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1 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016

Realização:

Apoio:

Patrocínio:

Agradecimentos:

Agradecemos a especial contribuição do Instituto Brasileiro de ao emparceirar a idealização deste estudo para que o público
Geografia e Estatística (IBGE) pela destreza no atendimento tenha subsídio informacional no desenvolvimento de políticas
das demandas da equipe de Inteligência de Mercado da Abi- setoriais, no planejamento e tomada de decisão dentro das
calçados. O profissionalismo e auxílio na interpretação dos da- diversas organizações e empresas.
dos, assim como na troca de experiências, foram fundamentais
Aos patrocinadores, o nosso agradecimento por acreditarem
para a construção consistente deste relatório.
nesta publicação inédita, com o desejo e visão da continuida-
Destacamos o apoio da Associação Brasileira de Empresas de de de uma indústria calçadista forte e competitiva, capaz de
Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal) superar adversidades e investir para figurar o futuro deste País.
Relatório Setorial
Indústria de Calçados do Brasil 2016
Créditos

TEXTOS
Marcos Tadeu Lélis
Jean Jesus Fernandes

COORDENAÇÃO E EDIÇÃO
Igor Hoelscher
Leonardo Metzger
Priscila Linck

PRODUÇÃO GRÁFICA
Gabriel Dias

Relatório setorial: Indústria de calçados do Brasil 2016 /


Associação Brasileira das Indústrias de Calçados. Novo Hamburgo: Abicalçados, 2016.
ISBN: 978-85-93812-00-2

PRESIDENTE
Rosnei da Silva

CONSELHEIROS
Adão Oscar Wolff, Caetano Bianco Neto, Caio Borges Ferreira, Danilo Cristófoli, Ernani Reuter,
Haroldo Ferreira, José Carlos Brigagão do Couto, Júnior César Silva, Lioveral Bacher, Marco
Antônio Coutinho, Marco Lourenço Müller, Nilson Erineu Spohr, Paulo Roberto Konrath, Paulo
Roberto Schefer, Paulo Vicente Bender, Renato Klein, Ricardo Wirth, Sérgio Gracia, Thiago Lima
Borges e Werner Arthur Muller Júnior

PRESIDENTE-EXECUTIVO
Heitor Klein

CONTATO
Rua Júlio de Castilhos, 561
Novo Hamburgo/RS - Cep: 93510-130
Fone: 51 3594-7011

inteligencia@abicalcados.com.br
www.abicalcados.com.br
SUMÁRIO

1. EDITORIAL 5

2. MUNDO 7
2.1 Panorama Econômico Mundial 8
2.2 Panorama Mundial do Calçado 8
2.2.1 Principais Países Produtores 9
2.2.2 Principais Países Consumidores 10
2.2.3 Principais Países Exportadores 11
2.2.4 Principais Países Importadores 13

3. BRASIL 16
3.1 Produção de Calçados 17
3.1.1 Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) 17
3.1.2 Segmentação da Produção 18
3.2 Consumo de Calçados 20
3.3 Comércio Exterior 20
3.3.1 Exportação 21
3.3.2 Importação 27
3.4 Emprego e Estabelecimentos 31
3.5 Indicadores Econômicos 34
3.5.1 Câmbio 34
3.5.2 Comportamento do Comércio 35
3.5.3 Indústria de Transformação 36
3.5.4 Inflação Nacional 36
3.5.5 Competitividade Nacional 37

4. MERCADOS ALVO BRAZILIAN FOOTWEAR 39

5. ANÁLISE DE OPORTUNIDADES PARA


O MERCADO INTERNACIONAL 42
5.1 Índice de Competitividade das Exportações de Calçados 43
5.2 Índice de Atratividade das Exportações Brasileiras de Calçados 46

6. ANÁLISE DO ESPECIALISTA 50

7. METODOLOGIA 53
7.1 Dados de Produção 54
7.2 Projeções Estatísticas 55
7.3 Fontes 55
7.4 Classificação do Sistema Harmonizado de
Designação e Codificação de Mercadorias 55
1. EDITORIAL

Informação de qualidade para traçar estratégias


O ano de 2015 foi um teste à sobrevivência do setor calçadista. Com queda em todos os indicadores
de performance: no volume do varejo de 8,6% e no valor das exportações de 10,0%, o que ocasionou
a perda de mais de 25 mil postos de trabalho na atividade. A indústria de calçados superou adversi-
dades apostando na agregação de valor ao produto, investindo em um design diferenciado que aliasse
uma identidade genuinamente brasileira com qualidade e inovação. Não foi fácil, mas a atividade
realizada por grande parte do segmento tornou possível não somente a sobrevivência, mas a criação
de bases fortes que serão fundamentais para a retomada do crescimento, assim que as condições de
competitividade forem restabelecidas.

Os motivos do desempenho abaixo do esperado em 2015 são deveras conhecidos: uma das mais altas
cargas tributárias entre os países emergentes, um sistema de exportação burocratizado, uma logística
ineficiente e cara, uma legislação trabalhista arcaica e inflexível, entre tantos outros que fazem parte
do chamado Custo Brasil. Ao custo de produção, em 2015, foram somados elementos econômicos
Heitor Klein
Presidente-executivo da e políticos. Uma crise econômica mundial, ocasionada pelo desaquecimento da economia chinesa,
Abicalçados derrubou o preço das commodities e, com isso, o valor das exportações nacionais, devido à estrutura
da pauta exportadora brasileira, especialmente dependente de produtos primários. Para agravar o
quadro, tivemos um ano repleto de crises políticas que, historicamente, contaminam o comportamento
da economia nacional.

Em 2016, infelizmente, as primeiras notícias não foram animadoras. Começamos o ano em um cenário
econômico pouco favorável. Com o desempenho negativo da economia brasileira, o alto endivida-
mento assumido pelo consumidor e a inflação, a compra de calçados ficou, mais uma vez, em segundo
plano. Como o mercado interno é responsável pela absorção de 87% do total produzido pelo setor
calçadista, o reflexo foi negativo na atividade. No primeiro semestre do ano, houve uma queda de 11%
no volume do varejo de calçados, além de um revés, no mesmo período, na produção do segmento
(-4,6%). Até mesmo as exportações de calçados, às quais esperávamos que seriam beneficiadas pelo
dólar valorizado frente ao real, tiveram um revés de 3% no primeiro semestre deste ano, no compara-
tivo com igual período do ano passado. Os motivos seguem os mesmos, potencializados por todas as
incertezas do mercado, decorrentes de um processo de impeachment pelo qual passou o país.

Atuação
É neste cenário negativo que se faz ainda mais necessária a presença das entidades representativas,
que, na busca por melhores condições de produção, levam pleitos aos governos, e também criam
ferramentas para propiciar o desenvolvimento e manutenção das atividades das empresas.

Estamos lançando agora, com o Relatório Setorial: Indústria de Calçados do Brasil, um íntegro rela-
tório setorial que, com informações precisas sobre número de empresas do segmento, produção de
calçados, exportações, número de empregos gerados na atividade, entre tantas outras, auxiliará as
empresas a compreenderem o cenário do mercado e os próximos desafios estabelecidos.

5 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


Desde sua fundação, a Abicalçados trabalha com a missão de
unir esforços pelo fortalecimento da indústria calçadista. Acre-
ditamos que união é mais importante que concorrência e que,
quando o setor trabalha por um propósito comum, o sucesso
do grupo é a melhor consequência.

Queremos estar ao seu lado, ajudando seu negócio a crescer e


se posicionar no mercado. Para isso, incentivamos a integração
das empresas calçadistas e promovemos iniciativas com foco
em representação, defesa, desenvolvimento e promoção do
setor no Brasil e no mundo.

A Abicalçados agradece pela confiança dos seus associados e


convida quem ainda não faz parte dessa união de forças para
saber mais em www.abicalcados.com.br.

6 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


2. MUNDO

7 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


2. MUNDO

2.1 Panorama Econômico Mundial


O Produto Interno Bruto (PIB) mundial, que reflete o de- nesa. Além disso, não se observou uma recuperação eco-
sempenho da economia global, apresentou um crescimen- nômica consistente nos Estados Unidos e na Europa. Com
to menor em 2015 (2,4%), comparativamente ao cresci- essa tendência de baixo dinamismo da economia mundial,
mento observado em 2014 (3,1%). Diante desse resultado, principalmente na Europa e nos Estados Unidos, a proje-
as exportações retraíram em 2015, comportamento pouco ção para 2016 é de que o ano feche com queda no valor
favorável em virtude da desaceleração da economia chi- das exportações mundiais, como apresenta o gráfico.

Exportações totais e crescimento do PIB mundial

Exportações totais e crescimento do PIB mundial


15,3
16,3
18,8
18,7

2,4
3,4

3,4

2,8
2,7

1,9

1,9
3,1

2013 2014 2015 2016* 2013 2014 2015 2016* 2013 2014 2015 2016*

Exportações mundiais PIB Real PIB Real


(trilhões de US$) (%) Mundo (%) América Latina e Caribe
Fonte: FMI
(*) Estimativa Abicalçados/FMI
15,3
16,3
18,8
18,7

2,4
3,4

3,4

2,8
2,7

1,9

1,9
3,1

2.2 Panorama
2013 2014
Mundial
2015 2016*
do Calçado
2013 2014 2015 2016* 2013 2014 2015 2016*
Evolução do comércio, consumoPIB e produção
De 2013 àExportações mundiaisconsolidadas de comér-
2014, as informações Real
mente para 12,8 bilhões. NessePIB Realritmo, projeta-se à
mesmo
mundial
cio externo, produção de
(trilhões deeUS$) calçados (bilhões de pares)
consumo mundial de calçados
(%) taxa de variação acumulada,
Mundo que aLatina
(%) América produção e o consumo
e Caribe
registraram crescimento. Estima-se que em 2015 e 2016
Fonte: FMI
mundial de calçados aumentem cerca de 4,5% entre 2014
haja manutenção
(*) Estimativadesse desempenho positivo. Em 2014 as
Abicalçados/FMI e 2016. Assim, a estimativa de crescimento é um indicativo
exportações mundiais de calçados foram de 12,3 bilhões de anos com boas oportunidades para o setor de calça-
de pares e a projeção para 2016 é que esse volume au- dos no mercado internacional.

Evolução do comércio, consumo e produção


20,8
10,0

21,0
10,4
12,0

19,9

18,6
20,1
10,3

18,4
12,8

17,5
12,3

12,7

17,8
9,6

mundial de calçados (bilhões de pares)


2013 2014 2015* 2016* 2013 2014 2015* 2016* 2013 2014 2015* 2016* 2013 2014 2015* 2016*

Exportação Importação Produção Consumo


Fonte: WSR
(*) Estimativa Abicalçados
Nota: Informações de exportação e importação reportadas, respectivamente, pelo país de origem e destino. A divergência no saldo mundial de exportações e
importações se dá em função do valor que é reportado pelos países bem como pela ausência de valores.
20,8
10,0

21,0
10,4
12,0

19,9

18,6
20,1
10,3

18,4
12,8

17,5
12,3

12,7

17,8
9,6

2013 2014 2015* 2016* 2013 2014 2015* 2016* 2013 2014 2015* 2016* 2013 2014 2015* 2016*

Exportação Importação Produção Consumo


Fonte: WSR
(*) Estimativa Abicalçados
Nota: Informações de exportação e importação reportadas, respectivamente, pelo país de origem e destino. A divergência no saldo mundial de exportações e
importações se dá em função do valor que é reportado pelos países bem como pela ausência de valores.

8 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


2. MUNDO

2.2.1 Principais Países Produtores


China e Índia são os players responsáveis por aproxima- deslocamento de empresas da China para o Vietnã. Den-
damente 70% da produção mundial de calçados. Ambos tre os dez principais produtores mundiais, Brasil, México
registraram aumento na produção de calçados em 2014, e Itália registraram quedas. Em relação à retração na
sendo que a taxa de crescimento na China foi de 3%, produção de calçados do Brasil, nota-se uma queda me-
enquanto a Índia atingiu um aumento de 4%. Destaca-se, nor em relação à ocorrida na economia brasileira (PIB).
também, o expressivo aumento na produção de calçados Esse desempenho está relacionado ao fato do calçado
do Vietnã (9,6%), sendo este país o quarto maior pro- ser um bem de consumo semi-durável, sofrendo menos
dutor mundial de calçados. O substancial crescimento que os bens de consumo duráveis, como automóveis,
da produção de calçados do Vietnã tem origem em dois eletrodomésticos, ou, ainda, bens de capital em momen-
elementos: (1) a produção de calçados esportivos; e (2) o tos de restrição de crédito.

Principais países produtores de calçados em pares


Participação em 2014

Itália 1,0%

Paquistão 1,2% China 58,1%


México 1,2%
Índia 12,8% Tailândia 1,1%
Nigéria 2,0%
Indonésia 3,6% Vietnã 4,2%

Brasil 5,0%

Milhões de Pares
País 2012 2013 2014 Variação 2013-2014

China 10.610 11.353 11.693 3,0%


Índia 2.350 2.480 2.579 4,0%
Brasil 999 1.036 998 -3,7%
Vietnã 735 779 854 9,6%
Indonésia 688 695 715 2,9%
Nigéria 372 384 393 2,3%
Paquistão 235 237 245 3,4%
México 270 266 240 -9,8%
Tailândia 221 221 222 0,5%
Itália 198 202 197 -2,5%
Outros 2.142 2.229 1.982 -11,1%
Total 18.820 19.882 20.118 1,2%

Fonte: WSR

9 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


2. MUNDO

2.2.2 Principais Países Consumidores


A China se destaca como o maior mercado consumidor do consumo representativos, os mercados da Alemanha,
de calçados no mundo, e registrou importante crescimento França e Reino Unido também merecem especial atenção.
na demanda pelo produto em 2014 (8,4%). Sendo o país O Brasil segue como o quarto maior consumidor de cal-
mais populoso do mundo, em processo de urbanização, çados do mundo, porém, apresentou uma queda de 4,9%
com crescimento econômico sustentado em patamares re- no volume de pares consumidos em 2014. Este movimento
lativamente altos, e possuindo cerca de 17% do consumo reflete que o mercado já mostrava indícios da crise que foi
mundial de calçados, certamente merece destaque no que acentuada no ano subsequente, e que impactou no nível de
se refere a sua expansiva propensão ao consumo, além da utilização da capacidade instalada da indústria, e também
oportunidade de ganho de escala. Com níveis de aumento nos ganhos de renda real dos empresários.

Principais países consumidores de calçados em pares


Participação em 2014

Reino Unido 2,3%


França 2,4%
Estados Unidos 13,0% Alemanha 2,5% Japão 3,9%

China 17,1%
Índia - 13,9%
Nigéria 2,2%
Indonésia - 2,5%

Brasil 5,1%

Milhões de Pares

País 2012 2013 2014 Variação 2013-2014


China 2.414 2.796 3.032 8,4%
Índia 2.250 2.389 2.479 3,8%
Estados Unidos 2.262 2.309 2.315 0,3%
Brasil 922 952 905 -4,9%
Japão 685 688 693 0,7%
Indonésia 440 443 452 2,0%
Alemanha 387 413 439 6,3%
França 371 398 431 8,3%
Reino Unido 369 346 408 17,9%
Nigéria 366 381 393 3,1%
Outros 6.073 6.340 6.235 -1,7%
Total 16.539 17.455 17.782 1,9%

Fonte: WSR

10 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


2. MUNDO

2.2.3 Principais Países Exportadores


Como consequência do seu poder produtivo, a Chi- ao comportamento de reexportação destes mercados,
na mantém a hegemonia de maior exportador mundial enquanto o Vietnã, na ásia, recebe investimento ex-
de calçados, com um aumento de 11,8% no valor ex- terno direto, o que impacta na expansão da indústria
portado em 2014. O Vietnã, a Bélgica e a Alemanha local. Por outro lado, o Brasil enfrenta dificuldades
também apresentaram um crescimento expressivo no para manter o seu nível de negócios com o exterior,
valor e no volume de calçados enviados ao exterior. consequentemente, registrou uma retração de 3,0% e
É importante ressaltar que os resultados de comércio 2,6% nas exportações de calçados, em pares e dóla-
exterior da Alemanha e da Bélgica estão associados res, respectivamente.

Principais países exportadores de calçados em pares


Participação em 2014

Holanda 1,3% Reino Unido 1,3%

Alemanha 1,8%
Bélgica 1,9%
Itália 1,7%

Espanha 1,3% China 71,3%


Índia 1,3%
Vietnã 4,6%
Indonésia 2,9%

Brasil 1,0%

Milhões de Pares
País 2012 2013 2014 Variação 2013-2014

China 8.294 8.667 8.780 1,3%


Vietnã 454 490 569 16,1%
Indonésia 338 344 354 2,9%
Bélgica 201 196 228 16,3%
Alemanha 175 185 227 22,7%
Itália 214 220 215 -2,3%
Índia 148 152 165 8,6%
Holanda 138 156 162 3,8%
Espanha 132 140 158 12,9%
Reino Unido 112 141 155 9,9%
Brasil (14º) 113 133 129 -3,0%
Outros 1.135 1.177 1.180 0,3%
Total 11.454 12.001 12.322 2,7%

Fonte: WSR

11 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


2. MUNDO

Principais países exportadores de calçados em dólares


Participação em 2014

Holanda 2,7%
Alemanha 4,2%
Bélgica 4,3%
Itália 8,6%
França 2,4%
Espanha 2,7% China 41,5%
Hong Kong 3,1%
Vietnã 8,0%
Indonésia 3,1%

Brasil 0,8%

Milhões de US$
País 2012 2013 2014 Variação 2013-2014

China 44.363 48.145 53.837 11,8%


Itália 9.828 10.717 11.154 4,1%
Vietnã 7.264 8.397 10.318 22,9%
Bélgica 4.281 5.104 5.565 9,0%
Alemanha 4.081 4.735 5.400 14,0%
Hong Kong 4.848 4.353 4.014 -7,8%
Indonésia 3.447 3.755 3.972 5,8%
Holanda 3.011 3.366 3.554 5,6%
Espanha 2.634 3.008 3.507 16,6%
França 2.573 2.822 3.095 9,7%
Brasil (18º) 1.093 1.095 1.067 -2,6%
Outros 19.458 22.108 24.267 9,8%
Total 106.881 117.605 129.750 10,3%

Fonte: UNComtrade

12 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


2. MUNDO

2.2.4 Principais Países Importadores


Estados Unidos e Alemanha são responsáveis por, apro- Itália e Holanda são países europeus que indicaram va-
ximadamente, 30% da importação mundial de calçados, riações positivas nas importações de calçados. O ex-
em volume e valor. Neste cenário, destaca-se a Ale- pressivo volume e crescimento do comércio exterior na
manha pelo significativo aumento (acima de 10%) em Alemanha e na Bélgica confirmam a concepção de que
pares e dólares importados em 2014. Ainda, em termos esses países são, principalmente, entrepostos para as
de taxa de crescimento, Reino Unido, Bélgica, França, exportações de calçados.

Principais países importadores de calçados em pares


Participação em 2014

Reino Unido 5,6% Rússia 1,8%


Holanda 2,8%

Alemanha 6,4%
Bélgica 2,8%
França 5,1%
Estados Unidos 23,4%
Japão 6,1%
Espanha 3,2% Itália 3,3%

Brasil 0,4%

Milhões de Pares
País 2012 2013 2014 Variação 2013-2014
Estados Unidos 2.282 2.326 2.333 0,3%
Alemanha 537 570 636 11,6%
Japão 597 603 610 1,2%
Reino Unido 477 482 559 16,0%
França 434 465 509 9,5%
Itália 301 303 330 8,9%
Espanha 317 327 316 -3,4%
Bélgica 239 252 283 12,3%
Holanda 209 253 277 9,5%
Rússia 184 186 181 -2,7%
Brasil (46º) 36 39 37 -5,1%
Outros 3.560 3.768 3.915 3,9%
Total 9.173 9.574 9.986 4,3%

Fonte: WSR

13 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


2. MUNDO

Principais países importadores de calçados em dólares


Participação em 2014

Reino Unido 5,9% Rússia 2,9%

Holanda 3,2% Alemanha 8,7%


França 6,2%
Estados Unidos 22,2% Bélgica 3,2%
Japão 4,5%
Itália 4,6%
Hong Kong 3,6%

Brasil 0,5%

Milhões de US$
País 2012 2013 2014 Variação 2013-2014
Estados Unidos 24.394 25.305 26.594 5,1%
Alemanha 8.264 9.174 10.345 12,8%
França 6.321 6.873 7.437 8,2%
Reino Unido 5.979 6.316 7.110 12,6%
Itália 4.932 5.107 5.524 8,2%
Japão 5.513 5.592 5.453 -2,5%
Hong Kong 4.569 4.342 4.288 -1,2%
Holanda 3.421 3.709 3.853 3,9%
Bélgica 3.039 3.483 3.824 9,8%
Rússia 4.001 4.278 3.452 -19,3%
Brasil (35º) 509 572 561 -1,9%
Outros 34.697 37.765 41.089 8,8%
Total 105.639 112.516 119.530 6,2%
Fonte: UNComtrade

14 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


3. BRASIL

16 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


3. BRASIL

3.1 Produção de Calçados


O volume da produção de calçados no Brasil segue uma ten- ra as variações de quantidades e de preços, apresenta uma
dência de queda desde o ano de 2014, próximo do corrido suave elevação. De certa forma, esse resultado negativo da
para a indústria de transformação brasileira. Todavia, a partir produção de calçados passa pelas dificuldades inerentes da
de 2015, essa tendência passa por um processo de aprofun- crise econômica enfrentada pelo país, e pela fragilidade da
damento da retração. Já o valor da produção, que conside- competitividade da economia nacional no mercado externo.

Milhões de R$ Milhões de Pares

2,7% -1,9%

-0,9% -2,8%

Milhões de R$ Milhões de Pares

2,7% -1,9%
19.388 | pessimista
20.226 | otimista

917 | pessimista
935 | otimista
-0,9% -2,8%
18.624

19.729
19.168

1.036

944
998

2013 2014 2015 2016* 2013 2014 2015 2016*


19.388 | pessimista
20.226 | otimista

917 | pessimista
Fonte: IBGE/Abicalçados
(*) Estimativa Abicalçados 935 | otimista
Nota: Estimado com base na produção identificada em 2013, de empresa com 30 ou mais pessoas ocupadas
18.624

19.729
19.168

1.036

944
998

3.1.1 Nível de
2013 Utilização
2014 2015 da Capacidade
2016* Instalada
2013 (NUCI)
2014 2015 2016*

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI)


Fonte: IBGE/Abicalçados Transformação como um todo no país. É factível acenar
da indústria de(*)
calçados do Brasil
Estimativa Abicalçados demonstra uma dimi- que o cenário pode ser prejudicial no sentido de que as
Nota: Estimado com base na produção identificada em 2013, de empresa com 30 ou mais pessoas ocupadas
nuição entre 2013 e 2015. Com isso, não é possível es- empresas não se motivam a realizar novos investimen-
perar uma consistente elevação nos investimentos das tos em tecnologia e otimização de processos, visto que
empresas calçadistas no ano de 2016. Ademais, esse uma retomada da demanda poderia ser suprida com o
movimento segue o já observado para a Indústria de uso da atual capacidade ociosa.
83,8% 78,5% 72,9%

2013 2014 2015


Fonte: Abicalçados

83,8% 78,5% 72,9%

2013
Consumo aparente 2014
de calçados no Brasil em milhões de 2015
pares
Fonte: Abicalçados

2013 952,4

Consumo aparente de calçados no Brasil em milhões de pares


2014 17 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016 905,4
3. BRASIL

3.1.2 Segmentação da Produção


Em termos de produção regional, o Nordeste se con- relevância na produção nacional neste período. Dois es-
solida como o principal pólo produtor de calçados do tados são fundamentais para produção de calçados no
Brasil. Além disso, entre 2014 e 2015 ocorreu uma que- Nordeste: Ceará e Paraíba. Juntos esses dois estados
da na produção menor nessa região que a observada representam 48,8% da produção nacional e 83,4% da
no total do Brasil. Com isso, o Nordeste aumentou sua produção do Nordeste.

Segmentação da produção brasileira de calçados por região em 2015


Milhões de pares

Norte
Nordeste
Var. Part. Part.
2015 Var.
2014/15 2014/15 2015
-5,4% 0,2% 58,5%
-4,3%

UF Produção Participação

CE 264,8 28,0%

PB 196,8 20,8%

Sudeste
Centro-Oeste
Var. Part.
2014/15 2015
Var. Part. -8,1% 18,4%
2014/15 2015
-5,8% 0,7%

MG 82,8 8,8%

SP 70,4 7,5%

Sul RS 172,4 18,3%

Var. Part. Outros 157,0 16,6%


2014/15 2015
-6,0% 22,3% Brasil 944,2 100%

Fonte: Abicalçados

18 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


Sudeste 18,4% -8,1%
Norte 0,2% -5,4% 70.359.602
264.772.420 7,5%
28,0%
SP CE
Nordeste
Sul 58,5%
22,3% -4,3%
-6,0% PB
196.829.843 20,8%
172.420.558 18,3%
RS

3. BRASIL
Centro-Oeste 0,7% -5,8%
157.006.167 16,6%
82.765.291 8,8%
Sudeste 18,4% -8,1% Outros MG
100% -5,4% 944.153.882 100%
Total 70.359.602 7,5%
SP
A importância produtiva do Nordeste no Brasil se refle- temente, voltadas à produção de calçados de plásticos/
Sul 22,3% -6,0%
te na produção
Fonte: de calçados por material predominante.
IBGE / Abicalçados borracha, o que define a participação expressiva desse
172.420.558 18,3%
As empresas localizadas nessa região são, predominan- RS tipo de material no total produzido pela indústria nacional.

157.006.167 16,6%
Outros
100% -5,4% 944.153.882 100%
Produção de calçados no Brasil por material predominante
Total em pares
Participação em 2015
Fonte: IBGE / Abicalçados 2,2%
3,8% Outros
Têxtil

Produção de calçados no Brasil por material predominante


19,7% em pares
Participação em 2015 Couro
27,7%
Laminado 2,2%
3,8% Outros
Sintético
Têxtil

46,6%
19,7%
Plástico/Borracha
Couro
27,7%
Laminado
Sintético
Fonte: Abicalçados

46,6%
Plástico/Borracha
No Produção
detalhamento identificada
da produçãode
decalçados porgêneros
calçados por gênero ência (67,4% do total identificado da produção). Os ho-
Participação
identificados em 2015 segmentos, por exemplo,
(desconsiderando mens, frente a uma maior oferta e variação de produtos,
de segurança e ortopédicos), os calçados femininos pre- assumem uma fatia de pouco mais de 20% da produção
dominam, em vista do comportamento de consumo das
Fonte: Abicalçados identificada de calçados, enquanto que os calçados in-
mulheres, que 37,9% compram em maior quantidade e frequ- fantis representam cerca 10,4%
de 10% da mesma.
Não Infantil
Identificada
Produção identificada de calçados por gênero
Participação em 2015
22,2%
Masculino
62,1%
37,9% Identificada 10,4% 67,4%
Infantil Feminino
Não
Identificada

22,2%
Masculino
62,1%
Fonte: Abicalçados Identificada 67,4%
Feminino

Fonte: Abicalçados

19 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


3. BRASIL
83,8% 78,5% 72,9%

3.2 Consumo de Calçados


2013 2014 2015
O movimento do consumo aparente de calçados no é associado a dois processos em curso na economia
Brasil segue de pertoFonte:
a dinâmica
Abicalçados da produção domésti- brasileira: (1) endividamento elevado das famílias; e (2)
ca. Entre 2013 e 2015, observa-se uma queda no consu- queda da massa salarial, efeito de uma elevação do de-
mo na ordem de 5,3% ao ano. Esse resultado negativo semprego e da retração do salário real.

Consumo aparente de calçados no Brasil em milhões de pares

2013 952,4

2014 905,4

2015 853,3

Fonte: Abicalçados

3.3 Comércio Exterior


13,0% 13,1%
Em 2015, o Brasil importou US$ 481,0 milhões em calça- retração de 10,0%, comparativamente a 2014. Com isso, o
dos. Esse resultado representou uma queda de 14,3% em saldo da balança comercial de calçados manteve o supe-
relação ao ano anterior. As exportações
11,9%
brasileiras de rávit que, vale ressaltar, tem relação com a medida de de-
calçados totalizaram US$ 960,4 milhões em 2015, uma fesa comercial de dumping contra os calçados chineses.

4,1% 4,1%
3,9%

Balança comercial de calçados em milhões de dólares


2013 2014 2015 2013 2014 2015

Coeficiente de Coeficiente de
Exportação de Calçados Importação de Calçados
Fonte: Abicalçados

522,9 506,0
479,4

Exportações

Importações
1.095,3

1.067,2

960,4
572,4

481,0
561,3

Saldo

2013 2014 2015


Fonte: MDIC

20 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


Exportações brasileiras de calçados
2013 952,4
3. BRASIL
2014 905,4
O coeficiente de exportação reflete o quanto da produção nacional. Ademais, o movimento entre 2013 e 2015 dos
calçadista nacional é exportada, ou seja, visto que em coeficientes para o setor calçadista mostra, em parte, o
2015 o coeficiente
2015resultou em 13,1% da produção, o res- efeito da desvalorização
853,3 cambial ocorrida no Brasil no
tante foi destinado ao mercado interno (86,9%). No mes- período analisado. Nota-se uma elevação no coeficiente
mo âmbito, o coeficiente de importações indica o quanto de exportações e ao mesmo tempo uma suave diminuição
da oferta localFonte:
de Abicalçados
calçados (produção mais importações, no indicador de importações. É interessante perceber a
descontados os pares enviados ao exterior) é proveniente dificuldade de diminuição do coeficiente de importações,
de outros países. A percepção inicial que tais indicado- pois, mesmo depois de uma desvalorização da moeda na-
res fornecem é de que o mercado calçadista brasileiro cional e uma forte contração na renda doméstica, esse
é abastecido, quase que exclusivamente, pela produção indicador alterou apenas 0,2 pontos percentuais.

13,0% 13,1%

11,9%

Balança comercial de calçados em milhões


4,1%
de dólares
4,1%
3,9%

2013 2014 2015 2013 2014 2015

Coeficiente de Coeficiente de
Exportação de Calçados Importação de Calçados
Fonte: Abicalçados
522,9 506,0
479,4

Exportações

3.3.1 Exportação Importações


1.095,3

1.067,2

960,4

As projeções para o comportamento das exportações


572,4

cada em 2015, depois de uma sensível desvalorização da


481,0
561,3

Saldo
brasileiras de calçados para 2016 seguem uma tendência moeda nacional, não era prevista. Esse movimento pode
de manutenção ou moderada recuperação. No cenário estar associado, entre outros fatores, à desaceleração
otimista ou pessimista, a2013 2014
variação para os embarques ao 2015
da renda mundial, e, também, à dificuldade da indústria
exterior não devem variar de maneira significativa em brasileira de se reposicionar no comércio mundial, após
Fonte: MDIC
relação ao ano anterior. A queda nas exportações, verifi- um longo período de valorização do real frente ao dólar.

Exportações brasileiras de calçados

Milhões de US$ Milhões de Pares

1,5%
-2,8% 4,6% -1,4%
| pessimista
| otimista

122,3 | pessimista
129,8 | otimista
1.095,3

1.067,2

960,4

933,5
974,8

122,9

129,5

124,1

2013 2014 2015 2016* 2013 2014 2015 2016*

Fonte: MDIC
(*) Estimativa Abicalçados

21 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


3. BRASIL

A queda no valor das exportações brasileiras de cal- Unidos, registraram queda acima de -10% em suas im-
çados, em 2015, se deve, em grande parte, à dimi- portações de calçados provenientes do Brasil. A pos-
nuição da demanda de calçados brasileiros por im- sibilidade de recuperação passa, principalmente, por
portadores como Estados Unidos, Argentina, França, uma melhora no desempenho em dois países: Estados
Paraguai e Angola. Esses países, exceto os Estados Unidos e Argentina.

Principais destinos das exportações de calçados em dólares


Participação em 2015

Estados Unidos 20,0% França 5,7%

Colômbia 4,3%
Peru 2,9%
Angola 3,4%
Bolívia 5,2%
Paraguai 4,7% Austrália 2,8%
Chile 3,2%
Argentina 7,0%

Milhões de US$
País 2013 2014 2015 Variação 2014-2015

Estados Unidos 189,5 193,7 191,9 -0,9%


Argentina 118,9 81,7 67,5 -17,4%
França 69,7 70,1 54,9 -21,6%
Bolívia 44,9 46,5 49,6 6,7%
Paraguai 55,2 55,3 45,3 -18,1%
Colômbia 39,4 48,7 41,1 -15,6%
Angola 50,6 54,4 32,7 -40,0%
Chile 36,2 31,1 31,1 0,2%
Peru 31,9 27,1 28,1 4,0%
Austrália 29,7 27,2 27,3 0,5%
Outros 429,4 431,6 390,9 -9,4%
Total 1.095,3 1.067,2 960,4 -10,0%

Fonte: MDIC

22 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


3. BRASIL

Principais destinos das exportações de calçados em pares


Participação em 2015

Estados Unidos 9,5% França 6,8%


Espanha 2,9%

Colômbia 6,4%
Peru 3,4%
Angola 7,6%
Bolívia 5,6%
Paraguai 10,7% Austrália 3,4%

Argentina 6,4%

Milhões de pares
País 2013 2014 2015 Variação 2014-2015

Paraguai 14,1 15,9 13,3 -16,4%


Estados Unidos 10,7 11,9 11,8 -0,8%
Angola 12,4 13,3 9,4 -29,0%
França 7,9 8,9 8,5 -5,0%
Argentina 8,9 7,7 8,0 4,3%
Colômbia 6,7 7,4 8,0 7,8%
Bolívia 6,7 6,5 7,0 7,5%
Peru 3,6 3,4 4,2 22,7%
Austrália 4,7 4,2 4,2 -1,8%
Espanha 1,7 2,0 3,6 80,0%
Outros 45,5 48,3 46,1 -4,5%
Total 122,9 129,5 124,1 -4,2%

Fonte: MDIC

23 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


3. BRASIL

O Ceará foi responsável por 40,8% das exportações, em pa- sável por 21,3% (do volume) dos embarques do país, também
res, no ano de 2015. Diante da importante representação no apresentou retração de 4,9% e 11,5%, em pares e dólares,
total dos embarques, a queda de 10% no volume exportado respectivamente. No extremo sul do País, a unidade fede-
das empresas estabelecidas neste estado, impacta forte- rativa do Rio Grande do Sul, apesar de ter exportado uma
mente no desempenho setorial do país no mercado inter- representatividade nacional de menos 4,4% (US$), o estado
nacional (em valor a redução chegou a 15,3%, em 2015). A apresentou um aumento de 14,0% na quantidade de pares
desvalorização do real pressionou a queda dos preços, re- comercializados com o exterior. Também, contribuiu para a
fletindo em uma redução do valor médio do calçado expor- queda dos preços do produto ofertado, dinâmica causada,
tado. O segundo maior estado exportador, Paraíba, respon- como mencionado, pela desvalorização da moeda nacional.

Participação das exportações por estado

Variação
2013 2014 2015 2014-2015 Participação

314,9 310,6 263,0 -15,3% 27,4%


CE
103,4 99,9 88,4 -11,5% 9,2% PB
Milhões de US$
63,2 46,7 38,6 -17,4% 4,0%
BA

144,4 145,0 122,6 -15,4% 12,8%


SP

387,1 387,1 370,0 -4,4% 38,5%


RS

82,2 78,0 77,8 -0,3% 8,1%


Outros
1.095,3 1.067,2 960,4 -10,0% 100% Brasil

Variação
2013 2014 2015 2014-2015 Participação

51,8 56,3 50,7 -10,0% 40,8%


CE

PB
28,5 27,8 26,5 -4,9% 21,3%

Milhões de Pares

1,3 4,9 7,5 55,4% 6,1%


MG

10,1 11,7 10,0 -14,5% 8,1%


SP

16,5 18,0 20,5 14,0% 16,5%


RS

14,6 10,9 8,9 -17,9 7,2%


Outros
122,9 129,5 124,1 -4,2% 100%
Brasil
Fonte: MDIC

24 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


3. BRASIL

Exportação de calçados por material predominante


Milhões de US$

Material 2013 2014 2015 Variação 2014-2015 Participação


Injetado 4,1 4,1 3,3 -19,5% 0,3%
Sintético 485,5 498,5 435,5 -12,6% 45,3%
Chinelos 235,9 262,4 226,0 -13,9% 23,5%
Outros 249,6 236,1 209,5 -11,3% 21,8%
Couro 514,9 491,3 442,0 -10,0% 46,0%
Têxtil 81,0 64,7 74,5 15,1% 7,8%
Outros Materiais 9,8 8,6 5,1 -40,8% 0,5%
Total 1.095,3 1.067,2 960,4 -10,0% 100%

Fonte: MDIC

Exportação de calçados por material predominante


Milhões de pares

Material 2013 2014 2015 Variação 2014-2015 Participação


Injetado 0,7 0,6 0,4 -33,3% 0,3%
Sintético 97,7 105,8 98,8 -6,6% 79,6%
Chinelos 74,5 82,8 76,4 -7,6% 61,6%
Outros 23,2 23,0 22,3 -3,1% 18,0%
Couro 17,9 17,2 17,1 -0,6% 13,8%
Têxtil 6,1 5,5 7,5 36,4% 6,1%
Outros Materiais 0,5 0,5 0,3 -40,0% 0,2%
Total 122,9 129,5 124,1 -4,2% 100%

Fonte: MDIC

Participação das exportações por segmento

Variação
2013 2014 2015 2014-2015 Participação

Esportivo
Valor (milhões de US$) 13,1 12,6 12,0 -4,8% 1,2%
Pares (mil unidades) 734,7 879,8 979,2 11,3% 0,8%

Chinelos
Valor (milhões de US$) 235,9 262,4 226,0 -13,9% 23,5%
25
Pares (mil unidades)
Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016
74.494,8 82.753,5 76.437,3 -7,6% 61,6%
Têxtil 6,1 5,5 7,5 36,4% 6,1%
Outros Materiais 0,5 0,5 0,3 -40,0% 0,2%
Total 122,9 129,5 124,1 -4,2% 100%

3. BRASIL
Fonte: MDIC

Participação das exportações por segmento

Variação
2013 2014 2015 2014-2015 Participação

Esportivo
Valor (milhões de US$) 13,1 12,6 12,0 -4,8% 1,2%
Pares (mil unidades) 734,7 879,8 979,2 11,3% 0,8%

Chinelos
Valor (milhões de US$) 235,9 262,4 226,0 -13,9% 23,5%
Pares (mil unidades) 74.494,8 82.753,5 76.437,3 -7,6% 61,6%

Outros calçados
Valor (milhões de US$) 846,3 792,2 722,4 -8,8% 75,2%
Pares (mil unidades) 47.673,5 45.884,4 46.665,2 1,7% 37,6%

Fonte: MDIC

26 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


3. BRASIL

3.3.2 Importação
A entrada de calçados importados no mercado brasi- além da sobretaxa por dumping no caso chinês. Ao se
leiro sofreu redução, no último ano, em pares (-9,6%) comparar a pauta de exportações totais de calçados do
e em valores (-14,3%). O resultado já era esperado, de- Brasil, e as importações do segmento, percebe-se um
terminado pela queda na renda nacional e pela desva- valor médio por par importado superior ao valor do
lorização do real frente ao dólar americano, tornan- produto brasileiro remetido ao exterior, desconsideran-
do os importados menos competitivos no fator preço, do a classificação dos calçados.

Importações brasileiras de calçados em dólares


Participação em 2015

Itália 3,3%
Espanha 0,4%
Índia 0,9%
China 9,5%
Bangladesh 0,4% Tailândia 2,1%

Camboja 2,9% Vietnã 54,2%

Indonésia 24,1%

Paraguai 0,5%

Milhões de US$
País 2013 2014 2015 Variação 2014-2015

Vietnã 299,1 323,5 260,5 -19,5%


Indonésia 114,5 111,8 116,1 3,8%
China 60,1 53,1 45,9 -13,5%
Itália 19,5 21,6 15,9 -26,2%
Camboja 20,7 8,7 14,1 62,0%
Tailândia 10,4 8,6 10,0 16,3%
Índia 4,5 3,2 4,3 34,4%
Paraguai 8,9 1,7 2,6 52,9%
Espanha 4,4 2,9 2,0 -31,0%
Bangladesh 2,4 1,4 1,8 32,6%
Outros 27,9 24,8 7,7 -69,0%
Total 572,4 561,3 481,0 -14,3%

Fonte: MDIC

27 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


3. BRASIL

Importações brasileiras de calçados em pares


Participação em 2015

Itália 3,5% China 19,0%


Hong Kong 3,3%
México 0,6% Índia 1,1%
Tailândia 1,6%
Vietnã 44,9%
Camboja 2,9%
Indonésia 19,5%
Paraguai 1,3%

Milhões de Pares
Destino 2013 2014 2015 Variação 2014-2015

Vietnã 16,81 18,48 14,93 -19,3%


Indonésia 7,03 6,61 6,50 -1,6%
China 9,77 7,69 6,34 -17,6%
Itália 0,15 0,15 1,15 666,7%
Hong Kong 0,11 0,59 1,11 88,1%
Camboja 1,59 0,64 0,95 48,3%
Tailândia 0,69 0,50 0,54 8,0%
Paraguai 0,55 0,34 0,45 32,4%
Índia 0,35 0,25 0,36 44,0%
México 0,63 0,36 0,21 -41,7%
Outros 1,47 1,18 0,73 -38,0%
Total 39,15 36,80 33,26 -9,6%

Fonte: MDIC

28 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


3. BRASIL

Importação de calçados por material predominante


Milhões de US$

Material 2013 2014 2015 Variação 2014-2015 Participação


Injetado 4,6 1,4 1,0 -28,5% 0,2%
Sintético 137,0 98,2 99,4 1,2% 20,7%
Chinelos 6,5 4,3 3,2 -25,4% 0,7%
Outros 130,4 93,9 96,2 2,4% 20,0%
Couro 107,4 97,1 82,4 -15,2% 17,1%
Têxtil 313,4 357,4 292,4 -18,2% 60,8%
Outros Materiais 10,0 7,1 5,9 -16,9% 1,2%
Total 572,4 561,3 481,0 -14,3% 100%

Fonte: MDIC

Importação de calçados por material predominante


Milhões de pares

Material 2013 2014 2015 Variação 2014-2015 Participação


Injetado 0,66 0,29 0,24 -17,2% 0,7%
Sintético 10,07 7,66 7,52 -1,8% 22,6%
Chinelos 1,66 1,00 0,67 -33,0% 2,0%
Outros 8,42 6,66 6,85 2,9% 20,6%
Couro 4,81 4,45 4,19 -5,7% 12,6%
Têxtil 19,14 20,77 17,67 -14,9% 53,1%
Outros Materiais 4,47 3,63 3,64 0,2% 10,9%
Total 39,15 36,80 33,26 -9,6% 100%

Fonte: MDIC

Participação das importações por segmento

2013 Variação
2014 2015 Participação
2014-2015

Esportivo
Valor (milhões de US$) 188,6 254,2 206,4 -18,8% 42,9%
Pares (mil unidades) 9.093,2 12.020,1 9.173,0 -23,7% 27,6%

Chinelos
29 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016
Valor (milhões de US$) 6,5 4,3 3,2 -25,4% 0,7%
Total 39,15 36,80 33,26 -9,6% 100%

Fonte: MDIC

3. BRASIL

Participação das importações por segmento

2013 Variação
2014 2015 Participação
2014-2015

Esportivo
Valor (milhões de US$) 188,6 254,2 206,4 -18,8% 42,9%
Pares (mil unidades) 9.093,2 12.020,1 9.173,0 -23,7% 27,6%

Chinelos
Valor (milhões de US$) 6,5 4,3 3,2 -25,4% 0,7%
Pares (mil unidades) 1.656,7 1.000,9 670,5 -33,0% 2,0%

Outros calçados
Valor (milhões de US$) 377,2 302,9 271,5 -10,4% 56,4%
Pares (mil unidades) 28.400,6 23.776,3 23.420,5 -1,5% 70,4%

Fonte: MDIC

30 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


3. BRASIL

3.4 Emprego e Estabelecimentos


Em 2015, o nível de ocupação na indústria calçadista re- mica no estado se deve pela característica de produção
gistrou um total de 283,1 mil empregos, enquanto o núme- predominante de calçados montados, processo menos au-
ro de empresas voltadas à fabricação de calçados foi de tomatizado e massivo em mão de obra. Ao se comparar
7,7 mil. O Rio Grande do Sul se destaca como o estado a relação emprego-estabelecimentos, observa-se que os
que concentra a maior parcela de empregos (33,6%) e de estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais
empresas (35,1%) do setor calçadista, ainda que o estado e Santa Catarina apresentam empresas de menor porte,
não represente a maior parcela dos pares produzidos no quando comparadas com as empresas instaladas na Bahia
Brasil (a região sul do país representa 22,3%). Essa dinâ- e no Ceará.

Emprego Estabelecimento

283,1 mil 7,7 mil


2015 2015

Estado
33,6% Rio Grande do Sul 35,1%

19,4% Ceará 3,9%

15,0% São Paulo 31,0%

10,1% Minas Gerais 15,8%

8,7% Bahia 1,4%

2,4% Santa Catarina 3,6%

10,8% Outros 9,2%

Fonte: RAIS/ MTE

Concentração Concentração
do emprego das empresas

Faixa de
Emprego
31 Relatório
2,5% Setorial - Indústria
Até 4de Calçados do Brasil | 2016
52,8%

3,4% 15,2%
Estado
33,6% Rio Grande do Sul 35,1%

19,4% Ceará 3,9%

15,0% São Paulo 31,0%


3. BRASIL 10,1% Minas Gerais 15,8%

8,7% Bahia 1,4%

O porte das empresas calçadistas no 2,4% Santa


Brasil indica umCatarina 3,6%
tuada nas faixas de até 50 vínculos empregatícios, resul-
comportamento oposto entre a concentração 10,8% Outrostado negativo
dos víncu- 9,2%orientado pelas empresas que empregam
los empregatícios e do número de estabelecimentos vol- de 10 a 19 funcionários (reduziram suas unidades em 16,4%
tados à fabricação de calçados. Há
Fonte: RAIS/ um grande número
MTE e empregaram 16,0% a menos), as piores taxas entre as
de microempresas (68%) que empregam 5,9% da mão faixas de porte de empresas do setor. Por outro lado, hou-
de obra. A grande participação de empresas de pequeno ve um crescimento de 6,1% no número de empresas com
porte impacta no desempenho desfavorável do setor em mais de 1.000 vínculos empregatícios no último ano, indi-
períodos de crise, pois empresas de menor porte tendem cando a menor susceptibilidade das empresas de grande
a sofrer de forma mais acentuada os efeitos da retração porte aos choques econômicos. As empresas de maior
da demanda interna no País. Em concordância, a retração porte, conforme a faixa de emprego identificada, repre-
do número de empresas, entre 2014 e 2015, foi mais acen- sentam mais de 30% de toda a ocupação no setor.

Concentração Concentração
do emprego das empresas

Faixa de
Emprego
2,5% Até 4 52,8%

3,4% De 5 a 9 15,2%

5,6% De 10 a 19 11,8%

11,8% De 20 a 49 11,3%

10,6% De 50 a 99 4,4%

13,2% De 100 a 249 2,6%

11,0% De 250 a 499 1,0%

10,6% De 500 a 999 0,5%

31,3% 1000 ou Mais 0,5%

Fonte: RAIS/ MTE

32 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


3. BRASIL

O Brasil registrou uma queda de 8,5% no emprego, que vada desde o ano de 2013. Ao observar os indicadores
representa uma redução de mais de 25 mil postos de apresentados por Unidades da Federação, a Bahia é o
trabalho entre 2014 e 2015. As projeções de recupera- único estado que gerou um saldo de movimento positivo
ção do nível de emprego para o ano de 2016 não são no emprego, no ano de 2015 (2,5%). A elevação no em-
muito favoráveis. Estima-se uma redução de 5,6% em prego na Bahia pode ser efeito de um aumento da for-
um cenário pessimista e uma diminuição de 2,1% em um malização de empregados e não, necessariamente, pelo
cenário otimista, seguindo a tendência de queda obser- crescimento interno das empresas já instaladas.

Emprego na indústria calçadista por estado


Mil postos de trabalho

Estado 2013 2014 2015 Variação 2014-2015 Previsão

Rio Grande do Sul 108,3 101,8 95,1 -6,6%


-2,1%
Ceará 63,7 61,4 54,8 -10,7% -5,6%
São Paulo 54,2 49,9 42,4 -15,1%

267,2 | pessimista
Minas Gerais 33,2 32,6 28,7 -12,0%

277,2 | otimista
Bahia 26,2 24,2 24,8 2,5%
Santa Catarina 7,8 7,2 6,8 -5,7%
Outros 34,5 32,1 30,5 -5,1%
Total 327,9 309,3 283,1 -8,5%
2016*
Fonte: RAIS/MTE
(*) Estimativa Abicalçados

Estabelecimentos na fabricação de calçados por estado

Estado 2013 2014 2015 Variação 2014-2015

Rio Grande do Sul 3.160 2.989 2.720 -9,0%


São Paulo 2.667 2.565 2.403 -6,3%
Minas Gerais 1.316 1.307 1.225 -6,3%
Ceará 332 331 306 -7,6%
Santa Catarina 310 311 278 -10,6%
Bahia 101 116 110 -5,2%
Outros 785 767 711 -7,3%
Total 8.671 8.386 7.753 -7,5%

Fonte: RAIS/MTE

33 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


3. BRASIL

3.5 Indicadores Econômicos


Em 2015, o PIB brasileiro, medido em preços constantes, com crescimento do PIB previsto para 1,2%. Todavia, ao
sem o efeito da inflação, totalizou R$ 1,20 trilhões. A va- se confirmar as expectativas apontadas, a renda mé-
riação real do PIB, nesse mesmo ano, em moeda nacio- dia da população brasileira encolherá em 5,7% entre
nal, registrou uma queda de 3,8%, e estima-se que, em 2013 e 2017. Ao se considerar o crescimento histórico
2016, ainda haja retração da economia, com uma queda da economia nacional, 2,5% ao ano, é possível esperar
de 3,2%. A previsão do Banco Central do Brasil é de que a renda do Brasil volte ao padrão de 2013 entre os
um desempenho mais favorável apenas no ano de 2017, anos de 2019 e 2020.

Indicador 2013 2014 2015 2016*


PIB nominal em dólar 2,46 2,42 1,77 1,53
(trilhões de US$) (preços correntes)
PIB nominal em reais
5,32 5,69 5,90 6,35
(trilhões de R$) (preços correntes)
Deflator do PIB
423,4 452,5 488,5 545,9
(Número Índice)
PIB real em reais
1,25 1,26 1,20 1,16
(trilhões de R$) (preços constantes)

3.5.2 Câmbio
PIB real (%)
3,0 0,1 -3,8 -3,2
(crescimento em moeda nacional)
Fonte: IBGE, IMF
(*) Estimativa FMI e BCB

3.5.1 Câmbio
Volume de Vendas no Varejo 2013 2014 2015 2016*
A evolução da taxa de câmbio, média trimestral, indica uma expectativa de que a taxa de juros dos Estados Unidos não se
(otimista) (pessimista)
desvalorização
Volume de do Real em
Vendas relação ao dólar americano desde
- Setorial altere no curto prazo. Uma elevação da taxa de juros ameri-
o segundo
Tecidos, trimestre
vestuário de 2014, quando o câmbio era de R$/3,4
e calçados cana tende
-1,1 a causar-8,6
a fuga de divisas
-5,6do Brasil-7,9
para os Esta-
US$(%2,23. Essa desvalorização
acumulado do ano) atingiu o pico de R$/US$ 3,91 dos Unidos, onde os títulos são de baixo risco, desvalorizando
no primeiro trimestre de 2016. Após esse período, torna-se o real frente ao dólar. De acordo com o relatório Focus do
Volume de vendas - Geral
consistente um movimento de valorização da moeda nacional.4,3 2,2
Banco Central, -4,3 uma taxa de
espera-se -6,3câmbio próxima
-8,4 de R$/
(% acumulado do ano)
Esse processo é causado por dois motivos: (1) a necessidade US$ 3,29 no final de 2016. Para o ano de 2017, a expectativa de
de combate à inflação, considerando o impacto do câmbio média para a taxa câmbio é de R$/US$ 3,45 (Relatório Focus,
nos Receita de Vendas
custos elevados no Varejo da moeda; e (2) a
pela desvalorização 23 de setembro de 2016).
Receita nominal - Setorial
Taxa de câmbio (R$/US$) 8,8 3,4 -5,1 -1,9 -6,1
Tecidos, vestuário e calçados
15,5%
(% acumulado
Variação do ano)
trimestre/trimestre anterior
Receita nominal - Geral
11,1%
(% acumulado do ano) 10,5% 11,9 8,5 3,2 5,8 3,1

Fonte: IBGE
(*) Estimativa Abicalçados

Índices de Confiança 2013 2014 2015


-1,8%
Confiança do Comércio -3,0%
Número Índice - comércio varejista ampliado 102,7 93,5 71,4
-5,7% -10,2%
(pontos)
2,00
2012T4 2,06

2014T4 2,54
2012T3 2,03

2015T4 3,84
2,86
2013T3 2,29

2013T4 2,28

2015T3 3,55

Confiança do Consumidor
2,36
2013T2 2,07

2015T2 3,07
2014T2 2,33

2014T3 2,27

102,3 93,1 71,6


2016T2 3,51
2012T2 1,96

3,91
1,77

Número Índice (pontos)


2016T1
2015T1
2014T1
2012T1

2013T1

Fonte: IBRE/FGV
(*) Estimativa Abicalçados
Fonte: BCB
Nota: Câmbio médio trimestral, comercial, compra.

34 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


3. BRASIL
Indicador 2013 2014 2015 2016*
PIB nominal em dólar 2,46 2,42 1,77 1,53
(trilhões de US$) (preços correntes)
3.5.2 Comportamento do Comércio
PIB nominal em reais
5,32 5,69 5,90 6,35
(trilhõesde
O volume de vendas
R$) (preços
no correntes)
comércio varejista geral regis- varejista geral apresenta uma expectativa de desempenho
trouDeflator
queda de do 4,3%,
PIB em 2015. Já o indicador do volume positivo nos dois cenários: elevação da receita nominal
423,4 452,5 488,5 545,9
de vendas
(Númerosetorial
Índice) (tecidos e vestuário e calçados) apre- geral em 5,8% (otimista) e aumento de 3,1% (pessimista).
sentou decréscimo de 8,6% na variação acumulada. As Assim, a diferença na evolução entre as receitas nominais
PIB real em reais
receitas nominais de vendas no
(trilhões de R$) (preços constantes) comércio, nesse mesmo do comércio geral
1,25 1,26 em comparação
1,20 ao setorial
1,16 (tecidos,
ano, indicam uma variação positiva apenas no comércio vestuário e calçados) aponta para uma diminuição da par-
PIB real
varejista (%)( 3,2%), enquanto o indicador setorial ficou
geral ticipação do consumo desses-3,8
produtos pela-3,2população. A
3,0 0,1
(crescimento
negativo em moeda
(-5,1). As nacional)
projeções de volume de vendas não principal influência nessa perda de participação foi causa-
são Fonte:
favoráveis
IBGE, IMFpara o setor calçadista, estima-se que va- da pela elevação significativa nos preços dos alimentos,
(*) Estimativa
rie entre -5,6 FMI e BCB
(otimista) e -7,9 (pessimista). Já o comércio bens de consumo essenciais não duráveis.

Volume de Vendas no Varejo 2013 2014 2015 2016*


(otimista) (pessimista)
Volume de Vendas - Setorial
Tecidos, vestuário e calçados 3,4 -1,1 -8,6 -5,6 -7,9
(% acumulado do ano)
Volume de vendas - Geral 4,3 2,2 -4,3 -6,3 -8,4
(% acumulado do ano)

Receita de Vendas no Varejo


Receita nominal - Setorial
Tecidos, vestuário e calçados 8,8 3,4 -5,1 -1,9 -6,1
(% acumulado do ano)
Receita nominal - Geral
(% acumulado do ano) 11,9 8,5 3,2 5,8 3,1

Fonte: IBGE
(*) Estimativa Abicalçados

Índices de Confiança 2013 2014 2015


Confiança do Comércio
Número Índice - comércio varejista ampliado 102,7 93,5 71,4
(pontos)
Confiança do Consumidor 102,3 93,1 71,6
Número Índice (pontos)

Fonte: IBRE/FGV
(*) Estimativa Abicalçados

Indústria de Transformação 2013 2014 2015 2016*


(otimista) (pessimista)
NUCI
Nível de Utilização da Capacidade Instalada 82,5 81,2 76,3 - -
(média) (%)
Confiança da Indústria
Número Índice 103,1 91,1 77,3 - -
(média) (pontos)
35 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016
Produção Física
Taxa de crescimento do número Índice 2,8 -4,2 -9,8 -4,9 -7,7
(*) Estimativa Abicalçados

3. Índices
BRASIL de Confiança 2013 2014 2015
Confiança do Comércio
Número Índice - comércio varejista ampliado 102,7 93,5 71,4
(pontos)
3.5.3 Indústria de Transformação
Confiança do Consumidor 102,3 93,1 71,6
Número Índice
No período de 2013(pontos)
a 2015, o Nível de Utilização da Ca- salientar que a utilização da capacidade instalada e o ín-
pacidade Instalada (NUCI) da indústria de transformação dice de confiança da indústria apresentam uma tendência
Fonte: IBRE/FGV
tem (*)
registrado maior ociosidade, com utilização de 76,3%
Estimativa Abicalçados de movimento conjunto, pois acabam por refletir o nível
em 2015, percentual um pouco superior ao atingido pela de atividade da economia do país. Além disso, a previsão
indústria de calçados que chegou a 72,9%. Nesse mesmo para 2016 não é animadora: a projeção otimista para a
ritmo, a confiança da indústria (compõe o nível da de- produção da indústria de transformação aponta para uma
manda total, estoques, emprego, situação dos negócios e queda de -4,9% e a pessimista -7,7%. Deste modo, não se
expectativas sobre a produção), também indica diminui- pode esperar uma elevação na utilização da capacidade
ção, ficando em 77,3 pontos em 2015. Esse índice foi 25% instalada pela indústria neste ano, freando novos investi-
menor do que a média observada em 2013. É importante mentos em formação bruta de capital fixo.

Indústria de Transformação 2013 2014 2015 2016*


(otimista) (pessimista)
NUCI
Nível de Utilização da Capacidade Instalada 82,5 81,2 76,3 - -
(média) (%)
Confiança da Indústria
Número Índice 103,1 91,1 77,3 - -
(média) (pontos)
Produção Física
Taxa de crescimento do número Índice 2,8 -4,2 -9,8 -4,9 -7,7
(Indústria de Transformação) (média) (%)

Fonte: IBRE/FGV e IBGE


(*) Estimativa Abicalçados

3.5.4 Inflação Nacional


A inflação, aumento de preços ao consumidor, medido de preparação de couro, fabricação de couro, artigos
pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo para viagem e calçados, indica uma taxa que excede,
- IPCA, foi de 10,7% em 2015, e tem previsão de atingir significativamente, a inflação registrada ao consumidor.
7,3% em 2016. Assim, é esperado uma desaceleração Assim sendo, essa diferença entre a evolução dos pre-
no aumento de preços. A estimativa da inflação seto- ços ao produtor na aquisição de matérias primas e a
rial (calçados e acessórios) é de 4,3% para 2016. Já no inflação ao consumidor, do produto acabado, indica as
que tange a cadeia produtiva setorial, o indicador que dificuldades das empresas em repassar o aumento dos
mede a evolução dos preços ao produtor da indústria custos aos preços de venda.

Inflação Nacional 2013 2014 2015 2016*

Inflação ao consumidor - Geral


IPCA (acumulado do ano em relação ao ano anterior) 5,9 6,4 10,7 7,3

Inflação ao consumidor - Setorial


IPCA (calçados e acessórios – bolsas)
(acumulado do ano em relação ao ano anterior) 5,1 3,4 3,0 4,3

Inflação ao produtor - Geral


IPP (Indústria de transformação)
(acumulado do ano em relação ao ano anterior) 5,7 4,5 9,4 -

Inflação ao produtor - Setorial


IPP (Preparação de couros e fabricação de
10,9 9,9 11,2 -
artefatos de couro, artigos para viagem e calçados)
(acumulado do ano em relação ao ano anterior)

Fonte: IBGE
(*) Estimativa Abicalçados/BCB

36 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


América Latina e Caribe
Brasil
Inflação Nacional 2013 2014 2015 2016*

Inflação ao consumidor - Geral


IPCA (acumulado do ano em relação ao ano anterior) 5,9 6,4 10,7 7,3

3. Inflação
BRASIL ao consumidor - Setorial
IPCA (calçados e acessórios – bolsas)
(acumulado do ano em relação ao ano anterior) 5,1 3,4 3,0 4,3

Inflação ao produtor - Geral


3.5.5 Competitividade
IPP (Indústria de transformação) Nacional
(acumulado do ano em relação ao ano anterior) 5,7 4,5 9,4 -
O Brasil apresenta um ambiente de negócios pouco compe- 2,6 mil horas gastas com o pagamento de impostos, bastante
Inflação ao produtor - Setorial
titivo.IPPAtualmente, são necessários, em média, 83 dias para
(Preparação de couros e fabricação de
superior à média latino-americana de 366 horas anuais. Por
a abertura
artefatos dedeuma empresa,
couro, artigos ao
parapasso quee calçados)
viagem são necessários outro10,9 9,9apresentado
lado, o país tem 11,2um desempenho
- favorá-
30,8(acumulado
dias, em média,do anonos
empaíses daao
relação América Latina e do Ca-
ano anterior) vel nas exportações brasileiras, com a diminuição do tempo
ribe. Além disso, ao se analisar os custos de conformidade para exportar, em conformidade com a fronteira e a docu-
fiscal relacionada ao tempo dedicado para manter os tribu- mentação, onde os indicadores são mais favoráveis do que a
Fonte: IBGE
tos em dia, o Abicalçados/BCB
(*) Estimativa país apresenta alto nível de burocracia, com média dos países da América Latina e do Caribe.

América Latina e Caribe


Brasil (média dos países)
Indicadores 2015 2016 2015 2016
Número de dias para abertura de empresa 83,6 83,0 29,8 30,8
Custo do registro de propriedade (% valor do imóvel) 2,5 3,1 6,1 5,8
Horas gastas com o pagamento de impostos 2.600 2.600 481,2 365,5
Tempo para exportar: conformidade com a fronteira (horas) 61 49 88 80,4
Custo para exportar: conformidade com a fronteira (US$) 959,0 959,0 492,8 513,5
Tempo para exportar: conformidade com a documentação (horas) 54 42 71,4 63,2

Fonte: World Bank

37 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


38 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016
4. MERCADOS ALVO
BRAZILIAN FOOTWEAR

39 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


4. MERCADOS ALVO BRAZILIAN FOOTWEAR

Brazilian Footwear é um programa de incentivo às objetivo aumentar as exportações de marcas brasilei-


exportações desenvolvido pela Associação Brasileira ras de calçados por meio de ações de desenvolvimen-
das Indústrias de Calçados (Abicalçados) com o apoio to, promoção comercial e imagem voltadas ao merca-
da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e do internacional. A cada convênio são escolhidos os
Investimentos (Apex-Brasil). Esse programa tem por mercados-alvo, foco dos investimentos das ações.

Os mercados-alvo do projeto setorial Brazilian Foo- mercado na América do Sul. Em termos de participação
twear apresentam uma distribuição geográfica sensi- no total da renda mundial, estes 6 países representa-
velmente desconcentrada, sendo eles: Estados Unidos, ram, em 2015, praticamente 39% da renda mundial. Já
China, França, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos e com respeito às importações mundiais de calçados, no
Colômbia. Ou seja, um mercado na América do Norte, ano de 2014, essas economias apresentavam uma par-
um mercado na Ásia, dois mercados na Europa e um ticipação de 47%.

Estados Unidos
Em 2014, os Estados Unidos importaram mais de US$ do americano se caracteriza por possibilitar ganhos
26,5 bilhões em calçados, constituindo o maior im- de escala às empresas que atuam nesse país. Além
portador mundial desse produto. O consumo interno disso, o destino é o principal parceiro comercial de
nesse mercado chegou a 2,3 bilhões de pares no mes- calçados provenientes do Brasil, em termos de valor,
mo período. Com isso, o consumo per capita atingiu justificando sua permanência entre os mercados-alvo
uma taxa de 7,2 pares, o maior do mundo. O merca- do projeto setorial.

China
Se considerarmos Hong Kong e China, entre 2010 e 2014, básicas: (1) perspectivas de crescimento elevado; e (2)
as importações de calçados cresceram em média 3,2%. volumes relativamente elevados. No entanto, é impor-
Nesse último ano, o destino importou mais de US$ 6,5 tante um posicionamento consistente de marca. Apesar
bilhões em calçados, o que posiciona o mercado como de ser um mercado destacável em tamanho, o desempe-
o 5º maior importador mundial. Para os próximos anos, nho do Brasil no local ainda é pouco representativo dado
espera-se que o consumo, em pares, cresça 14%, atingin- aos desafios enfrentado pelas empresas para abertura
do um montante de 3,8 bilhões de pares em 2017. O mer- de mercado e, portanto, o apoio do programa Brazilian
cado de calçados chinês apresenta duas características Footwear é fundamental.

França

A França, em 2015, foi o principal destino das exportações elevado, mas que não se pode esperar expressivos cresci-
brasileiras de calçados entre os países da Europa Oci- mentos da demanda, já que o mercado de calçados francês
dental, chegando a um valor de US$ 54,9 milhões. Esse já atingiu certa maturidade. Por outro lado, o calçado bra-
país também se destaca pelo consumo de calçados nesse sileiro representa menos de 2% do volume comercializado
continente, estimado em 4,10 pares per capita, o maior da pelo mercado e, portanto, a França é um país de grande
europa. Com isso, a França se caracteriza por um consumo relevância ao programa de apoio às exportações.

40 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


4. MERCADOS ALVO BRAZILIAN FOOTWEAR

Reino Unido

O Reino Unido foi o 4º principal importador mundial de um posicionamento baseado em valor agregado. Além
calçados em 2014, totalizando US$ 7,1 bilhões. Entre 2013 disso, varejistas de calçados e vestuário de luxo afir-
e 2015 as exportações das empresas que fazem parte mam que há um forte crescimento desse setor no Reino
do projeto setorial Brazilian Footwear cresceram em Unido. Por consequência, a estratégia de preços e tipo
média, neste mercado, 9,3% ao ano, variando seu valor de calçados exportado pelas empresas brasileiras pode
em mais de US$ 2,2 milhões. Em termos de composi- ganhar consistência nos próximos anos. Deste modo, o
ção de produtos, aproximadamente 77% dos negócios mercado do Reino Unido, apresenta oportunidades para
com o país foram de calçados de couros, o que indica o setor calçadista brasileiro.

Emirados Árabes Unidos

Há muitos anos que os Emirados Árabes Unidos têm se do um crescimento médio, entre 2010 e 2014, de 14%. Sua
destacado no cenário internacional, apresentando po- infraestrutura logística lhe confere um favorável ambiente
tencial significativo de demanda de calçados brasileiros. como plataforma para reexportação, o que justifica os al-
Estes, somam menos de 2% do total importado pelo mer- tos volumes importados pelo país. Como um dos maiores
cado. Por ter localização estratégica no Oriente Médio e destinos de compras do mundo, caracteriza-se pela vasta
com melhores condições para fazer negócios, é a porta oferta de produtos, especialmente de alto valor agrega-
de entrada para acessar diversos mercados na região. As do. A constante expansão dos Emirados Árabes Unidos
importações mundiais de calçados do país têm apresenta- mantém o país como estratégico no projeto setorial.

Colômbia
Entre os anos de 2010 e 2014 as exportações brasilei- de crescimento, para os próximos anos, do consumo de
ras de calçados para a Colômbia cresceram, em média, calçados em pares, de aproximadamente 5,0% ao ano.
24,6% ao ano, enquanto a variação da importação do Com uma perspectiva de crescimento consistente da de-
segmento no país foi de 10% ao ano. Com isso, as empre- manda interna, o mercado colombiano apresenta opor-
sas brasileiras aumentaram sua participação de merca- tunidades ao setor. Dinâmica esta, facilitada pela locali-
do, atingindo, em 2014, 10,5% de representatividade nas zação do mercado e proximidade cultural, sendo este o
importações da Colômbia. Além disso, há uma previsão único mercado-alvo na América Latina.

Estudo customizado de mercados potenciais para empresas

A metodologia de seleção de Mercados-Alvo pode esta uma ferramenta estratégica de planejamento


ser aplicada às empresas de forma individual, abran- de curto, médio e longo prazo. O material permite
gendo a particularidade das mesmas, podendo ser gerar diversos cenários através do cruzamento de
customizado de acordo com o interesse da deman- aproximadamente 100 variáveis e 50 países, a partir
dante. Tem o propósito de fazer um diagnóstico da da base mundial de 188 mercados. Para mais informa-
atuação da organização no mercado internacional e ções consulte a área de Inteligência de Mercado da
identificar mercados potenciais para investir, sendo Abicalçados.

41 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


5. ANÁLISE DE
OPORTUNIDADES
PARA O MERCADO
INTERNACIONAL

42 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


5. ANÁLISE DE OPORTUNIDADES PARA O MERCADO INTERNACIONAL
Taxa de câmbio (R$/US$)
15,5%
Variação trimestre/trimestre anterior
5.1 Índice de Competitividade das Exportações de Calçados
11,1% 10,5%

Define um ranking de países a partir da competitividade Dinamismo: representa a média entre os indicadores da
no comércio internacional. A mensuração aplicada varia taxa de crescimento das exportações de calçados e a va-
de 0 a 100 e possui uma periodicidade anual dos dados. O riação das exportações de calçados do país (US$).
resultado considera a análise de 188 países. Os subíndices
de avaliação são: tamanho de mercado, saldo comercial, Desconcentração de Mercado: composto pela concentra-
dinamismo, desconcentração de mercado, market-share e ção das exportações de calçados do país nos 3 principais
especialização – Índice de Vantagem Comparativa Reve- destinos, sobre o total exportado por ele.
lada
-1,8%(IVCR), preço médio e quantidade de mercados. Es-
-3,0%
ses dados acabam por definir um único índice agregado e, Market-Share e Especialização (IVCR): representa a mé-
com isso, é possível observar o desempenho competitivo, dia entre
-5,7% o número índice da participação dos calçados na
-10,2%
em termos de posição, de cada país. pauta exportadora do país (market-share) e o IVCR, que é
a relação entre a participação do setor nas exportações
2,00
2012T4 2,06

2014T4 2,54
2012T3 2,03

2015T4 3,84
2,86
2013T3 2,29

2013T4 2,28

2015T3 3,55
2,36
2013T2 2,07

2015T2 3,07
2014T2 2,33

2014T3 2,27

2016T2 3,51
2012T2 1,96

3,91
1,77

Subíndices: do país frente à mundial.

2016T1
2015T1
2014T1
2012T1

2013T1

Tamanho de Mercado: representa as exportações mun- Preço Médio: representa a média entre os indicadores de
diais
Fonte:de
BCBcalçados do país em valor (US$). preço médio (US$/Kg) das exportações de calçados do
Nota: Câmbio médio trimestral, comercial, compra.
país e sua taxa de crescimento.
Saldo Comercial: representa o saldo comercial de calça-
dos do país, ou seja, a diferença entre o total das expor- Quantidade de Mercados: representa o número de merca-
tações e importações de calçados em valor (US$). dos para os quais o país exportou.

Competitividade Internacional de Calçados

2010 2011 2012 2013 2014


1º 1º 1º 1º 1º Itália

2º 2º 2º 2º 2º China

3º 3º 3º 3º Vietnã

4º 4º 4º 4º Indonésia

5º 5º 5º Espanha

6º 6º 6º

11º 11º Brasil

12º

13º

Fonte: UNComtrade.

Entre os 5 países melhores posicionados, em 2014, no áticos. O país sul-americano com a melhor classifica-
Índice de Competitividade das Exportações de Calça- ção foi o Brasil, apesar de ter perdido 3 posições no
dos, encontram-se dois mercados europeus e três asi- ranking, entre 2010 e 2014.

43 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


5. ANÁLISE DE OPORTUNIDADES PARA O MERCADO INTERNACIONAL

Itália
Na composição do índice de competitividade de calçados após os piores anos da crise econômica nesse continente.
da Itália, o indicador de “Dinamismo” chegou a 58,1 em 2014, No mesmo contexto, mesmo com a perda de 30,2 pontos
uma variação de mais de 40 pontos. Essa alteração do no “Saldo Comercial”, a elevação do “Dinamismo” compen-
subíndice foi causado pelo processo de recuperação das sou o movimento, o que possibilitou o ganho de posição no
exportações de calçados italianos no continente europeu, ranking mundial.

Tamanho
100

80
Mercados 60
Saldo Comercial

40

20

Preço Médio Dinamismo

Tamanho
100

Market-Share & 80
Desconcentração
Especialização
Mercados Saldo Comercial
60
2010 2014
40

20
Fonte: UNComtrade
0

Preço Médio Dinamismo

Market-Share &
Desconcentração
China
Especialização Tamanho
100
2010 2014
80
Mercados Saldo Comercial
De modo geral, os subíndices Fonte:
de competitividade
UNComtrade da 60
Chi- de dimensão do mercado. Com isso, para que a economia
na apresentam valores muito elevados, exceto pelo preço
40 chinesa alcance a posição de primeira colocada no ranking
médio. Três dos sete indicadores atingiram a pontuação
20 mundial, é importante que ocorra uma elevação do preço
máxima, que foram justamente aqueles que indicam a gran-
0 médio dos calçados exportados pelo país.
Preço Médio Dinamismo

Tamanho
100

Market-Share & 80
Mercados Desconcentração
Saldo Comercial
Especialização 60

40
2010 2014
20
Fonte: UNComtrade
0

Preço Médio Dinamismo

Market-Share &
TamanhoDesconcentração
Especialização 100

80
2010 2014
Mercados 60 Saldo Comercial
Fonte: UNComtrade
40

20

Preço Médio Dinamismo

100
Tamanho
44 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016
80
Mercados Saldo Comercial
Mercados 60
Saldo Comercial
Fonte: UNComtrade
40

20

5. ANÁLISE DE OPORTUNIDADES
Preço Médio PARA O MERCADO
Dinamismo INTERNACIONAL

Tamanho
100

Market-Share & 80
Mercados Desconcentração
Saldo Comercial
Vietnã Especialização 60

40
2010 2014
20
O Vietnã perdeu duas posições no ranking geral do
Fonte: UNComtrade
de concentração das exportações do Vietnã, nos anos
0
Índice de Competitividade Internacional de Calçados, analisados. De modo geral, a composição do índice de
passando da primeira posição para
Preço terceira posição. O
Médio competitividade apresentou um comportamento relati-
Dinamismo
principal motivo da perda de posição foi um processo vamente constante.

Market-Share &
Especialização 100
TamanhoDesconcentração

80
2010 2014
Mercados 60 Saldo Comercial
Fonte: UNComtrade
40

20

Preço Médio Dinamismo

100
Tamanho

80
Mercados 60 Saldo Comercial
Market-Share &
Desconcentração
Especialização 40
2010
20 2014

Fonte: UNComtrade 0

Preço Médio Dinamismo

Brasil Market-Share &


Desconcentração
Especialização
Tamanho
Entre 2010 e 2014 o Brasil perdeu três 2010
posições100na 2014
Entretanto, o pior desempenho foi observado no subín-
classificação, passando da 8ªFonte:
posição para a 11ª posição
UNComtrade
80 dice “Saldo Comercial”, cuja perda de competitividade
Mercados Praticamen-
de países mais competitivos em calçados. 60
Saldo Comercial
nesse subíndice pode ser resultado da moeda nacional
te todos os subíndices que compõem a competitivida- 40 valorizada no período da análise, uma vez que a taxa
de desse país caracterizaram-se com queda, apenas 20 o de câmbio acaba por influenciar os movimentos de im-
subíndice “Mercado” manteve sua pontuação constante. 0
portação e exportação.
Preço Médio Dinamismo

Tamanho
100

80
Market-Share & Desconcentração
Mercados
Especialização 60
Saldo Comercial

2010
40 2014
20
Fonte: UNComtrade
0

Preço Médio Dinamismo

Market-Share & Desconcentração


Especialização
2010 2014

Fonte: UNComtrade

45 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


5. ANÁLISE DE OPORTUNIDADES PARA O MERCADO INTERNACIONAL

5.2 Índice de Atratividade das Exportações Brasileiras de Calçados


Define um ranking de países com as melhores oportunida- índices da variação em valor (US$) e percentual, das im-
de de negócios para o mercado brasileiro de calçados. A portações de calçados provenientes do Brasil.
mensuração aplicada varia de 0 até 100 pontos e possui
uma periodicidade anual. O resultado abrange 188 países Relevância para o Brasil e Mundo: avalia a representativi-
avaliados e os subíndices analisados são: Tamanho Brasil, dade em valor (US$) das importações de calçados de um
Dinamismo Brasil, Relevância para o Brasil e Mundo, Tama- país a partir da média dos números índices do valor total
nho Mundo, Dinamismo Mundo, Preço Médio. Esses subín- importado frente ao de origem brasileira.
dices acabam por definir um único índice agregado para
cada país, denominado de Índice de Atratividade das Ex- Tamanho Mundo: refere-se ao total das importações de
portações Brasileiras de Calçados calçados do país, em valor (US$).

Subíndices: Dinamismo Mundo: representa a média entre os números


índices da variação em valor (US$) e percentual, das im-
Tamanho Brasil: representa o valor (US$) das importações portações totais de calçados do país.
de calçados de origem brasileira na pauta de importações
de outro país. Preço médio: representa a média entre os indicadores de
preço médio (US$/Kg) das importações de calçados do
Dinamismo Brasil: representa a média entre os números país, provenientes do Brasil e mundiais.

Índice de Atratividade das Exportações Brasileiras de Calçados – 2010 até 2014

2010 2011 2012 2013 2014


1º 1º 1º 1º França

2º 2º 2º 2º Estados Unidos

3º 3º China

4º Emirados Árabes

5º 5º 5º 5º 5º Canadá

7º 10º

11º

16º 13º

17º

21º 21º

27º

Fonte: UNComtrade

A França mantém sua hegemonia na primeira posição disso, nota-se que ano após ano ocorre uma alteração
do ranking de Atratividade das Exportações Brasileiras positiva na posição desse país, saindo da 17ª posição
de Calçados há quatro anos, contudo, cabe destacar em 2010, e atingindo a 4ª posição em 2014. A expressi-
ainda dois países. O primeiro deles, Estados Unidos, su- va variação dos Emirados Árabes Unidos no índice foi
biu 5 posições no ranking, colocando-se na 2ª posição causada pelo processo de abertura de mercado que as
em 2014. A elevação apontada foi fortemente influen- empresas brasileiras estão realizando nesse país. Além
ciada pelo processo de recuperação econômica que disso, o consumo e as importações totais de calçados,
passa a economia americana no período analisado. O nos anos investigados, cresceram de forma significativa
outro mercado que merece atenção, Emirados Árabes nos Emirados Árabes Unidos, atingindo taxas na casa
Unidos, alterou sua posição em 13 colocações. Além de dois dígitos.

46 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


3º China
4º Emirados Árabes Unidos
5º Canadá
5. ANÁLISE DE OPORTUNIDADES PARA O MERCADO INTERNACIONAL
Índice de Atratividade
7º das Exportações Brasileiras de Calçados – 2010 até 2014
16º 13º 11º 10º
2010 2011 2012 2013 2014

França 17º 21º 27º 21º 1º França


2º Estados Unidos
A principal qualidade do mercado francês encontra-se
Fonte: UNComtrade
Ao mesmo tempo, observa-se uma alteração positiva
nas suas dimensões, tanto para o Brasil quanto para 3º China
no subíndice “Dinamismo Mundo” que não foi observado
o mundo. Com isso, os indicadores de “Tamanho Bra- no “Dinamismo Brasil”, resultando em um evidente com-
sil”, “Tamanho Mundo” e, por consequência, “Relevância 4º Emirados
portamento Árabes
de perda de Unidos para o setor de
oportunidades
para o Brasil e Mundo” são significativamente elevados. calçados do Brasil.
5º Canadá
7º Tamanho Brasil
100

16º 13º 11º 10º 80


Preço Médio Brasil e 60
Dinamismo Brasil
17º 21º Mundo 27º 21º 40
20
0
Fonte: UNComtrade

Relevância para o
Dinamismo Mundo
Brasil e Mundo

Tamanho Mundo

2010 Tamanho
2014 Brasil
100
Fonte: UNComtrade 80
Preço Médio Brasil e 60
Dinamismo Brasil
Mundo 40
20
0

Estados Unidos
Dinamismo Mundo
Relevância para o
Brasil e Mundo
100 Tamanho Brasil
Entre 2010 e 2014 não foram observadas alterações 80 de negócios entre os países ainda é modesto quando
significativas nos subíndices de competitividade
Preço Médio dosTamanho
Es-
60 comparado ao montante das importações americanas.
Mundo
tados Unidos. Cabe ressaltar oBrasil tamanho
e Mundo do mercado
2010
40
Nesse
2014
contexto,
Dinamismoconsiderando
Brasil as altas taxas de cres-
americano, que se manteve com pontuação máxima 20 no cimento das importações dos Estados Unidos, há uma
Fonte: UNComtrade
período analisado. Ademais, ainda que os Estados Uni- 0
grande parcela de mercado que ainda pode ser ocupa-
dos seja o principal parceiro comercial do Brasil, em da pelas exportações brasileiras do segmento, além da
termos de valor transacionado de calçados, o volume possibilidade de ganho de mercado.
Dinamismo Relevância para o
Mundo Brasil e Mundo

Tamanho Mundo
100 Tamanho Brasil
2010 2014
80
Fonte: UNComtrade
Preço Médio 60
Brasil e Mundo Dinamismo Brasil
40

20

Dinamismo Tamanho BrasilRelevância para o


Mundo 100 Brasil e Mundo
80

Preço Médio 60
Tamanho Mundo Dinamismo Brasil
Brasil e Mundo 40
2010
20 2014
Fonte: UNComtrade
0

Dinamismo Relevância para o


Mundo Brasil e Mundo

47 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


Tamanho
100
Tamanho
Mundo Brasil
0

Tamanho Brasil
100
Dinamismo Relevância para o
80
Mundo Brasil e Mundo
Preço Médio 60
5. ANÁLISE DE OPORTUNIDADES PARA O MERCADO INTERNACIONAL
Dinamismo Brasil
Brasil e Mundo
40

Tamanho
20 Mundo
0
2010 2014

China Fonte: UNComtrade

Dinamismo Relevância para o


Mundo Brasil e Mundo
Ao se comparar, os indicadores de “Tamanho Brasil” e mercado. Além disso, nota-se uma queda no subíndice
“Tamanho Mundo” no mercado chinês, entre 2010 e 2014, “Dinamismo Brasil”, que demonstra que as exportações
evidencia-se a característica de que as empresas Tamanho brasileiras não conseguiram acompanhar o ritmo de cres-
calça- Mundo
distas brasileiras não exploram de forma expressiva esse cimento do mercado chinês.
2010 2014

Fonte: UNComtrade
100 Tamanho Brasil
80

Preço Médio 60 Dinamismo


Brasil e Mundo 40 Brasil

20

100 Tamanho Brasil


Dinamismo Relevância para
Mundo 80 o Brasil e Mundo
Preço Médio 60 Dinamismo
Brasil e Mundo 40 Brasil
Tamanho Mundo
20

0
2010 2014

Fonte: UNComtrade
Dinamismo Relevância para
Mundo o Brasil e Mundo

Tamanho Mundo

Emirados Árabes Unidos


Fonte: UNComtrade
2010 2014

Todos os subíndices analisados elevaram-se no mer- Brasil vem logrando os benefícios desse crescimento,
cado dos Emirados Árabes Unidos, com exceção do Tamanho Brasil pelas
indicado alterações nos índices de “Tamanho Bra-
100
“Preço Médio Brasil e Mundo”, que permaneceu pra- 80 sil”, “Dinamismo Brasil” e “Relevância para o Brasil e
ticamente estável. Dessa maneira,Preço
esse mercado pode
Médio 60 o Mundo”.Dinamismo
O resultado apontado estabelece que existe
ser definido como em expansãoBrasilpara o consumo de
e Mundo 40 um posicionamento
Brasil consistente do calçado brasileiro
calçados. Acima de tudo, é importante destacar que20o nos Emirados Árabes Unidos.
0

Tamanho Brasil
Dinamismo 100 Relevância para
Mundo 80
o Brasil e Mundo

Preço Médio 60 Dinamismo


Brasil e Mundo 40
Brasil
TamanhoMundo
20

20100 2014
Fonte: UNComtrade

Dinamismo Relevância para


Mundo o Brasil e Mundo

TamanhoMundo

2010 2014
Fonte: UNComtrade

48 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


Gerenciamento
de Risco
Mais segurança
para a encomenda

49 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


6. ANÁLISE DO
ESPECIALISTA

50 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


6. ANÁLISE DO ESPECIALISTA

A recuperação da produção, os desafios e os novos rumos


O ano de 2015 pode ser últimos 25 anos. Ou seja, agora as atenções se voltam à
marcado pela ocorrência capacidade dinâmica da economia brasileira de retomar
da Terceira Fase da crise padrões de produção anteriormente já atingidos.
econômica internacional,
a qual se iniciou na eco- É interessante ressaltar que a produção da indústria calça-
nomia dos Estados Unidos. dista no Brasil, quando comparada com o produto da eco-
Nesse sentido, a cronologia nomia brasileira como um todo, passa por um processo de
da chamada “grande crise” recuperação mais consistente. Estima-se que a produção
pode ser dividida da se- de calçados apresentou uma queda de 5,4% em 2015. Essa
guinte maneira: (A) Primeira taxa deve ficar entre retrações de 0,9% (otimista) e 2,8%
Fase: em 2007 já se tinha (pessimista) em 2016. Ou seja, tem-se uma queda esperada
um conjunto de alertas so- menor que a projetada para economia brasileira, mesmo
bre a debilidade do mer- considerando o cenário pessimista, o que demonstra a ca-
Marcos Tadeu Lélis
Doutor em Economia cado financeiro americano, pacidade do setor de se ajustar de forma mais rápida às
que não deixavam dúvidas crises. É possível explicar essa capacidade de ajuste atra-
da possibilidade de uma cri- vés de dois elementos: (1) ganhos de produtividade; (2) bus-
se sistêmica na economia internacional. Com isso, já em ca pelo mercado internacional. Ao mesmo tempo, não se
setembro de 2008, com a quebra do banco de investimen- pode esquecer que ambos estão inter-relacionados e que
to Lehman Brothers, tem-se a confirmação da fragilidade as empresas exportadoras, em geral, são mais produtivas
financeira dos mercados nos Estados Unidos. (B) Segunda que as não exportadoras.
Fase: em dezembro 2009 e início de 2010, os rumores de
que a Grécia poderia suspender os pagamentos referente No que tange à participação das exportações no total da
a sua dívida pública acabam por contaminar a dinâmica produção, observa-se uma elevação entre 2013 e 2015,
econômica de Portugal, Espanha e Irlanda, sendo que, em passando de 11,9% para 13,1%, com perspectiva de cresci-
agosto de 2011, a pressão se instala na Itália. (C) Terceira mento para o ano de 2016. Em termos de produtividade
Fase: em março de 2015, o crescimento chinês desacelera da indústria de calçados (que considera o total da produ-
de forma mais consistente e atinge uma taxa de variação ção dividido pelo número de trabalhadores formais), entre
média na produção industrial chinesa de 5,5% ao mês, 2013 e 2015, houve uma elevação de 5,2%, variando de 3.171
frente aos 10% verificados entre 2012 e 2014. Também, en- para 3.335 pares anuais por trabalhador. Todavia, além da
tre 2014 e 2015, os preços das commodities despencaram, elevação do coeficiente de exportação, há duas outras
afetando as economias em desenvolvimento que são de- particularidades que podem explicar os ganhos produti-
pendentes da exportação destes produtos. vos da indústria de calçados e, como resultado, a melhor
capacidade de saída da crise econômica brasileira: (1) A
Já o ano de 2016 se estabelece em torno da, ainda difí- concentração da produção em empresas de maior porte;
cil, saída da crise européia, ampliada pelas suas questões (2) a influência da redução de produção subcontratada
geopolíticas, pelos efeitos do Brexit (Britain Exit, saída do (terceirização), geralmente, caracterizada por empresas
Reino Unido da União Européia) e pela redução do ritmo de de menor porte.
crescimento econômico da China. Além disso, manifesta-se
à indefinição política nos Estados Unidos. Esse ambiente in- Em momentos de crises econômicas prolongadas e acen-
ternacional atinge a economia brasileira em uma situação tuadas, são as empresas maiores que possuem mais faci-
de desajustes internos, aprofundado pelos problemas eco- lidade de absorver os choques de queda da demanda. Ou
nômicos nacionais e dificuldades nos movimentos de aco- seja, parte dos ganhos de produtividade do setor de cal-
modação. Ao mesmo tempo, a crise política potencializa çados pode ser resultado da concentração da produção e,
os obstáculos à retomada do crescimento econômico. A também, da maior capacidade de se posicionar nos merca-
situação ainda permanece pouco favorável ao se observar dos internacionais. Como já indicado anteriormente, essa
as perspectivas para os anos de 2016 e 2017. O segundo tendência de retomada deve permanecer em 2016. Assim,
semestre de 2016 já aponta uma suave retomada do nível é importante observar como isso afetará as empresas de
de atividade da economia nacional, não o suficiente para menor porte ao saber que essas são mais dependentes
evitar uma queda no Produto Interno Bruto (PIB), estimada de mercado interno e, por consequência, impactadas pela
em 3,2%. Já para o ano de 2017, é possível esperar uma queda da massa salarial registrada nos últimos dois anos
recuperação do PIB no Brasil de 1,2%, de maneira que esta que influencia diretamente o consumo e deve seguir na
taxa pode chegar a 2,5% em 2018, próxima da média dos mesma tendência em 2016.

51 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


52 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016
7. METODOLOGIA

53 Relatório Setorial - Indústria de Calçados do Brasil | 2016


7. METODOLOGIA

O “Relatório Setorial: Indústria de Calçados do Brasil” pos- A “Pesquisa de Produção - Abicalçados” é um questio-
sui periodicidade anual, cujos dados apresentados foram nário estruturado de adesão voluntária e aplicado com
coletados de fontes oficiais, ou estimados com base nos uma amostragem. Estima-se que a amostra das empre-
mesmos, juntamente com as informações coletadas através sas respondentes representa 70% da produção nacional,
da “Pesquisa de Produção – Abicalçados”. Deste modo, os em pares. As informações são confidenciais e não serão
dados podem sofrer alterações entre os anos reportados, divulgadas individualmente, sendo reportado apenas os
de acordo com as atualizações e revisões das fontes. dados consolidados.

7.1 Dados de Produção


DEFINIÇÕES – PRODUÇÃO DE CALÇADOS ce de produção física do IBGE, para o ano de 2016, a partir
A Pesquisa Industrial Anual – Produto (PIA – Produto): é de um intervalo de confiança (ponto máximo e mínimo).
uma publicação que mensura a produção e vendas, em ter- Esse intervalo de confiança tem como objetivo minimizar
mos de quantidade e valor, dos produtos e serviços indus- o erro causado pela alteração na tendência estimado do
triais gerados no País. A pesquisa abrange a população de último semestre de 2016, chegando em estimativas por in-
unidades locais produtivas com 30 ou mais pessoas ocupa- tervalos e não pontuais.
das, que auferiram receita bruta superior ao dado de corte
relativo ao ano anterior. Dada sua abrangência, a publica- DEFINIÇÕES – REGIONALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO
ção da PIA-Produto é disseminada com 2 anos de defasa- Relação Anual de Informações Sociais (RAIS): constitui um
gem, sendo a última publicação relativa ao ano de 2013. relatório anual com informações socioeconômicas solici-
tado pelo Ministério do Trabalho e Emprego no Brasil às
A Produção Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF): pessoas jurídicas e outros empregadores. Este relatório
divulga o comportamento de curto prazo do volume de anual é fonte das estatísticas de número de empresa e
produção nacional, através de número índice. O painel de emprego formal, por estado e setor. A Pesquisa Industrial
produtos e informantes monitorados para o índice parte Anual – Empresa (PIA – Empresa): define-se a partir de
da PIA-Empresa e PIA-Produto (2010), e representa 85% um relatório anual que tem como objetivo identificar as
do valor da transformação industrial, com base de pon- características estruturais básicas do segmento empre-
deração fixa dos indicadores. De outro modo, os índices sarial da atividade industrial. Seus resultados subsidiam
são médias ponderadas de relativos de quantidades, com o Sistema de Contas Nacionais nas estimativas do valor
pesos definidos pelo valor de cada produto, estimado com da produção, consumo intermediário, valor adicionado,
base nas quantidades vigentes no mês de anterior, e dos formação de capital e pessoal ocupado. A pesquisa abor-
preços do período base (base 2012=100). da dados sobre número de empresas, pessoal ocupado
(declarado pelas empresas – formal e informal), custos
Pesquisa de Produção - Abicalçados: foi coletada através e despesas, gasto de pessoal, receita, valor da produção
da aplicação de um questionário, entre os meses de maio e valor da transformação industrial, com base na Classifi-
e junho de 2016, abrangendo informações relativas ao ano cação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE 2.0). A
de 2013, 2014, 2015, e a expectativa de movimento para o PIA-Empresa engloba as unidades locais produtivas com
ano de 2016. Em termos de volume de produção, consta- 30 ou mais pessoas ocupadas, que auferiram receita bruta
tou-se que a amostra representa, no ano de 2013 (último superior ao dado de corte no ano anterior ao da pesquisa.
dado oficial da PIA-produto/IBGE), cerca de 70% da pro-
dução identificada no ano pelo IBGE. APLICAÇÃO – REGIONALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO
O maior desafio na estimativa da produção de calçados,
APLICAÇÃO – PRODUÇÃO DE CALÇADOS considerando um corte regional, mais especificamente
Os dados de produção divulgados pela Abicalçados para os uma definição por Estados da Federação, encontra-se na
anos de 2014 e 2015 partem da base oficial do IBGE, referen- segmentação da produção entre as unidades produtivas
te ao ano de 2013 (PIA-produto), e representam um total de e na capacidade da indústria calçadista em se deslocar
1.731 empresas informantes. Assim, a produção de calçados no geograficamente de maneira ágil e constante (indústria
ano de 2014 e 2015 foram construídos em consideração ao leve). Assim, a partir da base da produção por estado da
crescimento anual ponderado médio, observado na (1) amos- PIA-Produto, em 2013, e um conjunto de indicadores da
tra coletada pela Pesquisa de Produção Abicalçados e pela RAIS e da PIA-Empresa, estima-se a produção de calça-
PIA-produto em 2013, do IBGE; e (2) pelo crescimento médio dos regionalizada nos anos de 2014 e 2015.
anual da PIM-PF, disseminado pelo IBGE mensalmente.
As estimativas de produção, para os anos de 2014 e 2015, por
A estimativa de produção para o ano de 2016 parte da estados divulgadas pela Abicalçados, levam em considera-
mesma concepção metodológica. Faz uso de uma média ção um conjunto de informações regionalizadas, tais como:
do crescimento previsto pela amostra da Abicalçados número de empresa, pessoal ocupado (PIA-Empresa e RAIS)
(ponderada), definida pelas próprias empresas da amos- e valor da produção (PIA-Empresa). Dessa forma, com base
tra, e pela projeção estatística do índice da PIM-PF para na PIA-Produto de 2013 e em uma média ponderada dos mo-
os meses do segundo semestre de 2016. Com isso, estabe- vimentos de emprego, empresa e valor da produção por
lece-se a estimativa do crescimento médio anual do índi- estado, estimou-se a produção de calçados regionalizada.

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7. METODOLOGIA

7.2 Projeções Estatísticas

DEFINIÇÕES – PROJEÇÕES ESTATÍSTICAS estrutural ocorrida nos parâmetros estimados. Essa estru-
tura estatística possibilita a estimativas de tendências das
Modelos Estruturais em Espaço de Estado e Filtro De Kal- séries temporais com maior precisão.
man: os modelos estruturais são definidos com objetivo de
extrair os chamados componentes não observados de uma APLICAÇÃO – PROJEÇÕES ESTATÍSTICAS
série analisada ao longo do tempo: Tendência, Sazonalida-
de, Ciclos e Irregularidades. O tratamento estatístico de um A partir das séries observadas com uma periodicidade
modelo estrutural pode ser baseado na forma de espaço mensal, coleta-se os dados disponíveis, para 2016, até o
de estado. Com isso, caracteriza-se duas equações esto- fechamento do relatório da Abicalçados. O restante dos
cásticas diferentes: (1) equação de medida ou das observa- meses faltantes no ano de 2016 foi estimado pelo modelo
ções; e (2) equação de transição ou de estado. A definição estrutural em espaço de estado e filtro de Kalman, a partir
do modelo estatístico em Espaço de Estado permite atuali- da tendência da série observada. Ao mesmo tempo, esta-
zar os parâmetros estimados a todo instante, definido mo- beleceu-se uma ponderação, a essa tendência estatística,
delos não-lineares. O Filtro de Kalman é um algoritmo que de acordo com as expectativas futura da economia brasi-
fornece a atualização final de cada parâmetro estimado. A leira. É importante salientar que se optou por estimativas
principal vantagem de modelos estatísticos estruturais em de intervalo vis a vis às estimativas por ponto, uma vez
espaço de estado e filtro de Kalman reside na capacidade que, ao se definir o intervalo de confiança para a projeção,
de alterar o comportamento dos componentes não obser- tem-se um procedimento de minimizar o erro, e estabele-
vados ao longo do tempo, absorvendo qualquer alteração cer cenários otimistas e pessimistas.

7.3 Fontes

BCB | Banco Central do Brasil | bcb.gov.br MTE - RAIS/CAGED | Ministério do Trabalho e Emprego -
Relação Anual de Informações Sociais e Cadastro Geral
Euromonitor International | euromonitor.com de Empregados e Desempregados | trabalho.gov.br
IBGE | Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística | ibge.gov.br UNComtrade | United Nations Comtrade | comtrade.un.org
IBRE/FGV | Instituto Brasileiro de Economia - Fundação World Shoe Review | worldshoereview.co.uk
Getúlio Vargas | portalibre.fgv.br
WTO | World Trade Organization | wto.org
MDIC | Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comér-
cio Exterior | mdic.gov.br

7.4 Classificação do Sistema Harmonizado de


Designação e Codificação de Mercadorias
Os códigos referentes ao Sistema Hamonizado de Desig- de material têxtil e 6405 para outros materiais. Os dados
nação e Codificação de Mercadorias (SH6) referentes ao reportados por segmentos atendem a seguinte classifica-
setor calçadista estão englobados no capítulo 64 “Cal- ção: (1) Chinelos estão compreendidos no SH6 6402.20;
çados, polainas e artefatos semelhantes, e suas partes”, (2) Calçados esportivos estão representados pelos SH6
segmentadas nas posições 6401, denominada para cal- 6402.12, 6402.19, 6403.12, 6403.19 e 6404.11; (3) As demais
çados injetados, 6402 para calçados de material sinté- posições dos códigos SH6 estão representadas no grupo
tico, 6403 para calçados de couro, 6404 para calçados “outros calçados”.

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