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Internato Saúde Mental – 2017.

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PSICOPATOLOGIA

Consciência: Afetividade:
Alterações normais: sono (estado de inconsciência do Hipertimia, hipotimia e apatia.
qual a pessoa pode ser despertada por estímulos Labilidade, incontinência e rigidez afetiva (perda da
sensoriais) e sonho (vivência subjetiva que se dá capacidade de modular o afeto de acordo com a
durante o sono). situação vivenciada).
Alterações patológicas: obnubilação; sopor; coma Paratimia (inadequação afetiva), ambitimia
(Glasgow – abertura ocular, resposta verbal e motora). (ambivalência – sentimentos opostos simultâneos).
Alterações qualitativas: estados crepusculares (estado Vontade:
patológico transitório no qual uma obnubilação da Hipobulia/abulia, impulsividade, compulsão, frangofilia
consciência é acompanhada de atividade motora (impulso dirigido contra objetos), automutilação,
coordenada); dissociação (fragmentação ou divisão do impulso e ato suicida, negativismo.
campo da consciência); transe; estado hipnótico. Pensamento:
Atenção: Curso, forma, conteúdo.
Tenacidade: foco. Juízo de realidade:
Vigilância: mobilidade. Cultura.
Orientação: Delírio (juízo patologicamente falso): convicção
Autopsíquica: relacionada à si mesmo e à consciência extraordinária; certeza subjetiva; impossível modificar
do eu. pela experiência; seu conteúdo é impossível; não é
Alopsíquica: relativa ao tempo e ao espaço. compartilhado pela cultura.
Sensopercepção: Linguagem:
Características da imagem: nitidez, corporeidade, Logorréia, oligolalia, hiperfonia, hipofonia, taquilalia e
estabilidade, extrojeção, influenciabilidade voluntária, bradilalia, latência da resposta, ecolalia e palilalia,
completitude. mussitação (movimento automático dos lábios
Representação ou imagem mnêmica: pouca nitidez, produzindo murmúrios ou som confuso), neologismo,
pouca corporeidade, instabilidade, introjeção, jargonofasia (salada de palavras).
incompletude. Consciência do eu:
Alucinação: percepção de um objeto, sem que este Consciência da existência do eu: consciência de estar
esteja presente, sem o estímulo sensorial respectivo. vivo, de existir plenamente, de estar fisicamente
Alucinose: percebe a alucinação como estranha à presente.
pessoa. Consciência da atividade do eu: consciência de ser o
Memória: realizador das próprias vivências.
Memória imediata ou de curtíssimo prazo: segundos a Consciência da unidade do eu: consciência de que o eu
3 minutos. é único, inteiro e indivisível. O que eu faço é resultado
Memória recente ou de curto prazo: minutos até 3 a 6 do que pensei e desejei.
horas. Consciência da identidade do eu: consciência de ser o
Memória remota ou de longo prazo: meses até anos. mesmo na sucessão do tempo. Engloba a orientação
Lei de Ribot: os fatos fixados mais recentemente se autopsíquica.
perdem mais facilmente que os fixados em época mais Consciência dos limites do eu: consciência da distinção
remota. entre o eu e o não-eu, da separação entre o eu e o
Hipomnésia psicogênica (perda de memória e ambiente.
manutenção da personalidade intacta) x orgânica
(demência, incapaz de cuidar de si próprio).

ANTIDEPRESSIVOS

Teoria da expressão gênica.


Teoria monoaminérgica da depressão: a depressão é causada pela depleção do número de neurotransmissores
(serotonina, noradrenalina, dopamina).
Teoria dos receptores: na depressão ocorre aumento do número de receptores (alteração principal).
O antidepressivo aumenta monoaminas e diminui o número de receptores.
Por que os antidepressivos demoram 2 a 4 semanas para fazer efeito? Porque o bloqueio da bomba de recaptação
aumenta os neurotransmissores  expressão gênica  diminui o número de receptores. É a redução dos receptores
que vai dar o efeito antidepressivo, e esse efeito sobre os receptores leva 2 a 4 semanas para existir.
Por que os efeitos colaterais aparecem no início do tratamento? Devido a ligação aguda de neurotransmissores
indesejáveis em locais indesejáveis, o aumento da serotonina se ligando onde não era para se ligar.
Quase todos os antidepressivos causam redução da libido (diminuição da vontade, retardo ejaculatório, anorgasmia,
disfunção erétil). As vezes melhoram associados com Bupropiona, reduzindo a dose, associando com viagra ou trocando
a medicação.
1. Antidepressivos tricíclicos:
Inibem a bomba de recaptação da serotonina (SERT).
Inibem a bomba de recaptação da noradrenalina (NET).
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Efeitos colaterais: cefaleia, dor abdominal, diarreia, disfunção sexual, aumento do intervalo QT, taquicardia, convulsão.
M1: anticolinérgico (boca seca, constipação, aumento da pressão intraocular  cuidado glaucoma).
M2: anti-histamínico (sono, aumento de peso  cuidado obesos).
Alfa1: alfa bloqueador (hipotensão postural, tontura, vertigem  cuidado idosos, labirintite).
Amitriptilina: sedativo, indução do sono.
Clomipramina: TOC.
Indicações: transtorno depressivo maior, ansiedade, insônia, profilaxia de enxaqueca, TDAH, enurese noturna.
Cuidados: tendência suicida, cardiopata, idoso, glaucoma de ângulo fechado, obesos, redução do limiar convulsivo.
Exames: hemograma completo, TSH, T4L, ECG em > 40 anos.
Iniciar o tratamento com 150-300 mg: 25 mg/dia  2 a 4 dias  75/150 mg.
2. Inibidores seletivos da recaptação da serotonina:
Inibem a bomba de recaptação da serotonina (SERT).
Fluoxetina: causa insônia (tomar de manhã), diminui o apetite, causa ansiedade no início do tratamento, tem meia vida
longa  20-60 mg/dia (80 em transtorno alimentar).
Paroxetina: causa sono (tomar de noite), aumenta o apetite, não deve ser usada na gravidez, é o que mais reduz a
libido  20-50 mg/dia.
Escitalopram/Citalopram: podem dar sono ou não, são os mais puros, com menos efeitos colaterais (ajustar se manhã
ou noite)  10-20 mg/dia / 20-40 mg/dia.
Sertralina: pode ser usada em amamentação e doença cardiovascular  50-200 mg/dia.
Fluvoxamina: TOC  50-300 mg/dia.
Estratégias para o paciente que não responde: aumentar a dose, trocar por um de mesma classe, trocar de classe,
associação de antidepressivos, potencialização (antipsicóticos, estabilizadores do humor, benzodiazepínicos, hormônio
tireoidiano, Buspirona, Lítio).
Vantagens: menos efeitos colaterais (não causam hipotensão, alteração cardiovascular, efeitos anticolinérgicos).
São metabolizados pela CYP3A4.
Iniciar o tratamento com metade da dose do limite inferior terapêutico. Todos 1x/dia.
Ex: Escitalopram  5 mg  1 semana  10 mg/dia.
Fluoxetina  10 mg  1 semana  20 mg/dia.
3. Inibidores duais:
Inibem a bomba de recaptação da serotonina (SERT): dor abdominal, disfunção sexual, diarreia, cefaleia.
Inibem a bomba de recaptação da noradrenalina (NET): HAS, taquicardia.
Venlafaxina: cuidado com PA em alta dose, monitorar acima de 150 mg/dia  75-225 mg/dia.
Desvenlafaxina: 50-100 mg/dia.
Duloxetina: indicada para dor crônica, fibromialgia, dor neuropática  60-120 mg/dia.
4. Bupropiona:
Inibe a bomba de recaptação da noradrenalina (NET).
Inibe a bomba de recaptação da dopamina.
Não causa disfunção sexual, é ativadora, pode causar ansiedade, diminuir o limiar convulsivo (cuidado epiléticos), não
altera peso, auxilia no tratamento do tabagismo (bloqueia receptor nicotínico), causa insônia (evitar à noite), não fazer
300 mg de uma vez (dividir para reduzir o risco de convulsão), associada à outros antidepressivos melhora a redução
da libido.
Tratamento com 150-300 mg (SR 2x/dia e XL 1x/dia).
5. Mirtazapina:
Aumenta serotonina.
Aumenta o peso, causa sono, não causa disfunção sexual, boa para cardiopata.
Tratar com 15-45 mg/dia (15 é mais sedativa).
6. Donaren (Trazodone):
Induz sono, não altera peso, não causa disfunção sexual, causa priapismo (não usar em homem).
Tratar com 50-100 mg/dia (sono) até 400.

ANSIOLÍTICOS (BENZODIAZEPÍNICOS)

GABA: nome do receptor e do neurotransmissor. É o principal neurotransmissor inibitório do SNC.


Os benzodiazepínicos inibem o neurônio superexcitado. Aumenta o influxo de Cl-  hiperpolarização  inibição.
Ação imediata e risco de dependência (física/química/psicológica), diferente dos antidepressivos.
Eficaz para transtorno de ansiedade, mas não se usa sozinho porque tem grande risco de dependência.
Indicações: transtorno de ansiedade (adjuvante de antidepressivos), convulsão (quadro agudo  Diazepam), insônia,
“relaxante muscular”, indução pré-cirúrgica (Midazolam), agitação psicomotora, síndrome de abstinência ao álcool.
Classificação quanto à meia-vida:
Meia-vida curta: sedativos, indutores do sono (hipnóticos)  mais dependência. Ex. Midazolam.
Meia-vida intermediária: Ex. Bromazepam.
Meia-vida longa: ansiolíticos  Ex. Diazepam, Clonazepam.
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Via de administração:
Oral: tomar em jejum, bem absorvidos.
EV (Diazepam): convulsão, síndrome de abstinência alcoólica.
IM: ruim.
Alprazolam (Frontal)  1-4 mg/dia.
Clonazepam (Rivotril)  1-6 mg/dia.
Clozazolam (Olacadil)  1-6 mg/dia.
Bromazepam (Lexotam)  3-9 mg/dia.
Diazepam (Valium)  5-20 mg/dia.
Efeitos colaterais: efeito residual, dependência/abstinência, incoordenação motora, efeito paradoxal (principalmente no
idoso, agitação), amnésico, tolerância, queda/fratura (cuidado idosos).
Usar por 4 a 6 semanas e depois retira. Reduzir até 25% da dose a cada 2 a 4 semanas.
Grupos de risco: idosos, usuários de drogas (tolerância), gestante no 1º trimestre (não usar na lactação), transtorno
de personalidade borderline, trabalha com risco (coisas cortantes, cuidado com a incoordenação motora) ou motorista.

ESTABILIZADORES DO HUMOR

Depressão unipolar 


Humor deprimido (hipotimia) x Humor (eutimia) x Mania (hipertimia)
 Bipolaridade 
Evitar antidepressivos na bipolaridade. É difícil diferenciar depressão da parte depressiva do transtorno de bipolaridade,
mas é importante pois o tratamento é diferente.
Os estabilizadores do humor são usados para tratar mania e depressão.
Manutenção: recaída maníaca/recaída depressiva.
1. Lítio:
Qual a quantidade fisiológica de lítio no organismo? Zero, você só tem lítio se tomar.
É a única droga que combate o suicídio.
É o único estabilizador do humor verdadeiro.
Alta toxicidade (a dose terapêutica é perto da tóxica), pode alterar função renal, tireoidiana (hipotireoidismo) e pode
ser cardiotóxica. Antes de iniciar, solicitar TSH, T4L, ureia, creatinina, hemograma, ECG, beta-HCG (teratogênico). Dosar
a cada aumento de dose, depois por mês, depois a cada 3 e depois a cada 6 meses.
Litemia alvo: 0,6-1,2 mEq/L.
Iniciar com 300 mg à noite (dá sono) e aumentar de 300 em 300: 300 mg  600 mg  5 dias depois faz exame de
sangue antes de tomar a dose do dia e vê a litemia pela manhã  900 mg  litemia novamente após 5 dias. Vai até
2100 mg.
Efeitos colaterais: combate ideias suicidas, mas o paciente pode se matar com alta dose, náuseas, dor abdominal,
ganho de peso, polidipsia, poliúria, tremor, acne. Não causa dano hepático.
Interações: diuréticos, dieta hipossódica e AINES aumentam a concentração de lítio, maior risco de intoxicação.
2. Anticonvulsivantes estabilizadores do humor:
Ácido Valpróico e Carbamazepina: aumentam o peso, fazer monitorização hepática. Carbamazepina é o único que usa
CYP450 (diminui a concentração de anticoncepcional e é teratogênica).
Oxcarbamazepina.
Lamotrigina: só na fase depressiva. Pode causar rash cutâneo, síndrome de Steven Johnson, aumentar a dose
lentamente.
Topiramato: pode causar alteração cognitiva, diminui o apetite.

ANTIPSICÓTICOS

Inibem receptores pós-sinápticos da dopamina (bloqueiam D2).


Vias dopaminérgicas:
1. Via mesolímbica: motivação, emoções, recompensa  sistema límbico.
Esquizofrenia  hiperatividade na via 1 (sintomas positivos, excesso de dopamina): com delírios e alucinações. Melhora
com antipsicótico.
2. Via mesocortical: cognição, funções executivas, planejamento, emoções/afeto.
Esquizofrenia  hipoatividade na via 2 (sintomas negativos, pouca dopamina): embotamento afetivo, abulia, isolamento
social, apatia. Piora ou não melhora com antipsicótico.
3. Via nigroestriatal: funções motoras/movimento  substância negra, núcleo estriado.
Balanço dopamina x acetilcolina: ao bloquear os receptores da via 3, os antipsicóticos podem desencadear os efeitos
colaterais  síndrome extrapiramidal (SEP), com acatisia, parkinsonismo, distonia aguda, discinesia tardia.
4. Via túbero-infundibular: controla liberação de prolactina (dopamina diminui prolactina)  hipotálamo, hipófise.
Ao bloquear esses receptores, o antipsicótico diminui dopamina e aumenta prolactina: amenorreia, disfunção sexual,
galactorreia.
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Os antipsicóticos não são seletivos, então bloqueiam todas essas vias, sendo bons para os sintomas positivos (1) e ruins
ou não melhoram os sintomas negativos (2).
1. Típicos ou convencionais (neurolépticos):
Bloqueiam D2.
Alta potência (maior risco de SEP): Haldol  5-20 mg.
Haldol decanoato (meia vida prolongada): bom para paciente que não adere ao tratamento.
Haldol + Fenergan ou Biperideno (propriedades anticolinérgicas, auxilia a reduzir SEP): esquema de emergência.
Baixa potência (menor risco de SEP): Clorpromazina, Levopromazina  50-100 mg.
Atualmente usados para sedar paciente mais agitado na emergência. Haldol para tratar e Clorpromazina para sedar.
Efeitos colaterais: inibem alfa 1 (hipotensão postural, tontura), H1 (sonolência, aumento de peso), M1 (anticolinérgicos).
Indicações: síndrome psicótica, agitação psicomotora (oral/IM), delirium (IV, ex. paciente no CTI, solicitar ECG antes
pois pode causar aumento de QT), insônia com agitação.
Efeitos extrapiramidais: ocorrem pela redução da dopa e aumento da acetilcolina. Parkinsonismo (bradicinesia, tremor
de repouso, rigidez em roda dentada), acatisia aguda (agitação, inquietude), distonia aguda (impregnação, tratamento
com Fenergan), discinesia tardia (movimentos óculo-mastigatórios, protrusão de língua).
2. Atípicos:
Menos afinidade em bloquear D2.
Menor chance de SEP e mesma eficácia.
Maior risco de causar síndrome metabólica (monitorar glicose, LDL, HDL): aumenta a mortalidade por doenças
cardiovasculares e aumenta o peso.
Risperidona (é o mais típico dentre os atípicos, então alto risco de SEP): maior risco de aumentar prolactina, disfunção
sexual  1-6 mg/dia.
Olanzapina: tem o maior risco de síndrome metabólica, aumenta o peso, também estabiliza o humor  2,5-20 mg/dia.
Quetiapina: estabiliza o humor, outros efeitos dependem da dose  25-50 mg/dia (indução do sono), 50-300 mg/dia
(estabiliza o humor, antipsiótico, ansiolítico – off label), 300-800 mg/dia (antipsicótico).
Clozapina: para pacientes refratários, mas tem risco de agranulocitose (hemograma).
Síndrome neuroléptica maligna: emergência médica, 80% dos pacientes morrem, independe da dose e pode
ocorrer com qualquer medicamento psiquiátrico, mas principalmente os antipsicóticos.
Febre > 40º, instabilidade autonômica, contratura muscular intensa (CPK e mioglobina aumentadas).
Tratamento: internar em CTI, sintomáticos, Dantrolene.

SÍNDROMES ANSIOSAS

Síndrome psicótica: delírios, alucinações  transtorno psicótico leve, esquizofrenia, intoxicação por drogas.
Síndrome ansiosa: palpitação, sudorese, preocupação, obsessões  transtorno de pânico, de ansiedade generalizada,
TOC, TEPT.
Síndrome depressiva: humor deprimido, tristeza, sono, anorexia, falta de prazer  transtorno depressivo aior,
depressão pós-parto, fase depressiva do transtorno bipolar.
Síndrome maníaca: humor elevado, energia, compulsão, comportamento de risco, animado  fase maníaca do
transtorno bipolar, intoxicação por drogas.

O que é ansiedade? Sensação de desconforto/angústia.


Medo x ansiedade: medo tem um alvo definido, ansiedade não precisa ter motivo.
Ansiedade normal x patológica: duradoura, intensa, frequente, causa prejuízo ao paciente.
Desempenho: inicialmente a ansiedade normal aumenta o desempenho, até chegar ao ponto de ser patológica e começa
a diminuir o desempenho do paciente.
Os neurotransmissores entre depressão e ansiedade são os mesmos.
Sintomas:
Depressão: humor deprimido + falta de interesse ou prazer  sono, alteração psicomotora, falta de apetite, energia,
suicídio.
Ansiedade: ansiedade + preocupações  sono, falta de apetite, esquiva, sintomas físicos.
A amígdala cerebral é o centro do medo/ansiedade e estimula:
Núcleo parabraquial: taquipneia, asma.
Locus cerúleos: taquicardia, hipertensão, sudorese.
Hipocampo: alteração de memória.
Hipotálamo-hipófise-adrenal: aumenta o cortisol.
O circuito córtico estriado tálamo cortical leva às preocupações.
Neurotransmissores: dopamina, noradrenalina, GABA, serotonina.
Transtornos de ansiedade: (diagnósticos nosológicos)
Transtorno de ansiedade generalizada (TAG): ansiedade generalizada + preocupações generalizadas, acomete mais as
mulheres (cerca de 30 anos).Precisa ser crônica (6 meses de sintomas) e causar prejuízo nas atividades diárias.
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Transtorno de pânico: ansiedade quanto aos ataques de pânico e suas consequências, agudo. Precisa ter pelo menos
um ataque de pânico, recorrentes, inesperados, duram de 5 a 10 minutos. Sudorese, tremores, calafrios, sensação de
morte iminente, palpitação, medo de morrer/enlouquecer, sufocamento, desrealização (sensação de não reconhecer o
mundo a sua volta), despersonalização (sensação de não estar no próprio corpo).
Comorbidades: agorafobia (medo de passar mal e não ter ninguém para ajudar, causa sintomas de esquiva), transtorno
depressivo maior e outros transtornos de ansiedade.
Transtorno obsessivo compulsivo (TOC): ansiedade quanto a obsessões e preocupações excessivas, obsessões e/ou
compulsões (ações para aliviar a obsessão), pensamentos loucos e intrusivos, ex. simetria, verificação, limpeza.
Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT): medo + preocupações, o paciente fica revivendo o momento do evento
traumático desencadeador.
Fobia social: ansiedade quanto ao desempenho + preocupações quanto à avaliação negativa das pessoas + sintomas
físicos da ansiedade. O tratamento é pontual com Benzodiazepínicos ou Propanolol.
Fobia específica: medo de um objeto real + preocupação em encontrar esse medo (animais, altura, ferimentos). O
tratamento é feito com TCC, exposição e prevenção da resposta.

DEPRESSÃO

Humor deprimido e/ou perda de interesse/prazer.


Não necessariamente precisa estar triste.
Características: humor deprimido,  interesse/prazer, culpa (grave pode gerar até psicose),  energia,  concentração
ou indecisão, alteração do apetite, da psicomotricidade e do sono, suicídio (ideia, planejamento ou execução).
Outros sintomas: sintomas físicos, irritabilidade, isolamento social, comorbidades, dor crônica.
Subtipos: depressão psicótica (associar antipsicóticos atípicos), depressão atípica ( apetite e sono), depressão ansiosa
( psicomotricidade).
Sempre que atender paciente depressivo, investigar episódios de mania para descartar fase depressiva de transtorno
bipolar.
Depressão maior é a clássica, depressão menor é a distimia.

SÍNDROME MANÍACA

Humor aumentado, distraibilidade, irresponsabilidade (comportamento de risco), grandiosidade (grave pode ter
sintomas psicóticos de grandeza), fuga de ideias,  atividade,  sono, tagarelice, euforia.
* Delírios de grandeza (mania), de perseguição (esquizofrenia) e de ruína (depressão).

ESQUIZOFRENIA

Epidemiologia: risco familiar aumentado, propensão ao abuso de substâncias, risco de suicídio aumentado.
Diagnóstico: presença de psicose e ausência de patologia orgânica. Anamnese, estado psicopatológico atual e
histórico, personalidade pré-mórbida, antecedentes, abusos de substâncias. Exames laboratoriais e imagens.
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Manifestações clínicas:
Sintomas positivos (mais comuns em surtos psicóticos agudos): delírios,
alucinações, comportamento bizarro e atos impulsivos, alterações
psicomotoras.
Sintomas negativos (presentes cronicamente): embotamento afetivo,
pobreza do discurso, pobreza do conteúdo do discurso, autonegligência,
lentificação psicomotora, isolamento social.
Evolução e curso (4 fases):
Pré-mórbida: atrasos no desenvolvimento motor e/ou fala.
Prodrômico: alterações de personalidade, pensamento e humor.
Progressiva: fase crítica.
Crônica: Sujeito a recaídas.
Subtipos:
Paranoide: alucinações auditivas.
Hebefrênica ou desorganizada: desorganização de pensamento e comportamento, alteração de humor e afeto.
Catatônica: catalepsia, flexibilidade cérea, mutismo, estereotipias, gesticulações, ecopraxia, ecolalia...
Simples: espontânea de apenas uma síndrome negativa.
Residual: empobrecimento cognitivo, afetivo e volitivo (estabilização da esquizofrenia).
Indiferenciada: sem predominância clara.
Diagnósticos diferenciais principais: transtornos mentais e comportamentais pelo uso de drogas, transtornos do
humor (transtorno afetivo bipolar e depressão).
Fisiopatologia:
Hipótese dopaminérgica:
Sintomas psicóticos estariam associados a um excesso de dopamina;
A melhora dos sintomas psicóticos seria devido a um bloqueio de dopamina;
A síndrome extrapiramidal traduziria o bloqueio dopaminérgico.
Receptores da dopamina:
D1, D2, D3 (núcleo acumbente e estriado)
D4 e D5 (mesencéfalo, amígdala, hipocampo e córtex).
D2: função regulatória de liberação de dopamina (sítio de ação de antipsicóticos).
Sintomas positivos:  da atividade dopaminérgica subcortical.
Sintomas negativos:  da atividade dopaminérgica subcortical.
Tratamento farmacológico:
Antipsicóticos – Antagonistas D2: atenuam manifestações psicóticas, efetivos nos sintomas positivos, reduzem recidivas
e reospitalizações.
Antipsicóticos típicos: alta potência (maior ligação com D2 e menor efeito cognitivo) e baixa potência (menor ligação
com D2 e maior efeito cognitivo).
Antipsicóticos atípicos: bloqueio moderado D2, menores efeitos extrapiramidais, mais eficazes nos efeitos negativos.
Tratamento não farmacológico:
Psicoterapia: apoio psicoterapêutico, estratégias em situações de vida, intervenções no ambiente familiar.
Eletroconvulsoterapia: esquizofrenia refratária x esquizofrenia super-refratária.

TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE

Modo de pensar, sentir e se comportar frente aos acontecimentos (transtorno?).


Desvio acentuado da normalidade.
A formação da personalidade começa na infância, mas se completa no início da idade adulta. Não podemos dizer que
uma criança é psicopata, só com 16-18 anos.
Como se forma: temperamento + caráter.
A personalidade é difusa, inflexível, começa na adolescência/início da vida adulta, estável, prejuízo/sofrimento.
Egossintônico: algo que vem da pessoa, não parece patológico, procura ajuda na fase tardia, geralmente quando
associado com outras doenças, pode ser exacerbado pós trauma.
Grupo A: desconfiados, esquisitos, excêntricos.
Grupo B: emotivos, dramáticos.
Grupo C: ansiosos ou medrosos.
Grupo A:
1. Transtorno de personalidade paranoide: desconfiança, suspeita difusa, conspirações, hipervigilantes,
rancor, labilidade emocional, beligerantes, mais comum em homens.
2. Transtorno de personalidade esquizoide: isolamento social e afetividade restrita, pouca sexualidade,
frieza, dificuldade para expressar raiva e outros sentimentos, poucos amigos, indiferença à críticas e elogios.
3. Transtorno de personalidade esquizotípica: déficit social e interpessoal, distorções cognitivas/perceptivas,
excentricidade, autorreferências, crenças bizarras, ilusões corporais, discurso vago, pseudofilosófico,
comportamento/aparência estranha.
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Grupo B:
1. Transtorno da personalidade antissocial (sociopata/psicopata): falta de empatia, sem remorso, passa
por cima das leis, indiferença, violação do direito dos outros, não se ajustam a normas, não respeitam
direitos/sentimentos, manipulam para obter prazer, impulsividade, descaso pela segurança, irresponsável,
possuem “charme”.
2. Transtorno da personalidade borderline: emocionalmente instáveis, muito intenso, impulsividade
acentuada, abandono real ou imaginário gera medo (que gera instabilidade emocional e comportamento
impulsivo), diagnóstico diferencial com transtorno bipolar (bipolar tem ciclos, borderline acontece to tempo todo
as vezes no mesmo dia), perturbação da identidade, mudança de identidade sexual, gastar dinheiro, comer
compulsivamente, abuso de substâncias, automutilação, cortar os pulsos, tentativa de suicídio, sentimento de
vazio, perturbação da imagem corporal, mais comum em mulheres.
3. Transtorno de personalidade histriônico: dramáticos, emocionalmente excessivos, comportamento de
busca pela atenção, sexualmente provocativo/sedutor de forma inadequada, usa a aparência para atrair
atenção, busca elogios, intimidade excessiva, muito sugestionável, choram/riem freneticamente, mais comum
em mulheres.
4. Transtorno de personalidade narcisista: grandiosidade, necessidade de admiração, falta de empatia,
arrogantes, “superiores, especiais”, autoestima frágil, sensação de direitos especiais, inveja/achar que sentem
inveja, esnobe, mais comum no sexo masculino.
Grupo C:
1. Transtorno de personalidade dependente: criança que não consegue ficar longe dos pais (transtorno de
ansiedade da separação).
2. Transtorno de personalidade evitativa: fobia social.
3. Transtorno de personalidade obsessivo compulsiva: diagnóstico diferencial com TOC, pessoas muito
certinhas, ordem, perfeccionismo, controle mental e interpessoal, preocupações com regras, detalhes, listas,
organização, horário, dedicação exclusiva ao trabalho, mesquinho, teimosia, rigidez, dificuldade de expressar
sentimentos, inflexíveis quanto à ética e a moral, incapacidade de descartar objetos. No “TOC doença” a pessoa
se sente incomodada com os pensamentos, sabe que não é normal, enquanto nesse transtorno é egossintônico,
a pessoa não percebe e não procura ajuda.

EMERGÊNCIAS PSIQUIÁTRICAS

Agitação psicomotora:
Investigar uso de drogas, crise de ansiedade (tremor, taquicardia, sudorese, falta de ar), excluir causas clínicas
(hemograma, enzimas, ECG), surto psicótico, surto maníaco, tentativa de suicídio (uso de medicações/substâncias),
intervenção verbal  mecânica  medicamentosa (sedação), avaliar nível de consciência (rebaixamento é emergência
clínica), antipsicótico (Haldol + Fenergan IM/VO)  pode avaliar e refazer 1H:1F em 30 min ou fazer de primeira 2H:1F,
pode fazer Midazolam IM/VO ou Clorpromazina VO, Rivotril, Alprazolam, contatar familiar/serviço social para colher a
história, iniciar tratamento na emergência e encaminhar para CAPS, não necessariamente internar, em tentativa de
suicídio só liberar acompanhado.

DEPENDÊNCIA QUÍMICA

Emergência:
Intoxicação (depende da droga).
Abstinência (sintomas causados por ausência da droga).
Síndrome de abstinência alcoólica: tremor, delírium ( nível de consciência).
Acompanhamento:
Uso  abuso  dependência.
Dependência: antipsicóticos podem diminuir a vontade/busca pela droga, Topiramato (estabilizador do humor) também
pode reduzir o impulso de consumir a droga, Naloxone (álcool) e Bupropiona (tabagismo). Intoxicação por cocaína não
pode fazer betabloqueador.
Tratamento da dependência: abstinência controlada/desmame, redução de danos (minimizar o inevitável), encaminhar
para alcoólicos anônimos (AA) ou narcóticos anônimos (NA). Geralmente não tem tratamento farmacológico, é
multidisciplinar.