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Governo do Rio Grande do Norte

SEEC/RN
Professor - Pedagogia
Anos Iniciais

ÍNDICE

LÍNGUA PORTUGUESA
Compreensão e interpretação de textos ........................................................................................................................................................... 01
Denotação e conotação .................................................................................................................................................................................... 30
Figuras .............................................................................................................................................................................................................. 30
Coesão e coerência ......................................................................................................................................................................................... 01
Tipologia textual ................................................................................................................................................................................................ 01
Significação das palavras ................................................................................................................................................................................. 01
Emprego das classes de palavras .................................................................................................................................................................... 09
Sintaxe da oração e do período ........................................................................................................................................................................ 25
Pontuação ........................................................................................................................................................................................................ 27
Concordância verbal e nominal ........................................................................................................................................................................ 28
Regência verbal e nominal ............................................................................................................................................................................... 29
Estudo da crase ............................................................................................................................................................................................... 28
Semântica e estilística ...................................................................................................................................................................................... 30

CONHECIMENTOS DIDÁTICOS E PEDAGÓGICOS


Teoria e Prática da Educação ........................................................................................................................................................................... 01
Conhecimentos Político-Pedagógicos: função social e política da escola; perspectiva crítica e perspectiva neoliberal; gestão
democrática e autonomia na organização do trabalho escolar; colegiados escolares; projetos político-pedagógicos .................................... 05
Conhecimentos da Pratica de Ensino: processos e conteúdos do ensino e da aprendizagem; conhecimento na escola; a organização do
tempo e do espaço e a avaliação escolar; projetos de trabalho e a interdisciplinaridade. Cotidiano escolar: relações de poder na escola;
currículo e cultura; tendências pedagógicas na pratica escolar. A educação básica no Brasil: acesso; permanência; inclusão e
fracasso escolar ................................................................................................................................................................................................ 09
A organização da educação básica: LDB Lei Federal n 9394/96 e suas alterações posteriores; princípios e fins da educação nacional ...... 22
Diretrizes curriculares para o ensino fundamental e para a educação Infantil ................................................................................................. 32
Parâmetros curriculares nacionais .................................................................................................................................................................... 48

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CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
História da Educação Infantil; Criança e infância: conceito de infância, tipos de famílias e suas historicidades ............................................. 01
Visão histórica e critica das principais concepções de infância, criança e educação infantil na contemporaneidade ..................................... 02
Bases legais sobre a oferta da Educação Infantil no contexto brasileiro. O direito a educação: a legislação educacional brasileira ............. 05
Lei de Diretrizes e bases e suas alterações posteriores .................................................................................................................................. 06
Proposta curricular CBC (Conteúdos Básicos Curriculares) – Ciclo da Alfabetização e Ciclo Complementar. Parâmetros curriculares
nacionais e Proposta Curricular ........................................................................................................................................................................ 16
Conhecimentos da Pratica de Ensino: processos e conteúdos do ensino e da aprendizagem; conhecimento na escola; a organização do
tempo e do espaço e a avaliação escolar; projetos de trabalho e a interdisciplinaridade; cotidiano escolar: relações de poder na escola;
currículo e cultura; tendências pedagógicas na pratica escolar. Contribuições da psicologia, da sociologia e da antropologia para
compreensão da infância e das praticas cotidianas. Socialização, interação, cultura, múltiplas linguagens e práticas sociais de educação,
currículo, espaço/tempo, avaliação, planejamento e atividades ....................................................................................................................... 34
As concepções de ludicidade: o jogo, brinquedo e brincadeira e suas aplicações no processo de aprendizagem; Contribuições da
brincadeira, das interações e da linguagem no processo de aprendizagem e desenvolvimento da criança. Desenvolvimento da escrita,
audição e leitura, métodos, técnicas e habilidades, Instrumentos; Estratégias metodológicas e indicadores para a ação pedagógica nos
diferentes contextos educativos ........................................................................................................................................................................ 61
A linguagem e a criança: aquisição da linguagem; relações entre escrita, oralidade, linguagem verbal e não verbal .................................... 80
Ética profissional ............................................................................................................................................................................................... 90

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ser a adotada como gabarito pela banca examinadora por haver uma outra
alternativa mais completa.
Ainda cabe ressaltar que algumas questões apresentam um fragmento
do texto transcrito para ser a base de análise. Nunca deixe de retornar ao
texto, mesmo que aparentemente pareça ser perda de tempo. A descontex-
tualização de palavras ou frases, certas vezes, são também um recurso
COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS; COE- para instaurar a dúvida no candidato. Leia a frase anterior e a posterior para
ter ideia do sentido global proposto pelo autor, desta maneira a resposta
SÃO E COERÊNCIA; TIPOLOGIA TEXTUAL; SIGNIFICA- será mais consciente e segura.
ÇÃO DAS PALAVRAS;
Podemos, tranquilamente, ser bem-sucedidos numa interpretação de
texto. Para isso, devemos observar o seguinte:
Os concursos apresentam questões interpretativas que têm por finali- 01. Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do assunto;
dade a identificação de um leitor autônomo. Portanto, o candidato deve 02. Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa a leitura, vá
compreender os níveis estruturais da língua por meio da lógica, além de até o fim, ininterruptamente;
necessitar de um bom léxico internalizado. 03. Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto pelo monos
As frases produzem significados diferentes de acordo com o contexto umas três vezes ou mais;
em que estão inseridas. Torna-se, assim, necessário sempre fazer um 04. Ler com perspicácia, sutileza, malícia nas entrelinhas;
confronto entre todas as partes que compõem o texto. 05. Voltar ao texto tantas quantas vezes precisar;
06. Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do autor;
Além disso, é fundamental apreender as informações apresentadas por
07. Partir o texto em pedaços (parágrafos, partes) para melhor compre-
trás do texto e as inferências a que ele remete. Este procedimento justifica-
ensão;
se por um texto ser sempre produto de uma postura ideológica do autor
08. Centralizar cada questão ao pedaço (parágrafo, parte) do texto cor-
diante de uma temática qualquer.
respondente;
09. Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada questão;
Denotação e Conotação
10. Cuidado com os vocábulos: destoa (=diferente de ...), não, correta,
Sabe-se que não há associação necessária entre significante (expres-
incorreta, certa, errada, falsa, verdadeira, exceto, e outras; palavras que
são gráfica, palavra) e significado, por esta ligação representar uma con-
aparecem nas perguntas e que, às vezes, dificultam a entender o que se
venção. É baseado neste conceito de signo linguístico (significante + signi-
perguntou e o que se pediu;
ficado) que se constroem as noções de denotação e conotação.
11. Quando duas alternativas lhe parecem corretas, procurar a mais
O sentido denotativo das palavras é aquele encontrado nos dicionários, exata ou a mais completa;
o chamado sentido verdadeiro, real. Já o uso conotativo das palavras é a 12. Quando o autor apenas sugerir ideia, procurar um fundamento de
atribuição de um sentido figurado, fantasioso e que, para sua compreensão, lógica objetiva;
depende do contexto. Sendo assim, estabelece-se, numa determinada 13. Cuidado com as questões voltadas para dados superficiais;
construção frasal, uma nova relação entre significante e significado. 14. Não se deve procurar a verdade exata dentro daquela resposta,
Os textos literários exploram bastante as construções de base conota- mas a opção que melhor se enquadre no sentido do texto;
tiva, numa tentativa de extrapolar o espaço do texto e provocar reações 15. Às vezes a etimologia ou a semelhança das palavras denuncia a
diferenciadas em seus leitores. resposta;
Ainda com base no signo linguístico, encontra-se o conceito de polis- 16. Procure estabelecer quais foram as opiniões expostas pelo autor,
semia (que tem muitas significações). Algumas palavras, dependendo do definindo o tema e a mensagem;
contexto, assumem múltiplos significados, como, por exemplo, a palavra 17. O autor defende ideias e você deve percebê-las;
ponto: ponto de ônibus, ponto de vista, ponto final, ponto de cruz ... Neste 18. Os adjuntos adverbiais e os predicativos do sujeito são importantís-
caso, não se está atribuindo um sentido fantasioso à palavra ponto, e sim simos na interpretação do texto.
ampliando sua significação através de expressões que lhe completem e Ex.: Ele morreu de fome.
esclareçam o sentido. de fome: adjunto adverbial de causa, determina a causa na realização
do fato (= morte de "ele").
Ex.: Ele morreu faminto.
Como Ler e Entender Bem um Texto faminto: predicativo do sujeito, é o estado em que "ele" se encontrava
Basicamente, deve-se alcançar a dois níveis de leitura: a informativa e quando morreu.;
de reconhecimento e a interpretativa. A primeira deve ser feita de maneira 19. As orações coordenadas não têm oração principal, apenas as idei-
cautelosa por ser o primeiro contato com o novo texto. Desta leitura, extra- as estão coordenadas entre si;
em-se informações sobre o conteúdo abordado e prepara-se o próximo 20. Os adjetivos ligados a um substantivo vão dar a ele maior clareza
nível de leitura. Durante a interpretação propriamente dita, cabe destacar de expressão, aumentando-lhe ou determinando-lhe o significado. Eraldo
palavras-chave, passagens importantes, bem como usar uma palavra para Cunegundes
resumir a ideia central de cada parágrafo. Este tipo de procedimento aguça
a memória visual, favorecendo o entendimento. ELEMENTOS CONSTITUTIVOS
TEXTO NARRATIVO
Não se pode desconsiderar que, embora a interpretação seja subjetiva,
• As personagens: São as pessoas, ou seres, viventes ou não, for-
há limites. A preocupação deve ser a captação da essência do texto, a fim
ças naturais ou fatores ambientais, que desempenham papel no desenrolar
de responder às interpretações que a banca considerou como pertinentes.
dos fatos.
No caso de textos literários, é preciso conhecer a ligação daquele texto Toda narrativa tem um protagonista que é a figura central, o herói ou
com outras formas de cultura, outros textos e manifestações de arte da heroína, personagem principal da história.
época em que o autor viveu. Se não houver esta visão global dos momen- O personagem, pessoa ou objeto, que se opõe aos designíos do prota-
tos literários e dos escritores, a interpretação pode ficar comprometida. Aqui gonista, chama-se antagonista, e é com ele que a personagem principal
não se podem dispensar as dicas que aparecem na referência bibliográfica contracena em primeiro plano.
da fonte e na identificação do autor.
A última fase da interpretação concentra-se nas perguntas e opções de As personagens secundárias, que são chamadas também de compar-
resposta. Aqui são fundamentais marcações de palavras como não, exce- sas, são os figurantes de influencia menor, indireta, não decisiva na narra-
to, errada, respectivamente etc. que fazem diferença na escolha adequa- ção.
da. Muitas vezes, em interpretação, trabalha-se com o conceito do "mais O narrador que está a contar a história também é uma personagem,
adequado", isto é, o que responde melhor ao questionamento proposto. Por pode ser o protagonista ou uma das outras personagens de menor impor-
isso, uma resposta pode estar certa para responder à pergunta, mas não tância, ou ainda uma pessoa estranha à história.

Língua Portuguesa 1 A Opção Certa Para a Sua Realização


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APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Podemos ainda, dizer que existem dois tipos fundamentais de perso- • Discurso Direto: É a representação da fala das personagens atra-
nagem: as planas: que são definidas por um traço característico, elas não vés do diálogo.
alteram seu comportamento durante o desenrolar dos acontecimentos e Exemplo:
tendem à caricatura; as redondas: são mais complexas tendo uma dimen- “Zé Lins continuou: carnaval é festa do povo. O povo é dono da
são psicológica, muitas vezes, o leitor fica surpreso com as suas reações verdade. Vem a polícia e começa a falar em ordem pública. No carna-
perante os acontecimentos. val a cidade é do povo e de ninguém mais”.

• Sequência dos fatos (enredo): Enredo é a sequência dos fatos, a No discurso direto é frequente o uso dos verbo de locução ou descendi:
trama dos acontecimentos e das ações dos personagens. No enredo po- dizer, falar, acrescentar, responder, perguntar, mandar, replicar e etc.; e de
demos distinguir, com maior ou menor nitidez, três ou quatro estágios travessões. Porém, quando as falas das personagens são curtas ou rápidas
progressivos: a exposição (nem sempre ocorre), a complicação, o climax, o os verbos de locução podem ser omitidos.
desenlace ou desfecho.
• Discurso Indireto: Consiste em o narrador transmitir, com suas
Na exposição o narrador situa a história quanto à época, o ambiente, próprias palavras, o pensamento ou a fala das personagens.
as personagens e certas circunstâncias. Nem sempre esse estágio ocorre, Exemplo:
na maioria das vezes, principalmente nos textos literários mais recentes, a “Zé Lins levantou um brinde: lembrou os dias triste e passa-
história começa a ser narrada no meio dos acontecimentos (“in média”), ou dos, os meus primeiros passos em liberdade, a fraternidade
seja, no estágio da complicação quando ocorre e conflito, choque de inte- que nos reunia naquele momento, a minha literatura e os me-
resses entre as personagens. nos sombrios por vir”.

O clímax é o ápice da história, quando ocorre o estágio de maior ten- • Discurso Indireto Livre: Ocorre quando a fala da personagem se
são do conflito entre as personagens centrais, desencadeando o desfecho, mistura à fala do narrador, ou seja, ao fluxo normal da narração.
ou seja, a conclusão da história com a resolução dos conflitos. Exemplo:
• Os fatos: São os acontecimentos de que as personagens partici- “Os trabalhadores passavam para os partidos, conversando
pam. Da natureza dos acontecimentos apresentados decorre o gê- alto. Quando me viram, sem chapéu, de pijama, por aqueles
nero do texto. Por exemplo o relato de um acontecimento cotidiano lugares, deram-me bons-dias desconfiados. Talvez pensassem
constitui uma crônica, o relato de um drama social é um romance que estivesse doido. Como poderia andar um homem àquela
social, e assim por diante. Em toda narrativa há um fato central, hora , sem fazer nada de cabeça no tempo, um branco de pés
que estabelece o caráter do texto, e há os fatos secundários, rela- no chão como eles? Só sendo doido mesmo”.
cionados ao principal. (José Lins do Rego)
• Espaço: Os acontecimentos narrados acontecem em diversos lu-
gares, ou mesmo em um só lugar. O texto narrativo precisa conter TEXTO DESCRITIVO
informações sobre o espaço, onde os fatos acontecem. Muitas ve- Descrever é fazer uma representação verbal dos aspectos mais carac-
zes, principalmente nos textos literários, essas informações são terísticos de um objeto, de uma pessoa, paisagem, ser e etc.
extensas, fazendo aparecer textos descritivos no interior dos textos
narrativo. As perspectivas que o observador tem do objeto são muito importantes,
• Tempo: Os fatos que compõem a narrativa desenvolvem-se num tanto na descrição literária quanto na descrição técnica. É esta atitude que
determinado tempo, que consiste na identificação do momento, vai determinar a ordem na enumeração dos traços característicos para que
dia, mês, ano ou época em que ocorre o fato. A temporalidade sa- o leitor possa combinar suas impressões isoladas formando uma imagem
lienta as relações passado/presente/futuro do texto, essas relações unificada.
podem ser linear, isto é, seguindo a ordem cronológica dos fatos,
ou sofre inversões, quando o narrador nos diz que antes de um fa- Uma boa descrição vai apresentando o objeto progressivamente, vari-
to que aconteceu depois. ando as partes focalizadas e associando-as ou interligando-as pouco a
pouco.
O tempo pode ser cronológico ou psicológico. O cronológico é o tempo Podemos encontrar distinções entre uma descrição literária e outra téc-
material em que se desenrola à ação, isto é, aquele que é medido pela nica. Passaremos a falar um pouco sobre cada uma delas:
natureza ou pelo relógio. O psicológico não é mensurável pelos padrões • Descrição Literária: A finalidade maior da descrição literária é
fixos, porque é aquele que ocorre no interior da personagem, depende da transmitir a impressão que a coisa vista desperta em nossa mente
sua percepção da realidade, da duração de um dado acontecimento no seu através do sentidos. Daí decorrem dois tipos de descrição: a subje-
espírito. tiva, que reflete o estado de espírito do observador, suas preferên-
• Narrador: observador e personagem: O narrador, como já dis- cias, assim ele descreve o que quer e o que pensa ver e não o
semos, é a personagem que está a contar a história. A posição em que vê realmente; já a objetiva traduz a realidade do mundo objeti-
que se coloca o narrador para contar a história constitui o foco, o vo, fenomênico, ela é exata e dimensional.
aspecto ou o ponto de vista da narrativa, e ele pode ser caracteri- • Descrição de Personagem: É utilizada para caracterização das
zado por : personagens, pela acumulação de traços físicos e psicológicos,
- visão “por detrás” : o narrador conhece tudo o que diz respeito às pela enumeração de seus hábitos, gestos, aptidões e temperamen-
personagens e à história, tendo uma visão panorâmica dos acon- to, com a finalidade de situar personagens no contexto cultural, so-
tecimentos e a narração é feita em 3a pessoa. cial e econômico .
- visão “com”: o narrador é personagem e ocupa o centro da narra- • Descrição de Paisagem: Neste tipo de descrição, geralmente o
tiva que é feito em 1a pessoa. observador abrange de uma só vez a globalidade do panorama,
- visão “de fora”: o narrador descreve e narra apenas o que vê, para depois aos poucos, em ordem de proximidade, abranger as
aquilo que é observável exteriormente no comportamento da per- partes mais típicas desse todo.
sonagem, sem ter acesso a sua interioridade, neste caso o narra- • Descrição do Ambiente: Ela dá os detalhes dos interiores, dos
dor é um observador e a narrativa é feita em 3a pessoa. ambientes em que ocorrem as ações, tentando dar ao leitor uma
• Foco narrativo: Todo texto narrativo necessariamente tem de visualização das suas particularidades, de seus traços distintivos e
apresentar um foco narrativo, isto é, o ponto de vista através do típicos.
qual a história está sendo contada. Como já vimos, a narração é • Descrição da Cena: Trata-se de uma descrição movimentada,
feita em 1a pessoa ou 3a pessoa. que se desenvolve progressivamente no tempo. É a descrição de
um incêndio, de uma briga, de um naufrágio.
Formas de apresentação da fala das personagens • Descrição Técnica: Ela apresenta muitas das características ge-
Como já sabemos, nas histórias, as personagens agem e falam. Há rais da literatura, com a distinção de que nela se utiliza um vocabu-
três maneiras de comunicar as falas das personagens. lário mais preciso, salientando-se com exatidão os pormenores.
Língua Portuguesa 2 A Opção Certa Para a Sua Realização
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É predominantemente denotativa tendo como objetivo esclarecer Sendo a argumentação o procedimento que tornará a tese aceitável, a
convencendo. Pode aplicar-se a objetos, a aparelhos ou mecanis- apresentação de argumentos atingirá os seus interlocutores em seus objeti-
mos, a fenômenos, a fatos, a lugares, a eventos e etc. vos; isto se dará através do convencimento da persuasão. Os mecanismos
da coesão e da coerência serão então responsáveis pela unidade da for-
TEXTO DISSERTATIVO mação textual.
Dissertar significa discutir, expor, interpretar ideias. A dissertação cons-
ta de uma série de juízos a respeito de um determinado assunto ou ques- Dentro dos mecanismos coesivos, podem realizar-se em contextos
tão, e pressupõe um exame critico do assunto sobre o qual se vai escrever verbais mais amplos, como por jogos de elipses, por força semântica, por
com clareza, coerência e objetividade. recorrências lexicais, por estratégias de substituição de enunciados.

A dissertação pode ser argumentativa - na qual o autor tenta persuadir Um mecanismo mais fácil de fazer a comunicação entre as pessoas é a
o leitor a respeito dos seus pontos de vista ou simplesmente, ter como linguagem, quando ela é em forma da escrita e após a leitura, (o que ocorre
finalidade dar a conhecer ou explicar certo modo de ver qualquer questão. agora), podemos dizer que há de ter alguém que transmita algo, e outro
que o receba. Nesta brincadeira é que entra a formação de argumentos
A linguagem usada é a referencial, centrada na mensagem, enfatizan- com o intuito de persuadir para se qualificar a comunicação; nisto, estes
do o contexto. argumentos explanados serão o germe de futuras tentativas da comunica-
ção ser objetiva e dotada de intencionalidade, (ver Linguagem e Persua-
Quanto à forma, ela pode ser tripartida em : são).
• Introdução: Em poucas linhas coloca ao leitor os dados funda-
mentais do assunto que está tratando. É a enunciação direta e ob- Sabe-se que a leitura e escrita, ou seja, ler e escrever; não tem em sua
jetiva da definição do ponto de vista do autor. unidade a mono característica da dominação do idioma/língua, e sim o
• Desenvolvimento: Constitui o corpo do texto, onde as ideias colo- propósito de executar a interação do meio e cultura de cada indivíduo. As
cadas na introdução serão definidas com os dados mais relevan- relações intertextuais são de grande valia para fazer de um texto uma
tes. Todo desenvolvimento deve estruturar-se em blocos de ideias alusão à outros textos, isto proporciona que a imersão que os argumentos
articuladas entre si, de forma que a sucessão deles resulte num dão tornem esta produção altamente evocativa.
conjunto coerente e unitário que se encaixa na introdução e de-
sencadeia a conclusão. A paráfrase é também outro recurso bastante utilizado para trazer a um
• Conclusão: É o fenômeno do texto, marcado pela síntese da ideia texto um aspecto dinâmico e com intento. Juntamente com a paródia, a
central. Na conclusão o autor reforça sua opinião, retomando a in- paráfrase utiliza-se de textos já escritos, por alguém, e que tornam-se algo
trodução e os fatos resumidos do desenvolvimento do texto. Para espetacularmente incrível. A diferença é que muitas vezes a paráfrase não
haver maior entendimento dos procedimentos que podem ocorrer possui a necessidade de persuadir as pessoas com a repetição de argu-
em um dissertação, cabe fazermos a distinção entre fatos, hipótese mentos, e sim de esquematizar novas formas de textos, sendo estes dife-
e opinião. rentes. A criação de um texto requer bem mais do que simplesmente a
- Fato: É o acontecimento ou coisa cuja veracidade e reconhecida; é junção de palavras a uma frase, requer algo mais que isto. É necessário ter
a obra ou ação que realmente se praticou. na escolha das palavras e do vocabulário o cuidado de se requisitá-las,
- Hipótese: É a suposição feita acerca de uma coisa possível ou bem como para se adotá-las. Um texto não é totalmente auto-explicativo,
não, e de que se tiram diversas conclusões; é uma afirmação so- daí vem a necessidade de que o leitor tenha um emassado em seu histórico
bre o desconhecido, feita com base no que já é conhecido. uma relação interdiscursiva e intertextual.
- Opinião: Opinar é julgar ou inserir expressões de aprovação ou
desaprovação pessoal diante de acontecimentos, pessoas e obje- As metáforas, metomínias, onomatopeias ou figuras de linguagem, en-
tos descritos, é um parecer particular, um sentimento que se tem a tram em ação inseridos num texto como um conjunto de estratégias capa-
respeito de algo. zes de contribuir para os efeitos persuasivos dele. A ironia também é muito
utilizada para causar este efeito, umas de suas características salientes, é
O TEXTO ARGUMENTATIVO que a ironia dá ênfase à gozação, além de desvalorizar ideias, valores da
Baseado em Adilson Citelli oposição, tudo isto em forma de piada.
A linguagem é capaz de criar e representar realidades, sendo caracte-
rizada pela identificação de um elemento de constituição de sentidos. Os Uma das últimas, porém não menos importantes, formas de persuadir
discursos verbais podem ser formados de várias maneiras, para dissertar através de argumentos, é a Alusão ("Ler não é apenas reconhecer o dito,
ou argumentar, descrever ou narrar, colocamos em práticas um conjunto de mais também o não-dito"). Nela, o escritor trabalha com valores, ideias ou
referências codificadas há muito tempo e dadas como estruturadoras do conceitos pré estabelecidos, sem porém com objetivos de forma clara e
tipo de texto solicitado. concisa. O que acontece é a formação de um ambiente poético e sugerível,
capaz de evocar nos leitores algo, digamos, uma sensação...
Para se persuadir por meio de muitos recursos da língua é necessário
que um texto possua um caráter argumentativo/descritivo. A construção de Texto Base: CITELLI, Adilson; “O Texto Argumentativo” São Paulo SP,
um ponto de vista de alguma pessoa sobre algo, varia de acordo com a sua Editora ..Scipione, 1994 - 6ª edição.
análise e esta dar-se-á a partir do momento em que a compreensão do
conteúdo, ou daquilo que fora tratado seja concretado. A formação discursi- Reconhecimento de tipos e gêneros textuais.
va é responsável pelo emassamento do conteúdo que se deseja transmitir,
ou persuadir, e nele teremos a formação do ponto de vista do sujeito, suas A todo o momento nos deparamos com vários textos, sejam eles
análises das coisas e suas opiniões. Nelas, as opiniões o que fazemos é verbais e não verbais. Em todos há a presença do discurso, isto é, a ideia
soltar concepções que tendem a ser orientadas no meio em que o indivíduo intrínseca, a essência daquilo que está sendo transmitido entre os
viva. Vemos que o sujeito lança suas opiniões com o simples e decisivo interlocutores.
intuito de persuadir e fazer suas explanações renderem o convencimento Esses interlocutores são as peças principais em um diálogo ou em um
do ponto de vista de algo/alguém. texto escrito, pois nunca escrevemos para nós mesmos, nem mesmo
falamos sozinhos.
Na escrita, o que fazemos é buscar intenções de sermos entendidos e
desejamos estabelecer um contato verbal com os ouvintes e leitores, e É de fundamental importância sabermos classificar os textos dos quais
todas as frases ou palavras articuladas produzem significações dotadas de travamos convivência no nosso dia a dia. Para isso, precisamos saber que
intencionalidade, criando assim unidades textuais ou discursivas. Dentro existem tipos textuais e gêneros textuais.
deste contexto da escrita, temos que levar em conta que a coerência é de Comumente relatamos sobre um acontecimento, um fato presenciado
relevada importância para a produção textual, pois nela se dará uma se- ou ocorrido conosco, expomos nossa opinião sobre determinado assunto,
quência das ideias e da progressão de argumentos a serem explanadas.

Língua Portuguesa 3 A Opção Certa Para a Sua Realização


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APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
ou descrevemos algum lugar pelo qual visitamos, e ainda, fazemos um Esta voz pode ser de uma personagem, ou de uma testemunha que
retrato verbal sobre alguém que acabamos de conhecer ou ver. conta os fatos na primeira pessoa ou, também, pode ser a voz de uma
terceira pessoa que não intervém nem como ator nem como testemunha.
É exatamente nestas situações corriqueiras que classificamos os
nossos textos naquela tradicional tipologia: Narração, Descrição e Além disso, o narrador pode adotar diferentes posições, diferentes pon-
Dissertação. tos de vista: pode conhecer somente o que está acontecendo, isto é, o que
as personagens estão fazendo ou, ao contrário, saber de tudo: o que fa-
Para melhor exemplificarmos o que foi dito, tomamos como exemplo zem, pensam, sentem as personagens, o que lhes aconteceu e o que lhes
um Editorial, no qual o autor expõe seu ponto de vista sobre determinado acontecerá. Estes narradores que sabem tudo são chamados oniscientes.
assunto, uma descrição de um ambiente e um texto literário escrito em
prosa. A Novela
Em se tratando de gêneros textuais, a situação não é diferente, pois se É semelhante ao conto, mas tem mais personagens, maior número de
conceituam como gêneros textuais as diversas situações complicações, passagens mais extensas com descrições e diálogos. As
sociocomunciativas que participam da nossa vida em sociedade. Como personagens adquirem uma definição mais acabada, e as ações secundá-
exemplo, temos: uma receita culinária, um e-mail, uma reportagem, uma rias podem chegar a adquirir tal relevância, de modo que terminam por
monografia, e assim por diante. Respectivamente, tais textos classificar-se- converter-se, em alguns textos, em unidades narrativas independentes.
iam como: instrucional, correspondência pessoal (em meio eletrônico), texto
do ramo jornalístico e, por último, um texto de cunho científico. A Obra Teatral

Mas como toda escrita perfaz-se de uma técnica para compô-la, é Os textos literários que conhecemos como obras de teatro (dramas,
extremamente importante que saibamos a maneira correta de produzir esta tragédias, comédias, etc.) vão tecendo diferentes histórias, vão desenvol-
gama de textos. À medida que a praticamos, vamos nos aperfeiçoando vendo diversos conflitos, mediante a interação linguística das personagens,
mais e mais na sua performance estrutural. Por Vânia Duarte quer dizer, através das conversações que têm lugar entre os participantes
nas situações comunicativas registradas no mundo de ficção construído
O Conto pelo texto. Nas obras teatrais, não existe um narrador que conta os fatos,
mas um leitor que vai conhecendo-os através dos diálogos e/ ou monólogos
É um relato em prosa de fatos fictícios. Consta de três momentos per- das personagens.
feitamente diferenciados: começa apresentando um estado inicial de equilí-
brio; segue com a intervenção de uma força, com a aparição de um conflito, Devido à trama conversacional destes textos, torna-se possível encon-
que dá lugar a uma série de episódios; encerra com a resolução desse trar neles vestígios de oralidade (que se manifestam na linguagem espon-
conflito que permite, no estágio final, a recuperação do equilíbrio perdido. tânea das personagens, através de numerosas interjeições, de alterações
da sintaxe normal, de digressões, de repetições, de dêiticos de lugar e
Todo conto tem ações centrais, núcleos narrativos, que estabelecem tempo. Os sinais de interrogação, exclamação e sinais auxiliares servem
entre si uma relação causal. Entre estas ações, aparecem elementos de para moldar as propostas e as réplicas e, ao mesmo tempo, estabelecem
recheio (secundários ou catalíticos), cuja função é manter o suspense. os turnos de palavras.
Tanto os núcleos como as ações secundárias colocam em cena persona-
gens que as cumprem em um determinado lugar e tempo. Para a apresen- As obras de teatro atingem toda sua potencialidade através da repre-
tação das características destes personagens, assim como para as indica- sentação cênica: elas são construídas para serem representadas. O diretor
ções de lugar e tempo, apela-se a recursos descritivos. e os atores orientam sua interpretação.
Um recurso de uso frequente nos contos é a introdução do diálogo das Estes textos são organizados em atos, que estabelecem a progressão
personagens, apresentado com os sinais gráficos correspondentes (os temática: desenvolvem uma unidade informativa relevante para cada conta-
travessões, para indicar a mudança de interlocutor). to apresentado. Cada ato contém, por sua vez, diferentes cenas, determi-
nadas pelas entradas e saídas das personagens e/ou por diferentes qua-
A observação da coerência temporal permite ver se o autor mantém a dros, que correspondem a mudanças de cenografias.
linha temporal ou prefere surpreender o leitor com rupturas de tempo na
apresentação dos acontecimentos (saltos ao passado ou avanços ao Nas obras teatrais são incluídos textos de trama descritiva: são as
futuro). chamadas notações cênicas, através das quais o autor dá indicações aos
atores sobre a entonação e a gestualidade e caracteriza as diferentes
A demarcação do tempo aparece, geralmente, no parágrafo inicial. Os cenografias que considera pertinentes para o desenvolvimento da ação.
contos tradicionais apresentam fórmulas características de introdução de Estas notações apresentam com frequência orações unimembres e/ou
temporalidade difusa: "Era uma vez...", "Certa vez...". bimembres de predicado não verbal.
Os tempos verbais desempenham um papel importante na construção O Poema
e na interpretação dos contos. Os pretéritos imperfeito e o perfeito predo-
minam na narração, enquanto que o tempo presente aparece nas descri- Texto literário, geralmente escrito em verso, com uma distribuição es-
ções e nos diálogos. pacial muito particular: as linhas curtas e os agrupamentos em estrofe dão
relevância aos espaços em branco; então, o texto emerge da página com
O pretérito imperfeito apresenta a ação em processo, cuja incidência uma silhueta especial que nos prepara para sermos introduzidos nos miste-
chega ao momento da narração: "Rosário olhava timidamente seu preten- riosos labirintos da linguagem figurada. Pede uma leitura em voz alta, para
dente, enquanto sua mãe, da sala, fazia comentários banais sobre a histó- captar o ritmo dos versos, e promove uma tarefa de abordagem que pre-
ria familiar." O perfeito, ao contrário, apresenta as ações concluídas no tende extrair a significação dos recursos estilísticos empregados pelo
passado: "De repente, chegou o pai com suas botas sujas de barro, olhou poeta, quer seja para expressar seus sentimentos, suas emoções, sua
sua filha, depois o pretendente, e, sem dizer nada, entrou furioso na sala". versão da realidade, ou para criar atmosferas de mistério de surrealismo,
A apresentação das personagens ajusta-se à estratégia da definibilida- relatar epopeias (como nos romances tradicionais), ou, ainda, para apre-
de: são introduzidas mediante uma construção nominal iniciada por um sentar ensinamentos morais (como nas fábulas).
artigo indefinido (ou elemento equivalente), que depois é substituído pelo O ritmo - este movimento regular e medido - que recorre ao valor sono-
definido, por um nome, um pronome, etc.: "Uma mulher muito bonita entrou ro das palavras e às pausas para dar musicalidade ao poema, é parte
apressadamente na sala de embarque e olhou à volta, procurando alguém essencial do verso: o verso é uma unidade rítmica constituída por uma série
impacientemente. A mulher parecia ter fugido de um filme romântico dos métrica de sílabas fônicas. A distribuição dos acentos das palavras que
anos 40." compõem os versos tem uma importância capital para o ritmo: a musicali-
O narrador é uma figura criada pelo autor para apresentar os fatos que dade depende desta distribuição.
constituem o relato, é a voz que conta o que está acontecendo. Lembramos que, para medir o verso, devemos atender unicamente à
distância sonora das sílabas. As sílabas fônicas apresentam algumas
diferenças das sílabas ortográficas. Estas diferenças constituem as chama-
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das licenças poéticas: a diérese, que permite separar os ditongos em suas A Notícia
sílabas; a sinérese, que une em uma sílaba duas vogais que não constitu-
em um ditongo; a sinalefa, que une em uma só sílaba a sílaba final de uma Transmite uma nova informação sobre acontecimentos, objetos ou
palavra terminada em vogal, com a inicial de outra que inicie com vogal ou pessoas.
h; o hiato, que anula a possibilidade da sinalefa. Os acentos finais também As notícias apresentam-se como unidades informativas completas, que
incidem no levantamento das sílabas do verso. Se a última palavra é paro- contêm todos os dados necessários para que o leitor compreenda a infor-
xítona, não se altera o número de sílabas; se é oxítona, soma-se uma mação, sem necessidade ou de recorrer a textos anteriores (por exemplo,
sílaba; se é proparoxítona, diminui-se uma. não é necessário ter lido os jornais do dia anterior para interpretá-la), ou de
A rima é uma característica distintiva, mas não obrigatória dos versos, ligá-la a outros textos contidos na mesma publicação ou em publicações
pois existem versos sem rima (os versos brancos ou soltos de uso frequen- similares.
te na poesia moderna). A rima consiste na coincidência total ou parcial dos É comum que este texto use a técnica da pirâmide invertida: começa
últimos fonemas do verso. Existem dois tipos de rimas: a consoante (coin- pelo fato mais importante para finalizar com os detalhes. Consta de três
cidência total de vogais e consoante a partir da última vogal acentuada) e a partes claramente diferenciadas: o título, a introdução e o desenvolvimento.
assonante (coincidência unicamente das vogais a partir da última vogal O título cumpre uma dupla função - sintetizar o tema central e atrair a
acentuada). A métrica mais frequente dos versos vai desde duas até de- atenção do leitor. Os manuais de estilo dos jornais (por exemplo: do Jornal
zesseis sílabas. Os versos monossílabos não existem, já que, pelo acento, El País, 1991) sugerem geralmente que os títulos não excedam treze
são considerados dissílabos. palavras. A introdução contém o principal da informação, sem chegar a ser
As estrofes agrupam versos de igual medida e de duas medidas dife- um resumo de todo o texto. No desenvolvimento, incluem-se os detalhes
rentes combinadas regularmente. Estes agrupamentos vinculam-se à que não aparecem na introdução.
progressão temática do texto: com frequência, desenvolvem uma unidade A notícia é redigida na terceira pessoa. O redator deve manter-se à
informativa vinculada ao tema central. margem do que conta, razão pela qual não é permitido o emprego da
Os trabalhos dentro do paradigma e do sintagma, através dos meca- primeira pessoa do singular nem do plural. Isso implica que, além de omitir
nismos de substituição e de combinação, respectivamente, culminam com a o eu ou o nós, também não deve recorrer aos possessivos (por exemplo,
criação de metáforas, símbolos, configurações sugestionadoras de vocábu- não se referirá à Argentina ou a Buenos Aires com expressões tais como
los, metonímias, jogo de significados, associações livres e outros recursos nosso país ou minha cidade).
estilísticos que dão ambiguidade ao poema. Esse texto se caracteriza por sua exigência de objetividade e veracida-
TEXTOS JORNALÍSTICOS de: somente apresenta os dados. Quando o jornalista não consegue com-
provar de forma fidedigna os dados apresentados, costuma recorrer a
Os textos denominados de textos jornalísticos, em função de seu por- certas fórmulas para salvar sua responsabilidade: parece, não está descar-
tador ( jornais, periódicos, revistas), mostram um claro predomínio da tado que. Quando o redator menciona o que foi dito por alguma fonte,
função informativa da linguagem: trazem os fatos mais relevantes no mo- recorre ao discurso direto, como, por exemplo:
mento em que acontecem. Esta adesão ao presente, esta primazia da
atualidade, condena-os a uma vida efêmera. Propõem-se a difundir as O ministro afirmou: "O tema dos aposentados será tratado na Câmara
novidades produzidas em diferentes partes do mundo, sobre os mais varia- dos Deputados durante a próxima semana .
dos temas. O estilo que corresponde a este tipo de texto é o formal.
De acordo com este propósito, são agrupados em diferentes seções: Nesse tipo de texto, são empregados, principalmente, orações
informação nacional, informação internacional, informação local, sociedade, enunciativas, breves, que respeitam a ordem sintática canônica. Apesar das
economia, cultura, esportes, espetáculos e entretenimentos. notícias preferencialmente utilizarem os verbos na voz ativa, também é
A ordem de apresentação dessas seções, assim como a extensão e o frequente o uso da voz passiva: Os delinquentes foram perseguidos pela
tratamento dado aos textos que incluem, são indicadores importantes tanto polícia; e das formas impessoais: A perseguição aos delinquentes foi feita
da ideologia como da posição adotada pela publicação sobre o tema abor- por um patrulheiro.
dado. A progressão temática das notícias gira em tomo das perguntas o quê?
Os textos jornalísticos apresentam diferentes seções. As mais comuns quem? como? quando? por quê e para quê?.
são as notícias, os artigos de opinião, as entrevistas, as reportagens, as O Artigo de Opinião
crônicas, as resenhas de espetáculos.
Contém comentários, avaliações, expectativas sobre um tema da atua-
A publicidade é um componente constante dos jornais e revistas, à lidade que, por sua transcendência, no plano nacional ou internacional, já é
medida que permite o financiamento de suas edições. Mas os textos publi- considerado, ou merece ser, objeto de debate.
citários aparecem não só nos periódicos como também em outros meios
amplamente conhecidos como os cartazes, folhetos, etc.; por isso, nos Nessa categoria, incluem-se os editoriais, artigos de análise ou pesqui-
referiremos a eles em outro momento. sa e as colunas que levam o nome de seu autor. Os editoriais expressam a
posição adotada pelo jornal ou revista em concordância com sua ideologia,
Em geral, aceita-se que os textos jornalísticos, em qualquer uma de enquanto que os artigos assinados e as colunas transmitem as opiniões de
suas seções, devem cumprir certos requisitos de apresentação, entre os seus redatores, o que pode nos levar a encontrar, muitas vezes, opiniões
quais destacamos: uma tipografia perfeitamente legível, uma diagramação divergentes e até antagônicas em uma mesma página.
cuidada, fotografias adequadas que sirvam para complementar a informa-
ção linguística, inclusão de gráficos ilustrativos que fundamentam as expli- Embora estes textos possam ter distintas superestruturas, em geral se
cações do texto. organizam seguindo uma linha argumentativa que se inicia com a identifica-
ção do tema em questão, acompanhado de seus antecedentes e alcance, e
É pertinente observar como os textos jornalísticos distribuem-se na pu- que segue com uma tomada de posição, isto é, com a formulação de uma
blicação para melhor conhecer a ideologia da mesma. Fundamentalmente, tese; depois, apresentam-se os diferentes argumentos de forma a justificar
a primeira página, as páginas ímpares e o extremo superior das folhas dos esta tese; para encerrar, faz-se uma reafirmação da posição adotada no
jornais trazem as informações que se quer destacar. Esta localização início do texto.
antecipa ao leitor a importância que a publicação deu ao conteúdo desses
textos. A efetividade do texto tem relação direta não só com a pertinência dos
argumentos expostos como também com as estratégias discursivas usadas
O corpo da letra dos títulos também é um indicador a considerar sobre para persuadir o leitor. Entre estas estratégias, podemos encontrar as
a posição adotada pela redação. seguintes: as acusações claras aos oponentes, as ironias, as insinuações,
as digressões, as apelações à sensibilidade ou, ao contrário, a tomada de
distância através do uso das construções impessoais, para dar objetividade

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e consenso à análise realizada; a retenção em recursos descritivos - deta- Apesar das diferenças existentes entre os métodos de pesquisa destas
lhados e precisos, ou em relatos em que as diferentes etapas de pesquisa ciências, os textos têm algumas características que são comuns a todas
estão bem especificadas com uma minuciosa enumeração das fontes da suas variedades: neles predominam, como em todos os textos informativos,
informação. Todos eles são recursos que servem para fundamentar os as orações enunciativas de estrutura bimembre e prefere-se a ordem
argumentos usados na validade da tese. sintática canônica (sujeito-verbo-predicado).
A progressão temática ocorre geralmente através de um esquema de Incluem frases claras, em que não há ambiguidade sintática ou semân-
temas derivados. Cada argumento pode encerrar um tópico com seus tica, e levam em consideração o significado mais conhecido, mais difundido
respectivos comentários. das palavras.
Estes artigos, em virtude de sua intencionalidade informativa, apresen- O vocabulário é preciso. Geralmente, estes textos não incluem vocábu-
tam uma preeminência de orações enunciativas, embora também incluam, los a que possam ser atribuídos um multiplicidade de significados, isto é,
com frequência, orações dubitativas e exortativas devido à sua trama evitam os termos polissêmicos e, quando isso não é possível, estabelecem
argumentativa. As primeiras servem para relativizar os alcances e o valor mediante definições operatórias o significado que deve ser atribuído ao
da informação de base, o assunto em questão; as últimas, para convencer termo polissêmico nesse contexto.
o leitor a aceitar suas premissas como verdadeiras. No decorrer destes
artigos, opta-se por orações complexas que incluem proposições causais A Definição
para as fundamentações, consecutivas para dar ênfase aos efeitos, con- Expande o significado de um termo mediante uma trama descritiva, que
cessivas e condicionais. determina de forma clara e precisa as características genéricas e diferenci-
Para interpretar estes textos, é indispensável captar a postura ais do objeto ao qual se refere. Essa descrição contém uma configuração
ideológica do autor, identificar os interesses a que serve e precisar sob que de elementos que se relacionam semanticamente com o termo a definir
circunstâncias e com que propósito foi organizada a informação exposta. através de um processo de sinonímia.
Para cumprir os requisitos desta abordagem, necessitaremos utilizar Recordemos a definição clássica de "homem", porque é o exemplo por
estratégias tais como a referência exofórica, a integração crítica dos dados excelência da definição lógica, uma das construções mais generalizadas
do texto com os recolhidos em outras fontes e a leitura atenta das dentro deste tipo de texto: O homem é um animal racional. A expansão do
entrelinhas a fim de converter em explícito o que está implícito. termo "homem" - "animal racional" - apresenta o gênero a que pertence,
Embora todo texto exija para sua interpretação o uso das estratégias "animal", e a diferença específica, "racional": a racionalidade é o traço que
mencionadas, é necessário recorrer a elas quando estivermos frente a um nos permite diferenciar a espécie humana dentro do gênero animal.
texto de trama argumentativa, através do qual o autor procura que o leitor Usualmente, as definições incluídas nos dicionários, seus portadores
aceite ou avalie cenas, ideias ou crenças como verdadeiras ou falsas, mais qualificados, apresentam os traços essenciais daqueles a que se
cenas e opiniões como positivas ou negativas. referem: Fiscis (do lat. piscis). s.p.m. Astron. Duodécimo e último signo ou
A Reportagem parte do Zodíaco, de 30° de amplitude, que o Sol percorre aparentemente
antes de terminar o inverno.
É uma variedade do texto jornalístico de trama conversacional que,
para informar sobre determinado tema, recorre ao testemunho de uma Como podemos observar nessa definição extraída do Dicionário de La
figura-chave para o conhecimento deste tópico. Real Academia Espa1ioJa (RAE, 1982), o significado de um tema base ou
introdução desenvolve-se através de uma descrição que contém seus
A conversação desenvolve-se entre um jornalista que representa a pu- traços mais relevantes, expressa, com frequência, através de orações
blicação e um personagem cuja atividade suscita ou merece despertar a unimembres, constituídos por construções endocêntricas (em nosso exem-
atenção dos leitores. plo temos uma construção endocêntrica substantiva - o núcleo é um subs-
tantivo rodeado de modificadores "duodécimo e último signo ou parte do
A reportagem inclui uma sumária apresentação do entrevistado, reali- Zodíaco, de 30° de amplitude..."), que incorporam maior informação medi-
zada com recursos descritivos, e, imediatamente, desenvolve o diálogo. As ante proposições subordinadas adjetivas: "que o Sol percorre aparentemen-
perguntas são breves e concisas, à medida que estão orientadas para te antes de terminar o inverno".
divulgar as opiniões e ideias do entrevistado e não as do entrevistador.
As definições contêm, também, informações complementares relacio-
A Entrevista nadas, por exemplo, com a ciência ou com a disciplina em cujo léxico se
Da mesma forma que reportagem, configura-se preferentemente medi- inclui o termo a definir (Piscis: Astron.); a origem etimológica do vocábulo
ante uma trama conversacional, mas combina com frequência este tecido ("do lat. piscis"); a sua classificação gramatical (s.p.m.), etc.
com fios argumentativos e descritivos. Admite, então, uma maior liberdade, Essas informações complementares contêm frequentemente
uma vez que não se ajusta estritamente à fórmula pergunta-resposta, mas abreviaturas, cujo significado aparece nas primeiras páginas do Dicionário:
detém-se em comentários e descrições sobre o entrevistado e transcreve Lat., Latim; Astron., Astronomia; s.p.m., substantivo próprio masculino, etc.
somente alguns fragmentos do diálogo, indicando com travessões a mu-
dança de interlocutor. É permitido apresentar uma introdução extensa com O tema-base (introdução) e sua expansão descritiva - categorias bási-
os aspectos mais significativos da conversação mantida, e as perguntas cas da estrutura da definição - distribuem-se espacialmente em blocos, nos
podem ser acompanhadas de comentários, confirmações ou refutações quais diferentes informações costumam ser codificadas através de tipogra-
sobre as declarações do entrevistado. fias diferentes (negrito para o vocabulário a definir; itálico para as etimologi-
as, etc.). Os diversos significados aparecem demarcados em bloco median-
Por tratar-se de um texto jornalístico, a entrevista deve necessa- te barras paralelas e /ou números.
riamente incluir um tema atual, ou com incidência na atualidade, embora a
conversação possa derivar para outros temas, o que ocasiona que muitas Prorrogar (Do Jat. prorrogare) V.t.d. l. Continuar, dilatar, estender uma
destas entrevistas se ajustem a uma progressão temática linear ou a temas coisa por um período determinado. 112. Ampliar, prolongar 113. Fazer
derivados. continuar em exercício; adiar o término de.
Como ocorre em qualquer texto de trama conversacional, não existe A Nota de Enciclopédia
uma garantia de diálogo verdadeiro; uma vez que se pode respeitar a vez
de quem fala, a progressão temática não se ajusta ao jogo argumentativo Apresenta, como a definição, um tema-base e uma expansão de trama
de propostas e de réplicas. descritiva; porém, diferencia-se da definição pela organização e pela ampli-
tude desta expansão.
TEXTOS DE INFORMAÇÃO CIENTÍFICA
A progressão temática mais comum nas notas de enciclopédia é a de
Esta categoria inclui textos cujos conteúdos provêm do campo das ci- temas derivados: os comentários que se referem ao tema-base constituem-
ências em geral. Os referentes dos textos que vamos desenvolver situam- se, por sua vez, em temas de distintos parágrafos demarcados por subtítu-
se tanto nas Ciências Sociais como nas Ciências Naturais. los.

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Por exemplo, no tema República Argentina, podemos encontrar os te- Os textos monográficos não necessariamente devem ser realizados
mas derivados: traços geológicos, relevo, clima, hidrografia, biogeografia, com base em consultas bibliográficas, uma vez que é possível terem como
população, cidades, economia, comunicação, transportes, cultura, etc. fonte, por exemplo, o testemunho dos protagonistas dos fatos, testemunhos
qualificados ou de especialistas no tema.
Estes textos empregam, com frequência, esquemas taxionômicos, nos
quais os elementos se agrupam em classes inclusivas e incluídas. Por As monografias exigem uma seleção rigorosa e uma organização coe-
exemplo: descreve-se "mamífero" como membro da classe dos vertebra- rente dos dados recolhidos. A seleção e organização dos dados servem
dos; depois, são apresentados os traços distintivos de suas diversas varie- como indicador do propósito que orientou o trabalho. Se pretendemos, por
dades: terrestres e aquáticos. exemplo, mostrar que as fontes consultadas nos permitem sustentar que os
aspectos positivos da gestão governamental de um determinado persona-
Uma vez que nestas notas há predomínio da função informativa da lin- gem histórico têm maior relevância e valor do que os aspectos negativos,
guagem, a expansão é construída sobre a base da descrição científica, que teremos de apresentar e de categorizar os dados obtidos de tal forma que
responde às exigências de concisão e de precisão. esta valorização fique explícita.
As características inerentes aos objetos apresentados aparecem atra- Nas monografias, é indispensável determinar, no primeiro parágrafo, o
vés de adjetivos descritivos - peixe de cor amarelada escura, com manchas tema a ser tratado, para abrir espaço à cooperação ativa do leitor que,
pretas no dorso, e parte inferior prateada, cabeça quase cônica, olhos muito conjugando seus conhecimentos prévios e seus propósitos de leitura, fará
juntos, boca oblíqua e duas aletas dorsais - que ampliam a base informativa as primeiras antecipações sobre a informação que espera encontrar e
dos substantivos e, como é possível observar em nosso exemplo, agregam formulará as hipóteses que guiarão sua leitura. Uma vez determinado o
qualidades próprias daquilo a que se referem. tema, estes textos transcrevem, mediante o uso da técnica de resumo, o
O uso do presente marca a temporalidade da descrição, em cujo tecido que cada uma das fontes consultadas sustenta sobre o tema, as quais
predominam os verbos estáticos - apresentar, mostrar, ter, etc. - e os de estarão listadas nas referências bibliográficas, de acordo com as normas
ligação - ser, estar, parecer, etc. que regem a apresentação da bibliografia.
O Relato de Experimentos O trabalho intertextual (incorporação de textos de outros no tecido do
texto que estamos elaborando) manifesta-se nas monografias através de
Contém a descrição detalhada de um projeto que consiste em construções de discurso direto ou de discurso indireto.
manipular o ambiente para obter uma nova informação, ou seja, são textos
que descrevem experimentos. Nas primeiras, incorpora-se o enunciado de outro autor, sem modifica-
ções, tal como foi produzido. Ricardo Ortiz declara: "O processo da econo-
O ponto de partida destes experimentos é algo que se deseja saber, mia dirigida conduziu a uma centralização na Capital Federal de toda
mas que não se pode encontrar observando as coisas tais como estão; é tramitação referente ao comércio exterior'] Os dois pontos que prenunciam
necessário, então, estabelecer algumas condições, criar certas situações a palavra de outro, as aspas que servem para demarcá-la, os traços que
para concluir a observação e extrair conclusões. Muda-se algo para consta- incluem o nome do autor do texto citado, 'o processo da economia dirigida -
tar o que acontece. Por exemplo, se se deseja saber em que condições declara Ricardo Ortiz - conduziu a uma centralização...') são alguns dos
uma planta de determinada espécie cresce mais rapidamente, pode-se sinais que distinguem frequentemente o discurso direto.
colocar suas sementes em diferentes recipientes sob diferentes condições
de luminosidade; em diferentes lugares, areia, terra, água; com diferentes Quando se recorre ao discurso indireto, relata-se o que foi dito por ou-
fertilizantes orgânicos, químicos etc., para observar e precisar em que tro, em vez de transcrever textualmente, com a inclusão de elementos
circunstâncias obtém-se um melhor crescimento. subordinadores e dependendo do caso - as conseguintes modificações,
pronomes pessoais, tempos verbais, advérbios, sinais de pontuação, sinais
A macroestrutura desses relatos contém, primordialmente, duas cate- auxiliares, etc.
gorias: uma corresponde às condições em que o experimento se realiza,
isto é, ao registro da situação de experimentação; a outra, ao processo Discurso direto: ‘Ás raízes de meu pensamento – afirmou Echeverría -
observado. nutrem-se do liberalismo’
Nesses textos, então, são utilizadas com frequência orações que co- Discurso indireto: 'Écheverría afirmou que as raízes de seu
meçam com se (condicionais) e com quando (condicional temporal): pensamento nutriam -se do liberalismo'
Se coloco a semente em um composto de areia, terra preta, húmus, a Os textos monográficos recorrem, com frequência, aos verbos discendi
planta crescerá mais rápido. (dizer, expressar, declarar, afirmar, opinar, etc.), tanto para introduzir os
enunciados das fontes como para incorporar os comentários e opiniões do
Quando rego as plantas duas vezes ao dia, os talos começam a emissor.
mostrar manchas marrons devido ao excesso de umidade.
Se o propósito da monografia é somente organizar os dados que o au-
Estes relatos adotam uma trama descritiva de processo. A variável tor recolheu sobre o tema de acordo com um determinado critério de classi-
tempo aparece através de numerais ordinais: Em uma primeira etapa, é ficação explícito (por exemplo, organizar os dados em tomo do tipo de fonte
possível observar... em uma segunda etapa, aparecem os primeiros brotos consultada), sua efetividade dependerá da coerência existente entre os
...; de advérbios ou de locuções adverbiais: Jogo, antes de, depois de, no dados apresentados e o princípio de classificação adotado.
mesmo momento que, etc., dado que a variável temporal é um componente
essencial de todo processo. O texto enfatiza os aspectos descritivos, apre- Se a monografia pretende justificar uma opinião ou validar uma hipóte-
senta as características dos elementos, os traços distintivos de cada uma se, sua efetividade, então, dependerá da confiabilidade e veracidade das
das etapas do processo. fontes consultadas, da consistência lógica dos argumentos e da coerência
estabelecida entre os fatos e a conclusão.
O relato pode estar redigido de forma impessoal: coloca-se, colocado
em um recipiente ... Jogo se observa/foi observado que, etc., ou na primeira Estes textos podem ajustar-se a diferentes esquemas lógicos do tipo
pessoa do singular, coloco/coloquei em um recipiente ... Jogo obser- problema /solução, premissas /conclusão, causas / efeitos.
vo/observei que ... etc., ou do plural: colocamos em um recipiente... Jogo Os conectores lógicos oracionais e extra-oracionais são marcas linguís-
observamos que... etc. O uso do impessoal enfatiza a distância existente ticas relevantes para analisar as distintas relações que se estabelecem
entre o experimentador e o experimento, enquanto que a primeira pessoa, entre os dados e para avaliar sua coerência.
do plural e do singular enfatiza o compromisso de ambos.
A Biografia
A Monografia
É uma narração feita por alguém acerca da vida de outra(s) pessoa(s).
Este tipo de texto privilegia a análise e a crítica; a informação sobre um Quando o autor conta sua própria vida, considera-se uma autobiografia.
determinado tema é recolhida em diferentes fontes.

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Estes textos são empregados com frequência na escola, para apresen- As instruções configuram-se, habitualmente, com orações bimembres,
tar ou a vida ou algumas etapas decisivas da existência de personagens com verbos no modo imperativo (misture a farinha com o fermento), ou
cuja ação foi qualificada como relevante na história. orações unimembres formadas por construções com o verbo no infinitivo
(misturar a farinha com o açúcar).
Os dados biográficos ordenam-se, em geral, cronologicamente, e, dado
que a temporalidade é uma variável essencial do tecido das biografias, em Tanto os verbos nos modos imperativo, subjuntivo e indicativo como as
sua construção, predominam recursos linguísticos que asseguram a conec- construções com formas nominais gerúndio, particípio, infinitivo aparecem
tividade temporal: advérbios, construções de valor semântico adverbial acompanhados por advérbios palavras ou por locuções adverbiais que
(Seus cinco primeiros anos transcorreram na tranquila segurança de sua expressam o modo como devem ser realizadas determinadas ações (sepa-
cidade natal Depois, mudou-se com a família para La Prata), proposições re cuidadosamente as claras das gemas, ou separe com muito cuidado as
temporais (Quando se introduzia obsessivamente nos tortuosos caminhos claras das gemas). Os propósitos dessas ações aparecem estruturados
da novela, seus estudos de física ajudavam-no a reinstalar-se na realida- visando a um objetivo (mexa lentamente para diluir o conteúdo do pacote
de), etc. em água fria), ou com valor temporal final (bata o creme com as claras até
que fique numa consistência espessa). Nestes textos inclui-se, com fre-
A veracidade que exigem os textos de informação científica manifesta- quência, o tempo do receptor através do uso do dêixis de lugar e de tempo:
se nas biografias através das citações textuais das fontes dos dados apre- Aqui, deve acrescentar uma gema. Agora, poderá mexer novamente. Neste
sentados, enquanto a ótica do autor é expressa na seleção e no modo de momento, terá que correr rapidamente até o lado oposto da cancha. Aqui
apresentação destes dados. Pode-se empregar a técnica de acumulação pode intervir outro membro da equipe.
simples de dados organizados cronologicamente, ou cada um destes dados
pode aparecer acompanhado pelas valorações do autor, de acordo com a TEXTOS EPISTOLARES
importância que a eles atribui.
Os textos epistolares procuram estabelecer uma comunicação por es-
Atualmente, há grande difusão das chamadas "biografias não - crito com um destinatário ausente, identificado no texto através do cabeça-
autorizadas" de personagens da política, ou do mundo da Arte. Uma carac- lho. Pode tratar-se de um indivíduo (um amigo, um parente, o gerente de
terística que parece ser comum nestas biografias é a intencionalidade de uma empresa, o diretor de um colégio), ou de um conjunto de indivíduos
revelar a personagem através de uma profusa acumulação de aspectos designados de forma coletiva (conselho editorial, junta diretora).
negativos, especialmente aqueles que se relacionam a defeitos ou a vícios
altamente reprovados pela opinião pública. Estes textos reconhecem como portador este pedaço de papel que, de
forma metonímica, denomina-se carta, convite ou solicitação, dependendo
TEXTOS INSTRUCIONAIS das características contidas no texto.
Estes textos dão orientações precisas para a realização das mais di- Apresentam uma estrutura que se reflete claramente em sua organiza-
versas atividades, como jogar, preparar uma comida, cuidar de plantas ou ção espacial, cujos componentes são os seguintes: cabeçalho, que estabe-
animais domésticos, usar um aparelho eletrônico, consertar um carro, etc. lece o lugar e o tempo da produção, os dados do destinatário e a forma de
Dentro desta categoria, encontramos desde as mais simples receitas culi- tratamento empregada para estabelecer o contato: o corpo, parte do texto
nárias até os complexos manuais de instrução para montar o motor de um em que se desenvolve a mensagem, e a despedida, que inclui a saudação
avião. Existem numerosas variedades de textos instrucionais: além de e a assinatura, através da qual se introduz o autor no texto. O grau de
receitas e manuais, estão os regulamentos, estatutos, contratos, instruções, familiaridade existente entre emissor e destinatário é o princípio que orienta
etc. Mas todos eles, independente de sua complexidade, compartilham da a escolha do estilo: se o texto é dirigido a um familiar ou a um amigo, opta-
função apelativa, à medida que prescrevem ações e empregam a trama se por um estilo informal; caso contrário, se o destinatário é desconhecido
descritiva para representar o processo a ser seguido na tarefa empreendi- ou ocupa o nível superior em uma relação assimétrica (empregador em
da. relação ao empregado, diretor em relação ao aluno, etc.), impõe-se o estilo
formal.
A construção de muitos destes textos ajusta-se a modelos convencio-
nais cunhados institucionalmente. Por exemplo, em nossa comunidade, A Carta
estão amplamente difundidos os modelos de regulamentos de co-
propriedade; então, qualquer pessoa que se encarrega da redação de um As cartas podem ser construídas com diferentes tramas (narrativa e ar-
texto deste tipo recorre ao modelo e somente altera os dados de identifica- gumentativa), em tomo das diferentes funções da linguagem (informativa,
ção para introduzir, se necessário, algumas modificações parciais nos expressiva e apelativa).
direitos e deveres das partes envolvidas. Referimo-nos aqui, em particular, às cartas familiares e amistosas, isto
Em nosso cotidiano, deparamo-nos constantemente com textos instru- é, aqueles escritos através dos quais o autor conta a um parente ou a um
cionais, que nos ajudam a usar corretamente tanto um processador de amigo eventos particulares de sua vida. Estas cartas contêm acontecimen-
alimentos como um computador; a fazer uma comida saborosa, ou a seguir tos, sentimentos, emoções, experimentados por um emissor que percebe o
uma dieta para emagrecer. A habilidade alcançada no domínio destes receptor como ‘cúmplice’, ou seja, como um destinatário comprometido
textos incide diretamente em nossa atividade concreta. Seu emprego afetivamente nessa situação de comunicação e, portanto, capaz de extrair a
frequente e sua utilidade imediata justificam o trabalho escolar de aborda- dimensão expressiva da mensagem.
gem e de produção de algumas de suas variedades, como as receitas e as Uma vez que se trata de um diálogo à distância com um receptor co-
instruções. nhecido, opta-se por um estilo espontâneo e informal, que deixa transpare-
As Receitas e as Instruções cer marcas da oraljdade: frases inconclusas, nas quais as reticências
habilitam múltiplas interpretações do receptor na tentativa de concluí-las;
Referimo-nos às receitas culinárias e aos textos que trazem instruções perguntas que procuram suas respostas nos destinatários; perguntas que
para organizar um jogo, realizar um experimento, construir um artefato, encerram em si suas próprias respostas (perguntas retóricas); pontos de
fabricar um móvel, consertar um objeto, etc. exclamação que expressam a ênfase que o emissor dá a determinadas
expressões que refletem suas alegrias, suas preocupações, suas dúvidas.
Estes textos têm duas partes que se distinguem geralmente a partir da
especialização: uma, contém listas de elementos a serem utilizados (lista Estes textos reúnem em si as diferentes classes de orações. As enun-
de ingredientes das receitas, materiais que são manipulados no experimen- ciativas, que aparecem nos fragmentos informativos, alternam-se com as
to, ferramentas para consertar algo, diferentes partes de um aparelho, etc.), dubitativas, desiderativas, interrogativas, exclamativas, para manifestar a
a outra, desenvolve as instruções. subjetividade do autor. Esta subjetividade determina também o uso de
diminutivos e aumentativos, a presença frequente de adjetivos qualificati-
As listas, que são similares em sua construção às que usamos habitu- vos, a ambiguidade lexical e sintática, as repetições, as interjeições.
almente para fazer as compras, apresentam substantivos concretos acom-
panhados de numerais (cardinais, partitivos e múltiplos).

Língua Portuguesa 8 A Opção Certa Para a Sua Realização


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APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
A Solicitação Os substantivos abstratos vão, portanto, designar ações, estados ou qua-
lidades, tomados como seres: trabalho, corrida, estudo, altura, largura,
É dirigida a um receptor que, nessa situação comunicativa estabelecida beleza.
pela carta, está revestido de autoridade à medida que possui algo ou tem a Os substantivos abstratos, via de regra, são derivados de verbos ou adje-
possibilidade de outorgar algo que é considerado valioso pelo emissor: um tivos
emprego, uma vaga em uma escola, etc. trabalhar - trabalho
Esta assimetria entre autor e leitor um que pede e outro que pode ce- correr - corrida
der ou não ao pedido, — obriga o primeiro a optar por um estilo formal, que alto - altura
recorre ao uso de fórmulas de cortesia já estabelecidas convencionalmente belo - beleza
para a abertura e encerramento (atenciosamente ..com votos de estima e
consideração . . . / despeço-me de vós respeitosamente . ../ Saúdo-vos com FORMAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS
o maior respeito), e às frases feitas com que se iniciam e encerram-se a) PRIMITIVO: quando não provém de outra palavra existente na língua
estes textos (Dirijo-me a vós a fim de solicitar-lhe que ... O abaixo-assinado, portuguesa: flor, pedra, ferro, casa, jornal.
Antônio Gonzalez, D.NJ. 32.107 232, dirigi-se ao Senhor Diretor do Instituto b) DERIVADO: quando provem de outra palavra da língua portuguesa:
Politécnico a fim de solicitar-lhe...) florista, pedreiro, ferreiro, casebre, jornaleiro.
c) SIMPLES: quando é formado por um só radical: água, pé, couve, ódio,
As solicitações podem ser redigidas na primeira ou terceira pessoa do tempo, sol.
singular. As que são redigidas na primeira pessoa introduzem o emissor d) COMPOSTO: quando é formado por mais de um radical: água-de-
através da assinatura, enquanto que as redigidas na terceira pessoa identi- colônia, pé-de-moleque, couve-flor, amor-perfeito, girassol.
ficam-no no corpo do texto (O abaixo assinado, Juan Antonio Pérez, dirige- COLETIVOS
se a...). Coletivo é o substantivo que, mesmo sendo singular, designa um grupo
A progressão temática dá-se através de dois núcleos informativos: o de seres da mesma espécie.
primeiro determina o que o solicitante pretende; o segundo, as condições
que reúne para alcançar aquilo que pretende. Estes núcleos, demarcados Veja alguns coletivos que merecem destaque:
por frases feitas de abertura e encerramento, podem aparecer invertidos alavão - de ovelhas leiteiras
em algumas solicitações, quando o solicitante quer enfatizar suas condi- alcateia - de lobos
ções; por isso, as situa em um lugar preferencial para dar maior força à sua álbum - de fotografias, de selos
apelação. antologia - de trechos literários escolhidos
armada - de navios de guerra
Essas solicitações, embora cumpram uma função apelativa, mostram armento - de gado grande (búfalo, elefantes, etc)
um amplo predomínio das orações enunciativas complexas, com inclusão arquipélago - de ilhas
tanto de proposições causais, consecutivas e condicionais, que permitem assembleia - de parlamentares, de membros de associações
desenvolver fundamentações, condicionamentos e efeitos a alcançar, como atilho - de espigas de milho
de construções de infinitivo ou de gerúndio: para alcançar essa posição, o atlas - de cartas geográficas, de mapas
solicitante lhe apresenta os seguintes antecedentes... (o infinitivo salienta banca - de examinadores
os fins a que se persegue), ou alcançando a posição de... (o gerúndio bandeira - de garimpeiros, de exploradores de minérios
enfatiza os antecedentes que legitimam o pedido). bando - de aves, de pessoal em geral
cabido - de cônegos
A argumentação destas solicitações institucionalizaram-se de tal ma-
cacho - de uvas, de bananas
neira que aparece contida nas instruções de formulários de emprego, de
cáfila - de camelos
solicitação de bolsas de estudo, etc.
cambada - de ladrões, de caranguejos, de chaves
Texto extraído de: ESCOLA, LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS, cancioneiro - de poemas, de canções
Ana Maria Kaufman, Artes Médicas, Porto Alegre, RS. caravana - de viajantes
cardume - de peixes
clero - de sacerdotes
EMPREGO DAS CLASSES DE PALAVRAS colmeia - de abelhas
concílio - de bispos
SUBSTANTIVOS conclave - de cardeais em reunião para eleger o papa
congregação - de professores, de religiosos
Substantivo é a palavra variável em gênero, número e grau, que dá no- congresso - de parlamentares, de cientistas
me aos seres em geral. conselho - de ministros
consistório - de cardeais sob a presidência do papa
São, portanto, substantivos. constelação - de estrelas
a) os nomes de coisas, pessoas, animais e lugares: livro, cadeira, cachorra, corja - de vadios
Valéria, Talita, Humberto, Paris, Roma, Descalvado. elenco - de artistas
b) os nomes de ações, estados ou qualidades, tomados como seres: traba- enxame - de abelhas
lho, corrida, tristeza beleza altura. enxoval - de roupas
esquadra - de navios de guerra
CLASSIFICAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS esquadrilha - de aviões
a) COMUM - quando designa genericamente qualquer elemento da espécie: falange - de soldados, de anjos
rio, cidade, pais, menino, aluno farândola - de maltrapilhos
b) PRÓPRIO - quando designa especificamente um determinado elemento. fato - de cabras
Os substantivos próprios são sempre grafados com inicial maiúscula: To- fauna - de animais de uma região
cantins, Porto Alegre, Brasil, Martini, Nair. feixe - de lenha, de raios luminosos
c) CONCRETO - quando designa os seres de existência real ou não, pro- flora - de vegetais de uma região
priamente ditos, tais como: coisas, pessoas, animais, lugares, etc. Verifi- frota - de navios mercantes, de táxis, de ônibus
que que é sempre possível visualizar em nossa mente o substantivo con- girândola - de fogos de artifício
creto, mesmo que ele não possua existência real: casa, cadeira, caneta, horda - de invasores, de selvagens, de bárbaros
fada, bruxa, saci. junta - de bois, médicos, de examinadores
d) ABSTRATO - quando designa as coisas que não existem por si, isto é, só júri - de jurados
existem em nossa consciência, como fruto de uma abstração, sendo, legião - de anjos, de soldados, de demônios
pois, impossível visualizá-lo como um ser. malta - de desordeiros

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manada - de bois, de elefantes Mudança de Gênero com mudança de sentido
matilha - de cães de caça Alguns substantivos, quando mudam de gênero, mudam de sentido.
ninhada - de pintos
nuvem - de gafanhotos, de fumaça Veja alguns exemplos:
panapaná - de borboletas o cabeça (o chefe, o líder) a cabeça (parte do corpo)
pelotão - de soldados o capital (dinheiro, bens) a capital (cidade principal)
penca - de bananas, de chaves o rádio (aparelho receptor) a rádio (estação transmissora)
pinacoteca - de pinturas o moral (ânimo) a moral (parte da Filosofia, con-
plantel - de animais de raça, de atletas o lotação (veículo) clusão)
quadrilha - de ladrões, de bandidos o lente (o professor) a lotação (capacidade)
ramalhete - de flores a lente (vidro de aumento)
réstia - de alhos, de cebolas
récua - de animais de carga Plural dos Nomes Simples
romanceiro - de poesias populares 1. Aos substantivos terminados em vogal ou ditongo acrescenta-se S: casa,
resma - de papel casas; pai, pais; imã, imãs; mãe, mães.
revoada - de pássaros 2. Os substantivos terminados em ÃO formam o plural em:
súcia - de pessoas desonestas a) ÕES (a maioria deles e todos os aumentativos): balcão, balcões; coração,
vara - de porcos corações; grandalhão, grandalhões.
vocabulário - de palavras b) ÃES (um pequeno número): cão, cães; capitão, capitães; guardião,
FLEXÃO DOS SUBSTANTIVOS guardiães.
Como já assinalamos, os substantivos variam de gênero, número e c) ÃOS (todos os paroxítonos e um pequeno número de oxítonos): cristão,
grau. cristãos; irmão, irmãos; órfão, órfãos; sótão, sótãos.
Muitos substantivos com esta terminação apresentam mais de uma forma
Gênero de plural: aldeão, aldeãos ou aldeães; charlatão, charlatões ou charlatães;
Em Português, o substantivo pode ser do gênero masculino ou femini- ermitão, ermitãos ou ermitães; tabelião, tabeliões ou tabeliães, etc.
no: o lápis, o caderno, a borracha, a caneta.
3. Os substantivos terminados em M mudam o M para NS. armazém,
Podemos classificar os substantivos em: armazéns; harém, haréns; jejum, jejuns.
a) SUBSTANTIVOS BIFORMES, são os que apresentam duas formas, uma 4. Aos substantivos terminados em R, Z e N acrescenta-se-lhes ES: lar,
para o masculino, outra para o feminino: lares; xadrez, xadrezes; abdômen, abdomens (ou abdômenes); hífen, hí-
aluno/aluna homem/mulher fens (ou hífenes).
menino /menina carneiro/ovelha Obs: caráter, caracteres; Lúcifer, Lúciferes; cânon, cânones.
Quando a mudança de gênero não é marcada pela desinência, mas 5. Os substantivos terminados em AL, EL, OL e UL o l por is: animal, ani-
pela alteração do radical, o substantivo denomina-se heterônimo: mais; papel, papéis; anzol, anzóis; paul, pauis.
padrinho/madrinha bode/cabra Obs.: mal, males; real (moeda), reais; cônsul, cônsules.
cavaleiro/amazona pai/mãe 6. Os substantivos paroxítonos terminados em IL fazem o plural em: fóssil,
fósseis; réptil, répteis.
b) SUBSTANTIVOS UNIFORMES: são os que apresentam uma única Os substantivos oxítonos terminados em IL mudam o l para S: barril, bar-
forma, tanto para o masculino como para o feminino. Subdividem-se ris; fuzil, fuzis; projétil, projéteis.
em: 7. Os substantivos terminados em S são invariáveis, quando paroxítonos: o
1. Substantivos epicenos: são substantivos uniformes, que designam pires, os pires; o lápis, os lápis. Quando oxítonas ou monossílabos tôni-
animais: onça, jacaré, tigre, borboleta, foca. cos, junta-se-lhes ES, retira-se o acento gráfico, português, portugueses;
Caso se queira fazer a distinção entre o masculino e o feminino, deve- burguês, burgueses; mês, meses; ás, ases.
mos acrescentar as palavras macho ou fêmea: onça macho, jacaré fê- São invariáveis: o cais, os cais; o xis, os xis. São invariáveis, também, os
mea substantivos terminados em X com valor de KS: o tórax, os tórax; o ônix,
2. Substantivos comuns de dois gêneros: são substantivos uniformes que os ônix.
designam pessoas. Neste caso, a diferença de gênero é feita pelo arti- 8. Os diminutivos em ZINHO e ZITO fazem o plural flexionando-se o subs-
go, ou outro determinante qualquer: o artista, a artista, o estudante, a tantivo primitivo e o sufixo, suprimindo-se, porém, o S do substantivo pri-
estudante, este dentista. mitivo: coração, coraçõezinhos; papelzinho, papeizinhos; cãozinho, cãezi-
3. Substantivos sobrecomuns: são substantivos uniformes que designam tos.
pessoas. Neste caso, a diferença de gênero não é especificada por ar-
tigos ou outros determinantes, que serão invariáveis: a criança, o côn- Substantivos só usados no plural
juge, a pessoa, a criatura. afazeres anais
Caso se queira especificar o gênero, procede-se assim: arredores belas-artes
uma criança do sexo masculino / o cônjuge do sexo feminino. cãs condolências
confins exéquias
AIguns substantivos que apresentam problema quanto ao Gênero: férias fezes
núpcias óculos
São masculinos São femininos olheiras pêsames
o anátema o grama (unidade de a abusão a derme viveres copas, espadas, ouros e paus (naipes)
o telefonema peso) a aluvião a omopla-
o teorema o dó (pena, compai- a análise ta Plural dos Nomes Compostos
o trema xão) a cal a usuca- 1. Somente o último elemento varia:
o edema o ágape a cataplasma pião a) nos compostos grafados sem hífen: aguardente, aguardentes; clara-
o eclipse o caudal a dinamite a bacanal boia, claraboias; malmequer, malmequeres; vaivém, vaivéns;
o lança- o champanha a comichão a líbido b) nos compostos com os prefixos grão, grã e bel: grão-mestre, grão-
perfume o alvará a aguardente a sentine- mestres; grã-cruz, grã-cruzes; bel-prazer, bel-prazeres;
o fibroma o formicida la c) nos compostos de verbo ou palavra invariável seguida de substantivo
o estratagema o guaraná a hélice ou adjetivo: beija-flor, beija-flores; quebra-sol, quebra-sóis; guarda-
o proclama o plasma comida, guarda-comidas; vice-reitor, vice-reitores; sempre-viva, sem-
o clã pre-vivas. Nos compostos de palavras repetidas mela-mela, mela-
melas; recoreco, recorecos; tique-tique, tique-tiques)

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2. Somente o primeiro elemento é flexionado: • Há casos em que o sufixo aumentativo ou diminutivo é meramente for-
a) nos compostos ligados por preposição: copo-de-leite, copos-de-leite; mal, pois não dão à palavra nenhum daqueles dois sentidos: cartaz,
pinho-de-riga, pinhos-de-riga; pé-de-meia, pés-de-meia; burro-sem- ferrão, papelão, cartão, folhinha, etc.
rabo, burros-sem-rabo; • Muitos adjetivos flexionam-se para indicar os graus aumentativo e di-
b) nos compostos de dois substantivos, o segundo indicando finalidade minutivo, quase sempre de maneira afetiva: bonitinho, grandinho, bon-
ou limitando a significação do primeiro: pombo-correio, pombos- zinho, pequenito.
correio; navio-escola, navios-escola; peixe-espada, peixes-espada;
banana-maçã, bananas-maçã. Apresentamos alguns substantivos heterônimos ou desconexos. Em lu-
A tendência moderna é de pluralizar os dois elementos: pombos- gar de indicarem o gênero pela flexão ou pelo artigo, apresentam radicais
correios, homens-rãs, navios-escolas, etc. diferentes para designar o sexo:
bode - cabra genro - nora
3. Ambos os elementos são flexionados: burro - besta padre - madre
a) nos compostos de substantivo + substantivo: couve-flor, couves- carneiro - ovelha padrasto - madrasta
flores; redator-chefe, redatores-chefes; carta-compromisso, cartas- cão - cadela padrinho - madrinha
compromissos. cavalheiro - dama pai - mãe
b) nos compostos de substantivo + adjetivo (ou vice-versa): amor- compadre - comadre veado - cerva
perfeito, amores-perfeitos; gentil-homem, gentis-homens; cara-pálida, frade - freira zangão - abelha
caras-pálidas. frei – soror etc.

São invariáveis: ADJETIVOS


a) os compostos de verbo + advérbio: o fala-pouco, os fala-pouco; o pi-
sa-mansinho, os pisa-mansinho; o cola-tudo, os cola-tudo; FLEXÃO DOS ADJETIVOS
b) as expressões substantivas: o chove-não-molha, os chove-não- Gênero
molha; o não-bebe-nem-desocupa-o-copo, os não-bebe-nem- Quanto ao gênero, o adjetivo pode ser:
desocupa-o-copo; a) Uniforme: quando apresenta uma única forma para os dois gêne-
c) os compostos de verbos antônimos: o leva-e-traz, os leva-e-traz; o ros: homem inteligente - mulher inteligente; homem simples - mu-
perde-ganha, os perde-ganha. lher simples; aluno feliz - aluna feliz.
Obs: Alguns compostos admitem mais de um plural, como é o caso b) Biforme: quando apresenta duas formas: uma para o masculino, ou-
por exemplo, de: fruta-pão, fruta-pães ou frutas-pães; guarda- tra para o feminino: homem simpático / mulher simpática / homem
marinha, guarda-marinhas ou guardas-marinhas; padre-nosso, pa- alto / mulher alta / aluno estudioso / aluna estudiosa
dres-nossos ou padre-nossos; salvo-conduto, salvos-condutos ou
salvo-condutos; xeque-mate, xeques-mates ou xeques-mate. Observação: no que se refere ao gênero, a flexão dos adjetivos é se-
melhante a dos substantivos.
Adjetivos Compostos
Nos adjetivos compostos, apenas o último elemento se flexiona. Número
Ex.:histórico-geográfico, histórico-geográficos; latino-americanos, latino- a) Adjetivo simples
americanos; cívico-militar, cívico-militares. Os adjetivos simples formam o plural da mesma maneira que os
1) Os adjetivos compostos referentes a cores são invariáveis, quando o substantivos simples:
segundo elemento é um substantivo: lentes verde-garrafa, tecidos pessoa honesta pessoas honestas
amarelo-ouro, paredes azul-piscina. regra fácil regras fáceis
2) No adjetivo composto surdo-mudo, os dois elementos variam: sur- homem feliz homens felizes
dos-mudos > surdas-mudas. Observação: os substantivos empregados como adjetivos ficam in-
3) O composto azul-marinho é invariável: gravatas azul-marinho. variáveis:
blusa vinho blusas vinho
Graus do substantivo camisa rosa camisas rosa
Dois são os graus do substantivo - o aumentativo e o diminutivo, os quais b) Adjetivos compostos
podem ser: sintéticos ou analíticos. Como regra geral, nos adjetivos compostos somente o último ele-
mento varia, tanto em gênero quanto em número:
Analítico acordos sócio-político-econômico
Utiliza-se um adjetivo que indique o aumento ou a diminuição do tama- acordos sócio-político-econômicos
nho: boca pequena, prédio imenso, livro grande. causa sócio-político-econômica
causas sócio-político-econômicas
Sintético acordo luso-franco-brasileiro
Constrói-se com o auxílio de sufixos nominais aqui apresentados. acordo luso-franco-brasileiros
lente côncavo-convexa
Principais sufixos aumentativos lentes côncavo-convexas
AÇA, AÇO, ALHÃO, ANZIL, ÃO, ARÉU, ARRA, ARRÃO, ASTRO, ÁZIO, camisa verde-clara
ORRA, AZ, UÇA. Ex.: A barcaça, ricaço, grandalhão, corpanzil, caldeirão, camisas verde-claras
povaréu, bocarra, homenzarrão, poetastro, copázio, cabeçorra, lobaz, dentuça. sapato marrom-escuro
sapatos marrom-escuros
Principais Sufixos Diminutivos
ACHO, CHULO, EBRE, ECO, EJO, ELA, ETE, ETO, ICO, TIM, ZINHO, Observações:
ISCO, ITO, OLA, OTE, UCHO, ULO, ÚNCULO, ULA, USCO. Exs.: lobacho, 1) Se o último elemento for substantivo, o adjetivo composto fica inva-
montículo, casebre, livresco, arejo, viela, vagonete, poemeto, burrico, flautim, riável:
pratinho, florzinha, chuvisco, rapazito, bandeirola, saiote, papelucho, glóbulo, camisa verde-abacate camisas verde-abacate
homúncula, apícula, velhusco. sapato marrom-café sapatos marrom-café
Observações: blusa amarelo-ouro blusas amarelo-ouro
• Alguns aumentativos e diminutivos, em determinados contextos, adqui- 2) Os adjetivos compostos azul-marinho e azul-celeste ficam invariá-
rem valor pejorativo: medicastro, poetastro, velhusco, mulherzinha, etc. veis:
Outros associam o valor aumentativo ao coletivo: povaréu, fogaréu, etc. blusa azul-marinho blusas azul-marinho
• É usual o emprego dos sufixos diminutivos dando às palavras valor afe- camisa azul-celeste camisas azul-celeste
tivo: Joãozinho, amorzinho, etc.

Língua Portuguesa 11 A Opção Certa Para a Sua Realização


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APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
3) No adjetivo composto (como já vimos) surdo-mudo, ambos os ele- manso - mansuetíssimo miúdo - minutíssimo
mentos variam: negro - nigérrimo (negríssimo) nobre - nobilíssimo
menino surdo-mudo meninos surdos-mudos pessoal - personalíssimo pobre - paupérrimo (pobríssimo)
menina surda-muda meninas surdas-mudas possível - possibilíssimo preguiçoso - pigérrimo
próspero - prospérrimo provável - probabilíssimo
Graus do Adjetivo público - publicíssimo pudico - pudicíssimo
As variações de intensidade significativa dos adjetivos podem ser ex- sábio - sapientíssimo sagrado - sacratíssimo
pressas em dois graus: salubre - salubérrimo sensível - sensibilíssimo
- o comparativo simples – simplicíssimo tenro - tenerissimo
- o superlativo terrível - terribilíssimo tétrico - tetérrimo
velho - vetérrimo visível - visibilíssimo
Comparativo voraz - voracíssimo vulnerável - vuInerabilíssimo
Ao compararmos a qualidade de um ser com a de outro, ou com uma
outra qualidade que o próprio ser possui, podemos concluir que ela é igual, Adjetivos Gentílicos e Pátrios
superior ou inferior. Daí os três tipos de comparativo: Argélia – argelino Bagdá - bagdali
- Comparativo de igualdade: Bizâncio - bizantino Bogotá - bogotano
O espelho é tão valioso como (ou quanto) o vitral. Bóston - bostoniano Braga - bracarense
Pedro é tão saudável como (ou quanto) inteligente. Bragança - bragantino Brasília - brasiliense
- Comparativo de superioridade: Bucareste - bucarestino, - Buenos Aires - portenho, buenairense
O aço é mais resistente que (ou do que) o ferro. bucarestense Campos - campista
Este automóvel é mais confortável que (ou do que) econômico. Cairo - cairota Caracas - caraquenho
- Comparativo de inferioridade: Canaã - cananeu Ceilão - cingalês
A prata é menos valiosa que (ou do que) o ouro. Catalunha - catalão Chipre - cipriota
Este automóvel é menos econômico que (ou do que) confortável. Chicago - chicaguense Córdova - cordovês
Ao expressarmos uma qualidade no seu mais elevado grau de intensi- Coimbra - coimbrão, conim- Creta - cretense
dade, usamos o superlativo, que pode ser absoluto ou relativo: bricense Cuiabá - cuiabano
- Superlativo absoluto Córsega - corso EI Salvador - salvadorenho
Neste caso não comparamos a qualidade com a de outro ser: Croácia - croata Espírito Santo - espírito-santense,
Esta cidade é poluidíssima. Egito - egípcio capixaba
Esta cidade é muito poluída. Equador - equatoriano Évora - eborense
- Superlativo relativo Filipinas - filipino Finlândia - finlandês
Consideramos o elevado grau de uma qualidade, relacionando-a a Florianópolis - florianopolitano Formosa - formosano
outros seres: Fortaleza - fortalezense Foz do lguaçu - iguaçuense
Este rio é o mais poluído de todos. Gabão - gabonês Galiza - galego
Este rio é o menos poluído de todos. Genebra - genebrino Gibraltar - gibraltarino
Goiânia - goianense Granada - granadino
Observe que o superlativo absoluto pode ser sintético ou analítico: Groenlândia - groenlandês Guatemala - guatemalteco
- Analítico: expresso com o auxílio de um advérbio de intensidade - Guiné - guinéu, guineense Haiti - haitiano
muito trabalhador, excessivamente frágil, etc. Himalaia - himalaico Honduras - hondurenho
- Sintético: expresso por uma só palavra (adjetivo + sufixo) – anti- Hungria - húngaro, magiar Ilhéus - ilheense
quíssimo: cristianíssimo, sapientíssimo, etc. Iraque - iraquiano Jerusalém - hierosolimita
João Pessoa - pessoense Juiz de Fora - juiz-forense
Os adjetivos: bom, mau, grande e pequeno possuem, para o compara- La Paz - pacense, pacenho Lima - limenho
tivo e o superlativo, as seguintes formas especiais: Macapá - macapaense Macau - macaense
NORMAL COM. SUP. SUPERLATIVO ABSOLUTO RELATI- Maceió - maceioense Madagáscar - malgaxe
VO Madri - madrileno Manaus - manauense
bom melhor ótimo Marajó - marajoara Minho - minhoto
melhor Moçambique - moçambicano Mônaco - monegasco
mau pior péssimo Montevidéu - montevideano Natal - natalense
pior Normândia - normando Nova lguaçu - iguaçuano
grande maior máximo Pequim - pequinês Pisa - pisano
maior Porto - portuense Póvoa do Varzim - poveiro
pequeno menor mínimo Quito - quitenho Rio de Janeiro (Est.) - fluminense
menor Santiago - santiaguense Rio de Janeiro (cid.) - carioca
São Paulo (Est.) - paulista Rio Grande do Norte - potiguar
Eis, para consulta, alguns superlativos absolutos sintéticos: São Paulo (cid.) - paulistano Salvador – salvadorenho, soteropolitano
acre - acérrimo ágil - agílimo Terra do Fogo - fueguino Toledo - toledano
agradável - agradabilíssimo agudo - acutíssimo Três Corações - tricordiano Rio Grande do Sul - gaúcho
amargo - amaríssimo amável - amabilíssimo Tripoli - tripolitano Varsóvia - varsoviano
amigo - amicíssimo antigo - antiquíssimo Veneza - veneziano Vitória - vitoriense
áspero - aspérrimo atroz - atrocíssimo
audaz - audacíssimo benéfico - beneficentíssimo
benévolo - benevolentíssimo capaz - capacíssimo Locuções Adjetivas
célebre - celebérrimo cristão - cristianíssimo As expressões de valor adjetivo, formadas de preposições mais subs-
cruel - crudelíssimo doce - dulcíssimo tantivos, chamam-se LOCUÇÕES ADJETIVAS. Estas, geralmente, podem
eficaz - eficacíssimo feroz - ferocíssimo ser substituídas por um adjetivo correspondente.
fiel - fidelíssimo frágil - fragilíssimo
frio - frigidíssimo humilde - humílimo (humildíssimo) PRONOMES
incrível - incredibilíssimo inimigo - inimicíssimo
íntegro - integérrimo jovem - juveníssimo Pronome é a palavra variável em gênero, número e pessoa, que repre-
livre - libérrimo magnífico - magnificentíssimo senta ou acompanha o substantivo, indicando-o como pessoa do discurso.
magro - macérrimo maléfico - maleficentíssimo

Língua Portuguesa 12 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Quando o pronome representa o substantivo, dizemos tratar-se de pro- São também pronomes de tratamento: o senhor, a senhora, você, vo-
nome substantivo. cês.
• Ele chegou. (ele)
• Convidei-o. (o) EMPREGO DOS PRONOMES PESSOAIS

Quando o pronome vem determinando o substantivo, restringindo a ex- 1. Os pronomes pessoais do caso reto (EU, TU, ELE/ELA, NÓS, VÓS,
tensão de seu significado, dizemos tratar-se de pronome adjetivo. ELES/ELAS) devem ser empregados na função sintática de sujeito.
• Esta casa é antiga. (esta) Considera-se errado seu emprego como complemento:
• Meu livro é antigo. (meu) Convidaram ELE para a festa (errado)
Receberam NÓS com atenção (errado)
Classificação dos Pronomes EU cheguei atrasado (certo)
Há, em Português, seis espécies de pronomes: ELE compareceu à festa (certo)
• pessoais: eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas e as formas oblíquas
de tratamento: 2. Na função de complemento, usam-se os pronomes oblíquos e não os
• possessivos: meu, teu, seu, nosso, vosso, seu e flexões; pronomes retos:
• demonstrativos: este, esse, aquele e flexões; isto, isso, aquilo; Convidei ELE (errado)
• relativos: o qual, cujo, quanto e flexões; que, quem, onde; Chamaram NÓS (errado)
• indefinidos: algum, nenhum, todo, outro, muito, certo, pouco, vá- Convidei-o. (certo)
rios, tanto quanto, qualquer e flexões; alguém, ninguém, tudo, ou- Chamaram-NOS. (certo)
trem, nada, cada, algo.
• interrogativos: que, quem, qual, quanto, empregados em frases in- 3. Os pronomes retos (exceto EU e TU), quando antecipados de preposi-
terrogativas. ção, passam a funcionar como oblíquos. Neste caso, considera-se cor-
reto seu emprego como complemento:
PRONOMES PESSOAIS Informaram a ELE os reais motivos.
Pronomes pessoais são aqueles que representam as pessoas do dis- Emprestaram a NÓS os livros.
curso: Eles gostam muito de NÓS.
1ª pessoa: quem fala, o emissor.
Eu sai (eu) 4. As formas EU e TU só podem funcionar como sujeito. Considera-se
Nós saímos (nós) errado seu emprego como complemento:
Convidaram-me (me) Nunca houve desentendimento entre eu e tu. (errado)
Convidaram-nos (nós) Nunca houve desentendimento entre mim e ti. (certo)
2ª pessoa: com quem se fala, o receptor. Como regra prática, podemos propor o seguinte: quando precedidas de
Tu saíste (tu) preposição, não se usam as formas retas EU e TU, mas as formas oblíquas
Vós saístes (vós) MIM e TI:
Convidaram-te (te) Ninguém irá sem EU. (errado)
Convidaram-vos (vós) Nunca houve discussões entre EU e TU. (errado)
3ª pessoa: de que ou de quem se fala, o referente. Ninguém irá sem MIM. (certo)
Ele saiu (ele) Nunca houve discussões entre MIM e TI. (certo)
Eles sairam (eles)
Convidei-o (o) Há, no entanto, um caso em que se empregam as formas retas EU e
Convidei-os (os) TU mesmo precedidas por preposição: quando essas formas funcionam
como sujeito de um verbo no infinitivo.
Os pronomes pessoais são os seguintes: Deram o livro para EU ler (ler: sujeito)
Deram o livro para TU leres (leres: sujeito)
NÚMERO PESSOA CASO CASO OBLÍQUO
RETO Verifique que, neste caso, o emprego das formas retas EU e TU é obri-
singular 1ª eu me, mim, comigo gatório, na medida em que tais pronomes exercem a função sintática de
2ª tu te, ti, contigo sujeito.
3ª ele, ela se, si, consigo, o, a, lhe
plural 1ª nós nós, conosco 5. Os pronomes oblíquos SE, SI, CONSIGO devem ser empregados
2ª vós vós, convosco somente como reflexivos. Considera-se errada qualquer construção em
3ª eles, elas se, si, consigo, os, as, que os referidos pronomes não sejam reflexivos:
lhes
Querida, gosto muito de SI. (errado)
PRONOMES DE TRATAMENTO Preciso muito falar CONSIGO. (errado)
Na categoria dos pronomes pessoais, incluem-se os pronomes de tra- Querida, gosto muito de você. (certo)
tamento. Referem-se à pessoa a quem se fala, embora a concordância Preciso muito falar com você. (certo)
deva ser feita com a terceira pessoa. Convém notar que, exceção feita a
você, esses pronomes são empregados no tratamento cerimonioso. Observe que nos exemplos que seguem não há erro algum, pois os
pronomes SE, SI, CONSIGO, foram empregados como reflexivos:
Veja, a seguir, alguns desses pronomes: Ele feriu-se
PRONOME ABREV. EMPREGO Cada um faça por si mesmo a redação
Vossa Alteza V. A. príncipes, duques O professor trouxe as provas consigo
Vossa Eminência V .Ema cardeais
Vossa Excelência V.Exa altas autoridades em geral 6. Os pronomes oblíquos CONOSCO e CONVOSCO são utilizados
Vossa Magnificência V. Mag a reitores de universidades normalmente em sua forma sintética. Caso haja palavra de reforço, tais
Vossa Reverendíssima V. Revma sacerdotes em geral pronomes devem ser substituídos pela forma analítica:
Vossa Santidade V.S. papas
Vossa Senhoria V.Sa funcionários graduados Queriam falar conosco = Queriam falar com nós dois
Vossa Majestade V.M. reis, imperadores Queriam conversar convosco = Queriam conversar com vós próprios.

Língua Portuguesa 13 A Opção Certa Para a Sua Realização


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7. Os pronomes oblíquos podem aparecer combinados entre si. As com- 14. VOCÊ e os demais pronomes de tratamento (VOSSA MAJESTADE,
binações possíveis são as seguintes: VOSSA ALTEZA) embora se refiram à pessoa com quem falamos (2ª
me+o=mo me + os = mos pessoa, portanto), do ponto de vista gramatical, comportam-se como
te+o=to te + os = tos pronomes de terceira pessoa:
lhe+o=lho lhe + os = lhos Você trouxe seus documentos?
nos + o = no-lo nos + os = no-los Vossa Excelência não precisa incomodar-se com seus problemas.
vos + o = vo-lo vos + os = vo-los
lhes + o = lho lhes + os = lhos COLOCAÇÃO DE PRONOMES
Em relação ao verbo, os pronomes átonos (ME, TE, SE, LHE, O, A,
A combinação também é possível com os pronomes oblíquos femininos NÓS, VÓS, LHES, OS, AS) podem ocupar três posições:
a, as. 1. Antes do verbo - próclise
me+a=ma me + as = mas Eu te observo há dias.
te+a=ta te + as = tas 2. Depois do verbo - ênclise
- Você pagou o livro ao livreiro? Observo-te há dias.
- Sim, paguei-LHO. 3. No interior do verbo - mesóclise
Observar-te-ei sempre.
Verifique que a forma combinada LHO resulta da fusão de LHE (que
representa o livreiro) com O (que representa o livro). Ênclise
Na linguagem culta, a colocação que pode ser considerada normal é a
8. As formas oblíquas O, A, OS, AS são sempre empregadas como ênclise: o pronome depois do verbo, funcionando como seu complemento
complemento de verbos transitivos diretos, ao passo que as formas direto ou indireto.
LHE, LHES são empregadas como complemento de verbos transitivos O pai esperava-o na estação agitada.
indiretos: Expliquei-lhe o motivo das férias.
O menino convidou-a. (V.T.D )
O filho obedece-lhe. (V.T. l ) Ainda na linguagem culta, em escritos formais e de estilo cuidadoso, a
ênclise é a colocação recomendada nos seguintes casos:
Consideram-se erradas construções em que o pronome O (e flexões) 1. Quando o verbo iniciar a oração:
aparece como complemento de verbos transitivos indiretos, assim como as Voltei-me em seguida para o céu límpido.
construções em que o nome LHE (LHES) aparece como complemento de 2. Quando o verbo iniciar a oração principal precedida de pausa:
verbos transitivos diretos: Como eu achasse muito breve, explicou-se.
Eu lhe vi ontem. (errado) 3. Com o imperativo afirmativo:
Nunca o obedeci. (errado) Companheiros, escutai-me.
Eu o vi ontem. (certo) 4. Com o infinitivo impessoal:
Nunca lhe obedeci. (certo) A menina não entendera que engorda-las seria apressar-lhes um
destino na mesa.
9. Há pouquíssimos casos em que o pronome oblíquo pode funcionar 5. Com o gerúndio, não precedido da preposição EM:
como sujeito. Isto ocorre com os verbos: deixar, fazer, ouvir, mandar, E saltou, chamando-me pelo nome, conversou comigo.
sentir, ver, seguidos de infinitivo. O nome oblíquo será sujeito desse in- 6. Com o verbo que inicia a coordenada assindética.
finitivo: A velha amiga trouxe um lenço, pediu-me uma pequena moeda de meio
Deixei-o sair. franco.
Vi-o chegar.
Sofia deixou-se estar à janela. Próclise
Na linguagem culta, a próclise é recomendada:
É fácil perceber a função do sujeito dos pronomes oblíquos, desenvol- 1. Quando o verbo estiver precedido de pronomes relativos, indefinidos,
vendo as orações reduzidas de infinitivo: interrogativos e conjunções.
Deixei-o sair = Deixei que ele saísse. As crianças que me serviram durante anos eram bichos.
Tudo me parecia que ia ser comida de avião.
10. Não se considera errada a repetição de pronomes oblíquos: Quem lhe ensinou esses modos?
A mim, ninguém me engana. Quem os ouvia, não os amou.
A ti tocou-te a máquina mercante. Que lhes importa a eles a recompensa?
Nesses casos, a repetição do pronome oblíquo não constitui pleonas- Emília tinha quatorze anos quando a vi pela primeira vez.
mo vicioso e sim ênfase. 2. Nas orações optativas (que exprimem desejo):
Papai do céu o abençoe.
11. Muitas vezes os pronomes oblíquos equivalem a pronomes possessivo, A terra lhes seja leve.
exercendo função sintática de adjunto adnominal: 3. Com o gerúndio precedido da preposição EM:
Roubaram-me o livro = Roubaram meu livro. Em se animando, começa a contagiar-nos.
Não escutei-lhe os conselhos = Não escutei os seus conselhos. Bromil era o suco em se tratando de combater a tosse.
4. Com advérbios pronunciados juntamente com o verbo, sem que haja
12. As formas plurais NÓS e VÓS podem ser empregadas para representar pausa entre eles.
uma única pessoa (singular), adquirindo valor cerimonioso ou de mo- Aquela voz sempre lhe comunicava vida nova.
déstia: Antes, falava-se tão-somente na aguardente da terra.
Nós - disse o prefeito - procuramos resolver o problema das enchentes.
Vós sois minha salvação, meu Deus! Mesóclise
Usa-se o pronome no interior das formas verbais do futuro do presente
13. Os pronomes de tratamento devem vir precedidos de VOSSA, quando e do futuro do pretérito do indicativo, desde que estes verbos não estejam
nos dirigimos à pessoa representada pelo pronome, e por SUA, quando precedidos de palavras que reclamem a próclise.
falamos dessa pessoa: Lembrar-me-ei de alguns belos dias em Paris.
Dir-se-ia vir do oco da terra.
Ao encontrar o governador, perguntou-lhe: Mas:
Vossa Excelência já aprovou os projetos? Não me lembrarei de alguns belos dias em Paris.
Sua Excelência, o governador, deverá estar presente na inauguração. Jamais se diria vir do oco da terra.
Com essas formas verbais a ênclise é inadmissível:

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Lembrarei-me (!?) PRONOMES DEMONSTRATIVOS
Diria-se (!?) São aqueles que determinam, no tempo ou no espaço, a posição da
coisa designada em relação à pessoa gramatical.
O Pronome Átono nas Locuções Verbais
1. Auxiliar + infinitivo ou gerúndio - o pronome pode vir proclítico ou Quando digo “este livro”, estou afirmando que o livro se encontra perto
enclítico ao auxiliar, ou depois do verbo principal. de mim a pessoa que fala. Por outro lado, “esse livro” indica que o livro está
Podemos contar-lhe o ocorrido. longe da pessoa que fala e próximo da que ouve; “aquele livro” indica que o
Podemos-lhe contar o ocorrido. livro está longe de ambas as pessoas.
Não lhes podemos contar o ocorrido.
O menino foi-se descontraindo. Os pronomes demonstrativos são estes:
O menino foi descontraindo-se. ESTE (e variações), isto = 1ª pessoa
O menino não se foi descontraindo. ESSE (e variações), isso = 2ª pessoa
2. Auxiliar + particípio passado - o pronome deve vir enclítico ou proclítico AQUELE (e variações), próprio (e variações)
ao auxiliar, mas nunca enclítico ao particípio. MESMO (e variações), próprio (e variações)
"Outro mérito do positivismo em relação a mim foi ter-me levado a Des- SEMELHANTE (e variação), tal (e variação)
cartes ."
Tenho-me levantado cedo. Emprego dos Demonstrativos
Não me tenho levantado cedo. 1. ESTE (e variações) e ISTO usam-se:
O uso do pronome átono solto entre o auxiliar e o infinitivo, ou entre o a) Para indicar o que está próximo ou junto da 1ª pessoa (aquela que
auxiliar e o gerúndio, já está generalizado, mesmo na linguagem culta. fala).
Outro aspecto evidente, sobretudo na linguagem coloquial e popular, é o da Este documento que tenho nas mãos não é meu.
colocação do pronome no início da oração, o que se deve evitar na lingua- Isto que carregamos pesa 5 kg.
gem escrita. b) Para indicar o que está em nós ou o que nos abrange fisicamente:
Este coração não pode me trair.
PRONOMES POSSESSIVOS Esta alma não traz pecados.
Os pronomes possessivos referem-se às pessoas do discurso, atribu- Tudo se fez por este país..
indo-lhes a posse de alguma coisa. c) Para indicar o momento em que falamos:
Quando digo, por exemplo, “meu livro”, a palavra “meu” informa que o Neste instante estou tranquilo.
livro pertence a 1ª pessoa (eu) Deste minuto em diante vou modificar-me.
Eis as formas dos pronomes possessivos: d) Para indicar tempo vindouro ou mesmo passado, mas próximo do
1ª pessoa singular: MEU, MINHA, MEUS, MINHAS. momento em que falamos:
2ª pessoa singular: TEU, TUA, TEUS, TUAS. Esta noite (= a noite vindoura) vou a um baile.
3ª pessoa singular: SEU, SUA, SEUS, SUAS. Esta noite (= a noite que passou) não dormi bem.
1ª pessoa plural: NOSSO, NOSSA, NOSSOS, NOSSAS. Um dia destes estive em Porto Alegre.
2ª pessoa plural: VOSSO, VOSSA, VOSSOS, VOSSAS. e) Para indicar que o período de tempo é mais ou menos extenso e no
3ª pessoa plural: SEU, SUA, SEUS, SUAS. qual se inclui o momento em que falamos:
Os possessivos SEU(S), SUA(S) tanto podem referir-se à 3ª pessoa Nesta semana não choveu.
(seu pai = o pai dele), como à 2ª pessoa do discurso (seu pai = o pai de Neste mês a inflação foi maior.
você). Este ano será bom para nós.
Por isso, toda vez que os ditos possessivos derem margem a ambigui- Este século terminará breve.
dade, devem ser substituídos pelas expressões dele(s), dela(s). f) Para indicar aquilo de que estamos tratando:
Ex.:Você bem sabe que eu não sigo a opinião dele. Este assunto já foi discutido ontem.
A opinião dela era que Camilo devia tornar à casa deles. Tudo isto que estou dizendo já é velho.
Eles batizaram com o nome delas as águas deste rio. g) Para indicar aquilo que vamos mencionar:
Só posso lhe dizer isto: nada somos.
Os possessivos devem ser usados com critério. Substituí-los pelos pro- Os tipos de artigo são estes: definidos e indefinidos.
nomes oblíquos comunica á frase desenvoltura e elegância.
Crispim Soares beijou-lhes as mãos agradecido (em vez de: beijou as 2. ESSE (e variações) e ISSO usam-se:
suas mãos). a) Para indicar o que está próximo ou junto da 2ª pessoa (aquela com
Não me respeitava a adolescência. quem se fala):
A repulsa estampava-se-lhe nos músculos da face. Esse documento que tens na mão é teu?
O vento vindo do mar acariciava-lhe os cabelos. Isso que carregas pesa 5 kg.
b) Para indicar o que está na 2ª pessoa ou que a abrange fisicamente:
Além da ideia de posse, podem ainda os pronomes exprimir: Esse teu coração me traiu.
1. Cálculo aproximado, estimativa: Essa alma traz inúmeros pecados.
Ele poderá ter seus quarenta e cinco anos Quantos vivem nesse pais?
2. Familiaridade ou ironia, aludindo-se á personagem de uma história c) Para indicar o que se encontra distante de nós, ou aquilo de que dese-
O nosso homem não se deu por vencido. jamos distância:
Chama-se Falcão o meu homem O povo já não confia nesses políticos.
3. O mesmo que os indefinidos certo, algum Não quero mais pensar nisso.
Eu cá tenho minhas dúvidas d) Para indicar aquilo que já foi mencionado pela 2ª pessoa:
Cornélio teve suas horas amargas Nessa tua pergunta muita matreirice se esconde.
4. Afetividade, cortesia O que você quer dizer com isso?
Como vai, meu menino? e) Para indicar tempo passado, não muito próximo do momento em que
Não os culpo, minha boa senhora, não os culpo falamos:
Um dia desses estive em Porto Alegre.
No plural usam-se os possessivos substantivados no sentido de paren- Comi naquele restaurante dia desses.
tes de família. f) Para indicar aquilo que já mencionamos:
É assim que um moço deve zelar o nome dos seus? Fugir aos problemas? Isso não é do meu feitio.
Podem os possessivos ser modificados por um advérbio de intensidade. Ainda hei de conseguir o que desejo, e esse dia não está muito distan-
Levaria a mão ao colar de pérolas, com aquele gesto tão seu, quando te.
não sabia o que dizer.

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3. AQUELE (e variações) e AQUILO usam-se: Eis o quadro dos pronomes relativos:
a) Para indicar o que está longe das duas primeiras pessoas e refere-se á VARIÁVEIS INVARIÁVEIS
3ª. Masculino Feminino
Aquele documento que lá está é teu? o qual a qual quem
Aquilo que eles carregam pesa 5 kg. os quais as quais
b) Para indicar tempo passado mais ou menos distante. cujo cujos cuja cujas que
Naquele instante estava preocupado. quanto quanta quantas onde
Daquele instante em diante modifiquei-me. quantos
Usamos, ainda, aquela semana, aquele mês, aquele ano, aquele
século, para exprimir que o tempo já decorreu. Observações:
1. O pronome relativo QUEM só se aplica a pessoas, tem antecedente,
4. Quando se faz referência a duas pessoas ou coisas já mencionadas, vem sempre antecedido de preposição, e equivale a O QUAL.
usa-se este (ou variações) para a última pessoa ou coisa e aquele (ou O médico de quem falo é meu conterrâneo.
variações) para a primeira: 2. Os pronomes CUJO, CUJA significam do qual, da qual, e precedem
Ao conversar com lsabel e Luís, notei que este se encontrava nervoso sempre um substantivo sem artigo.
e aquela tranquila. Qual será o animal cujo nome a autora não quis revelar?
3. QUANTO(s) e QUANTA(s) são pronomes relativos quando precedidos
5. Os pronomes demonstrativos, quando regidos pela preposição DE, de um dos pronomes indefinidos tudo, tanto(s), tanta(s), todos, todas.
pospostos a substantivos, usam-se apenas no plural: Tenho tudo quanto quero.
Você teria coragem de proferir um palavrão desses, Rose? Leve tantos quantos precisar.
Com um frio destes não se pode sair de casa. Nenhum ovo, de todos quantos levei, se quebrou.
Nunca vi uma coisa daquelas. 4. ONDE, como pronome relativo, tem sempre antecedente e equivale a
EM QUE.
6. MESMO e PRÓPRIO variam em gênero e número quando têm caráter A casa onde (= em que) moro foi de meu avô.
reforçativo:
Zilma mesma (ou própria) costura seus vestidos. PRONOMES INDEFINIDOS
Luís e Luísa mesmos (ou próprios) arrumam suas camas. Estes pronomes se referem à 3ª pessoa do discurso, designando-a de
modo vago, impreciso, indeterminado.
7. O (e variações) é pronome demonstrativo quando equivale a AQUILO, 1. São pronomes indefinidos substantivos: ALGO, ALGUÉM, FULANO,
ISSO ou AQUELE (e variações). SICRANO, BELTRANO, NADA, NINGUÉM, OUTREM, QUEM, TUDO
Nem tudo (aquilo) que reluz é ouro. Exemplos:
O (aquele) que tem muitos vícios tem muitos mestres. Algo o incomoda?
Das meninas, Jeni a (aquela) que mais sobressaiu nos exames. Acreditam em tudo o que fulano diz ou sicrano escreve.
A sorte é mulher e bem o (isso) demonstra de fato, ela não ama os Não faças a outrem o que não queres que te façam.
homens superiores. Quem avisa amigo é.
Encontrei quem me pode ajudar.
8. NISTO, em início de frase, significa ENTÃO, no mesmo instante: Ele gosta de quem o elogia.
A menina ia cair, nisto, o pai a segurou 2. São pronomes indefinidos adjetivos: CADA, CERTO, CERTOS, CERTA
CERTAS.
9. Tal é pronome demonstrativo quando tomado na acepção DE ESTE, Cada povo tem seus costumes.
ISTO, ESSE, ISSO, AQUELE, AQUILO. Certas pessoas exercem várias profissões.
Tal era a situação do país. Certo dia apareceu em casa um repórter famoso.
Não disse tal.
Tal não pôde comparecer. PRONOMES INTERROGATIVOS
Pronome adjetivo quando acompanha substantivo ou pronome (atitu- Aparecem em frases interrogativas. Como os indefinidos, referem-se de
des tais merecem cadeia, esses tais merecem cadeia), quando acompanha modo impreciso à 3ª pessoa do discurso.
QUE, formando a expressão que tal? (? que lhe parece?) em frases como Exemplos:
Que tal minha filha? Que tais minhas filhas? e quando correlativo DE QUAL Que há?
ou OUTRO TAL: Que dia é hoje?
Suas manias eram tais quais as minhas. Reagir contra quê?
A mãe era tal quais as filhas. Por que motivo não veio?
Os filhos são tais qual o pai. Quem foi?
Tal pai, tal filho. Qual será?
É pronome substantivo em frases como: Quantos vêm?
Não encontrarei tal (= tal coisa). Quantas irmãs tens?
Não creio em tal (= tal coisa)
VERBO
PRONOMES RELATIVOS
Veja este exemplo:
Armando comprou a casa QUE lhe convinha. CONCEITO
A palavra que representa o nome casa, relacionando-se com o termo “As palavras em destaque no texto abaixo exprimem ações, situando-
casa é um pronome relativo. as no tempo.
PRONOMES RELATIVOS são palavras que representam nomes já re- Queixei-me de baratas. Uma senhora ouviu-me a queixa. Deu-me a re-
feridos, com os quais estão relacionados. Daí denominarem-se relativos. ceita de como matá-las. Que misturasse em partes iguais açúcar, farinha e
A palavra que o pronome relativo representa chama-se antecedente. gesso. A farinha e o açúcar as atrairiam, o gesso esturricaria dentro elas.
No exemplo dado, o antecedente é casa. Assim fiz. Morreram.”
Outros exemplos de pronomes relativos: (Clarice Lispector)
Sejamos gratos a Deus, a quem tudo devemos.
O lugar onde paramos era deserto. Essas palavras são verbos. O verbo também pode exprimir:
Traga tudo quanto lhe pertence. a) Estado:
Leve tantos ingressos quantos quiser. Não sou alegre nem sou triste.
Posso saber o motivo por que (ou pelo qual) desistiu do concurso? Sou poeta.

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b) Mudança de estado: SUBJUNTIVO Pretérito imperfeito (falasse)
Meu avô foi buscar ouro. Futuro (falar)
Mas o ouro virou terra.
c) Fenômeno: Há ainda três formas que não exprimem exatamente o tempo em que
Chove. O céu dorme. se dá o fato expresso. São as formas nominais, que completam o esquema
dos tempos simples.
VERBO é a palavra variável que exprime ação, estado, mudança de Infinitivo impessoal (falar)
estado e fenômeno, situando-se no tempo. Pessoal (falar eu, falares tu, etc.)
FORMAS NOMINAIS Gerúndio (falando)
FLEXÕES Particípio (falado)
O verbo é a classe de palavras que apresenta o maior número de fle-
xões na língua portuguesa. Graças a isso, uma forma verbal pode trazer em 5. VOZ: o sujeito do verbo pode ser:
si diversas informações. A forma CANTÁVAMOS, por exemplo, indica: a) agente do fato expresso.
• a ação de cantar. O carroceiro disse um palavrão.
• a pessoa gramatical que pratica essa ação (nós). (sujeito agente)
• o número gramatical (plural). O verbo está na voz ativa.
• o tempo em que tal ação ocorreu (pretérito). b) paciente do fato expresso:
• o modo como é encarada a ação: um fato realmente acontecido no Um palavrão foi dito pelo carroceiro.
passado (indicativo). (sujeito paciente)
• que o sujeito pratica a ação (voz ativa). O verbo está na voz passiva.
c) agente e paciente do fato expresso:
Portanto, o verbo flexiona-se em número, pessoa, modo, tempo e voz. O carroceiro machucou-se.
1. NÚMERO: o verbo admite singular e plural: (sujeito agente e paciente)
O menino olhou para o animal com olhos alegres. (singular). O verbo está na voz reflexiva.
Os meninos olharam para o animal com olhos alegres. (plural).
6. FORMAS RIZOTÔNICAS E ARRIZOTÔNICAS: dá-se o nome de
2. PESSOA: servem de sujeito ao verbo as três pessoas gramaticais: rizotônica à forma verbal cujo acento tônico está no radical.
1ª pessoa: aquela que fala. Pode ser Falo - Estudam.
a) do singular - corresponde ao pronome pessoal EU. Ex.: Eu adormeço. Dá-se o nome de arrizotônica à forma verbal cujo acento tônico está
b) do plural - corresponde ao pronome pessoal NÓS. Ex.: Nós adorme- fora do radical.
cemos. Falamos - Estudarei.
2ª pessoa: aquela que ouve. Pode ser
a) do singular - corresponde ao pronome pessoal TU. Ex.:Tu adormeces. 7. CLASSIFICACÃO DOS VERBOS: os verbos classificam-se em:
b) do plural - corresponde ao pronome pessoal VÓS. Ex.:Vós adormeceis. a) regulares - são aqueles que possuem as desinências normais de sua
3ª pessoa: aquela de quem se fala. Pode ser conjugação e cuja flexão não provoca alterações no radical: canto -
a) do singular - corresponde aos pronomes pessoais ELE, ELA. Ex.: Ela cantei - cantarei – cantava - cantasse.
adormece. b) irregulares - são aqueles cuja flexão provoca alterações no radical ou
b) do plural - corresponde aos pronomes pessoas ELES, ELAS. Ex.: Eles nas desinências: faço - fiz - farei - fizesse.
adormecem. c) defectivos - são aqueles que não apresentam conjugação completa,
como por exemplo, os verbos falir, abolir e os verbos que indicam fe-
3. MODO: é a propriedade que tem o verbo de indicar a atitude do falante nômenos naturais, como CHOVER, TROVEJAR, etc.
em relação ao fato que comunica. Há três modos em português. d) abundantes - são aqueles que possuem mais de uma forma com o
a) indicativo: a atitude do falante é de certeza diante do fato. mesmo valor. Geralmente, essa característica ocorre no particípio: ma-
A cachorra Baleia corria na frente. tado - morto - enxugado - enxuto.
b) subjuntivo: a atitude do falante é de dúvida diante do fato. e) anômalos - são aqueles que incluem mais de um radical em sua conju-
Talvez a cachorra Baleia corra na frente . gação.
c) imperativo: o fato é enunciado como uma ordem, um conselho, um verbo ser: sou - fui
pedido verbo ir: vou - ia
Corra na frente, Baleia.
QUANTO À EXISTÊNCIA OU NÃO DO SUJEITO
4. TEMPO: é a propriedade que tem o verbo de localizar o fato no tempo, 1. Pessoais: são aqueles que se referem a qualquer sujeito implícito ou
em relação ao momento em que se fala. Os três tempos básicos são: explícito. Quase todos os verbos são pessoais.
a) presente: a ação ocorre no momento em que se fala: O Nino apareceu na porta.
Fecho os olhos, agito a cabeça.
b) pretérito (passado): a ação transcorreu num momento anterior àquele 2. Impessoais: são aqueles que não se referem a qualquer sujeito implíci-
em que se fala: to ou explícito. São utilizados sempre na 3ª pessoa. São impessoais:
Fechei os olhos, agitei a cabeça. a) verbos que indicam fenômenos meteorológicos: chover, nevar, ventar,
c) futuro: a ação poderá ocorrer após o momento em que se fala: etc.
Fecharei os olhos, agitarei a cabeça. Garoava na madrugada roxa.
O pretérito e o futuro admitem subdivisões, o que não ocorre com o b) HAVER, no sentido de existir, ocorrer, acontecer:
presente. Houve um espetáculo ontem.
Há alunos na sala.
Veja o esquema dos tempos simples em português: Havia o céu, havia a terra, muita gente e mais Anica com seus olhos
claros.
Presente (falo) c) FAZER, indicando tempo decorrido ou fenômeno meteorológico.
INDICATIVO Pretérito perfeito ( falei) Fazia dois anos que eu estava casado.
Imperfeito (falava) Faz muito frio nesta região?
Mais- que-perfeito (falara)
Futuro do presente (falarei) O VERBO HAVER (empregado impessoalmente)
do pretérito (falaria) O verbo haver é impessoal - sendo, portanto, usado invariavelmente na
Presente (fale) 3ª pessoa do singular - quando significa:

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1) EXISTIR Fui prejudicado.
Há pessoas que nos querem bem. Condenar-te-iam.
Criaturas infalíveis nunca houve nem haverá. Serias condenado.
Brigavam à toa, sem que houvesse motivos sérios.
Livros, havia-os de sobra; o que faltava eram leitores. EMPREGO DOS TEMPOS VERBAIS
2) ACONTECER, SUCEDER
Houve casos difíceis na minha profissão de médico. a) Presente
Não haja desavenças entre vós. Emprega-se o presente do indicativo para assinalar:
Naquele presídio havia frequentes rebeliões de presos. - um fato que ocorre no momento em que se fala.
3) DECORRER, FAZER, com referência ao tempo passado: Eles estudam silenciosamente.
Há meses que não o vejo. Eles estão estudando silenciosamente.
Haverá nove dias que ele nos visitou. - uma ação habitual.
Havia já duas semanas que Marcos não trabalhava. Corra todas as manhãs.
O fato aconteceu há cerca de oito meses. - uma verdade universal (ou tida como tal):
Quando pode ser substituído por FAZIA, o verbo HAVER concorda no O homem é mortal.
pretérito imperfeito, e não no presente: A mulher ama ou odeia, não há outra alternativa.
Havia (e não HÁ) meses que a escola estava fechada. - fatos já passados. Usa-se o presente em lugar do pretérito para dar
Morávamos ali havia (e não HÁ) dois anos. maior realce à narrativa.
Ela conseguira emprego havia (e não HÁ) pouco tempo. Em 1748, Montesquieu publica a obra "O Espírito das Leis".
Havia (e não HÁ) muito tempo que a policia o procurava. É o chamado presente histórico ou narrativo.
4) REALIZAR-SE - fatos futuros não muito distantes, ou mesmo incertos:
Houve festas e jogos. Amanhã vou à escola.
Se não chovesse, teria havido outros espetáculos. Qualquer dia eu te telefono.
Todas as noites havia ensaios das escolas de samba. b) Pretérito Imperfeito
5) Ser possível, existir possibilidade ou motivo (em frases negativas e Emprega-se o pretérito imperfeito do indicativo para designar:
seguido de infinitivo): - um fato passado contínuo, habitual, permanente:
Em pontos de ciência não há transigir. Ele andava à toa.
Não há contê-lo, então, no ímpeto. Nós vendíamos sempre fiado.
Não havia descrer na sinceridade de ambos. - um fato passado, mas de incerta localização no tempo. É o que ocorre
Mas olha, Tomásia, que não há fiar nestas afeiçõezinhas. por exemplo, no inicio das fábulas, lendas, histórias infantis.
E não houve convencê-lo do contrário. Era uma vez...
Não havia por que ficar ali a recriminar-se. - um fato presente em relação a outro fato passado.
Eu lia quando ele chegou.
Como impessoal o verbo HAVER forma ainda a locução adverbial de c) Pretérito Perfeito
há muito (= desde muito tempo, há muito tempo): Emprega-se o pretérito perfeito do indicativo para referir um fato já
De há muito que esta árvore não dá frutos. ocorrido, concluído.
De há muito não o vejo. Estudei a noite inteira.
Usa-se a forma composta para indicar uma ação que se prolonga até o
O verbo HAVER transmite a sua impessoalidade aos verbos que com momento presente.
ele formam locução, os quais, por isso, permanecem invariáveis na 3ª Tenho estudado todas as noites.
pessoa do singular: d) Pretérito mais-que-perfeito
Vai haver eleições em outubro. Chama-se mais-que-perfeito porque indica uma ação passada em
Começou a haver reclamações. relação a outro fato passado (ou seja, é o passado do passado):
Não pode haver umas sem as outras. A bola já ultrapassara a linha quando o jogador a alcançou.
Parecia haver mais curiosos do que interessados. e) Futuro do Presente
Mas haveria outros defeitos, devia haver outros. Emprega-se o futuro do presente do indicativo para apontar um fato
futuro em relação ao momento em que se fala.
A expressão correta é HAJA VISTA, e não HAJA VISTO. Pode ser Irei à escola.
construída de três modos: f) Futuro do Pretérito
Hajam vista os livros desse autor. Emprega-se o futuro do pretérito do indicativo para assinalar:
Haja vista os livros desse autor. - um fato futuro, em relação a outro fato passado.
Haja vista aos livros desse autor. - Eu jogaria se não tivesse chovido.
- um fato futuro, mas duvidoso, incerto.
CONVERSÃO DA VOZ ATIVA NA PASSIVA - Seria realmente agradável ter de sair?
Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar substancialmente o Um fato presente: nesse caso, o futuro do pretérito indica polidez e às
sentido da frase. vezes, ironia.
Exemplo: - Daria para fazer silêncio?!
Gutenberg inventou a imprensa. (voz ativa)
A imprensa foi inventada por Gutenberg. (voz passiva) Modo Subjuntivo
a) Presente
Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva, o sujeito da ativa Emprega-se o presente do subjuntivo para mostrar:
passará a agente da passiva e o verbo assumirá a forma passiva, conser- - um fato presente, mas duvidoso, incerto.
vando o mesmo tempo. Talvez eles estudem... não sei.
- um desejo, uma vontade:
Outros exemplos: Que eles estudem, este é o desejo dos pais e dos professores.
Os calores intensos provocam as chuvas. b) Pretérito Imperfeito
As chuvas são provocadas pelos calores intensos. Emprega-se o pretérito imperfeito do subjuntivo para indicar uma
Eu o acompanharei. hipótese, uma condição.
Ele será acompanhado por mim. Se eu estudasse, a história seria outra.
Todos te louvariam. Nós combinamos que se chovesse não haveria jogo.
Serias louvado por todos.
Prejudicaram-me.

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c) Pretérito Perfeito NOMEAR
Emprega-se o pretérito perfeito composto do subjuntivo para apontar Presente da indicativo nomeio, nomeias, nomeia, nomeamos,
um fato passado, mas incerto, hipotético, duvidoso (que são, afinal, as nomeais, nomeiam
características do modo subjuntivo). Pretérito imperfeito nomeava, nomeavas, nomeava, nomeávamos, no-
Que tenha estudado bastante é o que espero. meáveis, nomeavam
d) Pretérito Mais-Que-Perfeito - Emprega-se o pretérito mais-que-perfeito Pretérito perfeito nomeei, nomeaste, nomeou, nomeamos, nomeastes,
do subjuntivo para indicar um fato passado em relação a outro fato nomearam
passado, sempre de acordo com as regras típicas do modo subjuntivo: Presente do subjuntivo nomeie, nomeies, nomeie, nomeemos,
Se não tivéssemos saído da sala, teríamos terminado a prova tranqui- nomeeis, nomeiem
lamente. Imperativo afirmativo nomeia, nomeie, nomeemos, nomeai, nomeiem
e) Futuro Conjugam-se como nomear, cear, hastear, peritear, recear, passear
Emprega-se o futuro do subjuntivo para indicar um fato futuro já conclu-
ído em relação a outro fato futuro. COPIAR
Quando eu voltar, saberei o que fazer. Presente do indicativo copio, copias, copia, copiamos, copiais,
copiam
VERBOS IRREGULARES Pretérito imperfeito copiei, copiaste, copiou, copiamos, copiastes, copia-
ram
DAR Pretérito mais-que-perfeito copiara, copiaras, copiara, copiáramos,
Presente do indicativo dou, dás, dá, damos, dais, dão copiáreis, copiaram
Pretérito perfeito dei, deste, deu, demos, destes, deram Presente do subjuntivo copie, copies, copie, copiemos, copieis,
Pretérito mais-que-perfeito dera, deras, dera, déramos, déreis, deram copiem
Presente do subjuntivo dê, dês, dê, demos, deis, dêem Imperativo afirmativo copia, copie, copiemos, copiai, copiem
Imperfeito do subjuntivo desse, desses, desse, déssemos, désseis,
dessem ODIAR
Futuro do subjuntivo der, deres, der, dermos, derdes, derem Presente do indicativo odeio, odeias, odeia, odiamos, odiais,
odeiam
MOBILIAR Pretérito imperfeito odiava, odiavas, odiava, odiávamos, odiáveis, odia-
Presente do indicativo mobilio, mobílias, mobília, mobiliamos, vam
mobiliais, mobiliam Pretérito perfeito odiei, odiaste, odiou, odiamos, odiastes, odiaram
Presente do subjuntivo mobilie, mobilies, mobílie, mobiliemos, Pretérito mais-que-perfeito odiara, odiaras, odiara, odiáramos, odiá-
mobilieis, mobiliem reis, odiaram
Imperativo mobília, mobilie, mobiliemos, mobiliai, Presente do subjuntivo odeie, odeies, odeie, odiemos, odieis,
mobiliem odeiem
Conjugam-se como odiar, mediar, remediar, incendiar, ansiar
AGUAR
Presente do indicativo águo, águas, água, aguamos, aguais, CABER
águam Presente do indicativo caibo, cabes, cabe, cabemos, cabeis,
Pretérito perfeito aguei, aguaste, aguou, aguamos, aguastes, aguaram cabem
Presente do subjuntivo águe, agues, ague, aguemos, agueis, Pretérito perfeito coube, coubeste, coube, coubemos, coubestes,
águem couberam
Pretérito mais-que-perfeito coubera, couberas, coubera, coubéramos,
MAGOAR coubéreis, couberam
Presente do indicativo magoo, magoas, magoa, magoamos, Presente do subjuntivo caiba, caibas, caiba, caibamos, caibais,
magoais, magoam caibam
Pretérito perfeito magoei, magoaste, magoou, magoamos, magoastes, Imperfeito do subjuntivo coubesse, coubesses, coubesse, coubés-
magoaram semos, coubésseis, coubessem
Presente do subjuntivo magoe, magoes, magoe, magoemos, Futuro do subjuntivo couber, couberes, couber, coubermos, couberdes,
magoeis, magoem couberem
Conjugam-se como magoar, abençoar, abotoar, caçoar, voar e perdoar O verbo CABER não se apresenta conjugado nem no imperativo afirmativo
nem no imperativo negativo
APIEDAR-SE
Presente do indicativo: apiado-me, apiadas-te, apiada-se, apieda- CRER
mo-nos, apiedais-vos, apiadam-se Presente do indicativo creio, crês, crê, cremos, credes, crêem
Presente do subjuntivo apiade-me, apiades-te, apiade-se, apiede- Presente do subjuntivo creia, creias, creia, creiamos, creiais,
mo-nos, apiedei-vos, apiedem-se creiam
Nas formas rizotônicas, o E do radical é substituído por A Imperativo afirmativo crê, creia, creiamos, crede, creiam
Conjugam-se como crer, ler e descrer
MOSCAR
Presente do indicativo musco, muscas, musca, moscamos, mos- DIZER
cais, muscam Presente do indicativo digo, dizes, diz, dizemos, dizeis, dizem
Presente do subjuntivo musque, musques, musque, mosquemos, Pretérito perfeito disse, disseste, disse, dissemos, dissestes, disseram
mosqueis, musquem Pretérito mais-que-perfeito dissera, disseras, dissera, disséramos,
Nas formas rizotônicas, o O do radical é substituído por U disséreis, disseram
Futuro do presente direi, dirás, dirá, diremos, direis, dirão
RESFOLEGAR Futuro do pretérito diria, dirias, diria, diríamos, diríeis, diriam
Presente do indicativo resfolgo, resfolgas, resfolga, resfolegamos, Presente do subjuntivo diga, digas, diga, digamos, digais, digam
resfolegais, resfolgam Pretérito imperfeito dissesse, dissesses, dissesse, disséssemos, dissés-
Presente do subjuntivo resfolgue, resfolgues, resfolgue, resfolegue- seis, dissesse
mos, resfolegueis, resfolguem Futuro disser, disseres, disser, dissermos, disserdes, disse-
Nas formas rizotônicas, o E do radical desaparece rem
Particípio dito
Conjugam-se como dizer, bendizer, desdizer, predizer, maldizer

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FAZER REQUERER
Presente do indicativo faço, fazes, faz, fazemos, fazeis, fazem Presente do indicativo requeiro, requeres, requer, requeremos,
Pretérito perfeito fiz, fizeste, fez, fizemos fizestes, fizeram requereis. requerem
Pretérito mais-que-perfeito fizera, fizeras, fizera, fizéramos, fizéreis, Pretérito perfeito requeri, requereste, requereu, requeremos, requeres-
fizeram te, requereram
Futuro do presente farei, farás, fará, faremos, fareis, farão Pretérito mais-que-perfeito requerera, requereras, requerera, requere-
Futuro do pretérito faria, farias, faria, faríamos, faríeis, fariam ramos, requerereis, requereram
Imperativo afirmativo faze, faça, façamos, fazei, façam Futuro do presente requererei, requererás requererá, requereremos,
Presente do subjuntivo faça, faças, faça, façamos, façais, façam requerereis, requererão
Imperfeito do subjuntivo fizesse, fizesses, fizesse, fizéssemos, Futuro do pretérito requereria, requererias, requereria, requereríamos,
fizésseis, fizessem requereríeis, requereriam
Futuro do subjuntivo fizer, fizeres, fizer, fizermos, fizerdes, fizerem Imperativo requere, requeira, requeiramos, requerer, requeiram
Conjugam-se como fazer, desfazer, refazer satisfazer Presente do subjuntivo requeira, requeiras, requeira, requeiramos,
requeirais, requeiram
PERDER Pretérito Imperfeito requeresse, requeresses, requeresse, requerêsse-
Presente do indicativo perco, perdes, perde, perdemos, perdeis, mos, requerêsseis, requeressem,
perdem Futuro requerer, requereres, requerer, requerermos, reque-
Presente do subjuntivo perca, percas, perca, percamos, percais. rerdes, requerem
percam Gerúndio requerendo
Imperativo afirmativo perde, perca, percamos, perdei, percam Particípio requerido
O verbo REQUERER não se conjuga como querer.
PODER
Presente do Indicativo posso, podes, pode, podemos, podeis, REAVER
podem Presente do indicativo reavemos, reaveis
Pretérito Imperfeito podia, podias, podia, podíamos, podíeis, podiam Pretérito perfeito reouve, reouveste, reouve, reouvemos, reouvestes,
Pretérito perfeito pude, pudeste, pôde, pudemos, pudestes, puderam reouveram
Pretérito mais-que-perfeito pudera, puderas, pudera, pudéramos, Pretérito mais-que-perfeito reouvera, reouveras, reouvera, reouvéramos, reou-
pudéreis, puderam véreis, reouveram
Presente do subjuntivo possa, possas, possa, possamos, possais, Pretérito imperf. do subjuntivo reouvesse, reouvesses, reouvesse, reouvés-
possam semos, reouvésseis, reouvessem
Pretérito imperfeito pudesse, pudesses, pudesse, pudéssemos, pudés- Futuro reouver, reouveres, reouver, reouvermos, reouver-
seis, pudessem des, reouverem
Futuro puder, puderes, puder, pudermos, puderdes, pude- O verbo REAVER conjuga-se como haver, mas só nas formas em que esse
rem apresenta a letra v
Infinitivo pessoal pode, poderes, poder, podermos, poderdes, poderem
Gerúndio podendo SABER
Particípio podido Presente do indicativo sei, sabes, sabe, sabemos, sabeis, sabem
O verbo PODER não se apresenta conjugado nem no imperativo afirmativo Pretérito perfeito soube, soubeste, soube, soubemos, soubestes,
nem no imperativo negativo souberam
Pretérito mais-que-perfeito soubera, souberas, soubera, soubéramos,
PROVER soubéreis, souberam
Presente do indicativo provejo, provês, provê, provemos, prove- Pretérito imperfeito sabia, sabias, sabia, sabíamos, sabíeis, sabiam
des, provêem Presente do subjuntivo soubesse, soubesses, soubesse, soubés-
Pretérito imperfeito provia, provias, provia, províamos, províeis, proviam semos, soubésseis, soubessem
Pretérito perfeito provi, proveste, proveu, provemos, provestes, prove- Futuro souber, souberes, souber, soubermos, souberdes,
ram souberem
Pretérito mais-que-perfeito provera, proveras, provera, provêramos,
provêreis, proveram VALER
Futuro do presente proverei, proverás, proverá, proveremos, provereis, Presente do indicativo valho, vales, vale, valemos, valeis, valem
proverão Presente do subjuntivo valha, valhas, valha, valhamos, valhais,
Futuro do pretérito proveria, proverias, proveria, proveríamos, proveríeis, valham
proveriam Imperativo afirmativo vale, valha, valhamos, valei, valham
Imperativo provê, proveja, provejamos, provede, provejam
Presente do subjuntivo proveja, provejas, proveja, provejamos, TRAZER
provejais. provejam Presente do indicativo trago, trazes, traz, trazemos, trazeis, tra-
Pretérito imperfeito provesse, provesses, provesse, provêssemos, pro- zem
vêsseis, provessem Pretérito imperfeito trazia, trazias, trazia, trazíamos, trazíeis, traziam
Futuro prover, proveres, prover, provermos, proverdes, Pretérito perfeito trouxe, trouxeste, trouxe, trouxemos, trouxestes,
proverem trouxeram
Gerúndio provendo Pretérito mais-que-perfeito trouxera, trouxeras, trouxera, trouxéramos,
Particípio provido trouxéreis, trouxeram
Futuro do presente trarei, trarás, trará, traremos, trareis, trarão
QUERER Futuro do pretérito traria, trarias, traria, traríamos, traríeis, trariam
Presente do indicativo quero, queres, quer, queremos, quereis, querem Imperativo traze, traga, tragamos, trazei, tragam
Pretérito perfeito quis, quiseste, quis, quisemos, quisestes, quiseram Presente do subjuntivo traga, tragas, traga, tragamos, tragais,
Pretérito mais-que-perfeito quisera, quiseras, quisera, quiséramos, tragam
quiséreis, quiseram Pretérito imperfeito trouxesse, trouxesses, trouxesse, trouxéssemos,
Presente do subjuntivo queira, queiras, queira, queiramos, quei- trouxésseis, trouxessem
rais, queiram Futuro trouxer, trouxeres, trouxer, trouxermos, trouxerdes, trouxerem
Pretérito imperfeito quisesse, quisesses, quisesse, quiséssemos quisés- Infinitivo pessoal trazer, trazeres, trazer, trazermos, trazerdes, trazerem
seis, quisessem Gerúndio trazendo
Futuro quiser, quiseres, quiser, quisermos, quiserdes, quiserem Particípio trazido

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VER MENTIR
Presente do indicativo vejo, vês, vê, vemos, vedes, vêem Presente do indicativo minto, mentes, mente, mentimos, mentis,
Pretérito perfeito vi, viste, viu, vimos, vistes, viram mentem
Pretérito mais-que-perfeito vira, viras, vira, viramos, vireis, viram Presente do subjuntivo minta, mintas, minta, mintamos, mintais,
Imperativo afirmativo vê, veja, vejamos, vede vós, vejam vocês mintam
Presente do subjuntivo veja, vejas, veja, vejamos, vejais, vejam Imperativo mente, minta, mintamos, menti, mintam
Pretérito imperfeito visse, visses, visse, víssemos, vísseis, vissem Conjugam-se como MENTIR: sentir, cerzir, competir, consentir, pressentir.
Futuro vir, vires, vir, virmos, virdes, virem
Particípio visto FUGIR
Presente do indicativo fujo, foges, foge, fugimos, fugis, fogem
ABOLIR Imperativo foge, fuja, fujamos, fugi, fujam
Presente do indicativo aboles, abole abolimos, abolis, abolem Presente do subjuntivo fuja, fujas, fuja, fujamos, fujais, fujam
Pretérito imperfeito abolia, abolias, abolia, abolíamos, abolíeis, aboliam
Pretérito perfeito aboli, aboliste, aboliu, abolimos, abolistes, aboliram IR
Pretérito mais-que-perfeito abolira, aboliras, abolira, abolíramos, abolíreis, Presente do indicativo vou, vais, vai, vamos, ides, vão
aboliram Pretérito imperfeito ia, ias, ia, íamos, íeis, iam
Futuro do presente abolirei, abolirás, abolirá, aboliremos, abolireis, aboli- Pretérito perfeito fui, foste, foi, fomos, fostes, foram
rão Pretérito mais-que-perfeito fora, foras, fora, fôramos, fôreis, foram
Futuro do pretérito aboliria, abolirias, aboliria, aboliríamos, aboliríeis, Futuro do presente irei, irás, irá, iremos, ireis, irão
aboliriam Futuro do pretérito iria, irias, iria, iríamos, iríeis, iriam
Presente do subjuntivo não há Imperativo afirmativo vai, vá, vamos, ide, vão
Presente imperfeito abolisse, abolisses, abolisse, abolíssemos, abolísseis, Imperativo negativo não vão, não vá, não vamos, não vades, não
abolissem vão
Futuro abolir, abolires, abolir, abolirmos, abolirdes, abolirem Presente do subjuntivo vá, vás, vá, vamos, vades, vão
Imperativo afirmativo abole, aboli Pretérito imperfeito fosse, fosses, fosse, fôssemos, fôsseis, fossem
Imperativo negativo não há Futuro for, fores, for, formos, fordes, forem
Infinitivo pessoal abolir, abolires, abolir, abolirmos, abolirdes, abolirem Infinitivo pessoal ir, ires, ir, irmos, irdes, irem
Infinitivo impessoal abolir Gerúndio indo
Gerúndio abolindo Particípio ido
Particípio abolido
O verbo ABOLIR é conjugado só nas formas em que depois do L do radical OUVIR
há E ou I. Presente do indicativo ouço, ouves, ouve, ouvimos, ouvis, ouvem
Presente do subjuntivo ouça, ouças, ouça, ouçamos, ouçais,
AGREDIR ouçam
Presente do indicativo agrido, agrides, agride, agredimos, agredis, Imperativo ouve, ouça, ouçamos, ouvi, ouçam
agridem Particípio ouvido
Presente do subjuntivo agrida, agridas, agrida, agridamos, agri-
dais, agridam PEDIR
Imperativo agride, agrida, agridamos, agredi, agridam Presente do indicativo peço, pedes, pede, pedimos, pedis, pedem
Nas formas rizotônicas, o verbo AGREDIR apresenta o E do radical substi- Pretérito perfeito pedi, pediste, pediu, pedimos, pedistes, pediram
tuído por I. Presente do subjuntivo peça, peças, peça, peçamos, peçais,
peçam
COBRIR Imperativo pede, peça, peçamos, pedi, peçam
Presente do indicativo cubro, cobres, cobre, cobrimos, cobris, Conjugam-se como pedir: medir, despedir, impedir, expedir
cobrem
Presente do subjuntivo cubra, cubras, cubra, cubramos, cubrais, POLIR
cubram Presente do indicativo pulo, pules, pule, polimos, polis, pulem
Imperativo cobre, cubra, cubramos, cobri, cubram Presente do subjuntivo pula, pulas, pula, pulamos, pulais, pulam
Particípio coberto Imperativo pule, pula, pulamos, poli, pulam
Conjugam-se como COBRIR, dormir, tossir, descobrir, engolir
REMIR
FALIR Presente do indicativo redimo, redimes, redime, redimimos, redi-
Presente do indicativo falimos, falis mis, redimem
Pretérito imperfeito falia, falias, falia, falíamos, falíeis, faliam Presente do subjuntivo redima, redimas, redima, redimamos,
Pretérito mais-que-perfeito falira, faliras, falira, falíramos, falireis, redimais, redimam
faliram
Pretérito perfeito fali, faliste, faliu, falimos, falistes, faliram RIR
Futuro do presente falirei, falirás, falirá, faliremos, falireis, falirão Presente do indicativo rio, ris, ri, rimos, rides, riem
Futuro do pretérito faliria, falirias, faliria, faliríamos, faliríeis, faliriam Pretérito imperfeito ria, rias, ria, riamos, ríeis, riam
Presente do subjuntivo não há Pretérito perfeito ri, riste, riu, rimos, ristes, riram
Pretérito imperfeito falisse, falisses, falisse, falíssemos, falísseis, falissem Pretérito mais-que-perfeito rira, riras, rira, ríramos, rireis, riram
Futuro falir, falires, falir, falirmos, falirdes, falirem Futuro do presente rirei, rirás, rirá, riremos, rireis, rirão
Imperativo afirmativo fali (vós) Futuro do pretérito riria, ririas, riria, riríamos, riríeis, ririam
Imperativo negativo não há Imperativo afirmativo ri, ria, riamos, ride, riam
Infinitivo pessoal falir, falires, falir, falirmos, falirdes, falirem Presente do subjuntivo ria, rias, ria, riamos, riais, riam
Gerúndio falindo Pretérito imperfeito risse, risses, risse, ríssemos, rísseis, rissem
Particípio falido Futuro rir, rires, rir, rirmos, rirdes, rirem
Infinitivo pessoal rir, rires, rir, rirmos, rirdes, rirem
FERIR Gerúndio rindo
Presente do indicativo firo, feres, fere, ferimos, feris, ferem Particípio rido
Presente do subjuntivo fira, firas, fira, firamos, firais, firam Conjuga-se como rir: sorrir
Conjugam-se como FERIR: competir, vestir, inserir e seus derivados.

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VIR 1) DE EXCLUSÃO - só, salvo, apenas, senão, etc.
Presente do indicativo venho, vens, vem, vimos, vindes, vêm 2) DE INCLUSÃO - também, até, mesmo, inclusive, etc.
Pretérito imperfeito vinha, vinhas, vinha, vínhamos, vínheis, vinham 3) DE SITUAÇÃO - mas, então, agora, afinal, etc.
Pretérito perfeito vim, vieste, veio, viemos, viestes, vieram 4) DE DESIGNAÇÃO - eis.
Pretérito mais-que-perfeito viera, vieras, viera, viéramos, viéreis, 5) DE RETIFICAÇÃO - aliás, isto é, ou melhor, ou antes, etc.
vieram 6) DE REALCE - cá, lá, sã, é que, ainda, mas, etc.
Futuro do presente virei, virás, virá, viremos, vireis, virão Você lá sabe o que está dizendo, homem...
Futuro do pretérito viria, virias, viria, viríamos, viríeis, viriam Mas que olhos lindos!
Imperativo afirmativo vem, venha, venhamos, vinde, venham Veja só que maravilha!
Presente do subjuntivo venha, venhas, venha, venhamos, venhais,
venham NUMERAL
Pretérito imperfeito viesse, viesses, viesse, viéssemos, viésseis, viessem
Futuro vier, vieres, vier, viermos, vierdes, vierem Numeral é a palavra que indica quantidade, ordem, múltiplo ou fração.
Infinitivo pessoal vir, vires, vir, virmos, virdes, virem O numeral classifica-se em:
Gerúndio vindo - cardinal - quando indica quantidade.
Particípio vindo - ordinal - quando indica ordem.
Conjugam-se como vir: intervir, advir, convir, provir, sobrevir - multiplicativo - quando indica multiplicação.
- fracionário - quando indica fracionamento.
SUMIR
Presente do indicativo sumo, somes, some, sumimos, sumis, Exemplos:
somem Silvia comprou dois livros.
Presente do subjuntivo suma, sumas, suma, sumamos, sumais, Antônio marcou o primeiro gol.
sumam Na semana seguinte, o anel custará o dobro do preço.
Imperativo some, suma, sumamos, sumi, sumam O galinheiro ocupava um quarto da quintal.
Conjugam-se como SUMIR: subir, acudir, bulir, escapulir, fugir, consumir,
cuspir QUADRO BÁSICO DOS NUMERAIS

ADVÉRBIO Algarismos Numerais


Roma- Arábi- Multiplica-
Advérbio é a palavra que modifica a verbo, o adjetivo ou o próprio ad- Cardinais Ordinais Fracionários
nos cos tivos
vérbio, exprimindo uma circunstância. I 1 um primeiro simples -
Os advérbios dividem-se em: duplo
1) LUGAR: aqui, cá, lá, acolá, ali, aí, aquém, além, algures, alhures, II 2 dois segundo meio
dobro
nenhures, atrás, fora, dentro, perto, longe, adiante, diante, onde, avan- III 3 três terceiro tríplice terço
te, através, defronte, aonde, etc. IV 4 quatro quarto quádruplo quarto
2) TEMPO: hoje, amanhã, depois, antes, agora, anteontem, sempre, V 5 cinco quinto quíntuplo quinto
nunca, já, cedo, logo, tarde, ora, afinal, outrora, então, amiúde, breve, VI 6 seis sexto sêxtuplo sexto
brevemente, entrementes, raramente, imediatamente, etc. VII 7 sete sétimo sétuplo sétimo
3) MODO: bem, mal, assim, depressa, devagar, como, debalde, pior,
VIII 8 oito oitavo óctuplo oitavo
melhor, suavemente, tenazmente, comumente, etc.
IX 9 nove nono nônuplo nono
4) ITENSIDADE: muito, pouco, assaz, mais, menos, tão, bastante, dema-
siado, meio, completamente, profundamente, quanto, quão, tanto, bem, X 10 dez décimo décuplo décimo
mal, quase, apenas, etc. décimo
XI 11 onze onze avos
5) AFIRMAÇÃO: sim, deveras, certamente, realmente, efefivamente, etc. primeiro
6) NEGAÇÃO: não. décimo
XII 12 doze doze avos
7) DÚVIDA: talvez, acaso, porventura, possivelmente, quiçá, decerto, segundo
provavelmente, etc. décimo
XIII 13 treze treze avos
terceiro
Há Muitas Locuções Adverbiais décimo quatorze
XIV 14 quatorze
1) DE LUGAR: à esquerda, à direita, à tona, à distância, à frente, à entra- quarto avos
da, à saída, ao lado, ao fundo, ao longo, de fora, de lado, etc. décimo
XV 15 quinze quinze avos
2) TEMPO: em breve, nunca mais, hoje em dia, de tarde, à tarde, à noite, quinto
às ave-marias, ao entardecer, de manhã, de noite, por ora, por fim, de décimo dezesseis
XVI 16 dezesseis
repente, de vez em quando, de longe em longe, etc. sexto avos
3) MODO: à vontade, à toa, ao léu, ao acaso, a contento, a esmo, de bom décimo dezessete
XVII 17 dezessete
grado, de cor, de mansinho, de chofre, a rigor, de preferência, em ge- sétimo avos
ral, a cada passo, às avessas, ao invés, às claras, a pique, a olhos vis- décimo
XVIII 18 dezoito dezoito avos
tos, de propósito, de súbito, por um triz, etc. oitavo
4) MEIO OU INSTRUMENTO: a pau, a pé, a cavalo, a martelo, a máqui- dezenove
XIX 19 dezenove décimo nono
na, a tinta, a paulada, a mão, a facadas, a picareta, etc. avos
5) AFIRMAÇÃO: na verdade, de fato, de certo, etc. XX 20 vinte vigésimo vinte avos
6) NEGAÇAO: de modo algum, de modo nenhum, em hipótese alguma, XXX 30 trinta trigésimo trinta avos
etc. quadragé- quarenta
7) DÚVIDA: por certo, quem sabe, com certeza, etc. XL 40 quarenta
simo avos
quinquagé- cinquenta
Advérbios Interrogativos L 50 cinquenta
simo avos
Onde?, aonde?, donde?, quando?, porque?, como? sessenta
LX 60 sessenta sexagésimo
avos
Palavras Denotativas septuagési-
Certas palavras, por não se poderem enquadrar entre os advérbios, te- LXX 70 setenta setenta avos
mo
rão classificação à parte. São palavras que denotam exclusão, inclusão, LXXX 80 oitenta octogésimo oitenta avos
situação, designação, realce, retificação, afetividade, etc.

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noventa CONJUNÇÃO
XC 90 noventa nonagésimo
avos
C 100 cem centésimo centésimo Conjunção é a palavra que une duas ou mais orações.
CC 200 duzentos ducentésimo ducentésimo
CCC 300 trezentos trecentésimo trecentésimo Coniunções Coordenativas
quatrocen- quadringen- quadringen- 1) ADITIVAS: e, nem, também, mas, também, etc.
CD 400
tos tésimo tésimo 2) ADVERSATIVAS: mas, porém, contudo, todavia, entretanto,
quinhen- quingenté- quingenté- senão, no entanto, etc.
D 500
tos simo simo 3) ALTERNATIVAS: ou, ou.., ou, ora... ora, já... já, quer, quer,
sexcentési- sexcentési- etc.
DC 600 seiscentos
mo mo 4) CONCLUSIVAS. logo, pois, portanto, por conseguinte, por
setecen- septingenté- septingenté- consequência.
DCC 700 5) EXPLICATIVAS: isto é, por exemplo, a saber, que, porque,
tos simo simo
octingenté- octingenté- pois, etc.
DCCC 800 oitocentos
simo simo
novecen- nongentési- nongentési- Conjunções Subordinativas
CM 900 1) CONDICIONAIS: se, caso, salvo se, contanto que, uma vez que, etc.
tos mo mo
M 1000 mil milésimo milésimo 2) CAUSAIS: porque, já que, visto que, que, pois, porquanto, etc.
3) COMPARATIVAS: como, assim como, tal qual, tal como, mais que, etc.
Emprego do Numeral 4) CONFORMATIVAS: segundo, conforme, consoante, como, etc.
Na sucessão de papas, reis, príncipes, anos, séculos, capítulos, etc. 5) CONCESSIVAS: embora, ainda que, mesmo que, posto que, se bem que,
empregam-se de 1 a 10 os ordinais. etc.
João Paulo I I (segundo) ano lll (ano terceiro) 6) INTEGRANTES: que, se, etc.
Luis X (décimo) ano I (primeiro) 7) FINAIS: para que, a fim de que, que, etc.
Pio lX (nono) século lV (quarto) 8) CONSECUTIVAS: tal... qual, tão... que, tamanho... que, de sorte que, de
forma que, de modo que, etc.
De 11 em diante, empregam-se os cardinais: 9) PROPORCIONAIS: à proporção que, à medida que, quanto... tanto mais,
Leão Xlll (treze) ano Xl (onze) etc.
Pio Xll (doze) século XVI (dezesseis) 10) TEMPORAIS: quando, enquanto, logo que, depois que, etc.
Luis XV (quinze) capitulo XX (vinte)
VALOR LÓGICO E SINTÁTICO DAS CONJUNÇÕES
Se o numeral aparece antes, é lido como ordinal.
XX Salão do Automóvel (vigésimo) Examinemos estes exemplos:
VI Festival da Canção (sexto) 1º) Tristeza e alegria não moram juntas.
lV Bienal do Livro (quarta) 2º) Os livros ensinam e divertem.
XVI capítulo da telenovela (décimo sexto) 3º) Saímos de casa quando amanhecia.

Quando se trata do primeiro dia do mês, deve-se dar preferência ao No primeiro exemplo, a palavra E liga duas palavras da mesma oração: é
emprego do ordinal. uma conjunção.
Hoje é primeiro de setembro
Não é aconselhável iniciar período com algarismos No segundo a terceiro exemplos, as palavras E e QUANDO estão ligando
16 anos tinha Patrícia = Dezesseis anos tinha Patrícia orações: são também conjunções.

A título de brevidade, usamos constantemente os cardinais pelos ordi- Conjunção é uma palavra invariável que liga orações ou palavras da
nais. Ex.: casa vinte e um (= a vigésima primeira casa), página trinta e dois mesma oração.
(= a trigésima segunda página). Os cardinais um e dois não variam nesse
caso porque está subentendida a palavra número. Casa número vinte e um, No 2º exemplo, a conjunção liga as orações sem fazer que uma dependa
página número trinta e dois. Por isso, deve-se dizer e escrever também: a da outra, sem que a segunda complete o sentido da primeira: por isso, a
folha vinte e um, a folha trinta e dois. Na linguagem forense, vemos o conjunção E é coordenativa.
numeral flexionado: a folhas vinte e uma a folhas trinta e duas.
No 3º exemplo, a conjunção liga duas orações que se completam uma à
ARTIGO outra e faz com que a segunda dependa da primeira: por isso, a conjunção
QUANDO é subordinativa.
Artigo é uma palavra que antepomos aos substantivos para determiná-
los. Indica-lhes, ao mesmo tempo, o gênero e o número. As conjunções, portanto, dividem-se em coordenativas e subordinativas.

Dividem-se em CONJUNÇÕES COORDENATIVAS


• definidos: O, A, OS, AS As conjunções coordenativas podem ser:
• indefinidos: UM, UMA, UNS, UMAS. 1) Aditivas, que dão ideia de adição, acrescentamento: e, nem, mas
Os definidos determinam os substantivos de modo preciso, particular. também, mas ainda, senão também, como também, bem como.
Viajei com o médico. (Um médico referido, conhecido, determinado). O agricultor colheu o trigo e o vendeu.
Não aprovo nem permitirei essas coisas.
Os indefinidos determinam os substantivos de modo vago, impreciso, Os livros não só instruem mas também divertem.
geral. As abelhas não apenas produzem mel e cera mas ainda polinizam
Viajei com um médico. (Um médico não referido, desconhecido, inde- as flores.
terminado).
2) Adversativas, que exprimem oposição, contraste, ressalva, com-
lsoladamente, os artigos são palavras de todo vazias de sentido. pensação: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, sendo, ao
passo que, antes (= pelo contrário), no entanto, não obstante, ape-
sar disso, em todo caso.
Querem ter dinheiro, mas não trabalham.
Ela não era bonita, contudo cativava pela simpatia.
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Não vemos a planta crescer, no entanto, ela cresce. Beba, nem que seja um pouco.
A culpa não a atribuo a vós, senão a ele. Dez minutos que fossem, para mim, seria muito tempo.
O professor não proíbe, antes estimula as perguntas em aula. Fez tudo direito, sem que eu lhe ensinasse.
O exército do rei parecia invencível, não obstante, foi derrotado. Em que pese à autoridade deste cientista, não podemos aceitar suas
Você já sabe bastante, porém deve estudar mais. afirmações.
Eu sou pobre, ao passo que ele é rico. Não sei dirigir, e, dado que soubesse, não dirigiria de noite.
Hoje não atendo, em todo caso, entre.
4) Condicionais: se, caso, contanto que, desde que, salvo se, sem que
3) Alternativas, que exprimem alternativa, alternância ou, ou ... ou, (= se não), a não ser que, a menos que, dado que.
ora ... ora, já ... já, quer ... quer, etc. Ficaremos sentidos, se você não vier.
Os sequestradores deviam render-se ou seriam mortos. Comprarei o quadro, desde que não seja caro.
Ou você estuda ou arruma um emprego. Não sairás daqui sem que antes me confesses tudo.
Ora triste, ora alegre, a vida segue o seu ritmo. "Eleutério decidiu logo dormir repimpadamente sobre a areia, a menos
Quer reagisse, quer se calasse, sempre acabava apanhando. que os mosquitos se opusessem."
"Já chora, já se ri, já se enfurece." (Ferreira de Castro)
(Luís de Camões)
5) Conformativas: como, conforme, segundo, consoante. As coisas não
4) Conclusivas, que iniciam uma conclusão: logo, portanto, por con- são como (ou conforme) dizem.
seguinte, pois (posposto ao verbo), por isso. "Digo essas coisas por alto, segundo as ouvi narrar."
As árvores balançam, logo está ventando. (Machado de Assis)
Você é o proprietário do carro, portanto é o responsável.
O mal é irremediável; deves, pois, conformar-te. 6) Consecutivas: que (precedido dos termos intensivos tal, tão, tanto,
tamanho, às vezes subentendidos), de sorte que, de modo que, de
5) Explicativas, que precedem uma explicação, um motivo: que, por- forma que, de maneira que, sem que, que (não).
que, porquanto, pois (anteposto ao verbo). Minha mão tremia tanto que mal podia escrever.
Não solte balões, que (ou porque, ou pois, ou porquanto) podem Falou com uma calma que todos ficaram atônitos.
causar incêndios. Ontem estive doente, de sorte que (ou de modo que) não saí.
Choveu durante a noite, porque as ruas estão molhadas. Não podem ver um cachorro na rua sem que o persigam.
Não podem ver um brinquedo que não o queiram comprar.
Observação: A conjunção A pode apresentar-se com sentido adversa-
tivo: 7) Finais: para que, a fim de que, que (= para que).
Sofrem duras privações a [= mas] não se queixam. Afastou-se depressa para que não o víssemos.
"Quis dizer mais alguma coisa a não pôde." Falei-lhe com bons termos, a fim de que não se ofendesse.
(Jorge Amado) Fiz-lhe sinal que se calasse.

Conjunções subordinativas 8) Proporcionais: à proporção que, à medida que, ao passo que, quanto
As conjunções subordinativas ligam duas orações, subordinando uma à mais... (tanto mais), quanto mais... (tanto menos), quanto menos... (tan-
outra. Com exceção das integrantes, essas conjunções iniciam orações que to mais), quanto mais... (mais), (tanto)... quanto.
traduzem circunstâncias (causa, comparação, concessão, condição ou À medida que se vive, mais se aprende.
hipótese, conformidade, consequência, finalidade, proporção, tempo). À proporção que subíamos, o ar ia ficando mais leve.
Abrangem as seguintes classes: Quanto mais as cidades crescem, mais problemas vão tendo.
1) Causais: porque, que, pois, como, porquanto, visto que, visto como, já Os soldados respondiam, à medida que eram chamados.
que, uma vez que, desde que.
O tambor soa porque é oco. (porque é oco: causa; o tambor soa: Observação:
efeito). São incorretas as locuções proporcionais à medida em que, na medida
Como estivesse de luto, não nos recebeu. que e na medida em que. A forma correta é à medida que:
Desde que é impossível, não insistirei. "À medida que os anos passam, as minhas possibilidades diminuem."
(Maria José de Queirós)
2) Comparativas: como, (tal) qual, tal a qual, assim como, (tal) como, (tão 9) Temporais: quando, enquanto, logo que, mal (= logo que), sempre
ou tanto) como, (mais) que ou do que, (menos) que ou do que, (tanto) que, assim que, desde que, antes que, depois que, até que, agora que,
quanto, que nem, feito (= como, do mesmo modo que), o mesmo que etc.
(= como). Venha quando você quiser.
Ele era arrastado pela vida como uma folha pelo vento. Não fale enquanto come.
O exército avançava pela planície qual uma serpente imensa. Ela me reconheceu, mal lhe dirigi a palavra.
"Os cães, tal qual os homens, podem participar das três categorias." Desde que o mundo existe, sempre houve guerras.
(Paulo Mendes Campos) Agora que o tempo esquentou, podemos ir à praia.
"Sou o mesmo que um cisco em minha própria casa." "Ninguém o arredava dali, até que eu voltasse." (Carlos Povina Caval-
(Antônio Olavo Pereira) cânti)
"E pia tal a qual a caça procurada."
(Amadeu de Queirós) 10) Integrantes: que, se.
"Por que ficou me olhando assim feito boba?" Sabemos que a vida é breve.
(Carlos Drummond de Andrade) Veja se falta alguma coisa.
Os pedestres se cruzavam pelas ruas que nem formigas apressadas.
Nada nos anima tanto como (ou quanto) um elogio sincero. Observação:
Os governantes realizam menos do que prometem. Em frases como Sairás sem que te vejam, Morreu sem que ninguém o
chorasse, consideramos sem que conjunção subordinativa modal. A NGB,
3) Concessivas: embora, conquanto, que, ainda que, mesmo que, ainda porém, não consigna esta espécie de conjunção.
quando, mesmo quando, posto que, por mais que, por muito que, por Locuções conjuntivas: no entanto, visto que, desde que, se bem que,
menos que, se bem que, em que (pese), nem que, dado que, sem que por mais que, ainda quando, à medida que, logo que, a rim de que, etc.
(= embora não). Muitas conjunções não têm classificação única, imutável, devendo, por-
Célia vestia-se bem, embora fosse pobre. tanto, ser classificadas de acordo com o sentido que apresentam no contex-
A vida tem um sentido, por mais absurda que possa parecer. to.

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Assim, a conjunção que pode ser: LOCUÇÃO INTERJETIVA é a conjunto de palavras que têm o mesmo
1) Aditiva (= e): valor de uma interjeição.
Esfrega que esfrega, mas a nódoa não sai. Minha Nossa Senhora! Puxa vida! Deus me livre! Raios te partam!
A nós que não a eles, compete fazê-lo. Meu Deus! Que maravilha! Ora bolas! Ai de mim!
2) Explicativa (= pois, porque):
Apressemo-nos, que chove.
3) Integrante: SINTAXE DA ORAÇÃO E DO PERÍODO;
Diga-lhe que não irei.
4) Consecutiva:
No período simples há apenas uma oração, a qual se diz absoluta.
Tanto se esforçou que conseguiu vencer.
Fui ao cinema.
Não vão a uma festa que não voltem cansados.
O pássaro voou.
Onde estavas, que não te vi?
5) Comparativa (= do que, como): PERÍODO COMPOSTO
A luz é mais veloz que o som. No período composto há mais de uma oração.
Ficou vermelho que nem brasa. (Não sabem) (que nos calores do verão a terra dorme) (e os homens
6) Concessiva (= embora, ainda que): folgam.)
Alguns minutos que fossem, ainda assim seria muito tempo.
Beba, um pouco que seja. Período composto por coordenação
7) Temporal (= depois que, logo que): Apresenta orações independentes.
Chegados que fomos, dirigimo-nos ao hotel. (Fui à cidade), (comprei alguns remédios) (e voltei cedo.)
8) Final (= pare que):
Vendo-me à janela, fez sinal que descesse. Período composto por subordinação
Apresenta orações dependentes.
9) Causal (= porque, visto que): (É bom) (que você estude.)
"Velho que sou, apenas conheço as flores do meu tempo." (Vivaldo
Coaraci) Período composto por coordenação e subordinação
A locução conjuntiva sem que, pode ser, conforme a frase: Apresenta tanto orações dependentes como independentes. Este período é
1) Concessiva: Nós lhe dávamos roupa a comida, sem que ele pe- também conhecido como misto.
disse. (sem que = embora não) (Ele disse) (que viria logo,) (mas não pôde.)
2) Condicional: Ninguém será bom cientista, sem que estude muito.
(sem que = se não,caso não) ORAÇÃO COORDENADA
3) Consecutiva: Não vão a uma festa sem que voltem cansados. Oração coordenada é aquela que é independente.
(sem que = que não)
4) Modal: Sairás sem que te vejam. (sem que = de modo que não) As orações coordenadas podem ser:
- Sindética:
Conjunção é a palavra que une duas ou mais orações. Aquela que é independente e é introduzida por uma conjunção
coordenativa.
PREPOSIÇÃO Viajo amanhã, mas volto logo.

- Assindética:
Preposições são palavras que estabelecem um vínculo entre dois ter-
Aquela que é independente e aparece separada por uma vírgula ou ponto e
mos de uma oração. O primeiro, um subordinante ou antecedente, e o
vírgula.
segundo, um subordinado ou consequente.
Chegou, olhou, partiu.
Exemplos:
A oração coordenada sindética pode ser:
Chegaram a Porto Alegre.
Discorda de você.
1. ADITIVA:
Fui até a esquina.
Expressa adição, sequência de pensamento. (e, nem = e não), mas,
Casa de Paulo.
também:
Ele falava E EU FICAVA OUVINDO.
Preposições Essenciais e Acidentais
Meus atiradores nem fumam NEM BEBEM.
As preposições essenciais são: A, ANTE, APÓS, ATÉ, COM, CONTRA,
A doença vem a cavalo E VOLTA A PÉ.
DE, DESDE, EM, ENTRE, PARA, PERANTE, POR, SEM, SOB, SOBRE e
ATRÁS.
2. ADVERSATIVA:
Ligam orações, dando-lhes uma ideia de compensação ou de contraste
Certas palavras ora aparecem como preposições, ora pertencem a ou-
(mas, porém, contudo, todavia, entretanto, senão, no entanto, etc).
tras classes, sendo chamadas, por isso, de preposições acidentais: afora,
A espada vence MAS NÃO CONVENCE.
conforme, consoante, durante, exceto, fora, mediante, não obstante, salvo,
O tambor faz um grande barulho, MAS É VAZIO POR DENTRO.
segundo, senão, tirante, visto, etc.
Apressou-se, CONTUDO NÃO CHEGOU A TEMPO.
INTERJEIÇÃO 3. ALTERNATIVAS:
Ligam palavras ou orações de sentido separado, uma excluindo a outra (ou,
Interjeição é a palavra que comunica emoção. As interjeições podem ou...ou, já...já, ora...ora, quer...quer, etc).
ser: Mudou o natal OU MUDEI EU?
- alegria: ahl oh! oba! eh! “OU SE CALÇA A LUVA e não se põe o anel,
- animação: coragem! avante! eia! OU SE PÕE O ANEL e não se calça a luva!”
- admiração: puxa! ih! oh! nossa! (C. Meireles)
- aplauso: bravo! viva! bis!
- desejo: tomara! oxalá! 4. CONCLUSIVAS:
- dor: aí! ui! Ligam uma oração a outra que exprime conclusão (LOGO, POIS,
- silêncio: psiu! silêncio! PORTANTO, POR CONSEGUINTE, POR ISTO, ASSIM, DE MODO
- suspensão: alto! basta! QUE, etc).
Ele está mal de notas; LOGO, SERÁ REPROVADO.
Vives mentindo; LOGO, NÃO MERECES FÉ.

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5. EXPLICATIVAS: 2) RESTRITIVAS:
Ligam a uma oração, geralmente com o verbo no imperativo, outro que a Restringem ou limitam a significação do termo antecedente, sendo
explica, dando um motivo (pois, porque, portanto, que, etc.) indispensáveis ao sentido da frase:
Alegra-te, POIS A QUI ESTOU. Não mintas, PORQUE É PIOR. Pedra QUE ROLA não cria limo.
Anda depressa, QUE A PROVA É ÀS 8 HORAS. As pessoas A QUE A GENTE SE DIRIGE sorriem.
Ele, QUE SEMPRE NOS INCENTIVOU, não está mais aqui.
ORAÇÃO INTERCALADA OU INTERFERENTE
É aquela que vem entre os termos de uma outra oração. ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS
O réu, DISSERAM OS JORNAIS, foi absolvido.
Oração subordinada adverbial é aquela que tem o valor e a função de um
A oração intercalada ou interferente aparece com os verbos: CONTINUAR,
advérbio.
DIZER, EXCLAMAR, FALAR etc.
As orações subordinadas adverbiais classificam-se em:
ORAÇÃO PRINCIPAL 1) CAUSAIS: exprimem causa, motivo, razão:
Oração principal é a mais importante do período e não é introduzida por um Desprezam-me, POR ISSO QUE SOU POBRE.
conectivo. O tambor soa PORQUE É OCO.
ELES DISSERAM que voltarão logo.
ELE AFIRMOU que não virá. 2) COMPARATIVAS: representam o segundo termo de uma comparação.
PEDI que tivessem calma. (= Pedi calma) O som é menos veloz QUE A LUZ.
Parou perplexo COMO SE ESPERASSE UM GUIA.
ORAÇÃO SUBORDINADA 3) CONCESSIVAS: exprimem um fato que se concede, que se admite:
Oração subordinada é a oração dependente que normalmente é introduzida POR MAIS QUE GRITASSE, não me ouviram.
por um conectivo subordinativo. Note que a oração principal nem Os louvores, PEQUENOS QUE SEJAM, são ouvidos com agrado.
sempre é a primeira do período. CHOVESSE OU FIZESSE SOL, o Major não faltava.
Quando ele voltar, eu saio de férias.
Oração principal: EU SAIO DE FÉRIAS 4) CONDICIONAIS: exprimem condição, hipótese:
Oração subordinada: QUANDO ELE VOLTAR SE O CONHECESSES, não o condenarias.
Que diria o pai SE SOUBESSE DISSO?
ORAÇÃO SUBORDINADA SUBSTANTIVA
Oração subordinada substantiva é aquela que tem o valor e a função de um 5) CONFORMATIVAS: exprimem acordo ou conformidade de um fato com
substantivo. outro:
Por terem as funções do substantivo, as orações subordinadas substantivas Fiz tudo COMO ME DISSERAM.
classificam-se em: Vim hoje, CONFORME LHE PROMETI.
1) SUBJETIVA (sujeito)
Convém que você estude mais. 6) CONSECUTIVAS: exprimem uma consequência, um resultado:
Importa que saibas isso bem. . A fumaça era tanta QUE EU MAL PODIA ABRIR OS OLHOS.
É necessário que você colabore. (SUA COLABORAÇÃO) é necessária. Bebia QUE ERA UMA LÁSTIMA!
Tenho medo disso QUE ME PÉLO!
2) OBJETIVA DIRETA (objeto direto)
Desejo QUE VENHAM TODOS. 7) FINAIS: exprimem finalidade, objeto:
Pergunto QUEM ESTÁ AI. Fiz-lhe sinal QUE SE CALASSE.
Aproximei-me A FIM DE QUE ME OUVISSE MELHOR.
3) OBJETIVA INDIRETA (objeto indireto)
Aconselho-o A QUE TRABALHE MAIS.
8) PROPORCIONAIS: denotam proporcionalidade:
Tudo dependerá DE QUE SEJAS CONSTANTE.
À MEDIDA QUE SE VIVE, mais se aprende.
Daremos o prêmio A QUEM O MERECER.
QUANTO MAIOR FOR A ALTURA, maior será o tombo.
4) COMPLETIVA NOMINAL
Complemento nominal. 9) TEMPORAIS: indicam o tempo em que se realiza o fato expresso na
Ser grato A QUEM TE ENSINA. oração principal:
Sou favorável A QUE O PRENDAM. ENQUANTO FOI RICO todos o procuravam.
QUANDO OS TIRANOS CAEM, os povos se levantam.
5) PREDICATIVA (predicativo)
Seu receio era QUE CHOVESSE. = Seu receio era (A CHUVA) 10) MODAIS: exprimem modo, maneira:
Minha esperança era QUE ELE DESISTISSE. Entrou na sala SEM QUE NOS CUMPRIMENTASSE.
Não sou QUEM VOCÊ PENSA. Aqui viverás em paz, SEM QUE NINGUÉM TE INCOMODE.

6) APOSITIVAS (servem de aposto) ORAÇÕES REDUZIDAS


Só desejo uma coisa: QUE VIVAM FELIZES = (A SUA FELICIDADE) Oração reduzida é aquela que tem o verbo numa das formas nominais:
Só lhe peço isto: HONRE O NOSSO NOME. gerúndio, infinitivo e particípio.
Exemplos:
7) AGENTE DA PASSIVA
• Penso ESTAR PREPARADO = Penso QUE ESTOU PREPARADO.
O quadro foi comprado POR QUEM O FEZ = (PELO SEU AUTOR)
• Dizem TER ESTADO LÁ = Dizem QUE ESTIVERAM LÁ.
A obra foi apreciada POR QUANTOS A VIRAM.
• FAZENDO ASSIM, conseguirás = SE FIZERES ASSIM, conseguirás.
• É bom FICARMOS ATENTOS. = É bom QUE FIQUEMOS
ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS ATENTOS.
Oração subordinada adjetiva é aquela que tem o valor e a função de um • AO SABER DISSO, entristeceu-se = QUANDO SOUBE DISSO,
adjetivo. entristeceu-se.
Há dois tipos de orações subordinadas adjetivas: • É interesse ESTUDARES MAIS.= É interessante QUE ESTUDES
1) EXPLICATIVAS: MAIS.
Explicam ou esclarecem, à maneira de aposto, o termo antecedente, • SAINDO DAQUI, procure-me. = QUANDO SAIR DAQUI, procure-me.
atribuindo-lhe uma qualidade que lhe é inerente ou acrescentando-
lhe uma informação.
Deus, QUE É NOSSO PAI, nos salvará.
Ele, QUE NASCEU RICO, acabou na miséria.

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PONTUAÇÃO • Para explicar ou desenvolver melhor uma palavra ou expressão
anterior:
Pontuação é o conjunto de sinais gráficos que indica na escrita as
Desastre em Roma: dois trens colidiram frontalmente.
pausas da linguagem oral.
• Enumeração após os apostos:
Como três tipos de alimento: vegetais, carnes e amido.
PONTO
O ponto é empregado em geral para indicar o final de uma frase declarati-
TRAVESSÃO
va. Ao término de um texto, o ponto é conhecido como final. Nos ca-
Marca, nos diálogos, a mudança de interlocutor, ou serve para isolar pala-
sos comuns ele é chamado de simples.
vras ou frases
Também é usado nas abreviaturas: Sr. (Senhor), d.C. (depois de Cristo),
– "Quais são os símbolos da pátria?
a.C. (antes de Cristo), E.V. (Érico Veríssimo).
– Que pátria?
– Da nossa pátria, ora bolas!" (P. M Campos).
PONTO DE INTERROGAÇÃO
– "Mesmo com o tempo revoltoso - chovia, parava, chovia, parava
É usado para indicar pergunta direta.
outra vez.
Onde está seu irmão?
– a claridade devia ser suficiente p'ra mulher ter avistado mais alguma
coisa". (M. Palmério).
Às vezes, pode combinar-se com o ponto de exclamação.
• Usa-se para separar orações do tipo:
A mim ?! Que ideia!
– Avante!- Gritou o general.
– A lua foi alcançada, afinal - cantava o poeta.
PONTO DE EXCLAMAÇÃO
É usado depois das interjeições, locuções ou frases exclamativas.
Usa-se também para ligar palavras ou grupo de palavras que formam uma
Céus! Que injustiça! Oh! Meus amores! Que bela vitória!
cadeia de frase:
Ó jovens! Lutemos!
• A estrada de ferro Santos – Jundiaí.
• A ponte Rio – Niterói.
VÍRGULA
• A linha aérea São Paulo – Porto Alegre.
A vírgula deve ser empregada toda vez que houver uma pequena pausa na
fala. Emprega-se a vírgula:
ASPAS
• Nas datas e nos endereços:
São usadas para:
São Paulo, 17 de setembro de 1989.
• Indicar citações textuais de outra autoria.
Largo do Paissandu, 128.
"A bomba não tem endereço certo." (G. Meireles)
• No vocativo e no aposto:
• Para indicar palavras ou expressões alheias ao idioma em que se
Meninos, prestem atenção!
expressa o autor: estrangeirismo, gírias, arcaismo, formas populares:
Termópilas, o meu amigo, é escritor.
Há quem goste de “jazz-band”.
• Nos termos independentes entre si:
Não achei nada "legal" aquela aula de inglês.
O cinema, o teatro, a praia e a música são as suas diversões.
• Para enfatizar palavras ou expressões:
• Com certas expressões explicativas como: isto é, por exemplo. Neste
Apesar de todo esforço, achei-a “irreconhecível" naquela noite.
caso é usado o duplo emprego da vírgula:
• Títulos de obras literárias ou artísticas, jornais, revistas, etc.
Ontem teve início a maior festa da minha cidade, isto é, a festa da padroei-
"Fogo Morto" é uma obra-prima do regionalismo brasileiro.
ra.
• Em casos de ironia:
• Após alguns adjuntos adverbiais:
A "inteligência" dela me sensibiliza profundamente.
No dia seguinte, viajamos para o litoral.
Veja como ele é “educado" - cuspiu no chão.
• Com certas conjunções. Neste caso também é usado o duplo em-
prego da vírgula:
PARÊNTESES
Isso, entretanto, não foi suficiente para agradar o diretor.
Empregamos os parênteses:
• Após a primeira parte de um provérbio.
• Nas indicações bibliográficas.
O que os olhos não vêem, o coração não sente.
"Sede assim qualquer coisa.
• Em alguns casos de termos oclusos:
serena, isenta, fiel".
Eu gostava de maçã, de pêra e de abacate.
(Meireles, Cecília, "Flor de Poemas").
• Nas indicações cênicas dos textos teatrais:
RETICÊNCIAS
"Mãos ao alto! (João automaticamente levanta as mãos, com os olhos fora
• São usadas para indicar suspensão ou interrupção do pensamento.
das órbitas. Amália se volta)".
Não me disseste que era teu pai que ...
(G. Figueiredo)
• Para realçar uma palavra ou expressão.
• Quando se intercala num texto uma ideia ou indicação acessória:
Hoje em dia, mulher casa com "pão" e passa fome...
"E a jovem (ela tem dezenove anos) poderia mordê-Io, morrendo de fome."
• Para indicar ironia, malícia ou qualquer outro sentimento.
(C. Lispector)
Aqui jaz minha mulher. Agora ela repousa, e eu também...
• Para isolar orações intercaladas:
"Estou certo que eu (se lhe ponho
PONTO E VÍRGULA
Minha mão na testa alçada)
• Separar orações coordenadas de certa extensão ou que mantém
Sou eu para ela."
alguma simetria entre si.
(M. Bandeira)
"Depois, lracema quebrou a flecha homicida; deu a haste ao desconhecido,
guardando consigo a ponta farpada. "
COLCHETES [ ]
• Para separar orações coordenadas já marcadas por vírgula ou no
Os colchetes são muito empregados na linguagem científica.
seu interior.
Eu, apressadamente, queria chamar Socorro; o motorista, porém, mais
ASTERISCO
calmo, resolveu o problema sozinho.
O asterisco é muito empregado para chamar a atenção do leitor para algu-
ma nota (observação).
DOIS PONTOS
• Enunciar a fala dos personagens:
BARRA
Ele retrucou: Não vês por onde pisas?
A barra é muito empregada nas abreviações das datas e em algumas
• Para indicar uma citação alheia:
abreviaturas.
Ouvia-se, no meio da confusão, a voz da central de informações de passa-
geiros do voo das nove: “queiram dirigir-se ao portão de embarque".
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ESTUDO DA CRASE; NÃO OCORRE CRASE
• antes de nomes masculinos:
Crase é a fusão da preposição A com outro A. Andei a pé.
Fomos a a feira ontem = Fomos à feira ontem. Andamos a cavalo.
• antes de verbos:
EMPREGO DA CRASE Ela começa a chorar.
• em locuções adverbiais: Cheguei a escrever um poema.
à vezes, às pressas, à toa... • em expressões formadas por palavras repetidas:
• em locuções prepositivas: Estamos cara a cara.
em frente à, à procura de... • antes de pronomes de tratamento, exceto senhora, senhorita e dona:
• em locuções conjuntivas: Dirigiu-se a V. Sa com aspereza.
à medida que, à proporção que... Escrevi a Vossa Excelência.
• pronomes demonstrativos: aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo, a, Dirigiu-se gentilmente à senhora.
as • quando um A (sem o S de plural) preceder um nome plural:
Fui ontem àquele restaurante. Não falo a pessoas estranhas.
Falamos apenas àquelas pessoas que estavam no salão: Jamais vamos a festas.
Refiro-me àquilo e não a isto.

A CRASE É FACULTATIVA CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL;


• diante de pronomes possessivos femininos:
Entreguei o livro a(à) sua secretária . CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL
• diante de substantivos próprios femininos: Concordância é o processo sintático no qual uma palavra determinante se
Dei o livro à(a) Sônia. adapta a uma palavra determinada, por meio de suas flexões.

CASOS ESPECIAIS DO USO DA CRASE Principais Casos de Concordância Nominal


• Antes dos nomes de localidades, quando tais nomes admitirem o artigo 1) O artigo, o adjetivo, o pronome relativo e o numeral concordam em
A: Viajaremos à Colômbia. gênero e número com o substantivo.
(Observe: A Colômbia é bela - Venho da Colômbia) As primeiras alunas da classe foram passear no zoológico.
• Nem todos os nomes de localidades aceitam o artigo: Curitiba, Brasília, 2) O adjetivo ligado a substantivos do mesmo gênero e número vão
Fortaleza, Goiás, Ilhéus, Pelotas, Porto Alegre, São Paulo, Madri, normalmente para o plural.
Veneza, etc. Pai e filho estudiosos ganharam o prêmio.
Viajaremos a Curitiba.
(Observe: Curitiba é uma bela cidade - Venho de Curitiba). 3) O adjetivo ligado a substantivos de gêneros e número diferentes vai
• Haverá crase se o substantivo vier acompanhado de adjunto que o para o masculino plural.
modifique. Alunos e alunas estudiosos ganharam vários prêmios.
Ela se referiu à saudosa Lisboa. 4) O adjetivo posposto concorda em gênero com o substantivo mais
Vou à Curitiba dos meus sonhos. próximo:
• Antes de numeral, seguido da palavra "hora", mesmo subentendida: Trouxe livros e revista especializada.
Às 8 e 15 o despertador soou. 5) O adjetivo anteposto pode concordar com o substantivo mais próxi-
• Antes de substantivo, quando se puder subentender as palavras “mo- mo.
da” ou "maneira": Dedico esta música à querida tia e sobrinhos.
Aos domingos, trajava-se à inglesa.
6) O adjetivo que funciona como predicativo do sujeito concorda com o
Cortavam-se os cabelos à Príncipe Danilo.
sujeito.
• Antes da palavra casa, se estiver determinada:
Meus amigos estão atrapalhados.
Referia-se à Casa Gebara.
• Não há crase quando a palavra "casa" se refere ao próprio lar. 7) O pronome de tratamento que funciona como sujeito pede o predica-
Não tive tempo de ir a casa apanhar os papéis. (Venho de casa). tivo no gênero da pessoa a quem se refere.
• Antes da palavra "terra", se esta não for antônima de bordo. Sua excelência, o Governador, foi compreensivo.
Voltou à terra onde nascera. 8) Os substantivos acompanhados de numerais precedidos de artigo
Chegamos à terra dos nossos ancestrais. vão para o singular ou para o plural.
Mas: Já estudei o primeiro e o segundo livro (livros).
Os marinheiros vieram a terra. 9) Os substantivos acompanhados de numerais em que o primeiro vier
O comandante desceu a terra. precedido de artigo e o segundo não vão para o plural.
• Se a preposição ATÉ vier seguida de palavra feminina que aceite o Já estudei o primeiro e segundo livros.
artigo, poderá ou não ocorrer a crase, indiferentemente:
Vou até a (á ) chácara. 10) O substantivo anteposto aos numerais vai para o plural.
Cheguei até a(à) muralha Já li os capítulos primeiro e segundo do novo livro.
• A QUE - À QUE 11) As palavras: MESMO, PRÓPRIO e SÓ concordam com o nome a
Se, com antecedente masculino ocorrer AO QUE, com o feminino que se referem.
ocorrerá crase: Ela mesma veio até aqui.
Houve um palpite anterior ao que você deu. Eles chegaram sós.
Houve uma sugestão anterior à que você deu. Eles próprios escreveram.
Se, com antecedente masculino, ocorrer A QUE, com o feminino não 12) A palavra OBRIGADO concorda com o nome a que se refere.
ocorrerá crase. Muito obrigado. (masculino singular)
Não gostei do filme a que você se referia. Muito obrigada. (feminino singular).
Não gostei da peça a que você se referia.
13) A palavra MEIO concorda com o substantivo quando é adjetivo e fica
O mesmo fenômeno de crase (preposição A) - pronome demonstrativo
invariável quando é advérbio.
A que ocorre antes do QUE (pronome relativo), pode ocorrer antes
Quero meio quilo de café.
do de:
Minha mãe está meio exausta.
Meu palpite é igual ao de todos
É meio-dia e meia. (hora)
Minha opinião é igual à de todos.

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14) As palavras ANEXO, INCLUSO e JUNTO concordam com o substan- Fui eu que fiz a lição
tivo a que se referem. Quando a LIÇÃO é pronome relativo, há várias construções possí-
Trouxe anexas as fotografias que você me pediu. veis.
A expressão em anexo é invariável. • que: Fui eu que fiz a lição.
Trouxe em anexo estas fotos. • quem: Fui eu quem fez a lição.
15) Os adjetivos ALTO, BARATO, CONFUSO, FALSO, etc, que substitu- • o que: Fui eu o que fez a lição.
em advérbios em MENTE, permanecem invariáveis. 14) Verbos impessoais - como não possuem sujeito, deixam o verbo na
Vocês falaram alto demais. terceira pessoa do singular. Acompanhados de auxiliar, transmitem a
O combustível custava barato. este sua impessoalidade.
Você leu confuso. Chove a cântaros. Ventou muito ontem.
Ela jura falso. Deve haver muitas pessoas na fila. Pode haver brigas e discussões.
16) CARO, BASTANTE, LONGE, se advérbios, não variam, se adjetivos, CONCORDÂNCIA DOS VERBOS SER E PARECER
sofrem variação normalmente. 1) Nos predicados nominais, com o sujeito representado por um dos
Esses pneus custam caro. pronomes TUDO, NADA, ISTO, ISSO, AQUILO, os verbos SER e
Conversei bastante com eles. PARECER concordam com o predicativo.
Conversei com bastantes pessoas. Tudo são esperanças.
Estas crianças moram longe. Aquilo parecem ilusões.
Conheci longes terras. Aquilo é ilusão.
2) Nas orações iniciadas por pronomes interrogativos, o verbo SER con-
CONCORDÂNCIA VERBAL corda sempre com o nome ou pronome que vier depois.
CASOS GERAIS Que são florestas equatoriais?
1) O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa. Quem eram aqueles homens?
O menino chegou. Os meninos chegaram.
2) Sujeito representado por nome coletivo deixa o verbo no singular. 3) Nas indicações de horas, datas, distâncias, a concordância se fará com
O pessoal ainda não chegou. a expressão numérica.
A turma não gostou disso. São oito horas.
Um bando de pássaros pousou na árvore. Hoje são 19 de setembro.
3) Se o núcleo do sujeito é um nome terminado em S, o verbo só irá ao De Botafogo ao Leblon são oito quilômetros.
plural se tal núcleo vier acompanhado de artigo no plural.
Os Estados Unidos são um grande país. 4) Com o predicado nominal indicando suficiência ou falta, o verbo SER
Os Lusíadas imortalizaram Camões. fica no singular.
Os Alpes vivem cobertos de neve. Três batalhões é muito pouco.
Em qualquer outra circunstância, o verbo ficará no singular. Trinta milhões de dólares é muito dinheiro.
Flores já não leva acento.
O Amazonas deságua no Atlântico. 5) Quando o sujeito é pessoa, o verbo SER fica no singular.
Campos foi a primeira cidade na América do Sul a ter luz elétrica. Maria era as flores da casa.
4) Coletivos primitivos (indicam uma parte do todo) seguidos de nome O homem é cinzas.
no plural deixam o verbo no singular ou levam-no ao plural, indiferen-
temente. 6) Quando o sujeito é constituído de verbos no infinitivo, o verbo SER
A maioria das crianças recebeu, (ou receberam) prêmios. concorda com o predicativo.
A maior parte dos brasileiros votou (ou votaram). Dançar e cantar é a sua atividade.
5) O verbo transitivo direto ao lado do pronome SE concorda com o Estudar e trabalhar são as minhas atividades.
sujeito paciente.
Vende-se um apartamento. 7) Quando o sujeito ou o predicativo for pronome pessoal, o verbo SER
Vendem-se alguns apartamentos. concorda com o pronome.
6) O pronome SE como símbolo de indeterminação do sujeito leva o A ciência, mestres, sois vós.
verbo para a 3ª pessoa do singular. Em minha turma, o líder sou eu.
Precisa-se de funcionários.
7) A expressão UM E OUTRO pede o substantivo que a acompanha no 8) Quando o verbo PARECER estiver seguido de outro verbo no infinitivo,
singular e o verbo no singular ou no plural. apenas um deles deve ser flexionado.
Um e outro texto me satisfaz. (ou satisfazem) Os meninos parecem gostar dos brinquedos.
8) A expressão UM DOS QUE pede o verbo no singular ou no plural. Os meninos parece gostarem dos brinquedos.
Ele é um dos autores que viajou (viajaram) para o Sul.
9) A expressão MAIS DE UM pede o verbo no singular.
Mais de um jurado fez justiça à minha música. REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL
10) As palavras: TUDO, NADA, ALGUÉM, ALGO, NINGUÉM, quando
empregadas como sujeito e derem ideia de síntese, pedem o verbo Regência é o processo sintático no qual um termo depende gramaticalmen-
no singular. te do outro.
As casas, as fábricas, as ruas, tudo parecia poluição. A regência nominal trata dos complementos dos nomes (substantivos e
11) Os verbos DAR, BATER e SOAR, indicando hora, acompanham o adjetivos).
sujeito. Exemplos:
Deu uma hora. - acesso: A = aproximação - AMOR: A, DE, PARA, PARA COM
Deram três horas. EM = promoção - aversão: A, EM, PARA, POR
Bateram cinco horas. PARA = passagem
Naquele relógio já soaram duas horas. A regência verbal trata dos complementos do verbo.
12) A partícula expletiva ou de realce É QUE é invariável e o verbo da
frase em que é empregada concorda normalmente com o sujeito. ALGUNS VERBOS E SUA REGÊNCIA CORRETA
Ela é que faz as bolas. 1. ASPIRAR - atrair para os pulmões (transitivo direto)
Eu é que escrevo os programas. • pretender (transitivo indireto)
13) O verbo concorda com o pronome antecedente quando o sujeito é No sítio, aspiro o ar puro da montanha.
um pronome relativo. Nossa equipe aspira ao troféu de campeã.
Ele, que chegou atrasado, fez a melhor prova.
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2. OBEDECER - transitivo indireto • agradecer - Agradeço as graças a Deus.
Devemos obedecer aos sinais de trânsito. • pedir - Pedi um favor ao colega.

3. PAGAR - transitivo direto e indireto 16. IMPLICAR - no sentido de acarretar, resultar, exige objeto direto:
Já paguei um jantar a você. O amor implica renúncia.
• no sentido de antipatizar, ter má vontade, constrói-se com a preposição
4. PERDOAR - transitivo direto e indireto. COM:
Já perdoei aos meus inimigos as ofensas. O professor implicava com os alunos
• no sentido de envolver-se, comprometer-se, constrói-se com a preposi-
5. PREFERIR - (= gostar mais de) transitivo direto e indireto ção EM:
Prefiro Comunicação à Matemática. Implicou-se na briga e saiu ferido

17. IR - quando indica tempo definido, determinado, requer a preposição A:


6. INFORMAR - transitivo direto e indireto.
Ele foi a São Paulo para resolver negócios.
Informei-lhe o problema.
quando indica tempo indefinido, indeterminado, requer PARA:
Depois de aposentado, irá definitivamente para o Mato Grosso.
7. ASSISTIR - morar, residir:
Assisto em Porto Alegre.
18. CUSTAR - Empregado com o sentido de ser difícil, não tem pessoa
• amparar, socorrer, objeto direto
como sujeito:
O médico assistiu o doente.
O sujeito será sempre "a coisa difícil", e ele só poderá aparecer na 3ª
• PRESENCIAR, ESTAR PRESENTE - objeto direto
pessoa do singular, acompanhada do pronome oblíquo. Quem sente
Assistimos a um belo espetáculo.
dificuldade, será objeto indireto.
• SER-LHE PERMITIDO - objeto indireto
Custou-me confiar nele novamente.
Assiste-lhe o direito.
Custar-te-á aceitá-la como nora.
8. ATENDER - dar atenção
Atendi ao pedido do aluno.
• CONSIDERAR, ACOLHER COM ATENÇÃO - objeto direto DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO; FIGURAS; SEMÂNTICA E
Atenderam o freguês com simpatia. ESTILÍSTICA.
9. QUERER - desejar, querer, possuir - objeto direto
Figuras de linguagem.
A moça queria um vestido novo.
• GOSTAR DE, ESTIMAR, PREZAR - objeto indireto
O professor queria muito a seus alunos. As figuras de linguagem são recursos que tornam mais expressi-
vas as mensagens. Subdividem-se em figuras de som, figuras de cons-
10. VISAR - almejar, desejar - objeto indireto trução, figuras de pensamento e figuras de palavras.
Todos visamos a um futuro melhor.
• APONTAR, MIRAR - objeto direto Figuras de som
O artilheiro visou a meta quando fez o gol. a) aliteração: consiste na repetição ordenada de mesmos sons con-
• pör o sinal de visto - objeto direto sonantais.
O gerente visou todos os cheques que entraram naquele dia. “Esperando, parada, pregada na pedra do porto.”

11. OBEDECER e DESOBEDECER - constrói-se com objeto indireto b) assonância: consiste na repetição ordenada de sons vocálicos
Devemos obedecer aos superiores. idênticos.
Desobedeceram às leis do trânsito. “Sou um mulato nato no sentido lato
mulato democrático do litoral.”
12. MORAR, RESIDIR, SITUAR-SE, ESTABELECER-SE
• exigem na sua regência a preposição EM c) paronomásia: consiste na aproximação de palavras de sons pare-
O armazém está situado na Farrapos. cidos, mas de significados distintos.
Ele estabeleceu-se na Avenida São João. “Eu que passo, penso e peço.”

13. PROCEDER - no sentido de "ter fundamento" é intransitivo. Figuras de construção


Essas tuas justificativas não procedem. a) elipse: consiste na omissão de um termo facilmente identificável
• no sentido de originar-se, descender, derivar, proceder, constrói-se pelo contexto.
com a preposição DE. “Na sala, apenas quatro ou cinco convidados.” (omissão de havia)
Algumas palavras da Língua Portuguesa procedem do tupi-guarani
• no sentido de dar início, realizar, é construído com a preposição A. b) zeugma: consiste na elipse de um termo que já apareceu antes.
O secretário procedeu à leitura da carta. Ele prefere cinema; eu, teatro. (omissão de prefiro)
c) polissíndeto: consiste na repetição de conectivos ligando termos
14. ESQUECER E LEMBRAR da oração ou elementos do período.
• quando não forem pronominais, constrói-se com objeto direto: “ E sob as ondas ritmadas
Esqueci o nome desta aluna. e sob as nuvens e os ventos
Lembrei o recado, assim que o vi. e sob as pontes e sob o sarcasmo
• quando forem pronominais, constrói-se com objeto indireto: e sob a gosma e sob o vômito (...)”
Esqueceram-se da reunião de hoje.
Lembrei-me da sua fisionomia. d) inversão: consiste na mudança da ordem natural dos termos na
frase.
15. Verbos que exigem objeto direto para coisa e indireto para pessoa. “De tudo ficou um pouco.
• perdoar - Perdoei as ofensas aos inimigos. Do meu medo. Do teu asco.”
• pagar - Pago o 13° aos professores. e) silepse: consiste na concordância não com o que vem expresso,
• dar - Daremos esmolas ao pobre. mas com o que se subentende, com o que está implícito. A silepse pode
• emprestar - Emprestei dinheiro ao colega. ser:
• ensinar - Ensino a tabuada aos alunos. • De gênero
Vossa Excelência está preocupado.
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• De número c) catacrese: ocorre quando, por falta de um termo específico para
Os Lusíadas glorificou nossa literatura. designar um conceito, torna-se outro por empréstimo. Entretanto, devido
ao uso contínuo, não mais se percebe que ele está sendo empregado
• De pessoa em sentido figurado.
“O que me parece inexplicável é que os brasileiros persistamos em O pé da mesa estava quebrado.
comer essa coisinha verde e mole que se derrete na boca.”
d) antonomásia ou perífrase: consiste em substituir um nome por
f) anacoluto: consiste em deixar um termo solto na frase. Normal- uma expressão que o identifique com facilidade:
mente, isso ocorre porque se inicia uma determinada construção sintáti- ...os quatro rapazes de Liverpool (em vez de os Beatles)
ca e depois se opta por outra.
A vida, não sei realmente se ela vale alguma coisa. e) sinestesia: trata-se de mesclar, numa expressão, sensações per-
cebidas por diferentes órgãos do sentido.
g) pleonasmo: consiste numa redundância cuja finalidade é reforçar A luz crua da madrugada invadia meu quarto.
a mensagem.
“E rir meu riso e derramar meu pranto.” Vícios de linguagem
A gramática é um conjunto de regras que estabelece um determina-
h) anáfora: consiste na repetição de uma mesma palavra no início do uso da língua, denominado norma culta ou língua padrão. Acontece
de versos ou frases. que as normas estabelecidas pela gramática normativa nem sempre são
“ Amor é um fogo que arde sem se ver; obedecidas, em se tratando da linguagem escrita. O ato de desviar-se
É ferida que dói e não se sente; da norma padrão no intuito de alcançar uma maior expressividade,
É um contentamento descontente; refere-se às figuras de linguagem. Quando o desvio se dá pelo não
É dor que desatina sem doer” conhecimento da norma culta, temos os chamados vícios de linguagem.
a) barbarismo: consiste em grafar ou pronunciar uma palavra em
Figuras de pensamento desacordo com a norma culta.
a) antítese: consiste na aproximação de termos contrários, de pala- pesquiza (em vez de pesquisa)
vras que se opõem pelo sentido. prototipo (em vez de protótipo)
“Os jardins têm vida e morte.”
b) solecismo: consiste em desviar-se da norma culta na construção
b) ironia: é a figura que apresenta um termo em sentido oposto ao sintática.
usual, obtendo-se, com isso, efeito crítico ou humorístico. Fazem dois meses que ele não aparece. (em vez de faz ; desvio na
“A excelente Dona Inácia era mestra na arte de judiar de crianças.” sintaxe de concordância)

c) eufemismo: consiste em substituir uma expressão por outra me- c) ambiguidade ou anfibologia: trata-se de construir a frase de um
nos brusca; em síntese, procura-se suavizar alguma afirmação desagra- modo tal que ela apresente mais de um sentido.
dável. O guarda deteve o suspeito em sua casa. (na casa de quem: do
Ele enriqueceu por meios ilícitos. (em vez de ele roubou) guarda ou do suspeito?)

d) hipérbole: trata-se de exagerar uma ideia com finalidade enfática. d) cacófato: consiste no mau som produzido pela junção de pala-
Estou morrendo de sede. (em vez de estou com muita sede) vras.
Paguei cinco mil reais por cada.
e) prosopopeia ou personificação: consiste em atribuir a seres ina-
nimados predicativos que são próprios de seres animados. e) pleonasmo vicioso: consiste na repetição desnecessária de uma
O jardim olhava as crianças sem dizer nada. ideia.
O pai ordenou que a menina entrasse para dentro imediatamente.
f) gradação ou clímax: é a apresentação de ideias em progressão Observação: Quando o uso do pleonasmo se dá de modo enfático,
ascendente (clímax) ou descendente (anticlímax) este não é considerado vicioso.
“Um coração chagado de desejos
Latejando, batendo, restrugindo.” f) eco: trata-se da repetição de palavras terminadas pelo mesmo
som.
g) apóstrofe: consiste na interpelação enfática a alguém (ou alguma O menino repetente mente alegremente.
coisa personificada). Por Marina Cabral
“Senhor Deus dos desgraçados! Especialista em Língua Portuguesa e Literatura
Dizei-me vós, Senhor Deus!”
PREFIXOS E SUFIXOS MAIS COMUNS
Figuras de palavras (faculdades, funções, estados, doenças, etc)
a) metáfora: consiste em empregar um termo com significado dife- algos = dor nevralgia, mialgia
rente do habitual, com base numa relação de similaridade entre o senti- bios = vida biologia, biopsia
do próprio e o sentido figurado. A metáfora implica, pois, uma compara- crásis = temperamento compleição, idiossincrasia
ção em que o conectivo comparativo fica subentendido. átron = articulação disartria, artralgia
“Meu pensamento é um rio subterrâneo.” afé = tato disafia, anafilaxia
bulé-vontade abúlico, abulia
b) metonímia: como a metáfora, consiste numa transposição de sig- cáris = graça eucaristia, carisma
nificado, ou seja, uma palavra que usualmente significa uma coisa passa crátos = poder, força democracia, plutocracia
a ser usada com outro significado. Todavia, a transposição de significa- dipsa = sede dipsomania, dipsético
dos não é mais feita com base em traços de semelhança, como na doxa = opinião, glória paradoxo, doxomania
metáfora. A metonímia explora sempre alguma relação lógica entre os edema = inchação edematoso, edemaciar
termos. Observe: éstesis = sensação sensibilidade, estética, anestesia
Não tinha teto em que se abrigasse. (teto em lugar de casa) éros, érotos = amor erótico, erotofobia
étos, éteos = costume tradição, ética, cacoete
foné = voz áfono, fonógrafo
fobos = medo, horror,
aversão fobia, acrofobia

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frén, frenós = mente esquizofrenia, frenologia  Vou estar disponibilizando o material (anglicismo; o mais
genos = nascimento eugenia, genética adequado seria "Deixarei o material à disposição").
horama = visão panorama, cosmorama  Eu love Jesus! (anglicismo; o mais adequado seria "Eu amo
hedoné = prazer hedonismo, hedonista Jesus").
hipnos = sono hipnotismo, hipnose OBS: Há quem considere barbarismo também erros de pronúncia,
icon = imagem iconoteca, iconoclasta grafia, morfologia etc, tais como "adevogado" ou "eu fazi", pois seriam
gnósis = conhecimento diagnóstico, agnóstico atitudes típicas de estrangeiros, por não conhecerem a língua.
lalia = fala eulalia, dislalia Cacofonia
logos = palavra, discurso logomaquia, logorreia A cacofonia é um som desagradável ou obsceno formado pela união
lépsis = convulsão epilepsia, catalepsia das sílabas de palavras contíguas. Por isso temos que cuidar quando
léxis, léxeos = dicção dislexia léxico falamos sobre algo para não estarmos ofendendo a pessoa que ouve. São
lete = esquecimento letargia, letargiar exemplos desse fato:
mania = loucura megalomania, manicômio  "A boca dela é linda!"
manteia (mancia) =  "Dê-me uma mão, por favor."
adivinhação quiromancia, oniromancia  "Ela se disputa para ele."
mísos - aversão, ódio misógino, misantropia  "Vou-me já, pois estou atrasado."
mneme = menória amnésia, mnemônico Plebeísmo
nárce = entorpecimento narcótico, narcotizar O plebeísmo normalmente utiliza palavras de baixo calão, gírias e
nósos = doença nosocômio, nosofobia outras deste mesmo tipo. É tido[?] pela norma culta como sendo o mais
óneiros (oniros) = sonho onírico, oniromancia odiado e repulsivo de todos os vícios de linguagem existentes.
oréxis = fome anorexia, cinorexia Ex:
paidéia (pedia) = instrução, correção ortopedia, enciclopédia  "Ele era um tremendo mané!"
pépsis = digestão dispepsia, péptico  "Tô ferrado!"
peretós = febre antipirético, piretoterapia
 "Tá ligado nas quebradas, meu chapa?"
plegé = paralisação paraplégico, hemiplegia
Pleonasmo
pneuma, pneumatos = respiração pneumática, pneumoplegia
O pleonasmo geralmente é considerado uma figura de linguagem.
pseudos = mentira
Existe, porém, um tipo de pleonasmo que consiste numa repetição inútil e
falsidade pseudônimo, pseudófobo
desnecessária de termos em uma frase, e por isso considerado um vício
psiqué = alma psicologia, psiquiatria
de linguagem. A esse tipo de pleonasmo chamamos "Pleonasmo Vicioso ".
ragé = corrimento hemorragia, blenorragia
Diferentemente do pleonasmo tradicional, esse deve ser sempre
spasmós = convulsão espasmo, espasmofilia
evitado.
sfignós = pulsação esfigmômetro, esfigmógrafo
Ex:
terapéia(terapia) =
tratamento, cura terapeuta, hidroterapia
 "Ele vai ser o protagonista principal da peça".
timós = mente ciclotimia, lipotimia  "Meninos, entrem já para dentro!"
Prolixidade
VÍCIOS DE LINGUAGEM Prolixidade é a comunicação com excesso de palavras, antônimo da
concisão.
Vícios de linguagem são, segundo Napoleão Mendes de Almeida, Solecismo
palavras ou construções que deturpam, desvirtuam ou dificultam a Solecismo é uma inadequação na estrutura sintática da frase com
manifestação do pensamento. relação à gramática normativa do idioma. Há três tipos de solecismo:
Lista de vícios de linguagem De concordância:
Ambiguidade  "Fazem três anos que não vou ao médico." (Faz três anos que
Ambiguidade é a possibilidade de uma mensagem admitir mais de um não vou ao médico.)
sentido. Ela geralmente é provocada pela má organização das palavras na  "Aluga-se salas nesse edifício." (Alugam-se salas nesse edifício.)
frase. De regência:
Ex:  "Ontem eu assisti um filme de época." (Ontem eu assisti a um
 "A mãe encontrou o filho em seu quarto." (No quarto da mãe ou filme de época.)
do filho?)  "Eu namoro com Fernanda." (Eu namoro Fernanda.)
 "Como vai a cachorra da sua mãe?" (Que cachorra? a mãe ou a De colocação:
cadela criada pela mãe?)  "Me parece que ela ficou contente." (Parece-me que ela ficou
Barbarismo contente.)
Barbarismo, peregrinismo ou estrangeirismo (para os latinos  "Eu não respondi-lhe nada do que perguntou." (Eu não lhe
qualquer estrangeiro era bárbaro) é o uso de palavra, expressão ou respondi nada do que perguntou.)
construção estrangeira no lugar de equivalente vernácula. N.B: as regras de colocação do português falado em Portugal diferem
De acordo com a língua de origem, os estrangeirismos recebem em alguns casos daquelas do português falado no Brasil.
diferentes nomes:
 galicismo ou francesismo, quando provenientes do francês (de CONECTIVOS
Gália, antigo nome da França); Por Sandra Macedo
 anglicismo, quando do inglês; Conectivos são conjunções que ligam as orações, estabelecem a co-
 castelhanismo, quando vindos do espanhol; nexão entre as orações nos períodos compostos e também as preposições,
 etc. que ligam um vocábulo a outro.
Ex: O período composto é formado de duas ou mais orações. Quando es-
 Mais penso, mais fico inteligente (galicismo; o mais adequado sas orações são independentes umas das outras, chamamos de período
seria "quanto mais penso, (tanto) mais fico inteligente"); composto por coordenação. Essas orações podem estar justapostas (sem
 Todos os dois estavam errados (galicismo; o mais adequado conectivos) ou ligadas por conjunções (= conectivos).
seria "ambos estavam errados");
 Comeu um roast-beef (anglicismo; o mais adequado seria CONECTIVOS coordenativos são as seguintes conjunções coordenadas:
"comeu um rosbife");
 Havia links para sua página (anglicismo; o mais adequado seria ADITIVAS (adicionam, acrescentam): e, nem (e não),também, que; e as
"Havia ligações (ou vínculos) para sua página". locuções: mas também, senão também, como também...
Ela estuda e trabalha.

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ADVERSATIVAS (oposição, contraste): mas, porém, todavia, contudo, BIBLIOGRAFIA/PORTUGUÊS
entretanto, senão, que. Também as locuções: no entanto, não obstante, ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.
ainda assim, apesar disso. ALMANAQUE ABRIL CULTURAL – Editora Abril/São Paulo
Ela estuda, no entanto não trabalha. CITELLI, Adilson; “O Texto Argumentativo” São Paulo SP, Editora
..Scipione, 1994 - 6ª edição.
ALTERNATIVAS (alternância): ou. Também as locuções ou...ou, J. João Campagnaro - http://www.gramaticaportuguesa.com/GLPshop/pt-
ora...ora, já...já, quer...quer... br/pg_18.html
Ou ela estuda ou trabalha. Vários artigos foram extraídos da Internet: Provedores: uol, ig, bol, terra,
google
NOVÍSSIMA GRAMÁTICA DA LÍNGUA PORTUGUESA – Domingos
CONCLUSIVAS (sentido de conclusão em relação à oração anterior): Paschoal Cegalla
logo, portanto, pois (posposto ao verbo).Também as locuções: por isso, por
conseguinte, pelo que... PORTUGUÊS, teoria e prática – Walter Rossignoli – Editora Ática/SP
BIBLIOTECA INTEGRADA – Claudinei Flores – Editora Lisa S.A.
Ela estudou com dedicação, logo deverá ser aprovada.
Celso Cunha - Gramática da Língua Portuguesa, 2ª edição, MEC-FENAME.
http://www.portugues.com.br/sintaxe/regenomi.asp
EXPLICATIVAS (justificam a proposição da oração anterior): que, por-
Pciconcursos.com.br
que, porquanto...
Luiz Antonio Sacconi - Nossa Gramática – Teoria e Prática. Editora Atual,
Vamos estudar, que as provas começam amanhã. 1994.
Quando as orações dependem sintaticamente umas das outras, cha- http://www.portugues.com.br/morfologia/classes/verbos/verbos.asp
mamos período composto por subordinação. Esses períodos compõem-se
Português - GUIA INTENSIVO DE ENSINO GLOBALIZADO - 1º E 2º
de uma ou mais orações principais e uma ou mais orações subordinadas.
GRAU E VESTIBULARES – INDÚSTRIA GRÁFICA E EDITORA LTDA -
ERECHIM – RS
CONECTIVOS subordinativos são as seguintes conjunções e locuções http://www.portugues.com.br/morfologia/classes/verbos/conjugacoes.asp
subordinadas:
Relações semânticas estabelecidas entre orações, períodos ou pará-
CAUSAIS (iniciam a oração subordinada denotando causa.): que, co- grafos (oposição/contraste, conclusão, concessão, causalidade, adi-
mo, pois, porque, porquanto. Também as locuções: por isso que, pois que, ção, alternância etc.). Relações de sinonímia e de antonímia.
já que, visto que...
Ela deverá ser aprovada, pois estudou com dedicação. Semântica
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
COMPARATIVAS (estabelecem comparação): que, do que (depois de
mais, maior, melhor ou menos, menor, pior), como...Também as locuções:
tão...como, tanto...como, mais...do que, menos...do que, assim como, bem
como, que nem...
Ela é mais estudiosa do que a maioria dos alunos.

CONCESSIVAS (iniciam oração que contraria a oração principal, sem


impedir a ação declarada): que, embora, conquanto. Também as locuções:
ainda que, mesmo que, bem que, se bem que, nem que, apesar de que, por
mais que, por menos que...
Ela não foi aprovada, embora tenha estudado com dedicação.
Semântica (do grego σηµαντικός, sēmantiká, plural neutro de
sēmantikós, derivado de sema, sinal), é o estudo do significado. Incide
CONDICIONAIS (indicam condição): se, caso. Também as locuções: sobre a relação entre significantes, tais como palavras, frases, sinais e
contanto que, desde que, dado que, a menos que, a não ser que, exceto símbolos, e o que eles representam, a sua denotação.
se...
A semântica linguística estuda o significado usado por seres humanos
Ela pode ser aprovada, se estudar com dedicação. para se expressar através da linguagem. Outras formas de semântica
Finais (indicam finalidade): As locuções para que, a fim de que, por incluem a semântica nas linguagens de programação, lógica formal, e
que... semiótica.
É necessário estudar com dedicação,para que se obtenha aprovação. A semântica contrapõe-se com frequência à sintaxe, caso em que a
primeira se ocupa do que algo significa, enquanto a segunda se debruça
sobre as estruturas ou padrões formais do modo como esse algo é
TEMPORAIS (indicam circunstância de tempo): quando, apenas, en- expresso (por exemplo, escritos ou falados). Dependendo da concepção de
quanto...Também as locuções: antes que, depois que, logo que, assim que, significado que se tenha, têm-se diferentes semânticas. A semântica formal,
desde que, sempre que... a semântica da enunciação ou argumentativa e a semântica cognitiva,
Ela deixou de estudar com dedicação,quando foi aprovada. fenômeno, mas com conceitos e enfoques diferentes.
Na língua portuguesa, o significado das palavras leva em
CONSECUTIVAS (indicam consequência): que (precedido de tão, tan- consideração:
to, tal) e também as locuções: de modo que, de forma que, de sorte que, de Sinonímia: É a relação que se estabelece entre duas palavras ou mais
maneira que... que apresentam significados iguais ou semelhantes, ou seja, os sinônimos:
Ela estudava tanto, que pouco tempo tinha para dedicar-se à família. Exemplos: Cômico - engraçado / Débil - fraco, frágil / Distante - afastado,
remoto.
Antonímia: É a relação que se estabelece entre duas palavras ou mais
que apresentam significados diferentes, contrários, isto é, os antônimos:
Exemplos: Economizar - gastar / Bem - mal / Bom - ruim.

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Homonímia: É a relação entre duas ou mais palavras que, apesar de Antônimo
possuírem significados diferentes, possuem a mesma estrutura fonológica, Antônimo é o nome que se dá à palavra que tenha significado contrário
ou seja, os homônimos: (também oposto ou inverso) à outra.
As homônimas podem ser: O emprego de antônimos na construção de frases pode ser um recurso
 Homógrafas: palavras iguais na escrita e diferentes na pronúncia. estilístico que confere ao trecho empregado uma forma mais erudita ou que
chame atenção do leitor ou do ouvinte.
Exemplos: gosto (substantivo) - gosto / (1ª pessoa singular presente
indicativo do verbo gostar) / conserto (substantivo) - conserto (1ª pessoa Palavra Antônimo
singular presente indicativo do verbo consertar); aberto fechado
 Homófonas: palavras iguais na pronúncia e diferentes na escrita. Alto baixo
Exemplos: cela (substantivo) - sela (verbo) / cessão (substantivo) - sessão Bem mal
(substantivo) / cerrar (verbo) - serrar ( verbo);
Bom mau
 Perfeitas: palavras iguais na pronúncia e na escrita. Exemplos:
cura (verbo) - cura (substantivo) / verão (verbo) - verão (substantivo) / cedo bonito feio
(verbo) - cedo (advérbio); demais de menos
 Paronímia: É a relação que se estabelece entre duas ou mais doce salgado
palavras que possuem significados diferentes, mas são muito parecidas na forte fraco
pronúncia e na escrita, isto é, os parônimos: Exemplos: cavaleiro -
cavalheiro / absolver - absorver / comprimento - cumprimento/ aura gordo magro
(atmosfera) - áurea (dourada)/ conjectura (suposição) - conjuntura (situação salgado insosso
decorrente dos acontecimentos)/ descriminar (desculpabilizar) - discriminar amor ódio
(diferenciar)/ desfolhar (tirar ou perder as folhas) - folhear (passar as folhas
seco molhado
de uma publicação)/ despercebido (não notado) - desapercebido
(desacautelado)/ geminada (duplicada) - germinada (que germinou)/ mugir grosso fino
(soltar mugidos) - mungir (ordenhar)/ percursor (que percorre) - precursor duro mole
(que antecipa os outros)/ sobrescrever (endereçar) - subscrever (aprovar, doce amargo
assinar)/ veicular (transmitir) - vincular (ligar) / descrição - discrição /
onicolor - unicolor. grande pequeno
 Polissemia: É a propriedade que uma mesma palavra tem de soberba humildade
apresentar vários significados. Exemplos: Ele ocupa um alto posto na louvar censurar
empresa. / Abasteci meu carro no posto da esquina. / Os convites eram de bendizer maldizer
graça. / Os fiéis agradecem a graça recebida.
ativo inativo
 Homonímia: Identidade fonética entre formas de significados e
origem completamente distintos. Exemplos: São(Presente do verbo ser) - simpático antipático
São (santo) progredir regredir
Conotação e Denotação: rápido lento
 Conotação é o uso da palavra com um significado diferente do sair entrar
original, criado pelo contexto. Exemplos: Você tem um coração de pedra. sozinho acompanhado
 Denotação é o uso da palavra com o seu sentido original. concórdia discórdia
Exemplos: Pedra é um corpo duro e sólido, da natureza das rochas.
pesado leve
Sinônimo
Sinônimo é o nome que se dá à palavra que tenha significado idêntico quente frio
ou muito semelhante à outra. Exemplos: carro e automóvel, cão e cachorro. presente ausente
O conhecimento e o uso dos sinônimos é importante para que se evitem escuro claro
repetições desnecessárias na construção de textos, evitando que se tornem
enfadonhos. inveja admiração
Eufemismo
Alguns sinônimos são também utilizados para minimizar o impacto, Homógrafo
normalmente negativo, de algumas palavras (figura de linguagem Homógrafos são palavras iguais ou parecidas na escrita e diferentes na
conhecida como eufemismo). pronúncia.
Exemplos: Exemplos
• gordo - obeso • rego (subst.) e rego (verbo);
• morrer - falecer • colher (verbo) e colher (subst.);
• jogo (subst.) e jogo (verbo);
Sinônimos Perfeitos e Imperfeitos • Sede: lugar e Sede: avidez;
Os sinônimos podem ser perfeitos ou imperfeitos. • Seca: pôr a secar e Seca: falta de água.
Sinônimos Perfeitos
Se o significado é idêntico. Homófono
Exemplos: Palavras homófonas são palavras de pronúncias iguais. Existem dois
• avaro – avarento, tipos de palavras homófonas, que são:
• léxico – vocabulário, • Homófonas heterográficas
• falecer – morrer, • Homófonas homográficas
• escarradeira – cuspideira, Homófonas heterográficas
• língua – idioma Como o nome já diz, são palavras homófonas (iguais na pronúncia), mas
• catorze - quatorze heterográficas (diferentes na escrita).
Exemplos
Sinônimos Imperfeitos cozer / coser;
Se os signIficados são próximos, porém não idênticos. cozido / cosido;
Exemplos: córrego – riacho, belo – formoso censo / senso
consertar / concertar
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conselho / concelho 03. O particípio verbal está corretamente empregado em:
paço / passo (A) Não estaríamos salvados sem a ajuda dos barcos.
noz / nós (B) Os garis tinham chego às ruas às dezessete horas.
hera / era (C) O criminoso foi pego na noite seguinte à do crime.
ouve / houve (D) O rapaz já tinha abrido as portas quando chegamos.
voz / vós (E) A faxineira tinha refazido a limpeza da casa toda.
cem / sem
acento / assento 04. Assinale a alternativa que dá continuidade ao texto abaixo, em
Homófonas homográficas conformidade com a norma culta.
Como o nome já diz, são palavras homófonas (iguais na pronúncia), e Nem só de beleza vive a madrepérola ou nácar. Essa substância do
homográficas (iguais na escrita). interior da concha de moluscos reúne outras características interes-
Exemplos santes, como resistência e flexibilidade.
Ele janta (verbo) / A janta está pronta (substantivo); No caso, janta é (A) Se puder ser moldada, daria ótimo material para a confecção de
inexistente na língua portuguesa por enquanto, já que deriva do substantivo componentes para a indústria.
jantar, e está classificado como neologismo. (B) Se pudesse ser moldada, dá ótimo material para a confecção de
Eu passeio pela rua (verbo) / O passeio que fizemos foi bonito componentes para a indústria.
(substantivo). (C) Se pode ser moldada, dá ótimo material para a confecção de com-
ponentes para a indústria.
Parônimo (D) Se puder ser moldada, dava ótimo material para a confecção de
Parônimo é uma palavra que apresenta sentido diferente e forma componentes para a indústria.
semelhante a outra, que provoca, com alguma frequência, confusão. Essas (E) Se pudesse ser moldada, daria ótimo material para a confecção de
palavras apresentam grafia e pronúncia parecida, mas com significados componentes para a indústria.
diferentes.
O parônimos pode ser também palavras homófonas, ou seja, a 05. O uso indiscriminado do gerúndio tem-se constituído num problema
pronúncia de palavras parônimas pode ser a mesma.Palavras parônimas para a expressão culta da língua. Indique a única alternativa em que
são aquelas que têm grafia e pronúncia parecida. ele está empregado conforme o padrão culto.
Exemplos (A) Após aquele treinamento, a corretora está falando muito bem.
Veja alguns exemplos de palavras parônimas: (B) Nós vamos estar analisando seus dados cadastrais ainda hoje.
acender. verbo - ascender. subir (C) Não haverá demora, o senhor pode estar aguardando na linha.
acento. inflexão tônica - assento. dispositivo para sentar-se (D) No próximo sábado, procuraremos estar liberando o seu carro.
cartola. chapéu alto - quartola. pequena pipa (E) Breve, queremos estar entregando as chaves de sua nova casa.
comprimento. extensão - cumprimento. saudação
coro (cantores) - couro (pele de animal) 06. De acordo com a norma culta, a concordância nominal e verbal está
deferimento. concessão - diferimento. adiamento correta em:
delatar. denunciar - dilatar. retardar, estender (A) As características do solo são as mais variadas possível.
descrição. representação - discrição. reserva (B) A olhos vistos Lúcia envelhecia mais do que rapidamente.
descriminar. inocentar - discriminar. distinguir (C) Envio-lhe, em anexos, a declaração de bens solicitada.
despensa. compartimento - dispensa. desobriga (D) Ela parecia meia confusa ao dar aquelas explicações.
destratar. insultar - distratar. desfazer(contrato) (E) Qualquer que sejam as dúvidas, procure saná-las logo.
emergir. vir à tona - imergir. mergulhar
eminência. altura, excelência - iminência. proximidade de ocorrência 07. Assinale a alternativa em que se respeitam as normas cultas de
emitir. lançar fora de si - imitir. fazer entrar flexão de grau.
enfestar. dobrar ao meio - infestar. assolar (A) Nas situações críticas, protegia o colega de quem era amiquíssimo.
enformar. meter em fôrma - informar. avisar (B) Mesmo sendo o Canadá friosíssimo, optou por permanecer lá duran-
entender. compreender - intender. exercer vigilância te as férias.
lenimento. suavizante - linimento. medicamento para fricções (C) No salto, sem concorrentes, seu desempenho era melhor de todos.
migrar. mudar de um local para outro - emigrar. deixar um país para (D) Diante dos problemas, ansiava por um resultado mais bom que ruim.
morar em outro - imigrar. entrar num país vindo de outro (E) Comprou uns copos baratos, de cristal, da mais malíssima qualidade.
peão. que anda a pé - pião. espécie de brinquedo
recrear. divertir - recriar. criar de novo Nas questões de números 08 e 09, assinale a alternativa cujas pala-
se. pronome átono, conjugação - si. espécie de brinquedo vras completam, correta e respectivamente, as frases dadas.
vadear. passar o vau - vadiar. passar vida ociosa
venoso. relativo a veias - vinoso. que produz vinho 08. Os pesquisadores trataram de avaliar visão público financiamento
vez. ocasião, momento - vês. verbo ver na 2ª pessoa do singular estatal ciência e tecnologia.
(A) à ... sobre o ... do ... para (B) a ... ao ... do ... para
(C) à ... do ... sobre o ... a (D) à ... ao ... sobre o ... à
(E) a ... do ... sobre o ... à
PROVA SIMULADA
09. Quanto perfil desejado, com vistas qualidade dos candidatos, a
01. Assinale a alternativa correta quanto ao uso e à grafia das palavras. franqueadora procura ser muito mais criteriosa ao contratá-los, pois
(A) Na atual conjetura, nada mais se pode fazer. eles devem estar aptos comercializar seus produtos.
(B) O chefe deferia da opinião dos subordinados. (A) ao ... a ... à (B) àquele ... à ... à
(C) O processo foi julgado em segunda estância. (C) àquele...à ... a (D) ao ... à ... à (E) àquele ... a ... a
(D) O problema passou despercebido na votação.
(E) Os criminosos espiariam suas culpas no exílio. 10. Assinale a alternativa gramaticalmente correta de acordo com a
norma culta.
02. A alternativa correta quanto ao uso dos verbos é: (A) Bancos de dados científicos terão seu alcance ampliado. E isso
(A) Quando ele vir suas notas, ficará muito feliz. trarão grandes benefícios às pesquisas.
(B) Ele reaveu, logo, os bens que havia perdido. (B) Fazem vários anos que essa empresa constrói parques, colaborando
(C) A colega não se contera diante da situação. com o meio ambiente.
(D) Se ele ver você na rua, não ficará contente. (C) Laboratórios de análise clínica tem investido em institutos, desenvol-
(E) Quando você vir estudar, traga seus livros. vendo projetos na área médica.

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APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
(D) Havia algumas estatísticas auspiciosas e outras preocupantes apre- (B) Excelentíssimo ... Sua Senhoria ... Magníficos
sentadas pelos economistas. (C) Ilustríssimo ... Vossa Excelência ... Excelentíssimos
(E) Os efeitos nocivos aos recifes de corais surge para quem vive no (D) Excelentíssimo ... Sua Senhoria ... Excelentíssimos
litoral ou aproveitam férias ali. (E) Ilustríssimo ... Vossa Senhoria ... Digníssimos

11. A frase correta de acordo com o padrão culto é: 17. Assinale a alternativa em que, de acordo com a norma culta, se
(A) Não vejo mal no Presidente emitir medidas de emergência devido às respeitam as regras de pontuação.
chuvas. (A) Por sinal, o próprio Senhor Governador, na última entrevista, revelou,
(B) Antes de estes requisitos serem cumpridos, não receberemos recla- que temos uma arrecadação bem maior que a prevista.
mações. (B) Indagamos, sabendo que a resposta é obvia: que se deve a uma
(C) Para mim construir um país mais justo, preciso de maior apoio à sociedade inerte diante do desrespeito à sua própria lei? Nada.
cultura. (C) O cidadão, foi preso em flagrante e, interrogado pela Autoridade
(D) Apesar do advogado ter defendido o réu, este não foi poupado da Policial, confessou sua participação no referido furto.
culpa. (D) Quer-nos parecer, todavia, que a melhor solução, no caso deste
(E) Faltam conferir três pacotes da mercadoria. funcionário, seja aquela sugerida, pela própria chefia.
(E) Impunha-se, pois, a recuperação dos documentos: as certidões
12. A maior parte das empresas de franquia pretende expandir os negó- negativas, de débitos e os extratos, bancários solicitados.
cios das empresas de franquia pelo contato direto com os possíveis
investidores, por meio de entrevistas. Esse contato para fins de sele- 18. O termo oração, entendido como uma construção com sujeito e
ção não só permite às empresas avaliar os investidores com relação predicado que formam um período simples, se aplica, adequadamen-
aos negócios, mas também identificar o perfil desejado dos investido- te, apenas a:
res. (A) Amanhã, tempo instável, sujeito a chuvas esparsas no litoral.
(Texto adaptado) (B) O vigia abandonou a guarita, assim que cumpriu seu período.
Para eliminar as repetições, os pronomes apropriados para substituir (C) O passeio foi adiado para julho, por não ser época de chuvas.
as expressões: das empresas de franquia, às empresas, os investi- (D) Muito riso, pouco siso – provérbio apropriado à falta de juízo.
dores e dos investidores, no texto, são, respectivamente: (E) Os concorrentes à vaga de carteiro submeteram-se a exames.
(A) seus ... lhes ... los ... lhes
(B) delas ... a elas ... lhes ... deles Leia o período para responder às questões de números 19 e 20.
(C) seus ... nas ... los ... deles O livro de registro do processo que você procurava era o que estava
(D) delas ... a elas ... lhes ... seu sobre o balcão.
(E) seus ... lhes ... eles ... neles
19. No período, os pronomes o e que, na respectiva sequência, remetem a
13. Assinale a alternativa em que se colocam os pronomes de acordo (A) processo e livro. (B) livro do processo.
com o padrão culto. (C) processos e processo. (D) livro de registro.
(A) Quando possível, transmitirei-lhes mais informações. (E) registro e processo.
(B) Estas ordens, espero que cumpram-se religiosamente.
(C) O diálogo a que me propus ontem, continua válido. 20. Analise as proposições de números I a IV com base no período
(D) Sua decisão não causou-lhe a felicidade esperada. acima:
(E) Me transmita as novidades quando chegar de Paris. I. há, no período, duas orações;
II. o livro de registro do processo era o, é a oração principal;
14. O pronome oblíquo representa a combinação das funções de objeto III. os dois quê(s) introduzem orações adverbiais;
direto e indireto em: IV. de registro é um adjunto adnominal de livro.
(A) Apresentou-se agora uma boa ocasião. Está correto o contido apenas em
(B) A lição, vou fazê-la ainda hoje mesmo. (A) II e IV. (B) III e IV.
(C) Atribuímos-lhes agora uma pesada tarefa. (C) I, II e III. (D) I, II e IV. (E) I, III e IV.
(D) A conta, deixamo-la para ser revisada.
(E) Essa história, contar-lha-ei assim que puder. 21. O Meretíssimo Juiz da 1.ª Vara Cível devia providenciar a leitura do
acórdão, e ainda não o fez. Analise os itens relativos a esse trecho:
15. Desejava o diploma, por isso lutou para obtê-lo. I. as palavras Meretíssimo e Cível estão incorretamente grafadas;
Substituindo-se as formas verbais de desejar, lutar e obter pelos II. ainda é um adjunto adverbial que exclui a possibilidade da leitura
respectivos substantivos a elas correspondentes, a frase correta é: pelo Juiz;
(A) O desejo do diploma levou-o a lutar por sua obtenção. III. o e foi usado para indicar oposição, com valor adversativo equivalen-
(B) O desejo do diploma levou-o à luta em obtê-lo. te ao da palavra mas;
(C) O desejo do diploma levou-o à luta pela sua obtenção. IV. em ainda não o fez, o o equivale a isso, significando leitura do acór-
(D) Desejoso do diploma foi à luta pela sua obtenção. dão, e fez adquire o respectivo sentido de devia providenciar.
(E) Desejoso do diploma foi lutar por obtê-lo. Está correto o contido apenas em
(A) II e IV. (B) III e IV.
16. Ao Senhor Diretor de Relações Públicas da Secretaria de Educação (C) I, II e III. (D) I, III e IV. (E) II, III e IV.
do Estado de São Paulo. Face à proximidade da data de inauguração
de nosso Teatro Educativo, por ordem de , Doutor XXX, Digníssimo 22. O rapaz era campeão de tênis. O nome do rapaz saiu nos jornais.
Secretário da Educação do Estado de YYY, solicitamos a máxima Ao transformar os dois períodos simples num único período compos-
urgência na antecipação do envio dos primeiros convites para o Ex- to, a alternativa correta é:
celentíssimo Senhor Governador do Estado de São Paulo, o Reve- (A) O rapaz cujo nome saiu nos jornais era campeão de tênis.
rendíssimo Cardeal da Arquidiocese de São Paulo e os Reitores das (B) O rapaz que o nome saiu nos jornais era campeão de tênis.
Universidades Paulistas, para que essas autoridades possam se (C) O rapaz era campeão de tênis, já que seu nome saiu nos jornais.
programar e participar do referido evento. (D) O nome do rapaz onde era campeão de tênis saiu nos jornais.
Atenciosamente, (E) O nome do rapaz que saiu nos jornais era campeão de tênis.
ZZZ
Assistente de Gabinete.
De acordo com os cargos das diferentes autoridades, as lacunas
são correta e adequadamente preenchidas, respectivamente, por
(A) Ilustríssimo ... Sua Excelência ... Magníficos

Língua Portuguesa 36 A Opção Certa Para a Sua Realização


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23. O jardineiro daquele vizinho cuidadoso podou, ontem, os enfraqueci- 30. Assim que as empresas concluírem o processo de seleção dos
dos galhos da velha árvore. investidores, os locais das futuras lojas de franquia serão divulgados.
Assinale a alternativa correta para interrogar, respectivamente, sobre A alternativa correta para substituir Assim que as empresas concluí-
o adjunto adnominal de jardineiro e o objeto direto de podar. rem o processo de seleção dos investidores por uma oração reduzi-
(A) Quem podou? e Quando podou? da, sem alterar o sentido da frase, é:
(B) Qual jardineiro? e Galhos de quê? (A) Porque concluindo o processo de seleção dos investidores ...
(C) Que jardineiro? e Podou o quê? (B) Concluído o processo de seleção dos investidores ...
(D) Que vizinho? e Que galhos? (C) Depois que concluíssem o processo de seleção dos investidores ...
(E) Quando podou? e Podou o quê? (D) Se concluído do processo de seleção dos investidores...
(E) Quando tiverem concluído o processo de seleção dos investidores ...
24. O público observava a agitação dos lanterninhas da plateia.
Sem pontuação e sem entonação, a frase acima tem duas possibili-
dades de leitura. Elimina-se essa ambiguidade pelo estabelecimento
correto das relações entre seus termos e pela sua adequada pontua- RESPOSTAS
ção em:
(A) O público da plateia, observava a agitação dos lanterninhas. 01. D 11. B 21. B
(B) O público observava a agitação da plateia, dos lanterninhas. 02. A 12. A 22. A
(C) O público observava a agitação, dos lanterninhas da plateia.
03. C 13. C 23. C
(D) Da plateia o público, observava a agitação dos lanterninhas.
04. E 14. E 24. E
(E) Da plateia, o público observava a agitação dos lanterninhas.
25. Felizmente, ninguém se machucou. 05. A 15. C 25. D
Lentamente, o navio foi se afastando da costa. 06. B 16. A 26. E
Considere: 07. D 17. B 27. B
I. felizmente completa o sentido do verbo machucar; 08. E 18. E 28. C
II. felizmente e lentamente classificam-se como adjuntos adverbiais de 09. C 19. D 29. D
modo; 10. D 20. A 30. B
III. felizmente se refere ao modo como o falante se coloca diante do
fato;
IV. lentamente especifica a forma de o navio se afastar;
V. felizmente e lentamente são caracterizadores de substantivos.
Está correto o contido apenas em
(A) I, II e III. (B) I, II e IV. ___________________________________
(C) I, III e IV. (D) II, III e IV. (E) III, IV e V.
___________________________________
26. O segmento adequado para ampliar a frase – Ele comprou o carro..., ___________________________________
indicando concessão, é:
(A) para poder trabalhar fora. ___________________________________
(B) como havia programado. ___________________________________
(C) assim que recebeu o prêmio.
(D) porque conseguiu um desconto. _______________________________________________________
(E) apesar do preço muito elevado. _______________________________________________________
27. É importante que todos participem da reunião. _______________________________________________________
O segmento que todos participem da reunião, em relação a
É importante, é uma oração subordinada _______________________________________________________
(A) adjetiva com valor restritivo. _______________________________________________________
(B) substantiva com a função de sujeito.
(C) substantiva com a função de objeto direto. _______________________________________________________
(D) adverbial com valor condicional. _______________________________________________________
(E) substantiva com a função de predicativo.
_______________________________________________________
28. Ele realizou o trabalho como seu chefe o orientou. A relação estabe-
_______________________________________________________
lecida pelo termo como é de
(A) comparatividade. _______________________________________________________
(B) adição.
(C) conformidade. _______________________________________________________
(D) explicação. _______________________________________________________
(E) consequência.
_______________________________________________________
29. A região alvo da expansão das empresas, _____, das redes de _______________________________________________________
franquias, é a Sudeste, ______ as demais regiões também serão
contempladas em diferentes proporções; haverá, ______, planos di- _______________________________________________________
versificados de acordo com as possibilidades de investimento dos
possíveis franqueados. _______________________________________________________
A alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas e _______________________________________________________
relaciona corretamente as ideias do texto, é:
(A) digo ... portanto ... mas _______________________________________________________
(B) como ... pois ... mas _______________________________________________________
(C) ou seja ... embora ... pois
(D) ou seja ... mas ... portanto _______________________________________________________
(E) isto é ... mas ... como
_______________________________________________________

Língua Portuguesa 37 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Língua Portuguesa 38 A Opção Certa Para a Sua Realização


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sua função de equalização social. Se a escola não estava cumprindo o seu
papel, tal fato se devia ao tipo de escola implantado- a escola tradicional-
que se revelava inadequado. Toma corpo então, um amplo movimento de
reforma cuja a expressão mais típica ficou conhecida como escolanovismo.
Tal movimento toma como ponto de partida a escola tradicional já im-
plantada segundo suas diretrizes. A pedagogia nova começa, pois, por
efetuar uma crítica a pedagogia tradicional, esboçando uma nova maneira
Teoria e Prática da Educação. de interpretar a educação e ensaiando implantá-la novamente, primeiro
através de experiências restritas; depois generalizando no âmbito dos
Existem várias teorias que tentam explicar os fenômenos complexos sistemas escolares.
envolvidos na educação. Uma forma de dividir estas teorias é partindo da Nesta época há uma biopsicologização da sociedade, da educação e
criticidade, ou seja, do modo como são encarados os condicionamentos da escola e, surgem os testes de Q.I. e de personalidade. O conceito de
objetivos na educação. A partir deste critério podemos formar dois grupos : anormalidade biológica une-se ao conceito de anormalidade psíquica.
as teorias não críticas e as críticas. Então, advoga-se uma pedagogia com um tratamento diferencial a partir
O primeiro grupo da teoria não-crítica busca respostas na própria edu- das diferenças individuais.
cação. Este grupo considera a sociedade harmoniosa, na qual cada mem- Eis a grande descoberta: os homens são essencialmente diferentes,
bro está interagindo e funcionando, e a educação imerge como instrumento não se repetem; cada indivíduo é único. Assim, a educação enquanto um
de correção. instrumento de equalização social, o fará por meio do ajustamento, da
O segundo grupo é composto por críticas, uma vez que se empenham adaptação dos indivíduos à sociedade, incutindo neles o sentimento de
em compreender a educação remetendo-se as condicionantes, isto é, aos aceitação dos demais e pelos demais.
determinantes sociais como estrutura econômica. Concebe a sociedade Compreende-se que essa maneira de entender a educação, por refe-
como sendo marcada pela divisão de grupos antagônicos que se relacio- rência a pedagogia tradicional, só deslocou o eixo da questão pedagógica
nam a base da força, a qual se manifesta fundamentada nas condições de para o psicológico; dos conteúdos cognitivos para os métodos ou processos
produção de vida material. Neste contexto a educação é entendida como pedagógicos; do professor para o aluno; do esforço para o interesse; da
inteiramente dependente da estrutura social geradora da marginalidade. disciplina para a espontaneidade; do diretivismo para o não-diretivismo; da
As teorias não-críticas a serem abordadas serão : pedagogia tradicio- quantidade para a qualidade, de uma pedagogia de inspiração filosófica
nal , pedagogia nova, pedagogia tecnicista. centrada na ciência da lógica para uma pedagogia de inspiração experi-
mental baseada principalmente nas contribuições da biologia e psicologia.
As consideradas críticas abordadas serão : crítico - reprodutivista , teo-
Enfim, trata-se de uma teoria pedagógica que considera importante não o
ria do sistema enquanto violência simbólica, teoria da escola enquanto
aprender, mas o aprender a aprender.
aparelho ideológico do Estado, teoria da escola dualista.
Tendo em vista essa concepção, a organização escolar teria de passar
E por fim será feita uma conclusão a respeito destas teorias e a escola.
por uma sensível reformulação. Assim, ao invés de classes confinadas a
professores que dominavam as grandes áreas do conhecimento revelando-
Pedagogia tradicional se capazes de colocar os alunos em contato com grandes textos que eram
tomados como modelos a serem imitados e progressivamente assimilados
Os sistemas nacionais de ensino datam do século passado, originados
pelos alunos, a escola deveria agrupar os alunos segundo áreas de interes-
a partir do princípio de que a educação era um direito de todos e dever do
ses decorrentes de sua atividade livre.
estado.
O professor agiria como um estimulador e orientador de aprendizagem
Este princípio decorria do tipo de sociedade correspondente aos novos
cuja iniciativa principal caberia ao aluno. Tal aprendizagem seria decorrên-
interesses da nova classe que se consolidara no poder: a burguesia. Para
cia espontânea do ambiente estimulante e da relação interpessoal, essên-
superar o antigo regime, e ascender um tipo de sociedade democrática, que
cia da atividade educativa, ficaria dificultada e num ambiente estimulante
pregava o contrato social livre entre os indivíduos, era preciso vencer a
dotado de mais materiais didáticos ricos, biblioteca de classe.
barreira da ignorância. Só assim seria possível transformar os súditos em
cidadãos, ou seja, indivíduos livres. A escola, assim é erguida como o O tipo de escola acima descrito não conseguiu alterar significativamen-
instrumento de conversão dos súditos em cidadãos. te o panorama organizacional dos sistemas escolares, por que dentre as
várias razões, despendia um custo bem mais elevado do que a escola
A escola surge como um antídoto à ignorância, seu papel é de difundir
tradicional.
a instrução, transmitir os conhecimentos acumulados pela humanidade e
sistematizados logicamente. Com isso a Escola Nova organizou-se basicamente em forma de esco-
las experimentais ou como núcleos raros, muito bem equipados e circuns-
A organização escolar ocorre como uma agência centrada no profes-
critos a pequenos grupos de elite.
sor, o qual transmite, segundo uma gradação lógica, o acervo cultural aos
alunos. E aos alunos cabe assimilar os conhecimentos que lhes são trans- Porém, como o manual do escolanovismo ficou presente nas mentes
mitidos. dos educadores, acabou gerando consequências nas amplas escolas
tradicionais.
A teoria pedagógica então está baseada neste tipo de organização.
Como as iniciativas cabiam ao professor, o essencial era contar com um Cumpre assinalar que as consequências foram negativas por que o
professor razoavelmente bem preparado. Assim, as escolas eram organi- afrouxamento da disciplina, a despreocupação com a transmissão dos
zadas na forma de classes, cada qual contando com um professor que conhecimentos, acabou por rebaixar o nível do ensino destinado às cama-
expunha as lições, que os alunos seguiam atentamente e aplicava os das populares, as quais muito frequentemente tem na escola o único meio
exercícios que os alunos deveriam realizar disciplinarmente. de acesso ao conhecimento elaborado. Em contrapartida, a Escola Nova
melhorou a qualidade de ensino das camadas privilegiadas.
Porém, o entusiasmo do início, devido ao tipo de escola simplificado,
deu lugar a uma crescente decepção. A referida escola não conseguiu Cabe assinalar que o papel da escola Nova acima descrito se manifes-
realizar nem a universalização do ensino, pois nem todos nela ingressavam tou mais nitidamente no caso da América Latina. Em verdade, na maioria
e mesmo que engressassem não eram bem sucedidos, ainda teve que dos países dessa região os sistemas de ensino começara a assumir a
encarar que nem todos os bem sucedidos se ajustavam ao tipo de socie- feição mais nítida já no século atual, quando o escolanovismo estava
dade. Daí as críticas em relação a essa teoria da educação, que passa a largamente disseminado na Europa e Estados Unidos, não deixando de
ser chamada escola tradicional. influenciar o pensamento pedagógico latino-americano.
Portanto, a disseminação das escolas efetuada segundo os moldes
tradicionais não deixou de ser de alguma forma perturbada pela propaga-
Pedagogia nova ção do ideário ao mesmo tempo que procurava evidenciar as deficiências
Diante das críticas à pedagogia tradicional surge, a partir do final do da escola tradicional, dava forças a ideia segundo a qual é melhor uma boa
século, uma outra teoria da educação. Esta teoria no poder da escola e em escola para poucos do que uma escola deficiente para muitos.

Conhecimentos Didáticos e Pedagógicos 1 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Pedagogia tecnicista Do ponto de vista pedagógico conclui-se, pois que, para a pedagogia
Na primeira metade do século atual, as esperanças depositadas na re- tradicional a questão central é aprender e para a pedagogia nova aprender
forma resultaram em frustração e consequentemente representavam sinais a aprender, para a pedagogia tecnicista o que importa é aprender a fazer.
de exaustão. A pedagogia nova ao mesmo tempo que se tornava dominan- À teoria pedagógica acima exposta corresponde uma reorganização
te, enquanto concepção teórica, a tal ponto que se tornou senso comum o das escolas que passam por uma crescente processo de burocratização.
entendimento segundo o qual a pedagogia nova é portadora de todas as Acreditava-se que o processo se racionalizava na medida em que se agis-
virtudes e nenhum vício, ao passo que a pedagogia tradicional é portadora sem planificadamente. Para tanto, era necessário baixar instruções minuci-
de todos os vícios e nenhuma virtude. osas de como proceder com vistas a que os diferentes agentes cumprissem
Assim, surgiram tentativas de desenvolver uma espécie de escola nova cada qual as tarefas específicas acometidas a cada um no amplo espectro
do popular, cujos exemplos mais significativos são as pedagogias de em que se fragmentou o ato pedagógico. O controle seria feito basicamente
Freinet e Paulo Freire; de outro lado, radicalizava-se a preocupação com os através do preenchimento de formulários. O magistério passou então a ser
métodos pedagógicos presentes no escolanovismo que acaba por desem- submetido a um pesado e sufocante ritual, com resultados visivelmente
bocar na eficiência instrumental. Articula-se aqui uma nova teoria educacio- negativos. Na verdade, a pedagogia tecnicista ao ensaiar transpor para a
nal: a pedagogia tecnicista. escola a forma de funcionar do sistema fabril, perdeu de vista a especifici-
A pedagogia tecnicista se baseia nos pressupostos da neutralidade ci- dade da educação, ignorando que a articulação entre a escola e processo
entífica e racionalidade, eficiência e produtividade. Ela veio para reordenar produtivo se dá de modo indireto e através de complexas mediações. Além
o processo educativo de maneira a torná-lo objetivo e operacional. do mais, na prática educativa, a orientação tecnicista se cruzou com as
condições tradicionais predominantes nas escolas bem com a influência da
De modo semelhante que ocorreu no trabalho fabril, pretendeu-se a ob- pedagogia nova que exerceu poderoso atrativo sobre os educadores.
jetivação do trabalho pedagógico. No trabalho fabril surge uma relação Nessas condições, a pedagogia tecnicista acabou por contribuir para
diferente com os meios de produção, já que no trabalho artesanal os ins- aumentar o caos no campo educativo gerando tal nível de descontinuidade,
trumentos de trabalho eram dispostos segundo os desígnios dos próprios de heterogeneidade e fragmentação, que praticamente inviabilizava o
artesãos. Como o trabalho passa a ser organizado na forma parcelada, o trabalho pedagógico. Com isso o problema da escola só tendia a aumentar
trabalhador tem que se adaptar ao processo de trabalho, pois o produto é visto que o conteúdo de ensino tornou-se cada vez mais rarefeito.
uma decorrência da forma como é organizado o processo. E o produto,
resultado das ações de diferentes sujeitos, não se identifica nenhum deles, A situação acima descrita afetou particularmente a América Latina já
ao contrário lhe é estranho. que desviou das atividades-fim para as atividades-meio parcela considerá-
vel dos recursos sabidamente escassos destinados à educação.
Este fenômeno explicado ajuda a entender a tendência que se esboçou
com o advento tecnicista. Buscou-se planejar a educação de modo a dotá- Por outro lado sabe-se que boa parte dos programas internacionais de
la de uma organização racional capaz de minimizar as interferências subje- implantação de tecnologias de ensino nesses países tinham por detrás
tivas que pudessem pôr em risco sua eficiência. Para tanto, era necessário outros interesses como, por exemplo, a venda de artefatos tecnológicos
racionalizar os objetivos e, pelo menos em certos aspectos, mecanizar o obsoletos aos países subdesenvolvidos.
processo. Daí a proliferação de propostas pedagógicas, tais como enfoque
sistêmico, o microensino, o teleensino, a instrução programada, as máqui- As teorias crítico-reprodutivistas
nas de ensinar, etc., daí também o parcelamento do trabalho pedagógico
com a especialização de funções, postulando-se a introdução no sistema Como pudemos verificar, o primeiro grupo acredita que a educação es-
de ensino de técnicas dos mais diferentes matizes, além da padronização tá capacitada a intervir eficazmente na sociedade, transformando-a, tornan-
do sistema de ensino a partir de esquemas de planejamento previamente do-a melhor, corrigindo as injustiças, enfim promover a equalização social.
formulados aos quais devem se ajustar as diferentes modalidades de Estas teorias consideram, pois, apenas a ação da educação sobre a socie-
disciplinas e práticas pedagógicas. dade, por que desconhecem as determinações sociais do fenômeno educa-
tivo, serão chamadas de teorias não-críticas. Inversamente, as teorias do
Se na pedagogia tradicional a iniciativa cabia ao professor que era, ao segundo grupo são críticas, uma vez que postulam não ser possível com-
mesmo tempo, o sujeito do processo, o elemento decisivo e decisório; se preender a educação senão a partir dos seus condicionantes sociais. Há,
na pedagogia nova a iniciativa desloca-se para o aluno, situando-se o nervo pois, nessas teorias uma cabal percepção da dependência da educação em
da ação pessoal, intersubjetiva - na pedagogia tecnicista, o elemento prin- relação à sociedade. Como análise que desenvolvem chegam invariavel-
cipal passa a ser a organização racional dos meios, ocupando professor e mente à conclusão de que a função própria da educação consiste na repro-
aluno posição secundária, relegados que são á condição de executores. dução da sociedade em que ela se insere, bem merecem a denominação
De um processo cuja concepção, planejamento, coordenação e contro- de teorias crítico-reprodutivista.
le ficam a cargo de especialistas suspostamente habilitados, neutros, Tais teorias contam com um razoável número de representantes e se
objetivos, imparciais. A organização do processo converte-se na garantia manifestam em diferentes versões, chegando até ao radicalismo.
da eficiência, compensando e corrigindo as deficiências do professor e
maximizando os efeitos de sua intervenção. Dentre as diferentes manifestações, as teorias de maior repercussão e
de maior nível de elaboração são as seguintes:
Apesar da pedagogia nova também dar grande importância aos meios,
há uma diferença fundamental: enquanto na pedagogia nova os meios são A. teoria do sistema de ensino enquanto violência simbólica
dispostos e estão à disposição da relação professor-aluno, estando, pois a B. teoria da escola enquanto aparelho ideológico do Estado
serviço dessa relação, na pedagogia tecnicista a situação se inverte. En- C. teoria da escola dualista
quanto na pedagogia nova são os professores e alunos que decidem se
Teoria do sistema de ensino enquanto violência simbólica
utilizam ou não determinados meios , bem como quando e como o farão, na
pedagogia tecnicista dir-se-ia que é o processo que define o que os profes- Esta teoria está desenvolvida na obra "A Reprodução; elementos para
sores e alunos devem fazer, e assim também quando e como o farão. uma teoria do sistema de ensino", de P. Bourdieu e J. C. Passeron. A obra
é constituída de dois livros: o livro I, contém os fundamentos de uma teoria
Diante da marginalidade, a pedagogia tecnicista dirá que o marginali-
da violência simbólica, a teoria é sistematizada num corpo de proposição
zado será o incompetente, isto é, o ineficiente e improdutivo. A educação
logicamente articuladas segundo um esquema analítico-dedutivo. O livro II,
estará contribuindo para superar o problema da marginalidade na medida
expõe os resultados de uma pesquisa empírica levada a cabo pelos autores
em que formar indivíduos eficientes, portanto, capazes de darem sua
no sistema escolar francês em um de seus segmentos, qual seja, a Facul-
parcela de contribuição para o aumento da produtividade da sociedade.
dade de Letras. Como as análises do livro II podem ser consideradas como
Assim, estará ela cumprindo sua função de equalização social é identifica-
aplicações a caso historicamente determinados dos princípios gerais enun-
da como equilíbrio do sistema. A educação será concebida, pois, como um
ciados no livro I, ainda que tenham servido, ao mesmo tempo, como ponto
subsistema, cujo funcionamento eficiente é essencial ao equilíbrio do
de partida para a construção dos princípios do livro I, minha exposição se
sistema social de que faz parte. Sua base de sustentação teórica desloca-
limitará ao conteúdo do livro I.
se para a psicologia behaviorista, a engenharia comportamental, a ergono-
mia, informática, cibernética, que tem em comum a inspiração filosófica O arcabouço do livro I constitui, mais do que uma sociologia da educa-
neopositivista e método funcionalista. ção, uma sociológica da educação. Isto porque não se trata de análise de

Conhecimentos Didáticos e Pedagógicos 2 A Opção Certa Para a Sua Realização


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educação como fato social, mas da explicitação das condições lógicas de nhecimento da violência simbólica que exerce, isto é, por que os meios
possibilidades de toda e qualquer educação para toda e qualquer socieda- institucionais dos quais dispõe enquanto instituição relativamente autôno-
de de toda e qualquer época ou lugar. ma, detentora do monopólio do exercício legítimo da violência simbólica,
Trata-se de uma teoria axiomática que se desdobra dedutivamente dos estão predispostos a servir também, sob a aparência da neutralidade, os
princípios universais para os enunciados analíticos de suas consequências grupos ou classes dos quais ele reproduz o arbitrário cultural” (Bourdie &
particulares. Por isso, cada grupo de proposições começa sempre por um Passeron, 1975; 75).
enunciado universal (todo poder de violência simbólica, toda ação pedagó- Portanto, a teoria não deixa margem a dúvidas. A função da educação
gica) e termina por uma aplicação particular, expressa através da fórmula é a de reprodução das desigualdades sociais. Pela reprodução cultural, ela
“uma formação social determinada...”. contribui especificamente para a reprodução social.
Por outro lado, no intuito de preservar a validade universal da teoria, os Teoria da escola enquanto aparelho ideológico de Estado ( AIE)
autores tem o cuidado de utilizar sempre a expressão “grupos ou classes”, Althusser, analisando a reprodução das condições de produção que
jamais se referindo apenas às classes simplesmente; o que indica que a implica a reprodução das forças produtivas e das relações de produção
validade da teoria não pretende se circunscrever apenas às sociedades de existentes, distinguiu no Estado os Aparelhos Repressivos , como governo,
classes, mas se estende também às sociedades sem classes que porventu- exército, polícia, tribunais, prisões; e os Aparelhos Ideológicos, que enume-
ra tenham existido ou venham a existir. Em suma, o axioma fundamental, rou da seguinte forma:
que enuncia a teoria geral da violência simbólica, se aplica ao sistema de
ensino que é definido, pois, como uma modalidade específica de violência 1. religioso ( o sistema das diferentes igrejas)
simbólica através de proposições intermediárias que tratam, sucessivamen- 2. escolar ( diferentes escolas públicas e particulares)
te, da ação pedagógica, da autoridade pedagógica e do trabalho pedagógi- 3. familiar
co.
4. jurídico
Por que violência simbólica? Os autores a tomam como ponto de parti-
5. político ( política de diferentes partidos)
da que toda e qualquer sociedade estrutura-se como um sistema de rela-
ções de força material entre grupos ou classes. Sobre a base da força 6. sindical
material e sob sua determinação erige-se um sistema de relações de força 7. informação ( imprensa, rádio-televisão)
simbólica cujo papel é reforçar, por dissimulação, as relações de força 8. cultural ( letras, belas artes, desportos)
material. É essa a ideia central contida no axioma fundamental da teoria.
“Todo poder de violência simbólica, isto é, todo poder que chega a impor A distinção entre ambos assenta no fato de que o Aparelho Repressivo
significações e a impô-las como legítimas, dissimulando as relações de de Estado funciona massivamente pela violência e secundariamente pela
força que estão na base de sua força, acrescenta sua própria força, isto é, ideologia enquanto que, inversamente, os Aparelhos ideológicos de Estado
propriamente simbólica, a essas relações de força. (Bourdie & Passeron, funcionam massivamente pela ideologia e secundariamente pela repressão.
1975;19) O conceito “ Aparelho Ideológico de Estado” deriva da tese segundo a
Vê-se, pois, que o reforçamento de violência material se dá pela sua qual a ideologia tem uma existência material, isto significa dizer que a
conversação ao plano simbólico onde se produz e reproduz o reconheci- ideologia existe sempre radicada em práticas materiais definidas por insti-
mento da dominação e de sua legitimidade pelo desconhecimento de seu tuições materiais.
caráter de violência explícita. Assim, à violência material exercida pelos Em suma, a ideologia se materializa em aparelhos: os aparelhos ideo-
grupos ou classes dominantes sobre os grupos ou classes dominados lógicos de Estado.
corresponde a violência simbólica ( dominação cultural). Avançando na tese, o Aparelho ideológico do Estado foi colocado em
A violência simbólica se manifesta de múltiplas maneiras: a formação posição dominante nas formações capitalistas maduras, após uma violenta
da opinião pública através dos meios de comunicação de massa, jornais luta de classes políticas e ideológicas contra o antigo Aparelho Ideológico
etc.; a pregação religiosa; a atividade artística e literária; a propaganda e a de Estado dominante, é o Aparelho Ideológico Escolar.
moda; a educação familiar etc., no entanto, o objetivo da obra é a pedago- Com o aparelho Ideológico do Estado dominante, vale dizer que a es-
gia institucionalizada, isto é, o sistema escolar. Daí o subtítulo da obra: cola constitui o instrumento mais acabado de reprodução das relações de
“elementos para uma teoria do sistema de ensino”. Para isso, partindo da produção de tipo capitalista. Para isso ela toma para si todas as crianças de
teoria da violência simbólica, buscam explicitar a ação pedagógica como todas as classes sociais e lhes inculca durante anos a fio de audiência
imposição arbitrária dos grupos ou classes. Essa imposição, para se exer- obrigatória saberes práticos envolvidos na ideologia dominante.
cer, implica necessariamente a autoridade pedagógica, isto é, um poder
Uma grande parte dos operários e camponeses cumpre a escolaridade
arbitrário de imposição que só pelo fato de ser desconhecido como tal, se
básica e é introduzido no processo produtivo. Outros avançam no proces-
encontra objetivamente reconhecido como autoridade legítima.
so de escolarização, mas acabam por interrompê-lo passando a integrar os
A referida ação pedagógica se auto realiza através do trabalho peda- quadros médios, os pequenos-burgueses de toda a espécie.
gógico entendido como trabalho de "encucação" que deve durar o bastante
Uma pequena parcela enfim, atinge o vértice da pirâmide escolar. Es-
para produzir uma formação durável; isto é, um "habitus" como produto da
tes vão ocupar os postos próprios dos agentes da exploração, dos agentes
interiorização dos princípios de um arbitrário cultural capaz de perpetuar-se
da repressão e dos profissionais da ideologia.
após a cessação da ação pedagógica e por isso de perpetuar nas práticas
os princípios interiorizado. Em todos os casos, trata-se de reproduzir as relações de exploração
capitalista. É através da aprendizagem de alguns saberes práticos envolvi-
Para a compreensão do sistema de ensino é de fundamental importân-
dos na inculcação massiva da ideologia dominante, que são em grande
cia a distinção entre trabalho pedagógico primário ( educação familiar) e
parte reproduzidas as relações de exploradores com explorados e de
trabalho pedagógico secundário, cuja forma institucionalizada é o trabalho
explorados com exploradores.
escolar.
A proposição sintetiza o conjunto da teoria do sistema de violência Teoria da escola dualista
simbólica. Vale a pena transcrevê-la: “ Numa formação social determinada,
o sistema de ensino dominante pode constituir o trabalho pedagógico Esta teoria foi elaborada por C. Baudelot e R. Establet. A obra foi cha-
dominante como trabalho escolar sem que os que exercem como os que a mada de teoria da escola dualista porque os autores se empenham em
ele se submetem cessem de desconhecer sua dependência relativa às mostrar que a escola, em que pese a aparência unitária e unificadora, é
relações de força produtiva da formação social em que ele se exerce, uma escola dividida em duas ( e não mais do que duas) grandes redes, as
porque ele produz e reproduz, pelos meios próprios da instituição, as condi- quais correspondem à divisão da sociedade capitalista em duas classes
ções necessárias ao exercício de sua função interna de encucação, que fundamentais: a burguesia e o proletariado.
são ao mesmo tempo as condições suficientes da realização de sua função Os autores procedem de modo didático enunciando preliminarmente as
externa de reprodução da cultura legítima e de sua contribuição correlativa teses básicas que sucessivamente passam a demonstrar. Assim, na primei-
à reprodução das relações de força;e porque, só pelo fato de que existe e ra parte, após dissipar as ilusões da unidade da escola formulam seis
subsiste como instituição, ele implica as condições institucionais do desco- proposições fundamentais que passarão a demonstrar ao longo da obra:

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1. Existe uma rede de escolarização que chamaremos rede secun- na prática da luta de classes suas próprias organizações e sua própria
dária-superior (rede S.S.) ideologia, a escola tem por missão impedir o desenvolvimento da ideologia
2. Existe uma rede de escolarização que chamaremos rede primá- do proletariado e a luta revolucionária. Para isso ela é organizada pela
ria-profissional (rede P.P.) burguesia como aparelho separado da produção. Consequentemente , não
cabe dizer que a escola qualifica diferentemente o trabalho intelectual e o
3. Não existe terceira rede trabalho manual. Cabe, isto sim, dizer que ela qualifica o trabalho intelectual
4. Estas duas redes constituem, pelas relações que as definem, o e desqualifica o trabalho manual, sujeitando o proletariado à ideologia
aparelho escolar capitalista. Este aparelho é um aparelho ideológico do burguesa sob um disfarce pequeno burguês.
estado capitalista. Assim, pode-se concluir que a escola é ao mesmo tempo um fator de
5. Enquanto tal, este aparelho contribui, pela parte que lhe cabe, a marginalização relativamente á cultura burguesa assim como em relação à
reproduzir as relações de produção capitalistas, quer dizer, em definitivo a cultura proletariada. Em face da cultura burguesa, pelo fato de encucar à
divisão da sociedade em classes, em proveito da classe dominante. massa de operários que tem acesso á rede Primária-profissional apenas os
6. É a divisão da sociedade em classes antagonistas que explica subprodutos da própria cultura burguesa. Em relação à cultura proletária,
em última instância não somente a existência das duas redes, mas ainda (o pelo fato de recalcá-la, forçando os operários a representarem sua condi-
que define como tais) os mecanismos de seu funcionamento, suas causas ção nas categorias da ideologia burguesa. Consequentemente, a escola,
e seus efeitos. longe de ser um instrumento de equalização social, é duplamente um fator
de marginalização; converte os trabalhadores em marginais, não apenas
Através de minuciosa análise estatística, os autores se empenham em
por referência à cultura burguesa, mas também em relação ao próprio
demonstrar, na segunda parte, as três primeiras proposições, isto é, a
movimento proletário, buscando arrancar dos seios desse movimento (
existência de apenas duas redes de escolarização: as redes secundária-
colocar à margem dele) todos aqueles que ingressam no sistema de ensi-
superior e a primária-profissional. A quarta proposição é objeto da terceira e
no.
quarta partes; na terceira parte se procura pôr em evidência que é a mesma
ideologia dominante que é imposta a todos os alunos sob formas necessa- Pode-se concluir que, se Baudelot e Establet se empenham em com-
riamente incompatíveis; na quarta parte se demonstra que a divisão em preender a escola no quadro de luta de classes, eles não encaram, porém,
duas redes atravessa o aparelho escolar em seu conjunto, portanto, desde com palco e alvo da luta de classes. Com efeito, entendem que a escola,
a escola primária, contrariamente às aparências de unidades de escola enquanto aparelho ideológico contra o proletariado. A possibilidade de que
primária. a escola se constitua num instrumento de luta proletariada fica descartada.
Uma vez que a ideologia proletária adquire sua forma acabada no seio das
Mais do que isso, afirmam os autores, que é a escola primária que rea-
massas e organizações operárias, não se cogita de utilizar a escola como
liza o essencial de tudo o que concerne ao aparelho escolar capitalista.
meio de elaborar e difundir a referida ideologia. Se o proletariado se revela
Finalmente, a quinta parte é dedicada à demonstração das últimas proposi-
capaz de elaborar, independentemente da escola, sua própria ideologia de
ções evidenciando, então, que o aparelho escolar, com suas duas redes
um modo tão consistente quanto o faz a burguesia com o auxílio da escola,
opostas, contribui para reproduzir as relações sociais de produção capitalis-
então, por referência ao aparelho escolar, a luta de classes revela-se inútil.
ta.
Como podemos perceber no decorrer da explicitação do texto que na
Importa reter que , nesta teoria, é retomado o conceito de Althusser de-
teoria crítico-reprodutivistas não há a proposta pedagógica delas. Isto
finindo-se o aparelho escolar como unidade contraditória de duas redes de
ocorre por que elas não apresentam uma proposta pedagógica, elas empe-
escolarização.
nham somente em explicar o funcionamento da escola tal como constituída.
Enquanto aparelho ideológico, a escola cumpre duas funções básicas: Em outros termos, pelo seu caráter reprodutivista, estas teorias consideram
contribui para formação de força de trabalho e para encucação da ideologia que a escola não poderia ser diferente do que é. Empenham-se em mostrar
burguesa. Cumpre assinalar, porém, que não se trata de duas funções a necessidade lógica, social e histórica da escola existente na sociedade
separadas. Pelo mecanismo das práticas escolares, a formação da força de capitalista, pondo em evidência aquilo que ela desconhece e mascara: seus
trabalho se dá no processo de encucação ideológica. Mais do que isso: determinantes materiais.
todas as práticas escolares, ainda que contenham elementos que implicam
Será que é possível encarar a escola como uma realidade histórica, is-
um saber objetivo ( e não poderia deixar de conter, já que sem isso a
to é, suscetível de ser transformada intencionalmente pela ação humana?
escola não contribuiria para reprodução das relações de produção), são
práticas de encucação ideológica. A escola é pois, um aparelho ideológico, A escola é determinada socialmente, a sociedade em que vivemos,
isto é, a aspecto ideológico é dominante e comanda o funcionamento do fundada no modo de produção capitalista, é dividida em classes com inte-
aparelho escolar em seu conjunto. Consequentemente, a função principal resses opostos; portanto, a escola sofre a determinação do conflito de
da escola é de encucação da ideologia burguesa. Isto é feito de duas interesses que caracterizam a sociedade. Considerando que a classe
formas concomitantes: em primeiro, a encucação explícita da ideologia dominante não tem interesse na transformação histórica da escola ( ela
burguesa; em segundo, o recalcamento, a sujeição e o disfarce da ideologia está empenhada na preservação de seu domínio, portanto apenas acionará
proletária. mecanismos de adaptação que evitem transformação) só poderá ser formu-
lada do ponto de vista dos interesses dos dominados. O nosso problema
A especificidade desta teoria é que ela admite a existência da ideologia
pode, então, ser enunciado da seguinte maneira: é possível uma teoria de
proletariado. Considera porém, que tal ideologia tem origem e existência
educação que capte criticamente a escola como instrumento capaz de
fora da escola, isto é, nas massas operárias e em suas organizações. A
contribuir para superação do problema da marginalidade?
escola, isto é , nas massas operárias e suas organizações, a escola é um
aparelho ideológico da burguesia e a serviço de seus interesses. A transcri- Numa teoria do tipo acima enunciado se impõe a tarefa de superar tan-
ção abaixo é esclarecedora a esse respeito: “ A contradição principal existe to o poder ilusório ( que caracteriza as teoria não-críticas) como a impotên-
brutalmente fora da escola sob forma de uma luta que opõe a burguesia ao cia ( decorrente das teorias crítico-reprodutivistas) colocando nas mãos dos
proletariado: ela se trava nas relações de produção, que são relações de educadores uma arma de luta capaz de permiti-lhes o exercício de um
exploração. Com o aparelho ideológico de Estado, a escola é instrumento poder real, ainda que limitado.
de luta de classes ideológicas do Estado burguês, onde o Estado burguês No entanto, o caminho é repleto de armadilhas, já que os mecanismos
persegue objetivos exteriores à escola ( ela não é senão um instrumento de adaptação acionados periodicamente a partir dos interesses dominantes
destinado as esses fins). A luta ideológica proletária que existe fora da podem ser confundidos com os anseios da classe dominada. Para evitar
escola nas massas operárias e suas organizações. A ideologia proletária esse risco é necessário avançar no sentido de captar a natureza específica
não está presente em pessoa na escola, mas apenas sob forma de alguns da educação, o que nos levará à compreensão das complexas mediações
de seus efeitos que se apresentam como resistências: entretanto, inclusive pelas quais se dá sua inserção contraditória na sociedade capitalista.
por meio dessas resistências, ela é própria que é visada no horizonte pelas Uma pedagogia revolucionária centra-se pois, na igualdade essencial
práticas de inculcação ideológica burguesa e pequeno-burguesa”. entre os homens. Entende-se, porém, a igualdade em termos reais e não
No quadro da escola dualista o papel da escola não é, então, o de sim- apenas formais. Busca, pois, converter-se, articulando-se com as forças
plesmente reforçar e legitimar a marginalidade que é produzida socialmen- emergentes da sociedade, em instrumento a serviço da instauração de uma
te. Considerando que o proletariado dispõe de uma força autônoma e forja sociedade igualitária. Para isso a pedagogia revolucionária, longe de se-

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cundarizar os conhecimentos descuidando de sua transmissão, considera a Através da ação educativa o meio social exerce influências sobre os
difusão de conteúdos, vivos e atualizados, uma das tarefas primordiais do indivíduos e estes, ao assimilarem e recriarem essas influências, tornam-se
processo educativo em geral e da escola em particular. capazes de estabelecer uma relação ativa e transformadora em relação ao
Em suma, a pedagogia revolucionária não vê necessidade de negar a meio social. Em sentido amplo, a educação compreende os processos
essência para admitir o caráter dinâmico da realidade como o faz a peda- formativos que ocorrem no meio social, nos quais os indivíduos estão
gogia da existência, inspirada na concepção humanista moderna de filoso- envolvidos de modo necessário e inevitável pelo simples fato de existirem
fia da educação. Também não vê necessidade de negar o movimento para socialmente.
captar a essência do processo histórico como o faz a pedagogia da essên- Neste sentido, a prática educativa existe numa grande variedade de
cia inspirada na concepção humanista tradicional de filosofia da educação. instituições e atividades sociais decorrentes da organização econômica,
A pedagogia revolucionária é crítica. E por ser crítica, sabe-se condici- política e legal de uma sociedade, da religião, dos costumes, das formas de
onada. Longe de entender a educação como determinante principal das convivência humana. Em sentido restrito, a educação ocorre em instituições
transformações sociais, reconhece ser ela elemento secundário e determi- específicas, escolares ou não, com finalidades explícitas de instrução e
nado. Entretanto, longe de pensar, como faz a concepção crítico- ensino mediante uma ação consciente, deliberada e planificada, embora
reprodutivista que a educação é determinada unidirecionalmente pela sem separar-se daqueles processos formativos gerais.
estrutura social dissolvendo-se a sua especificidade, entende que a educa- As diversas modalidades de educação costumam caracterizar as in-
ção se relaciona dialeticamente com a sociedade. Nesse sentido, ainda que fluências educativas como não - intencionais e intencionais. A educação
o elemento determinante, mesmo que secundário, nem por isso deixa de não-intencional refere-se às influências do contexto social e do meio ambi-
ser instrumento importante e por vezes decisivo no processo de transfor- ente sobre os indivíduos. Essas influências também podem ser denomina-
mação da sociedade. das educação informal, pois as experiências são casuais, espontâneas, não
A pedagogia revolucionária situa-se, pois, além das pedagogias da es- organizadas, embora influam na formação humana.
sência e da existência. Supera-se, incorporando suas críticas recíprocas A educação intencional refere-se a influências em que há intenções e
numa proposta radicalmente nova. O cerne dessa novidade radical consiste objetivos definidos conscientemente, como é o caso da educação escolar e
na superação da crença seja na autonomia, seja na dependência absolutas extraescolar. As formas de educação intencional são muitas, e os meios
da educação em face das condições sociais vigentes. variam de acordo com os objetivos pretendidos. Pode-se falar da educação
Uma pedagogia articulada com interesses populares valorizará, pois, a não - formal quando se trata da atividade educativa estruturada fora do
escola; não será indiferente ao que ocorre em seu inteiro; estará interessa- sistema escolar convencional e da educação forma; que se realiza nas
da em métodos de ensino eficazes. No primeiro passo, o professor e aluno escolas ou outras agências de instrução e educação, implicando ações de
são considerados como agentes sociais. Assim, o ponto de partida seria a ensino com objetivos pedagógicos explícitos, sistematização e procedimen-
prática social e não a preparação e nem a iniciativa dos alunos. É claro que tos didáticos. A educação escolar, no entanto, se destaca das demais por
o professor e aluno são agentes sociais em níveis diferenciados de com- ser suporte e requisito delas. É a escolarização básica que possibilita aos
preensão da prática social. indivíduos aproveitar e interpretar, consciente e criticamente, outras influên-
O segundo passo, seria a problematização, isto é, a identificação dos cias educativas.
principais problemas propostos pela prática social. Diferente das outras O processo educativo, onde quer que se dê, é sempre contextualizado
teorias, que colocam a apresentação de novos conhecimentos, ou então o social e politicamente; há uma subordinação à sociedade que lhe faz exi-
problema. gências, determina objetivos e lhe provê condições e meios de ação.
O terceiro passo, não é a assimilação dos conteúdos transmitidos ou A educação, por ser um fenômeno social, é parte integrante das rela-
coleta de dados. Trata-se de se apropriar de instrumentos teóricos e práti- ções sociais, econômicas, políticas e culturais de uma determinada socie-
cos necessários ao equacionamento dos problemas detectados na prática dade. Na sociedade brasileira atual, a estrutura social se apresenta dividida
social, este passo é chamado de instrumentalização. em classes e grupos sociais com interesses distintos e opostos. Esse fato
O quarto passo, ao invés de generalização e hipótese será a elabora- repercute na prática educativa. Assim os objetivos e meios de educação
ção da nova forma de entendimento da prática social, chamado de cartase. ficam subordinados à estrutura e dinâmicas das relações entre as classes
Trata-se da afetiva incorporação dos instrumentos culturais, transformados sociais, ou seja, são socialmente determinados.
agora em elementos ativos de transformação social. O quinto passo, final- Isto significa que a prática educativa, e especialmente os objetivos e
mente, é a própria prática social, compreendida agora não mais em termos conteúdos do ensino e o trabalho docente, estão determinados por fins e
sincréticos pelos alunos. Entre a teoria e a atividade prática transformadora exigências sociais, políticas e ideológicas. A estrutura social e as formas
se insere um trabalho de educação das consciências, de organização dos sociais pelas quais a sociedade se organiza são uma decorrência do fato
meios materiais e planos concretos de ação; tudo isso como passagem de que, desde o início de sua existência, os homens vivem em grupos; sua
indispensável para desenvolver ações reais, efetivas. vida depende de vida de outros membros do grupo social, ou seja, a histó-
Neste sentido, uma teoria é prática na medida em que materializa, ria humana, a história da sua vida e a história da sociedade se constituem e
através de uma série de mediações, o que antes só existia idealmente, se desenvolvem na dinâmica das relações sociais. Este fato é fundamental
como conhecimento da realidade ou antecipação ideal de sua transforma- para se compreender que a organização da sociedade, a existência das
ção. classes sociais, o papel da educação estão implicados nas formas que as
relações sociais vão assumindo pela ação prática concreta dos homens.
A desigualdade entre os homens, que na origem é uma desigualdade
econômica no seio das relações entre as classes sociais, determina não
Conhecimentos Político-Pedagógicos: função social e apenas as condições materiais de vida e de trabalho dos indivíduos mas
política da escola; perspectiva crítica e perspectiva neoli- também a diferenciação no acesso à cultura espiritual, à educação. Como
beral; gestão democrática e autonomia na organização do consequência, a classe social dominante retém os meios de produção
trabalho escolar; colegiados escolares; projetos político- material como também os meios de produção cultural e da sua difusão,
pedagógicos. tendendo a colocá-la a serviço dos seus interesses.
Tais ideias, valores e práticas, apresentados pela minoria dominante
Educação - ou seja, a prática educativa - é um fenômeno social e uni- como representativos dos interesses de todas as classes sociais, são o que
versal, sendo uma atividade humana necessária à existência e funciona- se costuma denominar de ideologia. O sistema educativo, incluindo as
mento de todas as sociedades. Não há sociedade sem prática educativa escolas, as igrejas, as agências de formação profissional, os meios de
nem prática educativa sem sociedade. A prática educativa não é apenas comunicação de massa, é um meio privilegiado para o repasse da ideologia
uma exigência da vida em sociedade, mas também o processo de prover os dominante.
indivíduos dos conhecimentos e experiências culturais que as tornam aptos São os seres humanos que, na diversidade das relações recíprocas
a atuar no meio social e a transformá-lo em função de necessidades eco- que travam em vários contextos, dos significados às coisas, às pessoas, às
nômicas, sociais e políticas da coletividade. ideias; é socialmente que se formam ideias, opiniões, ideologias. Este fato

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é fundamental para compreender como cada sociedade se produz e se Assim, o processo didático está centrado na relação fundamental entre
desenvolve, como se organiza e como encaminha a prática educativa o ensino e a aprendizagem, orientado para a confrontação ativa do aluno
através de seus conflitos e suas contradições. Para quem lida com a edu- com matéria sob a mediação do professor. Com isso, os seus elementos
cação tendo em vista a formação humana dos indivíduos vivendo em constituitivos são: os conteúdos das matérias; a ação de ensinar e a ação
contexto sociais determinados, é imprescindível que desenvolva a capaci- de aprender. No entanto, esses elementos tem que estar vinculados a
dade de descobrir as relações sociais reais implicadas em cada aconteci- objetivos sócio - políticos e pedagógicos analisando criteriosamente o
mento, em cada situação real da sua vida e da sua profissão, em cada conjunto de condições concretas que rodeiam cada situação didática.
matéria que ensina como também nos discursos, nos meios de comunica-
O processo didático, assim, desenvolve-se mediante a ação recíproca
ção de massa, nas relações cotidianas na família e no trabalho.
dos componentes fundamentais do ensino: os objetivos da educação e de
O campo específico de atuação profissional e política do professor é a instrução, os conteúdos, o ensino, a aprendizagem, os métodos, as formas
escola, à qual cabem tarefas de assegurar aos alunos um sólido domínio de e meios da organização das condições da situação didática, a avaliação.
conhecimento e habilidades, o desenvolvimento de suas capacidades Esses são também, os conceitos fundamentais que formam a base de
intelectuais, de pensamento independente, crítico e criativos tais tarefas estudo da Didática.
representam uma significativa contribuição para a formação de cidadãos
ativos, criativos e críticos, capazes de participar nas lutas pela transforma- É preciso nos remeter à história para que situemos a Didática nos tem-
ção social. pos de hoje.
Dessa forma a responsabilidade social da escola e dos professores é A história da Didática está ligada ao aparecimento do ensino como ati-
muito grande, pois cabe-lhes escolher qual concepção de vida e de socie- vidade planejada e intencional dedicada à instrução.
dade deve ser trazida à consideração dos alunos e quais conteúdos e
Na chamada Antiguidade Clássica (gregos e romanos) e no período
métodos lhes propiciam o domínio dos conhecimentos e a capacidade de
medieval se desenvolvem formas de ação pedagógica, em escolas, mostei-
raciocínio necessário à compreensão da realidade social e à atividade
ros, igrejas, universidades, mesmo assim, não podemos falar em Didática,
prática na profissão, na política, nos movimentos sociais.
até meados do século XVII, como teoria de ensino, que sistematize o
Como se constata, a educação é um conceito amplo que se refere ao pensamento didático e o estudo científico das formas de ensinar.
processo de desenvolvimento unilateral da personalidade, envolvendo a
formação de qualidades humanas-físicas, morais, intelectuais, estéticas - O tema ‘Didática” aparece quando os adultos começam a intervir na
tendo em vista a orientação da atividade humana na sua relação com o atividade de aprendizagem das crianças e jovens através da direção e
meio social, num determinado contexto de relações sociais. A educação planejamento do ensino, pois antes as formas de intervenção eram espon-
corresponde, pois, a toda modalidade de influências e inter-relações que tâneas. Está estabelecido uma intenção pedagógica na atividade de ensino,
convergem para a formação de traços de personalidade social e do caráter, que passa a ser sistematizado visando a adequação das crianças à assimi-
implicando uma concepção de mundo ideais, valores, modos de agir, que lação dos estudos, considerando as idades e o ritmo das mesmas.
se traduzem em convicções ideológicas, morais, políticas, princípios de No século XVII, João Amós Convêncio (1592 - 1670) forma a teoria di-
ação frente a atuações reais e desafios da vida prática. Nesse sentido, a dática para investigar as ligações entre ensino e aprendizagem. Sua in-
educação é uma instituição social que se ordena no sistema educacional de fluência foi considerável, não só porque desenvolvem métodos de instrução
um país, num determinado momento histórico; é um produto, significando mais rápidos e eficientes, mas porque também desejava que todas as
os resultados obtidos da ação educativa conforme propósitos sociais e pessoas pudessem usufruir do conhecimento.
políticos pretendidos; é processo por consistir de transformações sucessi-
vas tanto no sentido histórico quanto no de desenvolvimento da personali- No entanto, a teoria por ele desenvolvida demorou a ser praticada,
dade. predominando as práticas escolares da Idade Média no século XVII e nos
seguintes.
Após essa introdução sobre a educação podemos nos remeter à Didá-
tica situando-a no conjunto dos conhecimentos pedagógicos. A Pedagogia As mudanças continuavam ocorrendo e Jean Jacques Rousseau (1712
por sua vez, é a ciência que estuda a teoria e a prática da educação nos a 1778) foi um pensador que propôs uma nova concepção de ensino,
seus vínculos com a prática social global. A Didática é uma disciplina baseado nas necessidades e interesses imediatos da criança.
pedagógica que estuda os objetivos, os conteúdos, os meios e as condi-
As ideias mais importantes de Rousseau, são:
ções do processo de ensino, visando as finalidades educacionais.
A didática por sua vez, ocupa um lugar especial na formação teórica e 1. A preparação da criança para a vida futura deve basear-se no
prática dos professores. estudo das coisas que correspondem às suas necessidades e interesses
atuais. Antes de ensinar as ciências, elas precisam ser levadas a disputar o
Dessa forma, a Didática constitui-se no principal ramo de estudos da gosto pelo seu estudo. Os verdadeiros professores são a natureza, a expe-
Pedagogia, pois investiga os fundamentos, condições e modos de realiza- riência e os sentimentos. O contato da criança com o mundo que a rodeia é
ção da instrução e do ensino. A Didática está intimamente ligada à Teoria que desperta o interesse e suas potencialidades naturais. São os interesses
da Educação e à Teoria de Organização Escolar, e de modo especial, e necessidades imediatas do aluno que determinam a organização do
vincula-se à Teoria do Conhecimento e à Psicologia da Educação. estudo e seu desenvolvimento.
A Didática e as metodologias específicas das matérias de ensino for-
2. A educação é um processo natural que se fundamenta no de-
mam uma unidade, mantendo entre si relações recíprocas. A Didática trata
senvolvimento interno do aluno. As crianças são boas por natureza, elas
da teoria geral do ensino. As metodologias específicas, integrando o campo
tem uma tendência natural para se desenvolverem.
da Didática, ocupam-se dos conteúdos e métodos próprios de cada matéria
na sua relação com fins educacionais. Pestalozzi dava grande importância ao método intuitivo, levando os
A Didática é também, um meio de trabalho do qual os professores se alunos a desenvolverem o senso de observação, análise dos objetos e
servem para dirigir a atividade ensino, cujo resultado é a aprendizagem dos fenômenos da natureza e a capacidade da linguagem. Nisto consistia a
conteúdos escolares pelos alunos. educação intelectual. Revelava também a psicologia da criança como fonte
do desenvolvimento do ensino.
Tradicionalmente se consideram como componentes de ação didática a
matéria, o professor, os alunos. O ensino é uma atividade complexa na Johann Friedrich Herbart (1766 a 1841) foi influenciado pelas ideias de
medida que envolve tanto condições externas como condições internas das Convêncio, Rousseau e Pestalozzi. Foi um pedagogo alemão e influenciou
situações didáticas. Conhecer essas condições e lidar acertadamente com muito a Didática e a prática docente, sendo inspirador da pedagogia con-
elas é uma das tarefas básicas do professor para a condição do trabalho servadora.
docente. Segundo Herbart, educar o homem significa instruí-lo para querer o
Internamente, a ação didática se refere à relação entre o aluno e a ma- bem, de modo que aprenda a comandar a si próprio.
téria, com o objetivo de apropriar-se dela com a mediação do professor.
Herbart investigava também a formulação de um método único de en-
Entre a matéria, o professor e o aluno ocorrem relações recíprocas.
sino, em conformidade com as leis psicológicas do conhecimento. Dessa

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forma, estabeleceu quatro passos didáticos: o primeiro seria a preparação e Pedagogia Crítico - Social dos Conteúdos
a apresentação da matéria nova de forma completa e clara, que denominou
A Didática na Pedagogia Tradicional é uma disciplina normativa, um
CLAREZA; o segundo seria a associação entre as ideias antigas e as
conjunto de princípios e regras que regulam o ensino. A atividade de ensi-
novas; o terceiro, a SISTEMATIZAÇÃO dos conhecimentos, tendo em vista
nar é centrada no professor que expõe e interpreta a matéria. A exposição
a generalização; finalmente, o quarto seria a aplicação, ou uso dos conhe-
oral, a palavra, é o principal meio do ensino.
cimentos adquiridos através de exercícios, que denominou método. Poste-
riormente, os discípulos de Herbart, desenvolveram a proposta dos passos O aluno é recebedor da matéria e sua tarefa é decorá-la. A matéria de
formais, ordenando-os em cinco: preparação, apresentação, assimilação, ensino é tratada isoladamente, desvinculada dos interesses dos alunos e
generalização e aplicação, fórmula esta que ainda é usada pela maioria dos dos problemas reais da sociedade e da vida. O método é dado pela lógica e
nossos professores. sequência da matéria, predomina ainda os métodos intuitivo incorporados
ao ensino tradicional. Sendo assim, a aprendizagem continua receptiva,
As ideias pedagógicas de Convêncio, Rousseau, Pestalozzi e Herbart e
automática, não mobilizando a atividade mental do aluno e o desenvolvi-
outros, formaram as bases do pensamento pedagógico europeu, difundin-
mento de suas capacidades intelectuais.
do-se depois por todo o mundo, demarcando as concepções pedagógicas
que hoje são conhecidas como Pedagogia Tradicional e Pedagogia Reno- A Didática Tradicional continua prevalecendo na prática escolar, pois é
vada. comum nas escolas o ensino como mera transmissão de conhecimentos,
sobrecarregando o aluno de conhecimentos que são decorados sem ques-
A Pedagogia Tradicional, em suas várias correntes, caracteriza as con-
tionamento, através de exercícios repetitivos. Dessa forma, os conhecimen-
cepções de educação onde prepondera a ação de agentes externos na
tos ficaram esteriotipados, desprovidos de significados sociais, inúteis para
formação do aluno e nas grandes verdades acumuladas pela humanidade e
a formação das capacidades intelectuais e para a compreensão crítica da
uma concepção de ensino como impressão de imagens propiciadas ora
realidade. A intenção de formação mental, de desenvolvimento do raciocí-
pela palavra do professor ora pela observação sensorial. A Pedagogia
nio, ficou reduzido a práticas de memorização.
Renovada agrupa correntes que advogam a renovação escolar, opondo-se
à Pedagogia Tradicional. Destacam-se a valorização da criança, dotada de Em contraposição à Pedagogia Tradicional, surge no final do século
liberdade, iniciativa e de interesses próprios e, por isso, sujeito da sua XIX a Pedagogia Renovada incluindo várias correntes: a progressista
aprendizagem e agente de seu próprio desenvolvimento; tratamento cientí- (baseada na teoria educacional de John Dewey); a não - diretiva (inspirada
fico do processo educacional, considerando as etapas sucessivas do de- em Carl Rogers); a ativista-espiritualista (de orientação católica); a cultura-
senvolvimento biológico e psicológico; respeito às capacidades e aptidões lista; a piagetiana; a montessoriana e outras. De acordo com estudos feitos,
individuais, individualização do ensino conforme os ritmos próprios de a Didática brasileira se baseia na corrente progressivista do movimento da
aprendizagem; rejeição de modelos adultos em favor da atividade e da Escola Nova.
liberdade de expressão da criança.
A Didática da Escola Nova ou Didática ativa é entendida como direção
O nome Pedagogia Renovada se aplica tanto ao movimento da educa- da aprendizagem, sendo o aluno sujeito da aprendizagem. A ideia é que o
ção nova propriamente dita, que inclui a criação de “escolas novas”, a aluno aprende melhor o que faz por si mesmo. Para isso o aluno é colocado
disseminação da pedagogia ativa e dos métodos ativos, como também em situações que seja mobilizada e sua atividade global e que se manifesta
outras correntes que adotam outros princípios de renovação educacional em atividade intelectual, atividade de criação, de expressão verbal, escrita,
mas sem vínculo direto com a Escola Nova. plástica ou outro tipo. O centro da atividade escolar não é o professor nem
a matéria, mas o aluno ativo e investigador. O professor incentiva, orienta,
Dentro do movimento escolarivista, desenvolveu-se a Pedagogia
organiza as situações de aprendizagem, adequando-as às capacidades de
Pragmática e Progressista, nos Estados Unidos, cujo principal representan-
características individuais dos alunos. Devido a isso, a Didática ativa dá
te é Johnn Dewvey (1859 a 1952). Esse movimento teve influência no Brasil
grande importância aos métodos e técnicas como o trabalho de grupo,
com Anísio Teixeira liderando na década de 30 o movimento dos prisionei-
atividades cooperativas, estudo individual, pesquisas, projetos, experimen-
ros da Escola Nova, que influenciou na formulação da política educacional,
tações, etc., bem como os métodos de reflexão e método científico de
na legislação, na investigação acadêmica e na prática escolar.
descobrir conhecimentos. O que importa é o processo de aprendizagem.
O movimento escolarivista no Brasil teve várias correntes, sendo a
Sintetizando, a Década ativa dá menos atenção aos conhecimentos
mais denominante a progressista. Destacamos a corrente vitalista, repre-
sistematizados, valorizando mais o processo da aprendizagem e os meios
sentada por Montessori, as teorias cognitivistas, as teorias fenomenológicas
que possibilitam o desenvolvimento das capacidades e habilidades intelec-
e especialmente a teoria interacionista baseada na psicologia genética de
tuais dos alunos. A Didática não é a direção do ensino, é a orientação de
Jean Piaget. Pode-se dizer também, que em certo sentido, o tecnicismo
aprendizagem, uma vez que esta é uma experiência própria do aluno
educacional representa a continuidade da corrente progressivista, embora
através da pesquisa, da investigação.
juntando-se com as contribuições da teoria Behaviorista e da abordagem
sistêmica do ensino. A Didática entendida dessa forma é bastante positiva, principalmente
quando baseia a atividade escolar na atividade mental dos alunos, no
A Pedagogia Cultural é uma das correntes da Pedagogia Renovada,
estudo e na pesquisa, visando a formação de um pensamento autônomo.
sem vínculo com a Escola Nova, mas que teve repercussões no Brasil,
No entanto, raros são os professores que aplicam inteiramente o proposto
mesmo sendo pouco estudada por nós.
pela Didática ativa. Por falta de conhecimento profundo, os professores até
O Estudo teórico da Pedagogia no Brasil passa por um movimento usam procedimentos e técnicas do grupo, estudo dirigido, discussões, etc.,
principalmente a partir das investigações educativas baseadas nas contri- mas sem objetivos de levar o aluno a pensar, ao raciocínio científico, ao
buições do materialismo histórico e didático. Tais estudos conseguem para desenvolvimento da capacidade de reflexão e à independência de pensa-
a formulação de uma teoria crítico - social da educação, a partir da crítica mento. Assim, na hora de comprovar os resultados do ensino e da aprendi-
política e pedagógica das tendências e correntes da educação brasileira. zagem, pedem matéria duradoura, como no ensino tradicional.
Nos últimos anos, vários estudos tem sido desenvolvidos sobre a histó- Paralelamente à Didática da Escola Nova, surge a partir dos anos 50 a
ria da Didática no Brasil, suas relações com as tendências pedagógicas e a Didática Moderna proposta por Luís Alves de Mattos, inspirada na pedago-
investigação do seu campo de conhecimentos. As tendências pedagógicas gia da cultura de origem alemã.
são divididas em dois grupos:
As características dessa Didática são: o aluno é fator pessoal decisivo
- As de cunho liberal - Pedagogia Tradicional na situação escolar; em função dele giram as atividades escolares, para
orientá-lo e incentivá-lo na sua educação e na sua aprendizagem, tendo em
Pedagogia Renovada
vista desenvolver-lhe a inteligência e formar-lhe o caráter e a personalida-
Tecnicismo educacional de. Cabe ao professor incentivar, orientar e controlar a aprendizagem,
organizando o ensino em função das reais capacidades dos alunos e do
- As de cunho progressista - Pedagogia Libertadora desenvolvimento dos seus hábitos de estudo e reflexão. A matéria é o
conteúdo cultural de aprendizagem e está a serviço do aluno para formar

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suas estruturas mentais, vinculando-se às necessidades e capacidades professor é coordenador ou animador das atividades que se organizam
reais dos alunos. O método representa o conjunto dos procedimentos para sempre pela ação conjunta dele e dos alunos.
assegurar a aprendizagem, portanto relacionam-se com a psicologia do
A Pedagogia Libertadora tem sido empregada com muito êxito em vá-
aluno.
rios setores dos movimentos sociais, como sindicatos, associações de
Os conceitos básicos da Didática Moderna são o ensino e a aprendiza- bairro, comunidades religiosas. Parte desse êxito se deve ao fato de ser
gem, em estreita ligação entre si. O ensino é a atividade direcional sobre o utilizada entre adultos que vivenciam uma prática política e onde o debate
processo de aprendizagem e a aprendizagem é a atividade mental intensiva sobre a problemática econômica, social e política pode ser aprofundado
e propositada do aluno em relação aos dados fornecidos pelos conteúdos com a orientação de intelectuais comprometidos com os interesses popula-
culturais. res. Essa relação à sua aplicação nas escolas públicas, especialmente no
ensino de primeiro grau, os representantes dessa tendência não chegaram
Mattos propõe a teoria do ciclo docente, que é o método didático em
a formular uma orientação pedagógica - didática especificamente escolar,
ação. O ciclo docente, abrange as fases de planejamento, orientação e
compatível com a idade, o desenvolvimento mental e as características de
controle da aprendizagem e suas subfases, e definir-se como “o conjunto
aprendizagem das crianças e jovens.
de atividades exercidas, em sucessão ou ciclicamente, pelo professor, para
dirigir e orientar o processo de aprendizagem dos alunos, levando-o a bom Para a Pedagogia Crítico - Social dos Conteúdos a escola pública
termo. É o método da ação”. cumpre a sua função social e política. Não considera suficiente colocar
como conteúdo escolar a problemática social cotidiana, pois só com o
Quanto ao Tecnicismo educacional, inclui-se em certo sentido na Pe-
domínio dos conhecimentos, habilidades e capacidades mentais podem os
dagogia Renovadas. Desenvolveu-se no Brasil na década de 50, ganhando
alunos organizar, interpretar e reelaborar as suas experiências de vida em
autonomia nos anos 60, quando constituem-se como tendência, inspirada
função dos interesses de classe. O importante é que os conhecimentos
na teoria behaviorista da aprendizagem e na abordagem sistêmica do
sistematizados se confrontados com as experiências sócio - culturais e a
ensino. Nas duas últimas décadas, foi uma orientação imposta às escolas
vida concreta dos alunos. Do ponto de vista didático, o ensino consiste na
pelos organismos oficiais, por ser compatível com a orientação econômica,
mediação de objetivos - conteúdos - métodos que assegure o encontro
política e ideológica do regime militar então vigente. A Didática tecnicista,
formativo entre os alunos e as matérias escolares que é o fator decisivo da
instrumental prevalece ainda hoje, e está interessada na racionalização do
aprendizagem.
ensino, no uso de meios e técnicas mais eficazes. O sistema de instrução
se baseia nas seguintes etapas: Para a Pedagogia Crítico - Social a Didática assume grande importân-
cia, pois o objeto de estudo é o processo de ensino nas suas relações e
1) especificação de objetivos instrucionais especializados (OBJETI-
ligações com a aprendizagem. A Didática tem como objetivo a direção do
VOS)
processo de ensinar, tendo em vista finalidades sócio - políticas e pedagó-
2) avaliação prévia dos alunos para estabelecer pré-requisitos visan- gicas e as condições e os meios formativos, que procuram promover a auto
do alcançar os objetivos (CONTEÚDOS) - atividade dos alunos, a aprendizagem. Dá ao ensino a tarefa de propiciar
aos alunos o desenvolvimento de suas capacidades e habilidades intelec-
3) ensino ou organização das experiências de aprendizagem (ES- tuais, mediante a transmissão e assimilação ativa dos conteúdos escolares
TRATÉGIAS) articulando no mesmo processo, a aquisição de noções sistematizadas e as
4) avaliação dos alunos relativa a que se propôs nos objetivos iniciais. qualidades individuais dos alunos que lhes possibilitam a auto - atividade e
O professor é então, um administrador e executor do planejamen- a busca independente e criativa das noções.
to, o meio de previsão das ações, a serem executadas e dos meios Os conhecimentos teóricos e práticos da didática medeiam os vínculos
necessários para se atingir os objetivos. Boa parte dos livros didá- entre o pedagógico e a docência; fazem a ligação entre “para quê” (opções
ticos usados nas escolas são baseados na tecnologia da instrução. político - pedagógicos) e o “como” da ação educativa escolar (a prática
No início dos anos 60 surgiram os movimentos da educação de adultos docente).
que geraram ideias pedagógicas e práticas educacionais de educação A Pedagogia Crítico-Social toma o partido dos interesses majoritários
popular, configurando a tendência que veio a ser denominada de Pedago- da sociedade, atribuindo à instrução e ao ensino o papel de proporcionar
gia Libertadora. aos alunos o domínio de conteúdos científicos, os métodos de estudo e
Na segunda metade da década de 70, com a manutenção do quadro habilidades e hábitos de raciocínio científico, de modo a formarem a cons-
político repressivo, muitos estudiosos e militantes políticos se interessavam ciência crítica face às realidades sociais e capacitando-se a assumir no
apenas pela crítica e pela denúncia do papel ideológico e discriminador da conjunto das lutas sociais a sua condição de agentes ativos de transforma-
escola na sociedade capitalista. ção da sociedade e de si próprios.
Outros, no entanto, considerando essa crítica, preocupavam-se em Freitas (1995) menciona que é na década de 1980 que surgem oposi-
formular propostas e desenvolver estudos no sentido de tornar possível ções à concepção corrente de didática, a qual saía de um período em que
uma escola voltada para os interesses concretos do povo. Destacam-se se havia exaltado o método e a técnica de ensino, especialmente na déca-
assim a Pedagogia Libertadora e a Pedagogia Crítico - Social dos Conteú- da de 1970. À Didática Instrumental dos anos 70, contrapõe-se a Didática
dos. A primeira baseou-se nas propostas da Educação popular dos anos Fundamental dos anos 80.
60; a segunda inspirou-se no materialismo histórico - dialético, interessado A Didática Fundamental está ligada ao movimento pela redefinição do
na educação popular, na valorização da escola pública e do trabalho do campo da didática, cuja maior expressão foram os seminários de didática
professor, no ensino de qualidade para o povo e dando grande importância do início dos anos 80. Foi na realidade, um amplo movimento de reação a
ao domínio dos conteúdos científicos do ensino por parte de professores e um tipo de didática baseada na neutralidade, fundada na ideia da didática
alunos. como método único de ensino, e como tal, nos procedimentos formalizados.
São duas tendências pedagógicas progressistas, propondo uma edu- Por isso, o nome Didática Fundamental.
cação escolar crítica a serviço das transformações sociais e econômicas, A colocação feita por Freitas, sintetiza de certo modo a exposição des-
ou seja, de separação das desigualdades sociais decorrentes das formas te sobre a história da Didática.
sociais capitalistas de organização da sociedade. Diferem, no entanto,
quantos aos objetivos imediatos, meios e estratégias de atingir essas metas Fischer (1976) em seu artigo discute a confusão existente entre meto-
gerais comuns. dologia de ensino e técnicas didáticas.
A Pedagogia Libertadora, não tem proposta explícita de Didática mas Por metodologia entende-se a articulação de uma teoria de compreen-
implicitamente na orientação do trabalho escolar, há uma Didática, pois o são e interpretação da realidade com uma prática específica, que pode ser
professor se coloca diante de uma classe com a tarefa de orientar a apren- o ensino de uma determinada disciplina. Seria a prática pedagógica: as
dizagem dos alunos. É uma didática que busca desenvolver o processo aulas, o relacionamento entre professores e alunos, a bibliografia usada, o
educativo como tarefa que se dá no interior dos grupos sociais e por isso o sistema de avaliação, as técnicas de trabalho em grupo, o tipo de questões
que o professor levanta, o tratamento que dá à sua disciplina, a relação que

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estabelece na prática entre escola e sociedade - revela a sua compreensão de produção, em contraposição às ideias conservadoras da nobreza e do
e interpretação da relação homem - sociedade - natureza, historicamente clero. O sistema de produção capitalista, ainda incipiente, já influenciava a
determinada, constituindo-se essa articulação a sua metodologia de ensino. organização da vida social, política e cultural.
Nossa sociedade - capitalista - e dependente dos países desenvolvidos,
caracteriza-se por controlar a manifestação popular e democrática através das A DIDÁTICA DE COMÊNIO SE ASSENTAVA NOS SEGUINTES
instituições. Do ponto de vista do sistema educacional valoriza a tecnologia de PRINCÍPIOS:
educação, sob a ideia de que, quanto mais eficientes e elaborado forem as 1) A finalidade da educação é conduzir à felicidade eterna com Deus,
técnicas didáticas, mais eficaz será o processo educativo. pois é uma força poderosa de regeneração da força humana. Todos os
Daí a confusão entre Metodologia de Ensino e Técnicas Didáticas. Pela homens merecem a sabedoria, a moralidade e a religião, porque todos, ao
falta de reflexão e consciência, o professor, na vontade de cumprir sua realizarem sua própria natureza, realizam os desígnios de Deus. Portanto a
“nobre missão”, nada mais faz que reforçar o senso comum da chamada educação é um direito natural de todos.
educação “moderna”, em que as técnicas é que são importantes, assumin- 2) Por ser parte da natureza, o homem deve ser educado de acordo
do então, inconscientemente ou não, uma metodologia de ensino fundada com o seu desenvolvimento natural, isto é, de acordo com as característi-
na compreensão e interpretação oficial, “legal” da realidade, compreensão cas de idade e capacidade para o desenvolvimento. Consequentemente, a
que por sua vez, confunde metodologia com tecnicismo. E para reforço tarefa principal da Didática é estudar essas características e os métodos de
desse comportamento, divulga-se ainda que as técnicas são “neutras”, o ensino correspondentes, de acordo com a ordem natural das coisas.
que importa é a “atitude” do professor. 3) A assimilação dos conhecimentos não se dá instantaneamente,
Geralmente, a Didática estuda algumas propostas de Metodologia de como se o aluno registrasse de forma mecânica em sua mente a informa-
Ensino. A escolha, no entanto, dessa Metodologia de Ensino se fará a partir ção do professor, como o reflexo num espelho. No ensino, ao invés disso,
da prática pedagógica e da escolha dos meios de ensinar, de aprender, de tem um papel decisivo a percepção sensorial das coisas. Os conhecimen-
transmitir conhecimentos, de conhecer. tos devem ser adquiridos a partir da observação das coisas e dos fenôme-
nos, utilizando e desenvolvendo sistematicamente os órgãos dos sentidos.
4) O método intuitivo consiste, assim, da observação direta, pelos ór-
gãos dos sentidos, das coisas, para o registro das impressões na mente do
Conhecimentos da Pratica de Ensino: processos e conte- aluno. Primeiramente as coisas, depois as palavras. O planejamento de
údo do ensino e da aprendizagem; conhecimento na es- ensino deve obedecer ao curso da natureza infantil; por isso as coisas
devem ser ensinadas uma de cada vez. Não se deve ensinar nada que a
cola; a organização do tempo e do espaço e a avaliação criança não possa compreender. Portanto, deve-se partir do conhecido para
escolar; projetos de trabalho e a interdisciplinaridade. o desconhecido.
Cotidiano escolar: relações de poder na escola; currículo Libâneo comenta que, apesar das grande novidade destas ideias, prin-
e cultura; tendências pedagógicas na pratica escolar. A cipalmente dando um impulso ao surgimento de uma teoria do ensino,
educação básica no Brasil: acesso; permanência; inclu- Comênio não escapou de algumas crenças usuais na época sobre ensino.
são e fracasso escolar. Embora partindo da observação e da experiência sensorial, mantinha-se o
caráter transmissor do ensino; embora procurando adaptar o ensino às
fases do desenvolvimento infantil, mantinha-se o método único e o ensino
DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DA DIDÁTICA E TENDÊNCIAS simultâneo a todos. Além disso, sua ideia de que a única via de acesso dos
PEDAGÓGICAS conhecimentos é a experiência sensorial com as coisas não é suficiente,
Segundo o autor a história da Didática está liga ao aparecimento do primeiro porque nossas percepções frequentemente nos enganam, segun-
ensino - no decorrer do desenvolvimento da sociedade, da produção e das do, porque já há uma experiência social acumulada de conhecimentos
ciências - como atividade planejada e intencional dedicada à instrução. sistematizados que não necessitam ser descobertos novamente.
Desde os primeiros tempos existem indícios de formas elementares de Entretanto segundo o autor, Comênio desempenhou uma influência
instrução e aprendizagem. Sabe-se, por exemplo, que nas comunidade considerável, não somente porque empenhou-se em desenvolver métodos
primitivas os jovens passam por um ritual de iniciação para ingressarem de instrução mais rápidos e eficientes, mas também porque desejava que
nas atividades do mundo adulto. Pode-se considerar esta uma forma de todas as pessoas pudessem usufruir dos benefícios do conhecimento.
ação pedagógica, embora aí não esteja o “didático” como forma estruturada O autor comenta que no século XVII, em que viveu Comênio, e nos sé-
de ensino. culos seguintes, ainda predominavam práticas escolares da Idade Média:
Na chamada Antiguidade Clássica (gregos e romanos) e no período ensino intelectualista, verbalista e dogmático, memorização e repetição
medieval também se desenvolvem formas de ação pedagógica, em esco- mecânica dos ensinamentos do professor. Nessas escolas não havia
las, mosteiros, igrejas, universidades. Entretanto, até meados do século espaço para ideias próprias dos alunos, o ensino era separado da vida,
XVII não podemos falar de Didática como teoria de ensino, que sistematize mesmo porque ainda era grande o poder da religião na vida social.
o pensamento didático e o estudo científico das formas de ensinar. Enquanto isso, porém, foram ocorrendo intensas mudanças nas formas
Coloca o autor que o termo “Didática” aparece quando os adultos co- de produção, havendo um grande desenvolvimento da ciência e da cultura.
meçam a intervir na atividade de aprendizagem das crianças e jovens Foi diminuindo o poder da nobreza e do clero e aumentando o da burgue-
através da direção deliberada e planejada do ensino, ao contrário das sia. Na medida em que esta se fortalecia como classe social, disputando o
formas de intervenção mais ou menos espontâneas de antes. Estabelecen- poder econômico e político com a nobreza, ia crescendo também a neces-
do-se uma intenção propriamente pedagógica na atividade de ensino, a sidade de um ensino ligado às exigências do mundo da produção e dos
escola se torna uma instituição, o processo de ensino passa a ser sistema- negócios e, ao mesmo tempo, um ensino que contemplasse o livre desen-
tizado conforme níveis, tendo em vista a adequação às possibilidades das volvimento das capacidades e interesses individuais.
crianças, às idades e ritmo de assimilação dos estudos. Libâneo cita Jean Jacques Rousseau (1712-1778) que foi um pensador
A formação da teoria didática, segundo Libâneo, para investigar as li- que procurou interpretar essas aspirações, propondo uma concepção nova
gações entre ensino e aprendizagem e suas leis ocorre no século XVII, de ensino, baseada nas necessidades e interesses imediatos da criança.
quando João Amós Comênio (1592-1670), um pastor protestante, escreve a
primeira obra clássica sobre Didática, a Didacta Magna . Ele foi o primeiro AS IDEIAS MAIS IMPORTANTES DE ROUSSEAU SÃO AS SEGUIN-
educador a formular a ideia da difusão dos conhecimentos a todos e criar TES:
princípios e regras de ensino.
1) A preparação da criança para a vida deve basear-se no estudo das
Libâneo salienta que Comênio desenvolveu ideias avançadas para a coisas que correspondem às suas necessidades e interesses atuais. Antes
prática educativa nas escolas, numa época em que surgiam novidades no de ensinar as ciências, elas precisam ser levadas a despertar o gosto pelo
campo da Filosofia e das Ciências e grandes transformações nas técnicas seu estudo. Os verdadeiros professores são a natureza, a experiência e o

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sentimento. O contato da criança com o mundo que a rodeia é que desperta A Pedagogia tradicional, segundo o texto, em suas várias correntes,
o interesse e suas potencialidades naturais. Em resumo: são os interesses caracteriza as concepções de educação onde prepondera a ação de agen-
e necessidades imediatas do aluno que determinam a organização do tes externos na formação do aluno, o primado de conhecimento, a trans-
estudo e seu desenvolvimento. missão do saber constituído na tradição e nas grandes verdades acumula-
2) A educação é um processo natural, ela se fundamenta no desenvol- das pela humanidade e uma concepção de ensino como impressão de
vimento interno do aluno. As crianças são boas por natureza, elas têm uma imagens propiciadas, ora pela palavra do professor, ora pela observação
tendência natural para se desenvolverem. sensorial. A Pedagogia Renovada, segundo ele, agrupa correntes que
advogam a renovação escolar, opondo-se à Pedagogia Tradicional. Entre
O autor salienta que Rousseau não colocou em prática suas ideias e as características desse movimento destacam-se: a valorização da criança,
nem elaborou uma teoria de ensino. Essa tarefa coube a um outro pedago- dotada de liberdade, iniciativa e de interesses próprios e, por isso mesmo,
go suíço, Henrique Pestalozzi (1746-1827), que viveu e trabalhou até o fim sujeito da sua aprendizagem e agente do seu próprio desenvolvimento;
da vida na educação de crianças pobres, em situações dirigidas por ele tratamento científico do processo educacional, considerando as etapas
próprio. Deu uma grande importância ao ensino como meio de educação e sucessivas do desenvolvimento biológico e psicológico; respeito às capaci-
desenvolvimento das capacidades humanas, como cultivo do sentimento, dades e aptidões individuais, individualização do ensino conforme os ritmos
da mente e do caráter, e atribuía grande importância ao método intuitivo, próprios de aprendizagem; rejeição de modelos adultos em favor da ativi-
levando os alunos a desenvolverem o senso de observação, análise dos dade e da liberdade de expressão da criança.
objetos e fenômenos da natureza e a capacidade da linguagem, através da O movimento de renovação da educação, inspirado nas ideias de Ros-
qual se expressa em palavras o resultado das observações. Nisto consistia seau, recebeu diversas denominações, como educação nova, escola nova,
a educação intelectual. Também atribuía importância fundamental à psico- pedagogia ativa, escola do trabalho. Desenvolveu-se como tendência
logia da criança como fonte do desenvolvimento do ensino. pedagógica no início do século XX, embora nos séculos anteriores tenham
Segundo o autor, as ideias de Comênio, Rousseau e Pestalozzi influ- existido diversos filósofos e pedagogos que propugnavam a renovação da
enciaram muitos outros pedagogos. Sendo que o mais importante deles foi educação vigente, tais como Erasmo, Rabelais, Montaigne à época do
Johann Friedrich Herbart (1766-1841), pedagogo alemão que teve muitos Renascimento e os já citados Comênio (séc. XVII), Rosseau e Pestalozzi
discípulos e que exerceu influência relevante na Didática e na prática (no séc. XVIII). A denominação Pedagogia Renovada se aplica tanto ao
docente. Foi e continua sendo inspirador da pedagogia conservadora, mas movimento da educação nova que inclui a criação de “escolas novas”, a
suas ideias precisam ser estudadas por causa da sua presença constante disseminação da pedagogia ativa e dos métodos ativos, como também a
nas salas de aula brasileiras. Junto com uma formulação teórica dos fins da outras correntes que adotam certos princípios de renovação educacional,
educação e da Pedagogia como ciência, desenvolveu uma análise do mas sem vínculo direto com a Escola Nova; o autor cita, como exemplo, a
processo psicológico-didático de aquisição de conhecimentos, sob a dire- pedagogia científico-espiritual desenvolvida por W. Dilthey e seus seguido-
ção do professor. res, e a pedagogia ativista-espiritualista católica.
Segundo Herbart, o fim da educação é a moralidade, atingida através Segundo o texto, dentro do movimento escolanovista, desenvolveu-se
da instrução educativa. Educar o homem significa instruí-lo para querer o nos Estados Unidos uma de suas mais destacadas correntes, a Pedagogia
bem, de modo que aprenda a comandar a si próprio. A principal tarefa da Pragmática ou Progressivista, cujo principal representante é John Dewey
instrução é introduzir ideias corretas na mente dos alunos. O professor é (1859-1952). O autor considera que as ideias desse brilhante educador
um arquiteto da mente. Ele deve trazer à atenção dos alunos aquelas ideias exerceram uma significativa influência no movimento da Escola Nova na
que deseja que dominem suas mentes. Controlando os interesses dos América Latina e, particularmente, no Brasil. Com a liderança de Anísio
alunos, o professor vai construindo uma massa de ideias na mente, que por Teixeira e outros educadores, formou-se no início da década de 30 o Movi-
sua vez vão favorecer a assimilação de ideias novas. O método de ensino mento dos Pioneiros da Escola Nova, cuja atuação foi decisiva na formula-
consiste em provocar a acumulação de ideias na mente da criança. ção da política educacional, na legislação, na investigação acadêmica e na
prática escolar.
Herbart estava atrás também da formulação de um método único de
ensino, em conformidade com as leis psicológicas do conhecimento. Esta- Segundo Libâneo, Dewey e seus seguidores reagem à concepção her-
beleceu, assim, quatro passos didáticos que deveriam ser rigorosamente bartiana da educação pela instrução, advogando a educação pela ação. A
seguidos: o primeiro seria a preparação e apresentação da matéria nova de escola não é uma preparação para a vida, é a própria vida; a educação é o
forma clara e completa, que denominou clareza; o segundo seria a associa- resultado da interação entre o organismo e o meio através da experiência e
ção entre as ideias antigas e as novas: o terceiro, a sistematização dos da reconstrução da experiência. A função mais genuína da educação é a de
conhecimentos, tendo em vista a generalização: finalmente, o quarto seria a prover condições para promover e estimular a atividade própria do orga-
aplicação, o uso dos conhecimentos adquiridos através de exercícios, que nismo para que alcance seu objetivo de crescimento e desenvolvimento.
denominou método. Por isso, a atividade escolar deve centrar-se em situações de experiência
onde são ativadas as potencialidades, capacidades, necessidades e inte-
Posteriormente, os discípulos de Herbart desenvolveram mais a pro- resses naturais da criança. O currículo não se baseia nas matérias de
posta dos passos formais ordenando-os em cinco: preparação, apresenta- estudo convencionais que expressam a lógica do adulto, mas nas ativida-
ção, assimilação, generalização e aplicação, fórmula esta que ainda é des e ocupações da vida presente, de modo que a escola se transforme
utilizada pela maioria dos nossos professores. num lugar de vivência daquelas tarefas requeridas para a vida em socieda-
O autor salienta que o sistema pedagógico de Herbart e seus seguido- de. O aluno e o grupo passam a ser o centro de convergência do trabalho
res - chamados de herbatianos - trouxe esclarecimentos válidos para a escolar.
organização da prática docente, como por exemplo: a necessidade de O movimento escolanovista no Brasil, segundo o autor, se desdobrou
estruturação e ordenação do processo de ensino, a exigência de compre- em várias correntes, embora a mais predominante tenha sido a progressis-
ensão dos assuntos estudados e não simplesmente memorização, o signifi- ta. Cumpre destacar a corrente vitalista, representada por Montessori, as
cado educativo da disciplina na formação do caráter. Entretanto, Libâneo teorias cognitivas, as teorias fenomenológicas e especialmente a teoria
faz uma ressalva para o fato de o ensino ser entendido como repasse de interacionista baseada na psicologia genética de Jean Piaget. Em certo
ideias do professor para a cabeça do aluno; os alunos devem compreender sentido, pode-se dizer também, segundo Libâneo, que o tecnicismo educa-
o que o professor transmite, mas apenas com a finalidade de reproduzir a cional representa a continuidade da corrente progressista, embora retempe-
matéria transmitida. Com isso, segundo ele, a aprendizagem se torna rado com as contribuições da teoria behaviorista e da abordagem sistêmica
mecânica, automática, associativa, não mobilizando a atividade mental, a do ensino.
reflexão e o pensamento independente e criativo dos alunos. Uma das correntes da Pedagogia renovada que não tem vínculo direto
Segundo o autor, as ideias pedagógicas de Comênio, Rousseau, Pes- com o movimento da Escola Nova, mas que teve repercussões na Pedago-
talozzi e Herbart - além de muitos outros - formaram as bases do pensa- gia brasileira, é a chamada Pedagogia Cultural. Trata-se de uma tendência
mento pedagógico europeu, difundindo-se depois por todo o mundo, de- ainda pouco estudada entre nós. Sua característica principal é focalizar a
marcando as concepções pedagógicas que hoje são conhecidas como educação como fato da cultura, atribuindo ao trabalho docente a tarefa de
Pedagogia Tradicional e Pedagogia Renovada. dirigir e encaminhar a formação do educando pela apropriação de valores
culturais. A Pedagogia Cultural a que o autor se refere tem sua afiliação na

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pedagogia científico-espiritual desenvolvida por Guilherme Dilthey (1833- intenções da Pedagogia Tradicional que pretendia, com seus métodos, a
1911) e seguidores como Theodor Litt, Eduard Spranger e Hermann Nohl. transmissão da cultura geral, isto é, das grandes descobertas da humani-
Tendo-se firmado na Alemanha como uma sólida corrente pedagógica, dade, e a formação do raciocínio, o treino da mente e da vontade. Os
difundiu-se em outros países da Europa, especialmente na Espanha, e daí conhecimentos ficaram estereotipados, insossos, sem valor educativo vital,
para a América Latina, influenciando autores como Lorenso Luzuriaga, desprovidos de dignificados sociais, inúteis para a formação das capacida-
Francisco Larroyyo, J. Roura-Parella, Ricardo Nassif e, no Brasil, Luís Alves des intelectuais e para a compreensão crítica da realidade. O intento de
de Mattos e Onofre de Arruda Penteado Junior. Numa linha distinta das formação mental, de desenvolvimento do raciocínio, ficou reduzido a práti-
concepções escolanovistas, esses autores se preocupam em superar as cas de memorização.
oposições entre o psicológico e o cultural. De um lado, concebem a educa- A Pedagogia Renovada inclui várias correntes: a progressista (que se
ção como atividade do próprio sujeito, a partir de uma tendência interna de baseia na teoria educacional de John Dewey), a não-diretiva (principalmen-
desenvolvimento espiritual; de outro, consideram que os indivíduos vivem te inspirada em Carl Rogers), a ativista-espiritualista (de orientação católi-
num mundo sociocultural, produto do próprio desenvolvimento histórico da ca), a culturalista, a piagetiana, a montessoriana e outras. Todas, de algu-
sociedade. ma forma, estão ligadas ao movimento da pedagogia ativa que surge no
A educação seria, assim, um processo de subjetivação da cultura, ten- final do século XIX como contraposição à Pedagogia Tradicional. Entretan-
do em vista a formação da vida interior, a edificação da personalidade. A to, segundo estudo feito por Castro (1984), os conhecimentos e a experiên-
pedagogia da cultura quer unir as condições externas da vida real, isto é, o cia da Didática brasileira pautam-se, em boa parte, no movimento da Esco-
mundo objetivo da cultura, à liberdade individual, cuja fonte é a espirituali- la Nova, inspirado principalmente na corrente progressista. Destacaremos,
dade, a vida interior. aqui, apenas a Didática ativa inspirada nessa corrente e a Didática Moder-
O estudo teórico da Pedagogia no Brasil passa um reavivamento, prin- na de Luís Alves de Mattos, que incluímos na corrente culturalista.
cipalmente a partir das investigações sobre questões educativas baseadas Segundo o autor, a Didática da Escola Nova ou Didática ativa é enten-
nas contribuições do materialismo histórico e dialético. Tais estudos con- dida como “direção da aprendizagem”, considerando o aluno como sujeito
vergem para a formulação de uma teoria crítico-social da educação, a partir da aprendizagem. O que o professor tem a fazer é colocar o aluno em
da crítica política e pedagógica das tendências e correntes da educação condições propícias para que, partindo das suas necessidades e estimu-
brasileira. lando os seus interesses, possa buscar por si mesmo conhecimentos e
experiências. A ideia é a de que o aluno aprende melhor o que faz por si
próprio. Não se trata apenas de aprender fazendo, no sentido de trabalho
TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS DO BRASIL E A DIDÁTICA manual, ações de manipulação de objetos. Trata-se de colocar o aluno em
Segundo o autor, nos últimos anos, diversos estudos têm sido dedica- situações em que seja mobilizada a sua atividade global e que se manifesta
dos à história da Didática no Brasil, suas relações com as tendências em atividade intelectual, atividade de criação, de expressão verbal, escrita,
pedagógicas e à investigação do seu campo de conhecimentos. Os auto- plástica ou outro tipo. O centro da atividade escolar não é o professor nem
res, em geral, concordam em classificar as tendências pedagógicas em a matéria é o aluno ativo e investigador. O professor incentiva, orienta,
dois grupos: as de cunho liberal - pedagogia Tradicional, pedagogia reno- organiza as situações de aprendizagem, adequando-as às capacidades de
vada e tecnicismo educacional; as de cunho progressista - pedagogia características individuais dos alunos. Por isso, a Didática ativa dá grande
Libertadora e Pedagogia Crítico social dos Conteúdos. Certamente existem importância aos métodos e técnicas como o trabalho de grupo, atividades
outras correntes vinculadas a uma ou a outra dessas tendências, mas cooperativas, estudo individual, pesquisas, projetos, experimentações etc.,
essas não são as mais conhecidas. bem como aos métodos de reflexão e método científico de descobrir co-
Na pedagogia Tradicional, a Didática é uma disciplina normativa, um nhecimentos. Tanto na organização das experiências de aprendizagem
conjunto de princípios e regras que regulam o ensino. A atividade de ensi- como na seleção de métodos, importa o processo de aprendizagem e não
nar é centrada no professor que expõe e interpreta a matéria. Às vezes, são diretamente o ensino. O melhor método é aquele que atende às exigências
utilizados meios como a apresentação de objetos, ilustrações, exemplos, psicológicas do aprender. Em síntese, a Didática ativa dá menos atenção
mas o meio principal é a palavra, a exposição oral. Supõe-se que ouvindo e aos conhecimentos sistematizados, valorizando mais o processo da apren-
fazendo exercícios repetitivos, os alunos “gravam” a matéria para depois dizagem e os meios que possibilitam o desenvolvimento das capacidades e
reproduzi-la, seja através das interrogações do professor, seja através das habilidades intelectuais dos alunos. Por isso, os adeptos da Escola Nova
provas. Para isso, é importante que o aluno “preste atenção”, porque ouvin- costumam dizer que o professor não ensina; antes, ajuda o aluno a apren-
do facilita-se o registro do que se transmite, na memória. O aluno é assim, der. Ou seja, a Didática não é a direção do ensino, é a orientação da
um recebedor da matéria e sua tarefa é decorá-la. Os objetivos, explícitos aprendizagem, uma vez que esta é uma experiência própria do aluno
ou implícitos, referem-se à formação de um aluno ideal, desvinculado da através da pesquisa, da investigação.
sua realidade concreta. O professor tende a encaixar os alunos num mode- Esse entendimento da Didática tem muitos aspectos positivos, princi-
lo idealizado de homem que nada tem a ver com a vida presente e futura. A palmente quando baseia a atividade escolar na atividade mental dos alu-
matéria de ensino é tratada isoladamente, isto é, desvinculada dos interes- nos, no estudo e na pesquisa, visando à formação de um pensamento
ses dos alunos e dos problemas reais da sociedade e da vida. O método é autônomo. Entretanto, é raro encontrar professores que apliquem inteira-
dado pela lógica e sequência da matéria, é o meio utilizado pelo professor mente o que propõe a Didática ativa. Por falta de conhecimento aprofunda-
para comunicara matéria e não dos alunos para aprendê-la. É ainda forte a do das bases teóricas da pedagogia ativa, falta de condições materiais,
presença dos métodos intuitivos, que foram incorporados ao ensino tradici- pelas exigências de cumprimento do programa oficial e outra razões, o que
onal. Baseiam-se na apresentação de dados sensíveis, de modo que os fica são alguns métodos e técnicas. Assim, é muito comum os professores
alunos possam observá-los e formar imagens deles em sua mente. utilizarem procedimentos e técnicas como trabalho de grupo, estudo dirigi-
Segundo o texto, muitos professores ainda acham que “partir do con- do, discussões, estudo do meio etc., sem levar em conta seu objetivo
creto” é a chave do ensino atualizado. Mas esta ideia já fazia parte da principal que é levar o aluno a pensar, a raciocinar cientificamente, a de-
Pedagogia Tradicional porque o “concreto” (mostrar objetos, ilustrações, senvolver sua capacidade reflexão e a independência de pensamento. Com
gravuras etc.) serve apenas para gravar na mente o que é captado pelos isso, na hora de comprovar os resultados do ensino e da aprendizagem,
sentidos. O material concreto é mostrado, demonstrado, manipulado, mas o pedem matéria decorada, da mesma forma que se faz no ensino tradicional.
aluno não lida mentalmente com ele, não o reelabora com o seu próprio Em paralelo à Didática da Escola Nova, conta Libâneo, que surge a
pensamento. A aprendizagem, assim, continua receptiva, automática, não partir dos anos 50 a Didática Moderna proposta por Luís Alves de Mattos.
mobilizando a atividade mental do aluno e o desenvolvimento de suas Seu livro sumário de Didática Geral foi largamente utilizado durante muitos
capacidades intelectuais. anos nos cursos de formação de professores e exerceu considerável in-
Libâneo coloca que a Didática tradicional tem resistido ao tempo, conti- fluência em muitos manuais de Didática publicados posteriormente. Con-
nua prevalecendo na prática escolar. É comum nas nossas escolas atribuir- forme sugerimos anteriormente, a Didática Moderna é inspirada na peda-
se ao ensino a tarefa de mera transmissão de conhecimentos, sobrecarre- gogia da cultura, corrente pedagógica de origem alemã. Mattos identifica
gar o aluno de conhecimentos que são decorados sem questionamento, dar sua Didática com as seguintes características: o aluno é fator pessoal e
somente exercícios repetitivos, impor externamente a disciplina e usar decisivo na situação escolar; em função dele giram as atividades escolares,
castigos. Trata-se de uma prática escolar que empobrece até as boas para orientá-lo e incentivá-lo na sua educação e na sua aprendizagem,

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tendo em vista desenvolver-lhe a inteligência e formar-lhe o caráter e a ram apenas pela crítica e pela denúncia do papel ideológico e discriminador
personalidade. O professor é o incentivador, orientador e controlador da da escola na sociedade capitalista. Outros, no entanto, levando em conta
aprendizagem, organizando o ensino em função das reais capacidades dos essa crítica, preocuparam-se em formular propostas e desenvolver estudos
alunos e do desenvolvimento dos seus hábitos de estudo e reflexão. A no sentido de tornar possível uma escola articulada com os interesses
matéria é o conteúdo cultural da aprendizagem, o objeto ao qual se aplica o concretos do povo. Entre essas tentativas destacam-se a Pedagogia Liber-
ato de aprender, onde se encontram os valores lógicos e sociais a serem tadora e a Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos. A primeira retomou as
assimilados pelos alunos; está a serviço do aluno para formar as suas propostas de educação popular dos anos 60, refundindo seus princípios e
estruturas mentais e, por isso, sua seleção, dosagem e apresentação práticas em função das possibilidades do seu emprego na educação formal
vinculam-se às necessidades e capacidades reais dos alunos. O método em escolas públicas, já que inicialmente tinham caráter extraescolar, não
representa o conjunto dos procedimentos para assegurar a aprendizagem, oficial e voltadas para o atendimento de clientela adulta. A segunda, inspi-
isto é, existe em função da aprendizagem, razão pela qual, a par de estar rando-se no materialismo histórico dialético, constituiu-se como movimento
condicionado pela natureza da matéria, relaciona-se com a psicologia do pedagógico interessado na educação popular, na valorização da escola
aluno. pública e do trabalho do professor, no ensino de qualidade para o povo e,
Esse autor destaca como conceitos básicos da Didática o ensino e a especificamente, na acentuação da importância do domínio sólido por parte
aprendizagem, em estreita relação entre si. O ensino é a atividade mental de professores e alunos dos conteúdos científicos do ensino como condição
intensiva e propositada do aluno em relação aos dados fornecidos pelos para a participação efetiva do povo nas lutas sociais ( na política, na profis-
conteúdos culturais. Ele escreve: “A autêntica aprendizagem consiste são, no sindicato, nos movimentos sociais e culturais).
exatamente nas experiências concretas do trabalho reflexivo sobre os fatos Trata-se de duas tendências pedagógicas progressistas, propondo uma
e valores da cultura e da vida, ampliando as possibilidades de compreen- educação escolar crítica a serviço das transformações sociais e econômi-
são e de interação do educando com seu ambiente e com a sociedade. (...) cas, ou seja, de superação das desigualdades sociais decorrentes das
O autêntico ensino consistirá no planejamento, na orientação e no controle formas sociais capitalistas de organização da sociedade. No entanto,
dessas experiências concretas de trabalho reflexivo dos alunos, sobre os diferem quanto a objetivos imediatos, meios e estratégias de atingir essas
dados da matéria ou da vida cultural da humanidade” (1967, pp.72-73). metas gerais comuns.
Definindo a Didática como disciplina normativa, técnica de dirigir e ori- A Pedagogia Libertadora não tem uma proposta explícita de Didática e
entar eficazmente a aprendizagem das matérias tendo em vista os seus muitos dos seus seguidores, entendendo que toda didática resumir-se-ia ao
objetivos educativos, Mattos propõe a teoria do Ciclo docente, que é o seu caráter tecnicista, instrumental, meramente prescritivo, até recusam
método didático em ação. O ciclo docente, abrangendo as fases de plane- admitir o papel dessa disciplina na formação dos professores. No entanto,
jamento, orientação e controle da aprendizagem e suas subfases, é defini- há uma didática implícita na orientação do trabalho escolar, pois, de alguma
do como “o conjunto de atividades exercidas, em sucessão ou ciclicamente, forma, o professor se põe diante de uma classe com a tarefa de orientar a
pelo professor, para dirigir e orientar o processo de aprendizagem dos seus aprendizagem dos alunos. A atividade escolar é centrada na discussão de
alunos, levando-o a bom termo. É o método em ação”. temas sociais e políticos; poder-se-ia falar de um ensino centrado na reali-
Quanto ao tecnicismo educacional, embora seja considerada como dade social, em que professor e alunos analisam problemas e realidades do
uma tendência pedagógica, inclui-se, em certo sentido, na Pedagogia meio socioeconômico e cultural, da comunidade local, com seus recursos e
Renovada. Desenvolveu-se no Brasil na década de 50, à sombra do pro- necessidades, tendo em vista a ação coletiva frente a esses problemas e
gressivismo, ganhando nos anos 60 autonomia quando constituiu-se espe- realidades. O trabalho escolar não se assenta, prioritariamente, nos conte-
cificamente como tendência, inspirada na teoria behaviorista da aprendiza- údos de ensino já sistematizados, mas no processo de participação ativa
gem e na abordagem sistêmica do ensino. Esta orientação acabou sendo nas discussões e nas ações práticas sobre questões da realidade social
imposta às escolas pelos organismos oficiais ao longo de boa parte das imediata. Nesse processo em que se realiza a discussão, os relatos da
duas últimas décadas, por ser compatível com a orientação econômica, experiência vivida, a assembleia, a pesquisa participante, o trabalho de
política e ideológica do regime militar então vigente. Com isso, ainda hoje grupo etc., vão surgindo temas geradores que podem vir a ser sistematiza-
predomina, nos cursos de formação de professores, o uso de manuais dos para efeito de consolidação de conhecimentos. É uma didática que
didáticos de cunho tecnicista, de caráter meramente instrumental. A Didáti- busca desenvolver o processo educativo como tarefa que se dá no interior
ca instrumental está interessada na racionalização do ensino, no uso de dos grupos sociais e por isso o professor é coordenador ou animador das
meios e técnicas mais eficazes. O sistema de instrução se compõe das atividades que se organizam sempre pela ação conjunta dele e dos alunos.
seguintes etapas: a) especificação de objetivos instrucionais operacionali- A pedagogia Libertadora, segundo o autor, tem sido empregada com
zados; b) avaliação prévia dos alunos para estabelecer pré-requisitos para muito êxito em vários setores dos movimentos sociais, como sindicatos,
alcançar os objetivos; c) ensino ou organização das experiências de apren- associações de bairro, comunidades religiosas. Parte desse êxito se deve
dizagem; d) avaliação dos alunos relativa ao que se propôs nos objetivos ao fato de ser utilizada entre adultos que vivenciam uma prática política e
iniciais. O arranjo mais simplificado dessa sequência resultou na fórmula: onde o debate sobre a problemática econômica, social e política pode ser
objetivos, conteúdos, estratégias, avaliação. O professor é um administra- aprofundado com a orientação de intelectuais comprometidos com os
dor e executor do planejamento, o meio de previsão das ações a serem interesses populares. Em relação à sua aplicação nas escolas públicas,
executadas e dos meios necessários para se atingir os objetivos. Boa parte especialmente no ensino de 1º grau, os representantes dessa tendência
dos livros didáticos em uso nas escolas são elaborados com base na não chegaram a formular uma orientação pedagógico-didática especialmen-
tecnologia da instrução. te escolar, compatível com a idade, o desenvolvimento mental e as caracte-
As tendências de cunho progressista interessadas em propostas peda- rísticas de aprendizagem das crianças e jovens.
gógicas voltadas para os interesses da maioria da população foram adqui- Para a Pedagogia Crítico-Social dos conteúdos a escola pública cum-
rindo maior solidez e sistematização por volta dos anos 80. São também pre a sua função social e política, assegurando a difusão dos conhecimen-
denominadas teorias críticas da educação. Não é que não tenham existido tos sistematizados a todo, como condição para a efetiva participação do
antes esforços no sentido de formular propostas de educação popular. Já povo nas lutas sociais. Não considera suficiente colocar como conteúdo
no começo do século formaram-se movimentos de renovação educacional escolar a problemática social quotidiana, pois somente com o domínio dos
por iniciativa de militantes socialistas. Muitos dos integrantes do movimento conhecimentos, habilidades e capacidades mentais podem os alunos
dos pioneiros da Escola Nova tinham real interesse em superar a educação organizar, interpretar e reelaborar as suas experiências de vida em função
elitista e discriminadora da época. No início dos anos 60, surgiram os dos interesses de classe. O que importa é que os conhecimentos sistemati-
movimentos de educação de adultos que geraram ideias pedagógicas e zados sejam confrontados com as experiências socioculturais e a vida
práticas educacionais de educação popular, configurando a tendência que concreta dos alunos, como meio de aprendizagem e melhor solidez na
veio a ser denominada de Pedagogia Libertadora. assimilação dos conteúdos. Do ponto de vista didático, o ensino consiste na
Na segunda metade da década de 70, com a incipiente modificação do mediação de objetivos-conteúdos-métodos que assegure o encontro forma-
quadro político repressivo em decorrência de lutas sociais por maior demo- tivo entre os alunos e as matérias escolares, que é o fator decisivo da
cratização da sociedade, tornou-se possível a discussão de questões aprendizagem.
educacionais e escolares numa perspectiva de crítica das instituições A Pedagogia Crítico-Social dos conteúdos atribui grande importância à
sociais do capitalismo. Muitos estudiosos e militantes políticos se interessa- Didática, cujo objeto de estudo é o processo de ensino nas suas relações e

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ligações com a aprendizagem. As ações de ensinar e aprender formam uma cunho pedagógico?” e “Por que se afirma que a Didática é a teoria da
unidade, mas cada uma tem a sua especificidade. A Didática tem como instrução e do ensino?”.
objetivo a direção do processo de ensinar, tendo em vista finalidades sócio-
políticas e pedagógicas e as condições e meios formativos; tal direção, entre- BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
tanto, converge para promover a auto atividade dos alunos, a aprendizagem. Como bibliografia complementar, o autor cita, entre outras: CANDAU,
Com isso, a Pedagogia Crítico-Social busca uma síntese superadora de Vera M. (org.). A Didática em Questão. Petrópolis, Vozes, 1984 e FAZEN-
traços significativos da Pedagogia Tradicional e da Escola Nova. DA, Ivani C. A . (org.). Encontros e Desencontros da Didática e Prática de
Postula para o ensino a tarefa de propiciar aos alunos o desenvolvi- Ensino. Cad. Cedes, n.º 21, São Paulo, Cortez/Cedes, 1988.
mento de suas capacidades e habilidades intelectuais, mediante a trans-
missão e assimilação ativa dos conteúdos escolares articulando, no mesmo CAPÍTULO 4
processo, a aquisição de noções sistematizadas e as qualidades individuais O PROCESSO DE ENSINO NA ESCOLA
dos alunos que lhes possibilitam a auto atividade e a busca independente e O autor coloca que há uma relação recíproca e necessária entre a ati-
criativa das noções. vidade do professor (ensino) e a atividade de estudo dos alunos (aprendi-
Mas trata-se de uma síntese superadora. Com efeito, se a Pedagogia zagem). Segundo ele, a unidade ensino-aprendizagem se concretiza na
define fins e meios da prática educativa a partir dos seus vínculos com a interligação de dois momentos indissociáveis - transmissão/assimilação
dinâmica da prática social, importa um posicionamento dela face a interes- ativa de conhecimentos e habilidades, dentro de condições específicas de
ses sociais em jogo no quadro das relações sociais vigentes na sociedade. cada situação didática.
Os conhecimentos teóricos e práticos da Didática medeiam os vínculos
entre o pedagógico e a docência; fazem a ligação entre o “para quê” (op- AS CARACTERÍSTICAS DO PROCESSO DE ENSINO
ções político-pedagógicas) e o “como” da ação educativa escolar (a prática O autor inicia este tópico falando que o tipo de ensino existente na
docente). maioria de nossas escolas é o ensino tradicional, que têm como limitações
A Pedagogia Crítico-Social toma o partido dos interesses majoritários pedagógicas e didáticas, entre outras:
da sociedade, atribuindo à instrução e ao ensino o papel de proporcionar - O aluno tem um mínimo de participação na construção do conheci-
aos alunos o domínio de conteúdos científicos, os métodos de estudo e mento e uma atividade limitada, já que o professor é o elemento ativo,
habilidades e hábitos de raciocínio científico, de modo a irem formando a aquele que transmite os conteúdos. Assim, subestima-se a atividade mental
consciência crítica face às realidades sociais e capacitando-se a assumir no dos alunos privando-os de desenvolverem sua potencialidades cognitivas,
conjunto das lutas sociais a sua condição de agentes ativos de transforma- suas capacidades e habilidades, de forma a ganharem independência de
ção da sociedade e de si próprios. O autor coloca que esta corrente peda- pensamento.
gógica forma a base teórico-metodológica dos estudos organizados no livro
em questão. - O trabalho docente fica restrito às paredes da sala de aula, sem preo-
cupação e sem ligação com a prática da vida cotidiana dos alunos fora da
escola.
A DIDÁTICA E AS TAREFAS DO PROFESSOR O autor coloca que se deve entender o processo de ensino como um
Segundo o autor, o trabalho docente, entendido como atividade peda- conjunto de atividades organizadas do professor e dos alunos, visando a
gógica do professor, busca os seguintes objetivos primordiais: alcançar determinados resultados, tendo como ponto de partida o nível
• assegurar aos alunos o domínio mais seguro e duradouro possível atual de conhecimentos, experiências e de desenvolvimento dos alunos. O
dos conhecimentos científicos; autor considera como sendo característica desse processo, entre outras,
• criar as condições e meios para que os alunos desenvolvam capa- que o ensino tem um caráter bilateral em virtude de combinar a atividade do
cidades e habilidades intelectuais de modo que dominem métodos professor (ensinar) com a atividade do aluno (aprender), portanto, fazer
de estudo e de trabalho intelectual visando a sua autonomia no interagir dois processos indissociáveis: a transmissão e a assimilação ativa
processo de aprendizagem e independência de pensamento; de conhecimentos e habilidades.
• orientar as tarefas de ensino para objetivos educativos de forma-
ção da personalidade. RELAÇÕES PROFESSOR-ALUNO NA SALA DE AULA
O autor coloca que, para que o professor possa atingir efetivamente os Segundo o autor, a interação professor-alunos é um aspecto funda-
objetivos, é necessário que realize um conjunto de operações didáticas mental da organização da situação didática, tendo em vista alcançar os
coordenadas entre si, que são o planejamento, a direção do ensino e da objetivos do processo de ensino: a transmissão e assimilação dos conhe-
aprendizagem e a avaliação. cimentos, hábitos e habilidades. Entretanto, esse não é o único determinan-
O autor faz uma lista de requisitos que são necessárias ao planejamen- te da organização do ensino, razão pela qual ele precisa ser estudado em
to, por parte do professor, entre elas: conhecimento dos programas oficiais conjunto com outros fatores, principalmente a forma de aula.
para adequá-lo às necessidades reais da escola e da turma de alunos, e O autor ressalta dois aspectos da interação professor-alunos no traba-
conhecimento das características sociais, culturais e individuais dos alunos, lho docente: o aspecto cognoscitivo (que diz respeito a formas de comuni-
bem como o nível de preparo escolar em que se encontram. cação dos conteúdos escolares e às tarefas escolares indicadas aos alu-
Segundo o autor, quanto à direção do ensino e da aprendizagem, re- nos) e o aspecto sócio emocional (que diz respeito às relações pessoais
quer-se, entre outras: conhecimento das funções didáticas ou etapas do entre professor e aluno e às normas disciplinares indispensáveis ao traba-
processo de ensino, e saber formular perguntas e problemas que exijam lho docente).
dos alunos pensarem por si mesmos, tirarem conclusões próprias.
ASPECTOS COGNOSCITIVOS DA INTERAÇÃO
O autor salienta que os requisitos apontados são necessários para que
o professor possa desempenhar suas tarefas docentes e que formam o O autor entende por cognoscitivo o processo ou o movimento que
campo de estudo da Didática. transcorre no ato de ensinar e no ato de aprender, tendo em vista a trans-
missão e assimilação de conhecimentos.
Para o autor, a Didática oferece uma contribuição indispensável à for-
mação dos professores, sintetizando no seu conteúdo a contribuição de Segundo o autor, o trabalho docente se caracteriza por um constante
conhecimentos de outras disciplinas que convergem para o esclarecimento vaivém entre as tarefas cognoscitivas colocadas pelo professor e o nível de
dos fatores condicionantes do processo de instrução e ensino, intimamente preparo dos alunos para resolverem as tarefas.
vinculado com a educação e, ao mesmo tempo, provendo os conhecimen- Segundo Libâneo, para atingir satisfatoriamente uma boa interação no
tos específicos necessários para o exercício das tarefas docentes. aspecto cognoscitivo, é preciso levar em conta: o manejo dos recursos de
linguagem; conhecer bem o nível de conhecimento dos alunos; ter um bom
SUGESTÕES PARA TAREFAS DE ESTUDO plano de aula e objetivos claros; explicar aos alunos o que se espera deles
O autor sugere como perguntas para o trabalho independente dos alu- em relação à assimilação da matéria.
nos, entre outras: “Que significa dizer que a Didática é uma atividade de

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ASPECTOS SÓCIO-EMOCIONAIS ção, compreensão, memória, atenção, atitudes, conhecimentos já disponí-
Para o autor, os aspectos sócio emocionais se referem aos vínculos veis.
afetivos entre professor e alunos, como também às normas e exigências
objetivas que regem a conduta dos alunos na aula (disciplina). 2 - OS NÍVEIS DE APRENDIZAGEM
Libâneo salienta que o professor precisa aprender a combinar severi- O autor coloca que, esquematicamente, pode-se dizer que existem dois
dade e respeito. níveis de aprendizagem humana: o reflexo e o cognitivo. O nível reflexo se
refere às nossas sensações pelas quais desenvolvemos processos de
A DISCIPLINA NA CLASSE observação e percepção das coisas e nossas ações motoras (físicas) no
ambiente.
O autor acredita que a disciplina da classe está diretamente ligada ao
estilo da prática docente, ou seja, à autoridade profissional, moral e técnica Estas aprendizagem são responsáveis pela formação de hábitos sen-
do professor. sório-motores e são as que predominam na fase inicial de desenvolvimento
da criança.
A autoridade profissional se manifesta no domínio da matéria que ensi-
na e dos métodos e procedimentos de ensino, no tato em lidar com a classe Entrelaçado com o nível reflexo, o nível cognitivo se refere à aprendi-
e com as diferenças individuais, na capacidade de controlar e avaliar o zagem de determinados conhecimentos e operações mentais, caracteriza-
trabalho dos alunos e o trabalho docente. da pela apreensão consciente, compreensão e generalização das proprie-
dades e relações essenciais da realidade, bem como pela aquisição de
A autoridade moral é o conjunto das qualidades de personalidade do modos de ação e aplicação referentes a essas propriedades e relações.
professor: Sua dedicação profissional, sensibilidade, senso de justiça,
traços de caráter.
A autoridade técnica constitui o conjunto de capacidades, habilidades e 3 - MOMENTOS INTERLIGADOS DO PROCESSO DE ASSIMILAÇÃO
hábitos pedagógico-didáticos necessários para atingir com eficácia a ATIVA
transmissão e assimilação de conhecimentos aos alunos. Segundo o autor, o desenvolvimento das forças cognoscitivas na sala
Segundo o autor, a disciplina da classe depende do conjunto dessas de aula se verifica no processo de assimilação ativa de conhecimentos.
características do professor, que lhe permitem organizar o processo de Frente a determinados objetivo de ensino a primeira atividade é a observa-
ensino. ção sensorial.
A transformação da percepção ativa para um nível mais elevado de
compreensão implica a atividade mental de tomar os objetos e fenômenos
SUGESTÕES PARA TAREFAS DE ESTUDO estudados nas suas relações com outros objetos e fenômenos, para ir
Como sugestão de perguntas para o trabalho independente dos alunos, formando ideias e conceitos mais amplos. Neste processo, segundo o
o autor cita, entre outras: “Em que condições os aspectos cognoscitivos do autor, a atividade mental evolui da apreensão do conteúdo da matéria na
ensino influem na interação professor-aluno?” e “O planejamento e a prepa- sua forma visível, exterior, para a ideia do conteúdo, de modo que o conte-
ração da aula podem influir no controle da disciplina?”. údo visível se transforma num conteúdo do pensamento.
Segundo ele, o processo se completa com as atividades práticas em
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR várias modalidades de problemas e exercícios, nos quais se verifica a
consolidação e a aplicação prática de conhecimentos e habilidades.
O autor cita, como bibliografia complementar, entre outras: NOVAES,
Maria E. Professor Não é Parente Postiço. Revista Ande, (4): 61-62, São Para o autor, o aspecto fundamental a considerar é que o processo in-
Paulo, 1982 e VEIGA, Ilma P. A .(org.) Repensando a Didática. São Paulo, terno de desenvolvimento mental é um todo que não pode ser decomposto
Papirus, 1988. em elementos isolados.
O autor, salienta que nem sempre é necessário começar o processo de
assimilação pelo concreto, pois há situações de ensino em que os alunos já
PROCESSOS DIDÁTICOS BÁSICOS: ENSINO E APRENDIZAGEM
possuem conceitos e operações mentais, bastando avivá-los e recordá-los.
Segundo o autor, ensino e aprendizagem são duas facetas de um
mesmo processo.
4 - CARACTERÍSTICAS DA APRENDIZAGEM ESCOLAR
I - A APRENDIZAGEM
O autor cita como características da aprendizagem escolar, entre ou-
Segundo o autor, em sentido geral, qualquer atividade humana pratica-
tras:
da no ambiente em que vivemos pode levar a uma aprendizagem.
a - A aprendizagem escolar é uma atividade planejada, intencional e di-
Segundo ele, pode-se distinguir a aprendizagem casual, que é quase
rigida, e não algo casual e espontâneo. Aprendizagem e ensino formam
sempre espontânea, e a aprendizagem organizada, que tem por finalidade
uma unidade, mas não são atividades que se confundem uma com a outra.
específica aprender determinados conhecimentos, habilidades, normas de
A atividade cognoscitiva do aluno é a base e o fundamento do ensino, e
convivência social.
este dá direção e perspectiva àquela atividade por meio dos conteúdos,
No caso da aprendizagem escolar, segundo Libâneo, ela é um proces- problemas, métodos, procedimentos organizados pelo professor em situa-
so de assimilação de determinados conhecimentos e modos de ação física ções didáticas específicas.
e mental, organizados e orientados no processo de ensino.
b - Os conteúdos e as ações mentais que vão sendo formados depen-
dem da organização lógica e psicológica das matérias de ensino. A organi-
1 - O PROCESSO DE ASSIMILAÇÃO ATIVA zação lógica se refere à sequência progressiva dos conteúdos, ideias,
O autor entende por assimilação ativa ou apropriação de conhecimen- habilidades, em nível crescente de complexidade e a organização psicoló-
tos e habilidades o processo de percepção compreensão, reflexão e aplica- gica se refere à adequação ao nível de desenvolvimento físico e mental
ção que se desenvolve com os meios intelectuais, motivacionais e atitudi- que, por sua vez, é condicionado pelas características socioculturais dos
nais do próprio aluno, sob a orientação do professor. alunos.
Para o autor, o processo de assimilação ativa é um dos conceitos fun-
damentais da teoria da instrução e do ensino. II - O ENSINO
Para sintetizar, o autor coloca que temos nas situações didáticas fato- Segundo o autor, o ensino é uma combinação adequada entre a con-
res externos e internos, mutuamente relacionados. O professor propõe dução do processo de ensino pelo professor e a assimilação ativa como
objetivos e conteúdos, tendo em conta características dos alunos e da sua atividade autônoma e independente do aluno. Em outras palavras, segundo
prática de vida. Os alunos, por sua vez, dispõem em seu organismo físico- ele, o processo de ensino é uma atividade de mediação pela qual são
psicológico de meios internos de assimilação ativa, meios que constituem o providas as condições e os meios para os alunos se tornarem sujeitos
conjunto de suas capacidades cognoscitivas, tais como: percepção, motiva- ativos na assimilação de conhecimentos.

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O autor aponta três funções do ensino, que são inseparáveis: O CARÁTER EDUCATIVO DO PROCESSO DE ENSINO E O ENSINO
a) Organizar os conteúdos para a sua transmissão, de forma que os CRÍTICO
alunos possam ter uma relação subjetiva com eles. Segundo o autor, o caráter educativo do ensino está relacionado com
b) Ajudar ao alunos a conhecerem as suas possibilidades de apren- os objetivos do ensino crítico.
der, orientar suas dificuldades, indicar métodos de estudo e atividades que Falando da ligação entre Didática e Pedagogia, o autor afirma que os
os levem a aprender de forma autônoma e independente. vínculos dos princípios, condições e meios de direção e organização do
c) Dirigir e controlar a atividade docente para os objetivos da aprendi- ensino com as finalidades sócio-políticas e pedagógicas da educação,
zagem. fornecem as bases teóricas de uma Didática crítico-social.
O autor fala em ensino crítico quando as tarefas de ensino e aprendi-
zagem, na sua especificidade, são encaminhadas no sentido de formar
III - A UNIDADE ENTRE ENSINO E APRENDIZAGEM convicções, princípios orientadores da atividade prática humana frente a
Segundo o autor, a relação entre ensino e aprendizagem é uma rela- problemas e desafios da realidade social.
ção recíproca na qual se destacam o papel dirigente do professor e a
atividade dos alunos.
SUGESTÕES PARA TAREFAS DE ESTUDO
Destaca o autor que a aprendizagem é uma forma do conhecimento
humano - relação cognitiva entre aluno e matéria de estudo - desenvolven- O autor sugere como perguntas para o trabalho independente dos alu-
do-se sob as condições específicas do processo de ensino. nos, entre outras: “O que se deve entender como conteúdos de ensino?” e
“Definir aprendizagem e dar exemplos” .
É importante que o processo de ensino estabeleça exigências e expec-
tativas que os alunos possam cumprir, e com isso mobilizem suas energias
Estrutura, componentes e dinâmica do processo de ensino BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
Para Libâneo, o processo didático se explicita pela ação recíproca de Como bibliografia complementar, entre outras, o autor cita: SOARES,
três componentes - os conteúdos, o ensino e a aprendizagem - que operam Magda B. Linguagem e Escola - Uma Perspectiva Social. São Paulo, Ática,
em referência a objetivos que expressam determinadas exigências sócio- 1986 e SAVIANI, Dermeval. O Ensino Básico e o Processo de Democrati-
políticas e pedagógicas e sob um conjunto de condições de uma situação zação da Sociedade Brasileira. Revista Ande, (7): 9-13, São Paulo, 1984.
didática concreta.
Segundo ele, os conteúdos de ensino compreendem as matérias nas CAPÍTULO 5
quais são sistematizados os conhecimentos, formando a base para a O PROCESSO DE ENSINO E O ESTUDO ATIVO
concretização de objetivos. O ensino é a atividade do professor de organi-
zação, seleção e explicação dos conteúdos, organização das atividades de O autor coloca que, neste capítulo, vai estudar mais detalhadamente
estudo dos alunos, encaminhando objetivos, métodos, formas organizativas como o professor pode dirigir, estimular e orientar as condições externas e
e meios mais adequados em função da aprendizagem dos alunos. A apren- internas do ensino, de modo que pela atividade dos alunos os conhecimen-
dizagem é a atividade do aluno de assimilação de conhecimentos e habili- tos e habilidades façam progredir seu desenvolvimento mental. A essa
dades. atividade, cujo fim direto e específico é favorecer a aprendizagem ativa, o
autor denomina de estudo ativo.
Para o autor, o processo de ensino, efetivado pelo trabalho docente,
constitui-se de um sistema articulado dos seguintes componentes: objeti-
vos, conteúdos, métodos e condições. O ESTUDO ATIVO E O ENSINO
Ele coloca que o processo de ensino é impulsionado por fatores ou Segundo o autor o ensino ativo consiste de atividades dos alunos nas
condições específicas já existentes ou que cabe ao professor criar, a fim de tarefas de observação e compreensão de fatos da vida diária ligados à
atingir os objetivos escolares, isto é, o domínio pelos alunos de conheci- matéria, no comportamento de atenção à explicação do professor, na
mentos, habilidades e hábitos e o desenvolvimento de suas capacidades conversação entre professor e alunos da classe, nos exercícios, no trabalho
cognoscitivas. de discussão em grupo, etc. Tais atividades possibilitam a assimilação de
Segundo o autor, pode-se dizer que o essencial do processo didático é conhecimentos e habilidades e, por meio destes, o desenvolvimento das
coordenar o movimento de vaivém entre o trabalho conduzido pelo profes- capacidades cognoscitivas como a percepção das coisas, o pensamento,
sor e a percepção e o raciocínio dos alunos frente a esse trabalho. etc.
O autor afirma que todo estudo ativo é sempre precedido do trabalho
do professor.
A ESTRUTURAÇÃO DO TRABALHO DOCENTE
A ATIVIDADE DE ESTUDO E O DESENVOLVIMENTO INTELECTUAL
Segundo o autor, a estruturação da aula deve refletir o seguinte enten-
dimento sobre o processo de ensino: um trabalho ativo e conjunto do pro- Para Libâneo o trabalho docente somente é frutífero quando o ensino
fessor e dos alunos, tendo em vista a assimilação consciente e sólida de dos conhecimentos e dos métodos de adquirir e aplicar conhecimentos se
conhecimentos, habilidades e hábitos pelos alunos e, por esse mesmo convertem em conhecimentos, habilidades, capacidades e atitudes do
processo, o desenvolvimento de suas capacidades cognoscitivas. aluno. Para ele, o objetivo da escola e do professor é formar pessoas
inteligentes, aptas para desenvolver ao máximo possível suas capacidades
A estruturação da aula é, segundo ele, a organização, sequência e in- mentais.
ter-relação dos momentos do processo de ensino.
Segundo ele, o trabalho de planejar as aulas, traçar objetivos, explicar
a matéria, escolher métodos e procedimentos didáticos, dar tarefas e
A estruturação do trabalho docente tem uma ligação estreita, segundo exercícios, controlar e avaliar o progresso dos alunos destina-se, acima de
o autor, com a metodologia específica das matérias, porém não se identifica tudo, a fazer progredir as capacidades intelectuais dos educandos. Segun-
com ela. Tendo em conta o grau escolar, as idades dos alunos, as caracte- do ele, para enfrentar essa tarefa o professor se defronta com algumas
rísticas do desenvolvimento mental, as especificidades de conteúdo e dificuldades, tais como: não dominar o conteúdo da matéria que ensina, ter
metodologia das matérias, o autor identifica cinco momentos da metodolo- muita pressa em vencer o programa, dificuldades em tratar os conteúdos de
gia do ensino na aula que são articulados entre si, são eles: uma forma viva, entre outras.
1 - Orientação inicial dos objetivos de ensino e aprendizagem. Para superar estas dificuldades, Libâneo afirma que há várias manei-
2 - Transmissão/assimilação da matéria nova. ras, são elas:
3 - Consolidação e aprimoramento dos conhecimentos, habilidades e 1ª - É necessário que o professor domine o conteúdo da matéria;
hábitos. 2ª- Cada aula, cada assunto, cada exercício, cada situação didática
4 - Aplicação de conhecimentos, habilidades e hábitos. dever ser uma tarefa de pensamento para o aluno;
5 - Verificação e avaliação dos conhecimentos e habilidades. 3ª - Não colocar como sendo o mais importante terminar o livro;

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4ª - O ensino deve ser dinâmico e variado; 1978 e LUCKESI, Cipriano C. et alii. Fazer Universidade: Uma Proposta
5ª - O ensino das matérias e o desenvolvimento das capacidades cog- Metodológica. São Paulo, Cortez, 1986.
noscitivas dos alunos devem ir possibilitando a formação da atitude crítica e
criadora frente à realidade e ao cotidiano da vida social. CAPÍTULO 6
ALGUMAS FORMAS DE ESTUDO ATIVO OS OBJETIVOS E CONTEÚDOS DE ENSINO
Para o autor, o estudo ativo envolve uma série de procedimentos que Neste capítulo o autor trata dos seguintes assuntos: importância dos
visam a despertar nos alunos habilidades e hábitos de caráter permanente, objetivos educacionais, objetivos gerais e objetivos específicos, os conteú-
tais como: fazer anotações no caderno durante a aula; procedimentos de dos do ensino e critérios de seleção dos conteúdos.
observação de objetos, etc. A IMPORTÂNCIA DOS OBJETIVOS EDUCACIONAIS
Além disso, segundo Libâneo, o estudo ativo diz respeito a: exercícios O autor afirma que a prática educacional se orienta, necessariamente,
de reprodução, tarefas de preparação para o estudo, tarefas na fase de para alcançar determinados objetivos, por meio de uma ação intencional e
assimilação da matéria e tarefas na fase de consolidação e aplicação. sistemática. Os objetivos educacionais, segundo o autor, então, expressam
propósitos definidos e explícitos quanto ao desenvolvimento das qualidades
humanas que todos os indivíduos precisam adquirir para se capacitarem
FATORES QUE INFLUENCIAM NO ESTUDO ATIVO para as lutas sociais de transformação da sociedade. Segundo ele, pode-
1 - A INCENTIVAÇÃO (OU ESTIMULAÇÃO) PARA O ESTUDO mos dizer que não há prática educativa sem objetivos.
O autor coloca que o incentivo à aprendizagem é o conjunto de estímu- Segundo Libâneo, os objetivos educacionais têm pelo menos três refe-
los que despertam nos alunos a sua motivação para aprender, de forma rências para sua formulação:
que as suas necessidades, interesses, desejos, sejam canalizados para as • os valores e ideais proclamados na legislação educacional e que
tarefas de estudo. expressam os propósitos das forças políticas dominantes no siste-
O autor define motivação como o conjunto das forças internas que im- ma social;
pulsionam o nosso comportamento para objetivos e cuja direção é dada • os conteúdos básicos das ciências, produzidos e elaborados no
pela nossa inteligência. decurso da prática social da humanidade;
Pode-se dizer que a motivação influi na aprendizagem e a aprendiza-
• as necessidades e expectativas de formação cultural exigidas pela
gem influi na motivação, segundo o autor.
população majoritária da sociedade, decorrentes das condições
O autor salienta que é importante a organização do trabalho do profes- concretas de vida e de trabalho e das lutas pela democratização.
sor na direção e no provimento das condições e modos de incentivar o
O autor considera, no texto, dois níveis de objetivos educacionais, são
estudo ativo.
eles: objetivos gerais e objetivos específicos. Os objetivos gerais expres-
sam, segundo o autor, propósitos mais amplos acerca do papel da escola e
2 - O CONHECIMENTO DAS CONDIÇÕES DE APRENDIZAGEM DO do ensino diante das exigências postas pela realidade social e diante do
ALUNO desenvolvimento da personalidade dos alunos. Definem, em grandes
O autor coloca que a incentivação como condição de incitamento das linhas, perspectivas da prática educativa na sociedade brasileira, que serão
forças cognoscitivas dos alunos depende do conhecimento das característi- depois convertidas em objetivos específicos de cada matéria de ensino,
cas individuais e sócio-culturais dos alunos. conforme os graus escolares e níveis de idade dos alunos. Os objetivos
específicos de ensino determinam exigências e resultados esperados da
Libâneo acredita que o ensino não pode deixar de apoiar-se na experi- atividade dos alunos, referentes a conhecimentos, habilidades, atitudes e
ência e no senso comum das crianças, cultivando-o e livrando-o dos equí- convicções cuja aquisição e desenvolvimento ocorrem no processo de
vocos e dos conhecimentos não-científicos; mas sua tarefa fundamental é transmissão e assimilação ativa das matérias de estudo.
assegurar o trânsito do senso comum aos conhecimentos científicos.

OBJETIVOS GERAIS E OBJETIVOS ESPECÍFICOS


3 - A INFLUÊNCIA DO PROFESSOR E DO AMBIENTE ESCOLAR
Segundo o autor, os objetivos gerais são explicitados em três níveis de
Segundo o autor, é de extrema importância a personalidade e a atitude abrangência, do mais amplo ao mais específico:
profissional do docente.
a) pelo sistema escolar, que expressa as finalidades educativas de
A seriedade profissional do professor, segundo o autor, manifesta-se acordo com ideais e valores dominantes na sociedade;
quando compreende o seu papel de instrumentalizar os alunos para a
conquista dos conhecimentos e sua aplicação na vida prática; incute-lhes a b) pela escola, que estabelece princípios e diretrizes de orientação do
importância do conhecimento das lutas dos trabalhadores; orienta-os positi- trabalho escolar com base num plano pedagógico-didático que represente o
vamente para as tarefas da vida adulta. consenso do corpo docente em relação à filosofia da educação e à prática
escolar;
Tais propósitos devem ser concretizados na prática, através de aulas
planejadas onde se evidenciem: a segurança nos conteúdos e nos métodos c) pelo professor, que concretiza no ensino da matéria a sua própria
de ensino, a constância e firmeza no cumprimento das exigências escolares visão de educação e de sociedade.
pelos alunos; o respeito no relacionamento com os alunos.
Também o ambiente escolar pode exercer, segundo o autor, um efeito O autor cita alguns objetivos educacionais gerais que podem auxiliar ao
estimulador para o estudo ativo dos alunos. Assim, os professores devem professores na seleção de objetivos específicos e conteúdos de ensino,
unir-se à direção da escola e aos pais para tornar a escola um lugar agra- entre eles estão:
dável e acolhedor. a) colocar a educação escolar no conjunto das lutas pela democratiza-
ção da sociedade, que consiste na conquista, pelo conjunto da população,
SUGESTÕES PARA TAREFAS DE ESTUDO das condições materiais, sociais, políticas e culturais através das quais se
assegura a ativa participação de todos na direção da sociedade.
Como sugestão de perguntas para o trabalho independente dos alunos,
o autor cita, entre outras: “Quais são as características do estudo ativo?” e b) assegurar a todas as crianças o máximo de desenvolvimento de su-
“Quais as relações entre o trabalho docente e o estudo ativo?”. as potencialidades, tendo em vista auxiliá-las na superação das desvanta-
gens decorrentes das condições socioeconômicas desfavoráveis.
Libâneo coloca que os objetivos específicos particularizam a compre-
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR ensão das relações entre escola e sociedade e especialmente do papel da
Como bibliografia complementar, o autor cita, entre outras: FREIRE, matéria de ensino. Eles expressam, assim, as expectativas do professor
Paulo. A Importância do Ato de Ler. São Paulo, Cortez/Autores Associados, sobre o que deseja obter dos alunos no decorrer do processo de ensino e

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têm um caráter pedagógico por explicitarem o rumo a ser imprimido ao A dimensão crítico-social dos conteúdos é uma metodologia de estudo
trabalho escolar, em torno de um programa de formação. e interpretação dos objetos de conhecimento - explicitados nas matérias de
Segundo o autor, a cada matéria de ensino correspondem objetivos ensino - como produtos da atividade humana e a serviço da prática social.
que expressam resultados a obter: conhecimentos, habilidades e hábitos, Segundo o autor, a dimensão crítico-social dos conteúdos, tendo como
atitudes e convicções, através dos quais se busca o desenvolvimento das base para sua aplicação no ensino a unidade e a relação objetivos-
capacidades cognoscitivas dos alunos. conteúdos-métodos, possibilita aos alunos a aquisição de conhecimentos
que elevem o grau de compreensão da realidade (expressa nos conteúdos)
e a formação de convicções e princípios reguladores da ação na vida
OS CONTEÚDOS DE ENSINO prática.
O autor coloca que o ensino dos conteúdos deve ser visto como a ação
recíproca entre a matéria, o ensino e o estudo dos alunos. 5 - OS CONTEÚDOS E O LIVRO DIDÁTICO
Segundo Libâneo, na sociedade atual, há uma distinção dos conteúdos
1 - O QUE SÃO OS CONTEÚDOS de ensino para diferentes grupos sociais: para uns, esses conteúdos refor-
Para Libâneo, conteúdos de ensino são o conjunto de conhecimentos, çam os privilégios, para outros fortalecem o espírito de submissão e con-
habilidades, hábitos, modos valorativos e atitudinais de atuação social, formismo.
organizados pedagógica e didaticamente, tendo em vista a assimilação Para o autor, os livros didáticos se prestam a sistematizar e difundir co-
ativa e aplicação pelos alunos na sua prática de vida. Englobam, assim: nhecimentos mas servem, também, para encobrir ou escamotear aspectos
conceitos, ideias, fatos, processos, etc. e são expressos nos programas da realidade, conforme modelos de descrição e explicação da realidade
oficiais, nos livros didáticos, nos planos de ensino e de aula, entre outros. consoantes com os interesses econômicos e sociais dominantes na socie-
Segundo o autor, pode-se dizer que os conteúdos retratam a experiên- dade.
cia social da humanidade no que se refere a conhecimentos e modos de Ressalta Libâneo que, ao recorrer ao livro didático para escolher os
ação, transformando-se em instrumentos pelos quais os alunos assimilam, conteúdos, elaborar o plano de ensino e de aulas, é necessário ao profes-
compreendem e enfrentam as exigências teóricas da vida social. sor o domínio seguro da matéria e bastante sensibilidade crítica. De um
Os conteúdos são organizados em matérias de ensino e dinamizados lado, os seus conteúdos são necessários e, quanto mais aprofundados,
pela articulação objetivos-conteúdos-métodos e formas de organização do mais possibilitam um conhecimento crítico dos objetos de estudo, pois os
ensino, nas condições reais em que ocorre o processo de ensino. conhecimentos sempre abrem novas perspectivas e alargam a compreen-
são do mundo. Por outro lado, esses conteúdos não podem ser tomados
A escolha dos conteúdos de ensino, segundo o autor, parte deste prin-
como estáticos, imutáveis e sempre verdadeiros, por isso é preciso confron-
cípio básico: os conhecimentos e modos de ação surgem da prática social e
tá-los com a prática de vida dos alunos e com a realidade.
histórica dos homens e vão sendo sistematizados e transformados em
objetos de conhecimento; assimilados e reelaborados, são instrumentos de
ação para atuação na prática social e histórica. CRITÉRIOS DE SELEÇÃO
1 - CORRESPONDÊNCIA ENTRE OBJETIVOS GERAIS E CONTEÚ-
DOS
2 - OS ELEMENTOS DOS CONTEÚDOS DE ENSINO
Segundo o autor, os conteúdos devem expressar objetivos sociais e
Segundo o autor, os conteúdos de ensino se compõem de quatro ele-
pedagógicos da escola pública sintetizados na formação cultural e científica
mentos: conhecimentos sistematizados; habilidades e hábitos; atitudes e
para todos. Se a educação escolar deve exercer a sua contribuição no
convicções.
conjunto das lutas pela transformação da sociedade, deve-se ter em mente
Os conhecimentos sistematizados são a base da instrução e do ensino, que os conteúdos sistematizados visam a instrumentalizar as crianças e
os objetos de assimilação e meio indispensável para o desenvolvimento jovens das camadas populares para a sua participação ativa no campo
global da personalidade. econômico, social, político e cultural.
As habilidades são qualidades intelectuais necessárias para a atividade
mental no processo de assimilação de conhecimentos e os hábitos são 2 - CARÁTER CIENTÍFICO
modos de agir relativamente automatizados que tornam mais eficaz o
Segundo o autor, os conhecimentos que fazem parte do conteúdo refle-
estudo ativo e independente.
tem os fatos, conceitos, métodos decorrentes da ciência moderna. No
As atitudes e convicções se referem a modos de agir, de sentir e de se processo de ensino, trata-se de selecionar as bases das ciências, transfor-
posicionar frente a tarefas da vida social. madas em objetos de ensino necessárias à educação geral.
Segundo o autor, os elementos constitutivos dos conteúdos convergem
para a formação das capacidades cognoscitivas. 3 - CARÁTER SISTEMÁTICO
Para o autor, o programa de ensino deve ser delineado em conheci-
3 - QUEM DEVE ESCOLHER OS CONTEÚDOS DE ENSINO mentos sistematizados e não em temas genéricos e esparsos, sem ligação
São três as fontes, segundo o autor, que o professor utilizará para se- entre si. O sistema de conhecimentos de cada matéria deve garantir uma
lecionar os conteúdos do plano de ensino e organizar as suas aulas: a lógica interna, que permita uma interpenetração entre os assuntos.
programação oficial na qual são fixados os conteúdos de cada matéria; os
próprios conteúdos básicos das ciências transformadas em matérias de 4 - RELEVÂNCIA SOCIAL
ensino; as exigências teóricas e práticas colocadas pela prática de vida dos Para o autor, a relevância social dos conteúdos significa incorporar no
alunos, tendo em vista o mundo do trabalho e a participação democrática programa as experiências e vivências das crianças na sua situação social
na sociedade. concreta, para contrapor as noções de uma sociedade idealizada e de um
4 - A DIMENSÃO CRÍTICO-SOCIAL DOS CONTEÚDOS tipo de vida e de valores distanciados do cotidiano das crianças que, fre-
Segundo o autor, a dimensão crítico-social dos conteúdos corresponde quentemente, aparecem nos livros didáticos.
à abordagem metodológica dos conteúdos na qual os objetos de conheci-
mento (fatos, leis, etc.) são apreendidos nas suas propriedades e caracte- 5 - ACESSIBILIDADE E SOLIDEZ
rísticas próprias e, ao mesmo tempo, nas suas relações com outros fatos e O autor coloca que acessibilidade significa compatibilizar os conteúdos
fenômenos da realidade, incluindo especificamente as ligações e nexos com o nível de preparo e desenvolvimento mental dos alunos. Segundo ele,
sociais que os constituem como tais (como objetos conhecimento). O se os conteúdos são acessíveis e didaticamente organizados, sem perder o
conhecimento é considerado, nessa perspectiva, como vinculado a objeti- caráter científico e sistematizado, haverá mais garantia de uma assimilação
vos socialmente determinados, a interesses concretos a que estão implica- sólida e duradoura, tendo em vista a sua utilização nos conhecimentos
das as tarefas da educação escolar. novos e a sua transferência para as situações práticas.

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SUGESTÕES PARA TAREFAS DE ESTUDO do aluno, método de elaboração conjunta e método de trabalho em grupos)
Como sugestão de perguntas para o trabalho independente dos alunos, e seus aspectos internos (passos ou funções didáticas e procedimentos
o autor cita, entre outras: “Como se articulam objetivos gerais e objetivos lógicos e psicológicos de assimilação da matéria).
específicos?” e “Quais são as relações básicas entre objetivos e conteú-
dos?”. 1 - MÉTODO DE EXPOSIÇÃO PELO PROFESSOR
Neste método, os conhecimentos, habilidades e tarefas são apresenta-
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR das, explicadas ou demonstradas pelo professor. A atividade dos alunos é
Como bibliografia complementar o autor cita, entre outros: NIDEL- receptiva, embora não necessariamente passiva.
COFF, Maria T. As Ciências Sociais na Escola. São Paulo. Brasiliense, Entre as formas de exposição, o autor cita a exposição verbal, a de-
1987 e SAVIANE, Dermeval, entrevista concedida ao jornal La Hora, de monstração, a ilustração e a exemplificação.
28.02.87, de Montevidéu (Uruguai).
2 - MÉTODO DE TRABALHO INDEPENDENTE
CAPÍTULO 7 O autor coloca que o método de trabalho independente dos alunos
OS MÉTODOS DE ENSINO consiste de tarefas, dirigidas e orientadas pelo professor, para que os
Segundo o autor, os métodos são determinados pela relação objetivo- alunos as resolvam de modo relativamente independente e criador.
conteúdo, e referem-se aos meios para alcançar objetivos gerais e específi- O autor considera como sendo o aspecto mais importante do trabalho
cos do ensino. independente a atividade mental dos alunos, qualquer que seja a modalida-
Neste capítulo ele trabalha com os temas: conceito de método de ensi- de de tarefa planejada pelo professor para estudo individual.
no; a relação objetivo-conteúdo-método; os princípios básicos do ensino e a
classificação dos métodos de ensino. 3 - MÉTODO DE ELABORAÇÃO CONJUNTA
Segundo o autor, a elaboração é uma forma de interação ativa entre o
CONCEITO DE MÉTODO DE ENSINO professor e os alunos visando à obtenção de novos conhecimentos, habili-
Segundo Libâneo, o método de ensino expressa a relação conteúdo- dades, atitudes e convicções, bem como a fixação e consolidação de
método, no sentido de que tem como base um conteúdo determinado. conhecimentos e convicções já adquiridos. A forma mais típica do método
de elaboração conjunta é a conversação didática, sendo que a forma mais
O autor coloca que se pode dizer que os métodos de ensino são as usual de sua organização é a pergunta.
ações do professor pelas quais se organizam as atividades de ensino e dos
alunos para atingir objetivos do trabalho docente em relação a um conteúdo
específico. Eles regulam as formas de interação entre ensino e aprendiza- 4 - MÉTODO DE TRABALHO EM GRUPO
gem, entre professor e os alunos, cujo resultado é a assimilação consciente Este método de trabalho em grupos ou aprendizagem em grupo consis-
dos conhecimentos e o desenvolvimento das capacidades cognoscitivas e te basicamente em distribuir temas de estudo iguais ou diferentes a grupos
operativas dos alunos. fixos ou variáveis, compostos de 3 a 5 alunos.

A RELAÇÃO OBJETIVO-CONTEÚDO-MÉTODO 5 - ATIVIDADES ESPECIAIS


Segundo o autor, a relação objetivo-conteúdo-método tem como carac- O autor destaca entre as atividades especiais, que são aquelas que
terística a mútua interdependência. O método de ensino é determinado pela complementam os métodos de ensino e que concorrem para a assimilação
relação objetivo-conteúdo, mas pode também influir na determinação de ativa dos conteúdos, o estudo do meio.
objetivos e conteúdos. Segundo ele, a matéria de ensino é o elemento de
referência para a elaboração dos objetivos específicos que, uma vez defini-
dos, orientam a articulação dos conteúdos e métodos, tendo em vista a MEIOS DE ENSINO
atividade de estudo dos alunos. Por sua vez, os métodos, à medida que O autor chama de meios de ensino todos os meios e recursos materiais
expressam formas de transmissão e assimilação de determinadas matérias, utilizados pelo professor e pelos alunos para a organização e condução
atuam na seleção de objetivos e conteúdos. metódica do processo de ensino e aprendizagem.

OS PRINCÍPIOS BÁSICOS DO ENSINO SUGESTÕES PARA TAREFAS DE ESTUDO


Segundo o autor, os princípios do ensino são aspectos gerais do pro- O autor cita algumas perguntas para o trabalho independente dos alu-
cesso de ensino que expressam os fundamentos teóricos de orientação do nos, entre elas: “Por que não pode existir um método único de ensino?” e
trabalho docente. “Explicar o princípio da atividade consciente e autônoma do aluno e o papel
Segundo o autor, as exigências práticas da sala de aula requerem al- dirigente do professor”.
gumas indicações que orientam a atividade consciente dos professores no
rumo dos objetivos gerais e específicos do ensino.
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
Estão listadas a seguir essas indicações:
Como bibliografia complementar o autor cita, além de outras: MAR-
1) Ter caráter científico e sistemático; TINS, José do Prado. Didática Geral. São Paulo. Ática, 1986 e NERICI,
2) Ser compreensível e possível de ser assimilado; Imídeo. Didática - Uma Introdução. São Paulo. Atlas, 1986.
3) Assegurar a relação conhecimento-prática;
4) Assentar-se na unidade ensino-aprendizagem; CAPÍTULO 8
5) Garantir a solidez dos conhecimentos; A AULA COMO FORMA DE ORGANIZAÇÃO DO ENSINO
6) Levar à vinculação trabalho coletivo - particularidades individuais; Segundo Libâneo, deve-se entender a aula como o conjunto dos meios
e condições pelos quais o professor dirige e estimula o processo de ensino
em função da atividade própria do aluno no processo da aprendizagem
CLASSIFICAÇÃO DOS MÉTODOS DE ENSINO escolar, ou seja, a assimilação consciente e ativa dos conteúdos.
Segundo o autor, em função do critério, no qual a direção do ensino se
orienta para a ativação das forças cognoscitivas do aluno, pode-se classifi-
car os métodos de ensino segundo os seus aspectos externos (método de CARACTERÍSTICAS GERAIS DA AULA
exposição pelo professor, método de trabalho relativamente independente Segundo o autor, cada aula é uma situação didática específica, na qual
objetivos e conteúdos se combinam com métodos e formas didáticas,
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visando fundamentalmente a propiciar a assimilação ativa de conhecimen- (refere-se a tarefas que levam ao aprimoramento do pensamento indepen-
tos e habilidades pelos alunos. Na aula se realiza, assim, a unidade entre dente e criativo).
ensino e estudo, como que convergindo nela os elementos constitutivos do
processo didático.
4 - A APLICAÇÃO
Continua ele, dizendo que a aula é toda situação didática na qual se
põem objetivos, conhecimentos, problemas, desafios, com fins instrutivos e Segundo o autor, a aplicação é a culminância relativa do processo de
formativos, que incitam as crianças e jovens a aprender. ensino. Ela ocorre em todas as demais etapas, mas aqui se trata de prover
oportunidades para os alunos utilizarem de forma mais criativa os conheci-
mentos, unindo teoria e prática, aplicando conhecimentos, seja na própria
ESTRUTURAÇÃO DIDÁTICA DA AULA prática escolar, seja na vida social. O objetivo da aplicação é estabelecer
Segundo o autor, o trabalho docente, sendo uma atividade intencional vínculos do conhecimento com a vida, de modo a suscitar independência
e planejada, requer estruturação e organização, a fim de que sejam atingi- de pensamento e atitudes críticas e criativas expressando a sua compreen-
dos os objetivos do ensino. são da prática social.
O autor salienta que a estruturação da aula é um processo que implica
criatividade e flexibilidade do professor, isto é, a perspicácia de saber o que 5 - CONTROLE E AVALIAÇÃO DOS RESULTADOS ESCOLARES
fazer frente a situações didáticas específicas, cujo rumo nem sempre é Segundo o autor, a verificação e controle do rendimento escolar para
previsível. efeito de avaliação é uma função didática que percorre todas as etapas do
Libâneo coloca que se deve entender as etapas ou passos didáticos ensino, e abrange a consideração dos vários tipos de atividades do profes-
como tarefas do processo de ensino relativamente constantes e comuns a sor e dos alunos no processo de ensino. A avaliação do ensino e da apren-
todas as matérias, considerando-se que não há entre elas uma sequência dizagem deve ser visto como um processo sistemático e contínuo, no
necessariamente fixa, e que dentro de uma etapa se realizam simultanea- decurso do qual vão sendo obtidas informações e manifestações acerca do
mente outras. desenvolvimento das atividades docentes e discentes, atribuindo-lhes
Os passos didáticos apresentados pelo autor são: preparação e intro- juízos de valor.
dução da matéria; tratamento didático da matéria nova; consolidação e
aprimoramento dos conhecimentos e habilidades; aplicação; controle e TIPOS DE AULAS E MÉTODOS DE ENSINO
avaliação.
Segundo Libâneo, em princípio, a programação de aulas correspon-
dentes a cada passo didático ou a utilização de todos os passos numa só
1 - PREPARAÇÃO E INTRODUÇÃO DA MATÉRIA aula depende dos objetivos e conteúdos da matéria, das habilidades e
Segundo o autor, esta fase corresponde ao momento inicial de prepa- capacidades mentais exigidas nas tarefas, do número de aulas semanais e
ração para o estudo da matéria nova. Compreende atividades interligadas: da própria duração da aula, conforme o sistema adotado em cada escola.
a preparação prévia do professor, a preparação dos alunos, a introdução da Na concepção de ensino que o autor propõe, as tarefas docentes vi-
matéria e a colocação didática dos objetivos. sam a organizar a assimilação ativa, o estudo independente dos alunos, a
aquisição de métodos de pensamento, a consolidação do aprendido. Isso
2 - TRATAMENTO DIDÁTICO DA MATÉRIA NOVA significa que, sempre de acordo com os objetivos e conteúdos da matéria,
Nesta etapa, segundo o autor, realiza-se a percepção dos objetos e fe- as aulas poderão ser previstas em correspondência com as etapas ou
nômenos ligados ao tema, a formação dos conceitos, o desenvolvimento passos do processo de ensino.
das capacidades cognoscitivas de observação, imaginação e de raciocínio Segundo o autor, em qualquer tipo de aula, entretanto, deve existir a
dos alunos. preocupação de verificação das condições prévias, de orientação dos
Libâneo sintetiza os momentos interligados do processo de transmis- alunos para os objetivos, de consolidação e de avaliação.
são-assimilação, que ele considera a base metodológica para o tratamento Segundo o autor, não há um processo de ensino único, mas processos
didático da matéria nova: concretos, determinados pela especificidade das matérias e pelas circuns-
• uma aproximação inicial do objeto de estudo para ir formando tâncias de cada situação concreta. Além disso, os passos didáticos são
as primeiras noções, através da atividade perceptiva, sensori- interdependentes e se penetram mutuamente. A preparação e a introdução
al. Isso se faz, na aula, através da observação direta, conver- do tema no início da aula pode incluir exercícios, recordação da matéria
sação didática, explorando a percepção que os alunos têm do anterior. O tratamento didático da matéria implica a recordação da matéria
tema estudado; deve-se ir gradativamente sistematizando as anterior, a sondagem dos conhecimentos que os alunos já trazem. A orien-
noções; tação para os objetivos, na fase de introdução do tema, bem como a avalia-
• elaboração mental dos dados iniciais, tendo em vista a com- ção estão presentes em todos os passos, e assim por diante.
preensão mais aprofundada por meio da abstração e generali-
zação, até consolidar conceitos sobre os objetos de estudo;
• sistematização das ideias e conceitos de um modo que seja A TAREFA DE CASA
possível operar mentalmente com eles em tarefas teóricas e Para Libâneo a tarefa para casa é um importante complemento didático
práticas, em função da matéria seguinte e em função da solu- para a consolidação, estreitamente ligada ao desenvolvimento das aulas. A
ção de problemas novos da matéria e da vida prática. tarefa para casa consiste de tarefas de aprendizagem realizadas fora do
período escolar. Tanto quanto os exercícios de classe e as verificações
3 - CONSOLIDAÇÃO E APRIMORAMENTO DOS CONHECIMENTOS parciais de aproveitamento, elas indicam ao professor as dificuldades dos
E HABILIDADE alunos e as deficiências da estruturação didática do seu trabalho. Exercem
também uma função social, pois através delas os pais tomam contato com
Segundo o autor, a consolidação pode dar-se em qualquer etapa do o trabalho realizado na escola, na classe dos seus filhos, sendo um impor-
processo didático: antes de iniciar matéria nova, recorda-se, sistematiza-se, tante meio de interação dos pais com os professores e destes com aqueles.
são realizados exercícios em relação à matéria anterior; no estudo do novo
conteúdo, ocorre paralelamente às atividades de assimilação e compreen- Segundo o autor, essas tarefas não devem constituir-se apenas exercí-
são. Mas constitui, também, um momento determinado do processo didáti- cios; consistem, também, de tarefas preparatórias para a aula (leituras, etc.)
co, quando é posterior à assimilação inicial e compreensão da matéria. ou de tarefas de aprofundamento da matéria (um estudo dirigido individual,
etc.).
A consolidação, segundo Libâneo, pode ser reprodutiva (que tem cará-
ter de exercitação), de generalização (implica a integração de conhecimen-
tos de forma que os alunos estabeleçam relações entre conceitos, analisem SUGESTÕES PARA TAREFAS DE ESTUDO
os fatos e fenômenos sob vários pontos de vista, façam a ligação dos O autor sugere perguntas para o trabalho independente dos alunos, en-
conhecimentos com novas situações e fatos da prática social) e criativa tre outras: “Explicar as funções que deve ter a aula para atingir os objetivos

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do ensino” e “Como devem ser combinados os tipos de aula e os métodos aprofundamento de conhecimentos e habilidades e, desta forma, o desen-
de ensino?”. volvimento das capacidades cognoscitivas.
A função de diagnóstico permite, segundo o autor, identificar progres-
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR sos e dificuldades dos alunos e a atuação do professor que, por sua vez,
determinam modificações do processo de ensino para melhor cumprir as
Como bibliografia complementar, o autor sugere, entre outras: AUSU- exigências dos objetivos. Na prática escolar cotidiana, a função de diagnós-
BEL, David P. et alii. Psicologia Educacional. Rio de Janeiro, Interamerica- tico é mais importante porque é a que possibilita a avaliação do cumprimen-
na, 1980 e SAVIANI, Dermeval. Escola e Democracia. São Paulo, Cor- to da função pedagógico-didática e a que dá sentido pedagógico à função
tez/Autores associados, 1986. de controle. A avaliação diagnóstica ocorre no início, durante e no final do
desenvolvimento das aulas ou unidades didáticas. No início, verificam-se as
A AVALIAÇÃO ESCOLAR condições prévias dos alunos de modo a prepará-los para o estudo da
matéria nova. Esta etapa inicial é de sondagem de conhecimentos e de
Segundo o texto, a avaliação é uma tarefa didática necessária e per-
experiências já disponíveis bem como de provimento dos pré-requisitos
manente do trabalho docente, que deve acompanhar passo a passo o
para a sequência da unidade didática. Durante o processo de transmissão e
processo de ensino e aprendizagem.
assimilação é feito o acompanhamento do progresso dos alunos, aprecian-
Através dela, os resultados que vão sendo obtidos no decorrer do tra- do os resultados, corrigindo falhas, esclarecendo dúvidas, estimulando-os a
balho conjunto do professor e dos alunos são comparados com os objetivos continuarem trabalhando até que alcancem resultados positivos. Ao mesmo
propostos, a fim de constatar progressos, dificuldades, e reorientar o traba- tempo, essa avaliação fornece ao professor informações sobre como ele
lho para as correções necessárias. A avaliação é uma reflexão sobre o está conduzindo o seu trabalho: andamento da matéria, adequação de
nível de qualidade do trabalho escolar tanto do professor como dos alunos. métodos e materiais, comunicação com os alunos, adequabilidade da sua
Os dados coletados no decurso do processo de ensino, quantitativos ou linguagem etc. Finalmente, é necessário avaliar os resultados da aprendi-
qualitativos, são interpretados em relação a um padrão de desempenho e zagem no final de uma unidade didática, do bimestre ou do ano letivo. A
expressos em juízos de valor acerca do aproveitamento escolar. avaliação global de um determinado período de trabalho também cumpre a
No texto, a avaliação é considerada uma tarefa complexa que não se função de realimentação do processo de ensino.
resume à realização de provas e atribuição de notas. A mensuração apenas A função de controle, segundo o autor, refere-se aos meios e à fre-
proporciona dados que devem ser submetidos a uma apreciação qualitati- quência das verificações e de qualificação dos resultados escolares, possi-
va. A avaliação, assim, cumpre funções pedagógico-didáticas, de diagnósti- bilitando o diagnóstico das situações didáticas. Há um controle sistemático
co e de controle em relação às quais se recorre a instrumentos de verifica- e contínuo que ocorre no processo de interação professor-alunos no decor-
ção do rendimento escolar. rer das aulas, através de uma variedade de atividades, que permite ao
professor observar como os alunos estão se conduzindo na assimilação de
UMA DEFINIÇÃO DE AVALIAÇÃO ESCOLAR conhecimentos e habilidade e no desenvolvimento das capacidades men-
tais. Neste caso, não se deve quantificar os resultados. O controle parcial e
Libâneo cita o professor Cipriano Carlos Luckesi, que diz que a avalia- final se refere a verificações efetuadas durante o bimestre, no final do
ção é uma apreciação qualitativa sobre dados relevantes do processo de bimestre e no final do semestre ou ano, caso a escola exija o exame final.
ensino e aprendizagem que auxilia o professor a tomar decisões sobre o
seu trabalho. Os dados relevantes se referem às várias manifestações das Segundo o autor, essas funções atuam de forma independente, não
situações didáticas, nas quais o professor e os alunos estão empenhados podendo ser consideradas isoladamente. A função pedagógico-didática
em atingir os objetivos do ensino. A apreciação qualitativa desses dados, está referida aos próprios objetivos do processo de ensino e diretamente
através da análise de provas, exercícios, respostas dos alunos, realização vinculada às funções de diagnóstico e de controle. A função diagnóstica se
de tarefas, etc., permite uma tomada de decisão para o que deve ser feito torna esvaziada se não estiver referida à função pedagógico-didática e se
em seguida. não for suprida de dados e alimentada pelo acompanhamento do processo
de ensino que ocorre na função de controle. A função de controle, sem a
Libâneo afirma que se pode, então, definir a avaliação escolar como função diagnóstico e sem o seu significado pedagógico-didático, fica res-
um componente do processo de ensino a que visa, através da verificação e tringida à simples tarefa de atribuição de notas e classificação.
qualificação dos resultados obtidos, determinar a correspondência destes
com os objetivos propostos e, daí, orientar a tomada de decisões em rela-
ção às atividades didáticas seguintes. AVALIAÇÃO NA PRÁTICA ESCOLAR
Nos diversos momentos do processo de ensino, são tarefas de avalia- Para Libâneo a prática de avaliação em nossas escolas tem sido criti-
ção: a verificação, a qualificação e a apreciação qualitativa. cada, sobretudo, por reduzir-se à sua função de controle, mediante a qual
• Verificação: coleta de dados sobre o aproveitamento dos alu- se faz uma classificação quantitativa dos alunos relativa às notas que
nos, através de provas, exercícios e tarefas ou de meios auxi- obtiveram nas provas. Os professores não têm conseguido usar os proce-
liares, como observação de desempenho, entrevistas etc. dimento de avaliação - que, sem dúvida, implicam o levantamento de dados
por meio de testes, trabalhos escritos etc. - para atender a sua função
• Qualificação: comprovação dos resultados alcançados em re- educativa. Em relação aos objetivos, funções e papel da avaliação na
lação aos objetivos e, conforme o caso, atribuição de notas ou melhoria das atividades escolares e educativas, têm-se verificado, segundo
conceitos. ele, na prática escolar alguns equívocos.
• Apreciação qualitativa: avaliação propriamente dita dos resul- O mais comum, segundo ele, é tomar a avaliação unicamente como o
tados, referindo-os a padrões de desempenho esperados. ato de aplicar provas, atribuir notas e classificar os alunos. O professor
Segundo o autor, a avaliação escolar cumpre pelo menos três funções: reduz a avaliação à cobrança daquilo que o aluno memorizou e usa a nota
pedagógico-didática, de diagnóstico e de controle. somente como instrumento de controle. Continua ele, dizendo que, ainda
A função pedagógico-didática se refere ao papel da avaliação no cum- hoje há professores que se vangloriam por deter o poder de aprovar ou
primento dos objetivos gerais e específicos da educação escolar. Ao se reprovar. Quantas vezes se ouvem afirmações inteiramente falsas sobre o
comprovar sistematicamente os resultados do processo de ensino, eviden- que deve ser um trabalho docente de qualidade, como por exemplo: “O
cia-se ou não o atendimento das finalidades sociais do ensino, de prepara- professor X é excelente, reprova mais da metade da classe”, “O ensino
ção dos alunos para enfrentarem as exigências da sociedade, de inseri-los naquela escola é muito puxado, poucos alunos conseguem aprovação”.
no processo global de transformação social e de propiciar meios culturais Tal ideia é descabida, segundo o autor, primeiro porque a atribuição de
de participação ativa nas diversas esferas da vida social. notas visa apenas ao controle formal, com objetivo classificatório e não
Ao mesmo tempo, favorece uma atitude mais responsável do aluno em educativo; segundo, porque o que importa é o veredicto do professor sobre
relação ao estudo, assumindo-o como um dever social. Cumprindo sua o grau de adequação e conformidade do aluno ao conteúdo que transmite.
função didática, a avaliação contribui para a assimilação e fixação, pois a Essa atitude ignora a complexidade de fatores que envolve o ensino, tais
correção dos erros cometidos possibilita o aprimoramento, a ampliação e o como os objetivos de formação, os métodos e procedimentos do professor,
a situação social dos alunos, as condições e meios de organização do

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ensino, os requisitos prévios que têm os alunos para assimilar matéria se o professor demonstra um verdadeiro propósito educativo, as provas
nova, as diferenças individuais, o nível de desenvolvimento intelectual, as dissertativas ou objetivas, o controle de tarefas e exercícios de consolida-
dificuldades de assimilação devidas a condições sociais, econômicas, ção e outros tipos de verificação são vistos pelos alunos como efetiva ajuda
culturais adversas dos alunos. Ao fixar critérios de desempenho unilaterais, ao seu desenvolvimento mental, na medida em que mostram evidências
o professor avalia os alunos pelo seu mérito individual, pela sua capacidade concretas da realização dos objetivos propostos.
de se ajustarem aos seus objetivos, independentemente das condições do
ensino e dos alunos e dos fatores externos e internos que interferem no
rendimento escolar. CARACTERÍSTICAS DA AVALIAÇÃO ESCOLAR
O outro equívoco, segundo ele, é utilizar a avaliação como recompensa Com relação às características da avaliação escolar, o autor cita aque-
aos “bons” alunos e punição para os desinteressados ou indisciplinados. As las que considera principais, que estão listadas como segue.
notas se transformam em armas de intimidação e ameaça para uns e 1 - REFLETE A UNIDADE OBJETIVOS-CONTEÚDOS-MÉTODOS
prêmios para outros. É comum a prática de dar e tirar “ponto” conforme o Segundo o autor, a avaliação escolar é parte integrante do processo de
comportamento do aluno, ou a preocupação excessiva pela exatidão da ensino e aprendizagem, e não uma etapa isolada. Há uma exigência de que
nota, às vezes reprovando alunos por causa de décimos. Nestas circuns- esteja concatenada com os objetivos-conteúdos-métodos expressos no
tâncias, o professor exclui o seu papel de docente, isto é, o de assegurar as plano de ensino e desenvolvidos no decorrer das aulas. Os objetivos expli-
condições e meios pedagógico-didáticos para que os alunos sejam estimu- citam conhecimentos, habilidades e atitudes, cuja compreensão, assimila-
lados e aprendam sem necessidade de intimidação. ção e aplicação, por meio de métodos adequados, devem manifestar-se em
O terceiro equívoco é o dos professores que, por confiarem demais em resultados obtidos nos exercícios, provas, conversação didática, trabalho
seu “olho clínico”, dispensam verificações parciais no decorrer das aulas. independente etc.
Neste caso, o prejuízo dos alunos é grande, uma vez que o seu destino Um aspecto que o autor considera relevante é a clareza dos objetivos,
costuma ser traçado logo nos primeiros meses do ano letivo, quando o pois os alunos precisam saber para que estão trabalhando e no que estão
professor estabelece quem passa e quem não passa de ano. Os condena- sendo avaliados.
dos à repetência são isolados no canto da sala de aula e, não raro, aban-
donam a escola.
2 - POSSIBILITA A REVISÃO DO PLANO DE ENSINO
O quarto equívoco é daqueles professores que rejeitam as medidas
quantitativas de aprendizagem em favor de dados qualitativos. Consideram O levantamento das condições prévias dos alunos para iniciar nova
que as provas de escolaridade são prejudiciais ao desenvolvimento autô- matéria, os indícios de progresso ou deficiências detectados na assimilação
nomo das potencialidades e da criatividade dos alunos. Acreditam que, de conhecimentos, as verificações parciais e finais são elementos que
sendo a aprendizagem decorrente preponderantemente da motivação possibilitam a revisão do plano de ensino e o encaminhamento do trabalho
interna do aluno, toda situação de prova leva à ansiedade, à inibição e ao docente para a direção correta. Não apenas nas aulas, mas nos contatos
cerceamento do crescimento pessoal. Por isso, recusam qualquer quantifi- informais na classe e no recreio, o professor vai conhecendo dados sobre o
cação dos resultados. desempenho e aproveitamento escolar e crescimento dos alunos.
Os equívocos apontados por Libâneo, mostram, segundo ele, duas po- A avaliação, segundo o autor, ajuda a tornar mais claros os objetivos
sições extremas em relação à avaliação escolar: considerar apenas os que se quer atingir. No início de uma unidade didática, o professor ainda
aspectos quantitativos ou apenas os qualitativos. No primeiro caso, a não está muito seguro de como atingir os objetivos no decorrer do processo
avaliação é vista apenas como medida e, ainda assim, mal utilizada. No de transmissão e assimilação. À medida que vai conduzindo o trabalho e
segundo caso, a avaliação se perde na subjetividade de professores e observando a reação dos alunos, os objetivos se vão clarificando, o que
alunos, além de ser uma atitude muito fantasiosa quanto aos objetivos da possibilita tomar novas decisões para as atividades subsequentes.
escola e à natureza das relações pedagógicas.
O entendimento correto da avaliação, segundo ele, consiste em consi- 3 - AJUDA A DESENVOLVER CAPACIDADES E HABILIDADES
derar a relação mútua entre os aspectos quantitativos e qualitativos. A Segundo o autor, todas as atividades avaliativas concorrem para o de-
escola cumpre uma função determinada socialmente, a de introduzir as senvolvimento intelectual, social e moral dos alunos, e visam a diagnosticar
crianças e jovens no mundo da cultura e do trabalho; tal objetivo social não como a escola e o professor estão contribuindo para isso. O objetivo do
surge espontaneamente na experiência das crianças e jovens, mas supõe processo de ensino e de educação é que todas as crianças desenvolvam
as perspectivas traçadas pela sociedade e um controle por parte do profes- suas capacidades físicas e intelectuais, seu pensamento independente e
sor. Por outro lado, a relação pedagógica requer a interdependência entre criativo, tendo em vista tarefas teóricas e práticas, de modo que se prepa-
influências externas e condições internas dos alunos; o professor deve rem positivamente para a vida social. A avaliação deve ajudar todas as
organizar o ensino, mas o seu objetivo é o desenvolvimento autônomo e crianças a crescerem: os ativos e os apáticos, os espertos e os lentos, os
independente dos alunos. Desse modo, a quantificação deve transformar- interessados e os desinteressados. Os alunos não são iguais, nem no nível
se em qualificação, isto é, numa apreciação qualitativa dos resultados socioeconômico nem nas suas características individuais. A avaliação
verificados. possibilita o conhecimento de cada um, da sua posição em relação à clas-
Ele considera que a atitude de dar notas somente com base em provas se, estabelecendo uma base para as atividades de ensino e aprendizagem.
escritas tem limitações. As provas frequentemente são empregadas apenas
para medir capacidade de memorização. Os livros didáticos e as tarefas
dadas pelos professores estão repletos de exercícios desse tipo. Os pro- 4 - VOLTAR-SE PARA A ATIVIDADE DOS ALUNOS
fessores, por sua vez, têm dificuldades em avaliar resultados mais impor- A avaliação do rendimento escolar, segundo o autor, deve centrar-se
tantes do processo de ensino, como a compreensão, a originalidade, a no entendimento de que as capacidades se expressam no processo da
capacidade de resolver problemas, a capacidade de fazer relações entre atividade do aluno em situações didáticas. Por esta razão, é insuficiente
fatos e ideias etc. restringir as verificações a provas no final de bimestres.
Entretanto, coloca ele, as provas escritas e outros instrumentos de veri-
ficação são meios necessários de obtenção de informação sobre o rendi- 5 - SER OBJETIVA
mento dos alunos. A escola, os professores, os alunos e os pais necessi-
Para o autor a avaliação deve ter caráter objetivo, capaz de comprovar
tam da comprovação quantitativa e qualitativa dos resultados do ensino e
os conhecimentos realmente assimilados pelos alunos, de acordo com os
da aprendizagem para analisar e avaliar o trabalho desenvolvido. Além
objetivos e os conteúdos trabalhados. Isso não significa excluir a subjetivi-
disso, por mais que o professor se empenhe na motivação interna dos
dade do professor e dos alunos, que está sempre presente na relação
alunos, nem sempre conseguirá deles o desejo espontâneo para o estudo.
pedagógica; mas a subjetividade não pode comprometer as exigências
As crianças precisam de estimulação externa, precisam sentir-se desafia-
objetivas - sociais e didáticas - inerentes ao processo de ensino. Para
das a fim de mobilizarem suas energias físicas e intelectuais.
garantir a exigência de objetividade, aplicam-se instrumentos e técnicas
Portanto, se os objetivos e conteúdos são adequados às exigências da diversificadas de avaliação.
matéria e às condições externas e internas de aprendizagem dos alunos e

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6 - AJUDA NA AUTOPERCEPÇÃO DO PROFESSOR malmente, as características individuais e grupais dos alunos, tendo em
A avaliação é, também, um termômetro dos esforços do professor, se- vista identificar fatores que influenciam a aprendizagem e o estudo das
gundo Libâneo. Ao analisar os resultados do rendimento escolar dos alu- matérias e, na medida do possível, modificá-los. Já a entrevista é uma
nos, obtém informações sobre o desenvolvimento do seu próprio trabalho. técnica simples e direta de conhecer e ajudar o aluno no seu desempenho
O professor pode perguntar-se: “Meus objetivos estão suficientemente escolar e deve ter sempre um objetivo, que pode ser o de ampliar os dados
claros? Os conteúdos estão acessíveis, significativos e bem dosados? Os que o professor já tem, tratar de um problema específico detectado nas
métodos e os recursos auxiliares de ensino estão adequados? Estou con- observações ou esclarecer dúvidas quanto a determinadas atitudes e
seguindo comunicar-me adequadamente com todos os alunos? Estou hábitos da criança.
dando a necessária atenção aos alunos com mais dificuldades? Ou estou
dando preferência só aos bem-sucedidos, aos mais dóceis e obedientes? ATRIBUIÇÕES DE NOTAS OU CONCEITOS
Estou ajudando os alunos a ampliarem suas aspirações, a terem perspecti-
vas de futuro, a valorizarem o estudo?”. Segundo o autor, a avaliação escolar tem também a função de contro-
le, expressando os resultados em notas ou conceitos que comprovam a
7 - REFLETE VALORES E EXPECTATIVAS DO PROFESSOR COM quantidade e a qualidade dos conhecimentos adquiridos em relação aos
RELAÇÃO AOS ALUNOS. objetivos. A análise dos resultados de cada aluno e do conjunto dos alunos
permite determinar a eficácia do processo de ensino como um todo e as
Segundo Libâneo, os conhecimentos, as habilidades, as atitudes e os reorientações necessárias.
hábitos, bem como a maneira de ser do professor, indicam as crenças e
propósitos em relação ao seu papel social e profissional diante do alunos. Para Libâneo as notas ou conceitos traduzem, forma abreviada, os re-
Se o professor dá mostras de desatenção à criança pobre ou mal-sucedida, sultados do processo de ensino e aprendizagem. A nota ou conceito não é
isso pode estar indicando uma discriminação social com esta criança. Se o objetivo do ensino, apenas expressa níveis de aproveitamento escolar em
não se empenha na organização dos alunos, nos hábitos de higiene, no relação aos objetivos propostos.
relacionamento entre as crianças, indica que não valoriza estes aspectos.
Atitudes de favoritismo por certos alunos, de preconceito social, de ironia SUGESTÕES PARA TAREFAS DE ESTUDO
em relação ao modo dos alunos se expressarem, etc. são antidemocráticas,
Dentre as perguntas sugeridas pelo autor para o trabalho independente
portanto deseducativas.
dos alunos, podemos citar: “Por que a avaliação escolar é um processo
A avaliação é um ato pedagógico. Nela o professor mostra as suas contínuo?” e “Como deve ser efetivada, na prática, a avaliação diagnosti-
qualidades de educador na medida que trabalha sempre com propósitos ca?”.
definidos em relação ao desenvolvimento das capacidades físicas e intelec-
tuais dos alunos face às exigências da vida social.
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
A avaliação escolar envolve a objetividade e a subjetividade, tanto em
relação ao professor como aos alunos. Se somente levar em conta aspec- Como bibliografia complementar, o autor cita, entre outras: PILETTI,
tos objetivos, acaba tornando-se mecânica e imparcial; atendo-se somente Claudino. Didática Geral. São Paulo, Ática, 1987 e VEIGA, Ilma P. A .
às necessidades e condições internas dos alunos, pode comprometer o (org.). Repensando a Didática. São Paulo, Papirus, 1988.
cumprimento das exigências sociais requeridas da escola.
Para superar criativamente essa aparente ambiguidade entre o objetivo
e o subjetivo, o professor precisa ter convicções éticas, pedagógicas e A organização da educação básica: LDB Lei Federal n
sociais e, ao fazer a apreciação qualitativa dos resultados escolares, deverá
levar em conta os seus propósitos educativos. 9394/96 e suas alterações posteriores; princípios e fins da
educação nacional;
INSTRUMENTOS DE VERIFICAÇÃO DO RENDIMENTO ESCOLAR
Quanto aos instrumentos de avaliação do rendimento escolar o autor TÍTULO I
cita: Da Educação
• A prova dissertativa: compõe-se de um conjunto de questões Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se
ou temas que devem ser respondidos pelos alunos com suas desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas
próprias palavras, sendo que todas as questões pedidas de- instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações
vem referir-se a objetivos e atividades que foram anteriormen- da sociedade civil e nas manifestações culturais.
te trabalhados durante as aulas. § 1º Esta Lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve,
• A prova escrita de questões objetivas: em que se pede que o predominantemente, por meio do ensino, em instituições próprias.
aluno escolha uma resposta entre alternativas possíveis de
resposta. § 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à
• Questões certo-errado: em que o aluno escolhe a resposta en- prática social.
tre duas ou mais alternativas onde cada item é uma afirmação TÍTULO II
que pode estar certa ou errada. Dos Princípios e Fins da Educação Nacional
• Questões de lacunas (para completar): que são compostas por
frases incompletas, deixando um espaço em branco (lacuna) Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos
para ser preenchido com uma só resposta certa. princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por
finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o
• Questões de correspondência: que são elaboradas fazendo-se exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
duas listas de termos ou frases para que o aluno faça a cor-
respondência certa. Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
• Questões de múltipla escolha: que são compostas de uma I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
pergunta, seguida de várias alternativas de respostas. II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o
• Questões do tipo “teste de respostas curtas” ou de evocação pensamento, a arte e o saber;
simples: também chamados de provas objetivas, compõe-se III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas;
de testes que são respondidos na forma de dissertação, reso-
lução de problemas ou simplesmente de recordação de res- IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância;
postas automatizadas. V - coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
Estes instrumentos, entre tantos outros, devem ser utilizados em con- VI - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
junto com procedimentos auxiliares, como a observação e a entrevista. As
VII - valorização do profissional da educação escolar;
observações dos alunos feitas pelos professores visa a investigar, infor-

Conhecimentos Didáticos e Pedagógicos 22 A Opção Certa Para a Sua Realização


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VIII - gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da dada pela Lei nº 11.114, de 2005)
legislação dos sistemas de ensino; Art. 7º O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes
IX - garantia de padrão de qualidade; condições:
X - valorização da experiência extra-escolar; I - cumprimento das normas gerais da educação nacional e do
XI - vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas respectivo sistema de ensino;
sociais. II - autorização de funcionamento e avaliação de qualidade pelo Poder
TÍTULO III Público;

Do Direito à Educação e do Dever de Educar III - capacidade de autofinanciamento, ressalvado o previsto no art. 213
da Constituição Federal.
Art. 4º O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado
mediante a garantia de: TÍTULO IV

I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a Da Organização da Educação Nacional
ele não tiveram acesso na idade própria; Art. 8º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
II - universalização do ensino médio gratuito; (Redação dada pela Lei organizarão, em regime de colaboração, os respectivos sistemas de ensino.
nº 12.061, de 2009) § 1º Caberá à União a coordenação da política nacional de educação,
III - atendimento educacional especializado gratuito aos educandos articulando os diferentes níveis e sistemas e exercendo função normativa,
com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular de ensino; redistributiva e supletiva em relação às demais instâncias educacionais.

IV - atendimento gratuito em creches e pré-escolas às crianças de zero § 2º Os sistemas de ensino terão liberdade de organização nos termos
a seis anos de idade; desta Lei.

V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da Art. 9º A União incumbir-se-á de:
criação artística, segundo a capacidade de cada um; I - elaborar o Plano Nacional de Educação, em colaboração com os
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do Estados, o Distrito Federal e os Municípios;
educando; II - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais do
VII - oferta de educação escolar regular para jovens e adultos, com sistema federal de ensino e o dos Territórios;
características e modalidades adequadas às suas necessidades e III - prestar assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito
disponibilidades, garantindo-se aos que forem trabalhadores as condições Federal e aos Municípios para o desenvolvimento de seus sistemas de
de acesso e permanência na escola; ensino e o atendimento prioritário à escolaridade obrigatória, exercendo sua
VIII - atendimento ao educando, no ensino fundamental público, por função redistributiva e supletiva;
meio de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, IV - estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e
alimentação e assistência à saúde; os Municípios, competências e diretrizes para a educação infantil, o ensino
IX - padrões mínimos de qualidade de ensino, definidos como a fundamental e o ensino médio, que nortearão os currículos e seus
variedade e quantidade mínimas, por aluno, de insumos indispensáveis ao conteúdos mínimos, de modo a assegurar formação básica comum;
desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem. V - coletar, analisar e disseminar informações sobre a educação;
X – vaga na escola pública de educação infantil ou de ensino VI - assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar
fundamental mais próxima de sua residência a toda criança a partir do dia no ensino fundamental, médio e superior, em colaboração com os sistemas
em que completar 4 (quatro) anos de idade. (Incluído pela Lei nº 11.700, de de ensino, objetivando a definição de prioridades e a melhoria da qualidade
2008). do ensino;
Art. 5º O acesso ao ensino fundamental é direito público subjetivo, VII - baixar normas gerais sobre cursos de graduação e pós-graduação;
podendo qualquer cidadão, grupo de cidadãos, associação comunitária, VIII - assegurar processo nacional de avaliação das instituições de
organização sindical, entidade de classe ou outra legalmente constituída, e, educação superior, com a cooperação dos sistemas que tiverem
ainda, o Ministério Público, acionar o Poder Público para exigi-lo. responsabilidade sobre este nível de ensino;
§ 1º Compete aos Estados e aos Municípios, em regime de IX - autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar,
colaboração, e com a assistência da União: respectivamente, os cursos das instituições de educação superior e os
I - recensear a população em idade escolar para o ensino fundamental, estabelecimentos do seu sistema de ensino.
e os jovens e adultos que a ele não tiveram acesso; § 1º Na estrutura educacional, haverá um Conselho Nacional de
II - fazer-lhes a chamada pública; Educação, com funções normativas e de supervisão e atividade
III - zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela frequência à escola. permanente, criado por lei.

§ 2º Em todas as esferas administrativas, o Poder Público assegurará § 2° Para o cumprimento do disposto nos incisos V a IX, a União terá
em primeiro lugar o acesso ao ensino obrigatório, nos termos deste artigo, acesso a todos os dados e informações necessários de todos os
contemplando em seguida os demais níveis e modalidades de ensino, estabelecimentos e órgãos educacionais.
conforme as prioridades constitucionais e legais. § 3º As atribuições constantes do inciso IX poderão ser delegadas aos
§ 3º Qualquer das partes mencionadas no caput deste artigo tem Estados e ao Distrito Federal, desde que mantenham instituições de
legitimidade para peticionar no Poder Judiciário, na hipótese do § 2º do art. educação superior.
208 da Constituição Federal, sendo gratuita e de rito sumário a ação judicial Art. 10. Os Estados incumbir-se-ão de:
correspondente. I - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos
§ 4º Comprovada a negligência da autoridade competente para garantir seus sistemas de ensino;
o oferecimento do ensino obrigatório, poderá ela ser imputada por crime de II - definir, com os Municípios, formas de colaboração na oferta do
responsabilidade. ensino fundamental, as quais devem assegurar a distribuição proporcional
§ 5º Para garantir o cumprimento da obrigatoriedade de ensino, o das responsabilidades, de acordo com a população a ser atendida e os
Poder Público criará formas alternativas de acesso aos diferentes níveis de recursos financeiros disponíveis em cada uma dessas esferas do Poder
ensino, independentemente da escolarização anterior. Público;
III - elaborar e executar políticas e planos educacionais, em
Art. 6o É dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula dos consonância com as diretrizes e planos nacionais de educação, integrando
menores, a partir dos seis anos de idade, no ensino fundamental. (Redação e coordenando as suas ações e as dos seus Municípios;

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IV - autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar, Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão
respectivamente, os cursos das instituições de educação superior e os democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas
estabelecimentos do seu sistema de ensino; peculiaridades e conforme os seguintes princípios:
V - baixar normas complementares para o seu sistema de ensino; I - participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto
VI - assegurar o ensino fundamental e oferecer, com prioridade, o pedagógico da escola;
ensino médio a todos que o demandarem, respeitado o disposto no art. 38 II - participação das comunidades escolar e local em conselhos
desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 12.061, de 2009) escolares ou equivalentes.
VII - assumir o transporte escolar dos alunos da rede estadual. Art. 15. Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares
(Incluído pela Lei nº 10.709, de 31.7.2003) públicas de educação básica que os integram progressivos graus de
Parágrafo único. Ao Distrito Federal aplicar-se-ão as competências autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas
referentes aos Estados e aos Municípios. as normas gerais de direito financeiro público.

Art. 11. Os Municípios incumbir-se-ão de: Art. 16. O sistema federal de ensino compreende:

I - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos I - as instituições de ensino mantidas pela União;
seus sistemas de ensino, integrando-os às políticas e planos educacionais II - as instituições de educação superior criadas e mantidas pela
da União e dos Estados; iniciativa privada;
II - exercer ação redistributiva em relação às suas escolas; III - os órgãos federais de educação.
III - baixar normas complementares para o seu sistema de ensino; Art. 17. Os sistemas de ensino dos Estados e do Distrito Federal
IV - autorizar, credenciar e supervisionar os estabelecimentos do seu compreendem:
sistema de ensino; I - as instituições de ensino mantidas, respectivamente, pelo Poder
V - oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas, e, com Público estadual e pelo Distrito Federal;
prioridade, o ensino fundamental, permitida a atuação em outros níveis de II - as instituições de educação superior mantidas pelo Poder Público
ensino somente quando estiverem atendidas plenamente as necessidades municipal;
de sua área de competência e com recursos acima dos percentuais III - as instituições de ensino fundamental e médio criadas e mantidas
mínimos vinculados pela Constituição Federal à manutenção e pela iniciativa privada;
desenvolvimento do ensino.
IV - os órgãos de educação estaduais e do Distrito Federal,
VI - assumir o transporte escolar dos alunos da rede municipal. respectivamente.
(Incluído pela Lei nº 10.709, de 31.7.2003)
Parágrafo único. No Distrito Federal, as instituições de educação
Parágrafo único. Os Municípios poderão optar, ainda, por se integrar ao infantil, criadas e mantidas pela iniciativa privada, integram seu sistema de
sistema estadual de ensino ou compor com ele um sistema único de ensino.
educação básica.
Art. 18. Os sistemas municipais de ensino compreendem:
Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas
comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de: I - as instituições do ensino fundamental, médio e de educação infantil
mantidas pelo Poder Público municipal;
I - elaborar e executar sua proposta pedagógica;
II - as instituições de educação infantil criadas e mantidas pela iniciativa
II - administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros; privada;
III - assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula III – os órgãos municipais de educação.
estabelecidas;
Art. 19. As instituições de ensino dos diferentes níveis classificam-se
IV - velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente; nas seguintes categorias administrativas: (Regulamento)
V - prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento; I - públicas, assim entendidas as criadas ou incorporadas, mantidas e
VI - articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de administradas pelo Poder Público;
integração da sociedade com a escola; II - privadas, assim entendidas as mantidas e administradas por
VII - informar pai e mãe, conviventes ou não com seus filhos, e, se for o pessoas físicas ou jurídicas de direito privado.
caso, os responsáveis legais, sobre a frequência e rendimento dos alunos, Art. 20. As instituições privadas de ensino se enquadrarão nas
bem como sobre a execução da proposta pedagógica da escola; (Redação seguintes categorias: (Regulamento)
dada pela Lei nº 12.013, de 2009)
I - particulares em sentido estrito, assim entendidas as que são
VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município, ao juiz competente da instituídas e mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de
Comarca e ao respectivo representante do Ministério Público a relação dos direito privado que não apresentem as características dos incisos abaixo;
alunos que apresentem quantidade de faltas acima de cinquenta por cento
do percentual permitido em lei.(Incluído pela Lei nº 10.287, de 2001) II - comunitárias, assim entendidas as que são instituídas por grupos de
pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas, inclusive
Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de: cooperativas educacionais, sem fins lucrativos, que incluam na sua
I - participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento entidade mantenedora representantes da comunidade; (Redação dada pela
de ensino; Lei nº 12.020, de 2009)
II - elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta III - confessionais, assim entendidas as que são instituídas por grupos
pedagógica do estabelecimento de ensino; de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que atendem a
III - zelar pela aprendizagem dos alunos; orientação confessional e ideologia específicas e ao disposto no inciso
anterior;
IV - estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor
rendimento; IV - filantrópicas, na forma da lei.

V - ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de TÍTULO V


participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensino
avaliação e ao desenvolvimento profissional; CAPÍTULO I
VI - colaborar com as atividades de articulação da escola com as Da Composição dos Níveis Escolares
famílias e a comunidade. Art. 21. A educação escolar compõe-se de:

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I - educação básica, formada pela educação infantil, ensino Art. 25. Será objetivo permanente das autoridades responsáveis
fundamental e ensino médio; alcançar relação adequada entre o número de alunos e o professor, a carga
II - educação superior. horária e as condições materiais do estabelecimento.

CAPÍTULO II Parágrafo único. Cabe ao respectivo sistema de ensino, à vista das


DA EDUCAÇÃO BÁSICA condições disponíveis e das características regionais e locais, estabelecer
Seção I parâmetro para atendimento do disposto neste artigo.
Das Disposições Gerais Art. 26. Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma
Art. 22. A educação básica tem por finalidades desenvolver o base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e
educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas
da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e
posteriores. da clientela.

Art. 23. A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, § 1º Os currículos a que se refere o caput devem abranger,
períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, obrigatoriamente, o estudo da língua portuguesa e da matemática, o
grupos não-seriados, com base na idade, na competência e em outros conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política,
critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse do especialmente do Brasil.
processo de aprendizagem assim o recomendar. § 2o O ensino da arte, especialmente em suas expressões regionais,
§ 1º A escola poderá reclassificar os alunos, inclusive quando se tratar constituirá componente curricular obrigatório nos diversos níveis da
de transferências entre estabelecimentos situados no País e no exterior, educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos
tendo como base as normas curriculares gerais. alunos. (Redação dada pela Lei nº 12.287, de 2010)
§ 2º O calendário escolar deverá adequar-se às peculiaridades locais, § 3o A educação física, integrada à proposta pedagógica da escola, é
inclusive climáticas e econômicas, a critério do respectivo sistema de componente curricular obrigatório da educação básica, sendo sua prática
ensino, sem com isso reduzir o número de horas letivas previsto nesta Lei. facultativa ao aluno: (Redação dada pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003)
Art. 24. A educação básica, nos níveis fundamental e médio, será I – que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas;
organizada de acordo com as seguintes regras comuns: (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003)
I - a carga horária mínima anual será de oitocentas horas, distribuídas II – maior de trinta anos de idade; (Incluído pela Lei nº 10.793, de
por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar, excluído o 1º.12.2003)
tempo reservado aos exames finais, quando houver;
II - a classificação em qualquer série ou etapa, exceto a primeira do
ensino fundamental, pode ser feita: III – que estiver prestando serviço militar inicial ou que, em situação
similar, estiver obrigado à prática da educação física; (Incluído pela Lei nº
a) por promoção, para alunos que cursaram, com aproveitamento, a 10.793, de 1º.12.2003)
série ou fase anterior, na própria escola;
b) por transferência, para candidatos procedentes de outras escolas; IV – amparado pelo Decreto-Lei no 1.044, de 21 de outubro de 1969;
(Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003)
c) independentemente de escolarização anterior, mediante avaliação
feita pela escola, que defina o grau de desenvolvimento e experiência do V – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003)
candidato e permita sua inscrição na série ou etapa adequada, conforme VI – que tenha prole. (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003)
regulamentação do respectivo sistema de ensino;
§ 4º O ensino da História do Brasil levará em conta as contribuições
III - nos estabelecimentos que adotam a progressão regular por série, o das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro,
regimento escolar pode admitir formas de progressão parcial, desde que especialmente das matrizes indígena, africana e europeia.
preservada a sequência do currículo, observadas as normas do respectivo
§ 5º Na parte diversificada do currículo será incluído, obrigatoriamente,
sistema de ensino;
a partir da quinta série, o ensino de pelo menos uma língua estrangeira
IV - poderão organizar-se classes, ou turmas, com alunos de séries moderna, cuja escolha ficará a cargo da comunidade escolar, dentro das
distintas, com níveis equivalentes de adiantamento na matéria, para o possibilidades da instituição.
ensino de línguas estrangeiras, artes, ou outros componentes curriculares;
§ 6o A música deverá ser conteúdo obrigatório, mas não exclusivo, do
V - a verificação do rendimento escolar observará os seguintes
critérios: componente curricular de que trata o § 2o deste artigo. (Incluído pela Lei nº
11.769, de 2008)
a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com
prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino
resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais; médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e
cultura afro-brasileira e indígena. (Redação dada pela Lei nº 11.645, de
b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso
2008).
escolar;
c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante § 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá
verificação do aprendizado; diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da
população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o
d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito;
estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos
e) obrigatoriedade de estudos de recuperação, de preferência paralelos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio
ao período letivo, para os casos de baixo rendimento escolar, a serem na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas
disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos; áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil.
VI - o controle de frequência fica a cargo da escola, conforme o (Redação dada pela Lei nº 11.645, de 2008).
disposto no seu regimento e nas normas do respectivo sistema de ensino,
§ 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos
exigida a frequência mínima de setenta e cinco por cento do total de horas
povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo
letivas para aprovação;
escolar, em especial nas áreas de educação artística e de literatura e
VII - cabe a cada instituição de ensino expedir históricos escolares, história brasileiras. (Redação dada pela Lei nº 11.645, de 2008).
declarações de conclusão de série e diplomas ou certificados de conclusão
Art. 27. Os conteúdos curriculares da educação básica observarão,
de cursos, com as especificações cabíveis.
ainda, as seguintes diretrizes:

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I - a difusão de valores fundamentais ao interesse social, aos direitos e das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à
deveres dos cidadãos, de respeito ao bem comum e à ordem democrática; diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de
II - consideração das condições de escolaridade dos alunos em cada proselitismo. (Redação dada pela Lei nº 9.475, de 22.7.1997)
estabelecimento; § 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a
III - orientação para o trabalho; definição dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas
IV - promoção do desporto educacional e apoio às práticas desportivas para a habilitação e admissão dos professores.
não-formais. § 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas
Art. 28. Na oferta de educação básica para a população rural, os diferentes denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do
sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua ensino religioso."
adequação às peculiaridades da vida rural e de cada região, especialmente: Art. 34. A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo menos
I - conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula, sendo progressivamente
necessidades e interesses dos alunos da zona rural; ampliado o período de permanência na escola.
II - organização escolar própria, incluindo adequação do calendário § 1º São ressalvados os casos do ensino noturno e das formas
escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas; alternativas de organização autorizadas nesta Lei.
III - adequação à natureza do trabalho na zona rural. § 2º O ensino fundamental será ministrado progressivamente em tempo
integral, a critério dos sistemas de ensino.
Seção II
Seção IV
Da Educação Infantil Do Ensino Médio
Art. 29. A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem Art. 35. O ensino médio, etapa final da educação básica, com duração
como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de mínima de três anos, terá como finalidades:
idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, I - a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos
complementando a ação da família e da comunidade. no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos;
Art. 30. A educação infantil será oferecida em: II - a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando,
I - creches, ou entidades equivalentes, para crianças de até três anos para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com
de idade; flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento
II - pré-escolas, para as crianças de quatro a seis anos de idade. posteriores;
Art. 31. Na educação infantil a avaliação far-se-á mediante III - o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a
acompanhamento e registro do seu desenvolvimento, sem o objetivo de formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do
promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental. pensamento crítico;
Seção III IV - a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos
Do Ensino Fundamental processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de
cada disciplina.
Art. 32. O ensino fundamental obrigatório, com duração de 9 (nove)
anos, gratuito na escola pública, iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade, Art. 36. O currículo do ensino médio observará o disposto na Seção I
terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante: (Redação dada deste Capítulo e as seguintes diretrizes:
pela Lei nº 11.274, de 2006) I - destacará a educação tecnológica básica, a compreensão do
I - o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios significado da ciência, das letras e das artes; o processo histórico de
básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo; transformação da sociedade e da cultura; a língua portuguesa como
instrumento de comunicação, acesso ao conhecimento e exercício da
II - a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da cidadania;
tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade;
II - adotará metodologias de ensino e de avaliação que estimulem a
III - o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em iniciativa dos estudantes;
vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes
e valores; III - será incluída uma língua estrangeira moderna, como disciplina
obrigatória, escolhida pela comunidade escolar, e uma segunda, em caráter
IV - o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade optativo, dentro das disponibilidades da instituição.
humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social.
IV – serão incluídas a Filosofia e a Sociologia como disciplinas
§ 1º É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ensino obrigatórias em todas as séries do ensino médio. (Incluído pela Lei nº
fundamental em ciclos. 11.684, de 2008)
§ 2º Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série § 1º Os conteúdos, as metodologias e as formas de avaliação serão
podem adotar no ensino fundamental o regime de progressão continuada, organizados de tal forma que ao final do ensino médio o educando
sem prejuízo da avaliação do processo de ensino-aprendizagem, demonstre:
observadas as normas do respectivo sistema de ensino.
I - domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a
§ 3º O ensino fundamental regular será ministrado em língua produção moderna;
portuguesa, assegurada às comunidades indígenas a utilização de suas
línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. II - conhecimento das formas contemporâneas de linguagem;

§ 4º O ensino fundamental será presencial, sendo o ensino a distância III - (Revogado pela Lei nº 11.684, de 2008)
utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações § 2º (Revogado pela Lei nº 11.741, de 2008)
emergenciais. § 3º Os cursos do ensino médio terão equivalência legal e habilitarão
§ 5o O currículo do ensino fundamental incluirá, obrigatoriamente, ao prosseguimento de estudos.
conteúdo que trate dos direitos das crianças e dos adolescentes, tendo § 4º (Revogado pela Lei nº 11.741, de 2008)
como diretriz a Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990, que institui o Estatuto Seção IV-A
da Criança e do Adolescente, observada a produção e distribuição de Da Educação Profissional Técnica de Nível Médio
material didático adequado. (Incluído pela Lei nº 11.525, de 2007). (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
Art. 33. O ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante Art. 36-A. Sem prejuízo do disposto na Seção IV deste Capítulo, o
da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais ensino médio, atendida a formação geral do educando, poderá prepará-lo

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para o exercício de profissões técnicas. (Incluído pela Lei nº 11.741, de § 3o A educação de jovens e adultos deverá articular-se,
2008) preferencialmente, com a educação profissional, na forma do regulamento.
Parágrafo único. A preparação geral para o trabalho e, (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
facultativamente, a habilitação profissional poderão ser desenvolvidas nos Art. 38. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos,
próprios estabelecimentos de ensino médio ou em cooperação com que compreenderão a base nacional comum do currículo, habilitando ao
instituições especializadas em educação profissional. (Incluído pela Lei nº prosseguimento de estudos em caráter regular.
11.741, de 2008)
§ 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão:
Art. 36-B. A educação profissional técnica de nível médio será
desenvolvida nas seguintes formas: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) I - no nível de conclusão do ensino fundamental, para os maiores de
quinze anos;
I - articulada com o ensino médio; (Incluído pela Lei nº 11.741, de
2008) II - no nível de conclusão do ensino médio, para os maiores de dezoito
anos.
II - subsequente, em cursos destinados a quem já tenha concluído o
ensino médio.(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) § 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por
meios informais serão aferidos e reconhecidos mediante exames.
Parágrafo único. A educação profissional técnica de nível médio deverá
observar: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) CAPÍTULO III
DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL
I - os objetivos e definições contidos nas diretrizes curriculares Da Educação Profissional e Tecnológica
nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação; (Incluído (Redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008)
pela Lei nº 11.741, de 2008)
Art. 39. A educação profissional e tecnológica, no cumprimento dos
II - as normas complementares dos respectivos sistemas de ensino; objetivos da educação nacional, integra-se aos diferentes níveis e
(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da
III - as exigências de cada instituição de ensino, nos termos de seu tecnologia. (Redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008)
projeto pedagógico. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
§ 1o Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão ser
Art. 36-C. A educação profissional técnica de nível médio articulada, organizados por eixos tecnológicos, possibilitando a construção de
prevista no inciso I do caput do art. 36-B desta Lei, será desenvolvida de diferentes itinerários formativos, observadas as normas do respectivo
forma: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) sistema e nível de ensino. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
I - integrada, oferecida somente a quem já tenha concluído o ensino
fundamental, sendo o curso planejado de modo a conduzir o aluno à § 2o A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes
habilitação profissional técnica de nível médio, na mesma instituição de cursos: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
ensino, efetuando-se matrícula única para cada aluno; (Incluído pela Lei nº I – de formação inicial e continuada ou qualificação profissional;
11.741, de 2008) (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
II - concomitante, oferecida a quem ingresse no ensino médio ou já o II – de educação profissional técnica de nível médio; (Incluído pela Lei
esteja cursando, efetuando-se matrículas distintas para cada curso, e nº 11.741, de 2008)
podendo ocorrer: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
III – de educação profissional tecnológica de graduação e pós-
a) na mesma instituição de ensino, aproveitando-se as oportunidades graduação. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
educacionais disponíveis; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
§ 3o Os cursos de educação profissional tecnológica de graduação e
b) em instituições de ensino distintas, aproveitando-se as
pós-graduação organizar-se-ão, no que concerne a objetivos,
oportunidades educacionais disponíveis; (Incluído pela Lei nº 11.741, de
características e duração, de acordo com as diretrizes curriculares
2008)
nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. (Incluído
c) em instituições de ensino distintas, mediante convênios de pela Lei nº 11.741, de 2008)
intercomplementaridade, visando ao planejamento e ao desenvolvimento de
Art. 40. A educação profissional será desenvolvida em articulação com
projeto pedagógico unificado. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
o ensino regular ou por diferentes estratégias de educação continuada, em
Art. 36-D. Os diplomas de cursos de educação profissional técnica de instituições especializadas ou no ambiente de trabalho. (Regulamento)
nível médio, quando registrados, terão validade nacional e habilitarão ao
Art. 41. O conhecimento adquirido na educação profissional e
prosseguimento de estudos na educação superior. (Incluído pela Lei nº
tecnológica, inclusive no trabalho, poderá ser objeto de avaliação,
11.741, de 2008)
reconhecimento e certificação para prosseguimento ou conclusão de
Parágrafo único. Os cursos de educação profissional técnica de nível estudos.(Redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008)
médio, nas formas articulada concomitante e subsequente, quando
Art. 42. As instituições de educação profissional e tecnológica, além
estruturados e organizados em etapas com terminalidade, possibilitarão a
dos seus cursos regulares, oferecerão cursos especiais, abertos à
obtenção de certificados de qualificação para o trabalho após a conclusão,
comunidade, condicionada a matrícula à capacidade de aproveitamento e
com aproveitamento, de cada etapa que caracterize uma qualificação para
não necessariamente ao nível de escolaridade. (Redação dada pela Lei nº
o trabalho. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
11.741, de 2008)
Seção V
CAPÍTULO IV
Da Educação de Jovens e Adultos
DA EDUCAÇÃO SUPERIOR
Art. 37. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que Art. 43. A educação superior tem por finalidade:
não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e
I - estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico
médio na idade própria.
e do pensamento reflexivo;
§ 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e
II - formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos
aos adultos, que não puderam efetuar os estudos na idade regular,
para a inserção em setores profissionais e para a participação no
oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as características
desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação
do alunado, seus interesses, condições de vida e de trabalho, mediante
contínua;
cursos e exames.
III - incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando
§ 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a permanência
o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da
do trabalhador na escola, mediante ações integradas e complementares
cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio
entre si.
em que vive;

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IV - promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e no período diurno, sendo obrigatória a oferta noturna nas instituições
técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber públicas, garantida a necessária previsão orçamentária.
através do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação; Art. 48. Os diplomas de cursos superiores reconhecidos, quando
V - suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e registrados, terão validade nacional como prova da formação recebida por
profissional e possibilitar a correspondente concretização, integrando os seu titular.
conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual § 1º Os diplomas expedidos pelas universidades serão por elas
sistematizadora do conhecimento de cada geração; próprias registrados, e aqueles conferidos por instituições não-universitárias
VI - estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em serão registrados em universidades indicadas pelo Conselho Nacional de
particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à Educação.
comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade; § 2º Os diplomas de graduação expedidos por universidades
VII - promover a extensão, aberta à participação da população, visando estrangeiras serão revalidados por universidades públicas que tenham
à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da curso do mesmo nível e área ou equivalente, respeitando-se os acordos
pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição. internacionais de reciprocidade ou equiparação.
Art. 44. A educação superior abrangerá os seguintes cursos e § 3º Os diplomas de Mestrado e de Doutorado expedidos por
programas: universidades estrangeiras só poderão ser reconhecidos por universidades
I - cursos sequenciais por campo de saber, de diferentes níveis de que possuam cursos de pós-graduação reconhecidos e avaliados, na
abrangência, abertos a candidatos que atendam aos requisitos mesma área de conhecimento e em nível equivalente ou superior.
estabelecidos pelas instituições de ensino, desde que tenham concluído o Art. 49. As instituições de educação superior aceitarão a transferência
ensino médio ou equivalente; (Redação dada pela Lei nº 11.632, de 2007). de alunos regulares, para cursos afins, na hipótese de existência de vagas,
II - de graduação, abertos a candidatos que tenham concluído o ensino e mediante processo seletivo.
médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo; Parágrafo único. As transferências ex officio dar-se-ão na forma da lei.
III - de pós-graduação, compreendendo programas de mestrado e Art. 50. As instituições de educação superior, quando da ocorrência de
doutorado, cursos de especialização, aperfeiçoamento e outros, abertos a vagas, abrirão matrícula nas disciplinas de seus cursos a alunos não
candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às regulares que demonstrarem capacidade de cursá-las com proveito,
exigências das instituições de ensino; mediante processo seletivo prévio.
IV - de extensão, abertos a candidatos que atendam aos requisitos Art. 51. As instituições de educação superior credenciadas como
estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino. universidades, ao deliberar sobre critérios e normas de seleção e admissão
Parágrafo único. Os resultados do processo seletivo referido no inciso de estudantes, levarão em conta os efeitos desses critérios sobre a
II do caput deste artigo serão tornados públicos pelas instituições de ensino orientação do ensino médio, articulando-se com os órgãos normativos dos
superior, sendo obrigatória a divulgação da relação nominal dos sistemas de ensino.
classificados, a respectiva ordem de classificação, bem como do Art. 52. As universidades são instituições pluridisciplinares de formação
cronograma das chamadas para matrícula, de acordo com os critérios para dos quadros profissionais de nível superior, de pesquisa, de extensão e de
preenchimento das vagas constantes do respectivo edital. (Incluído pela Lei domínio e cultivo do saber humano, que se caracterizam por:
nº 11.331, de 2006) I - produção intelectual institucionalizada mediante o estudo sistemático
Art. 45. A educação superior será ministrada em instituições de ensino dos temas e problemas mais relevantes, tanto do ponto de vista científico e
superior, públicas ou privadas, com variados graus de abrangência ou cultural, quanto regional e nacional;
especialização. II - um terço do corpo docente, pelo menos, com titulação acadêmica
Art. 46. A autorização e o reconhecimento de cursos, bem como o de mestrado ou doutorado;
credenciamento de instituições de educação superior, terão prazos III - um terço do corpo docente em regime de tempo integral.
limitados, sendo renovados, periodicamente, após processo regular de
avaliação. (Regulamento) Parágrafo único. É facultada a criação de universidades especializadas
por campo do saber. (Regulamento)
§ 1º Após um prazo para saneamento de deficiências eventualmente
identificadas pela avaliação a que se refere este artigo, haverá reavaliação, Art. 53. No exercício de sua autonomia, são asseguradas às
que poderá resultar, conforme o caso, em desativação de cursos e universidades, sem prejuízo de outras, as seguintes atribuições:
habilitações, em intervenção na instituição, em suspensão temporária de I - criar, organizar e extinguir, em sua sede, cursos e programas de
prerrogativas da autonomia, ou em descredenciamento. (Regulamento) educação superior previstos nesta Lei, obedecendo às normas gerais da
§ 2º No caso de instituição pública, o Poder Executivo responsável por União e, quando for o caso, do respectivo sistema de ensino;
sua manutenção acompanhará o processo de saneamento e fornecerá II - fixar os currículos dos seus cursos e programas, observadas as
recursos adicionais, se necessários, para a superação das deficiências. diretrizes gerais pertinentes;
Art. 47. Na educação superior, o ano letivo regular, independente do III - estabelecer planos, programas e projetos de pesquisa científica,
ano civil, tem, no mínimo, duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo, produção artística e atividades de extensão;
excluído o tempo reservado aos exames finais, quando houver.
IV - fixar o número de vagas de acordo com a capacidade institucional
§ 1º As instituições informarão aos interessados, antes de cada período e as exigências do seu meio;
letivo, os programas dos cursos e demais componentes curriculares, sua
V - elaborar e reformar os seus estatutos e regimentos em consonância
duração, requisitos, qualificação dos professores, recursos disponíveis e
com as normas gerais atinentes;
critérios de avaliação, obrigando-se a cumprir as respectivas condições.
VI - conferir graus, diplomas e outros títulos;
§ 2º Os alunos que tenham extraordinário aproveitamento nos estudos,
demonstrado por meio de provas e outros instrumentos de avaliação VII - firmar contratos, acordos e convênios;
específicos, aplicados por banca examinadora especial, poderão ter VIII - aprovar e executar planos, programas e projetos de investimentos
abreviada a duração dos seus cursos, de acordo com as normas dos referentes a obras, serviços e aquisições em geral, bem como administrar
sistemas de ensino. rendimentos conforme dispositivos institucionais;
§ 3º É obrigatória a frequência de alunos e professores, salvo nos IX - administrar os rendimentos e deles dispor na forma prevista no ato
programas de educação a distância. de constituição, nas leis e nos respectivos estatutos;
§ 4º As instituições de educação superior oferecerão, no período X - receber subvenções, doações, heranças, legados e cooperação
noturno, cursos de graduação nos mesmos padrões de qualidade mantidos financeira resultante de convênios com entidades públicas e privadas.

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Parágrafo único. Para garantir a autonomia didático-científica das Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com
universidades, caberá aos seus colegiados de ensino e pesquisa decidir, necessidades especiais:
dentro dos recursos orçamentários disponíveis, sobre: I - currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização
I - criação, expansão, modificação e extinção de cursos; específicos, para atender às suas necessidades;
II - ampliação e diminuição de vagas; II - terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o
III - elaboração da programação dos cursos; nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas
deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa
IV - programação das pesquisas e das atividades de extensão; escolar para os superdotados;
V - contratação e dispensa de professores; III - professores com especialização adequada em nível médio ou
VI - planos de carreira docente. superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino
regular capacitados para a integração desses educandos nas classes
Art. 54. As universidades mantidas pelo Poder Público gozarão, na
comuns;
forma da lei, de estatuto jurídico especial para atender às peculiaridades de
sua estrutura, organização e financiamento pelo Poder Público, assim como IV - educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva
dos seus planos de carreira e do regime jurídico do seu pessoal. integração na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os
que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo,
§ 1º No exercício da sua autonomia, além das atribuições asseguradas
mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles
pelo artigo anterior, as universidades públicas poderão:
que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual ou
I - propor o seu quadro de pessoal docente, técnico e administrativo, psicomotora;
assim como um plano de cargos e salários, atendidas as normas gerais
V - acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais
pertinentes e os recursos disponíveis;
suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular.
II - elaborar o regulamento de seu pessoal em conformidade com as
Art. 60. Os órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelecerão
normas gerais concernentes;
critérios de caracterização das instituições privadas sem fins lucrativos,
III - aprovar e executar planos, programas e projetos de investimentos especializadas e com atuação exclusiva em educação especial, para fins de
referentes a obras, serviços e aquisições em geral, de acordo com os apoio técnico e financeiro pelo Poder Público.
recursos alocados pelo respectivo Poder mantenedor;
Parágrafo único. O Poder Público adotará, como alternativa
IV - elaborar seus orçamentos anuais e plurianuais; preferencial, a ampliação do atendimento aos educandos com
V - adotar regime financeiro e contábil que atenda às suas necessidades especiais na própria rede pública regular de ensino,
peculiaridades de organização e funcionamento; independentemente do apoio às instituições previstas neste artigo.
VI - realizar operações de crédito ou de financiamento, com aprovação TÍTULO VI
do Poder competente, para aquisição de bens imóveis, instalações e Dos Profissionais da Educação
equipamentos; Art. 61. Consideram-se profissionais da educação escolar básica os
VII - efetuar transferências, quitações e tomar outras providências de que, nela estando em efetivo exercício e tendo sido formados em cursos
ordem orçamentária, financeira e patrimonial necessárias ao seu bom reconhecidos, são: (Redação dada pela Lei nº 12.014, de 2009)
desempenho. I – professores habilitados em nível médio ou superior para a docência
§ 2º Atribuições de autonomia universitária poderão ser estendidas a na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio; (Redação dada
instituições que comprovem alta qualificação para o ensino ou para a pela Lei nº 12.014, de 2009)
pesquisa, com base em avaliação realizada pelo Poder Público. II – trabalhadores em educação portadores de diploma de pedagogia,
Art. 55. Caberá à União assegurar, anualmente, em seu Orçamento com habilitação em administração, planejamento, supervisão, inspeção e
Geral, recursos suficientes para manutenção e desenvolvimento das orientação educacional, bem como com títulos de mestrado ou doutorado
instituições de educação superior por ela mantidas. nas mesmas áreas; (Redação dada pela Lei nº 12.014, de 2009)
Art. 56. As instituições públicas de educação superior obedecerão ao III – trabalhadores em educação, portadores de diploma de curso
princípio da gestão democrática, assegurada a existência de órgãos técnico ou superior em área pedagógica ou afim. (Incluído pela Lei nº
colegiados deliberativos, de que participarão os segmentos da comunidade 12.014, de 2009)
institucional, local e regional. Parágrafo único. A formação dos profissionais da educação, de modo a
Parágrafo único. Em qualquer caso, os docentes ocuparão setenta por atender às especificidades do exercício de suas atividades, bem como aos
cento dos assentos em cada órgão colegiado e comissão, inclusive nos que objetivos das diferentes etapas e modalidades da educação básica, terá
tratarem da elaboração e modificações estatutárias e regimentais, bem como fundamentos: (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009)
como da escolha de dirigentes. I – a presença de sólida formação básica, que propicie o conhecimento
dos fundamentos científicos e sociais de suas competências de trabalho;
Art. 57. Nas instituições públicas de educação superior, o professor
(Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009)
ficará obrigado ao mínimo de oito horas semanais de aulas.(Regulamento)
II – a associação entre teorias e práticas, mediante estágios
CAPÍTULO V supervisionados e capacitação em serviço; (Incluído pela Lei nº 12.014, de
DA EDUCAÇÃO ESPECIAL 2009)
Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a III – o aproveitamento da formação e experiências anteriores, em
modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede instituições de ensino e em outras atividades. (Incluído pela Lei nº 12.014,
regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais. de 2009)
§ 1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na Art. 62. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-
escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em
especial. universidades e institutos superiores de educação, admitida, como
formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas
§ 2º O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio,
serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas na modalidade Normal. (Regulamento)
dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns de
ensino regular. § 1º A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios, em regime
de colaboração, deverão promover a formação inicial, a continuada e a
§ 3º A oferta de educação especial, dever constitucional do Estado, tem capacitação dos profissionais de magistério. (Incluído pela Lei nº 12.056, de
início na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil. 2009).

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§ 2º A formação continuada e a capacitação dos profissionais de que consta nas respectivas Constituições ou Leis Orgânicas, da receita
magistério poderão utilizar recursos e tecnologias de educação a distância. resultante de impostos, compreendidas as transferências constitucionais,
(Incluído pela Lei nº 12.056, de 2009). na manutenção e desenvolvimento do ensino público.
§ 3º A formação inicial de profissionais de magistério dará preferência § 1º A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos
ao ensino presencial, subsidiariamente fazendo uso de recursos e Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, ou pelos Estados aos
tecnologias de educação a distância. (Incluído pela Lei nº 12.056, de 2009). respectivos Municípios, não será considerada, para efeito do cálculo
previsto neste artigo, receita do governo que a transferir.
Art. 63. Os institutos superiores de educação manterão:
§ 2º Serão consideradas excluídas das receitas de impostos
I - cursos formadores de profissionais para a educação básica, mencionadas neste artigo as operações de crédito por antecipação de
inclusive o curso normal superior, destinado à formação de docentes para a receita orçamentária de impostos.
educação infantil e para as primeiras séries do ensino fundamental; § 3º Para fixação inicial dos valores correspondentes aos mínimos
II - programas de formação pedagógica para portadores de diplomas estatuídos neste artigo, será considerada a receita estimada na lei do
de educação superior que queiram se dedicar à educação básica; orçamento anual, ajustada, quando for o caso, por lei que autorizar a
III - programas de educação continuada para os profissionais de abertura de créditos adicionais, com base no eventual excesso de
educação dos diversos níveis. arrecadação.
§ 4º As diferenças entre a receita e a despesa previstas e as
Art. 64. A formação de profissionais de educação para administração,
efetivamente realizadas, que resultem no não atendimento dos percentuais
planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a
mínimos obrigatórios, serão apuradas e corrigidas a cada trimestre do
educação básica, será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em
exercício financeiro.
nível de pós-graduação, a critério da instituição de ensino, garantida, nesta
formação, a base comum nacional. § 5º O repasse dos valores referidos neste artigo do caixa da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios ocorrerá imediatamente
Art. 65. A formação docente, exceto para a educação superior, incluirá ao órgão responsável pela educação, observados os seguintes prazos:
prática de ensino de, no mínimo, trezentas horas.
I - recursos arrecadados do primeiro ao décimo dia de cada mês, até o
Art. 66. A preparação para o exercício do magistério superior far-se-á vigésimo dia;
em nível de pós-graduação, prioritariamente em programas de mestrado e
doutorado. II - recursos arrecadados do décimo primeiro ao vigésimo dia de cada
mês, até o trigésimo dia;
Parágrafo único. O notório saber, reconhecido por universidade com
curso de doutorado em área afim, poderá suprir a exigência de título III - recursos arrecadados do vigésimo primeiro dia ao final de cada
acadêmico. mês, até o décimo dia do mês subsequente.

Art. 67. Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos § 6º O atraso da liberação sujeitará os recursos a correção monetária e
profissionais da educação, assegurando-lhes, inclusive nos termos dos à responsabilização civil e criminal das autoridades competentes.
estatutos e dos planos de carreira do magistério público: Art. 70. Considerar-se-ão como de manutenção e desenvolvimento do
I - ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos; ensino as despesas realizadas com vistas à consecução dos objetivos
básicos das instituições educacionais de todos os níveis, compreendendo
II - aperfeiçoamento profissional continuado, inclusive com as que se destinam a:
licenciamento periódico remunerado para esse fim;
I - remuneração e aperfeiçoamento do pessoal docente e demais
III - piso salarial profissional; profissionais da educação;
IV - progressão funcional baseada na titulação ou habilitação, e na II - aquisição, manutenção, construção e conservação de instalações e
avaliação do desempenho; equipamentos necessários ao ensino;
V - período reservado a estudos, planejamento e avaliação, incluído na III – uso e manutenção de bens e serviços vinculados ao ensino;
carga de trabalho;
IV - levantamentos estatísticos, estudos e pesquisas visando
VI - condições adequadas de trabalho. precipuamente ao aprimoramento da qualidade e à expansão do ensino;
§ 1o A experiência docente é pré-requisito para o exercício profissional V - realização de atividades-meio necessárias ao funcionamento dos
de quaisquer outras funções de magistério, nos termos das normas de cada sistemas de ensino;
sistema de ensino.(Renumerado pela Lei nº 11.301, de 2006) VI - concessão de bolsas de estudo a alunos de escolas públicas e
privadas;
§ 2o Para os efeitos do disposto no § 5o do art. 40 e no § 8o do art.
201 da Constituição Federal, são consideradas funções de magistério as VII - amortização e custeio de operações de crédito destinadas a
exercidas por professores e especialistas em educação no desempenho de atender ao disposto nos incisos deste artigo;
atividades educativas, quando exercidas em estabelecimento de educação VIII - aquisição de material didático-escolar e manutenção de
básica em seus diversos níveis e modalidades, incluídas, além do exercício programas de transporte escolar.
da docência, as de direção de unidade escolar e as de coordenação e
assessoramento pedagógico. (Incluído pela Lei nº 11.301, de 2006) Art. 71. Não constituirão despesas de manutenção e desenvolvimento
do ensino aquelas realizadas com:
TÍTULO VII
I - pesquisa, quando não vinculada às instituições de ensino, ou,
Dos Recursos financeiros quando efetivada fora dos sistemas de ensino, que não vise,
Art. 68. Serão recursos públicos destinados à educação os originários precipuamente, ao aprimoramento de sua qualidade ou à sua expansão;
de: II - subvenção a instituições públicas ou privadas de caráter
I - receita de impostos próprios da União, dos Estados, do Distrito assistencial, desportivo ou cultural;
Federal e dos Municípios; III - formação de quadros especiais para a administração pública, sejam
II - receita de transferências constitucionais e outras transferências; militares ou civis, inclusive diplomáticos;
III - receita do salário-educação e de outras contribuições sociais; IV - programas suplementares de alimentação, assistência médico-
odontológica, farmacêutica e psicológica, e outras formas de assistência
IV - receita de incentivos fiscais;
social;
V - outros recursos previstos em lei.
V - obras de infra-estrutura, ainda que realizadas para beneficiar direta
Art. 69. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os ou indiretamente a rede escolar;
Estados, o Distrito Federal e os Municípios, vinte e cinco por cento, ou o

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VI - pessoal docente e demais trabalhadores da educação, quando em desenvolverá programas integrados de ensino e pesquisa, para oferta de
desvio de função ou em atividade alheia à manutenção e desenvolvimento educação escolar bilingue e intercultural aos povos indígenas, com os
do ensino. seguintes objetivos:
Art. 72. As receitas e despesas com manutenção e desenvolvimento do I - proporcionar aos índios, suas comunidades e povos, a recuperação
ensino serão apuradas e publicadas nos balanços do Poder Público, assim de suas memórias históricas; a reafirmação de suas identidades étnicas; a
como nos relatórios a que se refere o § 3º do art. 165 da Constituição valorização de suas línguas e ciências;
Federal. II - garantir aos índios, suas comunidades e povos, o acesso às
Art. 73. Os órgãos fiscalizadores examinarão, prioritariamente, na informações, conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional e
prestação de contas de recursos públicos, o cumprimento do disposto no demais sociedades indígenas e não-índias.
art. 212 da Constituição Federal, no art. 60 do Ato das Disposições Art. 79. A União apoiará técnica e financeiramente os sistemas de
Constitucionais Transitórias e na legislação concernente. ensino no provimento da educação intercultural às comunidades indígenas,
Art. 74. A União, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e desenvolvendo programas integrados de ensino e pesquisa.
os Municípios, estabelecerá padrão mínimo de oportunidades educacionais § 1º Os programas serão planejados com audiência das comunidades
para o ensino fundamental, baseado no cálculo do custo mínimo por aluno, indígenas.
capaz de assegurar ensino de qualidade.
§ 2º Os programas a que se refere este artigo, incluídos nos Planos
Parágrafo único. O custo mínimo de que trata este artigo será Nacionais de Educação, terão os seguintes objetivos:
calculado pela União ao final de cada ano, com validade para o ano
subsequente, considerando variações regionais no custo dos insumos e as I - fortalecer as práticas sócio-culturais e a língua materna de cada
diversas modalidades de ensino. comunidade indígena;
Art. 75. A ação supletiva e redistributiva da União e dos Estados será II - manter programas de formação de pessoal especializado, destinado
exercida de modo a corrigir, progressivamente, as disparidades de acesso à educação escolar nas comunidades indígenas;
e garantir o padrão mínimo de qualidade de ensino. III - desenvolver currículos e programas específicos, neles incluindo os
§ 1º A ação a que se refere este artigo obedecerá a fórmula de domínio conteúdos culturais correspondentes às respectivas comunidades;
público que inclua a capacidade de atendimento e a medida do esforço IV - elaborar e publicar sistematicamente material didático específico e
fiscal do respectivo Estado, do Distrito Federal ou do Município em favor da diferenciado.
manutenção e do desenvolvimento do ensino.
Art. 79-A. (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.639, de 9.1.2003)
§ 2º A capacidade de atendimento de cada governo será definida pela
Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como ‘Dia
razão entre os recursos de uso constitucionalmente obrigatório na
Nacional da Consciência Negra’.(Incluído pela Lei nº 10.639, de 9.1.2003)
manutenção e desenvolvimento do ensino e o custo anual do aluno, relativo
ao padrão mínimo de qualidade. Art. 80. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação
de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de
§ 3º Com base nos critérios estabelecidos nos §§ 1º e 2º, a União poderá
ensino, e de educação continuada. (Regulamento)
fazer a transferência direta de recursos a cada estabelecimento de ensino,
considerado o número de alunos que efetivamente frequentam a escola. § 1º A educação a distância, organizada com abertura e regime
especiais, será oferecida por instituições especificamente credenciadas
§ 4º A ação supletiva e redistributiva não poderá ser exercida em favor
pela União.
do Distrito Federal, dos Estados e dos Municípios se estes oferecerem
vagas, na área de ensino de sua responsabilidade, conforme o inciso VI do § 2º A União regulamentará os requisitos para a realização de exames
art. 10 e o inciso V do art. 11 desta Lei, em número inferior à sua e registro de diploma relativos a cursos de educação a distância.
capacidade de atendimento. § 3º As normas para produção, controle e avaliação de programas de
Art. 76. A ação supletiva e redistributiva prevista no artigo anterior educação a distância e a autorização para sua implementação, caberão aos
ficará condicionada ao efetivo cumprimento pelos Estados, Distrito Federal respectivos sistemas de ensino, podendo haver cooperação e integração
e Municípios do disposto nesta Lei, sem prejuízo de outras prescrições entre os diferentes sistemas.
legais. § 4º A educação a distância gozará de tratamento diferenciado, que
Art. 77. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas, incluirá:
podendo ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas I - custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de
que: radiodifusão sonora e de sons e imagens;
I - comprovem finalidade não-lucrativa e não distribuam resultados, II - concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas;
dividendos, bonificações, participações ou parcela de seu patrimônio sob III - reserva de tempo mínimo, sem ônus para o Poder Público, pelos
nenhuma forma ou pretexto; concessionários de canais comerciais.
II - apliquem seus excedentes financeiros em educação; Art. 81. É permitida a organização de cursos ou instituições de ensino
experimentais, desde que obedecidas as disposições desta Lei.
III - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola
comunitária, filantrópica ou confessional, ou ao Poder Público, no caso de Art. 82. Os sistemas de ensino estabelecerão as normas de realização
encerramento de suas atividades; de estágio em sua jurisdição, observada a lei federal sobre a
matéria. (Redação dada pela Lei nº 11.788, de 2008)
IV - prestem contas ao Poder Público dos recursos recebidos.
Art. 83. O ensino militar é regulado em lei específica, admitida a
§ 1º Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a
equivalência de estudos, de acordo com as normas fixadas pelos sistemas
bolsas de estudo para a educação básica, na forma da lei, para os que
de ensino.
demonstrarem insuficiência de recursos, quando houver falta de vagas e
cursos regulares da rede pública de domicílio do educando, ficando o Poder Art. 84. Os discentes da educação superior poderão ser aproveitados
Público obrigado a investir prioritariamente na expansão da sua rede local. em tarefas de ensino e pesquisa pelas respectivas instituições, exercendo
funções de monitoria, de acordo com seu rendimento e seu plano de
§ 2º As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão
estudos.
receber apoio financeiro do Poder Público, inclusive mediante bolsas de
estudo. Art. 85. Qualquer cidadão habilitado com a titulação própria poderá
exigir a abertura de concurso público de provas e títulos para cargo de
TÍTULO VIII
docente de instituição pública de ensino que estiver sendo ocupado por
Das Disposições Gerais
professor não concursado, por mais de seis anos, ressalvados os direitos
Art. 78. O Sistema de Ensino da União, com a colaboração das
assegurados pelos arts. 41 da Constituição Federal e 19 do Ato das
agências federais de fomento à cultura e de assistência aos índios,
Disposições Constitucionais Transitórias.

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Art. 86. As instituições de educação superior constituídas como Diretrizes curriculares para o
universidades integrar-se-ão, também, na sua condição de instituições de
pesquisa, ao Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia, nos termos da
ensino fundamental e para a educação Infantil
legislação específica.
As Diretrizes Curriculares para o Ensino Fundamental.
TÍTULO IX
Das Disposições Transitórias PARECER CEB 4/98, aprovado em 29/1/98 (Processo
Art. 87. É instituída a Década da Educação, a iniciar-se um ano a partir 23001.000062/98-76)
da publicação desta Lei. I - RELATÓRIO -
§ 1º A União, no prazo de um ano a partir da publicação desta Lei, Introdução
encaminhará, ao Congresso Nacional, o Plano Nacional de Educação, com
diretrizes e metas para os dez anos seguintes, em sintonia com a A nação brasileira através de suas instituições, e no âmbito de seus en-
Declaração Mundial sobre Educação para Todos. tes federativos vem assumindo, vigorosamente, responsabilidades crescen-
tes para que a Educação Básica, demanda primeira das sociedades demo-
§ 2o O poder público deverá recensear os educandos no ensino cráticas, seja prioridade nacional como garantia inalienável do exercício da
fundamental, com especial atenção para o grupo de 6 (seis) a 14 (quatorze) cidadania plena.
anos de idade e de 15 (quinze) a 16 (dezesseis) anos de idade. (Redação A conquista da cidadania plena, fruto de direitos e deveres reconheci-
dada pela Lei nº 11.274, de 2006) dos na Constituição Federal depende, portanto, da Educação Básica,
constituída pela Educação Infantil, Fundamental e Média, como exposto em
§ 3o O Distrito Federal, cada Estado e Município, e, supletivamente, a
seu Artigo 6º.
União, devem: (Redação dada pela Lei nº 11.330, de 2006)
I – matricular todos os educandos a partir dos 6 (seis) anos de idade no Reconhecendo previamente a importância da Educação Escolar para
ensino fundamental; (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006) além do Ensino Fundamental, a Lei Maior consigna a progressiva universa-
lização do Ensino Médio (Constituição Federal, art. 208, II), e a Lei de
a) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006)
Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/96, de 20 de dezembro
b) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006) de 1996), afirma a progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade do
c) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006) mesmo.
II - prover cursos presenciais ou a distância aos jovens e adultos Assim, a Educação Fundamental, segunda etapa da Educação Básica,
insuficientemente escolarizados; além de coparticipar desta dinâmica é indispensável para a nação. E o é de
III - realizar programas de capacitação para todos os professores em tal maneira que o direito a ela, do qual todos são titulares (direito subjetivo),
exercício, utilizando também, para isto, os recursos da educação a é um dever, um dever de Estado (direito público). Daí porque o Poder
distância; Público é investido de autoridade para impô-la como obrigatória a todos e a
cada um.
IV - integrar todos os estabelecimentos de ensino fundamental do seu
território ao sistema nacional de avaliação do rendimento escolar. Por isto o indivíduo não pode renunciar a este serviço e o poder público
que o ignore será responsabilizado, segundo o art. 208, §2º da CF.
§ 4º Até o fim da Década da Educação somente serão admitidos
professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em A magnitude da importância da Educação é assim reconhecida por en-
serviço. volver todas as dimensões do ser humano: o singulus, o civis, o socius ou
seja, a pessoa em suas relações individuais, civís e sociais.
§ 5º Serão conjugados todos os esforços objetivando a progressão das
redes escolares públicas urbanas de ensino fundamental para o regime de O exercício do direito à Educação Fundamental supõe, também todo o
escolas de tempo integral. exposto no art. 3º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, no
qual os princípios da igualdade, da liberdade, do reconhecimento do plura-
§ 6º A assistência financeira da União aos Estados, ao Distrito Federal lismo de ideias e concepções pedagógicas, da convivência entre institui-
e aos Municípios, bem como a dos Estados aos seus Municípios, ficam ções públicas e privadas estão consagrados. Ainda neste art. 3º, as bases
condicionadas ao cumprimento do art. 212 da Constituição Federal e para que estes princípios se realizem estão estabelecidas na proposição da
dispositivos legais pertinentes pelos governos beneficiados. valorização dos professores e da gestão democrática do ensino público
Art. 88. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios com garantia de padrão de qualidade.
adaptarão sua legislação educacional e de ensino às disposições desta Lei Ao valorizar a experiência extra-escolar dos alunos e propor a vincula-
no prazo máximo de um ano, a partir da data de sua publicação. ção entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais, a LDB é
(Regulamento) consequente com os arts. 205 e 206 da Constituição Federal, que baseiam
§ 1º As instituições educacionais adaptarão seus estatutos e o fim maior da educação no pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo
regimentos aos dispositivos desta Lei e às normas dos respectivos para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
sistemas de ensino, nos prazos por estes estabelecidos. Nestas perspectivas, tanto a Educação Infantil, da qual trata a LDB,
§ 2º O prazo para que as universidades cumpram o disposto nos arts. 29 a 31, quanto a Educação Especial, arts. 58 a 60, devem ser consi-
incisos II e III do art. 52 é de oito anos. deradas no âmbito da definição das Diretrizes Curriculares Nacionais,
guardadas as especificidades de seus campos de ação e as exigências
Art. 89. As creches e pré-escolas existentes ou que venham a ser
impostas pela natureza de sua ação pedagógica.
criadas deverão, no prazo de três anos, a contar da publicação desta Lei,
integrar-se ao respectivo sistema de ensino. Um dos aspectos mais marcantes da nova LDB é o de reafirmar, na
prática, o caráter de República Federativa, por colaboração.
Art. 90. As questões suscitadas na transição entre o regime anterior e o
que se institui nesta Lei serão resolvidas pelo Conselho Nacional de Desta forma, a flexibilidade na aplicação de seus princípios e bases, de
Educação ou, mediante delegação deste, pelos órgãos normativos dos acordo com a diversidade de contextos regionais, está presente no corpo
sistemas de ensino, preservada a autonomia universitária. da lei, pressupondo, no entanto, intensa e profunda ação dos sistemas em
nível Federal, Estadual e Municipal para que, de forma solidária e integrada
Art. 91. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
possam executar uma política educacional coerente com a demanda e os
Art. 92. Revogam-se as disposições das Leis nºs 4.024, de 20 de direitos de alunos e professores.
dezembro de 1961, e 5.540, de 28 de novembro de 1968, não alteradas
Antecedentes das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fun-
pelas Leis nºs 9.131, de 24 de novembro de 1995 e 9.192, de 21 de
damental
dezembro de 1995 e, ainda, as Leis nºs 5.692, de 11 de agosto de 1971 e
7.044, de 18 de outubro de 1982, e as demais leis e decretos-lei que as O art. 9º, inciso IV, da LDB assinala ser incumbência da União... "esta-
modificaram e quaisquer outras disposições em contrário. belecer, em colaboração com os Estados, Distrito Federal e os Municípios,

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competências e diretrizes para a educação infantil, o ensino fundamental e Entretanto, se os Parâmetros Curriculares Nacionais podem funcionar
o ensino médio, que nortearão os currículos e os seus conteúdos mínimos, como elemento catalisador de ações, na busca de uma melhoria da quali-
de modo a assegurar a formação básica comum". dade da educação, de modo algum pretendem resolver todos os problemas
Logo, os currículos e seus conteúdos mínimos (art. 210 da CF/88), pro- que afetam a qualidade do ensino e da aprendizagem. "A busca da quali-
postos pelo MEC (art. 9º da LDB), terão seu norte estabelecido através de dade impõe a necessidade de investimentos em diferentes frentes, como a
diretrizes. Estas terão como foro de deliberação a Câmara de Educação formação inicial e continuada de professores, uma política de salários
Básica do Conselho Nacional de Educação (art. 9º, § 1º, alínea "c" da Lei nº dignos e plano de carreira, a qualidade do livro didático, recursos televisivos
9.131, de 24 de novembro de 1995). e de multimídia, a disponibilidade de materiais didáticos. Mas esta qualifica-
ção almejada implica colocar, também, no centro do debate, as atividades
Dentro da opção cooperativa que marcou o federalismo no Brasil, após escolares de ensino e aprendizagem e a questão curricular como de inegá-
a Constituição de 1988, a proposição das diretrizes será feita em colabora- vel importância para a política educacional da nação brasileira." (PCN,
ção com os outros entes federativos (LDB, art. 9º). Volume 1, Introdução, pp.13/14).
Ora, a federação brasileira, baseada na noção de colaboração, supõe Além disso, ao instituir e implementar um Sistema de Avaliação da
um trabalho conjunto no interior do qual os parceiros buscam, pelo consen- Educação Básica, o MEC cria um instrumento importante na busca pela
so, pelo respeito aos campos específicos de atribuições, tanto metas co- equidade, para o sistema escolar brasileiro, o que deverá assegurar a
muns como os meios mais adequados para as finalidades maiores da melhoria de condições para o trabalho de educar com êxito, nos sistemas
Educação Nacional. Esta noção implica, então, o despojamento de respos- escolarizados. A análise destes resultados deve permitir aos Conselhos e
tas e caminhos previamente prontos e fechados, responsabilizando as Secretarias de Educação a formulação e o aperfeiçoamento de orientações
Secretarias e os Conselhos Estaduais do Distrito Federal e Municipais de para a melhoria da qualidade do ensino.
Educação, pela definição de prazos e procedimentos que favoreçam a
transição de políticas educacionais ainda vigentes, encaminhando mudan- A proposta de avaliação nacional, deve propiciar uma correlação direta
ças e aperfeiçoamentos, respaldados na Lei 9394/96, de forma a não entre a Base Nacional Comum para a educação, e a verificação externa do
provocar rupturas e retrocessos, mas a construir caminhos que propiciem desempenho, pela qualidade do trabalho de alunos e professores, conforme
uma travessia fecunda. regula a LDB, Art. 9º.

Desta forma, cabe à Câmara de Educação Básica do CNE exercer a Os esforços conjuntos e articulados de avaliação dos sistemas de edu-
sua função deliberativa sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais, reser- cação, Federal, Estaduais, Municipais e do Distrito Federal propiciarão
vando-se aos entes federativos e às próprias unidades escolares, de acor- condições para o aperfeiçoamento e o êxito da Educação Fundamental.
do com a Constituição Federal e a LDB, a tarefa que lhes compete em Isto acontecerá na medida em que as propostas pedagógicas das es-
termos de implementações curriculares. colas reflitam o projeto de sociedade local, regional e nacional, que se
Tal compromisso da Câmara pressupõe, portanto, que suas "funções deseja, definido por cada equipe docente, em colaboração com os usuários
normativas e de supervisão" (Lei 9131/95), apoiem o princípio da definição e outros membros da sociedade, que participem dos Conse-
de Diretrizes Curriculares Nacionais, reconhecendo a flexibilidade na articu- lhos/Escola/Comunidade e Grêmios Estudantis.
lação entre União, Distrito Federal, Estados e Municípios como um dos A elaboração deste Parecer, preparatório à Resolução sobre as Diretri-
principais mecanismos da nova LDB. No entanto, a flexibilidade por ela zes Curriculares Nacionais, é fruto do trabalho compartilhado pelos Conse-
propiciada não pode ser reduzida a um instrumento de ocultação da preca- lheiros da Câmara de Educação Básica, e, em particular do conjunto de
riedade ainda existente em muitos segmentos dos sistemas educacionais. proposições doutrinárias, extraídas dos textos elaborados, especialmente,
Assim flexibilidade e descentralização de ações devem ser sinônimos de pelos Conselheiros Carlos Roberto Jamil Cury, Edla Soares, João Monle-
responsabilidades compartilhadas em todos os níveis. vade e Regina de Assis.
Ao definir as Diretrizes Curriculares Nacionais, a Câmara de Educação
Básica do CNE inicia o processo de articulação com Estados e Municípios, As Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental
através de suas próprias propostas curriculares, definindo ainda um para-
digma curricular para o Ensino Fundamental, que integra a Base Nacional Diretrizes Curriculares Nacionais são o conjunto de definições doutriná-
Comum, complementada por uma Parte Diversificada (LDB, art. 26), a ser rias sobre princípios, fundamentos e procedimentos na Educação Básica,
concretizada na proposta pedagógica de cada unidade escolar do País. expressas pela Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de
Educação, que orientarão as escolas brasileiras dos sistemas de ensino, na
Em bem lançado Parecer do ilustre Conselheiro Ulysses de Oliveira organização, na articulação, no desenvolvimento e na avaliação de suas
Panisset, o de nº 05/97 da CEB, aprovado em 07/05/97 e homologado no propostas pedagógicas.
DOU de 16/95/97, é explicitada a importância atribuída às escolas dos
sistemas do ensino brasileiro, quando, a partir de suas próprias propostas Para orientar as práticas educacionais em nosso país, respeitando as
pedagógicas, definem seus calendários e formas de funcionamento, e, por variedades curriculares já existentes em Estados e Municípios, ou em
consequência, seus regimentos tal como disposto na LDB, arts. 23 a 28. processo de elaboração, a Câmara de Educação Básica do Conselho
Nacional de Educação estabelece as seguintes Diretrizes Curriculares para
As propostas pedagógicas e os regimentos das unidades escolares de- o Ensino Fundamental:
vem, no entanto, observar as Diretrizes Curriculares Nacionais e os demais
dispositivos legais. I - As escolas deverão estabelecer, como norteadores de suas ações
pedagógicas:
Desta forma, ao definir suas propostas pedagógicas e seus regimentos,
as escolas estarão compartilhando princípios de responsabilidade, num a) os Princípios Éticos da Autonomia, da Responsabilidade, da Solida-
contexto de flexibilidade teórico/metodológica de ações pedagógicas, em riedade e do Respeito ao Bem Comum;
que o planejamento, o desenvolvimento e a avaliação dos processos edu- b) os Princípios Políticos dos Direitos e Deveres de Cidadania, do exer-
cacionais revelem sua qualidade e respeito à equidade de direitos e deve- cício da Criticidade e do respeito à Ordem Democrática;
res de alunos e professores.
c) os Princípios Estéticos da Sensibilidade, da Criatividade, e da Diver-
Ao elaborar e iniciar a divulgação dos Parâmetros Curriculares Nacio- sidade de Manifestações Artísticas e Culturais.
nais (PCN), o Ministério da Educação propõe um norteamento educacional
Estes princípios deverão fundamentar as práticas pedagógicas das es-
às escolas brasileiras, "a fim de garantir que, respeitadas as diversidades
colas, pois será através da Autonomia, da Responsabilidade, da Solidarie-
culturais, regionais, étnicas, religiosas e políticas que atravessam uma
dade e do Respeito ao Bem Comum, que a Ética fará parte da vida cidadã
sociedade múltipla, estratificada e complexa, a educação possa atuar,
dos alunos.
decisivamente, no processo de construção da cidadania, tendo como meta
o ideal de uma crescente igualdade de direitos entre os cidadãos, baseado Da mesma forma os Direitos e Deveres de Cidadania e o Respeito à
nos princípios democráticos. Essa igualdade implica necessariamente o Ordem Democrática, ao orientarem as práticas pedagógicas, introduzirão
acesso à totalidade dos bens públicos, entre os quais o conjunto dos co- cada aluno na vida em sociedade, que busca a justiça, a igualdade, a
nhecimentos socialmente relevantes". equidade e a felicidade para o indivíduo e para todos. O exercício da Criti-

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cidade estimulará a dúvida construtiva, a análise de padrões em que direi- éticos, políticos e estéticos. Através de múltiplas interações entre professo-
tos e deveres devam ser considerados, na formulação de julgamentos. res/alunos, alunos/alunos, alunos/livros, vídeos, materiais didáticos e a
Viver na sociedade brasileira é fundamentar as práticas pedagógicas, a mídia, desenvolvem-se ações inter e intra-subjetivas, que geram conheci-
partir dos Princípios Estéticos da Sensibilidade, que reconhece nuances e mentos e valores transformadores e permanentes. Neste caso, a diretriz
variações no comportamento humano. Assim como da Criatividade, que nacional proposta, prevê a sensibilização dos sistemas educacionais para
estimula a curiosidade, o espírito inventivo, a disciplina para a pesquisa e o reconhecer e acolher a riqueza da diversidade humana desta nação, valori-
registro de experiências e descobertas. E, também, da Diversidade de zando o diálogo em suas múltiplas manifestações, como forma efetiva de
Manifestações Artísticas e Culturais, reconhecendo a imensa riqueza da educar, de ensinar e aprender com êxito, através dos sentidos e significa-
nação brasileira em seus modos próprios de ser, agir e expressar-se. dos expressos pelas múltiplas vozes, nos ambientes escolares.

II- Ao definir suas propostas pedagógicas, as escolas deverão explicitar Por isso ao planejar suas propostas pedagógicas, seja a partir dos PCN
o reconhecimento da identidade pessoal de alunos, professores e outros seja a partir de outras propostas curriculares, os professores e equipes
profissionais e a identidade de cada unidade escolar e de seus respectivos docentes, em cada escola, buscarão as correlações entre os conteúdos das
sistemas de ensino. áreas de conhecimento e o universo de valores e modos de vida de seus
alunos.
O reconhecimento de identidades pessoais é uma diretriz para a Edu-
cação Nacional, no sentido do reconhecimento das diversidades e peculia- Atenção especial deve ser adotada, ainda, nesta Diretriz, para evitar
ridades básicas relativas ao gênero masculino e feminino, às variedades que as propostas pedagógicas sejam reducionistas ou excludentes, levando
étnicas, de faixa etária e regionais e às variações sócio/econômicas, cultu- aos excessos da "escola pobre para os pobres", ou dos grupos étnicos e
rais e de condições psicológicas e físicas, presentes nos alunos de nosso religiosos apenas para si. Ao trabalhar a relação inseparável entre conhe-
país. Pesquisas têm apontado para discriminações e exclusões em múlti- cimento, linguagem e afetos, as equipes docentes deverão ter a sensibili-
plos contextos e no interior das escolas, devidas ao racismo, ao sexismo e dade de integrar estes aspectos do comportamento humano, discutindo-os
a preconceitos originados pelas situações socioeconômicas, regionais, e comparando-os numa atitude crítica, construtiva e solidária, dentro da
culturais e étnicas. Estas situações inaceitáveis têm deixado graves marcas perspectiva e da riqueza da diversidade da grande nação brasileira, como
em nossa população infantil e adolescente, trazendo consequências destru- previsto no art. 3º, inciso I, da LDB.
tivas. Reverter este quadro é um dos aspectos mais relevantes desta
diretriz. Neste ponto seria esclarecedor explicitar alguns conceitos, para melhor
Estas variedades refletem-se, ainda, na própria Identidade das escolas compreensão do que propomos:
e sua relação com as comunidades às quais servem. Assim, desde con- a) Currículo: atualmente este conceito envolve outros três, quais sejam:
cepções arquitetônicas, história da escola, algumas vezes centenária, até currículo formal (planos e propostas pedagógicas), currículo em ação
questões relacionadas com calendário escolar e atividades curriculares e (aquilo que efetivamente acontece nas salas de aula e nas escolas), currí-
extracurriculares, a diretriz nacional deve reconhecer essas identidades e culo oculto (o não dito, aquilo que tanto alunos, quanto professores trazem,
suas consequências na vida escolar, garantidos os direitos e deveres carregado de sentidos próprios criando as formas de relacionamento, poder
prescritos legalmente. Neste sentido, as propostas pedagógicas e os regi- e convivência nas salas de aula). Neste texto quando nos referimos a um
mentos escolares devem acolher, com autonomia e senso de justiça, o paradigma curricular estamos nos referindo a uma forma de organizar
princípio da identidade pessoal e coletiva de professores, alunos e outros princípios Éticos, Políticos e Estéticos que fundamentam a articulação entre
profissionais da escola, como definidor de formas de consciência democrá- Áreas de Conhecimentos e aspectos da Vida Cidadã.
tica. Portanto, a proposta pedagógica de cada unidade escolar, ao contem-
plar seja os Parâmetros Curriculares Nacionais, seja outras propostas b) Base Nacional Comum: refere-se ao conjunto de conteúdos mínimos
curriculares, deverá articular o paradigma curricular proposto na Quarta das Áreas de Conhecimento articulados aos aspectos da Vida Cidadã de
Diretriz ao projeto de sociedade que se deseja instituir e transformar, a acordo com o art. 26. Por ser a dimensão obrigatória dos curriculos nacio-
partir do reconhecimento das identidades pessoais e coletivas do universo nais – certamente âmbito privilegiado da avaliação nacional do rendimento
considerado. escolar – a Base Nacional Comum deve preponderar substancialmente
sobre a dimensão diversificada.
III - As escolas deverão reconhecer que as aprendizagens são constitu-
ídas na interação entre os processos de conhecimento, linguagem e afeti- É certo que o art. 15 indica um modo de se fazer a travessia, em vista
vos, como consequência das relações entre as distintas identidades dos da autonomia responsável dos estabelecimentos escolares. A autonomia,
vários participantes do contexto escolarizado, através de ações inter e intra- como objetivo de uma escola consolidada, saberá resumir em sua proposta
subjetivas; as diversas experiências de vida dos alunos, professores e pedagógica (art. 12 da LDB) a integração da Base Nacional Comum e da
demais participantes do ambiente escolar, expressas através de múltiplas Parte Diversificada, face às finalidades da Educação Fundamental.
formas de diálogo, devem contribuir para a constituição de identidades c) Parte Diversificada: envolve os conteúdos complementares, escolhi-
afirmativas, persistentes e capazes de protagonizar ações solidárias e dos por cada sistema de ensino e estabelecimentos escolares, integrados à
autônomas de constituição de conhecimentos e valores indispensáveis à Base Nacional Comum, de acordo com as características regionais e locais
vida cidadã. da sociedade, da cultura, da economia e da clientela, refletindo-se, portan-
As evidências de pesquisas e estudos nas áreas de Psicologia, Antro- to, na Proposta Pedagógica de cada Escola, conforme o art. 26.
pologia, Sociologia e Linguística, entre outras Ciências Humanas e Sociais, d) Conteúdos Mínimos das Áreas de Conhecimento: refere-se às no-
indicam a necessidade imperiosa de se considerar, no processo educacio- ções e conceitos essenciais sobre fenômenos, processos, sistemas e
nal, a indissociável relação entre conhecimentos, linguagem e afetos, como operações, que contribuem para a constituição de saberes, conhecimentos,
constituinte dos atos de ensinar e aprender. Esta relação essencial, expres- valores e práticas sociais indispensáveis ao exercício de uma vida de
sa através de múltiplas formas de diálogo, é o fundamento do ato de edu- cidadania plena.
car, concretizado nas relações entre as gerações, seja entre os próprios
Ao utilizar os conteúdos mínimos, já divulgados inicialmente pelos Pa-
alunos ou entre eles e seus professores. Desta forma os diálogos expres-
râmetros Curriculares Nacionais, a serem ensinados em cada área de
sos através de múltiplas linguagens verbais e não verbais, refletem diferen-
conhecimento, é indispensável considerar, para cada segmento (Educação
tes identidades, capazes de interagir consigo próprias e com as demais,
Infantil, 1ª. à 4ª. e 5ª. a 8ª. séries), ou ciclos, que aspectos serão contem-
através da comunicação de suas percepções, impressões, dúvidas, opini-
plados na intercessão entre as áreas e aspectos relevantes da cidadania,
ões e capacidades de entender e interpretar a ciência, as tecnologias, as
tomando-se em conta a identidade da escola e seus alunos, professores e
artes e os valores éticos, políticos e estéticos.
outros profissionais que aí trabalham.
Grande parte do mau desempenho dos alunos, agravado pelos pro-
O espaço destas intercessões é justamente o de criação e recriação de
blemas da reprovação e da preparação insatisfatória, prévia e em serviço,
cada escola, com suas equipes pedagógicas, a cada ano de trabalho.
dos professores, é devida à insuficiência de diálogos e metodologia de
trabalhos diversificados na sala de aula, que permitam a expressão de Assim, a Base Nacional Comum será contemplada em sua integridade,
níveis diferenciados de compreensão, de conhecimentos e de valores e complementada e enriquecida pela Parte Diversificada, contextualizará o

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ensino em cada situação existente nas escolas brasileiras. Reiteramos que apresentado para as Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Funda-
a LDB prevê a possibilidade de ampliação dos dias e horas de aula, de mental.
acordo com as possibilidades e necessidades das escolas e sistemas. A construção da Base Nacional Comum passa pela constituição dos
Embora os Parâmetros Curriculares propostos e encaminhados às es- saberes integrados à ciência e à tecnologia, criados pela inteligência huma-
colas pelo MEC sejam Nacionais, não têm, no entanto, caráter obrigatório, na. Por mais instituinte e ousado, o saber terminará por fundar uma tradi-
respeitando o princípio federativo de colaboração nacional. De todo modo, ção, por criar uma referência. A nossa relação com o instituído não deve
cabe à União, através do próprio MEC o estabelecimento de conteúdos ser, portanto, de querer destruí-lo ou cristalizá-lo. Sem um olhar sobre o
mínimos para a chamada Base Nacional Comum (LDB, art. 9º). instituído, criamos lacunas, desfiguramos memórias e identidades, perde-
IV- Em todas as escolas, deverá ser garantida a igualdade de acesso mos vínculo com a nossa história, quebramos os espelhos que desenham
dos alunos a uma Base Nacional Comum, de maneira a legitimar a unidade nossas formas. A modernidade, por mais crítica que tenha sido da tradição,
e a qualidade da ação pedagógica na diversidade nacional; a Base Nacio- arquitetou-se a partir de referências e paradigmas seculares. A relação com
nal Comum e sua Parte Diversificada deverão integrar-se em torno do o passado deve ser cultivada, desde que se exerça uma compreensão do
paradigma curricular, que visa estabelecer a relação entre a Educação tempo como algo dinâmico, mas não simplesmente linear e sequencial. A
Fundamental com: articulação do instituído com o instituinte possibilita a ampliação dos sabe-
res, sem retirá-los da sua historicidade e, no caso do Brasil, de interação
a) a Vida Cidadã, através da articulação entre vários dos seus as- entre nossas diversas etnias, com as raízes africanas, indígenas, europeias
pectos como: e orientais.
a) a Saúde; A produção e a constituição do conhecimento, no processo de aprendi-
• a Sexualidade; zagem, dá muitas vezes, a ilusão de que podemos seguir sozinhos com o
saber que acumulamos. A natureza coletiva do conhecimento termina
• a Vida Familiar e Social; sendo ocultada ou dissimulada, negando-se o fazer social. Nada mais
• o Meio Ambiente; significativo e importante, para a construção da cidadania, do que a com-
preensão de que a cultura não existiria sem a socialização das conquistas
• o Trabalho;
humanas. O sujeito anônimo é, na verdade, o grande artesão dos tecidos
• a Ciência e a Tecnologia; da história. Além disso, a existência dos saberes associados aos conheci-
mentos científicos e tecnológicos nos ajuda a caminhar pelos percursos da
• a Cultura;
história, mas sua existência não significa que o real é esgotável e transpa-
• as Linguagens; com, rente.
• as Áreas de Conhecimento de: Por outro lado, costuma-se reduzir a produção e a constituição do co-
• Língua Portuguesa; nhecimento no processo de aprendizagem, à dimensão de uma razão
objetiva, desvalorizando-se outros tipos de experiências ou mesmo expres-
• Língua Materna (para populações indígenas e migran-
sões outras da sensibilidade.
tes);
Assim, o modelo que despreza as possibilidades afetivas, lúdicas e es-
• Matemática;
téticas de entender o mundo tornou-se hegemônico, submergindo no utilita-
• Ciências; rismo que transforma tudo em mercadoria. Em nome da velocidade e do
• Geografia; tipo de mercadoria, criaram-se critérios para eleger valores que devem ser
aceitos como indispensáveis para o desenvolvimento da sociedade. O
• História;
ponto de encontro tem sido a acumulação e não a reflexão e a interação,
• Língua Estrangeira; visando à transformação da vida, para melhor. O núcleo da aprendizagem
• Educação Artística; terminaria sendo apenas a criação de rituais de passagem e de hierarquia,
• Educação Física; contrapondo-se, inclusive, à concepção abrangente de educação explicita-
da nos arts. 205 e 206, da CF.
• Educação Religiosa (na forma do art. 33 da LDB).
No caso, pode-se, também, recorrer ao estabelecido no art. 1º, da LDB
Assim, esta articulação permitirá que a Base Nacional Comum e a Par-
quando reconhece a importância dos processos formativos desenvolvidos
te Diversificada atendam ao direito de alunos e professores terem acesso a
nos movimentos sociais, nos organismos da sociedade civil e nas manifes-
conteúdos mínimos de conhecimentos e valores, facilitando, desta forma, a
organização, o desenvolvimento e a avaliação das propostas pedagógicas tações culturais, apontando, portanto, para uma concepção de educação
das escolas, como estabelecido nos arts. 23 a 28, 32 e 33, da LDB. relacionada com a invenção da cultura; e a cultura é, sobretudo, o território
privilegiado dos significados. Sem uma interpretação do mundo, não pode-
A Educação Religiosa, nos termos da Lei, é uma disciplina obrigatória
mos entendê-lo. A interpretação é uma leitura do pensar, do agir e do sentir
de matrícula facultativa no sistema público (art. 33 da LDB).
dos homens e das mulheres. Ela é múltipla e revela que a cultura é uma
Considerando que as finalidades e objetivos dos níveis e modalidades abertura para o infinito, e o próprio "homem é uma metáfora de si mesmo".
de educação e de ensino da Educação Básica são, segundo o Art. 22 da
A capacidade de interpretar o mundo amplia-se com a criação contínua de
LDB:
linguagens e a possibilidade crescente de socializá-las, mas não pode
— desenvolver o educando;
deixar de contemplar a relação entre as pessoas e o meio ambiente, medi-
— assegurar-lhe a formação comum indispensável ao exercício da cida- da pelo trabalho, espaço fundamental de geração de cultura.
dania;
— fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posterio- Ora, a instituição de uma Base Nacional Comum com uma Parte Diver-
res. sificada, a partir da LDB, supõe um novo paradigma curricular que articule a
E, considerando, ainda, que o Ensino Fundamental, ( art. 32), visa à Educação Fundamental com a Vida Cidadã.
formação básica do cidadão mediante: O significado que atribuímos à Vida Cidadã é o do exercício de direitos
. o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios e deveres de pessoas, grupos e instituições na sociedade, que em sinergia,
básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo; em movimento cheio de energias que se trocam e se articulam, influem
. a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da sobre múltiplos aspectos, podendo assim viver bem e transformar a convi-
tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade, vência para melhor.
desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, do fortalecimento dos
vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância, Assim as escolas com suas propostas pedagógicas, estarão contribu-
situados no horizonte da igualdade, mais se justifica o paradigma curricular indo para um projeto de nação, em que aspectos da Vida Cidadã, expres-

Conhecimentos Didáticos e Pedagógicos 35 A Opção Certa Para a Sua Realização


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sando as questões relacionadas com a Saúde, a Sexualidade, a Vida manas, Sociais e Exatas para evitar os modismos educacionais, suas
Familiar e Social, o Meio Ambiente, o Trabalho, a Ciência e a Tecnologia, a frustrações e resultados falaciosos.
Cultura e as Linguagens, se articulem com os conteúdos mínimos das O aperfeiçoamento constante dos docentes e a garantia de sua auto-
Áreas de Conhecimento. nomia, ao conceber e transformar as propostas pedagógicas de cada
Menção especial deve ser feita à Educação Infantil, definida nos arts. escola, é que permitirão a melhoria na qualidade do processo de ensino da
Base Nacional Comum e sua Parte Diversificada.
29 a 31 da LDB que, dentro de suas especificidades, deverá merecer dos
sistemas de ensino as mesmas atenções que a Educação Fundamental, no V – As escolas deverão explicitar, em suas propostas curriculares, pro-
que diz respeito às Diretrizes Curriculares Nacionais. A importância desta cessos de ensino voltados para as relações com sua comunidade local,
etapa da vida humana, ao ser consagrada na LDB, afirmando os direitos regional e planetária, visando à interação entre a Educação Fundamental e
das crianças de 0 aos 6 anos, suas famílias e educadores, em creches e a Vida Cidadã; os alunos, ao aprender os conhecimentos e valores da Base
classes de educação infantil, deve ser acolhida pelos sistemas de ensino Nacional Comum e da Parte Diversificada, estarão também constituindo
suas identidades como cidadãos em processo, capazes de ser protagonis-
dentro das perspectivas propostas pelas DCN, com as devidas adequações
tas de ações responsáveis, solidárias e autônomas em relação a si pró-
aos contextos a que se destinam. prios, às suas famílias e às comunidades.
Recomendação análoga é feita em relação à Educação Especial, defi- Um dos mais graves problemas da educação em nosso país é sua dis-
nida e regida pelos arts. 58 a 60 da LDB, que inequivocamente, consagram tância em relação à vida e a processos sociais transformadores. Um exces-
os direitos dos portadores de necessidades especiais de educação, suas sivo academicismo e um anacronismo em relação às transformações
famílias e professores. As DCN dirigem-se também a eles que, em seus existentes no Brasil e no resto do mundo, de um modo geral, condenaram a
diversos contextos educacionais, deverão ser regidos por seus princípios. Educação Fundamental, nestas últimas décadas, a um arcaísmo que
deprecia a inteligência e a capacidade de alunos e professores e as carac-
Assim, respeitadas as características regionais e locais da sociedade, terísticas específicas de suas comunidades. Esta diretriz prevê a responsa-
da cultura, da economia e da população servida pelas escolas, todos os bilidade dos sistemas educacionais e das unidades escolares em relação a
alunos terão direito de acesso aos mesmos conteúdos de aprendizagem, a uma necessária atualização de conhecimentos e valores, dentro de uma
partir de paradigma curricular apresentado dentro de contextos educacio- perspectiva crítica, responsável e contextualizada. Esta diretriz está em
nais diversos e específicos. Esta é uma das diretrizes fundamentais da consonância especialmente com o Art. 27 da LDB.
Educação Nacional. Desta forma, através de possíveis projetos educacionais regionais dos
sistemas de ensino, através de cada unidade escolar, transformam-se as
Diretrizes Curriculares Nacionais em currículos específicos e propostas
Dentro do que foi proposto, três observações são especialmente impor- pedagógicas das escolas.
tantes:
VI - As escolas utilizarão a Parte Diversificada de suas propostas curri-
a) A busca de definição, nas propostas pedagógicas das escolas, dos culares, para enriquecer e complementar a Base Nacional Comum, propici-
conceitos específicos para cada área de conhecimento, sem desprezar a ando, de maneira específica, a introdução de projetos e atividades do
interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade entre as várias áreas. Neste interesse de suas comunidades (arts. 12 e 13 da LDB)
sentido, as propostas curriculares dos sistemas e das escolas devem
articular fundamentos teóricos que embasem a relação entre conhecimen- Uma auspiciosa inovação introduzida pela LDB refere-se ao uso de
tos e valores voltados para uma vida cidadã, em que, como prescrito pela uma Parte Diversificada a ser utilizada pelas escolas no desenvolvimento
LDB, o ensino fundamental esteja voltado para o desenvolvimento da de atividades e projetos, que as interessem especificamente.
capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da É evidente, no entanto, que as decisões sobre a utilização desse tem-
leitura, da escrita e do cálculo; compreensão do ambiente natural e social, po, se façam pelas equipe pedagógica das escolas e das Secretarias de
do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fun- educação, em conexão com o paradigma curricular que orienta a Base
damenta a sociedade, desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, Nacional Comum.
fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana
e de tolerância. Assim, projetos de pesquisa sobre ecossistemas regionais, por exem-
plo, ou atividades artísticas e de trabalho, novas linguagens (como da
Os sistemas de ensino, ao decidir, de maneira autônoma, como organi- informática, da televisão e de vídeo) podem oferecer ricas oportunidades de
zar e desenvolver a Parte Diversificada de suas propostas pedagógicas, ampliar e aprofundar os conhecimentos e valores presentes na Base Naci-
têm uma oportunidade magnífica de tornarem contextualizadas e próximas, onal Comum.
experiências educacionais consideradas essenciais para seus alunos.
VII - As Escolas devem, através de suas propostas pedagógicas e de
b) A compreensão de que propostas curriculares das escolas e dos sis- seus regimentos, em clima de cooperação, proporcionar condições de
temas, e das propostas pedagógicas das escolas, devem integrar bases funcionamento das estratégias educacionais, do espaço físico, do horário e
teóricas que favoreçam a organização dos conteúdos do paradigma curricu- do calendário escolar, que possibilitem a adoção, a execução, a avaliação e
lar da Base Nacional Comum e sua Parte Diversificada: Tudo, visando ser o aperfeiçoamento das demais Diretrizes, conforme o exposto na LDB arts
consequente no planejamento, desenvolvimento e avaliação das práticas 12 a 14.
pedagógicas. Quaisquer que sejam as orientações em relação a organiza-
Para que todas as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino
ção dos sistemas por séries, ciclos, ou calendários específicos, é absoluta-
Fundamental sejam realizadas com êxito, são indispensáveis o espírito de
mente necessário ter claro que o processo de ensinar e aprender só terá
equipe e as condições básicas para planejar os usos de espaço e tempo
êxito quando os objetivos das intenções educacionais abrangerem estes
requisitos. escolar.

Assim, para elaborar suas propostas pedagógicas, as Escolas devem Assim, desde a discussão e as ações correlatas sobre interdisciplinari-
examinar, para posterior escolha, os Parâmetros Curriculares Nacionais e dade e transdisciplinaridade, decisões sobre sistema seriado ou por ciclos,
as Propostas Curriculares de seus Estados e Municípios, buscando definir interação entre diferentes segmentos no exercício da Base Nacional Co-
com clareza a finalidade de seu trabalho, para a variedade de alunos pre- mum e Parte Diversificada, até a relação com o bairro, a comunidade, o
sentes em suas salas de aula. Tópicos regionais e locais muito enriquece- estado, o país, a nação e outros países, serão objeto de um planejamento e
rão suas propostas, incluídos na Parte Diversificada, mas integrando-se à de uma avaliação constantes da Escola e de sua proposta pedagógica.
Base Nacional Comum.
c) A cautela em não adotar apenas uma visão teórico-metodológica RESOLUÇÃO CEB Nº 2, DE 7 DE ABRIL DE 1998(*)
como a única resposta para todas as questões pedagógicas. Os professo- Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental.
res precisam de um aprofundamento continuado e de uma atualização
constante em relação às diferentes orientações originárias da Psicologia, O Presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional
Antropologia, Sociologia, Psico e Sócio-Linguística e outras Ciências Hu- de Educação, tendo em vista o disposto no Art. 9º § 1º, alínea "c" da Lei

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9.131, de 25 de novembro de 1995 e o Parecer CEB 4/98, homologado pelo • História
Senhor Ministro da Educação e do Desporto em 27 de março de 1998,
• Língua Estrangeira
RESOLVE:
• Educação Artística
Art. 1º A presente Resolução institui as Diretrizes Curriculares Nacio-
nais para o Ensino Fundamental, a serem observadas na organização • Educação Física
curricular das unidades escolares integrantes dos diversos sistemas de • Educação Religiosa, na forma do art. 33 da Lei 9.394,
ensino. de 20 de dezembro de 1996.
Art. 2º Diretrizes Curriculares Nacionais são o conjunto de definições
doutrinárias sobre princípios, fundamentos e procedimento da educação
V - As escolas deverão explicitar em suas propostas curriculares pro-
básica, expressas pela Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional
cessos de ensino voltados para as relações com sua comunidade local,
de Educação, que orientarão as escolas brasileiras dos sistemas de ensino
regional e planetária, visando à interação entre a educação fundamental e a
na organização, articulação, desenvolvimento e avaliação de suas propos-
vida cidadã; os alunos, ao aprenderem os conhecimentos e valores da base
tas pedagógicas.
nacional comum e da parte diversificada, estarão também constituindo sua
Art. 3º. São as seguintes as Diretrizes Curriculares Nacionais para o identidade como cidadãos, capazes de serem protagonistas de ações
Ensino Fundamental: responsáveis, solidárias e autônomas em relação a si próprios, às suas
I - As escolas deverão estabelecer como norteadores de suas ações famílias e às comunidades.
pedagógicas: VI - As escolas utilizarão a parte diversificada de suas propostas curri-
1. os princípios éticos da autonomia, da responsabilida- culares para enriquecer e complementar a base nacional comum, propici-
de, da solidariedade e do respeito ao bem comum; ando, de maneira específica, a introdução de projetos e atividades do
interesse de suas comunidades.
2. os princípios dos Direitos e Deveres da Cidadania, do
exercício da criticidade e do respeito à ordem demo- VII - As escolas devem trabalhar em clima de cooperação entre a dire-
crática; ção e as equipes docentes, para que haja condições favoráveis à adoção,
execução, avaliação e aperfeiçoamento das estratégias educacionais, em
3. os princípios estéticos da sensibilidade, da criativida- consequência do uso adequado do espaço físico, do horário e calendário
de e da diversidade de manifestações artísticas e cul- escolares, na forma dos arts. 12 a 14 da Lei 9.394, de 20 de dezembro de
turais. 1996.
II - Ao definir suas propostas pedagógicas, as escolas deverão explici- Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
tar o reconhecimento da identidade pessoal de alunos, professores e outros
profissionais e a identidade de cada unidade escolar e de seus respectivos
sistemas de ensino.
III - As escolas deverão reconhecer que as aprendizagens são constitu- BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais para a
ídas pela interação dos processos de conhecimento com os de linguagem e Educação Infantil. Brasília. Brasilia: MEC/SEB, 2010.
os afetivos, em consequência das relações entre as distintas identidades
dos vários participantes do contexto escolarizado; as diversas experiências
Art. 1º A presente Resolução institui as Diretrizes Curriculares
de vida de alunos, professores e demais participantes do ambiente escolar,
Nacionais para a Educação Infantil a serem observadas na organização de
expressas através de múltiplas formas de diálogo, devem contribuir para a
propostas pedagógicas na Educação Infantil.
constituição de identidade afirmativas, persistentes e capazes de protagoni-
zar ações autônomas e solidárias em relação a conhecimentos e valores Art. 2º As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil
indispensáveis à vida cidadã. articulam-se com as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica
e reúnem princípios, fundamentos e procedimentos definidos pela Câmara
IV - Em todas as escolas deverá ser garantida a igualdade de acesso de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, para orientar as
para alunos a uma base nacional comum, de maneira a legitimar a unidade políticas públicas na área e a elaboração, planejamento, execução e
e a qualidade da ação pedagógica na diversidade nacional. A base comum avaliação de propostas pedagógicas e curriculares.
nacional e sua parte diversificada deverão integrar-se em torno do para-
digma curricular, que vise a estabelecer a relação entre a educação funda- Art. 3º O currículo da Educação Infantil é concebido como um conjunto
mental e: de práticas que buscam articular as experiências e os saberes das crianças
com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico,
1. a vida cidadã através da articulação entre vários dos ambiental, científico e tecnológico, de modo a promover o desenvolvimento
seus aspectos como: integral de crianças de 0 a 5 anos de idade.
• a saúde Art. 4º As propostas pedagógicas da Educação Infantil deverão
• a sexualidade considerar que a criança, centro do planejamento curricular, é sujeito
histórico e de direitos que, nas interações, relações e práticas cotidianas
• a vida familiar e social que vivencia, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina,
• o meio ambiente fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói
sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura.
• o trabalho
Art. 5º A Educação Infantil, primeira etapa da Educação Básica, é
• a ciência e a tecnologia oferecida em creches e pré-escolas, as quais se caracterizam como
• a cultura espaços institucionais não domésticos que constituem estabelecimentos
educacionais públicos ou privados que educam e cuidam de crianças de 0 a
• as linguagens. 5 anos de idade no período diurno, em jornada integral ou parcial,
• as áreas de conhecimento: regulados e supervisionados por órgão competente do sistema de ensino e
submetidos a controle social.
• Língua Portuguesa
§ 1º É dever do Estado garantir a oferta de Educação Infantil pública,
• Língua Materna, para populações indígenas e migran- gratuita e de qualidade, sem requisito de seleção.
tes
§ 2° É obrigatória a matrícula na Educação Infantil de crianças que
• Matemática completam 4 ou 5 anos até o dia 31 de março do ano em que ocorrer a
• Ciências matrícula.
§ 3º As crianças que completam 6 anos após o dia 31 de março
• Geografia
devem ser matriculadas na Educação Infantil.

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§ 4º A frequência na Educação Infantil não é pré-requisito para a IX -o reconhecimento, a valorização, o respeito e a interação das
matrícula no Ensino Fundamental. crianças com as histórias e as culturas africanas, afrobrasileiras, bem como
§ 5º As vagas em creches e pré-escolas devem ser oferecidas o combate ao racismo e à discriminação;
próximas às residências das crianças. X -a dignidade da criança como pessoa humana e a proteção contra
§ 6º É considerada Educação Infantil em tempo parcial, a jornada de, qualquer forma de violência -física ou simbólica -e negligência no interior da
no mínimo, quatro horas diárias e, em tempo integral, a jornada com instituição ou praticadas pela família, prevendo os encaminhamentos de
duração igual ou superior a sete horas diárias, compreendendo o tempo violações para instâncias competentes.
total que a criança permanece na instituição. § 2º Garantida a autonomia dos povos indígenas na escolha dos
Art. 6º As propostas pedagógicas de Educação Infantil devem modos de educação de suas crianças de 0 a 5 anos de idade, as propostas
respeitar os seguintes princípios: pedagógicas para os povos que optarem pela Educação Infantil devem:
I -Éticos: da autonomia, da responsabilidade, da solidariedade e do I -proporcionar uma relação viva com os conhecimentos, crenças,
respeito ao bem comum, ao meio ambiente e às diferentes culturas, valores, concepções de mundo e as memórias de seu povo;
identidades e singularidades. II -reafirmar a identidade étnica e a língua materna como elementos de
II - Políticos: dos direitos de cidadania, do exercício da criticidade e do constituição das crianças;
respeito à ordem democrática. III -dar continuidade à educação tradicional oferecida na família e
III -Estéticos: da sensibilidade, da criatividade, da ludicidade e da articular-se às práticas sócio-culturais de educação e cuidado coletivos da
liberdade de expressão nas diferentes manifestações artísticas e culturais. comunidade;
Art. 7º Na observância destas Diretrizes, a proposta pedagógica das IV -adequar calendário, agrupamentos etários e organização de
instituições de Educação Infantil deve garantir que elas cumpram tempos, atividades e ambientes de modo a atender as demandas de cada
plenamente sua função sociopolítica e pedagógica: povo indígena.
I -oferecendo condições e recursos para que as crianças usufruam § 3º -As propostas pedagógicas da Educação Infantil das crianças
seus direitos civis, humanos e sociais; filhas de agricultores familiares, extrativistas, pescadores artesanais,
ribeirinhos, assentados e acampados da reforma agrária, quilombolas,
II - assumindo a responsabilidade de compartilhar e complementar a caiçaras, povos da floresta, devem:
educação e cuidado das crianças com as famílias;
I -reconhecer os modos próprios de vida no campo como
III -possibilitando tanto a convivência entre crianças e entre adultos e fundamentais para a constituição da identidade das crianças moradoras em
crianças quanto a ampliação de saberes e conhecimentos de diferentes territórios rurais;
naturezas;
II -ter vinculação inerente à realidade dessas populações, suas
IV -promovendo a igualdade de oportunidades educacionais entre as culturas, tradições e identidades, assim como a práticas ambientalmente
crianças de diferentes classes sociais no que se refere ao acesso a bens sustentáveis;
culturais e às possibilidades de vivência da infância;
III -flexibilizar, se necessário, calendário, rotinas e atividades
V -construindo novas formas de sociabilidade e de subjetividade respeitando as diferenças quanto à atividade econômica dessas
comprometidas com a ludicidade, a democracia, a sustentabilidade do populações;
planeta e com o rompimento de relações de dominação etária,
socioeconômica, étnico-racial, de gênero, regional, linguística e religiosa. IV -valorizar e evidenciar os saberes e o papel dessas populações na
produção de conhecimentos sobre o mundo e sobre o ambiente natural;
Art. 8º A proposta pedagógica das instituições de Educação Infantil
deve ter como objetivo garantir à criança acesso a processos de V -prever a oferta de brinquedos e equipamentos que respeitem as
apropriação, renovação e articulação de conhecimentos e aprendizagens características ambientais e socioculturais da comunidade.
de diferentes linguagens, assim como o direito à proteção, à saúde, à Art. 9º As práticas pedagógicas que compõem a proposta curricular da
liberdade, à confiança, ao respeito, à dignidade, à brincadeira, à Educação Infantil devem ter como eixos norteadores as interações e a
convivência e à interação com outras crianças. brincadeira, garantindo experiências que:
§ 1º Na efetivação desse objetivo, as propostas pedagógicas das I -promovam o conhecimento de si e do mundo por meio da ampliação
instituições de Educação Infantil deverão prever condições para o trabalho de experiências sensoriais, expressivas, corporais que possibilitem
coletivo e para a organização de materiais, espaços e tempos que movimentação ampla, expressão da individualidade e respeito pelos ritmos
assegurem: e desejos da criança;
II - favoreçam a imersão das crianças nas diferentes linguagens e o
I -a educação em sua integralidade, entendendo o cuidado como algo progressivo domínio por elas de vários gêneros e formas de expressão:
indissociável ao processo educativo; gestual, verbal, plástica, dramática e musical;
II -a indivisibilidade das dimensões expressivo-motora, afetiva, III -possibilitem às crianças experiências de narrativas, de apreciação
cognitiva, linguística, ética, estética e sociocultural da criança; e interação com a linguagem oral e escrita, e convívio com diferentes
III - a participação, o diálogo e a escuta cotidiana das famílias, o suportes e gêneros textuais orais e escritos;
respeito e a valorização de suas formas de organização; IV -recriem, em contextos significativos para as crianças, relações
IV - o estabelecimento de uma relação efetiva com a comunidade local quantitativas, medidas, formas e orientações espaço temporais;
e de mecanismos que garantam a gestão democrática e a consideração V -ampliem a confiança e a participação das crianças nas atividades
dos saberes da comunidade; individuais e coletivas;
V -o reconhecimento das especificidades etárias, das singularidades VI -possibilitem situações de aprendizagem mediadas para a
individuais e coletivas das crianças, promovendo interações entre crianças elaboração da autonomia das crianças nas ações de cuidado pessoal, auto-
de mesma idade e crianças de diferentes idades; organização, saúde e bem-estar;
VI -os deslocamentos e os movimentos amplos das crianças nos VII -possibilitem vivências éticas e estéticas com outras crianças e
espaços internos e externos às salas de referência das turmas e à grupos culturais, que alarguem seus padrões de referência e de identidades
instituição; no diálogo e reconhecimento da diversidade;
VII -a acessibilidade de espaços, materiais, objetos, brinquedos e VIII -incentivem a curiosidade, a exploração, o encantamento, o
instruções para as crianças com deficiência, transtornos globais de questionamento, a indagação e o conhecimento das crianças em relação ao
desenvolvimento e altas habilidades/superdotação; mundo físico e social, ao tempo e à natureza;
VIII -a apropriação pelas crianças das contribuições histórico-culturais IX -promovam o relacionamento e a interação das crianças com
dos povos indígenas, afrodescendentes, asiáticos, europeus e de outros diversificadas manifestações de música, artes plásticas e gráficas, cinema,
países da América; fotografia, dança, teatro, poesia e literatura;

Conhecimentos Didáticos e Pedagógicos 38 A Opção Certa Para a Sua Realização


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X -promovam a interação, o cuidado, a preservação e o conhecimento Educação Infantil como dever do Estado com a Educação, processo que
da biodiversidade e da sustentabilidade da vida na Terra, assim como o não teve ampla participação dos movimentos comunitários, dos movimentos de
desperdício dos recursos naturais; mulheres, dos movimentos de redemocratização do país, além,
XI -propiciem a interação e o conhecimento pelas crianças das evidentemente, das lutas dos próprios profissionais da educação. A partir
manifestações e tradições culturais brasileiras; desse novo ordenamento legal, creches e pré-escolas passaram a construir
nova identidade na busca de superação de posições antagônicas e
XII -possibilitem a utilização de gravadores, projetores, computadores, fragmentadas, sejam elas assistencialistas ou pautadas em uma
máquinas fotográficas, e outros recursos tecnológicos e midiáticos. perspectiva preparatória a etapas posteriores de escolarização.
Parágrafo único -As creches e pré-escolas, na elaboração da proposta A Lei nº 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional),
curricular, de acordo com suas características, identidade institucional, regulamentando esse ordenamento, introduziu uma série de inovações em
escolhas coletivas e particularidades pedagógicas, estabelecerão modos de relação à Educação Básica, dentre as quais, a integração das creches nos
integração dessas experiências. sistemas de ensino compondo, junto com as pré-escolas, a primeira etapa
Art. 10. As instituições de Educação Infantil devem criar da Educação Básica. Essa lei evidencia o estímulo à autonomia das
procedimentos para acompanhamento do trabalho pedagógico e para unidades educacionais na organização flexível de seu currículo e a
avaliação do desenvolvimento das crianças, sem objetivo de seleção, pluralidade de métodos pedagógicos, desde que assegurem aprendizagem,
promoção ou classificação, garantindo: e reafirmou os artigos da Constituição Federal acerca do atendimento
I -a observação crítica e criativa das atividades, das brincadeiras e gratuito em creches e pré-escolas.
interações das crianças no cotidiano; Neste mesmo sentido deve-se fazer referência ao Plano Nacional de
II -utilização de múltiplos registros realizados por adultos e crianças Educação (PNE), Lei nº 10.172/2001, que estabeleceu metas decenais
(relatórios, fotografias, desenhos, álbuns etc.); para que no final do período de sua vigência, 2011, a oferta da Educação
Infantil alcance a 50% das crianças de 0 a 3 anos e 80% das de 4 e 5 anos,
III -a continuidade dos processos de aprendizagens por meio da
metas que ainda persistem como um grande desafio a ser enfrentado pelo
criação de estratégias adequadas aos diferentes momentos de transição
país.
vividos pela criança (transição casa/instituição de Educação Infantil,
transições no interior da instituição, transição creche/pré-escola e transição Frente a todas essas transformações, a Educação Infantil vive um
pré-escola/Ensino Fundamental); intenso processo de revisão de concepções sobre a educação de crianças
em espaços coletivos, e de seleção e fortalecimento de práticas
IV -documentação específica que permita às famílias conhecer o
pedagógicas mediadoras de aprendizagens e do desenvolvimento das
trabalho da instituição junto às crianças e os processos de desenvolvimento
crianças. Em especial, têm se mostrado prioritárias as discussões sobre
e aprendizagem da criança na Educação Infantil;
como orientar o trabalho junto às crianças de até três anos em creches e
V - a não retenção das crianças na Educação Infantil. como garantir práticas junto às crianças de quatro e cinco anos que se
Art. 11. Na transição para o Ensino Fundamental a proposta articulem, mas não antecipem processos do Ensino Fundamental.
pedagógica deve prever formas para garantir a continuidade no processo Nesse contexto, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação
de aprendizagem e desenvolvimento das crianças, respeitando as Infantil elaboradas anteriormente por este Conselho (Resolução CNE/CEB
especificidades etárias, sem antecipação de conteúdos que serão nº 1/99 e Parecer CNE/CEB nº 22/98) foram fundamentais para explicitar
trabalhados no Ensino Fundamental. princípios e orientações para os sistemas de ensino na organização,
Art. 12. Cabe ao Ministério da Educação elaborar orientações para a articulação, desenvolvimento e avaliação de propostas pedagógicas.
implementação dessas Diretrizes. Embora os princípios colocados não tenham perdido a validade, ao
Art. 13. A presente Resolução entrará em vigor na data de sua contrário, continuam cada vez mais necessários, outras questões
publicação, revogando-se as disposições em contrário, especialmente a diminuíram seu espaço no debate atual e novos desafios foram colocados
Resolução CNE/CEB nº 1/99. para a Educação Infantil, exigindo a reformulação e atualização dessas
Diretrizes.
A ampliação das matrículas, a regularização do funcionamento das
Parecer 20/2009 instituições, a diminuição no número de docentes não-habilitados na
1. Histórico Educação Infantil e o aumento da pressão pelo atendimento colocam novas
A construção da identidade das creches e pré-escolas a partir do demandas para a política de Educação Infantil, pautando questões que
século XIX em nosso país insere-se no contexto da história das políticas de dizem respeito às propostas pedagógicas, aos saberes e fazeres dos
atendimento à infância, marcado por diferenciações em relação à classe professores, às práticas e projetos cotidianos desenvolvidos junto às
social das crianças. Enquanto para as mais pobres essa história foi crianças, ou seja, às questões de orientação curricular. Também a
caracterizada pela vinculação aos órgãos de assistência social, para as tramitação no Congresso Nacional da proposta de Emenda Constitucional
crianças das classes mais abastadas, outro modelo se desenvolveu no que, dentre outros pontos, amplia a obrigatoriedade na Educação Básica,
diálogo com práticas escolares. reforça a exigência de novos marcos normativos na Educação Infantil.
Essa vinculação institucional diferenciada refletia uma fragmentação Respondendo a estas preocupações, a Coordenadoria de Educação
nas concepções sobre educação das crianças em espaços coletivos, Infantil do MEC estabeleceu, com a Universidade Federal do Rio Grande do
compreendendo o cuidar como atividade meramente ligada ao corpo e Sul (UFRGS), convênio de cooperação técnica na articulação de um
destinada às crianças mais pobres, e o educar como experiência de processo nacional de estudos e debates sobre o currículo da Educação
promoção intelectual reservada aos filhos dos grupos socialmente Infantil, que produziu uma série de documentos, dentre eles “Práticas
privilegiados. Para além dessa especificidade, predominou ainda, por muito cotidianas na Educação Infantil: bases para a reflexão sobre as orientações
tempo, uma política caracterizada pela ausência de investimento público e curriculares” (MEC/COEDI, 2009a). Esse processo serviu de base para a
pela não profissionalização da área. elaboração de “Subsídios para as Diretrizes Curriculares Nacionais
Específicas da Educação Básica” (MEC, 2009b), texto encaminhado a este
Em sintonia com os movimentos nacionais e internacionais, um novo
colegiado pelo Senhor Ministro de Estado da Educação.
paradigma do atendimento à infância – iniciado em 1959 com a Declaração
Universal dos Direitos da Criança e do Adolescente e instituído no país pelo A proposta do MEC foi apresentada pela professora Maria do Pilar
artigo 227 da Constituição Federal de 1988 e pelo Estatuto da Criança e do Lacerda Almeida e Silva, Secretária de Educação Básica do MEC, na
Adolescente (Lei 8.069/90) – tornou-se referência para os movimentos reunião ordinária do mês de julho do corrente ano da Câmara de Educação
sociais de “luta por creche” e orientou a transição do entendimento da Básica, ocasião em que foi designada a comissão que se encarregaria de
creche e pré-escola como um favor aos socialmente menos favorecidos elaborar nova Diretriz Curricular Nacional para a Educação Infantil,
para a compreensão desses espaços como um direito de todas as crianças presidida pelo Conselheiro Cesar Callegari, tendo o Conselheiro Raimundo
à educação, independentemente de seu grupo social. Moacir Mendes Feitosa como relator (Portaria CNE/CEB nº 3/2009).
O atendimento em creches e pré-escolas como um direito social das Em 5 de agosto, com a participação de representantes das entidades
crianças se concretiza na Constituição de 1988, com o reconhecimento da nacionais UNDIME, ANPED, CNTE, Fórum Nacional de Conselhos

Conhecimentos Didáticos e Pedagógicos 39 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Estaduais de Educação, MIEIB (Movimento Interfóruns de Educação Infantil matrícula em escola pública (art. 205), gratuita e de qualidade (art. 206,
do Brasil), da SEB/SECAD/MEC e de especialistas da área de Educação incisos IV e VI), igualdade de condições em relação às demais crianças
Infantil, Maria Carmem Barbosa (coordenadora do Projeto para acesso, permanência e pleno aproveitamento das oportunidades de
MECUFRGS/2008), Sonia Kramer (consultora do MEC responsável pela aprendizagem propiciadas (art. 206, inciso I).
organização do documento de referência), Fulvia Rosemberg (da Fundação Na continuidade dessa definição, a Lei de Diretrizes e Bases da
Carlos Chagas), Ana Paula Soares Silva (FFCLRP-USP) e Zilma de Moraes Educação Nacional afirma que “a educação abrange os processos
Ramos de Oliveira (FFCLRP-USP), o relator da Comissão apresentou um formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no
texto-síntese dos pontos básicos que seriam levados como indicações para trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e
o debate em audiências públicas nacionais promovidas pela Câmara de organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais” (Lei nº
Educação Básica do CNE, realizadas em São Luis do Maranhão, Brasília e 9.394/96, art. 1º), mas esclarece que: “Esta Lei disciplina a educação
São Paulo. escolar que se desenvolve, predominantemente, por meio do ensino, em
Este parecer incorpora as contribuições apresentadas, nestas instituições próprias” (Lei nº 9.394/96, art. 1º, § 1º). Em função disto, tudo o
audiências e em debates e reuniões regionais (encontros da UNDIME – que nela se baseia e que dela decorre, como autorização de
Região Norte e do MIEIB em Santarém, PA, ocorrido em agosto de 2009; o funcionamento, condições de financiamento e outros aspectos, referem-se
debate na ANPED ocorrido em outubro de 2009), por grupos de pesquisa e a esse caráter institucional da educação.
pesquisadores, conselheiros tutelares, Ministério Público, sindicatos, Fica assim evidente que, no atual ordenamento jurídico, as creches e
secretários e conselheiros municipais de educação, entidades não pré-escolas ocupam um lugar bastante claro e possuem um caráter
governamentais e movimentos sociais. Foram consideradas também as institucional e educacional diverso daquele dos contextos domésticos, dos
contribuições enviadas por entidades e grupos como: OMEP; NDI-UFSC; ditos programas alternativos à educação das crianças de zero a cinco anos
Fórum de Educação Infantil do Pará (FEIPA); Fórum Amazonense de de idade, ou da educação não-formal. Muitas famílias necessitam de
Educação Infantil (FAMEI); Fórum Permanente de Educação Infantil do atendimento para suas crianças em horário noturno, em finais de semana e
Tocantins (FEITO); Fórum de Educação Infantil do Amapá; Fórum de em períodos esporádicos. Contudo, esse tipo de atendimento, que
Educação Infantil de Santa Catarina (contemplando também manifestações responde a uma demanda legítima da população, enquadra-se no âmbito
dos municípios de Jaguaré, Cachoeiro e Vitória); Fórum Paulista de de “políticas para a Infância”, devendo ser financiado, orientado e
Educação Infantil; Fórum Gaúcho de Educação Infantil; GT de Educação supervisionado por outras áreas, como assistência social, saúde, cultura,
Infantil da UNDIME; CEERT; GT 21 da ANPEd (Educação das Relações esportes, proteção social. O sistema de ensino define e orienta, com base
Étnico-Raciais); grupo de estudos em Educação Infantil do Centro de em critérios pedagógicos, o calendário, horários e as demais condições
Educação da UFAL conjuntamente com equipe técnica das Secretarias de para o funcionamento das creches e pré-escolas, o que não elimina o
Educação do Município de Maceió e do Estado de Alagoas; alunos do curso estabelecimento de mecanismos para a necessária articulação que deve
de Pedagogia da UFMS; CINDEDI-USP; representantes do Setor de haver entre a Educação e outras áreas, como a Saúde e a Assistência, a
Educação do MST São Paulo; técnicos da Coordenadoria de Creches da fim de que se cumpra, do ponto de vista da organização dos serviços
USP; participantes de evento da Secretaria de Educação, Esporte e Lazer nessas instituições, o atendimento às demandas das crianças. Essa
de Recife e do Seminário Educação Ambiental e Educação Infantil em articulação, se necessária para outros níveis de ensino, na Educação
Brasília. Ainda pesquisadores das seguintes Universidades e Instituições de Infantil, em função das características das crianças de zero a cinco anos de
Pesquisa fizeram considerações ao longo desse processo: FEUSP; idade, se faz muitas vezes imprescindível.
FFCLRP-USP; Fundação Carlos Chagas; Centro Universitário Claretiano
Batatais; PUC-RIO; UNIRIO; UNICAMP; UFC; UFPA; UFRJ; UERJ; UFPR; As creches e pré-escolas se constituem, portanto, em
UNEMAT; UFMG; UFRGS; UFSC; UFRN; UFMS; UFAL, UFMA, UEMA, estabelecimentos educacionais públicos ou privados que educam e cuidam
UFPE. de crianças de zero a cinco anos de idade por meio de profissionais com a
formação específica legalmente determinada, a habilitação para o
2. Mérito magistério superior ou médio, refutando assim funções de caráter
A revisão e atualização das Diretrizes Curriculares Nacionais para a meramente assistencialista, embora mantenha a obrigação de assistir às
Educação Infantil é essencial para incorporar os avanços presentes na necessidades básicas de todas as crianças.
política, na produção científica e nos movimentos sociais na área. Elas As instituições de Educação Infantil estão submetidas aos
podem se constituir em instrumento estratégico na consolidação do que se mecanismos de credenciamento, reconhecimento e supervisão do sistema
entende por uma Educação Infantil de qualidade, “ao estimular o diálogo de ensino em que se acham integradas (Lei nº 9.394/96, art. 9º, inciso IX,
entre os elementos culturais de grupos marginalizados e a ciência, a art.10, inciso IV e art.11, inciso IV), assim como a controle social. Sua forma
tecnologia e a cultura dominantes, articulando necessidades locais e a de organização é variada, podendo constituir unidade independente ou
ordem global, chamando a atenção para uma maior sensibilidade para o integrar instituição que cuida da Educação Básica, atender faixas etárias
diverso e o plural, entre o relativismo e o universalismo” (MEC, 2009b). diversas nos termos da Lei nº 9.394/96, em jornada integral de, no mínimo,
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, de 7 horas diárias, ou parcial de, no mínimo, 4 horas, seguindo o proposto na
caráter mandatório, orientam a formulação de políticas, incluindo a de Lei nº 11.494/2007 (FUNDEB), sempre no período diurno, devendo o poder
formação de professores e demais profissionais da Educação, e também o público oferecer vagas próximo à residência das crianças (Lei nº 8.069/90,
planejamento, desenvolvimento e avaliação pelas unidades de seu Projeto art. 53). Independentemente das nomenclaturas diversas que adotam
Político-Pedagógico e servem para informar as famílias das crianças (Centros de Educação Infantil, Escolas de Educação Infantil, Núcleo
matriculadas na Educação Infantil sobre as perspectivas de trabalho Integrado de Educação Infantil, Unidade de Educação Infantil, ou nomes
pedagógico que podem ocorrer. fantasia), a estrutura e funcionamento do atendimento deve garantir que
3. A identidade do atendimento na Educação Infantil essas unidades sejam espaço de educação coletiva.
Do ponto de vista legal, a Educação Infantil é a primeira etapa da Uma vez que o Ensino Fundamental de nove anos de duração passou
Educação Básica e tem como finalidade o desenvolvimento integral da a incluir a educação das crianças a partir de seis anos de idade, e
criança de zero a cinco anos de idade em seus aspectos físico, afetivo, considerando que as que completam essa idade fora do limite de corte
intelectual, linguístico e social, complementando a ação da família e da estabelecido por seu sistema de ensino para inclusão no Ensino
comunidade (Lei nº 9.394/96, art. 29). Fundamental necessitam que seu direito à educação seja garantido, cabe
aos sistemas de ensino o atendimento a essas crianças na pré-escola até o
O atendimento em creche e pré-escola a crianças de zero a cinco seu ingresso, no ano seguinte, no Ensino Fundamental.
anos de idade é definido na Constituição Federal de 1988 como dever do
Estado em relação à educação, oferecido em regime de colaboração e 4. A função sociopolítica e pedagógica da Educação Infantil
organizado em sistemas de ensino da União, dos Estados, do Distrito Delineada essa apresentação da estrutura legal e institucional da
Federal e dos Municípios. A incorporação das creches e pré-escolas no Educação Infantil, faz-se necessário refletir sobre sua função sociopolítica e
capítulo da Educação na Constituição Federal (art. 208, inciso IV) impacta pedagógica, como base de apoio das propostas pedagógica e curricular
todas as outras responsabilidades do Estado em relação à Educação das instituições.
Infantil, ou seja, o direito das crianças de zero a cinco anos de idade à

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Considera a Lei nº 9.394/96 em seu artigo 22 que a Educação Infantil A proposta pedagógica, ou projeto pedagógico, é o plano orientador
é parte integrante da Educação Básica, cujas finalidades são desenvolver o das ações da instituição e define as metas que se pretende para o
educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício desenvolvimento dos meninos e meninas que nela são educados e
da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos cuidados, as aprendizagens que se quer promovidas. Na sua execução, a
posteriores. Essa dimensão de instituição voltada à introdução das crianças instituição de Educação Infantil organiza seu currículo, que pode ser
na cultura e à apropriação por elas de conhecimentos básicos requer tanto entendido como as práticas educacionais organizadas em torno do
seu acolhimento quanto sua adequada interpretação em relação às conhecimento e em meio às relações sociais que se travam nos espaços
crianças pequenas. institucionais, e que afetam a construção das identidades das crianças. Por
O paradigma do desenvolvimento integral da criança a ser expressar o projeto pedagógico da instituição em que se desenvolve,
necessariamente compartilhado com a família, adotado no artigo 29 englobando as experiências vivenciadas pela criança, o currículo se
daquela lei, dimensiona aquelas finalidades na consideração das formas constitui um instrumento político, cultural e científico coletivamente
como as crianças, nesse momento de suas vidas, vivenciam o mundo, formulado (MEC, 2009b).
constroem conhecimentos, expressam-se, interagem e manifestam desejos O currículo da Educação Infantil é concebido como um conjunto de
e curiosidades de modo bastante peculiares. práticas que buscam articular as experiências e os saberes das crianças
A função das instituições de Educação Infantil, a exemplo de todas as com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico,
instituições nacionais e principalmente, como o primeiro espaço de científico e tecnológico. Tais práticas são efetivadas por meio de relações
educação coletiva fora do contexto familiar, ainda se inscreve no projeto de sociais que as crianças desde bem pequenas estabelecem com os
sociedade democrática desenhado na Constituição Federal de 1988 (art. 3º, professores e as outras crianças, e afetam a construção de suas
inciso I), com responsabilidades no desempenho de um papel ativo na identidades.
construção de uma sociedade livre, justa, solidária e socioambientalmente Intencionalmente planejadas e permanentemente avaliadas, as
orientada. práticas que estruturam o cotidiano das instituições de Educação Infantil
A redução das desigualdades sociais e regionais e a promoção do devem considerar a integralidade e indivisibilidade das dimensões
bem de todos (art. 3º, incisos II e IV da Constituição Federal) são expressivo-motora, afetiva, cognitiva, linguística, ética, estética e
compromissos a serem perseguidos pelos sistemas de ensino e pelos sociocultural das crianças, apontar as experiências de aprendizagem que
professores também na Educação Infantil. É bastante conhecida no país a se espera promover junto às crianças e efetivar-se por meio de
desigualdade de acesso às creches e pré-escolas entre as crianças modalidades que assegurem as metas educacionais de seu projeto
brancas e negras, moradoras do meio urbano e rural, das regiões pedagógico.
sul/sudeste e norte/nordeste e, principalmente, ricas e pobres. Além das A gestão democrática da proposta curricular deve contar na sua
desigualdades de acesso, também as condições desiguais da qualidade da elaboração, acompanhamento e avaliação tendo em vista o Projeto Político-
educação oferecida às crianças configuram-se em violações de direitos Pedagógico da unidade educacional, com a participação coletiva de
constitucionais das mesmas e caracterizam esses espaços como professoras e professores, demais profissionais da instituição, famílias,
instrumentos que, ao invés de promover a equidade, alimentam e reforçam comunidade e das crianças, sempre que possível e à sua maneira.
as desigualdades socioeconômicas, étnico-raciais e regionais. Em 6. A visão de criança: o sujeito do processo de educação
decorrência disso, os objetivos fundamentais da República serão efetivados
no âmbito da Educação Infantil se as creches e pré-escolas cumprirem A criança, centro do planejamento curricular, é sujeito histórico e de
plenamente sua função sociopolítica e pedagógica. direitos que se desenvolve nas interações, relações e práticas cotidianas a
ela disponibilizadas e por ela estabelecidas com adultos e crianças de
Cumprir tal função significa, em primeiro lugar, que o Estado necessita diferentes idades nos grupos e contextos culturais nos quais se insere.
assumir sua responsabilidade na educação coletiva das crianças, Nessas condições ela faz amizades, brinca com água ou terra, faz-de-
complementando a ação das famílias. Em segundo lugar, creches e pré- conta, deseja, aprende, observa, conversa, experimenta, questiona,
escolas constituem-se em estratégia de promoção de igualdade de constrói sentidos sobre o mundo e suas identidades pessoal e coletiva,
oportunidades entre homens e mulheres, uma vez que permitem às produzindo cultura.
mulheres sua realização para além do contexto doméstico. Em terceiro
lugar, cumprir função sociopolítica e pedagógica das creches e pré-escolas O conhecimento científico hoje disponível autoriza a visão de que
implica assumir a responsabilidade de torná-las espaços privilegiados de desde o nascimento a criança busca atribuir significado a sua experiência e
convivência, de construção de identidades coletivas e de ampliação de nesse processo volta-se para conhecer o mundo material e social,
saberes e conhecimentos de diferentes naturezas, por meio de práticas que ampliando gradativamente o campo de sua curiosidade e inquietações,
atuam como recursos de promoção da equidade de oportunidades mediada pelas orientações, materiais, espaços e tempos que organizam as
educacionais entre as crianças de diferentes classes sociais no que se situações de aprendizagem e pelas explicações e significados a que ela
refere ao acesso a bens culturais e às possibilidades de vivência da tem acesso.
infância. Em quarto lugar, cumprir função sociopolítica e pedagógica requer O período de vida atendido pela Educação Infantil caracteriza-se por
oferecer as melhores condições e recursos construídos histórica e marcantes aquisições: a marcha, a fala, o controle esfincteriano, a
culturalmente para que as crianças usufruam de seus direitos civis, formação da imaginação e da capacidade de fazer de conta e de
humanos e sociais e possam se manifestar e ver essas manifestações representar usando diferentes linguagens. Embora nessas aquisições a
acolhidas, na condição de sujeito de direitos e de desejos. Significa, dimensão orgânica da criança se faça presente, suas capacidades para
finalmente, considerar as creches e pré-escolas na produção de novas discriminar cores, memorizar poemas, representar uma paisagem através
formas de sociabilidade e de subjetividades comprometidas com a de um desenho, consolar uma criança que chora etc., não são constituições
democracia e a cidadania, com a dignidade da pessoa humana, com o universais biologicamente determinadas e esperando o momento de
reconhecimento da necessidade de defesa do meio ambiente e com o amadurecer. Elas são histórica e culturalmente produzidas nas relações
rompimento de relações de dominação etária, socioeconômica, étnico- que estabelecem com o mundo material e social mediadas por parceiros
racial, de gênero, regional, linguística e religiosa que ainda marcam nossa mais experientes.
sociedade. Assim, a motricidade, a linguagem, o pensamento, a afetividade e a
5. Uma definição de currículo sociabilidade são aspectos integrados e se desenvolvem a partir das
O currículo na Educação Infantil tem sido um campo de controvérsias interações que, desde o nascimento, a criança estabelece com diferentes
e de diferentes visões de criança, de família, e de funções da creche e da parceiros, a depender da maneira como sua capacidade para construir
pré-escola. No Brasil nem sempre foi aceita a ideia de haver um currículo conhecimento é possibilitada e trabalhada nas situações em que ela
para a Educação Infantil, termo em geral associado à escolarização tal participa. Isso por que, na realização de tarefas diversas, na companhia de
como vivida no Ensino Fundamental e Médio, sendo preferidas as adultos e de outras crianças, no confronto dos gestos, das falas, enfim, das
expressões ‘projeto pedagógico’ ou ‘proposta pedagógica’. A integração da ações desses parceiros, cada criança modifica sua forma de agir, sentir e
Educação Infantil ao sistema educacional impõe à Educação Infantil pensar.
trabalhar com esses conceitos, diferenciando-os e articulando-os.

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Cada criança apresenta um ritmo e uma forma própria de colocar-se A Educação Infantil deve trilhar o caminho de educar para a cidadania,
nos relacionamentos e nas interações, de manifestar emoções e analisando se suas práticas educativas de fato promovem a formação
curiosidade, e elabora um modo próprio de agir nas diversas situações que participativa e crítica das crianças e criam contextos que lhes permitem a
vivencia desde o nascimento conforme experimenta sensações de expressão de sentimentos, ideias, questionamentos, comprometidos com a
desconforto ou de incerteza diante de aspectos novos que lhe geram busca do bem estar coletivo e individual, com a preocupação com o outro e
necessidades e desejos, e lhe exigem novas respostas. Assim busca com a coletividade.
compreender o mundo e a si mesma, testando de alguma forma as Como parte da formação para a cidadania e diante da concepção da
significações que constrói, modificando-as continuamente em cada Educação Infantil como um direito, é necessário garantir uma experiência
interação, seja com outro ser humano, seja com objetos. bem sucedida de aprendizagem a todas as crianças, sem discriminação.
Uma atividade muito importante para a criança pequena é a Isso requer proporcionar oportunidades para o alcance de conhecimentos
brincadeira. Brincar dá à criança oportunidade para imitar o conhecido e básicos que são considerados aquisições valiosas para elas.
para construir o novo, conforme ela reconstrói o cenário necessário para A educação para a cidadania se volta para ajudar a criança a tomar a
que sua fantasia se aproxime ou se distancie da realidade vivida, perspectiva do outro -da mãe, do pai, do professor, de outra criança, e
assumindo personagens e transformando objetos pelo uso que deles faz. também de quem vai mudar-se para longe, de quem tem o pai doente. O
Na história cotidiana das interações com diferentes parceiros, vão importante é que se criem condições para que a criança aprenda a opinar e
sendo construídas significações compartilhadas, a partir das quais a criança a considerar os sentimentos e a opinião dos outros sobre um
aprende como agir ou resistir aos valores e normas da cultura de seu acontecimento, uma reação afetiva, uma ideia, um conflito.
ambiente. Nesse processo é preciso considerar que as crianças aprendem c) Princípios estéticos: valorização da sensibilidade, da criatividade, da
coisas que lhes são muito significativas quando interagem com ludicidade e da diversidade de manifestações artísticas e culturais.
companheiros da infância, e que são diversas das coisas que elas se
apropriam no contato com os adultos ou com crianças já mais velhas. Além O trabalho pedagógico na unidade de Educação Infantil, em um
disso, à medida que o grupo de crianças interage, são construídas as mundo em que a reprodução em massa sufoca o olhar das pessoas e
culturas infantis. apaga singularidades, deve voltar-se para uma sensibilidade que valoriza o
ato criador e a construção pelas crianças de respostas singulares,
Também as professoras e os professores têm, na experiência conjunta garantindo-lhes a participação em diversificadas experiências.
com as crianças, excelente oportunidade de se desenvolverem como
pessoa e como profissional. Atividades realizadas pela professora ou As instituições de Educação Infantil precisam organizar um cotidiano
professor de brincar com a criança, contar-lhe histórias, ou conversar com de situações agradáveis, estimulantes, que desafiem o que cada criança e
ela sobre uma infinidade de temas, tanto promovem o desenvolvimento da seu grupo de crianças já sabem sem ameaçar sua autoestima nem
capacidade infantil de conhecer o mundo e a si mesmo, de sua promover competitividade, ampliando as possibilidades infantis de cuidar e
autoconfiança e a formação de motivos e interesses pessoais, quanto ser cuidada, de se expressar, comunicar e criar, de organizar pensamentos
ampliam as possibilidades da professora ou professor de compreender e e ideias, de conviver, brincar e trabalhar em grupo, de ter iniciativa e buscar
responder às iniciativas infantis. soluções para os problemas e conflitos que se apresentam às mais
diferentes idades, e lhes possibilitem apropriar-se de diferentes linguagens
7. Princípios básicos e saberes que circulam em nossa sociedade, selecionados pelo valor
Os princípios fundamentais nas Diretrizes anteriormente estabelecidas formativo que possuem em relação aos objetivos definidos em seu Projeto
(Resolução CNE/CEB nº 1/99 e Parecer CNE/CEB nº 22/98) continuam Político-Pedagógico.
atuais e estarão presentes nestas diretrizes com a explicitação de alguns 8. Objetivos e condições para a organização curricular
pontos que mais recentemente têm se destacado nas discussões da área.
São eles: Os direitos da criança constituem hoje o paradigma para o
relacionamento social e político com as infâncias do país. A Constituição de
a) Princípios éticos: valorização da autonomia, da responsabilidade, 1988, no artigo 227, declara que “É dever da família, da sociedade e do
da solidariedade e do respeito ao bem comum, ao meio ambiente e às Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o
diferentes culturas, identidades e singularidades. direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à
Cabe às instituições de Educação Infantil assegurar às crianças a profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à
manifestação de seus interesses, desejos e curiosidades ao participar das convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma
práticas educativas, valorizar suas produções, individuais e coletivas, e de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.
trabalhar pela conquista por elas da autonomia para a escolha de Nessa expressão legal, as crianças são inseridas no mundo dos
brincadeiras e de atividades e para a realização de cuidados pessoais direitos humanos e são definidos não apenas o direito fundamental da
diários. Tais instituições devem proporcionar às crianças oportunidades criança à provisão (saúde, alimentação, lazer, educação lato senso) e à
para ampliarem as possibilidades de aprendizado e de compreensão de proteção (contra a violência, discriminação, negligência e outros), como
mundo e de si próprio trazidas por diferentes tradições culturais e a também seus direitos fundamentais de participação na vida social e cultural,
construir atitudes de respeito e solidariedade, fortalecendo a autoestima e de ser respeitada e de ter liberdade para expressar-se individualmente.
os vínculos afetivos de todas as crianças. Esses pontos trouxeram perspectivas orientadoras para o trabalho na
Desde muito pequenas, as crianças devem ser mediadas na Educação Infantil e inspiraram inclusive a finalidade dada no artigo 29 da
construção de uma visão de mundo e de conhecimento como elementos Lei nº 9.394/96 às creches e pré-escolas.
plurais, formar atitudes de solidariedade e aprender a identificar e combater Com base nesse paradigma, a proposta pedagógica das instituições
preconceitos que incidem sobre as diferentes formas dos seres humanos se de Educação Infantil deve ter como objetivo principal promover o
constituírem enquanto pessoas. Poderão assim questionar e romper com desenvolvimento integral das crianças de zero a cinco anos de idade
formas de dominação etária, socioeconômica, étnico-racial, de gênero, garantindo a cada uma delas o acesso a processos de construção de
regional, linguística e religiosa, existentes em nossa sociedade e recriadas conhecimentos e a aprendizagem de diferentes linguagens, assim como o
na relação dos adultos com as crianças e entre elas. Com isso elas podem direito à proteção, à saúde, à liberdade, ao respeito, à dignidade, à
e devem aprender sobre o valor de cada pessoa e dos diferentes grupos brincadeira, à convivência e interação com outras crianças. Daí decorrem
culturais, adquirir valores como os da inviolabilidade da vida humana, a algumas condições para a organização curricular.
liberdade e a integridade individuais, a igualdade de direitos de todas as
pessoas, a igualdade entre homens e mulheres, assim como a 1) As instituições de Educação Infantil devem assegurar a educação
solidariedade com grupos enfraquecidos e vulneráveis política e em sua integralidade, entendendo o cuidado como algo indissociável ao
economicamente. Essa valorização também se estende à relação com a processo educativo.
natureza e os espaços públicos, o respeito a todas as formas de vida, o As práticas pedagógicas devem ocorrer de modo a não fragmentar a
cuidado de seres vivos e a preservação dos recursos naturais. criança nas suas possibilidades de viver experiências, na sua compreensão
b) Princípios políticos: dos direitos de cidadania, do exercício da do mundo feita pela totalidade de seus sentidos, no conhecimento que
criticidade e do respeito à ordem democrática. constrói na relação intrínseca entre razão e emoção, expressão corporal e
verbal, experimentação prática e elaboração conceitual. As práticas

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envolvidas nos atos de alimentar-se, tomar banho, trocar fraldas e controlar reconhecendo, valorizando, respeitando e possibilitando o contato das
os esfíncteres, na escolha do que vestir, na atenção aos riscos de crianças com as histórias e as culturas desses povos.
adoecimento mais fácil nessa faixa etária, no âmbito da Educação Infantil, O olhar acolhedor de diversidades também se refere às crianças com
não são apenas práticas que respeitam o direito da criança de ser bem deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas
atendida nesses aspectos, como cumprimento do respeito à sua dignidade habilidades/superdotação. Também o direito dessas crianças à liberdade e
como pessoa humana. Elas são também práticas que respeitam e atendem à participação, tal como para as demais crianças, deve ser acolhido no
ao direito da criança de apropriar-se, por meio de experiências corporais, planejamento das situações de vivência e aprendizagem na Educação
dos modos estabelecidos culturalmente de alimentação e promoção de Infantil. Para garanti-lo, são necessárias medidas que otimizem suas
saúde, de relação com o próprio corpo e consigo mesma, mediada pelas vivências na creche e pré-escola, garantindo que esses espaços sejam
professoras e professores, que intencionalmente planejam e cuidam da estruturados de modo a permitir sua condição de sujeitos ativos e a ampliar
organização dessas práticas. suas possibilidades de ação nas brincadeiras e nas interações com as
A dimensão do cuidado, no seu caráter ético, é assim orientada pela outras crianças, momentos em que exercitam sua capacidade de intervir na
perspectiva de promoção da qualidade e sustentabilidade da vida e pelo realidade e participam das atividades curriculares com os colegas. Isso
princípio do direito e da proteção integral da criança. O cuidado, inclui garantir no cotidiano da instituição a acessibilidade de espaços,
compreendido na sua dimensão necessariamente humana de lidar com materiais, objetos e brinquedos, procedimentos e formas de comunicação e
questões de intimidade e afetividade, é característica não apenas da orientação vividas, especificidades e singularidades das crianças com
Educação Infantil, mas de todos os níveis de ensino. Na Educação Infantil, deficiências, transtornos globais de desenvolvimento e altas
todavia, a especificidade da criança bem pequena, que necessita do habilidades/superdotação.
professor até adquirir autonomia para cuidar de si, expõe de forma mais 3) As instituições necessariamente precisam conhecer as culturas
evidente a relação indissociável do educar e cuidar nesse contexto. A plurais que constituem o espaço da creche e da pré-escola, a riqueza das
definição e o aperfeiçoamento dos modos como a instituição organiza contribuições familiares e da comunidade, suas crenças e manifestações, e
essas atividades são parte integrante de sua proposta curricular e devem fortalecer formas de atendimento articuladas aos saberes e às
ser realizadas sem fragmentar ações. especificidades étnicas, linguísticas, culturais e religiosas de cada
Um bom planejamento das atividades educativas favorece a formação comunidade.
de competências para a criança aprender a cuidar de si. No entanto, na O reconhecimento da constituição plural das crianças brasileiras, no
perspectiva que integra o cuidado, educar não é apenas isto. Educar que se refere à identidade cultural e regional e à filiação socioeconômica,
cuidando inclui acolher, garantir a segurança, mas também alimentar a étnico-racial, de gênero, regional, linguística e religiosa, é central à garantia
curiosidade, a ludicidade e a expressividade infantis. de uma Educação Infantil comprometida com os direitos das crianças. Esse
Educar de modo indissociado do cuidar é dar condições para as fundamento reforça a gestão democrática como elemento imprescindível,
crianças explorarem o ambiente de diferentes maneiras (manipulando uma vez que é por meio dela que a instituição também se abre à
materiais da natureza ou objetos, observando, nomeando objetos, pessoas comunidade, permite sua entrada, e possibilita sua participação na
ou situações, fazendo perguntas etc) e construírem sentidos pessoais e elaboração e acompanhamento da proposta curricular. Dessa forma, a
significados coletivos, à medida que vão se constituindo como sujeitos e se organização da proposta pedagógica deve prever o estabelecimento de
apropriando de um modo singular das formas culturais de agir, sentir e uma relação positiva com a comunidade local e de mecanismos que
pensar. Isso requer do professor ter sensibilidade e delicadeza no trato de garantam a gestão democrática e a consideração dos saberes
cada criança, e assegurar atenção especial conforme as necessidades que comunitários, seja ela composta pelas populações que vivem nos centros
identifica nas crianças. urbanos, ou a população do campo, os povos da floresta e dos rios, os
As práticas que desafiam os bebês e as crianças maiores a indígenas, quilombolas ou afrodescendentes.
construírem e se apropriarem dos conhecimentos produzidos por seu grupo Na discussão sobre as diversidades, há que se considerar que
cultural e pela humanidade, na Educação Infantil, pelas características também a origem urbana das creches e pré-escolas e a sua extensão como
desse momento de vida, são articuladas ao entorno e ao cotidiano das direito a todas as crianças brasileiras remetem à necessidade de que as
crianças, ampliam suas possibilidades de ação no mundo e delineiam propostas pedagógicas das instituições em territórios não-urbanos
possibilidades delas viverem a infância. respeitem suas identidades.
2) O combate ao racismo e às discriminações de gênero, sócio- Essa exigência é explicitada no caso de crianças filhas de agricultores
econômicas, étnico-raciais e religiosas deve ser objeto de constante familiares, extrativistas, pescadores artesanais, ribeirinhos, assentados e
reflexão e intervenção no cotidiano da Educação Infantil. acampados da reforma agrária, quilombolas, caiçaras, nas Diretrizes
As ações educativas e práticas cotidianas devem considerar que os Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo (Resolução
modos como a cultura medeia as formas de relação da criança consigo CNE/CEB nº 1/2002). Essas Diretrizes orientam o trabalho pedagógico no
mesma são constitutivos dos seus processos de construção de identidade. estabelecimento de uma relação orgânica com a cultura, as tradições, os
A perspectiva que acentua o atendimento aos direitos fundamentais da saberes e as identidades dessas populações, e indicam a adoção de
criança, compreendidos na sua multiplicidade e integralidade, entende que estratégias que garantam o atendimento às especificidades dessas
o direito de ter acesso a processos de construção de conhecimento como comunidades -tais como a flexibilização e adequação no calendário, nos
requisito para formação humana, participação social e cidadania das agrupamentos etários e na organização de tempos, atividades e ambientes
crianças de zero a cinco anos de idade, efetua-se na interrelação das -em respeito às diferenças quanto à atividade econômica e à política de
diferentes práticas cotidianas que ocorrem no interior das creches e pré- igualdade e sem prejuízo da qualidade do atendimento. Elas apontam para
escolas e em relação a crianças concretas, contemplando as a previsão da oferta de materiais didáticos, brinquedos e outros
especificidades desse processo nas diferentes idades e em relação à equipamentos em conformidade com a realidade da comunidade e as
diversidade cultural e étnico-racial e às crianças com deficiências, diversidades dos povos do campo, evidenciando o papel dessas
transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. populações na produção do conhecimento sobre o mundo. A Resolução
CNE/CEB nº 2/2008, que estabelece Diretrizes complementares, normas e
A valorização da diversidade das culturas das diferentes crianças e de princípios para o desenvolvimento de políticas públicas de atendimento da
suas famílias, por meio de brinquedos, imagens e narrativas que promovam Educação Básica do Campo e regulamenta questões importantes para a
a construção por elas de uma relação positiva com seus grupos de Educação Infantil, proíbe que se agrupe em uma mesma turma crianças da
pertencimento, deve orientar as práticas criadas na Educação Infantil Educação Infantil e crianças do Ensino Fundamental.
ampliando o olhar das crianças desde cedo para a contribuição de
diferentes povos e culturas. Na formação de pequenos cidadãos A situação de desvantagem das crianças moradoras dos territórios
compromissada com uma visão plural de mundo, é necessário criar rurais em relação ao acesso à educação é conhecida por meio dos
condições para o estabelecimento de uma relação positiva e uma relatórios governamentais e por trabalhos acadêmicos. Não bastasse a
apropriação das contribuições histórico-culturais dos povos indígenas, baixíssima cobertura do atendimento, esses relatórios apontam que são
afrodescendentes, asiáticos, europeus e de outros países da América, precárias as instalações, são inadequados os materiais e os professores
geralmente não possuem formação para o trabalho com essas populações,

Conhecimentos Didáticos e Pedagógicos 43 A Opção Certa Para a Sua Realização


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o que caracteriza uma flagrante ineficácia no cumprimento da política de Programas de formação continuada dos professores e demais
igualdade em relação ao acesso e permanência na Educação Infantil e uma profissionais também integram a lista de requisitos básicos para uma
violação do direito à educação dessas crianças. Uma política que promova Educação Infantil de qualidade. Tais programas são um direito das
com qualidade a Educação Infantil nos próprios territórios rurais instiga a professoras e professores no sentido de aprimorar sua prática e
construção de uma pedagogia dos povos do campo – construída na relação desenvolver a si e a sua identidade profissional no exercício de seu
intrínseca com os saberes, as realidades e temporalidades das crianças e trabalho. Eles devem dar-lhes condições para refletir sobre sua prática
de suas comunidades – e requer a necessária formação do professor nessa docente cotidiana em termos pedagógicos, éticos e políticos, e tomar
pedagogia. decisões sobre as melhores formas de mediar a aprendizagem e o
Em relação às crianças indígenas, há que se garantir a autonomia dos desenvolvimento infantil, considerando o coletivo de crianças assim como
povos e nações na escolha dos modos de educação de suas crianças de suas singularidades.
zero a cinco anos de idade e que as propostas pedagógicas para esses 8. A necessária e fundamental parceria com as famílias na Educação
povos que optarem pela Educação Infantil possam afirmar sua identidade Infantil
sociocultural. Quando oferecidas, aceitas e requisitadas pelas A perspectiva do atendimento aos direitos da criança na sua
comunidades, como direito das crianças indígenas, as propostas integralidade requer que as instituições de Educação Infantil, na
curriculares na Educação Infantil dessas crianças devem proporcionar uma organização de sua proposta pedagógica e curricular, assegurem espaços
relação viva com os conhecimentos, crenças, valores, concepções de e tempos para participação, o diálogo e a escuta cotidiana das famílias, o
mundo e as memórias de seu povo; reafirmar a identidade étnica e a língua respeito e a valorização das diferentes formas em que elas se organizam.
materna como elementos de constituição das crianças; dar continuidade à
educação tradicional oferecida na família e articular-se às práticas A família constitui o primeiro contexto de educação e cuidado do bebê.
socioculturais de educação e cuidado da comunidade; adequar calendário, Nela ele recebe os cuidados materiais, afetivos e cognitivos necessários a
agrupamentos etários e organização de tempos, atividades e ambientes de seu bem-estar, e constrói suas primeiras formas de significar o mundo.
modo a atender as demandas de cada povo indígena. Quando a criança passa a frequentar a Educação Infantil, é preciso refletir
sobre a especificidade de cada contexto no desenvolvimento da criança e a
4) A execução da proposta curricular requer atenção cuidadosa e forma de integrar as ações e projetos educacionais das famílias e das
exigente às possíveis formas de violação da dignidade da criança. instituições. Essa integração com a família necessita ser mantida e
O respeito à dignidade da criança como pessoa humana, quando desenvolvida ao longo da permanência da criança na creche e pré-escola,
pensado a partir das práticas cotidianas na instituição, tal como apontado exigência inescapável frente às características das crianças de zero a cinco
nos “Indicadores de Qualidade na Educação Infantil” elaborados pelo MEC, anos de idade, o que cria a necessidade de diálogo para que as práticas
requer que a instituição garanta a proteção da criança contra qualquer junto às crianças não se fragmentem.
forma de violência – física ou simbólica – ou negligência, tanto no interior O trabalho com as famílias requer que as equipes de educadores as
das instituições de Educação Infantil como na experiência familiar da compreendam como parceiras, reconhecendo-as como criadoras de
criança, devendo as violações ser encaminhadas às instâncias diferentes ambientes e papéis para seus membros, que estão em constante
competentes. Os profissionais da educação que aí trabalham devem processo de modificação de seus saberes, fazeres e valores em relação a
combater e intervir imediatamente quando ocorrem práticas dos adultos que uma série de pontos, dentre eles o cuidado e a educação dos filhos. O
desrespeitem a integridade das crianças, de modo a criar uma cultura em importante é acolher as diferentes formas de organização familiar e
que essas práticas sejam inadmissíveis. respeitar as opiniões e aspirações dos pais sobre seus filhos. Nessa
5) O atendimento ao direito da criança na sua integralidade requer o perspectiva, as professoras e professores compreendem que, embora
cumprimento do dever do Estado com a garantia de uma experiência compartilhem a educação das crianças com os membros da família,
educativa com qualidade a todas as crianças na Educação Infantil. exercem funções diferentes destes. Cada família pode ver na professora ou
As instituições de Educação Infantil devem tanto oferecer espaço professor alguém que lhe ajuda a pensar sobre seu próprio filho e trocar
limpo, seguro e voltado para garantir a saúde infantil quanto se organizar opiniões sobre como a experiência na unidade de Educação Infantil se liga
como ambientes acolhedores, desafiadores e inclusivos, plenos de a este plano. Ao mesmo tempo, o trabalho pedagógico desenvolvido na
interações, explorações e descobertas partilhadas com outras crianças e Educação Infantil pode apreender os aspectos mais salientes das culturas
com o professor. Elas ainda devem criar contextos que articulem diferentes familiares locais para enriquecer as experiências cotidianas das crianças.
linguagens e que permitam a participação, expressão, criação, Um ponto inicial de trabalho integrado da instituição de Educação
manifestação e consideração de seus interesses. Infantil com as famílias pode ocorrer no período de adaptação e
No cumprimento dessa exigência, o planejamento curricular deve acolhimento dos novatos. Isso se fará de modo mais produtivo se, nesse
assegurar condições para a organização do tempo cotidiano das período, as professoras e professores derem oportunidade para os pais
instituições de Educação Infantil de modo a equilibrar continuidade e falarem sobre seus filhos e as expectativas que têm em relação ao
inovação nas atividades, movimentação e concentração das crianças, atendimento na Educação Infantil, enquanto eles informam e conversam
momentos de segurança e momentos de desafio na participação das com os pais os objetivos propostos pelo Projeto Político-Pedagógico da
mesmas, e articular seus ritmos individuais, vivências pessoais e instituição e os meios organizados para atingi-los.
experiências coletivas com crianças e adultos. Também é preciso haver a Outros pontos fundamentais do trabalho com as famílias são
estruturação de espaços que facilitem que as crianças interajam e propiciados pela participação destas na gestão da proposta pedagógica e
construam sua cultura de pares, e favoreçam o contato com a diversidade pelo acompanhamento partilhado do desenvolvimento da criança. A
de produtos culturais (livros de literatura, brinquedos, objetos e outros participação dos pais junto com os professores e demais profissionais da
materiais), de manifestações artísticas e com elementos da natureza. Junto educação nos conselhos escolares, no acompanhamento de projetos
com isso, há necessidade de uma infraestrutura e de formas de didáticos e nas atividades promovidas pela instituição possibilita agregar
funcionamento da instituição que garantam ao espaço físico a adequada experiências e saberes e articular os dois contextos de desenvolvimento da
conservação, acessibilidade, estética, ventilação, insolação, luminosidade, criança. Nesse processo, os pais devem ser ouvidos tanto como usuários
acústica, higiene, segurança e dimensões em relação ao tamanho dos diretos do serviço prestado como também como mais uma voz das
grupos e ao tipo de atividades realizadas. crianças, em particular daquelas muito pequenas.
O número de crianças por professor deve possibilitar atenção, Preocupações dos professores sobre a forma como algumas crianças
responsabilidade e interação com as crianças e suas famílias. Levando em parecem ser tratadas em casa – descuido, violência, discriminação,
consideração as características do espaço físico e das crianças, no caso de superproteção e outras – devem ser discutidas com a direção de cada
agrupamentos com criança de mesma faixa de idade, recomenda-se a instituição para que formas produtivas de esclarecimento e eventuais
proporção de 6 a 8 crianças por professor (no caso de crianças de zero e encaminhamentos possam ser pensados.
um ano), 15 crianças por professor (no caso de criança de dois e três anos) 9. A organização das experiências de aprendizagem na proposta
e 20 crianças por professor (nos agrupamentos de crianças de quatro e curricular
cinco anos).

Conhecimentos Didáticos e Pedagógicos 44 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Em função dos princípios apresentados, e na tarefa de garantir às expressivas de seus movimentos ao mesmo tempo em que brinca com as
crianças seu direito de viver a infância e se desenvolver, as experiências no palavras e imita certos personagens. Quando se volta para construir
espaço de Educação Infantil devem possibilitar o encontro pela criança de conhecimentos sobre diferentes aspectos do seu entorno, a criança elabora
explicações sobre o que ocorre à sua volta e consigo mesma enquanto suas capacidades linguísticas e cognitivas envolvidas na explicação,
desenvolvem formas de agir, sentir e pensar. argumentação e outras, ao mesmo tempo em que amplia seus
O importante é apoiar as crianças, desde cedo e ao longo de todas as conhecimentos sobre o mundo e registra suas descobertas pelo desenho
suas experiências cotidianas na Educação Infantil no estabelecimento de ou mesmo por formas bem iniciais de registro escrito. Por esse motivo, ao
uma relação positiva com a instituição educacional, no fortalecimento de planejar o trabalho, é importante não tomar as linguagens de modo isolado
sua autoestima, no interesse e curiosidade pelo conhecimento do mundo, ou disciplinar, mas sim contextualizadas, a serviço de significativas
na familiaridade com diferentes linguagens, na aceitação e acolhimento das aprendizagens.
diferenças entre as pessoas. As crianças precisam brincar em pátios, quintais, praças, bosques,
Na explicitação do ambiente de aprendizagem, é necessário pensar jardins, praias, e viver experiências de semear, plantar e colher os frutos da
“um currículo sustentado nas relações, nas interações e em práticas terra, permitindo a construção de uma relação de identidade, reverência e
educativas intencionalmente voltadas para as experiências concretas da respeito para com a natureza. Elas necessitam também ter acesso a
vida cotidiana, para a aprendizagem da cultura, pelo convívio no espaço da espaços culturais diversificados: inserção em práticas culturais da
vida coletiva e para a produção de narrativas, individuais e coletivas, comunidade, participação em apresentações musicais, teatrais, fotográficas
através de diferentes linguagens” (MEC, 2009a). e plásticas, visitas a bibliotecas, brinquedotecas, museus, monumentos,
equipamentos públicos, parques, jardins.
A professora e o professor necessitam articular condições de
organização dos espaços, tempos, materiais e das interações nas É importante lembrar que dentre os bens culturais que crianças têm o
atividades para que as crianças possam expressar sua imaginação nos direito a ter acesso está a linguagem verbal, que inclui a linguagem oral e a
gestos, no corpo, na oralidade e/ou na língua de sinais, no faz de conta, no escrita, instrumentos básicos de expressão de ideias, sentimentos e
desenho e em suas primeiras tentativas de escrita. imaginação. A aquisição da linguagem oral depende das possibilidades das
crianças observarem e participarem cotidianamente de situações
A criança deve ter possibilidade de fazer deslocamentos e movimentos comunicativas diversas onde podem comunicar-se, conversar, ouvir
amplos nos espaços internos e externos às salas de referência das turmas histórias, narrar, contar um fato, brincar com palavras, refletir e expressar
e à instituição, envolver-se em explorações e brincadeiras com objetos e seus próprios pontos de vista, diferenciar conceitos, ver interconexões e
materiais diversificados que contemplem as particularidades das diferentes descobrir novos caminhos de entender o mundo. É um processo que
idades, as condições específicas das crianças com deficiência, transtornos precisa ser planejado e continuamente trabalhado.
globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, e as
diversidades sociais, culturais, étnico-raciais e linguísticas das crianças, Também a linguagem escrita é objeto de interesse pelas crianças.
famílias e comunidade regional. Vivendo em um mundo onde a língua escrita está cada vez mais presente,
as crianças começam a se interessar pela escrita muito antes que os
De modo a proporcionar às crianças diferentes experiências de professores a apresentem formalmente. Contudo, há que se apontar que
interações que lhes possibilitem construir saberes, fazer amigos, aprender a essa temática não está sendo muitas vezes adequadamente compreendida
cuidar de si e a conhecer suas próprias preferências e características, e trabalhada na Educação Infantil. O que se pode dizer é que o trabalho
deve-se possibilitar que elas participem de diversas formas de agrupamento com a língua escrita com crianças pequenas não pode decididamente ser
(grupos de mesma idade e grupos de diferentes idades), formados com uma prática mecânica desprovida de sentido e centrada na decodificação
base em critérios estritamente pedagógicos. do escrito. Sua apropriação pela criança se faz no reconhecimento,
As especificidades e os interesses singulares e coletivos dos bebês e compreensão e fruição da linguagem que se usa para escrever, mediada
das crianças das demais faixas etárias devem ser considerados no pela professora e pelo professor, fazendo-se presente em atividades
planejamento do currículo, vendo a criança em cada momento como uma prazerosas de contato com diferentes gêneros escritos, como a leitura
pessoa inteira na qual os aspectos motores, afetivos, cognitivos e diária de livros pelo professor, a possibilidade da criança desde cedo
linguísticos integram-se, embora em permanente mudança. Em relação a manusear livros e revistas e produzir narrativas e “textos”, mesmo sem
qualquer experiência de aprendizagem que seja trabalhada pelas crianças, saber ler e escrever.
devem ser abolidos os procedi mentos que não reconhecem a atividade Atividades que desenvolvam expressão motora e modos de perceber
criadora e o protagonismo da criança pequena, que promovam atividades seu próprio corpo, assim como as que lhe possibilitem construir, criar e
mecânicas e não significativas para as crianças. desenhar usando diferentes materiais e técnicas, ampliar a sensibilidade da
Cabe à professora e ao professor criar oportunidade para que a criança à música, à dança, à linguagem teatral, abrem ricas possibilidades
criança, no processo de elaborar sentidos pessoais, se aproprie de de vivências e desenvolvimento para as crianças.
elementos significativos de sua cultura não como verdades absolutas, mas Experiências que promovam o envolvimento da criança com o meio
como elaborações dinâmicas e provisórias. Trabalha-se com os saberes da ambiente e a conservação da natureza e a ajudem elaborar conhecimentos,
prática que as crianças vão construindo ao mesmo tempo em que se por exemplo, de plantas e animais, devem fazer parte do cotidiano da
garante a apropriação ou construção por elas de novos conhecimentos. unidade de Educação Infantil. Outras experiências podem priorizar, em
Para tanto, a professora e o professor observam as ações infantis, contextos e situações significativos, a exploração e uso de conhecimentos
individuais e coletivas, acolhe suas perguntas e suas respostas, busca matemáticos na apreciação das características básicas do conceito de
compreender o significado de sua conduta. número, medida e forma, assim como a habilidade de se orientar no tempo
As propostas curriculares da Educação Infantil devem garantir que as e no espaço.
crianças tenham experiências variadas com as diversas linguagens, Ter oportunidade para manusear