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UNIVERSIDADE EDUARDO MONDLANE

ESCOLA SUPERIOR DE DESENVOLVIMENTO RURAL

MANUAL DE MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 1


1. INTRODUÇÃO Á MECANIZAÇÃO AGRICOLA

A mecanização agrícola pode ser interpretada de várias maneiras. Para uns é sinónimo de
tractorização, enquanto que para outros pode implicar o aumento de produção por trabalhador e
por hectare de terra cultivada.

Uma operação agrícola moderna envolve o uso de vários insumos ou "inputs" no ciclo de
produção. Estes insumos incluem, sementes, água de rega, fertilizantes, herbicidas e insecticidas e
o equipamento agrícola. O equipamento agrícola por si só não multiplica a produção, mas actua
como um instrumento para assegurar um resultado desejado, com a aplicação dos outros
insumos.

Então pode-se dizer que o equipamento agrícola e as técnicas associadas com o seu uso,
constituem duma maneira geral, o campo da Mecanização Agrícola.

A matéria a ser considerada neste campo, em termos de exploração agrícola é regra geral
dividida em dois grandes grupos:

 A Energia ou Potência Utilizável na Exploração

 A Maquinaria da Exploração

Ainda que as tarefas agrícolas duma exploração sejam feitas por um implemento agrícola,
ele não poderá funcionar se não aliado por uma forma de energia. Daqui se depreende que a
maquinaria e a fonte de potência são complementares.

A área da mecanização agrícola é dividida em duas partes, a mecanização agrícola I e II.


Na parte I fala-se sobre a potência na "farm", e o estudo é maioritáriamente virado para o uso
dos motores de combustão interna, tractores, e seus sistemas. A parte II trata as máquinas
agrícolas usadas nas diferentes operações de campo.

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Um ciclo típico pode ser visto na figura 1, tendo cada operação unitária um objectivo
específico, requerendo para isso máquinas especiais.

Essas operações podem num todo ou em parte serem mecanizadas. Algumas são
realizadas manualmente como a sacha ou a colheita de alguma fruta. Outras como o
beneficiamento do solo e o seu preparo são geralmente mecanizadas.

A mecanização das operações agrícolas, alem de permitirem o aumento da área cultivada,


imprime rapidez ás operações, permitindo em geral melhor qualidade dos trabalhos. Algumas
dessas operações conseguiram extraordinário avanço em termos de mecanização, como o
controlo de pragas, a sementeira, e a adubação que podem hoje ser feitas por avião. Há
praticamente um implemento para cada situação.

As indústrias de máquinas, implementos e ferramentas, além do contínuo aperfeiçoamento,


estão atentas e rápido respondem ás solicitações do mercado agrícola, podendo-se até dizer que
para cada dia temos disponível um novo implemento no mercado

1.2 CONCEITO DE MAQUINA, IMPLEMENTO E FERRAMENTA.

Estes termos embora muitas vezes usados como sinónimos, têm significados diferentes
em mecânica agrícola.

Máquina - conjunto de órgãos restringidos nos seus movimentos por obstáculos fixos e
de resistência suficiente para transmitir o efeito de forçar e transformar energia.

Implemento - conjunto constrangido de órgãos que não apresentam movimentos


relativos nem têm capacidade de transformar energia, seu único movimento é o de deslocamento,
normalmente imprimido por uma máquina tractora.

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Ferramenta - implemento em sua forma mais simples, constituindo parte activa de uma
máquina ou implemento. Também incorpora os apetrechos manuais.

2 .O PREPARO DO SOLO

2.1 INTRODUÇÃO

O solo providencia a base para qualquer actividade cultural. Ele alimenta a semente
desde a germinação até ao crescimento completo, e providencia a base para a multiplicação da
cultura, produção de alimentos e fibras.

Solo e vegetação existem em várias proporções nas diferentes partes do globo. Um


extremo, é por exemplo um deserto, onde não existe nenhuma vegetação. O outro a floresta
tropical, caracterizada por uma mistura de vegetação de árvores e arbustos. Estando variantes
intercaladas entre estes dois extremos.

A preparação da terra para produção de alimentos envolve inicialmente, limpeza de todos


arbustos e árvores permitindo a possibilidade do uso de equipamento agrícola nas fases agrícolas
posteriores, permitindo assim o ciclo de desenvolvimento da cultura.

No preparo inicial temos o desmatamento e desbravamento, seguidos por um outro tipo


de preparo, o periódico que constitui a lavoura (ou aração), gradagem, e eventualmente a
subsolagem. Há no entanto outros autores que consideram estas actividades como sendo, de
"limpeza do solo" e "formação do solo".

2.2 A LIMPEZA OU PREPARO INICIAL

O grau de desbravamento depende do uso final que se irá dar á terra, assim:

 Para auto-estradas ou construção de barragens, é necessário a remoção total da vegetação.

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 Para culturas normais é somente necessária a remoção da vegetação até 10 a 15 cm de
profundidade do solo.

 Para a pecuária, algumas árvores podem ser deixadas.

2.3 MÉTODO E TIPO DE EQUIPAMENTO.

Os seguintes factores influenciam o método usado e o tipo de equipamento, no


desbravamento:

- Tamanho das árvores e sua densidade - a contagem das árvores é um pre-requisito,


elas são contadas por rectângulos de 100 m * 10 m, definindo uma linha de 100 m de
comprimento e contando o número de árvores numa zona de 5 m para cada lado dessa linha
como esta ilustrado na figura 2.1.

- Condições do solo - solos leves como os areno-francos, retêm as raízes mais levemente
que os argilosos pesados, que neste caso as raízes devem ser cavadas antes da remoção das
árvores. A presença de rochas e troncos também afectam o tipo de equipamento a seleccionar.

- Topografia do solo - inclinações íngremes, pântanos, valas ou fossos observadas no


terreno são também influentes.

- Pluviometria - A queda de chuva durante a operação de desbravamento, afecta o


lençol de água e isto por sua vez afecta o movimento do equipamento.

De qualquer modo nunca devemos esquecer, que seja qual for o método de
desbravamento, o objectivo é conservar a camada superior do solo, "top soil", pois esta perda
pode estar associada á remoção de árvores e outro tipo de vegetação, se o solo vier a ser usado
para fins agrícolas.

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2.4 O DESBRAVAMENTO DO SOLO.

O desbravamento é o primeiro trabalho realizado no sentido de colocar uma área sob


exploração agrícola, com esta fase subentende-se o "desmatamento" e o "desenvolvimento do
solo" compreendendo, desmatamento, aração, gradagem e por vezes subsolagem.

O desmatamento é realizado em duas fases:

- Corte ou arrancamento da vegetação.


- Limpeza do terreno ou gleba.

2.4.1 MÉTODOS USADOS NO DESBRAVAMENTO.

- Remoção completa de árvores e arbustos, pelo desenraízamento físico e sua colocação


em outro local.

- Corte da vegetação ao nível do solo e sua recolha para queima. As raízes são deixadas
para decomposição ou para serem retiradas posteriormente.

- Abate, esmagamento e/ou trituração da vegetação.

- Aração e mistura da vegetação a uma profundidade de cerca de 20 cm de solo.


Evidentemente que os vegetais assim misturados, decompõem-se no solo.

Destes 4 métodos os dois primeiros, envolvem o abate físico da vegetação e posterior


remoção. Os dois últimos, não envolvem amontoa da vegetação, a qual é deixada sobre o
terreno para ser queimada ou para se decompor.

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O arrancamento da vegetação pode-se dar em duas operações ou numa única. Quando
em duas, primeiro se faz o corte e em seguida o destocamento.

2.4.2 O EQUIPAMENTO USADO.

O equipamento usado no desbravamento pode ser dividido em Manual e Mecanizado.

- Desbravamento manual é usado quando as áreas envolvidas são em geral pequenas e


os apetrechos usados são os machados, machetes, moto-serras.

- Grandes áreas com vegetação densa ou de dimensões grandes, implica a utilização de


outro tipo de equipamento, e implementos especiais, pois estão envolvidos trabalhos brutos,
pesados, realizados em condições adversas, exigindo por isso máquinas e implementos pesados,
de grande potência e sobretudo robustos.

Embora se possam usar tractores de rodas, normalmente se prefere tractores de esteiras.


Quase sempre máquinas com potências superiores a 100 Hp, e por vezes em vegetações mais
densas e de maior diâmetro, usam-se tractores de esteiras de 350 Hp ou mais.

Esses tractores são munidos de lâminas dianteiras, lisas ou dentadas, que cortam ou arrancam as
plantas. As lâminas podem estar munidas de "facões" ou "ferrões" que cortam ou quebram os
troncos e tocos. Eles podem também estar equipados de correntes grandes e pesadas que ao
serem arrastadas, vão tombando, desenraizando e arrancando a vegetação.

Os tipos de lâminas mais vulgarmente utilizados na parte frontal dos tractores de esteiras
são:

- Lâminas frontais empurradoras do tipo comum.

- Lâminas frontais empurradoras e cortadoras especiais ou desmatadoras.

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As lâminas frontais do tipo comum podem ser fixas (bulldozer) ou então anguláveis
(angledozer).

As lâminas frontais empurradoras, angledozer e bulldozer, criadas e construídas para


realizarem serviços de terraplanagem e terraplenagem, quando usadas em desbravamento, para
certos fins, apresentam baixo rendimento.

2.4.2.1 LAMINAS DESMATADORAS DO TIPO K/G

As lâminas frontais empurradoras, e cortadoras especiais ou desmatadoras, do tipo K/G


da Rome, construídas especialmente para trabalhos de desmatamento, apresentam elevados
rendimentos. Pois, enquanto as lâminas comuns cortam o solo, removendo as camadas
superficiais, as K/G dada a sua construção, deslizam pela sua superfície, sem penetrar no solo.

Outra vantagem da K/G, é a de reunir o material cortado em cordões. A lâmina apresenta


um angulo de 29 graus para o lado direito, o que provoca a saída do material para esse lado,
deixando uma faixa limpa e formando ao lado um cordão com o material, favorecendo o
enleiramento e o deslocamento do próprio tractor.

As partes actuantes da lâmina desmatadora do tipo k/g são as que se seguem e podem ser
vistas nas figuras 2.2a e 2.2b.

A barra de guia serve para proteger o tractor e tractorista e empurrar o material cortado
para a frente e para a direita, não é barra de derrubar ou de forçar, devendo fazer o contacto com
a vegetação depois da borda cortante.
- O ferrão serve para rachar e enfraquecer as árvores grandes, afim de serem cortadas numa
só passada e, tambem para lascar fora parte dos tocos, quando cortando-os rente ao chão.

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- A membrana é uma parte importante do ferrão, pois corta fora uma parte da madeira
quando o ferrão penetra na árvore e a racha, evitando assim que a madeira se feche contra o
ferrão entalando-o, dificultando a sua saída.

2.4.2.2 O CORRENTÃO
O correntão usado em desbravamento é o mesmo que se usa na amarra e ancoragem de
navios. São feitos com elos de aço com diâmetros de 45 a 70 mm e comprimentos de 80 a 150
m, e por vezes mais. Sua classificação depende do peso, Kg/m, e seu comprimento.

O uso deste método para ser eficiente deve ter uma área mínima que justifique o seu
transporte até ao local, pois as operações de carga e descarga, são difíceis e por vezes caras.
Outro limitante é a densidade da vegetação (até aprox. 2500 itens por hectare), e o diâmetro
das árvores (inf. a 45 Cm).

Durante a utilização do Correntão deve-se usar anéis giratórios, que funcionam como
distorcedores, facilitando a acção do correntão.

Para aumentar a acção desenraizante, forçando o correntão a funcionar mais rente ao


chão, pode-se usar bolas de ferro de 0,9 a 3 metros de diâmetro, estas podem ser ocas ou
maciças, (depois são cheias de concreto) e devem pesar de 2 a 7 ton. e são colocadas a meio do
correntão.

O correntão é arrastado por dois tractores de esteiras, e a necessidade de potência varia


conforme o correntão, dentro dos 100 a 350 Hp.

Afim de facilitar o transporte e determinadas manobras no campo os correntões podem


ser preparados em secções, sendo posteriormente ligadas por parafusos, dando o correntão total.

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O uso do correntão pode ser mais efectivo se usado em conjunto com um tree-pusher,
que pode derrubar as árvores maiores.

Além das laminas e correntões também se usam os seguintes equipamentos nos trabalhos
de desbravamento:

- Tombador de árvores ou tree-pusher.


- Rolo-faca.
- Grades pesadas.

2.4.2.3 O TREE-PUSHER

O uso do correntão de ferro pode ser mais efectivo se usado em conjunto com Tree-
pusher, que pode derrubar as árvores maiores.

O “Tree-puhser” é uma estrutura de ferro, formada de várias barras em vários sentidos,


formando como se fosse uma grade.

Uma das extremidades é fixa no tractor, a outra tem uma lança com ponta (um braço) e é
o que realiza o trabalho de empurrar a árvore, encostando a ponta da lança no tronco da árvore a
3, 4 ou 5 metros (baseado no princípio da alavanca, no caso formada pela própria árvore)
fazendo-a tombar.

O uso do tree-pusher só é recomendado para árvores grandes e deve ser sempre


acompanhado por outros implementos. Outra desvantagem é que as árvores arrancadas pelo
tree-pusher deixam verdadeiras "crateras" no solo e o material fica totalmente esparramado no
terreno, dificultando o enleiramento.

2.4.2.4 O ROLO-FACA

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Indicados para desmatamento em áreas com vegetação mais fina, são cilindros
metálicos de 1 a 3 metros de comprimento por 1 a 2 de diâmetro. No sentido longitudinal, são
fixadas facas ou lâminas cortantes. Estes rolos podem pesar até 15 ton., daí que ao fazê-los rolar
sobre a vegetação, corta-a, reduzindo-a a pequenos pedaços, em parte incorporando-os no solo.

Estes rolos permitem ainda trabalhar em "off-set", isto é, deslocando-se lateralmente, de


modo a permitir a movimentação do tractor sempre pela faixa já trabalhada.

O cilindro do rolo faca é um tambor que pode funcionar vazio ou cheio de água ou areia,
conforme o peso requerido.

2.4.2.5 AS GRADES PESADAS

São grades robustas de arrasto (atreladas), com discos grandes (30 a 36") e recortados,
podem realizar bom trabalho de desmatamento, quando a vegetação for de pequeno diâmetro. A
grade vai tombando a vegetação, os discos vão rolando sobre o material, picando-o e
incorporando-o parcialmente no solo.

Após a operação de arrancamento da vegetação é feita a limpeza da gleba, e esta pode ser feita
com o seguinte equipamento: Lâminas frontais especiais do tipo K/G, Lâminas frontais do tipo
Bulldozer e/ou Ancinhos ou "rake".

O material arrancado ou cortado é amontoado em leiras, daí porque esta operação recebe
o nome de enleiramento.

Muitas vezes, sobretudo quando se pretende mecanizar as explorações a serem


feitas na gleba, é necessário proceder- se a um trabalho prévio de desenraízamento
da gleba. O desenraízamento pode ser feito com lâminas dentadas designadas por
ancinhos.(fig2.6)

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2.5 DISCUSSAO E DESCRIÇÃO DE ALGUMAS METODOLOGIAS

2.5.1 ARRANCAMENTO DA VEGETAÇÃO COM CORRENTÃO

O correntão, puxado por dois tractores de esteiras da mesma potência, leva vantagem,
em termos de rendimento, em relação a outros sistemas. No entanto ele só pode ser usado
quando a vegetação for constituída de árvores até 45 cm de diâmetro, não muito densas, em
solos secos de topografia boa e regular.

Quanto ao tamanho, o correntão deve ter 2 a 3 vezes mais que a distancia entre os dois
tractores, quer dizer que a distancia entre tractores deverá ser 1/3 do comprimento do correntão.

O arrancamento da vegetação deve ser feito em faixas, quanto mais longas maior o
rendimento. Um tractor desloca-se por dentro da vegetação, e o outro pela faixa já desbastada.

Em certos casos, quando a vegetação é muito densa, muito fechada, há necessidade de se


abrir uma picada para que o tractor que vai dentro da vegetação, possa se movimentar melhor.

Por vezes é necessário duas passadas pela mesma faixa, numa primeira passada a
vegetação, ou parte só tomba, necessitando uma segunda passada, em sentido contrário, o que
na prática se chama o "arrepio". Deve-se no entanto evitar essa situação, que encarece muito os
custos do desmatamento.

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A capacidade operacional ou rendimento do sistema de arrancamento pode ser calculada
pela fórmula:

Cte = V*L*Ef/10000

onde:

Cte - Capacidade efectiva de trabalho em ha/h


V - Velocidade de deslocamento em m/h
Ef - Coeficiente de eficiência = 0,7
L - Largura de trabalho (distancia entre tractores)

Caso se utilize o arrepio o Cte terá de ser multiplicado por um factor 0,5.

Cte = (V*L*Ef/10000)*0.5

Os rendimentos considerados referem-se ao tempo de trabalho dos dois tractores, isto


quer dizer que se por exemplo uma dupla de tractores de porte médio, traccionando corrente em
cerrado, consegue um rendimento de 3 ha/h, significa que cada tractor está trabalhando meia
hora.(fig.2.1)

2.5.2 CORTE COM LÂMINA FRONTAL

A lâmina de corte desmatadora, Rome do tipo K/G dá grande rendimento.

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O gume de corte deve estar sempre afiado, recomenda-se o seu afiamento ao fim de cada
8 horas de trabalho.

A regulação da lâmina (ângulação), é um factor importante no rendimento e na qualidade


de serviço. O canto direito da lâmina deve estar 2 a 3 cm acima do solo. O canto esquerdo
tocando levemente o solo.

Tal como ilustra a figura 2.7 deslocamento da máquina deve ser no sentido anti-horário e
deve deslocar desmatando uma faixa. O tractor avança contínuamente, cortando rente ao chão
tudo o que estiver á sua frente. O material cortado escorrega pelo lado direito da lâmina, ficando
sempre limpa a parte da frente do tractor. O material vai sendo junto formando um cordão do
lado direito .

A lamina frontal pode ser usada para desmatação de qualquer tipo de vegetação. No
entanto, para áreas com plantas de diâmetros inferiores a 30 cm, deve-se preferir o correntão,
que apresenta maior rendimento.

Caso existam árvores para aproveitamento da sua madeira, na zona a desmatar estas
deverão ser deixadas intactas, para posteriormente se fazer o derrube com moto-serras.

O desmatamento com lâmina K/G, porporciona um corte raso da vegetação, deixando os


tocos no terreno. No caso de se pretender arrancar os tocos, o destocamento deve iniciar pelo
corte das raízes, dentro do solo, pelo lado direito. O toco é cortado a mais ou menos 40 cm e
extraído com a lámina, que deve obedecer a uma regulação.

O trabalho de desmatamento para áreas pequenas, deve usar máquinas e implementos


mais ao seu alcance. O tractor provido de lâmina comum ou então o rolo faca (quando a
vegetação for fina), pode fazer o desmatamento.

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À operação de corte ou arrancamento da vegetação, segue-se a limpeza da gleba, que
consiste no enleiramento da vegetação cortada ou arrancada.

Grande parte do material pode ser aproveitado para carvão, lenha, moirões de cerca ou
outros fins.

2.5.3 O ENLEIRAMENTO

O restolho deve ser enleirado, onde posteriormente o material vai-se decompor ou ser
queimado. Vendo a fig. 2.8, deve-se realçar o seguinte:

- As leiras devem ser dispostas em nível, caso não seja possível devem ser colocadas no
sentido de cortarem o escoamento das águas e espaçadas de 60 a 100 metros.

- O enleiramento pode ser feito com lâminas K/G ou com ancinhos especiais, os quais
dão melhores rendimentos.

2.6 O PREPARO INICIAL DO SOLO (DESENVOLVIMENTO).

Com o objectivo de revolver a terra, de cortar, incorporar e misturar os restos vegetais


(folhas, galhos pequenos, etc...), cortar um pouco o raizame, no corpo e parte superficial do
solo, afim de possibilitar o desenvolvimeto das tarefas posteriores, é entendido aqui como a
aração e gradagem pesada e bruta. Por mais que sejam caprichados os trabalhos anteriores, a
gleba continua suja, com um grande volume de raízes, pequenas e grandes, mais superfíciais ou
profundas.

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Por esta razão recomenda-se o uso de uma grade aradora pesada (com mais de 200 kg
por disco), com discos de grande diâmetro (discos de 32"), geralmente traccionadas por
tractores de esteiras de 75 a 150 cavalos, que desfazem e enterram a matéria orgânica a uma
profundidade de cerca de 30 cm.

Geralmente uma só passagem com a grade é suficiente, podendo-se no entanto dar uma
segunda passagem com uma grade mais leve, com o objectivo de nivelar ou acertar o terreno.

O nivelamento pode no entanto ter maiores exigencias afim de permitir a irrigação e


drenagem. A inclinação é determinada pelo tipo de solo, pluviometria e ciclo de culturas, e é
seleccionado de maneira a prevenir a erosão do solo, e permitir movimento adequado da água de
irrigação e escoamento pelos canais de drenagem.

Este tipo de preparo do solo, envolve geralmente movimentar terras de um lado para
outro (da zona desbravada) usando o seguinte equipamento:

- Bulldozer - onde a lâmina corta e empurra o solo até á zona onde necessita de ser cheia.
Geralmente, é usada para levar terra até uma distancia de 25 m.

- Pá-Carregadora ou "Scraper" - consiste numa pá com uma superfície cortante e uma


tampa. Corta o solo e quando a pá está cheia, é levantada (com a tampa na posição fechada) e
movimentada para o local necessário, onde o solo é descarregado.(fig2.9)

- Grade Inclinadora ou "Grader Sloper" - muito útil na preparação de superfícies


inclinadas de grande extensão.(fig2.10)

- Planadora - no último estágio do alisamento da terra utiliza-se este equipamento que


consiste de uma estrutura comprida com uma lâmina ajustável no seu centro e trabalha como se
fosse uma plaina para madeira.

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- Abre-Valas - Usado para fazer canais para irrigação e drenagem

2.7 O PREPARO PERIÓDICO DO SOLO

2.7.1 A MOBILIZAÇÃO DO SOLO

O solo tem de ser preparado para receber directamente as sementes ou plantas


préviamente nascidas noutro local.

A este trabalho de preparação periódica do solo, pelo revolvimento, também se pode


chamar de lavoura ou aração.

A aração ou lavoura, constitue-se duma operação de inversão de camadas. O arado ou


charrua, corta uma faixa de solo, na sua camada superficial, que é elevada e invertida, juntamente
com um certo efeito de esboroamento. Ao prisma de terra assim invertido dá-se o nome de leiva.

Nessa inversão de camadas, ou nesse tombamento mais ou menos perfeito da leiva, os


materiais da superfície passam para baixo, e os de baixo vêm á superfície.

Esse revolvimento inicia, activa, e acelera as actividades biológicas, pela oxidação,


incorporação, aprofundamento e mistura da matéria organica, pela quebra de camadas
endurecidas e impermeabilizadas, porporcionando um afofamento, arejamento, mais calor e água.

2.7.2 OS BENEFÍCIOS PARALELOS DA LAVOURA

- Criar uma boa cama para a semente, quer física, química e biológicamente, adequando o
crescimento da cultura.

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- Incrementar a riqueza em humus e a fertilidade do solo, cobrindo e enterrando os
restolhos e adubos, de forma a serem bem incorporados no solo.

- Prevenir o crescimento de ervas daninhas e destruir as existentes.

- Deixar o terreno em condições para que o ar possa circular fácilmente através dele.

- Preparar o terreno para que retenha a humidade.

- Destruir os insectos, larvas.

- Deixar o terreno e a sua superfície de forma conveniente a prevenir a erosão.

3.O ARADO OU CHARRUA

3.1. Introdução

O arado é o implemento mais usado para se fazer uma lavoura e é tambem conhecido por
charrua. A lavoura pode ser feita por outros implementos como a enxada rotativa, o arado
gradeador e a grade.

É muito difícil, ou mesmo impossível saber-se quando, onde e que povo, pela primeira
vez fez uso de um arado. A história do arado confunde-se com a do homem sedentário e da
agricultura. Os povos da antiguidade, atribuiam a idealização do arado aos seus deuses Ceres,
Minerva e Osíris. Na China eram usados há 3.000 anos antes de Cristo e consta que na
Mesopotâmia há uns 5.000 a. C..

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Os arados primitivos eram muito rudimentares, simples e rústicos. Os primeiros eram
galhos de árvores bifurcados, com um braço mais curto e ponteagudo, destinado a penetrar o
solo, fazendo o papel da relha, o outro braço mais comprido, como se fosse um timão, era por
onde se realizava a tracção, que no início era realizada pelo próprio homem.

Figura 3.1-
Arado
Clássico
Primitivo
“Marrecha”

Embora o uso do arado tenha sido feito por vários povos na antiguidade, a sua evolução e
aprefeiçoamento foi muito lenta.

Para a introdução de melhorias substanciais e utilização de tracção animal, foram necessários


milhares de anos.

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Figura 3.2: Arado a tracção animal

Nos últimos 300 anos, aconteceram "coisas maravilhosas" na mecanização da agricultura,


sobretudo os arados, que sofreram modificações profundas, na forma e materiais usados na sua
confecção. A madeira cedeu lugar á pedra, aos ossos, ao bronze, ao ferro e ao aço. A tracção
animal e a motorizada, tomaram o lugar do homem.

Participaram dessas alterações vários homens, mas a grande modernização do arado e


aração, que revolucionou a agricultura em todo o mundo, aconteceu com John Lane e John
Deere, por volta de 1850, nos EUA, com a introdução e vulgarização da produção dos
arados fabricados em aço.

3.2 Tipos de Arados ou Charruas.

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Existem várias formas para classificar os arados, assim:

— Quanto á peça activa ou de corte, os arados podem ser:


. de discos (podem ser lisos ou recortados)
. de aivecas ou clássicos

— Quanto ao tipo de tracção:


. Animal
. Motorizada

— Quanto á movimentação dos orgãos de corte, ou posição de tombamento:


. fixos
. reversíveis

3.3 O Arado De Aiveca

As charruas de aivecas são constituidas por diversos orgãos com diferentes funções, tal
como esta patente na figura 3.3, mas podemos pô-los em dois grandes grupos:

— orgãos activos.
— orgãos não activos ou de engate e suporte.

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Figura 3.3-Arado de aiveca

3.2.1 Descrição Dos Orgãos Activos

Orgãos activos são aqueles que contactam ou realizam trabalho no terreno, e numa
charrua de aiveca são os seguintes:

— Sega - colocada á frente da aiveca. Sua função, é cortar a terra e preparar a parede
vertical do rego, diminuindo o esforço e desgaste no peito da aiveca.

Há dois tipos de segas que podem ser vistas na Figura 3.4:

1. De faca ou recta.

2. De disco.

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Figura 3.4: Tipos de Sega

— Relha - é uma peça em forma de trapézio, colocada na parte da frente da aiveca, tem como
função fazer o corte horizontal da terra, no fundo do rego.

As relhas podem ter várias formas, entre elas as mais conhecidas são a recta, bico de pato
e formão móvel (Figura 3.5). A relha recta possui um canto fortemente aguçado, a de bico de
pato pode ser utilizada em terrenos pedregosos e a de formão móvel é a mais utilizada, pois é
ajustável e afiado dos dois lados, podendo-se revirá-lo quando um dos lados se gasta, e pode-se
afiá-lo e voltar a usar.

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Figura 3.4 - Tipos de Relha

— Formão - barra de ferro aguçada em bizel, tem por finalidade facilitar o abicamento ou
penetração da charrua e evitar o desgaste excessivo da relha.

— Chapa de encosto - é uma chapa que está no prolongamento do bico da relha, recebendo a
força lateral provocada pelo reviramento da leiva, e encosta na parede lateral do rego. Serve
para orientar a charrua e alinhar o tractor e o rego.

— Raspadeira - é um acessório colocado á frente do peito da aiveca, servindo para


raspar a faixa de terra do peito da aiveca e atirá-la para o fundo do rego.
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— Aiveca - é a maior das peças activas, tem uma forma abaulada e serve para revirar ou
voltar a leiva, ou pulverizá-la, dependendo do tipo de aiveca. Os tipos mais conhecidos são as de
uso geral, afundamento médio, uso geral e alta velocidade, afundamento médio e alta velocidade
e afundamento alto (Figura 3.5).

Uma aiveca tem em geral 3 partes constituintes:

 o peito, junto á relha.

 o estômago, imediatamente a seguir.

 a orelha, a parte que se segue.

Figura 3.5: Aivecas

As aivecas de uso geral, implicam um corpo adequado para trabalho superficial contínuo até
uma profundidade de 200 mm. (números 1 e 3 da Figura 3.5)

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Afundamento médio, implicam capacidade para trabalhos parcialmente quebrados, a meia
profundidade até cerca de 250 mm. (números 2 e 4 da Figura 3.5)

Afundamento alto, implicam a produção de trabalhos quebrados até uma profundidade de


300 mm. (número 5 da Figura 3.5)

Estes termos básicos são várias vezes suplementados por "alta velocidade" que pode
implicar, baixa necessidade de tracção, partes gastas fácilmente renováveis ou dispositivos
especiais de protecção contra obstáculos. (números 3 e 4 da Figura 3.5)

— Acrescento, prolongamento ou apendice - é uma peça que algumas aivecas têm


aparafusada á orelha, para ajudar a fazer um melhor reviramento.

3.2.2 Descrição dos Orgãos Não Activos

São os que fazem a ligação dos orgãos activos á estrutura do conjunto e deste ao tractor.
Sendo os principais os seguintes:

— Cabeça, cabeçote, torre ou mastro - é onde engata o terceiro ponto ou barra.

— Barra transversal ou eixo transversal- barra situada na parte dianteira da charrua,


em cujas extremidades estão as ponteiras ou munhões de engate aos braços movidos pelo
hidráulico.

— Quadro, chassis ou timão - corpo onde são fixos os restantes componentes da


charrua e que forma a estrutura principal.

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— Colunas ou teirós - São os suportes dos orgãos activos. Estão fixas em cima ao
chassis e em baixo ao conjunto relha-aiveca.

— Alavanca de reviramento - é a haste que tem por função virar os orgãos activos da
charrua, para cortar nouto sentido. Só se encontra em charruas reversíveis, caso o reviramento
seja automático, existe uma corrente de reversão.

— Escora, encosto ou mexilho - é a peça que une a orelha da aiveca e a extremidade


posterior da chapa de encosto e mastro. Esta peça faz o equilíbrio entre o peso da terra na aiveca
e o esforço que a chapa de encosto sofre contra a parede lateral do rego.

3.2.3 Pormenores dos Arados de Aivecas

a) Relha

Relha efectua o corte horizontal do prisma, iniciando o seu volteio. Sua forma é
trapezoidal e está disposta num ângulo de aproximadamente 45 graus em relação á direcção do
avanço.

Sua superfície adopta uma ligeira inclinação ou ângulo de penetração, para assegurar a
profundidade de trabalho, que está compreendida entre 15 a 20 graus. O arado de aivecas
necessita de duas sucções por baixo da aresta de corte. Estas são chamadas de sucção vertical e
horizontal.

A razão para estas sucções é bem explicada pela analogia com o pé humano. No pé há
um arco, por dentro, que o ajuda a soltar-se da terra. Da mesma maneira, a sucção no fundo da
aiveca, entre a ponta da relha e o calcanhar ou talão, ajuda a aiveca na marcha pelo solo.
Também há uma sucção, quando a aiveca é deitada horizontalmente, corespondendo estes
angulos a dimensões que vão de 0,48 a 1,25 cm, dependendo do projecto, se a sucção for
insuficiente a aiveca não operará a uma profundidade e largura desejada.

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O ângulo de ataque ou de corte é o que forma a relha com a direcção de trabalho; este
corte horizontal é o que absorve mais esforço do tractor.

A relha apoia-se no solo pela aresta anterior ou fio, e o seu extremo (que é o primeiro a
entrar em contacto com o solo) é submetido a intenso desgaste. Para lhe dar maior horas de
utilização pode adoptar várias formas, que o reforçam e inclusive pode prover-se de uma ponta
postiça, chamada formão ou barra rectangular de ponta aguçada, que se pode avançar á medida
que se desgasta.

Quando a relha e o formão tiverem o fio, o estado deste condicionam em caso de não
reunir características adequadas a um aumento do esforço do tractor.

A relha deve ser resistente ao desgaste, boas propriedades de resistência à abrasão e


flexibilidade para receber os impactos, sem se quebrar (boa ductilidade). Geralmente é fabricada
de aço ou ferro forjado, sujeita por parafusos ao corpo do arado, encaixando perfeitamente com
a base da aiveca, de modo que o conjunto não apresente um bordo ou saliencia, contra o qual
possa chocar o prisma de terra cortado.

b) Aiveca

Aiveca com a relha, são as peças básicas que definem o arado e o seu trabalho, dando
continuação á relha, efectua a elevação, giro duplo e desagregação do prisma. Sua superfície
adopta diversas formas, de acordo com a qualidade da terra a trabalhar e o tipo de lavoura que se
deseja.

Os modelos básicos das aivecas são os seguintes e podem ser vistos na figura 3.6:

 Helicoidal, o prisma experimenta uma torsão lenta e relativamente suave, é ideal para solos
pesados.

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 Cilindrico, o prisma é submetido á mudança de direcção mais ou menos brusca. Pulveriza
melhor a leiva, mas faz um reviramento mais imperfeito. É ideal para solos ligeiros.

 Cilindro-helicoidal ou mista, apresenta um perfil misto, aproveitando as vantagens das duas


anteriores. Ideal para solos semi-pesados.

 De tiras, emprega-se quando o terreno é pegajoso e custa a deslizar pela superfície da aiveca.

Figura 3.6: Modelo básicos das Aiveca

Qualquer destas formas pode ser curta ou comprida, as primeiras para terras ligeiras e
secas, as segundas para terrenos fortes e húmidos.

Afim de diminuir a fricção entre o prisma de terra e o arado, pode-se utilizar uma lamina
de água entre ambos. A diminuição do coeficiente de fricção chega até 80% para um teor de
humidade do solo entre 22 e 24% , com uma diminuição da força na barra da ordem dos 60% .
Empregam-se pulverizadores entre a relha e a aiveca, alimentados por água á pressão a partir de

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um depósito sobre o tractor. Podem-se empregar substancias plásticas, como colocar laminas de
teflon sobre a aiveca ou então aquecê-las com os gases de escape do tractor.

A aiveca é sólidamente unida por parafusos ao corpo ou núcleo e apoia a parte posterior
(orelha) mediante um perno sobre o encosto lateral. A parte média que recebe o impacto do
prisma e inicia o volteio chama-se estômago ou ventre.
Como materiais utiliza-se a chapa de aço endurecida na sua superfície para diminuir o
desgaste. O tipo triplex, consta de três capas, a inferior e superior de aço duro e a intermédia de
aço macio que actua como amortecedor, absorvendo os impactos sem se romper.

c) A Sega
A função da sega é de efectuar o corte vertical do terreno, é colocada sobre o timão do
arado á frente da relha e aiveca. A sua presença não é imprescindível, e para determinadas
lavouras pode ser desmontada.

A sega pode ser de dois tipos:

. Sega recta ou de faca, adopta a forma de uma peça de aço de secção triangular
e de forma parecida a uma faca com o gume virado para a frente. É unida ao timão pelo extremo
superior por um entalhe, o extremo inferior fica acima do formão ou extremo da relha e um
pouco mais adiantado, com o objectivo de facilitar o corte vertical. Em alguns modelos a sega e
o extremo da relha unem-se. Apresenta uma ligeira inclinação de uns 5 graus em relação á chapa
de encosto e em relação á perpendicular é de 30 a 35 graus (Figura 3.7).

. Sega circular, substitui a resistencia de fricção da faca pela resistencia ao


rolamento do disco, advindo cosequentemente valores de resistencia inferiores. Consiste num
disco delgado de uns 6 mm de espessura, que gira sobre o seu eixo e está unido por um braço
pivotante ao chassis, de forma que mantendo-se sempre vertical pode-se subir ou baixar ou
ainda dispor-se livremente seguindo a linha de menor esforço. Sua posição em relação á relha é
um pouco adiantada. Sua profundidade de trabalho não vai além dos 15 cm (Figura 3.8).

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Figura 3.7: Sega Recta ou de Facas Figura 3.8: Sega Circular

d) A Chapa de Encosto
Consiste em uma placa de aço que limita um dos bordos da aiveca, apoia-se pela parte
traseira, que é reforçada por uma peça recambiável chamada talão ou calcanhar, enquanto que a
parte frontal encaixa na forma que a relha adopta. Protege o arado da fricção lateral contra a
parede do sulco, absorvendo os esforços que se produzem lateralmente.

e) Corpo ou Núcleo

É uma peça de ferro fundido maleável, com rigidez suficiente, sobre cujas as faces se
montam a relha, a aiveca, o formão (se houver), e a chapa de encosto, ao mesmo tempo que se
une ao chassis ou timão, por intermédio da coluna ou teiró.

f) Chassis, Timão ou Quadro

Peça indeformável sobre a qual se aplicam os esforços de tracção através do engate


correspondente, e os de resistencia do terreno transmitidos por meio da coluna ou teiró, desde da
relha e aiveca. Consiste geralmente numa barra maciça ou oca de secção rectangular, redonda ou
elíptica, prevista ou não de nervurações; a altura do solo ao chassis varia entre os 50 a 70 cm em
arados normais.

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g) Coluna ou Teiró

É a viga que une os elementos de trabalho ou activos com o chassis. Consiste num braço
que pode ter várias formas, indeformável perante os esforços a suportar, pois variar a sua
simetria significaria variação na regulação do arado,e com isso a qualidade de trabalho.

Dada a grande capacidade de tracção dos tractores actuais e para evitar avarias ou
possíveis rupturas por travamento do arado durante a lavoura, enquanto o tractor continuaria a
sua marcha, idealizaram-se uma série de sistemas de segurança para protecção do arado.
Em alguns modelos consiste em que a coluna possa girar para trás sobre o eixo que a une
ao chassis, vencendo a resistencia de uma mola ou de um parafuso que actua como fusível. Em
outros modelos, o dispositivo de segurança é situado no cabeçote de engate do terceiro ponto,
de forma que sempre que o esforço no terreno é superior á tensão de uma mola de segurança,
esta comprime desengatando o implemento. Um outro método de protecção é o trabalho em
regime de esforço constante, com o hidráulico do tractor.

h) Sega de topo ou “skim coulter”

É uma peça montada sobre o timão, com posição adiantada em relação á aiveca, logo atrás
da sega de disco. Sua forma é análoga á aiveca, mas em tamanho reduzido, pois tem por função
cortar um pequeno prisma de terra, que é depositado no oco que deixa quando um prisma
assenta no outro. Emprega-se em solos cuja vegetação se deseja enterrar completamente assim
como restos vegetais ou abono organico e esterco depositado sobre o solo se deseja enterrar
completamente.

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A sega de topo pode ser usada onde o solo deve ser trabalhado imediatamente após a
lavoura para servir de leito á semente cortando fora os cantos da leiva de maneira a facilitar a
produção de um leito firme para a semente.

3.3 O Arado de Discos

Como nos arados de aivecas, as peças destes arados se classificam em activas e não
activas, sendo a parte activa os discos fazendo estes o trabalho da relha do formão da aiveca e
dos acrescentos.

3.3.1 Classificação

Podem ser classificados em três grandes grupos:


- Quanto ao Tipo de Acoplamento ao Tractor

 Montado
 Semi-montado
 Rebocado ou de arrasto

Os rebocados ou atrelados, apoiam-se totalmente no solo sendo traccionados pela barra


de tracção. Os semi-montados, têm a dianteira apoiada aos dois braços do tractor e a traseira
numa roda de sulco. Os montados são inteiramente apoiados no tractor e o seu levantamento e
abaixamento é feito pelo hidráulico do tractor.

- Quanto ao Bordo dos Discos

. De discos lisos (figura 3.9)

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. De discos recortados (figura 3.10).

Figura 3.9: Charrua de discos lisos Figura 3.10: Discos recortados

- Conforme a Movimentação dos Orgãos Activos


. Fixos
. Reversíveis

3.3.2 Componentes dos Arados de Discos

- Corpo, Chassis ou Viga Principal - pode ser de estrutura tubular ou monobloco, nele
estão acoplados os restantes orgãos, formando assim o esqueleto ou estrutura principal do arado.

- Coluna Suporte do Disco ou Suporte - com a parte superior presa no chassis, e a


parte inferior a suportar os cubos dos discos. A coluna possui dispositivos que permitem variar
os ângulos vertical e horizontal dos discos, em certos arados é possivel retirar ou incorporar uma
ou mais colunas, expediente que permite diminuir ou aumentar o esforço resistente ou a
realização de trabalhos especiais.

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- Mastro ou Torre - necessário quando existe acoplamento do arado ao tractor pelo
terceiro ponto.

- Eixo Transversal - situado na dianteira do arado, no sentido transversal ao chassis. Nas


extremidades do eixo transversal, vão os pinos de engate inferiores. Em alguns arados não existe
o eixo transversal, os pinos de engate inferiores são fixos ao próprio chassis. A rotação do eixo
transversal ou a variação da posição dos pinos de engate inferiores permite uma maior ou menor
inclinação do chassis, variando em consequencia a largura de cort

- Roda Guia - componente responsável pela estabilidade lateral do arado assim como
pelo controlo da profundidade de
aração.

- Discos - em número e tamanhos


variáveis, são os orgãos activos do
arado e estão acoplados ao chassis
pelo braço.

Alem dos componentes descritos,


os arados podem levar outros orgãos
como o Cavalete de Sustentação,
Raspadores ou Limpadores de Disco.

Figura 3.11: Componentes de um arrado de discos

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3.3.3 Descriçào Dos Discos

O elemento de trabalho ou orgão activo é constituído por uma calote esférica de um


diâmetro de 660 a 820 mm e uma espessura de 6 a 12 mm, provisto de um gume na zona
periférica que pode ser interior ou exterior e a eles cabe o corte e tombamento da terra durante a
lavoura.

A disposição do disco em relação á direcção de deslocamento e a vertical determinam o


angulo de ataque ou de corte, que varia entre 40 e 50 graus e o de entrada 20 à 25 graus
respectivamente.

Figura 3.12: Regulagem de Corte dos discos

Na parte central da calote há um orifício quadrado e, á volta deste, outros igualmente


quadrados ou redondos que o fixam por meio de parafusos no eixo e este ao suporte ou coluna;
o eixo apoia sobre rolamentos para a rotação livre do disco.

Ao iniciar o seu avanço, o terreno opondo-se á penetração do disco, dá-lhe um


movimento de rotação, o disco em rotação ao penetrar no terreno provoca o corte de uma banda

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 36


de terra que tende a seguir o movimento de rotação do disco, dando a volta e caindo de lado
invertida, quer dizer que o disco faz neste caso o papel da sega, aiveca e relha.

O prisma de terra cortado pela aiveca é substituído aqui por uma banda de solo de secção
plana na parte superior correspondente á superfície do terreno e cujos os lados são curvos de
secção elíptica. O fundo do sulco ou soleira plana desaparece para dar lugar a um fundo curvo
em forma de cristas, pelo passo de cada disco.

Figura 3.13: Representação de Soleiras

O seu emprego é recomendável em solos com possibilidade de oferecer prisões á passagem dos
implementos, em solos arenosos, pois o disco é menos exposto á abrasão e o gume sofre menos
desgaste, visto ser muito amplo (ao longo do perímetro), ainda que diminua uns centimetros de
diâmetro.

O número de discos varia sobretudo com o tipo de engate. Normalmente usam-se 4 a 7


discos para os arados de arrasto e 1 a 4 discos para os arados montados.

A escolha do tamanho e do tipo dos discos depende do solo (textura e consistencia) e


do volume de material vegetal na superfície do terreno. Para solos arenosos, pouco
consistentes (pouco duros) e limpos recomenda-se arados com discos lisos com 28 a 30
polegadas de diâmetro, para solos mais duros, que oferecem maior dificuldade á penetração e
com raízame, deve-se preferir os arados com discos menores, de 26 ou 24 polegadas. Para os

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terrenos sujos, com muito restolho e raízes, os arados de discos recortados devem ser
preferidos.

O arado de discos é traccionado dentro do solo pelo seu peso próprio e não devido á
sucção como no caso das aivecas, por isso os arados de discos são construídos com mais peso
do que os outros tipos e ocasionalmente pesos adicionais são incorporados para ajudar a
penetração.

O emprego da raspadora logra imprimir maior brusquidão á terra cortada.

3.3.4 Discussão

A forma de acoplamento do arado ao tractor determina o grau de interdependencia entre


um e outro. Nos arados de arrasto, o engate se faz através de um único ponto (pino da barra de
tracção), enquanto que nos montados se faz através dos três pontos.

Quanto menor o número de pontos de engate menor será a interdependencia, menor a


interferencia e maior portanto a liberdade de acção entre um e outro. Essa liberdade facilita as
regulações, e permite o acoplamento fácil de um mesmo arado a vários tractores ou vice-versa.

A liberdade é minima nos conjuntos montados pois estão interligados por três pontos,
constituindo practicamente uma peça única.

Se os arados de arrasto, por sua pequena interdependencia, podem ser practicamente,


traccionados por qualquer tipo de tractor sem grandes problemas, pois só tem em comum um só
ponto de engate, o mesmo não acontece com os montados.

Os arados de arrasto são engatados na barra de tracção, o levantamento ou


abaixamento do arado pode ser feito, mecanicamente, através de catracas ou por controlo
remoto (ligado ao sistema hidráulico do tractor).

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Os arados atrelados são mais recomendados para grandes áreas, porque
normalmente, apresentam maior capacidade de trabalho, são tambem indicados para
trabalhos duros, terrenos recem-desbravados, e quando se pretende maiores profundidades
de trabalho. No entanto e se justificável deve-se preferir os arados montados de suspensão
hidráulica sobretudo por serem de desempenho mais fácil, as viradas nas cabeceiras dos
campos é mais fácil e mais rápida, assim como o seu transporte para zonas distantes é
tambem mais fácil.

Os arados de discos podem ser do tipo que joga terra só para um lado, á direita do
tractorista, estes são os arados fixos, e podem ser reversíveis, ou seja os discos mudam de
posição (são tombados), podendo jogar terra para um lado e para o outro. Os arados reversíveis
podem tomar outros nomes como, arados de tombo de vai-vem e de encosta.

Os arados fixos são mais leves, exigem menor esforço de tracção, são mais baratos e
mais sólidos. A maioria dos arados de discos existentes são do tipo fixo, embora do ponto de
vista do controlo da erosão se deva preferir os reversíveis.

Estes arados podem ter discos lisos ou recortados, são mais comuns e recomendados
para a maioria das situações os de discos lisos. Os de discos recortados são indicados para
terrenos mais sujos, em palhadas de milho ou de arroz, em canaviais, etc, quando se exige um
trabalho mais eficaz de picagem ou trituração. Os recortados são mais eficientes, os lisos nestas
situações não funcionam bem, "embucham muito".

3.4 Arado de Discos Versus Arado De Aivecas

Os arados de aiveca são normalmente mais leves, e quando bem projectados e bem
reguladosn possuem maior capassidade de penetreção, exigindo menos peso e menor tração.

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Podem realizar trabalhos de lavoura mesmo quando deslocados a baixa velocidade, daí o seu
emprego amplo na tração animal.

Em condições favoraveis, solos limpos livres de pedras e raizes, leves e bastante trabalhados,
pouco humidos, não muito duri, pode utilizar-se o arado de aiveca.
Entretanto como na maioria dos casos os solos de Moçambique não apresentam estas
caracteristicaS, prefere-se o arado de discos.

Os arados de discos apresentam uma serie de vantagens e desvantagens sobre o arado de


aiveca e vice-versa:

- Podem ser utilizados nas lavouras de terrenos secos e duro onde a aiveca não consegue
penetrar.

- Trabalham relativamente bem em terrenos sujo, onde existem restos de culturas, vegetação
rasteira e até em áreas recem desbravadas.

- Nos solos barrentos onde aiveca trabalha mal, os arados de discos realizam uma boa aração.

- Em solos com pedras, com troncos ou raizes, onde não passam aiveca, os arados de dicos
quando não conseguem arranca-los ou corta-los, rolam por cima e seguem em frente.

- Há menor compactação do solo por parte dos arados de dicos.

- O arado de disco é pouco exigente em regulação e ainda consegue dar bom rendiemnto com
discos pouco afiados.

- Enquanto que nos arados de aiveca o atrito é grande, pois a aiveca é arrasdtado pelo solo no
arado de discos, estes rolam pelo solo, havendo uma diminuição de atrito grande.

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- A capacidade de penetração no solo dos orgãos activos do arado de discos é sempre inferior
a que possue uma aiveca. Isto obriga os construtores a desenhar modelos muito pesados (de
cerca de 200 à 500 kg por disco) o que se traduz num preço de aquisição mais elevado.

- Estas charruas (as de disco) realizam um mao reviramento do solo, pelo que deixam um
trabalho de menor qualidade, especialmente quando a lavoura visa por enterramento de palhas,
materia organica, etc; e profundiadde de trabalho mais limitado.

3.5 O Engate de Charruas

3.5.1 O Engate Aos Três Pontos (ETP)

O que vem a seguir é um resumo sobre o engate com desenvolvimento sobre os aspectos
prácticos e cuja a influência é decisiva na qualidade duma lavoura.

O engate aos três pontos (ETP), está situado na parte traseira do tractor e consta de dois
braços ou uniões inferiores e um terceiro braço ou ponto superior, equidistante dos anteriores e
situado no vértice superior, formando um triangulo.

Os extremos que se unem ao tractor, fazem-no através de rótulas que conferem ao engate
mobilidade e capacidade de deformação suficiente e necessária para as operações de engate e
durante o trabalho. As duas uniões inferiores podem ser imobilizadas por meio de correntes
tensoras ou barras estabilizadoras.

Os extremos livres, tambem equipados com rótulas esféricas engatam mediante cavilhas
com o cabeçote do implemento, cuja forma triangular rígida constitui a união entre o implemento
e o tractor.

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O ETP, mantem o implemento durante o trabalho em uma posição determinada, segundo
o manejo que fizermos do sistema hidráulico do elevador, e durante o transporte e manobras
eleva o implemento e mantem fixa a posição dos braços de elevação e uniões inferiores.

Através do ETP o tractor absorve durante a lavoura a resistencia que oferece o solo ao
ser removido pelo implemento, força que se traduz numa translacção de pesos do eixo dianteiro
ao traseiro aumentando assim a capacidade de traccionamento do tractor.

Esta translacção de forças não deve ser tal que deixe o tractor sem peso nas rodas
dianteiras.
Este equilíbrio dinâmico, sumamente sencível, é determinado em grande parte pela forma
e disposição do ETP e portanto do cabeçote do implemento, que deve coincidir com as medidas
que melhor se adaptem ás uniões superior e inferiores.

3.5.1 Vista Lateral Das Uniões Em Relação Aos Arados

As posições relativas dos pontos de engate superior e inferiores, dependem das condições
do terreno e da profundidade a que se deseje trabalhar.

A posição ideal das barras inferiores de acoplamento é a paralela á superfície do terreno.

Em solos macios deverão ir orientados ligeiramente abaixo e nos duros ligeiramente


acima.

O bom ajuste da abertura do angulo que formam entre si as barras inferiores, faz com que
o esforço do tractor se aproveite o máximo, já que se é muito aberto o implemento está muito
perto do tractor, aligeirando o peso do implemento e reduzindo a capacidade de tracção, e vice
versa. Este é um detalhe importante e que se bem escolhido, elimina em grande parte a
necessidade de utilizar os contra-pesos.

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Para um mesmo esforço a capacidade de translacção de um peso do eixo dianteiro ao
traseiro é mais acusada quanto maior for a distancia a que se exerce.

3.5.2 Princípios de Montagem de Charruas Arrastadas

Com vista a entender os princípios a respeitar durante a montagem de charruas arrastadas


é necessario introduzir alguns conceitos :

- Centro de Carga - é o ponto sobre o qual actua a carga do implemento, tambem


chamado centro de resistencia. Numa charrua de aiveca única é geralmente considerado ser a
cerca de 1 pé (300 mm) atrás da ponta da relha, 2" (50 mm) para dentro a partir da aresta da
chapa de encosto lateral e 2" (50 mm) acima da base do calcanhar, se estivermos a ver a charrua
por cima este ponto pode ser directamente sob a viga principal para a charrua de uma aiveca, a
meio das duas colunas sob a viga se de duas aivecas e no centro se de três aivecas.

- Centro de tracção ou Potencia - este é o ponto onde supostamente é aplicada a fonte


de potencia. Para o tractor este ponto está a meia distancia das rodas ou no centro da barra de
tracção.

- Linha de Carga - é a linha recta que une o centro de carga e o centro de potencia.
Idealmente o centro de carga e o centro de potencia, quando o implemento está correctamente
montado, deve sempre ficar numa linha recta paralela á direcção de deslocamento.

Afim de melhor entender os princípios de montagem dos implementos é necessário


primeiro um estudo das forças actuantes.

Todas forças actuando num arado em trabalho podem ser equilibradas em relação a um
ponto teórico, o centro de carga ou resistencia. Se uma única corrente fosse presa neste ponto, a
charrua poderia ser puxada em direcção rectilínea a uma profundidade e largura uniforme.

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A posição deste centro de resistencia pode ser determinado aproximadamente para cada
charrua, deve-se observar no entanto que ele não é rigidamente fixo. Numa lavoura pesada, onde
maiores forças resistentes sujeitam o corpo activo, o centro pode-se mover acima da chapa
lateral ou encosto até estar perto do meio do corpo da aiveca.

a) Nivelamento Das Charruas

- Regulação lateral - deve-se alinhar o centro do tractor com o centro da charrua,


com ajuda das correntes ou estabilizadores laterais, alargando ou encurtando conforme o
necessário para que a distancia entre as barras de engate e as jantes seja igual dos dois lados,
assim como a folga a dar posteriormente.

- Regulação longitudinal - deve-se nivelar a charrua no sentido do seu comprimento,


para que os orgãos activos cortem á mesma profundidade, para isso deve-se encurtar ou alongar
o comprimento do terceiro braço, até que todos os orgãos de corte toquem o chão
simultaneamente.

- Regulação transversal - o eixo transversal da charrua deve manter-se paralelo ao


eixo traseiro do tractor, para isso basta alongar ou encurtar o tirante móvel do hidráulico.
Depois disto deve-se verificar se a ponta ou extremo do orgão de corte mais próxima do tractor
está na linha interna do pneu traseiro, ou no maximo afastada uns 5 cm. Caso não aconteça deve
mudar a posição das rodas de trás do tractor(variação da bitola).

b) Ajustes Verticais

Se o ponto de união (tractor-implemento) não fica na linha que une o centro de


resistência e o centro de potência, então haverá tendência de ele se mover para aí. Por

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 44


exemplo, se a união for feita pelo orifício inferior do prato de união do implemento, a tendencia
será o levantamento da parte frontal do arado, podendo sair fora do solo.

Da mesma maneira será exercida muita força sobre as rodas do arado se a união no prato
do implemento é muito acima, causando mau trabalho e desgaste excessivo dos mancais das
rodas.

Então resumindo podemos dizer que se a chapa de encosto ou a roda guia (traseira) faz
muita pressão no fundo do rego devemos levantar o engate no prato de união e vice-versa caso
não exista mesmo nenhuma pressão.

Figura 3.15: Ajustes Verticais

c) Ajustes Horizontais

O ajuste horizontal dos arados é o que maior dificuldade apresenta na agricultura. Onde possível
o centro de potencia, a linha de carga e o centro de resistencia devem estar numa linha
paralela á direcção de deslocação, mas em certas circunstancias, e especialmente em lavouras

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 45


profundas com tractores de esteiras, os quais não se deslocam pelo sulco, isto é impossível, e é
necessário fazer o melhor engate possível dentro das circunstancias.

O centro de resistencia do arado fica mais próximo da terra arada do que da linha traçada através
do centro de potencia paralela á direcção de deslocamento. Este arranjo leva-nos inevitávelmente
ao que é chamada "tracção lateral", um termo que se refere á tendencia dos dois centros, quando
o arado está em trabalho, a mover-se lateralmente e ficar alinhado.
Potencia consumida para sobrepor esta tracção lateral é desperdiçada, e o centro de resistencia
deveria locar-se o mais directamente atrás possível do centro de potencia.

Quando é impossível eliminar a tracção lateral completamente, o engate deve ser feito de tal
maneira que possa distribui-la entre o tractor e o arado de acordo com a quantidade que cada um
poderá aguentar. Se o engate está em off-set isto é descentrado na traseira do tractor até que
esteja em posição ideal para o arado, o tractor absorve toda a tracção lateral; mas a menos que
ele seja pesado e a resistencia do arado leve, caso contrário a frente do tractor deslizará de
encontro ao solo arado, tornando difícil a direcção do tractor.

Com um engate ideal para o tractor, por outro lado, toda a tracção lateral é deslocada para o
arado, o qual terá a tendencia de deslizar em torno da linha atrás do centro de potencia, tornando
impossível a realização de um bom trabalho. A posição práctica fica entre estes dois extremos.

Quando se trabalha em pendentes pode-se usar o engate descentrado em linha recta ou engate
em angulo para manter o tractor sobre o terreno, facilitando a sua direcção.

3.5.3 Acoplamento, Nivelamento e Afinaçáo Das Charruas

Uma afinação correcta da charrua implica economia de combustível e um standard de


trabalho elevado. Para que a charrua funcione correctamente, é necessário haver um equilíbrio

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 46


correcto entre a força de tracção, a resistencia oferecida pelo solo á penetração, o peso e
atrito da terra sobre as peças activas e o peso próprio da charrua.

- Em condições semelhantes estas forças variam consoante o tipo e peso da charrua e


com a natureza e estado de humidade do solo. Portanto practicamente para cada lugar é
necessário a correcção das afinações afim de evitar:

- Um trabalho defeituoso, irregular ou mais lento.

- O desgaste excessivo das peças activas.

- Deformação das peças.


- Maior consumo de combustível, esforço do motor e consequente desgaste do tractor.

- Esforço excedentário do tractorista.

a) A Ordem De Acoplamento

No engate do implemento ao tractor procede-se da seguinte maneira:

- Acoplar o tirante fixo do munhão (em geral é o braço inferior esquerdo).

- Acoplar o tirante móvel com auxílio da manivela niveladora.

- Acoplar o terceiro ponto (barra de topo), fazendo-o aumentar ou diminuir, conforme o


necessário.

Seguir-se-á a ordem inversa no desengate.

Um principio geral á respeiar é que para um tractor receber um arado, um tractor deve
estar em condições de operá-lo com eficiência. Os principais elementos relacionados com a

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regulação são o sistema hidráulico, dimensão e calibragem dos pneumáticos, sua bitola e
lastragem.

b) Afinação Específica do Arado de Discos

Afim de melhor se compreender vai-se descrever o funcionamento e afinação de um


arado de três discos fixos e montados aos três pontos.

Depois do nivelamento passa-se ás seguintes fases:

- Ângulo de corte dos discos - os discos podem ser ajustados em angulos verticais e
horizontais. A regulação vertical permite que o disco fique mais em pé ou mais deitado, sendo o
angulo minimo de 15 graus e o máximo de 25 graus em relação á vertical. A regulação horizontal
permite que o disco vire mais á direita ou esquerda, indo dos 45 aos 60 graus. Esta regulação
está directamente ligada á penetração e pressão lateral.

- O ângulo vertical está relacionado com a penetração do disco no solo e, portanto com
a profundidade da aração, á medida que se diminui o angulo a partir dos 25 o, ficando o disco
mais em pé, aumenta-se a capacidade de penetração.

- O ângulo horizontal está relacionado com a largura de corte. A largura de corte do


disco é menor aos 42 graus aumentando e chegando ao máximo aos 60 graus.

Como regra geral pode-se dizer que o disco deitado é melhor para terra mole, e o
disco em pé é o certo para terra dura. O disco em pé corta mais fundo e mais estreito e o
deitado mais raso e mais largo.

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A roda guia, colocada na parte posterior (traseira) do arado, é importante na regulação.
Ela deve-se deslocar no fundo do sulco aberto pelo último disco, com angulagem e pressão
correctas.

Alem de permitir maior ou menor profundidade de penetração dos discos, é


responsável pelo alinhamento do conjunto tractor arado, agindo como leme e mantendo uma
linha de tracção equilibrada, impedindo desvios laterais. Serve portanto para estabilizar a parte
trasira do arado e manter a posição desejada, afim de controlar a largura de corte do primeiro
disco.

Levantando-se a roda guia (através dos parafusos de suporte ou soltando a mola


tensora) diminui-se a pressão sobre ela e aumenta-se a pressão ou peso sobre os discos e
baixando a roda guia acontece o inverso. Com má regulação o arado rabeia e puxa o
tractor para um lado.

Quando se pretende dar maior capacidade de corte ao arado, deve-se dar maior
pressão e peso aos discos, diminuindo a pressão sobre a roda guia. Nos solos húmidos e
soltos (pouco duros e fácilmente penetráveis) deve-se diminuir a pressão ou peso sobre os
discos.

Se a frente do tractor "puxar" para a direita dar á roda guia um angulo maior
para a direita, se a frente puxar para a esquerda diminuir o angulo da roda guia.

Os discos devem ter todos o mesmo tamanho, devem estar igualmente espaçados e
devem apresentar a mesma angulação.

d) Regulação do Implemento para o Primeiro Sulco

Uma vez providenciados:

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 Ajuste da bitola.

 Correcta pressão dos pneus.



 Lastragem correcta.

 Acoplamento do arado ao tractor.

 Nivelamento (lateral, longitudinal e transversal) do arado.

 Angulação dos discos.

 Regulação da roda guia.

O conjunto está preparado para a lavoura.

O primeiro sulco exige uma regulação especial, diferente da regulação para a aração
comum. No local da aração em terreno plano procede-se da seguinte forma:

1. Baixe o arado até os discos tocarem no chão.

2. Gire a manivela de nivelamento do braço inferior direito do ETP do tractor, de maneira


que esse ponto de engate fique 5 cm acima do seu correspondente do lado esquerdo.

3. Gire a luva telescopica do braço superior do terceiro ponto do ETP do tractor, de maneira
que ele empurre o mastro do arado para trás, até notar que a movimentação da luva se torna
difícil.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 50


4. Com o motor do tractor em funcionamento, accione levemente a alavanca do sistema
hidráulico no sentido de levantar o arado, até que a luva telescópica fique solta, prossiga a
operação da etapa anterior até que o bordo do primeiro disco deixe uma folga de
aproximadamente 15 cm com o nível do solo.

5. Solte a mola da roda de sulco (roda guia) de maneira que o arado se apoie principalmente
sobre o último disco.

6. Com o arado assim regulado, abra o primeiro sulco do talhão a ser arado, utilizando-se
apenas do último disco.

A velocidade do tractor deverá ser superior áquela de lavoura, isto faz com que a terra
cortada seja atirada a uma certa distancia, deixando um sulco limpo e em condições adequadas
para a regulação do arado para a lavoura normal.

e) Regulação do Implemento para Lavoura Normal

Após a abertura do primeiro sulco, delimitando a área a ser trabalhada, estacione o


tractor num local plano, abaixe o arado e proceda da seguinte forma:

1. Gire a manivela de nivelamento do braço inferior direito do tractor, de maneira que esse
ponto fique 5 a 10 cm abaixo do seu correspondente esquerdo.

2. Gire a luva telescópica do braço superior do tractor encurtando-o até que o bordo do
primeiro disco deixe uma folga de aprox. 3 a 5 cm do solo.

3. Regule a mola da roda guia de maneira que ela exerça a menor pressão possível.

4. Conduza o tractor para o terreno e inicie a aração, observando o comportamento do


arado.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 51


Se o primeiro disco afunda pouco e o último em demasia, encurte o braço do terceiro
ponto, girando aos poucos a luva telescópica até corrigir a penetração irregular do discos.

Se o primeiro disco trabalha na profundidade desejada, mas o último aprofunda pouco,


regule a mola da roda guia de forma a que ela exerça maior pressão.

3.6 Rendimento Ou Capacidade Operacional Dos Discos

A Capacidade de trabalho ou rendimento de um implemento é a quantidade de


trabalho que esse implemento é capaz de realizar na unidade de tempo

Assim:
Quant.detrab. Executado (Hectares)
CAPACIDADE DETRABALHO= --------------------------
Unidade de tempo (Horas)

A capacidade operacional dos implemntos pode ser avaliada dediversas maneiras,


conformesleve em conta o tipo de operação, a dimensão dos orgãos activos e o tempo
considerado.
O rendimento teórico é sempre superior ao remdimento efectivo, pois no primeiro caso é
calculado com base em dados teóricos e no segundo caso com base em medições prácticas no
campo.

3.6.1. RENDIMENTO TEÓRICO DE UM ARADO

Rendimento teórico de um arado= Nº de discos*Lavoura de corte de cada disco*


velocidade do tractor

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 52


Portanto o rendimento teórico não entra em conta com as paragens do tractor para os
possíveis reparos, regulações, desembuchamentos, diminuição da velocidade e mesmo paragens
nas viradas, alterações na lavoura de corte como sobreposições e ainda os factores humanos.

Para o efeito de cálculo de capacidade operacional afectiva estima-se 15 a 30% as perdas


totais considerando-se portanto um coeficiente de 0.7 a 0.8 para a araçãode0.7 a 0.9 para
agradagem.

3.6.2 EXERCÍCIO

Qual a capacidade em hectares/hora, teórica e efectiva de um conjunto tractor mais


arado, que se desloca a 4,5 km/h, considerando que:

.O arado tem três discos.

.O arado tem dois discos.

.A largura de corte de cada disco é de 28 cm.

.A eficiencia é de 80% .

. Qual a área efectivamente arada, por cada arado num dia de 8 horas?

3.7 A Potência e Velocidade Necessária para os Implementos

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 53


A maior parte dos cultivos primários requerem uma transmissão de força muito grande do
implemento para o solo afim de produzir o efeito necessário. Existem algumas matérias que
podem predizer estas forças, do prévio conhecimento das propriedades físicas do solo e da
geometria do orgão activo do implemento.

Os parâmetros básicos do solo de coesão e de fricção devem ser conhecidos para uma
situação particular. Contudo não é fácil obter valores fiéis para esta propriedade do solo sem
um equipamento de teste bem elaborado, nem tão pouco é fácil aplicar estas teorias. Contudo
alguns exemplos particulares podem ilustrar os princípios gerais.

A figura 3.21 mostra a força horizontal necessária para puxar um dente de 50 mm de largura e
uma ângulação de 90 graus sobre um solo com valores de “c” e “ ”variáveis, sendo “c” a
coesão do solo e “ ”o angulo de fricção do solo

Do gráfico da mesma figura pode-se ver que a força de tracção é dobrada quando o ângulo
varia de 30 a 90 graus, a força vertical também muda, enquanto que para o caso de 30 graus
de angulação o arado tende a afundar no solo, no caso de 90 graus ele necessitará de uma
força vertical para o manter a profundidade de trabalho. desejada.

A figura 3.22 mostra a situação para um e dois dentes; na situação de mais de um dente e se
eles estão montados suficientemente próximos para que haja sobreposição das linhas esféricas
de perturbação do solo, então a tracção de um set de dentes é menor do que o total para cada
dente considerado individualmente, isto é a força para os dois dentes é 1,5 vezes mais daquela
para um se eles estão aproximados mais do que duas vezes a profundidade de corte, veja fig.
3.22

As teorias não estão bem desenvolvidas para arados de aivecas, pois os formatos dos corpos
são bem mais complexos, e então para estes casos podem ser usados mapas ou gráficos
obtidos de resultados de vários testes de campo.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 54


3.7.1 Cálculo Da Resistência Oferecida Pelo Arado

A força para traccionar qualquer arado é igual a área da secção da leiva ( mais
aproximadamente possível medida pelo sulco aberto) vezes a resistência desse solo à lavoura.

A partir da resistência que apresentam as diversas classes de solos ao serem removidos pelo
arado, estabeleceu-se um coeficiente de lavoura que nos indica a força necessária para
remover uma certa área, correspondente à secção do sulco, assim podemos ter:

Resistência
Tipo de solo (Kgf/dm2)
Muito solto Menor que 30
Solto De 30 a 40
Médio De 40 a 60
Tendente a
compacto De 60 a 80
Compacto De 80 a 100
Muito compacto Maior que 100

Tabela1 : Relação entre o tipo de solo e a resiatência

É de notar que estes valores pecam um pouco pois não apresentam a variação da resistência
com a variação da velocidade de corte, sempre que possível dever-se-á referir a valores de
gráficos como os apresentados na fig. 3.23

Quanto à velocidade de deslocação, esta está muito dependente dos factores que influenciam a
potência , no entanto ela pode variar entre os 3 a 6 km/h. A velocidade tem efeitos
importantes no tipo de trabalho feito. Onde o solo tem condições apropriadas para a formação
de boa superfície de lavoura, quanto maior a velocidade, dentro dos limites normais, maior
será o efeito de pulverização.

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3.7.2 EXERCÍCIO

Calcular a força desenvolvida por um tractor puxando um arado a uma profundidade de 20 cm


e largura de 61 cm a uma velocidade de 4,5 km/h assumindo.

 Um solo compacto (argila)

 Um solo solto (areno franco)

3.8 As Charruas Especiais

Este assunto pode ser visto entre as páginas 76 e 83 de “Maquinas Agrícolas para
Mobilização do solo” de Rui Fernando Carvalho

3.9 A Operação de Subsolagem

A operação é realizada com subsoladores, traccionados por tractores. Pode ser feita
paralelamente a outras actividades e assim hoje em dia as industrias produtoras de enxadas
rotativas estão adaptando a esses implementos 2,3 ou mais subsoladores, colocados atrás das
enxadas, possibilitando a realização do preparo do solo (aração e gradagem ) e a subsolagem
ao mesmo tempo.

A subsolagem devera ser justificada primeiramente por um teste das condições do solo. O
trabalho do subsolador tem a sua aplicação no controlo da humidade do solo. A passagem do
subsolador seguindo as linhas de nível, divide o terreno numa série de escalões que actuam
como barreiras à água da chuva, que tem a tendência de escorrer pelo declive abaixo.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 56


Em campos mal nivelados de drenagem insuficiente, formam-se poças onde se reunem as
águas afogando o crescimento da cultura; Neste caso o uso de subsolador é feito no sentido
da máxima pendente, facilitando então a evacuação das águas em excesso até um colector de
saída

Esta operação é profunda, entre os 50 e 70 cm, sem inversão dos distintos horizontes de solo
sendo esta sua característica mais destacada : não volteia , nem saca terra para exterior. Nos
solos que necessitam de subsolagem, esta realiza-se em cada 4-5 anos, para romper a crosta
ou capa dura que se forma pela, passagem de tractores e implementos de lavoura. Esta crosta
impede o desenvolvimento em profundidade das raízes reduzindo a água e quantidade de
elementos nutritivos na camada delimitada.
O subsolador rompe, com extremo anterior da relha o solo que fica gretado, aumentando de
maneira considerável os espaços para a água e ar. Deve-se ter em conta que a absorção de
nutrientes, como potássio, depende particularmente da aeração. o oxigénio transportado as
camadas inferiores permite a actividade das bactérias aeróbicas, que actuando sobre a matéria
orgânica, a transforma em nitratos absorvíveis pelo sistema radicular.

É importante que a’ operação de subsolagem se junte a incorporação de abonos em


profundidade, para facilitar o desenvolvimento das raízes, as quais impedirão no futuro a
aparição prematura dessa crosta endurecida.

Esta crosta, quando a pequena profundidade, pode acelerar ou intensificar o processo de


erosão. A água As chuvas chuvas, ao penetrarem no solo e consigo transportarem as
partículas de argila que se vão adensando e /ou compactando, formando a tal crosta
“impermeável” que obstroi a infiltração da água à camadas mais profundas, e uma vez
chegado ao ponto de saturação do solo superficial, avoluma-se as enxurradas e assim se
acelera o processo erosivo que desgasta e rebaixa o solo.

O subsolador suspendido (a) rompe a crosta endurecida (b); esta operação permite a subida de
humidade por capilaridade e a alimentação das raízes também encontram maiores quantidade

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 57


de nutrientes, pois a camada de terra é maior; (d) a água é armazenada no subsolo por
infiltração pela camada quebrada, eliminando, assim os efeitos da erosão por águas
superficiais.

Existe vários métodos que permitem quebrar esta crosta. O trabalho pode ser feito através de
arrações mais profundas, pode ser feito, pelo plantio de determinados vegetais que tenham
raízes robustas e profundas, mas o processo mais indicado é o realizado pelos subsoladores e
a operação chama- se subsolagem.

3.9.2 O Subsolador

Os componentes do subsolador podem constituir um corpo único, uma peça


inteira, tendo inclusive o seu chassis ou a sua estrutura ou podem ser peças
soltas ou isoladas que são fixas à barra porta ferramentas, Figuras 3.16 e 3.17.

As peças principais e mais comuns dum subsolador são:

 Chassis ou barra
 Braçadeira e/ou cabeçote
 Haste, braço, suporte ou ferro
 Relha, lâmina, faca, bico ou ponteira
 Pino de encosto
 Pino de segurança

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Figura 3.16: Subsololador Figura 3.17: Subsolador

4. AS GRADES

4.1 INTRODUÇÃO

A superfície do terreno, após a lavoura, apresenta-se irregular. O arado ao cortar e


tombar o solo, deixa leivas, sulcos e muitos torrões, isto alem de dificultar a operação de plantio,
provoca muitas falhas na germinação e dificulta todas as outras operações de cultivo.

Então a gradagem não se faz somente para fins estéticos mas, principalmente, para que o
terreno se apresente como melhor leito para a sementeira e apresente tambem melhores
condições para receber outras operações como plantio, aplicação de defensivos, etc.

Alem da gradagem própriamente dita, que é uma operação que complementa ou


completa a lavoura no preparo periódico do solo, ela é realizada com o objectivo de destorroar;
pulverizar; nivelar; assentar o solo arado.

Alem disto as grades realizam uma série de outras actividades tais como:

- Destruir as ervas daninhas quando em estado de sementeira.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 59


- Picar, cortar ou fragmentar restos de cultura. Os restos assim picados, podem ficar na
superfície do solo ou podem posteriormente ser incorporados

- Enterrar sementes, fertilizantes e correctivos, quando esses materiais são aplicados a


lanço sobre a superfície e é necessário enterrá-los a pequenas profundidades.É de notar que
de todos os implementos agrícolas, provávelmente a grade é o que maior número de trabalhos
realiza numa exploração agrícola.

O nascimento da grade está ligado ao da história do arado e teve o seu aparecimento


assim que os arados começaram a ter a função de cortar e tombar leivas cada vez maiores, mais
compactas e menos pulverizáveis, havendo então a necessidade de outra operação para
completar a lavoura, realizando o trabalho de destorroar, nivelar e assentar a terra. As primeiras
gradagens da agricultura eram feitas por meio de galhos de árvores não podados, arrastados
pelos campos, agindo como um ancinho. Os blocos de terra muito grandes para este implemento,
são posteriormente quebrados com a enxada(fig. 4.1)

4.2 CLASSIFICAÇÃO DAS GRADES

Grades de arrasto:

 Rígidas

 Flexíveis

 Oscilantes

Grades rodantes:

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 60
 Destorroadoras ou Norueguesas

 De Discos

Segundo o modo de engate ao tractor podem ser rebocadas ou atreladas, semi-montadas


e montadas.

4.2.1 GRADES DE ARRASTO

Estas grades se designam de arrasto por em virtude de operarem arrastadas pelo terreno
e estas podem ser de três tipos.

4.2.1.1 GRADES DE ARRASTO RÍGIDOS


Utilizadas geralmente para preparar o leito das sementes, enterrio, destruição de ervas
daninhas e aeração de pastagens. Tambem muito conhecidas por grades semeadoras ou em zig-
zag, pois o chassis que suporta os dentes (que não tem qualquer maleabilidade) assume este
formato em zig-zag.

Um termo de referencia para este tipo de grade é a espessura do dente, que geralmente
varia de 1/2" (12,5 mm) até 3/4" (19 mm), com secção quadrada.

As grades semeadoras são implementos ligeiros com dentes direitos muito próximos.
Devido ao zig-zag do chassis os dentes estão desfazados de maneira que aqueles que estão atrás
não fiquem nos sulcos dos da frente (fig. 4.2).

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 61


Quanto maior o implemento, mais essencial será termos um adequado arranjo para transporte.
Implementos até cerca de 8 metros de largura, próprios para tractores de 40-50 KW, podem ser
carregados sobre uma estrutura providenciada pela dobra hidráulica das secções exteriores afim
de permitir uma largura de transporte de 3 m (fig.4.3).

4.2.1.2 GRADES DE ARRASTO FLRXÍVEIS

Estas grades não têm chassis rígido; uma grande vantagem destas grades é a de combinarem
ou de se adaptarem, devido ao seu chassis flexível, ás irregularidades superficiais do solo, e de
possuirem dentes que penetram efectivamente no solo. São constituidas dum certo número de
elementos enganchados uns nos outros e cada um compreendendo um certo número de dentes,
que podem ser de arame grosso (fig.4.4).

4.2.1.3 GRADES DE ARRASTO OSCILANTES

Estas grades têm como orgãos activos dentes em aço especial, com grande capacidade de
resistencia a choques e desgaste, montados em duas longarinas transversais, animadas de rápido
movimento de vai-vem alternado, que lhes é transmitido por um sistema de biela-manivela,
accionado pela tomada de força (fig. 4.5).

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 62


Afim de proteger o implemento contra qualquer obstáculo que o possa sobrecarregar, o
veio de transmissão com cardans, possui uma embreagem de segurança que interrompe a
transmissão.

figura 4.5

Os bicos, animados dum rápido movimento lateral que, juntamente com o andamento da
grade, sujeita os aglomerados a desfazerem-se pois os embates são muito mais violentos e
repetidos do que nas outras grades.Assim, acelera e intensifica o destorroamento permitindo uma
boa sementeira.

Estas grades têm uma tarefa muito árdua no que respeita a vibrações provocadas pelo
movimento recíproco das longarinas, e outro é no que respeita aos rolamentos que trabalham
muito junto ao solo e por isso se desgastam mais rápidamente.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 63


O emprego destas grades é aconselhado:

. Quando é necessário um destorroamento minucioso.

. No desfazer das leivas deixadas pelas charruas, onde no convenha trazer para a
superfície camadas inferiores, cuja maior humidade possa afectar o trabalho imediato
dos semeadores, causando uma maior secagem da zona radicular das plantas.

. Onde seja de esperar a formação de "calo" e a compactação excessiva do


solo, pois esta grade permite destorroar convenientemente o terreno com menos
passagem de tractores e alfaias.

. Para destruição de ervas daninhas nos alqueives.

. No nivelamento de terras de superfície irregular.

O pequeno tamanho destas grades torna practicável o engate de outro implemento, como
um semeador leve, directamente atrás.

4.2.2 GRADES RODANTES OU ROLANTES

Estas grades são assim designadas pois os orgãos activos rolam sobre o terreno e podem
ser:

- Destorroadoras ou Norueguesas - têm um ou vários elementos, cada um


formado por um quadro de secção rectangular e guarnecidos de pontas, geralmente
utilizado para sachas e arrancar ervas daninhas recem-nascidas.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 64


- Grades de Disco - de todas as grades estas são as de maior utilização. Existem vários
tipos, os quais podem ser englobados em dois grupos:

. De dois corpos ou off-set (fig. 4.6)

. De quatro corpos ou tandem (fig. 4.7)

A grade de acção simples tem dois conjuntos ou secções de discos, um ao lado do outro,
com os discos voltados para dentro ou para fora, movimentando a terra só para um lado.

A grade de acção dupla, constituída de 4 corpos ou secções de discos, dois á


frente e dois atrás, os da frente movimentam terra para fora e os de trás movimentam a terra
para dentro (fig.4.8).

O tipo de acoplamento da grade ao tractor está directamente ligada ao peso do


implemento; normalmente as grades de arrasto para tractores são do tipo médio ou pesados.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 65


As grades montadas têm vantagem no transporte, são geralmente mais leves, podem
trabalhar com tractores de menor potência, apresentam menor rendimento e são recomendadas
para áreas pequenas e trabalhos de destorroamento e nivelamento; são mais comuns as de discos
lisos e pequenos de 18 a 24" penetrando 5 a 10 cm no solo. As manobras nas cabeceiras do
terreno são mais fáceis.

As grades de arrasto tractorizadas, mais pesadas que as montadas, com discos recortados
ou recortados e lisos com diametros de 20 até 36", são mais recomendadas para áreas grandes
em terras mais duras e mais sujas. Realizam bom trabalho nas operações de corte e picagem de
restos de culturas e ervas. As grades de arrasto normalmente realizam um trabalho melhor do que
as montadas, mas apresentam problemas no transporte e manobras, daí porque se partiu para as
grades montadas/atreladas, que podem ser transportadas através dos três pontos, e na área de
trabalho, podem ser arrastadas pela barra de tracção.

As grades atreladas ou arrastadas, e de um modo geral as grades pesadas podem ser


dotadas de rodas, que facilitam o transporte e podem em condições especiais, ajudar na
regulação da profundidade de trabalho. No entanto já existem grades que podem trabalhar tanto
acoplado ao hidraulico tractor, como arrastados pela barra do tractor.

4.3 OS COMPONENTES DAS GRADES

As grades de disco de levante hidráulico ou montadas são constituídas básicamente de:


Chassis, conjuntos ou secções de discos; suporte das secções de discos; sistema para
engate aos três pontos.

O chassis pode ser fixo ou articulável. O articulável permite alterar o ângulo da secção
dos discos que presos a uma série de vigas de ferro dispostos no sentido transversal e
longitudinal.

O chassis conforme seja a sua construção e disposição dá grades em "V" e em "X" com
duas, quatro ou mais secções de discos (fig.4.6 e 4.7)

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 66


As secções de discos são constituidas como mostra a figura 4.9

Os discos que são perfurados na sua parte central, são colocados no eixo e separados
entre si por encostos. Numa extremidade do eixo, este leva uma anilha com porca, e na outra
extremidade uma anilha grande chamada calota. Entre o último e penúltimo disco, nas duas
extremidades e envolvendo o eixo vão montados os mancais.

Opcionalmente as grades de discos podem ter ainda os limpadores de discos, rodas e


sistema de regulação hidráulica.

As grades de arrasto têm em linhas gerais a mesma constituição, só que em vez de


coluna, têm um cabeçalho ou barra de tracção, que se liga ao tractor, permitindo o arrasto da
grade.

As grades de arrasto/montadas têm o cabeçalho e a torre, pois maioria das vezes as


grades semi-montadas ou de arrasto/montadas são usadas no trabalho como arrasto
sendo transportadas depois com a ajuda do hidráulico. No entanto, já existem
grades que podem trabalhar tanto acoplados ao hidraulico do tractor, como
arrastadas pela barra de tracção.

4.4 OS ORGÃOS ACTIVOS

Os orgãqos activos das grades só são os discos, pois são os únicos que entram em
contacto e trabalham o solo.O afastamento entre cada disco é de 15 a 25 cm, o seu diametro
entre 16 a 24" para as grades consideradas ligeiras e as pesadas têm discos de maiores diametros,
o número de discos em cada corpo é variável.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 67


O rebordo periférico do disco é talhado em forma de bisel, afim de facilitar a penetração
no terreno e fazer um corte eficaz. Como nos arados os discos podem ter os rebordos lisos ou
recortados conforme a sua aplicação, o tipo de sol
e o estado do terreno a trabalhar.

As grades são montadas de forma a que os discos do corpo traseiro cortem no intervalo
dos da frente e assim haver um bom nivelamento, sendo a sua concavidade inversa.

4.5 O MANEJO DAS GRADES

A gradagem pode ser superficial (5 a 10 cm) ou profunda (20 a 30 cm), conforme a


capacidade e regulação das grades para a penetração.

O maior ou menor aprofundamento da grade no terreno deve-se principalmente aos


seguintes factores:

- Solos (textura, grau de humidade, etc).

- Diametro dos discos.

- Peso por disco.

- Concavidade dos discos.

- Afiamento (interno ou externo).

- Velocidade de deslocamento.

- Regulação.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 68


Os solos de textura grossa, arenosos e mais húmidos facilitam o afundamento dos discos.

Discos mais espaçados entre si, com mais concavidade, maior peso e afiação externa,
porporcionam maiores profundidades.
A velocidades menores o aprofundamento é maior.

Pode-se conseguir uma penetração adicional, utilizando-se pesos sobre o chassis do


implemento.

A velocidade de deslocamento não deve ser excessiva senão a grade salta alem de não
aprofundar. A gradagem deve ser em treceira marcha e em condições especiais, em quarta
marcha a velocidades de 4 a 6 km por hora.

Não esquecer de soltar a barra de tracção do tractor (retirar o pino) para contornar as
curvas, quando se trabalha com a grade de arrasto.

No caso das grades em "V" (tambem chamadas grades em "off-set") as curvas devem ser
feitas sempre que possível, do lado em que as secções estão mais próximas (do lado do vértice
do "V" formado pelas secções anterior e posterior),

Quando se fazem curvas no sentido contrário pode-se danificar o cabeçalho da grade e fazer
sulcos profundos, facilitando a erosão do terreno.

No caso destas grades em "off-set" possuirem comando hidráulico para abertura e fecho
dos corpos, as curvas tanto podem ser pela direita como pela esquerda, desde que se feche a
grade antes disso (isto deve ser feito com o tractor em andamento).

Para que na gradagem, não fiquem sulcos abertos entre as várias "passadas" da grade,
deve-se obedecer ao seguinte esquema:

- Se o trabalho for feito de dentro para fora (do centro

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 69


para a periferia) a máquina dever-se-á deslocar no sentido anti-horário (fig. 4.12).

- Se o trabalho for feito de fora para dentro, a máquina dever-se-á deslocar no


sentido dos ponteiros do relógio.

4.6 A REGULAÇÃO DAS GRADES

É muito comum verem-se grades com os discos da frente cortando mais do que os de
trás, grades que deixam "facões" ou faixas sem trabalhar, grades que puxam ou rabeiam o tractor
e daí por diante.

Existe um grande número de modelos de grades, embora prácticamente todas, em termos


de regulação, apresentem os mesmos princípios, os pontos e formas de regulação variam
bastante.

Diz-se que uma grade está correctamente regulada, quando dentre outras coisas:
- Porporciona uma máxima largura de trabalho.
- Atinge a profundidade desejada ou pré-estabelecida em todos os discos.
- Não rabeia o tractor.
- O trabalho é igual ou uniforme em toda a faixa.

4.6.1REGULAÇÃO DA GRADE EM "X"(TANDEM) DE LEVANTE


HIDRÁULICO

A grade em "X" de levante hidráulico, é uma das mais comuns e mais usadas. São
utilizadas para completar o trabalho dos arados, realizando o destorroamento e o nivelamento do
terreno.

Afim de se retirar o maior proveito das grades deve-se:

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 70


- Reapertar as porcas nos extremos dos eixos.

- Ajustar os limpadores de discos.

- Regular a folga entre as bordas dos discos da extremidade interna da secção traseira. A
folga ou espaço entre os dois discos deve ser de 30 a 35 cm. Esta regulação é feita
movimentando-se para a frente ou para trás, as barras ou suportes dos conjuntos dos discos

- Nas grades em "X" a folga entre os dois conjuntos dianteiros deve ser de 1 cm. Entre os
conjuntos traseiros a folga deve ser de 35 a 40 cm nas grades de 22 discos e de 40 a 45 cm nos
modelos de 26 a 30 discos. Caso haja instrução dos fabricantes, esta deve ser respeitada

- Regular a folga entre as bordas dos discos internos da secção dianteira, da mesma
maneira que no caso anterior para a barra ou suporte dos discos de trás.

- Nivelar o chassis.

4.6.2 REGULAÇÃO DA GRADE EM "OFF-SET"

Diz-se que uma grade "off-set" está bem regulada quando:

- Os discos traseiros trabalham exatamente no meio do espaço entre dois discos do


corpo da frente.

- Os discos de trás estiverem girando á mesma velocidade que os discos da frente.


Devem dar o mesmo número de voltas para uma determinada distancia.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 71


Consegue-se isso pela regulação do angulo "A" (< A), formado pelo prolongamento dos
eixos longitudinais dos dois corpos (secções) de discos dianteiro e traseiro. Este angulo "A" pode
ser aumentado ou diminuido, conforme as necessidades, não devendo no entanto exceder os 55
graus.

Além da angulação entre secções, as grades "off-set" ainda exigem regulação que lhes
possibilite trabalhar mais ou menos desfazadas em relação ao tractor.

Para que o tractor possa executar perfeitamente o seu trabalho, sem puxar para os lados
e sem rabear, a grade deve ser correctamente engatada.

A grade "off-set" em trabalho, está sujeita a uma série de forças e resistencias (laterais,
longitudinais, etc) que actuam em todas as direcções, tentando desviá-la, levantá-la, etc. Essas
forças encontram-se num determinado ponto, e é sobre esse ponto (ou sobre a linha longitudinal
que passa por esse ponto) que se deve realizar a tracção. A "busca" desse ponto, é feita
movimentando-se ou deslocando a grade para a direita ou para a esquerda.(fig4.15)

Resumindo a grade deve estar de maneira que o seu centro de resistencia esteja na
mesma linha de tracção do tractor, para evitar um deslocamento lateral da grade.

Esta regulação é feita pela mudança do ponto de engate entre o conjunto de chapas
triangulares na barra "off-set", as chapas triangulares podem ser deslocadas para a
direita ou para a esquerda.

A regulação da profundidade de trabalho pode ser feita através:

-Da Alteração da posição da barra de tracção. A barra de tracção é presa ou fixa ás


chapas triangulares por dois parafusos (um anterior e outro posterior). O parafuso posterior pode
ser mudado de posição, para a direita ou para a esquerda, alterando a posição da barra de tracção
e permitindo á secção dianteira dos discos angulos diferentes. Pode-se diminuir ou aumentar o

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 72


angulo de corte dos discos e, consequentemente aumentar ou diminuir a profundidade de
trabalho, veja fig. 4.15.

- Da mudança do ponto de engate da barra "off-set" nas chapas verticais do chassis. O


corpo de discos dianteiro tem três ou mais furos para se fixar, através de parafusos, á barra "off-
set". A barra "off-set" pode ser fixada no furo de cima (superior) quando se deseja menor
profundidade e no furo inferior caso se deseje maior profundidade.

- Com o hidráulico do tractor.

Como vimos, também a profundidade de trabalho, consegue-se pela alteração do angulo


formado pelas secções ou corpos de discos. A diminuição do angulo, reduz a profundidade e
vice-versa.

4.7 RESUMO

As grades de disco têm um número variável de discos concavos, montados em um dois


ou mais corpos, que podem ser regulados com diferentes angulações em relação á linha de
tracção.

Os discos têm geralmente de 18 a 24" (457 a 610 mm) de diametro; eles rodam com o
deslocamento da grade, e a sua acção não é diferente da de um arado pequeno. A acção precisa,
contudo, depende do tamanho dos discos, a profundidade de corte e especialmente o angulo das
barras ou corpos em relação á linha de deslocamento.

Se os corpos estão perpendiculares á linha de deslocamento, a penetração é pequena,


mas a superfície do solo é pulverizada e as camadas inferiores comprimidas. A penetração das

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grades é á custa do peso do próprio implemento, e pode ser aumentada com acréscimo de pesos.
Uma grade típica, modelo de peso médio, pesa aproximadamente 250 lbs por pé de largura (370
kg/m). O acrescento de discos pesados mais pesos adicionais pode totalizar cerca de 500 lbs/pé,
(750 kg/m de largura). O tipo agrícola mais pesado, com discos de trinta polegadas (760 mm) de
diametro e 8 mm de espessura, pode pesar cerca de 160 kg só o disco.

Quando nos interessa uma penetração máxima, as secções devem ser postas o mais
paralelamente possível á linha de tracção.

A penetração também se aumenta utilizando os pontos de engate inferiores, uma velocidade


de avanço baixa e pelo afiamento das arestas de corte.

Os discos recortados ou dentados penetram melhor que os lisos, por esta razão existe a
tendência de os usar nos corpos dianteiros das grades em "X"; como regra geral estes
implementos em tandem são arranjados de maneira a trabalhar com uma angulação dos corpos
variando dentre 15 a 25 graus. Duma maneira geral é desejável sempre afinar os corpos da frente
com angulos maiores que os de trás. Um implemento muito usado é o de controlo hidráulico de
10Pés (3m) de largura e tem o ângulo de frente de 20 graus fixo com o disco recortado e os
corpos traseiros com discos lisos podendo variar nas posições de 12, 16 e 20 graus.

Quando as grades de disco são usadas em tractores ligeiros e médios é vantajoso reduzir
a carga sobre o tractor nas curvas. Em alguns tractores isto consegue-se ligando o mecanismo de
levantamento hidráulico a um dispositivo que altera o angulo dos discos. Accionando
rápidamente a alavanca de controlo de levantamento endireita-se os discos, enquanto que um
ajuste fino do angulo de trabalho pode ser conseguida pela alavanca de controlo do ajuste.

Problemas de transporte com implementos pesados, do tipo semi-montado ou atrelado,


podem ser resolvidos pelo uso de peneumáticos de estrada e cilindros de levantamento hidráulico
externo para levantar os discos. As partes ou componentes mais susceptrível ao desgaste são os
apoios ou rolamentos e os prórios discos.

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4.8 A MANUTENÇÃO DAS GRADES

Dentre os vários implementos de maior utilidade na agricultura, a grade é um dos mais


exigentes no que diz respeito á manutenção. Constituída por um grande número de peças
móveis, sobretudo mancais e discos, realizando serviço severo, em condições bastante adversas.

Os mancais quando em serviço, estão sujeitos a violentos e permanentes choques e


tensões que recebem do tractor dum lado e do outro a resistencia do solo sobre os discos, que
trabalham formando um angulo com a linha de tracção, forçando os mancais. Sobre o elemento
adverso, é que todo este trabalho se realiza ao nível do solo, em terra solta, em ambiente de
extrema poeira, que entrando em contacto com a massa lubrificante forma uma pasta que
funciona como uma lima ou esmeril "comendo" as peças.

Outro inimigo das grades (e aliás de quase todos implementos) é a ferrugem. Muitas
grades ficam expostas permanentemente ao sol, cacimbo, chuva sendo até por vezes guardadas
junto de fertilizantes ou outros químicos nocivos.

Os discos e mancais são presos ao eixo, devendo ficar justos. Quem garante esse aperto é
a porca colocada no extremo do eixo; quando ela se solta ou afrouxa, os discos passam a
trabalhar folgados ou soltos, em consequencia disso pode acontecer o desgaste e
arredondamento do eixo, (que é de secção quadrada) e também o mesmo pode acontecer com o
furo central do disco que também é quadrado.

principais cuidados com as grades:

- Lubrificar diáriamente os mancais, é necessário substituir diáriamente a massa


lubrificante dos mancais. Isto consegue-se com as bombas lubrificantes de massa, que injectam
massa no interior dos mancais pelos pinos lubrificantes. Nunca retirar os "rabinhos" de massa
formados nos pinos.

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De notar que actualmente estão já sendo fabricadas grades com um sistema especial de
lubrificação dos mancais; são o caso da "Civemasa" e da "Rome", que possuem mancais de
lubrificação permanente. Nestes casos aconselha-se fazer uma verificação semanal do nível de
óleo e a sua substituição cada 1000 horas. No entanto sempre que possível a lubrificação dos
mancais deverá ser feita de acordo com as orientações do "Manual de Instruções" que
acompanha a grade.

- Ajustar várias vezes ao dia a porca que prende os discos ao eixo. Alem disso verificar
diáriamente os parafusos e porcas, reapertando se necessário.

- Regulação dos limpadores ou raspadores de disco. Os limpadores são peças importantes,


por isso devem ser mantidos bem regulados. De princípio devem ficar a 2,5 cm da borda externa
dos discos, com a lamina do limpador deixando o disco trabalhar livremente.

- Lubrificar diáriamente, de preferência ao fim da jorna, as alavancas de regulação.

- Providenciar protecção e armazenagem da grade. Uma vez terminados os trabalhos de


gradagem e antes de se guardar a grade, deve-se:

- Limpar, podem ser lavadas mas deverão ser secas antes de se guardar.

- Pincelar ou dar um banho de óleo nos discos, e fazer uma pintura do chassis com tinta
própria.

- Em seguida ela pode ser guardada, em lugar seco, abrigada do sol, chuva e outras
intempéries. Deve ser calçada, sobre tacos de madeira, de forma a que os discos não contactem
com o solo.

Nos meses de menos serviço, sobretudo nos meses que antecedem ou precedem a época
do uso da grade, fazer uma revisão geral, como substituir peças gastas ou quebradas, realizar

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 76


concertos, fazer os reapertos, lixar os pontos onde haja ferrugem, pintar os pontos sem tinta e
lubrificar.

5. OS ESCARIFICADORES E ENXADAS ROTATIVAS

5.1. Escarificadores

5.1.1. Introdução
Os escarificadores ou cultivadores são alfaias de lavoura.
A escarificação, deve ser realizada com o escarificador ou com o cultivador, que são
alfaias de lavoura, que tanto se podem assemelhar as grades, no caso de trabalharem nas camadas
superficiais, como por vezes se podem assemelhar aos subsoladores, no caso de trabalharem as
camadas mais profundas, a sua principal diferenciação está no seu comprimento e configuração
dos dentes.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 77


Figura1. Escarificador.

Estas alfaias podem atingir profundidades que as grades não alcançam, e são empregues
na conservação do solo, mantendo-o em bom estado de mobilização e podem ser utilizados
principalmente para os seguintes casos:

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- Fragmentação e desalojamento dos torrões formados pelas charruas, especialmente
quando se trata de lavouras profundas em terrenos compactos, com vista á posterior utilização
das grades.

- Limpeza da vegetação espontânea, em terreno já lavrado, e desde que as ervas tenham


crescido mais de 3cm, o escarificador, que neste caso toma o nome de "estirpador", tem uma
notável acção, pois os bicos, devido a uma configuração adequada, limpam o terreno (o que seria
impossível com a grade em que os dentes são curtos).

- Na preparação do terreno desde que não haja necessidade de revirar a leiva, ou seja
quando se dispensa a charrua, principalmente em terrenos duros onde a charrua não consegue
entrar, dá-se então uma passagem com o escarificador, e posteriormente utiliza-se a charrua.

- Enterrio de sementes espalhadas a lanço, ou com semeadores sem dispositivo de


enterramento, em terra devidamente lavrada e gradada, é vantajoso o uso do bico margeador.

- Sementeiras de rego ou sulco, tais como o milho e girassol, em que os sulcos abertos
pelo escarificador com ferros de margear, depois de lançada a semente e o adubo, são cobertos
com uma grade de arrasto (excepto as oscilantes).

- Incorporação de adubos, depois de espalhados a lanço.

5.1.2. Classificação dos escarificadores

A sua classificação pode variar muito:

- Quanto ao tipo de engate podem ser montados e rebocados.


Sobre o tipo de engate é semelhante aos outros implementos estudados, o chassí está
dotado de um sistema reforço e escoramento que o torna rígido e indeformável.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 79


- Quanto ao tipo de dente usado:
Quanto ao dente usado pode ser visto na ilustração feita pelas Figuras 2a e 2b, podem ser
do tipo de dente rígido ou de dente em mola.

Figura 2a. Escarificador de dente rígido.

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Figura 2b. Escarificador de dente em mola.

- Quanto ao tipo de bico ou ferro:


podem ser escarificadores, extirpadores e margeadores.

Figura 3a. Bicos escarificadores.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 81


Figura 3b. Bicos extirpadores.

Figura 3c. Bicos margeadores.

1 - Bico Escarificador - fazem com a superfície do terreno ângulos de cerca de 35


graus. Promovem bom corte com fragmentação do solo em profundidade, sem qualquer
reviramento da leiva. Faz a separação dos torrões que vêm a superfície da terra, acumulando-se
na zona do leito da semente. Os bicos escarificadores podem ser:

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- Bico curvo de ponta dupla, é um bico polivalente para trabalhos de lavoura e serve
para facilitar a drenagem (Figura 3a.1).

- Bico helicoidal, faz bom levantamento de palhas, e preparação do solo (Figura 3a.2).

- Bico curvo de ponta afiada, muito utilizado para regenerar pastagens, aumenta a
capacidade de retenção das águas (Figura 3a.3).

- Bico sulcador, largo e bombeado, bom para mistura dos restolhos, preservar a terra
contra erosão do vento e chuvas (Figura 3a.4).

- Bico cavador, para trabalhos em terrenos secos, corta o solo com mais vigor (Figura
3a.5).

2 - Bico Extirpador - tem a forma de uma seta curva, com as arestas ligeiramente
afiadas. Sua posição de trabalho é quase paralela á superfície do terreno, faz mobilizações
ligeiras, destroi plantas infestantes, cortando-lhes a raíz logo abaixo da superfície do solo. Esse
tipo de bico pode variar de 6” à 12” (Figura 3b).

3 - Bico Margeador - tem a forma de uma aiveca dupla (Figura 3c). Em operação
produz um pequeno rego, e faz um ligeiro reviramento do solo; é frequentemente utilizado em
sementeiras em linha como por exemplo em milho e girassol. Monta-se o margeador sobre o
dente e sobre o margeador vai o bico apertado com parafusos ao dente. Os margeadores são
montados no chassi pelas colunas, cujas distâncias entre si podem ser alteradas, afim de
podermos obter os espaçamentos necessários para cada cultura. Ocasionalmente os regos
formados podem ser ligados em intervalos para ajudar a conservação do solo e da água, contudo
esta ligação torna difícil futuras operações mecanizadas como retirada de ervas daninhas e alem
disso pode produzir condições desfavoráveis ao uso do tractor.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 83


Ainda existe um outro tipo de margeador, o de discos, no qual 2 discos côncavos
são usados para abertura dos regos (Figura 4).

5.1.3. Algumas considerações


Os dentes são providos de espirais á esquerda e direita do dente, e eles devem ser usados
em números iguais á esquerda e direita do escarificador, em relação ao ponto de engate, afim de
manter o implemento alinhado em trabalho.

Outro tipo de dente é o de "mola de três folhas", das quais somente a exterior é fixa ao
chassi, Figura 5. Em regime de trabalho leve, somente é operada a folha exterior, enquanto
para trabalho pesado todas as três molas são operadas.

Há outros, cujo tipo de dente tem a forma direita e rígida, aproximadamente vertical, e
com a ajuda de rodas de profundidade possibilitam a escolha de uma grande gama de
profundidades de trabalho no solo. Por outro lado pode haver também a possibilidade de
angulação dos dentes, para trás cerca de 30 graus.

Muitos tipos de escarificadores têm dentes cuja flexibilidade é conseguida através de uma
mola separada (escarificador de molas). Os braços estão apertados a molas resistentes, que
permitem ceder, sem dano para a alfaia, quando encontram qualquer obstáculo e retomar a
posição inicial e normal quando este é ultrapassado.

O termo "arado de chizel" é indiscriminadamente aplicado a qualquer tipo de cultivador


que seja capaz de trabalhar solos compactados a uma profundidade moderada, os dentes
podendo ser de mola, flexíveis ou rígidos, sendo o principal factor o grande afastamento dos
dentes e profundidade média na maioria das condições do solo.

Um implemento, combinado de vários tipos, tem dentes para trabalho ligeiro (superficial)
na frente e dentes para trabalho severo atrás. Outros têm três linhas de dentes, com dois ou três
dentes subsoladores na fila traseira.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 84


As condições para o uso dos cultivadores varia tanto que é sempre útil ser possível
mudar a largura de trabalho. Isto pode ser feito duma maneira económica, providenciando uma
unidade de tamanho médio centralizada e mais uma ou duas unidades pequenas que podem ser
acrescentadas, afim de permitir uma maior largura de trabalho quando as condições são mais
fáceis.

Nos escarificadores de mola e nos flexíveis a intensidade do destorroamento depende da


amplitude e frequência das vibrações dos braços (as quais aumentam segundo a sua tensão e
resistência do solo), da profundidade de trabalho, da velocidade de avanço e do ângulo de
entrada dos braços.

Os temas seguintes podem ser consultados no livro entitulado “Máquinas agrícolas para a
mobilização do solo” de Rui Fernando de Carvalho:

- Acoplamentos, regulações e afinações.


- Potencias exigidas e velocidades de deslocação.
- Cuidados de Manutenção.

5.2. A enxada rotativa

5.2.1. introdução

Outros nomes são a fresa ou o rotovator. Como a charrua e a grade, a fresa é um


implemento de preparo do solo. Seu funcionamento é idêntico ao de uma enxada só que com
movimento contínuo.

As primeiras enxadas rotativas apareceram na Europa há cerca de 120 a 130 anos.


Pretendia-se, com um implemento de movimentos giratórios e contínuos, substituir os discos e
aivecas nos arados e nas grades em simultâneo, executando duma só passagem o corte,

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 85


reviramento, pulverização, nivelamento e incorporação. Entratanto, alguns incovenientes
impediram esta intenção como por exemplo:

Figura 5. A enxada rotativa.

 A sua utilização indevida pode acelerar a formação de um forte calo ou crosta,


contribuindo para a maior erosão do solo.

 Preço e custos de operação elevados, manutenção esmerada.

 A operação de implementos pela tomada de força do tractor deverá ser feita com muito
cuidado, pois qualquer anomalia, no solo ou na máquina poderá afectar desastrosamente os
mecanismos de transmissão de potência.

Mesmo assim, esta alfaia possue algumas vantagens dentre as quais as principais são as
seguintes:
 Afofamento bastante perfeito do solo, e bom trabalho de incorporação de restos vegetais.
 Exige menor número de passagens.
 Bons resultados em preparo do solo, que há muito tempo esteja abandonado, ou terrenos
que nunca foram utilizados.
 As enxadas rotativas aproveitam melhor a potência do tractor. O tractor é,
indiscutivelmente, a melhor fonte de potência para o accionamento de máquinas e implementos

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 86


agrícolas, embora haja certas limitações. (Nele, a potência do motor é aproveitada directamente,
ou através da tomada de força, ou convertida através das rodas motrizes) em força de tracção.

Mas a conversão do torque do motor em força de tracção na barra apresenta inevitáveis


limitações, perdendo-se cerca de 30% da potência originalmente fornecida pelo motor. No caso
da tomada de força a perda é mínima, não atingindo 3%. Nessas condições, a opção entre
máquinas que exigem tracção (caso dos arados) e aquelas accionadas pela TDF (caso da enxada
rotativa) implica um ganho ou perda de 30 % em combustíveis, lubrificantes, desgastes do motor,
transmissões, pneus, salários, etc...

5.2.2. Tipos de fresas


As fresas podem ser:
 De apenas uma velocidade de rotor ou de várias velocidades.

 Axiais, centrados, descentrados ou excêntricas.

 Por corpo, os quais se podem aproximar ou afastar, mais ou menos consoante as


necessidades culturais.

Elas podem ser argrupadas em:

 Enxadas rotativas hortículas, são acopladas a tractores de rabiças, com um só eixo;


também chamadas "mulas mecânicas".

 Enxadas rotativas para tomada de potência em tractores. Podem ser montadas, através
do engate dos três pontos, ou então, podem ser de arrasto, montadas sobre duas rodas. Neste
caso, quando são arrastadas, a potência para movimentar as enxadas é fornecida por um eixo
cardam.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 87


 Tendo como base o peso, a velocidade de deslocamento das facas e a profundidade de
trabalho, podem ser do tipo pesado, com um peso de 350 a 500 kg por metro de largura,
velocidade periférica de 4,5 a 7,2 m/s, com capacidade de corte de 14 a 25 cm de profundidade
ou do tipo leve, com 160 a 200 kg/m de largura, velocidade periférica de 3,5 a 5 m/s e
capacidade de corte de até 15 cm de profundidade.

5.2.3. Os componentes de uma enxada rotativa


Como qualquer alfaia, a enxada rotativa é constituida por orgãos activos e não activos.

Figura 6. Componentes de um rotovator: A) ponteira ou munhão; B) cabeçote; C) patin; D)


capota; E) extensão da capota; F) extensão do avental; G) avental; H) extensão do descanso e I)
eixo de transmissão da potência.

Na essência todas elas possuem:


- Rotor.
- Caixa de transmissão ou caixa redutora de velocidade.
- Orgãos de regulação e proteção.

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5.2.4. Descrição das fresas

- O rotor é geralmente accionado duma das extremidades (caso das fresas excentricas),
evitando assim uma faixa não cultivada no centro (caso das fresas axiais), permitindo ainda
cultivo por baixo de arvoredos (figura 7).

Figura 7. Rotor de três lâminas (A) e rotor de duas lâminas (B).

- Este equipamento é formado por um eixo transversal, contínuo ou seccionado,


montado sobre rolamento blindado, tendo várias falanges entre si, onde são fixadas as lâminas,
facas ou enxadas, por meio de parafusos.

- A caixa de transmissão ou caixa selectora de velocidades é formada por engrenagens do


tipo coroa-pinhão, permitindo uma razão de transmissão que dará a velocidade angular (rpm)
desejada para o rotor.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 89


- Esta caixa recebe movimento da TDF e transmite-o ao rotor que, por sua vez,
movimenta as lâminas. Nas enxadas rotativas poderemos alterar a velocidade das lâminas
alterando a relação de transmissão.

- Velocidades típicas para fresas de 18" (457 mm) de diâmetro de rotor, é cerca de 125 a
250 rpm. Isto dá uma velocidade de lâmina da ordem de 13 milhas/h ou 21 km/h.
- As facas podem ter diversas formas consoante a aplicação e tipo do solo, como ilustra a
figura 8.

Figura 8. As diferentes formas de facas das fresa.

- A largura normal de corte anda á volta dos 4 a 8 pés (1,2 a 2,4m), mas máquinas acima
dos 10 pés (3m) de largura são disponíveis para o uso com tractores de grande potência. Pode-se
considerar uma profundidade normal de trabalho até cerca de 10" (250mm).

- Os tamanhos das fresas são muito variáveis, indo de 1 hp (0.75Kw) até 100 hp (75kw), sendo
no entanto diferentes os tipos dela.

5.2.5. A operação da fresa


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O grau de esmiuçamento ou destorroamento depende do número de rotações do rotor,
da velocidade de deslocação do tractor, da abertura do avental e da colocação de pesos ou não
sobre ele, e ainda do número de laminas sobre cada falange.

Os orgãos de regulação e protecção do operador são representados por:

- Placa de impacto

- Patins ou rodas de profundidade

A placa de impacto também chamada de "saia" ou anteparo traseiro, é colocada atrás das
enxadas, sendo fixa ao chassi da máquina através de dobradiças. A placa de impacto tem duas
funções:

- protecção, evitando que pedras, pedaços de paus, etc., sejam arremessados a grandes
distancias, podendo inclusive alcançar o operador;

- Fazer variar o tamanho das partículas do solo; quando se levanta a placa de impacto, os
torrões cortados pelas enxadas são atirados livremente á distancia; quando a placa de impacto
está fexada os torrões são jogados contra a placa, havendo choque e uma subdivisão dos
mesmos.

Figura 9. A- abertura maior do avental; B- abertura média do avental; C- abertura mínima do


avental.

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Figura 10. Influência da velocidade da enxada rotativa no grau de esmiuçamento das partículas
do solo.

A regulação da profundidade é dada por patins ou rodas de sustentação, e pode ser também feita
pelo sistema de levantamento hidráulico do tractor moderno. Algumas firmas estão adaptando ás
enxadas rotativas a um sistema subsolador, em que estes são colocados na parte posterior, logo
atrás das enxadas.

As regulações, afinações e manutenção deste equipamento podem ser vistas no livro de Rui de
Carvalho entitulado “Máquinas agrícolas para mobolidade do solo”.

6. EQUIPAMENTO PARA SEMEAR E PLANTAR

6.1. Introdução
A ideia de semear utilizando-se máquinas é muito antiga e já era comum aos persas e
hindus, muito embora a ideia não tenha sido adoptada pelos europeus até ao final do século
XVII.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 92


A primeira semeadora europeia foi desenvolvida em 1636 por Joseph Locatelli de
Corinto (Italia). Esta máquina era contituída essencialmente de um depósito cilindrico de
madeira, contendo um eixo rotativo dotado de conchas, as quais jogavam as sementes em tubos
que as conduziam até perto do solo. Esta semeadora não colocava as sementes dentro do solo,
mas em fileiras na sua superfície.

Em finais deste século, esta semeadora foi aperfeiçoada pelo inglês Jethro Tull, o qual
reconheceu as vantagens da sementeira mecânica em um solo preparado convenientemente, em
1785 James Cook projectou uma semeadora cujo princípio chegou até á actualidade e foi
extensivamente utilizada na Inglaterra.

A sementeira é uma das muitas operações agrícolas, sobre a qual existe uma vasta
informação acumulada da experiência de milhares de anos, e relativamente de poucos factos
científicos palpáveis, mesmo tendo em vista a experimentação incansável que se tem feito
ultimamente.

A maior dificuldade em chegar a factos concretos é que na natureza existe uma série de
variáveis que não são controláveis. Assim por exemplo, mesmo que o experimentador controle
com sucesso a quantidade de sementes depositadas por unidade de área, o espaçamento entre
filas e a profundidade de sementeira, ele difícilmente poderá esperar controlar o clima, o
comportamento do solo sob várias condições climáticas ou ainda a incidência de certo tipo de
doenças.

Por estas razões, os melhores conselhos ou regras são mais em termos gerais que em termos
específicos.

Na concepção duma máquina semeadora jogam bastantes factores dentre os quais:

 A variação da forma e tamanho da semente para diferentes culturas - assim temos


sementes do tamanho pequeno, médio e grande.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 93


 O método recomendado para o crescimento de cada cultura - umas culturas dão-se
melhor nos sulcos ou margeações, outras dão-se melhor em terrenos alisados.

 Métodos diferentes na plantação - enquanto muitas culturas são feitas através de


sementes, outra são feitas a partir de pequenos pedaços de parte da planta anterior.

 Algumas culturas, como o arroz e vegetais são primeiro criadas em viveiros e


posteriormente transplantadas para um novo local.

Daqui, é obvio que métodos diferentes de sementeira ou plantação requerem diferentes


tipos de equipamento. Uma máquina usada para plantação de sementes será diferente de outra
desenhada para plantação de cana-de-açúcar.

Existe também a diferença entre os espaçamentos entre plantas ou sementes assim como
na sua profundidade.

Em geral, para um máximo rendimento da colheita, cada cultura tem uma população de
plantas recomendada, isto é número total de plantas por hectare que se consegue tendo
espaçamentos diferentes, entre linhas e entre plantas na mesma linha.

Experiências em sementeira normal de cereais, com o espaçamento entre linhas, mostram


que onde existe um potencial alto do rendimento da colheita, este rendimento pode ser
aumentado utilizando uma distância entre linhas de 4" (100 mm), comparado com o uso de 7"
(175 mm). Uma quantidade mínima de cerca de 120 lb/acre (135 kg/ha) é necessária para a
cevada, e o espaçamento dentro da linha é cerca de 1" (25 mm).

Para as culturas e raízes vegetais, há limite muito estreito das populações de plantas a
fim de obter um máximo rendimento, sobre uma combinação particular de factores de solo e
fertilidade. Como regra geral o número de plantas por unidade de área, para máximo rendimento,
aumenta com aumento da fertilidade.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 94


No entanto, uma uniformidade no espaçamenbto é importante do ponto de vista de
assegurar uma colheita mecânica efectiva.

Outro factor importante é o factor estatístico, ou nível de expectativa de que a semente


dará origem a uma planta, por isso na práctica é comum o uso da sementeira em excesso afim de
garantir que haja um nível de sucesso por covacho maior.

6.2. Factores do equipamento


Os semeadores devem apresentar um ou mais dos seguintes factores, dependendo do tipo
de cultura a ser semeada:

1. Um meio de regular o caudal de sementes, isto é a quantidade de semente para uma dada
área;
2. Um meio de variar a profundidade.
3. Um meio de variar a distância:
 entre linhas.
 entre plantas ou sementes na mesma linha.

Então se uma máquina tem somente o primeiro destes factores é chamada de semeador a
lanço.

Se a máquina tem um arranjo que pode ser usado para variar a distância entre linhas além
dos outros é chamado de semeador por linhas.

Se a máquina pode ser usada para variar o espaçamento entre plantas na mesma linha,
assim como o espaçamento entre linhas, além dos outros factores é chamado de semeador de
precisão.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 95


Os semeadores a lanço são pouco usados aqui, por causa da natureza das culturas
desenvolvidas, os semeadores de linhas são muito usados para culturas como o trigo e cevada, os
de precisão são mais usados em culturas como a mapira, milho, amendoim.

6.3. As partes constituintes do semeador


Na Figura 11, podemos ver um semeador típico de tremonha dividida, as partes
constituintes podem variar, dependendo do desenho e forma de cada marca, no entanto as
funções são prácticamente idênticas.

Figura11. O semeador e seus constituintes. A- tremonha de fertilizante; B- tremonha da semente;


C- regulador; D- tubo de alimentação da semente; E- sega; F- accionador de mecanismo de
alimentação.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 96


6.3.1. Descrição
Semeadores de uso geral podem ser usados para semear todo o tipo de sementes, a várias
densidades de sementeira e profundidade, em linhas a várias distâncias. Esta variabilidade torna
possível semear uma vasta gama de sementes de leguminosas até ao próprio trevo.

Têm em geral a configuração como a da Figura 11, com uma estrutura protegida e uma
tremonha que se desenvolve ao longo da largura. A semente é enviada desta caixa (tremonha) por
mecanismos de alimentação movimentados por engrenagens movidas por uma ou duas rodas de
deslocação. Há um dispositivo de controlo para cada linha, e uma embreagem é incluida para pôr
o mecanismo de alimentação a funcionar ou não.

A semente desce através de tubos até aos sulcadores que abrem sulcos no solo. A
densidade da semente é ajustada por alterações ou no mecanismo de alimentação ou nas
engrenagens de accionamento. O espaçamento entre filas e profundidade de sementeira é
ajustado pela afinação dos sulcadores.

A maior parte destes semeadores tem um dispositivo de controlo ou medida localizado


imediatamente acima de cada sulcador, mas um uso cada vez maior é feito dos dispositivos de
medição centrados e abaixo da tremonha de grande capacidade, com o envio da semente até ao
sulcador por jactos de ar, ao longo de tubos individuais.

6.3.2. Tremonha
Pode ser trapezoidal, rectangular ou oval no seu formato, e pode ser feita de madeira,
chapa metálica ou ainda de uma combinação de materiais. A capacidade desta caixa pode variar
em função do tamanho da máquina.

6.3.3. Dispositivo de controlo ou mecanismo de alimentaçao


existem vários tipos de dispositivos, e um muito usado é o sistema de alimentação por
rolo estriado, ou também chamado de sistema de alimentação externa forçada.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 97


Figura 12. Mecanismo de alimentação da tremonha. A- dispositivo de armazenamento da
semente; B- veio alimentador; C- orgão de corte; D- rolo estriado.

6.3.4. Rolo estriado


Tem entalhes ou estrias, ao longo do comprimento e por intervalos, no veio alimentador
que roda embaixo e ao longo do comprimento da tremonha.

As sementes caem nestes entalhes do rolo estriado, por gravidade, e são descarregados
nos sulcadores, por rotação do rolo.

A quantidade de sementes é controlada pela maior ou menor exposição do rolo estriado


na abertura da tremonha. O orgão de corte de alimentação não tem entalhes e sua função é
prevenir a queda ou desperdício de sementes, quando sómente parte do rolo está exposto á
abertura da tremonha.

O veio alimentador, ao qual estão fixos o rolo estriado e o orgão de corte, pode ser
movido por uma alavanca, geralmente dum dos lados da tremonha. Esta alavanca é movida numa
escala pré-determinada, também montada na tremonha.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 98


Em muitos casos o rolo estriado é provisto de uma parte lisa também, e pratos ajustados
por pressão de uma mola, com diferentes posições para permitir a passagem de sementes de
diversos tamanhos sem danificá-las.

Um outro tipo de distribuição de sementes, é o sistema interno forçado de alimentação.


Este mecanismo foi desnvolvido pelos EUA, especialmente concebido para a sementeira de
cereais. O mecanismo de alimentação consiste de um veio levando uma série de falanges em
disco, sendo o interior das falanges ligeiramente onduladas por ambas as faces.

Cada disco alimentador é alojado num distribuidor que se monta por baixo da abertura da
tremonha. Assim que as rodas começam a rodar, a semente é levada pelas ondulações através dos
pratos divisórios para um ponto fora da caixa, onde cai nos tubos.

Num lado das falanges as ondulações e a distância destas aos pratos divisórios são mais
pequenas do que no lado oposto. Ambos lados podem ser usados, ajustando a posição da tampa
na tremonha do lado que não interessa, ficando assim com a possibilidade de se fazer uma
descarga fina ou então uma descarga grosseira.

Este tipo de mecanismo tem as vantagens de todos os semeadores de alimentação


forçada e dá um escoamento de semente mais contínuo que o tipo de alimentação externa
forçada. Sua grande desvantagem é a menor capacidade de adaptação.

6.3.5. Os sulcadores ou segas do semeador


A sua função é abrir um sulco onde a semente se vai alojar no solo. As mais conhecidas
são a sega de enxada, a sega de disco, a sega "suffolk" ou em sapato, e a sega de dente.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 99


Figura 13. Sega de disco.

A sega suffolk foi muito utilizada, sendo no entanto preferida agora e cada vez mais a de
disco. Na suffolk , o sapato de ferro fundido, corta um sulco no solo e a semente é distribuida
pelo tubo. Em boas condições esta sega trabalha satisfactóriamente, e o solo vai caindo sobre a
semente, cobrindo-a bem.

Na sega de disco (em forma de frigideira em aço endurecido), o disco corta abre um
sulco, e a semente é distribuida para uma "mala" ou "bota", fixa do lado convexo do disco,
mesmo abaixo e atrás do seu centro.

A grande vantagem é que este tipo de sega trabalha satisfatóriamente mesmo em


condições desfavoráveis:
- Em solos duro, uma penetração ligeira é assegurada;
- Em solos com detritos, o disco corta e não arrasta
- O efeito de pulverização é bom.

As desvantagens principais são:


- Custo inicial elevado;
- Não coloca todas as sementes a mesma profindidade;
- Os custos de manutenção são maiores.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 100


A sega de enxada assemelha-se á ponta do cultivador, com uma secção semi-circular ou
em "V". A ponta de aço endurecido é geralmente reversível. Sua grande vantagem é a
simplicidade e facilidade na penetração, mas a profundidade de trabalho não é uniforme e tem
problemas em operar em zonas sujas.

As segas são geralmente fixadas a alavancas que se articulam sobre uma barra cruzada á
frente do semeador.

O método normal de controlo em semeadores modernos é pelo uso do potência


hidráulica externa do tractor, mas o método exato de controlo é muito variado. Em tractores
com “controle de pressão”, o uso de pressão hidráulica no semeador é muito frequente afim de
variar a introdução forçada da sega no solo, conforme as necessidades (da cultura e do solo).
Molas fortes, aos quais são extendidas pela pressão hidráulica durante o trabalho, contraem-se
automaticamente e levantam todas as segas assim que se retira a pressão hidráulica.

6.3.6. Tubo de sementeira


Estes tubos podem ser do tipo colapsável ou flexível e do tipo rígido.
O comprimento do tubo flexível pode ser alterado, tanto por acção telescópica como por
efeito de mola. O tubo pode ainda ser feito de plástico (o qual, se apresentar transparência,
permite a monitorização do escoamento da semente) ou pode ainda ser feito de metal.

6.3.7. Dispositivo de cobertura


Normalmente quando a sega abre um sulco, o solo cai de novo e cobre a semente.
Contudo, ás vezes a humidade e o tipo de solo pode ser tal, que o sulco aberto permanece
descoberto. Isto pode levar a perdas (os pássaros ou outros animais têm maior facilidade de
comer) ou então podem mesmo não germinar, por não terem um contacto efectivo com o solo.
Por isso, alguma forma de cobertura deve ser providenciada.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 101


O dispositivo de cobertura pode ser uma simples corrente, que é puxada atrás da sega,
atirando solo sobre a semente, cobrindo-a, ou uma roda de pressão, que é uma roda que segue o
sulco aberto e compacta-o ligeiramente á volta da semente.

Figura 14. Diferentes tipos de roda de pressão.

6.3.8. Agitador
O agitador é um dispositivo vibratório existente na tremonha, accionado pelas rodas de
transporte do semeador que mantêm ou asseguram um escoamento livre das sementes, Figura
15.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 102


Figura 15. O agitador

6.3.9. Mecanismo de accionamento


O mecanismo de accionamento transmite potência e movimento das rodas do semeador
ao sistema de distribuição, por correntes e engrenagens ou por correias, ou mesmo pela
combinação dos dois.

6.4. Tamanhos dos semeadores


O semeador pode ser de uma fila ou multi-fila. O número de filas está directamente
ligado á fonte de potência tractora existente. Geralmente para tracção animal pode-se chegar até
3 a 5 filas simultâneas, enquanto tractores são usados para semeadores com até mais de 7 filas.

O tamanho do semeador é dado pelo número de segas ou sulcadores e a distância entre


dois sulcadores consecutivos.

Então, por exemplo, um semeador 3X200 mm significa um semeador de três filas


distânciadas 200 mm entre cada fila, cobrindo 600 mm por cada passagem.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 103


6.5. A calibração dos semeadores
Espera-se que um semeador descarregue uma certa quantidade de semente a uma dada
vazão. Se ele por exemplo tiver 5 segas e fôr ajustado para 40 kg de trigo por hectare, então
cada fila deverá receber 8 kg para a distância correspondente.

Muitas vezes a distribuição de semente não corresponde áquela ajustada na máquina, e


quando isto acontece é necessário fazer um reajuste do dispositivo de alimentação ou medição, e
a isto se chama calibração.

Geralmente o semeador leva uma alavanca com uma escala dando diferentes vazões de
semente.

6.5.1. O procedimento da calibraçao


É necessário e essencial calibrar um semeador afim de assegurar que a máquina distribua
a quantidade de semente para a qual foi afinada. A calibração pode ser feita em laboratório ou no
campo, no entanto deve-se ter sempre em conta que a calibração no campo pode chegar a
valores ligeiramente inferiores pois as rodas podem travar ou derrapar.

Passos a seguir para a clibração em laboratório:


1 - Levantar ou suspender o semeador afim de termos a roda de accionamento livre.

2 - Medir o diâmetro da roda e calcular o seu perímetro.

3 - Calcular a largura do semeador "W", isto é o número de segas vezes a distância entre segas.

4 - Calcular o comprimento de deslocamento "L" necessário para cobrir digamos 0,1 Ha:
Área coberta = W.L
1 Ha = 10.000 m2
0.1 Ha = 1000 m2
então o comprimento para cobrir 0.1 Ha = 1000/W = L

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 104


5 - Calcular o número de revoluções "N" necessárias para cobrir "L": N = L/pi.D

6 - Colocar as sementes na tremonha e rodar a roda (sencívelmente á mesma velocidade que no


campo) "N" vezes, depois de se ter posto sacos ou travessas para a recolha das sementes, em
baixo de cada sega.

7 - Medir e registrar os valores de sementes coletadas.

8 - Multiplicar por 10 o valor recolhido em 7.

9 - Comparar o valor de 8 com o valor ajustado.

10 - Caso não sejam semelhantes, então deverà ajustar o veio alimentador na intensão de
aumentar ou diminuir a descarga conforme o necessário e repetir o processo, até que os valores
se ajustem.

11 - Da mesma maneira se poderá fazer um teste no campo, atando sacos aos tubos de
sementeira e fazendo-se medições para uma ou duas passagens de comprimento conhecido.

6.5.2. Exercício

Suponha que um semeador 5 por 150 mm, necessita fazer uma sementeira de 80 kg de
trigo por Ha. Se o diametro da roda é de 1000 mm, calcule:

a) Largura de trabalho?

b) O comprimento necessário do semeador para cobrir 0.1 Ha?

c) O número de revoluções para cobrir 0.1 Ha?

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 105


d) A quantidade de semente que deve ser distribuida por cada tubo afim de se semear 0.1
Ha?

6.5. Os semeadores de precisão


Este semeador leva um mecanismo de medição que o permite de controlar a distância
entre sementes distribuidas na mesma fila, assim como o espaço entre filas consecutivas. O
componente essencial que garante o espaçamento das sementes numa fila é chamado de prato
dosificador, que tem células ou bolsas ao longo da sua periferia. O número de células depende do
espaçamento desejado, e o formato da célula é baseado no tipo de semente a ser plantada, daqui
se depreende que haverá diferentes pratos dosificadores, para as diferentes culturas como o
amendoim, milho, algodão, étc. Figura 16.

Figura 16. Pratos dosificadores de semeadores de precisão.


O espaçamento entre sementes é alterado mudando o prato dosificador e/ou mudando a
velocidade de rotação deste prato em relação ao deslocamento do semeador.

O prato dosificador roda em baixo e dentro da tremonha, accionado pelo sistema de


engrenagens. A semente (uma ou duas) é apanhada pelas células do prato, que vai rodando e a

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 106


semente vai sendo descarregada no tubo de sementeira. O semeador de precisão pode ser uni ou
multi-fila, e os restantes componentes são bastante semelhantes aos semeadores por filas.

7. O EQUIPAMENTO PARA APLICAÇAO DE FERTILIZANTES

7.1. Introdução
Um factor essencial para todos os sistemas permanentes de uma exploração agrícola, é o
retorno de nutrientes ao solo, retirados pelas diferentes culturas. A perda de nutrientes pode ser
resultado de um cultivo mau, que por sua vez pode originar erosão do solo ou remoção do "top
soil" ( que é a maior fonte de nutrientes). Por isso é necessário a reposição das fracções retiradas
ou perdidas de nutrientes, e isto consegue-se pela aplicação de fertilizantes.

Os fertilizantes podem ser orgânicos ou inorgânicos:


- Fretilizantes orgânicos: estrume animal, vegetal;
- Fertilizantes inorgânicos: químicos como ureia, superfosfatos.

Geralmente os fertilizantes orgânicos são aplicados a granel, na ordem de muitas toneladas por
hectare, enquanto o químico raramente excede os 300 kg/ha.

Os fertilizantes são adquiridos e, podem ser aplicados a seco, em líquido ou na forma


gasosa, determinando, isto, a necessidade de uma máquina específica e por isso capaz de aplicar
os fertilizantes nas diferentes formas anteriormente mencionadas.

A forma de aplicação pode ser:


- A lanço - geralmente feito com formas sólidas e líquidas e antes da sementeira.

- A injecção - aplicado em formas líquidas e gasosas.

- Distribuição superficial - líquido ou sólido a uma cultura em crescimento.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 107


- Injecção (liquido ou gás) no solo sobre ou ao longo da cultura em crescimento.

7.2. Constituição do equipamento de fertilizante


Em geral, todos os tipos de máquina têm os seguintes componentes:
1. Unidade de armazenamento;

2. Mecanismo de medição;

3. Estrutura de suporte.

7.2.1. A unidade armazenadora


Local onde se põe o fertilizante; pode ser uma tremonha, um tanque ou um troley. A
forma, tamanho e tipo de material usado nesta unidade depende do tipo de fertilizante e da
potência existente.

7.2.2. O mecanismo de medição


Assim que o fertilizante é descarregado no solo, é necessário providenciar uma forma de
se poder regular a descarga para aquela recomendada, para um determinado tipo de solo
combinado com o tipo de cultura.

7.2.3. A estrutura de suporte


Esta constitui a fundação da máquina e sobre a qual vão montadas as outras partes directa ou
indirectamente.

Também é essencial se ser capaz de incorporar o fertilizante no solo e isto é feito com o
uso de um implemento agricola (por ex. uma grade de disco) ou providenciando um dispositivo
de cobertura como componente adicional na màquina.

7.3. A aplicaçao de fertilizante

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 108


7.3.1. A aplicaçao de fertilizantes orgânicos

7.3.1.1. Espalhador de estrume

7.3.1.1.1. Constituição
1. A unidade de armazenamento, que consiste numa caixa parecida com um atrelado. O
lado posterior é aberto para permitir a fixação do dispositivo de medição de destribuição.

2. O mecanismo de medição/destribuição, o qual consiste em:

a) Uma banda constituída por duas correntes ligadas por ripas formando o avental na
base da caixa. Quando a corrente se movimenta carrega o adubo ou estrume para a extremidade
traseira da máquina, de onde ele cai para o solo depois de ser triturado (pelo misturador) em
pequenos pedaços.

b) O misturador, consistindo de barras de aço providas de dentes arranjados em


trajectória cilindrica. Há em geral dois sets de misturadores , o superior e o inferior. O inferior
tem a função de triturar ou partir o estrume em pequenos fragmentos e o superior assiste nesta
operação, e ainda pulveriza o estrume. O misturador inferior roda no sentido oposto à das rodas
do tractor e do espalhador, seis ou sete vezes mais rápido.

3. O sistema de accionamento, que movimenta os misturadores e o avental, pode ter duas


fontes, ou apartir das rodas do espalhador ou apartir da tomada de força. No entanto é preferivel
o último sistema, em más condições de tracção ou onde o estrume é muito cheio de torrões.
É muitas vezes usado um sistema de roda e lingueta para o acionamento das bandas. A
velocidade da banda determina o volume de estrume distribuído.
4. O dispositivo espalhador, geralmente em forma de pua em espiral, colocada sob os
misturadores afim de possibilitar o espalhamento do estrume, em geral é accionado por uma
corrente através do veio do misturador, Figura17.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 109


Figura 17. Constituição do espalhador de estrume orgânico sólido. A- avental; B- misturador; C-
dispositivo espalhador de estrume; D- fonte de accionamento; E- unidade de armazenamento.

7.3.1.1.2. Manuseamento dos estrumes


É natural que o espalhador de estrume deve ser carregado antes de ser utilizado. Na
maior parte das vezes o tempo levado nesta operação de carregamento é maior do que aquele
levado para a destribuição, especialmente se o estrume tem de ser carregado manualmente.
Portanto uma consideração a fazer é a forma mais adequada para este carregamento.
Existem muitas de entre as quais a utilização da potência hidraúlica do tractor afim de levantar o
estrume em pás ou baldes acoplados ao dispositivo de elevação.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 110


7.3.1.2. O espalhador de estrume liquido (churume)
O churume drenado dos estábulos e outras áreas é recolhido em fossas donde
posteriormente pode ser bombado para os tanques dos espalhadores. Os tanques são
geralmente de grande capacidade (800 a 1200 lt ou mais) e normalmente vão atrelados
ao tractor. O tanque é em geral galvanizado ou com um banho interno com produto anti-
corrosivo.

O churume é então descarregado do tanque para um prato de salpico ou um disco


rotativo provido de pás, para a sua distribuição no campo.

Figura 18. Espalhador de estrume líquido.

7.3.1.3. O churume através da irrigação


É possivel a distribuição de churume através do sistema de irrigação. Tal método envolve
a recolha do churume num tanque donde é bombado através das linhas de distribuição para o
ponto de uso. O tanque é geralmente uma fossa com um tubo de sobre- carga e uma forma de

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 111


agitar o churume. Deve-se ter cuidado com os fragmentos que não devem entrar na fossa, pois
isto poderia obstruir os orificios da bomba.

Os tipos de bomba usados são os centrifugos pois podem dar maiores pressões, e
manusear este tipo de fluido.

7.3.2. Aplicação de fertilizante inorgânico


Sendo o estrume orgânico uma fonte garantida de nutrientes para o solo, maior ênfase é
no entanto dada para o uso de fertilizantes inorgânicos. Eles podem ser adquiridos e aplicados
nas seguintes formas:

1. Sólida, aplicado como pó ou numa forma granular.

2. Liquida, aplicado a baixa pressão ou mesmo sem pressão alguma.

3. Gasosa, o mais conhecido e usado é o anidro de amónia, aplicado a alta pressão.

Nos países em vias de desenvolvimento é muito usada a aplicação de fertilizantes


inorgânicos sob o estado sólido tanto como um ùnico nutriente ou como um fertilizante
composto como o "NPK" em determinada proporção. Isto porque a infraestrutura para a
aplicação de fertilizantes na forma líquida ou gasosa é muito cara.

7.3.2.1. Os fertilizantes sólidos e o equipamento usado

7.3.2.1.1. Distribuidores a lanço


Os distribuidores a lanço são usados para a distribuição até distancias maiores que a sua
largura, cobrindo assim grandes áreas. É possivel o uso de distribuidores a lanço manuais, mas
não são muito populares. O mais usado é o accionado pelo próprio tractor.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 112


7.3.2.1.1.1. Descrição do destribuidor a lanço

O destribuidor a lanço é constituido por:


Tremonha ou caixa de fertilizante em forma de cone para facilitar a descarga do fertilizante;
geralmente feita em plástico ou fibra, afim de prevenir a corrosão.

Vibrador, no fundo da tremonha para permitir o escoamento livre de fertilizante.

Disco rotativos (ou discos) geralmente accionados pela tomada de força. O fertilizante cai da
tremonha no disco que o espalha até 6 a 9 metros.

O fluxo de aplicação é controlado por:

1. Controlo do fluxo de fertilizante que cai da tremonha no disco rotativo, por meio de
um obturador ajustável.

2. A velocidade de avanço do tractor.

3. A velocidade de rotação do disco rotativo. Geralmente quanto maior a velocidade, maior a


largura de espalhamento, e portanto redução da densidade de fertilizante. Contudo, a maioria dos
discos rotativos operam a uma velocidade fixa da tomada de força.

7.3.2.1.2. O sitema alimentador por roda-estrela


O fertilizante é ejectado da tremonha para um prato em forma de estrela. Cada sega de sulco é
fornecida por uma roda estrela e a densidade de aplicação do fertilizante é controlada pela
rotação da estrela e pela maior ou menor abertura do orificio tremonha-roda estrela. Portanto a
maior diferença entre as várias máquinas de distribuição de adubos reside no dispositivo ou
mecanismo de medição.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 113


O performance destas máquinas quando distribuindo fertilizante depende da condição do
fertilizante e das condições climáticas. A maior parte dos fertilizantes quimicos são microscópicos
e tendem a empastar, o que o torna adverso para a distribuição.

Nunca esquecer a limpeza do equipamento após o uso.

Veja outros sistemas de alimentação em “Introduction to Agricultural Mechanisation”.

7.3.2.2. A aplicação de fertilizantes inorgânicos no estado líquido e gasoso

7.3.2.2.1. Fertilizante líquido


Os fertilizantes líquidos geralmente são aplicados a baixa pressão ou livre, sob ou sobre a
superfície do solo, ou sobre a folhagem das plantas. O quimico é contido ou dissolvido em àgua
(por exemplo: água-amónia, uma mistura de uma parte de NH3 para três partes de água) O
fertilizante líquido é guardado num tanque e é descarregado por gravidade, por bomba ou ar
comprimido. Os sulcadores são afiados como dentes em faca e abrem uma incisão dentro da qual
é inserido o fertilizante.
O escoamento por gravidade é controlado através dum orificio fixado para uma dada
vasão, a qual é inversamente proporcional à velocidade de avanço.

7.3.2.2.2. Fertilizante gasoso


A forma mais comum é a amónica anídrica (privada de água) que é manuseada e
armazenada como um líquido comprimido e contém 82 % de nitrogénio. Ela é um gás à
temperatura normal e pressão atmosférica. Então quando este liquido é libertado torna-se em gás
ou gasifica.

É usado um aplicador de lâmina fina para abrir uma incisão no solo; o liquido é
descarregado através de orificios laterais no tubo de descarga; o gás é injectado a 10-15 cm
abaixo da superficie e imediatamente coberto para prevenir que se escape.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 114


O sistema compreende um tanque de amónia liquido, uma válvula de medição e um
aplicador. A válvula de medição é auto-compensatória de maneira a que o fluxo aplicado não seja
afectado pela quantidade de liquido de amónia no tanque.

Figura 19. Sistema de fertilização gasoso. A- válvula de abertura; B- flúxo de amónia; C- válvula
auto-compensatória de medição; D- tanque de amónia líquida; E- lâmina estreita de incisão.

A amónia anidrica deve ser manuseada com muito cuidado pois o seu vapor pode
originar queimaduras ou mesmo morte. O armazenamento em grandes quantidades deve ser feito
por especialistas, e os regulamentos e leis do estado para o seu uso são muito restritas. Portanto
em países em vias de desenvolvimento o uso destes fertilizantes é pouco comum por causa do
dispendio nas infraestruturas necessárias e também pelos aspectos de segurança envolvidos.
7.4. Uso de dispositivos de distribuição de fertilizante e semeadores
Como vimos anteriormente, muitos componentes dum sistema usado para aplicação de
fertilizantes (excepto mecanismos de medição) são similares aos usados para sementeira, por isso
é possivel montar dispositivos para distribuição de fertilizantes em semeadores.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 115


Um exemplo era o caso do semeador com a tremonha dividida em duas secções, uma
para sementes e outra para o fertilizante. Na boca da tremonha (descarga) vão montadas em cada
caixa o sistema de medição, um para as sementes e outro para o fertilizante.

Na boca da tremonha (descarga) vimos montadas em cada caixa o sistema de medição,


um para as sementes e outro para o fertilizante. O fertilizante é descarregado por um tubo
separado (ou muitas vezes pelo mesmo tubo) do das sementes, até ao sulco.

Geralmente o fertilizante deverá ficar afastado pelo menos 2 a 3 cm da semente, afim de


evitar possiveis danificações na semente por acção química.

7.5. Cuidados gerais e manutenção


Os fertilizantes contêm componentes de acção quimica activa que poderão danificar o
equipamento se não se tomarem certas precauções.

As principais são:

1. Lavar o espalhador com água de cal ocasionalmente a fim de neutralizar àcidos. Lavar até
desaparecer qualquer vestigio de fertilizante.

2. Verificar as bandas transportadoras, ver se estão a bambear e têm ligações danificadas.

3. Aplicar òleo pesado sobre as partes que tenham maior predominância a oxidar.

4. Lubrificar de acordo com o manual de instruções.

5. Nunca deixar fertilizante na tremonha depois do uso, esvaziar e cobrir.

8. EQUIPAMENTO DE PROTECÇÃO VEGETAL

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 116


8.1. Introdução
Uma vez a planta germinada no campo, não há garantias de que ela se tornará uma planta
madura, os frutos sejam colhidos, e armazenados. Pelo perigo que a planta se possa perder nos
vários estágios do seu desenvolvimento, como resultado da acção de predadores, ervas daninhas,
doenças e outros, assim como ainda no estágio de grãos nos armazéns, usa-se então produtos
para fazer a protecção, que são manuseados e aplicados por diferente tipo de equipamentos ao
qual chamamos de equipamento de protecção vegetal.

Na "protecção vegetal" a aplicação de herbicidas para reduzir a competição de infestantes


é uma operação importante; fungicidas para minimizar a acção ou efeito dos fungos e suas
doenças; insecticidas para controlar vários tipos de insectos e suas pestes e hormonas para
regular o crescimento das plantas e para finalizar a pulverização utilizada para aplicação de
micro-nutrientes como o manganês ou boro (para queimar ou destuir talos e facilitar a colheita
mecânica, ex: batata).

8.2. A classificação do equipamento


O equipamento de protecção vegetal tem de ser capaz de "lidar" com uma grande
variedade de condições, cada uma requerendo diferentes medidas de controlo. Por exemplo
equipamento de controlo para pestes pode ser necessário ter de satisfazer uma combinação do
seguinte:

1. Insectos, voando em redor das plantas ou escondidos nelas (nas folhas, flores ou na
zona radicular);

2. Fungos;

3. Bactérias e vírus;

4. Predadores (mamíferos, como macacos, morcegos e outros);

5. Pássaros (praticamente todos os tipos).

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 117


Da mesma maneira, a cultura ou planta que necessita protecção poderá por sua vez ter
várias formas:

1. Culturas de tamanho pequeno rasteiras (amendoim);

2. Culturas de tamanho alto (mapira, meixoeira e cana);

3. Cultura de árvores em pomares (citrinos ou palmeira);

4. Culturas mistas com plantas altas e baixas (amendoim intercultivado com a mapira).

Os objectivos das medidas de protecção ( insectos ou infestantes) também respodem de


maneira diferente ao tratamento.

Por exemplo, quimicos que necessitam de ser ingeridos (venenos estomacais) por
insectos relativamente imóveis devem ser aplicados de maneira a cobrirem bem as plantas,
enquanto que para insectos com maior actividade, como as lagartas, não é necessário uma
cobertura tão efectiva, pois com a movimentação destes insectos (maior) facilita-se o seu
contacto com o químico.

Os pesticidas sistémicos são quimicos que são aplicados em qualquer parte da planta, são
absorvidos e espalham-se por toda a planta e se ingeridos pela peste ocasionam a morte.

A aplicação de hormonas actua da mesma maneira no sistema interno da planta.

8.3. Técnicas de controlo


As infestantes podem ser eliminadas fisica ou quimi-camente com tratamentos quimicos.
Alguns pássaros ou mamíferos podem ser afastados utilizando formas ou dispositivos de
assustá-los, como sons altos e intermitentes. Estes ruídos podem ter origem de acção quimica
( por exemplo queimando oxi-acetileno) ou por curto-circuitos electrónicos.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 118


8.3.1. O controlo químico
Muitos químicos de pulverização podem-se facilmente dissolver em àgua dando
soluções, ou podem-se misturar para formar uma emulsão estável.
Estes materiais uma vez misturados, são fáceis de aplicar e podem ser facilmente
pulverizados através de bicos por máquinas de " baixo volume " com fluxos tão baixos como 5
gal/acre ( 56 l/ha ).

Outros materiais como alguns dos fungicidas cúpricos são em forma de suspensão. Eles
podem-se misturar fácilmente com àgua, mas necessitam duma agitação contínua durante o
trabalho para garantir uma pulverização com a mesma proporção ou força na aplicação. Estes
materiais requerem máquinas de aplicação usando bicos maiores, e por isso chamamos de
máquinas de " alto volume ".

O B.W.C.C. ( British Weed Control Council ) adoptou a seguinte nomenclatura em


relação aos fluxos de aplicação dos pulverizadores de culturas no solo:

Baixo Volume - 5 a 20 gal/acre ( 56 a 224 l/ha )


Médio Volume - 20 a 60 gal/acre ( 224 a 672 l/ha )
Alto Volume - 60 a 100 gal/acre ( 672 a 1123 l/ha )

Alguns herbicidas têm uma acção mais selectiva se aplicados com grandes volumes de
àgua. Estes são regra geral herbicidas de contacto.

Com os "reguladores de crescimento" contra infestantes, o spray tóxico é absorvido e


espalhado, se somente uma parte da superficíe da folha for coberta. Uma cobertura completa é
necessária para insecticidas que actuam através do estomago ou por contacto com a cuticula do
insecto, assim como para os fungicidas de todos os tipos; já para insecticidas sistémicos é
adequada uma cobertura parcial.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 119


Com pulverização a " baixo volume " a pequena quantidade de spray aplicado por àrea é
geralmente finamente dividido em pequenas goticulas, e o spray que atinge a planta adere à
superfície em pontinhos individuais.

Com pulverização a " alto volume " as gotas são maiores com tendência a coalescer, a
juntar e cobrir toda a superfície, e o excedente escorrendo para fora. Portanto este tipo é usado
quando precisamos uma cobertura efectiva. Uma vantagem mais deste tipo, é que as gotas
grandes descarregadas, a alta pressão, têm maior poder de penetração do que as goticulas no
caso de pulverização a "baixo volume" e são mais efectivas em conseguir uma cobertura
completa em culturas densas ou atingir infestantes a baixo nivel em culturas altas; e ainda há o
menor perigo do spray ser arrastado para culturas vizinhas.

As vantagens de pulverizar a " baixo volume ", quando é praticável, são obvias. As
máquinas projectadas para este fim podem ser relativamente leves e baratas e devido à pequena
quantidade de àgua necessária, os rendimentos são altos, e os custos de mão de obra mais baixos.

Alguns herbicidas de actuação no solo de pré-emergência tem de ser misturados com as


camadas superiores de solo. Outros materiais de actuação no solo persistentes podem ser
pulverizados na superficie para culturas como o milho e feijão.

Herbicidas de pré-emergência para culturas de raizes como a baterraba podem ser


aplicadas em bandas na sementeira, enquanto outros podem ser aplicados 3-4 dias antes da
emergência da cultura.
8.4. A maquinaria de pulverização
Uma máquina de pulverização necessita dum agente transportador para a aplicação do
quimico. Para quimicos secos em pó, o ar é o agente transportador mais comum.

Quando o químico aplicado está na forma liquida, àgua ou o óleo é o agente mais comum
de transporte. Muitas vezes é feito o uso de dois agentes em simultâneo.

8.4.1. Os fumigadores

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 120


Sua constituição:

1. Tremonha, para armazenamento do quimico em pó.

2. Um vibrador, geralmente na descarga da tremonha assistindo no escoamento livre do


pó.

3. Mecanismo de medição, geralmente orifício ajustável, permitindo a variação do fluxo.

4. Um soprador de descarga, que cria uma corrente de ar que vai transportar as particulas
do pó quimico até ao alvo.

Os fumigadores podem ser operados manualmente ou não. Os tipos manuais podem ser
montados aos ombros ( na acção de fumigação os ventos predominantes devem ser usados para
transportar o pó para o alvo ).

Os fumigadores accionados pela tomada de força, usam parte da sua potência para o
accionamento de um agitador de pó na tremonha.

8.4.2. Os pulverizadores
Como anteriormente dito, este equipamento baseia-se numa forma liquida, geralmente
àgua, como agente transportador do produto químico. O produto quimico com a àgua pode
fazer os seguintes tipos de " misturas ":

1. Solução - na qual o quimico (originalmente em pó ou liquido) é completamente dissolvido


quando misturado com àgua.

2. Suspensão - na qual o quimico (na forma sólida em pó) permanece flutuando em àgua e
necessita constante agitação.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 121


4. Emulsão - na qual o quimico (na forma liquida) dispersa-se na àgua mas realmente não se
dissolve.

8.4.2.1. Os componentes do pulverizador


Os principais são um tanque, uma bomba, filtros nas linhas de sucção e descarga de fácil
acesso e limpeza, os bicos e o feixe de bicos, um manómetro de pressão para indicar a pressão
perto dos bicos, uma válvula de controlo que incorpora um dispositivo anti-gotejo, e uma válvula
de escape ajustável servindo de " by pass " para o material excedentário retornar ao tanque.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 122


Figura 20. Componentes do pulverizador. A- tubo de enchimento; B- filtro de entrada; C- tanque;
D- filtro de sucção; E- bomba; F- válvulas de controle de sucção; G- agitação por alimentação do
“By-Pass”; H- filtro de enchimento em carga; I-válvula de escape; J- filtro de descarga; K-
válvulas de controlo geral; L- feixe de bico.

8.4.2.1.1. Os tanques
O aço só é satisfatório se devidamente galvanizado ou tratado devidamente depois do
fabrico para prevenção contra corrosão e ataque químico.

Materiais plásticos de muitos tipos são cada vez mais usados tendo em conta serem livres
de corrosão, e na sua facilidade de fabrico em formas suaves que evitam a dificuldade de agitar
em formatos abruptos ou cantos lisos.

Onde existe a agitação mecânica, esta geralmente é feita por veios horizontais com pás
rectas, rodando a 100-120 R.P.M. . As velocidades altas existe o problema de formação de
espumas, além do fenómeno de ocasionar uma subida logaritmica no dispendio de energia.

Tanques de fundo arredondado são fornecidos com o uso de agitadores mecânicos


horizontais.

Muitos fabricantes preferem a agitação hidráulica. Uma bomba de capacidade


ligeiramente superior ( 90 - 135 l/min ) é escolhida, e antes de iniciar a pulverização
depois de encher o tanque, a descarga total da bomba é usada para circular os
componentes. Durante o trabalho a volume baixo, é sómente usada uma pequena porção da
capacidade da bomba para a distribuição, sendo o resto recirculado de maneira a manter o
produto bem misturado.

No entanto em trabalhos a "alto volume" a agitação hidráulicapode ficar um pouco


comprometida.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 123


8.4.2.1.2. Bombas
Muitas espécies de bombas são empregues em pulverizadores:
 Bombas de diafragma;
 Bombas de média pressão centrifugas e baixa pressão;
 Bombas rotativas (bombas de carretos e bombas de roletes);
 Bombas de pistão.

As bombas de pistão de alta e média pressão foram muito usadas antigamente em máquinas de
alto rendimento, e ainda o são por muitos fabricantes. No entanto têm um custo inicial elevado;
têm tendência a necessitar de uma manutenção mais atenciosa e cara e ainda com o
desenvolvimento de novos métodos de distribuição que não necessitam pressões elevadas, a
tendência é cairem em desuso para fins gerais.

As bombas de diafragma apresentam um principio de funcionamento mais atractivo, por


causa da inexistência de fricção por deslizamento no mecanismo de bombagem. O projecto de
multi-câmeras compactas, escolha de materiais não-corrosivos e produção de "alto volume" tem
sido combinados afim de fazer este tipo de deslocamento-contínuo, um tipo muito popular para
máquinas de uso geral.

Bombas de roletes de nylon são geralmente usadas para pulverizadores de baixo e médio
volume. Os roletes são mantidos contra os diferentes orificios no rotor da bomba e vão-se
afastando destes (orificios) por força centrifuga, deslocando pequenas porções de liquido.

Nas bombas de engrenagem, a eficiência depende da manutenção de distâncias e olgas


muito justas entre as partes em movimento e a carcassa interna da bomba. Isto também é para as
bombas de roletes. As bombas rotativas (de carretos ou roletes) quando usadas para bombar
suspensões "arenosas" podem muito rápidamente perder o seu rendimento.

Bombas de diafragma e centrifugas, por outro lado, são as apropriadas para manuseio de
materiais abrasivos e têm cada vez mais a tendência de " destronar " outros tipos para uso em

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 124


máquinas universais, tais como as usadas em empresas de pulverizações com um programa
compreensivo de pulverização.

8.4.2.1.3. Bicos de " spray "


A atomização do spray liquido consegue-se descarregando o liquido, através dum
orificio, sob pressão, mas num segundo método de importância comercial consegue-se a
atomização pela rotura da corrente de liquido com uma onda de alta pressão de ar. Os bicos que
não empregam a injecção de ar podem ser divididos em dois tipos principais:
 Bicos de turbilhão;
 Bicos de ventilação.

Bicos de turbilhão - geralmente feitos em latão, aço inox ou plástico, constituindo


essencialmente um prato e câmara de turbilhão, um bico em disco e uma tampa.

O movimento de turbilhão é dado ao spray quando se aproxima do orificio no bico do


disco e o resultado é uma pulverização com uma forma de cone.

A natureza do spray pode ser controlada, variando o numero e tamanho dos orificios do
prato de turbilhão, e pelo uso de discos com orificios de vários tamanhos. Como regra geral os
bicos de turbilhão são usados em pulverizadores de "alto volume" e tendem a operar com
pressões na ordem dos 60 a 100 PSI (4.2 a 7.0 bar) ou menos como 10 a 20 PSI (0.7 a 1.4 bar).

Bicos de ventilação - Poderão ser de cerâmica ou de plástico. Estão em geral desenhados


para "baixo volume" de pulverização mas a selecção dos bicos poderá dar fluxos de aplicação
mais altos. Geralmente são incorporados filtros individuais para cada bico.

As pressões empregues neste tipo de bicos anda à volta dos 30 a 60 PSI (2 a 4 bar). A
utilização de pressões maiores pode criar uma atomização alta e por isso maiores possibilidades
de arrastamento.

8.4.2.2. Os atomizadores rotativos

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 125


O uso de bicos comuns na pulverização, normalmente produz uma gama larga de
tamanhos de gotícolas, algumas das quais sendo tão pequenas que fácilmente são arrastadas do
alvo mesmo com ventos leves. O desenho cuidadoso, o uso de baixa pressão e evitar a
pulverização em dias ventosos, pode no entanto minimizar este efeito indesejável.

Um mecanismo alternativo para a formação de gotícolas de tamanho mais uniforme


consiste na essência, de um disco de alta rotação em naylon com dentes regulares na periferia. O
termo "aplicação de gota controlada" mais conhecido por "CDA" (Controled droplet aplication)
tornou-se vulgar quando se trabalha com uma variedade grande de atomizadores rotativos.

8.4.2.3. Classificação dos pulverizadores


Os pulverizadores e polvilhadores podem ser classificados na base do tamanho operacional; isto
envolve indirectamente a quantidade de energia necessária para operar a máquina. Sendo esta a
base de classificação, as seguintes categorias podem ser defenidas:
 Pulverizadores operados manualmente - Estas máquinas
 podem ser accionadas à mão ou por pé; e são transportadas pelo operador

 Pulverizadores transportados manualmente mas de operação motorizada. A máquina é


geralmente levada aos ombros, mas um motor (montado com a máquina) providencia a energia,
geralmente para accionar ou gerar um escoamento ou fluxo de ar rápido que servirá como
transportador (para pó), ou para levar o quimico liquido até ao bico.

 Pulverizadores operados por tractor - Geralmente envolvem unidades grandes, consistem


básicamente num tanque na qual uma bomba é acoplada para providenciar pressão adequada.

 Pulverizadores de avião - Operação não muito vulgar, pois envolve a utilização de


companhias especializadas e custos elevados; são usados quando estão em questão grandes
áreas.

8.4.2.4. O rendimento dos pulverizadores


Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 126
Os seguintes factores afectam o rendimento dos pulverizadores:
1 - Pressão de operação.
2 - Tamanho do bico.
3 - Velocidade de operação.

Estes factores por sua vez afectam no seguinte:


1 - Densidade de aplicação.
2 - Tamanho da gota.
3 - Distribuição da gota.
4 - Largura da banda.

A bomba dá uma certa pressão e dependendo do tamanho do bico, uma descarga


determinada (densidade de aplicação) é conseguida. Afim de se obtêr uma certa descarga do bico
é importante que a pressão recomendada seja mantida.

A velocidade de deslocação também afecta a densidade. Pulverizando a 8 Km/h em vez


de 4 km/h com um determinado set de bicos e pressão de trabalho, daria uma redução na
densidade de aplicação na ordem dos 50 %. Da mesma maneira, a velocidade de andamento a pé
também afectará a densidade. Assim podemos dizer que a velocidade de deslocamento é muito
importante.

O tamanho da gota é uma função do tipo de bico e pressão de trabalho. Este tamanho é
dado em geral em microns (10-6 m ou mm). O bico também desenvolve uma certa trajectória de
distribuição da gota e isto indica também a intensidade das gotas (tamanho e numero), assim
como a largura da banda coberta pelo pulverizante.

O tamanho médio da gota é expresso pelo diâmetro médio volumétrico (DMV) que
deriva da devisão do volume total das gotas em duas porções, tais que o volume total de gotas
menor que DMV é igual ao volume total de gotas maior que DMV.

8.5. Tamanho da particula e a deriva

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 127


É importante determinar a gama e distribuição do tamanho da particula afim de fazermos
uma aplicação efectiva do pesticida.

Se a particula é muito pequena, pode-se desviar fácilmente do alvo; isto para além de
acarretar perda de pesticida, pode ainda poluir o meio e tornar-se desastroso para a saúde do
Homen.

Com partículas maíores hà menor perigo de deriva, mas partículas menores dão um
controlo mais efectivo com fungicidas, insecticidas e muitos herbicidas.

Deve haver portanto um compromisso e deve-se sempre escolher o tamanho de gota


menor dando menor deriva .

8.6. Aplicadores de gota controlada


Também popularmente conhecidos por pulverizadores de ultra-baixo-volume (UBV)
mais conhecidos por ULV (Ultra- Low-volume), são utilizados para aplicação de pesticidas
liquidos concentrados (não diluídos em àgua).

O principio básico é termos um material líquido que é vertido sobre um disco em alta
rotação (9000 RPM) que vai "partir" o liquido em particulas pequenas, que são transportadas até
ao alvo.
É possivel aplicar 5 litros de pesticida por hectare usando este equipamento
comparado com 200 litros ou mais por hectare.

As instruções para uso especificam que deverá haver uma brisa (5 a 25 Km/h ) afim de
transportar por deriva as particulas de spray do operador até á àrea a ser tratada.
A densidade ou fluxo de saída da garrafa para o disco é regulada pelo tamanho do bico e
fluidez do produto. A adição de 20 % de um anti-evaporante ( òleo ) deve ser misturado com o
produto afim de prevenir uma evaporação muito rápida das partículas.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 128


Quando pulverizando, o operador anda através da cultura, normalmente em ângulo recto
com o vento a uma velocidade recomendada de cerca de 1 m/s (cerca de 1 passo por segundo).
No fim da linha da cultura ele inverte a máquina, anda 10 passos (» 10 m ) ou como
recomendado para essa determinada aplicação, e regressa paralelamente à ùltima passagem. A
máquina é mantida sensivelmente a 1 metro da cultura .

Este tipo de aplicação (CDA) é uma operação rápida ; um operador andando a 3.6 Km/h
(1 m/s) cobrindo 10 metros por passo deve tratar 1 ha em 1000 s (ou cerca de 3.6 ha/h) o que é
extremamente rápido comparando com o método convencional, 1 ha/dia. Ventos da ordem de 1 a
20 Km/h são aceitáveis para estas operações.

Este equipamento produz gotas de 70 mm de diâmetro médio. Portanto a uma densidade


de 1 Lt/ha correspondem 50 gotas por cm2 . Como comparação para obter uma densidade de
depósito semelhante (em gotas/cm2) uma saída de 64 Lt/ha seriam necessários se a gota fosse de
275 mm .

Outra vantagem é que na aplicação ULV os pulverizadores não necessitam práticamente


àgua nenhuma, o que em zonas secas é uma grande vantagem.

8.7. Calibração
Os pulverizadores de campo modernos são na maíoria accionados pelo PTO e com um
dado set de bicos e pressão. A descarga de spray por minuto permanece constante, e a
quantidade de spray aplicado por àrea é inversamente proporcional à velocidade de
deslocamento.

A maioria dos fabricantes fornece gráficos mostrando os fluxos de aplicação com vários
bicos a diferentes pressões e a uma velocidade padrão de 64 Km/h ou 4 M.P.H. e aconselham os
operadores a variar a velocidade de deslocamento afim de fazer ajustes menores no fluxo de
aplicação.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 129


Na prática factores naturais como inclinações, torna dificil mantêr a velocidade do motor
ou a velocidade de deslocação do tractor constantes e por isso hà a necessidade de sistemas de
medição para dar informação correcta sobre a pressão e velocidade, e ainda para o ajuste
automático que pode ser necessário tanto no fluxo como na velocidade.

Passos à seguir na calibracao de um pulverizador:

1 - Decidir por tentativa preliminar, com o tanque meio cheio de àgua, que bicos,
velocidade do motor e mudança assegurará estarmos dentro da gama recomendada.

2 - Medir 100 m no campo a ser pulverizado e medir o tempo exacto levado a percorrer
esta distância para a velocidade do motor escolhida e mudança escolhida.

3 - Com a máquina estacionária numa superficie plana, eleminar os bicos em falha (juízo
visual), ou medindo a variação da pressão, ± 5 % fora da pressão média escolhida.

4 - Encher o tanque até à garganta (completamente cheio) de àgua e marcar o nivel á


frente e atrás.
5 - Deslocar a máquina á velocidade escolhida do motor e pressão durante o periodo de
tempo, medido (para os 100m). Parar e atestar até às marcas, o tanque, usando um método que
nos permita saber exatamente quanto foi enchido.

6 - Com os gráficos, comparar os resultados obtidos com os recomendados gráficamente.

7 - Se necessário, faça novo ajuste e retorne ao passo 2.

8.9. Manutenção de rotina

- Os bicos deverão ser limpos com água pura e nunca com arames ou outros materiais.

- Se mudar dum quimico para outro, o tanque deve ser drenado e lavado com àgua e detergente.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 130


- A lubrificação deverá ser muito cuidadosa, afim de não haver risco de contaminação do liquido
ou bloquear os filtros.

- Quimicos concentrados, para diluíção, nunca deverão ser postos directamente no tanque vazio,
mas sim primeiro dever-se-á enche-lo até metade com água e depois adicionar-se o quimico.

- Quando não estão em uso, os bicos devem ser removidos e guardados separadamente depois
de limpos e secos, as correias folgadas e todas as partes cinemáticas lubrificadas.
8.8. Precauções
Como medida de precaução deve-se seguir sempre as instruções de segurança fornecidas
com o quimico a aplicar, tanto no manuseio, como no armazenamento e aplicação.

9. MÁQUINAS DE COLHEITA

9.1 GENERALIDADES

Grande parte das culturas, tais como os cereais, necessitam que o grão se separe da planta. A este
trabalho se chama debulha e é executado pela debulhadora, depois do cereal ter sido previamente
ceifado pela ceifeira; caso o equipamento execute simultaneamente as duas operaçSes, então dá-
se o nome de ceifeira debulhadora.

As ceifeiras debulhadoras podem intervir eficazmente na recolha das seguintes culturas :

Grãos
cereais (trigo, milho, arroz, etc)
oleaginosas (girassol, amendoim, etc)

Forrageiras (leguminosas e gramineas)

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 131


Tubérculos (beterraba, batata, nabo,etc)

VANTAGENS:
 Diminuição do custo da debulha.
 Redução da mão de obra livre.
 O terreno fica livre mais depressa .
 Distribuíção da palha sobre o terreno, caso não se
 pretenda aproveitá-la.
 Pode-se comercializar a cultura mais depressa.

INCONVENIENTES:
 O investimento necessário é maior.
 É necessário maior potência do motor.
 Maiores possibilidades das sementes virem húmidas .

9.2 PROBLEMAS QUE SE APRESENTAM

9.2.1 - Agronómicos
Afim de se obter o máximo das vantagens de uma ceifeira debulhadora é
necessário a avaliação de todos factores :

a) A alternativa
 .Na destribuição das culturas deve considerar-se a capacidade de trabalho do equipamento,
assim como os seus imperativos de amortização.
 .Dever-se-á também procurar uma certa continuidade no trabalho da máquina, escolhendo
espécies e variedades, dentro de cada época, de maturação escalonada.

b) Época de maturação

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 132


A presença de ervas daninhas é prejudicial à debulha.Quando as ervas estão verdes
proporcionam húmidade ao grão e deterioram a sua qualidade, devido á presença de
impurezas impossiveis de eleminar dada a sua densidade. Quando estão secas os grãos
desprendem-se (ao cortar) e
voltam ao solo infestando-o .

c) Eleição das variedades


Além do escalonamento da maturação, uma boa variedade para a ceifeira debulhadora deve
apresentar as seguintes caracteristicas principais :
 Palha curta e rija.
 Boa resistência á acama.
 Boa resistência à desgrana (depois de atingir a maturação).
 Fácil desbarbação.

9.2.2 DESTINO DA PALHA

a) Recuperação
O aproveitamento pode ser feito : Com uma enfardadeira acoplada na própria ceifeira
debulharora. Esta solução é possivel mas tem a desvantagem de atrasar o trabalho, diminuindo a
manobrabilidade da máquina. Por outro lado, proporciona fardos pequenos e mal feitos, muito
sensiveis á penetração da àgua da chuva e quase desatam com muita facilidade, dada a baixa
pressão da enfardadeira. É claro que a utilização de uma enfardadeira de média ou alta pressão
com cordel ou arame, evita os inconvenientes citados e permite colocar maior quantidade de
palha em igual volume.

b) Enterramento
É uma das soluçSes para exploraçSes sem gado ou com excedentes de palha. Normalmente
pode-se queimar primeiro para facilitar a lavoura de enterramento.
A ceifeira debulhadora pode estar ainda provista de um triturador que a traça antes de a
expulsar para o terreno. Esta é uma solução conveniente sempre que a potência disponivel seja
suficiente, pois a palha fica em melhores condiçSes de ser enterrada.
Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 133
Pode-se ainda utilizar um espalhador em vez do triturador.

9.2.3 DESTINO DO GRÃO


Segundo o equipamento da máquina, o grão pode ser recolhido:
a) Em sacos
É o método tradicionalmente utilizado nas exploraçSes não equipadas para o transporte e
manipolação de grãos soltos. Esta solução exige muita mão de obra, alem de necessitar de uma
provisão em sacas em bom estado; tornando com que esta recolha represente a solução mais cara
do problema .
No entanto a recolha de grãos forrageiros, ou provenientes de campos de ensaios,
acomodam-se melhor à recepção em sacos.

b) Em tégão

A ceifeira debulhadora, leva uma caixa, tremonha ou tégão que se despeja periódicamente em
reboques, que esvaziam automáticamente por báscula, ou fundo móvel. É a solução ideal visto
que é a única que dá lugar a uma total mecanização do trabalho, acompanhada de uma
substancial economia de mão de obra. Em contra partida estas vantagens só podem obter-se a
troco de um equipamento minimo, que pode variar segundo o destino emediato do grão.

Se a exploração envia a colheita directamente para um centro de armazenamento, é preciso


que possua um numero sufeciente de reboques para assegurar um processo contínuo de
transporte sem perigo de interrupção do trabalho da ceifeira debulhadora. Alem disso é
indespensável que o organismo encarregado da recepção esteja em situação de realizar
rapidamente a descarga dos reboques, sem submetêlos a uma espera longa.

c) Equipamento misto

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 134


Algumas máquinas podem, opcionalmente, livrar o grão ensacando-o ou a granel (no tégão).
A maior complexidade mecanica provocada por este sistema, permite no entanto, responder
melhor às exigencias dos distintos utentes, tanto em cooperativa como em empresa própria.

9.3 TIPOS DE CEIFEIRAS DEBULHADORAS E SUA CARACTERIZAÇÃO


( QUANTO A ENERGIA FORNECIDA )

1 - Rebocadas pelo tractor e accionadas pela tomada de força - a máquina é rebocada por um
tractor e os seus orgãos accionados pela tomada de força .

2 - Rebocadas pelo tractor e accionadas por um motor auxiliar.

3 - Automotrizes, é o tipo mais frequente - o motor não só faz avançar a máquina


sobre o terreno, como também move todos os seus orgãos.

CARACTERIZAÇÃO

Os principais pontos a considerar e que caracterizam uma ceifeira debulhadora, são os


seguintes:
 -Potência.
 -Velocidade de avanço.
 -Altura livre da máquina.
 -Altura da máquina.
 -Comandos hidráulicos ou mecanicos.
 -Posição do condutor em relação ao motor.
 -Visibilidade do condutor.
 -Tégão, ensacador ou misto.
 -Capacidade do tégão.
 -Largura de corte.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 135


 -Numero de limpezas.
 -Adaptação para equipamentos especiais.
 -Numero de telas dos pneus.

9.4 MÁQUINAS DE COLHEITA DE FORRAGEM

O capim ou palhas constituem um item importante na alimentação animal. Esta alimentação


pode ser apresentada de diversas formas :
 -Capim fresco (comido durante o pastoreio).
 -Capim seco (feno).
 -Capim processado e fermentado (silagem).

Este capim, pode ser ou uma cultura que não é usada para consumo humano (como a
luzerna) ou subprodutos de culturas de consumo humano.

9.4.1 DISPOSITIVOS DE COLHEITA

As formas mais simples são os despositivos manuais como a foice, podendo a forma e tamanho
variar considerávelmente de região para região. ( Figura 9.1)

As ceifeiras foram inicialmente para corte de capim mas podem ser adaptadas para o corte de
cereais. Geralmente usam-se 2 tipos de ceifeiras :
 Ceifeiras reciprocras ou de barra.
 Ceifeiras rotativas .

A ceifeira de barra cortante, tem duas placas, uma das quais é estacionária. A outra move-se
reciprocamente (vai-vem), sobre a estacionária à medida que a ceifeira vai avançando através da
cultra, cortando-a, como uma tesoura.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 136


Então a barra de corte, comporta um elemento, móvel, "a lamina de corte" ou "faca", que é
animada dum movimento rectilineo alternativo que desliza sobre uma parte fixa
munida de dedos, o porta laminas.

Os dedos apanham a forragem sobre o pé em tufos, mantidos na vertical antes do seccionamento


pela lamina que se desloca lateralmente num sentido. Voltando no outro sentido (inverso), a
lamina secciona uma nova série de tufos introduzidos pelo avanço da ceifeira, e assim
sucessivamente.

Para um corte normal, um ajuste particular deve ser providenciado entre a lamina de corte e o
porta-lamina. Se houver uma folga muito grande ou pequena a operação de corte será
compremetida, assim como um desgaste prematuro das peças.( Figura 9.2 ).

Para um corte limpo, a lamina deve ser mantida com ligeira pressão, "gentilmente" sobre a
chapa ou placa de desgaste; isto consegue-se de seguinte modo:

a) Batendo com um martelo suavemente sobre as guias maleáveis.

b) Em dispositivos modernos (figura acima), variando a pressão do parafuso ajustador.


(fig.9.2)

Quando a ceifeira está em operação, a barra de corte apoia-se suavemente em dois "sapatos"
situados em cada extremidade. O "sapato" externo, que pode ser provido com uma pequena
roda, facilitando o ajuste da altura de corte, leva fixo um divisor e uma chapa de fiada que vai
definir a carreira de erva ou cereal cortado pela gadanha. O divisor separa a faixa a ser cortada
do resto da cultura, e a chapa com o "pau da erva" acoplado, rola a faixa cortada, de maneira a
dar espaço, para a passagem entre as faixas, aos rodados .

9.4.2 AJUSTES

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 137


Uma barra de corte desalinhada pode resultar em :
 Pobre operação de corte.
 Carga ou resistência pesada.
 Avarias, por desgaste e quebras.

Uma barra de corte está alinhada quando :

O munhão da biela, a cabeça da lamina e a extremidade exterior da barra estão ligeiramente


em frente ao extremo interior . Este avanço da barra de corte pode ser ajustado. Sobre isto deve
sempre consultar o manual de operação e ter em conta as condiçSes do terreno.

Outro aspecto a ter em conta, é que o centro da secção da lamina e o centro das placas de
desgaste coícidam ao fim de cada tempo (movimento alternativo). Se isto não acontece, teremos
um corte irregular ao fim de cada tempo e um dos lados da secção da lamina cortará mais ou
menos do que o outro.

Nas gadanheiras modernas projectadas para cortes a altas velocidades, têm um deslocamento
apreciávelmente maíor do que a distância entre os centros dos dedos (ex: 95 - 120 mm e 76.2
mm) . O objectivo disto é a tentativa de evitar cortar durante a parte do curso em que a
velocidade da lamina é muito pequena, e também para permitir uma alimentação máxima de
cultura a entrar na zona de corte entre a lamina e a placa de desgaste .

9.4.3 MONTAGEM E ACCIONAMENTO

Todas as formas de gadanheiras accionadas por veio PTO têm a vantagem que a velocidade
da lamina e a de avanço, até um certo limite, são independentemente variáveis pela escolha duma
engrenagem. Isto apresenta uma vantagem, quando lidamos com culturas densas que necessitam
velocidades de avanço lentas e quando lidamos com a necessidade de aparar uma pastagem a
altas velocidades de avanço.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 138


Também é necessário a incorporação de dispositivos de segurança. Em quase todas as
máquinas a barra de corte pode "balouçar" ou mover-se para trás quando encontra um obstáculo
sério. Um método moderno é o emprego de accionamento por correias em "V" eliminando a
necessidade duma embreagem deslizante no mecanismo de accionamento.

9.4.4 PROBLEMAS PRINCIPAIS :

 Forças desequilibradas
 Aumento dos cursos
 Uso de amortecedores de vibração
 Uso de duas barras em movimento.

9.5 AS CEIFEIRAS OU GADANHEIRAS ROTAT IVAS

As gadanheiras incluídas nesta secção são aquelas que possuem laminas rotativas em relação a
um veio delgado. São em geral de dois tipos, de tambor accionadas pelo topo, por um veio e
engrenagens ou simplesmente por correias em "V" ; o outro tipo são as de disco que têm o
mecanismo de corte accionado por engrenagens helicoidais montadas numa caixa ligeira e fina
abaixo das laminas.

Os suportes das laminas ou facas nas rotativas de tambor tendem a ser maiores em diametro
do que as de disco. Uma máquina pequena com 1.7 m de largura de corte tem geralmente dois
tambores ou quatro discos.

Os seguradores das laminas nas gadanheiras rotativas de tambor devem ser inclinados para
fora, para permitir que o braço da lamina, no caso de chocar com um obstáculo imóvel, possa
mover para trás e para cima, providenciando uma altura livre de 100 mm.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 139


As gadanheiras rotativas são projectadas de modo a permitir a rotação oposta de pares de
rotores.

As grandes vantagens são :


 -Grande capacidade de trabalhar a altas velocidades de avanço
 -O mecanismo de corte é livre de bloqueios
 -Deixa bons acabamentos em espaços pequenos.

No entanto o consumo de potência é maior, assim como o preço de aquisição.

OPERAÇÃO

 A velocidade de avanço em boas condiçSes pode ser até ao limite de 9 ãPH ou 14.5 Km/h.
Requesitos em potência são da ordem dos 20 HP ou 15 Kw por metro de largura de corte.

 Os tambores ou discos devem ser verticalmente ajustados, senão ficaremos com faixas de
capim não cortado entre os pares de rotores.

 Nas gadanheiras rotativas de tambor é importante primeiro ganhar velocidade antes de entrar
na cultura a ser cortada e depois mantêr o avanço.

 Os tambores deverão estar devidamente equelibrados, caso contrário, estaremos a submeter o


equipamento a tensões ciclicas, podendo ocasionar a fadiga dos metais. Portanto nunca operar
com falta de uma lamina ou com laminas novas e velhas no mesmo rotor.

 As correias devem estar sempre bem esticadas. O seu bambeamento não só origina um
aumento de calor das correias mas também uma perda de velocidade e a possibilidade de a
cultura emaranhar-se à volta dos tambores.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 140


 Uma das razSes pelas quais as gadanheiras rotativas normalmente usam engrenagens ou
correntes de accionamento, é por causa de se sincronizar a rotação dos tambores adjacentes ou
discos de maneira que não haja interferência das laminas.

9.6 MÁQUINAS PARA O TRATAMENTO DO MATERIAL CORTADO

Afim de se poder fazer o aproveitamento do material cortado, feno ou silagem, o primeiro


objectivo é remover a humidade o mais rapidamente possivel do produto cortado (ceifa) com o
intuíto de deminuir o tempo de secagem no campo, tanto quanto economicamente possivel.

A perda de nutrientes começa assim que se faz o corte da cultura, e continua enquanto a ceifa
permanecer no campo. A principio maiores perdas devem-se á respiração, mas quando é feita a
fenação as perdas nos estágios seguintes são maiores ligadas à quebra das folhas, lavagem pela
chuva, branqueamento pelo sol, moldação pela humidade continua e aquecimento pela
decomposição da matéria organica.

Em adição a estas perdas, algumas delas são dificeis de se evitar, havendo ainda a salientar as
perdas mecanicas, devido ás acçSes do uso imperfeito ou incorrecto das laminas.

Então, afim de se evitar ou acelerar a perda de humidade da ceifa, usa-se o seguinte


equipamento :
a - Ancinho de acção manual ou mecanica
b - O espalhador que pode ser do tipo de barra dentada ou do tipo de roda-dedo.
c- Condiciondor de forragem

9.6.1 O ESPALHADOR

O espalhador de barra dentada ou também chamado de espalhador rotativo a tambor, formado


por três ou quatro pentes fixos, formados de dentes metálicos, dispostos radialmente sobre um

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 141


rotor (tambor) cujo eixo horizontal é disposto perpendicular à direcção de avanço e accionado
pela tomada de força do tractor. Um inversor permite um espalhamento mais enérgico quando o
tambor roda em sentido inverso ao das rodas da máquina.
Espalhador de roda dedo, de solar ou de discos, são nomes comumente chamados a este
dispositivo relativamente leve, transportado por pequenas rodas pneumáticas, comportando dois
a seis grandes discos verticais, de 1.3 m de diametro, guarnecido de dentes longos e elásticos,
dobrados e inclinados judiciosamente . Estes discos são dispostos obliquamente em relação à
direccão de avanço e ligeiramente disfazados entre si.

Este equipamento pode também fazer amontoação se afinado para tal.

9.6.2 CONDICIONADORES DE FORRAGEM

Enquanto os equipamentos anteriores agem sobre a massa de forragem, os aparelhos


condicionadores agem sobre a planta directamente, em particular sobre os seus caules. O
objectivo é de fazer secar mais rápidamente e uniformemente os caules ou pedunculos - assim
como as folhas duma planta heterogenea e desigualmente exposta ao sol, ou esmagando-as ou
lacerando-as.

Dois tipos de condicionadores, aplicando dois principios mecanicos diferentes, agem de maneiras
distintas (ao mesmo tempo que se procede ao corte, ou imediatamente depois) de maneira a
acelarar e a uniformisar a secagem das diferentes partes das plantas forrageiras cortadas.

No primeiro caso, realiza-se entre dois rolos, um esmagamento dos caules e posteriormente a
amontoação em "acordeão" para as dispôr em leiras regulares e arejadas.A este tipo chamamos
condecionadores a rolos.

No segundo caso, efectua-se uma laceração ou fragmentação, dispondo-se posteriormente a


forragem no solo como no caso anterior. A este tipo chamamos condecionadores de escovas.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 142


9.6.3 ENFARDADEIRAS

Depois de secar a cultura cortada, sobre o terreno , ela deve ser recolhida e arrumada em fardos,
trouxas ou feixes. Estas trouxas obviamente ocuparão bastante espaço e para resolver isto, uma
máquina para apanhar o feno ou ceifa foi dimensionada, permitindo ainda a sua compressão e
amarra em fardos.

A forma dada a estes fardos pode ser rectangular (ex:34*45*90 cm) podendo também ser
cilindrica; no entanto os tamanhos e densidades, variam de máquina para máquina.

A enfardadeira possui em geral os seguintes componentes :

1 - Rolo apanhador Geralmente na forma de dentes, os quais quando rodados,


levantam a palha e empurram-na no sentido de alimentar um sem-fim que movimenta
a palha até à camara de enfardamento.

2 - Camara de enfardamento É a camara central onde se dá lugar à compressão


da palha.
A palha é puxada do sem-fim para a camara através dos braços alimentadores,
os quais são semelhantes às bielas de um motor de combustão interna.

3 - O pistão Como num ã.C.I., tem a função de comprimir o material movido pelos
braços alimentadores até à camara de enfardamento. O pistão é provido de uma faca ou lamina
que permite o corte de porções segundo dimensões pré- determinadas.

O material sai da camara, comprimido em fardos, mas de forma a prevenir a sua desintegração
posterior, o fardo deve ser amarrado com fibra, corda ou arame, e isto consegue-se com um
dispositivo especial, chamado mecanismo de nós, o qual enrola uma quantidade certa de fio à
volta do fardo e dá um nó.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 143


A densidade do fardo pode ser aumentada pelo aumento da força oferecida na camara pelo
pistão.

9.6.4 EQUIPAMENTO DE SILAGEM

Silagem ou ensilagem consiste no armazenamento do material vegetal, de tal maneira que as


bactérias existentes nessa matéria produzam um meio àcido suficiente para a preservação do
produto. Um factor importante no método de silagem, é a necessidade de excluir todo o oxigénio
do meio.

A ensilagem requer manuseio de matéria vegetal de grande teor de humidade e envolve as


seguintes fases :

1 - Corte
2 - Recolha
3 - Transporte
4 - Enchimento do silo

Máquinas separadas podem ser usadas para cada uma destas fases ou operaçSes, mas hoje
em dia o uso das (auto)combinadas de forragem são geralmente muito comuns e possibilitam
simultaneamente o corte, fragmentação e enchimento do material no atrelado numa só operação.

Estas combinadas podem ser do tipo de rolo cilindrico, do tipo de volante ou misto.

CONSTITUIÇÃO

As combinadas de forragens, teem os seguintes orgãos essenciais:

1 - Dispositivo de recolha, afim de recolher a cultura

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 144


cortada pela gadanheira (ou a combinada, pode ter a sua
própria gadanheira).

2 - Um sem-fim ou elevador de transporte da cultura cortada


ou apanhada para a unidade de fragmentação.

3 - O mecanismo de fragmentação que pode ser do tipo cilindrico ou de volante.


No tipo cilíndrico o mecânismo de fragmentação é constituído por um cilíndro (com laminas em
espiral) que corta a cultura de encontro a uma lamina fixa. No tipo de volante o mecanismo de
fragmentação tem um prato pesado circular com várias laminas fixas. Com a rotação deste, o
material é fragmentado contra uma lamina fixa.

9.7 MÁQUINA DE COLHEITA DE GRÃOS

9.7.1 INTRODUÇÃO

O principio, em muitos casos, é cortar a planta por esforços cortantes e acção de


impacto( similar á acção de uma tesoura) e deixar a cultura cortada sobre o terreno desta
forma ou atada em molhos ou medas.

Nos campos de colheita, existe uma série de equipamentos usados, entre as quais :

 Foices e gadanhas (manuais)`


 Ceifeiras ou gadanheiras.
 Ceifeiras-atadeiras.

Contudo o material cortado tem de sofrer outras alterações, como a recolha do campo,
debulha, enfileiramento da palha debulhada, limpeza e ensacamento ou armazenamento. Estas
operações quando executadas manualmente requerem muitas mão-de-obra, muito tempo,
alem de ser um trabalho pesado; dai a utilização de uma maquina que pussa executar todas

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 145


estas operações, a qual se da o nome de ceifeira-debulhadora ou ainda no caso mais completo
de combinada.
Obviamente que estas maquinas mais sofisticadas e muito mais caras podem não ser
justificáveis em explorações de pequena escala e dai a opção de elaborar somente parte das
operações de forma mecanizada, das quais uma opção bastante aceite nos pequenos
exploradores agrícolas é a colheita mecânica, com a debulha e a limpeza sendo feitas
separadamente, porque:

1- Colheita e uma tarefa árdua e intensiva, sendo por isso melhor ser mecanizada,

2- Atrasos na colheita aumentam o índice de perdas maior e as chances de ela ser


comida pelos predadores.

3- Chuvas podem danificar a cultura se a colheita não for atempada.

4- As tarefas ou operações posteriores podem ser executadas mais tarde em recintos cobertos
permitindo ao agricultor o uso imediato do campo para outras operações de preparo.

5- Máquinas projectadas para colheita, para debulha e limpeza como operações singulares são
mais fáceis de manter, mais simples e mais baratas e de fácil operação

Ver processos semi-mecanizados para debulha e limpeza do grão ,no capitulo 18,”tressing
equipamento” do livro “:do livro “Introduction to Agricultural mechanization”.

9.7.2 COMBINADAS

São máquinas mais sofisticadas que as anteriores e, geralmente utilizadas em grandes


explorações; tem a vantagem de poderem fazer o corte, debulha, limpeza e ensacamento numa
operação.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 146


Ainda que as combinadas são na maioria usadas para o corte e escolha do grão numa só
operação, elas podem ser usadas com vantagem para a elevação e debulha de culturas que
foram previamente cortadas e deixadas enfileiradas.

9.7.3 PRINCIPAIS TIPOS DE COMBINADAS

Todas as combinadas consistem essencialmente dum mecanismo de corte e/ ou molinete (pic-


up) ligados a um debulhador moves. Tipos simples atrelados ao tractor movidos pelo PTO
com dispositivos de ensacamento são muito utilizados nos países onde o manuseio a granel
não existe

9.7.4 FUNCIONAMENTO

A cultura é apanhada pelo molinete, e transportada pelo sem-fim para o centro da mesa onde é
apanhada por um elevador de corrente e pás que a eleva até ao cilindro debulhador, onde de
dá a debulha principal, quando a cultura passa entre o cilindro batedor e o côncavo. A palha
grande com ainda algum grão e pequenos fragmentos passam para uns agitadores ou
vibradores chamados cavalos, enquanto que os grãos e fragmentos são recolhidos pela peneira
principal.

A mistura de fragmentos e o grão passam ás peneiras secundarias, onde uma ventilação


controlada produzida pelo ventilador sopra para fora, os fragmentos pequenos de palha, pela
parte traseira da maquina; uma panela de retorno pequena recebe os grãos limpos e dirige-os
ao transporte-elevador de grãos que os descarrega no tanque ou tremonha. Pedaço de palha,
não debulhados, retornam ao cilindro debulhador ou em casos especiais a um redebulhador.

A grande vantagem das combinadas, à parte de deixar livre o tractor que em tempo de outras
operações andava ocupado, é que ela pode ir directamente sobre uma cultura, sem necessitar
de abertura prévia e pode cortar na direcção mais conveniente. Tem também uma grande
variação de velocidade de avanço, sem estágios de accionamento mecânicos ou hidrostáticos,
o que permite trabalhar satisfatoriamente e efectivamente numa vasta gama de culturas. O

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 147


operador tem uma visão completa da barra de corte e pode deixar partes difíceis no caso de
humidade

Grandes avanços foram feitos e continuam sendo feitos nas autocombinadas, facilidade a
operação e ajustes durante o trabalho, como : ajustes das folgas do côncavo e batedor sem
parar a maquina, alteração a velocidade do batedor em trabalho, controlo hidráulico
independente da altura da barra de corte e da altura e avanço do molinete.

Uma opção muito exigida pelos utilitários é a capacidade de parar instantaneamente o fluxo da
cultura dentro da máquina se acontecer algum bloqueio ou avaria. Em algumas séries de
autocombinadas um controlo eléctrico- hidráulico desengata imediatamente os mecanismos
sob alimentação e activa um accionamento inverso dos mecanismos por motor hidrostáticos
de 6 HP.

Há também uma necessidade crescente na previsão de instrumentos para avisar o operador de


qualquer anomalia no funcionamento dos componentes tais como a ventoinha de
arrefecimento do motor, elevadores, sem-fins, medidores indicadores das velocidades dos
veios e indicação de cábines pressurizadas para a comodidade do operador

Em adição às maquinas provistas de cavalos vibradores descritas como “convencionais” há


também máquinas nas quais estes cavalos e cirandas são substituídos por dispositivos
rotativos de separação do grão.

9.7.5 DESCRIÇÃO DOS GRUPOS PRINCIPAIS

9.7.5.1 MECANISMO DE CORTE

A faca com dentes em serrilha é virtualmente universal. Esta tipo de facas trabalham por
longos períodos sem necessitarem de afiamento, e têm o seu melhor corte nas culturas
levantadas e secas. Podem ter desvantagens em relação as facas de secção lisa quando
cortando culturas contendo grande proporção de infestantes.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 148


A plataforma é equilibrada afim de providenciar um ajustamento fácil da altura de corte .Este
pode ser feito por cilindros hidráulicos ou automaticamente e pode andar entre os 75 - 600mm
do solo.

Em máquinas modernas é incorporado um molinete ou “pic-up” para lidar com culturas


deitadas. Em projectos recentes este rolo “pic-up” é ajustado para a frente , atras a cima e a
baixo da plataforma de accionamento; também a velocidade de rotação pode ser variada em
conformidade com a velocidade de avanço ou mudanças das condições em que se encontra a
cultura.

9.7.5.2 MECANISMO DE DEBULHA

A cultura é geralmente levada para o centro da mesa por um semi-fim de grande diâmetro e
dai transportada para o cilindro debulhador por elevadores de correntes. O cilindro é
normalmente do tipo de batedor de barras, contudo o tipo de batedores de dedos ou molas
(tanbém chamado batedor americano, pois teve origem nos E.U.A.), é geralmente usado para
o arroz. Foi interrompido o seu uso na Europa devido a quebra excessiva da palha seca,
aumentando os problemas na separação do grão , tornando também a feitura de fardos mais
difícil, além de absorver mais potência.
O batedor de barras é mais tolerante em situações de infestantes verde e condições de debulha
húmida. A maior parte ou percentagem da debulha é feita entre o batedor e o côncavo e as
folgas andam á roda de 2,5 para 1 ( de frente para trás ).
O grão do côncavo e dos cavalos passam até um tabuleiro principal (ou cirandas principal)
que por movimentos alternativos de persianas fazem uma limpeza fina e transportam o grão
até uma banda elevadora de grão .

Um jacto de ar, faz também a separação da palha fina de grão e este passa a uma ciranda ou
peneira fina . O grão daqui vai para o elevador de grãos. O material que cai para fora do topo
das cirandas passa através dum elevador que os retorna ao dispositivo da debulha.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 149


O desenvolvimento de combinadas com debulha e separação do grão num mecanismo único
rotativo indica que existe um desenvolvimento substancial sobre os princípios básicos.
Os objectivos incluem saídas de alto volume á partir de máquinas de tamanho total
pequeno, podendo movimentar-se melhor de campo em campo e maior com independência de
factores variáveis tais como inclinações do terreno .

9.7.5.3 OPERAÇÃO

Geralmente é possível obter uma amostra de grão perfeita com uma combinada, nem tão
pouco é desejável fazer isso. É importante que o batedor e vibradores tenha um tamanho
suficiente e proporcional ao tamanho da barra de grão e da palha. O grão debulhado pode
conter corpos estranhos ( grãos infestantes ) que não se consegue remover efectivamente
quando húmidos, e muitas vezes é melhor deixar parte da limpeza que deverá ser feita
posteriormente em máquinas separadas dentro dos recintos de processamento e/ ou
armazenamento, ao invés de a atrazar o processo de colheita.

Devemo-nos lembrar que a razão da “combinação “ é comandada mais pelo volume de palha
manuseada pela máquina, do que pelo peso do grão. Infestantes ,clima húmido, palha húmida,
todos reduzem o “ output” da máquina . Cardos e outras sementes “sumarentas “ de
infestantes entopem os vibradores e os crivos ,e pode ser necessário parar a máquina e fazer a
limpeza frequentemente quando as condições de operações são más.

O uso de spray herbicida pode facilitar em grande medida o trabalho da combinada . Em


muitas “farms” onde o controlo de infestantes é bom, não existe palha verde a atrasar o
trabalho e nestas condições a combinada pode atingir níveis de saída bons, assim como a
obtenção de grão directamente armazenavel.

Culturas com maturações irregular são, regra geral, primeiro cortadas, espalhadas e reviradas,
mas há condições onde o uso de reguladores de crescimento do tipo de “de secante “ pode
providenciar uma alternativa para um processamento directo com a combinada, a um baixo
custo.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 150


9.7.5.4 AJUSTAMENTO

Ajuste incorrecto do “pic- up” pode levar a grandes perdas na barra de corte , particularmente
em culturas deitadas ou muito maduras.

Tanto a velocidade como a posição do “pic-up” de necessitam ajustes conforme a cultura e é


necessário experiência e juízo, particularmente se as condições numa mesma cultura variam.

Como regra geral, em culturas deitadas, o rolo deve estar bem afrente com os dentes
justamente a “escovarem “o solo quando a barra de corte estiver a 75 mm ( 3”) acima do solo.
Em culturas levantadas o rolo deve estar posto de maneira que as barras de suporte dos
dentes (pentes) atinjam a cultura cerca de 150 mm abaixo da espiga. Se repararmos que
algum grão está-se soltando das espiga deve-se reduzir a velocidade do “pic-up”.

Em muitas combinadas a capacidade dos vibradores limita a capacidade de debulha e, as


perdas nestes vibradores que se tornam serias se alguma tentativa é feita para o manuseio de
maior quantidade de palha

No inicio da operação com a combinada a velocidade do batedor e as folgas do côncavo


devem ser afinadas segundo a recomendação do fabricante. Se a combinada não debulha
convenientemente, a primeira afinação deve ser o aumento da velocidade do batedor Maiores
velocidades são necessárias para culturas húmidas e resistentes a desgrana

Se o aumento da velocidade do batedor ainda não é efectivo deve-se então reduzir a folga
batedor - côncavo

Se a debulha esta a ser limpa e o grão a sair partido o primeiro passo deve se aumentar a folga
do batedor côncavo. Depois disto se persistir a quebra do grão , deve-se então reduzir a
velocidade do batedor

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 151


Caso não haja recomendação do fabricante um ajuste inicial de 6.4 mm (1/4”) á frente e 3.2
mm (1/8”) mm atras é sugerido para cereais.
A danificação da semente pode ser revera se a debulha for feita em situações de teores
elevados de humidade. Para uma boa debulha a humidade não pode ser maio que 15 a 21%
dependendo da cultura.

Ajuste nos ventiladores necessitam atenção especial. Em muitas máquinas a velocidade


é constante e a ventilação é regulada por borboleta. Outras porém permitem regular a
velocidade por polea variável. Ventilações fortes atiram grão para fora (na parte traseira),
enquanto ventilações fracas originam o acúmulo de palhas nos mecanismos de limpeza ao
ponto de entupir a máquina. Um principio a ser observado, é manter ventilação forte,
combinada com grandes aberturas nas peneiras.

Deve-se ter sempre em conta que o ajustamento num componente particular da combinada
implica efeitos nos outros componentes.

Se uma combinada estiver bem afinada, as perdas excessivas de grãos atras, geralmente
indicam que os mecanismos de debulha e limpeza são chamadas a operar além da sua
capacidade, e portanto deve-se reduzir o avanço da máquina.

9.7.5.5 CAPACIDADE DAS COMBINADAS

É muito difícil dar valores específicos de capacidade de uma combinada, pois as condições
variam bastante.

A capacidade é dada em ton/h, mas a figura para grão tem pouco significa, pois é geralmente a
capacidade da máquina de lidar com mais palha que limita o “ouput”. Assim quando se fazem
testes, a palha deve ser passada através da máquina a uma grande vazão, e a capacidade é
expressa como o caudal máximo ou M. O G ( material other grain) passado para um nível de
perdas de grão admitido (por exemplo,1 % ).

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 152


A capacidade em grão para a velocidade dada iguala:

 ”OUT - PUT” DE PALHA X RAZÃO (GRÃO / PALHA)

Assim. para uma combinada com uma saída de palha de 10 ton/h a uma dada percentagem de
perda de grão, numa cultura típica de trigo com uma razão grão/palha de 1/1, a saída de grão
é de 10 ton/h

A capacidade sazonal de uma combinada depende de uma grande variedade de factores, o


principal dos quais no que respeita a política necessária para a humidade do grão na colheita, e
as condições climatéricas da área assim como a estacão do ano.

9.7.5.6 MANUSEIO DO GRÃO

O grão é normalmente descarregado do tanque montado na maquina, num atrelado puxado


por tractor ou então em camiões que posteriormente fazem a descarga em locais apropriados
sem necessidade de mão de obra. Quando um tractor é atrelado para transporte a granel é
conveniente ter dois atrelados

Combinadas de grande capacidade podem apresentar um grande problema quando as


facilidades de recepção e transporte são inadequados. O tanque ou tremonha da máquina
necessita normalmente de uma descarga em cada 20 minutos e as quantidades envolvidas
andam á volta das 3 (três) toneladas. A descarga que se pode fazer em movimento leva cerca
de 1 minuto e meio. As cargas devem portanto ser esvaziadas rapidamente e pouco tempo se
deve perder com o transporte.

10. BOMBAS E EQUIPAMENTO DE IRRIGAÇAO

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 153


Um amplo fornecimento de água, devidamente destribuido, è necessário para a efeciência
técnica em exploraçSes agrícolas.

Muitas farms não podem depender somente da àgua publica canalizada, pois mesmo que
existente, é em geral económicoinstalar uma estação de bombagem onde exista uma fonte
adequada de água.

Esta estação deverá cumprir os requesitos de fornecimento. O fornecimento deverá sempre


que possível, fazer uso das condiçSes naturais existentes, (poços artesianos, rios, reservatórios
colocados nos pontos mais altos,etc)

Há no entanto o perigo de poluição de muitas fontes, mas muitas vezes apesar de impropria
para o consumo humano, ela poderá ser utilizada para outros fins. É muito importante
primeiro fazer-se testes completos da qualidade da água, antes de se embarcar num programa
extensivo de fornecimento.

O caudal necessário por dia, é um factor que depende em larga escala do tipo de exploração;
no entanto ela deve-se basear em estimativas parciais como abaixo se indica:

Por cabeça/dia

Vacas em lactação - para beber 17Gal - 75Lts


Vacas em lactação - limpeza e arrefecimento 17Gal - 75Lts
Gado não em lactação 10Gal - 45Lts
Porcos 3Gal - 13.5Lts
Galinhas em aviários 0.3Gal - 0.6Lts
Doméstico (4 pessoas com esgotos) 112Gal - 500Lts

É geralmente necessário providenciar um reservatório de armazenagem, perto do sítio onde


ela é consumida maiori - táriamente. Se a topografia for adqueda, um tanque elevado pode ser
usado. Isto deve ser pelo menos 6 a 9 metros sobre as torneiras, arrefecedores de leite, etc.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 154


Onde se necessitam maiores pressãos (2.75 bar) para irrigação, o uso de tanques por
gravidade são geralmente impraticáveis, pois precisariam de ser cerca de 90 FT ou 27 metros
acima do ponto de uso.

A vantagem do emprego de tanques de grande capacidade por gravidade é que fornecem uma
boa reserva nas horas de pico, em cujas necessidades podem ultrapassar a capacidade da
bomba .

Onde há possibilidade de uso de elétricidade para a bombagem, uma boa alternativa é o


tanque a pressão com interruptor de controlo automático. Tem a grande vantagem que o
tanque a pressão pode estar num sitio conveniente, perto da bomba. A bomba descarrega água
através de uma válvula sem retorno para o tanque fechado a pressão, que é automaticamente
mantido a 3/4 cheio de ar. Quando se abre uma torneira no sistema de destribuição, a àgua sai
do tanque e depois da pressão descer abaixo de um certo valor, a bomba é automaticamente
ligada. Neste caso não é económico ter tanques grandes e a descarga da bomba deve ser igual
á demanda no pico.

O tipo de bomba necessária depende principalmente da "altura de sucção" e "altura de


descarga".
Quase todos os tipos de bombas podem ser usadas para curtas alturas de carga (até 15 Ft ou
4.5 m) e nestes casos deverão ser escolhidas as mais simples e mais baratas. Se a àgua deverá
ser bombada dum poço fundo, já a escolha deve ser ponderada, baseando-se nos muitos tipos
especialmente desenhados para esse fim. Estas bombas geralmente são instaladas abaixo do
nível do solo afim de cumprir com
alturas de sucção da bomba ou então estão imersas na àgua.
Bombas modernas para operação com motores de combustão interna ou moto-bombas e
motores eléctricos ou electro-bombas estão em geral dentro dos três grupos mais importantes:

 . Bombas de imersão para poços fundos


 . Bombas de pistão para poços pouco fundos

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 155


 . Bombas centrifugas
 . Bombas multi-estágios de vários tipos
 . Bombas de jacto
 . e outras já anteriormente faladas.

Há no entanto um outro grupo ao qual chamamos despositivos de elevação, pois servem


essencialmente para elevar a àgua; dentro deste grupo estão :

 . Balde
 . Cesto oscilante
 . Parafuso de arquimedes
 . Roda persa
 . Bomba de correntes

10.1 DESCRIÇAO DAS BOMBAS MECÂNICAS

10.1.1 BOMBAS A PISTÃO OU RECIPROCAS

Consistem essencialmente dum pistão em movimento dentro dum cilindro. Este movimento
conjugado com um sistema de válvulas, permite levantar água dum nível para outro .
O volume do cilindro é pequeno; deslocamentos de volume por cada tempo são da ordem dos
0.04 Lts e a bomba é invariávelmente horizontal de dupla acção.

Uma instalação típica com um motor de 1 HP (0.25 Kw) dará uma descarga de 300 Gal ou
1350 Lts por hora contra uma altura total de 120 Ft ou 36 metros .
Bombas a pistão de baixa rotação e serviço severo dão descargas com alturas totais muito
maiores. Este tipo é em geral mais caro do que as bombas de alta rotação a pistão
.

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A caracteristica destas bombas é que dão uma descarga comparativamente baixa, mas contudo
invariável com a altura de carga .

10.1.2 BOMBAS CENTRÍFUGAS

Consistem geralmente num impulsor que se movimenta dentro de um corpo ou invólucro,


especialmente projectado para aumentar a pressão criada pelo impulsor em rotação.
Estas bombas operam no mesmo principio dos ventiladores. Os tipos simples não são tão
efecientes como as bombas a pistão, mas teem a vantagem de ser menos complicadas e de
menor manutenção.
No tipo simples o impulsor, consiste, de alhetas curvas e é movimentado a alta velocidade
dentro dum corpo em forma de disco.

A água entra no centro do corpo, e o movimento do impulsor empurra-a para o tubo de


descarga, que é tangencial ao aro externo do corpo. Estas bombas simples teem de ser
"ferradas".
Neste processo da entrada de àgua pela sucção e saída pela descarga, hà redução de
velocidade da àgua e aumento da pressão.
Existem no entanto desenhos mais modernos e efecientes e ainda com a vantagem de a
sucção e descarga estarem lado a lado no topo superior da bomba, não sendo portanto
necessário "ferrá-las".
Estas bombas por vezes podem têr vários estágios afim de se poder aumentar a pressão e a
descarga. Neste tipo, sobre o mesmo veio são montados dois ou mais impulsores, de tal
maneira que a descarga do primeiro é alimentada na sucção do segundo, havendo com isto um
aumento da pressão em cada estágio.

10.1.3 BOMBAS ELÉCTRICAS SUBMERSÍVEIS

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São bombas perfeitas e efecientes, geralmente empregues em poços fundos e onde haja
electricidade disponível. A unidade consiste de uma bomba e motor que são montados dentro
da água e presos ao tubo de descarga. A bomba é montada acima do motor.

O motor é do tipo de "caixa de esquilo", com um cilindro de liga metálica afim de proteger o
estator, da àgua. O rotor é de metal não corrosivo e é imerso na àgua.

A corrente elétrica é conduzida para o motor por cabo protegido à prova de àgua e o controlo
pode ser por interruptor on-off ou então por sistemas automáticos.

A grande vantagem é a sua facilidade de instalação. O diametro externo desta unidade


raramente ultrapassa 6" ou 150 mm e é facilmente baixada no poço e retirada dele para
serviços de manutenção.

Veja o funcionamento de outros tipos de bombas

10.2 SELECÇÃO DE UMA BOMBA

Bombas para exploraçSes agricolas, são geralmente escolhidas tendo como factor decisivo a
enesistência de falhas na operação e custos iniciais baixos, ficando em segundo plano a
efeciência mecanica do equipamento.

Para poços pouco profundos a escolha cai geralmente para bombas horizontais a pistão e
bombas centrífugas simples; contudo para alturas maiores (abaixo do solo) a opção é
geralmente para as bombas submersiveis.
Bombas a pistão geralmente custam menos em operação do que as centrífugas, mas estas
últimas estão menos sujeitas a problemas mecanicos e são preferidas quando a àgua tem
muitas impurezas.

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Sempre que possivel, dever-se-á optar, como forma de accionar estas bombas, o motor
eléctrico pois tem vantagem em serem controladas automáticamente, alem de apresentar
rendimentos maiores.

Portanto a selecção de uma bomba, depende de muitos factores:

 Fonte de àgua
 Volume de àgua a ser bombado
 Altura de carga
 Altura de sucção
 Fonte de potência

A TERMINOLOGIA

Quando seleccionar uma bomba, os seguintes termos são geralmente significativos:


(fig. 18.1)

Legenda:
HT = Altura total ou manométrica
H1 = Altura de sucção
H2 = Altura de descarga
H3 = Altura por perdas (por fricção) de carga.
HT = H1 + H2 + H3

Altura de sucção : É a altura vertical (H1) do nivel de àgua até á linha central da bomba.

Altura de descarga : É a altura vertial do centro da bomba até ao ponto onde a àgua è
descarregada (H2) .

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Altura de perdas por fricção : Esta altura H3 é a equivalente à perda por fricção nos tubos,
curvas, válvulas, etc. Por outras palavras se não houvesse fricção nos tubos, juntas, válvulas,
etc, a àgua seria descarregada a uma altura superior.

Existem tabelas que dão valores médios de perdas de carga para diferentes diametros e
caudais em cada material empregue para a sua construção.

Caudal - É o volume de liquido bombado na unidade de tempo. É dado em geral em m3/s ou


Lt/s e designado por Q.

Potência útil da bomba - Potência correspondente ao trabalho realizado pela bomba. Se Q for
o caudal bombado, em m3/s, H a altura total em m e "Ô" a densidade em N/m3:

ÔQH
Potência útil = Pu = ---------- ( C.V ) ou
736

ÔQH
Pu = -------- ( Kw )
1000

Para àgua a 20°c e 760 mm de Hg


Ô = 9810 N/m3

Potência absorvida pela bomba "Pa" - Potência fornecida no


eixo da bomba -> µ = Pu/Pa

então : ÔQH ÔQH


Pa = -------- [CV] = --------- [Kw]
µ * 736 1000 * µ

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Potência total - É a potência real a ser fornecida pelo
motor de combustão interna ou motor eléctrico.
Depende :

 Da efeciência do ã.C.I. ou ã.E.


 Rendimento da bomba
 Rendimento da transmissão.

10.3 CURVAS CARACTERISTICAS - PONTO DE FUNCIONAMENTO

As relações entre o caudal, Q , a altura total , H, a potência absorvida, P, e o rendimento, µ,


designam-se por curvas caracteristicas das bombas para uma dada rotação.(fig.18.2 )

Curva I - Curva das alturas totais, H, em função dos


caudais.

Curva II - Curva das potências absorvidas, P, em função dos


caudais.
Curva III - Curva dos rendimentos, µ, em função dos caudais.

Alem destas curvas caracteristicas da bomba existem também as curvas caracteristicas da


instalação :

Curva IV - Curva das perdas de carga totais,


H, (perdas continuas + perdas localizadas, na instalação) em função dos caudais.

Curva V - Curva H1 = Y + H , em função dos caudais, esta curva obtem-se da


anterior somando a H o termo Y , correspondente á altura geométrica total.

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Desenhadas as curvas caracteristicas, o ponto de funcionamento da bomba obtem-se pela
intersecção da curva (V) com a curva (I); a esse ponto, A, defenido por (Ha, Qa),
corresponde uma determinada potência absorvida, Pa, e um determinado rendimento, µA.

Se a curva (I) se localizar toda inferiormente à curva (V), a bomba não é adaptada à
instalação defenida por (V), não debitando consequentemente qualquer caudal.

Fazem-se alem disto, as seguintes observaçSes de caracter geral:

1 - O ponto correspondente a Q=0 da curva (I) deve ser superior ao ponto correspondente
a Q=0 da curva (V).
2 - A àrea compreendida entre o eixo vertical e as curvas (I) e (V) (àrea tracejada da
figura) deve ser o maior possivel, compativel com um bom rendimento.
3 - A estabilidade de regime da bomba é tanto maior quanto maior fôr o raio de curvatura
das curvas (I) e (V).
4 - O ponto de funcionamento deve localizar-se ligeiramente para lá do ponto
correspondente ao ponto de rendimento máximo, µã, para ter em conta uma eventual
diminuição de caudal devido ao envelhecimento da instalação.
10.4 CONDIÇOES DE ARRANQUE

Como se sabe, a potência P, de uma máquina rotativa é dada por P = nB , sendo n o numero
de rotaçSes e B o momento ou binário.
No sistema internacional as unidades são: n - rotaçSes por segundo ou Rot/s e B - Newton
metro (Nã) o que virá pois P em Nã/s.

Durante o periodo de arranque, o binário de arranque deve ser sufeciente para : vencer atritos
nas chumaceiras, empanques, etc; vencer a inercia da bomba; incrementar a potêcia da bomba,
durante a acelaração, até atingir o valor de regime que se considerará coincidente com o valor
nominal,P0.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 162


Nas bombas radiais a potência é minima para caudal nulo; nas bombas axiais a potência é
máxima para caudal nulo. Sendo assim, convem que as primeiras arranquem com a válvula
fechada (Q=0) e as segundas com a vávula aberta .

10.5 CONDIÇOES DO MOTOR

O motor de accionamento de uma bomba centrifuga deve não só satisfazer as condições de


funcionamento nominal, mas deve também satisfazer as condiçSes de arranque. Assism o
binário de arranque do motor deve ser sempre superior ao binário de arranque da bomba.

10.6 INSTALAÇÃO, EXPLORAÇÃO E MANUTENSÃO

Uma bomba centrifuga se estiver instalada em boas condiçSes, e houver cuidados com a
exploração e manutensão, tem uma duração bastante longa e geralmente livre de avarias.
Indicam-se a seguir os principais pontos a ter em vista:

1 - A bomba deve ser colocada tão próximo, quanto possivel, do liquido a elevar, afim de
evitar grandes alturas de aspiração. Na conduta de aspiração devem evitar-se curvas e outros
acessórios que aumentem as perdas de carga.

2 - A bomba deve ser protegida contra inundações. O motor eléctrico deve ser instalado em
lugar seco (exceptuam-se os casos de bombas submersiveis).

-3 A fundação deve ser sufecientemente robusta de modo a garantir um bom alinhamento do


grupo motor-bomba.

4 - O grupo motor-bomba deve ser assente e nivelado antes de ser ligado às tubagens de
aspiração e compressão. Estas devem justapôr-se às respectivas falanges, sem exercerem
qualquer esforço sobre a bomba, de tal modo que os parafusos sirvam unicamente para aperto
de vedação; assim estas tubagens devem ter suportes muito próximos da bomba.

Compilado por Tc. Amilcar Sabonete 163


5 - Na conduta de compressão deve existir uma válvula de manobra que serve para o arranque
e para a paragem. Sobretudo nas bombas de escoamento radial é aconselhável fechar a
válvula antes de parar o motor, principalmente quando a bomba está sujeita a uma carga
estática elevada.

6 - A tubagem de aspiração deve estar isenta de qualquer entrada de ar, sobretudo para
grandes alturas de aspiração.Nunca deve ser completamente horizontal. Deve sempre
apresentar uma inclinação ascendente para a bomba, mesmo que seja reduzida. Devem-se
evitar pontos altos .

7 - Quando houver necessidade de intercalar um cone de redução, este deve ser excentrico,
afim de evitar a formação de bolsas de ar na parte superior (veja a Figura 18.38 - No caso de
ser necessária uma curva á montante da aspiração, deve utilizar-se uma curva de raio grande.
Devem ser eleminados, também, todos os estrangulamentos na aspiração.
9 - Deve evitar-se a entrada de corpos estranhos na tubagem de aspiração (salvo no caso de
bombas especialmente adaptadas a esse fim). Para isso deve prever-se um sistema de ralo ou
grelha. Deve dar-se a estes elementos uma secção útil nunca inferior á secção de tubagem de
aspiração e, alem disso, tal que a velocidade através da secção útil não exceda 0.6 m/s .

10 - Antes de pôr a bomba em funcionamento deve assegurar-se a lubrificação de acordo com


as instruções do fabricante.

11 - Deve garantir-se também que a bomba seja ferrada (conduta de aspiração e bomba cheias
de àgua), antes de ser posta em funcionamento.

12 - Uma bomba de escoamento radial, para cargas grandes ou médias, requer menos potência
no arranque se a válvula de saída estiver fechada. Assim aconselha-se a fechar esta válvula
antes do arranque.

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13 - Para bombas de escoamento axial, a bomba deve ser posta em funcionamento com a
válvula de descarga aberta.

14 - Devem evitar-se grandes apertos nos bucins da bomba. No ponto óptimo de aperto deve
correr uma gota de àgua pelo bucim.

10.7 AVARÍAS

Resumem-se as principais avarias das bombas centrifugas e as suas causas mais frequentes :

1 - Não hà caudal - Bomba não ferrada; velocidade muito baixa; altura de aspiração ou de
compressão muito grandes; propulsor completamente entupido; sentido de rotação errado.

2 - Hà pouco caudal - Bolsas de ar na aspiração ou na caixa; velocidade baixa; altura de


compressão grande; altura de aspiração grande ou carga absoluta acima da tensão de vapôr
insufeciente; propulsor parcialmente entupido; defeitos mecanicos ou propulsor danificado;
sentido de rotação errado.

3 - Há pouca pressão - Velocidade muito baixa; ar ou gases no líquido; defeitos mecânicos ou


propulsor danificado; diâmetro do propulsor muito pequeno; sentido de rotação errado.

4 - Perda de aspiração a seguir a um periodo de funcionamento satisfatório; entradas de ar na


conduta deaspiração; entupimento na aspiração; bucins gastos; variação da altura de
aspiração.

5 - Consumo exagerado de energia - Carga inferior á prevista ocasionando a bombagem de


grande caudal; peso especifico ou viscosidades grandes do liquido; defeitos mecanicos, tais
como o eixo empenado; elementos que rodam excessivamente justos.

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10.8 ELEMENTOS A FORNECER PARA AQUISIÇÃO DUMA BOMBA
CENTRÍFUGA

1- Esquema da instalação, cotado.

2 - Liquido a ser bombado (nome comum). Caudal desejado.

3 - Principais agentes corrosivos: àcido sulfurico, àcido cloridrico, etc; no caso de misturas
defenir percentagens.

4 - pH, no caso de soluçSes aquosas.

5 - Impurezas ou outros elementos não especificados em 3 (sais metálicos ou materiais


organicos) mesmo em pequenas percentagens.

6 - Peso especifico da solução a determinada temperatura.

7 - Temperatura màxima, minima e normal.

8 - Tensão de vapôr a estas temperaturas.

9 - Viscosidade .

10 - Ar dissolvido no fluido (isento de ar, com algum ar, saturado) .

11 - Outros gases dissolvidos.

12 - Sólidos em suspensão ( peso especifico, quantidade diametro das particulas,


caracteristicas de dureza ) .

13 - Natureza de serviço ( contínuo, intermitente, outros tipos ) .

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14 - Indicar se é indesejável o ataque do metal .

15 - Indicar experiências prévias se porventura realizadas.

16 - Indicar o que se poderá considerar duração económica ( por vezes a substituíção


frequente das bombas, pode ser mais económica, do que a instalação de uma bomba cara ).

10.9 EQUIPAMENTO DE REGA

A forma como se irriga uma zona, pode variar dentro dos seguintes grupos :

 - Rega por aspersão


 - Rega por gravidade
 - Rega gota a gota .

A decisão na escolha dum destes grupos depende em geral de:


 Tipo de cultura
 Tipo de solo
 Custo inicial
 Custo de operação e manutenção.

A experiência mostra por vezes que onde o fornecimento de àgua é fácilmente disponivel, a
irrigação de culturas como a beterraba, batata e pastagens pode ser económico,
especialmente em zonas secas.
Infelizmente, os fornecimentos de àgua são limitados e restringem um alargamento da prática
de rega. Onde a desponibilidade de àgua é fácil, decidir que culturas regar e quando regar, não
é um problema simples, tendo em conta o factor inconstante do clima.

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Como regra geral, os agricultores decidem a necessidade de se fazer uma rega, pela
experiência, mais do que usando outros métdos.

Nos tempos secos eles decidem mantêr o equipamento de rega mais ou menos continuo, e
regam as culturas que lhes darão maior retorno.

Com a fruta e vegetais, muito depende do mercado; é impossivel formular regras definitivas.

Os cientistas contudo estudam o problema do ponto de vista da produção máxima, que


envolve o método de estudo dos registos do tempo para uma área particular em períodos
anteriores.

Onde existe a disponibilidade de uma fonte de àgua o equipamento usado consiste de um


motor potente (o tractor é muitas vezes usado, mas o motor elétrico é o ideal), uma bomba
boa (geralmente do tipo centrifugo), tubos de descarga e equipamento de distribuíção. O
principal objectivo é a aplicação da àgua uniformemente e não muito rápido. A utilização de
cerca de 1" (25mm) de chuva em 3 - 4 horas é um valor equivalente por vezes usado. Por
vezes (geralmente) é sempre aconselhável dar um encharcamento de não menos de ½ " ou
12.5 mm .

10.10 ESCOLHA DO EQUIPAMENTO

Muitos factores jogam na escolha do equipamento e como muitos destes são interligados, um
estudo detalhado é preciso ser feito. Uma vez decidido sobre o tipo de equipamento de
distribuição é necessário determinar :

1 - Area máxima a ser coberta simultaneamente - isto dependerá da àrea total da cultura e da
densidade de
aplicação.

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2 - Tipo de bomba - Isto dependerá da pressão necessária nos bicos, que por sua vez é
influenciada pelo tipo de equipamento de distribuíção .

A fim de achar o rendimento necessário da bomba é necessário calcular a altura total para a
qual a bomba deve funcionar. Isto é a soma de :

-Altura de sucção.
-Altura estática (distância vertical entre a bomba e o ponto mais alto de descarga)
-Perdas por fricção nos tubos de descarga, válvulas e curvas.
-Pressão necessária nos bicos.

A pressão necessária estará geralmente na região dos 30 - 50 PSI ( 1.87 - 3.45 Bar ); contudo
para aspersores maiores "Rain Star" a pressão andará à volta dos 80 PSI (5.5 Bar ).
Conhecendo a altura total e o caudal, fácilmente se pode calcular a potência absorvida, pela
bomba e conhecendo a efeciência da bomba pode-se obtêr a potência motora teòrica. Se
usarmos um motor elétrico, a potência necessária é muito próxima da calculada, mas com um
M.C.I.é sempre aconselhável permitir uma margem considerável acima da potência calculada.
No caso de unidades pequenas o tamanho do ã.C.I. necessário para um trabalho satisfatório e
contínuo é cerca de 50 % acima do calculado.

10.11 SISTEMA DE DESTRIBUIÇÃO

Os tubos de descarga podem ser potáveis, de metal leve (aluminio ou galvanizados). ãuitos
preferem no entanto a instalação da tubagem principal, a baixo do solo, alimentando os
campos agricolas, pela instalação de fontenários em intervalos ao longo dos morros não
lavrados, de maneira que só a linha de aspersores precisa ser movida.

Linhas de pulverização oscilatória


Estas linhas são em geral de 1½" - 2" (37.5 - 50 mm) de diametro, transportados em suportes
de aço leve e tendo jactos cada 6 m ao longo da linha. A linha de pulverização pode ser

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oscilada automáticamente através de um ângulo de cerca de 90 graus, por um dispositivo
montado numa das extremidades, operado pelo fluxo de àgua.

Deve-se mantêr uma pressão da ordem dos 30 -50 PSI (1.87 - 3.45 bar) nos bicos e no caso
das linhas oscilatórias um jacto de 40 Ft (12 m) é geralmente atingido.

O comprimento da linha de pulverização depende, é claro, da capacidade da bomba, tamanho


dos tubos de descarga, etc.
Os aspersores rotativos em linha são hoje muito usados em vários países, tanto em regiSes
húmidas como àridas.
Os aspersores são de rotação lenta ( 1 RPã ou menos ) cobrindo um circulo de diametro
variável dos 60 a 100 Ft (18 a 30 m). Os aspersores são transportados em tubos (50 a 100
cm), acoplados a tubos de aluminio geralmente em intervalos de cerca de 30 a 50 Ft ( 9 a 15
m) .

Com aspersores tendo um lanço efectivo de 40 Ft (12 m) um espaçamento usado para


configuração em quadra é 0.6 * Diametro = 48 Ft (15 m) .

Na prática, contudo, é melhor diminuir o espaçamento dos aspersores [ 35 Ft (11 m)] de


intervalo ao longo das linhas .

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