANA


De acordo com (Tucci, 2007), drenagem urbana é entendido, no âmbito de sua
complexidade, como o conjunto de medidas que tenham por prioridade reduzir os
riscos a que as populações estão sujeitas, diminuir os prejuízos causados por
inundações e proporcionar o desenvolvimento urbano de forma harmônica,
estruturada e sustentável.

A grande necessidade de um sistema de drenagem é atribuída a interação


entre a atividade humana e o ciclo natural da água. Essa interação apresenta dois
aspectos principais: a captação de água dos ciclos naturais para prover água potável
à vida humana e a cobertura de áreas com superfícies permeáveis que escoem águas
pluviais adequadamente. Com esses dois aspectos de interação surge a carência de
dois tipos de drenagem:

 Águas residuais nas quais foram utilizadas para proporcionar boa


qualidade de vida e satisfazer as necessidades da indústria. Após o uso, se não
drenada propriamente causará poluição e criar riscos à saúde.

 Águas pluviais resultante de chuvas ou qualquer outra forma de


precipitação que atingiu determinada área. Se esse sistema não for projetado
adequadamente, provocará inconvenientes, inundações, riscos à saúde e até mesmo
à própria vida. Portanto, um ótimo sistema de drenagem deve atender esses dois tipos
com o objetivo de amenizar os problemas causados à vida humana e o meio ambiente.
(David Butler e John W. Davies, 200).
14

Entre os diversos fatores decisórios que agem de maneira determinante à


eficiência com que os problemas relacionados à drenagem urbana podem ser
resolvidos, destacam-se a existência de:

1. Meios legais e institucionais para que se possa elaborar uma política


factível de drenagem urbana;
2. Uma política de ocupação das várzeas de inundação, que não entre em
conflito com esta política de drenagem urbana;
3. Recursos financeiros e meios técnicos que possam tornar viável a
aplicação desta política;
4. Empresas que dominem eficientemente as tecnologias necessárias e
que possam se encarregar da implantação das obras;
5. Entidades capazes de desenvolver as atividades de comunicação social
e promover a participação coletiva;
6. Organismos que possam estabelecer critérios e aplicar leis e normas
com relação ao setor.
7. Necessidade de que as realidades complexas de longo prazo em toda a
bacia sejam levadas em consideração durante o processo de planejamento. (Prof.
Antônio Cardoso Neto, sistemas urbanos de drenagem).

Atualmente, o sistema de drenagem urbana aponta para a preservação dos


cursos d’água, sua despoluição e a manutenção das várzeas de inundação, de forma
que não sejam necessárias obras estruturantes, reduzindo-se custos de implantação
e problemas provocados pelas mesmas, tirando proveito de seu potencial urbanístico
como áreas verdes e parques lineares. (Sérgio Avelino Ribeiro, 2006).

3.2.1. Projeto de Drenagem Urbana


Um projeto de drenagem urbana possui os seguintes componentes principais:

 Projeto Urbanístico, paisagístico e do sistema viário da área, envolvendo o


planejamento da ocupação da área em estudo.

 Definição das alternativas de drenagem e das medidas de controle para


manutenção das condições de pré-desenvolvimento quanto à vazão máxima de saída do
empreendimento. As alternativas propostas devem ser realizadas em conjunto com a atividade
anterior, buscando tirar partido dos condicionantes de ocupação.
15

 Determinação das variáveis de projeto para as alternativas de drenagem em


cada cenário: pré-desenvolvimento e após a implantação do projeto. O projeto dentro destes
cenários varia com a magnitude da área e do tipo de sistema (fonte, micro ou macrodrenagem).
As variáveis de projeto são a vazão máxima ou hidrograma dos dois cenários, as
características básicas dos dispositivos de controle e a carga de qualidade da água resultante
do projeto

 Projeto da alternativa escolhida: envolve o detalhamento das medidas no


empreendimento, inclusive definindo as áreas impermeáveis máximas projetadas para cada
lote, quando o projeto for de parcelamento do solo. (Manual de drenagem urbana – Região
Metropolitana de Curitiba – PR, 2002).

3.2.2. Impactos da Urbanização


 Impermeabilização do solo: A impermeabilização crescente do solo
urbano tem causado uma frequência cada vez maior de inundações por causa da falta
de áreas verde por onde se infiltram a água da chuva que passa, assim, a escoar
superficialmente e chega rápido aos cursos d’água. (Giansante, 2007);

 Escoamento Superficial: As consequências da urbanização que mais


diretamente interferem com a drenagem urbana são as alterações do escoamento
superficial direto. Tais alterações podem ser dramáticas, verificando-se que o pico da
cheia numa bacia hidrográfica urbanizada pode chegar a ser 6 vezes maior do que o
pico dessa mesma bacia em condições naturais. (Giansante, 2007);

 Ocupação do solo;

 Proliferação de loteamentos executados sem condições técnicas


adequadas;

 Ocupação de áreas impróprias (principalmente várzeas de inundação e


cabeceiras íngremes) proliferação de favelas e áreas invadidas;

Ocupação extensa e adensada dificultando a construção de canalizações e


eliminando áreas de armazenamento. (Giansante, 2007);

 Comportamento político e administrativo;

 O crescimento acelerado acirra a disputa por recursos entre os diversos


da administração pública e faz prevalecer a tendência de atuar corretivamente em
16

pontos isolados;

 Medidas para disciplinar a ocupação do solo são dificultadas por conflitos


de interesses;

Políticas de médio e longo prazos são relegadas a segundo plano. (Giansante,


2007);

3.2.3. Sistemas de Drenagem


Os sistemas de drenagem são classificados como de microdrenagem e de
macrodrenagem, sendo:

 A microdrenagem é definida pelo sistema de condutos pluviais ou canais


nos loteamentos ou na rede primária urbana. Este tipo de sistema de drenagem é
projetado para atender a drenagem de precipitações com risco moderado.

 A macrodrenagem envolve os sistemas coletores de diferentes sistemas


de microdrenagem. A macrodrenagem abrange áreas superiores a 4 km2 ou 400 ha,
sendo que esses valores não devem ser tomados como absolutos porque a malha
urbana pode possuir as mais diferentes configurações. Este tipo de sistema deve ser
projetado para acomodar precipitações superiores às da microdrenagem com riscos
de acordo com os prejuízos humanos e materiais potenciais. (MANUAL DE
DRENAGEM URBANA – Região Metropolitana de Curitiba – PR, 2002).

3.2.4. Microdrenagem Urbana


 Sarjetas: São as faixas formadas pelo limite da via pública com os meios-fios,
formando uma calha que coleta as águas pluviais oriundas da rua.
 Bocas de Lobo: São dispositivos de captação das águas das sarjetas.
 Poços de Visita: São dispositivos colocados em pontos convenientes do
sistema, para permitir sua manutenção.
 Galerias: São as canalizações públicas destinadas a escoar as águas pluviais
oriundas das ligações privadas e das bocas-de-lobo.
 Canais de Ligação: São as canalizações públicas destinadas a escoar as águas
pluviais oriundas das ligações privadas e das bocas-de-lobo. (Prof. Antônio Cardoso
Neto; sistemas urbanos de drenagem).
17

3.2.5. Macrodrenagem Urbana


Entende -se por macrodrenagem as intervenções em fundos de vale que
coletam águas pluviais de áreas providas de sistemas de microdrenagem ou não.
Nesses fundos de vale o escoamento é normalmente bem definido, mesmo que não
exista um curso de água perene. Obras de macrodrenagem buscam evitar as
enchentes as devido à bacia urbana, isto é, construções de canais, revestidos ou não,
com maior capacidade de transporte que o canal natural e bacias de detenção (Tucci,
2007).

3.3. CONCRETO PERMEÁVEL – DEFINIÇÕES E CARACTERÍSTICAS


Concreto permeável ou drenante, também chamado de concreto poroso é um
tipo de concreto com alto índice de vazios interligados, fato essencial para garantir a
permeabilidade às águas pluviais, preparado com agregado graúdo e com pouca ou
nenhuma areia, o que permite a passagem com facilidade de grandes quantidades de
água, com afirma KRISLEI, citado por (JAHN, 2016).

Por meio de adição da dosagem correta de água e cimento, se tem um material


conglomerado, que é formado por partículas de agregado graúdo recobertas com uma
camada razoavelmente espessa de cimento e água, desta maneira criando vazios
interligados, que deixam o concreto altamente poroso e permeável. Com tal método
de combinação, geralmente se obtém um material com um índice de vazios entre 15
a 25% (HÖLTZ, 2011). A quantidade de cada materiais a ser utilizado no traço é
variável de acordo com a resistência pretendida e com a finalidade de utilização
(BOTTEON, 2017).

O volume de porosidade do concreto permeável diminui a sua capacidade de


resistência em relação ao concreto convencional. Para lograr uma maior resistência,
é necessário adicionar uma quantidade maior de agregado miúdo no traço, diminuindo
assim a permeabilidade do mesmo.

O concreto poroso, quando utilizado no pavimento permeável, pode eliminar a


necessidade de outras obras mais complexas de drenagem, por ter a capacidade
suficiente de infiltração desde que seja preparado de maneira correta, como na Figura
1, como afirma POLASTRE; SANTOS, citados por (JAHN, 2016).
18

Figura 1 - Modelo de aplicação do concreto permeável

Fonte: Rômulo Murucci, citado por (JAHN, 2016).

Cada vez mais o concreto poroso vem sendo utilizado nos revestimentos
asfálticos com a finalidade de aumentar a segurança em rodovias e aeroportos, sendo
o uso nas rodovias atualmente sua principal aplicação e o foco principal de estudos e
pesquisas. (BOTTEON, 2017).

3.3.1. Concreto permeável


Em concordância com Francis, citado por (HÖLTZ, 2011), o concreto
permeável não é uma tecnologia nova, pois já tem sido usado no processo de
construção desde a metade do século 19. De fato, diversos países europeus já o
usaram, de diversas maneiras: em casas, edifícios, painéis pré-fabricados e blocos
curados.

De acordo com o boletim ACI 522R, citado por (HÖLTZ, 2011), após a Segunda
Guerra mundial, a grande necessidade por tijolos e matéria-prima para reconstrução
da infraestrutura dos países afetados, associada ao despreparo da indústria em
produzir tijolos com a rapidez necessária, levou à adoção do concreto permeável
como material de construção. Isto ocorreu, principalmente, devido à grande
disponibilidade de agregados graúdos e à ausência de bons tijolos.

Os EUA só passaram a usar o concreto permeável na década de 70, e nesse


caso o concreto permeável foi usado não para reduzir custos ou poupar materiais,
nem pelas suas propriedades térmicas, mas foi utilizado devido das suas
características de elevada permeabilidade. Efetivamente, o uso nos Estados Unidos
foi desencadeado pela tentativa de minimizar as consequências das enchentes que
19

começaram a ocorrer com frequência cada vez maior em áreas impermeáveis recém
construídas.

De acordo com (Polastre e Santos, 2006), já existem registros de experiências


recentes em vários países, como no Japão e no Chile. Nos últimos anos a comunidade
científica internacional passou a estudar de maneira mais aprofundada este material,
com o objetivo de caracterizá-lo e normalizá-lo de maneira mais adequada.

3.3.2. Concreto permeável no brasil


Como afirma (Oliveira, 2003), a partir da década de 80, são iniciadas as
experiências com concreto poroso no país, com a aplicação em aeroportos. Nas
rodovias, os testes com pavimentos permeáveis chegaram em 1992, desta forma,
impulsionando com que outros experimentos da mesma natureza fossem realizados
em rodovias em outras localidades do Brasil nos anos posteriores.

No Brasil, atualmente o desenvolvimento de pesquisas e a presença do


concreto permeável está em estágio primitivo, com iniciativas isoladas em
estacionamentos de shoppings centers e condomínios (MAZZONETO, 2011). Ainda
assim, o número de publicações e metodologias é escasso, dificultando sua utilização
e aplicação, como afirma BETEZINI, citado por (JAHN, 2016)

No ano de 2015, com a publicação da NBR 16416 – Pavimentos permeáveis


de concreto – Requisitos e Procedimentos, que estabelece os requisitos mínimos para
a execução dos diferentes tipos de pavimentos permeáveis fez com que o tem
alavancasse mais um passo à frente como sistema construtivo no país. A publicação
da norma técnica contribui para que seja assegurada a qualidade deste tipo de
pavimentação, incentivando o uso desta tecnologia (BOTTEON, 2017).

3.3.3. Tipos de concreto permeável


Segundo Dellate e Clearly, apud BATEZINI, citados por (BOTTEON, 2017),
existem três tipos de concreto permeável que podem ser caracterizados pelo nível de
resistência e drenabilidade:

a) O concreto permeável hidráulico é um material com baixa resistência


mecânica e elevada permeabilidade, utilizado para aplicações não estruturais.

b) O concreto permeável convencional possui resistência e permeabilidade


intermediária, e pode ser utilizado para estacionamentos e calçadas, sendo
20

representado por uma mistura sem adição de agregado miúdo.

c) O concreto permeável estrutural possui aditivos e/ou adições minerais


na mistura. Este tipo pode ser usado em estacionamentos, ruas e avenidas que
possuam tráfego de veículos pesados.

3.3.4. Aplicações
Segundo BEECHAM, citado por (BOTTEON, 2017), atualmente as aplicações
do concreto poroso, permeável ou drenante não estão mais relacionadas à estruturas.
Pode ser utilizado como alternativa aos sistemas de drenagem complexos e áreas de
retenção de água, sendo uma alternativa econômica, viável e ecologicamente correta
para áreas urbanas. A pavimentação permeável pode ser usada como alternativa às
superfícies duras impermeáveis convencionais, tais como estradas (Figura 2),
estacionamento (Figura 3) e ciclovias. Outras formas que vem sendo utilizado com
maior frequência são em pátios de prédios, indústrias e residências (Figura 4) e áreas
de circulação de pedestres (Figura 5).

Figura 2: Pavimento de concreto permeável em rodovia

Fonte: https://www.cimentoitambe.com.br/selos-sustentaveis-infraestrutura/
21

Figura 3a e 3b: Concreto poroso, moldado in loco ou em peças pré-moldadas, é indicado para locais
de carga reduzida e tráfego leve. Nas fotos, estacionamento na sede do Environmental Protection
Agency (EPA), em New Jersey, nos Estados Unidos.

Fonte:http://infraestruturaurbana17.pini.com.br/solucoes-tecnicas/13/artigo254488-2.aspx

Figura 4: Piso drenante em área externa de uma empresa.

Fonte:
http://www.rhinopisos.com.br/site/noticias/58/2013/04/concreto_permeavel_piso_pavimento_concreto
_poroso_
22

Figura 5: Pavimento de concreto permeável em área de circulação de pedestres.

Fonte:
http://www.rhinopisos.com.br/site/noticias/58/2013/04/concreto_permeavel_piso_pavimento_concreto
_poroso_

3.3.5. Vantagens e desvantagens


Uma vantagem econômica da produção de concreto permeável é que pode ser
executado in loco, com materiais encontrados na região, evitando custos de transporte
elevados. Além disso, pode ser fabricado com baixa tecnologia e mão de obra não
especializada, se a mesma receber um treinamento básico adequado (HÖLTZ, 2011).

Nas considerações de POLASTRE; SANTOS, citados por (JAHN, 2016) , a


adoção de pavimentos permeáveis também contribui para a o meio ambiente, com a
manutenção dos aquíferos subterrâneos e também a redução da velocidade e da
quantidade do escoamento superficial dessas águas. Por permitir a infiltração natural
das águas pluviais, ele também acaba contribuindo para um uso mais eficiente do
solo, pois não são mais necessárias obras de drenagem, com pontos de retenção,
valas, tubulações e outros mais.

Alguns dos benefícios mais destacados dos pavimentos permeáveis são a


redução considerável do escoamento de superfícies pavimentadas, a possibilidade de
serem utilizados em superfícies já urbanizadas e a diminuição da dimensão do
sistema de drenagem pluvial.

Entretanto como desvantagem, há sempre a possibilidade de colmatação e


constantes gastos com a manutenção e limpeza do concreto. Como afirma Baptista e
Nascimento, citados por (JAHN, 2016), a colmatação de uma estrutura de infiltração
23

possui como causa básica a acomodação de materiais finos no interior da estrutura


preenchendo os vazios do meio poroso.

Sendo assim, com o passar do tempo e a ocorrência de colmatação, a


infiltração de águas pluviais na estrutura pode tornar-se nula, visto que o concreto
poroso perde a eficiência e sua principal característica, que é a de permeabilidade.
Desta forma, passa a ser concreto comum, impermeável.

3.4. UTILIZAÇÃO DE RESÍDUO DE GARRAFA PET NA CONSTRUÇÃO CIVIL


A cada ano que passa é evidente a necessidade da reciclagem no mundo, tanto
para fins sustentáveis, quanto para fins lucrativos, esses dois fatores tornam a
reciclagem muito atrativa comercialmente, pois uni a preocupação com o planeta em
relação ao reaproveitamento de materiais recicláveis descartados incorretamente de
forma descontrolada, e a possibilidade de reduzir custos de produção com a utilização
dos mesmos, tendo o custo final menor e paralelamente gerando mais empregos.

Na construção civil não é diferente, a ideia de sustentabilidade nessa área é


muito importante, segundo (SJOSTROM apud JOHN, 2000) a estimativa é de que a
cadeia de ações da construção civil seja responsável pelo consumo de 20 a 50% de
todos os recursos naturais disponíveis, renováveis e não renováveis.

O PET (poli etileno tereftalato) é um dos mais resistentes plásticos para


fabricação de garrafas e embalagens para refrigerantes, águas, sucos, óleos
comestíveis entre outros, além, disso são 100% recicláveis. (ABIPET, 2011).
Conforme (Aragon e Ghiraldello, 2014), na construção civil, na segunda metade do
século 20 e início deste século, alguns dos materiais convencionais utilizados foram
progressivamente sendo substituídos por materiais poliméricos que são os plásticos
e borrachas.

Em 2014 e 2016, devido a Copa do Mundo no Brasil e as Olimpíadas, o


consumo brasileiro de PET que era de 572 Ktons em 2011 foi estimado em 720 e 840
Ktons, respectivamente, como mostra na Figura 6. (ABIPET, 2013).
24

Figura 6: Consumo do PET no Brasil ressaltando 2014 e 2016

Fonte: ABIPET, 2013.

Observe na Figura 7, retirada de um estudo apresentado pela ABIPET em 2016


a evolução da reciclagem do PET no Brasil:

Figura 7: Evolução da reciclagem do PET no Brasil

Fonte: ABIPET, 2016.

Esses tipos de matérias já são bastante usados na fabricação de peças para


redes hidráulicas e instalações elétricas, e também no acabamento; com a grande
evolução da construção civil e da preocupação com a importância da reciclagem,
houve um fortalecimento de estudos relacionados à incorporação do PET ao concreto.
Esse é um reflexo da busca de novas técnicas mais eficientes para o melhor
aproveitamento dos recursos materiais e financeiros disponíveis, eliminando assim os
desperdícios e reduzindo os custos, prazos e agregando valor ao produto final (SILVA
e ALMEIDA, 2010).
25

Quando adicionado o PET triturado no concreto há uma diminuição de alguns


materiais, ou seja, reduz o custo deste e resolve de maneira eficaz um grande
problema de descarte do PET. Além da possível redução dos impactos ambientais, os
aspectos de resistência à compressão, retração plástica, aumento da tenacidade, e
durabilidade são outras vantagens do uso do PET triturado. (MARANGON, 2004).

As figuras 8, 9 e 10 abaixo mostram alguns exemplos do PET incorporado ao


concreto.

Figura 8: Detalhe de disposição de garrafas

Fonte: EcoDebate, 2012.

Figura 9: Blocos de concreto com adição de resíduos de PET

Fonte: Massa Cinzenta, 2015.


26

Figura 10: Pavers conformados com a adição de resíduos de PET

Fonte: Massa Cinzenta, 2015.

3.5. PIGMENTAÇÃO DO CONCRETO


Em busca do desenvolvimento sustentável, a construção civil está sempre
buscando inovações de materiais e métodos construtivos, observando-se
características e comportamentos diferenciados.

Na confecção do concreto permeável com pigmento, utiliza-se o cimento


Portland Branco Estrutural, tendo em vista que o mesmo detém vantagem em relação
ao cimento convencional por possuir maior resistência.

Em estudo e teste realizado por alunos da UFRGS-RS, no trabalho de


conclusão de curso, concluiu-se que o pigmento pode alterar o comportamento do
concreto. Foram feitos testes com dois tipos de pigmentos em três tonalidades:
vermelho, amarelo e verde, assim como, foram estudadas três porcentagens de
pigmentos em relação a massa de cimento: 3%, 6% e 9% (UFRGS-RS).

Os resultados obtidos com a adição do pigmento ao concreto, utilizando o


cimento Portland Branco, baixaram sua resistência significantemente. Embora o
índice de queda foi de 3%, independentemente da cor do pigmento e tipo do pigmento,
ainda se notou a queda na trabalhabilidade do concreto. (Trabalho de Conclusão de
Curso; UFRGS-Porto Alegre-RS,2006).

Atualmente, no mercado, tem-se vários tipos de concretos coloridos através da


adição de pigmento, o que torna sua aparência inovadora na construção civil. Além
disso, há uma procura maior deste tipo de material por profissionais da área com o
intuito de buscar uma estética diferenciada.
27

3.5.1. Tipos de pigmento


Os tipos de pigmentos mais utilizados para este processo de pigmentação são:

1. Pigmento orgânico;
2. Pigmento a base de oxido de ferro;

4. METODOLOGIA DA PESQUISA EM LABORATÓRIO


Para os estudos de propriedades mecânica e hidráulica de concretos
permeáveis serão desenvolvidos corpos de prova para teste. As moldagens dos
corpos de prova serão realizados no laboratório de materiais de construção da
Universidade Paulista (UNIP), em araçatuba, que disponibilizou suas instalações e
seus equipamentos para a realização de todo o proceesso do trabalho.

4.1. Caracterização dos materiais e dosagem


4.1.1. Agregado graúdo
O agregado graúdo utilizado foi a rocha basaltica na classificação de brita n° 0
(Figura 11).

Figura 11: Foto de Brita Nº 0

Fonte: http://www.madeconengenharia.com.br/product/brita-0/

4.1.2. Aglomerante
O cimento empregado foi o CP V-ARI. É um ligante hidráulico identificado por
sua alta resistência inicial, obtida por não possuir adições em sua composicão. Em
alguns casos pode conter até 5% de material carbonático em sua formação.
28

O que garante uma alta resistência inicial ao CP V-ARI, são as alterações nas
dosagens de calcário e argila na produção de clínquer como mostrado no quadro 1.

Quadro 1: Composição do Cimento Portland de Alta Resistência Inicial

Fonte: Botteon, 2017.

Será utilizada água com a finalidade que reaja com os componentes presentes
no cimento para que ocorra as reações necessárias para a formação da pasta de
cimento.

4.1.3. Componentes adicionais


Será utilizado resíduos de garrafa PET em um dos traços, com a intenção de
dar um melhor final ao resíduo, sem alterar as propriedades mecânicas de hidráulica
do concreto, como porosidade e permeabilidade.

Para manter a mistura do resíduo de PET com os outros materiais será


adicionada cola tenaz ao traço. O mesmo procedimento é utilizado em concretos com
adição de EPS. Estudos mostram que a adição desta cola na mistura do concreto não
influencia na resistência final dos protótipos e proporciona uma mistura mais coesa
(IBRACON, 2011).
Figura 12: Resíduos de PET

Fonte: Próprio Autor.


29

O resíduo PET fornecido pela empresa ITOPLAS de Itobi/SP. A empresa


compra garrafas PET de catadores, retiram os rótulos e tritura as garrafas para o
resíduo ser vendido para a reciclagem.

4.2. Moldagem dos corpos de prova


Serão moldados 15 corpos de prova para os testes mecânico e hidráulico,
sendo, 5 para o traço 1 (cimento, agregado e água) ; 5 para o traço 2 (cimento,
agregado, resíduo pet, cola e água) e 5 para o traço 3 (cimento, agregado, resíduo
pet, cola, pigmento e água) de dimensões 10 x 20 cm. Será adotado como método de
compactação manual determinado pela NBR 5738/2003, onde são determinadas 2
camadas com 12 golpes por camada.

Antes do início de cada moldagem, os moldes serão preparados e untados


internamente com uma camada de óleo. Após este processo será iniciado o
procedimento de moldagem.

Em seguida, a amostra será recolhida da betoneira e os corpos de prova serão


moldados, dentro do prazo de 15 minutos.

Após a moldagem, os corpos de prova serão imediatamente cobertos com um


material não reativo e não absorvente para evitar que a perda de água. Permanecerão
por 24 horas nos moldes e após esse prazo, serão desenformados e submersos em
água com cal, onde permanacerão até o dia dos ensaios de resistência mecânica.

Figura12: Corpos de prova confeccionados

Fonte: Próprio Autor.


30

4.2.1. Ensaio de permeabilidade nos corpos de prova


Para realizar os ensaios de permeabilidade pode ser empregado um
permeâmetro com carga hidráulica variável ou constante.
Neste trabalho será utilizado um permeâmetro com carga hidráulica constante,
onde a amostra será submetida a uma carga hidráulica constante durante o ensaio. O
coeficiente de permeabilidade é estabelecido pela quantiade de água que percola o
corpo de prova para um dado intervalo de tempo. A quantidade de água é medida por
uma proveta graduada, determinando-se a vazão (Q).

Figura 13a: Permeâmetro de carga constante

CONCRETO

Fonte: KRAINER

Figura 13b: Permeâmetro de carga constante

BOTTEON, 2017.
31

Tabela 1

TEMPO (s) CARGA HIDRAULICA PERCOLAÇÃO


T1
T2
T3

4.2.2. Determinação do Coeficiente de Permeabilidade de Pavimento Permeável


O Anexo A da norma ABNT NBR 16416 estabelece que para a determinação
do coeficiente de permeabilidade do pavimento deve-se proceder da seguinte
maneira:
1- Confeccionar um pavimento de no mínimo 0,5 m² e espessura mínima de
50 mm;
2- Confeccionar um anel de infiltração de 300 mm de diâmetro e 50 mm de
espessura;
3- Pesar uma quantidade de água a ser colocada no interior do anel de
infiltração;
4- Tomar como base um recipiente de no mínimo 20 litros para que permita o
derramamento controlado do volume de água;
5- Antes de iniciar o ensaio proceder a pré molhagem dos pavimentos, sendo
que, para cada tempo de pré molhagem é condicionado um volume de agua
a ser utilizado no ensaio (ver tabela 02)
6- Após o ensaio o coeficiente é calculado por meio da equação 01

Tabela 02
TEMPO DE PRÉ-MOLHAGEM MASSA DE ÁGUA PARA O ENSAIO
S KG
≤ 30 18 ± 0,05
> 30 3,60 ± 0,05

(1)
Onde:
K é o coeficiente de permeabilidade expresso em milímetros por hora (mm/h);
32

M é a massa de água infiltrada expressa em quilogramas (Kg);


D é o diâmetro interno do cilindro de infiltração expresso em milímetros (mm);
T é o tempo necessário para toda a água percolar expresso em segundos (s);
C fator de conversão de unidades do sistema SI, com o valor igual a 4 583 666 000

4.2.3. Ensaio de resistência à compressão uniaxial


Este ensaio tem a finalidade de determinar a resistência à compressão, e
consiste na aplicação de uma força vertical em um corpo de prova em formato
cilindrico, centralizado de modo que seu eixo coincida com o da máquina, até que o
mesmo venha a se romper.

A resistência a compressão deve ser calculada através da seguinte expressão:

4𝐹
𝑓𝑐= (1)
𝜋𝑥𝐷²

Onde:
𝑓𝑐 = resistência à compressão, em megapascais;
F = força máxima alcançada, em Newtons;
D = diâmetro do corpo de prova, em milímetros;
Figura 14: Equipamento de ensaio de compressão

Fonte: Google, 2019.


33

Tabela 03
FORÇA (KGF) TENSÃO (MPa) FCK
CP01
CP02
CP03
CP04
CP05
CP06

Como evidenciado por (Mazzonetto, 2011), a resistência é inversamente


proporcional à permeabilidade, de modo que sua aplicação em pavimentos não é
executável a todo tipo de tráfego, é adequado à maior parte dos locais de tráfego leve
ou pouco intenso, como afirma POLASTRE; SANTOS, citado por (JAHN, 2016).

Este trabalho tem por finalidade a aplicação do concreto poroso na


pavimentação de uma praça pública, portanto, tem-se como objetivo o alcance à
resistência mínima à compressão de 20 MPa e espessura de 60 mm, de acordo com
a ABNT NBR 16416, na qual é solicitado para o tráfego de pedestres.
34

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA

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