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1.

A existência do Homem como possibilidade

Este tem uma abordagem do estudo do conceito de


possibilidade como modo de ser da existência a partir do
existencialismo de Sören Kierkegaard. Por outro lado
busca compreender a partir da obra o conceito de angústia
a responsabilidade ética e moral do indivíduo
desenvolvendo assim uma leitura existencial da liberdade
humana como condição individual, ilustrando, desse
modo, suas possíveis consequências.

A busca pelo sentido da existência humana sempre foi


uma das questões fundamentais da história. Por
conseguinte, “O existencialismo considera o homem
como ser finito, 'lançado no mundo' e continuamente
dilacerado por situações problemáticas ou absurdas”1. Por
essa razão, a qualificação do conceito de existência tem
um valor fundamental dentro do contexto do
existencialismo. E importante ressaltar que a existência é
constitutiva do sujeito filosofante. Além do mais, a
existência é um modo de ser, é nada mais que
possibilidade, é um poder–ser, é a condição onde o
indivíduo segundo Kierkegaard, é um “ser–capaz–de”2. O
homem simultaneamente encontra-se inserido dentro da
crucial condição entre o ser e o não ser, entre a
possibilidade de banalizar as possibilidades ou significá-
la.

Quando o indivíduo toma consciência de sua condição


finita, de sua condição enquanto um ser possível, é que ele
pode se realizar e chegar à sua autenticidade, ou seja, é “na
possibilidade que toma como sendo sua é que o homem
reconhece a si mesmo; e nesta possibilidade ele se realiza.

1
REALE, Giovanni; ANTISERI, Diário. História da filosofia: do romantismo até nossos dias. São Paulo: Paulus,
1991. p. 593. (Coleção filosofia).
2
KIERKEGAARD, Sören. A. O conceito de angústia. 2. Ed. Petrópolis: Vozes, 2010. p. 48.
Ao mesmo tempo em que adquire a posse dela na ação
pela qual se decidiu, o indivíduo adquire verdadeiramente
a posse de si mesmo”. Por certo, quando falamos de
liberdade humana, nos deparamos diante da mais
profunda das categorias da condição humana: a
possibilidade. O ser humano ao se perceber inserido
dentro dessa categoria, ele automaticamente se vê diante
da mais angustiante das experiências existenciais, pois, se
encontra diante de um conflito interior e exterior da
imprevisibilidade, no reino onde tudo é possível.

«Os problemas da filosofia dizem verdadeiramente


respeito ao ser do homem, de seu existir, e são apelos ou
chamados dirigidos a ele para que esteja às claras consigo
mesmo, assuma suas responsabilidades e tome suas
decisões»3

Fica claro então que o indivíduo, a partir da visão


existencialista, traz consigo a responsabilidade sobre sua
própria existência. Não cabe a mais ninguém responder
àquilo que existe de mais secreto e de mais íntimo no ser
humano. Somente o indivíduo no seu ato existencial traz
o peso da escolha como ato ontológico por excelência. As
coisas matérias do mundo físico não se encontram dentro
do contexto da realidade do possível. Uma pedra é uma
pedra e se basta a si mesma. Em contrapartida, somente o
homem, dotado de razão e por sua vontade se define
potencialmente enquanto tal. Ou seja, somente o homem
tem a capacidade de reconstruir uma história passada
assim como de construir uma história futura. Somente os
homens têm a faculdade de conceber o ideal, de
acrescentar algo ao real. Fazendo referência a experiência
da existência enquanto possibilidade.

3
ABBAGNANO, Nicola. Introdução ao existencialismo. São Paulo: Martins Fontes, 2006. p. 11.
O conceito de angustia é a mais importante das
categorias"; e quem foi educado por meio da possibilidade
compreendeu tambem seu lado terrivel e sabe "que ele nao
pode pretender da vida absolutamente nada e que o lado
terrivel, a perdicao, a aniquila o habitam com cada homem
de porta em porta". A existência e possibilidade,
possibilidade como ameaca do nada, possibilidade,
portanto, como angustia. A angústia caracteriza a situacao
humana. Mas o importante e aprender na escola da
angustia, compreender que a angustia forma. Ela de fato
destroi todas as finitudes descobrindo todas as suas
ilusdes. E deste modo anota Kierkegaard que "Deus, que
quer ser amado, desce com o auxilio da inquietacao em
busca do homem". 4

Se a angustia é tipica do homem em seu relacionamento


com o mundo, o desespero é proprio do homem em sua
relacao consigo mesmo. O desespero, escreve
Kierkegaard, é a doença mortal: "um eterno morrer sem
todavia morrer", "uma autodestruição impotente". O
desespero e viver a morte do eu. O desesperado esta
mortalmente doente. E a causa primeira do desespero é
vista por Kierkegaard no não querer aceitar-se das mãos
de Deus; mas, negar a Deus é aniquilar a si mesmo, e
separar-se de Deus equivale a arrancar-se o desesperado
das próprias raizes e afastar-se do "unico poço no qua1 se
pode doente tirar agua".5

E a este ponto é evidente que, se a origem do desespero


esta em nao querer aceitar-se das maos de Deus, a
existência autêntica e a disponível ao amor de Deus, a
daquele que nele o crê mais em si mesmo, mas apenas em
Deus, que testemunha "a verdade que é da parte de Deus,

4
FARAGO, France. Compreender Kierkegaard. Petrópolis: Vozes, 2006.
5
Idem
e que, levado ao mais alto grau de tedio da vida", esta
pronto a sustentar de modo cristão a prova da vida,
maduro para a eternidade.

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