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Norma de Aplicação Necessária e Imediata e Ordem Pública Internacional;

• Identificação dos pontos em comum; em especial, a tutela dos valores fundamentais da ordem
jurídica.
• As normas de aplicação necessária e imediata como categoria de regras espacialmente auto-
limitadas:
o O desvio ao método conflitual, determinam o seu próprio campo de aplicação de forma
autónoma;
o A politização do Direito Internacional Privado e o acolhimento das ideias de Currie;
o A sua mobilização apriorística e independente da regra de conflitos;
o As NANI explícitas e implícitas: Explicitas: anunciam a sua aplicação (23CCG); Implícitas- deduz-se
da sua ratio, da sua politica legislativa (53CRP e 1682-A/2;
o Referência à aplicabilidade de NANI estrangeiras: Tese do Estatuto Obrigacional (Dra Isabel Mag
Colaço)- só as que forem da lex causae (lei competente); Tese da Conexão Especial (Wengler seguido
por Moura Ramos – que tenham uma conexão especial com o caso.
• A excepção de ordem pública internacional como mecanismo de evicção da lei estrangeira (não
aplicação da lei estrangeira)
o As características (excepcionalidade (quando há colisão fundamental), imprecisão (não
conseguimos defini-la), actualidade (refere-se ao momento actual concepções juridicas que estão
em vigor no momento da decisão, os valores variam no tempo) e nacionalidade (Pps fundamentais
em vigor na ordem jurídica de determinado Estado).
o O seu funcionamento aposteriorístico e a censura ao resultado da lei estrangeira e não ao seu
conteúdo;
o Os efeitos da sua mobilização: permitir a realização de um acto (FUNÇÃO PERMISSIVA); Impedir a
realização de um acto (FUNÇÃO PROIBITIVA)
b) Regra de conflitos de conexão material e «principles of preference»; (2 val.)
• Identificação dos pontos em comum: em especial, as regras de conflito de conexão material como
tradução dos objectivos do método proposto por David Cavers.
• As regras de conflitos de conexão material como normas inseridas no método conflitual mas
escolhendo a lei aplicável não por referência a critérios de proximidade mas por atenção ao
resultado a que se alcança. Em especial, a utilização de sistemas de conexão múltipla alternativa e
o princípio do favor negotii.
• A contra-revolução de Cavers e a enunciação de princípios de preferência como critérios de
escolha da lei aplicável no quadro da liberdade conferida ao julgador.
Princípio da boa administração da justiça e jurisdicionalização do direito internacional privado; (2
val.)
• Noção de boa administração da justiça e sua contextualização nos princípios estruturantes de um
sistema de DIP de matriz conflitual; o seu relevo limitado e contestado em sede de reenvio; a sua
possível tensão com o princípio da harmonia jurídica internacional;
• Noção de jurisdicionalização do DIP enquanto vector de evolução do DIP europeu numa
aproximação ao estadunidense, após as críticas que lhe foram formuladas; a diferenciação entre
uma indiscriminada maximização da aplicação da lei do foro (ou lexforização) e um justificado
paralelismo entre os momentos jurisdicional (de determinação do tribunal internacionalmente
competente) e legislativo (de determinação da lei aplicável); os exemplos europeus e convencionais
desta correlação forum-ius;
• Relacionando os conceitos: por exemplo, as vantagens, em abstracto, para a boa administração
da justiça, de uma maximização (indiscriminada ou devidamente justificada) da aplicação da lei do
foro, por com isso se diminuir o risco de erro judiciário na aplicação do direito material.
c) Cláusula de Excepção e Princípio da Maior Proximidade. (2 val.)
• Identificação dos pontos em comum; em especial, a viabilidade de derrogação da indicação
conflitual primária.
• A cláusula de excepção como mecanismo de flexibilização do DIP conflitual e autorização para
denegação do juízo legislativo. Suas classificações (aberta (se der ao juíz a possibilidade de escolher
a lei que vai substituir aquela que ele quer afastar)/fechada (a alternativa é dada pelo legislador);
material (permite ao juíz excepcionar a lei aplicável e aplicar outra para obter determinado
resultado material) /formal (permite ao juíz afastar a lei aplicável por razões de justiça formal); geral
(tornam todas as RC substituíveis e como tal tornam todo o sistema flexível-não vigoram em
PT)/especial-não valem para todo o sistema mas apenas para uma RC.
• O princípio da maior proximidade como mecanismo orientado à efectividade de decisões sobre
imóveis. Suas acepções (material/conflitual) - 1ª acepção, material ou restrita: Fazemos isto quando
a lei da situação da coisa tem um regime substantivo/material especial para aqueles bens lá
situados! -2ª acepção, conflitual ou ampla: Fazemos isto quando a lei da situação da coisa se
considera competente!
Vigoram no sistema português? Na acepção restrita sim, vigora, por via do instituto das NANI’s! O
31 Regulamento das Sucessões consagra expressamente este princípio, nesta acepção restrita!
Mas e na acepção ampla? Já não vigora, mas há duas excepções ou afloramentos:
- Um afloramento directo no 47 CC (começar a ler este artigo pelo fim) - A capacidade para vender
ou onerar imóveis é regulada pela lei pessoal, mas abdicamos dela se a lex rei sitae se considerar
competente! (Porque é que fazemos isto? Para evitar o risco de não reconhecimento da nossa
sentença!) - Um afloramento indirecto no sistema de reenvio.
-enquadramento na resolução dos conflitos positivos de sistemas de DIP

Concretização judicial do princípio de proximidade e Conexão múltipla subsidiária. (2 val.)


• Nos desenvolvimentos metodológicos do DIP, o apuramento da justiça conflitual como vector de
aproximação entre as perspectivas europeia e estadunidense; dentro dele, a abertura para a
concretização judicial do princípio de proximidade, no sentido de conexão mais estreita,
reconhecendo assim ao juiz, e não apenas ao legislador, um papel de relevo na fixação
• As regras de conflitos e os seus elementos estruturais; o elemento de conexão; as classificações
que giram em torno das suas características, nomeadamente em função de haver apenas um
(conexão simples ou una) ou vários (conexão múltipla ou plúrima) que se encontrem inscritos numa
mesma regra de conflitos. A hierarquização de elementos que caracteriza a conexão múltipla
subsidiária e as funções que ela usualmente preenche;
• Relações entre os conceitos: por exemplo, a identificação do art. 52.º do CC português, em que,
justamente no seio de uma regra de conflitos de conexão múltipla subsidiária, se inscreve em último
lugar um elemento de conexão que atribui ao juiz a concretização da conexão efetivamente mais
estreita.
Governmental Interests Analysis (análise dos interesses estaduais) e Regra de Conflitos Unilateral;
(2 val.)
• Explanação do método da governmental interest analysis, com referência aos casos de conflito
positivo de interesses estaduais entre a lex fori e a lei estrangeira;
• Explicação das regras de conflito unilaterais (conteúdo e propósitos) e sua forma de designação
da lei aplicável quando a lex fori não determine a própria aplicação;
• Estabelecimento da relação entre os dois conceitos (alusão ao unilateralismo selvagem do
médodo de Currie): em especial, a identificação da valorização da vontade aplicativa das legislações
envolvidas em ambos os métodos e, trançando distinção, a conclusão pela violação dos princípios
do DIP (designadamente a harmonia jurídica internacional) no método da governamental interest
analysis quando se verifique um conflito positivo de interesses estaduais.

b) Regra de conflitos de conexão material e direito internacional privado material; (2 val.)


• As regras de conflitos de conexão material como normas inseridas no método conflitual mas
escolhendo a lei aplicável não por referência a critérios de proximidade mas por atenção ao
resultado a que se alcança. Em especial, a utilização de sistemas de conexão múltipla alternativa e
o princípio do favor negotii;
• O Direito Internacional Privado material como método distinto: a previsão de normas materiais
especialmente dirigidas a situações internacionais.
• Estabelecimento da relação entre os dois conceitos, denotando em particular a comum
preocupação com a solução material do caso e, como dissociação, a diferente natureza
(conflitual/material) das normas.
• Alusão à suficiência do método do Direito Internacional Privado material como alternativo ao
método conflitual

Conexão Múltipla Cumulativa e Cumulação de Conexões. (2 val.)


• A conexão múltipla cumulativa como sistema de conexão de uma regra de conflitos que subordina
a produção de um certo efeito à concordância de mais do que uma lei; efeitos e propósitos.
• A cumulação de conexões enquanto designação de uma única lei, restringindo a respectiva
relevância à existência de laços comuns aos sujeitos da relação jurídica; efeitos e propósitos.
• Estabelecimento da relação entre os dois conceitos; em especial, a sua inserção na classificação
dos elementos de conexão das regras de conflitos

Dupla devolução e reconhecimento de sentenças estrangeiras


– Enunciação dos conceitos de “dupla devolução” e de “reconhecimento de sentenças estrangeiras”
– Os diversos âmbitos dogmáticos em que tais institutos se inserem: conflitos de leis versus conflitos
de jurisdições - alusão à sua compreensão no âmbito da matéria internacional privatística
– Significado comum: a abertura aos conteúdos jurídicos estrangeiros e o favor à estabilidade
internacional das situações inter-individuais
– Os diversos significados da harmonia jurídica: uniformidade da lei aplicável e reconhecimento das
situações jurídicas produzidas/constituídas no estrangeiro
– A uniformidade da lei aplicável enquanto elemento potenciador de uma mais fluida circulação
internacional das sentenças, não obstante o controlo da lei aplicável se assumir como elemento
espúrio (embora não inteiramente irrelevante, mesmo no seio do sistema consagrado no CPC) na
generalidade dos sistemas de reconhecimento de sentenças estrangeiras
I
«Conflitos de jurisdições: reconhecimento de sentenças estrangeiras». A noção e o fundamento do
reconhecimento de sentenças estrangeiras e o seu enquadramento no âmbito do DIP. A distinção
fundamental entre os sistemas de verificação prévia da regularidade da sentença e de
reconhecimento automático. A coexistência dos vários sistemas na ordem jurídica portuguesa. A
adopção do sistema de reconhecimento automático, com respeito a sentenças proferidas por
tribunais de Estados-membros da UE, dentro do âmbito de aplicação dos aludidos regulamentos. A
diferença entre reconhecimento e execução, oscilando os vários regulamentos entre a exigibilidade
ou não de uma declaração de executoriedade. Em contraste, na ausência de regulamentos ou
convenções internacionais, a aplicabilidade do sistema autónomo do CPC, eminentemente de
revisão formal, não obstante as concessões que consagra em favor de uma revisão de mérito.

Distinção entre RC’s e normas de competência internacional…


Têm em comum: São ambas “normas sobre normas” ou normas de 2º grau; tanto uma como outra
são normas do DIP.
Têm de diferente:
a) a maioria das Regras de Conflitos são bilaterais; enquanto que a maioria das normas de
competência internacional são, tendencialmente, unilaterais
b) a Regra de Conflitos orienta-se pelos critérios de proximidade, enquanto que as normas de
competência internacional orientam-se por critérios práticos.

– Identificação de uma situação plurilocalizada a ser regulada por normas materiais


de um ordenamento jurídico ligado ao caso (enunciação do princípio da não
transactividade das leis). As especificidades do problema da qualificação no direito
internacional privado; em especial, os problemas do critério da qualificação (ou da
interpretação do conceito-quadro da regra de conflitos; a solução proposta pela
doutrina portuguesa, no sentido de uma sua interpretação autónoma e teleológica,
de acordo com a lex formalis fori) e do objecto da qualificação (as questões de direito
ou os preceitos jurídico-materiais, havendo que proceder a um chamamento
circunscrito da lei designada pela regra de conflitos, nos termos do art. 15.º do CC).
– Concretização no caso dos elementos de conexão previstos pelas regras de
conflitos indicadas no enunciado

1ª solução - Dr. Ferrer Correia:


Já sabemos que o Dr. Ferrer diz que o 16 CC é regra (referência material) e os 17 e 18 CC
são excepções!
Este autor entende que só abdicamos da regra do 16 (aceitamos o reenvio (17 e 18)),
quando tal for necessário à harmonia jurídica internacional.
Então, neste caso, Ferrer entende que, segundo a regra, aplicaríamos a L2.
2ª solução - Dr. Baptista Machado:
Baptista Machado entende que o nosso sistema não tem regra nenhuma nem excepçao
nenhuma, até porque a epígrafe do 16 CC não diz “regra”, mas sim “princípio geral”…
Deste modo, este autor defende que há casos sem reenvio, que estão no 16 CC, e há casos
com reenvio, que estão nos 17 e 18 CC.
Este caso concreto não está previsto - assim, caberá ao julgador invocar os princípios
gerais do DIP.
O princípio mais importante do DIP é o princípio da harmonia jurídica internacional; mas
este princípio não obriga a nenhuma solução!
Então, Baptista Machado defende que podemos chamar os outros princípios menos
importantes:
Segundo o princípio da boa administração da justiça, qual é a lei que o juíz conhece melhor?
É a lei do foro!
Então, usando este princípio, aplicaríamos a L1 (lei portuguesa). Ou seja, a L2 (lei inglesa)
também faria o mesmo, aplicaria na mesma a L1 – conseguimos também harmonia jurídica
internacional!
NOTA TEÓRICA A ESTE PROPÓSITO:
Até aqui, em nome da harmonia jurídica qualificada, nós cessávamos o reenvio (nos 17/2
e 18/2)!
Mas será que esta harmonia qualificada, além de ser um limite ao reenvio,não poderá ser
também um FUNDAMENTO ao reenvio?
Quanto a este tema, temos 2 posições:
1ª Posição (Lima Pinheiro):
Não, não podemos aplicar essa lei (L3), pois não temos base legal para isso. É pena não
haver, mas não podemos fazer nada quanto a isso – devemos aplicar a lei que queríamos
ver aplicada pelo nosso sistema de referência material!
2ª Posição (Ferrer Correia):
A harmonia qualificada deve funcionar como FUNDAMENTO AUTÓNOMO do reenvio.
Isto é, estando as leis da nacionalidade e residência de acordo quanto à lei a aplicar,
devemos aplicar essa lei!
É o único caso do nosso sistema em que não temos harmonia jurídica qualificada, mas
aceitamos o reenvio na mesma!
PORQUE É QUE O NOSSO SISTEMA DEIXA FUNCIONAR O REENVIO NESTE ÚNICO
CASO, MESMO SEM HARMONIA QUALIFICADA??

NOVA MATÉRIA - PRINCÍPIO DA MAIOR PROXIMIDADE:


O autor é Zitelmann, e entende que, quando escolhemos uma lei para regular uma
universalidade de bens, às vezes, em certos casos, devemos abdicar de aplicar a lei do
todo em relação a certos imóveis.
Então, em que casos é que, segundo Zitelmann, devemos deixar de aplicar a lei do todo a
certos imóveis para aplicar a lex rei sitae? Temos 2 acepções:
- 1ª acepção, material ou restrita: Fazemos isto quando a lei da situação da coisa tem um
regime substantivo/material especial para aqueles bens lá situados!
2ª acepção, conflitual ou ampla:
Fazemos isto quando a lei da situação da coisa se considera competente!
Porque é que Zitelmann defendia este princípio? Qual a sua razão de ser?
Este princípio pretende prevenir o risco de um não reconhecimento da sentença
estrangeira; pois a lei que nós escolhemos pode não ser reconhecida no país da situação
da coisa! Crítica a este princípio:
Deve vigorar em Portugal e nos Regulamentos Europeus ou não? Na acepção restrita, diz
a doutrina que ele é aceitável, porque há interesses especiais do Estado da situação da
coisa
Mas quanto à outra acepção (a conflitual), a doutrina já a considera inaceitável -

Este princípio vigora no sistema português??


Na acepção restrita sim, vigora, por via de um instituto que já estudámos há bastante tempo
- este instituto são as NANI’s!
O 31 Regulamento das Sucessões consagra expressamente este princípio, nesta acepção
restrita!
Mas e na acepção ampla? Já não vigora, mas há duas excepções ou afloramentos:
- Um afloramento directo no 47 CC (começar a ler este artigo pelo fim) - A capacidade para
vender ou onerar imóveis é regulada pela lei pessoal, mas abdicamos dela se a lex rei sitae
se considerar competente!
- Um afloramento indirecto no sistema de reenvio.

Mas existe o 17/3, que estabelece os casos em que VOLTA A HAVER REENVIO.
O 17/1 faz funcionar o reenvio, o 17/2 pára-o, e o 17/3 vai reactivá-lo!
3 Requisitos cumulativos para isto poder acontecer:
1º: Tem de ser uma das matérias do 17/3
2º: A L2 tem de estar a remeter para a lex rei sitae
3º: A lex rei sitae tem de se considerar competente
Neste caso, cumprem-se os 3 requisitos - VAMOS REACTIVAR O REENVIO, sendo assim
acabamos por aplicar a L3!
Mas não há harmonia jurídica qualificada!!! Então, porque é que reactivámos o reenvio??
R: Porque temos o 2º afloramento (acepção ampla) do princípio da maior proximidade -
abdicámos a lei que tínhamos escolhido para aplicarmos a lex rei sitae!
NOTA FINAL:
Porque é que é um afloramento indirecto? Porque não somos nós (L1) que estamos a
aceitar o princípio da maior proximidade - foi a L2 que a aceitou! 7) Mas será que podemos
aceitar o reenvio? 17/1: a L3 considera-se competente - à partida sim, podemos!

A MATERIALIZAÇÃO DO DIP NO ÂMBITO DESTES CASOS:


Novo passo: Inserir nova “caixa” no nosso rascunho, com os resultados materiais:
Princípio do favor negotii: “O sistema de reenvio não deve prejudicar a validade
dosnegócios jurídicos!”
O 19 CC (último artigo em matéria de reenvio) diz que: Paramos o reenvio quando um
negócio jurídico era válido sem reenvio (ou seja, com referência material), e deixou de ser
válido por causa do reenvio!
Neste caso podemos aceitar isto? Sim! Nos termos do 19/1 podemos parar o reenvio.
Parando o reenvio, vamos fazer referência material, e acabamos por aplicar a L2.
Com isto, salvaguardámos as expectativas das partes, mesmo prejudicando a harmonia
jurídica internacional!

Para a Escola de Lisboa é assim que funciona o 19 CC.


Mas Coimbra é mais exigente - diz que não basta o requisito literal do 19 CC; Ferrer
Correia pergunta: “Para que é que serve o 19? Para salvaguardar expectativas legítimas
das partes!”
Então, só se as partes tivessem razões para aplicar a L2 é que há expectativas legítimas,
segundo este autor.
Mas como se sabe se há essas expectativas legítimas?
1º requisito: O 19 só vale para negócios já celebrados
2º requisito: As partes só contavam com a aplicação da L2 se tivessem ido ver a RC
portuguesa. E como podemos saber se elas foram ver a RC ou não?
É muito difícil de isso se apurar!
Então, o Dr. Ferrer presume que elas foram ver a RC se, no momento da celebração do
negócio, havia algum contacto com a ordem jurídica portuguesa. Se assim for, vale o 19.

NOVA MATÉRIA - RECONHECIMENTO DE DIREITOS ADQUIRIDOS:


O que é que temos de fazer para aceitar esta perfilhação?
Esta perfilhação só será válida para nós se abdicarmos da nossa RC e atendermos às RC
estrangeiras, em nome do favor negotii!
( A teoria do reconhecimento dos direitos adquiridos diz isto mesmo - devemos abdicar da
nossa RC em nome do favor negotii!)
NOTA: Esta teoria vigora em Portugal, num único domínio (o do estatuto pessoal), mas
com vários limites.
1) Problema colocado: A doação feita será válida para nós?
2) O que faz a RC 53? Remete para ela própria.
3) Mas, por curiosidade, o que acontecia se o caso se colocasse no Brasil? O que faz o
DIP brasileiro?
Aplicava-se a ele próprio ( A L2 considerava-se competente)
4) “Caixa” dos Resultados:
L1: doação válida
L2: doação inválida
Invalidámos um negócio jurídico que era válido à luz da lei da residência!
Vamos cessar o reenvio? NÃO, PORQUE NEM SEQUER HÁ REENVIO NESTE CASO!
5) Como resolver?
Vamos ao 31/2, que vai abdicar da opção conflitual do foro, para fazer vigorar o
Reconhecimento de Direitos Adquiridos!
Mas esta norma tem 4 requisitos literais:
1º requisito: só vigora em estatuto pessoal (está na epígrafe);
2º requisito: só vigora em direitos que provenham de negócios jurídicos;
3º requisito: só vigora se o negócio tiver sido celebrado no país da residência;
4º requisito: o negócio tem de ser válido para a lei da residência, e esta tem de se
considerar competente.
Estão, neste caso, cumpridos os 4 pressupostos - aplicaremos a lei da residência – por isso
a doação será válida, em nome do favor negotii!
Além destes 4 requisitos, a doutrina coloca mais 2 (só dá para situações já “cristalizadas”
no tempo):
5º requisito: Que não haja ainda uma sentença estrangeira sobre o assunto
6º requisito: Têm de se ter gerado verdadeiras expectativas das partes - o negócio tem de
ter sido celebrado há um tempo necessário para se terem sedimentado expectativas!
Há ainda um 3º requisito adicional de Moura Ramos: Só se aplica o 31/2 quando se peça
o reconhecimento do negocio como questão principal

1) Questão colocada: Qual a lei onde se vão qualificar as normas de convenções


antenupciais?
Requisitos do 31/2: Estão TODOS preenchidos, excepto o 3º, porque o negócio não foi
celebrado no país da residência!
Se falha o 3º requisito, não podemos aplicar o 31/2, logo vamos manter a nossa posiçãode
não reconhecer a convenção…
11) ATENÇÃO! Será que isto faz sentido??
Nós escolhemos a lei da nacionalidade (espanhola), que considera o negócio inválido; mas
consideramos igualmente boa a lei da residência (argentina), e essa já considera onegócio
válido!
Isto é, falha um dos requisitos do 31/2, não se podendo aplicá-lo - MAS A SUA RATIO
ESTÁ CUMPRIDA!
A doutrina em bloco propõe, por isso, uma REDUÇÃO TELEOLÓGICA do 31/2 - Temos
de mudar a sua interpretação para fazer cumprir a sua ratio - ABDICAMOS ENTÃO DO 3º
REQUISITO, pois ele não se revela fundamental!
Na prática, não podemos exigir que o negócio tenha sido celebrado no país da residência!
10) Ver, agora sim, os requisitos literais do 31/2:
Falhou o 3º requisito, mas este é dispensável, como já percebemos;
Mas falhou também o 4º requisito, e esse já não é dispensavel…
Então, não podemos usar o 31/2, logo não vamos reconhecer o negócio.
11) MAS, por curiosidade, se o caso se colocasse em 3 (residência), que lei se aplicaria?A
L3 manda aplicar a L1
E a L1 considera o negócio válido; logo a L3 também!
12) Aqui não é propriamente a lei da residência que nos vai servir, mas sim aquilo que
considera válido no país da residência!
É aqui que a doutrina introduz uma INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA DO 31/2/4º REQ:
Passa a ser reconhecido como válido se o negócio for considerado válido no país da
residência!

12) Ver o princípio do favor negotii:


O 19/1 não nos serve, porque nem sequer aceitámos o reenvio! Vai servir-nos o 31/2
(porque estamos em estatuto pessoal):

13) Devemos então colocar no esquema toda a informação (conflitual e material)!!!


14) Ver os requisitos do 31/2:
Os requisitos doutrinais estão preenchidos.
E os requisitos literais?
- O 1º e o 2º preenchem-se;
- O 3º req não se preenche, mas é o tal requisito irrelevante, porque a doutrina abdica dele
- O 4º requisito não se preenche ( A lei da residência (L4) nem considera o negócio válido,
nem se considera competente!)

15) Fazer a interpretação extensiva do 31/2/4º requisito:


Mas não desistimos já - pode ser que nos sirva a interpretação extensiva deste 4ºrequisito!
Ou seja, nem com a ajuda da interpretação extensiva conseguimos reconhecer o
casamento como válido!
16) Mas, por curiosidade, vamos ver o que é que os tribunais do país da nacionalidade têm
a dizer sobre isto!!
A lei da nacionalidade é a L2
A L2 está a aplicar a L3 - E a L3 diz que o casamento É VÁLIDO!
17) INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA DO 4º REQUISITO:
Então, se aceitámos como boa a validade dos negócios celebrados no país da residência,
não devemos, por maioria de razão, fazer o mesmo se tal acontecer no país da
nacionalidade, como neste caso acontece? SIM (DEVE VIGORAR O PRINCÍPIO DA
INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA! É este o argumento de Ferrer Correia, aceite por toda a
Escola de Coimbra.
18) Então, o 4º requisito, pela interpretação analógica, vai mudar! Passa a ser “se o negócio
fosse válido no país da nacionalidade” - E É (a L3 considera válido o casamento!)!