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ANATOMIA HUMANA GERAL

CURSOS DE GRADUAÇÃO – EAD

Anatomia Humana Geral – Prof. Ms. Edson Donizetti Verri


Cod. 1426

Olá! Meu nome é Edson Donizetti Verri. Sou graduado em


Odontologia pela Universidade de Ribeirão Preto (1997),
graduado em Fisioterapia pela Universidade de Ribeirão Preto
(1992) e mestre em Biologia e Patologia Buco-dental pela
Faculdade de Odontologia de Piracicaba-UNICAMP (2001).
Tenho o Titulo de Proficiência em Anatomia Humana pela
Sociedade Brasileira de Anatomia. Atualmente sou professor
adjunto da Universidade de Ribeirão Preto, professor adjunto
do Centro Universitário Claretiano e Coordenador do
Laboratório de Biomecânica do Movimento - LABIM - Centro
Universitário Claretiano de Batatais. Tenho experiência na área de Morfologia, com
ênfase em Anatomia, atuando principalmente nos seguintes temas: anatomia,
informática, EaD, eletromiografia e educação medica DTM, Biomecânica, Postura,
Paciente especiais (Deficiente Visual e Auditivo), Atletas.
E-mail: edverri@hotmail.com

Fazemos parte do Claretiano - Rede de Educação


Edson Donizetti Verri

ANATOMIA HUMANA GERAL

Batatais
Claretiano
2014
© Ação Educacional Claretiana, 2014 – Batatais (SP)
Versão: dez./2014

611 V637a

Verri, Edson Donizetti


Anatomia humana geral / Edson Donizetti Verri – Batatais, SP : Claretiano, 2014.
248 p.

ISBN: 978-85-8377-348-1

1. Anatomia. 2. Aparelho musculoesquelético. 3. Cardiovascular. 4. Respiratório.


5. Digestório. 6. Urinário. I. Anatomia humana geral.

CDD 611

Corpo Técnico Editorial do Material Didático Mediacional


Coordenador de Material Didático Mediacional: J. Alves

Preparação Revisão
Aline de Fátima Guedes Cecília Beatriz Alves Teixeira
Camila Maria Nardi Matos Eduardo Henrique Marinheiro
Felipe Aleixo
Carolina de Andrade Baviera Filipi Andrade de Deus Silveira
Cátia Aparecida Ribeiro Juliana Biggi
Dandara Louise Vieira Matavelli Paulo Roberto F. M. Sposati Ortiz
Elaine Aparecida de Lima Moraes Rafael Antonio Morotti
Josiane Marchiori Martins Rodrigo Ferreira Daverni
Sônia Galindo Melo
Lidiane Maria Magalini Talita Cristina Bartolomeu
Luciana A. Mani Adami Vanessa Vergani Machado
Luciana dos Santos Sançana de Melo
Patrícia Alves Veronez Montera Projeto gráfico, diagramação e capa
Raquel Baptista Meneses Frata Eduardo de Oliveira Azevedo
Joice Cristina Micai
Rosemeire Cristina Astolphi Buzzelli
Lúcia Maria de Sousa Ferrão
Simone Rodrigues de Oliveira Luis Antônio Guimarães Toloi
Raphael Fantacini de Oliveira
Bibliotecária Tamires Botta Murakami de Souza
Ana Carolina Guimarães – CRB7: 64/11 Wagner Segato dos Santos

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SUMÁRIO

CADERNO DE REFERÊNCIA DE CONTEÚDO


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 9
2 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO .......................................................................... 11
3 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 22
4 E-REFERÊNCIAS .................................................................................................. 22

Unidade  1 – ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA GERAL


1 OBJETIVOS........................................................................................................... 23
2 CONTEÚDOS ....................................................................................................... 23
3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE..................................................... 24
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE................................................................................... 24
5 ANATOMIA: A ARTE DA ÁREA DA SAÚDE............................................................ 25
6 RESPEITO AO CADÁVER....................................................................................... 27
7 O CADÁVER: LIÇÃO DE ÉTICA E HUMILDADE, POR QUÊ?.................................... 28
8 O QUE É ANATOMIA?.......................................................................................... 29
9 OS SISTEMAS DO CORPO HUMANO.................................................................... 32
10 MÉTODOS DE ESTUDO ANATÔMICO................................................................... 33
11 RELAÇÃO DE MÉTODOS OU TÉCNICAS DE ESTUDOS ANATÔMICOS................... 33
12 PLANO GERAL DE CONSTRUÇÃO DO CORPO HUMANO...................................... 35
13 TERMOS DE RELAÇÃO ........................................................................................ 38
14 TERMOS DE COMPARAÇÃO................................................................................. 39
15 EIXOS DO CORPO HUMANO................................................................................ 41
16 TERMOS DE MOVIMENTAÇÃO ARTICULAR......................................................... 43
17 PLANO GERAL DE CONSTRUÇÃO DO CORPO HUMANO...................................... 51
18 QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS............................................................................. 52
19 CONSIDERAÇÕES................................................................................................. 54
20 E-REFERÊNCIAS................................................................................................... 54
21 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................... 54

Unidade  2 – ESTUDO DO APARELHO MUSCULOESQUELÉTICO


1 OBJETIVOS........................................................................................................... 55
2 CONTEÚDOS........................................................................................................ 55
3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE..................................................... 56
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE................................................................................... 57
5 OSTEOLOGIA....................................................................................................... 57
6 ESQUELETO HUMANO........................................................................................ 59
7 TIPOS DE ESQUELETOS........................................................................................ 59
8 CLASSIFICAÇÃO DOS OSSOS................................................................................ 60
9 NÚMERO DE OSSOS............................................................................................ 68
10 CLASSIFICAÇÃO MORFOLÓGICA DOS OSSOS...................................................... 68
11 O OSSO E SUAS ESTRUTURAS.............................................................................. 70
12 INERVAÇÃO E VASCULARIZAÇÃO ÓSSEA............................................................. 79
13 ARTROLOGIA GERAL, OU JUNTURA GERAL......................................................... 80
14 CLASSIFICAÇÃO MORFOLÓGICA DAS ARTICULAÇÕES......................................... 81
15 MIOLOGIA........................................................................................................... 98
16 QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS............................................................................. 112
17 CONSIDERAÇÕES................................................................................................. 113
18 E-REFERÊNCIAS................................................................................................... 113
19 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................... 114

Unidade  3 – SISTEMA CARDIOVASCULAR OU SISTEMA SANGUÍFERO


1 OBJETIVOS........................................................................................................... 115
2 CONTEÚDOS........................................................................................................ 115
3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE .................................................... 116
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE................................................................................... 116
5 O CORAÇÃO......................................................................................................... 117
6 QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS............................................................................. 161
7 CONSIDERAÇÕES................................................................................................. 161
8 E-REFERÊNCIAS................................................................................................... 162
9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 162

Unidade  4 – SISTEMA RESPIRATÓRIO


1 OBJETIVOS........................................................................................................... 163
2 CONTEÚDOS........................................................................................................ 163
3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE .................................................... 164
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE................................................................................... 164
5 SISTEMA RESPIRATÓRIO...................................................................................... 165
6 DIVISÃO ANATÔMICA DO SISTEMA RESPIRATÓRIO............................................. 166
7 QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS............................................................................. 186
8 CONSIDERAÇÕES................................................................................................. 186
9 E-REFERÊNCIAS................................................................................................... 187
10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 187

Unidade  5 – SISTEMA DIGESTÓRIO


1 OBJETIVOS........................................................................................................... 189
2 CONTEÚDOS........................................................................................................ 189
3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE .................................................... 190
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE................................................................................... 190
5 SISTEMA DIGESTÓRIO......................................................................................... 190
6 QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS............................................................................. 209
7 CONSIDERAÇÕES................................................................................................. 210
8 E-REFERÊNCIAS................................................................................................... 210
9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 211

Unidade  6 – SISTEMA URINÁRIO


1 OBJETIVOS........................................................................................................... 213
2 CONTEÚDOS........................................................................................................ 213
3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE .................................................... 214
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE................................................................................... 215
5 SISTEMA URINÁRIO............................................................................................. 215
6 SISTEMA GENITAL MASCULINO........................................................................... 221
7 SISTEMA GENITAL FEMININO.............................................................................. 229
8 QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS............................................................................. 245
9 CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................................... 246
10 E-REFERÊNCIAS................................................................................................... 247
11 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 247
Caderno de
Referência de
Conteúdo

CRC

1. INTRODUÇÃO
O ensino de anatomia consiste na elaboração dos conceitos
gerais dos sistemas que formam o corpo humano, proporcionan-
do ao aluno as habilidades de identificar (forma) e a de descrever
as funções das estruturas que formam nosso objeto de estudo:
o organismo saudável com algumas variações (alterando a forma,
mas não, a função). Esse será o desafio que enfrentaremos para
desenvolver essa obra. A anatomia humana tem um campo vasto
de estudo, podendo ser sistemático ou sistêmico, topográfico ou
regional, cujo objetivo é primeiro estudar, separadamente, os sis-
temas do corpo humano e, em seguida, a inter-relação entre esses
sistemas em uma região do corpo humano (quais ossos formam
essa região? Quais são suas articulações? Quais músculos realizam
movimentos nessa região?).
Ensinar anatomia é primeiro desenvolver a curiosidade nos
alunos e depois estimulá-los a buscar a criação de um livro descri-
10 © Anatomia Humana Geral

tivo do corpo humano para poder usá-lo durante suas atividades


profissionais; ter onde buscar em sua memória remota a forma e
a função das estruturas que estão estabelecendo relações entre os
sistemas do corpo humano para ter um equilíbrio.
Nesta obra, o objetivo será justamente este: possibilitar uma
reflexão criteriosa acerca dos sistemas e suas estruturas funda-
mentais para o funcionamento do corpo humano (atividade física),
no sentido de entender os problemas mais comuns que ocorrem
no dia a dia de um profissional de Educação Física. Com isso, quero
que o dicente esteja próximo da realidade. Nas unidades que se
seguirão, você terá a possibilidade de compreender esse universo
conceitual, além dos seus desafios, para promover um viés siste-
matizado da prática.
Por se tratar de um campo amplo de sistemas e suas estru-
turas, destacamos as principais formas e função que comporão o
objeto deste CRC: na Unidade 1, trataremos da discussão da histó-
ria da anatomia juntamente com os planos e eixos anatômicos. Já
na segunda unidade, abordaremos as especificidades do sistema
locomotor (ossos, junturas e músculos) em uma visão geral.
Na Unidade 3, a discussão gira em torno da grande e peque-
na circulação. Vamos estudar o sistema circulatório que deveria
ser, na verdade, o sistema sanguífero.
Será analisada, na Unidade 4, a importância do sistema res-
piratório na busca de oxigênio para o nosso organismo sendo essa
a respiração fora da célula.
Na Unidade 5, descreveremos a busca pela energia (glicogê-
nio) para as funções gerais do nosso organismo estudando o siste-
ma digestório.
E, por fim, na Unidade 6, vamos abordar os sistemas uroge-
nital masculino e feminino para descrever a formação do novo ser
e a excreção das excretas do nosso organismo. No estudo desta
obra, abordaremos os principais conceitos de anatomia, que são:
© Caderno de Referência de Conteúdo 11

os termos de relação, comparação e movimentos do corpo huma-


no, conheceremos os ossos, as junturas e os músculos em uma
visão geral (sendo preparatório para a segunda anatomia no pró-
ximo semestre), a grande e pequena circulação, a busca por oxigê-
nio e nutrientes para o organismo e, para finalizar, a concepção do
novo ser. Para uma melhor reflexão sobre os temas tratados neste
CRC, sugerimos a leitura do texto que está localizado em seu Ma-
terial de Apoio na Sala de Aula Virtual, além de buscar o estudo na
obra de Dangelo Fattini Anatomia Humana Sistêmica e Segmentar.
Após essa introdução aos conceitos principais, apresentare-
mos, a seguir, no Tópico Orientações para o estudo, algumas orien-
tações de caráter motivacional, dicas e estratégias de aprendiza-
gem que poderão facilitar o seu estudo.

2. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO

Abordagem Geral
Aqui, você entrará em contato com os assuntos principais
deste conteúdo de forma breve e geral e terá a oportunidade de
aprofundar essas questões no estudo de cada unidade. Desse
modo, essa Abordagem Geral visa fornecer-lhe o conhecimento
básico necessário a partir do qual você possa construir um refe-
rencial teórico com base sólida – científica e cultural – para que, no
futuro exercício de sua profissão, você a exerça com competência
cognitiva, ética e responsabilidade social.
O estudo da anatomia humana geral para o curso de Bacha-
relado em Educação Física será desenvolvido nas unidades obje-
tivando mostrar a importância fundamental para a formação do
profissional. Você, aluno, deverá em todos os momentos relacio-
nar todos os sistemas estudados nas unidades do seu material de
apoio, pois em sua avaliação final será feito um questionamento
sobre esse conhecimento integrado dos sistemas (qual é a impor-

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12 © Anatomia Humana Geral

tância do sistema cardiorrespiratório para a contração muscular


em uma atividade física para o treinamento de um atleta ou uma
pessoa normal?).
Na Unidade 1 de Anatomia Humana Geral, teremos a intro-
dução à anatomia humana, na qual estaremos apresentando um
breve relato sobre a história e o estudo do corpo humano e qual
foi o impacto para a ciência da saúde. Em seguida, serão estuda-
dos os principais termos na nomenclatura anatômica importantes
para a padronização e compreensão da anatomia humana geral.
Conheceremos ainda, a oração do cadáver (escrita por Rokitasnky,
em 1876), que será nosso objeto de estudo (nosso livro para estu-
dar a forma, localização e função).
Também na Unidade 1, estudaremos a posição anatômica,
os planos de delimitação e os de secção para descrevermos os
termos de relação, comparação e movimentos, sendo que esse
último termo depende dos eixos anatômicos (movimentação ou
movimentos, como a flexão e extensão).
Na unidade 2, estaremos descrevendo o aparelho locomotor
constituído pelos ossos (osteologia geral), articulações ou junturas
geral e a miologia geral, pois estamos usando uma abordagem sis-
têmica ou sistemática. As Unidades 1 e 2 são a base do seu estudo
para aprender os conceitos relacionados com a termologia ana-
tômica. Com isso, você estará pronto para começar a estudar os
demais sistemas do corpo humano.
Devemos agora lembrar que a palavra anatomia significa
"cortar em partes", pois ana significa partes, e tome, cortar.
Na unidade 3, abordaremos o sistema cardiovascular, ou
melhor, sistema sanguífero, o qual apresenta em sua divisão ana-
tômica as seguintes partes, ou regiões: o coração (órgão principal
desse sistema, tudo se inicia e termina nele), os vasos sanguíneos
(artérias e veias), o sistema linfático (formado pelos linfonodos e
seus vasos e tubos) e os órgãos que formam as células sanguíneas
(baço, medula óssea e timo). Nessa unidade, vamos sempre levar
© Caderno de Referência de Conteúdo 13

em conta a grande e a pequena circulação para descrever a anato-


mia externa (do coração, os grandes vasos da base do coração) e a
anatomia interna do coração, como seus átrios e ventrículos, com
suas estruturas e funções. Para terminar esse sistema, estudare-
mos a condução elétrica desse órgão, ou melhor, seu automatismo
(você verá que o coração tem um sistema elétrico diferente dos
demais órgãos, pois apresenta uma parte externa como os demais
e a interna, presente somente nele).
Em nossa próxima Unidade, a quarta, estaremos descreven-
do o sistema respiratório, que em sua divisão anatômica é forma-
do da seguinte forma: via de condução e via respiratória, sendo
que a de condução é subdividida em via área superior (nariz, ca-
vidade nasal, faringe, laringe e início da traqueia) e via área infe-
rior (traqueia e brônquios). Já a via respiratória é formada pelos
pulmões. Devemos levar em conta a inspiração e expiração (ven-
tilação mecânica) para entendermos a importância desse sistema
para o bacharelado em Educação Física. Durante a realização de
uma atividade física, temos a inter-relação entre o sistema respi-
ratório e o sanguífero formando o aparelho cardiorrespiratório, no
qual observamos um aumento no seu trabalho para levar maior
quantidade de oxigênio e nutrientes até o músculo esquelético e
o cardíaco. Para isso, o sistema respiratório deverá absorver maior
quantidade de oxigênio, ocorrendo um aumento na frequência
respiratória do indivíduo. Já no sistema sanguífero ocorrerá um
aumento nos batimentos do coração com a função de aumentar
a circulação sanguínea nos outros sistemas envolvidos na ativida-
de física. Voltamos a chamar a sua atenção, para que não tenha
mais dúvidas de que o conhecimento integrado desses sistemas
é fundamental para a formação do educador físico, pois ele tem
um papel fundamental na orientação da atividade física, para que
ocorra a manutenção da integridade e do condicionamento físico
das pessoas.
Agora, vamos para a Unidade 5: as células, além do O2, tam-
bém precisão dos nutrientes para ocorrer o metabolismo. Nessa

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14 © Anatomia Humana Geral

unidade, você estudará o sistema digestório geral, que em sua divi-


são anatômica é constituído em: via digestória supradiafragmática
(cavidade oral ou bucal, orofaringe e esôfago) e a via digestória in-
fradiafragmática (estômago, intestino delgado e intestino grosso)
e, para finalizar, as glândulas anexas (fígado, pâncreas e glândulas
salivares maiores e menores). Conheceremos, ainda, como ocorre
o processo digestório na cavidade oral, no estômago e no intes-
tino delgado e, em seguida, a absorção dos nutrientes que serão
levados através da veia aorta para o fígado, para a metabolização
(glicogênio), logo depois, será levado pela corrente sanguínea para
as células, ocorrendo a respiração intracelular e formando o ATP,
que é utilizado em nossas atividades diárias e físicas.
Percebe como ocorre uma unificação entre os sistemas? Pois
bem! Agora você já tem conhecimento sobre o sistema sanguífero,
respiratório e digestório, podendo aplicá-lo a sua profissão e não
cometer erros que podem levar os indivíduos a apresentar proble-
mas de saúde ou agravamentos do seu estado saudável. Por isso,
devemos pedir sempre ao nosso aluno/atleta em uma academia
um exame com o seu médico sobre a sua saúde.
Estamos chegando à última unidade, que será subdividida
em três partes: sistema urinário, intestino grosso e sistema respi-
ratório, que atuam na excreção coordenados pelo sistema nervoso
visceral (sistema motor simpático e motor parassimpático). O sis-
tema urinário é formado anatomicamente nas seguintes partes:
rins (órgão que produz a urina), ureter (conduz a urina para a be-
xiga), bexiga (armazena a urina que será excretada para o meio
externo) e a uretra masculina e feminina (sendo que na masculina
além de excretar a urina também atua na ejaculação; já na femi-
nina, atua somente a excreção, ou melhor, micção). Em seguida,
veremos o sistema genital feminino e masculino que estão envolvi-
dos na formação do zigoto masculino e feminino. Para o profissio-
nal de Educação Física bacharelado, esses sistemas genitais estão
relacionados principalmente com a ginástica em gestante.
© Caderno de Referência de Conteúdo 15

Chegamos ao final desta abordagem geral sistêmica ou siste-


mática e esperamos que os conteúdos trabalhados aqui contribu-
am para a sua formação profissional. Também esperamos que du-
rante as discussões você tenha acompanhado a importância deste
estudo integrado dos sistemas para a manutenção da saúde do
individuo e sua própria saúde.
Leia com atenção o seu Material de Apoio, assista aos vídeos
elaborados e também procure ler as referências bibliográficas, dis-
ponibilizadas no final de cada unidade. Até mais!

Glossário de Conceitos
O Glossário de Conceitos permite a você uma consulta rá-
pida e precisa das definições conceituais, possibilitando-lhe um
bom domínio dos termos técnico-científicos utilizados na área de
conhecimento dos temas tratados em Anatomia Humana Geral.
Veja, a seguir, a definição dos principais conceitos:
1) Agonista: é o agente principal na execução do movimento.
2) Anastomose: junção extremidade a extremidade de va-
sos sanguíneos, vasos linfáticos e nervos.
3) Antagonista: é o agente que se opõe ao trabalho do ago-
nista.
4) Anatomia Humana Geral: estuda a forma (macroscópi-
ca) e a organização do corpo humano em uma visão ge-
ral (uma visão sistemática, ou sistêmica).
5) Apêndice vermiforme: tubo torcido ligado ao ceco.
6) Ápice: a extremidade pontuda de uma estrutura cônica,
como o ápice do coração.
7) Aponeurose: é uma membrana de revestimento (envol-
ve os músculos) ou fixação muscular (origem ou inserção
de um músculo) de forma plana, de cor amarelada ou
esbranquiçada. Sua constrição é feita através de um te-
cido conjuntivo denso.
8) Artrologia, ou Junturas: é a ciência que estuda as junturas
do corpo humano através da sua forma e movimento.

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16 © Anatomia Humana Geral

9) Bainhas sinoviais: são membranas delgadas que lubrifi-


cam o deslizamento do tendão.
10) Base do pênis: as partes afiladas e separadas dos corpos
cavernosos do pênis.
11) Bulbo do pênis: a parte expandida na base do corpo es-
ponjoso do pênis.
12) Bolsas sinoviais, ou bursa sinovial: bolsas que separam
os músculos para diminuir o atrito entre eles. 
13) Canal vertebral: a cavidade no interior da coluna verte-
bral, formado pelos forames de todas vértebras, conten-
do a medula espinhal.
14) Cavidade pericárdica: pequeno espaço potencial entre
os folhetos visceral e parietal seroso, contendo líquido
pericárdico.
15) Cavidade torácica: parte superior da cavidade ventral do
corpo, contendo duas cavidades pleurais, o mediastino e
a cavidade pericárdica.
16) Diástole: no ciclo cardíaco, é a fase de relaxamento ou
dilatação do músculo cardíaco, sendo especialmente a
dos ventrículos.
17) Ducto ejaculatório: o tubo que transporta as células
espermáticas do ducto (canal) deferente para a uretra
prostática.
18) Duodeno: os primeiros 25 cm do intestino delgado, que
conectam o estômago ao jejuno e íleo.
19) Esqueleto axial: a porção mediana, ao longo do eixo
longitudinal, composta pelos ossos da cabeça, pescoço
e tronco.
20) Esqueleto Apendicular: já ligada a esta porção mediana,
através das chamadas cinturas, cíngulo ou raiz, encon-
tramos os membros (superiores e inferiores)
21) Fixador, ou posturais: é o agente que estabiliza as diver-
sas partes do corpo
22) Sinergistas: é o agente que atua no sentindo de eliminar
algum movimento indesejado
23) Urina: líquido produzido pelos rins, contendo escória ou
materiais em excesso, sendo excretada pela uretra.
© Caderno de Referência de Conteúdo 17

24) Ventilação pulmonar: o influxo (inspiração) e o efluxo


(expiração) de ar entre a atmosfera e os pulmões.
25) Zigoto: a célula individual, produzida pela união dos ga-
metas masculino e feminino; óvulo fertilizado.

Esquema dos Conceitos-chave


Para que você tenha uma visão geral dos conceitos mais
importantes deste estudo, apresentamos, a seguir (Figura 1), um
Esquema dos Conceitos-chave. O mais aconselhável é que você
mesmo faça o seu esquema de conceitos-chave ou até mesmo o
seu mapa mental. Esse exercício é uma forma de você construir o
seu conhecimento, ressignificando as informações a partir de suas
próprias percepções.
É importante ressaltar que o propósito desse Esquema dos
Conceitos-chave é representar, de maneira gráfica, as relações en-
tre os conceitos por meio de palavras-chave, partindo dos mais
complexos para os mais simples. Esse recurso pode auxiliar você
na ordenação e na sequenciação hierarquizada dos conteúdos de
ensino.
Com base na teoria de aprendizagem significativa, entende-se
que, por meio da organização das ideias e dos princípios em esque-
mas e mapas mentais, o indivíduo pode construir o seu conhecimen-
to de maneira mais produtiva e obter, assim, ganhos pedagógicos
significativos no seu processo de ensino e aprendizagem.
Aplicado a diversas áreas do ensino e da aprendizagem es-
colar (tais como planejamentos de currículo, sistemas e pesquisas
em Educação), o Esquema dos Conceitos-chave baseia-se, ainda,
na ideia fundamental da Psicologia Cognitiva de Ausubel, que es-
tabelece que a aprendizagem ocorre pela assimilação de novos
conceitos e de proposições na estrutura cognitiva do aluno. Assim,
novas ideias e informações são aprendidas, uma vez que existem
pontos de ancoragem. 

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18 © Anatomia Humana Geral

Tem-se de destacar que "aprendizagem" não significa, ape-


nas, realizar acréscimos na estrutura cognitiva do aluno; é preciso,
sobretudo, estabelecer modificações, para que ela se configure
como uma aprendizagem significativa. Para isso, é importante con-
siderar as entradas de conhecimento e organizar bem os materiais
de aprendizagem. Além disso, as novas ideias e os novos concei-
tos devem ser potencialmente significativos para o aluno, uma vez
que, ao fixar esses conceitos nas suas já existentes estruturas cog-
nitivas, outros serão também relembrados.
Nessa perspectiva, partindo-se do pressuposto de que é você
o principal agente da construção do próprio conhecimento, por
meio de sua predisposição afetiva e de suas motivações internas
e externas, o Esquema dos Conceitos-chave tem por objetivo tor-
nar significativa a sua aprendizagem, transformando o seu conhe-
cimento sistematizado em conteúdo curricular, ou seja, estabele-
cendo uma relação entre aquilo que você acabou de conhecer com
o que já fazia parte do seu conhecimento de mundo (adaptado do
site disponível em: <http://penta2.ufrgs.br/edutools/mapascon-
ceituais/utilizamapasconceituais.html>. Acesso em: 11 mar. 2010).
© Caderno de Referência de Conteúdo 19

OSTEOLOGIA ARTROLOGIA OU
GERAL: OSSOS JUNTURAS: SINOVIAIS
APARELHO
DO ESQUELETO FIBROSAS E
LOCOMOTOR
AXIAL E CARTILAGINOSAS
GERAL
APENDICULAR

MIOLOGIA GERAL: MÚSCULO ANATOMIA SISTEMA SANGUÍFERO: ANGIOLOGIA


ESQUELÉTICO ESTRIADO, SISTÉMICA CORAÇÃO, ÓRGÃOS GERAL:
MÚSCULO CARDIACO OU LINFÁTICOS E ÓRGÃOS ARTÉRIAS E
ESTRIADO E MÚSCULO LISO. SISTEMÁTICA HEMATOPOIÉTICOS. VEIAS GERAIS.

SISTEMA Via SISTEMA


RESPIRATÓRIO Respiratória: DIGESTÓRIO
GERAL Pulmão. GERAL

Via Condutora Via Condutora Via supradiafragmática: Via


Superior: Nariz, Inferior: traqueia Cavidade Bucal, orofaringe infradiafragmática:
nasofaringe, laringe e e Brônquios parte laringica da faringe e estômago, intestino
inicio da traqueia.
esôfago. delgado e intestino
Aparelho grosso.
Sistema urinário urogenital
geral
Glândulas anexas:
Sistema genital Fígado, pâncreas e
Órgão produtor de
Sistema genital masculino glândulas salivares.
urina: rins
feminino
Órgãos condutores e
de armazenamento:
Ureter, bexiga e uretra Órgão genital externo: Vulva
masculina e feminina. ou Pudendo Feminino.
Órgão genital externo: Pênis e
Escroto.

Órgão genital interno: ducto


Órgãos genitais internos: deferente, ducto ejaculatório,
Ovário, tuba uterina, útero e uretra, glândulas anexas (próstata,
vagina. vesícula seminal e glândula
bulbouretral).

Figura 1 Esquema dos Conceitos-chave de Anatomia Humana Geral.

Esse Esquema oferece a você, como dissemos anteriormen-


te, uma visão geral dos conceitos mais importantes deste estudo.
Ao segui-lo, será possível transitar entre os principais conceitos
e descobrir o caminho para construir o seu processo de ensino-
-aprendizagem. Por exemplo, o conceito de anatomia humana ge-
ral implica-se em conhecer a forma e a função dos sistemas que
formam o corpo humano e com eles se relacionam para buscar a
homeostasia do nosso organismo. Por isso, devemos buscar o do-

Claretiano - Centro Universitário


20 © Anatomia Humana Geral

mínio desses conceitos para compreender essa homeostase entre


os vários órgãos e sistemas, que, durante o seu curso de graduação
em bacharel de Educação Física, será complementado por meio
de outras disciplinas como a Cinesiologia, Fisiologia do Exercício,
Futebol e Musculação.
O Esquema dos Conceitos-chave é mais um dos recursos de
aprendizagem que vem se somar àqueles disponíveis no ambien-
te virtual, por meio de suas ferramentas interativas, bem como
àqueles relacionados às atividades didático-pedagógicas realiza-
das presencialmente no polo. Lembre-se de que você, aluno EaD,
deve valer-se da sua autonomia na construção de seu próprio co-
nhecimento.

Questões Autoavaliativas
No final de cada unidade, você encontrará algumas questões
autoavaliativas sobre os conteúdos ali tratados, as quais podem ser
de múltipla escolha, abertas objetivas ou abertas dissertativas.
Responder, discutir e comentar essas questões, bem como
relacioná-las à Anatomia Humana Geral pode ser uma forma de
você avaliar o seu conhecimento. Assim, mediante a resolução de
questões pertinentes ao assunto tratado, você estará se preparan-
do para a avaliação final, que será dissertativa. Além disso, essa
é uma maneira privilegiada de você testar seus conhecimentos e
adquirir uma formação sólida para a sua prática profissional.

As questões de múltipla escolha são as que têm como respos-


ta apenas uma alternativa correta. Por sua vez, entendem-se por
questões abertas objetivas as que se referem aos conteúdos
matemáticos ou àqueles que exigem uma resposta determinada,
inalterada. Já as questões abertas dissertativas obtêm por res-
posta uma interpretação pessoal sobre o tema tratado; por isso,
normalmente, não há nada relacionado a elas no Gabarito. Você
pode comentar suas respostas com o seu tutor ou com seus cole-
gas de turma.
© Caderno de Referência de Conteúdo 21

Bibliografia Básica
É fundamental que você use a Bibliografia Básica em seus
estudos, mas não se prenda só a ela. Consulte, também, as biblio-
grafias apresentadas no Plano de Ensino e no Tópico Orientações
para o estudo da unidade.

Figuras (ilustrações, quadros...)


Neste material instrucional, as ilustrações de peças naturais
fazem parte integrante dos conteúdos, ou seja, elas não são mera-
mente ilustrativas, pois esquematizam e resumem conteúdos ex-
plicitados no texto. Não deixe de observar a relação dessas figuras
com os conteúdos, pois relacionar aquilo que está no campo visual
com o conceitual faz parte de uma boa formação intelectual.

Dicas (motivacionais)
Este estudo convida você a olhar, de forma mais apurada,
a educação como processo de emancipação do ser humano. É
importante que você se atente às explicações teóricas, práticas e
científicas que estão presentes nos meios de comunicação, bem
como partilhe suas descobertas com seus colegas, pois, ao com-
partilhar com outras pessoas aquilo que você observa, permite-se
descobrir algo que ainda não se conhece, aprendendo a ver e a
notar o que não havia sido percebido antes. Observar é, portanto,
uma capacidade que nos impele à maturidade.
Você, como aluno do curso de Bacharelado em Educação
Física na modalidade EaD, necessita de uma formação conceitual
sólida e consistente. Para isso, você contará com a ajuda do tutor a
distância, do tutor presencial e, sobretudo, da interação com seus
colegas. Sugerimos, pois, que organize bem o seu tempo e realize
as atividades nas datas estipuladas.
É importante, ainda, que você anote as suas reflexões em seu
caderno ou no Bloco de Anotações, pois, no futuro, elas poderão ser
utilizadas na elaboração de sua monografia ou de produções científicas.

Claretiano - Centro Universitário


22 © Anatomia Humana Geral

Leia os livros da bibliografia indicada, para que você amplie


seus horizontes teóricos. Coteje-os com o material didático, discuta
a unidade com seus colegas e com o tutor e assista às videoaulas.
No final de cada unidade, você encontrará algumas questões au-
toavaliativas, que são importantes para a sua análise sobre os conteúdos
desenvolvidos e para saber se estes foram significativos para sua forma-
ção. Indague, reflita, conteste e construa resenhas, pois esses procedi-
mentos serão importantes para o seu amadurecimento intelectual.
Lembre-se de que o segredo do sucesso em um curso na
modalidade a distância é participar, ou seja, interagir, procurando
sempre cooperar e colaborar com seus colegas e tutores.
Caso precise de auxílio sobre algum assunto relacionado a
esta obra, entre em contato com seu tutor. Ele estará pronto para
ajudar você.

3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRANDÃO, M. C. S. Anatomia sistêmica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004.
DANGELO, J. G.; FATTINI, C. A. Anatomia humana Básica. 2. ed. Rio de Janeiro: Atheneu,
1998.
______. Anatomia humana sistêmica e segmentar. 2. ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2000.
Moore, K. L. Fundamentos de anatomia clínica. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001.
______. Anatomia orientada para a clínica. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara koogan,
2011. cap. Introdução à Anatomia clinicamente orientada.
SNELL, R. S. Anatomia Clínica. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1999.
TORTORA, G. J. Princípios de anatomia humana. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 2007.

4. E-REFERÊNCIAS

Sites pesquisados
AULA de anatomia: o site de anatomia mais visitado do Brasil. Homepage. Disponível em:
<http://www.auladeanatomia.com>. Acesso em: 21 jan. 2013.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE ANATOMIA. Disponível em: <http://www.sbanatomia.org.
br/>. Acesso em: 21 jan. 2013.
EAD
Estudo da Anatomia
Humana Geral

1
1. OBJETIVOS
• Dominar os aspectos básicos da composição anatômica
do corpo humano e compreendê-los criticamente.
• Conhecer os principais conceitos para o estudo da Ana-
tomia Humana por meio de um olhar sistemático, tendo
como objetivo compreender o funcionamento dos diver-
sos sistemas do nosso corpo.

2. CONTEÚDOS
• Oração ao cadáver.
• Anatomia: a arte da área da saúde.
• Respeito ao cadáver.
• O cadáver: lição de ética e humildade. Por quê?
• O que é Anatomia?
• Os diversos sistemas que compõem o corpo humano.
24 © Anatomia Humana Geral

• Métodos do estudo anatômico.


• Relação de métodos ou técnicas de estudo anatômicos.
• Plano geral de construção do corpo humano.
• Termos de relação.
• Termos de comparação.
• Eixos do corpo humano.
• Termos de movimentação articular.
• Plano geral de construção do corpo humano.

3. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE


Antes de iniciar o estudo desta unidade, é importante que
você leia as orientações a seguir:
1) Tenha sempre à mão o significado dos conceitos expli-
citados no Glossário e suas ligações pelo Esquema de
Conceitos-chave para o estudo de todas as unidades
deste CRC. Isso poderá facilitar sua aprendizagem e seu
desempenho.
2) Todas as figuras tem significado e auxiliam a explicação
do texto, portanto não deixe de analisar cada uma e, se
ficar alguma dúvida, esclareça-a antes de continuar seu
estudo!
3) Vá além! Pesquisando, você pode aprofundar e ampliar
seus conhecimentos. Sugerimos, portanto, que você leia
os livros citados na bibliografia e nas Referências na Sala
de Aula Virtual.

4. INTRODUÇÃO À UNIDADE
Caro discente! Nesta unidade, iniciaremos nosso estudo da
Anatomia Humana Geral, fazendo uma breve apresentação de al-
guns aspectos históricos importantes para o estudo do organismo
humano voltado para o estudante de Bacharelado em Educação
Física. Por isso, descrevemos os principais estudiosos em anato-
© U1 - Estudo da Anatomia Humana Geral 25

mia, os quais foram fundamentais para o desenvolvimento dessa


ciência. Explicaremos, também, os níveis organizacionais desde a
biologia celular (visão microscópica do corpo humano) até a cons-
tituição dos diversos sistemas que compõem o organismo humano
(visão macroscópica do corpo humano).
A anatomia é a forma de tudo em nosso organismo e, para
começarmos a entender o que é saudável em nosso corpo e atuar
no que está doente, devemos nos estimular a esse estudo.
E iniciando nosso estudo, leia a Oração do Cadáver:

Oração ao Cadáver
Ao curvar-te com a lâmina rija de teu bisturi sobre o cadáver desco-
nhecido, lembra-te que este corpo nasceu do amor de duas almas;
cresceu embalado pela fé e esperança daquela que em seu seio o
agasalhou, sorriu e sonhou os mesmos sonhos das crianças e dos
jovens; por certo amou e foi amado e sentiu saudades dos outros
que partiram, acalentou um amanhã feliz e agora jaz na fria lousa,
sem que por ele tivesse derramado uma lágrima sequer, sem que
tivesse uma só prece. Seu nome só Deus o sabe; mas o destino
inexorável deu-lhe o poder e a grandeza de servir a humanidade
que por ele passou indiferente. Tu que tivestes o teu corpo pertur-
bado em seu repouso profundo pelas nossas mãos ávidas de saber,
o nosso respeito e agradecimento (ROKITANSKI, 1876).

5. ANATOMIA: A ARTE DA ÁREA DA SAÚDE


O estudo e ensino da anatomia humana sempre desperta-
ram o interesse e a curiosidade do homem. A anatomia vem sendo
ensinada como ciência desde os primórdios das mais antigas civi-
lizações.
Seu mais antigo relato é atribuído ao médico egípcio Imho-
tep, a quem é creditada a autoria do famoso papiro decifrado pelo
egiptologista Edwin Smith (1822-1906), no ano de 1862.
Nesse documento, datado do ano de 1600 a.C., porém, com
relatos de cerca de 3.000 anos anteriores, Imhotep descreve estru-

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26 © Anatomia Humana Geral

turas anatômicas, como as suturas do crânio, as meninges, a face


externa do encéfalo, o líquido cerebrospinal e as pulsações intra-
cranianas. Ele também cita cerca de 48 diferentes lesões sofridas
por guerreiros egípcios em campos de batalha.
Muito do que conhecemos a respeito do corpo humano deve
ser atribuído aos antigos anatomistas, como o médico Hipócrates
(460-377 a.C.), o primeiro que demonstrou a base do entendimen-
to do sistema musculoesquelético, e ao seu contemporâneo Aris-
tóteles, que preconizou a dissecação de animais como forma de
ensinar anatomia.
Herophilos (335-280 a.C.) e Erasistratus (310-250 a.C.) rea-
lizaram a dissecação de cadáveres em Alexandria, iniciando os
conhecimentos do sistema cardiovascular. Galeno (129-200 d.C.),
médico árabe, foi o precursor da vivissecção, cujos conhecimentos
e teorias dominaram as ciências médicas por mais de 1.300 anos.
Andreas Vesalius (1514-1564), médico belga, frequentemen-
te referido como o fundador da anatomia moderna, foi autor do
mais influente livro de anatomia humana, o De humana corporis
fabrica, o primeiro grande tratado publicado sobre o assunto.
Outros cientistas muito contribuíram com seus estudos para
o avanço dessa ciência, como Gabriele Falloppio (1523-1562), um
dos mais importantes anatomistas do século 16; William Harvey
(1578-1657), a quem é creditado o mérito da primeira descrição
exata do sistema circulatório; Marcello Malpighi (1628-1694), Sir
Astley Paston Cooper (1768-1841) e Sir William Bowman (1816-
1892).
Também chamamos a sua atenção, pois existem os epôni-
mos que na Termologia Anatômica Internacional lista, em sua últi-
ma versão, cerca de 320 deles. Aboli-los nos parece ser uma gran-
de injustiça para com aqueles desbravadores cientistas do passado
que, heroicamente, lutando contra os antigos costumes e crenças,
desvendaram os mistérios da anatomia humana (exemplo – O ten-
dão de Aquiles, conhecido como o Tendão do Calcâneo).
© U1 - Estudo da Anatomia Humana Geral 27

É bom que você aprenda que foi estabelecido um vocabulá-


rio internacional para a anatomia e para a área da Saúde.
Embora os termos comuns que designam as partes e as re-
giões do corpo sejam bem conhecidos, deve-se aprender a nomen-
clatura correta (por exemplo: axila em vez de "sovaco" e patela em
vez de "rótula"), que permite a comunicação precisa entre profis-
sionais da Saúde em todo o mundo, bem como entre acadêmicos
em ciências básicas e aplicadas.
A nomenclatura anatômica deve seguir as seguintes deter-
minações:
1) lista oficial em latim;
2) termos com algum valor informativo ou descritivo;
3) um único termo para designação de cada estrutura;
4) termos que indicam forma, posição, trajeto, função, in-
ter-relações, relação com o esqueleto e critérios mistos

Abreviaturas para termos gerais–––––––––––––––––––––––––


a. artéria aa. artérias
m. músculo mm. músculos
n. nervo nn. nervos
v. veia vv. veias
r. ramo rr. ramos
lig. ligamento ligg. ligamentos
gl. glândula gls. glândulas
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

6. RESPEITO AO CADÁVER
Para o estudo da Anatomia Humana – na Sala de Dissecação
há a seguinte frase de Rudolf Virchow : Hic est lócus mors gaudet
succurrere vitae (Este é o lugar onde se apraz de socorrer a vida).
• Instrutiva, ou Informativa: como meio de conhecimento
da organização do corpo humano, precedendo o estudo
no vivo.

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28 © Anatomia Humana Geral

• Normativa: disciplinadora do estudo, pelo seu caráter


metodológico e precisão de linguagem.
• Estético-Moral: pela natureza do material de estudo, o ca-
dáver. E pelo método primeiro de aprendizado, a disseca-
ção, que é experiência e fuga repousante na contempla-
ção da harmonia de construção do organismo humano.

7. O CADÁVER: LIÇÃO DE ÉTICA E HUMILDADE, POR QUÊ?


A curiosidade levou o homem ao conhecimento do corpo
humano, e o cadáver foi utilizado para seus estudos, o que levou
a sociedade a inúmeros questionamentos nos campos: social, mo-
ral, jurídico, religioso e médico, principalmente no que se refere
ao uso do cadáver humano ou parte dele nesses experimentos.
Anatomia Humana é a ciência que estuda as estruturas do corpo
humano e há séculos vem utilizando o cadáver humano como ma-
terial de ensino para a ética e para a humildade, por isso, devemos
ver o cadáver conforme Renato Locchi (1965):
1) É o cadáver do indigente – Homem, Mulher, Criança, Velho,
marginal da vida, da família e da sociedade: cadáver que como
o doente indigente não é fato isolado da comunidade, mas sim
reflexo dela previndo.
2) Cadáver cujos despojos miseráveis no "abandono da morte"
parecem ainda sofrer e pedir piedade: partes mortas que serão
vivificadas pelo calor da juventude estudiosa e seu sentimento
de gratidão.
3) Cadáver de pessoa sem lar, abandonada, esquecida ou ignorada
pela família e pela sociedade, em parte menos culpada. De pes-
soas que mal viveu, do nascimento à agonia solitária, sem amparo
e sem conforto amigo; vida que de humana só recebe o apelido.
4) Cadáver de um "Irmão em Humanidade" que não teve ilusões,
descrente e sofrido; de pessoa que quanto mais atingida pela
desventura, mais se aproxima da mesa de dissecação, como
premio à sua desgraça.
5) Cadáver de alguém inútil, oneroso ou mesmo nocivo à socie-
dade, paga pelo conhecimento que proporciona ao futuro da
área da Saúde, com alto juro, o mal que lhe atribui, do qual mais
vítima que culpado.
© U1 - Estudo da Anatomia Humana Geral 29

6) É de alguém anônimo e não de um de nós, ou um dos senhores,


apenas pelo capricho do jogo do acaso, do destino genético.
7) Cadáver de anônimo que adquire o valor de um símbolo – ca-
dáver desconhecido – e assim ultrapassa o limite estreito de
um nome e despersonalizado, distribui elementos para o bem
coletivo, sem ter conhecimento, quer antes, durante ou depois
de sua imolação, do seu destino a um tempo trágico e de re-
denção.
8) Despojos de alguém que pelo seu sacrifício tudo oferece sem
nada haver recebido, que dá sem saber que dá e por isso, sem
reconhecer a recompensa da gratidão e sem o sentimento de
valor da sua dádiva generosa, na mais nobre expressão de cari-
dade universal: Caridade de humilde e indigente para humildes,
mas poderosos.
9) Cadáver que dissecado, desmembrado, simboliza outra forma
de crucificação para o bem comum e marca o sentimento pro-
fundamente humano da anatomia.
10) O material de estudo de Anatomia Humana transcende, pois, ao
simples valor de meio ou objeto de aprendizado, e nos fala em
linguagem universal que nos educa na humildade da limitação
humana. Eis o porquê, na austeridade do ambiente de laborató-
rio de dissecação, a atitude física, mental e verbal do aluno deve
ser de sobriedade, meditação e elevada compostura, manusean-
do as peças anatômicas com o mais profundo sentimento de res-
peito e carinho (DIDIO apud LOCCHI, 1985, p. 88-89).

8. O QUE É ANATOMIA?
A palavra Anatomia é derivada do grego anatome (ana = atra-
vés de; tome = corte). Dissecação deriva do latim (dis = separar;
secare = cortar) e é equivalente, etimologicamente, a anatomia.
Contudo, atualmente, anatomia é a ciência, enquanto dissecar é
um dos métodos dessa ciência.
• tomia (cortar em partes); ana (estudo do corpo humano,
suas estruturas e seus órgãos);
• dissecação (a etimologia indica uma origem grega que com-
bina ana com tomia, resultando na palavra dissecação).

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30 © Anatomia Humana Geral

O conceito
Anatomia é a ciência que trata da morfologia (forma geral) e
da estrutura dos seres (humanos e animais) ou órgãos.
A anatomia humana compreende a dissecação dos seres hu-
manos, o estudo e a descrição do corpo humano em sua morfolo-
gia, arquitetura, estrutura e ultraestrutura a nível molecular.

As divisões
Embora do ponto de vista histórico e, a rigor, o interesse pri-
mário da anatomia seja a estrutura, a compreensão real da anatomia
ocorre, quando a estrutura e a função são consideradas juntas.
Ruffini (1925, n. p.) descreveu esse conceito de maneira mais
completa, quando estabeleceu que "a forma é a imagem plástica
da função". A anatomia moderna é a anatomia macroscópica hu-
mana funcional, ou seja, o exame de estruturas do ser humano
sem o uso do microscópio.
Temos três principais métodos para o estudo da anatomia
moderna que refletem a organização do corpo humano:
1) o regional;
2) o sistêmico;
3) o clínico.
A seguir, detalharemos tais métodos de estudo da anatomia.

Anatomia regional, ou topográfica


A anatomia regional, ou topográfica, considera a organiza-
ção do corpo humano como segmentos ou partes principais de
acordo com a forma e a massa.
Conforme esse tipo de anatomia, o corpo humano é forma-
do por cabeça, pescoço e tronco (subdividido em tórax, abdome,
dorso e pelve/períneo), um par de membros superiores e um par
de membros inferiores.
© U1 - Estudo da Anatomia Humana Geral 31

Todas as partes principais podem ser subdivididas em regiões,


ou zonas. Há, também, a organização e as relações das várias estru-
turas sistêmicas (músculos, nervos, artérias, veias e vasos linfáticos).
Exemplo: parte (cabeça), região (face) ou sub-região (a órbita).

Anatomia clínica
A anatomia clínica enfatiza os aspectos das estruturas e das
funções do corpo, importantes na prática da área da Saúde. Incor-
pora as condutas regionais e sistêmicas ao estudo da anatomia e
enfatiza a aplicação clínica.
A anatomia clínica frequentemente envolve a inversão ou
modificação do processo de raciocínio normalmente seguido,
quando se estuda a anatomia regional ou sistêmica. Por exemplo,
em vez de pensar "A ação desse músculo é...", a anatomia clíni-
ca pergunta: "Qual seria a manifestação da ausência de atividade
desse músculo?".

Anatomia sistêmica, ou sistemática


Já a anatomia sistêmica, ou sistemática, compreende o estu-
do analítico macro e microscópico dos sistemas orgânicos, conside-
rados separadamente, conforme suas afinidades morfofuncionais.
Na anatomia sistêmica, o corpo humano é visto desde a cé-
lula, o tecido, o órgão e sistema que formam o corpo humano. Os
itens a seguir são conceitos básicos para o entendimento dessa
anatomia que será explorada durante as outras unidades deste
material didático.
1) célula: unidade microscópica estrutural e funcional;
1) tecido: formado pela reunião das células com funções
específicas;
2) órgão: parte de um organismo constituída por tecidos e
que realiza funções especializadas;
3) sistema: conjunto de órgãos que desempenham funções
específicas.

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32 © Anatomia Humana Geral

9. OS SISTEMAS DO CORPO HUMANO


Dando continuidade ao nosso estudo sobre anatomia huma-
na, vamos agora conhecer os diversos sistemas que formam nosso
corpo. Com o passar dos séculos, esses sistemas desenvolveram as
especialidades de atuação na área da Saúde, pois o Bacharelado
em Educação Física está contido nesse universo, utilizando esse
sistema para a sua atuação. Vamos a eles:
1) sistema tegumentar: formado pela pele e seus anexos e
pela tela subcutânea;
2) sistema esquelético: formado pelos ossos e suas articu-
lações (Osteologia e Artrologia);
3) sistema muscular: formado pelos músculos esquelético,
liso e cardíaco;
4) sistema vascular: formado pelo coração, pelas artérias,
veias, capilares e pelo sistema linfático. Está relacionado
com a realização da circulação sanguínea e com a linfática;
5) sistema nervoso e órgãos dos sentidos: formado pelo
sistema nervoso central (neuroeixo), pelo sistema ner-
voso periférico e pelas formações anexas dos órgãos dos
sentidos;
6) sistema respiratório: formado pelas vias aéreas superio-
res e inferiores (vias de condução) e pelo pulmão (órgão
das trocas gasosas);
7) sistema digestório: formado pelos órgãos supradiafrag-
mático e infradiafragmático e pelos órgãos anexos (fíga-
do, pâncreas e glândulas salivares);
8) sistema urinário: formado pelos rins (formador da uri-
na) e pelos ureteres, bexiga e uretra (eliminadores da
urina);
9) sistema genital masculino: formado pelos órgãos geni-
tais masculinos internos (próstata, vesícula seminal, en-
tre outros) e externos (saco escrotal, pênis);
10) sistema genital feminino: formado pelos órgãos genitais
femininos internos (útero, vagina etc.) e externos (vulva,
clitóris etc.);
© U1 - Estudo da Anatomia Humana Geral 33

11) sistema endócrino: formado pelos órgãos endócrinos


(hipófise, tireoide, entre outros).
Alguns sistemas podem ser agrupados formando o que de-
nominamos de "aparelhos", como a seguir:
• aparelho locomotor: constituído pelos sistemas esquelé-
tico e muscular;
• aparelho urogenital: formado pelos sistemas urinário e
genital masculino e feminino;
• aparelho cardiorrespiratório: constituído pelos sistemas
vascular e respiratório.

10. MÉTODOS DE ESTUDO ANATÔMICO


Veremos agora os passos a serem seguidos pelos alunos para
o estudo de Anatomia Humana Geral:
1) importância da obra;
2) formas de abordagem;
3) organização do corpo humano;
4) variações, anomalias e teratologias.
Conforme a metodologia de estudo, veremos:
• planos e eixos anatômicos;
• secções;
• termos de relação, comparação, lateralidade e movimento.

11. RELAÇÃO DE MÉTODOS OU TÉCNICAS DE ESTUDOS


ANATÔMICOS
Veja a relação de métodos ou técnicas de estudos anatômi-
cos a seguir para ter uma noção das técnicas didáticas e experi-
mentais utilizadas no estudo da anatomia humana:
1) livros-textos de anatomia humana;
2) atlas de anatomia;

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34 © Anatomia Humana Geral

3) roteiros da disciplina;
4) fotografias;
5) slides;
6) revistas, publicações, separatas;
7) desenhos;
8) dissecação ou peças dissecadas;
9) fixação (peças);
10) maceração (tecido ósseo);
11) diafanização;
12) injeção vasal com contrastes;
13) radiologia;
14) radioscopia;
15) cinerradiografia;
16) fluorescência;
17) transiluminação;
18) vivissecção;
19) palpação;
20) mensuração;
21) percussão;
22) auscultação;
23) eletromiografia;
24) computador;
25) videoaulas e outras.
Todas essas técnicas, ou métodos, assim como os materiais,
são empregados no estudo dos diferentes ramos da anatomia.
Essa inter-relação entre as diversas estruturas e os sistemas, em
níveis macro e microscópicos, variam desde o microscópio eletrô-
nico ao tradicional bisturi, destruindo o velho conceito de que a
anatomia "é o galho seco da árvore biológica" (DIDIO, 1974, n. p. )
ou "o catálogo das coisas mortas" (DIDIO, 1974, n. p. ).
© U1 - Estudo da Anatomia Humana Geral 35

12. PLANO GERAL DE CONSTRUÇÃO DO CORPO


HUMANO
A partir da posição anatômica, o estudo da anatomia utiliza
os planos de delimitação e de secção e os eixos anatômicos, em
que os movimentos do corpo humano acontecem.
Faremos, a seguir, uma explicação detalhada desses planos
e eixos, para os quais você deverá ter atenção redobrada, uma vez
que são utilizados em todas as descrições e posições anatômicas.
Planos limitantes, ou de delimitação do corpo humano
A posição anatômica do corpo humano é descrita em um in-
divíduo adulto em posição ortostática (ereta), com os membros
superiores pendendo naturalmente de cada lado, encostados ao
tronco, os olhos fixos olhando para o horizonte, com a face, as pal-
mas das mãos e a pontas dos dedos do pé dirigidos para a frente.
Para facilitar seu entendimento sobre essa posição, assista ao ví-
deo "Posição Anatômica" no final desta obra.
Devemos memorizar essa posição anatômica, pois ela é uti-
lizada como referência, mesmo que o indivíduo esteja deitado ou
em qualquer outra posição. Nessa posição anatômica, o corpo hu-
mano pode ser delimitado por planos tangentes à sua superfície,
os quais, com suas intersecções, determinam a formação de um
sólido geométrico (paralelepípedo).
Por meio dessa posição, podemos identificar três planos de
delimitação, que formam uma espécie de paralelepípedo (caixa) ao
redor do corpo humano. Confira no vídeo "Planos de Delimitação".
1) plano ventral, ou anterior: presente junto à porção an-
terior do corpo humano;
2) plano dorsal, ou posterior: presente junto à porção pos-
terior do corpo humano;
3) planos laterais: presentes junto às porções laterais (di-
reita e esquerda) do corpo humano;

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36 © Anatomia Humana Geral

4) plano cranial, ou superior: presente junto à porção su-


perior do corpo humano (cabeça);
5) plano caudal, ou inferior: presente junto à porção infe-
rior do corpo humano (planta do pé).

Planos de secção do corpo humano


Os planos de secção do corpo humano são longitudinais e
transversais, sendo paralelos aos planos delimitantes.
Esses planos de secção "dividem" um corpo em diversas par-
tes e maneiras, como a seguir:
1) Plano mediano: divide um corpo em duas metades
iguais (direita e esquerda).
2) Plano sagital: passa, paralelamente, ao plano mediano. O
eixo que compõe essa delimitação é um eixo laterolateral,
ou transversal, que passa de um lado para o outro lado, e
caracteriza os movimentos articulares. Os principais mo-
vimentos das articulações caracterizados por esse plano
são os movimentos de flexão e extensão, como ilustra a
Figura 1. (Para que você possa visualizar esse plano, as-
sista ao vídeo "Plano Mediano ou Sagital", disponibiliza-
do em seu Material Didático Mediacional desta obra).

Figura 1 Plano mediano ou sagital.


© U1 - Estudo da Anatomia Humana Geral 37

3) Plano coronal, ou frontal: divide o corpo nas partes an-


terior (ventral) e posterior (dorsal). Passa, paralelamente,
aos planos ventral e dorsal. O eixo que compõe essa deli-
mitação é um eixo anteroposterior ou sagital, que passa
da porção anterior até a porção posterior, e caracteriza
os movimentos articulares de abdução e adução, como
podemos observar na Figura 2. Para maior compreensão
do assunto, assista ao vídeo "Plano Frontal ou Coronal".

Figura 2 Plano frontal ou coronal.

4) Plano transversal, ou horizontal: divide o corpo nas par-


tes superior (cranial) e inferior (caudal). Esse plano pas-
sa paralelamente aos planos cranial e caudal. O eixo que
compõe essa delimitação é o eixo longitudinal, ou cra-
niocaudal, que passa da porção superior de um corpo
(crânio) até a porção inferior (caudal), caracterizando os
movimentos articulares de rotações laterais e mediais,
pronação e supinação do antebraço. Não deixe de ana-
lisar a Figura 3. Observe o vídeo "Plano Transversal ou
Horizontal", no qual está ilustrado esse plano.

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38 © Anatomia Humana Geral

Figura 3 Plano transversal, ou horizontal.

13. TERMOS DE RELAÇÃO


Os termos de relação descrevem a localização das partes
do corpo humano na posição anatômica em relação aos planos de
secção do corpo humano. Esses termos de relação são:
• anterior/ventral/frontal: em direção da frente do corpo
ou a frente do corpo;
• posterior/dorsal: em direção das costas (traseiro) ou a
parte de trás do corpo;
• médio: estrutura ou órgão interposto entre um anterior e
um posterior, ou entre um anterior e um posterior.
© U1 - Estudo da Anatomia Humana Geral 39

Vejamos um exemplo para compreender melhor: o osso


esterno e as cartilagens costais encontram-se anteriormente em
relação ao coração. A coluna vertebral localiza-se posteriormente
em relação ao osso esterno.
• superior/cranial: na direção da parte superior do corpo
ou uma estrutura acima da outra;
• inferior/caudal: na direção da parte inferior do corpo ou
uma estrutura abaixo da outra;
• médio: estrutura ou órgão interposto entre um superior e
um inferior ou entre um anterior e um posterior.
Por exemplo, os grandes vasos localizam-se superiormente
ao coração, enquanto que o diafragma se localiza inferiormente ao
coração. O úmero (braço) é superior ao rádio e à ulna (antebraço),
enquanto o rádio é superior ao carpo e inferior ao úmero.
1) medial: mais próximo ou em direção ao plano sagital
mediano (linha sagital mediana);
2) lateral: mais afastado ou longe do plano sagital mediano
(linha sagital mediana);
3) mediano: exatamente sobre o eixo sagital mediano ou
sobre o eixo sagital mediano;
4) intermédio: estrutura localizada entre o medial e o lateral.
Como exemplo, vamos tomar os ligamentos colaterais do co-
tovelo. O ligamento colateral radial está localizado lateralmente,
enquanto o ligamento colateral ulnar está localizado medialmen-
te, ou seja, mais próximo à linha sagital mediana.

14. TERMOS DE COMPARAÇÃO


Os termos de comparação realizam as comparações das po-
sições relativas de duas ou mais estruturas ou de uma estrutura
com relação à superfície ou plano de secção. São eles:
• Proximal: próximo à raiz do membro, na direção do tron-
co. É mais próximo do ponto de união ao corpo do que
outra estrutura.

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40 © Anatomia Humana Geral

• Distal: afastado da raiz do membro. Longe do tronco ou


do ponto de inserção. Mais distante do ponto de união ao
corpo do que outra estrutura.
Temos, como exemplo, o braço, considerado proximal, quan-
do comparado ao antebraço (distal), pois está mais próximo da raiz
ou cíngulo do membro (cintura escapular). Já o cotovelo é proxi-
mal ao punho.
Além dos termos de comparação, já mencionados anterior-
mente, temos agora esses outros termos de comparação em rela-
ção a pele.
• superficial: mais perto da superfície do corpo; em direção
à ou na superfície;
• profundo: mais afastado da superfície do corpo; distante
da superfície, interno.

Exemplo
A pele é uma estrutura superficial, comparada às artérias
ou os ossos que estão localizados mais profundamente. (No siste-
ma venoso é comum utilizarmos esses termos para diferenciar o
sistema venoso superficial (mais próximo à superfície) do sistema
venoso profundo (passa mais profundamente junto com o sistema
arterial).
Para terminarmos definiremos esses últimos termos:
• Homolateral / Ipsilateral: do mesmo lado do corpo ou de
outra estrutura.
• Contralateral: do lado oposto do corpo ou de outra estrutura.

Exemplo
A nossa mão direita deve ser considerada o referencial para
a definição desses termos, enquanto que o membro inferior direi-
to é considerado homo/ipsilateral, pois está localizado do mesmo
lado. Em relação ao membro inferior esquerdo, ele é considerado
© U1 - Estudo da Anatomia Humana Geral 41

contralateral, pois está localizado no lado oposto à mão de refe-


rência (mão direita).

15. EIXOS DO CORPO HUMANO


Os eixos do corpo humano são linhas imaginárias traçadas
no indivíduo considerando-o incluído no paralelepípedo. Os eixos
principais seguem três direções ortogonais:
1) Eixo sagital/anteroposterior: está unindo o centro do
plano ventral ao centro do plano dorsal. É um eixo héte-
ropolar, pois suas extremidades tocam em porções não
correspondentes do corpo humano conforme mostra a
Figura 4. Para fixar bem o conteúdo sobre o eixo, assista
ao vídeo "Eixo anterior e posterior ou sagital".

Figura 4 Eixo anterior e posterior ou sagital.

2) Eixo longitudinal/craniocaudal: une o centro do plano


cranial ao centro do plano caudal. É um eixo héteropolar,
pois suas extremidades tocam em porções não corres-
pondentes do corpo humano (Figura 5). (Confira o vídeo
"Eixo Longitudinal").

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42 © Anatomia Humana Geral

Figura 5 Eixo longitudinal/craniocaudal

3) Eixo transversal/laterolateral: une o centro do plano la-


teral direito ao centro do plano lateral esquerdo. Este
é homopolar, pois suas extremidades tocam em pontos
correspondentes do corpo humano. Acompanhe a ex-
plicação contida por meio da Figura 6. Assista ao vídeo
"Eixo Transverso" para melhor absorção dos conteúdos.

Figura 6 Eixo transversal/laterolateral.


© U1 - Estudo da Anatomia Humana Geral 43

16. TERMOS DE MOVIMENTAÇÃO ARTICULAR


Existem vários termos que descrevem os tipos de movimen-
tos que podem ser usados para várias articulações em todo o cor-
po, porém, alguns desses termos são característicos de certas regi-
ões em relação à posição anatômica, como a seguir:
1) Flexão: movimento em que duas estruturas do corpo,
tanto proximal quanto distal, aproximam-se. É caracte-
rístico do plano sagital.
2) Extensão: movimento em que duas estruturas do corpo,
tanto proximal quanto distal, afastam-se uma da outra.
É característico do plano sagital. Existe uma exceção a
esse tipo de movimento, que ocorre, quando é ultrapas-
sada a posição anatômica de hiperextensão.
3) Abdução: ocorre quando uma estrutura se afasta da li-
nha central do corpo. É característico do plano frontal.
4) Adução: é característico da volta do movimento de ab-
dução à posição de repouso (posição anatômica), po-
dendo ir além de sua movimentação funcional ou adu-
ção além da linha média. É realizado no plano frontal,
como se pode observar na Figura 7.

Figura 7 Movimentação de flexão, extensão, abdução e adução.

5) Circundação: combinativo de flexão, extensão, abdução


e adução, realizado na forma circular. É um movimento
que combina dois eixos a seus movimentos. Exemplo:
na circundação temos, ao mesmo tempo, a ocorrência

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44 © Anatomia Humana Geral

da flexão\extensão com a abdução\adução nos eixos


de anteroposterior com o eixo laterolateral. Para a cons-
trução do seu conhecimento, observe a Figura 8.

Figura 8 Movimentação circundação.

6) Abdução horizontal: ocorre no plano horizontal, afastan-


do-se o membro da linha mediana do corpo (Figura 7B).
7) Adução horizontal: ocorre no plano horizontal, aproxi-
mando-se o membro da linha média do corpo.
8) Rotação externa: ocorre no plano horizontal, em que o mo-
vimento de rotação se afasta do plano mediano do corpo.
9) Rotação interna: ocorre no plano horizontal, onde o mo-
vimento se aproxima do plano mediano do corpo.

Figura 9 Movimentação abdução horizontal, adução horizontal, rotação interna ou medial


e rotação externa ou lateral.
© U1 - Estudo da Anatomia Humana Geral 45

Movimentos da articulação do ombro


1) Elevação: é realizado no sentido superior (para cima ou
cranial), por meio do plano frontal.
2) Depressão: movimento escapular realizado no sentido
inferior (para baixo ou caudal), no plano frontal. Tam-
bém pode ser identificado como o retorno do movimen-
to de elevação.
3) Retroposição do ombro: movimento em que o ombro
se posterioriza (vai para trás). É realizado no plano ho-
rizontal.
4) Anteposição do ombro: movimento em que o ombro se an-
terioriza (vai para a frente). É realizado no plano horizontal.
Todos os movimentos da articulação do ombro podem ser
observados na Figura 10.

Figura 10 Movimentos da articulação do ombro: elevação, depressão, retroposição e


anteposição do ombro.

5) Rotação superior: ocorre no plano frontal, com a mo-


vimentação de giro escapular, superiormente, e com o
afastamento da linha mediana e posterior elevação.
6) Rotação inferior: ocorre no plano frontal, onde a es-
cápula gira inferiormente, ao mesmo tempo em que se
aproxima da linha mediana e se deprime.

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46 © Anatomia Humana Geral

Movimentos da articulação radioulnar


1) Pronação: é o movimento em que o osso rádio gira in-
ternamente (para dentro) sobre a ulna, com a palma da
mão para baixo. Ocorre no plano horizontal.
2) Supinação: movimento em que o osso rádio gira exter-
namente (para fora) sobre a ulna, após uma pronação,
com a palma da mão para cima. Ocorre no plano hori-
zontal. Tais movimentos estão ilustrados na Figura 11.

Figura 11 Movimentação de pronação e supinação do antebraço.

Movimentos de punho e mão


1) Desvio radial (abdução do punho): movimento em que
a mão se afasta da linha mediana (em direção ao rádio)
e ocorre no plano frontal.
2) Desvio ulnar (adução do punho): movimento em que a
mão se aproxima da linha mediana (em direção à ulna).
Também pode ser caracterizado pela volta à posição
anatômica, depois do movimento de desvio radial. Ocor-
re no plano frontal. Observe a Figura 12:
© U1 - Estudo da Anatomia Humana Geral 47

Figura 12 Movimentação de desvio radial e ulnar.

3) Oposição do polegar: é caracterizado pela aproximação


das polpas digitais (polegar em direção aos outros de-
dos), em uma combinação de abdução, circundação e
rotação. Ocorre no plano horizontal.
4) Reposição do polegar: é caracterizado pelo afastamento
das polpas digitais (inverso da oposição). Ocorre no pla-
no horizontal (Figura 13).

Figura 13 Movimentação do polegar – oposição e reposição.

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48 © Anatomia Humana Geral

Movimentos da coluna
• Inclinação ou flexão lateral: movimento em que a cabe-
ça ou o tronco se movem lateralmente, afastando-se da
linha mediana. Ocorre no plano frontal.
• Redução: é o retorno da coluna vertebral à sua posição
anatômica, depois do movimento de inclinação. Ocorre
no plano frontal. Observe a Figura 14, que ilustra os mo-
vimentos da coluna.

Figura 14 Movimentação da coluna – inclinação ou flexão lateral e redução.

Movimentos da pelve
1) Anteroversão: movimento em que a pelve se desloca
anteriormente (a espinha ilíaca anterosuperior se an-
terioriza em relação à sínfise púbica). Ocorre no plano
sagital.
2) Retroversão: movimento em que a pelve se desloca pos-
teriormente (a espinha ilíaca anterosuperior se posterio-
riza em relação à sínfise púbica). Ocorre no plano sagital.
Para melhor compreender anteroversão e retroversão,
observe a Figura 15.
3) Inclinação D/E: movimento em que ocorre uma superio-
rização da crista ilíaca em relação ao lado contralateral.
Ocorre no plano frontal.
© U1 - Estudo da Anatomia Humana Geral 49

Figura 15 Movimentação da pelve – anteroversão, retroversão e inclinação.

4) Rotação D/E: movimento em que uma crista ilíaca se


anterioriza em relação ao lado contralateral. Ocorre no
plano horizontal. E, na Figura 16, é possível entender
melhor sobre inclinação e rotação.

Figura 16 Movimentação da pelve – rotação.

Tornozelo e pé
1) Dorsiflexão, ou flexão dorsal: movimento do pé que
ocorre em direção à tíbia. Ocorre no plano sagital.
2) Flexão plantar: movimento do pé que ocorre por meio
do afastamento da tíbia. Ocorre no plano sagital. Para
a construção do seu conhecimento, analise a Figura 17:

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50 © Anatomia Humana Geral

Figura 17 Movimentação do tornozelo – dorsiflexão ou flexão dorsal e flexão plantar.

3) Inversão: movimento proveniente do giro do pé para den-


tro (próximo à linha mediana). Ocorre no plano frontal.
4) Eversão: movimento proveniente do giro do pé para fora
(afastando da linha mediana). Ocorre no plano frontal,
de acordo com a Figura 18.

Figura 18 Movimentação do pé – inversão e eversão.


© U1 - Estudo da Anatomia Humana Geral 51

Articulação temporomandibular (ATM)


1) Depressão da mandíbula: movimento para baixo da
mandíbula. Ocorre no plano sagital.
2) Elevação da mandíbula: movimento para cima da man-
díbula. Ocorre no plano sagital.
3) Desvio lateral: movimento proveniente pelo desvio da
mandíbula tanto para a direita como para a esquerda.
Ocorre no plano horizontal.
4) Protração da mandíbula: movimento em que a mandí-
bula se move para frente. Ocorre no plano sagital.
5) Retração da mandíbula: movimento em que a mandíbu-
la se move para trás. Ocorre no plano sagital.

17. PLANO GERAL DE CONSTRUÇÃO DO CORPO


HUMANO
O corpo humano é constituído conforme alguns princípios
fundamentais que prevalecem para todos os vertebrados:
1) Antimeria: o corpo humano é formado por duas meta-
des, direita e esquerda, em relação ao plano mediano.
Essas metades, obtidas a partir de planos sagitais, são
denominadas antímeros ou dímeros, sendo aparente-
mente simétricas em relação ao plano sagital mediano e
equivalentes morfológica e funcionalmente.
2) Metameria: nesse caso, limitado por planos transver-
sais, o tronco acha-se em segmentos semelhantes, de-
nominados metâmeros. Como exemplo de órgãos meta-
merizados, temos a coluna vertebral.
3) Paquimeria: o segmento axial do corpo humano, o tron-
co, é constituído esquematicamente por dois tubos: um
ventral maior (anterior), denominado visceral, e outro
dorsal (posterior), denominado neural. Todas as partes
que limitam ou são contidas nesses tubos pertencem
aos correspondentes segmentos ventrais:
4) Paquímero ventral: é encontrado em todas as vísceras
do tórax, do abdome e da pelve.

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52 © Anatomia Humana Geral

5) Paquímero dorsal: é encontrado na cavidade craniana


e no canal vertebral, além do neuroeixo, formado pelo
encéfalo e pela medula espinhal.
6) Estratificação: o corpo humano é constituído por cama-
das, estratos, telas ou túnicas que se superpõem, reco-
nhecendo-se, portanto, uma estratimeria ou estratifica-
ção. Essa estratificação pode ser reconhecida tanto no
nível macroscópico quanto no subcelular, visto somente
pelo microscópio eletrônico. Como exemplo de estra-
tificação, identificamos três camadas concêntricas nas
fases iniciais do desenvolvimento humano: ectoderma
(externa), mesoderma (média) e endoderma (interna).
7) Segmentação: podemos definir segmento como "o ter-
ritório de um órgão que possua irrigação e drenagem
sanguínea independentes, separado dos demais ou re-
movível cirurgicamente e que seja identificável morfo-
logicamente". É mais comum empregar-se a expressão
segmento anatomocirúrgico do que apenas segmento.
Por exemplo: segmento anatomocirúrgico dos rins.
Ao final deste parágrafo, encerramos a pequena introdução so-
bre a anatomia humana e, se você estiver com dúvidas, volte ao início
desta unidade e busque o que não entendeu. Caso faça-se necessário,
entre em contato com seu tutor e seus colegas de sala virtual para
saná-las, principalmente sobre a posição anatômica, os termos de re-
lação e comparação, os eixos anatômicos e os termos de movimentos.
Todos esses objetivos devem estar fundamentados em você para po-
dermos estudar a Unidade 2. Vamos lá! Você está no caminho certo!

18. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS


Sugerimos que você procure responder, discutir e comentar
as questões a seguir que tratam da temática desenvolvida nesta
unidade.
A autoavaliação pode ser uma ferramenta importante para
você testar o seu desempenho. Se você encontrar dificuldades em
© U1 - Estudo da Anatomia Humana Geral 53

responder a essas questões, procure revisar os conteúdos estu-


dados para sanar as suas dúvidas. Esse é o momento ideal, para
que você faça uma revisão desta unidade. Lembre-se de que, na
Educação a Distância, a construção do conhecimento ocorre de
forma cooperativa e colaborativa; compartilhe, portanto, as suas
descobertas com os seus colegas.
Confira, a seguir, as questões propostas para verificar o seu
desempenho no estudo desta unidade:
1) Defina anatomia, anatomia sistemática ou sistêmica, anatomia segmentar,
anatomia de superfície, anatomia funcional, anatomia aplicada, anatomia
radiológica e anatomia comparada.

2) Conceitue nomenclatura anatômica.

3) Conceitue a metodologia de estudo da anatomia humana.

4) Defina a posição anatômica de estudo.

5) Explique os planos de delimitação e os planos de secção do corpo humano.

6) Explique os eixos anatômicos.

7) Estabeleça as relações entre os eixos e os planos de secção.

8) Defina os termos de posição e direção:


a) superior ou cranial;
b) inferior ou caudal ou pododáctilo;
c) anterior ou ventral;
d) posterior ou dorsal;
e) lateral;
f) medial, intermédio, mediano, médio;
g) proximal e distal;
h) palmar ou volar;
i) plantar;
j) interno e externo;
k) superficial e profundo;
l) radial e ulnar;
m) tibial e fibular;
n) anteroposterior ou dorsoventral;
o) laterolateral e longitudinal ou craniocaudal ou superoinferior.
9) Conceitue estratigrafia, metameria, paquimeria e antimeria.

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54 © Anatomia Humana Geral

19. CONSIDERAÇÕES
Nesta primeira unidade, foi possível perceber que a Anato-
mia Humana Geral não é fácil e que seu estudo exige o conheci-
mento de vários conceitos para a correta descrição.
Vimos, também, que a curiosidade do homem o levou a estu-
dar o corpo humano em sua constituição macroscópica e microscópi-
ca, para estabelecer conceitos e compreender as funções dos órgãos.
Esperamos que, após começar o estudo da anatomia huma-
na, você tenha percebido sua importância para as profissões da
área da Saúde.

20. E-REFERÊNCIAS

Sites pesquisado
ROKITANSKI, K. Oração ao cadáver. 1876. Disponível em: <http://portaldaradiologia.
com/?p=1517>. Acesso em: 4 dez. 2012.
AULA de anatomia: o site de anatomia mais visitado do Brasil. Homepage. Disponível em:
<http://www.auladeanatomia.com>. Acesso em: 21 jan. 2013.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE ANATOMIA. Disponível em: <http://www.sbanatomia.org.
br/>. Acesso em: 21 jan. 2013.

21. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


DANGELO, J. G.; FATTINI, C. A. Anatomia humano sistêmica e segmentar. 3 ed. São Paulo:
Atheneu, 2007.
DIDIO, L. J. A. Quereis saber o que é a alma? Olhe para um corpo sem alma. Biografia do
professor Renato Locchi. Rio de janeiro: Guanabara Koogan, 1985.
MOORE, K. L.; AGUR, A. M. R. Fundamentos de anatomia clínica. 2. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2004.
______. Anatomia orientada para a clínica. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
2011.
SNELL, R. S. Anatomia clínica para estudantes de medicina. 6. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2011.
TORTORA, G. J.; GRABOWSKI, S. R. Corpo humano: fundamentos de anatomia e fisiologia.
6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.
EAD
Estudo do Aparelho
Musculoesquelético

2
1. OBJETIVOS
• Conhecer os componentes do sistema musculoesquelético.
• Identificar as funções gerais do sistema musculoesquelético.
• Analisar as principais funções dos componentes do siste-
ma musculoesquelético.
• Classificar os ossos, junturas e músculos em uma visão ge-
ral do corpo humano.
• Compreender a importância do sistema musculoesquelé-
tico para a locomoção humana.

2. CONTEÚDOS
• Sistema esquelético: ossos, seus principais componentes
e suas funções.
• Sistema articular, ou junturas: articulações, seus princi-
pais componentes e suas funções.
• Sistema muscular, ou miologia: músculos esqueléticos
estriados, seus componentes e suas funções.
56 © Anatomia Humana Geral

3. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE


Antes de iniciar o estudo desta unidade, é importante que
você leia as orientações a seguir:
1) Na Unidade 1, discutimos os termos de relação e com-
paração utilizados para o direcionamento das estruturas
que formam os sistemas do corpo humano. Dando con-
tinuidade aos nossos estudos, analisaremos o aparelho
locomotor, constituído pelos sistemas esquelético, arti-
cular e muscular.
2) É muito importante que você tenha apreendido o con-
teúdo da Unidade 1, para que possamos estudar as
próximas unidades, pois todas precisam desse conheci-
mento prévio. Caso você tenha dúvidas, leia o conteúdo
novamente e peça ajuda a seu tutor e a seus colegas.
3) É igualmente importante que você tenha entendido a
definição de planos e eixos anatômicos, os movimentos
realizados em cada eixo e os planos referentes às arti-
culações, especialmente as sinoviais, que serão tratadas
novamente no estudo da anatomia neuromuscular e na
cinesiologia, nos próximos semestres. Se você tem algu-
ma dúvida sobre esta abordagem, leia o conteúdo nova-
mente e peça ajuda a seu tutor e a seus colegas.
4) Não deixe de analisar as figuras e vídeos para a iden-
tificação, especialmente das estruturas que formam o
aparelho locomotor, como os esqueletos que formam o
sistema esquelético, os tipos de junturas sinoviais e as
definições de origem e inserção muscular.
5) Responda às questões avaliativas ao final de cada unida-
de para fixar os conteúdos e detectar suas dúvidas.
6) Pesquise em livros, artigos científicos e na internet o as-
sunto tratado nesta unidade e nas demais. Se encontrar
algum ponto interessante, disponibilize-o na lista ou no
fórum para seus colegas.
© U2 -Estudo do Aparelho Musculoesquelético 57

4. INTRODUÇÃO À UNIDADE
Nesta segunda unidade, inicialmente, faremos uma aborda-
gem geral da osteologia, que é o estudo sobre os ossos do cor-
po humano. Analisaremos a composição dos ossos, suas funções,
suas classificações e o nome dos principais ossos do nosso corpo.
Os ossos são denominados como a parte fixa do aparelho locomo-
tor, para que ocorra a origem e inserção dos músculos esqueléti-
cos e dos ligamentos das articulações sinoviais. Podemos afirmar,
de um modo geral, que o aparelho locomotor é responsável pela
locomoção e proteção dos indivíduos contra agressões externas,
de forma que o seu conhecimento é importante na prática de ati-
vidades físicas.
Com o estudo desta unidade, esperamos que o aluno reco-
nheça as principais características do aparelho locomotor, como o
nome dos principais ossos do esqueleto axial e apendicular superior
e inferior, as junturas sinoviais (responsáveis pelo movimento hu-
mano) e a classificação dos músculos esqueléticos para favorecer a
compreensão dos movimentos corporais e, consequentemente, as
aplicações desse conhecimento à sua prática profissional.

5. OSTEOLOGIA
Vamos realizar, nesta unidade, o estudo dos ossos do corpo
humano. Junto com as cartilagens, eles fazem parte do sistema
esquelético.
Os ossos são articulados ou conectados em conjuntos pelas
articulações. São formados principalmente de tecido conjuntivo.
Esse tecido está presente em todos os ossos e, quando exposto ao
cálcio, forma um tecido rígido e semiflexível.
Em um humano adulto, podemos encontrar cerca de 206 os-
sos, porém, por critério de contagem e dos fatores a seguir, podem
haver mudanças à quantidade de ossos:

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58 © Anatomia Humana Geral

• Idade: esse fator está diretamente relacionado com a


quantidade de cartilagem e ossos do corpo do indivíduo.
Os ossos de um recém-nascido apresentam grande quan-
tidade de cartilagem, pois sua calcificação evoluirá até
que o indivíduo adulto apresente todos os ossos calcifi-
cados e rígidos.
• Indivíduo: na anatomia humana, é muito comum comen-
tar sobre variação anatômica. Essa variação nada mais é
do que uma mudança do padrão anatômico conhecido de
um indivíduo que poderá apresentar menos ou mais os-
sos do que o normal.
Os ossos ainda são revestidos por uma camada de tecido
fibroso, o periósteo. Esse tecido circunda toda a região do osso,
exceto em suas extremidades articulares, pois, nessa região, en-
contra-se o tecido cartilaginoso, ou pericôndrio. Este é composto
principalmente de tecido conjuntivo, responsável principalmente
por gerar uma redução no atrito entre os ossos, absorvendo os
impactos juntamente com as camadas ósseas.
As duas camadas de revestimento citadas têm a função de
nutrir o tecido ósseo, visto que o tecido cartilaginoso é avascular
(não possui circulação sanguínea), sendo nutrido pelo líquido si-
novial. Esse líquido é produzido pela membrana sinovial que está
em contato com a cavidade articular e é responsável pela sua pro-
dução.
Os ossos, em uma vista microscópica, são diferenciados em
duas regiões. Sua região mais externa é constituída de um tecido
mais rígido, firme, sem espaços ou trabéculas, chamado de subs-
tância compacta. No seu interior, o osso apresenta uma região
mais espaçada, com trabéculas mais sensíveis a impactos, chama-
do de substância esponjosa. É válido ressaltar que a proporção
dessas substâncias muda, tornando-se moldáveis conforme a fun-
ção exigida pelo osso.
© U2 -Estudo do Aparelho Musculoesquelético 59

6. ESQUELETO HUMANO
É um conjunto de ossos e cartilagens que se interligam para
formar o arcabouço do corpo humano e desempenhar várias fun-
ções, tais como:
1) proteção: para órgãos como o coração e os pulmões, as
estruturas nervosas do encéfalo e a medula espinhal;
2) sustentação: de todas as partes moles, possibilitando a
modelagem do corpo;
3) sistema de alavancas: as massas musculares inserem-se
em sua superfície, possibilitando o deslocamento do cor-
po; armazenamento de íons: Ca+ e P+;
4) hematopoiese: produção de células específicas do sangue;
5) armazenamento de tutano: gordura armazenada nos
ossos longos.

7. TIPOS DE ESQUELETOS
Nos animais, podemos encontrar dois tipos de esqueleto:
• exoesqueleto: recobre externamente o corpo de algumas
espécies de animais e insetos. Exemplos: joaninha, besou-
ro, gafanhoto, o casco do tatu e da tartaruga, entre outros.
• endoesqueleto: é o mais comum dos esqueletos e pode
ser encontrado na maioria dos animais. Na espécie hu-
mana, sua estrutura pela evolução migrou para dentro do
corpo, sendo recoberto por camadas de pele. Exemplos:
macacos, cavalos, pássaros, entre outros.
Podemos ainda encontrar as seguintes nomenclaturas sobre
os tipos de esqueleto:
1) esqueleto articulado: quando há a união entre os ossos;
2) esqueleto desarticulado: quando os ossos estão separa-
dos, geralmente encontrados nos laboratórios de anato-
mia para estudo individual de cada estrutura;

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60 © Anatomia Humana Geral

3) esqueleto articulado natural: quando as uniões dos ossos


são feitas por tecidos do próprio corpo (articulações íntegras);
4) esqueleto articulado artificial: quando os ossos são uni-
dos por peças metálicas (encontrado geralmente em es-
queletos sintéticos);
5) esqueleto articulado misto: quando há a utilização de
peças não autólogas, ou seja, de indivíduos diferentes,
ou misturando peças artificiais com naturais, como hor-
tenses, próteses, entre outros, e articulações autólogas,
de um mesmo indivíduo ou tipo.

8. CLASSIFICAÇÃO DOS OSSOS


O sistema esquelético é subdividido em esqueleto axial e es-
queleto apendicular.
A porção mediana, ao longo do eixo longitudinal, é composta
pelos ossos da cabeça, do pescoço e do tronco e é chamada esque-
leto axial. Para enriquecer ainda mais seu estudo e compreensão,
assista ao vídeo que fala sobre o esqueleto axial.
Ligados a essa porção mediana por meio de cinturas, cín-
gulo ou raiz, encontramos os membros (superiores e inferiores),
que constituem o esqueleto apendicular, que pode ser visualizado
no vídeo "Esqueleto Apendicular Superior" e no vídeo "Esqueleto
Apendicular Inferior" ao final desta obra.

Esqueleto axial: 80 ossos


O esqueleto axial forma o eixo do corpo humano, isto é, a
sua porção mediana, constituída pelos ossos do crânio, da cavida-
de torácica e da coluna vertebral, como a seguir:
1) Cranioneural (8 ossos): frontal, parietal, occipital, tem-
porais, esfenoide e etmoide.
2) Craniovisceral (14 ossos): nasais, lacrimais, maxilares, zi-
gomáticos, palatinos, conchas nasais inferiores, mandíbu-
la e vômer. Observe as Figuras 1A e 1B. Com o objetivo de
fixar tais conceitos, assista ao vídeo "Ossos da cabeça".
© U2 -Estudo do Aparelho Musculoesquelético 61

A B
Figura 1A e 1B Ossos do neurocranio e viscerocranio.

3) Hioide (1 osso) e audição (6 ossos).


4) Coluna vertebral:
• Vértebras cervicais (7) – Figura 2:
a) 1ª vértebra cervical (C1 ou atlas);
b) 2ª vértebra cervical (C2 ou áxis);
c) 3ª vértebra cervical (C3);
d) 4ª vértebra cervical (C4);
e) 5ª vértebra cervical (C5);
f) 6ª vértebra cervical (C6);
g) 7ª vértebra cervical (proeminente ou C7).

Figura 2 Vértebra cervical.

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62 © Anatomia Humana Geral

• Vértebras torácicas (12) – Figura 3:


a) 1ª vértebra torácica (T1);
b) 2ª vértebra torácica (T2);
c) 3ª vértebra torácica (T3);
d) 4ª vértebra torácica (T4);
e) 5ª vértebra torácica (T5);
f) 6ª vértebra torácica (T6);
g) 7ª vértebra torácica (T7);
h) 8ª vértebra torácica (T8);
i) 9ª vértebra torácica (T9);
j) 10ª vértebra torácica (T10);
k) 11ª vértebra torácica (T11);
l) 12ª vértebra torácica (T12).

Figura 3 Vértebra torácica.

• Vértebras lombares (5) – Figura 4:


a) 1ª vértebra lombar (L1);
b) 2ª vértebra lombar (L2);
c) 3ª vértebra lombar (L3);
d) 4ª vértebra lombar (L4);
e) 5ª vértebra lombar (L5).
© U2 -Estudo do Aparelho Musculoesquelético 63

Figura 4 Vértebra lombar.

• Vértebras sacrais (S1-5, fundidas), como se pode observar


na Figura 5.

Figura 5 Vértebra sacral ou osso sacro.

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64 © Anatomia Humana Geral

• Vértebras coccígeas (5 fundidas):


a) 1ª vértebra coccígea (5);
b) 2ª vértebra coccígea;
c) 3ª vértebra coccígea;
d) 4ª vértebra coccígea.

Para que você possa visualizar e ouvir os comentários em relação


à coluna vertebral, assista aos vídeos: Vértebra Athas, Vértebra
Áxis, Vértebra Cervical, Vértebra Torácica e Vértebra Lombar, dis-
ponibilizados em seu Material Didático Mediacional deAnatomia
Humana Geral do curso de Bacharelado em Educação Física.

5) Caixa torácica (24 costelas):


• 7 costelas verdadeiras (1ª-7ª);
• 3 falsas (8ª-10ª);
• 2 flutuantes (11ª-12ª).
Esterno (1), ilustrado na Figura 6.

Figura 6 Ossos da caixa torácica.

Esqueleto apendicular (126 ossos).


Membro superior (64 ossos).
Raiz ou cintura escapular (escápula e clavícula), a qual pode-
mos visualizar na Figura 7.
© U2 -Estudo do Aparelho Musculoesquelético 65

Figura 7 Ossos da cintura escapular.

Braço (úmero) – (Figura 8).

Figura 8 Osso do braço.

Antebraço (rádio e ulna). Observe o antebraço, nas Figuras 9 e 10.

Figuras 9 e 10 Ossos do antebraço.

Mão (8 carpos, 5 metacarpos, 14 falanges), como menciona-


da nas Figuras 11, 12 e 13.

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66 © Anatomia Humana Geral

Figuras 11, 12 e 13 Ossos da mão.

Membro inferior (62).


Raiz ou cintura pélvica (2 ossos do quadril ou púbis). Veja
Figura 14.
Coxa (fêmur), ilustrada na Figura 15.

Figura 14 Ossos da cintura pélvica.


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Figura 15 Osso da coxa.

Patela (Figura 16).

Figura 16 Osso patela.

Perna (tíbia e fíbula), como podemos observar nas Figuras


17 e 18.

Figuras 17 e 18 Ossos da perna.

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68 © Anatomia Humana Geral

Pé (7 tarsos, 5 metatarsos e 14 falanges) – Figuras 19, 20 e 21.

Figura 19, 20 e 21 Ossos do pé.

Para a construção do seu conhecimento, é importante que os ví-


deos: Ossos Costelas, Ossos Esternos, Esqueleto Apendicular
Superior, Cintura Escapular, Ossos do Braço, Ossos do Antebraço,
Ossos do Esqueleto Apendicular Inferior, Cintura Pélvica, Fêmur e
Joelho, Coxa e Joelho e Ossos da Perna, disponibilizados neste
material didático, sejam analisados e compreendidos, com a finali-
dade de um melhor entendimento do texto apresentado.

9. NÚMERO DE OSSOS
O desenvolvimento orgânico completa-se no indivíduo adul-
to, idade na qual o esqueleto humano está composto de aproxima-
damente 206 ossos.
Conforme alguns fatores, como fatores etários (do nascimento
à senilidade o número diminui) e fatores individuais (persistência da
divisão de alguns ossos, ossos extranumerários ou supranumerários),
o número total de ossos do esqueleto humano pode sofrer variações.

10. CLASSIFICAÇÃO MORFOLÓGICA DOS OSSOS


Para classificarmos os ossos morfologicamente, devemos
utilizar a predominância de uma das dimensões do osso (compri-
mento, largura e espessura) sobre as outras duas.
© U2 -Estudo do Aparelho Musculoesquelético 69

Ossos longos
O comprimento predomina sobre a largura e a espessura.
Apresenta um canal medular em seu interior e também possui
como característica a presença de duas extremidades chamadas
epífises, ligadas por um corpo denominado diáfise.
O desenvolvimento completo do osso longo ocorre antes dos
21 anos. É possível visualizar entre as epífises e a diáfise uma zona
cartilaginosa denominada de disco epifisial ou epifisário, respon-
sável pelo crescimento do osso em comprimento.
Como exemplo de ossos longos, temos: clavícula, rádio, fíbu-
la, metacarpo etc.
Alguns autores subdividem os ossos longos em ossos alonga-
dos, que são os ossos onde o comprimento excede a largura e a espes-
sura, mas não apresentam canal medular, como no caso da costela.

Ossos curtos
Nos ossos curtos, existe uma equivalência de suas três di-
mensões. Exemplo: ossos do carpo e ossos do tarso.
1) Ossos planos, ou laminares: são os ossos onde o com-
primento e a largura se equivalem, predominando sobre
a espessura. Exemplo: osso da calota craniana (frontal,
parietal e occipital), escápula e osso do quadril.
2) Ossos irregulares: são os ossos que apresentam uma
caracterização muito específica ou complexa. Exemplo:
vértebras, temporal, mandíbula, maxila etc.
3) Pneumáticos: são ossos que geralmente possuem mor-
fologia irregular, contendo, no seu interior, uma ou mais
cavidades, revestidas de mucosa e contendo ar. Exem-
plos: seios paranasais, maxila, esfenoide, etmoide, o
temporal e o frontal.
4) Sesamoides: são ossos que se desenvolvem na substân-
cia de certos tendões ou da cápsula fibrosa de certas ar-
ticulações. Exemplo: patela.

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Alguns ossos são classificados em mais de um grupo, devido


a suas peculiaridades. Exemplo: o osso frontal é um osso plano e
pneumático, a maxila é irregular e pneumática.

11. O OSSO E SUAS ESTRUTURAS


Em cada osso que iremos estudar, encontraremos várias es-
truturas, chamadas acidentes ósseos. Elas são importantes porque
cada acidente ósseo é responsável por alguma origem ou inserção
de músculo, ligamento, tendão, cápsula articular, além de também
dar apoio para vasos sanguíneos. Conforme Moore (2006), os aci-
dentes ósseos podem ser classificados em:
1) Capítulo: cabeça articular pequena e arredondada.
Exemplo: capítulo do úmero. Observe a Figura 22.

Figura 22 Capítulo.

2) Côndilo: local arredondado em pares. Exemplo: côndilo


tibial, como mostra a Figura 23.
© U2 -Estudo do Aparelho Musculoesquelético 71

Figura 23 Côndilo.

3) Crista: crista do osso. Exemplo: crista ilíaca. Podemos


observar essa classificação na Figura 24.

Figura 24 Crista.

4) Epicôndilo: estrutura encontrada acima de um côndilo.


Exemplo: epicôndilo medial do úmero (Figura 25).

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72 © Anatomia Humana Geral

Figura 25 Epicôndilo.

5) Fóvea (Figura 26): região plana ou com uma leve de-


pressão, geralmente recoberta por cartilagem articular.
Exemplo: fóvea da cabeça do rádio.

Figura 26 Fóvea.

6) Forame: canal através de um osso. Exemplo: forame ob-


turado. Para melhor compreensão, observe a Figura 27.
© U2 -Estudo do Aparelho Musculoesquelético 73

Figura 27 Forame.

7) Fossa: área que apresenta uma depressão. Exemplo: fos-


sa olecraniana. Veja a Figura 28.
8) Sulco (Figura 29): depressão ou escavação alongada.
Exemplo: sulcos intertuberculares do úmero.

Figura 28 Fossa. Figura 29 Sulco.

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74 © Anatomia Humana Geral

9) Cabeça: extremidade articular grande e arredondada.


Exemplo: cabeça do fêmur. Veja Figura 30.

Figura 30 Cabeça.

10) Linha: elevação linear. Exemplo: linha pectínea do fê-


mur. Para enriquecer seu estudo, observe a linha pela
Figura 31.

Figura 31 Linha.
© U2 -Estudo do Aparelho Musculoesquelético 75

11) Maléolo (Figura 32): processo arredondado. Exemplo:


maléolo tibial.

Figura 32 Maléolo.

12) Incisura (Figura 33): entalhe na borda de um osso. Exem-


plo: incisura isquiática maior.

Figura 33 Incisura.

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76 © Anatomia Humana Geral

13) Protuberância (Figura 34): local específico elevado.


Exemplo: protuberância occipital externa.

Figura 34 Protuberância.

14) Espinha (Figura 35): processo semelhante a um espinho.


Exemplo: espinha da escápula.

Figura 35 Espinha.
© U2 -Estudo do Aparelho Musculoesquelético 77

15) Processo espinhoso (Figura 36): parte que se projeta se-


melhante a um espinho. Exemplo: processo espinhoso
de uma vértebra.

Figura 36 Processo espinhoso.

16) Trocânter (Figura 37): elevação grande e arredondada.


Exemplo: trocânter maior do fêmur.

Figura 37 Trocânter.

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17) Tróclea (Figura 38): processo articular arredondado que


possui movimentos de deslizamento parecidos com o de
uma roldana. Exemplo: tróclea do rádio.

Figura 38 Tróclea.

18) Tubérculo (Figura 39): estrutura elevada, porém, peque-


na. Exemplo: tubérculo maior do úmero.

Figura 39 Tubérculo.
© U2 -Estudo do Aparelho Musculoesquelético 79

19) Tuberosidade (Figura 40): região com algumas ranhuras


levemente elevadas. Exemplo: tuberosidade isquiática.

Figura 40 Tuberosidade.

12. INERVAÇÃO E VASCULARIZAÇÃO ÓSSEA


Os ossos, diferentemente da cartilagem articular, são rica-
mente vascularizados graças a um ou mais forames em cada corpo
ósseo, responsáveis por levar artérias e veias para seu interior.
Pelo forame nutrício podemos encontrar a artéria nutrícia e
a veia nutrícia. Ao longo dos ossos do tipo longo, as artérias divi-
dem-se, formando vários ramos longitudinais, que irão irrigar não
apenas a medula óssea, mas também as regiões onde podemos
encontrar as substâncias esponjosa e compacta.
Porém, os ossos não são vascularizados apenas pela artéria
nutrícia. O periósteo, como já citado, é uma estrutura ricamente
vascularizada e envia vários ramos de suas artérias para a região

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80 © Anatomia Humana Geral

externa do osso, sendo a principal fonte de nutrientes para as re-


giões de substância compacta.
Esses ramos, provenientes das artérias periosteais, passam
por um sistema de canais dentro do osso compacto chamado Sis-
tema de Hanvier. Esses canais facilitam a entrada das artérias e
veias que irão conduzir o sangue.
O osso mais vascularizado que podemos encontrar no corpo
humano é o osso do quadril. Por outro lado, sua inervação óssea é
totalmente escassa, encontrada apenas no periósteo. Fraturas ósseas
simples em que não há lesão no periósteo não provocam dor, agra-
vando ainda mais o quadro da fratura. Já o periósteo, por sua vez, é
altamente sensível por sua vasta inervação a tensões e rupturas.

13. ARTROLOGIA GERAL, OU JUNTURA GERAL


Articulações, ou junturas, são uniões funcionais entre os di-
ferentes ossos do esqueleto, permitindo, por meio de suas estru-
turas, uma combinação de força e flexibilidade.
Quando dizemos que um osso se articula com outro, isso sig-
nifica que os dois ossos formam uma articulação, ou seja, uma ar-
ticulação é um ponto de contato entre os ossos e suas respectivas
cartilagens.
Por meio de suas formas estruturais, as articulações promo-
vem tanto movimentos livres como muito ajustados. No entanto,
quanto mais "apertada" a articulação, o movimento se torna mais
restrito; e quanto mais frouxa a articulação, há maior tendência ao
deslocamento dos ossos articulares.
A movimentação da articulação depende das estruturas dos
ossos, da tensão ligamentar e muscular. As articulações podem ser
classificadas estruturalmente, com base em suas características
anatômicas e funcionais, por meio dos tipos de movimentos que
elas permitem.
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14. CLASSIFICAÇÃO MORFOLÓGICA DAS ARTICULAÇÕES


A classificação das articulações baseia-se na presença ou au-
sência de uma cavidade articular (espaço entre os ossos) quanto
ao tipo de tecido conjuntivo que mantém os ossos juntos.
As articulações podem ser classificadas em três tipos, levan-
do-se em consideração os critérios estabelecidos, como:
• a presença de tecido conjuntivo fibroso;
• a união dos ossos;
• a presença ou não da cavidade articular.
Dentre essas especificações, temos as classificações que seguem.

Articulações fibrosas
Nas articulações fibrosas, os ossos são mantidos juntos por
um tecido conjuntivo fibroso. Esse tipo de articulação merece
destaque por não apresentar uma cavidade articular e, por conse-
quência, não permitir o movimento (sinartrose). Existem três tipos
de junturas fibrosas:

Sindesmose
A sindesmose é um tipo de juntura fibrosa, sendo caracteri-
zada por suas faces articulares dos ossos, apresentado uma distân-
cia entre eles, que será unida por um tecido fibroso e, desse modo,
é possível muito pouco movimento. Um exemplo de sindesmose é
a articulação distal entre a tíbia e a fíbula (articulação tibiofibular)
e entre o rádio e a ulna, como mostra a Figura 41. Esse tipo de
articulação é classificada como uma anfiartrose, por permitir uma
leve amplitude de movimento.

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82 © Anatomia Humana Geral

Figura 41 Sindesmose.

Na classificação funcional, essas articulações não apresen-


tam movimentos, ou seja, elas são imóveis, pois não apresentam
cavidade articular e o elemento de união não é um líquido, mas
um tecido conjuntivo fibroso.

Sutura
A sutura é uma articulação que apresenta uma fina camada
de tecido conjuntivo fibroso denso.
As suturas unem os ossos do crânio. Possuem margens irre-
gulares que proporcionam força adicional ao encaixe, diminuindo
a chance de fraturas.
Na classificação funcional, esse tipo de juntura é classificada
como sinartrose, devido à ausência de mobilidade, apresentando
um tecido conjuntivo fibroso e não uma cavidade articular. Divide-
-se em:
1) Sutura denteada: determinada pelas saliências em for-
ma de dentes. Encontrada entre os ossos parietais.
2) Sutura serreada (Figura 42): suas bordas ósseas são em
forma de uma serra. Encontrada entre as duas porções
dos ossos frontais.
© U2 -Estudo do Aparelho Musculoesquelético 83

Figura 42 Sutura serreada.

3) Sutura plana (Figura 43): a borda dos ossos que se articu-


lam dispõe-se de forma retilínea. Encontrada entre as ma-
xilas ou entre as partes horizontais dos ossos palatinos.

Figura 43 Sutura plana.

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4) Sutura escamosa (Figura 44): determinada pela margem dos


ossos em forma de escamas e pela linha semicircular, sepa-
rando os ossos parietais da porção superior do temporal.

Figura 44 Sutura escamosa.

Gonfose
A gonfose também é chamada de articulação em cavilha. É
caracterizada pelo seu encaixe ser de forma cônica, ou seja, uma
estrutura em forma de um cone se encaixa em uma cavidade.
Um exemplo desse tipo de articulação está presente nas raí-
zes dos dentes com os encaixes dos processos alveolares das maxi-
las e da mandíbula. Nesse tipo de articulação, existe um interposto
entre a raiz do dente e seu encaixe em um tecido conjuntivo fi-
broso denso. Essa articulação é classificada funcionalmente como
uma sinartrose, por não apresentar movimentações significativas.
Funcionalmente, essas articulações são imóveis, pois não
apresentam cavidade articular (espaço entre os ossos) e o elemen-
to de união é um tecido conjuntivo fibroso.
© U2 -Estudo do Aparelho Musculoesquelético 85

Articulações cartilaginosas
É o tipo de articulação em que, nas extremidades ósseas dos
ossos articulantes, está presente uma fina estrutura chamada de
cartilagem (fibrocartilagem, ou cartilagem hialina). Nesta, os ossos
são fortemente unidos, permitindo, assim, pouco ou nenhum mo-
vimento. Os dois tipos de articulação cartilaginosa são:

Sincondrose
A sincondrose (Figura 45) é um tipo de articulação em que
a união dos ossos articulantes é feita pela cartilagem hialina (car-
tilagem epifisial). É classificada como articulação sinartrose. Esta
é temporária, porque a cartilagem é convertida em uma estrutura
óssea antes mesmo da idade adulta.
A sincondrose está presente na epífise de crescimento com a
junção da diáfise dos ossos longos, entre o osso occipital e o esfenoi-
de, na fase do nascimento (sincondrose esfeno-occipital), e, também,
entre as dez primeiras costelas e suas respectivas cartilagens costais.

Figura 45 Sincondrose.

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86 © Anatomia Humana Geral

Na classificação funcional, essa articulação é imóvel, pois


não apresenta cavidade articular, o elemento de união não é um
líquido, mas composto por tecido conjuntivo fibrocartilaginoso e
cartilagem hialina.

Sínfise
A sínfise (Figura 46) é determinada devido às extremidades
dos ossos articulantes serem cobertas por cartilagem hialina, po-
rém, nesta existe um disco largo (disco fibrocartilaginoso) inter-
posto entre os ossos articulantes.
Esses discos, por serem compressíveis, permitem que a sínfi-
se absorva impactos. Exemplos de sínfise púbica: entre as superfí-
cies anteriores dos ossos do quadril por meio do disco interpúbico,
e a articulação entre os corpos vertebrais pelo disco intervertebral.
Essa última articulação é classificada funcionalmente como uma
anfiartrose, ou seja, uma articulação levemente móvel.

Figura 46 Sínfise.

Na classificação funcional, essas articulações são imóveis,


pois não apresentam cavidade articular, e o elemento de união
não é um líquido, mas composto de tecido conjuntivo fibrocartila-
ginoso e cartilagem hialina.
© U2 -Estudo do Aparelho Musculoesquelético 87

Articulações sinoviais
As articulações sinoviais diferem-se das demais articulações
devido à presença da cavidade articular entre os ossos articulantes.
Por isso, a movimentação desse tipo de articulação ocorre livremen-
te em seus planos articulares, sendo considerada uma diartrose.
Essas articulações apresentam estruturas que agem na ma-
nutenção fisiológica, mecânica e funcional, listadas a seguir:

Para entender melhor sobre as articulações sinoviais, assista ao


vídeo "Estruturas Básicas da Juntura Sinovial", neste material di-
dático.

• Cartilagem articular (Figura 47): recobre, por meio da


cartilagem hialina, os ossos articulantes, agindo na dimi-
nuição dos impactos entres os ossos no decorrer de uma
movimentação e na absorção de choques.

Figura 47 Cartilagem articular.

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88 © Anatomia Humana Geral

• Cápsula articular (Figura 48): circunda uma articulação sino-


vial, envolvendo a cavidade articular e unindo os ossos arti-
culantes. A cápsula articular é composta por duas camadas,
a membrana fibrosa e a membrana sinovial. A membrana
fibrosa, que se encontra externamente ao osso e se fixa no
periósteo dos ossos articulantes, promove uma grande pro-
teção a essa estrutura porque as fibras da cápsula articular
têm a capacidade de oporem resistência a uma tensão, além
de possuírem uma amplitude fisiológica. A outra camada, a
membrana sinovial (Figura 49), tem como principal função
a secreção da sinóvia, um fluido viscoso que reduz o atrito,
lubrificando a articulação, nutrindo a cartilagem articular e re-
movendo os metabólitos do interior da cartilagem articular.

Figura 48 Cápsula articular.

Figura 49 Membrana sinovial.


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• Cavidade articular (Figura 50): espaço presente entre as


duas extremidades ósseas que permite uma movimenta-
ção livre dessas articulações.

Figura 50 Cavidade articular.

Elementos anexos das articulações sinoviais


As principais articulações sinoviais podem conter um ou
mais elementos anexos. Veja, a seguir:
• Ligamentos: os ligamentos intracapsulares se encontram den-
tro da cápsula articular e os ligamentos extracapsulares, fora.
Agem na manutenção da fisiologia articular normal entre os
ossos. São compostos por feixes de colágenos e elastina, que
permitem, respectivamente, resistência e leve elasticidade.
• Bursas: são pequenas quantidades de fluidos embolsados
entre os tendões e os ossos, com a função de diminuir o
atrito entre os tendões e os músculos sobre as proemi-
nências ósseas, além de acolchoar o movimento das es-
truturas corporais.

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90 © Anatomia Humana Geral

• Discos articulares, ou meniscos: são coxins de fibrocar-


tilagem situados entre as faces articulares dos ossos. Fi-
xam-se à cápsula articular, permitindo que dois ossos de
formas diferentes se encaixem mais firmemente. Ajudam
na manutenção da estabilidade da articulação e auxiliam
no fluxo da sinóvia. O exemplo mais comum desse tipo de
estrutura são os meniscos do joelho.

Classificação morfológica das articulações sinoviais


Os movimentos articulares dependem dos tipos de estrutu-
ras articulares. No entanto, as diferentes faces articulares variam
e, por esse motivo, diversos tipos de movimento são permitidos
por essas articulações.
Devido a esse fator, as articulações sinoviais são divididas em
subgrupos:
1) Articulação plana, ou juntura sinovial plana (Figura 51):
permite somente movimentos deslizantes de um lado
para o outro ou para a frente e para trás, devido às faces
articulares dos ossos serem planas ou levemente curvas.
A limitação desse tipo de movimento é feita pelos liga-
mentos ou processos ósseos dispostos ao redor da arti-
culação. Exemplos: articulações intercarpais, esternocla-
viculares e as articulações acromioclaviculares.
© U2 -Estudo do Aparelho Musculoesquelético 91

Figura 51 Juntura sinovial plana.

2) Articulação gínglimo, ou juntura sinovial gínglima (Fi-


gura 52): ocorre devido ao encaixe de uma extremidade
óssea convexa com outra côncava. Essa articulação per-
mite movimentos em um único plano articular, com mo-
vimentos angulares de abertura e fechamento similares
aos de uma dobradiça. Exemplos: articulações do joelho,
cotovelo, tornozelo e interfalangianas.

Figura 52 Juntura sinovial gínglima.

3) Articulação trocóidea, ou juntura sinovial trocóidea (Fi-


gura 53): é caracterizada por uma superfície esferoide

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ou pontiaguda de um osso que se articula com um anel


formado por outro osso e por ligamentos. Permite um
movimento de rotação em torno de seu próprio eixo.
Exemplos: articulação atlantoaxial, que permite a movi-
mentação da cabeça e radioulnar, que permite a rotação
da palma da mão para cima e para baixo.

Figura 53 Juntura Sinovial Trocoide.

4) Articulação elipsóidea, ou condilar (também conheci-


da como juntura sinovial condilar (Figura 54): estrutura
convexa de um osso que se articula com um osso côn-
cavo. Permite movimentos para cima e para baixo e de
um lado para o outro. Exemplos: articulação do pulso e
articulações metacarpofalangeanas.

Figura 54 Juntura sinovial condilar.


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5) Articulação selar, ou juntura sinovial selar (Figura 55):


similar a um cavaleiro montado em seu cavalo, uma arti-
culação em forma de sela articula-se com outra por meio
de um encaixe. Permite movimentos de um lado para o
outro, para cima e para baixo. Exemplo: articulação car-
pometacárpica do trapézio com o metacarpo do polegar.

Figura 55 Juntura sinovial selar.

6) Articulação esferoide, ou juntura sinovial esferoide (Fi-


gura 56): ocorre onde uma face articular esférica (em
forma de uma esfera) se encaixa em uma depressão ou
cavidade de outro osso. Exemplos: no ombro, entre o
úmero e a cavidade glenoide, e no osso do quadril, entre
o fêmur e o acetábulo.

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94 © Anatomia Humana Geral

Figura 56 Juntura sinovial esferoide.

Classificação funcional das articulações


O primeiro critério para as articulações sinoviais é que elas per-
mitem grande mobilidade e apresentam a cavidade articular (super-
fície articular de uma articulação) juntamente com o líquido sinovial.
Um segundo critério é a quantidade de eixos anatômicos que
essas articulações utilizam para realizar seus movimentos. Esse cri-
tério pode ser denominado de classificação funcional.
Dessa forma, as articulações podem ser classificadas em:
• Monoaxial: quando a movimentação ocorre apenas em
torno de um eixo, apresentando um único grau de liber-
dade. Exemplos: articulação do cotovelo, que permite so-
mente movimentos de flexão e extensão, e articulações
do tipo gínglimo e trocoide.
• Biaxial: quando a movimentação é sustentada em tor-
no de dois eixos, apresentando dois graus de liberdade.
Exemplos: articulações condilar e selar, que realizam mo-
© U2 -Estudo do Aparelho Musculoesquelético 95

vimentação de extensão, flexão, adução e abdução. A ar-


ticulação condilar está localizada no punho ou na articula-
ção temporomandibular (ATM), já a articulação selar está
localizada no polegar.
• Briaxial: quando a movimentação é sustentada em torno
de três eixos; apresentando, portanto, três graus de liber-
dade. Exemplo: articulações do tipo esferoide, no ombro
e no quadril, que apresentam movimentação de flexão,
extensão, abdução, adução e rotação.

Caso julgue necessário, reveja as figuras sobre a classificação


morfológica ou anatômica das articulações sinoviais.

Classificação quanto ao número de superfície articular


Nessa classificação, levamos em consideração o número de
contato da superfície articular que participa da articulação. São
dois tipos:
• Articulação sinovial simples: ocorre quando somente um
par de superfícies articulares se faz presente. Exemplo:
articulação interfalangiana, entre as falanges proximal e
distal do polegar.
• Articulação sinovial composta: ocorre quando há mais
de duas superfícies articulares. Exemplo: articulação do
cotovelo (contato da superfície articular do úmero com a
ulna e o rádio).
• Articulação complexa: ocorre quando há presença do
disco articular ou de um menisco que se interpõe às su-
perfícies articulares, dividindo a cavidade articular par-
cialmente. Exemplos: articulação do joelho e articulação
temporomandibular (ATM).

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96 © Anatomia Humana Geral

Tipos de movimentos das articulações sinoviais


As articulações sinoviais apresentam uma movimentação caracte-
rística, relacionada à direção do movimento ou à relação de estruturas
no decorrer do movimento. Esses tipos de movimentos se dividem em:
• Deslizamento: é quando uma articulação com superfície pla-
na se movimenta de um lado para o outro, para trás e para a
frente. Essa amplitude de movimento é limitada pelas estru-
turas que promovem um mau encaixe articular. Esse tipo de
articulação não apresenta um eixo de movimentação.
• Movimentos angulares: são caracterizados por altera-
ções dos ângulos articulares no decorrer da execução do
movimento. Os principais movimentos angulares são:
a) Flexão: neste tipo de movimento, ocorre uma dimi-
nuição do ângulo dos ossos articulantes e há apro-
ximação entre as estruturas. Exemplos: a inclinação
da cabeça rumo ao peito, a movimentação do úmero
para a frente (na flexão ombro), e a movimentação do
fêmur para a frente (na flexão do quadril).
b) Extensão: neste tipo de movimento, ocorre um au-
mento do ângulo dos ossos articulantes e um afasta-
mento das estruturas. Exemplos: a inclinação da ca-
beça para trás, a movimentação do úmero para trás
(extensão do ombro) e a movimentação do fêmur
para trás (extensão quadril).
c) Abdução: movimentação realizada afastando o seg-
mento da linha mediana do corpo (linha que divide o
corpo em duas partes). Os principais exemplos desse
caso são a movimentação lateral do úmero para cima
(abdução do ombro) e a movimentação lateral do fê-
mur para cima (abdução do quadril).
d) Adução: movimentação realizada aproximando o seg-
mento da linha mediana do corpo. O principal exem-
plo desse caso é a movimentação medial do úmero
em direção à linha mediana do corpo (adução do om-
bro) e a movimentação medial do fêmur em direção à
linha mediana do corpo (adução do quadril).
© U2 -Estudo do Aparelho Musculoesquelético 97

e) Circundação: movimentação de forma circular da


parte distal de um segmento do corpo. Esta é mais
limitada na articulação do quadril, devido à grande
tensão muscular e ligamentar.
f) Rotação: este movimento ocorre, quando um osso
gira ao redor de seu próprio eixo. Exemplo: rodar a
cabeça de um lado para o outro, para expressar uma
negativa.
Movimentos especiais: movimentos restritos somente a al-
gumas articulações:
a) Elevação: movimentação para cima de um segmento
do corpo. Exemplo: fechar a boca e encolher os ombros
(eleva escápula).
b) Depressão: movimentos para baixo de um segmento do
corpo. Exemplo: abrir a boca (deprime a mandíbula) ou
abaixar os ombros (deprime a escápula).
c) Protração: movimento para a frente de um segmento do
corpo. Exemplo: quando cruza os braços (anterioriza as
clavículas) ou quando empurra a mandíbula para a frente.
d) Retração : movimento para trás de um segmento do cor-
po. Exemplo: quando se empurra a mandíbula para trás.
e) Inversão: medialização da planta do pé. Exemplo: quan-
do as plantas dos pés ficam voltadas uma para a outra.
f) Eversão: lateralização da planta do pé. Exemplo: quando
as plantas dos pés ficam voltadas para fora.
g) Dorsiflexão: flexão do pé rumo ao seu dorso. Exemplo: quan-
do uma pessoa se mantém em pé sobre os calcanhares.
h) Flexão plantar: flexão do pé rumo à planta do pé. Exem-
plo: quando uma pessoa se mantém em pé nas pontas
dos dedos.
i) Supinação: primordial na definição da posição anatômi-
ca. Ocorre principalmente na articulação radioulnar (an-
tebraço), fazendo com que a palma da mão seja virada
para a frente ou para cima.
j) Pronação: ocorre principalmente na articulação radiou-
lnar (antebraço), fazendo com que a palma da mão seja
virada para trás ou para baixo.

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98 © Anatomia Humana Geral

15. MIOLOGIA
É uma parte da anatomia segmentar que tem como objetivo
estudar os músculos do corpo humano.
Os músculos não agem apenas para movimentação, mas
também constituem partes importantes de vários sistemas, como:
sistema circulatório, digestório, genital, urinário e tegumentar.
A capacidade de reagir em resposta a uma modificação do
meio ambiente constitui uma das propriedades fundamentais
dos seres unicelulares, por exemplo, a ameba, que se movimenta
quando estimulada.
Já na escala zoológica dos seres multicelulares e, portanto,
superiores, certas células diferenciam-se para realizar funções es-
pecíficas, como aquelas que se diferenciam para realizar contra-
ções e relaxamento, chamadas células musculares. Essas células
ficam agrupadas em feixes para formar um conglomerado macros-
cópico, o músculo, que se acha fixo pelas suas extremidades.
Assim, músculos são estruturas que movem os segmentos
do corpo por encurtamento da distância que existe entre suas ex-
tremidades fixadas, ou seja, por contração.
Dentro do aparelho locomotor, constituído pelos ossos, jun-
turas e músculos, esses últimos são os elementos ativos do movi-
mento, enquanto que os ossos são elementos passivos do movi-
mento. A musculatura não só assegura a dinâmica, mas também a
estática do corpo, ou seja, ela torna possível o movimento, assim
como permite que as peças ósseas fiquem unidas, determinando
a posição e postura do esqueleto.
As células musculares derivam de células mesenquimais em
vários locais do embrião, produzindo tipos diferentes de músculos:
músculo estriado cardíaco, músculo liso e músculo esquelético.
© U2 -Estudo do Aparelho Musculoesquelético 99

Variedade de músculos
A célula muscular está normalmente sob controle do sistema
nervoso.
O nervo motor, responsável pela transmissão de impulso
originada no sistema nervoso, penetra no músculo e se subdivide
em vários pontos conhecidos como placas motoras, que permiti-
rão a difusão dos impulsos motores com consequente movimenta-
ção do músculo, ou seja, realizando a contração muscular.
O impulso nervoso motor para a contração resulta de um ato
da nossa vontade. Diz-se que o músculo é voluntário. Se, porém,
esse impulso é originado em uma área do sistema nervoso que
foge à nossa vontade, isto é, onde não temos controle consciente
(hipotálamo), diz-se que esse músculo é involuntário.
Os músculos voluntários distinguem-se histologicamente
dos involuntários por apresentarem estriações transversais. Por
isso, são chamados de músculos estriados, enquanto que os mús-
culos involuntários, por não apresentarem essas estriações, são
chamados de músculos lisos.
Existe um músculo chamado músculo cardíaco (Figura 57),
que se assemelha histologicamente ao músculo estriado, mas sua
ação é comandada igualmente à dos músculos involuntários, já
que é inervado por nervos motores que saem da área do sistema
nervoso, fora do controle da nossa consciência, ou seja, do sistema
nervoso visceral ou autônomo.

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100 © Anatomia Humana Geral

Figura 57 Músculo cardíaco.

Outra característica para diferenciar os músculos estriados dos li-


sos é sua topografia. Os músculos voluntários são encontrados fixos no
esqueleto por meio de pelo menos uma de suas extremidades, enquan-
to os músculos involuntários formam as paredes de nossas vísceras. Por
isso, são respectivamente denominados de esqueléticos e viscerais.
Mas existem exceções: por exemplo, podem ser encontrados
músculos estriados em algumas vísceras, ao mesmo tempo em que
alguns músculos lisos são submetidos ao controle da nossa vontade.

Componentes do músculo estriado esquelético


Os músculos esqueléticos (Figura 58) típicos possuem uma parte
média e extremidades. A parte média é onde encontramos os grupa-
mentos celulares do músculo, constituindo o ventre muscular ou ven-
tre carnoso, enquanto as extremidades apresentam a forma de fitas ou
lâminas e constituem, respectivamente, os tendões ou as aponeuroses.
© U2 -Estudo do Aparelho Musculoesquelético 101

Figura 58 Músculo esquelético.

Somente o ventre muscular tem a propriedade de contração,


já os tendões e as aponeuroses funcionam apenas como cordas
de tração das partes que estão sendo movimentadas pela ação da
contração do ventre muscular.
Os tendões e as aponeuroses têm um aspecto esbranquiça-
do e brilhante, muito resistentes e inextensíveis, constituídos de
tecido conjuntivo denso fibroso (fibras de colágeno), sendo res-
ponsáveis pela fixação dos músculos ao esqueleto. Também po-
dem se fixar nas cartilagens, nas cápsulas articulares, nos septos
musculares, na derme (pele) ou em outros tendões.
Sobre os músculos do nosso corpo existe uma lâmina de te-
cido conjuntivo fibroso denominada fáscia muscular. Sua espessu-
ra varia de acordo com o músculo que ela reveste, ou seja, quanto
mais potente for o músculo, mais desenvolvida será a fáscia.
A fáscia permite que o músculo realize sua contração eficien-
temente, contendo e dando apoio, para que essa função se realize
plenamente. Por isso ela é uma bainha elástica de contenção. Ela
também permite o deslizamento de um músculo sobre outro du-
rante sua ação conjunta.

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102 © Anatomia Humana Geral

A fáscia pode prolongar-se e formar os septos intermusculares


que passam entre um músculo e outro e vão se fixar no esqueleto.
Esses septos são encontrados nos membros superiores e inferiores.

Conceito de origem e inserção dos músculos


Didaticamente convencionou-se chamar de origem a extre-
midade do músculo que se encontra presa ao osso que não se des-
loca durante a contração, isto é, a parte fixa. Em contraposição, a
inserção é a extremidade do músculo que se prende à peça óssea
que se desloca e, portanto, a parte móvel.
Geralmente, nos membros, a origem do músculo é proximal,
enquanto a inserção é distal, já no tronco se pode dizer que a ori-
gem está próxima ou em direção ao esqueleto axial, e a inserção
está próxima ou em direção ao esqueleto apendicular. Esses pon-
tos de origem e inserção para certos músculos podem se inverter,
porque eles são conceituados em função da ação muscular.

Classificação dos músculos esqueléticos estriados


O músculo esquelético é caracterizado de várias maneiras,
conforme sua constituição: forma e arranjo das fibras, número de
origens e inserções e número de ventres musculares.
Pode, ainda, ser classificado funcionalmente, de acordo com
sua ação:
Quanto à forma ou morfologia: os músculos apresentam
classificações de acordo com sua morfologia:
a) Nos músculos longos (Figura 59), o comprimento predo-
mina sobre a largura e a espessura; suas fibras musculares
convergem para os tendões nas extremidades e tomam
o aspecto fusiforme. Exemplo: o músculo braquial é clas-
sificado como um músculo longo, ele está localizado no
membro superior, na região do braço anteriormente.
© U2 -Estudo do Aparelho Musculoesquelético 103

Figura 59 Músculo longo.

b) Nos músculos planos ou largos (Figura 60), o compri-


mento e a largura predominam sobre a espessura; suas
fibras convergem para um só tendão ou extremidade
e tomam o aspecto de um leque. Exemplo: o músculo
glúteo máximo é classificado como um músculo plano e
está localizado no membro inferior na região glútea.

Figura 60 Músculo Plano.

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104 © Anatomia Humana Geral

c) Os músculos quadrados apresentam quatro lados idên-


ticos. Exemplo: músculo pronador quadrado.
d) Os músculos circulares ou esfinctéricos envolvem as
aberturas e os orifícios naturais do corpo. Exemplos:
músculo que circunda um óstio (abertura), fechando-o
quando está em contração; músculo orbicular da boca.
Quanto ao arranjo das fibras: a função do músculo é condi-
cionada ao arranjo das fibras. De um modo geral, o músculo tem
suas fibras dispostas de forma paralela ou oblíqua à direção de tra-
ção exercida, quando ele se contrai. Podem ser classificadas em:
a) Fusiformes (Figura 61): são as fibras dispostas paralela-
mente e convergindo para os tendões nas extremidades.

Figura 61 Músculo fusiforme.

b) Aspecto de leque: neste caso, as fibras convergem para


um só tendão. Figura 63 – músculo plano
c) Fibra oblíqua: se prende respectivamente a uma ou duas
bordas do tendão, e, por isso, tem o aspecto peniforme,
sendo denominada de músculo unipenado (Figura 62),
bipenado (Figura 63) e semipenado (Figura 64).
© U2 -Estudo do Aparelho Musculoesquelético 105

Figura 62 Unipenado.

Figura 63 Bipenado.

Figura 64 Semipenado.

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106 © Anatomia Humana Geral

Quanto à origem: os músculos se originam por mais de um


tendão:
a) Bíceps (Figura 65): apresenta duas "cabeças" ou origens
diferentes e uma única inserção. Exemplo: músculo bí-
ceps braquial.

Figura 65 Músculo bíceps.

b) Tríceps (Figura 66): apresenta três origens diferentes e


uma única inserção. Exemplo: músculo tríceps sural.

Figura 66 Músculo tríceps.


© U2 -Estudo do Aparelho Musculoesquelético 107

c) Quadríceps (Figura 67): apresenta quatro origens dife-


rentes e uma única inserção. Geralmente é encontrado
nos membros superiores e inferiores. Exemplo: músculo
quadríceps femoral.

Figura 67 Músculo quadríceps.

Quanto à inserção: igualmente ao disposto anteriormente,


os músculos podem se inserir por um ou mais tendões:
a) Unicaudado (Figura 68): quando possui um único tendão.
Exemplo: O músculo vasto medial é classificado como um
músculo unicaudado e está localizado no membro inferior, na
região anterior da coxa; ela faz parte do músculo quadríceps.

Figura 68 Músculo unicaudado.

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108 © Anatomia Humana Geral

b) Bicaudado: quando possui dois tendões. Exemplo: O mús-


culo reto femoral é classificado como um músculo bicauda-
do e está localizado no membro inferior, na região anterior
da coxa; ela faz parte do músculo quadríceps.
c) Policaudado (Figura 69): quando possui três ou mais ten-
dões. Exemplo: músculo flexor longo dos dedos da mão.

Figura 69 Músculo policaudado.

Quanto ao ventre muscular: alguns músculos apresentam


mais de um ventre muscular, com um tendão intermediário situa-
do entre eles. Seguem:
a) Digástricos (Figura 70): pois possuem dois ventres. O múscu-
lo digástrico está localizado na região inferior da mandíbula.
© U2 -Estudo do Aparelho Musculoesquelético 109

Figura 70 Músculo digástrico.

b) poligástricos (Figura 71): possui mais de três ventres


musculares. Exemplo: músculo reto abdominal.

Figura 71 Músculo poligástrico.

Quanto à ação do músculo: dependendo da ação princi-


pal resultante da contração do músculo, ele pode ser classificado
como: flexor, extensor, adutor, abdutor, rotador medial, rotador la-
teral, pronador, supinador, flexor plantar, flexor dorsal, depressor

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110 © Anatomia Humana Geral

ou abaixador, levantador ou elevador, orbicular, esfíncter, dilata-


dor, tensor, retrator ou protrator, eversor e inversor.

Ação muscular e a classificação funcional dos músculos


esqueléticos
É extremamente complexo avaliar determinado movimento,
mesmo o mais simples.
Para a realização de determinado movimento, é necessário
que um grupo de músculos realize ações. Uns promovem o movi-
mento principal, outros agem fixando ou estabilizando uma parte
oposta ao movimento, enquanto outros, ainda, relaxam-se para
permitir uma extensão maior.
Nunca encontraremos um único músculo realizando um mo-
vimento, mas um grupo de músculos trabalhando sinergicamente
entre si. Em determinado movimento sempre existe um músculo
principal (motor primário), enquanto os demais apenas colabo-
ram no movimento (motor secundário).
O músculo primário é denominado de músculo agonista.
Aqueles que se contraem para estabilizar as partes que se movi-
mentam, impedindo os movimentos indesejáveis, são os músculos
sinergistas.
Os que se contraem para manter a postura são denominados
de músculos posturais, como os ligados à coluna vertebral.
Se um músculo se contrai e outro se opõe ao seu trabalho
para regular a rapidez ou a potência da sua contração, este último
é considerado um músculo antagonista.

Inervação e nutrição dos músculos


Vimos que a atividade muscular é controlada pelo sistema
nervoso central. Nenhum músculo pode contrair-se, se não rece-
ber estímulo por meio de impulsos nervosos que "caminham" pe-
los nervos motores espinhais e cranianos.
© U2 -Estudo do Aparelho Musculoesquelético 111

Se acaso o nervo for seccionado, o músculo deixa de funcio-


nar e se atrofia. Por outro lado, qualquer lesão no sistema nervo-
so central, nos pontos de comando voluntários (conscientes) dos
músculos de todo o corpo também promove paralisias irreversí-
veis, que impedem, assim, a movimentação dos músculos.
Para trabalhar, os músculos necessitam, evidentemente, de
uma considerável quantidade de energia. Eles recebem eficiente su-
primento sanguíneo através de uma ou mais artérias que penetram
no seu interior e ramificam-se intensamente, formando um extenso
leito capilar. Tanto os nervos como as artérias penetram pela face
profunda do músculo, pois assim estarão mais protegidos.

Conceitos sobre músculos


• Unidade muscular: é uma célula, ou seja, a miofibrila,
que pode ser do tipo estriado, liso ou cardíaco.
• Unidade motora: é o conjunto de fibras musculares de-
pendentes de um mesmo neurônio motor. O número de
unidades motoras varia de um músculo para outro, bem
como varia o número de fibras musculares de uma unida-
de motora para outra.

Anexos dos músculos


Os elementos a seguir estão presentes nos músculos esque-
léticos estriados. Vamos agora estudar esses elementos:
1) Tendão: é constituído por fibras colágenas paralelas en-
tre si, resistentes e inextensíveis. Pode ser terminal ou
intermediário, quando se encontra, respectivamente,
nas extremidades ou entre os ventres musculares.
2) Bainha sinovial: está localizada nas regiões onde os ten-
dões têm de passar pelos anéis osteofibrosos. É formada
por dois folhetos: um interno, revestido por epitélio, e
outro externo, fibroso.
3) Bolsa sinovial: produz o líquido sinovial para facilitar o
deslizamento dos tendões dentro de outras estruturas.

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112 © Anatomia Humana Geral

4) Septo muscular: pode ser chamado também de septo


intermuscular. Na verdade, é um desdobramento da fás-
cia muscular que separa um músculo do outro.
5) Anexo fibroso: é a fáscia e a aponeurose.
6) Bainha tendinosa, ou fibrosa: é uma lâmina de tecido
conjuntivo fibroso que envolve a bainha sinovial e ajuda
a conter o líquido sinovial.
Terminamos com o assunto sobre o aparelho locomotor. Es-
peramos que você já tenha adquirido novos conhecimentos sobre
este tema, pois ele estará presente em sua formação acadêmica.

16. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS


Confira, a seguir, as questões propostas para verificar o seu
desempenho no estudo desta unidade:
1) Defina articulação ou juntura.

2) Explique as características morfológicas que classificam as junturas em: fibro-


sas (ou sinartroses), cartilaginosas (ou anfiartroses) e sinoviais (ou diartroses).

3) Explique a característica anatômica e a classificação funcional das junturas


fibrosas e cartilaginosas.

4) Explique anatomofuncionalmente a cápsula articular, incluindo: porção fi-


brosa, membrana sinovial e cartilagem articular.

5) Explique anatomofuncionalmente a cavidade articular e o líquido sinovial.

6) Explique anatomofuncionalmente os ligamentos capsular, extracapsular e


intracapsular, o disco articular, o menisco e o lábio articular.

7) Explique a classificação anatomofuncional das junturas sinoviais esferoide, con-


dilar (ou bicondilar), elipsoide, selar, ginglímo (ou dobradiça), trocoide e plana.

8) Conceitue miologia.

9) Diferencie anatomofuncionalmente os tipos musculares estriado esqueléti-


co, estriado cardíaco e liso (ou visceral).

10) Explique, no músculo estriado esquelético, o tendão, o ventre e a aponeurose.

11) Explique anatomofuncionalmente a origem e a inserção de um músculo.


© U2 -Estudo do Aparelho Musculoesquelético 113

12) Explique a classificação dos músculos quanto às dimensões: longo, largo e


em fita (ou cestoide).

13) Explique a classificação dos músculos quanto ao número de cabeças de ori-


gem: bíceps (2), tríceps (3) e quadríceps (4).

14) Explique a classificação dos músculos quanto ao número de inserções (uni-


caudado e policaudado).

15) Explique a classificação dos músculos quanto ao número de ventres (digás-


trico e poligástrico).

16) Explique a classificação dos músculos quanto à disposição das fibras em re-
lação ao tendão: fusiforme e penados (unipenado, bipenado, semipenado e
multipenado).

17. CONSIDERAÇÕES
Nesta unidade sobre o aparelho musculoesquelético, estu-
damos os principais ossos, articulações e músculos que formam o
corpo humano.
O educador físico precisa ter um embasamento teórico des-
se aparelho para poder, no próximo semestre, estudar topografi-
camente, os sistemas dos ossos, das articulações e dos músculos,
relacionados em suas regiões.
Na próxima unidade, estudaremos o sistema sanguífero, que
será importante para o funcionamento desse aparelho para ocor-
rer o movimento humano. Até lá!

18. E-REFERÊNCIAS

Sites pesquisados
AULA de anatomia: o site de anatomia mais visitado do Brasil. Homepage. Disponível em:
<http://www.auladeanatomia.com>. Acesso em: 21 jan. 2013.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE ANATOMIA. Disponível em: <http://www.sbanatomia.org.
br/>. Acesso em: 21 jan. 2013.

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114 © Anatomia Humana Geral

19. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


DANGELO, J. G.; FATTINI, C. A. Anatomia humano sistêmica e segmentar. 3. ed. São Paulo:
Atheneu, 2007.
MOORE, K. L.; AGUR, A. M. R. Fundamentos de anatomia clínica. 2. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2004.
MOORE, K. L.; AGUR, A. M. R. Anatomia orientada para a clínica. 6. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2011.
SNELL, R. S. Anatomia clínica para estudantes de medicina. 6. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2011.
TORTORA, G. J.; GRABOWSKI, S. R. Corpo humano: fundamentos de anatomia e fisiologia.
6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.
EAD
Sistema Cardiovascular
ou Sistema
Sanguífero
3
1. OBJETIVOS
• Conhecer e descrever o principal órgão (coração) do siste-
ma externamente e internamente.
• Compreender e identificar a pequena e a grande circulação.
• Descrever a condução elétrica do coração.

2. CONTEÚDOS
• O coração e suas estruturas interna e externa.
• Os revestimentos do coração (pericárdio, miocárdio e en-
docárdio).
• As circulações do corpo humano (grande e pequena cir-
culação).
• As principais artérias e veias do coração e do corpo humano.
• O automatismo cardíaco ou a condução elétrica do coração.
116 © Anatomia Humana Geral

3. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE


Antes de iniciar o estudo desta unidade, é importante que
você leia as orientações a seguir:
1) Nesta unidade, estudaremos o conteúdo teórico dispo-
nibilizado na sua Sala de Aula Virtual, na qual está sua
apostila teórica e as figuras para a sua observação. Para
melhor compreensão desse assunto, você também po-
derá ler a obra Anatomia Humana Sistêmica e Segmen-
tar, de Dangelo e Fattini (2000).
2) Para a construção do seu conhecimento, é importan-
te que os conceitos e os exemplos sejam analisados e
compreendidos, com a finalidade de melhorar o enten-
dimento do texto apresentado. Não deixe dúvidas para
trás, elas o impedirão de caminhar com sucesso!
3) Nosso ambiente de comunicação estará permanentemen-
te aberto, por isso, participe a qualquer momento e motive
seus colegas na construção colaborativa do conhecimento.

4. INTRODUÇÃO À UNIDADE
Podemos dividir o sistema sanguífero anatomicamente, nas
seguintes partes:
• Sistema sanguífero propriamente dito (coração, artérias
e veias).
• Sistema linfático (órgãos linfáticos-linfonodos, vasos linfá-
ticos e troncos linfáticos).
• Órgãos que produzem as células sanguíneas (timo, baço
e medula óssea).
Para estudar esta unidade, devemos relacionar a grande e
a pequena circulação (onde elas começam, onde elas terminam,
quais artérias e veias fazem parte delas, qual tipo de sangue passa
por elas, venoso ou arterial?). Pois na unidade anterior, estudamos
o aparelho locomotor, e ele precisa de nutrientes, oxigênio e forma-
ção de novas células sanguíneas para o seu funcionamento correto.
Bons estudos!
© U3 - Sistema Cardiovascular ou Sistema Sanguífero 117

5. O CORAÇÃO
O coração é um órgão que apresenta 4 cavidades ocas que
são capazes de bombear o sangue para as estruturas corporais,
esse sistema propulsiona o sangue para todo o corpo humano e
permite trocas por todos os sistemas, levando os nutrientes e ga-
ses para o meio intersticial de forma apropriada. Essa estrutura
apresenta três músculos que formam todo o complexo cardíaco. O
coração é subdividido em três tipos de tecido denominados: peri-
cárdio, miocárdio e endocárdio.

Para melhor compreensão, assista ao vídeo "Cavidades Cardía-


cas", disponibilizado a você neste Material Didático.

• Epicárdio, ou Pericárdio Seroso Visceral: uma camada


externa fina (mesotélio) formada pela lâmina visceral do
pericárdio seroso. Também encontramos o pericárdio
fibroso externamente, e formando uma parede interna
desse pericárdio fibroso, temos o pericárdio seroso parie-
tal, como podemos observar na Figura 1.

Figura 1 Pericárdio seroso visceral.

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118 © Anatomia Humana Geral

• Miocárdio: uma camada intermediária de tecido muscu-


lar com característica cardíaca helicoidal e espessa.
• Endocárdio: uma camada interna helicoidal e fina, forma-
da por músculo cardíaco (Figura 2).

Figura 2 Miocárdio e endocárdio.

As paredes do coração consistem principalmente em mio-


cárdio espesso, sobretudo nos ventrículos.
Quando os ventrículos se contraem, eles produzem um movi-
mento de torção devido à orientação helicoidal dupla das fibras mus-
culares cardíacas (TORRENT-GUASP et al., 2001). Esse movimento
ocorre, para que o sangue seja ejetado dos ventrículos, enquanto a
camada espiral externa (basal) contrai, movimentos esses que ocor-
rem em dois sentidos: primeiro, estreitando os ventrículos pela con-
tração do septo interventricular, e depois, encurtando a musculatura,
reduzindo o volume das câmaras ventriculares por desenvolver força
e pressão capaz de empurrar o sangue para fora do sistema. A con-
tração sequencial contínua da camada espiral interna (apical) alonga
o coração, seguida por alargamento, enquanto o miocárdio relaxa ra-
pidamente, aumentando o volume das câmaras para retirar sangue
© U3 - Sistema Cardiovascular ou Sistema Sanguífero 119

dos átrios. As fibras musculares estão fixadas ao esqueleto fibroso


do coração. Essa é uma estrutura complexa de colágeno denso que
forma quatro anéis fibrosos (L., anuli fibrosi) que circundam os óstios
das válvulas, um trigono fibroso direito e outro esquerdo (formados
por conexões entre os anéis), e as partes membranáceas dos septos
interatrial e interventricular. O esqueleto fibroso do coração:
• Mantém os ósteos das valvas atrioventriculares e artérias
permeáveis, impedindo que ocorra uma distenção exces-
siva do sistema por um aumento do volume de sangue
que será bombeado através das câmaras.
• Oferece fixação para as válvulas (folhetos) das valvas.
• Oferece fixação para o miocárdio, que, quando não-espi-
ralado, forma uma faixa miocárdica ventricular contínua
que se origina, principalmente, no anel fibroso da valva
do tronco pulmonar e se insere, principalmente, no anel
fibroso da valva da aorta (TORRENT-GUASP et al., 2001).
• Forma um "isolante" elétrico, separando os impulsos con-
duzidos mioentericamente dos átrios e ventrículos, de
forma que estes se contraiam independentemente, cir-
cundando e fornecendo passagem para a parte inicial do
feixe AV do complexo estimulante do coração.
O coração e os grandes vasos da base estão localizados no in-
terior do saco pericárdico e posteriormente ao esterno, cartilagens
costais e extremidades anteriores da 3ª à 5ª costelas do hemicor-
po esquerdo. Essas estruturas estão situadas de forma oblíqua a
dois terços para o lado esquerdo e um terço do plano mediano.
Se você voltar o rosto para a esquerda cerca de 45° sem girar
os ombros, a rotação da sua cabeça é semelhante à rotação do cora-
ção em relação ao tronco. Externamente, os átrios são demarcados
dos ventrículos pelo sulco coronário, ou atrioventricular (L., sulcus),
e os ventrículos direito e esquerdo são separados pelos sulcos in-
terventriculares (IV) anterior e posterior. O coração assemelha-se a
uma forma trapezoide em uma vista anterior ou posterior, entretanto,

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120 © Anatomia Humana Geral

ao se olhar em três dimensões, nota-se um formato piramidal, com


seu ápice tombado (voltado anteriormente e para esquerda), nota-
-se também uma base (oposta ao ápice, na maioria das vezes voltada
posteriormente) e quatro lados, como podemos visualizar na Figura 3.

Figura 3 Base e ápice do coração.

O ápice do coração:
• É formado pela parte ínfero-lateral do ventrículo esquerdo.
• Situa-se posterior ao 5º espaço intercostal esquerdo em
adultos, em geral a aproximadamente 9 cm (a largura de
uma mão) do plano mediano.
• Permanece imóvel durante todo o ciclo cardíaco.
• Região que apresenta os mais audíveis sons de Korotkoff
(batimento do coração). Assista ao vídeo "Coração", que
demonstra o ápice do coração.
• A base do coração:
• É a face posterior do coração (oposta ao ápice).
• Região formada pelo átrio esquerdo e uma pequena por-
ção do direito. Encontra-se voltada posteriormente para
a região dos corpos vertebrais T6-T9 e separada pelo pe-
ricárdio, seio pericárdico oblíquo, esôfago e pela aorta.
© U3 - Sistema Cardiovascular ou Sistema Sanguífero 121

• Acende-se superiormente para a bifurcação do tronco


pulmonar e inferiormente até o sulco coronário.
• Apresenta um local de receptação para as veias pulmonares
nos lados direito e esquerdo em sua porção atrial esquerda
e as veias cavas superior e inferior no antímero direito, loca-
lizadas superiormente e inferiormente na parte atrial direita.
• Face esternocostal (anterior): formada principalmente
pelo ventrículo direito.
• Face diafragmática (inferior): constituída pelo ventrículo
esquerdo e parte do ventrículo direito próximo ao tendão
central do diafragma.
• Face pulmonar direita: formada principalmente pelo
átrio direito.
• Face pulmonar esquerda: formada principalmente pelo
ventrículo esquerdo; forma a impressão cardíaca do pul-
mão esquerdo.
• Margem direita (ligeiramente convexa): formada pelo
átrio direito e estendo-se entre a VCS e VCI.
• Margem inferior (oblíqua, quase vertical): formada prin-
cipalmente pelo ventrículo direito e por pequena parte
do ventrículo esquerdo.
• Margem esquerda (quase horizontal): constituído pelo ven-
trículo esquerdo e por pequena parte da aurícula esquerda.
• Margem superior: integrada pelos átrios e aurículas direi-
tos e esquerdos em vista anterior; a aorta ascendente e o
tronco. O tronco pulmonar, com aproximadamente 5 cm de
comprimento e 3 cm de largura, é a continuação arterial do
ventrículo direito e divide-se em artérias pulmonares direita
e esquerda. O tronco e as artérias pulmonares conduzem o
sangue pouco oxigenado para oxigenação nos pulmões.

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122 © Anatomia Humana Geral

Átrio direito
A região cardíaca situada na porção superior e direita do co-
ração é caracterizada como átrio direito (Figura 4), permitindo que
o coração receba sangue venoso (desoxigenado) das veias cavas
superiores, inferiores e seio coronário. Ao visualizar a morfologia
dessa estrutura pelo lado externo, nota-se uma região com apa-
rência similar a uma orelha, formada por bolsa muscular cônica
que se origina no átrio direito, permitindo a construção de uma
câmara extra para aumentar a capacidade do átrio, essa estrutura
é denominada aurícula direita, ilustrada na Figura 5.

Figura 4 Átrio direito.


© U3 - Sistema Cardiovascular ou Sistema Sanguífero 123

Figura 5 Aurícula direita.

• O átrio direito é constituído de uma parte posterior lisa,


com paredes finas (seio das veias cavas), construindo um
ponto de canalização para receber o sangue provindo das
veias cavas e o seio coronariano.
• A região anterior do átrio direito é constituída por múscu-
los pectíneos, caracterizando a expressão rugosa encon-
trada na estrutura. Abaixo dessa região, encontra-se um
osteo atrioventricular localizado para facilitar a passagem
do sangue desoxigenado para o ventrículo direito.
As regiões lisas e ásperas encontradas na região atrial são
separadas por: sulco vertical superficial (externamente), cris-
ta terminal (internamente). Essas estruturas apresentam essa
morfologia uma vez que a veia cava superior se converge para
a região superior do átrio direito sobre a região da 3ª cartila-
gem costal direita. A veia cava inferior desemboca na porção in-
ferior do átrio direito próximo da 5ª cartilagem costal, jogando
o sangue de encontro ao da veia cava superior. Outra estrutura
fundamental na região do átrio direito é denominada óstio do
seio coronário, essa estrutura anatômica é uma receptora das

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124 © Anatomia Humana Geral

veias cardíacas e encontra-se entre o óstio atriventricular e a veia


cava inferior. Finalmente, para realizar a divisão entre os átrios,
encontra-se uma parede denominada septo interatrial, com uma
depressão oval caracterizada pelo seu tamanho próximo da im-
pressão digital de um polegar, definida como fossa oval (L., fossa
ovalis), que se desenvolve a partir do forame oval (L., forame
ovale), encontradas nos fetos (Figura 6).

Figura 6 Estruturas do átrio direito.

Assista ao vídeo explicativo sobre o "Átrio Direito". Isso o auxiliará


no seu entendimento.

Ventrículo direito
A estrutura localizada inferiormente ao átrio direito é deno-
minada ventrículo direito pela sua distribuição, a estrutura recebe
o sangue desoxigenado advindo do óstio atrioventricular direi-
to (localizado sobre o esterno ao nível do 4º a 5º espaço costal),
essa região é responsável por preencher a maior porção da face
esternocostal do coração, margem inferior do coração e pequena
área na face diafragmática, como podemos observar na Figura 7.
Ao visualizar a parte superior do ventrículo direito do coração, é
possível notar uma região caracterizada como cone arterial (in-
© U3 - Sistema Cardiovascular ou Sistema Sanguífero 125

fundíbulo), local que se encontra a porção visível do tronco pul-


monar. Nessa região do cone arterial, ao se visualizar por um corte
transversal, nota-se uma união de quatro ósteos: atriventriculares
direito/esquerdo, do tronco pulmonar e aórtico. Essas estruturas
são circundadas por anéis fibrosos, formando o esqueleto fibroso
do coração, estrutura que permite a manutenção constante da luz
do vaso "calibre" (permitindo a dilatação similar a até três pontas
dos dedos advindas de pressão variada).

Figura 7 Ventrículo direito.

Além das funções apresentadas do esqueleto fibroso, ele


também tem a importante função de servir como inserção ao re-
dor dos ósteos atrioventriculares para as valvas atrioventricula-
res. As valvas são estruturas importantes para o funcionamento da
mecânica cardíaca e são semelhantes a paraquedas, apresentando
cordas fixas denominadas cordas tendíneas. As cordas são estru-
turas que saem do ápice dos músculos papilares, apresentam uma
morfologia cônica e vão se inserir nas válvulas.
Os músculos papilares, por sua vez, ao se unirem às cordas
tendíneas, realizam sua função de forma antecipada à contração
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126 © Anatomia Humana Geral

do ventrículo direito, fato esse que possibilita manter uma tensão


nas cordas e, concomitantemente, mantém certa força sobre as
válvulas, impedindo que elas entrem em prolapso (abrir para den-
tro do átrio direito), gerado pelo aumento de pressão existente
nos ventrículos. Observe a Figura 8:

Figura 8 Estruturas do ventrículo direito.

Finalmente, dentre as estruturas do ventrículo direito, en-


contra-se no plano mediano do coração uma espessa estrutura
muscular membranácea denominada septo interventricular (SIV),
essa estrutura é importante, pois além de realizar a divisão en-
tre os dois ventrículos, permite manter as pressões equilibradas
dentro do coração, mantendo o sangue em seu respectivo trajeto.
Para facilitar seu entendimento sobre esse assunto, assista ao ví-
deo "Ventrículo Direito".
O átrio direito contrai-se, quando o ventrículo está vazio e
relaxado; assim, o sangue é forçado a passar através desse orifício
para o ventrículo direito, afastando como cortinas as válvulas da val-
va atrioventricular direita. O sangue apresenta um caminho dentro
do átrio direito, advindo da porção posterior da estrutura, indo para
© U3 - Sistema Cardiovascular ou Sistema Sanguífero 127

o ventrículo para sair pelo tronco pulmonar localizado na porção su-


perior e à esquerda da câmara, realizando uma trajetória em "U",
modificando sua trajetória a 140°. O óstio de entrada (AV) e o óstio
de saída (pulmonar) estão distantes aproximadamente 2 cm.

Átrio esquerdo
A estrutura morfológica localizada na região superior e es-
querda do coração, responsável por constituir a maior parte da
base dele; é denominada átrio esquerdo, estrutura que é compos-
ta pelas veias pulmonares, direita e esquerda. No embrião, há ape-
nas uma veia pulmonar (Figura 9) comum, e, também, somente
um tronco pulmonar. A parede dessa veia e de quatro de suas tri-
butárias foram incorporadas à parede do átrio esquerdo, da mes-
ma forma que o seio venoso foi incorporado ao átrio direito. A par-
te da parede derivada da veia pulmonar embrionária tem paredes
lisas. Com a função de aumentar o tamanho do átrio esquerdo,
a aurícula esquerda (Figura 9) é constituída por tecido muscular
denominado músculos pectíneos que são caracterizados pela sua
forma tubular, constituindo espaços chamados trabéculas. Repre-
senta aos remanescentes da parte esquerda do átrio primordial
(Moore e Persaud, 2003). O átrio esquerdo, assim como o direito,
apresenta a fossa oval e diferencia-se por enviar o sangue oxigena-
do provindo dos pulmões para o ventrículo esquerdo.

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128 © Anatomia Humana Geral

Figura 9 Aurícula esquerda.

Ventrículo esquerdo
Essa estrutura se torna fundamental por constituir grande
parte da face esquerda, face diafragmática, margem esquerda e
ápice do coração. Como a pressão arterial é muito maior na circu-
lação sistêmica do que na circulação pulmonar, essa região passa
ser mais exigida pelo coração comparada ao seu ventrículo contra-
lateral. Veja a Figura 10:

Figura 10 Ventrículo esquerdo.


© U3 - Sistema Cardiovascular ou Sistema Sanguífero 129

Ao se visualizar a região interna do ventrículo esquerdo, en-


contram-se importantes estruturas morfológicas que são:
• O endocárdio da região ventricular esquerda apresenta-
-se mais desenvolvido (espesso), quando comparado ao
ventrículo contralateral.
• A câmara (cavidade) do ventrículo esquerdo encontra-se
mais alongada e cônica por necessitar realizar mais força
do que o ventrículo direito.
• O tecido muscular anterior e posterior dos músculos pa-
pilares anteriores e posteriores são mais desenvolvidos
em comparação ao ventrículo contralateral.
• O ventrículo esquerdo apresenta uma importante ca-
racterística que se dá pela sua valva atrioventricular es-
querda (mitral) – ilustrada na Figura 11, contendo apenas
duas válvulas em comparação ao ventrículo direito, con-
tendo três válvulas.

Figura 11 Valva mitral.

A valva mitral é uma importante estrutura do ventrículo es-


querdo, recebendo esse adjetivo por sua morfologia ser similar
a mitra usada por bispos (chapéu), essa estrutura se apresenta

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130 © Anatomia Humana Geral

próxima da quarta cartilagem costal. Os músculos e suas cordas


sustentam a valva atrioventricular esquerda, permitindo que as
válvulas resistam à pressão desenvolvida durante as contrações
(bombeamento) do ventrículo esquerdo. Este permite que o san-
gue realize uma mudança na direção de um ângulo reto para uma
modificação de 180° que permitira a sua saída na artéria aorta.

Válvulas da aorta e do tronco pulmonar


Diferente do sistema de válvulas apresentado até o momen-
to, as que são encontradas na região do tronco pulmonar e aorta
são desprovidas de cordas tendíneas, são menores e em formato
côncavo, quando vistas superiormente sendo similar a um bolso,
quando ela se encontra fechada. Essa configuração existente se
apresenta pela menor pressão gerada sobre essas estruturas em
comparação aos ventrículos. A pressão exercida sobre esse siste-
ma é importante por ser o mecanismo capaz de fechar as válvu-
las durante a diástole, tendo em vista que a pressão ventricular
é transferida para aorta em menor intensidade, porém levando o
sangue de volta para o coração. Entre a válvula semilunar e a pa-
rede das artérias, encontram-se espaços denominados seios, e o
seio da aorta permite a abertura de dois ósteos que permitem a
origem das principais artérias coronarianas que irão irrigar todo o
coração.

Vascularização e inervação do coração


O sistema cardíaco é uma estrutura muscular que também
necessita de vascularização e inervação, sendo suprido e inerva-
do (respectivamente) pelas artérias coronarianas, veias cardíacas
e controles simpáticos e parassimpáticos do sistema nervoso pe-
riférico. Entretanto, existe uma região do coração que não há ne-
cessidade de vascularização feita por artérias e veias, a região do
endocárdio (tecido subendocárdico) recebe oxigênio e nutrientes
diretamente por difusão sanguínea.
© U3 - Sistema Cardiovascular ou Sistema Sanguífero 131

Suprimento arterial do coração


As artérias coronárias são estruturas advindas dos primeiros
ramos da aorta e vascularizam o miocárdio e epicárdio. As artérias
coronárias suprem os átrios e os ventrículos; entretanto, os ramos
atriais geralmente são pequenos e não são facilmente observados
num coração de cadáver. A distribuição ventricular de cada artéria
coronária não é bem delimitada.
A primeira artéria que podemos verificar no coração é de-
nominada artéria coronária direita (ACD), essa estrutura parte do
seio da aorta direito, indo para o lado direito do tronco pulmonar
sobre o sulco coronário.
A ACD, ao passar do lado direito e estar sobre o sulco coroná-
rio, ramifica-se no ramo marginal direito, essa estrutura permite
vascularizar toda a margem direita do coração em sentido ápice.
Após emitir esse ramo, a ACD vira para a esquerda e continua o
sulco coronário até a face posterior do coração.
O domínio da artéria coronária direita é mais comum (aproxi-
madamente 67%); a artéria coronária direita dá origem ao grande
ramo interventricular posterior, que desce no sulco IV posterior
em direção ao ápice do coração. Essa estrutura anatômica vascula-
riza ambos os ventrículos e permite que se crie os ramos interven-
triculares septais perfurantes que ficarão nas regiões dos sulcos
interventriculares. Assim, no padrão mais comum de distribuição,
a ACD supre a face diafragmática do coração.
Resumindo, nota-se que a ACD vai vascularizar:
• Porções do ventrículo direito.
• Átrio direito.
• Porções do ventrículo esquerdo.
• Nó sinoatrial (60% da população mundial).
• Terço posterior do septo interventricular.
• Nó atrioventricular (80% da população mundial).

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132 © Anatomia Humana Geral

No lado esquerdo do coração, encontram-se outras artérias,


sendo a principal a artéria coronária esquerda (ACE), que também
se origina no seio da aorta e passa ir ao lado esquerdo do coração
pelo sulco coronariano, ramificando-se em ramo interventricular
anterior e ramo circunflexo.
O ramo circunflexo da ACE, menor, segue o sulco coronário
ao redor da margem esquerda do coração até a sua face posterior.
A artéria marginal esquerda, um ramo do ramo circunflexo, segue
a margem esquerda do coração e supre o ventrículo esquerdo. Na
maioria das vezes, o ramo circunflexo da ACE termina no sulco co-
ronário, na face posterior do coração, antes de chegar à cruz, mas
em aproximadamente um terço dos corações, continua como um
ramo que segue dentro do sulco IV posterior ou adjacente a ele.
Normalmente, a ACE supre:
• O átrio esquerdo.
• A maior parte do ventrículo esquerdo.
• Parte do ventrículo direito.
• A maior parte do SIV (geralmente seus dois terços ante-
riores), incluindo o feixe AV do complexo estimulante do
coração, através de seus ramos IV septais perfurantes.
• O nó SA (em aproximadamente 40% das pessoas).

Variações das Artérias Coronárias


É comum haver variações nos padrões de ramificação e distri-
buição das artérias coronárias. No padrão dominante direito mais
comum, presente em aproximadamente 67% das pessoas, a ACD e
a ACE compartilham, aproximadamente, igualmente, o suprimento
sanguíneo do coração. Em cerca de 15% dos corações, a ACE é do-
minante, porque o ramo IV posterior é um ramo da artéria circun-
flexa. Há co-dominância em cerca de 18% das pessoas, nas quais os
ramos da artérias coronárias direita e esquerda chegam à cruz e dão
origem a ramos que seguem no sulco IV posterior ou próximo dele.
Algumas pessoas possuem apenas uma artéria coronária. Em outras
© U3 - Sistema Cardiovascular ou Sistema Sanguífero 133

pessoas, o ramo circunflexo origina-se do seio da aorta direito. Apro-


ximadamente 4% das pessoas têm uma artéria coronária acessória.

Circulação Colateral Coronariana


Os ramos das artérias coronárias geralmente são conside-
rados artérias terminais, artérias que suprem regiões do miocár-
dio que não possuem anastomoses suficientes com outros gran-
des ramos para manter a viabilidade do tecido caso haja oclusão.
Entretanto, há anastomose entre ramos das artérias coronárias,
subepicárdicos ou miocárdicos, e entre essas artérias e os vasos
extracardíacos, como os vasos torácicos (Williams et al., 1995).
Existem anastomoses entre as terminações das artérias coronárias
direita e esquerda no sulco coronário e entre os ramos IV ao redor
do ápice em cerca de 10% dos corações aparentemente normais.
Provavelmente, há possibilidade de desenvolvimento dessa circu-
lação colateral na maioria dos corações, se não em todos.

Drenagem venosa do coração


O coração é drenado principalmente por veias que se abrem
no seio coronário e, parcialmente, por pequenas veias que drenam
para o átrio direito. O seio coronário, a principal veia do coração,
é um canal venoso largo que segue da esquerda para a direita na
parte posterior do sulco coronário. O seio coronário recebe a veia
cardíaca magna em sua extremidade esquerda e a veia interven-
tricular posterior e veias cardíacas parvas em sua extremidade di-
reita. A veia posterior do ventrículo esquerdo e a veia marginal
esquerda também se abrem no seio coronário.

Drenagem linfática do coração


Os vasos linfáticos no miocárdio e no tecido conjuntivo su-
bendocárdico seguem até o plexo linfático subepicárdico. Os va-
sos desse plexo seguem até o sulco coronário e seguem as artérias
coronárias. Um único vaso linfático, formado pela união de vários

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134 © Anatomia Humana Geral

vasos provenientes do coração, ascende entre o tronco pulmonar


e o átrio esquerdo e termina nos linfonodos traqueobrônquicos
inferiores, geralmente no lado direito.
A veia cardíaca magna é a principal tributária do seio coroná-
rio. Sua primeira parte (veia interventricular anterior) começa per-
to do ápice do coração e ascende como o ramo IV anterior da ACE.
No sulco coronário, vira-se para a esquerda, e sua segunda parte
segue ao redor do lado esquerdo do coração com o ramo circunfle-
xo da ACE para chegar ao seio coronário. (Aqui está havendo uma
situação incomum: o sangue está fluindo na mesma direção em um
par formado por artéria e veia!). A veia cardíaca magna drena as
áreas do coração supridas pela ACE. A veia IV posterior acompanha
o ramo interventricular posterior (geralmente originado da ACD),
e uma veia cardíaca parva acompanha o ramo marginal direito da
ACD. Assim, essas duas veias drenam a maior parte das áreas co-
mumente supridas pela ACD. A veia oblíqua do átrio esquerdo (de
Marshall) é um vaso pequeno, relativamente sem importância após
o nascimento, que desce sobre a parede posterior do átrio esquer-
do e funde-se à veia cardíaca magna para formar o seio coronário
(definindo o início do seio). A veia oblíqua é o remanescente da VCS
esquerda embrionária, que geralmente atrofia durante o período
fetal, mas algumas vezes persiste em adultos, substituindo ou au-
mentando a VCS direita (MOORE; PERSAUD, 2003).
Algumas veias cardíacas não drenam através do seio coro-
nário. Algumas veias anteriores do ventrículo direito começam
sobre a face anterior do ventrículo direito, cruzam sobre o sulco
coronário e, em geral, terminam diretamente no átrio direito; al-
gumas vezes elas entram na veia cardíaca parva. As veias cardíacas
mínimas (L., venae cordis minimae) são pequenos vasos que co-
meçam nos leitos capilares do miocárdio e abrem-se, diretamente,
nas câmaras do coração, principalmente os átrios. Embora sejam
denominadas veias, são comunicações sem válvulas com os leitos
capilares do miocárdio e podem conduzir sangue das câmaras car-
díacas para o miocárdio.
© U3 - Sistema Cardiovascular ou Sistema Sanguífero 135

Complexo Estimulante do Coração


Na sequência comum de eventos no ciclo cardíaco, o átrio
e o ventrículo trabalham juntos como uma bomba de cada lado
do coração. O complexo estimulante do coração, que coordena
o ciclo cardíaco, consiste em células musculares cardíacas e fi-
bras condutoras altamente especializadas para iniciar os impulsos
e conduzi-los, rapidamente, através do coração. O tecido do nó
inicia o batimento cardíaco e coordena as contrações das quatro
câmaras do coração.
O nó sinoatrial (SA) está localizado ântero-lateralmente, logo
abaixo do epicárdio, na junção da VCS com o átrio direito, perto da
extremidade superior do sulco terminal. O nó SA – uma pequena
coleção de tecido nodal, fibras musculares cardíacas especializa-
das e tecido conjuntivo fibroelástico associado – é o marca passo
do coração. O nó SA inicia e controla os impulsos para contração,
produzindo um impulso aproximadamente 70 vezes por minuto
na maioria das pessoas. O sinal de contração do nó SA propaga-
-se miogenicamente (através da musculatura) de ambos os átrios.
O nó SA é suprido pela artéria do nó sinoatrial, que geralmente
surge como um ramo atrial da ACD (em 60% das pessoas), mas
pode se originar da ACE (em 40%). O nó SA é estimulado pela parte
simpática da divisão autônoma do sistema nervoso para acelerar
a frequência e é inibido pela divisão parassimpática para retornar
ou aproxima-se de sua frequência basal.
O nó atrioventricular (AV) é um conjunto de tecido nodal
menor que o nó SA. O nó AV está localizado na região postero-in-
ferior do septo interatrial, perto da abertura do seio coronário. O
sinal gerado pelo nó SA atravessa as paredes do átrio direito, pro-
pagado pelo músculo cardíaco (condução miogênica), que trans-
mite o sinal rapidamente do nó SA para o nó AV então distribui o
sinal para os ventrículos através do fascículo AV. A estimulação
simpática acelera a condução, e a estimulação parassimpática a
torna mais lenta. O fascículo AV, a única ponte entre o miocárdio

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136 © Anatomia Humana Geral

atrial e ventricular, segue do nó AV através do esqueleto fibroso


do coração isolante e ao longo das partes membranácea do SIV.
Na junção das partes membranácea e muscular do septo, o fas-
cículo AV divide-se em ramos direito e esquerdo. Esses ramos prosse-
guem de cada lado do SIV muscular, profundamente ao endocárdico, e
depois se dividem em ramos subendocárdicos (fibras de Purkinje), que
se estendem até as paredes dos respectivos ventrículos. Os ramos su-
bendocárdicos do ramo direito estimulam o músculo do SIV, o músculo
papilar anterior através das trabéculas septomarginais (bandas mode-
radoras) e a parede do ventrículo direito. O ramo esquerdo divide-se
perto de sua origem em aproximadamente seis tratos menores, que
dão origem a ramos subendocárdicos que estimulam o SIV, os músculos
papilares anteriores e posteriores e a parede do ventrículo esquerdo.
O nó AV é suprido pela artéria do nó AV, o maior e geralmen-
te o primeiro ramo IV posterior, um ramo da ACD em 80% das pes-
soas. Assim, o suprimento arterial para os nós SA e AV geralmente
provém da ADC.
Entretanto, o fascículo AV atravessa o centro do SIV, cujos
dois terços anteriores são supridos pelos ramos do SIV do ramo IV
anterior da ACE.
A geração e a condução de impulsos pode ser resumida da
seguinte forma:
• O nó SA inicia um impulso que é rapidamente conduzido
para as fibras musculares cardíacas nos átrios, causando
sua contração.
• O impulso propaga-se por condução miogênica, que
transmite rapidamente o impulso do nó SA para o nó AV.
• O sinal é distribuído do nó AV através do fascículo AV e
seus ramos (direito e esquerdo), que seguem de cada
lado do SIV para suprir os ramos subendocárdicos para os
músculos papilares e as paredes dos ventrículos.
© U3 - Sistema Cardiovascular ou Sistema Sanguífero 137

Inervação do Coração
O coração é suprido por fibras nervosas autônomas do ple-
xo cardíaco, que, frequentemente, é artificialmente dividido em
partes superficial e profunda. Essa rede nervosa, na maioria das
vezes, está situada na face anterior da bifurcação da traqueia (uma
estrutura respiratória), pois é observada com maior frequência na
dissecção após remoção da parte ascendente da aorta e da bifur-
cação do tronco pulmonar. Entretanto, sua relação primária é com
a face posterior das duas últimas estruturas (cardiovasculares),
principalmente a parte ascendente da aorta. O plexo cardíaco é
formado por fibras, que são distribuídas ao longo e para os vasos
coronários, assim como para componentes do complexo estimu-
lante, particularmente o nó SA.
O suprimento simpático provém das fibras pré-sinápticas,
com corpos celulares nas colunas celulares intermediolaterais
(IML) dos cinco ou seis segmentos torácicos superiores da medula
espinal, e fibras simpáticas pós-sinápticas, com corpos celulares
nos gânglios para vertebrais cervicais e torácicos superiores dos
troncos simpáticos. As fibras pós-sinápticas atravessam os nervos
esplâncnicos cardiopulmonares e o plexo cardíaco para termina-
rem nos nós SA e AV e em relação às terminações das fibras paras-
simpáticas nas artérias coronárias. A estimulação simpática causa
aumento da frequência cardíaca, condução de impulsos, força de
contração e ao mesmo tempo aumento do fluxo sanguíneo atra-
vés dos vasos coronários para sustentar o aumento da atividade. A
estimulação adrenérgica do nó SA e do tecido condutor aumenta
a frequência de despolarização das células marca-passo enquanto
aumenta a condução atrioventricular. A estimulação adrenérgica
direta pelas fibras nervosas simpáticas, assim como a estimulação
indireta pelas fibras nervosas simpáticas e a estimulação indireta
pelos hormônios supra-renais (adrenais), aumenta a contratilida-
de atrial e a ventricular. A maioria dos receptores adrenérgicos nos
vasos sanguíneos coronários consiste em receptores β² que, quan-

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138 © Anatomia Humana Geral

do ativados, causam relaxamento (ou talvez inibição) do músculo


liso vascular e, portanto, dilatação das artérias (WILSON-PAUWELS
et al., 1997). Isso envia mais oxigênio e nutrientes para o miocár-
dio durante períodos de atividade aumentada.
O suprimento parassimpático provém das fibras pré-sináp-
ticas dos nervos vagos. Os corpos das células parassimpáticas
pós-sinápticas (gânglios intrínsecos) estão localizados na parede
atrial e no septo interatrial próximo dos nós SA e AV e ao longo das
artérias coronárias. A estimulação parassimpática lentifica a fre-
quência cardíaca, reduz a força da contração e contrai as artérias
coronárias, poupando energia entre períodos de maior demanda.
As fibras parassimpáticas pós-sinápticas liberam acetilcolina, que
se liga aos receptores muscarímicos para reduzir as frequências de
despolarização das células marca-passo e a condução atrioventri-
cular, e diminuir a contratilidade atrial.

Mediastino superior
O mediastino superior situa-se superiormente ao plano
transverso do tórax, que atravessa o ângulo do esterno e a junção
(disco IV) das vértebras T4 e T5. Em direção antero-posterior, o
conteúdo do mediastino superior é:
• Timo.
• Grandes vasos, com as veias (veias braquiocefálica e VCS)
anteriores às artérias (arco da aorta e as raízes de seus
principais ramos – tronco braquiocefálico, artéria caróti-
da comum esquerda e artéria subclávia esquerda) e ner-
vos relacionados (nervos vago e frênico e o plexo cardíaco
de nervos).
• A continuação inferior das vísceras cervicais (traqueia an-
teriormente e esôfago posteriormente) e nervos relacio-
nados (nervo laríngeo recorrente esquerdo).
• Ducto torácico e troncos linfáticos.
© U3 - Sistema Cardiovascular ou Sistema Sanguífero 139

Para resumir ordenadamente, as principais estruturas do


mediastino superior, em sentido anteroposterior, são: timo, veias,
artérias, via aérea, canal alimentar e troncos linfáticos.

Timo
O timo, um órgão linfoide primário, está localizado na par-
te inferior do pescoço e na parte anterior do mediastino superior.
Situa-se posteriormente ao manúbrio e estende-se para o medias-
tino anterior, anteriormente ao pericárdio fibroso. Após a puber-
dade, o timo sofre involução gradual e é amplamente substituído
por gordura. O rico suprimento arterial do timo provém, princi-
palmente, dos ramos intercostais anteriores e mediastinais ante-
riores das artérias torácicas internas. As veias do timo terminam
nas veias braquiocefálica esquerda, torácica interna e tireóidea
inferior. Os vasos linfáticos do timo terminam nos linfonodos pa-
raesternais, braquiocefálicos e traqueobrônquicos.

Grandes Vasos
As veias braquiocefálicas são formadas posteriormente às
articulações esternoclaviculares (EC) pela união das veias jugular
interna e subclávia. No nível da margem inferior da 1ª cartilagem
costal direita, as veias braquiocéfalicas unem-se para formar a
VCS. A veia braquiocefálica esquerda tem comprimento maior
que o dobro da veia direita, porque passa do lado esquerdo para o
lado direito; passando sobre as faces anteriores das raízes dos três
principais ramos do arco da aorta. Desvia sangue da cabeça, do
pescoço e membro superior esquerdo para o átrio direito.
A veia cava superior, ilustrada na Figura 12, reconduz o sangue
de todas as estruturas superiores ao diafragma, exceto os pulmões
e o coração. Segue inferiormente e termina no nível 3ª cartilagem
costal, onde entra no átrio direito do coração. A VCS situa-se no lado
direito mediastino superior, anterolateral à traqueia e posterolateral
à parte ascendente da aorta. O nervo frênico direito situa-se entre
a VCS e a pleura mediastinal. A metade terminal da VCS situa-se no

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140 © Anatomia Humana Geral

mediastino médio, onde será ao lado da parte ascendente da aorta


e forma o limite posterior do seio transverso do pericárdico.
A parte ascendente da aorta, observada na Figura 13, com
aproximadamente 2,5 cm de diâmetro, começa no óstio da aorta.
Seus únicos ramos são as artérias coronárias, que têm origem nos
seios da aorta (discutido em "Valvas do tronco Pulmonar e da Aor-
ta"). A parte ascendente da aorta é intrapericárdica; por essa razão, e
como está situada inferior ao plano transverso do tórax, é considerada
pertencente ao mediastino médio (parte do mediastino inferior).

Figura 12 Veia cava superior.


© U3 - Sistema Cardiovascular ou Sistema Sanguífero 141

Figura 13 Artéria aorta.

O arco da aorta (arco aórtico), a continuação curva da parte


ascendente da aorta, começa posterior à 2ª articulação esterno-
costal (EC) direita no nível do ângulo do esterno, curva-se superior
e posteriormente para a esquerda, e depois, inferiormente. O arco
da aorta ascende anterior à artéria pulmonar direita e à bifurcação
da traqueia, atingindo seu ápice no lado esquerdo da traqueia e do
esôfago, enquanto passa sobre a raiz do pulmão esquerdo. O arco
desce posterior à raiz do pulmão no lado esquerdo do corpo da
vértebra T4. O arco da aorta termina tornando-se a parte torácica
da aorta posterior à 2ª articulação esternocostal esquerda. O arco
da veia ázigo ocupa uma posição correspondente no lado direito
da traqueia sobre a raiz do pulmão direito, embora seu conteúdo
esteja fluindo na direção oposta. O ligamento arterial, o remanes-
cente do ducto arterial fetal, segue da raiz da artéria pulmonar
esquerda até a superfície inferior do arco da aorta. Os ramos ha-
bituais do arco da aorta são o tronco braquiocefálico, a artéria
carótida comum esquerda e a artéria subclávia esquerda.
O tronco braquiocefálico, o primeiro e maior ramo do arco
da aorta, origina-se posterior ao manúbrio, onde é anterior à tra-

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142 © Anatomia Humana Geral

queia e posterior à veia braquiocefálica esquerda. Ascende súpe-


ro-lateralmente para atingir o lado direito da traqueia e a articula-
ção EC direita, onde se divide nas artérias carótida comum direita
e subclávia direita.
A artéria carótida comum esquerda, o segundo ramo do
arco da aorta, origina-se posterior ao manúbrio, ligeiramente pos-
terior e à esquerda do tronco braquiocefálico. Ascende anterior à
artéria subclávia esquerda e inicialmente situa-se anterior à tra-
quéia e depois à sua esquerda. Entra no pescoço, seguindo poste-
rior à articulação EC esquerda.
A artéria subclávia esquerda, o terceiro ramo do arco, origi-
na-se da parte posterior do arco da aorta, imediatamente poste-
rior à artéria carótida comum esquerda. Ascende lateral à traqueia
e à artéria carótida comum esquerda através do mediastino supe-
rior; não emite ramos no mediastino. Quando sai do tórax e entra
na raiz do pescoço, passa posterior à articulação EC esquerda.

Nervos do mediastino superior


Os nervos vagos saem do crânio e descem através do pescoço
posterolaterais às artérias carótidas comuns. Cada nervo entra no
mediastino superior posterior à respectiva articulação EC e veia bra-
quiocefálica. O nervo vago direito entra no tórax anterior à artéria
subclávia direita, onde dá origem ao nervo laríngeo recorrente di-
reito. Esse nervo passa ao redor da artéria subclávia direita e ascen-
de entre a traqueia e o esôfago para suprir a laringe. O nervo vago
direito segue postero-inferiormente através do mediastino superior
no lado direito da traqueia. Em seguida, passa posterior à veia bra-
quiocefálica direita, VCS e raiz do pulmão direito. Aqui, divide-se em
muitos ramos, que contribuem para o plexo pulmonar direito. Em
geral, o nervo vago direito deixa esse plexo como um único nervo e
segue até o esôfago, onde se divide novamente e envia fibras para o
plexo nervoso esofágico. O nervo vago direito também dá origem a
nervos que contribuem para o plexo cardíaco.
© U3 - Sistema Cardiovascular ou Sistema Sanguífero 143

O nervo vago esquerdo desce no pescoço posterior à arté-


ria carótida comum esquerda. Entra no mediastino entre a artéria
carótida comum esquerda e a artéria subclávia esquerda. Quando
chega ao lado esquerdo do arco da aorta, o nervo diverge poste-
riormente do nervo frênico esquerdo. É separado lateralmente do
nervo frênico pela veia intercostal superior esquerda. Quando o
nervo vago esquerdo se curva medialmente na margem inferior do
arco da aorta, emite o nervo laríngeo recorrente esquerdo. Esse
nervo segue inferior ao arco da aorta, imediatamente lateral ao li-
gamento arterial, e ascende até a laringe no sulco entre a traqueia
e o esôfago. O nervo vago esquerdo segue posterior à raiz do pul-
mão esquerdo, onde se divide em muitos ramos que contribuem
para o plexo pulmonar esquerdo. O nervo deixa esse plexo como
um único tronco e segue até o esôfago, onde se junta às fibras do
nervo vago direito no plexo nervoso esofágico.
Os nervos frênicos suprem o diafragma com fibras motoras e
sensitivas, e essas últimas contribuem para aproximadamente um terço
das fibras nervosas. Os nervos frênicos também enviam fibras sensitivas
para o pericárdio e a pleura mediastinal. Cada nervo entra no mediasti-
no superior entre as artéria subclávia e a origem da veia braquiocefáli-
ca. O fato de que os nervos frênicos seguem anteriores às raízes dos pul-
mões é uma forma importante de distingui-los dos nervos vagos, que
seguem posteriores às raízes. O nervo frênico direito segue ao longo do
lado direito da veia braquiocefálica direita, da VCS e do pericárdio sobre
o átrio direito. Também segue anterior à raiz do pulmão direito e desce
no lado direito da VCI até o diafragma, que perfura perto da abertu-
ra da cava. O nervo frênico esquerdo desce entre as artérias subclávia
e carótida comum esquerdas. Cruza a superfície esquerda do arco da
aorta anterior ao nervo vago esquerdo e passa sobre a veia intercostal
superior esquerda. Depois, desce anterior à raiz do pulmão esquerdo
e segue ao longo do pericárdio fibroso, superficial ao átrio e ventrículo
esquerdo do coração, onde perfura o diafragma à esquerda do pericár-
dio. A maior parte da ramificação dos nervos frênicos distribuída para o
diafragma ocorre na sua face inferior (abdominal).

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144 © Anatomia Humana Geral

Traqueia
A traqueia desce anterior ao esôfago e entra no mediastino
superior, inclinando-se um pouco para a direita do plano media-
no. A face posterior da traquéia é plana no local onde se está em
contanto com o esôfago. A traquéia termina no nível do ângulo do
esterno, dividindo-se nos brônquios principais direito e esquerdo.
A traquéia termina acima do nível do coração e não é um compo-
nente do mediastino posterior.

Esôfago
O esôfago é um tubo fibromuscular que se estende da fa-
ringe até o estômago. Entra no mediastino superior entre a tra-
queia e a coluna vertebral, onde se situa anterior aos corpos das
vértebras T1-T4. Geralmente, é achatado antero-posteriormente.
Inicialmente, inclina-se para a esquerda, mas é empurrado de vol-
ta para o plano mediano pelo arco da aorta. Em seguida, é compri-
mido anteriormente pela raiz do pulmão esquerdo. No mediastino
superior, o ducto torácico geralmente se situa no lado esquerdo
do esôfago, profundamente (medial) ao arco da aorta. Inferior ao
arco, o esôfago inclina-se novamente para a esquerda, enquanto
se aproxima e atravessa o hiato esofágico no diafragma.

Mediastino posterior
O mediastino posterior (a parte posterior do mediastino in-
ferior) está localizado inferior ao plano transverso do tórax, ante-
rior às vértebras T5-T12, posterior ao pericárdico e ao diafragma e
entre a pleura parietal dos dois pulmões. O mediastino posterior
contém a parte torácica da aorta, o ducto torácico e troncos linfá-
ticos, linfonodos mediastinais posteriores, as veias ázigo e hemiá-
zigo, o esôfago e plexo nervoso esofágico. Alguns autores também
incluem os troncos simpáticos torácicos e os nervos esplâncnicos
torácicos; entretanto, essas estruturas se situam laterais aos cor-
pos vertebrais e não estão dentro do compartimento ou espaço
mediastinal posterior propriamente dito.
© U3 - Sistema Cardiovascular ou Sistema Sanguífero 145

Parte torácica da aorta


A parte da aorta é a continuação do arco da aorta. Começa
no lado esquerdo da margem inferior do corpo da vértebra T4 e
desce no mediastino posterior, nos lados esquerdos das vértebras
T5-T12. Enquanto desce, aproxima-se do plano mediano e desloca
o esôfago para a direita. O plexo aórtico torácico, uma rede ner-
vosa autônoma, a circunda. A parte torácica da aorta situa-se pos-
terior à raiz do pulmão esquerdo, pericárdico e esôfago. A parte
torácica da aorta termina (com uma mudança de nome para parte
abdominal da aorta) anterior à margem inferior da vértebra T12 e
entra no abdome através do hiato aórtico, no diafragma. O ducto
torácico e a veia ázigo ascendem em seu lado direito e a acompa-
nham através desse hiato.
Em um padrão que será mais evidente no abdome, os ramos
da parte descendente da aorta originam-se e seguem dentro dos
três "planos vasculares".
• Um plano mediano anterior de ramos viscerais ímpares
para o intestino e seus derivados.
• Planos laterais de ramos viscerais pares que servem ou-
tras vísceras, além do intestino e de seus derivados.
• Plano póstero-laterias de ramos parietais, segmentos, pa-
res, da parede do corpo.
No tórax, os ramos viscerais ímpares do plano vascular ante-
rior são as artérias esofágicas – geralmente duas, mas até cinco.
Os ramos viscerais pares do plano lateral são representados no tó-
rax pelas artérias brônquicas. Embora as artérias brônquicas direi-
ta e esquerda possam originar-se diretamente da aorta, na maioria
das vezes apenas as artérias brônquicas esquerdas pares o fazem,
as direitas originando-se indiretamente como ramos de uma arté-
ria intercostal posterior direita (geralmente a 3). Os ramos parie-
tais pares da parte torácica da aorta que se originam posterolate-
ralmente são as nove artérias intercostais superiores e as artérias

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146 © Anatomia Humana Geral

subcostais. Esses últimos vasos se originam da parte torácica da


aorta, mas seguem abaixo do diafragma. Apresentam-se em série
com as artérias intercostais posteriores.
As exceções a esse padrão incluem:
• Artérias frênicas superiores: ramos parietais pares que
seguem anterolateralmente até a face superior do dia-
fragma (que, na verdade, estão voltados posteriormente
nesse nível devido à convexidade do diafragma), onde se
anastomosam com os ramos musculofrênico e pericar-
diofrênico da artéria torácica interna.
• Ramos pericárdicos: ramos ímpares que se originam an-
teriormente, mas em vez de seguirem para o intestino,
enviam ramos para o pericárdio, o linfonodos e outros te-
cidos do mediastino posterior.

Esôfago
Desde o mediastino superior para o mediastino posterior, se-
guindo posterior e depois à direita do arco da aorta, e posterior ao
pericárdio e átrio esquerdo. O esôfago é a relação posterior primária
da base do coração. Em seguida, desvia-se para a esquerda e atra-
vessa o hiato esofágico no diafragma, no nível da vértebra T10, an-
terior à aorta. O esôfago pode ter três impressões, ou "contrições",
em sua parte torácica. Estas podem ser observadas como estreita-
mentos da luz em radiografias de tórax oblíquas feitas durante a de-
glutição de bário. O esôfago é comprimido por três estruturas: (1) o
arco da aorta, (2) o brônquio principal esquerdo e (3) o diafragma.
As duas primeiras são muito próximas: a primeira é mais evidente
em uma radiografia posteroanterior (PA), após ingestão de bário; e a
última é mais evidente em vistas laterais. Não há constrições visíveis
no esôfago vazio; entretanto, ao se expandir durante o enchimento,
as estruturas observadas comprimem suas paredes.
© U3 - Sistema Cardiovascular ou Sistema Sanguífero 147

Ducto torácico e troncos linfáticos


No mediastino posterior, o ducto torácico situa-se na face
anterior dos corpos torácico, conduz a maior parte da linfa do
corpo para o sistema venoso, aquele dos membros superiores es-
querdos; e lado esquerdo do tórax, da cabeça e do pescoço – isto
é, com exceção do quadrante superior direito. O ducto torácico
origina-se da cisterna do quilo (L., cisterna chyli) no abdome e as-
cende através do hiato aórtico do diafragma. O ducto torácico ge-
ralmente tem paredes finas e é branco fosco; frequentemente, é
semelhante a um colar de contas, devido às suas muitas válvulas.
Ascende no mediastino posterior entre a parte torácica da aorta à
sua esquerda, a veia ázigo à sua direita, o esôfago anteriormente
e os corpos vertebrais posteriormente. No nível da vértebra T4,
T5 ou T6, o ducto torácico cruza para o lado esquerdo, posterior
ao esôfago, e ascende até o mediastino superior. O ducto torácico
recebe ramos dos espaços intercostais médios e superiores de am-
bos os lados, através de vários troncos coletores. Também recebe
ramos das estruturas do mediastino posterior. Próximo de sua ex-
tremidade, frequentemente recebe os troncos linfáticos jugular,
subclávio e broncomediastinal (embora qualquer um desses va-
sos ou todos eles possam terminar independentemente). O ducto
torácico geralmente drena para o sistema venoso perto da união
das veias jugular interna e subclávia esquerda – o ângulo veno-
so esquerdo ou a origem da veia braquiocefálica esquerda –, mas
pode se abrir na veia subclávia esquerda.

Vasos e linfonodos do mediastino posterior


A parte torácica da aorta e seus ramos foram discutidos an-
teriormente neste capítulo. Os linfonodos mediastinais posterio-
res situam-se posteriores ao pericárdico, onde estão relacionados
ao esôfago e à parte torácica da aorta. Existem vários linfonodos
posteriores à parte torácica da aorta. Existem vários linfonodos
posteriores à parte inferior do esôfago e mais (até oito) anteriores
e laterais a ele. Os linfonodos mediastinais posteriores recebem

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148 © Anatomia Humana Geral

linfa do esôfago, da face posterior do pericárdio e do diafragma,


assim como dos espaços intercostais posteriores médios. Eles dre-
nam para os ângulos venosos direito ou esquerdo, através do duc-
to linfático direito ou do ducto torácico.
O sistema venoso ázigo, de cada lado da coluna vertebral,
drena as paredes do dorso e tóraco-abdominais, bem como as vís-
ceras do mediastino. O sistema ázigo apresenta grande variação
em relação a origem, trajeto, tributárias e anastomoses. A veia ázi-
go (G., azygos, ímpar) e sua principal tributária, a veia hemiázigo,
geralmente se originam nas "raízes" oriundas da face posterior da
VCI e/ou veia renal, respectivamente, que se fundem com as veias
lombares ascendentes.
A veia ázigo forma uma via colateral entre a VCS e a VCI e
drena sangue das paredes posteriores do tórax e abdome. Ascen-
de no mediastino posterior, passando perto das faces direitas dos
corpos das 8 vértebras torácicas inferiores. Curva-se sobre a face
superior da raiz do pulmão direito para se unir à VCS, semelhante
à forma como o arco da aorta passa sobre a raiz do pulmão esquer-
do. Além das veias intercostais posteriores, a veia ázigo comuni-
ca-se com os plexos venosos vertebrais que drenam o dorso, as
vértebras e as estruturas no canal vertebral. A veia ázigo também
recebe as veias mediastinais, esofágicas e brônquicas.
A veia hemiázigo origina-se no lado esquerdo pela junção
das veias subcostal esquerda e lombar ascendente. Ascende no
lado esquerdo da coluna vertebral, posterior à parte torácica da
aorta, até a vértebra T9. Aqui, cruza para a direita, posterior à aor-
ta, ao ducto torácico e esôfago, e se une à veia ázigo. A veia he-
miázigo recebe as três veias intercostais posteriores inferiores, as
veias esofágicas inferiores e várias pequenas veias mediastinais.
A veia hemiázigo acessória começa na extremidade medial
do 4º ou 5º espaço intercostal e desce no lado esquerdo da coluna
vertebral de T5 e T8. Recebe tributárias das veias nos 4º-8º es-
paços intercostais e, algumas vezes, das veias brônquicas esquer-
© U3 - Sistema Cardiovascular ou Sistema Sanguífero 149

das. Cruza sobre a vértebra T7 ou T8, posterior à parte torácica


da aorta e ao ducto torácico, unindo-se à veia hemiázigo e drena
com ela na veia ázigo. A veia hemiázigo acessória frequentemente
está ligada à veia intercostal superior esquerda. A veia intercostal
superior esquerda, que drena os 1º-3º espaços intercostais, pode
comunicar-se com a veia hemiázigo acessória; entretanto, drena
principalmente para a veia braquiocefálica esquerda.

Nervos do mediastino posterior


Os troncos simpáticos e seus gânglios associados formam
uma importante parte da divisão autônoma do sistema nervoso.
Os troncos simpáticos torácicos estão em continuidade com os
troncos simpáticos cervicais e lombares. Os troncos torácicos es-
tão situados contra as cabeças das costelas na parte superior do
tórax; as articulações costovertebrais, no nível torácico médio; e
as laterais dos corpos vertebrais, na parte inferior do tórax. Os ner-
vos esplâncnicos torácicos inferiores – também conhecidos como
nervos esplâncnicos maior, menor e imo – são parte dos nervos
esplâncnicos abdominopélvicos, porque suprem vísceras inferio-
res ao diafragma. Consistem em fibras pré-sinápticas do 5º ao 12º
gânglios simpáticos, que atravessam o diafragma e fazem sinap-
se nos gânglios pré-vertebrais do abdome. São responsáveis pela
inervação simpática da maior parte das vísceras abdominais.

Mediastino anterior
O mediastino anterior, a menor subdivisão do mediastino, si-
tua-se entre o corpo do esterno e os músculos transversos do tórax
e o posteriormente. É contínuo com o mediastino superior no ângulo
do esterno e é limitado inferiormente pelo diafragma. O mediastino
anterior é formado por tecido conjuntivo frouxo (ligamento esterno-
pericárdicos), gordura, vasos linfáticos, alguns linfonodos e ramos dos
vasos torácicos internos. Em lactentes e crianças, o mediastino ante-
rior contém a parte inferior do timo. Em casos incomuns, esse órgão
linfoide pode estender-se até o nível das 4ª cartilagens costais.

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150 © Anatomia Humana Geral

Radiografia
O estudo radiológico mais comum do tórax é a projeção pos-
teroanterior (PA), que produz uma radiografia PA. O radiologista
ou técnico coloca a face anterior do tórax do paciente encostada
no detector de raios X ou chassi e roda os ombros anteriormen-
te para afastar as escápulas das partes superiores dos pulmões. A
pessoa inspira profundamente e prende a respiração. A inspiração
profunda causa descida das cúpulas diafragmáticas, enchendo os
pulmões de ar (aumentando sua radiotransparência) e levando as
partes costodiafragmáticas dos pulmões para os recessos costo-
diafragmáticos.
Uma radiografia PA, que é examinada como se você estivesse
de frente para o paciente (uma vista anteroposterior [AP]), é uma
combinação das imagens produzidas pelos tecidos moles e ossos
da parede torácica. Os tecidos moles, incluindo as mamas, formam
sombras de densidades variáveis dependendo da sua composição e
espessura. Paralelas às margens superiores das clavículas há som-
bras lançadas pela pele e pelos tecidos subcutâneos que cobrem
esses ossos. As clavículas, costelas e vértebras cervicais inferiores e
torácicas superiores são visíveis. Em radiografias PA, a maioria das
costelas é claramente visível contra o fundo dos pulmões relativa-
mente transparentes. As costelas inferiores tendem a ser encobertas
pelo diafragma e pelo conteúdo superior do abdome, dependendo
da fase da respiração em que foi feita a radiografia. Em geral, apenas
as margens laterais do manúbrio são visíveis nessas projeções. As
vértebras torácicas inferiores são mais encobertas pelo esterno e
mediastino. Raramente, podem ser vistas costelas cervicais, costelas
ausentes, costelas bifurcadas e costelas fundidas. Algumas vezes, as
cartilagens costais estão calcificadas em pessoas idosas (principal-
mente as cartilagens inferiores).
Nas projeções PA, as cúpulas direita e esquerda do diafrag-
ma são separadas pelo centro tendíneo, que é encoberto pelo co-
ração. A cúpula direita do diafragma, formada pelo fígado subja-
© U3 - Sistema Cardiovascular ou Sistema Sanguífero 151

cente, geralmente é meio espaço intercostal mais alta do que a


cúpula esquerda. Os pulmões, devido à sua baixa densidade, são
relativamente transparentes em comparação com as estruturas
adjacentes. Os pulmões apresentam uma radiodensidade seme-
lhante àquela do ar e, portanto, produzem um par de áreas ra-
diotransparentes. Nas projeções PA, os pulmões são obscurecidos
inferiormente às cúpulas do diafragma e anterior e posteriormen-
te ao mediastino. As artérias pulmonares são visíveis no hilo de
cada pulmão. Os vasos intrapulmonares têm calibres ligeiramente
maiores nos lobos inferiores. Cortes transparentes e paredes finas.
As áreas encobertas em projeções PA geralmente são visíveis
em radiografias laterais. Em projeções laterais, as vértebras toráci-
cas médias inferiores são visíveis, embora sejam parcialmente en-
cobertas pelas costelas. As três do esterno também são visíveis. As
radiografias laterais permitem melhor visualização de uma lesão
ou anomalia limitada a um lado do tórax. Em uma projeção lateral,
as duas cúpulas do diafragma frequentemente são visíveis, quan-
do se curvam superiormente a partir do esterno. A radiografia la-
teral é feita usando-se uma projeção lateral, com face do tórax no
chassi ou detector de raios X, e os membros superiores elevados
sobre a cabeça.
O coração forma a maior parte da sombra radiopaca central
em projeções PA, mas não é possível distinguir as câmaras cardía-
cas individualmente. É importante conhecer as estruturas que for-
mam a silhueta cardiovascular, porque alterações nessa silhueta
podem indicar anomalias ou doença funcional. Em radiografias PA
(vista AP), as margens da silhueta cardiovascular são:
• Margem direita: veia braquiocefálica direita, VCS, átrio
direito e VCI.
• Margem esquerda: parte terminal do arco da aorta (bo-
tão aórtico), tronco pulmonar, aurícula esquerda e ventrí-
culo esquerdo.

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152 © Anatomia Humana Geral

A parte inferior esquerda da silhueta cardiovascular repre-


senta a região do ápice. O ápice anatômico típico, se presente,
frequentemente se situa inferior à imagem do diafragma. Existem
três tipos principais de silhuetas cardiovasculares, que dependem
basicamente do biótipo:
• Tipo oblíquo: característico da maioria das pessoas.
• Tipo vertical: presente em pessoas com tórax estreito.

Artérias
As artérias conduzem o sangue que sai do coração e distri-
buem-no para o corpo. O sangue atravessa artérias de calibre de-
crescente. Os vários tipos de artérias são diferenciados com base
no tamanho geral, na quantidade relativa de tecido elástico ou
muscular na túnica média, na espessura da parede em relação à
luz e na função. O tamanho e o tipo da artéria formam um conti-
nuum – isto é, há mudança gradual das características morfológi-
cas de um tipo para o outro. Existem três tipos de artérias.  
• As grandes artérias elásticas (artérias condutoras) possuem
muitas camadas elásticas (lâminas de fibras elásticas) em
suas paredes. Inicialmente, essas grandes artérias recebem
o débito cardíaco. Sua elasticidade permite que se expan-
dam quando o coração contrai (quando recebem o débito
cardíaco), minimizando a mudança de pressão, e retornem
ao tamanho normal entre as contrações cardíacas, empur-
rando o sangue para as médias artérias a jusante. Isso man-
tém a pressão arterial no sistema arterial entre as contra-
ções cardíacas (no momento em que a pressão ventricular
cai e zero). Em geral, isso minimiza o declínio da pressão ar-
terial, quando o coração contrai e relaxa. Exemplos de gran-
des artérias elásticas são a aorta, as artérias que se originam
no arco da aorta (tronco braquiocefálico, artéria subclávia e
artéria carótida), tronco e artérias pulmonares
© U3 - Sistema Cardiovascular ou Sistema Sanguífero 153

• As artérias musculares médias (artérias distribuidoras)


têm paredes constituídas principalmente por fibras mus-
culares lisas dispostas de forma circular. Sua capacidade
de reduzir seu diâmetro (vasoconstrição) controla o flu-
xo sanguíneo para diferentes partes do corpo, conforme
exigido pela circunstância (por exemplo: atividade, ter-
morregulação). As contrações pulsáteis de suas paredes
musculares (independentemente do diâmetro atual) con-
traem suas luzes de forma temporária e rítmica em se-
quência progressiva, propelindo e distribuindo o sangue
para várias partes do corpo. A maioria das artérias que
recebem nomes, incluindo aquelas observadas na parede
do corpo e nos membros durante a dissecção, como as
artérias braquial ou femoral, consiste em artérias muscu-
lares médias.
• As pequenas artérias e arteríolas possuem luzes relati-
vamente estreitas e paredes musculares espessas. O grau
de enchimento dos leitos capilares e o nível da pressão
arterial no sistema vascular são controlados principal-
mente pelo tônus do músculo lido das paredes arteríolas.
Se o tônus for maior que o normal, ocorre hipertensão
(aumento da pressão arterial). As pequenas artérias ge-
ralmente não possuem nomes nem identificação especial
durante a dissecação, e as arteríolas só podem ser obser-
vadas sob ampliação.
As anastomoses (comunicações) entre os múltiplos ramos
de uma artéria oferecem vários possíveis desvios para o fluxo san-
guíneo em caso de obstrução do trajeto habitual por compressão,
pela posição de uma articulação, patologia ou ligadura cirúrgica.
Se um canal principal for ocluído, os canais opcionais menores
geralmente podem aumentar de tamanho em um período rela-
tivamente curto, proporcionando uma circulação colateral que
garante o suprimento sanguíneo para estruturas distais à obstru-
ção. Entretanto, as vias colaterais exigem tempo para se abrirem

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154 © Anatomia Humana Geral

adequadamente; geralmente, são insuficientes para compensar a


súbita oclusão ou ligadura.
Porém, há áreas em que não há circulação colateral, ou em
que esta é inadequada para substituir o canal principal. As artérias
que não se anastomosam com as artérias adjacentes são artérias
anatômicas ou terminais verdadeiras. A oclusão de uma artéria
terminal interrompe o suprimento sanguíneo para a estrutura ou
segmento de um órgão que supre. As artérias terminais verdadei-
ras suprem a retina, por exemplo, na qual a oclusão resultará em
cegueira. Embora não sejam artérias terminais verdadeiras, as ar-
térias terminais funcionais (artérias com anastomoses ineficazes)
suprem segmentos do encéfalo, do fígado, dos rins, do baço e dos
intestinos (também podem ser encontradas no coração).

Veias
As veias geralmente reconduzem o sangue desoxigenado (ve-
noso) dos leitores capilares para o coração, o que confere às veias
uma aparência azul-escura. As grandes veias pulmonares são atípicas
porque conduzem sangue bem oxigenado (comumente denomina-
do "sangue arterial") dos pulmões para o coração. Devido à menor
pressão sanguínea no sistema venoso, as paredes (especificamente,
a túnica média) das veias são mais finas que as das artérias acompa-
nhantes. Normalmente, as veias não pulsam e não ejetam nem jor-
ram sangue quando seccionadas. Existem três tamanhos de veias:
• As vênulas são as menores veias. Elas drenam os leitos ca-
pilares e se unem a vasos semelhantes para formar peque-
nas veias. É necessário ampliação para observar as vênulas.
As pequenas veias são tributárias de veias maiores que se
unem para formar plexos venosos, como o arco venoso
dorsal do pé. As pequenas veias não recebem nome.
• As veias médias drenam plexos venosos e acompanham
as artérias médias, nos membros e em alguns outros lo-
cais onde a força da gravidade se opõe ao fluxo sanguíneo
© U3 - Sistema Cardiovascular ou Sistema Sanguífero 155

em direção ao coração, mas não na direção inversa. Os


exemplos de veias médias incluem as veias superficiais
que recebem nomes (veias cefálicas e basílica do membro
superior e as veias safenas magna e parva do membro in-
ferior) e as veias acompanhantes que recebem o mesmo
nome da artéria que acompanham.
• As grandes veias são caracterizadas por largos feixes de
músculo liso longitudinal e uma túnica adventícia bem
desenvolvida. Um exemplo é a veia cava superior.
As veias são mais abundantes do que as artérias. Embora
suas paredes sejam mais finas, seus diâmetros geralmente são
maiores que aqueles da artéria correspondente. As paredes finas
permitem que as veias tenham uma grande capacidade de expan-
são, e se expandem, quando o retorno do sangue para o coração
é impedido por compressão ou pressões internas (por exemplo,
após inspirar profundamente e prender a respiração, isto é, a ma-
nobra de valsalva). Como as artérias e veias formam um circuito,
poder-se-ia esperar que metade do volume sanguíneo estivesse
nas artérias e metade nas veias, mas devido ao maior diâmetro e à
capacidade de expansão das veias, habitualmente apenas 20% do
sangue ocupam as artérias, enquanto 80% se encontram nas veias.
Embora frequentemente sejam representadas nas ilustra-
ções como veias isoladas para simplificar, as veias tendem a ser
duplas ou múltiplas. Aquelas que acompanham as artérias profun-
das – veias acompanhantes (L., venae comitantes) – circundam-
-nas em uma rede com ramificações irregulares. Essa disposição
serve como trocador de calor em contracorrente, com o sangue
arterial morno aquecendo o sangue venoso mais frio em seu retor-
no de uma extremidade fria para o coração. As veias acompanhan-
tes ocupam uma bainha vascular fascial relativamente rígida com
a artéria que acompanham. Consequentemente, são distendidas
e achatadas, quando a artéria se expande durante a contração do
coração, o que ajuda a conduzir o sangue venoso para o coração –
uma bomba arteriovenosa.

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156 © Anatomia Humana Geral

As veias sistêmicas são mais variáveis do que as artérias, e as


anastomoses venosas – comunicações naturais, diretas ou indire-
tas, entre duas veias – são mais frequentes entre elas. A expansão
externa dos ventres musculosos esqueléticos que se contraem nos
membros, limitada pela fáscia muscular, comprime as veias, "orde-
nhando" o sangue para cima, em direção ao coração – outro tipo
(músculo-venoso) de bomba venosa. As válvulas das veias inter-
rompem as colunas de sangue, assim, aliviando a pressão nas par-
tes mais baixas, permitindo que o sangue venoso flua apenas em
direção ao coração. A congestão venosa presente nos pés quentes
e cansados no fim de um dia de trabalho é aliviada repousando-se
os pés sobre um banco mais alto que o tronco. Essa posição dos
pés também ajuda no retorno venoso dos sangue para o coração.

Capilares sanguíneos
Para que o oxigênio e os nutrientes conduzidos pelas arté-
rias beneficiem as células que formam os tecidos do corpo, devem
deixar os vasos transportadores e entrar no espaço extravascular
entre as células, o espaço extracelular (intercelular) no qual vivem
as células. Os capilares são tubos endoteliais simples que unem os
lados arterial e venoso da circulação e permitem a troca de mate-
riais com o líquido extracelular (LEC) ou intersticial. Os capilares
geralmente são organizados em leitos capilares, redes que unem
as arteríolas e as vênulas. O sangue entra nos leitos capilares atra-
vés das arteríolas que controlam o fluxo e é drenado pelas vênulas.
À medida que a pressão hidrostática nas arteríolas força a entrada
e a passagem do sangue no leito capilar, também força a saída de
líquido contendo oxigênio, nutrientes e outros materiais do san-
gue na extremidade arterial do leito capilar (a montante) para os
espaços extracelulares, permitindo a troca com células do tecido
adjacente. Porém, as paredes capilares são relativamente imper-
meáveis às proteínas plasmáticas. A jusante, na extremidade ve-
nosa do leito, a maior parte desse LEC – agora contendo resíduos
e dióxidos de carbono – é reabsorvida pelo sangue em virtude da
© U3 - Sistema Cardiovascular ou Sistema Sanguífero 157

pressão osmótica devido às maiores concentrações de proteínas


no capilar (embora esteja firmemente estabelecido, esse princípio
é denominado hipótese de Starling).
Em algumas regiões, como nos dedos, há conexões diretas en-
tre as pequenas arteríolas e vênulas proximais aos leitos capilares
que suprem e drenam. Os locais dessas comunicações – anastomo-
ses arteríolo-venulares (shunts AV) – permitem que o sangue passe
diretamente do lado arterial para o lado venoso da circulação sem
passar pelos capilares. Os shunts AV são numerosos na pele, onde
têm papel importante na conservação do calor corporal.
Em algumas situações, o sangue atravessa dois leitos capila-
res antes de retornar ao coração; um sistema venoso que une dois
leitos capilares constitui em nutrientes passa dos leitos capilares
do trato alimentar para os leitos capilares ou sinusoides do fígado
– o sistema porta hepático, o principal.

Sistema linfático
Embora o sistema linfático esteja na maior parte do corpo,
grande parte não é visível no cadáver; ele é essencial para a sobre-
vida. O conhecimento da anatomia do sistema linfático é impor-
tante para os clínicos. A hipótese de Starling (mencionada antes)
explica como a maior parte dos líquidos e eletrólitos que entram
nos espaços extracelulares provenientes dos capilares sanguíneos
também é reabsorvida por eles. Entretanto, diariamente, até 3 li-
tros de líquido não são reabsorvidos pelos capilares sanguíneos.
Além disso, parte da proteína plasmática passa para os espaços
extracelulares, e o material originado das próprias células teci-
duais que não pode atravessar as paredes dos capilares sanguí-
neos, como o citoplasma das células que se desintegram, entra
continuamente no espaço em que vivem as células. Se houvesse
acúmulo desse material nos espaços extracelulares, ocorreria uma
osmose inversa, atraindo ainda mais líquido e resultando em ede-
ma (um excesso de líquido intersticial, que se manifesta na forma

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158 © Anatomia Humana Geral

de inchaço). Entretanto, a quantidade de líquido intersticial per-


manece quase constante em condições normais e, geralmente,
não há acumulo de proteínas e resíduos celulares nos espaços ex-
tracelulares devido ao sistema linfático.
Assim, o sistema linfático constitui um tipo de sistema de
"hiperfluxo" que permite a drenagem do excesso de líquido teci-
dual e das proteínas plasmáticas que extravasam para a corrente
sanguínea, como também a remoção de resíduos formados na de-
composição celular e infecção. Os componentes importantes do
sistema linfático são:
• Plexos linfáticos: redes de capilares linfáticos que se originam
em fundo cego nos espaços extracelulares (intercelulares) da
maioria dos tecidos. Como são formados por um endotélio
muito fino que não possui membrana basal, juntamente com
o excesso de líquido tecidual, as proteínas plasmáticas, bacté-
rias, resíduos celulares e até mesmo células inteiras (principal-
mente linfócitos) podem entrar facilmente neles.
• Vasos linfáticos (linfáticos): uma rede presente em quase
todo o corpo, com vasos de paredes finas com válvulas
linfáticas abundantes. Em indivíduos vivos, os vasos sa-
lientam-se nos locais onde estão as válvulas regularmente
separadas, conferindo aos linfáticos a aparência de con-
tas. Os capilares e vãos linfáticos têm a aparência de con-
tas. Eles são encontrados em quase todos os lugares onde
há capilares sanguíneos, exceto, por exemplo, nos dentes,
no osso, na medula óssea e em toda parte central do sis-
tema nervoso (aqui o excesso de líquido tecidual drena
para o líquido cerebrospinal).
• Linfa (L., lympha, água transparente): o líquido tecidual
que entra nos capilares linfáticos e é conduzido por vasos
linfáticos. Geralmente, a linfa transparente, aquosa ligei-
ramente amarela, tem composição semelhante ao plas-
ma sanguíneo.
© U3 - Sistema Cardiovascular ou Sistema Sanguífero 159

• Linfonodos: pequenas massas de tecido linfático situadas


ao longo do trajeto dos vasos linfáticos nas quais a linfa é
filtrada em seu trajeto até o sistema venoso.
• Linfócitos: células circulantes do sistema imune que rea-
gem contra materiais estranhos.
• Tecido linfoide: locais que produzem linfócitos, como o
agregado nas paredes do trato digestório (canal alimen-
tar); no baço, timo e nos linfonodos; e como o tecido mie-
loide na medula óssea vermelha.
Os vasos linfáticos superficiais, mais numerosos que as veias
na tela subcutânea e que se anastomosam livremente, convergem
e seguem a drenagem venosa. Esses vasos finalmente drenam
para os vasos linfáticos profundos que acompanham as artérias e
também recebem a drenagem de órgãos internos. É provável que
os vasos linfáticos profundos também sejam comprimidos pelas
artérias que acompanham, ordenhando a linfa ao longo desses va-
sos que possuem válvulas, da mesma forma descrita antes para as
veias acompanhantes. Os vasos linfáticos superficiais e profundos
atravessam os linfonodos (geralmente vários conjuntos) em seu
trajeto no sentido proximal, tornando-se maiores à medida que
se fundem com vasos que drenam regiões adjacentes. Os vasos
linfáticos, que se unem para formar o ducto linfático direito ou o
ducto torácico.
• O ducto linfático direito drena linfa do quadrante supe-
rior direito do corpo (lado direito da cabeça, do pescoço e
tórax, além do membro superior direito). Na raiz do pes-
coço, entra na junção das veias jugular interna direita e
subclávia direita, denominada ângulo venoso direito.
• O ducto torácico drena linfa do restante do corpo. Os
troncos linfáticos que drenam a metade inferior do corpo
se fundam no abdome, algumas vezes formando um saco
coletor dilatado, a cisterna do quilo (L., cisterna chyli). A
partir desse saco (se presente), ou da fusão dos troncos,

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160 © Anatomia Humana Geral

o ducto torácico ascende , entrando no tórax e atraves-


sando-o para entrar no ângulo venoso esquerdo (junção
das veias jugular interna esquerda e subclávia esquerda).
Embora esse seja o padrão de drenagem típico da maior par-
te da linfa, os vasos linfáticos comunicam-se livremente com as
veias em muitas partes do corpo. Consequentemente, a ligadura
de um tronco linfático ou mesmo do próprio ducto torácico pode
ter apenas um efeito transitório enquanto se estabelece um novo
padrão de drenagem através das anastomoses linfaticovenosas – e
posteriormente interlinfáticas – mais periféricas.
Outras funções do sistema linfático incluem:
• Absorção e transporte da gordura da alimentação. Capi-
lares linfáticos especiais, denominados lácteos (L., lacteus,
leite), recebem todos os lipídios e vitaminas lipossolúveis
absorvidos pelo intestino. Em seguida, os vasos linfáticos
viscerais conduzem o líquido leitoso, quilo (G., chylos,
suco), para o ducto torácico, e daí para o sistema venoso.
• Formação de um mecanismo de defesa para o corpo.
Quando há drenagem de proteína estranha de uma área
infectada, anticorpos específicos contra proteínas são
produzidos por células imunologicamente competentes
e/ ou linfócitos e enviados para a área infectada.

Você sabia que––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––


Comitê Olímpico internacional e seus dados indicaram que de 1966 a 2004 foram
relatadas 1101 mortes súbitas de jovens atletas com menos de 35 anos, numa
média surpreendente de 29 mortes súbitas anuais durante atividades esportivas,
todos com cardiopatias pré-existentes: congênitas, genéticas, inflamatórias e de-
generativas. A única estatística latino-americana até hoje existente é do Instituto
Dante Pazzanese de Cardiologia e mostra um retrato que pode explicar o por-
quê de eventos fatais no esporte, entre crianças e adolescentes os achados de
anormalidades leves e de risco variaram de 17,7% a 21 %, e entre atletas ativos
amadores e profissionais até 35 anos foi de 8,2 %. Dados diferentes dos publica-
dos pelo Comitê Olímpico Italiano onde o percentual de apenas cardiopatias de
alto risco com afastamento subseqüente, foi de 3%.
Acesse o artigo na íntegra. Disponível em: <http://www.cardios.com.br/publi-
cacoes/MSA_nabil.pdf>. Acesso em 9 jan. 2013.
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
© U3 - Sistema Cardiovascular ou Sistema Sanguífero 161

6. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS
Confira, a seguir, as questões propostas para verificar o seu
desempenho no estudo desta unidade:
1) Explique a localização do coração na caixa torácica.

2) Explique os aspectos anatomofuncionais (a importância) do miocárdio e en-


docárdio.

3) Explique a posição anatômica e o tamanho do coração.

4) Explique a anatomia externa do coração e suas estruturas.

5) Explique a anatomia interna do coração e suas estruturas.

6) Explique as relações entre as anatomias externa e interna do coração.

7) Explique as diferenças entre os átrios direito e esquerdo.

8) Explique, nos ventrículos, os músculos papilares e as cordas tendíneas.

9) Explique, no ventrículo esquerdo, a valva atrioventricular esquerda (ou mi-


tral); e, no ventrículo direito, a valva atrioventricular direita (tricúspide).

10) Explique a grande e a pequena circulação (início, término, quais vasos fazem
parte delas e que tipo de sangue está passando pelos vasos sanguíneos da
grande e pequena circulação.

7. CONSIDERAÇÕES
Você deve ter percebido que o sistema sanguífero, durante
a atividade física, sofre um aumento do seu trabalho para levar
maior quantidade de oxigênio e nutrientes até os músculos, ossos,
junturas e os outros sistemas do corpo humano. Com isso, pode-
mos considerar que o conhecimento adquirido no sistema sanguí-
fero é fundamental para a formação do profissional em Educação
Física, uma vez que tem o papel fundamental na orientação de
atividades físicas (musculação, caminhadas etc.) e na manutenção
da integridade física das pessoas.

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162 © Anatomia Humana Geral

8. E-REFERÊNCIAS

Sites pesquisados
AULA de anatomia: o site de anatomia mais visitado do Brasil. Homepage. Disponível em:
<http://www.auladeanatomia.com>. Acesso em: 21 jan. 2013.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE ANATOMIA. Disponível em: <http://www.sbanatomia.org.br/
>. Acesso em: 21 jan. 2013.

9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRANDÃO, M. C. S. Anatomia sistêmica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004.
DANGELO, J. G.; FATTINI, C. A. Anatomia humana sistêmica e segmentar. 2. ed. Rio de
Janeiro: Atheneu, 2000.
______. Anatomia humana básica. 2. ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2000.
MOORE, K., L. Anatomia orientada para clínica. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
2011.
______. Fundamentos de anatomia clínica. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
2001.
SNELL, R. S. Anatomia Clínica. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1999.
TORTORA, G. J. Princípios de anatomia humana. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 2007.
TORREN-GUASP et al. Spation orientation of the ventricular muscle band: phisyologic
contribution and surgical implications. J. Thorac Cardiovasc Surg, 2001
WILSON-PAUWELS et al. Autonomic nerves. London: B. C. Decker, 1997.
EAD
Sistema Respiratório

4
1. OBJETIVOS
• Conhecer e descrever o principal órgão (pulmão) do siste-
ma externa e internamente.
• Compreender e identificar as estruturas que formam a via
de condução (via área superior e via área inferior) e a via
respiratória.
• Descrever a mecânica respiratória.

2. CONTEÚDOS
• Sistema respiratório: uma visão geral.
• Divisão anatômica do sistema respiratório.
• Nariz: região externa da via de condução.
• Cavidade nasal: início do processo da condução do ar.
• Seios paranasais: aquecimento e umidificação da cavida-
de nasal.
164 © Anatomia Humana Geral

• Faringe: condução do ar até a laringe.


• Laringe: condução do ar.
• Traqueia: condução do ar.
• Brônquios: condução do ar para o pulmão.
• Pulmão: órgão responsável pelas trocas gasosas.

3. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE


Antes de iniciar o estudo desta unidade, é importante que
você leia as orientações a seguir:
1) Lembre-se de conferir a semana em que esta unidade
será desenvolvida. Sua participação e dedicação são
fundamentais, não apenas para garantir a compreensão
dos conceitos que vamos abordar, mas também para
ampliar e aprofundar as discussões sobre o tema. Uma
boa forma de isso ocorrer com êxito é você fazer uso da
biblioteca, lendo a bibliografia indicada.
2) Durante o estudo desta unidade, procure realizar as re-
flexões sugeridas. Faça seu cronograma e não se apresse
em prosseguir seus estudos. Afinal, as reflexões são im-
portantes para possibilitar que você se envolva por intei-
ro na aprendizagem. Pense nisso.
3) Durante o estudo desta unidade, procure fazer um re-
sumo dos conteúdos de forma "não linear". Para tanto,
utilize palavras-chaves, cores, formas, pois assim você
utiliza equilibradamente os dois hemisférios cerebrais
(esquerdo e direito), o que auxiliará no rendimento e
compreensão mais profundos.

4. INTRODUÇÃO À UNIDADE
Na Unidade 3, conhecemos o sistema sanguífero que tem a
função de abastecer o organismo com oxigênio (O2) e nutrientes,
eliminando os metabólicos e o dióxido de carbono (CO2). Para ocor-
rer essa função, precisamos da atuação do sistema respiratório (oxi-
© U4 - Sistema Respiratório 165

gênio e dióxido de carbono), do sistema digestório (nutrientes) e


do sistema urinário (metabólicos). Nesta unidade, vamos estudar as
trocas gasosas e, na próximas unidades, estudaremos a busca dos
nutrientes (Unidade 5) e a eliminação dos metabólicos (Unidade 6).
Relacionaremos o nosso estudo com a inspiração e a expira-
ção (mecânica respiratória), descrevendo a via área superior e via
área inferior (via de condução), assim como a via respiratória.
Então, bom estudo!

5. SISTEMA RESPIRATÓRIO
A respiração é uma função nobre, pois se constitui no ato
essencial à sobrevivência do ser humano. A criança quando nasce,
automaticamente, começa a respirar, não havendo necessidade de
ser ensinada.
É a primeira função que possibilita sua relação com o mundo.
É um processo automático e involuntário que visa à manutenção
de pressões parciais de oxigênio e gás carbônico no sangue e nos
alvéolos. Porém, em alguns momentos, pode ser de controle volun-
tário, quando a pessoa necessita inspirar mais profundamente, ou
mesmo parar de respirar, por um determinado período, se assim o
desejar ou, eventualmente, precisar (COSTA, 1999, p. 1 e 3).

Podemos conceituar que a respiração é a troca dos gases oxi-


gênio (O₂) e dióxido de carbono (CO₂) entre o organismo e o meio
ambiente.
Temos dois tipos de respiração, sendo uma externa (trocas
gasosas entre o sangue e o meio ambiente) e uma interna (produ-
ção intracelular de ATP por meio da combustão dos nutrientes).
A respiração interna depende da respiração externa, pois o
processo interno consome o oxigênio que é fornecido pela exter-
na. A importância da respiração para o organismo humano torna-se
evidente, se refletirmos sobre o breve prazo que a falta de oxigênio
leva para provocar lesão do sistema nervoso central. Podemos sub-

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166 © Anatomia Humana Geral

sistir algumas semanas sem alimento, alguns dias sem beber, mas a
falta de oxigênio é tolerada durante e apenas alguns minutos.

6. DIVISÃO ANATÔMICA DO SISTEMA RESPIRATÓRIO


O sistema respiratório é dividido em duas porções anatômicas:
• Porção de condução: vias aéreas superiores (nariz, seios
paranasais, faringe – nasofaringe, laringe e o início da tra-
queia) e vias aéreas inferiores (traqueia, brônquios).
• Porção respiratória: pulmão.

Nariz
Na parte externa da porção de condução da via aérea supe-
rior, encontramos o nariz (externamente), como podemos obser-
var na Figura 1, que anatomicamente é subdividido em raiz, ápice,
dorso, base e narinas (asa do nariz).

Figura 1 Nariz.

Internamente, o nariz é denominado de cavidade nasal di-


reita e esquerda (Figuras 2A e 2B), ambas separadas pelo septo
nasal, que é constituído pelos ossos etmoide e vômer e pelas car-
tilagens septais.
© U4 - Sistema Respiratório 167

Figura 2A Cavidade nasal.

Figura 2B Cavidade nasal.

A cavidade nasal, em sua parede lateral, apresenta as con-


chas nasal superior, media e inferior separadas pelos meatos na-
sais superior, médio e inferior, ilustrados nas Figuras 3A e 3B.

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168 © Anatomia Humana Geral

Figura 3A e 3B Conchas e meatos nasais.

Posteriormente, a cavidade nasal apresenta uma comunicação


com a primeira parte da faringe denominada porção nasal da faringe.
Com a cavidade nasal, as funções do nariz são aquecimento,
purificação prévia e umidificação do ar inspirado. Também atua no
olfato e como uma caixa de ressonância para a voz.

Seios paranasais
Os seios paranasais, observados na Figura 4, são classifica-
dos em uma caixa de ressonância, composta por seio frontal, seio
esfenoidal, seio etmoidal, seio esfenoidal e seio maxilar.
© U4 - Sistema Respiratório 169

Figura 4 Seios paranasais.

Essas partes estão relacionadas com o aquecimento e a


umidificação do ar que está passando pela cavidade nasal para,
em seguida, chegar à primeira parte da faringe, denominada na-
sofaringe. Esses seios estão presentes em ossos classificados em
pneumáticos (osso frontal, osso etmoide, osso esfenoide e osso
maxilar). Em sua constituição, apresentam um revestimento deno-
minado mucosa contínua, como a que está localizada na superfí-
cie da cavidade nasal.

Faringe
É um tubo muscular esquelético de forma circular (músculo
constritor superior, músculo constritor médio e músculo constri-
tor inferior) e vertical (músculo palatoglosso, músculo palato fa-
ríngeo), associado a dois sistemas: o respiratório e o digestório.
Observe a Figura 5.

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170 © Anatomia Humana Geral

Figura 5 Faringe.

Sua localização é posterior à cavidade oral ou bucal e à larin-


ge. Por essa razão, reconhece-se três partes: nasofaringe (comuni-
ca-se com a cavidade nasal pela coana), orofaringe (comunica-se
com a cavidade oral pelo istmo da fauce) e laringofaringe (comuni-
ca-se com a laringe e com o esôfago). Para melhor compreensão,
observe as Figuras 6A, 6B e 6D.

Figura 6A Nasofaringe.
© U4 - Sistema Respiratório 171

Figura 6B Orofaringe e laringofaringe.

Figura 6C Laringofaringe.

A faringe é um canal que comum para a passagem do ali-


mento ingerido e do ar inspirado, sendo que, no seu trajeto, as
duas vias se cruzam.
No sistema respiratório, a nasofaringe apresenta em sua pare-
de lateral o óstio faríngeo da tuba auditiva, que se comunica com a
cavidade timpânica do ouvido médio. Esse óstio é importante para
igualar as pressões do ar externo com a cavidade timpânica.
O óstio é protegido por uma elevação em forma de meia lua
chamada tórus tubal, constituído por uma cartilagem revestida
por um tecido linfoide (tonsila tubária). Esse tecido apresenta em
suas camadas internas células que atuam na defesa do óstio farín-

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172 © Anatomia Humana Geral

geo. Observe as estruturas da nasofaringe, na Figura 7.

Figura 7 Estruturas da nasofaringe.

Na região denominada de orofaringe ou bucofaringe, encon-


tramos uma comunicação chamada de istmo da fauce, delimitada
superiormente pela úvula, lateralmente pelos arcos paloglossos
e inferiormente pela raiz da língua, tendo a função de delimitar a
passagem do bolo alimentar.
Também encontramos, nessa região, a tonsila palatina (teci-
do linfoide), que possui a função de defesa dessa região.
A última parte é denominada laringofaringe, que se comuni-
ca com o esôfago, para que ocorra a condução do bolo alimentar
para o estômago.

Laringe
A laringe (Figura 8) é um tubo ímpar constituído por carti-
lagens e músculos, situado no plano mediano do pescoço, ante-
riormente à região da orofaringe e da laringofaringe e contínua à
traqueia. Anatomicamente, é subdividida em três partes denomi-
nadas região vestibular da laringe, glote e infraglote, ilustradas
nas Figuras 9A, 9B e 9C, regiões relacionadas à passagem de ar.
Elas conduzem o ar e impedem a entrada de qualquer coisa que
não seja ar na traqueia. Participam também da fonação.
© U4 - Sistema Respiratório 173

Figura 8 Laringe.

Figura 9A Vestíbulo da laringe.

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174 © Anatomia Humana Geral

Figura 9B Glote da laringe.

Figura 9C Infraglote.

A laringe é um órgão que deve ficar aberto o tempo todo.


Para isso, apresenta cartilagens ímpares (epiglote, tireoide e cri-
coide) e pares (aritenoide, corniculada e cuneiforme), como pode-
mos observar nas Figuras 10A e 10B.
© U4 - Sistema Respiratório 175

Figura 10A e 10B Cartilagens da laringe.

O vestíbulo da laringe, conforme ilustrou a Figura 9A, é o


início desse tubo. Há uma comunicação localizada em sua parte
superior denominada ádito da laringe, relacionando as duas par-

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176 © Anatomia Humana Geral

tes finais da faringe com a laringe, sendo fechada por meio de es-
tímulos nervosos pela cartilagem epiglote durante a deglutição e
aberta durante a respiração.
Inferiormente, encontramos a região glote (Figura 9B), que
apresenta as pregas vestibulares (proteção das pregas vocais), as pre-
gas vocais e a rima da glote durante a fonação, além dos músculos in-
trínsecos (músculos que se originam e se inserem na mesma região),
que podem aduzir ou abduzir as pregas vocais, fechando e abrindo a
rima da glote, respectivamente, e permitindo a emissão de sons.

Traqueia
Em continuação à laringe, encontramos a traqueia (Figura
11), que tem seu início após a região infraglote da laringe. O seu
término é em uma divisão denominada brônquios principais. An-
tes dos brônquios, encontramos uma crista mediana chamada ca-
rina, o limite final da traqueia.

Figura 11 Traqueia.
© U4 - Sistema Respiratório 177

É constituída por uma série de anéis de cartilagem hialina


em forma de C, ligadas entre si por ligamentos, e, posteriormen-
te, fechada por uma membrana conjuntiva denominada parede
membranosa da traqueia, que apresenta uma musculatura lisa,
denominada músculo traqueal (Figura 12).

Figura 12 Estruturas da traqueia.

A traqueia está relacionada em direcionar o ar para os brôn-


quios principais e, a seguir, para os pulmões. Também está rela-
cionada com a saída do ar e das secreções do pulmão, que podem
estar aumentadas por causa de processos patológicos e do uso de
cigarro.

Brônquios
Vimos, anteriormente, que a traqueia se divide em dois
brônquios principais, direito e esquerdo, também conhecidos por
brônquios de primeira ordem, que se dirigem para os dois pul-
mões, Figura 13.

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178 © Anatomia Humana Geral

Figura 13 Brônquios principais.

Clinicamente, o brônquio principal está reunido juntamen-


te com artérias pulmonares, veias pulmonares, nervos viscerais
e vasos linfáticos, sendo todos envolvidos por um tecido elástico
denominado raiz do pulmão. Essa raiz é sustentada pelas pleuras
do pulmão no hilo pulmonar (Figura 14 ). Os brônquios principais
dividem-se em brônquios lobares ou de segunda ordem, que se
dirigem para cada lobo do pulmão (Figura 15).
© U4 - Sistema Respiratório 179

Figura 14 Hilo pulmonar.

Figura 15 Árvore brônquica.

A seguir, veremos que os pulmões são divididos em lobos,


sendo que o pulmão direito se divide em três lobos e o esquerdo,
em dois lobos. Os brônquios lobares, por sua vez, dividem-se no-
vamente em brônquios segmentares ou de terceira ordem, for-
mando os segmentos broncopulmonares (unidade funcional do
pulmão). Caso julgue necessário, retorne à Figura 15 para rever a
estrutura dos brônquios.

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180 © Anatomia Humana Geral

O segmento broncopulmonar corresponde a uma área pul-


monar formada por vasos sanguíneos, nervos e, principalmente,
pelo brônquio segmentar (único). Em seguida, esses brônquios
segmentares continuam se dividindo em bronquíolos até termi-
narem nos alvéolos pulmonares, onde ocorrem as trocas gasosas.
Todas essas divisões, que começam com os brônquios principais
e vão terminar nos alvéolos, formam, em conjunto, a árvore brônquica.
A porção condutora (vias aéreas inferiores) termina nos bronquíolos.
Passaremos, agora, para o estudo da porção respiratória
(pulmão).

Caixa torácica
A caixa torácica (caso julgue necessário, retorne a Figura 6
da Unidade 2) é formada pela coluna vertebral posteriormente,
pelas costelas e pelos espaços intercostais em ambos os lados,
além do osso esterno e das cartilagens costais anteriormente. Su-
periormente, o tórax comunica-se com o pescoço e, inferiormen-
te, ele é separado do abdome pelo diafragma.
A caixa torácica protege os pulmões e o coração e proporcio-
na inserção para músculos do tórax, extremidade superior (mem-
bro superior), abdome e dorso (coluna). Observe a Figura 16.

Figura 16 Pulmão.
© U4 - Sistema Respiratório 181

Internamente, a caixa torácica possui a cavidade do tórax, que


pode ser dividida em uma parte mediana, chamada mediastino (lo-
cal onde encontramos o coração) e, em outras duas partes, lateral-
mente, temos as pleuras e os pulmões, ilustrados na Figura 17.

Figura 17 Pleuras.

A caixa torácica é formada pelos seguintes ossos: media-


namente encontramos o osso esterno achatado, no qual se ar-
ticulam as cartilagens costais, que se articulam com as costelas,
formando articulações sinoviais planas (esterno e cartilagens) e
sincondroses (cartilagens com as costelas), como observamos na
Figura 45 da Unidade 2.
Posteriormente, encontramos as vertebras torácicas (12
vértebras, as quais já mencionamos e ilustramos na Unidade 2),
que, juntamente com o osso esterno, as cartilagens e as costelas,
formam o arcabouço esquelético da caixa torácica.
Os espaços intercostais são revestidos pelos músculos inter-
costais internos e externos observados na Figura 18. Profunda-
mente aos músculos intercostais, encontramos os músculos trans-
versos do tórax.

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182 © Anatomia Humana Geral

Figura 18 Músculos intercostais.

Durante a mecânica respiratória, os músculos intercostais


têm a ação relacionada com a primeira costela que está fixada, em
seguida, ocorre o levantamento das costelas durante a inspiração
e, assim, aumentam os diâmetros anteroposterior e transverso do
tórax. Com a última costela fixada pelos músculos abdominais (Fi-
gura 19), eles abaixam as costelas durante a expiração, já o múscu-
lo transverso ajuda na ação dos demais músculos.

Figura 19 Músculos abdominais.


© U4 - Sistema Respiratório 183

Pulmões
Os pulmões ocupam o maior espaço da cavidade torácica e
são revestidos por um saco seroso duplo, chamado de pleura.
A pleura (como já vimos na Figura 17) não está revestindo
somente o pulmão, mas também reveste a parede interna da ca-
vidade torácica, distinguindo dois folhetos pleurais contínuos: a
pleura visceral ou pulmonar, que reveste o pulmão, e a pleura
parietal, que reveste a parede da cavidade torácica.
Entre as duas, encontramos um espaço virtual denominado
cavidade pleural, contendo um líquido que ao mesmo tempo ade-
re as duas pleuras entre si e permite o deslizamento de uma sobre
a outra na mecânica respiratória (ventilação).
O pulmão direito é mais curto que o esquerdo devido ao fato
de o diafragma ser mais elevado à direita, enquanto o esquerdo é
mais largo, porque o coração está mais deslocado para a esquerda.
Normalmente, o pulmão direito é dividido em três lobos (su-
perior, médio e inferior) por duas fissuras, uma oblíqua e outra
horizontal. Essas fissuras separam os lobos entre si, sendo que a
fissura oblíqua separa o lobo superior do inferior, e a horizontal
separa o superior do médio. Observe as Figuras 20A, 20B e 20C.
Nelas, está ilustrado o pulmão.

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184 © Anatomia Humana Geral

Figura 20A, 20B e 20C Estruturas do Pulmão.


© U4 - Sistema Respiratório 185

Já o pulmão esquerdo normalmente apresenta dois lobos, o


superior e o inferior. Portanto, temos apenas uma fissura, a oblí-
qua.
No lobo superior, encontra-se a língula, que faz parte do
lobo superior. Quando ocorrem variações anatômicas, a língula
desenvolve-se e origina o terceiro lobo do pulmão esquerdo.
O pulmão apresenta uma base inferior que está em contato
com o diafragma, um ápice que se localiza na parte mais supe-
rior da cavidade torácica. O pulmão apresenta, então, três faces:
a diafragmática, que está em contato com o músculo diafragma;
a mediastinal, que está voltada para o mediastino; e a costal, que
está voltada para as costelas.
Na face mediastinal, temos os hilos pulmonares em ambos
os pulmões. É por meio deles que os brônquios principais, as arté-
rias e as veias pulmonares, nervos e vasos linfáticos entram e saem
do pulmão. A disposição desses elementos do hilo pulmonar é di-
ferente no pulmão direito e esquerdo, pois, no direito, o brônquio
principal é superior à artéria pulmonar. Já, no esquerdo, a artéria
pulmonar é superior ao brônquio principal (caso julgue necessário
retorne à Figura 14 para relembrar o hilo pulmonar).
Em ambos os hilos e as veias pulmonares são inferiores, poden-
do utilizar o hilo para diferenciar os pulmões em direito e esquerdo,
pois a variação anatômica nessa região é muito difícil de ocorrer.

Você sabia que:–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––


Para que haja o esforço físico, é necessário que exista uma coordenação entre
função circulatória e função respiratória, e é através dessa coordenação que se
pode determinar a capacidade de esforço de um indivíduo. Tanto o consumo de
O2 como a ventilação aumenta de uma maneira quase proporcional a intensida-
de de esforço físico realizado (trabalho, em watts ou kg). Esse consumo de O2
quando é máximo em um indivíduo normal, chega a ser de aproximadamente
3.700 cm3 por minuto. Já em um indivíduo que recebe uma grande carga de
treinamento, ele pode chegar a 5.000 cm3 por minuto. Quando em repouso, os
músculos necessitam de aproximadamente 38% de O2 total disponível e, quando
em esforço máximo, necessitam de 95%. (FERREIRA, 2004).
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

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186 © Anatomia Humana Geral

7. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS
Confira, a seguir, as questões propostas para verificar o seu
desempenho no estudo desta unidade:
1) Conceitue sistema respiratório e citar os órgãos que compõem esse sistema.
2) Explique as narinas, as coanas e a abertura piriforme.
3) Explique o vestíbulo, a porção olfatória e a porção respiratória da cavidade nasal.
4) Explique, na parede lateral da cavidade nasal, os meatos e as conchas nasais
(superiores, médios e inferiores).
5) Explique a importância anatomofuncional dos seios paranasais: frontal, et-
moidal, esfenoidal e maxilar.
6) Explique as porções nasal, oral e laríngica da faringe.
7) Explique a importância anatomofuncional da porção nasal da faringe, o óstio
faríngico da tuba auditiva e o tórus tubário.
8) Explique as cartilagens da laringe: tireóidea, cricóidea, epiglótica (epiglote)
e aritenoide.
9) Explique, na parede lateral da laringe: as pregas vestibulares e vocais.
10) Cite as cartilagens da laringe que têm importância na deglutição e na fonação.
11) Explique a estrutura da traqueia.
12) Explique as pleuras.
13) Explique a forma e estrutura dos pulmões.
14) Explique a mecânica respiratória, dando ênfase na importância das pleuras.

8. CONSIDERAÇÕES
Durante o estudo desta unidade, vimos que para garantir
as principais funções do sistema respiratório, ele deve trabalhar
harmonicamente em conjunto com o sistema sanguífero para que
ocorra um aporte de nutrientes e oxigênio correto para a sobrevi-
vência das células teciduais e, em seguida, a retirada dos resíduos
metabólicos.
© U4 - Sistema Respiratório 187

Com isso, aprendemos que durante a uma atividade física, o


aparelho cardiorrespiratório aumenta o seu trabalho para poder
levar maior quantidade de O2 e nutrientes até o sistema muscular
(músculo esquelético, liso e cardíaco). Para isso, o sistema respira-
tório deverá absorver maior quantidade de oxigênio e, ao mesmo
tempo, eliminar o dióxido de carbono, aumentando a frequência
respiratória (inspiração e expiração).
Ao término desta unidade, consideramos que o conheci-
mento do sistema respiratório será fundamental para a formação
do educador físico, uma vez que tem papel fundamental na manu-
tenção da integridade física dos indivíduos e também na orienta-
ção da atividade física que será executada no dia a dia.

9. E-REFERÊNCIAS

Sites pesquisados
FERREIRA, J. E. R. A importância do processo respiratório nas aulas de educação física e
práticas esportivas. Efdeportes, Buenos Aires, ano 10, n. 76, set. 2004. Disponível em:
<http://www.efdeportes.com/efd76/respira.htm>. Acesso em: 30 nov. 2012.
AULA de anatomia: o site de anatomia mais visitado do Brasil. Homepage. Disponível em:
<http://www.auladeanatomia.com>. Acesso em: 21 jan. 2013.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE ANATOMIA. Disponível em: <http://www.sbanatomia.org.
br/>. Acesso em: 21 jan. 2013.

10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BRANDÃO, M. C. S. Anatomia sistêmica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004.
DANGELO, J. G.; FATTINI, C. A. Anatomia humano sistêmica e segmentar. 3. ed. São Paulo:
Atheneu, 2007.
MOORE, K. L.; AGUR, A. M. R. Fundamentos de anatomia clínica. 2. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2004.
MOORE, K. L.; AGUR, A. M. R. Anatomia orientada para a clínica. 6. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2011.
SNELL, R. S. Anatomia clínica para estudantes de medicina. 6. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2011.
TORTORA, G. J.; GRABOWSKI, S. R. Corpo humano: fundamentos de anatomia e fisiologia.
6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.

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EAD
Sistema Digestório

5
1. OBJETIVOS
• Descrever os órgãos que formam a sistema digestório (su-
pradiafragmática e infradiafragmática).
• Descrever as glândulas anexas do sistema digestório (fíga-
do, pâncreas e glândulas salivares).

2. CONTEÚDOS
• Classificação do sistema digestório.
• Saliva e peristaltismo.
• Peritônio e cavidade abdominal.
• Esôfago, estômago, intestino delgado e intestino grosso.
• Fígado e pâncreas.
190 © Anatomia Humana Geral

3. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE


Antes de iniciar o estudo desta unidade, é importante que
você leia as orientações a seguir:
1) Para a construção do seu conhecimento , é importan-
te que os conceitos e os exemplos sejam analisados e
compreendidos, com a finalidade de melhorar o enten-
dimento do texto apresentado. Não deixe dúvidas para
trás, elas o impedirão de caminhar com sucesso!
2) Nosso ambiente de comunicação estará permanentemen-
te aberto, por isso, participe a qualquer momento e motive
seus colegas na construção colaborativa do conhecimento.

4. INTRODUÇÃO À UNIDADE
Nesta unidade, descreveremos o sistema digestório através
dos órgãos localizados superiormente ao músculo diafragma (ca-
vidade bucal, faringe e esôfago), os localizados inferiormente ao
músculo diafragma (estômago, intestino delgado, intestino grosso)
e as glândulas anexas (fígado, pâncreas e glândulas salivares), pois,
nas unidades anteriores, você já aprendeu o transporte do sangue
para os outros órgãos levando o O2 e os nutrientes que serão obti-
dos através do sistema digestório.
Esperamos que com o estudo dessa unidade, você seja capaz
de localizar os órgãos da via supradiafragmática, via infradiafrag-
mática do sistema digestório e a função desses órgãos.

5. SISTEMA DIGESTÓRIO
O sistema digestório é importante para o corpo humano por
levar o alimento para dentro do nosso corpo através das paredes
do tubo digestório, sendo formado pelas regiões do tubo digestó-
rio: boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino
grosso e ânus.
© U5 - Sistema Digestório 191

O sistema em questão necessita de cada estrutura do tubo


digestório e outras para permitir que o alimento consiga ser que-
brado em pequenas estruturas, para que o corpo possa absorver.
Na região bucal, por exemplo, encontram-se as estruturas dos den-
tes e a língua, que são fundamentais para realizar a digestão, tendo
em vista que todo o processo digestivo se inicia na boca, fato esse
que permite modificar o alimento em pequenos pedaços que serão
ainda misturados com a saliva e enzimas de forma que ele seja de-
glutido e consiga passar pelas outras estruturas (ilustração na Figura
1). Para que esses alimentos diminuam seu tamanho, são rasgados,
amassados e também sofrem impactos pela língua que passa a ba-
ter o alimento sobre o palato duro (Figuras 2A e 2B) "céu da boca".
A língua, como mostra as Figuras 3A e 3B, ainda é uma estru-
tura que apresenta grandes receptores capazes de dizer ao corpo
o sabor do alimento, estimulando junto com os outros órgãos sen-
sitivos (visão e olfato) a produção de saliva e outras substâncias
capazes de degradar os alimentos.

Figura 1 Cavidade oral.

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192 © Anatomia Humana Geral

Figura 2A e 2B Estruturas da cavidade oral.


© U5 - Sistema Digestório 193

Figura 3A e 3B Estruturas da língua.

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194 © Anatomia Humana Geral

Saliva e peristaltismo
A saliva é uma estrutura importante do complexo digestório,
tendo em vista que ela contêm sais capazes de manter o pH leve-
mente ácido e enzimas como a amilase, capaz de digerir amido
e polissacarídeos, permitindo que sejam reduzidos em moléculas
que serão futuramente transformadas em açucares simples e ab-
sorvidos pelo corpo humano.
Após o alimento passar por vários processos na região bu-
cal, a língua permite que o alimento escorra até a região da farin-
ge, passando pelo esôfago, sendo transportado por movimentos
lentos e rítmicos denominados peristálticos capazes de levar o ali-
mento até o estômago entre 5 e 10 segundos.

Glândulas salivares
As glândulas salivares (Figuras 4A e 4B) são estruturas en-
contradas na região próxima da boca e são: parótida, submandibu-
lar e sublingual. Ao serem estimuladas pelos sentidos do corpo ou
sob a presença do alimento, passam a produzir e secretar a saliva,
substância alcalina e líquida com aspecto viscoso capaz de umede-
cer a boca e degradar o alimento.
© U5 - Sistema Digestório 195

Figura 4A e 4B Glândulas salivares.

Anatomia topográfica do sistema digestório


Ao olharmos inicialmente sobre a região do abdômen, en-
contra-se uma membrana serosa de dupla parede que envolve as
vísceras abdominais, o peritônio. Ao se retirar essa estrutura, pas-
samos a visualizar todos os órgãos da cavidade abdominal, região
que abriga o canal alimentar, o fígado, pâncreas e também alguns

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196 © Anatomia Humana Geral

órgãos do sistema urinário. O peditório, entretanto, não recobre


todas as estruturas, por exemplo, o intestino delgado e parte do
cólon transverso.
Na cavidade abdominal, encontra-se um músculo capaz de
dividir os limites dessa cavidade superiormente, denominado dia-
fragma e logo abaixo, na porção esquerda do plano mediano desta
estrutura, encontra-se o estômago, que é seguido pelo duodeno.
Observe o peritônio e a cavidade abdominal na Figura 5.

Figura 5 Peritônio e cavidade abdominal.

Na região onde ocorre a união dos dois órgãos, encontra-


-se uma estrutura capaz de permitir o controle da passagem do
conteúdo gástrico, denominada piloro, localizada na junção gas-
troduodenal. Ao observarmos a morfologia do duodeno (estrutu-
ra do intestino delgado), nota-se sua forma descrita como em "C".
© U5 - Sistema Digestório 197

Ao observarmos a morfologia da região do intestino delgado


(Figura 6), pode ser observada a formação de alças intestinais de com-
primento próximo a seis metros cada. Com a presença de três estrutu-
ras denominadas duodeno, jejuno e ílio, o corpo humano adaptou-se
enrolando o sistema para compactar o seu espaço. Todas as estrutu-
ras descritas nesta unidade se encontram presas posteriormente no
abdômen por pregas do peritônio denominadas mesentério.

Figura 6 Intestino delgado.

Ao final da última estrutura, ou seja, o íleo, encontra-se o


intestino grosso, que na sua porção inicial, denominada cécum,
apresenta projetado o apêndice vermiforme. Ainda ao observar-
mos o intestino grosso, passamos a visualizar o cólon ascendente,
curvando-se (flexura hepática "pela sua proximidade ao baço"),
continuando pelo cólon transversal, curvando-se novamente (fle-
xura esplênica "pela sua proximidade ao esplênio"), chegando ao
cólon sigmoide que se penetra na região da pelve para formar o
reto e terminar o canal digestório no ânus.

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198 © Anatomia Humana Geral

Peritônio
O peritônio, como vimos anteriormente, na Figura 5, é uma
membrana serosa de dupla parede, recobrindo toda a parede ab-
dominal (peritônio parietal) e as vísceras (peritônio visceral), en-
tre essa divisão morfológica, encontra-se a cavidade peritoneal,
que é infiltrada por um líquido aquoso que permite um livre des-
lizamento entre os dois peritônios. Essa distribuição da estrutura
permite que ela seja rígida para fixar os órgãos e, ao mesmo tem-
po, passa a garantir determinada mobilidade.
A mobilidade visceral, e também peritoneal, é muito impor-
tante e sempre levada em consideração durante avaliações, tendo
em vista que as alterações da morfologia ou de seu posicionamen-
to indicam a existência de doenças na cavidade abdominal. Um
exemplo importante sobre esse assunto é durante uma infecção na
região abdominal pelo peritônio ser uma estrutura que também se
movimenta por intermédio de contrações dos músculos viscerais,
atuando para isolar a infecção para reduzir os seus malefícios.
A região do peritônio apresenta duas funções importantes
para o corpo humano, sendo: a redução do atrito e a resistência
a infecção. Outra ação dessa estrutura para o corpo humano tam-
bém é relacionada ao armazenamento de gordura, principalmente
no omento maior.

Cavidade abdominal e peritonial


Na cavidade abdominal, podemos dividir os órgãos em duas
características:
• Órgãos peritonizados: órgãos completamente
envolvidos pelo peritônio: jejuno, ílio, entre outros.
• Órgãos parcialmente peritonizados: quando os
órgãos não são cobertos totalmente pelo peritônio.
E também em duas porções que são denominadas pelo seu
posicionamento entre os peritônios, podendo ser:
© U5 - Sistema Digestório 199

• Intraperitonial: órgãos que se encontram dentro do


peritônio, sendo os únicos órgãos os ovários.
• Retroperitonial: o órgão encontra-se na parede
posterior do abdômen, sendo esses órgãos: os rins,
pâncreas, parte do duodeno, ureter, veia cava inferior
e aorta.
Assim, como já descrito, o peritônio apresenta extensões
(que permitem ainda mais mobilidade para o órgão) que se
prenderão a órgãos para fixá-los, denominadas meso, dessa forma,
as estruturas que se fixam passam a somar sua nomenclatura,
como: mesentério (de énteron, intestino) ou mesocólon transverso
e mesocólon sigmoide (Figura 7).

Figura 7 Estruturas do peritônio.

O peritônio ainda apresenta entre os órgãos que são recober-


tos por ele uma larga lâmina peritoneal denominada omento. Na ca-
vidade abdominal, existem dois omentos importantes: maior e me-
nor, localizados entre os intestinos e também próximo ao estômago.

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200 © Anatomia Humana Geral

No sexo feminino, existe uma peculiaridade muito importan-


te para possíveis infecções na região abdominal, pois a cavidade
abdominal da mulher está em contato com a cavidade pélvica pelo
óstio abdominal da tuba uterina, que se abre na cavidade perito-
neal, permitindo o desenvolvimento de infecções decorrentes da
região genital.

Esôfago, estômago e intestinos


Quando estamos relacionando nosso estudo às estruturas
do sistema digestório, denominamos um canal alimentar formado
por três órgãos que são importantes no processo digestivo, deno-
minados: esôfago, estômago e intestinos. Dentre essas estruturas,
o esôfago apresenta a função de um tubo condutor de alimentos,
enquanto o estômago e os intestinos em concomitância as glându-
las anexas (fígado e o pâncreas) são peças fundamentais no meca-
nismo da digestão, absorção e excreção dos alimentos ingeridos
pelo nosso corpo.

Esôfago
O esôfago (Figuras 8A e 8B) é uma estrutura do corpo huma-
no que pode ser divida por seu posicionamento dentro do corpo
humano, denominado torácico (encontrado acima do diafragma) e
abdominal (abaixo do diafragma) (Figura 9).
© U5 - Sistema Digestório 201

Figura 8A e 8B Esôfago.

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202 © Anatomia Humana Geral

Figura 9 Músculo diafragma.

Na porção denominada esôfago abdominal, encontra-se a


função entre a estrutura e o estômago conhecida como junção
esofagogástrica ou cárdia, localizada próxima da curvatura menor
do estômago. Nesse local, o alimento reduz a sua velocidade, uma
vez que a junção atua como uma barreira para impedir o refluxo
e controlar a entrada do alimento no estômago por intermédio de
um falso esfíncter ou esfíncter funcional.

Estômago
A estrutura do estômago é encontrada dentro da cavidade
abdominal em sua porção superior, inferiormente ao diafragma e
ao fígado; entretanto, por essa estrutura ser peritonizada, a sua
posição pode se modificar, alterando a posição do corpo entre
outras ações. A estrutura é caracterizada pela sua forma similar
a letra "J", fato esse que permite a configuração de duas curvatu-
ras: a curvatura gástrica menor e maior. O estômago apresenta-se
como um saco fibromuscular capaz de acumular material nutritivo
e transportá-lo para o duodeno, ao ser digerido, o que ocorre pela
© U5 - Sistema Digestório 203

ação do ácido gástrico. O órgão em questão se inicia na junção


esofagogástrica, ou cárdia, estendendo-se para a direita e inferior-
mente, terminando ao nível da junção gastroduodenal, o piloro.
O estômago (Figura 10) é um órgão que apresenta diversas
estruturas, sendo elas:

Figura 10 Estômago.

• Fundo: parte do estômago situada acima da região cár-


dica. Contém ar ingerido durante as refeições, por esse
motivo, é uma estrutura visível nas radiografias e respon-
sável pelo som timpânico na percussão dessa região.
• Corpo: é a parte situada entre o fundo e a parte pilórica, sendo
que não existe uma marcação para delimitar essa estrutura.
• Porção pilórica (que significa "porteiro"): região após o cor-
po do estômago, estende-se até o piloro, também com fun-
ção de quebra dos alimentos por movimentos segmentares.
• Esfíncter piloro: porção de transição gastroduodenal.
Nessa região, existe o segundo e último esfíncter do estô-
mago, desta vez, denominado esfíncter pilórico. Entretan-
to, diferente do primeiro esfíncter (cárdico), esse atua de
forma precisa regulando a passagem de alimento e tam-
bém o refluxo do conteúdo duodenal.

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204 © Anatomia Humana Geral

O órgão estômago é uma inervação por estruturas parassim-


pática e simpática, os ramos parassimpáticos atuam através dos
troncos vagais, anterior e posterior. Com a atuação dessa inerva-
ção ocorre o aumento da atividade peristáltica (motora), além de
ativar a secreção de ácidos pelas glândulas gástricas juntamente
com outras atuações hormonais.
A inervação simpática do estômago, por sua vez, é constituí-
da de fibras pós-ganglionares que fizeram sinapse com as ganglio-
nares, atuando na inibição da motilidade gástrica.

Intestino delgado
O intestino delgado (como vimos anteriormente, na Figura
6) é uma estrutura que inicia na junção gastroduodenal (piloro) e
termina na junção ileocecocólica, para dentro do intestino grosso,
local que apresenta a principal função de absorção. Essa estrutura
varia de 5 a 8 metros de comprimento.
O intestino delgado contem três estruturas: o duodeno, o
jejuno e o íleo. Ao olharmos as estruturas do intestino delgado,
devemos explanar que as duas últimas partes são longas, convolu-
tas e peritonizadas, sendo presas pelo mesentério.

Duodeno
O duodeno inicia-se após o piloro e termina na flexura duo-
denojejunal, a estrutura recebe essa nomenclatura devido ao seu
comprimento equivalente à largura de "doze dedos", apresentan-
do morfologia parecida com a letra "C", contém canais advindos
das principais glândulas anexas, que são advindos pelo ducto pan-
creático, o ducto pancreático acessório e o ducto colédoco, que se
abrem na porção descendente do duodeno. Ambos os ductos se
unem em um único ducto, formando a ampola hepatopancreática,
desembocam por uma abertura comum denominada papila maior
do duodeno.
© U5 - Sistema Digestório 205

O ducto pancreático acessório não é comum de ser encon-


trado, entretanto, quando existe, desemboca na papila duodenal
menor, localizada superiormente (cerca de 2 cm) à papila duode-
nal maior.

Jejuno e íleo
O jejuno e o íleo são as duas últimas porções do intestino
delgado, entretanto, muito difícil de serem distinguidas morfolo-
gicamente ao olhar.
Essas estruturas constituem um tubo longo, o jejuno consti-
tui 2/5 proximais desse tubo, enquanto o íleo corresponde aos 3/5
distais terminando na junção iliocecólica.
Estruturalmente, o jejuno apresenta diferenças significan-
tes por ser mais vascularizado, apresentar mais pregas circulares
e apresentar-se sempre vazio em comparação ao ílio; entretanto,
quanto mais próximo chegamos da união dos intestinos, menores
são as suas características.

Intestino grosso
O intestino grosso (Figura 11) é uma estrutura importante
por armazenar em toda sua extensão o resíduo final do alimento
denominado de bolo fecal. Constituído por:

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206 © Anatomia Humana Geral

Figura 11 Intestino Grosso.

• cécum e apêndice vermiforme;


• cólon ascendente e flexura hepática (cólica direita);
• cólon transverso e flexura esplênica (cólica esquerda);
• cólon descendente;
• cólon sigmoide (caracterizado por apresentar-se em "S");
• reto e canal anal.
Ao estudarmos sobre o intestino grosso, sempre temos a
consciência de que essa estrutura (Figura 12) é mais calibrosa,
quando comparada ao intestino delgado; essa afirmação se encon-
tra parcialmente correta, uma vez que a porção do cólon descente,
quando vazia, apresenta calibre inferior. Todo o intestino grosso,
com exceção ao reto, apresenta uma musculatura longitudinal
denominada tênias do cólon. Essa musculatura, ao gerar tensão,
permite a criação dos haustros, que são estruturas características
do intestino grosso, entretanto, essas estruturas se modificam em
tempos pela contração da musculatura. Por fim, outra caracterís-
tica evidente do intestino grosso é a presença dos apêndices epi-
ploicos, que são pequenas massas de tecido adiposo envolvidas
pelo peritônio e que se salientam na superfície do cólon.
© U5 - Sistema Digestório 207

Figura 12 Estruturas do intestino grosso.

O intestino grosso é uma estrutura importante para o corpo


humano por atuar na formação, no transporte e na evacuação das
fezes. Além de realizar a absorção da água, principal função desse
organismo, uma vez que liberamos de 7 a 9 litros de água durante
o processo digestivo.

Cécum e apêndice vermiforme


O cécum é a primeira porção do intestino grosso, sendo loca-
lizado logo após o íleo. Nessa estrutura, encontra-se uma projeção
denominada apêndice vermiforme. Acredita-se que essa estrutura
é uma involução do corpo humano, servindo principalmente du-
rante uma etapa que nossa dieta era basicamente herbívora. Na
função entre o íleo e o cécum, encontra-se a prega ileocercal su-
perior, localizada posteromedialmente. Nessa região, encontra-se
o óstio ileocecal, constituído de duas pregas ou lábios, superior e
inferior, que formam a valva ileocecal ou ileocólica. Entretanto,
essa valva é frágil e permite diversos refluxos.
O apêndice vermiforme por sua vez é um órgão estreito, oco
e muscular, que corriqueiramente se apresenta inflamado, desen-
volvendo a apendicite, a qual gera espasmo no órgão, resultando
na dor sobre a região epigástrica.

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208 © Anatomia Humana Geral

Fígado e vias biliares


O fígado é caracterizado por ser a maior glândula do corpo e
encontra-se localizado na região hipocôndrio direito.
Essa glândula é importante por participar ativamente na diges-
tão das gorduras pela sua secreção exócrina, denominada suco biliar,
que é inserido no duodeno pelas vias biliares; porém, essa estrutura
anatômica também produz secreção endócrina que é liberada, direta-
mente, na circulação sanguínea. Além das funções já citadas, o fígado
também tem um papel fundamental no controle metabólico do nosso
organismo, tendo em vista que ele atua na síntese de proteínas, nos
mecanismos de desintoxicação e no armazenamento de minerais.
O fígado (Figura 13) apresenta duas faces: uma convexa, lisa,
em relação com o diafragma e por essa razão denominada dia-
fragmática; e a outra, inferior e posterior, é a face visceral. Ainda
o fígado pode ser dividido em lobos, sendo eles:

Figura 13 Fígado.

• Lobo direito;
• Lobo esquerdo;
• Lobo quadrado;
• Lobo caudado.
© U5 - Sistema Digestório 209

Pâncreas
A última estrutura do sistema digestório que devemos res-
saltar é a segunda glândula em anexo do sistema, fundamental por
sua atuação endócrina e exócrina também. Essa glândula é a res-
ponsável pela produção de insulina e outras substâncias que são
liberadas dentro da corrente sanguínea.
Anatomicamente, ela se divide em três porções: cabeça, cor-
po e cauda. Na sua porção medial, encontra-se um ducto denomi-
nado pancreático (Figura 14), importante por carregar substâncias
que serão misturadas ao suco biliar e adentrar no duodeno.

Figura 14 Pâncreas.

6. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS
Confira, a seguir, as questões propostas para verificar o seu
desempenho no estudo desta unidade:
1) Conceitue sistema digestivo e cite os órgãos que o compõem.
2) Explique as funções da língua.
3) Explique a localização e as funções das glândulas salivares.
4) Explique os limites superior e inferior do esôfago.

5) Explique os movimentos peristálticos do tubo digestivo.

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210 © Anatomia Humana Geral

6) Explique a importância das lâminas parietal e visceral do peritônio.

7) Explique o termo: órgãos retroperitoniais.

8) Explique as funções do estômago.

9) Explique o início, o término e as porções do intestino delgado.

10) Explique as funções do intestino delgado.

11) Explique as características anatômicas do intestino grosso.

12) Explique as funções do intestino grosso.

13) Explique a localização e as funções do pâncreas.

14) Explique a importância funcional do fígado e das vias biliares.

7. CONSIDERAÇÕES
Nesta unidade, descrevemos os órgãos supradiafragmáticos
e infradiafragmáticos responsáveis pelo processo digestório, des-
de a formação do bolo alimentar, o quimo, até a eliminação pelas
fezes. Esse processo é classificado complexo e fundamental para o
metabolismo humano, pois por meio dele, obtemos os nutrientes
necessários para a função celular.
Podemos afirmar que o sistema digestório é o grande res-
ponsável pela captação de nutrientes e água, que são necessários
para o funcionamento das células humanas. Para o educador físi-
co, é importante o seu conhecimento, a fim entender como nosso
organismo consegue energia necessária para a atividade física.

8. E-REFERÊNCIAS

Sites pesquisados
AULA de anatomia: o site de anatomia mais visitado do Brasil. Homepage. Disponível em:
<http://www.auladeanatomia.com>. Acesso em: 21 jan. 2013.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE ANATOMIA. Disponível em: <http://www.sbanatomia.org.
br/>. Acesso em: 21 jan. 2013.
© U5 - Sistema Digestório 211

9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRANDÃO, M. C. S. Anatomia sistêmica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004.
DANGELO, J. G.; FATTINI, C. A. Anatomia humano sistêmica e segmentar. 3. ed. São Paulo:
Atheneu, 2007.
MOORE, K. L.; AGUR, A. M. R. Fundamentos de anatomia clínica. 2. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2004.
MOORE, K. L.; AGUR, A. M. R. Anatomia orientada para a clínica. 6. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2011.
SNELL, R. S. Anatomia clínica para estudantes de medicina. 6. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2011.
TORTORA, G. J.; GRABOWSKI, S. R. Corpo Humano: fundamentos de anatomia e fisiologia.
6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.

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EAD
Sistema Urinário

6
1. OBJETIVOS
• Conhecer e descrever os órgãos que formam o sistema
urinário.
• Compreender o processo de formação e condução da urina.
• Analisar o processo de eliminação da urina.
• Apresentar os órgãos que formam o sistema genital femi-
nino e masculino (externo e interno).
• Descrever o processo de formação, condução e fecunda-
ção para a formação do zigoto feminino e masculino.

2. CONTEÚDOS
• Classificação do sistema urinário.
• Órgão que produz a urina – rins.
• Órgão que conduz a urina para seu armazenamento –
ureter.
214 © Anatomia Humana Geral

• Órgão que armazena a urina – bexiga.


• Órgão que conduz a urina para o meio externo – uretra.
• Classificação do sistema genital feminino.
• Órgão classificado como a gônada feminina – ovário.
• Órgão que conduz o ovócito II – tuba uterina.
• Órgão que armazena o novo ser vivo – útero.
• Órgão da cópula – vagina.
• Órgão genital externo – vulva ou pudendo feminino.
• Classificação do sistema genital masculino.
• Órgão classificado como a gônada masculina – testículo.
• Órgão de condução do espermatozoide – ducto deferen-
te, ducto ejaculatório e uretra.
• Órgão da cópula – pênis.
• Órgão genital externo – pênis e escroto.

3. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE


Antes de iniciar o estudo desta unidade, é importante que
você leia as orientações a seguir:
1) Volte às unidades anteriores para entender e recordar
os conceitos propostos. Consulte sempre o Glossário,
quando surgirem ideias que ainda não foram completa-
mente assimiladas.
2) Recomendamos que você leia várias vezes os textos
deste material para fixar seus conteúdos. Para isso, faça
pequenos apontamos com a finalidade de comparar e
aprofundar pontos de destaque, utilizando-se das fontes
aqui elencadas e que já indicamos como indispensáveis
para o estudo deste tema.
3) Fique atento a todo o conteúdo desta unidade, na qual
você encontrará conceitos importantes para sua apren-
dizagem.
© U6 - Sistema Urinário 215

4. INTRODUÇÃO À UNIDADE
O sistema urinário é formado pelo órgão que produz a urina,
ou seja, os rins. Portanto, nesta unidade, descreveremos a ana-
tomia externa e interna dos rins para entendermos melhor o seu
funcionamento, em seguida, como são conduzidos e armazenados
os resíduos produzidos por nosso organismo para serem elimina-
dos para o meio externo. Com isso, manteremos nosso equilíbrio
para ocorrer a homeostase.
Esperamos que você compreenda as funções e a importân-
cia do conhecimento sobre os rins para o educador físico, que tra-
balhará o condicionamento físico dos atletas.

5. SISTEMA URINÁRIO
Todas as atividades orgânicas são resultados da quebra de
proteínas, lipídeos e carboidratos, promovendo a liberação de
energia para as atividades metabólicas e atuando na formação
de conteúdos que deverão ser excretados para fora do organis-
mo, sendo a urina um componente importante para carrear as
substâncias para serem eliminadas. Contudo, o sistema urinário é
formado pelos órgãos que têm a função de formar a urina, pelos
ureteres e uretra, no transporte dessa urina, e a bexiga, no arma-
zenamento dela. Esses mecanismos são essenciais para a manu-
tenção da homeostase, isto é, do estado de equilíbrio nas funções
e na composição química dos fluidos, como o equilíbrio iônico do
sangue e dos tecidos do corpo.
Por essa razão, quando os rins deixam de cumprir suas fun-
ções de maneira adequada, uma intervenção médica é obrigató-
ria para manter a homeostase, seja ela uma diálise peritonial, seja
uma hemodiálise ou transplante renal.

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216 © Anatomia Humana Geral

Órgãos do sistema urinário

Rins
É um órgão par, abdominal, localizado posteriormente ao pe-
ritônio parietal, o que o identifica como retroperitoneal. Os rins são
responsáveis pela produção e emissão da urina e funcionam tam-
bém como glândulas endócrinas, pois produzem a urina que controla
a secreção de aldosterona. Além disso, os rins são a principal fonte
de produção de eritropoietina em adultos, que atua sobre as células
da medula óssea para estimular a produção de hemácias. Cada rim
possui 1.250.000 néfrons, a unidade estrutural e funcional do órgão.
Os glomérulos renais filtram 125 ml de sangue por minuto, no adulto
masculino, e um pouco menos no adulto feminino (110 ml). Os rins
ficam localizados no lado direito e esquerdo da região vertebral, sen-
do o direito localizado em uma região inferiorizada, se comparado
ao rim esquerdo, por conta do posicionamento do fígado à direita. O
rim apresenta um formato semelhante a um grão de feijão, contendo
duas faces (anterior e posterior), duas margens (medial e lateral) e
duas extremidades (superior e inferior). As extremidades são tam-
bém chamadas de polos, sendo na região do polo superior situada
a glândula suprarrenal, relacionada com a formação de conteúdos
endócrinos (hormônios) para o corpo humano (Figura 1).

Figura 1 Rim e ureter.


© U6 - Sistema Urinário 217

Uma cápsula, denominada cápsula fibrosa, reveste os rins,


juntamente com a cápsula adiposa, contendo uma grande quan-
tidade de gordura, que é separada em duas porções: a camada
interna, também chamada de gordura perirrenal, e a camada ex-
terna, denominada gordura pararrenal. Além da proteção desse
órgão, as duas cápsulas, associadas com o pedículo renal e a pres-
são intra-abdominal, mantêm o posicionamento dos rins na cavi-
dade abdominal.
A margem medial do rim apresenta uma fissura vertical, o
hilo, por onde passam o ureter, a artéria e as veias renais, os lin-
fáticos e os nervos. Esses elementos constituem em conjunto o
pedículo renal. No interior dos rins, o hilo renal prolonga-se para
dentro de uma cavidade centralizada, chamada de seio renal, que
tem por função proteger e acobertar a pelve renal, facilmente
identificada por ser porção final dilatada do ureter (caso julgue ne-
cessário, retorne à Figura 1 para visualizar o ureter).
Em toda região renal, é possível identificar vários segmentos
que estão relacionados com a passagem interdependente de vasos
sanguíneos ou ductos uriníferos. Esses segmentos são visíveis em
peças anatômicas preparadas por corrosão, após injeção vascular
de uma substância plástica. Os segmentos renais arteriais são cin-
co: superior, antero-superior, anteroinferior, inferior e posterior.

Corte macroscópico do rim


O estudo macroscópico dos rins pode ser feito em um cor-
te frontal, em que se pode dividi-lo em duas metades (anterior
e posterior). Em uma delas, é facilmente observada uma porção
de coloração pálida, denominada de córtex renal, região essa que
se projeta até outra porção denominada de medula renal. Nessas
projeções, pode-se observar algumas colunas, denominadas de
colunas renais, e outras estruturas que têm por função separar as
porções cônicas da medula, denominadas de pirâmides renais. A
região superior da pirâmide renal tem um posicionamento voltado

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218 © Anatomia Humana Geral

para a região da pelve renal, enquanto que toda a região inferior


está voltada para a superfície desse órgão.
A pelve renal é dividida em regiões delimitadas por dois
ou até três tubos curtos e largos, denominados de cálices renais
(maiores e menores). A principal função deles é servir como supor-
te para alojar as regiões do ápice das pirâmides renais, denomina-
do como papila renal. A unidade estrutural e funcional do rim é os
néfron, como foi dito, e seu estudo é feito na Histologia.

Ureter
É definido como um tubo muscular que une o rim à bexiga,
com um comprimento aproximado de 25 cm. Esse tubo se projeta
da pelve renal, passando para um trajeto descendente por meio
da parede posterior do abdome, penetrando diretamente na re-
gião da pelve até se conectar pelos óstios ureterais à bexiga. Du-
rante todo o trajeto, são determinadas três porções que delimitam
o ureter, sendo: abdominal (devido à passagem na região abdomi-
nal), pélvica (devido à passagem na região da pelve) e intramural
(devido à passagem pela parede da bexiga).
O ureter pélvico cruza a artéria ilíaca comum e curva-se me-
dialmente (flexura pélvica) para chegar à bexiga urinária. Esse tubo é
capaz de realizar contrações, devido a presença de tecido muscular,
sendo denominada essas contrações de movimentos peristálticos.
Pode também apresentar estreitamentos na junção pielo-
-ureteral, na flexura pélvica e na porção intramural. Esses pontos
são, frequentemente, locais de dificuldades de migração de cálcu-
los urinários ou de introdução de endoscópios ureterais para exa-
mes de diagnóstico.

Bexiga
Esse órgão é localizado na região posterior à sífise púbica,
tendo por função armazenar por tempo determinado a urina para
© U6 - Sistema Urinário 219

excreção. A partir dessa região, todo fluxo contínuo proveniente


dos ureteres é controlado para um sistema periodizado, ou seja,
uma emissão intermitente. Pode conter, quando cheia, cerca de
500 ml de urina, mas o desejo de micção geralmente ocorre já com
350 ml. A dimensão, posicionamento e as características anatômi-
cas variam de acordo com os órgãos circunvizinhos, devido à par-
ticularidade principalmente da idade e gênero no indivíduo. Em
uma pessoa adulta, quando cheia, a bexiga se projeta até a região
da sínfise púbica, sendo em alguns casos observada uma saliência
abdominal. Durante todo o desenvolvimento do feto e do recém
nascido, esse órgão ocupa um posicionamento inicial na cavidade
abdominal; no futuro, quando a puberdade está próxima, este se
projeta inferiormente até a região da pelve. No sexo masculino, o
reto coloca-se posteriormente a ela; no sexo feminino, entre o reto
e a bexiga, situa-se o útero. Somente a porção mais superior da be-
xiga é coberta pelo peritônio, que se continua nos órgãos vizinhos
e forra as fossas paravesicais, uma de cada lado da bexiga.
A bexiga (Figura 2) possui um corpo, um fundo (porção pos-
teroinferior), um colo (a parte que envolve o óstio interno da ure-
tra) e um ápice (voltado em direção anterior). O colo da bexiga
está firmemente preso ao diafragma pélvico. Os ligamentos pu-
bovesicais lateral e medial e o ligamento lateral da bexiga são os
responsáveis pela fixação do órgão. A superfície interna da bexiga
pode ser observada in vivo por meio do cistoscópio. Quando vazia,
ela parece enrugada e de cor amarelo pálido, e são reconhecidos
facilmente três orifícios: os óstios do ureter (direito e esquerdo) e
o óstio interno da uretra. Esses orifícios limitam o trígono da bexi-
ga, cuja superfície mucosa é lisa e plana. O óstio interno da uretra
pode aparecer como uma fenda de conexidade anterior, com lá-
bios anterior e posterior. O lábio posterior é saliente e forma uma
proeminência mediana, a úvula da bexiga, relacionada com a con-
vergência de numerosas fibras do músculo do trígono da bexiga,
ao passar através do músculo esfíncter da bexiga para terminar na
uretra.

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220 © Anatomia Humana Geral

Figura 2 Ureter e bexiga.

Na região da túnica muscular da bexiga, pode-se notar a pre-


sença de um músculo, denominado de esfíncter da bexiga, locali-
zado ao nível do óstio interno da uretra e anatomicamente conhe-
cido como o início da uretra.

Uretra
Constitui o último segmento das vias urinárias e será des-
crita juntamente com o sistema genital. Aqui vale lembrar que ela
difere nos dois sexos, mas em ambos é um tubo mediano que esta-
belece a comunicação entre a bexiga urinária e o meio exterior. No
homem, é uma via comum para a micção e a ejaculação, ao passo
que, na mulher, serve apenas à excreção da urina.
© U6 - Sistema Urinário 221

6. SISTEMA GENITAL MASCULINO

Conceito de reprodução
À capacidade de o ser vivo gerar outro ser vivo da mesma es-
pécie, isto é, com as mesmas características, dá-se o nome de re-
produção. Através dessa importante função é que ocorre a perpe-
tuação da espécie. Todo o sistema reprodutor é responsável pela
procriação da espécie humana, como também executado na maio-
ria de outras espécies animais, por meio da reprodução sexuada.
Esse tipo de reprodução é realizado por gametas, cuja união de
dois gêneros promove o que se pode chamar de fecundação, para
formação de um novo ser vivo. Na espécie humana, toda repro-
dução é dependente da união de dois gametas, ou seja, do sexo
masculino e feminino, capaz de se unificar por meio da passagem
do gameta masculino para dentro dos órgãos genitais femininos.
Assim, o sistema genital masculino é o conjunto de órgãos
que formam, emitem e introduzem o líquido fecundante, esper-
ma ou sêmen, nas vias do sistema genital feminino durante o ato
sexual (coito) de indivíduos maduros. Toda atividade de reprodu-
ção é limitada em alguns estágios da vida, por exemplo: tem início
durante a fase da puberdade, com maior amadurecimento na fase
adulta e, consequentemente, decresce com o avançar da idade
cronológica. Até o fim do 2º mês de vida intrauterina (embrião de
3 cm) é impossível evidenciar, com as técnicas disponíveis até o
momento, as diferenças morfológicas devidas ao sexo, isto é, o di-
morfismo sexual. Antes desta data, o embrião tem a forma funda-
mental idêntica nos dois sexos, constituindo a fase da indiferença
sexual. Segue-se a fase da diferenciação sexual, morfológica e fun-
cional, entre homem e mulher, diferenças que são visíveis parti-
cularmente nos sistemas genitais. É preciso ressaltar que, embora
determinado o sexo, quando se diferencia a gônada, os tubos que
deveriam originar as vias do outro sexo regridem e permanecem
como restos embrionários.

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222 © Anatomia Humana Geral

Órgãos genitais masculinos


Pelo que ficou exposto, assim podemos esquematizar os ór-
gãos genitais masculinos:
1) Gônadas: os testículos, órgãos produtores de gametas.
2) Vias condutoras dos gametas: são também conhecidas
com vias, ou condutos espermáticos, com o objetivo de
conduzir os gametas masculinos, ou seja, os espermato-
zoides, desde a região de sua produção até seu armaze-
namento e eliminação. As principais vias são: túbulos e
ductos dos testículos, epidídimo, ducto deferente, ducto
ejaculatório e uretra.
3) Órgão de cópula: conhecido como pênis, é um órgão
responsável pela penetração no interior do órgão geni-
tal feminino, com o objetivo de facilitar o transporte do
gameta masculino (espermatozoide) para dentro da ge-
nitália feminina.
4) Glândulas anexas: a principal função é facilitar a progres-
são dos espermatozoides dentro das vias genitais. As
principais vias são: vesículas seminais, próstata e glân-
dulas bulbouretrais.
5) Estruturas eréteis: extremamente vascularizadas, são re-
giões que, quando estimuladas sensitivamente, aumen-
ta-se seu volume. Os principais responsáveis para que
isso ocorra no sexo masculino são os corpos cavernosos
e esponjosos do pênis.
6) Órgãos genitais externos: são aqueles visíveis na super-
fície do corpo: pênis, já referido; e escroto, que aloja os
testículos.

Testículos
Os testículos são órgãos responsáveis pela produção do ga-
meta masculino, como também na produção endócrina de um hor-
mônio chamado de testosterona, responsável principalmente pelo
aparecimento de características sexuais masculinas, como o engros-
sar da voz e a projeção de pelos. A característica morfológica dos
testículos é do tipo ovoide, eles ficam alojados dentro de uma bolsa,
© U6 - Sistema Urinário 223

o escroto; o testículo esquerdo mantém-se inferiorizado, se compa-


rado ao direito. O testículo desenvolve-se na região renal e migra
para alojar-se na bolsa testicular, o escroto. Aos 3 meses de vida
intrauterina, o testículo ocupa posição ilíaca; entre 6 e 8 meses, po-
sição inguinal; e no recém-nascido ele já ocupa o escroto.A condição
na qual não se observa a descida do testículo é um corpo ovoidal,
com cerca de 5 cm de comprimento por 3 cm de largura e 2 cm
de espessura. Apresenta extremidade, os polos superior e inferior;
duas faces, medial e lateral; e duas margens, anterior e posterior.
Todas as estruturas do testículo são facilmente estudadas na
histologia. O testículo apresenta um revestimento por uma mem-
brana fibrosa, denominada de túnica albugínea, sendo que toda
sua extensão é delicadamente dividida em lóbulos cuneiformes.
Na região superior desses lóbulos é formado o mediastino do tes-
tículo, uma massa de tecido fibroso que dá sequência à túnica al-
bugínea. Na região dos lóbulos fica localizado o parênquima do
testículo, sendo estes, túbulos seminíferos contorcidos, responsá-
veis pela espermatogênese (formação do espermatozoide). Quan-
to mais próximos das regiões superiores dos lóbulos mais esses
túbulos se tornam retilíneos e passam a ser chamados de túbulos
seminíferos retos, responsáveis, principalmente, pela formação da
rede testicular – 15 a 20 canais que se conectam diretamente na
região do epidídimo.
Além da túnica albugínea, o testículo apresenta uma túnica
vaginal, com lâminas visceral e parietal. A lâmina parietal contém
fibras musculares lisas, pertencentes ao músculo cremáster. Na
cavidade virtual do saco seroso da túnica vaginal do testículo, exis-
te uma camada capilar de líquido lubrificante. Esse líquido seroso
pode aumentar, numa condição denominada hidrocele, e chegar
até 1L, se o aumento for lento. Obviamente, o líquido aumentado
pode comprimir o testículo e danificá-lo.
Os espermatozóides são formados dentro dos túbulos semi-
níferos, mas neste local não possuem movimento próprio. Estes

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224 © Anatomia Humana Geral

são transportados de maneira passiva, por meio de uma corrente


de líquidos, dependente da tensão promovida pela túnica albugí-
nea. Toda esta corrente é responsável em encaminhar o esperma-
tozóide para seu armazenamento direto no epidídimo, onde ficam
até o momento da ejaculação.

Epidídimo
Apresenta o formato da letra C, localizado na região da mar-
gem posterior do testículo, podendo ser facilmente observado
pela palpação.
Constitui a parte das vias espermácias interposta entre a
rede do testículo e o reservatório de espermatozoides. Os esper-
matozoides são aí armazenados até o momento da ejaculação (fe-
nômeno da eliminação do sêmen).
Descrevem-se no epidídimo a cabeça (superior), o corpo
(média) e a cauda (inferior). Os dúctulos eferentes retos do testí-
culo tornam-se tortuosos ao penetrarem na cabeça do epidídimo.
Os lóbulos cuneiformes do epidídimo são formados nessa região,
sendo que as regiões superiores ficam voltadas para o testículo.
Esse ducto tem um trajeto tortuoso, ao redor do corpo e na cau-
da, este aumenta a espessura, sendo a porção de entrada do local
onde são reservados os espermatozoides. Toda a porção de saída
dos espermatozoides é contínua ao ducto deferente. Em toda a
extensão da cabeça e corpo do epidídimo, chegam milhões de es-
permatozoides, no entanto, existe todo um processo de seleção,
denominada de espermiofagia fisiológica, que tem por objetivo
reduzir a produção excessiva de espermatozoides, garantindo o
mínimo necessário para que a fecundação ocorra.

Ducto deferente
Tem origem no epidídimo, com a função de realizar a condu-
ção de espermatozoides até o ducto ejaculatório. Em uma região
de acesso encontrada no interior da cavidade pélvica, encontra-se
© U6 - Sistema Urinário 225

o local de passagem desse ducto, denominada de canal inguinal.


Essa região fica localizada na porção inferior da parede abdominal,
com mais ou menos 3 a 5 cm de comprimento. O ducto deferente
apresenta algumas estruturas, sendo estas: funicular (localizada
na região do funículo espermático), escrotal (localizada também
no funículo espermático), inguinal (localizada na região inguinal) e
pélvica (localizada na região da pelve).
Dentro do canal inguinal, além desse ducto, também há o
acesso de outras estruturas, como: artérias, veias, vasos linfáticos
e nervos. Essas estruturas de maneira geral, durante a passagem
no canal inguinal, recebem o nome de funículo espermático.
No sexo feminino, o canal inguinal apresenta também o li-
gamento redondo do útero e algumas estruturas pequenas de
nervos. É muito comum no sexo masculino a presença de hérnias
inguinais, devido à pouca potencialidade dessa estrutura.
O ducto deferente é facilmente palpável, pois na região an-
terior ao canal inguinal, este mede aproximadamente 30 cm de
comprimento. Na face posterior da bexiga, a superfície externa do
ducto deferente torna-se irregular à medida que se alarga para for-
mar a ampola do ducto deferente. Termina unindo-se ao ducto da
glândula seminal para formar o ducto ejaculatório.

Ducto ejaculatório
O ducto ejaculatório forma-se por meio da conexão do ducto
deferente juntamente à glândula seminal, sendo a região de me-
nor dimensão e calibre. Esse ducto, em seu trajeto, ultrapassa o
parênquima prostático e projeta-se na região da uretra prostática,
no colículo seminal (Figura 3).

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226 © Anatomia Humana Geral

Figura 3 Ducto ejaculatório.

Uretra
A uretra do sexo masculino apresenta duas funções distintas,
a primeira sendo a micção e a ejaculação. Ela tem em média 20
cm de comprimento, inicia-se na região do óstio interno da uretra
juntamente à bexiga, passando pela próstata, o assoalho pélvico,
terminando na porção final do pênis pelo óstio externo da uretra.
Na uretra masculina, podem ser identificadas as seguintes
porções: prostática (localizada na região da próstata), membranosa
(localizada na região do assoalho da pelve) e esponjosa (localizada
no corpo esponjoso do pênis). A porção prostática apresenta o colí-
culo seminal, onde os ductos ejaculatórios se projetam. Na porção
esponjosa, pode-se observar a fossa navicular da uretra, uma saliên-
cia dessa região que se relaciona com as funcionalidades dela.
© U6 - Sistema Urinário 227

Glândulas seminais
As glândulas seminais, também chamadas de bolsas sacci-
formes, ficam localizadas na região posterior e inferior da bexiga.
Morfologicamente, são tubos enovelados que formam estruturas
importantes para o estudo desse sistema, como: ducto excretor,
que se junta ao ducto deferente para formar o ducto ejaculatório.
A formação do sêmen depende do espermatozoide e alguns
outros componentes ativadores deles. Esses componentes, além
de ativar, facilitam a fluidez do espermatozoide nas vias conduto-
ras. Eles são oriundos das glândulas seminais, por meio do líquido
seminal.

Próstata
A próstata é um órgão localizado na região pélvica, na porção
inferior da bexiga, onde se passa em toda sua extensão a uretra
prostática. Consiste principalmente de musculatura lisa e tecido
fibroso, mas contém também glândulas. A secreção destas junta-
-se à secreção das vesículas seminais para construir o volume do lí-
quido seminal. As glândulas prostáticas secretam um componente
pertencente ao esperma, lançado na região da uretra prostática,
com a funcionalidade de prover o odor de característica do sêmen.
Na próstata, descreve-se uma base, superior, e um ápice, an-
terior e inferior, além de lobos, direito, esquerdo e médio. Esse
último é a parte da próstata que se projeta internamente a partir
da parte superior da face posterior do órgão. Estruturalmente, no
entanto, ele é inseparável dos lobos laterais. Na puberdade, suas
dimensões aumentam rapidamente e aos 25 anos tem 27 mm no
seu eixo vertical, 40 mm no seu eixo máximo transversal e 35 mm
no seu eixo máximo sagital, pesando 25 g. No idoso, é comum o au-
mento irregular patológico, causando dificuldade de esvaziamento
da bexiga urinária. Em virtude de estar situada anteriormente ao
reto, a próstata é palpável, in vivo, pelo toque retal, um exame
importante para o diagnóstico de afecções da próstata. O câncer

Claretiano - Centro Universitário


228 © Anatomia Humana Geral

da próstata é um dos mais frequentes no homem e o diagnóstico


precoce é fundamental para a cura.

Glândulas bulbouretrais
São regiões arredondadas, localizadas na porção membra-
nosa da uretra, apresenta secreção mucosa secretada na uretra
esponjosa.

Pênis
Órgão da cópula do sexo masculino, que, quando cheio de
sangue, todo seu tecido lacunar fica túrgido, aumentando seu vo-
lume e rigidez, promovendo a ereção. O pênis (Figura 4) é consti-
tuído por três regiões cilíndricas eréteis: os corpos cavernosos e o
corpo esponjoso, envolvidos por túnicas, fáscias e por uma pele
extremamente fina. Os corpos cavernosos fixam-se diretamente
aos ramos do pênis e aos ossos do quadril (ísquio e púbis). Já o
corpo esponjoso contém duas dilatações (glande do pênis e bulbo
do pênis) que se prendem a estruturas do assoalho pélvico.

Figura 4 Pênis.
© U6 - Sistema Urinário 229

Outras estruturas do pênis são a raiz, a porção fixa, sendo os ra-


mos e o bulbo do pênis e o corpo, a parte em contato com o ambien-
te externo, recoberta por pele. Na região do corpo do pênis, os ramos
dão continuidade aos corpos cavernosos, já o bulbo dá continuidade
ao corpo esponjoso, estrutura delgada, que na sua terminação ante-
rior se dilata para formar a glande do pênis. Na extremidade da glande,
encontra-se uma fenda mediana, denominada de óstio externo da ure-
tra. Na cobertura da glande têm-se duas camadas de pele, o prepúcio.
Nessa estrutura, é possível identificar o frênulo do prepúcio, uma pre-
ga mediana próxima ao óstio externo da uretra. Nessa estrutura, um
caso clínico bastante comum é a fimose, um estreitamento variável do
prepúcio. Em grande escala, esse estreitamento pode fazer com que a
glande fique totalmente recoberta, fato que dificulta a higiene pessoal,
além de causar muitos desconfortos durante a relação sexual.

Escroto
O escroto (que também pode ser visualizado na Figura 4) é uma
região situada posteriormente ao pênis, sendo dividida pelos septos
do escroto em duas partes para poder alojar os testículos, aos quais
corresponde, externamente, a rafe do escroto. A morfologia do es-
croto demonstra que este apresenta várias camadas de revestimento,
sendo a pele a camada mais fina, de coloração mais escura e com
presença de pelos. Outra estrutura importante dessa região é a túni-
ca dartos, constituída por fibras musculares lisas. O escroto varia de
acordo com a contração e relaxamento da musculatura. A principal
função do escroto é manter a temperatura favorável para a formação
dos gametas, sem que haja mudanças repentinas dessa temperatura.

7. SISTEMA GENITAL FEMININO

Conceito
O sistema genital feminino é o conjunto de órgãos responsá-
vel pela reprodução feminina. Na verdade, o sistema genital mas-

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230 © Anatomia Humana Geral

culino, o sistema genital feminino e o sistema tegumentar, este


principalmente por incluir as mamas, constituem o aparelho re-
produtor. Esse sistema é composto por órgãos formadores de ga-
metas, ou seja, gametógenos, os que transportam esses gametas,
denominados de gametóforos e um órgão responsável por abrigar
o embrião para o desenvolvimento, denominado útero. Todo o or-
ganismo feminino apresenta uma maior complexidade se compa-
rado com o masculino, em vista do processo de desenvolvimento
de um novo ser vivo ocorrer no sexo feminino.
Assim, os órgãos do sistema genital feminino desempenham
as funções de fornecer os gametas femininos, de cópula, de fe-
cundação, de receber, alojar e manter o produto conceptual em
desenvolvimento e da expulsão no parto. Além disso, as mamas,
embora pertencentes ao sistema tegumentar, são anexadas a esse
sistema devido à sua função de lactação para nutrir o lactente.

Órgãos genitais femininos


Anatômica e funcionalmente, assim podemos distribuí-los:
1) Gônadas, ou órgãos produtores de gametas: são os ová-
rios, que produzem os óvulos.
2) Vias condutoras dos gametas: são as tubas uterinas.
3) Órgão que abriga o novo ser vivo: é o útero.
4) Órgão de cópula: representado pela vagina.
5) Estruturas eréteis: são o clitóris e o bulbo do vestíbulo.
6) Glândulas anexas: glândulas vestibulares maiores e me-
nores.
7) Órgãos genitais externos: monte púbico, lábios maiores
e menores, clitóris, bulbo do vestíbulo e glândulas ves-
tibulares.

Comportamento do peritônio na cavidade pélvica


O conhecimento de como se comporta o peritônio na cavi-
dade pélvica é importante para o estudo do sistema genital femi-
© U6 - Sistema Urinário 231

nino. Os ovários, as tubas e o útero estão situados nessa cavidade


entre a bexiga, que é anterior a eles; e o reto, que é posterior.
O peritônio, após recobrir a bexiga, estende-se do assoalho e das
paredes laterais da pelve, recobrindo o útero e dando origem a
uma prega transversal, conhecida como ligamento largo do útero,
direcionando-se todo até o reto.
O ligamento largo divide a cavidade pélvica em um compar-
tilhamento anterior e outro posterior. O anterior fica entre a be-
xiga e o útero, escavação vesicouterina. Todo o útero e as tubas
uterinas são recobertos pelo ligamento largo. Os ovários, diferen-
temente, fixam-se na porção posterior desse ligamento por uma
estrutura denominada como mesovário, formando a escavação re-
touterina. O ligamento largo e redondo são os principais em dar a
sustentabilidade e fixar o útero dentro da cavidade pélvica.
Por conta de sua morfologia e posicionamento, o ligamento
largo é extremamente distensível e acompanha o útero de acordo
com o aumento de volume proveniente da gestação. Além destes,
as tubas uterinas e os ovários também acompanham a mobilidade
do útero durante a gravidez.

Ovários
Produzem os gametas femininos, ou óvulos, ao final da pu-
berdade. Além dessa função gametogênica, produzem também
hormônios, como os estrógenos e a progesterona, os quais con-
trolam o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários e
atuam sobre o útero nos mecanismos de implantação do óvulo
fecundado e início do desenvolvimento do embrião. Como já de-
monstrado anteriormente, os ovários são anexados pelo mesová-
rio, no entanto, este não é revestido pelo peritônio (Figura 5).

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232 © Anatomia Humana Geral

Figura 5 Ovário.

O ligamento próprio do ovário, outro meio de fixação do ór-


gão, contém tecido conjuntivo e fibras musculares lisas, estenden-
do-se da extremidade uterina do ovário até o útero. Além deste,
existe também o ligamento suspensor do ovário, constituído de
vasos e nervos ováricos e tubários, com tecido conjuntivo e fibras
musculares lisas. Reconheceram-se no ovário faces medial e late-
ral, extremidades tubária e uterina, e margens livre e mesovárica.
A margem mesovárica, área onde entram ou saem vasos e nervos,
é denominada hilo do ovário. Antes da 1ª ovulação (expulsão do
óvulo através da superfície do ovário), o ovário é liso e rosado no
vivente, mas depois se torna branco acinzentado e rugoso devido
às cicatrizes deixadas pelas subsequentes ovulações. Na velhice,
diminuem de tamanho. Por volta dos 50 anos, não há mais forma-
ção de óvulos pelo ovário.

Tubas uterinas
© U6 - Sistema Urinário 233

As tubas uterinas (Figura 6), são responsáveis por transpor-


tar os óvulos para a cavidade uterina. Em direção oposta, os es-
permatozoides também passam, e se projetam diretamente para
a tuba uterina, onde ocorre a fecundação. A tuba uterina fica loca-
lizada na porção superior do ligamento largo. Morfologicamente,
é estruturada como um tubo estreito, com duas regiões importan-
tes, o óstio uterino da tuba (realiza a comunicação com a região do
útero) e o óstio abdominal da tuba (realiza a comunicação com a
cavidade peritoneal). A tuba uterina pode ser dividida em quatro
partes distintas, sendo estas: uterina (presente na região da pare-
de do útero), istmo, ampola e infundíbulo.

Figura 6 Tubas uterinas.

O infundíbulo, a primeira porção e a mais lateral da tuba ute-


rina, é semelhante à parte alargada, parece um funil, onde fica
localizado o óstio abdominal da tuba e as fímbrias, estruturas de
microfilamentos, semelhantes a franjas irregulares.
Entre as fímbrias, merece destaque a fímbria ovárica, situa-
da ao longo da margem livre do mesossalpinge, à qual adere com

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234 © Anatomia Humana Geral

sua face lateral, alcança a extremidade tubária do ovário e termina


a poucos milímetros desta.
A ampola da tuba uterina, considerada a parte principal do
órgão, tem aproximadamente 7 cm de comprimento médio, traje-
to tortuoso e possui parede delgada.
A estrutura da tuba, conhecida como istmo, é uma sequência da
ampola, sendo uma região curta e estreita, de trajeto retilíneo, esta se
projeta para o corpo do útero, constituindo a última porção da tuba
uterina. A porção uterina fica contida dentro da espessura muscular das
paredes do útero. Esta tem, aproximadamente, 1 cm de comprimento,
projetando até a cavidade uterina por meio do óstio uterino da tuba.
Supõe-se que contrações rítmicas da tuba uterina podem
realizar um movimento tipo sanfona, com as fases alternadas de
encurtamento e alongamento/distensão. Essa ação é mais acentu-
ada na parte da ampola e da fímbria ovárica, onde a espiralidade
da túnica muscular é mais pronunciada, o que favorecia a captação
do ovário na ovulação.
A ovulação é mensal e ocorre, em mulher com ciclos mens-
truais regelares, do 10º ao 14º dia (mais frequente no 14º dia)
após o início do fluxo menstrual precedente. O óvulo liberado é
captado, passa pelo óstio abdominal da tuba uterina e inicia seu
percurso na luz da tuba uterina. Caso não encontre o esperma-
tozoide, o óvulo começa a se decompor e é eliminado durante a
próxima menstruação feminina.
O óvulo é fecundado, isto é, penetrado pelo espermatozoi-
de, com formação do ovo, geralmente, no terço lateral da tuba
uterina, no nível da ampola, dentro de, aproximadamente, 6 a 12
horas, após a ovulação. O ovo forma a mórula, seguida do blasto-
cisto. No 7º dia após a fecundação, o blastocisto faz contato direto
com a túnica mucosa do útero (endométrio) e a ele adere. No 12º
dia, o embrião completa sua implantação, ou seja, a nidação.
© U6 - Sistema Urinário 235

O óvulo já fecundado pode, ocasionalmente, fixar-se na tuba


uterina e aí dar-se o início do desenvolvimento do embrião, fato
conhecido como gravidez tubária, que exige intervenção cirúrgica.

Útero
É o órgão que recebe os óvulos e, em caso de gravidez, aloja
o embrião que aí se desenvolve até o nascimento. A vagina no final
da gestação é o canal de passagem do feto para o parto, formando
nesse percurso o que se chama de canal do parto (Figura 7).

Figura 7 Útero.

O útero situa-se na pelve, entre a bexiga urinária e o intes-


tino reto. Trata-se de um órgão muscular, oco, com cerca de 8 cm
de comprimento, 5 cm de largura e 3 cm de espessura. De maneira
geral, o útero, apresenta um formato semelhante a uma pêra in-
vertida, sendo possível determinar algumas partes: fundo, corpo,
istmo e colo.
O corpo comunica-se, de cada lado, com as tubas uterinas.
A porção que fica superiormente à região das tubas uterinas é de-

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236 © Anatomia Humana Geral

nominada de fundo do útero, delimitado pelas paredes (direita e


esquerda) que constituem a região do corpo do útero, formando o
canal de entrada das tubas uterinas.
O corpo é a porção principal e estende-se até uma região es-
treitada inferior que é o istmo. Este é muito curto (1 cm ou menos)
e a ele segue-se o colo do útero, que se faz projeção na vagina e
com ela se comunica pelo óstio do útero, em forma de fenda, e
que apresenta dois lábios, anterior e posterior. Entretanto, a forma
do óstio do útero, e mesmo a de seus lábios, sofre variações com a
idade e com a fase funcional do órgão. Na sua porção principal, o
útero apresenta as faces anterior e posterior, e duas margens, di-
reita e esquerda, grossas e arredondadas, no sentido anteroposte-
rior. Existem algumas variações na morfologia do útero quanto ao
tamanho, forma, posição e estrutura. Todas essas variações estão
relacionadas com a idade, plenitude e vacuidade da bexiga e do
reto, principalmente em fase de gestação.
Quando visto lateralmente, o útero está curvado anterior-
mente sobre si mesmo, de modo que o corpo angula em relação
ao colo uterino: diz-se que o útero está em anteflexão. Há ainda a
versão, que é o movimento de rotação do corpo do útero ao redor
de um eixo que passe pelo istmo e que permita ao corpo deslocar-
-se em direção diferente da do colo, sem que mude o ângulo entre
o corpo e o colo. Se essa rotação for ao redor do eixo transversal,
haverá anteversão ou retroversão, conforme o fundo do útero se
inclina para frente ou para trás. Na posição típica, o útero da mu-
lher virgem ou nulípara está em anteversão e anteflexão, além de
discretamente deslocado para a direita (dextroposição). Com re-
lação ao eixo da vagina, o eixo do útero faz com ele um ângulo de
cerca de 90º.
Alguns dos meios de fixação do útero foram já descritos,
quando se tratou do comportamento do peritônio, este descreveu
o ligamento largo. O útero ganha muito do seu suporte por uma in-
serção direta da vagina, auxiliada por inserções indiretas. Entre os
© U6 - Sistema Urinário 237

meios de fixação do útero, devem ser citados o ligamento redondo


do útero e o ligamento transverso do colo do útero:
• O ligamento redondo é uma faixa de tecido fibroso, es-
treita e achatada, que se prende ao útero inferiormente à
desembocadura da tuba uterina. Ele corre entre as lâmi-
nas do ligamento largo, cruza os vasos ilíacos externos e
penetra no canal inguinal pelo anel inguinal profundo. Às
vezes ele pode ser seguido através do canal inguinal até a
tela subcutânea dos lábios maiores, onde se fixa. Outras
vezes, no entanto, o tecido que compõe se funde com o
do canal e o ligamento se perde dentro do canal inguinal.
• O ligamento transverso do colo do útero é uma lâmina fibrosa
formada pela fáscia subserona e por tecido adiposo de cada
lado do colo e da vagina. As fáscias das paredes anterior e pos-
terior do colo e da vagina unem-se na margem lateral desses
órgãos e constituem uma lâmina que se estende no assoalho
da pelve como extensão profunda do ligamento largo.
A uterina corre sobre a face superior do ligamento transver-
so do colo do útero. Parte desse ligamento corre em direção pos-
terior na prega retouterina e prende-se à face anterior do sacro,
formando, assim, o ligamento útero-sacral.
A flacidez dos meios de fixação do útero, particularmente
devido a gravidezes múltiplas, provoca a "queda" do útero na va-
gina, uma condição conhecida como prolápso do útero e que é
corrigida cirurgicamente.
Na sua estrutura, o útero apresenta três camadas:
• Interna ou endométrio, que sofre modificações com a
fase do ciclo menstrual ou na gravidez.
• Média, ou miométrio, composta por fibras musculares li-
sas, que formam a parede do útero.
• Externa, ou perimétrio, derivada do peritônio e constituí-
da por uma túnica serosa e pela tela subserona.

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238 © Anatomia Humana Geral

A parede uterina apresenta uma espessura maior, por conta


da musculatura lisa dessa região, em contrapartida a luz uterina
é de certa forma estreita. Todo mês o endométrio se reorganiza
para o recebimento do futuro embrião. Para que isso ocorra, au-
menta-se o volume das paredes do endométrio, associado com o
aumento da rede de vasos sanguíneos. Caso não ocorra a fecunda-
ção, todo o endométrio sofre uma descamação associada a uma
hemorragia e promove a eliminação de sangue por meio da vagina
e vulva, o que se chama de menstruação.
Diversas teorias tentam explicar a disposição das fibras do
miométrio, a camada média e a mais espessa da parede do úte-
ro. O desafio está em compreender como o útero sofre aumen-
to considerável na gravidez e, após o parto, volta praticamente às
suas dimensões normais. Primeiramente, suas fibras musculares,
descritas como tendo disposição complexa em três estratos, ou
seja, dois longitudinais, externo e interno, e um circular, médio,
muito mais espesso. Por consequência, as fibras são consideradas
organizadas em distintos grupos de espirais (direito e esquerdo),
oriundos da tuba uterina e entrelaçados no corpo do útero. Esse
fato pode ser considerado anatomicamente como a teoria espiral
de Goerttler.
Atualmente, a teoria mais aceita descreve as fibras do mio-
métrio dispostas em lâminas concêntricas de uma cebola. Por
meio de deslizamento das lamelas musculares, o volume da cavi-
dade uterina aumentaria, com redução da espessura da parede.
Após o parto, ocorreria o inverso, isto é, diminuição da cavidade
com aumento da espessura da parede.

Vagina
A vagina é o órgão da cópula feminina, por meio desta é pos-
sível o recebimento do sêmen durante uma relação sexual. Além
disso, tem a função de facilitar que o sangue percorra esse canal,
para que ocorra a menstruação, além de prover a passagem do
© U6 - Sistema Urinário 239

produto conceptual. A descrição da palavra vagina vem do latim e


compreende bainha, por conta da analogia funcional dessa estru-
tura relacionada com o seu mecanismo de cópula.
Estende-se do vestíbulo da vagina até o colo do útero e atra-
vessa o assoalho pélvico. As paredes da vagina normalmente estão
muito próximas (colabadas), fazendo com que esta se comunique
na superfície superior com o óstio uterino e inferior com o canal de
entrada da vagina (vestíbulo – óstio da vagina).
O fundo da vagina chama-se fórnice, cuja extremidade su-
perior envolve o colo do útero. É essa relação uterovaginal que
permite dividir o colo do útero em porção supravaginal, acima da
vagina, e porção vaginal, dentro da vagina. Nesse recesso, no fórni-
ce da vagina, reconhecem-se as partes anterior, posterior e lateral,
direita e esquerda.
Em mulheres virgens, o óstio da vagina é fechado, consti-
tuindo o hímen feminino (tecido conjuntivo, coberto por muco-
sa na porção interna e externa). Anatomicamente, o hímen varia
de acordo com seu formato, tamanho e característica (anular ou
crescente). Normalmente, é possível compreender vários tipos de
abertura do óstio vaginal, quanto ao hímen: cribiforme (apresen-
ta vários orifícios), imperfurações (fechamento completo do óstio
da vagina), agenesia (ausência de hímen). Em alguns casos pode
haver a penetração do pênis na vagina sem que haja o rompimen-
to do hímen, fato relacionado com a complacência e elasticidade
desse tecido conjuntivo.
A presença do hímen não garante o estado de virgindade,
fato que deve ser levado em consideração em casos que requeiram
perícia médico-legal. Pode também ocorrer a existência de hímen
grosso e resistente, dificultando, ou mesmo impossibilitando, a
penetração do pênis, exigindo correção cirúrgica para a realização
normal e completa do ato sexual. A ruptura do hímen (defloração)
após o coito (ou devido à manipulação, ou durante exame da va-
gina) provoca lacerações que respeitam a margem aderente, com

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240 © Anatomia Humana Geral

divisões da margem livre em fragmentos irregulares, a formação


de linguetas ou pequenas elevações, as carúnculas himenais. O
rompimento do hímen não é doloroso e não provoca hemorragia,
como popularmente é comentado. O máximo que pode acontecer
é uma sensação de desconforto nas primeiras relações sexuais por
conta de um relaxamento inapropriado.
A superfície interna da vagina, na mulher adulta, é lisa na
parte superior (proximal), mas apresenta rugas vaginais, trans-
versais, na parte inferior (distal), formadas por espessamentos da
túnica mucosa e pela presença de muitas pequenas veias subja-
centes. As rugas vaginais dirigem-se para as colunas das rugas, an-
terior e posterior, que são relevos longitudinais, próximos do plano
mediano das paredes anterior e posterior e que, quando a vagina
está fechada, ficam em contato uma ao lado da outra. As colunas
iniciam-se ao nível do óstio da vagina e terminam na parte mé-
dia, ou pouco acima, da vagina. A coluna anterior, maior do que a
posterior, apresenta, um pouco atrás e abaixo do óstio externo da
uretra, uma pequena dilatação, a carina uretral da vagina. As co-
lunas são determinadas pela presença de tecido cavernoso, erétil.
Descreve-se uma área erógena da vagina, pequena superfície da
vagina cuja estimulação pode resultar em satisfação sexual.

Órgãos genitais externos


Os órgãos genitais externos da mulher são denominados,
em conjunto, de pudendo feminino, ou vulva. Deste fazem parte o
monte do púbis, lábios maior e menor, vestíbulo da vagina, bulbo
do vestíbulo, óstio vaginal, glândulas vestibulares maiores e meno-
res, clitóris e uretra feminina (Figuras 8A, 8B e 8C).
© U6 - Sistema Urinário 241

Figura 8A Genitália feminina externa.

Figura 8B Vestíbulo.

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242 © Anatomia Humana Geral

Figura 8C Estrutura do vestíbulo.

Monte do púbis
É uma elevação mediana, anterior à sínfise púbica e cons-
tituída principalmente de tecido adiposo, que se continua poste-
riormente com duas pregas proeminentes, os lábios maiores do
pudendo. Apresenta pelos espessos após a puberdade, com dis-
tribuição característica, que também cobrem a superfície externa
dos lábios maiores do pudendo.

Lábios maiores
Os lábios maiores são pregas cutâneas, que se prolonga des-
de o monte púbico até ao períneo, delimitando a estrutura deno-
minada de rima do pudendo.
Lateralmente, é possível observar uma pele hiperpigmen-
tada e coberta por pelos na fase adulta. Medialmente, os lábios
maiores são rosados, umidificados, lisos e sem pelos. A face lateral
(convexa) dos lábios maiores está separada da face medial da coxa
pelo sulco genitofemoral.
© U6 - Sistema Urinário 243

Lábios menores
Os lábios menores também são duas pregas cutâneas, que
ficam localizadas internamente aos lábios maiores. A pele é de ca-
racterística lisa, úmida e avermelhada. Pouco visível na fase adulta
por conta do tecido adiposo acumulado nos lábios maiores, fato
que não ocorre nas crianças e nas idades avançadas.
Cada lábio menor apresenta menor presença de tecido
conjuntivo elástico, sem gordura, e possue fascíbulos de células
musculares e numerosas veias calibrosas, o que lhe confere, no
conjunto, as características de tecido erétil; na excitação sexual,
os lábios menores tornam-se túrgidos. O vestíbulo da vagina é um
espaço interposto entre os lábios menores, ficam em anexo a este
o óstio externo da uretra, óstio da vagina e alguns orifícios das
glândulas vestibulares.

Estruturas eréteis
O tecido erétil feminino é semelhante ao masculino, para
que ocorra a ereção é necessário um aumento do aporte sanguí-
neo na região, provinda por uma hipersensibilidade local. O clitóris
é uma estrutura homóloga a morfologia do pênis, apresenta duas
extremidades fixas aos ossos ísquios e púbis. Ele possue algumas
estruturas importantes, sendo elas: os ramos, corpo e a glande do
clitóris. A glande do clitóris é a estrutura que apresenta uma maior
sensibilidade e é intimamente relacionada com a excitabilidade fe-
minina. Outra estrutura importante é o bulbo do vestíbulo, forma-
do por duas massas de tecido erétil, disposto ao redor do óstio da
vagina. O bulbo do vestíbulo, quando cheio de sangue, é dilatado,
permitindo maior contato da vagina com o pênis.

Glândulas vestibulares
As glândulas vestibulares maiores projetam ductos direta-
mente para o vestíbulo da vagina. Durante a relação sexual, estas
secretam um muco que serve para lubrificação da vagina na có-

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244 © Anatomia Humana Geral

pula ao pênis. Já as glândulas vestibulares menores projetam seus


ductos também ao vestíbulo da vagina, entre os óstios da uretra
e da vagina, contribuindo também para essa lubrificação do canal.
Além da lubrificação, essas glândulas atuam na manutenção das
estruturas úmidas e propiciam a relação sexual, minimizando atri-
tos e possíveis comprometimentos nos órgãos genitais femininos.

Mamas
Faz-se neste capítulo o estudo das mamas devido às relações
funcionais que esses órgãos mantêm com aqueles da reprodução e
seus hormônios. As mamas são estruturas anexas a pele, por conta
de seu parênquima possuir glândulas especializadas na produção
do leite após a amamentação.
A mama é uma proeminência bilateral da parede anterior do
tórax, formada por uma porção glandular, por tecido conjuntivo e
por variável, mas, em geral, abundante tecido adiposo. Em lacten-
tes, nas crianças e nos homens, as mamas são rudimentares. Po-
dem, entretanto, no homem, estar anormalmente desenvolvidas,
uma condição patológica que se denomina ginecomastia, causada
por fatores hormonais ou medicamentosos. No sexo feminino, de-
senvolvem-se na puberdade e atingem o máximo desenvolvimen-
to no fim da gestação e no período do parto.

Situação e arquitetura
As mamas situam-se ventralmente a músculos da região peitoral
(m. peitoral maior, m. serrátil anterior e m. oblíquo externo), no estrato
areolar da tela subcutânea. A mama direita está separada da esquerda
pelo sulco intermamário. Na sua arquitetura, a mama é constituída de:
• Parênquima: formado por tecido composto de glândulas
mamárias, além de 15 a 20 lobos piramidais. Cada lobo apre-
senta lóbulos e ductos lactíferos até uma outra estrutura,
denominada de papila mamária. Todos esses lobos formam
o corpo da mama, facilmente observado pela palpação.
© U6 - Sistema Urinário 245

• Estroma: formado por tecido conjuntivo, responsável por


envolver cada lobo e o corpo mamário como um todo.
Nessa região, apresenta o predomínio de tecido adipo-
so, sustentado por várias trabéculas de tecido conjuntivo
denso. Morfologicamente, as mamas variam de tamanho
e forma, de acordo com o tecido adiposo do estroma.
• Pele: contém várias glândulas sebáceas e sudoríparas,
com grande presença de várias veias superficiais.

Morfologia externa
O formato da mama normalmente é do tipo cônica, porém,
com variações quanto ao tecido adiposo ou fases de desenvolvi-
mento envolvidas (gestação, amamentação e idade).
As mamas iniciam seu desenvolvimento na puberdade, e
com as gestações sucessivas ou no avançar da idade tornam-se
progressivamente pedunculares, fato explicado pela perda de
elasticidade das estruturas de sustentação do estroma.
A papila mamária pode ser definida como um prolongamen-
to onde se conectam aproximadamente de 15 a 20 ductos lactífe-
ros das glândulas mamárias. Esta apresenta fibras de musculatura
lisa, que a fazem se tornar rígida. Ela é extremamente inervada e
apresenta, especificamente na aréola mamária, uma grande quan-
tidade de glândulas sudoríparas e sebáceas.
No final da fase de gestação, pode-se notar um aumento sig-
nificante da mama, porém, com estreita relação com a quantidade
de leite produzido. Por conta de hormônios, muitas mulheres so-
frem com o enrijecimento das mamas, em muitos casos com qua-
dros dolorosos, principalmente durante a fase pré-menstrual.

8. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS
Confira, a seguir, as questões propostas para verificar o seu
desempenho no estudo desta unidade:

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246 © Anatomia Humana Geral

1) Conceitue o sistema urinário e cite os órgãos que o compõem.

2) Explique a localização do córtex e da medula renal.

3) Explique a função do ureter.

4) Explique a localização e importância da bexiga urinária.

5) Explique as funções das porções da uretra masculina e feminina.

6) Conceitue o sistema genital masculino e cite os órgãos que o compõem.

7) Explicar a função do testículo, epidídimo, ducto deferente, vesícula seminal


e próstata.

8) Conceituar o sistema genital feminino e citar os órgãos que compõem esse


sistema.

9) Explicar a localização e a função do ovário, tuba uterina, útero e vagina.

10) Citar as estruturas que formam o órgão genital feminino externo.

9. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta sexta e última unidade, nós nos concentramos nos
órgãos responsáveis pelo processo de excreção e reprodução hu-
mana (zigoto masculino e zigoto feminino), desde a filtragem do
sangue nos rins, o transporte da urina do rim até a bexiga e desse
órgão para o meio externo pela uretra. Já nos sistemas reprodu-
tores masculino e feminino, iniciamos nosso estudo nas gônadas
produtoras dos gametas, passando pelas vias de condução (ducto
deferentes, ducto ejaculatório, uretra e tuba uterina). Em seguida,
vimos o encontro dos gametas no útero que vai abrigar o ser vivo.
No sistema reprodutor, temos também o canal do parto (vagina) e
órgão de relação sexual feminino, denominado de vulva; e o mas-
culino, pênis e escroto.
Esperamos que você tenha aproveitado esta oportunidade e
compreendido não somente a classificação anatômica do sistema
excreto e reprodutor masculino e feminino, mas também os seus
processos relacionados com o ato de produzir e excretar a urina, e
© U6 - Sistema Urinário 247

a formação e fecundação dos gametas masculino e feminino para


formar o zigoto e após 9 meses o novo ser vivo. Desejamos ainda
que você tenha apreendido a importância deste aparelho uroge-
nital masculino e feminino para sua formação acadêmica (uso da
ginástica na gestação).
Chegamos ao fim da obra de Anatomia Geral Humana! Espe-
ramos que você tenha aprendido o corpo humano através de uma
visão anatômica (forma e função dos órgãos humanos).
Boa sorte! Até breve!

10. E-REFERÊNCIAS
AULA de anatomia: o site de anatomia mais visitado do Brasil. Homepage. Disponível em:
<http://www.auladeanatomia.com>. Acesso em: 21 jan. 2013.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE ANATOMIA. Disponível em: <http://www.sbanatomia.org.
br/>. Acesso em: 21 jan. 2013.

11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


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Janeiro: Atheneu, 2000.
______. Anatomia humana básica. São Paulo: Atheneu, 1998.
_______. Anatomia humana dos sistemas orgânicos. São Paulo: Atheneu, 1997.
DRAKE, R. L.; VOGL, W.; MITCHELL, A. W. M. Gray’s – Anatomia para Estudantes. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2006.
GARDNER, E. Anatomia: estudo regional do corpo. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 1975.
JACOB, S. W. Anatomia e fisiologia humana. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1982.
MOORE, K. L. Anatomia orientada para a clínica. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 2011.
SCHUNKE, M.; SCHULTE, E. M. D. Coleção Prometheus – 3. v. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 2007.
SOBOTTA, J.; BECHER, H. Atlas de anatomia humana. 20. ed. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 2000.
SPALTEHOLZ, W.; SPANNER, R. Atlas de anatomia humana. São Paulo: Roca, 1989
SPENCE, A. P. Anatomia humana básica. 2. ed. São Paulo: Manole, 1991.
WOLF-HEIDEGGER, G. Atlas de anatomia humana. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1999.

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