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7o ANO EF

PORTUGUÊS

Prova – Língua Portuguesa

 Tempo de duração: 135 minutos.


 Não chamar à mesa o professor que estiver aplicando a prova. Entender o enunciado
faz parte da avaliação.
 Utilizar caneta azul ou preta.
 É permitido o uso de rasuras e corretores, contanto que não atrapalhem o processo de
correção.
 Boa avaliação! 

TEXTO 1

O POVO DOS FALCÕES GIGANTES

Conta-se que, antigamente, o Povo dos Falcões Gigantes aterrorizava os humanos


desta Terra. Eles viviam ali acima das nuvens em seus corpos humanos, com suas casas,
suas festas e suas famílias. Quando queriam descer para a terra, vestiam roupas de falcão e
planavam nas espirais de ar quente até chegar aqui. Procuravam pelos humanos e os
devoravam. Em seguida, levavam seus ossos para a Casa do Céu, a fim de utilizá-los em
seus estranhos costumes. Todos andavam apavorados.
Naquele tempo, um homem falou para seu irmão: “Em breve os falcões virão me
devorar e levarão meus ossos. Eles têm feito isso com muitos de nós! Quando acontecer,
quero que você suba para os céus e traga meus ossos de volta!”. “Tudo bem”, respondeu o
irmão, “eu tentarei trazer seus ossos de volta.” “E quando você trouxer os ossos”, continuou
o primeiro irmão, “não se esqueça de deixá-los no topo daquela montanha que fica bem
distante daqui. Faça assim quando trouxer os ossos de volta, não se esqueça!” “Tudo bem,
eu farei assim” respondeu o segundo irmão.
Então os falcões gigantes desceram e devoraram o homem. De seu corpo estraçalhado,
eles retiraram os ossos e levaram tudo lá para cima, para a casa que fica em cima das
nuvens. O irmão e seus parentes choraram mais uma morte terrível causada pelos falcões.
Mais uma vez, todos se reuniram para pensar no que poderia ser feito. Mas nada na verdade
poderia ser feito, já que naquele tempo os falcões eram gigantes, muito mais fortes do que
os frágeis humanos.
Foi então que o irmão do morto se lembrou de suas palavras. “Devo agora subir aos
céus para recuperar os ossos!”, pensou consigo mesmo. Ele era pajé, um dos pajés mais
fortes que existiam nos tempos antigos. Pegou sua capa de falcão que ficava guardada dentro
de casa e a vestiu. Cobriu-se com a capa feita de pena de falcão, foi isso mesmo que ele fez
naquele tempo. E logo ele conseguia voar como um pássaro! (...)
Enfim chegou à Casa do Céu. Quando ali pousou, tirou suas roupas de penas de falcão
e as deixou penduradas no galho de uma árvore da terra do céu. Elas seriam necessárias
depois, quando chegasse a hora de voltar.
Começou a caminhar por ali, naquela terra em que vivia o Povo dos Falcões Gigantes.
Eles eram todos humanos, mas com aspecto de falcões! (...) O homem viu que havia muitos
cestos de palha trançada pendurados nas casas. Sim, os falcões faziam cestos de palha
trançada, assim como as pessoas desta terra. “Deve ser aí que eles guardam os nossos
ossos, nesses cestos que acabaram de ser trançados!”, pensou o homem.
Enquanto andava pela casa dos falcões, uma velha mulher-falcão se aproximou e
perguntou: “O que você procura por aqui?” “Estou atrás dos ossos do meu irmão. Estarão os
ossos dentro de algum desses cestos?”, perguntou o homem. “Sim, os ossos de seu irmão
estão ali naquele cesto, no cesto pendurado nos galhos daquela árvore”, explicou a mulher,
apontando para uma árvore que ficava em um caminho perto da aldeia dos falcões. “Mas o
meu marido protege os ossos de seu irmão, ele é o dono dos ossos de seu irmão, que são
usados por ele para tirar os espinhos do pé”, completou a mulher-falcão. “Entendo, então ele
não vai querer me entregar os ossos com tanta facilidade”, lamentou o homem. “Sim, de fato
ele não vai querer entregar”, respondeu a velha.
Como queria ajudar o homem, ela explicou o que deveria ser feito: “Para conseguir os
ossos, você deve me matar. Depois disso, vista minha pele e leve essa água que estou
carregando para ele. Quando chegar, diga o seguinte: ‘Marido, aqui está a água que eu
trouxe para você beber’. Em seguida, diga também o seguinte: ‘Marido, por favor, pegue os
ossos para que eu tire os espinhos de seu pé!’, assim mesmo você deve fazer”. Quando
terminou essas palavras, o homem respondeu: “Mas eu não quero matar você! Quero apenas
os ossos do meu irmão!”. “Não se preocupe com isso, nós falcões sempre renascemos depois
de alguma morte”, respondeu a velha.
Assim, o homem seguiu as instruções que a velha mulher-falcão havia passado. Ele a
matou, vestiu sua pele, foi entregar a água e pedir os ossos ao marido. O marido de fato
acreditou que ele era sua esposa. Tomou toda a água que lhe foi oferecida e, em seguida,
entregou os ossos para que sua suposta mulher retirasse os espinhos de seu pé.
Vestido de mulher, o homem pegou os ossos para si e se afastou um pouco de onde
estava o marido. Escondido atrás de uma árvore, tirou a pele da mulher com que se vestia e
a deixou sobre a terra. Rapidamente a mulher surgiu de novo a partir de sua pele e já estava
de pé, bem ali ao seu lado. Assim mesmo acontecia com o Povo dos Falcões Gigantes, que
podia renascer várias vezes depois de alguma morte.
O homem saiu rapidamente dali com os ossos de seu irmão. Chegou ao lugar em que
havia deixado pendurada a roupa do falcão. Pegou alguns pedaços de madeira e começou a
atirar nos falcões, que começaram a voar, assustados. (...)
Em seguida, o homem vestiu novamente sua roupa de falcão, colocou os ossos de seu
irmão em suas costas e foi descendo de volta para a terra. Ele passou de novo pela grande
araucária e enfim pousou em sua aldeia. Quando ali chegou, viu que todos estavam ao redor
das araucárias para colher as suas pinhas. Ele se juntou aos parentes e colocou os ossos do
irmão ali, ao lado de uma araucária. Foi ali mesmo que deixou os ossos.
O homem se esqueceu das palavras do irmão, pois ele havia dito que colocasse os
ossos no topo daquela montanha, e não em uma árvore. Por conta disso, nada acontecia
quando o homem tentava montar novamente os ossos, a fim de que seu irmão revivesse. No
fim, os ossos não se transformaram de novo no seu irmão, que morreu definitivamente. Se o
irmão tivesse feito da maneira correta, isso não teria acontecido. É por isso que hoje em dia
nós morremos e não voltamos mais. Quando uma pessoa morre, nunca mais poderá ser vista
por seus parentes. Assim mesmo contavam antigamente.
[CESARINO, Pedro. Histórias indígenas dos tempos antigos]

QUESTÃO 1
Qual foi o fato que motivou a subida do homem aos céus? [3,0 pts]
QUESTÃO 2
Escreva, com suas palavras, como o homem conseguiu enganar o marido da mulher-falcão
[3,0 pts].

QUESTÃO 3
O mito destacado apresenta a origem de um fato da existência humana graças às ações de
um personagem. Identifique esse fato e apresente a ação que contribuiu para o seu
surgimento. [3,0 pts]

QUESTÃO 4
No primeiro parágrafo, há uma palavra que acrescenta uma circunstância temporal à história.
Escreva que palavra é essa [0,5 pt] e indique sua classe gramatical [0,5 pt]. Em seguida,
explique a importância do uso dela para o conjunto da narrativa, tendo em vista que o texto
é um mito [2,0 pts].

QUESTÃO 5
No penúltimo parágrafo, ocorre a predominância de um tipo de sujeito. Explique por que a
escolha disso não prejudica o entendimento dessa parte do texto [2,0 pts]. Na sua resposta,
não se esqueça dizer que tipo de sujeito é esse [1,0 pt].

QUESTÃO 6
O verbo “contar” aparece tanto no primeiro quanto no último período do texto, mas em
tempos verbais diferentes. Justifique essa mudança, considerando a função dos mitos nas
sociedades [3,0 pts].
TEXTO 2

SÁBADO, 22 DE JANEIRO DE 1944

Querida Kitty,
Você pode me dizer por que as pessoas se esforçam tanto para esconder seu eu
verdadeiro? Ou por que sempre me comporto de modo muito diferente, quando estou perto
dos outros? Por que as pessoas confiam tão pouco umas nas outras? Sei que deve haver um
motivo, mas às vezes acho horrível não poder confiar em ninguém, nem mesmo nas pessoas
mais próximas.
Parece que cresci desde a noite em que tive aquele sonho, como se tivesse ficado mais
independente. Você ficará espantada quando eu contar que mudei até minha atitude com
relação aos van Daan. Parei de ver todas as discussões e brigas segundo o ponto de vista de
minha família. Por que houve essa mudança radical? (...) A Sra. Van Daan não é uma pessoa
maravilhosa, de jeito nenhum, mas metade das discussões não haveria se mamãe não fosse
tão difícil de lidar sempre que o assunto fica complicado. Mas a Sra. Van Daan tem uma coisa
boa: dá para falar com ela. Ela pode ser egoísta, avarenta e metida a esperta, mas recua
facilmente se você não provocá-la e não fizer com que pareça irracional. Essa tática não
funciona sempre, mas dá para ficar experimentando e ver até onde se pode chegar.
Todos os conflitos sobre a nossa criação, sobre não mimar crianças, sobre a comida –
sobre tudo, absolutamente tudo – poderiam ter tomado um rumo diferente se fôssemos
abertos e gentis, em vez de olhar sempre o lado pior.
Sei exatamente o que você vai dizer, Kitty. “Mas, Anne, essas palavras estão
realmente saindo dos seus lábios? De você, que teve de enfrentar tantas palavras grosseiras
do pessoal lá de cima? De você, que tem consciência de todas as injustiças?”
E, no entanto, elas estão saindo de mim. Quero ver as coisas com olhos novos e
formar minha opinião, não somente copiar meus pais, como no provérbio “A maçã não cai
longe da árvore”. Quero reexaminar os van Daan e decidir por mim mesma o que é verdade e
o que é um exagero. Se eu terminar decepcionada com eles, sempre posso tomar o lado de
papai e mamãe. Mas, se isso não acontecer, posso tentar mudar a atitude deles. E, se não
der certo, terei de ficar com minhas opiniões e meus julgamentos. (...)
Até agora eu estava absolutamente convencida de que os van Daan eram os únicos
culpados das brigas, mas agora tenho certeza de que a culpa também foi nossa. Tínhamos
razão, mas pessoas inteligentes (como nós!) deveriam ter uma ideia melhor de como lidar
com os outros.
Espero ter adquirido pelo menos um toque desse discernimento, e espero ter ocasião
de utilizá-lo.
Sua Anne

VOCABULÁRIO
- avarenta: pessoa que tem muito apego ao dinheiro e não gosta de gastá-lo;
- discernimento: capacidade para avaliar ou julgar.

[FRANK, Anne. O diário de Anne Frank]

QUESTÃO 7
No texto, Anne Frank relata um desejo de mudar de postura em relação ao que ela pensa
sobre a família van Daan. Como ela pretende realizar esse desejo? [3,0 pts]
QUESTÃO 8
Tendo em vista que o texto 2 é um diário, o que a sequência de interrogações no 1o
parágrafo revela sobre os sentimentos de Anne? [3,0 pts]

QUESTÃO 9
A “saudação” é típica de outro gênero textual: a carta. Apesar disso, Anne Frank utiliza
constantemente esse recurso, estabelecendo assim uma interlocução em seu diário, chamado
de “Kitty”. Indique a razão disso, considerando as finalidades comunicativas de um diário.
[3,0 pts]

QUESTÃO 10
Leia o trecho abaixo:

Todos os conflitos sobre a nossa criação, sobre não mimar crianças, sobre a comida – sobre
tudo, absolutamente tudo – poderiam ter tomado um rumo diferente se fôssemos abertos e
gentis, em vez de olhar sempre o lado pior. [3o parágrafo]

a) Qual é o tipo de sujeito da oração sublinhada? [1,0 pt]

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b) Qual é o núcleo do sujeito da oração destacada? [2,0 pts]

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