Você está na página 1de 6

Docente: Gustavo bezerra

aluno: Washington da silva santos


Turma: 2019.1
Curso: Gestão Pública para o desenvolvimento econômico e social

começo primeiramente descrevendo o conceito de liberdade para cada um dos autores e


como eles enxergavam as limitações a esta no século XIX, por fim eu faço uma
comparação das duas visões.

Durkheim e Karl Marx, apresentam duas visões interessantes sobre como resolver os
problemas sociais do século XIX, ambos concordavam que a situação deveria ser
mudada, porem enquanto Karl Marx defendia que o sistema econômico vigente, o
capitalismo, deveria ser abolido para que fosse restaurada a liberdade, Durkheim
defendia que o capitalismo fosse mantido porem com algumas regulamentações. Ou
seja, enquanto Marx defende que a exploração do excedente de trabalho , pelo
capitalista , seja abolida, Durkheim defende que esta seja mantida, porem de forma
mais branda.
Para Durkheim a liberdade é fruto de uma regulamentação , o homem só pode ser
livre numa sociedade na qual não existe a lei do mais forte, onde o que garante a
“ordem” são regulamentações criadas pelo coletivo , uma sociedade na qual os
indivíduos se sintam interdependentes uns dos outros e que existam instituições
capazes de criar e internalizar nos indivíduos normas que moldem o seu
comportamento visando garantir o mínimo de coordenação e coerência entre as
partes para que elas busquem atingir os objetivos estabelecidos por esta sociedade ,
“o que constitui a liberdade é a subordinação das forças exteriores ás forças sociais”.
Quando a atividade econômica estava concentrada nas comunas , a força da
tradição e dos hábitos , bem como da religião tinham um papel central na vida dos
indivíduos , agora com a nacionalização e a internacionalização da economia , o
tradicionalismo e o provincianismo perdem força , dando lugar a um novo ambiente
econômico “onde os espíritos se libertam e partem em busca de satisfazer novas
utilidades” ( Durkheim divisão do trabalho social), que custam dinheiro ,
consequentemente o emprego passa a ser a preocupação número um dos indivíduos.
Além do mais, estas sociedades de divisão do trabalho geralmente gozam de um
grau de diversidade de religião, mesmo no contexto Europeu do século XIX onde o
cristianismo predominava havia uma diversidade de correntes e seitas cristãs , por
tanto a religião perde a capacidade de garantir um sentimento de interdependência,
uma vez que as religiões só são capazes de produzir esse sentimento entre os
membros fiéis a esta. Já a família não é eficiente para produzir no individuo a
consciência individual necessária para que ele desenvolva suas capacidades cognitivas
que serão a base de sua especialização. Por tanto numa sociedade de divisão do
trabalho , as instituições tradicionais , família e religião , já não são eficazes para
reproduzir a solidariedade que aqui deve ser orgânica , a instituição capaz de
proporcionar tal solidariedade , segundo Durkheim , seriam as corporações , pois seria
nelas que os trabalhadores passariam a maior parte do tempo desempenhando
funções similares aos seus pares , experimentado uns com os outros uma vida comum,
desenvolvendo assim um sentimento de pertencimento a um grupo , abdicando de
seus interesses profissionais pessoais , para buscar os interesses profissionais do
grupo.
Na sociedade industrial do século XIX, a rápida ascensão das indústrias, e a
inflexibilidade das corporações de se adaptarem ao novo modelo de mercado, fez com
que as indústrias rapidamente tomassem o mercado consumidor das corporações de
oficio, fazendo elas desaparecerem da paisagem socioeconômica europeia.
No século XIX as relações sociais de trabalho e consumo existiam porem não havia
moral nestas relações, pois os meios de produção haviam sido expropriados dos
trabalhadores. Antes nas corporações de oficio o trabalhador era o próprio meio de
produção, essa condição impedia que o mestre artesão explorasse selvagemente o seu
aprendiz , pois ele poderia se sentir lesado e abandonar a corporação para abrir uma
corporação própria em outro lugar, o mestre dependia do aprendiz e vice versa , essa
relação era moral , havia interdependência nela.
Com o desenvolvimento de maquinas o trabalhador foi alienado do seu meio de
produção , isso somado ao cercamento dos campos , criou uma multidão de pessoas
que não tinham nada para vender a não ser o sua força de trabalho , um indivíduo já
não era essencial para a indústria pois havia milhares de outros indivíduos iguais a ele ,
o trabalhador se tornou um insumo substituível. Neste contexto existem centenas ou
milhares de trabalhadores cobiçando uma só vaga de emprego, cada um deles
dependem do patrão, mas o patrão não depende de cada um deles, logo a moral
desaparece, e os patrões impõe condições insalubres, jornadas de trabalho excessivas
e salários abaixo da linha da pobreza. A falta de uma instituição capaz de produzir um
sentimento de interdependência , a anomia seria , para Durkheim , a origem dos altos
níveis de violência , roubo , homicídio , suicídio etc... nos grandes centros urbanos da
Europa industrial
Com o enfraquecimento das tradições , que no caso da Europa eram as tradições
da família cristã , somado a forte divisão do trabalho , pelo crescimento das cidades e
pela industrialização , ocorre um aumento do individualismo. Em determinado
momento a única coisa que todas as pessoas tinham em comum era a sua
individualidade. Neste contexto a individualidade assume características religiosas, o
culto ao indivíduo. Para Durkheim , este pensamento egoísta visando apenas os
interesses de si próprio , também era uma das razoes para os elevados indicies de
criminalidade nos centros urbanos Europeus.
é importante salientar que , Para Durkheim , a consciência individual , bem como a
solidariedade orgânica , é necessária para o bom funcionamento das sociedades de
divisão do trabalho , porem quando não há moral entre os indivíduos esta consciência
individual tende a conduzir as relações sociais, para a lei do mais forte, eliminando a
liberdade nesta sociedade.
Para Karl Marx, a liberdade se dá quando os homens podem constantemente fazer
coisas que são vocacionados a fazer de maneira não coercitiva, não por necessidade,
mas sim de forma espontânea. A liberdade se dá quando todos são capazes de
produzir seus próprios meios de subsistência. No momento que os meios de
reprodução material de sua subsistência é alienado do homem , a sociedade se divide
em duas classes , proletários e capitalistas , cria-se ai a necessidade de trabalhar para
sobreviver , e daí o trabalho se torna coercitivo , o homem se ver obrigado a vender
sua força de trabalho , “habilidades e aptidões humanas se tornam mercadorias e a
vida humana se reduz a busca da própria sobrevivência”( Karl Marx o manifesto
comunista).
Sendo assim, é impossível um homem ser livre dentro do sistema capitalista, pois,
segundo Marx, o capitalismo seria nada mais do que um mecanismo que as classes
dominantes criaram para explorar as classes dominadas, numa logica de criação e
acumulação de riqueza via exploração da força de trabalho. Marx explica que
primeiramente ocorre a acumulação por espoliação, que nada mais é do que roubar
tesouros, ou conquistar terras. Pode ser feito de forma violenta como no caso das
guerras ou pode ser feito de forma mais “ pacifica “ via Estado e aparelho de governo ,
no início da era industrial a classe dominante por meio do Estado usou esse
mecanismo para “privatizar” os campos em países como a Inglaterra , tomando terras
que eram feudos ou eram livremente usada pelas comunidades rurais para sustento
próprio, e vendendo para grandes proprietários . Esse tipo de acumulação por
espoliação na Europa foi o que reconfigurou definitivamente a relação de produção
servo-arrendador-capitalista. Dando início a duas classes, os capitalistas e os
proletários.
O grande passo para a implementação deste sistema foi transformar os atributos
fundamentais das pessoas e da natureza em mercadoria , como a força de trabalho , a
terra e os meios de produção, principalmente da terra , pois isso cria a necessidade do
homem trabalhar para sobreviver, e a força de trabalho por sua vez é o que sustenta o
sistema capitalista pois é a única mercadoria capaz de gerar mais-valor. Depois deu-se
a formação de uma classe social que monopoliza os meios de produção: a burguesia
moderna, seguida da transformação dos meios de produção que torna estes tão caros
que somente os grandes capitalistas podem adquiri-los. Como os monopólios tornam
os meios de produção inacessíveis para uma parcela considerável da população , ele é
um dos fatores que limita a liberdade dos indivíduos.
Para Marx o modo como a concorrência funciona no livre mercado tende sempre a
produzir monopólio , e consequentemente uma concentração de riquezas na classe
capitalista em detrimento da miséria , da degradação e da exploração da classe
trabalhadora. Em consequência da monopolização do mercado surge a proletarização,
ou seja, capitalistas que tiveram suas industrias compradas ,agora tem que vender a
sua força de trabalho, aumentando o exército de reserva e consequentemente a
exploração da classe trabalhadora.
Mas o surto dos monopólios não significa o desaparecimento da concorrência . A
concorrência segue: Entre monopólios nacionais no mercado mundial, essencialmente
pela guerra de preços, por tanto até mesmo os monopolistas estariam sujeitos a serem
rebaixados para a classe trabalhadora, mostrando assim a tendência de concentração
absoluta da riqueza neste sistema. Logo, o mecanismo de concorrência limita a
liberdade dos indivíduos , a medida que “produz “ proletários ao decorrer a
concentração no mercado.
“A relação da classe dominante com a classe dominada não é puramente econômica
, mas sim ideológica e espiritual , toda classe que toma posição de dominante é
obrigada a apresentar suas ideias como únicas racionais universalmente validas , a
classe que assume este posto de dominante precisa impor sua ideologia sobre as
classes dominadas para continuar dominando”(Karl Marx , o manifesto comunista). A
classe dominante está constantemente agindo para se perpetuar no poder e para
tanto ela ,por um lado ,arrecada os recursos materiais - dinheiro - por meio da
exploração da classe trabalhadora na infraestrutura que é composta basicamente
pelas casas de produção , e por outro lado , usa a superestrutura composta pelo
Estado e pelos meios de comunicação e cultura, para criar leis que beneficiam e
protegem a classe dominante , a superestrutura também pode ser usada para
acumulação por espoliação e acumulação por privatização , pode ser usadas em casos
extremos para travar guerras bélicas e econômicas contra classes emergentes
nacionais ou internacionais , o papel do aparelho midiático , religioso e cultural aqui é
convencer as classes dominadas de que as ações das classes dominantes são legitimas.
“As classes dominadas ao tentarem tomar o lugar da classe dominante surgem não
como uma classe , mas sim como um movimento que representa os interesses de toda
a sociedade , elas podem fazer isso pois no início seu interesse realmente coincide com
o interesse coletivo das demais classes não dominantes e porque , sobre a pressão das
condições até então existentes seus interesses ainda não pôde se desenvolver como
interesse particular de uma classe particular”(Karl Marx, o manifesto comunista ).
Para Marx o que está acontecendo no século XIX é justamente a consolidação da
substituição da classe dominante monárquica, absolutista e feudal, por uma classe
dominante capitalista industrial, que começou sua ascensão ao domínio em meados
do século XVIII, “libertando” a força de trabalho como uma mercadoria e eliminando o
modo de produção anterior. Porem essa “ nova “ classe dominante apenas
escamoteou a exploração da classe trabalhadora e em certo sentido aprofundou esta
exploração , executando guerras bélicas e econômicas , Usando o Estado para
expropriar os meios de produção dos trabalhadores , criando condições de mercado
que tendem ao monopólio , encarecendo o preço dos meios de produção , criando
mecanismos sofisticados de coerção econômica para criar a ilusão que o trabalhador é
livre , quando na verdade a classe trabalhadora não tem a opção de escolher não
vender a sua força de trabalho , pois não possui os meios de reprodução de suas
necessidades , nem mesmo as mais básicas.

Claramente Durkheim e Karl Marx divergem em seu conceito de liberdade, e nos


meios que deveriam ser aplicados para alcançar a liberdade. Porem comparando o
modo que o Durkheim e o Karl Marx descreveram o que estava ocorrendo na
sociedade Europeia no século XIX , chega-se à conclusão de que as descrição deles são
diferentes mas não são necessariamente opostas , são dois pontos de vistas diferentes
baseados em pressupostos diferentes que não se contradizem , pelo contrário se
complementam.
Os pontos de vista entram em conflito quando os autores , formulam interpretações
sobre os fatos que estavam ocorrendo. Enquanto Durkheim analisa a situação do
pondo de vista do desdobramento de um progresso da divisão do trabalho , Karl Marx
traz uma avaliação baseada na tese de que o que estava havendo ali eram
consequências da dominação ,planejada , da classe capitalista sobre a classe
trabalhadora.
Do ponto de vista de Durkheim o problema não era a reconfiguração das relações
sociais em si, mas sim a forma que ela se deu. O modo que o processo aconteceu,
produziu anomia a medida que as velhas instituições que reproduziam sentimento de
interdependência na sociedade perderam a eficiência antes mesmo que uma nova
instituição capaz de desempenhar este papel fosse pensada ou criada , e isso resultou
numa sociedade onde a lei do mais forte impera e não há liberdade.
Para Karl Marx a nova reconfiguração das relações de trabalho e produção limitava
a liberdade dos indivíduos em sua própria essência , uma vez que a base do sistema
capitalista era o triplo processo no qual primeiramente se alienava os meios de
produção dos trabalhadores , depois transformava a força de trabalho em mercadoria ,
e finalmente o mais-valor do trabalhador era expropriado pelo capitalista.
Segundo Durkheim o que estava havendo no século XIX era uma espécie de
transição social onde o velho já não servia mais e o novo ainda não havia sido criado,
produzindo quase que acidentalmente ou inconscientemente anomias sociais. Para
Karl Marx o que estava em curso era um processo pensado e planejado pela classe
dominante capitalista industrial que tinha como objetivo estabelecer um sistema de
criação e produção de riqueza via exploração do trabalho que permitiria a essa classe
dominante enriquecer em detrimento da exploração da classe trabalhadora.
Ou seja enquanto Durkheim acreditava que o século XIX estava passando por uma
transição onde o novo ainda não havia sido criado , Karl Marx sustenta que o novo
havia sido criado porem o novo não foi pensado para produzir uma relação de
interdependência entre os membros da sociedade , pelo contrário , o novo foi pensado
para que a nova classe dominante se perpetuasse no poder explorando as classes
dominadas.
As visões dos dois autores se tornam opostas na medida em que eles interpretam
como o mercado de trabalho funciona. Para o Durkheim o capitalismo é capaz de
promover liberdade porque ele produz interdependência quando as corporações são
regulamentadas pelas instituições públicas , ou agrupamentos de profissionais , pois
daí o poder econômico e o poder da força de trabalho se igualam, uma vez que
haveria uma série de normas impostas tanto aos patrões tanto aos empregados
forçando a interdependência de ambos, além de gerar interdependência entre as
diferentes categorias econômicas, uma vez que as utilidades de cada indivíduo seria
produzida por outras pessoas pertencentes a outras categorias econômicas.
Karl Marx discorda veementemente deste pressuposto, para ele, “não há nada mais
desigual do que tratar desiguais como iguais. A ideologia da liberdade de troca e da
liberdade de contrato nos ludibria a todos. Fundamenta a superioridade e a ideologia
moral da teoria política burguesa e sustenta sua legitimidade e seu suposto
humanismo. Mas quando as pessoas entram nesse mundo livre e igualitário das trocas
mercantis com dotes e recursos diferentes , mesmo a menor desigualdade , para não
falar da divisão fundamental da posição de classe , aprofunda-se e transforma-se com
o tempo em imensas desigualdades de influência riqueza e poder( Karl Marx O
capital).”
É bem verdade que Durkheim aborda também a questão da herança, como um dos
fatores que limitam a liberdade no século XIX , pois gera desigualdades profundas e
consequentemente tendem a conduzir a sociedade para o abuso do poder econômico .
Para o autor os grupos profissionais organizados de cada profissão deveria criar leis
especificas a aos seus respectivos funcionários , que direcionassem a herança dos
profissionais para o seus respectivos grupos de profissionais organizados.
Mesmo que essa sugestão de Durkheim fosse concretizada , os capitalistas
continuariam detendo o monopólio das vagas de emprego , e a classe trabalhadora
continuaria tendo que vender sua força de trabalho para sobreviver. Além do mais o
mais-valia continuaria sendo expropriado pelo capitalista. Por tanto mesmo nessas
condições esta relação de produção continuaria sendo exploratória, na visão de Karl
Marx.
Marx diz que as várias “liberdades” que existem no capitalismo , por exemplo, a
liberdade econômica ,de comprar e vender mercadorias, bem como a liberdade de
trabalhar aonde quiser, a liberdade de expressão ou a liberdade política de votar e ser
eleito , pressupõem que a separação dos homens com relação às suas condições de
existência seja mantida, pois, caso essa separação seja atacada pelos homens em
busca de sua liberdade material fundamental, todas essas liberdades parciais são
suspensas , por uma ditadura para restabelecer o capitalismo.
Dito isto, para Karl Marx pensadores como Durkheim fazem parte do que ele
descreve como subdivisão intelectual das classes dominantes, trata-se de ideólogos
ativos que criam conceitos que visam em última instancia legitimar os fundamentos
dos mecanismos de exploração que mantem essa classe no posto de dominante. Marx
explica que “esta ação pode evoluir para uma certa oposição e hostilidade para as duas
partes, a qual, no entanto, desaparece por si mesma a cada vez que a classe
dominante se ver ameaçada de ser destituída de seu posto”( Karl Marx o manifesto
comunista ).

Você também pode gostar