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Economia e

integração do
território
1ª Parte
Os ciclos da economia no
país

Em cada ciclo, um setor foi privilegiado em detrimento


de outros, e provocou sucessivas mudanças sociais,
populacionais, políticas e culturais dentro da sociedade
brasileira.
O primeiro ciclo econômico do
Brasil
Séc. XV

A extração do pau-brasil, abundante em grande parte


do litoral brasileiro. Os portugueses instalaram feitorias
e sesmarias (lotes de terras) e escravizavam os índios
para que estes realizassem o corte e o carregamento da
madeira por meio de um sistema de trocas conhecido
como escambo.
O primeiro ciclo econômico
do Brasil

Além do pau-brasil, outras atividades de extrativismo


predominaram nessa época, como a coleta de drogas
do sertão.
O primeiro ciclo econômico
do Brasil

Os portugueses possuiam poucos recursos para a


implantação da cultura da cana-de-açúcar no Brasil.

Precisavam comprar escravos, preparar a terra, fazer o


plantio e colheita, instalar os engenhos para a
fabricação do açúcar, transportar e distribuir o produto
na Europa.
O primeiro ciclo econômico
do Brasil
Não tendo recursos, a solução encontrada foi aliar-se
aos holandeses que financiaram a implantação do
cultivo e transformação da cana-de-açúcar no Brasil. Em
troca, os holandeses ficaram com a comercialização do
produto na Europa.

O nordeste, por possuir o solo (argiloso) de fácil


adaptação da cana-de-açúcar transformou-se no pólo
açucareiro do Brasil. O Pernambuco e a Bahia eram as
maiores capitanias produtoras de açúcar.
Escravatura e tráfico negreiro
séc. XVI-XIX

A agricultura da cana introduziu o modo de produção


escravista, baseado na importação e escravização de
africanos, gerando todo um setor paralelo chamado de
tráfico negreiro, interrompido em 1850, com a Lei
Eusébio de Queirós.
A pecuária extensiva
Ajudou a expandir a ocupação do Brasil pelos
portugueses, levando o povoamento do litoral para o
interior.
A pecuária extensiva

Com o aumento da produção de cana de açucar no


litoral brasileiro, o gado que era usado como força
matriz nos engenhos, além de serem fornecedores de
carne e couro, foram empurrados para o interior do
Brasil, uma vez que a monocultura da cana demandava
cada vez mais áreas maiores no litoral em função do
solo ser mais favorável aquela cultura.
A pecuária extensiva

Avançando pelo interior do Brasil, utilizando-se do Rio


São Francisco, o gado desceu o "Velho Chico" instalando
fazendas de gado por todo o longo do seu curso,
chegando o gado que inicialmente saiu da Bahia até os
Estados do Pìauí e Maranhão, sendo estes responsáveis
pela ocupação e povoamento do Sul do Estado do
Maranhão.
Ciclo da mineração
1709-1789

Expedições chamadas entradas e bandeiras


vasculharam o interior do território em busca ouro,
prata, cobre, diamantes, esmeraldas. Encontraram no
interior da Capitania de São Paulo (Planalto Central e
Montanhas Alterosas), nas áreas que depois foram
desmembradas como Minas Gerais, Goiás e Mato
Grosso.
Ciclo da mineração
1709-1789
A descoberta de ouro, diamante e esmeraldas nessa
região provocou um afluxo populacional vindo de
Portugal e de outras áreas povoadas da colônia, como
São Paulo de Piratininga, São Vicente e o litoral
nordestino.

Outra importante atividade impulsionada pela


mineração foi o comércio interno entre as diferentes
vilas e cidades da colônia, proporcionada pelos
tropeiros.
Economia era colonial
1822-1889

O mercado interno era pequeno, devido à falta de


créditos e a quase completa subsistência das cidades,
vilas e fazendas do país que se dedicavam à produção
de alimentos e a criação de animais.
Economia era colonial
1822-1889

A economia do Brasil era extremamente diversificada


no período pós-Independência, mas foi necessário um
grande esforço por parte do governo monárquico para
realizar a transmutação de sistema econômico
puramente escravocrata e colonial para uma economia
moderna e capitalista.
Economia era colonial
1822-1889

Contudo, a monarquia fora capaz de manter até o fim


de sua existência o extremamente notável crescimento
econômico iniciado com a vinda do então
príncipe-regente dom João ao Brasil. Isto foi possível,
em parte, graças ao liberalismo adotado pelo regime
monárquico, que favorecia a iniciativa privada.
Economia era colonial
1822-1889

Estado imperial investiu pesadamente na melhoria das


estradas terrestres e detinha por sua vez, um
memorável sistema de portos que possibilitava uma
melhor troca comercial e comunicação entre as regiões
do país.
Economia era colonial
1822-1889

A maior parte das importações eram tecidos, vinhos,


sabões comestíveis, perfumarias, dentre outros. Até a
década de 1850, itens como carvão, maquinaria,
cimento, ferro, ferramentas e artigos de ferro
representavam 11% das importações brasileiras em
relação à Grã-Bretanha.
Figura 1: Armazém da Alfândega da cidade de Belém, província do Pará, c.1870.
Economia era colonial
1822-1889

Mas o processo de industrialização constante do Brasil


faria com que este percentual alcançasse 28% em 1889.

Com o passar das décadas em que surgiram novas


tecnologias e com o aumento da produtividade interna,
as exportações aumentariam consideravelmente,
possibilitando alcançar o tão almejado equilíbrio na
balança comercial.
Economia era colonial
1822-1889

Durante a década de 1820, o açúcar equivalia à cerca de


30%, o algodão 21%, o café 18% e couros e peles 14%
do total das exportações. Apenas vinte anos depois, o
café alcançaria 42%, enquanto o açúcar 27%, os couros
e peles 9% e o algodão 8% do total das exportações.
Economia era colonial
1822-1889

Entretanto, isto não significou uma diminuição na


produção desses produtos, pelo contrário, mas "refletia
uma diferença no crescimento relativo desses setores".

Neste período de apenas vinte anos, as "exportações


brasileiras dobraram em volume e triplicaram em valor
nominal", enquanto seu valor em libras esterlinas
aumentou em 40%.
Economia era colonial
1822-1889

A inovação tecnológica também contribuiu para o


crescimento das exportações, como citado
anteriormente.

A principal razão foi à adoção da navegação a vapor e


de ferrovias, que permitiu ao transporte de carga
tornar-se bem menos oneroso e muito mais rápido.
Economia era colonial
1822-1889

O valor absoluto das exportações do Império em 1850


era o mais elevado da América Latina (o triplo da
Argentina, que estava em quarto lugar) e manteria esta
posição até o final da monarquia.

A maior parte das exportações brasileiras eram


produtos agrícolas. No entanto, EUA respondiam por
um percentual que variava em torno de 73% a 83%
entre os anos 1850 e 1900 de todas as vendas externas,
para efeitos de comparação.
A agricultura no Brasil
Detinha um papel extremante importante: 80% das
pessoas em atividade dedicavam-se ao setor agrícola,
13% ao de serviços e 7% ao industrial.
Figura 2: Fazenda Santa Genebra, província de São Paulo, 1880.

Os produtores agrícolas buscaram modernizar seus empreendimentos


para manter a competitividade no mercado internacional.
A agricultura no Brasil
Região Tipo de agricultura
Interior do país Próprios produtores
Norte e Nordeste (Maranhão, Pernambuco, Algodão em conjunto com culturas de
Alagoas e Paraíba ) alimentos (para a própria subsistência e
venda nos mercados locais
Sudeste Produção de café
Indústria
A Indústria brasileira tem sua origem remota nas
oficinas artesanais datadas do início do século XIX. A
maior parte dos estabelecimentos industriais surgiram
no Sudeste brasileiro (principalmente na província do
Rio de Janeiro, Minas Gerais e mais tarde, São Paulo),

De acordo com a Junta de Comércio, Agricultura,


Fábricas e Navegação, 77 estabelecimentos foram
registrados entre 1808 e 1840 e receberam a
classificação de "fábricas" ou "manufaturas".
Indústria
A Indústria brasileira tem sua origem remota nas
oficinas artesanais datadas do início do século XIX. A
maior parte dos estabelecimentos industriais surgiram
no Sudeste brasileiro (principalmente na província do
Rio de Janeiro, Minas Gerais e mais tarde, São Paulo),

De acordo com a Junta de Comércio, Agricultura,


Fábricas e Navegação, 77 estabelecimentos foram
registrados entre 1808 e 1840 e receberam a
classificação de "fábricas" ou "manufaturas".
Indústria
Contudo, a maior parte, cerca de 56 estabelecimentos,
na realidade se encaixavam na categoria de "oficinas
artesanais" e estavam voltados para os ramos de sabão
e velas de sebo, rapé, fiação e tecelagem, alimentos,
fundição de ferro e metais, lã e seda, dentre outros.

Utilizavam como mão-de-obra tanto elementos livres


como também escravos.
Indústria
Contudo, a maior parte, cerca de 56 estabelecimentos,
na realidade se encaixavam na categoria de "oficinas
artesanais" e estavam voltados para os ramos de sabão
e velas de sebo, rapé, fiação e tecelagem, alimentos,
fundição de ferro e metais, lã e seda, dentre outros.

Utilizavam como mão-de-obra tanto elementos livres


como também escravos.
Indústria
Nessa época os ramos eram extremamente diversos,
tais como: chapéus, pentes de tartaruga, ferraria e
serraria, fiação e tecelagem, sabão e velas, vidros,
tapetes, oleados, etc.
Indústria
A promulgação da tarifa Alves Branco, tinha por
objetivo aumentar a arrecadação do Estado e incentivar
o crescimento da indústria nacional, logrando sucesso
em ambas as empreitadas.

A súbita proliferação de capital foi direcionada para


investimentos nas áreas de serviços urbanos,
transportes, comércio, bancos, indústrias, etc…
Indústria
A maior parte do capital investido nas indústrias foi
direcionado ao ramo têxtil. Contudo, num crescimento
industrial sem precedentes, surgiram múltiplos
estabelecimentos manufatureiros, tais como de:
◦fundição e maquinaria, sabão e velas, vidros, cerveja, vinagre,
galões de ouro e prata, calçados e cordoaria, couros, calçados
e cordoaria, sabão e velas, chapéus e tecidos de algodão.
Também pode ser citada a criação de uma indústria
metalúrgica em Ponta da Areia, na cidade de Niterói, que
inclusive construiu navios a vapor.
Indústria
É provável que a indústria têxtil tenha sido a mais
beneficiada pelo fato de ser a mais antiga em atividade
no país.

Surgiu em 1830, com a instalação da fábrica Santo


Antonio do Queimado na cidade de Salvador, capital da
província da Bahia.
Indústria
Várias modernizações ocorreram, principalmente entre
os anos 1840 e 1860, quando fábricas de alto nível de
capacitação tecnológica foram criadas capazes de
competir com outros centros internacionais
importantes.

Outras melhorias surgiram com a implantação de


fábricas e forjas voltadas para a produção de peças para
os estabelecimentos têxteis.
Indústria no período colonial
Indústria
O setor têxtil foi bastante dinâmico no período
monárquico e recebeu grandes investimentos até 1890,
quando entrou em decadência.

O pólo industrial que surgiu na província da Bahia


expandiu consideravelmente o seu alcance econômico
atingindo o sul do Ceará, Piauí e até mesmo Minas
Gerais.
Indústria
O setor têxtil foi bastante dinâmico no período
monárquico e recebeu grandes investimentos até 1890,
quando entrou em decadência.

O pólo industrial que surgiu na província da Bahia


expandiu consideravelmente o seu alcance econômico
atingindo o sul do Ceará, Piauí e até mesmo Minas
Gerais.
Indústria
A tarifa Alves Branco sofreu modificação em 1857,
reduzindo para 15% as taxas sobre os produtos
importados.

Entretanto, no gabinete Rio Branco as taxas sobre


produtos estrangeiros foi elevada novamente para 40%,
e novas matérias primas receberam isenções tributárias
sobre as importações.
Indústria
Ao final da década de 1860, ocorre um novo surto
industrial causado por dois conflitos armados: a Guerra
Civil norte-americana e a Guerra do Paraguai.

Na primeira, a produção de algodão foi interrompida


pelo bloqueio realizado pelas forças da União contra a
Confederação.

A segunda causou a emissão de moeda e o aumento de


tarifas de importação para cobrir os gastos com o
conflito.
Indústria
O resultado foi um grande estímulo não só para a
indústria têxtil, mas também para outros setores, tais
como: a química, de cigarro, de vidro, papel, de couro,
de instrumentos ópticos e náuticos, etc…

Durante a década de 1870, graças a decadência da


região cafeeira do vale do Paraíba e de algumas áreas
de produção açucareira, muitos fazendeiros investiram
não somente na indústria têxtil de algodão, mas
também em outros setores manufatureiros.
Indústria
A implantação de uma malha ferroviária por todo o
território nacional também estimulou o surgimento de
novas atividades industriais, principalmente em São
Paulo.

A indústria naval também sofreu um grande impulso


neste período. É a partir da década de 1870 que o
processo de industrialização do Brasil se torna
constante e revela uma grande expansão.
Figura 3: Poços petrolíferos em Arroio dos Ratos, província do Rio
Grande do Sul, 1885.
Indústria
Em 1880 é criado a Associação Industrial, com a
primeira diretoria eleita no ano seguinte, atuou no
sentido de apoiar novos incentivos industriais e realizar
propagandas contra os defensores de um Brasil
essencialmente agrícola.

Do capital empregado na economia brasileira até 1884,


9,6% era direcionado a indústria. A partir de 1885, este
percentual cresce para 11,2%.
Indústria
Entretanto, sofre uma abrupta queda no período
republicano atingindo 5% entre 1890 e 1894, e revela
uma leve melhora para 6% entre 1900 e 1904, mas
seriam necessários muitos anos até retornar aos
patamares dos tempos do Império.
Indústria
Ao ser extinta através de um golpe de Estado sem
participação popular em 1889, existiam sob o regime
monárquico brasileiro 636 fábricas (taxa de crescimento
anual de 6,74% 1850) com um capital de
401.630.600$000 (taxa de crescimento anual de 10,93%
desde 1850).
Indústria

Deste valor, 60% estava empregado no setor têxtil, 15%


na alimentação, 10% no químico, 4% no madeireiro,
3,5% no vestuário e 3% na metalurgia.
Outros ciclos

Ciclo do café (1800-1930)


Ciclo da borracha (1866-1913)
Ciclo da soja (1970- )
Industrialização e desenvolvimentismo (1945-1964)
Milagre econômico (1969-1973)
Recessão e crise monetária (1973-1990)
Abertura Econômica (1990-2003)