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Conheça quatro perspectivam muito diferentes – de dramaturgos, atores, estudiosas de teatro –

sobre como criar a base para um personagem e interpretar um papel. Uma abordagem para cada
gosto: alguns valorizam a memória, outros a imaginação ou até mesmo a experiência vivida.

Constantin Stanislasvki

Originalmente criado e usado por Constantin Stanislavski entre 1911 e 1916, o Método de
Interpretação Para o Ator ou simplesmente O Método, como é mais conhecido, é uma
progressão de técnicas usadas para treinar atores a sentir emoções realistas durante a atuação.
Baseia-se em uma prática na qual o ator busca internamente uma experiência própria – algo que
viveu no passado – que lhe remeta a sentimentos que ele pretende trazer para o papel e, por
isto, pode-se dizer que este método utiliza a experiência/lembrança emocional como base para a
criação do papel. Stanislavski atuando na peça The Lower Depths no Teatro de Arte de
Moscou,1902.

Stella Adler

Stella Adler acreditava que o talento de um ator é diretamente proporcional à sua capacidade
imaginativa. Estudiosa do método de Stanislasvki e vinda de uma família de atores, Stella
discordava das ideias do autor d’O Método; não acreditava que um ator deveria reviver
experiências passadas para ter uma conexão com a papel.

Partindo deste incômodo com a técnica de Stanislavski, Stella desenvolveu seu próprio método,
considerado até hoje um dos mais verossímeis na tarefa de emular a própria qualidade orgânica
da vida. Sua visão de como um personagem deve ser criado passa pela capacidade de imaginar
situações que não necessariamente remetam às características do papel em si, mas que podem
ajudar a enriquecer a “paleta de cores” da qual o ator dispõe para representar de forma
genuína.Ela dizia, “Resgatar emoções que eu tive – como por exemplo quando minha mãe
morreu – para criar um papel é algo doente e esquizofrênico. Se isso é atuar, não quero ser
atriz”.

Uta Hagen

Além de ganhar um Tony por sua interpretação de Martha em Quem tem medo de Virginia
Woolf? (1966), Uta Hagen era professora de teatro no prestigiado Herbert Berghof Studio, em
Nova York. Ela também escreveu livros que viraram referência no assunto, como Um Desafio
para o Ator e Respeito pela Atuação.Ela é frequentemente lembrada por sua técnica, que
consiste em enfatizar a verdade e o realismo. Os atores são encorajados a substituir suas
experiências e memórias afetivas pelas do personagem, para assim construir um lastro de
conexão mais duradouro com aquele papel – baseados em suas próprias convicções pessoais.

Viola Spolin

Por ter estabelecido técnicas direcionais que ajudam os atores a se manterem focados no
presente e a fazer escolhas baseados na improvisação, a educadora teatral e coach de atuação
Viola Spolin é considerada uma das maiores reformadoras do teatro americano do século XX.

Ela é autora de Jogos Teatrais, uma espécie de livro-fichário com exercícios didaticamente
escritos, direcionados para objetivos específicos bastante inovadores, como desenvolver a
audição como ferramenta criativa.

Seus escritos, por estimularem o ator a viver o momento e a responder intuitivamente, são
conhecidos como “a bíblia” de todo ator que trabalha com a improvisação como técnica
fundamental.