Você está na página 1de 7

Universidade Federal de Uberlândia

Disciplina: Tecnologia de Produtos Agropecuários


Orientador: Larissa Mayhara Soares Santana Falleiros

DETERMINAÇÃO DO TEOR DE
AÇÚCAR (REFRATÔMETRO) DE
MATÉRIA-PRIMA AÇUCARADA
PRÁTICA 6-P3
Alunos: Ana Paula Soares
Caroline Afonso Marçal
Giovana Matos Franco
Henrique Francisco
Jéssica Borges Zuchetti
Myllena Fernandes Garcia
Natália Martins
Nicolas Gomes
Lírian França Oliveira
Nicolas Garcia

UBERLÂNDIA/NOVEMBRO/2017-2
1. Introdução

A refração da luz é um fenômeno óptico que ocorre quando a luz sofre mudança do
meio de propagação, ou seja, do meio de incidência para o meio de refração, onde há variação
de velocidade da propagação. Nesse caso, a velocidade da luz no ar é diferente da velocidade
da luz da água, de modo que quando passa de um meio para o outro, seja um copo de vidro com
água, ocorre a refração, ou o desvio do feixe de luz.

Nesse processo, ocorrerá a diminuição da velocidade da luz e do comprimento da onda,


entretanto a frequência (constante de proporcionalidade) não será alterada. Por isso, quando
colocamos um objeto num copo com água, ou quando observamos uma piscina estando fora
dela, temos a ilusão de que o objeto está quebrado, no caso do copo, e a piscina possuir menor
profundidade.

No fenômeno da refração, ocorre a alteração da velocidade de propagação da luz por


meio de um desvio da direção original, ou seja, a luz sofre um desvio angular em relação à reta
normal, de modo que passa de um meio transparente para outro transparente diferente.

Assim, se a incidência da luz no meio for normal, ou seja, apresenta o ângulo de


incidência igual a zero, a luz não sofrerá desvio e, portanto, seu ângulo refratado será nulo. Por
outro lado, quando a incidência da luz provoca um desvio oblíquo, o raio luminoso se
aproximará mais da reta normal, levando ao desvio na trajetória luminosa, ou seja, o
fenômeno da refração.

O fenômeno da refração é regido por duas leis básicas:


1. Primeira Lei da Refração: regida pelo enunciado “O raio incidente, o raio refratado e a
normal, no ponto de incidência, estão contidos num mesmo plano”, ou seja, são
coplanares. Em outros termos, o plano de incidência e o plano da luz refratada
coincidem.

2. Segunda Lei da Refração: A Lei de Snell-Descartes é aquela em que calcula-se o valor


do desvio sofrido pela refração da luz. Postula que “Os senos dos ângulos de incidência
e refracção são diretamente proporcionais às velocidades da onda nos respectivos
meios”, representado pela expressão: na.senθa = nb.senθb.

O índice de refração determina a relação existente entre a velocidade da luz no


vácuo e a velocidade no meio. Quanto maior a frequência da luz, maior será o índice de
refração; são classificados em: absoluto e relativo.

Representado pela letra n, o índice de refração absoluto corresponde a razão


entre a velocidade da luz no vácuo (c) e a velocidade da luz no meio considerado (v), na
medida que, quanto maior for o índice de refração de um meio, menor será a velocidade
de propagação da luz nesse meio. O índice de refração absoluto sempre tem um valor
maior ou igual a 1 (n ≥ 1), sendo calculado pela seguinte expressão:
Onde: n: índice de refração (adimensional, não há unidade de medida)

c: velocidade da luz no vácuo (c = 3.108 m/s)


v: velocidade da luz no meio (m/s)

Onde: n: índice de refração (adimensional, não há unidade de medida)

v: velocidade da luz no meio (m/s)

O índice de refração para um dado sistema de dois meios varia com a temperatura e
com o comprimento de onda da luz. A figura pretende ilustrar, de uma forma esquemática, o
fenômeno da refração da luz passando de um meio 1 para um meio 2.

Já o Brix (símbolo °Bx) é uma escala numérica, criada por Adolf F. Brix (1798 -
1870), sendo derivada originalmente da escala de Balling, recalculando a temperatura
de referência de 15,5°C. O valor é a determinação quantitativa da presença de sólidos
solúveis e possíveis carboidratos presentes (frutose, lactose e sacarose) em uma
amostra, por exemplo, de derivado lácteo.

2. Objetivos

Determinar o teor de açúcar de soluções açucaradas de origem industrial e


comercial.

3. Parte experimental

MATERIAIS:

 Amostras de fermentação alcoólica, bebidas comerciais;


 Refratômetro de bancada do tipo ABBE;
 Sacarose (ou glicose);
 Vidraria diversa.

PROCEDIMENTOS:

As soluções de sacarose foram preparadas e calibradas, para um volume total de 10


mL. Os resultados da calibração estão descritos na tabela a seguir:

Solução 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12

Sacarose 0 15 30 45 60 75 90 100 218 320 436 544


(g/L)

N20D 1,3320 1,3355 1,3370 1,3395 1,3415 1,3440 1,3455 1,3465 1,3645 1,3785 1,3945 1,4085

Figura 1: aparelho utilizado na leitura (refratômetro).

Com as mesmas substâncias e vidrarias, foram feitos através do refratômetro as


leituras, e consequentemente, obtenção dos seguintes dados:

Leitura 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
Brix 0 2 3,1 3,5 6,4 4,6 9,2 10,2 20,1 29,7 38,5 46,2
Refração 1,333 1,336 1,338 1,343 1,339 1,346 1,348 1,364 1,412 1,349 1,340 1,357
Figura 2: análise no refratômetro das soluções
disponíveis.

A partir disso, as mesmas análises foram feitas com bebidas industriais, com o objetivo de avaliar
o teor de sacarose em cada uma delas. As substâncias eram guaraná mineiro, suco de caju, e
achocolatado, onde foram obtidos os seguintes dados, descritos na tabela:

Leitura Guaraná mineiro Suco de Caju Achocolatado


Brix 11,3 4,9 16
Refração 1,349 1,340 1,357

Figura 3: Amostras utilizadas para a leitura e obtenção dos


teores de sacarose e brix.

4. Resultados e Discussões
Com as medições no refratômetro, pode-se gerar os gráficos do teor de sacarose em função
da refração e do teor de sacarose em função do Brix. Além disto, obteve-se a equação da
reta que permitiu calcular o teor de sacarose do Guaraná Mineiro, Suco de Caju e
Achocolatado, através do Brix e da Refração. Para calcular o tor de sacarose em função da
refração a formula gerada foi: y=2239,6*x-2863,3. Enquanto para o teor de sacarose em
função do brix: y=11,499*x-5,1791. Após realizar os cálculos, obtivemos os resultados
demonstrados na tabela abaixo.
Sacarose refração Sacarose Brix
Brix Refração
(g/l) (g/l)
Guaraná mineiro 11,3 1,349 153,8734 124,7596
Suco de caju 4,9 1,34 133,744 51,166
Achocolatado 16 1,357 171,7662 178,8049

Tabela: Teor de sacarose dos produtos comerciais testados em função do brix e da refração.

Sacarose (g/L)
600

500

400

300 y = 2239.6x - 2863.3

200

100

0
1.32 1.33 1.34 1.35 1.36 1.37 1.38 1.39 1.4 1.41 1.42

Grafico 1 : Teor de sacarose pela refração

Sacarose (g/L)
600

y = 11.499x - 5.1791
500

400

300

200

100

0
0 10 20 30 40 50
-100

Grafico 2: Teor de sacarose pelo Brix


Conclusão

Pode-se calcular os teores de sacarose dos produtos comerciais, porém, houve


divergência entre os cálculos pelo brix e refração. Isto pode ter acontecido devido falhas na
leitura do refratômetro, ou pela limpeza mal efetuada, que gerou uma curva inconstante,
resultando nos diferentes teores de sacarose para o mesmo produto.