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Epidemiologia

Epidemiologia (do grego. epi "sobre" demos "povo" logos "estudo")


a ciência das epidemias, propõe-se a estudar quantitativamente a distribuição dos fenômenos
de saúde/doença, e seus fatores condicionantes e determinantes, nas populações humanas.
A epidemiologia, portanto, é um campo da ciência que trata dos vários fatores genéticos,
sociais ou ambientais e condições derivados de exposição microbiológica, tóxica, traumática,
etc. que determinam a ocorrência e a distribuição de saúde, doença, defeito, incapacidade e
morte entre os grupos de indivíduos.
Sumariamente a definição de epidemiologia é o estudo da distribuição das doenças e seus
determinantes. Como observa Almeida Filho (1989) o termo distribuição está contido no
termo população e o processo determinação está associado à delimitação da doença que, por
sua vez, abrange concepções derivadas da prática clínica e próprias da epidemiologia. O
estudo do processo saúde-doença através do método epidemiológico possui uma dimensão de
determinação social, e como se sabe, as sociedades estão sujeitas a leis próprias, cuja
explicação ultrapassa as possibilidades do método clínico.
Entendem-se determinantes sociais de saúde como as condições de vida e trabalho dos
indivíduos e de grupos da população, que estão relacionadas com sua situação de saúde. Cabe
à epidemiologia descritiva a avaliação da frequência ou distribuição das enfermidades e
à epidemiologia analítica o estudo dos fatores (causais) que explicam tal distribuição,
relacionando uma determinada situação de saúde, ou seja, as desigualdades dos níveis de
saúde entre grupos populacionais, com a eficácia das intervenções realizadas no âmbito
da saúde pública, ou mesmo identificando suas causas no modo como tais iniquidades são
produzidas, na forma como a sociedade se organiza e desenvolve.
Metodologia da investigação epidemiológica
Segundo Pereira, a sistemática predominante de raciocínio, em epidemiologia, é própria da
lógica indutiva, mediante a qual, partindo-se de certo número de dados, estabelece-se uma
proposição mais geral e, ainda segundo esse autor, os métodos utilizados na epidemiologia são
encontrados em outras áreas do conhecimento, embora seja frequente a referência a métodos
epidemiológicos, eles devem ser entendidos como certo número de estratégias adaptadas
para aplicação a situações próprias do estudo da saúde da população.
A identificação do padrão de ocorrência de doenças nas populações humanas e dos fatores
que influenciam (determinam, condicionam) tem sido reiteradamente definida como o objeto
de estudo da epidemiologia.
As Hipóteses epidemiológicas (elemento indispensável de qualquer pesquisa científica)
deverão relacionar tais fatores ou variáveis, orientando a forma com que os dados referentes
ao agravo e seus fatores condicionantes ou determinantes serão associados bem como o
contexto (marco teórico) em que os resultados encontrados serão submetidos à comparação.
Rothman et al. destacam que um evento, uma condição, ou uma característica não se
constituem como uma causa em si, considerados isoladamente, somente são identificados
enquanto parte de um contraste causal com um evento, uma condição ou uma característica
alternativa.
Na investigação epidemiológica a identificação da doença (definição de caso) tem uma
natureza ditada pela comparabilidade potencial e uma tendência à padronização, ao contrário
da clínica que reconhece a individualidade de cada paciente. Considerando o substrato teórico
dos respectivos campos de conhecimento, o objeto da clínica é essencialmente qualitativo
enquanto que o objeto fundamental da epidemiologia é por definição quantitativo,
expressando relações numéricas entre eventos.
Os instrumentos de medida e/ou identificação de caso estão sujeitos a erros sistemáticos (viés)
em função de sua maior ou menor sensibilidade (capacidade para identificar um maior número
de casos incluindo inevitavelmente os falsos positivos) e especificidade (capacidade de só
incluir casos positivos).
Especificação da Abordagem Epidemiológica
Uma das classificações mais simples é feita em função dos objetivos do estudo, dividindo estes
em Descritivos e Analíticos, contudo seus limites nem sempre são facilmente identificáveis. Os
estudos descritivos geralmente se limitam ao registro da freqüência de eventos ou agravos
patológicos observando sua variação no tempo e espaço. Enquanto que, os estudos analíticos
têm como objetivo explicar as características dessa frequência ou associações entre estas e
outros fatores observados, a exemplo dos estudos que buscam estabelecer um nexo ou
relação de causa efeito entre um determinado agente patogênico e um aspecto específico do
meio ambiente, considerando-se a tríade de fatores que intervém e condicionam o
aparecimento e desenvolvimento de uma doença (agente, hospedeiro, ambiente).
A grande maioria dos estudos epidemiológicos é observacional (não-experimental) referem-se
à pesquisa de situações que ocorrem naturalmente, a exemplo das freqüências de
nascimentos e óbitos, os estudos de intervenção (experimental) geralmente são associados à
epidemiologia clínica, destinados à avaliação de da eficácia de medicamentos, vacinas, exames
e procedimentos médico - terapêuticos.
De acordo com Almeida & Rouquayrol o repertório da epidemiologia engloba
convencionalmente quatro estratégias básicas de pesquisa:
Estudos ecológicos
Os estudos ecológicos abordam áreas geográficas, analisando comparativamente indicadores
globais, quase sempre por meio de correlação entre variáveis ambientais (ou
socioeconômicas) e indicadores de saúde.
Inquéritos tipo corte-transversal (seccionais)
Os estudos seccionais ou estudos de corte transversal ou estudo de prevalência observam
simultaneamente, em um mesmo momento histórico, o fator causal e o efeito de um
determinado agravo ou patologia, não se prestando por isso à pesquisa de etiologia, revelando
apenas medidas de associação entre o agravo e a condição atribuída, úteis para identificar
grupos (fatores) de risco, gerar hipótese e descrever a prevalência de doenças.
Estudos de caso-controle
O estudo de caso-controle é um estudo retrospectivo onde se procura verificar a frequência de
um determinado agravo na presença ou ausência de um determinado fator
condicionante/determinante (exposição) distinguindo-se do estudo de coorte pelo fato de que
as pessoas foram escolhidas por estar doentes. Ou seja, no estudo de caso-controle o
pesquisador investiga a exposição a determinados fatores no passado por pessoas que
possuem determinada doença e pessoas saudáveis.
Estudos de coorte
Os estudos de coorte são capazes de abordar hipóteses etiológicas produzindo estimativas de
incidência. O termo coorte tem origem no império romano e designava unidades do exército
que possuíam equipamentos e uniformes homogêneos. A técnica de elaboração de uma
coorte propõe como sequência lógica da pesquisa a anteposição das possíveis causas e a
posterior busca de seus efeitos ou danos. Ou seja, pessoas que foram expostas a um
determinado fator e pessoas que não foram expostas a esse mesmo fator são acompanhadas
longitudinalmente a fim de se determinar se há, eventualmente, o surgimento de uma doença
em maior proporção naqueles que foram expostos ao referido fator. Ressalte-se que o mesmo
método de estudo por ser utilizado para investigar o o efeito protetor de determinado fator
(ex: consumo de ácidos graxos polinsaturados).[carece de fontes]
Medidas de morbimortalidade
Apesar da prática cotidiana da administração de serviços de saúde ter consagrado o termo
indicador para os valores numéricos com os quais se mensura o nível de saúde de uma
população pela frequência de óbitos ou eventos mórbidos – ocorrência de doenças e agravos à
saúde registrados ou medidas da oferta de procedimentos de serviços específicos de saúde, as
proposições teóricas distinguem indicadores e índices.
Observe-se que apesar das tentativas ainda não existem indicadores positivos, consagrados de
saúde positiva (vigor, vitalidade, desempenho, qualidade das relações sociais, etc.) e o estado
de saúde é medido por sua ausência, ou seja, frequência de doenças e óbitos.
De acordo com a OMS indicadores de saúde são variáveis que servem para medir as mudanças
na situação de saúde, uma variável, portanto, susceptível de mensuração direta que reflete o
estado de saúde das pessoas numa comunidade, enquanto que índice de saúde é uma
indicação numérica do estado de saúde de uma população derivada de uma fórmula composta
especificada.
Tomando o exemplo dado por Pereira, o número de óbitos de pessoas de uma determinada
região em um determinado momento é uma variável ou indicador e o APGAR e os Coeficientes
de morbimortalidade, índices. O APGAR mede a vitalidade dos recém nascidos (RN) através de
cinco sinais clínicos (batimentos cardíacos, movimentos respiratórios, reflexos, tônus muscular
e coloração da pele). Além de sua utilização no diagnóstico clínico, a frequência de RN com
baixos índices de APGAR traduz a deficiente oferta de serviços de pré-natal e a elevada
demanda por consultas de neuropediatria e serviços de reabilitação (estimulação precoce). A
mortalidade por grupos específicos de causa, por sua vez, refletem tanto características do
modo de adoecer (morbidade) como do modo de morrer (mortalidade) traduzindo as
necessidades e demandas de saúde de uma população.
Coeficiente e taxas
Para fins de comparação de freqüências os números absolutos dos indicadores precisam ser
transformados em coeficientes e taxas (razão proporcional) em inglês rate. Em estudos
epidemiológicos, o numerador, seja o número de pessoas que adoeceram ou morreram em
um determinado momento histórico e região, é sempre expresso em relação ao total de
pessoas que compõem essa população (denominador).
Os coeficiente e taxas podem ser padronizados ou não, ou seja, em função das diferenças
entre populações (a exemplo da composição etária) podem ser ajustados a padrões
internacionais (população mundial, população europeia, etc.). É essencial distinguir índices
onde os casos incluídos no numerador são também colocados no denominador, o que pode
representar uma relação de possibilidade ou risco e a simples comparação entre a frequência
de dois eventos da mesma espécie – razão, (em inglês: ratio) uma medida de comparação de
grandezas que não estabelece uma probabilidade de ocorrência.
Medidas de frequência Os indicadores podem ainda ser diferenciados por expressarem a
incidência e a prevalência, apesar da utilização indiferenciada, como ocorrência de agravos ou
patologias, por parte de leigos, mas possui, para o epidemiologista, significados distintos de
ocorrência de casos novos e identificação da totalidade de casos existentes em momento
histórico, respectivamente.
A Incidência expressa a velocidade de ocorrência, na medida em que identifica a frequência de
casos novos em um determinado período observados longitudinalmente, enquanto que a
Prevalência expressa o total acumulado de casos em um determinado período observado
como uma secção temporal (prevalência instantânea).
Os dados de eventos mórbidos ou agravos, com os quais se compõem os indicadores de
incidência e prevalência, são obtidos em inquéritos específicos compondo os registros dos
bancos de dados de pesquisas ou sistemas de vigilância epidemiológica tal como recomendam
as autoridades de saúde pública de cada país ou região. Na Inglaterra a notificação obrigatória
de doenças transmissíveis e nascimentos, por exemplo, teve início em 1904.
Se os dados referem-se à quantidade de doentes ou agravos à saúde de uma determinada
região tem-se o registro da Morbidade, se descrevem a quantidade de óbitos das distintas
faixas etárias e sexo há possibilidade de análise da Mortalidade; se os dados descreverem a
natureza ou causa de óbitos estuda-se a Morbi–Mortalidade.
As variações na dimensão ou quantidade de casos de uma mesma doença em uma mesma
região - o nível endêmico (endemia) é o que pode caracterizar uma epidemia, ou seja, o
aumento expressivo da quantidade de pessoas acometidas pela doença em um período
especificado.
Atualmente, além dos sistemas de registro oficial de eventos mórbidos que caracterizam o
fenômeno saúde-doença por autoridades sanitária dos diversos países existem diversos
programas de computador que permitem construir e analisar bancos de dados com registros
de doenças, óbitos e outros agravos à saúde a exemplo do Epi info desenvolvido como
programa freeware pelo CDC - Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA na época
do início da pandemia mundial (epidemia de grandes proporções e dispersão multinacional)
de SIDA – Síndrome da Imunodeficiência Humana na década de 80 do século XX.
Epidemiologia aplicada a serviços de saúde
A aplicação ao planejamento de serviços de saúde tem sido o maior uso da epidemiologia, em
função dessa aplicação tem-se desenvolvida a legislação e estratégia da Vigilância
epidemiológica e organização dos sistemas de informação em saúde no âmbito
governamental. Possas e Breilh ressaltam a demanda de construção do conceito de perfil
epidemiológico fundamentado no conceito de classe social (e frações sociais especiais) na
avaliação doas condições de vida e saúde de uma população
No Brasil o Sistema de Vigilância Epidemiológica foi instituído pela lei nº 6.259 de
1975 [22] que articula o Ministério da Saúde à setores específicos das Secretarias Estaduais de
Saúde, organizando o sistema nacional de informações de saúde que constitui, hoje,
o DATASUS.
Desde a criação do SUS em 1988, a Epidemiologia em Serviços de saúde tem sido fortalecida
por meio do Sistema Nacional de Vigilância em Saúde. Anteriormente, com a criação do Centro
Nacional de Epidemiologia (Cenepi), instituído como departamento da Fundação Nacional de
Saúde (Funasa), quando a necessidade de expandir a aplicação da epidemiologia em serviços
para as análises de situação de saúde, com objetivo de subsidiar a formulação de políticas.
Em 1992, a criação do Informe Epidemiológico do SUS (IESUS), editado pela Cenepi/Funasa
com a missão de difundir o conhecimento epidemiológico aplicável às ações de vigilância,
prevenção e controle de doenças e agravos de interesse da saúde pública, visando ao
aprimoramento dos serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Em função da utilização institucional e particularidades do objeto de análise e/ ou
compartilhamento de metodologias específicas de análise, podemos destacar ainda: as
avaliações de impacto ambiental, ou seja, o aspecto da saúde ambiental e interpretação
distinta que os ecologistas e epidemiologistas dão à exposição, dano ambiental.]; a
epidemiologia genética [28] com suas distinções dos clássicos estudos da frequência de genes
mutantes e genética de populações; a epidemiologia molecular com suas distinções da
ecotoxicologia e análise dos fenômenos biológicos ao nível atômico ou celular, entre outros.
Uma relação sem dúvida incompleta é a que se segue:
Fator de risco
Fator de risco, em se tratando de saúde, é qualquer situação que aumente a probabilidade de
ocorrência de uma doença ou agravo à saúde, a exemplo dos multiplos fatores causais
das doenças cardiovasculares. (ver). O termo risco popularmente, além do sentido de
possibilidade ou chance (oportunidade), tem o sentido de perigo.
Risco, em epidemiologia é a probabilidade de ocorrência de um resultado desfavorável, de um
dano ou de um fenômeno indesejado. Desta forma estima-se o risco ou probabilidade de que
uma doença exista através dos coeficientes de incidência e prevalência. Para OMS (CLAP-
OPS/OMS, 1988) o fator de risco de um dano são todas as características ou circunstâncias que
acompanham um aumento de probabilidade de ocorrência do fato indesejado sem que o dito
fator tenha intervindo necessariamente em sua causalidade.
Uma das definições mais comuns da epidemiologia é que esta é o estudo da distribuição
das doenças e dos determinantes de sua prevalência nas populações humanas (MacMahon;
Pugh, 1960). Observe-se porém que com o advento da utilização de marcadores moleculares, a
exemplo da titulação de anticorpos, níveis de frações do colesterolno sangue; identificação/
quantificação de antígenos prostáticos e ou outros marcadores tumorais, o escopo da
epidemiologia tem se ampliado ou deslocado entre a fase clínica da doença, para seus fatores
de risco ou antecedentes mórbidos da fase pré clínica, no plano da história natural das
doenças ou fatores determinantes numa perspectiva da epidemiologia social.
Observe-se também que, embora possa parecer evidente, risco não significa certeza. A
presença de um fator de risco não é obrigação da ocorrência do evento. A afirmação
"hipertensão arterial causa derrame" pode não ser apropriada. Há hipertensos que não terão
nunca um derrame, morrendo um dia por outra causa. A frase "em um grupo de pessoas, mais
casos de derrame ocorrerão naqueles que tem hipertensão" descreve melhor a situação. Não
deixa de demonstrar a associação das duas situações, mas lembra que não existe vínculo
absoluto em todos os casos. (Brusque- SC) A importância deste fato é que, excetuando-se
probabilidade de riscos de 0% (sem risco), as medidas de diminuição de risco não impedem a
ocorrência de um evento qualquer.
Risco em epidemiologia
De acordo com Rothman infelizmente em epidemiologia e mesmo na literatura erudita, o
termo "risco" é usado para muitos conceitos distintos: taxa, razão de taxas, risco
relativo, chances (em inglês odds) de incidência, prevalência, etc. Segundo ele a definição mais
específica e, portanto mais útil, de risco é "probabilidade de um evento ocorrer durante um
período especificado".
As investigações epidemiológicas de causalidade em epidemiologia geram resultados que
apontam para os riscos a que uma pessoa está sujeita. Em termos gerais, a probabilidade de
adoecer ou sofrer as conseqüências de uma patologia está associada à presença (ou ausência)
dos fatores de risco em um determinado local e momento. Segundo Pereira, 2005, a
probabilidade de um dano vir a ocorrer num futuro imediato ou remoto, pode ser estimada
para um fator de risco isolado ou para vários simultâneamente (etiologia multicausal).
Subgrupos específicos de pessoas expostas à riscos equivalentes podem ser identificados na
população e estes riscos calculados e expressos das seguintes formas:
RISCO ABSOLUTO (ou taxa de incidência): mostra quantos casos da doença aparecem no grupo
em um dado período. Esta é uma forma adequada e relativamente simples de quantificação de
riscos. Ela alcança ainda maior significado quando comparada com os resultados obtidos, de
maneira semelhante em um outro grupo de indivíduos. Esta comparação é alcançada pelo
cálculo dos riscos relativo e atribuível.
RISCO RELATIVO (RR): Informa quantas vezes o risco é maior em um grupo, quando comparado
a outro.
RISCO ATRIBUÍVEL (RA) (à exposição): Indica a diferença de incidências entre os dois grupos,
diferença que é atribuída à exposição ao fator de risco.
Nos estudos epidemiológicos a magnitude dos riscos é calculada a partir da frequência de
agravos entre os indivíduos expostos ou não expostos a um determinado risco, quantificados
como variáveis dicotômicas da forma sim e não: expostos e não expostos (com e sem o fator
de risco) consideradas determinantes da presença de doentes e não doentes na população
exposta ao risco.
Na tabela 2x2 abaixo representada, obtida de um estudo prospectivo o Risco Relativo (RR) é a
relação entre o coeficiente de incidência entre os expostos [ a/(a+b) ] e o coeficiente de
incidência entre os não expostos [ c/(c+d) ] :
Doentes Não Doentes
Expostos a b
Não expostos c d

{\displaystyle {\mathsf {RR={\frac {\frac {a}{a+b}}{\frac {c}{c+d}}}}}}


O Risco Atribuível (RA) a parte do risco a que está exposto um grupo da população, atribuível
exclusivamente ao fator estudado e não a outros fatores, matematicamente resulta da
subtração entre o coeficiente de incidência entre os expostos [a/(a+b)] e o coeficiente de
incidência entre os não expostos [c/(c+d)]:
RA = { [a/(a+b)] - [c/(c+d)] }
Para alguns autores O RA (risco atribuível) tem pouco emprego analítico e muita importância
descritiva, é um indicador bastante utilizado no planejamento de programas de controle de
doenças e mais ainda na avaliação dos mesmos. Ainda segundo os referidos autores os
estudos de coortes também chamados de seguimento ou follow-up são os únicos capazes de
abordar hipóteses etiológicas produzindo medidas de incidência e, por conseguinte, medidas
diretas de risco. Tais estudos são também chamados de prospectivos pelo fato de que em sua
maioria partem de grupos comprovadamente expostos a um fator de risco suposto como
causa de doença a ser detectada no futuro (prospecto-análise).
Os 10 maiores fatores de risco para doenças
Um conjunto de estudos recentemente publicado na revista científica The Lancetapontou que
embora as pessoas estejam vivendo mais, a qualidade de vida decaiu. O principal motivo para
esse quadro é a adoção de hábitos pouco saudáveis ao longo da vida e a convivência com
doenças na velhice, principalmente as crônicas.
Frente a esse cenário, a pesquisa listou os 10 maiores fatores de risco para doenças. Observe
que todos podem ser controlados ou evitados com medidas simples e, por isso, cada vez mais,
órgãos e profissionais de saúde têm trabalhado para acabar com a mentalidade de que
médicos só devem ser procurados ao sinal de problemas. "Para reduzir os gastos e melhorar a
qualidade de vida da população, nada melhor do que prevenção", afirma o pneumologista
Ricardo Luiz de Melo, do Hospital Universitário de Brasília. Confira a lista:
Hipertensão
"A hipertensão é uma doença silenciosa, ou seja, quando apresenta sintomas já pode ter
causado danos irreversíveis ao organismo", aponta o clínico geral Claudio Miguel Rufino, da
Escola Paulista de Medicina da Unifesp. Segundo ele, o trabalho dos vasos sanguíneos sob
pressão anormal favorece uma série de complicações que podem culminar em infarto, AVC ou
até óbito. Por isso, recomenda-se medir a pressão arterial uma vez por ano ou com maior
frequência, quando há casos de pessoas com a doença na família. Dieta equilibrada e prática
regular de exercícios também são medidas eficazes para controle e prevenção da hipertensão.
Tabagismo
Segundo o pneumologista Ricardo, é normal as pessoas associarem o tabagismo apenas ao
câncer de pulmão, mas esta não é a única consequência decorrente do hábito de fumar.
"Câncer de boca, câncer de bexiga, câncer de útero, infarto, bronquite, AVC e inúmeras outras
doenças estão ligadas ao cigarro", aponta. Assim, quanto antes o hábito for interrompido,
maior a chance de melhorar a qualidade de vida. Vale lembrar ainda que os benefícios do
abandono do vício não são refletidos somente no futuro. "É possível notar a melhora do gosto
dos alimentos e uma maior resistência respiratória logo nos primeiros dias sem cigarro", conta.
Alcoolismo
O alcoolismo costuma ter como principal órgão alvo o fígado, causando cirrose. Entretanto, a
ingestão exagerada pode gerar problemas como gastrite e até quadros psiquiátricos. A
dependência não está relacionada somente com a frequência com que um indivíduo consome
bebidas alcoólicas, mas também com a quantidade. Assim, mesmo bebendo uma vez por
semana, uma pessoa pode ser considerada vítima da doença caso não tenha qualquer
parâmetro de moderação. De acordo com o clínico-geral Claudio, por ser socialmente aceito, o
consumo de álcool começa a ser incentivado pela família ainda na infância.
Poluição dentro de casa
É impossível eliminar todos os agentes desencadeadores de problemas respiratórios, como a
rinite alérgica, em uma cidade urbanizada, por isso, devemos, pelo menos, manter a limpeza
do lar em dia. "A poluição externa também se deposita dentro de casa e nós mesmos somos
responsáveis pelo acúmulo de pó, ácaros e pelos, alguns dos principais vilões quando o
assunto é saúde respiratória", explica o pneumologista Ricardo. Assim, além da higiene dos
móveis, objetos e do chão, recomenda-se trocar as roupas de cama regularmente.
Baixo consumo de frutas
"Frutas são alimentos naturais facilmente digeridos e fonte de vitaminas e minerais
fundamentais para o organismo", afirma o clínico-geral Alfredo Salim Helito, do Hospital Sírio-
Libanês. De acordo com o especialista, quem consome poucas frutas tende a dar espaço para
alimentos pouco saudáveis, industrializados e gordurosos. Com o tempo, a má alimentação
pode não só favorecer problemas, como diabetes, como ainda pode levar ao desenvolvimento
de um câncer no tubo digestivo, como o câncer de estômago ou o câncer de intestino.
Nutricionistas recomendam a ingestão de, no mínimo, três porções de frutas diariamente.
Obesidade
Embora tenha influência genética, a obesidade também está ligada a hábitos de vida e o
número crescente de vítimas do problema mostra que cada vez mais pessoas cultivam uma
dieta desregrada e o sedentarismo. "A doença é porta de entrada para problemas cardíacos,
diabetes, problemas articulares e insuficiência vascular", explica o clínico-geral Claudio. A
prevenção, por sua vez, começa na infância, aprendendo a montar um prato equilibrado e
sabendo como fazer opções saudáveis mesmo fora de casa.
Diabetes
Há dois tipos de diabetes, aquele que surge logo na infância e não tem causa conhecida
(diabetes tipo 1) e aquele que costuma se desenvolver na idade adulta e está diretamente
ligado a hábitos de vida (diabetes tipo 2). Enquanto o primeiro exige controle desde cedo, o
segundo nem sempre é descoberto precocemente. "Isso aumenta o risco de complicações,
como insuficiência renal, disfunção erétil, infarto, entre outros problemas, e dificulta o
controle da doença", explica o clínico-geral Alfredo. Para se prevenir, nada como uma dieta
com muitos vegetais e a prática regular de exercícios.
Baixo peso infantil
"A desnutrição infantil acarreta uma série de dificuldades na vida adulta, porque é nesta fase
que nosso sistema imunológico e neurológico amadurece", alerta o clínico-geral Alfredo. Com
as defesas do corpo debilitadas, o indivíduo fica mais suscetível a contrair doenças infecciosas
e com a cognição prejudicada, encontra dificuldade de aprender e reter informações. Vale
lembrar que criança gordinha não é sinônimo de criança bem alimentada. "Ela pode estar com
deficiência de inúmeros nutrientes e, ainda assim, apresentar um bom peso, caso sua dieta
não seja equilibrada", complementa.

Poluição ambiental

Respirar ar poluído leva inúmeras substâncias tóxicas para dentro do nosso organismo,
favorecendo problemas respiratórios. Entretanto, segundo o pneumologista Ricardo, cresce
cada vez mais o diagnóstico de câncer de pulmão em indivíduos não fumantes, o que leva a
crer que esses resíduos também contribuam com a doença. Quanto mais poluído o ar também,
menor a quantidade de oxigênio o que, consequentemente, reduz a oxigenação dos nossos
órgãos e tecidos. Enquanto nenhuma política agressiva para acabar o problema é adotada,
recomenda-se a lavagem nasal com soro e a limpeza do lar.
Sedentarismo
Quer bons motivos para começar a treinar? O sedentarismo é responsável por inúmeras
doenças, como diabetes, obesidade e problemas cardíacos. Com o slogan de "não tenho
tempo", entretanto, a população tem fugido dos exercícios. A solução começa com valorizar
mais a saúde do que qualquer outra atividade no dia. Depois, basta ter criatividade. Parar o
carro em um estacionamento mais longe, descer do ônibus alguns pontos antes e optar por
escadas ao invés do elevador são algumas maneiras de se exercitar sem gastar tempo. O ideal,
porém, é realizar uma atividade física que alie trabalho muscular com exercícios aeróbios
regularmente.
Conceitos
mortalidade, letalidade, morbidade, prevalência, incidência, esperança de vida, mortalidade
infantil, neonatal e pós-natal
Mortalidade - Variável característica das comunidades de seres vivos, refere-se ao conjunto
dos indivíduos que morreram num dado intervalo de tempo.
Coeficiente de mortalidade - Relação entre a freqüência absoluta de óbitos e o número dos
expostos ao risco de morrer. Pode ser geral, quando inclui todos os óbitos e toda a população
da área em estudo, e pode ser específico por idade, sexo, ocupação, causa, etc...
Letalidade - Entende-se como o maior ou menor poder que uma doença tem de provocar a
morte das pessoas.Obtém-se a letalidade calculando-se a relação entre o número de óbitos
resultantes de determinada causa e o número de pessoas que foram realmente acometidas
pela doença, com o resultado expresso em percentual. A letalidade da escabiose é nula, e a da
raiva é de 100%, havendo uma extensa gama de porções intermediárias entre esses extremos.
Coeficiente de letalidade - Coeficiente resultante da relação entre o número de óbitos
decorrentes de determinada causa e o número de pessoas que foram realmente acometidas
pela doença, expressando-se sempre em percentual. È um indicador útil para avaliar a
virulência de um determinado bioagente.
Morbidade – Variável característica das comunidades de seres vivos, refere-se ao conjunto dos
indivíduos que adquiriram doenças num dado intervalo de tempo. Denota-se morbidade ao
comportamento das doenças e dos agravos à saúde em uma população exposta.
Coeficiente de morbidade – Relação entre o número de casos de uma doença e a população
exposta a adoecer. Discriminado em coeficiente de incidência e coeficiente de prevalência.
Muito útil para o objetivo de controle de doenças ou de agravos, bem como para estudos de
análise do tipo causa/efeito.
Coeficiente de Morbidade = Nº de casos de uma doença x 10n
População
Prevalência – Casuística de morbidade que se destaca por seus valores maiores do que zero
sobre os eventos de saúde ou não-doença. É termo descritivo da força com que subsistem as
doenças nas coletividades.
Coeficiente de prevalência – Coeficiente que mede a força com que subsiste a doença na
coletividade. Expressa-se como a relação entre o número de casos conhecidos de uma dada
doença e a população, multiplicando-se o resultado pela base referencial da população, que é
potência de 10, usualmente 1.000, 10.000 ou 100.000.
CMP = Nº de casos conhecidos de uma dada doença x 1.000
População
Incidência – Termo que em epidemiologia traduz a idéia de intensidade com que acontece a
morbidade em uma população.
Coeficiente de incidência – Constitui medida do risco de doença ou agravo, fundamentalmente
nos estudos da etiologia de doenças agudas e crônicas. É a razão entre o número de casos
novos de uma doença que ocorre em uma coletividade, em um intervalo de tempo
determinado, e a população exposta ao risco de adquirir referida doença no mesmo período,
multiplicando-se o resultado por potência de 10, que é a base referencial da população.
nº de casos de uma nova doença, ocorridos em determinada
Coeficiente de Incidência = comunidade, em certo período de tempo x
10n
nº de pessoas expostas ao risco de adquirir a
doença no referido período

Esperança de vida – É o termo técnico utilizado em estatística vital para designar “O número
médio de anos que ainda restam para serem vividos pelos indivíduos que sobrevivem até a
idade considerada, pressupondo-se que as probabilidades de morte que serviram para o
cálculo continuem as mesmas”.
Mortalidade infantil – Termo para designar todos os óbitos de crianças menores de 1ano,
ocorridos em determinada área, em dado período de tempo.
Mortalidade neonatal – Referente aos óbitos de menores de 28 dias de idade (até 27 dias).
Sinônimo: mortalidade infantil precoce.
Mortalidade pós-neonatal – Compreende os óbitos ocorridos no período que vai do 28dia de
vida até o 12 mês, antes de a criança completar 1ano de idade. Sinônimo: mortalidade tardia.
Taxa de mortalidade
A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um índice demográfico que reflete o
número de mortes registradas, em média por mil habitantes, em uma determinada região em
um período de tempo. A taxa é expressa comumente em unidades de morte por 1000 pessoas
ao ano. Assim, uma taxa de mortalidade de 5,5 numa população de 100 000 pessoas significa
550 mortes por ano em toda aquela área estudada. É distinta, portanto, da taxa de doenças,
que relaciona a taxa de pessoas em condições precárias de saúde durante um determinado
período (a chamada taxa de prevalência) ou o número de pessoas que têm a doença no
momento (a taxa de incidência).
Em epidemiologia, a mortalidade é medida pela taxa de mortalidade, ou o número
de óbitos em relação ao número de habitantes. Se analisam os óbitos de determinadas
doenças e obtém-se a morbimortalidade em determinado local e período, com o objetivo de
estabelecer a prevenção e controle de doenças, enquanto ação de saúde pública, através do
registro sistemático das declarações de óbito.
Em demografia, este dado é estudado nas estatísticas do registro civil e através
de censos periódicos, e é analisado em relação com a fecundidade e natalidade, mostrando
o crescimento populacional em dadas condições históricas e sociais. Atualmente, o que se
verifica é uma queda global nos índices de mortalidade.
Em ecologia, estudam-se as taxas de perda de indivíduos de qualquer população em função
das condições ambientais, sendo, segundo Eugene Odum, a "mortalidade mínima realizada"
ou "ecológica" uma constante que expressa as condições ideais ou não limitantes, e
a extinção da espécie a ausência de adaptação.
Na taxa de mortalidade, há vários aspectos a serem considerados:
Taxa bruta de mortalidade - total de mortes ao ano por 1000 pessoas. A taxa bruta de
mortalidade no mundo, de acordo com o “CIA World Factbook”, é de 8,24 por 1000 pessoas ao
ano.
Taxa de mortalidade perinatal é o número de óbitos fetais de 28 ou mais semanas de gestação
e óbitos de nascidos vivos com menos de sete dias de idade, observado um determinado
período de tempo, considerando-se cada 1000 nascimentos.
Taxa de mortalidade materna é o número de mulheres mortas durante o parto, considerando-
se cada 100 000 nascimentos bem sucedidos.
Taxa de mortalidade infantil relativa ao número de crianças mortas com menos de um ano,
considerando-se cada 1000 nascimentos.
Taxa de mortalidade infantil relativa ao número de crianças mortas com menos de cinco anos,
considerando-se cada 1000 nascimentos.
Taxa de mortalidade prevista – representa a comparação proporcional do número de mortes
previstas caso a população tivesse uma constituição mediana em termos de idade, sexo, etc.
Taxa de mortalidade específica etária – relativa ao número total de mortes por ano,
considerando-se cada 1000 pessoas de determinada idade.
De acordo com levantamento da Organização Mundial da Saúde, feito em 2002, as principais
causas de óbito no mundo inteiro foram:
Enfarte
Derrame cerebral
Infecções respiratórias
HIV/AIDS
Doenças pulmonares obstrutivas
Doenças associadas à diarreia
Tuberculose
Malária
Câncer de traqueia/brônquios/pulmão
Acidentes de trânsito
As causas de mortalidade variam consideravelmente quando comparados países de primeiro e
terceiro mundos.
De acordo com Jean Zigler, o relator especial das Nações Unidas do programa “Right to Food”
entre 2000 e março de 2008, a mortalidade causada por desnutrição respondeu por 58% da
mortalidade total de 2006.
Grande parte dos 150 mil indivíduos que morrem por dia em todo o globo, cerca de dois terços
– 100 mil por dia – morrem de causas relacionadas à idade avançada. Nas nações
industrializadas, a taxa aumenta para 90 mil indivíduos.
A taxa de mortalidade pode ser tida como um forte indicador social, já que, quanto piores as
condições de vida, maior a taxa de mortalidade e menor a esperança de vida. No entanto,
pode ser fortemente afetada pela longevidade da população, perdendo a sensibilidade para
acompanhamento demográfico.
Outros indicadores de saúde, como a taxa de mortalidade infantil, são mais significativos, pois
têm forte correlação com as condições de vida em geral.
Taxa de mortalidade perinatal[editar | editar código-fonte]
Taxa de mortalidade perinatal é convencionalmente contabilizada como o número de
mortes fetais de 28 ou mais semanas de gestação e óbitos de nascidos vivos com menos de
sete dias de idade, observado num dado período de tempo, normalmente, um ano civil,
referido ao número de nados-vivos.
Taxa de abortos[editar | editar código-fonte]
É o número anual de abortos estimado por 1000 mulheres na idade reprodutiva.
Taxa de mortalidade neonatal[editar | editar código-fonte]
A taxa de mortalidade neonatal é o número de óbitos de crianças com menos de 28 dias de
idade, observado durante um determinado período de tempo - normalmente, 1 ano civil -,
referido ao número de nados vivos do mesmo período.
Para facilitar a comparabilidade dos dados dos diferentes países esta taxa é habitualmente
expressa em número de óbitos de crianças com menos de 28 dias de idade por 1000nados
vivos.
Esse coeficiente pode ser divididos em: a mortalidade neonatal precoce tendo como
numerador os óbitos de crianças menores que 7 dias ou de 0 a 6 dias e a mortalidade neonatal
tardia tendo como numerador os óbitos de crianças entre 7 e 27 dias.
Segundo Laurenti et al, a mortalidade neonatal (0-28 dias) é, na quase totalidade, devida às
chamadas causas perinatais e às anomalias congênitas. São portanto relacionadas a problemas
de gestação, de parto, fatores maternos vários e problemas congênitos e genéticos.
Constituem o que tem sido chamados de causas endógenas em oposição às causas exógenas
ou relacionadas à fatores ambientais tais como doenças infecciosas e desnutrição, os fatores
presumivelmente determinantes e condicionantes da mortalidade infantil tardia (28 dias a
menos de 1 ano).
Indicadores de saúde no Brasil
ENFERMAGEM
Após obtenção dos dados de saúde com vistas à qualidade e cobertura destes, é preciso
transformá-los em indicadores para então comparar o observado em determinado local com o
observado em outros locais ou com o observado em diferentes tempos. Portanto, a construção
de indicadores de saúde é necessária para analisar a situação atual de saúde, fazer
comparações e avaliar mudanças ao longo do tempo (VAUGHAN e MORROW, 1992).

A Organização das Nações Unidas (ONU), em 1952, identificou a necessidade de uma medida
que pudesse expressar o nível de vida das coletividades humanas. Diante da diversidade de
variáveis a serem analisadas foram desenvolvidas uma diversidade de ferramentas com focos
diferenciados (ROUQUAYROL e ALMEIDA FILHO, 2003)
Os indicadores de saúde são utilizados na prática quando apresentam uma comprovada
relevância e viabilidade e também traduzem com fidedignidade (ou confiabilidade) e
praticidade os aspectos da saúde individual ou coletiva (PEREIRA, 2006).
A expressão dos indicadores se faz numericamente (frequência absoluta), entretanto, números
absolutos de casos de doenças ou mortes não são utilizados para avaliar o nível de saúde, pois
não levam em conta o tamanho da população. Dessa forma, os indicadores de saúde são
construídos por meio de razões (frequências relativas), em forma de proporções ou
coeficientes (SOARES, 2001; PEREIRA, 2006).
Podemos simplificar dizendo que a frequência absoluta se reporta ao número total (de casos,
de elementos), a frequência relativa representa o quociente entre a frequência absoluta e o
número total. Por fim, a distribuição de frequências indica de que modo a variável se distribui.
As medidas de frequência são dadas por dois conceitos epidemiológicos: A incidência e a
prevalência. Outras medidas de frequência utilizadas em saúde coletiva são relacionadas à
mortalidade, letalidade e sobrevida (MEDRONHO, 2009)
As proporções representam uma parcela do total de casos ou mortes, representando sua
importância no todo. Os coeficientes (ou taxas) representam o “risco” de determinado evento
ocorrer na população (que pode ser a população do país, estado, município, população de
nascidos vivos, de mulheres, etc.). ( SOARES, 2001).

Resultados expressos em frequência relativa

Para realizar a comparação de frequências absolutas (frequência de mortalidade e morbidade),


é necessária a transformação para valores relativos e então surgem os conceitos
epidemiológicos de mortalidade e morbidade de aplicabilidade em saúde pública e passam a
ser chamadas de coeficientes e índices (KERR-PONTES E ROUQUAYROL, 2003)
É preciso destacar que índices não expressam uma probabilidade (ou risco) como os
coeficientes, pois o que está contido no denominador não está sujeito ao risco de sofrer o
evento descrito no numerador (exemplo: relação médicos/habitantes é um índice, da mesma
forma que o Coeficiente de Mortalidade Infantil como Materna não são coeficientes, mas
índices) (SOARES, 2001).

- Índices: Relações entre frequências atribuídas da mesma unidade. Os índices são


apresentados sob forma percentual. Coeficientes e índices são valores geralmente menores do
que a unidade, devido ao fato de serem as frequências dos eventos registrados no numerador,
muito menor do que aqueles do denominador. O índice pode ser considerado um Indicador
multidimensional. Por exemplo: índice de Apgar (PEREIRA, 2006).

- Coeficiente ou taxas: Relações entre o número de eventos reais e o que poderia acontecer,
sendo uma medida de risco de adoecer ou morrer de determinada doença. Podemos
considerá-lo uma medida de probabilidade. No cálculo dos coeficientes, deve-se tomar o
cuidado de excluir no denominador as pessoas não expostas ao risco. Dessa forma,
geralmente, o denominador do coeficiente representa a população exposta ao risco de sofrer
o evento que está no numerador (KERR-PONTES E ROUQUAYROL, 2003; PEREIRA, 2006).

Exceções são o coeficiente de mortalidade infantil – CMI – e de mortalidade materna – CMM –


para os quais o denominador utilizado (nascidos vivos) é uma estimativa tanto do número de
menores de 1 ano, como de gestantes, parturientes e puérperas expostos ao risco do evento
óbito. No caso do Coeficiente de Mortalidade Infantil, alguns nascidos vivos do ano anterior
não fazem parte do denominador, apesar de ainda terem menos de um ano de vida no ano em
estudo dos óbitos. No entanto, o termo “coeficiente” já está consolidado para ambos os
indicadores.
Coeficientes mais utilizados na área da saúde: De acordo com Soares (2001); Kerr-Pontes e
Rouquayrol (2003) e Pereira (2006) os coeficientes mais utilizados na área da saúde baseiam-
se em dados sobre doenças (morbidade) e sobre eventos vitais (nascimentos e mortes).

Coeficientes de MORBIDADE (doenças)

- Coeficiente de incidência da doença: representa o risco de ocorrência (casos novos) de uma


doença na população.
- Coeficiente de prevalência da doença: representa o número de casos presentes (novos +
antigos) em uma determinada comunidade num período de tempo especificado
Quanto maior a duração média da doença, maior será a diferença entre a prevalência e a
incidência. A prevalência é ainda afetada por casos que imigram (entram) na comunidade e
por casos que saem (emigram), por curas e por óbitos.
- Coeficiente de letalidade: representa a proporção de óbitos entre os casos da doença, sendo
um indicativo da gravidade da doença ou agravo na população, podendo ser uma característica
da própria doença (por exemplo, a raiva humana é uma doença que apresenta 100% de
letalidade) ou de fatores que aumentam ou diminuem a letalidade da doença na população
(condições socioeconômicas, estado nutricional, etc.). Apesar do resultado ser dado em
percentual (%), não deve ser confundido com coeficiente de mortalidade geral, que é dado por
1000 habitantes, e representa o risco de óbito na população.

Coeficientes de mortalidade:

- Coeficiente geral de mortalidade (CGM): representa o risco de óbito na comunidade. É


expresso por uma razão, e pode ser calculado, como todos os demais coeficientes, também
através de regra de três simples, no entanto, não é muito utilizado para comparar o nível de
saúde de diferentes populações, pois não leva em consideração a idade dessas populações e
para uma população mais jovem estaria significando mortalidade prematura.
- Coeficiente de mortalidade infantil (CMI): é uma estimativa do risco que as crianças nascidas
vivas têm de morrer antes de completar um ano de idade. É considerado um indicador sensível
das condições de vida e saúde de uma comunidade.

O coeficiente de mortalidade infantil pode ainda ser dividido em coeficiente de mortalidade


neonatal (óbitos de 0 a 27 dias inclusive), coeficiente de mortalidade pós-neonatal ou infantil
tardia (óbitos de 28 dias a 364 dias inclusive) em relação ao total de nascidos vivos (por 1000).
- Coeficiente de mortalidade materna: representa o risco de óbitos por causas ligadas à
gestação, ao parto ou ao puerpério (42 dias após o término da gestação), sendo um indicador
da qualidade de assistência à gestação e ao parto numa comunidade. Para fins de comparação
internacional, somente as mortes que ocorrem até 42 dias após o parto entram no cálculo do
coeficiente.
- Coeficiente de mortalidade por doenças transmissíveis: é uma estimativa do risco da
população morrer por doenças infecciosas e parasitárias (tuberculose, tétano, diarreia
infecciosa, aids, etc.), classificadas atualmente no Capítulo I da CID-10. Quanto mais elevado o
resultado deste coeficiente, piores as condições de vida.
Além destes coeficientes, temos o Coeficiente de natalidade e de fecundidade. Enquanto o
coeficiente de natalidade está relacionado com o tamanho da população, o de fecundidade
está relacionado com o número de mulheres em idade fértil. Por isso, é comum a fecundidade
ser expressa também em média de filhos por mulher (por exemplo: 2,5 filhos por mulher).

Para finalizar, deve-se considerar que os indicadores de medidas do nível de saúde baseiam-se
em números que representam pessoas que vivem em determinada comunidade, que
nasceram, adoeceram ou morreram.
Além de servirem para avaliar o nível de saúde de uma comunidade, esses indicadores
medem, indiretamente, seu nível de vida (condições de moradia, nutrição, etc.).
É importante ressaltar, ainda, que os indicadores de saúde refletem “médias” do que está
acontecendo em uma população. Dessa forma, é indispensável considerar que um indicador
“médio” pode estar, na realidade, camuflando importantes desigualdades no interior dessas
populações e outras formas de “medir” saúde (como as entrevistas com lideranças
comunitárias, a observação da realidade, a desagregação dos indicadores em níveis
geográficos menores) também devem ser buscadas, simultaneamente à análise desses
indicadores de saúde tradicionais. (SANTOS, 2001, p. 208)
Desta maneira, a epidemiologia deve fazer parte do planejamento e da organização de ações e
serviços de saúde, e também destacar alguns instrumentos para serem utilizados
cotidianamente, principalmente relacionados ao diagnóstico de saúde.
1) Indicadores de saúde
Após os cuidados a serem observados quanto à qualidade e cobertura dos dados de saúde, é
preciso transformar esses dados em indicadores que possam servir para comparar o observado
em determinado local com o observado em outros locais ou com o observado em diferentes
tempos. Portanto, a construção de indicadores de saúde é necessária para:
analisar a situação atual de saúde;
fazer comparações;
avaliar mudanças ao longo do tempo
Os indicadores de saúde, tradicionalmente, tem sido construídos por meio de números.
Em geral, números absolutos de casos de doenças ou mortes não são utilizados para avaliar o
nível de saúde, pois não levam em conta o tamanho da população. Dessa forma, os
indicadores de saúde são construídos por meio de razões (freqüências relativas), em forma de
proporções ou coeficientes.
As proporções representam a “fatia da pizza” do total de casos ou mortes, indicando a
importância desses casos ou mortes no conjunto total. Os coeficientes (ou taxas) representam
o “risco” de determinado evento ocorrer na população (que pode ser a população do país,
estado, município, população de nascidos vivos, de mulheres, etc.).
Dessa forma, geralmente, o denominador do coeficiente representa a população exposta ao
risco de sofrer o evento que está no numerador.
Exceções são o coeficiente de mortalidade infantil – CMI – e de mortalidade materna – CMM –
para os quais o denominador utilizado (nascidos vivos) é uma estimativa tanto do número de
menores de 1 ano, como de gestantes, parturientes e puérperas expostos ao risco do evento
óbito.
No caso do Coeficiente de Mortalidade Infantil, alguns nascidos vivos do ano anterior não
fazem parte do denominador, apesar de ainda terem menos de um ano de vida no ano em
estudo dos óbitos. Por exemplo, se uma criança nasceu em 31/12/1998 e morreu em
02/01/1999 (com dois dias) entrará no numerador do CMI de 1999, mas não no denominador.
Pressupõe-se que haja uma “compensação” de nascidos vivos e óbitos de um para outro ano,
de forma que o CMI é uma boa estimativa do risco de óbito infantil.
É preciso destacar, ainda, a diferença entre coeficientes (ou taxas) e índices. Índices não
expressam uma probalidade (ou risco) como os coeficientes, pois o que está contido no
denominador não está sujeito ao risco de sofrer o evento descrito no numerador. Assim, a
relação telefones/habitantes é um índice, da mesma forma que médicos/habitantes,
leitos/habitantes, etc. (os numeradores “telefones”, “médicos” e “leitos” não fazem parte do
denominador população).
A rigor, portanto, tanto o Coeficiente de Mortalidade Infantil como Materna não são
coeficientes, mas índices.
No entanto, o termo “coeficiente” já está consolidado para ambos os indicadores.
COEFICIENTES mais utilizados na área da Saúde
Os coeficientes mais utilizados na área da saúde baseiam-se em dados sobre doenças
(morbidade) e sobre eventos vitais (nascimentos e mortes).
A) COEFICIENTES DE MORBIDADE (DOENÇAS)
a) Coeficiente de incidência da doença: representa o risco de ocorrência (casos novos) de uma
doença na população. Pode ser calculado por regra de três ou através da seguinte fórmula:
casos NOVOS da doença em determinada comunidade e tempo x 10n
população da área no mesmo tempo
b) Coeficiente de prevalência da doença: representa o número de casos presentes (novos +
antigos) em uma determinada comunidade num período de tempo especificado. É
representado por:
casos PRESENTES da doença em determinada comunidade e tempo x 10n
população da área no mesmo tempo
Para compararmos o risco de ocorrência de doenças entre populações usamos, dessa forma, o
coeficiente de incidência, pois este estima o risco de novos casos da doença em uma
população.
O coeficiente de prevalência é igual ao resultado do coeficiente de incidência multiplicado pela
duração média da doença. Portanto:
Coeficiente de Prevalência = coeficiente de incidência x duração média da doença
Lembrem se desta questão da prova de revalidação na UFMT de 2008?
O levantamento de casos de câncer cerebral em uma dada população em um determinado
período, mostrou uma incidência de 17,3 / 100.000 habitantes, com taxa de mortalidade igual
a 7,3 / 100.000 habitantes. Levando-se em consideração que a duração da doença seja em
média de 4 anos, teremos então uma prevalência por 100.000 habitantes equivalente a
(marcar a resposta correta):
A. 4.3
B. 29,2
C. 69,2
D. 126,3
E. 173,3
Agora é fácil, né? P = I x d, ou seja a resposta correta é 17,3 (incidência x 4 anos) ou seja, 69,2,
variante C.
Pra que a mortalidade? Para judiar de quem não sabe e tantaria uma relação entre os dados e
as variantes.
Da fórmula acima fica evidente que a prevalência, além dos casos novos que acontecem
(incidência), é afetada também pela duração da doença, a qual pode diferir entre
comunidades, devido a causas ligadas à qualidade da assistência à saúde, acesso aos serviços
de saúde, condições nutricionais da população, etc.
Assim, quanto maior a duração média da doença, maior será a diferença entre a prevalência e
a incidência.
A prevalência é ainda afetada por casos que imigram (entram) na comunidade e por casos que
saem (emigram), por curas e por óbitos. Dessa maneira, temos como “entrada” na prevalência
os casos novos (incidentes) e os imigrados e como “saída” os casos que curam, que morrem e
os que emigram:
Assim, a prevalência não é uma medida de risco de ocorrência da doença na população, mas
pode ser útil para os administradores da área de saúde para o planejamento de recursos
necessários (leitos hospitalares, medicamentos, etc.) para o adequado tratamento da doença.
AGORA, ATENÇÃO!
Dois tipos de coeficientes de prevalência podem ser utilizados:
o coeficiente de prevalência instantânea ou pontual ou momentânea (em um tempo
especificado)
o coeficiente de prevalência por período ou lápsica (abrange um período maior de tempo, por
exemplo um ano)
Abaixo tem um grafico que representa a ocorrência de casos em uma população de 50.000
habitantes em determinado ano. Como no ano começaram apenas 7 casos, a incidência será 7
e o coeficiente de incidência 14,0 por 100.000 habitantes, enquanto que a prevalência será de
11 (casos presentes no ano) e o coeficiente de prevalência, no ano, será de 22,0 por 100.000
habitantes.
Quantos casos aconteceram? Contam as lineas: 11, ou seja são os casos PREVALENTES
Quantos casos são INCIDENTES mesmo: Somente aquelas aonde o inicio está no intervalo: 7
casos
Qual é, então o COEFICIENTE DE INCIDÊNCIA:
casos NOVOS da doença em determinada comunidade e tempo x 10n (7)
população da área no mesmo tempo (50.000)
= 0,00014, ou seja 14 casos/100.000 habitantes
Qual é, então o COEFICIENTE DE PREVALÊNCIA:
casos PRESENTES da doença em determinada comunidade e tempo x 10n (11)
população da área no mesmo tempo (50.000)
= 0,00022, ou seja 22 casos/100.000 casos
E simples, não é?
c) Coeficiente de letalidade: representa a proporção de óbitos entre os casos da doença, sendo
um indicativo da gravidade da doença ou agravo na população. Isso pode ser uma
característica da própria doença (por exemplo, a raiva humana é uma doença que apresenta
100% de letalidade, pois todos os casos morrem) ou de fatores que aumentam ou diminuem a
letalidade da doença na população (condições socioeconômicas, estado nutricional, acesso a
medicamentos, por exemplo). É dado pela relação:
mortes devido à doença “X” em determinada comunidade e tempo x 100
casos da doença “X” na mesma área e tempo
Seu resultado é dado, portanto, sempre em percentual (%). Não deve ser confundido com
coeficiente de mortalidade geral, que é dado por 1000 habitantes, e representa o risco de
óbito na população. A letalidade, ao contrário, representa o risco que as pessoas com a doença
têm de morrer por essa mesma doença.
B) COEFICIENTES DE MORTALIDADE
a) coeficiente geral de mortalidade (CGM): representa o risco de óbito na comunidade. É
expresso por uma razão, e pode ser calculado, como todos os demais coeficientes, também
através de regra de três simples (se numa população de 70.000 habitantes tenho 420 óbitos,
em 1000 habitantes terei “x”, sendo 1000 o parâmetro que permitirá comparar com outros
locais ou outros tempos):
número de óbitos em determinada comunidade e ano x 1.000
população estimada para 01 de julho do mesmo ano
Este coeficiente, no entanto, não é muito utilizado para comparar o nível de saúde de
diferentes populações, pois não leva em consideração a estrutura etária dessas populações (se
a população é predominantemente jovem ou idosa). Um coeficiente geral de mortalidade alto
para uma população mais idosa significa apenas que as pessoas já viveram o que tinham para
viver e, por isso, estão morrendo.
Já para uma população mais jovem estaria significando mortalidade prematura.
Para comparação de duas ou mais populações com diferentes estruturas etárias, ou de sexo,
há necessidade de padronizar os coeficientes, tendo como referência uma população padrão
(geralmente a mundial, quando se comparam diferentes países, ou nacional, quando se
comparam diferentes locais do mesmo país), mas isto não será abordado aqui.
b) coeficiente de mortalidade infantil (CMI): é uma estimativa do risco que as crianças nascidas
vivas tem de morrer antes de completar um ano de idade. É considerado um indicador sensível
das condições de vida e saúde de uma comunidade.
Pode ser calculado por regra de três ou através da seguinte razão:
óbitos de menores de 1 ano em determinada comunidade e ano x 1.000
nascidos vivos na mesma comunidade e ano
Cuidado especial deve ser tomado quando se vai calcular o coeficiente de mortalidade infantil
de uma localidade, pois tanto o seu numerador (óbitos de menores de 1 ano), como seu
denominador (nascidos vivos) podem apresentar problemas de classificação.
Para evitar esses problemas, o primeiro passo é verificar se as definições, citadas pela
Organização Mundial de Saúde (1994), estão sendo corretamente seguidas por quem
preencheu a declaração de óbito da criança. Estas definições são as seguintes:
Nascido vivo: é a expulsão ou extração completa do corpo da mãe, independentemente da
duração da gravidez, de um produto de concepção que, depois da separação, respire ou
apresente qualquer outro sinal de vida, tal como batimentos do coração, pulsações do cordão
umbilical ou movimentos efetivos dos músculos de contração voluntária, estando ou não
cortado o cordão umbilical e estando ou não desprendida a placenta.
Óbito fetal: é a morte do produto de concepção, antes da expulsão ou da extração completa
do corpo da mãe, independentemente da duração da gravidez. Indica o óbito se o feto, depois
da separação, não respirar nem apresentar nenhum outro sinal de vida, como batimentos do
coração, pulsações do cordão umbilical ou movimentos efetivos dos músculos de contração
voluntária.
Óbito infantil: é a criança que, nascida viva, morreu em qualquer momento antes de completar
um ano de idade.
Dessas definições, fica claro que uma criança que nasceu viva, nem que tenha apresentado
apenas batimentos do cordão umbilical, e morrido em seguida, deve ser considerada como
óbito de menor de 1 ano (óbito infantil) e entrar no cálculo do coeficiente de mortalidade
infantil (CMI).
Nesse caso, deve ser emitida uma Declaração de Nascido Vivo (DN) e uma Declaração de óbito
(DO), indicando que se trata de óbito não fetal, e providenciados os respectivos registros de
nascimento e óbito em cartório de registro civil.
Caso essa criança tivesse, erroneamente, sido classificada como óbito fetal (natimorto), além
de possíveis problemas com relação a transmissão de bens e propriedades (direito civil), ainda
teríamos um viés no cálculo do coeficiente de mortalidade infantil e neonatal: o numerador
perderia um caso de óbito infantil e o denominador perderia 1 nascido vivo. Isso faria com que
o CMI calculado fosse menor do que realmente é (redução artificial, ou enganosa). O exemplo
a seguir demonstra como o CMI se reduz (artificialmente) à medida que óbitos infantis são
classificados de forma errônea como óbitos fetais (natimortos).
O coeficiente de mortalidade infantil pode ainda ser dividido em:
1) coeficiente de mortalidade neonatal (óbitos de 0 a 27 dias inclusive) em relação ao total de
nascidos vivos (por 1000);
2) coeficiente de mortalidade pós-neonatal ou infantil tardia (óbitos de 28 dias a 364 dias
inclusive) em relação ao total de nascidos vivos (por 1000).
O coeficiente de mortalidade neonatal pode ainda ser subdividido em coeficiente de
mortalidade neonatal precoce (0 a 6 dias inclusive) e coeficiente de mortalidade neonatal
tardia (7 a 27 dias).
Essa divisão, relacionada à idade da criança quando morreu, deve-se à observação de que no
período neonatal predominam as causas ligadas a problemas da gestação e do parto (causas
perinatais e anomalias congênitas), e de que, no período pós-neonatal, prevalecem as causas
de morte relacionadas ao meio ambiente e às condições de vida e de acesso aos serviços de
saúde (doenças infecciosas, pneumonias, diarréia, por exemplo).
Dessa forma, nos países desenvolvidos, onde a mortalidade infantil é baixa e problemas
relacionados ao meio ambiente já se encontram quase totalmente resolvidos, o componente
neonatal predomina, enquanto em muitos países pobres ainda prevalece o componente pós-
neonatal.
Abaixo temos as divisões referentes aos períodos neonatal e pós-neonatal (infantil tardio).
Observamos, ainda, que há o período perinatal, que vai da 22ª semana de gestação até a
primeira semana de vida da criança, o qual será abordado adiante.
Em Londrina (PR), em 1997, observou-se que: 56,1% dos óbitos ocorreram no período
neonatal (0 a 27 dias) e 43,9% no período pósneonatal (ou infantil tardio), indicando, ainda,
uma parcela importante de óbitos no período pós-neonatal. Isto pode estar relacionado não só
às condições sociais das famílias dessas crianças, mas também à possibilidade de
prolongamento da sobrevivência de crianças nascidas prematuramente e/ou com problemas
perinatais, devido à ampliação das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) neonatais.
c) coeficiente de mortalidade perinatal: segundo a Classificação Internacional de Doenças em
vigor (a CID-10), o período perinatal vai da 22ª semana de gestação até a primeira semana de
vida da criança, diferenciando da definição anterior (da CID-9) que considerava a partir da 28ª
semana de gestação. Dessa maneira, o coeficiente atualmente é dado pela seguinte razão:
óbitos fetais a partir da 22ª semana de gestação + óbitos de menores de 7 dias de vida x 1.000
nascidos vivos + nascidos mortos na mesma comunidade e ano
Porque nascidos vivos + nascidos mortos na mesma comunidade e ano?
Assim como da pra ver, a mortalidade perinatal inclui tudo que morre entre 22 semanas de
gestação e 7 dias pós-natal. Mas, nesta area, podemos ter tanto os fetos natos vivos quantoos
feto natos motros, etem qua consderar ambas as categorias, já que incluimos qualquer obito.
d) coeficiente de mortalidade materna: representa o risco de óbitos por causas ligadas à
gestação, ao parto ou ao puerpério, sendo um indicador da qualidade de assistência à
gestação e ao parto numa comunidade. É dado pela equação:
óbitos devidos a causas ligadas a gestação, parto e puerpério x 100.000
nascidos vivos na mesma comunidade e ano
Para fins de comparação internacional, somente as mortes que ocorrem até 42 dias após o
parto entram no cálculo do coeficiente.
Conhecer as definições da Organização Mundial da Saúde é fundamental para o cálculo correto
deste indicador:
Morte materna: é a morte da mulher durante a gestação ou dentro de um período de 42 dias
após o término da gestação, independente da duração ou da localização da gravidez, devida a
qualquer causa relacionada ou agravada pela gravidez ou por medidas em relação a ela, porém
não devida a causas acidentais ou incidentais. Pode ser subdividida em:
a) morte obstétrica direta, sendo aquela resultante de complicações obstétricas devido a
intervenções, omissões, tratamento incorreto, etc. (aborto, infecção puerperal, etc) e
b) morte obstétrica indireta, quando resulta de doenças existentes antes da gravidez, ou
desenvolvidas durante a gravidez, não devidas a causas obstétricas diretas, mas agravadas
pelos efeitos fisiológicos da gravidez (diabetes mellitus, insuficiência cardíaca, etc).
No cálculo do coeficiente de mortalidade materna entram, portanto, todos os casos de óbitos
maternos, tanto por causas obstétricas diretas, como indiretas, que ocorreram em até 42 dias
após o término da gestação.
Apesar de não entrarem no cálculo para fins de comparação, é importante o serviço de saúde
registrar, ainda, as mortes por causas obstétricas (diretas ou indiretas) que ocorreram após 42
dias do término da gestação, bem como as mortes relacionadas com a gravidez, sendo assim
definidas (OMS, 1994):
Morte materna tardia: é a morte de uma mulher por causas obstétricas diretas ou indiretas
mais de 42 dias mas menos de um ano após o término da gravidez.
Morte relacionada com a gravidez: é a morte de uma mulher enquanto grávida ou até 42 dias
após o término da gravidez, qualquer que tenha sido a causa de morte.
No Paraná, existe o Comitê de Morte Materna, com descentralização para as Regionais de
Saúde. Esse Comitê tem a função de investigar todos os óbitos de mulheres de 10 a 49 anos,
visando a identificar todos os óbitos maternos (pois nem todos são informados na declaração
de óbito), verificar as circunstâncias em que tais óbitos ocorreram e propor estratégias para
redução dessa mortalidade
e) coeficiente de mortalidade por doenças transmissíveis: é uma estimativa do risco da
população morrer por doenças infecciosas e parasitárias (tuberculose, tétano, diarréia
infecciosa, aids, etc.), classificadas atualmente no Capítulo I da CID-10. Quanto mais elevado o
resultado deste coeficiente, piores as condições de vida.
É dado pela equação:
óbitos devidos a doenças infecciosas e parasitárias (DIP) x 100.000
população estimada para o meio do ano na mesma área
Observamos que o denominar agora passa a ser a população estimada para o meio do ano (01
de julho), que é considerada a melhor estimativa do número de habitantes expostos em todo o
ano.
Em razão de alterações de doenças nos Capítulos das várias revisões da CID, é necessário
tomar cuidado em análises de séries temporais. Por exemplo, na CID-9 a Aids era enquadrada
no Capítulo III - “Doenças das glândulas endócrinas, da nutrição e do metabolismo e
transtornos imunitários” (código 279.1). Na CID-10, em vigor no Brasil desde 1996, essa
doença mudou para o Capítulo I – “Doenças Infecciosas e Parasitárias” Dessa forma, se formos
analisar o coeficiente de mortalidade por doenças transmissíveis no Paraná desde 1980, por
exemplo, devemos ter em mente que a partir de 1996 poderá ocorrer um aumento artificial
deste coeficiente, simplesmente porque mais uma doença (a aids) passou a fazer parte do
agrupamento de causas
infecciosas/parasitárias (Capítulo I da CID-10).
Cálculos de coeficientes por outras causas específicas ou por capítulos da CID (por exemplo,
causas externas, infarto do miocárdio, doenças cerebrovasculares, acidentes de trânsito, etc.)
também são possíveis, usando o mesmo raciocínio e padrão de equação utilizado para o
cálculo do coeficiente de mortalidade por doenças transmissíveis.
Observar a qualidade da informação específica, na análise do ano, ou, principalmente, em
séries temporais, é indispensável, pois muitas vezes essas causas específicas não vêm sendo
adequadamente descritas nas declarações de óbito, o que leva a coeficientes subestimados.
C) COEFICIENTES DE NATALIDADE
Os principais coeficientes que medem a natalidade (nascimentos) de uma população são:
o coeficiente de natalidade
o coeficiente de fecundidade
Enquanto o coeficiente de natalidade está relacionado com o tamanho da população, o de
fecundidade está relacionado com o número de mulheres em idade fértil. Por isso, é comum a
fecundidade ser expressa também em média de filhos por mulher (por exemplo: 2,5 filhos por
mulher).
O coeficiente de natalidade, portanto, pode ser calculado pela seguinte equação (ou também
por regra de três):
Nascidos vivos em determinada área e período x 1.000
população da mesma área, no meio período
O coeficiente de fecundidade, como está relacionado à população feminina em idade fértil, é
dado pela fórmula (ou calculado por regra de três):
Nascidos vivos em determinada área e período x 1.000
mulheres de 15 a 49 anos da mesma área, no meio do período

C) PROPORÇÕES
Como já referido, as proporções não estimam o risco do evento em uma dada população,
porém são mais fáceis de serem calculadas, pois não necessitam de denominadores, como o
número de habitantes, para o seu cálculo.
Além disso são mais fáceis de se compreender, pois seus resultados são sempre em
percentuais (a cada cem pessoas, tantas morrem por doenças do aparelho circulatório, por
exemplo).
• Mortalidade proporcional por idade: é um indicador muito útil e fácil de se calcular. Com
base no total de óbitos, fazemos uma regra de três, calculando qual a proporção de óbitos na
faixa etária de 20 a 29 anos ou de menores de 1 ano, por exemplo.
Duas proporções, em relação à mortalidade por idade, são mais freqüentemente utilizadas:
a mortalidade infantil proporcional (proporção de óbitos de menores de 1 ano em relação ao
total de óbitos)
mortalidade proporcional de 50 anos ou mais conhecida como Indicador de Swaroop e
Uemura ou Razão de Mortalidade Proporcional (proporção de óbitos de pessoas que
morreram com 50 anos ou mais de idade em relação ao total de óbitos)

Evidentemente, quanto piores as condições de vida e de saúde, maior a mortalidade infantil


proporcional e menor o valor do Indicador de Swaroop e Uemura, pois grande parte das
pessoas poderá morrer antes de chegar aos 50 anos de vida. Nos países ricos, ao contrário, a
maioria da população morre com mais de 50 anos; assim, o Indicador de Swaroop e Uemura
será mais alto (em torno de 85%).
A mortalidade proporcional por idade também pode ser representada em gráfico, sendo
conhecida como Curva de Mortalidade Proporcional (ou Curva de Nelson de Moraes, que foi
quem a propôs). Para isso, primeiro devemos calcular todos os percentuais correspondentes às
seguintes faixas etárias: menor de 1 ano, de 1 a 4 anos, de 5 a 19 anos, de 20 a 49 anos e de 50
anos e mais (a soma de todos os percentuais dessas faixas etárias deve dar 100%).
A seguir, colocamos esses valores (percentuais) no gráfico, como mostra abaixo, que também
descreve os 4 tipos de curvas (nível de saúde muito baixo, baixo, regular e elevado.

Atualmente, com o aumento da expectativa de vida em muitos países, alguns autores tem
usado o limite de 60 anos e mais de idade para o cálculo da proporção de idosos entre os
óbitos, como apresentado pela Rede Interagencial de Informações para a Saúde (RIPSA) em
seu “Indicadores e dados básicos para a saúde (IDB98)”
• Mortalidade proporcional por causas de morte: é a proporção que determinada causa (ou
agrupamento de causas) tem no conjunto de todos os óbitos. Por exemplo, a mortalidade
proporcional por doenças do aparelho circulatório é a proporção de óbitos por doenças do
aparelho circulatório em relação ao total de óbitos no mesmo período e local.
Atualmente, com a implantação do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) no
Brasil, algumas proporções de importância epidemiológica também podem ser calculadas,
como por exemplo:
• taxa de nascidos vivos com baixo peso ao nascer: % nascidos vivos com peso ao nascer <
2500 gramas em relação ao total de nascidos vivos em determinado período de tempo e local;
• taxa de nascidos vivos com mães adolescentes: % de nascidos vivos com mães de idade < 20
anos (até 19 anos inclusive) em relação ao total de nascidos vivos em determinado período de
tempo e local;
• taxa de nascidos vivos por cesárea: % nascidos vivos por cesárea em relação ao total de
nascidos vivos em determinado período de tempo e local;
• taxa de nascidos vivos prematuros: % de nascidos vivos com menos de 37 semanas (até 36
inclusive) de gestação.
É importante considerar que os resultados de indicadores que se baseiam em números
pequenos (por exemplo, com base em dados de apenas um ano de uma área de abrangência
de uma Unidade Básica de Saúde ou de uma cidade muito pequena) podem apresentar o que
se chama de “variação aleatória”.
Por exemplo, se uma determinada área de abrangência tem 150 nascidos vivos no ano e
nenhum morrer, o coeficiente será zero; se ocorrer 1 óbito infantil, o coeficiente de
mortalidade infantil será de 6,7 por mil nascidos vivos. Se ocorrerem 2 óbitos nessa mesma
comunidade, o coeficiente passará para 13,3 por mil nascidos vivos, ou seja, uma variação
(aleatória) bastante grande.
2) Indicadores de atenção basica
O processo de descentralização do Sistema Único de Saúde (SUS), impulsionado em 1988 com
a implantação do Piso de Atenção Básica (PAB), modificou profundamente a face da gestão das
ações e serviços no âmbito do setor saúde no Brasil.
Ao priorizar a implantação do PAB, o Ministério da Saúde (MS) buscou, transformando a lógica
de financiamento, impulsionar mudanças no funcionamento do modelo de atenção a saúde,
tornando-o mais eficiente, garantindo integralidade no desenvolvimento das ações,
contribuindo para o acesso universal e consolidando os vínculos entre a população e os
serviços.
Objetivando orientar o processo de avaliação e monitoramento da Atenção Básica no âmbito
do SUS, o Ministério da Saúde formulou a proposta de desenvolvimento de pactos de gestão
entre as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde e o Ministério da Saúde. O Pacto de
Indicadores da Atenção Básica foi, então, concebido como um instrumento nacional de
monitoramento das ações e serviços de saúde referentes à atenção básica, sendo instituído
pela Portaria GM/MS 3.925 de 1998, que aprovou o “Manual para Organização da Atenção
Básica”, e a Portaria 476 de 1999, que regulamentou o processo de acompanhamento e
avaliação da atenção básica.
A partir de então a cada ano vêm sendo publicadas, através de portarias específicas, as
orientações para o processo de pactuação e a relação de indicadores a serem pactuados pelos
gestores.
O Pacto pretende ser um instrumento formal de negociação entre gestores das três esferas de
governo (municipal, estadual e federal) tomando como objeto de negociação metas a serem
alcançadas em relação a indicadores de saúde previamente acordados.
Ao fim de cada ano, municípios e estados têm seu desempenho avaliado pelo nível federal em
função do cumprimento das metas pactuadas.
De 1999 a 2003, período em que foi implementado nacionalmente, o processo de pactuação
tem apresentado
alterações, tanto com relação à sua forma de condução quanto aos indicadores selecionados
para avaliação.
Em 1999, o elenco de indicadores municipais perfazia um total de 41: 24 para todos os
municípios e 17 específicos para as áreas do Programa Agentes Comunitários de Saúde (PACS)
e Programa Saúde da Família (PSF); em 2000, esta relação foi reduzida para 30 indicadores (14
para todos os municípios e 16 específicos para as áreas do PACS e PSF) e em 2001 foram
pactuados no total 17 indicadores para os municípios. Os indicadores estaduais, em geral,
reproduziam a relação de indicadores municipais, à exceção do ano de 2001 que apresentou
dois indicadores exclusivos para os estados, acrescidos aos 17 que eram comuns a ambos,
municípios e estados. Para o ano de 2002, foi definida uma relação de 25 indicadores
principais, pactuados por todos os estados e municípios, e uma relação de 22 indicadores
complementares, de pactuação não obrigatória.
Neste ano de 2003, após discussão interna nas áreas técnicas do Ministério e com
representações do CONASS (Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde) e do
CONASEMS (Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde), foi aprovado em reunião
da Comissão Intergestores Tripartite o elenco de indicadores que passa a ser composto de 20
principais e 14 obrigatórios, perfazendo um total de 34 indicadores a serem pactuados por
estados e municípios, tendo em vista a repetição de alguns indicadores que já constavam da
Programação Pactuada Integrada da Epidemiologia e Controle de Doenças (PPI - ECD).
Indicadores principais
1. Número absoluto de óbitos em menores de um ano de idade
2. Taxa de mortalidade infantil
3. Proporção de nascidos vivos com baixo-peso ao nascer
4. Proporção de óbitos em menores de um ano de idade por causas mal definidas
5. Taxa de internação por infecção respiratória aguda em menores de cinco anos de idade
6. Homogeneidade da cobertura vacinal por tetra valente em menores de um ano de idade
7. Taxa de mortalidade materna
8. Proporção de nascidos vivos de mães com quatro ou mais consultas de pré-natal
9. Proporção de óbitos de mulheres em idade fértil investigados
10. Razão entre exames citopatológicos cérvico-vaginais em mulheres de 25 a 59 anos e a
população feminina nesta faixa etária
11. Taxa de internação por acidente vascular cerebral (AVC)
12. Taxa de mortalidade por doenças cerebro-vasculares
13. Taxa de internação por cetoacidose e coma diabético
14. Proporção de abandono do tratamento de tuberculose
15. Proporção de abandono do tratamento de hanseníase
16. Taxa de detecção de casos de hanseníase
17. Cobertura de primeira consulta odontológica
18. Razão entre os procedimentos odontológicos coletivos e a população de 0 a 14 anos
19. Proporção da população coberta pelo Programa Saúde da Família (PSF)
20. Média anual de consultas médicas nas especialidades básicas por habitante
Indicadores complementares
1. Número absoluto de óbitos neonatais
2. Taxa de mortalidade infantil neonatal
3. Taxa de mortalidade em mulheres por câncer de colo do útero
4. Taxa de mortalidade em mulheres por câncer de mama
5. Proporção de nascidos vivos de mães com sete ou mais consultas de pré-natal
6. Taxa de internação por insuficiência cardíaca congestiva (ICC)
7. Taxa de internação por diabetes
8. Taxa de incidência de tuberculose pulmonar positiva
9. Taxa de mortalidade por tuberculose
10. Proporção de cura dos casos novos de hanseníase diagnosticados
11. Taxa de prevalência da hanseníase
12. Proporção de grau de incapacidade I e II registrados no momento do diagnóstico
13. Proporção de exodontias em relação às ações odontológicas básicas individuais
14. Média mensal de visitas domiciliares por família

Doença não transmissível


Uma doença não-transmissível ou DNT; doenças não infecciosas; doenças crônicas não
transmissíveis; doenças crônico degenerativas são terminologias usadas para definir grupos de
patologias caracterizadas pela ausência de microrganismos, ou seja é
uma doença não infecciosa, como também pelo longo curso clínico e irreversibilidade.
Czeresnia, utilizando o conceito de Fabre sobre a transmissão de doenças que orienta a
formulação de um discurso preventivo assim como a constituição de normas e leis que buscam
definir direitos, deveres e argumentos em oposição a atitudes hostis e irracionais contra os
doentes e grupos sociais mais atingidos, a exemplo da hanseníase (lepra) no passado
e SIDA e tuberculose em nossos dias. Considera que este, ao definir as formas específicas em
que um agente etiológico da doença passa de um indivíduo para outro, construiu uma
racionalidade capaz de romper com o medo difuso associado à velha noção de contágio
incorporando progressivamente as conquistas da epidemiologia, sobre a susceptibilidade dos
hospedeiros e constituição epidêmica.
Em recente encontro realizado no México experts da OMS e OPAS consideraram que para
desenvolver uma estratégia abrangente de abordagem das Doenças Não Transmissíveis é
necessário o desenvolvimento de evidências sobre o impacto sócio-econômico destas sobre os
sistemas de saúde avaliando concomitantemente a eficácia das diferentes formas de
intervenção com o objetivo de definir prioridades locais e justificar as políticas públicas para
essas patologias que somente na região das Américas atinge aproximadamente 250.000.000
(milhões) de pessoas.
Classificação[editar
As doenças e agravos não transmissíveis - DANTs; doenças não infecciosas ou não
transmissíveis, como também são chamadas em função das demandas de atendimento aos
agravos causados pela violência nos serviços de saúde, recebem vários nomes, como foi dito,
sendo que nenhum adequa-se totalmente a explicação todas as suas particularidades de
expressão e causa..
A noção de processos crônico-degenerativos, geralmente são associadas aos problemas
decorrentes do envelhecimento dos indivíduos e populações e o grupo relacionado às causas
externas. possuem uma característica comum de causalidade multi-fatorial sendo que
as Violências dos acidentes e agressões estão mais diretamente associados às más condições
de vida, urbanização desorganizada e problemas sócio-econômicos que expõem grandes
segmentos da população condições de carência e demanda de consumo não satisfeito ou
fatores geradores da criminalidade.
Exemplos de doenças não transmissíveis incluem hipertensão, diabetes, doenças
cardiovasculares - (arteriosclerose), neoplasias, (tomados como prioridade no Brasil) doenças
respiratórias crônicas (asma), doenças renais (Insuficiência renal crônica), doenças músculo-
esqueléticas (reumatismo, artropatias), problemas de saúde mental, doenças dos órgãos
sensoriais e doenças dentárias e periodontais (estas últimas consideradas relevantes
na Europa)
Observe-se que, como assinala Mendes, 2010[5] as condições crônicas vão muito além
das doenças crônicas (diabetes, doença cardiovascular, câncer, doença respiratória crônica
etc), envolvem as condições ligadas à maternidade e ao período perinatal (acompanhamento
das gestantes e atenção perinatal, às puérperas e aos recém-natos); condições ligadas à
manutenção da saúde por ciclos de vida (puericultura, hebicultura e monitoramento da
capacidade funcional das pessoas idosas); os distúrbios mentais de longo prazo como
assinalados acima, onde pode-se fazer um destaque para o retardamento mental e deficiência
intelectual associado ou não às deficiências físicas e estruturais contínuas (amputações,
cegueiras, deficiências motoras persistentes etc); doenças metabólicas; as já citadas, doenças
bucais e paradoxalmente, também envolvem, as doenças infecciosas persistentes (hanseníase,
tuberculose, HIV/AIDS, hepatites virais etc),
Tais doenças e condições crônicas podem ser causadas por fatores genéticos ou do estilo de
vida. Uma doença não transmissível não é uma doença que é causada por algo patógeno em si,
apesar de algumas destas, especialmente neoplasias, já estarem sendo associadas
a microorganismos específicos. Resultam da interação de fatores hereditários, nutricionais
relacionadas à alimentação inadequada ou contaminada por poluentes, ocupações de
risco, alcoolismo, tabagismo ou outros hábitos. Esses fatores são resultantes do estilo de vida
que às vezes são chamados de doenças de riqueza e modernidade.
Transmissível – não transmissível[editar
A humanidade em distintos períodos históricos já padeceu de grandes crises de mortalidade
causadas por devastadoras epidemias e paulatinamente desenvolveu estratégias para seu
controle. Atribui-se Tucídides, 430 a.C. relato da epidemia da peste em Atenas, seguida das
proposições hipocráticas das constituições epidêmicas de Água, Ares e Lugares e das teorias do
contágio a partir dos esporos ou partículas da doença de Girolamo Fracastoro (1478 - 1553)
e Thomas Sydenham (1624 –1689). Esse último em On Epidemics, 1680 (Sobre Epidemias),
retomando as teorias hipocráticas relacionou as epidemias a interação entre as qualidades
físicas da atmosfera (sazonais) de dados intervalo de tempo à desordens peculiares dos
corpos.
Em função da transição epidemiológica ou seja a redução da mortalidade por doenças
infecciosas e parasitárias o aumento das causas crônico degenerativas e agravos relacionados
aos acidentes e violências (causas externas)[6] tem-se retomado a idéia de constituição
epidêmica, tal como foi descrita, de forma muito próxima à forma ecológica, agregando o
conjunto de circunstâncias (geográficas, históricas, antropológicas, sociológicas) que
condicionam o surgimento das epidemias.
Doença infecciosa
Na Medicina, uma doença infecciosa ou doença infeciosa[1] ou doença transmissível é
qualquer doença causada por um agente patogênico (como priões, vírus, bactérias, fungos e
também parasitas), em contraste com causa física (por
exemplo: queimadura, intoxicação química, relação sexual, beijos ou ferimentos.)
exemplos de doenças infecciosas:
Malária
Dengue
Poliomielite
Caxumba
Tétano
Varicela
Tuberculose
AIDS (HIV)
Catapora (Varicela)
Ebola
Doenças infecciosas e parasitárias no CID-10 Rev.
Indicadores de saúde, Distribuição de doenças no tempo e no espaço, Vigilância
epidemiológica Ricardo Alexandre de Souza FAMINAS
2. Objetivos  Compreender o que são Indicadores de saúde  Saber o nome de alguns
indicadores  Compreender como se dá a Distribuição de doenças no tempo e no espaço 
Compreender o que é sazonalidade  Compreender o que é Vigilância em Saúde
3. “Medidas, contadas ou calculadas, e observações classificáveis, capazes de „revelar‟ uma
situação que não é aparente por si só.” (Merchán-Hamman, Tauil, Costa: 2000) “Medida , em
geral quantitativa, usada para substituir, quantificar ou operacionalizar um conceito” (Januzzi:
2001) INDICADOR - DEFINIÇÃO
4. INDICADORES Dado Informação Indicador Indicador é o que indica alguma coisa Reflete o
fenômeno de interesse e auxilia no seu entendimento Indicador de saúde – revela situação de
saúde
5. INDICADORES DE SAÚDE Principais usos:  Diagnóstico ou análise da situação atual 
Monitoramento da situação de saúde  Subsídios ao planejamento de intervenções  Apoio à
programação de recursos/insumos  Avaliação de impacto (adequação) de intervenções 
Comparação de grupos e populações  Estimativa de risco  Estimativa de probabilidades 
Estimativa de tendências e projeções (prever situações futuras)
6. Indicador Conceito: características que definem o indicador e a forma como ele se expressa,
se necessário agregando informações para a compreensão de seu conteúdo. Interpretação:
explicação sucinta do tipo de informação obtida e seu significado. Usos: principais formas de
utilização dos dados, as quais devem ser consideradas para fins de análise. Adaptado RIPSA,
2006
7. Indicador Limitações: fatores que restringem a interpretação do indicador, referentes tanto
ao próprio conceito quanto às fontes utilizadas. Fontes: instituições responsáveis pela
produção dos dados e pelos sistemas de informação, para o cálculo do indicador Método de
cálculo: fórmula utilizada para calcular o indicador, definindo precisamente os elementos que
a compõem. Categorias sugeridas para análise: níveis de desagregação dos dados que podem
contribuir para a interpretação da informação e que sejam efetivamente disponíveis, como
sexo e idade. Adaptado RIPSA, 2006
8. Epidemiologia  A palavra “epidemiologia” deriva do grego epi = sobre demos = população,
povo logos = estudo  Portanto, em sua etimologia, significa “estudo do que ocorre em uma
população”
9. Epidemiologia  Para a Associação Internacional de Epidemiologia, criada em 1954, a
Epidemiologia tem como objetivo o “estudo de fatores que determinam a freqüência e a
distribuição de doenças nas coletividades humanas” (ALMEIDA FILHO & ROUQUAYROL, 1992)
10. Epidemiologia  O Dicionário de Epidemiologia de John Last a define como “o estudo da
distribuição e dos determinantes de estados e eventos relacionados à saúde, em populações
específicas, e a aplicação desse estudo para o controle de problemas de saúde” (LAST, 1995)
11. Epidemiologia  Com a ampliação de sua abrangência e sua complexidade, a
Epidemiologia, segundo Almeida Filho e Rouquayrol (1992), não é fácil de ser definida.
Portanto conceituam “ciência que estuda o processo saúde-doença na sociedade, analisando a
distribuição populacional e os fatores determinantes das enfermidades, danos à saúde e
eventos associados à saúde coletiva, propondo medidas específicas de prevenção, controle ou
erradicação de doenças e fornecendo indicadores que sirvam de suporte ao planejamento,
administração e avaliação das ações de saúde”.
12. Epidemiologia  Ou seja, diferentemente da Clínica, que estuda o processo saúde-doença
em indivíduos, a Epidemiologia se preocupa com a comunidade, ou em grupos dessa
comunidade.
13. Epidemiologia  Um dos meios para se conhecer como se dá o processo saúde-doença na
comunidade é elaborando um diagnóstico comunitário de saúde.  O diagnóstico comunitário,
evidentemente, difere do diagnóstico clínico em termos de objetivos, informação necessária,
plano de ação e estratégia de avaliação.
14. Epidemiologia Diagnóstico Clínico Diagnóstico Comunitário Objetivo Curar a doença da
pessoa Melhorar o nível de saúde da comunidade Informação necessária Histórica clínica
Exame físico Exames complementares Dados sobre a população Doenças existentes Causas de
morte Serviços de saúde, etc. Tipo de diagnóstico DIAGNÓSTICO INDIVIDUAL DIAGNÓSTICO
COMUNITÁRIO Plano de ação Tratamento Reabilitação Programas de saúde prioritário
Avaliação Acompanhamento clínico (melhora/cura) Mudanças no estado de saúde da
população Fonte: Adaptado de Vaughan & Morrow (1992)
15. Epidemiologia  O termo distribuição pode ser observado em qualquer definição de
Epidemiologia. Distribuição, nesse sentido, é entendida como “o estudo da variabilidade da
freqüência das doenças de ocorrência em massa, em função de variáveis ambientais e
populacionais ligadas ao tempo e espaço” (ALMEIDA FILHO & ROUQUAYROL, 1992)
16. Epidemiologia  O primeiro passo em um estudo epidemiológico é analisar o padrão de
ocorrência de doenças segundo três vertentes: pessoas, tempo e espaço, método este
também conhecido como “epidemiologia descritiva” e que responde as perguntas quem?,
quando? e onde?
17. Epidemiologia  O padrão de ocorrência dos doenças também pode se alterar ao longo do
tempo, resultando na chamada estrutura epidemiológica, que nada mais é do que o padrão de
ocorrência da doença na população, resultante da interação de fatores do meio ambiente,
hospedeiro e do agente causador da doença. (BRASIL, 1998).
18. Epidemiologia  Essa estrutura epidemiológica se apresenta de forma dinâmica,
modificando-se continuamente no tempo me no espaço e definindo o que pode ser
considerado ocorrência “normal” ou “anormal” da doença em uma determinada população,
em determinado tempo e espaço. (BRASIL, 1998).
19. Epidemiologia  Início do século XX  Doenças infecciosas (cólera)  Século XX  Doenças
não infecciosas (Câncer, doenças do aparelho circulatório e respiratório)  Agravos e lesões
resultantes de causas externas (acidentes de trânsito, doenças e acidentes de trabalho,
homicídios, envenenamentos, etc.)  Desvios nutricionais (desnutrição, anemia, obesidade,
etc.)  Fatores de risco para ocorrência de doenças ou mortes (tabagismo,
hipercolesterolemia, baixo peso ao nascer, etc.)
20. Epidemiologia  Mais recentemente, aliados ao desenvolvimento de pacotes
computacionais, ganharam um espaço muito grande os métodos da chamada “epidemiologia
analítica” (principalmente os estudos de coorte e caso-controle), na busca de explicações
(causas) para a ocorrência dessas doenças e agravos com desvalorização indevida, devido à sua
importância para o diagnóstico de saúde da população, da “epidemiologia descritiva”
21. Epidemiologia Utilização da epidemiologia nos serviços de saúde: 1) Na busca de
explicações (causas ou fatores de risco) para a ocorrência de doenças, com utilização
predominante dos métodos da epidemiologia analítica;
22. Epidemiologia Utilização da epidemiologia nos serviços de saúde: 2) Nos estudos da
situação de saúde (que doenças ocorrem mais na comunidade? Há grupos mais suscetíveis? Há
relação com o nível social dessas pessoas? A doença ou agravo ocorre mais em determinado
período do dia, ano?);
23. Epidemiologia 3) Na avaliação de tecnologias, programas ou serviços (houve redução dos
casos de doença ou agravo após introdução de um programa? A estratégia de determinado
serviço é mais eficaz do que a de outro? A tecnologia “A” fornece mais benefícios do que a
tecnologia “B”?);
24. Epidemiologia 4) Na vigilância epidemiológica (que informação devemos coletar, observar?
Que atitudes tomar para prevenir, controlar ou erradicar a doença?).
25. Dados  Podem ser registrados de forma:  Contínua – óbitos, nascimentos, doenças de
notificação obrigatória  Periódica – recenseamento da população e levantamento do índice
CPO (dentes cariados, perdidos e obturados)  Ocasional – pesquisas para conhecer a
prevalência da hipertensão arterial ou diabetes em uma comunidade, em determinado
momento
26. Dados  Importância para a análise de situação de saúde:  População – número de
habitantes, idade, sexo, raça  Sócio-econômicos – renda, ocupação, classe social, tipo de
trabalho, condições de moradia e alimentação  Dados ambientais – poluição, abastecimento
de água, tratamento de esgoto, coleta e disposição do lixo  Serviços de saúde – hospitais,
ambulatórios,
27. Banco de dados  No Brasil:  SIM – Sistema de Informação sobre Mortalidade  SINASC –
Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos  SINAN – Sistema de Informação sobre Agravos
de Notificação  SIA/SUS - Sistema de Informações Ambulatoriais do Sistema Único de Saúde 
SIH/SUS - Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde
28. Banco de dados  É importante considerar que tanto a informação derivada de dados de
doenças (morbidade), como de mortalidade, apresentam vantagens e limitações.  É muito
conhecido, no meio da saúde, o termo “ponta de iceberg” para referir-se a uma característica
desses dados, ou seja, ambos (especialmente a mortalidade) representam apenas uma parcela
da população (a “ponta do iceberg”): a que morre ou a que chega ao serviço de saúde e
29. Banco de dados Ponta do iceberg Casos conhecidos Casos assintomáticos Casos
sintomáticos que não procuram o serviço de saúde Casos que procuram o serviço de saúde,
mas não são diagnosticados
30. Três casos
31. Informação na saúde Um Sistema de Informação pode ser definido tecnicamente como um
conjunto de componentes inter-relacionados que coleta (ou recupera), processa, armazena e
distribui informação para dar suporte à tomada de decisão e ao controle da organização
(LAUDON e LAUDON, 1999, p. 4)
32. Informação na saúde  ABRASCO: “Informação é um direito de todos e dever do Estado e
que o acesso à informação constitui um dos alicerces do projeto.  Lei 8080/90 no artigo 47: a
organização pelo MS, em articulação com os níveis estaduais e municipais do SUS, de um
Sistema Nacional de Informações em Saúde – SIS, integrado em todo o território nacional,
abrangendo questões epidemiológicas e de prestação de serviço. There are three kinds of lies:
lies, damned lies, and statistics. Benjamin Disraeli British politician (1804 - 1881)
33.  A OMS define SIS como um mecanismo de coleta, processamento, análise e transmissão
da informação necessária para se planejar, organizar, operar e avaliar os serviços de saúde.
Considera-se que a transformação de um dado em informação exige, além da análise, a
divulgação, e inclusive recomendações para a ação.
34. Informação
35.  Denomina-se SIS ao conjunto de unidade de produção, análise e divulgação de dados que
atuam com a finalidade de atender às necessidades de informações de instituições,
programas, serviços, podendo ser informatizados ou manuais.  Gerenciar um serviço de
saúde significa cuidar dos aspectos organizacionais e funcionais, tal como em qualquer
empresa. Isso quer dizer que gerenciar sistemas de saúde requer lidar com aspectos
administrativos como controlar estoques de materiais, equipamentos, gerir finanças, recursos
humanos, etc., isto é, controlar aspectos que representam as condições de organização e
funcionamento dos serviços de saúde. Informação na saúde
36.  Mas principalmente, em saúde, há os aspectos gerados pela prática de saúde, isto é,
aqueles decorrentes do atendimento prestado, do ato clínico, ao indivíduo ou à coletividade
ou à ambos. Informação na saúde
37. Informação na saúde
38.  distribuição da população nos municípios;  tendência da fecundidade no Brasil e nas
regiões, tendência da expectativa de vida e mudanças na distribuição etária da população
brasileira no tempo e segundo regiões;  idH no Brasil e estados, tendências e o idHm segundo
raça/cor;  escolaridade segundo raça/cor; Alguns indicadores
39. Alguns indicadores  analfabetismo, em pessoas de 15 anos ou mais, sendo definido como
incapacidade de escrever e ler um bilhete simples. Foi analisada a tendência deste indicador
segundo os estados e sua distribuição segundo o porte populacional do município em 2004; 
proporção da população servida por água, sendo definido como percentual de pessoas em
domicílios com abastecimento de água por meio de rede geral  com canalização interna ou
por meio de poço ou nascente com canalização interna. Foi analisada a tendência deste
indicador segundo os estados e sua distribuição segundo o porte populacional do município
em 2004;
40. Indicadores de Eficiencia: Recursos; produtividade; utilização da capacidade instalada;
Utilização da capacidade operacional; distribuição dos gastos por tipo de atenção; Indicadores
de Eficácia: Cobertura alcançada através das acões produzidas; concentração de
procedimentos; resolutividade; Indicadores de Efetividade: Epidemiológicos(mortalidade,
morbidadee fatoresde risco); demográficos; sócio-economicos. Alguns indicadores
41. 19.9 19.3 18.9 17.9 0.0 5.0 10.0 15.0 20.0 25.0 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Coeficiente
Coeficiente de mortalidade infantil Informação na saúde 22.1 28.6 32.9 36.6 40.3 44.0 0.0 10.0
20.0 30.0 40.0 50.0 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Proporção(%) Proporção da população
coberta pelo Programa Saúde da Família
42. SIM SINASC SINAN SIH-SUS SIA-SUS APAC – SIA Censo-IBGE PNAD SIAB Cadastro de
Estabelecimentos Saúde
43.  Sistema desenvolvido especialmente para gerenciamento dos dados obtidos a partir da
atenção prestada aos usuários de comunidades atendidas pelos profissionais das equipes de
Saúde da Família e de Agentes Comunitários de Saúde. SIAB
44.  Conceitos Básicos • Território • Problema • Responsabilidade Sanitária  Possibilidades
 conhecer a realidade sócio-sanitária da população acompanhada;  avaliar a adequação dos
serviços de saúde oferecidos, e readequá-los, sempre que necessário;  melhorar a qualidade
dos serviços de saúde. SIAB
45. INFORMAÇÕES E VARIÁVEIS 1. Cadastramento das famílias • Características das pessoas; •
Características dos domicílios; • Condição de saneamento; • Outras informações relevantes.
SIAB
46. 2. Acompanhamento de grupos de risco • Crianças menores de 5 anos; • Gestantes; •
Pessoas com hipertensão arterial; • Pessoas com diabetes; • Pessoas com tuberculose; •
Pessoas com hanseníase. SIAB
47. 3. Registros de atividades, procedimentos e notificações •Produção; •Notificação de
agravos e situação SIAB
48. Avanços  Análise desagregada das informações do município (microárea, área e
segmento);  Definição dos dados a serem coletados a partir de problemas relevantes;  Base
cadastral da população atualizada.  Agilidade em disponibilizar os indicadores.  Orienta para
o planejamento e tomada de decisão no nível local. SIAB
49. Limites  Base tecnológica não condizente com a realidade atual;  Não abrange toda a
atenção básica de saúde, somente a Estratégia Saúde da Família e de Agentes Comunitários de
Saúde;  Não integra com outros sistemas de informação em saúde, gerando retrabalho; 
Não disponibiliza dados individualizados;  Não acompanhou as políticas vigentes. SIAB
50. Situação Atual  Integração com o SCNES para o cadastro das equipes, com validade a
partir do mês de agosto/2007;  Trabalho conjunto com o Dasis/SVS para análise do banco de
dados, buscando: 1. Reafirmar ou não os pontos frágeis; 2. Definir novos critérios da limpeza
da base de dados; 3. Levantar perguntas avaliativas não respondidas pelo Siab. SIAB
51. Situação Atual  Abrangência: todos os municípios que aderiram à Estratégia Saúde da
Família e de Agentes Comunitários de Saúde (em junho/2007 – 2.240 municípios com dados da
Estratégia de Agentes Comunitários de Saúde e 5.178 municípios com a Estratégia de Saúde da
Família ) SIAB
52. SIA-SIH Informações Assistenciais  Sistema de Informações Hospitalares do SUS- SIH/SUS
 Descrição  Estrutura  Fluxo  Potencialidades e Limitações  Indicadores
53. SIA-SIH  Estrutura  SIH / SUS  Instrumento - AIH (Autorização de Internação Hospitalar)
 Caracterização das Internações (Individualizada)  Natureza do evento (diagnóstico,
procedimentos, SADT e SP...)  Valores Pagos (Procedimentos)  Cadastro das Unidades - CH
(Leitos, Gestão, Natureza...)
54. SIA-SIH  POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES  Aspectos positivos  Extrema Agilidade (45 -
60 dias);  Sistema nacional (disponível para a população);  Sofre auditoria e críticas para
pagamento ;  Registros sistemático mensal (controle/avaliação);  Dados desagregados por
indivíduo e hospitais (planejamento e gestão);  Informações de morbidade das doenças
crônico-degenerativas;  Permite o monitoramento de agravos e vigilância epidemiológica; 
Possibilita a construção de diferentes indicadores de saúde.
55. SIA-SIH  Aspectos negativos  Cobertura - rede do SUS (70-80%);  Informações seletivas
(morbidade);  Suspeita de fraudes (reduz a confiabilidade);  Não identifica todas as re-
internações;  Sofre diversas alterações (política, dinâmica da assistência);  Informações
“secundárias” mal preenchidas (qualidade);
56. SIA-SIH INDICADORES: Assistenciais • Perfil da rede hospitalar (natureza, gestão) • Oferta
de leitos e clínicas disponíveis; • Serviços e procedimentos realizados; • Meios diagnósticos e
terapêuticos; • Evolução do paciente e tempo de internação; • Valores pagos com a internação
(faturamento dos hospitais) Epidemiológicos • Frequências absoluta e relativa • Coeficiente de
internação ou mortalidade hospitalar • Razão entre de internação e notificação de agravos •
Coeficientes específicos (causa, sexo e faixa etária)
57. SIA-SIH  Estrutura  SIH / SUS  Instrumento - AIH (Autorização de Internação Hospitalar)
 Caracterização das Internações (Individualizada)  Natureza do evento (diagnóstico,
procedimentos, SADT e SP...)  Valores Pagos (Procedimentos)  Cadastro das Unidades - CH
(Leitos, Gestão, Natureza...)
58. SIM Sistema de Informação de Mortalidade - S I M Descrição Estrutura Fluxo
Potencialidades e Limitações Indicadores
59. SIM
60. POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES Aspectos positivos  Contém dados sobre as
características de todos os óbitos;  É universal, com cobertura e confiabilidade relativamente
boa;  Possibilita a construção de indicadores que permitem uma aproximação da situação de
saúde da população e do risco de morte;  Permite a observação de diferenciais de
mortalidade através da espacialização dos óbitos;  Permite a elaboração de estatísticas
necessárias para o planejamento e avaliação das ações de saúde. SIM
61.  Aspectos negativos  Pouca agilidade no processamento dos dados;  Sub-registro e
Subnotificação;  Acentuado número de óbitos por causa mal definida;  Preenchimento
inadequado de diversos campos da DO. SIM
62. Indicadores  Mortalidade Geral  Mortalidade Infantil  Mortalidade Materna 
Mortalidade por causas e/ou idades específicas  Mortalidade Proporcional por causa e/ou
faixa etária SIM
63. SINASC Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos – SINASC Descrição Estrutura
Fluxo Potencialidades e Limitações Indicadores
64. SINASC POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES Aspectos positivos  Contém informações sobre
as características dos Nascidos Vivos, das mães, da gestação e do parto;  Tem cobertura
universal;  Possibilita a construção de importantes indicadores (CMI e RMM);  Permite a
observação de RNs com risco de vida;  Serve de base para o planejamento, adoção de ações
específicas voltadas ao grupo materno-infantil
65. SINASC Aspectos negativos  Pouca agilidade no processamento dos dados;  Sub-registro
e Subnotificação;  Preenchimento inadequado de diversos campos da DN.
66. SINASC INDICADORES  Taxa de Fecundidade  Taxa de Natalidade  Mortalidade Infantil e
Materna (denominador)  Proporção de Gravidez na Adolescência  Proporção de Recém-
Nascidos com Baixo Peso  Proporção de Partos Cesáreos e/ou Domiciliares
67. CNES Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES Instrumento - FCES (Ficha
Cadastral de Estabelecimentos de Saúde) Estabelecimentos e Profissionais (Indicadores e
Consultas) Brasil – UF - Municípios
68. rie Temporal (ST)  es ordenadas no tempo;  uma  o do tempo (hora, dia, semana, mês,
ano etc);  o e controle;  rio (irregularidades).
69. Tendência stico, Brasil - 1980 a 2012
70. Tendências  Taxas anuais de mortalidade por tuberculose padronizadas por idade
(p/100.000 habitantes) -
71. Sazonalidade  es regulares da freqü ência de uma doença dentro do odo de um ano, s
ticas  o, (KUNST et al, 1993; SAEZ et al., 1995);  procura de locais secos) (PEREIRA, 1995);
72. Sazonalidade  o;  - - o)  ia de inverno). (ROBINS-BOWNE, 1984)  o  o a aumentar com
o aquecimento global
73. Sazonalidade
74. Sarampo e a seus sintomas
75. Ciclicidade  o regulares da freqü ência de uma doença em odos maiores que um ano  – o)
76. Irregularidades
77. Monitoramento e Controle  Detectar precocemente mudanças na freqü ência das doenças
 ries temporais  - gica

CONGLOMERADOS DE DOENÇAS
Em epidemiologia, nome dado ao processo de agrupamento dos casos individuais de
determinado agravo à saúde, de acordo com o lapso de tempo decorrido entre o evento
supostamente causal e a manifestação mórbida em estudo, e o local em que ocorreram.
ENDEMIA
Denomina-se de endemia à ocorrência coletiva de uma determinada doença que, no decorrer
de um largo período histórico, acometendo sistematicamente grupos humanos distribuídos em
espaços delimitados e caracterizados, mantém a sua incidência constante, permitidas as
flutuações de valores, tais como as variações sazonais. Note-se que o termo endemia refere-
se à doença habitualmente presente entre os membros de um determinado grupo, em uma
determinada área, isto é, presente em uma população definida. Atualmente, a distinção entre
comportamento endêmico ou epidêmico de uma dada doença fica estabelecida com base em
critérios relativos. Uma afirmação de caráter geral, não crítica, é a de que, com base na
experiência passada, são derivados critérios para distinguir-se, na atualidade, a presença da
doença em nível endêmico ou em nível epidêmico. O conceito atribuído à expressão “nível
endêmico” é complexo e sua compreensão depende do estabelecimento de uma série de
conceitos que lhe são logicamente anteriores.
EPIDEMIA
O termo epidemia se refere a um objeto complexo e multifacetado. A sua definição pode
variar segundo o ponto de vista sob o qual se observe o evento ou em função do nível de
abstração dos definidores empregados. A definição construída pode depender ainda de uma
intenção pragmática a priori ou de determinados aspectos específicos que se queira enfatizar.
Assim, numa primeira aproximação, é possível pensar-se em epidemia como a coisa em si,
como uma ocorrência ou fenômeno natural cuja confirmação independe de qualquer discurso
teórico e que possa ser percebida intuitivamente por um observador externo. Segundo esta
idéia, epidemia deverá ser definida em termos os mais concretos possíveis, e que possam ser
compreendidos e explicitados na linguagem leiga.
Epidemia é a ocorrência de doença em grande número de pessoas ao mesmo tempo.
Aprofundando a análise deste conceito, deve ser ressaltado que, para o observador externo, a
percepção da epidemia só se efetivará se a doença se deixar transparecer através de sintomas
e sinais característicos, comuns a todos os indivíduos afetados. Observe-se também que, aqui,
epidemia está sendo definida como um fato empírico, primitivo, como uma ocorrência em
massa de um fenômeno natural que ocorre em indivíduos: a doença. È lícito, portanto, pensar
que algumas ocorrências naturais deste tipo -a epidemia- possam passar sem registro, ou por
falta de condições para percepção da própria doença ou por falta de registro, ou por alguma
incapacidade atual de generalização, a partir das ocorrências individuais.
No outro extremo, é possível pensar epidemia como aquele processo saúde-doença de massa
que deve ser inequivocamente reconhecido como tal por especialistas ou órgãos técnicos,
seguindo regras e preceitos cientificamente elaborados e precisamente convencionados. Neste
caso, a definição deve ser colocada em termos operacionais.
Epidemia (conceito operativo) é uma alteração, espacial e cronologicamente delimitada, do
estado de saúde-doença de uma população, caracterizada por uma elevação progressivamente
crescente, inesperada e descontrolada dos coeficientes de incidência de determinada doença,
ultrapassando e reiterando valores acima do limiar epidêmico preestabelecido.
Esta definição expressa com base em conceitos sofisticados, pressupõe que o estado saúde-
doença da população deva estar permanentemente sob vigilância e controle. Implica
observação contínua, exercida por pessoal habilitado, coleta e registro de dados
bioestatísticos, cálculo de coeficientes, propositura de um limiar epidêmico convencionado e
acompanhamento permanente da incidência através de diagramas de controle.
Imunização
imunização é definida como a aquisição de proteção imunológica contra uma doença
infecciosa. Prática que tem como objetivo aumentar a resistência de
um indivíduo contra infecções. É administrada por meio de vacina, imunoglobulina ou
por soro de anticorpos. As vacinas são usadas para induzir a imunidade ativa; sua
administração resulta numa resposta biológica e na produção de anticorpos específicos. Assim,
a imunidade é induzida contra futuras infecções pelo mesmo micro-organismo. A imunidade
ativa dura muitos anos; a passiva é induzida pela administração de anticorpos contra uma
infecção particular. Os anticorpos colhidos dos humanos são chamados imunoglobulina e os
dos animais, soros. A imunidade passiva dura apenas algumas semanas.
Imunização ativa vs. passiva[editar | editar código-fonte]
A imunização ativa ocorre quando o próprio sistema imune do indivíduo, ao entrar em contato
com uma substância estranha ao organismo, responde produzindo anticorpos e células imunes
(linfócitos T). Esse tipo de imunidade geralmente dura por vários anos, às vezes, por toda uma
vida. Os dois meios de se adquirir imunidade ativa são contraindo uma doença infecciosa e
a vacinação.
A imunização passiva é obtida pela transferência ao indivíduo de anticorpos produzidos por
um animal ou outro ser humano. Esse tipo de imunidade produz uma rápida e eficiente
proteção, que, contudo, é temporária, durando em média poucas semanas ou meses. A
imunidade passiva natural é o tipo mais comum de imunidade passiva, sendo caracterizada
pela passagem de anticorpos da mãe para o feto através da placenta e também pelo leite. Essa
transferência de anticorpos ocorre nos últimos 2 meses de gestação, de modo a conferir uma
boa imunidade à criança durante seu primeiro ano de vida. A imunidade passiva artificial pode
ser adquirida sob três formas principais: a imunoglobulina humana combinada,
a imunoglobulina humana hiperimune e o soro heterólogo. A transfusão de sangue é uma
outra forma de se adquirir imunidade passiva, já que, virtualmente, todos os tipos de produtos
sanguíneos (i.e. sangue total, plasma, concentrado de hemácias, concentrado de plaquetas,
etc) contêm anticorpos.
Classificação das vacinas[editar | editar código-fonte]
1- Vacinas vivas atenuadas
Compostas de microrganismos vivos atenuados em laboratório, que devem ser capazes de
multiplicarem-se no organismo hospedeiro para que possa ocorrer a estimulação de uma
resposta imune. Essa resposta imune ao micro-organismo atenuado é idêntica a produzida
pela infecção natural, pois o sistema imune é incapaz de diferenciar entre uma infecção pelo
micro-organismo vacinal e o microrganismo selvagem. A multiplicação do micro-organismo
vacinal não costuma ser capaz de causar doença.
Exemplos de vacinas vivas atenuadas: Sarampo, caxumba, rubéola, pólio-Sabin, febre amarela,
varicela, BCG.
2- Vacinas inativadas
Compostas de microrganismos inativados, o que significa que estes não mais se encontram
vivos, logo incapazes de multiplicarem-se. A resposta imune à vacina inativada é
principalmente humoral (proteínas plasmáticas,as imunoglobulinas, sintetizadas por linfótos
diferenciados em plasmócitos), com pouca ou nenhuma imunidade celular.
Exemplos de vacinas inativadas: DPT,hepatite A, hepatite B, raiva, pólio-Salk, pneumococo,
meningococo, influenza, haemophilus do tipo-b, febre tifoide, cólera.
Número de doses de uma vacina[editar | editar código-fonte]
As vacinas vivas atenuadas geralmente produzem imunidade prolongada com uma única dose;
exceção à vacina oral da poliomielite.As vacinas inativadas requerem múltiplas doses para
produzir imunidade e, eventualmente, necessitam de uma dose de reforço para a manutenção
da imunidade.
Intervalo entre doses de uma mesma vacina[editar | editar código-fonte]
Não existe um intervalo máximo entre as doses de uma mesma vacina. Assim sendo, apesar de
cada vacina possuir seu próprio intervalo de tempo recomendável entre as doses, no caso
desse intervalo ter sido ultrapassado, não existe a indicação de se reiniciar nova vacinação e
deve-se administrar as doses subsequentes da vacina.
Por outro lado, a não obediência do intervalo mínimo permitido entre as doses pode implicar
em redução da eficácia da vacina.
Aplicação simultânea e não simultânea de diferentes vacinas[editar | editar código-fonte]
Não existe contraindicação à administração simultânea de quaisquer vacinas. A única exceção
a essa regra fica por conta da administração simultânea das vacinas da febre amarela e cólera,
que devem ser separadas por um período mínimo de 3 semanas.
A administração não-simultânea de diferentes vacinas deve seguir os seguintes intervalos
entre elas:
Duas vacinas vivas atenuadas — esperar 4 semanas
Febre amarela e cólera — esperar 3 semanas
Todas as outras — sem restrições
Observação: A vacina oral da poliomielite não precisa ser separada por 4 semanas de outra
vacina viva atenuada.
Interferência da presença de anticorpos na resposta à vacinação[editar | editar código-fonte]
A multiplicação dos microrganismos nas vacinas vivas atenuadas é necessária para que ocorra
a resposta imune. A presença de anticorpos circulantes pode resultar numa inibição dessa
multiplicação e, consequentemente, numa imunização ineficiente.
A administração de vacinas vivas atenuadas x anticorpos :
Se a vacina foi administrada antes — esperar 2 semanas antes de administrar o anticorpo
Se o anticorpo foi administrado antes — esperar > 3 meses antes de administrar a vacina
Observação: a vacina oral da poliomielite não é afetada por anticorpos, possivelmente porque
o vírus pólio multiplica-se no trato GI.
Reações adversas das vacinas[editar | editar código-fonte]
As reações locais são as mais freqüentes e incluem dor, edema e eritema no sítio de injeção.
Essas reações geralmente são leves e auto-limitadas, no entanto, em raras ocasiões, podem se
tornar graves (reações de Arthus).
As reações sistêmicas incluem febre, mal-estar, rash cutâneo, mialgias, cefaléia e anorexia.
Esses sintomas usualmente ocorrem 1-2 semanas após a administração de vacinas vivas
atenuadas e são considerados como uma “doença” leve provocada pela multiplicação do
microrganismo da vacina.
As reações alérgicas são as mais graves, inclusive colocando a vida da criança em risco, porém,
felizmente, são muito raras.
Contraindicações à vacinação[editar | editar código-fonte]
1- Contraindicações gerais à vacinação:
Alergia grave a uma dose prévia da vacina
Alergia grave a um dos componentes da vacina
Doença aguda moderada à grave
Observação: As vacinas contra influenza (gripe) e febre amarela não são recomendadas a
indivíduos alérgicos à proteína do ovo de galinha. Por não conter proteínas do ovo, a vacina
contra o sarampo, caxumba e rubéola (SCR) pode ser seguramente aplicada em pessoas com
alergia ao ovo.
2- Contraindicações às vacinas vivas atenuadas:
Gravidez
Imunossupressão
Transfusão recente de produtos sanguíneos
3- Contraindicações à vacinação BCG:
Todas relativas às vacinas vivas atenuadas
Criança com peso < 2 Kg (impossibilidade técnica da aplicação ID)
4- Contraindicações à vacinação DPT (devido ao componente pertussis):
Encefalopatia nos 7 dias pós-vacinação
Convulsões nas 72 horas pós-vacinação
Choro persistente e inconsolável, com 3 horas ou mais de duração
5- Falsas contraindicações à vacinação:
Doença aguda leve (infecções de vias aéreas superiores, resfriados, diarreia, doenças de pele)
Desnutrição: deve ser considerada indicação e não contraindicação às vacinas do calendário
básico, visto que doenças como coqueluche e sarampo têm muito maior gravidade nos
desnutridos e que estas crianças apresentam boa resposta a essas vacinas
Doença neurológica estável (p.ex. síndrome convulsiva controlada)
Antecedente familiar de convulsão
Uso de corticoides em doses não imunossupressoras
Alergia a produtos que não compõe a vacina; alergia não-anafilática a componente da vacina
Aleitamento materno
Contactante domiciliar de grávida
Prematuridade
Uso de antibióticos
Necessidade de fazer PPD
Exposição recente a doenças infecciosa
Antecedentes de alergia a penicilina: nenhuma das vacinas atualmente em uso contém
penicilina
História de morte súbita
Vacinação e infecção pelo HIV[editar | editar código-fonte]
Não se deve aplicar vacinas vivas em indivíduos imunossuprimidas pelo HIV (ou por qualquer
outra etiologia) devido possibilidade aumentada da ocorrência de multiplicação descontrolada
dos microrganismos vacinais e reações adversas graves.
Observação: a vacinação oral da poliomielite está contraindicada às crianças que possuem um
contactante domiciliar imunossuprimido, pois existe o risco da criança expelir o vírus vacinal
no ambiente e, com isso, o indivíduo imunossuprimido desenvolver poliomielite paralítica.
As vacinas do sarampo e varicela, apesar de serem vacinas vivas atenuadas, estão indicadas às
crianças HIV positivas assintomáticas ou levemente imunossuprimidas, em virtude destas duas
doenças representarem infecções graves em pacientes HIV positivos.
Indicações de imunização passiva[editar | editar código-fonte]
Imunoglobulina humana combinada: Possui indicação na profilaxia pós-exposição da hepatite
A e sarampo.
Imunoglobulina humana hiperimune: Profilaxia pós-exposição da hepatite B, tétano e varicela.
Soro heterólogo: Tratamento da difteria, profilaxia da raiva e tétano.

Vigilância epidemiológica e sanitária

MEDICINA
A Saúde do Trabalhador passou a ser incorporada pelo SUS no ano de 1990. A Lei Orgânica da
Saúde (LOS, nº 8080, artigo 6º), diz que é conferida à Direção Nacional do SUS a
responsabilidade de coordenar a política de saúde do trabalhador. Essa lei mostra as diretrizes
para a execução das ações voltadas à saúde do trabalhador. No parágrafo 3º do artigo 6 da
LOS, essas ações estão descritas como:

Um conjunto de atividades que se destina, por meio das ações das Vigilâncias Epidemiológica e
Sanitária, à promoção e à proteção da saúde do trabalhador, assim como visa à recuperação e
à reabilitação dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de
trabalho. (LOS, 1990).

O Sistema Único de Saúde, ou seja, o serviço de saúde pública tem como principais objetivos o
desenvolvimento de sistemas de informações no campo da vigilância. Na área de Saúde do
Trabalhador, as informações ainda são escassas, e as análises são feitas a partir de dados da
Previdência Social, por meio da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), sendo pouco
abrangentes e apresentando defasagem na descrição dos relatos, pois têm o caráter de
seguridade, principalmente para trabalhadores com vínculo formal com o mercado de
trabalho. Somam-se a isto as subnotificações, principalmente de doenças relacionadas ao
trabalho que acabam não sendo diagnosticadas como tal. O trabalho informal é outro
agravante de subnotificação, pois oculta os acidentes, morte e invalidez de trabalhadores em
sua atividade laboral informal.

A portaria nº 777/GM, de 28 de abril de 2004, dispõe sobre os procedimentos técnicos para a


notificação compulsória de 11 agravos da saúde do trabalhador por intermédio do SUS e
procedimentos que devem ser realizados divididos em níveis local, municipal, regional,
estadual e nacional nas áreas de assistência (vigilâncias epidemiológica e ambiental e a
estruturação de um sistema de informação e capacitação).

Essa portaria está pautada na necessidade de agilizar e ser o mais fiel possível com relação às
informações sobre a situação da produção, perfil dos trabalhadores e ocorrência de agravos
relacionados ao trabalho para orientar as ações de saúde, a intervenção nos ambiente e
condições de trabalho, e também como uma forma de unificar essas informações sobre a
saúde do trabalhador que ainda são muito dispersas e fragmentadas.

Desde abril de 2006, em atendimento a esta portaria, a Coordenação Nacional de Saúde do


Trabalhador (COSAT), deu início ao processo de construção e implantação da Vigilância
Epidemiológica em Saúde do trabalhador com a incorporação dos agravos contidos na Portaria
777.

O Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), criado pelo Ministério da Saúde,


tem por objetivo o registro e processamento dos dados sobre agravos de notificação em todo
o território nacional, fornecendo informações para análise do perfil da morbidade e
contribuindo para a tomada de decisão em níveis municipal, estadual e federal.

O SINAN é alimentado, principalmente, pela notificação e investigação de casos de doenças e


agravos descritos na lista nacional de doenças de notificação compulsória (Portaria GM/MS nº
5, de 21 de fevereiro de 2006). No entanto, é facultado a estados e municípios incluir outros
problemas de saúde importantes em sua região.
A notificação é realizada via SISNAN-NET, e é importante porque os acidentes e doenças
relacionadas ao trabalho são evitáveis e passíveis de prevenção. Por meio deste sistema, é
possível identificar o motivo pelo qual os trabalhadores adoecem ou morrem, para que esses
dados possam ser associados aos ramos de atividade econômica e aos processos de trabalho,
afim de que possam ser feitas intervenções sobre as causas e os determinantes dos agravos
aos trabalhadores. Essas intervenções são realizadas por intermédio da elaboração de
estratégias de atuação nas áreas de promoção e prevenção de saúde, controlando de forma
integrada e eficiente, os problemas de saúde coletiva relacionados com o trabalho.

A portaria GM/MS Nº 201, de 3 de novembro de 2010, estabelece os parâmetros para


monitoramento da regularidade na alimentação do Sistema de Informação de Agravos de
Notificação (SINAN) e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), para fins de
manutenção do repasse de recursos do Componente de Vigilância e Promoção da Saúde do
Bloco de Vigilância em Saúde. E a portaria GM/MS Nº 3252, de 22 de dezembro de 2009,
discute todas as diretrizes para execução e financiamento das ações de Vigilância em Saúde
pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, além de determinar outras providências.

Os acidentes e doenças ocupacionais resultam em elevados custos sociais, que seja para os
trabalhadores, as famílias, as empresas, o estado e a sociedade. A subnotificação desses
acontecimentos faz com que a real magnitude dos acidentes de trabalho não seja bem
conhecida.

A Portaria nº 777/2004 estabelece a implantação de Notificação Compulsória para 11 agravos,


que são descritos a seguir.

1) Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR): quando ocorre a diminuição gradual da audição
induzida por índice de ruídos elevado no ambiente de trabalho;

2) Dermatoses ocupacionais: englobam as alterações da pele, mucosas e tecidos anexos, direta


ou indiretamente causadas, mantidas ou agravadas pelo trabalho;

3) Pneumoconioses: compreendem as doenças pulmonares causadas pelo acúmulo de poeira


nos pulmões e reação tissular à presença dessas partículas presentes no ambiente de trabalho;

4) LER-DORT: corresponde a um quadro clínico que afeta o sistema musculoesquelético e é


caracterizado pela ocorrência de vários sintomas concomitantes ou não, de aparecimento
insidioso, como dor crônica, parestesia, fadiga muscular, localizando-se principalmente no
pescoço, cintura escapular e/ou membros superiores. As grandes causas desse quadro são a
realização de movimentos repetitivos e postura inadequada;

5) Câncer relacionado ao trabalho: corresponde a todo tipo de câncer cujo aparecimento foi
consequência da exposição a agentes carcinogênicos presentes no ambiente de trabalho,
mesmo após cessada a exposição;

6) Acidente de trabalho com exposição o material biológico: engloba todo acidente


ocupacional envolvendo material biológico como sangue e outros fluidos orgânicos. Os
profissionais mais expostos a esse tipo de acidente são os da área da saúde, durante o
desenvolvimento do seu trabalho, onde os mesmos estão expostos a materiais biológicos
potencialmente contaminados.

7) Transtornos mentais relacionados ao trabalho: compreendem as desordens mentais e de


comportamento relacionadas ao trabalho, resultantes de situações do processo de trabalho,
provenientes de fatores pontuais como exposição a determinados agentes tóxicos, até a
completa articulação de fatores relativos à organização do trabalho, como a divisão e
distribuição das atividades, recursos humanos, relação hierárquica organizacional, sobrecarga
de trabalho, entre outros;

8) Acidente de trabalho fatal: é o acidente de trabalho que resulta na morte do trabalhador, e


que ocorre no exercício da atividade laboral ou no percurso de casa para o trabalho ou vice-
versa;

9) Acidente de trabalho com mutilações: todo acidente de trabalho que não resulta em morte,
mas que traz danos físicos e, na maioria das vezes, perda de partes do corpo do trabalhador;
10) Acidente de trabalho em crianças e adolescentes: corresponde a todo acidente que
envolva direta ou indiretamente crianças e adolescente;

11) Intoxicação exógena: todo trabalhador que, tendo tido contato com substâncias químicas,
quer sejam agrotóxicos, produtos de uso doméstico, medicamentos, cosméticos e higiene
pessoal, produtos químicos de uso industrial, drogas, plantas, alimentos ou bebidas, e que
apresente sinais e sintomas clínicos de intoxicação e/ou alterações laboratoriais,
possivelmente relacionados a estes agentes.

Dentre alguns dos objetivos do SINAN-NET, podemos citar: a geração de informações que
permitam identificar as causas das mortes e adoecimento dos trabalhadores, permitindo
utilizar as informações de morbimortalidade para associá-las aos ramos de atividade
econômica e aos processos de trabalho para poder intervir sobre as suas causas e
determinantes, para a elaboração de estratégias de atuação no campo da promoção e da
prevenção da saúde no trabalho.

Por meio desse mecanismo desenvolvido pelo Ministério da Saúde será possível desenvolver
um diagnóstico para subsidiar e orientar políticas públicas para a Saúde dos Trabalhadores,
determinadas por critérios de prioridade epidemiológica, integrando os serviços do Sistema
Único de Saúde, voltados à assistência e à vigilância, de forma a unificar os esforços dos
principais executores com interface na Saúde do Trabalhador.

CAPÍTULO 3 – Sistemas de Informação em Saúde e Vigilância Epidemiológica

A informação é instrumento essencial para a tomada de decisões. Nesta perspectiva,


representa imprescindível ferramenta à vigilância epidemiológica, por constituir fator
desencadeador do processo “informação-decisão-ação”, tríade que sintetiza a dinâmica de
suas atividades que, como se sabe, devem ser iniciadas a partir da informação de um indício ou
suspeita de caso de alguma doença ou agravo.

Dado - é definido como “um valor quantitativo referente a um fato ou circunstância”, “o


número bruto que ainda não sofreu qualquer espécie de tratamento estatístico”, ou “a
matéria-prima da produção de informação”.
Informação - é entendida como “o conhecimento obtido a partir dos dados”, “o dado
trabalhado” ou “o resultado da análise e combinação de vários dados”, o que implica em
interpretação, por parte do usuário. É “uma descrição de uma situação real, associada a um
referencial explicativo sistemático”.

Não se deve perder de vista que a informação em saúde é o esteio para a gestão dos serviços,
pois orienta a implantação, acompanhamento e avaliação dos modelos de atenção à saúde e
das ações de prevenção e controle de doenças. São também de interesse dados/informações
produzidos extra-setorialmente, cabendo aos gestores do Sistema a articulação com os
diversos órgãos que os produzem, de modo a complementar e estabelecer um fluxo regular de
informação em cada nível do setor saúde.
Oportunidade, atualidade, disponibilidade e cobertura são características que determinam a
qualidade da informação, fundamentais para que todo o Sistema de Vigilância Epidemiológica
apresente bom desempenho. Dependem da concepção apresentada pelo Sistema de
Informação em Saúde (SIS), e sua sensibilidade para captar o mais precocemente possível as
alterações que podem ocorrer no perfil de morbimortalidade de uma área, e também da
organização e cobertura das atividades desenvolvidas pela vigilância epidemiológica.
Entende-se sistema como o “conjunto integrado de partes que se articulam para uma
finalidade comum.” Para sistema de informação existem várias definições, tais como:

• “conjunto de unidades de produção, análise e divulgação de dados que atuam integradas


e articuladamente com o propósito de atender às demandas para o qual foi concebido”;
• “reunião de pessoas e máquinas, com vistas à obtenção e processamento de dados que
atendam à necessidade de informação da instituição que o implementa”;
• “conjunto de estruturas administrativas e unidades de produção, perfeitamente
articuladas, com vistas à obtenção de dados mediante o seu registro, coleta, processamento,
análise, transformação em informação e oportuna divulgação”.

Em síntese, um sistema de informação deve disponibilizar o suporte necessário para que o


planejamento, decisões e ações dos gestores, em determinado nível decisório (municipal,
estadual e federal), não se baseie em dados subjetivos, conhecimentos ultrapassados ou
conjecturas.
O SIS é parte dos sistemas de saúde; como tal, integra suas estruturas organizacionais e
contribui para sua missão. É constituído por vários sub-sistemas e tem como propósito geral
facilitar a formulação e avaliação das políticas, planos e programas de saúde, subsidiando o
processo de tomada de decisões. Para tanto, deve contar com os requisitos técnicos e
profissionais necessários ao planejamento, coordenação e supervisão das atividades relativas à
coleta, registro, processamento, análise, apresentação e difusão de dados e geração de
informações.
Um de seus objetivos básicos, na concepção do Sistema Único de Saúde (SUS), é possibilitar a
análise da situação de saúde no nível local tomando como referencial microrregiões
homogêneas e considerando, necessariamente, as condições de vida da população na
determinação do processo saúde-doença. O nível local tem, então, responsabilidade não
apenas com a alimentação do sistema de informação em saúde, mas também com sua
organização e gestão. Deste modo, outro aspecto de particular importância é a concepção do
sistema de informação, que deve ser hierarquizado e cujo fluxo ascendente dos dados ocorra
de modo inversamente proporcional à agregação geográfica, ou seja, no nível local faz-se
necessário dispor, para as análises epidemiológicas, de maior número de variáveis.
Felizmente, os atuais recursos do processamento eletrônico estão sendo amplamente
utilizados pelos sistemas de informação em saúde, aumentando sua eficiência na medida em
que possibilitam a obtenção e processamento de um volume de dados cada vez maior, além
de permitirem a articulação entre diferentes subsistemas.
Entre os sistemas nacionais de informação em saúde existentes, alguns se destacam em razão
de sua maior relevância para a vigilância epidemiológica:

SISTEMA DE INFORMAÇÃO DE AGRAVOS DE NOTIFICAÇÃO (SINAN)


O mais importante sistema para a vigilância epidemiológica foi desenvolvido entre 1990 e
1993, visando sanar as dificuldades do Sistema de Notificação Compulsória de Doenças (SNCD)
e substituí-lo, tendo em vista o razoável grau de informatização disponível no país. O Sinan foi
concebido pelo Centro Nacional de Epidemiologia, com o apoio técnico do Datasus e da
Prefeitura Municipal de Belo Horizonte para ser operado a partir das unidades de saúde,
considerando o objetivo de coletar e processar dados sobre agravos de notificação em todo o
território nacional, desde o nível local. Mesmo que o município não disponha de
microcomputadores em suas unidades, os instrumentos deste sistema são preenchidos neste
nível e o processamento eletrônico é feito nos níveis centrais das secretarias municipais de
saúde (SMS), regional ou secretarias estaduais (SES). É alimentado, principalmente, pela
notificação e investigação de casos de doenças e agravos constantes da lista nacional de
doenças de notificação compulsória, mas é facultado a estados e municípios incluir outros
problemas de saúde regionalmente importantes. Por isso, o número de doenças e agravos
contemplados pelo Sinan, vem aumentando progressivamente desde seu processo de
implementação, em 1993, sem relação direta com a compulsoriedade nacional da notificação,
expressando as diferenças regionais de perfis de morbidade registradas no Sistema.
No Sinan, a entrada de dados ocorre pela utilização de alguns formulários padronizados:

Ficha Individual de Notificação (FIN) - é preenchida para cada paciente, quando da suspeita de
problema de saúde de notificação compulsória (Portaria GM nº 2.325, de 8 de dezembro de
2003) ou de interesse nacional, estadual ou municipal, e encaminhada pelas unidades
assistenciais aos serviços responsáveis pela informação e/ou vigilância epidemiológica. É
também utilizada para a notificação negativa.

Notificação negativa - é a notificação da não-ocorrência de doenças de notificação compulsória


na área de abrangência da unidade de saúde. Indica que os profissionais e o sistema de
vigilância da área estão alertas para a ocorrência de tais eventos.

A notificação de surtos também deve ser feita por esse instrumento, obedecendo os seguintes
critérios:

• casos epidemiologicamente vinculados de agravos inusitados. Sua notificação deve estar


consoante com a abordagem sindrômica, de acordo com as seguintes categorias: síndrome
diarréica aguda, síndrome ictérica aguda, síndrome hemorrágica febril aguda, síndrome
respiratória aguda, síndrome neurológica aguda e síndrome da insuficiência renal aguda,
dentre outras;
• casos agregados, constituindo uma situação epidêmica de doenças não constantes da lista
de notificação compulsória;
• casos agregados das doenças constantes da lista de notificação compulsória, mas cujo
volume de notificações operacionalmente inviabiliza o seu registro individualizado.

Ficha Individual de Investigação (FII) - na maioria das vezes, configura-se como roteiro de
investigação, distinto para cada tipo de agravo, devendo ser utilizado, preferencialmente,
pelos serviços municipais de vigilância ou unidades de saúde capacitadas para a realização da
investigação epidemiológica. Esta ficha, como referido no tópico sobre investigação de surtos e
epidemias, permite obter dados que possibilitam a identificação da fonte de infecção e
mecanismos de transmissão da doença. Os dados, gerados nas áreas de abrangência dos
respectivos estados e municípios, devem ser consolidados e analisados considerando aspectos
relativos à organização, sensibilidade e cobertura do próprio sistema de notificação, bem
como os das atividades de vigilância epidemiológica.
Além dessas fichas, o sistema também possui planilha e boletim de acompanhamento de
surtos, reproduzidos pelos municípios, e os boletins de acompanhamento de hanseníase e
tuberculose, emitidos pelo próprio sistema.
A impressão, distribuição e numeração desses formulários é de responsabilidade do estado ou
município. O sistema conta, ainda, com módulos para cadastramento de unidades
notificadoras, população e logradouros, dentre outros.
A Figura 1 traz o fluxo de informação definido pelo Ministério da Saúde. Após o preenchimento
dos referidos formulários, as fontes notificadoras deverão encaminhá-los para o primeiro nível
informatizado. A partir daí, os dados serão enviados para os níveis hierárquicos superiores por
meio magnético (arquivos de transferência gerados pelo Sistema).

Figura 1: Fluxo de informação do Sinan.

Os agravos e doenças relacionados no Quadro 1 devem ser prontamente notificados às


Secretarias Estaduais de Saúde, as quais deverão informar tal fato imediatamente à Secretaria
de Vigilância em Saúde, por meio do correio eletrônico notifica@saude.gov.br ou às áreas
técnicas do Ministério da Saúde responsáveis por seu acompanhamento, sem prejuízo do
registro das notificações pelos procedimentos rotineiros do Sinan.

Quadro 1: Agravos de notificação imediata via fax, telefone ou e-mail, além da digitação e
transferência imediata por meio magnético, no Sinan.
Febre hemorrágica do dengue Botulismo
Carbúnculo ou
Hantavirose antraz
Paralisia flácida aguda Cólera
Peste Difteria
Doença
Raiva humana meningocócica
Varíola Febre amarela
Caso suspeito de Tularemia
Poliomielite Tétano neonatal
Caso confirmado de Sarampo
Agravos inusitados
Surto, agregação de casos Doenças de etiologia não esclarecida
ou agregação de óbitos Febre hemorrágica ou etiologia não
por esclarecida

Propõe-se, de maneira geral, que as fichas individuais de notificação sejam preenchidas pelos
profissionais de saúde nas unidades assistenciais, as quais devem manter uma segunda via
arquivada pois a original é remetida para o serviço de vigilância epidemiológica responsável
pelo desencadeamento das medidas de controle necessárias. Este, por sua vez, além dessa
incumbência, deve encaminhar os formulários para o setor de digitação das secretarias
municipais, para que posteriormente os arquivos de transferência sejam enviados por meio
magnético às secretarias estaduais e, em seguida, ao Ministério da Saúde, conforme
periodicidade definida na Figura 2.

Figura 2: Periodicidade para envio dos arquivos de transferência do Sinan.


Casos de hanseníase e tuberculose, além do preenchimento da ficha de
notificação/investigação, devem constar do boletim de acompanhamento, visando a
atualização de seu acompanhamento até o encerramento para avaliação da efetividade do
tratamento, de acordo com as seguintes orientações:

• o primeiro nível informatizado deve emitir o Boletim de Acompanhamento de Hanseníase


e Tuberculose, encaminhando-o às unidades para complementação dos dados;
• os meses propostos para a alimentação da informação são, no mínimo: janeiro, abril, julho
e outubro, para a tuberculose; janeiro e julho, para a hanseníase;
• cabe ao 1º nível informatizado emitir o boletim de acompanhamento para os municípios
não-informatizados;
• após retornar das unidades os boletins devem ser analisados criticamente e as correções
devem ser solicitadas de imediato à unidade de saúde;
• a digitação das informações na tela de acompanhamento e arquivamento dos boletins
deve ser realizada no 1º nível informatizado.

O encerramento das investigações referentes aos casos notificados como suspeitos e/ou
confirmados deve ocorrer até o prazo máximo de 60 dias da data de notificação, exceto:

Sarampo e rubéola 30 dias da data de notificação


540 dias da data do parto/nascimento da criança
Gestante HIV+ e criança exposta exposta
Leishmaniose tegumentar
americana e leishmaniose visceral 180 dias da data de notificação
Síndrome da rubéola congênita 180 dias da data de nascimento da criança
Hepatites virais 240 dias da data de notificação
A partir da data do diagnóstico, 270 dias para os casos
paucibacilares (PB) e 540 dias para os casos
multibacilares (MB)

Para os casos que abandonam o tratamento:


PB - 2 anos após a data do diagnóstico
Hanseníase MB - 4 anos após a data do diagnóstico
270 dias para os casos em tratamento de esquema I e
IR
360 dias para os casos em tratamento de esquema II e
50 dias para os casos em tratamento de esquema III,
após a data do diagnóstico, conforme normas
Tuberculose do Manual Técnico para Controle da Tuberculose

Preconiza-se que em todas as instâncias os dados aportados pelo Sinan sejam consolidados e
analisados e que haja uma retroalimentação dos níveis que o precederam, além de sua
redistribuição, segundo local de residência dos pacientes objetos das notificações. No nível
federal, os dados do Sinan são processados, analisados juntamente com aqueles que chegam
por outras vias e divulgados pelo Boletim Epidemiológico do SUS e informes epidemiológicos
eletrônicos, disponibilizados no site www.saude.gov.br.
Ao contrário dos demais sistemas, em que as críticas de consistência são realizadas antes do
seu envio a qualquer outra esfera de governo, a necessidade de desencadeamento imediato
de uma ação faz com que, nesse caso, os dados sejam remetidos o mais rapidamente possível,
ficando a sua crítica para um segundo momento - quando do encerramento do caso e,
posteriormente, o da análise das informações para divulgação. No entanto, apesar desta
peculiaridade, esta análise é fundamental para que se possa garantir uma base de dados com
qualidade, não podendo ser relegada a segundo plano, tendo em vista que os dados já foram
encaminhados para os níveis hierárquicos superiores.

A partir da alimentação do banco de dados do Sinan, pode-se calcular a incidência,


prevalência, letalidade e mortalidade, bem como realizar análises de acordo com as
características de pessoa, tempo e lugar, particularmente no que tange às doenças
transmissíveis de notificação obrigatória, além de outros indicadores epidemiológicos e
operacionais utilizados para as avaliações local, municipal, estadual e nacional.

As informações da ficha de investigação possibilitam maior conhecimento acerca da situação


epidemiológica do agravo investigado, fontes de infecção, modo de transmissão e
identificação de áreas de risco, dentre outros importantes dados para o desencadeamento das
atividades de controle. A manutenção periódica da atualização da base de dados do Sinan é
fundamental para o acompanhamento da situação epidemiológica dos agravos incluídos no
Sistema. Dados de má qualidade, oriundos de fichas de notificação ou investigação com a
maioria dos campos em branco, inconsistências nas informações (casos com diagnóstico
laboratorial positivo, porém encerrado como critério clínico) e duplicidade de registros, entre
outros problemas freqüentemente identificados nos níveis estadual ou federal, apontam para
a necessidade de uma avaliação sistemática da qualidade da informação coletada e digitada no
primeiro nível hierárquico de entrada de dados no Sistema, que torna possível a obtenção de
dados confiáveis, indispensáveis para o cálculo de indicadores extremamente úteis, tais como
as taxas de incidência, letalidade, mortalidade e coeficiente de prevalência, entre outros.
Roteiros para a realização da análise da qualidade da base de dados e cálculos dos principais
indicadores epidemiológicos e operacionais estão disponíveis para os agravos de notificação
compulsória, bem como toda a documentação necessária para a correta utilização do Sistema
(dicionário de dados e instrucionais de preenchimento das fichas Manual de Normas e Rotinas
e Operacional).
Para que o Sinan se consolide como a principal fonte de informação de morbidade para as
doenças de notificação compulsória, faz-se necessário garantir tanto a cobertura como a
qualidade das informações. Sua utilização plena, em todo o território nacional, possivelmente
possibilitará a obtenção dos dados indispensáveis ao cálculo dos principais indicadores
necessários para o monitoramento dessas doenças, gerando instrumentos para a formulação e
avaliação das políticas, planos e programas de saúde, subsidiando o processo de tomada de
decisões e contribuindo para a melhoria da situação de saúde da população.

Indicadores são variáveis susceptíveis à mensuração direta, produzidos com periodicidade


definida e critérios constantes. A disponibilidade de dados, simplicidade técnica, uniformidade,
sinteticidade e poder discriminatório são requisitos básicos para sua elaboração. Os
indicadores de saúde refletem o estado de saúde da população de determinada comunidade.

SISTEMA DE INFORMAÇÕES SOBRE MORTALIDADE (SIM)


Criado em 1975, este sistema iniciou sua fase de descentralização em 1991, dispondo de dados
informatizados a partir de 1979.
Seu instrumento padronizado de coleta de dados é a Declaração de Óbito (DO), impressa em
três vias coloridas, cuja emissão e distribuição para os estados, em séries pré-numeradas, é de
competência exclusiva do Ministério da Saúde. Para os municípios, a distribuição fica a cargo
das secretarias estaduais de saúde, devendo as secretarias municipais se responsabilizarem
por seu controle e distribuição entre os profissionais médicos e instituições que a utilizem,
bem como pelo recolhimento das primeiras vias em hospitais e cartórios.
O preenchimento da DO deve ser realizado exclusivamente por médicos, exceto em locais
onde não existam, situação na qual poderá ser preenchida por oficiais de Cartórios de Registro
Civil, assinada por duas testemunhas. A obrigatoriedade de seu preenchimento, para todo
óbito ocorrido, é determinada pela Lei Federal n° 6.015/73. Em tese, nenhum sepultamento
deveria ocorrer sem prévia emissão da DO. Mas, na prática, sabe-se da ocorrência de
sepultamentos irregulares, em cemitérios clandestinos (e eventualmente mesmo em
cemitérios oficiais), o que afeta o conhecimento do real perfil de mortalidade, sobretudo nas
regiões Norte e Nordeste.
O registro do óbito deve ser feito no local de ocorrência do evento. Embora o local de
residência seja a informação comumente mais utilizada, na maioria das análises do setor saúde
a ocorrência é fator importante no planejamento de algumas medidas de controle, como, por
exemplo, no caso dos acidentes de trânsito e doenças infecciosas que exijam a adoção de
medidas de controle no local de ocorrência. Os óbitos ocorridos fora do local de residência
serão redistribuídos, quando do fechamento das estatísticas, pelas secretarias estaduais e
Ministério da Saúde, permitindo, assim, o acesso aos dados tanto por ocorrência como por
residência do falecido.

O SIM constitui importante elemento para o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica,


tanto como fonte principal de dados, quando há falhas de registro de casos no Sinan, quanto
como fonte complementar, por também dispor de informações sobre as características de
pessoa, tempo e lugar, assistência prestada ao paciente, causas básicas e associadas de óbito,
extremamente relevantes e muito utilizadas no diagnóstico da situação de saúde da
população.

As informações obtidas pela DO também possibilitam o delineamento do perfil de morbidade


de uma área, no que diz respeito às doenças mais letais e às doenças crônicas não sujeitas à
notificação compulsória, representando, praticamente, a única fonte regular de dados. Para as
doenças de notificação compulsória, a utilização eficiente desta fonte de dados depende da
verificação rotineira da presença desses agravos no banco de dados do SIM. Deve-se também
checar se as mesmas constam no Sinan, bem como a evolução do caso para óbito.
O fluxo da declaração de óbito é apresentado na Figura 3 e o acesso às suas informações
consolidadas para os níveis nacional, regional, estadual e municipal é disponibilizado em CD-
ROM. A SVS também disponibiliza essas informações na internet, pelo
site www.datasus.gov.br.

Figura 3: Fluxo da declaração de óbito.

Fonte: SVS/MS, Portaria nº 20, de 3 de outubro de 2003

Uma vez preenchida a DO, quando se tratar de óbitos por causas naturais, ocorridos em
estabelecimento de saúde, a primeira via (branca) será da secretaria municipal de saúde
(SMS); a segunda (amarela) será entregue aos familiares do falecido, para registro em Cartório
de Registro Civil e emissão da Certidão de Óbito (ficando retida no cartório); a terceira (rosa)
ficará arquivada no prontuário do falecido. Nos óbitos de causas naturais ocorridos fora do
estabelecimento de saúde, mas com assistência médica, o médico que fornecer a DO deverá
levar a primeira e terceira vias para a SMS, entregando a segunda para os familiares do
falecido. Nos casos de óbitos de causas naturais, sem assistência médica, em locais que
disponham de Serviço de Verificação de Óbitos (SVO), estes serão responsáveis pela emissão
da DO, obedecendo o mesmo fluxo dos hospitais. Em lugares onde não exista SVO, um médico
da localidade deverá preencher a DO obedecendo o fluxo anteriormente referido para óbitos
ocorridos fora do estabelecimento de saúde, com assistência médica. Nos óbitos por causas
naturais em localidades sem médicos, o responsável pelo falecido, acompanhado de duas
testemunhas, comparecerá ao Cartório de Registro Civil onde será preenchida a DO. A segunda
via deste documento ficará retida no cartório e a primeira e terceira vias serão recolhidas pela
secretaria municipal de saúde. Nos óbitos por causas acidentais ou violentas, o médico legista
do Instituto Médico-Legal (IML) deverá preencher a DO (nos locais onde não exista IML um
perito é designado para tal finalidade), seguindo-se o mesmo fluxo adotado para os hospitais.
As SMS realizarão a busca ativa dessas vias em todos os hospitais e cartórios, evitando a perda
de registro de óbitos no SIM, com conseqüente perfil irreal da mortalidade da sua área de
abrangência. Nas SMS, as primeiras vias são digitadas e enviadas em disquetes para as
Regionais, que fazem o consolidado de sua área e o enviam para as secretarias estaduais de
saúde, que consolidam os dados estaduais e os repassam para o Ministério da Saúde.

Em todos os níveis, sobretudo no municipal, que está mais próximo do evento, deve ser
realizada a crítica dos dados, buscando a existência de inconsistências como, por exemplo,
causas de óbito exclusivas de um sexo sendo registradas em outro, causas perinatais em
adultos, registro de óbitos fetais com causas compatíveis apenas com nascidos vivos e idade
incompatível com a doença.

A análise dos dados do SIM permite a construção de importantes indicadores para o


delineamento do perfil de saúde de uma região. Assim, a partir das informações contidas
nesse Sistema, pode-se obter a mortalidade proporcional por causas, faixa etária, sexo, local
de ocorrência e residência e letalidade de agravos dos quais se conheça a incidência, bem
como taxas de mortalidade geral, infantil, materna ou por qualquer outra variável contida na
DO, uma vez que são disponibilizadas várias formas de cruzamento dos dados. Entretanto, em
muitas áreas, o uso dessa rica fonte de dados é prejudicada pelo não preenchimento correto
das DO, com omissão de dados como, por exemplo, estado gestacional ou puerperal, ou pelo
registro excessivo de causas mal definidas, prejudicando o uso dessas informações nas
diversas instâncias do sistema de saúde. Estas análises devem ser realizadas em todos os níveis
do sistema, sendo subsídios fundamentais para o planejamento de ações dos gestores.

SISTEMA DE INFORMAÇÕES SOBRE NASCIDOS VIVOS (SINASC)


O número de nascidos vivos constitui relevante informação para o campo da saúde pública,
pois possibilita a constituição de indicadores voltados para a avaliação de riscos à saúde do
segmento materno-infantil, a exemplo dos coeficientes de mortalidade infantil e materna, nos
quais representa o denominador. Antes da implantação do Sinasc, em 1990, esta informação
só era conhecida no Brasil por estimativas realizadas a partir da informação censitária.
Atualmente, são disponibilizados pela SVS, no site www.datasus.gov.br, dados do Sinasc
referentes aos anos de 1994 em diante. Entretanto, até o presente momento, só pode ser
utilizado como denominador, no cálculo de alguns indicadores, em regiões onde sua cobertura
é ampla, substituindo deste modo as estimativas censitárias.
O Sinasc tem como instrumento padronizado de coleta de dados a Declaração de Nascido Vivo
(DN), cuja emissão, a exemplo da DO, é de competência exclusiva do Ministério da Saúde.
Tanto a emissão da DN como o seu registro em cartório serão realizados no município de
ocorrência do nascimento. Deve ser preenchida nos hospitais e outras instituições de saúde
que realizam parto, e nos Cartórios de Registro Civil, na presença de duas testemunhas,
quando o nascimento ocorre em domicílio sem assistência de profissional de saúde. Desde
1992 sua implantação ocorre de forma gradual. Atualmente, vem apresentando em muitos
municípios um volume maior de registros do que o publicado nos anuários do IBGE, com base
nos dados dos Cartórios de Registro Civil.
A DN deve ser preenchida para todos os nascidos vivos no país, o que, segundo conceito
definido pela OMS, corresponde a “todo produto da concepção que, independentemente do
tempo de gestação ou peso ao nascer, depois de expulso ou extraído do corpo da mãe, respire
ou apresente outro sinal de vida tal como batimento cardíaco, pulsação do cordão umbilical ou
movimentos efetivos dos músculos de contração voluntária, estando ou não desprendida a
placenta”. A obrigatoriedade desse registro é também dada pela Lei n° 6.015/73. No caso de
gravidez múltipla, deve ser preenchida uma DN para cada criança nascida viva.
É sabida a ocorrência de uma proporção razoável de subnotificação de nascimentos, estimada
em até 35% para alguns estados, em 1999, particularmente nas regiões Norte e Nordeste - que
nesse ano apresentaram cobertura média em torno de 80% do número de nascidos vivos
estimado para cada região, motivo que levou as áreas responsáveis pelas estatísticas vitais a
realizarem uma busca ativa nas unidades emissoras de DNs. Entretanto, nesse mesmo período,
a captação de nascimentos pelo Sinasc encontrava-se igual ou superior a 100% em relação às
estimativas demográficas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com índices mínimos de
87%, 90% e 96% em três estados. Tais dados revelam progressiva melhoria da cobertura desse
sistema, o que favorece sua utilização como fonte de dados para a confecção de alguns
indicadores.
Igualmente à DO, os formulários de Declaração de Nascido Vivo são pré-numerados, impressos
em três vias coloridas e distribuídos às SES pela SVS/MS. As SES encarregavam-se, até
recentemente, e sua distribuição aos estabelecimentos de saúde e cartórios. Apesar da
preconização de que as SMS devem assumir esse encargo, isto ainda não está acontecendo em
todo o território nacional.
O fluxo recomendado pelo Ministério da Saúde para a DN (Figura 4) tem a mesma lógica que
orienta o da DO.

Figura 4: Fluxo da declaração de nascido vivo.

Fonte: SVS/MS, Portaria nº 20, de 3 de outubro de 2003

Nos partos ocorridos em estabelecimentos de saúde, a primeira via (branca) da DN preenchida


será para a SMS; a segunda (amarela) deverá ser entregue ao responsável pela criança, para a
obtenção da Certidão de Nascimento no Cartório de Registro Civil, onde ficará retida; a
terceira (rosa) será arquivada no prontuário da puérpera. Para os partos domiciliares com
assistência médica, a primeira via deverá ser enviada para a SMS e a segunda e terceira vias
entregues ao responsável, que utilizará a segunda via para registro do nascimento em cartório
e a terceira para apresentação em unidade de saúde onde realizar a primeira consulta da
criança. Nos partos domiciliares sem assistência médica, a DN será preenchida no Cartório de
Registro Civil, que reterá a primeira via, a ser recolhida pela SMS, e a segunda, para seus
arquivos. A terceira via será entregue ao responsável, que a destinará à unidade de saúde do
primeiro atendimento da criança.
Também nesses casos as primeiras vias da DN deverão ser recolhidas ativamente pelas
secretarias municipais de saúde, que após digitá-las envia o consolidado para as SES, onde os
dados são processados e distribuídos segundo o município de residência e, a seguir, enviados
para o MS, que os reagrupa por estados de residência, sendo disponibilizados pela SVS através
do site www.datasus.gov.br e em CD-ROM. Em todos os níveis do sistema, os dados deverão
ser criticados. As críticas realizadas visam detectar possíveis erros de preenchimento da
Declaração de Nascido Vivo ou da digitação de dados. Sua validação é feita pelo cruzamento
de variáveis para verificação de consistência, como, por exemplo, o peso do bebê com o
tempo de gestação ou a idade da mãe com a paridade.
A utilização dos dados deste sistema para o planejamento e tomada de decisões nas três
esferas de governo ainda é incipiente. Na maioria das vezes, como denominador para o cálculo
de taxas como as de mortalidade infantil e materna, por exemplo. Apesar disso, alguns
indicadores vêm sendo propostos - a grande maioria voltada à avaliação de risco da
mortalidade infantil e a qualidade da rede de atenção à gravidez e ao parto.
Entre os indicadores de interesse para a atenção à saúde materno-infantil, são imprescindíveis
as informações contidas na DN: proporção de nascidos vivos de baixo peso, proporção de
nascimentos prematuros, proporção de partos hospitalares, proporção de nascidos vivos por
faixa etária da mãe, valores do índice Apgar no primeiro e quinto minutos, número de
consultas pré-natal realizadas para cada nascido vivo, dentre outros. Além desses, podem
ainda ser calculados indicadores clássicos voltados à caracterização geral de uma população,
como a taxa bruta de natalidade e a taxa de fecundidade geral.

SISTEMA DE INFORMAÇÕES HOSPITALARES (SIH/SUS)


O SIH/SUS, que possui dados informatizados desde 1984, não foi concebido sob a lógica
epidemiológica, mas sim com o propósito de operar o sistema de pagamento de internação
dos hospitais contratados pelo Ministério da Previdência. Posteriormente, foi estendido aos
hospitais filantrópicos, universitários e de ensino e aos hospitais públicos municipais, estaduais
e federais. Nesse último caso, somente aos da administração indireta e de outros ministérios.
Reúne informações de cerca de 70% dos internamentos hospitalares realizados no país,
tratando-se, portanto, de grande fonte das enfermidades que requerem internação,
importante para o conhecimento da situação de saúde e gestão de serviços. Ressalte-se sua
gradativa incorporação à rotina de análise e informações de alguns órgãos de vigilância
epidemiológica de estados e municípios.
Seu instrumento de coleta de dados é a Autorização de Internação Hospitalar (AIH),
atualmente emitida pelos estados a partir de uma série numérica única definida anualmente
em portaria ministerial. Este formulário contém, entre outros, os dados de atendimento, com
os diagnósticos de internamento e alta (codificados de acordo com a CID), informações
relativas às características de pessoa (idade e sexo), tempo e lugar (procedência do paciente)
das internações, procedimentos realizados, valores pagos e dados cadastrais das unidades de
saúde, que permitem sua utilização para fins epidemiológicos.
As séries numéricas de AIHs são mensalmente fornecidas pelo Ministério da Saúde às
secretarias estaduais de saúde (Figura 5), de acordo com o quantitativo anual estipulado para
o estado, que desde o início de 1995 é equivalente ao máximo de 9% da população residente
(estimada pelo IBGE). Quando se trata de município em gestão plena do sistema, a cota de AIH
definida pela Programação Pactuada e Integrada (PPI) é repassada diretamente pelo Ministério
da Saúde para o município. O banco de dados do prestador envia as informações para o
Datasus, com cópia para a secretaria estadual de saúde. Nos municípios em gestão plena de
atenção básica, é o estado que faz a gestão da rede hospitalar.

Figura 5: Fluxo básico de Autorização de Internação Hospitalar (AIH).

Os números de AIHs têm validade de quatro meses, não sendo mais aceitos pelo sistema. Tal
regra permite certa compensação temporal naqueles estados em que a sazonalidade da
ocorrência de doenças influencia fortemente o número de internações.
O banco de dados, correspondente ao cadastro de todas as unidades prestadoras de serviços
hospitalares ao SUS credenciadas, é permanentemente atualizado sempre que há
credenciamento, descredenciamento ou qualquer modificação de alguma característica da
unidade de saúde.
Os dados produzidos por este Sistema são amplamente disponibilizados pelo
site www.datasus.gov.br e pela BBS (Bulletin Board System) do Ministério da Saúde, além de
CDROM com produção mensal e anual consolidadas. Os arquivos disponibilizados podem ser
de dois tipos: o “movimento”, em que constam todos os dados, e o “reduzido”, em que não
aparecem os relativos aos serviços profissionais.
O SIH/SUS foi desenvolvido para propiciar a elaboração de alguns indicadores de avaliação de
desempenho de unidades, além do acompanhamento dos números absolutos relacionados à
freqüência de AIHs e que vêm sendo cada vez mais utilizados pelos gestores para uma primeira
aproximação da avaliação de cobertura de sua rede hospitalar, e até para a priorização de
ações de caráter preventivo.
Entre suas limitações encontram-se a cobertura dos dados (que depende do grau de utilização
e acesso da população aos serviços da rede pública própria, contratada e conveniada ao SUS),
ausência de críticas informatizadas, possibilidade das informações pouco confiáveis sobre o
endereço do paciente, distorções decorrentes de falsos diagnósticos e menor número de
internamentos que o necessário, em função das restrições de recursos federais – problemas
que podem resultar em vieses nas estimativas.
Contudo, ao contrário do que ocorre nos bancos de dados dos sistemas descritos
anteriormente, os dados do SIH/SUS, não podem ser corrigidos após terem sido enviados,
mesmo após investigados e confirmados erros de digitação, codificação ou diagnóstico. O
Sistema também não identifica reinternações e transferências de outros hospitais, o que,
eventualmente leva a duplas ou triplas contagens de um mesmo paciente.
Apesar de todas as restrições, essa base de dados é de extrema importância para o
conhecimento do perfil dos atendimentos na rede hospitalar. Adicionalmente, não pode ser
desprezada a agilidade do Sistema. Os dados por ele aportados tornam-se disponíveis aos
gestores em menos de um mês, e cerca de dois meses para a disponibilização do consolidado
Brasil. Para a vigilância epidemiológica, avaliação e controle de ações, esta é uma importante
qualidade para o estímulo à sua análise rotineira.

SISTEMA DE INFORMAÇÕES AMBULATORIAIS DO SUS (SIA/SUS)


Em 1991, o SIA/SUS foi formalmente implantado em todo o território nacional como
instrumento de ordenação do pagamento dos serviços ambulatoriais (públicos e conveniados),
viabilizando aos gestores apenas a informação do gasto por natureza jurídica do prestador. O
total de consultas e exames realizados era fornecido por outro sistema, de finalidade
puramente estatística, cujo documento de entrada de dados era o Boletim de Serviços
Produzidos (BSP) e o único produto resultante, a publicação Inamps em Dados.
Embora tenha sofrido algumas alterações com vistas a um melhor controle e consistência de
dados, o SIA/SUS pouco mudou desde sua implantação. Por obedecer à lógica de pagamento
por procedimento, não registra o CID do(s) diagnóstico(s) dos pacientes e não pode ser
utilizado como informação epidemiológica, ou seja, seus dados não permitem delinear os
perfis de morbidade da população, a não ser pela inferência a partir dos serviços utilizados.
Entretanto, como sua unidade de registro de informações é o procedimento ambulatorial
realizado, desagregado em atos profissionais, outros indicadores operacionais podem ser
importantes como complemento das análises epidemiológicas, por exemplo: número de
consultas médicas por habitante/ano; número de consultas médicas por consultório; número
de exames/terapias realizados pelo quantitativo de consultas médicas.
Desde julho de 1994 as informações relacionadas a esse sistema estão disponíveis no
site www.datasus.gov.bre por CD-ROM.
Ressalte-se como importante módulo o cadastramento de unidades ambulatoriais
contratadas, conveniadas e da rede pública própria dos estados e municípios, bem como as
informações sobre profissionais por especialidade.
Quando da análise de seus dados, deve-se atentar para as questões relativas à cobertura,
acesso, procedência e fluxo dos usuários dos serviços de saúde.

OUTRAS IMPORTANTES FONTES DE DADOS


A depender das necessidades dos programas de controle de algumas doenças, outros sistemas
de informação complementares foram desenvolvidos pelo Cenepi, tais como o FAD (Sistema
de informação da febre amarela e dengue), que registra dados de infestação pelo Aedes
aegypti, a nível municipal, e outros dados operacionais do programa.
Outros sistemas de informação que também podem ser úteis à vigilância epidemiológica,
embora restritos a uma área de atuação muito específica, quer por não terem uma
abrangência nacional ou por não serem utilizados em todos os níveis de gestão, são:

Sistema de Informação da Atenção Básica (Siab)


Sistema de informação territorializado que coleta dados que possibilitam a construção de
indicadores populacionais referentes a áreas de abrangência bem delimitadas, cobertas pelo
Programa de Agentes Comunitários de Saúde e Programa Saúde da Família.
Sua base de dados possui três blocos: o cadastramento familiar (indicadores
sociodemográficos dos indivíduos e de saneamento básico dos domicílios); o
acompanhamento de grupos de risco (menores de dois anos, gestantes, hipertensos,
diabéticos, pessoas com tuberculose e pessoas com hanseníase); e o registro de atividades,
procedimentos e notificações (produção e cobertura de ações e serviços básicos, notificação
de agravos, óbitos e hospitalizações).
Os níveis de agregação do SIAB são: microárea de atuação do agente comunitário de saúde
(território onde residem cerca de 150 famílias), área de abrangência da equipe de Saúde da
Família (território onde residem aproximadamente mil famílias), segmento, zonas urbana e
rural, município, estado, regiões e país. Assim, o Sistema possibilita a microlocalização de
problemas de saúde como, por exemplo, a identificação de áreas com baixas coberturas
vacinais ou altas taxas de prevalência de doenças (como tuberculose e hipertensão),
permitindo a espacialização das necessidades e respostas sociais e constituindo-se em
importante ferramenta para o planejamento e avaliação das ações de vigilância da saúde.

Sistema de Informações de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan)


Instrumento de políticas federais, focalizadas e compensatórias. Atualmente, encontra-se
implantado em aproximadamente 1.600 municípios considerados de risco para a mortalidade
infantil. Disponibiliza informações sobre o programa de recuperação de crianças desnutridas e
gestantes sob risco nutricional.

Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunização (SI-PNI)


Implantado em todos os municípios brasileiros, fornece dados relativos à cobertura vacinal de
rotina e, em campanhas, taxa de abandono e controle do envio de boletins de imunização.
Além do módulo de avaliação do PNI, este Sistema dispõe de um subsistema de estoque e
distribuição de imunobiológicos para fins gerenciais.

Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Siságua)


Fornece informações sobre a qualidade da água para consumo humano, proveniente dos
sistemas público e privado, e soluções alternativas de abastecimento. Objetiva coletar,
transmitir e disseminar dados gerados rotineiramente, de forma a produzir informações
necessárias à prática da vigilância da qualidade da água de consumo humano (avaliação da
problemática da qualidade da água e definição de estratégias para prevenir e controlar os
processos de sua deterioração e transmissão de enfermidades) por parte das secretarias
municipais e estaduais de saúde, em cumprimento à Portaria nº 36/90, do Ministério da
Saúde.

Além das informações decorrentes dos sistemas descritos existem outras grandes bases de
dados de interesse para o setor saúde, com padronização e abrangência nacionais. Entre elas
destacam-se: Cadernos de Saúde e Rede Interagencial de Informação para a Saúde/Ripsa, da
qual um dos produtos é o IDB/Indicadores e Dados Básicos para a Saúde (acesso
via www.datasus.gov.br ou www.saude.gov.br), além daquelas disponibilizadas pelo IBGE
(particularmente no que se refere ao Censo Demográfico, à Pesquisa Brasileira por
Amostragem de Domicílios – Pnad e Pesquisa Nacional de Saneamento Básico 2000). É
também importante verificar outros bancos de dados de interesse à área da saúde, como os
do Ministério do Trabalho (Relação Anual de Informações Sociais/Rais) e os do Sistema Federal
de Inspeção do Trabalho (informações sobre riscos ocupacionais por atividade econômica),
bem como fontes de dados resultantes de estudos e pesquisas realizados por instituições
como o Ipea e relatórios e outras publicações de associações de empresas que atuam no setor
médico supletivo (medicina de grupo, seguradoras, autogestão e planos de administração).
A maioria dos sistemas de informação ora apresentados possui manual instrucional e modelos
dos instrumentos de coleta (fichas e declarações) para implantação e utilização em
computador – disponibilizados pela Secretaria de Vigilância em Saúde.
A utilização dos sistemas de informações de saúde e de outras fontes de dados, pelos serviços
de saúde e instituições de ensino e pesquisa, dentre outras, pode ser viabilizada via Internet,
propiciando o acesso a dados nas seguintes áreas:

• demografia – informações sobre população, mortalidade e natalidade;


• morbidade – morbidade hospitalar e ambulatorial, registros especiais, seguro social,
acidentes de trânsito, de trabalho, etc.; meio ambiente: saneamento básico, abastecimento de
água, destino dos dejetos e lixo, poluição ambiental, condições de habitação, estudo de
vetores;
• recursos de saúde e produção de serviços – recursos físicos, humanos, financeiros,
produção na rede de serviços básicos de saúde e em outras instituições de saúde, vigilância
sanitária; no âmbito documental e administrativo: legislação médico-sanitária, referências
bibliográficas e sistemas administrativos.

Existem outros dados necessários ao município e não coletados regularmente, que podem ser
obtidos mediante de inquéritos e estudos especiais, de forma eventual e localizada. Contudo,
é preciso haver racionalidade na definição dos dados a serem coletados, processados e
analisados no SIS, para evitar desperdício de tempo, recursos e descrédito no sistema de
informação, tanto pela população como pelos técnicos.

DIVULGAÇÃO DAS INFORMAÇÕES


A retroalimentação dos sistemas deve ser considerada um dos aspectos fundamentais para o
contínuo processo de aperfeiçoamento, gerência e controle da qualidade dos dados. Tal
prática deve ocorrer nos seus diversos níveis, de forma sistemática, com periodicidade
previamente definida, de modo a permitir a utilização das informações quando da tomada de
decisão e nas atividades de planejamento, definição de prioridades, alocação de recursos e
avaliação dos programas desenvolvidos. Adicionalmente, a divulgação das informações
geradas pelos sistemas assume valor inestimável como instrumento de suporte ao controle
social, prática que deve ser estimulada e apoiada em todos os níveis e que deve definir os
instrumentos de informação, tanto para os profissionais de saúde como para a comunidade.

PERSPECTIVAS ATUAIS
Desde 1992, a SVS vem desenvolvendo, de forma descentralizada, uma política de estímulo ao
uso da informação e da informática como subsídio à implantação do SUS no país. Para isso,
adotou iniciativas junto aos estados e municípios, visando a descentralização do uso do SIM,
Sinan e Sinasc, financiou cursos de informação, epidemiologia e informática, e divulgou os
programas EPI-Info e Epimap.
Este processo vem avançando, particularmente, a partir da implantação da Norma Operacional
Básica do Sistema Único de Saúde (NOB 01/96) e da instituição da transferência de recursos,
fundo a fundo, para o desenvolvimento de atividades na área de epidemiologia (Portaria MS
nº 1.399/99).

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A compatibilidade das principais bases de dados dos diversos sistemas de informações em
saúde, com vistas à sua utilização conjunta, é meta há algum tempo buscada pelos
profissionais que trabalham com a informação no setor saúde. A uniformização de conceitos e
definições do Sinan, Sinasc e SIM é exemplo das iniciativas adotadas no sentido de obter a
compatibilização destes sistemas que, entretanto, até o momento ainda não foi totalmente
atingida.
A necessidade de integração dos bancos de dados, para maior dinamização das ações de
vigilância epidemiológica por meio da utilização dos sistemas nacionais de informações
descritos, apresenta-se como pré-requisito para o melhor desenvolvimento de uma política de
informação e informática para o SUS.

SOBRE OS DIREITOS AUTORAIS DO DOCUMENTO


Consta no documento:
“Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que
citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial.”
O objetivo do site MedicinaNet e seus editores é divulgar este importante documento. Esta
reprodução permanecerá aberta para não assinantes indefinidamente.

Vigilância Epidemiológica
Recomendações para Vigilância Epidemiológica e Ambiental

Intensificar a vigilância epidemiológica, sobretudo, nas regiões afetadas, como estratégia de


preparação para a primavera e o verão, quando os índices de chuva e a temperatura
aumentam, favorecendo a transmissão das doenças transmitidas por vetores. Assim,
recomenda-se:
Alertar a rede de serviços do SUS para ampliar a vigilância de casos suspeitos;
Notificar eventos suspeitos ao MS, pelo meio mais rápido:
gt-arbo@saude.gov.br ou notifica@saude.gov.br e/ou telefone (61) 3213 8181
Investigar a exposição (rural/silvestre ou urbana) e definir o LPI;
Realizar busca ativa de indivíduos sintomáticos nos LPI(s);
Realizar busca de evidências de populações de PNH e epizootias nos LPI(s);
Ampliar a informação, educação e comunicação sobre a doença, os sinais e sintomas clínicos,
as áreas de risco (silvestre, mata e/ou rural), as atividades/situações de exposição e as
unidades de saúde de referência para atendimento:
Aos profissionais e serviços de saúde;
Aos moradores das áreas de foco;
À população em geral, da região dos municípios afetados;
Aos viajantes com destino às áreas afetadas.
Orientar sobre as medidas de prevenção, por meio de recursos de proteção individual (uso de
repelentes, roupas compridas) e coletiva (evitar exposição em área afetada, uso de cortina e
mosquiteiros em área rural e silvestre), evitando o contato com o vetor.

Instruções para notificação no SINAN


Esse agravo deve ser notificado por meio da ficha de Notificação/Conclusão, utilizando-se
o CID A93.8(Outras Febres Virais especificadas transmitidas por artrópodes). A ficha de
Notificação/ Conclusão está disponível em:
http://dtr2004.saude.gov.br/sinanweb/novo/Documentos/SinanNet/fichas/Ficha_conclusao_v
5.pdf

Definição de caso humano suspeito de doença pelo vírus Mayaro:


Indivíduo que apresentou febre e artralgia e/ou edema articular, acompanhado de cefaleia,
e/ou mialgia e/ou exantema, com exposição nos últimos 15 dias (ou moradia) em área
silvestre, rural ou de mata, em todo o território nacional.
Diante da detecção de casos suspeitos, deve-se:
1) Preencher a ficha de notificação e realizar investigação;
2) Notificar imediatamente ao MS e encaminhar a ficha de notificação e investigação;
3) Colher amostras para diagnóstico e, por meio da rede de laboratórios de saúde pública
LACEN(s), enviar ao Instituto Evandro Chagas - laboratório de referência nacional;
4) Realizar a busca ativa de casos suspeitos e epizootias de PNH nos LPI(s);
5) Informar, educar e comunicar aos moradores da região da área afetada, sobre a doença,
sinais e sintomas, as unidades de saúde para atendimento e as medidas de prevenção.

Colheita de amostras para o diagnóstico:


- Pacientes com até 5 dias após início dos sintomas (período de viremia):
Colher amostras de sangue e soro para Isolamento viral e/ou pesquisa de genoma viral.
Armazenar em ultrabaixa temperatura, preferencialmente em nitrogênio líquido; gelo seco; ou
freezer -70ºC (eventualmente -20ºC) e na impossibilidade das anteriores, manter em
refrigeração e encaminhar ao LACEN o mais rápido possível para armazenamento adequado.
- Pacientes após 5 dias do início dos sintomas:
Colher amostras do soro, cuja finalidade será a pesquisa de anticorpos (sorologia (ELISA) IgM;
Inibição da hemaglutinação (IH) e/ou neutralizantes (PRNT)). Armazenar em ultrabaixa
temperatura e encaminhar ao LACEN.
- Na ocorrência de óbitos suspeitos:
Colher amostras dos principais tecidos (Fígado, baço, rins, coração, pulmão e cérebro), em
duplicata. As amostras devem ser armazenadas e enviadas tanto para a pesquisa de vírus
(ultrabaixa temperatura) como para exames histopatológicos e imunohistoquímicos, quando
devem ser acondicionadas em formol (10%) e mantidas em temperatura ambiente.
Todas as amostras devem ser encaminhadas ao LACEN, que enviará ao laboratório de
referência nacional, instituto Evandro Chagas, o mais breve possível.

Vigilância de Epizootias de Primatas não humanos


Embora o adoecimento ou a morte de primatas não seja associada às transmissões do vírus
Mayaro, sabe-se que os PNH atuam como importantes hospedeiros vertebrados. Dada a
similaridade com o ciclo de transmissão da febre amarela, o registro de mortes de PNH pode
contribuir para a investigação e monitoramento de outros arbovirus, como o Mayaro, uma vez
que já foi descrito a ocorrência concomitantes de surtos de febre amarela e Mayaro no
Brasil1,4.
Os procedimentos para vigilância e notificação de epizootias de PNH estão descritos no Guia
de Vigilância de Epizootias em PNH e Entomologia, aplicada à febre amarela, disponível em:
(http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_epizootias_primatas_entomologi
a.pdf). Assim a morte ou adoecimento de PNH devem ser notificados ao Ministério da Saúde
de forma imediata, desencadeando a investigação local, em tempo oportuno.
à Definição de epizootia de PNH: primata não humano (PNH), encontrado doente ou morto
(incluindo ossadas), em qualquer local do território nacional.
Diante da detecção de PNH doentes ou mortos, deve-se:
1) Preencher a ficha de notificação e realizar investigação;
2) Notificação imediata ao MS pelo meio mais rápido:
gt-arbo@saude.gov.br ou notifica@saude.gov.br e/ou fone (61) 3213 8181.
3) Encaminhar a ficha de notificação e o relatório da investigação inicial;
4) Colher amostras para diagnóstico e enviá-las aos laboratórios de referência da rede do
SUS por meio da rede de laboratórios de saúde publica LACEN(s);
5) Avaliar a área de ocorrência quanto à recomendação de vacina febre amarela;
6) Avaliar estimativa de cobertura vacinal e iniciar a vacinação seletiva, quando indicado;
7) Realizar a busca ativa de casos humanos suspeitos e novas epizootias nos LPI(s);
8) Informar, educar e comunicar aos moradores da área afetada, alertando sobre a
importância dos PNH como sinalizadores de risco de febre amarela e outras ameaças à saúde
da população.
SUS - Princípios,Diretrizes e Gestão
Princípios/Diretrizes, Regionalização e Gestão do SUS
Prof. Natale Souza

Durante os últimos anos o processo de implantação e consolidação do Sistema único de


Saúde-SUS, desde sua concepção na Constituição Federal, em 1988, vem sendo objeto de
inúmeros instrumentos normativos, como forma de regulamentar esse sistema e colocar em
prática os objetivos, diretrizes e princípios do mesmo.

A Constituição Federal que é considerada o marco jurídico inicial, onde “nasce o SUS”, traz em
seus artigos 196 ao 200, o “registro do SUS”, o artigo 198 da CF, traz em seu texto as Diretrizes
e alguns dos princípios do SUS, conforme podemos verificar abaixo:

“Art. 198. As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e
hierarquizada e constituem um sistema único, organizado de acordo com as seguintes
diretrizes:
I - Descentralização, com direção única em cada esfera de governo;
II - Atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos
serviços assistenciais;
III - participação da comunidade. ”

Uma vez constituído o SUS, houve a necessidade de regulamentação, o que aconteceu em


1990, com a promulgação das duas Leis Orgânicas da Saúde (LOS):

1. Lei 8.080/90 que dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da
saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras
providências.

2. Lei 8.142/90 que dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de
Saúde (SUS) e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da
saúde e dá outras providências.

Os princípios do SUS

Os princípios e diretrizes do SUS estão na Constituição Federal de 1988, regulamentados e


“reafirmados” no capítulo II, artigo 7º da lei 8.080/90.

“CAPÍTULO II
Dos Princípios e Diretrizes

Art. 7º As ações e serviços públicos de saúde e os serviços privados contratados ou


conveniados que integram o Sistema Único de Saúde - SUS são desenvolvidos de acordo com
as diretrizes previstas no artigo 198 da Constituição Federal, obedecendo ainda aos seguintes
princípios.

I - Universalidade de acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de assistência;


II - Integralidade de assistência, entendida como um conjunto articulado e contínuo das ações
e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todos os
níveis de complexidade do sistema;
III - preservação da autonomia das pessoas na defesa de sua integridade física e moral;
IV - Igualdade da assistência à saúde, sem preconceitos ou privilégios de qualquer espécie;
V - Direito à informação, às pessoas assistidas, sobre sua saúde;
VI - Divulgação de informações quanto ao potencial dos serviços de saúde e sua utilização pelo
usuário;
VII - utilização da epidemiologia para o estabelecimento de prioridades, a alocação de recursos
e a orientação programática;
VIII - participação da comunidade;
IX - Descentralização político-administrativa, com direção única em cada esfera de governo:
a) ênfase na descentralização dos serviços para os municípios;
b) regionalização e hierarquização da rede de serviços de saúde;
X - Integração, em nível executivo, das ações de saúde, meio ambiente e saneamento básico;
XI - conjugação dos recursos financeiros, tecnológicos, materiais e humanos da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na prestação de serviços de assistência à saúde
da população;
XII - capacidade de resolução dos serviços em todos os níveis de assistência; e
XIII - organização dos serviços públicos de modo a evitar duplicidade de meios para fins
idênticos.”

Os princípios do sus são cobrados em provas. Muitos certames utilizam em questões a divisão
teórica dos princípios:

1- Doutrinários (universalidade, integralidade e equidade*);


2- Organizativos: todos os outros que constam no art. 7 desta lei.

No total são 13 princípios/diretrizes. Falarei um pouco, dos mais importantes:

A universalidade é um princípio finalístico, ou seja, é um ideal a ser alcançado, indicando,


portanto, uma das características do sistema que se pretende construir e um caminho para sua
construção. Para que o SUS venha a ser universal é preciso se desencadear um processo de
universalização, isto é, um processo de extensão de cobertura dos serviços, de modo que
venham, paulatinamente, a se tornar acessíveis a toda a população.
Para isso, é preciso eliminar barreiras jurídicas, econômicas, culturais e sociais que se
interpõem entre a população e os serviços.A primeira delas, a barreira jurídica, foi eliminada
com a Constituição Federal de 88, na medida em que universalizou o direito à saúde, e com
isso, eliminou a necessidade do usuário do sistema público colocar-se como trabalhador ou
como “indigente”, situações que condicionavam o acesso aos serviços públicos antes do SUS.

Universalidade: ACESSO PARA TODOS OS CIDADÃOS;

A noção de integralidade diz respeito ao leque de ações possíveis para a promoção da saúde,
prevenção de riscos e agravos e assistência a doentes, implicando a sistematização do
conjunto de práticas que vem sendo desenvolvidas para o enfrentamento dos problemas e o
atendimento das necessidades de saúde. A integralidade é (ou não), um atributo do modelo de
atenção, entendendo-se que um “modelo de atenção integral à saúde” contempla o conjunto
de ações de promoção da saúde, prevenção de riscos e agravos, assistência e recuperação. Um
modelo “integral”, portanto, é aquele que dispõe de estabelecimentos, unidades de prestação
de serviços, pessoal capacitado e recursos necessários, à produção de ações de saúde que vão
desde as ações inespecíficas de promoção da saúde em grupos populacionais definidos, às
ações específicas de vigilância ambiental, sanitária e epidemiológica dirigidas ao controle de
riscos e danos, até ações de assistência e recuperação de indivíduos enfermos, sejam ações
para a detecção precoce de doenças, sejam ações de diagnóstico, tratamento e reabilitação.

O princípio da equidade, mais um dos princípios finalísticos do SUS e, atualmente, o tema


central em todos os debates sobre as reformas dos sistemas de saúde no mundo ocidental. A
noção de equidade diz respeito à necessidade de se “tratar desigualmente os desiguais” de
modo a se alcançar a igualdade de oportunidades de sobrevivência, de desenvolvimento
pessoal e social entre os membros de uma dada sociedade. O ponto de partida da noção de
equidade é o reconhecimento da desigualdade entre as pessoas e os grupos sociais e o
reconhecimento de que muitas dessas desigualdades são injustas e devem ser superadas. Em
saúde, especificamente, as desigualdades sociais se apresentam como desigualdades diante do
adoecer e do morrer, reconhecendo-se a possibilidade de redução dessas desigualdades, de
modo a garantir condições de vida e saúde mais iguais para todos.
A descentralização da gestão do sistema implica na transferência de poder de decisão sobre a
política de saúde do nível federal (MS) para os estados (SES) e municípios (SMS). Esta
transferência ocorre a partir da redefinição das funções e responsabilidades de cada nível de
governo com relação à condução político administrativa do sistema de saúde em seu
respectivo território (nacional, estadual, municipal), coma transferência, concomitante, de
recursos financeiros, humanos e materiais para o controle das instâncias governamentais
correspondentes.

A regionalização e a hierarquização dos serviços, dizem respeito à forma de organização dos


estabelecimentos (unidades de unidades) entre si e com a população usuárias.

- A regionalização dos serviços implica a delimitação de uma base territorial para o sistema de
saúde, que leva em conta a divisão político- administrativa do país, mas também contempla a
delimitação de espaços territoriais específicos para a organização das ações de saúde,
subdivisões ou agregações do espaço político-administrativo.

- A hierarquização dos serviços, por sua vez, diz respeito à possibilidade de organização das
unidades segundo grau de complexidade tecnológica dos serviços, isto é, o estabelecimento de
uma rede que articula as unidades mais simples às unidades mais complexas, através de um
sistema de referência (SR) e contrarreferência(CR) de usuários e de informações. O processo
de estabelecimento de redes hierarquizadas pode também implicar o estabelecimento de
vínculos específicos entre unidades (de distintos graus de complexidade tecnológica) que
prestam serviços de determinada natureza, como por exemplo, a rede de atendimento a
urgências/emergências, ou a rede de atenção à saúde mental.
A integração entre as ações promocionais, preventivas e curativas diz respeito à possibilidade
de se estabelecer um perfil de oferta de ações e serviços do sistema que contemple as várias
alternativas de intervenção sobre os problemas de saúde em vários planos de sua “história
(natural) social”, abarcando intervenções sobre condições de vida, riscos e danos à saúde.
Cabe registrar a distinção entre “integralidade” e “integração”, termos que por vezes se
confundem no debate acerca da organização dos serviços de saúde. Se a integralidade, como
posto anteriormente, é um atributo do modelo, algo que o modelo de atenção à saúde “deve
ser”, a integração é um processo, algo “a fazer” para que o modelo de atenção seja integral.
Nesse sentido, a integração envolve duas dimensões: uma dimensão “vertical”, proporcionada
pelo estabelecimento da hierarquização dos serviços (SR e CR), que permite a produção de
ações de distinta complexidade (primária, secundária, terciária) em função da natureza do
problema que se esteja enfrentando, e uma integração “horizontal”, que permite a
articulação, no enfrentamento do problema, de ações de distinta natureza (promoção,
prevenção, recuperação).
Regionalização da assistência à saúde

A regionalização no Sistema Único de Saúde constitui estratégia prioritária para garantir o


direito à saúde, reduzir desigualdades sociais e territoriais, promover a equidade e a
integralidade da atenção, racionalizar os gastos, otimizar os recursos e potencializar o processo
de descentralização.
A regionalização oferece os meios para melhorar a coordenação e integração do cuidado em
saúde e os custos e proporciona escala mais adequada e maior participação dos cidadãos no
processo de tomada de decisão. Contudo, a regionalização, apesar dos benefícios, apresenta
desafios, tais como as dificuldades para integrar e coordenar as ações e serviços, em diferentes
espaços geográficos, com distintas gestões e gerências para atender as necessidades de saúde
e demandas da população na escala, qualidade e custos adequados. Para isso, requer a
existência de sistemas de informação em tempo real para orientar a tomada de decisão e a
busca constante de alternativas para otimizar recursos e organizar a gestão compartilhada
(Brasil,2009).

A regionalização da saúde na regulamentação do SUS

? Constituição Federal – Art. 198

As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e


constituem um sistema único, organizado de acordo com as seguintes diretrizes:
I - Descentralização, com direção única em cada esfera de governo;
II –Atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos
serviços assistenciais;
III - participação da comunidade. (Brasil, 1998).

? Lei nº 8.080/1990 – Art. 7º

As ações e serviços públicos de saúde e os serviços privados contratados ou conveniados que


integram o Sistema Único de Saúde (SUS) são desenvolvidos de acordo com as diretrizes
previstas no art. 198 da Constituição Federal, obedecendo ainda aos seguintes princípios: [...]
a) ênfase na descentralização dos serviços para os municípios; b) regionalização e
hierarquização da rede de serviços de saúde; [...]. (BRASIL, 1990).

? NOB-SUS 01/93 – Item g da Introdução – Portaria GM/MS n. 545/1993 Item g)

A regionalização deve ser entendida como uma articulação e mobilização municipal que leve
em consideração características geográficas, fluxo de demanda, perfil epidemiológico, oferta
de serviços e, acima de tudo, a vontade política expressa pelos diversos municípios de se
consorciar ou estabelecer qualquer outra relação de caráter cooperativo (BRASIL,1993).

? NOB-SUS 01/96 – Item 4 – Portaria GM/MS n. 2203/1996

A totalidade das ações e de serviços de atenção à saúde, no âmbito do SUS, deve ser
desenvolvida em um conjunto de estabelecimentos, organizados em rede regionalizada e
hierarquizada e disciplinados segundo subsistemas, um para cada município – o SUS-Municipal
– voltado ao atendimento integral de sua própria população e inserido de forma indissociável
no SUS, em suas abrangências estadual e nacional (BRASIL, 1996).
? NOAS-SUS 01/2001 e NOAS-SUS 01/2002

[...] para o aprofundamento do processo de descentralização, deve-se ampliar a ênfase na


regionalização e no aumento da equidade, buscando a organização de sistemas de saúde
funcionais com todos os níveis de atenção, não necessariamente confinados aos territórios
municipais e, portanto, sob responsabilidade coordenadora da SES. [...](BRASIL, 2001).

1. Estabelecer o processo de regionalização como estratégia de hierarquização dos serviços de


saúde e de busca de maior equidade. [...]
2. Instituir o Plano Diretor de Regionalização – PDR como instrumento de ordenamento do
processo de regionalização da assistência em cada estado [...] (BRASIL, 2001).

? Pacto pela Saúde – Item 2, Diretrizes para a Gestão do SUS, Pacto de Gestão, Portaria GM/
MS n. 399/2006

A Regionalização é uma diretriz do Sistema Único de Saúde e um eixo estruturante do Pacto de


Gestão e deve orientar a descentralização das ações e serviços de saúde e os processos de
negociação e pactuação entre os gestores. Os principais instrumentos de planejamento da
Regionalização são o Plano Diretor de Regionalização – PDR –, o Plano Diretor de
Investimentos – PDI – e a Programação Pactuada e Integrada da Atenção à Saúde – PPI [...]
(BRASIL, 2006b).

? Decreto federal n° 7.508/11

Região de Saúde - espaço geográfico contínuo constituído por agrupamentos de Municípios


limítrofes, delimitado a partir de identidades culturais, econômicas e sociais e de redes de
comunicação e infraestrutura de transportes compartilhados, com a finalidade de integrar a
organização, o planejamento e a execução de ações e serviços de saúde (art. 2°, I)

O Decreto estabelece a Comissão Intergestores Regional e delibera sobre todos os aspectos


operacionais de serviços de saúde na região (aloca recursos financeiros na região; distribui
serviços, acompanha o desenvolvimento e a produção de serviços da rede, aclara o plano de
saúde para as regiões).
O pressuposto da região é a organização da rede de atenção, o Decreto define quais são os
compromissos com e dos municípios de cada região em termos de saúde.

Objetivos da regionalização

1. Garantir acesso, resolutividade e qualidade às ações e serviços de saúde cuja complexidade


e contingente populacional transcendam a escala local/municipal.
2. Garantir o direito à saúde, reduzir desigualdades sociais e territoriais e promover a
equidade.
3. Garantir a integralidade na atenção à saúde por meio da organização de redes de atenção à
saúde integradas.
4. Potencializar o processo de descentralização, fortalecendo estados e municípios para
exercerem papel de gestores e organizando as demandas nas diferentes regiões.
5. Racionalizar os gastos e otimizar os recursos, possibilitando ganhos em escala nas ações e
serviços de saúde de abrangência regional (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006).
Os gestores do SUS em cada esfera de governo

A nova concepção do sistema de saúde, descentralizado e administrado democraticamente


com a participação da sociedade organizada, prevê mudanças significativas nas relações de
poder político e na distribuição de responsabilidades entre o Estado e a sociedade e entre as
distintas esferas de governo – nacional, estadual e municipal –, cabendo aos gestores setoriais
papel fundamental na concretização dos princípios e das diretrizes da reforma sanitária
brasileira.

O processo de descentralização em saúde no Brasil envolve não apenas a transferência de


serviços, mas também de responsabilidades, poder e recursos da esfera federal para a
estadual e a municipal (LECOVITZ; LIMA; MACHADO, 2001).

Para que se possa discutir o papel de cada esfera de governo no SUS, é importante definir
quem são os gestores do Sistema Único de Saúde e o que são as funções gestoras no SUS.

Os gestores do SUS são os representantes de cada esfera de governo designados para o


desenvolvimento das funções do Executivo na saúde: no âmbito nacional, o Ministro da Saúde;
no âmbito estadual, o Secretário de Estado da Saúde, e no municipal, o Secretário Municipal
de Saúde.

A atuação do gestor do SUS efetiva-se por meio do exercício das funções gestoras na saúde. As
funções gestoras podem ser definidas como “um conjunto articulado de saberes e práticas de
gestão, necessários para a implementação de políticas na área da saúde” (SOUZA, 2002).

Definir o papel e as atribuições dos gestores do SUS nas três esferas de governo significa
identificar as especificidades da atuação no que diz respeito a cada uma dessas macro funções
gestoras, de forma coerente com a finalidade de atuação do Estado em cada esfera
governamental, com os princípios e os objetivos estratégicos da política de saúde, e para cada
campo da atenção na saúde (promoção da saúde, articulação intersetorial, vigilância sanitária,
vigilância epidemiológica, saúde do trabalhador, assistência à saúde, entre outros) (LECOVITZ;
LIMA; MACHADO, 2001).

Esse processo tem sido orientado pela Legislação do SUS e pelas Normas Operacionais que, ao
longo do tempo, têm definido as competências de cada esfera de governo e as condições
necessárias para que estados e municípios possam assumir suas funções no processo de
implantação do SUS.
O que é Dengue?
A dengue é uma doença febril aguda causada por um vírus, sendo um dos principais problemas
de saúde pública no mundo. É transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que se desenvolve em
áreas tropicais e subtropicais. Atualmente, a vacina é a melhor forma de prevenção da dengue.
Segundo o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, divulgado em janeiro de
2018, foram registrados menos casos prováveis de dengue em 2017, 252.054 casos contra
1.483.623 em 2016.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 50 a 100 milhões de pessoas se
infectem anualmente com a dengue em mais de 100 países de todos os continentes, exceto a
Europa. Cerca de 550 mil doentes necessitam de hospitalização e 20 mil morrem em
consequência da dengue.
Existem quatro tipos de dengue, de acordo com os quatro sorotipos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e
DEN-4. Quando uma pessoa tem dengue tem uma imunidade relativa contra outro sorotipo.
Saiba mais: Saiba tudo sobre a transmissão da dengue
É uma doença potencialmente grave, porque pode evoluir para a dengue hemorrágica a
síndrome do choque da dengue, caracterizadas por sangramento e queda de pressão arterial,
o que eleva o risco de morte. A melhor maneira de combater esse mal é atuando de forma
preventiva, impedindo a reprodução do mosquito.
Aedes Aegypti
Acredita-se que o mosquito Aedes aegypti chegou ao Brasil pelos navios negreiros, uma vez
que as primeiras aparições do mosquito se deram no continente africano. No início do século
XX, o médico Oswaldo Cruz implantou um programa de combate ao mosquito, visando reduzir
os casos de febre amarela. Essa medida chegou a eliminar a dengue no país durante a década
de 1950. Segundo o Ministério da Saúde a primeira ocorrência do vírus no país, comprovada
laboratorialmente, ocorreu em 1981-1982 em Boa Vista (PR).
No entanto, a dengue voltou a acontecer no Brasil na década de 1980. Atualmente, os quatro
tipos de vírus circulam no país, sendo que foram registrados 587,8 mil casos de dengue em
2014, de acordo com o Ministério da Saúde.
Tipos
O vírus da dengue possui quatro variações: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. Todos os tipos de
dengue causam os mesmo sintomas.
Caso ocorra um segundo ou terceiro episódio da dengue, há risco aumentado para formas
mais graves da dengue, como a dengue hemorrágica e síndrome do choque da dengue
Saiba mais: Sete estratégias para se proteger contra a dengue
Na maioria dos casos, a pessoa infectada não apresenta sintomas de dengue, combatendo o
vírus sem nem saber que ele está em seu corpo. Para aqueles que apresentam os sinais, os
tipos de dengue podem se manifestar clinicamente de três formas:
Dengue clássica
A dengue clássica é a forma mais leve da doença, sendo muitas vezes confundida com a gripe.
Tem início súbito e os sintomas podem durar de cinco a sete dias, apresentando sinais como
febre alta (39° a 40°C), dores de cabeça, cansaço, dor muscular e nas articulações,
indisposição, enjôos, vômitos, entre outros.

Dengue hemorrágica
A dengue hemorrágica acontece quando a pessoa infectada com dengue sofre alterações na
coagulação sanguínea. Se a doença não for tratada com rapidez, pode levar à morte. No geral,
a dengue hemorrágica é mais comum quando a pessoa está sendo infectada pela segunda ou
terceira vez. Os sintomas iniciais são parecidos com os da dengue clássica, e somente após o
terceiro ou quarto dia surgem hemorragias causadas pelo sangramento de pequenos vasos da
pele e outros órgãos. Na dengue hemorrágica, ocorre uma queda na pressão arterial do
paciente, podendo gerar tonturas e quedas.
Síndrome do choque da dengue
A síndrome de choque da dengue é a complicação mais séria da dengue, se caracterizando por
uma grande queda ou ausência de pressão arterial, acompanhado de inquietação, palidez e
perda de consciência. Uma pessoa que sofreu choque por conta da dengue pode sofrer várias
complicações neurológicas e cardiorrespiratórias, além de insuficiência hepática, hemorragia
digestiva e derrame pleural. Além disso, a síndrome de choque da dengue não tratada pode
levar a óbito.
Especialista responde: Quais as diferenças entre as Dengues 1,2,3 e 4?
Causas
A dengue não é transmitida de pessoa para pessoa. A transmissão se dá pelo mosquito que,
após um período de 10 a 14 dias contados depois de picar alguém contaminado, pode
transportar o vírus da dengue durante toda a sua vida.
O ciclo de transmissão ocorre do seguinte modo: a fêmea do mosquito deposita seus ovos em
recipientes com água. Ao saírem dos ovos, as larvas vivem na água por cerca de uma semana.
Após este período, transformam-se em mosquitos adultos, prontos para picar as pessoas. O
Aedes aegypti procria em velocidade prodigiosa e o mosquito da dengue adulto vive em média
45 dias. Uma vez que o indivíduo é picado, demora no geral de três a 15 dias para a doença se
manifestar, sendo mais comum cinco a seis dias.

Saiba mais: Vídeo: conheça os sintomas da dengue


A transmissão da dengue raramente ocorre em temperaturas abaixo de 16° C, sendo que a
mais propícia gira em torno de 30° a 32° C - por isso o mosquito se desenvolve em áreas
tropicais e subtropicais. A fêmea coloca os ovos em condições adequadas (lugar quente e
úmido) e em 48 horas o embrião se desenvolve. É importante lembrar que os ovos que
carregam o embrião do mosquito da dengue podem suportar até um ano a seca e serem
transportados por longas distâncias, grudados nas bordas dos recipientes. Essa é uma das
razões para a difícil erradicação do mosquito. Para passar da fase do ovo até a fase adulta, o
inseto demora dez dias, em média. Os mosquitos acasalam no primeiro ou no segundo dia
após se tornarem adultos. Depois, as fêmeas passam a se alimentar de sangue, que possui as
proteínas necessárias para o desenvolvimento dos ovos.
Saiba mais: Dengue: como ocorre a transmissão da doença?
O mosquito Aedes aegypti mede menos de um centímetro, tem aparência inofensiva, cor café
ou preta e listras brancas no corpo e nas pernas. Costuma picar, transmitindo a dengue, nas
primeiras horas da manhã e nas últimas da tarde, evitando o sol forte, mas, mesmo nas horas
quentes, ele pode atacar à sombra, dentro ou fora de casa. Há suspeitas de que alguns
ataquem durante a noite. O indivíduo não percebe a picada, pois não dói e nem coça no
momento.
A fêmea do Aedes aegypti também transmite a febre chikungunya e a febre Zika e a febre
amarela urbana.
Especialista explica o processo de desenvolvimento do mosquito da dengue
Fatores de risco
Fatores que colocam você em maior risco de desenvolver dengue ou uma forma mais grave da
doença incluem:

- Vivendo ou viajando em áreas tropicais: Estar em áreas tropicais e subtropicais aumenta o


risco de exposição ao vírus que causa dengue. As áreas especialmente de alto risco são o
Sudeste Asiático, as ilhas do Pacífico Ocidental, a América Latina e o Caribe.
- Infecção prévia com um vírus da dengue: A infecção anterior com um vírus da dengue
aumenta o risco de ter sintomas graves se você estiver infectado novamente.
Sintomas
Sintomas de Dengue
Sintomas de dengue clássica
Os sintomas de dengue iniciam de uma hora para outra e duram entre cinco a sete dias.
Normalmente eles surgem entre três a 15 dias após a picada pelo mosquito infectado. Os
principais sinais são:
Febre alta com início súbito (entre 39º a 40º C)
Forte dor de cabeça
Dor atrás dos olhos, que piora com o movimento dos mesmos
Manchas e erupções na pele, pelo corpo todo, normalmente com coceiras
Extremo cansaço
Moleza e dor no corpo
Muitas dores nos ossos e articulações
Náuseas e vômitos
Tontura
Perda de apetite e paladar.
Sintomas de dengue hemorrágica
Os sintomas de dengue hemorrágica são os mesmos da dengue clássica. A diferença é que a
febre diminui ou cessa após o terceiro ou quarto dia da doença e surgem hemorragias em
função do sangramento de pequenos vasos na pele e nos órgãos internos. Quando acaba a
febre, começam a surgir os sinais de alerta:

Dores abdominais fortes e contínuas


Vômitos persistentes
Pele pálida, fria e úmida
Sangramento pelo nariz, boca e gengivas
Manchas vermelhas na pele
Comportamento variando de sonolência à agitação
Confusão mental
Sede excessiva e boca seca
Dificuldade respiratória
Queda da pressão arterial:Pulso rápido.
Na dengue hemorrágica, o quadro clínico se agrava rapidamente, apresentando sinais de
insuficiência circulatória. A baixa circulação sanguínea pode levar a pessoa a um estado de
choque. Embora a maioria dos pacientes com dengue não desenvolva choque, a presença de
certos sinais alertam para esse quadro:
Dor abdominal persistente e muito forte
Mudança de temperatura do corpo e suor excessivo
Comportamento variando de sonolência à agitação
Pulso rápido e fraco
Palidez
Perda de consciência.
A síndrome de choque da dengue, quando não tratada, pode levar a pessoa à morte em até 24
horas. De acordo com estatísticas do Ministério da Saúde, cerca de 5% das pessoas com
dengue hemorrágica morrem.
Venngage
Buscando ajuda médica
Fique atento aos sintomas. Os principais são: dor abdominal severa, vômitos, dificuldade em
respirar ou sangramento no nariz, vômito ou diarreia. Se eles persistirem, procure um
especialista e explique a ele o que está sentindo. Aproveite e tire todas as suas dúvidas.

Diagnóstico e Exames
Na consulta médica
Especialistas que podem diagnosticar são:
Clínico geral
Infectologista.
Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma,
você já pode chegar à consulta com algumas informações:
Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou
suplementos que ele tome com regularidade
Se possível, peça para uma pessoa te acompanhar.
O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

Quando seus sintomas começaram?


Seus sintomas são contínuos ou ocasionais?
Quão graves são os seus sintomas?
Alguma coisa parece melhorar seus sintomas ou piorar?
Você viajou no último mês? Se sim, para qual lugar?
Você foi mordido por mosquitos durante a viagem?
Você já entrou em contato com alguém que estava doente?
Também é importante levar suas dúvidas para a consulta por escrito, começando pela mais
importante. Isso garante que você conseguirá respostas para todas as perguntas relevantes
antes da consulta acabar. Para gordura no fígado, algumas perguntas básicas incluem:
Qual é a causa mais provável para os meus sintomas?
Que tipos de testes eu preciso fazer?
Quais tratamentos estão disponíveis?
Em quanto tempo irei me sentir melhor?
Existem efeitos a longo prazo desta doença?
Você tem algum folheto ou outro material impresso que eu possa levar para casa comigo?
Quais websites você recomenda?
Não hesite em fazer outras perguntas, caso elas ocorram no momento da consulta.
Diagnóstico de Dengue
Se você suspeita de dengue, vá direto ao hospital ou clínica de saúde mais próxima. Os
médicos farão a suspeita clínica com base nas informações que você prestar, mas o
diagnóstico de certeza é feito com o exame de sangue para dengue ou sorologia para dengue.
Ele vai analisar a presença do vírus no seu sangue e leva de três a quatro dias para ficar pronto.
No atendimento, outros exames serão realizados para saber se há sinais de gravidade ou se
você pode manter repouso em casa.

Saiba mais: Como a água parada contribui para a transmissão da doença?


O exame físico pode revelar:
Fígado aumentado (hepatomegalia)
Pressão baixa
Erupções cutâneas
Olhos vermelhos
Pulsação fraca e rápida.
Os exames podem incluir:
Testes de coagulação
Eletrólitos (sódio e potássio)
Hematócrito
Enzimas do fígado (TGO, TGP)
Contagem de plaquetas
Testes serológicos (mostram os anticorpos ao vírus da dengue)
Raio X do tórax para demonstrar efusões pleurais.
Além disso, o governo incluiu o uso de testes rápidos para dengue na tabela do Sistema Único
de Saúde (SUS). O item irá otimizar o diagnóstico laboratorial. Serão disponibilizados aos
estados e municípios dois milhões de testes rápidos imunocromatografia qualitativa (IgM/IgG)
para dengue.
O diagnostico também pode ser feito por meio do exame de PCR ou teste molecular para
dengue é usado para determinar se uma pessoa está infectada com o vírus. Como os sintomas
de dengue são muito parecidos com os de outras doenças, por exemplo gripe e virose, o teste
auxilia no diagnóstico mais preciso.
Exames
Tratamento e Cuidados
Tratamento de Dengue
Não existe tratamento específico contra o vírus da dengue, faz-se apenas medicamentos para
os sintomas da doença, ou seja, fazer um tratamento sintomático. É importante apenas tomar
muito líquido para evitar a desidratação. Caso haja dores e febre, pode ser receitado algum
medicamento antitérmico, como o paracetamol. Em alguns casos, é necessária internação para
hidratação endovenosa e, nos casos graves, tratamento em unidade de terapia intensiva.
Saiba mais: Dengue: como ocorre a transmissão da doença?
Pacientes com dengue ou suspeita de dengue devem evitar medicamentos à base de ácido
acetilsalicílico (aspirina) ou que contenham a substância associada. Esses medicamentos têm
efeito anticoagulante e podem causar sangramentos. Outros anti-inflamatórios não hormonais
(diclofenaco, ibuprofeno e piroxicam) também devem ser evitados. O uso destas medicações
pode aumentar o risco de sangramentos.
O paracetamol e a dipirona são os medicamentos de escolha para o alívio dos sintomas de dor
e febre devido ao seu perfil de segurança, sendo recomendado tanto pelo Ministério da Saúde,
como pela Organização Mundial da Saúde.
SAIBA MAIS: Homeopatia para dengue: remédios aliviam os sintomas
Medicamentos para Dengue
Convivendo (prognóstico)
Dengue tem cura?
No caso da dengue clássica, a febre dura sete dias, mas a fraqueza e mal estar podem perdurar
por mais tempo, às vezes por algumas semanas. Embora seja desagradável, a dengue clássica
não é fatal. As pessoas com essa doença se recuperam completamente.
No entanto, é muito importante ficar atento aos sinais de alerta da manifestação da dengue
hemorrágica, que são, principalmente, os sangramentos no nariz, boca e gengiva. Essa forma
de dengue quando não tratada rapidamente pode levar a óbito.
Complicações possíveis
A síndrome de choque da dengue é a complicação mais séria da dengue, se caracterizando por
uma grande queda ou ausência de pressão arterial, acompanhado de inquietação, palidez e
perda de consciência. Uma pessoa que sofreu choque por conta da dengue pode sofrer várias
complicações neurológicas e cardiorrespiratórias, além de insuficiência hepática, hemorragia
digestiva e derrame pleural. Além disso, a síndrome de choque da dengue não tratada pode
levar a óbito.
Outras possíveis complicações da dengue incluem:
Convulsões febris em crianças pequenas
Desidratação grave
Sangramentos.
Convivendo/ Prognóstico
Pessoas diagnosticadas com a dengue devem manter cuidados básicos como:
Repouso
Reposição de líquidos, principalmente recorrendo ao soro caseiro em casos de vômitos
Uso correto dos medicamentos indicados.
Aplicativos para o combate da dengue
Existem vários aplicativos que ajudam no tratamento prevenção contra dengue . Veja alguns a
seguir, sempre lembrando que eles não substituem um bom acompanhamento médico:
UNA - SUS Dengue: Este aplicativo possibilita que o usuário calcule a reposição de líquidos de
acordo com suas características fisiológicas e apresenta dicas relacionadas ao tratamento e
prevenção da doença. Avaliado com 4,4 estrelas na Google Play.
Observatório do Aedes Aegypti: O app possibilita que a população denuncie a suspeita de
focos e casos de dengue. Dessa forma, o governo poderá ter acesso mais rapidamente às
informações para planejar o combate. Avaliado com 4,3 estrelas na Google Play.
Prevenção
Prevenção
Tome a vacina
A vacina contra dengue foi criada para prevenir a manifestação do vírus. Atualmente apenas
uma vacina foi licenciada no Brasil, a desenvolvida pela empresa francesa Sanofi Pasteur. Ela é
feita com vírus atenuados e é tetravalente, ou seja, protege contra os quatro sorotipos de
dengue existentes. Ela possui a estrutura do vírus vacinal da febre amarela, o que lhe dá mais
estabilidade e segurança.
Vacinas com o vírus atenuado são aquelas que diminuem a periculosidade do vírus, garantindo
que ele não cause doenças, mas sejam capazes de gerar resposta imunológica, fazendo com
que o organismo da pessoa reconheça o vírus e saiba como atacá-lo quando a pessoa for
exposta a sua versão convencional.
Saiba mais: Vacina contra dengue: entenda como ela funciona e quem pode tomar
A eficácia na população acima de 9 anos é de, aproximadamente, 66% contra os quatro
sorotipos de vírus da dengue. Isso significa que em um grupo de cem pessoas, 66 evitariam
contrair a doença. Além disso, reduz os casos graves - aqueles que levam ao óbito, como a
dengue hemorrágica - em 93% e os índices de hospitalizações em 80%.
Além dela, o Instituto Butantan está testando uma nova vacina feita no Brasil. O antíduto
também é feito com vírus atenuados e está na terceira fase de testes, em que mais de 17 mil
voluntários serão observados: dois terços deles receberão a vacina verdadeira e um terço
receberá um placebo. Antes ela passou por testes clínicos nos Estados Unidos em 600 pessoas
e depois em São Paulo por mais 300. O plano de fazer os testes agora em todo Brasil é garantir
que as pessoas estudadas tenham contato com todos os sorotipos da doença.
Evite o acúmulo de água
O mosquito coloca seus ovos em água limpa, mas não necessariamente potável. Por isso é
importante jogar fora pneus velhos, virar garrafas com a boca para baixo e, caso o quintal seja
propenso à formação de poças, realizar a drenagem do terreno. Também é necessário lavar a
vasilha de água do bicho de estimação regularmente e manter fechadas tampas de caixas
d'água e cisternas.
Coloque tela nas janelas
Colocar telas em portas e janelas ajuda a proteger sua família contra o mosquito da dengue. O
problema é quando o criadouro está localizado dentro da residência. Nesse caso, a estratégia
não será bem sucedida. Por isso, não se esqueça de que a eliminação dos focos da doença é a
maneira mais eficaz de proteção.
Coloque areia nos vasos de plantas
O uso de pratos nos vasos de plantas pode gerar acúmulo de água. Há três alternativas:
eliminar esse prato, lavá-lo regularmente ou colocar areia. A areia conserva a umidade e ao
mesmo tempo evita que e o prato se torne um criadouro de mosquitos.
Seja consciente com seu lixo
Não despeje lixo em valas, valetas, margens de córregos e riachos. Assim você garante que
eles ficarão desobstruídos, evitando acúmulo e até mesmo enchentes. Em casa, deixe as latas
de lixo sempre bem tampadas.
Saiba mais: Desvende mitos e verdades sobre a dengue
Coloque desinfetante nos ralos
Ralos pequenos de cozinhas e banheiros raramente tornam-se foco de dengue devido ao
constante uso de produtos químicos, como xampu, sabão e água sanitária. Entretanto, alguns
ralos são rasos e conservam água estagnada em seu interior. Nesse caso, o ideal é que ele seja
fechado com uma tela ou que seja higienizado com desinfetante regularmente.
Limpe as calhas
Grandes reservatórios, como caixas d'água, são os criadouros mais produtivos de dengue, mas
as larvas do mosquito podem ser encontradas em pequenas quantidades de água também.
Para evitar até essas pequenas poças, calhas e canos devem ser checados todos os meses, pois
um leve entupimento pode criar reservatórios ideais para o desenvolvimento do Aedes
aegypti.
Lagos caseiros e aquários
Assim como as piscinas, a possibilidade de laguinhos caseiros e aquários se tornarem foco de
dengue deixou muitas pessoas preocupadas, porém, peixes são grandes predadores de formas
aquáticas de mosquitos. O cuidado maior deve ser dado, portanto, às piscinas que não são
limpas com frequência.
Uso de inseticidas e larvicidas
Tanto os larvicidas quanto os inseticidas distribuídos aos estados e municípios pela Secretaria
de Vigilância em Saúde têm eficácia comprovada, sendo preconizados por um grupo de
especialistas da Organização Mundial da Saúde.
Saiba mais: Dengue: conheça as armadilhas da sua casa
Os larvicidas servem para matar as larvas do mosquito da dengue. São aqueles produtos em
pó, ou granulado, que o agente de combate a dengue coloca nos ralos, caixas d'água, enfim,
nos lugares onde há água parada que não pode ser eliminada.
Saiba mais: Conheça os diferentes tipos de repelentes e a melhor forma de aplicação
Já os inseticidas são líquidos espalhados pelas máquinas de nebulização, que matam os insetos
adultos enquanto estão voando, pela manhã e à tarde, porque o mosquito tem hábitos
diurnos. O fumacê, como é chamado, não é aplicado indiscriminadamente, sendo utilizado
somente quando existe a transmissão da dengue em surtos ou epidemias. Desse modo, a
nebulização pode ser considerada um recurso extremo, porque é utilizada em um momento de
alta transmissão, quando as ações preventivas de combate à dengue falharam ou não foram
adotadas.
Algumas vezes, os mosquitos e larvas da dengue desenvolvem resistência aos produtos.
Sempre que isso é detectado, o produto é imediatamente substituído por outro.
Uso de repelente
O uso de repelentes, principalmente em viagens ou em locais com muitos mosquitos, é um
método importante para se proteger contra a dengue. Recomenda-se, porém, o uso de
produtos industrializados. Os repelentes caseiros, como andiroba, cravo-da-índia, citronela e
óleo de soja não possuem grau de repelência forte o suficiente para manter o mosquito longe
por muito tempo. Além disso, a duração e a eficácia do produto são temporárias, sendo
necessária diversas reaplicações ao longo do dia, o que muitas pessoas não costumam fazer.
Referências
Revisado por: Sumire Sakabe, infectologista do Hospital 9 de Julho.
(1) Rafael Freitas, biólogo e pesquisador do Laboratório de Transmissores de Hematozoários
do Instituto Oswaldo Cruz
(2) Denise Valle, entomologista do Instituto Oswaldo Cruz
(3) Bianca Grassi, infectologista do Hospital Samaritano
(4) Mayo Clinic
(5) Ralcyon Teixeira, infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas
(6) Ministério da Saúde
O que é Cólera?
A cólera é uma doença infectocontagiosa do intestino delgado geralmente transmitida por
meio de alimento ou água contaminados.

Já houve muitos dos chamados “surtos de cólera” ao longo dos anos, mas o saneamento do
esgoto e o tratamento da água em países industrializados reduziram drasticamente o número
de casos da doença. Registros mostram que o último grande surto de cólera nos Estados
Unidos aconteceu em 1911. Hoje, no entanto, ela ainda está presente em países da África, do
sudeste asiático e em alguns países da América Central.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), todos os anos são registrados de três
a cinco milhões de novos casos da doença no mundo. Ainda segundo os dados levantados pelo
órgão, cerca de 100 a 120 mil pessoas morrem anualmente por causa da cólera.
Causas
Uma bactéria chamada Vibrio cholerae é a responsável por causar a infecção de cólera. Essa
bactéria, conhecida popularmente como Vibrião colérica, libera uma toxina chamada CTX, que
se liga às paredes intestinais, onde ela interfere diretamente no fluxo normal de sódio e
cloreto do organismo. Essa alteração faz com que o corpo secrete grandes quantidades de
água, levando à diarreia e a uma rápida perda de fluidos e de sais importantes, os chamados
eletrólitos.
A transmissão de cólera é fecal-oral e se dá basicamente por meio de água e alimentos
contaminados pelas fezes ou pela manipulação de alimentos por pessoas infectadas. A
infecção pela bactéria costuma acontecer após uma pessoa consumir água, frutos do mar,
frutas e legumes crus e alguns grãos contaminados, como arroz e milho, por exemplo.

Fatores de risco
Todas as pessoas são suscetíveis à cólera. Uma vez tendo contraída a doença, você se torna
imune a ela. Por isso, crianças que são filhas de mulheres que já tiveram cólera herdam a
imunidade das mães, geralmente por meio da amamentação.
Alguns fatores podem tornar uma pessoa mais vulnerável à doença ou mais propensa a
manifestar os sinais e sintomas mais graves da cólera. Estes são:
Más condições sanitárias
A cólera pode surgir em ambientes que não disponham de condições sanitárias e higiênicas
adequadas, com ausência de saneamento básico e de abastecimento de água potável, por
exemplo. Essas condições são comuns em acampamentos e em outros locais de grande
aglomeração humana, como campos de refugiados e em áreas pobres e devastadas pela fome,
por guerra ou por desastres naturais.
Ácido do estômago reduzido ou inexistente
A bactéria da cólera não sobrevive em um ambiente com pH muito ácido. Por isso, o ácido
produzido pelo estômago muitas vezes serve como um tipo de defesa contra a infecção. No
entanto, pessoas com baixos níveis de ácido do estômago - como crianças, idosos e pessoas
que tomam antiácidos, por exemplo -, não dispõem dessa proteção, o que os coloca
imediatamente em risco alto de contrair cólera.
Exposição
Uma pessoa tem mais chances de desenvolver cólera se viver no mesmo lugar que uma pessoa
infectada.

Tipo sanguíneo
Por razões que ainda não são totalmente claras, as pessoas com sangue tipo O são duas vezes
mais propensas a desenvolver cólera do que pessoas de outros tipos sanguíneos.
Frutos do mar crus ou mal cozidos
Embora os surtos de cólera em larga escala não ocorram nos países industrializados,
alimentar-se de mariscos oriundos de águas conhecidas por abrigar as bactérias aumenta
muito o risco de uma pessoa contrair cólera.
Sintomas
Sintomas de Cólera
A maioria das pessoas expostas à bactéria causadora da cólera não manifesta sintomas e às
vezes nem sabe que está infectada. Esses casos são chamados de assintomáticos. No entanto,
mesmo quem não manifesta os sintomas da doença pode infectar outras pessoas. Isso
acontece porque a pessoa infectada continua excretando bactérias em suas fezes durante uma
a duas semanas.
Os casos sintomáticos da doença, ou seja, quando há manifestação de sintomas,
principalmente a diarreia, são facilmente confundidos com outros problemas de saúde.
Apenas uma em cada dez pessoas infectadas pela bactéria causadora da cólera desenvolve os
sinais e sintomas típicos da doença, normalmente poucos dias após a infecção.
Os sintomas da cólera podem incluir:
Diarreia
Náuseas e vômitos, principalmente durante a fase inicial da infecção
A desidratação em decorrência da perda de líquidos pode levar a outros sintomas:
Irritabilidade
Letargia
Olhos encovados
Boca seca
Sede excessiva
Pele seca e enrugada
Pouca ou nenhuma produção de urina
Pressão arterial baixa
Arritmia cardíaca
Desequilíbrio eletrolítico.
Desidratação pode levar a uma rápida perda de minerais do sangue (eletrólitos) – um
problema que é conhecido como desequilíbrio eletrolítico. Este pode levar ao surgimentos de
novos sinais e sintomas, como:

Cãibras musculares
Choque, que ocorre quando o volume de sangue baixo provoca queda na pressão arterial e na
quantidade de oxigênio no sangue – o que, se não tratado, pode levar uma pessoa a óbito em
questão de minutos.
Sintomas de cólera em crianças
Em geral, as crianças com cólera têm os mesmos sinais e sintomas que os adultos, mas elas são
particularmente mais suscetíveis à baixa de açúcar no sangue (hipoglicemia) devido à perda de
líquidos pelo corpo.
Diagnóstico e Exames
Buscando ajuda médica
O risco de cólera é pouco significativo em países industrializados, e até mesmo em áreas
endêmicas as chances de contrair a doença são pequenas se a pessoa seguir à risca as
recomendações de segurança alimentar. Ainda assim, casos esporádicos de cólera ocorrem em
todo o mundo e matam milhares de pessoas por ano. Por isso, é melhor se precaver. Se você
apresentar diarreia grave, principalmente depois de visitar uma área em que a cólera ainda
não foi erradicada, procure assistência médica imediatamente.
Na consulta médica
Se você notar qualquer um dos sintomas de cólera, especialmente se a diarreia for severa,
persistente e comprometer gravemente a hidratação do corpo, procure um infectologista o
quanto antes. No consultório do médico, descreva todos os seus sintomas com detalhes. Tire
suas dúvidas e responde adequadamente às perguntas que o especialista poderá lhe fazer, que
incluem:
Você viajou recentemente para alguma região endêmica de cólera?
Quando os sintomas começaram?
Os sintomas são frequentes ou ocasionais?
Você tem tido sintomas relacionados à desidratação?

Diagnóstico de Cólera
Embora os sinais e sintomas de cólera sejam inconfundíveis em áreas endêmicas, a única
maneira de confirmar o diagnóstico da doença é identificar a bactéria em uma amostra de
fezes.
Testes rápidos de cólera já estão disponíveis, permitindo que os profissionais de saúde em
áreas remotas possam fazer o diagnóstico precoce de cólera e dar início o quanto antes ao
tratamento. A confirmação mais rápida da doença ajuda a diminuir as taxas de mortalidade e a
controlar os surtos de cólera e uma possível epidemia.
Tratamento e Cuidados
Tratamento de Cólera
Cólera requer tratamento imediato. Se não for tratada, a doença pode levar à morte em
poucas horas. Os meios terapêuticos existentes e viáveis para cólera são:
Reidratação
O objetivo dessa terapia é repor os líquidos e eletrólitos perdidos usando uma solução simples
de sais para reidratar os pacientes, chamada de SRO. A solução de SRO está disponível como
um pó que pode ser dissolvido em água fervida. Sem a hidratação necessária, cerca de metade
das pessoas com cólera morrem. Com o tratamento, o número de mortes cai para menos de
1%.
Fluidos intravenosos
Durante uma epidemia de cólera, a maioria das pessoas pode ser reidratada via oral, mas
quando a desidratação atingiu níveis ainda mais graves, o paciente pode precisar de fluidos
intravenosos para sobreviver.

Antibióticos
Embora os antibióticos não sejam parte essencial do tratamento de cólera, alguns desses
medicamentos podem reduzir tanto a quantidade quanto a duração da diarreia relacionada à
cólera.
Suplementos de zinco
A investigação demonstrou que o zinco pode diminuir e encurtar a duração da diarreia em
crianças com cólera. Por isso, pediatras podem indicar o uso de suplementos de zinco para
alguns casos da doença em crianças.
Medicamentos para Cólera
Os medicamentos mais usados para o tratamento de cólera são:
Azitromicina
Bactrim
Bacteracin e Bacteracin-F
Clordox
Ciprofloxacino
Doxiciclina

Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem
como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu
médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um
médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a
prescrita, siga as instruções na bula.

Convivendo (prognóstico)
Cólera tem cura?
A desidratação grave, provocada pela diarreia, pode levar o paciente à morte. Se tomarem a
quantidade líquidos adequada, a maioria das pessoas conseguirá se recuperar totalmente, sem
maiores dificuldades.
O tratamento imediato para cólera é essencial para impedir a evolução da doença.
Prevenção
Prevenção
A cólera é uma doença rara em países industrializados. Nesses lugares, os poucos casos que
ainda são registrados são de pessoas que viajaram para áreas endêmicas ou que se
alimentaram de fontes contaminadas de água e comida, principalmente as que vêm de países
com altos riscos de desenvolver a doença.
Se você estiver viajando para áreas de cólera endêmica, o risco de contrair a doença é
extremamente baixo se você seguir algumas precauções:
Lavar as mãos com água e sabão frequentemente, especialmente depois de usar o banheiro e
antes de manipular alimentos. Se possível, desinfete as mãos com álcool.
Beba apenas água potável, de preferência água engarrafada.
Alimente-se de comidas completamente cozidas e quentes.
Evite alimentos que se come crus, como peixes e mariscos de qualquer tipo.
Atenha-se a frutas e legumes que você pode mesmo pode preparar e descascar, como
bananas, laranjas e abacates.
Desconfie de laticínios, incluindo sorvetes, que muitas vezes podem ser feitos com leite não
pasteurizado.

Vacina
Hoje em dia, já existem doses de vacina disponíveis para cólera. Esta é, de longe, a forma mais
eficaz de evitar a infecção. As vacinas existentes, no entanto, não são aplicadas rotineiramente
na população, pois oferecem proteção relativa e de curta duração.
O que é Doença de Chagas?
Doença de Chagas é uma inflamação causada por um parasita encontrado em fezes de insetos.
É bastante comum em países da América do Sul, América Central e no México. Alguns casos da
doença já foram identificados nos Estados Unidos também.

A Doença de Chagas também é conhecida como tripanossomíase americana e chaguismo.


Recebeu esse nome graças ao seu descobridor, o médico brasileiro Carlos Chagas – indicado
quatro vezes ao Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia.
No Brasil, cerca de três milhões de pessoas estão infectadas com a Doença de Chagas. A boa
notícia é que esse número corresponde somente a pessoas que foram infectadas no passado e
que continuam com o tratamento da doença. Em 2006, o Brasil recebeu o certificado
internacional de interrupção da transmissão da doença. Isso se deu graças a ações
sistematizadas e bem-sucedidas de controle químico instituídas a partir de 1975, época em
que a área endêmica da Doença de Chagas cobria 18 estados nacionais e mais de 2.200
municípios. Hoje, a transmissão da doença não se dá mais por meio do contato direto do
parasita, mas principalmente pelo contato indireto – por meio da ingestão de alimentos
contaminados com fezes do parasita ou com o inseto que contenha este parasita, por
exemplo.
Saiba mais: Veja como prevenir e tratar a Doença de Chagas
Causas
A Doença de Chagas é transmitida pelo Trypanosoma cruzi, um parasita da mesma família do
tripanosoma africano, responsável pela doença do sono. O parasita pode ser encontrado nas
fezes de alguns insetos, principalmente um conhecido como barbeiro, e é um dos maiores
problemas de saúde na América do Sul, América Central e também do México. Devido à
imigração, a doença também afeta pessoas em outros continentes atualmente.
É possível contaminar-se também com a doença a partir da ingestão de alimentos crus e
contaminados com fezes do parasita, da transfusão de sangue ou transplantes de órgãos
contaminados com a doença, do contato direto com o parasita e com outros animais que
estejam infectados. A Doença de Chagas também pode ser congênita, no caso de mães
infectadas que transmitem esse mal para o filho durante a gravidez.

Fatores de risco
Os principais fatores de risco para a doença de Chagas são:
Habitar em uma cabana onde insetos transmissores vivam nas paredes
Morar na América do Sul, América Central ou no México
Viver sob condições extremas de pobreza
Receber transfusão de sangue ou um transplante de órgão de uma pessoa portadora do
parasita, mas que não tenha manifestado a Doença de Chagas.
Importante: não é comum que turistas contraiam a doença em meio à sua viagem por uma das
áreas consideradas de risco, justamente porque eles costumam hospedar-se em hotéis e não
têm contato com o parasita. No entanto, pessoas que viajam para a região Norte do Brasil
devem tomar cuidado ao ingerir alimentos como caldo de cana e açaí, pois em alguns casos o
parasita pode ter sido moído juntamente com as plantas que dão origem a esses alimentos.
Sintomas
Sintomas de Doença de Chagas
A doença de Chagas tem dois estágios: agudo e crônico. A fase aguda pode apresentar
sintomas moderados ou nenhum sintoma. Entre os principais sintomas estão:
Febre
Mal-estar
Inchaço de um olho
Inchaço e vermelhidão no local da picada do inseto
Fadiga
Irritação sobre a pele
Dores no corpo
Dor de cabeça
Náusea, diarreia ou vômito
Surgimento de nódulos
Aumento do tamanho do fígado e do baço.

Os sintomas deste estágio da Doença de Chagas podem desaparecer sozinhos. Se eles


persistirem e não forem tratados, a doença pode evoluir para sua fase crônica, mas somente
após a fase de remissão. Podem-se passar anos até que outros sintomas apareçam. Quando os
sintomas finalmente se desenvolverem, eles podem incluir:
Constipação
Problemas digestivos
Dor no abdômen
Dificuldades para engolir
Batimentos cardíacos irregulares
Diagnóstico e Exames
Buscando ajuda médica
Procure um especialista se você mora ou viajou para algum local considerado de risco para a
Doença de Chagas e apresentou sintomas suspeitos. A recomendação é que você procure um
infectologista.
Na consulta médica
Entre as especialidades que podem diagnosticar a doença de Chagas estão:
Clínica médica
Infectologista

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma,
você já pode chegar à consulta com algumas informações:
Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou
suplementos que ele tome com regularidade
O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:
Quando seus sintomas começaram?
Os sintomas são ocasionais ou frequentes?
Qual a intensidade de seus sintomas?
Você vive em condições extremas de pouca higiene e saneamento básico?
Você viajou para alguma região considerada de risco, na América do Sul, América Central ou
México?
Diagnóstico de Doença de Chagas
O primeiro passo para o diagnóstico é o exame físico e um questionamento sobre histórico
médico e possíveis fatores que podem ter desencadeado a Doença de Chagas.
Um exame de físico pode confirmar o diagnóstico. Mas para saber em que fase a doença está
exatamente, outros exames deverão ser solicitados. Entre eles estão:
Eletrocardiograma (ECG)
Raio-X do tórax e do abdômen
Ecocardiograma
Endoscopia superior
Tratamento e Cuidados
Tratamento de Doença de Chagas
O principal objetivo do tratamento da Doença de Chagas é matar o parasita causador, reduzir e
aliviar os sintomas.
Se aparecerem os sintomas característicos da doença, tanto a fase aguda quanto a crônica
necessitarão de tratamento.
Para a fase aguda, alguns medicamentos devidamente prescritos pelo médico podem ajudar. O
mesmo não ocorre quando a doença já evoluiu para a fase crônica, em que remédios não
bastam para o tratamento, mas podem ser usados por pessoas abaixo dos 50 anos para
impedir que a doença progrida.

Outros tratamentos poderão se fazer necessários, dependendo dos sintomas apresentados


pelo paciente, como problemas cardiovasculares ou digestivos. O médico deve dar a devida
orientação para cada caso específico.
Medicamentos para Doença de Chagas
Os medicamentos mais usados para o tratamento de doença de Chagas são:
Amiodarona

Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem
como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu
médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um
médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a
prescrita, siga as instruções na bula.
Convivendo (prognóstico)
Complicações possíveis
Se a Doença de Chagas evoluir da fase aguda para a fase crônica, diversos problemas cardíacos
e digestivos podem ser desencadeados, como:

Insuficiência cardíaca
Aumento do tamanho do esôfago (megaesôfago)
Aumento do tamanho do cólon (megacólon)
Cardiomiopatia
Desnutrição
Doença de Chagas tem cura?
Cerca de 30% das pessoas infectadas que não se tratarem desenvolverão a fase crônica da
Doença de Chagas. Pode levar mais de 20 anos desde o momento inicial da infecção até o
desenvolvimento de problemas cardíacos ou digestivos características da fase sintomática da
doença.
Alterações no batimento cardíaco (arritmia e taquicardia ventricular, por exemplo) podem
causar morte súbita. No entanto, essa complicação geralmente ocorre vários anos depois do
desenvolvimento da insuficiência cardíaca.
Prevenção
Prevenção
Controle de insetos com inseticidas e habitações com menos propensão de ter populações de
insetos ajudam a controlar a disseminação da doença. Ainda não existe uma vacina disponível
para a prevenção da Doença de Chagas.
Os bancos de sangue na América Central e do Sul agora realizam testes em doadores para
verificar a exposição ao parasita. Quando o resultado do teste é positivo, o sangue é
descartado.
O que é são doenças diarreicas agudas?
As doenças diarreicas agudas (DDA) são consideradas uma síndrome caracterizada pela
diminuição da consistência das fezes e aumento do número de evacuações que podem ser
acompanhada de náusea, vômito, febre e dor abdominal. Em alguns casos, há presença de
muco e sangue, quadro conhecido como disenteria.
Quando infecciosa, a diarreia é causada por diferentes agentes etiológicos, como bactérias,
vírus e parasitos. Geralmente é autolimitada, com duração de até 14 dias. Podem ser
classificadas em três tipos:
diarreia sem desidratação;
diarreia com desidratação;
diarreia com desidratação grave.
→ Acesse nossa página especializada em Salmonella (Salmonellose)
IMPORTANTE: Se tratadas incorretamente ou não tratadas, as doenças diarreicas agudas
levam à desidratação grave e ao distúrbio hidroeletrolítico, podendo ocorrer óbito,
principalmente quando associadas à desnutrição ou à imunodepressão.
O quê causa as doenças diarreicas agudas?
A causa mais comum da diarreia e das doenças diarreicas agudas é a infecção por vírus,
bactérias ou outros parasitas que entram no organismo, causando gastroenterite, uma
inflamação que compromete os órgãos do sistema gastrointestinal. Também pode ser causada
por intoxicação alimentar e por alguns medicamentos, como antibióticos, laxantes que
contenham magnésio e quimioterapia durante os tratamentos do câncer, por exemplo.
Algumas doenças também podem levar à diarreia, como a doença de Chron, colites ulcerosas,
doença celíaca, síndrome do intestino irritável e intolerância à lactose.
→ Acesse nossa página especializada em doenças transmitidas por alimentos
Quais são os fatores de risco das doenças diarreicas agudas?
Qualquer pessoa pode apresentar diarreia ou desenvolver doenças diarreicas agudas, em
qualquer faixa etária e de qualquer gênero. No entanto, alguns comportamentos podem
colocar a pessoa em risco e facilitar a contaminação.
Ingerir água e alimentos contaminados com fezes humanas ou animais.
Viajar para países que não tenham bom saneamento de água
Consumo exacerbado de cafeína.
Consumo exacerbado de álcool.
Fumo.
Falta de higiene.
ATENÇÃO ESPECIAL: Crianças com diarreias correm risco de desidratação grave e diarreia com
sangue e muco. Nestes casos, a consulta com o médico deve ser realizada em caráter de
urgência.
Quais são os sintomas das doenças diarreicas agudas?
A própria diarreia é o principal sintoma, mas traz consigo outros sinais que podem variar de
intensidade, conforme cada pessoa. O principal sintoma é a presença de fezes líquidas na
evacuação.
Fezes líquidas.
Cólicas abdominais.
Dor abdominal.
Febre.
Sangue nas fezes.
Inchaço.
Náusea.
Vômitos.
Vontande constante de ir ao banheiro.

Como diagnosticar as doenças diarreicas agudas (diarreia)?


Geralmente, o diagnóstico de diarreia ou de doenças diarreicas agudas acontece por meio dos
sintomas, que são típicos e característicos do problema. O médico pode, no entanto, fazer
testes laboratoriais para definir as causas da diarreia, podendo passar um tratamento mais
adequado e eficaz, conforme cada caso. Em caso de desidratação, também podem ser
solicitados o perfil metabólico da pessoa, assim como a gravidade específica da urina.
Os principais exames de confirmação diagnóstica da diarreia (doenças diarreicas agudas) são:
Exame de sangue.
Exames de fezes como coprológico funcional.
Exames de fezes como coprocultura com parasitológico de fezes.
Colonoscopia
Embora a diarreia seja comum e de duração geralmente limitada e com resolução espontânea,
alguns casos podem ser graves em virtude do agente etiológico causador e das características
e condições do paciente. Por isso, é importante que todo caso com quadro de doença diarreica
aguda seja observado com rigor e orientado a procurar o serviço de saúde a partir dos sinais
de perigo, tais quais: piora da diarreia, vômitos repetidos, muita sede, recusa de alimentos,
sangue nas fezes e diminuição da diurese.
A alimentação habitual deve ser mantida e deve-se aumentar a ingestão de líquidos,
especialmente de água, se não houver dificuldade de deglutição e o paciente estiver
consciente.
O diagnóstico etiológico das Doenças Diarreicas Agudas nem sempre é possível, uma vez que
há uma grande dificuldade para a realização das coletas de fezes, que pode se dever, dentre
outros problemas, à baixa solicitação pelos profissionais de saúde e à reduzida aceitação e
execução pelos pacientes.
Desse modo, é importante que o indivíduo doente seja bem esclarecido quanto à relevância da
coleta de fezes, a fim de possibilitar a identificação do microrganismo que lhe causou diarreia.
Essa informação será útil também para prevenir um novo adoecimento e a transmissão da
doença para outras pessoas.
A coleta de fezes para análise laboratorial é de grande importância para identificação de
agentes circulantes e, especialmente em caso de surtos, para se identificar o agente causador
do surto, bem como sua fonte de contaminação.
Como tratar as doenças diarreicas agudas?
O tratamento para diarreia e doenças diarreicas agudas é geralmente feito em casa, por meio
da ingestão de líquidos para evitar a desidratação. O médico também pode receitar alguns
medicamentos após a consulta. São medicamentos mais leves que normalmente não precisam
se prescrição, mas não faça uso deles sem a devida orientação médica.
Antes de iniciar o tratamento é imprescindível a avaliação clínica do paciente e do seu estado
de hidratação. A abordagem clínica constitui a coleta de dados importantes na anamnese,
como: início dos sinais e sintomas, número de evacuações, presença de muco ou sangue nas
fezes, febre, náuseas e vômitos; presença de doenças crônicas; verificação se há parentes ou
conhecidos que também adoeceram com os mesmos sinais/sintomas.
O exame físico, com enfoque na avaliação do estado de hidratação, é importante para avaliar a
presença de desidratação e a instituição do tratamento adequado, além disso, o paciente deve
ser pesado, quando possível.
Plano A
O plano A consiste em cinco etapas direcionadas para o paciente HIDRATADO realizar no
domicílio:
Aumento da ingestão de água e de outros líquidos assim como de solução de SRO
principalmente após cada episódio de diarreia, pois dessa forma evita-se a desidratação.
Manutenção da alimentação habitual; continuidade do aleitamento materno.
Retorno do paciente ao serviço, caso não melhore em 2 dias ou apresente piora da diarreia,
vômitos repetidos, muita sede, recusa de alimentos, sangue nas fezes ou diminuição da
diurese.
Orientação do paciente/responsável/acompanhante para reconhecer os sinais de
desidratação; preparar adequadamente e administrar a solução de SRO; praticar medidas de
higiene pessoal e domiciliar (lavagem adequada das mãos, tratamento da água e higienização
dos alimentos).
Administração de Zinco uma vez ao dia, durante 10 a 14 dias.
Plano B
O Plano B consiste em três etapas direcionadas ao paciente COM DESIDRATAÇÃO, porém sem
gravidade, com capacidade de ingerir líquidos, que devem ser tratados com SRO na Unidade
de Saúde, onde deverão permanecer até a reidratação completa.
Ingestão de solução de SRO, inicialmente em pequenos volumes e aumento da oferta e da
frequência aos poucos. A quantidade a ser ingerida dependerá da sede do paciente, mas deve
ser administrada continuamente até que desapareçam os sinais da desidratação.
Reavaliação do paciente constantemente, pois o Plano B termina quando desaparecem os
sinais de desidratação, a partir do qual se deve adotar ou retornar ao Plano A.
Orientação do paciente/responsável/acompanhante para reconhecer os sinais de
desidratação; preparar adequadamente e administrar a solução de SRO; praticar medidas de
higiene pessoal e domiciliar (lavagem adequada das mãos, tratamento da água e higienização
dos alimentos).
Plano C
O Plano C consiste em duas fases de reidratação endovenosa destinada ao paciente COM
DESIDRATAÇÃO GRAVE. Nessa situação o paciente deverá ser transferido o mais rapidamente
possível. Os primeiros cuidados na unidade de saúde são importantíssimos e já devem ser
efetuados à medida que o paciente seja encaminhado ao serviço hospitalar de saúde.
1 - Fase rápida ou de expansão: administrar, por via venosa periférica:
- Para menores de cinco anos: soro fisiológico 0,9%.
- Para maiores de cinco anos: soro fisiológico 0,9% e, após, ringer lactato ou solução
proteolítica
2 - Fase de manutenção e reposição para todas as faixas etárias: solução de soro fisiológico
0,9% soro glicosado a 5% e KCL a 10%. Para tratamento detalhado acesse aqui o Manejo do
Paciente com Diarreia.
O paciente deve ser reavaliado após duas horas, se persistirem os sinais de choque, repetir a
prescrição; caso contrário, iniciar balanço hídrico com as mesmas soluções.
Administrar por via oral a solução de SRO em doses pequenas e frequentes, tão logo o
paciente aceite. Isso acelera a sua recuperação e reduz drasticamente o risco de complicações.
Suspender a hidratação endovenosa quando o paciente estiver hidratado, com boa tolerância
à solução de SRO e sem vômitos.
OBSERVAÇÃO: O Tratamento com antibiótico deve ser reservado apenas para os casos de DDA
com sangue (disenteria), em casos raros com comprometimento do estado geral após a
reidratação - o que sugere translocação bacteriana ou sepse - ou em caso de cólera com
desidratação grave, sempre com acompanhamento médico.
→ Acesse nossa página especializada em cólera
Quais são as possíveis complicações das doenças diarreicas agudas?
A principal complicação é a desidratação, que se não for tratada corretamente pode levar à
morte. No entanto, a diarreia e as doenças diarreicas agudas não costumam, em grande parte
dos casos, causar complicações mais graves.
No caso de desidratação, as complicações abaixo, além da morte, também podem ser sentidas
pela pessoa.
Sede excessiva.
Diminuição da quantidade de urina.
Boca e pele secas.
Olhos encovados.
Redução nas lágrimas no choro.
Fraqueza.
Tontura.
Vertigem.
Como ocorre a transmissão das doenças diarreicas agudas?
A transmissão das doenças diarreicas agudas (diarreia) pode ocorrer pelas vias oral ou fecal-
oral.
Transmissão indireta - Pelo consumo de água e alimentos contaminados e contato com objetos
contaminados, como por exemplo, utensílios de cozinha, acessórios de banheiros,
equipamentos hospitalares.
Transmissão direta - Pelo contato com outras pessoas, por meio de mãos contaminadas, e
contato de animais com as pessoas.
Os manipuladores de alimentos e os insetos podem contaminar, principalmente, os alimentos,
utensílios e objetos capazes de absorver, reter e transportar organismos contagiantes e
infecciosos. Locais de uso coletivo, como escolas, creches, hospitais e penitenciárias
apresentam maior risco de transmissão das doenças diarreicas agudas.
O período de incubação, ou seja, tempo que os sintomas começam a aparecer a partir do
momento da infecção, e a transmissibilidade da DDA são específicos para cada agente
etiológico.
Quadro 1 – Manifestações clínicas, período de incubação e duração da doença das principais
bactérias envolvidas nas doenças diarreicas agudas
Agente etiológico Manifestações clínicas Período Duração
de da
Diarreia Febre Vômito incubaçã doença
o
Bacillus cereus Geralment Rara Comum 1a6 24
e pouco horas horas
importante
Staphylococcus aureus Geralment Rara Comum 1a6 24
e pouco horas horas
importante
Campylobacter Pode ser Variável Variável 1 a 7 dias 1a4
disentérica dias
Escherichia coli Aquosa, Variável Eventua 12 horas 3a5
enterotoxigênica (ETEC pode ser l a 3 dias dias
) profusa

E. Aquosa, Variável Variável 2 a 7 dias 1a3


coli enteropatogênica pode ser semana
profusa s
E. coli enteroinvasiva Pode ser Comum Eventua 2 a 3 dias 1a2
disentérica l semana
s
E. coli e ntero- Inicia Rara Comum 3 a 5 dias 1 a 12
hemorrágica aquosa, dias
com
sangue a
seguir
Salmonella não tifoide Pastosa, Comum Eventua 8 horas a 5a7
aquosa, às l 2 dias dias
vezes, com
sangue
Shigella Pode ser Comum Eventua 1 a 7 dias 4a7
disentérica l dias
Yersinia enterocolitica Mucosa, às Comum Eventua 2 a 7 dias 1 dia a 3
vezes, com l semana
presença s
de sangue
Vibrio cholerae Pode ser Geralment Comum 5 a 7 dias 3a5
profusa e e afebril dias
aquosa
Fonte: Guia de Vigilância em Saúde. Brasil, 2017.
Quadro 2 – Manifestações clínicas, período de incubação e duração da doença dos principais
vírus envolvidos nas doenças diarreicas aguda
Agente etiológico Manifestações clínicas
Diarreia Febre Vômito Período de D
incubação d
d
Astrovírus Aquosa Eventual Eventual 1 a 14 dias 1
d
Calicivírus Aquosa Eventual Comum em 1 a 3 dias 1
crianças
Adenovírus entérico Aquosa Comum Comum 7 a 8 dias 8
d
Norwalk Aquosa Rara Comum 18 horas a 2 1
dias a
2
Rotavírus grupo A Aquosa Comum Comum 1 a 3 dias 5
Rotavírus grupo B Aquosa Rara Variável 2 a 3 dias 3
Rotavírus grupo C Aquosa Ignorado Ignorado 1 a 2 dias 3
Fonte: Guia de Vigilância em Saúde. Brasil, 2017.
Quadro 3 – Manifestações clínicas, período de incubação e duração da doença dos principais
parasitas envolvidos nas doenças diarreicas agudas
Agente etiológico Manifestações clínicas
Diarreia Febre Abdômen Período Duração
de da
incubação doença
Balantidium coli Eventual com Rara Dor Ignorado Ignorado
muco ou
sangue
Cryptosporidium Abundante e Eventual Cãibra 1a2 4 dias a
aquosa eventual semanas 3
semanas
Entamoeba Eventual com Variável Cólica 2a4 Semanas
histolytica muco ou semanas a meses
sangue
Giardia lamblia Incoercíveis Rara Cãibra/ 5 a 25 dias Semanas
fezes claras e Distensão a anos
gordurosas
Cystoisospora belli Incoercível Ignorado Ignorado 2 a 15 dias 2a3
semanas
Fonte: Guia de Vigilância em Saúde. Brasil, 2017.
Como prevenir as doenças diarreicas agudas?
As intervenções para prevenir a diarreia incluem ações institucionais de saneamento, de
saúde, mas também individuais da própria pessoa, família e população que devem:
Lavar sempre as mãos antes e depois de utilizar o banheiro, trocar fraldas, manipular ou
preparar os alimentos, amamentar, tocar em animais.
Lavar e desinfetar as superfícies, utensílios e equipamentos usados na preparação de
alimentos; proteger os alimentos e as áreas da cozinha contra insetos, animais de estimação e
outros animais (guardar os alimentos em recipientes fechados).
Tratar a água para consumo (após filtrar, ferver ou colocar duas gotas de solução de
hipoclorito de sódio a 2,5% para cada litro de água, aguardar por 30 minutos antes de usar).
Guardar a água tratada em vasilhas limpas e com tampa, sendo a “boca” estreita para evitar a
recontaminação.
Não utilizar água de riachos, rios, cacimbas ou poços contaminados para banhar ou consumir.
Ensacar e manter a tampa do lixo sempre fechada; quando não houver coleta de lixo, este
deve ser enterrado em local apropriado.
Usar sempre a privada, mas se isso não for possível, enterrar as fezes sempre longe dos cursos
de água.
Manter o aleitamento materno aumenta a resistência das crianças contra as diarreias; evitar o
desmame precoce.
Situação epidemiológica das doenças diarreicas agudas (diarreia)
Os casos individuais de DDA são de notificação compulsória em unidades sentinelas para
monitorização das DDA (MDDA). O principal objetivo da Vigilância Epidemiológica das Doenças
Diarreicas Agudas (VE-DDA) é monitorar o perfil epidemiológico dos casos, visando detectar
precocemente surtos, especialmente os relacionados a: acometimento entre menores de cinco
anos; agentes etiológicos virulentos e epidêmicos, como é o caso da cólera; situações de
vulnerabilidade social; seca, inundações e desastres. Os casos de DDA são notificados no
Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica das DDA (SIVEP_DDA) e o monitoramento
é realizado pelo acompanhamento contínuo dos níveis endêmicos para verificar alteração do
padrão da doença em localidades e períodos de tempo determinados. Diante da identificação
de alterações no comportamento da doença, deve ser realizada investigação e avaliação de
risco para subsidiar as ações necessárias.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, doença diarreica é a segunda principal causa de
morte em crianças menores de cinco anos, embora evitável e tratável. A cada ano, a diarreia
mata cerca de 525.000 crianças menores de cinco anos no mundo. Uma proporção significativa
de doenças diarreicas é transmitida pela água e pode ser prevenida através de água potável,
saneamento e higiene adequados. Globalmente, há quase 1,7 bilhão de casos de doenças
diarreicas da infância a cada ano. A diarreia é uma das principais causas de desnutrição em
crianças menores de cinco anos.
Segundo estatísticas do IBGE, no Brasil em 2016, 87,3% dos domicílios ligados à rede geral
tinham disponibilidade diária de água, percentual que era de 66,6% no Nordeste. Na região,
em 16,3% dos domicílios o abastecimento ocorria de uma a três vezes por semana e em 11,2%
dos lares de quatro a seis vezes. Foi o que revelaram os resultados da Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios Contínua 2012-2016, divulgada pelo IBGE. A região Norte apresentava o
menor percentual de domicílios em que a principal forma de abastecimento de água era a rede
geral de distribuição (59,8%). Por outro lado, a região se destacava quando se tratava de
abastecimento através de poço profundo ou artesiano (20,3%); poço raso, freático ou cacimba
(12,7%); e fonte ou nascente (3,1%).
As inundações induzidas por mudanças climáticas e as secas podem afetar a infraestrutura
familiar de acesso à/ ou abastecimento de água, saneamento e riscos relacionados à saúde.
Por exemplo, as inundações podem dispersar os contaminantes fecais, aumentando os riscos
de surtos de doenças transmitidas pela água, como a cólera. Além disso, a escassez de água
devido à seca pode aumentar os riscos de doenças diarreicas. As inundações estão entre as
ocorrências mais frequentes que atingem todas as regiões do país e têm impactos
significativos sobre a saúde das pessoas e a infraestrutura de saúde. O Atlas Brasileiro de
Desastres Naturais refere, no período de 1991 a 2010, que as inundações são a segunda
tipologia de desastres de maior recorrência no Brasil. A seca e a estiagem são, entre os tipos
de desastre, aquelas que mais afetam a população brasileira (50,34%), por serem mais
recorrentes, atingindo mais fortemente determinadas regiões do Brasil, como o Nordeste,
parte do Sudeste e a Região Sul.
Diante do cenário diversificado das regiões do país, relacionado ao desenvolvimento
socioeconômico, ao saneamento, ao clima e às situações adversas, como os desastres, ocorre
anualmente, mais de 4 milhões de registros de casos de DDA notificados por meio da vigilância
epidemiológica em unidades sentinelas instaladas nos municípios e morrem mais de 4 mil
pessoas por ano. Para acessar os dados disponíveis sobre o perfil epidemiológico das DDA,
acesse aqui.
Viajantes - doenças diarreicas agudas (diarreia)
Entre os viajantes, a DDA é a doença mais previsível, sendo conhecida como “diarreia dos
viajantes”. As infecções causadas por bactérias representam de 80 a 90% e as virais de 5 a 8%.
Embora os cuidados individuais de prevenção como “lavar as mãos, ferver a água e cozinhar
bem os alimentos” sejam práticas que reduzem as infecções e consequentemente a DDA,
estudos revelam que as pessoas que seguem essas regras ainda podem ficar doentes, pois a
falta de práticas de higiene nos restaurantes locais é provavelmente o maior contribuinte para
o risco da “diarreia do viajante”.
Portanto, várias abordagens podem ser recomendadas para reduzir, mas nunca eliminar
completamente o risco.
As recomendações incluem instruções relativas à seleção de alimentos/bebidas e lavagem
cuidadosa das mãos com sabonete. A aquisição de pequenos recipientes de desinfetantes à
base de álcool a 70% pode facilitar a limpeza das mãos antes de comer, após o uso do
banheiro, antes e após manusear fraldas, quando a lavagem das mãos não for possível.
Saiba mais em Saúde do Viajante e Travelers diarrhea - CDC
Publicações - doenças diarreicas agudas (diarreia)
Manejo do paciente com diarreia – Cartaz
Capacitação em Monitoramento da Doenças Diarreicas Agudas – MDDA - Manual do
Treinando
Capacitação em Monitoramento da Doenças Diarreicas Agudas – MDDA - Manual do Monitor
Guia de Vigilância em Saúde
Manual integrado de prevenção e controle de doenças transmitidas por alimentos
Guia de Bolso: Doenças infecciosas e parasitárias
Manual técnico de diagnóstico laboratorial das salmonella spp
Cartaz - “Manejo do paciente com diarreia”
Display de mesa - "Pequenos cuidados: uma grande proteção"
Filipeta sobre tratamento da água
Doença meningocócica
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Doença meningocócica

Manchas púrpuras características de gangrena.


Especialidade infectologia
Classificação e recursos externos
CID-10 A39
CID-9 036.9
DiseasesDB 8847
MedlinePlus 000608 meningitis. 001349meningococcemia
MeSH D008589

Leia o aviso médico


Doença meningocócica é uma infecção causada por bactéria Neisseria meningitidis (mais
popularmente conhecida como meningococo). Pode
causar meningite e sepsis (meningococemia) e é mais comum entre crianças e adolescentes. É
responsável por cerca de 50 mil mortes por ano, especialmente em países subdesenvolvidos.

Índice
1Causa
2Sinais e sintomas
2.1Meningite
2.2Meningococemia
2.3Complicações
3Epidemiologia
4Tratamento
5Ver também
6Referências
Causa[editar | editar código-fonte]
É causada por uma bactéria chamada Neisseria meningitidis, um tipo de
bactéria diplococo gram-negativo que em cerca de 10% da população habita o trato
respiratório superior sem causar sintomas da doença. A bactéria pode ser transmitida de
pessoa para pessoa através de gotículas respiratórias (tosse e espirro) ou por saliva
(compartilhamento de copos e talheres ou em um beijo). Cinco serogrupos podem infectar
humanos: A, B, C, Y, and W135. Sendo os tipos A, B e C os agentes infecciosos mais comuns.[1]
Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]
Meningite[editar | editar código-fonte]
Sintomas de meningite incluem[2]:
Dor de cabeça;
Rigidez na nuca;
Febre;
Vômitos;
Fotofobia (sensibilidade a luz);
Letargia;
Manchas vermelhas ou púrpuras (em 50% dos casos)
Convulsões (em 20% dos casos)
Meningococemia[editar | editar código-fonte]
Meningococemia é uma ampla infecção sanguínea (septicemia) por meningococos.
Geralmente ocorre associada a meningite. Pode ser rápida e fulminante. Além de sintomas
típicos de infecção bacteriana como febre alta, dores pelo corpo, tosse, dor de cabeça,
fraqueza, e vômito também causa[3]: *Manchas púrpuras pelo corpo (hemorragias);
Queda da pressão arterial;
Alteração de consciência;
Convulsões.
Complicações[editar | editar código-fonte]
Cerca de 20% dos casos tem alguma complicação. Possíveis complicações incluem[4]:
Miocardite;
Pericardite;
Vasculites;
Choque séptico;
Largas hemorragias internas;
Artrites;
Insuficiência renal;
Insuficiência adrenal ou de múltiplos órgãos.
As hemorragias podem causar isquemia e levar a necrose de membros, que precisam ser
amputados.
Epidemiologia[editar | editar código-fonte]
Uma grande proporção da população possui a bactéria, porém de forma assintomática.
A incidência de doença meningocócica endêmica varia de 1 a 5 por 100.000 nos países
desenvolvidos e de 10 a 25 por 100.000 habitantes em países em desenvolvimento. Uma vez a
cada 8 a 12 anos ocorre uma epidemia com centenas de casos em vários países. No mundo
ocorrem cerca de 500 mil casos por ano, com mortalidade variando de cerca de 10 por cento,
sendo especialmente perigoso em crianças pequenas. É mais comum entre os 5 e os 19 anos.
São mais frequentes durante o invernos frios e secos. Pode ser transmitido pela saliva, por
exemplo no compartilhamento de copos e talheres.[5]
No Brasil ocorriam cerca de 4000 casos por ano, a maioria no sudeste, mas com a introdução
da vacina o número de casos tem diminuído. É mais comum na África e Oriente Médio.[6]
Tratamento[editar | editar código-fonte]
Os tratamentos podem incluir[7]:
Antibióticos intravenosos, com Penicilina G, uma cefalosporina de 3a geração ou vancomicina.
Recém-nascidos são tratados com Ampicilina e cefotaxima.
Suporte respiratório;
Fatores de coagulação ou reposição de plaquetas caso houver hemorragias;
Soro fisiológico;
Medicamentos para tratar a pressão arterial baixa;
Limpeza, drenagem e pomadas de áreas de pele com coágulos de sangue.
O que é Esquistossomose?
A esquistossomose é uma doença que leva a problemas de saúde crônica. A infecção é
adquirida quando as pessoas entram em contato com água doce que está infectada com as
formas larvais de parasitas da espécie Schistosoma. Os vermes adultos microscópicos vivem
nas veias de drenagem do trato urinário e dos intestinos. A maioria de seus ovos fica presa nos
tecidos e reação do corpo a eles pode causar grandes danos à saúde.

Há duas formas principais de esquistossomose - intestinais e urogenitais - causadas por cinco


espécies diferentes de Schistosoma.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, a esquistossomose afeta quase 240 milhões de
pessoas no mundo, e mais de 700 milhões de pessoas vivem em áreas endêmicas. A infecção é
prevalente em áreas tropicais e subtropicais, em comunidades carentes sem acesso a água
potável e saneamento adequado. Vários milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de
patologia grave em consequência da esquistossomose.
Causas
A infecção ocorre quando a pele entra em contato com a água doce contaminada com o
parasita do tipo Schistosoma.
Quando uma pessoa infectada urina ou defeca na água, ela contamina o líquido com os ovos
de Schistosoma. Esses ovos eclodem e invadem os tecidos de caracóis que vivem naquele lago
ou rio. Os parasitas então crescem e se desenvolvem no interior dessas lesmas. Após
crescerem, os parasitas deixam o caracol e penetra na água, onde podem sobreviver durante
cerca de 48 horas. O Schistosoma é capaz de penetrar na pele de pessoas que pisam descalças,
nadam, tomam banho ou lavam roupas e objetos na água infectada

Dentro de algumas semanas, os vermes crescem no interior dos vasos sanguíneos do corpo e
produzem ovos. Alguns desses ovos viajam para a bexiga ou intestinos e são passados para a
urina ou fezes.
Esquistossomose urogenital é causada pelo Schistosoma haematobium e esquistossomose
intestinal por qualquer dos organismos S. guineensis, S. intercalatum, S. mansoni, S. japonicum
e S. mekongi.
Fatores de risco
Esquistossomose é prevalente em áreas tropicais e subtropicais, especialmente em
comunidades carentes sem acesso a água potável e saneamento adequado. Estima-se que
pelo menos 90% das pessoas com necessidade de tratamento para a esquistossomose vive na
África.
A esquistossomose afeta principalmente comunidades pobres e rurais, em especial as
populações agrícolas e de pesca. Fazer tarefas domésticas em águas infestadas, como lavar
roupas, também aumenta o risco. Higiene inadequada e contato com a água infectada tornam
as crianças especialmente vulneráveis à infecção.
A Organização Mundial de Saúde afirma que o aumento do ecoturismo e das viagens para
áreas de risco tornou crescente o número de turistas que estão a contrair esquistossomose.

Sintomas
Sintomas de Esquistossomose
Dias após a infecção, a pessoa pode desenvolver uma erupção cutânea e/ou coceira no local
em que o parasita penetrou na pele. A maioria das pessoas, no entanto, não têm sintomas
nesta fase inicial da infecção.
Dentro de um a dois meses após a infecção, quando o parasita atinge o sangue e viaja através
dele, a pessoa pode sentir:
Febre
Calafrios
Tosse
Dores musculares.
O parasita então pode viajar para o fígado ou passar para o intestino ou bexiga.
A esquistossomose intestinal pode causar:
Dor abdominal
Diarreia
Sangue nas fezes
Esquistossomose urigenial.
O sinal clássico da esquistossomose urogenital é hematúria (sangue na urina). Fibrose da
bexiga e do ureter, e danos renais são, por vezes, o diagnóstico em casos avançados. O câncer
de bexiga é outra complicação possível nas fases posteriores.
Prevenção
Na consulta médica
Especialistas que podem diagnosticar uma convulsão são:
Clínico geral
Infectologista.
Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma,
você já pode chegar à consulta com algumas informações:
Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou
suplementos que ele tome com regularidade.
O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:
Quais são os seus sintomas? Quando eles começaram?
Você viajou para algum lugar com condições precárias de saneamento básico?
Você entrou em contato com água que poderia não estar adequadamente higienizada?
Diagnóstico e Exames
Diagnóstico de Esquistossomose
A esquistossomose é diagnosticada através da detecção de ovos do parasita nas fezes ou urina
do paciente, bem como a detecção do parasita no sangue. Os testes a serem realizados
incluem:
Teste de anticorpos para verificar sinais de infecção
Biópsia do tecido
Hemograma completo para verificação de sinais de anemia
Contagem de eosinófilos para medir o número de determinadas células brancas
Testes de função renal
Testes de função hepática
Exame de fezes para observar ovos de parasitas
Urina tipo I para observar ovos do parasita.
Tratamento e Cuidados
Tratamento de Esquistossomose
O tratamento da esquistossomose é feito com antiparasitários (praziquantel ou oxamniquina).
Os medicamentos são capazes de matar o parasita dentro de um a dois dias em média.
Convivendo (prognóstico)
Complicações possíveis
Aumento do fígado é comum em casos avançados de esquistossomose intestinal, e é
frequentemente associada com um acúmulo de líquido na cavidade peritoneal e hipertensão
dos vasos sanguíneos abdominais. Em tais casos, pode também acontecer o alargamento do
baço.
Complicações da esquistossomose urogenital incluem fibrose da bexiga e do ureter e danos
renais. O câncer de bexiga é outra complicação possível nas fases posteriores. Essa
manifestação da doença também pode causar lesões genitais, sangramento vaginal, dor
durante a relação sexual e nódulos na vulva. Além disso, a esquistossomose urogenital pode
induzir a patologias na vesícula seminal, próstata e outros órgãos. Esta doença também pode
ter outras consequências irreversíveis, incluindo a infertilidade.
Em crianças, a esquistossomose pode causar anemia, raquitismo e uma reduzida capacidade
de aprender, embora os efeitos são geralmente reversíveis com tratamento.
A esquistossomose crônica pode afetar a capacidade das pessoas de realizar atividades diárias
e, em alguns casos, pode resultar em morte. Na África Subsaariana, a OMS estima que mais de
200 mil mortes por ano aconteçam devido à esquistossomose.

Prevenção
Prevenção
O controle da esquistossomose é baseado no tratamento em larga escala de grupos de risco,
acesso a água potável e saneamento básico, educação sanitária e controle de caramujos em
lagos e rios.
Áreas endêmicas recebem medicamentos antiparasitários periodicamente de órgãos públicos
e da Organização Mundial de Saúde. Grupos-alvo para o tratamento são:
Crianças em idade escolar em áreas endêmicas
Adultos considerados de risco em áreas endêmicas
Pessoas com profissões que envolvem contato com a água infestada, tais como pescadores,
agricultores, trabalhadores de irrigação
Pessoas que praticam tarefas domésticas que envolvem contato com água infestada
Comunidades inteiras que vivem em áreas de alta contaminação.
De acordo com a OMS, o controle da esquistossomose foi implementado com sucesso nos
últimos 40 anos em vários países, incluindo o Brasil, Camboja, China, Egito, Ilhas Maurício e
Arábia Saudita.
O que é Hanseníase?
A hanseníase é uma doença crônica, transmissível, de notificação compulsória e investigação
obrigatória em todo território nacional. Possui como agente etiológico o Micobacterium
leprae, bacilo que tem a capacidade de infectar grande número de indivíduos, e atinge
principalmente a pele e os nervos periféricos, com capacidade de ocasionar lesões neurais,
conferindo à doença um alto poder incapacitante, principal responsável pelo estigma e
discriminação às pessoas acometidas pela doença.
A infecção por hanseníase pode acometer pessoas de ambos os sexos e de qualquer
idade. Entretanto, é necessário um longo período de exposição à bactéria, sendo que apenas
uma pequena parcela da população infectada realmente adoece.
A hanseníase é uma das doenças mais antigas da humanidade. As referências mais remotas
datam de 600 a.C. e procedem da Ásia, que, juntamente com a África, são consideradas o
berço da doença. Entretanto, a terminologia hanseníase é iniciativa brasileira para minimizar o
preconceito secular atribuído à doença, adotada pelo Ministério da Saúde em 1976. Com isso,
o nome Lepra e seus adjetivos passam a ser proibidos no País.
O Brasil ocupa a 2ª posição do mundo, entre os países que registram casos novos. Em razão da
elevada carga, a doença permanece como um importante problema de saúde pública no País.
Quais são os sintomas da Hanseníase?
Os sinais e sintomas mais frequentes da hanseníase são:
Manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas, em qualquer parte do corpo, com
perda ou alteração de sensibilidade térmica (ao calor e frio), tátil (ao tato) e à dor, que podem
estar principalmente nas extremidades das mãos e dos pés, na face, nas orelhas, no tronco,
nas nádegas e nas pernas.
Áreas com diminuição dos pelos e do suor;
Dor e sensação de choque, formigamento, fisgadas e agulhadas ao longo dos nervos dos
braços e das pernas;
Inchaço de mãos e pés;
Diminuição sensibilidade e/ou da força muscular da face, mãos e pés, devido à inflamação de
nervos, que nesses casos podem estar engrossados e doloridos;
Úlceras de pernas e pés;
Caroços (nódulos) no corpo, em alguns casos avermelhados e dolorosos;
Febre, edemas e dor nas juntas;
Entupimento, sangramento, ferida e ressecamento do nariz;
Ressecamento nos olhos.
Como é feito o diagnóstico da Hanseníase?
O diagnóstico de caso de hanseníase é essencialmente clínico e epidemiológico, realizado por
meio do exame geral e dermatoneurólogico para identificar lesões ou áreas de pele com
alteração de sensibilidade e/ou comprometimento de nervos periféricos, com alterações
sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas.
Os casos com suspeita de comprometimento neural, sem lesão cutânea (suspeita de hanse-
níase neural pura), e aqueles que apresentam área com alteração sensitiva e/ou autonômica
duvidosa e sem lesão cutânea evidente, deverão ser encaminhados para unidades de saúde de
maior complexidade para confirmação diagnóstica. Recomenda-se que nessas unidades esses
pacientes sejam submetidos novamente ao exame dermatoneurológico criterioso, à coleta de
material para exames laboratoriais (baciloscopia ou histopatologia cutânea ou de nervo
periférico sensitivo), a exames eletrofisiológicos e/ou outros mais complexos, para identificar
comprometimento cutâneo ou neural discreto e para diagnóstico diferencial com outras
neuropatias periféricas.
Em crianças, o diagnóstico da hanseníase exige avaliação ainda mais criteriosa, diante da
dificuldade de aplicação e interpretação dos testes de sensibilidade. Casos em criança, podem
sinalizar transmissão ativa da doença, especialmente entre os familiares, o que deve, portanto,
intensificar a investigação dos contatos. Para diagnóstico desses casos, recomenda-se utilizar o
“Protocolo Complementar de Investigação Diagnóstica de Casos de Hanseníase em Menores
de 15 Anos” (Diretrizes para vigilância, atenção e eliminação da hanseníase como problema de
saúde pública. 2016).
Diretrizes para vigilância, atenção e eliminação da hanseníase como problema de saúde
pública – Manual técnico-operacional
O diagnóstico de hanseníase deve ser recebido de modo semelhante ao de outras doenças
curáveis. Entretanto, se vier a causar impacto psicológico, tanto a quem adoeceu quanto aos
familiares ou pessoas de sua rede social, essa situação requererá uma abordagem apropriada
pela equipe de saúde, que permita a aceitação do problema, superação das dificuldades e
maior adesão ao tratamento. Essa atenção deve ser oferecida no momento do diagnóstico,
bem como no decorrer do tratamento da doença e, se necessária, após a alta.
Como a Hanseníase é transmitida?
A hanseníase é transmitida pelas vias áreas superiores (tosse ou espirro), por meio do convívio
próximo e prolongado com uma pessoa doente sem tratamento.
A hanseníase apresenta longo período de incubação, ou seja, tempo em que os sinais e
sintomas se manifestam desde a infecção. Geralmente, é em média de 2 a 7 anos. Há
referências com períodos mais curtos, de 7 meses, como também mais longos, de 10 anos.
Como é feito o tratamento da Hanseníase?
A informação sobre a manifestação clínica da hanseníase em cada pessoa, é fundamental para
determinar a classificação operacional da doença como Paucibacilar (poucos bacilos) ou
Multibacilar (muitos bacilos) e para selecionar o esquema de tratamento adequado para cada
caso.
O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza o tratamento e acompanhamento da doença em
unidades básicas de saúde e em referências. O tratamento da doença é realizado com a
Poliquimioterapia (PQT), uma associação de antibimicrobianos, recomendado pela
Organização Mundial de Saúde (OMS). Essa associação diminui a resistência medicamentosa
do bacilo, que ocorre com frequência quando se utiliza apenas um medicamento, o que acaba
impossibilitando a cura da doença.
Os medicamentos são seguros e eficazes. O paciente deve tomar a primeira dose mensal
supervisionada pelo profissional de saúde. As demais são auto-administradas. Ainda no início
do tratamento, a doença deixa de ser transmitida. Familiares, colegas de trabalho e amigos,
além de apoiar o tratamento, também devem ser examinados.
Para crianças com hanseníase, a dose dos medicamentos do esquema padrão é ajustada de
acordo com a idade e o peso. Já no caso de pessoas com intolerância a um dos medicamentos
do esquema padrão, são indicados esquemas substitutivos.
A alta por cura é dada após a administração do número de doses preconizadas pelo esquema
terapêutico, dentro do prazo recomendado. O tratamento da hanseníase é ambulatorial, ou
seja, não necessita de internação.
Para saber mais sobre o tratamento da doença e avaliação dos contatos, favor clicar:
Diretrizes para vigilância, atenção e eliminação da hanseníase como problema de saúde
pública – Manual técnico-operacional
Quais são as complicações da Hanseníase?
As complicações da hanseníase, muitas vezes, se confundem com a evolução do próprio
quadro clínico da doença. Muitas dependem da resposta imune dos indivíduos acometidos,
outras estão relacionadas com a presença do M. leprae nos tecidos e, por fim, algumas das
complicações decorrem das lesões neurais características da hanseníase.
Complicações diretas
Estas são aquelas decorrentes da presença do bacilo na pele e outros tecidos, principalmente
em quantidades maciças, como é o caso dos pacientes multibacilares com alta carga bacilar.
Rinite hansênica decorre da massiva infiltração da mucosa do trato respiratório superior. A
ulceração da mucosa septal leva a exposição da cartilagem septal com necrose e sua
perfuração ou mesmo perda completa desse suporte da pirâmide nasal. Se houver
comprometimento dos ossos próprios nasais, o colapso nasal é completo com o surgimento do
característico nariz desabado ou "em sela". Na arcada dental superior, a invasão óssea
permite o afrouxamento dos incisivos superiores com sua perda. A destruição da espinha
óssea nasal anterior elimina o ângulo obtuso naso-labial deixando-o em ângulo agudo, o que
leva a um aspecto simiesco se já houver o colapso nasal antes referido.
A mucosa oral pode se tornar espessa e apresentar nódulos, particularmente na região do
palato, permitindo, se houver evolução do processo infiltrativo, a perfuração do palato.
Na área ocular, a triquíase decorre de processo inflamatório do próprio bulbo piloso ou por
atrofia dos tecidos que apoiam os folículos, com posicionamento anômalo do cílio podendo
atingir córnea e conjuntiva. O comprometimento massivo dos bulbos, com perda tanto ciliares
como supraciliares, podem levar à madarose ciliar e supraciliar. As alterações da íris podem ser
descritas como atrofias irianas do estroma, do epitélio pigmentário ou totais, nódulos
inespecíficos e nódulos específicos (pérolas irianas), irites agudas, irites crônicas, sinéquias
anteriores e sinéquias posteriores. Esses comprometimentos oculares são importantes e
necessita acompanhamento constante de atenção oftalmológica ou prevenção ocular. Por fim,
os frequentes infiltrados inflamatórios de pálpebras e pele da região frontal permitem o
surgimento de rugas precoce e pele redundante palpebral resultando em blefarocalase.
Complicações devido à lesão neural
Podem ser divididas em primárias e secundárias, sendo as primeiras decorrentes do
comprometimento sensitivo e motor e as demais, resultantes dessas.
Os troncos nervosos mais acometidos, no membro superior, são o nervo ulnar, nervo mediano
e nervo radial. A lesão do nervo ulnar acarreta uma paralisia dos músculos interósseos e os
lumbricais do quarto e quinto dedos da mão. Estabelece-se assim um desequilíbrio de forças
no delicado aparelho flexo-extensor dos dedos. A falange proximal é hiper-extendida e os
flexores profundos flexionam exageradamente as falanges distais – o resultado é a mão em
garra. O nervo mediano, acometido na região do punho, leva à paralisia dos músculos tênares,
com perda da oposição do polegar. A lesão do nervo radial, menos acometido entre eles,
conduz à perda da extensão de dedos e punho, causando deformidade em “mão caída”.
No membro inferior, a lesão do tronco do tibial posterior leva a garra dos artelhos e
importante perda de sensibilidade da região plantar com graves consequências secundárias
(úlceras plantares). A lesão do nervo fibular comum pode provocar a paralisia da musculatura
dorsiflexora e eversora do pé. O resultado disto é a impossibilidade de elevar o pé, com
marcada alteração da dinâmica normal da marcha (pé caído).
Na face, a lesão do ramo zigomático do nervo facial causa paralisia da musculatura orbicular
com consequente impossibilidade de oclusão das pálpebras, levando ao lagoftalmo.
As complicações secundárias são devidas, em geral, ao comprometimento neural, mas
requerem um segundo componente causador. Este é o caso das úlceras plantares que,
decorrentes basicamente da alteração de sensibilidade da região plantar, necessita de força de
fricção e trauma continuado na região plantar para que a úlcera surja. Da mesma forma, a
perda da sensibilidade autonômica, que inerva as glândulas sebáceas sudoríparas, deixam a
pele seca e fragilizada, exposta ao trauma.
Complicações devido às reações
A hanseníase é doença de evolução crônica, mas seu curso pode ser interrompido de forma
abrupta por sinais e sintomas agudos. Entre eles se salientam a febre alta, dor no trajeto dos
nervos, o surgimento de lesões da pele (placas ou nódulos) e a piora do aspecto de lesões que
já existiam previamente. Esses quadros se denominam reações hansênicas ou estados
reacionais. Estas são alterações do sistema imunológico, que se expressam por meio de
manifestações inflamatórias agudas e subagudas e ocorrem com maior frequência nos casos
multibacilares, durante ou depois do tratamento com Poliquimioterapia (PQT).
Para informações sobre o tratamento de reações hansênicas, favor clicar:
Diretrizes para vigilância, atenção e eliminação da hanseníase como problema de saúde
pública – Manual técnico-operacional
Esquemas terapêuticos para tratar a Hanseníase
Os esquemas terapêuticos para tratar a hanseníase deverão ser utilizados de acordo com a
classificação operacional de cada pessoa.
Esquemas terapêuticos utilizados para Paucibacilar: 6 cartelas
Adulto Rifampicina (RFM): dose mensal de 600mg (02 cápsulas de 300mg) com
administração supervisionada.

Dapsona (DDS): dose mensal de 100mg supervisionada e dose diária de


100mg autoadministrada.

Criança Rifampicina (RFM): dose mensal de 450mg (01 cápsula de 150mg e 01 cápsula
de 300mg) com administração supervisionada.
Dapsona (DDS): dose mensal de 50mg supervisionada e dose diária de 50mg
autoadministrada.

Duração: 06 doses.
Seguimento dos casos: comparecimento mensal para dose supervisionada.
Critério de alta: o tratamento estará concluído com seis (06) doses supervisionadas em até
09 meses. Na 6ª dose, os pacientes deverão ser submetidos ao exame dermatológico, à
avaliação neurológica simplificada e do grau de incapacidade física e receber alta por cura.
Esquemas terapêuticos utilizados para Multibacilar: 12 cartelas
Adulto Rifampicina (RFM): dose mensal de 600mg (02 cápsulas de 300mg) com
administração supervisionada.

Dapsona (DDS): dose mensal de 100mg supervisionada e uma dose diária de


100mg auto-administrada.

Clofazimina (CFZ): dose mensal de 300mg (03 cápsulas de 100mg) com


administração supervisionada e uma dose diária de 50mg auto-administrada.

Criança Rifampicina (RFM): dose mensal de 450mg (01 cápsula de 150mg e 01 cápsula
de 300mg) com administração supervisionada.

Dapsona (DDS): dose mensal de 50mg supervisionada e uma dose diária de


50mg auto-administrada.

Clofazimina (CFZ): dose mensal de 150mg (03 cápsulas de 50mg) com


administração supervisionada e uma dose de 50mg auto-administrada em
dias alternados.

Duração: 12 doses.
Seguimento dos casos: comparecimento mensal para dose supervisionada.
Critério de alta: o tratamento estará concluído com doze (12) doses supervisionadas em
até 18 meses. Na 12ª dose, os pacientes deverão ser submetidos ao exame dermatológico,
à avaliação neurológica simplificada e do grau de incapacidade física e receber alta por
cura.
Os pacientes MB que excepcionalmente não apresentarem melhora clínica, com presença
de lesões ativas da doença, no final do tratamento preconizado de 12 doses (cartelas)
deverão ser encaminhados para avaliação em serviço de referência (municipal, regional,
estadual ou nacional) para verificar a conduta mais adequada para o caso.
Notas importantes sobre a Hanseníase
A gravidez e o aleitamento não contraindicam o tratamento padrão da hanseníase;
Em mulheres na idade reprodutiva, deve-se atentar ao fato que a rifampicina pode interagir
com anticoncepcionais orais, diminuindo a sua ação;
A substituição do esquema padrão por esquemas substitutivos deverá acontecer, quando
necessária, sob orientação de serviços de saúde de referência (municipal, regional e/ou
estadual);
Em crianças ou adultos com peso inferior a 30kg, ajustar a dose de acordo com o peso
conforme recomendações das diretrizes nacionais.
Diretrizes para vigilância, atenção e eliminação da hanseníase como problema de saúde
pública – Manual técnico-operacional
Como prevenir a Hanseníase?
O diagnóstico precoce e o tratamento oportuno são as principais formas de prevenir as
deficiências e incapacidades físicas causadas pela hanseníase. A prevenção de deficiências
(temporárias) e incapacidades (permanentes) não deve ser dissociada do tratamento PQT. As
ações de prevenção de incapacidades físicas fazem parte da rotina dos serviços de saúde e
recomendadas para todos os pacientes.
A avaliação neurológica deve ser realizada:
no início do tratamento;
a cada 3 meses durante o tratamento, se não houver queixas;
sempre que houver queixas, tais como: dor em trajeto de nervos, fraqueza muscular, início ou
piora de queixas parestésicas;
no controle periódico de pacientes em uso de corticóides, em estados reacionais e neurites;
na alta do tratamento;
no acompanhamento pós-operatório de descompressão neural, com 15, 45, 90 e 180 dias.
Características epidemiológicas
A Hanseníase está fortemente relacionada às condições econômicas, sociais e ambientais
desfavoráveis. Com registro de casos novos em todas as unidades federadas, exibe distribuição
heterogênea no país, com elevadas concentrações nas regiões Norte, Nordeste e Centro-
Oeste, importantes áreas de transmissão da doença.
Sua alta endemicidade compromete a interrupção da cadeia de transmissão. Além disso,
soma-se a estes fatores a dificuldade de acesso à rede de serviços de saúde pelas populações
mais vulneráveis, tornando-se imprescindível a incorporação de ações estratégicas que visam
garantir o atendimento integral as pessoas acometidas pela doença.
A procura dos casos de hanseníase deve se dar na assistência prestada à população geral nas
unidades de saúde dos municípios brasileiros, bem como pela investigação dos contatos
domiciliares e sociais dos casos diagnosticados, conforme recomendações das diretrizes
nacionais.
Diretrizes para vigilância, atenção e eliminação da hanseníase como problema de saúde
pública – Manual técnico-operacional
Curso online sobre a Hanseníase
O Ministério da Saúde, por meio da Secretaria Executiva da UNA-SUS e Secretaria de Vigilância
à Saúde (SVS), oferece o curso online EAD - Hanseníase na Atenção Básica, desde 2014, com
inscrições abertas periodicamente, disponível no link: www.unasus.gov.br/cursos/hanseniase.
O curso tem como objetivo capacitar os profissionais para atendimento as pessoas acometidas
pela hanseníase, especialmente os que atuam na Atenção Básica. O público-alvo são os
profissionais da saúde de todo país, contudo, o curso é livre para demais interessados.
A formação possui carga horária de 45 horas, certificação emitida pela Secretaria de Vigilância
à Saúde e é dividida em três unidades: Vigilância, Diagnóstico e Acompanhamento da
Hanseníase na Atenção Básica. Os casos clínicos são transversais, abrangendo e integrando os
aspectos de controle da doença. Além dos casos clínicos, que simulam situações comuns no
cotidiano das unidades de saúde, são oferecidas vídeo-aulas com explicações de especialistas e
vídeos de apoio com dramatizações que tratam do tema. São também utilizados hipertextos,
caixas de ajuda e glossário para que se possa aprofundar os conhecimentos de termos
técnicos.
Situação epidemiológica da Hanseníase
O DATASUS disponibiliza informações que podem servir para subsidiar análises objetivas da
situação sanitária, tomadas de decisão baseadas em evidências e elaboração de programas de
ações de saúde.
Clique aqui para tabulação dos dados de hanseníase de 2001 a 2017, por estado e município
O programa TabNet foi elaborado com a finalidade de permitir às equipes técnicas do
Ministério da Saúde, das Secretarias Estaduais de Saúde e das Secretarias Municipais de Saúde
a realização de tabulações rápidas sobre os arquivos DBF, que constituem os componentes
básicos dos Sistemas de Informações do Sistema Único de Saúde dentro de suas Intranets ou
em seus sites Internet.
As Instruções sobre o manuseio do TabNet estão disponíveis aqui
Outras publicações sobre a Hanseníase
Guia Prático de Hanseníase
Plano integrado de ações estratégicas de eliminação da hanseníase, filariose, esquistossomose
e oncocercose como problema de saúde pública, tracoma como causa de cegueira e controle
das geohelmintíases: plano de ação 2011-2015
Autocuidado em Hanseníase - Face, Mãos e Pés
Cartilha para agentes de saúde: Como ajudar no controle da Hanseníase?
Corticosteróides em Hanseníase – orientações para uso
Eu me cuido e Vivo melhor - Caderno de Monitoramento (Hanseníase)
Diretrizes para vigilância, atenção e eliminação da hanseníase como problema de saúde
pública – Manual técnico-operacional
Estratégia Global Aprimorada para Redução Adicional da Carga da Hanseníase (2011-2015)
Guia de apoio para grupos de Autocuidado em Hanseníase
Guia de procedimentos técnicos para baciloscopia em Hanseníase
Hanseníase e Direitos Humanos - Direitos e Deveres dos Usuários do SUS
Hanseníase: Monitoramento e Avaliação - Manual de Capacitação em M&A – Caderno do
Participante
Exercício de monitoramento da eliminação da hanseníase no Brasil - LEM 2012
Manual de Adaptação de Palmilhas e Calçados - Cadernos de prevenção e reabilitação em
hanseníase nº 5
Manual de Reabilitação e cirurgia em Hanseníase - Cadernos de prevenção e reabilitação em
hanseníase nº 4
Manual de Condutas para Alterações - Cadernos de prevenção e reabilitação em hanseníase n°
3
Manual de Condutas para tratamento de úlceras em hanseníase e diabetes- Cadernos de
prevenção e reabilitação em hanseníase nº 2
Manual de Prevenção de Incapacidades- Cadernos de prevenção e reabilitação em hanseníase-
nº 1
Talidomida - Orientações para o uso controlado

O que é Leishmaniose?
A leishmaniose é uma doença infecciosa, porém não contagiosa, causada por parasitas do
gênero Leishmania. Os parasitas vivem e se multiplicam no interior das células que fazem
parte do sistema de defesa do indivíduo, chamadas macrófagos.

O que é leishmaniose?
De acordo com o infectologista Valdir Amato, a leishmaniose é considerada uma
"antropoonoze", ou seja, doença que acomete animais silvestres e eventualmente o homem.
É uma doença de evolução longa, podendo durar alguns meses ou até ultrapassar o período de
um ano.
Tipos
Há dois tipos de leishmaniose:
Leishmaniose tegumentar ou cutânea
A leishmaniose tegumentar caracteriza-se por feridas na pele que se localizam com maior
frequência nas partes descobertas do corpo. Tardiamente, podem surgir feridas nas mucosas
do nariz, da boca e da garganta. Essa forma de leishmaniose é conhecida como "ferida brava".

A infectologista Regia Damous explica que o primeiro sinal da forma cutânea costuma ser uma
única ou várias lesões na pele, quase sempre indolores. Inicialmente são feridas pequenas,
com fundo granuloso e purulento e bordas avermelhadas, que vão aumentando de tamanho e
demoram para cicatrizar.
Ela pode ser causada por três espécies diferentes do microorganismo: Leishmania amazonensis
e Leishmania guyanensis na região amazônica, e Leishmania braziliensis, distribuído por todas
as regiões do País.
Este último parasita causa a leishmaniose monocutânea, que se manifesta de forma muito
parecida com a tegumentar. “A diferença é que, ao mesmo tempo ou meses depois, surgem
lesões nas mucosas da nasofaringe que destroem a cartilagem do nariz e do palato,
provocando deformações graves”, aponta Damous.
Leishmaniose visceral ou calazar
A leishmaniose visceral é uma doença sistêmica, pois, acomete vários órgãos internos,
principalmente o fígado, o baço e a medula óssea. Esse tipo de leishmaniose acomete
essencialmente crianças de até dez anos, após esta idade se torna menos frequente.
Ela é causada pelo protozário Leishmania chagasi e seus principais sintomas são:
Emagrecimento
Febre baixa
Aumento do baço e fígado.
Causas
Transmissão
A leishmaniose é transmitida por insetos hematófagos (que se alimentam de sangue)
conhecidos como flebótomos ou flebotomíneos. Os flebótomos medem de 2 a 3 milímetros de
comprimento e devido ao seu pequeno tamanho são capazes de atravessar as malhas dos
mosquiteiros e telas. Apresentam cor amarelada ou acinzentada e suas asas permanecem
abertas quando estão em repouso. Seus nomes variam de acordo com a localidade, os mais
comuns são:
Mosquito palha
Tatuquira
Birigüi
Cangalinha
Asa branca
Asa dura
Palhinha.
O mosquito palha ou asa branca é mais encontrado em lugares úmidos, escuros, onde existem
muitas plantas.
As fontes de infecção das leishmanioses são, principalmente, os animais silvestres e os insetos
flebotomíneos que abrigam o parasita em seu tubo digestivo, porém, o hospedeiro também
pode ser o cão doméstico.
Na leishmaniose cutânea os animais silvestres que atuam como reservatórios são os roedores
silvestres, tamanduás e preguiças. Na leishmaniose visceral a principal fonte de infecção é a
raposa do campo.
Sintomas
Sintomas de Leishmaniose
Sintomas da leishmaniose cutânea
Duas a três semanas após a picada pelo flebótomo aparece uma pequena pápula (elevação da
pele) avermelhada que vai aumentando de tamanho até formar uma ferida recoberta por
crosta ou secreção purulenta.
Saiba mais: Vídeo: entenda os sintomas e o diagnóstico de leishmaniose
A doença também pode se manifestar como lesões inflamatórias nas mucosas do nariz ou da
boca.
Sintomas da leishmaniose visceral
Os principais sinais da leishmaniose visceral são:
Febre irregular, prolongada
Anemia
Indisposição
Palidez da pele e ou das mucosas
Falta de apetite
Perda de peso
Inchaço do abdômen devido ao aumento do fígado e do baço.
Buscando ajuda médica
As leishmanioses são doenças potencialmente graves, cujo diagnóstico deve ser precoce,
principalmente no caso da leishmaniose visceral. Uma situação de feridas que não cicatrizam
ou um quadro de febre a esclarecer são sinais importantes para procurar um serviço de saúde.
Diagnóstico e Exames
Na consulta médica
Especialistas que podem diagnosticar a laishmaniose são:
Clínico geral
Infectologista.
Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma,
você já pode chegar à consulta com algumas informações:
Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou
suplementos que ele tome com regularidade
Se possível, peça para uma pessoa te acompanhar.
Diagnóstico de Leishmaniose
O diagnóstico da leishmaniose é realizado por meio de exames clínicos e laboratoriais e, assim
como o tratamento com medicamentos, deve ser cuidadosamente acompanhado por
profissionais de saúde. Sua detecção e tratamento precoce devem ser prioritários, pois ela
pode levar à morte.
Exames
Os exames variam conforme o tipo de leishmaniose:
Diagnóstico da leishmaniose tegumentar
Os exames usados são:
Retirada da borda das lesões para determinar a presença, ou não, do parasita causador da
leishmaniose
Exame imunológico para detectar se a pessoa entrou em contato com a Leishmania.
Diagnóstico da leishmaniose visceral
Além dos sinais clínicos, existem exames laboratoriais para confirmar o diagnóstico. Entre eles
destacam-se:
Testes sorológicos (verificar a presença de anticorpos no sangue)
Punção da medula óssea para detectar a presença do parasita e de anticorpos
Cultura e reação de cadeia em polimerase (PCR).
É de extrema importância estabelecer o diagnóstico diferencial, pois os sintomas da
leishmaniose visceral são muito parecidos com os da malária, esquistossomose, doença de
Chagas, febre tifóide, etc.
Tratamento e Cuidados
Tratamento de Leishmaniose
A leishmaniose em geral é tratada por dois medicamentos:
Antimoniais pentavalentes
Anfotericina B.
As primeiras são as drogas mais indicadas para o tratamento da leishmaniose, apesar dos
efeitos colaterais adversos.
Mas o infectologista Amato ressalta que “cada droga tem sua peculiaridade e efeitos
colaterais, por isso um especialista deve orientar o tratamento”.
Convivendo (prognóstico)
Leishmaniose tem cura?
Se tratada adequadamente, a leishmaniose pode sim ter cura. Inclusive, a leishmaniose
cutânea pode até se curar espontaneamente, ressalta Damous.
A situação, no entanto, é mais complicada em alguns casos em que existe depressão do
sistema imune permanentemente, como indivíduos infectados pelo Vírus da Imunodeficiência
Humana (HIV) ou transplantados e pacientes com doenças crônicas em que necessitam utilizar
medicação que compromete a imunidade.
Vale lembrar também que ainda pensando na leishmaniose cutânea, as feridas podem voltar
em até seis meses, mesmo com tratamento adequado.
Convivendo/ Prognóstico
Para ajudar no tratamento é preciso ter hábitos que ajudam o sistema imunológico como:
Dormir bem
Alimentar-se direito
Adesão ao tratamento.
Prevenção
Prevenção
Evitar construir casas e acampamentos em áreas muito próximas à mata
Fazer dedetização, quando indicada pelas autoridades de saúde
Evitar banhos de rio ou de igarapé, localizado perto da mata
Utilizar repelentes na pele, quando estiver em matas de áreas onde há a doença
Usar mosquiteiros para dormir
Usar telas protetoras em janelas e portas
Manter a casa limpa: o mosquito-palha vive nas proximidades das residências,
preferencialmente em lugares úmidos, mais escuros e com acúmulo de material orgânico.
Ataca nas primeiras horas do dia ou ao entardecer
Cuidar da saúde de seu cão, principal hospedeiro urbano da doença. Além disso, deve-se fazer
uso de coleiras com princípios ativos contra mosquitos e parasitas – com efetividade de quase
100% na proteção – e vacinar o cão a partir de quatro meses de idade, com a vacina contra

leishmaniose – que deve ser aplicada anualmente, contando a partir da primeira dose.
A Leishmaniose Visceral é uma doença infecciosa sistêmica, caracterizada por febre de longa
duração, aumento do fígado e baço, perda de peso, fraqueza, redução da força muscular,
anemia e outras manifestações.
Pessoas residentes em áreas onde ocorrem casos de Leishmaniose Visceral, ao apresentarem
esses sintomas, devem procurar o serviço de saúde mais próximo e o quanto antes, pois o
diagnóstico e o tratamento precoce evitam o agravamento da doença, que pode ser fatal se
não for tratada.
Leishmaniose Visceral é uma zoonose de evolução crônica, com acometimento sistêmico e, se
não tratada, pode levar a óbito até 90% dos casos. É transmitida ao homem pela picada de
fêmeas do inseto vetor infectado. No Brasil, a principal espécie responsável pela transmissão é
a Lutzomyia longipalpis. Raposas (Lycalopex vetulus e Cerdocyon thous) e marsupiais
(Didelphis albiventris) têm sido apontados como reservatórios silvestres. No ambiente urbano,
os cães são a principal fonte de infecção para o vetor.
Sintomas
Os sintomas daLeishmaniose Visceral são febre de longa duração, aumento do fígado e baço,
perda de peso, fraqueza, redução da força muscular, anemia e outras manifestações.
Transmissão
Os transmissores são insetos conhecidos popularmente como mosquito palha, asa-dura,
tatuquiras, birigui, dentre outros. Estes insetos são pequenos e têm como características a
coloração amarelada ou de cor palha e, em posição de repouso, suas asas permanecem eretas
e semiabertas.
A transmissão acontece quando fêmeas infectadas picam cães ou outros animais infectados, e
depois picam o homem, transmitindo o protozoário Leishmania chagasi.
Prevenção
A prevenção ocorre por meio do combate ao inseto transmissor. É possível mantê-lo longe,
especialmente com o apoio da população, no que diz respeito à higiene ambiental. Essa
limpeza deve ser feita por meio de:
Limpeza periódica dos quintais, retirada da matéria orgânica em decomposição (folhas, frutos,
fezes de animais e outros entulhos que favoreçam a umidade do solo, locais onde os
mosquitos se desenvolvem);
Destino adequado do lixo orgânico, a fim de impedir o desenvolvimento das larvas dos
mosquitos;
Limpeza dos abrigos de animais domésticos, além da manutenção de animais domésticos
distantes do domicílio, especialmente durante a noite, a fim de reduzir a atração dos
flebotomíneos para dentro do domicílio.
Uso de inseticida (aplicado nas paredes de domicílios e abrigos de animais). No entanto, a
indicação é apenas para as áreas com elevado número de casos, como municípios de
transmissão intensa (média de casos humanos dos últimos 3 anos acima de 4,4), moderada
(média de casos humanos dos últimos 3 anos acima de 2,4) ou em surto de leishmaniose
visceral.
Atualmente, existe uma vacina antileishmaniose visceral canina em comercialização no Brasil.
Os resultados do estudo apresentado pelo laboratório produtor da vacina atendeu às
exigências da Instrução Normativa Interministerial número 31 de 09 de julho de 2007, o que
resultou na manutenção de seu registro pelo Ministério da Agricultura Pecuária e
Abastecimento. No entanto, não existem estudos que comprovem a efetividade do uso dessa
vacina na redução da incidência da leishmaniose visceral em humanos. Dessa forma, o seu uso
está restrito à proteção individual dos cães e não como uma ferramenta de saúde pública.
Tratamento
Apesar de grave, a Leishmaniose Visceral tem tratamento para os humanos. Ele é gratuito e
está disponível na rede de serviços do Sistema Único de Saúde (SUS).
Os medicamentos utilizados atualmente para tratar a LV não eliminam por completo o parasito
nas pessoas e nos cães. No entanto, no Brasil o homem não tem importância como
reservatório, ao contrário do cão - que é o principal reservatório do parasito em área urbana.
Nos cães, o tratamento pode até resultar no desaparecimento dos sinais clínicos, porém eles
contimuam como fontes de infecção para o vetor, e, portanto um risco para saúde da
população humana e canina. Neste caso, eutanásia é recomendada como uma das formas de
controle da Leishmaniose Visceral, mas deve ser realizada de forma integrada às demais ações
recomendadas pelo Ministério da Saúde.