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Rua Inácio Bitencourt nº 269 A

Jd. Tranquilidade – Guarulhos -SP


Tel: (11) 2424-0897 Cels.: 95923-3749
99588-0862 94614-7249
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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE
DIREITO DO DEPARTAMENTO DE EXECUÇÕES
CRIMINAIS DE SÃO PAULO 1ª RAJ DE SÃO PAULO
– SP.

EXECUÇÃO CRIMINAL nº 0004578-62.2017.8.26.0502

APOLIANA LIMA COSTA, já


devidamente qualificado nos autos do processo em epígrafe,
através de seu procurador ao final subscrito, vem
respeitosamente a presença de Vossa Excelência, se
manifestar sob opinião ministerial de fls.: 262/264 nos
seguintes termos:
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A defesa reitera a petição de fls.:240/245


e em relação ao exame criminológico pleiteado pelo
Representante do “Parquet” sob a alegação de delito grave
não deve ser acolhida uma vez que trata-se de crime comum e
um crime hediondo.
Com o preenchimento dos requisitos
legais presentes, subjetivo e objetivo conforme cálculos de fls
257 torna-se uma faculdade do juízo em realizar o exame
criminológico

Além de o requisito objetivo ter sido


plenamente preenchido, também há atestado de bom
comportamento carcerário. Logo, resta preenchido também o
requisito subjetivo, e não há no histórico da sentenciada
nenhuma falta disciplinar além de ter se dedicado a
atividades laborterapêutica tendo vasta remições de pena .

Após a edição da Lei Federal nº


10.792/2003, discutiu-se intensamente acerca da
possibilidade de realização do exame criminológico para fins
de progressão de regime de cumprimento de pena. Ressalvado
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o posicionamento deste Causidico, que inclusive foi a única
entidade a se manifestar no PSV-30, o Supremo Tribunal
Federal editou a Súmula Vinculante nº 26 nos seguintes
termos:

“Para efeito de progressão de regime no cumprimento de pena


por crime hediondo, ou equiparado, o juízo da execução
observará a inconstitucionalidade do art. 2º da Lei nº. 8.072,
de 25 de Julho de 1990, sem prejuízo de avaliar se o condenado
preenche, ou não, os requisitos objetivos e subjetivos do
benefício, podendo determinar, para tal fim, de modo
fundamentado, a realização de exame criminológico.”

Que não e o caso em testilha.

Observa-se da parte final do enunciado


que o Supremo Tribunal Federal exige fundamentação para a
realização do exame criminológico. Para tal fim, não basta a
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simples menção à gravidade do delito, pois tal fator já foi
considerado pelo juízo de conhecimento ao individualizar a
pena a ser cumprida.

A fundamentação exigida pela Súmula


Vinculante nº 26 requer a análise dados concretos na fase
executiva de individualização da pena. Neste sentido são os
precedentes desta Suprema Corte que levaram à edição da
Súmula. No Habeas Corpus Nº 86.631/PR assim se
manifestou o Min. Lewandowski:

“Do cotejo entre ambas as normas


verifica-se que a alteração legislativa não visou apenas a
supressão pura e simples do exame criminológico para fins de
progressão de regime, mas estabeleceu critérios norteadores da
decisão do juiz, sem prejuízo de permitir que este requisite a
referida perícia, observadas as peculiaridade de cada caso
concreto.” (g.n.)

No mesmo sentido manifestou-se o Min.


Eros Grau quando julgou o Habeas Corpus nº 97.824/MG:
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“A decisão que determina a permanência do réu no regime mais
gravoso deve conter fundamentação robusta. Simples
referência a exame criminológico não favorável não é, por si
só, suficiente para negar a progressão de regime. O juiz deve,
em cada caso, decidir, fundamentadamente, a respeito da
necessidade ou não da realização do exame.” (g.n.) Assim, não
basta ao juiz da execução apontar a gravidade do delito
praticado sem se atentar para as peculiaridades do caso
concreto. Trata-se, aqui, de individualização da pena na fase
executiva.

O Superior Tribunal de Justiça, por sua


vez, traduziu corretamente o sentido do verbete em tela,
exigindo fundamentação com base em dados concretos
ocorridos durante a execução da pena. Vejamos:

PROCESSO PENAL.
HABEAS CORPUS.
EXECUÇÃO PENAL.
PROGRESSÃO DE REGIME.
NECESSIDADE DE EXAME
CRIMINOLÓGICO.
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FUNDAMENTAÇÃO
CONCRETA. AUSÊNCIA. 1. À
luz da nova redação do art.
112 da LEP, somente se
exige o exame criminológico
quando se apurar a sua
necessidade, a qual deverá
ser demonstrada por meio de
dados concretos, não
bastando a referência à
gravidade do delito. 2.
Ordem concedida para
restabelecer a decisão do
Juiz da Vara das Execuções
Penais que deferiu a
progressão de regime, com
amparo em atestado de boa
conduta carcerária emitido
pelo diretor do
estabelecimento
penitenciário.” (STJ – HC nº
61.792/SP – Sexta Turma –
Rel p/Acórdão Min. Maria
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Thereza de Assis Moura. DJ:


10/05/2007) (g.n.)

“EXECUÇÃO PENAL.
HABEAS CORPUS.
LIVRAMENTO
CONDICIONAL. REQUISITO
OBJETIVO. FALTA GRAVE.
INTERRUPÇÃO DO PRAZO.
REQUISITO SUBJETIVO.
EXAME CRIMINOLÓGICO.
ART. 112 DA LEP, COM A
NOVA REDAÇÃO DADA PELA
LEI N.º 10.792/2003. I - O que
o art. 83, inciso I, do CP
exige, para fins de
atendimento do requisito
objetivo para obtenção do
benefício do livramento
condicional, é o
cumprimento de mais de um
terço da pena total imposta
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ao sentenciado. Entender-se
que a prática de falta grave
obriga o sentenciado ao
cumprimento de mais de um
terço da pena restante para
fins de concessão do
livramento condicional, é
criar requisito objetivo não
previsto em lei. II - Para a
concessão do benefício do
livramento condicional, deve
o acusado preencher os
requisitos de natureza
objetiva (lapso temporal) e
subjetiva (bom
comportamento carcerário),
nos termos do art. 112 da
LEP, com redação dada pela
Lei n.º 10.792/2003, podendo
o Magistrado,
excepcionalmente,
determinar a realização do
exame criminológico, diante
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das peculiaridades da causa,


desde que o faça em decisão
concretamente
fundamentada (cf. HC
88052/DF, Rel. Ministro Celso
de Mello, DJ de 28/04/2006).
(Precedentes). III - Dessa
forma, muito embora a nova
redação do art. 112 da Lei de
Execução Penal não mais
exija o exame criminológico,
esse pode ser realizado, se o
Juízo da Execução, diante
das peculiaridades da causa,
assim o entender, servindo
de base para o deferimento
ou indeferimento do pedido
(Precedentes desta Corte e
do c. Pretório Excelso). IV -
In casu, verifica-se que o e.
Tribunal a quo, considerando
o envolvimento do paciente
em crimes contra o
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patrimônio (roubos
majorados), bem como a
prática de faltas
disciplinares de natureza
grave (desacato aos
funcionários do
estabelecimento carcerário
e rebelião), determinou,
fundamentadamente, sua
submissão ao exame
criminológico, não se
vislumbrando, portanto,
qualquer ilegalidade em tal
determinação. Ordem
parcialmente concedida.”
(STJ – HC nº 126.505. Quinta
Turma. Rel. Min. Félix
Fischer. DJ: 15/12/2009)
(g.n.) No caso em tela, não
foi apontado nenhum dado
concreto para fundamentar a
decisão que ordenou a
realização do exame
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criminológico. Aliás, não


houve fundamentação
nenhuma, a não ser uma
breve alusão à gravidade
abstrata do delito. Tal como
ocorre na decretação da
prisão preventiva, aqui
também não basta a
invocação da gravidade do
delito para, por si só,
determinar a realização do
exame criminológico.

O Supremo Tribunal Federal permitiu a


realização de exame criminológico de maneira excepcional, de
acordo com as peculiaridades do caso concreto. Mas o que se
vê é a tentativa de banalização do exame, deturpando-se a
interpretação da Suprema Corte. Sem fundamentação
concreta, ficaria permitida a realização do exame
criminológico em todos os casos de delitos graves,
estabelecendo-se uma “presunção de periculosidade”, conceito
já superado que remonta à criminologia positivista.
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Diante o exposto a defesa pugna pela não


realização do exame criminológico pelas razoes já expostas
tendo em vista presente os requisitos subjetivos e objetivos
ensejadores para a progressão de regime intermediaria que será
o regime semiaberto, por medida de Justiça.

Termos em que;
Pede deferimento.

São Paulo, 7 de agosto de 2019

MARCOS JOSE LEME


OAB/SP Nº 215.865