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Gestão e Coordenação de Obras

EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS


Definição e Faseamento de Procedimentos

ESTUDOS E PROJECTOS

Programa Preliminar

Programa Base

Estudo Prévio

Projecto Base

Projecto de Execução

PRODUÇÃO-CONSTRUÇÃO

Planeamento e Gestão de Obras

Obra

Fiscalização de Obra

série Gestão e Coordenação

orlando marcos moscoso 1ª edição / 2006


Apresentação

Este texto resulta, genericamente, o repositório da Monografia da Eng.ª Orlando Marcos Moscoso.

Muito embora os valores numéricos apresentados estejam desactualizados, os conceitos e a legislação são os mesmo à
data desta edição (2006).

Pretende, contudo, o seu teor evoluir permanentemente, no sentido de responder quer à especificidade dos cursos da
UFP, como contrair-se ainda mais ao que se julga pertinente e alargar-se ao que se pensa omitido.

Embora o texto tenha sido revisto, esta versão não é considerada definitiva, sendo de supor a existência de erros e
imprecisões. Conta-se não só com uma crítica atenta, como com todos os contributos técnicos que possam ser
endereçados. Ambos se aceitam e agradecem.

João Guerra Martins


EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

SUMÁRIO

Este trabalho subordina-se ao tema “Empreitadas de Obras Públicas – Definição e


Faseamento de Procedimentos”.

Na Introdução descreve-se a sua estrutura, apresentando como objectivos:

A - A definição do processo completo, hierarquizado, tendente à execução da


empreitada de obra pública;

B - A análise e controlo faseado do processo de execução da empreitada, de forma a


optimizar o planeamento e a sua execução, efectuando, passo a passo, uma verificação
detalhada de procedimentos.

No Desenvolvimento, com apoio permanente da legislação em vigor, definem-se e analisam-


se, em primeiro lugar, o processo construtivo, a obra pública, os tipos de empreitada e os tipos
de concurso; em segundo lugar apresentam-se, definem-se e analisam-se os procedimentos do
concurso público; por fim, no último capítulo, apresenta-se um caso prático relacionado com
definições de critérios de adjudicação.

Por último, na Conclusão, são tecidos alguns comentários sobre o sector de obras públicas, o
regime jurídico de empreitadas e os objectivos que se pretenderam atingir com a elaboração
da monografia.

I
EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

ÍNDICE GERAL

INTRODUÇÃO 01

CAPÍTULO I – O PROCESSO PRODUTIVO DE CONSTRUÇÃO 02


1.1 – A Fase de Estudos e Projectos 04
1.2 – A Fase de Produção-Construção 05

CAPÍTULO II – OBRA PÚBLICA E TIPOS DE EMPREITADA 07


2.1 – Definição de obra pública 07
2.2 – Controlo de custos de obras públicas 07
2.3 – Definições de empreitada e de concessão de obra pública 08
2.4 – Tipos de empreitada 10

CAPÍTULO III – TIPOS DE CONCURSO 13


3.1 – Concurso público 13
3.2 – Concurso limitado 13
3.3 – Concurso por negociação 15
3.4 – Ajuste directo 15

CAPÍTULO IV– FASES DO PROCEDIMENTO DO CONCURSO PÚBLICO 17

CAPÍTULO V – ABERTURA DO CONCURSO E APRESENTAÇÃO


DA DOCUMENTAÇÃO 19
5.1 – Elaboração do anúncio do concurso 19
5.2 – Remessa do anúncio para publicação 21
5.3– Esclarecimentos de dúvidas surgidas na interpretação dos elementos patenteados 22
5.4 – Recepção das propostas 22
5.5 – Modo de apresentação dos documentos e da proposta 23
5.6 – Projecto, caderno de encargos e programa de concurso 24
5.7 – Documentos da proposta 28
5.8 – Concorrentes 29
5.9 – Documentos de habilitação dos concorrentes 33

II
EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

CAPÍTULO VI – ACTO PÚBLICO DO CONCURSO 36


6.1 – Sessão do acto público 37
6.1 – Leitura do anúncio e dos esclarecimentos publicados e lista dos concorrentes
38
6.2 – Reclamação e interrupção do acto público do concurso 38
6.3 – Abertura dos invólucros 38
6.4 – Sessão reservada sobre a habilitação dos concorrentes 39
6.5 – Sessão pública - Anúncio dos concorrentes admitidos e dos excluídos.
Exame dos documentos pelos concorrentes 40
6.6 – Apresentação de reclamações. Decisões. Dedução de recursos 41
6.7 – Abertura dos invólucros “Propostas”. Rubrica das propostas 42
6.8 – Deliberação sobre a admissão das propostas e registo das exclusões e admissões 42
6.9 – Apresentação de reclamações. Decisões e dedução de recursos 43
6.10 – Elaboração da acta. Apresentação de reclamações de decisões 44
6.11 – Encerramento da sessão 44

CAPÍTULO VII – QUALIFICAÇÃO DOS CONCORRENTES 45

CAPÍTULO VIII – ANÁLISE DAS PROPOSTAS 47

CAPÍTULO IX – ADJUDICAÇÃO 48
9.1 – Elaboração e aprovação da minuta do contrato pelo dono da obra 49
9.2 – Remessa da minuta do contrato ao concorrente preferido 49
9.3 – Reclamação contra a minuta 50
9.4 – Decisão sobre a reclamação 50
9.5 – Preparação para o visto do Tribunal de Contas 51
9.6 – Adjudicação definitiva da empreitada 52
9.7 – Notificação da adjudicação. Notificação para prestar caução 52

CAPÍTULO X – CONTRATO 53
10.1 – Notificação do adjudicatário para assinar o contrato 53
10.2 – Assinatura do contrato 54

III
EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

10.3 – Formalidades dos contratos 54

CAPÍTULO XI – CONSIGNAÇÃO DA OBRA 55


11.1 – Prazo para consignação da obra 55
11.2 – Início do prazo de execução da obra 55
11.3 – Início do prazo para apresentação do plano de trabalhos 55
11.4 – Plano de trabalhos 55

CAPÍTULO XII – EXECUÇÃO DOS TRABALHOS 58


12.1 – Fiscal como gestor de projecto 58
12.2 – Afixação da tabela de salários e seguro do pessoal 58
12.3 – Medições periódicas dos trabalhos executados e pagamentos 59
12.3 – Adiantamentos ao empreiteiro 59
12.4 – Revisões de preços 59
12.5 – Elaboração da conta corrente e reclamação da mesma 60
12.6 – Aprovação do auto de medição 60
12.7 – Liquidação dos valores 60
12.8 – Reforço do depósito de garantia 60

CAPÍTULO XIII – RECEPÇÃO PROVISÓRIA E PRAZO DE GARANTIA 61


13.1 – Inquérito administrativo 61
13.2 – Prazo de garantia 63

CAPÍTULO XIV – RECEPÇÃO DEFINITIVA E RESTITUIÇÃO DE


GARANTIAS 64
14.1 – Prazo de garantia 64
14.2. – Restituição dos depósitos de garantia e quantias retidas,
extinção da caução e liquidações eventuais 64

CAPÍTULO XV – APRESENTAÇÃO DE UM CASO PRÁTICO 65


CONCLUSÃO 70
BIBLIOGRAFIA 71
LEGISLAÇÃO CONSULTADA 72

IV
EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

ÍNDICE DE QUADROS

Quadro 1 – Esquematização do processo construtivo 6

Quadro 2 – Tipos de procedimentos atendendo ao valor do contrato 16

Quadro 3 – Fases do concurso 17/18

Quadro 4 – Índices de capacidade económica e financeira 46

Quadro 5 – Rácios (valores dos indicadores em função dos intervalos) 66

V
EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

INTRODUÇÃO

A actividade económica genericamente designada por Construção Civil e Obras Publicas,


engloba tanto a construção de obra nova (edifícios, vias de comunicação, engenharia
hidráulica ou redes de distribuição), como a sua demolição, reabilitação e conversão.

Sendo um sector essencial da economia portuguesa, a construção contribuía, já em 1996, de


acordo com dados oficiais do INE, para aproximadamente 7% do PIB nacional e para o
emprego directo de mais de 300 000 postos de trabalhos, ou seja, 9% do emprego total, não
considerando a economia subterrânea e o emprego ilegal que, neste sector, é significativo
(Instituto Para a Inovação na Formação (1999, p. 5).

Actuando fundamentalmente nos mercados locais e regionais, a importância do sector no


contexto económico nacional acresce, se for considerada a sua influência directa no volume
de negócios de actividades a montante (promoção imobiliária, materiais de construção e
construção de equipamentos) e a jusante (mobiliário, decoração, electrodomésticos e
mediação imobiliária), ainda significativamente.

Assim, tendo em conta que uma parte significativa do volume de negócios na construção tem
origem na procura induzida pelos poderes públicos, compreende-se que o sector constitua, em
determinadas situações, um potente indutor da economia.

Tal parece ser a situação verificada nos últimos anos em que o sector tem sistematicamente
apresentado um ritmo de crescimento de produção superior ao dobro da taxa de crescimento
do PIB nacional (Instituto Para a Inovação na Formação (1999, p. 5).

A execução de obras públicas por empreitada está sujeita a complexos procedimentos


impostos por lei que pretendem salvaguardar princípios fundamentais a que se subordina a
Administração Pública, nomeadamente, a equidade, a transparência, a justiça e a eficiência.

As mesmas leis pretendem garantir aos empreiteiros que os seus direitos e interesses sejam
salvaguardados com isenção, permitindo a sua defesa nas diversas fases do processo.

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

Como Leandro (1995, p.21) refere, “Na execução de uma empreitada confrontam-se o
interesse público, representado pelo dono da obra, e o interesse privado do empreiteiro.”

Como as duas partes defendem esses interesses no âmbito do contrato, uma e outra
necessitam de estar atentas às suas cláusulas de modo a evitar erros ou omissões que poderão
gerar irremediáveis prejuízos.

A maior parte das anomalias que se detectam nos processos de empreitadas de obras públicas
entre as partes contratantes, são produto de deficiente execução dos numerosos procedimentos
e de incumprimento de prazos obrigatórios.

Tecidos os considerandos anteriores, poder-se-á afirmar, atendendo à vitalidade do sector, que


os processos tendentes ao seu planeamento, execução e controlo, assumem a máxima
importância.

Como objecto deste trabalho, importa definir em primeiro lugar o processo completo,
hierarquizado, tendente à realização efectiva da obra pública, ou seja, à execução da
empreitada; seguidamente, por assumir particular importância, proceder-se-á à análise e
controlo faseado do processo de execução da empreitada que permitirá optimizar o
planeamento a sua execução, efectuando, passo a passo, uma verificação detalhada de
procedimentos.

Os objectivos a atingir prendem-se, sobretudo, com o esclarecimento aos técnicos envolvidos


nos processos de empreitadas, nomeadamente aos técnicos mais directamente envolvidos na
sua execução, da necessidade de evitar anomalias detectadas e originadas por lapsos e
omissões que indiciam deficiências de acompanhamento dos processos e dos trabalhos e
dificuldades no controlo de procedimentos.

A presente monografia está estruturada em quinze capítulos.

No primeiro capítulo, explica-se o processo produtivo que culmina na execução da


empreitada.

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

No segundo capítulo define-se obra pública e o tipo de empreitada.

No terceiro capítulo definem-se os vários tipos de concurso.

Do quarto ao penúltimo capítulo, analisam-se e definem-se os processo de execução de uma


empreitada considerados mais significativos, com identificação de procedimentos faseados.
Considerou-se, por ser a regra, a execução de uma empreitada por concurso público.

No último capítulo, atendendo ao facto de que as definições de critérios de adjudicação são


uma das componentes mais relevantes para a prossecução do processo de uma empreitada,
apresenta-se, a título de exemplo, uma hipótese de definição possível.

Por fim, na Conclusão, retomando as orientações vertentes e desenvolvidas ao longo do texto,


apresentar-se-ão os objectivos alcançados.

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

CAPÍTULO I – O PROCESSO PRODUTIVO DE CONSTRUÇÃO

No sector da construção, a configuração da componente económica do negócio, determina ela


própria, a configuração da componente produtiva

A componente produtiva, definida para o sector pretende ser abrangente, não só por integrar
todas as fases do processo construtivo, mas também por considerar a sua adequação aos dois
grandes produtos da construção: a construção de edifícios e a construção de infra-estruturas.

Todavia ela, na realidade, apresenta-se modelada em função do tipo de obra, local de


construção e técnicas construtivas utilizadas.

Pela delimitação proposta por este estudo, interessa-nos, sobretudo, considerar os sectores
Estudos e Projectos e Produção-Construção

1.1 – A Fase de Estudos e Projectos

Esta fase desenvolve-se por acordo entre o dono da obra e o autor do projecto.

As várias especialidades (Arquitectura, Engenharia e outras), desenvolvendo-se em


simultâneo, têm como objectivo único definir o Projecto de Execução.

Este poder-se-á subdividir nas seguintes etapas:

- o Programa Preliminar , que é estabelecido pelo dono da obra, o qual define os


objectivos da obra que pretende realizar, os condicionalismos de natureza
financeira e o nível de qualidade da obra podendo ainda, estabelecer limitações de
custos e prazos de execução;

- o Programa Base, que o autor do projecto, na posse do programa preliminar,


elabora, verificando a viabilidade de execução da obra e estudando soluções
alternativas que respondam aos requisitos definidos pelo dono da obra no

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programa preliminar, podendo também, sugerir alterações àquele programa de


forma a optimizar a qualidade, segurança e custo da obra;

- o Estudo Prévio, que assenta no desenvolvimento do estabelecido no programa


base aprovado pelo dono da obra;

- o Projecto-Base, onde se apresentam com maior grau de pormenor as soluções


previstas no estudo prévio aprovado pelo dono da obra, e que assemelham, em
definitivo, as bases para a continuação do estudo;

- o Projecto de Execução, onde o autor do projecto define, após aprovação do


projecto base, todos os elementos necessários à boa execução dos trabalhos.

1.2 – A Fase de Produção-Construção

Esta fase subdivide-se em três grandes áreas de actividade, sendo estas: Planeamento e
Gestão, a Obra e a Fiscalização, que se desenvolvem em simultâneo desde o início até ao fim
da produção.

- O Planeamento e Gestão engloba todo o processo de aprovisionamento de


materiais, encomendas e gestão de stocks e a gestão de mão de obra e
equipamentos necessários para as diferentes etapas da obra.

- A Obra;

- A Fiscalização que pretende controlar todo o processo produtivo de forma a que se


verifique o cumprimento das especificações do caderno de encargos, em relação
aos materiais, aos métodos construtivos, prazos e demais normativos legais e em
vigor.

Na figura seguinte pode verificar-se a esquematização do Processo Construtivo.


Quadro 1
Esquematização do Processo Construtivo

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

ESTUDOS E PROJECTOS

Programa Preliminar

Programa Base

Estudo Prévio

Projecto Base

Projecto de Execução

PRODUÇÃO-CONSTRUÇÃO

Planeamento e Gestão de Obras



Obra

Fiscalização de Obra

Da sua análise poder-se-á querer concluir, de forma simplista (salvaguardando sempre casos
particulares, dos quais a concepção/construção é um bom exemplo) que, formalmente, não
existe ligação entre o término da 1ª Fase, Estudos e Projectos e a 2ª Fase, Produção-
Construção; a dinâmica do processo é restabelecida quando o dono da obra, possuidor do
Projecto de Execução, cuja elaboração promoveu, decidir executá-lo dando início à
empreitada.

É sobre as várias fases das empreitadas de obras públicas, atendendo sempre ao Regime
Jurídico de Empreitadas em vigor, que incide a continuação do trabalho vertente.

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

CAPÍTULO II – OBRA PÚBLICA E TIPOS DE EMPREITADA

2.1 – Definição de obra pública

Para efeitos do Decreto-Lei nº 59/99, de 2 de Março, são consideradas obras públicas


quaisquer obras de construção, reconstrução, ampliação, alteração, reparação, conservação,
limpeza, restauro, reparação, adaptação, beneficiação e demolição de bens imóveis,
destinadas a preencher, por si mesmas uma função económica ou técnica, executadas por
conta de um dono de obra pública

As obras públicas podem ser executadas por empreitada, por concessão ou por administração
directa.

Nos casos em que seja possível o recurso à administração directa, o dono da obra pode
celebrar contratos para fornecimento dos materiais e equipamentos necessários à execução da
obra, os quais se regerão pelo regime geral dos fornecimentos (Decreto-Lei nº 197/99, de 8 de
Junho).

O Decreto-Lei nº 59/99 estabelece o regime do contrato administrativo de empreitada de


obras públicas.

O mesmo regime é aplicável, com as necessárias adaptações, às concessões de obras públicas.

2.2 – Controlo de custos de obras públicas

A possibilidade de execução de trabalhos que envolvam aumento de custos resultantes,


designadamente, de trabalhos a mais e erros ou omissões do projecto é restringida, muito
significativamente, pela aplicação do Decreto-Lei nº 59/99, de 2 de Março.

O artigo 45º daquele diploma refere que:

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

“O dono da obra não poderá, em caso algum, autorizar a realização de trabalhos a mais,
alterações do projecto da iniciativa do dono da obra ainda que decorrentes de erro ou omissão
do mesmo ou trabalhos resultantes de alterações ao projecto, variantes ou alterações ao plano
de trabalhos, da iniciativa do empreiteiro, caso o seu valor acumulado durante a execução de
uma empreitada exceda 25% do valor do contrato de empreitada de obras públicas de que são
resultantes”.

Refere, ainda, que, “quando o valor acumulado dos trabalhos, citados anteriormente, exceda
15% do valor do contrato da empreitada, ou se tal valor acumulado for igual ou superior a um
milhão de contos, a entidade competente para a realização da despesa inicial só poderá emitir
decisão favorável á realização da nova despesa mediante proposta do dono da obra
devidamente fundamentada e instruída com estudo realizado por entidade externa e
independente”.

Este estudo poderá ser dispensado pela entidade competente para autorizar a despesa
resultante do contrato inicial caso esta seja de montante igual ou inferior a meio milhão de
contos.

A conclusão imediata que se deduz é que, na prática, qualquer obra com valor de contrato
inferior a meio milhão de contos, e são muitas as obras inferiores a este montante, poderá
atingir 25% de trabalhos a mais, desde que devidamente justificados, o que tira eficácia ao
que estaria no espírito do legislador, ao pretender efectuar um controlo férreo sobra os custos
das obras públicas.

2.3 – Definições de empreitada e de concessão de obra pública

Entende-se por empreitada de obras públicas o contrato administrativo, celebrado mediante o


pagamento de um preço, independentemente da sua forma, entre um dono de obra pública e
um empreiteiro de obras públicas e que tenha por objecto quer a execução quer
conjuntamente a concepção e a execução das obras mencionadas anteriormente, bem como
das obras ou trabalhos que se enquadrem nas subcategorias previstas no diploma que
estabelece o regime de o acesso e permanência na actividade de empreiteiro de obras

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

públicas, realizados , seja por que meio for e que satisfaçam as necessidades indicadas pelo
dono da obra.

Entende-se por concessão de obras públicas, o contrato administrativo que, apresentando as


mesmas características definidas no número anterior, tenha como contrapartida o direito de
exploração da obra, acompanhado ou não do pagamento de um preço.

O regime do presente diploma aplica-se, ainda, às empreitadas que sejam financiadas


directamente, em mais de 50%, por qualquer das entidades referidas a seguir.

Para efeitos do presente diploma são considerados donos de obras públicas:

1. O Estado;
2. Os institutos públicos;
3. As associações públicas;
4. As autarquias locais e outras entidades sujeitas a tutela administrativa;
5. As regiões Autónomas dos Açores e a Madeira;
6. As associações de que fazem parte as autarquias locais ou outras pessoas colectivas de
direito público;
7. As empresas públicas e as sociedades anónimas de capitais maioritários ou
exclusivamente públicos;
8. As concessionárias de serviço público, sempre que o valor da obra seja igual ou
superior ao estabelecido para efeitos de aplicação das directivas da União Europeia
relativas à coordenação dos processos de adjudicação de empreitadas de obras
públicas;
9. As entidades definidas no número seguinte, assim como as associações dessas
entidades.

Para efeito do número anterior, são consideradas donos de obras públicas as entidades dotadas
de personalidade jurídica, criadas para satisfazer de um modo específico necessidades de
interesse geral, sem carácter industrial ou comercial e em relação às quais se verifique uma
das seguintes circunstâncias:

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

1. Cuja actividade seja financiada maioritariamente por alguma das entidades referidas no
número anterior ou no presente número;
2. Cuja gestão esteja sujeita a um controlo por parte por parte de alguma das entidades
referidas no número anterior ou no presente número;
3. Cujos órgãos de administração, de direcção ou de fiscalização sejam compostos, em
mais de metade, por membros designados por alguma das entidades referidas no
número anterior ou no presente número

2.4 – Tipos de empreitada

O dono da obra terá que decidir, para execução do projecto, qual o tipo de empreitada.

O diploma legal declara lícito, adoptar na mesma empreitada, diversos modos de retribuição
para distintas partes da obra ou diferentes tipo de trabalho.

A empreitada pode, também, ser de partes ou da totalidade da obra, salvaguardando, no


entanto o disposto em legislação específica, sobre a divisão da empreitada em partes de forma
a sonegá-la a concurso público.

O artigo 8º do Decreto-Lei nº 59/99, de 2 de Março, estabelece que, de acordo com


retribuição do empreiteiro, as empreitadas de obras públicas podem ser realizadas:

2.4.1 – Por preço global; empreitada cujo montante da remuneração, correspondente à


realização de todos os trabalhos necessários para a execução da obra ou parte da obra objecto
do contrato, é previamente fixado.

Devem ser contratadas por preço global as obras cujos projectos permitam determinar a
natureza e as quantidades dos trabalhos a executar, bem como os custos dos materiais e da
mão-de-obra a empregar. (aditamento ao Decreto-Lei nº 59/99, de 2 de Março, pela Lei nº
163/99, de 14 de Setembro ).

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

Assume especial relevância, nas empreitadas por preço global, a maior precisão possível na
definição dos trabalhos a executar, nomeadamente, no que respeita à sua quantificação, aos
elementos escritos e desenhados do projecto e no caderno de encargos, às características da
obra e às condições técnicas da sua execução, bem como à qualidade dos materiais a aplicar.

Salvaguardando o que acima se disse evita-se o acréscimo de despesa resultante de erros e


omissões do projecto e a alteração do seu valor para efeitos de adjudicação.

O pagamento do preço da empreitada por preço global, poderá efectuar-se em prestações


periódicas fixas ou em prestações variáveis, sempre em função das quantidades de trabalho
periodicamente executadas. No caso do pagamento em prestações fixas, o contrato fixará os
seus valores, as datas dos seus vencimentos e a sua compatibilização com o plano de
trabalhos aprovado. Se o pagamento se efectuar periodicamente de acordo com as quantidades
executadas, este realizar-se-á por medições e com base nos preços unitários contratuais, até ao
limite do preço da empreitada.

2.4.2 – Por série de preços; quando a remuneração do empreiteiro resulta dos preços
unitários previstos no contrato para cada espécie de trabalho a realizar às quantidades desses
trabalhos realmente executados.

A Lei nº 163/99, de 14 de Setembro, veio revogar a redacção dada pelo Decreto-Lei nº 59/99,
que consagrava no artigo 18º a série de preços como uma excepção, só possível por despacho
de autorização, devidamente fundamentado, do ministro respectivo.

O contrato tem sempre por base a previsão das espécies e das quantidades dos trabalhos
necessários para a execução da obra relativa ao projecto patenteado, obrigando-se o
empreiteiro a executar, pelo respectivo preço unitário do contrato, todos os trabalhos de cada
espécie.

Assinale-se que tem sido objecto de recusa do visto, por parte do Tribunal de Contas, as
empreitadas que não contemplam, nas listas de preços unitários, dos mapas de trabalho
patentes a concurso, a montagem, construção, desmontagem e demolição do estaleiro. Este

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

trabalho, sendo obrigação do empreiteiro, é, no entanto, um encargo da responsabilidade do


dono da obra e, como tal, deverá ser pago por este.

Periodicamente, proceder-se-á à medição dos trabalhos executados de cada espécie para o


efeito de pagamento das quantidades apuradas, às quais serão aplicados os preços unitários.

2.4.3 – Por percentagem, quando o empreiteiro assume a obrigação de executar a obra por
preço correspondente ao seu custo, acrescido de percentagem destinada a cobrir os encargos
de administração e a remuneração normal da empresa.

O custo dos trabalhos será o que resultar da soma dos dispêndios correspondentes a materiais,
pessoal, direcção técnica da obra, estaleiros, transportes, seguros, encargos inerentes ao
pessoal, depreciação e reparação de instalações, de utensílios e de máquinas e tudo o mais
necessário para a execução dos trabalhos, desde que tais dispêndios sejam feitos de acordo
com o dono da obra, nos termos estabelecidos no caderno de encargos.

A percentagem para cobertura dos encargos administrativos e remuneração do empreiteiro


será a que, para cada caso, se fixar no contrato da empreitada.

O recurso a este tipo de concurso deve considerar-se excepcional, na administração pública,


uma vez que esta modalidade dependerá, sempre, de despacho de autorização, devidamente
fundamentado, do ministro respectivo.

Os pagamentos serão, regra geral, efectuados mensalmente, com base em factura apresentada
pelo empreiteiro, correspondente ao susto dos trabalhos executados durante o mês anterior,
acrescido da percentagem para encargos administrativos e lucros.

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

CAPÍTULO III – TIPOS DE CONCURSO

O dono da obra terá que decidir, para execução do projecto, não só qual o tipo de empreitada,
mas também qual o tipo de procedimento a seguir para a sua formalização.

A celebração do contrato de empreitadas de obras públicas será, regra geral, precedida de


concurso público.

As formas previstas na lei são:

3.1 – Concurso público, quando todas as entidades que se encontrem nas condições gerais
estabelecidas por lei podem apresentar propostas.

3.2 – Concurso limitado, quando só podem apresentar propostas as entidades que para o
efeito foram convidadas pelo dono da obra, não podendo o número destas ser inferior a cinco,
nem superior a vinte.

O concurso limitado subdivide-se, ainda em:

3.2.1 – Concurso limitado com publicação de anúncio: quando, independentemente do


valor estimado do contrato, a complexidade do objecto do concurso aconselhe maior
exigência de qualificação dos participantes, designadamente experiência anterior
reconhecida em domínios específicos.

O concurso limitado com publicação prévia de anúncio inicia-se com a referida publicação,
de acordo com o modelo nº 3 do anexo IV do D.L. 59/99.

As entidades que preencham os requisitos técnicos, económicos, financeiros e outros


definidos no anúncio, podem solicitar a sua participação no concurso mediante a entrega ao
dono da obra, da sua participação.

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

O dono da obra examina os pedidos de participação e elabora um projecto de decisão sobre a


aceitação ou rejeição desses pedidos, submetendo-o a audiência prévia dos interessados.

O dono da obra, convidará, seguidamente, os candidatos aceites, a apresentar proposta para a


execução da obra, de acordo com o modelo nº 1 do anexo V do D.L. 59/99.

3.2.2 – Concurso limitado sem publicação de anúncio: concurso a cujo recurso o dono da
obra só pode recorrer no caso de obras de valor estimado inferior a 25 000 contos.

Refira-se que a Lei nº 163/99, de 14 de Setembro, veio estabelecer aquele montante, alterando
o valor de 50 000 contos introduzido pelo Decreto-Lei nº 59/99, de 2 de Março, o que, para
muitos, era considerada uma iniquidade contrária ao controlo de custos de obras públicas que
se pretendia implementar.

3.3 – Concurso por negociação, quando o dono da obra negoceia directamente as condições
do contrato com pelo menos três empreiteiros. Para a escolha destes empreiteiros aplica-se o
processo já referido anteriormente para os concursos limitados com publicação de anúncio.

Esta modalidade de concurso é possível nos seguintes casos:

1. Quando o valor estimado do contrato for inferior a 8 000 contos;

Independentemente do valor estimado do contrato:

2. Quando as propostas apresentadas em concurso público ou limitado sejam


irregulares ou inaceitáveis e o concurso por negociação se destine à execução da
mesma obra, em condições substancialmente idênticas;

3. Quando se trate de obras a realizar para fins de investigação, de ensaio ou de


aperfeiçoamento e não com o objectivo de rentabilizar operações de investigação e
desenvolvimento ou de cobrir os respectivos custos;

14
EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

4. Excepcionalmente quando se trate de obras cuja natureza ou condicionalismos não


permita uma fixação prévia e global dos preços;

5. Quando, for igualmente admitido o ajuste directo.

3.4 – Ajuste directo, quando a entidade é escolhida, independentemente, de concurso.

Este tipo de procedimento é possível nos seguintes casos:

1. Quando o valor estimado do concurso for inferior a 5000 contos, sendo obrigatória
a consulta a três entidades;

2. Quando o valor estimado do concurso for inferior a 1000 contos, sem consulta
obrigatória

Seja qual for o valor estimado do contrato, nas seguintes condições:

3. Quando em concurso público ou limitado aberto para a adjudicação da obra não


houver sido apresentada nenhuma proposta ou qualquer proposta adequada e o
contrato se celebre em condições substancialmente idênticas às estabelecidas para
efeito de concurso;

4. Quando se trate de obras cuja execução, por motivos técnicos, artísticos ou


relacionados com a protecção de direitos exclusivos, só possa ser confiada a uma
entidade determinada;

5. Na medida do estritamente necessário quando por motivos de urgência imperiosa


resultante de acontecimentos imprevisíveis pelo dono da obra, não possam ser
cumpridos os prazos exigidos pelos concursos público, limitado ou por
negociação, desde que as circunstâncias invocadas não sejam, em caso algum,
imputáveis ao dono da obra;

15
EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

6. Quando se trate de obras novas que consistam na repetição de obras novas


similares contratadas pelo mesmo dono da obra com a mesma entidade, desde que
essas obras estejam em conformidade com o projecto base comum, quer o anterior
haja sido adjudicado mediante concurso público, ou mediante concurso limitado
com publicação de anúncio e não tenham decorrido mais de três anos sobre a data
da celebração do contrato inicial;

7. Quando se trate de contratos que sejam declarados secretos ou cuja execução deva
ser acompanhada de medidas especiais de segurança, nos termos das disposições
legislativas, regulamentares e administrativas em vigor, ou quando a protecção dos
interesses essenciais do Estado Português o exigir

Refira-se que para efeitos de escolha do procedimento, o valor estimado do contrato é:

1. Nas empreitadas por preço global, o preço base do concurso;


2. Nos restantes tipos de empreitada, o custo provável dos trabalhos estimado sobre
as medições do projecto.

No quadro seguinte indicam-se os vários tipos de procedimentos para realização de


empreitadas, atendendo ao valor estimado do contrato.

Quadro 2
Tipos de procedimentos, atendendo ao valor do contrato
Valor estimado do contrato Escolha do procedimento
Concurso público ou limitado com
Independentemente do valor do contrato
publicação de anúncio
Concurso limitado sem publicação de
< que 25 000 contos
anúncio
< que 8 000 contos Concurso por negociação
Ajuste directo com consulta a três
< que 5000 contos
entidades
< que 1 000 contos Ajuste directo sem consulta obrigatória a
três entidades

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

CAPÍTULO IV – FASES DO PROCEDIMENTO DO CONCURSO PÚBLICO

Escolhido o tipo de procedimento, por deliberação do dono da obra e atendendo aos


montantes, ou à particularidade da obra, inicia-se o processo do concurso.

Como se referiu na introdução, considerou-se, por ser a regra, a execução de uma empreitada
por concurso público.

O concurso público é faseado, de acordo com o quadro 3.

Quadro 3
Fases do concurso

1ª FASE - ABERTURA DO CONCURSO E APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO

Projecto, Programa de Concurso e Caderno de Encargos. Entrega de


propostas

2º FASE - ACTO PÚBLICO DO CONCURSO

Verificação da habilitação dos concorrentes


COMISSÃO DE ABERTURA

Encerramento do Acto Público

3ª FASE - QUALIFICAÇÃO DOS CONCORRENTES

Avaliação da capacidade financeira, económica e técnica dos concorrentes

Elaboração de relatório fundamentador do registo das admissões e das


exclusões dos concorrentes

Notificação de todos os
Audiência prévia registando-se
concorrentes dando-lhes conta
decisões de exclusão
do teor do referido relatório

17
EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

4ª FASE - ANÁLISE DAS PROPOSTAS

COMISSÃO DE
ANÁLISE
Elaboração de relatório fundamentado, com a ordenação dos candidatos
para efeitos de adjudicação

Análise prévia, escrita dos concorrentes / notificação do teor do relatório

5ª FASE - ADJUDICAÇÃO

Adjudicação, elaboração da minuta, caução, adjudicação definitiva

6ª FASE - CELEBRAÇÃO DO CONTRATO

Aprovação da minuta e cláusulas contratuais

7ª FASE - CONSIGNAÇÃO DA OBRA

Início da contagem do prazo de execução e apresentação e aprovação do


plano definitivo de trabalhos

8ª FASE - EXECUÇÃO DOS TRABALHOS

Início dos trabalhos, fiscalização, periodicidade das medições e

9ª FASE - RECEPÇÃO PROVISÓRIA E PRAZO DE GARANTIA

Elaboração do auto de recepção, elaboração da conta final, inquérito


administrativo e início do prazo de garantia

10ª FASE - RECEPÇÃO DEFINITIVA E RESTITUIÇÃO DE GARANTIAS

Elaboração do auto de recepção, restituição de garantia e quantias retidas,


extinção da caução e liquidações eventuais

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

CAPÍTULO V – ABERTURA DO CONCURSO E APRESENTAÇÃO DA


DOCUMENTAÇÃO

A obra será posta a concurso mediante a publicação de anúncio, em Diário da República, nos
termos do disposto no artigo 52º, conforme modelo nº 2, constante do anexo IV do D.L.
59/99, num jornal de âmbito nacional e num dos jornais mais lidos da região.

A apresentação das propostas deve ser efectuada no prazo fixado no anúncio do concurso, sob
pena de não serem admitidas.

5.1 – Elaboração do anúncio do concurso

O anúncio deve indicar:

a) A identificação da entidade que põe a obra a concurso;

b) A designação da empreitada, o local de execução da obra, a natureza e extensão dos


trabalhos e as características gerais da obra, bem como, se a empreitada estiver dividida em
partes, a ordem da grandeza de cada uma e a possibilidade de concorrer a uma, a várias ou
ao conjunto delas, e, no caso de, além da execução da obra, o concurso inclui a
apresentação do projecto pelos concorrentes, as indicações necessárias e suficientes para
que estes compreendam o objecto da empreitada e possam apresentar propostas adequadas
à sua realização;

c) O preço base para efeitos de concurso, com exclusão do imposto sobre o valor
acrescentado;

d) O endereço do serviço e o local e horas em que poderão ser examinados o projecto, o


caderno de encargos, o programa do concurso e documentos complementares, ou os
elementos patenteados para efeitos de apresentação de projecto base, bem como obter
cópias autenticadas dessas peças, a data limite para solicitar tais cópias e o montante e
modalidade de pagamento das importâncias eventualmente devidas pelo seu fornecimento;

19
EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

e) A natureza e classificação das autorizações constantes do certificado de classificação de


empreiteiro de obras públicas ou alvarás de empreiteiro de obras públicas, ou equivalentes;

f) As especificações relativas a cauções ou quaisquer outras garantias eventualmente


exigidas, qualquer que seja a respectiva forma;

g) A data e hora limite para apresentação das propostas, o endereço do serviço a que devem
ser dirigidas e a língua em que tanto elas como os documentos que as acompanham devem
redigir-se;

h) O prazo de validade das propostas;

i) A modalidade jurídica de associações que deva adoptar qualquer agrupamento de empresas


a que venha eventualmente a ser adjudicada a empreitada;

j) As modalidades essenciais de financiamento e de pagamento e, bem assim, as eventuais


disposições gerais ou regulamento que as estabeleçam ou somente estas;

k) O local, dia e hora em que terá lugar o acto público do concurso e quais as pessoas
admitidas a intervir no mesmo;

l) O tipo de empreitada;

m) O prazo de execução da obra;

n) O critério de adjudicação da empreitada, com indicação dos factores de apreciação das


propostas e a sua ponderação;

o) Se for o caso, a data de envio de anúncio para publicação, em cumprimento de acordos


internacionais, nomeadamente quando decorrente das directivas das Comunidades
Europeias relativas à coordenação dos processos de adjudicação de empreitadas de obras
públicas.

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

5.2 – Remessa do anúncio para publicação

Como já se disse, o anúncio deve ser publicado:

1. Na 3ª Série do Diário da República;


2. Num dos jornais da região onde vai ser executada a empreitada.
3. Num jornal de âmbito nacional.

Será conveniente escolher, o jornal regional mais lido, independentemente da publicação que
se fizer noutro ou noutros jornais.

Se o valor da empreitada for igual ou superior ao estabelecido para efeito da aplicação das
directivas comunitárias relativas à coordenação dos processos de adjudicação de empreitadas
de obras públicas o anúncio terá que ser publicado no Jornal Oficial das Comunidades
Europeias.

Os prazos para apresentação das propostas são contados a partir do dia seguinte ao da
publicação do respectivo anúncio do concurso no Diário da República.

a) Quando for obrigatória a publicação no Jornal Oficial das Comunidades Europeias, deverá
ser promovida a publicação do anúncio neste órgão, com a antecedência necessária que
permita o cumprimento dos prazos como referido no parágrafo anterior.

5.3 – Esclarecimentos de dúvidas surgidas na interpretação dos elementos patenteados

Os esclarecimentos necessários à boa compreensão e interpretação dos elementos patenteados


serão solicitados pelos concorrentes no primeiro terço do prazo fixado para a apresentação das
propostas e prestados por escrito, pela entidade para o efeito indicada no programa do
concurso, até ao fim do terço imediato do mesmo prazo.

21
EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

A falta de apresentação dos esclarecimentos pela entidade referida no numero anterior dentro
do prazo estabelecido poderá justificar a prorrogação, por período correspondente, do prazo
para apresentação das propostas, desde que requerida por qualquer interessado.

Dos esclarecimentos prestados juntar-se-á cópia às peças patentes em concurso e publicar-se-


á imediatamente aviso advertindo os interessados da sua existência e dessa junção, havendo
toda a conveniência em que os esclarecimentos sejam enviados aos concorrentes que já
tenham procedido ao levantamento do processo.

5.4 – Recepção das propostas

Aspectos que os serviços de recepção deverão ter em atenção no acto da recepção das
propostas e no registo da sua entrada:

a) As propostas e os documentos que as devem acompanhar deverão ser apresentadas


segundo a forma que consta do programa do concurso;

b) O serviço receptor receberá pelo correio, com aviso de recepção, ou das mãos do
concorrente ou seu representante, um invólucro opaco, fechado e lacrado que se
denomina invólucro exterior, com o nome ou denominação social do concorrente, a
designação da empreitada e a entidade que a pôs a concurso. O serviço receptor não
pode abrir esse invólucro ou outros que o tenham acompanhado;

c) Se algum concorrente apresentar a proposta de forma diferente àquela que é obrigatória,


o serviço não poderá recusar a recepção, mas registará esse facto em anotação de modo
que, posteriormente, não restem dúvidas sobre esse facto e não possa invocar erro ou
falha dos serviços. A única entidade que decidirá sobre a admissão da proposta ou sobre
a sua exclusão é a comissão de abertura do concurso, perante a qual decorrerá o acto
público;

22
EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

d) A data e hora limites de apresentação das propostas no endereço do serviço, conforme


tenha sido publicado no anúncio. A apresentação fora do prazo no anúncio do concurso
implica a sua não admissão;

e) O registo de entrado no serviço com número, data e hora da entrada. A ordem de


entrada tem que manter-se no acto público pelo que é necessário demonstrar essa ordem
pela numeração da entrada. O registo da data e da hora serve para analisar possíveis
reclamações sobre a admissão ou a exclusão de alguma proposta. O recibo a passar ao
concorrente deverá mencionar estes dados;

f) As propostas recebidas fora do prazo não devem ser recusadas. São registadas e, no acto
público, serão entregues à comissão conjuntamente com as outras propostas;

g) A documentação recebida deverá ser guardada em lugar seguro e sob a responsabilidade


de um funcionário.

5.5 – Modo de apresentação dos documentos e da proposta

Os documentos referidos nos artigos 69º e 70º do D.L. 59/99, devem ser encerrados em
invólucro opaco, fechado e lacrado, no rosto do qual deve ser escrita a palavra
«Documentos», indicando-se o nome ou denominação social do concorrente e a designação
da empreitada.

Em invólucro com as características indicados no número anterior, devem ser encerrados a


proposta e os documentos que a instruam enunciados no nº. 1, do artigo 73º do mesmo
diploma,, no rosto do qual deve ser escrita a palavra «Proposta», indicando-se o nome ou a
denominação social do concorrente e a designação da empreitada.

Os invólucros a que se referem os números anteriores são encerrados num terceiro,


igualmente opaco, fechado e lacrado, que se denominará «Invólucro Exterior», indicando-se o
nome ou denominação social do concorrente, a designação da empreitada e a entidade que a

23
EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

pôs a concurso, para ser remetido sob registo e com aviso de recepção, ou entregue contra
recibo, à entidade competente.

O disposto nos números anteriores é aplicado à proposta com projecto base do concorrente,
com variantes ao projecto e aos restantes documentos que a acompanham, os quais têm de ser
devidamente identificados.

As propostas serão apresentadas pelo empreiteiro ou seu representante, directamente contra


recibo, ou pelo correio, sob registo e com aviso de recepção.

5.6 – Projecto, caderno de encargos e programa de concurso

O concurso terá por base um projecto e respectivo um caderno de encargos e um programa de


concurso, elaborados pelo dono da obra, de acordo com modelos oficiais aprovados.

Os modelos oficiais de programas de concurso e cadernos de encargos, foram publicados em


Diário da República, no dia 21 de Fevereiro de 2001, através da Portaria 104/2001.

O projecto, o caderno de encargos e o programa de concurso devem estar patentes nos


serviços do nono da obra para consulta dos interessados, desde o dia da publicação do
anúncio até ao dia e hora do acto público do concurso.

5.6.1 - Projecto

Assume especial importância a necessidade da elaboração do ou dos projectos técnicos, com


o maior rigor possível, antes da abertura do concurso.

Havendo projecto, haverá que ter algum cuidado e verificar, antes da abertura do concurso, se
aquele não se encontra desactualizado e desenquadrado da legislação em vigor e das normas
técnicas mais recentes.

Projecto elaborado pelo dono da obra

24
EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

As peças do projecto elaborado pelo dono da obra a exibir no concurso deverão ser as
suficientes para definir a obra, incluindo a sua localização, a natureza e o volume dos
trabalhos, o valor para efeito de concurso, a caracterização do terreno, o traçado geral e os
pormenores construtivos.

Das peças escritas devem constar, além de outros elementos considerados necessários, os
seguintes:

a) Memória ou nota descritiva, bem como os cálculos justificativos;


b) Mapa de medições contendo, com o grau de decomposição adequado, a
quantidade e a qualidade dos trabalhos necessários;
c) Programa de trabalhos, quando tiver carácter vinculativo.

Das peças desenhadas devem constar, além de outros reputados necessários, os seguintes
elementos:

a) Planta de localização;
b) Plantas, alçados, cortes e pormenores indispensáveis para uma exacta e
pormenorizada definição da obra;
c) Estudos geológicos ou geotécnicos, se existirem.

Se não forem exibidos os estudos referidos anteriormente, serão obrigatoriamente definidas,


pelo dono da obra, as características geológicas do terreno previstas para efeito do concurso.

As peças do projecto patenteadas no concurso serão expressamente enumeradas no caderno


de encargos.

Projecto elaborado pelos concorrentes

Quando se trate de obras cuja complexidade técnica ou elevada especialização o justifiquem,


o dono da obra deve definir, com precisão suficiente, em documento pelo menos com o grau
equivalente ao de programa base, os objectivos que deseje atingir, especificando os aspectos

25
EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

que considere vinculativos, deixando aos concorrentes a possibilidade de apresentação de


projecto base.

Escolhido no concurso um projecto base, servirá este para a elaboração do projecto de


execução que, depois de aprovado, ficará a obrigar as duas partes.

5.6.2 – Caderno de encargos

O caderno de encargos é o documento que contém, ordenadas por artigos numerados, as


cláusulas jurídicas e técnicas, gerais e especiais, a incluir no contrato a celebrar.

Havendo caderno de encargos tipo, devidamente aprovados para categoria do contrato posto a
concurso, deverá o caderno de encargos conformar-se com o tipo legal, com excepção das
cláusulas especiais indicadas para o caso e com as alterações nas cláusulas gerais permitidas
pela própria forma ou que sejam aprovadas pela autoridade que haja firmado ou referendado o
acto pelo qual se tornou obrigatória a fórmula típica.

Dos documentos gerais ou especiais, relativos a cada contrato, devem constar as


especificações técnicas. Para efeitos do diploma vertente, considera-se especificações
técnicas, o conjunto de das prescrições técnicas constantes, nomeadamente, dos cadernos de
encargos, que definem as características exigidas de um trabalho, material, produto ou
fornecimento e que permitem a sua caracterização objectiva de modo que correspondam à
utilização a que o dono da obra os destina.

5.6.3 – Programa de concurso

O programa do concurso destina-se a definir os termos a que obedece o respectivo processo e


especificará:

a) As condições estabelecidas para a admissão dos concorrentes e apresentação das


propostas;

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

b) Os requisitos que eventualmente tenham de obedecer os projectos ou variantes


apresentados pelos concorrentes e as peças de que devem ser acompanhados;

c) Se é admitida a apresentação de propostas com condições divergentes das do caderno de


encargos e quais as cláusulas deste que não podem ser alteradas; na falta de qualquer
destas especificações concluir-se-á pela não admissibilidade da apresentação de
propostas com condições divergentes das do caderno de encargos;

d) As prescrições a que o programa de trabalhos deve obedecer;

e) O critério de apreciação da empreitada, com indicação, dos factores e eventuais


subfactores, de apreciação das propostas e respectiva ponderação;

f) Quaisquer disposições especiais não previstas neste diploma nem contrários ao que nele
se preceitua relativas ao acto do concurso;

g) A entidade que preside ao concurso, a quem devem ser apresentadas reclamações, e seja
competente para esclarecer qualquer dúvida surgida na interpretação das peças
patenteadas em concurso.

5.6.4 – Aprovação dos elementos para o concurso: projecto, caderno de encargos e programa
de concurso.

Elaborados o projecto, o caderno de encargos e o programa de concurso, deverão ser


apresentados à entidade que têm poder para os aprovar.

A aprovação de alguns projectos técnicos está dependente da audição de várias entidades,


pelo que, atempadamente e para evitar bloqueios, deve promover-se a emissão dos
necessários pareceres.

5.7 – Documentos da proposta

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

A proposta é o documento pelo qual o concorrente manifesta ao dono da obra a vontade de


contratar e indica as condições em que se dispõe a fazê-lo.

A proposta diz-se condicionada quando envolve alterações do caderno de encargos.

A proposta diz-se variante, quando envolve alterações ao projecto.

A apresentação de propostas condicionadas ou variantes, implica sempre a apresentação de


proposta base.

Sem prejuízo de outras exigidas no programa de concurso, a proposta será instruída com os
seguintes documentos:

a) Nota justificativa do preço proposto;


b) Lista dos preços unitários com o ordenamento dos mapas-resumo de quantidades
de trabalho;
c) Programa de trabalhos, incluindo plano de trabalhos, plano de mão-de-obra e
plano de equipamento;
d) Plano de pagamentos;
e) Memória justificativa e descritiva do modo de execução da obra;
f) Declaração do concorrente que mencione os trabalhos a efectuar em cada uma das
subcategorias e o respectivo valor e, se for o caso, declarações de compromisso
subscritas por cada um dos subempreiteiros, nos casos e termos previstos no nº6
do artigo 266º do Decreto-Lei nº59/99 de 2 de Março;
g) Outra documentação, quando exigida.

5.8 – Concorrentes

Com a publicação do Decreto-Lei nº 61/99, de 2 de Março, que define o acesso e permanência


na actividade de empreiteiro de obras públicas e industrial de construção civil, foram os
alvarás substituídos por certificados de classificação de empreiteiro de obras públicas,

28
EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

adequados, concedidos com base na idoneidade e nas capacidades técnica, económica e


financeira

São também considerados competentes para o concurso de obras públicas, e por via do direito
comunitário, outros concorrentes que não sendo possuidores de certificados emitidos ao
abrigo do diploma referido anteriormente, são, também, potenciais concorrentes, reunindo as
condições para o exercício da actividade, no país de origem.

5.8.1 – Admissão a concurso

Pelo que acima foi dito, podem ser admitidos a concurso os seguintes concorrentes:

a) Os concorrentes titulares de certificado de classificação de empreiteiro de obras


públicas, emitido pelo Instituto dos Mercados de Obras Públicas e Particulares e do
Imobiliário, contendo as autorizações da natureza indicada no anúncio e no
programa de concurso e da classe correspondente ao valor da proposta apresentada;

b) Os concorrentes nacionais de outros Estados membros da União Europeia, nas


condições previstas no Decreto-Lei nº. 59/99, de 2 de Março.

c) Os concorrentes nacionais dos Estados signatários do Acordo sobre o Espaço


Económico Europeu, em condições de igualdade com os concorrentes da União
Europeia, nos termos desse Acordo e respectivos instrumentos de aplicação.

d) Os concorrentes Nacionais dos Estados signatários do Acordo sobre Contratos


Públicos da Organização Mundial do Comércio, nos termos estabelecidos nesse
acordo.

A titularidade do certificado de classificação de empreiteiro de obras públicas, contendo as


autorizações exigidas, prova-se pelo cumprimento do nº. l do artigo 69º do Decreto-Lei nº.
59/99, de 2 de Março.

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

5.8.2 – Subempreitadas

Caso o concorrente não disponha das autorizações exigidas, indicará em documento anexo,
os subempreiteiros, possuidores dessas autorizações, aos quais ficará vinculado por contrato
para a execução dos trabalhos que lhe respeitem. Terão igualmente de ser anexadas as
declarações de compromisso subscritas pelo concorrente e por cada um dos empreiteiros,
acompanhados dos certificados de classificação de empreiteiro de obras públicas, alvará, ou
certificados de inscrição em lista oficial de empreiteiros aprovados com as características
indicadas no nº 1 do artigo 68º do D.L. 59/99, consoante as situações, ou respectivas cópias
autenticadas. Em qualquer caso, as declarações referidas devem mencionar sempre o nome
dos subempreiteiros, o seu endereço, a titularidade dos respectivos certificados ou alvarás
contendo as autorizações exigidas no concurso e o valor e a natureza dos trabalhos objecto de
empreitada.

Assinale-se que, de acordo com o regime jurídico de empreitadas em vigor, o empreiteiro de


obras públicas, adjudicatário de uma obra pública não poderá subempreitar mais de 75% do
valor da obra que lhe foi adjudicada. O mesmo se aplica às subempreitadas subsequentes.

De igual modo, o empreiteiro não poderá proceder à substituição dos subempreiteiros que
figurem no contrato sem obter previamente autorização do dono da obra.

5.8.3 – Idoneidade dos concorrentes

Sob pena de exclusão dos concursos, a idoneidade dos concorrente pressupõe não se
enquadrarem em nenhum dos seguintes impedimentos:

a) Se encontrem em estado de falência, de liquidação, de cessação de actividade,


sujeitos a qualquer meio preventivo da liquidação de patrimónios ou em qualquer
situação análoga, ou tenham o respectivo processo pendente;

b) Tenham sido condenados por sentença transitada em julgado por qualquer dos
crimes previstos nas alíneas b), c), d), e), f) e g) do nº. l do artigo 6º. do Decreto Lei

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

nº. 61/99, de 2 de Março, no caso de se tratar de empresários em nome individual,


ou, caso sejam sociedades comerciais, tenham sido condenados por aqueles crimes
os indivíduos encarregues da administração, direcção ou gerência social das
mesmas;

c) Tenham sido sancionados administrativamente por falta grave em matéria


profissional, se entretanto não tiver ocorrido a sua reabilitação;

d) Não tenham a sua situação regularizada relativamente a contribuições para a


segurança social em Portugal ou no Estado de que sejam nacionais ou no qual se
situe o estabelecimento principal da empresa;

e) Não tenham a sua situação regularizada relativamente a dívidas por impostos ao


Estado Português ou ao Estado de que sejam nacionais ou no qual se situe o
estabelecimento principal da empresa;

f) Tenham sido objecto de aplicação da sanção acessória prevista na alínea e) do nº. l


do artigo 21º. do Decreto-Lei nº. 433/82, de 27 de Outubro, durante o período de
inabilidade legalmente previsto;

g) Tenham sido objecto de aplicação acessória prevista no nº. l do artigo 5º. do


Decreto-Lei nº. 396/91, de 16 de Outubro, relativamente ao trabalho de menores;

h) Tenham sido objecto de aplicação de sanção administrativa ou judicial pela


utilização ao seu serviço de mão-de-obra legalmente sujeita ao pagamento de
impostos e contribuições para a segurança social, não declarada nos termos das
normas que imponham essa obrigação, em Portugal ou no Estado de que sejam
nacionais ou no qual se situe o estabelecimento principal da empresa, durante o
prazo de prescrição da sanção legalmente previsto;

5.8.4 – Agrupamentos de empresas

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

Ao concurso poderão, também, apresentar-se agrupamentos de empresas, sem que entre elas
exista qualquer modalidade jurídica de associação, desde que todas as empresas do
agrupamento satisfaçam as disposições legais relativas ao exercício da actividade de
empreiteiro de obras públicas.

A constituição jurídica dos agrupamentos não é, normalmente, exigida na apresentação da


proposta, mas as empresas agrupadas serão responsáveis perante o dono da obra pela
manutenção da sua proposta, com as legais consequências.

No caso de adjudicação da empreitada ser feita a um agrupamento de empresas, estas associar-se-ão,


obrigatoriamente antes da celebração do contrato, na modalidade de consórcio em regime de
responsabilidade solidária.

Os documentos exigidos para habilitação dos concorrentes dependem, da situação dos


empreiteiros relativamente à certificação ou não, como empreiteiro de obras públicas, no
território nacional.

Sendo assim, o presente diploma divide os possíveis concorrentes em três grupos e define o
grau de exigência para que os empreiteiros, incluídos em cada um deles, reuna as condições
para se apresentar a concurso. São eles:

1. Concorrentes não detentores de certificado de classificação de empreiteiro de


obras públicas ou que não apresentem certificados de inscrição em lista oficial de
empreiteiros aprovados;

2. Concorrentes não detentores de certificado de classificação de empreiteiro de


obras públicas que apresentem certificado de inscrição em lista oficial de
empreiteiros aprovados de Estado pertencente ao espaço económico europeu;

3. Concorrentes detentores de certificado de classificação de empreiteiro de obras


públicas.

32
EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

Como na grande maioria dos concursos, os concorrentes se incluem neste último grupo, é
mais sobre este que incide o presente estudo.

5.9 – Documentos de habilitação dos concorrentes

Os concorrentes têm, assim, que apresentar os seguintes documentos:

a) Certificado de classificação de empreiteiro de obras públicas, emitido pelo Instituto dos


Mercados de Obras Públicas e Particulares e do Imobiliário, contendo as autorizações
de natureza necessária para a realização da obra e da classe correspondente ao valor da
proposta, ou cópia autenticada do mesmo;

b) Documento comprovativo da regularização da situação contributiva para com a


segurança social portuguesa, emitido pelo Instituto de Gestão Financeira da Segurança
Social e, se for o caso, certificado equivalente emitido pela autoridade competente do
Estado de que a empresa seja nacional ou no qual se situe o seu estabelecimento
principal; qualquer dos documentos referidos deve ser acompanhado de declaração, sob
compromisso de honra, do cumprimento das obrigações respeitantes ao pagamento das
quotizações para a segurança social no espaço económico europeu;

c) Declaração prevista no artigo 3º do Decreto-Lei nº236/95 de 13 de Setembro,


comprovativa da regularização da situação tributária perante o Estado Português e, se
for o caso, certificado equivalente emitido pela autoridade competente do Estado de que
a empresa seja nacional ou no qual se situe o seu estabelecimento principal; qualquer
dos documentos referidos deve ser acompanhado de declaração, sob compromisso de
honra, do cumprimento das obrigações no que respeita ao pagamento de impostos e
taxas no espaço económico europeu;

d) Documento emitido pelo Banco de Portugal, no mês em que o concurso tenha sido
aberto ou no mês anterior, (ou no mês posterior conforme redacção introduzida pela

33
EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

Portaria 104/2001), que mencione as responsabilidades da empresa no sistema financeiro


e, se for o caso, documento equivalente emitido pelo banco central do Estado de que a
empresa seja nacional ou no qual se situe o seu estabelecimento principal;

e) Cópia autenticada da última declaração periódica de rendimentos para efeitos de IRS ou


IRC na qual se contenha o carimbo de “Recibo” e, se for o caso, documento equivalente
apresentado para efeitos fiscais, no Estado de que a empresa seja nacional ou no qual se
situe o seu estabelecimento principal; se tratar de início de actividade, a empresa deve
apresentar cópia autenticada da respectiva declaração;

f) Certificados de habilitações literárias e profissionais dos quadros da empresa e dos


responsáveis pela orientação da obra, (designadamente: director técnico da obra e
representante permanente do empreiteiro na obra conforme redacção introduzida pela
Portaria 104/2001);

g) Lista de obras executadas da natureza da obra posta a concurso, acompanhada de


certificados de boa execução, referindo o montante, data e local de execução e se as
mesmas foram executadas de acordo com as regras da arte e regularmente concluídas;

h) Declaração, assinada pelo representante legal da empresa, que mencione o equipamento


e a ferramenta especial a utilizar na obra, seja próprio, alugado, ou sob qualquer outra
forma;

i) Declaração, assinada pelo representante legal da empresa, que mencione os técnicos e


os serviços técnicos, estejam ou não integrados na empresa, a afectar à obra (para além
dos indicado na alínea f), conforme redacção introduzida pela Portaria 104/2001);

j) (Se for o caso, de acordo com o disposto no artigo 70, nº 1, do Decreto-Lei nº 59/99, de
2 de Março). Relativamente à capacidade financeira e económica, os concorrentes
deverão apresentar ainda os seguintes documentos....... (aditado pela Portaria 104/2001).

No que respeita ao documento emitido pelo Banco de Portugal, há que referir:

34
EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

1. A Lei 163/99, de 14 de Setembro aditou ao artigo 67º do Decreto-Lei nº 59/99, de


2 de Março, que este documento constitui informação comercial de natureza
reservada, não podendo ser divulgada a terceiros;

2. O documento só tinha validade, para efeitos de concurso, se tivesse sido emitido


no mês em que o concurso tivesse sido aberto ou no mês anterior. Esta redacção
obrigava a que os concorrentes possuíssem, praticamente, um documento por cada
mês do ano. Efectivamente se, hipoteticamente, um concurso fosse aberto no dia
31 de um determinado mês e o empreiteiro começasse a preparar o concurso no dia
1 do mês seguinte, ou seja, no dia imediato, o documento do Banco de Portugal
emitido no mês de preparação do concurso e elaboração das propostas, não tinha
validade para efeitos de concurso. A situação era, no mínimo, absurda, não tendo
sido essa a intenção do legislador. A Portaria 104/2001, de 21 de Fevereiro, veio
corrigir a situação

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

CAPÍTULO VI – ACTO PÚBLICO DO CONCURSO

Para a realização do concurso, o dono da obra nomeia duas comissões

A comissão de abertura do concurso, que supervisionará a abertura do concurso e a


apresentação da documentação, o acto público do concurso e a qualificação dos concorrentes;

A comissão de análise das propostas, que supervisionará a análise das propostas e elaboração
de relatório e a adjudicação.

As comissões são compostas, no mínimo, por três membros, todos designados pelo dono da
obra, podendo agregar peritos, sem direito a voto, para emissão de pareceres em áreas
especializadas.

A comissão de análise de propostas, não pode, salvo caso de manifesta impossibilidade,


devidamente fundamentada, ser constituída em mais de um terço, pelos elementos que tenham
feito parte da comissão de abertura do concurso.

A agregação de peritos assume especial relevância, no que respeita ao acto público do


concurso, onde, por força da documentação exigida, se assiste a autênticas batalhas entre os
concorrentes, onde os seus técnicos e juristas forçam a eliminação dos “adversários”. De igual
forma, a análise financeira e económica dos concorrentes obriga a conhecimentos, nesta área,
nem sempre ao alcance dos membros das comissões.

As deliberações das comissões são tomadas por maioria de votos, prevalecendo, em caso de
empate, o voto do presidente.

O acto público do concurso deverá ser preparado com antecedência, de modo que, no dia e
hora anunciados, possam ser iniciados os trabalhos sem dificuldades, nem atrasos,
transmitindo-se a ideia de rigor e respeito pelo acto e de consideração pelos concorrentes,
procedendo como se indica:

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

a) Reservar-se-á sala para o acto público;

b) Colocar-se-á mesa de trabalho da comissão, material para o secretário, cadeiras para


os assistentes, mesa e papel pautado para os assistentes redigirem reclamações;

c) Promover-se-á a existência de pelo menos um exemplar do processo completo do


concurso;

d) Promover-se-á a reunião dos invólucros com as propostas recebidas, organizados por


ordem de entrada. O trabalho será facilitado se for acompanhado de folha de registo
dessas entradas;

e) Promover-se-á a existência de legislação que regula as empreitadas públicas e os


certificados dos empreiteiros, para esclarecer dúvidas que possam surgir.

O acto público do concurso deverá, em regra, ser fixado para o 1º dia útil seguinte ao termo
do prazo para apresentação das propostas

O acto público do concurso decorre perante a comissão de abertura do concurso.

6.1 – Sessão do acto público

A sessão do acto público é contínua, compreende o número de reuniões necessárias ao


cumprimento de todas as suas formalidades.

A comissão pode quando o considere necessário. Reunir em sessão reservada, interrompendo,


para esse efeito, o acto público.

A comissão de abertura do concurso limitar-se-á, durante o acto público, a fazer uma análise
tanto dos documentos de habilitação dos concorrentes, como dos documentos que instruem as
propostas.

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

Ao secretário compete redigir a acta da sessão da comissão de abertura do concurso, que


deverá ser assinada por ele e pelo presidente.

6.1 – Leitura do anúncio e dos esclarecimentos publicados e lista dos concorrentes

O acto inicia-se pela leitura do anúncio do concurso, bem como da súmula dos
esclarecimentos prestados pelo dono da obra sobre a interpretação do programa do concurso,
do projecto e do caderno de encargos, declarando-se as datas em que foram publicados

Em seguida elabora-se, pela ordem de entrada das propostas, a lista dos concorrentes,
fazendo-se a sua leitura em voz alta. Esta lista é obrigatoriamente anexada à acta, dela
fazendo parte integrante.

6.2 – Reclamação e interrupção do acto público do concurso

Finda a leitura da lista dos concorrentes, o presidente convidará os interessados a


apresentarem reclamações sobre os actos até aí praticados, especificando os casos, constantes
do artigo 89ª do D.L.59/99, que podem originar reclamações.

As reclamações devem ser decididas no próprio acto, para o que a comissão poderá reunir em
sessão reservada, de cujo resultado dará imediato conhecimento.

As deliberações sobre reclamações são sempre fundamentadas e registadas na acta com


expressa menção da votação.

6.3 – Abertura dos invólucros

Resolvidas as reclamações, se as tiver havido, passa-se à abertura dos invólucros pela ordem
de entrada.

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

A abertura dos invólucros exteriores é feita, pela ordem da sua entrada nos serviços do dono
da obra, extraindo, de cada um, os invólucros que contiverem. No caso de não haver
propostas variantes os invólucros insertos devem ser dois.

Pela mesma ordem se faz a abertura dos invólucros que contenham exteriormente a indicação
“Documentos”.

Os documentos contidos no invólucro “Documentos” são rubricados, ou chancelados, pelo


menos, por dois membros da comissão, sendo uma das rubricas, ou chancelas,
obrigatoriamente a do presidente.

6.4 – Sessão reservada sobre a habilitação dos concorrentes

Depois de rubricados e registados os documentos que tinham sido apresentados pelos


concorrentes, a comissão delibera sobre a sua admissão e exclusão. Até esta fase, nem os
serviços que receberam as propostas e os documentos nem a comissão, se podem pronunciar
sobre a empreitada em causa.

Para tal, o presidente da comissão declara interrompida a sessão pública e inicia a sessão
secreta.

Durante a sessão secreta a comissão analisa os documentos apresentados por cada concorrente
tendo presente o que era se exigido no programa do concurso, quanto à habilitação dos
concorrentes e delibera sobre a habilitação dos concorrentes após verificação dos elementos
por eles apresentados no invólucro “Documentos”.

São excluídos, nesta fase, os concorrentes:

a) Que não tenham apresentado todos os documentos de habilitação de apresentação


obrigatória ou que apresentem qualquer delas depois do termo do prazo fixado
para a apresentação das propostas;

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

b) Que não apresentem os documentos redigidos em língua portuguesa ou


acompanhados de tradução devidamente legalizada ou, não o sendo, com
declaração por parte do concorrente que aceita a sua prevalência nos termos do nº
1 do artigo 71º;

c) Cujos documentos careçam de algum elemento essencial cuja falta não possa ser
suprida nos termos descritos seguidamente.

A comissão admite, condicionalmente, os concorrentes cujos documentos sejam apresentados


com preterição de formalidades não essenciais, devendo, porém, tais irregularidades ser
sanadas no prazo de dois dias, sob a pena de ficar sem efeito a admissão e serem excluídas do
concurso.

6.5 – Sessão pública - Anúncio dos concorrentes admitidos e dos excluídos . Exame dos
documentos pelos concorrentes

O presidente reabre a sessão pública.

Anuncia em voz alta os concorrentes que foram admitidos, os que foram excluídos e os que
foram admitidos condicionalmente. Indica as razões das exclusões e das admissões
condicionais.

Notifica os que foram admitidos condicionalmente para, no prazo de dois dias, sanarem as
irregularidades sob pena de ficar sem efeito a admissão e serem excluídos do concurso;

Em seguida a comissão fixa um prazo durante o qual os concorrentes e os seus representantes


podem examinar os documentos apresentados, exclusivamente para os efeitos de
fundamentação de eventuais reclamações contra as deliberações de exclusão e as de admissão.

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

6.6 – Apresentação de reclamações. Decisões. Dedução de recursos

Terminado o prazo concedido para os concorrentes analisarem os documentos, o presidente


pergunta se algum dos concorrentes deseja apresentar reclamação contra as deliberações
tomadas sobre exclusões ou admissões.

Se algum concorrente deseja reclamar, sugerem-se os seguintes procedimentos:

a) O presidente convida o reclamante a apresentar a sua reclamação por escrito para


ser junta à acta ou a ditá-la para aquela;

b) A comissão delibera imediatamente sobre a reclamação apresentada, podendo


reunir em sessão secreta para deliberar; as deliberações sobre reclamações são
sempre fundamentadas e registadas na acta com expressa menção da votação;

c) A deliberação é tornada pública e dela há lugar a recurso hierárquico e tutelar;


para isso, o reclamante é convidado a deduzir o recurso no próprio acto público do
concurso, podendo consistir em declaração ditada para a acta ou em petição
escrita entregue à comissão;

d) O presidente chama à atenção do requerente para o facto das alegações do recurso


terem que ser apresentadas, no prazo de cinco dias contados da data do acto
público do concurso, caso o concorrente não tenha requerido certidão da acta, ou
da data de entrega da certidão da acta, solicitada nos termos do artigo 97º.

Certidões da acta

A fim de permitir a utilização de qualquer dos meios administrativos ou contenciosos


previstos no presente diploma, podem os concorrentes requerer certidão da acta do acto
público do concurso, que é passada no prazo máximo de oito dias.

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

Atitude da comissão

Quando das deliberações referidas anteriormente, for apresentada reclamação, a comissão


decide-a imediatamente.”

Assinale-se ainda:

Se houver recurso de deliberação da comissão, é necessário controlar três prazos:

1. O do fornecimento ao requerente de certidão da acta pelos serviços;

2. O da apresentação das alegações do recurso pelos concorrentes;

3. O da notificação do recorrente sobre a decisão do dono da obra ( recurso


hierárquico).

6.7 – Abertura dos invólucros “Propostas”. Rubrica das propostas

Após a fase de admissão e exclusão de concorrentes, passa-se á fase de abertura e verificação


das propostas encerradas nos invólucros “Propostas”.

No caso de ter havido concorrentes admitidos condicionalmente, o acto público suspende-se ,


retomando-o apenas quando houver uma decisão final quanto à admissão dos concorrentes.

Às propostas e aos documentos que as instruem aplica-se o referido anteriormente quanto à


sua rubrica ou chancela.

6.8 – Deliberação sobre a admissão das propostas e registo das exclusões e admissões

Abertos os invólucros e rubricadas as propostas, procede-se em seguida à leitura pública para


conhecimento dos concorrentes.

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

O presidente declara interrompido o acto público para a comissão reunir em sessão secreta
com o objectivo de deliberar sobre a admissão ou exclusão de propostas.

Em sessão secreta passa-se ao exame formal das propostas.

Note-se que a lei não refere a possibilidade de admissão condicional de propostas, isto é,
considera que todas as formalidades são essenciais.

Terminada a análise das propostas e tomadas as deliberações convenientes, retoma-se o acto


público.

Informam-se então os presentes quais foram as propostas admitidas, o preço total de cada uma
delas sem IVA e outros elementos que a comissão julgue conveniente.

Informa-se quais as propostas que não foram admitidas e as razões que fundamentam a
deliberação.

A seguir, o presidente informa que os concorrentes ou os seus representantes poderão


examinar as propostas e respectivos documentos durante o prazo que julgue conveniente,
avisando que esse exame se destina, exclusivamente, a fundamentar eventuais reclamações
contra as deliberações de admissão e as de não admissão de propostas.

6.9 – Apresentação de reclamações. Decisões e dedução de recursos

Terminado o prazo para exame das propostas e respectivos documentos pelos concorrentes, o
presidente pergunta se algum dos concorrentes deseja apresentar reclamação sobre as
deliberações tomadas.

Se a proposta for positiva, sugerem-se os mesmos procedimentos adoptados do passo 6.5.

6.10 – Elaboração da acta. Apresentação de reclamações de decisões

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

De seguida a comissão redige a acta. Esta deve traduzir tudo o que se passou no acto
público até aquele momento. Assim o registo dos factos deve ser sequencial, com expressa
menção dos documentos que são anexos, seguidamente numerados, os quais farão parte da
acta.

Redigida a acta, é lida em voz alta. O presidente pergunta se há reclamações a apresentar


sobre o conteúdo da acta. Se a resposta for afirmativa, sugerem-se os mesmos
procedimentos indicados anteriormente.

6.11 – Encerramento da sessão

Lida e assinada a acta, resolvidas as reclamações apresentadas, o presidente declara encerrada


a sessão.

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

CAPÍTULO VII – QUALIFICAÇÃO DOS CONCORRENTES

A comissão deverá, seguidamente, avaliar a capacidade financeira, económica e técnica dos


concorrentes, tendo em conta os elementos de referência solicitados no anúncio do concurso
ou no convite para apresentação de propostas e com base nos documentos exigidos.

Finda a análise a comissão a comissão deve excluir os concorrentes que não demonstrem
aptidão para a execução da obra posta a concurso.

Os concorrentes considerados aptos passam á fase seguinte em condições de igualdade.

A comissão deve sempre elaborar relatório fundamentado, do qual constem as admissões e as


exclusões e as razões das mesmas e dar conhecimento dele, o mais rapidamente possível, a
todos os concorrentes.

A deliberação da comissão que exclua ou admita um concorrente é susceptível de reclamação.


Esta reclamação goza de efeito suspensivo.

No caso do recurso, hierárquico ou tutelar, ter sido deferido, praticar-se-ão os actos


necessários à sanção dos vícios e à satisfação dos legítimos interesses do recorrente, caso tal
seja possível, devendo anular-se o concurso, no caso contrário.

O facto de passarem à fase seguinte todos os concorrentes considerados aptos para a


realização da empreitada e, em pé de igualdade, leva a que se proceda com o máximo rigor.

A premência da agregação de peritos às comissões é por demais evidente, especialmente no


que concerne à capacidade financeira e económica dos concorrentes. Esta capacidade deverá
ser feita (por força do aditamento introduzido pela Portaria nº 104/2001, de 21 de Fevereiro),
com base no quadro de referência constante da portaria nº 412-F/99, de 4 de Junho, publicada
ao abrigo do artigo 8º do D.L: n.º 61/99, de 2 de Março, não podendo ser excluído nenhum
concorrente que, no mínimo, apresente cumulativamente os valores do quartil inferior
previstos nessa portaria, conforme Quadro 4.

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

Quadro 4
Índices de capacidade económica e financeira

RÁCIOS FÓRMULA DE CÁLCULO VALORES MÍNIMOS (%)


(Existências+disponibilidades+dívidas
Liquidez geral de terceiros a curto prazo) / passivo a 104,77
curto prazo
Autonomia financeira Capitais próprios / activo líquido total 9,12
Capitais permanentes / imobilizado
Grau de cobertura do imobilizado 108,55
líquido

Na avaliação da capacidade técnica dos concorrentes para a execução da obra posta a


concurso, deverão ser adoptados os seguintes critérios:

a) Comprovação da execução de, pelo menos, uma obra de idêntica natureza da


obra posta a concurso, de valor não inferior a... (indicar um valor não superior
a 60% do valor estimado do contrato);

b) Adequação do equipamento e da ferramenta especial a utilizar ma obra, seja


próprio, alugado ou sob qualquer outra forma, as suas exigências técnicas;

c) Adequação dos técnicos e os serviços técnicos, estejam ou não integrados na


empresa, a afectar à obra.

Os critérios acima referidos apenas poderão ser alterados quando se trate de obras cuja
elevada complexidade técnica, especialização e dimensão o justifiquem.

A comissão de abertura deverá elaborar relatório fundamentado da qualificação dos


concorrentes, com indicação das exclusões e admissões e dele dar imediato conhecimento aos
concorrentes admitidos a concurso, aguardando que expire o prazo de audiência prévia, após
o que elaborará um relatório final.

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

CAPÍTULO VIII – ANÁLISE DAS PROPOSTAS

As propostas dos concorrentes qualificados devem ser analisadas em função do critério de


adjudicação estabelecido.

A comissão de análise das propostas deve elaborar um relatório fundamentado sobre o mérito
das propostas, ordenando-as para efeitos de adjudicação, de acordo com o critério de
adjudicação de acordo com os factores e subfactores de apreciação das propostas e respectiva
ponderação, fixados no programa de concurso.

Os concorrentes deverão ser notificados do teor do relatório, para efeitos de audiência prévia.

Na análise de propostas, não poderá, em caso algum, a comissão, ter em consideração, directa
ou indirectamente, a aptidão dos concorrentes já avaliada pela anterior comissão.

Após a audiência prévia, escrita, aos concorrentes, a comissão elabora um relatório final,
devidamente fundamentado, a submeter à entidade competente para a adjudicação, onde
pondera as observações dos concorrentes.

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

CAPÍTULO IX – ADJUDICAÇÃO

A adjudicação é a decisão pela qual o dono da obra aceita a proposta do concorrente


preferido.

Refira-se aqui, que o critério, no qual se baseia a adjudicação é o da proposta


economicamente mais vantajosa, implicando a ponderação de factores variáveis,
designadamente o preço, o prazo, a valia técnica da proposta e a garantia de execução

Apresentados os relatórios das comissões ao dono da obra, terá ele que decidir sobre a
adjudicação ou a não adjudicação.

Nesta fase, a adjudicação será condicional, ficando a adjudicação definitiva dependente de


formalidades subsequentes, nomeadamente da, aprovação da minuta do contrato pelo dono da
obra e pelo concorrente preferido.

A decisão ou deliberação terá que ser fundamentada, podendo remeter para os relatórios das
comissões, se concordar com ele. Neste caso, esses relatórios integram a própria decisão ou
deliberação.

Nesta decisão deverão destacar-se os seguintes elementos:

a) Valor da adjudicação;
b) Aprovação da lista de preços unitários se for caso disso;
c) Valor total do contrato;
d) A classificação orçamental, por onde será satisfeito o encargo;
e) O prazo de execução da obra com previsão do início e termo da mesma;
f) A forma como são oferecidas as garantias à execução do contrato;
g) A forma e os prazos sobre o regime de pagamento e de revisões de preços.

No caso de não adjudicar a empreitada, deve invocar e justificar uma das situações previstas
no artigo 107º.

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

A decisão de não se adjudicar a obra é notificada a todos os concorrentes.

A decisão ou deliberação de adjudicação condicional deve, logo a seguir, ser comunicada ao


concorrente preferido, salvaguardando-se nessa comunicação que ela só se tornará efectiva
depois de terem sido cumpridas as formalidades subsequentes, nomeadamente a aprovação da
minuta do contrato que oportunamente lhe será enviada. Depois dessas formalidades é que se
fará a adjudicação definitiva e a notificação formal,

Deve fazer-se igualmente a comunicação aos restantes concorrentes, acrescentando-se nessa


comunicação, que posteriormente se notificará a adjudicação definitiva, com o envio do
relatório justificativo da decisão tomada, o qual conterá os fundamentos da preterição das
respectivas propostas.

9.1 – Elaboração e aprovação da minuta do contrato pelo dono da obra

A minuta do contrato deverá ser elaborada segundo modelo que estiver aprovado, ou, se este
não existir ou não corresponder ao que se pretende, poderá autorizar-se outro modelo.

Elaborada a minuta do contrato, deve esta ser aprovada pela entidade competente para
autorizar a respectiva despesa.

9.2 – Remessa da minuta do contrato ao concorrente preferido

Aprovada a minuta do contrato deve cumprir-se o disposto no remetendo-se a mesma ao


concorrente cuja proposta tenha sido preferida, para sobre ela se pronunciar no prazo de cinco
dias.

Se durante esse prazo o concorrente não se pronunciar, considerar-se-á aprovada a minuta.

A remessa é feita com notificação.

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

Se não houver reclamação da minuta do contrato, dever-se-á preparar o pedido de visto ao


Tribunal de Contas.

9.3 – Reclamação contra a minuta

O concorrente pode apresentar reclamação sobre a minuta do contrato sempre que dela
resultem obrigações que contrariem ou se não contenham nas peças escritas e desenhadas
patentes no concurso, na proposta ou nos esclarecimentos que sobre esta o concorrente tenha
prestado por escrito ao dono da obra.

O concorrente sempre que faça uma reclamação, deve pedir recibo da entrada da reclamação
ou remetê-la pelo correio sob registo e aviso de recepção para demonstrar o cumprimento do
prazo.

No prazo máximo de oito dias, a entidade que receber a reclamação comunica ao concorrente
o que houver decidido sobre ela

A reclamação é deferida se a notificação da decisão não for expedida dentro do prazo.

9.4 – Decisão sobre a reclamação

Recebida a reclamação dentro do prazo haverá que decidir. Convirá pedir antecipadamente
parecer jurídico se o assunto merecer cuidados especiais.

Se a reclamação não for aceite total ou parcialmente, o concorrente ficará desobrigado de


contratar desde que, no prazo de cinco dias contados da data em que tome conhecimento da
decisão do dono da obra, comunique a este que desiste da empreitada.

A decisão do dono da obra deve ser notificada ao concorrente nos termos da lei.

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

Deve ter-se em atenção o prazo de oito dias a contar da data da entrada da reclamação para se
expedir a comunicação da decisão. Se não for expedida nesse prazo, considera-se que a
reclamação foi aceite.

9.5 – Preparação para o visto do Tribunal de Contas

O Tribunal de Contas, segundo a lei em vigor, faz a fiscalização prévia dos contratos de
empreitadas.

Para o efeito é necessário solicitar o respectivo visto, antes de se realizarem as despesas.

Note-se que a realização de despesas públicas por titulares de cargos políticos antes do visto
do Tribunal de Contas quando é exigido, constitui crime.

Nesta matéria e segundo as leis em vigor, devemos considerar três situações distintas:

Não há obrigatoriedade de visto do Tribunal de Contas nos casos em que o valor da


empreitada é inferior a 606 vezes o montante correspondente ao índice 100 da escala
indiciária do regime geral da função pública (60.549$00, para o ano de 2001).

Refira-se que o valor da empreitada, para efeitos de visto, é actualizado anualmente, aquando
da publicação do Orçamento de Estado.

Para vigorar no ano de 2001, o valor da empreitada, para efeitos de visto, foi publicado na Lei
nº 30-C/2000, de 27 de Dezembro, fixando-se no montante de 36 700 000$00.

9.6 – Adjudicação definitiva da empreitada

Depois de aceite a minuta do contrato pelo concorrente preferido haverá que adjudicar
definitivamente a empreitada

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

A Adjudicação é a decisão pela qual o dono da obra aceita a proposta do concorrente


preferido.

Na acta em que é registada a adjudicação definitiva ou no despacho de adjudicação, deverá


fazer-se referência aos fundamentos da adjudicação provisória que se fez referencia
anteriormente, acrescentando outros que, entretanto, se mostrem necessários. Em alternativa,
transcrever a deliberação anterior, acrescentar-lhe o que for julgado necessário e declarar que
ela se torna definitiva e executória.

Se ainda não tinham sido dados poderes para assinaturas do contrato em nome do dono da
obra, concedam-se agora esses poderes.

9.7 – Notificação da adjudicação. Notificação para prestar caução

Deverá notificar-se o concorrente que tem um prazo de seis dias para prestar a caução que for
devida e cujo valor expressamente se indicará.

O valor da caução é estabelecido em 5% do preço total do contrato

As formas da prestação da caução são regulamentadas pelo artigo 114º.

Se o empreiteiro não apresentar caução no prazo estipulado a adjudicação caduca.

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

CAPÍTULO X – CONTRATO

Segundo o nº 1 do artigo 115º, o contrato deverá ser celebrado no prazo de 30 dias contados
da data da prestação da caução.

Prestada a caução haverá também que comunicar a adjudicação aos concorrentes preteridos.

10.1 – Notificação do adjudicatário para assinar o contrato

Para que o contrato seja celebrado dentro do prazo é necessário que o dono da obra o
promova e que o adjudicatário e o dono da obra o assinem. Por isso a lei impõe obrigações a
um e a outro.

Obrigações do dono da obra

O dono da obra deverá notificar o adjudicatário, por ofício e com antecipação mínima de
cinco dias, a data, hora e local em que deve comparecer para outorgar o contrato, de acordo
com a minuta aprovada.

Se o dono da obra não promover a celebração do contrato dentro do prazo estabelecido,


poderá o adjudicatário recusar-se a outorgá-lo posteriormente, e terá direito a ser reembolsado
pelo dono da obra, no prazo de 66 dias, de todas as despesas e demais encargos decorrentes da
prestação da caução.

Informações adicionais ao adjudicatário

Deve aproveitar-se esta notificação para transmitir ao empreiteiro algumas informações sobre
o contrato, nomeadamente:

a) A forma que ele assumirá;

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

b) As despesas e encargos inerentes á celebração do contrato, as quais são de conta do


empreiteiro.
b) Os documentos que deverão ser apresentados para comprovar os poderes de que
quem assina o contrato em nome do empreiteiro;

10.2 – Assinatura do contrato

Na data, hora e local que foram comunicados ao adjudicatário tem que ser assinado o
contrato.

Obrigações do adjudicatário

O adjudicatário perderá a favor do dono da obra a caução prestada, considerando-se desde


logo, a adjudicação sem efeito se não comparecer no dia, hora e local indicado para outorga
do contrato e não houver sido impedido de o fazer por motivo independente da sua vontade,

Sempre que nos termos do número anterior, a falta do adjudicatário não for devidamente
justificada, o dono da obra comunicá-la-á à entidade que promova a inscrição ou a sua
equivalência, no registo profissional nas condições previstas pela legislação do Estado
membro onde está estabelecido.

10.3 – Formalidades dos contratos

O contrato de empreitada será sempre reduzido a escrito.

Assinado o contrato devem ser entregues ao empreiteiro duas cópias autênticas do contrato e
mais elementos que o integram.

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

CAPÍTULO XI – CONSIGNAÇÃO DA OBRA

Chama-se consignação da obra ao acto pelo qual representante o dono da obra faculta ao
empreiteiro os locais onde hajam de ser executados os trabalhos e as peças escritas ou
desenhadas complementares do projecto que sejam necessárias para que se possa proceder a
essa execução.

11.1 – Prazo para consignação da obra

Inicia-se na data da assinatura do contrato o prazo máximo de 22 dias, para se fazer a


consignação da obra.

No dia, hora e lugar escolhidos deverão comparecer os representantes do dono da obra e do


empreiteiro e elaborar o respectivo auto de consignação.

11.2 – Início do prazo de execução da obra

A data da consignação marca o início do prazo para a sua execução. Esse prazo poderá vir a
ser alterado, mas só em condições especiais que estão previstas na lei.

11.3 – Início do prazo para apresentação do plano de trabalhos

O prazo para a apresentação do plano de trabalhos está previsto no caderno de encargos ou no


contrato e não poderá exceder 44 dias, contados da data da consignação.

11.4 – Plano de trabalhos

O plano de trabalhos é um instrumento que se destina a fixar a sequência, prazo, ritmo de


execução de cada uma das espécies de trabalhos que constituem a empreitada e à
especificação dos meios com que o empreiteiro se propõe executá-los e inclui,
obrigatoriamente, o correspondente plano de pagamentos.

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

Trata-se de um instrumento muito importante que permite ao dono da obra o controlo da


execução, serve ao empreiteiro para racionalizar os seus trabalhos e a um e outro para
clarificar as suas obrigações, incluindo os pagamentos. Serve também para as entidades que
comparticipam no custo das obras estabelecerem ou imporem os seus planos de
financiamento.

Sendo instrumento de planeamento e de controlo, deve ser elaborado com o maior cuidado e
rigor, pois vai ser usado como referência importante no desenvolvimento da empreitada, na
solução de conflitos posteriores, ou na apreciação de diversos pedidos do empreiteiro

O que não constar do plano de trabalhos em termos de equipamento, por exemplo, não pode
ser considerado como base para adiantamento de pagamentos.

Numa empreitada não poderá haver qualquer tipo de controlo se não houver um modelo de
referência com o qual se comparam os resultados. O modelo mais importante é o plano de
trabalhos.

Como plano que é, aceita-se a sua modificação através de iniciativa do dono da obra ou do
empreiteiro nas condições que estão previstas no diploma.

Deve ter-se em especial atenção as disposições especiais sobre o plano de trabalhos,


nomeadamente as seguintes:

a) Modificação do plano de trabalhos;


b) Atraso no cumprimento do plano de trabalhos;
c) Consignações parciais;
d) Trabalhos a mais.

No prazo estabelecido no caderno de encargos ou no contrato e que não poderá exceder 44


dias, contados da data da consignação, o empreiteiro apresentará ao representante do dono da
obra, para aprovação, o seu plano definitivo de trabalhos, o qual não poderá, em caso algum,
subverter o plano de trabalhos apresentado no concurso.

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

O dono da obra pronunciar-se-á sobre o plano de trabalhos no prazo máximo de 22 dias.

Aprovado o plano de trabalhos, estará marcado o início e execução da obra.

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

CAPÍTULO XII – EXECUÇÃO DOS TRABALHOS

A execução dos trabalhos será fiscalizada pelos representantes do dono da obra ou com
acordo das entidades comparticipantes.

A fiscalização pode ser exercida por um ou mais agentes. O dono da obra designará um deles
para chefiar, a equipa de fiscalização.

12.1 – Fiscal como gestor de projecto

O fiscal da obra é também o agente, que, com os serviços técnicos de que depende, estará em
melhores condições para fornecer ao dono da obra informações necessárias à gestão
financeira do projecto.

O fiscal deve mensalmente, fornecer aos serviços do dono da obra, as previsões de


pagamentos ao empreiteiro em cada um dos três meses seguintes. Esta informação torna-se
necessária para que os serviços financeiros ou de contabilidade providenciem os pagamentos
previstos.

12.2 – Afixação da tabela de salários e seguro do pessoal

A tabela de salários a que o empreiteiro se encontra sujeito deve estar afixada, por forma bem
visível, no local da obra, depois de autenticada pela fiscalização.

O empreiteiro deverá segurar contra acidentes de trabalho todo o seu pessoal, apresentando a
apólice respectiva antes do início dos trabalhos e sempre que tal lhe for exigido pelo fiscal da
obra. O dono da obra poderá, sempre que o entenda conveniente, incluir no caderno de
encargos cláusulas relativas a seguros de execução da obra.

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

12.3 – Medições periódicas dos trabalhos executados e pagamentos

Iniciados os trabalhos, compete ao fiscal da obra acompanhar e controlar a sua execução em


conformidade com o projecto, o caderno de encargos, o contrato e o plano aprovado.

Iniciam-se também as diligências que são necessárias para que o dono da obra assuma as suas
obrigações de pagamento perante o cumprimento das obrigações do empreiteiro.

Procede-se, ainda, à verificação das obrigações do empreiteiro nas empreitadas de obras


públicas que é feita e certificada pelo fiscal da obra no chamado auto de vistoria e medição
dos trabalhos, quando o pagamento está previsto nessa modalidade, e em auto de verificação
de trabalhos, quando o pagamento é feito em prestações.

A periodicidade das medições deverá, por regra, ser mensal.

Assume particular relevância a elaboração de autos nos procedimentos tendentes à concessão


de adiantamentos ao empreiteiro.

12.3 – Adiantamentos ao empreiteiro

É frequente o empreiteiro pedir ao dono da obra adiantamentos de pagamentos nos termos da


lei e do contrato. Esses adiantamentos são possíveis mediante a existência de garantias que a
lei especifica e que se prendem, sobretudo, com a colocação de materiais postos na obra ou
com a prestação garantia bancária, ou outra modalidade prevista na lei.

12.4 – Revisões de preços

Quanto a esta matéria, o diploma vigente é contraditório:

Se por um lado regulamenta que o preço das empreitadas de obras públicas está sujeito,
obrigatoriamente, a revisão, nos termos das cláusulas insertas nos contratos, no preâmbulo do

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

Decreto-Lei, confere aos concorrentes a faculdade de apresentarem propostas de preço firme,


ou seja sem direito a revisão de preços..

Para o cálculo das revisões de preços, deve-se atender á legislação específica vertida no
Decreto-Lei nº 348-A/86, de 16 de Outubro.

12.5 – Elaboração da conta corrente e reclamação da mesma

A conta corrente é remetida ao empreiteiro para que ele a verifique e assine, com registo e
aviso de recepção, iniciando-se o prazo para o pagamento.

Inicia-se o prazo para decisão, não superior a 15 dias, a partir da apresentação da reclamação
da conta corrente.

12.6 – Aprovação do auto de medição

Os autos de medição, a conta corrente e mais documentos anexos são apresentados ao dono
da obra para aprovação, de modo a fazer-se a liquidação dos valores que não tenham sido
objecto de reclamação

12.7 – Liquidação dos valores

A liquidação dos valores é feita sem inclusão do IVA.

12.8 – Reforço do depósito de garantia

Em todos os pagamentos serão descontados 5% para reforço de garantia.

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

CAPÍTULO XIII – RECEPÇÃO PROVISÓRIA E PRAZO DE GARANTIA

Logo que a obra esteja concluída proceder-se-á à vistoria para efeitos de recepção provisória

Efectuada a necessária vistoria à obra e não encontrando deficiências de execução, celebra-se


a recepção provisória e elabora-se o respectivo auto.

Após a recepção provisória, proceder-se-á, no prazo de 44 dias à elaboração da conta final da


empreitada. Elaborada esta envia-se ao empreiteiro para confirmação.

A conta da empreitada constará dos seguintes elementos:

a) Uma conta corrente à qual serão levados, por verbas globais, os valores de todas
as medições e revisões ou eventuais acertos, das reclamações já decididas e dos
prémios vencidos e das multas contratuais aplicadas;

b) Um mapa de todos os trabalhos executados, a mais ou a menos, do que os


previstos no contrato, com a indicação dos preços unitários pelos quais se
procedeu à sua liquidação;

c) Um mapa de todos os trabalhos e valores sobre os quais haja reclamações, ainda


não decididas, do empreiteiro, com expressa referência ao mapa do número
anterior, sempre que daquele também constem

Os trabalhos e valores relativamente aos quais existam reclamações pendentes, serão


liquidados à medida que aquelas forem sendo definitivamente decididas.

13.1 – Inquérito administrativo

Feita a recepção provisória dos trabalhos executados o dono da obra inicia um inquérito
administrativo que tem como objectivo garantir que sejam pagos encargos assumidos,

61
EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

nomeadamente, salários de pessoal, material e trabalhos que o empreiteiro tenha mandado


executar por terceiros.

Inicia- se esse inquérito no prazo de 22 dias, contados da recepção provisória.

O dono da obra oficiará aos presidentes das câmaras municipais dos concelhos em que os
trabalhos foram executados, participando-lhes a sua conclusão e indicando o serviço, e
respectiva sede, encarregado de liquidação.

Os presidentes de Câmara dos municípios onde decorreram as obras, mandam publicitar o


inquérito, por edital, para a apresentação de eventuais reclamações.

Findo o prazo para a respectiva apresentação, os donos de obra enviarão, no prazo de oito
dias, ao serviço que estiver encarregado da liquidação, as reclamações recebidas.

O serviço liquidatário notificará, por carta registada com aviso de recepção, o empreiteiro e as
instituições de crédito que hajam garantido as obrigações em causa para, no prazo de 15 dias,
contestarem as reclamações recebidas, com a cominação de, não o fazendo, serem havidas por
aceites e deferidas.

Havendo contestações, dela será dado conhecimento aos reclamantes dos créditos
contestados, avisando-os de que serão retidas as quantias reclamadas caso, no prazo de 22
dias, seja proposta acção no tribunal competente para as exigir e ao serviço liquidatário seja
enviada, nos 11 dias seguintes à propositura da acção, certidão comprovativa do facto.

Recebidas as reclamações, cumpre-se o preceito transcrito, remetendo-se ofícios aos


reclamantes com as cópias das respectivas contestações.

Iniciam-se os prazos para os reclamantes proporem, acções em tribunal e exigir créditos se


assim o desejarem. Esses prazos não podem exceder 22 dias.

62
EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

A preposição de acção em tribunal para exigir o pagamento de créditos é voluntária. Se essa


acção não for proposta dentro do prazo de 22 dias a contar da data da notificação e não se
fizer prova disso por meio de certidão a apresentar no prazo de 11 dias a contar da data da
proposta, o dono da obra não considerará o crédito reclamado no prosseguimento da
liquidação da empreitada.

Recebida a certidão passada pelo tribunal comprovativa de que foi proposta acção pelo
reclamante de créditos, deve juntar-se ao processo para ser considerada a seguir

Recebida a certidão de propositura de acção em tribunal, o dono da obra deve cativar a


quantia reclamada na conta corrente do empreiteiro para decisão posterior.

Deve também notificar o empreiteiro e o propositor da acção de que a quantia reclamada fica
cativa até decisão judicial.

13.2 – Prazo de garantia

O prazo de garantia é de cinco anos, podendo o caderno de encargos estabelecer um prazo


inferior. Este prazo inicia-se com a recepção provisória.

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

CAPÍTULO XIV – RECEPÇÃO DEFINITIVA E RESTITUIÇÃO DE GARANTIAS

Findo o prazo de garantia proceder-se-á a nova vistoria de todos os trabalhos da empreitada.

14.1 – Prazo de garantia

Se pela vistoria se verificar que as obras não apresentam deficiências, deteriorações ou


indícios de ruína, ou de falta de solidez pelos quais se deva responsabilizar o empreiteiro,
proceder-se-á à recepção definitiva e elaborar-se-á o auto respectivo.

14.2. – Restituição dos depósitos de garantia e quantias retidas, extinção da caução e


liquidações eventuais

Feita a recepção definitiva, deve o dono da obra restituir ao empreiteiro as quantias retidas
como garantia ou a qualquer outro título a que tiver direito e promover-se-á a extinção da
caução prestada deduzindo-se as quantias reclamadas no inquérito administrativo.

A demora superior a 22 dias na restituição das quantias retidas e na extinção da caução,


quando imputável ao dono da obra, dá ao empreiteiro o direito de exigir juro das respectivas
importâncias.

64
EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

CAPÍTULO XV – APRESENTAÇÃO DE UM CASO PRÁTICO

Como se afirmava na Introdução, numa empreitada assume particular relevo a definição de


factores, critérios e subcritérios que de uma forma objectiva, isenta e transparente, possam
estabelecer sem margem para grandes dúvidas, que a proposta preferida seja, efectivamente, a
mais vantajosa para os interesses do dono da obra.

O exemplo apresentado, seguidamente, pretende atingir os objectivos, acima definidos.

EXEMPLO

15.1 – Definição de critérios para apurar a aptidão dos concorrentes

A apreciação da aptidão dos concorrentes para a execução da obra em concurso terá por base
a avaliação da capacidade económico-financeira e técnica, por referência ao explicitado no
programa de concurso e que se concluirá da análise dos seguintes factores:

A –- Capacidade económico-financeira

1) Autonomia Financeira: Capitais Próprios / Activo Líquido

2) Solvabilidade: Activo Líquido / Passivo

3) Liquidez Reduzida: Activo Maneável /Passivo Curto Prazo

4) Rendibilidade: Meios Libertos Totais(Cash Flow) / Activo Líquido

5) Volume de Negócios:

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

A Média Ponderada dos Volumes de Negócios nos últimos três anos deverá ser maior ou
igual ao triplo do valor da proposta apresentada pelo concorrente, sendo os coeficientes de
ponderação os seguintes:

0,2 para o ano 1 (mais antigo)


0,4 para o ano 2
0,5 para o ano 3 (mais recente)

Para os quatro primeiros rácios serão usadas as pontuações obtidas de acordo com os
intervalos para cada um fixado (ver Quadro 4), sendo que a pontuação final é a média
aritmética das pontuações obtidas nos diversos rácios.

Os concorrentes que obtiverem pontuação inferior ou igual a seis valores ou um volume de


negócios inferior ou igual ao estabelecido serão considerados como não possuindo aptidão
suficiente para a realização da obra e como tal excluídas as suas propostas.

Quadro 5
Rácios (valores dos indicadores em função dos intervalos)

INTERVALOS PONTUAÇÃO
0% - 19% 4
20% - 39% 8
Autonomia Financeira 40% - 59% 12
60% - 79% 16
80% - 100% 20
= ou < 129% 4
130% - 149% 8
Solvabilidade 150% - 179% 12
180% - 199% 16
= ou > 200% 20
0% - 49% 4
50% - 79% 8
Liquidez Reduzida 80% - 99% 12
100% - 129% 16
= ou > 130% 20
0% - 3,9% 4
4% - 6,9% 8
Rendibilidade 7% - 9,9% 12
10% - 12,9% 16
= ou > 13% 20

66
EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

B – Capacidade técnica

Serão considerados como não tendo aptidão técnica para a execução da obra, os concorrentes
que não reunam cumulativamente as condições estabelecidos nos seguintes parâmetros:

B.1 – Experiência anterior em obras de idêntica natureza

Será avaliada pela demonstração da execução de pelo menos cinco obras de natureza pública
e do mesmo tipo da obra em concurso, iniciadas nos últimos cinco anos; o montante de cada
uma das obras referidas deverá ser superior a 50% do preço base do concurso (opção: uma ou
mais obras de valor superior, ou alteração do seu valor percentual). Este aspecto é muito
discutível, pois surge como limitativo da possibilidade real de concurso a quem possa estar a
isso habilitado por alvará de valor que cubra a dimensão da obra.

B.2 – Garantia de qualidade de execução.

Avaliada pelo teor dos certificados de boa execução, passados pelos donos de obra e ainda
pela experiência do designado responsável pela orientação da obra. Considera-se que existe
essa experiência, quando o designado responsável haja orientado pelo menos cinco obras de
natureza pública da mesma índole da obra em concurso.

B.3 – Efectivos médios anuais da empresa, com especial incidência nos seus quadros técnicos.

Existência nos quadros da empresa de um técnico habilitado legalmente para o efeito, por
cada especialidade da obra posta a concurso, com experiência profissional em
acompanhamento e direcção de obras de natureza pública, equiparáveis à obra em concurso, e
em número não inferior ao estabelecido na Portaria 412-J/99 de 4 Junho.

67
EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

15.2 – Definição de critérios para apurar a proposta mais vantajosa

O critério no qual se baseia a adjudicação será o da proposta economicamente mais vantajosa,


implicando a apreciação dos factores variáveis e respectiva ponderação.

A apreciação incidirá sobre as propostas dos concorrentes que não tenham sido excluídos por
inaptidão económico-financeira ou técnica e serão avaliadas de acordo com a seguinte
metodologia:

a) Preço (P) - A%
b) Qualidade Técnica da Proposta (QTP) - B%

Sendo a avaliação final resultante da análise comparativa das várias propostas, por aplicação
dos seguintes subfactores:

a) Preço (P):

P = Pb/Vp; em que Vp é o valor da proposta e Pb é o preço base do concurso.

b) Qualidade técnica da proposta (QTP):

• b1 - Nota justificativa do preço proposto (NJ) - C%


• b2 - Descrição e justificação do plano de trabalhos (PT) - D%
• b3 - Plano dos Meios Humanos a afectar à obra (MH) - E%
• b4 - Plano dos meios técnicos/equipamento a afectar à obra (MT) - F%
• b5 - Conteúdo técnico da Memória Descritiva e Justificativa (MD) - G%
• b6 - Descrição e Implantação do Estaleiro de Apoio à obra (IE) - H%
• b7 - Projecto de Interrupção de Trânsito e desvios alternativos, incluindo plano de
sinalização dos trabalhos de modo a não impedir gravemente a normal circulação de
tráfego na zona de intervenção da obra (PC) - I%

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

Na análise comparativa das propostas, os subfactores b1 a b7 serão pontuados em função da


seguinte escala:

• Mau - 0
• Insuficiente - 0.25
• Suficiente - 0.5
• Bom - 0.75
• Muito Bom - 1

Sendo a qualidade técnica da proposta (QTP) calculada com base na seguinte fórmula:

QPT = [(C%*NJ)+(D%*PT)+(E%*MH)+(F%*MT)+(G%*MD)+(H%*IE)+(I%*PC)]

A classificação final (CF) será a que resultar da aplicação da fórmula:

CF = (A%*P)+(B%*QTP)

Procedendo-se à ordenação decrescente das propostas segundo a classificação obtida.

69
EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

CONCLUSÃO

É comum afirmar-se que a expansão ou contracção da economia nacional se aferem pela


medição da quantidade de cimento vendido pelas empresas cimenteiras.

Relevando o exagero, poder-se-á concluir, com alguma certeza, que um dos principais
motores da economia nacional é o Sector da Construção Civil, sendo especialmente o Sector
das Obras Públicas o responsável pela percentagem maior da actividade. Neste contexto, a
importância da empreitada de obras públicas assume a maior dimensão.

O Regime Jurídico de Empreitadas de Obras Públicas é, no entanto, um documento complexo,


pese embora a boa vontade do legislador em simplificar e desburocratizar.

A compatibilização com o Regime Jurídico Comunitário sobre Contratação Pública, sendo


determinante no que respeita à revisão do anterior regime jurídico, provavelmente não
contribuiu para o tornar um documento mais acessível.

A elaboração do presente estudo mais não foi do que uma tentativa de esquematizar, com
ligeireza, as etapas mais importantes do processo, sem grandes preocupações com a forma,
mas pretendendo condensar, iludindo os aspectos temporais, os procedimentos mais
significativos.

Os objectivos a atingir podem não ter sido conseguidos, na sua totalidade; provavelmente
foram conseguidos os aspectos considerados mais importantes tais como a escolha do
procedimento, a abertura do concurso, o acto público e a definição e análise de critérios de
adjudicação.

Referindo-se ao Regime Jurídico de Empreitadas, escreveu Delgado (1999, p12):


“(...) todas as considerações tecidas sobra a sua tissura jurídica carecem de uma significativa afinação
que deverá ser procurada, não só na experiência da sua aplicação aos casos individuais e concretos, mas
também nos ensinamentos colhidos na doutrina e na jurisprudência que, entretanto, sobre o mesmo, irão
ser produzidas.”
BIBLIOGRAFIA

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

Antunes, José Manuel de Oliveira e Anabela Costa Pouceiro (2001). Subempreitadas de


Obras Públicas e Contratação. Lisboa, QuidJuris Sociedade Editora.

Delgado, Marcelo Caetano (1999). Novo Regime Jurídico de Obras Públicas, Aprovado Pelo
D.L. nº 59/99, de 2 de Março, O Municipal, Setembro, p.12.

Instituto Para a Inovação na Formação (1999). Construção Civil e Obras Públicas. Colecção
Estudos Sectoriais. Lisboa, Instituto Para a Inovação na Formação

Leandro, J. M. Marques (1995). Empreitadas de Obras Públicas. Coimbra, Cefa.

Martins, Pedro Romano e José Manuel Marçal Pujol (1995). Empreitadas de Obras Públicas.
Coimbra, Almedina.

Neves, João do Couto (1994). Empreitadas e Empreiteiros. Coimbra, Almedina.

Silva, Jorge Andrade da (2000). Regime Jurídico das Empreitadas de Obras Públicas.
Coimbra, Almedina

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

LEGISLAÇÃO CONSULTADA

Decreto-Lei nº 59/99, de 2 de Março – Aprova o novo regime jurídico de empreitadas de


obras públicas

Decreto-Lei nº 60/99, de 2 de Março – Cria o Instituto dos Mercados de Obras Públicas e


Particulares e do Imobiliário (IMOPPI) e extingue o Conselho de Mercados das Obras
Públicas e Particulares (CMOPP)

Decreto-Lei nº 61/99, de 2 de Março – Define o acesso e permanência na actividade de


empreiteiro de obras públicas e industrial de construção civil. Revoga o Decreto-Lei nº
100/88, de 23 de Março

Portaria nº 412-E/99, de 4 de Junho – Fixa as taxas destinadas a cobrir os encargos com a


gestão do sistema de ingresso e permanência nas actividades de empreiteiro de obras públicas
e de industrial de construção civil

Portaria nº 412-F/99, de 4 de Junho – Define a avaliação e os valores de referência dos


indicadores financeiros dos empreiteiros de obras públicas e industriais de construção civil

Portaria nº 412-G/99, de 4 de Junho – Fixa as classes e os correspondentes valores das


autorizações contidas nos certificados de classificação de empreiteiro de obras públicas (EOP)
e industrial de construção civil (ICC)

Portaria nº 412-H/99, de 4 de Junho – Define quais os documentos necessários à


comprovação da posse dos requisitos de acesso e permanência nas actividades de empreiteiro
de obras públicas e industrial de construção civil

Portaria nº 412-I/99, de 4 de Junho – Fixa as categorias e subcategorias relativas ao acesso e


permanência na actividade de empreiteiro de obras públicas e industrial de construção civil

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EMPREITADAS DE OBRAS PÚBLICAS – DEFINIÇÃO E FASEAMENTO DE PROCEDIMENTOS

Portaria nº 412-J/99, de 4 de Junho – Fixa o quadro mínimo de pessoal das empresas com
condições de ingresso e permanência nas actividades de empreiteiro de obras públicas e
industrial de construção civil.

Portaria nº 660/90, de 17 de Agosto – Altera a Portaria nº 412-I/99, de 4 de Junho

Lei nº 155/99, de 14 de Setembro – Primeira alteração, por apreciação parlamentar, do


Decreto-Lei nº 61/99

Lei nº 163/99, de 14 de Setembro – Primeira alteração, por apreciação parlamentar, do


Decreto-Lei nº 59/99, de 2 de Março

Decreto-Lei nº 159/200, de 27 de Julho – Altera o Decreto-Lei nº 59/99, de 2 de Março

Portaria nº 104/2001, de 21 de Fevereiro – Aprova os Programas de Concurso tipo, os


cadernos de encargos tipo, respectivos anexos e memorandos, para serem adoptados nas
empreitadas de obras públicas.

Decreto-Lei nº 77/2001, de 5 de Março – Estabelece normas de execução do Orçamento do


Estado para 2001

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