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SEMINÁRIO ETNOMETODOLOGIA

GARFINKEL, H. O que é etnometodologia? In: Estudos de Etnometodologia.


[originalmente publicado em 1967]

COULON, Alain. Etnometodologia. 1995

INTRODUÇÃO p.7
O autor comentador é francês e aponta que até 1995 não havia sido traduzida a obra
fundadora da Etnometodologia para o Francês.
Coloca Harold Garfinkel e o livro Estudos em Etnometodologia como obra fundadora (anos
60).

Caracteriza-a como uma ruptura com os modos de pensamento da sociologia tradicional


(provavelmente da francesa), que ela seria mais do que uma teoria constituída, ela seria uma
perspectiva de pesquisa, uma nova postura intelectual.
Situa que naquele momento a ruptura devia-se ao fato de dar mais importância à
compreensão do que a explicação e a uma abordagem qualitativa do social (frente a uma
quantofrenia das pesquisas anteriores)

Afirma que a pesquisa etnometodológica se organiza pela ideia segundo a qual todos nós
“somos sociólogos em estado prático”, baseado em Schutz. A linguagem comum diz a
realidade social, descreve-a e ao mesmo tempo a constitui.
Contrária a ruptura durkheiminiana para com o senso comum.
Analisa as práticas ordinárias no aqui e no agora sempre localizado das interações.

Uma corrente mantida à margem da sociologia oficial mas vai argumentar que ela não o é!
Citando Richard Hilbert que há um vínculo muito estreito entre a etnometodologia e as
sociologias de Durkheim e de Weber.

CAPÍTULO 01 – OS PRECURSORES p.9


Duas fontes principais da obra de Garfinkel, mas não de todos os etnometodólogos.
Parsons – nascido nos EUA, desenvolveu uma sociologia que rapidamente influenciou o
pensamento social americano.
Schutz – emigrou já adulto para lá, com carreira academica só no final da vida, com
influencia mais discreta mas que teve grande circulação em palestras e hoje tem sido
revistas suas contribuições.
O interacionismo simbólico.

Parsons e a teoria da ação p.9


Coloca como figura dominante na sociologia americana do seculo XX.
Reabilitou a sociologia teorica de matriz europeia, integrando na teoria da ação Durkheim,
Weber e Pareto.
Departamento em Harvard que reunia sociologia, psicologia social e antropologia – de onde
se formou uma geração de sociólogos americanos, entre eles Garfinkel.
Para Parsons as motivações dos atores sociais são integradas em modelos normativos que
regulam as condutas e apreciações recíprocas. Assim se explica a estabilidade da ordem
social e sua reprodução em cada encontro entre os indivíduos.Compartilhamos valores que
nos transcendem e governam, temos a tendência a nos conformar as regras da vida comum
para evitar angustia e castigos.
Ele explica como respeitamos as regras: recorre a Freu e o super-ego como um tribunal
interior, um sistema interiorizado de regras (a partir da educaçao) que governa nossos
comportamentos e até os pensamentos.

Coulon aponta que a etnometodologia passa de um paradigma normativo para um


paradigma interpretativo: a relação entre ator e situação não se deve a conteúdos culturais
nem a regras, mas é produzida por processos de interpretação.

Alfred Schütz p.10


Nascido em Viena, Austria, formou-se em Ciencias Sociais e em seu primeiro trabalho
tomou como ponto de partida Max Weber. Fugiu do Nazismo para Paris e depois se instalou
nos EUA. Na Austria trabalhou com Edmund Husserl.
Publicou em 1932 obra que funda a fenomenologia social. Morreu em 1959 e passou a ser
clássico só depois da sua morte.

Parte de que Weber sublinhou a importância do compreender (Verstehen) em contraste com


o explicar, mas não clarificou a noção.

Schutz desenvolve o primeiro significado de Verstehen e propõe o estudo dos processos de


interpretaçãoo que usamos em nova vida cotidiana, para dar sentido a nossas ações e às dos
outros. Ideia também presente em Wittgenstein, de que a compreensão se acha sempre já
realizada nas atividades mais corriqueiras da vida ordinária.

Para Schutz a linguagem cotidiana esconde todo um tesouro de tipos e características


pré-constituídos, de essencia social, que abrigam conteúdos inexplorados.

O mundo social para ele é o mundo da vida cotidiana. É um mundo intersubjetivo, de


rotinas, em que a maioria dos atos são realizados maquinalmente. A realidade parece natural
e sem problemas.
Para Schutz a realidade social é a soma total dos objetos e acontecimentos do mundo
cultural e social, vivido pelo pensamento de senso comum de hoomens que vivem juntos
numeroas relações de interação.

Vivemos um mundo intersubjetivo, que nos é comum, dado ou potencialmente acessível a


cada um de nós. Implica intercomunicação, linguagem.
Nessa perspectiva, os homens nunca tem experiências idênticas, a experiência subjetiva de
um individuo não é acessível para outro, mas supõem que elas sejam idênticas. Não tem os
mesmos objetivos, intenções nem o mesmo ponto de observação, mas a algo que permite
que esses mundos experienciais privados possam ser transcendidos em um mundo comum:
explica isso pela tese geral da reciprocidade de perspectivas.
Os atores produzem duas grandes “idealizações”:
1. a da possibilidade da trocar de pontos de vista (pode-se trocar de lugar e mudar assim os
ângulos de visão – ex da partida de futebol)
2. conformidade do sistema de pertinência de outra parte (todos os espectadores supõem que
os outros tenham vindo assistir a partida de futebol pelas mesmas razoes que eles, que se
interessam por ela do mesmo jeito e isso apesar de suas diferenças biográficas)
Essas duas idealizações consideradas em conjunto marcam o caráter social da estrutura do
mundo-vida de cada um.
Trata-se de um processo de permanente ajuste, os atores são capazes de dissipar as suas
divergências de percepção do mundo. A “atitude natural” é na verdade tratar os objetos, as
ações e acontecimentos em vista de manter um mundo comum.
Ela implica uma capacidade de interpretação tal que o mundo já se acha descrito por seus
membros.

O interacionismo simbólico p.14

CAPÍTULO 02 – HISTÓRIA DO MOVIMENTO ETNOMETODOLÓGICO p.19

Coulon aponta que a etnometodologia começa com os trabalhos de Harold Garfinkel.


Nasceu em 1917, se doutorou em sociologia em Harvard em 1952 sob orientação de
Parsons.
Após esse ano lecionou na universidade de Ohio e a partir de 1954 na Universidade da
Califórnia até falecer em 2011.
Se iniciou também em fenomenologia, de onde foi influenciado.

[separa o capítulo em momentos/contextos importantes para o desenvolvimento da


etnometodologia]

1949 – crimes inter-raciais e definição de situação p.19


Primeira publicação de Garfinkel.
Um artigo no sobre homicídios inter e intra-raciais e sobre os processos de condenação
relacionados.
A partir de William Thomas, a ideia de “definição de situação”: os atores tomam parte ativa
na definição de situação; definem sempre em sua vida cotidiana as intituições em que vivem
– o que aparecerá mais tarde em Gofman sobre o “quadro”.
A etnometodologia vai tentar compreender como é que os indivíduos vêem, descrevem e
propõem em conjunto uma definição da situação.

1952: a tese de Garfinkel p.20


Defende a tese de doutoramento em 1952 orientado por Parsons, foi influenciado por ele
mas não é seu discípulo.
Depois de 1964 se interessa em pesquisar jurados de tribunais.
Encontra com Dell Hymes, fundador da etnologia da comunicação
Se aproxima da escola de medicina na unversidade da califórnia, se interessa pelo “caso
Inês”, um transexual que constituirá o objeto [termo do Coulon] de um dos estudos mais
célebres do autor.
Em 1956 publica um estudo sobre as cerimonias de degradação, no qual aborda temas
trabalhados por Sartre na oposição que faz de filosofia essencialista e filosofia
existencialista; Garfinkel nessa ocasião critica o conceito de “essencias”, para ele não seria
um conceito científico e sim um construto da vida cotidiana – um construtivismo com
relações com o pragmatismo e o interacionismo simbólico que se tornará central para a
etnometodologia em estado nascente.

Cicourel e a constituição da “rede” p.21


Cita a rede de produções e estudos que se dão em torno da califórnia (Berkeley e Los
Angeles), cujo centro é na universidade da California onde Garfinkel leciona.
Cita Aarão Cicourel que defendeu mestrado em 1955 e foi importante para a história da
etnometodologia, publicando livro sobre o método e a medida em sociologia em 1964.

A difusão intelectual p.22


Anos 1960 contexto de movimento estudantil contestador e contracultura.
A etnometodologia aparece cada vez mais como tendo um carater anti-sociológico, em
contexto de crise da sociologia.
Ruptura com o funcional-estruturalismo de Parsons e Merton, que a geração precedente de
sociólogos.
Continuava em posição relativamente marginal, mas se desenvolve no seio dos
departamentos de sociologia nas universidades e também em organizações nacionais e
internacionais, como revistas e congressos.
O público da etnomedologia começa a crescer concomitante a ampliação da fenomenologia
social. Schutz morre em 1959 e sua obra foi publicada nos Colected Pappers, que mais tarde
seria coordenada por Peter Berger e Thomas Luckmann, que escreveram sobre a construção
social da realidade em 1966.
No círculo de Cicourel se reuniram pesquisas linguisticas relaiconadas à etno.

Grafinkel publica artigos importantes nesse período. Os seus estudos dispersos são
publicados em 1967 sob pressão das circunstancias universitárias.

1967: o livro fundador p.24


Estudos em etnometodologia.
Suas pesquisas o levaram a uma inversão de perspectivas: ao invés das formulações de
Durkheim acerca da realidade objetiva dos fatos sociais, o princípio fundamental da
sociologia para ele a realidade objetiva dos fatos sociais, enquanto realização contínua
das atividades combinadas da vida cotidiana dos membros que utilizam, considerando-
os como conhecidos e evidentes, processos ordinários e engenhosos, para essa
realização [prefacio do outro livro]

Os fatos sociais não se impõem a nós; devem-se considerar os fatos sociais como
realizações práticas [e não como coisas externas e coercitivas]
O fato social não é um objeto estável mas o produto da contínua atividade dos homens,
que aplicam seus conhecimentos, processos, regras de comportamento (uma metodologia
leiga) cuja analise constitui a verdadeira tarefa do sociólogo.

O crescimento do movimento p.25


Cita que ao final dos anos 60 formou-se uma nova geração nos campi californianos,
especialmente teses defendidas em torno de Cicourel. Cita que foram 16 teses no período de
1967 a 1972 em Santa Barbara e nessa data 50 etnometodólogos estavam licenciados.
Cita que Melvin Pollner publica em 1970 um artigo considerado como a apresentação mais
sistemática a época sobre a postura etnometodológica, em oposição à sociologia padrão.
Pontua que esses autores mostram que a sociologia profissional tem suas raízes na
sociologia leiga; buscam aí os seus recursos que podem ser usados até como temas e depois
definem o conjunto de praticas que caracterizam uma situação localizada, o corpus
contingente.

Após os ano 70 começa a formar dois grupos:


1. dos analistas de conversação, procurando nas conversas reconstruções contextuais
2. dos sociológicos com objetos mais tradicionais como a educação, justiça, as
organizações, as administrações, a ciência
Cita que em 1975 o então presidente da associação americana de sociologia apontou a
etnometodologia como uma seita cujo desenvolvimento poderia ameaçar o futuro de toda a
sociologia americana

A difusão no exterior p.27


Cita que a partir desse momento ela se expande além da california, se instalando na costa
leste com uma nova geração que conquista postos universitarios na Universidade de Nova
Iorque e Boston.
Chega também a Inglaterra, Londres e Machester; Alemanha e mais tardiamente na França e
Itália.

CAPÍTULO 03 – OS CONCETOS-CHAVE DA ETNOMETODOLOGIA p.29


Afirma que há uma complementaridade e uma solidariedade entre os conceitos.
Alguns vieram de empréstimo (indicialidade pela linguistica; reflexividade da
fenomenologia; noção de membro de Parsons) ou reformulou termos (prática e
accountability).

Prática, realização p.29


Cita o primeiro capitulo do livro: Garfinkel indica que seus estudos abordam as atividades
práticas, as circunstancias praticas e o raciocínio sociológico pratico, como temas de estudo
empírico (…) concedendo atenção as atividades corriqueiras do mesmo modo que dado aos
fenômenos extraordinários.

Se volta então para as atividades praticas, em especial para o raciocínio pratico,


profissional ou não.
Coulon coloca então:
A etnometodologia é a pesquisa empírica dos métodos que os indivíduos utilizam para
dar sentido e ao mesmo tempo realizar as suas ações de todos os dias: comunicar-se,
tomar decisões, raciocinar.
A etnometodologia será o estudo das atividades cotidianas. A própria sociologia é uma
atividade pratica.
A etnometodologia se apresenta como uma prática social reflexiva que procura explicar os
métodos de todas as praticas sociais, inclusive os seus próprios métodos.
Analisa as crenças e os comportamentos de senso comum como os constituintes necessários
de todo comportamento socialmente organizado.

Tem a pretensão de estar mais perto das realidades correntes da vida social.
Essa volta a experiência torna necessário modificar os métodos e as técnicas de coleta de
dados. Para eles as descrições sociológicas ignoram a experiência prática do ator, como um
ser racional; supõem a priori um sistema estável de normas e significações partilhas pelos
atores que governa todo sistema social; a construção do dispositivo sociológico pressupõe
a existência de um mundo significante exterior e independente.
Para a sociologia os modelos são o equivalente na etnometodologia a realizações contínuas
dos atores.
Usa ideia de processo ao inves de constancia do objeto (usado pela sociologia mesmo
quando os fatos parecem contradizer as hipoteses); onde a sociologia ve fatos, dados e
coisas a etno ve um processo através do qual os traços da aparente estabilidade da
organização social são continuamente criados.
Os fatos sociais são realizaçoes dos membros; a realidade social é constantemente criada
pelos atores, não é um dado preexistente.
Por isso a atenção aos modos como os atores tomam decisões; por em evidencia os
“metodos” pelos quais os atores “atualizam” essas regras – é o que as torna observáveis e
descritíveis.

As atividades concretas revelam as regras e os modos de proceder; a analise dos processos


aplicados nas ações permitiriam por em evidencia os modos de proceder pelos quais os
atores interpretam constantemente a realidade social, inventam a vida em uma permanente
bricolagem. [nesse sentido difere do Weber porque ele também observa o sentido da ação e
os meios, mas a seleção dos caracteres significativos para a compreensão da realidade é
feita pelo estudioso, ele interpreta a ação social pra compreender a realidade social; aqui
nesse caso é ver a própria interpretação do ator e como atua na construção dessa
realidade]

Como os atores de senso comum o prozem e tratam a informação e utilizam a linguagem


como um recurso; Como fabricam um mundo “racional” a fim de nele poderem viver.

A indicialidade [tentar entender no texto do Garfinkel onde essas compreensões aparecem


para analisar o social]
A vida social se constitui através da linguagem da vida de todos os dias – é a partir dessa
constatação que se desenvolve a interrogação etnometodológica sobre a linguagem.

Os sociólogos usam em suas pesquisas os mesmos recursos linguísticos que o homem


ordinário. Mas os sociólogos procuram o tempo todo remédio para as propriedades indiciais
do discurso prático, tentando torná-las objetivas (os etnometodólogos não vão nessa linha,
estudam as expressões e o seu caráter indicial sem perdê-lo nesse processo de objetivar)

As expressões indiciais não tem origem na etnometodologia. São expressões como


“isso”, “eu” “voce” que tiram o seu sentido do próprio contexto. “podem se definir como
indicialidade todas as determinações que se ligam a uma palavra, a uma situação.
Indicialidade é um termo técnico adaptado da linguística.
Embora uma palavra tenha um significado trans-situacional, tem igualmente um
significado distinto em toda situação particular que é usada.
Isso designa a incompletude natural das palavras, que só ganham o seu sentido
“completo” no seu contexto de produção, quando são “indexadas” a uma situação de
intercambio linguístico. E a indexação não esgota a integralidade do seu sentido potencial.
A significação de uma palavra ou de uma expressão provém de fatores contextuais como
a biografia do locutor, sua intenção imediata, sua relação única que mantém com seu
ouvinte, suas conversações passadas. [na linguística, mas cabe quando transposta pra Cso]

Nesse sentido criticam os questionários usados pelos pelos sociólogos: as palavras e as


frases não tem mesmo sentido para todos e o tratamento ‘cientifico’ é levado a fazer dessas
conversas faz como se existisse uma homogeneidade semântica das palavras e uma adesão
comum dos indivíduos ao seu sentido.
A linguagem natural é um recurso obrigatório de toda pesquisa sociológica [não entendi a
ideia de recurso]

Para Garfinkel as características das expressões indiciais devem ser entendidas ao conjunto
da linguagem. Para ele o conjunto da linguagem natural é indicial, na medida que para
cada membro o significado de sua linguagem cotidiana depende do contexto em que esta
linguagem aparece. A linguagem natural não pode fazer sentido independente das suas
condições de uso e de enunciação.

Essa noção de indicialidade foi transposta pela etnometodologia para as ciências


sociais.
Todas as formas simbólicas, como os enunciados, os gestos, as regras, as ações,
comportam uma “margem de incompletude” que só desaparece quanto elas se produzem,
embora as próprias compleções [propensões] anunciem um “horizonte de incompletude”.
As situações sociais, que fazem a vida de todos os dias, tem uma interminável indicialidade
– o sociólogo se encontra em uma tarefa infinita de substituição por expressões objetivas
das expressões indiciais.

Garfinkel falava citando Husserl (fenomenologia): “expressões cujo sentido não pode ser
decidido por um ouvinte sem que necessariamente saiba ou presuma alguma coisa sobre a
biografia e os objetivos do usuário da expressão, das circunstancias do enunciado, do
curso anterior da conversação ou da relação particular da interação atual ou potencial
entre o locutor e ouvinte” [acho que seria nessa base a ampliação que ele faz de
compreensão em Weber, transpondo esses elementos para pensar as situações indiciais]

A indicialidade se relaciona com as expressões da linguagem ordinária cujo sentido,


enquanto ocorrência de palavras-tipos, não se pode nunca reduzir à significação
‘objetiva’ das palavras da expressão (P.Pharo)

Cita uma expressão da linguagem corrente que foi analisada por etnometodólogos: et
caetera [do latim, ‘outras coisas mais] – ela desempenha muitas vezes a função de
complemento de demonstração, subentende.
A regra do ‘et caetera’ exige que um locutor e um ouvinte aceitem tacitamente e assumam
juntos a existência de significações e de compreensões comuns daquilo que se diz quando
as descrições são consideradas evidentes, e mesmo que não sejam imediatamente evidentes
→ isso manifesta a ideia de existir um saber comum socialmente distribuído
Cicourel deu nome de ‘carater retrospectivo-prospectivo dos acontecimentos’: expressões
vagas são identificadas pelos membros que lhes dão significações contextuais e
transcontextuais, graças ao ‘carater retrospectivo-prospectivo’ os acontecimentos que essas
expressões descrevem. Envolve supor que a completude das significações e intenções
presentes se manifestará mais tarde (prospectivo) ou que comentários passados podem
clarificar enunciados presentes (retrospectivo)
Ou seja, os princípios de completude e de conexão permitem ao ator manter um sentido de
estrutura social além do tempo dos relógios e do da experiência, a despeito do carater
deliberadamente vago da informação transmitida.

Entendem que os lógicos e também os sociólogos veem as expressões indiciais como


inconvenientes, pois não permitem enunciar proposições gerais ignorando as circunstancias
contextuais, tentando substituí-las por expressões objetivas. Para os etnometodólogos é
impossível.

Garfinkel vai analisar justamente a linguagem ordinária(comum). Ele não introduziu o


conceito de indicialidade mas sugere que se examine as expressões indiciais como não
sendo parasitas nas conversas de cada dia e sim os elementos constitutivos desse discurso
cotidiano constituído graças ao uso destas expressões. A linguagem cotidiana tem um
sentido ordinário/comum que as pessoas compreendem, a inteligibilidade dos nossos
diálogos depende dessa indicialidade, é o conhecimento das circunstancias do enunciad o
que nos permite atribuir um sentido preciso [nós nas ações comuns ou nós enquanto
estudiosos?].
Ele propõe então estudar a linguagem ordinária não como um defeito (como sociologia
veria) mas considerando o indicial como uma de suas principais características, procurando
como é que usamos essa linguagem dando sentido, de maneira rotineira e banal, às
expressões indiciais. [analisar a prática de dar sentido e inteligibilidade – que constrói a
realidade social - e não o seu conteúdo propriamente]

O sentido é sempre local e não tem generalização possível. Uma palavra, por suas
condições de enunciação, uma instituição, por suas condições de existência, só podem ser
analisadas tomando em conta as suas situações – essa análise nunca termina. [pensando
junto com a fenomenologia, é graças as idealizações de que há um sentido comum que
existe uma aparente estabilidade ou estrutura, mas que na realidade é continuamente
construída e o significado tem incompletude que só aparece no contextual]

A reflexividade p.38
Exemplo do código dos centros de detenção, do não ser um delator. Trata-se de um código,
uma ordem moral que rege os comportamentos bem como os castigos aplicados, mas ele
não é formalizado. O código se refere à delação, mas também ao fato de não se queixar dos
roubos de que se é vítima, compartilhar ou vender aos outros detidos a droga que conseguiu,
ajudar os outros a satisfazer o seu comportamento desviante, nunca confiar nos
educadores… para os internados as regras são máximas de conduta: manter distancia e
atitude desafiadora para com os guardas para mostrar claramente que não há risco de ser um
delator. É um modo não verbal de dizer o código.
Esse exemplo é trabalhado por Lawrence Wieder, chama de formulação reflexiva. Aponta
elementos que podem ser compreendidos da frase do ator “Você sabe muito bem que não
sou um delator”.
Da frase ele destaca elementos que fazem parte da interação (enuncia o que acaba de se
passar; formula aquilo que o jovem faz ao não recusar responder) e outros que fazem parte
do contexto institucional que funda a relação entre os papeis - com base em Parsons - (o
motivo da não resposta que é a lei do silencio; indica a distancia permanente e
institucionalizada entre o detido e o educador, vigilante, sociologo; corta a possibilidade de
solicitação potencial daquele que faz as perguntas). Não é apenas um esforço, zelo de
análise e sim etnometodologia.
Tudo aquilo que é realçado pela análise permanece amplamente implícito na resposta do
interno. É uma maneira de atualizar o código, uma fórmula que é exigida pela situação
presente, pela interação. A lei do silêncio não se formula na realidade a não ser em
situação e em uma interação concreta!
Wieder acentua o aspecto reflexivo e interacional; a linguagem constitui o mundo, no
decorrer das atividades indiciais. O mundo se autoproduz. O código não é algo exterior à
situação [como seria o fato social pra Durkheim] é algo prático, a interação “diz” o código;
o código emerge porque o interno teme que ele lhe seja aplicado; ele é vivido. Ele é tácito
ao mesmo tempo estrutura a situação. [seria algo prático mas não parece ser disposição,
embora tenha a idealização do ser algo comum, ele não está estruturado fora da interação?]

Reflexividade não é o mesmo que reflexão.


Praticas reflexivas significam que as pessoas refletem sobre aquilo que fazem, mas não se
trata de ter consciência do carater reflexivo de suas ações.
Não há interesse nas circunstancias praticas e ações enquanto temas (enquanto algo a se
rfletir). Não se preocupam em teorizar, a reflexividade como algo evidente.

Para Garfinkel a reflexividade é condição primária para a manutenção e para a compreensão


da ordem social.
A reflexividade designa portanto as praticas que ao mesmo tempo descrevm e
constituem o quadro social.
É a propriedade das atividades que pressupõem ao mesmo tempo que tornam observável a
mesma coisa.
Ao falar construimos ao mesmo tempo o sentido, a ordem a racionalidade daquilo que
estamos fazendo naquele momento.
As descrições do social se tornam, assim que proferidas, partes constitutivas daquilo
que descrevem.
Descrever uma situação é constituí-la [debate de nosso papel ao descrever uma realidade
estamos contruindo-a daquela maneira]
A reflexividade designa a equivalência entre descrever e produzir uma interação, entre a
compreensão e a expressão dessa compreensão.
Garfinkel chama de acount o suporte, o vetor dessa equivalencia [por onde ela se veicula]
“Fazer” uma interação é o mesmo que “dizer” uma interação.
As atividades pelas quais os membros produzem e administram situações de vida são
identicas aos procedimentos para torna-las descritiveis.

A accountability p.42
Cita um autor que fala sobre accountability, a partir das discussoes feitas por Garfinkel no
livro estudos de etnometodologia. Ele caracteriza a accountability como reflexiva e racional;
reflexiva significa que a accountability de uma atividade e de suas circunstancias é um
elemento constitutivo dessas atividades. Dizer que a accountability é racional significa
sublinhar que ela é metodicamente produzia em situação, e as atividades são inteligiveis,
podem ser descritas e avaliadas sob o aspecto de sua racionalidade.

O autor é Louis Queré. Vai falar só estudo de Garfinkel sobre o Centro de Prevenção do
Suicídio de Los Angeles (SPC).

Lon fala sobre esse exemplo, como o caso aparece no livro de Garfinkel. O Centro realiza a
pedido de um juiz pesquisas sobre casos de morte não natural, o centro deve estabelecer se é
suicídio ou outra coisa.
Garfinker quer saber se as sondagens do Centro são comparaveis, por seu procedimento de
senso comum e de sociologia leiga, às deliberações de um tribunal de juri, a seleção de
doentes para tratamento psiqutrico, enfim aos procedimentos profissionais dos mais diversos
aplicados na sondagem antropologica, linguistica, psi, sociologica.
No mesmo capitulo do livro Garfinkel enuncia algumas recomendações de metodologia em
pesquisa etnometodológica.

Para Quéré essas recomendações só autor tem dois níveis de análise: o da auto-organização
do Centro e o dos accounts, ou da representação do outro;
Coulon escolarece o com a citação:
1) o Centro se auto-organiza como realidade objetiva ordenada, finalizada, dotada de
racionalidade e coerência. Essa auto-organização se traduz por arranjos materiais, divisão do
trabalho, definição dos procedimentos de pesquisa, etc.
2) o organismo constrói, mediante praticas de investigação e interpretação sobre si mesmo,
accounts em que ele se lança no palco como se fosse realidade objetiva, dotada de
identidade, finalidade e estrutura de ordem (racionalidade, coerencia, eficiencia, clareza). Os
membros tem a sua disposição, a partir dos accounts, que lhes são fornecidos e que
contribuem para produzir, uma representação do organismo como realidade objetiva,
racionalmente ordenada em função de fins ou de razões sociais.

Os accounts ão “informantes” (no sentido de descrever) ou “estruturantes “no sentido de


práticas) da situação de enunciação.

O segundo exemplo que Quéré aborda é a história da travesti Inês, que cujo caso foi estudao
por Garfinkel.
Inês é um transexual que decidiu tornar-se mulher, foi operado na clinica da universidade da
califórnia em 1958 aos 19 anos. Garfinkel intervem como perito pela pesquisa sobre
transexualidade organizada por essa mesma clinica.
Inês trabalha como secretaria nessa época. Ele ao conversar e conhecê-la a descreve como
feminina. Ele mostra que Inês deve exibir continuamente as características da mulher
considerada ‘normal’; é uma tarefa pratica incessante a produção do seu ser-mulher, porque
ela não possui um domínio rotineiro da feminilidade. Esclarece que é preciso se tornar
culturalmente mulher (isso não só para a trans).
Nesse caso do exemplo a accountability é a “exibição” da personalidade sexual nas
atividades e comportamentos diários. (acho que se refere a gênero e não sexualidade). É a
declaração constantemente renovada [por isso informa e estrutura, porque é constante,
rotinizada]

Dizer que o mundo social é accountable significa que ele é algo disponível, descritível,
inteligível, relatável, analisável. Isso se mostra nas ações pra´ticas dos atores. O mundo não
é dado, ele se realiza em nossos atos práticos.

Resumo: a etnometodologia aborda os relatos do mundo social feitos pelos seus membros
como realizações em situação; se preocupa em elucidar a maneira como os relatos, as
descrições de um acontecimento, relação ou coisa são produzidos em interação, de tal
modo que essa produção atinge um estatuto metodológico (uma forma de fazer).

Os etnometodólogos não tomam como descrições da realidade social os relatórios de seus


atores. O que interessam é como os atores reconstroem permanentemente uma ordem
social fragil e precária, a fim de se compreenderem e serem capazes de intercambio [para
produzir o contexto que da sentido à interação que tem sempre um caráter incompleto no
seu significado e não conscientes de que vão produzir assim o mundo social]. O interesse
não é descrever o mundo mas mostrar a sua constituição.
Account: o etnometodólogo não se interessa no mundo que eu descrevo mas como essa
descrição, se realizando na interação, “fabrica” esse mundo. [ou seja, não é ver o mundo
como é descrito, mas ver como o ato de descrever constroi esse mundo]

A noção de membro p.47

a noção de membro não se refere à pertença social, mas ao domínio da linguagem natural
(essa linguagem comum, de ter o contexto e sentido para a interação naquele dado local
específico).
Se refere ao domínio da linguagem comum, por pressupor que está de certa forma
empenhado na produção e na apresentação objetiva de senso comum dessas praticas
cotidianas.

Os membros empregam formulas (os métodos que vai observar) destinadas a remediar o
caráter indicial de suas expressões.
Para Couolon é uma diferença com a ideia de membro em Parsons, de que é membro que
pertence a uma comunidade; já em Garfinkel ser membro sublinha esse domínio da
linguagem natural.
Para ele a característica de familiaridade com um grupo tem a ver com as relações e paticas
cotidianas, as aptidões e competências em comum para a produção da ordem social.
[membro se refere então a essas competências e não ao estar]. Filiar-se a um grupo e
instituição exige o domínio da linguagem institucional comum, conhecer as regras
implicitas de seus comportamentos e aceitar as rotinas inscritas nas práticas sociais [parece
que não discorda da concepção geral do ser membro, mas daquilo que o torna membro, o
que cria essa condição nomeada por membro].
Nesse sentido, membro não é apenas uma pessoa que respira e pensa. É uma pessoa dotada
de um conjunto de modos de agir de métodos, de atividades que a fazem capaz de
inventar dispositivos de adaptação para dar sentido ao mundo que a cerca. [lembra ideia de
disposição no Bourdieu, mas não tem a estruturação anterior]
CAPÍTULO IV – SOCIOLOGIA LEIGA E SOCIOLOGIA PROFISSIONAL p.49
Cita um encontro que ocorreu em Purdue, universidade de Indiana, em 1967 para discutir
etnometodologia. Garfinkel palestrou sobre as relações entre etnometodologia e etnociência.
Ele falou da sua trajetória de pesquisa e do interesse que tinha em pesquisar jurados de
tribunais. Ele observou que os jurados não eram formados por técnicas jurídicas as mesmo
assim eram capazes de examinar um crime pronunciar-se sobre a culpa doa autores, podiam
avaliar a pertinência dos argumentos através de procedimentos e de uma lógica de senso
comum.
Garfinkel não conseguia designar o que havia observado. Em 1955 por acaso estava vendo
documentos etnográficos e se deparou com a seção de etnobotanica, etnofisiologia etc e
aliou esse pensar do etno+ metodologia que sugere uma forma que um membro dispoe
do saber de senso comum da sua sociedade. Então chegou ao ponto de que os jurados
usavam etnometodos, uma logica de senso comum que tinham dentro de si mesmos, que e
encarnada e não é juridicamente especializada.
Então Garfinkel esclarece dois sentidos para a palavra, que são complementares:
1. ele aproxima o termo novo – etnometodos – para colar no fenômeno que observou. A
etnometodologia é considerado como um tema de estudos. Garfinkel designa que as
metodologias são raciocínios sociológicos práticos; ele se interessa por métodos que eu e
meus semelhantes empregamos, que nos permitem reconhecer-nos como vivendo no mesmo
mundo.
2. sem ter recebido formação juridica, os jurados estão de posse de métodos adequados,
enquanto conhecedores da moral da sua vida cotidiana; são métodos locais, particulares.
Designar como etnométodos significa marcar a pertença desses métodos a um grupo
particular, uma instituição ou organização. A etnometodologia vem a ser o estudo dos
métodos que os atores usam no dia-a-a, que lhes permitem viver juntos, inclusive de
modo conflitivo, e que regem as relações sociais que eles mantem entre si.

Conhecimento prático e conhecimento científico p.52


para a etnometodologia a produção de uma visibilidade do social, que passa por meio de
uma objetivação, não é monopólio da atividade cientifica.
O ator social tem capacidade reflexiva e interpretativa; e ele aplica uso na rotina de suas
práticas cotidianas, é um procedimento regido pelo senso comum.
O modo de conhecimento cientifico não se distingue do modo de conhecimento pratico,
porque nenhum deles pode se desenrolar fora do dominio de uma linguagem natural e sem
aplicar uma serie de propriedades indiciais. Não tem então e o corte epistemológico
sujeito/objeto.

O ator social não é um idiota cultural p.53


Para a sociologia o sentido das ações dos membros só é acessível ao sociólogo profissional,
como se o ator ignorasse a fonte de suas ações cotidianas, que ele seria um idiota desprovido
da capacidade de julgar.

Objetivismo e subjetivismo p.53


Não são termos usados por Garfinkel mas Coulon sugere para compreender o lugar
polêmico da etnometodologia.
O objetivismo isola o objetivo da pesquisa, coloca uma separação entre observadores e
observados; faz o corte epistemológico, nega-se a subjetividade do pesquisador; geralmente
baseados na quantificação; tem base na ideia de que uma ordem ideal se reproduz e o ator
não tem consciência do significado dos seus atos; tem uma fixidade, uma universalidade e
estabilidade relativa.
O subjetivismo opera no contrario; o objeto não é mais uma entidade isolada, está sempre
em inter-relação com a pessoa que o estuda; a subjetividade do pesquisador é restabelecida e
analisada/levada em conta; analise qualitativa; os quadros sociais resultam de uma contínua
construção, de uma permanente criação de normas pelos próprios atores; reabilita o
transitório, o tendencial e o singular.

Coulon situa a profundidade desse antagonismo na sociologia, em que não concordam nem
com a natureza da ação social nem com o papel atribuído ao ator; são pontos de vista
opostos a respeito das instituições. Trata-se segundo ele de uma oposição epistemológica
que está desde as origens da reflexão sociológica.

Para os etnometodólogos não existe diferença de natureza entre os métodos empregados


pelos membros de uma sociedade para se compreenderem e compreenderem o seu mundo
social e os métodos usados pelos sociólogos profissionais. [não tem diferença nos metodos,
mas não discute a diferença dos conteúdos – no nosso contexto isso é complicado de dizer]

Ele demonstra isso ao discutir o método documentário de interpretação p.55


O termo foi usado por Mannheim para falar da especificidade do conhecimento científico.
Garfinkel mostra como esse método documentário opera na sociologia leiga, nos processos
pelos quais as pessoas se compreendem reciprocamente e pesquisam o próprio mundo
cotidiano.
Coulon cita Wilson para falar sobre esse método: um processo que consiste em identificar
um pattern/padrão subjacente a uma série de aparências.

Para Coulon deve-se entender pattern como aquilo que é accountable, o que é relatável-
observável-descritível, que remete a um sentido e, portanto, a um processo de
interpretação. [padrão em lugar de estrutura?]
O pattern é o tema mas também é o procedimento de enunciação, é o dizer e o como dizer.
Pertence aos elementos do senso comum, aos fatos socialmente sancionados. A
accountability do pattern é algo que se supõe conhecido de todos, porque na atividade
prática se faz referencia continuamente a um pattern para compreender os elementos
indiciais. Assim a linguagem é o meio de exibição e confecção dos patterns.

Um experimento p.58
Garfinkel faz uma experiencia com 10 estudantes voluntários para tornar visível o método
documentário de interpretação.
O experimento consistia nos estudantes formularem uma pergunta sobre um problema
pessoal a um aconselhador que estava em outro lugar; debater ou refletir sobre a resposta
recebida sem que o aconselhador soubesse o que estava sendo dito, e aí fazer uma nova
pergunta (10 vezes). As respostas do aconselhador eram de sim ou não e tinham uma
sequencia aleatória, nada tinham a ver com conselhos de verdade. Ao final o estudante podia
fazer um comentário sobre a experiencia.
O caso abordado no texto é de um rapaz que pediu conselho sobre namorar uma moça que
não é judia, ele temia a desaprovação do pai.

Pelo experimento, as respostas eram desligadas das perguntas, mas o estudante as encarou
como válidas, deu-lhes sentido.
O estudante no comentário ao experimento disse que sentiu a conversação unilateral, mas
que compreende as possíveis dificuldades do aconselhador responder sem conhecer os
detalhes sobre as personalidades das pessoas envolvidas e da situação. As respostas que ele
achou surpreendentes, ele mesmo citou depois que podem ter tido a ver com essa falta de
conhecimento completo dos elementos envolvidos. Ele interpretava as respostas e entendia
que estavam sendo refletidas sobre o que ele apresentava na situação. Finaliza o comentário
dizendo que estavam de acordo a maior parte do tempo.

O experimento demonstrou que o estudante não teve dificuldades em continuar o diálogo,


ele diz que compreende o que o conselheiro tem em mente, se sentiu realmente aconselhado.
“a pergunta que se seguia era motivada pelas possibilidades retrospectivas-prospectivas da
situação presente, possibilidades modificadas por cada intercambio efetivo”
Durante a conversação, os sujeitos modificavam o sentido precedente da sua pergunta para
adapta-la à resposta; sentido em processo; possibilidade retrospectiva. Quando as respostas
pareciam insatisfatórias os sujeitos esperavam as respostas seguintes a fim de decidirem
quanto ao sentido a atribuir às precedentes.
Atribuia conhecimento e intenção ao conselheiro, pressupunham aspectos conhecidos em
comum; referiam-se a esses pressupostos-padrão (para ajudar a completar e entender a
interação)

O trabalho de documentação consiste aqui em procurar e determinar um padrão, em


considerar as respostas do conselheiro como sendo motivadas pelo sentido implicado na
pergunta. Em achar respostas para as perguntas não feitas.
O método documentário desenvolveu o conselho, de modo a continuamente reconsiderá-lo
= os atores utilizaram os acontecimentos em curso como recursos para interpretar as
ações passadas e para descobrir e atribuir-lhes novos significados.

Por um lado, o estudante vai criando sentido a partir da interpretação que faz dos ‘sim’ e
‘não’, vividos como conselhos efetivos. Por outro lado, escolhe a cada passo elementos do
contexto para dar prosseguimento à interpretação. Vai a cada instante construindo o
quadro de referencia do padrão.

No exemplo, a preocupação inicial do estudante é se ele deve ou não continuar saindo com a
moça. Pelo contexto ele atribui atitudes e intenções dos pais, de onde interpreta a
desaprovação do pai, documenta como fato percebido ao qual atribui realidade e torna
seu problema descritível
ele considera a resposta como conselho porque supõe que o conselheiro conhece os
elementos de sentido comum.

Na primeira pergunta, em que a resposta não é a esperada, o estudante deixa de entender a


resposta como relacionada a sua namorada e passa a interpretá-la como relacionada a
desaprovação do seu pai. A partir daí ele altera o curso das perguntas e faz perguntas em
carater de ‘se acontecesse tal coisa’; o fato interpretado ganha no futuro a realidade que
ainda não adquiriu no presente (carater prospectivo).
Nesse sentido, é o estudante o operador do conselho porque ele que dá sentido às respostas,
organizando os elementos do contexto.

Garfinkel chama esse conhecimento comum supostamente compartilhado de esquema de


interpretação. Ele é constituído pelos fatos sancionados socialmente. Se referir a esses
fatos sancionados é pertencer a uma comunidade cultural e social, que autoriza e legitima
a documentação sobre certos problemas e oferece os recursos de sentido que permitem
interpretar esse problema.

Garfinkel afirma que esse método funciona no nosso cotidiano, nas nossas situações
comuns. Nos permite reconstituir o sentido. Nos permite decidir a respeito do sentido de
uma palavra em função de um contexto [de modo reflexivo mas não consciente].
Selecionamos, modificamos, ordenamos as potencialidades de seus significados à
medida que progride a conversa, que se alimenta com nossas infinitas interpretações.

A prática profissional p.70


Ele estende essa analise ao raciocínio e a prática sociológicos. Para o autor, onde se pratica a
pesquisa em sociologia se encontram exemplos do uso do método documentário.
Cita como exemplo entrevistas e sondagens de opinião, quando o pesquisador se interroga
do carater motivado de uma ação, ele utiliza o que de fato observou para ‘documentar’ um
padrão; é usado para resumir um objeto. Na nota de rodapé ele inidica que Garfikel associa
que o método compreensivo faz referencia ao método documentário.

Ele afirma ainda que o pesquisador, no momento de uma entrevista, adapta-se à


oportunidade usando taticas decididas em vista daquilo que desejaria ter encontrado na
conversa. Muitas vezes o pesquisador reconsidera as sequencias passadas em uma pesquisa
retrospectiva; para ele quando pesquisadores recorrem ao “carater racional” das conclusões
e resultados, ele está usando situações de escolha dependentes de senso comum como
contexto de interpretação. Ou seja, não se avalia o fato propriamente porque se recorre
ao sentido prospectivo-retrospectivo para compreende-lo.
Cita o caso Inês: usa de aparencias presentes como recurso para interpretar o passado e
descobrir novos significados utilizáveis no futuro.
O trabalho do método documentário é esse esforço incessante de ver as coisas em
perspectiva, de avaliar possibilidades oferecidas, de levar em conta as condições temporais,
qo qual o ator se entrega permanentemente para compreender os seus atos bem como os dos
outros.

O raciocínio sociológico prático e análise de conversação p.72


É tanto um campo da etnometodologia como à parte dele.
Funado nos anos 60 por Harvey Sacks, se refere, pelo próprio objeto, aos intercambios
verbais, sobre as conversas corriqueiras e aborda também outros domínios das ciencias
sociais e humanas.
A análise de conversação é o estudo das estruturas e das propriedades formais da linguagem.
As nossas conversas são organizadas, respeitam uma ordem que não temos a necessidade de
explicitar, mas que é necessário para torna-la inteligivel; expomos, tornamos compreensivel
aos outros o nosso comportamento e de outro lado, interpretamos o comportamento dos
outros.
Caracteristicas, John Heritage formula:
1. a interação é estruturalmente organizada
2. as contribuições dos participantes são contextualmente orientadas
3. essas duas propriedades se realizam em cada momento da interação, nenhum dele pode
ser posto de lado.

Garfinkel trabalhou para ilustrar essas caracteristicas em um experimento com seus


estudantes: pediu que transcrevessem um trecho de uma conversa familiar comum e que ao
lado colocasse elementos para explicar ao leitor o “sentido” da conversação, já que ele é
relativamente inacessível nessa circunstancia.
Os estudantesa charam bastente díficl dizer de maneira mais completa possível todos os
elemenotos de contexto para o sentido das conversações. Em contrapartida, os protagonistas
da conversa não tinham diiculdade alguma de compreenser um ao outro. Os signific
enunciados são localmente organizados graças ao emprego de dispositivos (pares
adjacentes) que dão a trama da conversação.

Snacks mostra a importância de conhecer o contexto.


Don Zimerman aborda o acordo da construção de sentido, mas diz que nem sempre é tão
simples assim, pode dar margem a muitas negociações. Em conferencia em 1987 em Prasis
analisa uma situação de mal entendido de um rapaz que tenta pedir socorro por telefone, ele
não usa a linguagem comum para que a atendente entenda a gravidade da situação e a vitima
vem a obito sem atendimento.
Chega ao argumento de que as formas da conversa determinam a sua compreensão, que
é intersubjetivamente construída [ele fala das formas, da incompreensão, mas não chega a
citar assimetrias de poder, se tem alguma hierarquia nessa construção – e sabemos que há
em muitos contextos]

CAPÍTULO 05 – QUESTÃO DE MÉTODO p.79


a etnometodologia não é um novo método da etnologia. Ela é uma “ciencia” dos
etnométodos, do “raciocínio sociológico prático”. E nesse sentido pergunta se haverá
uma metodologia nova? Não. Ela usa muito do que já existe da pesquisa qualitativa,
alterando alguns elementos, mas não funda nada novo.

1. A postura de “indiferença etnometodológica” p.79


Eles não acreditam que os comportamentos e atividades dos indivíduos sejam diretamente
induzidos por sua posição social.
A sociologia trabalhando nesse sentido, usa a hipótese da internalização das normas e não
explica a maneira como os atores percebem e interpretam o mundo e também não explicam
como as regras governam concretamente as interações.

Para Garfinkel o homem observado pelo sociólogo é fictício, uma construção para verificar
a pertinencia do modelo, não tem biografia, não tem história, é incapaz de juízo.
Vai argumentar que a pesquisa sociológica repousa em uma visão do mundo tácita, de senso
comum. Que até as estatisticas não escapam a isso, dependem diretamente das capacidades
de julgamento dos atores que coletam dados, verificam, etc. Ela supõe que a realidade exista
de certo modo independentemente das pesquisas das quais é objeto. [acho que é um debate
contra o viés positivista]

A etnometodologia se orienta pela “indiferença metodológica” que consiste em observar e


descrever o raciocínio sociológico prático sem julgar sua pertinência ou seu valor.

2. a provocação experimental
Diz que no livro estudos de Garfinkel tem muitas observações, experiencias e experimentos.
Vai abordar o experimento de breaching, que consiste em ‘desarrumar’ as rotinas e ver a
partir disso onde estão as atividades comuns.
Em Parsons as rotinas se fundamentam numa ordem moral que é necessária para realizar
ações, mas ela é externa e internalizada pela educação.
Para Garfinkel a ordem moral é trabalhada na noção de confiança. Ele exemplifica com um
jogo de cartas, onde sabemos as regras e aceitamos de comum acordo, se saio da sala de
jogos as regras ficam suspensas até que eu volte para essa situação, é a relação de
confiança. Se eu romper com essas regras eu estarei mais atentando contra a confiança do
que contra as regras em si do jogo.

Cita que eles não criam nenhuma metodologia nova. A que se destaca é uma proposta de
Cicourel em 1964 ao discutir o método e medida nas ciencias sociais.

3. A contribuição metodológica de Cicourel p.83


Foi o primeiro discípulo importante de Garfinkel.
Na obra que trata do assunto procura mostrar as interações entre teoria, métodos e dados.
Entende que a estrutura social é criada.
Afirma que os pressupostos teóricos dos métodos e da medida da sociologia não podem ser
separados da linguagem que os sociólogos usam em sua teorização e em sua pesquisa. Vai
apontar que usam frequentemente sistemas matemáticos. Cicourel faz a critica de que os
fatos fundamentais da ação social deveriam ser clarificados antes de impor postulados de
medidas que não lhes correspondem. Argumenta que os procedimentos numéricos são
exteriores ao mundo social, os conceitos da teoria sociológica não tem propriedades
numéricas para se buscar isso nas observações. Para ele a sociologia não precisa abandonar
de todo, mas dar mais atenção ao estudo das variáveis subjetivas, em particular aquelas que
contribuem para o caráter contingente da vida cotidiana.

4. Etnometodologia, etnografia constitutiva e sociologia qualitativa p.85


quando vão à campo tomam emprestado os instrumentos da etnografia.
Vai citar Hugh Mehan e a etnografia constitutiva, aplicada ao domínio da educação e a de
Don Zimmerman que dá o nome de tracking.

A etnografia constitutiva: enfoque proposto por Mehan, funciona sobre a hipótese de que as
estruturas são construções sociais. Os fatos sociais são construções práticas. É o estudo das
atividades estruturantes que constroem os fatos sociais da educação.
Principios:
1. disponibilidade de dados consultaveis
2. exaustividade do tratamento dos dados
3. a convergência entre os pesquisadores e os participantes sobre a visão dos
acontecimentos, com os pesquisadores tendo certeza de que a estrutura que descobrem nas
ações é a mesma que orienta os participantes dessas ações (pedir para verificar se está
correto junto aos pesquisados) [mas se parte é reflexiva e não refletida, como eles vão
validar?]
4. realizar uma análise interacional que ao mesmo tempo evita a redução psicológica
como a reificação sociológica

Vai procurar a estruturação nas expressões e nos gestos dos participantes. Usa como
isntrumentos: observação direta, observação participante, dialogos, estudos de dossies (no
caso da educação), gravações de aulas ou cursos, dos comentarios feitos a essas exibições,
etc. O foco é a observação em campo, dos atores em situação.
Também envolve considerar na pesquisa e na analise as condições institucionais para a sua
realização, os problemas encontrados permitem reconhecer o carater indicial, contextual de
todo fato social. Ou seja, as mudanças não previstas no contexto são material que deve ser
considerado.
Cita Steve Woolgar e Latour que adotaram uma etnografia reflexiva no estudo da vida de
laboratório.

Cita sobre Mehan também o abandono das hipóteses antes da ida a campo, no maximo ir
com termos vagos descritivos que permitam interagir com o pesquisado, mas só na situação
permite dizer o que quer ser visto, analisado. A primeira estratégia etnometodológica é a
descrição, já que o objetivo é mostrar os meios utilizados pelos membros para organizar a
sua vida social em comum. Implica em fazer a escolha por um certo localismo.

O tracking: Coulon propõe que se traduza o termo como espreita. Zimmerman usa o termo
como seguir a pista de alguém, caminhar seguindo vestígios de alguém.
Para ele o pesquisador precisa levar em conta suas próprias implicações na estratégia de
pesquisa, mas para compartilhar a visão intima de um mundo social particular, ele supoe
compartilhar com os membros uma linguagem comum, a fim de evitar os erros de
interpretação. Não é só captar o que dizem mas situar as descrições em seu contexto,
considerar os relatos dos membros como instruções de pesquisa.
Nesse caso o diálogo etnografico consiste em obter de um informante o saber socialmente
sancionado em sua comunidade, isso serve a uma validação intersubjetiva. Mas não
significa que Zimmerman transfere algum tipo de autoridade analitica para os sujeitos
de pesquisa. [como fica isso com relação a ter que ter convergencia? Ou são separadas
essas visões?]
o pesquisador precisa extrair das informações coletadas o significado dos acontecimentos
observados. Deve-se descrever os acontecimentos repetitivos e as atividades que constituem
as rotinas do grupo que se estuda.
O por-se a espreita tem a ver com a observação participante, o observar o maior numero
possível de situações; tentar ver aquilo que o sujeito vê. Tem como base a ideia de que a
vida social é metodicamente realizada pelos membros e nas características dessas
realizações residem as propriedades dos fatos sociais da vida cotidiana. Que essas
construções se apoiam nos recursos culturais comuns que permitem não só contrui-lo mais
reconhece-lo [é uma analise do social]
para ele é fundamental saber como os sujeitos controem suas atividades para daí ter razoavel
certeza do que são realmente essas atividades.
Étnométodos como os procedimentos que os membros de uma forma social usam para
produzir e reconhecer o seu mundo, para torna-lo familiar aglutinando-o.

CAPÍTULO 06 – O TRABALHO DE CAMPO p.93


Onde a etnometodologia rompe com a sociologia positivista: não é no trabalho de campo,
mas na formulação de um novo paradigma sociológico: os fatos sociais não são coisas,
mas sim, realizações práticas. Eles poem enfase nas atividades interacionais que
constituem os fatos sociais.

Os campos de estudo comuns a esse paradigma foram a educação, o sistema judiciário, as


práticas médicas e a gestão da morte e também hospitais psiquiátricos, os processos
organizacionais (burocracia eu acho), a pesquisa cientifica em especifico a de laboratório, os
movimentos políticos radicais.

[Coulon traz um tópico para cada tema, mas acho que não é tão destaque. São interessantes,
especificamente o da educação como caixa preta e a profissão de estudante universitário; o
de investigar como se produz a descoberta científica e os estudos de burocracia.]

CAPÍTULO 07 – CRÍTICAS E CONVERGÊNCIAS


O carater radical da etnometodologia atraiu hostilidade da sociologia estabelecida. Era uma
declaração de guerra, jamais tinha tido um questionamento tão radical.
Cita publicações feitas em 1968 e 1975 contra a etno.

Em 75 foi o discurso de abertura de Lewis Cosar, presidente da Associação Americana de


Sociologia, colocando a etno junto da quantitativa como perigos à sociologia americana.
Entre as criticas está que ela seria desprovida de qualquer conteúdo teórico relacionado com
a sociologia e ignora os fatores institucionais em geral e a centralidade do poder na
interação social [isso eu também senti]. Fala que usa uma linguagem esotérica, caracteriza
como uma seita, que seriam idealistas, recusam a possibilidade de explicação objetiva. Diz
que é possível que surjam algumas ideias fecundas. Diz que se interessam por objetos muito
triviais.
Zimmerman publica uma replica no ano seguinte, julga confusa a argumentação de Coser,
não convence de que a sociologia americana estaria em crise (em risco que justificasse
aquela defesa). Diz que ele teria usado e recortado do contexto dois exemplos de estudo
para falar em trivialidade, ignorando uma ampla variedade de estudos diversos. Para ele
Coser não compreendeu a etnometodologia. Não entendeu que há distinção entre o
conteúdo de uma interação social que pode ser apreendido pelos participantes e pelo
sociólogo, e a forma da interação, percebida pelo pesquisador ao descrever o como fazem.
As formulações dos membros não são tomadas como se constituissem a própria realidade,
elas são traços constitutivos dos quadros em que são produzidos (a a anlise é no social,
como acontece sua estruturação em ato).
Para Mehan e Wood a historia do pensamento ocidental não passa de uma enorme sucessão
de grupos que se comportam como seitas. Não é algo fechado e confidencial, existe difusao
dos trabalhos. Existem cisões internas, e pensar em não haver mudanças é uma visão
conformista. A etno se interessa pelos mesmos fenômenos que a sociologia, mas por
perspectivas diferentes: a sociologia aborda as estruturas sociais como fatos sociais
objetivos; os etnometodólogos afirmam que as estruturas sociais são cosntruídas por
atividades estruturantes que a sociologia ignora, estuda as atividades estruturantes que
aglutinam (unem) as estruturas sociais.

Coulon diz que essa concepção tem origem na fenomenologia; a leitura que Garfinkel faz do
mundo da vida serem atos mentais da consciência, ele transforma-os em atividades publicas,
interativas. A realidade dos fatos sociais é abordada como uma contínua realização de
atividades combinadas da vida de todos os dias; os fatos sociais não existem
independentemente das práticas que os constituem.
Para eles a sociologia tradicional se baseia em um consenso organizado acerca da verdade
cientifica, as informações coletadas são transformadas em dados e elas são manipulados
para serem apresentados nas correlações; a verdade não é revelada, mas argumentada.
A etno procura estudar os fenômenos sociais incorporados nos nossos discursos e em ossas
ações; saber como essas estruturas sociais operam permite aos atores muda-las.
Eles criticam a sociologia tradicional construída na época do positivismo triunfantes, que
repousa nos métodos das ciencias naturais; diz que precisa ser reinterpretada.

Tentativa de síntese p.125


Coulon cita Bourdieu como uma tentativa de síntese entre as perspectivas objetivistas e
subjetivistas. Ele não entra na briga com a etnometodologia, mas também lhe dirige críticas.
Coulon cita uma conferencia de 1986 em que Bourdieu explica suas opções teóricas
fundamentais, ele falaria de uma estruturalismo construtivista ou de um construtivismo
estruturalista.
Com estruturalismo quer dizer que há no mundo social estruturas objetivas, indeendentes da
consciência e da contade dos agentes.
Com construtivismo quer dizer que há uma gênese social, de um lado, dos esquemas de
percepção, de pensamento e ação (habitus) e, por outro lado, das estruturas sociais, em
particular dos campos e grupos, que em geral chamam de classes sociais.

A crítica que faz a etno tem a ver cm o carater subjetivista, da visão de que o conhecimento
científico está em continuidade com o conhecimento de senso comum. Mas também não
concorda com o objetivismo que rompe com as representações. Tenta então ultrapassar essas
oposições.
Fala que existe uma relação dialética entre dois mimentos da analise sociológica, um mais
objetivista que descarta as representação subjetivas do agente, e outro as leva em conta nas
lutas cotidianas para conservar ou transformar estruturas.
Difere radicalmente da etno ao relacionar os pontos de vista que são apreendidos à posições
na estrutura dos agentes.

Marxismo e etnometodologia
Coulon aponta alguns autores que tentaram fazer aproximação com o marxismo. Cita uma
aproximação em Garfinkel com Marx com relação a construção permanente da sociedade
por si mesma e o esquecimento dessa construção e a transformação das obras da atividade
prática em mundo prático-inerte.
Cita um autor que adota ambas perspectivas para dalar de instituições, que as ve não como
sociedade isntituída e sim como sociedade instituinte, no sentido operativo na vida
cotidiana, no sentido ativo de instituir.

CONCLUSÃO
Cita uma conferencia de 1987, de Garfinkel, 20 anos da publicação do livro Estudos em
Etnometodologia em que ela aponta que ela se baseia numa releitura daquilo que denomina
o aforismo de Durkheim, no qual a realidade objetiva dos fatos sociais é o principio
fundamental da sociologia.
Fala que existe um vasto corpus de estudos empíricos das ações práticas.