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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO

SÃO LUÍS-MA, 01 DE ABRIL DE 2018.


DISCIPLINA: AMÉRICA COLONIAL, 3ª PERÍODO.
PROFª: HELIDACY C.
ALUNO: VICTOR SALLAS GARCÊS LIMA.

RESENHA DO CAPÍTULO: “DAS ILHAS AO CONTINENTE: A FASE


CARIBENHA E AS CONQUISTAS POSTERIORES.” (P. 85-112)
AUTORES: STUART B. SCHAWARTZ E JAMES LOCKHART.

INTRODUÇÂO
A primeira página do texto vai tratar das transformações culturais e institucionais
dos imigrantes espanhóis na América. Nesse contexto ele o autor vai dizer que os colonos
mais antigos davam conselhos ao colonos mais novos, e esses colonos antigos é que
lideravam as incursões a áreas ainda mais novas, e uma vez ou outra, no papel de
governadores ou membros do conselho, organizavam as coisas do modo que já era
familiar.
Os espanhóis viam no Caribe um “pontapé inicial” para a conquista de novas
áreas, e essas descobertas iniciais e tentativas de exploração vão ser comandadas por
Colombo. Havia um interesse por parte de Colombo, alguns marinheiros, e até mesmo da
cora, de tratar a América como as experiências de Portugal na África e Índia, apenas como
porto de relações comerciais. No entanto esse interesse entrava em conflito com os
interesses dos imigrantes que aqui chegaram que tinham o desejo de trabalhar em sua
própria herança. Nesse contexto veremos que a tradição marítima de comércio e
exploração competiu com a velha tradição ibérica de conquista total, imigração
expressiva e governo permanente, e posteriormente cedeu lugar a ela.
O CURSO DOS ACONTECIMENTOS CARIBENHOS
A ideia básica de Colombo era de instalar fortes feitorias com empregados
assalariados para comercializar com a população local produtos que tivessem valor na
Europa, e continuar em busca de parceiros comerciais mais ricos e fortes. No entanto o
instinto espanhol se concentrava na colonização e domínio total da área encontrada.
Em 1493 aconteceu a maior e mais completa expedição que saíra da Europa,
equipada com tudo que transporta-se a vida europeia para a América, a exemplo de:
Gentes de vários níveis sociais e profissões, sementes, plantas e animais.
Com alguns anos os recém-chegados vão se ocupar em Hispaniola, que
aparentemente tinha a maior população indígena de todas as ilhas. Posteriormente, Santo
Domingo ao Sul surgiu como capital, e principal centro comercial.
Em um primeiro momento os Arauaques (ou Aruaques) oferecem pouca
resistência. E essa resistência virá posteriormente com a percepção da mudança pelos
indígenas, em forma de rebeliões esporádicas.
Colombo e outros que tinham familiaridade com as experiências em África
tentaram encontrar e formar empreendimentos que lá haviam sido bem-sucedidos, á
exemplo: madeiras tropicais, especiarias, exportação de escravos, açúcar e ouro. Destes
só o ouro vai se mostrar imediatamente e decisivamente viável. No entanto vai haver
grande diferença entra a exploração de ouro em África e a nova experiência na América.
Não havia por parte dos espanhóis um respeito e aceitação de Colombo com
governador, pois o mesmo além de ser um marinheiro era também estrangeiro,
características que eram desprezíveis aos olhos dos espanhóis, e esse levará o título de
“mau governador”.
Com os interesses de Colombo distantes de Hispaniola, a população de
Hisponiola começa a impor formas ibéricas na cidade.
Com as informações de que a terra era viável chegando a Espanha muitos
comerciantes e mais imigrantes vieram para a América, o que deixava a coroa espanhola
animada com a descoberta, com isso a coroa busca uma renegociação no tratado de
Tordesilhas, pois não sabia até que ponto iam seus domínios na América.
O governo começava a se organizar de forma a deixar as formas de exploração
baseada nas experiências mediterrâneas, e aplicar a forma ibérica clássica.
Os ciclos de mineração de ouro se mostraram decisivos para a cronologia dos
acontecimentos. As minas de ouro localizadas forneceram riquezas suficientes para
suprir o empreendimento espanhol, mas por volta de 1515 o ouro já estava esgotando. O
declínio da população indígena, resultou na crise da mão de obra nas minas. Isso irá
ocasionar a caça de escravos nas áreas vizinhas.
A CIDADE ESPANHOLA E A SOCIEDADE DE HISPANIOLA
Primeiramente vieram para a América uma onda de imigrantes do Sul da
Espanha, no entanto em pouco tempo se juntou a eles vários imigrantes de Castela.
A sociedade espanhola era propriamente urbana, e sua ocupação na América não
foi diferente. Consistiu na ocupação de Santo Domingo, e se deu a partir da ocupação e
centros urbanos, para que assim fosse possível ocorrer ações conjuntas na ordenação e
desenvolvimento da cidade. Com isso vai haver estabilidade, e até um desenvolvimento
da cultura europeia nos núcleos urbanos.
Quanto ao funcionamento da sociedade espanhola na América, essa conservava
o modelo aplicado na Espanha de conselho municipal e até a hierarquia descendente. A
cidade era a estrutura básica geral da vida espanhola.
MECANISMOS DE INTERAÇÃO ENTRE ESPANHÓIS E ÍNDIOS
A Encomienda
Durante o primeiro período de colonização da América Espanhola, o autor afirma
que a relação de trabalho entre os nativos e os colonos espanhóis se deu pelo que se
chamou de “Encomienda”. Ele define essa relação como o “uso da força de trabalho
obrigatória e compulsória indígena, nesse empreendimento tanto agrário, quanto
minerador, através da influencia que os chefes dos índios (caciques) tinham sobre os
nativos”.
Como surgiu esta relação de trabalho chamada “Encomienda”? O autor afirma que
no inicio nesse processo de colonização das ilhas do Caribe, os espanhóis locais (colonos)
seriam empregados assalariados, contudo, se recusaram a isto, a tal ponto de criarem uma
rebelião em 1497, onde segundo autor, muitos espanhóis abandonaram as cidades para
residirem nas regiões mais campestres.

Naborias
Naboría era uma espécie de índio que dependia permanentemente de um nobre ou
chefe que não tinham deveres e nem privilégios a parte. Eram servos pessoais que
realizam trabalhos fundamentais e especializados para se manter o sistema de
“encomienda”, pois para não deslocar um trabalhador da “encomienda”. Segundo o autor,
estes índios naboría eram aqueles que foram subtraídos de sua aldeia. Sendo assim, nem
todos ou a maioria nasciam nessa situação.
Escravidão dos índios
O autor afirma que os índios de encomienda não eram escravos, pois viviam na
mesma terra e mantinham a organização do seu grupo e este eram os que raramente
resistiram ao processo de colonização espanhola nas ilhas do Caribe. Os índios eram
escravizados quando resistiam a entrada dos espanhóis em suas terras. Na medida em que
diminuíam o fornecimento da mão-de-obra, ou quando a demanda aumentava de trabalho
em Hispaniola, os colonos espanhóis viajam pelas ilhas na caça a escravos. Isto aconteceu
com os grupos indígenas da região dos Bahamas, assim como, com os chamados
“caraibas”, etnia indígena das Pequenas Antilhas que eram hostil ao processo de
colonização espanhola. Rapidamente, nesse processo de escravização dos índios nas
Índias Ocidentais, os espanhóis distinguiram os índios arauaques que se tornariam os
índios da encomienda e os caraibas naturalmente seriam os escravizados. Estes índios
escravizados seriam para sumplementar os naborías ou trabalharem nas minerações de
ouro.
Congregação
Aos poucos nesse processo de colonização da América Espanhola, os índios que
outrora eram nômades, passaram a ser mais concentrados numa área e reorganizado de
acordo com as cidades ibéricas pelos espanhóis, ainda que, ao mesmo tempo se
respeitasse as unidades indígenas. Governadores, padres e encomederos trabalhavam
nesse processo de moldar os índios aos padrões de comportamento dos espanhóis.
METAIS PRECIOSOS E SEU PAPEL NA ECONOMIA
A busca pelo ouro a priori na região do Caribe se deu pelo desejo dos colonos
espanhóis de viverem nos moldes do padrão europeu. Não havia como reproduzir de
imediato as especiarias das Índias Orientais, as sedas da China, o vinho e o azeite de oliva.
Daí, era necessário que os colonos espanhóis em Hispaniola importassem tais produtos
da Europa. Portanto, para pagarem os fretes altíssimos desse produto, deveria se dispor
de metais preciosos, já que estes, eram de alto valor especifico com grande demanda e
estável na Europa. Sendo assim, surgi a busca pelo ouro, já que este era o metal que a
região do Caribe poderia oferecer.
A partir daí, os espanhóis começam uma verdadeira “caça ao ouro” nas Ilhas
caribenhas seguindo os passos dos arauaques. Segundo o autor, rapidamente os espanhóis
dominaram a técnica de mineração do ouro, muito mais simples e menos onerosa que a
produção de açúcar nas ilhas atlânticas portuguesas que demandavam de maior técnica e
capital.
O autor ainda afirma que foi a partir da mineração do ouro nas ilhas do Caribe que
se abriu espaço para a mineração nas outras partes da américa espanhola, dentre a
principal, a prata. A Cora espanhola estabeleceu uma lei que a riqueza do subsolo era de
domínio público, contudo, as minas não passavam ao domínio dos descobridores ou
alguma classe de mineiros propriamente dito, contudo, eram distribuídas pelas
autoridades politicas locais que já tinham maior influencia na comunidade. A princípio,
a Coroa espanhola quis se apropriar da metade ou mais das minas, através dos seus
representantes na colônia, contudo, teve que se contentar com a quinta parte da produção,
imposto que ficou conhecido como o “quinto”.
ELEMENTOS DA TRADIÇÃO MARÍTIMA INTERNACIONAL
O comercio ibérico do Caribe se deu no inicio com Sevilha. Nesta relação, o autor
afirma que os genoveses (italianos) dominaram este comercio. Pois, no fim do século XV,
eles eram os lideres financeiros e comerciais de Servilha. Sendo assim, são os genoveses
que irão financiar o início do processo de colonização das chamadas Índias Ocidentais.
Eles irão custear as primeiras expedições, fornecer imigrantes, capitães de navios, assim
como, são eles que irão se envolver nesta primeira fase de colonização com os
empreendimentos entre o comercio de Caribe e Servilha. No entanto, aos poucos os
colonos espanhóis se tornaram auto-suficiente, apenas dependendo do azeite e vinho. Os
genoveses, após a década de 1540, irão abandonar essa relação comercial com o Caribe e
se concentrarem mais nos negócios na Europa.
Em substituição aos genoveses nesse comercio ultramarino entre Caribe e
Espanha, os mercadores do norte de Castela passam a dominar as relações de trocas
comerciais de produtos como tecidos e manufaturas por ouro.
Quanto ao comercio ultramarino de exportação e importação de escravos, a
princípio, com Colombo, tentou-se exportar escravos indígenas para Europa, tomando
como base o comercio de escravos que eram exportados da África para Europa. No
entanto, tornou-se inviável o comercio de escravo indígena devido à alta taxa de
mortalidade dos índios em contanto com o continente europeu. A partir daí, surgiu o
interesse de se levar escravos africanos para o Caribe, a princípio, para serem auxiliares
e com o tempo para repovoarem as ilhas. Contudo, com a produção de açúcar, com a
construção de vários engenhos, após o fim da fase aurífera em 1515, importaram-se
escravos africanos e técnicos das Canárias para a produção de açúcar em Hispaniola.
Outro aspecto que o autor afirma em relação ao processo de escravização do índio
nas ilhas de Caribe, é o que ele chama de “rescate” que fora uma influencia no inicio da
colonização espanhola deixados pelos portugueses. “Rescate” (ou resgate) era o comercio
(escambo) inicial entre os espanhóis e os indígenas na ocupação da terra americana. O
termo também era usado para o comercio extra-oficial entre os índios, assim como, para
a escravização, escambo e ataques inconstantes sem conquista completa.
A HERANÇA DO CARIBE ESPANHOL EXPRESSA NO VOCABULÁRIO
O autor afirma neste tópico que a fase de colonização caribenha não passou de
vinte e cinco anos após 1492, devido a extinção dos nativos das ilhas grandes, assim
como, a própria população recém-chegada da Espanha. Esta na maior parte sucumbia em
dois anos. Os colonos que passavam de dois anos, sobrevivendo a aclimatação, teriam
uma expectativa de vida normal. Sendo assim, naturalmente com o contato entre os
nativos e colonos espanhóis, segundo o autor, a partir da colonização das ilhas caribenhas,
surgem expressões na língua espanhola que seria adotada em toda América Espanhola.
Tais expressões não eram faladas no espanhol da Europa. Expressões estas que
denotavam o sentido de: tipos de gente (cacique, naboria); práticas (rescate, estancia,
encomienda); artefatos (guanina, batea, duho), ou plantas de usos indígenas.
MECANISMOS DE EXPANSÃO E A EVOLUÇÃO DAS FORMAS
EXPEDICIONÁRIAS
Neste tópico, o autor desenvolve como se deu o que ele chama de fase continental
de colonização espanhola. Outrora, não se fala em “conquista”, desde o estabelecimento
da colônia espanhola na costa litorânea das ilhas do Caribe. Para o autor, a fase de
conquista do litoral para o continente se deu de forma lenta, pois as condições locais é
que determinavam o ritmo do processo de conquista. Assim sendo, toda logística para as
expedições de conquista continental era organizada localmente.
O autor afirma que esse processo expedicionário, se iniciava com o interesse de
um habitante local mais antigo, geralmente, um colono rico encomendero, que
propunham a aquisição de determinada área próxima já conhecida. Após isto, o
governador autorizava e até mesmo apoiava nessa estruturação da conquista do novo
território. Mas assim, que o líder da expedição fosse bem-sucedido, ele escrevia a Coroa
espanhola, solicitando um novo governador para a nova área conquistada.
Assim, o autor fala que Porto Rico e Cuba tornaram-se independentes de Santo
Domingo e o México ficou independente de Cuba.
Portanto, por que se deu esse processo conquista do interior do continente
americano? A primeira, foi o esgotamento mineral e populacional que fizeram os
espanhóis abandonarem o litoral e partirem para o continente; segundo, foi o desejo dos
novos colonos que chegavam da Espanha de se obter “encomiendas”; terceiro, o desejo
de muitos colonos encomenderos ricos que já estavam a mais tempo e tinham influência
nas camarás municipais de se tornarem governadores. O autor ainda pontua que não fora
a aventura que levou a estas expedições, e sim, a pobreza e rivalidade entre os colonos.
Sendo assim, para o autor o processo de conquista não foi um hiato antes da colonização
e sim parte dela.
PADRÕES DE CONQUISTA E RESISTÊNCIA
Nesta parte, o autor descreve como se deu a vitória dos espanhóis nessas
expedições de conquista do continente americano, e ao mesmo tempo, a resistência dos
grupos indígenas destas regiões, umas mais como os dos astecas e incas, e outras menos,
como os dos habitantes do Tlaxcala. O autor mostra, fazendo uma sumarização do tópico,
que a facilidade das seguidas derrotas dos indígenas se deu pelo armamento muito mais
eficaz como escudo, espadas, lanças, raramente, mas se usava arma de fogo, capacetes e
roupas protetoras, ou seja, tal arsenal disponível aos espanhóis, assim como, a própria
utilização da força do cavalo em combate fizeram sucumbir gradualmente as forças
indígenas. Assim o autor diz: “Cinquenta cavaleiros com lanças, ou até vinte deles,
poderiam fazer um exército índio sucumbir, mesmo grande, fazer recuar” (p. 108).
No entanto, neste processo de resistência indígena, o autor destaca que as poucas
vitorias que eles tinham sobre os espanhóis, se dava quando eles conseguiam confinar em
lugares apertados, sendo assim, facilitava para os exércitos indígenas por ter a maioria de
combatentes. Assim se deu uma grande rebelião em 1536, no Peru em Cuzco, onde os
contingentes espanhóis a mando de Pizarro foram destruídos nos desfiladeiros das
montanhas. No entanto, estes espanhóis logo aprenderam a lição e tentavam ao máximo
combater as forças indígenas em zonas planas.
Contudo, os povos indígenas do vale do México, os astecas, foram os que mais
resistiram a dominação espanhola por causa da localização geográfica da capital do
império asteca chamada Tenochtitlan que ficava cercada por um grande lago, e os únicos
caminhos que davam acesso a cidade eram estreitos. Depois de intercaladas derrotas, os
espanhóis mudaram a estratégia, e construíram grande navios com artilharia pesada com
o intuito de dominar o lago a fim de sucumbir a cidade asteca pela fome. Só a partir daí,
após gradativamente arrasarem com os prédios astecas e aterrarem os canais que os
espanhóis conseguiram derrota-los.
A TRAJETÓRIA DUPLA DA CONQUISTA
Neste tópico final, o autor descreve como se organizaram as expedições de
conquista continente americano, a partir de Hispaniola. Este processo foi organizado no
que o autor chama de expedição do norte (flanco do norte) e expedição do sul (flanco do
sul).
A trajetória da expedição para o norte buscava conquistar regiões como Panamá,
Cuba e Mexico e a expedição para o sul, buscava as regiões da Venezuela, Colômbia,
Equador e Peru. A expedição do sul chega em terra firme primeiro a partir de 1509. Após
a conquista destas regiões era estabelecidas o modelo de “encomiendas” tomando como
padrão o modelo caribenho. O autor ainda afirma que foi nessa expedição do sul que os
incas foram conquistados em 1532-1533, tardiamente, por causa das difíceis navegações
pelo Pacifico Sul.
O autor ainda afirma que as regiões sedentárias da América foram totalmente
ocupadas de forma acelerada, por causa do alto investimento que se começou a fazer
nessas expedições de conquista, assim como o rápido processo imigratória dos espanhóis
que vinham da Europa. O resultado disso é que 1540 estas áreas foram todas ocupada.