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08/08/2019 João I de Portugal – Wikipédia, a enciclopédia livre

João I de Portugal
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
João I de Portugal (Lisboa, 11 D. João I
de abril de 1357 – Lisboa, 14 de "O de Boa Memória"
agosto de 1433), conhecido
como o Mestre de Avis e
apelidado de "o de Boa Memória",
foi o rei de Portugal e dos
Algarves de 1385 até sua morte,
sendo o primeiro monarca
português da Casa de Avis. Era o
filho ilegítimo do rei D. Pedro I de
Portugal com sua amante Teresa
Lourenço, sendo escolhido e
aclamado como rei durante a Crise
de 1383–1385.

Com o apoio do condestável do


reino, Nuno Álvares Pereira, e
aliados ingleses travou a Batalha
de Aljubarrota contra o Reino de
Rei de Portugal e Algarve
Castela, que invadira o país. A
vitória foi Reinado 6 de abril de 1385
a 14 de agosto de 1433
decisiva: Castela retirou-se,
Coroação 6 de abril de 1385
acabando bastantes anos mais
Antecessor(a) Fernando I
tarde por o reconhecer
oficialmente como rei. Para selar Sucessor(a) Duarte I
a aliança Luso-Britânica casou
com Filipa de Lencastre, filha Esposa D.Filipa de Lencastre
de João de Gante, 1º Duque de Descendência
Lencastre (de segunda criação), Branca de Portugal I
dedicando-se desde então ao Afonso, Herdeiro de Portugal
Duarte I de Portugal
desenvolvimento do reino. Pedro, Duque de Coimbra
Henrique, Duque de Viseu
Em 1415, conquistou Ceuta, praça Isabel, Duquesa de Borgonha
Branca de Portugal II
estratégica para a navegação
João, Condestável de Portugal
no norte de África, o que iniciaria Fernando O Infante Santo
a expansão portuguesa. Aí foram Afonso I, Duque de Bragança
Branca de Portugal III
armados cavaleiros os seus Beatriz, Condessa de Arundel
filhos D. Duarte, D. Pedro e D. Casa Avis
Henrique, irmãos da
Nascimento 11 de abril de 1357
chamada ínclita geração.
São João da
Praça, Lisboa, Portugal
Índice Morte 14 de agosto de 1433 (76 anos)
Paço Real da
Criança Alcáçova, Lisboa, Portugal
Crise de 1383–85 Enterro Mosteiro da
Legado Batalha, Batalha, Leiria, Portugal
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Títulos, estilos, e honrarias Pai Pedro I de Portugal


Títulos e estilos Mãe Teresa Lourenço
Descendência Religião Catolicismo
Ver também
Referências
Ligações externas

Criança
D. João era filho ilegítimo do rei D. Pedro I e de D. Teresa Lourenço, uma dama galega (Ms. 352 do Arquivo Nacional
da Torre do Tombo da Crónica de el-rei D. Pedro I, de Fernão Lopes) ou de uma filha de Vasco Lourenço da Praça,
um mercador de Lisboa, segundo D. António Caetano de Sousa, e que fez eco noutros conceituados historiadores
contemporâneos como Maria Helena Cruz Coelho e o olisipógrafo José Sarmento de Matos[1]. Em 1364, foi consagrado
Grão-Mestre da Ordem de Avis.

Crise de 1383–85
À data da morte do rei D. Fernando I, Portugal parecia em risco de perder a independência. A rainha D. Leonor Teles
de Menezes era impopular e olhada com desconfiança. O facto de se ter tornado pública a sua ligação amorosa com o
nobre galego João Fernandes Andeiro, personagem influente no paço, atraiu todas as críticas contra a sua pessoa e a do
seu amante. Para além do mais, a sucessão do trono recaía sobre a princesa D. Beatriz, única filha de Fernando I e de
Leonor Teles de Menezes, casada aos onze anos de idade com o rei João I de Castela.

No entanto, a burguesia e parte da nobreza juntaram-se à voz popular que clamava contra a perda da independência,
tão duramente mantida por D. Fernando I. Dois pretendentes apareceram para competir com João I de Castela e D.
Beatriz pela coroa portuguesa:

D. João, príncipe de Portugal, filho de D. Pedro I e D. Inês de Castro, era visto por muitos como o legítimo
herdeiro, dado o suposto casamento dos seus pais, e
D. João, filho de D. Pedro I e de Teresa Lourenço, que veio cedo a tornar-se rei.
Acicatado por um grupo de burgueses e nobres, entre os quais Álvaro Pais e
o jovem D. Nuno Álvares Pereira, e tomando em linha de conta o
descontentamento geral, o Mestre de Avis assassina o conde de Andeiro no
paço a 6 de dezembro de 1383. Com a posterior fuga de Leonor Teles de
Lisboa para Alenquer inicia-se a sucessão de acontecimentos que lhe
entregará a regência, a qual de início planeia exercer em nome de seu meio-
irmão, o Infante D. João. Mas como este último já fora aprisionado por
D. João I de Castela, abria-se então a possibilidade política de o Mestre de
Morte do Conde Andeiro Avis vir a ser rei.
Museu Nacional Soares dos Reis, Porto)
O assassinato do conde Andeiro explica-se, bem mais do que pela vontade
de vingar a honra do falecido rei Fernando I, ainda que este tenha sido um
dos motivos, pela razão de que João I de Castela havia começado a violar o pacto antenupcial de Salvaterra de Magos
logo no primeiro dia em que se fez aclamar, em Toledo, «Rei de Castela e Portugal». Aquele tratado antenupcial apenas
conferia a si e à sua mulher Beatriz, sendo esta herdeira de Fernando I, o título nominal de reis e senhores de Portugal,
mas sem deterem poderes de efectiva governação. Além disso, os reinos de Castela e Portugal deviam manter-se
separados. Para além de logo ter mesclado as armas dos dois reinos, João I de Castela, continuando a desrespeitar o
tratado, entra em Portugal pela Guarda nos finais de Dezembro de 1383. Queria ser soberano pleno, e não de dois
reinos separados mas dum único, considerando que não tinha que atender em nada ao tratado de Salvaterra porque a
sua mulher Beatriz era a herdeira do trono português. Quem o diz de forma mais clara não é Fernão Lopes, mas sim o

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cronista castelhano Pero Lopez Ayala, contemporâneo dos acontecimentos, na sua Crónica do Rei Dom João o primeiro
de Castela e Leão. Consultem-se, para o constatar, os capítulos IX e XI do ano quinto e os capítulos I e II do ano décimo
segundo desta Crónica. Seguiu-se a crise de 1383–1385, ou Interregno, um período de anarquia e instabilidade política
onde as diferentes cidades e vilas de Portugal se declaravam umas por D. Leonor Teles (a maioria destas até ela abdicar
da regência em benefício de João I de Castela e da filha), outras por D. Beatriz e o seu marido, outras ainda pelo Mestre
de Avis, além das que se mantiveram neutras, na expectativa do desenlace.

A guerra civil arrastou-se por mais de um ano. D. Nuno Álvares Pereira, posteriormente Condestável de Portugal,
revelou-se um general de grande valor, ao contrário, ao início, do próprio pretendente ao trono. Fernão Lopes é um
crítico feroz das acções militares do Mestre durante o primeiro ano de guerra, dado que tinha tendência a preferir os
cercos e a assistência dos grandes fidalgos, sem outros resultados que não fossem traições, ao contrário da luta
militarmente inovadora e terrivelmente eficaz de Nuno Álvares, que arrancou muitas vitórias no Alentejo e deu boa
ajuda a Lisboa, onde o Mestre ficou sitiado sem se ter podido abastecer das provisões necessárias para aguentar
durante muito tempo o cerco. No entanto, depois das Cortes de Coimbra em 6 de Abril de 1385, o rei D. João I
mostrou-se um bom seguidor das tácticas militares de D. Nuno Álvares, e do conselho de guerra deste constituído por
escudeiros.

Finalmente a 6 de abril de 1385, as Cortes portuguesas reunidas


em Coimbra elevam o Grão-Mestre de Avis, como D. João I, a rei de
Portugal[2]. Esta tomada de posição significava na prática que a guerra
com Castela prosseguiria sem quartel, visto que declarava nulo o estatuto de
D. Beatriz de Portugal, rainha consorte de Castela, como herdeira de D.
Fernando, e isto devido em especial à violação do tratado de Salvaterra
tanto pelo seu marido como por ela (com 11 anos de idade tivera de jurar o
tratado em Badajoz, aquando do casamento). «Venhamos a outra maior O génio militar de Nuno Álvares
Pereira foi decisivo na Batalha de
contradição», disse João das Regras, ao começar a falar da «quebra dos
Aljubarrota.
trautos» no seu discurso perante as Cortes de Coimbra (Crónica de el-rei D.
João I, cap. CLXXXV). E como os quebrara, não podia suceder ao pai, o
«postumeiro (último) possuidor» destes reinos. É por isso que na História de Portugal Beatriz não figura como Rainha,
pois foram as próprias Cortes de 1385 a proclamar que ao rei D. Fernando I, postumeiro possuidor do reino de
Portugal, quem sucedeu foi o rei D. João I.

Pouco depois, em Junho de 1385, João I de Castela invade pela 2.ª vez Portugal com o objectivo de tomar Lisboa e ver-
se livre do «Mestre d’Avis que se chamava rei» (era o modo como os castelhanos o designavam). Com os castelhanos
vinha então um grande contingente de cavalaria francesa. A França era aliada de Castela enquanto os ingleses haviam
tomado o partido de D. João I (Guerra dos Cem Anos). Como resposta D. João I prepara-se com Nuno Álvares para a
batalha decisiva. O Condestável de Portugal, que o rei nomeara aquando das Cortes de Coimbra, e o seu conselho de
escudeiros montaram então uma tremenda armadilha ao exército castelhano.

A invasão castelhana transformou-se em debandada durante o Verão, depois da decisiva Batalha de Aljubarrotatravada
a 14 de agosto, perto de Alcobaça, onde o exército castelhano foi quase totalmente aniquilado, apesar de se
encontrarem em vantagem numérica de 4 para 1. Castela teve de retirar-se do combate e a estabilidade da coroa de D.
João I ficou solidamente garantida. Em 1400 termina a guerra com Castela e em 1411 é assinado um tratado de aliança
e de paz com aquele país definitivamente confirmado, reconhecendo Castela sem quaisquer reservas D. João I como rei
de Portugal.

Em 1387, D. João I casa com D. Filipa de Lencastre, filha de João de Gaunt, Duque de Lencastre, fortalecendo por laços
familiares os acordos do Tratado de Aliança Luso-Britânica, que perdura até hoje. Depois da morte em 1390 de João de
Castela, sem herdeiros de D. Beatriz, a ameaça castelhana ao trono de Portugal estava definitivamente posta de parte. A

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08/08/2019 João I de Portugal – Wikipédia, a enciclopédia livre

partir de então, D. João I dedicou-se ao desenvolvimento económico e


social do país, sem se envolver em mais disputas com a vizinha Castela ou a
nível internacional. Teve como chanceler João das Regras que defendia a
centralização do poder real. A partir de certa altura associou ao governo o
filho D. Duarte.

Quando o rei quis armar os seus filhos cavaleiros, estes propuseram


a conquista de Ceuta, no Norte de África, em 1415, uma praça de
Casamento de D. João I com D. importância estratégica no controle da navegação na costa de África que é
Filipa de Lencastre. conquistada a 21 de agosto. Após a sua conquista são armados cavaleiros, na
anterior mesquita daquela cidade, os príncipes D. Duarte, D. Pedro e D.
Henrique. Entretanto, na véspera da partida de Lisboa, morrera a rainha D. Filipa de Lencastre.

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