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TCE-MG

1 Conceito, tipos e formas de controle. 2 Controle interno e externo. 3 Controle parlamentar. ............ 1
4 Tribunais de contas: funções, natureza jurídica, competência constitucional e infraconstitucional,
jurisdição, composição, deliberações, eficácia das decisões e princípio da simetria concêntrica. ......... 13
4.1 Contas de governo. 4.2 Contas de gestão. 4.3 Tomada de Contas Especial. ............................. 25
5 Controle administrativo. .................................................................................................................. 31
6 Lei nº 8.429/1992, e suas alterações (Lei de Improbidade Administrativa). ..................................... 35
7 Sistemas de controle jurisdicional da administração pública: contencioso administrativo e sistema da
jurisdição una. 8 Controle jurisdicional da administração pública no Direito brasileiro. ........................... 45
9 Controle da atividade financeira do Estado: espécies e sistemas. .................................................. 49
10 Tribunal de Contas da União (TCU), dos Estados e do Distrito Federal. ....................................... 51
11 Lei Complementar Estadual nº 102/2008 (Lei Orgânica do Tribunal de Contas). .......................... 57
12 Resolução nº 12/2008 (Regimento Interno do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais). .. 82
13 Constituição do Estado de Minas Gerais..................................................................................... 149
14 Lei nº 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação). ...................................................................... 224

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1 Conceito, tipos e formas de controle. 2 Controle interno e externo. 3 Controle
parlamentar.

Caro(a) candidato(a), antes de iniciar nosso estudo, queremos nos colocar à sua disposição, durante
todo o prazo do concurso para auxiliá-lo em suas dúvidas e receber suas sugestões. Muito zelo e técnica
foram empregados na edição desta obra. No entanto, podem ocorrer erros de digitação ou dúvida
conceitual. Em qualquer situação, solicitamos a comunicação ao nosso serviço de atendimento ao cliente
para que possamos esclarecê-lo. Entre em contato conosco pelo e-mail: professores@maxieduca.com.br

O controle externo da Administração Pública relaciona-se com o controle parlamentar direto, o controle
pelo Tribunal de Contas e o controle jurisdicional. Estes são órgãos externos que realizam a função de
fiscalizar as ações da Administração Pública e o seu funcionamento.

Dentre essa parte introdutória para que fique mais específico vamos abordar o que diz o Princípio da
Proporcionalidade e a Discricionariedade.

Princípio da Proporcionalidade

Representa, em verdade, uma das vertentes do princípio da razoabilidade. Isso porque a razoabilidade
exige, entre outros aspectos, que haja proporcionalidade entre os meios utilizados pelo administrador
público e os fins que ele pretende alcançar.
Se o ato administrativo não guarda uma proporção adequada entre os meios empregados e o fim
almejado, será um ato desproporcional, excessivo em relação a essa finalidade.
Segundo o princípio da proporcionalidade, a Administração não deve restringir os direitos do particular
além do que caberia, do que seria necessário, pois impor medidas com intensidade ou extensão
supérfluas, desnecessárias induz à ilegalidade do ato, por abuso de poder.
Esse princípio fundamenta-se na ideia de que ninguém está obrigado a suportar restrições em sua
liberdade ou propriedade que não sejam indispensáveis, imprescindíveis à satisfação do interesse
público.

A discricionariedade, por sua vez é uma margem de liberdade conferida ao administrador para que
possa cumprir o dever de integrar com sua vontade ou juízo a norma jurídica, de acordo com seus critérios
subjetivos. A lei pode deixar margem de liberdade quanto ao momento da prática, à forma, ao motivo, à
finalidade e ao conteúdo.

Não cabe ao controle externo revisar os atos que foram tomados pela discricionariedade da instituição
componente da administração pública, entretanto atos produzidos de forma a ofender os meios legais
podem ser invalidados pelo controle externo, não podendo-se invocar o princípio da discricionariedade
em situações em que a lei venha a ser descumprida pela administração pública.

São palavras de Marçal Justen Filho “O controle-fiscalização envolve, portanto, a verificação do


exercício regular da competência atribuida pela lei”.

Quanto à posição do órgão de controle, este pode ser vinculado ao Judiciário, Executivo ou Legislativo,

Várias são as doutrinas a respeito da vinculação. Aos que defendem se tratar de vinculação com o
Poder Judiciário, deve-se entender que o órgão de controle passará a integrar o corpo da Magistratura, e
dessa forma irá constituir uma justiça especializada.

Já a vinculação ao Poder Executivo é a posição menos adotada para os dias atuais, pois alguns desses
órgãos originam-se no Executivo, o que acontece comumente em países ditatoriais.

O entendimento de grande parte da doutrina entende que a posição de controle do órgão vincula-se
ao Legislativo. O Tribunal de Contas exerce seu controle externo buscando auxílio com o Congresso

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Nacional, à Assembleia Legislativa Estadual ou Câmara de Vereadores, como órgão dotado de
competência fixada pela Constituição, sem que haja subordinação ao Parlamento.

O Brasil adota o sistema misto, onde parte dos membros são indicados pelo próprio Legislativo, e por
ele aprovada, e parte constitui-se de indicações do Executivo, com a aprovação do Legislativo. Poder-se-
ia questionar tal forma de investidura que na sua forma pura, poderia ser escorreita, todavia, foi
desvirtuada, pois os pretensos representantes do povo nomeiam os Ministros e Conselheiros ao seu
talante e da forma mais conveniente.1
Quanto as garantias, os membros do controle usufruirão das mesmas inerentes ao Poder Judiciário,
ou seja, as observadas no artigo 95, I a III da Carta Magna, quais sejam: vitaliciedade, inamovibilidade e
irredutibilidade de subsídio. No que concerne às vedações são igualmente adotadas as aplicadas aos
Magistrados.

Eis que um dos grandes desafios enfrentados pelo Controle Externo é adequar-se a um novo modelo
de Estado, as dificuldades encaradas para fiscalizar a boa aplicação dos recursos do orçamento público,
com um padrão de avaliação elevado, que satisfaça os interesses da sociedade.

Com o atual momento de crise que nosso país está passando não há que se observar apenas a
legalidade dos atos praticados, mas também a sua economicidade. Desta feita, os órgãos de controle são
de grande valia, não apenas em relação ao dinheiro público aplicado, mas também com a manutenção
da ordem jurídica imposta pelo Estado de Direito.

O CONTROLE EXTERNO E O CONTROLE INTERNO

Antes de adentrarmos as especificidades sobre esses controles vamos a algumas considerações


iniciais:

Controle é uma forma de manter o equilíbrio na relação existente entre Estado e Sociedade, fazendo
surgir daquele as funções que lhe são próprias, exercidas por meio dos seus órgãos, sejam estes ligados
ao Executivo, Legislativo ou Judiciário.
Em decorrência dos princípios da eficiência administrativa e da eficácia dos seus atos, o Estado se vê
cercado de mecanismos de controle das atividades estatais, gerados pela necessidade de se resguardar
a própria administração pública, bem como os direitos e garantias coletivos.
Assim, foram criados dois tipos de mecanismos previstos pela CF/88: o Controle Interno, realizado
pelos próprios órgãos do Estado, e o Controle Externo, realizado pelo Poder Legislativo que é auxiliado
pelo Tribunal de Contas.
No que toca ao que denominou-se Controle Interno, o art. 74 da CF/88 é taxativo ao dispor que os três
poderes devem mantê-lo, de forma integrada, com a finalidade de: avaliar o cumprimento de metas do
plano plurianual e a execução dos orçamentos públicos; comprovar a legalidade e avaliar os resultados,
sob os aspectos de eficiência e eficácia, da gestão orçamentária, financeira e patrimonial dos órgãos e
entidades da administração; exercer o controle das operações de crédito; e, apoiar o controle externo.
Quanto ao Controle Externo, mencionado no art. 71 da CF/88, firme-se que é um controle político de
legalidade contábil e financeira e a ele cabe averiguar: probidade dos atos da administração; regularidade
dos gastos públicos e do emprego de bens, valores e dinheiros públicos e fiel execução do orçamento.
Mesmo que as atividades desempenhadas por esses dois mecanismos apresentem alguma
similaridade, mostra-se necessário e oportuno registrar suas diferenças, uma vez que são distintos.
O mecanismo de Controle Interno faz parte da Administração, subordina-se ao Administrador, tendo
por função acompanhar a execução dos atos e apontar, em caráter sugestivo, preventivo ou
corretivamente, as ações a serem desempenhadas com vistas ao atendimento da legislação pertinente.
Com relação ao Controle Externo, caracteriza-se por ser exercido por órgão autônomo e independente
da Administração, cabendo-lhe, entre as atribuições indicadas pela CF/88, exercer fiscalização. Mediante
tal função, os Tribunais de Contas devem verificar se os atos praticados pela Administração estão em
conformidade com as normas vigentes, observando-se as questões contábeis, financeiras,
orçamentárias, operacionais e patrimoniais.
O Controle Interno integra a estrutura organizacional da Administração, tendo por função acompanhar
a execução dos atos e apontar, em caráter sugestivo, preventivo ou corretivamente, as ações a serem
desempenhadas. Além disso, note-se o caráter opinativo do Controle Interno, haja vista que o gestor pode

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http://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/2023/O-controle-da-administracao-publica-no-Estado-de-Direito

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ou não atender à proposta que lhe seja indicada, sendo dele a responsabilidade e risco dos atos
praticados.

Constituição Federal de 1988:

Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de
controle interno com a finalidade de:
I - avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução dos programas de
governo e dos orçamentos da União;
II - comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão
orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal, bem como da
aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado;
III - exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos direitos e haveres
da União;
IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional.
§ 1º - Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou
ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de responsabilidade solidária.
§ 2º - Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima para, na forma da
lei, denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União.

De acordo com a Organização Internacional das Entidades Fiscalizadoras Superiores – INTOSAI,


controle interno é um processo integrado efetuado pela direção e corpo de funcionários, e é estruturado
para enfrentar os riscos e fornecer razoável segurança de que na consecução da missão da entidade os
seguintes objetivos gerais serão alcançados:

- execução ordenada, ética, econômica, eficiente e eficaz das operações;


- cumprimento das obrigações de accountability;
- cumprimento das leis e regulamentos aplicáveis;
- salvaguarda dos recursos para evitar perdas, mau uso e danos.

Controle interno, e sistema ou estrutura de controle(s) interno(s) são expressões sinônimas,


utilizadas para referir-se ao processo composto pelas regras de estrutura organizacional e pelo conjunto
de políticas e procedimentos adotados por uma organização para a vigilância, fiscalização e verificação,
que permite prever, observar, dirigir ou governar os eventos que possam impactar na consecução de seus
objetivos. É, pois, um processo organizacional de responsabilidade da própria gestão, adotado com o
intuito de assegurar uma razoável margem de garantia de que os objetivos da organização sejam
atingidos.2

O surgimento do controle interno relaciona-se ao processo de evolução do controle das contas


públicas.
Controle interno, controles internos e sistema ou estrutura de controle(s) interno(s) são expressões
sinônimas, utilizadas para referir-se ao processo composto pelas regras de estrutura organizacional e
pelo conjunto de políticas e procedimentos adotados por uma organização para a vigilância, fiscalização
e verificação, que permite prever, observar, dirigir ou governar os eventos que possam impactar na
consecução de seus objetivos. É, pois, um processo organizacional de responsabilidade da própria
gestão, adotado com o intuito de assegurar uma razoável margem de garantia de que os objetivos da
organização sejam atingidos.

Importante esclarecer que o sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal é regulamentado
pelo decreto 3.591 de 06 de setembro de 2000 e suas alterações, tendo sua base legal firmada na Lei
10.180 de 06 de fevereiro de 2001 e alterações. O Decreto 3.591 por sua vez, estabelece as
competências, a estrutura, a organização, as atividades e as finalidades por meio das quais será realizada
a avaliação da ação governamental e da gestão dos administradores públicos, revelando o caráter
avaliativo do Controle Interno.
Controle interno ou controle administrativo é o exercido pela Administração Pública em relação a seus
próprios atos. Ao contrário do controle judicial que segue a inércia do Poder Judiciário, pode ser exercido
de ofício e também mediante provocação. Conforme definição de Maria Sylvia Zanella Di Pietro:

2
http://portal2.tcu.gov.br/portal/pls/portal/docs/2053986.PDF - Carvalho Neto e Silva (2009, p. 4).

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Controle administrativo é o poder de fiscalização e correção que a Administração Pública (em sentido
amplo) exerce sobre sua própria atuação, sob os aspectos de legalidade e mérito, por iniciativa própria
ou mediante provocação.
No que tange aos tipos de Controle Interno, podemos citar:

- Controles Contábeis dizem respeito aos métodos e procedimentos utilizados na salvaguarda do


patrimônio e nas informações contábeis em relação à veracidade e confiabilidade dessas informações.
- Controles Administrativos métodos e procedimentos utilizados na elaboração de planos para atingir
a eficiência operacional e adesão à política traçada pela organização.
- Controles Operacionais: planejamento, orçamento, contabilização e sistemas de informação,
documentação, autorização, políticas, procedimentos e métodos.
- Controles para gestão dos recursos humanos: recrutamento e seleção, orientação, formação,
desenvolvimento e supervisão.
- Controles de revisão e análise: avaliação do desempenho, análise interna das operações e
programas, revisões externas, e outros.
- Controle das instalações e equipamentos: Verificação das instalações e equipamentos.

O controle interno é exercido pelas entidades da Administração Pública como um todo, sejam
integrantes da Administração Pública Direta ou da Administração Pública Indireta.
Suas rotinas devem ser determinadas de modo que uma área controle a outra.
O controle interno é mais amplo que o controle judicial. Enquanto o controle judicial se limita a questão
da legalidade, o controle administrativo analisa a legalidade e pode ainda adentrar ao mérito
administrativo. Tal posicionamento é confirmado pela Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal:

A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem ilegais,
porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência e oportunidade,
respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.
Consoante explanado, o controle interno é aquele feito por órgãos da própria Administração Pública,
podendo ser hierárquico ou tutelar.

a.1) O controle hierárquico é feito dentro de uma estrutura administrativa hierarquizada, portanto,
pressupõe, via de regra, desconcentração administrativa. Ex.: controle de ato de um departamento por
uma secretaria.

a.2) O controle tutelar, também chamado de Supervisão Ministerial, é feito também em âmbito
administrativo, todavia, por outra pessoa jurídica distinta daquela donde precede o ato.
Em verdade, não é um controle hierárquico, pois não há hierarquia entre as pessoas jurídicas distintas
(União Federal e Autarquia Federal, por exemplo), mas apenas um controle finalístico da controlada.
Por isso, quando cabível recurso da pessoa controlada para a controladora, o mesmo é chamado de
recurso hierárquico impróprio.

O controle interno é derivado do poder de autotutela da Administração Pública sobre seus atos e seus
servidores. Esse controle é exercido normalmente pelo poder hierárquico, que por sua vez se divide em
controle hierárquico próprio e impróprio. O controle hierárquico próprio é exercido por um órgão
hierarquicamente superior que controla e fiscaliza um órgão de hierarquia inferior, e o controle hierárquico
impróprio é aquele que é exercido com auxílio de órgãos específicos de controle, mas que integrantes da
Administração Pública, vez que o controle hierárquico é espécie de controle interno, sendo exercido então
somente por órgãos do Poder Executivo.

O controle interno ou administrativo se manifesta de três formas diferentes denominadas pela doutrina
como meios quais sejam: fiscalização hierárquica, supervisão ministerial e recursos administrativos.
A fiscalização hierárquica é a manifestação do controle hierárquico próprio. É o controle exercido por
órgãos superiores sobre órgãos inferiores da mesma Administração.

Conforme salienta Hely Lopes Meirelles: “A fiscalização hierárquica é exercida pelos órgãos superiores
sobre os inferiores da mesma da mesma Administração, visando ordenar, coordenar, orientar e corrigir
suas atividades e agentes. É inerente ao poder hierárquico, em que se baseia a organização
administrativa, e, por isso mesmo, há de estar presente em todos os órgãos do Executivo”.

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O órgão superior analisa a forma de elaboração de atos administrativos, todos os aspectos pertinentes
a legalidade, além de avaliar o mérito administrativo. Analisa a observância a regulamentos próprios como
estatutos ou regimentos internos da entidade, com uma maior precisão por ser integrante do mesmo
sistema de regulação.
São aspectos fundamentais dos controles internos:
-Relação Custo-Benefício
A redução do risco de falhas quanto ao cumprimento dos objetivos e metas de uma atividade é o
fundamento para o benefício de um controle. O conceito de custo-benefício traz que o custo de um
controle não deve exceder os benefícios que ele possa proporcionar.
Frise-se que apesar da determinação da relação custo-benefício em alguns casos ser de fácil
avaliação, o administrador deve, na medida do possível, efetuar estimativas e/ ou exercer um julgamento
próprio a respeito.

-Definição de Responsabilidades e Autoridade


O dever de todo pessoal dentro de uma organização deve ser fixado e limitados de forma precisa, bem
como a autoridade decorrente, atribuída a cada uma das funções.
Deste modo, é necessária a existência de:
- procedimentos claramente determinados que levem em conta as funções de todos os setores da
organização, propiciando a integração das informações dentro do sistema;
- um organograma adequado onde a linha de autoridade e a consequente responsabilidade sejam
definidas entre os diversos departamentos, chefes, encarregados de setores, etc.
A descrição de funções ou atividades embora possa ser informal, deve preferivelmente ser definida
em manuais de procedimentos, visto que estes propiciam a eficiência do sistema e evitam erros.

-Segregação de Funções
Entende-se que um sistema de controle adequado é aquele que elimina a possibilidade de
dissimulação de erros ou irregularidades. Deste modo, os procedimentos destinados a detectar
determinados erros ou irregularidades, devem ser executados por pessoas que não estejam em posição
de praticá-los, isto é, deve haver uma adequada segregação de funções.
Assim, o sistema de controle interno, deve prever segregação entre as funções de aprovação de
operações, execução e controle das mesmas, de modo que nenhuma pessoa possa ter completa
autoridade sobre uma parcela significativa de qualquer transação.

-Acesso aos Ativos


O acesso aos ativos de uma unidade deve ser limitado ao pessoal autorizado para atingir um grau de
segurança adequado. O termo “acesso aos ativos”, inclui acesso físico direto e acesso indireto através
de preparação ou processamento de documentos que autorizem o uso ou disposição desses ativos.
Destarte, durante o curso normal das operações de unidade, o acesso aos ativos é indispensável. A
limitação desse acesso pessoal autorizado constitui, no entanto, um meio de controle eficaz para a
segurança dos mesmos. O número e o nível das pessoas a quem o acesso deve ser autorizado depende
da natureza do ativo e de sua suscetibilidade a perdas através de erros e irregularidades.

-Estabelecimento de Comprovações e Provas Independentes


Os procedimentos referentes a determinada atividade, devem prever processos de comprovações
rotineiras e aquisição independente de informações de controle.
Os inúmeros registros preparados por um órgão para informar sobre o resultado de suas atividades,
em geral constituem meios de controle eficazes, todavia somente quando produzidos por um sistema
adequado. Assim, é considerado como um sistema adequado, aquele que permite assegurar a qualidade
das informações através de registros produzidos por fontes independentes os quais podem ser
comparados/conciliados.

Controle Externo3

O controle externo da administração pública abrange primeiramente o controle parlamentar direto, o


controle pelo tribunal de contas e por fim o controle jurisdicional. São órgãos externos que fiscalizam as
ações da administração pública e o seu funcionamento.

3
Piscitelli, Tathiane. Direito financeiro esquematizado – 4. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro : Forense, São Paulo : MÉTODO, 2014

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É importante esclarecer que, os atos da administração pública quando não regulados por lei, são
realizados por discricionariedade, ou seja, aquele praticado com liberdade de escolha de seu conteúdo,
do seu destinatário, tendo em vista a conveniência e a oportunidade de sua realização. Esses atos,
todavia, devem adotar o princípio da proporcionalidade, ou seja, serem corretos e na medida em que
foram requisitados.
Frise-se portanto que o controle externo não revisa os atos realizados por discricionariedade da
instituição parte da administração pública, contudo, os atos realizados que infringirem os meios legais
podem ser invalidados pelo controle externo, não podendo assim, o princípio da discricionariedade ser
invocado em situações em que a lei venha a ser descumprida pela administração pública.

Segundo a redação do artigo 70 da Constituição, é o Poder Legislativo o responsável pela realização


do controle externo. Essa atribuição se dará com o auxílio do Tribunal de Contas, cujas funções estão
delineadas no artigo 71 da Constituição e serão estudadas em tópico separado. Antes disso, cumpre
mencionar que o Poder Legislativo, independentemente do Tribunal de Contas, irá exercer, por si, a
fiscalização das contas públicas.

Essa fiscalização se dará por uma Comissão mista permanente de Senadores e Deputados,
constituída para, nos termos do artigo 166, § 1º, da Constituição, examinar e emitir pareceres
(I) sobre os projetos das leis orçamentárias e as contas apresentadas pelo Presidente da República e,
também
(II) acerca dos planos e programas previstos na Constituição, com acompanhamento e fiscalização
das gestões orçamentárias respectivas.

No exercício de suas atividades, essa Comissão poderá verificar indícios de despesas não autorizadas
e, diante disso, de acordo com o artigo 72, caput, da Constituição, poderá solicitar esclarecimentos à
autoridade responsável.

Na hipótese de os esclarecimentos não serem prestados, ou serem considerados insuficientes, a


Comissão encaminhará o caso para o Tribunal de Contas, a quem será solicitado que, no prazo de 30
dias, se pronuncie conclusivamente sobre o assunto (artigo 72, § 1º). Caso o Tribunal entenda que a
despesa é irregular, a Comissão poderá propor ao Congresso Nacional sua sustação, desde que possa
causar “dano irreparável ou grave lesão à economia pública” (artigo 72, § 2º).
Trata-se, portanto, de uma forma de controle externo, em que se verifica uma atuação subsidiária do
Tribunal de Contas, cuja função, nesse caso, é a de apresentar um parecer sobre uma dada despesa,
mediante a provocação do Legislativo. Essa possibilidade demonstra, de forma clara, que limitar o estudo
do controle externo apenas na figura do Tribunal de Contas se mostra equivocada e apresenta uma
versão parcial da disciplina constitucional.
Tendo-se feito essa ressalva, passemos à análise das atribuições, características e disciplina do
Tribunal de Contas, sem, contudo, esquecer a possibilidade de fiscalização da gestão de dinheiro público
pelas vias até então estudadas.

Os Tribunais de Contas amparados por suas competências constitucionais, desempenham,


dentre outras as seguintes atividades principais4:

- Auxiliam o Poder Legislativo em suas atribuições de efetuar o julgamento político do agente titular de
cada poder, emitindo parecer prévio recomendando a aprovação ou rejeição de suas contas; • Julgam,
eles próprios, as contas dos ordenadores de despesa e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores
públicos da administração direta e indireta, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou
outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário. Assim o fazem emitindo decisão reprovando ou
aprovando, com ou sem ressalvas, as contas prestadas ou tomadas de tais responsáveis;
- Procedem, por iniciativa própria ou por solicitação das casas legislativas, à fiscalização contábil,
financeira, orçamentária, operacional e patrimonial dos poderes das respectivas esferas de governo e das
demais entidades referidas no item anterior;
- Apreciam, para fins de registro, mediante a emissão de acórdão, a legalidade dos atos de admissão
de pessoal, na administração direta e indireta, bem como a das concessões de aposentadorias, reformas
e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório;
Da atribuição de julgador conferido aos Tribunais de Contas pelo texto constitucional, resulta, em

4
O CONTROLE EXTERNO DAS CONTAS PÚBLICAS: TENDÊNCIAS ATUAIS. Disponível em: http://portal2.tcu.gov.br/portal/pls/portal/docs/2055730.PDF

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consequência, a competência sancionadora de imputar débito ou multa a cuja decisão a Constituição
Federal em seu art. 71, § 3º, conferiu a eficácia de título executivo, que é aquele que goza de liquidez e
certeza.

Controle Externo na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)


O cumprimento da Lei de responsabilidade Fiscal pelos aplicadores das receitas públicas deverá ser
objeto de apreciação pelos Tribunais de Contas, ou seja, do controle externo. A própria LRF dita em seu
art. 59: o Poder Legislativo, diretamente ou com o auxílio dos Tribunais de Contas, e o sistema de controle
interno de cada Poder e do Ministério Público fiscalizarão o cumprimento das normas desta Lei
Complementar(...). Na sequência do dispositivo, a LRF estatui que essa fiscalização dará ênfase ao
exame:
- do cumprimento de metas da LDO;
- do cumprimento dos limites de gastos do Poder Legislativo Municipal (ver Emenda no 25/CF –
estabelece limites de gastos para o Poder Legislativo Municipal);
- dos limites e condições para realização de operações de crédito e inscrição em restos a pagar;
- das providências tomadas para retornar aos limites máximos estatuídos pela LRF em matéria de
gastos com pessoal e dívida pública;
- da destinação dos recursos obtidos com a alienação de bens públicos.

Especificamente em relação ao TCU, a LRF prevê que caberá a ele acompanhar o cumprimento de
regras específicas em relação à dívida pública, notadamente à observância das seguintes vedações: a)
o Banco Central do Brasil só poderá comprar diretamente títulos emitidos pela União para refinanciar a
dívida mobiliária federal que estiver vencendo na sua carteira, devendo a operação ser realizada à taxa
média e condições alcançadas no dia, em leilão público, e b) é vedado ao Tesouro Nacional adquirir
títulos da dívida pública federal existentes na carteira do Banco Central do Brasil, ainda que com cláusula
de reversão, salvo para reduzir a dívida mobiliária

Além de estabelecer essas competências genéricas em relação à fiscalização do cumprimento da lei,


a LRF estatui uma participação ainda mais efetiva dos TC’s, ao assinalar que caberá aos TCs o disposto
a seguir.

1º) Art. 59, § 1º – ALERTAR os Poderes e órgãos da Administração Pública acerca:

- da possibilidade de ocorrência de fatos ensejadores de limitação de empenho (arts. 4º e 9º);


- do atingimento de 90% do limite total da despesa com pessoal;
- do atingimento de 90% do limite da dívida pública, operações de crédito e concessões de garantia;
- da extrapolação do limite estabelecido para os gastos com inativos e pensionistas;
- dos fatos que comprometam os custos ou os resultados dos programas ou indícios de irregularidade
na gestão orçamentária.

2º) Art. 59, § 2º – VERIFICAR os cálculos dos limites da despesa total com pessoal de cada Poder e
órgãos. Nesse caso, tem o TC também a competência para verificar o cálculo da RCL (Receita Corrente
Líquida).

3º) Art. 59, § 3º – O TCU acompanhará o cumprimento das vedações impostas ao Banco Central do
Brasil, nos §§ 2º, 3º e 4º do art. 39 da LRF.

Controle parlamentar direto5

O controle exercido diretamente pelo Congresso Nacional, isto é, de fora parte, o controle que realiza,
de maneira sistemática e minuciosa, por intermédio do Tribunal de Contas, órgão que o auxilia neste
último mister e cujas atribuições serão analisadas subsequentemente.

Sustação de atos e contratos do Executivo

Atendo-nos, pois, neste passo, à atuação direta das Casas do Parlamento, desde logo, merece ser
ressaltado que, nos termos do art. 49, V, ao Congresso Nacional (Senado e Câmara, conjuntamente)

5
Bandeira de Mello, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo, 29ª edição, editora: Malheiros, São Paulo:2012.

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compete: "sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos
limites de delegação legislativa". Aliás, conforme melhor se verá ao depois, cabe-lhe também sustar os
contratos padecentes de ilegalidade, a pedido do Tribunal de Contas (art. 71, § 1).
. Consoante prescreve o art. 50, "a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, ou qualquer de suas
Comissões, poderão convocar Ministro de Estado ou quaisquer titulares de órgãos diretamente
subordinados à Presidência da República para prestarem, pessoalmente, informações sobre assunto
previamente determinado, importando crime de responsabilidade a ausência sem justificação adequada".
De fora parte estas informações pessoais, outras, por escrito, podem ser exigidas pela Mesa da Câmara
ou do Senado, e seu tempestivo desatendimento ou a prestação de informação falsa acarretarão a mesma
sanção. É o que dispõe o § 22 do mesmo artigo, verbis: "As Mesas da Câmara dos Deputados e do
Senado Federal poderão encaminhar pedidos escritos de informação a Ministros de Estado ( ... )
importando crime de responsabilidade a recusa, ou o não atendimento no prazo de trinta dias, bem como
a prestação de informações falsas".

No cumprimento desta missão fiscalizadora e controladora do Parlamento, as Comissões permanentes


de qualquer das Casas Legislativas, em função da matéria de suas respectivas competências, além de
"receber petições, reclamações, representações ou queixas de qualquer pessoa contra atos ou omissões
das entidades públicas" (art. 58, § 22, IV), poderão "solicitar depoimento de qualquer autoridade ou
cidadão" (art. 58, V).

Comissões Parlamentares de Inquérito

Outrossim, uma vez constituídas Comissões Parlamentares de Inquérito - criadas pela Câmara e pelo
Senado, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um terço de seus membros, para a
apuração de fato determinado e por prazo certo -, estas terão poderes de investigação próprios das
autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas, e suas conclusões,
se for o caso, serão encaminhadas ao Ministério Público para que promova a responsabilidade civil ou
criminal dos infratores (cf. art. 58, § 32).

Autorizações ou aprovações do Congresso necessárias para atos concretos do Executivo

No mais, há numerosos casos especificamente previstos na Constituição em que o Poder Legislativo


interfere, necessariamente, para controlar a atividade administrativa. São deste teor as competências
exclusivas do Congresso Nacional para "resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos
internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional", para
"apreciar os atos de concessão e renovação de concessão de emissoras de televisão", para "escolher
dois terços dos membros do Tribunal de Contas da União", para "autorizar, em terras indígenas, a
exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra de recursos minerais", para
"aprovar, previamente, a alienação ou concessão de terras públicas com área superior a dois mil e
quinhentos hectares" (art. 49, incisos I, XII, XIII, XVI e XVII).

Poderes controladores privativos do Senado

Alguns poderes controladores são privativos do Senado Federal. Destarte, a ele compete, consoante
o art. 52, incisos III a IX, aprovar previamente, por voto secreto, após arguição pública, a escolha de
magistrados, nos casos estabelecidos na Constituição, dos Ministros do Tribunal de Contas da União
indicados pelo Presidente da República, do Presidente e diretores do Banco Central da República, do
Procurador-Geral da República (cuja destituição depende de sua aprovação, por votação secreta e com
maioria absoluta) e dos chefes de missão diplomática de caráter permanente (aí, em arguição secreta).
Compete-lhe, ainda, autorizar operações externas de natureza financeira de interesse da União, dos
Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios; fixar, por proposta do Presidente da
República, limites globais para o montante da dívida consolidada da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios; dispor sobre limites globais e condições para as operações de crédito externo
e interno da União, dos Estados, dos Municípios, Distrito Federal, Territórios, respectivas autarquias e
demais entidades controladas pelo Poder Público Federal; dispor sobre limites globais e condições para
a concessão de garantia da União em operações de crédito externo e interno, bem como para o montante
da dívida mobiliária dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

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Julgamento das contas do Executivo

É, ainda, da alçada do Congresso Nacional, de acordo com o inciso IX do precitado art. 49, julgar,
anualmente, as contas prestadas pelo Presidente da República e apreciar os relatórios sobre a execução
dos planos de governo. Se ditas contas não forem apresentadas dentro de sessenta dias após a abertura
da sessão legislativa (2 de fevereiro, cf. art. 57, na redação da EC 50/2006), a Câmara dos Deputados
proceder-lhes-á à tomada (art. 51, II).

Suspensão e destituição ("impeachment") do Presidente ou de Ministros

15. Finalmente, cumpre assinalar que, nos termos dos arts. 85 e 86 da Constituição, se ao Presidente
da República for irrogada a prática de crime de responsabilidade, denunciada por qualquer cidadão,
autoridade ou parlamentar, e a Câmara dos Deputados, por dois terços de seus membros, acolher tal
acusação, o Senado Federal julgá-lo-á, suspendendo-o imediatamente de suas funções tão logo instaure
o processo. Se condená-lo, destitui-lo-á do cargo, procedendo ao denominado impeachment. São crimes
de responsabilidade, conforme o art. 85, os atos que atentem contra a Constituição, especialmente contra
(I) a existência da União; (II) o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério
Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação; (III) o exercício dos direitos políticos,
individuais ou sociais; (IV) a segurança interna do país; (V) a probidade na administração; (VI) a lei
orçamentária; e (VII) o cumprimento das leis e das decisões judiciais.
Estes crimes, conforme prevê o parágrafo único do artigo citado, são definidos em lei especial que lhes
regula o processo e julgamento.
Tal lei é a de n. 1.079, de 10.4.1950. Tal como o Presidente, também os Ministros de Estado podem
incorrer em crime de responsabilidade, conforme dantes se referiu.

CONTROLE PARLAMENTAR DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

O controle exercido pelo poder legislativo sobre a Administração Pública consiste, junto com a
elaboração das leis, em uma das atribuições típicas constitucionalmente delegadas ao poder legislativo,
devendo ser exercido na forma e nos limites prescritos, sob ameaça de violação do art. 2º da Constituição
Federal, que assegura a separação dos poderes.
Os parlamentares exercem controle sob a administração pública através do controle parlamentar
direto, sendo portanto os mecanismos do controle parlamentar:

- pedidos escritos de informação aos Ministros de Estado;


- convocação para o comparecimento de autoridades;
- fiscalização de atos da Administração Pública direta e indireta;
- comissões parlamentares de inquérito; (v) aprovações de decisões do poder executivo;
- fiscalização financeira e orçamentária;
- sustação de atos normativos do poder executivo;
- recebimento de petições e reclamações dos cidadãos.

Consoante leciona o respeitável doutrinador Ribas6 A Constituição Federal disponibilizou uma ampla
diversidade de instrumentos para o exercício do controle parlamentar, de modo que a operacionalização
desses mecanismos é que implicará em maior ou menor grau de eficácia do controle exercido.
Alguns doutrinadores classificam o controle político, ao lado do controle financeiro, como uma
subespécie do controle exercido pelo poder legislativo.
A designação que se demonstra mais apropriada para identificar essa espécie de controle é aquela
denominada de “controle parlamentar ou, ainda, controle exercido pelo Poder Legislativo, que revelam,
de imediato, tratar-se de fiscalização exercida pelo Parlamento ou Poder Legislativo sobre a
Administração”.
O Controle Parlamentar encontra-se disposto no artigo 49 da Constituição Federal, que determina ser
de competência exclusiva do Congresso Nacional a fiscalização e controle dos atos do poder executivo
diretamente ou por meio do Senado ou da Câmara dos Deputados.

6
RIBAS, Guilherme Favaro Corvo. O Controle parlamentar da Administração Pública e sua eficácia in ALMEIDA, Fernando Dias Menezes; MARQUES NETO,
Floriano de Azevedo; MIGUEL, Luiz Felipe Hadlich; SCHIRATO, Vitor Rhein. Direito Público em Evolução: estudos em homenagem à Professora Odete Medauar.
São Paulo: Fórum, 2013.

. 9
1486905 E-book gerado especialmente para ROGERIO CAVALCANTI TRINDADE
Questões

01. (TJ/DFT - Juiz – CESPE/2016). No que se refere ao tema controle interno e externo e seus
respectivos órgãos estatais, assinale a opção correta.
(A) Qualquer cidadão ou sindicato é parte legítima para denunciar irregularidades ou ilicitudes ao
tribunal de contas.
(B) O controle da atividade administrativa exercido pelo CNJ sujeita todos os órgãos do Poder
Judiciário Nacional.
(C) O TCU, mediante controle externo que lhe cabe por competência exclusiva, exerce a fiscalização
da atividade contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União.
(D) Nos processos perante o TCU, em que há apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de
aposentadoria, é prescindível assegurar-se o contraditório e a ampla defesa, a despeito do decurso de
qualquer lapso temporal.
(E) No que tange ao controle interno da administração, é lícito condicionar a admissibilidade de recurso
administrativo a prévio depósito.

02. (TCM/RJ - Procurador da Procuradoria Especial – FCC/2015). Sobre os Controles Externo e


Interno no Brasil, tem-se que
(A) o Tribunal de Contas da União e o Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro são
integrados, respectivamente, por 7 e 9 Conselheiros.
(B) não abrangem a aplicação de subvenções ao terceiro setor, tendo em vista o caráter social desse
tipo de repasse.
(C) os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário devem manter um sistema de controle interno
integrado.
(D) o exercício do controle das operações de crédito compete ao Controle Externo, mas não ao
Controle Interno.
(E) sua área de atuação se limita às pessoas físicas e jurídicas públicas.

03. (TCE-RN - Conhecimentos Básicos para o Cargo 1 - CESPE/2015) A respeito das entidades
fiscalizadoras superiores e dos sistemas de controle na administração pública brasileira, julgue o item a
seguir.
O Tribunal de Contas da União (TCU) não exerce uma função jurisdicional em relação às contas do
presidente da República, pois aquele não julga pessoas, mas contas, e suas decisões não fazem coisa
julgada, visto que são de cunho administrativo. Na função de órgão auxiliar do Poder Legislativo, o TCU
apenas emite parecer técnico a respeito das contas.

( ) Certo ( ) Errado

04. (TCE/RS - Auditor Público Externo - Engenharia Civil - Conhecimentos Básicos - FCC) No
exercício de suas atribuições funcionais, servidores responsáveis pelo controle interno dos órgãos do
Poder Executivo de determinado Município deparam-se com elementos de que teriam sido repassados a
menor, à Câmara dos Vereadores, os percentuais da receita municipal que lhe são assegurados
constitucionalmente para cobertura da despesa do Legislativo municipal. Nesta situação, considerada a
disciplina constitucional da matéria,
I. embora seja medida de eficiência e transparência administrativa, a existência de órgãos de controle
interno no âmbito do Poder Executivo municipal não é prevista constitucionalmente.
II. está-se diante de hipótese que configura crime de responsabilidade do Prefeito do Município, por
expressa previsão constitucional.
III. os responsáveis pelo controle interno deverão dar ciência de seus achados ao Tribunal de Contas
a cuja jurisdição se submetam os órgãos e entes da Administração municipal, sob pena de
responsabilidade solidária.
Está correto o que se afirma APENAS em
(A) I e II.
(B) II e III.
(C) I e III.
(D) I.
(E) II.

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05. (TRF/4ª REGIÃO - Técnico Judiciário - Área Administrativa - FCC) Determinada entidade da
Administração pública federal mantém, em sua estrutura, órgão de controle interno, com a finalidade,
entre outras, de comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão
orçamentária, financeira e patrimonial da entidade. No exercício de suas atribuições, os integrantes do
referido órgão de controle deparam-se com irregularidade na execução de um contrato específico de
prestação de serviços, da qual é dada ciência ao Tribunal de Contas da União - TCU, que, a seu turno,
determina, de imediato, a sustação da execução contratual. Nesta hipótese, considerada a disciplina
constitucional da matéria,
(A) o órgão de controle interno poderia, efetivamente, possuir atribuição de avaliação de atos e
contratos quanto à legalidade e eficiência, conforme expressa previsão constitucional, mas seus
integrantes não possuem legitimidade para dar ciência de eventuais irregularidades ao TCU.
(B) o órgão de controle interno não poderia possuir atribuição de avaliação de atos e contratos quanto
à legalidade e eficiência, por se tratar de critérios restritos ao sistema de controle externo, exercido pelo
Congresso Nacional, com o auxílio do TCU.
(C) os integrantes do órgão de controle interno não poderiam ter dado ciência da irregularidade ao
TCU, dado que somente possuem legitimidade para tanto partido político, associação ou sindicato.
(D) o TCU não poderia ter determinado a sustação da execução contratual, por se tratar de ato de
competência do Congresso Nacional, a quem compete, ademais, solicitar, de imediato, ao Poder
Executivo as medidas cabíveis.
(E) os integrantes do órgão de controle interno deveriam, efetivamente, ter dado ciência da
irregularidade ao TCU, sob pena de responsabilidade solidária, possuindo, de fato, o TCU competência
para determinar de imediato a sustação da execução contratual.

06. (PC-TO - Delegado de Polícia - Aroeira) O controle exercido pelo Ministério Público sobre a polícia
é do tipo:
(A) hierárquico.
(B) interno.
(C) finalístico.
(D) externo.

07. (CGE-MA - Auditor - FGV) Assinale a alternativa que apresenta uma finalidade do controle interno.
(A) Planejar o cumprimento das metas estabelecidas no plano plurianual, a execução dos programas
de governo e dos orçamentos do Estado.
(B) Estabelecer a legalidade e cumprir os resultados quanto à eficácia e à eficiência da gestão
orçamentária, financeira e patrimonial, nos órgãos e entidades da administração estadual, bem como da
aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado.
(C) Executar ações para obtenção das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos direitos
e haveres do Estado.
(D) Apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional.
(E) Emitir parecer prévio sobre as prestações de contas consolidadas da gestão.

08. (TJ/MT – Juiz - FMPRS) Com relação ao controle da Administração Pública, assinale a opção
correta.
(A) No exercício do controle externo, é possível tanto a revogação quanto a invalidação dos atos
administrativos.
(B) No exercício de suas funções, a Administração Pública sujeita-se a controle por parte do Poder
Legislativo e Poder Judiciário, além de exercer, ela mesma, o controle sobre os próprios atos.
(C) O controle exercido pelo Poder Legislativo está restrito às hipóteses previstas na Constituição
Federal e somente pode ocorrer no âmbito da Administração Pública Direta, Autarquias e Fundações
Públicas.
(D) O controle exercido pelo Poder Judiciário deverá ser precedido do esgotamento das vias
administrativas.
(E) O controle exercido pelo Poder Judiciário tanto pode revogar quanto invalidar os atos
administrativos; quanto aos efeitos, no primeiro caso, não retroage; no segundo, retroage.

09. (SEFAZ-ES - Auditor Fiscal da Receita Estadual - CESPE) O controle exercido por determinado
órgão público sobre os seus departamentos denomina-se controle.
(A) interno.
(B) de legalidade.

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(C) externo.
(D) concomitante.
(E) provocado.

10. (ANTT - Especialista em Regulação de Serviços de Transportes Terrestres – CESPE). Acerca


de controle interno e externo, e do controle parlamentar, julgue os itens subsequentes.
O controle parlamentar alcança os órgãos do Poder Executivo, as entidades da administração indireta,
bem como o próprio Poder Judiciário, quando este executa função administrativa.

( ) Certo ( ) Errado

11. (TCU - Auditor Federal de Controle Externo – Psicologia O controle externo da administração
pública é função concorrente dos Poderes Judiciário e Legislativo. Na esfera federal, esse controle é
exercido privativamente pelo Senado Federal, auxiliado pelo TCU.
( ) Certo ( ) Errado

Respostas

01. Resposta: A
Constituição Federal
Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de
controle interno com a finalidade de:
( )
§ 2º Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima para, na forma da lei,
denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União.

02. Resposta: C
Constituição Federal
Art. 74, Constituição Federal. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma
integrada, sistema de controle interno com a finalidade de( )

03. Resposta: Certo.


A Competência do TCU consiste, basicamente, na elaboração de parecer prévio sobre as contas
prestadas anualmente do Presidente da República (CF, art. 71, I)
Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal
de Contas da União, ao qual compete:
I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer prévio
que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento;

CF, art. 71, I. [...] apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante
parecer prévio que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento

04. Resposta: “B”. I está incorreto porque o controle interno no âmbito do Executivo Municipal é
exercido (artigo 31, CF); II está correto nos moldes do artigo 29-A, §2º, CF; III está correto porque a
legislação constitucional e de responsabilidade fiscal asseguram a solidariedade entre os agentes que
cometeram a violação e os responsáveis pelo controle interno que não a denunciarem. Logo, somente II
e III estão corretos.

05. Resposta: “D”. As atribuições do Tribunal de Contas da União estão descritas no artigo 71 da
Constituição Federal, sendo que a competência de sustação imediata de contrato não está prevista no
rol, cabendo, no máximo, como se extrai do inciso X, “sustar, se não atendido, a execução do ato
impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal”. Cabe ao Congresso
Nacional, nos termos do artigo 49, V, CF: “sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem
do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa”.

06. Resposta: D.
Complementando as explicações dos nobres colegas, a resposta da referida questão pode ser extraída
do artigo 129, VII da CF, vejamos:
Art. 129- São funções institucionais do Ministério Público:

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[...]
VII- Exercer o controle EXTERNO da atividade policial, na forma da lei complementar mencionada no
artigo anterior;

07. Resposta: D.
Conforme dita a Constituição Federal de 1.988:
Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de
controle interno com a finalidade de:
IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional.
a) Fiscalizar o cumprimento, e não planejar.
c) Exerce o controle, e não executa as ações.
08. Resposta: B
A Administração Pública sujeita-se a controle por parte do Poder Legislativo e Poder Judiciário,
podendo exercer o controle sobre os próprios atos o qual é denominado controle interno, realizado no
exercício de suas funções.

09. Resposta: A.
Conforme leciona Alexandre Mazza em seu livro "Manual de Direito Administrativo - Completo Para
Concursos- 4ª Ed. 2014", o controle administrativo quanto à extensão, pode ser dividido em controle
externo e controle interno, senão vejamos:
a) controle interno: realizado por um Poder sobre seus próprios órgãos e agentes. Exemplo: controle
exercido pelas chefias sobre seus subordinados;
b) controle externo: quando o órgão fiscalizador se situa fora do âmbito do Poder controlado. Exemplo:
anulação judicial de ato da Administração.

10. Resposta: certo


Art. 38, Lei 8443/1992. Compete, ainda, ao Tribunal:
I - realizar por iniciativa da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de comissão técnica ou de
inquérito, inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial
nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário e nas entidades da
administração indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo poder público
federal.

11. Resposta: Errado


O controle externo é função do poder Legislativo, e não concorrente junto ao Judiciário. Outrossim,
conforme estabelecido em Lei, o Controle é exercido pelo Congresso Nacional com auxílio do TCU e não
apenas Senado Federal.

4 Tribunais de contas: funções, natureza jurídica, competência constitucional e


infraconstitucional, jurisdição, composição, deliberações, eficácia das decisões
e princípio da simetria concêntrica.

Tribunais de contas: funções, natureza jurídica, competência constitucional e


infraconstitucional, jurisdição, composição, deliberações, eficácia das decisões e princípio da
simetria concêntrica.

A compreensão das circunstâncias que envolvem e operam as ações e procedimentos em torno do


Tribunal de Contas da União e dos demais órgãos regionais correlatos, deixa claro sua importância para
a administração pública estatal, sem a qual o patrimônio do Estado passaria a ser um mero instrumento
de jogos de interesses pessoais, grupais e partidários. Nesta condição, o Tribunal de Contas passa a ter
um papel de extrema relevância para a guarda e proteção dos bens patrimoniais da nação, pois, na
medida do seu exercício, impõe limites ao uso dos bens públicos e estipula sanções contra aqueles que
fazem uso arbitrário do patrimônio nacional obrigando-os, quando das violações legais e das práticas de
infrações comprovadamente de má-fé, ao ressarcimento aos cofres públicos e outras sanções
administrativas, cíveis e penais cabíveis, isto, a partir do exame dos pareceres técnicos oficiais em
análises e auditorias, o que permite uma transparência em relação às transações com uso do erário
público em orçamentos, licitações e outras ações por parte de pessoas e órgãos do governo, a fim de

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prestação de contas à sociedade brasileira, proprietária legítima deste patrimônio, fazendo valer o estado
democrático de direito. As ações do TCU impõem seriedade ao cumprimento das obrigações dos
servidores e agentes do Estado, na medida em que, rastreia, investiga e avalia as tomadas de decisões
destes quanto ao uso do dinheiro público, com a finalidade única de salvaguardar as divisas do país,
residindo ai sua indiscutível importância enquanto órgão imbuído de moralidade e do caráter fiscalizador
e sancionador.

Conceito

Designa-se Tribunais de Contas7 as "Cortes" especializadas em análise das contas públicas dos
diversos órgãos da Administração Pública do Estado ou União. Nestes termos, o Brasil apresenta, do
ponto de vista da estrutura administrativa, especificações e redistribuição orgânica entre os tribunais desta
natureza, cuja finalidade é a fiscalização, inspeção, análise e controle de contas públicas em todo o
território nacional, assim, atua neste cenário o Tribunal de Contas da União (TCU), os Tribunais de Contas
dos Estados (TCE's), o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) e os Tribunais de Contas dos
Municípios (TCM's). Entretanto, em alguns estados da federação há, apenas, o Tribunal de Contas do
Estado, responsável pelas contas dos estados e municípios, e no Distrito Federal o Tribunal de Contas
cuida, tão somente, das contas do Distrito Federal, não abarcando sob sua jurisdição nenhuma conta de
municípios.

O Tribunal de Contas, numa leitura genérica, trata-se do órgão responsável pela análise dos gastos
públicos, cuja ação fiscalizadora denomina-se "Controle Externo". Cabendo ao Poder Legislativo, que
compreende o Senado Federal, a Câmara dos Deputados, as Assembleias Legislativas e as Câmaras de
Vereadores, exercerem este controle frente aos representantes do Poder Executivo, que por sua vez
estão representados pelo Governo Federal, Governos Estaduais e Prefeituras dos Municípios, além dos
representantes do Poder Judiciário, que abrangem o Supremo Tribunal Federal (STF), o Superior Tribunal
de Justiça (STJ), os Tribunais Regionais Federais (TRF's), os Tribunais Eleitorais (TE's) e os Tribunais
de Justiça dos Estados (TJ's), daí dizer da autonomia do Tribunal de Contas, quanto ao auxílio que presta
ao Poder Legislativo no sentido de exercer o controle externo fiscalizador dos gastos dos órgãos dos
Poderes Executivo, Judiciário e do próprio poder Legislativo. Ademais, além do controle externo, cada
Poder tem obrigação da manutenção de um "sistema de controle interno", mas vale ressaltar que, embora
seja um tribunal, o Tribunal de Contas não encontra-se circunscrito, nem faz parte do Poder Judiciário,
pois seu caráter é de natureza, eminentemente, administrativa (contábil), conquanto, trabalham em
regime de parceria e não de subordinação ao Judiciário. Contudo, importa saber que, segundo o Art. 71,
Caput, da CRFB/1988, o controle externo das contas do país está a cargo do Congresso Nacional, cujo
exercício fica sobre controle do Tribunal de Contras da União, assim está distribuído o sistema de análise
das contas públicas perante os órgãos da Administração Pública direta e indireta e os agentes
governantes.

Funções e deliberações

Os diversos Tribunais de Contas tem como função fundamental realizar a fiscalização contábil,
financeira, orçamentária, operacional e patrimonial dos órgãos federativos e federados da Administração
Pública direta e indireta, estando sujeitas a esta fiscalização as empresas públicas e sociedades de
economia mista.
Entretanto, temos que observar os parâmetros que distinguem as funções do Tribunal de Contas da
União e dos Tribunais de Contas dos Estados, do Tribunal de Contas do Distrito Federal e do Tribunal de
Contas dos Municípios, embora exerçam funções correlatas e análogas, cada qual atuará dentro da sua
competência e funções, de acordo com que orienta a legislação, conforme as palavras de Melo (2011, p.
2), a seguir:

"[...] As funções do Tribunal de Contas são expressas no Texto Constitucional, já havendo


manifestação do Supremo Tribunal Federal, quanto ao tema: 'O Tribunal não é preposto do Legislativo.
A função, que exerce, recebe-a diretamente da Constituição, que lhe define as atribuições" (STF - Pleno
- j. 29.6.84, in RDA 158/196).

7
http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=17384&revista_caderno=9

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A Constituição Federal através dos artigos 71 a 75, dispõe sobre funções, forma de composição e
nomeação dos Ministros do Tribunal, como também sobre as demais atividades vinculadas ao Tribunal
de Contas da União.
As Constituições de cada estado disciplinam as normas pertinentes aos Tribunais de Contas
respectivos, sendo vedada, a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de Contas Municipais, após a
Constituição de 1988, por força do artigo 31, § 4º da CF. [...]"
O Tribunal de Contas da União, sendo um tribunal administrativo, julga as contas dos administradores
públicos e demais responsáveis pela receita (dinheiro), patrimônio (bens) e valores públicos federais, ou
seja, fiscaliza os órgãos do Governo Federal, além das contas de qualquer ente ou pessoa vinculada a
este, cujas ações possam causar perdas, extravio ou irregularidades que tragam prejuízos ao patrimônio
nacional, atribuição prevista no art. 71 da Constituição da República Federativa do Brasil (CRFB/1988), é
composto por nove ministros com as mesmas prerrogativas, garantias, vencimentos e impedimentos dos
ministros do STJ. Importante ressaltar que, a Constituição Federal de 1988, em seu Art. 31, § 4º, veda a
criação de Tribunais e órgãos de contas municipais, no entanto, os municípios que já possuem estas
instituições criadas anteriormente à CRFB/1988, poderão mantê-las e os demais municípios sofrerão o
controle externo da Câmara Municipal realizado mediante auxílio dos Tribunais de Contas dos Estados e
Ministério Público.
Também conhecido como "Corte de Contas", o Tribunal de Contas da União é um órgão colegiado, ou
seja, é um órgão público vinculado a outros órgãos da administração pública, e composto por nove
ministros, sendo seis deles por indicação do Congresso Nacional, um pelo presidente da República e dois
indicado por auditores e membros do Ministério Público que atua junto ao Tribunal. As deliberações do
TCU são, em geral, tomadas pelo Plenário, que é a instância máxima do órgão, contudo, tais deliberações
podem ser tomadas por uma das duas Câmaras, nas hipóteses em que caibam tal possibilidade, nessas
sessões do Plenário ou das Câmaras faz-se imprescindível a presença do representante do Ministério
Público adstrito ao Tribunal, para juntos assistirem-se frente às questões apresentadas aos órgãos.
Então, o TCU na condição de órgão autônomo, cuja missão é propiciar a defesa da ordem jurídica, é
composto do procurador-geral, três subprocuradores-gerais e quatro procuradores, ambos nomeados
pelo presidente da República, aqueles concursados com título de bacharel em Direito.
A filosofia institucional do Tribunal de Contas é prestar apoio técnico ao exercício de vigilância sobre
os bens e patrimônios estatais, circunscritas suas competências aos âmbitos constitucionais e legais, isto
é, as ações do TCU devem ficar restritas às deliberações inscritas na Constituição Federal de 1988, bem
como, nas leis infraconstitucionais e outros institutos jurisprudenciais, que serão postos em prática por
sua Secretaria, esta composta de diversas unidades, dentre as quais, a Secretaria-Geral das Sessões, a
Secretaria-Geral de Administração e a Secretaria-Geral de Controle Externo, sendo que o gerenciamento
da área técnico-executiva do controle externo encontra-se sob o comando da Secretaria-Geral de
Controle Externo (Segecex), às quais estão subordinadas às unidades técnico-executivas sediadas em
Brasília e nos vinte e seis estados da federação, cabendo às estas últimas a fiscalização sobre a aplicação
dos recurso federais repassados para estados e municípios, por meio de convênios ou outros
instrumentos legais. Deste modo, as funções do TCU são: Função Fiscalizadora, Consultiva, Informativa,
Judicante, Sancionadora, Corretiva, Normativa e de Ouvidoria, e em alguns casos assumem o caráter
Educativo ou Orientador, tais funções muitas vezes são chamadas ou denominadas de competências.

Assim sendo, podemos classifica-las, segundo sua atuação, em:

I. Função Fiscalizadora - aquela que compreende a realização das auditorias e inspeções, que podem
ser por iniciativa própria, por requerimento do Congresso Nacional, para apuração de denúncias em
órgãos e entidades federais ou em programas do governo, para apreciação da legalidade de atos de
concessão de aposentadorias, reformas, pensões, admissão de pessoal no serviço público federal,
fiscalização de renúncia de receitas, além de atos e contratos administrativos gerais. A fiscalização atua
sobre alocação de recursos humanos e materiais, cujo objetivo é avaliar o gerenciamento dos recursos
públicos, que consiste em apreender dados e informações, analisando-as a fim de produzir um
diagnóstico da situação, cujo objetivo é a formação de um juízo de valor sobre a atividade analisada. Tal
inspeção ou exame surge por iniciativa do próprio órgão fiscalizador ou em decorrência de uma solicitação
pelo Congresso Nacional. Logo, cinco instrumentos são utilizados para fins de fiscalização, a saber:

1) Levantamento: é o instrumento com o qual o TCU utiliza para compreender o funcionamento do


órgão ou entidade pública, descobrindo os meandros da sua organização, identificando os objetos e
instrumentos a serem fiscalizados, avaliando as suas viabilidades de realização;

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2) Auditoria: é o instrumento que permite a verificação no local, da legalidade e legitimidade dos atos
de gestão, tanto em seu aspecto contábil, quanto em suas características financeiras, orçamentárias e
patrimoniais, bem como os possíveis resultados que poderão ser alcançados pelo órgão, ente público,
projetos e programas;

3) Inspeção: cumpre à obtenção de informações não disponíveis no Tribunal, quanto para esclarecer
dúvidas acerca dos procedimentos, apura fatos trazidos ao Tribunal por meio de representações ou
denúncias;

4) Acompanhamento: visa monitorar e avaliar a gestão de órgãos, entidades ou programas do governo


em período de tempo estimado;

5) Monitoramento: é o instrumento utilizado para aferir o cumprimento das deliberações proferidas pelo
Tribunal e seus resultados.

II. Função Consultiva - aquela exercida por meio da elaboração de pareceres técnicos prévios e
específicos, sobre prestação anuais de contas emitidas pelos chefes dos Poderes Executivo, Legislativo
e Judiciário, bem como, pelo chefe do Ministério Público da União, a fim de subsidiar o julgamento pelo
Congresso Nacional, também engloba o exame, "em tese", das consultas realizadas pelas autoridades
competentes para formulá-las, sobre dúvidas quanto à aplicação de dispositivos legais e regulamentares
a respeito das matérias da alçada do Tribunal.

III. Função Informativa - é aquela exercida quando da prestação de informações reclamadas pelo
Congresso Nacional, por suas Casas ou pelas Comissões, sobre a fiscalização do Tribunal, ou ainda
sobre resultados de inspeções e auditorias pelo TCU, compreende ainda a representação ao poder
competente sobre irregularidades ou apuração de abusos, assim como, o encaminhamento de relatório
das atividades do Tribunal ao Congresso Nacional.

IV. Função Judicante - esta função ocorre quando do Tribunal de Contas da União julga as contas dos
administradores públicos e outros responsáveis por dinheiro, bens, valores públicos da administração
direta e indireta, incluindo das fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público Federal,
assim como as contas dos que causaram prejuízos, extravios ou quaisquer outras irregularidades que
venham a prejudicar o erário nacional. Através dos processos são organizados no Tribunal, as prestações
de contas, fiscalizações e demais assuntos submetidos à deliberação do Tribunal. Portanto, cabe aos
ministros ou auditores do Tribunal relatar esses processos, votar e submetê-los aos pares proposta de
acórdão, logo após a análise e instrução preliminar realizada por órgãos técnicos da Secretaria do
Tribunal. A esta função ficam os Tribunais de Contas autorizados a realizar o julgamento das contas
anuais dos administradores e responsáveis pelo erário na Administração Pública.

V. Função Sancionadora - é expressa através da aplicação aos responsáveis das sanções previstas
na Lei Orgânica do Tribunal, Lei nº 8.443/92, caso seja apurada a ilegalidade de despesas ou
irregularidade das contas, tal função básica do Tribunal está prevista na Constituição Federal/1988, em
seu artigo 71, incisos VIII a XI, que estabelece a aplicação de penalidades aos responsáveis por despesas
ilegais ou por irregularidade das contas. Estas sanções estão claramente explicitadas na Lei nº
8.443/1992 e regulam a aplicação de multa e obrigação de devolução do débito apurado, até o
afastamento provisório do cargo, o arresto de bens, a inabilitação para exercício do cargo em comissão
ou função de confiança no âmbito da Administração Pública, vale lembrar que, as penalidades não
eximem o responsável das devidas aplicações das sanções penais e administrativas por autoridades
competentes e da inelegibilidade pela Justiça Eleitoral, um vez que, o TCU envia periodicamente ao
Ministério Público Eleitoral uma lista de nomes de responsáveis por contas julgadas irregulares pelo TCU
referente ao período de cinco anos anteriores, em resposta à Lei Complementar nº 64/1990, que versa
sobre declaração de inelegibilidade. Poderá ainda o TCU, conforme artigo 71, incisos IX e X, da
Constituição Federal/1988, fixar um prazo para que o órgão adote providências cabíveis ao cumprimento
da lei, em caso de ilegalidade ou sustação do ato impugnado, caso descumprimento, o Tribunal comunica
ao Congresso Nacional, a quem caberá adotar o ato de sustação;

VI. Função Corretiva - Caso ocorra ilegalidade ou irregularidade nos atos de gestão de quaisquer
órgãos ou entidade pública, caberá ao Tribunal de Contas fixar o prazo para cumprimento da lei. Quando
não atendido o ato administrativo, o Tribunal deverá determinar a sustação do ato impugnado, assim o

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Tribunal de Contas exerce sua função corretiva. Esta função autoriza aos Tribunais de Contas aplicar
sanções por ilegalidade de contas e despesas apresentadas pelos órgãos governamentais. Tais decisões
sancionatórias dos Tribunais de Contas têm eficácia de título executivo, embora os Tribunais não tenham
competência para executá-las, pois, caberá a execução às entidades públicas beneficiárias.

VII. Função Normativa - é aquela decorrente do poder regulamentar de competência do Tribunal


atribuído pela Lei Orgânica, que lhe autoriza a expedição de instruções e atos normativos, de
cumprimento obrigatório, sob pena de responsabilidade do infrator, sobre matéria de sua competência e
sobre a organização dos processos que lhe serão submetidos.

VIII. Função de Ouvidoria - incumbe-se da responsabilidade do Tribunal de Contas em receber


denúncias e representações relativas a irregularidade ou ilegalidade que lhe sejam comunicadas pelos
responsáveis pelo controle interno, por autoridades, cidadãos, partidos políticos, associações e
sindicatos. Tal função está estritamente ligada à cidadania e defesa dos interesses coletivos e difusos,
sendo um meio muito eficaz de controle e colaboração entre partes interessadas, nestes termos, a fim de
assegurar a averiguação de denúncias, a Constituição Federal/1988, em seu artigo 74, § 2º e o
Regulamento Interno do TCU estabelece os requisitos e procedimentos para que as denúncias sejam
acolhidas pelo Tribunal. O exame preliminar, que determinará o reconhecimento ou rejeição de uma
denúncia é de caráter sigiloso, nos termos da Lei nº 8.443/1992/Lei Orgânica do TCU, no artigo 53, § 3º.
Logo após o exame, o Tribunal ordena ou o acolhimento e a apuração da denúncia, ou caso contrário,
por não preenchimento dos requisitos legais e regimentais, procede-se o seu arquivamento, decidindo
outrossim, pela manutenção ou cancelamento do sigilo, em conformidade com o artigo 55, § 1º, do mesmo
dispositivo legal, em qualquer hipótese tanto o denunciante e o denunciado são informados das decisões
adotadas pelo Tribunal.

Além destas previsões, as Cortes de Contas tiveram reconhecida pelo STF, por meio da súmula nº
347, a competência para apreciar a constitucionalidade de leis e atos do Poder Público, daí dizer que as
atribuições dos Tribunais de Contas ultrapassam as discussões sobre a legalidade no controle
orçamentário, financeiro, contábil, operacional e patrimonial, baseados na sua legitimidade orgânica e no
princípio da economicidade. Ademais, segundo a CRFB/1988, o Tribunal de Contas enquanto instituição
consolidou-se no importante papel de proteção ao bem público, ficando claro que o mesmo não pertence
a nenhum dos três poderes, possuindo natureza jurídica institucional autônoma e a serviço de todos os
Poderes.

Os Fundos de Participação são os recursos entregues pela União aos Estados, Distrito Federal e
Municípios, por meio de percentuais, conforme predispõe a Constituição Federal/1988, em seus artigos
159 e 161, nos quais definem o rateio em âmbito da federação e o cálculo das quotas do Fundo de
Participação dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos Fundos de Financiamento do Norte,
Nordeste e Região Centro-oeste, sendo que tais cálculos obedecem aos critérios previstos na legislação
complementar e ordinária, e seus coeficientes de participação são fornecidos pelo IBGE, baseado nos
índices populacionais, até o último dia de cada exercício, passando a vigorar no ano seguinte. Já o Fundo
de Participação dos Municípios (FPM) são fixados em acordo com a Lei nº 5.172/1966, Código Tributário
Nacional, com alterações do Decreto-Lei nº 1.881/1981 e em Leis Complementares n.º 59/1988; 71/1992
e 74/1993, em casos de capitais e municípios que participam da reserva criada pelo decreto acima citado,
com coeficiente de 4,0, usa-se como baliza a renda per capta do respectivo estado. No Fundo de
Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE), foram fixados os percentuais, dos 26 estados e do
Distrito Federal por meio da Lei Complementar nº 62/1989, onde estabelece a distribuição dos recursos
da seguinte forma: 85% para estados das Regiões Norte, Nordeste e Centro-oeste; e 15% para estados
das Regiões Sul e Sudeste.

Competência Constitucional e infraconstitucional

Segundo o Tribunal de Contas da União a Constituição Federal de 1988, lhe conferiu o papel de auxiliar
do Congresso Nacional para exercício do controle externo, estando as competências constitucionais
privativas do Tribunal previstas nos seus artigos 71, 72, 73, 74 e no artigo 161, conforme descrições
abaixo:

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1) Apreciar as contas anuais do presidente da República, através de um parecer prévio elaborado
dentro de sessenta dias, e apreciar relatórios sobre execução de planos do governo (Artºs 71, inciso I e
49, inciso IX, CRFB/1988);

2) Julgar as contas dos administradores e responsáveis pelo dinheiro, bens e valores públicos (Artº 71,
inciso II, CRFB/1988; Lei nº 4.320/1964; DL nº 200/1967, Lei 6.223/1975; Lei 8.443/1992 - Lei Orgânica
do Tribunal de Contas da União);

3) Apreciar a legalidade dos atos de admissão de pessoal e de concessão de aposentadorias, reformas


e pensões civis e militares (Artº 71, inciso III, CRFB/1988);

4) Realizar inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, operacional e patrimonial nas


unidades administrativas dos três poderes, por iniciativa própria ou por solicitação do Congresso Nacional.

5) Fiscalizar as contas nacionais de empresas supranacionais de cujo capital social a União tenha
participação direta ou indireta (Artº 71, inciso V, CRFB/1988);

6) Fiscalizar a aplicação de recursos da União repassados a estados, ao Distrito Federal e a municípios


mediante convênios, acordos ou outros instrumentos congêneres (Artº 71, inciso VI, CRFB/1988);

7) Prestar informações e atendimento ao Congresso Nacional, às suas Casas ou a quaisquer de suas


Comissões sobre as fiscalizações contábeis, financeiras, orçamentárias, operacionais ou patrimoniais
realizadas, cuja finalidade será aplicar sanções e determinar a correção de ilegalidades e irregularidades
em atos e contratos, isto previsto nos artigos 38 e 103 da Lei nº 8.443/1992 chamada Lei Orgânica do
Tribunal e nos artigos 231 a 233 do Regimento Interno do TCU, tais pedidos de informações e solicitações
são apreciados em caráter de urgência pelo TCU, ademais, há no Tribunal de Contas um Comitê Técnico
de Auxílio ao Congresso Nacional, cujo objetivo é aprimorar o atendimento de pedidos e solicitações;

8) Sustar a execução do ato impugnado se não atendido, comunicando à Câmara dos Deputados e ao
Senado Federal, verificada irregularidade nas contas, o TCU assegura às partes o exercício da ampla
defesa em todas as etapas de apreciação e julgamento dos processos, matéria disciplinada pela
Resolução nº 36/1995 do TCU e o artigo 202 do Regimento Interno do TCU admite se constatada
irregularidade, havendo débito, o Tribunal ou o Relator ordenará a citação do responsável para apresentar
defesa ou recolher a quantia devida aos cofres públicos, caso não haja débitos, determinará uma
audiência do responsável pelos atos para apresentar suas justificativas, se tal decisão resulte em débito
ou cominação de multa, tal valor torna-se dívida líquida e certa, com valor de título executivo, assim, o
responsável será notificado a recolher no prazo de 15 dias o valor devido, caso contrário, formaliza-se o
processo de cobrança executiva, encaminhada ao Ministério Público e ao Tribunal para que a Advocacia-
Geral da União - AGU ou das unidades jurisdicionadas ao TCU, promovam a cobrança judicial da dívida
ou o arresto dos bens do autor do desvio;

9) Emitir pronunciamento conclusivo sobre despesas realizadas sem autorização, por solicitação da
Comissão Mista Permanente do Senado e da Câmara dos Deputados;

10) Apurar denúncias apresentadas por qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato
sobre irregularidades ou ilegalidades na aplicação de recursos federais.

Assim, na condição de um Tribunal Administrativo, cabe ao órgão julgar as contas de administradores


públicos, de responsáveis por dinheiro, bens e valores federais e contas daquelas pessoas que derem
causa a perda, extravio ou quaisquer outras irregularidades que resultem prejuízo ao Tesouro Nacional,
do mesmo modo, a responsabilidade do órgão a apreciação e fixação dos coeficientes de participação
dos estados, distrito federal e municípios, atribuições definidas na Constituição Federal/1988, conferida
ao Tribunal também, as competência também previstas em leis específicas, dentre as quais sobre a Lei
de Responsabilidade Fiscal (LRF - Lei Complementar nº 101, de 4/05/2000), que tenta impor o controle
dos gastos da União, estados, distrito federal e municípios, obrigando que as finanças sejam
apresentadas, detalhadamente, aos Tribunais de Contas (da União, dos Estados ou dos Municípios); Lei
de Licitações e Contratos (Lei nº 8.666, de 21/06/1993), que institui as normas para licitações e contratos
da Administração Pública; e a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

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Natureza Jurídica

Parte da doutrina entende que a natureza jurídica das decisões do Tribunal de Contas seja judicante,
tendo em vista que se baseiam nos seguintes argumentos: as decisões podem ser de natureza judicante,
mesmo que advindas de um órgão administrativo.
Importante, contudo frisar que a parte majoritária da doutrina e da jurisprudência dos Tribunais
Superiores, entende que a natureza jurídica dessas decisões é administrativa, e não judicante.
E a força dessa teoria está inserida dentro da própria Constituição Federal de 1988, notadamente no
seu artigo 5º, inciso XXXV, quando estabelece um sistema de jurisdição una, também conhecido como
monopólio da tutela jurisdicional pelo Poder Judiciário. Dessa forma, as decisões administrativas
provenientes dos Tribunais de Contas estão sujeitas ao controle jurisdicional.
Importante explanar que, embora as decisões administrativas provenientes dos Tribunais de Contas
estejam sujeitas ao controle jurisdicional, como ilustrado anteriormente, essas decisões tem natureza
vinculatória em face da Administração Pública.

Como observa Jarbas Maranhão:

O mais adequado seria dizer-se, como preferem aliás a legislação francesa e outras, que, ao invés de
auxiliarem elas assistem o parlamento e o governo, para deixar claro a sua exata posição em face dos
Poderes, pois, tendo em vista a própria natureza das tarefas que lhes cabem cumprir, haveria a
Constituição de assegurar- lhes a necessária independência.

Acerca dos processos, podemos afirmar que os mesmo instaurados pelos Tribunais de Contas, têm
sua própria natureza. São processos de contas, e não processos parlamentares, nem judiciais, nem
administrativos. Assim, não são processos parlamentares nem judiciais, relembrando, apenas, que os
Parlamentos decidem por critério de oportunidade e conveniência. Não são processos administrativos,
basta evidenciar que as Instituições de Contas não julgam da própria atividade, pois quem o faz são os
órgãos administrativos.
Não é o Tribunal de Contas criação de ordem legislativa; é uma instituição constitucional da mesma
importância dos outros órgãos pelos quais a nossa Constituição buscou assegurar o exercício efetivo das
garantias de moralidade e justiça do sistema republicano.
Em síntese, podemos sublinhar que o TCU não possui subordinação hierárquica a nenhum outro órgão
ou poder, sendo, portanto, inadequada e imprópria a expressão “órgão auxiliar do Poder Legislativo”, que
não consta em parte nenhuma na Constituição.
Ressalte-se, no entanto, que, para efeito da classificação funcional orçamentária, a subfunção controle
externo encontra-se associada à função legislativa. De igual modo, nas leis orçamentárias, as dotações
relativas ao TCU constam do orçamento do Poder Legislativo e, para o cálculo dos limites de despesas
de pessoal previstos na LRF, as Cortes de Contas são incluídas no âmbito dos Poderes Legislativos.

Eficácia das decisões dos Tribunais de Contas

Dita o artigo da Constituição Federal

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal
de Contas da União, ao qual compete:
(...)
§ 3º - As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia de título
executivo.

Instituiu, portanto o artigo que as decisões do TCU de que resulte imputação de débito ou multa, terão
eficácia de título executivo. Em obediência ao princípio da simetria, iguais características terão as
decisões dos Tribunais de Contas dos Estados e dos TCMs.
Todavia, não compete às Cortes de Contas proceder à execução de suas decisões. Deste modo, o
título executivo extrajudicial, oriundo de decisão condenatória proferida pelas Cortes de Contas, deve ser
executado pelos órgãos próprios da Administração Pública, como a Advocacia-Geral da União e das
Procuradorias dos Estados e Municípios.
O Superior Tribunal de Justiça, reconhece também a legitimidade do Ministério Público para propor
ação de execução de título extrajudicial oriundo de Tribunal de Contas Estadual. Deste modo, é de suma
importância trazer à colação, a seguinte decisão:

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PROCESSUAL CIVIL. MINISTÉRIO PÚBLICO. LEGITIMIDADE ATIVA. AÇÃO DE EXECUÇÃO.
TÍTULO EXTRAJUDICIAL. CERTIDÃO DE DÉBITO EXPEDIDA POR TRIBUNAL DE CONTAS
ESTADUAL.
1. O Ministério Público ostenta legitimidade para a propositura de ação de execução de título
extrajudicial oriundo de Tribunal de Contas Estadual. REsp 996031/MG, PRIMEIRA TURMA, DJ de
28/04/2008 e REsp 678969/PB, PRIMEIRA TURMA, DJ 13/02/2006.
2. É que a decisão de Tribunal de Contas Estadual, que, impõe débito ou multa, possui eficácia de
título executivo, a teor do que dispõe o art. 71, § 3o, da Constituição Federal de 1988.
[...]
7. Recurso Especial provido para reconhecer a legitimidade do Ministério Público do Estado de
Sergipe, para a propositura de execução de título originário de Tribunal de Contas Estadual.
REsp. 1.109.433-SE, Primeira Turma, Rel.: Min. Luiz Fux, DJe: 27/05/2009.

Composição e jurisdição

A composição do Tribunal de Contas, quanto à esfera Federal, vem descrito no artigo 73 da


Constituição, vejamos:
a) nove Ministros, tem sede no Distrito Federal,
b) quadro próprio de pessoal e
c) jurisdição em todo o território nacional, exercendo, no que couber, as atribuições previstas no art.
96. .

Art. 96. Compete privativamente:


I - aos tribunais:
a) eleger seus órgãos diretivos e elaborar seus regimentos internos, com observância das normas de
processo e das garantias processuais das partes, dispondo sobre a competência e o funcionamento dos
respectivos órgãos jurisdicionais e administrativos;
b) organizar suas secretarias e serviços auxiliares e os dos juízos que lhes forem vinculados, velando
pelo exercício da atividade correicional respectiva;
c) prover, na forma prevista nesta Constituição, os cargos de juiz de carreira da respectiva jurisdição;
d) propor a criação de novas varas judiciárias;
e) prover, por concurso público de provas, ou de provas e títulos, obedecido o disposto no art. 169,
parágrafo único, os cargos necessários à administração da Justiça, exceto os de confiança assim
definidos em lei;
f) conceder licença, férias e outros afastamentos a seus membros e aos juízes e servidores que lhes
forem imediatamente vinculados;
II - ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores e aos Tribunais de Justiça propor ao Poder
Legislativo respectivo, observado o disposto no art. 169:
a) a alteração do número de membros dos tribunais inferiores;
b) a criação e a extinção de cargos e a remuneração dos seus serviços auxiliares e dos juízos que lhes
forem vinculados, bem como a fixação do subsídio de seus membros e dos juízes, inclusive dos tribunais
inferiores, onde houver;
c) a criação ou extinção dos tribunais inferiores;
d) a alteração da organização e da divisão judiciárias;
III - aos Tribunais de Justiça julgar os juízes estaduais e do Distrito Federal e Territórios, bem como os
membros do Ministério Público, nos crimes comuns e de responsabilidade, ressalvada a competência da
Justiça Eleitoral.

Os incisos deste artigo determina quem pode ser ministro:


1) mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade,
2) idoneidade moral e reputação ilibada,
3) notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de administração pública,
4) mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija os
conhecimentos mencionados no inciso anterior.

Na esfera Estadual e Municipal a competência está prevista no artigo 75, vejamos:


Art. 75. As normas estabelecidas nesta seção aplicam-se, no que couber, à organização, composição
e fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, bem como dos Tribunais e
Conselhos de Contas dos Municípios.

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Parágrafo único. As Constituições estaduais disporão sobre os Tribunais de Contas respectivos, que
serão integrados por sete Conselheiros.

Princípio da simetria

O “Princípio da Simetria”8 é aquele que exige que os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
adotem, sempre que possível, em suas respectivas Constituições e Leis Orgânicas (Lei Orgânica é como
se fosse a “Constituição do Município”), os princípios fundamentais e as regras de organização existentes
na Constituição da República (Constituição Federal)- principalmente relacionadas a estrutura do governo,
forma de aquisição e exercício do poder, organização de seus órgãos e limites de sua própria atuação.
Ocorre que, para a correta interpretação do “Princípio da Simetria” deve-se atentar à três pontos:
Esse princípio não é único e absoluto. Deve ser interpretado em conjunto com as demais normas
jurídicas da Constituição Federal;
O ponto de referência para a aplicação da simetria é a Constituição Federal e não a Constituição
Estadual;
A partir da Constituição Federal de 1988 o Brasil tem como “Forma de Estado”, o que se chama de
“Federalismo de Três Níveis”, sendo os entes federados: União, Estados e Municípios – além do Distrito
Federal, que possui estrutura mista -, todos eles com autonomia administrativa (competência para a auto-
organização de seus órgãos e serviços), legislativa (competência para editar leis, inclusive sua Lei
Orgânica - autoconstituição) e política (competência para eleger os integrantes do Executivo e do
Legislativo).
É interessante notar, que a Constituição Federal de 1988 buscou resgatar as competências locais e
prestigiar as peculiaridades regionais, retornando aos mencionados entes federados a autonomia que
lhes foi retirada pela ditadura militar.
Assim, o referido “Federalismo de Três Níveis”, que pode ser observado pelo artigo 18 da Constituição
Federal, é justamente o reconhecimento de que os Municípios, juntamente com o Estados, o Distrito
Federal e a União são autônomos para se organizarem, criarem benefícios para seus servidores, e tratar
de outros assuntos que desejarem, com a condição de que não violem a Constituição Federal.
Além disso, no ordenamento jurídico brasileiro há diversos outros princípios que protegem os
servidores do nosso Município, tais como: “Boa-fé”, “Segurança Jurídica”, “Proteção à Confiança”,
“Presunção de Legitimidade dos Atos Administrativos”, “Separação dos Poderes”, dentre outros, além da
própria autonomia municipal.

Questões

01. (TJ/BA - Analista Judiciário - Subescrivão – Direito – FGV/2015). Com os olhos voltados à
sistemática constitucional brasileira a respeito da fiscalização contábil, financeira e orçamentária, é
correto afirmar que o Tribunal de Contas deve:
(A) julgar as contas apresentadas por todos os agentes públicos;
(B) negar-se a registrar a aposentadoria, concedida pelo órgão competente, que não preencha os
requisitos legais;
(C) eximir-se de fiscalizar as contas prestadas pelos entes da administração pública indireta;
(D) eximir-se de fiscalizar as contas prestadas pela Mesa da Casa Legislativa, que serão apreciadas
pelo Poder Legislativo;
(E) ter suas decisões referendadas pelo Poder Legislativo para que adquiram eficácia.

02. (TCE/CE - Técnico de Controle Externo-Administração – FCC/2015). Na estrutura constitucional


brasileira, o Tribunal de Contas
(A) integra a estrutura do Poder Executivo, funcionando como órgão de controle interno das contas
públicas.
(B) integra a estrutura do Poder Judiciário, possuindo competências próprias.
(C) é órgão independente e autônomo, estando arrolado dentre as funções essenciais à Justiça.
(D) possui autonomia, competindo-lhe exercer função auxiliar ao Poder Legislativo.
(E) é órgão independente e autônomo, desvinculado dos Poderes do Estado

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https://marciliodrummond.jusbrasil.com.br/artigos/211108087/o-tao-falado-principio-da-simetria

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03. (IF/RJ - Auditor – BIO-RIO/2015). A respeito da fiscalização contábil, financeira, orçamentária,
operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta é correto afirmar,
EXCETO:
(A) abrangerá os aspectos da legalidade, legitimidade e economicidade dos atos da administração
pública.
(B) alcançará a aplicação das subvenções e renúncia de receitas.
(C) será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo.
(D) será exercida também pelo sistema de controle interno de cada Poder.
(E) será exercida pelo Ministério Público Federal.

04. (TCM-RJ - Procurador da Procuradoria Especial - FCC/2015). Sobre os Controles Externo e


Interno no Brasil, tem-se que
(A) o Tribunal de Contas da União e o Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro são
integrados, respectivamente, por 7 e 9 Conselheiros.
(B) não abrangem a aplicação de subvenções ao terceiro setor, tendo em vista o caráter social desse
tipo de repasse.
(C) os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário devem manter um sistema de controle interno
integrado.
(D) o exercício do controle das operações de crédito compete ao Controle Externo, mas não ao
Controle Interno.
(E) sua área de atuação se limita às pessoas físicas e jurídicas públicas.

05. (TRT - 3ª Região (MG) - Analista Judiciário – Contabilidade - FCC/2015). Apoiar o controle
externo no exercício de sua missão institucional, segundo a Constituição Federal, é uma das finalidades
(A) da auditoria interna.
(B) do Tribunal de Contas.
(C) da auditoria externa.
(D) do Ministério Público.
(E) do sistema do controle interno.

06. (AL-PE - Analista Legislativo - FCC/2014) Inclui-se nas competências estabelecidas


constitucionalmente para os sistemas de controle interno e externo da Administração pública,
(A) a avaliação, pelo sistema de controle interno, do cumprimento das metas previstas no Plano
Plurianual, bem como da execução dos programas de governo.
(B) o estabelecimento, pelo sistema de controle interno, de metas de superávit fiscal e o controle, pelo
Tribunal de Contas, da execução orçamentária.
(C) a fixação, pelo Tribunal de Contas, do limite de endividamento do correspondente ente federado.
(D) o estabelecimento e controle, pelo Tribunal de Contas, a cada quadrimestre, do limite de gastos
do ente correspondente com despesas de pessoal.
(E) o controle da execução orçamentária, bem como das metas e dos riscos fiscais constantes da Lei
de Diretrizes Orçamentárias, pelo Tribunal de Contas, que poderá realizar, se necessário, o
contingenciamento de despesas do Poder Executivo.

07. (TRT/16ª REGIÃO/MA - Analista Judiciário - FCC/2014) Nos termos estabelecidos pela
Constituição federal NÃO é atribuição constitucional do Tribunal de Contas da União
(A) julgar as contas as contas dos administradores e demais responsáveis por recursos públicos.
(B) julgar as contas do presidente da república.
(C) sustar, se não atendido, a execução de ato impugnado, comunicando à câmara dos deputados e
ao senado federal.
(D) apreciar, em regra, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer
título, na administração direta.
(E) fiscalizar as contas nacionais das empresas supranacionais de cujo capital social a união participe,
de forma direta ou indireta, nos termos do tratado consultivo.

08. (TRT/18ª REGIÃO/GO - Juiz do Trabalho - FCC/2014) O Tribunal de Contas da União - TCU
julgou irregulares as contas prestadas por administrador de empresa pública federal, tendo sustado a
execução de contrato celebrado ilegalmente pela empresa, com violação às normas sobre licitação. O
TCU, ainda, aplicou aos responsáveis pela irregularidade das contas as sanções previstas em lei, dentre

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as quais multa proporcional ao dano causado ao erário, com eficácia de título executivo. A atuação do
TCU neste caso foi
(A) incompatível com a Constituição Federal, uma vez que as empresas públicas seguem o regime de
direito privado no que toca aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários, motivo
pelo qual sequer deveriam ter sido fiscalizadas pelo TCU.
(B) incompatível com a Constituição Federal, uma vez que o TCU, ainda que seja competente para
fiscalizar as contas de empresa pública e para impor o pagamento de multa proporcional ao agravo, não
poderia ter-lhe atribuído a eficácia de título executivo.
(C) incompatível com a Constituição Federal, uma vez que o TCU, ainda que seja competente para
fiscalizar as contas de empresa pública, não poderia ter imposto ao administrador o pagamento de multa
proporcional ao agravo, uma vez que essa competência foi reservada, pela Constituição Federal, ao
Poder Judiciário.
(D) incompatível com a Constituição Federal, uma vez que o TCU, ainda que seja competente para
fiscalizar as contas de empresa pública e aplicar multa proporcional ao agravo com eficácia de título
executivo, não poderia ter sustado a execução do contrato celebrado pela empresa, uma vez que a
competência para tanto foi reservada, pela Constituição Federal, ao Congresso Nacional.
(E) compatível com a Constituição Federal em relação à competência para fiscalizar as contas da
empresa pública, para sustar a execução do contrato celebrado ilegalmente pela empresa e para impor
multa proporcional ao agravo com eficácia de título executivo.

09. (MPE/SC - Promotor de Justiça Substituto - matutina FEPESE/2014) Analise os enunciados


das questões abaixo e assinale se ele é Certo ou Errado.
Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão nomeados dentre brasileiros que satisfaçam os
seguintes requisitos: a) mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade; b) idoneidade
moral e reputação ilibada: c) notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou
de administração pública; d) mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional
que exija os conhecimentos mencionados no item anterior.
( ) Certo ( ) Errado

10. (TRF/4ª REGIÃO - Técnico Judiciário - Área Administrativa - FCC/2014) Determinada entidade
da Administração pública federal mantém, em sua estrutura, órgão de controle interno, com a finalidade,
entre outras, de comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão
orçamentária, financeira e patrimonial da entidade. No exercício de suas atribuições, os integrantes do
referido órgão de controle deparam-se com irregularidade na execução de um contrato específico de
prestação de serviços, da qual é dada ciência ao Tribunal de Contas da União - TCU, que, a seu turno,
determina, de imediato, a sustação da execução contratual. Nesta hipótese, considerada a disciplina
constitucional da matéria,
(A) o órgão de controle interno poderia, efetivamente, possuir atribuição de avaliação de atos e
contratos quanto à legalidade e eficiência, conforme expressa previsão constitucional, mas seus
integrantes não possuem legitimidade para dar ciência de eventuais irregularidades ao TCU.
(B) o órgão de controle interno não poderia possuir atribuição de avaliação de atos e contratos quanto
à legalidade e eficiência, por se tratar de critérios restritos ao sistema de controle externo, exercido pelo
Congresso Nacional, com o auxílio do TCU.
(C) os integrantes do órgão de controle interno não poderiam ter dado ciência da irregularidade ao
TCU, dado que somente possuem legitimidade para tanto partido político, associação ou sindicato.
(D) o TCU não poderia ter determinado a sustação da execução contratual, por se tratar de ato de
competência do Congresso Nacional, a quem compete, ademais, solicitar, de imediato, ao Poder
Executivo as medidas cabíveis.
(E) os integrantes do órgão de controle interno deveriam, efetivamente, ter dado ciência da
irregularidade ao TCU, sob pena de responsabilidade solidária, possuindo, de fato, o TCU competência
para determinar de imediato a sustação da execução contratual.

Respostas

01. Resposta: B
Constituição Federal:
Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal
de Contas da União, ao qual compete:
( )

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III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na
administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público,
excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como a das concessões de
aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento
legal do ato concessório;

02. Resposta: D
Constituição Federal:
Art. 73. O Tribunal de Contas da União, integrado por nove Ministros, tem sede no Distrito Federal,
quadro próprio de pessoal e jurisdição em todo o território nacional, exercendo, no que couber, as
atribuições previstas no art. 96. .

( )
§ 3° Os Ministros do Tribunal de Contas da União terão as mesmas garantias, prerrogativas,
impedimentos, vencimentos e vantagens dos Ministros do Superior Tribunal de Justiça, aplicando-se-lhes,
quanto à aposentadoria e pensão, as normas constantes do art. 40.

03. Resposta: E
Constituição Federal:
Art. 70. A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das
entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação
das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle
externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder.

04. Resposta: C
De acordo com a Constituição Federal:
Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de
controle interno, com a finalidade de:
I - avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução dos programas de
governo e dos orçamentos da União;
II - comprovar a legalidade e avaliar os resultados quanto à eficácia e à eficiência da gestão
orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal, bem como da
aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado;
III - exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos direitos e haveres
da União;
IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional.

05. Resposta: E.
CF/88 - Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema
de controle interno com a finalidade de:
IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional.

06. Resposta: A.
De acordo com a Constituição Federal:
Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de
controle interno com a finalidade de:
I - avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução dos programas de
governo e dos orçamentos da União;
II - comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão
orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal, bem como da
aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado;
III - exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos direitos e haveres
da União;
IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional.
§ 1º - Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou
ilegalidade, dela darão ciência ao TCU, sob pena de responsabilidade solidária.
§ 2º - Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima para, na forma da
lei, denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o TCU.

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07. Resposta: “A”. As atribuições do Tribunal de Contas da União estão descritas no artigo 71 da
Constituição Federal, sendo a competência descrita na letra “A” prevista logo no inciso II: “Art. 71. O
controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da
União, ao qual compete: I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República,
mediante parecer prévio que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento; II -
julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores
públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas
pelo Poder Público federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra
irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público;

08. Resposta: “D”. A competência do Tribunal de Contas da União está descrita no artigo 71, CF:
“Art. 71, CF. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:
( )
VIII - aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as
sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano
causado ao erário;
X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos
Deputados e ao Senado Federal;

O Tribunal de Constas da União tem a competência de sustar atos limitada, eis que cabe ao Congresso
Nacional, nos termos do artigo 49, V, CF/88 “sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem
do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa”, entre eles contratos administrativos
celebrados em desrespeito às regras de licitação.

09. Resposta: “Certo”. A propósito, o artigo 73, §1º, CF traz os requisitos para a nomeação ao cargo
de Ministro do Tribunal de Contas da União: “os Ministros do Tribunal de Contas da União serão
nomeados dentre brasileiros que satisfaçam os seguintes requisitos: I - mais de trinta e cinco e menos de
sessenta e cinco anos de idade; II - idoneidade moral e reputação ilibada; III - notórios conhecimentos
jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de administração pública; IV - mais de dez anos de
exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija os conhecimentos mencionados no
inciso anterior”.

10 Resposta: “D”. As atribuições do Tribunal de Contas da União estão descritas no artigo 71 da


Constituição Federal, sendo que a competência de sustação imediata de contrato não está prevista no
rol, cabendo, no máximo, como se extrai do inciso X, “sustar, se não atendido, a execução do ato
impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal”. Cabe ao Congresso
Nacional, nos termos do artigo 49, V, CF “sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem
do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa”.

4.1 Contas de governo. 4.2 Contas de gestão. 4.3 Tomada de Contas Especial.

INSTRUÇÃO NORMATIVA - TCU Nº 63, DE 1º DE SETEMBRO DE 2010

Estabelece normas de organização e de apresentação dos relatórios de gestão e das peças


complementares que constituirão os processos de contas da administração pública federal, para
julgamento do Tribunal de Contas da União, nos termos do art. 7º da Lei nº 8.443, de 1992.
O TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO, no uso de suas atribuições constitucionais, legais e
regimentais, e
Considerando que dispõe do poder regulamentar, conferido pelo art. 3º da Lei nº 8.443, de 16 de julho
de 1992, para expedir instruções e atos normativos sobre matéria de suas atribuições e sobre a
organização dos processos que lhe devam ser submetidos, obrigando ao seu cumprimento, sob pena de
responsabilidade;
Considerando que compete ao Tribunal julgar as contas dos administradores e dos demais
responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos, nos termos da Constituição Federal, art. 71; da Lei
nº 8.443, de 1992, arts. 1º, 6º, 7º, 8º e 9º; e do Regimento Interno do TCU, arts. 1º, 188, 189 e 197;

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Considerando que a prestação de contas dos gestores públicos deve conter elementos e
demonstrativos que evidenciem a regular aplicação dos recursos públicos, nos termos do caput do art.
194 do Regimento Interno do TCU;
Considerando a necessidade de integrar, no exame e julgamento das contas dos gestores, o controle
da conformidade e do desempenho da gestão, a fim de contribuir para o aperfeiçoamento da
administração pública; e
Considerando os princípios da racionalização e da simplificação e a necessidade de estabelecer
critérios de seletividade para a formalização e instrução dos processos de contas ordinárias, nos termos
do parágrafo único do art. 194 e do art. 195 do Regimento Interno deste Tribunal, resolve:

TÍTULO I
DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 1º Os relatórios de gestão e as peças complementares elaboradas para constituição de processos


de contas dos administradores e dos demais responsáveis abrangidos pelos incisos I, III, IV, V e VI do
art. 5º da Lei nº 8.443, de 1992, devem ser organizados e apresentados ao Tribunal de Contas da União
de acordo com as disposições desta instrução normativa.
Parágrafo único. Para o disposto nesta instrução normativa, considera-se:
I. processo de contas: processo de trabalho do controle externo, destinado a avaliar e julgar o
desempenho e a conformidade da gestão das pessoas abrangidas pelos incisos I, III, IV, V e VI do art. 5º
da Lei nº 8.443/92, com base em documentos, informações e demonstrativos de natureza contábil,
financeira, orçamentária, operacional ou patrimonial, obtidos direta ou indiretamente;
II. relatório de gestão: documentos, informações e demonstrativos de natureza contábil, financeira,
orçamentária, operacional ou patrimonial, organizado para permitir a visão sistêmica do desempenho e
da conformidade da gestão dos responsáveis por uma ou mais unidades jurisdicionadas durante um
exercício financeiro;
III. processo de contas ordinárias: processo de contas referente a exercício financeiro determinado,
constituído pelo Tribunal segundo critérios de risco, materialidade e relevância;
IV. processo de contas extraordinárias: processo de contas constituído por ocasião da extinção,
liquidação, dissolução, transformação, fusão, incorporação ou desestatização de unidades
jurisdicionadas, cujos responsáveis estejam alcançados pela obrigação prevista no art. 70, parágrafo
único, da Constituição Federal, para apreciação do Tribunal nos termos do art. 15 da Lei nº 8.443, de
1992;
V. risco: possibilidade de algo acontecer e ter impacto nos objetivos, sendo medido em termos de
consequências e probabilidades;
VI. materialidade: volume de recursos envolvidos;
VII. relevância: aspecto ou fato considerado importante, em geral no contexto do objetivo delineado,
ainda que não seja material ou economicamente significativo;
VIII. exame da conformidade: análise da legalidade, legitimidade e economicidade da gestão, em
relação a padrões normativos e operacionais, expressos nas normas e regulamentos aplicáveis, e da
capacidade dos controles internos de identificar e corrigir falhas e irregularidades;
IX. exame do desempenho: análise da eficácia, eficiência, efetividade e economicidade da gestão em
relação a padrões administrativos e gerenciais expressos em metas e resultados negociados com a
administração superior ou definidos nas leis orçamentárias, e da capacidade dos controles internos de
minimizar riscos e evitar falhas e irregularidades;
X. controles internos: conjunto de atividades, planos, métodos, indicadores e procedimentos
interligados, utilizado com vistas a assegurar a conformidade dos atos de gestão e a concorrer para que
os objetivos e metas estabelecidos para as unidades jurisdicionadas sejam alcançados;
XI. órgãos de controle interno: unidades administrativas, integrantes dos sistemas de controle interno
da administração pública federal, incumbidas, entre outras funções, da verificação da consistência e
qualidade dos controles internos, bem como do apoio às atividades de controle externo exercidas pelo
Tribunal.

Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, estão sujeitos à apresentação de relatório de gestão e à
constituição de processo de contas os responsáveis pelas seguintes unidades jurisdicionadas ao Tribunal:
I. órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta, incluídas as fundações e
empresas estatais, bem como suas unidades internas;
II. fundos cujo controle se enquadre como competência do Tribunal;
III. serviços sociais autônomos;

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IV. contas nacionais das empresas supranacionais de cujo capital social a União participe, de forma
direta ou indireta, nos termos do respectivo tratado constitutivo;
V. empresas encampadas, sob intervenção federal, ou que, de qualquer modo, venham a integrar,
provisória ou permanentemente, o patrimônio da União ou de entidade pública federal;
VI. entidades cujos gestores, em razão de previsão legal, devam prestar contas ao Tribunal;
VII. programas de governo constantes do Plano Plurianual previsto no inciso I do art. 165 da
Constituição Federal.
§ 1º Os responsáveis pelas entidades de fiscalização do exercício profissional estão dispensados de
apresentar relatório de gestão e de terem processo de contas ordinárias constituídos pelo Tribunal, sem
prejuízo da manutenção das demais formas de fiscalização exercidas pelos controles interno e externo.
§ 2º Os estados, o Distrito Federal, os municípios e as pessoas físicas ou entidades privadas, quando
beneficiários de transferência voluntária de recursos federais, sob qualquer forma, responderão perante
o órgão ou entidade repassador pela boa e regular aplicação desses recursos, apresentando todos os
documentos, informações e demonstrativos necessários à composição dos relatórios de gestão e dos
processos de contas dos responsáveis por essas unidades jurisdicionadas.

TÍTULO II
APRESENTAÇÃO DOS RELATÓRIOS DE GESTÃO E DAS PEÇAS COMPLEMENTARES
ELABORADAS PARA CONSTITUIÇÃO DE PROCESSOS DE CONTAS

CAPÍTULO I
CRITÉRIOS DE APRESENTAÇÃO

Art. 3º Os relatórios de gestão devem ser apresentados anualmente ao Tribunal pelos responsáveis
pelas unidades jurisdicionadas, relacionadas em decisão normativa, que lhes fixará a forma, conteúdo e
prazo.
§ 1º Os relatórios de gestão anuais devem abranger a totalidade da gestão da unidade jurisdicionada.
§ 2º A critério do respectivo órgão superior, os relatórios de gestão das unidades jurisdicionadas podem
ser encaminhados ao Tribunal pelo órgão de controle interno a que se vincularem.
§ 3º Os relatórios de gestão devem ser apresentados ao Tribunal em meio informatizado, conforme
orientações contidas em decisão normativa.
§ 4º Os relatórios de gestão ficarão disponíveis para livre consulta no Portal do Tribunal na Internet,
em até quinze dias da data limite para apresentação.
§ 5º A apresentação tempestiva do relatório de gestão, com o conteúdo e forma fixados em decisão
normativa, configura o cumprimento da obrigação de prestar contas, nos termos do art. 70 da Constituição
Federal.
§ 6º Os responsáveis por unidade jurisdicionada que entrar em processo de extinção, liquidação,
dissolução, transformação, fusão, incorporação ou desestatização devem comunicar o fato ao TCU e ao
órgão de controle interno em até trinta dias do ato que tenha autorizado o processo modificador e
permanecem obrigados à apresentação dos relatórios de gestão anuais até a conclusão do evento.

Art. 4º O Tribunal definirá anualmente, em decisão normativa, as unidades jurisdicionadas cujos


responsáveis terão processos de contas ordinárias constituídos para julgamento, assim como os
conteúdos e a forma das peças que os comporão e os prazos de apresentação.
§ 1º Os responsáveis pelas unidades jurisdicionadas não relacionadas na decisão normativa de que
trata o caput não terão as contas do respectivo exercício julgadas pelo Tribunal nos termos do art. 6º da
Lei nº 8.443, de 1992, sem prejuízo de o Tribunal determinar a constituição de processo de contas em
decisão específica e da manutenção das demais formas de fiscalização exercidas pelos controles interno
e externo.
§ 2º Os processos de contas ordinárias devem abranger a totalidade da gestão das unidades
relacionadas em decisão normativa.
§ 3º O relatório de gestão de unidade jurisdicionada relacionada na decisão normativa referida no caput
deve ser submetido à auditoria de gestão e às demais providências a cargo do respectivo órgão de
controle interno.
§ 4º O relatório de gestão de unidade jurisdicionada sujeita ao processo modificador referido no § 6º
do art. 3º pode, a critério do órgão de controle interno, a partir da comunicação da unidade, ser submetido
à auditoria de gestão e às demais providências a cargo desse órgão, para constituição de processo de
contas extraordinárias.

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§ 5º Os órgãos de controle interno devem colocar à disposição do Tribunal em meio eletrônico, na
forma definida em decisão normativa, as peças relacionadas nos incisos IV, V e VI do art. 13 desta
instrução normativa.
§ 6º Os órgãos de controle interno podem, a seu critério, realizar auditorias de gestão sobre as
unidades jurisdicionadas não relacionadas na decisão normativa de que trata o caput.
§ 7º Na situação prevista no parágrafo anterior, caso verificadas as ocorrências a que se refere o inciso
III do art. 16 da Lei nº 8.443, de 1992, o órgão de controle interno deve:
a) se a ocorrência for classificada na alínea “b” do inciso III do art. 16 da Lei nº 8.443, de 1992,
representar ao Tribunal, nos termos do art. 237, inciso II, do Regimento Interno do Tribunal de Contas da
União;
b) se a ocorrência for classificada nas alíneas “c” ou “d” inciso III do art. 16 da Lei nº 8.443, de 1992,
recomendar a instauração de processo de tomada de contas especial, nos termos do art. 8º da Lei nº
8.443, de1992.

Art. 5º Os relatórios de gestão e os processos de contas constituídos pelo Tribunal serão organizados
de acordo com a seguinte classificação:
I. Individual, quando envolverem uma única unidade jurisdicionada;
II. Consolidado, quando envolverem mais de uma unidade jurisdicionada e for conveniente ao Tribunal
avaliar a gestão em conjunto;
III. Agregado, quando envolverem mais de uma unidade jurisdicionada e for conveniente ao Tribunal
avaliar a gestão por meio do confronto das peças de cada unidade do conjunto.
Parágrafo único. A decisão normativa de que trata o art. 3º indicará elementos suficientes para o
enquadramento das unidades jurisdicionadas na classificação estabelecida pelo caput.

Art. 6º Para a constituição de processo de contas extraordinárias junto ao Tribunal, os responsáveis


pelos processos de extinção, liquidação, dissolução, transformação, fusão, incorporação ou
desestatização de unidade jurisdicionada devem:
I. comunicar, em até quinze dias, o encerramento dos processos modificadores ao órgão de controle
interno e ao Tribunal de Contas da União.
II. encaminhar, em até sessenta dias da comunicação prevista no inciso I anterior, ao órgão de controle
interno e ao TCU as peças relacionadas nos incisos I, II e III do art. 13 desta instrução normativa.
§ 1º O órgão de controle interno deve encaminhar, em até cento e vinte dias, contados a partir do
recebimento das peças referidas no inciso II acima, as peças previstas nos incisos IV, V e VI do art. 13,
relativas à unidade objeto do processo modificador.
§ 2º A auditoria de gestão realizada pelo órgão de controle interno e as peças relacionadas nos incisos
I, III, IV, V, VI, e VII do art. 13, que comporão os processos de que trata o caput, devem abranger os atos
praticados no período compreendido pelo processo modificador.
§ 3º Os conteúdos das peças que comporão os processos de contas extraordinárias serão definidos
nas decisões normativas de que tratam os arts. 3º e 4º.

CAPÍTULO II
PRAZOS

Art. 7º Os prazos estabelecidos nas decisões normativas de que tratam os arts. 3º e 4º, assim como
no art. 6º desta instrução normativa, podem ser prorrogados pelo Plenário do Tribunal, em caráter
excepcional, mediante o envio de solicitação fundamentada, formulada, conforme o caso, pelas seguintes
autoridades:
I. Presidente da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, do Supremo Tribunal Federal, dos
demais Tribunais Superiores, dos Tribunais Federais nos Estados e no Distrito Federal e do Tribunal de
Contas da União;
II. Ministro de Estado ou autoridade de nível hierárquico equivalente;
III. Procurador-Geral da República;
Parágrafo único. Nos casos em que os trabalhos referidos no § 3º do art. 4º e no § 1º do art. 6º desta
instrução normativa não puderem ser concluídos a tempo de atender aos prazos fixados pelo Tribunal, o
dirigente máximo do respectivo órgão de controle interno poderá solicitar, mediante pedido fundamentado,
a prorrogação de prazo para apresentação das peças que lhe são pertinentes.

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Art. 8º O descumprimento dos prazos fixados pelas decisões normativas de que tratam os arts. 3º e 4º
ou estabelecidos pelo art. 6º, consideradas as prorrogações decorrentes do disposto no do art. 7º, poderá
acarretar as seguintes situações para os responsáveis:
I. em relação aos prazos relacionados à apresentação dos relatórios de gestão, omissão no dever de
prestar contas, para efeito do disposto na alínea “a” do inciso III do art. 16 da Lei nº 8.443, de 1992, sem
prejuízo da sanção prevista no inciso II do art. 58 dessa mesma Lei.
II. em relação aos prazos das demais peças para constituição de processos de contas relacionadas
no art. 13 desta instrução normativa, grave infração à norma regulamentar, para efeito do disposto no
inciso II do art. 58 da Lei nº 8.443, de 1992.

Art. 9º Os processos de contas somente serão constituídos pelo Tribunal se contiverem todas as peças
relacionadas no art. 13 desta instrução normativa, formalizadas de acordo com o estabelecido nas
decisões normativas de que tratam os arts. 3º e 4º.
§ 1º Nos casos de inadimplemento das condições previstas no caput, o órgão de controle interno será
informado do fato pela unidade técnica do Tribunal, para que, em até quinze dias da notificação, adote as
ações de sua alçada ou comunique a situação aos responsáveis para a adoção das providências cabíveis.
§ 2º Quando o descumprimento ocorrer em relação às condições estabelecidas pela decisão normativa
prevista no caput do art. 3º, a unidade técnica do Tribunal fixará, de acordo com a extensão das correções,
novo prazo para reapresentação da peça, permanecendo os responsáveis pela unidade em situação de
inadimplência no dever de prestar contas até o saneamento completo das impropriedades.

CAPÍTULO III
ROL DE RESPONSÁVEIS

Art. 10 Serão considerados responsáveis pela gestão os titulares e seus substitutos que
desempenharem, durante o período a que se referirem as contas, as seguintes naturezas de
responsabilidade, se houver:
I. dirigente máximo da unidade jurisdicionada;
II. membro de diretoria ou ocupante de cargo de direção no nível de hierarquia imediatamente inferior
e sucessivo ao do dirigente de que trata o inciso anterior, com base na estrutura de cargos aprovada para
a unidade jurisdicionada;
III. membro de órgão colegiado que, por definição legal, regimental ou estatutária, seja responsável
por ato de gestão que possa causar impacto na economicidade, eficiência e eficácia da gestão da
unidade.
Parágrafo único. O Tribunal poderá definir outras naturezas de responsabilidade na decisão normativa
de que trata o art. 4º.

Art. 11. O rol de responsáveis deve conter as seguintes informações:


I. nome e número do Cadastro de Pessoa Física do Ministério da Fazenda (CPF/MF) do responsável
arrolado;
II. identificação da natureza de responsabilidade, conforme descrito no artigo anterior ou na decisão
normativa de que trata o art. 4º desta instrução normativa, e dos cargos ou funções exercidos;
III. indicação dos períodos de gestão, por cargo ou função;
IV. identificação dos atos formais de nomeação, designação ou exoneração, incluindo a data de
publicação no Diário Oficial da União ou em documento de divulgação pertinente;
V. endereço residencial completo; e
VI. endereço de correio eletrônico.
§ 1º A unidade jurisdicionada deve manter cadastro informatizado de todos os responsáveis a ela
vinculados, em cada exercício, com todas as informações indicadas no caput deste artigo, ainda que os
responsáveis não tenham exercido as responsabilidades fixadas no caput do art. 10.
§ 2º O rol destinado à constituição de processo de contas sob a forma consolidada deve abranger
somente os responsáveis da unidade jurisdicionada consolidadora, sem prejuízo do disposto no parágrafo
único do art. 10.
§ 3º O rol destinado à constituição de processo de contas sob a forma agregada deve relacionar os
responsáveis da unidade jurisdicionada agregadora e das unidades jurisdicionadas agregadas.
§ 4º Os órgãos de controle interno podem propor a inclusão de responsáveis não relacionados no rol
se verificada a ocorrência de ato previsto nas alíneas “b”, “c” ou “d” do inciso III do art. 16 da Lei nº 8.443,
de 1992 em conluio com responsável arrolado no rol.

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§ 5º Não ocorrendo o conluio referido no § 4º acima, mas verificada a prática de ato por responsável
não relacionado no rol que tenha causado dano ao Erário, o órgão de controle interno, sob pena de
responsabilidade solidária, deverá recomendar a instauração de processo de tomada de contas especial,
nos termos do art. 8º da Lei nº 8.443, de 1992.
§ 6º Não ocorrendo o conluio referido § 4º deste artigo, mas apurada a prática de ato por responsável
não relacionado no rol classificável na alínea “b” do inciso III do art. 16 da Lei nº 8.443, de 1992, o órgão
de controle interno deve representar ao Tribunal nos termos do art. 237, inciso II, do Regimento Interno
do Tribunal de Contas da União.

TÍTULO III
ORGANIZAÇÃO DOS RELATÓRIOS DE GESTÃO E DOS PROCESSOS DE CONTAS
CAPÍTULO I
PEÇAS E CONTEÚDOS

Art. 12. Os relatórios de gestão referidos no caput do art. 3º devem contemplar todos os recursos
orçamentários e extra-orçamentários utilizados, arrecadados, guardados ou geridos pelas unidades
jurisdicionadas, ou pelos quais elas respondam, incluídos os oriundos de fundos de natureza contábil
recebidos de entes da administração pública federal ou descentralizados para execução indireta.

Art. 13. Os autos iniciais dos processos de contas serão constituídos das peças a seguir relacionadas:
I. rol de responsáveis, observado o disposto no capítulo III do título II desta instrução normativa e na
decisão normativa de que trata o art. 4º;
II. relatório de gestão dos responsáveis, conforme conteúdos e formatos estabelecidos pelo Tribunal
na decisão normativa de que trata o art. 3º;
III. relatórios e pareceres de órgãos, entidades ou instâncias que devam se pronunciar sobre as contas
ou sobre a gestão dos responsáveis pela unidade jurisdicionada, consoante previsão em lei ou em seus
atos constitutivos, observados os formatos e os conteúdos definidos na decisão normativa de que trata o
art. 4º deste normativo;
IV. relatório de auditoria de gestão, emitido pelo órgão de controle interno, conforme formato e
conteúdo definidos na decisão normativa de que trata o art. 4º deste normativo;
V. certificado de auditoria, emitido pelo órgão de controle interno competente;
VI. parecer conclusivo do dirigente do órgão de controle interno competente; e
VII. pronunciamento expresso do ministro de estado supervisor da unidade jurisdicionada, ou da
autoridade de nível hierárquico equivalente, atestando haver tomado conhecimento das conclusões
contidas no parecer do dirigente do órgão de controle interno competente sobre o desempenho e a
conformidade da gestão da unidade supervisionada.
§ 1º O pronunciamento ministerial ou de autoridade de nível hierárquico equivalente sobre o parecer
do dirigente do órgão de controle interno competente não poderá ser objeto de delegação, conforme
dispõe o art. 52 da Lei nº 8.443, de 1992.
§ 2º Os exames do órgão de controle interno competente sobre a gestão dos responsáveis devem
abranger todos os recursos, orçamentários e extra-orçamentários, utilizados, arrecadados, guardados ou
geridos pelas unidades jurisdicionadas ou pelos quais elas respondam, incluídos os oriundos de fundos
de natureza contábil recebidos de entes da administração pública federal ou descentralizados para
execução indireta.
§ 3º Os relatórios de auditoria de gestão emitidos pelos órgãos de controle interno devem ser
compostos dos achados devidamente caracterizados pela indicação da situação encontrada e do critério
adotado e suportados por papéis de trabalho, mantidos em arquivos à disposição do Tribunal.
§ 4º. Os documentos a que se referem os incisos V, VI e VII deste artigo, se opinarem pela regularidade
com ressalvas e irregularidade das contas dos responsáveis, devem indicar os fatores motivadores para
cada responsável.

TÍTULO IV
DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 14. As unidades jurisdicionadas e os órgãos de controle interno devem manter a guarda dos
documentos comprobatórios de cada exercício, incluídos os de natureza sigilosa, de acordo com os
seguintes prazos:
I. dez anos, contados a partir da apresentação do relatório de gestão ao Tribunal, para as unidades
jurisdicionadas não relacionadas para constituição de processo de contas no exercício;

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II. cinco anos, contados a partir da data do julgamento das contas dos responsáveis pelo Tribunal, para
as unidades jurisdicionadas relacionadas para constituição de processo de contas no exercício.
Parágrafo único. O descumprimento do disposto no caput deste artigo poderá sujeitar o responsável à
sanção prevista no inciso II do art. 58 da Lei nº 8.443, de 1992, sem prejuízo da instauração de tomada
de contas especial para apuração dos fatos, identificação dos responsáveis e quantificação do dano ao
Erário, se for o caso.

Art. 15. Em razão da complexidade do negócio, da necessidade de acompanhamento tempestivo ou


do monitoramento dos atos de gestão das unidades jurisdicionadas envolvidas, o Tribunal poderá
determinar a apresentação de informações sobre a gestão em periodicidade inferior a um ano, sem
prejuízo das obrigações estabelecidas pela decisão normativa prevista no art. 3º.

Art. 16. Esta instrução normativa entra em vigor na data de sua publicação e aplica-se aos processos
de contas referentes ao exercício de 2010 e seguintes.

Art. 17. Fica revogada a Instrução Normativa TCU nº 57, de 27 de agosto de 2008.

VALMIR CAMPELO
Na Presidência

5 Controle administrativo.

O controle administrativo é o que decorre da aplicação do princípio do autocontrole, ou autotutela, do


qual emerge o poder com idêntica designação (poder de autotutela). A Administração tem o dever de
anular seus próprios atos, quando eivados de nulidade, podendo revogá-los ou alterá-los, por
conveniência e oportunidade, respeitados, nessa hipótese, os direitos adquiridos. É o poder de
fiscalização e correção que a Administração Pública (em sentido amplo) exerce sobre sua própria
atuação, sob os aspectos de legalidade e mérito, por iniciativa própria ou mediante provocação.
O controle sobre os órgãos da Administração Direta é um controle interno e decorre do poder de
autotutela que permite à Administração Pública rever os próprios atos quando ilegais, inoportunos ou
inconvenientes, sendo amplamente reconhecido pelo Poder Judiciário (Súmulas 346 e 473 do STF).

Controle Administrativo Exercitado de Ofício


O controle é exercitado de ofício, pela própria Administração, ou por provocação. Na primeira hipótese,
pode decorrer de: fiscalização hierárquica; supervisão superior; controle financeiro; pareceres
vinculantes; ouvidoria; e recursos administrativos hierárquicos ou de ofício.
a) fiscalização hierárquica: Procede do poder hierárquico, que faculta à Administração a
possibilidade de escalonar sua estrutura, vinculando uns a outros e permitindo a ordenação, coordenação,
orientação de suas atividades.
Delas derivam as prerrogativas ao superior hierárquico de delegar e avocar atribuições, assim também
o dever de obediência. A fiscalização hierárquica pode ser realizada a qualquer tempo, antes ou depois
da edição do ato, e independentemente de qualquer provocação.
b) supervisão superior: Difere da fiscalização hierárquica porque não pressupõe o vínculo de
subordinação, ficando limitada a hipóteses em que a lei expressamente admite a sua realização. No
âmbito da Administração Pública Federal é nominada de “supervisão ministerial” e aplicável às entidades
vinculadas aos ministérios
c) controle financeiro: O art. 74 da Constituição Federal determina que os Poderes mantenham
sistema de controle interno com a finalidade de “avaliar o cumprimento das metas previstas no plano
plurianual, a execução dos programas de governo e dos orçamentos da União; comprovar a legalidade e
avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos
órgãos e entidades da Administração Federal, bem como da aplicação de recursos públicos por entidades
de direito privado; exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos direitos
e haveres da União; apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional”.
d) pareceres vinculantes: Trata-se de controle preventivo sobre determinados atos e contratos
administrativos realizado por órgão técnico integrante da Administração ou por órgão do Poder Executivo
(como ocorre com a Procuradoria-Geral do Estado).

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e) ouvidoria: limita-se a proceder ao encaminhamento das reclamações que recebe. Ouvidoria tem-
se dedicado a receber reclamações de populares e usuários dos serviços públicos.
f) recursos administrativos hierárquicos ou de ofício: por vezes a lei condiciona a decisão ao
reexame superior, carecendo ser conhecida e eventualmente revista por agente hierarquicamente
superior àquele que decidiu. O reexame é decorrente do poder hierárquico, que consagra prerrogativas
próprias do agente superior (delegar atribuição, avocá-las, fiscalizar, rever decisões).

Controle Administrativo Exercitado Por Provocação


Nesta hipótese de controle interno, ou administrativo (por provocação), pode decorrer de: direito de
petição; pedido de reconsideração; reclamação administrativa; e recurso administrativo.
a) direito de petição: A Constituição Federal assegura a todos, independentemente do pagamento
de taxas, “o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso
de poder” (art. 5º, XXXIV, a).
O direito individual consagrado no inciso XXXIV é amplo, e seu exercício não reclama legitimidade ou
interesse comprovado. Pode, assim, ser a petição individual ou coletiva subscrita por brasileiro ou
estrangeiro, pessoa física ou jurídica, e ser endereçada a qualquer dos Poderes do Estado.
Enquanto o direito de petição é utilizado para possibilitar o acesso a informações de interesse coletivo,
o direito de certidão é utilizado para a obtenção de informações que dizem respeito ao próprio requerente.
O sigilo é lícito na administração pública em situações nas quais a publicidade possa acarretar lesão
a outro direito protegido constitucionalmente.
b) pedido de reconsideração: Próximo do recurso administrativo, o pedido de reconsideração abriga
requerimento que objetiva a revisão de determinada decisão administrativa. Diferentemente do “direito de
petição”, exige a demonstração de interesse daquele que o subscreve, podendo ser exercido por pessoa
física ou jurídica, brasileira ou estrangeira, desde que detentora de interesse. O prazo para sua
interposição deve estar previsto na lei que autoriza o ato; no seu silêncio, a prescrição opera-se em um
ano, contado da data do ato ou decisão.
c) reclamação administrativa: Trata-se de pedido de revisão que impugna ato ou atividade
administrativa. É a oposição solene, escrita e assinada, a ato ou atividade pública que afete direitos ou
interesses legítimos do reclamante. Dessas reclamações são exemplos a que impugna lançamentos
tributários e a que se opõe a determinada medida punitiva.

Esta modalidade de recurso administrativo tem a finalidade de conferir à oportunidade do cidadão


questionar a realização de algum ato administrativo.
As reclamações administrativas, na maioria das vezes são julgadas por um órgão especifico da
administração pública, criados com este intuito.
Caso não ocorra outro prazo previsto pela legislação, a reclamação deve ser interposta perante o
órgão da administração pública dentro de até um ano, contados da realização do ato eivado de vício.
A reclamação administrativa, de acordo com Meirelles:
“É a oposição expressa a atos da Administração que afetem direitos ou interesses legítimos do
administrado.”
O prazo interposto para interpor a reclamação administrativa é fatal e peremptório para o administrado,
permitindo que a Administração não tome conhecimento do pedido se feito fora do prazo determinado.
Porém, nada impede que a Administração reconheça a reclamação extemporaneamente, desde que
não tenha ocorrido a prescrição da ação e a reclamação seja procedente.

d) recurso administrativo: Recurso é instrumento de defesa, meio hábil de impugnação ou


possibilitador de reexame de decisão da Administração. Os recursos administrativos podem ser: a)
provocados ou voluntários; b) hierárquicos ou de ofício. Quanto aos efeitos: a) suspensivos; b) meramente
devolutivos.
Assim, recurso provocado é o interposto pelo interessado, pelo particular, devendo ser dirigido à
autoridade competente para rever a decisão, contendo a exposição dos fatos e fundamentos jurídicos da
irresignação.
O recurso implicará o exame da matéria já decidida, devendo tal decisão ser fundamentada, seja para
o acolhimento das razões recursais, seja para o não provimento do recurso (STF, RDA, 80/147). O
reexame será amplo, podendo ir além do pedido e mesmo ser decidido contra o recorrente (admite-se a
reformatio in pejus), salvo se se tratar de recurso hierárquico ou de ofício. Nada impede, ainda, que,
presente o recurso, julgue o administrador conveniente a revogação da decisão, ou a sua anulação, ainda
que o recurso não objetive tal providência. Os recursos sempre produzem efeitos devolutivos, permitindo

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o reexame da matéria decidida (devolve à Administração a possibilidade de decidir), e excepcionalmente
produzirão efeitos suspensivos, obstando a execução da decisão impugnada.
O Recurso administrativo ou hierárquico é o pedido de reexame do ato dirigido à autoridade superior
à que o proferiu. Só podem recorrer os legitimados, que, segundo o artigo 58 da Lei federal 9784/99, são:
I – os titulares de direitos e interesses que forem parte no processo; II – aqueles cujos direitos ou
interesses forem indiretamente afetados pela decisão recorrida; III – organizações e associações
representativas, no tocante a direitos e interesses coletivos; IV – os cidadãos ou associações, quanto a
direitos ou interesses difusos. Pode-se, em tese, recorrer de qualquer ato ou decisão, salvo os atos de
mero expediente ou preparatórios de decisões.
O recurso hierárquico tem sempre efeito devolutivo e pode ter efeito suspensivo, se previsto em lei.
Atente-se que, se cabe recurso administrativo com efeito suspensivo e esse for interposto, é vedada a
impetração de mandado de segurança, conforme estabelece o art. 5º, I da Lei federal nº 1.533/51, que
regula o mandado de segurança, até que seja decidido.
O recurso hierárquico pode ser voluntário ou de ofício.
Na decisão do recurso, o órgão ou autoridade competente tem amplo poder de revisão, podendo
confirmar, desfazer ou modificar o ato impugnado. Entretanto, a reforma não pode impor ao recorrente
um maior gravame (reformatio in pejus).
Pedido de revisão é o recurso utilizado pelo servidor público punido pela Administração, visando ao
reexame da decisão, no caso de surgirem fatos novos suscetíveis de demonstrar a sua inocência. Pode
ser interposto pelo próprio interessado, por seu procurador ou por terceiros, conforme dispuser a lei
estatutária. É admissível até mesmo após o falecimento do interessado.

Coisa julgada administrativa


Quando inexiste, no âmbito administrativo, possibilidade de reforma da decisão oferecida pela
Administração Pública, está-se diante da coisa julgada administrativa. Esta não tem o alcance da coisa
julgada judicial, porque o ato jurisdicional da Administração Pública é tão-só um ato administrativo
decisório, destituído do poder de dizer do direito em caráter definitivo. Tal prerrogativa, no Brasil, é só do
Judiciário.
A imodificabilidade da decisão da Administração Pública só encontra consistência na esfera
administrativa. Perante o Judiciário, qualquer decisão administrativa pode ser modificada, salvo se
também essa via estiver prescrita.
Portanto, a expressão “coisa julgada”, no Direito Administrativo, não tem o mesmo sentido que no
Direito Judiciário. Ela significa apenas que a decisão se tornou irretratável pela própria Administração.

Questões

01. (IF/AP - Auxiliar em Administração – FUNIVERSA/2016). Acerca dos tipos e das formas de
controle da Administração Pública, é correto afirmar que o controle
(A) administrativo não pode ser exercido pelos Poderes Legislativo e Judiciário.
(B) exercido pelas comissões parlamentares de inquérito (CPI) é um exemplo de controle judicial.
(C) administrativo, o controle legislativo e o controle judicial são formas de controle da Administração
Pública.
(D) popular ou social não é uma forma de controle aceita no regime jurídico brasileiro.
(E) administrativo é exercido exclusivamente pelo Poder Executivo.

02. (UFPB - Administrador – IDECAN/2016). Quanto ao controle da administração pública, a


autotutela constitui espécie de controle:
(A) Judicial.
(B) Externo.
(C) Legislativo.
(D) Administrativo.

03. (Prefeitura de Caieiras/SP - Assistente de Patrimônio e Estoque – VUNESP/2015). Os


controles administrativos na Administração Pública são verticais e horizontais, conforme a localização do
órgão que exerce o controle. Os controles horizontais são classificados como
(A) interno e externo.
(B) contábil e financeiro.
(C) financeiro e patrimonial.

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(D) orçamentário e permanente.
(E) direto e indireto.

04. (TJ/MT – Juiz - FMPRS/2014) Com relação ao controle da Administração Pública, assinale a opção
correta.
(A) No exercício do controle externo, é possível tanto a revogação quanto a invalidação dos atos
administrativos.
(B) No exercício de suas funções, a Administração Pública sujeita-se a controle por parte do Poder
Legislativo e Poder Judiciário, além de exercer, ela mesma, o controle sobre os próprios atos.
(C) O controle exercido pelo Poder Legislativo está restrito às hipóteses previstas na Constituição
Federal e somente pode ocorrer no âmbito da Administração Pública Direta, Autarquias e Fundações
Públicas.
(D) O controle exercido pelo Poder Judiciário deverá ser precedido do esgotamento das vias
administrativas.
(E) O controle exercido pelo Poder Judiciário tanto pode revogar quanto invalidar os atos
administrativos; quanto aos efeitos, no primeiro caso, não retroage; no segundo, retroage.

05. (TEM – Contador - CESPE/2014) Acerca das licitações e do controle da administração pública,
julgue os itens subsequentes.
Na hipótese de um servidor, que foi demitido pelo ministro do MTE, impetrar mandado de segurança
em desfavor dessa autoridade, estará sendo realizado, por meio do julgamento do mencionado remédio
constitucional, o controle judicial da administração pública.
( ) correto ( ) errado

Respostas

01. Resposta: C
Com base nesses elementos, Maria Sylvia Zanella di Pietro conceitua “o controle da Administração
Pública como o poder de fiscalização e correção que sobre ela exercem os órgãos dos Poderes Judiciário,
Legislativo e Executivo, com o objetivo de garantir a conformidade de sua atuação com os princípios que
lhe são impostos pelo ordenamento jurídico”.

02. Resposta: D
O controle administrativo é reconhecido pela Súmula STF nº 473 e é decorrente do poder de autotutela.
Por meio do poder de autotutela, as entidades e órgãos da Administração Pública controlam e corrigem
a conveniência, a oportunidade e a legalidade dos seus próprios atos.

03. Resposta: A
Os controles administrativos são denominados genericamente de controles internos. Fazem parte da
estrutura administrativa de cada poder, tendo por função acompanhar a execução dos seus atos,
indicando, em caráter opinativo, preventivo ou corretivo, ações a serem desempenhadas com vistas ao
atendimento da legislação. Já em relação ao poder executivo, os poderes que o controlam são os
controles legislativos e de contas, denominados controles externos, ou seja, são órgãos independentes
da administração, não participando, portanto, dos atos por ela praticados, pois cabe a eles exercer a
fiscalização. Esse conjunto de controles horizontais, internos e externos, é formalmente institucionalizado
por uma rede de órgãos autônomos.

04. Resposta: B
A Administração Pública sujeita-se a controle por parte do Poder Legislativo e Poder Judiciário,
podendo exercer o controle sobre os próprios atos, no exercício de suas funções

05. Resposta: CORRETA


O ato jurídico movido pelo administrado será julgado pelo Poder Judiciário, caracterizando o controle
judicial da administração pública.

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6 Lei nº 8.429/1992, e suas alterações (Lei de Improbidade Administrativa).

Improbidade Administrativa
Quando se fala em probidade administrativa deve-se ter em mente a observância dos princípios éticos,
como boa-fé, lealdade e princípios que configuram uma boa administração.
A improbidade administrativa é a falta de probidade do servidor no exercício de suas funções ou de
governantes no desempenho das atividades próprias de seu cargo. Os atos de improbidade administrativa
importam a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o
ressarcimento do Erário (patrimônio da administração), na forma e gradação previstas em lei, sem
prejuízo da ação penal cabível.
Com a inclusão do princípio da moralidade administrativa no texto constitucional houve um reflexo da
preocupação com a ética na Administração Pública, para evitar a corrupção de servidores.
A matéria é regulada no plano constitucional pelo art. 37, §4º, da Constituição Federal, e no plano
infraconstitucional pela Lei Federal Nº 8.429, de 02.06.1992, que dispõe sobre “as sanções aplicáveis aos
agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo, emprego ou função
na administração pública direta, indireta ou fundacional.”

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência e, também, ao seguinte;
[...]
§ 4º - Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da
função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas
em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.

A lei 8.429/92 pune os atos de improbidade praticados por qualquer agente público, servidor ou não,
contra a administração. Agente público, para os efeitos desta lei, é todo aquele que exerce, ainda que
transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra
forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função. Contudo, a lei também poderá ser
aplicada, àquele que, mesmo não sendo agente público, induza ou concorra para a prática do ato de
improbidade ou dele se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta.

Os atos que constituem improbidade administrativa podem ser divididos em quatro espécies:
1. Ato de improbidade administrativa que importa enriquecimento ilícito (art. 9º)
2) Ato de improbidade administrativa que importa lesão ao erário (art. 10)
3) Ato de improbidade administrativa decorrente de concessão ou aplicação indevida de benefício
financeiro ou tributário (art. 10-A)
4) Ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública (art. 11).

Antes de adentrarmos na LIA (lei de improbidade administrativa) vamos fazer um mapeamento para
facilitar nos estudos. Os sujeitos (ativos e passivos arts. 1º a 3º), os atos de improbidade (arts. 9º, 10, 10A
e 11), as penas cabíveis (art. 12), quando estabelece norma sobre o direito de representação (art. 14),
quando prevê ilícito penal (art. 19) e quando estabelece normas sobre prescrição para propositura de
ação judicial (art. 23).

LEI Nº 8.429, DE 2 DE JUNHO DE 1992.

Dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no
exercício de mandato, cargo, emprego ou função na administração pública direta, indireta ou fundacional
e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a


seguinte lei:

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CAPÍTULO I
Das Disposições Gerais

Art. 1° Os atos de improbidade praticados por qualquer agente público, servidor ou não, contra a
administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal, dos Municípios, de Território, de empresa incorporada ao patrimônio público ou de entidade para
cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com mais de cinquenta por cento do
patrimônio ou da receita anual, serão punidos na forma desta lei.
Parágrafo único. Estão também sujeitos às penalidades desta lei os atos de improbidade praticados
contra o patrimônio de entidade que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de
órgão público bem como daquelas para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com
menos de cinquenta por cento do patrimônio ou da receita anual, limitando-se, nestes casos, a sanção
patrimonial à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos.

Art. 2° Reputa-se agente público, para os efeitos desta lei, todo aquele que exerce, ainda que
transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra
forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas entidades mencionadas no
artigo anterior.

Art. 3° As disposições desta lei são aplicáveis, no que couber, àquele que, mesmo não sendo agente
público, induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer forma
direta ou indireta.

Art. 4° Os agentes públicos de qualquer nível ou hierarquia são obrigados a velar pela estrita
observância dos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade no trato dos assuntos
que lhe são afetos.

Art. 5° Ocorrendo lesão ao patrimônio público por ação ou omissão, dolosa ou culposa, do agente ou
de terceiro, dar-se-á o integral ressarcimento do dano.

Art. 6° No caso de enriquecimento ilícito, perderá o agente público ou terceiro beneficiário os bens ou
valores acrescidos ao seu patrimônio.

Art. 7° Quando o ato de improbidade causar lesão ao patrimônio público ou ensejar enriquecimento
ilícito, caberá a autoridade administrativa responsável pelo inquérito representar ao Ministério Público,
para a indisponibilidade dos bens do indiciado.
Parágrafo único. A indisponibilidade a que se refere o caput deste artigo recairá sobre bens que
assegurem o integral ressarcimento do dano, ou sobre o acréscimo patrimonial resultante do
enriquecimento ilícito.

Art. 8° O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público ou se enriquecer ilicitamente está
sujeito às cominações desta lei até o limite do valor da herança.

CAPÍTULO II
Dos Atos de Improbidade Administrativa
Seção I
Dos Atos de Improbidade Administrativa que Importam Enriquecimento Ilícito

Art. 9° Constitui ato de improbidade administrativa importando enriquecimento ilícito auferir qualquer
tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo, mandato, função, emprego ou
atividade nas entidades mencionadas no art. 1° desta lei, e notadamente:
I - receber, para si ou para outrem, dinheiro, bem móvel ou imóvel, ou qualquer outra vantagem
econômica, direta ou indireta, a título de comissão, percentagem, gratificação ou presente de quem tenha
interesse, direto ou indireto, que possa ser atingido ou amparado por ação ou omissão decorrente das
atribuições do agente público;
II - perceber vantagem econômica, direta ou indireta, para facilitar a aquisição, permuta ou locação de
bem móvel ou imóvel, ou a contratação de serviços pelas entidades referidas no art. 1° por preço superior
ao valor de mercado;

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III - perceber vantagem econômica, direta ou indireta, para facilitar a alienação, permuta ou locação
de bem público ou o fornecimento de serviço por ente estatal por preço inferior ao valor de mercado;
IV - utilizar, em obra ou serviço particular, veículos, máquinas, equipamentos ou material de qualquer
natureza, de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades mencionadas no art. 1° desta lei,
bem como o trabalho de servidores públicos, empregados ou terceiros contratados por essas entidades;
V - receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indireta, para tolerar a exploração ou
a prática de jogos de azar, de lenocínio, de narcotráfico, de contrabando, de usura ou de qualquer outra
atividade ilícita, ou aceitar promessa de tal vantagem;
VI - receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indireta, para fazer declaração falsa
sobre medição ou avaliação em obras públicas ou qualquer outro serviço, ou sobre quantidade, peso,
medida, qualidade ou característica de mercadorias ou bens fornecidos a qualquer das entidades
mencionadas no art. 1º desta lei;
VII - adquirir, para si ou para outrem, no exercício de mandato, cargo, emprego ou função pública,
bens de qualquer natureza cujo valor seja desproporcional à evolução do patrimônio ou à renda do agente
público;
VIII - aceitar emprego, comissão ou exercer atividade de consultoria ou assessoramento para pessoa
física ou jurídica que tenha interesse suscetível de ser atingido ou amparado por ação ou omissão
decorrente das atribuições do agente público, durante a atividade;
IX - perceber vantagem econômica para intermediar a liberação ou aplicação de verba pública de
qualquer natureza;
X - receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indiretamente, para omitir ato de
ofício, providência ou declaração a que esteja obrigado;
XI - incorporar, por qualquer forma, ao seu patrimônio bens, rendas, verbas ou valores integrantes do
acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1° desta lei;
XII - usar, em proveito próprio, bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das
entidades mencionadas no art. 1° desta lei.

Seção II
Dos Atos de Improbidade Administrativa que Causam Prejuízo ao Erário

Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou
omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou
dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art. 1º desta lei, e notadamente:
I - facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao patrimônio particular, de pessoa
física ou jurídica, de bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades
mencionadas no art. 1º desta lei;
II - permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens, rendas, verbas ou
valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei, sem a
observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie;
III - doar à pessoa física ou jurídica bem como ao ente despersonalizado, ainda que de fins educativos
ou assistências, bens, rendas, verbas ou valores do patrimônio de qualquer das entidades mencionadas
no art. 1º desta lei, sem observância das formalidades legais e regulamentares aplicáveis à espécie;
IV - permitir ou facilitar a alienação, permuta ou locação de bem integrante do patrimônio de qualquer
das entidades referidas no art. 1º desta lei, ou ainda a prestação de serviço por parte delas, por preço
inferior ao de mercado;
V - permitir ou facilitar a aquisição, permuta ou locação de bem ou serviço por preço superior ao de
mercado;
VI - realizar operação financeira sem observância das normas legais e regulamentares ou aceitar
garantia insuficiente ou inidônea;
VII - conceder benefício administrativo ou fiscal sem a observância das formalidades legais ou
regulamentares aplicáveis à espécie;
VIII - frustrar a licitude de processo licitatório ou dispensá-lo indevidamente; (Vide Lei nº 13.019, de
2014)
IX - ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas em lei ou regulamento;
X - agir negligentemente na arrecadação de tributo ou renda, bem como no que diz respeito à
conservação do patrimônio público;
XI - liberar verba pública sem a estrita observância das normas pertinentes ou influir de qualquer forma
para a sua aplicação irregular;
XII - permitir, facilitar ou concorrer para que terceiro se enriqueça ilicitamente;

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XIII - permitir que se utilize, em obra ou serviço particular, veículos, máquinas, equipamentos ou
material de qualquer natureza, de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades mencionadas
no art. 1° desta lei, bem como o trabalho de servidor público, empregados ou terceiros contratados por
essas entidades.
XIV – celebrar contrato ou outro instrumento que tenha por objeto a prestação de serviços públicos por
meio da gestão associada sem observar as formalidades previstas na lei;
XV – celebrar contrato de rateio de consórcio público sem suficiente e prévia dotação orçamentária,
ou sem observar as formalidades previstas na lei.
XVI - facilitar ou concorrer, por qualquer forma, para a incorporação, ao patrimônio particular de pessoa
física ou jurídica, de bens, rendas, verbas ou valores públicos transferidos pela administração pública a
entidades privadas mediante celebração de parcerias, sem a observância das formalidades legais ou
regulamentares aplicáveis à espécie; (Incluído pela Lei nº 13.019, de 2014).
XVII - permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens, rendas, verbas ou
valores públicos transferidos pela administração pública a entidade privada mediante celebração de
parcerias, sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie; (Incluído
pela Lei nº 13.019, de 2014).
XVIII - celebrar parcerias da administração pública com entidades privadas sem a observância das
formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie; (Incluído pela Lei nº 13.019, de 2014).
XIX - agir negligentemente na celebração, fiscalização e análise das prestações de contas de parcerias
firmadas pela administração pública com entidades privadas; (Incluído pela Lei nº 13.019, de 2014).
XX - liberar recursos de parcerias firmadas pela administração pública com entidades privadas sem a
estrita observância das normas pertinentes ou influir de qualquer forma para a sua aplicação irregular.
(Incluído pela Lei nº 13.019, de 2014).
XXI - liberar recursos de parcerias firmadas pela administração pública com entidades privadas sem a
estrita observância das normas pertinentes ou influir de qualquer forma para a sua aplicação irregular.
(Incluído pela Lei nº 13.019, de 2014).

Seção II-A
(Incluído pela Lei Complementar nº 157, de 2016)
Dos Atos de Improbidade Administrativa Decorrentes de Concessão ou Aplicação Indevida de
Benefício Financeiro ou Tributário

Art. 10-A.Constitui ato de improbidade administrativa qualquer ação ou omissão para conceder, aplicar
ou manter benefício financeiro ou tributário contrário ao que dispõem o caput e o § 1º do art. 8º-A da Lei
Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003. (Incluído pela Lei Complementar nº 157, de 2016)

Seção III
Dos Atos de Improbidade Administrativa que Atentam Contra os Princípios da Administração
Pública
Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração
pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e
lealdade às instituições, e notadamente:
I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na regra de
competência;
II - retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício;
III - revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições e que deva permanecer
em segredo;
IV - negar publicidade aos atos oficiais;
V - frustrar a licitude de concurso público;
VI - deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo;
VII - revelar ou permitir que chegue ao conhecimento de terceiro, antes da respectiva divulgação oficial,
teor de medida política ou econômica capaz de afetar o preço de mercadoria, bem ou serviço.
VIII - descumprir as normas relativas à celebração, fiscalização e aprovação de contas de parcerias
firmadas pela administração pública com entidades privadas. (Redação dada pela Lei nº 13.019, de 2014).
IX - deixar de cumprir a exigência de requisitos de acessibilidade previstos na legislação. (Incluído pela
Lei nº 13.146, de 2015).
X - transferir recurso a entidade privada, em razão da prestação de serviços na área de saúde sem a
prévia celebração de contrato, convênio ou instrumento congênere, nos termos do parágrafo único do art.
24 da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. (Incluído pela Lei nº 13.650, de 2018).

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CAPÍTULO III
Das Penas

Art. 12. Independentemente das sanções penais, civis e administrativas previstas na legislação
específica, está o responsável pelo ato de improbidade sujeito às seguintes cominações, que podem ser
aplicadas isolada ou cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato:
I - na hipótese do art. 9°, perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio,
ressarcimento integral do dano, quando houver, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos
de oito a dez anos, pagamento de multa civil de até três vezes o valor do acréscimo patrimonial e proibição
de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou
indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de
dez anos;
II - na hipótese do art. 10, ressarcimento integral do dano, perda dos bens ou valores acrescidos
ilicitamente ao patrimônio, se concorrer esta circunstância, perda da função pública, suspensão dos
direitos políticos de cinco a oito anos, pagamento de multa civil de até duas vezes o valor do dano e
proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios,
direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo
prazo de cinco anos;
III - na hipótese do art. 11, ressarcimento integral do dano, se houver, perda da função pública,
suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos, pagamento de multa civil de até cem vezes o valor
da remuneração percebida pelo agente e proibição de contratar com o Poder Público ou receber
benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa
jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos.
V - na hipótese prevista no art. 10-A, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de 5
(cinco) a 8 (oito) anos e multa civil de até 3 (três) vezes o valor do benefício financeiro ou tributário
concedido. (Incluído pela Lei Complementar nº 157, de 2016)
Parágrafo único. Na fixação das penas previstas nesta lei o juiz levará em conta a extensão do dano
causado, assim como o proveito patrimonial obtido pelo agente.

CAPÍTULO IV
Da Declaração de Bens

Art. 13. A posse e o exercício de agente público ficam condicionados à apresentação de declaração
dos bens e valores que compõem o seu patrimônio privado, a fim de ser arquivada no serviço de pessoal
competente. (Regulamento) (Regulamento)
§ 1° A declaração compreenderá imóveis, móveis, semoventes, dinheiro, títulos, ações, e qualquer
outra espécie de bens e valores patrimoniais, localizado no País ou no exterior, e, quando for o caso,
abrangerá os bens e valores patrimoniais do cônjuge ou companheiro, dos filhos e de outras pessoas que
vivam sob a dependência econômica do declarante, excluídos apenas os objetos e utensílios de uso
doméstico.
§ 2º A declaração de bens será anualmente atualizada e na data em que o agente público deixar o
exercício do mandato, cargo, emprego ou função.
§ 3º Será punido com a pena de demissão, a bem do serviço público, sem prejuízo de outras sanções
cabíveis, o agente público que se recusar a prestar declaração dos bens, dentro do prazo determinado,
ou que a prestar falsa.
§ 4º O declarante, a seu critério, poderá entregar cópia da declaração anual de bens apresentada à
Delegacia da Receita Federal na conformidade da legislação do Imposto sobre a Renda e proventos de
qualquer natureza, com as necessárias atualizações, para suprir a exigência contida no caput e no § 2°
deste artigo.

CAPÍTULO V
Do Procedimento Administrativo e do Processo Judicial

Art. 14. Qualquer pessoa poderá representar à autoridade administrativa competente para que seja
instaurada investigação destinada a apurar a prática de ato de improbidade.
§ 1º A representação, que será escrita ou reduzida a termo e assinada, conterá a qualificação do
representante, as informações sobre o fato e sua autoria e a indicação das provas de que tenha
conhecimento.

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§ 2º A autoridade administrativa rejeitará a representação, em despacho fundamentado, se esta não
contiver as formalidades estabelecidas no § 1º deste artigo. A rejeição não impede a representação ao
Ministério Público, nos termos do art. 22 desta lei.
§ 3º Atendidos os requisitos da representação, a autoridade determinará a imediata apuração dos fatos
que, em se tratando de servidores federais, será processada na forma prevista nos arts. 148 a 182 da Lei
nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990 e, em se tratando de servidor militar, de acordo com os respectivos
regulamentos disciplinares.

Art. 15. A comissão processante dará conhecimento ao Ministério Público e ao Tribunal ou Conselho
de Contas da existência de procedimento administrativo para apurar a prática de ato de improbidade.
Parágrafo único. O Ministério Público ou Tribunal ou Conselho de Contas poderá, a requerimento,
designar representante para acompanhar o procedimento administrativo.

Art. 16. Havendo fundados indícios de responsabilidade, a comissão representará ao Ministério Público
ou à procuradoria do órgão para que requeira ao juízo competente a decretação do sequestro dos bens
do agente ou terceiro que tenha enriquecido ilicitamente ou causado dano ao patrimônio público.
§ 1º O pedido de sequestro será processado de acordo com o disposto nos arts. 822 e 825 do Código
de Processo Civil.
§ 2° Quando for o caso, o pedido incluirá a investigação, o exame e o bloqueio de bens, contas
bancárias e aplicações financeiras mantidas pelo indiciado no exterior, nos termos da lei e dos tratados
internacionais.

Art. 17. A ação principal, que terá o rito ordinário, será proposta pelo Ministério Público ou pela pessoa
jurídica interessada, dentro de trinta dias da efetivação da medida cautelar.
§ 1º É vedada a transação, acordo ou conciliação nas ações de que trata o caput
§ 2º A Fazenda Pública, quando for o caso, promoverá as ações necessárias à complementação do
ressarcimento do patrimônio público.
§ 3º No caso de a ação principal ter sido proposta pelo Ministério Público, aplica-se, no que couber, o
disposto no § 3o do art. 6º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965.
§ 4º O Ministério Público, se não intervir no processo como parte, atuará obrigatoriamente, como fiscal
da lei, sob pena de nulidade.
§ 5º A propositura da ação prevenirá a jurisdição do juízo para todas as ações posteriormente
intentadas que possuam a mesma causa de pedir ou o mesmo objeto.
§ 6º A ação será instruída com documentos ou justificação que contenham indícios suficientes da
existência do ato de improbidade ou com razões fundamentadas da impossibilidade de apresentação de
qualquer dessas provas, observada a legislação vigente, inclusive as disposições inscritas nos arts. 16 a
18 do Código de Processo Civil.
§ 7º Estando a inicial em devida forma, o juiz mandará autuá-la e ordenará a notificação do requerido,
para oferecer manifestação por escrito, que poderá ser instruída com documentos e justificações, dentro
do prazo de quinze dias.
§ 8º Recebida a manifestação, o juiz, no prazo de trinta dias, em decisão fundamentada, rejeitará a
ação, se convencido da inexistência do ato de improbidade, da improcedência da ação ou da inadequação
da via eleita.
§ 9º Recebida a petição inicial, será o réu citado para apresentar contestação.
§ 10. Da decisão que receber a petição inicial, caberá agravo de instrumento.
§ 11. Em qualquer fase do processo, reconhecida a inadequação da ação de improbidade, o juiz
extinguirá o processo sem julgamento do mérito.
§ 12. Aplica-se aos depoimentos ou inquirições realizadas nos processos regidos por esta Lei o
disposto no art. 221, caput e § 1º, do Código de Processo Penal.
§ 13. Para os efeitos deste artigo, também se considera pessoa jurídica interessada o ente tributante
que figurar no polo ativo da obrigação tributária de que tratam o § 4º do art. 3º e o art. 8º-A da Lei
Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003. (Incluído pela Lei Complementar nº 157, de 2016).

Art. 18. A sentença que julgar procedente ação civil de reparação de dano ou decretar a perda dos
bens havidos ilicitamente determinará o pagamento ou a reversão dos bens, conforme o caso, em favor
da pessoa jurídica prejudicada pelo ilícito.

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CAPÍTULO VI
Das Disposições Penais

Art. 19. Constitui crime a representação por ato de improbidade contra agente público ou terceiro
beneficiário, quando o autor da denúncia o sabe inocente.
Pena: detenção de seis a dez meses e multa.
Parágrafo único. Além da sanção penal, o denunciante está sujeito a indenizar o denunciado pelos
danos materiais, morais ou à imagem que houver provocado.

Art. 20. A perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos só se efetivam com o trânsito
em julgado da sentença condenatória.
Parágrafo único. A autoridade judicial ou administrativa competente poderá determinar o afastamento
do agente público do exercício do cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração, quando a
medida se fizer necessária à instrução processual.

Art. 21. A aplicação das sanções previstas nesta lei independe:


I - da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público, salvo quanto à pena de ressarcimento;
II - da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle interno ou pelo Tribunal ou Conselho
de Contas.

Art. 22. Para apurar qualquer ilícito previsto nesta lei, o Ministério Público, de ofício, a requerimento de
autoridade administrativa ou mediante representação formulada de acordo com o disposto no art. 14,
poderá requisitar a instauração de inquérito policial ou procedimento administrativo.

CAPÍTULO VII
Da Prescrição

Art. 23. As ações destinadas a levar a efeitos as sanções previstas nesta lei podem ser propostas:
I - até cinco anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de função de
confiança;
II - dentro do prazo prescricional previsto em lei específica para faltas disciplinares puníveis com
demissão a bem do serviço público, nos casos de exercício de cargo efetivo ou emprego.
III - até cinco anos da data da apresentação à administração pública da prestação de contas final pelas
entidades referidas no parágrafo único do art. 1o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 13.019, de 2014)

CAPÍTULO VIII
Das Disposições Finais

Art. 24. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 25. Ficam revogadas as Leis n°s 3.164, de 1° de junho de 1957, e 3.502, de 21 de dezembro de
1958 e demais disposições em contrário.

Rio de Janeiro, 2 de junho de 1992; 171° da Independência e 104° da República.

FERNANDO COLLOR

Atenção
A banca ao questionar as penalidades imposta aos agentes públicos pela LIA (lei de improbidade
administrativa) por vezes incluíam nas alternativas a pena de reclusão ou mesmo pagamento de multa
penal, mas lembrando pessoal que nas penalidades disposta na lei de improbidade administrativa (lei
8.429/92) não existe RECLUSÃO e nem o PAGAMENTO DE MULTA PENAL.

Questões

01. (TRE/SP - Analista Judiciário - Área Administrativa – FCC/2017). Considere a seguinte situação
hipotética: Beatriz, servidora pública do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, está sendo processada
pela prática de ato ímprobo que importa enriquecimento ilícito. Cumpre salientar que o Ministério Público

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Federal, na petição inicial da ação de improbidade, afastou a ocorrência de prejuízo ao erário. Nos termos
da Lei n° 8.429/1992,
(A) a medida de indisponibilidade de bens não é cabível, tendo em vista a modalidade de ato ímprobo
praticado e a inexistência de prejuízo ao erário.
(B) na hipótese de falecimento de Beatriz, seu sucessor estará sujeito às cominações da Lei de
Improbidade Administrativa, que, excepcionalmente, poderá ultrapassar o valor da herança.
(C) a medida de indisponibilidade de bens é cabível, no entanto, recairá somente sobre o acréscimo
patrimonial resultante do enriquecimento ilícito.
(D) Beatriz é parte ilegítima para figurar no polo passivo da ação de improbidade, por não figurar no
rol de agentes públicos sujeitos às sanções da Lei de Improbidade Administrativa.
(E) na hipótese de falecimento de Beatriz, seu sucessor não responderá por qualquer sanção, tendo
em vista a modalidade de ato ímprobo praticado.

02. (PC/GO - Delegado de Polícia Substituto – CESPE/2017). Em relação à improbidade


administrativa, assinale a opção correta.
(A) A ação de improbidade administrativa apresenta prazo de proposição decenal, qualquer que seja
a tipicidade do ilícito praticado pelo agente público.
(B) Se servidor público estável for condenado em ação de improbidade administrativa por uso de
maquinário da administração em seu sítio particular, poderá ser-lhe aplicada pena de suspensão dos
direitos políticos por período de cinco a oito anos.
(C) O particular que praticar ato que enseje desvio de verbas públicas, sozinho ou em conluio com
agente público, responderá, nos termos da Lei de Improbidade Administrativa, desde que tenha obtido
alguma vantagem pessoal.
(D) Enriquecimento ilícito configura ato de improbidade administrativa se o autor auferir vantagem
patrimonial indevida em razão do cargo, mandato, função, emprego ou atividade, mesmo que de forma
culposa.
(E) Caso um servidor público federal estável, de forma deliberada, sem justificativa e reiterada, deixar
de praticar ato de ofício, poderá ser-lhe aplicada multa civil de até cem vezes o valor da sua remuneração,
conforme a gravidade do fato.

03. (TJM/SP - Escrevente Técnico Judiciário – VUNESP/2017). É ato de improbidade administrativa


que causa prejuízo ao erário:
(A) perceber vantagem econômica para intermediar a liberação ou aplicação de verba pública de
qualquer natureza.
(B) receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indiretamente, para omitir ato de
ofício, providência ou declaração a que esteja obrigado.
(C) revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições e que deva permanecer
em segredo.
(D) revelar ou permitir que chegue ao conhecimento de terceiro, antes da respectiva divulgação oficial,
teor de medida política ou econômica capaz de afetar o preço de mercadoria, bem ou serviço.
(E) conceder benefício administrativo ou fiscal sem a observância das formalidades legais ou
regulamentares aplicáveis à espécie.

04. (MPE/RS - Secretário de Diligências – MPE-RS/2017). Tocante ao Procedimento Administrativo


e ao Processo Judicial previstos na Lei nº 8.429/1992 (Lei de Improbidade Administrativa), assinale a
alternativa correta.
(A) Somente servidor público que tiver conhecimento acerca da prática de eventual ato de improbidade
administrativa poderá representar à autoridade administrativa competente para que seja instaurada
investigação.
(B) A rejeição da representação impede o oferecimento de representação ao Ministério Público a
respeito do mesmo fato.
(C) Nas ações de improbidade, havendo condenação do demandado à reparação de danos, poderá
ser admitido o perdão judicial.
(D) Estando a inicial em devida forma, o juiz mandará autuá-la e ordenará a citação do réu para o
oferecimento de contestação.
(E) Autuada a inicial, o juiz ordenará a notificação do requerido, para oferecer manifestação por escrito,
no prazo de 15 (quinze) dias.

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05. (SEDF - Professor – Direito – Quadrix/2017). Acerca do Direito Administrativo, julgue o item a
seguir.
As normas que descrevem os atos de improbidade administrativa são aplicáveis, no que couber,
àquele que, mesmo não sendo agente público, induza ou concorra para a prática do ato de improbidade
ou dele se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta.

( ) Certo ( ) Errado

06. (TJ/MT - Técnico Judiciário – UFMT/2016). De acordo com a Lei n.º 8.429, de 02 de junho de
1992, são atos de improbidade administrativa que atentam contra os princípios da administração pública:
(A) Permitir a aquisição de bem por preço superior ao de mercado; Ordenar a realização de despesas
não autorizadas em lei ou regulamento.
(B) Perceber vantagem econômica indireta, para facilitar a alienação de bem público; Receber
vantagem econômica direta, de qualquer natureza, para tolerar a exploração de jogos de azar.
(C) Qualquer ação dolosa que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação dos bens do Poder
Legislativo Municipal; Auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de
mandato de governador de Estado.
(D) Negar publicidade aos atos oficiais; Frustrar a licitude de concurso público.

07. (ANS - Técnico em Regulação de Saúde Suplementar – FUNCAB/2016). Sobre o tema da


improbidade administrativa, e de acordo com a Lei n° 8.429/1992, assinale a alternativa correta.
(A) Somente os agentes públicos de nível hierárquico superior são obrigados a observar os princípios
de legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade.
(B) A lei n° 8.429/1992 se aplica somente aos agentes públicos que induzam ou concorram para a
prática do ato de improbidade ou dele se beneficiem sob qualquer forma.
(C) No caso de enriquecimento ilícito, tanto o agente público quanto o terceiro beneficiário perderão
os bens ou valores acrescidos ao seu patrimônio.
(D) O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público ou se enriquecer ilicitamente não está
sujeito às penalidades da lei de improbidade administrativa.
(E) Não haverá ressarcimento integral do dano causado ao patrimônio público nos casos de omissão,
seja ela dolosa ou culposa.

08. (IBGE - Analista - Processos Administrativos e Disciplinares – FGV/2016). De acordo com a


Lei nº 8.429/92, que dispõe sobre os atos de improbidade administrativa, a prescrição para a pretensão
de aplicação aos agentes das sanções pessoais pela prática de ato de improbidade ocorre em:
(A) oito anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de função de
confiança, incluindo as ações de ressarcimento ao erário;
(B) oito anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de função de
confiança, sendo que o ressarcimento ao erário é imprescritível;
(C) cinco anos após o término do exercício de mandato eletivo e dois anos após o fim da investidura
de cargo em comissão ou de função de confiança;
(D) cinco anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de função de
confiança, incluindo as ações de ressarcimento ao erário;
(E) cinco anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de função de
confiança, sendo que o ressarcimento ao erário é imprescritível.

09. (Prefeitura de Barbacena/MG - Advogado – FCM/2016). No tocante à Lei n.º 8.429/92, sobre
improbidade administrativa:
(A) As sanções, previstas na Lei de Improbidade Administrativa, são privativamente de caráter penal.
(B) A ocorrência de prejuízo ao erário é uma condição precípua para a configuração de improbidade
administrativa.
(C) A perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos só se efetivam com o trânsito em
julgado da sentença condenatória.
(D) As ações destinadas a levar a efeitos as sanções previstas nesta lei devem ser propostas no
máximo até o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de função de confiança, sob
pena de prescrição.

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10. (Prefeitura de Chapecó/SC - Engenheiro de Trânsito – IOBV/2016). Constituem atos de
improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública, exceto:
(A) Frustrar a ilicitude de concurso público.
(B) Deixar de prestar contas quando estiver obrigado a fazê-lo.
(C) Negar a publicidade dos atos oficiais.
(D) Retardar, ou deixar de praticar indevidamente ato de ofício.

Gabarito
01. C/ 02. E/ 03. E/ 04. E/ 05. Certo/ 06. D/ 07. C/
08. E/ 09. C/ 10. A

Comentários

01. Resposta: C
Lei nº 8429/92
Art. 7° Quando o ato de improbidade causar lesão ao patrimônio público ou ensejar enriquecimento
ilícito, caberá a autoridade administrativa responsável pelo inquérito representar ao Ministério Público,
para a indisponibilidade dos bens do indiciado.
Parágrafo único. A indisponibilidade a que se refere o caput deste artigo recairá sobre bens que
assegurem o integral ressarcimento do dano, ou sobre o acréscimo patrimonial resultante do
enriquecimento ilícito.

02. Resposta: E
Lei nº 8429/92
Art. 12. Independentemente das sanções penais, civis e administrativas previstas na legislação
específica, está o responsável pelo ato de improbidade sujeito às seguintes cominações, que podem ser
aplicadas isolada ou cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato
( )
III - na hipótese do art. 11, ressarcimento integral do dano, se houver, perda da função pública,
suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos, pagamento de multa civil de até cem vezes o valor
da remuneração percebida pelo agente e proibição de contratar com o Poder Público ou receber
benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa
jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos.

03. Resposta: E
Lei nº 8429/92
Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou
omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou
dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art. 1º desta lei, e notadamente:
()
VII - conceder benefício administrativo ou fiscal sem a observância das formalidades legais ou
regulamentares aplicáveis à espécie.

04. Resposta: E
Lei nº 8429/92
Art. 17. A ação principal, que terá o rito ordinário, será proposta pelo Ministério Público ou pela pessoa
jurídica interessada, dentro de trinta dias da efetivação da medida cautelar.
( )
§ 7º Estando a inicial em devida forma, o juiz mandará autuá-la e ordenará a notificação do requerido,
para oferecer manifestação por escrito, que poderá ser instruída com documentos e justificações, dentro
do prazo de quinze dias.

05. Resposta: certo


Lei nº 8429/92
Art. 1° Os atos de improbidade praticados por qualquer agente público, servidor ou não, contra a
administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal, dos Municípios, de Território, de empresa incorporada ao patrimônio público ou de entidade para
cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com mais de cinquenta por cento do
patrimônio ou da receita anual, serão punidos na forma desta lei.

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06. Resposta: D
Lei nº 8429/92
Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração
pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e
lealdade às instituições, e notadamente:
( )
IV - negar publicidade aos atos oficiais;
V - frustrar a licitude de concurso público.

07. Resposta: C
Lei nº 8429/92
Art. 6° No caso de enriquecimento ilícito, perderá o agente público ou terceiro beneficiário os bens ou
valores acrescidos ao seu patrimônio.

08. Resposta: E
Lei nº 8429/92
Art. 23. As ações destinadas a levar a efeitos as sanções previstas nesta lei podem ser propostas:
I - até cinco anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de função de
confiança.

09. Resposta: C
Lei nº 8429/92
Art. 20. A perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos só se efetivam com o trânsito
em julgado da sentença condenatória.

10. Resposta: A
Lei nº 8429/92
Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração
pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e
lealdade às instituições, e notadamente:
( )
V - frustrar a licitude de concurso público.

7 Sistemas de controle jurisdicional da administração pública: contencioso


administrativo e sistema da jurisdição una. 8 Controle jurisdicional da
administração pública no Direito brasileiro.

O principal argumento aduzido pela corrente doutrinária que defende o exercício da função jurisdicional
pelos Tribunais de Contas é o de que a própria Constituição, ao estabelecer o termo técnico "julgar",
conferiu parcela jurisdicional aos Tribunais de Contas.
Considerando o disposto no inciso XXXV, do artigo 5º, da Carta Magna, que dispõe que "a lei não
excluirá da apreciação do judiciário, lesão ou ameaça de direito", essa corrente aduz que a lei, em sentido
estrito, não pode promover tal exclusão.
No entanto, segundo entendimento de Victor Nunes Leal (2003. p. 162-164) e Seabra Fagundes (1967,
p. 139) a Constituição Federal promoveu a exclusão quando conferiu às Cortes de Contas a competência
para julgar as contas dos administradores públicos.
Reconhecendo, este último, que os Tribunais de Contas não integram o Poder Judiciário, mas foram
parcialmente investidos de função judicante, quando julgam as contas dos responsáveis por dinheiros e
outros bens públicos.
Afirma, ainda, Seabra Fagundes (1967, p. 142), que:
“A função judicante não decorre do emprego da palavra julgamento, mas sim pelo sentido definitivo da
manifestação da Corte, pois se a irregularidade das contas pudesse dar lugar a nova apreciação (pelo
Judiciário), o seu pronunciamento resultaria em mero e inútil formalismo”
A função judicante ocorre quando o TCU julga as contas dos administradores públicos e demais
responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta, incluindo as
fundações e as sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público Federal, bem como as contas
daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário.

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O Direito brasileiro adotou o sistema de jurisdição una, pelo qual o Poder Judiciário tem o monopólio
da função jurisdicional, ou seja, do poder de apreciar, com força de coisa julgada, a lesão ou ameaça de
lesão a direitos individuais e coletivos (art. 5º, XXXV CF/88). Afastou, portanto, o sistema da dualidade
de jurisdição, em que, paralelamente ao Poder Judiciário, existem os órgãos de Contencioso
Administrativo, que exercem, como aquele, função jurisdicional sobre lides de que a Administração
Pública seja parte interessada.
O Poder Judiciário pode examinar os atos da Administração Pública, de qualquer natureza, sejam
gerais ou individuais, unilaterais ou bilaterais, vinculados ou discricionários, mas sempre sob o aspecto
da legalidade e da moralidade (art. 5º, LXXIII, e art. 37).
Quanto aos atos discricionários, sujeitam-se à apreciação judicial, desde que não invadam os aspectos
reservados à apreciação subjetiva da Administração, conhecidos sob a denominação de mérito
(oportunidade e conveniência).
Não há invasão do mérito quando o Judiciário aprecia os motivos, ou seja, os fatos que precedem a
elaboração do ato; a ausência ou falsidade do motivo caracteriza ilegalidade, suscetível de invalidação
pelo Poder Judiciário.
Os atos normativos do Poder Executivo, como Regulamentos, Resoluções, Portarias, só podem ser
invalidados pelo Judiciário por via de ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade), cujo julgamento é de
competência do STF, quando se tratar de lei ou ato normativo federal ou estadual que contrarie a
Constituição Federal; e do Tribunal de Justiça, quando se tratar de lei ou ato normativo estadual ou
municipal que contrarie a Constituição do Estado.
Nos casos concretos, poderá o Poder Judiciário apreciar a legalidade ou constitucionalidade dos atos
normativos do Poder Executivo, mas a decisão produzirá efeitos apenas entre as partes, devendo ser
observada a norma do art. 97 da Constituição Federal, que exige maioria absoluta dos membros dos
Tribunais para a declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público.
Com relação aos atos políticos, é possível também a sua apreciação pelo Poder Judiciário, desde que
causem lesão a direitos individuais ou coletivos.
Quanto aos atos interna corporis (atos administrativos que produzem efeitos internos), em regra, não
são apreciados pelo Poder Judiciário, porque se limitam a estabelecer normas sobre o funcionamento
interno dos órgãos; no entanto, se exorbitarem em seu conteúdo, ferindo direitos individuais e coletivos,
poderão também ser apreciados pelo Poder Judiciário.

Privilégios da Administração Pública


A Administração Pública, quando é parte em uma ação judicial, usufrui de determinados privilégios não
reconhecidos aos particulares:

1. Juízo privativo. Na esfera federal, é a Justiça Federal; excetuam-se apenas as causas referentes
à falência e as de acidente de trabalho (justiça comum) e as relativas à Justiça Eleitoral e Justiça do
Trabalho. Esse juízo privativo beneficia a União, entidade autárquica ou empresa pública, excluídas as
fundações de direito privado e as sociedades de economia mista.

2. Prazos dilatados. Pelo CPC/2015, a Fazenda Pública e o Ministério Público têm prazo em prazo
em dobro para manifestar-se nos autos. A Lei nº 9.469/97 estendeu igual benefício às autarquias e
fundações públicas.

OBS: o Ministério Público possui previsão no artigo 180, CPC e a Fazenda Pública no artigo 183.

3. Duplo grau de jurisdição. O art. 496 do CPC/2015 determina que está sujeita ao duplo grau de
jurisdição, não produzindo efeitos senão depois de confirmada pelo tribunal, a sentença proferida contra
a União, o Estado, o DF, o Municípios e as respectivas autarquias e fundações de direito público, bem
como a que julgar improcedente, no todo ou em parte, os embargos à execução de dívida ativa da
Fazenda Pública.

4. Processo especial de execução. O art. 100 da Constituição prevê processo especial de execução
contra a Fazenda Federal, Estadual e Municipal, e que abrange todas as entidades de direito público.
Esse processo não se aplica aos débitos de natureza alimentícia e aos pagamentos de obrigações
definidas em lei como de pequeno valor.
Conforme o dispositivo constitucional, o Presidente do Tribunal que proferir a decisão exequenda
expede ofício precatório à entidade devedora, que fará consignar no seu orçamento verba necessária ao

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pagamento dos débitos constantes dos precatórios judiciais apresentados até 1º de julho, fazendo-se o
pagamento até o final do exercício seguinte, com atualização monetária.

SISTEMAS DE CONTROLE JURISDICIONAL DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

São dois os sistemas de controle das atividades administrativas: 9

a) sistema da jurisdição una (modelo inglês); e


b) sistema do contencioso administrativo (modelo francês)

Sistema do contencioso administrativo

O sistema do contencioso administrativo, ou modelo francês, é adotado especialmente na França e na


Grécia. O contencioso administrativo caracteriza-se pela repartição da função jurisdicional entre o Poder
Judiciário e tribunais administrativos. Nos países que adotam tal sistema, o Poder Judiciário decide as
causas comuns, enquanto as demandas que envolvam interesse da Administração Pública são julgadas
por um conjunto de órgãos administrativos encabeçados pelo Conselho de Estado.
O modelo do contencioso administrativo foi criado na França e sua existência está vinculada a
particularidades históricas daquele país. Antes da Revolução (1789), a França era uma monarquia
absolutista com todos os poderes estatais centralizados na figura do rei. Os órgãos judiciais então
existentes eram nomeados pelo monarca e raramente prolatavam sentenças contrárias ao interesse da
Coroa. Com a Revolução Francesa, e a superação do Antigo Regime, foi aprovada uma lei, no ano de
1790, que proibia os magistrados de decidir causas de interesse da Administração Pública. Convém
lembrar que a França é o berço da Teoria da Tripartição de Poderes, de Montesquieu, teoria essa cuja
aplicação foi radicalizada a ponto de considerar-se uma interferência indevida na independência da
Administração o julgamento de suas demandas pelo Poder Judiciário. Criou-se, então, um conjunto
apartado de órgãos decisórios formando uma justiça especial somente para decidir causas de interesse
da Administração. Acima do Conselho de Estado e dos órgãos do Judiciário situa-se, na estrutura
francesa, o Tribunal de Conflitos, com atribuições para julgar conflitos de competência entre as duas
justiças

O modelo do contencioso administrativo não tem qualquer paralelo com órgãos e estruturas atualmente
existentes no Brasil.
É bom lembrar que no sistema francês as decisões proferidas pelos tribunais administrativos não
podem ser submetidas à apreciação pelo Poder Judiciário. É bastante diferente do que ocorre com os
tribunais administrativos brasileiros, por exemplo, o Conselho de Contribuintes (segunda instância
administrativa do Fisco). No Brasil, as decisões dos tribunais administrativos sempre estão sujeitas a
controle judicial. Assim, constitui grave erro referir-se a qualquer modalidade de contencioso
administrativo em nosso país. Aqui, não há dualidade de jurisdição

Sistema da jurisdição una

Todas as causas, mesmo aquelas que envolvem interesse da Administração Pública, são julgadas
pelo Poder Judiciário. Conhecido como modelo inglês, por ter como fonte inspiradora o sistema adotado
na Inglaterra, é a forma de controle existente atualmente no Brasil. É o que se pode concluir do comando
previsto no art. 5º, XXXV, da Constituição Federal: “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário
lesão ou ameaça a direito”. O referido preceito atribui ao Poder Judiciário o monopólio da função
jurisdicional, não importando se a demanda envolve interesse da Administração Pública. E mais: como a
separação de Poderes é cláusula pétrea (art. 60, § 4º, III, da CF), podemos entender que o art. 5º, XXXV,
do Texto Maior, proíbe, definitivamente, a adoção do contencioso administrativo no Brasil, pois este último
sistema representa uma diminuição das competências jurisdicionais do Poder Judiciário, de modo que a
emenda constitucional que estabelecesse o contencioso administrativo entre nós tenderia a abolir a
Tripartição de Poderes.

9
Mazza, Alexandre, Manual de Direito Administrativo, 4ª edição, Editora: Saraiva, 2014.

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Questões

01. (TJ/GO - Escrivão Judiciário – TJ/GO). Assinale a alternativa CORRETA.


(A) O interesse público primário representa o interesse de toda a coletividade. De outro lado, o
interesse público secundário representa o interesse da pessoa jurídica de direito público, pois o Estado
também tem seus interesses próprios. Assim, o interesse público secundário não tem coincidência com
o interesse público primário.
(B) Em razão do princípio da separação de poderes, previsto no art. 2º da Constituição Federal, o
Poder Judiciário não pratica atos administrativos, mas somente atos judiciais.
(C) O Brasil adotou o sistema inglês de jurisdição única, em função do princípio da inafastabilidade
previsto no art. 5º , inciso XXXV, da Constituição Federal, segundo o qual, a lei não excluirá da apreciação
do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Portanto, não existe contencioso administrativo no Brasil.
(D) O sistema contencioso francês, chamado de contencioso administrativo, é aquele segundo o qual
os atos praticados e de interesse da Administração Pública só podem ser reavaliados, revisados ou
julgados pela própria Administração, que é quem detém a competência para processar e julgar as
contendas e recursos hierárquicos contra si e não o Poder Judiciário.

02. (TRE/BA - Analista Judiciário - Área Administrativa – CESPE). Com relação à organização
administrativa em sentido amplo, julgue os itens subsequentes.
Como exemplo da incidência do princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional sobre os atos
administrativos no ordenamento jurídico brasileiro, é correto citar a vigência do sistema do contencioso
administrativo ou sistema francês.

( ) certo ( ) errado

03. (MPE/PE - Promotor de Justiça – FCC). Em sua formação, o Direito Administrativo brasileiro
recebeu a influência da experiência doutrinária, legislativa e jurisprudencial de vários países, destacando-
se especialmente a França, considerada como berço da disciplina. No rol de contribuições do Direito
Administrativo francês à prática atual do Direito Administrativo no Brasil, NÃO é correto incluir
(A) a adoção de teorias publicísticas em matéria de responsabilidade extracontratual das entidades
estatais.
(B) a adoção do interesse público como eixo da atividade administrativa.
(C) a ideia de exorbitância em relação ao direito comum, aplicável aos particulares.
(D) a teoria do desvio de poder.
(E) o sistema de contencioso administrativo.

Gabarito
01. D/ 02. Errado/ 03. E.

Comentários

01. Resposta: D
No sistema francês as decisões proferidas pelos tribunais administrativos não podem ser submetidas
à apreciação pelo Poder Judiciário. É bastante diferente do que ocorre com os tribunais administrativos
brasileiros, por exemplo, o Conselho de Contribuintes (segunda instância administrativa do Fisco). No
Brasil, as decisões dos tribunais administrativos sempre estão sujeitas a controle judicial. Assim, constitui
grave erro referir-se a qualquer modalidade de contencioso administrativo em nosso país. Aqui, não há
dualidade de jurisdição

02. Resposta: errado


O Brasil adota o sistema inglês, pois todas as questões podem ser levadas ao Poder Judiciário. Em
nosso País existem tribunais administrativos, a diferença é que as decisões desses tribunais podem ser
questionadas judicialmente. O interessado pode ir a justiça antes, concomitantemente ou depois da esfera
administrativa, salvo o HD e a justiça desportiva. O Brasil nunca adota o contencioso administrativo.

03. Resposta: E
O Brasil adotou o sistema de unicidade de jurisdição, que, como o próprio nome indica, estabelece um
único núcleo de poder para resolver os litígios tanto de natureza comum quanto administrativa. Assim, o
sistema do contencioso administrativo, também chamado sistema de dualidade de jurisdição, por

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considerar dois âmbitos jurisdicionais, vale dizer, o jurisdicional comum e o jurisdicional administrativo,
cada qual com a incumbência de solver as disputas pertinentes à natureza de suas atribuições.

9 Controle da atividade financeira do Estado: espécies e sistemas.

A fiscalização contábil, financeira e orçamentária será exercida pelo Poder Legislativo, mediante
controle externo, com auxílio dos Tribunais de Contas.
Todas as disposições da CR/88 relativas ao controle externo previstas para o TCU aplicam-se pelo
princípio da simetria, aos TCE’s (art. 75, CR/88), os quais, obrigatoriamente, serão compostos por sete
Conselheiros. São competências dos Tribunais de Contas (art. 71):
a) Apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer prévio
que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento;
b) Julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos
da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder
Público federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que
resulte prejuízo ao erário público;
c) Apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na
administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público,
excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como a das concessões de
aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento
legal do ato concessório;
De acordo com o STF, o Tribunal de Contas não pode efetuar qualquer inovação no título jurídico de
aposentação examinado. Se ele constatar alguma irregularidade, deverá recomendar ao órgão ou
entidade que adote as medidas necessárias ao cumprimento da lei. Sua orientação não obriga a
autoridade administrativa a rever o ato. Também não poderá ele impor a suspensão de qualquer
pagamento, ainda que contrário à jurisprudência, uma vez que não possui tal atribuição.
d) Realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Comissão técnica
ou de inquérito, inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e
patrimonial, nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, e demais
entidades referidas no inciso II;
e) Fiscalizar as contas nacionais das empresas supranacionais de cujo capital social a União participe,
de forma direta ou indireta, nos termos do tratado constitutivo;
f) Fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União mediante convênio, acordo,
ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município;
g) Prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional, por qualquer de suas Casas, ou por
qualquer das respectivas Comissões, sobre a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional
e patrimonial e sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas;
h) Aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as
sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano
causado ao erário;
i) Assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato
cumprimento da lei, se verificada ilegalidade;
j) Sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos
Deputados e ao Senado Federal;
Em se tratando de contrato administrativo, o Tribunal de Contas deverá representar ao Poder
Legislativo para que o suste diretamente. Se este não o fizer no prazo de 90 dias, o próprio Tribunal
poderá decidir a respeito (art. 71, § 2º, CR/88).
k) Representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados.

Súmula Vinculante nº 03: “Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o
contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato
administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão
inicial de aposentadoria, reforma e pensão”.

Explicação da súmula: advém do reconhecimento do direito de defesa e da aplicação do princípio do


devido processo legal no âmbito administrativo, principalmente quando envolver direitos patrimoniais,

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como são os casos previstos no enunciado da súmula. Para o STF, é dever dos órgãos da Administração
possibilitar e garantir o contraditório, a ampla defesa etc., pois o exercício pleno do contraditório não se
limita à garantia de alegação oportuna e eficaz a respeito de fatos. Entretanto, no ato de apreciação da
legalidade da concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão, não se garante intervenção do
particular. Esta, entretanto, fica garantida ao final de tal ato, contra o qual caberá recurso administrativo
e/ou judicial.

Controle da atividade financeira do Estado: espécies e sistemas

A atividade financeira do Estado, é regulada por um conjunto de normas e princípios jurídicos


denominado Direito Financeiro. Leciona Dejalma de Campos no que diz respeito ao conceito de atividade
financeira do Estado:
“A missão primordial do Estado é assegurar ao homem os meios necessários para que ele possa viver
com dignidade. Esta procura de meios para satisfazer às necessidades públicas é denominada atividade
financeira do Estado.” Ainda, explica o que seria a necessidade pública: “(...) o conjunto de bens e serviços
para a satisfação do homem”.
A atividade financeira do Estado envolve quatro fenômenos: a obtenção de recursos pelo Estado
(receitas públicas), sua gerência (orçamento) e seu dispêndio (despesas públicas), além da obtenção de
recursos outros por empréstimo (créditos públicos).
Frise-se que, como a atividade econômica do Estado é excepcional, conforme artigos 173 e 175, CR,
a maioria das receitas públicas obtidas são derivadas, não decorrendo da exploração direta de bens e a
realização de serviços pelos entes políticos. Por tudo isso, fica clara a natureza instrumental da atividade
financeira.
Para regulamentar a atividade do Estado, é obrigatória a inclusão da chamada Constituição
Orçamentária, que é um dos subsistemas da Constituição Financeira, ao lado das Constituições Tributária
e Monetária. A Constituição Orçamentária dispõe sobre os princípios e regras que norteiam a arrecadação
de receita e concretização de despesas, sendo sua positivação resultado de um longo processo histórico
que vem desde o final da Idade Média, na Inglaterra.
Ilustre-se que a arrecadação e a despesa exigem um controle não apenas dos próprios agentes
estatais, com também da própria sociedade, de uma maneira geral. A necessidade de controle da
execução do orçamento público se dá por diversas razões de cunho político e financeiro. Sob o aspecto
político, deve haver a fiscalização por parte dos Poderes Judiciário e Legislativo junto ao Poder Executivo,
pois apesar de este ser o responsável pela Administração Pública, não pode extrapolar os créditos
institucionalmente concedidos ou simplesmente se omitir na execução de seus deveres, sob pena de
agredir o princípio da Separação de Poderes e, numa concepção menos tradicional, o princípio da Divisão
de Tarefas Estatais, ou seja, as atividades entre distintos órgãos autônomos (3). Já sob o ponto-de-vista
das finanças, faz-se necessário para evitar desperdícios e a dilapidação do patrimônio público.
Enfim, sob diversos aspectos, deve haver a fiscalização, ou o controle da gerência do patrimônio
público.

Assim, para a efetivação do controle, há vários sistemas de execução orçamentária. São três os
principais:
a) Pelo Poder Legislativo, utilizado na Inglaterra, Suécia, Estados Unidos, Noruega; de tipo Inglês, ou
Parlamentar;
b) Por um órgão com funções jurisdicionais, como na França, na Itália e no Brasil;
c) Por um órgão político-partidário, como na extinta União Soviética (URSS).

Sistemas

São três os sistemas de controle financeiro: interno, externo e sistêmico.

a - Controle Interno: realizado por cada setor da administração, por cada um dos Presidentes, tendo
em vista à verba que lhes é revertida.

b - Controle externo: feito pelo Tribunal de Contas dos Estados e da União, responsável por auxiliar
a atividade fiscalizadora do Poder Legislativo, que estando com seus pareceres, podem preceder a
medidas de penalidades a seus infratores, levando inclusive ao impeachment, em caso de má gerência
do patrimônio público.

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c- Controle sistêmico: é como se o controle interno e o externo fossem apenas um, enquanto na
verdade podemos enxergar o interno como um preparo para o controle externo.

10 Tribunal de Contas da União (TCU), dos Estados e do Distrito Federal.

Inicialmente cumpre ressaltar que as linhas mestras que delineiam a competência do Tribunal de
Contas da União encontram-se sintetizadas nos artigos 71 a 74, do Capítulo I, do Título IV da Constituição
da República Federativa do Brasil de 1988 – CRFB/88, que se destina a dispor sobre a organização do
Poder Legislativo.
Assim, partindo-se do pressuposto de organicidade do texto constitucional, poder-se-ia
equivocadamente concluir que o Tribunal de Contas da União é órgão integrante do Poder Legislativo.
Tarefa árdua, entretanto, seria enquadrá-lo na estrutura administrativa deste Poder, que é composto
unicamente pela Câmara dos Deputados e Senado Federal, a exposto do artigo 44 da CF/88.
Na sequência de leitura do texto constitucional, observa-se no art. 71 que “o controle externo, a cargo
do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União”, razão esta, talvez,
do legislador constituinte ter situado o Tribunal de Contas no capítulo que trata especificamente do Poder
Legislativo.
Destarte, o Tribunal de Contas, é um conjunto orgânico perfeitamente autônomo, dotado de plena
autonomia orçamentária e financeira, quadro próprio de pessoal e competências constitucionalmente
outorgadas, capaz de emitir juízo de valor sobre os demonstrativos contábeis e financeiros apresentados
pelos Chefes do Poder Executivo, bem como juízo de mérito sobre a execução orçamentária, arrecadação
da receita, execução da despesa, gestão patrimonial e de serviços públicos, dentre outros atos e fatos
inerentes ao exercício da atividade administrativa, que não se submetem ao controle judicial, exceto nas
hipóteses de violação ao devido processo legal e corolários da ampla defesa e do contraditório.

O Tribunal de Contas é um tribunal administrativo que tem por competência, conferida pela Carta
Magna de julgar as contas de administradores públicos e demais responsáveis por dinheiros, bens e
valores públicos federais, bem como as contas de qualquer pessoa que der causa a perda, extravio ou
outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário. É ainda incumbido de aplicar sanções, todavia não
pertence ao Poder Judiciário, uma vez que o mesmo, vincula-se, para efeitos orçamentários e de
responsabilidade fiscal, ao Poder Legislativo, contudo, possui total independência em relação ao
Congresso e às suas Casas, inclusive realizando fiscalizações e julgando as contas de seus gestores.

Natureza Jurídica

Parte da doutrina entende que a natureza jurídica das decisões do Tribunal de Contas seja judicante,
tendo em vista que se baseiam nos seguintes argumentos: as decisões podem ser de natureza judicante,
mesmo que advindas de um órgão administrativo.
Importante, contudo frisar que a parte majoritária da doutrina e da jurisprudência dos Tribunais
Superiores, entende que a natureza jurídica dessas decisões é administrativa, e não judicante.
E a força dessa teoria está inserida dentro da própria Constituição Federal de 1988, notadamente no
seu artigo 5º, inciso XXXV, quando estabelece um sistema de jurisdição uma, também conhecido como
monopólio da tutela jurisdicional pelo Poder Judiciário. Dessa forma, as decisões administrativas
provenientes dos Tribunais de Contas estão sujeitas ao controle jurisdicional.
Importante explanar que, embora as decisões administrativas provenientes dos Tribunais de Contas
estejam sujeitas ao controle jurisdicional, como ilustrado anteriormente, essas decisões tem natureza
vinculatória em face da Administração Pública.

Como observa Jarbas Maranhão:

O mais adequado seria dizer-se, como preferem aliás a legislação francesa e outras, que, ao invés de
auxiliarem elas assistem o parlamento e o governo, para deixar claro a sua exata posição em face dos
Poderes, pois, tendo em vista a própria natureza das tarefas que lhes cabem cumprir, haveria a
Constituição de assegurar- lhes a necessária independência.

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Acerca dos processos, podemos afirmar que os mesmo instaurados pelos Tribunais de Contas, têm
sua própria natureza. São processos de contas, e não processos parlamentares, nem judiciais, nem
administrativos. Assim, não são processos parlamentares nem judiciais, relembrando, apenas, que os
Parlamentos decidem por critério de oportunidade e conveniência. Não são processos administrativos,
basta evidenciar que as Instituições de Contas não julgam da própria atividade, pois quem o faz são os
órgãos administrativos.
Não é o Tribunal de Contas criação de ordem legislativa; é uma instituição constitucional da mesma
importância dos outros órgãos pelos quais a nossa Constituição buscou assegurar o exercício efetivo das
garantias de moralidade e justiça do sistema republicano.
Em síntese, podemos sublinhar que o TCU não possui subordinação hierárquica a nenhum outro órgão
ou poder, sendo, portanto, inadequada e imprópria a expressão “órgão auxiliar do Poder Legislativo”, que
não consta em parte nenhuma na Constituição.
Ressalte-se, no entanto, que, para efeito da classificação funcional orçamentária, a subfunção controle
externo encontra-se associada à função legislativa. De igual modo, nas leis orçamentárias, as dotações
relativas ao TCU constam do orçamento do Poder Legislativo e, para o cálculo dos limites de despesas
de pessoal previstos na LRF, as Cortes de Contas são incluídas no âmbito dos Poderes Legislativos.

Eficácia das decisões dos Tribunais de Contas

Dita o artigo da Constituição Federal

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal
de Contas da União, ao qual compete:
(...)
§ 3º - As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia de título
executivo.

Instituiu, portanto o artigo que as decisões do TCU de que resulte imputação de débito ou multa, terão
eficácia de título executivo. Em obediência ao princípio da simetria, iguais características terão as
decisões dos Tribunais de Contas dos Estados e dos TCMs.
Todavia, não compete às Cortes de Contas proceder à execução de suas decisões. Deste modo, o
título executivo extrajudicial, oriundo de decisão condenatória proferida pelas Cortes de Contas, deve ser
executado pelos órgãos próprios da Administração Pública, como a Advocacia-Geral da União e das
Procuradorias dos Estados e Municípios.
O Superior Tribunal de Justiça, reconhece também a legitimidade do Ministério Público para propor
ação de execução de título extrajudicial oriundo de Tribunal de Contas Estadual. Deste modo, é de suma
importância trazer à colação, a seguinte decisão:

PROCESSUAL CIVIL. MINISTÉRIO PÚBLICO. LEGITIMIDADE ATIVA. AÇÃO DE EXECUÇÃO.


TÍTULO EXTRAJUDICIAL. CERTIDÃO DE DÉBITO EXPEDIDA POR TRIBUNAL DE CONTAS
ESTADUAL.
1. O Ministério Público ostenta legitimidade para a propositura de ação de execução de título
extrajudicial oriundo de Tribunal de Contas Estadual. REsp 996031/MG, PRIMEIRA TURMA, DJ de
28/04/2008 e REsp 678969/PB, PRIMEIRA TURMA, DJ 13/02/2006.
2. É que a decisão de Tribunal de Contas Estadual, que, impõe débito ou multa, possui eficácia de
título executivo, a teor do que dispõe o art. 71, § 3o, da Constituição Federal de 1988.
[...]
7. Recurso Especial provido para reconhecer a legitimidade do Ministério Público do Estado de
Sergipe, para a propositura de execução de título originário de Tribunal de Contas Estadual.
REsp. 1.109.433-SE, Primeira Turma, Rel.: Min. Luiz Fux, DJe: 27/05/2009.

Revisão das decisão do Tribunal de Contas pelo Judiciário.

A anulação do ato praticado em ofensa aos princípios do amplo direito de defesa, do contraditório e
do devido processo legal é absolutamente possível. As decisões do STF, esclarecem o tema, uma vez
que pode-se recorrer ao Judiciário contra decisões dos Tribunais de Contas, consoante dispõe o art. 5º,
XXXV, da CF, “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”.
Importante frisar, todavia que compete ao Judiciário apenas verificar se foi observado o devido
processo legal e se não houve violação de direito individual. O Poder Judiciário não revisa decisões dos

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Tribunais de Contas, como por exemplo, declarando regulares contas que haviam sido julgadas
irregulares ou vice-versa.
O Judiciário não apreciará o mérito, mas a legalidade e a formalidade das decisões dos Tribunais de
Contas, competindo ao Supremo Tribunal Federal, o processo e o julgamento de habeas corpus,
mandado de segurança e habeas data contra atos do Tribunal de Contas da União, por exemplo.
No que concerne aos atos dos demais Tribunais de Contas, a competência originária para julgamento
de mandados de segurança e habeas data pertence aos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito
Federal. Para o julgamento de habeas corpus, quando o coator ou paciente for membro das Cortes de
Contas, a competência é do Superior Tribunal de Justiça.
Assim, o Poder Judiciário tem por força rever as decisões do Tribunal de Contas, todavia, no sentido
formal, analisando se o devido processo legal foi observado e se respeitados os direitos e garantias
individuais. O mérito da decisão, o controle, que é próprio do Tribunal de Contas, orçamentário, contábil,
financeiro, operacional e patrimonial, não é contestável pelo Poder Judiciário, consoante esclarece o
Ministro Ayres Britto.

Quanto à formação do Tribunal de Contas, a Constituição Federal traz em seu texto:

Constituição Federal
Art. 73. O Tribunal de Contas da União, integrado por nove Ministros, tem sede no Distrito Federal,
quadro próprio de pessoal e jurisdição em todo o território nacional, exercendo, no que couber, as
atribuições previstas no art. 96. .
§ 1º Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão nomeados dentre brasileiros que satisfaçam
os seguintes requisitos:
I - mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade;
II - idoneidade moral e reputação ilibada;
III - notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de administração
pública;
IV - mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija os
conhecimentos mencionados no inciso anterior.

Tribunal de Contas do Estado

O Tribunal de Contas do Estado é um órgão autônomo, que auxilia o Poder Legislativo a exercer o
controle externo, fiscalizando os gastos dos Poderes Executivo, Judiciário e do próprio Legislativo.
No que concerne aos Tribunais de contas do Estado no Brasil, existem alguns estados da federação
que possuem apenas o Tribunal de Contas do Estado, o qual é responsável pela análise das contas
estaduais e municipais. Alguns Estados possuem o tribunal de contas do estado e o tribunal de contas
dos municípios. Tem-se, ainda, uma terceira situação na qual existem o tribunal de contas do estado e o
tribunal de contas do município. Esse é caso do Estado de São Paulo e do Rio de Janeiro, uma vez que
os tribunais analisam as contas apenas das capitais estaduais.

Tribunal de Contas do Distrito Federal

O Tribunal de Contas do Distrito Federal é um órgão o qual sua função é a manutenção e preservação
do patrimônio do Distrito Federal, assegurando a efetividade e regularidade da aplicação do dinheiro
público o qual deve estar de acordo com a Lei. O Tribunal de Constas foi instalado em 15 de setembro
de 1960, na gestão do então presidente Juscelino Kubitscheck.
O TCDF aprecia as contas anuais dos governadores, emitindo parecer para o julgamento na Câmara
Legislativa. O Órgão julga as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiro, bens e
valores públicos; conferindo ainda a legalidade dos atos de admissão de pessoal, ou seja, concursos
públicos, incluindo ainda outras contratações, e a concessão de aposentadorias, reformas e pensões dos
servidores; Há ainda a avalia a execução das metas estabelecidas no plano plurianual, nas diretrizes
orçamentárias e no orçamento anual.
O Tribunal recebe ainda denúncias de irregularidades ou ilegalidades; realizando inspeções e
investigações em todas as unidades administrativas dos Poderes Executivo e Legislativo e por fim,
fiscaliza a aplicação de recursos repassados ou recebidos pelo Distrito Federal.
O Tribunal do Contas do Distrito Federal deve privar pela manutenção e preservação do patrimônio
público, ao procurar assegurar a efetiva e regular aplicação do dinheiro público em benefício da sociedade
brasiliense, uma vez que sua incumbência é exercer o controle externo da administração dos recursos

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públicos do Distrito Federal, em auxílio à Câmara Legislativa, zelando pela legalidade, legitimidade,
efetividade, eficácia, eficiência e economicidade na gestão desses recursos.

Questões

01. (TCE-PR – ANALISTA DE CONTROLE/ADMINISTRATIVO – FCC) A verificação de desvio de


finalidade enseja o julgamento
(A) irregular e a fixação de responsabilidade solidária do agente público que praticou o ato irregular.
(B) irregular e a fixação de responsabilidade subsidiária do agente público que praticou o ato irregular.
(C) regular, com ressalvas, e a fixação de responsabilidade solidária do agente público que praticou o
ato irregular.
(D) regular, com ressalvas, e a fixação de responsabilidade subsidiária do agente público que praticou
o ato irregular.
(E) regular, com ressalvas, e, no caso de dano ao erário, a fixação de responsabilidade solidária do
agente público que praticou o ato irregular.

02. (PGE-PR - Procurador do Estado - PUC-PR – 2015) A respeito do sistema e órgãos de controle
da Administração Pública brasileira, assinale a alternativa CORRETA.
(A) Nos processos perante o Tribunal de Contas da União, é dispensável o contraditório e a ampla
defesa quando da apreciação da legalidade de ato de ascensão funcional de empregados públicos.
(B) O Tribunal de Contas tem atribuição fiscalizadora de verbas públicas, desde que recebidas e/ou
despendidas por pessoas da Administração Pública (direta ou indireta)
(C) Nos processos perante o Tribunal de Contas da União, é dispensável o contraditório e a ampla
defesa quando da apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e
pensão.
(D) Os Tribunais de Contas têm competência para fixar o teto remuneratório de servidores públicos
por meio de resolução administrativa.
(E) A Constituição Federal dispõe que, nos casos de contratos, licitações, dispensa e inexigibilidade,
a competência de julgamento dos Tribunais de Contas fica subordinada ao crivo do Poder Legislativo,
pois os atos de sustação devem ser adotados diretamente por ele.

03. (IF/RJ - Administrador - BIO-RIO). Com relação às decisões em processo de tomada ou prestação
de contas, no que concerne ao Tribunal de Contas da União (TCU), é correto afirmar que:
(A) as contas serão julgadas regulares com ressalvas quando comprovada omissão no dever de
prestar contas.
(B) as contas serão julgadas regulares com ressalvas quando comprovado dano ao Erário decorrente
de ato de gestão ilegítimo ao antieconômico.
(C) o Tribunal julgará as tomadas ou prestações de contas até o término do exercício em que estas
lhes tiverem sido apresentadas, adicionando-se a este prazo, quando necessário, 60 dias.
(D) o Tribunal poderá julgar irregulares as contas no caso de reincidência no descumprimento de
determinação de que o responsável tenha tido ciência, feita em processo de tomada ou prestação de
contas.
(E) as contas serão julgadas regulares com ressalvas quando comprovada prática de ato de gestão
ilegal, ilegítimo, antieconômico, ou infração à norma legal ou regulamentar de natureza contábil,
financeira, orçamentária, operacional ou patrimonial.

04. (Câmara Municipal do Rio de Janeiro - Assistente Técnico Legislativo - Prefeitura do Rio de
Janeiro – RJ). O Tribunal de Contas da União é integrado por:
(A) nove Ministros que satisfaçam, entre outros, os requisitos de serem brasileiros e terem mais de 35
e menos de 65 anos de idade e notórios conhecimentos jurídicos contábeis, econômicos e financeiros ou
de administração pública
(B) oito Ministros que satisfaçam, entre outros, os requisitos de serem brasileiros e terem mais de 10
anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional e idoneidade moral reputação ilibada
(C) nove Ministros que satisfaçam, entre outros, os requisitos de terem mais de 30 e menos de 70 anos
de idade e mais de 10 anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional
(D) oito Ministros que satisfaçam, entre outros, os requisitos de serem brasileiros natos e terem mais
de 35 e menos de 65 anos de idade e notórios conhecimentos jurídicos contábeis, econômicos e
financeiros ou de administração pública

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05. (SEPLAG/MG - Direito – FUNCAB/2014). Assinale a alternativa correta a respeito dos Tribunais
de Contas
(A) Não possuem competência para fiscalização das contas do Ministério Público.
(B) Carecem de competência para, sem prévia autorização judicial, sustar atos administrativos
impugnados.
(C) Suas decisões possuem força de título executivo extrajudicial.
(D) Não podem apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do Poder Público.

06. (PC/DF - Perito Criminal – Geologia – FUNIVERSA). No Distrito Federal, o Tribunal de Contas
do Distrito Federal é o órgão
(A) No Distrito Federal, o Tribunal de Contas do Distrito Federal é o órgão
(B) competente para julgar as contas, entre outros casos, dos administradores e dos demais
responsáveis por dinheiros, bens e valores da administração direta e indireta.
(C) de controle interno da Câmara Legislativa.
(D auxiliar do Poder Executivo.
(E) responsável por realizar auditorias de natureza contábil nas unidades administrativas do Poder
Judiciário

07. (TCM - GOIÁS - AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO - INFORMÁTICA - INSTITUTO CIDADES)


Em obediência ao princípio da simetria concêntrica ou princípio da simetria constitucional, acerca dos
Tribunais de Contas é correto afirmar que:
(A) Todos os Tribunais de Contas existentes no Brasil são formados por 9 (nove) conselheiros.
(B) As decisões tomadas pelos Tribunais de Contas dos Estados e dos Municípios, de que resulte em
débito terão eficácia de título executivo.
(C) O modelo de fiscalização seguido pelos Tribunais de Contas dos Estados e dos Municípios não é
definido utilizando o modelo aplicado pelo Tribunal de Contas da União.
(D) Os membros dos Tribunais de Contas estaduais e municipais serão escolhidos pelo Poder
Legislativo entre os brasileiros natos, com mais de 35 (trinta e cinco) anos de idade.
(E) Os responsáveis por entidades privadas no âmbito estadual, que recebem subvenções custeadas
com recursos públicos, não precisam prestar contas desses recursos, uma vez que não fazem parte da
administração pública.

08. (TCE-PR – ANALISTA DE CONTROLE/ADMINISTRATIVO – FCC) A Constituição Federal


estabelece que os Tribunais de Contas estaduais serão integrados por
(A) três Conselheiros.
(B) cinco Conselheiros.
(C) sete Conselheiros.
(D) nove Conselheiros.
(E) onze Conselheiros.

09. (TCE-PR – ANALISTA DE CONTROLE/ADMINISTRATIVO – FCC) A Constituição Federal


estabelece que as decisões do Tribunal de Contas de que resulte imputação de débito ou multa terão
eficácia de
(A) decisão preliminar.
(B) título executivo.
(C) precatório.
(D) sentença normativa.
(E) título judicial.

Respostas

01 Resposta: A
Constituição Federal
Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de
controle interno com a finalidade de:
( )
IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional.
§ 1º Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou
ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de responsabilidade solidária.

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02. Resposta: C
Constituição Federal
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
()
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados
o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes.

03. Resposta: D.
Lei nº 8443/1992
Art. 16. As contas serão julgadas:
( )
§ 1° O Tribunal poderá julgar irregulares as contas no caso de reincidência no descumprimento de
determinação de que o responsável tenha tido ciência, feita em processo de tomada ou prestarão de
contas.

04. Resposta: A
Constituição Federal
Art. 73. O Tribunal de Contas da União, integrado por nove Ministros, tem sede no Distrito Federal,
quadro próprio de pessoal e jurisdição em todo o território nacional, exercendo, no que couber, as
atribuições previstas no art. 96. .
§ 1º Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão nomeados dentre brasileiros que satisfaçam
os seguintes requisitos:
I - mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade;
II - idoneidade moral e reputação ilibada;
III - notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de administração
pública;
IV - mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija os
conhecimentos mencionados no inciso anterior.

05. Resposta: C
Constituição Federal
Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal
de Contas da União, ao qual compete:
( )
§ 3º As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia de título
executivo.

06. Resposta: B
Constituição Federal
Art. 71, II, CF O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:
( )
II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos
da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder
Público federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que
resulte prejuízo ao erário público;

07. Resposta: B
Constituição Federal
Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal
de Contas da União, ao qual compete:
( )
XI - representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados.
( )
§ 3º As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia de título
executivo.

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08. Resposta: C
Art. 75. As normas estabelecidas nesta seção aplicam-se, no que couber, à organização, composição
e fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, bem como dos Tribunais e
Conselhos de Contas dos Municípios.
Parágrafo único. As Constituições estaduais disporão sobre os Tribunais de Contas respectivos, que
serão integrados por sete Conselheiros.

09. Resposta: B
Constituição Federal
Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal
de Contas da União, ao qual compete:
( )
XI - representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados.
( )
§ 3º As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia de título
executivo.

11 Lei Complementar Estadual nº 102/2008 (Lei Orgânica do Tribunal de Contas).

LEI COMPLEMENTAR 102, DE 17/01/2008

Dispõe sobre a organização do Tribunal de Contas e dá outras providências.

O GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS,


O Povo do Estado de Minas Gerais, por seus representantes, decretou, e eu, em seu nome, promulgo
a seguinte Lei:

TÍTULO I
DO TRIBUNAL DE CONTAS
CAPÍTULO I
DA JURISDIÇÃO E DA COMPETÊNCIA

Art. 1º O Tribunal de Contas, órgão de controle externo da gestão dos recursos públicos estaduais e
municipais, presta auxílio ao Poder Legislativo, tem sede na Capital e jurisdição própria e privativa sobre
as matérias e pessoas sujeitas a sua competência, nos termos da Constituição da República, da
Constituição do Estado de Minas Gerais e desta Lei Complementar.
Parágrafo único. O controle externo de que trata o caput deste artigo compreende a fiscalização
contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e abrange os aspectos de legalidade,
legitimidade, economicidade e razoabilidade de atos que gerem receita ou despesa pública.

Art. 2º Sujeitam-se à jurisdição do Tribunal:


I- a pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre
dinheiro, bens ou valores públicos estaduais ou municipais ou pelos quais responda o Estado ou o
Município;
II- a pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que assume, em nome do Estado ou de Município
ou de entidade da administração indireta estadual ou municipal, obrigações de natureza pecuniária;
III- aquele que der causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte dano a erário estadual
ou municipal;
IV- aquele que deva prestar contas ao Tribunal ou cujos atos estejam sujeitos a sua fiscalização por
expressa disposição de lei;
V- o responsável pela aplicação de recurso repassado pelo Estado ou por Município, mediante
convênio, acordo, ajuste ou instrumento congênere;
VI- o responsável por entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado que receba
contribuições parafiscais e preste serviço de interesse público ou social;

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VII- o dirigente ou liquidante de empresa encampada ou sob intervenção, ou que, de qualquer modo,
venha a integrar, provisória ou permanentemente, o patrimônio do Estado, de Município ou de outra
entidade pública estadual ou municipal;
VIII- os sucessores dos administradores e responsáveis a que se refere este artigo, até o limite do
valor do patrimônio transferido, nos termos do inciso XLV do art. 5º da Constituição da República.

Art. 3º Compete ao Tribunal de Contas:


I- apreciar as contas prestadas anualmente pelo Governador do Estado e sobre elas emitir parecer
prévio no prazo de sessenta dias contados do seu recebimento;
II- apreciar as contas prestadas anualmente pelos Prefeitos e sobre elas emitir parecer prévio no prazo
de trezentos e sessenta dias contados do seu recebimento;
III- julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiro, bens ou valores públicos,
de órgão de qualquer dos Poderes do Estado ou de Município ou de entidade da administração indireta
estadual ou municipal;
IV- fiscalizar os atos de gestão da receita e da despesa públicas, assim como os de que resulte
nascimento ou extinção de direito ou obrigação, no que se refere aos aspectos de legalidade, legitimidade,
economicidade e razoabilidade;
V- fixar a responsabilidade de quem tiver dado causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que
tenha resultado prejuízo ao Estado ou a Município;
VI- promover a tomada das contas devidas ao Tribunal para fins de julgamento, nos casos em que
estas não tenham sido prestadas no prazo legal;
VII- apreciar, para o fim de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título,
por órgão ou entidade da administração direta e indireta dos Poderes do Estado e de Município,
excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão;
VIII- apreciar, para o fim de registro, a legalidade dos atos de concessão de aposentadoria, reforma e
pensão de servidores da administração direta e indireta dos Poderes do Estado e de Município,
ressalvadas as melhorias posteriores que não tenham alterado o fundamento legal do ato concessório;
IX- realizar, por iniciativa própria ou a pedido da Assembleia Legislativa, de Câmara Municipal ou de
comissão de qualquer dessas Casas, inspeção e auditoria de natureza contábil, financeira, orçamentária,
operacional e patrimonial em unidade da administração direta ou indireta dos Poderes do Estado ou de
Município;
X- emitir parecer, quando solicitado pela Assembleia Legislativa ou por Câmara Municipal, sobre
empréstimo e operação de crédito que o Estado ou Município realizem e fiscalizar a aplicação dos
recursos deles resultantes;
XI- emitir parecer em consulta sobre matéria de sua competência, na forma estabelecida no Regimento
Interno;
XII- fiscalizar as contas das empresas, incluídas as supranacionais, de cujo capital social o Estado ou
o Município participem de forma direta ou indireta, nos termos do ato constitutivo ou de tratado;
XIII- fiscalizar a aplicação de recurso repassado ou recebido pelo Estado ou por Município, por força
de convênio, acordo, ajuste ou instrumento congênere;
XIV- prestar as informações solicitadas por comissão do Poder Legislativo estadual ou municipal ou
por, no mínimo, um terço dos membros da Casa legislativa, sobre assunto de fiscalização contábil,
financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e sobre os resultados de auditoria e inspeção
realizadas nas unidades dos Poderes ou em entidade da administração indireta;
XV- aplicar ao responsável, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as
sanções previstas em Lei;
XVI- fiscalizar os procedimentos licitatórios, de modo especial os editais, as atas de julgamento e os
contratos celebrados;
XVII - fiscalizar contrato, convênio, ajuste ou instrumento congênere que envolva a concessão, a
cessão, a doação ou a permissão de qualquer natureza, a título oneroso ou gratuito, de responsabilidade
do Estado ou de Município;
XVIII- estabelecer prazo para que o dirigente de órgão ou entidade tome as providências necessárias
ao cumprimento da lei, se apurada ilegalidade;
XIX- sustar, se não atendido, a execução de ato impugnado e comunicar a decisão à Assembleia
Legislativa ou à Câmara Municipal;
XX- representar ao Poder competente sobre irregularidade ou abuso apurado, indicando o ato
inquinado e definindo responsabilidades;

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XXI- acompanhar e fiscalizar a aplicação das disponibilidades de caixa do Tesouro Público no mercado
financeiro nacional de títulos públicos e privados de renda fixa, e sobre ela emitir parecer para a
apreciação do Poder Legislativo;
XXII- fiscalizar a atuação de dirigentes e liquidantes das entidades encampadas pelo Estado ou por
Município, das entidades submetidas à intervenção destes e das que, de qualquer modo, venham a
integrar, em caráter provisório ou permanente, o seu patrimônio;
XXIII- fiscalizar a aplicação de recursos públicos estaduais ou municipais repassados a entidades
dotadas de personalidade jurídica de direito privado;
XXIV- verificar a legalidade de fianças e demais garantias contratuais;
XXV- determinar a averbação de apostilas, títulos declaratórios de direito ou de quaisquer outros atos
que modifiquem assentamentos feitos em razão dos incisos VII e VIII deste artigo;
XXVI- corrigir erros ou enganos materiais de cálculos em parcelas ou somas de quaisquer atos;
XXVII- decidir sobre denúncia que lhe seja encaminhada por qualquer cidadão, partido político,
associação ou sindicato, na forma prevista nesta Lei Complementar;
XXVIII- decidir sobre a sustação da execução de contrato, no caso de não se efetivar, em noventa
dias, a medida prevista no § 1º do art. 76 da Constituição do Estado;
XXIX- expedir atos normativos sobre matéria de sua competência, no exercício do poder regulamentar;
XXX- fiscalizar a observância, para cada conta de recurso, da ordem cronológica de exigibilidade dos
pagamentos das obrigações relativas a fornecimento de bens, locação, realização de obras e prestação
de serviços, efetuados pelos órgãos e entidades da administração pública estadual e municipal;
XXXI- fiscalizar os procedimentos de seleção de pessoal, de modo especial os editais de concurso
público e as atas de julgamento.
§ 1º O parecer a que se refere o inciso XI do caput deste artigo tem caráter normativo e constitui
prejulgamento da tese, mas não do fato ou caso concreto.
§ 2º Para o exercício de sua competência, o Tribunal poderá requisitar a órgãos e entidades estaduais
a prestação de serviços técnicos especializados, bem como valer-se de certificado de auditoria passado
por profissional ou entidade habilitados na forma da Lei e de notória idoneidade técnica.
§ 3º O titular de cada Poder, no âmbito estadual e municipal, encaminhará ao Tribunal, em cada
exercício, o rol dos responsáveis por dinheiro, bens e valores públicos e outros documentos ou
informações considerados necessários, na forma estabelecida em atos normativos do Tribunal.
§ 4º O Tribunal poderá solicitar a Secretário de Estado ou de Município, a supervisor de área ou a
autoridade de nível hierárquico equivalente outros elementos indispensáveis ao exercício de sua
competência.

Art. 4º Compete privativamente ao Tribunal:


I- eleger o seu Presidente, o Vice-Presidente e o Corregedor;
II- elaborar e alterar seu Regimento Interno;
III- submeter à Assembleia Legislativa projeto de Lei relativo a criação, transformação e extinção de
cargos e à fixação dos vencimentos dos seus servidores;
IV- conceder licença, férias e outros afastamentos a seus membros;
V- determinar a realização de concurso público para provimento dos cargos de Auditor, de Procurador
do Ministério Público junto ao Tribunal e daqueles que compõem seu Quadro de Pessoal, julgando e
homologando seus resultados;
VI- elaborar sua proposta orçamentária, observados os limites fixados na Lei de Diretrizes
Orçamentárias;
VII- fixar o valor de diárias de viagens de membros e servidores do seu quadro;
VIII- apresentar sua prestação de contas anual à Assembleia Legislativa, acompanhada do relatório
de controle interno, para fins do disposto no art. 120 desta Lei Complementar;
IX- enviar à Assembleia Legislativa, trimestral e anualmente, relatório das suas atividades, para fins
do disposto no art. 120 desta Lei Complementar;
X- divulgar, no Diário Oficial Eletrônico do Tribunal de Contas e em destaque no seu portal na internet,
os demonstrativos de sua despesa, nos termos do § 3º do art. 73 da Constituição do Estado;
(Inciso com redação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 111, de 13/1/2010.)
XI- organizar e submeter ao Governador do Estado lista tríplice para provimento de cargo de
Conselheiro, com relação às vagas a serem preenchidas por Auditor e Procurador do Ministério Público
junto ao Tribunal.
§ 1º O Tribunal observará fielmente os princípios e as normas relativos ao controle interno, no âmbito
da sua gestão administrativa financeira, operacional e patrimonial.

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§ 2º No relatório anual a que se refere o inciso IX do caput deste artigo, o Tribunal apresentará análise
da evolução dos custos da atividade de controle e da eficiência, eficácia e economicidade dessa atividade.

CAPÍTULO II
DA COMPOSIÇÃO E DA ORGANIZAÇÃO
Seção I
Disposições gerais

Art. 5º O Tribunal compõe-se de sete Conselheiros nomeados em conformidade com a Constituição


do Estado.

Art. 6º Integram a estrutura organizacional do Tribunal a Auditoria, o Ministério Público junto ao


Tribunal, o Tribunal Pleno, as Câmaras, a Presidência, a Vice-Presidência, a Corregedoria, a Ouvidoria,
a Escola de Contas e Capacitação Professor Pedro Aleixo e os Serviços Auxiliares.
§ 1º Os serviços auxiliares terão as atribuições e especificações disciplinadas em resolução do
Tribunal.
§ 2º Para auxiliar no desempenho de suas funções, o Tribunal poderá instalar unidades regionais em
cada uma das macrorregiões do Estado.

Art. 7º Os Conselheiros do Tribunal serão nomeados pelo Chefe do Poder Executivo estadual, dentre
brasileiros que satisfaçam os seguintes requisitos:
I- idade superior a trinta e cinco e inferior a sessenta e cinco anos;
II- idoneidade moral e reputação ilibada;
III- notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de administração pública;
IV- mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija os
conhecimentos mencionados no inciso III deste artigo.

Art. 8º Os Conselheiros serão escolhidos:


I - três pelo Governador do Estado, com a aprovação da Assembleia Legislativa, sendo:
a) um, dentre Auditores indicados em lista tríplice, segundo os critérios de antiguidade e merecimento,
alternadamente;
b) um, dentre Procuradores do Ministério Público junto ao Tribunal indicados em lista tríplice, segundo
os critérios estabelecidos na alínea "b" deste inciso;
c) um de sua livre nomeação;
II - quatro pela Assembleia Legislativa.

Art. 9º É vedado aos Conselheiros e aos Auditores:


I- exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, salvo uma de magistério;
II- exercer cargo técnico ou de direção de sociedade civil, associação ou fundação, de qualquer
natureza ou finalidade, salvo de associação de classe e sem remuneração;
III- exercer comissão, remunerada ou não, inclusive em órgãos de controle da administração direta ou
indireta, ou em concessionárias de serviço público;
IV- exercer profissão liberal, emprego particular ou comércio ou participar de sociedade comercial,
exceto como acionista ou cotista sem ingerência;
V- celebrar contrato com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia
mista, fundação, sociedade instituída e mantida pelo poder público ou empresa concessionária de serviço
público, salvo quando o contrato obedecer às normas uniformes para todo e qualquer contratante;
VI- dedicar-se a atividade político-partidária;
VII- exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de decorridos três anos do
afastamento do cargo por aposentadoria ou exoneração.

Art. 10. Não podem ocupar cargos de Conselheiro, simultaneamente, parentes consanguíneos ou
afins, na linha reta ou na colateral, até o segundo grau.

Art. 11. Os Conselheiros serão substituídos, no caso de vaga, faltas ou quaisquer impedimentos, pelos
Auditores, em regime de rodízio, conforme parágrafo único do art. 265 da Constituição do Estado.
Parágrafo único. Nas substituições, os Auditores terão os vencimentos dos Conselheiros, salvo se
convocados apenas para completar o "quórum" necessário à realização das sessões.

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Art. 12. Os Conselheiros terão as mesmas garantias, direitos, prerrogativas, impedimentos,
vencimentos e vantagens dos Desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais.

Art. 13. O Tribunal elegerá, em escrutínio secreto, bienalmente, por maioria absoluta, o Presidente, o
Vice-Presidente e o Corregedor, sendo vedada a recondução.
Parágrafo único. A eleição a que se refere o caput deste artigo ocorrerá na última sessão plenária do
biênio, sendo que dela participarão somente os Conselheiros efetivos, ainda que em gozo de férias ou
licença.

Art. 14. O Conselheiro no exercício da Presidência do Tribunal fará jus a parcela de natureza
indenizatória de até 10% (dez por cento) do valor do subsídio.

Art. 15. Nas faltas ou impedimentos, o Presidente será substituído pelo Vice-Presidente e, na ausência
ou no impedimento deste, pelo Conselheiro mais antigo em exercício na função.
§ 1º Em caso de vacância da Presidência ou da Vice-Presidência, far-se-á nova eleição, salvo se a
vaga ocorrer nos seis últimos meses do biênio, caso em que as substituições se darão em conformidade
com o disposto no caput deste artigo.
§ 2º O Conselheiro que, nos termos do § 1º deste artigo, assumir a função nos últimos seis meses do
biênio completará o tempo do mandato interrompido, sem prejuízo de seu direito de concorrer à eleição
prevista no art. 13.

Art. 16. O Conselheiro, o Auditor e o Procurador nomeados tomarão posse no prazo de trinta dias
contados da publicação do ato de nomeação, prorrogável por igual período.

Art. 17. Os Conselheiros e os Auditores terão direito a férias após um ano de exercício.
Parágrafo único. As férias do Conselheiro corresponderão, quanto à duração, às que a Lei Orgânica
da Magistratura Nacional assegura aos membros do Poder Judiciário, na forma que dispuser o Regimento
Interno do Tribunal. (Parágrafo com redação dada pelo art. 1º da Lei Complementar nº 133, de 5/2/2014.

Art. 18. A antiguidade no Tribunal será determinada:


I- pela data da posse;
II- pelo tempo de serviço público;
III- pela idade.

Seção II
Das competências do Presidente

Art. 19. Compete ao Presidente, além de outras atribuições previstas no Regimento Interno:
I- dirigir o Tribunal e seus serviços auxiliares;
II- determinar a realização de concursos públicos para provimento dos cargos de Auditor, de
Procurador do Ministério Público junto ao Tribunal e daqueles que compõem seu Quadro de Pessoal e
homologar os seus resultados;
III- dar posse aos Conselheiros, Auditores e Procuradores do Ministério Público junto ao Tribunal;
IV- dar posse e fixar a lotação dos servidores do Quadro de Pessoal do Tribunal;
V- expedir atos de nomeação, admissão, exoneração, demissão, remoção, movimentação,
disponibilidade, dispensa, aposentadoria, atos de reconhecimento de direitos e vantagens e outros atos
relativos aos servidores do Quadro de Pessoal do Tribunal, nos termos da legislação em vigor;
VI- aplicar aos servidores do Quadro de Pessoal do Tribunal as penalidades cabíveis decorrentes de
processos administrativo-disciplinares;
VII- comunicar férias dos Conselheiros, conceder férias aos Auditores e aos Procuradores do Ministério
Público junto ao Tribunal, expedir atos de reconhecimento de direitos e vantagens e conceder licença,
por prazo não excedente a um ano, aos Conselheiros, Auditores e Procuradores do Ministério Público
junto ao Tribunal, nos termos e casos previstos em lei;
VIII- expedir ato de nomeação e de exoneração de ocupante de cargo de provimento em comissão;
IX- conceder licença, férias e outros afastamentos legais aos detentores de cargo de provimento em
comissão;
X- ceder servidores a outro órgão, nos termos da legislação em vigor;
XI- autorizar que servidor do Tribunal se ausente do País, com ou sem vencimento;
XII- convocar e presidir as sessões do Tribunal Pleno;

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XIII- relatar a suspeição oposta a Conselheiro e a Auditor;
XIV- votar em enunciado de súmula, uniformização de jurisprudência, consulta, prejulgado e projeto
de ato normativo, bem como para completar o quórum;
XV- proferir voto de desempate, salvo se houver votado para completar o quórum;
XVI- designar intérprete, quando necessário;
XVII- comunicar à Ordem dos Advogados do Brasil as faltas cometidas por patronos das partes, sem
prejuízo das penas de advertência e afastamento do recinto;
XVIII- mandar riscar expressões consideradas injuriosas às partes em processos de seu conhecimento
ou devolver peças em que se tenha feito crítica desrespeitosa a autoridade ou a membro ou servidor do
Tribunal;
XIX- remeter ao Poder Legislativo processo referente a contrato impugnado pelo Tribunal;
XX- encaminhar ao Poder competente a proposta orçamentária do Tribunal, diretamente ou mediante
delegação;
XXI- requisitar os recursos financeiros correspondentes aos créditos orçamentários, inclusive os
créditos suplementares e especiais destinados ao Tribunal, que lhe serão entregues em duodécimos até
o dia 20 de cada mês;
XXII- submeter ao Tribunal Pleno as propostas relativas a projetos de lei que devam ser encaminhadas
ao Poder Legislativo;
XXIII- mandar coligir documentos e provas para verificação de crime de responsabilidade decorrente
de atos sujeitos à apreciação do Tribunal;
XXIV- encaminhar representação ao Poder competente sobre irregularidades e abusos verificados no
exercício do controle externo;
XXV- decidir sobre requerimentos referentes a processos findos;
XXVI- determinar a adoção das medidas necessárias à restauração ou à reconstituição de autos;
XXVII- ordenar a expedição de certidões de processos e documentos que se encontrem no Tribunal,
salvo os de caráter sigiloso;
XXVIII- apresentar ao Tribunal Pleno a prestação de contas anual e os relatórios de atividades, e
encaminhá-los à Assembleia Legislativa;
XXIX- assinar e publicar o Relatório de Gestão Fiscal, exigido pelo art. 54 da Lei Complementar Federal
nº 101, de 4 de maio de 2000;
XXX- aprovar e dar cumprimento ao plano anual de fiscalização elaborado pelas diretorias técnicas;
XXXI- presidir os procedimentos de distribuição e redistribuição de processos e documentos;
XXXII- designar o Ouvidor, dentre os membros ou servidores do Tribunal;
XXXIII- constituir comissões e designar seus membros, exceto as de sindicância;
XXXIV- elaborar a lista tríplice de Auditores, segundo o critério de antiguidade, no caso de provimento
de vaga de Conselheiro, observado o disposto no art. 18 desta Lei Complementar;
XXXV- encaminhar ao Governador do Estado a lista tríplice de Auditores e de Procuradores para
provimento de vaga de Conselheiro, segundo o critério de antiguidade, observado o disposto no art. 18
desta Lei Complementar;
XXXVI- apresentar ao Tribunal Pleno os nomes dos Auditores e dos Procuradores do Ministério Público
junto ao Tribunal que satisfaçam os requisitos constitucionais, para preenchimento de vaga de
Conselheiro segundo o critério de merecimento;
XXXVII- decidir sobre conflitos de competência, ouvido o Tribunal Pleno, se necessário;
XXXVIII- exercer o juízo de admissibilidade das representações e das denúncias.
XXXIX– dirigir a “Revista do Tribunal de Contas” e designar Auditor para exercer a função de Vice-
Diretor da revista; (Inciso acrescentado pelo art. 1º da Lei Complementar nº 120, de 15/12/2011.)
XL – coordenar os trabalhos da comissão de jurisprudência e súmulas. (Inciso acrescentado pelo art.
1º da Lei Complementar nº 120, de 15/12/2011.)
§ 1º O Presidente não admitirá denúncia ou representação nem determinará a autuação de processos
quando verificar a ocorrência de prescrição ou decadência, salvo comprovada má-fé. (Parágrafo
acrescentado pelo art. 1º da Lei Complementar nº 120, de 15/12/2011.)
§ 2º. Na avaliação do merecimento, para fins do disposto no inciso XXXVI do caput deste artigo, serão
considerados prioritariamente a produtividade, a qualidade do trabalho e as atividades especiais
desenvolvidas no exercício do cargo. (Parágrafo renumerado pelo art. 1º da Lei Complementar nº 120,
de 15/12/2011.)

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Seção III
Das competências do Vice-Presidente

Art. 20. Compete ao Vice-Presidente, além de outras atribuições previstas no Regimento Interno:
I- substituir o Presidente em seus impedimentos, ausências, férias ou outro afastamento legal,
exercendo as suas próprias funções, cumulativamente;
II- relatar suspeição oposta ao Presidente, quando não reconhecida de ofício;
III- (Revogado pelo art. 11 da Lei Complementar nº 120, de 15/12/2011.)
IV- (Revogado pelo art. 11 da Lei Complementar nº 120, de 15/12/2011.)

Seção IV
Das competências do Corregedor

Art. 21. Compete ao Corregedor, além de outras atribuições previstas no Regimento Interno:
I- orientar os servidores do Tribunal para o fiel cumprimento dos deveres e obrigações legais e
regulamentares no exercício de suas funções;
II- verificar a fiel execução das atividades e o cumprimento dos deveres e das obrigações legais e
regulamentares dos órgãos do Tribunal, mediante realização de correições e solicitação de informações;
III- instaurar e presidir processo administrativo-disciplinar envolvendo membros, desde que autorizado
pelo Tribunal Pleno, ou servidores do Tribunal, bem como a sindicância que o preceder, se for o caso;
IV- designar os membros das comissões de sindicância e de processo administrativo-disciplinar e
propor à Presidência a aplicação das penalidades e medidas corretivas cabíveis, na forma da lei;
V- relatar processos de denúncias e representações relativos à atuação de servidores do Tribunal;
VI- disponibilizar os dados constantes dos relatórios estatísticos relativos às atividades desenvolvidas
pelo Tribunal.
Parágrafo único. O Corregedor apresentará ao Tribunal, anualmente, relatório circunstanciado dos
serviços realizados, procedendo da mesma forma quando deixar o cargo.

CAPÍTULO III
DA OUVIDORIA

Art. 22. Funcionará junto ao Tribunal uma Ouvidoria com o objetivo de receber sugestões e críticas
sobre os serviços prestados pelo Tribunal e propor à Presidência a adoção das medidas cabíveis.
Parágrafo único. O Ouvidor apresentará ao Tribunal, anualmente, relatório circunstanciado dos
serviços realizados, procedendo da mesma forma quando deixar o cargo.

Art. 23. O funcionamento da Ouvidoria será regulamentado em ato normativo do Tribunal.

CAPÍTULO IV
DA AUDITORIA

Art. 24. Os Auditores, em número de quatro, serão nomeados pelo Governador do Estado dentre
cidadãos brasileiros que sejam detentores de diploma de curso superior, satisfaçam os requisitos exigidos
para o cargo de Conselheiro e tenham sido aprovados em concurso público de provas e títulos, observada
a ordem de classificação.

Art. 25. O Auditor tem os mesmos impedimentos e garantias do Juiz de Direito da entrância mais
elevada na organização judiciária do Estado e, quando em substituição a Conselheiro, as mesmas
garantias e impedimentos deste.

Art. 26. O Auditor somente pode aposentar-se com as vantagens do cargo quando o tiver efetivamente
exercido no Tribunal por cinco anos, e cumprido o tempo mínimo de dez anos de efetivo exercício no
serviço público.

Art. 27. Compete ao Auditor, além de outras atribuições previstas no Regimento Interno:
I- substituir o Conselheiro nas suas faltas e impedimentos, quando convocado pelo Presidente do
Tribunal ou de suas Câmaras;

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II- exercer, no caso de vacância, quando convocado pelo Presidente do Tribunal, as funções do cargo
de Conselheiro até novo provimento, observado o critério estabelecido no parágrafo único do art. 265 da
Constituição do Estado;
III- compor quórum das sessões, observados os critérios estabelecidos no Regimento Interno;
IV- atuar junto à Câmara do Tribunal para a qual for designado em caráter permanente, presidindo a
instrução dos processos que lhe forem distribuídos e relatando-os com proposta de voto, por escrito, a
ser apreciada pelos membros do respectivo colegiado;
V- emitir parecer conclusivo no processo de prestação de contas do Governador do Estado e, caso
solicitado pelo Relator, nos processos de consulta;
VI- desempenhar outras atribuições por determinação do Presidente ou do Tribunal Pleno.

CAPÍTULO V
DO MINISTÉRIO PÚBLICO JUNTO AO TRIBUNAL

Art. 28. O Ministério Público junto ao Tribunal compõe-se de sete Procuradores nomeados pelo
Governador do Estado, cujo provimento observará as regras previstas na Constituição da República e
na Constituição do Estado.
§ 1º Dentre os Procuradores a que se refere o caput serão escolhidos o Procurador-Geral, nos termos
do art. 31, e o Subprocurador-Geral, por ato do Procurador-Geral.
§ 2º O mandato do Subprocurador-Geral coincidirá com o do Procurador-Geral.
§ 3º Ao Ministério Público junto ao Tribunal aplicam-se os princípios institucionais da unidade, da
indivisibilidade e da independência funcional. (Artigo com redação dada pelo art. 2º da Lei Complementar
nº 120, de 15/12/2011.)

Art. 29. O ingresso na carreira far-se-á no cargo de Procurador, mediante concurso público de provas
e títulos, assegurada a participação da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Minas Gerais, em sua
realização, exigindo-se do bacharel em Direito, no mínimo, três anos de atividade jurídica e, observando-
se, nas nomeações, a ordem de classificação.

Art. 30. Aos membros do Ministério Público junto ao Tribunal aplicam-se as disposições da Seção I do
Capítulo IV do Título IV da Constituição da República pertinentes a direitos, vedações e forma de
investidura e, subsidiariamente, no que couber, o disposto na Lei Orgânica do Ministério Público do
Estado de Minas Gerais, na parte relativa a direitos, garantias, prerrogativas, vedações e regime
disciplinar.

Art. 31. O Governador do Estado escolherá o Procurador-Geral do Ministério Público junto ao Tribunal
dentre aqueles indicados em lista tríplice elaborada e composta pelos integrantes da carreira, e o nomeará
para mandato de dois anos, permitida uma recondução, observado o mesmo procedimento.
§ 1º O Procurador-Geral fará jus a parcela de natureza indenizatória de até 5% (cinco por cento) do
valor do subsídio.
§ 2º O Procurador-Geral será substituído pelo Subprocurador-Geral, em caso de vacância do cargo e
nas suas ausências e impedimentos por motivo de licença, férias ou outro afastamento legal, e, na
ausência ou impedimento deste, por Procurador, observada a ordem de antiguidade, conforme o disposto
no art. 18 desta Lei Complementar. (Parágrafo com redação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº
120, de 15/12/2011.)
§ 3º O Subprocurador-Geral ou o Procurador, nas substituições a que se refere o § 2º, terá direito à
parcela indenizatória prevista no § 1º, em valor proporcional ao período de substituição. (Parágrafo com
redação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 120, de 15/12/2011.)

Art. 31-A. A totalidade dos membros do Ministério Público junto ao Tribunal compõe o Colégio de
Procuradores, órgão administrativo e deliberativo máximo, presidido pelo Procurador-Geral e
regulamentado por ato normativo próprio. (Artigo acrescentado pelo art. 4º da Lei Complementar nº 120,
de 15/12/2011.)

Art. 32. Compete ao Ministério Público junto ao Tribunal, em sua missão de guarda da Lei e fiscal de
sua execução, além de outras atribuições estabelecidas no Regimento Interno:
I- promover a defesa da ordem jurídica, requerendo, perante o Tribunal, as medidas de interesse da
Justiça, da administração e do erário;

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II- comparecer às sessões do Pleno e das Câmaras e dizer de direito, verbalmente ou por escrito, em
todos os assuntos sujeitos à decisão do Tribunal;
III- promover perante a Advocacia-Geral do Estado ou, conforme o caso, perante as procuradorias dos
Municípios, as medidas necessárias à execução das decisões do Tribunal, remetendo-lhes a
documentação e as instruções necessárias;
IV- acompanhar a execução das decisões do Tribunal a que se refere o inciso III;
V- adotar as medidas necessárias ao arresto dos bens dos responsáveis julgados em débito, quando
solicitado pelo Tribunal;
VI- acionar o Ministério Público para a adoção das medidas legais no âmbito de sua competência e
acompanhar as providências porventura adotadas;
VII- representar ao Procurador-Geral de Justiça para ajuizamento de ação direta de
inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais e municipais em face da Constituição do
Estado, e ao Procurador-Geral da República, em face da Constituição Federal;
VIII- interpor os recursos previstos nesta Lei Complementar;
IX- manifestar-se de forma conclusiva, quando couber, nos processos sujeitos a sua apreciação.
§ 1º Para o exercício da competência prevista no inciso IV do caput deste artigo, o Ministério Público
junto ao Tribunal elaborará e apresentará ao Tribunal relatórios periódicos de acompanhamento das
decisões, na forma estabelecida no Regimento Interno.
§ 2° As atribuições previstas nos incisos III, V e VI do caput são de competência do Procurador-geral
e, por delegação, do Subprocurador-Geral e dos Procuradores. (Parágrafo com redação dada pelo art. 5º
da Lei Complementar nº 120, de 15/12/2011.)

CAPÍTULO VI
DA ESCOLA DE CONTAS

Art. 33. A Escola de Contas destina-se a promover ações de capacitação e desenvolvimento


profissional dos servidores do Tribunal, bem como difundir conhecimentos aos gestores públicos, de
forma a contribuir para a efetividade do exercício do controle externo.
Parágrafo único. A Escola de Contas terá sua estrutura e sua organização regulamentadas em ato
normativo do Tribunal.

CAPÍTULO VII
DO TRIBUNAL PLENO E DAS CÂMARAS
Seção I
Do Tribunal Pleno

Art. 34. O Tribunal Pleno é constituído pela totalidade dos Conselheiros.


§ 1º As sessões do Tribunal Pleno serão convocadas e dirigidas pelo Presidente do Tribunal e, nos
seus impedimentos, sucessivamente, pelo Vice-Presidente ou pelo Conselheiro mais antigo no exercício
da função.
§ 2º É indispensável para o funcionamento do Tribunal Pleno o "quórum" de, no mínimo, quatro
Conselheiros efetivos.

Art. 35. Compete ao Tribunal Pleno, além de outras atribuições previstas no Regimento Interno:
I- emitir parecer prévio sobre as contas prestadas pelo Governador do Estado;
II- deliberar sobre licitações, de modo especial sobre editais e atas de julgamento, procedimentos de
dispensa e inexigibilidade, bem como sobre as contratações, nos casos em que o valor seja igual ou
superior a cem vezes o limite estabelecido no art. 23, I, "c", da Lei Federal nº 8.666, de 21 de junho de
1993;
III- emitir parecer sobre consultas formuladas ao Tribunal;
IV- emitir parecer, quando solicitado pela Assembleia Legislativa ou por Câmara Municipal, sobre
empréstimo e operação de crédito que o Estado ou Município realize;
V- deliberar acerca da realização de fiscalizações, no âmbito de sua competência, e decidir sobre os
processos delas decorrentes;
VI- decidir sobre denúncia e representação em matéria de sua competência;
VII- deliberar sobre prejulgados;
VIII- julgar exceção de suspeição ou de impedimento;
IX- expedir atos normativos, no exercício do poder regulamentar do Tribunal;

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X- prestar informações ao Poder Legislativo do Estado e dos Municípios, quando solicitadas,
observado o disposto no inciso XIV do art. 3º desta Lei Complementar;
XI- aprovar os enunciados da súmula de jurisprudência e fixar a orientação em casos de conflitos de
decisão;
XII- emitir o alerta, nos termos do § 1º do art. 59 da Lei Complementar Federal nº 101, de 2000, sobre
matéria sujeita a sua competência;
XIII- fixar o valor das diárias de viagens dos membros e dos servidores do Tribunal;
XIV- autorizar que se ausentem do País os Conselheiros, Auditores e Procuradores, com direito ou
não a vencimentos, conforme o caso;
XV- representar ao Poder competente sobre irregularidade e abuso apurado, indicando o ato inquinado
e definindo responsabilidades;
XVI- deliberar sobre projeto de lei que o Tribunal deva encaminhar ao Poder Legislativo;
XVII- eleger o Presidente, o Vice-Presidente e o Corregedor;
XVIII- sortear, na última sessão ordinária do Tribunal Pleno de cada ano, o Conselheiro-Relator, o
Revisor e o Auditor, para o acompanhamento da execução orçamentária das contas prestadas pelo
Governador do Estado, observado o princípio da alternância;
XIX- deliberar sobre a lista tríplice, no caso de vaga de Conselheiro a ser provida por Auditor ou
Procurador do Ministério Público junto ao Tribunal, observados, alternadamente, os critérios de
antiguidade e merecimento;
XXII- deliberar acerca de processos administrativo-disciplinares envolvendo membros do Tribunal.
Parágrafo único. As contas prestadas pelo Governador do Estado, a que se refere o inciso I do caput
deste artigo, incluirão, além de suas próprias, a dos Presidentes dos órgãos do Poder Legislativo e do
Judiciário e as dos Chefes do Ministério Público e da Defensoria Pública, as quais receberão parecer
prévio, separadamente.

Seção II
Das Câmaras

Art. 36. Mediante deliberação de dois terços de seus membros, o Tribunal poderá ser dividido em
Câmaras, cuja presidência, composição, número e forma de funcionamento serão regulamentados pelo
Regimento Interno.
Parágrafo único. A composição das Câmaras será renovada periodicamente.

Art. 37. Compete às Câmaras, além das atribuições estabelecidas no Regimento Interno:
I- emitir parecer prévio sobre as contas prestadas, anualmente, pelos Prefeitos Municipais;
II- julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiro, bens ou valores públicos,
bem como daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que tenha resultado
prejuízo ao erário, excetuadas as de competência do Tribunal Pleno;
III- deliberar acerca dos atos de receita e despesa estaduais e municipais;
IV- emitir o alerta, nos termos no § 1º do art. 59 da Lei Complementar Federal nº 101, de 2000, sobre
matéria sujeita a sua competência;
V- deliberar sobre licitações, de modo especial sobre editais e atas de julgamento, procedimentos de
dispensa e inexigibilidade, bem como sobre as contratações, excetuados os casos previstos no inciso II
do art. 35 desta Lei Complementar;
VI- fiscalizar o repasse e a aplicação de recurso referente a convênio e instrumento congênere;
VII- apreciar, para o fim de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título,
por órgão ou entidade da administração direta e indireta, estadual e municipal, excluídas as nomeações
para cargo de provimento em comissão ou função de confiança;
VIII- apreciar, para o fim de registro, a legalidade dos atos de concessão de aposentadoria, reforma e
pensão, ressalvadas as melhorias posteriores que não tenham alterado o fundamento legal do ato
concessório;
IX- decidir sobre denúncia e representação, em matéria de sua competência;
X- deliberar acerca da realização de fiscalizações, no âmbito de sua competência, e decidir sobre os
processos delas decorrentes;
XI- deliberar sobre fiança e demais garantias contratuais;
XII- deliberar sobre outras matérias não incluídas expressamente na competência do Tribunal Pleno.

Art. 38. Cada Câmara contará com apoio administrativo de Secretaria, conforme estabelecido no
Regimento Interno.

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Art. 39. Compete ao Presidente de Câmara, além de relatar e de votar os processos que lhe forem
distribuídos e de desempenhar outras atribuições estabelecidas no Regimento Interno:
I- convocar e presidir as sessões da respectiva Câmara;
II- proferir votos em todos os processos submetidos à deliberação da respectiva Câmara;
III- proclamar o resultado das votações;
IV- resolver questões de ordem;
V- convocar, se necessário, Auditor para substituir membro da Câmara.
Parágrafo único. O impedimento ou suspeição do Presidente não lhe retira a competência prevista no
inciso III do caput deste artigo.

TÍTULO II
DA FISCALIZAÇÃO E DO CONTROLE
CAPÍTULO I
DAS CONTAS DO GOVERNADOR E DO PREFEITO
Seção I
Das contas do Governador

Art. 40. As contas anuais do Governador serão examinadas pelo Tribunal, que emitirá parecer prévio
no prazo de sessenta dias, a contar de seu recebimento.
§ 1º No prazo de sessenta dias contado da abertura da sessão legislativa, as contas serão
apresentadas pelo Governador à Assembleia Legislativa, remetendo-se cópia ao Tribunal.
§ 2º A composição das contas a que se refere o caput observará o disposto no Regimento Interno e
em atos normativos do Tribunal.
§ 3º As contas serão acompanhadas do relatório e do parecer conclusivo do órgão central do sistema
de controle interno, que conterão os elementos indicados em atos normativos do Tribunal.

Art. 41. Se as contas não forem apresentadas no prazo previsto no § 1º do art. 40 ou se não forem
cumpridos os requisitos legais e regulamentares relativos a sua correta instrução, o Tribunal comunicará
o fato à Assembleia Legislativa, para fins de direito.
Parágrafo único. O prazo para emissão do parecer prévio será contado a partir da apresentação das
contas ou da regularização do processo perante o Tribunal.

Seção II
Das contas do Prefeito

Art. 42. As contas anuais do Prefeito serão examinadas pelo Tribunal, que emitirá parecer prévio no
prazo de trezentos e sessenta dias, a contar do seu recebimento.
§ 1º As contas serão apresentadas pelo Prefeito ao Tribunal no prazo de noventa dias após o
encerramento do exercício.
§ 2º A composição das contas a que se refere o caput observará o disposto no Regimento Interno e
em atos normativos do Tribunal.
§ 3º As contas serão acompanhadas do relatório e do parecer conclusivo do órgão central do sistema
de controle interno, que conterão os elementos indicados em atos normativos do Tribunal.

Art. 43. Se as contas não forem apresentadas no prazo previsto no § 1º do art. 42 ou se não forem
atendidos os requisitos legais e regulamentares relativos a sua correta instrução, o Tribunal comunicará
o fato à Câmara Municipal, para fins de direito.
Parágrafo único. O prazo para emissão do parecer prévio será contado a partir da apresentação das
contas ou da regularização do processo perante o Tribunal.

Art. 44. Concluído o julgamento das contas do exercício, o Presidente da Câmara Municipal enviará
ao Tribunal, no prazo de trinta dias, cópia autenticada da resolução votada, promulgada e publicada, bem
como das atas das sessões em que o pronunciamento da Câmara se tiver verificado, com a relação
nominal dos Vereadores presentes e o resultado numérico da votação.
Parágrafo único. Não havendo manifestação da Câmara Municipal no prazo de cento e vinte dias
contado do recebimento do parecer prévio, o processo será encaminhado ao Ministério Público junto ao
Tribunal, para as medidas legais cabíveis.

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Seção III
Da deliberação em parecer prévio

Art. 45. A emissão do parecer prévio poderá ser:


I- pela aprovação das contas, quando ficar demonstrada, de forma clara e objetiva, a exatidão dos
demonstrativos contábeis, a compatibilidade dos planos e programas de trabalho com os resultados da
execução orçamentária, a correta realocação dos créditos orçamentários e o cumprimento das normas
constitucionais e legais;
II- pela aprovação das contas, com ressalva, quando ficar caracterizada impropriedade ou qualquer
outra falta de natureza formal, da qual não resulte dano ao erário, sendo que eventuais recomendações
serão objeto de monitoramento pelo Tribunal;
III- pela rejeição das contas, quando caracterizados atos de gestão em desconformidade com as
normas constitucionais e legais.

CAPÍTULO II
DAS CONTAS ANUAIS E ESPECIAIS
Seção I
Das contas anuais

Art. 46. As contas dos administradores e responsáveis por gestão de recursos públicos estaduais e
municipais, submetidas anualmente a julgamento do Tribunal na forma de tomada ou prestação de
contas, observarão o disposto no Regimento Interno e em atos normativos do Tribunal.
§ 1º No julgamento das contas anuais a que se refere o caput deste artigo serão considerados os
resultados dos procedimentos de fiscalização realizados, bem como os de outros processos que possam
repercutir no exame da legalidade, legitimidade, economicidade e razoabilidade da gestão.
§ 2º As contas serão acompanhadas do relatório e do parecer conclusivo do órgão central do sistema
de controle interno, que conterão os elementos indicados em atos normativos do Tribunal.

Seção II
Da tomada de contas especial

Art. 47. A autoridade administrativa competente, sob pena de responsabilidade solidária, adotará
providências com vistas à instauração de tomada de contas especial para apuração dos fatos e
quantificação do dano, quando caracterizadas:
I- omissão do dever de prestar contas;
II- falta de comprovação da aplicação de recursos repassados pelo Estado ou pelo Município;
III- ocorrência de desfalque ou desvio de dinheiro, bens ou valores públicos;
IV- prática de qualquer ato ilegal, ilegítimo ou antieconômico de que possa resultar dano ao erário.
§ 1º No caso de não cumprimento do disposto no caput deste artigo, o Tribunal determinará a
instauração da tomada de contas especial, fixando prazo para cumprimento dessa decisão.
§ 2º Não atendida a determinação prevista no § 1º, o Tribunal, de ofício, instaurará a tomada de contas
especial, sem prejuízo da aplicação das sanções previstas nesta Lei Complementar.
§ 3º Os elementos que integram a tomada de contas especial serão estabelecidos em ato normativo
do Tribunal.

Seção III
Das decisões em tomada e prestação de contas

Art. 48. As contas serão julgadas:


I- regulares, quando expressarem, de forma clara e objetiva, a exatidão dos demonstrativos contábeis
e a legalidade, a legitimidade, a economicidade e a razoabilidade dos atos de gestão do responsável;
II- regulares, com ressalva, quando evidenciarem impropriedade ou qualquer outra falta de natureza
forma de que não resulte dano ao erário;
III- irregulares, quando comprovada qualquer das seguintes ocorrências:
a) omissão do dever de prestar contas;
b) prática de ato ilegal, ilegítimo ou antieconômico;
c) infração grave a norma legal ou regulamentar de natureza contábil, financeira, orçamentária,
operacional ou patrimonial;
d) dano injustificado ao erário, decorrente de ato de gestão ilegítimo ou antieconômico;

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e) desfalque ou desvio de dinheiro, bens ou valores públicos.
§ 1º O Tribunal poderá julgar irregulares as contas no caso de descumprimento de determinação de
que o responsável tenha tido ciência, feita em processo de tomada ou prestação de contas.
§ 2º Serão consideradas não prestadas as contas que, embora encaminhadas, não reúnam as
informações e os documentos exigidos na legislação em vigor, bem como nos atos normativos próprios
do Tribunal.

Art. 49. Quando julgar as contas regulares, o Tribunal dará quitação ao responsável.

Art. 50. Quando julgar as contas regulares, com ressalva, o Tribunal dará quitação ao responsável e
lhe determinará, ou a quem lhe haja sucedido, a adoção das medidas necessárias à correção das
impropriedades ou faltas identificadas, de modo a prevenir a reincidência.

Art. 51. Quando julgar as contas irregulares, havendo débito, o Tribunal determinará ao responsável
que promova o recolhimento de seu valor, atualizado monetariamente e acrescido de juros de mora, sem
prejuízo da aplicação das sanções previstas nesta Lei Complementar.
§ 1º Apurada irregularidade nas contas, cabe ao Tribunal ou ao Relator:
I- definir a responsabilidade individual ou solidária pelo ato de gestão impugnado;
II- ordenar, se houver débito, a citação do responsável, para, na forma e nos prazos regimentais,
apresentar defesa ou recolher a quantia devida, pelo seu valor atualizado;
III- determinar, se não houver débito, a citação do responsável, para, no prazo fixado no Regimento
Interno, apresentar razões de defesa;
IV- adotar outras medidas cabíveis, inclusive de caráter cautelar.
§ 2º Caracterizada e reconhecida pelo Tribunal a boa-fé do gestor, o processo será considerado
encerrado com a liquidação tempestiva do débito, devidamente atualizado, salvo no caso da existência
de outra irregularidade nas contas.
§ 3º Será considerado revel pelo Tribunal, em conformidade com o disposto nos arts. 319 a 322 do
Código de Processo Civil, o responsável que não atender à citação, sem prejuízo da tramitação do
processo.

Art. 52. O Tribunal determinará o trancamento das contas que forem consideradas iliquidáveis.
Parágrafo único. Dentro do prazo de cinco anos contados da publicação da decisão terminativa no
Diário Oficial Eletrônico do Tribunal de Contas, o Tribunal poderá, à vista de novos elementos que
considere suficientes, autorizar o desarquivamento do processo e determinar que se ultime a respectiva
tomada ou prestação de contas, observado o disposto no art. 37, § 5º, da Constituição da República.
(Parágrafo único com redação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 111, de 13/1/2010.)

CAPÍTULO III
DOS ATOS SUJEITOS A REGISTRO

Art. 53. Ao Tribunal compete apreciar, para o fim de registro, a legalidade dos atos de:
I- admissão de pessoal, a qualquer título, por órgão ou entidade das administrações direta e indireta,
incluídas as fundações instituídas e mantidas pelos poderes públicos estadual e municipais, excetuadas
as nomeações para cargo de provimento em comissão ou função de confiança;
II- concessão de aposentadoria, reforma e pensão, bem como de melhorias posteriores que tenham
alterado o fundamento legal do ato concessório.
§ 1º A forma de apresentação e os prazos relativos aos atos sujeitos a registro serão estabelecidos no
Regimento Interno e em atos normativos do Tribunal, observada a legislação em vigor.
§ 2º O descumprimento do dever de apresentar ao Tribunal os atos sujeitos a registro poderá implicar
a irregularidade das contas que contiverem despesa deles decorrentes.
§ 3º Denegado o registro, as despesas realizadas com base no ato ilegal serão consideradas
irregulares.

Art. 54. Ao proceder à fiscalização dos atos de concessão de aposentadoria, reforma e pensão e dos
atos de admissão de pessoal, o Relator ou o Tribunal:
I- determinará o registro do ato que atender às disposições legais;
II- denegará o registro, se houver ilegalidade no ato, e determinará ao responsável a adoção de
medidas regularizadoras;

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III- determinará a averbação de apostilas, títulos declaratórios de direito ou de quaisquer outros atos
que modifiquem aposentadorias, reformas e pensões.
§ 1º Poderá ser determinada a realização de diligências instrutórias ou estabelecido prazo para
atendimento das exigências legais.
§ 2º O responsável que injustificadamente deixar de adotar as medidas regularizadoras determinadas
pelo Tribunal passará a responder administrativamente pelos pagamentos irregulares, sem prejuízo das
sanções previstas nesta Lei Complementar e da apuração de sua responsabilidade civil e criminal.

CAPÍTULO IV
DA FISCALIZAÇÃO DA GESTÃO PÚBLICA FISCAL

Art. 55. O Tribunal fiscalizará o cumprimento das normas relativas à gestão fiscal responsável,
notadamente as previstas na Lei Complementar Federal nº 101, de 2000, na forma estabelecida em atos
normativos do Tribunal.
Parágrafo único. Nas hipóteses previstas no § 1º do art. 59 da Lei Complementar Federal nº 101, de
2000, o Tribunal emitirá o respectivo alerta.

CAPÍTULO V
DA FISCALIZAÇÃO DOS ATOS E CONTRATOS ADMINISTRATIVOS
Seção I
Disposições gerais

Art. 56. O Tribunal fiscalizará a legalidade, a economicidade, a legitimidade e a razoabilidade dos atos
de gestão da receita e da despesa estaduais e municipais, em todas as suas fases, incluídos os atos de
renúncia de receita.

Art. 57. Para assegurar a eficácia das ações de fiscalização e instruir o julgamento das contas, o
Tribunal utilizará, entre outros meios de controle estabelecidos no Regimento Interno, os seguintes:
I- acompanhamento, no órgão oficial de imprensa do Estado e de Município ou por outro meio de
divulgação, das publicações referentes a atos de gestão de recursos públicos;
II- realização de inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e
patrimonial;
III- requisição de informações e documentos.
§ 1º As inspeções e auditorias, bem como a requisição de informações e documentos, serão
regulamentadas no Regimento Interno e em atos normativos do Tribunal.
§ 2º O Tribunal comunicará às autoridades competentes o resultado das inspeções e auditorias que
realizar, para a adoção de medidas saneadoras das impropriedades e faltas identificadas.
§ 3º Os documentos necessários para a produção da defesa do responsável poderão ser solicitados
diretamente ao Tribunal, mediante petição devidamente fundamentada, quando ficar comprovado que o
acesso aos documentos foi obstaculizado pela administração. (Parágrafo acrescentado pelo art. 6º da Lei
Complementar nº 120, de 15/12/2011.)
§ 4º O prazo para a defesa do responsável ficará suspenso até que o Tribunal tome as providências
necessárias para a obtenção dos documentos a que se refere o § 3º. (Parágrafo acrescentado pelo art.
6º da Lei Complementar nº 120, de 15/12/2011.)

Art. 58. Nenhum processo, documento ou informação poderá ser sonegado ao Tribunal no exercício
de sua competência, sob pena de aplicação de multa, nos termos do art. 85 desta Lei Complementar.
§ 1º No caso de sonegação, o Tribunal fixará prazo para o responsável apresentar os documentos, as
informações e os esclarecimentos considerados necessários, comunicando o fato à autoridade
competente.
§ 2º Vencido o prazo estabelecido nos termos do § 1º deste artigo, e não cumprida a determinação, o
fato será comunicado ao Ministério Público junto ao Tribunal, para as providências cabíveis.

Seção II
Do exame do instrumento convocatório

Art. 59. O Tribunal poderá solicitar, até o dia útil imediatamente anterior à data de recebimento das
propostas, cópia do instrumento convocatório de licitação publicado, bem como dos documentos que se
fizerem necessários, para fins de exame prévio.

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Parágrafo único. O exame prévio de instrumento convocatório de licitação será regulamentado pelo
Regimento Interno.

Seção III
Da suspensão da licitação

Art. 60. O Tribunal poderá suspender, de ofício ou a pedido, liminarmente, o procedimento licitatório,
até a data da assinatura do respectivo contrato ou da entrega do bem ou do serviço, caso sejam
constatadas ilegalidades, observando-se, no que couber, o disposto no Capítulo II do Título IV desta Lei
Complementar.
Parágrafo único. A suspensão a que se refere o caput deste artigo poderá ser determinada pelo
Conselheiro-Relator, que submeterá sua decisão à ratificação do Tribunal Pleno ou da Câmara, conforme
o caso, sob pena de perda de eficácia.

Art. 61. O responsável pelo instrumento convocatório ou pelo ato irregular praticado será intimado para
comprovar a suspensão do edital ou de qualquer ato do procedimento licitatório, apresentar defesa ou
proceder às adequações necessárias ao atendimento da legislação em vigor, nos termos e nos prazos
previstos no Regimento Interno.

Seção IV
Dos convênios, acordos, ajustes e instrumentos congêneres

Art. 62. A fiscalização da aplicação de recurso repassado ou recebido pelo Estado ou por Município,
incluídas as entidades da administração indireta, mediante convênio, acordo, ajuste ou instrumento
congênere, será feita pelo Tribunal, com vistas a verificar, entre outros aspectos, o alcance dos objetivos
acordados, a regularidade da aplicação dos recursos e a observância das normas legais e regulamentares
pertinentes.

Art. 63. Os órgãos e entidades sujeitos à jurisdição do Tribunal que estejam inadimplentes na execução
das obrigações assumidas não poderão firmar convênio, acordo, ajuste ou instrumento congênere para
fins de recebimento de recursos estaduais ou municipais, enquanto não regularizarem a situação.
§ 1º Não se aplica o disposto no caput, caso seja comprovado que o atual gestor não é o responsável
pelos atos inquinados de irregularidade e que tomou as devidas providências para saná-la.
§ 2º Ficará sujeita à multa prevista nesta Lei Complementar a autoridade administrativa que transferir,
mediante convênio, acordo, ajuste ou instrumento congênere, recurso estadual ou municipal a beneficiário
omisso na prestação de contas de recurso anteriormente recebido ou que tenha dado causa a perda,
extravio ou outra irregularidade de que resulte dano ao erário, ainda não ressarcido.

Seção V
Das deliberações em processos de fiscalização de atos, contratos, convênios, acordos,
ajustes e instrumentos congêneres

Art. 64. Ao proceder à fiscalização dos atos, contratos, convênios, acordos, ajustes e instrumentos
congêneres, o Relator ou o Tribunal:
I- ordenará a instauração de tomada de contas especial, nos termos estabelecidos no Regimento
Interno e em ato normativo próprio, caso seja constatado indício de desfalque, desvio de bens ou outra
irregularidade de que resulte dano ao erário;
II- converterá o processo em tomada de contas especial, caso já esteja devidamente quantificado o
dano e qualificado o responsável;
III- determinará ao responsável a adoção de providências com vistas a evitar a reincidência, quando
verificar faltas ou impropriedades de caráter formal, que não caracterizem transgressão à norma legal ou
regulamentar de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial;
IV- fixará prazo, na forma estabelecida no Regimento Interno, se constatada irregularidade ou
ilegalidade de ato ou contrato, para que o responsável adote as providências necessárias ao cumprimento
da lei;
V- sustará a execução de ato ilegal, se não atendida a medida prevista no inciso IV, comunicando a
decisão à Assembleia Legislativa ou à Câmara Municipal, sem prejuízo da aplicação da multa prevista no
art. 85 desta Lei Complementar;

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VI- encaminhará à Assembleia Legislativa ou à Câmara Municipal, conforme o caso, para sustação,
os contratos em que se tenha verificado ilegalidade, às quais competirá solicitar, de imediato, ao
responsável pelo órgão ou pela entidade signatária do instrumento, a adoção das medidas cabíveis.
Parágrafo único. Se o Poder Legislativo ou o responsável pelo órgão ou pela entidade signatária do
instrumento não efetivar as medidas previstas no inciso VI do caput deste artigo, no prazo de noventa
dias, o Tribunal decidirá a respeito da sustação da execução do contrato, sem prejuízo de aplicação da
multa prevista no art. 85 desta Lei Complementar.

CAPÍTULO VI
DA DENÚNCIA E DA REPRESENTAÇÃO

Art. 65. Qualquer cidadão, partido político, associação legalmente constituída ou sindicato poderá
denunciar perante o Tribunal de Contas irregularidade ou ilegalidade de atos praticados na gestão de
recursos públicos sujeitos à fiscalização do Tribunal.

Art. 66. São requisitos de admissibilidade de denúncia sobre matéria de competência do Tribunal:
I- ser redigida com clareza;
II- conter o nome completo, a qualificação, cópia do documento de identidade e do Cadastro de Pessoa
Física e o endereço do denunciante;
III- conter informações sobre o fato e a autoria, as circunstâncias e os elementos de convicção;
IV- indicar as provas que deseja produzir ou indício veemente da existência do fato denunciado.
Parágrafo único. A denúncia apresentada por pessoa jurídica será instruída com prova de sua
existência e comprovação de que os signatários têm habilitação para representá-la.

Art. 67. A denúncia será apurada em caráter sigiloso, até que sejam reunidas as provas que indiquem
a existência de irregularidade ou ilegalidade, sendo assegurada a ampla defesa.
Parágrafo único. A denúncia somente poderá ser arquivada após efetuadas as diligências pertinentes,
mediante decisão fundamentada do Relator.

Art. 68. O denunciante e o denunciado poderão requerer ao Tribunal certidão dos fatos apurados e
das decisões, a qual deverá ser fornecida no prazo máximo de quinze dias a contar do recebimento do
pedido, desde que o respectivo processo de apuração tenha sido concluído ou arquivado.

Art. 69. O denunciante não se sujeitará a qualquer sanção administrativa, cível ou penal em
decorrência da denúncia, salvo em caso de comprovada má-fé.
Parágrafo único. Comprovada a má-fé, o fato será comunicado ao Ministério Público junto ao Tribunal,
para as medidas legais cabíveis.

Art. 70. Serão recebidos pelo Tribunal como representação os documentos encaminhados por agentes
públicos comunicando a ocorrência de ilegalidades ou irregularidades de que tenham conhecimento em
virtude do exercício do cargo, emprego ou função, bem como os expedientes de outras origens que devam
revestir-se dessa forma, por força de Lei específica.
§ 1º Têm legitimidade para representar ao Tribunal:
I- Chefes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário;
II- membros do Ministério Público;
III- responsáveis pelos órgãos de controle interno, em cumprimento ao disposto no parágrafo único do
art. 81 da Constituição do Estado;
IV- Senadores da República, Deputados Federais e Estaduais, Vereadores e magistrados;
V- Tribunais de Contas da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;
VI- unidades técnicas do Tribunal;
VII- servidores públicos e outras autoridades que comuniquem a ocorrência de irregularidades de que
tenham conhecimento em virtude do cargo ou da função que ocupem;
VIII- outros órgãos, entidades ou pessoas que detenham essa prerrogativa por força de suas
atribuições legais.
§ 2º Aplicam-se à representação, no que couber, as normas relativas à denúncia.
§ 3º A representação a que se refere o § 1º do art. 113 da Lei Federal nº 8.666, de 1993, será autuada
e processada como denúncia, nos termos desta Lei Complementar.

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TÍTULO III
DAS DECISÕES E DA COMUNICAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS
CAPÍTULO I
DAS DECISÕES

Art. 71. As decisões do Tribunal poderão ser interlocutórias, definitivas ou terminativas.


§ 1º Interlocutória é a decisão pela qual o Relator ou o Tribunal decide questão incidental, antes de
pronunciar-se quanto ao mérito.
§ 2º Definitiva é a decisão pela qual o Tribunal examina o mérito.
§ 3º Terminativa é a decisão pela qual o Tribunal ordena o trancamento das contas que forem
consideradas iliquidáveis, ou determina o seu arquivamento pela ausência de pressupostos de
constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo ou por racionalização administrativa e
economia processual.

CAPÍTULO II
DA FORMA DAS DECISÕES

Art. 72. O Tribunal deliberará por:


I- acórdão, em todos os processos referentes a fiscalização financeira, orçamentária, contábil,
operacional e patrimonial e, ainda, nos recursos;
II- parecer, quando se tratar de:
a) contas do Governador e de Prefeito;
b) consulta;
c) outros casos em que, por lei, deva o Tribunal assim se manifestar;
III- instrução normativa, quando se tratar de disciplina de matéria que envolva os jurisdicionados do
Tribunal;
IV- resolução, quando se tratar de:
a) aprovação do Regimento Interno, da estrutura organizacional, das atribuições e do funcionamento
do Tribunal e de suas unidades;
b) outras matérias de natureza administrativa interna que, a critério do Tribunal, devam revestir-se
dessa forma;
V- decisão normativa, quando se tratar de fixação de critério ou orientação, bem como de interpretação
de norma jurídica ou procedimento da administração divergente, e não se justificar a expedição de
instrução normativa ou resolução.

CAPÍTULO III
DOS PREJULGADOS E DA UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA
Seção I
Dos prejulgados

Art. 73. Por iniciativa de qualquer Conselheiro, Auditor ou Procurador do Ministério Público junto ao
Tribunal, poderá o Tribunal Pleno, mediante decisão normativa, pronunciar-se sobre a interpretação de
qualquer norma jurídica ou procedimento da administração, se reconhecer que sobre estes ocorre
divergência de interpretação, observada a forma estabelecida no Regimento Interno.

Seção II
Da uniformização de jurisprudência

Art. 74. Verificada a existência de decisões divergentes, poderá ser arguido incidente de uniformização
de jurisprudência por Conselheiro, Auditor, Procurador do Ministério Público junto ao Tribunal,
responsável ou interessado, nos termos do Regimento Interno.

CAPÍTULO IV
DA EXECUÇÃO DAS DECISÕES

Art. 75. A decisão do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terá eficácia de título
executivo.
§ 1º O responsável será intimado para, no prazo estabelecido pelo Regimento Interno, efetuar e
comprovar o recolhimento do valor devido.

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§ 2º Expirado o prazo a que se refere o § 1º deste artigo sem manifestação do responsável, o Tribunal
remeterá a certidão de débito ao Ministério Público junto ao Tribunal, para as providências necessárias à
execução do julgado.
§ 3º A certidão de débito individualizará os responsáveis e o débito imputado, devidamente atualizado.
§ 4º Comprovado o recolhimento integral, o Tribunal dará quitação ao responsável.

CAPÍTULO V
DA COMUNICAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS

Art. 76. A comunicação dos atos e decisões do Tribunal presume-se perfeita com a publicação no
Diário Oficial Eletrônico do Tribunal de Contas, salvo as exceções previstas em lei.
(Artigo com redação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 111, de 13/1/2010.)

Art. 77. O chamamento ao processo dos responsáveis e interessados bem como a comunicação dos
atos e termos do processo far-se-ão mediante:
I- citação, pela qual o Tribunal dará ciência ao responsável de processo contra ele instaurado,
chamando-o para se defender;
II- intimação, nos demais casos.

Art. 78. A citação e a intimação, observado o disposto no Regimento Interno, serão feitas:
I- por servidor designado, pessoalmente;
II- com hora certa;
III- por via postal ou telegráfica;
IV- por edital;
V- por meio eletrônico;
VI - por fac-símile.

Art. 79. O responsável que não atender à citação determinada pelo Relator ou pelo Tribunal será
considerado revel, para todos os efeitos previstos na legislação processual civil.

Art. 80. Aplicam-se à comunicação dos atos processuais, subsidiariamente, as disposições do Código
de Processo Civil, no que couber.

CAPÍTULO VI
DA CONTAGEM DOS PRAZOS

Art. 81. Salvo disposição em contrário, para efeito do disposto nesta Lei Complementar, os prazos
serão contínuos, não se interrompendo nem se suspendendo nos finais de semana e feriados, e serão
computados excluindo-se o dia do início e incluindo-se o dia do vencimento.
Parágrafo único. Considera-se prorrogado o prazo até o primeiro dia útil subsequente, se o início ou o
término coincidir com final de semana, feriado ou dia em que o Tribunal não esteja em funcionamento ou
que tenha encerrado o expediente antes da hora normal.

Art. 82. Os prazos referidos nesta Lei Complementar contam-se:


I- da juntada aos autos do aviso de recebimento ou do mandado contendo a ciência e a identificação
de quem o recebeu;
II- do primeiro dia útil seguinte ao da disponibilização da informação no Diário Oficial Eletrônico do
Tribunal de Contas;
(Inciso com redação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 111, de 13/1/2010.)
III- da certificação eletrônica.
§ 1º (Revogado pelo art. 6º da Lei Complementar nº 111, de 13/1/2010.)
§ 2º Salvo disposição expressa nesta Lei Complementar, os prazos aplicáveis em todas as fases do
processo serão disciplinados no Regimento Interno.

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TÍTULO IV
DAS SANÇÕES E DAS MEDIDAS CAUTELARES
CAPÍTULO I
DAS SANÇÕES

Art. 83. O Tribunal, ao constatar irregularidade ou descumprimento de obrigação por ele determinada
em processo de sua competência, poderá, observado o devido processo legal, aplicar, isolada ou
cumulativamente, as seguintes sanções:
I- multa;
II- inabilitação para o exercício de cargo em comissão ou função de confiança;
III- declaração de inidoneidade para licitar e contratar com o poder público.
Parágrafo único. Será comunicada ao órgão competente a decisão que declarar a inabilitação para o
exercício de cargo em comissão ou função de confiança e a proibição de licitar e contratar com o poder
público estadual e municipal, para conhecimento e efetivação das medidas administrativas necessárias.

Art. 84. A multa será aplicada, de forma individual, a cada agente que tiver concorrido para o fato,
sendo o pagamento da multa de responsabilidade pessoal dos infratores.
Parágrafo único. A decisão que determinar a aplicação de multa definirá as responsabilidades
individuais.

Art. 85. O Tribunal poderá aplicar multa de até R$35.000,00 (trinta e cinco mil reais) aos responsáveis
pelas contas e pelos atos indicados a seguir, observados os seguintes percentuais desse montante:
I- até 100% (cem por cento), por contas julgadas irregulares;
II- até 100% (cem por cento), por ato praticado com grave infração a norma legal ou regulamentar de
natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial;
III- até 30% (trinta por cento), por descumprimento de despacho, decisão ou diligência do Relator ou
do Tribunal;
IV- até 70% (setenta por cento), por obstrução ao livre exercício de fiscalização do Tribunal;
V- até 50% (cinquenta por cento), por sonegação de processo, documento ou informação necessários
ao exercício do controle externo;
VI- até 50% (cinquenta por cento), por reincidência no descumprimento de determinação do Relator
ou do Tribunal;
VII- até 40% (quarenta por cento), pelo não-encaminhamento de relatórios, documentos e informações
a que está obrigado por força de lei ou de ato normativo do Tribunal, no prazo e na forma estabelecidos;
VIII- até 100% (cem por cento), por omissão no cumprimento do dever funcional de levar ao
conhecimento do Tribunal irregularidade ou ilegalidade de que tenha tido ciência, na qualidade de
integrante do controle interno;
IX- até 50% (cinquenta por cento), pelo não-encaminhamento ao Tribunal da resolução e das atas de
julgamento das contas prestadas pelo Prefeito, nos termos do art. 44 desta Lei Complementar;
X- até 30% (trinta por cento), pela retenção de quantia a ser recolhida aos cofres públicos, por tempo
superior ao previsto em lei;
XI- até 10% (dez por cento), pela interposição de embargos declaratórios manifestamente protelatórios.
Parágrafo único. O valor máximo da multa de que trata o caput deste artigo será atualizado,
periodicamente, mediante ato normativo próprio do Tribunal, com base na variação acumulada no período
por índice oficial.

Art. 86. Apurada a prática de ato de gestão ilegal, ilegítimo ou antieconômico de que resulte dano ao
erário, independentemente do ressarcimento, poderá o Tribunal aplicar ao responsável multa de até 100%
(cem por cento) do valor atualizado do dano.

Art. 87. O Relator ou o Tribunal poderá autorizar o recolhimento parcelado da importância devida a
título de multa, na forma estabelecida no Regimento Interno.
Parágrafo único. As parcelas deverão ser devidamente atualizadas, observando-se o índice oficial.

Art. 88. Os responsáveis que não comprovarem o recolhimento da multa aplicada no prazo
determinado, sem prejuízo das demais sanções legais, serão inscritos no cadastro de inadimplentes do
Tribunal.

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Art. 89. Na fixação da multa, o Tribunal considerará, entre outras circunstâncias, a gravidade da falta,
o grau de instrução do servidor e sua qualificação funcional.

Art. 90. O Tribunal poderá fixar multa diária, nos casos em que o descumprimento de diligência ou
decisão ocasionar dano ao erário ou impedir o exercício das ações de controle externo, observado o
disposto no Regimento Interno.

Art. 91. O débito decorrente de multa aplicada pelo Tribunal, quando pago após o seu vencimento,
será acrescido de juros de mora de 1% (um por cento) ao mês e atualização da moeda até a data do
efetivo recolhimento.

Art. 92. Sem prejuízo das sanções previstas nesta Lei Complementar e das penalidades
administrativas aplicáveis pelas autoridades competentes, por irregularidades constatadas pelo Tribunal,
sempre que este, por maioria absoluta de seus membros, considerar grave a infração cometida, o
responsável ficará inabilitado, por um período que variará de cinco a oito anos, para o exercício de cargo
em comissão ou função de confiança da administração estadual e municipal.

Art. 93. Verificada a ocorrência de fraude comprovada na licitação, o Tribunal declarará a inidoneidade
do licitante fraudador para licitar e contratar com o poder público estadual e municipal, por até cinco anos.

Art. 93-A. Fica instituído, no âmbito do Tribunal de Contas, Termo de Ajustamento de Gestão para
regularizar atos e procedimentos dos Poderes, órgãos ou entidades por ele controlados.
§ 1º O Termo de Ajustamento a que se refere o caput poderá ser proposto pelo Tribunal de Contas ou
pelos Poderes, órgãos e entidades por ele controlados, desde que não limite a competência discricionária
do gestor.
§ 2º A assinatura de Termo de Ajustamento de Gestão suspenderá a aplicação de penalidades ou
sanções, conforme condições e prazos nele previstos.
§ 3º É vedada a assinatura de Termo de Ajustamento de Gestão nos casos em que esteja previamente
configurado o desvio de recursos públicos e nos casos de processos com decisão definitiva irrecorrível.
§ 4º Nos casos em que o Termo de Ajustamento de Gestão impuser obrigações a particulares, por via
direta ou reflexa, estes serão notificados previamente, observado o devido processo legal.
§ 5º Os efeitos decorrentes da celebração de Termo de Ajustamento de Gestão não serão retroativos
se resultarem no desfazimento de atos administrativos ampliativos de direito, salvo no caso de
comprovada má-fé.
§ 6º O não cumprimento das obrigações previstas no Termo de Ajustamento de Gestão pelas
autoridades signatárias enseja sua automática rescisão.
§ 7º Cumpridas as obrigações previstas no Termo de Ajustamento de Gestão, o processo relativo aos
atos e procedimentos objeto do termo será arquivado.
§ 8º O Termo de Ajustamento de Gestão será publicado na íntegra no Diário Oficial Eletrônico do
Tribunal de Contas.
(Artigo acrescentado pelo art. 7º da Lei Complementar nº 120, de 15/12/2011.)

Art. 93-B. O Tribunal de Contas regulamentará a aplicação do Termo de Ajustamento de Gestão em


ato normativo próprio.
(Artigo acrescentado pelo art. 7º da Lei Complementar nº 120, de 15/12/2011.)

Art. 94. Além das sanções previstas nesta Lei Complementar, verificada a existência de dano ao erário,
o Tribunal determinará o ressarcimento do valor do dano aos cofres públicos pelo responsável.
Parágrafo único. O não-cumprimento das decisões do Tribunal referentes ao ressarcimento de valores,
no prazo e na forma fixados, resultará no impedimento de obtenção de certidão liberatória para fins de
recebimento de transferências voluntárias.

CAPÍTULO II
DAS MEDIDAS CAUTELARES

Art. 95. No início ou no curso de qualquer apuração, havendo fundado receio de grave lesão ao erário
ou a direito alheio ou de risco de ineficácia da decisão de mérito, o Tribunal poderá, de ofício ou mediante
provocação, determinar medidas cautelares.

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§ 1º As medidas cautelares poderão ser adotadas sem prévia manifestação do responsável ou do
interessado, quando a efetividade da medida proposta puder ser obstruída pelo conhecimento prévio.
§ 2º Em caso de comprovada urgência, as medidas cautelares poderão ser determinadas por decisão
do Relator, devendo ser submetidas à ratificação do Tribunal na primeira sessão subsequente, sob pena
de perder eficácia, nos termos regimentais.
§ 3º Na ausência ou inexistência de Relator, compete ao Presidente do Tribunal a adoção de medidas
cautelares urgentes.

Art. 96. São medidas cautelares a que se refere o art. 95, além de outras medidas de caráter urgente:
I- recomendação à autoridade superior competente, sob pena de responsabilidade solidária, do
afastamento temporário do responsável, se existirem indícios suficientes de que, prosseguindo no
exercício de suas funções, possa retardar ou dificultar a realização de auditoria ou inspeção, causar novos
danos ao erário ou inviabilizar o seu ressarcimento;
II- indisponibilidade, por prazo não superior a um ano, de bens em quantidade suficiente para garantir
o ressarcimento dos danos em apuração;
III- sustação de ato ou de procedimento, até que se decida sobre o mérito da questão suscitada;
IV - arresto.
§ 1º As medidas a que se referem os incisos I, II e IV do caput deste artigo serão solicitadas ao
Ministério Público junto ao Tribunal, que adotará as providências necessárias a sua efetivação.
§ 2º No caso de adoção da medida a que se refere o inciso IV do caput deste artigo, o Tribunal deverá
ser ouvido quanto à liberação dos bens arrestados e sua respectiva restituição.
§ 3º Será de quinze dias o prazo máximo para que os processos com medida cautelar permaneçam
em cada órgão interno do Tribunal e no Ministério Público junto ao Tribunal.
(Parágrafo acrescentado pelo art. 8º da Lei Complementar nº 120, de 15/12/2011.)
§ 4º Em caso do não cumprimento dos prazos estabelecidos no § 3º, fica facultado ao Relator a adoção
de medidas para agilizar a tramitação do processo, inclusive submetê-lo diretamente à deliberação,
quando for o caso, sem prejuízo da manifestação do Ministério Público junto ao Tribunal na sessão de
julgamento.
(Parágrafo acrescentado pelo art. 8º da Lei Complementar nº 120, de 15/12/2011.)

Art. 97. As medidas cautelares previstas nesta seção serão regulamentadas no Regimento Interno,
aplicando-se, subsidiariamente, o Código de Processo Civil.

TÍTULO V
DOS RECURSOS E DO PEDIDO DE RESCISÃO
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 98. Das decisões do Tribunal caberão os seguintes recursos:


I- recurso ordinário;
II- agravo;
III- embargos de declaração;
IV- pedido de reexame.

Art. 99. Poderão interpor recurso os responsáveis, os interessados e o Ministério Público junto ao
Tribunal.
Parágrafo único. A petição será indeferida liminarmente, quando:
I- não se achar devidamente formalizada;
II- for manifestamente impertinente ou inepta;
III- o recorrente for ilegítimo;
IV- for intempestiva.

Art. 100. Salvo caso de má-fé ou erro grosseiro, o recorrente não será prejudicado pela interposição
de um recurso por outro, desde que respeitado o prazo do recurso cabível.

Art. 101. O início, o decurso e o término dos prazos relativos aos recursos que tramitem no Tribunal
obedecerão às normas do Código de Processo Civil, no que couber.

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CAPÍTULO II
DO RECURSO ORDINÁRIO

Art. 102. Das decisões definitivas proferidas pelo Tribunal Pleno e pelas Câmaras caberá recurso
ordinário, que terá efeito suspensivo e devolutivo.

Art. 103. O recurso ordinário será interposto em petição escrita contendo os fundamentos de fato e de
direito e o pedido de nova decisão, no prazo de trinta dias contado da data da ciência da decisão, na
forma estabelecida no Regimento Interno.
§ 1º O recurso ordinário será apreciado pelo Tribunal Pleno, e a sua distribuição não poderá recair no
Relator do acórdão recorrido.
§ 2º Se o recurso ordinário for interposto pelo Ministério Público junto ao Tribunal, os demais
interessados serão intimados para, caso queiram, impugná-lo ou assisti-lo, no prazo de quinze dias.

CAPÍTULO III
DO AGRAVO

Art. 104. Das decisões interlocutórias e terminativas caberá agravo formulado uma só vez, por escrito,
no prazo de dez dias contado da data da ciência da decisão, na forma estabelecida no Regimento Interno.

Art. 105. A petição de agravo será dirigida diretamente ao Relator e conterá a exposição do fato e do
direito, as razões de reforma da decisão e cópia da decisão agravada.
Parágrafo único. Recebido o recurso de agravo, o prolator da decisão agravada poderá, dentro de dez
dias, reformar a decisão ou submeter o agravo à Câmara ou ao Tribunal Pleno, observada a competência
originária.

CAPÍTULO IV
DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO

Art. 106. Cabem embargos de declaração para corrigir obscuridade, omissão ou contradição em
acórdãos proferidos pelo Tribunal Pleno e pelas Câmaras, formulados por escrito e dirigidos ao Relator
do acórdão, no prazo de dez dias contado da data da ciência da decisão, na forma estabelecida no
Regimento Interno.
Parágrafo único. A interposição de embargos de declaração interrompe a contagem dos prazos para
cumprimento da decisão embargada e para interposição de outros recursos.

Art. 107. Quando os embargos forem considerados manifestamente protelatórios e o Tribunal ou a


Câmara assim os tiver declarado, será aplicada multa ao embargante, nos termos do inciso XI do art. 85
desta Lei Complementar.

CAPÍTULO V
DO PEDIDO DE REEXAME

Art. 108. Caberá pedido de reexame, com efeito suspensivo, em parecer prévio sobre prestação de
contas do Governador ou de Prefeito, a ser apreciado pelo Colegiado que o houver proferido.
Parágrafo único. O pedido de reexame deverá ser formulado uma só vez, por escrito, no prazo de trinta
dias contado da data da ciência do parecer, na forma estabelecida no Regimento Interno.

CAPÍTULO VI
DO PEDIDO DE RESCISÃO

Art. 109. O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas, os responsáveis ou os interessados poderão
solicitar ao Tribunal, no prazo de até dois anos, a rescisão das decisões definitivas do Tribunal Pleno e
das Câmaras, sem efeito suspensivo, nos seguintes casos:
I- se a decisão houver sido proferida contra disposição de lei;
II- se o ato objeto da decisão houver sido fundado em falsidade não alegada na época do julgamento;
III- se ocorrer superveniência de documentos novos com eficácia sobre a prova produzida ou a decisão
adotada.

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§ 1º O prazo para interposição do pedido de rescisão será contado a partir da data do trânsito em
julgado da decisão.
§ 2º A falsidade a que se refere o inciso II do caput deste artigo será demonstrada por decisão definitiva
proferida pelo Juízo Cível ou Criminal, conforme o caso, ou deduzida e provada no processo de rescisão,
sendo garantido o direito de ampla defesa.

Art. 110. O Ministério Público junto ao Tribunal decidirá acerca da admissibilidade do pedido, no prazo
de até quinze dias contado da data do protocolo da solicitação, nos casos em que a rescisão for requerida
pelos responsáveis ou pelos interessados.
Parágrafo único - Quando decidir pela não admissibilidade do pedido de rescisão, o Ministério Público
junto ao Tribunal submeterá, de ofício, a matéria à consideração do Tribunal Pleno, na forma estabelecida
no Regimento Interno.

TÍTULO V-A
DA PRESCRIÇÃO E DA DECADÊNCIA
(Título acrescentado pelo art. 9 º da Lei Complementar nº 120, de 15/12/2011.)
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÃO PRELIMINAR

Art. 110-A. A prescrição e a decadência são institutos de ordem pública, abrangendo as ações de
fiscalização do Tribunal de Contas.
Parágrafo único – O reconhecimento da prescrição e da decadência poderá dar-se de ofício pelo relator
ou mediante provocação do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas ou requerimento do
responsável ou interessado.
(Parágrafo com redação dada pelo art. 1º da Lei Complementar nº 133, de 5/2/2014.)
(Artigo acrescentado pelo art. 9º da Lei Complementar nº 120, de 15/12/2011.)

CAPÍTULO II
DA PRESCRIÇÃO

Art. 110-B. A pretensão punitiva do Tribunal de Contas fica sujeita a prescrição, conforme o prazo
fixado para cada situação.
(Artigo acrescentado pelo art. 9 º da Lei Complementar nº 120, de 15/12/2011.)

Seção I
Das causas que interrompem ou suspendem a prescrição

Art. 110-C – São causas interruptivas da prescrição:


I – despacho ou decisão que determinar a realização de inspeção cujo escopo abranja o ato passível
de sanção a ser aplicada pelo Tribunal de Contas;
II – autuação de feito no Tribunal de Contas nos casos de prestação e tomada de contas;
III – autuação de feito no Tribunal de Contas em virtude de obrigação imposta por lei ou ato normativo;
IV – instauração de tomada de contas especial pelo Tribunal de Contas;
V – despacho que receber denúncia ou representação;
VI – citação válida;
VII – decisão de mérito recorrível.
(Artigo com redação dada pelo art. 1º da Lei Complementar nº 133, de 5/2/2014.)
(Artigo acrescentado pelo art. 9 º da Lei Complementar nº 120, de 15/12/2011.)

Art. 110-D. As causas suspensivas da prescrição serão disciplinadas em ato normativo próprio.
Parágrafo único. Cessada a causa suspensiva da prescrição, retoma-se a contagem do prazo do ponto
em que tiver parado.
(Artigo acrescentado pelo art. 9 º da Lei Complementar nº 120, de 15/12/2011.)

Seção II
Dos prazos da prescrição

Art. 110-E. Prescreve em cinco anos a pretensão punitiva do Tribunal de Contas, considerando-se
como termo inicial para contagem do prazo a data de ocorrência do fato.

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(Artigo acrescentado pelo art. 9 º da Lei Complementar nº 120, de 15/12/2011.)

Art. 110-F. A contagem do prazo a que se refere o art. 110-E voltará a correr, por inteiro:
I – quando da ocorrência da primeira causa interruptiva da prescrição, dentre aquelas previstas nos
incisos I a VI do art. 110-C;
II – quando da primeira decisão de mérito recorrível.
Parágrafo único – Os agentes que derem causa à paralisação injustificada da tramitação processual
do feito poderão ficar sujeitos à aplicação de sanções, mediante processo administrativo disciplinar.
(Artigo com redação dada pelo art. 1º da Lei Complementar nº 133, de 5/2/2014.)
(Artigo acrescentado pelo art. 9 º da Lei Complementar nº 120, de 15/12/2011.)

Art. 110-G. (VETADO)


(Artigo acrescentado pelo art. 9 º da Lei Complementar nº 120, de 15/12/2011.)

CAPÍTULO III
DA DECADÊNCIA

Art. 110-H. Salvo disposição legal em contrário, não se aplicam à decadência as normas que
interrompem ou suspendem a prescrição.
Parágrafo único. Nas aposentadorias, reformas e pensões concedidas há mais de cinco anos, bem
como nas admissões ocorridas há mais de cinco anos, contados da data de entrada do servidor em
exercício, o Tribunal de Contas determinará o registro dos atos que a administração já não puder anular,
salvo comprovada má-fé.
(Artigo acrescentado pelo art. 9 º da Lei Complementar nº 120, de 15/12/2011.)

CAPÍTULO IV
DISPOSIÇÕES FINAIS
(Título com denominação dada pelo art. 5º da Lei Complementar nº 133, de 5/2/2014.)

Art. 110-I. O Tribunal publicará em sua página na internet a relação dos atos, devidamente
fundamentados, que reconhecerem a prescrição e a decadência a que se referem os arts. 110-A a 110-
H desta Lei Complementar.
(Artigo acrescentado pelo art. 9 º da Lei Complementar nº 120, de 15/12/2011.)

Art. 110-J – O processo será extinto com resolução de mérito quando for reconhecida a prescrição ou
a decadência.
(Artigo acrescentado pelo art. 2º da Lei Complementar nº 133, de 5/2/2014.)

TÍTULO VI
DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS

Art. 111. Em todas as etapas do processo será assegurada a ampla defesa.

Art. 112. O Relator presidirá, diretamente ou mediante delegação, a instrução do processo.

Art. 113. Aplica-se aos servidores do Tribunal o Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado.

Art. 114. Ocorrendo o falecimento de Conselheiro, Auditor ou Procurador do Tribunal, em exercício ou


aposentado, será concedida à família, a título de auxílio para funeral, a importância correspondente à
remuneração de um mês.

Art. 114-A. O Tribunal de Contas publicará em seu Diário Oficial Eletrônico:


I– as decisões e deliberações das inspeções e auditorias realizadas;
II– mensalmente, o resumo pormenorizado da folha de pagamento do pessoal e a contribuição do
Estado para despesas com pessoal, especificando-se as parcelas correspondentes a servidores ativos,
inativos e pensionistas, e os valores retidos a título de imposto sobre a renda e proventos de qualquer
natureza e de contribuições previdenciárias;
III– anualmente, relatório pormenorizado das despesas mensais realizadas pelo Tribunal na área de
comunicação, especialmente em propaganda e publicidade;

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IV– no primeiro dia útil dos meses de fevereiro e agosto, os quantitativos do quadro de pessoal relativo
ao último dia do semestre civil anterior, distribuídos por padrão na carreira, com a indicação do número
de nomeados e exonerados no mesmo período.
(Artigo acrescentado pelo art. 10 da Lei Complementar nº 120, de 15/12/2011.)

Art. 114-B – Os titulares do cargo de Auditor de que trata o § 3º – do art. 79 da Constituição do Estado
também serão denominados Conselheiros Substitutos.
(Artigo acrescentado pelo art. 3º da Lei Complementar nº 133, de 5/2/2014.)

Art. 115. O Tribunal publicará o seu Regimento Interno no prazo de até cento e oitenta dias contados
da data de publicação desta Lei Complementar.
§ 1º O Regimento Interno do Tribunal somente poderá ser aprovado ou alterado pela maioria absoluta
dos Conselheiros efetivos, ressalvada a matéria a que se refere o art. 36, cuja deliberação farse-á por
dois terços.
§ 2º Até que o Tribunal publique o Regimento Interno, a Presidência, por ato normativo próprio,
disciplinará as matérias não previstas no atual Regimento.

Art. 116. O Tribunal ajustará o exame dos processos em curso às disposições desta Lei Complementar,
no que couber, respeitadas as normas processuais em vigor.

Art. 117. A título de racionalização administrativa e economia processual e com o objetivo de evitar
que o custo da cobrança seja superior ao valor do ressarcimento, o Tribunal poderá determinar o
arquivamento do processo, o qual não implicará o cancelamento do débito, ficando o devedor obrigado a
pagá-lo para que lhe seja dada a quitação.

Art. 118. (Revogado pelo art. 11 da Lei Complementar nº 120, de 15/12/2011.)

Art. 118-A – Para os processos que tenham sido autuados até 15 de dezembro de 2011, adotarse-ão
os prazos prescricionais de:
I – cinco anos, contados da ocorrência do fato até a primeira causa interruptiva da prescrição;
II – oito anos, contados da ocorrência da primeira causa interruptiva da prescrição até a primeira
decisão de mérito recorrível proferida no processo;
III – cinco anos, contados da prolação da primeira decisão de mérito recorrível até a prolação da
decisão de mérito irrecorrível.
Parágrafo único – A pretensão punitiva do Tribunal de Contas para os processos a que se refere o
caput prescreverá, também, quando a paralisação da tramitação processual do feito em um setor
ultrapassar o período de cinco anos.
(Artigo acrescentado pelo art. 4º da Lei Complementar nº 133, de 5/2/2014.)

Art. 119. Aplica-se supletivamente aos casos omissos o disposto na Lei Orgânica do Tribunal de
Contas da União.

Art. 120. A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial do Tribunal de


Contas será exercida pela Assembléia Legislativa, na forma definida no seu Regimento Interno.

Art. 121. Fica revogada a Lei Complementar nº 33, de 28 de junho de 1994.

Art. 122. Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação.

Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, aos 17 de janeiro de 2008; 220º da Inconfidência Mineira e
187º da Independência do Brasil.

AÉCIO NEVES

Questões

01. Segundo o que dispõe a Lei Complementar Estadual nº 102/2008 quanto a citação e a intimação,
observado o disposto no Regimento Interno, serão feitas:
I- por servidor designado, pessoalmente;

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II- com hora certa;
III- por via postal ou telegráfica;
IV- por edital;
V- por meio eletrônico;
VI - por fac-símile.

É correto afirmar que:


(A) Todas.
(B) I, II e IV
(C) somente I.
(D) I e IV.

02. De acordo com que dispõe a Lei Complementar Estadual nº 102/2008 julgue o item a seguir:

“O responsável que não atender à citação determinada pelo Relator ou pelo Tribunal será considerado
revel, para todos os efeitos previstos na legislação processual civil”.
( ) Verdadeiro
( ) Falso

Gabarito
01.A/ 02.Verdadeiro.

Comentários

01. Resposta: A.
Art. 78. A citação e a intimação, observado o disposto no Regimento Interno, serão feitas:
I- por servidor designado, pessoalmente;
II- com hora certa;
III- por via postal ou telegráfica;
IV- por edital;
V- por meio eletrônico;
VI - por fac-símile.

02. Resposta:
Art. 79. O responsável que não atender à citação determinada pelo Relator ou pelo Tribunal será
considerado revel, para todos os efeitos previstos na legislação processual civil.

12 Resolução nº 12/2008 (Regimento Interno do Tribunal de Contas do Estado de


Minas Gerais).

RESOLUÇÃO Nº 12/200810

O TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS, com base no disposto no inciso I do §


3º do art. 77 da Constituição do Estado de 1989 e no inciso II do art. 4º da Lei Complementar nº 102 de
17 de janeiro de 2008, resolve aprovar o seguinte REGIMENTO INTERNO:

REGIMENTO INTERNO

TÍTULO I
DA JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA
CAPÍTULO I
DA JURISDIÇÃO

Art. 1º O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, órgão constitucional de controle externo da
gestão dos recursos públicos estaduais e municipais, com sede na Capital, presta auxílio ao Poder
10
http://www.tce.mg.gov.br/REGIMENTO-INTERNO-TCE-RES-12-2008-.html/Noticia/111189 Acesso em: 12/06/2018

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Legislativo, tem jurisdição própria e privativa sobre as matérias e pessoas sujeitas à sua competência,
nos termos da Constituição da República, da Constituição do Estado de Minas Gerais e da Lei
Complementar nº 102 de 17 de janeiro de 2008.
Parágrafo único. O controle externo de que trata o caput deste artigo compreende a fiscalização
contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e abrange, dentre outros, os aspectos da
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiência, legitimidade, economicidade e
razoabilidade dos atos que gerem receita ou despesa pública.

Art. 2º Sujeitam-se à jurisdição do Tribunal:


I- a pessoa física ou jurídica, pública ou privada que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre
dinheiro, bens ou valores públicos estaduais ou municipais ou pelos quais responda o Estado ou o
Município;
II- a pessoa física ou jurídica, pública ou privada que assuma, em nome do Estado ou de Município ou
de entidade da administração indireta estadual ou municipal, obrigação de natureza pecuniária;
III- aquele que der causa à perda, extravio ou a outra irregularidade de que resultem dano ao erário
estadual ou municipal;
IV- aquele que deva prestar contas ao Tribunal ou cujos atos estejam sujeitos à sua fiscalização por
expressa disposição de lei;
V- o responsável pela aplicação de recurso repassado pelo Estado ou por Município, mediante
convênio, acordo, ajuste ou instrumento congênere;
VI- o responsável por entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado que receba
contribuições parafiscais e preste serviço de interesse público ou social;
VII- o dirigente ou liquidante de empresa encampada ou sob intervenção, ou que, de qualquer modo,
venha a integrar, provisória ou permanentemente, o patrimônio do Estado, de Município ou de outra
entidade pública estadual ou municipal;
VIII- os sucessores dos administradores e responsáveis a que se refere este artigo, até o limite do
valor do patrimônio transferido, nos termos do inciso XLV do art. 5º da Constituição da República.

CAPÍTULO II
DA COMPETÊNCIA

Art. 3º Compete ao Tribunal:


I - apreciar as contas prestadas, anualmente, pelo Governador e sobre elas emitir parecer prévio no
prazo de 60 (sessenta) dias, contados do seu recebimento;
II - apreciar as contas prestadas anualmente pelos Prefeitos e sobre elas emitir parecer prévio no prazo
de 360 (trezentos e sessenta) dias, contados do seu recebimento;
III - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiro, bens ou valores públicos,
de órgão de qualquer Poder do Estado ou de Município ou de entidade da administração indireta estadual
ou municipal;
IV - fiscalizar os atos de gestão da receita e da despesa públicas, assim como os de que resultem
criação ou extinção de direitos ou obrigações, no que se refere aos aspectos de legalidade, legitimidade,
economicidade e razoabilidade;
V - fixar a responsabilidade de quem tiver dado causa à perda, extravio ou a outra irregularidade de
que tenha resultado prejuízo ao Estado ou a Município;
VI - promover tomada de contas para fins de julgamento, nos casos em que estas não tenham sido
prestadas no prazo ou na forma legal;
VII - apreciar, para o fim de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título,
por órgão ou entidade da administração direta e indireta dos Poderes do Estado e de Município,
excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão;
VIII - apreciar, para o fim de registro, a legalidade dos atos de concessão de aposentadoria, reforma e
pensão de servidores da administração direta e indireta dos Poderes do Estado e de Município,
ressalvadas as melhorias posteriores que não tenham alterado o fundamento legal do ato concessório;
IX - realizar, por iniciativa própria ou a pedido da Assembleia Legislativa, de Câmara Municipal ou de
comissão de qualquer dessas Casas, inspeção e auditoria de natureza contábil, financeira, orçamentária,
operacional e patrimonial em unidade da administração direta ou indireta dos Poderes do Estado ou de
Município;
X - emitir parecer, quando solicitado pela Assembleia Legislativa ou por Câmara Municipal, sobre
empréstimo e operação de crédito que o Estado ou Município realizem e fiscalizar a aplicação dos
recursos deles resultantes;

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XI - emitir parecer em consulta sobre matéria de sua competência, na forma estabelecida neste
Regimento;
XII - fiscalizar as contas das empresas, incluídas as supranacionais, de cujo capital social o Estado ou
o Município participem de forma direta ou indireta, nos termos do ato constitutivo ou de tratado;
XIII - fiscalizar a aplicação de recurso repassado ou recebido pelo Estado ou por Município, por força
de convênio, acordo, ajuste ou instrumento congênere;
XIV - prestar as informações solicitadas por comissão do Poder Legislativo estadual ou municipal ou
por, no mínimo, um terço dos membros da Casa Legislativa, sobre assunto de fiscalização contábil,
financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e sobre os resultados de auditoria e inspeção
realizadas nas unidades dos Poderes ou em entidade da administração indireta;
XV - aplicar ao responsável, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as
sanções previstas em lei;
XVI - fiscalizar os procedimentos licitatórios, de modo especial os editais, as atas de julgamento e os
contratos celebrados;
XVII - fiscalizar contrato, convênio, ajuste ou instrumento congênere que envolva a concessão, a
cessão, a doação ou a permissão de qualquer natureza, a título oneroso ou gratuito, de responsabilidade
do Estado ou de Município;
XVIII- estabelecer prazo para que o dirigente de órgão ou entidade tome as providências necessárias
ao cumprimento da lei, se apurada ilegalidade;
XIX - sustar, se não atendido, a execução de ato impugnado e comunicar a decisão à Assembleia
Legislativa ou à Câmara Municipal;
XX - representar ao Poder competente sobre irregularidade ou abuso apurado, indicando o ato
inquinado e definindo responsabilidades;
XXI - acompanhar e fiscalizar a aplicação das disponibilidades de caixa do Tesouro Público no
mercado financeiro nacional de títulos públicos e privados de renda fixa, e sobre ela emitir parecer para
a apreciação do Poder Legislativo;
XXII - fiscalizar a atuação de dirigentes e liquidantes das entidades encampadas pelo Estado ou por
Município, das entidades submetidas à intervenção destes e das que, de qualquer modo, venham a
integrar, em caráter provisório ou permanente, o seu patrimônio;
XXIII- fiscalizar a aplicação de recursos públicos estaduais ou municipais repassados a entidades
dotadas de personalidade jurídica de direito privado;
XXIV- verificar a legalidade de fianças e demais garantias contratuais;
XXV- determinar a averbação de apostilas, títulos declaratórios de direito ou de quaisquer outros atos
que modifiquem assentamentos feitos em razão dos incisos VII e VIII deste artigo;
XXVI- corrigir erros ou enganos materiais de cálculos em parcelas ou somas de quaisquer atos;
XXVII- decidir sobre denúncia que lhe seja encaminhada por qualquer cidadão, partido político,
associação ou sindicato;
XXVIII- decidir sobre a sustação da execução de contrato, no caso de não se efetivar, em 90 (noventa)
dias, a medida prevista no § 1º do art. 76 da Constituição do Estado;
XXIX- expedir atos normativos sobre matéria de sua competência, no exercício do poder regulamentar;
XXX- fiscalizar a observância, para cada conta de recurso, da ordem cronológica de exigibilidade dos
pagamentos das obrigações relativas a fornecimento de bens, locação, realização de obras e prestação
de serviços, efetuados pelos órgãos e entidades da administração pública estadual e municipal;
XXXI- fiscalizar os procedimentos de seleção de pessoal, de modo especial os editais de concurso
público e as atas de julgamento.
§ 1º Para o exercício de sua competência, o Tribunal poderá requisitar de órgãos e entidades estaduais
ou municipais a prestação de serviços técnicos especializados, bem como valer-se de certificado de
auditoria passado por profissional ou entidade habilitados na forma da lei e de notória idoneidade técnica.
§ 2º O titular de cada Poder, no âmbito estadual e municipal, encaminhará ao Tribunal, em cada
exercício, o rol dos responsáveis por dinheiro, bens e valores públicos e outros documentos ou
informações considerados necessários, na forma estabelecida em atos normativos do Tribunal.
§ 3º O Tribunal poderá solicitar a Secretário de Estado ou de Município, a supervisor de área ou à
autoridade de nível hierárquico equivalente outros elementos indispensáveis ao exercício de sua
competência.

Art. 4º Compete privativamente ao Tribunal:


I - eleger o seu Presidente, o Vice-Presidente e o Corregedor;
II - elaborar e alterar seu Regimento Interno por iniciativa do Presidente ou de Conselheiro;

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III - submeter à Assembleia Legislativa projeto de lei relativo à criação, transformação e extinção de
cargos e à fixação dos vencimentos dos seus servidores;
IV - conceder licença, férias e outros afastamentos a seus membros;
V - determinar a realização de concurso público para provimento dos cargos de Auditor, de Procurador
do Ministério Público junto ao Tribunal e daqueles que compõem seu Quadro de Pessoal, julgando e
homologando seus resultados;
VI - elaborar sua proposta orçamentária, observados os limites fixados na Lei de Diretrizes
Orçamentárias;
VII - fixar o valor de diárias de viagens de membros e servidores do seu Quadro;
VIII - apresentar sua prestação de contas anual à Assembleia Legislativa, acompanhada do relatório
de controle interno, para fins do disposto no art. 120 da Lei Complementar nº 102/2008;
IX - enviar à Assembleia Legislativa, trimestral e anualmente, relatório das suas atividades, para fins
do disposto no art. 120 da Lei Complementar nº 102/2008;
X - divulgar, no Diário Oficial de Contas e em destaque no seu portal na internet, os demonstrativos de
sua despesa, nos termos do § 3º do art. 73 da Constituição do Estado; (Redação dada pelo art. 25 da
Resolução nº 10/2010, de 30/06/2010)
XI - organizar e submeter ao Governador lista tríplice para provimento de cargo de Conselheiro, com
relação às vagas a serem preenchidas por Auditor e Procurador do Ministério Público junto ao Tribunal.
§ 1º O Tribunal observará fielmente os princípios e as normas relativos ao controle interno, no âmbito
da sua gestão administrativa, financeira, operacional e patrimonial.
§ 2º No relatório anual a que se refere o inciso IX do caput deste artigo, o Tribunal apresentará análise
da evolução dos custos da atividade de controle e da eficiência, eficácia e economicidade dessa atividade.

TÍTULO II
DA COMPOSIÇÃO E ORGANIZAÇÃO
CAPÍTULO I
DA COMPOSIÇÃO
Seção I
DOS CONSELHEIROS

Art. 5º O Tribunal compõe-se de sete Conselheiros, nomeados em conformidade com a Constituição


do Estado.

Art. 6º Os Conselheiros terão as mesmas garantias, direitos, prerrogativas, impedimentos,


vencimentos e vantagens dos Desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais.

Subseção I
DA NOMEAÇÃO, POSSE E EXERCÍCIO

Art. 7º Os Conselheiros serão escolhidos:


I - três pelo Governador, com a aprovação da Assembleia Legislativa, sendo:
a) um, dentre Auditores indicados em lista tríplice, segundo os critérios de antiguidade e merecimento,
alternadamente;
b) um, dentre Procuradores do Ministério Público junto ao Tribunal indicados em lista tríplice, segundo
os critérios de antiguidade e merecimento, alternadamente;
c) um de sua livre nomeação;
II - quatro pela Assembleia Legislativa.

Art. 8º Os Conselheiros do Tribunal serão nomeados pelo Governador, dentre brasileiros que
satisfaçam os seguintes requisitos:
I - idade superior a trinta e cinco e inferior a sessenta e cinco anos;
II - idoneidade moral e reputação ilibada;
III - notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de administração
pública;
IV - mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija os
conhecimentos mencionados no inciso III deste artigo.
Parágrafo único. Não podem ocupar cargo de Conselheiro, simultaneamente, parentes consanguíneos
ou afins, na linha reta ou na colateral, até o segundo grau.

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Art. 9º Os Conselheiros tomarão posse em sessão solene do Tribunal Pleno ou perante o Presidente,
excepcionalmente.
§ 1º No ato de posse, o Conselheiro prestará o compromisso de bem desempenhar as funções do
cargo, em conformidade com a Constituição da República e a Constituição do Estado, e com as leis
federais e estaduais.
§ 2º O Conselheiro a ser empossado encaminhará ao Tribunal, previamente, as informações e
documentos necessários à formação de seu registro e pasta funcionais.
§ 3º O termo de posse será lavrado em livro próprio e assinado pelo Presidente do Tribunal e pelo
empossado.

Art. 10. O prazo para a posse do Conselheiro é de 30 (trinta) dias consecutivos, contados a partir da
publicação do ato de nomeação no Órgão Oficial do Estado, prorrogável por igual período.
§ 1º O exercício do cargo terá início dentro do prazo de 30 (trinta) dias consecutivos, contados da data
da posse, prorrogável por igual período.
§ 2º Não se verificando a posse e o exercício no prazo fixado, o Presidente do Tribunal comunicará o
fato ao Presidente da Assembleia Legislativa e ao Governador, para os fins de direito.

Art. 11. Nomeado e empossado, o Conselheiro somente perderá o cargo por sentença judicial
transitada em julgado.

Subseção II
DOS DEVERES

Art. 12. São deveres dos Conselheiros:


I- cumprir e fazer cumprir, com independência, serenidade e exatidão, as disposições legais,
regimentais e atos de ofício;
II- não exceder, injustificadamente, os prazos para decidir ou despachar;
III- determinar as providências necessárias para que os atos processuais se realizem nos prazos legais
e regimentais;
IV- tratar com urbanidade as partes e seus procuradores, os Auditores, os membros do Ministério
Público junto ao Tribunal e os servidores;
V- atender aos que o procurarem, a qualquer momento, quando se tratar de providência que reclame
e possibilite solução de urgência;
VI- comparecer, pontualmente, à hora de iniciar o expediente ou a sessão e não se ausentar,
injustificadamente, antes de seu término;
VII- manter conduta compatível com as atribuições do cargo.

Subseção III
DAS VEDAÇÕES

Art. 13. É vedado aos Conselheiros:


I - exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, salvo uma de magistério;
II - exercer cargo técnico ou de direção de sociedade civil, associação ou fundação, de qualquer
natureza ou finalidade, salvo de associação de classe e sem remuneração;
III - exercer comissão, remunerada ou não, inclusive em órgãos de controle da administração direta ou
indireta, ou em concessionárias de serviço público;
IV - exercer profissão liberal, emprego particular ou comércio ou participar de sociedade comercial,
exceto como acionista ou cotista sem ingerência;
V - celebrar contrato com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia
mista, fundação, sociedade instituída e mantida pelo poder público ou empresa concessionária de serviço
público, salvo quando o contrato obedecer a normas uniformes para todo e qualquer contratante;
VI - dedicar-se à atividade político-partidária;
VII - exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de decorridos três anos do
afastamento do cargo por aposentadoria ou exoneração.

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Subseção IV
DA VACÂNCIA

Art. 14. Dar-se-á a vacância do cargo de Conselheiro:


I - pela renúncia;
II - pela aposentadoria;
III - pela perda do cargo de Conselheiro;
IV - pelo falecimento.
Parágrafo único. Na vacância do cargo de Conselheiro, o Presidente do Tribunal designará Auditor,
por meio de portaria, até novo provimento, observado o critério de rodízio, nos termos do parágrafo único
do art. 265 da Constituição do Estado.

Art. 15. O Presidente do Tribunal, para fins de provimento do cargo de Conselheiro por Auditor ou por
membro do Ministério Público junto ao Tribunal, convocará sessão extraordinária, no prazo de até 30
(trinta) dias da vacância, para votação da lista tríplice, com quorum de pelo menos 5 (cinco) Conselheiros
efetivos, incluído o Presidente.

Art. 16. A lista tríplice a que se refere o art. 15 deste Regimento obedecerá, alternadamente, aos
critérios:
I - de antiguidade, hipótese em que a lista de Procuradores será elaborada pelo Procurador
Geral e a de Auditores, pelo Presidente do Tribunal, no prazo de 15 (quinze) dias da vacância;
II - de merecimento, hipótese em que o Presidente apresentará ao Tribunal Pleno os nomes dos
Auditores e Procuradores do Ministério Público junto ao Tribunal que satisfaçam os requisitos
constitucionais.
§ 1º Na hipótese do inciso II deste artigo, cada Conselheiro indicará, em votação secreta, três nomes,
se houver, de Auditores ou de Procuradores do Ministério Público junto ao Tribunal.
§ 2º Em caso de empate, será adotado o critério de antiguidade, nos termos do parágrafo único do art.
21 deste Regimento.
§ 3º Após a votação da lista tríplice pelo Tribunal Pleno, o Presidente a encaminhará ao Governador.

Art. 17. Os critérios para avaliação do merecimento, para fins do disposto no inciso II do art. 16 deste
Regimento, serão estabelecidos em resolução, observando-se, prioritariamente, a produtividade, a
qualidade do trabalho e as atividades especiais desenvolvidas no exercício do cargo.

Subseção V
DAS FÉRIAS E LICENÇAS

Art. 18. Os Conselheiros terão direito a férias após um ano de exercício.


§ 1º As férias do Conselheiro corresponderão, quanto à duração, às que a Lei Orgânica da Magistratura
Nacional assegura aos membros do Poder Judiciário.
§ 2º Não poderão gozar férias, simultaneamente, dois Conselheiros integrantes da mesma Câmara.

Art. 19. As férias poderão ser gozadas coletiva ou individualmente, conforme regulamentação em
resolução.
Parágrafo único. Não poderão gozar férias, simultaneamente, o Presidente e o VicePresidente do
Tribunal.

Art. 20. A licença e o afastamento serão concedidos pelo Presidente, nas hipóteses e termos previstos
em lei, quando não ultrapassar o prazo de um ano e, caso exceda esse período, deverão ser submetidos
ao Tribunal Pleno.
§ 1º Compete ao Tribunal Pleno a concessão de licença e afastamento ao Presidente do Tribunal.
§ 2º A concessão de licença e afastamento aos Conselheiros, incluído o Presidente, e aos Auditores
será regulamentada em ato normativo próprio.
Subseção VI
DA SUBSTITUIÇÃO

Art. 21. O Conselheiro será substituído, em caso de falta e de impedimento, pelo Auditor convocado
pelo Presidente do Tribunal Pleno ou das Câmaras, em regime de rodízio, observada a ordem de
antiguidade.

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Parágrafo único. A antiguidade no Tribunal será determinada:
I - pela data da posse;
II - pelo tempo de serviço público;
III - pela idade.

Art. 22. O Auditor, em substituição, exercerá a função de Conselheiro, sendo vedada sua participação
nas eleições de Presidente, Vice-Presidente e Corregedor do Tribunal.
Parágrafo único. Nas substituições, o Auditor terá os vencimentos do Conselheiro, salvo se convocado
pelo Presidente do respectivo Colegiado apenas para completar o quorum necessário à realização das
sessões.

CAPÍTULO II
DA ORGANIZAÇÃO

Art. 23. Integram a estrutura organizacional do Tribunal:


I - Tribunal Pleno;
II - Câmaras;
III - Presidência;
IV - Vice-Presidência;
V - Corregedoria;
VI - Ouvidoria;
VII - Auditoria;
VIII - Ministério Público junto ao Tribunal;
IX - Escola de Contas e
X - Serviços Auxiliares.
§ 1º São órgãos deliberativos o Tribunal Pleno e as Câmaras.
§ 2º Os Serviços Auxiliares terão as atribuições e especificações disciplinadas em resolução.
§ 3º O Tribunal poderá instituir comissões, de caráter permanente ou temporário, para a realização de
funções específicas, observando-se o disposto em resolução.
§ 4º Para auxiliar no desempenho de suas funções, o Tribunal poderá instalar unidades regionais em
cada uma das macrorregiões do Estado.

Seção I
DO TRIBUNAL PLENO

Art. 24. O Tribunal Pleno é o órgão máximo de deliberação, composto pelos 7 (sete) Conselheiros.
Parágrafo único. O Tribunal Pleno será presidido pelo Presidente do Tribunal e, nos seus
impedimentos, sucessivamente, pelo Vice-Presidente ou pelo Conselheiro mais antigo no exercício da
função.

Art. 25. Compete ao Tribunal Pleno:


I - emitir parecer prévio sobre as contas prestadas pelo Governador;
II - deliberar sobre licitações, de modo especial sobre editais e atas de julgamento, procedimentos de
dispensa e inexigibilidade, bem como sobre as contratações, nos casos em que o valor seja igual ou
superior a cem vezes o limite estabelecido no art. 23, inciso I, alínea c, da Lei Federal nº 8.666 de 21 de
junho de 1993;
III - deliberar sobre a legalidade da fiança e demais garantias contratuais em matéria de sua
competência;
IV - emitir parecer em consulta sobre matéria de sua competência, na forma estabelecida neste
Regimento;
V - emitir parecer, quando solicitado pela Assembleia Legislativa ou por Câmara Municipal, sobre
empréstimo e operação de crédito que o Estado ou Município realize;
VI - deliberar acerca da realização de fiscalizações, no âmbito de sua competência, e decidir sobre os
processos delas decorrentes;
VII - decidir sobre denúncia e representação em matéria de sua competência;
VIII - deliberar sobre prejulgados;
IX - julgar exceção de suspeição ou de impedimento de Conselheiro, Auditor e Procurador do Ministério
Público junto ao Tribunal;
X - expedir atos normativos no exercício do poder regulamentar do Tribunal;

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XI - prestar informações ao Poder Legislativo do Estado e dos Municípios, quando solicitadas,
observado o disposto no inciso XIV do art. 3º da Lei Complementar nº 102/2008;
XII - aprovar os enunciados da súmula de jurisprudência e fixar a orientação em casos de conflitos de
decisão;
XIII - emitir o alerta, nos termos do § 1º do art. 59 da Lei Complementar Federal nº 101/2000, sobre
matéria sujeita à sua competência;
XIV - fixar o valor das diárias de viagens dos membros e dos servidores do Tribunal;
XV - autorizar que se ausentem do país os Conselheiros, Auditores e Procuradores do
Ministério Público junto ao Tribunal, com direito ou não a vencimentos, conforme o caso;
XVI - representar ao Poder competente sobre irregularidade e abuso apurado, indicando o ato
inquinado e definindo responsabilidades;
XVII - deliberar sobre projeto de lei que o Tribunal deva encaminhar ao Poder Legislativo;
XVIII- eleger o Presidente, o Vice-Presidente e o Corregedor;
XIX - sortear, na última sessão ordinária do Tribunal Pleno de cada ano, o Conselheiro Relator, o
Revisor e o Auditor, para o acompanhamento da execução orçamentária das contas prestadas pelo
Governador, observado o princípio da alternância;
XX - deliberar sobre a lista tríplice, no caso de vaga de Conselheiro a ser provida por Auditor ou
Procurador do Ministério Público junto ao Tribunal, observados, alternadamente, os critérios de
antiguidade e merecimento;
XXI - deliberar acerca de processos administrativo-disciplinares envolvendo membros do
Tribunal;
XXII - dirimir as questões relativas à antiguidade no âmbito do Tribunal;
XXIII- deliberar sobre recurso ordinário;
XXIV- decidir sobre pedido de reexame e embargos de declaração apresentados contra suas próprias
deliberações, bem como sobre agravo interposto contra suas próprias decisões, decisão monocrática
proferida em matéria de sua competência originária e decisão de Câmara;
XXV- deliberar sobre os pedidos de rescisão;
XXVI- decidir sobre os recursos administrativos interpostos, pelos Conselheiros, Auditores,
Procuradores do Ministério Público junto ao Tribunal e pelos servidores do Tribunal.

Art. 26. Compete, ainda, ao Tribunal Pleno:


I- deliberar sobre matérias que lhe forem submetidas por decisão das Câmaras, em razão de sua
relevância, mediante proposição de Conselheiro, Auditor ou Procurador do Ministério Público junto ao
Tribunal;
II- apreciar assuntos administrativos que lhe forem submetidos pelo Presidente do Tribunal;
III- decidir sobre processos de competência das Câmaras, nos casos em que não houver voto
vencedor;
IV- julgar os processos de competência da Câmara e do Pleno no caso de apensamento por conexão;
V- apreciar, incidentalmente, a constitucionalidade das leis ou de atos do poder público.
Parágrafo único. Na hipótese do inciso I, a apreciação da matéria poderá ser rejeitada por maioria dos
membros do Tribunal Pleno.

Seção II
DAS CÂMARAS
Subseção I
DA COMPOSIÇÃO E FUNCIONAMENTO

Art. 27. O Tribunal divide-se em 2 (duas) Câmaras compostas cada uma por 3 (três) Conselheiros.
§ 1º Integram cada Câmara 2 (dois) Auditores, escolhidos pelo critério de sorteio.
§ 2º A composição da Câmara será renovada a cada 2 (dois) anos, coincidindo com a eleição do
Presidente, do Vice-Presidente e do Corregedor.
§ 3º Atua, obrigatoriamente, nas sessões das Câmaras, um representante do Ministério Público junto
ao Tribunal.

Art. 28. Os membros das Câmaras e os Auditores serão escolhidos por sorteio realizado na Sessão
do Tribunal Pleno em que ocorrer a eleição para Presidente, Vice-Presidente e Corregedor.
§ 1º A Primeira Câmara será presidida pelo Vice-Presidente e a Segunda Câmara, pelo Conselheiro
efetivo mais antigo no exercício do cargo, entre os seus membros.

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§ 2º O Presidente de Câmara será substituído, em suas ausências e impedimentos, pelo Conselheiro
efetivo mais antigo no exercício do cargo, entre os que dela fizerem parte.

Art. 29. Para o funcionamento e a deliberação da Câmara, é indispensável a presença do Presidente


ou de seu substituto e de mais 2 (dois) de seus membros, computando-se, para esse efeito, os Auditores
convocados em substituição e, excepcionalmente, os Conselheiros na forma prevista no § 3º. (Redação
dada pelo art. 1º da Resolução nº 21/2014, de 12/11/2014)
§ 1º O Presidente de cada Câmara convocará Auditor para completar o quorum, preferencialmente,
entre aqueles que a integram.
§ 2º O Auditor convocado para exercer as funções do cargo de Conselheiro em caso de vacância não
poderá funcionar na mesma Câmara em que atua.
§ 3º Se não for possível a convocação do Auditor, o Presidente do Tribunal, mediante solicitação do
Presidente da Câmara, poderá convocar qualquer dos Conselheiros que seja membro efetivo da outra
Câmara. (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 21/2014, de 12/11/2014)
§ 4º Os processos que demandarem a atuação de Auditores ou Conselheiros efetivos que integrem
outra Câmara serão apreciados no início da sessão para a qual ocorrer a convocação, observadas as
hipóteses dos §§ 1º e 2º do art. 85 deste Regimento. (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 21/2014, de
12/11/2014)

Art. 30. Os Auditores em atuação nas Câmaras presidem a instrução e relatam os processos que lhes
forem distribuídos com proposta de voto a ser apreciada pelos membros do respectivo Colegiado.
Parágrafo único. Consideram-se membros dos Colegiados os Conselheiros e os Auditores quando em
substituição ou quando designados para exercer as funções de Conselheiro em caso de vacância.

Art. 31. O Conselheiro empossado em virtude de vacância, ao entrar em exercício, será designado
membro da Câmara em que ocorreu a vaga.

Subseção II
DA COMPETÊNCIA DAS CÂMARAS

Art. 32. Compete às Câmaras:


I - emitir parecer prévio sobre as contas prestadas, anualmente, pelos Prefeitos;
II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiro, bens ou valores públicos,
bem como daqueles que derem causa à perda, extravio ou a outra irregularidade de que tenha resultado
prejuízo ao erário, excetuadas as de competência do Tribunal Pleno;
III - deliberar acerca dos atos de receita e despesa estaduais e municipais;
IV - emitir o alerta, nos termos no § 1º do art. 59 da Lei Complementar Federal nº 101/2000, sobre
matéria de sua competência;
V - deliberar sobre licitações, de modo especial sobre editais e atas de julgamento, procedimentos de
dispensa e inexigibilidade, bem como sobre as contratações, excetuados os casos previstos no inciso II
do art. 25 deste Regimento;
VI - fiscalizar o repasse e a aplicação de recurso referente a convênio, acordo, ajuste e instrumento
congênere;
VII - apreciar, para o fim de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título,
por órgão ou entidade da administração direta e indireta, estadual e municipal, excluídas as nomeações
para cargo de provimento em comissão ou função de confiança;
VIII - apreciar, para o fim de registro, a legalidade dos atos de concessão de aposentadoria, reforma e
pensão, ressalvadas as melhorias posteriores que não tenham alterado o fundamento legal do ato
concessório;
IX - decidir sobre denúncia e representação, em matéria de sua competência;
X - deliberar acerca da realização de fiscalizações, no âmbito de sua competência, e decidir sobre os
processos delas decorrentes;
XI - deliberar sobre a legalidade da fiança e demais garantias contratuais em matéria de sua
competência;
XII - decidir sobre pedido de reexame e embargos de declaração apresentados contra suas próprias
deliberações, bem como sobre agravo interposto contra decisão monocrática proferida em matéria de sua
competência;
XIII - deliberar sobre outras matérias não incluídas expressamente na competência do Tribunal Pleno.

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Parágrafo único. Nos atos de concessão de aposentadoria, reforma, pensão e nos atos de admissão
de pessoal, o Relator poderá determinar o registro se a informação e o parecer forem favoráveis, com a
expressa indicação de atendimento às disposições legais.

Art. 33. Cada Câmara conta com o apoio administrativo da Secretaria respectiva, que adotará as
providências necessárias para o seu correto funcionamento.

Art. 34. Mediante deliberação de dois terços de seus membros, o Tribunal poderá ser dividido em
Câmaras permanentes ou temporárias.

Subseção III
DA COMPETÊNCIA DO PRESIDENTE DE CÂMARA

Art. 35. Compete ao Presidente de Câmara, além de relatar os processos que lhe forem distribuídos:
I - convocar e presidir as sessões da respectiva Câmara;
II - proferir voto em todos os processos submetidos à deliberação da respectiva Câmara;
III - proclamar o resultado das votações;
IV - resolver questões de ordem;
V - convocar, se necessário, Auditor para substituir membro da Câmara, preferencialmente, entre os
que a integram;
VI - submeter as atas das sessões aos membros do Colegiado, para aprovação;
VII - comunicar ao Presidente do Tribunal, para a adoção das medidas cabíveis, as faltas cometidas
por patronos das partes, sem prejuízo das penas de advertência e afastamento do recinto, para fins do
disposto no inciso XVIII do art. 41 deste Regimento.
Parágrafo único. O impedimento ou a suspeição do Presidente não lhe retira a competência prevista
no inciso III do caput deste artigo.

Seção III
DA PRESIDÊNCIA, VICE-PRESIDÊNCIA E CORREGEDORIA
Subseção I
DA ELEIÇÃO E POSSE

Art. 36. O Tribunal elegerá, em escrutínio secreto, bienalmente, por maioria absoluta, o Presidente, o
Vice-Presidente e o Corregedor, sendo vedada a recondução.
§ 1º A eleição a que se refere o caput deste artigo ocorrerá na última sessão plenária do biênio, sendo
que dela participarão somente os Conselheiros efetivos, ainda que em gozo de férias ou licença.
§ 2º Na falta do quorum, deverá ser convocada nova sessão para esse fim.
§ 3º Serão utilizadas cédulas uniformes contendo o nome dos Conselheiros que poderão ser votados
para cada cargo, por ordem de antiguidade.
§ 4º Apurado o resultado, será proclamado em primeiro lugar o Presidente, e, logo após, o Vice-
Presidente e o Corregedor.
§ 5º Em caso de empate, será realizada, na mesma sessão, nova eleição.
§ 6º Na hipótese do parágrafo anterior, se, ainda assim, permanecer o empate, será considerado eleito
o Conselheiro mais antigo na função.

Art. 37. A posse do Presidente, do Vice-Presidente e do Corregedor eleitos será dada em sessão
solene, a ser realizada até o final do mês de fevereiro do ano subsequente à eleição. (Redação dada pelo
art. 1º da Resolução nº 15/2012, de 28/11/2012)
Parágrafo único. O Presidente, o Vice-Presidente e o Corregedor permanecerão no exercício das
respectivas funções até a posse de seus sucessores.

Art. 38. Além das hipóteses arroladas no art. 14 deste Regimento, dar-se-á a vacância se o eleito para
o cargo de Presidente, de Vice-Presidente e de Corregedor deixar de tomar posse, injustificadamente, na
data designada.
§ 1º Em caso de vacância da Presidência, da Vice-Presidência ou da Corregedoria, far-se-á nova
eleição, salvo se a vaga ocorrer nos 6 (seis) últimos meses do biênio, caso em que as substituições se
darão em conformidade com o disposto no art. 39 deste Regimento.

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§ 2º O Conselheiro que, nos termos do parágrafo anterior, assumir a função nos últimos 6 (seis) meses
do biênio, completará o tempo do mandato interrompido, sem prejuízo de seu direito de concorrer à
eleição prevista no art. 36 deste Regimento.
§3º Observado o disposto no §1º deste artigo, o Conselheiro eleito para completar o mandato em curso
será empossado na mesma sessão em que ocorrer a eleição, sendo vedada a sua recondução. (Redação
dada pelo art. 1º da Resolução nº 04/2012, de 25/04/2012)
§ 4º Ocorrendo a vacância do cargo de Corregedor, assumirá a função o Conselheiro efetivo mais
antigo em exercício no Tribunal que não esteja ocupando a Presidência ou a VicePresidência.
§ 5º Na hipótese de vacância, antes do término do mandato de seu titular e até a realização de nova
eleição, assumirá o cargo:
I - o Vice-Presidente, em caso de vacância do cargo de Presidente;
II - o Conselheiro mais antigo em exercício na função, em caso de vacância do cargo de Vice-
Presidente.
§ 6º A eleição a que se refere o § 5º deste artigo deverá ser convocada pelo Presidente em exercício
e realizada em até 15 (quinze) dias da declaração de vacância dos cargos.

Art. 39. O Presidente do Tribunal será substituído pelo Vice-Presidente e, na ausência ou no


impedimento deste, pelo Conselheiro mais antigo em exercício na função.
Parágrafo único. O Corregedor será substituído pelo Conselheiro mais antigo na função, que não esteja
no exercício da Presidência ou da Vice-Presidência.

Art. 40. O Conselheiro no exercício da Presidência do Tribunal fará jus à parcela de natureza
indenizatória de até 10% (dez por cento) do valor do subsídio. Subseção II

DA COMPETÊNCIA
DO PRESIDENTE

Art. 41. Compete ao Presidente, sem prejuízo de outras atribuições legais e regulamentares:
I - dirigir o Tribunal e seus serviços auxiliares;
II - determinar a realização de concursos públicos para provimento dos cargos de Auditor, de
Procurador do Ministério Público junto ao Tribunal e daqueles que compõem seu Quadro de Pessoal e
homologar os seus resultados;
III - dar posse aos Conselheiros, Auditores e Procuradores do Ministério Público junto ao Tribunal;
IV - dar posse ao Presidente eleito, que empossará o Vice-Presidente e o Corregedor;
V - dar posse e fixar a lotação dos servidores do Quadro de Pessoal do Tribunal;
VI - expedir atos de nomeação, admissão, exoneração, demissão, remoção, movimentação,
disponibilidade, dispensa, aposentadoria, atos de reconhecimento de direitos e vantagens e outros atos
relativos aos servidores do Quadro de Pessoal do Tribunal, nos termos da legislação em vigor;
VII - aplicar aos servidores do Quadro de Pessoal do Tribunal as penalidades cabíveis decorrentes de
processos administrativo-disciplinares;
VIII - comunicar férias dos Conselheiros, conceder férias aos Auditores e aos Procuradores do
Ministério Público junto ao Tribunal, expedir atos de reconhecimento de direitos e vantagens e conceder
licença, por prazo não excedente a um ano, aos Conselheiros, Auditores e Procuradores do Ministério
Público junto ao Tribunal, nos termos e casos previstos em lei;
IX - expedir ato de nomeação e de exoneração de ocupante de cargo de provimento em comissão;
X - conceder licença, férias e outros afastamentos legais aos detentores de cargo de provimento em
comissão;
XI - ceder servidores a outro órgão, nos termos da legislação em vigor;
XII - autorizar que servidor do Tribunal se ausente do país, com ou sem vencimento;
XIII - convocar e presidir as sessões do Tribunal Pleno; relatar a suspeição oposta a Conselheiro, a
Auditor e a Procurador do Ministério Público junto ao Tribunal;
XIV - votar em enunciado de súmula, uniformização de jurisprudência, consulta, prejulgado e projeto
de ato normativo, bem como para completar o quorum;
XV - proferir voto de desempate, salvo se houver votado para completar o quorum;
XVI - designar intérprete, quando necessário;
XVII - comunicar à Ordem dos Advogados do Brasil as faltas cometidas por patronos das partes, sem
prejuízo das penas de advertência e afastamento do recinto;

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XVIII - mandar riscar expressões consideradas injuriosas às partes em processos de seu conhecimento
ou devolver peças em que se tenha feito crítica desrespeitosa à autoridade ou a membro ou a servidor
do Tribunal;
XIX - remeter ao Poder Legislativo processo referente a contrato impugnado pelo Tribunal;
XX - encaminhar ao Poder competente a proposta orçamentária do Tribunal, diretamente ou mediante
delegação;
XXI - requisitar os recursos financeiros correspondentes aos créditos orçamentários, incluídos os
créditos suplementares e especiais destinados ao Tribunal, que lhe serão entregues em duodécimos até
o dia 20 (vinte) de cada mês;
XXII - submeter ao Tribunal Pleno as propostas relativas a projetos de lei que devam ser encaminhadas
ao Poder Legislativo;
XXIII - mandar coligir documentos e provas para verificação de crime de responsabilidade decorrente
de atos sujeitos à apreciação do Tribunal;
XXIV - encaminhar representação ao Poder competente sobre irregularidades e abusos verificados no
exercício do controle externo;
XXV - decidir sobre requerimentos referentes a processos findos;
XXVI - determinar a adoção das medidas necessárias à restauração ou à reconstituição de autos;
XXVII - ordenar a expedição de certidões de processos e documentos que se encontrem no Tribunal,
salvo os de caráter sigiloso;
XXVIII - apresentar ao Tribunal Pleno a prestação de contas anual e os relatórios de atividades e
encaminhá-los à Assembleia Legislativa;
XXIX - assinar e publicar o Relatório de Gestão Fiscal exigido pelo art. 54 da Lei Complementar Federal
nº 101/2000;
XXX - aprovar e dar cumprimento ao plano anual de fiscalização elaborado pelas unidades técnicas;
XXXI - ordenar a realização de inspeções e auditorias in loco;
XXXII - presidir os procedimentos de distribuição e redistribuição de processos e documentos;
XXXIII - designar o Ouvidor, dentre os membros do Tribunal, Auditores, Procuradores do
Ministério Público junto ao Tribunal ou servidores;
XXXIV - submeter ao Tribunal Pleno o relatório anual das atividades do Ouvidor;
XXXV - constituir comissões e designar seus membros, exceto as de sindicância e de processo
administrativo disciplinar;
XXXVI - elaborar a lista tríplice de Auditores, segundo o critério de antiguidade, no caso de provimento
de vaga de Conselheiro, observado o disposto no art. 18 da Lei Complementar nº 102/2008;
XXXVII - encaminhar ao Governador a lista tríplice de Auditores e de Procuradores do Ministério
Público junto ao Tribunal para provimento de vaga de Conselheiro, segundo o critério de antiguidade,
observado o disposto no art. 18 da Lei Complementar nº 102/2008;
XXXVIII - apresentar ao Tribunal Pleno os nomes dos Auditores e dos Procuradores do Ministério
Público junto ao Tribunal que satisfaçam os requisitos constitucionais, para preenchimento de vaga de
Conselheiro segundo o critério de merecimento;
XXXIX - submeter ao Tribunal Pleno os relatórios semestrais de acompanhamento da execução das
decisões apresentados pelo Ministério Público junto ao Tribunal, com a indicação das providências
adotadas;
XL - decidir sobre conflitos de competência, ouvido o Tribunal Pleno, se necessário;
XLI - exercer o juízo de admissibilidade das representações e das denúncias;
XLII - representar o Tribunal perante os Poderes da União, dos Estados e Municípios e demais
organizações;
XLIII - dar ciência ao Tribunal Pleno dos expedientes de interesse geral recebidos dos Poderes da
União, Estado e Municípios ou de quaisquer outras entidades;
XLIV - cumprir e fazer cumprir as decisões do Tribunal Pleno;
XLV - convocar Auditor para substituição de Conselheiro, nos termos do parágrafo único do art. 14 e
do art. 21 deste Regimento;
XLVI - fixar a jornada de trabalho dos servidores do Tribunal.
Excluído o inciso XLVII da redação original.
XLVII - relatar os processos que estão em secretaria para inclusão em pauta;(Incluído pelo art. 1º da
Resolução nº 18/2010, de 01/12/2010); (Revogado pelo art. 3º da Resolução nº 22/2014, de 12/11/2014)
XLVIII - votar em processos em que lhe foi concedida vista antes da sua posse. (Incluído pelo art. 1º
da Resolução nº 18/2010, de 01/12/2010); (Revogado pelo art. 3º da Resolução nº 22/2014, de
12/11/2014)

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§ 1º Consideram-se processos findos, para efeito do disposto neste Regimento, em especial no inciso
XXVI deste artigo, aqueles em que houver decisão definitiva transitada em julgado cujos autos tenham
sido baixados em arquivo.
§ 2º O Presidente do Tribunal, no exercício de suas atribuições, deliberará por:
I - despacho;
II - portaria;
III - ordem de serviço.

Art. 42. Dos atos e decisões administrativas do Presidente caberá recurso administrativo ao Tribunal
Pleno, no prazo e forma estabelecidos em resolução.

Subseção III
DA COMPETÊNCIA DO VICE-PRESIDENTE

Art. 43. Compete ao Vice-Presidente:


I - substituir o Presidente em seus impedimentos, ausências, férias ou outro afastamento legal e
sucedê-lo, no caso de vacância, observado o disposto no § 1º do art. 38 deste Regimento, exercendo as
suas próprias funções, cumulativamente;
II - presidir a Primeira Câmara;
III - relatar suspeição oposta ao Presidente, quando não reconhecida de ofício;
IV - coordenar os trabalhos da comissão de jurisprudência e súmulas;
V - dirigir a Revista do Tribunal de Contas e designar Auditor para exercer a função de ViceDiretor.

Subseção IV
DA COMPETÊNCIA DO CORREGEDOR

Art. 44. Compete ao Corregedor, além das funções de Conselheiro e de outras previstas em lei e
resolução:
I - organizar e dirigir os serviços da Corregedoria;
II - orientar os servidores do Tribunal para o fiel cumprimento dos deveres e obrigações legais e
regulamentares no exercício de suas funções;
III - verificar a fiel execução das atividades e o cumprimento dos deveres e das obrigações legais e
regulamentares dos órgãos do Tribunal, mediante realização de correições e solicitação de informações;
IV - efetuar o planejamento anual da atividade correcional, encaminhando-o ao Presidente e
Conselheiros para conhecimento;
V - acompanhar o cumprimento dos prazos fixados constitucionalmente em lei e neste Regimento,
divulgando relatórios, trimestralmente, incluído o Portal do Tribunal na internet;
VI - instaurar e presidir processo administrativo-disciplinar envolvendo Conselheiros, desde que
autorizado pelo Tribunal Pleno, ou servidores do Tribunal, bem como a sindicância que o preceder, se for
o caso;
VII - designar os membros das comissões de sindicância e de processo administrativodisciplinar e
propor à Presidência a aplicação das penalidades e medidas corretivas cabíveis, na forma da lei;
VIII - relatar processos de denúncias e representações relativos à atuação de servidores do
Tribunal;
IX- disponibilizar os dados constantes nos relatórios estatísticos, relativos às atividades desenvolvidas
pelo Tribunal, e promover as respectivas publicações, trimestral e anualmente, no Diário Oficial de
Contas, se for o caso, e no Portal do Tribunal na internet; (Redação dada pelo art. 25 da Resolução nº
10/2010, de 30/06/2010)
X - elaborar, manter atualizado e difundir o Código de Ética dos Servidores aprovado pelo Tribunal
Pleno;
XI - fazer comunicação circunstanciada ao Tribunal Pleno ou ao Presidente, conforme o caso,
propondo as providências que julgar necessárias, quando, no exercício de suas atribuições, constatar
quaisquer irregularidades.
Parágrafo único. O Corregedor apresentará ao Tribunal, anualmente, relatório circunstanciado dos
serviços realizados, procedendo da mesma forma quando deixar o cargo.

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Seção IV
DA OUVIDORIA

Art. 45. A Ouvidoria tem por finalidade contribuir para o aprimoramento da gestão das ações de controle
do Tribunal, atuando na defesa da legalidade, legitimidade, economicidade, moralidade, impessoalidade,
publicidade, eficiência dos atos administrativos praticados por agentes, servidores e administradores
públicos, bem como dos demais princípios aplicáveis à Administração Pública.
Parágrafo único. A Ouvidoria objetiva, ainda, receber sugestão de aprimoramento, crítica, reclamação
ou informação a respeito dos serviços prestados pelo Tribunal.

Art. 46. O Ouvidor será designado pelo Presidente do Tribunal, dentre seus membros, Auditores,
Procuradores do Ministério Público junto ao Tribunal ou servidores e exercerá as funções típicas por 2
(dois) anos, vedada a recondução.
Parágrafo único. O Ouvidor exercerá suas funções pelo tempo a que se refere o caput, salvo se o
mandato do Presidente se encerrar em data anterior.

Art. 47. O Ouvidor deverá encaminhar ao Presidente do Tribunal, anualmente, relatório circunstanciado
de suas atividades, procedendo da mesma forma quando deixar o cargo.

Art. 48. O funcionamento da Ouvidoria será regulamentado em resolução do Tribunal.

Seção V
DA AUDITORIA

Art. 49. Os Auditores, em número de quatro, serão nomeados pelo Governador dentre cidadãos
brasileiros que sejam detentores de diploma de curso superior, satisfaçam os requisitos exigidos para o
cargo de Conselheiro e tenham sido aprovados em concurso público de provas e títulos, observada a
ordem de classificação.
Parágrafo único. Os Auditores tomarão posse perante o Presidente do Tribunal.

Art. 50. O Auditor tem os mesmos impedimentos e garantias do Juiz de Direito da entrância mais
elevada na organização judiciária do Estado e, quando em substituição a Conselheiro, as mesmas
garantias e impedimentos deste.

Art. 51. Os Auditores terão direito a férias, após um ano de efetivo exercício no cargo, que
corresponderão, quanto à duração, às estabelecidas no art. 152 da Lei Estadual nº. 869/1952.
Parágrafo único. Não poderá estar em férias, simultaneamente, mais de 1 (um) Auditor de cada
Câmara, exceto nos períodos estabelecidos para férias coletivas de Conselheiros.

Art. 52. O Auditor somente pode aposentar-se com as vantagens do cargo quando o tiver efetivamente
exercido no Tribunal por 5 (cinco) anos e cumprido o tempo mínimo de 10 (dez) anos de efetivo exercício
no serviço público.

Art. 53. Aos Auditores aplicam-se as mesmas causas de impedimento e suspeição a que se submetem
os Conselheiros.
Parágrafo único. Os Auditores não poderão exercer funções nos serviços auxiliares do Tribunal,
ressalvada a de Vice-Diretor da Revista e a participação em comissões internas temporárias, a critério do
Presidente.

Art. 54. Compete ao Auditor:


I - substituir o Conselheiro em suas ausências e impedimentos, quando convocado pelo
Presidente do Tribunal ou de suas Câmaras;
II - exercer, no caso de vacância, quando convocado pelo Presidente do Tribunal, as funções do cargo
de Conselheiro até novo provimento, observado o critério estabelecido no parágrafo único do art. 265 da
Constituição do Estado;
III - compor quorum das sessões, mediante convocação dos Presidentes dos respectivos Órgãos
Colegiados;

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IV - atuar junto à Câmara do Tribunal para a qual for sorteado, presidindo a instrução dos processos
que lhe forem distribuídos e relatando-os com proposta de voto, por escrito, a ser apreciada pelos
membros do respectivo Colegiado;
V - emitir parecer conclusivo no processo de prestação de contas do Governador. (Redação dada pelo
art. 3º da Resolução nº 01/2011, de 16/02/2011)
VI - desempenhar outras atribuições por determinação do Presidente ou do Tribunal Pleno.

Seção VI
DO MINISTÉRIO PÚBLICO JUNTO AO TRIBUNAL

Art. 55. O Ministério Público junto ao Tribunal compõe-se de quatro Procuradores nomeados pelo
Governador, cujo provimento observará as regras previstas na Constituição da República e na
Constituição do Estado.
Parágrafo único. Ao Ministério Público junto ao Tribunal aplicam-se os princípios institucionais da
unidade, da indivisibilidade e da independência funcional.

Art. 56. O ingresso na carreira far-se-á no cargo de Procurador, mediante concurso público de provas
e títulos, assegurada a participação da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Minas Gerais, em sua
realização, exigindo-se do bacharel em Direito, no mínimo, três anos de atividade jurídica e observando-
se, nas nomeações, a ordem de classificação.

Art. 57. Aos membros do Ministério Público junto ao Tribunal aplicam-se as disposições da Seção I do
Capítulo IV do Título IV da Constituição da República pertinentes a direitos, vedações e forma de
investidura e, subsidiariamente, no que couber, o disposto na Lei Orgânica do Ministério Público do
Estado de Minas Gerais, na parte relativa a direitos, garantias, prerrogativas, vedações e regime
disciplinar.

Art. 58. O Governador escolherá o Procurador Geral do Ministério Público junto ao Tribunal, dentre
aqueles indicados em lista tríplice elaborada e composta pelos integrantes da carreira, e o nomeará para
mandato de dois anos, permitida uma recondução, nos termos do § 5º do art. 77 da Constituição Estadual.
Parágrafo único. A lista tríplice será encaminhada ao Governador, bienalmente, até o dia 10 do mês
de dezembro.

Art. 59. O Procurador Geral fará jus à parcela de natureza indenizatória de até 5% (cinco por cento)
do valor do subsídio.

Art. 60. Em caso de vacância, ausência e impedimento, o Procurador Geral será substituído pelos
Procuradores, observado o disposto no § 2º do art. 31 da Lei Complementar nº 102/08 e em ato normativo
do Ministério Público junto ao Tribunal.
§ 1º No caso de vacância, deverá ser elaborada nova lista tríplice, em 15 (quinze) dias após o fato,
observado o disposto no caput do art. 58 deste Regimento, salvo se a vaga ocorrer nos 6 (seis) últimos
meses do biênio, caso em que as substituições se darão em conformidade com o disposto no caput deste
artigo.
§ 2º O Procurador, nas substituições a que se refere o caput deste artigo, terá direito ao acréscimo
previsto no art. 59 deste Regimento, proporcional ao período de substituição.

Art. 61. Compete ao Ministério Público junto ao Tribunal, em sua missão de guarda da lei e fiscal de
sua execução:
I - promover a defesa da ordem jurídica requerendo, perante o Tribunal, as medidas de interesse da
Justiça, da administração e do erário;
II - comparecer às sessões do Pleno e das Câmaras e dizer de direito, verbalmente ou por escrito, em
todos os assuntos sujeitos à decisão do Tribunal;
III - promover perante a Advocacia Geral do Estado ou, conforme o caso, perante as procuradorias dos
Municípios, as medidas necessárias à execução das decisões do Tribunal, remetendo-lhes a
documentação e as instruções necessárias;
IV - acompanhar a execução das decisões do Tribunal a que se refere o inciso III;
V - adotar as medidas necessárias ao arresto dos bens dos responsáveis julgados em débito, quando
solicitado pelo Tribunal;

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VI - acionar o Ministério Público competente para a adoção das medidas legais cabíveis e acompanhar
as providências porventura adotadas;
VII - representar ao Procurador Geral de Justiça para ajuizamento de ação direta de
inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais e municipais, em face da Constituição do
Estado, e ao Procurador Geral da República, em face da Constituição Federal;
VIII - interpor os recursos previstos na Lei Complementar nº 102/2008;
a) - manifestar-se, de forma conclusiva, mediante parecer escrito, nos seguintes processos contas
anuais do Governador e dos Prefeitos Municipais; (Redação dada pelo art. 1º da Resolução nº 07/2009,
de 01/07/2009)
b) tomadas ou prestações de contas;
c) atos de admissão de pessoal e de concessão de aposentadoria, reforma e pensão;
d) denúncias e representações, na forma deste Regimento;
e) recursos, exceto embargos de declaração e agravos;
f) incidentes de uniformização de jurisprudência;
g) inspeções e auditorias. (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 07/2009, de 01/07/2009)
X - elaborar seu Regimento Interno;
XI - solicitar a rescisão das decisões definitivas do Tribunal Pleno e das Câmaras.
Excluído o inciso XII.
§ 1º (Revogado pelo art. 5º da Resolução nº 07/2009, de 01/07/2009)
§ 2º Para o exercício da competência prevista no inciso IV do caput deste artigo, o Ministério Público
junto ao Tribunal elaborará e apresentará ao Tribunal relatórios semestrais de acompanhamento da
execução das decisões, indicando as providências adotadas.
§ 3º Nos processos de fiscalização de concursos públicos e naqueles originados de denúncias e
representações, será dada oportunidade de manifestação preliminar ao Ministério Público junto ao
Tribunal, antes da citação, na qual, querendo, poderá apresentar apontamentos complementares às
irregularidades indicadas pela unidade técnica do Tribunal. (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 07/2009,
de 01/07/2009)
§ 4º Quando da elaboração do parecer escrito conclusivo a que se refere o inciso IX deste artigo,
verificando o Ministério Público junto ao Tribunal a ocorrência de irregularidades que não constaram do
relatório da unidade técnica, estas deverão ser objeto de instrumento em apartado, no exercício da
competência descrita no inciso I deste artigo. (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 07/2009, de
01/07/2009)
Subseção I
DO PROCURADOR GERAL

Art. 62. Compete ao Procurador Geral, além de outras atribuições legais e regulamentares:
I - comparecer às sessões do Tribunal Pleno;
II - organizar e dirigir os serviços do Ministério Público junto ao Tribunal;
III - designar os Procuradores para participarem das sessões das Câmaras;
IV - expedir ofícios no exercício das atribuições do Ministério Público junto ao Tribunal;
V - encaminhar à Presidência do Tribunal os relatórios a que se refere o SS 2º do art. 61 deste
Regimento;
VI - elaborar e encaminhar à Presidência do Tribunal a lista tríplice de Procuradores para provimento
de vaga de Conselheiro, segundo o critério de antiguidade, observado o disposto no art. 18 da Lei
Complementar nº 102/2008;
VII - encaminhar ao Presidente do Tribunal o nome dos Procuradores que satisfaçam os requisitos
constitucionais, para preenchimento de vaga de Conselheiro, segundo o critério de merecimento.
Parágrafo único. A competência prevista no inciso I deste artigo poderá ser delegada aos
Procuradores.

Art. 63. O Ministério Público junto ao Tribunal, para o desempenho de suas atribuições constitucionais
e legais, contará com Secretaria composta por servidores designados pelo Presidente do Tribunal.

Seção VII
DA ESCOLA DE CONTAS

Art. 64. A Escola de Contas destina-se a promover ações de capacitação e desenvolvimento


profissional dos servidores do Tribunal, bem como difundir conhecimentos aos gestores públicos, de
forma a contribuir para a efetividade do exercício do controle externo.

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Art. 65. A Escola de Contas terá suas atribuições, estrutura e organização regulamentadas em
resolução.

TÍTULO III
DO FUNCIONAMENTO DO TRIBUNAL
CAPÍTULO I
DAS SESSÕES

Art. 66. O Tribunal Pleno e as Câmaras funcionarão com a composição que este Regimento determinar
e deliberarão, salvo disposição especial, por maioria dos votos.
Parágrafo único. As sessões do Tribunal Pleno e das Câmaras serão realizadas em dias úteis, entre 8
(oito) e 18 (dezoito) horas, conforme regulamentado em resolução específica.

Art. 67. Além das sessões ordinárias, o Tribunal poderá realizar sessões extraordinárias e solenes.
§ 1º As sessões extraordinárias, declarada sua finalidade, serão convocadas pelo Presidente do
respectivo Colegiado, com antecedência mínima de 48 (quarenta e oito) horas, salvo motivo relevante.
§ 2º As sessões solenes, convocadas pelo Presidente do Tribunal, terão por finalidade dar posse aos
Conselheiros, ao Presidente, ao Vice-Presidente e ao Corregedor, prestar homenagens, comemorar
datas e acontecimentos relevantes, entre outros eventos que mereçam igual distinção.

Art. 68. Nas sessões, o Conselheiro a quem couber a Presidência tem assento especial de frente para
os demais integrantes do Colegiado, tendo, à direita, o representante do Ministério Público junto ao
Tribunal e, à esquerda, o Secretário do Pleno ou da Câmara.
§ 1º Em semicírculo, de frente para o Presidente, têm assento no Tribunal Pleno os Conselheiros, por
ordem de antiguidade, a contar da esquerda para a direita.
§ 2º Nas Câmaras, observar-se-á o mesmo critério do parágrafo anterior, seguindo-se, após os
Conselheiros, os Auditores que nelas atuarem, por ordem de antiguidade.

Art. 69. Nenhuma sessão poderá ser realizada sem a presença do representante do Ministério Público
junto ao Tribunal, facultada nas sessões solenes.

Art. 70. A sessão e a votação, ordinariamente públicas, serão secretas se a lei assim o dispuser ou em
virtude de decisão da maioria absoluta de seus membros, por motivo de sigilo.
§ 1º Na sessão secreta, somente permanecerão no recinto os Conselheiros, os Auditores e o
representante do Ministério Público junto ao Tribunal que nela atuarem, as partes e seus procuradores,
observado o disposto no § 6º do art. 191 deste Regimento, e os servidores considerados imprescindíveis.
§ 2º Nas sessões, poderá o Presidente mandar retirar do recinto os que atentarem contra o decoro e
a ordem dos trabalhos.

Art. 71. Os procuradores das partes inscritos para sustentação oral manifestar-se-ão em tribuna
especial.

Seção I
DO QUORUM

Art. 72. As sessões do Tribunal Pleno serão abertas com o quórum mínimo de 4 (quatro) Conselheiros
efetivos, incluído o Presidente, à hora regulamentar.

Art. 73. As sessões das Câmaras serão abertas, à hora regulamentar, com quórum de 3 (três)
Conselheiros, efetivos ou substitutos, sendo idêntico o quórum para deliberação, observado o disposto
no art. 29 deste Regimento. (Redação dada pelo art. 1º da Resolução nº 21/2013, de 11/12/2013)

Art. 74. O prazo máximo de tolerância para início da sessão é de 15 (quinze) minutos, findo o qual,
não havendo quorum, o Presidente determinará a lavratura de termo circunstanciado, ficando transferida
para a sessão imediata a matéria constante da pauta.

Art. 75. Iniciada a sessão, os Conselheiros, os Auditores integrantes da Câmara e o Procurador do


Ministério Público junto ao Tribunal não poderão retirar-se do recinto sem permissão do Presidente.

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Art. 76 Será observado, para efeito de deliberação do Tribunal Pleno, o quórum mínimo de cinco
Conselheiros, ressalvadas as hipóteses previstas neste Regimento e na Lei Orgânica deste Tribunal.
(Redação dada pelo art. 2º da Resolução nº 21/2013, de 11/12/2013)
Parágrafo único. No cômputo do quórum mínimo de deliberação serão considerados os
Auditores que estiverem substituindo Conselheiro ou exercendo as funções do cargo de Conselheiro,
nos termos dos incisos I e II do art. 54 deste Regimento. (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 21/2013,
de 11/12/2013)

Seção II
DA PAUTA E DA ATA

Art. 77. As pautas das sessões serão organizadas pelos Secretários do Tribunal Pleno ou das
Câmaras, conforme o caso, sob a supervisão dos respectivos Presidentes.
§ 1º A pauta será publicada no Diário Oficial de Contas com antecedência mínima de 48 (quarenta e
oito) horas antes da sessão e valerá como intimação às partes e a seus procuradores. (Redação dada
pelo art. 25 da Resolução nº 10/2010, de 30/06/2010)
§ 2º Se houver erro na publicação da pauta, sua retificação será realizada pelo mesmo meio com
antecedência mínima de 24 (vinte e quatro) horas.
§ 3º Para efeito de inclusão em pauta, o Relator deverá disponibilizar o relatório, em meio eletrônico,
procedendo ao encaminhamento do respectivo processo ao setor competente, com antecedência mínima
de 5 (cinco) dias úteis, contados da sua publicação, podendo remeter, no mesmo prazo, o voto ou
proposta de voto.
§ 4º As Secretarias das Câmaras e do Pleno disponibilizarão aos Conselheiros e Auditores integrantes
dos respectivos Colegiados, bem como aos membros do Ministério Público junto ao Tribunal, por meio
eletrônico, no dia da publicação da pauta, os relatórios dos processos.
§ 5º Nenhuma matéria será submetida à apreciação do Colegiado sem prévia inclusão em pauta, salvo
medidas cautelares, ratificação de decisões monocráticas em suspensão liminar de licitação, em especial,
na hipótese prevista no art. 264, § 1º, deste Regimento, ratificação de decisões monocráticas em
suspensão liminar de concurso público, e embargos de declaração.
§ 6º. (Revogado pelo art. 5º da Resolução nº 07/2009, de 01/07/2009)
§ 7º Iniciada a discussão da matéria e ocorrendo a retirada do processo de pauta, as respectivas notas
taquigráficas deverão ser juntadas aos autos.
§ 8º Na hipótese do parágrafo anterior, o processo deverá ser incluído, novamente, em pauta para
apreciação em até três sessões subsequentes, salvo motivo de força maior ou justificativa de ordem
técnica.

Art. 78. Constarão da pauta, observada a ordem de antiguidade dos Relatores, inicialmente, os nomes
dos Conselheiros e a seguir dos Auditores, os números dos processos, e a sua natureza, os nomes das
partes e de seus procuradores, se advogado, com o número de inscrição na Ordem dos Advogados do
Brasil.
Parágrafo único. (Revogado pelo art. 1º da Resolução nº 15/2013, de 16/10/2013)

Art. 79. Terminada a sessão, será lavrada a respectiva ata, dela constando:
I - hora, dia, mês e ano da abertura e do encerramento;
II - nome do Conselheiro que a presidiu;
III - nomes, pela ordem de antiguidade, dos Conselheiros e Auditores, do representante do
Ministério Público junto ao Tribunal e do Secretário presentes;
IV - nomes dos Conselheiros e Auditores que não compareceram, com ou sem justificativa;
V - processos apreciados, indicando-se, além dos números, os nomes do Relator e do Revisor se
houver, a natureza, os nomes das partes e de seus procuradores e a súmula da decisão, com indicação
dos votos vencedores e vencidos, e as declarações de impedimento e suspeição;
VI - as matérias extra-pauta.
§ 1º A ata deverá ser assinada pelo Conselheiro que preside a sessão de sua discussão e votação e
pelo Secretário do Pleno ou da Câmara, conforme o caso.
§ 2º A ata será publicada no Diário Oficial de Contas e no Portal do Tribunal na internet. (Redação
dada pelo art. 25 da Resolução nº 10/2010, de 30/06/2010)

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Seção III
DA ORDEM DOS TRABALHOS

Art. 80. À hora regulamentar, o Presidente verificará a existência de quorum para início da sessão,
observando-se o disposto nos arts. 72 a 74 deste Regimento.
§ 1º Constatada a ausência de Conselheiro, o Presidente convocará Auditor para participar da sessão.
(Incluído pelo art. 3º da Resolução nº 21/2013, de 11/12/2013)
§ 2º Havendo número legal, passar-se-á à discussão e votação da ata da sessão anterior, podendo
ser dispensada sua leitura se já tiver sido publicada no Diário Oficial de Contas. (Incluído pelo art. 3º da
Resolução nº 21/2013, de 11/12/2013)

Art. 81. Após a votação da ata, serão apreciados os processos constantes da pauta, respeitada a
ordem de antiguidade dos Relatores, salvo o pedido de preferência deferido pelo
Presidente, formulado oralmente no início da sessão, e a hipótese prevista no § 4º do art. 29 deste
Regimento. (Redação dada pelo art. 1º da Resolução nº 21/2014, de 12/11/2014)

Art. 82. O Conselheiro impedido ou suspeito não poderá participar de discussão, nem votar a matéria,
devendo ser observado o disposto no § 1º do art. 29 deste Regimento.

Art. 83. Após o relatório e antes de iniciada a votação, o representante do Ministério Público junto ao
Tribunal poderá usar da palavra a seu pedido, para prestar esclarecimentos, alegar ou requerer o que
julgar oportuno.
§ 1º O parecer verbal ou escrito, a que se refere o inciso II do art. 61 deste Regimento, será produzido
até o momento da sessão, antes de o Relator apresentar o seu voto.
§ 2º Durante a sessão, o Conselheiro ou o Auditor Relator poderá solicitar a audiência do Ministério
Público junto ao Tribunal.

Art. 84. Nos casos em que o Ministério Público junto ao Tribunal for parte no processo, após a leitura
do relatório será concedida a palavra primeiramente ao Procurador e, em seguida, aos representantes
das partes para sustentação oral, se for o caso.

Art. 85. Nas sessões ordinárias do Tribunal Pleno e das Câmaras, a apreciação dos processos
observará a seguinte ordem:
I - processos constantes da pauta adiada, quando houver;
II - processos constantes da pauta; III - matérias extra-pauta.
§ 1º A ordem prevista no caput deste artigo poderá ser invertida, a critério do Presidente ou por
solicitação de Conselheiro ou Auditor Relator, por motivo relevante ou conveniência do serviço. § 2º
Terão preferência, na apreciação, os processos em que haja requerimento para sustentação oral.

Art. 86. O Presidente declarará encerrada a sessão após o término dos trabalhos e fará a convocação
para a próxima sessão.

Seção IV
DA DELIBERAÇÃO

Art. 87. Após a leitura do relatório e da sustentação oral das partes, se houver, nos termos do art. 191
deste Regimento, será iniciada a votação.

Art. 88. As questões preliminares ou prejudiciais serão julgadas antes do mérito, deste não se
conhecendo se incompatível com a decisão daquelas.

Art. 89. Sempre que o objeto da decisão puder ser decomposto em questões ou parcelas distintas,
cada uma será votada separadamente, desde que assim o decida, em preliminar, o respectivo Colegiado.

Art. 90. Processos conexos serão objeto de um só julgamento, fazendo-se o apensamento devido, a
critério do Relator, observado o disposto nos arts. 156 e 157 deste Regimento.

Art. 91. Processos que versem sobre a mesma questão, e que apresentem aspectos peculiares,
poderão ser julgados conjuntamente.

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Art. 92. Poderá o Tribunal, por proposta fundamentada do Presidente da Sessão, de Conselheiro,
Auditor ou Procurador do Ministério Público junto ao Tribunal, sobrestar a apreciação de processo por
motivo relevante que possa influenciar sua apreciação, para determinar medidas saneadoras, quando
forem insuficientes os elementos de convicção sobre questões preliminares ou de mérito.

Art. 93. Proferido o voto ou a proposta de voto pelo Relator, qualquer Conselheiro poderá pedir vista
do processo, observada a ordem de votação prevista no art. 99 deste Regimento. (Redação dada pelo
art. 1º da Resolução nº 22/2014, de 12/11/2014)
§ 1º Após elaboração das notas taquigráficas, no prazo máximo de 7 (sete) dias, contados da data da
sessão, o processo será remetido à Secretaria competente que o encaminhará ao Conselheiro que pediu
vista, certificando a data do encaminhamento, para contagem do prazo de até 30 (trinta) dias para nova
inclusão em pauta.
§ 2º Ao final do prazo de 30 (trinta) dias, a Secretaria competente incluirá o processo, automaticamente,
na pauta da sessão subsequente, adotando as providências necessárias à respectiva publicação, salvo
se o Conselheiro determinar a inclusão em prazo menor.
§ 3º Não será admitido pedido de vista nos casos de apreciação de proposta de reforma do Regimento
Interno e de medidas cautelares, devendo o Relator, neste último caso, encaminhar aos membros do
Colegiado e do Ministério Público junto ao Tribunal o relatório, para conhecimento da matéria, antes da
realização da sessão.

Art. 94. O Conselheiro substituto que pedir vista de processo será convocado pelo Presidente do
Colegiado para proferir seu voto, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do artigo anterior. (Revogado pelo
art. 3º da Resolução nº 22/2014, de 12/11/2014)

Art. 94-A. A Câmara na qual a apreciação do processo houver sido iniciada fica preventa para a
deliberação final, quando interrompida a votação em decorrência de pedido de vista, ainda que o Relator
ou o autor do pedido não mais a integre. (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 22/2014, de 12/11/2014)
§ 1º O disposto neste artigo aplica-se ao Auditor convocado em decorrência de qualquer uma das
hipóteses previstas nos incisos I a III do art. 54 deste Regimento. (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº
22/2014, de 12/11/2014)
§ 2º A Secretaria da Câmara comunicará o Relator e o Conselheiro que já proferiu voto, caso não mais
integrem o Colegiado prevento, da reinclusão do processo em pauta, para que, caso queiram, participem
do prosseguimento da votação e exerçam, se for o caso, a prerrogativa prevista no art. 102 deste
Regimento. (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 22/2014, de 12/11/2014)
§ 3º Não se aplica o disposto no § 2º aos casos em que o Relator ou o Conselheiro que proferiu voto
encontrar-se afastado ou inequivocamente impossibilitado de comparecer à sessão de julgamento.
(Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 22/2014, de 12/11/2014)
§ 4º Fica automaticamente cancelado o pedido de vista, quando houver vacância do cargo do
Conselheiro que o formulou, sem que tenha proferido o seu voto. (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº
22/2014, de 12/11/2014)
§ 5º Ocorrendo a hipótese prevista no § 4º, deverá ser observado o seguinte: (Incluído pelo art. 2º da
Resolução nº 22/2014, de 12/11/2014)
I - o processo será encaminhado ao Presidente do Colegiado competente, que determinará a sua
inclusão em pauta; (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 22/2014, de 12/11/2014)
II - em sessão, o Presidente do Colegiado competente procederá à apuração dos votos, computando
aqueles já proferidos, nos termos do art. 100 deste Regimento, e colhendo os votos faltantes, observada,
nesse último caso, a ordem de antiguidade dos Conselheiros no Tribunal entre os membros da Câmara.
(Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 22/2014, de 12/11/2014)
§ 6º Caso o Relator não mais integre a Câmara preventa, o processo será redistribuído entre os seus
membros, quando o Colegiado decidir pela apreciação do mérito em processo cuja votação interrompida
tenha tratado apenas de questão preliminar. (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 22/2014, de
12/11/2014)
§ 7º Em se tratando de processo retirado de pauta após o início da votação, o Relator, caso não mais
integre a Câmara preventa, poderá solicitar a inclusão em pauta ao Presidente do Colegiado competente
ou encaminhar os autos ao Presidente do Colegiado competente, que determinará sua inclusão em pauta,
devendo ser observado, no que couber, o disposto no § 2º, no inciso II do § 5º e no § 6º deste artigo.
(Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 22/2014, de 12/11/2014)
§ 8º Em se tratando de processo cujo julgamento foi interrompido por pedido de vista, o autor do
pedido, se não mais integrar a Câmara preventa, poderá, a seu critério, proceder como na hipótese do §

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7º ou determinar a inclusão em pauta e proferir voto, caso em que o Presidente do Colegiado procederá
como disposto no inciso II do § 5º. (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 22/2014, de 12/11/2014)

Art. 95. Ficará adiado o julgamento do processo, em virtude de vista concedida, não podendo o Relator
e os demais Conselheiros alterarem seu voto até o retorno do processo para deliberação.

Art. 96. Terminado o julgamento, o Presidente proclamará o resultado, não podendo ser alterada a
deliberação, exceto nos casos de inexatidão material ou erro de cálculo, quando poderá ser retificada de
ofício ou mediante solicitação formulada ao respectivo Colegiado por Conselheiro, Auditor, parte ou
representante do Ministério Público junto ao Tribunal.
Parágrafo único. Se a retificação for efetuada após a comunicação oficial a quem couber cumprir a
deliberação, será feita nova intimação.

Art. 97. No caso de aprovação por unanimidade, sem qualquer discussão ou divergência, e não
havendo sustentação oral, as notas taquigráficas serão substituídas, nos autos, por certidão datada e
assinada pelo Taquígrafo-Redator e pelo titular da unidade competente.
Parágrafo único. Nos processos sujeitos à deliberação por parecer, nos termos do inciso II do art. 200
deste Regimento, as notas taquigráficas serão juntadas aos autos.

Art. 98. Os votos, pronunciamentos e apartes registrados pela unidade de taquigrafia não poderão ser
alterados ou modificados no seu conteúdo ou substância, quando revistos.
§ 1º As notas taquigráficas deverão ser revisadas em até 5 (cinco) dias, contados da data de seu
recebimento.
§ 2º Se não devolvidas no prazo a que se refere o parágrafo anterior, o processo deverá ser remetido
à unidade competente, que promoverá a juntada das notas taquigráficas originais aos autos, com a
observação de não terem sido revisadas.

Seção V
DA APURAÇÃO DOS VOTOS

Art. 99. Após a leitura do relatório e encerrada a discussão da matéria, o Presidente tomará os votos
iniciando pelo do Relator, seguindo-se o do Revisor, se houver, e os dos demais Conselheiros, observada
a ordem sequencial, nos termos do §1º do art. 68 deste Regimento.
Parágrafo único. O Conselheiro não poderá abster-se de votar o mérito, mesmo quando vencido na
preliminar, salvo caso de impedimento ou suspeição.

Art. 100. Na apuração dos votos, serão computados aqueles já proferidos, na sessão anterior, pelos
Conselheiros ou seus substitutos, ainda que não compareçam à sessão seguinte ou que tenham deixado
o exercício do cargo.

Art. 101. Se na votação de questão global indivisível ou das questões ou parcelas distintas, pela
diversidade das propostas resultantes da votação, nenhuma alcançar a maioria, deverão ser observados
os seguintes procedimentos:
I - serão colocadas em votação, inicialmente, as duas primeiras propostas apresentadas,
considerando-se eliminada a que não lograr maioria, devendo a remanescente ser submetida novamente
à votação com a proposta seguinte, observando-se a ordem de votação, procedendose assim com as
restantes, até que fiquem só duas;
II - das duas propostas restantes, será declarada vencedora a que reunir maior número de votos.
Parágrafo único. Se a divergência ocorrer na Câmara, a matéria será encaminhada ao Tribunal Pleno,
consoante inciso III do art. 26 deste Regimento, observando-se o disposto nos incisos I e II do caput deste
artigo.

Art. 102. Antes de proclamado o resultado da votação, qualquer Conselheiro poderá modificar seu
voto.

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TÍTULO IV
DO PROCESSO EM GERAL
CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 103. O processo e os procedimentos no Tribunal reger-se-ão pelas disposições gerais constantes
neste Título, ressalvadas as normas específicas em contrário.

Art. 104. No âmbito do Tribunal, além dos princípios gerais que regem o processo civil e administrativo,
deverão ser observados os princípios da oficialidade e da verdade material.

CAPÍTULO II
DO RECEBIMENTO DE DOCUMENTOS

Art. 105. Todos os documentos e expedientes, referentes aos assuntos de competência do Tribunal,
serão recebidos e protocolizados pela unidade competente, observada a forma de entrega estabelecida
em ato normativo próprio.
§ 1º A protocolização compreende o registro de entrada de documento ou expediente no Tribunal,
contendo número de ordem, data e horário do registro.
§ 2º Os documentos e expedientes deverão estar redigidos de forma clara e precisa, com a indicação
da origem, o assunto, a qualificação, a assinatura e o endereço completo do signatário.
§ 3º Somente serão recebidos documentos por disquete, CD ou por outro meio material equivalente
nas hipóteses previstas nas normas legais e regulamentares pertinentes.
§ 4º Na hipótese do parágrafo anterior, a versão impressa será disponibilizada se determinado pelo
Tribunal.

Art. 106. O documento ou expediente que fizer referência a mais de um processo será fotocopiado e
protocolizado em número correspondente, mantendo as fotocópias vínculo indicativo com o original.
§ 1º Documentos distintos, encaminhados por meio de um único ofício, receberão número de protocolo
individualizado e deverão estar acompanhados de cópia do respectivo ofício.
§ 2º Em se tratando de cumprimento de diligência e apresentação de defesa dentro do prazo fixado, a
Secretaria competente promoverá a juntada da documentação aos respectivos autos e, nos demais
casos, fará o encaminhamento ao Relator ou ao Presidente.

Art. 107. A correspondência oficial, de natureza sigilosa ou dirigida a autoridade, será encaminhada
lacrada ao respectivo destinatário, com a indicação, no envelope, do número de registro no sistema
informatizado.
Parágrafo único. A correspondência de natureza sigilosa, sem a identificação da unidade destinatária,
será encaminhada à Presidência do Tribunal pela unidade competente.

Art. 108. É permitida a utilização de sistema de transmissão, tipo fac-símile, para a prática de atos
processuais que dependam de petição escrita, com indicação obrigatória do número do processo a que
se refere, bem como da qualificação completa do requerente, devendo ser encaminhados durante o
horário de expediente do Tribunal.
§ 1º A utilização de sistema de transmissão tipo fac-símile não prejudica o cumprimento dos prazos,
devendo os originais ser entregues no Tribunal em até 5 (cinco) dias, contados da data de seu término,
sob pena de ser desconsiderada a prática do ato pelo Relator.
§ 2º Aquele que fizer uso do sistema de transmissão, a que se refere o caput deste artigo, torna-se
responsável pela qualidade e fidedignidade do material transmitido, bem como por sua entrega no
Tribunal.

Art. 109. Os documentos e expedientes que não atenderem ao disposto neste Capítulo serão
encaminhados ao Relator acompanhados de certificação circunstanciada do responsável pela unidade
competente.

Art. 110. O recebimento de documentos por outros meios de processamento eletrônico terá sua
regulamentação e operacionalização estabelecidas em ato normativo próprio.

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CAPÍTULO III
DA AUTUAÇÃO

Art. 111. Somente serão autuados os documentos, de origem interna ou externa, que exijam tramitação
e instrução específicas para deliberação do Tribunal, devendo, para tanto, receber numeração e ser
classificados segundo as naturezas previstas em ato normativo próprio.

Art. 112. Não serão autuados os documentos quando se tratar de:


I - simples comunicação;
II - pedido de informações relativas a processos em tramitação ou encerrados;
III - expedientes originários dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, do Ministério Público
Estadual e dos demais órgãos da Administração Direta e Indireta que requeiram informações do Tribunal;
IV - mandados originários do Poder Judiciário que requeiram a manifestação do Tribunal na qualidade
de parte ou litisconsorte em processos judiciais;
V - demais expedientes internos e externos que tenham natureza de ofício ou correspondência.
Parágrafo único. Os documentos de que trata o caput deste artigo, depois de analisados e adotadas
as providências cabíveis, serão arquivados, ressalvados os casos em que contiverem informações
essenciais à formação de convencimento para fins de deliberação, quando, após determinação do
Relator, serão juntados aos respectivos autos.

CAPÍTULO IV
DA DISTRIBUIÇÃO
Seção I
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 113. Na distribuição, serão observados os princípios da publicidade, da alternatividade e da


aleatoriedade.
Parágrafo único. A distribuição deverá ser equânime, de forma a assegurar o equilíbrio quantitativo do
volume de processos da mesma classe entre os Relatores e os membros do Ministério Público,
observados os critérios estabelecidos em ato normativo próprio.

Art. 114. A distribuição será feita por meio eletrônico, imediata e automaticamente após o recebimento
da documentação, incluída a enviada por meio de sistema informatizado e fac-símile, sendo proibida a
interferência de qualquer pessoa durante o procedimento.
§ 1º A distribuição será registrada em sistema informatizado, no qual constarão, dentre outras
informações, o número, a natureza e a sinopse do objeto do processo, o nome do Relator, a data em que
foi efetuada e, se for o caso, o nome do Revisor e do Auditor.
§ 2º No caso de impedimento do Relator sorteado, haverá nova distribuição, fazendo-se a devida
compensação.
§ 3º Os procedimentos de distribuição serão supervisionados pela Secretaria Geral.
§ 4º O procedimento de distribuição poderá ser impugnado mediante pedido escrito ao Presidente do
Tribunal em até 48 (quarenta e oito) horas, contadas a partir da publicação.
§ 5º As petições de recursos, esclarecimentos, defesas e outros documentos que visem ao resguardo
de prazo processual poderão ser encaminhados ao Tribunal por meio de fac-símile ou meio eletrônico,
devendo o interessado apresentar os originais no prazo de 5 (cinco) dias, sob pena de serem
desconsiderados.

Art. 115. Serão redistribuídos ao Presidente, cujo mandato se encerrar, os processos da relatoria
daquele que o suceder.
Parágrafo único. Não haverá distribuição de processo ao Conselheiro eleito Presidente a partir do dia
da sua posse, salvo daqueles cujo exame seja da sua competência privativa.

Art. 116. Em caso de restauração de autos, será mantido o mesmo Relator que houver funcionado no
processo, se em exercício.

Art. 117. Se dois ou mais processos se referirem a matéria conexa, serão distribuídos, por
dependência, a um só Relator, observado o disposto no art. 156 deste Regimento, e serão objeto de um
só julgamento.

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Art. 118. O recurso ordinário não poderá ser distribuído ao Redator do acórdão recorrido.

Art. 119. Os recursos interpostos por diferentes interessados contra a mesma decisão serão
distribuídos ao Conselheiro sorteado como Relator do primeiro deles.

Art. 120. O agravo e os embargos de declaração serão distribuídos ao Relator da decisão recorrida.

Art. 121. O pedido de reexame será distribuído a Relator, observado o disposto no parágrafo único do
art. 350 deste Regimento.

Art. 122. O pedido de rescisão será distribuído a um Relator que não tenha funcionado, nessa
qualidade, no julgamento que lhe tenha dado causa ou nos recursos interpostos.

Art. 123. Os processos de monitoramento serão distribuídos ao Conselheiro ou ao Auditor que


originalmente relatou a decisão a ser monitorada.
Parágrafo único. No caso de decisão originada de voto que não o do Relator, o respectivo processo
de monitoramento deverá ser distribuído ao Conselheiro ou Auditor que proferiu o primeiro voto ou
proposta de voto vencedor.

Art. 124. O processo terá o mesmo Relator até definitiva decisão, ressalvadas as exceções
expressamente previstas neste Regimento. (Redação dada pelo art. 1º da Resolução nº 22/2014, de
12/11/2014)
Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, também, aos casos de reabertura de processo já
arquivado por força de decisão terminativa. (Redação dada pelo art. 1º da Resolução nº 22/2014, de
12/11/2014)

Art. 125. Ocorrendo vacância do cargo de Conselheiro ou afastamento por prazo superior a 30 (trinta)
dias, o Presidente do Tribunal designará Auditor para atuar nos processos de sua relatoria.
§ 1º O Auditor designado contará com o apoio da assessoria do Conselheiro afastado ou que deixou
o cargo.
§ 2º Não sendo possível a designação de Auditor, os processos considerados urgentes, nos termos
do art. 147 deste Regimento, serão redistribuídos a todos os relatores, observados os princípios do art.
113 deste Regimento. (Redação dada pelo art. 2º da Resolução nº 07/2009, de 01/07/2009)

Art. 126. Em caso de férias regulamentares ou outros afastamentos de Conselheiro por prazo igual ou
inferior a 30 (trinta) dias, os processos considerados urgentes, nos termos do art. 147 deste Regimento,
serão redistribuídos a todos os relatores, observados os princípios do art. 113 deste Regimento. (Redação
dada pelo art. 2º da Resolução nº 07/2009, de 01/07/2009)

Art. 127. Cessada a situação que ensejou a designação ou a redistribuição de que tratam os arts. 125
e 126 deste Regimento, os processos retornarão, de imediato, à relatoria do Conselheiro de origem.

Art. 128. Ocorrendo a vacância do cargo de Auditor ou afastamento por prazo superior a 45 (quarenta
e cinco) dias, os processos de sua Relatoria serão redistribuídos aos demais Relatores, temporariamente,
no caso de afastamento, e definitivamente, no caso de vacância. (Redação dada pelo art. 2º da Resolução
nº 07/2009, de 01/07/2009)

Art. 129. Em caso de afastamento de Auditor Relator, por prazo igual ou inferior a 45 (quarenta e cinco)
dias, os processos considerados urgentes, nos termos do art. 147 deste Regimento, serão redistribuídos
temporariamente aos demais relatores. (Redação dada pelo art. 2º da Resolução nº 07/2009, de
01/07/2009)

Art. 130. Cessada a situação que ensejou a redistribuição de que tratam os arts. 128 e 129 deste
Regimento, os processos retornarão, de imediato, à relatoria do Auditor de origem.

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CAPÍTULO V
DO IMPEDIMENTO E DA SUSPEIÇÃO
Seção I
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 131. Aplicam-se aos Conselheiros, aos Auditores e aos Procuradores do Ministério Público junto
ao Tribunal, no que couber, as hipóteses de impedimento e suspeição previstas no Código de Processo
Civil.
Parágrafo único. O impedimento, de caráter objetivo, ocorrerá nas situações previstas no art. 134 do
Código de Processo Civil e a suspeição, de caráter subjetivo, nas hipóteses do art. 135 do referido diploma
legal.

Art. 132. O reconhecimento voluntário da suspeição ou do impedimento será declarado nos autos, que
serão encaminhados à redistribuição, na forma deste Regimento.
Parágrafo único. Se, durante o julgamento, Conselheiro, Auditor, ou Procurador do Ministério Público
junto ao Tribunal considerar-se impedido ou suspeito, deverá declarar o fato verbalmente, procedendo-
se ao respectivo registro em ata e nas notas taquigráficas.

Seção II
DO INCIDENTE DE IMPEDIMENTO E DE SUSPEIÇÃO

Art. 133. Os responsáveis ou interessados bem como o Ministério Público junto ao Tribunal poderão
suscitar as suspeições e os impedimentos em petição fundamentada, devidamente instruída, e dirigida
ao Relator do processo que poderá reconhecê-los ou não.
§ 1º Havendo o reconhecimento pelo Relator, os autos serão encaminhados à redistribuição.
§ 2º Em caso contrário, serão os autos encaminhados ao Presidente do Tribunal que determinará a
autuação do incidente em autos apartados.

Art. 134. A petição poderá ser liminarmente indeferida pelo Presidente, em despacho fundamentado,
se:
I - for manifestamente impertinente, inepta ou protelatória;
II - firmada por parte ilegítima.

Art. 135. Recebido o incidente, o Presidente do Tribunal decidirá, preliminarmente, sobre a concessão
de efeito suspensivo.

Art. 136. O Presidente do Tribunal concederá o prazo de 05 (cinco) dias para a manifestação do Relator
ou do Procurador do Ministério Publico junto ao Tribunal envolvido no incidente.

Art. 137. Concluída a instrução, o Presidente fará o relatório, no prazo de 15 (quinze) dias, e
determinará a inclusão do incidente na pauta de julgamento do Tribunal Pleno.

Art. 138. Reconhecida a suspeição ou impedimento pelo Tribunal Pleno, o processo será distribuído a
novo Relator ou substituído o Auditor ou Procurador do Ministério Público junto ao Tribunal, conforme o
caso, para atuar no processo principal, determinando-se o arquivamento do incidente mediante certidão
nos autos.

Art. 139. Em caso de impedimento ou suspeição do Presidente, o Relator do incidente será o Vice-
Presidente.

CAPÍTULO VI
DA INSTRUÇÃO, DA TRAMITAÇÃO E DO RITO
Seção I
DA INSTRUÇÃO

Art. 140. O Relator presidirá a instrução do processo, determinando, mediante despacho de ofício ou
por provocação da unidade técnica competente, do Ministério Público junto ao Tribunal, do responsável
ou do interessado, as medidas necessárias ao saneamento dos autos.

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§ 1º A instrução compreende o exame pela unidade técnica competente, a realização de diligência,
inspeção, auditoria, intimação e demais providências necessárias à elucidação dos fatos e apuração de
responsabilidades.
§ 2º Considera-se diligência toda requisição de documentos, pedido de esclarecimentos
complementares ou de providências necessárias à instrução do processo.
§ 3º O Relator poderá, mediante portaria, delegar competência a titular de unidade técnica competente
para a instrução do processo, nos termos do art. 112 da Lei Complementar nº 102/2008, excetuadas as
determinações de inspeção, auditoria e citação, fixando o alcance e a responsabilidade por meio do ato
de delegação.

Art. 141. O relatório da unidade técnica competente deverá ser conclusivo, contendo os fatos, a
fundamentação e a sugestão das recomendações.

Art. 142. A juntada de documentos e o apensamento e desapensamento de processos somente


poderão ser determinados pelo Relator ou pelo Colegiado competente, salvo quando houver delegação,
fazendo-se constar termo nos autos.
§ 1º O desentranhamento de documentos é de exclusiva competência do Relator ou do Colegiado
competente.
§ 2º Nas inspeções ou auditorias, a documentação que tiver sido recolhida ou requisitada será juntada
aos autos pela unidade técnica competente.
§ 3º O Ministério Público junto ao Tribunal poderá proceder à juntada de documentos, no exercício de
sua competência.

Art. 143. Encerrada a instrução processual, esta só poderá ser reaberta por determinação do Relator,
de ofício ou mediante pedido fundamentado de Conselheiro, Auditor ou Procurador do Ministério Público
junto ao Tribunal.

Seção II
DA TRAMITAÇÃO

Art. 144. Considera-se tramitação a movimentação física de processo ou documento de um setor para
outro.
Parágrafo único. Toda a tramitação processual será registrada em sistema informatizado de controle
de processo, resguardadas a integridade e a confiabilidade dos dados e obedecidos os critérios de
padronização estabelecidos em ato normativo expedido pela Presidência.

Art. 145. Para exame e tramitação de processos no âmbito do Tribunal serão observados os prazos
fixados em ato normativo próprio.
§ 1º A fixação dos prazos ocorrerá em função das diretrizes estabelecidas pelo Tribunal em seu plano
de metas definido para o exercício.
§ 2º Os prazos a que se refere o parágrafo anterior serão suspensos quando forem realizadas
diligências ou adotadas outras providências saneadoras, bem como nos afastamentos regimentais do
Relator sem indicação de substituto ou sobrestamento do processo.

Art. 146. A tramitação de papéis e processos, incluídos os de caráter reservado, será disciplinada em
ato normativo próprio.

Art. 147. Consideram-se urgentes, e nessa qualidade terão tramitação preferencial, os papéis e
processos referentes a:
I - solicitações de realização de inspeções e auditorias formuladas pela Assembleia Legislativa e pelas
Câmaras Municipais;
II - consultas;
III - denúncias;
IV - representações;
V - medidas cautelares;
VI - exame prévio de instrumento convocatório;
VII - casos em que o retardamento possa representar dano ao erário;
VIII - recursos previstos em lei e neste Regimento;

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IX - matérias assim deliberadas pelo Colegiado competente, por solicitação fundamentada de
Conselheiro ou Auditor.
X – contas anuais prestadas pelo Governador e pelos Prefeitos. (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº
1/2016, de 25/05/2016)

Seção III
DO RITO ORDINÁRIO

Art. 148. Os processos autuados no Tribunal observarão o rito ordinário estabelecido nesta Seção,
ressalvados aqueles para os quais exista previsão, neste Regimento, de rito especial.

Art. 149. Protocolizado, autuado e distribuído, o processo será encaminhado diretamente à unidade
técnica competente, ressalvadas as hipóteses que comportem o juízo de admissibilidade, quando serão
remetidos, preliminarmente, ao Presidente ou ao Relator, conforme o caso.

Art. 150. Recebido o processo, a unidade técnica competente prestará informação circunstanciada e
o encaminhará ao Relator.

Art. 151. Determinada a abertura do contraditório ou a realização de diligência, o processo será


remetido à unidade competente para que formalize a citação ou intimação e o controle de prazo.
§ 1º O prazo para apresentação de defesa será de 30 (trinta) dias improrrogáveis.
§ 2º As diligências determinadas pelo Tribunal deverão ser cumpridas no prazo de 15 (quinze) dias,
se outro não for fixado pelo Relator.

Art. 152. Quando houver manifestação do responsável ou interessado, os autos serão remetidos à
unidade técnica competente para análise, após o que, observar-se-á o disposto no art. 153 deste
Regimento, salvo determinação contrária do Relator.
Parágrafo único. Não havendo manifestação, no prazo fixado, o responsável será considerado revel,
seguindo o processo a tramitação prevista no art. 153 deste Regimento.

Art. 153. Após a instrução, os autos serão remetidos ao Ministério Público junto ao Tribunal, para
emissão de parecer escrito, nos casos especificados no inciso IX do art. 61 deste Regimento, e, em
seguida, conclusos ao Relator, que elaborará relatório, enviando o processo à unidade competente para
inclusão em pauta.
Parágrafo único. O Auditor Relator elaborará relatório e proposta de voto, enviando o processo à
unidade competente para inclusão em pauta.

Art. 154. Transcorridos os prazos para interposição de recursos pelos recorrentes elencados no art.
325 deste Regimento, a Secretaria do Colegiado competente lavrará a certidão de trânsito em julgado da
decisão do Tribunal. (Redação dada pelo art. 2º da Resolução nº 07/2009, de 01/07/2009)
Parágrafo único. Certificado o trânsito em julgado, o processo será encaminhado, quando for o caso,
à unidade responsável pela certidão de débito e multa e ao gerenciamento do cadastro de inadimplentes
do Tribunal, para as providências necessárias. (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 07/2009, de
01/07/2009)

Art. 155. Os processos referentes à admissão de pessoal e concessão de aposentadoria, reforma e


pensão, após a respectiva apreciação, serão encaminhados à unidade técnica competente, para registro
e devolução da documentação original à unidade jurisdicionada.

CAPÍTULO VII
DO APENSAMENTO DE PROCESSOS E DA FORMAÇÃO DE APARTADOS Seção I
DO APENSAMENTO DE PROCESSOS

Art. 156. O apensamento de processos, em caráter definitivo ou temporário, decorrente de


dependência, conexão ou continência, observará as disposições específicas do Código de Processo Civil.
§ 1º O apensamento definitivo ou anexação de processos ocorre quando se referirem à mesma parte,
contiverem o mesmo assunto e não comportarem decisões conflitantes.
§ 2º O apensamento provisório é a junção temporária de um processo a outro, por conveniência ou em
razão de dificuldades técnicas ou operacionais, com a finalidade de propiciar sua melhor instrução,

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estudo, informações, visando à uniformidade de tratamento de matérias semelhantes, em processos
relativos ao mesmo interessado ou não.

Art. 157. Compete ao Presidente do Tribunal, mediante solicitação do Relator, determinar o


apensamento ou desapensamento de autos, ouvido o Relator do outro processo, ressalvados os
processos de mesma relatoria.
Parágrafo único. O apensamento poderá ser solicitado por Auditor, Procurador do Ministério Público
junto ao Tribunal, Diretor de unidade técnica do Tribunal e pela parte.

Art. 158. O apensamento não será feito quando deste ato resultar prejuízo para a tramitação do
processo, devendo a unidade competente, se necessário, extrair cópias de um processo para juntada no
outro, certificando sua autenticidade.
Parágrafo único. Sem prejuízo do disposto no caput, os processos conexos não serão apensados nas
seguintes hipóteses:
a) para evitar prescrição e decadência;
b) se na data em que se verificar a conexão um dos processos já estiver com a instrução concluída;
c) quando, na data em que se verificar a conexão, um dos processos estiver em grau de recurso.

Art. 159. Os conflitos de competência decorrentes de apensamento, definitivo ou provisório, ou de


desapensamento de processos serão resolvidos:
I - pela Câmara, se os Relatores integrarem a mesma Câmara;
II - pelo Tribunal Pleno, se os Relatores integrarem Câmaras diferentes ou se o conflito não puder ser
resolvido pela Câmara.

Art. 160. A tramitação do processo e a prática de atos processuais, quando se tratar de matérias
conexas, terão sequência naquele que estiver em fase mais adiantada de instrução, passando esse
processo a ser identificado como principal e o processo dependente como apenso.

Seção II
DA FORMAÇÃO DE APARTADOS

Art. 161. Verificada a necessidade de ser examinada a matéria em processo distinto, deverá ser
formado processo apartado, de natureza semelhante ou diversa do processo originário, mediante o
desmembramento ou reprodução de peças do processo original.
§ 1º O processo apartado estará sujeito às mesmas regras de formação estabelecidas para os demais
processos.
§ 2º Quando a instrução do processo apartado for de competência de outra unidade do Tribunal, o
processo será a ela encaminhado.

Art. 162. Compete ao respectivo Colegiado determinar a formação de apartados.

CAPÍTULO VIII
DAS PARTES E DOS PROCURADORES

Art. 163. São partes no processo os responsáveis e os interessados.


§ 1º Responsável é todo aquele sujeito à jurisdição do Tribunal, nos termos das Constituições da
República e do Estado, do art. 2º da Lei Complementar nº 102/2008 e respectiva legislação aplicável.
§ 2º Interessado é aquele que, em qualquer etapa do processo, tenha reconhecida, pelo Relator ou
pelo Tribunal, razão legítima para intervir no processo.

Art. 164. As partes podem praticar os atos processuais diretamente ou por intermédio de procurador
regularmente constituído.
§ 1º Constatado vício na representação da parte, será fixado prazo de 15 (quinze) dias, para que o
responsável ou interessado promova a regularização, sob pena de serem desconsiderados os atos
praticados pelo procurador.
§ 2º A atuação de procurador no processo somente se dará com a juntada do instrumento de mandato,
pressuposto essencial para sua atuação nos termos dos poderes a ele conferidos.

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§ 3º No caso de advogado ou procurador que renunciar ao mandato, ele continuará, durante os 10
(dez) dias seguintes à notificação da renúncia, a representar o mandante, salvo se for substituído antes
do término desse prazo.

Art. 165. O Tribunal manterá, nos termos de ato normativo próprio, Cadastro de Jurisdicionados
contendo a qualificação completa de todas as pessoas físicas e jurídicas, públicas e privadas, sujeitas à
sua jurisdição, que estejam obrigadas, na forma da lei, a prestar contas sobre dinheiro, bens e valores
públicos.

CAPÍTULO IX
DA CITAÇÃO E DA INTIMAÇÃO

Art. 166. A integração dos responsáveis e interessados no processo, bem como a comunicação dos
atos e decisões do Tribunal, serão feitas mediante:
I - citação, pela qual o Tribunal dará ciência ao responsável de processo contra ele instaurado,
chamando-o para se defender;
II - intimação, nos demais casos.
§ 1º A citação e a intimação serão feitas:
I - por meio do Diário Oficial de Contas; (Redação dada pelo art. 25 da Resolução nº 10/2010, de
30/06/2010)
II - por via postal ou telegráfica; (Redação dada pelo art. 25 da Resolução nº 10/2010, de 30/06/2010)
III - pessoalmente, por servidor designado, mediante determinação do Relator ou do Tribunal, quando
a segurança ou a urgência dos atos processuais justificarem a medida; (Redação dada pelo art. 25 da
Resolução nº 10/2010, de 30/06/2010)
IV - com hora certa, para cumprimento da citação pessoal, se o servidor designado houver procurado
o responsável ou interessado em seu domicílio ou residência, sem o encontrar, e existindo suspeita de
ocultação, hipótese em que deverá intimar a qualquer pessoa da família, ou, em sua falta, a qualquer
vizinho, comunicando que no dia imediato voltará, a fim de efetuar a citação ou intimação, na hora que
designar, observado o disposto nos arts. 228 e 229 do Código de Processo Civil; (Redação dada pelo art.
25 da Resolução nº 10/2010, de 30/06/2010)
V- por edital, publicado no Diário Oficial de Contas, quando o responsável ou interessado não for
localizado, independentemente de despacho do Relator ou ordem do Tribunal. (Redação dada pelo art.
25 da Resolução nº 10/2010, de 30/06/2010)
VI - por meio eletrônico, quando a circunstância assim o exigir, em especial, na hipótese do art. 95 da
Lei Complementar nº 102/2008; (Redação dada pelo art. 25 da Resolução nº 10/2010, de 30/06/2010)
VII - por fac-símile, quando a circunstância assim o exigir, em especial, na hipótese do art. 95 da Lei
Complementar nº 102/2008. (Incluído pelo art. 25 da Resolução nº 10/2010, de 30/06/2010)
§ 2º As citações serão realizadas por via postal e comprovadas mediante juntada aos autos do aviso
de recebimento entregue no domicílio ou residência do destinatário, contendo o nome de quem o recebeu.
(Redação dada pelo art. 25 da Resolução nº 10/2010, de 30/06/2010)
§ 3º As intimações serão realizadas por meio de publicação no Diário Oficial de Contas e comprovadas
mediante juntada aos autos da correspondente certidão. (Redação dada pelo art. 25 da Resolução nº
10/2010, de 30/06/2010)
§ 4º O Relator poderá optar, justificadamente e de forma expressa, por qualquer meio de comunicação,
comprovado mediante juntada aos autos da correspondente certidão. (Redação dada pelo art. 25 da
Resolução nº 10/2010, de 30/06/2010)
§ 5º O comparecimento espontâneo do responsável ou interessado supre a citação ou intimação,
quando lhe for dada ciência dos termos do despacho ou da decisão, assumindo o interessado ou
responsável o processo na fase em que esse se encontrar.
§ 6º Se comparecer a parte apenas para alegar nulidade da citação, considera-se esta feita na data
da intimação da decisão que decretar a nulidade do procedimento.
§ 7º O responsável ou interessado que não atender à citação determinada pelo Relator ou pelo Tribunal
será considerado revel para todos os efeitos previstos na legislação processual civil.
§ 8º A unidade competente deverá certificar nos autos se houve, ou não, manifestação dos citados e
intimados.

Art.167. A comunicação dos atos e decisões do Tribunal presume-se perfeita com a publicação no
Diário Oficial de Contas, salvo as exceções previstas em lei e neste Regimento. (Redação dada pelo art.
25 da Resolução nº 10/2010, de 30/06/2010)

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Art. 167-A. A intimação do Ministério Público junto ao Tribunal relativa às decisões proferidas pelo
Pleno e pelas Câmaras dar-se-á com a publicação, no Diário Oficial de Contas, do parecer prévio, nos
termos do art. 207 deste Regimento, e do acórdão, quando atuar como fiscal da lei, e mediante intimação
pessoal, com o envio dos autos pela Secretaria, quando atuar como parte no processo. (Redação dada
pelo art. 25 da Resolução nº 10/2010, de 30/06/2010)
§ 1º Quando o Ministério Público junto ao Tribunal atuar como fiscal da lei, havendo carga dos autos
pelo interessado no curso de prazo recursal comum, será suspensa a contagem de seu prazo para a
interposição de recurso, ocorrendo o mesmo em relação ao prazo do interessado, quando o Ministério
Público junto ao Tribunal fizer carga dos autos em prazo recursal comum. (Incluído pelo art. 3º da
Resolução nº 07/2009, de 01/07/2009)
§ 2º Havendo a suspensão de prazo recursal prevista no dispositivo anterior, a Secretaria comunicará
ao interessado ou ao Ministério Público junto ao Tribunal a devolução dos autos e a retomada da
contagem do prazo. (Incluído pelo art. 3º da Resolução nº 07/2009, de 01/07/2009)
§ 3º Quando o Ministério Público de Contas atuar como parte, o prazo recursal será sucessivo,
correndo primeiro o prazo deste e, em seguida, o prazo do interessado. (Incluído pelo art. 3º da Resolução
nº 07/2009, de 01/07/2009)
§ 4º A intimação pessoal do Ministério Público junto ao Tribunal, nos processos em que este atue como
parte, considera-se realizada com o recebimento dos autos pela sua Secretaria, sendo que, vencido o
prazo recursal, com ou sem recurso, os autos deverão ser imediatamente restituídos à Secretaria do
Colegiado competente. (Incluído pelo art. 3º da Resolução nº 07/2009, de 01/07/2009)
§ 5º A interposição de recurso pelo Ministério Público junto ao Tribunal ou pelo interessado devolve
toda a matéria do processo à apreciação do colegiado competente, vedada a possibilidade de, havendo
apenas recurso do interessado, a reforma da decisão implicar prejuízo ao recorrente. (Incluído pelo art.
3º da Resolução nº 07/2009, de 01/07/2009)

CAPÍTULO X
DOS PRAZOS

Art. 168. Os prazos contam-se dia a dia, a partir da data:


I - da juntada aos autos do mandado de citação ou intimação, quando forem efetivadas pessoalmente,
ou na pessoa do procurador ou do representante legal, incluída a por hora certa;
II - da juntada aos autos do Aviso de Recebimento, quando a citação ou intimação forem efetivadas
por via postal;
III - da juntada aos autos de documento que ateste o encaminhamento da citação ou intimação, se
forem efetivadas por via telegráfica, por meio eletrônico ou fac-símile;
IV- da publicação de edital no Diário Oficial de Contas. (Redação dada pelo art. 25 da Resolução nº
10/2010, de 30/06/2010)
V - da publicação da intimação no Diário Oficial de Contas, observado o que dispõe o § 2º do art. 2º
da Lei Complementar nº 111, de 13 de janeiro de 2010. (Incluído pelo art. 25 da Resolução nº 10/2010,
de 30/06/2010)
§ 1º Quando forem vários os responsáveis ou interessados, o prazo começará a contar da data de
juntada aos autos do último aviso de recebimento ou do mandado citatório cumprido.
§ 2º (Revogado pelo art. 25 da Resolução nº 10/2010, de 30/06/2010)

Art. 169. As alterações de publicação, incluídas as relativas à citação ou intimação, importam em


devolver o prazo ao responsável ou interessado.

Art. 170. Salvo disposição em contrário, os prazos serão contínuos, não se interrompendo nem se
suspendendo nos finais de semana e feriados e serão computados, excluindo-se o dia do início e
incluindo-se o dia do vencimento.
§ 1º Os prazos somente começam a correr do primeiro dia útil após a intimação.
§ 2º Considera-se prorrogado o prazo até o primeiro dia útil subsequente se o seu término coincidir
com final de semana, feriado, ou dia em que o Tribunal não esteja em funcionamento regular ou que
tenha encerrado o expediente antes da hora normal.

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CAPÍTULO XI
DO SOBRESTAMENTO

Art. 171. No caso de a decisão de mérito depender da verificação de determinado fato que seja objeto
de julgamento de outro processo ou de matéria sub judice, poderá o Colegiado competente determinar o
sobrestamento dos autos.
Parágrafo único. Da decisão de sobrestamento deverão constar, de forma específica e detalhada, o
fato que o ensejou e a indicação de sua relevância para o deslinde do processo.

CAPÍTULO XII
DAS NULIDADES

Art. 172. O Tribunal ou o Relator, observada a respectiva competência, declarará a nulidade, de ofício,
se absoluta, ou por provocação da parte ou do Ministério Público junto ao Tribunal, em qualquer caso.
§ 1º São absolutas, dentre outras hipóteses, as nulidades correspondentes à ausência de citação para
o exercício do contraditório e da ampla defesa, à inobservância das causas de impedimento previstas
neste Regimento e à ausência de fundamentação nas decisões de que possa resultar prejuízo às partes
e ao erário.
§ 2º Não se tratando de nulidade absoluta, considerar-se-á válido o ato que, praticado de outra forma,
tiver atingido o seu fim.
§ 3º No caso de a provocação de nulidade ser feita pelo responsável ou interessado, ela deverá ser
alegada na primeira oportunidade em que lhe couber falar nos autos, sob pena de preclusão.

Art. 173. As citações e as intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições
contidas neste Regimento, podendo a nulidade ser declarada de ofício, ressalvado o comparecimento do
responsável ou interessado, convalidando os atos instrutórios já praticados, desde que demonstrado não
ter havido prejuízo à defesa.

Art. 174. Declarada a nulidade do ato, restarão nulos os atos subsequentes.


§ 1º A nulidade de uma parte do ato, porém, não prejudicará as outras que dela sejam independentes.
§ 2º Nenhum ato será declarado nulo se do vício não resultar prejuízo à parte, ao erário, à apuração
dos fatos ou à deliberação adotada.
§ 3º Declarada a nulidade em fase recursal, compete:
I - ao Relator do recurso declarar os atos a que ela se estende;
II - ao Conselheiro ou Auditor, sob cuja relatoria o ato declarado nulo foi praticado, ou ao seu sucessor
ordenar as providências necessárias para a repetição ou retificação do ato.

Art. 175. A parte não poderá arguir nulidade a que haja dado causa ou para a qual tenha, de qualquer
modo, contribuído.

CAPÍTULO XIII
DO ARQUIVAMENTO

Art. 176. O processo será arquivado nos seguintes casos:


I - decisões definitivas transitadas em julgado, após a adoção das providências necessárias;
II - trancamento de contas consideradas iliquidáveis pelo Tribunal;
III - decisão terminativa por ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e
regular do processo;
IV - quando tenha o processo cumprido o objetivo para o qual foi constituído;
V - nos demais casos previstos neste Regimento.
§ 1º O arquivamento de processo será determinado pelo Colegiado competente, ressalvadas as
hipóteses previstas neste Regimento.
§ 2º O Tribunal disciplinará em ato normativo próprio os procedimentos de guarda, gerenciamento,
preservação e consulta de processo arquivado.

Art. 177. A título de racionalização administrativa e economia processual, e com o objetivo de evitar
que o custo da cobrança seja superior ao valor devido, o Tribunal poderá determinar o arquivamento do
processo, sem cancelamento do valor respectivo, a cujo pagamento continuará obrigado o devedor para
lhe ser dada quitação.

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§ 1º O valor devido será inscrito em cadastro de inadimplentes, mantido pelo Tribunal, dando-se ciência
da inscrição ao devedor.
§ 2º O custo da cobrança a que se refere o caput deste artigo corresponderá ao valor de alçada
estabelecido pela Advocacia Geral do Estado para fins de execução.

Art. 178. Os processos serão desarquivados nos seguintes casos:


I - para encaminhamento à cobrança judicial, quando o somatório dos débitos do devedor, atualizados
na forma prevista neste Regimento, ultrapassar a quantia referida no § 2º do artigo anterior;
II - quando o responsável comprovar o recolhimento do débito, devidamente atualizado
monetariamente e acrescido dos juros legais, dando-se-lhe quitação;
III - quando cessarem as causas que ensejaram o arquivamento em decisões terminativas;
IV - quando o Relator ou o Tribunal assim o determinar.

CAPÍTULO XIV
DA RECONSTITUIÇÃO E DA RESTAURAÇÃO DE AUTOS

Art. 179. Ocorrendo desaparecimento, extravio ou destruição de autos, aquele que primeiro tomar
conhecimento do fato deverá de imediato cientificar o Presidente do Tribunal que submeterá a matéria ao
Corregedor para instauração de sindicância.
Parágrafo único. Independentemente da instauração de sindicância e de sua conclusão, o Presidente,
caso os documentos ou processos não sejam recuperados, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da
instauração da sindicância, determinará a sua reconstituição ou restauração, observada a
regulamentação estabelecida em ato normativo próprio.

Art. 180. Após a reconstituição ou restauração, os autos seguirão tramitação regular.

Art. 181. Encontrado o processo original, os autos suplementares serão a ele apensados com as
certificações devidas, passando a figurar como processo principal aquele que estiver em fase mais
adiantada de instrução.

Art. 182. Quem tiver dado causa à perda, extravio ou destruição de autos responderá pelas despesas
de reconstituição, sem prejuízo das demais penalidades previstas em lei.

CAPÍTULO XV
DA PRESCRIÇÃO E DA DECADÊNCIA Seção I
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 182-A. A prescrição e a decadência são institutos de ordem pública, alcançando as ações de
fiscalização do Tribunal. (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)
Parágrafo único. O reconhecimento da prescrição e da decadência poderá dar-se de ofício pelo Relator
ou mediante provocação do Ministério Público junto ao Tribunal ou requerimento do responsável ou
interessado. (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)

Seção II
DA PRESCRIÇÃO

Art. 182-B. A pretensão punitiva do Tribunal fica sujeita a prescrição, conforme os prazos fixados neste
Regimento. (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)
Parágrafo único. O reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva não afasta a obrigação de
ressarcimento, em caso de dano ao erário. (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)

Subseção I
Das causas que interrompem a prescrição

Art. 182-C. São causas interruptivas da prescrição: (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de
08/10/2014)
I – despacho ou decisão que determinar a realização de inspeção cujo escopo abranja o ato passível
de sanção a ser aplicada pelo Tribunal; (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)

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II – autuação do feito no Tribunal, nos casos de prestação e tomada de contas; (Incluído pelo art. 1º
da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)
III – autuação de feito no Tribunal em virtude de obrigação imposta por lei ou ato normativo; (Incluído
pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)
IV – instauração de tomada de contas especial pelo Tribunal; (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº
17/2014, de 08/10/2014)
V – despacho que receber denúncia ou representação; (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014,
de 08/10/2014)
VI – citação válida; (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)
VII – decisão de mérito recorrível. (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)

Subseção II
Das causas que suspendem a prescrição

Art. 182-D. Não corre o prazo prescricional durante: (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de
08/10/2014)
I – a fluência de prazo concedido à parte para cumprimento de diligência determinada pelo
Tribunal, desde a data da intimação; (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)
II – a vigência de Termo de Ajustamento de Gestão, desde a data da celebração; (Incluído pelo art. 1º
da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)
III – o período em que o processo estiver sobrestado, desde a data da prolação da decisão de
sobrestamento; (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)
IV – o período em que for omitido o envio, determinado em lei ou ato normativo, de informações ou
documentos ao Tribunal, desde a data em que se caracterizar a omissão; (Incluído pelo art. 1º da
Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)
V – o período de vista dos autos deferida à parte, desde a data do recebimento do pedido; e (Incluído
pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)
VI – o período em que o desenvolvimento do processo estiver impossibilitado por desaparecimento,
extravio ou destruição dos autos, a que tiver dado causa a parte ou seu procurador, desde a data do
evento ou, se desconhecida esta, desde a data da determinação de reconstituição ou restauração.
(Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)
§ 1º Cessada a causa suspensiva da prescrição, retoma-se a contagem do prazo do ponto em que
tiver parado. (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)
§ 2º Considera-se que cessa a causa suspensiva: (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de
08/10/2014)
I – para fins do inciso I do caput, com o término do prazo concedido ou com o recebimento das
informações ou documentos, o que primeiro ocorrer; (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de
08/10/2014)
II – para fins do inciso V do caput, com o término do prazo concedido ou, no caso de retirada dos autos,
com a sua devolução; (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)
III – para fins do inciso VI do caput, com a reconstituição ou restauração dos autos, conforme o caso.
(Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)

Subseção III
Dos prazos da prescrição

Art. 182-E. Prescreve em cinco anos a pretensão punitiva do Tribunal, considerando-se como termo
inicial para contagem do prazo a data de ocorrência do fato. (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014,
de 08/10/2014)

Art. 182-F. A contagem do prazo a que se refere o art. 182-E voltará a correr, por inteiro:
(Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)
I – quando ocorrer causa interruptiva da prescrição, entre aquelas previstas nos incisos I a VI do art.
182-C; e (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)
II – quando for prolatada a primeira decisão de mérito recorrível, nos termos do inciso VII do art. 182-
C. (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)

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Subseção IV
Da deliberação monocrática nos processos em que for verificada a prescrição

Art. 182-G. Nos processos em que a unidade técnica manifestar-se pela ocorrência da prescrição da
pretensão punitiva, o Relator poderá reconhecê-la, em decisão monocrática. (Incluído pelo art. 1º da
Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)
Parágrafo único. Não caberá decisão monocrática para reconhecimento da prescrição da pretensão
punitiva nos processos: (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)
I – cujo julgamento colegiado já se tiver iniciado; (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de
08/10/2014)
II – que se encontrarem em grau de recurso; ou (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de
08/10/2014)
III – em que houver indícios de dano ao erário. (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de
08/10/2014)
Art. 182-H. Exarada a decisão monocrática, o processo será encaminhado à Secretaria competente
para publicação, assegurado o direito de recurso, na forma prevista neste Regimento.
(Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)
Parágrafo único. Certificado o trânsito em julgado da decisão, o processo será arquivado. (Incluído
pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)

Seção III
Da decadência

Art. 182-I. Salvo disposição legal em contrário, não se aplicam à decadência as normas que
interrompem ou suspendem a prescrição. (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)
Parágrafo único. Nas aposentadorias, reformas e pensões concedidas há mais de cinco anos, bem
como nas admissões ocorridas há mais de cinco anos, contados da data de entrada do servidor em
exercício, o Tribunal determinará o registro dos atos que a administração já não puder anular, salvo
comprovada má-fé. (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)

Seção IV
Disposições gerais

Art. 182-J. Nas publicações do Diário Oficial de Contas, será disponibilizado link para o inteiro teor da
decisão do Tribunal em que tiver sido reconhecida a prescrição ou a decadência. (Incluído pelo art. 1º da
Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)

Art. 182-K. O processo será extinto com resolução de mérito quando for reconhecida a prescrição ou
a decadência. (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)

TÍTULO V
DO DIREITO DE DEFESA
CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 183. Aos responsáveis e aos interessados nos processos de competência do Tribunal serão
assegurados a ampla defesa e o contraditório da seguinte forma:
I - vista e cópia dos autos;
II - apresentação de documentos, justificativas e alegações escritas;
III - sustentação oral, perante o Tribunal Pleno e as Câmaras;
IV - obtenção de certidões e informações;
V - conhecimento das decisões do Tribunal;
VI - interposição de recursos.
Parágrafo único. A ampla defesa e o contraditório poderão ser exercidos pela parte ou por procurador
legalmente constituído nos autos.

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CAPÍTULO II
DA VISTA E CÓPIA DOS AUTOS

Art. 184. As partes ou seus procuradores legalmente constituídos poderão requerer vista pelo prazo
de 5 (cinco) dias e cópia de peças dos autos, mediante pedido escrito dirigido ao Presidente, em se
tratando de autos findos, ou ao Relator, em qualquer etapa do processo.
§ 1º O Relator ou o Presidente, mediante portaria, poderá delegar competência aos titulares das
Secretarias do Tribunal Pleno ou das Câmaras para autorização de pedido de vista e extração de cópia
de processo.
§ 2º Na ausência ou afastamento legal do Relator ou do seu substituto e não havendo delegação de
competência, na forma do parágrafo anterior, caberá ao Presidente do respectivo Colegiado decidir sobre
os pedidos previstos no caput deste artigo. § 3º Independem de autorização a concessão de vista e o
fornecimento de cópia de peça de processo às partes ou a seus procuradores, quando os autos estiverem
com abertura de vista para manifestação ou interposição de recurso e cumprimento de diligência.
§ 4º O advogado regularmente inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil poderá examinar, mesmo
sem procuração, autos findos ou processos em andamento que se encontrem na Secretaria, desde que
não estejam sujeitos a sigilo.
§ 5º Na hipótese do parágrafo anterior, a obtenção de cópia dependerá de autorização do Presidente
ou do Relator.
§ 6º Poderão ser indeferidos os pedidos de que trata o caput deste artigo se o processo estiver incluído
em pauta e não restar tempo suficiente para a concessão de vista ou extração de cópias.
§ 7º O estagiário de advocacia, regularmente inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, somente
poderá praticar, isoladamente, os atos previstos no caput quando apresentar procuração conjunta ou
substabelecimento do advogado constituído nos autos e original da identidade profissional.
§ 8º A obtenção de cópia de processos dependerá do recolhimento dos respectivos emolumentos.

Art. 185. Estando a parte com vista dos autos, seu respectivo advogado poderá exercê-la fora de
Secretaria, observado o prazo concedido.
§ 1º Havendo mais de um responsável ou interessado e sendo comum a eles o prazo, só em conjunto
ou mediante prévio ajuste por petição nos autos poderão seus advogados retirar o processo do Tribunal.
§ 2º As Secretarias manterão registro de carga no qual deverão ser anotados os dados necessários à
identificação do processo e do advogado.
§ 3º O advogado retirará os autos mediante apresentação de identificação profissional, fornecimento
dos dados solicitados e assinatura no livro de carga, que registrará a quantidade total de páginas e de
volumes constantes nos autos.
§ 4º O advogado que deixar de devolver os autos no prazo fixado será intimado a fazê-lo, sob as penas
da lei, mediante publicação no Diário Oficial de Contas, envio de fac-símile, mensagem eletrônica ou via
postal e perderá o direito a que alude o caput deste artigo, sem prejuízo da representação à Ordem dos
Advogados do Brasil, e, se for o caso, do encaminhamento ao Ministério Público junto ao Tribunal para
as providências que entender cabíveis. (Redação dada pelo art. 25 da Resolução nº 10/2010, de
30/06/2010)
§ 5º Na hipótese do parágrafo anterior, considera-se perfeita a intimação formalizada via facsímile,
correio eletrônico ou postal, pela simples comprovação do respectivo encaminhamento, de acordo com
os dados fornecidos pelo advogado ao Tribunal, independentemente da pessoa que venha a recebê-la.
§ 6º Se a devolução dos autos não se fizer no prazo legal, mandará o Relator, de ofício, riscar o que
neles houver escrito o advogado e desentranhar as alegações e os documentos apresentados.
Art. 186. Havendo fato ou circunstância relevante, no momento da abertura de vista e mediante
despacho fundamentado, o Relator poderá determinar a permanência dos autos em Secretaria.

CAPÍTULO III
DA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS, JUSTIFICATIVAS E ALEGAÇÕES ESCRITAS

Art. 187. Na etapa de instrução, cabe a apresentação de alegações de defesa ou justificativas no prazo
determinado quando da citação ou intimação do responsável, salvo na hipótese de fato novo
superveniente que afete questão processual ou o mérito do processo, ou se comprovar, dentro daquele
prazo, a ocorrência de justa causa, mediante autorização do Relator.
§ 1º Considera-se justa causa o evento imprevisto, alheio à vontade da parte, e que a impediu de
praticar o ato por si ou por mandatário.

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§ 2º O Relator não conhecerá de alegações de defesa ou justificativas adicionais que contrariem o
disposto neste artigo.
Art. 188. Em qualquer etapa do processo, desde sua constituição até o momento da inclusão em pauta,
é facultada ao responsável ou ao interessado a apresentação de documentos, comprovantes de fato novo
superveniente, que afetem questão processual ou o mérito do processo, mediante solicitação dirigida ao
Relator.
Parágrafo único. Ao tomar conhecimento do fato novo superveniente, o Relator poderá determinar o
reexame da matéria.
Art. 189. Havendo mais de um responsável pelo mesmo fato, a defesa apresentada por um deles
aproveitará a todos, mesmo ao revel, no que concerne às circunstâncias objetivas e não aproveitará no
tocante aos fundamentos de natureza exclusivamente pessoal.
Art. 190. As provas que a parte quiser produzir perante o Tribunal devem sempre ser apresentadas na
forma documental, mesmo as declarações pessoais de terceiros.
Parágrafo único. São inadmissíveis no processo as provas obtidas por meios ilícitos.

CAPÍTULO IV
DA SUSTENTAÇÃO ORAL

Art. 191. No julgamento ou apreciação de processo, salvo no caso de embargos de declaração, as


partes poderão, pessoalmente ou por procurador devidamente constituído, produzir sustentação oral,
após a apresentação, ainda que resumida, do relatório e antes do voto do Relator, desde que a tenha
requerido ao Presidente do respectivo Colegiado até a abertura da sessão.
§ 1º Após o pronunciamento do Ministério Público junto ao Tribunal, se houver, a parte ou seu
procurador falará uma única vez e sem ser interrompido, pelo prazo de até 15 (quinze) minutos, podendo
o Presidente do Colegiado, ante a maior complexidade da matéria, prorrogar o tempo por até igual
período, se previamente requerido.
§ 2º No caso de procurador de mais de uma parte, aplica-se o prazo previsto no parágrafo anterior.
§ 3º Havendo mais de uma parte com procuradores diferentes, o prazo previsto no SS 1º deste artigo
será duplicado e dividido em frações iguais entre estes, obedecida a ordem de solicitação.
§ 4º Se no mesmo processo houver interesses opostos, observar-se-á, relativamente a cada parte, o
disposto nos parágrafos anteriores quanto aos prazos para sustentação oral.
§ 5º Após a sustentação oral, poderão os Conselheiros pedir esclarecimentos que julgarem
necessários para sanar dúvidas eventualmente existentes sobre os fatos aduzidos pelas partes ou por
seus procuradores.
§ 6º Quando se tratar de julgamento ou apreciação de processo em sessão secreta, o responsável ou
interessado e seus procuradores terão acesso à Sala das Sessões ao iniciar-se a apresentação do
relatório.

CAPÍTULO V
DA OBTENÇÃO DE CERTIDÕES E INFORMAÇÕES

Art. 192. A todos é assegurada a obtenção de certidões para defesa de direitos e esclarecimento de
situações de interesse pessoal, mediante pedido escrito formulado ao Presidente.
§ 1º. (Revogado pelo art. 5º da Resolução nº 07/2009, de 01/07/2009)
§ 2º O pedido de certidão, se deferido, será encaminhado à Diretoria própria para que seja passada,
cabendo ao respectivo Diretor subscrevê-la e encaminhá-la à Secretaria Geral para que seja firmada e
entregue ao interessado ou procurador constituído.

Art. 193. Todos têm direito de requerer do Tribunal informações de seu interesse particular ou de
interesse coletivo ou geral.
§ 1º O pedido de informações deverá ser formulado por escrito e dirigido ao Relator, se referente a
processo em tramitação, e, nos demais casos, ao Presidente do Tribunal.
§ 2º Quando se tratar de informação cujo sigilo seja considerado pelo Tribunal como imprescindível à
segurança da sociedade e do Estado e à defesa da intimidade, o requerente será comunicado sobre a
impossibilidade de atendimento da solicitação.
§ 3º As informações pertinentes ao trâmite processual serão disponibilizadas por meio de sistema
eletrônico de consulta.

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Art. 194. As certidões e informações deverão ser fornecidas no prazo de até 15 (quinze) dias, contados
da data:
I - de protocolização do pedido no Tribunal, no caso de certidão; II - do deferimento do pedido, no
caso de informação.

Art. 195. O fornecimento de certidões eletrônicas será regulamentado em ato normativo próprio.

TÍTULO VI
DAS DELIBERAÇÕES
CAPÍTULO I
DAS DECISÕES

Art. 196. As decisões do Tribunal poderão ser interlocutórias, definitivas ou terminativas.


§ 1º Interlocutória é a decisão pela qual o Relator ou o Tribunal decide questão incidental, antes de
pronunciar-se quanto ao mérito.
§ 2º Definitiva é a decisão pela qual o Tribunal examina o mérito.
§ 3º Terminativa é a decisão pela qual o Tribunal ordena o trancamento das contas que forem
consideradas iliquidáveis, ou determina o seu arquivamento pela ausência de pressupostos de
constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo, ou por racionalização administrativa e
economia processual.

Art. 197. No início ou no curso de qualquer apuração, havendo fundado receio de grave lesão ao erário
ou a direito alheio ou de risco de ineficácia da decisão de mérito, o Tribunal poderá, de ofício ou mediante
provocação, determinar medidas cautelares.
§ 1º As medidas cautelares poderão ser adotadas sem prévia manifestação do responsável ou do
interessado, quando a efetividade da medida proposta puder ser obstruída pelo conhecimento prévio.
§ 2º Em caso de comprovada urgência, as medidas cautelares poderão ser determinadas por decisão
monocrática, devendo ser submetidas à ratificação do Tribunal, pelo Relator ou, na hipótese de sua
ausência, pelo Presidente do respectivo colegiado, na primeira sessão subsequente, sob pena de perder
eficácia. (Redação dada pelo art. 1º da Resolução nº 23/2013, de 18/12/2013)
§ 3º Na ausência ou inexistência de Relator, compete ao Presidente a adoção de medidas cautelares
urgentes.
§ 4º Quando ocorrer a redistribuição temporária de processos, nos termos dos artigos 125 e
126 deste Regimento, a competência de que trata o § 2º deste artigo será do Presidente do Colegiado
a que pertencer o Relator temporário do processo. (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 23/2013, de
18/12/2013)

Art. 198. São medidas cautelares a que se refere o artigo anterior, além de outras medidas de caráter
urgente:
I - recomendação à autoridade superior competente, sob pena de responsabilidade solidária, do
afastamento temporário do responsável, se existirem indícios suficientes de que, prosseguindo no
exercício de suas funções, possa retardar ou dificultar a realização de auditoria ou inspeção, causar novos
danos ao erário ou inviabilizar o seu ressarcimento;
II - indisponibilidade, por prazo não superior a um ano, de bens em quantidade suficiente para garantir
o ressarcimento dos danos em apuração;
III - sustação de ato ou de procedimento, até que se decida sobre o mérito da questão suscitada;
IV - arresto.
§ 1º As medidas a que se referem os incisos I, II e IV deste artigo serão solicitadas ao Ministério Público
junto ao Tribunal, que adotará as providências necessárias à sua efetivação.
§ 2º No caso de adoção da medida a que se refere o inciso IV deste artigo, o Tribunal deverá ser
ouvido quanto à liberação dos bens arrestados e sua respectiva restituição.

Art. 199. Às medidas cautelares previstas, aplica-se, subsidiariamente, o Código de Processo Civil.

Art. 200. As deliberações do Tribunal terão a forma de:


I - acórdão, quando se tratar de:
a) processo referente à fiscalização financeira, orçamentária, contábil, operacional e patrimonial;
b) recursos interpostos contra decisões prolatadas pelo Tribunal;
c) incidente de uniformização de jurisprudência;

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d) aprovação de enunciado de súmula de jurisprudência do Tribunal;
II - parecer, quando se tratar de:
a) contas prestadas anualmente pelo Governador e pelos Prefeitos;
b) consulta;
c) empréstimos ou operações de crédito;
d) outros casos em que, por lei, deva o Tribunal assim se manifestar;
III - instrução normativa, quando se tratar de matéria que envolva os jurisdicionados do Tribunal;
IV - resolução, quando se tratar de:
a) aprovação do Regimento Interno, da estrutura organizacional, das atribuições e do funcionamento
do Tribunal e de suas unidades;
b) outras matérias de natureza administrativa interna que, a critério do Tribunal, devam revestir-se
dessa forma;
V - decisão normativa, quando se tratar de fixação de critério ou orientação, bem como de interpretação
de norma jurídica ou procedimento da administração divergente, e não se justificar a edição de instrução
normativa ou resolução;
VI - decisão monocrática, quando a lei ou o Regimento Interno autorizar o Relator ou o Presidente a
decidir isoladamente a questão.

Art. 201. São partes essenciais das deliberações terminativas ou definitivas do Tribunal de que trata o
artigo anterior:
I - o relatório, que contém as informações e conclusões técnicas, os pareceres da Auditoria e do
Ministério Público junto ao Tribunal, quando for o caso, bem como o registro das principais ocorrências
havidas no andamento do processo;
II - a fundamentação em que o Relator analisa as questões de fato e de direito;
III - o dispositivo em que o Relator resolve sobre o mérito.

Art. 202. As notas taquigráficas subsidiarão a elaboração dos registros das deliberações do Tribunal
pela unidade competente.

Seção I
DO ACÓRDÃO

Art. 203. O acórdão deverá ser precedido de ementa e conterá, além do fundamento da decisão:
I - o número do processo e o nome de todos os responsáveis, interessados e de seus procuradores;
II - a indicação do Colegiado que proferiu a decisão;
III - a parte dispositiva da decisão;
IV - a proposta de voto ou o voto vencedor e, no todo ou em parte, os vencidos, bem como o voto de
desempate, quando houver;
V - o registro dos impedimentos e das suspeições;
VI - a proclamação do resultado por unanimidade ou por maioria de votos;
VII - a data da sessão em que foi concluída a deliberação.
Parágrafo único. A ementa poderá ser elaborada pelo Relator ou pelo prolator do voto vencedor.

Art. 204. O acórdão será assinado pelo Presidente do respectivo Colegiado e pelo Relator, ressalvadas
as hipóteses previstas nos §§ 1º, 2º e 3º deste artigo: (Redação dada pelo art. 4º da Resolução nº 07/2009,
de 01/07/2009)
§ 1º Vencido, no todo, o voto proferido ou proposto pelo Relator, o acórdão será assinado pelo
Conselheiro que houver prolatado o primeiro voto vencedor.
§ 2º Vencido, em parte, o Relator, o acórdão será por este assinado e pelo prolator do voto vencedor.
§ 3º No caso de afastamento por período superior a 30 (trinta) dias, o acórdão será assinado: (Redação
dada pelo art. 4º da Resolução nº 07/2009, de 01/07/2009)
I - apenas pelo Presidente do respectivo Colegiado, quando do afastamento do Relator, fazendo
constar o nome deste; (Incluído pelo art. 4º da Resolução nº 07/2009, de 01/07/2009)
II - apenas pelo Relator, quando do afastamento do Presidente do Colegiado, fazendo constar o nome
deste; (Incluído pelo art. 4º da Resolução nº 07/2009, de 01/07/2009)
III- apenas pelo autor do primeiro voto da corrente vencedora na ordem de antiguidade, quando do
afastamento do Presidente do Colegiado e do Relator do processo, fazendo constar o nome deste;
(Incluído pelo art. 4º da Resolução nº 07/2009, de 01/07/2009)

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IV- apenas pelo Presidente do Colegiado, quando o Relator for vencido no todo e o prolator do voto
vencedor estiver afastado, fazendo constar o nome deste; (Incluído pelo art. 4º da Resolução nº 07/2009,
de 01/07/2009)
V- pelo Presidente do Colegiado e pelo prolator do voto vencedor, quando do afastamento do Relator
vencido em parte, fazendo constar o nome deste; (Incluído pelo art. 4º da Resolução nº 07/2009, de
01/07/2009)
VI- pelo Presidente do Colegiado e pelo Relator vencido em parte, quando do afastamento do prolator
do voto vencedor, fazendo constar o nome deste; (Incluído pelo art. 4º da Resolução nº 07/2009, de
01/07/2009)
VII- pelo primeiro vencido, na ordem de antiguidade, quando do afastamento dos autores do voto
vencedor; (Incluído pelo art. 4º da Resolução nº 07/2009, de 01/07/2009)
VIII- por um Conselheiro ad hoc designado pelo Presidente, quando do afastamento de todos os
integrantes do julgamento. (Incluído pelo art. 4º da Resolução nº 07/2009, de 01/07/2009)
§ 4º ;(Revogado pelo art. 1º da Resolução nº 04/2014, de 23/04/2014)

Art. 205. A súmula do acórdão será publicada no Diário Oficial de Contas, dela constando os nomes
dos responsáveis, interessados e de seus procuradores e a data de publicação será certificada nos autos
respectivos. (Redação dada pelo art. 25 da Resolução nº 10/2010, de 30/06/2010)

Art. 206. Observadas as disposições do art. 98 deste Regimento, poderão ser corrigidas as inexatidões
materiais constantes da deliberação.
§ 1º Considera-se inexatidão material passível de correção a decorrente de lapso manifesto, erro
evidente de escrita ou de cálculo.
§ 2º Se tiverem sido colhidas, prevalecerão as notas taquigráficas se o seu teor estiver em desacordo
com o do acórdão.

Seção II
DO PARECER

Art. 207. Aplica-se ao parecer, que será precedido de ementa, o disposto na Seção anterior.

Art. 208. Na prestação de contas do Governador, o parecer será assinado pelo Presidente do Tribunal
Pleno, pelo Relator e pelo Revisor.

CAPÍTULO II
DOS ATOS NORMATIVOS

Art. 209. Os atos normativos do Tribunal consistirão em:


I - Resoluções;
II - Instruções Normativas;
III - Decisões Normativas;
IV - Portarias;
V - Ordens de Serviço.
Parágrafo único. Os atos normativos a que se refere este artigo serão regulamentados em resolução
do Tribunal.

CAPÍTULO III
DA CONSULTA

Art. 210. O Tribunal emitirá parecer em consulta formulada por: (Redação dada pelo art. 1º da
Resolução nº 05/2014, de 30/04/2014)
I – Chefe de Poder do Estado de Minas Gerais ou de um dos seus Municípios; (Redação dada pelo
art. 1º da Resolução nº 05/2014, de 30/04/2014)
II – Presidente do Tribunal de Justiça Militar do Estado de Minas Gerais; (Redação dada pelo art. 1º
da Resolução nº 05/2014, de 30/04/2014)
III – Procurador-Geral de Justiça do Estado de Minas Gerais; (Redação dada pelo art. 1º da Resolução
nº 05/2014, de 30/04/2014)
IV – Advogado-Geral do Estado de Minas Gerais;(Redação dada pelo art. 1º da Resolução nº 05/2014,
de 30/04/2014)

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V – Senador ou Deputado Federal representante do Estado de Minas Gerais; (Redação dada pelo art.
1º da Resolução nº 05/2014, de 30/04/2014)
VI – Deputado do Estado de Minas Gerais ou Secretário do Estado de Minas Gerais ou de um dos
seus Municípios; (Redação dada pelo art. 1º da Resolução nº 05/2014, de 30/04/2014)
VII – 1/3 (um terço), no mínimo, dos Vereadores de Câmara de Município do Estado de Minas Gerais;
(Redação dada pelo art. 1º da Resolução nº 05/2014, de 30/04/2014)
VIII – Dirigente de órgão autônomo, integrante da estrutura organizacional do Estado de Minas Gerais
ou de um dos seus Municípios; (Redação dada pelo art. 1º da Resolução nº 05/2014, de 30/04/2014)
IX – Dirigente de entidade integrante da administração indireta estadual ou municipal, bem como de
empresa, de cujo capital social o Estado de Minas Gerais ou um dos seus Municípios participem, de forma
direta ou indireta, nos termos de ato constitutivo ou de contrato; (Redação dada pelo art. 1º da Resolução
nº 05/2014, de 30/04/2014)
X – Representante legal de entidade associativa de Municípios; ou (Redação dada pelo art. 1º da
Resolução nº 05/2014, de 30/04/2014)
XI – Chefe de órgão interno de controle do Estado de Minas Gerais ou de um dos seus Municípios.
(Redação dada pelo art. 1º da Resolução nº 05/2014, de 30/04/2014)

Art. 210-A O parecer emitido sobre consulta tem caráter normativo e constitui prejulgamento de tese.
(Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 05/2014, de 30/04/2014)
Parágrafo único. Considerar-se-á revogada ou reformada a tese sempre que o Tribunal firmar nova
interpretação acerca do mesmo objeto, devendo o parecer conter expressa remissão às consultas
anteriores. (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 05/2014, de 30/04/2014)

Art. 210-B A consulta será recebida, por meio de formulário eletrônico disponibilizado no Portal do
Tribunal na internet, protocolizada, autuada, distribuída e encaminhada a Conselheiro, para análise dos
pressupostos de admissibilidade, observados, no que couberem, os critérios do CAPÍTULO IV do TÍTULO
IV deste Regimento. (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 05/2014, de 30/04/2014)
§ 1º São pressupostos de admissibilidade: (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 05/2014, de
30/04/2014)
I – estar subscrita por autoridade definida no art. 210 deste Regimento; (Incluído pelo art. 2º da
Resolução nº 05/2014, de 30/04/2014)
II – referir-se a matéria de competência do Tribunal; (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 05/2014, de
30/04/2014)
III – versar sobre matéria em tese e, não, sobre caso concreto; (Incluído pelo art. 2º da
Resolução nº 05/2014, de 30/04/2014)
IV – conter indicação precisa da dúvida ou da controvérsia suscitada; (Incluído pelo art. 2º da
Resolução nº 05/2014, de 30/04/2014)
V – referir-se a questionamento não respondido em consultas anteriores, salvo quando o Conselheiro
entender pela necessidade de propor a revogação ou reforma da tese vigente. (Incluído pelo art. 2º da
Resolução nº 05/2014, de 30/04/2014)
§ 2º Preenchidos os requisitos elencados nos incisos I a IV do § 1º deste artigo, o Conselheiro
encaminhará a documentação da consulta à Assessoria de Súmula, Jurisprudência e Consultas Técnicas
para verificação do disposto no inciso V do § 1º e elaboração, no prazo de 10 (dez) dias úteis, de relatório
técnico, o qual indicará, se for o caso, as deliberações proferidas pelo Tribunal sobre a questão suscitada
e os respectivos fundamentos. (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 05/2014, de 30/04/2014)
§ 3º Na hipótese de a consulta não preencher os pressupostos de admissibilidade, o Conselheiro
determinará à Secretaria Geral e do Tribunal Pleno a adoção das seguintes medidas: (Incluído pelo art.
2º da Resolução nº 05/2014, de 30/04/2014)
I – intimação do consulente, mediante publicação do despacho no Diário Oficial de Contas;(Incluído
pelo art. 2º da Resolução nº 05/2014, de 30/04/2014)
II – encaminhamento, em meio eletrônico, ao consulente das deliberações do Tribunal que
demonstram a consolidação da tese, se houver; e (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 05/2014, de
30/04/2014)
III – arquivamento da consulta monocraticamente. (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 05/2014, de
30/04/2014)

Art. 210-C Preenchidos os pressupostos estabelecidos no § 1º do art. 210-B, o Conselheiro Relator


poderá encaminhar o processo de consulta à unidade técnica para, no prazo de quinze dias úteis, elaborar
relatório sobre a questão suscitada. (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 05/2014, de 30/04/2014)

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Parágrafo único. As deliberações do Tribunal Pleno sobre o mérito da consulta serão aprovadas por
maioria absoluta dos Conselheiros, incluído o Presidente do Tribunal. (Incluído pelo art. 2º da Resolução
nº 05/2014, de 30/04/2014)

Art. 210-D Após a deliberação do Tribunal Pleno, a Secretaria Geral e do Tribunal Pleno providenciará:
(Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 05/2014, de 30/04/2014)
I – a elaboração da nota taquigráfica; (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 05/2014, de 30/04/2014)
II – a elaboração da ementa do parecer, nos termos do art. 207 deste Regimento, e a sua publicação
no Diário Oficial de Contas; (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 05/2014, de 30/04/2014)
III – o encaminhamento, em meio eletrônico, da nota taquigráfica e da ementa do parecer ao
consulente; e (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 05/2014, de 30/04/2014)
IV – o arquivamento do processo de consulta. (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 05/2014, de
30/04/2014)
§ 1º A publicação da ementa do parecer no Diário Oficial de Contas valerá como intimação ao
consulente, nos termos do art. 167 deste Regimento. (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 05/2014, de
30/04/2014)
§ 2º Na publicação de que trata o § 1º, será disponibilizado link com o inteiro teor da ementa do parecer
e da nota taquigráfica. (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 05/2014, de 30/04/2014)

Art. 210-E As consultas respondidas pelo Tribunal Pleno serão divulgadas no Informativo de
Jurisprudência, instituído na Resolução nº 03, de 20/05/2009, e disponibilizadas, em seu inteiro teor, no
Portal do Tribunal na internet. (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 05/2014, de 30/04/2014)

Art. 211 ao Art. 216. (Revogado pelo art. 3º da Resolução nº 05/2014, de 30/04/2014)

CAPÍTULO V
DA SÚMULA

Art. 217. A súmula de jurisprudência constituir-se-á de princípios ou enunciados, resumindo teses,


precedentes e entendimentos adotados pelo Tribunal Pleno ou pelas Câmaras ao deliberar sobre
matérias de suas respectivas competências.
§ 1º São necessárias, pelo menos, 5 (cinco) decisões do Tribunal Pleno no mesmo sentido, mediante
aprovação de, no mínimo, 5 (cinco) de seus membros efetivos, em cada uma, para que se possa constituir
súmula de jurisprudência.
§ 2º As decisões das Câmaras adotadas pelo menos por 5 (cinco) vezes, sobre a mesma matéria,
serão submetidas ao Tribunal Pleno e constituirão súmula de jurisprudência, se forem ratificadas por, no
mínimo, 5 (cinco) membros efetivos, incluído o Presidente.

Art. 218. Qualquer enunciado poderá ser incluído, revisto, cancelado ou restabelecido no repertório
das súmulas de jurisprudência mediante aprovação pelo Tribunal Pleno por, no mínimo, 5 (cinco)
Conselheiros efetivos.
§ 1º A inclusão, revisão, cancelamento e restabelecimento de súmula é de iniciativa do
Presidente e dos Conselheiros, podendo ser requerida pelos Auditores e Procuradores do Ministério
Público junto ao Tribunal.
§ 2º O Vice-Presidente será relator do projeto de súmula e das propostas de revisão, cancelamento ou
restabelecimento e apresentará os respectivos enunciados.

Art. 219. Na organização gradativa da súmula, será adotada uma numeração cardinal de referência
para os enunciados, em sequência, devendo constar a citação dos dispositivos legais pertinentes e dos
julgados em que se fundamentou a decisão.
Parágrafo único. Ficarão com nota de cancelamento os números dos enunciados que o Tribunal
revogar, mantido o mesmo número naqueles que forem modificados, com a ressalva correspondente.

Art. 220. A referência à súmula será feita pelo número correspondente ao seu enunciado e dispensará,
perante o Tribunal, a indicação de julgados no mesmo sentido.

Art. 221. O Tribunal fará, bienalmente, a consolidação das súmulas, obedecendo à ordem sequencial
dos enunciados, com indicação precisa das alterações ocorridas no período, respectivo índice remissivo,

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por número e natureza da matéria sumulada, a ser publicada no Diário Oficial de Contas e no Portal do
Tribunal na internet. (Redação dada pelo art. 25 da Resolução nº 10/2010, de 30/06/2010)

Art. 222. A súmula somente poderá deixar de ser observada, quando da análise das especificidades
do caso concreto, por deliberação da maioria absoluta do Tribunal Pleno, sem prejuízo da apresentação
de voto divergente.

CAPÍTULO VI
DA UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA

Art. 223. Poderá ser arguido por Conselheiro, Auditor, Procurador do Ministério Público junto ao
Tribunal, responsável ou interessado, incidente de uniformização de jurisprudência, quando verificada
divergência em deliberações originárias do Tribunal Pleno ou das Câmaras.
Parágrafo único. Na arguição do incidente de uniformização de jurisprudência deverá ser indicada
expressamente pelo suscitante os processos nos quais tenham ocorrido as decisões divergentes.

Art. 224. Recebido o incidente de uniformização, ficam sobrestados o julgamento do processo principal
e a tramitação daqueles que versarem sobre matéria similar.
§ 1º Reconhecida a existência de divergência pelo Relator, será colhida a manifestação escrita do
Ministério Público junto ao Tribunal, e, em seguida, submetida a matéria à deliberação do Tribunal Pleno.
§ 2º Não sendo reconhecida a existência de divergência, o Relator apresentará seus fundamentos ao
Tribunal Pleno que, se os acolher, prosseguirá na apreciação do mérito do processo principal, se este
estiver no âmbito de sua competência, ou o encaminhará ao Colegiado competente.
§ 3º Vencido o Relator, na hipótese do parágrafo anterior, o incidente de uniformização prosseguirá na
forma prevista no SS 1º e passa a atuar como Relator o Conselheiro que primeiro proferir o voto vencedor.

Art. 225. Reconhecida a existência de divergência, o Tribunal Pleno fixará a exegese acolhida, por 5
(cinco) votos, no mínimo, de seus Conselheiros efetivos, incluído o do Presidente, tornando-se a matéria
súmula do Tribunal.

TÍTULO VII
DAS ATIVIDADES DO CONTROLE EXTERNO
CAPÍTULO I
DO PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES DE CONTROLE EXTERNO

Art. 226. As atividades de controle externo deverão ser planejadas e integradas, observando-se, entre
outros, os princípios da eficiência, eficácia e efetividade do controle.
Parágrafo único. O planejamento das atividades de controle externo deverá observar, dentre outros,
os critérios de materialidade, risco, relevância e oportunidade, regulamentados em ato normativo próprio.

Art. 227. O Tribunal estabelecerá as diretrizes para o exercício das atividades de controle externo, em
ato normativo próprio.

CAPÍTULO II
DAS CONTAS DO GOVERNADOR E DO PREFEITO
Seção I
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 228. As contas do Governador e dos Prefeitos serão apresentadas ao Tribunal, para fins de parecer
prévio, na forma e nos prazos estabelecidos na Constituição do Estado, na Lei Complementar nº
102/2008, neste Regimento Interno e demais atos normativos do Tribunal.
§ 1º Na apreciação das contas a que se refere este artigo serão considerados os resultados dos
procedimentos de fiscalização realizados, bem como os de outros processos que possam repercutir em
sua análise.
§ 2º A emissão do parecer prévio não exclui a competência do Tribunal para o julgamento das contas
dos administradores e demais responsáveis, bem como daqueles que derem causa à perda, extravio ou
outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário, nos termos do artigo 71, inciso II, da Constituição
da República de 1988 e do artigo 76, incisos II e III, da Constituição do Estado de 1989.

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Seção II
DAS CONTAS DO GOVERNADOR

Art. 229. As contas anuais prestadas pelo Governador serão examinadas em sessão extraordinária
pelo Tribunal, que emitirá parecer prévio no prazo de 60 (sessenta) dias, a contar de seu recebimento.
§ 1º No prazo de 60 (sessenta) dias, contados da abertura da sessão legislativa, as contas
apresentadas pelo Governador à Assembleia Legislativa serão também remetidas ao Tribunal.
§ 2º Se as contas não forem apresentadas no prazo previsto pelo parágrafo anterior ou se o forem sem
atender aos requisitos legais e regulamentares quanto à sua correta instrução, o Tribunal comunicará o
fato à Assembleia Legislativa para, dentre outras medidas, promover a respectiva tomada de contas, nos
termos do art. 62, inciso XIX, da Constituição do Estado.
§ 3º Na hipótese do parágrafo anterior, o prazo para emissão do parecer prévio será contado a partir
da apresentação das contas ou da regularização do processo perante o Tribunal, dando-se ciência do
fato à Assembleia Legislativa.

Art. 230. A prestação de contas apresentada pelo Governador, observada a legislação pertinente,
consiste no Balanço Geral do Estado e nos demais documentos e informações exigidos neste Regimento
e em atos normativos do Tribunal.
§ 1º As contas serão acompanhadas de relatório e de parecer conclusivo do órgão central do controle
interno, que conterão os elementos indicados em atos normativos do Tribunal.
§ 2º Visando subsidiar a análise das contas, poderão ser realizadas inspeções, auditorias,
levantamentos e acompanhamentos.

Art. 231. Serão sorteados, na última sessão ordinária do Tribunal Pleno de cada ano, o Conselheiro
Relator, o Revisor e o Auditor para o acompanhamento da gestão estadual, observado o princípio da
alternância.
§ 1º O acompanhamento compreende, dentre outros, a avaliação e o controle da execução do
orçamento, segundo os instrumentos de planejamento governamental, assim como a verificação do
cumprimento das normas constitucionais, legais e, em especial, das normas de responsabilidade fiscal,
visando subsidiar a emissão do parecer prévio, na forma da legislação aplicável.
§ 2º Poderá ser criada uma comissão específica para o efetivo acompanhamento da execução
orçamentária e do exame das contas anuais do Governador, a critério do Relator.

Art. 232. O parecer prévio será conclusivo quanto à observância das normas constitucionais e legais
e quanto à situação financeira, orçamentária, contábil e patrimonial do Estado em 31 de dezembro.
Parágrafo único. O relatório técnico, que acompanhará o parecer prévio, conterá análise detalhada das
contas apresentadas pelo Governador, bem como elementos e informações sobre o cumprimento das
metas estabelecidas nos instrumentos de planejamento governamental e seus reflexos no
desenvolvimento econômico e social do Estado.

Art. 233. Após protocolizada e autuada, a prestação de contas do Governador será imediatamente
encaminhada à unidade técnica competente para análise, comunicando-se o fato ao Relator.
§ 1º O Relator poderá determinar as medidas necessárias à completa instrução do processo.
§ 2º Saneado o processo e havendo indício de irregularidade, o Relator determinará a citação do
Governador para que se manifeste no prazo improrrogável de 30 (trinta) dias, após o que, a unidade
técnica competente procederá ao reexame, se for o caso.
§ 3º Na hipótese do parágrafo anterior, o prazo previsto no caput do art. 229 deste Regimento ficará
suspenso até o cumprimento da medida de instrução.
§ 4º Encerrada a fase instrutória, o processo será encaminhado à Auditoria e ao Ministério Público
junto ao Tribunal para emissão de parecer escrito, fazendo-se, em seguida, os autos conclusos ao
Relator.
§ 5º O Relator elaborará o relatório e a proposta de parecer prévio, remetendo o processo ao
Conselheiro Revisor que solicitará a sua inclusão em pauta para deliberação, e, se houver manifestação
ou ressalva, retornarão os autos ao Relator para exame.

Art. 234. Após a emissão do parecer prévio, o Governador responsável pelas contas será intimado da
deliberação.
Parágrafo único. Transcorrido o prazo para a interposição de pedido de reexame, o Presidente do
Tribunal:

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I - encaminhará imediatamente à Assembleia Legislativa e ao Governador o parecer prévio
acompanhado do relatório da unidade técnica competente, dos votos do Relator, do Revisor e dos demais
Conselheiros, bem como dos pareceres da Auditoria e do Ministério Público junto ao Tribunal;
II - determinará a divulgação do inteiro teor do parecer prévio no Diário Oficial de Contas e da
documentação prevista no inciso anterior no Portal do Tribunal na internet. (Redação dada pelo art. 25 da
Resolução nº 10/2010, de 30/06/2010)

Seção III
DAS CONTAS DO PREFEITO

Art. 235. As contas anuais prestadas pelo Prefeito serão examinadas pelo Tribunal, que emitirá parecer
prévio no prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias, a contar do seu recebimento.
§ 1º As contas serão apresentadas pelo Prefeito ao Tribunal no prazo de 90 (noventa) dias, após o
encerramento do exercício.
§ 2º Se as contas não forem apresentadas no prazo previsto no parágrafo anterior, ou se o forem sem
atender aos requisitos legais e regulamentares quanto à sua correta instrução, o Tribunal comunicará o
fato à Câmara Municipal para, dentre outras medidas, promover a respectiva tomada de contas, nos
termos da legislação aplicável.
§ 3º Na hipótese do parágrafo anterior, o prazo para emissão do parecer prévio será contado a partir
da apresentação das contas ou da regularização do processo perante o Tribunal, dando-se ciência do
fato à Câmara Municipal.

Art. 236. Observada a legislação pertinente, as contas deverão conter os balanços gerais do
Município, nos quais constarão os dados relativos à execução orçamentária, financeira e patrimonial
dos órgãos do Poder Executivo, consolidados com aqueles atinentes ao Poder Legislativo e às entidades
da administração indireta municipal, e serão acompanhadas do relatório e do parecer conclusivo do órgão
de controle interno do Poder Executivo, além de outros documentos exigidos em ato normativo do
Tribunal.

Art. 237. Aplicam-se, no que couber, aos processos de prestação de contas do Prefeito as disposições
do art. 232 deste Regimento.

Art. 238. Após a emissão do parecer prévio, o Prefeito responsável pelas contas será intimado da
deliberação.
Parágrafo único. Transcorrido o prazo para a interposição de pedido de reexame, o Presidente do
Colegiado que houver emitido o parecer:
I - encaminhará à Câmara Municipal e ao Prefeito o parecer prévio emitido, acompanhado do relatório
da unidade técnica competente;
II - determinará a publicação da ementa do parecer prévio no Diário Oficial de Contas e do seu inteiro
teor no Portal do Tribunal na internet. (Redação dada pelo art. 25 da Resolução nº 10/2010, de
30/06/2010)

Art. 239. Após o recebimento do parecer prévio, a Câmara Municipal terá até 120 (cento e vinte) dias
para julgar as contas e remeter ao Tribunal cópia autenticada da resolução aprovada, bem como das atas
das sessões em que o pronunciamento da Câmara se tiver verificado, com a relação nominal dos
Vereadores presentes e o resultado numérico da votação.
§ 1º Concluído o julgamento das contas, o Presidente da Câmara Municipal enviará ao Tribunal a
documentação pertinente, no prazo de até 30 (trinta) dias, que não poderá exceder aquele estabelecido
no caput deste artigo, após o que a Secretaria da Câmara competente do Tribunal procederá à sua
juntada ao processo e encaminhará os autos ao Ministério Público junto ao Tribunal.
§ 2º O Ministério Público junto ao Tribunal analisará a documentação a que se refere este artigo e
adotará, entre outras medidas, as seguintes providências:
I - encaminhará o processo ao Relator, para fins de arquivamento dos autos, mediante despacho, caso
a deliberação da Câmara Municipal observe a legislação aplicável;
II - comunicará ao Relator do processo a inobservância da legislação aplicável ao julgamento das
contas.
§ 3º Caso não haja manifestação da Câmara Municipal no prazo previsto no caput deste artigo, contado
a partir da data da juntada do respectivo aviso de recebimento aos autos, a Secretaria da Câmara

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competente do Tribunal certificará no processo o ocorrido, encaminhando os autos, em seguida, ao
Ministério Público junto ao Tribunal.
§ 4º No caso do parágrafo anterior, sem prejuízo das demais providências cabíveis, o Ministério Público
junto ao Tribunal remeterá os autos ao Relator que submeterá a matéria ao Colegiado competente, para
fins da aplicação da multa a que se refere o art. 85, inciso IX, da Lei Complementar nº 102/2008.

Seção IV
DA DELIBERAÇÃO EM PARECER PRÉVIO

Art. 240. A emissão do parecer prévio poderá ser:


I - pela aprovação das contas, quando ficar demonstrada, de forma clara e objetiva, a exatidão dos
demonstrativos contábeis, a compatibilidade dos planos e programas de trabalho com os resultados da
execução orçamentária, a correta realocação dos créditos orçamentários e o cumprimento das normas
constitucionais e legais;
II - pela aprovação das contas, com ressalva, quando ficar caracterizada impropriedade ou qualquer
outra falta de natureza formal da qual não resulte dano ao erário, sendo que eventuais recomendações
serão objeto de monitoramento pelo Tribunal;
III - pela rejeição das contas, quando caracterizados atos de gestão em desconformidade com as
normas constitucionais e legais.

CAPÍTULO III
DAS CONTAS ANUAIS DOS RESPONSÁVEIS E ADMINISTRADORES E DAS CONTAS
ESPECIAIS Seção I
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 241. Compete ao Tribunal julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por
dinheiro, bens ou valores públicos, de órgão dos Poderes do Estado ou de Município ou de entidade da
administração indireta estadual ou municipal, bem como do Ministério Público Estadual e, ainda, dos que
tiverem dado causa a perda, extravio ou a outra irregularidade de que tenha resultado prejuízo ao erário.
Parágrafo único. Para o exercício da competência a que refere este artigo, considera-se:
I - contas anuais, o conjunto de documentos, informações e demonstrativos de natureza contábil,
financeira, orçamentária, operacional ou patrimonial encaminhados ao Tribunal, na forma de tomada ou
de prestação de contas, para fins de julgamento da gestão dos responsáveis por bens, dinheiros e valores
públicos durante o exercício financeiro;
II - prestação de contas anual, o procedimento pelo qual o responsável por órgãos e entidades
estaduais e municipais apresenta documentos, informações e demonstrativos de natureza contábil,
financeira, orçamentária, operacional ou patrimonial destinado a comprovar, perante o Tribunal, a
regularidade da gestão dos recursos públicos durante o exercício financeiro;
III - tomada de contas anual, o procedimento pelo qual o órgão competente toma as contas dos
responsáveis por unidades de gestão financeira e patrimonial, compreendendo o conjunto de
documentos, informações e demonstrativos de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional
ou patrimonial destinado a comprovar, perante o Tribunal, a regularidade da gestão dos recursos públicos
durante o exercício financeiro;
IV - tomada de contas extraordinária, o procedimento instaurado pelo Tribunal nos casos em que as
contas a ele devidas não tenham sido prestadas no prazo legal, nos termos do art. 3º, inciso VI, da Lei
Complementar nº 102/2008, ou se o forem sem atender aos requisitos legais e regulamentares quanto à
sua correta instrução;
V - tomada de contas especial, o procedimento instaurado pela autoridade administrativa competente
ou pelo Tribunal, de ofício, para apuração dos fatos e quantificação do dano, quando caracterizadas as
ocorrências previstas no art. 47 da Lei Complementar nº 102/2008.

Seção II
DA TOMADA E DA PRESTAÇÃO DE CONTAS ANUAIS

Art. 242. O Tribunal definirá, até o fim do último trimestre de cada ano, a forma de apresentação e a
composição das contas anuais, bem como os procedimentos para sua análise, observadas as diretrizes
de controle estabelecidas para o período e os critérios de materialidade, relevância e risco,
regulamentados em ato normativo próprio.

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§ 1º As tomadas e prestações de contas anuais serão acompanhadas do relatório e do parecer
conclusivo do órgão de controle interno e conterão os elementos indicados em ato normativo do Tribunal.
§ 2º Os titulares dos Poderes constituídos, nos âmbitos estadual e municipal, assim como o Chefe do
Ministério Público Estadual, encaminharão ao Tribunal, em cada exercício, o rol dos responsáveis por
dinheiro, bens e valores públicos, com a indicação da natureza da responsabilidade, e outros documentos
ou informações considerados necessários, na forma e prazo estabelecidos em ato normativo do Tribunal.
§ 3º No julgamento das contas anuais serão considerados também os resultados dos procedimentos
de fiscalização realizados e os de outros processos que possam repercutir no exame da legalidade,
legitimidade, economicidade e razoabilidade da gestão.

Art. 243. As contas serão organizadas anualmente pelos responsáveis ou ao fim da gestão, quando
da extinção, liquidação, dissolução, transformação, fusão, incorporação ou desestatização de unidades
jurisdicionadas, ocorridas antes do término do exercício financeiro.

Art. 244. Salvo disposição legal ou regulamentar em contrário, as prestações de contas anuais deverão
ser apresentadas ao Tribunal, em até 120 (cento e vinte) dias, contados do encerramento do
correspondente exercício financeiro ou do fim da gestão.
§ 1º Se as contas não forem apresentadas no prazo a que se refere o caput deste artigo ou se não
forem atendidos os requisitos legais e regulamentares quanto à sua constituição, a unidade técnica
competente comunicará o fato ao Presidente do Tribunal que determinará a instauração da tomada de
contas extraordinária.
§ 2º Após a autuação do processo de tomada de contas extraordinária, o responsável será intimado
para apresentar as contas ou proceder à sua regularização, no prazo de até 15 (quinze) dias.
§ 3º Não apresentadas no prazo a que se refere o parágrafo anterior, as contas serão consideradas
irregulares.

Seção III
DA TOMADA DE CONTAS ESPECIAL

Art. 245. A autoridade administrativa competente, esgotadas as medidas administrativas internas,


deverá instaurar, sob pena de responsabilidade solidária, tomada de contas especial para apuração dos
fatos, quantificação do dano e identificação dos responsáveis, quando caracterizadas as hipóteses
previstas no art. 47 da Lei Complementar nº 102/2008.
§ 1º No caso de não cumprimento do disposto no caput deste artigo, o Tribunal determinará a
instauração de tomada de contas especial.
§ 2º Não atendida a determinação prevista no parágrafo anterior, o Tribunal, de ofício, instaurará a
tomada de contas especial, sem prejuízo da aplicação das sanções legais cabíveis.
§ 3º Após ser protocolizado e autuado, o processo seguirá, imediatamente, ao Relator, que adotará as
medidas cabíveis ou poderá determinar o encaminhamento dos autos à unidade técnica competente.
§ 4º Os procedimentos e elementos que integram a tomada de contas especial serão estabelecidos
em ato normativo do Tribunal.

Art. 246. As medidas administrativas internas, com vistas ao ressarcimento ao erário, deverão ser
adotadas em até 180 (cento e oitenta) dias, contados:
I - da data fixada para apresentação da prestação de contas, nos casos de omissão no dever de prestar
contas e da falta de comprovação da aplicação de recursos repassados pelo
Estado ou pelo Município;
II - da data do evento, quando conhecida, ou da data da ciência do fato, nos demais casos.
Parágrafo único. A instrução do processo de tomada de contas especial deverá conter relatório
circunstanciado acerca das medidas internas adotadas.

Art. 247. Não será instaurada a tomada de contas especial, caso ocorra o devido ressarcimento integral
ao erário no prazo a que se refere o artigo anterior e esteja comprovada a boa fé dos responsáveis.
Parágrafo único. Considera-se como integral ressarcimento ao erário:
I - a completa restituição do valor do dano atualizado monetariamente; ou
II - em se tratando de bens, a respectiva reposição ou a restituição da importância equivalente aos
preços de mercado, à época do efetivo recolhimento, levando-se em consideração o seu estado de
conservação.

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Art. 248. A tomada de contas especial será encaminhada ao Tribunal para julgamento se o dano ao
erário for de valor igual ou superior à quantia fixada em decisão normativa.
§ 1º Se o dano for de valor inferior à quantia a que alude o caput deste artigo, ou se houver, no decorrer
da tomada de contas especial, o devido ressarcimento ao erário junto ao órgão ou entidade instauradora,
o fato deverá constar do relatório do órgão de controle interno que acompanha a respectiva tomada ou a
prestação de contas anual da autoridade administrativa competente.
§ 2º As tomadas de contas especiais em tramitação no Tribunal, cujo dano ao erário seja inferior ao
valor fixado, poderão ser arquivadas, sem cancelamento do débito, desde que ainda não tenha sido
efetivada a citação dos responsáveis.
§ 3º Na hipótese do parágrafo anterior, o responsável poderá solicitar ao Relator o desarquivamento
do processo para julgamento.

Art. 249. Os procedimentos de fiscalização do Tribunal serão convertidos em tomada de contas


especial pelo Relator ou pelo Órgão Colegiado competente, caso já esteja devidamente quantificado o
dano e identificado o responsável, procedendo-se à sua citação para que apresente defesa ou recolha a
quantia devida pelo seu valor atualizado.
Parágrafo único. Os autos objeto da conversão em tomada de contas especial deverão ser
encaminhados à unidade de Protocolo para registro da nova natureza, mantendo-se a relatoria e o número
de protocolo originais.

Seção IV
DAS DECISÕES EM TOMADA E PRESTAÇÃO DE CONTAS

Art. 250. As contas serão julgadas:


I - regulares, quando expressarem, de forma clara e objetiva, a exatidão dos demonstrativos contábeis
e a legalidade, a legitimidade, a economicidade e a razoabilidade dos atos de gestão do responsável;
II - regulares, com ressalva, quando evidenciarem impropriedade ou qualquer outra falta de natureza
formal de que não resulte dano ao erário;
III - irregulares, quando comprovada qualquer das seguintes ocorrências: a) omissão do dever de
prestar contas;
b) prática de ato ilegal, ilegítimo ou antieconômico;
c) infração grave a norma legal ou regulamentar de natureza contábil, financeira, orçamentária,
operacional ou patrimonial;
d) dano injustificado ao erário, decorrente de ato de gestão ilegítimo ou antieconômico;
e) desfalque ou desvio de dinheiro, bens ou valores públicos.
§ 1º O Tribunal poderá julgar irregulares as contas no caso de descumprimento de determinação de
que o responsável tenha tido ciência, feita em processo de tomada ou prestação de contas.
§ 2º Serão consideradas não prestadas as contas que, embora encaminhadas, não reúnam as
informações e os documentos exigidos na legislação em vigor, bem como nos atos normativos do
Tribunal.

Art. 251. Quando julgar as contas regulares, o Tribunal dará quitação ao responsável.

Art. 252. Quando julgar as contas regulares, com ressalva, o Tribunal dará quitação ao responsável e
lhe determinará, ou a quem lhe haja sucedido, a adoção das medidas necessárias à correção das
impropriedades ou faltas identificadas, de modo a prevenir a reincidência.
Parágrafo único. As medidas determinadas serão objeto de monitoramento pelo Tribunal.

Art. 253. Apurada irregularidade nas contas, caberá ao Tribunal Pleno, às Câmaras ou ao Relator,
conforme o caso:
I - definir a responsabilidade individual ou solidária pelo ato de gestão impugnado;
II - ordenar, se houver débito, a citação do responsável, para, na forma e nos prazos estabelecidos
neste Regimento, apresentar defesa ou recolher a quantia devida, pelo seu valor atualizado;
III - determinar, se não houver débito, a citação do responsável, para, no prazo fixado neste Regimento,
apresentar razões de defesa;
IV - adotar outras medidas cabíveis, inclusive de caráter cautelar.

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Art. 254. Quando julgar as contas irregulares, havendo débito, o Tribunal determinará ao responsável
que promova o recolhimento de seu valor, atualizado monetariamente e acrescido de juros de mora, sem
prejuízo da aplicação das sanções legais cabíveis.
§ 1º Caracterizada e reconhecida pelo Tribunal a boa-fé do gestor, o processo será considerado
encerrado com o recolhimento tempestivo do débito, devidamente atualizado, salvo no caso da existência
de outra irregularidade nas contas.
§ 2º Julgadas irregulares as contas, os autos serão remetidos aoMinistério Público junto ao Tribunal
para as providências cabíveis.

Art. 255. O Tribunal determinará o trancamento das contas que forem consideradas iliquidáveis.
§ 1º As contas são consideradas iliquidáveis quando, por motivo de força maior ou caso fortuito,
comprovadamente alheio à vontade do agente, tornar-se materialmente impossível o julgamento de
mérito.
§ 2º Dentro do prazo de 5 (cinco) anos, contados da publicação da decisão terminativa no Diário Oficial
de Contas, o Tribunal poderá, à vista de novos elementos que considere suficientes, autorizar o
desarquivamento do processo e determinar que se ultime a respectiva tomada ou prestação de contas,
observado o disposto no § 5º do art. 37 da Constituição da República. (Redação dada pelo art. 25 da
Resolução nº 10/2010, de 30/06/2010)

CAPITULO IV
DOS ATOS SUJEITOS A REGISTRO

Art. 256. O Tribunal apreciará, para fins de registro, mediante procedimentos de fiscalização ou
processo específico, conforme ato normativo próprio, a legalidade dos atos de:
I - admissão de pessoal, a qualquer título, por órgão ou entidade das administrações direta e indireta,
incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo poder público, no âmbito estadual e municipal,
excluídas as nomeações para cargo de provimento em comissão;
II - concessão de aposentadoria, reforma e pensão, bem como as melhorias posteriores que tenham
alterado o fundamento legal do ato concessório.

Art. 257. Para a deliberação acerca da legalidade dos atos sujeitos a registro, a autoridade
administrativa responsável deverá submeter ao Tribunal os documentos e informações atinentes aos atos
de admissão de pessoal e de concessão de aposentadoria, reforma e pensão, na forma e prazo
estabelecidos em ato normativo do Tribunal.
§1º A fiscalização dos atos de concessão de aposentadoria, reforma, pensão, complementação de
proventos de aposentadoria e de pensão, bem como do cancelamento de ato concessório dar-se-á,
dentre outros procedimentos de fiscalização, por meio do exame de documentos e de informações
enviados eletronicamente pelo Sistema Informatizado de Fiscalização de Atos de Pessoal – FISCAP.
(Redação dada pelo art. 1º da Resolução nº 05/2011, de 27/04/2011)
§ 2º As informações relativas aos atos de que trata o § 1º passarão por críticas preliminares do Sistema
FISCAP, conforme parâmetros pré-definidos pela Unidade Técnica competente para identificação de
inconsistências. (Redação dada pelo art. 1º da Resolução nº 05/2011, de 27/04/2011)
§ 3º Os processos considerados consistentes pelo Sistema FISCAP serão separados por natureza e
agrupados em bloco por Município; e, tratando-se do Estado, por Órgão ou Entidade, observando-se:
(Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 05/2011, de 27/04/2011)
I - a Coordenadoria de Protocolo promoverá a autuação individualizada, cada ato recebendo
numeração própria, gerada pelo Sistema de Gestão de Administração de Processos – SGAP, seguida de
distribuição a Relator e disponibilização à Unidade Técnica;(Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 05/2011,
de 27/04/2011)
II - os processos em bloco tramitarão, em capa única, junto a um processo piloto;(Incluído pelo art. 1º
da Resolução nº 05/2011, de 27/04/2011)
III - para cada bloco de processos, o sistema FISCAP emitirá um relatório que será inserido no
processo piloto, devendo conter:(Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 05/2011, de 27/04/2011)
a) número do processo, gerado pela inclusão no SGAP;(Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 05/2011,
de 27/04/2011)
b) nome e número de Cadastro de Pessoa Física – CPF do servidor ou do militar;(Incluído pelo art. 1º
da Resolução nº 05/2011, de 27/04/2011)
c) natureza do ato;(Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 05/2011, de 27/04/2011)
d) cargo ou função, posto ou graduação, unidade ou órgão de lotação;(Incluído pelo art.

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1º da Resolução nº 05/2011, de 27/04/2011)
e) data da concessão efetiva do benefício ou data em que se deu o cancelamento;(Incluído pelo art.
1º da Resolução nº 05/2011, de 27/04/2011)
f) data em que se deu publicidade ao ato;(Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 05/2011, de 27/04/2011)
g) no caso de pensão, nome e número do CPF do servidor falecido e do beneficiário, relação de
dependência, data do óbito, da concessão efetiva do benefício e a data em que se deu publicidade ao
ato. (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 05/2011, de 27/04/2011)
§ 4º Recebidos os processos, a Unidade Técnica competente manifestar-se-á, nos termos do art. 150
deste Regimento. (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 05/2011, de 27/04/2011)
§ 5º Fica dispensado o envio ao Ministério Público junto ao Tribunal dos processos considerados
consistentes pelo Sistema FISCAP, entretanto, deverá constar dos autos a sua manifestação quanto à
validação da estrutura de funcionamento do sistema. (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 05/2011, de
27/04/2011)
§ 6º O Tribunal ou o Relator poderá requisitar a documentação comprobatória do ato de concessão ou
do ato de cancelamento para fins de verificação da legalidade e da veracidade das informações recebidas.
(Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 05/2011, de 27/04/2011)

Art. 257-AA Unidade Técnica competente promoverá diligências, por meio do Sistema, visando à
instrução processual, observado o disposto no § 2º do art. 151 deste Regimento, na hipótese de apuração
de inconsistência nas informações enviadas. (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 05/2011, de
27/04/2011)
§ 1º Na ausência de manifestação, descumprimento ou cumprimento parcial da diligência pelo
jurisdicionado, no prazo fixado, a Unidade Técnica emitirá relatório circunstanciado, tomará providências
junto à unidade competente para tramitação individualizada do processo e o encaminhará ao Relator para
adoção das medidas cabíveis. (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 05/2011, de 27/04/2011)
§ 2º O descumprimento do dever de apresentar ao Tribunal os atos sujeitos a registro, na forma e no
prazo estabelecidos, poderá implicar a irregularidade das contas que contiverem despesas deles
decorrentes, sem prejuízo da sanção prevista no inciso V do art. 85 da Lei Complementar n. 102/2008.
(Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 05/2011, de 27/04/2011)

Art. 257-B Os dados recebidos pelo FISCAP deverão ser disponibilizados para a Unidade de
Fiscalização Integrada visando subsidiar as ações de fiscalização do Tribunal. (Incluído pelo art. 2º da
Resolução nº 05/2011, de 27/04/2011)
Parágrafo único. O Tribunal poderá solicitar, para fins de exame prévio à contratação, os editais de
concurso público para admissão de pessoal instaurados pelos órgãos ou entidades municipais e
estaduais observado o disposto em ato normativo próprio. (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 05/2011,
de 27/04/2011)

Art. 258. O Relator concederá prazo de até 60 (sessenta) dias para complementação da instrução
processual, apresentação de justificativas ou adequação do ato às exigências legais.
§ 1º Após a instrução do processo, o Órgão Colegiado competente ou o Relator, nos termos do art.
32, parágrafo único, deste Regimento:
I - determinará o registro do ato:
a) quando não houver infração à norma legal ou regulamentar;
b) quando constatada falta ou impropriedade de caráter formal de que não resulte dano ao erário;
c) quando constatada a decadência,
II - denegará o registro, se houver ilegalidade no ato, e determinará ao responsável a adoção de
medidas regularizadoras, em até 15 (quinze) dias, as quais deverão ser comunicadas ao Tribunal no
mesmo prazo.
§ 2º Na hipótese do inciso I do § 1º deste artigo, os processos poderão ser submetidos, em bloco, à
apreciação da respectiva Câmara mediante relação que identifique, com precisão, o servidor, seu cargo
e a unidade ou o órgão de lotação.
§ 3º Denegado o registro, nos termos do inciso II deste artigo, o responsável que, injustificadamente,
deixar de adotar as medidas regularizadoras determinadas responderá, administrativamente, pelos
pagamentos irregulares, sem prejuízo da sustação do ato, da aplicação das sanções legais cabíveis e da
apuração de responsabilidade civil ou criminal.
§ 4º Para fins do disposto no parágrafo anterior, a Câmara competente determinará a instauração ou
a conversão do processo em tomada de contas especial, para apurar responsabilidades e promover o
ressarcimento ao erário.

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§ 5º Determinado o registro e devolvidos os documentos, os autos serão arquivados pela Secretaria
da Câmara.

Art. 259. As apostilas, os títulos declaratórios de direitos e quaisquer atos que modifiquem os
assentamentos feitos em razão dos incisos I e II do art. 256 deste Regimento, serão averbados pelo
Tribunal.

CAPÍTULO V
DOS ATOS E CONTRATOS ADMINISTRATIVOS Seção I
DOS PROCEDIMENTOS LICITATÓRIOS

Art. 260. O Tribunal fiscalizará as contratações públicas, bem como os respectivos procedimentos
licitatórios ou de dispensa e inexigibilidade.
Parágrafo único. Para fins do disposto neste artigo, o Tribunal poderá solicitar informações e requisitar
documentos relativos aos procedimentos licitatórios e aos contratos.

Art. 261. Os critérios para a fiscalização dos procedimentos licitatórios e dos contratos referidos no
artigo anterior serão estabelecidos em ato normativo próprio.

Subseção I
DO EXAME PRÉVIO DE INSTRUMENTO CONVOCATÓRIO

Art. 262. Os instrumentos convocatórios referentes aos procedimentos licitatórios instaurados pelos
órgãos ou entidades estaduais e municipais sujeitam-se a exame pelo Tribunal. (Redação dada pelo art.
3º da Resolução nº 20/2013, de 11/12/2013)

Art. 263. O Tribunal, o Conselheiro ou o Auditor poderá requisitar por iniciativa própria, ou mediante
solicitação do Ministério Público junto ao Tribunal, cópia de instrumento convocatório já publicado, bem
como dos documentos que se fizerem necessários ao seu exame. (Redação dada pelo art. 3º da
Resolução nº 20/2013, de 11/12/2013)
Parágrafo único. O Relator, a Câmara ou o Tribunal Pleno poderão determinar as diligências que
entender necessárias para complemento da instrução processual ou enviar o processo à unidade técnica
competente para análise. (Redação dada pelo art. 3º da Resolução nº 20/2013, de 11/12/2013)

Art. 264. A licitação poderá ser liminarmente suspensa se constatadas irregularidades graves que
possam causar lesão ao erário, fraude ou risco de ineficácia da decisão de mérito. (Redação dada pelo
art. 3º da Resolução nº 20/2013, de 11/12/2013)
§ 1º Em caso de decisão monocrática, o Relator deverá submeter sua decisão à ratificação do
Colegiado competente na sessão subsequente, sob pena de perda de eficácia, observado o disposto no
§ 2º do art. 197 deste Regimento. (Redação dada pelo art. 2º da Resolução nº
23/2013, de 18/12/2013)
§ 2º O responsável pela licitação será intimado para, no prazo de até 5 (cinco) dias, contados na forma
do art. 168 deste Regimento, comprovar a suspensão da licitação, sob pena de sanção nos termos do
art. 85, inciso III, da Lei Complementar nº 102/2008. (Redação dada pelo art. 3º da Resolução nº 20/2013,
de 11/12/2013)

Art. 265. Constatadas irregularidades que possam comprometer os princípios e as normas licitatórias,
o responsável será citado para, no prazo de até 10 (dez) dias, contados na forma do art. 168 deste
Regimento, apresentar defesa ou proceder às adequações necessárias ao atendimento das
determinações do Tribunal, com o envio de cópia da minuta do instrumento convocatório retificado para
análise. (Redação dada pelo art. 3º da Resolução nº 20/2013, de 11/12/2013)
§ 1º Após a manifestação do responsável, o Relator poderá encaminhar os autos à unidade técnica
competente para que promova, no prazo de 5 (cinco) dias, a análise do processo que deverá ser enviado
ao Ministério Público junto ao Tribunal para parecer conclusivo em igual prazo. (Redação dada pelo art.
3º da Resolução nº 20/2013, de 11/12/2013)
§ 2º Concluso ao Relator, o processo será submetido, em até 15 (quinze) dias, à deliberação do
Colegiado competente, o qual poderá revogar a suspensão da licitação. (Redação dada pelo art. 3º da
Resolução nº 20/2013, de 11/12/2013)

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Art. 266. Inexistindo irregularidade que justifique a suspensão do procedimento licitatório e, após
parecer conclusivo do Ministério Público junto ao Tribunal, o Relator determinará a inclusão do processo
em pauta. (Redação dada pelo art. 3º da Resolução nº 20/2013, de 11/12/2013)

Subseção II
DA SUSPENSÃO DA LICITAÇÃO

Art. 267. No exercício da fiscalização dos procedimentos licitatórios, o Tribunal, de ofício ou por meio
de denúncia ou representação, poderá suspendê-los, mediante decisão fundamentada, em qualquer fase,
até a data da assinatura do respectivo contrato ou da entrega do bem ou do serviço, se houver fundado
receio de grave lesão ao erário, fraude ou risco de ineficácia da decisão de mérito.
Parágrafo único. Aplicam-se à suspensão da licitação, no que couber, as disposições relativas ao
exame prévio de ato convocatório e às medidas cautelares estabelecidas neste Regimento.

Seção II
DOS CONTRATOS, CONVÊNIOS, ACORDOS, AJUSTES E INSTRUMENTOS
CONGÊNERES

Art. 268. O Tribunal fiscalizará os contratos, convênios, acordos, ajustes e outros instrumentos
congêneres de que resultem receita ou despesa.

Art. 269. A fiscalização dos instrumentos de que trata o artigo anterior compreenderá, além dos
requisitos para sua correta celebração, o exame da execução do objeto e das condições pactuadas, tendo
em vista os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiência, legitimidade,
economicidade e razoabilidade.
Parágrafo único. A atuação do Tribunal de Contas, na qualidade de Auditor Independente, nos projetos
ou programas governamentais financiados com recursos oriundos de operações de crédito contratadas
com instituições de fomento ou de doações delas recebidas, obedecerá ao seguinte: (Incluído pelo art. 1º
da Resolução nº 23/2014, de 03/12/2014)
I – a autuação do procedimento de auditoria independente e a sua distribuição ocorrerá a partir da
emissão do relatório final pela unidade técnica, ressalvadas hipóteses excepcionais em que o Presidente
do Tribunal poderá, justificadamente, determinar a autuação em momento anterior; (Incluído pelo art. 1º
da Resolução nº 23/2014, de 03/12/2014)
II - a unidade técnica emitirá relatório, conforme estabelecer o Termo de Referência do ajuste, a ser
encaminhado pelo Relator ao interessado nos prazos fixados no respectivo ajuste e nos seus anexos;
(Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 23/2014, de 03/12/2014)
III – se for realizada mais de uma auditoria independente sobre um mesmo projeto ou programa
governamental, os processos delas decorrentes serão distribuídos a um só Relator, conforme as regras
de prevenção; (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 23/2014, de 03/12/2014)
IV – constatadas irregularidades na execução do ajuste, deverá a unidade técnica elaborar relatório
específico de controle externo, que será autuado em separado, distribuído por prevenção, ao Relator do
processo de auditoria independente, e processado nos termos do art. 310, parágrafo único, VII, deste
Regimento; (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 23/2014, de 03/12/2014)
V – o Relator deverá dar ciência ao Tribunal Pleno do encaminhamento do relatório a que alude o
inciso II, na primeira sessão subsequente, bem como da ocorrência do previsto no inciso IV, observadas
as disposições da Resolução n. 19, de 07/12/2011, no tocante à anexação do relatório de auditoria
independente ao Sistema de Gestão e Administração de Processo; (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº
23/2014, de 03/12/2014)
VI – cumpridos os procedimentos previstos nos incisos II e V, o Relator determinará o arquivamento
do processo de auditoria independente, nos termos do art.176, IV, deste Regimento; (Incluído pelo art. 1º
da Resolução nº 23/2014, de 03/12/2014)
VII – na hipótese de ausência do Relator, o Presidente do Tribunal, com o apoio do gabinete do Relator
ausente, adotará as medidas previstas nos incisos II e V. (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 23/2014,
de 03/12/2014)

Art. 270. A fiscalização da aplicação de recurso repassado ou recebido pelo Estado ou por Município,
incluídas as entidades da administração indireta, mediante convênio, acordo, ajuste ou instrumento
congênere, será feita pelo Tribunal com vistas a verificar, entre outros aspectos, o alcance dos objetivos

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acordados, a regularidade da aplicação dos recursos e a observância das normas legais e regulamentares
pertinentes.
§ 1º Os órgãos e entidades sujeitos à jurisdição do Tribunal que estejam inadimplentes na execução
das obrigações assumidas não poderão firmar convênio, acordo, ajuste ou instrumento congênere para
fins de recebimento de recursos estaduais ou municipais, enquanto não regularizarem a situação.
§ 2º Não se aplica o disposto no § 1º deste artigo caso seja comprovado que o atual gestor não é o
responsável pelos atos inquinados de irregularidade e que tomou as devidas providências para saná-la.
§ 3º Ficará sujeita à multa prevista no inciso II do artigo 85 da Lei Complementar nº 102/2008 a
autoridade administrativa que transferir, mediante convênio, acordo, ajuste ou instrumento congênere,
recurso estadual ou municipal a beneficiário omisso na prestação de contas de recurso anteriormente
recebido ou que tenha dado causa à perda, extravio ou a outra irregularidade de que resulte dano ao
erário, ainda não ressarcido.

Art. 271. A fiscalização pelo Tribunal da aplicação de recursos transferidos, sob as modalidades de
subvenção, auxílio e contribuição, compreenderá as fases de concessão, utilização e prestação de contas
e será realizada, no que couber, na forma estabelecida no artigo anterior.

Seção III
DOS ATOS DE RECEITA E DESPESA
Subseção I
DA ARRECADAÇÃO E RENÚNCIA DE RECEITAS

Art. 272. A fiscalização da arrecadação da receita de competência dos órgãos e entidades da


administração direta, indireta e fundacional dos Poderes do Estado e do Município, bem como dos fundos
e demais instituições sob jurisdição do Tribunal, será feita mediante os instrumentos legais e regimentais.

Art. 273. A fiscalização pelo Tribunal da renúncia de receitas será feita, preferencialmente, mediante
auditorias, inspeções ou acompanhamentos nos órgãos supervisores, bancos operadores e fundos que
tenham atribuição administrativa de conceder, gerenciar ou utilizar os recursos decorrentes das aludidas
renúncias, sem prejuízo do julgamento das prestações e tomadas de contas apresentadas pelos referidos
órgãos, entidades e fundos, quando couber, na forma estabelecida em ato normativo do Tribunal.
Parágrafo único. A fiscalização terá como objetivos, entre outros, verificar a legalidade, legitimidade,
economicidade e razoabilidade das ações dos órgãos e entidades mencionados no artigo anterior, bem
como o efetivo benefício sócio-econômico das renúncias.

Subseção II
DA DESPESA

Art. 274. A fiscalização da legalidade, legitimidade, economicidade e razoabilidade dos atos da gestão
da despesa abrangerá todas as suas fases e se realizará mediante os instrumentos legais e regimentais
pertinentes.

Seção IV
DAS DELIBERAÇÕES EM PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO DE ATOS, CONTRATOS,
CONVÊNIOS, ACORDOS, AJUSTES E INSTRUMENTOS CONGÊNERES

Art. 275. Ao apreciar processo decorrente de fiscalização de atos, contratos, convênios, acordos,
ajustes e instrumentos congêneres, o Relator ou o Tribunal, observadas as respectivas competências:
I - determinará o arquivamento do processo ou o seu apensamento às contas correspondentes, se
pertinente, quando não apurada transgressão a norma legal ou regulamentar de natureza contábil,
financeira, orçamentária, operacional ou patrimonial;
II - determinará ao responsável ou a quem lhe haja sucedido a adoção de providências com vistas a
evitar a reincidência, quando verificadas faltas ou impropriedades de caráter formal, sem prejuízo do
monitoramento do cumprimento das determinações;
III - recomendará a adoção de providências, quando verificadas oportunidades de melhoria de
desempenho e de maior efetividade dos programas e políticas públicas, encaminhando os autos à
unidade técnica competente, para fins de monitoramento do cumprimento das determinações;

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IV - ordenará à autoridade administrativa competente a instauração de tomada de contas especial,
caso seja constatado indício de desfalque, desvio de bens ou outra irregularidade de que resulte prejuízo
ao erário;
V - determinará a conversão do processo de fiscalização em tomada de contas especial, observadas
as disposições do art. 249 deste Regimento.

Art. 276. Caracterizada infração a norma legal ou regulamentar de natureza contábil, financeira,
orçamentária ou patrimonial, o Relator determinará a citação do responsável para, no prazo de 30 (trinta)
dias, apresentar razões de defesa.
§ 1º Acolhidas as razões de defesa, o Tribunal adotará a providência cabível, nos termos do art. 275
deste Regimento.
§ 2º Não elidido o fundamento da impugnação, o Tribunal aplicará ao responsável, no próprio processo
de fiscalização, a multa prevista no art. 85, inciso II, da Lei Complementar nº 102/2008, na hipótese de
infração a norma legal ou regulamentar de natureza contábil, financeira, orçamentária ou patrimonial.
§ 3º Na hipótese do parágrafo anterior, o Relator determinará o apensamento do processo às contas
do exercício correspondente, desde que ainda não apreciadas.

Art. 277. Verificada a irregularidade ou ilegalidade de ato ou contrato, o Tribunal assinará prazo de até
15 (quinze) dias para que o responsável adote as providências necessárias ao cumprimento da lei, com
indicação expressa dos dispositivos a serem observados, sem prejuízo do disposto no inciso IV do art.
275 deste Regimento e nos SSSS 2º e 3º do artigo anterior.
§ 1º No caso de ato administrativo, o Tribunal, se não atendido:
I - sustará a execução do ato impugnado, sem prejuízo da aplicação da multa prevista no art. 85, inciso
II, da Lei Complementar nº 102/2008;
II - comunicará a decisão à Assembleia Legislativa ou à Câmara Municipal.
§ 2º No caso de contrato, o Tribunal, se não atendido, adotará a providência prevista no inciso II do
parágrafo anterior para que o Poder Legislativo delibere sobre a sustação do instrumento e solicite, de
imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.
§ 3º Se não forem efetivadas as medidas previstas no parágrafo anterior, no prazo de 90 (noventa)
dias, o Tribunal decidirá a respeito da sustação do contrato.
§ 4º Verificada a hipótese do parágrafo anterior e se decidir sustar o contrato, o Tribunal:
I - determinará ao responsável que, no prazo de 15 (quinze) dias, adote as medidas necessárias ao
cumprimento da decisão;
II - comunicará a decisão à Assembleia Legislativa ou à Câmara Municipal, conforme o caso.
§ 5º Não atendida a determinação prevista no inciso I do SS 4º deste artigo, aplicar-se-á a sanção
prevista no inciso III do art. 318 deste Regimento Interno.

CAPÍTULO VI
DOS INSTRUMENTOS DE FISCALIZAÇÃO
Seção I DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 278. São instrumentos de fiscalização do Tribunal:


I - acompanhamento no Órgão Oficial do Estado e de Município ou por outro meio de divulgação, das
publicações referentes a atos de gestão de recursos públicos;
II - realização de inspeções e de auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional
e patrimonial;
III - monitoramento do cumprimento das deliberações do Tribunal e dos resultados delas advindos;
IV - requisição de informações e documentos;
V - levantamentos.

Seção II
DO ACOMPANHAMENTO

Art. 279. Acompanhamento é o instrumento de fiscalização utilizado pelo Tribunal para examinar, em
um período predeterminado, a legalidade, a impessoalidade, a moralidade, a publicidade, a eficiência, a
legitimidade, a economicidade e a razoabilidade dos atos de gestão dos responsáveis sujeitos à sua
jurisdição.

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Art. 280. As atividades dos órgãos e entidades jurisdicionados serão acompanhadas de forma seletiva
e concomitante, mediante informações obtidas:
I - pelas publicações em órgãos oficiais de imprensa;
II - por meio de documentos requisitados pelo Tribunal e/ou colocados à sua disposição;
III - por meio de encontros e visitas técnicas ou participações em eventos promovidos por órgãos e
entidades da Administração Pública.

Seção III
DAS AUDITORIAS E INSPEÇÕES

Art. 281. O Tribunal, no exercício de suas atribuições, poderá realizar, por iniciativa própria ou a pedido
da Assembleia Legislativa, de Câmara Municipal ou de comissão de qualquer dessas Casas, auditoria e
inspeção de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial em órgão ou entidade
da administração direta ou indireta dos Poderes do Estado ou de Município e do Ministério Público
Estadual.

Art. 282. Para fins do disposto neste Regimento, considera-se:


I - auditoria, o procedimento de fiscalização com a finalidade de:
a) avaliar a legalidade, legitimidade, economicidade, razoabilidade, eficiência, eficácia e efetividade da
gestão de recursos públicos, bem como da execução e resultados alcançados pelas políticas e programas
públicos;
b) avaliar as operações, atividades, sistemas de gerenciamento e controle interno;
c) conhecer a organização e o funcionamento dos órgãos e entidades da administração direta, indireta
e fundacional dos Poderes do Estado e do Município, ou do Ministério Público Estadual, bem como dos
fundos e demais instituições que lhe sejam jurisdicionadas, quanto aos aspectos contábeis, financeiros,
orçamentários, operacionais e patrimoniais;
II - inspeção, o procedimento de fiscalização com a finalidade de:
a) suprir omissões, falhas ou dúvidas e esclarecer aspectos atinentes a atos, documentos ou
processos em exame;
b) obter dados ou informações preliminares sobre a procedência de fatos relacionados a denúncias ou
representações;
c) verificar o cumprimento de decisões do Tribunal.

Art. 283. O Presidente do Tribunal aprovará o plano anual de auditorias e inspeções, observadas as
diretrizes estabelecidas para o período, bem como os critérios de materialidade, relevância, risco e
oportunidade.
§ 1º Para fins do disposto neste artigo, os Conselheiros, Auditores e Procuradores do Ministério Público
junto ao Tribunal poderão apresentar propostas de realização de auditoria e inspeção.
§ 2º A unidade técnica competente elaborará o plano anual de auditorias e inspeções e o submeterá
ao Presidente do Tribunal para apreciação.

Art. 284. O Conselheiro, Auditor e o Ministério Público junto ao Tribunal poderão propor a realização
de auditorias e inspeções, independentemente de previsão no plano anual, observadas as diretrizes
estabelecidas para o período e os critérios para o exercício do controle.
Parágrafo único. Compete ao Presidente do Tribunal autorizar a realização das auditorias e inspeções.

Art. 285. Ao servidor efetivo que exercer função típica de controle externo, designado pelo Presidente
ou pelo Diretor que dele receber delegação, para desempenhar funções de auditoria e inspeção, são
asseguradas as seguintes prerrogativas:
I - livre ingresso em órgãos e entidades sujeitos à jurisdição do Tribunal;
II - acesso a todos os documentos e informações necessários à realização de seu trabalho, até
sistemas eletrônicos de processamento de dados, que não poderão ser sonegados, sob qualquer
pretexto;
III - requerer, por escrito, aos responsáveis pelos órgãos e entidades os documentos e informações
necessários, fixando prazo razoável para atendimento.
§ 1º Durante os trabalhos de fiscalização, os servidores comunicarão a seu superior hierárquico as
irregularidades que, por sua gravidade, devam ser objeto de providências imediatas do Tribunal.
§ 2º Em casos emergenciais ou de risco potencial na realização do trabalho, poderá ser solicitado o
auxílio de força policial.

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§ 3º Os servidores designados para os fins previstos no caput deste artigo deverão guardar sigilo sobre
dados e informações, obtidos em decorrência do exercício de suas funções e pertinentes aos assuntos
sob fiscalização, utilizando-os, exclusivamente, para a elaboração de relatórios técnicos de sua
competência.

Art. 286. Constatada obstrução ao exercício de fiscalização, ou sonegação de processo, documento,


informação ou acesso a sistemas eletrônicos de processamentos de dados, o Colegiado competente ou
o Relator assinará prazo improrrogável de até 15 (quinze) dias, para que a autoridade responsável pela
unidade jurisdicionada adote medidas que assegurem o livre exercício da fiscalização.
§ 1º Vencido o prazo e não cumprida a determinação, o Tribunal representará ao Presidente da
Assembleia Legislativa ou da Câmara Municipal, conforme o caso, para as medidas cabíveis, sem
prejuízo da aplicação das sanções legais.
§ 2º Qualquer ocorrência de ameaça velada ou explícita, de animosidade, de indisposição ou de
intimidação a servidor, em trabalho externo, deve ser imediatamente informada ao superior hierárquico
que comunicará o fato ao Presidente do Tribunal para que sejam adotadas as medidas necessárias à
aplicação das sanções legais cabíveis.

Art. 287. O relatório de auditoria ou de inspeção será minucioso, objetivo, motivado e conclusivo, de
modo a possibilitar ao Tribunal deliberar com base nos fatos relatados pela equipe técnica e nos
documentos indispensáveis à comprovação das ocorrências.
Parágrafo único. O relatório da unidade técnica competente deverá indicar os responsáveis, indícios
de irregularidades porventura encontrados, entre outros elementos que permitam o exercício do direito à
ampla defesa.

Art. 288. O Tribunal comunicará aos respectivos gestores o resultado das auditorias e inspeções que
realizar para conhecimento e, quando for o caso, determinará a adoção de medidas saneadoras das
impropriedades e falhas identificadas.

Art. 289. O Tribunal disciplinará, em ato normativo próprio, o procedimento a ser adotado em auditoria
operacional.

Seção IV
DO MONITORAMENTO

Art. 290. Monitoramento é o instrumento de fiscalização utilizado pelo Tribunal para verificar o
cumprimento de suas deliberações e os resultados delas advindos.

Art. 291. O monitoramento será realizado:


I - pelo Ministério Público junto ao Tribunal, nos casos das medidas cautelares mencionadas no § 1º
do art. 96 da Lei Complementar nº 102/08 e da execução de decisão do Tribunal que impute débito ou
multa, promovida pela Advocacia Geral do Estado ou pelas procuradorias dos municípios;
II - nos demais casos, pelas unidades técnicas do Tribunal com o apoio dos órgãos de controle interno
das unidades jurisdicionadas.
Parágrafo único. Para o exercício do monitoramento, o Tribunal poderá requisitar, periodicamente,
informações e relatórios, bem como realizar inspeções.

Art. 292. Para o exercício do monitoramento, o Tribunal manterá cadastro que contenha as
recomendações, ressalvas e irregularidades constatadas em suas deliberações, organizadas por
entidades jurisdicionadas.

Art. 293. O monitoramento será disciplinado em ato normativo próprio.

Seção V
DA REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES E DOCUMENTOS

Art. 294. O Tribunal, as Câmaras ou o Relator poderão requisitar, a qualquer tempo, informações e
documentos dos órgãos e entidades jurisdicionados com a finalidade de:
I - subsidiar o planejamento e execução das atividades de controle externo;
II - possibilitar o acompanhamento dos atos de gestão dos responsáveis sujeitos à sua jurisdição.

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Parágrafo único. O Relator poderá delegar, por portaria, ao responsável por unidade técnica
competente do Tribunal a requisição de informações e documentos, observado o disposto no § 1º do art.
140 deste Regimento.

Seção VI
DOS LEVANTAMENTOS

Art. 295. Levantamento é o instrumento de fiscalização utilizado pelo Tribunal para:


I - conhecer a organização e o funcionamento dos órgãos e entidades estaduais e municipais, incluídos
fundos e demais instituições que lhe sejam jurisdicionadas, assim como dos sistemas, programas,
projetos e atividades governamentais no que se refere aos aspectos contábeis, financeiros,
orçamentários, operacionais e patrimoniais;
II - identificar objetos e instrumentos de fiscalização;
III - aprimorar seus mecanismos de controle.

Art. 296. O levantamento será disciplinado em ato normativo próprio.

CAPÍTULO VII
DA GESTÃO FISCAL

Art. 297. O Tribunal fiscalizará, na forma prevista em ato normativo próprio, o cumprimento das normas
relativas à gestão fiscal do Estado e dos Municípios, notadamente as previstas na Lei Complementar
Federal nº 101/2000, observado, em especial:
I - o atingimento das metas estabelecidas na Lei de Diretrizes Orçamentárias;
II - os limites e as condições para realização de operações de crédito e inscrição em Restos a Pagar;
III - as medidas adotadas para o retorno da despesa total com pessoal ao limite legal;
IV - as providências tomadas para recondução dos montantes das dívidas consolidada e mobiliária ao
respectivo limite;
V - a destinação de recursos obtidos com a alienação de ativos;
VI - o cálculo dos limites da despesa total com pessoal de cada Poder e órgão;
VII - o cumprimento dos limites com gastos totais dos Poderes Legislativos estadual e municipais.

Art. 298. O Tribunal Pleno ou as Câmaras alertará os responsáveis pelos Poderes e órgãos para que
adotem as providências cabíveis quando constatado que:
I - a realização da receita, no final de um bimestre, poderá não comportar o cumprimento das metas
de resultado primário ou nominal estabelecidas no Anexo de Metas Fiscais;
II - o montante da despesa com pessoal ultrapassou 90% (noventa por cento) do limite;
III - os montantes das dívidas consolidada e mobiliária, das operações de crédito e da concessão de
garantia se encontram acima de 90% (noventa por cento) dos respectivos limites;
IV - os gastos com inativos e pensionistas se encontram acima do limite definido em lei; e
V - existem fatos que comprometam os custos ou os resultados dos programas ou há indícios de
irregularidades na gestão orçamentária.

Art. 299. Compete ao Presidente da 1ª Câmara e, alternadamente, a cada ano, ao Presidente da 2ª


Câmara, a condução dos procedimentos de matéria atinente à emissão do alerta previsto no § 1º do art.
59 da Lei Complementar Federal nº 101/2000, a autorização da substituição de dados dos relatórios
previstos nos arts. 52 e 54 do referido diploma legal e a aplicação das sanções decorrentes de
descumprimento das determinações do Tribunal relativas à gestão fiscal.

Art. 300. O Conselheiro Relator sorteado para o acompanhamento da execução orçamentária e das
contas prestadas anualmente pelo Governador do Estado será o responsável pela proposição da emissão
do alerta previsto no § 1º do art. 59 da Lei Complementar Federal nº 101/2000, pela autorização da
substituição de dados dos relatórios previstos nos arts. 52 e 54 do referido diploma legal e pela aplicação
das sanções decorrentes de descumprimento das determinações do Tribunal relativas à gestão fiscal das
contas governamentais.

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CAPÍTULO VIII
DA DENÚNCIA E DA REPRESENTAÇÃO
Seção I
DA DENÚNCIA

Art. 301. Qualquer cidadão, partido político, associação legalmente constituída ou sindicato poderá
denunciar ao Tribunal irregularidades ou ilegalidades de atos praticados na gestão de recursos públicos
sujeitos à sua fiscalização.
§ 1º São requisitos de admissibilidade da denúncia:
I - referir-se à matéria de competência do Tribunal;
II - ser redigida com clareza;
III - conter o nome completo, a qualificação, cópia do documento de identidade e do Cadastro de
Pessoa Física e o endereço completo do denunciante;
IV - conter informações sobre o fato, a autoria, as circunstâncias e os elementos de convicção;
V - indicar as provas que deseja produzir ou indício veemente da existência do fato denunciado.
§ 2º A denúncia apresentada por pessoa jurídica será instruída com prova de sua existência e
comprovação de que os signatários têm habilitação para representá-la.

Art. 302. O direito de denúncia será exercido mediante requerimento dirigido ao Presidente do Tribunal
que decidirá a respeito do seu cabimento, tendo em vista o preenchimento dos requisitos constantes dos
§§ 1º e 2º do artigo anterior.
§ 1º Se a denúncia apresentar indício veemente da existência do fato denunciado, poderá o Presidente,
na falta de outros requisitos de admissibilidade, determinar ao denunciante que a complete ou a emende,
no prazo de 10 (dez) dias, sob pena de arquivamento.
§ 2º Ainda que não estejam presentes todos os requisitos de admissibilidade, o Presidente,
motivadamente, diante de indício suficiente da existência da irregularidade e, levando em consideração
a sua gravidade, poderá admitir a denúncia.

Art. 303. O denunciante não se sujeitará a qualquer sanção administrativa, cível ou penal em
decorrência da denúncia, salvo em caso de comprovada má-fé.
Parágrafo único. Comprovada a má-fé, o fato será comunicado ao Ministério Público junto ao Tribunal
para as medidas legais cabíveis.

Art. 304. Em caso de urgência, a denúncia poderá ser encaminhada ao Tribunal por telegrama, fac-
símile ou outro meio eletrônico, sempre com confirmação de recebimento e posterior remessa do original
em 05 (cinco) dias, contados a partir da mencionada confirmação, sob pena de arquivamento.

Art. 305. Preenchendo a denúncia os requisitos de admissibilidade, o Presidente determinará a sua


autuação e distribuição, mantendo-se o caráter sigiloso até que sejam reunidas as provas que indiquem
a existência de irregularidade ou ilegalidade.
Parágrafo único. Admitida a denúncia, esta somente poderá ser arquivada depois de efetuadas as
diligências pertinentes e mediante decisão fundamentada do Relator que deverá submetê-la ao respectivo
Colegiado mediante inclusão em pauta.

Art. 306. Para apuração da procedência dos fatos denunciados o Tribunal ou Relator, entre outras
medidas, poderá:
I - intimar o denunciante para apresentar esclarecimentos, no prazo de até 15 (quinze) dias;
II - requisitar informações e documentos que entender pertinentes;
III - solicitar a realização de inspeção extraordinária ao Presidente.

Art. 307. Havendo indício de irregularidade, o Relator determinará a citação do denunciado, fixando-
lhe o prazo de 15 (quinze) dias, improrrogáveis, para defesa.
§ 1º Apresentada a defesa, serão os autos encaminhados à unidade técnica competente para análise
e manifestação conclusiva, após o que, deverão ser remetidos ao Ministério Público junto ao Tribunal,
para fins do disposto no inciso IX, alínea d, do art. 61 deste Regimento.
§ 2º Com os elementos de instrução, os autos deverão ser conclusos ao Relator para inclusão em
pauta.

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§ 3º A denúncia será convertida em tomada de contas especial na hipótese do art. 249 deste
Regimento e, nas demais hipóteses, será aplicado, no que couber, o disposto na Seção IV do Capítulo V
do Título VII.
§ 4º Sem prejuízo das medidas mencionadas nos parágrafos anteriores, se houver indícios de infração
penal de qualquer natureza na denúncia ou representação, os autos serão encaminhados ao Ministério
Público junto ao Tribunal para a promoção das medidas cabíveis.

Art. 308. O pedido de vista nos processos de denúncia e o fornecimento de informações, cópias e
certidões a eles relativas serão disciplinados em ato normativo do Tribunal.

Art. 309. O denunciante e o denunciado poderão requerer ao Tribunal certidão dos fatos apurados e
das decisões, a qual deverá ser fornecida no prazo máximo de 15 (quinze) dias, a contar do recebimento
do pedido, desde que o respectivo processo de apuração tenha sido concluído ou arquivado.

Seção II
DA REPRESENTAÇÃO

Art. 310. Serão recebidos pelo Tribunal como representação os documentos encaminhados por
agentes públicos, comunicando a ocorrência de ilegalidades ou irregularidades de que tenham
conhecimento, em virtude do exercício do cargo, emprego ou função, bem como os expedientes de outras
origens que devam revestir-se dessa forma, por força de lei específica.
Parágrafo único. Poderão representar ao Tribunal:
I - Chefes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário;
II - Membros do Ministério Público Estadual;
III - Tribunais de Contas da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;
IV - Senadores da República, Deputados Federais e Estaduais, Vereadores e Magistrados;
V - responsáveis pelos órgãos de controle interno;
VI - servidores públicos e demais autoridades dos órgãos e entidades da administração pública;
VII - responsáveis por unidade técnica do Tribunal;
VIII - outros órgãos, entidades ou pessoas que detenham essa prerrogativa por força de suas
atribuições legais.

Art. 311. Aplicam-se à representação, no que couber, as normas relativas às denúncias.

Art. 312. A representação a que se refere o § 1º do art. 113 da Lei Federal nº 8.666/1993 será autuada
e processada como denúncia e obedecerá às normas previstas no art. 301 e seguintes deste Regimento.
Parágrafo único. Na hipótese do caput deste artigo, a denúncia deverá conter, além dos requisitos
previstos no § 1º do art. 301, cópia do instrumento convocatório completo.

CAPÍTULO IX
DO APOIO DOS ÓRGÃOS DE CONTROLE INTERNO

Art. 313. No apoio às atividades de controle externo, os órgãos de controle interno das unidades
jurisdicionadas do Tribunal deverão exercer, entre outras, as seguintes atividades:
I - realizar, por iniciativa própria ou a pedido do Tribunal, auditoria contábil, financeira, orçamentária,
operacional e patrimonial nas unidades administrativas sob seu controle, emitindo relatório, certificado de
auditoria e parecer que consignarão qualquer irregularidade ou ilegalidade constatada e indicarão as
medidas adotadas para corrigir as falhas encontradas;
II - emitir parecer conclusivo sobre os atos de gestão dos responsáveis sob seu controle;
III - alertar a autoridade administrativa competente para que adote as medidas visando ao
ressarcimento do erário e, no caso deste não ser obtido, que instaure, imediatamente, a tomada de contas
especial;
IV - fornecer ao Tribunal informações relativas ao planejamento, execução e resultados de suas ações;
V - apoiar o monitoramento realizado pelo Tribunal para verificar o cumprimento de suas deliberações
e os resultados delas advindos;
VI - outras providências estabelecidas em atos normativos do Tribunal.
Parágrafo único. Os órgãos de controle interno deverão encaminhar ao Tribunal o plano de auditorias
para o exercício subsequente, bem como os respectivos relatórios de auditoria.

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Art. 314. Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade
ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal, sob pena de responsabilidade solidária.
Parágrafo único. Ao comunicar ao Tribunal a constatação de irregularidade ou ilegalidade, o
responsável pelo órgão de controle interno indicará as providências que foram adotadas para:
I - atender às prescrições legais e sanar as irregularidades;
II - ressarcir o eventual dano causado ao erário;
III - evitar ocorrências semelhantes.

TÍTULO VIII
DAS SANÇÕES
CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 315. O Tribunal, ao constatar irregularidade ou descumprimento de obrigação por ele determinada
em processo de sua competência, poderá, observado o devido processo legal, aplicar, isolada ou
cumulativamente, as seguintes sanções:
I - multa;
II - inabilitação para o exercício de cargo em comissão ou função de confiança;
III - declaração de inidoneidade para licitar e contratar com o poder público.
§ 1º A declaração de inidoneidade prevista no III deste artigo será imposta quando verificada a
ocorrência de fraude comprovada na licitação, ficando o licitante fraudador impedido de licitar e contratar
com o poder público estadual e municipal, por até 5 (cinco) anos.
§ 2º Será comunicada ao órgão competente a decisão que declarar a inabilitação para o exercício de
cargo em comissão ou função de confiança e a proibição de licitar e contratar com o poder público
estadual e municipal, para conhecimento e efetivação das medidas administrativas necessárias.
§ 3º A autoridade competente que deixar de efetivar as medidas administrativas a que se refere o
parágrafo anterior será responsabilizada, sem prejuízo da aplicação da multa prevista no inciso III do art.
318 deste Regimento e comunicação ao Ministério Público junto ao Tribunal, para adoção das
providências cabíveis.
§ 4º O cumprimento das decisões de que trata o § 2º será objeto de monitoramento nos termos do
inciso II do art. 291 deste Regimento.

Art. 316. Além das sanções previstas neste Regimento, verificada a existência de dano ao erário, o
Tribunal determinará o seu ressarcimento aos cofres públicos pelo responsável ou sucessor, observado
o disposto no inciso VIII do art. 2º deste Regimento.
Parágrafo único. O não cumprimento das decisões do Tribunal referentes ao ressarcimento de valores,
no prazo e na forma fixados, resultará no impedimento de obtenção de certidão liberatória para fins de
recebimento de transferências voluntárias.

CAPÍTULO II
DAS MULTAS

Art. 317. A multa será aplicada de forma individual, a cada agente que tiver concorrido para o fato,
sendo o seu pagamento de responsabilidade pessoal dos infratores.
Parágrafo único. A decisão que determinar a aplicação de multa definirá as responsabilidades
individuais.

Art. 318. O Tribunal poderá aplicar multa de até R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil reais) aos responsáveis
pelas contas e pelos atos indicados a seguir, observados os seguintes percentuais desse montante:
I - até 100% (cem por cento), por contas julgadas irregulares;
II - até 100% (cem por cento), por ato praticado com grave infração a norma legal ou regulamentar de
natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial;
III - até 30% (trinta por cento), por descumprimento de despacho, decisão ou diligência do Relator ou
do Tribunal;
IV - até 70% (setenta por cento), por obstrução ao livre exercício de fiscalização do Tribunal;
V - até 50% (cinquenta por cento), por sonegação de processo, documento ou informação necessários
ao exercício do controle externo;
VI - até 50% (cinquenta por cento), por reincidência no descumprimento de determinação do Relator
ou do Tribunal;

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VII - até 40% (quarenta por cento), pelo não encaminhamento de relatórios, documentos e informações
a que estão obrigados por força de lei ou de ato normativo do Tribunal, no prazo e na forma estabelecidos;
VIII - até 100% (cem por cento), por omissão no cumprimento do dever funcional de levarem ao
conhecimento do Tribunal irregularidade ou ilegalidade de que tenham tido ciência, na qualidade de
integrantes do controle interno;
IX - até 50% (cinquenta por cento), pelo não encaminhamento ao Tribunal da resolução e das atas de
julgamento das contas prestadas pelo Prefeito, nos termos do SS 1º do art. 239 deste Regimento;
X - até 30% (trinta por cento), pela retenção de quantia a ser recolhida aos cofres públicos, por tempo
superior ao previsto em lei;
XI - até 10% (dez por cento), pela interposição de embargos declaratórios manifestamente
protelatórios.
Parágrafo único. O valor máximo da multa de que trata o caput deste artigo será atualizado,
periodicamente, mediante ato normativo do Tribunal, com base na variação acumulada no período por
índice oficial.

Art. 319. Apurada a prática de ato de gestão ilegal, ilegítimo ou antieconômico de que resulte dano ao
erário, sem prejuízo do ressarcimento, poderá o Tribunal aplicar ao responsável multa de até 100% (cem
por cento) do valor atualizado do dano.

Art. 320. Na fixação da multa, o Tribunal considerará, entre outras circunstâncias, a gravidade da falta,
o grau de instrução do servidor ou do responsável e sua qualificação funcional, observados os princípios
da razoabilidade e da proporcionalidade.

Art. 321. O Tribunal poderá fixar multa diária, nos casos em que o descumprimento de diligência ou
decisão puder ocasionar dano ao erário ou impedir o exercício das ações de controle externo.
Parágrafo único. O Tribunal suspenderá a cominação prevista no caput deste artigo, na data em que
cessar o descumprimento da obrigação.

Art. 322. A decisão que cominar multa deverá identificar a irregularidade que lhe deu causa e os
respectivos responsáveis, bem como indicar a fundamentação para aplicação da sanção.

Art. 323. O Relator ou o Tribunal poderá autorizar o recolhimento parcelado da importância devida a
título de multa, na forma estabelecida no art. 366 deste Regimento.

TÍTULO IX
DOS RECURSOS
CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 324. Das decisões do Tribunal caberão os seguintes recursos:


I - recurso ordinário;
II - agravo;
III - embargos de declaração;
IV - pedido de reexame.

Art. 325. Poderão interpor recurso:


I - os responsáveis pelos atos impugnados;
II - os interessados, desde que alcançados pela decisão ou que demonstrem razão legítima para
intervir no processo;
III - o Ministério Público junto ao Tribunal.
Parágrafo único. Se o recorrente for o Ministério Público junto ao Tribunal, o Relator, antes de prolatar
sua decisão, determinará, preliminarmente, a intimação dos responsáveis ou interessados para, caso
queiram, manifestarem-se no prazo de até 15 (quinze) dias, contados na forma do art. 168 deste
Regimento.

Art. 326. Os responsáveis e os interessados que aceitarem expressa ou tacitamente a decisão, não
poderão dela recorrer.
Parágrafo único. Considera-se aceitação tácita a prática, sem reserva, de ato incompatível com a
vontade de recorrer.

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Art. 327. As petições de recursos, obrigatoriamente formuladas por escrito, serão apresentadas à
unidade competente que promoverá sua protocolização e autuação em apenso ao processo principal e
distribuição a um Relator.
Parágrafo único. Salvo determinação em contrário, o agravo não será apensado ao processo principal.

Art. 328. A Secretaria do Colegiado competente, antes de fazer os autos conclusos ao Relator,
certificará se o recurso é renovação de anterior, o início da contagem do prazo recursal e a data de sua
interposição.
Parágrafo único. O juízo de admissibilidade dos recursos será feito pelo Relator, levando em
consideração, dentre outros aspectos, os dados contidos na certidão a que se refere o caput deste artigo.

Art. 329. O recurso não será admitido, liminarmente, quando:


I - não se achar devidamente formalizado;
II - for manifestamente impróprio ou inepto;
III - o recorrente for ilegítimo;
IV - for intempestivo.
§ 1º Quando o indeferimento liminar a que se refere o caput deste artigo for proferido pelo Conselheiro
Relator, deverá o recorrente ser intimado desta decisão. (Redação dada pelo art. 25 da Resolução nº
10/2010, de 30/06/2010)
§ 2º Quando a inadmissão a que se refere o caput deste artigo for proferida por Auditor Relator, deverá
ser submetida à ratificação do Colegiado competente, na primeira sessão subsequente.

Art. 330. Salvo caso de má-fé ou erro grosseiro, o recorrente não será prejudicado pela interposição
de um recurso por outro, desde que respeitado o prazo de interposição do recurso cabível.

Art. 331. O Relator poderá determinar diligências que entender necessárias para instrução do processo
de recurso.
§ 1º O Relator designado para atuar em recurso ordinário ou em pedido de reexame é competente
para resolver questões atinentes aos autos do processo principal, até a deliberação proferida no recurso
ordinário ou no pedido de reexame. (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº
09/2013, de 08/05/2013)
§ 2º No caso de recurso ordinário e nos pedidos de reexame e de rescisão interpostos pelos
responsáveis ou interessados, será obrigatória a manifestação do Ministério Público junto ao Tribunal,
em até 15 (quinze) dias, contados da data em que receber o processo, mediante parecer escrito. (Incluído
pelo art. 1º da Resolução nº 09/2013, de 08/05/2013)

Art. 332. O recorrente poderá, a qualquer tempo, desistir do recurso.

Art. 333. O início, o decurso e o término dos prazos relativos aos recursos que tramitam no Tribunal
obedecerão às normas do Código de Processo Civil, no que couber.

CAPÍTULO II
DO RECURSO ORDINÁRIO

Art. 334. Das decisões definitivas proferidas pelo Tribunal Pleno, pelas Câmaras ou pelo Relator
caberá recurso ordinário que terá efeitos suspensivo e devolutivo.

Art. 335. O recurso ordinário será interposto, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência da
decisão, na forma prevista no art. 168 deste Regimento, e deverá conter:
I - o(s) nome(s) e a qualificação do(s) interessado(s);
II - os fundamentos de fato e de direito;
III - o pedido da nova decisão.
§ 1º O recurso ordinário será apreciado pelo Tribunal Pleno e a sua distribuição não poderá recair no
Relator do acórdão recorrido.
§ 2º Não caberá recurso ordinário em parecer prévio.

Art. 336. Se o recurso ordinário for interposto pelo responsável ou pelo interessado, o

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Relator poderá determinar a manifestação da unidade técnica competente, no prazo de até 15 (quinze)
dias e, em seguida, serão os autos remetidos ao Ministério Público junto ao Tribunal, para parecer
conclusivo em igual prazo.
Parágrafo único. Não havendo determinação de manifestação da unidade técnica competente, o
Relator encaminhará os autos diretamente ao Ministério Público junto ao Tribunal para cumprimento do
disposto no caput deste artigo, após o que o processo será concluso para voto e posterior inclusão em
pauta.

CAPÍTULO III
DO AGRAVO

Art. 337. Das decisões interlocutórias e terminativas proferidas pelo Tribunal Pleno, pelas Câmaras ou
pelo Relator, caberá agravo, salvo das decisões que não conhecem das consultas.
Parágrafo único. O Relator poderá fundamentadamente atribuir efeito suspensivo ao agravo, nos casos
em que da decisão agravada possa resultar lesão grave ou de difícil reparação.

Art. 338. O agravo será interposto, uma única vez, dirigido ao Relator da decisão agravada, no prazo
de 10 (dez) dias, contados da ciência da decisão, na forma do art. 168 deste Regimento, e deverá conter:
I - a exposição do fato e do direito;
II - as razões de reforma da decisão;
III - cópia da decisão agravada com o respectivo termo de juntada.
Parágrafo único. A parte poderá instruir o agravo com a indicação de cópias de outras peças
processuais que entender úteis ao julgamento da questão agravada.

Art. 339. Recebido o recurso de agravo, o Relator poderá, dentro de 10 (dez) dias, reformar a decisão,
se monocrática, ou submeter o agravo:
I - ao Tribunal Pleno, em matéria de sua competência e nas decisões de Câmara;
II - à Câmara, nas decisões de Relator em matéria de sua competência.

Art. 340. Provido ou não o agravo, a Secretaria do Colegiado competente certificará a decisão nos
autos, após o que o processo principal seguirá a tramitação regimental.

Art. 341. Transitada em julgado a decisão no agravo, cópia do acórdão será juntada aos autos do
processo principal, devendo o agravo ser apensado ao processo principal, se for o caso.

CAPÍTULO IV
DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO

Art. 342. Cabem embargos de declaração para corrigir obscuridade, omissão ou contradição em
acórdãos proferidos pelo Tribunal Pleno ou pelas Câmaras e em decisões monocráticas.

Art. 343. Os embargos de declaração serão dirigidos ao Relator do acórdão recorrido, no prazo de 10
(dez) dias, contados da ciência da decisão, na forma do art. 168 deste Regimento, e deverão conter, de
forma clara e precisa, a indicação da obscuridade, contradição ou omissão da decisão recorrida.

Art. 344. A interposição de embargos de declaração interrompe a contagem dos prazos para
cumprimento da decisão embargada e para interposição de outros recursos.

Art. 345. Recebidos os embargos de declaração, o Relator, independentemente de inclusão em pauta,


os apresentará para julgamento na primeira sessão subsequente, salvo motivo de força maior.

Art. 346. Providos os embargos de declaração, a decisão se limitará a corrigir a obscuridade, omissão
ou contradição apontada pelo recorrente.

Art. 347. Não haverá sustentação oral no julgamento de embargos de declaração.

Art. 348. Quando os embargos de declaração forem considerados meramente protelatórios e o


Colegiado competente assim os tiver declarado, será aplicada multa ao embargante, nos termos do artigo
318, inciso XI, deste Regimento.

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CAPÍTULO V
DO PEDIDO DE REEXAME

Art. 349. Caberá pedido de reexame, com efeito suspensivo, em parecer prévio sobre as contas
prestadas anualmente pelo Governador e pelos Prefeitos.

Art. 350. O pedido de reexame será interposto uma única vez, no prazo de 30 (trinta) dias, contados
da ciência do parecer prévio, na forma prevista no art. 168 deste Regimento, e conterá:
I - o(s) nome(s) e a qualificação do(s) interessado(s);
II - os fundamentos de fato e de direito;
III - o pedido de novo parecer.
Parágrafo único. O pedido de reexame será apreciado pelo Colegiado que emitiu o parecer prévio e
sua distribuição não poderá recair no Relator do processo de prestação de contas, ou, se vencido o
Relator, no prolator do voto vencedor.

Art. 351. Recebido o pedido de reexame interposto pelo responsável ou interessado, o Relator poderá
determinar a manifestação da unidade técnica competente, no prazo de até 15 (quinze) dias, após o que
serão os autos remetidos ao Ministério Público junto ao Tribunal para parecer conclusivo em igual prazo.
Parágrafo único. Não havendo determinação de manifestação da unidade técnica competente, o
Relator encaminhará os autos diretamente ao Ministério Público junto ao Tribunal para cumprimento do
disposto no caput deste artigo, e, em seguida, o processo será concluso para voto e posterior inclusão
em pauta.

Art. 352. Se o pedido de reexame for interposto pelo Ministério Público junto ao Tribunal, recebido o
recurso, poderá o Relator determinar a manifestação da unidade técnica competente, no prazo de até 15
(quinze) dias, findo o qual será concluso o processo para voto e deliberação.

Art. 353. O parecer prévio será remetido ao Poder Legislativo decorrido o prazo do art. 40 da Lei
Complementar nº 102/2008, ou, se admitido recurso, após decisão definitiva transitada em julgado.

TÍTULO X
DO PEDIDO DE RESCISÃO

Art. 354. O Ministério Público junto ao Tribunal, os responsáveis ou os interessados poderão solicitar
a rescisão das decisões definitivas transitadas em julgado proferidas pelo Tribunal Pleno e pelas
Câmaras, a qual será recebida sem efeito suspensivo.
Parágrafo único. Não caberá pedido de rescisão em parecer prévio sobre prestação de contas anual
do Governador e dos Prefeitos.

Art. 355. O pedido de rescisão, a ser apreciado pelo Tribunal Pleno, tem natureza autônoma e poderá
ser formulado uma única vez, no prazo de até 2 (dois) anos, contados do trânsito em julgado da decisão,
quando:
I - a decisão houver sido proferida contra disposição de lei;
II - o ato, objeto da decisão, houver sido fundado em falsidade não alegada na época do julgamento;
III - ocorrer superveniência de documentos novos com eficácia sobre a prova produzida ou a decisão
adotada.
§ 1º A falsidade a que se refere o inciso II do caput deste artigo, não alegada à época do julgamento,
será demonstrada por decisão definitiva proferida pelo Juízo Civil ou Criminal, conforme o caso, ou
deduzida e provada no processo de rescisão, garantido-se às partes direito de ampla defesa.
§ 2º Quando não admitido o recurso, considera-se o termo inicial do trânsito em julgado, para contagem
do prazo do pedido de rescisão, a data da publicação que inadmitiu o recurso, ressalvada a hipótese do
§ 3º.
§ 3º Quando não admitido o recurso por intempestividade, considera-se o termo inicial do trânsito em
julgado, para contagem do prazo do pedido de rescisão, a data em que a decisão recorrida transitou em
julgado.

Art. 356. O pedido de rescisão deverá conter:


I - o(s) nome(s) e a qualificação do(s) interessado(s);
II - o fato e os fundamentos em que se baseia o requerente para solicitar a rescisão do julgado;

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III - as provas que servirão para demonstrar o alegado.

Art. 357. O pedido de rescisão formulado pelos responsáveis ou interessados será protocolizado,
autuado e distribuído a um Relator, e encaminhado pela unidade de Protocolo à Secretaria do Tribunal
Pleno.
Parágrafo único. A Secretaria do Tribunal Pleno certificará se o pedido de rescisão é renovação de
anterior, o início da contagem do prazo e a data de sua propositura.

Art. 358. O pedido de rescisão será distribuído a um Relator que não tenha funcionado nessa qualidade
no julgamento que lhe tenha dado causa ou nos recursos interpostos.
Parágrafo único. O Relator poderá não conhecer liminarmente do pedido de rescisão quando não
forem atendidos os pressupostos de admissibilidade previstos no art. 355 deste Regimento, devendo ser
publicada a decisão com imediata comunicação ao requerente, nos termos do art. 78 da Lei
Complementar nº 102/2008.

Art. 359. Conhecido o pedido, se for interposto pelo responsável ou interessado, o Relator poderá
determinar a manifestação da unidade técnica competente, no prazo de até 15 (quinze) dias e, em
seguida, serão os autos remetidos ao Ministério Público junto ao Tribunal, para parecer conclusivo em
igual prazo.
Parágrafo único. Não havendo determinação de manifestação da unidade técnica competente, o
Relator encaminhará os autos diretamente ao Ministério Público junto ao Tribunal para cumprimento do
disposto no caput deste artigo, após o que o processo será concluso para inclusão em pauta.

Art. 360. Conhecido o pedido, se for interposto pelo Ministério Público junto ao Tribunal, o Relator
determinará, preliminarmente, a intimação dos responsáveis ou interessados para, caso queiram,
impugná-lo ou assisti-lo, no prazo de 15 (quinze) dias, contados na forma do art. 168 deste Regimento.
Parágrafo único. Ultrapassado o prazo fixado no caput, o Relator poderá determinar a manifestação
da unidade técnica competente, em até 15 (quinze) dias, que fará concluso o processo para inclusão em
pauta.

Art. 361. Julgado procedente o pedido, o Tribunal rescindirá o acórdão e proferirá, se for o caso, nova
decisão.

Art. 362. Para cumprimento e execução, o acórdão do pedido de rescisão e a certidão de julgamento
instruirão os autos do feito que lhes deu origem.

TÍTULO XI
DA EXECUÇÃO DAS DECISÕES

Art. 363. A decisão do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terá eficácia de título
executivo.

Art. 364. O responsável será intimado para, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência da
decisão, na forma prevista no art. 168 deste Regimento, efetuar e comprovar o recolhimento do valor
devido.
Parágrafo único. Transcorrido o prazo a que se refere o caput deste artigo sem o cumprimento da
determinação, o Tribunal passará certidão de débito contendo a individualização dos responsáveis e o
valor do débito e/ou multa imputados, devidamente atualizados, e a remeterá ao Ministério Público junto
ao Tribunal, para as providências necessárias à execução da decisão.

Art. 365. Na hipótese de não provimento ou provimento parcial de recurso porventura interposto, o
responsável será intimado para efetuar e comprovar o recolhimento do valor devido, no prazo de 30 (trinta)
dias, contados da ciência da decisão, na forma prevista no art. 168 deste Regimento.

Art. 366. O Tribunal ou o Relator poderá autorizar o recolhimento parcelado da importância devida a
título de multa, em até 12 (doze) vezes.
§ 1º O pedido de parcelamento deverá ser dirigido ao Relator, em petição escrita e fundamentada.
§ 2º As parcelas deverão ser devidamente atualizadas, observando-se o índice oficial adotado pelo
Tribunal, que será fixado em ato normativo próprio.

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§ 3º A falta de recolhimento de qualquer parcela importará o vencimento antecipado do saldo devedor
e o responsável responderá pelo seu pagamento integral na data do vencimento imediatamente posterior
à da inadimplência.
§ 4º Excepcionalmente, o Tribunal poderá autorizar o recolhimento do valor da multa em até 36 (trinta
e seis) parcelas, se o responsável apresentar requerimento na forma do § 1º e comprovar que não possui
capacidade financeira para quitá-la em 12 (doze) meses. (Incluído pelo art. 1º da Resolução nº 01/2014,
de 26/02/2014)

Art. 367. O débito decorrente de multa aplicada pelo Tribunal, quando pago após o vencimento, será
acrescido de juros de mora de 1% (um por cento) ao mês e de atualização da moeda até a data do efetivo
recolhimento.

Art. 368. Os responsáveis que não comprovarem o recolhimento da multa no prazo determinado no
caput do art. 364 e no art. 366, caput e SS 3º, ambos deste Regimento, serão inscritos imediatamente no
cadastro de inadimplentes do Tribunal, sem prejuízo das demais sanções legais cabíveis.
Parágrafo único. O cadastro de inadimplentes será regulamentado em ato normativo próprio. Art. 369.
Comprovado o recolhimento integral, o Tribunal dará quitação ao responsável.
Parágrafo único. Na hipótese de recolhimento não integral do valor devido, o responsável ficará inscrito
no cadastro de inadimplentes até o cumprimento total da obrigação.

TÍTULO XII
DA ALTERAÇÃO DO REGIMENTO INTERNO

Art. 370. A aprovação e alteração do Regimento Interno do Tribunal serão feitas por meio de resolução,
observada a maioria absoluta dos Conselheiros efetivos, ressalvada a matéria a que se refere o art. 36
da Lei Complementar nº 102/2008, cuja deliberação se fará por dois terços.
Parágrafo Único. A aprovação e as alterações do Regimento Interno serão publicadas no Diário Oficial
de Contas, observado, ainda, o disposto no art. 383 deste Regimento. (Redação dada pelo art. 25 da
Resolução nº 10/2010, de 30/06/2010)

Art. 371. O Regimento Interno poderá ser reformado mediante:


I - emenda, para suprimir, acrescentar ou modificar disposições;
II - revisão, visando à modificação total ou de parte ampla do Regimento.

Art. 372. A iniciativa do projeto será exclusiva do Presidente e dos demais Conselheiros, devendo
conter, em qualquer caso, suas justificativas.

Art. 373. O projeto, com a respectiva justificativa, após autuado, será distribuído a um Relator,
encaminhando-se cópia aos demais Conselheiros, aos Auditores e ao Procurador Geral do Ministério
Público junto ao Tribunal.

Art. 374. Os Conselheiros, Auditores e o Procurador Geral do Ministério Público junto ao Tribunal
poderão apresentar emendas ao projeto, encaminhadas diretamente ao Relator, em até 10 (dez) dias
após o recebimento da cópia do projeto.
§ 1º Findo o prazo estabelecido no caput deste artigo o Relator terá 20 (vinte) dias para emitir parecer
sobre as emendas e incorporar ao projeto as que julgar procedentes, bem como formular as razões pelas
quais opina por sua rejeição parcial ou total, e determinar a inclusão do processo em pauta para discussão
e votação.
§ 2º O Relator deverá encaminhar aos Conselheiros e ao Procurador Geral do Ministério Público junto
ao Tribunal, com a antecedência mínima de 72 (setenta e duas) horas à realização da sessão de
discussão e votação, cópia do projeto consolidado.

Art. 375. A matéria regimental será discutida e votada em sessão única, ordinária ou extraordinária,
realizada em dias consecutivos ou não.
§ 1º Durante os trabalhos não haverá adiamento por pedido de vista.
§ 2º A matéria aprovada em uma sessão não poderá ser objeto de reexame.

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Art. 376. Aprovado o projeto, dar-lhe-á o Relator redação final, dentro de 3 (três) dias úteis; em seguida,
será submetido ao Tribunal Pleno, em sessão única, e uma vez aprovado, lavrar-se-á o ato respectivo,
que será assinado por todos os Conselheiros e remetido à publicação.
§ 1º Será dispensada a votação da redação final se aprovado o projeto originário, sem emendas, ou o
substitutivo integralmente.
§ 2º Somente serão admitidas alterações na redação final para evitar incorreções gramaticais.

Art. 377. Aprovada a revisão do Regimento, este deverá ser republicado com as alterações, na íntegra.
Parágrafo único. As emendas ao Regimento poderão ser publicadas individualmente.

TÍTULO XIII
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS

Art. 378. Aplica-se aos servidores do Tribunal o Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado.

Art. 379. Aplica-se, supletivamente, aos casos omissos o disposto na Lei Orgânica do Tribunal de
Contas da União e, no que couber, no Código de Processo Civil, no Código de Processo Penal e na Lei
Estadual nº 14.184/2002.

Art. 380. O Tribunal poderá firmar acordo de cooperação com entidades governamentais da União,
dos Estados, dos Municípios, do Distrito Federal e com entidades civis, objetivando o intercâmbio de
informações que visem ao aprimoramento dos sistemas de controle e de fiscalização, ao treinamento e
ao aperfeiçoamento de pessoal.
Parágrafo único. Os acordos de cooperação aprovados pelo Tribunal Pleno serão assinados pelo
Presidente do Tribunal.

Art. 381. A fiscalização dos editais de concurso público, prevista no art. 3º, inciso XXXI, da Lei
Complementar nº 102/2008, será regulamentada em ato normativo próprio.

Art. 382. As informações pertinentes aos processos autuados no Tribunal serão registradas em sistema
informatizado, de modo a resguardar a confiabilidade dos dados, observados critérios de padronização
previamente estabelecidos em ato normativo próprio.

Art. 383. O Tribunal utilizará meios informatizados para divulgar suas instruções normativas,
resoluções, portarias, pautas e atas de sessões, tramitação de processos, dentre outros atos e
expedientes de interesse público.

Art. 384. O Tribunal manterá programa de estágio para estudantes de nível universitário ou
profissionalizante.
Parágrafo único. O programa de estágio será regulamentado por meio de resolução do Tribunal que
definirá, dentre outros, os critérios de seleção, ingresso, avaliação e atividades dos estagiários,
observando-se a legislação aplicável.

Art. 385. No mês de setembro, será realizada sessão solene para entrega do "Colar do Mérito da Corte
de Contas Ministro José Maria de Alkmim", destinado a reconhecer o mérito de personalidades ou
instituições que tenham prestado relevantes serviços ao Tribunal.

Art. 386. O Tribunal expedirá normas regulamentares que se fizerem necessárias ao seu
funcionamento.

Art. 387. O Tribunal entrará em recesso anualmente, no final do exercício, em período a ser definido
pelo Tribunal Pleno.

Art. 388. O Tribunal instituirá o Diário Eletrônico com a finalidade de dar publicidade e divulgação dos
atos processuais e administrativos.

Art. 389. O Tribunal ajustará o exame dos processos em tramitação às disposições da Lei
Complementar nº 102/2008 e deste Regimento, obedecendo aos seguintes critérios quanto aos recursos:

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I - os recursos protocolizados no Tribunal, a partir de 18 de janeiro de 2008, contra decisões prolatadas
sob a vigência da Lei Complementar nº 33/1994, terão os procedimentos regidos pela Lei Complementar
nº 102/2008, observando-se, quanto aos prazos estabelecidos para interposição dos recursos, o que for
mais benéfico ao recorrente;
II - os recursos protocolizados no Tribunal até 17 de janeiro de 2008 serão autuados e distribuídos,
observando-se o disposto na Lei Complementar nº 33/1994 e, quanto aos procedimentos, o estabelecido
neste Regimento.
Parágrafo único. Os recursos de reconsideração e embargos infringentes de que trata a Lei
Complementar nº 33/1994 observarão o procedimento previsto no Regimento Interno aprovado pela
Resolução nº 10 de 3 de julho de 1996.

Art. 390. Serão admitidos pedidos de reexame contra pareceres prévios emitidos sob a vigência da Lei
Complementar nº 33/1994, interpostos dentro do prazo estabelecido no caput do art. 350 deste
Regimento.

Art. 391. Os atos normativos anteriores à vigência da Lei Complementar nº 102/2008 serão revisados,
até julho de 2009, ficando mantidas, até então, as disposições que não conflitem com a referida Lei e com
este Regimento.

Art. 392. Até que seja editado o Regulamento previsto no SS 2º do art. 20 deste Regimento Interno,
aplicar-se-á, no que couber, o disposto nos arts. 128 a 135 da Lei Complementar nº 59, de 18/01/2001
com as alterações introduzidas pela Lei Complementar nº 85, de 28/12/2005, e pela Lei Complementar
nº 105, de 14/08/2008.

Art. 392-A. Para os processos que tenham sido autuados até 15 de dezembro de 2011, adotar-se-ão
os prazos prescricionais de: (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)
I – cinco anos, contados da ocorrência do fato até a primeira causa interruptiva da prescrição; (Incluído
pelo art. 2º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)
II – oito anos, contados da ocorrência da primeira causa interruptiva da prescrição até a primeira
decisão de mérito recorrível proferida no processo; (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 17/2014, de
08/10/2014)
III – cinco anos, contados da prolação da primeira decisão de mérito recorrível até a prolação da
decisão de mérito irrecorrível. (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)
Parágrafo único. Nos processos a que se refere o caput, a pretensão punitiva do Tribunal prescreverá,
também, quando a paralisação da tramitação processual do feito em um setor ultrapassar o período de
cinco anos. (Incluído pelo art. 2º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)

Art. 392-B. O Presidente do Tribunal poderá decidir monocraticamente sobre a ocorrência da


prescrição nos processos encaminhados à Presidência antes de 6 de fevereiro de 2014, data da
publicação, no „Minas Gerais‟, da Lei Complementar nº 133, de 5 de fevereiro de 2014. (Incluído pelo art.
2º da Resolução nº 17/2014, de 08/10/2014)

Art. 393. A revisão regimental será realizada após 1 (um) ano, contado da data da publicação do
Regimento Interno e observará rito específico disposto em regulamento próprio.
Parágrafo único. O prazo previsto no caput deste artigo poderá ser prorrogado a critério do Tribunal
Pleno.

Art. 394. Revogam-se as disposições em contrário, em especial a Resolução nº 10 de 03 de julho de


1996 e as alterações posteriores.

Art. 395. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

Sala das Sessões Governador Milton Campos, 17 de dezembro de 2008.

Questões

01. (TCE-MG: Auditor - Conselheiro Substituto – FUNDEP/2018) A respeito do que está previsto no
Regimento Interno do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (Resolução Nº 12, de 19/12/2008),
assinale a alternativa INCORRETA.

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(A) O titular de cada Poder, no âmbito estadual e municipal, encaminhará ao Tribunal, em cada
exercício, o rol dos responsáveis por dinheiro, bens e valores públicos e outros documentos ou
informações considerados necessários, na forma estabelecida em atos normativos do Tribunal.
(B) No relatório anual de suas atividades, o Tribunal apresentará análise da evolução dos custos da
atividade de controle e da eficiência, eficácia e economicidade dessa atividade.
(C) O ouvidor será designado pelo presidente do TCE-MG, dentre seus membros, auditores,
procuradores do Ministério Público junto ao Tribunal ou servidores.
(D) Os auditores em atuação nas Câmaras presidem a instrução e relatam os processos que lhes
forem distribuídos com proposta de voto a ser apreciada pelos membros do respectivo Colegiado.
(E) Os auditores não poderão exercer funções nos serviços auxiliares do Tribunal, ressalvada a de
vice-diretor da Revista, a participação em comissões internas temporárias e a Corregedoria a critério do
presidente.

02. Segundo o que dispõe a resolução 12/2008 podemos afirmar:


“O Ministério Público junto ao Tribunal, os responsáveis ou os interessados poderão solicitar a rescisão
das decisões definitivas transitadas em julgado proferidas pelo Tribunal Pleno e pelas Câmaras, a qual
será recebida sem efeito suspensivo”.
( ) Verdadeiro
( ) Falso

Gabarito
01.E/ 02. Verdadeiro

Comentários
01. Resposta: E
Art. 53. Aos Auditores aplicam-se as mesmas causas de impedimento e suspeição a que se submetem
os Conselheiros.
Parágrafo único. Os Auditores não poderão exercer funções nos serviços auxiliares do Tribunal,
ressalvada a de Vice-Diretor da Revista e a participação em comissões internas temporárias, a critério do
Presidente.

02. Resposta: Verdadeiro.


Art. 354. O Ministério Público junto ao Tribunal, os responsáveis ou os interessados poderão solicitar
a rescisão das decisões definitivas transitadas em julgado proferidas pelo Tribunal Pleno e pelas
Câmaras, a qual será recebida sem efeito suspensivo.

13 Constituição do Estado de Minas Gerais.

CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

PREÂMBULO

Nós, representantes do povo do Estado de Minas Gerais, fiéis aos ideais de liberdade de sua tradição,
reunidos em Assembleia Constituinte, com o propósito de instituir ordem jurídica autônoma, que, com
base nas aspirações dos mineiros, consolide os princípios estabelecidos na Constituição da República,
promova a descentralização do Poder e assegure o seu controle pelos cidadãos, garanta o direito de
todos à cidadania plena, ao desenvolvimento e à vida, numa sociedade fraterna, pluralista e sem
preconceito, fundada na justiça social, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição:

TÍTULO I
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1º – O Estado de Minas Gerais integra, com autonomia político-administrativa, a República


Federativa do Brasil.
§ 1º – Todo o poder do Estado emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou
diretamente, nos termos da Constituição da República e desta Constituição.

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§ 2º – O Estado se organiza e se rege por esta Constituição e leis que adotar, observados os princípios
constitucionais da República.

Art. 2º – São objetivos prioritários do Estado:


I – garantir a efetividade dos direitos públicos subjetivos;
II – assegurar o exercício, pelo cidadão, dos mecanismos de controle da legalidade e legitimidade dos
atos do Poder Público e da eficácia dos serviços públicos;
III – preservar os valores éticos;
IV – promover a regionalização da ação administrativa, em busca do equilíbrio no desenvolvimento
das coletividades;
V – criar condições para a segurança e a ordem públicas;
VI – promover as condições necessárias para a fixação do homem no campo;
VII – garantir a educação, o acesso à informação, o ensino, a saúde e a assistência à maternidade, à
infância, à adolescência e à velhice;
VIII – dar assistência ao Município, especialmente ao de escassas condições de propulsão
socioeconômica;
IX – preservar os interesses gerais e coletivos;
X – garantir a unidade e a integridade de seu território;
XI – desenvolver e fortalecer, junto aos cidadãos e aos grupos sociais, os sentimentos de pertinência
à comunidade mineira em favor da preservação da unidade geográfica de Minas Gerais e de sua
identidade social, cultural, política e histórica;
XII – erradicar a pobreza e reduzir as desigualdades sociais e regionais.

Art. 3º – O território do Estado somente será incorporado, dividido ou desmembrado, com aprovação
da Assembleia Legislativa.

TÍTULO II
DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

Art. 4º – O Estado assegura, no seu território e nos limites de sua competência, os direitos e garantias
fundamentais que a Constituição da República confere aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no
País.
§ 1º – Incide na penalidade de destituição de mandato administrativo ou de cargo ou função de direção,
em órgão da administração direta ou entidade da administração indireta, o agente público que deixar
injustificadamente de sanar, dentro de noventa dias da data do requerimento do interessado, omissão
que inviabilize o exercício de direito constitucional.
§ 2º – Independe do pagamento de taxa ou de emolumento ou de garantia de instância o exercício do
direito de petição ou representação, bem como a obtenção de certidão para a defesa de direito ou
esclarecimento de situação de interesse pessoal.
§ 3º – Nenhuma pessoa será discriminada, ou de qualquer forma prejudicada, pelo fato de litigar com
órgão ou entidade estadual, no âmbito administrativo ou no judicial.
§ 4º – Nos processos administrativos, qualquer que seja o objeto e o procedimento, observar-se-ão,
entre outros requisitos de validade, a publicidade, o contraditório, a defesa ampla e o despacho ou a
decisão motivados.
§ 5º – Todos têm o direito de requerer e obter informação sobre projeto do Poder Público, a qual será
prestada no prazo da lei, ressalvada aquela cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e
do Estado.
§ 6º – O Estado garante o exercício do direito de reunião e de outras liberdades constitucionais e a
defesa da ordem pública, da segurança pessoal e dos patrimônios público e privado.
§ 7º – Ao presidiário é assegurado o direito a:
I – assistência médica, jurídica e espiritual;
II – aprendizado profissionalizante e trabalho produtivo e remunerado;
III – acesso a notícia divulgada fora do ambiente carcerário;
IV – acesso aos dados relativos à execução da respectiva pena;
V – creche ou outras condições para o atendimento do disposto no art. 5º, L, da Constituição da
República.
§ 8º – É passível de punição, nos termos da lei, o agente público que, no exercício de suas atribuições
e independentemente da função que exerça, violar direito constitucional do cidadão.

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Art. 5º – Ao Estado é vedado:
I – estabelecer culto religioso ou igreja, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter
com eles ou com seus representantes relações de dependência ou de aliança, ressalvada, na forma da
lei, a colaboração de interesse público;
II – recusar fé a documento público;
III – criar distinção entre brasileiros ou preferência em relação às demais unidades e entidades da
Federação.

TÍTULO III
DO ESTADO

CAPÍTULO I
DA ORGANIZAÇÃO DO ESTADO

Seção I
Disposições Gerais

Art. 6º – São Poderes do Estado, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o
Judiciário.
Parágrafo único – Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, é vedado a qualquer dos
Poderes delegar atribuição e, a quem for investido na função de um deles, exercer a de outro.

Art. 7º – São símbolos do Estado a bandeira, o hino e o brasão, definidos em lei.

Art. 8º – A cidade de Belo Horizonte é a Capital do Estado.

Seção II
Da Competência do Estado

Art. 9º – É reservada ao Estado a competência que não lhe seja vedada pela Constituição da
República.

Art. 10 – Compete ao Estado:


I – manter relações com a União, os Estados Federados, o Distrito Federal e os Municípios;
II – organizar seu Governo e Administração;
III – firmar acordo, convênio, ajuste e instrumento congênere;
IV – difundir a seguridade social, a educação, a cultura, o desporto, a ciência e a tecnologia;
V – proteger o meio ambiente;
VI – manter e preservar a segurança e a ordem públicas e a incolumidade da pessoa e do patrimônio;
VII – intervir no Município, nos casos previstos nesta Constituição;
VIII – explorar diretamente ou mediante concessão os serviços locais de gás canalizado, na forma da
lei;
IX – explorar diretamente, ou mediante concessão, os serviços de transporte ferroviário e aquaviário
que não transponham os limites do seu território e o rodoviário estadual de passageiros;
X – instituir região metropolitana, aglomeração urbana e microrregião;
XI – instituir plano de aproveitamento e destinação de terra pública e devoluta, compatibilizando-o com
a política agrícola e com o plano nacional de reforma agrária;
XII – criar sistema integrado de parques estaduais, reservas biológicas, estações ecológicas e
equivalentes, adequado à conservação dos ecossistemas do Estado, para proteção ecológica, pesquisa
científica e recreação pública, e dotá-los dos serviços públicos indispensáveis às suas finalidades;
XIII – dispor sobre sua divisão e organização judiciárias e divisão administrativa;
XIV – suplementar as normas gerais da União sobre:
a) organização, efetivos, garantias, direitos e deveres da Polícia Militar;
b) licitação e contrato administrativo na administração pública direta e indireta;
XV – legislar privativamente nas matérias de sua competência e, concorrentemente com a União,
sobre:
a) direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico;
b) orçamento;
c) junta comercial;

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d) custas dos serviços forenses;
e) produção e consumo;
f) florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais,
proteção do ambiente e controle da poluição;
g) proteção do patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico;
h) responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico,
estético, histórico, turístico e paisagístico;
i) educação, cultura, ensino e desporto;
j) criação, funcionamento e processo do juizado de pequenas causas;
l) procedimentos em matéria processual;
m) previdência social, proteção e defesa da saúde;
n) assistência jurídica e defensoria pública;
o) apoio e assistência ao portador de deficiência e sua integração social;
p) proteção à infância e à juventude;
q) organização, garantias, direitos e deveres da Polícia Civil.
§ 1º – No domínio da legislação concorrente, o Estado exercerá:
I – competência suplementar;
II – competência plena, quando inexistir lei federal sobre normas gerais, ficando suspensa a eficácia
da lei estadual no que for contrário a lei federal superveniente.
§ 2º – O Estado poderá legislar sobre matéria da competência privativa da União, quando permitido
em lei complementar federal.

Art. 11 – É competência do Estado, comum à União e ao Município:


I – zelar pela guarda da Constituição, das leis e das instituições democráticas e conservar o patrimônio
público;
II – cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia do portador de deficiência;
III – proteger os documentos, obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os
monumentos, paisagens naturais notáveis e sítios arqueológicos;
IV – impedir a evasão, destruição e descaracterização de obra de arte e de outros bens de valor
histórico, artístico ou cultural;
V – proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação e à ciência;
VI – proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas;
VII – preservar as florestas, a fauna e a flora;
VIII – fomentar a produção agropecuária e organizar o abastecimento alimentar, com a viabilização da
assistência técnica ao produtor e da extensão rural;
IX – promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais e de
saneamento básico;
X – combater as causas da pobreza e os fatores de marginalização, mediante a integração social dos
setores desfavorecidos;
XI – registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de direito de pesquisa e de exploração de
recursos hídricos e minerais em seu território;
XII – estabelecer e implantar política de educação para a segurança do trânsito.

Seção III
Do Domínio Público

Art. 12 – Formam o domínio público patrimonial do Estado os seus bens móveis e imóveis, os seus
direitos e os rendimentos das atividades e serviços de sua competência.
Parágrafo único – Incluem-se entre os bens do Estado:
I – as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, salvo, neste caso, na
forma da lei federal, as decorrentes de obra da União;
II – as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União;
III – os lagos em terreno de seu domínio e os rios que em seu território têm nascente e foz, salvo os
de domínio da União;
IV – as terras devolutas não compreendidas entre as da União.

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Seção IV
Da Administração Pública

Art. 13 – A atividade de administração pública dos Poderes do Estado e a de entidade descentralizada


se sujeitarão aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiência e
razoabilidade.
§ 1º – A moralidade e a razoabilidade dos atos do Poder Público serão apuradas, para efeito de controle
e invalidação, em face dos dados objetivos de cada caso.
§ 2º – O agente público motivará o ato administrativo que praticar, explicitando-lhe o fundamento legal,
o fático e a finalidade.

Art. 14 – Administração pública direta é a que compete a órgão de qualquer dos Poderes do Estado.
§ 1º – Administração pública indireta é a que compete:
I – à autarquia, de serviço ou territorial;
II – à sociedade de economia mista;
III – à empresa pública;
IV – à fundação pública;
V – às demais entidades de direito privado, sob controle direto ou indireto do Estado.
§ 2º – A atividade administrativa do Estado se organizará em sistemas, principalmente a de
planejamento, a de finanças e a de administração geral.
§ 3º – É facultado ao Estado criar órgão, dotado de autonomia financeira e administrativa, segundo a
lei, sob a denominação de órgão autônomo.
§ 4º – Depende de lei específica:
I – a instituição e a extinção de autarquia, fundação pública e órgão autônomo;
II – a autorização para instituir, cindir e extinguir a entidade a que se refere o § 14 do art. 36, sociedade
de economia mista e empresa pública e para alienar ações que garantam o controle dessas entidades
pelo Estado;
III – a autorização para criação de subsidiária das entidades mencionadas neste parágrafo e para sua
participação em empresa privada;
IV – a alienação de ações que garantam, nas empresas públicas e sociedades de economia mista, o
controle pelo Estado.
§ 5º – Ressalvada a entidade a que se refere o § 14 do art. 36, ao Estado somente é permitido instituir
ou manter fundação com personalidade jurídica de direito público, cabendo a lei complementar definir as
áreas de sua atuação.
§ 6º – (Revogado pelo art. 3º da Emenda à Constituição nº 75, de 8/8/2006.)
§ 7º – As relações jurídicas entre o Estado e o particular prestador de serviço público em virtude de
delegação, sob a forma de concessão, permissão ou autorização, são regidas pelo direito público.
§ 8º – É vedada a delegação de poderes ao Executivo para criação, extinção ou transformação de
entidade de sua administração indireta.
§ 9º – A lei disciplinará as formas de participação do usuário de serviços públicos na administração
pública direta e indireta, regulando especialmente:
I – a reclamação relativa à prestação de serviços públicos em geral, asseguradas a manutenção de
serviços de atendimento ao usuário e a avaliação periódica, externa e interna, da qualidade dos serviços;
II – o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de governo,
observado o disposto no art. 5º, X e XXXIII, da Constituição da República;
III – a representação contra negligência ou abuso de poder no exercício de cargo, emprego ou função
da administração pública.
§ 10 – A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e das entidades da administração
direta e indireta poderá ser ampliada mediante instrumento específico que tenha por objetivo a fixação de
metas de desempenho para o órgão ou entidade.
§ 11 – A lei disporá sobre a natureza jurídica do instrumento a que se refere o § 10 deste artigo e,
entre outros requisitos, sobre:
I – o seu prazo de duração;
II – o controle e o critério de avaliação de desempenho;
III – os direitos, as obrigações e as responsabilidades dos dirigentes;
IV – a remuneração do pessoal;
V – alteração do quantitativo e da distribuição dos cargos de provimento em comissão e das funções
gratificadas, observados os valores de retribuição correspondentes e desde que não altere as unidades
orgânicas estabelecidas em lei e não acarrete aumento de despesa.

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§ 12 – O Estado e os Municípios disciplinarão, por meio de lei, os consórcios públicos e os convênios
de cooperação com os entes federados, autorizando a gestão associada de serviços públicos bem como
a transferência total ou parcial de encargos, serviços, pessoal e bens essenciais à continuidade dos
serviços transferidos.
§ 13 – A transferência ou cessão, onerosa ou gratuita, de pessoal efetivo ou estável para entidade não
mencionada no § 1º deste artigo fica condicionada à anuência do servidor.
§ 14 – Lei complementar disporá sobre normas gerais de criação, funcionamento e extinção de
conselhos estaduais.
§ 15 – Será de três quintos dos membros da Assembleia Legislativa o quórum para aprovação de lei
que autorizar a alteração da estrutura societária ou a cisão de sociedade de economia mista e de empresa
pública ou a alienação das ações que garantem o controle direto ou indireto dessas entidades pelo
Estado, ressalvada a alienação de ações para entidade sob controle acionário do poder público federal,
estadual ou municipal.
§ 16 – A lei que autorizar a alienação de ações de empresa concessionária ou permissionária de
serviço público estabelecerá a exigência de cumprimento, pelo adquirente, de metas de qualidade de
serviço e de atendimento aos objetivos sociais inspiradores da constituição da entidade.
§ 17 – A desestatização de empresa de propriedade do Estado prestadora de serviço público de
distribuição de gás canalizado, de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica ou de
saneamento básico, autorizada nos termos deste artigo, será submetida a referendo popular.

Art. 15 – Lei estadual disciplinará o procedimento de licitação, obrigatória para a contratação de obra,
serviço, compra, alienação, concessão e permissão, em todas as modalidades, para a administração
pública direta, autárquica e fundacional, bem como para as empresas públicas e sociedades de economia
mista.
§ 1º – Na licitação a cargo do Estado ou de entidade de administração indireta, observar-se-ão, entre
outros, sob pena de nulidade, os princípios de isonomia, publicidade, probidade administrativa, vinculação
ao instrumento convocatório e julgamento objetivo.
§ 2º – (Suprimido pelo art. 1º da Emenda à Constituição nº 15, de 1/12/1995.)

Art. 16 – As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos
responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, sendo obrigatória a
regressão, no prazo estabelecido em lei, contra o responsável, nos casos de dolo ou culpa.

Art. 17 – A publicidade de ato, programa, projeto, obra, serviço e campanha de órgão público, por
qualquer veículo de comunicação, somente pode ter caráter informativo, educativo ou de orientação
social, e dela não constarão nome, símbolo ou imagem que caracterizem a promoção pessoal de
autoridade, servidor público ou partido político.
Parágrafo único – Os Poderes do Estado e do Município, incluídos os órgãos que os compõem,
publicarão, trimestralmente, o montante das despesas com publicidade pagas, ou contratadas naquele
período com cada agência ou veículo de comunicação.

Art. 18 – A aquisição de bem imóvel, a título oneroso, depende de avaliação prévia e de autorização
legislativa, exigida ainda, para a alienação, a licitação, salvo nos casos de permuta e doação, observada
a lei.
§ 1º – A alienação de bem móvel depende de avaliação prévia e de licitação, dispensável esta, na
forma da lei, nos casos de:
I – doação;
II – permuta.
§ 2º – O uso especial de bem patrimonial do Estado por terceiro será objeto, na forma da lei, de:
I – concessão, mediante contrato de direito público, remunerada ou gratuita, ou a título de direito real
resolúvel;
II – permissão;
III – cessão;
IV – autorização.
§ 3º – Os bens do patrimônio estadual devem ser cadastrados, zelados e tecnicamente identificados,
especialmente as edificações de interesse administrativo, as terras públicas e a documentação dos
serviços públicos.
§ 4º – O cadastramento e a identificação técnica dos imóveis do Estado, de que trata o parágrafo
anterior, devem ser anualmente atualizados, garantido o acesso às informações neles contidas.

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§ 5º – O disposto neste artigo se aplica às autarquias e às fundações públicas.

Art. 19 – A administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro das respectivas áreas de
competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei.
Parágrafo único – As administrações tributárias do Estado e dos Municípios, atividades essenciais ao
funcionamento do Estado, exercidas por servidores de carreiras específicas, terão recursos prioritários
para a realização de suas atividades e atuarão de forma integrada, inclusive com o compartilhamento de
cadastros e de informações fiscais, na forma da lei ou de convênio.

Seção V
Dos Servidores Públicos

Subseção I
Disposições Gerais

Art. 20 – A atividade administrativa permanente é exercida:


I – na administração direta de qualquer dos Poderes, por servidor público ocupante de cargo público
em caráter efetivo ou em comissão, por empregado público detentor de emprego público ou designado
para função de confiança ou por detentor de função pública, na forma do regime jurídico previsto em lei;
II – nas autarquias e fundações públicas, por servidor público ocupante de cargo público em caráter
efetivo ou em comissão, por empregado público detentor de emprego público ou designado para função
de confiança ou por detentor de função pública, na forma do regime jurídico previsto em lei;
III – nas sociedades de economia mista, empresas públicas e demais entidades de direito privado sob
o controle direto ou indireto do Estado, por empregado público detentor de emprego público ou função de
confiança.
Parágrafo único – A lei disporá sobre os requisitos e as restrições a serem observados pelo ocupante
de cargo ou detentor de emprego ou função que lhe possibilite acesso a informações privilegiadas.

Art. 21 – Os cargos, funções e empregos públicos são acessíveis aos brasileiros que preencham os
requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei.
§ 1º – A investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público
de provas ou de provas e títulos, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei
de livre nomeação e exoneração.
§ 2º – O prazo de validade do concurso público é de até dois anos, prorrogável, uma vez, por igual
período.
§ 3º – Durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, o aprovado em concurso
público será convocado, observada a ordem de classificação, com prioridade sobre novos concursados,
para assumir o cargo ou emprego na carreira.
§ 4º – A inobservância do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º deste artigo implica nulidade do ato e punição da
autoridade responsável, nos termos da lei.

Art. 22 – A lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado, para atender a
necessidade temporária de excepcional interesse público.
Parágrafo único – O disposto neste artigo não se aplica a funções de magistério.

Art. 23 – As funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo


efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições
e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e
assessoramento.
§ 1º – Nas entidades da administração indireta, pelo menos um cargo ou função de confiança de
direção superior será provido por servidor ou empregado público de carreira da respectiva instituição.
§ 2º – Lei complementar disporá sobre as condições para o provimento de cargos e empregos de
direção nas autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista estaduais,
vedada a nomeação ou a designação daqueles inelegíveis em razão de atos ilícitos, nos termos da
legislação federal.

Art. 24 – A remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o § 7º deste artigo somente
poderão ser fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa em cada caso,
assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices.

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§ 1º – A remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da
administração direta, autárquica e fundacional dos Poderes do Estado, do Ministério Público, do Tribunal
de Contas e da Defensoria Pública e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos
cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais, não poderão exceder o subsídio mensal dos
Desembargadores do Tribunal de Justiça, nos termos do § 12 do art. 37 da Constituição da República e
observado o disposto no § 5º deste artigo.
§ 2º – Os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário não podem ser superiores
aos percebidos no Poder Executivo.
§ 3º – É vedado vincular ou equiparar espécies remuneratórias para efeito de remuneração de pessoal
do serviço público.
§ 4º – Os acréscimos pecuniários percebidos por servidor público não serão computados nem
acumulados para o fim de concessão de acréscimo ulterior.
§ 5º – O subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos são
irredutíveis, ressalvado o disposto nos §§ 1º, 4º e 7º deste artigo e nos arts. 150, caput, II, e 153, caput,
III, e § 2º, I, da Constituição da República.
§ 6º – A lei estabelecerá a relação entre a maior e a menor remuneração dos servidores públicos,
obedecido, em qualquer caso, o disposto no § 1º deste artigo.
§ 7º – O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo e os Secretários de Estado serão
remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer
gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória, e
observado, em qualquer caso, o disposto no § 1º deste artigo.
§ 8º – A remuneração dos servidores públicos organizados em carreira poderá ser fixada nos termos
do § 7º deste artigo.
§ 9º – Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o § 1º deste artigo,
as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei.
§ 10 – O disposto no § 1º deste artigo aplica-se às empresas públicas e às sociedades de economia
mista, bem como às suas subsidiárias, que recebam recursos do Estado para pagamento de despesas
de pessoal ou de custeio em geral.
§ 11 – Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário publicarão anualmente os valores do subsídio e
da remuneração dos cargos, funções e empregos públicos.

Art. 25 – É vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, permitida, se houver compatibilidade


de horários e observado o disposto no § 1º do art. 24:
I – a de dois cargos de professor;
II – a de um cargo de professor com outro técnico ou científico;
III – a de dois cargos e empregos privativos de profissionais de saúde com profissões regulamentadas.
Parágrafo único – A proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias,
fundações e empresas públicas, sociedades de economia mista, bem como suas subsidiárias, e
sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público.

Art. 26 – Ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional no exercício de mandato


eletivo aplicam-se as seguintes disposições:
I – tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, ficará afastado do cargo, emprego ou
função;
II – investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, emprego ou função, sendo-lhe facultado
optar por sua remuneração;
III – investido no mandato de Vereador, se houver compatibilidade de horários, perceberá as vantagens
de seu cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo, e, se não houver, será
aplicada a norma do inciso anterior;
IV – em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício de mandato eletivo, seu tempo de
serviço será contado para todos os efeitos legais, exceto para promoção por merecimento;
V – para o efeito de benefício previdenciário, no caso de afastamento, os valores serão determinados
como se no exercício estivesse.

Art. 27 – A despesa com pessoal ativo e inativo do Estado e dos Municípios não pode exceder os
limites estabelecidos em lei complementar.
§ 1º – A concessão de vantagem ou o aumento de remuneração, a criação de cargo, emprego e função
ou a alteração de estrutura de carreira bem como a admissão ou contratação de pessoal, a qualquer
título, por órgão ou entidade da administração direta ou indireta ficam condicionados a:

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I – prévia dotação orçamentária suficiente para atender às projeções de despesa de pessoal e aos
acréscimos dela decorrentes;
II – autorização específica na Lei de Diretrizes Orçamentárias, ressalvadas as empresas públicas e as
sociedades de economia mista.
§ 2º – Decorrido o prazo estabelecido em lei para a adaptação aos parâmetros por ela previstos, serão
suspensos os repasses de verbas estaduais aos Municípios que não observarem os limites legalmente
estabelecidos.
§ 3º – Para o cumprimento dos limites estabelecidos com base neste artigo, dentro do prazo fixado na
lei complementar referida no caput, o Estado adotará as seguintes providências, sucessivamente:
I – redução de pelo menos 20% (vinte por cento) das despesas com cargos em comissão e funções
de confiança;
II – dispensa ou exoneração de servidor público civil não estável, admitido em órgão da administração
direta ou em entidade autárquica ou fundacional, que conte menos de três anos de efetivo exercício no
Estado;
III – dispensa ou exoneração de servidor não estável, observados os critérios de menor tempo de
efetivo serviço e de avaliação de desempenho, na forma da lei.

Art. 28 – A lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para provimento com portador de
deficiência e definirá os critérios de sua admissão.

Art. 29 – Os atos de improbidade administrativa importam a suspensão dos direitos políticos, a perda
de função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e na gradação
estabelecidas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.

Subseção II
Dos Servidores Públicos Civis

Art. 30 – O Estado instituirá conselho de política de administração e remuneração de pessoal, integrado


por servidores designados por seus Poderes, com a finalidade de participar da formulação da política de
pessoal.
§ 1º – A política de pessoal obedecerá às seguintes diretrizes:
I – valorização e dignificação da função pública e do servidor público;
II – profissionalização e aperfeiçoamento do servidor público;
III – constituição de quadro dirigente, mediante formação e aperfeiçoamento de administradores;
IV – sistema do mérito objetivamente apurado para ingresso no serviço e desenvolvimento na carreira;
V – remuneração compatível com a complexidade e a responsabilidade das tarefas e com a
escolaridade exigida para seu desempenho.
§ 2º – Ao servidor público que, por acidente ou doença, tornar-se inapto para exercer as atribuições
específicas de seu cargo, serão assegurados os direitos e vantagens a ele inerentes, até seu definitivo
aproveitamento em outro cargo.
§ 3º – Para provimento de cargo de natureza técnica, exigir-se-á a respectiva habilitação profissional.
§ 4º – Os recursos orçamentários provenientes da economia na execução de despesas correntes em
cada órgão, autarquia e fundação serão aplicados no desenvolvimento de programas de qualidade e
produtividade, de treinamento e desenvolvimento, de modernização, reaparelhamento e racionalização
do serviço público ou no pagamento de adicional ou prêmio de produtividade, nos termos da lei.
§ 5º – O Estado instituirá planos de carreira para os servidores da administração direta, das autarquias
e das fundações públicas.
§ 6º – O Estado manterá escola de governo para a formação e o aperfeiçoamento dos servidores
públicos, constituindo a participação nos cursos um dos requisitos para a promoção na carreira, facultada,
para isso, a celebração de convênios ou contratos com os demais entes federados.

Art. 31 – O Estado assegurará ao servidor público civil da Administração Pública direta, autárquica e
fundacional os direitos previstos no art. 7º, incisos IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX,
XXII e XXX, da Constituição da República e os que, nos termos da lei, visem à melhoria de sua condição
social e da produtividade e da eficiência no serviço público, em especial o prêmio por produtividade e o
adicional de desempenho.
§ 1º – A lei disporá sobre o cálculo e a periodicidade do prêmio por produtividade a que se refere
o caput deste artigo, o qual não se incorporará, em nenhuma hipótese, aos proventos de aposentadoria

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e pensões a que o servidor fizer jus e cuja concessão dependerá de previsão orçamentária e
disponibilidade financeira do Estado.
§ 2º – O adicional de desempenho será pago mensalmente, em valor variável, calculado nos termos
da lei, vedada sua concessão ao detentor, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de
livre nomeação e exoneração.
§ 3º – Para fins de promoção e progressão nas carreiras será adotado, além dos critérios estabelecidos
na legislação pertinente, o sistema de avaliação de desempenho, que será disciplinado em lei, podendo
ser prevista pontuação por tempo de serviço.
§ 4º – Serão concedidas ao servidor ocupante de cargo de provimento efetivo e função pública férias-
prêmio com duração de três meses a cada cinco anos de efetivo exercício no serviço público do Estado
de Minas Gerais.
§ 5º – A avaliação de desempenho dos integrantes da Polícia Civil, para efeito de promoção e
progressão nas respectivas carreiras, obedecerá a regras especiais.
§ 6º – Fica assegurado ao servidor público civil o direito a:
I – assistência e previdência sociais, extensivas ao cônjuge ou companheiro e aos dependentes;
II – assistência gratuita, em creche e pré-escola, aos filhos e aos dependentes, desde o nascimento
até seis anos de idade;
III – adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas.

Art. 32 – A fixação dos padrões de vencimento e dos demais componentes do sistema remuneratório
observará:
I – a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade dos cargos que compõem cada carreira;
II – os requisitos para a investidura nos cargos;
III – as peculiaridades dos cargos.
§ 1º – (Revogado pelo art. 6º da Emenda à Constituição nº 57, de 15/7/2003.)
§ 2º – (Revogado pelo art. 6º da Emenda à Constituição nº 57, de 15/7/2003.)
§ 3º – Observado o disposto no caput e incisos deste artigo, a lei disporá sobre reajustes diferenciados
nas administrações direta, autárquica e fundacional dos três Poderes do Estado, visando à reestruturação
do sistema remuneratório de funções, cargos e carreiras.

Art. 33 – O direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica.

Art. 34 – É garantida a liberação do servidor público para exercício de mandato eletivo em diretoria de
entidade sindical representativa de servidores públicos, de âmbito estadual, sem prejuízo da remuneração
e dos demais direitos e vantagens do seu cargo.
§ 1º – Os servidores eleitos para cargos de direção ou de representação serão liberados, na seguinte
proporção, para cada sindicato:
I – de 1.000 (mil) a 3.000 (três mil) filiados, 1 (um) representante;
II – de 3.001 (três mil e um) a 6.000 (seis mil) filiados, 2 (dois) representantes;
III – de 6.001 (seis mil e um) a 10.000 (dez mil) filiados, 3 (três) representantes;
IV – acima de 10.000 (dez mil) filiados, 4 (quatro) representantes.
§ 2º – O Estado procederá ao desconto, em folha ou ordem de pagamento, de consignações
autorizadas pelos servidores públicos civis das administrações direta e indireta em favor dos sindicatos e
associações de classe, efetuando o repasse às entidades até o quinto dia do mês subsequente ao mês
de competência do pagamento dos servidores, observada a data do efetivo desconto.

Art. 35 – É estável, após três anos de efetivo exercício, o servidor público nomeado para cargo de
provimento efetivo em virtude de concurso público.
§ 1º – O servidor público estável só perderá o cargo:
I – em virtude de sentença judicial transitada em julgado;
II – mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa;
III – mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar,
assegurada ampla defesa.
§ 2º – Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, será ele reintegrado, e o
eventual ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem, sem direito a indenização,
aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade com remuneração proporcional ao tempo de
serviço público federal, estadual e municipal.

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§ 3º – Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor estável ficará em disponibilidade,
com remuneração proporcional ao tempo de serviço público federal, estadual e municipal, até seu
adequado aproveitamento em outro cargo.
§ 4º – Como condição para aquisição da estabilidade, é obrigatória a avaliação especial de
desempenho por comissão instituída para essa finalidade.

Art. 36 – Aos servidores titulares de cargos de provimento efetivo do Estado, incluídas suas autarquias
e fundações, é assegurado regime próprio de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante
contribuição do Estado, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que
preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo.
§ 1º – Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que trata este artigo serão aposentados
com proventos calculados a partir dos valores fixados na forma dos §§ 3º e 17:
I – por invalidez permanente, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição, exceto se a
invalidez for decorrente de acidente em serviço, moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou
incurável, na forma da lei;
II – compulsoriamente, aos setenta anos de idade, com proventos proporcionais ao tempo de
contribuição;
III – voluntariamente, desde que cumprido tempo mínimo de dez anos de efetivo exercício no serviço
público e cinco anos no cargo efetivo em que se der a aposentadoria, observadas as seguintes condições:
a) sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição, se homem, e cinquenta e cinco anos de
idade e trinta de contribuição, se mulher;
b) sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de idade, se mulher, com proventos
proporcionais ao tempo de contribuição.
§ 2º – Os proventos de aposentadoria e as pensões, por ocasião de sua concessão, não poderão
exceder a remuneração do servidor no cargo efetivo em que se deu a aposentadoria ou que serviu de
referência para a concessão da pensão.
§ 3º – Para o cálculo dos proventos de aposentadoria, por ocasião de sua concessão, serão
consideradas as remunerações utilizadas como base para as contribuições do servidor aos regimes de
previdência de que tratam este artigo e os arts. 40 e 201 da Constituição da República, na forma da lei.
§ 4º – É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria
aos abrangidos pelo regime de que trata este artigo, ressalvados, nos termos definidos em lei
complementar, os casos de servidores:
I – portadores de deficiência;
II – que exerçam atividades de risco;
III – cujas atividades sejam exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a
integridade física.
§ 5º – Os requisitos de idade e de tempo de contribuição serão reduzidos em cinco anos, em relação
ao disposto no § 1º, III, “a”, deste artigo, para o professor que comprove exclusivamente tempo de efetivo
exercício de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio.
§ 6º – É vedada:
I – a percepção de mais de uma aposentadoria pelos regimes de previdência a que se referem este
artigo e o art. 40 da Constituição da República, ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos cargos
acumuláveis na forma prevista nesta Constituição;
II – a percepção simultânea de proventos de aposentadoria pelos regimes de previdência a que se
referem este artigo e o art. 39 desta Constituição, bem como os arts. 40, 42 e 142 da Constituição da
República, com a remuneração de cargo, função ou emprego públicos, ressalvados os cargos
acumuláveis na forma prevista nesta Constituição, os cargos eletivos e os cargos em comissão
declarados em lei de livre nomeação e exoneração.
§ 7º – Lei disporá sobre a concessão do benefício da pensão por morte, que será igual:
I – ao valor da totalidade dos proventos do servidor falecido, até o limite máximo estabelecido para os
benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201 da Constituição da República,
acrescido de 70% (setenta por cento) da parcela excedente a esse limite, caso o servidor estivesse
aposentado na data do óbito;
II – ao valor da totalidade da remuneração do servidor no cargo efetivo em que se deu o falecimento,
até o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o
art. 201 da Constituição da República, acrescido de 70% (setenta por cento) da parcela excedente a esse
limite, caso o servidor estivesse em atividade na data do óbito.
§ 8º – É assegurado o reajustamento dos benefícios de pensão e aposentadoria para preservar, em
caráter permanente, seu valor real, conforme critérios estabelecidos em lei.

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§ 9º – O tempo de contribuição federal, estadual, distrital ou municipal será contado para efeito de
aposentadoria, e o tempo de serviço correspondente, para efeito de disponibilidade.
§ 10 – A lei não poderá estabelecer nenhuma forma de contagem de tempo de contribuição fictício.
§ 11 – Aplica-se o limite fixado no art. 24, § 1º, à soma total dos proventos de aposentadoria, inclusive
quando decorrentes da acumulação de cargos, funções ou empregos públicos, bem como de outras
atividades sujeitas a contribuição para o regime geral de previdência social, e ao montante resultante da
adição de proventos de aposentadoria com remuneração de cargo acumulável na forma desta
Constituição, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração ou de cargo
eletivo.
§ 12 – Além do disposto neste artigo, o regime de previdência dos servidores públicos titulares de
cargo efetivo observará, no que couber, os requisitos e critérios fixados para o regime geral de previdência
social.
§ 13 – Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre
nomeação e exoneração, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica-se o regime
geral de previdência social.
§ 14 – Lei de iniciativa do Governador do Estado poderá instituir regime de previdência complementar
para os servidores de que trata este artigo, por intermédio de entidade fechada de previdência
complementar, de natureza pública, que oferecerá aos respectivos participantes planos de benefícios
somente na modalidade de contribuição definida, observado, no que couber, o disposto no art. 202 da
Constituição da República.
§ 15 – Após a instituição do regime de previdência complementar a que se refere o § 14, poderá ser
fixado para o valor das aposentadorias e pensões de que trata este artigo o limite máximo estabelecido
para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201 da Constituição da
República.
§ 16 – O disposto nos §§ 14 e 15 poderá ser aplicado ao servidor que tiver ingressado no serviço
público até a data da publicação do ato de instituição do regime de previdência complementar, mediante
sua prévia e expressa opção.
§ 17 – Todos os valores de remuneração considerados para o cálculo dos proventos da aposentadoria
previsto no § 3º deste artigo serão devidamente atualizados, na forma da lei.
§ 18 – Incidirá contribuição, com percentual igual ao estabelecido para os servidores titulares de cargo
de provimento efetivo, sobre a parcela dos proventos de aposentadoria e das pensões concedidos pelo
regime de que trata este artigo que supere o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime
geral de previdência social de que trata o art. 201 da Constituição da República.
§ 19 – Quando o beneficiário, na forma da lei, for portador de doença incapacitante, a contribuição
prevista no § 18 deste artigo incidirá apenas sobre as parcelas de proventos de aposentadoria e de
pensão que superem o dobro do limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de
previdência social de que trata o art. 201 da Constituição da República.
§ 20 – O servidor de que trata este artigo que tenha cumprido as exigências para aposentadoria
voluntária estabelecidas no § 1º, III, “a”, e no § 5º e que opte por permanecer em atividade fará jus a
abono de permanência equivalente ao valor da sua contribuição previdenciária.
§ 21 – Fica vedada a existência de mais de um regime próprio de previdência para os servidores
ocupantes de cargos de provimento efetivo do Estado e de mais de um órgão ou entidade gestora do
respectivo regime, ressalvado o disposto no § 10 do art. 39.
§ 22 – O órgão ou entidade gestora do regime próprio de previdência social dos servidores do Estado
contará com colegiado, com participação paritária de representantes e de servidores dos Poderes do
Estado, ao qual caberá acompanhar e fiscalizar a administração do regime, na forma do regulamento.
§ 23 – Com o objetivo de assegurar recursos para o pagamento de proventos de aposentadorias e
pensões concedidas aos servidores e seus dependentes, em adição aos recursos do Tesouro, o Estado
poderá constituir fundos integrados pelos recursos provenientes de contribuições e por bens, direitos e
ativos de qualquer natureza, mediante lei que disporá sobre a natureza e a administração desses fundos.
§ 24 – É assegurado ao servidor afastar-se da atividade a partir da data do requerimento de
aposentadoria, e a não concessão desta importará o retorno do requerente para o cumprimento do tempo
necessário à aquisição do direito, na forma da lei.
§ 25 – Para efeito de aposentadoria, é assegurada a contagem recíproca do tempo de contribuição na
administração pública e na atividade privada, rural e urbana, hipótese em que os diversos regimes de
previdência social se compensarão financeiramente, segundo critérios estabelecidos em lei.

Art. 37 – (Revogado pelo art. 49 da Emenda à Constituição nº 84, de 22/12/2010.)

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Subseção III
Dos Servidores Policiais Civis

Art. 38 – Assegurados, no que couber, os direitos, garantias e prerrogativas previstos nas Subseções
I e II deste Capítulo e observado o disposto no art. 32 desta Constituição, a lei disporá sobre os planos
de carreira e o regime jurídico dos servidores policiais civis.
Parágrafo único – Lei complementar estabelecerá os requisitos e critérios para a concessão de
aposentadoria aos servidores policiais civis que exerçam atividades de risco ou cujas atividades sejam
exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, nos termos do § 4º
do art. 40 da Constituição Federal.

Seção VI
Dos Militares do Estado

Art. 39 – São militares do Estado os integrantes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar, que
serão regidos por estatuto próprio estabelecido em lei complementar.
§ 1º – As patentes, com prerrogativas, direitos e deveres a elas inerentes, são asseguradas em
plenitude aos Oficiais da ativa, da reserva ou reformados, sendo-lhes privativos os títulos, postos e
uniforme militares.
§ 2º – As patentes dos Oficiais são conferidas pelo Governador do Estado.
§ 3º – O militar em atividade que aceitar cargo ou emprego público permanentes será transferido para
a reserva.
§ 4º – O militar da ativa que aceitar cargo, emprego ou função públicos temporários, não eletivos, ainda
que de entidade da administração indireta, ficará agregado ao respectivo quadro e, enquanto permanecer
nessa situação, somente poderá ser promovido por antiguidade, terá seu tempo de serviço contado
apenas para aquela promoção e transferência para a reserva e será, depois de dois anos de afastamento,
contínuos ou não, transferido para a inatividade.
§ 5º – Ao militar são proibidas a sindicalização e a greve. (Vide arts. 12 e 13 da Emenda à Constituição
nº 39, de 2/6/1999.)
§ 6º – O militar, enquanto em efetivo serviço, não pode estar filiado a partidos políticos.
§ 7º – O Oficial somente perderá o posto e a patente se for julgado indigno do oficialato ou com ele
incompatível, por decisão do Tribunal de Justiça Militar, ou de tribunal especial, em tempo de guerra, e a
lei especificará os casos de submissão a processo e o rito deste.
§ 8º – O militar condenado na Justiça, comum ou militar, a pena privativa de liberdade superior a dois
anos, por sentença transitada em julgado, será submetido ao julgamento previsto no parágrafo anterior.
§ 9º – A lei estabelecerá as condições em que a praça perderá a graduação, observado o disposto no
art. 111.
§ 10 – Os direitos, deveres, garantias e vantagens do servidor militar e as normas sobre admissão,
promoção, estabilidade, limites de idade e condições de transferência para a inatividade serão
estabelecidos no estatuto.
§ 11 – Aplica-se ao militar o disposto nos §§ 1º, 3º, 4º e 5º do art. 24, nos §§ 1º, 2º, 3º, 4º, 5º e 6º do
art. 31 e nos §§ 9º, 24 e 25 do art. 36 desta Constituição e nos incisos VIII, XII, XVII, XVIII e XIX do art.
7º da Constituição da República.
§ 12 – Os militares da mesma patente perceberão os mesmos vencimentos e vantagens, excetuadas
as provenientes de cursos ou tempo de serviço.
§ 13 – Aos pensionistas dos militares aplica-se o que for fixado em lei complementar específica.

Seção VII
Dos Serviços Públicos

Art. 40 – Incumbe ao Estado, às entidades da administração indireta e ao particular delegado


assegurar, na prestação de serviços públicos, a efetividade:
I – dos requisitos, dentre outros, de eficiência, segurança e continuidade dos serviços públicos, e do
preço ou tarifa justa e compensada;
II – dos direitos do usuário.
§ 1º – A delegação da execução de serviço público será precedida de licitação, na forma da lei.
§ 2º – A lei disporá sobre:

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I – o regime das empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, o caráter especial
de seu contrato e de sua prorrogação e as condições de exclusividade do serviço, caducidade,
fiscalização e rescisão da concessão ou da permissão;
II – a política tarifária;
III – a obrigação de o concessionário e o permissionário manterem serviço adequado.
§ 3º – É facultado ao Poder Público ocupar e usar temporariamente bens e serviços, na hipótese de
calamidade, situação em que o Estado responderá pela indenização, em dinheiro e imediatamente após
a cessação do evento, dos danos e custos decorrentes.
§ 4º – As reclamações relativas à prestação de serviço público serão disciplinadas em lei.
§ 5º – A lei estabelecerá tratamento especial em favor do usuário de baixa renda.

Seção VIII
Da Regionalização
Subseção I
Disposições Gerais

Art. 41 – O Estado articulará regionalmente a ação administrativa, com o objetivo de:


I – integrar o planejamento, a organização e a execução de funções públicas, de interesse comum, em
área de intensa urbanização;
II – contribuir para a redução das desigualdades regionais, mediante execução articulada de planos,
programas e projetos regionais e setoriais dirigidos ao desenvolvimento global das coletividades do
mesmo complexo geoeconômico e social;
III – assistir os Municípios de escassas condições de propulsão socioeconômica, situados na região,
para que se integrem no processo de desenvolvimento.

Subseção II
Da Região Metropolitana, Aglomeração Urbana e Microrregião

Art. 42 – O Estado poderá instituir, mediante lei complementar, região metropolitana, aglomeração
urbana e microrregião constituídas por agrupamento de Municípios limítrofes, para integrar o
planejamento, a organização e a execução de funções públicas de interesse comum.

Art. 43 – Considera-se função pública de interesse comum a atividade ou o serviço cuja realização por
parte de um Município, isoladamente, seja inviável ou cause impacto nos outros Municípios integrantes
da região metropolitana.
§ 1º – A gestão de função pública de interesse comum será unificada.
§ 2º – As especificações das funções públicas de interesse comum serão definidas na lei complementar
que instituir região metropolitana, aglomeração urbana e microrregião.

Art. 44 – A instituição de região metropolitana se fará com base nos conceitos estabelecidos nesta
Constituição e na avaliação, na forma de parecer técnico, do conjunto dos seguintes dados ou fatores,
dentre outros, objetivamente apurados:
I – população e crescimento demográfico, com projeção quinquenal;
II – grau de conurbação e movimentos pendulares da população;
III – atividade econômica e perspectivas de desenvolvimento;
IV – fatores de polarização;
V – deficiência dos serviços públicos, em um ou mais Municípios, com implicação no desenvolvimento
da região.
§ 1º – Lei complementar estabelecerá os procedimentos para a elaboração e a análise do parecer
técnico a que se refere o caput deste artigo, indispensável para a apresentação do projeto de lei
complementar de instituição de região metropolitana.
§ 2º – A inclusão de Município em região metropolitana já instituída será feita com base em estudo
técnico prévio, elaborado em conformidade com os critérios estabelecidos neste artigo.

Art. 45 – Considera-se região metropolitana o conjunto de Municípios limítrofes que apresentam a


ocorrência ou a tendência de continuidade do tecido urbano e de complementaridade de funções urbanas,
que tenha como núcleo a capital do Estado ou metrópole regional e que exija planejamento integrado e
gestão conjunta permanente por parte dos entes públicos nela atuantes.

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Art. 46 – Haverá em cada região metropolitana:
I – uma Assembleia Metropolitana;
II – um Conselho Deliberativo de Desenvolvimento Metropolitano;
III – uma Agência de Desenvolvimento, com caráter técnico e executivo;
IV – um Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado;
V – um Fundo de Desenvolvimento Metropolitano.
§ 1º – A Assembleia Metropolitana constitui o órgão colegiado de decisão superior e de representação
do Estado e dos municípios na região metropolitana, competindo-lhe:
I – definir as macrodiretrizes do planejamento global da região metropolitana;
II – vetar, por deliberação de pelo menos dois terços de seus membros, resolução emitida pelo
Conselho Deliberativo de Desenvolvimento Metropolitano.
§ 2º – Fica assegurada, para fins de deliberação, representação paritária entre o Estado e os
Municípios da região metropolitana na Assembleia Metropolitana, nos termos de lei complementar.
§ 3º – O Conselho Deliberativo de Desenvolvimento Metropolitano é o órgão colegiado da região
metropolitana ao qual compete:
I – deliberar sobre o planejamento e a execução das funções públicas de interesse comum;
II – elaborar a programação normativa da implantação e da execução das funções públicas de
interesse comum;
III – provocar a elaboração e aprovar o Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado da região
metropolitana;
IV – aprovar as regras de compatibilização entre o planejamento da região metropolitana e as políticas
setoriais adotadas pelo poder público para a região;
V – deliberar sobre a gestão do Fundo de Desenvolvimento Metropolitano.
§ 4º – Fica assegurada a participação de representantes do Estado, dos Municípios da região
metropolitana e da sociedade civil organizada no Conselho Deliberativo de Desenvolvimento
Metropolitano.

Art. 47 – Fica instituído o Fundo de Desenvolvimento Metropolitano, destinado a financiar os planos e


projetos da região metropolitana, em consonância com o Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado.

Art. 48 – Considera-se aglomeração urbana o agrupamento de Municípios limítrofes que apresentam


tendência à complementaridade das funções urbanas que exija planejamento integrado e recomende
ação coordenada dos entes públicos.
Parágrafo único – A instituição de aglomeração urbana obedecerá, no que couber, ao disposto no art.
44.

Art. 49 – Considera-se microrregião o agrupamento de Municípios limítrofes resultante de elementos


comuns físico-territoriais e socioeconômicos que exija planejamento integrado com vistas a criar
condições adequadas para o desenvolvimento e a integração regional.

Art. 50 – O Estado compatibilizará a organização administrativa regional de seus órgãos da


administração direta e indireta com as regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões.

Subseção III
Das Regiões de Desenvolvimento

Art. 51 – O Estado instituirá autarquias territoriais para planejamento e orientação da execução


articulada de funções e serviços públicos com a finalidade de desenvolvimento global em favor da
população do mesmo complexo geoeconômico e social.
§ 1º – Entre outras atribuições, incumbe à autarquia territorial de desenvolvimento:
I – coordenar a elaboração dos planos, programas e projetos permanentes de desenvolvime