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FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO

Curso: Administração Pública


Disciplina: Filosofia Política
Professora: Letícia Godinho
Aluno: Matheus Cunha de Almeida

HEILBRONNER, R.L. Introdução à história das idéias econômicas / O mundo


Enfermo de John Maynard Keynes. In: Introdução à história das idéias econômicas.
5ª edição. Zahar Editores, P. 225-262

KEYNES E A TEORIA GERAL DO EMPREGO DO JURO E DA MOEDA


Ao longo dos séculos XIX e XX percebeu-se que o curso da atividade econômica
evidenciava sucessões de expansões e contrações. Keynes tenta descobrir o motivo por
trás disso em seu livro Teoria geral do emprego do juro e da moeda.

A RELAÇÃO ENTRE POUPANÇA E INVESTIMENTO


No início do século XIX, aqueles com condições de economizar eram os que colocavam
em circulação os frutos dessas economias, mas em meados do mesmo século, a
oportunidade de fazer poupança se estendeu à outras pessoas.

A prosperidade de uma nação é medida pelas rendas de sua população, e a característica


central de uma economia é o fluxo de renda de mão em mão. É por esse fluxo de
distribuição do dinheiro que a economia se revigora constantemente. Desde que
continuemos a comprar bens de consumo, este ciclo está assegurado. Em uma sociedade
civilizada, as poupanças são empregadas em títulos, ações ou bancos, o que canaliza
essas economias de volta à circulação por meio dos negócios.

Observemos que o canal economias-investimento não é um processo automático. Os


negócios não precisam habitualmente das economias. Essa necessidade só se faz quando
há expansão, e os negócios nem sempre estão em condições de fazê-lo. Porém, uma
comunidade moderada procura sempre economizar parte de suas rendas. Keynes então
conclui que se as nossas economias não forem empregadas em negócios em expansão,
nossas rendas entram em declínio, pois nossas poupanças precisam estar em circulação.
Em suma, o sistema econômico dependeria da coordenação entre poupanças e
investimentos.
O livro de Keynes chega à uma conclusão inovadora para a época: o sistema econômico
não tem um sistema de segurança natural que o faça tender ao equilíbrio. A economia
opera para atender à procura, e não às necessidades humanas. A produção se faz à
proporção do tamanho da carteira das pessoas, e não à proporção de suas necessidades.

Keynes chega à conclusão de que todo surto de prosperidade está constantemente


ameaçado de um colapso. Se os investimentos diminuírem, as economias são atingidas,
rompendo com toda a cadeia de circulação. Portanto, em última análise, o sistema
econômico depende do total de investimentos realizados nos negócios. Porém, o
problema é que a capacidade de investimento não pode continuar indefinidamente. Uma
hora ou outra, tem de se contrair.

O diagnóstico econômico exposto em A Teoria Geral é, em suma:


-Não há nada inerente em uma economia em depressão que a faça sair desse estado.
-A prosperidade depende do investimento. Se as economias não são postas em uso, tem-
se início uma contração.
-A economia não pode ser deixada a depender somente do investimento, pois esse vive
à sombra da saciedade.

Numa economia em recessão, se a iniciativa privada não é capaz de levar avante um


grande programa de investimentos, então o governo deve fazê-lo, a fim de estimular o
consumo no mercado. Mas Keynes não aceitava a interferência governamental
permanente. Ela a via como uma mão prestativa em auxílio a um sistema que precisa
recuperar seu equilíbrio.