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Hillaire Belloc

"Aquele espírito da fé foi, em grande parte, arruinado. Arruinado certamente para grande parte dos homens, todos
admitirão. Isto é tão verdadeiro que uma maioria (devo dizer uma ampla maioria) já não sabe mais o que significa a
palavra fé. Para a maioria dos homens que a ouvem (em conexão com a religião), ela significa ou aceitação cega, ou
afirmações irracionais, de lendas que a experiência comum rejeita, ou um hábito meramente herdado de imagens
mentais que nunca foram testadas e que ao primeiro toque de realidade se dissolvem como sonhos que são. Todo o
vasto corpo de apologética, toda a ciência da Teologia (a rainha exaltada acima de qualquer outra ciência) cessaram
de existir para a massa dos homens modernos. A simples menção dos títulos das várias obras que tratam desses
assuntos causa um efeito de irrealidade e insignificância."

As grandes heresias - Hilaire Belloc


A riqueza só pode ser produzida pela aplicação da energia humana, mental e física, sobre matérias e forças da
natureza que nos circundam.

Esta energia humana, assim aplicável ao mundo material e suas forças, chamamos de trabalho. Quanto a estas
forças materiais e aquelas forças naturais, nós chamaremos para fins de brevidade, por um termo estreito, mas
convencionalmente aceito: terra.

Ter-se-ia a impressão, portanto, de que todos os problemas ligados à produção de riqueza, e toda a discussão a
respeito, não envolvem senão dois fatores originários principais, a saber, trabalho e terra. Acontece, porém, que a
ação consciente, artificial e inteligente do homem sobre a natureza, correspondendo a seu caráter peculiar em
contraste com outros seres criados, introduz um terceiro fator de suma importância.

O homem cria riqueza através de métodos engenhosos, de complexidade variável e, muitas vezes, crescente, e se
socorre da construção de implementos. Estes logo se tornam, em cada novo setor da produção, tão
verdadeiramente necessários para a produção quanto o trabalho e a terra. Ademais, todo processo de produção leva
certo tempo; durante esse tempo, o produtor deve ser alimentado, vestido, abrigado e tudo o mais. Deve haver,
portanto, um acúmulo de riqueza criada no passado, e reservado com o objetivo de sustentar o trabalho durante o
esforço de produzir para o futuro.

O Estado Servil, Hilaire Belloc

Quando você destrói a família e a santidade de um indivíduo, quando você declara guerra contra a tradição da
cultura humana, você declara guerra contra a Imagem de Deus. E por que você você está declarando guerra contra a
Imagem de Deus, que é o homem, você encontra-se em guerra com Deus mesmo.

– Hilaire Belloc

O HOMEM, COMO OS DEMAIS organismos, só pode viver pela transformação do seu ambiente em benefício próprio.
Ele deve transformar o ambiente de uma condição em que é menos para uma condição que é mais satisfatória de
suas necessidades.

Esta transformação, consciente e inteligente, do ambiente, própria da peculiar inteligência e faculdade criativa do
homem, chamamos de produção de riqueza.

Riqueza é a matéria que foi transformada, de forma cônscia e inteligente, de uma condição em que é menos útil
para uma condição em que é mais útil a uma necessidade humana.

Sem riqueza, o homem não pode existir. A produção desta é-lhe uma necessidade, embora abranja desde o menos
até o mais necessário, e mesmo aquelas formas de produção que chamamos de luxos, há um certo tipo e uma certa
quantidade de riqueza sem a qual não pode haver vida humana: como, por exemplo, na Inglaterra atual, certas
formas elaboradas de comida, roupa calor e habitação.
Portanto, controlar a produção de riqueza é controlar a vida humana. Negar ao homem a oportunidade de produzir
riqueza é negar-lhe a oportunidade de viver; e, de modo geral, a forma na qual a produção de riqueza é por lei
permitida é a única forma pela qual os cidadãos podem existir legalmente.

– O Estado Servil, Hilaire Belloc

Não existe essa religião chamada “Cristianismo” – jamais existiu tal religião.

Existe e sempre existiu a Igreja, e as várias heresias procedentes da rejeição de algumas das doutrinas da Igreja por
homens que desejam ainda manter o restante de Seu ensinamento e moral. Mas jamais existiu e jamais poderá
existir ou existirá uma religião cristã genérica professada por homens que aceitam algumas doutrinas centrais
importantes, enquanto concordam em diferir a respeito de outras. Sempre existiu desde o início e sempre existirá a
Igreja, e diversas heresias fadadas à decadência, ou, como o Maometanismo, a transformar-se em uma religião
separada. De um Cristianismo comum jamais houve nem poderá haver uma definição, pois nunca existiu.

Não há nenhuma doutrina essencial, de modo que, se concordarmos com ela, possamos diferir acerca do restante,
por exemplo, aceitar a imortalidade, mas negar a Trindade; um homem dizer-se cristão, embora negue a unidade da
Igreja Cristã; dizer-se cristão, embora negue a presença de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento; dizer-se
alegremente cristão, embora negue a Encarnação.”

"De início, descobrimos que ele [ataque moderno] é materialista e supersticioso. Há aqui uma contradição lógica,
mas a fase moderna, o avanço anticristão, abandonou a razão. Está preocupado com a destruição da Igreja Católica e
a civilização que ela criou. Não se preocupa com aparentes contradições dentro de seu próprio corpo, contanto que
a aliança global seja unificada para o extermínio de tudo aquilo pelo qual até agora vivemos. O ataque moderno é
materialista porque em sua filosofia só se considera causas materiais. É supersticioso somente como uma
consequência secundária desse estado mental. Nutre em sua superfície os tolos caprichos do espiritualismo, o
contra-senso vulgar da 'ciência cristã', e sabe Deus quantas fantasias. Mas essas tolices são alimentadas, não pela
fome da religião, mas pela mesma raiz que fez o mundo materialista - por uma incapacidade de entender a principal
verdade: de que a fé é a raiz do conhecimento - por pensar que nenhuma verdade pode ser apreendida senão pela
experiência direta."

- Hilaire Belloc

O futuro não é decidido pelo voto; é decidido pelo crescimento das ideias. Quando pouco homens, donos dos
melhores pensamentos e sentimentos e também da maior capacidade de expressão, começam a mostrar uma nova
tendência em direção a isto ou aquilo, então isto ou aquilo tende a dominar o futuro.

– Hilaire Belloc

Belloc concorreu ao parlamento inglês em 1906. Isto ocorreu em uma época quando o anti-catolicismo estava
profundamente enraizado na Inglaterra e era expressado de forma aberta. A oposição aproveitava o fato de Belloc
ser católico e também metade francês.

Quando um adversário exigiu saber se ele era um papista, Belloc não respondeu como JFK (John Kennedy) e Joe
Biden fariam décadas após, ou como faria qualquer outro político católico morno, praticamente pedindo desculpas
pelo fato serem católicos, mas assegurando aos eleitores preocupados que suas crenças religiosas privadas jamais
iriam interferir com o programa de seu partido. Na verdade, Belloc imediatamente pegou seu Rosário de seu bolso e
declarou:

"Cavalheiros, eu sou católico. Tanto quanto possível, vou à Missa todo dia. Isto é um Rosário. Tanto quanto possível,
eu me ajoelho e rezo-o todos os dias. Se vocês me rejeitarem por causa de minha religião, eu agradecerei a Deus que
Ele tenha me poupado da indignidade de ser vosso representante."

A multidão aplaudiu. Belloc venceu. Seja como Belloc.

La Edad Media, edad de la Luz


(Fragmento tomado de la obra de H. Belloc, Europa y la Fe)
He dicho en el capítulo anterior que la Edad Oscura puede compararse a un largo sueño de Europa; un letargo que se
inicia en la fatiga de la vieja sociedad, en el siglo V, y que termina en la primavera y surgimiento de los siglos XI y XII.
La metáfora, por supuesto, es muy simple, porque ese sueño fue un sueño de guerra, y durante esos siglos, Europa
se encontraba manteniendo desesperadamente sus posiciones contra el ataque de todas aquellas fuerzas que
deseaban destruirlas: el Islam, ardiente y refinado, por el Sur; los bárbaros paganos analfabetos, por el Este y por el
Norte. De todos modos, Europa fue relevada o despertada de su sueño. He dicho que tres grandes fuerzas,
humanamente hablando, operaron el milagro: la personalidad de San Gregorio VII, la breve aparición -debida a un
feliz accidente- del Estado normando, y finalmente, las Cruzadas.

Los normandos de la Historia, los verdaderos normandos franceses que conocemos, se agitan en el panorama
histórico una generación después del año 1000. San Gregorio fue de esa misma generación. Cuando se inició el
esfuerzo normando, era un joven; murió, después de realizar una gran obra, en 1085. Y en la medida en que puede
hacerlo un hombre solo, él, el heredero de Cluny, rehizo a Europa. Inmediatamente después de su muerte se oyó
hablar de las Cruzadas. De estos tres hechos procede el vigor de una Europa joven, fresca y renovada.

Mucho más pudiera añadirse. Esa época fue iluminada y clarificada por la constante carga caballeresca contra el
musulmán. El Asia fue rechazada de los Pirineos, y a través de los pasos de los Pirineos cabalgaron siempre los
grandes aventureros cristianos. Los vascos -un pueblo pequeño y extraño- fueron el corazón de la reconquista, pero
el valle del torrente de Aragón fue su canal. La vida de San Gregorio es contemporánea de la vida del Cid Campeador.
Y en el mismo año de la muerte de San Gregorio, Toledo, el sagrado centro de España, fue arrancada de manos de
los mahometanos y de sus aliados los judíos, y conservada firmemente. TODO EL SUR DE EUROPA VIVIÓ ESPADA EN
MANO.

Esta es una historia sobre la batalla de Roncesvalles por Roldán y sus valientes paladines. De cómo defendió al
ejército de Carlomagno de un ataque de los moros.

En ese preciso instante aparece el romance: las grandes canciones, la mayor de todas, la Canción de Rolando;
fermentó entonces la mente europea, anhelante después del letargo, penetrando en campos inexplorados. Y el
escepticismo alerta que flanquea y acompaña la marcha de la Fe cuando ésta se muestra más vigorosa comenzó
también a hacerse oír.

Hubo hasta una expansión allende los límites orientales, y fue reclamada una parte de la infructífera llanura báltica.
Despertaron las letras y la filosofía. Había de aparecer pronto el mayor de sus exponentes: Santo Tomás de Aquino.
Brotaron las artes plásticas, el color y la piedra. Retornó en pleno la sátira, y los largos viajes, y la contemplación. En
general, el momento era de expectación y adelanto: la primavera.

Pero siguiendo el objeto de estas páginas debo dirigir la atención del lector a esas tres fuentes tangibles de la nueva
Europa que, como ya he dicho, fueron los normandos, San Gregorio VII y las Cruzadas.

De los normandos podemos decir que en la Historia desempeñan un papel parecido al de las mirae o estrellas
nuevas, que resplandecen de pronto en la oscuridad del cielo nocturno por unas horas, semanas o años y se pierden
luego o se confunden en la infinitud de todas las cosas. No será historiador, en verdad, quien pretenda que
Guillermo el Conquistador, organizador y creador de lo que hoy llamamos Inglaterra; Roberto el Diablo, conquistador
de las Sicilias; o cualquiera de los grandes nombres normandos que iluminan a Europa en los siglos XI y XII, hayan
sido parcialmente escandinavos. Fueron galos; de corta estatura, de lúcido designio, de golpe vigoroso y de filosofía
positiva. No tenían relación alguna con el norteño, alto, suave y sentimental, de quien sus remotos antecesores
llevaban su nombre ancestral.

Movido por el mismo espíritu de su predecesor, el Beato Urbano II resolvió convocar el Concilio de Clermont en
noviembre de 1095 en el sur de Francia, la nación de corazón de guerrero, la misma que por muchos siglos había
dado el tono a toda Europa. Respondiendo al llamado del Papa más de 200 Arzobispos y Obispos, 4.000
eclesiásticos y 30.000 legos. Los más famosos santos y doctores lo honraron con su presencia ilustrándolos con sus
consejos.

Hablaré ahora del Papado y de las Cruzadas. San Gregorio VII, la segunda de las grandes fuerzas regeneradoras de la
época, era de estirpe toscana campesina, de tipo etrusco, y, en consecuencia, de habla italiana. Su nombre era
Hildebrando. Entender su carrera es la piedra de toque para saber si el historiador entiende la naturaleza de Europa.
Porque San Gregorio VII no impuso nada en Europa. No hizo nada nuevo. Reforzó tan sólo el ideal con la realidad.
Provocó una resurrección del cuerpo: unió la Iglesia centralizada con el Occidente. Por ejemplo, por ese entonces era
ideal de doctrina y tradición, costumbre inmemorial, que el clero fuera célibe. San Gregorio hizo del celibato
eclesiástico disciplina universal.

La tremenda majestad del Papado se imponía a la mente humana como una vasta concepción política, desde hacía
tiempo inmemorial. San Gregorio organizó esa monarquía y le dio instrumentos de gobierno propios.

La unidad de la Iglesia había sido la imagen constante sin la cual no podía entenderse la existencia de la Cristiandad:
San Gregorio hizo que esa unidad fuera tangible y visible. Los historiadores protestantes, que en su mayoría ven en
el hombre un fenómeno esporádico, dejan al descubierto por medio de esa errónea interpretación el origen de su
anemia cerebral, y prueban que la fuente de su alimento intelectual no procede de la fuente de la vida de Europa.
San Gregorio no fue un inventor, sino un renovador. No trabajó sobre su material, sino dentro de él; y su material
fue la naturaleza de Europa: nuestra naturaleza.

Llena está la Historia de los abrumadores obstáculos que hombres como él habían de encontrar. Están en lucha no
sólo contra el mal sino también contra la inercia y con los intereses locales, la visión confusa y los horizontes
limitados. Siempre se consideran derrotados, como se consideró derrotado San Gregorio al morir. Y siempre
demuestran a la posteridad que han hecho mucho más que cualquier otro hombre. La Europa que dejó a su muerte
San Gregorio fue el monumento de ese triunfo de cuya consumación él dudara. Y el temor de ese fracaso le hizo
decir al morir: “He amado la justicia y odiado la iniquidad; por eso muero en el destierro”.

Inmediatamente después de su desaparición tuvo lugar el estupendo esfuerzo galo de las Cruzadas. Las Cruzadas
fueron el segundo de los grandes alzamientos armados de los galos. La primera, siglos atrás, había sido la invasión
gala de Italia y Grecia y de las costas del Mediterráneo, en los antiguos tiempos paganos. La tercera, siglos después,
había de ser la ola de la Revolución y de Napoleón. El prefacio de las Cruzadas fué escrito en las interminables y ya
triunfantes guerras libradas en España por la Cristiandad contra el Asia. Éstas habían enseñado el entusiasmo y el
método por medio del cual podía rechazarse con lentitud al Asia, que durante tanto tiempo y en su plenitud había
sitiado a Europa.

De éstas procedían la ciencia militar y la aptitud para sufrir el cansancio que hizo posible la marcha de 2 mil millas
sobre Tierra Santa. Las consecuencias de este tercer y último factor en el renacimiento de Europa son tantas, que
sólo puedo dar de ellas una lista.

El Occidente, aun primitivo, descubrió por conducto de las Cruzadas la gran cultura, la acumulada riqueza, las fijas
tradiciones civilizadas del Imperio Griego y de la ciudad de Constantinopla. Y descubrió también, en una nueva y
vívida experiencia, el Oriente. El solo hecho de recorrer tantas tierras, el solo hecho de ver tantos lugares, tantos
hombres, expandió y rompió las murallas de la mente de la Edad Oscura.

El Mediterráneo se cubrió de naves cristianas, y recobró con fértil rapidez su puesto de gran ruta de intercambio.

Europa despertó.

Toda la arquitectura se transforma y surge un estilo totalmente nuevo : el gótico. Aparece entre las instituciones de
la Cristiandad la concepción de los parlamentos representativos, de origen monástico, transportada con éxito al
orden civil. Surgen las lenguas vernáculas y con ellas los comienzos de nuestra literatura: el toscano, el castellano,
la langue d`Oc, el francés del norte, y algo después, el inglés.

Aun aquellas lenguas primitivas que habían conservado siempre su vitalidad desde épocas inmemoriales, el celta y el
germano, adquieren nuevas fuerzas creadoras y producen una literatura nueva. Surge la institución fundamental de
Europa, la Universidad; primero en Italia, inmediatamente después en Paris, que se convierte luego en centro y tipo
de todo el sistema.

Los gobiernos civiles centrales comienzan a corresponder a sus límites naturales: se fija ante todo la monarquía
inglesa; se une el reino de Francia; pronto han de cambiarse las regiones de España. Ha nacido la Edad Media.

La flor de este experimento fundamental en la historia de nuestra raza fue el siglo XIII. Eduardo I de Inglaterra, San
Luis de Francia, y el Papa Inocencio III fueron los prototipos de sus dirigentes. Europa se renovaba por doquier: se
construían nuevas murallas blancas alrededor de las ciudades; nuevas catedrales góticas en su interior, nuevos
castillos en las montañas; las leyes se codificaban; se descubrían los clásicos; volvieron a debatirse activamente las
cuestiones filosóficas, produciendo en su primer esfuerzo la cumbre del poder expositivo, con Santo Tomás, el más
fuerte y viril de los intelectos que la sangre europea haya dado al mundo.

Dos características destacan la época para los que se hayan familiarizado con su arquitectura, sus letras y sus
guerras: una nota de juventud y una de satisfacción. Pudo imaginarse entonces que Europa se había asentado y que
el sueño imborrable de una sociedad satisfactoria parecía haberse materializado para siempre en el seno de la
comunidad de los cristianos.

Pero ni esa perduración ni ese bien le son permitidos a la humanidad, y el gran experimento, como lo he llamado,
estaba destinado a fracasar. Mientras floreció, todo lo que es característico de nuestra ascendencia y naturaleza
europea estaba visiblemente presente en la vida diaria, tanto en las pequeñas como en las grandes instituciones de
Europa.

Nuestra propiedad de la tierra e implementos estaba bien dividida entre muchos o entre todos; produjimos al
campesino; mantuvimos la independencia del artesano; fundamos la industria cooperativa. En el orden de las armas
surgió el tipo militar que vive de acuerdo a las virtudes propias de las armas y detesta los vicios que de ellas pueden
nacer. Y por sobre todo, esas generaciones fueron fortalecidas por un apetito de verdad intenso y viviente, por una
gran percepción de la realidad. Vieron lo que tenían ante su vista, y llamaron las cosas por su nombre. Nunca
estuvieron tan acordes con los hechos, las fórmulas políticas o sociales; jamás estuvo tan unida la masa de nuestra
civilización… Y a pesar de todo, no duró mucho.

A mediados del siglo XIV, la decadencia de la Fe se hacía evidente en forma trágica. Se toleraban nuevos actos de
crueldad, triunfaban las intrigas; la vacuidad se hizo notar en la frase filosófica y en la sofistería del argumento, y eso
marcó el cambio en el curso de la corriente. No fué una institución del siglo XIII, sino una del siglo XIV, la que
ocasionó el relajamiento: el Papado se tornó profesión y perdió su libertad; los parlamentos tendieron a la
oligarquía; las ideas populares se fueron borrando de la mente de los gobernantes; las órdenes monásticas nuevas,
vigorosas y democráticas, contaminadas por la riqueza, comenzaban a fluctuar; aunque estas últimas pueden
siempre rehabilitarse.

Y por añadidura sobrevino el terrible accidente de la Muerte Negra. Aquí moría la mitad de la población; allí, un
tercio; más allá, un cuarto; y el gran experimento de la Edad Media no pudo reiniciarse después de este golpe.

Los hombres se aferraron aún a su ideal durante ciento cincuenta años más. Las fuerzas vitales desarrolladas
llevaban todavía a Europa de una perfección material a otra; el arte de gobernar, la sugestión literaria, la técnica de
la pintura y la escultura (elevadas en algunos lugares por una visión mejor, degeneraron en otros por un peor gusto)
se desenvolvieron y multiplicaron en todas partes.

Pero la realización suprema del siglo XIII fue considerada efímera al finalizar el XIV, y en el XV era ya manifiesto a
todos que la tentativa de fundar una Europa simple y satisfecha había fracasado.

Las causas fundamentales de este fracaso no pueden analizarse. Podrá decir alguno que la ciencia y la historia eran
muy débiles aún; que la parte material de la vida no era suficiente; que faltaba el conocimiento cabal del pasado,
necesario para obtener la permanencia; o se podrá aducir que el ideal era demasiado elevado para el hombre.

Yo, por mi parte, me inclino a creer que otras voluntades distintas de las mortales se disputaban el alma de Europa,
como combaten diariamente por la conquista de las almas individuales, y que esa batalla espiritual que se desarrolla
perpetuamente sobre nuestras cabezas fue vuelta contra nosotros por un tiempo, a raíz de algún accidente. Si es
fantástica esta sugestión (y sin duda lo es), no hay otra, de cualquier modo, que sea completa.

Ni siquiera el ensordecedor estruendo impidió que escucháramos el disparo de la gran bombarda acertando y
derrumbando una parte de las Murallas Teodosianas. Subí rápido a las almenas de la muralla. Contemplé con
horror que las primeras líneas de los jenízaros marchaban hacia la Puerta Romana. Nuestro ejército aún no estaba
preparado y estábamos indefensos ante un ataque inmisericorde.

Constantino, al ver que todo estaba perdido, se quitó las insignias imperiales y se lanzó a la defensa de la Puerta
Romana, donde antes de morir dijo a su guardia varega: -¿No hay un solo cristiano aquí dispuesto a dar la vida?
Constantino, Señor del Mundo cayó muerto en la Puerta Romana, despojado de su gloria y de su cabeza. Yo, un
simple guardia varego, no compartí el destino del emperador.

Con el siglo XV habían de sobrevenir la prueba y la tentación supremas. La caída de Constantinopla y el abandono de
Grecia, el redescubrimiento del pasado clásico, la imprenta, los nuevos grandes viajes (la India, al este; América, al
oeste), habían llevado a Europa (en el corto lapso de una vida humana, entre el 1453 y 1515) repentinamente a una
tierra nueva, mágica y peligrosa.

A las provincias europeas, sacudidas por una tempestad intelectual de descubrimientos físicos, perturbadas por una
expansión abrupta e indigerida del mundo material, de las ciencias físicas y del conocimiento de la antigüedad, les
sería ofrecido un fruto que cada una podría probar a voluntad, pero cuyo gusto habría de llevar a males que ningún
ciudadano europeo habría soñado hasta entonces; a cosas que hubieran hecho temblar a los criminales intrigantes y
crueles tiranos del siglo XV, si les hubiera sido dado contemplarlas, y a un desastre que casi volcó la nave de nuestra
historia, haciendo que se perdiera para siempre su carga de letras, de filosofía, de artes y del resto de nuestra
potencialidad.

Ese desastre se llama comúnmente la Reforma. No pretendo analizar sus causas materiales, porque dudo de que
alguna de ellas fuera íntegramente material. Prefiero, más bien, analizar el suceso y demostrar cómo los antiguos
límites de Europa se mantuvieron firmes, aunque resquebrajados, resistiendo los embates de la tempestad; cómo
esta tempestad pudo no haber arrasado sino las partes periféricas recientemente incorporadas, no fortalecidas en
grado suficiente por la Fe y las costumbres propias de los hombres ordenados, las Alemanias exteriores y
Escandinavia.

El desastre no hubiera sido de magnitud tan considerable, y Europa hubiera podido rehacerse una vez pasada la
tormenta, si una excepción de importancia fundamental no hubiera determinado la crisis más intensa del temporal.
Esa excepción fue la apostasía de Gran Bretaña.

Y simultáneamente con la pérdida de esta antigua provincia del Imperio, una nación, y sólo una, de aquellas que no
habían sido criadas por el Imperio Romano, resistió el golpe y preservó la continuidad de la tradición cristiana: esa
nación fue Irlanda.

Poema de Hilaire Belloc para G.K. Chesterton


Hilaire Belloc

Disponível no livro ‘Wisdom and Innocence: A Life of G. K. Chesterton’, Joseph Pearce

I like to read myself to sleep in Bed, Ler na cama à noite me apetece,

A thing that every honest man has done É algo que todo homem honesto faz

At one time or another, it is said, Uma ou outra vez, ao que parece,

But not as something in the usual run; Mas não como algo habitual;

Now I from ten years old to forty one No meu caso, desde a minha infância

Have never missed a night: and what I need Ler na cama é uma autêntica mania

To buck me up is Gilbert Chesterton, Para embalar-me está Gilbert Chesterton,

(The only man I regularly read). (O único homem que leio todo dia).

The ‘Illustrated London News’ is wed O “Illustrated London News” está unido

To letter press as stodgy as a bun, A uma imprensa indigesta como um bolo,

The ‘Daily News’ might just as well be dead, O “Daily News” bem poderia ter morrido,
The ‘Idler’ has a tawdry kind of fun, O “Idler” tem um humor de mau gosto

The ‘Speaker’ is a sort of Sally Lunn, O “Speaker” parece um tipo de pão

The ‘World’ is like a small unpleasant weed; O “World” uma pequena erva daninha;

I take them all because of Chesterton, Compro todos só para ler Chesterton

(The only man I regularly read). (O único homem que leio todo dia).

The memories of the Duke of Beachy Head, A história de Beachy Head e seu Senhor,

The memoirs of Lord Hildebrand (his son) A vida de seu filho Hildebrando

Are things I could have written on my head, São coisas que posso escrever de cor,

So are the memories of the Comte de Mun, Como as memórias do Conde de Mun.

And as for novels written by the ton, E as novelas que se escrevem em profusão,

I’d burn the bloody lot! I know the Breed! Se pudesse, a todas queimaria,

And get me back to be with Chesterton Para poder voltar a estar com Chesterton

(The only man I regularly read). (O único homem que leio todo dia).

MENSAGEIRO
ENVOI
Príncipe, que achou do livro chamado:
Prince, have you read a book called “Thoughts upon
“O Credo Atanasiano e seu papel na Teologia”?
The Ethos of the Athanasian Creed”?
Não importa – não é de Chesterton
No matter – it is not by Chesterton
(O único homem que leio todo dia).
(The only man I regularly read).

La Herejía Arriana - Hilaire Belloc


La Herejía Arriana
Hilaire Belloc

La primer gran Herejía que dividió las aguas de la Cristiandad en el siglo III d.C., y que duró tres siglos en sus más
graves efectos, es relatada aquí por Hilaire Belloc en su contexto histórico y social con el interés que merece un tipo
de mal que volvería a repetirse bajo diversas formas en el transcurso de los siglos. La herejía no es un tema fósil sino
materia de interés permanente y ciertamente vital. Los que creen que el tema de la herejía puede despreciarse
porque la palabra les suena anticuada y porque se relaciona con algunas disputas abandonadas desde hace mucho,
están cometiendo el error común de pensar con palabras en lugar de pensar con ideas.

Introducción: Herejía

¿Qué es una herejía y qué importancia histórica tiene?

Al igual que la mayoría de los vocablos modernos, “herejía” se usa en forma vaga y diversa. En forma vaga, porque el
espíritu moderno es tan enemigo de la precisión en las ideas como enamorado de la precisión en la medida. En
forma diversa porque, según el hombre que la emplea, puede representar cincuenta cosas diferentes.
Hoy, en la mayoría de las personas (de habla inglesa), la palabra “herejía” evoca disputas pasadas y ya olvidadas, un
viejo prejuicio contra el examen racional. Se considera, pues, que la herejía no es de interés actual. El interés en ella
ha muerto, pues trata de temas que nadie toma ya en serio. Se concibe que un hombre pueda interesarse en una
herejía de curiosidad arqueológica, pero si ese hombre afirma que dicha herejía ha tenido gran efecto en la historia y
que aún hoy es de viva actualidad, difícilmente será comprendido.

Sin embargo, el tema de la herejía en general es de la mayor importancia para el individuo y para la sociedad, y la
herejía, en su significado particular (que es el que tiene en la doctrina cristiana) presenta un interés especial para el
que quiera comprender a Europa, el carácter de Europa y la Historia de Europa. Porque toda esa Historia, desde la
aparición de la religión cristiana, ha sido una historia de luchas y de mutaciones, precedidas en gran parte por
variaciones de la doctrina religiosa, a menudo, si no siempre, motivadas por ellas y siempre acompañadas por ellas.
En otras palabras, “la herejía cristiana” es un tema de primordial importancia para la comprensión de la historia
europea, porque, junto con la ortodoxia cristiana, es la constante compañera y la agente de la vida europea.

[…]

La Herejía Arriana

El arrianismo fue la primera de las grandes herejías.

Desde la fundación de la Iglesia, en Pentecostés [1], años 29 a 33, hubo muchos movimientos heréticos que
abarcaron los primeros tres siglos. Casi todos ellos se referían a la naturaleza de Cristo. El efecto de la prédica de
Nuestro Señor, de su personalidad y milagros, pero, más que todo, de su Resurrección, fue llevar a cuantos tenían
alguna fe en el milagro producido, a una concepción del poder divino que actuaba en todo ello.

Entonces, la tradición central de la Iglesia, en este caso, como en todos los demás de doctrina discutida, fue firme y
clara desde el principio. Nuestro Señor fue indudablemente un hombre. Había nacido como nacen los hombres. Vivió
como un hombre y había sido conocido como hombre por un grupo de íntimos compañeros y por un gran número de
hombres y mujeres que lo siguieron, lo oyeron y presenciaron sus acciones.

Pero –decía la Iglesia– también era Dios. Dios había bajado a la tierra y se había encarnado en un Hombre. No era
meramente un hombre influido por la Divinidad bajo una apariencia de hombre. Era, al mismo tiempo, plenamente
Dios y plenamente Hombre. En esta tradición central la Iglesia no vaciló jamás. Se la tuvo por cierta desde un
principio por aquellos que tienen autoridad para hablar.

Pero un misterio, por ser misterio, es necesariamente incomprensible, y ése es el motivo por el cual el hombre, por
ser racional, está tratando perpetuamente de racionalizarlo. Así ocurrió con este misterio. Algunos dirán que Cristo
sólo era hombre, aunque un hombre dotado de poderes especiales. Otros, en el extremo opuesto, dirían que era
una manifestación de lo divino y su naturaleza humana producto de la ilusión. Entre estos dos extremos las variantes
fueron infinitas.

Ahora bien, la herejía arriana era, como si dijéramos, la suma y la conclusión de todos estos movimientos del lado no
ortodoxo; esto es, de todos los movimientos que no aceptaban el pleno misterio de ambas naturalezas.

Ya que es difícil racionalizar la unión del Infinito con lo finito, ya que hay una aparente contradicción entre ambos
términos, esta forma final en que la confusión de herejías se asentó, fue una declaración de que Nuestro Señor era
tanto de esencia divina como era posible serlo a una criatura. No era el Dios Infinito y Omnipotente que tiene que
ser de Su naturaleza una e invisible, y no podía (decían ellos) ser al mismo tiempo un ser humano limitado, que
actuara y tuviera su ser en la esfera temporal.

El arrianismo (diré más adelante el origen del nombre) quería conceder a Nuestro Señor todo honor y toda majestad,
menos la plena naturaleza de la Divinidad. Fue creado, o “vino”, si a las gentes no le gustaba la palabra “creado”, de
la Divinidad antes que todos los demás efectos de ésta. Por su intermedio se creó el mundo. Se le concedían, puede
decirse (paradójicamente), todos los atributos divinos, menos la divinidad.

En su esencia, este movimiento procedió exactamente de la misma fuente que todos los demás movimientos
racionalistas, desde un principio hasta nuestros tiempos. Surgió del deseo de ver clara y sencillamente algo que está
más allá del alcance de la visión y de la comprensión humanas. Por lo tanto, aunque comenzó por tributar a Nuestro
Señor cuanto honor y gloria era posible, salvo la real divinidad, habría llevado inevitablemente, a la larga, a un mero
unitarismo y a tratar a Nuestro Señor como un profeta; aunque enaltecido, nada más que un profeta.

Como todas las herejías respiran el aire de la época en que nacen y son necesariamente un reflejo de la filosofía de
cuantas ideas no católicas reinan en el momento de su nacimiento, el arrianismo habló el idioma de su época. No
comenzó, como comenzaría un movimiento análogo en nuestros días, haciendo de Nuestro Señor un mero hombre y
nada más. Menos aún negó lo sobrenatural en conjunto. El tiempo en que surgió (alrededor del año 300) era una
época en que toda la sociedad tenía por cierto lo sobrenatural. Pero habló de Nuestro Señor como de un Agente
Supremo de Dios –un demiurgo– y lo consideró como la primera y la más grande de las emanaciones de la Divinidad
Central, emanaciones por las cuales la filosofía elegante de aquellos días sorteaba la dificultad de reconciliar el
Infinito y simple Creador con un universo complejo y finito.

Esto en cuanto a la doctrina y a lo que habrían llegado las tendencias racionalistas en el caso de haber triunfado.
Habría hecho de la nueva religión algo parecido al mahometanismo; o, tal vez, considerada la naturaleza de la
sociedad griega y de la romana, algo parecido a un calvinismo oriental.

En todo caso, lo que acabo de establecer fue el estado de su doctrina mientras floreció: una negación de la plena
divinidad de Nuestro Señor combinada con una admisión de sus demás atributos.

En cambio, al referirnos a las más antiguas y ya muertas herejías, tenemos que considerar sus efectos espirituales,
y por lo tanto sociales, en forma mucho más extensa que su mero error doctrinario, aunque ese error doctrinario
haya sido la causa última de todos sus efectos espirituales y sociales [2]. Tenemos que hacerlo así porque, cuando
una herejía está muerta desde hace mucho, su sabor se ha olvidado. El tono particular y el inconfundible sello que
imprimió en la sociedad, al no sentirse ya, es para nosotros como no existente, y debe ser resucitado, tal como era,
por cualquiera que desee tratar la historia verdadera. Sería imposible, sin una explicación de esta clase, hacer que un
católico del Béarn [3] de hoy, o un campesino de las cercanías de Lourdes, donde está muerto el calvinismo, que allí
reinó una vez, entiendan el sabor y el carácter individualista del calvinismo tal como aún sobrevive en Escocia y en
algunas regiones de los Estados Unidos. Pero debemos tratar de comprender esta ya olvidada atmósfera arriana
porque, hasta que no entendamos su sabor espiritual y por lo tanto social, no podemos en absoluto
pretender conocerla.

Además, debe apreciarse este sabor o carácter íntimo y personal del movimiento, y su efecto individual en la
sociedad, para comprender su importancia. No hay mayor error en todas las gamas de la mala historia que
imaginarse que esas diferencias doctrinarias, por abstractas y aparentemente lejanas de lo práctico de la vida,
carecen de efecto social intenso. Relátesele a un chino de hoy la controversia doctrinaria de la Reforma, dígasele
que fue ante todo una negación de la doctrina de una sola iglesia visible y una negación de la autoridad especial de
sus ministros. Ésa sería la verdad. El chino comprendería lo ocurrido en esa Reforma como podría comprender una
afirmación matemática. Pero ¿acaso le haría entender, a los hugonotes franceses de hoy, las modalidades prusianas
en la guerra y en la política, la naturaleza de Inglaterra y su pasado, desde el surgimiento del puritanismo en este
país? ¿Le haría entender las Logias de Orange o la moral y los sistemas políticos de, digamos, H. G. Wells o de
Bernard Shaw? ¡Por supuesto que no! Hacerle a un hombre la historia del tabaco, darle la fórmula química (si tal
cosa existe) de la nicotina, no es mostrarle lo que se entiende por el aroma del tabaco y los efectos de fumar un
cigarro. Lo mismo ocurre con el arrianismo. Decir simplemente lo que el arrianismo fue doctrinariamente es anunciar
una fórmula y no dar la cosa en sí.

Cuando surgió el arrianismo, llegó a una sociedad que era ya y que había sido durante mucho tiempo la única unidad
política de la cual eran ciudadanos todos los hombres civilizados. No existían naciones aisladas. El Imperio Romano
era un estado desde el Éufrates hasta el Atlántico y desde el Sahara hasta las montañas escocesas. Estaba gobernado
en forma monárquica por el comandante en jefe o los comandantes en jefe de los ejércitos. El título del comandante
en jefe era imperator –de donde nos vino la palabra “emperador”– y de ahí llamamos a ese estado “Imperio
Romano”. Aquello que el emperador o los co-emperadores (habían sido dos últimamente, cada uno con su adjutor,
esto es, cuatro, pero pronto se fundieron en una sola cabeza suprema y emperador único) declaraban ser, tal era la
actitud del imperio oficialmente, en bloque.

Los emperadores, y por lo tanto toda la estructura oficial que de ellos dependía, habían sido anticristianos durante el
crecimiento de la Iglesia Católica en medio de las sociedades paganas romana y griega. Durante más de 300 años,
tanto ellos como la parte oficial de esa sociedad, habían considerado a la cada vez más poderosa Iglesia Católica
como una amenaza extranjera y muy peligrosa para las tradiciones y, por lo tanto, para el poderío del antiguo
mundo pagano, romano y griego. La Iglesia era un estado dentro de un estado, con sus funcionarios superiores
propios, los obispos y su organización propia, de forma muy poderosa y desarrollada. Era ubicua. Contrastaba
fuertemente con el viejo mundo en el cual se había introducido. La vida de una iba a ser la muerte del otro. El viejo
mundo se defendió por medio de la acción de los últimos emperadores paganos. Éstos decretaron muchas
persecuciones contra la Iglesia, persecuciones que terminaron con una última y muy intensa que fracasó.

La causa católica fue apoyada en un principio por un hombre que luego se unió a ella, que venció a todos sus rivales
y se estableció como único monarca de todo el estado: el emperador Constantino el Grande, quien gobernó desde
Constantinopla, ciudad que había fundado y a la que llamó “la Nueva Roma”. Después de esto, el culto principal del
imperio fue el cristiano. En la crítica fecha de 325, menos de tres siglos después de Pentecostés, la Iglesia católica se
había transformado en la religión oficial, o por lo menos la religión de Palacio del Imperio, y así siguió (con un
intervalo muy breve y excepcional), mientras duró el Imperio [4].

Pero no debe imaginarse que la mayoría de los hombres se hubiera adherido ya a la religión cristiana ni aun en el
Oriente de habla griega. Ciertamente, los de esa religión ni siquiera se acercaban a una mayoría en el Occidente de
habla latina.

Como en todos los grandes cambios en la historia, los bandos en lucha eran minorías inspiradas por diverso grado de
entusiasmo. Estas minorías tenían ideas diversas y pugnaban cada una de ellas para imponer su actitud mental en la
masa vacilante e irresoluta. De estas minorías, los cristianos eran la mayor y (lo que era mucho más importante) la
más vehemente, la más convencida, y la única completa y estrictamente organizada.

La conversión del emperador les proporcionó un aumento creciente de la indecisa mayoría. La mayor parte de los
nuevos adherentes, tal vez, apenas entendían la nueva doctrina que adoptaban, y ciertamente en general le tenían
apego. Pero finalmente el cristianismo había vencido políticamente y eso les bastaba. Muchos añoraban a los dioses
antiguos, pero no creían que valiera la pena arriesgar nada en su defensa. A muchos más, nada les importaba lo que
quedara de los antiguos dioses ni tampoco de las nuevas modas cristianas. Entretanto, había una fuerte minoría de
paganos muy inteligentes y decididos. Tenían de su parte no sólo las tradiciones de una rica clase gobernante, sino
también el grueso de los mejores escritores y, por supuesto, disponían para robustecerse de los recientes recuerdos
de su larga dominación de la sociedad. Aun había otro elemento de ese mundo, aislado de todos los demás, y que es
muy importante que comprendamos: el ejército. En un momento se sabrá por qué es tan importante para nosotros
entender la posición del ejército.

Cuando el poder del arrianismo se manifestó, en estos primeros años de imperio cristiano oficial y su gobierno
universal en todo el mundo grecorromano, esta herejía se convirtió en el núcleo o centro de muchas fuerzas que,
por sí mismas, habrían permanecido indiferentes a su doctrina. Se transformó en el punto de unión de muchas
tradiciones sobrevivientes del mundo antiguo, tradiciones, aunque no religiosas, intelectuales, sociales, morales,
literarias y otras.

Podríamos decir bastante vívidamente, en lenguaje popular moderno, que el arrianismo –tan vigorosamente
presente en las nuevas y grandes controversias dentro del cuerpo de la Iglesia cristiana–, en cuanto esa Iglesia logró
el apoyo oficial y se transformó en religión oficial del imperio, atrajo a todos los figurones, a la mitad por lo menos
de los snobs y a casi todos los conservadores idealistas sinceros, fueran o no nominalmente cristianos. Atrajo, como
ya sabemos, a muchos de los que eran definidamente cristianos, pero también fue el punto de reunión de esas
fuerzas no cristianas que tan grande importancia tenían en la sociedad de aquel tiempo.

Muchas de las viejas familias nobles se resistían a aceptar la revolución social que implicaba el triunfo de la Iglesia
cristiana. Se pusieron, naturalmente, de parte de un movimiento que instintivamente sentían espiritualmente
opuesto a la vida y a la supervivencia de esa Iglesia que llevaba con él una atmósfera de superioridad social sobre el
populacho. La Iglesia se apoyaba en las masas y, por fin, fue apoyada por ellas. Los hombres de viejas tradiciones
familiares y de dinero consideraban al arriano más simpático que el católico común y mejor compañía para un
caballero.

Muchos intelectuales estaban en la misma posición. No tenían orgullo de familia ni de las viejas tradiciones sociales
del pasado, pero tenían el orgullo de la cultura. Recordaban con pesar el antiguo prestigio de los filósofos paganos.
Creían que esta gran revolución, que este paso del paganismo al catolicismo, destruiría las antiguas tradiciones
culturales y su propia posición cultural.

Los simples snobs, que forman siempre un grupo grande en toda sociedad –esto es, los que no tienen opiniones
propias, sino que siguen las que creen ser el toque honorífico del momento– se dividirían. Tal vez la mayoría de
ellos seguirían el movimiento oficial de la corte y se plegarían abiertamente a la nueva religión. Pero siempre
quedarían algunos que considerarían más chic, más elegante, profesar simpatía a las antiguas tradiciones paganas, a
las grandes y viejas familias paganas, a la heredada y venerable cultura pagana, a la literatura pagana y a todo lo
demás. Todos estos engrosaron el movimiento arriano porque destruía al catolicismo.

El arrianismo tenía otro aliado más, y la naturaleza de esta alianza es tan sutil que requiere un examen muy
cuidadoso. Tenía por aliada la tendencia, de un gobierno de monarquía absoluta, de tenerle un poco de miedo a las
emociones que impresionaban el espíritu del pueblo, y especialmente de la gente pobre, emociones que, de
extenderse y provocar entusiasmo y de apoderarse de la masa del pueblo, podrían volverse demasiado fuertes para
ser reguladas y habría que inclinarse ante ellas. Hay aquí una paradoja difícil pero que es importante reconocer.

Un gobierno absoluto, especialmente en manos de un hombre solo, parecería, superficialmente, lo opuesto de un


gobierno popular. Ambos parecen contradictorios a aquellos que no han visto funcionar una monarquía absoluta.
Para aquellos que lo han visto ocurre lo inverso. El gobierno absoluto es el apoyo de las masas, contra el poder de la
riqueza en manos de unos pocos o contra el poder del ejército en manos de unos pocos. Puede imaginarse, por lo
tanto, que el poder imperial de Constantinopla habría tenido simpatía por las masas populares católicas y no por los
intelectuales y los demás que seguían el arrianismo. Pero debemos recordar que aun cuando el gobierno absoluto
tiene por causa misma de su existencia la defensa de las masas contra los pocos poderosos, le gusta gobernar. No le
gusta sentir que hay en el estado un poder rival del suyo. No le gusta sentir que las grandes decisiones pueden ser
impuestas por organizaciones que no sean sus organizaciones oficiales. Ése es el motivo de que hasta los
emperadores más cristianos y sus funcionarios siempre tuvieran en lo más profundo de sus espíritus, durante la vida
del primer movimiento arriano, una simpatía potencial hacia el arrianismo, y ése es el motivo de que esta simpatía
potencial aparezca en algunos casos como una simpatía real y como una declaración pública de arrianismo por su
parte.

Otro aliado más tenía el arrianismo, por el cual casi triunfó: el ejército.

Con el objeto de comprender cuán poderoso podía ser tal aliado, tenemos que saber qué significaba el ejército
romano y cómo estaba compuesto.

En cuanto al número, el ejército sólo era, por supuesto, una pequeña fracción de la sociedad. No estamos seguros de
cuál era ese número; a lo más debía de sumar medio millón, probablemente mucho menos. Pero juzgar esta materia
por los números sería ridículo. El ejército era normalmente la mitad o más de la mitad del estado. El ejército era el
verdadero cemento, para usar de una metáfora, el esqueleto, para usar otra metáfora, la fuerza de vinculación, el
apoyo y el propio ser material del Imperio Romano en el siglo IV; así había sido desde siglos antes e iba a seguir
siéndolo durante más generaciones.

Es absolutamente esencial entender este punto, pues explica las tres cuartas partes de lo que ocurrió, no sólo en el
caso de la herejía arriana, sino de todo lo demás entre los días de Mario (bajo cuyo gobierno el ejército romano se
hizo por primera vez profesional), y el ataque mahometano a Europa, esto es, desde más de un siglo antes de la era
cristiana hasta los principios del siglo VII. La posición social y política del ejército explica todos esos setecientos y
tantos años.

El Imperio Romano era un estado militar. No era un estado civil. La promoción al poder se realizaba por intermedio
del ejército. La concepción de la gloria y del triunfo, la consecución de las riquezas en muchos casos, en casi todos los
casos el logro del poder político, dependían en esos tiempos del ejército, así como hoy dependen de los préstamos
de dinero, de la especulación, de las camarillas, de la manipulación de votos, de los caudillos y de los diarios.

El ejército había estado integrado primitivamente por ciudadanos romanos, todos los cuales eran ítalos. Luego, al
expandirse el poderío del estado romano, incorporó tropas auxiliares, hombres que seguían a caudillos locales
afiliados al sistema militar romano, y hasta reclutó, para sus filas, regulares en todas las provincias del Imperio. Había
muchos galos –esto es, franceses– en el ejército, muchos españoles, y demás, antes de transcurrir los primeros cien
años del Imperio. En los doscientos años siguientes –esto es, en los que median entre 100 y 300, hasta la herejía
arriana– el ejército fue reclutado cada vez más entre los que llamamos “bárbaros”, término que no significaba
salvajes, sino pueblos que vivían fuera de los límites estrictos del Imperio Romano. Eran más fáciles de disciplinar y
eran mucho más baratos que los ciudadanos que vivían dentro de las fronteras. Muchos de ellos eran germanos,
pero había muchos eslavos, muchos moros, árabes y sarracenos, y hasta no pocos mongoles, llegados de Oriente.
Este gran cuerpo que era el ejército romano estaba estrictamente unido por su disciplina, pero mucho más por su
orgullo profesional. Era un ejército de servicio largo. Un hombre le pertenecía desde su adolescencia hasta la edad
mediana. Nadie sino el ejército tenía poder físico alguno. No podía tratarse de resistirle por la fuerza, y era, en cierto
sentido, el gobierno. Su comandante en jefe era el monarca absoluto del estado entero. Pues bien, el ejército se hizo
firmemente arriano.

Éste es el punto capital de todo el asunto. Si no hubiera sido por el ejército, el arrianismo no habría significado jamás
lo que significó. Con el ejército –plenamente de su lado– el arrianismo casi triunfó y logró sobrevivir, a pesar de
representar poco más que a los soldados y sus jefes.

Verdad es que cierto número de soldados germanos de fuera del imperio habían sido convertidos por misioneros
arrianos en un momento en que la alta sociedad era arriana. Pero no fue ése el motivo principal por el que el ejército
en su totalidad se volvió arriano. El ejército se volvió arriano porque creyó que el arrianismo era un distintivo que lo
hacía superior a las masas civiles, del mismo modo que el arrianismo era un distintivo que hacía que los intelectuales
se sintieran superiores a las masas populares. Los soldados, tanto los reclutados entre los bárbaros como los
reclutados entre los civilizados, sentían simpatía hacia el arrianismo por el mismo motivo que las antiguas familias
paganas sentían simpatía por el arrianismo. El ejército, pues, y especialmente los jefes del ejército, sostuvieron la
nueva herejía cuando pudieron, y así dicha herejía se convirtió en una especie de prueba para saber si se era
“alguien” –un soldado frente a los despreciados civiles– o no. Puede decirse que había surgido una contienda entre
los jefes del ejército, por una parte, y los obispos católicos por otra. Hubo ciertamente una división –una separación
oficial entre el populacho católico de las ciudades, la población católica del campo y el soldado casi universalmente
arriano–, y el enorme efecto de esta unión entre la nueva herejía y el ejército, lo veremos actuar en adelante.

Ahora que hemos visto cuál era el espíritu del arrianismo y qué fuerzas lo apoyaban, veamos de dónde tomó su
nombre.

El movimiento de negar la plena divinidad de Cristo y de hacer de Él una criatura, tomó su nombre de un tal Areios
(en su forma latina Arius), clérigo africano de habla griega un poco anterior a Constantino y ya famoso como fuerza
religiosa algunos años antes de las victorias de Constantino y su primer poder imperial.
Debe recordarse que Arrio fue sólo la culminación de un largo movimiento. ¿Cuál fue la causa de su buen éxito? Dos
cosas se combinaron. En primer lugar, el impulso de todo lo que se produjo antes de él. En segundo lugar, el
repentino abandono de la Iglesia por Constantino. A esto debería agregarse, sin duda, algo de la propia personalidad
de Arrio. Los hombres de esa clase que se transforman en dirigentes tienen algún impulso personal en su propio
pasado que los apoya. No triunfarían en esa forma si no tuvieran algo en sí mismos.

Creo que podemos convenir en que Arrio tuvo el efecto que logró mediante una convergencia de fuerzas. Había
mucha ambición en él, como la que puede hallarse en todos los heresiarcas. Había en él también un entusiasmo
por lo que creía era la verdad.

Su teoría no fue, por cierto, un descubrimiento original suyo; pero él la hizo suya, la identificó con su nombre. Luego
se vio impulsado a una tenaz resistencia contra aquellos que, según creía, lo estaban persiguiendo. Adolecía de
mucha vanidad, como casi todos los reformadores. A más de todo esto, una ligera simplicidad, “sentido común”,
que atrae mucho a las multitudes. Pero nunca habría logrado el triunfo de que disfrutó si en él no hubiera habido
algo de elocuente y si no hubiera tenido poder de arrastre.

Era un hombre de posición, oriundo probablemente de Cirenaica (actualmente, colonia italiana en África del Norte,
al este de Trípoli [5]), aunque se decía que era alejandrino, pues vivió en Alejandría. Había sido discípulo del crítico
máximo de su tiempo, el mártir Luciano de Antioquia. En el año 318 presidía la Iglesia de Bucalis, en Alejandría, y
gozaba del favor del obispo de la ciudad, Alejandro.

Arrio pasó de Egipto a Cesarea, en Palestina, difundiendo con celo sus ya conocidas ideas unitarias y
racionalizadoras. Algunos de los obispos orientales comenzaron a concordar con él. Es verdad que los dos principales
obispados sirios, Antioquia y Jerusalén, se mantuvieron firmes, pero al parecer la mayor parte de la jerarquía siria se
inclinaba a escuchar a Arrio.

Cuando Constantino llegó a ser el amo de todo el imperio, en 325, Arrio se dirigió al nuevo señor del mundo. El gran
obispo de Alejandría, Alejandro, lo había excomulgado, aunque con desgano. El viejo emperador pagano Licinio
había protegido al nuevo movimiento.

Comenzó una batalla de gran trascendencia. Aunque sus emociones estaban excitadas, los hombres, con todo, no
advirtieron toda su importancia. Si este movimiento por el rechazo de la divinidad plena de Nuestro Señor hubiera
logrado la victoria, toda nuestra civilización habría sido otra que la que fue desde esos días hasta hoy. Todos
sabemos lo que ocurre cuando triunfa en alguna sociedad un intento de simplificar y racionalizar los misterios de
la Fe. Tenemos ante nosotros el ya moribundo experimento de la Reforma, y la vieja, aunque aún muy vigorosa,
herejía mahometana, que aparecerá tal vez en el futuro con renovado vigor. Esos esfuerzos racionalistas contra la fe
producen una degradación social progresiva, consiguiente a la pérdida de este lazo directo entre la naturaleza
humana y Dios, que proporciona la Encarnación. La dignidad humana se rebaja. La autoridad de Nuestro Señor se
debilita. Aparece cada vez más como hombre tal vez como un mito. La sustancia de la vida cristiana se diluye. Decae.
Lo que comenzó como unitarismo terminó en paganismo.

Con el objeto de zanjar la disputa que dividía a toda la sociedad cristiana, el emperador ordenó la reunión de un
concilio, en el año 325, en la ciudad de Nicea, a unos ochenta kilómetros de la capital, en la costa asiática del
estrecho. Allí convocó a todos los obispos, aun a los de las regiones situadas fuera del Imperio, donde los misioneros
habían plantado la fe. El grueso de los que llegaron provenía del imperio oriental, pero el Occidente estaba
representado, y, lo cual era de primordial importancia, llegaron delegados de la Sede Primada de Roma, sin cuya
adhesión los decretos del concilio no habrían tenido valor. Su presencia dio plena validez a estos decretos. La
reacción contra la innovación de Arrio era tan fuerte, que en este Concilio de Nicea la herejía se vio dominada.

En esa primera gran derrota, en que la fuerte tradición vital del catolicismo se afirmó y Arrio fue condenado, la fe
que sus partidarios habían creado fue hollada bajo los pies como una blasfemia, pero el espíritu que se hallaba tras
esa fe y esa revuelta iba a resurgir.
Resurgió inmediatamente, y puede decirse que el arrianismo se vio verdaderamente robustecido por su primera
derrota aparente. Esta paradoja se debe a una causa que siempre actúa en muchas formas de conflictos. El
adversario derrotado aprende, en su primer revés, el carácter de aquello que atacaba; descubre sus puntos débiles,
aprende la forma en que su adversario podrá ser llevado. Está por lo tanto mejor preparado después de su contraste
que en el primer asalto. Así ocurrió con el arrianismo.

Para comprender la situación, tenemos que tener en cuenta que el arrianismo, fundado como todas las herejías en
un error de doctrina –esto es, en algo que puede expresarse en una fórmula muerta de meras palabras– pronto
comenzó a vivir, como todas las herejías en sus comienzos, con una vida y un carácter vigorosos y nuevos y un sabor
propio. La disputa que abarcó el siglo IV, desde 325 en adelante, hasta cubrir una vida humana, no fue, después de
sus primeros años, una disputa entre formas opuestas de palabras cuyas diferencias puedan parecer pocas: se
transformó muy pronto, durante la lucha, en una disputa entre espíritus y caracteres opuestos, en una disputa entre
dos personalidadesopuestas, como lo son las personalidades humanas. Por un lado, el espíritu y la tradición
católicos; por el otro, un carácter áspero, orgulloso, que habría destruido la fe.

El arrianismo aprendió de su primera gran derrota de Nicea a transigir en la forma, en el palabrerío de la doctrina,
a fin de poder conservar y difundir con menor oposición su espíritu herético. El primer conflicto había versado
sobre la utilización de una palabra griega que significaba “consustancial”. Los católicos, que afirmaban la plena
divinidad de Nuestro Señor, insistieron en la utilización de esa palabra, que implicaba que el Hijo era de la misma
esencia, esto es, de la Divinidad. Se creyó que bastaba presentar esta palabra como prueba, y que los arrianos se
negarían siempre a aceptarla, lo cual permitiría distinguirlos de los ortodoxos y rechazarlos.

Pero muchos arrianos estaban dispuestos a transigir aceptando la palabra, aunque negando el espíritu con que
debía ser leída. Consentían en admitir que Cristo era de esencia divina, pero no que era plenamente Dios, increado.
Cuando los arrianos comenzaron esta nueva táctica de transigencia verbal, el emperador Constantino y sus
sucesores la consideraron como una oportunidad honesta de reunión y reconciliación. La negativa de los católicos a
dejarse engañar era, a los ojos de los que así pensaban, mera obstinación, y, a los ojos del emperador, rebelión
facciosa e indisculpable desobediencia.

“¡Vosotros, que os reputáis los únicos católicos verdaderos, estáis prolongando e intensificando innecesariamente
una mera lucha de facciones. Porque tenéis detrás de vosotros los nombres populares os creéis los amos de vuestros
hermanos. ¡Esa arrogancia es intolerable! La otra parte ha aceptado vuestro punto principal, ¿por qué no terminar la
disputa y unirse nuevamente? Al resistir, estáis dividiendo la sociedad en dos campos, perturbáis la paz del Imperio y
sois tan criminales como fanáticos”.

Esto es lo que la palabra oficial tendía a manifestar, y lo que honradamente creía.

Los católicos contestaban: “Los herejes no han aceptado nuestro punto principal. Han suscripto una frase ortodoxa,
pero interpretan esa frase en forma herética. Repetirán que Nuestro Señor es de naturaleza divina, pero no que es
plenamente Dios, porque aún dicen que Él fue creado. No queremos, por lo tanto, permitirles entrar en nuestra
comunión. Permitirlo sería poner en peligro el principio vital por el cual la Iglesia existe, el principio de la
Encarnación, y la Iglesia es esencial al Imperio y a la humanidad”.

Entonces fue cuando entró en la batalla esa fuerza personal que ganó definitivamente la victoria para el catolicismo:
San Atanasio. La tenacidad y la perseverancia de San Atanasio, Patriarca de Alejandría, la gran sede metropolitana de
Egipto, fue la que decidió el resultado. El obispo gozaba de una posición ventajosa, pues Alejandría era la segunda
ciudad en importancia del imperio oriental, y como obispado, uno de los cuatro primeros del mundo. Gozó de apoyo
popular, que nunca le falló, y que hizo que sus enemigos dudaran de tomar medidas extremas contra él. Pero todo
esto no habría bastado si él mismo no hubiera sido el hombre que era.

Cuando asistió al Concilio de Nicea, en 325, aún era un joven –probablemente no contara ni treinta años– y sólo
asistió en calidad de diácono, aunque su fortaleza y su elocuencia eran ya notables. Vivió hasta los setenta y seis o
setenta y siete años y murió en 373, después de haber mantenido durante casi toda su larga vida, con inflexible
energía, la doctrina plenamente católica de la Trinidad.

Cuando se insinuó la primera transigencia con el arrianismo, Atanasio era ya arzobispo de Alejandría. Constantino le
ordenó que readmitiera a Arrio en la comunión. Se negó a ello.

Era un paso muy peligroso, pues todos admitían el pleno poder de vida y muerte del monarca, y consideraban la
rebelión como el peor de los crímenes. Se consideraba también que Atanasio era un desaforado y un extravagante,
pues la opinión del mundo oficial entre los hombres de influencia social y en el ejército, en el cual entonces
descansaba todo, se inclinaba fuertemente a que se aceptara la transacción. Atanasio fue desterrado a las Galias,
pero Atanasio en el desierto era aun más formidable que Atanasio en Alejandría. Su presencia en Occidente tuvo el
efecto de robustecer el fuerte sentimiento católico en toda esa parte del imperio.

Lo volvieron a llamar. Los hijos de Constantino, que heredaron el imperio uno tras otro, vacilaban entra la táctica de
asegurarse el apoyo popular –que era católico– y la de asegurarse el apoyo del ejército –que era arriano–. La corte
se inclinaba hacia el arrianismo, más que todo porque le desagradaba el creciente poder del organizado clero
católico, rival del poder laico del estado. El último de los hijos y sucesores de Constantino, y el que más vivió, se
volvió definitivamente arriano. Atanasio fue desterrado una y otra vez, pero la causa de la que era campeón
aumentaba sus fuerzas.

Cuando murió Constancio, en 361, le sucedió su sobrio Juliano el Apóstata. Este emperador se pasó a la gran fracción
pagana sobreviviente y casi llegó a restablecer el paganismo, pues el poder individual de un emperador era en esos
días inmenso. Pero fue muerto en una batalla contra los persas y su sucesor, Joviano, fue definitivamente católico.

Sin embargo, aún proseguía la indecisión. En 367, San Atanasio, que era ya un anciano de por lo menos setenta años
de edad, fue desterrado por quinta vez, por el emperador Valente. Viendo que las fuerzas católicas eran ya muy
grandes, dicho emperador lo volvió a llamar. En ese momento, Atanasio había ganado su batalla. Cuando murió era
el hombre más grande del mundo romano. Tal es el valor de la sinceridad y de la tenacidad combinadas con el
genio.

Pero el ejército continuó siendo arriano, y lo que tendremos que seguir, en las siguientes generaciones, es la larga
muerte del arrianismo en la parte occidental de habla latina del Imperio. Larga, porque la herejía estaba apoyada por
los generales en jefe al mando de las regiones occidentales, pero inevitable, porque el pueblo en su totalidad la
había abandonado. Describiré ahora cómo murió el arrianismo.

A menudo se dice que todas las herejías mueren. Esto podrá ser cierto muy a la larga, pero no es necesariamente
cierto dentro de ningún período de tiempo dado. Ni siquiera es verdad que el principio vital de una herejía pierda
necesariamente fuerza con el tiempo. El destino de las diferentes herejías ha sido de lo más diverso, y la mayor de
ellas, el mahometismo, no sólo aún es fuerte, sino que es más fuerte que su rival cristiano en los territorios que
primitivamente ocupó, y mucho más vigoroso y mucho más coextensivo con su propia sociedad que la Iglesia
Católica con nuestra civilización occidental, producto del catolicismo.

El arrianismo, sin embargo, fue una de esas herejías que murieron. El mismo destino le ha tocado al calvinismo en
nuestros días. Esto no significa que el efecto moral general, o la atmósfera de la herejía, desaparezcan entre los
hombres, sino que no se cree ya en sus doctrinas, con lo cual pierde su vitalidad y tiene, por último, que
desaparecer.

La Ginebra de hoy, por ejemplo, es moralmente una ciudad calvinista, aunque tiene una minoría católica que a veces
llega a cerca de la mitad de los habitantes y hasta a constituir (creo) una pequeña mayoría. Pero no hay un solo
hombre entre cien en Ginebra que acepte hoy la teología, sumamente definida, de Calvino. La doctrina ha muerto;
sus efectos en la sociedad sobreviven.
El arrianismo murió de dos formas, correspondientes a las dos mitades en que cayó el Imperio Romano, que en ese
tiempo era, para sus ciudadanos, todo el mundo civilizado.

La mitad oriental tenía por lengua oficial el griego y se gobernaba desde Constantinopla, llamada también Bizancio.

Comprendía Egipto, África del Norte hasta Cirene, la costa oriental del Adriático, los Balcanes, Asia Menor y Siria más
o menos hasta el Éufrates. En esa parte del Imperio fue donde el arrianismo había surgido y demostrado ser tan
poderoso que, entre los años 300 y 400, estuvo cerca de triunfar.

La corte imperial había vacilado entre el arrianismo y el catolicismo, con un corto período de vuelta al paganismo.
Pero antes de terminar el siglo, esto es, mucho antes del año 400, la corte era decididamente católica y parecía
seguro que lo seguiría siendo. Como lo expliqué más arriba, aunque el emperador y los funcionarios que lo rodeaban
(y que he llamado “la Corte”) eran teóricamente todopoderosos (pues la forma de gobierno no era de monarquía
absoluta y las gentes no podían pensar en otra cosa en esos tiempos), el ejército, en el cual descansaba toda esa
sociedad, era por lo menos tan poderoso pero menos sujeto a modificaciones. Y el ejército eran los generales. Y los
generales del ejército siempre fueron, en su mayor parte, arrianos.

Cuando el poder central, el emperador y sus funcionarios, se hicieron definitivamente católicos, el espíritu de los
militares siguió siendo principalmente arriano, y éste es el motivo por el cual las ideas fundamentales del arrianismo
–esto es, la duda sobre si Nuestro Señor era o podía ser realmente Dios– sobrevivieron aún después de haberse
dejado de predicar y de ser aceptado por el pueblo el arrianismo.

A este respecto, debido a que el espíritu que lo había animado (la duda acerca de plena divinidad de Cristo) siguió
viviendo, surgieron algunas formas que podrían llamarse “derivativas” o “formas secundarias de arrianismo”.

Algunos siguieron sugiriendo que en Cristo sólo había una naturaleza, y el fin de esa sugestión habría sido
necesariamente la idea popular de que Cristo sólo fue un hombre. Cuando esa tendencia fracasó en su intento de
infiltrarse en el mundo oficial, aunque siguió afectando a millones de personas, se hizo otra sugestión en el sentido
de que en Cristo sólo había una Voluntad, no una voluntad humana y una voluntad divina, sino una voluntad sola.

Antes de estas herejías se había producido un resurgimiento de la vieja idea, anterior al arrianismo y sostenida por
los propios herejes en Siria, de que la divinidad sólo llegó a Nuestro Señor durante su vida. Había nacido hombre, y
Nuestra Señora no era sino la madre de un hombre, y así seguían. En todas sus diversas formas y bajo todos sus
nombres técnicos (monofisitas, monotelistas y nestorianos son las denominaciones de los tres movimientos
principales, pero hubo algunos más), estos movimientos, que se produjeron en la mitad oriental o griega del imperio,
no fueron sino esfuerzos por eludir o racionalizar el misterio de la Encarnación, y su supervivencia se debió a los
celos que el ejército sentía frente a la sociedad civil que lo rodeaba, y a los persistentes restos de la hostilidad
pagana contra los misterios cristianos en su totalidad. Se debieron también, por supuesto, a la eterna tendencia
humana de racionalizar todo cuanto está fuera del alcance de la razón.

Pero hubo otro factor en la supervivencia de los efectos secundarios del arrianismo en Oriente. Era este factor el que
se llama hoy, en la política europea, el “particularismo”, esto es, la tendencia de una parte del estado a separarse del
resto y vivir su propia vida. Cuando este sentimiento se hace tan fuerte que los hombres están dispuestos a sufrir y a
morir por él, toma la forma de una revolución nacionalista. Un ejemplo de ello es el sentimiento de los eslavos del
Sur contra el imperio austriaco, sentimiento que dio comienzo a la Gran Guerra [6]. Ahora bien, este descontento de
las provincias y de los distritos con el poder central por el que habían sido gobernados, aumentó con el tiempo en el
imperio oriental, y apoyar cualquier clase de crítica contra la religión oficial del imperio era un medio conveniente de
expresarlo. Éste es el motivo por el cual grandes masas en Oriente (y particularmente gran parte del pueblo de la
provincia egipcia) apoyó la herejía monofisita. Expresaba así su desagrado por el despótico gobierno de
Constantinopla, por los gravámenes que les habían sido impuestos y por los nombramientos de los que vivían cerca
de la corte en perjuicio de los provincianos, y todas sus otras quejas.
Así, los diversos derivados del arrianismo sobrevivieron en la mitad oriental y griega del Imperio, aunque el mundo
oficial había vuelto desde hacía mucho al catolicismo. Esto explica por qué se encuentra hoy en todo Oriente gran
número de cristianos cismáticos, principalmente monofisitas, a veces nestorianos, otros pertenecientes a
comunidades menores, a los que todos estos siglos de opresión mahometana no han podido unir al grueso de la
comunidad cristiana.

Lo que puso fin, no a estas sectas, pues aún existen, sino a su importancia, fue el repentino surgimiento de esa
enorme fuerza, antagónica a todo el mundo griego, del islamismo, la nueva herejía mahometana salida del desierto,
que rápidamente se transformó en una contrarrevolución: el implacable enemigo de todos los grupos cristianos más
antiguos. La muerte del arrianismo en Oriente fue el desmoronamiento de la masa del imperio cristiano oriental por
los conquistadores árabes. Ante este desastre, los cristianos que quedaban independientes reaccionaron hacia la
ortodoxia como única probabilidad de salvación, y así fue cómo hasta los efectos secundarios del arrianismo
murieron en los países libres del yugo mahometano en Oriente.

En Occidente, la suerte del arrianismo fue bastante diferente. En Occidente, el arrianismo murió entero. Dejó de
existir. No dejó derivados que prolongaran su agonía.

La historia de la muerte del arrianismo en Occidente es comúnmente mal comprendida, porque la mayor parte de
nuestra historia ha sido escrita hasta ahora con una concepción equivocada de qué era la sociedad cristiana europea
en la Europa occidental durante los siglos IV, V y VI, esto es, entre el momento en que Constantino abandonó Roma
e instaló la nueva capital del Imperio, Bizancio, y la fecha en que, a principios del siglo VII (desde 633 en adelante), se
produjo la invasión mahometana en el mundo.

Lo que nos dicen comúnmente es que el Imperio occidental fue invadido por tribus salvajes llamadas godos,
visigodos, vándalos, suevos y francos, que conquistaron el Imperio Romano occidental, esto es, Bretaña y Galia, así
como la parte civilizada de Germania en el Rin y la cuenca superior del Danubio, Italia, África del Norte y España.

La lengua oficial de todas estas regiones era la latina. La misa se decía en latín, mientras que en la mayor parte del
Imperio oriental se decía en griego. Las leyes se escribían en latín, así como todos los actos de gobierno. No hubo
conquista bárbara, sino una continuación de lo que había ocurrido durante siglos, una infiltración en el Imperio de
pueblos de fuera del Imperio, pues dentro de él podían gozar de las ventajas de la civilización. Ahí estaba también el
hecho de que el ejército, del que todo dependía, se reclutaba por lo menos casi enteramente entre los bárbaros. A
medida que la sociedad envejecía y surgían dificultades para administrar zonas lejanas, percibir los impuestos para el
tesoro central en regiones remotas o imponer un edicto en sus distritos, el gobierno de esas zonas tendió a caer
cada vez más en manos de los oficiales superiores de las tribus bárbaras, que eran soldados romanos. Se formaron
así en Francia y en España y hasta en la propia Italia gobiernos locales que, aunque se sentían aún parte del Imperio,
eran prácticamente independientes.

Por ejemplo, cuando se hizo difícil gobernar Italia desde un punto tan lejano como Constantinopla, el emperador
envió a un general para que gobernara en su nombre, y cuando ese general se hizo demasiado poderoso, envió a
otro general para que lo sustituyera. Este segundo general (Teodorico) era, como todos los demás, un jefe bárbaro
de nacimiento, a pesar de ser el hijo de un bárbaro que había entrado en la corte del emperador.

Este segundo general se hizo a su vez prácticamente independiente.

Lo propio ocurrió en el Sur de Francia y en España: los generales locales tomaban el poder. Hubo jefes bárbaros que
entregaban este poder, es decir, la facultad de designar funcionarios en puestos oficiales y de percibir impuestos, a
sus descendientes.

Ahí estaba también el caso de África del Norte (que llamamos hoy Marruecos, Argelia y Túnez). Allí, las facciones en
lucha, todas las cuales estaban aisladas del gobierno directo de Bizancio, llamaron a un contingente de soldados
eslavos que habían inmigrado al Imperio Romano, donde fueron incorporados como fuerza militar. Los llamaban
vándalos, y se apoderaron de la provincia, que se gobernaba desde Cartago.
Ahora bien, todos estos gobiernos locales de Occidente (el general franco y sus soldados en el norte de Francia, el
general visigodo en el sur de Francia y en España, el burgundio en el sudeste de Francia, el godo en Italia y el vándalo
en el norte de África) estaban en pugna con el gobierno del Imperio en punto a religión. El gobierno franco, en el
nordeste de Francia y en lo que hoy llamamos Bélgica, aún era pagano. Todos los demás eran arrianos.

Ya he explicado lo que eso significaba. No era tanto un concepto doctrinario como un sentimiento social. El general
godo y el vándalo, que mandaban a sus propios soldados, creían que era mejor ser arrianos que católicos, como la
masa de la población. Ellos constituían el ejército, y el ejército era demasiado importante para aceptar la religión
común popular. Era un sentimiento muy parecido al que aún se ve sobrevivir en Irlanda, en ciertos lugares, y que
hasta mucho después era general allí: el sentimiento de que el poder se conciliaba propiamente con el
anticatolicismo.

Como en política no hay fuerza más poderosa que la de la superioridad social, las pequeñas cortes locales tardaron
mucho tiempo en abandonar su arrianismo. Las califico de pequeñas porque, aunque percibían los impuestos en
regiones muy extensas, lo hacían meramente como administradoras. El número de sus miembros era
verdaderamente reducido, comparado con la masa de la población católica.

Mientras los gobernadores y sus cortes en Italia, España, Galia y África, aún adherían con orgullo a su antiguo
nombre y carácter de arrianos, dos factores, súbito el primero y paulatino el segundo, militaron contra su poder local
y su arrianismo.

El primer factor, el repentino, fue el hecho de que el general de los francos, que había gobernado en Bélgica, venció
con sus escasas fuerzas a otro general local en el norte de Francia, que gobernaba una zona situada al oeste de la
suya. Ambos ejércitos eran absurdamente pequeños, de unos 4.000 hombres cada uno, y –excelente ejemplo de lo
que ocurría en aquellos tiempos– el ejército vencido, después de la batalla, se unió inmediatamente a los
vencedores. Demuestra también lo que eran aquellos tiempos el hecho de que pareciera perfectamente natural a un
general romano, que no mandaba más de 4.000 hombres en un principio y sólo 8.000 hombres después de la
primera victoria, hacerse cargo del gobierno –impuestos, cortes judiciales y todos los atributos imperiales– en una
zona muy extensa. Se apoderó del conjunto del norte de Francia en el mismo momento en que sus colegas, con
fuerzas análogas, se apoderaban del gobierno en España, Italia y en todas partes.

Ahora bien, ocurría que este general franco (cuyo nombre verdadero apenas conocemos porque nos ha llegado en
diversas y variadas formas, pero cuyo nombre más conocido es Clodoveo) era pagano, hecho excepcional y hasta
escandaloso en las fuerzas militares de esos días, en que casi todas las personas importantes se habían hecho
cristianas.

Pero este escándalo fue una bendición disfrazada para la Iglesia, pues siendo Clodoveo pagano y no habiendo sido
nunca arriano, era posible convertirlo al catolicismo. Tuvo inmediatamente detrás de él a toda la fuerza de los
millones de ciudadanos y el clero organizado, y a los obispados de la Iglesia. Era el único general popular; todos los
demás estaban en conflicto con sus súbditos. Le fue fácil reclutar grandes cuerpos de hombres armados, porque
tenía a favor el sentimiento popular. Se apoderó de los gobiernos de los generales arrianos del sur, después de
derrotarlos fácilmente, y sus tropas constituyeron las mayores fuerzas militares del Imperio occidental de habla
latina. No era bastante fuerte para apoderarse de Italia y de España, y mucho menos de África, pero alejó el centro
de gravedad de la decadente tradición arriana del ejército romano, que ya no se componía sino de unas pocas y
decaídas fuerzas.

Esto en cuanto al golpe repentino que sufrió el arrianismo en Occidente. El proceso gradual que apresuró la
decadencia del arrianismo fue de diferente clase. Ante la decadencia de la sociedad, cada año que pasaba se hacía
más difícil la percepción de impuestos, la obtención de un ingreso y, por lo tanto, el arreglo de caminos, de puertos y
de edificios públicos, el mantenimiento del orden y la realización de los demás trabajos públicos.
Con esta decadencia financiera del gobierno y la desintegración social que la acompañó, los pequeños grupos que
nominalmente eran los gobiernos locales, perdieron su prestigio. En el año 450, por ejemplo, era mucho ser arriano
en París, Toledo, Cartago, Arlés, Tolosa o Ravena, pero cien años después, en 550, el prestigio social del arrianismo
se había desvanecido. A todos les convenía hacerse católicos, y los pequeños y disminuidos grupos oficiales arrianos
eran despreciados, a pesar de que obraban en forma salvaje, por despecho, como lo hicieron en África. Perdían
terreno.

La consecuencia fue que, después de cierto tiempo, todos los gobiernos arrianos de Occidente o se hicieron católicos
(como en el caso de España), o, como ocurrió en gran parte de Italia y en toda África del Norte, fueron absorbidos
nuevamente por el gobierno directo del Imperio Romano de Bizancio.

Este último experimento no duró mucho tiempo. Había otro contingente de soldados bárbaros, aún arrianos, que
llegaron de las provincias del noroeste y se apoderaron del gobierno en el norte y centro de Italia; poco después la
invasión mahometana inundó el norte de África y finalmente España, penetrando hasta la Galia. El gobierno directo
romano, que había sobrevivido hasta entonces en la Europa occidental, se extinguió. Su última existencia efectiva en
el Sur fue dominada por el islamismo. Pero mucho antes de que esto ocurriera, el arrianismo había muerto en
Occidente.

Ésta es la forma en que desapareció la primera de las grandes herejías que amenazó una vez minar y destruir la
sociedad católica en su totalidad. El proceso había durado unos trescientos años. Es interesante observar que, en lo
que se refiere a las doctrinas, ese mismo lapso o quizá uno un poco mayor bastó para despojar de su sustancia a las
varias herejías principales de los reformadores protestantes.

Éstas también habían triunfado, a mediados del siglo XVI, cuando Calvino, su figura principal, por poco derroca a la
monarquía francesa. También habían perdido completamente su vitalidad a mediados del siglo XIX, trescientos años
después.

Notas:

[1] Para la discusión sobre la fecha de la Crucifixión, la Resurrección y Pentecostés debo remitir a mis lectores al
erudito y claro trabajo del Dr. Arendzen Men and Manners in the Time of Christ (Sheed and Ward). De las pruebas,
que han sido plenamente examinadas, surge que la fecha no es anterior al 29, y posiblemente pueda ser posterior en
unos pocos años, aunque la fecha tradicional más ampliamente aceptada es el 33.

[2] [Nota del Centro Pieper: las “negritas” son nuestras].

[3] Béarn: antiguo país de la Francia meridional, ubicado entre los Pirineos occidentales y el Adour. Su capital era
Pau. Hoy forma los distritos de Olorón, Orthez y Pau [N. del e.]

[4] No es fácil establecer el punto exacto desde el cual la religión oficial del estado romano, ni aun la del emperador,
fue la cristiana. La victoria de Constantino en el puente de Milvio ocurrió en el otoño de 312. El edicto de Milán,
dado por él y por Licinio, que toleraba la práctica de la religión cristiana en todo el Imperio, fue promulgado al año
siguiente, en 313. Cuando Constantino quedó como emperador único, pronto vivió como catecúmeno de la Iglesia
Cristiana, aunque quedó a la cabeza de la antigua organización religiosa pagana como Pontífice Máximo. No fue
bautizado hasta la víspera de su muerte, en 337. Y, aunque convocaba y presidía las reuniones de los obispos
cristianos, éstos aún eran un cuerpo separado en una sociedad principalmente pagana. El propio hijo de
Constantino, su sucesor, tenía simpatía hacia el antiguo paganismo moribundo. El Senado no cambió durante una
generación. Para la destrucción oficial activa del persistente culto pagano, hubo que esperar hasta Teodosio, a fines
de ese siglo. El proceso entero abarcó una larga vida humana: más de ochenta años.

[5] Este texto fue escrito en 1936. La Cirenaica (o Cirene) es una antigua región del norte de África, situada en la
costa del Mediterráneo, en lo que hoy es la región oriental de Libia. Fue colonizada por los griegos, luego por los
fenicios, los romanos y el Imperio Bizantino; después conquistada por los árabes (s. VII), turcos (s. XVI) y otomanos
(s. XIX). En 1912 los italianos ocuparon Libia; luego de la 2ª Guerra, Francia y Gran Bretaña. En 1951 Libia se
independizó [N. del e.].

[6] Se refiere a lo que hoy conocemos como Primera Guerra Mundial (1914-1918). En la fecha en que se escribieron
estas páginas (1936) se la conocía como la “Gran Guerra”. La Segunda Guerra Mundial comenzará en 1939 [N. del
e.].

Fuente: Hilaire Belloc, Las Grandes Herejías,

Tierra Media, Buenos Aires 2000, págs. 7-8. 27-58.

http://centropieper.blogspot.com.br/2015/06/la-herejia-arriana-hilaire-belloc.html#more

La Edad Media - Hilaire Belloc


He dicho en el capítulo anterior que la Edad Oscura puede compararse a un largo sueño de Europa; un letargo que se
inicia en la fatiga de la vieja sociedad, en el siglo V, y que termina en la primavera y surgimiento de los siglos XI y XII.
La metáfora, por supuesto, es muy simple, porque ese sueño fué un sueño de guerra, y durante esos siglos, Europa
se encontraba manteniendo desesperadamente sus posiciones contra el ataque de todas aquellas fuerzas que
deseaban destruirlas: el Islam, ardiente y refinado, por el Sud; los bárbaros paganos analfabetos, por el Este y por el
Norte. De todos modos, Europa fué relevada o despertada de su sueño.
He dicho que tres grandes fuerzas, humanamente hablando, operaron el milagro: la personalidad deSan Gregorio
VII, la breve aparición -debida a un feliz accidente- del Estado normando, y finalmente,las Cruzadas.

Los normandos de la Historia, los verdaderos normandos franceses que conocemos, se agitan en el panorama
histórico una generación después del año 1000. San Gregorio fué de esa misma generación. Cuando se inició el
esfuerzo normando, era un joven; murió, después de realizar una gran obra, en 1085. Y en la medida en que puede
hacerlo un hombre solo, él, el heredero de Cluny, rehizo a Europa. Inmediatamente después de su muerte se oyó
hablar de las Cruzadas. De estos tres hechos procede el vigor de una Europa joven, fresca y renovada.

Mucho más pudiera añadirse. Esa época fué iluminada y clarificada por la constante carga caballeresca contra el
musulmán. El Asia fué rechazada de los Pirineos, y a través de los pasos de los Pirineos cabalgaron siempre los
grandes aventureros cristianos. Los vascos -un pueblo pequeño y extraño- fueron el corazón de la reconquista, pero
el valle del torrente de Aragón fué su canal. La vida de San Gregorio es contemporánea de la vida del Cid
Campeador. Y en el mismo año de la muerte de San Gregorio, Toledo, el sagrado centro de España, fue arrancada
de manos de los mahometanos y de sus aliados los judíos, y conservada firmemente. Todo el sud de Europa vivió
espada en mano.

En ese preciso instante aparece el romance: las grandes canciones, la mayor de todas, la Canción de Rolando;
fermentó entonces la mente europea, anhelante después del letargo, penetrando en campos inexplorados. Y el
escepticismo alerta que flanquea y acompaña la marcha de la Fe cuando ésta se muestra más vigorosa comenzó
también a hacerse oír.

Hubo hasta una expansión allende los límites orientales, y fué reclamada una parte de la infructífera llanura báltica.
Despertaron las letras y la filosofía. Había de aparecer pronte el mayor de sus exponentes: Santo Tomás de Aquino.
Brotaron las artes plásticas, el color y la piedra. Retornó en pleno la sátira, y los largos viajes, y la contemplación. En
general, el momento era de expectación y adelanto: la primavera.

Pero siguiendo el objeto de estas páginas debo dirigir la atención del lector a esas tres fuentes tangibles de la nueva
Europa que, como ya he dicho, fueron los normandos, San Gregorio VII y las Cruzadas.

De los normandos podemos decir que en la Historia desempeñan un papel parecido al de las mirae o estrellas
nuevas, que resplandecen de pronto en la oscuridad del cielo nocturno por unas horas, semanas o años y se pierden
luego o se confunden en la infinitud de todas las cosas. No será historiador, en verdad, quien pretenda que
Guillermo el Conquistador, organizador y creador de lo que hoy llamamos Inglaterra; Roberto el Diablo, conquistador
de las Sicilias; o cualquiera de los grandes nombres normandos que iluminan a Europa en los siglos XI y XII, hayan
sido parcialmente escandinavos. Fueron galos; de corta estatura, de lúcido designio, de golpe vigoroso y de filosofía
positiva. No tenían relación alguna con el norteño, alto, suave y sentimental, de quien sus remotos antecesores
llevaban su nombre ancestral.

(...)

Hablaré ahora del Papado y de las Cruzadas.

San Gregorio VII, la segunda de las grandes fuerzas regeneradoras de la época, era de estirpe toscana campesina, de
tipo etrusco, y, en consecuencia, de habla italiana. Su nombre era Hildebrando. Entender su carrera es la piedra de
toque para saber si el historiador entiendela naturaleza de Europa. Porque San Gregorio VII no impuso nada en
Europa. No hizo nada nuevo. Reforzó tan sólo el ideal con la realidad. Provocó una resurrección del cuerpo: unió la
Iglesia centralizada con el Occidente.

Por ejemplo, por ese entonces era ideal de doctrina y tradición, costumbre inmemorial, que el clero fuera célibe. San
Gregorio hizo del celibato eclesiástico disciplina universal.
La tremenda majestad del Papado se imponía a la mente humana como una vasta concepción política, desde hacía
tiempo inmemorial. San Gregorio organizó esa monarquía y le dió instrumentos de gobierno propios.

La unidad de la Iglesia había sido la imagen constante sin la cual no podía entenderse la existencia de la Cristiandad:
San Gregorio hizo que esa unidad fuera tangible y visible. Los historiadores protestantes, que en su mayoría ven en
el hombre un fenómeno esporádico, dejan al descubierto por medio de esa errónea interpretación el origen de su
anemia cerebral, y prueban que la fuente de su alimento intelectual no procede de la fuente de la vida de Europa.
San Gregorio no fué un inventor, sino un renovador. No trabajó sobre su material, sino dentro de él; y su material
fué la naturaleza de Europa: nuestra naturaleza.

Llena está la Historia de los abrumadores obstáculos que hombres como él habían de encontrar. Están en lucha no
sólo contra el mal sino también contra la incercia y con los intereses locales, la visión confusa y los horizontes
limitados. Siempre se consideran derrotados, como se considero derrotado San Gregorio al morir. Y siempre
demuestran a la posteridad que han hecho mucho más que cualquier otro hombre. La Europa que dejó a su muerte
San Gregorio fué el monumento de ese triunfo de cuya consumación él dudara. Y el temor de ese fracaso le hizo
decir al morir: He amado la justicia y odiado la iniquidad; por eso muero en el destierro.
Inmediatamente después de su desaparición tuvo lugar el estupendo esfuero galo de las Cruzadas. Las
Cruzadas fueron el segundo de los grandes alzamientos armados de los galos. La primera, siglos atrás, había sido la
invasión gala de Italia y Grecia y de las costas del Mediterráneo, en los antiguos tiempos paganos. La tercera, siglos
después, había de ser la ola de la Revolución y de Napoleón.

El prefacio de las Cruzadas fué escrito en las interminables y ya triunfantes guerras libradas en España por la
Cristiandad contra el Asia. Éstas habían enseñado el entusiasmo y el método por medio del cual podía rechazarse
con lentitud al Asia, que durante tanto tiempo y en su plenitud había sitiado a Europa. De éstas procedían la ciencia
militar y la aptitud para sufrir el cansancio que hizo posible la marcha de 2.000 millas sobre Tierra Santa. Las
consecuencias de este tercer y último factor en el renacimiento de Europa son tantas, que sólo puedo dar de ellas
una lista.
El Occidente, aun primitivo, descubrió por conducto de las Cruzadas la gran cultura, la acumulada riqueza, las fijas
tradiciones civilizadas del Imperio Griego y de la ciudad de Constantinopla. Y descubrió también, en una nueva y
vívida experiencia, el Oriente. El solo hecho de recorrer tantas tierras, el solo hecho de ver tantos lugares, tantos
hombres, expandió y rompió las murallas de la mente de la Edad Oscura.

El Mediterráneo se cubrió de naves cristianas, y recobró con fértil rapidez su puesto de gran ruta de intercambio.
Europa despertó. Toda la arquitectura se transforma y surge un estilo totalmente nuevo: el gótico. Aparece entre las
instituciones de la Cristiandad la concepción de los parlamentos representativos, de origen monástico, transportada
con éxito al orden civil. Surgen las lenguas vernáculas y con ellas los comienzos de nuestra literatura: el toscano, el
castellano, la langue d`Oc, el francés del norte, y algo después, el inglés. Aun aquellas lenguas primitivas que habían
conservado siempre su vitalidad desde épocas inmemoriales, el celta y el germano, adquieren nuevas fuerzas
creadoras y producen una literatura nueva. Surge la institución fundamental de Europa, la universidad; primero en
Italia, inmediatamente después en Paris, que se convierte luego en centro y tipo de todo el sistema.
Los gobiernos civiles centrales comienzan a corresponder a sus límites naturales: se fija ante todo la monarquía
inglesa; se une el reino de Francia; pronto han de cambiarse las regiones de España. Ha nacido la Edad Media.

La flor de este experimento fundamental en la historia de nuestra raza fué el siglo XIII. Eduardo I de Inglaterra, San
Luis de Francia, y el Papa Inocencio III fueron los prototipos de sus dirigentes. Europa se renovaba por doquier: se
contruían nuevas murallas blancas alrededor de las ciudades; nuevas catedrales góticas en su interior, nuevos
castillos en las montañas; las leyes se codificaban; se descubrían los clásicos; volvieron a debatirse activamente las
cuestiones filosóficas, produciendo en su primer esfuero la cumbre del poder expositivo, conSanto Tomás, el más
fuerte y viril de los intelectos que la sangre europea haya dado al mundo.

Dos características destacan la época para los que se hayan familiarizado con su arquitectura, sus letras y sus
guerras: una nota de juventud y una de satisfacción. Pudo imaginarse entonces que Europa se había asentado y que
el sueño imborrable de una sociedad satisfactoria parecía haberse materializado para siempre en el seno de la
comunidad de los cristianos.

Pero ni esa perduración ni ese bien le son permitidos a la humanidad, y el gran experimento, como lo he llamado,
estaba destinado a fracasar. Mientras floreció, todo lo que es característico de nuestra ascendencia y naturaleza
europea estaba visiblemente presente en la vida diaria, tanto en las pequeñas como en las grandes instituciones de
Europa.

Nuestra propiedad de la tierra e implementos estaba bien dividida entre muchos o entre todos; produjimos
al campesino; mantuvimos la independencia del artesano; fundamos la industria cooperativa. En el orden de las
armas surgió el tipo militar que vive de acuerdo a las virtudes propias de las armas y detesta los vicios que de ellas
pueden nacer. Y por sobre todo, esas generaciones fueron fortalecidas por un apetito de verdad intenso y viviente,
por una gran percepción de la realidad. Vieron lo que tenían ante su vista, y llamaron las cosas por su nombre.
Nunca estuvieron tan acordes con los hechos, las fórmulas políticas o sociales; jamás estuvo tan unida la masa de
nuestra civilización... Y a pesar de todo, no duró mucho.

A mediados del siglo XIV, la decadencia de la Fe se hacía evidente en forma trágica. Se toleraban nuevos actos de
crueldad, triunfaban las intrigas; la vacuidad se hizo notar en la frase filosófica y en la sofistería del argumento, y eso
marcó el cambio en el curso de la corriente. No fué una institución del siglo XIII, sino una del siglo XIV, la que
ocasionó el relajamiento: el Papado se tornó profesión y perdió su libertad; los parlamentos tendieron a la
oligarquía; las ideas populares se fueron borrando de la mente de los gobernantes; las órdenes monásticas nuevas,
vigorosas y democráticas, contaminadas por la riqueza, comenzaban a fluctuar; aunque estas últimas pueden
siempre rehabilitarse.

Y por añadidura sobrevino el terrible accidente de la Muerte Negra. Aquí moría mitad de la población; allí, un tercio;
más allá, un cuarto; y el gran experimento de la Edad Media no pudo reiniciarse después de este golpe.

Los hombres se aferraron aún a su ideal durante ciento cincuenta años más. Las fuerzas vitales desarrolladas
llevaban todavía a Europa de una perfección material a otra; el arte de gobernar, la sugestión literaria, la técnica de
la pintura y la escultura (elevadas en algunos lugares por una visión mejor, degeneraron en otros por un peor gusto)
se desenvolvieron y multiplicaron en todas partes. Pero la realización suprema del siglo XIII fué considerada efímera
al finalizar el XIV, y en el XV era ya manifiesto a todos que la tentativa de fundar una Europa simple y satisfecha
había fracasado.

Las causas fundamentales de este fracaso no pueden analizarse. Podrá decir alguno que la ciencia y la historia eran
muy débiles aún; que la parte material de la vida no era suficiente; que faltaba el conocimiento cabal del pasado,
necesario para obtener la permanencia; o se podrá aducir que el ideal era demasiado elevado para el hombre. Yo,
por mi parte, me inclino a creer que otras voluntades distintas de las mortales se disputaban el alma de Europa,
como combaten diariamente por la conquista de las almas individuales, y que esa batalla espiritual que se desarrolla
perpetuamente sobre nuestras cabezas fué vuelta contra nosotros por un tiempo, a raíz de algún accidente. Si es
fantástica esta sugestión (y sin duda lo es), no hay otra, de cualquier modo, que sea completa.

Con el siglo XV habían de sobrevenir la prueba y la tentación supremas. La caída de Constantinopla y el abandono de
Grecia, el redescubrimiento del pasado clásico, la imprenta, los nuevos grandes viajes -la India, al este; América, al
oeste-, habían llevado a Europa (en el corto lapso de una vida humana, entre el 1453 y 1515) repentinamente a una
tierra nueva, mágica y peligrosa.

A las provincias europeas, sacudidas por una tempestad intelectual de descubrimientos físicos, perturbadas por una
expansión abrupta e indigerida del mundo material, de las ciencias físicas y del conocimiento de la antigüedad, les
sería ofrecido un fruto que cada una podría probar a voluntad, pero cuyo gusto habría de llevar a males que ningún
ciudadano europeo habría soñado hasta entonces; a cosas que hubieran hecho temblar a los criminales intrigantes y
crueles tiranos del siglo XV, si les hubiera sido dado contemplarlas, y a un desastre que casi volcó la nave de nuestra
historia, haciendo que se perdiera para siempre su carga de letras, de filosofía, de artes y del resto de nuestra
potencialidad.

Ese desastre se llama comúnmente la Reforma. No pretendo analizar sus causas materiales, porque dudo de que
alguna de ellas fuera íntegramente material. Prefiero, más bien, analizar el suceso y demostrar cómo los antiguos
límites de Europa se mantuvieron firmes, aunque resquebrajados, resistiendo los embates de la tempestad; cómo
esta tempestad pudo no haber arrasado sino las partes periféricas recientemente incorporadas -no fortalecidas en
grado suficiente por la Fe y las costumbres propias de los hombres ordenados, las Alemanias exteriores y
Escandinavia.

El desastre no hubiera sido de magnitud tan considerable, y Europa hubiera podido rehacerse una vez pasada la
tormenta, si una excepción de importancia fundamental no hubiera determinado la crisis más intensa del temporal.
Esa excepción fué la apostasía de Gran Bretaña.

Y simultáneamente con la pérdida de esta antigua provincia del Imperio, una nación, y sólo una, de aquellas que no
habían sido criadas por el Imperio Romano, resistió el golpe y preservó la continuidad de la tradición cristiana: esa
nación fué Irlanda.

(Fragmento tomado de la obra de H. Belloc, Europa y la Fe)

O acidente inglês – Hilaire Belloc


E se disséssemos que o rompimento inglês com a Igreja foi um acidente? Para muitos, isso não é novidade; para
outros, a “reforma” inglesa daria uma ótima novela da globo. Mas veja, nos próximos capítulos, o que Hilaire Belloc
diz sobre o assunto. Como o tempo para traduzir nesta semana está curto, o texto será postado da mesma forma
que a revolução protestante: dividido em partes. Mas “muita hora nessa calma”! Não será em tantas partes.

Nesta divisão do tema, que é a mais importante, a chamo de acidente inglês. Escolhi a palavra cuidadosamente.

Se houve alguma vez na história um acontecimento que não foi desejado por seus agentes, nem compreendido por
aqueles que o suportaram; que não era resultado de plano algum, mas o efeito prodigioso de causas relativamente
pequenas e incongruentes, esse acontecimento foi a destruição gradual, mecânica e desastrosa da mentalidade
inglesa da fé que havia formado a Inglaterra.

Em sua maioria, as histórias escritas em inglês apresentam este movimento como algo nacional e inevitável; algo que
a nação inglesa desejava e que, chegada a oportunidade, necessariamente conseguiu. Ao mesmo tempo, enquanto
fazem alusão em diferentes graus ao plano de fundo europeu, centralizam a Reforma na história inglesa.

A primeira destas características – apresentar o que aconteceu aqui como algo nacional e inevitável – é, a partir do
ponto de vista histórico, um desatino. A segunda, também através do ponto de vista histórico, é correta. Mesmo a
Inglaterra não sendo uma nação pequena, o erro crasso cometido pelo governo inglês ao separar-se da unidade
europeia teve influência capital para o êxito da reforma.

Não existia na Inglaterra um movimento nacional dirigido contra a Igreja Católica; o pouco que ocorreu no inicio foi
um movimento do governo, que sequer foi doutrinal. Foi um ato meramente político e até mesmo doutrinal. O que
seguiu não constituiu um processo normalmente desejado pelo povo em geral. Foi um processo artificial dirigido por
alguns poucos homens interessados, que atuavam impulsionados pelo dinheiro e não por mania religiosa; e, o que é
pior, foi um processo que, em seu inicio, não deu a estes poucos atores a ideia dos efeitos posteriores que
ocasionariam por sua avidez e loucura.

Mas o enfoque sobre a reforma inglesa que a apresenta revestida de importância especial é, coisa bastante curiosa,
história verdadeira, e isto apesar da intenção que encerra a versão oficial de nossos livros acadêmicos anticatólicos.

Este enfoque sobre a história da igreja da reforma ocultou, certamente, a grande número de nossos homens cultos,
a natureza geral da reforma, e, em especial (o que tratarei mais adiante), dos pontos principais: que a Holanda foi o
exemplo e a França o campo de batalha. Mas é certo que se a Inglaterra não tivesse apartado da unidade do mundo
cristão, essa unidade estaria agora plenamente restabelecida – e teria estado há muito tempo.

Desde que a Inglaterra se afastou desta unidade, cujo princípio vivente é o Papado, o distúrbio havia despertado de
forma confusa, mesmo que violenta, em toda a Alemanha, e pouco afetava o resto da Europa. Na própria Alemanha
não havia afetado principalmente o setor mais forte, mas antigo e mais civilizado do país. Sua ação foi pouco
profunda entre os alemães inicialmente disciplinados pela cultura romana.

Esta afirmação somente deve ser tomada em sentido geral. As exceções abundam. Assim, Estrasburgo, cidade
romana (se já foi alguma vez), se contava entre as que se haviam separado pelo “protesto” de Espira.

Mas, ocorresse o que ocorreu na Alemanha, e especialmente na parte menos civilizada, era diferente na Inglaterra.

[Continua…]

O acidente inglês – Hilaire Belloc [Parte II]


Partes anteriores: Parte I.

A Inglaterra era uma velha província do Império Romano, com tradições cristãs duas vezes mais antigas e muito mais
fortes que as dos distritos nórdicos da Alemanha, obrigados pela conquista dos exércitos de Carlos Magno e seus
sucessores a aceitar a doutrina cristã, sua prática e a apartar-se da barbárie. Se o governo inglês não tivesse variado,
a reação a favor da unidade, quando se produziu, teria sido avassaladora. Em uma palavra, a separação da Inglaterra
e a Igreja constituiu, entre outros fatores de maior ou menor importância, o fator principal do sucesso definitivo de
nosso desmembramento. O afastamento artificial dos ingleses do resto da Europa tornou permanente a separação
da cristandade.

Portanto, não se trata de exagero causado por aberração patriótica ou desvio de perspectiva a que obriga a qualquer
historiador sensato a insistir a respeito da importância capital da Reforma na Inglaterra; ninguém com um pouco de
sentido histórico pode supor que os ingleses desejavam essa ruína de suas tradições.

Por outro lado, o movimento inglês foi o primeiro grande movimento oficial ou governamental que se afastava da
unidade. O chefe nominal dos estados germânicos manteve-se firme a favor da fé, e muitas regiões germânicas
independentes compartilharam essa atitude. A Escócia estava, até o momento, bem segura; também seguras (até
esse momento) estavam a grande e dominante monarquia francesa e a unida monarquia espanhola, assim como os
diversos estados italianos. Não fosse pela gradual e quase cega destruição da fé na Inglaterra, o que agora
chamamos de “reforma” apareceria hoje na história somente como um dos tantos estalos contra a disciplina
necessária de nossa cultura: uma dissenção espiritual gradualmente confinada a um distrito, dos menos
importantes, da cristandade, na Alemanha do norte com seus pequenos senhores. A anomalia teria sido finalmente
suprimida por meio da pressão exercida por todo o resto da Europa.

Tal como foi, a reforma chegou a significar na história o estabelecimento de uma cultura nova e deforme: a cultura
protestante, junto com a velha e sã cultura tradicional de nosso sangue; uma nova cultura que, não há muito tempo,
aparecia como a mais rica, mesmo que a mais lamentável dos tempos modernos, e que podia considerar-se (até a
Grande Guerra) como diretora da Europa; com seus dois grandes polos de energia durante o século XIX: Berlim e
Londres.

Como, então, se originou a reforma na Inglaterra e como foi confirmada e se fez duradoura? Essa é a pergunta que
tratarei de contestar.
[Continua…]

O acidente inglês – Por Hilaire Belloc [Parte III]

Partes anteriores: Parte I | Parte II.

Todos nós sabemos que nada foi debatido de forma mais violenta do que esta questão. Existem milhares de livros,
muitos muito eruditos, que tratam do tema, e qualquer esquema geral se verá forçosamente submetido, de um
modo ou de outro, a críticas enérgicas. Entretanto, considero possível desenhar suas linhas principais com bastante
clareza e firmeza. Considero possível representar, tais como foram, suas verdadeiras causas e seus verdadeiros
motivos. Tratarei de fazê-lo aqui, mesmo que este tipo de verdade choque contra fortes prejuízos populares.

Primeiro, o motivo. Irei chamar o primeiro ato, a ruptura de Henrique VIII com a Santa Sé, um acidente, pois estimo
que esta palavra é a que mais se aproxima com a verdade. Um acidente – por exemplo, um automóvel que se desvia
– não é intencional em seus efeitos. Se deve a um cálculo mal feito por parte do condutor, quem, ao querer fazer
uma coisa, faz outra. Se pode, com frequência, corrigir a má manobra e eliminar suas consequências. O condutor
não a faz por gosto.

Depois de séculos de costume dos efeitos da desunião, hoje nos parece cosia corrente que exista um óbvio e
necessário abismo entre os que aceitam a plena autoridade da Santa Sé e os que a recusam ou negam. No mundo
moderno é que existe esse abismo. Entretanto, ele não existia no início do século XVI. Desafiar o poder político da
Santa Sé e negar-se a acatar sua política, chegando até mesmo a proibir durante um tempo a entrada de seus
decretos, eram cosias que ocorreram uma vez ou outra no curso, não só da história inglesa, mas de qualquer outra
história nacional. Depois de um tempo, a dissidência sempre recuava, pois nela não estava involucrado nada de
caráter doutrinal, isto é, nada que ofendesse as ideias religiosas que formaram a cristandade: os dogmas nos quais
se fundam os sacramentos, a Missa, o reconhecimento das ordens, e todas as práticas cotidianas do povo cristão.

Para o inglês das ruas, um choque com o Papado era, essencialmente, um choque político. Somente alguns poucos
homens sensatos compreenderam que esse choque poderia gerar males irreparáveis, como viram Fisher e Tomas
More. Visto que a unidade é vital, e Pedro e a Igreja são uma única coisa. Separar-se do Papado, mesmo que
temporalmente, não é somente uma negação da unidade da Igreja, mas um ato que contém potencialmente a
corrupção progressiva. Mas insisto na necessidade de compreender que não era esse o aspecto do assunto aos olhos
do homem comum que até então vivia na Inglaterra ou, se for bem observado, em qualquer outra parte da
cristandade durante a década compreendida entre os anos 25 e 35 do século XVI.

A supremacia do rei sobre tudo relacionado à vida diária do homem não era somente uma verdade estabelecida,
mas que se exercia de forma verdadeira e contínua. Desde Eduardo III, o rei era quem outorgava, sem outra
intervenção, as grandes abadias e bispados. Os estatutos decretados pela coroa, especialmente o Praemunire[1],
demonstravam até que ponto o poder local insistia em manter-se independente em relação ao poder papal, quando
se tratava de assuntos temporais. Enquanto a supressão das petições a Roma…, bom, o homem comum não levava
petições a Roma! O homem comum pensava no Papa, naturalmente, como o necessário e indiscutível chefe
espiritual da cristandade. Mas o fato de admitir um conflito nas relações entre o presente, poderoso e
universalmente reconhecido chefe do estado inglês e centro da autoridade espiritual de Roma, não significava para o
simples cidadão dessa época um ato impressionante, sequer revolucionário.

Deve ser recordado, além disso, que a palavra “Coroa” agora meramente simbólica, tinha então seu pleno
significado. O rei governava verdadeiramente. Era dono de todo o poder que está disperso na atualidade entre um
punhado de grandes financiadores, nativos e estrangeiros, donos de diários e diretores de monopólios, com seu
séquito de políticos. Nomeava e exonerava aos juízes cujas funções consistiam não somente em interpretar os
costumes, mas também em cumprir as ordens reais. Estruturava em seu gabinete todas as novas leis importantes,
que o Parlamento se limitava a registrar de fato, mesmo que com certo poder para discuti-las. Podia, também, por
sua própria vontade, rechaçar, e assim o fazia, as escassas propostas que lhe chegavam de baixo. Podia mandar
matar ou arruinar a quem queria. Fazia a paz e a guerra. Todos os postos e salários eram criados por ele. Toda a vida
pública se movia segundo sua vontade pessoal.
Henrique VIII rompeu com Roma influenciado por Thomas Cromwell, homem indiferente às consequências nacionais
sempre que pudesse encher seus bolsos. Essa ruptura foi uma imitação de certos senhores alemães, semi-
soberanos, que rejeitaram por completo a autoridade de Roma há vários anos; e outros elementos no ambiente da
época ocultavam a gravidade de tal ato.

Henrique cometeu sua loucura justamente quando muitos, em toda Europa, proclamavam a corrupção da
autoridade papal e o dever de desafiá-la.

Seu contemporâneo, o rei da França, havia falado vagamente para prescindir do Papa e estabelecer um “patriarca
ocidental”. Além disso, na mente dos homens existia pouca relação entre a heresia e o repúdio dos direitos papais
nos altos assuntos de estado. Outra coisa teria sido se a heresia tomasse um caráter ameaçador e, o Papado, como
centro da unidade ortodoxa, tivesse imediatamente aparecido como algo essencial. Mas a princípio não foi assim.

Portanto, a verdade principal se mantém: a ruptura com Roma poderia ter sido aparada, e provavelmente teria sido
se houvesse seguido sendo um ato isolado. Não se levou a cabo por ódio à autoridade papal e menos ainda por um
motivo doutrinal. O povo inglês era um povo católico normal daquela época. Alguns humanistas desse povo e os que
apoiavam com ardor a reforma dos abusos formavam um grupo poderoso nas universidades e entre os bispos; os
queixosos contra a as dívidas e impostos clericais eram numerosos e, em especial, muito fortes em Londres, que
sempre teve uma influência primordial nos destinos da Inglaterra. A irritação contra o imposto papal datava na
Inglaterra por um grande tempo anterior. Existia muita irritação contra a retirada clerical de fundos; especialmente
contra as riquezas e rendas da Igreja, muitas vezes dadas a entidades distantes e decadentes. Mas os propagadores
das novas doutrinas anticatólicas constituíam aqui uma minoria muito pequena e nada popular que até então tinha
exercido apenas uma influência geral. Eram, como todos os revolucionários, ardentes e sinceros, muito mais
intensos que a grande massa inerte da sociedade que atacavam; mas ainda que tivessem suscitado a discussão por
todas as partes, ainda não tinham afetado o tom da vida inglesa.

Existiam, naturalmente, um grande relaxamento e muita indiferença, como quase sempre ocorre nas velhas
sociedades católicas que ainda não despertaram do perigo. Mas o próprio Henrique, em seu caráter e em sua fé, era
profundamente católico. Professava especial devoção pelo Santíssimo Sacramento, e apenas um pouco menos pela
Santíssima Virgem; toda sua mentalidade era não somente católica, mas, se me for permitida a expressão, quase que
irritantemente católica. As novas críticas da doutrina católica o chocavam e exasperavam e, na boca de algum de
seus súditos, o enjoavam ao extremo.

Como, então, se iniciou um processo tão aparentemente impossível como o da descatolicização da Inglaterra
católica? Como se originou a inesperada, desorganizada e, até essa geração, incrível transformação de todo um povo
que não a desejava?

[1] – Ofensa consistente no desconhecimento ou desprezo do rei e seu governo e, em especial, a introdução na
Inglaterra de uma autoridade papal estrangeira.

O acidente inglês – Hillaire Belloc [Parte IV].


Partes anteriores: Parte I | Parte II | Parte III.

Como, então, se iniciou um processo tão aparentemente impossível como o da descatolização da Inglaterra católica?
Como se originou a inesperada, desorganizada e, até essa geração, incrível transformação de todo um povo que não
a desejava?

Se originou assim:

A mulher de Henrique, Catarina, filha do rei de Aragão, não podia ter mais filhos. Esteve grávida muitas vezes, e
sofreu de vários males juntamente com a desgraça de perder a seus filhos imediatamente depois de nascidos. Havia
somente a princesa Maria; Henrique não tinha herdeiro masculino direto.
Assim, a possibilidade de ter um herdeiro masculino era algo muito importante para Henrique. Devemos recordar
que a família Tudor era de baixa origem, que não tinha verdadeiro direito ao trono e que, em 1525, quando
começou o distúrbio, somente tinha quarenta anos que havia usurpado o trono da Inglaterra, substituindo a dinastia
nacional dos Plantagenet depois da batalha de Bosworth. Consequentemente, era urgente para o rei a necessidade
de um herdeiro.

Entretanto, seus ministros, notavelmente o grande Wosley, se inclinavam a fomentar a ideia de um novo casamento
do rei, com o objetivo de apoiar certos planos de política exterior. Este novo casamento somente podia,
naturalmente, ocorrer depois da anulação do primeiro com Catarina de Aragão. Entretanto, novamente, deve-se
prevenir o leitor moderno contra uma má interpretação do passado.

“Anulação” não significava, nem significa, que o casamento existente se dissolve. É uma declaração de que o
casamento era nulo e sem valor desde o princípio, de que nunca foi um verdadeiro casamento, pois os contraentes
não viveram juntos, ou porque não houve consentimento livro, ou porque o marido tem parentesco com a esposa
em grau proibido de consanguinidade ou afinidade, ou por qualquer outra razão válida.

Anulações de casamentos (como estes) em que entravam em jogo grandes interesses, eram, então, acontecimentos
políticos e sociais correntes. Se outorgavam continuamente anulações desta classe, por parte da Corte de Roma, seja
por causa da consanguinidade dos contraentes ou por alguma outra razão; em toda a história do final da Idade
Média se multiplicam estes casos.

A irmã de Henrique desfrutou (se me permite o termo) dessas anulações. O processo era fácil. Se uma das partes
apresentava o pedido e as provas e não havia oposição da outra parte, com frequência o assunto seguia
automaticamente em curso. Mesmo que houvesse discussão, se o caso apresentava a menor consistência (como
sempre ocorria com os enredados parentescos das grandes famílias), o assunto, em geral, também seguia um curso
favorável. Com tal método, se cometiam graves abusos mas, na metade das vezes, se apresentava um caso
realmente sério, e a anulação se outorgava com a mesma justiça e razoabilidade que se outorgaria hoje; como se
outorga, certamente, hoje diante do grande escândalo das pessoas de cérebro embotado, incapazes de
compreender os princípios perfeitamente claros da lei canônica.

Portanto, a ideia de anular o casamento do rei com Catarina de Aragão, para contrair novas núpcias, não tinha nada
de anormal aos olhos da época.

Talvez nunca saibamos com certeza absoluta quem, em princípio, sugeriu esta política. Existem testemunhos que
asseveram que foi Wolsey; outros, que teve origem com o próprio Henrique; este disse que um enviado francês o
havia instigado, embora, conta a história, de forma notoriamente hipócrita que sua veracidade torna-se duvidosa. O
melhor testemunho de todos (pois estava no coração da sociedade da corte), Pole, disse que a sugestão veio, em
primeiro lugar, da própria Ana Bolena. De qualquer modo, a ideia tomava forma; Wolsey, como já disse, pensava em
empregar evidentemente com finalidades políticas e substituir um importante casamento estrangeiro para o rei.

Assim, Henrique desejava iniciar uma relação com uma jovem e atraente dama da corte que tinha nome, por ser
uma Howard; isto é, por ser membro da principal família do reino, da semi-realeza, e representante da linha de
Tomás de Brotherton, filho menor de Eduardo I. Seu nome era Ana. Seu bem relacionado, embora menos
importante, progenitor era Bolena ou Bullen, mas a situação social de Ana e o que lhe dava categoria era sua
qualidade de descendente dos Howard por linha materna, pois sua mãe era irmã do duque de Norfolk. Permita-me
destacar aqui um ponto essencial que é necessário para compreender tudo. Não foi a simples paixão de Henrique
por esta mulher, Ana Bolena, a causa do que se seguiu. A causa do que ocorreu foi a negativa de Ana Bolena de
ceder diante de Henrique, e sua determinação em ser rainha. Ana, com seu poder, foi a autora do que iria acontecer;
em sua inexcusável debilidade, Henrique não foi o autor.

Não era este o primeiro amor de Henrique. Semelhante a maioria dos príncipes do Renascimento – inclusive muitos
príncipes clericais -, era um libertino. Já havia tido entre suas amantes a irmã mais velha de Ana Bolena, a quem
havia casado, um tanto desdenhosamente e dando-lhe presentes modestos, com um cavalheiro sem importância.
Ele, sem rodeios, se sentia atraído pelo aspecto físico, e queria que Ana ocupasse o lugar de sua irmã na qualidade
de amante. Mas o domínio de Ana sobre si mesma era tão forte quanto o débil de Henrique. Negou-se a ser sua
amante, insistindo a ser sua esposa.
Nestas condições de desejo e fracasso, Henrique perdeu completamente seu equilíbrio[1]. Se encontrava à mercê da
jovem; e, em determinado momento que não podemos precisar, entre junho de 1525 e fevereiro de 1527, era
tamanho seu entusiasmo que se propôs realmente à louca ideia – pois era louca – de casar-se com ela. Estou
inclinado a fixar uma data mais anterior à que nos dá a maioria, e situá-la em 1525; mas, de qualquer modo, não foi
posterior ao início de 1527. Qual não seria o horror dos que intrigavam para conseguir a anulação com objetivos
internacionais e, em especial, o horror de Wolsey, diante de semelhante fracasso de seus planos! A única vantagem
política possível de semelhante matrimônio seria o problemático nascimento de um filho varão. Apesar da linhagem
de Ana, o casamento seria vergonhoso para o rei; seria a ruína da política exterior de Wolsey, que girava sobre uma
aliança francesa, construída pelo casamento de Henrique com uma princesa da França.

Naturalmente, entretanto, a determinação de Ana em ser rainha, força motriz de todo assunto, não saiu da
superfície; tudo quanto apareceu diante do mundo foi o procedimento para conseguir a anulação na Corte
Pontifícia.

A defesa de Henrique alegava duas razões: primeiro, que Catarina havia sido de fato mulher de Arthur, irmão de
Henrique, morto na juventude. É certo que os jovens haviam sido casados publicamente, mas o argumento era, sem
dúvida, uma mentira: os meninos (pois nunca haviam deixado de ser) nunca haviam convivido. Segundo (o qual é
teologicamente insensato), nesses dias se discutia abertamente se o poder dispensador do Papa, no caso em que
Catarina houvesse sido mulher de Arthur, se estendia ou não ao grave caso de um casamento com a mulher de um
irmão morto e se dizia que, portanto, a dispensa (que certamente foi conseguida por Henrique VII para o casamento
de seu segundo filho com Catarina) não era válida por ser contrária à lei de Deus.

Quando o caso começou a ser tratado, Catarina manteve-se rigidamente firme contra todos os esforços para fazê-la
transigir. Afirmou com vigor que seu matrimônio com Arthur jamais fora consumado, de modo que não podia
colocar a causa por dispensa. Era a esposa de Henrique e nunca fora de outro; esposa de Henrique e rainha seguiria
sendo sempre.

Temos aqui outro ponto que é importante discernir com clareza: do mesmo modo que é importante para nós
discernir claramente o fato de que o povo considera uma ruptura com o Papado como um ato unicamente político e
não religioso e o fato de que não foi a paixão em si de Henrique por Ana Bolena, se não a tenaz determinação em ser
rainha que ela demonstrava e que produziu o resultado.

[1] – A enfermidade de Henrique tem muita relação com sua não estabilidade. Pelos sintomas que apresentava,
estamos moralmente seguros de que fazia muito tempo de que sofria de sífilis.

R.H. Benson en Las Grandes Herejías, de H. Belloc

"Algunos de los observadores modernos más agudos de la última generación y de ésta han usado su inteligencia para
descubrir cuál sería el destino que nos espera. Uno de los más inteligentes entre los católicos franceses, judío
convertido, ha escrito una obra para probar (o afirmar) que la primera de estas dos soluciones posibles será nuestro
destino. Considera los últimos años de la Iglesia en la tierra como vividos aparte. Ve una Iglesia del futuro muy
reducida en número y dejada de lado en la corriente general del nuevo paganismo. Ve una Iglesia del futuro en la
cual habrá intensidad de devoción, por cierto, pero que esa devoción será practicada por un pequeño grupo, aislado
y olvidado en medio de todos.

Robert Hugh Benson, ya fallecido, escribió dos libros, ambos notables, y en cada uno de ellos encara una de ambas
posibilidades opuestas. En el primero, The Lord of the World, presenta el cuadro de la Iglesia reducida a un pequeño
grupo errante, como volviendo a sus orígenes, el Papa a la cabeza de los Doce, y una conclusión sobre el Día del
Juicio. En el segundo presenta la plena restauración de lo católico: nuestra civilización restablecida, revigorizada, una
vez más en su trono y con sus vestiduras y en su espíritu verdadero, porque en esa nueva cultura, aunque llena de
imperfección humana, la Iglesia habrá recobrado su autoridad sobre los hombres e infundirá una vez más, al espíritu
de la sociedad, proporción y belleza ( Nota del editor: Se trata de The Dawn of all, El alba de todas las cosas, novela
escrita posteriormente, en 1911. En la introducción a este nuevo libro, Benson señala: "no quiero con esto retractar
ni una palabra de cuanto escribí en El Señor del Mundo". Justamente a esta última obra, The Lord of the World, se
refiere Belloc en primer lugar. Es la más difundida en lengua catellana y ha sido traducida, entre nosotros, por
Leonardo Castellani)

Hilaire Belloc, Las grandes herejías, Vórtice, Buenos Aires, 2011, pág. 223 -224.

A história se repete? A “obstinação” dos católicos contra o Arianismo e


o Modernismo
Hilaire Belloc continua sendo um autor atualíssimo. Mesmo falecido há mais de meio século, as perspectivas que ele
traçou para o futuro chamam a atenção pela sua exatidão.

Em seu livro “As grandes heresias”, escrito em 1938, muito antes, portanto, da crise causada pelo Vaticano II e pela
missa nova, e ainda mais distante de nossa época, ele descrevia a tentavia ariana de chegar a uma solução de
compromisso. As semelhanças entre os fatos ocorridos no século IV e os que estão ocorrendo agora, em pleno
século XXI, são imensas. Afinal de contas, o que mais pode querer o herege, o de ontem assim como o de hoje, do
que ocultar a sua incoerência atrás de uma máscara de pacifismo e de soluções “de compromisso”? Vamos ao texto:

Mas muitos arianos estavam preparados para negociar, aceitando a mera palavra e negando o espírito no qual ela
devia ser lida. Eles estavam dispostos a admitir que Cristo era feito da mesma essência divina, mas não era
totalmente Deus; não incriado. Quando os arianos começaram essa nova política de negociação verbal, o imperador
Constantino e seus sucessores consideraram essa política uma honesta oportunidade de reconciliação e reunião. O
repúdio dos católicos a essa trapaça se tornou, aos olhos daqueles que pensavam assim, mera obstinação; e aos
olhos do imperador, rebelião sectária e indesculpável desobediência. “Aqui estão vocês, que se consideram os
únicos católicos verdadeiros, prolongando desnecessariamente e tornando amarga uma luta sectária. Porque vocês
têm nomes populares ao seu lado, se sentem mestres de seus semelhantes. Tal arrogância é intolerável. O outro
lado aceitou sua principal demanda; por que não acabam com a discussão e, de novo, se unem? Resistindo, dividem
a sociedade em duas partes; perturbam a paz do Império e se tornam tão criminosos quanto fanáticos.” Isso é o que
o mundo oficial tendia a formular e honestamente acreditar.

Os católicos responderam: “Os hereges não aceitaram nossa principal demanda. Eles subscreveram uma frase
ortodoxa, mas a interpretaram de um modo herético. Eles repetem que Nosso Senhor tem uma natureza divina, mas
não que Ele seja totalmente Deus, pois eles ainda dizem que Ele foi criado. Portanto, não os permitiremos em nossa
comunhão. Fazer isso seria por em perigo o príncipio vital pelo qual a Igreja existe, o princípio da Encarnação, e a
Igreja é essencial para o Império e para a humanidade.”

Neste ponto, entrou na batalha aquela força pessoal que finalmente tornou o catolicismo vitorioso: Santo Atanásio.

BELLOC, Hilaire; As grandes heresias; Ed. Permanência; Rio de Janeiro; 2009; pg 37

Las Grandes Herejías

Título: Las Grandes Herejías


Autor: Hilaire Belloc
Traducción de Denes Martos

Tomado de ‘Lux Domini’ de Jesús Hernández Roldán

.
Hilaire Belloc

Contenido:

Capítulo 1: Introducción. ¿Qué es una Herejía?

Capítulo 2: El esquema de este libro.

Capítulo 3: La Herejía Arriana.

Capítulo 4: La Gran y Persistente Herejía de Mahoma.

Capítulo 5: El ataque albigense.

Capítulo 6: ¿Qué fue la Reforma?

Capítulo 7: La Fase Moderna…

Notas

>>HISTORIA<<

Capítulo 1

Introducción. ¿Qué es una Herejía?

¿Qué es una herejía y cual es la importancia histórica de algo así?

Al igual que la mayoría de las palabras modernas, “herejía” se utiliza tanto de un modo vago como diverso. Se la
utiliza vagamente porque la mente moderna es tan adversa a la precisión cuando se trata de ideas como enamorada
está de la precisión cuando se trata de medidas. Y es utilizada en forma diversa porque, de acuerdo a la persona que
la utiliza, puede llegar a significar cualquiera de al menos cincuenta cosas.

Actualmente, para la mayoría de las personas (de las que utilizan el idioma inglés) la palabra “herejía” connota
disputas pasadas y olvidadas, y antiguos prejuicios contrarios a un examen racional. Por consiguiente, se piensa que
la herejía carece de interés contemporáneo. El interés en la herejía está muerto porque la herejía tiene que ver con
cuestiones que ya nadie toma en serio. Se comprende que una persona puede interesarse en una herejía por
curiosidad arqueológica, pero difícilmente resulte comprendido si llega a afirmar que la herejía ha tenido un gran
efecto sobre la Historia y sigue siendo, hoy mismo, un impulso contemporáneo viviente.

Y sin embargo, la cuestión de la herejía en general tiene altísima importancia para el individuo y para la sociedad. Y
la herejía en su significado particular (que es el de la herejía en la doctrina cristiana), es de especial interés para
cualquiera que desee entender a Europa, al carácter de Europa, y a la Historia de Europa. Porque la totalidad de esa
Historia, desde el surgimiento de la religión cristiana, ha sido la Historia de luchas y cambios, mayormente
precedidos, con frecuencia aunque no siempre causados, y ciertamente acompañados por diversidades de doctrina
religiosa. En otras palabras, “la herejía cristiana” es un subconjunto especial de primerísima importancia para la
comprensión de la Historia europea porque, junto con la ortodoxia cristiana, constituye el acompañante y el agente
constante de la vida de Europa.

Debemos comenzar con una definición, aunque el definir implique un esfuerzo mental y, por lo tanto, resulte
antipático.

La herejía es la dislocación de una estructura completa y autosostenida mediante la introducción de la negación de


una de sus partes esenciales.

Por “estructura completa y autosostenida” entendemos cualquier sistema afirmativo en física, matemáticas, filosofía
o lo que fuere, en el cual las distintas partes son coherentes entre si y se sostienen mutuamente.

Por ejemplo, la antigua estructura de la física, frecuentemente llamada “newtoniana” en Inglaterra por haber sido
Newton quien mejor la definió, es una estructura de esta clase. La variedad de cosas que se afirman en ella acerca
del comportamiento de la materia, y especialmente la ley de la gravedad, no constituyen afirmaciones aisladas de las
que cualquiera podría ser extraída sin desordenar el resto; por el contrario, son todas parte de una misma
concepción o unidad de modo tal que, si modificamos una parte, la totalidad deja de funcionar.

Otro ejemplo de un sistema similar es nuestra geometría plana que hemos heredado de los griegos y a la cual llaman
“euclidiana” quienes piensan (o esperan) haber descubierto una nueva geometría. Cada proposición de nuestra
geometría plana en cuanto a que los ángulos internos de un triángulo plano son iguales a dos ángulos rectos; que el
ángulo contenido en un semicírculo es un ángulo recto, y así sucesivamente; cada una de estas proposiciones no sólo
se encuentra sostenida por cada una de las demás proposiciones del sistema sino que, a su vez, sostiene a cada
parte individual de la totalidad.

“Herejía” significa, pues, la distorsión de un sistema por “excepción”: por la “extracción” de una parte de su
estructura [1], e implica que el esquema queda dañado por haberse quitado parte del mismo, por haberse negado
parte del mismo, o bien por haber dejado el vacío creado sin llenar, o bien por haberlo llenado con alguna afirmación
nueva. Por ejemplo, el Siglo XIX construyó un esquema de crítica textual para establecer la fecha de un documento
antiguo. Uno de los principios dentro de este esquema es que cualquier afirmación de lo maravilloso es
necesariamente falsa. “Si en cualquier documento halla usted una maravilla, afirmada por el supuesto autor del
documento, tiene usted derecho a concluir “(dicen los críticos textuales del Siglo XIX, hablando todos como un sólo
hombre) “que el documento no fue contemporáneo, que no es de la fecha que pretende ser.” Pero aparece un
nuevo y original crítico que dice: “No estoy de acuerdo. Pienso que ocurren maravillas y también pienso que las
personas dicen mentiras.” Una persona irrumpiendo así es un hereje en relación a ese particular sistema ortodoxo.
Una vez concedida esta excepción, todo un número de certezas negativas se vuelve inseguro.

Usted estaba seguro, por ejemplo, de que la vida de San Martín de Tours, tal como está expuesta por un testigo
contemporáneo, no pertenecía a un testigo contemporáneo por las maravillas que relataba. Pero admitiendo el
nuevo principio, el testigo podría ser contemporáneo después de todo, y por lo tanto puede ser aceptado como
histórico si testimonia algo que no es en modo alguno maravilloso pero que no se encuentra en ningún otro
documento.

En la biografía de un taumaturgo lee usted que resucitó a un hombre de entre los muertos en la basílica de Viena en
el año 500. La escuela ortodoxa de la crítica diría que toda la historia es obviamente falsa y, por incluir maravillas, no
es prueba de la existencia de una basílica en Viena en dicha fecha. Pero nuestro hereje, que desafía el canon
ortodoxo de la crítica, dice: “Me parece que el biógrafo del taumaturgo puede haber estado mintiendo, pero no
habría mencionado a la basílica y la fecha a menos que sus contemporáneos supiesen, como él sabía, que existió una
basílica en Viena en dicha fecha. Una falsedad no presupone la falsedad universal en un narrador.” Y hasta puede
aparecer un hereje todavía más audaz que podría decir: “Este pasaje no sólo constituye una evidencia
perfectamente buena en favor de la existencia de una basílica en Viena por el año 500, sino que hasta considero
posible que el hombre fue resucitado de entre los muertos.” Si sigue a cualquiera de los críticos, estará usted
alterando todo el esquema de pruebas mediante el cual la Historia verdadera se separa de la falsa en la crítica
textual contemporánea.

La negación completa de un esquema no es herejía y no posee el poder creativo de una herejía. Pertenece a la
esencia de la herejía el dejar incólume gran parte de la estructura a la cual ataca. De esta manera puede seguir
dirigiéndose a los fieles y continúa afectando sus vidas desviándolos de sus características originales. Es por ello que
de las herejías se dice que “sobreviven por las verdades que retienen”.

Debemos destacar que, en cuanto al valor de la herejía como ámbito de estudio histórico, resulta indiferente que el
esquema completo atacado sea verdadero o falso. Lo que nos ocupa aquí es la altamente interesante verdad que la
herejía origina una nueva vida propia y afecta vitalmente a la sociedad que ataca. La razón por la cual las personas
combaten la herejía no es tan sólo, ni principalmente, conservadorismo, una devoción a la rutina, disgusto por la
perturbación de sus hábitos de pensamiento, sino mucho más por la percepción de que la herejía – en la medida en
que gane terreno – producirá un estilo de vida y una configuración social contraria, irritante y quizás hasta mortal
para el estilo de vida y la configuración social que producía el antiguo esquema ortodoxo.

Sirva lo dicho en beneficio del significado general y el interés de esa tan fértil palabra “herejía”.

En su significado particular (el utilizado en este libro) implica dañar por excepción el esquema completo constituido
por la religión de la Cristiandad.

Por ejemplo, una parte esencial de esta religión (aún siendo sólo una parte) sostiene que el alma individual es
inmortal; que la conciencia personal sobrevive a la muerte física. Ahora bien, las personas que creen en ello
considerarán al mundo y a si mismas de cierta manera, se comportarán de cierta forma, y serán cierto tipo de
personas. Si hacen una excepción – es decir: si recortan y extraen únicamente esta doctrina – pueden seguir
conservando todo lo demás, pero el esquema estará cambiado; el estilo de vida, las características y todo el resto se
volverán otra cosa. La persona que está convencida de que cuando muera todo habrá terminado de una vez para
siempre, puede seguir creyendo en que Jesús de Nazareth fue Verdadero Dios de Verdadero Dios, que Dios es trino,
que la Encarnación estuvo acompañada por un Nacimiento Virgen, que el pan y el vino se transforman en virtud de
una formula particular. Esta persona podrá recitar una gran cantidad de oraciones cristianas y admirar y copiar a
algunos cristianos ejemplares elegidos – pero será una persona bastante diferente de aquella otra que da por cierta
la inmortalidad.

Debido a que la herejía en este sentido particular (la negación de una doctrina cristiana aceptada) afecta de este
modo al individuo, afecta también a toda la sociedad, y cuando uno examina cierta sociedad formada por una
religión en particular, necesariamente debe ocuparse extensamente de la distorsión o menoscabo de dicha religión.
Ése es el interés histórico de la herejía. Por eso, quien quiera entender como es que Europa vino a ser lo que es y
cuales fueron las causas de sus cambios, no puede darse el lujo de considerar la herejía como algo carente de
importancia. Los eclesiásticos que en los concilios orientales lucharon con tanta furia por detalles de definiciones,
tenían mucho más sentido histórico y se hallaban mucho más en contacto con la realidad que los escépticos
franceses, familiares a los lectores ingleses a través de su discípulo Gibbon.

Por ejemplo, una persona que piensa que el arrianismo es una simple discusión semántica está dejando de ver que
un mundo arriano sería mucho más parecido a un mundo mahometano y mucho menos parecido a lo que el mundo
europeo de hecho llegó a ser. Esa persona está mucho menos en contacto con la realidad de lo que estuvo Atanasio
cuando afirmó la importancia suprema del punto de doctrina. Aquél concilio local en París, que volcó el fiel de la
balanza en favor de la tradición trinitaria, tuvo tanto efecto como una batalla decisiva; y el no comprender eso es ser
un mediocre historiador.
Y la tesis no se refuta diciendo que ambos, tanto el ortodoxo como el hereje, sufrían de una ilusión; que estaban
discutiendo cuestiones que no tenían una existencia real y que no merecían el esfuerzo de un debate. La cuestión es
que la doctrina (y su negación) contribuyeron a la formación de la naturaleza de las personas y esa naturaleza así
formada determinó el futuro de la sociedad que esas personas construyeron.

Y en relación con esto existe otra consideración demasiado frecuentemente omitida en nuestros tiempos. Es la
siguiente: para grandes masas de seres humanos la actitud escéptica frente a cuestiones trascendentales no puede
perdurar. Muchos han desesperado por el hecho de que esto sea así. Deploran la despreciable debilidad de la
humanidad que compele a la aceptación de alguna filosofía o de alguna religión a fin de llevar adelante la vida en
absoluto. Pero ésta es una cuestión de experiencia positiva y universal.

Por cierto, no hay forma de negarlo. Es un hecho simple. La sociedad humana no puede desenvolverse sin algún
credo, porque un código o una norma son el producto de un credo. De hecho, a pesar de que algunos individuos –
especialmente aquellos que disponen de existencias protegidas – pueden con frecuencia desempeñarse con un
mínimo de certeza o hábito respecto de cuestiones trascendentales, una masa humana orgánica no puede vivir de
esa forma. Así, la Inglaterra moderna está sostenida por toda una religión: la religión del patriotismo. Destruid eso
por medio de algún desarrollo herético, “exceptuando” la doctrina de que el primer deber de una persona es hacia la
sociedad política a la cual pertenece, e Inglaterra, tal como la conocemos, gradualmente cesará de ser y se
convertirá en algo diferente.

La herejía, por lo tanto, no es un fósil. Es una materia de permanente y vital interés para la humanidad porque está
ligada a la cuestión de la religión y sin alguna forma de religión ninguna sociedad humana ha perdurado ni podrá
perdurar jamás. Quienes piensan que la cuestión de la herejía puede ser descuidada porque el término les suena
pasado de moda y porque se relaciona con cierta cantidad de disputas hace tiempo abandonadas, están cometiendo
el error de pensar en palabras en lugar de pensar en ideas. Es la misma clase de error que contrasta a los Estados
Unidos como “república” con una Inglaterra “monárquica” cuando, por supuesto, el gobierno de los Estados Unidos
es esencialmente monárquico y el gobierno de Inglaterra es esencialmente republicano y aristocrático. No tienen fin
los equívocos que surgen del empleo ambiguo de las palabras. Pero si tenemos presente al hecho simple que un
Estado, una política humana, o una cultura general, tiene que estar inspirada por algún cuerpo de normas morales, y
que no puede haber cuerpo de normas morales sin doctrina, y si nos ponemos de acuerdo en llamar religión a
cualquier cuerpo consistente de doctrina y moral; pues entonces aparecerá clara la importancia de la herejía como
cuestión porque la herejía no significa más que “la propuesta de innovaciones religiosas por medio de la extracción
de algo que ha constituido la religión aceptada en algún momento dado, con el fin de negarlo o reemplazarlo por
otra doctrina extraña.”

El estudio de las sucesivas herejías cristianas, sus características y su trayectoria, posee un interés especial para
todos los que pertenecemos a la cultura europea o cristiana; y la razón de ello debería ser evidente: nuestra cultura
fue hecha por una religión. Los cambios o los desvíos de esa religión necesariamente afectarán a nuestra civilización
como un todo.

Toda la Historia de Europa, con sus variadas comarcas y Estados y cuerpos generales durante los últimos dieciséis
siglos, ha estado mayormente vuelta hacia las sucesivas herejías que aparecieron en el mundo cristiano.

Somos lo que actualmente somos principalmente porque ninguna de esas herejías finalmente desquició a nuestra
religión ancestral; pero también somos quienes somos porque cada una de estas herejías afectó profundamente a
nuestros padres durante generaciones enteras. Cada herejía dejó sus huellas y una de ellas, el gran movimiento
mahometano, sigue teniendo al día de hoy influencia dogmática y preponderancia sobre una gran fracción de
territorio que alguna vez fue enteramente nuestro.

Si uno se pusiese a catalogar a las herejías siguiendo la larga Historia de la Cristiandad, la lista de las mismas podría
parecer casi infinita. Porque se dividen y se subdividen, están en todas las escalas, varían de lo local a lo general. Sus
vidas se extienden desde menos de una generación hasta siglos enteros. La mejor forma de entender la materia es
seleccionando algunos pocos ejemplos prominentes y estudiarlos para entender la gran importancia que puede
tener una herejía.
Un estudio semejante se hace más fácil por el hecho de que nuestros padres reconocieron a la herejía por lo que era,
le dieron en cada caso un nombre en particular, la sujetaron a una definición – y, por lo tanto, a ciertos límites –
haciendo más fácil su análisis gracias justamente a dicha definición.

Por desgracia, en el mundo moderno se ha perdido el hábito de esas definiciones. La palabra “herejía”, habiendo
venido a connotar algo extraño y pasado de moda, ya no se aplica a los casos que son claramente casos de herejía y
deben ser tratados como tales.

Por ejemplo, en la actualidad está difundida la negación de lo que los teólogos llaman “dominio”, esto es: el derecho
a la posesión de propiedades. Se afirma ampliamente que las leyes que permiten la propiedad privada de tierra y de
capital son inmorales; que el suelo de dónde surgen todos los bienes productivos debería ser comunal y que
cualquier sistema que permita su control por individuos o familias es un sistema equivocado y por lo tanto debe ser
atacado y destruido.

A esta doctrina, que ya es bastante fuerte entre nosotros y que está ganando en fuerza y número de adherentes, no
la llamamos herejía. La concebimos tan sólo como un sistema político o económico y cuando hablamos del
comunismo nuestro vocabulario no sugiere nada teológico. Pero esto es solamente porque nos hemos olvidado del
significado de la palabra “teológico”. El comunismo es tan una herejía como el maniqueísmo. Implica tomar el
esquema moral con el que hemos vivido, extraer del mismo una parte en particular, negar esa parte e intentar su
reemplazo por una innovación. El comunista retiene mucho del esquema cristiano: la igualdad humana, el derecho a
la vida, y así sucesivamente. Niega tan sólo una parte.

Lo mismo vale en cuanto al ataque contra la indisolubilidad del matrimonio. Nadie llama “herejía” al conjunto de
prácticas y afirmaciones modernas relacionadas con el divorcio, pero de hecho el divorcio es una herejía desde el
momento en que su característica determinante es la negación de la doctrina cristiana del matrimonio y su
sustitución consecuente por otra doctrina, a saber: la de que el matrimonio no es más que un contrato y además un
contrato rescindible.

Del mismo modo es una herejía – un “cambio por excepción” – el afirmar que nada se puede saber de las cosas
divinas, que todo no es más que mera opinión y que, por lo tanto, nuestras únicas guías para el manejo de los
asuntos humanos deberían ser las cosas de las cuales se tiene certeza por la evidencia de los sentidos y por la
experimentación. Quienes piensan de esta forma pueden conservar, y generalmente conservan, mucho de la moral
cristiana; pero desde el momento en que niegan la certeza por la Autoridad – siendo que esta doctrina es parte de la
epistemología cristiana – son herejes. No es herejía decir que la realidad puede ser aprehendida por medio del
experimento, por percepción sensual o por deducción. La herejía consiste en afirmar que no puede ser aprehendida
por medio de ninguna otra fuente.

Actualmente vivimos bajo un régimen de herejía que se distingue de los períodos herejes más antiguos tan sólo en
que el espíritu herético se ha vuelto generalizado y aparece bajo varias formas.

Se verá que en las páginas siguientes he hablado del “ataque moderno” porque algún nombre hay que darle al
asunto antes de poder discutirlo en absoluto. Pero la marea que amenaza con cubrirnos es tan difusa que cada uno
tendrá que darle su propio nombre; no tiene una denominación genérica todavía.

Quizás lo tendrá más adelante, pero no antes de que se vuelva agudo el conflicto entre ese espíritu moderno
anticristiano y la tradición permanente de la Fe a través de la persecución y el triunfo o la derrota de la misma.
Quizás entonces se llame Anticristo.

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Capítulo 2

El esquema de este libro


En lo que sigue propongo tratar los principales ataques a la Iglesia Católica que han marcado su larga Historia.
Excepto en el caso del musulmán y del ataque moderno, confusos pero ubicuos y que aún se hallan en curso, me
ocupo de sus fracasos y de las causas de esos fracasos. Concluiré discutiendo las chances de la presente contienda
por la supervivencia de la Iglesia en la misma civilización que ella creara y que ahora la está abandonando.

Como todo el mundo sabe, actualmente existe una institución que se autoproclama como la única maestra
autoritativa y divinamente designada de la moral esencial y de la doctrina esencial. Esta institución se llama Iglesia
Católica.

Más allá de ello, es una verdad histórica admitida y por nadie negada que esa institución, reivindicando esa función,
ha estado presente entre la humanidad por muchos siglos. Por antagonismo o falta de conocimientos, muchos
niegan la identidad de la Iglesia Católica actual con la sociedad cristiana original. Sin embargo nadie, por más hostil o
desinformado que sea, negará su presencia durante al menos mil trescientos o mil cuatrocientos años.

Además es históricamente cierto (aunque no universalmente admitido) que la reivindicación de este organismo en
cuanto voz divinamente designada para la formulación de doctrina verdadera sobre cuestiones esenciales al ser
humano (su naturaleza, su sufrimiento en este mundo, su condena o su salvación, su inmortalidad, etc.) se
encuentra afirmada a través de los siglos precedentes hasta poco antes de la mitad del primer siglo.

Desde el día de Pentecostés, ocurrido en algún momento entre el año 29 [2] y el 33 DC, y de allí en adelante, ha
existido un cuerpo de doctrina que afirmó, por ejemplo, la Resurrección desde el mismo principio. Y el organismo a
través del cual el conjunto doctrinario fue afirmado fue, desde el inicio, un cuerpo de hombres ligados por cierta
tradición a través de la cual reivindicaron poseer la autoridad en cuestión.

Por consiguiente, tenemos que distinguir dos conceptos totalmente diferentes que, sin embargo, con frecuencia se
confunden. Una cosa es el hecho histórico de que la autoridad divina y la infalibilidad doctrinaria fue y sigue siendo
reivindicada; y otra cosa es la credibilidad de esa reivindicación.

Que la reivindicación sea verdadera o falsa no tiene absolutamente nada que ver ni con su origen histórico ni con su
continuidad histórica. Pudo haber surgido como una ilusión o como una impostura; pudo haber continuado por
ignorancia. Todo eso no afecta al hecho de su existencia histórica. La reivindicación fue hecha y sigue siendo hecha, y
quienes la hacen se encuentran en una continuidad ininterrumpida con quienes la hicieron desde el principio.
Colectivamente forman ese organismo que se llamó y se sigue llamando “La Iglesia”.

Ahora bien; a lo largo de todo el período de su existencia han ocurrido constantes asaltos contra este organismo
autoritativo, contra su reivindicación, su carácter y sus doctrinas. Hubo negaciones de su reivindicación. Se negó ésta
o aquella sección de sus doctrinas. Existió el intento de reemplazarlas por otras doctrinas. Hasta se intentó
reiteradamente la destrucción de la Iglesia como organismo.

Me propongo seleccionar cinco de los principales ataques de esta clase del total del número muy grande, casi
ilimitado, de esfuerzos, mayores y menores, realizados para derrumbar el edificio de la unidad y la autoridad.

Mi razón para elegir un número tan pequeño como cinco y concentrarme en cada uno de ellos como si fuese un
fenómeno separado no responde tan sólo a la necesidad de un marco y de límites sino también al hecho de que, en
estos cinco, se ejemplifican las principales formas de ataque. Los cinco ataques son, en orden histórico: 1. el Arriano;
2. el Mahometano; 3. el Albigense; 4. el Protestante; y 5. uno que aún no tiene un nombre específico asociado pero
al cual llamaremos “el Moderno” por una cuestión de conveniencia.

Afirmo que cada una de estas principales cinco campañas representa un tipo determinado – siendo que el éxito total
de cualquiera de ellas hubiera significado la destrucción de la Iglesia Católica, su autoridad y su doctrina entre los
seres humanos.

El ataque arriano propuso un cambio doctrinario fundamental, a tal punto que, de haber prevalecido, la naturaleza
entera de la religión se hubiera transformado. Y no sólo se hubiera transformado; hubiera fracasado, y tras su
fracaso se hubiera derrumbado la civilización que la Iglesia Católica estaba construyendo.

La herejía arriana (ocupando el Siglo IV y activa a lo largo del Siglo V) se propuso ir a la raíz misma de la autoridad de
la Iglesia atacando la divinidad plena de su fundador. Pero hizo más todavía porque su motivo subyacente fue la
racionalización de un misterio sobre el cual la Iglesia está basada: el Misterio de la Encarnación. En lo esencial, el
arrianismo fue una revuelta contra las dificultades inherentes a los misterios en general aún cuando se expresó
solamente en un ataque al misterio principal. El arrianismo fue un típico ejemplo en gran escala de esa reacción
contra lo sobrenatural que, si se desarrolla a pleno, le quita a la religión todo aquello que la hace vivir.

El ataque mahometano fue de una clase diferente. Geográficamente provino de fuera del área de la Cristiandad;
apareció, casi desde el comienzo, como un enemigo externo. Sin embargo, estrictamente hablando, no fue una
religión nueva que atacaba a la antigua sino, esencialmente, una herejía; si bien, desde las circunstancias de su
nacimiento fue una herejía más bien externa que interna. Amenazó con matar a la Iglesia Cristiana por invasión en
lugar de socavarla por dentro.

El ataque albigense no fue sino el principal de un gran número de ataques, todos los cuales tuvieron sus orígenes en
la concepción maniquea de la dualidad del universo; en la concepción de que el bien y el mal están siempre
combatiendo como iguales y que el Poder Omnipotente no es ni único ni benéfico. Estrechamente interrelacionada
con esta idea e inseparable de ella estuvo la concepción de que la materia es maligna y que todo placer,
especialmente el del cuerpo, es maligno. Esta forma de ataque, de la cual sostengo que la albigense fue la más
notoria y la que más cerca llegó de tener éxito, fue más un ataque a la moral que a la doctrina. Tuvo el carácter de
un cáncer fijándose al cuerpo de la Iglesia desde adentro, produciendo una vida propia, antagónica de la vida de la
Iglesia y destructiva de la misma, al igual que el tumor maligno en el cuerpo humano vive una vida propia, diferente
y destructora del organismo en el cual ha surgido en forma parasitaria.

El ataque protestante difirió del resto especialmente en la característica que su ofensiva no consistió en la
promulgación de una nueva doctrina, o de una nueva autoridad, ni realizó un intento concertado de crear una
contra-Iglesia. Su principio fue la negación de la unidad. Fue un esfuerzo para promover aquél estado mental en el
cual una Iglesia en el antiguo sentido de la palabra, esto es: un cuerpo infalible, unido y docente; una Persona
hablando con autoridad divina, debía ser negada – no por las doctrinas que podía llegar a ofrecer sino por la sola
pretensión de ofrecerlas bajo su autoridad exclusiva. Así, el protestante puede afirmar, como lo hacen los puseytas
ingleses, la verdad de todas las doctrinas subyacentes a la Misa: la Real Presencia, el Sacrificio, el poder sacerdotal
de consagración, etc. mientras otro protestante podría afirmar que todas esas concepciones son falsas, y aún así
ambos protestantes serían protestantes porque están comunicados por la concepción fundamental de que la Iglesia
no es una personalidad visible, definible y unida; que no hay una autoridad central infalible y que, por lo tanto, cada
uno es libre de elegir su propio conjunto de doctrinas.

Semejantes afirmaciones de desunión, semejante negación de la tesis que la unidad es parte del Orden Divino,
produjo por cierto un temperamento protestante común a través de ciertas asociaciones históricas. Pero no existe
una doctrina, ni un conjunto de doctrinas, de las cuales pueda afirmarse que constituyen el núcleo del
protestantismo. En lo esencial, el protestantismo sigue siendo el rechazo de la unidad por la autoridad.

Por último existe el ataque contemporáneo a la Iglesia Católica que todavía está en curso y al cual no se le ha puesto
un nombre definitivo, excepto el vago término de “moderno”. Personalmente quizás hubiera preferido el antiguo
término griego “alogos”. Aunque eso hubiera parecido una pedantería, no deja de ser una lástima el tener que
rechazarlo porque describe admirablemente por implicación la disputa entre quienes actualmente atacan a la
autoridad y a la doctrina católicas y el tono mental de un creyente. En la antigüedad se le daba el nombre de
“alogos” a quienes, aún a pesar de llamarse cristianos, menoscababan o negaban la divinidad de Cristo. Se decía que
hacían esto por carecer de “juicio” en el sentido de “capacidad completa de comprensión”, o “capacidad cognitiva”.
Las personas consideraban esta clase de racionalismo de la misma manera en que los individuos normales
consideran al daltónico.

Se podría haber optado también por el término de “positivismo” en vista de que el movimiento moderno se basa
sobre la distinción entre cosas positivamente probadas por experimento y cosas aceptadas sobe otras bases; pero el
término “positivismo” ya tiene una connotación especial y emplearlo generaría confusiones.

En todo caso, a pesar de no tener todavía un nombre específico, todos conocemos el espíritu al cual me refiero:
“Que sólo es verdad lo que puede ser apreciado por los sentidos y sujeto a experimento. Que sólo puede ser creído
por completo aquello que puede ser completamente medido y comprobado mediante pruebas reiteradas. Que
aquello que en general se llama “afirmaciones religiosas” es siempre presumiblemente y a veces demostradamente
un conjunto de ilusiones. Que la misma idea de Dios y todo lo que le sigue es una construcción humana y un invento
de la imaginación”. Éste es el ataque que ha desplazado a los más antiguos. Éste es el que ahora está ganando
terreno tan rápidamente y cuyos partidarios sienten una creciente confianza en el éxito (al igual que la sintieron en
su momento culminante los partidarios de los ataques anteriores).

Así quedan planteados los cinco grandes movimientos antagónicos a la Fe. El concentrar nuestra atención sobre cada
uno y de a uno por vez, nos enseña por medio de ejemplos independientes el carácter de nuestra religión y la
extraña verdad que las personas no pueden escapar de simpatizar con ella o de odiarla.

Además, el concentrarse en estos cinco ataques principales tiene la ventaja adicional de que parecen resumir todas
las direcciones desde las cuales se puede lanzar un asalto a la Fe Católica.

Sin duda alguna habrá más conflictos en el futuro. Más aún: podemos estar seguros de que esto es inevitable porque
está en la naturaleza de la Iglesia provocar la furia y el ataque del mundo. Quizás más adelante tendremos que
enfrentar a los paganos del Este o quizás, tarde o temprano, debamos resistir el desafío de todo un nuevo sistema;
vale decir, no una herejía sino una nueva religión. Pero las clases principales de ataque parecen haber quedado
agotadas en la lista que la Historia ha presentado hasta ahora. Hemos tenido casos de herejía, trabajando desde el
exterior y formando un mundo nuevo a su estilo, del cual el Islam constituye el gran ejemplo. Hemos tenido casos de
herejía atacando las raíces de la Fe, la Encarnación, y especializándose en ello, de lo cual el arrianismo fue el gran
ejemplo. Tuvimos el crecimiento de un cuerpo extraño en el interior, como los albigenses y todos sus parientes
maniqueos antes y después de ellos. Hemos tenido el ataque a la personalidad, esto es: a la unidad de la Iglesia, con
el protestantismo. Y ahora, incluso cuando el protestantismo se está muriendo, vemos surgir y crecer todavía otra
forma de conflicto: la propuesta de catalogar de ilusión a toda afirmación trascendental. Parecería ser que el futuro
no podría contener más que una repetición de estas formas.

Por consiguiente, la Iglesia puede ser concebida como una ciudadela presentando un número dado de caras
formadas por los ángulos de sus defensas. Cada una de las caras fue atacada alguna vez, y después del fracaso del
ataque, la cara vecina sufrió el peso de la siguiente batalla. El último asalto, el moderno, más que un conflicto
armado parece un intento de disolver la guarnición; de aniquilar, por sugestión, su poder de resistencia. Con esta
última forma, la lista parecería haber quedado agotada. Cuando el último peligro se haya disipado – si se disipa – el
próximo puede aparecer solamente bajo alguna forma con la que ya hemos tenido cierta experiencia.

Como posdata a este preludio se me podrá preguntar por qué no incluí ninguna mención a los cismas. Los cismas son
ataques a la vida de la Iglesia Católica tanto como lo son las herejías. El mayor cisma de todos, el griego u ortodoxo
que produjo la comunión Griega u Ortodoxa, constituye un quebrantamiento manifiesto de nuestra fortaleza. Sin
embargo, pienso que las distintas formas de ataque a la Iglesia por la vía de doctrinas herejes se encuentran en una
categoría distinta a la de los cismas. Sin duda, un cisma comúnmente incluye una herejía y sin duda ciertas herejías
han intentado pedir que nos reconciliemos con ellas como podríamos hacerlo con un cisma. Pero, a pesar de que los
dos males por lo común aparecen juntos, aún así cada uno de ellos pertenece a una clase diferente y, mientras
estudiamos a uno lo mejor es eliminar al otro durante el proceso de ese estudio.

En estas páginas examinaré, pues, en secuencia los cinco grandes movimientos que he mencionado y los tomaré en
orden histórico, comenzando con la cuestión de los arrianos que, al ser la primera, fue también quizás la más
formidable.

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Capítulo 3

La Herejía Arriana

El arrianismo fue la primera de las grandes herejías.

Desde la fundación de la Iglesia en Pentecostés del año 29 o 33 DC existió una masa de movimientos heréticos que
llenó los tres primeros siglos. Casi todos ellos, se volcaron hacia la naturaleza de Cristo.
La predicación, la personalidad y los milagros de Nuestro Señor, pero sobre todo su resurrección, tuvieron el efecto
de promover la concepción de un poder divino. Esta concepción impregnó toda la cuestión para cualquiera que
tuviese un mínimo de fe en las maravillas presentadas.

Ahora bien, en esto la tradición central de la Iglesia, al igual que en cualquier otro caso de doctrina disputada, fue
sólida y clara desde el comienzo. Nuestro Señor fue indudablemente un hombre. Nació como nacen los hombres.
Murió como mueren los hombres. Vivió como un hombre y fue conocido como hombre por un grupo de íntimos
compañeros y un número muy grande de hombres y mujeres que lo siguieron, lo escucharon y presenciaron sus
acciones.

Pero, dijo la Iglesia, también fue Dios. Dios descendió sobre la tierra y encarnó en un hombre. No fue meramente un
hombre influenciado por la Divinidad, ni tampoco una manifestación de la Divinidad bajo una apariencia humana.
Fue al mismo tiempo plenamente Dios y plenamente Hombre. Sobre esto, la tradición central de la Iglesia nunca
vaciló. Fue dado por sentado desde el principio por quienes tienen autoridad para hablar.

Pero un misterio resulta por fuerza incomprensible precisamente por ser misterio. Por eso el ser humano, siendo un
ser racional, está perpetuamente intentando racionalizarlo. Eso fue lo que sucedió con este misterio. Un grupo dijo
que Cristo fue solamente un hombre, si bien un hombre dotado de poderes especiales. El otro grupo, en el extremo
opuesto, dijo que fue una manifestación de lo divino; que su naturaleza humana fue ilusoria. Y estos extremos se
alternaron indefinidamente.

Pues bien, la herejía arriana fue en cierta forma el resumen y la conclusión de todos estos movimientos del lado no
ortodoxo; esto es: de todos los movimientos que no aceptaban el misterio pleno de las dos naturalezas.

Desde el momento en que es muy difícil racionalizar la unión de lo infinito con lo finito, puesto que existe una
aparente contradicción en los dos términos, la forma final en la que quedó resuelta la confusión de las herejías fue
una declaración según la cual Nuestro Señor poseyó tanto de la Esencia Divina como le es posible poseer a una
creatura pero que, así y todo, no dejó de ser una creatura. No fue el Dios infinito y omnipotente quien por su
naturaleza tiene que ser uno e indivisible, y no podía ser al mismo tiempo (así dijeron) un ser humano limitado
manifestándose y teniendo su ser en la esfera temporal.

El arrianismo (más adelante describiré el origen del nombre) estaba dispuesto a otorgarle a Nuestro Señor toda clase
de honores y majestades menos la de la naturaleza plena de la Divinidad. Fue creado (o bien, si a las personas no les
gustaba la palabra “creado” entonces se utilizaba aquella otra de “surgió”) de la Divinidad antes de todas las demás
cosas. A través de Él fue creado el mundo. Se le otorgó (paradójicamente) el poder de todos los atributos divinos
menos el de la divinidad.

En lo esencial, este movimiento surgió de exactamente las mismas fuentes que las de cualquier otro movimiento
racionalista desde el principio de los tiempos hasta el presente. Surgió del deseo de visualizar en forma clara y
simple algo que está más allá del alcance de la visión y de la comprensión humanas. Por consiguiente, a pesar de que
comenzó concediéndole a Nuestro Señor todo honor posible y toda gloria excepto la de la Divinidad concreta, en el
largo plazo hubiera conducido al unitarianismo y finalmente al tratamiento de Nuestro Señor como un profeta y, por
más exaltación que se aplicara, como nada más que un profeta.

Todas las herejías respiran el aire de los tiempos en los que surgen y constituyen necesariamente un reflejo de la
filosofía inherente a las ideas no-católicas predominantes al momento de su aparición. El arrianismo también habló
en los términos de su época. No comenzó, como comenzaría hoy un movimiento similar, haciendo de Nuestro Señor
un simple hombre y nada más. Menos todavía negó lo sobrenatural como un todo. La época en la cual surgió
(durante los años alrededor del 300 DC) fue un tiempo en el cual toda la sociedad aceptaba lo sobrenatural como
algo sabido. Pero el arrianismo se refirió a Nuestro Señor como un Agente Supremo de Dios el Demiurgo y lo
consideró como la primera y más grande de aquellas emanaciones de la Divinidad Central mediante las cuales la
filosofía de moda por aquellos días trataba de superar la dificultad de reconciliar al Creador infinito y simple con un
universo complejo y finito.

Vaya lo dicho por la doctrina y por lo que hubiera terminado de ser si hubiera triunfado. Hubiera transformado a la
nueva religión en algo parecido al mahometanismo o, quizás y considerando la naturaleza de la sociedad griega y
romana, en algo parecido a un calvinismo oriental.
De cualquier modo, lo que acabo de describir fue el estado de esta doctrina mientras floreció: fue una negativa de la
completa divinidad de Nuestro Señor combinada con la aceptación de todos sus otros atributos.

Ahora bien, cuando hablamos de las herejías más antiguas, tenemos que considerar sus efectos espirituales – y por
lo tanto sociales – mucho más que su mero error doctrinario, a pesar de que ese error doctrinario haya sido la causa
última de todos sus efectos espirituales y sociales. Tenemos que hacerlo así porque, cuando una herejía ha estado
muerta por mucho tiempo, su atractivo se olvida. Al carecer ya de la experiencia directa, no existe para nosotros el
tono particular y la inconfundible impresión que esa herejía estampó sobre la sociedad y por eso debe ser recreada
de algún modo por cualquiera que pretenda hacer verdadera Historia. Sin una explicación de esta clase, sería
imposible hacerle entender a un católico actual de Berna, o a un campesino de la región de Lourdes – donde el
calvinismo otrora predominante hoy está muerto – el atractivo y el carácter individual del calvinismo tal como éste
todavía sobrevive en Escocia y en sectores de los Estados Unidos. Tenemos, pues, que reconstruir aquí esta
atmósfera arriana porque, hasta que no comprendamos su atractivo espiritual y por lo tanto social, no podremos
decir que realmente lo conocemos en absoluto.

Más allá de ello, hay que comprender el atractivo o carácter personal del movimiento, y su efecto individual sobre la
sociedad, a fin de entender su importancia. No existe error más grande a lo largo y ancho de toda la mala Historia
que imaginar que las diferencias doctrinarias no tienen intensos efectos sociales porque son abstractas y se hallan
alejadas de las cosas prácticas de la vida. Descríbasele a un chino actual la disputa doctrinaria de la Reforma
diciéndole que, por sobre todo, constituyó la negación de la doctrina de la unidad de la iglesia visible y la autoridad
especial de sus funcionarios. Eso sería cierto. El chino comprendería lo que sucedió con esta Reforma en el mismo
sentido en que comprendería una enunciación matemática. Pero, ¿le permitiría ello comprender a los hugonotes
franceses de la actualidad, el estilo prusiano de la guerra y la política, la naturaleza de Inglaterra y su pasado desde
que el puritanismo surgió en este país? ¿Le haría comprender los Orange Lodges, [3] o los sistemas morales y
políticos de, digamos, H. G. Wells o Bernard Shaw? ¡Por supuesto que no! El exponerle a una persona la Historia del
tabaco, el darle la fórmula química (si existiese tal cosa) de la nicotina, no implica hacerle comprender lo que
significa el aroma del tabaco ni los efectos del fumarlo. Lo mismo sucede con el arrianismo. Describir meramente al
arrianismo desde el punto de vista doctrinario es enunciar una fórmula; no implica transmitir la cosa en si.

Cuando el arrianismo surgió, descendió sobre una sociedad que ya era – y que ya había sido durante largo tiempo –
el único organismo político universal del cual todas las personas eran ciudadanos. No existían las naciones
separadas. El Imperio Romano era un sólo Estado desde el Éufrates hasta el Atlántico y desde el Sahara hasta los
Highlands escoceses. Se gobernaba de un modo monárquico por el Comandante en Jefe, o los Comandantes en Jefe,
de los ejércitos. El título del Comandante en jefe era el de “Imperator”, de dónde proviene nuestra palabra
“Emperador”, y por ello denominamos dicho Estado como “Imperio Romano”. Lo que el emperador, o los
emperadores asociados, declaraban ser constituía oficialmente la actitud de la totalidad del imperio (de acuerdo al
último esquema existieron dos emperadores, cada uno con un coadjutor, lo cual hace cuatro, pero pronto se
fusionaron en una sola cabeza y en un único emperador).

Los emperadores – y por lo tanto todo el esquema oficial que dependía de ellos – habían sido anticristianos durante
el período en que Iglesia Católica creció en medio de la sociedad pagana de romanos y griegos. Durante casi 300
años, los emperadores y la estructura oficial de aquella sociedad consideraron a la crecientemente poderosa Iglesia
Católica como una extraña y muy peligrosa amenaza para las tradiciones y, por consiguiente, para la fortaleza del
antiguo mundo grecorromano. La Iglesia, tal como estaba establecida, constituía un Estado dentro del Estado; poseía
sus propios funcionarios supremos, los obispos, y su propia organización altamente desarrollada y poderosa. Estaba
en todas partes. Contrastaba fuertemente con el mundo antiguo en medio del cual se había arrojado. Lo que sería la
vida para uno significaría la muerte para el otro. El mundo antiguo se defendió a través de la acción de los últimos
emperadores paganos que lanzaron muchas persecuciones contra la Iglesia, terminando en una persecución final y
muy drástica que fracasó.

Al principio la causa católica fue apoyada, y por último abiertamente sostenida, por un hombre que conquistó a
todos sus rivales y se estableció como el monarca supremo de todo el Estado: el emperador Constantino el Grande,
que gobernó desde Constantinopla, la ciudad que fundó llamándola la “Nueva Roma”. Después de este
acontecimiento, el gobierno central del Imperio fue cristiano. Para el crítico año de 325 DC, casi tres siglos después
de Pentecostés, la Iglesia Católica se había convertido en la religión oficial del Imperio – o al menos en la religión del
palacio –y permaneció siéndolo (excepto un intervalo excepcional muy corto) mientras el Imperio existió. [4]

Pero no hay que imaginarse que la mayoría de las personas ya adherían a la religión cristiana, ni siquiera en el Este
de habla griega. Por cierto que no constituían nada parecido a una mayoría en el Oeste de habla latina.

Como en todos los grandes cambios a lo largo de la Historia, los grupos involucrados fueron minorías imbuidas de
diferentes grados de entusiasmo, o falta de entusiasmo. Estas minorías tuvieron diferentes motivaciones y lucharon
por imponer su predisposición mental a las masas titubeantes e indecisas. De estas minorías, los cristianos
constituían la más numerosa y (lo que es más importante) la más vehemente, la más convencida y la única completa
y estrictamente organizada.

La conversión del Emperador les aportó una gran afluencia de personas pertenecientes a la mayoría indecisa. La
mayor parte estas personas quizás apenas si entendían esa cosa nueva a la cual estaban adhiriendo y seguramente
en su mayor parte no estaban comprometidas con ella; pero lo nuevo había triunfado políticamente y eso les
bastaba. Otros muchos extrañaron a los antiguos dioses pero consideraron que no valía la pena arriesgarse a
defenderlos. A muchos más no les interesó en absoluto lo que quedaba de los dioses antiguos sin que por ello
sintieran un interés mayor en las nuevas modas cristianas. Pero en medio de todo ello, subsistió una fuerte minoría
de paganos altamente inteligentes y resueltos que tenían de su lado no solamente las tradiciones de una acaudalada
clase gobernante sino también el grueso de los mejores escritores y, por supuesto, el poder otorgado por la
memoria viva de su larga posición dominante en la sociedad.

Y en ese mundo existió aún otro elemento, separado de todo el resto, y que es extremadamente importante
comprender: el ejército. El por qué es tan importante que comprendamos la posición del ejército es algo que
veremos en un momento.

Cuando el poder del arrianismo se manifestó a través del mundo grecorromano durante aquellos primeros años del
Imperio Cristiano oficial y su gobierno universal, el arrianismo se convirtió en el núcleo o centro de muchas fuerzas
que serían, por si mismas, indiferentes a su doctrina. Se convirtió en el punto de encuentro de muchas tradiciones
arraigadas y supervivientes del mundo antiguo; tradiciones que no eran religiosas sino intelectuales, sociales,
morales, literarias y de toda otra clase.

Podemos ponerlo bastante vívidamente en jerga moderna diciendo que el arrianismo, presente de este modo en las
nuevas grandes discusiones dentro del cuerpo de la Iglesia Cristiana por la época en que la Iglesia alcanzó apoyo
oficial y se convirtió en la religión oficial del Imperio, atrajo a todos los “encopetados”, al menos a la mitad de los
esnobs y a casi todos los conservadores idealistas “reaccionarios”, ya sea que fuesen, o no, nominalmente cristianos.
Sabemos que atrajo grandes cantidades de aquellos que realmente eran cristianos. Pero también fue el punto de
encuentro de estas fuerzas no-cristianas que tanta importancia tenían en la sociedad de aquella época.

Una gran cantidad de las antiguas familias nobles se resistía a aceptar la revolución social que implicaba el triunfo de
la Iglesia Cristiana. Esas familias se inclinaron naturalmente hacia un movimiento en cuyo interior reinaba una
atmósfera de superioridad social por sobre el populacho y en el cual instintivamente percibieron una oposición a la
vida y a la supervivencia de esa Iglesia. En última instancia, la Iglesia dependía y se hallaba sostenida por las masas.
Las personas de antigua tradición familiar y fortuna hallaron al arriano más simpático y un mejor aliado de la
aristocracia que al católico ordinario.

Muchos intelectuales se encontraron en la misma posición. Éstos no tenían el orgullo de las antiguas tradiciones
familiares y sociales del pasado, pero poseían el orgullo de la cultura. Recordaban con añoranza el pasado prestigio
de los filósofos paganos. Consideraban que la gran revolución representada por la transición del paganismo al
catolicismo destruiría tanto las antiguas tradiciones culturales como a su propia posición cultural.

Los simples esnobs, que siempre constituyen un amplio cuerpo en cualquier sociedad establecida, las personas que
no tienen opinión propia y que siguen lo que creen que es la cosa honorable del momento, se encontraron divididos.
Quizás la mayoría de ellos estaba dispuesta a seguir la tendencia oficial de la corte y a acoplarse abiertamente a la
nueva religión. Pero siempre habrá habido una cierta cantidad que habrá pensado que resultaba más “elegante”,
más “a la moda”, profesar simpatía con las viejas tradiciones paganas, con las antiguas grandes familias, con la
tradicional y venerable cultura y literatura paganas y todo lo demás. Todo ello reforzó al movimiento arriano en su
tendencia destructora del catolicismo.

Además de ello, el arrianismo tuvo aún otro aliado más, y la naturaleza de esta alianza es tan sutil que requiere un
examen muy cuidadoso. Tuvo como aliado la tendencia del gobierno de una monarquía absoluta a tener casi miedo
de las emociones presentes en la mente de las personas, especialmente de las más pobres: emociones que, si se
expandían y se volvían apasionadas y capturaban a la masa de la población, podían volverse demasiado fuertes como
para ser gobernadas obligando a las autoridades a inclinarse ante ellas. Aquí hay una paradoja difícil pero que es
importante reconocer.

En forma superficial, un gobierno absoluto, especialmente el que se encuentra en manos de un sólo hombre,
parecería ser lo opuesto a un gobierno popular. Las dos formas de gobierno parecen contradictorias a quienes no
han visto a la monarquía absoluta en funcionamiento. Para quienes sí la han visto es todo lo contrario. Un gobierno
absoluto implica el apoyo de las masas en contra del poder de la riqueza que se encuentra en manos de unos pocos,
o contra el poder de los ejércitos que se encuentra en manos de unos pocos. Por consiguiente es imaginable que el
poder imperial de Constantinopla sintiera más simpatía hacia las masas populares católicas que hacia los
intelectuales y los demás que siguieron al arrianismo. Pero, si bien la misma existencia de un gobierno absoluto
responde a la necesidad de defender a las masas de una minoría poderosa, no debemos olvidar que es un gobierno
al que le gusta gobernar. No le gusta sentir que en el Estado existe un rival desafiando su propio poder. No le gusta
percibir que pueden haber grandes decisiones impuestas por organizaciones diferentes a las de su propia
organización oficial. Por ello es que aún los funcionarios y emperadores más cristianos cultivaron en el fondo de sus
mentes una simpatía potencial con el arrianismo durante el primer ciclo de vida del movimiento arriano y por ello es
que esta simpatía potencial aparece en algunos casos como simpatía activa y públicamente declarada en favor del
arrianismo.

Y el arrianismo tuvo aún otro aliado por medio del cual casi llegó a triunfar: el ejército.

A fin de entender qué tan poderoso fue este aliado, tenemos que apreciar tanto lo que el Ejército Romano significó
en aquellos días como la forma en que estaba compuesto.

En cuestión de números, el ejército constituía por supuesto tan sólo una fracción de la sociedad. No tenemos certeza
de los números exactos; como máximo habrá ascendido a medio millón de efectivos, probablemente bastante
menos. Pero sería ridículo juzgar la materia en forma cuantitativa. En condiciones normales, el ejército constituía la
mitad, o más de la mitad, del Estado. En ese Siglo IV, tanto como para usar una metáfora, el ejército representaba el
auténtico cemento – o bien, para emplear otra: el armazón – la fuerza aglutinante, el sostén, el propio ser material
del Imperio Romano. Había sido así durante los siglos anteriores y seguiría siendo así durante generaciones.

Es absolutamente esencial entender este punto, porque explica tres cuartas partes de lo que sucedió, no sólo en
cuanto a lo relacionado con la herejía arriana sino en cuanto a todos los demás hechos ocurridos entre los días de
Mario (bajo cuya administración el Ejército Romano se hizo profesional por primera vez) y el ataque mahometano a
Europa – esto es: desde más de un siglo antes de la Era Cristiana hasta principios del Siglo VII. La posición social y
política del ejército explica todos esos setecientos años y más.

El Imperio Romano fue un Estado militar. No fue un Estado civil. La vía de acceso al poder pasaba por el ejército. La
concepción de gloria y éxito, la obtención de riqueza en muchos casos, el acceso al poder político en casi todos los
casos, todo ello dependía en aquellos días del ejército del mismo modo en que hoy depende de préstamos
financieros, especulaciones, camándulas, manipulación de votos, caudillismos y publicaciones.

Originalmente, el ejército había consistido de ciudadanos romanos, todos los cuales fueron itálicos. Luego, a medida
en que el poder del Estado Romano se fue expandiendo, incorporó tropas auxiliares, gentes que seguían a
capitanejos locales, y terminó integrando al sistema militar romano – y hasta reclutando en sus cuadros regulares – a
elementos de todas las partes y provincias del Imperio. Antes de que terminaran los primeros cien años del Imperio
ya había muchos galos y españoles en el ejército. Durante los siguientes doscientos años – esto es: durante los
doscientos años que van del 100 al 300 DC y que conducen a la herejía arriana – el ejército se reclutó cada vez más
de lo que llamamos “bárbaros”; un término que no significaba “salvajes” sino personas que vivían fueran de los
límites estrictos del Imperio Romano. Estas personas resultaban más fáciles de disciplinar y mucho más baratas de
reclutar que los ciudadanos. También estaban menos acostumbradas a las artes y a las comodidades de la civilización
que los ciudadanos asentados dentro de las fronteras. En gran cantidad fueron germanos, pero hubo muchos
eslavos, un buen número de moros, árabes, sarracenos y hasta no pocos mongoles infiltrados del Este.

La disciplina unió estrictamente al gran cuerpo del Ejército Romano, pero más aún lo unió el orgullo profesional. El
servicio era por largo tiempo. Un hombre pertenecía al ejército desde la adolescencia hasta la mediana edad. Nadie
aparte del ejército poseía el poder físico. No se podía ni pensar en resistirlo por la fuerza y, en cierto sentido,
constituía el gobierno. Su Comandante en Jefe era el monarca absoluto de todo el Estado. Pues bien: el ejército se
hizo sólidamente arriano.

Éste es el detalle fundamental de todo el asunto. De no ser por el ejército, el arrianismo nunca hubiera significado lo
que significó. Con el ejército – y con ese ejército apoyándolo con entusiasmo – el arrianismo casi triunfó y consiguió
sobrevivir aún cuando no constituyó sino poco más que las tropas y sus principales oficiales.

Es cierto que una cantidad de tropas germanas de fuera del Imperio fue convertida por misioneros arrianos en un
momento en el cual la alta sociedad era arriana. Pero esa no es la razón por la cual el ejército en su totalidad se hizo
arriano. El ejército se hizo arriano porque sintió que el arrianismo era algo distintivo que lo hacía superior a las
masas civiles, del mismo modo en que el arrianismo era lo diferenciador que le hacía al intelectual sentirse superior
a las masas populares. Los soldados, ya fuesen de origen bárbaro o ciudadano, sintieron simpatía por el arrianismo
por la misma razón que las antiguas familias paganas lo habían considerado con simpatía. Así, el ejército – y
especialmente el estrato de los jefes militares – apoyó la herejía con toda su autoridad y al final el arrianismo se
convirtió en una especie de testimonio de ser alguien, un soldado, en contraposición a no ser más que un
despreciable civil. Se podría decir que surgió un conflicto entre los jefes del ejército por un lado y los obispos
católicos por el otro. Sin duda existió una división – una distinción oficial – entre la población católica de las
ciudades, el campesinado católico de la campiña y el casi universalmente arriano soldado; y el enorme efecto de esta
conjunción entre la nueva herejía y el ejército es lo que veremos operar en todo lo que sigue.

Ahora que hemos visto en qué consistió el espíritu del arrianismo y qué fuerzas tuvo a su favor, veamos cómo
obtuvo su nombre.

El movimiento que negó la plena divinidad de Cristo haciendo de Él una creatura, tomó su nombre de un tal Areios
(Arius en su versión latina), un clérigo africano de habla griega un poco mayor que Constantino y que ya contaba con
cierta fama como autoridad religiosa algunos años antes de las victorias de Constantino y el primer poder imperial.

Recordemos que Arrio representa sólo la culminación de un largo movimiento. ¿Cual fue la causa de su éxito? Dos
cosas combinadas. Primero, el impulso de todo lo que lo precedió. Segundo, la súbita liberación de la Iglesia por
Constantino. A esto, sin duda alguna, hay que agregar algo en la propia personalidad de Arrio. Los hombres de esta
clase que se convierten en líderes tienen cierto impulso en su propio pasado que los impele. No se convertirían en lo
que son si no fuesen algo en si mismos.

Pienso que podemos aceptar que Arrio tuvo el efecto que logró por toda una convergencia de fuerzas. Había una
gran cantidad de ambición en él, tal como es posible encontrar en todos los heresiarcas. Tuvo un fuerte elemento de
racionalismo. También tuvo entusiasmo por lo que creyó que era la verdad.

Su teoría por cierto que no constituyó un descubrimiento original propio, pero lo hizo suyo y lo identificó con su
nombre. Más allá de ello, ofreció una tenaz resistencia a las personas por las que creía ser perseguido. Sufrió de una
gran vanidad, como casi todos los reformadores. Y encima de todo ello hallamos una más bien delgada simplicidad o
“sentido común”, que inmediatamente agrada a las multitudes. Pero nunca hubiera alcanzado su fama de no haber
poseído cierta elocuencia y un poderoso impulso.

Era ya un hombre de buena posición, probablemente de Cirenaica (en África del Norte, al Este de Trípoli), aunque se
lo menciona como alejandrino porque vivió en Alejandría. Fue discípulo del más grande crítico de su tiempo, el
mártir Luciano de Antioquía. En el año 318 presidía la iglesia de Bucalis en Alejandría, gozando del alto favor del
obispo de la ciudad.

Arrio se trasladó de Egipto a Cesárea en Palestina, difundiendo su ya bien conocido conjunto de ideas
racionalizadoras y unitarias con pasión. Algunos de los obispos de Oriente comenzaron a estar de acuerdo con él. Es
cierto que los dos principales obispos sirios, el de Antioquía y el de Jerusalén, se apartaron; pero aparentemente la
mayoría de la jerarquía siria se inclinó por escucharlo.

Cuando Constantino se convirtió en el señor de todo el Imperio en 325, Arrio apeló al nuevo amo del mundo.
Alejandro, el gran obispo de Alejandría, lo había excomulgado pero a regañadientes. El viejo emperador pagano
Licinio había protegido al movimiento.

Se desató una batalla de extrema importancia. Las personas ni percibieron lo importante que era, a pesar de la
violencia con la que se excitaron las emociones. Si este movimiento hubiera obtenido la victoria, desde ése día hasta
el actual toda nuestra civilización hubiera sido distinta. Todos sabemos lo que sucede en cualquier sociedad cuando
tiene éxito un intento de simplificar y racionalizar los misterios de la fe. Tenemos ahora ante nosotros el fin del
experimento de la Reforma y la anciana pero aún muy vigorosa herejía mahometana que quizás reaparezca con
renovado vigor en el futuro. Esta clase de esfuerzos racionalizadores de la fe producen una degradación social
gradual luego de la pérdida de ese vínculo directo entre la naturaleza humana y Dios que ofrece la Encarnación. Se
menoscaba la dignidad humana. La autoridad de Nuestro Señor se debilita. Aparece cada vez más como un hombre –
quizás como un mito. La sustancia de la vida cristiana se diluye. Se esfuma. Lo que comienza como unitarismo
termina como paganismo.

Para terminar con la disputa que dividía a toda la sociedad cristiana, el Emperador ordenó la celebración de un
concilio a reunirse en el año 325 DC en la ciudad de Nicea, a cincuenta millas de la capital, sobre el lado asiático de
los estrechos. Se convocó allí a los obispos de todo el Imperio, incluso a los de los distritos externos en dónde los
misioneros habían plantado la fe. El grueso de los participantes provino de la parte oriental del Imperio pero el
Occidente también estuvo representado y, lo que fue de primordial importancia, arribaron delegados de la Sede
Primada de Roma. Sin su adhesión los decretos del concilio no hubieran tenido plena vigencia ya que su presencia
era requerida para darle plena validez a las decisiones. La reacción contra la innovación de Arrio fue tan fuerte que
en este Concilio de Nicea terminó abrumado.

En aquella primera gran derrota, cuando la fuerte y vital tradición del catolicismo se reafirmó y Arrio resultó
condenado, el credo que sus seguidores habían diseñado terminó pisoteado como blasfemia pero el espíritu detrás
de dicho credo y de dicha revuelta habría de resurgir.

Resurgió inmediatamente y se puede decir que, en realidad, el arrianismo resultó fortalecido después de su primera
derrota superficial. Esta paradoja obedeció a una causa que se puede hallar en muchas formas de conflicto. El
adversario derrotado aprende de su primer revés las características de la cosa que ha atacado; descubre sus puntos
débiles; aprende la forma de confundir a su oponente y percibe los compromisos hacia los cuales el adversario
puede ser conducido. Por consiguiente, después de esta prueba, el derrotado está mejor preparado que antes de la
primera batalla. Eso fue lo que sucedió con el arrianismo.

A fin de entender la situación, tenemos que comprender que el arrianismo, fundado como todas las herejías sobre
un error de doctrina – esto es: sobre algo que puede ser expresado en una fórmula muerta de meras palabras –
pronto comenzó a vivir, como todas las herejías en sus comienzos, con una vigorosa nueva vida y un atractivo
propio. La disputa que llenó el Siglo IV desde el año 325 en adelante y por una generación no fue, después de sus
primeros años, una controversia entre palabras distintas cuya diferencia puede parecer exigua. A lo largo de la lucha
muy pronto se convirtió en un conflicto entre dos espíritus y caracteres opuestos; en un conflicto entre
personalidades opuestas tal como pueden oponerse las personalidades humanas: por un lado el temperamento y la
tradición católica y, por el otro, un agrio, orgulloso, temperamento que hubiera destruido a la fe.

De su primera y fuerte derrota en Nicea el arrianismo aprendió a hacer compromisos en materia de formalidades, en
materia de redacción de doctrina, a fin de preservar y difundir con menos oposición su espíritu herético. El primer
conflicto se había producido por el empleo de la palabra griega que significa “de la misma sustancia que”. Los
católicos, afirmando la plena divinidad de Nuestro Señor, insistían en el empleo de esta palabra que implicaba que el
Hijo era de la misma sustancia divina que el Padre; que era del mismo Ser; esto es: divino. Se pensó que era
suficiente presentar esta palabra como una verificación. Los arrianos – se pensó – siempre se rehusarían a aceptar la
palabra y de este modo podrían ser distinguidos de los ortodoxos y rechazados. [5]
Pero muchos arrianos estaban preparados para aceptar un compromiso, admitiendo la mera palabra pero negando
el espíritu en que debía ser interpretada. Estaban dispuestos a admitir que Cristo había sido de la esencia divina,
pero no plenamente Dios; no increado. Cuando los arrianos comenzaron con esta nueva política de compromiso
verbal, el emperador Constantino y sus sucesores la consideraron como una oportunidad honesta de reconciliación y
reunión. La negativa de los católicos a dejarse engañar quedó a los ojos de quienes así pensaban como mera
obstinación; y a los ojos del Emperador, como una rebelión facciosa y una desobediencia inexcusable. “Aquí estáis
vosotros que os llamáis los únicos verdaderos católicos, prolongando y envenenando innecesariamente una mera
pelea facciosa. Debido a que tenéis los personajes populares detrás de vosotros, os creéis amos de vuestros
seguidores. Tal arrogancia es intolerable. Vuestros adversarios han aceptado el punto principal. ¿Por qué no podéis
acordar la disputa y restablecer la unión? Al resistiros estáis dividiendo a la sociedad en dos bandos; estáis alterando
la paz del Imperio y estáis siendo tanto criminales como fanáticos.”

Esto es lo que el mundo oficial tendía a manifestar, creyéndolo honestamente.

Los católicos contestaron: “los herejes no han aceptado nuestro punto principal. Han suscripto una frase ortodoxa,
pero interpretan esa frase de un modo herético. Seguirán repitiendo que Nuestro Señor es de naturaleza divina pero
que no es plenamente Dios puesto que continúan diciendo que fue creado. Por lo tanto no les permitiremos entrar
en nuestra comunión. Hacerlo significaría poner en peligro el principio vital por el cual la Iglesia existe, el principio de
la Encarnación, y la Iglesia es esencial para el Imperio y para la humanidad.”

En este punto entró en combate la fuerza personal que al final obtuvo la victoria para el catolicismo: San Atanasio. La
cuestión fue decidida por la tenacidad y perseverancia de este santo, patriarca de Alejandría, la gran Sede
Metropolitana de Egipto. San Atanasio gozaba de una posición ventajosa desde el momento en que Alejandría era la
segunda ciudad más importante del Imperio Oriental y, como obispado, una de las primeras cuatro del mundo. Más
allá de ello gozaba de un apoyo popular que nunca le falló y que hizo que sus enemigos vacilaran en tomar medidas
extremas contra él. Pero todo esto no hubiera sido suficiente si el hombre no hubiese sido lo que fue.

Por el tiempo en que participó del Concilio de Nicea en el 325 era todavía un hombre joven, probablemente de poco
menos de treinta años; y sólo participó como diácono, si bien ya su potencia y su elocuencia eran notables. Vivió
hasta los 76 o 77 años de edad falleciendo en el 373 DC y durante la totalidad de esa larga vida sostuvo con inflexible
energía la plena doctrina católica de la Trinidad.

Cuando se sugirió el primer compromiso con el arrianismo, Atanasio ya era arzobispo de Alejandría. Constantino le
ordenó readmitir a Arrio a la Comunión. Atanasio se negó.

Fue un paso extremadamente peligroso de dar porque todo el mundo admitía el pleno poder del monarca sobre la
vida y la muerte de sus súbditos y la rebelión era considerada el peor de los crímenes. Atanasio también resultó
percibido como atroz y extravagante ya que la opinión generalizada en el mundo oficial, entre las personas con
influencia social y en el seno del ejército, era que el compromiso debía ser aceptado. Atanasio fue exiliado a la Galia,
pero el Atanasio en el exilio resultó ser aún más formidable que el Atanasio en Alejandría. Su presencia en Occidente
tuvo el efecto de reforzar el fuerte sentimiento católico de esa parte del Imperio.

Lo llamaron de regreso. Los hijos de Constantino que se sucedieron uno tras otro en el Imperio, vacilaron entre una
política de asegurarse el apoyo popular, que era católico, o bien asegurarse el apoyo del ejército, que era arriano.
Más que otra cosa, la corte se inclinaba por el arrianismo porque le molestaba el creciente poder del Clero Católico
organizado como rival del poder secular del Estado. El último y el más longevo de los hijos de Constantino –
Constancio – se hizo decididamente arriano. A Atanasio lo exiliaron una y otra vez, pero la causa que defendía siguió
aumentando en fuerza.

Cuando Constancio murió en el 361, lo sucedió un sobrino de Constantino: Juliano el Apóstata. Este emperador
recurrió al gran cuerpo pagano sobreviviente y estuvo cerca de reestablecer el paganismo ya que el poder de un
emperador individual en aquella época era abrumador. Pero murió en el combate contra los persas y su sucesor –
Joviano – fue definitivamente católico.

Sin embargo, la pulseada continuó. En el 367, el emperador Valensio volvió a exiliar – por quinta vez – a San
Atanasio, quien para ése entonces ya era un anciano de al menos 70 años. No obstante, hallando que las fuerzas
católicas se habían vuelto demasiado fuertes, lo volvió a llamar. A esta altura, Atanasio había ganado su batalla.
Murió como el hombre más grande del mundo romano. Ése es el valor de la sinceridad y la tenacidad combinadas
con el genio.

Pero el ejército continuó siendo arriano y lo que tenemos que continuar viendo en las siguientes generaciones es el
desfallecimiento progresivo del arrianismo en la parte occidental de habla latina del Imperio. Decayó de a poco
porque continuó siendo sostenido por los principales jefes militares al comando de los distritos occidentales; pero
quedó condenado porque la totalidad de las personas lo había abandonado. La forma en que murió es lo que
describiré a continuación.

Con frecuencia se dice que todas las herejías mueren. Esto puede ser cierto en el muy largo plazo pero no es
necesariamente así dentro de un período dado de tiempo. Ni siquiera es cierto que el principio vital de una herejía
necesariamente pierde fuerza con el tiempo. El destino de las múltiples herejías ha sido muy variado; y la más
grande de todas – el mahometanismo – no sólo sigue siendo vigoroso sino que es más vigoroso que su rival cristiano
en aquellos distritos que ocupó originalmente; y es mucho más vigoroso y se halla mucho más extendido dentro de
su propia sociedad que la Iglesia Católica dentro de nuestra civilización occidental, producto del catolicismo.

Sin embargo, el arrianismo fue una las herejías que realmente murieron. El mismo destino le ha tocado al calvinismo
en nuestros días. Esto no significa que los efectos morales generales, o la atmósfera de la herejía, desaparecen de
entre los seres humanos. Significa que las doctrinas creadas por la herejía ya no son creídas y de ese modo su
vitalidad se pierde y por último debe desaparecer.

Por ejemplo, la Ginebra de hoy en día es una ciudad moralmente calvinista a pesar de que tiene una población
católica minoritaria muy cercana a la mitad de la población total y que se vuelve a veces (según creo) levemente
mayoritaria. Pero en la Ginebra actual no hay una persona entre cien que acepte la altamente definida teología de
Calvino. La doctrina está muerta; sus efectos sobre la sociedad sobreviven.

El arrianismo murió de dos maneras, correspondiéndose con las dos mitades en las que se dividió el Imperio Romano
de aquellos días y que, para sus ciudadanos, representaba a todo el mundo civilizado.

La parte oriental tenía al griego como idioma oficial y estaba gobernada desde Constantinopla, también llamada
Bizancio.

Incluía a Egipto, el Norte de África hasta Cirenaica, la costa Este del Adriático, los Balcanes, Asia Menor y Siria hasta
(aproximadamente) el Éufrates. El arrianismo había sido fuerte en esta parte del Imperio y resultó ser tan poderoso
que, entre el 300 y el 400 DC, estuvo muy cerca de triunfar.

La corte imperial osciló entre arrianismo y catolicismo, con una momentánea regresión al paganismo. Pero antes de
que terminara el siglo – esto es: bastante antes del año 400 DC – la corte se hizo definitivamente católica y pareció
seguro que permanecería siéndolo. Como he explicado antes, si bien el Emperador y los funcionarios que lo
rodeaban (conjunto al que he denominado como “la corte”) eran teóricamente todopoderosos (puesto que la
constitución era la de una monarquía absoluta y las personas no podían pensar en otros términos en aquella época),
no obstante ello por lo menos tan poderoso y menos sujeto a cambios era el ejército sobre el cual descansaba toda
la sociedad. Dentro del ejército estaban los comandantes militares; los generales del ejército que fueron en su mayor
parte permanentemente arrianos.

Cuando el poder central – el Emperador y sus funcionarios – se hicieron permanentemente católicos, el espíritu de
los militares continuó siendo arriano en lo esencial y por ello es que las ideas subyacentes del arrianismo – es decir:
las dudas en cuanto a que Nuestro Señor podía ser realmente Dios – sobrevivieron aún después de que el arrianismo
formal dejó de ser predicado y aceptado por la población.

Por este motivo, porque subsistió el espíritu que había subyacido al arrianismo (la duda acerca de la plena divinidad
de Cristo), surgió una cantidad de lo que podríamos llamar “derivados” o “formas secundarias” de arrianismo.

Las personas continuaron sugiriendo que en Cristo había tan sólo una naturaleza; una sugerencia cuya consecuencia
habría sido necesariamente la idea popular de que Cristo fue tan sólo un hombre. Cuando esto fracasó en capturar a
la maquinaria oficial – a pesar de que continuó afectando a millones de personas – apareció otra sugerencia en
cuanto a que en Cristo había residido una sola Voluntad – no una voluntad humana y una voluntad divina, sino una
sola voluntad.
Antes de esto se había producido el resurgimiento de la antigua idea, anterior al arrianismo y sustentada por los
primeros herejes sirios, de que la divinidad sólo vino a Nuestro Señor durante su vida. Según esta herejía, Cristo
habría nacido tan sólo como un hombre, Nuestra Señora habría sido la madre de tan sólo un hombre, etc. En todas
sus variadas formas y bajo todas sus denominaciones técnicas (monofisitas, monotelitas, nestorianos, para nombrar
a los tres principales, siendo que hubo cualquier cantidad de otros), estos movimientos difundidos a través de la
mitad oriental o griega del Imperio fueron esfuerzos por escapar de – o racionalizar – el pleno misterio de la
Encarnación. Su supervivencia dependió de los celos que el ejército sintiese de la sociedad civil que lo rodeaba y de
los restos latentes de hostilidad pagana hacia los misterios cristianos en su totalidad. Y por supuesto, estas herejías
también dependieron de la eterna tendencia humana a racionalizar y a rechazar lo que está más allá del alcance de
la razón.

Pero existió un factor adicional que favoreció la supervivencia de los efectos secundarios del arrianismo en el Este.
Fue el factor que en la política europea actual se llama “particularismo”; esto es: la tendencia de una parte del
Estado a separarse del resto y a vivir una vida propia. Cuando este sentimiento se hace tan fuerte que las personas
están dispuestas a sufrir y a morir por él, adopta la forma de una revolución nacionalista. Un ejemplo de ello fue el
sentimiento de los eslavos del Sur en contra del Imperio Austríaco y que dio origen a la Gran Guerra [6]. Pues bien, el
descontento de las provincias y los distritos con el poder central que los gobernaba aumentó en el Imperio Oriental
con el paso del tiempo y una manera conveniente de expresar ese disgusto fue favoreciendo cualquier clase de
crítica a la religión oficial del Imperio. Por ello es que grandes regiones del Este (sobre todo una gran proporción de
la población de la provincia de Egipto) favorecieron a la herejía monofisita. Era una manera de expresar la
insatisfacción con el gobierno despótico de Constantinopla, con los impuestos que se les aplicaban, con la promoción
que recibían quienes estaban cerca de la corte en detrimento de los provinciales, y con todo el resto de los reclamos.

De este modo, varias derivaciones del arrianismo sobrevivieron en la mitad griega oriental del Imperio a pesar de
que el mundo oficial ya había regresado hacía rato al catolicismo. Esto también explica por qué, en la actualidad y
por todo el Este, se pueden encontrar grandes cantidades de cristianos cismáticos – mayormente monofisitas, a
veces nestorianos, algunas veces de comunidades menores – a quienes todos estos siglos de opresión mahometana
no consiguieron unir al cuerpo cristiano principal.

Lo que puso fin – no a estas sectas, por cuanto todavía existen, sino a su importancia – fue el súbito surgimiento de
esa enorme fuerza antagónica a todo el mundo griego: el Islam; la nueva herejía mahometana proveniente del
desierto que rápidamente se convirtió en una contra-religión y en implacable enemiga de todos los cuerpos
cristianos más antiguos. La muerte del arrianismo en el Este se produjo cuando los conquistadores árabes
convirtieron a la masa del Imperio Cristiano Oriental en un pantano. En vista de ese desastre, aquellos cristianos que
se habían mantenido independientes vieron en la ortodoxia su única posibilidad de supervivencia y es por ello que,
en el Este, hasta los efectos secundarios del arrianismo se extinguieron en los países libres del sojuzgamiento
mahometano.

En Occidente la suerte del arrianismo es bastante diferente. En Occidente, el arrianismo se extinguió por completo.
Cesó de ser. No dejó derivaciones que subsistieran.

Por lo general, se malinterpreta la historia de la muerte del arrianismo en Occidente porque la mayor parte de
nuestra Historia ha sido escrita hasta ahora sobre la base de una concepción equivocada acerca de cómo era la
sociedad cristiana europea en Europa Occidental durante los Siglos IV, V y VI – esto es: durante el período que se
extiende desde el momento en que Constantino deja Roma y funda la nueva capital del Imperio, Bizancio, y la fecha
en que, a principios del Siglo VI (de 633 en adelante) la invasión mahometana cae sobre el mundo.

Lo usual es que se nos diga que el Imperio Occidental fue arrollado por las tribus salvajes de los “godos” y los
“visigodos”, “vándalos”, “suevos” y “francos” que “conquistaron” esa parte del Imperio – es decir: Bretaña, Galia y la
parte civilizada de Alemania sobre el Rin y el Danubio superior, Italia, África del Norte y España.

El idioma oficial de toda esta región era el latín. La misa se celebraba en latín mientras que en la mayor parte del
Imperio Oriental se celebraba en griego. Las leyes estaban escritas en latín y todos los actos administrativos se
consignaban en latín. No hubo ninguna conquista bárbara sino una continuidad de lo que había estado sucediendo
durante siglos: la infiltración de personas desde fuera del Imperio hacia el Imperio porque, dentro del mismo, podían
acceder a las ventajas de la civilización. También está el hecho de que el ejército, del cual dependía todo, al final
estuvo casi completamente compuesto por bárbaros reclutados. A medida en que la sociedad se consolidó, resultó
difícil administrar lugares distantes, recolectar impuestos de sitios lejanos y llevarlos al tesoro central, o imponer un
edicto sobre regiones apartadas. Así, apareció la tendencia de dejar cada vez más al gobierno de estas regiones en
manos de los funcionarios principales de las tribus bárbaras – es decir: en manos de sus líderes y caudillos – quienes
a esta altura ya eran soldados romanos.

De esta manera se formaron gobiernos locales en Francia y en España, y hasta en Italia misma, los cuales aún cuando
se considerasen parte del Imperio, resultaron prácticamente independientes.

Por ejemplo, cuando se hizo difícil gobernar a Italia desde tan lejos como Constantinopla, el Emperador envió a un
general para gobernar en su nombre y, cuando este general se hizo demasiado fuerte, envió a otro general para
destituirlo. Este segundo general (Teodorico) también fue, como todos los demás, un jefe bárbaro por nacimiento
aunque su padre había sido incorporado al servicio romano y él mismo había sido educado en la corte del
Emperador.

Y este segundo general, a su vez, se volvió prácticamente independiente.

Lo mismo sucedió en el Sur de Francia y en España. Los generales locales tomaron el poder. Eran jefes bárbaros que
transmitieron este poder – esto es: la nominación de los cargos oficiales y la recolección de impuestos – a sus
descendientes.

Y después está el caso de África del Norte, la región que hoy llamamos Marruecos, Argelia y Túnez. Aquí, facciones
rivales, todas descontentas con el gobierno directo de Bizancio, convocaron a un grupo de soldados eslavos que
habían migrado hacia el Imperio Romano y que habían sido incorporados como una fuerza militar. Se los llamaba
vándalos y se hicieron cargo del gobierno de la provincia, establecido en Cartago.

Ahora bien, en materia religiosa todos estos gobiernos locales de Occidente (el general franco y su grupo de
soldados en el Norte de Francia; el visigodo en Francia del Sur y en España; el burgundio en el sudeste de Francia; el
otro godo en Italia; el vándalo en África del Norte) se hallaban en conflicto con el gobierno oficial del Imperio. El
franco al noreste de Francia, en lo que hoy llamamos Bélgica, todavía era pagano. Todos los demás eran arrianos.

Ya he explicado lo que esto significaba. Se trataba no tanto de una cuestión doctrinaria sino de una cuestión social. El
general godo y el general vándalo, que eran los jefes de sus propios soldados, sentían que era más meritorio ser
arriano que ser católico como la masa del populacho. Eran el ejército, y el ejército era algo demasiado importante
como para aceptar la religión popular general. Fue el sentimiento muy similar al que se puede ver sobreviviendo aún
en Irlanda, en lugares en dónde fue universal allí hasta hace poco: el sentimiento de que la “ascendencia” se
corresponde propiamente con el anti-catolicismo.

Desde el momento en que, en política, no hay mayor fuerza que ésta de la superioridad social, a las pequeñas cortes
locales les llevó mucho tiempo dejar caer su arrianismo. Las llamo pequeñas porque, si bien recolectaban impuestos
de áreas muy extensas, lo hacían meramente como administradores. Los números concretos eran exiguos,
comparados con la masa de la población católica.

Mientras los gobernadores y sus cortes en Italia, España, en la Galia y en África seguían aferrándose con orgullo a su
antigua denominación y carácter arrianos, hubo dos acontecimientos – uno súbito y el otro gradual – que
conspiraron tanto contra su poder local como contra su arrianismo.

Lo primero, lo súbito, fue el hecho que el general de los francos que había gobernado a Bélgica conquistó con su muy
pequeña fuerza a otro general del Norte de Francia; a un hombre cuyo distrito se hallaba ubicado al Oeste del suyo.
Ambos ejércitos eran absurdamente pequeños, de unos 4.000 hombres cada uno, y un muy buen ejemplo de lo que
eran aquellos tiempos está dado por el hecho que el ejército derrotado, después de la batalla, se unió
inmediatamente a los vencedores. También ilustra lo que era la época el hecho que a un general romano,
comandando no más de 4.000 hombres al comienzo y tan sólo 8.000 después del primer éxito, le pareciera
perfectamente natural hacerse cargo de los impuestos administrativos, los tribunales de justicia y todas las demás
estructuras imperiales de un distrito muy amplio. Se apoderó de la gran masa de Francia del Norte exactamente de
la misma manera en que sus colegas, con fuerzas similares, tomaron a su cargo la acción oficial en España, Italia y
otras partes.
Ahora bien, lo que sucedió es que este general franco (cuyo nombre real casi no conocemos porque nos ha sido
transmitido en varias formas distorsionadas pero que es más conocido como “Clovis”) era pagano; algo excepcional y
hasta escandaloso en las fuerzas militares de la época dónde casi todas las personas importantes se habían hecho
cristianas.

Pero este escándalo resultó ser una bendición inesperada para la Iglesia, porque a Clovis, siendo pagano y no
habiendo sido nunca arriano, era posible convertirlo directamente al catolicismo, a la religión popular; y cuando
aceptó el catolicismo, inmediatamente tuvo detrás de si a toda la fuerza de los millones de ciudadanos, al clero
organizado y a los obispados de la Iglesia. Se convirtió en el único general popular; todos los demás estaban en
conflicto con sus súbditos. Le fue fácil reclutar grandes cantidades de hombres armados dada la simpatía popular
que despertaba en ellos. Se apoderó del gobierno de los generales arrianos del Sur, derrotándolos con facilidad, y
sus tropas se convirtieron en la mayor fuerza militar del Imperio Occidental que hablaba en latín. No fue lo
suficientemente fuerte como para hacerse de Italia y de España, menos aún de África, pero desplazó el centro de
gravedad alejándolo de la tradición arriana del ejército romano, una tradición que a esta altura ya no albergaba más
que pequeños grupos en vías de extinción.

Baste lo dicho por el golpe súbito que afectó al arrianismo en Occidente. El proceso gradual que aceleró la
decadencia del arrianismo fue de una clase diferente. En la decadencia de la sociedad, con cada año que pasaba se
hacía más difícil recolectar impuestos, mantener un superávit y, por consiguiente, reparar caminos, puertos, edificios
públicos y mantener en orden todo el resto de la estructura pública.

Con esta decadencia financiera del gobierno y la desintegración social que la acompañaba, los pequeños grupos que
nominalmente constituían los gobiernos locales perdieron su prestigio. En, digamos, el año 450 era una gran cosa ser
arriano en París, o Toledo, o Cartago, o Arles, Tolosa o Ravenna; pero 100 años más tarde, hacia digamos el año 550,
el prestigio social del arrianismo había desaparecido. A cualquiera que quisiera “progresar” le convenía ser católico,
y los pequeños grupos arrianos en vías de desaparición terminaron siendo despreciados aún cuando su irritación los
llevó a actuar con salvajismo como ocurrió en África. Simplemente perdieron terreno.

La consecuencia fue que, después de cierta demora, todos los gobiernos arrianos de Occidente se hicieron católicos
(como en el caso de España) o bien, como sucedió en buena parte de Italia y en la totalidad del Norte de África,
fueron puestos otra vez bajo el gobierno directo del Imperio Romano desde Bizancio.

Este último experimento no continuó por mucho tiempo. Existió otro cuerpo de soldados bárbaros, todavía arrianos,
proveniente de las provincias del Noreste que se hicieron del gobierno en el centro-norte de Italia y, poco tiempo
después, la invasión mahometana barrió el Norte de África, pasó finalmente sobre España y hasta penetró en la
Galia. La administración romana directa, en lo concerniente a la Europa Occidental remanente, se extinguió. Su
última existencia efectiva en el Sur fue aplastada por el Islam. Pero mucho antes de que esto ocurriera, el arrianismo
en Occidente había muerto.

Ésta fue la forma en que desapareció la primera de las grandes herejías que amenazó en un momento dado con
minar y destruir la totalidad de la sociedad católica. El proceso había llevado casi 300 años y es interesante observar
que, en lo que se refiere a las doctrinas, aproximadamente esa misma cantidad de tiempo, o algo más, fue suficiente
para eliminar la sustancia de las múltiples herejías principales de los reformadores protestantes.

También ellos casi habían triunfado a mediados del Siglo XVI cuando Calvino, su figura principal, casi logra trastornar
a la monarquía francesa. También ellos perdieron completamente su vitalidad hacia mediados del Siglo XIX.
Trescientos años.

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Capítulo 4

La Gran y Persistente Herejía de Mahoma


A cualquier observador de los acontecimientos ocurridos durante los primeros años del Siglo VII – digamos desde el
600 al 630 – le hubiera parecido que, habiendo ocurrido solamente un gran ataque principal a la Iglesia Católica – el
arrianismo y sus derivados – y habiéndose repelido dicho ataque con una Fe victoriosa, la Iglesia se hallaba
asegurada por tiempo indefinido.

Era obvio que la Iglesia tendría que pelear por su vida contra elementos externos no-cristianos, esto es: contra el
paganismo. Los adoradores de la naturaleza de la alta civilización persa en el Este nos atacarían por las armas y
tratarían de sojuzgarnos. El paganismo salvaje de las tribus bárbaras escandinavas, germánicas, eslavas y mongoles,
en el Norte y Centro de Europa también atacarían al cristianismo tratando de destruirlo. Las poblaciones de Bizancio
continuarían haciendo desfilar concepciones herejes como una pantalla de sus reclamos. Pero, al menos, el principal
esfuerzo de herejía había fracasado – así parecía. Su objetivo, el deshacer una civilización católica unida, no había
sido alcanzado. De allí en más no había por qué temer que surgiera alguna herejía mayor; menos aún la consecuente
interrupción de la Cristiandad.

Para el 630 toda la Galia era católica desde hacía largo tiempo. El último de los generales arrianos y las guarniciones
en Italia y España se habían vuelto ortodoxos. Los generales y las guarniciones de África del Norte habían sido
conquistadas por los ejércitos ortodoxos del Emperador.

Y fue justo en ese momento, un momento de aparente universal y permanente catolicismo, que cayó un golpe
inesperado de inaudita magnitud y potencia. De pronto surgió el Islam. Vino del desierto y avasalló a la mitad de
nuestra civilización.

El Islam – la enseñanza de Mahoma – conquistó inmediatamente por las armas. Los conversos árabes de Mahoma
invadieron Siria y vencieron allí en dos grandes batallas; la primera sobre el Yarmuk, al Este de Palestina en las tierras
altas arriba del Jordán, y la segunda en la Mesopotamia. Continuaron invadiendo Egipto y empujaron más y más
hacia el corazón de nuestra civilización cristiana con toda su grandeza de Roma. Se establecieron por todo el Norte
de África; incursionaron en el Asia Anterior – aunque no se establecieron allí todavía. Ocasionalmente llegarían a
amenazar a la propia Constantinopla. Al final, después de una larga generación posterior a las primeras victorias en
Siria, cruzaron el Estrecho de Gibraltar y comenzaron a inundar Europa Occidental a través de España. Llegaron
incluso tan lejos como el mismo corazón de Francia del Norte, entre Poitiers y Tours, menos de cien años después de
sus primeras victorias en Siria del año 732.

Finalmente fueron rechazados hacia los Pirineos, pero continuaron manteniendo toda España, excepto la región
montañosa del noroeste. Dominaron toda el África romana, incluyendo Egipto y toda Siria. Dominaron la totalidad
del Mediterráneo oriental y occidental: ocuparon sus islas, saquearon y dejaron asentamientos fortificados hasta en
las costas de Galia y de Italia. Se expandieron poderosamente más allá del Asia Anterior, dominando la región persa.
Se convirtieron en una creciente amenaza para Constantinopla. En menos de cien años una parte sustancial del
mundo romano había caído bajo el poder de esta nueva y extraña fuerza surgida del desierto.

Nunca antes había habido una revolución comparable. Ningún ataque anterior había sido tan súbito, tan violento ni
tan permanentemente exitoso. En apenas un par de años después del primer asalto en 634, se perdió todo el
Levante Cristiano: Siria, la cuna de la Fe, y Egipto con Alejandría, la poderosa sede cristiana. Dentro de una
generación, la mitad de la riqueza y casi la mitad del territorio del Imperio Romano Cristiano estaba en manos de los
gobernantes y funcionarios mahometanos, y la masa de la población estaba siendo afectada cada vez más por este
nuevo fenómeno.

El gobierno mahometano y su influencia tomaron el lugar del gobierno cristiano y su influencia; y la mayor parte del
Mediterráneo, al Este y al Sur, comenzó a ser mahometana.

A continuación, seguiremos los avatares de este extraordinario fenómeno que aún hoy se llama Islam, es decir: “La
Aceptación”, de la moral y las simples doctrinas que Mahoma había predicado.

Más adelante describiré el origen histórico del fenómeno, dando las fechas de su progreso y las etapas de sus éxitos
originales. Describiré su consolidación, su creciente poder y la amenaza que representó para nuestra civilización.
Estuvo muy cerca de destruirnos. Sostuvo activamente una batalla contra la Cristiandad por mil años y la historia de
ninguna manera ha terminado; el poder del Islam puede resurgir en cualquier momento.
Pero antes de seguir esa historia debemos entender dos cosas fundamentales: primero, la naturaleza del
mahometanismo; segundo, la causa esencial de su súbito y casi milagroso éxito sobre miles de kilómetros de
territorio y millones de seres humanos.

El mahometanismo fue una herejía: ése es el punto esencial a comprender antes de seguir adelante. Comenzó como
una herejía y no como una nueva religión. No fue un contraste pagano a la Iglesia; no fue un enemigo foráneo. Fue
una perversión de la doctrina cristiana. Su vitalidad y su perdurabilidad pronto le dieron la apariencia de una nueva
religión, pero aquellos que fueron contemporáneos de su surgimiento lo vieron tal cual fue: no una negación sino
una adaptación y un abuso del fenómeno cristiano. Difirió de la mayoría de las herejías (y no de todas) en que no
surgió dentro del contexto de la Iglesia Cristiana. Para empezar, el jefe heresiarca, Mahoma mismo, no fue – como la
mayoría de los otros heresiarcas – un hombre de cuna y doctrina católicas. Provenía de los paganos. Pero lo que
enseñó fue en lo esencial una doctrina católica sobre-simplificada. Lo que inspiró sus convicciones fue el gran mundo
católico – sobre cuyas fronteras vivió, cuya influencia lo rodeaba y cuyos territorios conoció por sus viajes. Provino y
se mezcló con los idólatras retrógrados de los desiertos árabes a quienes los romanos nunca creyeron que valdría la
pena conquistar.

Adoptó muy pocas de las antiguas ideas paganas que pudieron haberle sido autóctonas dada su procedencia. Por el
contrario, predicó e insistió sobre todo un grupo de ideas que eran características de la Iglesia Católica y la
distinguían del paganismo al que había conquistado dentro de la civilización grecorromana. De este modo, el
fundamento mismo de su enseñanza fue la doctrina católica básica de la unidad y la omnipotencia de Dios. En lo
esencial, también tomó de la doctrina católica los atributos de Dios: la naturaleza personal, la infinita bondad, la
atemporalidad, la providencia divina, su poder creativo como origen de todas las cosas y el sostenimiento de todas
las cosas exclusivamente por su poder. El mundo de espíritus buenos y de ángeles y de espíritus malignos en
rebelión contra Dios formó parte de la enseñanza, con un espíritu maligno principal semejante al que la Cristiandad
había reconocido. Mahoma predicó con insistencia la doctrina católica básica relacionada con la dimensión humana
en cuanto a la inmortalidad del alma y la responsabilidad por las acciones durante esta vida, conjuntamente con la
doctrina de las consecuencias del premio y del castigo después de la muerte.

Elaborando un detalle de los puntos que el catolicismo ortodoxo tiene en común con el mahometanismo – y
limitándose tan sólo a dichos puntos, sin ir más lejos – uno podría imaginar que no tendría que haber habido motivos
de conflicto. En este sentido, Mahoma parecería ser casi algo así como una especie de misionero predicando y
difundiendo, a través de la energía de su carácter, las principales y fundamentales doctrinas de la Iglesia Católica
entre quienes hasta ese momento no eran más que unos atrasados paganos del desierto. Mahoma le rindió la mayor
reverencia a Jesús, e incluso, si vamos al caso, también a María. El día del juicio final (otra de las ideas católicas que
enseñó) sería Nuestro Señor – y no él, Mahoma – quien juzgaría a la humanidad. La madre de Cristo, Nuestra Señora,
“la Señora Miriam”, fue siempre para Mahoma la principal entre las mujeres. Sus seguidores hasta recibieron de los
primeros padres de la Iglesia alguna vaga noción de su Inmaculada Concepción [7].

Pero la cuestión central, con la cual esta nueva herejía atacó mortalmente a la tradición católica, fue la negación
completa de la Encarnación.

Mahoma no dio meramente los primeros pasos hacia esa negación, de la forma en que lo habían hecho los arrianos y
sus seguidores. Adelantó una clara afirmación, plena y completa, contra toda la doctrina relativa a un Dios
encarnado. Enseñó que Nuestro Señor fue el mayor de todos los profetas, pero aún así tan sólo un profeta: un
hombre igual a los demás hombres. Eliminó a la Trinidad por completo.

Con esa negación de la Encarnación desechó la totalidad de la estructura sacramental. Se negó por completo a
reconocer la Eucaristía con su Presencia Real; suprimió el sacrificio de la Misa y, por lo tanto, la institución de un
sacerdocio especial. En otras palabras, como tantos otros heresiarcas menores, basó su herejía sobre la
simplificación.

Según Mahoma, la doctrina católica era verdadera (al menos eso parecía decir), pero se había vuelto saturada de
falsos agregados; complicada con innecesarias adiciones humanas, incluyendo la idea de que su fundador era divino
y el crecimiento de una casta parásita de sacerdotes encerrados en un tardío sistema fantasioso de sacramentos que
sólo ellos podían administrar. Todos esos agregados corruptos, según Mahoma, debían ser erradicados.
Hay así una buena cantidad de cosas en común entre el entusiasmo con el cual las enseñanzas de Mahoma atacaron
al clero, la Misa y los sacramentos, y el entusiasmo con el cual el calvinismo – la fuerza motriz central de la Reforma
– hizo lo mismo. Como todos sabemos, Mahoma con su nueva enseñanza relajó las leyes del matrimonio – pero en la
práctica esto no afectó a la masa de sus seguidores que permaneció siendo monógama. Hizo el divorcio lo más fácil
posible, ya que la idea sacramental del matrimonio desapareció. Insistió en la igualdad de los hombres y,
necesariamente, incluyó también ese otro factor que lo hace similar al calvinismo: el sentido de la predestinación, el
sentido de la fatalidad; el sentido de eso que los seguidores de John Knox siempre llamaron “los inmutables decretos
de Dios”.

En la masa de sus seguidores la enseñanza de Mahoma nunca desarrolló una teología detallada. Tampoco se
desarrolló en la propia mente de su creador. Mahoma se contentó con aceptar del esquema católico todo aquello
que le gustó y con rechazar todo aquello que le pareció – a él y a tantos otros de su época – demasiado complicado o
demasiado misterioso como para ser cierto. La nota distintiva de todo el asunto fue la simplicidad y, desde el
momento en que todas las herejías toman su fuerza de alguna doctrina verdadera, el mahometanismo adquirió su
fuerza de las doctrinas católicas verdaderas que retuvo: la igualdad de todos los hombres ante Dios; “todos los
verdaderos creyentes son hermanos”. Predicó con celo e impulsó al máximo las reivindicaciones de justicia, tanto en
lo social como en lo económico.

Ahora bien, ¿por qué esta nueva, simple y enérgica herejía tuvo ese apabullante y súbito éxito?

Una de las respuestas es que ganó batallas. Las ganó inmediatamente, como veremos cuando lleguemos a la Historia
del fenómeno. Pero el ganar batallas no podría haber hecho al Islam permanente, ni siquiera fuerte, si no hubiera
existido un estado de cosas que hacía esperar un mensaje semejante facilitando su aceptación.

Tanto en el mundo del Asia Anterior como en el mundo grecorromano del Mediterráneo, pero especialmente en
este último, la sociedad había caído – en forma bastante similar a nuestra sociedad actual – en un caos dónde el
grueso de las personas se hallaban decepcionadas y furiosas buscando una solución a toda una serie de tensiones
sociales. Por todas partes imperaba el endeudamiento, el poder del dinero y de la consiguiente usura. Había
esclavitud por todas partes. La sociedad se basaba sobre ella al igual que la nuestra se basa sobre la esclavitud
asalariada actual. Había cansancio y disconformidad con el debate teológico que, aún a pesar de toda su intensidad,
había perdido el contacto con las masas. Sobre los hombres libres, ya torturados por el endeudamiento, presionaba
una pesada carga de impuestos imperiales, a lo cual se sumaba la irritación por la existencia de un gobierno central
que interfería con la vida de las personas y, además, también estaba la tiranía de los jurisconsultos y sus honorarios.

Frente a todo ello, el Islam representó un amplio alivio y una solución a las tensiones. El esclavo que admitía que
Mahoma era el profeta de Dios y que la nueva enseñanza tenía, por ende, autoridad divina, cesaba de ser esclavo. El
esclavo que adoptaba el Islam era libre de allí en más. El deudor que “aceptaba”, se libraba de sus deudas. La usura
quedaba prohibida. El pequeño campesino no sólo se libraba de sus deudas sino también de la aplastantes carga de
impuestos. Y por sobre todo, se podía acceder a la justicia sin tener que comprarla a los jurisconsultos. . . En teoría al
menos. En la práctica las cosas no eran ni cercanamente tan absolutas. Más de un converso siguió siendo deudor,
muchos continuaron siendo esclavos. Pero allí en donde el Islam conquistó, apareció un nuevo espíritu de libertad y
de alivio.

Lo que formó la fuerza impulsora de la sorprendente victoria social mahometana fue la combinación de todos estos
factores: la atractiva simplicidad de la doctrina, la eliminación de la disciplina clerical e imperial, la enorme y práctica
ventaja de la libertad para el esclavo y la eliminación de la ansiedad para el deudor, la ventaja suprema de una
justicia gratuita operando bajo algunas pocas y simples leyes nuevas fáciles de comprender. En todas partes las
cortes fueron accesibles para cualquiera, sin pago alguno y producían veredictos que todos podían entender. El
movimiento mahometano fue esencialmente una “Reforma” y podemos descubrir numerosas afinidades entre el
Islam y los reformadores protestantes en cuanto a las imágenes, la Misa, el celibato, etc.

Lo maravilloso parece ser no tanto que la nueva emancipación se expandiese entre los hombres en forma muy
similar a como imaginamos que el comunismo se puede extender a través de nuestro actual mundo industrial. Lo
maravilloso es que aún así persistió – y persistió por generaciones – una prolongada y terca resistencia al
mahometanismo.
Creo que tenemos delineada así la naturaleza del Islam y de su primera llamarada victoriosa original.

Por lo que acabamos de ver, la principal causa de la extraordinariamente rápida expansión del Islam fue una
sociedad complicada y fatigada, cargada con la institución de la esclavitud; una sociedad en la cual millones de
campesinos en Egipto, Siria y el Este, aplastados por la usura y pesados impuestos, recibieron un alivio por parte del
nuevo credo o más bien de la nueva herejía. Su nota distintiva fue la simplicidad y, por lo tanto, se adecuaba a la
mente popular en una sociedad en la cual hasta ese momento una clase restringida se había dedicado a sus peleas
teológicas y políticas.

Ése es el principal factor que explica la súbita expansión del Islam después de su primer victoria armada sobre los
ejércitos y no tanto sobre los pueblos del Imperio Oriental de habla griega. Pero esto solo no explicaría otros dos
triunfos igualmente sorprendentes. El primero de ellos fue la capacidad demostrada por la nueva herejía para
absorber los pueblos asiáticos del Cercano Oriente, la Mesopotamia y las tierras montañosas entre ésta y la India. El
segundo fue la riqueza y el esplendor del Califato (esto es: de la monarquía mahometana central) durante las
generaciones inmediatamente posteriores a la primera oleada victoriosa.

El primero de estos puntos – la expansión por Mesopotamia, Persia y la zona montañosa hasta la India – no se debió,
como en el caso de los súbitos éxitos en Siria y Egipto, a la apelación a la simplicidad, a la liberación de la esclavitud y
a la cancelación de deudas. Obedeció a cierto carácter histórico, subyacente en el Cercano Oriente, que siempre ha
influenciado a su sociedad y continúa influenciándola hasta el día de hoy. Ese carácter es una suerte de natural
uniformidad. Desde tiempos anteriores a todo registro histórico conocido, a ese carácter le es inherente una general
similitud sociocultural y una especie de instinto de obediencia a una única autoridad religiosa que al mismo tiempo
es también la autoridad civil. Cuando hablamos del secular conflicto entre el Asia y Occidente, por la palabra “Asia”
nos referimos a toda esa población dispersa por la tierra montañosa que se extiende más allá de la Mesopotamia
hacia la India; a su permanente influencia sobre las llanuras mesopotámicas mismas y a su potencial influencia
incluso sobre las tierras altas y la costa marítima de Siria y Palestina.

La lucha entre el Asia y Europa oscila a lo largo de un amplio período de tiempo como una marea que sube y que
baja. Durante casi mil años, desde la conquista de Alejandro hasta el advenimiento de los reformadores
mahometanos (333 AC – 634 DC) la marea fluyó hacia el Este; vale decir: influencias occidentales – griegas y luego
grecorromanas – inundaron la tierra en disputa. Por un corto período de alrededor de dos siglos y medio a tres
siglos, hasta la Mesopotamia fue superficialmente griega – en su clase gobernante al menos. Luego de ello, el Asia
comenzó a refluir hacia el Occidente. El antiguo Imperio Romano pagano y el Imperio Cristiano que lo sucedió y que
estaba gobernado desde Constantinopla nunca fueron capaces de mantener permanentemente las tierras más allá
del Éufrates. El nuevo empuje del Asia en dirección al Oeste fue dirigido por los persas, y los persas y los partos (que
eran un sector de los persas) no sólo mantuvieron su dominio sobre la Mesopotamia sino que fueron capaces de
realizar incursiones dentro del territorio romano mismo hasta el mismo final de dicho período. En los últimos
escasos años antes de la aparición del mahometanismo ya habían aparecido en el Mediterráneo y habían saqueado a
Jerusalén.

Ahora bien, cuando el Islam vino desde el desierto con sus primeras furiosas cargas de caballería, reforzó
poderosamente esta tendencia del Asia a reafirmarse. La uniformidad de ánimo, que es la marca distintiva de la
sociedad asiática, respondió inmediatamente a esta nueva idea de una muy simple y personal forma de gobierno,
santificada por la religión, gobernando con un poder teóricamente absoluto desde un único centro. Bagdad, con el
Califato una vez establecido en ella, volvió a ser justamente lo que Babilonia había sido: la capital central de una
vasta sociedad que le marcaba el tono a todas las tierras desde las fronteras con la India hasta Egipto y más allá.

Pero aún más espectacular que la inundación de toda el Asia Anterior con el mahometanismo en una generación, fue
la riqueza, el esplendor y la cultura del nuevo Imperio Islámico. En aquellos siglos (la mayor parte del VII, todo el VIII
y el IX) el Islam fue la más alta civilización material de nuestro mundo occidental. La ciudad de Constantinopla
también era muy rica y gozaba de una muy alta civilización que se irradiaba sobre las provincias dependientes –
Grecia y el borde marítimo del Egeo y las tierras altas del Asia Menor – pero estaba focalizada en la ciudad imperial.
En la mayor parte de las regiones campesinas la cultura se hallaba en declinación. Y esto era notoriamente así en el
Oeste. Galia, Bretaña, en algún grado Italia y el valle del Danubio recayeron en la barbarie. Estas regiones nunca
llegaron a ser completamente bárbaras, ni siquiera en el caso de Bretaña que era la más remota; pero quedaron
saqueadas, empobrecidas y carentes de un gobierno apropiado. Desde el Siglo V hasta principios del XI (digamos,
entre 450 y 1030) se extiende el período que llamamos “La Edad Oscura” de Europa – a pesar del experimento de
Carlomagno.

Vaya lo dicho por el mundo cristiano de aquella época en contra del cual el Islam estaba comenzando a presionar en
forma tan pesada. Había perdido a manos del Islam la totalidad de España y ciertas islas y costas del Mediterráneo
central también. La Cristiandad estaba siendo sitiada por el Islam. El Islam nos enfrentaba no sólo con un esplendor
dominante, con riquezas y con poder sino – y esto es más importante todavía – con un conocimiento superior en
materia de ciencias prácticas y aplicadas.

El Islam preservó a los filósofos griegos, a los matemáticos griegos y a sus obras, a la ciencia física de los anteriores
escritores griegos y romanos. El Islam estaba también por lejos más alfabetizado que la Cristiandad. En la masa de
Occidente la mayoría de las personas se habían vuelto analfabetas. Incluso en Constantinopla, el leer y escribir no
era algo tan común como en el mundo gobernado por el Califa.

Podríamos resumir diciendo que el contraste entre el mundo mahometano de aquellos primeros siglos y el mundo
cristiano al cual amenazaba con sojuzgar era como el contraste que existe entre un Estado moderno industrializado y
un Estado vecino atrasado y subdesarrollado; un contraste como, pongamos por caso, la Alemania actual y su vecino
ruso. [8] De hecho, el contraste no fue tan grande como eso, pero el paralelo ayuda a comprenderlo. Durante los
siglos por venir, el Islam continuaría siendo una amenaza, aún a pesar de que España fue reconquistada. En el Este se
convirtió en más que una amenaza y se expandió continuamente durante setecientos años hasta que consiguió
dominar los Balcanes, la planicie de Hungría y casi llega a ocupar a Europa Oriental misma. El Islam fue la única
herejía a la que poco le faltó para destruir a la Cristiandad a través de su temprana superioridad material e
intelectual.

Ahora bien ¿por qué sucedió esto? Parece inexplicable si recordamos los liderazgos personales inciertos y
mezquinos, los continuos cambios en las dinastías locales, la base cambiante del esfuerzo mahometano. Ese esfuerzo
comenzó con el ataque de unos muy escasos miles de jinetes del desierto, tan impulsados por su afán de saqueo
como por su entusiasmo por las nuevas doctrinas. Esas doctrinas le habían sido predicadas a un cuerpo muy disperso
de nómades que no podían presumir más que de muy pocos centros permanentemente habitados. Se originaron en
un hombre ciertamente excepcional por la intensidad de su genio, probablemente más que medio convencido,
probablemente también un poco loco, pero que nunca había demostrado tener habilidad constructora. Y sin
embargo el Islam conquistó.

Mahoma fue un camellero que tuvo la buena suerte de concertar un matrimonio favorable con una mujer rica mayor
que él. Desde la seguridad de esa posición, desarrolló sus visiones y sus entusiasmos, e hizo su propaganda. Pero
todo ello de un modo ignorante y a muy pequeña escala. No existió una organización y, en el momento en que las
primeras bandas tuvieron éxito en la batalla, los caudillos comenzaron a pelearse entre si; y no sólo a pelearse sino a
asesinarse entre si. Después del asalto original, la Historia de toda la primera generación y algo más – la Historia del
gobierno mahometano (en la medida en que lo fue) mientras estuvo centrado en Damasco – es una historia de
intrigas y asesinatos sucesivos. Sin embargo, cuando apareció la segunda dinastía – la de los abasidas, que gobernó
al Islam durante largo tiempo con su capital más hacia el Este, en Bagdad, sobre el Éufrates, y que restauró la antigua
dominación de la Mesopotamia sobre Siria, gobernando también a Egipto y a todo el mundo mahometano – surgió
ese esplendor, esa ciencia, ese poder material y esa riqueza de la que he hablado y que deslumbró a todos sus
contemporáneos. Con lo que debemos reiterar la pregunta: ¿por qué se produjo esto?

La respuesta está en la misma naturaleza de la conquista mahometana. Esa conquista no destruyó, como con tanta
frecuencia se repite, de inmediato todo lo que encontró en su camino; no exterminó a todos los que no querían
aceptar el Islam. Hizo justamente lo contrario. De entre todos los poderes que gobernaron aquellas regiones a lo
largo de la Historia se destacó por lo que equivocadamente se ha dado en llamar su “tolerancia”. El ánimo
mahometano no fue tolerante. Por el contrario, fue fanático y sangriento. No sintió respeto, ni siquiera curiosidad,
por aquellos de quienes se diferenciaba. Estuvo absurdamente pagado de si mismo, considerando con desprecio a la
alta cultura cristiana que lo rodeaba. La sigue considerando así hasta el día de hoy.

Pero los conquistadores, y aquellos a quienes convertían y reclutaban de entre las poblaciones nativas, seguían
siendo demasiado pocos para gobernar por la fuerza. Y (más importante aún) no tenían ni idea de organización.
Siempre habían sido negligentes y oportunistas. Por consiguiente, una mayoría muy amplia de los conquistados
siguió con sus viejos hábitos de vida y de religión.

Lentamente la influencia del Islam se extendió entre ellos también, pero durante los primeros siglos la gran mayoría
de Siria y hasta de la Mesopotamia y Egipto, siguió siendo cristiana manteniendo la Misa cristiana, los Evangelios
cristianos y toda la tradición cristiana. Fueron ellos los que preservaron la civilización grecorromana de la cual
descendían y fue esa civilización, sobreviviendo bajo la superficie del gobierno mahometano, la que ofreció su saber
y su poder material a los amplios territorios que debemos denominar, aún en un momento tan temprano, como “el
mundo mahometano” a pesar de que el grueso del mismo todavía no era mahometano en su credo.

Pero hay todavía otra causa más y que es la de mayor importancia. La causa fiscal: la apabullante riqueza del
temprano califato mahometano. En todas partes la conquista mahometana alivió la suerte del mercader y el
campesino, el negociador y el propietario. Una masa de usura fue barrida a un costado, al igual que el intrincado
sistema impositivo que se había atascado, arruinando al contribuyente sin brindar los correspondientes beneficios al
gobierno. Lo que hicieron los conquistadores árabes y sus sucesores en la Mesopotamia fue reemplazar todo ello por
un sistema tributario simple y directo.

Todo lo que no era mahometano en el inmenso Imperio Mahometano – esto es: la mayoría de su población – estaba
sujeto a un tributo especial; y fue este tributo el que proporcionó directamente la riqueza al poder central, al
beneficio del Califa, sin las pérdidas ocasionadas por una intrincada burocracia. Ese ingreso permaneció siendo
enorme durante todas las primeras generaciones. El resultado fue el que siempre sigue después de una alta
concentración de riqueza en un centro de gobierno; la totalidad de la sociedad gobernada desde dicho centro reflejó
la opulencia de sus dirigentes.

Aquí tenemos, pues, la explicación de ese extraño, único, fenómeno de la Historia: una revuelta contra la civilización
que no destruyó la civilización; una herejía voraz que no destruyó a la religión cristiana contra la cual estaba dirigida.

El mundo del Islam se convirtió y por largo tiempo continuó siendo, el heredero de la antigua cultura grecorromana y
el preservador de la misma. De allí es que, como caso único entre todas las grandes herejías, el mahometanismo no
sólo sobrevivió sino que sigue siendo, después de casi catorce siglos, espiritualmente tan fuerte como siempre. Con
el tiempo echó raíces y estableció una civilización propia en contra de la nuestra y rivalizando permanentemente con
la nuestra.

Después de haber entendido por qué el Islam, la más formidable de las herejías, adquirió su fuerza y su
sorprendente éxito, tenemos que tratar de entender por qué fue la única herejía que sobrevivió con plena potencia
e incluso continúa expandiéndose (en cierto modo) hasta el día de hoy.

Este es un punto de decisiva importancia para comprender no sólo nuestra cuestión sino la Historia del mundo en
general. No obstante, es un tema que, desafortunadamente, casi ni se ha discutido en el mundo moderno.

Millones de personas modernas de la civilización blanca – esto es: de la civilización de Europa y de América – lo han
olvidado todo acerca del Islam. Nunca entraron en contacto con él. Dan por sentado que está decayendo y que, de
todos modos, es tan sólo una religión foránea que no les tiene que importar. De hecho, es el enemigo más
formidable y persistente que nuestra civilización ha tenido y puede volverse una enorme amenaza en el futuro así
como lo fue en el pasado.

Al tema de su amenaza futura regresaré al final de estas páginas sobre el mahometanismo.

Todas las grandes herejías – excepto esta del mahometanismo – parecen pasar por las mismas fases.

Primero surgen con gran violencia y se ponen de moda; lo hacen insistiendo en forma exagerada sobre alguna de las
grandes doctrinas católicas; y porque las grandes doctrinas católicas combinadas forman la única filosofía completa y
satisfactoria conocida por la humanidad, cada doctrina está íntimamente relacionada con un atractivo especial.

Así, el arrianismo insistió en la unidad de Dios, combinada con la majestad y el poder creador de Nuestro Señor. Al
mismo tiempo apeló a las mentes imperfectas porque trató de racionalizar un misterio. El calvinismo a su vez tuvo
un gran éxito porque insistió en otra doctrina principal, la de la omnipotencia y omnisciencia de Dios. Sacó a todo el
resto fuera de proporción y se equivocó violentamente con la predestinación; pero tuvo sus momentos de triunfo
cuando pareció que conquistaría a toda nuestra civilización – algo que hubiera conseguido si los franceses no lo
hubieran combatido en su gran guerra religiosa conquistando sus adherentes sobre ese suelo de la Galia que
siempre ha sido el campo de batalla y el banco de pruebas de las ideas europeas.

Después de esta primera fase, cuando las herejías están con su vigor inicial y se extienden como un incendio de
persona a persona, sobreviene una segunda fase de declinación que dura, aparentemente (de acuerdo a alguna
oscura regla), cerca de unas cinco o seis generaciones: digamos un par de siglos o poco más. Los adherentes a la
herejía se vuelven menos numerosos y menos convencidos hasta que finalmente sólo una reducida cantidad puede
ser llamada plena y fielmente seguidora del movimiento original.

A esto le sigue la tercera fase, cuando la herejía desaparece por completo como dogma: ya nadie cree en la doctrina,
o bien queda siendo creyente solamente una fracción tan minúscula que ya no cuenta. Pero los factores sociales y
morales de la herejía permanecen y pueden seguir teniendo efectos poderosos por generaciones adicionales. Lo
vemos en el caso del calvinismo en la actualidad. El calvinismo engendró al movimiento puritano y de él surgió como
consecuencia necesaria el aislamiento del alma, el retroceso de la acción social corporativa, la competencia
irrestricta, la codicia y por último el establecimiento pleno de lo que llamamos “capitalismo industrial” a raíz del cual
nuestra civilización se halla en peligro por el descontento de una amplia mayoría indigente frente a sus escasos amos
plutocráticos. Ya no queda nadie, excepto quizás un puñado de personas en Escocia, que realmente cree en las
doctrinas que Calvino enseñó; pero el espíritu del calvinismo sigue siendo muy fuerte en los países que
originalmente infectara y sus frutos sociales permanecen.

Ahora bien, en el caso del Islam nada de esto sucedió, excepto la primera fase. No hubo segunda fase o gradual
declinación en la cantidad y en la convicción de sus seguidores. Por el contrario, el Islam creció en fuerza adquiriendo
más y más territorios, convirtiendo a más y más seguidores, hasta que se estableció como una civilización bastante
separada y llegó a ser algo tan parecido a una nueva religión que la mayoría de las personas olvidó que en su origen
había sido una herejía.

El Islam creció no sólo en la cantidad y en la convicción de sus seguidores, sino en territorio y en poder político y
militar real hasta cerca del Siglo XVIII. Menos de 100 años antes de la guerra por la independencia norteamericana
un ejército mahometano estaba amenazando con invadir y destruir la civilización cristiana y lo hubiera conseguido si
el rey católico de Polonia no hubiera destruido a ese ejército en las afueras de Viena.

Desde entonces el poder militar del mahometanismo ha declinado, pero no ha declinado en forma apreciable ni la
cantidad ni la convicción de sus seguidores y, en cuanto a los territorios que anexó, a pesar de que perdió lugares en
los que había gobernado sobre mayorías de súbditos cristianos, ganó nuevos adherentes – en cierta medida en Asia
y mayormente en África. De hecho, en el África continúa expandiéndose entre las poblaciones negroides y dicha
expansión representa un importante problema futuro para los gobiernos europeos que se han dividido el África
entre ellos.

Y existe una cuestión adicional en conexión con este poder del Islam. El Islam es, aparentemente, inconvertible.

Los esfuerzos misioneros llevados a cabo por grandes Órdenes católicas que durante casi 400 años se han ocupado
de tratar de convertir a los mahometanos al cristianismo han fallado por completo en todas partes. En algunas
partes hemos expulsado al amo mahometano y liberado a sus súbditos cristianos del control mahometano, pero
difícilmente hemos logrado efecto alguno en materia de convertir a mahometanos individuales, excepto quizás una
pequeña cantidad en el Sur de España hace 500 años atrás; y aún ello fue más bien un ejemplo de cambio político
que de cambio religioso.

Ahora bien, ¿cómo se explica todo esto? ¿Por qué, de entre todas las herejías, sólo el Islam ha de exhibir esta
continua vitalidad?

Quienes simpatizan con el mahometanismo, y más aún aquellos que son realmente mahometanos, lo explican
proclamando que es la mejor y más humana de las religiones, la mejor adaptada a la humanidad y la más atractiva.

Por extraño que parezca, existe cierta cantidad de personas altamente educadas, caballeros europeos, que de hecho
se han unido al Islam; esto es: que se han convertido personalmente al mahometanismo. Yo mismo he conocido y he
hablado con algo así como media docena de ellos en varias partes del mundo y existe una cantidad muchísimo
mayor de personas similares, europeos bien instruidos, quienes habiendo perdido la fe en el catolicismo o en alguna
forma de protestantismo en la que fueron educados, sienten simpatía por el esquema social mahometano a pesar de
que no se unen a él ni profesan una fe en su religión. Constantemente nos encontramos con personas de esta clase
entre quienes han viajado por el Este.

Estas personas dan siempre la misma respuesta: el Islam es indestructible porque está fundado sobre la simplicidad
y la justicia. Ha mantenido aquellas doctrinas cristianas que son evidentemente verdaderas y que apelan al sentido
común de millones de seres y se ha desembarazado de la clerecía, los misterios, los sacramentos y todo el resto.
Proclama y practica la igualdad humana. Ama la justicia y prohíbe la usura. Produce una sociedad en la cual las
personas son más felices y perciben su propia dignidad más que en cualquier otra. Ésa es su fuerza y esto es por qué
sigue convirtiendo personas, perdura, y quizás volverá a tener poder en un futuro cercano.

Ahora bien, no creo que esa explicación sea la verdadera. Toda herejía habla en esos términos. Toda herejía dirá que
ha purificado la corrupción de las doctrinas cristianas y que, en general, no ha hecho más que bien a la humanidad
satisfaciendo el alma humana y así sucesivamente. Y sin embargo, todas excepto el mahometanismo se han
desvanecido. ¿Por qué?

A fin de hallar la respuesta al problema tenemos que subrayar en qué difiere la trayectoria del Islam de todas las
demás grandes herejías y cuando hayamos destacado eso creo que tendremos la clave de la verdad.

El Islam se ha diferenciado de todas las demás herejías en dos cuestiones principales que deben ser cuidadosamente
tenidas en cuenta:

1)- No surgió dentro de la Iglesia, esto es, dentro de las fronteras de nuestra civilización. Su heresiarca no fue un
hombre originalmente católico que condujo hacia otro lado a sus seguidores católicos mediante su novedosa
doctrina como lo hicieron Arrio y Calvino. Fue un marginal nacido pagano, que vivió entre paganos y nunca se
bautizó. Adoptó doctrinas cristianas y las seleccionó de un modo auténticamente herético. Dejó caer aquellas que no
le convenían e insistió en las otras que sí le interesaban – lo que constituye la característica del heresiarca – pero no
lo hizo desde adentro; su acción fue externa.

Aquellos primeros feroces ejércitos de nómadas árabes que obtuvieron asombrosas victorias en Siria y Egipto sobre
el mundo católico de principios del Siglo VII estaban constituidos por hombres que habían sido paganos en su
totalidad antes de volverse mahometanos. No hubo entre ellos ningún catolicismo previo al cual pudiesen retornar.

2)- Este cuerpo islámico, que atacó a la Cristiandad desde más allá de sus fronteras y no desde adentro de ellas,
continuó engrosándose constantemente con elementos combativos del tipo más fuerte, reclutados de la oscuridad
exterior pagana.

Este reclutamiento se produjo por oleadas, incesantemente, a través de siglos y hasta el fin de la Edad Media. Fue
principalmente un reclutamiento de mongoles del Asia (aunque una parte del mismo fue de bereberes del Norte de
África) y constituyó un incesante, recurrente, impacto de nuevos adherentes – conquistadores y guerreros al igual
que lo habían sido los árabes originales – que le dieron al Islam su formidable resistencia y continuidad en el poder.

No mucho tiempo después de la primera conquista de Siria y Egipto pareció que la entusiasta nueva herejía fallaría a
pesar de su deslumbrante y súbito triunfo. La continuidad de su dirigencia se interrumpió. Lo mismo le sucedió a la
unidad política de todo el esquema. La capital original del movimiento era Damasco y al principio el mahometanismo
era un fenómeno sirio (y, por extensión, egipcio); pero después de un corto tiempo el quiebre se hizo evidente.
Comenzó a gobernar una nueva dinastía desde la Mesopotamia y ya no más de Siria. Los distritos occidentales, esto
es: el Norte de África y España (después de la conquista de España) formaron un gobierno político aparte bajo una
soberanía diferente. Pero los califas de Bagdad comenzaron a apoyarse en una guardia personal de guerreros
mercenarios mongoles provenientes de las estepas del Asia.

Los mongoles nómades (quienes, después del Siglo V vinieron en reiteradas oleadas al asalto de nuestra civilización)
tuvieron como característica la de ser guerreros indomables y, al mismo tiempo, casi puramente destructivos.
Masacraron a millones; quemaron y destruyeron; convirtieron distritos fértiles en desiertos. Parecían incapaces de
un esfuerzo creativo.
En el Occidente Cristiano, hubo dos ocasiones en las que apenas si escapamos de una destrucción final a manos de
ellos. La primera vez fue cuando derrotamos al gran ejército asiático de Atila cerca de Chalons en Francia, a
mediados del Siglo V (y no antes de que cometiera enormes devastaciones y dejara ruinas detrás suyo por todas
partes). La segunda vez fue en el Siglo XIII, 800 años más tarde, cuando el avance del poder mongol asiático fue
detenido, no por nuestros ejércitos sino por la muerte del hombre que lo había concentrado en su mano. Pero el
avance no se detuvo antes de haber alcanzado el Norte de Italia y en vías de aproximarse a Venecia. [9]

Fue el reclutamiento de guardias de corps mongoles de esta clase en sucesivos contingentes lo que mantuvo al Islam
en marcha y evitó que sufriera el destino que todas las otras herejías habían sufrido. Mantuvo al Islam golpeando
como un ariete desde fuera de las fronteras de Europa, produciendo brechas en nuestras defensas y penetrando
más y más en lo que habían sido territorios cristianos.

Los invasores mongoles aceptaron el Islam de buena gana; los hombres que sirvieron como soldados mercenarios y
constituyeron el poder real de los Califas estaban bastante dispuestos a adecuarse a los simples requerimientos del
mahometanismo. No poseían una religión propia lo suficientemente fuerte como para contrarrestar los efectos de
aquellas doctrinas del Islam las cuales, aún mutiladas como lo estaban, eran doctrinas cristianas en lo esencial que
afirmaban la unidad y la majestad de Dios, la inmortalidad del alma y todo lo demás. Los mercenarios mongoles se
sintieron atraídos por estas doctrinas principales y las adoptaron con facilidad. Se volvieron buenos musulmanes y,
como soldados que sostenían a los Califas, se hicieron así propagadores y sustentadores del Islam.

Cuando en el corazón de la Edad Media pareció otra vez que el Islam había fracasado, entró en escena un nuevo
contingente de soldados mongoles, “turcos” de nombre, y salvó nuevamente el destino del mahometanismo, aún
cuando el proceso comenzó con la más abominable destrucción de esa civilización que el mahometanismo había
preservado hasta entonces. Por eso es que, a lo largo del conflicto de las Cruzadas, los cristianos consideraron al
enemigo como “el turco” – un nombre genérico aplicado a muchas de estas tribus nómades. Los predicadores
cristianos de las Cruzadas, al igual que los jefes militares de los soldados y los cruzados en sus canciones, mencionan
“al turco” como el enemigo con mucha mayor frecuencia que al mahometanismo en general.

A pesar de la ventaja de estar alimentada por un reclutamiento constante, la presión del mahometanismo sobre la
Cristiandad podría haber fallado después de todo si hubiera tenido éxito un esfuerzo supremo realizado para aliviar
esa presión sobre el Occidente Cristiano. Ese esfuerzo supremo fue hecho en medio de todo el proceso (entre el
1095 y el 1200) y la Historia lo conoce como “Las Cruzadas”. La Cristiandad católica consiguió reconquistar España;
casi consigue empujar al mahometanismo fuera de Siria y salvar a la civilización cristiana del Asia aislando al
mahometano asiático del africano. Si lo hubiera conseguido del todo, quizás el mahometanismo hubiese muerto.

Pero las Cruzadas fracasaron. Su fracaso es la mayor tragedia en la Historia de nuestra lucha contra el Islam, esto es:
en la lucha contra el Asia y el Este.

Por lo que, en lo que sigue, describiré qué fueron las Cruzadas y por qué y cómo fracasaron.

El éxito del mahometanismo no se debió a que ofreció algo más satisfactorio en materia de filosofía o de moral sino,
como ya he señalado, a la oportunidad que brindó para la libertad del esclavo y el deudor, a su extrema simpleza
que agradó a las masas poco inteligentes, perplejas por los misterios que eran inseparables de la profunda vida
intelectual del catolicismo y de su radical doctrina de la Encarnación. Pero se estaba expandiendo y pareció que se
dirigía a obtener una victoria universal, como sucede al comienzo con todas las herejías, porque era la tendencia de
moda; la tendencia que conquistaba.

Ahora bien, cuando las grandes herejías adquieren el impulso de ser la tendencia de moda, en la mente cristiana y
católica surge una reacción que gradualmente empuja la corriente hacia atrás, se libera de la toxina y restablece la
civilización cristiana. Estas reacciones, insisto, comienzan de un modo confuso. Es la persona común la que de pronto
se siente incómoda y se dice a si mismo: “es posible que ésta sea la tendencia del momento, pero no me gusta”. Es la
masa de los cristianos la que siente en sus huesos que algo está mal, aún cuando exista la dificultad de explicarlo. La
reacción, por lo general, es lenta y compleja, y por un largo tiempo infructuosa. Pero en el largo plazo siempre ha
terminado triunfando en el caso de las herejías internas; de un modo semejante a como la salud innata del cuerpo
humano se libera de alguna infección interna.
Una herejía, cuando posee la plenitud de su poder original, infecta hasta al pensamiento católico. Así, el arrianismo
produjo una masa de semi-arrianismos que recorrieron la Cristiandad. La aversión maniquea por el cuerpo y la falsa
doctrina de que la materia es mala afectaron hasta a los más grandes católicos de su época. Hay una pizca de ello en
los escritos del gran San Gregorio. Del mismo modo, el mahometanismo tuvo su influencia sobre los Emperadores
cristianos de Bizancio y sobre Carlomagno, el Emperador de Occidente. Por ejemplo, se produjo un fuerte
movimiento contra el empleo de las imágenes que son tan esenciales al culto católico. El intento de prescindir de las
imágenes en las iglesias casi tuvo éxito aún en las partes de Occidente en dónde el mahometanismo nunca había
llegado.

Pero, mientras el mahometanismo se expandía absorbiendo una población cada vez mayor en su seno y ocupando
cada vez más territorio, comenzó a gestarse una reacción entre los súbditos cristianos del Este y del Norte de África.
El Islam gradualmente absorbió al África del Norte y cruzó hacia España. Menos de un siglo después de aquellas
primeras victorias en Siria hasta llegó con su empuje más allá de los Pirineos, directamente hacia Francia. Por suerte
fue derrotado a medio camino entre Tours y Poitiers, en el centro-norte del país. Hay quien opina que, si los líderes
cristianos no hubieran ganado esa batalla, la totalidad de la Cristiandad hubiera quedado empantanada en el
mahometanismo. De todos modos, desde ese momento en adelante, no siguió avanzando por el Oeste. Se lo hizo
retroceder hasta los Pirineos y, muy lentamente por cierto, a lo largo de un período de 300 años, fue empujado cada
vez más al Sur, hacia el centro de España siendo que el Norte de ese país quedó liberado de la influencia
mahometana. En el Este, sin embargo y como veremos, continuó siendo una amenaza abrumadora.

El éxito de los guerreros cristianos en hacer retroceder al mahometano de Francia y hasta la mitad de España
produjo una especie de despertar en Europa. Era más que tiempo. En Occidente habíamos sido sitiados de tres
maneras: asiáticos paganos nos habían entrado en el mismo corazón de las Germanias; piratas paganos de la clase
más cruel y atroz se habían diseminado por los Mares del Norte y casi habían conseguido aniquilar la civilización
cristiana en Inglaterra hiriéndola también en el Norte de Francia; y encima de todo eso estaba la presión del
mahometanismo proveniente del Sur y del Sudeste – una presión mucho más civilizada que la de los asiáticos y la de
los piratas escandinavos, pero amenaza al fin, bajo la cual nuestra civilización llegó a quedar cerca de desaparecer.

Es por demás interesante tomar un mapa de Europa y marcar sobre él los límites alcanzados por los enemigos de la
Cristiandad en el peor momento de estas luchas por la existencia. Las avanzadas del peor ataque asiático llegaron
tan lejos como Tournus sobre el Sena, que queda en el centro mismo de lo que es Francia en la actualidad. El
mahometano llegó, como hemos visto, también hasta la mitad misma de Francia, en algún lugar entre Tournus y
Poitiers. Los terribles piratas escandinavos asolaron Irlanda, toda Inglaterra, y subieron por todos los ríos del Norte
de Francia y Alemania. Llegaron tan lejos como Colonia, pusieron sitio a Paris y casi llegan a tomar Hamburgo. En la
actualidad las personas olvidan lo dudosa que era en absoluto la supervivencia de la civilización católica hacia la
culminación de la Edad Oscura, entre mediados del Siglo VIII y fines del IX. La mitad de las islas del Mediterráneo y
todo el Este había caído ante el mahometano que estaba peleando por hacerse del Asia Menor mientras el Norte y
centro de Europa se hallaban perpetuamente bajo el asalto de los asiáticos y de los paganos del Norte.

Y en ese momento se produjo la reacción y el despertar de Europa.

El proceso comenzó con los caballeros que comenzaron a filtrarse de la Galia hacia España y con los caballeros
españoles nativos que forzaron la retirada de los mahometanos. Los piratas escandinavos y los saqueadores del Asia
habían sido derrotados dos generaciones antes. Las peregrinaciones a Jerusalén, largas, costosas y peligrosas, pero
continuas a través de la Edad Oscura, estaban ahora especialmente amenazadas por una nueva oleada de soldados
mongoles mahometanos estableciéndose por el Este, especialmente en Palestina, y surgió el clamor de que se
rescataran de las manos usurpadoras del Islam los Lugares Sagrados, la Cruz Verdadera (que estaba preservada en
Jerusalén), las comunidades cristianas sobrevivientes en Siria y Palestina y, por sobre todo, el Santo Sepulcro – el
lugar de la Resurrección y la meta principal de las peregrinaciones. Hombres desbordantes de entusiasmo predicaron
el deber de marchar al Este para rescatar a la Tierra Santa. El papa reinante, Urbano, se puso en persona al frente del
movimiento en un famoso sermón pronunciado en Francia a grandes multitudes que gritaron: “Dios lo quiere”.
Cuerpos irregulares comenzaron a desplazarse hacia el Oriente con el fin de expulsar al Islam de la Tierra Santa y,
llegado el momento, las levas regulares de los grandes príncipes cristianos prepararon un esfuerzo organizado en
gran escala. Quienes hicieron votos de persistir en el esfuerzo se pusieron la insignia de la cruz sobre sus ropas y
merced a ello la lucha terminó siendo conocida como las Cruzadas.
La Primera Cruzada se lanzó en tres grandes contingentes de milicias cristianas más o menos organizadas que
marcharon de Europa Occidental hacia la Tierra Santa. Y digo “más o menos organizadas” porque el ejército feudal
nunca estuvo altamente organizado. Se hallaba dividido en unidades de muy diferentes tamaños, cada una de ellas
siguiendo a un señor feudal, aunque obviamente poseía la organización suficiente como para llevar a cabo la
empresa militar ya que una mera horda de personas jamás podría hacerlo. A fin de no agotar las provisiones de los
países a través de los cuales tenían que marchar, los líderes cristianos se desplazaron en tres cuerpos: uno desde el
Norte de Francia, bajando por el valle del Danubio; otro desde el Sur de Francia, pasando a través de Italia; y un
tercero de franceses que habían adquirido hacía poco el dominio del Sur de Italia y que cruzaron el Adriático
directamente en dirección a Constantinopla a través de los Balcanes. Todos confluyeron en Constantinopla y, para el
momento en que llegaron allí, a pesar de las pérdidas sufridas a lo largo de la marcha, todavía pueden haber sido
algo así como un cuarto de millón de personas, quizás más. Las cantidades nunca se supieron ni se contabilizaron
con precisión.

El Emperador en Constantinopla todavía era libre y se hallaba al frente de su gran capital cristiana, pero se
encontraba peligrosamente amenazado por los combativos turcos mahometanos ubicados en el Asia Menor, justo
cruzando las aguas, y cuyo objetivo era precisamente el de tomar Constantinopla y así continuar presionando hasta
lograr la caída de la Cristiandad. La gran masa de los Cruzados consiguió de inmediato aliviar esta presión sobre
Constantinopla. Venció a los turcos en la batalla de Dorilea y siguió empujando con grandes dificultades y bajas
humanas hasta que llegó a la esquina en dónde Siria se junta con el Asia Menor en el Golfo de Alejandreta. Allí, uno
de los líderes Cruzados se procuró un reino haciendo de la ciudad de Edessa su capital a fin de servir de bastión
contra la presión mahometana proveniente del Este. El remanente de las ya menguantes fuerzas cristianas puso sitio
y, con grandes dificultades, tomó Antioquía, una ciudad que los mahometanos habían conquistado unos años antes.
Allí otro líder cruzado se hizo señor feudal y se produjo una larga demora y un feo conflicto entre los Cruzados y el
Emperador en Constantinopla quien, naturalmente, pretendía que se le devolvieran las que habían sido partes de
sus dominios antes de la expansión del mahometanismo mientras que los Cruzados decidieron quedarse con lo que
habían conquistado para hacerse de los beneficios y los ingresos que cada uno podía obtener.

Finalmente, salieron de Antioquía al comienzo de la temporada de campaña del tercer año después de la partida
original, en el último año del Siglo XI, en 1099. En su marcha tomaron todas las ciudades a lo largo de la costa y
cuando llegaron a la altura de Jerusalén se lanzaron tierra adentro, tomaron la ciudad por asalto el 15 de Julio de ese
año, dieron muerte a toda la guarnición mahometana y se establecieron firmemente dentro de los muros de la
Ciudad Sagrada. Después de ello, organizaron su conquista según el modelo de un reino feudal designando a uno de
ellos como el rey titular del nuevo Reinado de Jerusalén. Para tal cargo eligieron a un gran noble del país donde se
juntan las razas teutónicas y gálicas al Noreste de Francia, a un poderoso Señor de la Marcha: Godofredo de
Bouillon. Debajo de él, como subordinados nominales, se alinearon los grandes señores feudales que se adueñaron
de los distritos ubicados de Edessa hacia el Sur y que se establecieron construyéndose grandes castillos de piedra
que aún subsisten y constituyen una de las ruinas más notables del mundo.

Para el momento en que los Cruzados alcanzaron sus objetivos y dominaron los Lugares Sagrados su número se
había reducido a una muy pequeña cantidad de hombres. Es probable que los combatientes reales – a diferencia de
sirvientes, seguidores y el resto – presentes en el sitio a Jerusalén no sobrepasaran por mucho la cantidad de 15.000
efectivos. Y todo dependió de esa fuerza. Siria no había sido completamente recuperada ni los mahometanos
definitivamente rechazados; la costa marítima se sostenía gracias a una población aún mayoritariamente cristiana,
pero el llano, la costa y Palestina hasta el Jordán constituyen tan sólo una delgada franja detrás de la cual y
paralelamente con ella existe una cadena montañosa la cual, en la mitad del país, forma las grandes montañas del
Líbano y del Anti-Líbano. Y más allá de ellas el país se convierte otra vez en un desierto sobre cuyo borde hay una
cadena de poblados que constituyen algo así como los puertos del desierto; esto es: los puntos adonde arriban las
caravanas.

Estos “puertos del desierto” siempre tuvieron una gran importancia en virtud del comercio y sus nombres nos vienen
de mucho antes de los comienzos de la Historia registrada. Una cadena de poblados así dispuesta se extendía a lo
largo del borde del desierto comenzando en Aleppo en el Norte y llegando hasta Petra, al Sur del Mar Muerto.
Estaban unidos por la gran ruta de caravanas que llega hasta Arabia del Norte y eran todos predominantemente
mahometanos por la época del esfuerzo cruzado. La ciudad central y la más rica de la cadena, la gran marca urbana
de Siria, es Damasco. Si los primeros Cruzados hubieran tenido suficientes hombres como para tomar Damasco, su
esfuerzo hubiera sido permanentemente exitoso. Pero sus fuerzas no alcanzaron para ello; apenas si pudieron
mantener la costa marítima de Palestina hasta el Jordán – y aún así lo consiguieron con la ayuda de inmensas
fortificaciones.

Existía una buena cantidad de comercio con Europa, pero no un suficiente reclutamiento de fuerzas, y la
consecuencia fue que el vasto mar mahometano que rodeaba a las posiciones de los Cruzados comenzó a infiltrarse
y a debilitar las posiciones cristianas. El primer signo de lo que sobrevendría se produjo menos de medio siglo
después de la primera conquista de Jerusalén con la caída de Edessa (la capital de la región Noreste de la federación
cruzada, el Estado más expuesto a un ataque).

Fue el primer revés serio y produjo una gran excitación en el Oeste cristiano. Los reyes de Francia e Inglaterra
partieron con grandes ejércitos para restaurar la posición cristiana, y esta vez fueron en pos de la clave estratégica
de todo el país: Damasco. Pero fracasaron en tomarla y, cuando los hombres navegaron de regreso, la posición de
los Cruzados en Siria era tan peligrosa como lo había sido antes. Tenían la garantía de otra concesión de precaria
seguridad mientras el mundo mahometano permaneciese dividido en dos cuerpos rivales, pero era evidente que, si
surgía un líder capaz de unificar el poder mahometano en sus manos, las pequeñas guarniciones cristianas estaban
perdidas.

Y eso fue exactamente lo que pasó. Salah-ed-Din, a quien conocemos como Saladino – un militar de genio, hijo del
gobernador de Damasco – se hizo gradualmente de todo el poder mahometano en el Cercano Oriente. Se convirtió
en el soberano de Egipto y de todas las poblaciones a la vera del desierto, y cuando marchó al ataque con sus fuerzas
unificadas, el cuerpo remanente de los cristianos de Siria ya no tuvo ninguna posibilidad de éxito. Con todo, se
reunieron en buen orden retirando a todo hombre disponible de las guarniciones estacionadas en los castillos y
formaron una fuerza móvil que intentó aliviar el sitio al castillo de Tiberíades, sobre el Mar de Galilea. El ejército
cristiano se hallaba acercándose a Tiberíades habiendo llegado a la ladera montañosa de Hattin – aproximadamente
a un día de marcha del objetivo – cuando fue atacado y destruido por Saladino.

Al desastre que ocurrió en el verano de 1187 le siguió el colapso de casi toda la colonia militar en Siria y la Tierra
Santa. Saladino conquistó población tras población, excepto uno o dos puntos sobre la costa del mar que seguirían
en manos cristianas por más de una generación. Pero el Reino de Jerusalén, el reinado feudal cristiano que había
recuperado y mantenido los Lugares Sagrados, se perdió. Todos los grandes líderes, el Rey de Inglaterra, Ricardo
Plantageneta, el Rey de Francia y el Emperador, comandando conjuntamente un gran ejército de primer nivel –
mayormente germano en su reclutamiento – partieron para recuperar lo perdido. Pero fracasaron. Consiguieron
tomar uno o dos puntos más sobre la costa, pero nunca recuperaron a Jerusalén y nunca restablecieron el anterior
reino cristiano.

De este modo terminó una serie de tres inmensos duelos entre la Cristiandad y el Islam. El Islam había vencido.

Si la fuerza remanente de los Cruzados después de la primera expedición hubiese sido un poco más numerosa, si
hubiesen tomado Damasco y la cadena de poblados a la vera del desierto, toda la Historia del mundo hubiera sido
diferente. El mundo del Islam hubiera quedado cortado en dos, con el Este incapacitado para unirse con el Oeste.
Probablemente nosotros, los europeos, hubiéramos reconquistado el Norte de África y a Egipto – sin duda
hubiéramos salvado a Constantinopla – y el mahometanismo hubiera sobrevivido como una religión oriental
rechazada más allá de las antiguas fronteras del Imperio Romano. Tal como sucedieron las cosas, el mahometanismo
no sólo sobrevivió sino que se hizo más fuerte. Por cierto que lentamente fue expulsado de España y de las islas
orientales del Mediterráneo, pero mantuvo su control sobre todo el Norte de África, Siria, Palestina, Asia Menor y de
allí siguió avanzando para conquistar los Balcanes y Grecia, invadió Hungría y en dos oportunidades amenazó con
arrollar Alemania y llegar otra vez a Francia, esta vez desde el Este, para terminar con nuestra civilización. Una de las
razones por las cuales ocurrió el quiebre de la Cristiandad y la Reforma fue el hecho de que la presión mahometana
contra el Emperador alemán le dio a los príncipes y a las ciudades alemanas la oportunidad de rebelarse y comenzar
a establecer iglesias protestantes en sus dominios.

De una forma u otra, hubo muchas otras expediciones subsiguientes contra el Turco que también se denominaron
como Cruzadas y la idea subsistió hasta el mismo fin de la Edad Media. Pero no se produjo la recuperación de Siria ni
el repliegue de los musulmanes.
Entretanto, la primera Cruzada había traído tantas experiencias nuevas a Europa Occidental que la cultura se
desarrolló muy rápidamente y produjo la magnífica arquitectura, la elevada filosofía y la estructura social de la Edad
Media. Ése fue el beneficio real de las Cruzadas. Fracasaron en el campo de batalla pero forjaron a la Europa
moderna. Sin embargo, lo hicieron a costa de la vieja idea de la unidad cristiana. Con una civilización material en
aumento, comenzaron a formarse las modernas naciones. La Cristiandad todavía se mantuvo unida, pero los lazos se
aflojaron. Al final vino la tormenta de la Reforma; la Cristiandad se partió, las diferentes naciones y sus príncipes
alegaron ser independientes de todo control común como el que había asegurado la posición moral del papado, y
nos deslizamos por ese tobogán que al final terminó en la matanza indiscriminada de la guerra moderna que puede
llegar a ser la ruina de toda nuestra civilización. Napoleón Bonaparte lo formuló muy bien: “Toda guerra en Europa
es, en realidad, una guerra civil.”Eso es algo profundamente cierto. Por su naturaleza, la Europa Cristiana es y
debería ser indivisa; pero ha olvidado su naturaleza al olvidarse de su religión.

La penúltima cuestión en nuestra apreciación del gran ataque mahometano a la Iglesia Católica y a la civilización que
ésta había creado, se refiere al repentino esfuerzo final y a la subsiguiente rápida declinación del poder político
mahometano justo después de haber llegado a su culminación. En relación con lo tratado y que expondré después,
la última es la muy importante y casi desestimada cuestión de la posibilidad del resurgimiento del poder
mahometano en el mundo moderno.

Si recapitulamos los destinos del Islam después de su éxito en rechazar a los Cruzados, restaurar su dominio sobre el
Este y confirmar su creciente control sobre la mitad de lo que alguna vez había sido una Cristiandad grecorromana
unida, veremos que el Islam comenzó a transitar por dos destinos completamente diferentes y hasta contradictorios:
mientras perdía gradualmente su control sobre Europa Occidental lo fue aumentando sobre Europa Sudoriental.

Ya antes de que se lanzaran las Cruzadas había sido rechazado hasta mitad de camino entre los Pirineos y el Estrecho
de Gibraltar y en los siguientes cuatro a cinco siglos quedó condenado a perder cada centímetro del territorio que
había gobernado en la Península Ibérica, en lo que hoy es España y Portugal.

Europa Occidental continental (y hasta las islas que le pertenecen) fueron liberadas de la influencia mahometana
durante los últimos siglos de la Edad Media, es decir: entre el Siglo XII y XV.

Y esto ocurrió porque los mahometanos de Occidente, esto es: de aquello que entonces se llamaba “Barbaria” y que
ahora es el África francesa e italiana, [10] quedaron políticamente separados de la gran mayoría del mundo
mahometano que se hallaba en el Este.

Entre Egipto y los Estados barbarios (en lo que hoy llamamos Túnez, Argelia y Marruecos) , el desierto presentaba
una barrera difícil de cruzar. El Oeste era menos árido entonces de lo que es hoy, con los italianos tratando de revivir
su prosperidad. Pero las amplias franjas de arena y grava, con muy poca agua, siempre hicieron de esta barrera entre
Egipto y Occidente una disuasión y un obstáculo. Con todo, aún más importante que esta barrera fue la disociación
gradual entre los mahometanos occidentales del Norte de África y la masa mahometana del Este. Por cierto que la
religión permaneció siendo la misma, al igual que los hábitos sociales y todo lo demás. El mahometanismo del Norte
de África siguió perteneciendo al mismo mundo unificado que el mahometanismo de Siria, Asia y Egipto del mismo
modo en que, durante mucho tiempo, la civilización cristiana en el Oeste de Europa siguió manteniéndose unida con
el mundo de Europa Central y hasta de Europa Oriental. Pero la distancia y el hecho de que los mahometanos
orientales nunca acudieron en su ayuda, hizo que los mahometanos occidentales del Norte de África y de España se
percibiesen como algo aparte, políticamente separado de sus hermanos orientales.

A ello debemos agregarle el factor de la distancia y sus efectos sobre el poderío marítimo de aquellos días y en
aquellas aguas. El Mediterráneo tiene mucho más de 2.000 millas de largo; el único período del año en que cualquier
combate efectivo podía tener lugar sobre sus aguas bajo condiciones medievales era a fines de primavera, el verano
y principios de otoño, y precisamente durante esos cinco meses del año, los únicos en que las personas podían usar
el Mediterráneo para las grandes expediciones, las operaciones militares ofensivas se hallaban trabadas por grandes
calmas. Es cierto que éstas eran contrarrestadas por galeras de muchos remos a fin de hacer depender las flotas del
viento lo menos posible, pero aún así las distancias de esa clase hicieron difícil la unidad de acción.

En consecuencia, los mahometanos del Norte de África, al no estar apoyados marítimamente por la riqueza y por el
número de sus hermanos de los puertos de Asia Menor, de Siria y de la desembocadura del Nilo, perdieron
gradualmente el control de las comunicaciones marítimas. Perdieron por lo tanto las islas occidentales, Sicilia,
Córcega y Cerdeña, las Baleares y hasta Malta justo en el mismo momento en que capturaban triunfantes las islas
orientales en el Mar Egeo. El único poder marítimo que les quedó a los mahometanos en Occidente fue la activa
piratería de los marinos argelinos operando desde las lagunas de Túnez y la medianamente protegida bahía de
Argelia. (La palabra “Argelia” viene de la palabra árabe que significa “islas”. No hubo allí un puerto propiamente
dicho antes de la conquista francesa de hace cien años atrás sino lugares de anclaje parcialmente protegidos por una
serie de rocas e islotes). Estos piratas continuaron siendo una amenaza incluso hasta el Siglo XVII. Es interesante
mencionar que el llamado a oración mahometano fue escuchado en las costas de Irlanda del Sur en vida de Oliver
Cromwell ya que los piratas argelinos corretearon por todos lados, no sólo en el Mediterráneo occidental sino a lo
largo de las costas del Atlántico, desde el Estrecho de Gibraltar hasta el Canal de la Mancha. Ya no tenían la
capacidad de conquistar, pero podían saquear y tomar prisioneros para exigir su rescate.

Mientras del lado occidental de Europa los mahometanos estaban siendo rechazados hacia el África, exactamente lo
opuesto estaba sucediendo del lado oriental. Después del fracaso de las Cruzadas, los mahometanos se fortificaron
en el Asia Menor y comenzaron aquél largo martilleo sobre Constantinopla que al final tuvo éxito.

Constantinopla fue, por lejos, la capital más rica y más grande del Mundo Antiguo; era el antiguo centro de la
civilización griega y romana y aún después de haber perdido todo poder directo sobre Italia y aún más sobre Francia,
continuó siendo admirada como el grandioso monumento del pasado romano. El Emperador de Constantinopla era
el descendiente directo de los Césares. Desde el punto de vista militar, esta poderosa ciudad, sostenida por grandes
masas de impuestos y por un ejército fuertemente estructurado y disciplinado, constituía el bastión de la
Cristiandad. Mientras Constantinopla se mantuvo como ciudad cristiana, mientras la misa se continuó celebrando en
Santa Sofía, las puertas de Europa permanecieron cerradas para el Islam. Constantinopla cayó en vida de la misma
generación que asistió a la expulsión del último gobierno mahometano del Sur de España. Los hombres que en su
madurez marcharon y tomaron Granada con los ejércitos victoriosos de Isabel la Católica podían recordar cómo, en
su temprana niñez, habían escuchado la terrible noticia de que Constantinopla misma había caído en manos de los
enemigos de la Iglesia.

La caída de Constantinopla al final de la Edad Media (1453) fue tan sólo el comienzo de otros avances mahometanos.
El Islam barrió los Balcanes; tomó posesión de todas las islas orientales del Mediterráneo, Creta, Rodas y las demás;
ocupó Grecia por completo; comenzó a presionar subiendo por el valle del Danubio hacia el Norte, hacia las grandes
llanuras; destruyó al antiguo Reino de Hungría en la fatal batalla de Mohacs y por último, durante el primer tercio del
Siglo XVI, justo en el momento en que se desató la tormenta de la Reforma, el Islam amenazó a Europa de un modo
directo llevando su presión al corazón del Imperio, en Viena.

Por lo general no se aprecia la medida en que el éxito de la revolución religiosa de Lutero contra el catolicismo en
Alemania obedeció a la forma en que la presión mahometana del Este se hallaba paralizando la autoridad central de
los Emperadores germánicos. Estos Emperadores tuvieron que llegar a un compromiso con los líderes de la
revolución religiosa tratando de construir a fuerza de remiendos una paz precaria entre las posturas irreconciliables
de la autoridad católica y la teoría religiosa protestante, y todo ello a fin de poder enfrentar al enemigo que se
encontraba ante sus puertas después de ocupar Hungría y se hallaba en posición de invadir toda la Alemania del Sur
llegando posiblemente al Rin. Si el Islam hubiese logrado eso durante el caos del violento disenso civil que se produjo
entre los germanos a raíz del lanzamiento de la Reforma, nuestra civilización hubiera sido destruida con la misma
seguridad con que lo hubiera sido si ocho siglos ante la primera oleada de los mahometanos a través de España no
hubiera sido controlada y rechazada en el medio de Francia.

Esta violenta presión mahometana sobre la Cristiandad que provenía del Este apostó al éxito tanto por tierra como
por mar. La última gran oleada de soldados mongoles, la última gran organización turca operando ahora desde la
conquistada capital de Constantinopla, se propuso cruzar el Adriático a fin de atacar a Italia por mar y, en última
instancia, para recuperar todo lo que había perdido en el Mediterráneo occidental.

Hubo un momento crítico en el cual pareció que el esquema tendría éxito. Una gran armada mahometana combatió
en la boca del Golfo de Corinto contra la flota cristiana en Lepanto. [**] Los cristianos vencieron en esa batalla naval
y el Mediterráneo Occidental se salvó. Pero fue por muy poco y el nombre de Lepanto debería quedar en las mentes
de todas las personas que poseen algún sentido para la Historia como uno de la media docena de grandes nombres
que hay en la Historia del mundo cristiano. Ha sido un tema digno del mas fino poema épico de nuestro tiempo, “La
Ballada de Lepanto”, escrita por el fallecido Gilbert Chesterton. [***]

Hoy estamos acostumbrados a pensar en el mahometanismo como algo atrasado y anquilosado, al menos en todos
sus aspectos materiales. No nos podemos imaginar una gran flota mahometana constituida por modernos
acorazados y submarinos, o un gran ejército mahometano completamente equipado con artillería moderna, poder
aéreo y todo lo demás. Pero no hace mucho, menos de cien años antes de la Declaración de Independencia, [****]
el gobierno mahometano con centro en Constantinopla tenía mejor artillería y mejor equipamiento militar de toda
clase del que disponíamos nosotros en Occidente. El último esfuerzo que hicieron por destruir a la Cristiandad fue
contemporáneo del fin del reinado de Carlos II de Inglaterra, de su hermano Jacobo y del usurpador Guillermo III. Ese
esfuerzo fracasó durante los últimos años del Siglo XVII, hace apenas poco más de doscientos años. Viena, como
vimos, casi fue tomada y solamente se salvó gracias al ejército cristiano comandado por el Rey de Polonia en una
fecha que merecería figurar entre las más notables de la Historia: el 11 de Septiembre de 1683. Pero el peligro
subsistió, el Islam siguió siendo inmensamente poderoso a pocos días de marcha de Austria y no fue sino hasta 1697
con la gran victoria del Príncipe Eugenio en Zenta y la captura de Belgrado que la marea realmente se revirtió – y
para ése entonces ya estábamos al final del Siglo XVII.

Debería comprenderse adecuadamente que la generación de Dean Swift, la de los hombres que vieron la corte de
Luis XIV a edad avanzada, los hombres que vieron cómo los hannoverianos fueron traídos por la rica clase dominante
inglesa e impuestos como reyes títeres de Inglaterra, los hombres que asistieron a la aparente extinción de la
libertad irlandesa después del fracaso de la campaña de James II en el Boyne y la posterior rendición de Limerick;
todo ese período de una vida humana que se extendió entre el fin del Siglo XVII y el comienzo del XVIII estuvo
dominado por la vívida memoria de una amenaza mahometana que casi había triunfado y que aparentemente podía
repetirse en el futuro. Los europeos de aquella época pensaban en el mahometanismo de la misma manera en que
nosotros pensamos en el bolcheviquismo o como las personas de raza blanca en el Asia piensan del poder japonés
en la actualidad.

Lo que sucedió fue algo bastante inesperado: el poder mahometano comenzó a quebrarse por el lado material. Los
mahometanos perdieron el poder de competir exitosamente con los cristianos en la fabricación de aquellos
instrumentos que aseguran el dominio: los armamentos, los métodos de comunicación y todo el resto. No es sólo
que no avanzaron; retrocedieron. Su artillería se hizo mucho peor que la nuestra. Mientras nuestra utilización de los
mares se incrementó en gran medida, la de ellos disminuyó hasta que ya no tuvieron barcos de primer nivel con los
cuales podían librar batallas navales.

El Siglo XVIII es el de la historia de cómo los mahometanos perdieron gradualmente la carrera frente a los europeos
en la cuestión de las cosas materiales.

Cuando esa extensa revolución en los asuntos humanos que introdujo el invento de la maquinaria moderna comenzó
en Inglaterra y se extendió lentamente a través de Europa, el mundo mahometano demostró ser incapaz de sacar
ventaja de la misma. Durante las guerras napoleónicas, el Islam, aún apoyado por Inglaterra, fracasó por entero al
enfrentarse con los ejércitos franceses de Egipto; su último esfuerzo terminó en una completa derrota (la batalla
terrestre del Nilo).

El proceso continuó por todo el Siglo XIX. Como resultado, todo el África del Norte mahometano gradualmente pasó
a quedar bajo control europeo; con Marruecos como último reducto independiente en caer. Egipto cayó bajo el
control de Inglaterra. Mucho antes de eso, Grecia fue liberada, así como los Estados de los Balcanes. Hace media
vida humana atrás en todas partes se daba por supuesto que los últimos restos del poder mahometano en Europa
desaparecerían. Inglaterra lo auxilió y salvó a Constantinopla de ser tomada por los Rusos en 1877-78, pero el ocaso
definitivo de los turcos pareció ser tan sólo una cuestión de pocos años. Todo el mundo estuvo esperando el fin del
Islam, a este lado del Bósforo al menos; mientras que en Siria, Asia Menor y la Mesopotamia perdía todo su vigor
político y militar. Después de la Gran Guerra (1ª Guerra Mundial N. del T.) lo que quedaba del poder mahometano,
aún en el Asia Anterior, se salvó solamente por las violentas peleas que se dieron entre los Aliados.

Incluso Siria y Palestina quedaron repartidas entre Francia e Inglaterra. La Mesopotamia cayó bajo el control de
Inglaterra y no quedó nada de la amenaza del poder islámico, a pesar de que continuaba atrincherado en el Asia
Menor y mantenía una especie de precario dominio sólo sobre la ciudad de Constantinopla. Los mahometanos
perdieron el control del Mediterráneo, perdieron todos sus territorios europeos, perdieron el control total del África.
El gran duelo entre el Islam y la Cristiandad pareció, por fin, haberse decidido en nuestros propios días.

¿A qué obedeció este colapso? Nunca me han dado una respuesta a esta pregunta. No hubo una desintegración
moral desde adentro; no hubo un colapso intelectual; si alguien habla hoy con un estudiante egipcio o sirio sobre
cualquier tema filosófico o científico que haya estudiado, hallará que es igual a cualquier europeo. Si el Islam hoy no
tiene una ciencia física aplicada a ninguno de sus problemas, en cuanto a armas y comunicaciones, es porque
aparentemente ha cesado de ser parte de nuestro mundo y decididamente se ha quedado atrás respecto del mismo.
De cada docena de mahometanos que viven en el mundo actual, once son en realidad súbditos de una potencia
occidental (Escrito en 1936 – N. del T.). Parecería ser, repito, que el gran duelo está definido.

Pero ¿podemos estar seguros de que ha terminado así? Lo dudo muchísimo. Siempre me ha parecido posible, y
hasta probable, que habría una resurrección del Islam y que nuestros hijos y nietos verán la renovación de ese
tremendo conflicto entre la cultura cristiana y lo que ha sido por más de mil años su mayor oponente.

Pasaré ahora a considerar por qué esta convicción debería haber surgido en las mentes de ciertos observadores y
viajeros tales como yo mismo. La pregunta de “¿No podrá el Islam resurgir?” es, por cierto, una pregunta vital.

En cierto sentido la pregunta ya está contestada porque el Islam nunca desapareció. Sigue dominando la constante
lealtad y la incuestionada adhesión de todos los millones que viven entre el Atlántico y el Indo, y aún más allá en las
comunidades diseminadas por el Asia Interior. Pero la pregunta la hago en el sentido de: “¿No regresará quizás el
poder temporal del Islam y con él la amenaza de un mundo mahometano armado que se sacudirá de encima la
dominación de los europeos – todavía nominalmente cristianos – para reaparecer otra vez como el principal
enemigo de nuestra civilización?” El futuro viene siempre como una sorpresa pero la sabiduría política consiste en
tratar de lograr al menos un juicio parcial de en qué consistirá esa sorpresa. Y, por mi parte, no puedo sino creer que
una de las cosas inesperadas del futuro es el regreso del Islam. Desde el momento en que la religión se halla en la
raíz de todos los movimientos políticos y de todos los cambios, y desde el momento en que tenemos aquí una
religión muy grande, físicamente paralizada pero intensamente activa en lo moral, estamos en presencia de un
equilibrio inestable que no puede permanecer siendo inestable en forma permanente. Examinemos, pues, la
posición.

A lo largo de estas páginas he señalado que la cualidad particular del mahometanismo, considerado como una
herejía, es su vitalidad. Como único caso entre todas las grandes herejías, el mahometanismo echó raíces
permanentes, desarrolló una vida propia, y se convirtió al final en algo semejante a una nueva religión. Tan cierto es
esto que en la actualidad muy pocas personas, aún entre las más altamente instruidas en Historia, recuerdan la
verdad que el mahometanismo en sus orígenes no fue una nueva religión sino una herejía.

Como todas las herejías, el mahometanismo vivió por las verdades católicas que retuvo. Su insistencia en la
inmortalidad personal, en la unidad e infinita majestad de Dios, en su justicia y misericordia; su insistencia en la
igualdad de las almas humanas ante la vista de su Creador – éstas son sus fortalezas.

Pero ha sobrevivido por razones distintas a ellas. Todas las otras herejías también tuvieron sus verdades así como sus
falsedades y sus extravagancias, y sin embargo murieron una detrás de la otra. La Iglesia Católica las ha visto pasar y,
a pesar de que sus nefastas consecuencias todavía siguen entre nosotros, las herejías mismas están muertas.

La fortaleza del calvinismo fue la verdad sobre la cual insistió: la omnipotencia de Dios, la dependencia e
insuficiencia del hombre; pero su error, que fue la negación del libre albedrío, también lo mató. Las personas no
pudieron aceptar una negación tan monstruosa del sentido común y de las experiencias comunes. El arrianismo vivió
por la verdad que contenía, a saber: el hecho que la razón no podía conciliar directamente los aspectos
contrapuestos de un gran misterio – el de la Encarnación. Pero el arrianismo murió porque a esta verdad le agregaba
la falsedad de sostener que la contradicción aparente se podía resolver negando la plena divinidad de Nuestro
Señor.

Y así se podría seguir con las demás herejías. Pero el mahometanismo, a pesar de contener también errores en
paralelo con aquellas grandes verdades, floreció de modo continuo y como cuerpo de doctrina sigue floreciendo
aún, a pesar de que han pasado mil trescientos años desde sus primeras grandes victorias en Siria. Las causas de esta
vitalidad son muy difíciles de investigar y quizás no puedan ser aprehendidas. Por mi parte las adscribiría en parte a
que el mahometanismo, al ser un fenómeno externo, al ser una herejía que no surgió desde dentro del cuerpo de la
comunidad cristiana sino más allá de sus fronteras, siempre dispuso de una reserva de seres humanos, advenedizos,
infiltrándose en él para renovar sus energías. Pero esa no puede ser una explicación exhaustiva. Quizás el
mahometanismo hubiese muerto de no ser por las sucesivas oleadas de reclutamiento del desierto y del Asia; quizás
hubiese muerto si el califato de Bagdad hubiese quedado enteramente librado a su propia suerte; y si los moros en
Occidente no hubieran podido acceder a un continuo reclutamiento desde el Sur.

Pero, sea cual fuere la causa, el mahometanismo ha sobrevivido; y ha sobrevivido vigorosamente. Los esfuerzos
misioneros no han surtido ningún efecto apreciable sobre él. Sigue convirtiendo salvajes paganos en gran escala.
Hasta atrae de vez en cuando a algún europeo excéntrico que se une a su cuerpo. Pero el mahometano nunca se
hace católico. Ningún fragmento del Islam abandona jamás su libro sagrado, su código moral, su sistema organizado
de oraciones, su simple doctrina.

En vista de ello, cualquiera con algún conocimiento de Historia está condenado a preguntarse si no veremos en el
futuro un renacimiento del poder político mahometano y la renovación de la antigua presión del Islam sobre la
Cristiandad.

Hemos visto como el poder político material del Islam declinó muy rápidamente durante los Siglos XVIII y XIX.
Acabamos de seguir la historia de esa declinación. Cuando Solimán el Magnífico estaba poniendo sitio a Viena, tenía
mejor artillería, mejores energías y mejor de todo que sus oponentes; el Islam, en el campo de batalla, aún era
materialmente superior a la Cristiandad – al menos era superior en poder de combate y en armamento. Eso sucedía
a pocos años de iniciado el Siglo XVIII. Y luego vino la inexplicable declinación. La religión no decayó, pero su poder
político y con él su poder material declinaron asombrosamente; y en el aspecto particular de las armas fue dónde
más declinó. Cuando el padre del Dr. Johnson, el librero, estaba instalando su negocio en Lichfield, el Gran Turco
todavía era temido como el potencial conquistador de Europa. Antes de que el Dr. Johnson muriera ya no había ni
flota ni ejército turco que pudiera amenazar a Occidente. Menos del lapso de una vida humana después, los
mahometanos del Norte de África habían pasado a ser súbditos de los franceses y aquellos que en ese momento
eran hombres jóvenes vivieron para ver cómo casi todo el territorio mahometano – excepto por un fragmento
decaído, gobernado desde Constantinopla – era firmemente dominado por los gobiernos de Francia e Inglaterra.

Así las cosas, el recrudecimiento del Islam, la posibilidad de que reaparezca el terror bajo el cual vivimos por siglos y
la posibilidad de que nuestra civilización tenga que combatir otra vez por su vida contra el que fue su principal
enemigo durante mil años, parecería algo fantástico. ¿Quién en el mundo mahometano actual puede manufacturar y
mantener los complicados instrumentos de la guerra moderna? ¿Dónde está la maquinaria política por medio de la
cual la religión del Islam puede jugar un papel equiparable en el mundo moderno?

La idea de que el Islam puede resurgir suena fantástica – pero pienso que esto es tan sólo porque los seres humanos
están siempre poderosamente influenciados por el pasado inmediato: hasta se podría decir que están enceguecidos
por él.

Las culturas surgen de las religiones; en última instancia, la fuerza vital que sostiene una cultura es su filosofía, su
actitud frente al universo; la decadencia de una religión trae consigo la decadencia de la cultura que con esa religión
se corresponde – como muy claramente podemos verlo en el quiebre actual de la Cristiandad. El funesto trabajo de
la Reforma está dando sus frutos con la disolución de nuestras doctrinas ancestrales; la misma estructura de nuestra
sociedad se está disolviendo.

El lugar del antiguo entusiasmo cristiano en Europa fue ocupado, durante un tiempo, por el entusiasmo de la
nacionalidad, por la religión del patriotismo. Pero la auto-devoción no es suficiente y las fuerzas orientadas a la
destrucción de nuestra cultura, en forma especial la propaganda judía y comunista de Moscú, tienen por delante un
futuro más promisorio que nuestro anticuado patriotismo.

En el Islam no se ha producido una disolución semejante de la doctrina ancestral; o bien y en todo caso, no hay nada
similar al quiebre universal de la religión que se produjo en Europa. La totalidad de la fuerza espiritual del Islam sigue
presente en las masas de Siria y Anatolia, en las montañas del Este de Asia, en Arabia, Egipto y África del Norte.

El fruto final de esta tenacidad – el segundo período del poder islámico – puede ser demorado; pero dudo que pueda
ser permanentemente diferido.
En la civilización mahometana misma no hay nada que sea hostil al desarrollo del conocimiento científico o a la
aptitud mecánica. He visto buenos trabajos de artillería en manos de estudiantes mahometanos de dicha arma; he
visto a mahometanos llevar a cabo algunos de los mejores trabajos de conducción y de mantenimiento en el área del
transporte mecánico terrestre. No hay nada inherente al mahometanismo que lo incapacite para la ciencia moderna
o para la guerra moderna. De hecho, ni vale la pena discutir la cuestión. Debería ser evidente para cualquiera que
haya estudiado a la cultura mahometana en funcionamiento. Esa cultura sólo se ha quedado atrás en la cuestión de
aplicaciones materiales; no hay ninguna razón en absoluto por la cual no podría aprender su nueva lección y
convertirse en un igual a nosotros en todas aquellas cosas temporales que son las únicas que nos otorgan una
superioridad sobre ella – mientras que en la fe – somos nosotros los que nos hemos quedado atrás.

Las personas que dudan de esto se dejan engañar por una serie de indicios provenientes del pasado inmediato. Por
ejemplo, durante el Siglo XIX fue común decir que el mahometanismo había perdido su poder político por su
doctrina del fatalismo. Pero sucede que esa doctrina estuvo en pleno vigor cuando el poder mahometano se hallaba
en su punto más alto. Si vamos al caso, el mahometanismo no es más fatalista que el calvinismo; las dos herejías se
condicen exactamente en su exagerada insistencia sobre la inmutabilidad de los decretos divinos.

Hubo otra interpretación, más inteligente, formulada durante el Siglo XIX. Según la misma, la declinación del Islam
habría sido ocasionada por el fatal hábito de sus perpetuos divisionismos civiles; por la división y el cambio de la
autoridad política entre los mahometanos. Pero esta debilidad estuvo presente entre ellos desde el mismo principio;
es inherente a la propia naturaleza del temperamento árabe del cual partieron. Una y otra vez este individualismo,
esta tendencia “fisípara”, los ha debilitado en forma grave. Y sin embargo, una y otra vez se han unido súbitamente
bajo un líder y han obtenido los mayores logros.

Es bastante probable que en estas condiciones – con la unidad dada por un líder – el regreso del Islam pueda
producirse. Ese líder aún no existe, pero el entusiasmo puede producir uno y hay suficientes señales en el cielo
político de hoy día en cuanto a qué podemos esperar de la revuelta del Islam en alguna fecha futura – y quizás no
tan lejana.

Después de la Gran Guerra el poder turco fue restaurado por un hombre así. Otro hombre en Arabia, de un modo
igualmente súbito, se afianzó y destruyó todos los planes elaborados para incorporar esa parte del mundo
mahometano a la esfera inglesa. Siria, que es el eslabón de conexión, la bisagra y el pivote de todo el mundo
musulmán, está dividida, sobre el mapa y superficialmente, entre un mandato inglés y otro francés; pero ambos
poderes intrigan el uno contra el otro y son igualmente detestados por sus súbditos mahometanos quienes se
mantienen sojuzgados precariamente sólo por la fuerza. Ha habido derramamientos de sangre bajo el mandato
francés y se repetirán [11]; mientras que bajo el mandato británico la imposición forzada de una colonia judía
extranjera sobre Palestina ha puesto al rojo vivo la animosidad de la población árabe nativa. Paralelamente una
propaganda bolchevique subterránea y ubicua está constantemente trabajando sobre Siria y el África del Norte en
contra de la dominación de los europeos sobre la población mahometana original.

Por último, hay una cuestión adicional a la cual se debería prestar atención: la adhesión (como sea que fuere) del
mundo mahometano en la India al gobierno inglés está fundada principalmente sobre el abismo que separa a la
religión mahometana de la hindú. Cada paso hacia una mayor independencia política de cualquiera de los dos
partidos fortalece el deseo mahometano por un renovado poder. El mahometano de la India tenderá cada vez más a
decir: “Si tengo que quedar librado a mis propias fuerzas y no ser favorecido, como lo he sido en el pasado, por el
amo europeo extranjero en la India – a la cual otrora he gobernado – pues entonces me apoyaré sobre el
resurgimiento del Islam.” Por todas estas razones (y muchas más que se podrían agregar) las personas con capacidad
de previsión podrían justamente concebir, o al menos considerar, el regreso del Islam.

Parecería ser como si a las Grandes Herejías se les hubiese concedido un efecto proporcional a su tardanza en
aparecer dentro de la Historia de la Cristiandad.

Las primeras herejías sobre la Encarnación, cuando fenecieron, no dejaron ninguna reliquia duradera de su
presencia. El arrianismo revivió por un momento en el caos general de la Reforma. Intelectuales dispares, incluyendo
a Milton en Inglaterra y presumiblemente a Bruno en Italia, y todo un grupo de franceses, presentaron en los Siglos
XVI y XVII doctrinas que intentaban reconciliar un materialismo modificado y una negación de la Trinidad con alguna
parte de la religión cristiana. El esfuerzo de Milton resultó particularmente notorio. La Historia oficial inglesa, por
supuesto, lo ha suprimido tanto como ha sido posible por el método usual de manipularlo hasta quitarle todo
énfasis. Los historiadores ingleses no niegan el materialismo de Milton; hace poco, varios escritores ingleses han
discurrido extensamente sobre su negativa a aceptar la plena divinidad de Nuestro Señor. Pero este esfuerzo de
supresión se quebrará ya que nadie puede negar algo tan importante como el ataque de Milton, no sólo a la
Encarnación sino también a la Creación y a la omnipotencia de un Dios todopoderoso.

Pero de ello hablaré más tarde cuando lleguemos al movimiento protestante. Sigue siendo generalmente cierto que
las primeras herejías no sólo se extinguieron sino que no dejaron una memoria duradera de su acción sobre la
sociedad europea.

Pero el mahometanismo – que vino mucho más tarde que el arrianismo, así como este último fue posterior a los
Apóstoles – dejó una profunda secuela sobre la estructura política de Europa y sobre el lenguaje: hasta cierto punto
incluso sobre la ciencia.

Políticamente, destruyó la independencia del Imperio Oriental y, a pesar de que varios fragmentos (algunos) han
sobrevivido de un modo mutilado, la gloria y la unidad del dominio bizantino ha desaparecido para siempre bajo los
ataques del Islam. El zarismo ruso, de un modo bastante curioso, heredó un legado truncado de Bizancio; pero
aquello fue un muy pobre reflejo del antiguo esplendor griego. La verdad es que el Islam le causó una herida
permanente al Este de nuestra civilización de tal modo que la barbarie regresó parcialmente. Sobre el Norte de
África su efecto fue casi absoluto y lo sigue siendo aún hoy en día. Europa fue bastante incapaz de reafirmarse allí. La
gran tradición griega ha desaparecido por completo del valle del Nilo y del delta – a menos que alguien considere
que Alejandría, con su civilización mayormente europea, francesa e italiana, es una reliquia de esa tradición – pero
más allá de Alejandría y hasta el Atlántico el antiguo orden ha fallado aparentemente para siempre. Los franceses, al
hacerse cargo de la administración de la Berbería y plantando allí un considerable cuerpo de sus propios
colonizadores, además de españoles e italianos, han dejado que la estructura principal de la sociedad del Norte de
África siga siendo completamente mahometana; y no hay signos de que se convierta en ninguna otra cosa.

En qué medida el Islam ha afectado nuestra ciencia y nuestra filosofía es algo abierto al debate. Su efecto ha sido,
por supuesto, tremendamente exagerado porque el exagerarlo constituyó una forma de ataque al catolicismo. La
parte principal que del lado islámico transmitieron los escritores sobre matemáticas, ciencias físicas y geografía; lo
que expusieron aquellos escritores que escribieron en árabe, que profesaron o bien la doctrina completa del Islam o
bien alguna forma herética del mismo (a veces casi atea), fue tomado de la civilización griega y romana que el Islam
había invadido. Es, con todo, cierto que el Islam, a través de estos escritores, transmitió una gran parte de los
avances que la civilización grecorromana había hecho en aquellas materias del conocimiento.

Durante la Edad Oscura y hasta durante principios de la Edad Media, o bien y en todo caso en las primeras épocas de
la Edad Media, el mundo mahometano detentó la mejor parte de la enseñanza académica y tuvimos que recurrir a él
para nuestra propia instrucción.

El efecto del mahometanismo sobre el lenguaje cristiano – aunque esto sea, por supuesto, una cuestión secundaria –
resulta notorio. Lo hallamos en toda una pléyade de palabras, incluyendo algunas muy familiares como “algebra”,
“alcohol”, “almirante”, etc. Lo hallamos en términos de heráldica y lo hallamos en abundancia en nombres de
lugares. De hecho, es sorprendente ver como toponímicos de origen romano y griego han sido reemplazados por
términos semíticos totalmente diferentes. La mitad de los ríos de España, en especial los de la parte Sur del país,
incluyen el término “wadi”, y es curioso notar cómo en el hemisferio occidental “Guadalupe” preserva la forma
árabe derivada de “Estremadura”.

Los poblados de África del Norte y hasta los villorrios fueron rebautizados. Los nombres de los más famosos, como
por ejemplo Cartago y Cesárea, desaparecieron. Otros surgieron en forma espontánea, tales como “Argelia” que es
un nombre derivado de la frase árabe que significa “las islas” – siendo que el antiguo muelle de Argelia le debía
parcialmente su seguridad a una serie de islotes rocosos paralelos a la costa.

Toda esta historia de reemplazar los nombres originales de poblados y ríos por formas semíticas constituye uno de
los ejemplos más valiosos que tenemos de la desconexión que existe entre lenguaje y raza. La raza del África del
Norte es hoy bastante igual a la que ha venido siendo desde el principio de la era histórica registrada. Es berberisca.
Sin embargo, el idioma berberisco sobrevive tan sólo en algunos pocos distritos montañosos y tribus del desierto. El
púnico, el griego, el latín, el idioma común en Trípoli (un nombre griego sobreviviente, dicho sea de paso), Túnez y
toda la Berbería casi han desaparecido. Un ejemplo así debería haberle puesto freno a los teóricos académicos que
hablaban de los ingleses como “anglosajones” y argumentaban, basándose en toponímicos, que los ingleses habían
venido desde el Norte de Alemania y Dinamarca en pequeños botes, exterminando a todo el mundo al Este de
Cornualles y poblando la zona con sus propias comunidades. Aún así, mucho de estas fantasías sobrevive, por
supuesto que con mayor fuerza en Oxford y en Cambridge. [12]

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Capítulo 5

El ataque albigense

En el corazón de la Edad Media, justo cuando estaba llegando a su fase más espléndida, en el gran Siglo XIII, surgió
un singular y poderoso ataque a la Iglesia Católica y a toda la cultura que la misma defendía que fue completamente
rechazado.

Fue un ataque, no sólo a la religión que hizo nuestra civilización, sino a la civilización misma, y su nombre genérico
en la Historia es “La Herejía Albigense”.

En el caso de este gran conflicto debemos proceder, al igual que en el de todos nuestros otros ejemplos,
examinando primero la naturaleza de la doctrina que se estableció en contra del cuerpo de verdades enseñado por
la Iglesia Católica.

La falsa doctrina, de la cual la versión de los albigenses constituyó un ejemplo principal, ha estado siempre latente
entre los hombres bajo variadas formas, no sólo en la civilización del cristianismo sino en todos aquellos lugares y en
todos los momentos en que las personas tuvieron que considerar los problemas fundamentales de la vida; lo cual
equivale a decir: siempre y en todas partes. Pero, en este momento de la Historia, sucedió que el fenómeno adquirió
una forma particularmente concentrada. Fue entonces cuando las falsas doctrinas que estamos por examinar se
destacaron con mayor nitidez y pueden ser apreciadas de un modo más claro. Por los efectos que la herejía tuvo
cuando estuvo en su punto más alto de vitalidad podemos estimar los males que ocasionan doctrinas similares, sea
cuando fuere que aparecen.

Durante el período cristiano, este permanente conflicto de la mente humana creció y se acumuló en tres grandes
oleadas y de ellas el episodio albigense fue tan sólo el central. La primera gran oleada fue la tendencia maniquea de
los primeros siglos cristianos. La tercera fue el movimiento puritano en Europa, acompañando a la Reforma y la
secuela de esa enfermedad, el jansenismo. El primer movimiento fuerte de la especie quedó agotado antes del fin
del Siglo VIII. El segundo fue destruido cuando el movimiento definidamente albigense fue erradicado en el Siglo XIII.
El tercero, la oleada puritana, se encuentra declinando recién ahora, después de haber producido toda clase de
males.

Ahora bien, ¿qué es esta tendencia general o disposición que, por su nombre más antiguo, se llamó maniquea, que
se denominó albigense en la forma más nítida que estamos por tratar, y que la Historia moderna conoce como
puritanismo? ¿Cuál es el motivo subyacente que produce herejías de esta clase?

Para contestar a esa pregunta principal debemos considerar una verdad primaria de la Iglesia Católica misma que, en
breve, ha sido formulada como sigue: “La Iglesia Católica está fundada sobre el reconocimiento del dolor y la
muerte.” En su forma más completa, la frase debería decir más bien: “La Iglesia Católica se halla arraigada en el
reconocimiento del sufrimiento y la mortalidad y en su afirmación de ofrecer una solución al problema que
presentan.” Este problema se conoce generalmente como “el problema del mal”.

¿Cómo podemos llamar glorioso al destino del ser humano, y al cielo su meta, y a su Creador infinitamente bueno y
todopoderoso, cuando nos encontramos sujetos al sufrimiento y a la muerte?
Casi todas las personas jóvenes e inocentes apenas si tienen conciencia de este problema. Qué tanta conciencia
pueden tener depende de las fortunas que poseen, de lo temprano hayan sido expuestas a pérdidas por muerte, o
de lo pronto que puedan haber sufrido un gran dolor físico o incluso mental. Pero tarde o temprano todo ser
humano que piensa en absoluto, cualquiera que no sea un idiota, se enfrenta al problema del mal. Y en la medida en
que observamos a la raza humana tratando de llegar mediante el pensamiento al significado del universo, o
aceptando la Revelación sobre ese significado, o siguiendo tortuosas y falsas religiones parciales o filosofías, la
hallamos siempre profundamente preocupada por esa insistente pregunta: “¿Por qué habremos de sufrir? ¿Por qué
habremos de morir?”

Se han propuesto varios caminos para escapar del torturante enigma. El más simple y burdo es el de no enfrentarlo
en absoluto; es el de desviar la mirada del sufrimiento y de la muerte pretendiendo que no están allí; o bien
proceder a ocultar nuestros sentimientos cuando se arrojan sobre nosotros con tanta insistencia que no podemos
seguir sosteniendo la pretensión. Y también es parte del peor modo de tratar el problema, la actitud de boicotear la
mención del mal y del sufrimiento tratando de olvidarlos todo lo que se pueda.

Otro camino, menos grosero pero intelectualmente igual de desdeñable, es afirmar que el problema no existe
porque todos somos parte de una cosa muerta y sin significado detrás de la cual no hay ningún Dios creador: es
afirmar que no existe una realidad en el bien y en el mal y en la concepción de la beatitud o de la miseria.

Otro camino, que fue el favorito de la alta civilización pagana de la que surgimos – el camino de los grandes romanos
y los grandes griegos – es el camino del estoicismo. En forma vulgar, podríamos llamarlo “la filosofía del sonríe y
sopórtalo”. Algún que otro académico lo ha designado como “la religión permanente de la humanidad” pero por
cierto que no es nada de eso; aunque más no sea porque no es una religión en absoluto. Esta actitud posee al menos
la nobleza de enfrentar los hechos, pero no propone ninguna solución. Resulta manifiestamente negativa.

Otro camino es el profundo pero desesperanzado del Asia, del cual el mayor ejemplo es el del budismo: la filosofía
que considera al individuo como una ilusión y nos alienta a deshacernos del deseo de la inmortalidad para intentar
fundirnos con la vida impersonal del universo.

A la solución católica todos la conocemos. No es que la Iglesia Católica haya propuesto una solución completa al
problema del mal ya que la pretensión y función de la Iglesia ha sido la de salvar almas y no la de explicar
completamente la naturaleza de las cosas. Pero sobre este problema en particular la Iglesia Católica tiene una
respuesta muy definida dentro de su propio campo de acción. Lo que afirma es que, primero, la naturaleza del
hombre es inmortal y hecha para la beatitud; después, que la mortalidad y el dolor son el resultado de su Caída, esto
es: de su rebelión contra la voluntad de Dios. La Iglesia dice que, desde la Caída, nuestra vida mortal, de acuerdo con
nuestro comportamiento, es una ordalía o prueba en la que recuperamos (aunque mediante los méritos de nuestro
Salvador) esa inmortal beatitud que perdimos.

Ahora bien, el maniqueo se sintió tan abrumado por la experiencia o por la perspectiva del sufrimiento y por el
aterrador hecho de que su naturaleza era mortal, que se refugió en la negación de la omnipotente bondad de un
Creador. Afirmó que el mal se hallaba tan activo en el universo como el bien; que los dos principios se encontraban
siempre combatiéndose entre si como iguales. El hombre se hallaba sujeto tanto al uno como al otro. Si podía luchar
en absoluto debía combatir por unirse al principio del bien y evitar el principio del mal, pero debía tratar al mal como
una cosa todopoderosa. El maniqueo reconoció tanto a un dios bueno como a un dios malo y dispuso su mente en
concordancia con esa tremenda concepción.

Tal estado de ánimo engendró toda clase de efectos secundarios. En algunas personas conduciría a la adoración del
demonio; en muchas más a la magia, esto es: a la dependencia de algo diferente del propio libre albedrío, a trucos
mediante los cuales podríamos repeler el poder maligno o engañarlo. De modo bastante paradójico, también
condujo a realizar una buena cantidad de maldades en forma deliberada, ya sea con la excusa de que era inevitable
o bien con la de que no importaba porque de cualquier manera estamos bajo el imperio de algo igual de fuerte que
el poder del bien y por lo tanto nada impedía optar por actuar en consecuencia.

Pero hubo una cosa que el maniqueo de todo tipo siempre sintió y fue que la materia pertenecía al lado malo de las
cosas. A pesar de que puede haber bastante mal de índole espiritual, aún así el bien tiene que ser completamente
espiritual. Esto es algo que se encuentra no sólo en los primeros maniqueos, no sólo en los albigenses de la Edad
Media, sino hasta en los más modernos de los puritanos que quedan. Parece estar conectado con el estado de ánimo
maniqueo en todas sus formas. La materia está expuesta a decaer y por lo tanto es mala. Nuestros cuerpos son
malos. Sus apetitos son malos. Esta idea se ramifica en toda clase de detalles absurdos. El vino es malo.
Prácticamente todo placer físico, o medianamente físico, es malo y así sucesivamente. Cualquiera que lea los
detalles de la historia albigense se sorprenderá una y otra vez de la actitud singularmente moderna de estos
antiguos herejes porque descubrirá que tenían las mismas raíces que los puritanos que todavía sobreviven
tristemente entre nosotros.

De aquí derivan las líneas principales que se completaron en detalle a medida en que se extendió el movimiento
albigense. Nuestros cuerpos son materiales, decaen y mueren. Por lo tanto fue el dios malo el que hizo al cuerpo
humano mientras el dios bueno hizo el alma. De allí también que Nuestro Señor sólo aparentemente se revistió de
un cuerpo humano. Sólo sufrió aparentemente. De aquí también la negación de la Resurrección.

Debido a que la Iglesia Católica estuvo fuertemente en contra de actitudes de esta clase, siempre existió un conflicto
irreconciliable entre ella y el maniqueo o el puritano; y la forma de este conflicto nunca fue más violenta que la
adquirida durante la lucha que se entabló en el Occidente europeo entre los albigenses y la Iglesia Católica
organizada del momento (Siglos XI y XII). El papado, la jerarquía, el cuerpo entero de la doctrina católica y los
sacramentos católicos establecidos fueron el blanco de la ofensiva albigense.

La cuestión maniquea, toda vez que surge en la Historia, aparece como lo hacen ciertas epidemias que afectan al
cuerpo humano. Viene de lugares difíciles de establecer. Emerge en varios centros, aumenta su poder y al final se
convierte en una especie de plaga devastadora. Así sucedió con la gran Furia Albigense de hace 800 o 900 años atrás.
Sus orígenes son, por lo tanto, oscuros; pero podemos rastrearlos.

El Siglo XI, el período de los años entre el 1000 y el 1100, puede ser llamado como el del despertar de Europa.
Nuestra civilización justo acababa de pasar por aterradoras pruebas. El Occidente había sido saqueado por tropeles
de piratas paganos procedentes del Norte – los, al principio, no convertidos y más tarde sólo semi-convertidos
escandinavos – y en algunas partes el cristianismo casi se extinguió. Había sido sacudido por los saqueadores
mongoles del Este, paganos que en hordas cabalgaron sobre Europa desde las planicies del Norte de Asia. Y había
sufrido el gran ataque mahometano sobre el Mediterráneo por el cual casi toda España quedó ocupada, se sojuzgó
permanentemente el Norte de África y Siria quedando el Asia Menor y Constantinopla amenazadas.

Europa había estado sitiada pero había empezado a rechazar a sus enemigos. Los piratas del norte fueron
derrotados y sometidos. Los recientemente civilizados germanos [13] atacaron a los mongoles y salvaron al Danubio
superior y a una franja de tierra fronteriza hacia el Este. Más hacia el Este también los eslavos cristianos se
organizaron. Fueron los comienzos del Reino de Polonia. Pero el principal campo de batalla fue España. Allí, durante
este Siglo XI, el poder mahometano fue rechazado de una frontera fluctuante hasta otra más al Sur hasta que mucho
antes del fin del Siglo XI el grueso de la península fue recapturado para el dominio cristiano. Junto con este éxito
material se produjo – constituyendo tanto una causa como un efecto – un fuerte despertar de la inteligencia en
materia de disputas filosóficas y de nuevas especulaciones en ciencias físicas. Comenzó uno de esos períodos que de
tanto en tanto aparecen en la Historia de nuestra raza en los que, por decirlo así, “la primavera está en el aire”. La
filosofía se hizo vigorosa, la arquitectura se expandió, la sociedad comenzó a ser más organizada y las autoridades
civiles y eclesiásticas empezaron a extender y a codificar sus poderes.

Toda esta nueva vitalidad impulsó el vigor tanto de la herejía como de la ortodoxia. Comenzaron a aparecer desde el
Este, surgiendo aquí y allá pero en general a lo largo de las líneas de avance hacia el Oeste, individuos o pequeñas
comunidades que proponían y propagaban una forma nueva – y, según ellos, purificada – de religión.

Aparentemente, antes de aparecer en Italia estas comunidades tenían alguna fuerza en los Balcanes. Parecen haber
adquirido algo de fuerza en el Norte de Italia antes de aparecer en Francia, si bien sería en Francia que tendría lugar
el conflicto principal. Se los conoció bajo diferentes nombres; “paulicianos” por ejemplo, o bien un nombre que
hacía referencia a su origen búlgaro. En general se los conoció como “Los Puros”. Por su parte, ellos mismos
preferían darse ese epíteto poniéndolo en griego y haciéndose llamar “Cathari” o cátaros. Toda la historia de este
oscuro avance del peligro proveniente del Este de Europa ha quedado tan perdido en el posterior fulgor de gloria
que se produjo durante el Siglo XIII cuando la Cristiandad llegó a la cima de su civilización, que los orígenes
albigenses quedaron olvidados y su oscuridad se acentúa por la sombra que esa gloria posterior arroja sobre ellos.
Sin embargo su influencia fue tanto extendida como peligrosa y hubo un momento en que pareció que nos iría a
socavar por completo. Los Concilios de la Iglesia tomaron muy pronto conciencia de lo que estaba sucediendo, pero
el fenómeno era difícil de definir y de controlar. En Arras, en Flandes, a una fecha tan temprana como 1025, un
Concilio condenó ciertas proposiciones herejes de esa clase. Otra vez a mediados de ese siglo, en 1049, hubo una
condena más general emitida por un Concilio reunido en Reims, en Champagne.

Toda la influencia pendió como un miasma o como una niebla ponzoñosa que se mueve sobre la superficie de un
ancho valle y se estaciona a veces aquí y a veces allá. Comenzó a concentrarse y tomar forma de un modo fuerte en
el Sur de Francia y sería allí en dónde se produciría el choque definitivo entre ella y la fuerza organizada de la Europa
Católica.

En su definición y fortalecimiento a la herejía la ayudó el efecto de la primer gran marcha Cruzada que sacudió a
toda Europa y la inundó de nuevas influencias procedentes del Este a la par que estimuló toda clase de actividades
en el Oeste. Esa marcha, como hemos visto en una página anterior, coincidió con el final exacto del Siglo XI.
Jerusalén fue capturada en 1099. Fue en el siglo siguiente, en el XII (1.100 a 1200 DC) que se manifestaron sus
efectos. Fue una época considerablemente avanzada si se la compara con las anteriores. Comenzaban a surgir las
universidades, así como los cuerpos de representantes llamados parlamentos, y apareció el primer arco apuntado, el
“gótico”. La totalidad de la verdadera Edad Media empezó a brotar de la tierra. En esa atmósfera de vigor y
crecimiento los cátaros se fortalecieron de la misma manera en que lo hicieron también todas las demás fuerzas que
los rodeaban. Fue a principios de este Siglo XII que el fenómeno comenzó a ser alarmante y antes de promediar el
siglo los franceses del Norte ya estaban urgiendo al papado a actuar.

El papa Eugenio envió un Legado al Sur de Francia para ver qué se podía hacer y San Bernardo, el gran orador
ortodoxo de ese vital período, predicó contra ellos. Pero no se empleó la fuerza. No había una verdadera
organización preparada para hacerle frente a los herejes, si bien las personas previsoras estaban demandando una
acción vigorosa para que la sociedad pudiese salvarse. Al final, el peligro se volvió alarmante. En 1163 un gran
Concilio de la Iglesia, celebrado en Tours, estableció la característica y el nombre por el cual se designaría el
fenómeno. El nombre fue el de “albigenses”, y ha quedado desde entonces.

Es un título engañoso. El distrito albigense (conocido en francés como “Albigeois”) es prácticamente el mismo que el
Departamento de Tarn, en las montañas francesas centrales: un distrito cuya capital es la ciudad de Albi. No hay
duda de que algunos de los misionarios herejes provinieron de allí y sugirieron ese nombre, pero la fuerza del
movimiento no estuvo allá en las escasamente pobladas montañas sino en las ricas planicies hacia el Mediterráneo,
en aquella región que se llamaba “Langue d’Oc”; un gran distrito cuya capital era Tolouse. Ya unos años antes de que
el Concilio de Tours estableciese la etiqueta y el nombre del movimiento ahora subversivo, Pedro de Bruys había
predicado las nuevas doctrinas por el “Langue d’Oc” y, con él, un compañero de nombre Enrique había deambulado
predicándolas en Lausanne, en lo que es la Suiza actual, y más tarde en Le Mans, en Francia del Norte. Es de notar
que la población se exasperó tanto con el primero de los nombrados que lo tomaron prisionero y lo quemaron vivo.

Pero hasta ese momento no se produjo ninguna acción oficial contra los “albigenses” y todavía se les permitió
desarrollar rápidamente sus fuerzas durante años y más años, con la esperanza de que las armas espirituales fuesen
suficientes para hacerles frente. El papado esperó contra toda esperanza la posibilidad de encontrar una solución
pacífica. El punto de inflexión se produjo en 1167. Los albigenses, plenamente organizados ya como una contra-
Iglesia (en forma bastante similar a cómo el calvinismo se organizaría en contra-Iglesia cuatrocientos años más
tarde), celebraron un concilio general propio en Tolouse y se hizo evidente que la mayor parte de la pequeña
nobleza – que, compuesta por Señores de poblados individuales, constituía la masa del poder militar en el centro de
Francia – se hallaba en favor del movimiento. En aquellos días Europa Occidental no estaba organizada, como lo está
hoy, en grandes naciones centralizadas. Era lo que se llama “feudal”. Señores de pequeños distritos se agrupaban
bajo Señores más poderosos y éstos, a su vez, bajo hombres muy poderosos que constituían la autoridad en
provincias unificadas pero débilmente aglutinadas. En realidad, el verdadero soberano local era un duque de
Normandía, un conde de Tolouse, o un conde de Provenza. Le debía honores y fidelidad al Rey de Francia, pero nada
más.

Ahora bien, la masa de estos Señores menores del Sur favoreció al movimiento – como que desde entonces muchos
otros movimientos herejes han sido favorecidos por la misma clase de hombres – porque a través de él percibían la
posibilidad de un beneficio privado obtenido a costa de los bienes territoriales de la Iglesia. Ése había sido siempre el
motivo principal de estas revueltas. Pero había otro motivo adicional: los celos que se sentían en la Francia del Sur
contra el espíritu y el carácter de la Francia del Norte. Existía una diferencia de idioma y una diferencia de carácter
entre las dos mitades de lo que nominalmente constituía la monarquía francesa. Los franceses del Norte
comenzaron a clamar otra vez por la supresión de la herejía del Sur y, con ello, encendieron la llama. Al final, el 1194,
después de la pérdida de Jerusalén y del fracaso de la Tercera Cruzada en recuperarla, el fenómeno estalló. Ese año,
el conde de Tolouse, el soberano local, tomó partido por los herejes. Por fin, el gran papa que fue Inocencio III
comenzó a moverse. Era más que tiempo de hacerlo; de hecho, casi ya era demasiado tarde. El papado había
aconsejado optar por una demora, con la tenue esperanza de obtener la paz espiritual por medio de la predicación y
el ejemplo; pero el único resultado de la demora fue dejar que el mal creciera hasta adquirir dimensiones que
ponían en peligro a toda nuestra cultura.

Hasta qué punto esa cultura se hallaba en peligro es algo que puede verse por los principales dogmas que se
enseñaban y practicaban abiertamente. Se abandonaron todos los sacramentos. En su lugar se adoptó un extraño
ritual, llamado “la consolación”, en el cual se profesaba que se purificaba el alma. Se atacó la propagación de la
especie; se condenó el matrimonio y los líderes de la secta difundieron todas las extravagancias que es dado
encontrar alrededor del maniqueísmo o del puritanismo, sea dónde fuere que éste aparezca. El vino era maléfico; la
carne era maléfica; la guerra estaba siempre absolutamente mal, del mismo modo que la pena capital. Pero el
pecado más imperdonable era la reconciliación con la Iglesia Católica. En esto también lo albigenses se ajustaron al
modelo. Todas las herejías hacen de ello su punto principal.

Se hizo obvio que el fenómeno tenía que terminar en una decisión por las armas ya que, a esta altura, el gobierno
local del Sur estaba apoyando esta nueva contra-Iglesia altamente organizada y, si la misma se hacía tan sólo un
poco más fuerte, toda nuestra civilización colapsaría ante ella. La simplicidad de la doctrina, con su sistema dual del
bien y del mal, con su negación de la Encarnación y los principales misterios cristianos y su anti-sacramentalismo, su
denuncia de la riqueza clerical y su patrioterismo chauvinista – todo esto comenzó a atraer a las masas en las
ciudades al igual que a los nobles. Aún así, Inocencio, por más grande que haya sido como papa, aún vacilaba como
tiende a vacilar todo estadista antes de apelar concretamente a las armas; pero hasta él, justo antes del fin del Siglo,
insinuó la necesidad de una cruzada.

Cuando viniese el combate, necesariamente sería algo así como la conquista de la parte Sur de Francia – o más bien
de su rincón Sudoriental, entre el Ródano y las montañas, con Toulouse como capital – por parte de los barones del
Norte.

Sin embargo, la cruzada se detuvo. El cambio de Siglo pasó y sólo después Raimundo, conde de Toulouse (Raimundo
VI), asustado por la amenaza del Norte, prometió cambiar y le retiró su apoyo al movimiento subversivo. Hasta
prometió exiliar a los líderes de la ahora ya fuertemente organizada contra-Iglesia. Pero no fue sincero. Sus simpatías
siguieron estando con sus semejantes del Sur, con la masa de combatientes, con sus partidarios, con los pequeños
Señores del Langue d’Oc, quienes estaban profundamente involucrados con las nuevas doctrinas. Santo Domingo de
Guzmán, proveniente de España, se convirtió por la fuerza de su carácter y la rectitud de su intención en el alma de
la reacción en ciernes. En 1207 el papa le pidió al Rey de Francia, en su condición de soberano y Señor con autoridad
sobre Toulouse, que utilizara la fuerza. Casi todas las ciudades del Sureste ya se hallaban afectadas. Muchas estaban
completamente en manos de los herejes y cuando Castelnau, el Legado papal, fue asesinado – presumiblemente con
la complicidad del conde de Toulouse – la demanda de una cruzada se renovó y enfatizó. Poco después de este
asesinato comenzaron los combates.

El hombre que se destacó como el mayor líder de la campaña fue cierto Señor, no muy importante y más bien pobre,
de un señorío norteño – un lugar pequeño pero fortificado llamado Monfort, a un día de marcha desde París por el
camino a Normandía.

Todavía pueden verse las ruinas del lugar, de pié aún entre la arbolada campiña que las rodea. Queda algo al Norte
del camino principal entre París y Chartres: un cerro abrupto, más bien aislado, en medio del paisaje. A ese pequeño
cerro aislado y fortificado le había quedado el nombre de “el cerro fuerte” (mont fort) y Simón tomó su nombre de
ese ancestral señorío.
Cuando la lucha comenzó, Raimundo de Toulouse se hallaba al final de su sabiduría. El Rey de Francia se estaba
convirtiendo en más poderoso de lo que había sido. Hacía poco había confiscado las propiedades y todos los
señoríos de los Plantagenetas en el Norte de Francia. Juan, el rey Plantageneta de Inglaterra, que hablaba en francés
como lo hacía toda la clase superior de Inglaterra en aquellos días, era también (bajo el Rey de Francia) Señor de
Normandía , de Maine y de Anjou; y, por herencia materna, Señor de la mitad del país al Sur del Loira: Aquitania.
Toda la parte Norte de estas extensas posesiones que iban desde el Canal de la Mancha hasta las montañas centrales
habían caído de un sólo golpe en manos del Rey de Francia cuando los pares de Juan de Inglaterra lo condenaron a
perderlas. Raimundo de Tolouse temía correr la misma suerte. Pero aún se sentía tibio. A pesar de que marchó con
los cruzados en contra de algunas de sus propias ciudades rebeladas contra la Iglesia, en su corazón deseaba que los
norteños fuesen derrotados. Ya había sido excomulgado una vez. Volvió a serlo en Avignón, en 1209, el primer año
de la lucha principal.

Esa lucha fue muy violenta. Se produjo una espantosa carnicería con el saqueo de las ciudades, y apareció lo que el
papa más había temido: el peligro de que los motivos financieros concurriesen a envenenar el ya de por sí horrendo
asunto. Los Señores del Sur naturalmente demandarían que las propiedades de los herejes conquistados se
distribuyesen entre ellos. Hubo aún otro intento de reconciliación, pero Raimundo de Tolouse, probablemente
desesperado por la previsión de que lo dejasen solo, se preparó para resistir. En 1207 fue declarado fuera de la ley
por la Iglesia y, al igual que Juan, sus posesiones se le dieron por perdidas de acuerdo con la ley feudal.

El momento crítico de toda la campaña vino en 1213. Es probable que las fuerzas de los barones franceses del Norte
hubieran superado en fuerza a las del Sur si Raimundo de Toulouse no hubiera podido conseguir aliados. Pero dos
años después de su excomunión final y su desposesión, aparecieron de pronto en escena aliados muy poderosos que
se pusieron de su lado. Pareció seguro que la marea se revertiría y que la causa albigense resultaría triunfadora. Con
su victoria, colapsaría el reino de Francia y la causa católica en Europa Occidental. Ese corto período de años fue, por
lo tanto, decisivo para el futuro. Fue entonces que una gran coalición, conducida por el ahora despojado Juan y
apoyada por los alemanes, marchó contra el rey de Francia en el Norte y fracasó. Venciendo grandes dificultades, el
rey francés consiguió la victoria de Bouvines, cerca de Lille (29 de Agosto de 1214). Pero ya el año anterior otra
victoria decisiva de los Señores del Norte contra los albigenses del Sur había preparado el camino.

Los nuevos aliados que vinieron en auxilio del conde de Toulouse fueron los españoles, procedentes del lado Sur de
los Pirineos, los hombres de Aragón. Hubo una enorme hueste de ellos, conducida por su rey, el joven Pedro de
Aragón, cuñado de Raimundo de Toulouse. Un borrachín, pero hombre de una temible energía, no era una persona
incompetente al momento de conducir una campaña. Condujo algo así como cien mil hombres (número que incluye
a auxiliares y seguidores de campamento) a través de las montañas directamente para aliviar la situación de
Toulouse.

Muret es un pequeño pueblo al suroeste de la capital de Raimundo, ubicado aguas arriba del Garona, a un día de
marcha de la Toulouse propiamente dicha. La enorme hueste española, que no tenía un interés directo en la herejía
en si misma pero sí un fuerte interés en debilitar el poder de los franceses, estaba acampada en el campo llano que
se encuentra al Sur del pueblo de Muret. Contra ellos, la única fuerza activa disponible era la de unos mil hombres
bajo el mando de Simon de Monfort. Las chances parecían ridículas: uno contra cien. Por supuesto que no eran ni
remotamente tan desfavorables como parece porque los mil hombres eran nobles escogidos, armados y montados.
Las fuerzas de caballería de las huestes españolas probablemente no ascendían a más de tres a cuatro mil, estando
el resto del cuerpo español constituido por infantería, buena parte de la cual se hallaba desorganizada. Pero aún así,
las adversidades eran tales que el resultado constituyó una de las cosas más sorprendentes de la Historia.

Fue en la mañana del 13 de septiembre de 1213. Los mil hombres del lado católico, formando con Simon a la cabeza,
asistieron a misa montados sobre sus caballos. La misa fue cantada por Santo Domingo en persona. Por supuesto,
sólo los jefes y unas pocas filas de seguidores pudieron estar presentes en la iglesia – en la cual todos permanecieron
montados – pero, a través de las puertas abiertas, todo el resto de la pequeña fuerza pudo observar el Sacrificio.
Terminada la misa, Simón cabalgó hasta ubicarse al frente de su pequeña banda, tomó por un rodeo hacia el Oeste y
luego se lanzó con una carga repentina sobre las huestes de Pedro que aún no se habían formado adecuadamente y
se hallaban mal preparadas para recibir el choque. Los mil caballeros norteños de Simon destruyeron a sus enemigos
por completo. Las huestes aragonesas se convirtieron en una nube de hombres en fuga, completamente divididas y
no representando ya a una fuerza combativa. Pedro mismo resultó muerto.
Muret es un nombre que siempre debería ser recordado como una de las batallas decisivas del mundo. De haber
fallado, toda la campaña hubiera fracasado. Probablemente Bouvines nunca se hubiera librado y las probabilidades
son tales que la monarquía francesa misma hubiera colapsado, subdividiéndose en clases feudales independientes
de todo Señor central.

Una de las muchas cosas desalentadoras en la enseñanza de la Historia es observar que la importancia suprema del
lugar y de la acción que se libró allí aún siguen casi sin ser reconocidas. Un autor norteamericano le ha hecho plena
justicia en un libro p0r demás acertado, y me refiero al volumen “The Inquisition” (La Inquisición) del Sr. Hoffman
Nickerson. No conozco otra monografía en inglés sobre este asunto que merezca tanto como ésta en primera fila en
materia de enseñanza histórica. Si Muret se hubiera perdido en lugar de ganarse por milagro, no sólo la monarquía
francesa se hubiera debilitado y en Bouvines nunca se hubiera triunfado, sino que la nueva herejía se hubiera
impuesto con casi total certeza. Con ello, nuestra cultura Occidental, mutilada, hubiera caído por tierra.

Porque el país sobre el cual los albigenses mantenían su poder era el más rico y el mejor organizado de Occidente.
Poseía la más alta cultura, dominaba el comercio del Mediterráneo Occidental con el gran puerto de Narbona,
constituía la valla de contención de todos los esfuerzos del Norte hacia el Sur, y su ejemplo hubiera sido seguido de
modo inevitable. Tal como sucedieron las cosas, la resistencia albigense colapsó. Los norteños ganaron su campaña y
el Sur se hallaba económicamente semi-arruinado y debilitado en su poder de intentar una revolución contra la
ahora poderosa monarquía central de París. Por ello es que Muret debería contar, junto con Bouvines, como la
fundación de esa monarquía y, con ella, de la alta Edad Media. Muret abre y sella el Siglo XIII – el Siglo de San Luis,
de Eduardo de Inglaterra y de toda la ebullición de la cultura occidental.

En cuanto a la herejía albigense en si misma, fue atacada políticamente tanto por organizaciones civiles y
eclesiásticas como por la fuerza de las armas. La primera Inquisición surgió por la necesidad de extirpar los restos de
la enfermedad. (Es significativo que una persona que se declarara inocente ¡sólo tenía que demostrar que estaba
casada para ser absuelta! Eso demuestra la naturaleza de la herejía.)

Bajo el triple golpe de pérdida de riqueza, pérdida de organización militar y una completa erradicación política, este
fenómeno maniqueo pareció desaparecer en un siglo. Pero sus raíces se extendían por debajo de la superficie y
desde allí, ya sea por la secreta tradición de los perseguidos o por la misma naturaleza de la tendencia maniquea,
reaparecería con certeza bajo otras formas. Acechó en las montañas centrales de la propia Francia y, en formas
emparentadas, acechó en los valles de los Alpes. Es posible trazar una especie de vaga continuidad entre los
albigenses y los grupos puritanos posteriores, tales como los Vaudois; del mismo modo en que es posible rastrear
algún tipo de conexión entre los albigenses y las anteriores herejías maniqueas. Pero el fenómeno principal, el
fenómeno conocido por el nombre de albigense – el peligro que resultó tan próximo a ser mortal para Europa – fue
destruido.

Lo fue a un costo espantoso: la mitad de una alta civilización material quedó destruida y se generaron memorias de
odio que ardieron bajo la superficie durante generaciones enteras. Pero el precio valió la pena porque Europa se
salvó. La familia de Toulouse fue readmitida en su posición y títulos; sus posesiones no pasaron a la corona francesa
sino hasta mucho más tarde. Pero su antigua independencia terminó y, con ella, se acabó esa amenaza a nuestra
cultura a la que tan poco le faltó para tener éxito.

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Capítulo 6

¿Qué fue la Reforma?

El movimiento generalmente llamado “La Reforma” merece un lugar aparte en la Historia de las grandes herejías, y
esto por las siguientes razones:

1. No fue un movimiento en particular sino uno general, esto es: no produjo una herejía particular que habría podido
ser debatida, analizada y condenada por la autoridad de la Iglesia como hasta ahora fue el caso de toda otra herejía
o movimiento hereje. Después de que las distintas proposiciones herejes fueran condenadas, tampoco estableció
(como lo hizo al mahometanismo o el movimiento albigense) una religión separada por encima y en contra de la
antigua ortodoxia. Más bien creó una cierta atmósfera moral, separada, que aún seguimos llamando
“protestantismo”. De hecho, produjo toda una cosecha de herejías, pero no una herejía, y su característica fue que
todas sus herejías adquirieron y prolongaron un estilo común: ése que llamamos “protestante” hasta el día de hoy.

2. Si bien los frutos inmediatos de la Reforma decayeron, del mismo modo en que lo hicieron muchas otras herejías
del pasado, la disrupción que produjo permaneció y el móvil principal – la reacción contra una autoridad espiritual
unida – continuó tan en vigor que rompió a la civilización europea de Occidente, impulsó al final una duda general y
se expandió más y más ampliamente. Ninguna de las herejías más antiguas había hecho eso ya que cada una de ellas
fue específica. Cada una de ellas se había propuesto suplantar o rivalizar con la Iglesia Católica existente. Por el
contrario, el movimiento de la Reforma propuso más bien disolver a la Iglesia Católica – ¡y sabemos hasta qué
medida el esfuerzo ha tenido éxito!

Lo más importante de la Reforma es entenderla. No sólo seguir su Historia etapa por etapa – un procedimiento
siempre necesario para entender cualquier cuestión histórica – sino aprehender su naturaleza esencial.

En esto último, a las personas modernas les resulta muy fácil equivocarse; especialmente a las personas del mundo
angloparlante. Las naciones que conocemos quienes hablamos en inglés son, con la excepción de Irlanda,
predominantemente protestantes; y aún así albergan (con la excepción de Gran Bretaña y África del Sur) grandes
minorías católicas.

En ese mundo angloparlante (al cual está dirigido este escrito) existe una conciencia plena de lo que fue el espíritu
protestante y de lo que ha llegado a ser en sus modificaciones actuales. Todo católico que vive en ese mundo
angloparlante conoce lo que significa el temperamento protestante del mismo modo en que conoce el sabor de
algún alimento habitual, o de una bebida, o el aspecto de alguna vegetación familiar. En menor grado las grandes
mayorías protestantes – en Gran Bretaña esa mayoría es abrumadora – tienen alguna idea de qué es la Iglesia
Católica. Saben mucho menos de nosotros de lo que nosotros sabemos de ellos. Eso es natural, ya que nosotros
procedemos de orígenes más antiguos, porque somos universales mientras ellos son regionales y porque nosotros
sostenemos una filosofía intelectual definida mientras ellos poseen un espíritu más bien emocional e indefinido,
aunque característico.

Aún así, a pesar de que saben menos de nosotros de lo que nosotros sabemos de ellos, son conscientes de una
diferencia y sienten que hay una aguda división entre ellos y nosotros.

Ahora bien, en la actualidad, tanto católicos como protestantes tienden a cometer un error histórico capital. Tienden
a considerar al catolicismo por un lado y al protestantismo por el otro como dos sistemas religiosos y morales
esencialmente opuestos que producen en sus miembros individuales, desde los mismos orígenes del movimiento,
características morales opuestas y hasta fuertemente contrastantes. Toman por cierta esta dualidad incluso desde el
comienzo del proceso. Los historiadores que escriben en inglés a ambos lados del Atlántico hablan de cualquier
Fulano (aún a principios del Siglo XVI) calificándolo de “protestante” y de algún otro Mengano como “católico”. Es
cierto que los contemporáneos de esas personas también utilizaron dichos términos, pero emplearon las palabras en
un sentido muy diferente y con muy distintos sentimientos. Por todo el lapso de una vida humana después de
comenzado el movimiento llamado de “La Reforma” (digamos entre 1520 hasta 1600) las personas se mantuvieron
en una actitud mental que consideró a toda la disputa religiosa dentro de la Cristiandad como algo ecuménico. La
pensaron como un debate en el cual toda la Cristiandad se hallaba involucrada y como algo sobre lo cual se tomaría
alguna clase de decisión final válida para todos. Se pensaba que esta decisión se aplicaría a la Cristiandad como un
todo y traería consigo una paz religiosa general.

Como he dicho, este estado mental perduró por el lapso de toda una larga vida humana – pero su atmósfera duró
mucho más. Europa no se resignó a aceptar la desunión religiosa por el lapso de otra vida humana adicional. La
renuente decisión de sacar lo mejor del desastre no se vuelve evidente – como veremos – hasta la Paz de Westfalia,
130 años después del primer desafío de Lutero; y la separación completa de católicos y protestantes no se concretó
sino otros cincuenta años más tarde; aproximadamente entre 1690 y 1700.
Es de primordial importancia apreciar esta verdad histórica. Sólo unos pocos de los más amargos o ardientes
reformadores se lanzaron a destruir al catolicismo como algo separado del cual eran conscientes y al cual odiaban.
Menos aún se dirigió la mayoría de los reformadores a establecer alguna otra contra-religión unificada.

A lo que se dedicaron (como ellos mismos lo formularon y como se dijo durante un siglo y medio antes del gran
alzamiento) fue a “reformar”. Declararon su intención de purificar a la Iglesia y de restaurarla en sus virtudes
originales de llaneza y simplicidad. De diferentes maneras ( y los distintos grupos diferían en casi todo excepto en su
cada vez mayor reacción en contra de la unidad) expresaron su intención de librarse de las excrescencias,
supersticiones y falsedades históricas siendo que de ellas, sabe Dios, disponían de toda una multitud para atacar.

Por el otro lado, durante este período de la Reforma, la defensa de la ortodoxia se concentró no tanto en destruir un
fenómeno específico (como lo es el espíritu protestante actual) sino en restaurar la unidad. Durante al menos
sesenta años, y aún por ochenta años – más que el lapso de vida plenamente activo de un hombre longevo – las dos
fuerzas activas, la Reforma y el Conservadorismo, fueron de esta naturaleza: entrelazadas, cada una de ellas
afectando a la otra y cada una esperando volverse universal al final.

Por supuesto, a medida que transcurrió el tiempo los dos partidos tendieron a convertirse en dos ejércitos hostiles,
en dos campos separados, y por último se produjo la separación completa. Lo que había sido la Cristiandad unida de
Occidente se quebró en dos fragmentos: uno que de allí en más sería la cultura protestante y otro de cultura
católica. A partir de allí, cada uno de ellos se reconocería a si mismo y a su propio espíritu como algo separado y
hostil al otro. También cada uno creció asociando el nuevo espíritu con su propia región, o nacionalidad, o ciudad-
Estado: Inglaterra, Escocia, Hamburgo, Zurich, y todos los demás.

Después de la primera fase (que, naturalmente, abarcó el lapso de una vida humana) vino una segunda que cubrió
otro lapso igual. Si uno conviene en expandirla justo hasta la expulsión de los reyes Estuardos católicos de Inglaterra,
cubrió incluso algo más que una vida humana – cerca de cien años.

En esta segunda fase, los dos mundos, el protestante y el católico, están conscientemente separados y son
conscientemente antagonistas. Es un período bastante lleno de combates efectivos: las “guerras de religión” en
Francia e Irlanda y, sobre todo, en las amplias regiones de habla germánica de Europa Central. Bastante antes de que
estos enfrentamientos de hecho terminaran, los dos adversarios habían “cristalizado” en una forma permanente. La
Europa católica terminó aceptando como aparentemente inevitable la pérdida de lo que hoy son los Estados y las
ciudades protestantes. La Europa protestante perdió toda esperanza de afectar permanentemente con su espíritu
aquella otra parte de Europa que había sido salvada para la Fe. El nuevo estado de cosas quedó establecido por los
principales tratados que terminaron con las guerras religiosas en Alemania (a medio camino entre 1600 y 1700).
Pero el conflicto continuó esporádicamente por al menos cuarenta años más y partes de las fronteras entre las dos
regiones seguían fluctuando aún al final de ese período adicional. Las cosas no se consolidaron en dos mundos
separados sino hasta 1688 en Inglaterra o, incluso 1715, si consideramos a la totalidad de Europa.

A fin de tener la cuestión clara en nuestras mentes es bueno disponer de fechas fijas. Podemos tomar como origen
del conflicto manifiesto al alzamiento violento conectado con el nombre de Martín Lutero en 1517. Para 1600 el
movimiento, como movimiento general europeo, se había diferenciado bastante bien en un mundo protestante
opuesto al católico y la lucha se dirimía para decidir si dominaría el primero o el segundo y no para decidir si
prevalecería una filosofía o la otra a través de nuestra civilización; si bien, como he señalado, muchos aún esperaban
que, al final, la antigua tradición católica se extinguiría o bien que, al final, la Cristiandad volvería en un todo a ella.

La segunda fase comienza, digamos, en una fecha tan tardía como 1606 en Inglaterra, o algunos años antes en el
Continente, y no termina en una fecha precisa pero, hablando en términos generales, llega a su fin durante los
últimos veinte años del Siglo XVII. Termina en Francia antes que en Inglaterra. Termina entre los Estados alemanes –
por agotamiento más que por otra razón – aún antes que en Francia, pero se puede decir que la idea de un conflicto
religioso directo se estaba transformando en la idea de un conflicto político hacia 1670, o 1680 aproximadamente.
Las guerras religiosas activas corresponden a la primera parte de esta fase. Terminaron en Irlanda hacia mediados
del Siglo XVII y en Alemania algunos años antes; pero el fenómeno siguió siendo concebido como un asunto religioso
a una fecha tan tardía como 1688 y aún más tarde en aquellas partes en donde el conflicto se mantuvo.
Hacia mediados del Siglo XVII, en los tiempos de Cromwell, (1649-58), Gran Bretaña era definitivamente protestante
y seguiría siéndolo, a pesar de poseer una gran minoría católica. [14] Lo mismo se aplica a Holanda. Escandinavia
hacía rato que se había hecho protestante en forma permanente gracias a sus personajes adinerados, y lo mismo
ocurrió en los principados y Estados del Imperio Germánico, especialmente en el Norte. Otros (principalmente en el
Sur) se mantendrían claramente católicos en el futuro y en bloque.

De los Países Bajos (lo que hoy conocemos como Holanda y Bélgica), el Norte (Holanda) sería oficialmente
protestante con una gran minoría católica mientras que el Sur (Bélgica) sería casi completamente católica con
difícilmente algún elemento protestante en absoluto.

Los cantones suizos se dividieron en forma muy similar a como lo hicieron los alemanes. Algunos se volvieron
católicos, otros protestantes. Francia sería católica en su mayor parte pero con una minoría protestante, poderosa y
rica aunque no muy grande, constituyendo el 10% como máximo y probablemente más cerca de un 5% del total.
España, Portugal e Italia se consolidaron en forma permanente reteniendo las tradiciones de la cultura católica.

De modo que estamos por seguir la Historia de dos épocas sucesivas que gradualmente cambian de carácter. La
primera, desde un poco antes de 1520 hasta aproximadamente 1600, es una época de debate y conflicto
universales. La segunda es una época de fuerzas claramente contrapuestas que se vuelven tan políticas como
religiosas y se definen con cada vez mayor nitidez en dos bandos hostiles.

Cuando todo lo anterior había pasado, es decir hacia el final del Siglo XVII – o principios del XVIII, hace más de
doscientos años – se produjeron dos nuevos procesos. Por un lado se extendió la duda y un espíritu anticatólico
dentro de la misma cultura católica. Por el otro lado, si bien en la cultura protestante no existía una doctrina tan
definida a desafiar y se produjo una menor división interna, emergió un sentimiento cada vez más intenso en cuanto
a que las diferencias religiosas tenían que ser aceptadas. Fue un sentimiento que, en un número cada vez mayor de
individuos, creció hasta convertirse en la convicción – en un principio secreta pero más tarde explícita – de que en
materia religiosa nada podía saberse con certeza y que, por lo tanto, la tolerancia de todas las opiniones al respecto
era la actitud razonable a adoptar.

Paralelamente a este proceso se desarrolló la lucha política entre las naciones originalmente de cultura católica y las
regiones de la nueva cultura protestante. Durante el Siglo XIX la preponderancia del poder se desplazo gradualmente
hacia el lado de los protestantes, liderados por las dos principales potencias anticatólicas: Inglaterra y Prusia,
simbolizadas a veces con sus dos capitales como “Londres y Berlín”. Se ha dicho que “Londres y Berlín fueron los dos
pilares gemelos del dominio protestante durante el Siglo XIX”. Y esa apreciación es correcta.

Éste sería, pues, el proceso que estamos a punto de ver. El lapso de una vida humana ocupado por un conflicto de
ideas por todas partes; otro lapso semejante con una separación regional cada vez mayor y con un conflicto que se
vuelve cada vez más político que religioso. Luego, un Siglo – el XVIII – de escepticismo en aumento debajo del cual
las características de las culturas protestante y católica se mantuvieron, si bien ocultas. Luego otro siglo – el XIX –
durante el cual la lucha política entre las dos culturas fue bastante obvia y la protestante continuamente incrementó
su poder a expensas de la católica dado que ésta estuvo más dividida en su seno que la protestante. Francia, la
potencia líder de la cultura católica, fue – al menos la mitad de ella – anticlerical en los días de Napoleón al tiempo
que Inglaterra era, tal como sigue siendo, sólidamente anticatólica.

Los orígenes de ese gran movimiento que sacudió y dividió por generaciones al mundo espiritual y que llamamos la
“Reforma”, vale decir: el acopio de materiales para la explosión que sacudiría a la Cristiandad en el Siglo XVI, cubre el
período de al menos dos vidas humanas antes de producirse en 1517 el acto principal de rebelión contra la unidad
religiosa.

Muchos han tomado como punto de partida al abandono de Roma por parte del Papado y a su establecimiento en
Avignon, cosa que sucedió más de doscientos años antes del surgimiento de Lutero.

Hay algo de cierto en esta postura pero se trata de una verdad muy imperfecta. Todo tiene una causa, y toda causa
tiene otra detrás de ella y así sucesivamente. El hecho que el Papado abandonara Roma, poco después del 1300,
debilitó por cierto la estructura de la Iglesia pero, en si, no fue fatal. Hablando de buscar el punto de partida principal
es mejor tomar esa terrible catástrofe que fue la plaga hoy conocida como “la Muerte Negra” (1348-50), cuarenta
años después del abandono de Roma. Podría ser aún más satisfactorio tomar como punto inicial a la apertura del
gran cisma, cerca de treinta años después de la Muerte Negra, una fecha después de la cual por toda una generación
la autoridad del mundo católico fue casi mortalmente herida por los conflictos de papas y anti-papas, pretendientes
rivales a la suprema autoridad de la Santa Sede. De cualquier manera, antes de la Muerte Negra de 1348-50 y antes
de la apertura del cisma, hay que comenzar con el abandono de Roma por parte de los Papas.

La Santa Sede, como autoridad central de la Cristiandad, hacía tiempo que estaba involucrada en una querella
mortal con el poder secular de lo que se llamaba “El Imperio”, esto es, con los emperadores de origen germánico
que tenían una autoridad general – aunque muy complicada, variada y, con frecuencia, sólo en las sombras – no
solamente en los países de habla alemana sino también en el Norte de Italia y el cinturón de lo que hoy es el Este de
Francia, además de los Países Bajos y algunos grupos de eslavos.

Una generación antes de que los Papas abandonaran Roma, esta querella llegó a su culminación bajo uno de los
hombres más inteligentes y más peligrosos que jamás gobernaran a la Cristiandad – el Emperador Federico II – cuyo
poder era tanto más grande porque había heredado no sólo el antiguo y diversificado gobierno sobre los Estados
germánicos, los Países Bajos y lo que hoy llamamos Francia Oriental, sino también el Este y el Sur de Italia. La
totalidad de Europa Central, excepto los Estados gobernados inmediatamente por el Papa en el medio de Italia,
estaba en mayor o en menor medida bajo la sombra de Federico y sus pretensiones soberanas. Desafió a la Iglesia y
el Papado venció, con lo cual la Iglesia se salvó; pero el Papado, como poder político, salio exhausto del conflicto.

Como sucede con tanta frecuencia, fue un tercero el que se benefició del violento duelo de los dos actores
principales. Fue el rey de Francia quien ahora se convirtió en la potencia principal y por setenta años, esto es:
durante toda la mayor parte del Siglo XIV (de 1307 a 1377) el Papado se convirtió en algo francés, con los Papas
residiendo en Avignon (en dónde su gran palacio subsiste al día de hoy, constituyendo un espléndido monumento de
aquél tiempo y de su significado) y siendo, después del cambio, mayormente franceses los hombres elegidos para
ocupar el cargo de Papa.

Este cambio (o más bien interludio, ya que el cambio no fue permanente) cayó justo en el momento en que un
espíritu nacional comenzaba a desarrollarse en varias regiones de Europa, particularmente en Francia. Tanto más
golpeó las conciencias de aquella época el peculiar carácter francés del Papado. Por su propia naturaleza, el Papado
debe ser universal. Que fuese nacional resultó abominable para los europeos occidentales de aquél tiempo.

La tendencia de la Cristiandad occidental a dividirse en compartimentos separados y de perder la unidad plena que
había tenido durante tanto tiempo aumentó debido al fracaso de las Cruzadas – las cuales, mientras se mantuvieron
activas, actuaron de fuerza unificadora presentándole un ideal común a toda la caballería cristiana. Esta tendencia
también aumentó por lo que se ha dado en llamar la Guerra de los Cien Años; y no es que durara continuamente esa
cantidad de años pero, desde la primera batalla hasta la última se puede contabilizar casi ese lapso de tiempo.

La Guerra de los Cien Años fue un conflicto entre la dinastía de habla francesa que gobernaba a Inglaterra, apoyada
por la clase superior inglesa que también era francófona (toda la clase superior inglesa hablaba en francés aún a
fines del Siglo XIV), y la igualmente francófona monarquía francesa con su clase superior en Francia misma. La familia
real inglesa de habla francesa era la de los Plantagenetas y a la familia real francesa se la conoce como la de los
Capetos.

La monarquía francesa capeta había descendido regularmente de padres a hijos por generaciones hasta que se
produjo una sucesión disputada después de 1300, poco después de que el Papa se mudase a Avignon en Francia. El
joven Eduardo Plantageneta, el tercero de ese nombre, el francófono Rey de Inglaterra, reclamó el trono francés por
la vía de su madre, la hermana del último rey que no tenía hijos. El rey capeto Felipe, primo del rey fallecido, reclamó
el mismo trono en su calidad de varón, luego de que sus abogados inventaran el alegato de que las mujeres no
podían ni heredar, ni transmitir, a la monarquía francesa. Eduardo ganó dos notables campañas, las de Crecy y la de
Poitiers y casi tuvo éxito en establecerse como Rey de Francia. Después sobrevino un largo impasse durante el cual
las fuerzas plantagenetas fueron expulsadas de Francia, excepto en el suroeste. A lo cual siguió una reunión de los
plantagenetas después de que la usurpadora rama Lancasteriana de la familia se hiciese del trono de Inglaterra y
consolidara su injusto poder. Volvieron a fogonear la guerra en Francia (bajo Enrique V de Inglaterra) y llegaron
mucho más cerca de tener éxito que sus antecesores porque Francia se hallaba en un estado de guerra civil. De
hecho, el gran soldado del período, Enrique V de Inglaterra, al casarse con la hija del rey de Francia y después de
declarar que el hermano de ésta era ilegítimo, consiguió que su pequeño hijo fuese coronado como rey francés. Pero
la disputa no terminó allí.

Todos sabemos cómo fue que terminó. Finalizó con las campañas de Juana de Arco y sus sucesores, y con el colapso
definitivo de la pretensión plantageneta. Pero, por supuesto, el conflicto había fomentado los sentimientos
nacionales y todo fortalecimiento de los ahora crecientes sentimientos nacionales en la Cristiandad concurrían a
debilitar a la antigua religión.

En el medio de todo esto cayó algo mucho más importante todavía que esa disputa y fue algo que, como ya he
señalado antes, tuvo mucho que ver con la deplorable división de la Cristiandad en naciones independientes
separadas. Este lamentable incidente fue la terrible plaga conocida como “la Muerte Negra”. El espantoso desastre
se desató en 1347 y barrió a toda Europa de Este a Oeste. Lo asombroso es que nuestra civilización no colapsó
porque murió un tercio de la población adulta con certeza, y probablemente más aún.

Como siempre sucede con las grandes catástrofes, hubo un “compás de espera” hasta que se sintieron los plenos
efectos de la tragedia. Fue recién durante las décadas de los 1370 y 1380 que los efectos comenzaron a ser
permanentes y en buena medida universales.

En primer lugar, como siempre sucede cuando los hombres son severamente puestos a prueba, los menos
afortunados se volvieron violentamente hostiles hacia los más afortunados. Hubo alzamientos y movimientos
revolucionarios. Se derrocaron príncipes, hubo un quiebre de continuidad de toda una pléyade de instituciones. Los
nombres de las instituciones antiguas se mantuvieron, pero su espíritu cambió. Por ejemplo, los grandes
monasterios de Europa mantuvieron sus antiguas riquezas pero quedaron reducidos a la mitad de su número.

La parte importante de estos efectos de la Muerte Negra, después de aproximadamente una generación, fue el
surgimiento de Inglaterra como un país unido por un lazo común. La clase superior dejó de hablar en francés y los
variados dialectos locales se fundieron en un lenguaje que se estaba convirtiendo en el lenguaje literario de una
nueva nación. Es el período del Piers Plowmany de Chaucer.

La Muerte Negra no sólo sacudió la estructura física y política de la sociedad Europea. Comenzó a afectar a la Fe
misma. El horror había generado demasiada desesperación.

Otro resultado directo de la Muerte Negra fue el “Gran Cisma” en el Papado. Los beligerantes reyes de Francia e
Inglaterra, las facciones rivales en Francia misma y las autoridades menores de los Estados más pequeños
continuamente tomaron partido por uno u otro pretendiente al Papado. De este modo, toda la idea de una
autoridad espiritual central resultó socavada.

Otro factor disruptivo fue el crecimiento de las literaturas vernáculas, esto es: literaturas ya no expresadas
generalmente en latín sino en la lengua local (francés del Norte o del Sur, inglés, alto o bajo alemán). Si cien años
antes de 1347 se le hubiese preguntado a una persona: “¿Por qué tus oraciones deben estar en latín? ¿Por qué
nuestras iglesias no utilizan nuestro propio idioma?”, la pregunta hubiese sido ridiculizada; hubiera parecido no
tener sentido. La misma pregunta formulada en 1447, hacia el final de la Edad Media, con las lenguas vernáculas que
comenzaban a florecer, ya estaba llena de atractivo popular.

De la misma forma, quienes se oponían a una autoridad central podían señalar al Papado como algo local, como un
fenómeno italiano, como algo del Sur. El Papa se estaba convirtiendo en un príncipe italiano en la misma medida en
que era la cabeza de la Iglesia. Un caos social semejante se adaptaba admirablemente a ciertas herejías específicas;
esto es: a movimientos particulares que cuestionaban doctrinas particulares. Una opinión muy popular, favorecida
por los disturbios sociales de la época, fue la idea de que el derecho a la propiedad y a la función pública estaba
unido a la Gracia; que la autoridad política o económica no podía ser rectamente ejercida excepto por personas en
Estado de Gracia – ¡una muy conveniente excusa para toda clase de rebeliones!

Injertadas en esta disputa se produjeron violentos enfrentamientos entre el clero y los laicos. Los donativos a la
Iglesia eran muy grandes y la corrupción, tanto en los establecimientos monásticos como entre los laicos, estaba
aumentando. Las donaciones comenzaron a ser tratadas cada vez más como una renta de la que se podía disponer
destinándola a recompensas o a cualquier programa político. Incluso uno de los mejores Papas de aquél tiempo, un
hombre que luchó contra el corrupto hábito de unificar muchos donativos en una sola mano, tenía siete obispados a
su cargo como la cosa más natural del mundo.

Los sentimientos nacionales y raciales aprovecharon la confusión con movimientos como los de los husitas en
Bohemia. Su pretexto contra el clero fue la demanda de restaurar el cáliz a los laicos en la Comunión, pero en
realidad se hallaban motivados por el odio de los eslavos contra los alemanes. Huss es un héroe en Bohemia hasta el
día de hoy. Durante el Gran Cisma papal se hicieron esfuerzos por restaurar la autoridad central sobre una base
firme mediante la convocatoria de grandes concilios. Los mismos instaron a los Papas a renunciar y confirmaron
nuevos nombramientos en el Papado. Pero en el largo plazo, al menoscabar la autoridad de la Santa Sede,
debilitaron la idea de la autoridad en general.

Después de semejantes confusiones y disgustos tan complicados, particularmente después de la difusión y un


creciente descontento con la mundanalidad del clero oficial, vino un despertar intelectual, una recuperación de los
clásicos y en especial una recuperación del conocimiento del griego. Esto colmó la segunda parte del Siglo XV (1450-
1500). En forma simultánea se fue extendiendo el conocimiento del mundo físico. El mundo (como diríamos hoy) se
estaba “expandiendo”. Los europeos habían explorado el Atlántico y las costas africanas; habían encontrado el
camino a la India bordeando el Cabo de Buena Esperanza y, antes del fin del Siglo, habían descubierto todo un nuevo
mundo que más tarde se llamaría América.

A través de todo este fermento se escuchó la continua demanda: “¡Reforma de la Iglesia!” “¡Reforma de su
autoridad principal y de sus miembros!” “Que el Papado retome en plenitud sus deberes espirituales y que se purgue
la corrupción dentro de la Iglesia”. Hubo un clamor tempestuoso que surgió exigiendo simplicidad y realismo, una
emergente, tormentosa, indignación ante la anquilosada defensa de antiguos privilegios; una carga universal contra
oxidadas cadenas que ya no se ajustaban a la sociedad europea. El clamor de cambios por enmiendas, de una
purificación del cuerpo del clero y de la restauración de ideales espirituales puede ser comparado con el clamor
actual (centrado en la economía y no en la religión) que exige la expropiación de la riqueza concentrada en beneficio
de las masas.

El espíritu hacia 1500-1510 era tal que cualquier incidente podía producir un súbito alzamiento, de la misma forma
en que los incidentes de una derrota militar y el esfuerzo de tantos años de guerra produjeron la súbita revolución
bolchevique en la Rusia actual.

El incidente que provocó la explosión fue menor e insignificante – pero como punto de partida fue tremendo. Me
refiero, por supuesto, a la protesta de Lutero contra el abuso (y en realidad contra la utilización) de las indulgencias.

Esa fecha, el de la Víspera de Todos los Santos de 1517, no es tan sólo una fecha definida para marcar el origen de la
Reforma; es su verdadero momento inicial. A partir de allí, la ola de la marea creció hasta volverse abrumadora.
Hasta ese momento las fuerzas conservadoras, por más corruptas que fuesen, se habían sentido seguras de si
mismas. Muy poco después de ese hecho, su seguridad había desaparecido. La marea había comenzado.

Debo reiterar aquí a los efectos de mayor claridad la primer cosa en absoluto que tiene que considerar cualquiera
que desee entender esa revolución religiosa que terminó en lo que hoy llamamos “protestantismo”. En esa
revolución, generalmente llamada “La Reforma”, se distinguen bastante claramente dos mitades, y cada una de ellas
dura aproximadamente el lapso de una vida humana. De las mismas, la primera fase no fue un conflicto entre dos
religiones sino un conflicto dentro de una religión; mientras que en la segunda fase comenzó a surgir una nueva
cultura religiosa diferenciada, opuesta a – y separada de – la cultura católica.

Lo repito: la primera fase (aproximadamente los primeros 50 o 60 años del proceso) no constituyó un conflicto entre
“católicos y protestantes” tal como los conocemos hoy; fue un conflicto dentro de los límites de un cuerpo europeo
occidental. Los hombres del ala izquierda más extrema, desde Calvino hasta el Príncipe Palatino, todavía pensaban
en términos de “Cristiandad”. Jacobo I de Inglaterra, al ascender al trono y a pesar de denunciar al Papa como un
monstruo de tres cabezas, aún afirmaba enérgicamente su derecho a pertenecer a la Iglesia Católica.

Hasta no entender lo anterior no podemos comprender la confusión ni las intensas pasiones de aquella época. Lo
que comenzó como una especie de pelea familiar espiritual y continuó como una guerra civil espiritual muy pronto
terminó siendo acompañado por una guerra civil armada real. Pero no fue un conflicto entre un mundo protestante
y otro mundo católico. Eso vino después, y cuando ocurrió, produjo ese estado de cosas que nos son familiares a
todos, la división del mundo blanco en dos culturas, la católica y la anti-católica: el quiebre de la Cristiandad por la
pérdida de la unidad europea.

Ahora bien, la cosa más difícil del mundo en relación con la Historia, y el logro menos frecuente, es el de ver los
acontecimientos en la forma en que los veían los contemporáneos en lugar de verlos a través del medio distorsivo de
nuestro conocimiento posterior. Nosotros sabemos lo que ocurrió después; los contemporáneos no lo sabían. Las
mismas palabras utilizadas para designar la actitud tomada al principio de la lucha cambian de significado antes del
final del conflicto. Así sucedió con los términos de “católico” y “protestante”; así sucedió con la propia palabra
“reforma”.

El gran alzamiento religioso que de manera tan rápida se convirtió en una revolución religiosa fue concebida por los
contemporáneos de sus orígenes como un esfuerzo por corregir las corrupciones, los errores y los crímenes
espirituales presentes en el cuerpo de la Cristiandad. Al principio del movimiento, nadie digno de considerar hubiera
negado por un instante la necesidad de una reforma. Todos estaban de acuerdo en que las cosas habían llegado a un
estado terrible y amenazaban con un futuro peor a menos que se hiciera algo. La imperiosa necesidad de arreglar las
cosas, el clamor por ello, había estado surgiendo por más de un siglo y ahora, en la segunda década del Siglo XVI,
había emergido. La situación podría ser comparada con la situación económica actual. Nadie digno de mención está
hoy contento con el capitalismo industrial que ha engendrado tan enormes males. Esos males aumentan y amenazan
con volverse intolerables. Todos están de acuerdo en que tiene que haber una reforma y un cambio.

Pues bien; podríamos ponerlo del siguiente modo: nadie nacido entre los años 1450-1500 dejaba de ver hacia el año
crítico de 1517, cuando ocurrió la explosión, que algo debía ser hecho; y en la proporción de su integridad y
conocimientos las personas estaban ansiosas de que se hiciera algo – del mismo modo en que no existe nadie vivo
actualmente, sobreviviente de la generación de entre 1870 y 1910, que no sepa que algo drástico debe ser hecho en
la esfera económica si es que hemos de salvar a nuestra civilización.

Un estado de ánimo semejante es la condición preliminar a todas las reformas mayores pero, inmediatamente
después de que esas reformas se traducen en acciones, aparecen tres fenómenos concurrentes a todas las
revoluciones y de cuya gestión correcta depende en forma exclusiva el evitar una catástrofe. El primer fenómeno es
el siguiente:

Se proponen simultáneamente cambios de todo tipo y grado; desde reformas que son manifiestamente justas y
necesarias y que significan un regreso al orden correcto de las cosas, hasta innovaciones que son criminales y
demenciales.

El segundo fenómeno es que la cosa a reformar necesariamente se resiste. Acumuló un gran caudal de costumbres,
intereses creados, organización oficial etc. y cada uno de estos elementos, aún sin una voluntad expresa, le pone un
lastre a la reforma.

En tercer lugar (y este es por lejos el fenómeno más importante) aparece entre los revolucionarios un número cada
vez mayor de individuos que no están tan concentrados en rectificar los males que han crecido en la cosa a reformar
sino llenos de un odio pasional hacia la cosa misma, hacia lo esencial de ella, hacia lo bueno que incluye y por lo cual
tiene derecho a sobrevivir. Así, en la revuelta actual en contra del capitalismo industrial, tenemos hoy a personas
proponiendo toda clase de remedios: gremios, Estado socialista parcial, la salvaguarda de la pequeña propiedad (que
es lo opuesto al socialismo), el repudio del interés, la eliminación de la moneda, el mantenimiento de los
desempleados, un comunismo completo, una reforma nacional y hasta la anarquía. Todos estos remedios, y cien
más, están siendo propuestos al por mayor, contradiciéndose entre si y produciendo un caos de ideas.

Frente a este caos, todos los órganos del capitalismo industrial continúan funcionando; la mayoría de ellos lidiando
celosamente por preservar su existencia. El sistema bancario, los préstamos a gran interés, la vida proletaria, el
abuso de la maquinaria y la mecanización de la sociedad – todos estos males continúan a pesar del clamor y
adoptan, cada vez más, una actitud de terca resistencia. En forma ya sea consciente o semi-consciente insisten en
alegar que “si alguien nos altera habrá un colapso. Las cosas pueden estar mal, pero todo parece indicar que ustedes
sólo las harán peores. El orden es la primera prioridad entre todas”, y etc. etc.

Mientras tanto el tercer elemento está apareciendo de un modo bastante manifiesto: el mundo moderno está cada
vez más lleno de personas que odian al capitalismo industrial a tal punto que ese odio se convierte en el motivo de
todo lo que hacen y piensan. Estas personas preferirían destruir a toda la sociedad antes que esperar a una reforma
y proponen métodos de cambio que son peores que los males a remediar – están más preocupadas por matar a sus
enemigos que por la vida del mundo.

Todo esto se produjo también en lo que aquí llamo “El Tumulto”, que duró en Europa aproximadamente desde 1517
hasta el fin del Siglo, un período de poco más de ochenta años. Al principio todas las buenas personas con suficiente
instrucción y muchas malas personas con igualmente suficiente instrucción, más una hueste de ignorantes y no
pocos dementes, se concentraron en los males que habían surgido dentro del sistema religioso de la Cristiandad.
Esos fueron los primeros reformadores.

Nadie puede negar que los males que provocaron la reforma en la Iglesia tenían raíces profundas y se hallaban
extendidos. Amenazaban la vida misma de la Cristiandad. Todos los que pensaban sobre lo que estaba sucediendo a
su alrededor se daban cuenta de lo peligrosas que se habían vuelto las cosas y qué tan grande era la necesidad de
una reforma. Esos males pueden ser clasificados como sigue:

En primer lugar (y constituyendo lo menos importante) había una masa de mala Historia y malos hábitos históricos
debidos al olvido del pasado, a carencia de conocimientos y a simple rutina. Por ejemplo, había una masa de
leyendas, la mayoría de ellas hermosas, pero algunas de ellas pueriles y la mitad de ellas falsas, adosadas a la
verdadera tradición. Había documentos en cuya autoridad las personas confiaban y que demostraron no ser lo que
pretendían. Por ejemplo, las falsas Decretales y, en particular, la conocida como la Donación de Constantino de la
que se suponía que había otorgado el poder temporal al Papado. Había una masa de falsas reliquias,
demostrablemente falsas, como por ejemplo (entre un millar de otras) las falsas reliquias de Santa María Magdalena
e innumerables casos en los cuales dos o más objetos pretendían ser la misma reliquia. La lista podría extenderse
indefinidamente y el aumento del conocimiento académico, el renovado descubrimiento del pasado, en particular el
estudio de los documentos griegos originales, y en forma destacada el Nuevo Testamento griego, hicieron aparecer a
estos males como intolerables.

El siguiente grupo de males es más serio, porque afectó a la vida espiritual de la Iglesia en su esencia. Fue una
especie de “cristalización” (como la he denominado en otra parte) o bien, si prefiere el término, de “osificación” del
cuerpo clerical en sus hábitos y hasta en su enseñanza doctrinal. Ciertas costumbres, inofensivas en si mismas y
quizás hasta más buenas que malas, se habían vuelto más importantes – especialmente como formas de adhesión
local a ciertos lugares de culto y ceremonias locales – que el cuerpo viviente de la verdad católica. Se hizo necesario
examinar estos fenómenos y corregirlos en todos los casos y, en algunos, librarse de ellos por completo.

En tercer lugar, y por lejos constituyendo lo más importante de todo, había una mundanalidad extendida entre los
funcionarios de la Iglesia, en el exacto sentido teológico de “mundanalidad”: la preeminencia de los intereses
terrenales por sobre lo eterno.

Como ejemplo principal de ello tenemos la simonía, compraventa de cargos eclesiásticos, sacramentos, reliquias,
promesas de oración, la gracia, la jurisdicción eclesiástica, la excomunión, etc. Se había llegado a un punto en que las
donaciones hechas a la Iglesia se compraban y vendían, se heredaban y se licitaban de un modo similar a como se
procede con las acciones y participaciones en la actualidad. Ya hemos visto como, incluso en la culminación del
movimiento, uno de los más grandes Papas reformadores retenía los ingresos de siete obispados, privándolos así de
sus pastores residentes. Los ingresos de un obispado podían ser otorgados a modo de salario por un rey a quien le
había servido y esta persona podía no ir jamás ni siquiera cerca de su Sede siendo que vivía quizás a cientos de
kilómetros de distancia. Por ejemplo, para un hombre como Wolsey ( y es sólo un ejemplo entre muchos otros) se
había vuelto normal retener dos de las principales Sedes de la Cristiandad en sus manos al mismo tiempo: York y
Winchester. Se había vuelto costumbre para hombres como Campeggio, ilustrados, virtuosos y con una vida en todo
sentido ejemplar, el recolectar los ingresos de un obispado en Inglaterra mientras vivían en Italia y raramente se
acercaban a sus Sedes. Las cortes papales, aún cuando sus males han sido muy exagerados, fueron ejemplos
recurrentes; de los cuales el peor fue el de la familia de Alejandro VI – un escándalo de primera magnitud para toda
la Cristiandad.

Toda persona atacaría violentamente abusos tan monstruosos con el mismo vigor con que hoy las personas, tanto
las buenas como las malas, atacan la desfachatada lujuria de los ricos que contrasta con las horribles profundidades
de la pobreza proletaria moderna. Fue de todo esto que surgió el descontento y a medida en que creció, amenazó
con destruir a la Iglesia Católica misma.

Bajo el impulso de esta universal demanda por reformas, con las pasiones en juego – tanto las constructivas como
las destructivas – podría muy bien haber pasado que se preservara la unidad de la Cristiandad. Hubiera habido una
buena cantidad de tironeos, quizás algo de combates, pero el instinto de unidad era tan fuerte, el “patriotismo” de la
Cristiandad era una fuerza aún tan viva por todas partes, que existieron tantas probabilidades a favor como en
contra de que termináramos restaurando a la Cristiandad e iniciando una nueva y mejor era para nuestra civilización
como resultado de purgar tanto la mundanalidad en la jerarquía como las múltiples corrupciones contra las cuales
estaba protestando la conciencia pública.

No había ningún plan en el aire al comienzo de la ruidosa protesta durante el caótico clamor revolucionario en las
Alemanias, seguido del clamor humanista por todas partes. No hubo un ataque concentrado sobre la Fe Católica. No
pudieron organizar una campaña ni quienes eran más instintivamente sus enemigos (Lutero mismo no fue eso) ni
hombres como Zwingli (quien personalmente odiaba las doctrinas centrales de la Fe y quien condujo el inicio del
saqueo de los legados de la religión). No hubo una doctrina constructiva difundida y en oposición al antiguo cuerpo
de doctrina por el cual nuestros padres habían vivido, hasta que apareció un hombre de genio con un libro que le
sirvió de instrumento y con un violento poder personal de razonamiento y predicación para lograr sus fines. Fue un
francés, Jean Cauvin (o Calvin), el hijo de un funcionario eclesiástico, administrador y abogado en la Sede de Noyon.
Después que su padre fuera excomulgado por defraudación y después que el obispo le confiscara a él mismo buena
parte del ingreso del que gozaba, Jean Calvin se puso a trabajar. Y fue un enorme trabajo el suyo.

Sería injusto decir que las desventuras de su familia y la amarga disputa por dinero entre él y la jerarquía local fueron
las principales fuerzas impulsoras del ataque de Calvino. Ya estaba del lado revolucionario de la religión y,
probablemente, de cualquier manera hubiera sido una figura principal entre aquellos que buscaban destruir a la
antigua religión. Pero, más allá de sus motivos, fue por cierto el fundador de una nueva religión. Porque fue Juan
Calvino el que estableció una contra-iglesia.

Demostró, como nadie antes, el poder de la lógica – el triunfo de la razón, aún cuando se abusa de ella, y la victoria
de la inteligencia sobre el mero instinto y sentimiento. Estructuró una nueva teología completa, estricta y
consistente, en la que no había lugar para un clero ni para sacramentos. Lanzó un ataque, no anticlerical, no de una
especie negativa, sino positiva, exactamente igual a cómo Mahoma lo había hecho novecientos años antes. Fue un
verdadero heresiarca y, a pesar de que la imposición concreta de su dogma no tuvo una vida mucho más larga que la
del arrianismo, el ambiente espiritual que creó ha perdurado hasta nuestros días. Todo lo que es vital y efectivo en el
temperamento protestante aún hoy se deriva de Juan Calvino.

A pesar de que las afirmaciones calvinistas férreas se han oxidado (siendo el núcleo de las mismas la admisión del
mal en la naturaleza divina por la admisión de sólo Una Voluntad en el universo), su visión de un dios Moloch
sobrevivió; y la correspondiente devoción calvinista por el éxito material, la aversión calvinista por la pobreza y la
humildad, han sobrevivido con plena fuerza. La usura no se estaría fagocitando al mundo moderno de no ser por
Calvino; las personas no se rebajarían a aceptar un destino adverso inevitable de no ser por Calvino; sin él, el
comunismo no estaría entre nosotros como lo está hoy; el monismo científico no hubiera dominado al mundo
moderno como lo hizo (hasta hace poco), asesinando la doctrina del milagro y paralizando el Libre Albedrío.

Este poderoso genio francés lanzó su palabra casi veinte años después de que comenzara la revolución religiosa.
Alrededor de esa palabra se libró la batalla entre la Iglesia y la contra-iglesia y la destrucción de la unidad cristiana –
eso que llamamos la Reforma – se convertiría esencialmente y por más de un siglo en el vívido esfuerzo, entusiasta
como lo había sido el Islam, dirigido a reemplazar la tradición cristiana por el nuevo credo de Calvino. Actuó, como lo
hacen todas las revoluciones, formando “células”. Surgieron grupos por todo Occidente; pequeñas sociedades de
personas altamente disciplinadas, determinadas a difundir “el Evangelio”, “la Religión” – tuvo muchos nombres. La
intensidad del movimiento creció constantemente, en especial en Francia, el país de su fundador.

A diferencia de todas las otras grandes herejías, la Reforma no condujo a ninguna conclusión, o bien y al menos, a
ninguna que podamos registrar todavía a pesar de que estamos ya a cuatrocientos años del primer alzamiento. La
cuestión arriana murió lentamente pero la cuestión protestante, aún cuando su doctrina ha desaparecido, produjo
frutos permanentes. Ha dividido a la civilización blanca en dos culturas opuestas: la católica y la anticatólica.
Pero al comienzo, antes de llegar a este resultado, el desafío de los reformadores produjo feroces guerras civiles.
Durante la mayor parte del lapso de una vida humana pareció que prevalecería uno u otro partido (el ortodoxo
tradicional enraizado en la cultura católica de Europa, o la nueva tendencia revolucionaria protestante). De hecho,
no prevaleció ninguno de los dos. Después del primer violento conflicto armado que no produjo la victoria de
ninguno de los dos bandos, Europa quedó exhausta y se constituyó en esas dos mitades que desde entonces han
dividido al Occidente. Gran Bretaña, la mayor parte del Norte de Alemania, algunas regiones alemanas del Sur entre
los cantones suizos y hasta de las planicies húngaras, quedaron consolidadas en contra del catolicismo. Lo mismo
sucedió en el Norte de los Países Bajos, al menos entre la clase gobernante, [15] y también en los países
escandinavos. Después de la crisis, la mayor parte de los valles del Rin y del Danubio, esto es: los alemanes del Sur, la
mayoría de los húngaros, los polacos, los italianos, los españoles, los irlandeses y la mayoría de los franceses, se
mantuvieron aferrados a la religión ancestral que hizo grande a nuestra civilización.

Se hace muy difícil comprender la naturaleza de la confusión y de la batalla general que sacudió a Europa ya que hay
que tomar en consideración los múltiples factores que intervinieron en el conflicto.

Ante todo, establezcamos las fechas principales. La Reforma activa, la erupción que se produjo después de dos
generaciones de sacudimientos y tumultos, estalló en 1517. Pero la lucha entre los dos contrincantes no se produjo a
una escala considerable sino cuarenta años más tarde. Comenzó en Francia, en 1559. Las guerras de religión
francesas duraron cuarenta años; es decir: hasta justo el fin del siglo. Menos de veinte años después, los alemanes,
que hasta ése entonces habían mantenido un equilibrio precario entre los dos bandos, comenzaron con sus guerras
religiosas que duraron treinta años. Hacia mediados del Siglo XVII, es decir: hacia 1648-49 las guerras religiosas en
Europa terminaron en un empate.

Para 1517 las naciones – especialmente Francia e Inglaterra – ya estaban medianamente conscientes de sus
personalidades. Expresaban su nuevo patriotismo a través de una adhesión a la monarquía. Seguían a sus Príncipes
como líderes nacionales aún en materia religiosa. En forma paralela, los idiomas populares comenzaron a separar a
las naciones aún más a medida en que el común latín de la Iglesia se volvía cada vez menos familiar. Se estaba
desarrollando todo el Estado moderno y toda la estructura económica moderna; y en el ínterin los descubrimientos
geográficos y las ciencias físicas y matemáticas se estaban expandiendo de modo prodigioso.

En medio del choque de tantas y tan poderosas fuerzas es realmente difícil seguir la lucha como un todo, pero
pienso que podemos entenderla en sus líneas más grandes si recordamos algunos puntos principales.

Lo primero es esto: que el movimiento protestante, que había comenzado como algo negativo, como una revuelta
indignada contra la corrupción y la mundanalidad de la Iglesia oficial, recibió un nuevo impulso con la creación del
calvinismo, veinte años después de comenzado el alzamiento. A pesar de que las formas luteranas del
protestantismo cubrían un área muy grande, el poder directriz – el centro de vitalidad – del protestantismo fue
Calvino después de la aparición de su libro en 1536. Es el espíritu de Calvino el que combate activamente al
catolicismo en todas aquellas partes en donde la lucha se vuelve feroz. Es el espíritu de Calvino el que inspiró a las
sectas disidentes y le prestó violencia a la minoría inglesa en crecimiento que reaccionaba contra la Fe. [16]

Ahora bien, Calvino era francés. Su mentalidad atraía a otros también, por cierto, pero primero y principalmente a
sus compatriotas; y eso explica por qué el primer estallido de violencia se produjo en suelo francés. Las llamadas
guerras de religión que estallaron en Francia fueron libradas allí con más ferocidad que en otras partes y aún cuando
cesaron, después de la mitad de un lapso de vida lleno de horrores, lo que se produjo fue un tregua y no una
victoria. La tregua fue impuesta, parcialmente por la fatiga de los combatientes en Francia y parcialmente por la
tenacidad de la capital, Paris. Pero fue sólo una tregua.

Durante ese tiempo y mientras la guerra religiosa devastaba a los franceses, los alemanes la evitaron. El tumulto de
la Reforma, en un momento dado, produjo una revolución social en algunos Estados alemanes, pero eso pronto
fracasó y durante un siglo después de la rebelión original de Lutero, más un largo lapso de vida después del estallido
de la guerra religiosa en Francia, los alemanes se salvaron de un conflicto bélico religioso general.

Y esto fue porque los alemanes se habían convertido en una especie de mosaico de ciudades libres, pequeños y
medianos señoríos, pequeños y grandes Estados. La totalidad se hallaba bajo la soberanía nominal del Emperador en
Viena; pero el Emperador no poseía ni ingresos, ni reclutamientos feudales suficientes para imponer su poder
personal. Después de mucho tiempo el Emperador, desafiado por una violenta revuelta en Bohemia en su contra
(vale decir: una revuelta eslava), contraatacó y propuso reunificar a los alemanes e imponer no sólo la unidad
nacional sino también la unidad religiosa, restaurando el catolicismo en los Estados alemanes y sus dependencias.
Casi tuvo éxito en su intento. Sus ejércitos obtuvieron victorias en todas partes y su fuente de reclutamiento más
vigorosa fue la que lo proveyó de tropas españolas que combatieron por el Emperador porque las coronas de Madrid
y de Viena se hallaban en la misma familia: la de los Habsburgos.

Pero hubo dos cosas que impidieron el triunfo del catolicismo alemán. La primera de ellas fue el carácter de la
familia usurpadora que en ese momento reinaba sobre el pequeño Estado protestante de Suecia. Esta familia
produjo un genio militar de primera magnitud, el joven rey Gustavo Adolfo. La segunda, que hizo toda la diferencia,
fue el genio diplomático de Richelieu que en aquellos días dirigía la política de Francia.

El poder español en el Sur más allá de los Pirineos (respaldado por las nuevas riquezas de las Américas y gobernando
la mitad de Italia, más el poder del Imperio Alemán al Este, constituían las mordazas de una pinza que amenazaban a
Francia como nación. Richelieu era un cardenal católico. Personalmente, se hallaba adscrito al lado católico de
Europa; y sin embargo fue él quien lanzó a Gustavo Adolfo, el genio militar protestante, contra el Emperador católico
alemán y sus aliados españoles, justo cuando la victoria se hallaba al alcance de su mano.

Es que Richelieu no sólo había descubierto el genio de Gustavo Adolfo sino también la forma de comprarlo. Le
ofreció tres toneles de oro. Gustavo Adolfo exigió cinco – y los obtuvo.

Gustavo Adolfo no habrá podido imaginar el gran futuro que le esperaba cuando aceptó el oro francés como
soborno para intentar la difícil aventura de atacar al prestigio y al poder del Emperador. Al igual que Napoleón,
Cromwell o Alejandro y casi todos los grandes capitanes de la Historia, descubrió sus talentos a medida que
avanzaba. Él mismo se debe haber maravillado al ver lo fácil y completamente que ganaba sus campañas.

Es una Historia sorprendente. Las brillantes victorias sólo duraron un año; al final de ese año Gustavo Adolfo murió
en acción ante Lutzen, cerca de Leipzig, en 1632, pero en tan corto tiempo casi estableció un Imperio Alemán
protestante. Estuvo a punto de lograr lo que Bismarck haría dos siglos y medio más tarde; y aún logrando lo que
consiguió, hizo por siempre imposible que los alemanes estuviesen completamente unidos otra vez e igualmente
imposible que regresaran en conjunto a la religión de sus padres. Estableció el protestantismo alemán de un modo
tan firme que, desde sus días hasta la actualidad, continuó aumentando su poder hasta que hoy (desde Berlín)
inspira con una nueva forma paganizada a la gran masa de los pueblos alemanes. [17]

Las guerras religiosas en Alemania se acallaron gradualmente. Tal como he señalado, hacia la mitad del Siglo XVII –
una larga generación después de que los primeros combates comenzaran en Francia – se produjo un acuerdo
general en toda Europa para que cada bando mantuviese sus conquistas y el mapa religioso de Europa ha quedado
siendo bastante el mismo desde ese día hasta hoy; esto es: desde aproximadamente 1648-49 hasta nuestros días.

Ahora bien, cualquiera que lea solamente la Historia militar externa, con su primer capítulo de violenta guerra
religiosa francesa y su segundo capítulo de violenta guerra religiosa alemana, pasaría por alto el carácter de todo el
fenómeno ya que conocería tan sólo cada batalla, a cada estadista principal y a cada guerrero. Porque debajo de esa
gran cuestión existió otro factor que no fue ni doctrinario, ni dinástico, ni internacional sino moral. Fue ese factor el
que provocó los combates, impuso la paz y decidió la tendencia religiosa final de las diversas comunidades. Está
reconocido por los historiadores pero nunca se lo enfatiza suficientemente. Ese factor fue el de la codicia.

La antigua Europa católica, antes de la sublevación de Lutero, había estado repleta de grandes concesiones
clericales. Rentas de la tierra, tributos feudales, toda suerte de ingresos se fijaron para el mantenimiento de
obispados, capítulos catedralicios, curas párrocos, monasterios y conventos. No sólo había grandes ingresos sino
también grandes donaciones (quizás una quinta parte de todas las rentas europeas) para toda clase de
establecimientos educacionales, desde pequeñas escuelas locales hasta los grandes colegios de las universidades.
Había otros fondos para hospitales, otros para gremios (esto es: asociaciones profesiones de artesanos, mercaderes
y dueños de negocios), otros para misas y santuarios. Toda esta propiedad corporativa estaba, o bien directamente
conectada con la Iglesia Católica, o bien tan bajo su patrocinio que quedaba en peligro de ser saqueada cada vez que
la Iglesia Católica se veía amenazada.
La primera medida de los reformadores, dondequiera que resultaron victoriosos, fue permitir que los ricos se
apoderasen de estos fondos. Y la intensidad de la lucha en todas partes dependió de la determinación de mantener
el botín – de parte de quienes habían saqueado a la Iglesia – o de recuperarlo – de parte de quienes trataban de
restaurar a la Iglesia y recobrar los bienes eclesiásticos.

Esta es la razón por la cual hubo tan pocos combates en Inglaterra. El pueblo inglés, en conjunto, resultó muy
escasamente afectado en su doctrina durante la primera época de la Reforma. Pero los monasterios se disolvieron y
sus propiedades pasaron a manos de los Señores de los villorrios y de los comerciantes de los poblados. Lo mismo
sucedió en los cantones suizos. En cambio los Señores rurales franceses, esto es: la clase noble provincial (lo que en
Inglaterra se llama “the Squires” o “hidalgos rurales”) y los nobles mayores por encima de ellos, se mostraron
ansiosos por sacar una tajada del botín.

La corona francesa, temiendo el incremento de poder que este saqueo le otorgaría a la clase inmediatamente por
debajo de ella, resistió al movimiento y de allí las guerras de religión francesas. Mientras tanto, en Inglaterra un Rey
niño y dos mujeres sucediéndose en el trono le permitieron a los ricos quedarse con los despojos de la Iglesia. De allí
la ausencia de guerras de religión en Inglaterra.

Después de la revolución religiosa, fue este universal robo de la Iglesia lo que le dio al período de conflictos el
carácter que tuvo.

Sería un gran error pensar en el saqueo de la Iglesia como en un mero crimen de ladrones atacando a una víctima
inocente. Antes de la Reforma, los bienes legados a la Iglesia habían terminado por ser tratados en la mayor parte de
Europa como simples propiedades. Las personas podían comprar un ingreso eclesiástico para sus hijos, o podían
dotar a una hija con algún rico convento. Podían darle un obispado a un niño, comprando la dispensa por la falta de
edad. Tomaban las ganancias de monasterios al por mayor para proveer el ingreso a laicos, colocando un locum
tenens para que hiciera el trabajo del abad y pagándole un sueldo mezquino mientras el grueso del beneficio iba de
por vida a manos del laico que lo había acaparado.

Si estos abusos no hubiesen sido universales y preexistentes, el saqueo subsiguiente no hubiera ocurrido. Así como
estaban las cosas, pues ocurrió. Lo que habían sido invasiones temporarias de ingresos monásticos a fin de proveer
una riqueza temporal para ciertos laicos se convirtió en una confiscación permanente en todos los lugares en que
triunfó la Reforma. Aún allí en dónde los obispados sobrevivieron, la masa de sus ingresos les fue confiscada y
cuando todo el proceso terminó se puede decir que a la Iglesia, en todo lo que quedó de la Europa católica,
incluyendo hasta Italia y España, no le quedó ni la mitad de sus antiguos ingresos. En la parte de la Cristiandad que
se separó, los nuevos ministros protestantes y sus obispos, las nuevas escuelas, los nuevos colegios y hospitales, no
dispusieron ni de la décima parte de los fondos que habían gozado las antiguas instituciones.

Resumiendo: para mediados del Siglo XVII el conflicto religioso en Europa había estado librándose, la mayor parte
del tiempo por la fuerza de las armas, por mas de ciento treinta años. Las personas se habían hecho a la idea de que
la unidad nunca se recobraría. La fuerza económica de la religión había desaparecido en media Europa y, en la otra
mitad, había disminuido tanto que el poder laico se había adueñado de la situación en todas partes. Europa había
quedado dividida en dos culturas: la católica y la protestante. Estas dos culturas estarían siempre instintiva y
directamente opuestas la una a la otra (como que lo siguen estando) pero la cuestión directamente religiosa se
estaba desvaneciendo. Desesperando de lograr una religión común, las personas se preocuparon más por cuestiones
temporales, sobre todo dinásticas y nacionales, y con el aprovechamiento de las oportunidades de una mayor
riqueza por medio del comercio, antes que por cuestiones doctrinarias.

Después de la mitad del Siglo XVII, Europa fue testigo del triunfo de un ejército conducido por una oficialidad
puritana en Inglaterra, el triunfo de los protestantes alemanes – gracias a la ayuda de Francia bajo el cardenal
Richelieu – en su esfuerzo por librarse del control católico del Emperador, y el triunfo de los rebeldes holandeses
contra la España católica. Europa se desplomó, exhausta de la lucha puramente religiosa. Las guerras de religión
habían finalizado; terminaron en tablas: ninguno de los bandos había ganado. El conflicto religioso prosiguió en
algunos islotes. Así, Inglaterra trató de matar a la Irlanda católica y Francia a los hugonotes franceses. Pero para 1700
estaba claro que no surgirían más guerras nacionales de religión.
De allí en más se tomó por dado que nuestra civilización tendría que continuar dividida. Tendría que haber una
cultura protestante lado a lado de una cultura católica. Las personas no pudieron perder la memoria del grandioso
pasado; no se convirtieron rápidamente en lo que desde entonces nos hemos convertido – en naciones creciendo
con indiferencia por la unidad de la civilización europea – pero la antigua unidad moral emergente de nuestro
catolicismo universal terminó destruida.

En términos aproximados, la masa de Europa quedó de la siguiente manera:

La Iglesia Ortodoxa Griega del Este cesó de contar. Rusia no había surgido aún como potencia y en todas las demás
partes los cristianos griegos se hallaban dominados y sojuzgados por musulmanes, de modo que el único mapa a
considerar en 1650 era uno conteniendo a Polonia en el Este y al Atlántico en el Oeste.

En ese espacio, la península italiana, dividida en varios Estados, era totalmente católica, excepto por una población
muy pequeña en algunas de las montañas del Norte que tenían formas protestantes de culto.

La península ibérica – España y Portugal – también era completamente católica. Lo que se denominaba como El
Imperio – esto es: el cuerpo de Estados, en la mayoría de los cuales se hablaba el alemán y de los cuales la cabeza
moral era el Emperador en Viena – se encontraba dividido en Estados protestantes, ciudades protestantes
independientes y Estados católicos y ciudades independientes católicas. El Emperador había tratado de traerlos a
todos de regreso al catolicismo pero había fracasado debido a la diplomacia de Richelieu.

En simples números, la población protestante alemana todavía era mucho más pequeña de la católica. Hablando en
términos aproximados, los Estados y las ciudades del Norte de Alemania eran protestantes y los del Sur católicos – y
no, como falsamente se pretende, porque haya algo en el clima o en la raza del Norte que tienda hacia el
protestantismo sino porque el Norte se hallaba más lejos del centro del poder católico en Viena. A pesar de que las
diferentes “Alemanias” (como se llamaban los Estados y las ciudades en que se hablaba el alemán) estaban así, a
grandes rasgos, divididas en un Norte protestante y un Sur católico, existía una cantidad de excepciones: islotes de
población católica en el Norte y de protestantes en el Sur, y con frecuencia los habitantes de una ciudad se hallaban
divididos en materia religiosa.

Por este tiempo la península escandinava, Dinamarca, Suecia y Noruega, eran totalmente protestantes. Polonia,
aunque nunca había formado parte del Imperio Romano, se hizo católica después de una especie de tironeo y dudas
durante las guerras de religión. Ha permanecido siendo uno de los distritos más intensamente católicos desde
entonces porque, al igual que los irlandeses, los polacos fueron violentamente perseguidos por su religión.

Los Países Bajos se dividieron en dos. Las provincias norteñas (que hoy conocemos como Holanda) habían adquirido
su independencia de su soberano original, el rey de España, y – en gran medida como protesta contra el poder
español – se habían proclamado oficialmente protestantes. Su gobierno fue protestante y el efecto político de
Holanda en Europa fue protestante; pero es un gran error – aunque muy común – creer que toda la población
holandesa es protestante. Holanda siempre tuvo una minoría católica muy grande y en la actualidad, de la población
cristiana – que es la población que se declara como tal – más del 40% y más bien apenas menos de la mitad se
compone de católicos.

Las provincias del Sur de los antiguos Países Bajos permanecieron sólidamente en la cultura católica. Se habían unido
al Norte en la revuelta contra España pero, cuando los mercaderes del Norte y los ricos terratenientes se hicieron
calvinistas a fin de enfatizar su oposición a España, los mercaderes y los ricos de las provincias del Sur reaccionaron
fuertemente en sentido opuesto. En la actualidad a esa mitad católica de los Países Bajos la conocemos como Bélgica
pero, a mediados del Siglo XVII, incluía una franja de lo que hoy es Flandes; por ejemplo, la gran ciudad de Lille, la
principal de Flandes, fue parte de los Países Bajos católicos, todavía españoles.

Los cantones suizos, que se estaban gradualmente convirtiendo en nación y que ya eran mayormente
independientes del Imperio, se hallaban divididos. Algunos eran de cultura protestante y otros de cultura católica –
tal como siguen siéndolo al día de hoy.

Después del compromiso logrado al final de las guerras de religión y la victoria de Richelieu sobre los hugonotes,
Francia se hizo oficialmente católica. La monarquía francesa fue fuertemente católica y la masa de la nación adhirió a
la cultura católica. Pero quedó una minoría de protestantes, importante en cantidad (nadie sabe demasiado bien
cuantos eran pero probablemente, como ya hemos visto, fueron menos del 14% pero más del 10% de la nación), en
todo caso, una minoría mucho más importante por su riqueza y posición social que por su número. Los protestantes
en Francia también fueron importantes porque no se hallaban confinados a un distrito sino diseminados por todo el
territorio. Por ejemplo Dieppe, el puerto en el Norte, siguió siendo una ciudad fuertemente protestante. También lo
fue La Rochelle, el puerto sobre el Atlántico; y del mismo modo lo fueron prósperas ciudades sureñas como
Montpelier y Nimes. Gran parte de la banca y del comercio de Francia permaneció en manos protestantes.

En 1650, Inglaterra y Escocia habían estado bajo un monarca común por medio siglo y ambas eran oficialmente
protestantes. Esta monarquía anglo-escocesa fue fuertemente protestante y hubo una continua y pesada
persecución del catolicismo. Pero constituye otro error común el considerar a la nación inglesa en un todo como
siendo protestante ya en este momento. Lo que en realidad estaba sucediendo era una desaparición muy gradual
del catolicismo. Quizás un tercio de la nación continuaba sintiendo una vaga simpatía por el antiguo credo cuando
comenzaron las guerras de religión, y la sexta parte de la población estaba dispuesta a hacer grandes sacrificios para
poder seguir denominándose abiertamente católica. De los oficiales caídos en acción de ambas partes, se estima que
cerca de un sexto fueron admitida y abiertamente católicos. Pero a la persona común le resultaba imposible obtener
los sacramentos y aún las personas ricas que podían darse el lujo de pagar por capillas privadas y hacer donativos
tenían dificultades para oír misa y recibir la comunión católica.

A pesar de todo, la antigua raíz católica en Inglaterra fue tan fuerte que hubo constantes conversiones,
especialmente en las clases altas. Por cerca de los siguientes cuarenta años pareció que una sólida y muy
considerable minoría de católicos podría sobrevivir en Inglaterra tal como lo había hecho en Holanda.

Por el otro lado, Inglaterra y Escocia no sólo eran oficialmente protestantes sino que una mayoría cada vez más
grande llegó a pensar que el catolicismo era contrario a los intereses del país y una minoría muy grande y en
crecimiento odiaba al catolicismo con más violencia que en cualquier otra parte de Europa.

Irlanda, por supuesto, permaneció siendo católica. El número de protestantes en Irlanda, incluso después de las
plantaciones y la conquista de Cromwell, no llegó a la vigésima parte de la población. Pero a los irlandeses católicos
se les quitó por la fuerza el 95% de sus tierras y para 1650 éstas estaban en posesión, o bien de renegados, o bien de
aventureros protestantes de Gran Bretaña a quienes ahora los originales propietarios debían pagar una renta, o para
los cuales tenían que trabajar por un salario.

Desde este momento en adelante – es decir: desde mediados del Siglo XVII – cuando en otras partes a lo largo de
Europa se había llegado a un compromiso en materia de religión, en Irlanda el catolicismo fue perseguido de la
manera más violenta y de una forma que se fue haciendo peor a medida en que transcurría el tiempo. Todo el
poder, casi completamente todas las tierras, y la mayor parte de la riqueza líquida de Irlanda no sólo se hallaban en
manos protestantes sino de personas determinadas a destruir el catolicismo. Durante mucho tiempo pareció como si
Irlanda constituyese una prueba; como si la destrucción de la Iglesia Católica en Irlanda iría a ser un símbolo del
triunfo del protestantismo y de la declinación de la Fe. Esa destrucción casi fue lograda – pero no se completó.

Ése fue el mapa de Europa tal como quedó dibujado después de las guerras de religión.

Pero, aparte de la división geográfica, el efecto del largo conflicto y particularmente el hecho que terminó sin un
vencedor neto, fue más profundo en el aspecto moral.

Se hizo obvio para cualquier observador que, de allí en más, la cultura europea quedaría dividida en dos campos,
pero lo que sólo gradualmente penetró en la mente de Europa fue el hecho que, a causa de esta división
permanente, las personas comenzarían a considerar a la religión misma como una cosa secundaria. Las
consideraciones políticas, las ambiciones de las naciones separadas y de las dinastías separadas comenzaron a
parecer más importantes que las religiones separadas profesadas por las personas. Fue como si los hombres se
dijesen a si mismos, no de una manera abierta pero sí semi consciente: “Desde el momento en que toda esta
tremenda lucha no ha producido ningún resultado, las causas que condujeron al conflicto probablemente fueron
exageradas”.

En la única esfera que cuenta, en la mente del hombre, el efecto de las guerras de religión y su finalización en un
empate fue que la religión, como un todo, quedó debilitada. Más y más personas comenzaron a pensar en su fuero
interno: “No se puede llegar a la verdad en estas cuestiones; pero sabemos qué es la prosperidad mundana y qué es
la pobreza, y qué son el poder y la debilidad políticas. Las doctrinas religiosas pertenecen a un mundo invisible al cual
no conocemos de un modo tan completo ni de la misma manera”.

Ése fue el primer fruto de las batallas que no se ganaron y del consentimiento virtual de los dos antagonistas de
volver y quedarse en sus posiciones. Siguió habiendo bastante fervor religioso por ambas partes, pero de un modo
sutil y no declarado, quedó más y más subordinado a motivos mundanos; especialmente al patriotismo y a la codicia.

Mientras tanto, a pesar de que las personas no se dieron cuenta de ello por mucho tiempo, ciertos resultados del
éxito que el protestantismo había logrado, su establecimiento y su atrincheramiento en contra de la antigua religión,
todo ello estaba trabajando debajo de la superficie y pronto aparecería claramente a la luz. La cultura protestante,
aún a pesar de que por toda una generación siguió siendo numéricamente mucho menor que la cultura católica, y
hasta bastante más pobre, tenía más vitalidad. Había comenzado con una revolución religiosa y el fervor de la
revolución perduró y la inspiró. Había roto antiguas tradiciones y lazos que habían formado la estructura de la
sociedad católica durante siglos enteros. El tejido social de Europa se disolvió en la cultura protestante de un modo
más completo que en la católica, y esta disolución liberó energías que el catolicismo había refrenado, especialmente
la energía de la competencia.

Todas las formas de innovación fueron naturalmente más favorecidas en la cultura protestante que en la católica;
ambas culturas avanzaron rápidamente en las ciencias físicas, en la colonización de tierras lejanas, en la expansión
de Europa por el mundo; pero los protestantes fueron más vigorosos que los católicos en todo ello.

Para dar un ejemplo; en la cultura protestante (excepto allí en dónde era remota y simple) el campesino libre,
protegido por antiguas costumbres se extinguió. Terminó desapareciendo porque se rompieron los viejos usos que lo
protegían de los ricos. Los adinerados compraron la tierra; grandes masas de personas que antes habían poseído
tierras quedaron sin recursos. Comenzó el proletariado moderno y se sembraron las semillas de lo que hoy llamamos
capitalismo. Hoy podemos apreciar el mal que ello constituía pero en ese momento significó que la tierra fue mejor
cultivada. Los métodos nuevos y más científicos fueron más fácilmente aplicados por los ricos terratenientes de la
nueva cultura protestante que por el tradicional campesinado católico y, al no haber control sobre la competencia,
los primeros triunfaron.

También las interpretaciones tendieron a ser más libres en la cultura protestante que en la católica porque los
protestantes no tenían una autoridad unitaria en materia de doctrina. Esto, que en el largo plazo estaba condenado
a llevar al quiebre de la filosofía y de todo pensamiento sólido, tuvo unos primeros efectos estimulantes y
revitalizadores.

Pero el gran y principal ejemplo de lo que estaba sucediendo a raíz de la rotura de la antigua unidad católica europea
fue el surgimiento de la actividad bancaria.

La usura fue algo practicado en todas partes, pero en la cultura católica estaba restringida por ley y era practicada
con dificultad. En la cultura protestante se convirtió en algo sobreentendido. Los mercaderes protestantes de
Holanda fueron los pioneros en los inicios de la banca moderna; Inglaterra siguió pronto, y eso explica por qué las
todavía comparativamente pequeñas naciones comenzaron a adquirir una formidable fuerza económica. Su capital
móvil y su crédito continuaron aumentando en comparación con su riqueza total. El espíritu mercantil floreció
vigorosamente entre los holandeses y los ingleses y la aceptación universal de la competencia continuó favoreciendo
al lado protestante de Europa.

Todo este aumento del poder protestante estaba quedando en claro en la generación posterior a la Paz de Westfalia
(1648-50 a 1720). Dejó de ser subconsciente para volverse consciente y fue sentido en todas partes a medida en que
transcurría el primer tercio del Siglo XVIII. Antes de la mitad de ese siglo, hubo un sentimiento generalizado en el
ambiente en cuanto a que el futuro estaba con los protestantes, aún cuando el catolicismo siguiese manteniendo los
antiguos tronos con toda su gloria tradicional y su manifestación de poder – la Corona Imperial, los Estados Papales,
la monarquía española y su enorme dominio de ultramar y la espléndida monarquía francesa. Para utilizar una
expresión moderna, el protestantismo estaba “en alza”.

Más todavía: la confianza estaba del lado protestante mientras el lado católico se descorazonaba. Un último factor
favorecía mucho a la cultura protestante: el declinar del sentimiento religioso se generalizó después de 1750 y esta
declinación de la religión, al principio, no hirió tanto a la cultura protestante como a la católica. En esta última dividió
amargamente a las personas. El escéptico se convirtió allí en el enemigo de su piadoso conciudadano. Francia, hasta
cierto punto Italia, mucho más tarde España – pero Francia muy temprano en el proceso – quedaron internamente
divididas mientras que en la cultura protestante la diferencia de opinión y el escepticismo eran lugares comunes. Allí,
las personas daban esas divergencias por sentado y las mismas conducían cada vez menos a animosidades
personales o a divisiones civiles.

Esta fortaleza interna de la cultura protestante se mantuvo hasta los tiempos modernos y sólo ahora está
comenzando a perderse a través del efecto gradualmente desintegrante de una falsa filosofía.

Quizás algo más de ciento cincuenta años atrás, pero hace menos de doscientos – digamos que entre 1760 y 1770 –
a cualquier observador de nuestra civilización le hubiera quedado claro que estábamos ingresando en un período en
el cual el lado anticatólico de las dos mitades en que la Cristiandad se había dividido estaba por convertirse en el
sector principal; que la cultura protestante estaba a punto de obtener la hegemonía y la retendría, quizás, por largo
tiempo. De hecho, no sólo la retuvo sino que aumentó su poder por algo así como cien años. Luego – pero no antes
de llegar a nuestros tiempos – declinó.

Los signos exteriores de este crecimiento protestante fueron el continuo aumento del poder financiero, militar y
naval de ese sector de Europa. El comercio inglés se expandió rápidamente; los holandeses continuaron aumentando
su banca y, lo más importante de todo, Inglaterra comenzó a tener el control sobre la India. Del lado militar, los
alemanes protestantes produjeron un nuevo y formidable ejército, el de Prusia, con una estricta disciplina coronada
por la victoria.

Algo que tendría un gran efecto fue que la flota británica se hizo por lejos más poderosa que cualquier otra y, bajo su
protección, el comercio inglés y el control inglés sobre el Este crecieron en forma constante. Por tierra, Prusia
comenzó a ganar batallas y campañas. Estos éxitos prusianos no fueron continuos pero fundaron una tradición
continua y su rey-soldado, Federico II, fue ciertamente uno de los grandes capitanes de la Historia.

Mientras tanto, la cultura católica declinó en estos mismos terrenos.

Austria, esto es: el poder del Emperador católico entre los alemanes, vio disminuida su fuerza. Lo mismo sucedió con
el extenso Imperio Español que, por aquél tiempo, incluía la mayor parte de la América poblada.

Estos signos exteriores materiales de un creciente poder protestante y de la declinación del poder de la cultura
católica no representaban sino un efecto de algo espiritual que estaba teniendo lugar en el interior. La Fe se estaba
quebrando.

La cultura protestante resultaba inmune a este crecimiento del escepticismo. La disminución de la adhesión de las
personas a las antiguas doctrinas de la Cristiandad no debilitó a la sociedad protestante. Todo el enfoque mental de
esa sociedad declaraba que cada persona era libre de juzgar por si misma, y si había algo que repudiaba y que no
quería, ello era la autoridad de una religión común.

Una religión común está en la naturaleza de la cultura católica y, de este modo, la declinación de la Fe causó un
desastre en este sector. Destruyó la autoridad moral de los gobiernos católicos que estaban estrechamente
relacionados con la religión y, o bien produjo una especie de parálisis del pensamiento y la acción como sucedió en
España, o bien, como sucedió en Francia, dividió violentamente a las personas en dos bandos: los clericales y los
anticlericales.

Tengamos en cuenta que, si bien hoy podemos ver las fuerzas que se hallaban actuando en el Siglo XVIII, las
personas de aquella época no las veían. Inglaterra, mediante su poder naval, había logrado el control de la India;
Prusia se había establecido como un fuerte poder; pero nadie preveía que Inglaterra y Prusia le harían sombra a la
Cristiandad. India produciría la riqueza y el poder para quienes la explotaran y, con ella como base, se establecería el
poder bancario y comercial sobre el Este. Prusia iría a absorber a los alemanes y a convulsionar a Europa.

Inglaterra (también a través de su poder naval) había llegado a dominar la colonia francesa del Canadá; pero nadie
en aquellos días creía que las colonias tenían demasiada importancia, salvo como fuente de riquezas para la madre
patria, y Canadá nunca había sido eso para Francia. Más tarde, cuando Inglaterra perdió sus colonias en América del
Norte y éstas se volvieron independientes, el hecho fue equivocadamente considerado como un golpe mortal al
poder mundial inglés.
Muy pocos previeron lo que significaría en el futuro la nueva república de Norteamérica. Su extensa y rápida
expansión numérica y económica fortaleció inmensamente la posición de la cultura protestante en el mundo. Fue
sólo mucho más tarde que una cierta proporción de inmigrantes católicos modificó en alguna medida esta posición
pero, aún así, los Estados Unidos siguieron siendo esencialmente una sociedad protestante durante su sorprendente
desarrollo.

Al final del Siglo XVIII y a principios del XIX se produjeron las guerras revolucionarias y las napoleónicas. También
éstas aumentaron la fuerza del protestantismo y debilitaron aún más a la cultura católica. Lo hicieron
indirectamente, y las cuestiones inmediatas fueron tanto más excitantes y tuvieron que ver tanto más directamente
con la vida de las personas que este último y profundo efecto fue poco apreciado.

Hasta el día de hoy son pocos los historiadores que evalúan la derrota de Napoleón en términos de las culturas
contrastantes de Europa. La Revolución Francesa fue un movimiento anticlerical y Napoleón, que la heredó, no fue
un católico creyente y practicante. No regresó a la Fe sino hasta hallarse en su lecho de muerte. Tampoco, a pesar de
su genio, percibió claramente que las diferencias religiosas constituyen la raíz de las diferencias culturales ya que
toda la generación a la cual perteneció no tenía el concepto de ese profundo y universal discernimiento.

Sin embargo, sigue siendo cierto que, de haber triunfado Napoleón, la cultura preponderante de Europa hubiera sido
católica. Su Imperio, aliado y con lazos matrimoniales con la antigua tradición católica de Austria, al darle paz a la
Iglesia y al ponerle fin a los peligros revolucionarios, nos hubiera dado una Europa unida y estabilizada en la cual, a
pesar del ampliamente difundido racionalismo de las clases más pudientes, Europa como un todo hubiera regresado
a la tradición católica.

No obstante, Napoleón simplemente fracasó; y fracasó por calcular mal sus posibilidades en la campaña contra
Rusia.

Después de su fracaso, el proceso de declinación que durante tanto tiempo había estado carcomiendo a la cultura
católica, continuó a lo largo de todo el Siglo XIX. Como resultado de la derrota de Napoleón, Inglaterra pudo
expandirse ininterrumpidamente mediante su ahora no sólo incuestionable sino hasta invencible poder naval. No
había rival para ella en ninguna parte fuera de Europa. El Imperio Español, ya bastante alicaído, fue subdividido en
gran medida como consecuencia de los esfuerzos de Inglaterra que deseaba un comercio sin trabas con la América
Central y del Sur. Inglaterra se adueñó de puntos estratégicos por todo el globo, algunos de los cuales se convirtieron
en sociedades locales considerables, llamadas colonias al principio y que ahora se llaman “dominios”.

Merced a la derrota de Napoleón, Prusia se convirtió en la potencia líder entre los alemanes. Anexó a la población
católica del Rin y emergió como la triunfante rival de la Casa Habsburgo-Lorena del Emperador en Viena. Francia
cayó en una serie incesante de experimentos políticos y fracasos en la base de los cuales estaba la profunda división
religiosa de los franceses.

No hubo una Italia unificada y los esfuerzos que se hicieron para crearla fueron anticatólicos. Más aún, una de las
ironías más ridículas de la Historia es que la gran potencia en la que Italia se ha convertido hoy surgió en gran
medida por la simpatía que la Europa protestante manifestó por las rebeliones italianas originales contra el rey
católico de Nápoles y contra la autoridad de los Estados Papales.

Durante la mayor parte de una generación después de la derrota de Napoleón, otro grupo de acontecimientos se
volcó en la balanza en contra de la cultura católica. Fue la serie de aplastantes victorias obtenidas por Prusia en el
campo de batalla entre 1866 y 1871. En esos cinco años Prusia destruyó el poder militar de la Austria católica y creó
un nuevo Imperio Alemán en el cual los católicos fueron cuidadosamente aislados de Austria y convertidos en una
minoría con el Berlín protestante como su centro de gravedad. También, Prusia derrotó a Francia súbita y
completamente, tomó París y anexó lo que le pareció del territorio francés.

Este último acontecimiento, la guerra franco-prusiana fue, por lejos, el más importante de todos y pudo muy bien
haber significado el fin de la cultura católica de Europa a través del establecimiento de la república parlamentaria
francesa (que fue de mal en peor en materia de leyes y de moral) y mediante el socavamiento de la confianza que los
franceses tenían en si mismos. El nuevo régimen en Francia comenzó a devastar a la civilización francesa y aumentó
infinitamente a la facción anticatólica la que llegó a obtener y a mantener el poder por sobre el pueblo francés. Más
aún: como consecuencia de esa guerra, Inglaterra se hizo aún más fuerte en el Este. Tomó el lugar de Francia como
dominadora de Egipto, se hizo cargo de la custodia del Canal de Suez (que los franceses habían construido justo
antes de su derrota) y adquirió Chipre.

Italia estaba ahora unida pero era débil y menospreciada. España y Portugal habían declinado, al parecer más allá de
toda esperanza de recobrarse. Con Francia desgarrada por su conflicto religioso y teniendo la peor clase de políticos
profesionales, con el sol de Austria en el ocaso, con Prusia en plena carrera, con los Estados Unidos recuperándose
de su guerra civil y más poderosos y coherentes que nunca – convirtiéndose rápidamente en el país más rico del
mundo y con una población en igual de rápida expansión – pareció caerse de maduro que la cultura católica sería
directamente barrida del mapa. La cultura protestante se había convertido en el líder manifiesto de la civilización
blanca.

La situación era evidente no sólo políticamente sino también en el terreno económico. La nueva maquinaria que
transformaba la vida en todas partes, las nuevas y rápidas comunicaciones que transportaban pensamientos,
mercaderías y personas; todo ello era principalmente producto de la cultura protestante. Las naciones católicas no
hacían más que copiar a las naciones protestantes en estas cuestiones.

Lo mismo sucedía con las instituciones. La institución inglesa del parlamento, que había surgido y se había
mantenido por una clase gobernante bajo condiciones aristocráticas, fue imitada en todas partes. Era una institución
que se adaptaba pésimamente a sociedades con un fuerte sentido de igualdad humana, pero era tal el prestigio de
Inglaterra que las personas copiaron instituciones inglesas en todas partes.

Mientras tanto, Irlanda, que propiamente puede ser llamada la prueba de la suerte de la cultura católica, pareció dar
la señal de la ruina final de esa cultura. La población irlandesa, hacía tiempo despojada de sus tierras, quedó
reducida a la mitad por la hambruna. La riqueza de Irlanda disminuyó con la misma rapidez con la que creció la de
Inglaterra y nadie razonable pensó que sería posible que Irlanda, después de sus terribles experiencias en el Siglo
XIX, pudiese surgir otra vez de entre los muertos.

El Papa había sido despojado de sus ingresos mediante la toma de sus Estados y era ahora un prisionero en el
Vaticano con todo el espíritu del nuevo gobierno italiano – ahora su aparente soberano – más y más opuesto a la
religión. El sistema educativo de Europa se divorció cada vez más de la religión y en los grandes países católicos, o
bien se desmoronó, o bien cayó en manos anticatólicas.

Es muy difícil decir cuando cambia la marea en los grandes procesos de la Historia. Pero hay una regla que puede ser
sabiamente aplicada: el cambio de marea sobreviene antes de lo que piensan las personas cuyo juicio se basa sobre
fenómenos superficiales. Cualquier gran sistema – el activamente centralizado Imperio Romano de Occidente, el
Imperio Español, el período de la dominación turca en el Este, el período de las monarquías absolutas en Europa
Occidental – todos estos sistemas comenzaron realmente a colapsar mucho antes de que un observador externo
pudiese notar cambio alguno. Por ejemplo, en una fecha tan tardía como 1630 las personas todavía hablaban y
pensaban del poder español como la cosa más grande del mundo; y, sin embargo, había recibido su herida mortal en
Holanda más de una generación antes y después de Rocroi (1643) estaba desangrándose lentamente.

Así sucedió y así sucede con la hegemonía protestante sobre nuestra cultura; con el liderazgo protestante y
anticatólico de la civilización blanca. La marea ha cambiado. Pero ¿cuál fue el momento en que cambió? ¿Cuándo se
produjo el intervalo entre la marea alta y la baja?

Es difícil fijar una fecha para estas cosas pero una regla universal dice que, en la duda entre dos fechas, debe
preferirse la más temprana a la más tardía.

Muchos pondrían a los años 1899-1901, la época de la aciaga guerra Boer, como la fecha del punto de inflexión.
Algunos la pondrían más tarde. Por mi parte, la fijaría alrededor de los años 1885-1887. Me parece que un
observador universal, no sesgado por sentimientos patrióticos, fijaría ese momento – o bien 1890 a lo sumo – como
el punto de inflexión en la curva. Los poderes protestantes eran entonces aparentemente más poderosos que nunca;
pero la reacción estaba agitándose y en la próxima generación se volvería visible.

Cualesquiera que fuesen las causas y sean cuales fueren las fechas a fijar (con seguridad entre 1885 y 1904) lo cierto
es que la marea estaba cambiando. No estaba cambiando hacia el restablecimiento de la cultura católica como la
líder de Europa, menos aún hacia el restablecimiento de la Iglesia Católica como el espíritu universal de esa cultura;
pero las ideas y las cosas que habían convertido a la cultura opuesta en todopoderosa estaban decayendo. Esta
declinación moderna de la hegemonía protestante y su continuidad en una amenaza completamente nueva – y en
una nueva reacción católica contra esa amenaza – es lo que describiré a continuación.

Sea cual fuere la fecha que le asignemos a la cumbre del poder en la cultura protestante, sea que digamos que su
decadencia comenzó en una fecha tan temprana como 1890 o que no puede ser fijada antes de 1904, [18] no hay
duda que después de esta fecha – en otras palabras: durante los primeros años del Siglo XX – la supremacía de la
cultura protestante se hallaba socavada.

Las distintas herejías protestantes sobre las cuales se había basado y el espíritu general de todas esas herejías
combinadas estaba declinando. Como consecuencia de ello, su fruto, la hegemonía protestante sobre Europa y el
mundo blanco, estaba declinando también. El protestantismo estaba siendo estrangulado en su raíz – en sus raíces
espirituales – con lo que los frutos materiales de ese árbol estaban empezando a secarse.

Cuando estudiamos en detalle el proceso de este velado decaimiento de la supremacía de la cultura protestante,
hallamos dos conjuntos de causas. La primera, y aparentemente la menos importante (aunque la posteridad quizás
descubra que fue de gran importancia) fue cierta recuperación de la confianza en una porción (y sólo una porción)
de las naciones que habían heredado la cultura católica y, al mismo tiempo, un renacimiento de la vitalidad de las
enseñanzas católicas.

Políticamente no hubo una reacción para retomar la antigua fortaleza de la cultura católica; fue más bien lo
contrario. Irlanda continuó declinando en población y en riqueza y era ahora más dependiente de un poder
protestante que nunca antes. Polonia, aparentemente, no tenía esperanzas de resurgir. Las divisiones dentro de la
cultura católica misma se hicieron peores que nunca. En Francia (que era la piedra de toque de la totalidad) la lucha
entre la Iglesia y sus enemigos se convirtió en algo sobreentendido y la victoria de sus enemigos llegó a ser igual de
sobreentendida. La religión estaba desapareciendo de las escuelas primarias. Grandes sectores del campesinado
estaban perdiendo su fe ancestral y, la declinación de la religión arrastró consigo la declinación del buen gusto en la
arquitectura, en todas las artes y, lo que es lo peor de todo, en todas las letras. La antigua lucidez intelectual
francesa comenzó a volverse confusa. No hubo un renacimiento español y en Italia, el poder anticlerical y
parlamentario masónico más las diferencias existentes entre los diversos distritos hicieron que otra provincia de la
cultura católica se debilitara.

Pero en todas las naciones de la cultura católica ya se hacía visible alguna recuperación de la religión en las clases
más pudientes,

Esto puede no parecer mucho, dado que las clases más ricas constituyen una pequeña minoría; pero éstas
influenciaron a las universidades y, por lo tanto, a la literatura y a la filosofía de su generación. Mientras una
generación antes cualquiera hubiera dicho que el catolicismo jamás volvería a aparecer en la Universidad de París,
ahora ya se veían signos de que volvía a ser tomado muy en serio. En todo esto, el gran Papa León XIII desempeñó un
papel principal, secundado por quien más tarde se convertiría en el Cardenal Mercier. Santo Tomás fue rehabilitado
y la Universidad de Lovaina se convirtió en el foco de una energía intelectual que se irradió a través de toda Europa
Occidental.

Aún así y lo repito, todo esto tuvo una importancia menor frente al decaimiento interno de la cultura protestante. La
cultura católica siguió estando dividida; no había signos de que retornaría a su gran papel del pasado, y – a pesar de
que tanto las semillas del resurgimiento irlandés como del polaco habían sido sembradas (el primero de ellos a
través de la muy importante recuperación de las tierras por parte del campesinado irlandés) – nadie hubiera podido
predecir el fortalecimiento integral de la cultura católica en toda nuestra civilización. De hecho, la mayoría hoy
tampoco puede percibir ese fortalecimiento.

Hubo grandes conversos, como que siempre los ha habido. Hubo, lo que es más significativo aún, grupos enteros de
personas muy eminentes, tales como Brunetière en Francia, que congeniaron cada vez menos con el ateísmo y el
agnosticismo pasados de moda y quienes, sin declararse católicos, simpatizaron claramente con el sector católico.
Pero todos ellos no ejercieron influencia sobre la corriente principal. Lo que realmente produjo el cambio fue la gran
debilidad interna de la cultura protestante como algo opuesto a la católica. Fue este decaimiento de los oponentes
de la Iglesia lo que comenzó a transformar a Europa y a preparar a las personas para otro gran cambio adicional al
cual llamaré (tanto como para darle un nombre y poder estudiarlo más adelante) “la fase moderna”.

La cultura protestante decayó por dentro a raíz de una cantidad de causas, probablemente todas conexas, aún
cuando es difícil rastrear esa conexión; todas probablemente procedentes de aquello que los médicos llamarían la
condición “auto-tóxica” de la cultura protestante. Decimos que un organismo se ha vuelto “auto-tóxico” cuando
comienza a intoxicarse a si mismo, cuando pierde vigor en sus procesos vitales y acumula secreciones que
continuamente disminuyen sus energías. Algo por el estilo estaba sucediendo con la cultura protestante hacia fines
del Siglo XIX y comienzos del XX.

Esta fue la causa general de la declinación protestante, pero su acción fue ambigua y difícil de aprehender. Sobre las
causas particulares de dicha declinación podemos tener mayor certeza y ser más concretos.

Por de pronto, la base espiritual del protestantismo se hizo pedazos por el derrumbe de la Biblia como autoridad
suprema. Este derrumbe fue el resultado de ese mismo espíritu de investigación escéptica sobre el cual el
protestantismo siempre estuvo basado. Había comenzado diciendo: “Niego la autoridad de la Iglesia. Cada persona
debe examinar por si misma la credibilidad de toda doctrina”. Pero había tomado como apoyo (bastante
ilógicamente por cierto) a la doctrina católica de la inspiración escritural. La Iglesia Católica había declarado que esa
gran masa de folklore judío, poesía e Historia popular tradicional, ese cuerpo de registros de la Iglesia Temprana que
llamamos el Nuevo Testamento, se hallaban divinamente inspirados. El protestantismo (como todos sabemos) volvió
esta misma doctrina de la Iglesia en contra de la Iglesia misma y apeló a la Biblia en contra de la autoridad católica.

De allí que la Biblia – el Antiguo y el Nuevo Testamento combinados – se convirtió en un objeto de culto por si misma
a través de la cultura protestante. Había una gran cantidad de dudas y hasta de paganismo flotando en el ambiente
antes del fin del Siglo XIX en las naciones de cultura protestante; pero la masa de las poblaciones, tanto en Alemania
como en Inglaterra y en la península escandinava, y por cierto que en los Estados Unidos, se aferró a una
interpretación literal de la Biblia.

Ahora bien, la investigación histórica, la investigación en las ciencias físicas y la investigación en la crítica de textos
sacudió esta actitud. La cultura protestante empezó a deslizarse hacia el otro extremo; de haber adorado al propio
texto de la Biblia como algo inmutable y como la clara voz de Dios, cayó en dudar de casi todo lo contenido en la
Biblia.

Cuestionó la autenticidad de los cuatro Evangelios, particularmente a los dos escritos por testigos oculares de la vida
de Nuestro Señor y más especialmente al de San Juan, el principal testigo de la Encarnación.

Llegó a negar el valor histórico de casi todo en el Antiguo Testamento que fuese anterior al exilio babilónico; negó
como una cuestión de principio todo milagro, de una tapa a la otra del libro, y toda profecía.

Si un documento contenía una profecía, eso se interpretaba como prueba de que había sido escrito después de los
hechos. Todo texto inconveniente fue etiquetado de interpolación. Al final, cuando este espíritu (que fue producto
del protestantismo mismo) hubo terminado con la Biblia – es decir: con el mismo fundamento del protestantismo –
lo que quedó del protestantismo no fue más que una masa de ruinas.

Hay incluso otro ejemplo de cómo el espíritu del protestantismo destruyó sus propios fundamentos, pero se halla en
otro terreno: en el de la economía social.

El protestantismo había producido la libre competencia permitiendo la usura y destruyendo las antiguas
salvaguardas que protegían las propiedades del hombre pequeño: el gremio y la asociación local.

En la mayor parte de los lugares en dónde tuvo poder (y especialmente en Inglaterra) el protestantismo destruyó al
campesinado por completo. Produjo el industrialismo moderno en su forma capitalista y produjo la banca moderna
que al final se convirtió en dueña de la comunidad, pero bastó con que algo más que una generación tuviese la
experiencia del capitalismo industrial y del poder usurario de los banqueros para demostrar que ninguno de los dos
podría continuar. Habían engendrado extensos desastres sociales que iban de mal en peor hasta que las personas,
sin apreciar conscientemente la causa última de esas calamidades (que es, por supuesto, espiritual y religiosa)
hallaron de cualquier modo que los males eran insoportables.
Pero, en definitiva, la riqueza y el poder político de la cultura protestante estaban basados sobre justamente las
instituciones que ahora se criticaban.

El capitalismo industrial y la banca usurera constituían justamente la fortaleza misma de la civilización protestante
del Siglo XIX. Habían triunfado especialmente en la Inglaterra victoriana. En el momento en que escribo estas
palabras, son todavía superficialmente todopoderosos – pero cada uno de nosotros sabe que su hora ha llegado. Se
han corrompido desde adentro; y con ellos se corrompió la hegemonía protestante a la que tan poderosamente
habían apoyado durante las generaciones inmediatamente anteriores a la nuestra.

Hubo, además, otra causa del debilitamiento y la declinación de la cultura protestante: sus diferentes partes tendían
a entrar en conflicto entre si. Era lo esperado de un sistema basado simultáneamente en la competencia y en la
adulación del orgullo humano. Las distintas sociedades protestantes, en especial la británica y la prusiana, estaban –
cada una por su lado – convencidas de su propia y completa superioridad. Pero no se pueden tener dos o más razas
superiores.

Este ambiente de auto-idolatría necesariamente condujo a un conflicto entre los auto-idólatras. Podían ponerse de
acuerdo en despreciar a la cultura católica; pero no pudieron preservar la unidad entre ellos mismos.

El problema se agravó por la falta inherente de un plan. La cultura protestante, habiendo comenzado por exagerar el
poder de la razón humana, estaba terminando por abandonar la razón humana. Se vanagloriaba de su dependencia
del instinto y hasta de la buena suerte. No hubo frase más común en labios de los ingleses protestantes que aquella
de: “No somos una nación lógica”. Cada grupo protestante se convirtió en “el país de Dios”, en el favorito de Dios – y
de alguna manera u otra se suponía que terminaría siendo hegemónico sin tomarse el trabajo de pensar un esquema
para su propia conducta.

En el largo plazo no hay nada más fatal para un individuo o para una gran sociedad que esta ciega dependencia de
una buena suerte garantizada y un descuido igualmente ciego de los procesos racionales. Es algo que le abre la
puerta a cualquier extravagancia, sea material o espiritual; a concepciones de dominio universal, al poder mundial y
a cosas similares que, en sus efectos, constituyen venenos mortales.

Todos estos fenómenos combinados condujeron al gran colapso que oficialmente fechamos en 1914 pero cuya
gestación se ubica por lo menos tres años antes, ya que fue tres años antes del estallido de la Gran Guerra que las
naciones comenzaron a hacer sus preparativos para el conflicto.

En la Gran Guerra, por supuesto, la totalidad del antiguo estado de cosas colapsó estrepitosamente. Lo que
sobrevivió de lo que habían sido las instituciones de la hegemonía protestante – el control por los bancos, la
exacción de una usura general a través de empréstitos internacionales, todo el competitivo sistema industrial, la
irrestricta explotación de un extenso proletariado por parte de una pequeña clase capitalista – todo ello sólo
sobrevivió en forma precaria, sostenido por toda clase de subterfugios y aún así sólo en algunas pocas sociedades.
En la gran masa de nuestra civilización, estas cosas desaparecieron rápidamente. La principal institución política que
les había servido – el parlamento integrado por políticos profesionales que se autodenominaban “representativos” –
siguió por el mismo camino. Nuestra civilización comenzó a entrar en un período de experimentos políticos,
incluyendo despotismos, cada uno de los cuales puede ser y probablemente será efímero pero, en cualquier caso,
todos estos experimentos significan un corte con el pasado inmediato.

Cesó de existir el antiguo mundo blanco en el cual una cultura católica dividida y confundida fue desplazada por una
triunfante y poderosa cultura protestante.

Pero cabe destacar que este colapso del antiguo fenómeno anticatólico, la cultura protestante, no presenta signos
de ser suplantado por la hegemonía de la cultura católica. No hay señales todavía de una reacción tendiente a
restablecer el dominio de las ideas católicas; a restaurar plenamente la única Fe que puede salvar a Europa y a toda
nuestra civilización.

Cuando nos libramos de un mal, casi siempre sucede que nos encontramos frente a otro de cuya existencia hasta ese
momento no habíamos sospechado. Eso es lo que sucede ahora con el derrumbe de la hegemonía protestante.
Estamos ingresando a una nueva fase – “la Fase Moderna”, según la he llamado – en la cual la Iglesia Eterna enfrenta
problemas muy diferentes. Un enemigo muy diferente amenazará la existencia de esta Iglesia y la salvación del
mundo que depende de ella. En qué consiste esa fase moderna es lo que intentaré analizar a continuación.

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Capítulo 7

La Fase Moderna

Nos acercamos al mayor momento de todos.

La Fe no está ahora en la presencia de una herejía particular – como lo estuvo en el pasado ante la herejía arriana, la
maniquea, la albigense o la mahometana – ni tampoco está en presencia de una especie de herejía generalizada
como lo estuvo cuando tuvo que enfrentar a la revolución protestante hace trescientos o cuatrocientos años atrás.
El enemigo al cual la Fe tiene que enfrentar ahora, y que podría ser llamado “El Ataque Moderno”, constituye un
asalto integral a lo fundamental de la Fe – a la existencia misma de la Fe. Y el enemigo que ahora avanza sobre
nosotros está cada vez más consciente de que no existe la posibilidad de ser neutrales. Las fuerzas que ahora se
oponen a la Fe están diseñadas para destruir. De aquí en más la batalla se librará sobre una bien definida línea
divisoria y lo que está en juego es la supervivencia o la destrucción de la Iglesia Católica. Y toda su filosofía; no una
parte de ella.

Sabemos, por supuesto, que la Iglesia Católica no puede ser destruida. Pero lo que no sabemos es la medida del área
en la cual habrá de sobrevivir. No conocemos su poder para revivir ni el poder del enemigo para empujarla más y
más hacia atrás hasta sus últimas defensas, hasta que parezca que el Anticristo ha llegado y estemos a punto de
decidir la cuestión final. De tal envergadura es la lucha ante la cual se halla el mundo.

A muchos que no sienten simpatía por el catolicismo, a quienes heredaron la antigua animosidad protestante contra
la Iglesia (aún cuando el protestantismo doctrinario ya está muerto), y a quienes piensan que cualquier ataque
contra la Iglesia tiene que ser de alguna manera una buena cosa, a todos ellos la lucha ya les parece como un ataque,
actual o inminente, contra lo que ellos llaman el “cristianismo”.

Por todas partes es posible hallar personas diciendo que el movimiento bolchevique (por ejemplo) es
“decididamente anticristiano” – “opuesto a toda forma de cristianismo” – y debe ser “resistido por todos los
cristianos, sin importar la iglesia particular a la que cada uno pueda pertenecer”, y así sucesivamente.

El discurso y los escritos de esta clase son insubstanciales porque no significan nada definido. No existe una religión
que se llame “religión cristiana”. Nunca existió una religión así.

Existe y siempre existió la Iglesia y varias herejías procedentes del rechazo de algunas de las doctrinas de la Iglesia
por parte de personas que seguían queriendo retener el resto de sus enseñanzas y de su moral. Pero nunca hubo,
nunca podrá haber y nunca habrá una religión cristiana general, profesada por todas las personas dispuestas a
aceptar algunas importantes doctrinas centrales y poniéndose de acuerdo en disentir respecto de otras. Desde el
principio siempre estuvo, y siempre estará, la Iglesia por un lado y, del otro, una variedad de herejías condenadas ya
sea a decaer, o bien, como el mahometanismo, a crecer y convertirse en una religión aparte. Nunca hubo y nunca
podrá haber una definición de una religión cristiana común porque algo así no existió jamás.

No hay una doctrina esencial de una característica tal que, habiéndonos puesto de acuerdo sobre ella, podamos
diferir en cuanto al resto. Por ejemplo, no es posible aceptar la inmortalidad pero negar a la Trinidad. Una persona
podría autodenominarse cristiana aún negando la unidad de la Iglesia Cristiana; podría autodenominarse cristiana
aún negando la presencia de Jesucristo en el Sagrado Sacramento; podría autodenominarse alegremente cristiana
aún negando la Encarnación.

No; la lucha es entre la Iglesia y la anti-Iglesia; entre la Iglesia de Dios y el anti-dios; entre la Iglesia de Cristo y el
Anticristo.
La verdad se está volviendo cada día más obvia y dentro de unos pocos años será universalmente admitida. Al
ataque moderno no le he puesto la denominación de “Anticristo”, aunque en mi fuero interno creo que ése sería el
término adecuado. No le he puesto ese nombre porque, por el momento, parecería exagerado. Pero el nombre no
importa. Sea que lo llamemos “Ataque Moderno” o “Anticristo”, es la misma cosa: hay una clara cuestión establecida
entre el mantenimiento de la moral, la tradición y la autoridad católicas por un lado, y el esfuerzo activo orientado a
destruirlas por el otro. El ataque moderno no nos tolerará. Tenemos que intentar destruirlo porque es el enemigo,
totalmente equipado y apasionado, de la Verdad por la cual viven los seres humanos. El duelo es a muerte.

A veces las personas se refieren al ataque moderno llamándolo “un retorno al paganismo”. Esa definición es cierta si
por paganismo entendemos una negación de la verdad católica: si por paganismo entendemos la negación de la
Encarnación, de la inmortalidad, de la unidad y personalidad de Dios, de la responsabilidad directa del ser humano
ante Dios y de todo ese cuerpo de pensamiento, sentimiento, doctrina y cultura que se resume en la palabra
“católico”. Entonces, y en ese sentido, el ataque moderno es un regreso al paganismo.

Pero hay más de un paganismo. Hubo un paganismo del cual todos provenimos: el noble y civilizado paganismo de
Grecia y de Roma. Existió el paganismo bárbaro de las salvajes tribus externas, los germanos, los eslavos y todos los
demás. Está el paganismo degradado del África; el foráneo y desesperanzado paganismo del Asia. Ahora bien, desde
el momento en que de todos estos paganismos fue posible atraer a personas hacia la Iglesia universal, cualquier
nuevo paganismo que rechace a la Iglesia ciertamente sería bastante distinto de los paganismos para los cuales la
Iglesia fue, o es, desconocida.

Una persona subiendo una montaña puede estar al mismo nivel que otro bajándola; pero ambos caminan por
sendas diferentes y tienen destinos finales distintos. Nuestro mundo, al salir del antiguo paganismo de Grecia y de
Roma para dirigirse hacia la consumación de la Cristiandad y de la civilización católica de la que todos derivamos, es
la negación propiamente dicha del mismo mundo que abandona la luz de su religión ancestral y se desliza hacia atrás
para llegar a la oscuridad.

Siendo así las cosas, examinemos al Ataque Moderno – al avance anticristiano – y distingamos su naturaleza
especial.

Para empezar, hallamos que es, al mismo tiempo, materialista y supersticioso.

Hay aquí una contradicción racional pero la fase moderna, el avance anticristiano, ha abandonado a la razón. Está
enfocada en la destrucción de la Iglesia Católica y la civilización creada por ella. No le preocupan las aparentes
contradicciones en su propio organismo mientras la alianza general esté dirigida a terminar con todo aquello por lo
cual hasta ahora hemos vivido. El ataque moderno es materialista porque, en su filosofía, considera solamente
causas materiales. Es supersticioso sólo como una consecuencia secundaria de este estado mental. Alimenta
superficialmente las tontas extravagancias del espiritualismo, el vulgar sinsentido de la “Ciencia Cristiana”, y sólo el
cielo sabe cuantas fantasías adicionales. Pero estas tonterías no están alimentadas por un hambre de religión sino
por la misma raíz que ha convertido al mundo en materialista: por la incapacidad de comprender la verdad
primordial de que la fe está en la base de todo conocimiento; por pensar que la verdad no se puede apreciar sino por
experiencia directa.

Así, el espiritualista presume de sus manifestaciones demostrables y sus variados rivales presumen de sus claras
pruebas directas; pero todos están de acuerdo en que la Revelación tiene que ser negada. Ha sido muy
correctamente destacado que no hay nada más notorio que la forma en que todas las prácticas modernas cuasi-
religiosas están de acuerdo en este punto: en que la Revelación debe ser negada.

Podemos dejar por sentado, pues, que el nuevo avance contra la Iglesia – en lo que quizás resulte ser el avance final
contra ella siendo que constituye el único enemigo moderno relevante – es fundamentalmente materialista. Lo es en
la lectura que hace de la Historia y, por sobre todo, en sus propuestas de reforma social.

Característico de la ola que avanza es que, siendo atea, repudia a la razón humana. Una actitud semejante parecería
ser, a su vez, una contradicción en los términos, puesto que si negamos el valor de la razón humana, si afirmamos
que no podemos llegar a ninguna verdad mediante la razón, pues entonces ni siquiera esa afirmación puede ser
verdadera. Si eso es cierto, nada es verdadero y no hay nada que valga la pena expresar. Pero ese gran Ataque
Moderno (que es más que una herejía) es indiferente ante la auto-contradicción. Se limita a afirmar. Avanza como
un animal, confiando exclusivamente en la fuerza. Más aún, quizás valga la pena señalar de pasada que esto puede
muy bien convertirse en la causa de su derrota final; porque hasta ahora la razón siempre ha vencido a sus
opositores y el hombre domina a las bestias en virtud de su razón.

De cualquier manera que sea, éste es el carácter principal del Ataque Moderno. Es materialista y ateo; y siendo ateo,
necesariamente es indiferente ante la verdad. Porque Dios es Verdad.

Pero existe (como descubrieron los más grandes entre los antiguos griegos) cierta indisoluble Trinidad constituida
por la Verdad, la Belleza y la Bondad. No se puede negar o atacar a una de ellas sin, simultáneamente, negar o atacar
a las otras dos. En consecuencia, con el avance de este nuevo y tremendo enemigo de la Fe y de toda la civilización
que la Fe produce, lo que se viene no es tan sólo un desprecio por la belleza sino un odio hacia ella; e
inmediatamente después, pisándole los talones, aparece el desprecio y el odio a la virtud.

Los tontos menos malos, los menos viciosos conversos que ha hecho el enemigo, hablan vagamente de “reajustes”,
de “un nuevo mundo” y de un “nuevo orden”; pero no comienzan diciéndonos – como por razones elementales
deberían hacerlo – sobre qué principios habrá de levantarse este nuevo orden. No definen el fin que tienen en vista.

El comunismo (que es tan sólo una de las manifestaciones, y probablemente sólo una manifestación pasajera, de
este Ataque Moderno) proclama que está dirigido hacia cierto bien; vale decir: hacia la abolición de la pobreza. Pero
no nos dice por qué esto habría de ser bueno; no admite que su esquema incluye también la destrucción de otras
cosas que son buenas según el consenso común de la humanidad: la familia, la propiedad (que garantiza la libertad y
la dignidad individuales), al humor, a la misericordia y a todas las formas que consideramos como propias de una
vida recta.

Se le puede poner el nombre que se quiera. Se lo puede llamar, como lo hago yo aquí, “el Ataque Moderno”; o bien
“Anticristo”, como creo que las personas pronto tendrán que llamarlo; o bien se lo puede denominar con el término
temporalmente prestado de “Bolcheviquismo”. Al fenómeno en si lo conocemos aceptablemente bien. Y no es la
revuelta de los oprimidos; no es el alzamiento del proletariado contra la injusticia y la crueldad capitalista. Es algo
que viene de afuera; como un espíritu maligno que se aprovecha de la desesperación de las personas y de su enfado
por condiciones injustas.

Esa cosa está ante nuestras puertas. En última instancia, por supuesto, constituye la consecuencia del quiebre
original de la Cristiandad por la Reforma. Comenzó con la negación de una autoridad central y terminó diciéndole al
hombre que es autosuficiente instaurando por todas partes grandes ídolos para que fuesen adorados como dioses.

No es tan sólo por el lado comunista que esto aparece; lo hace también en las organizaciones que se oponen al
comunismo; en las razas y naciones en dónde la fuerza bruta está colocada en el lugar de Dios. Aquí también se
instauran ídolos a los cuales se les ofrecen espantosos sacrificios humanos. También en estos lugares se niega la
justicia y el correcto orden de las cosas.

Esa es la naturaleza de la batalla en la que ahora nos encontramos y contra semejantes enemigos la posición de la
Iglesia Católica hoy parece ser por cierto débil.

Pero existen ciertas fuerzas que están a su favor y que pueden conducir, después de todo, a una reacción que podría
hacer resurgir el poder de la Iglesia sobre la humanidad.

En las próximas páginas consideraré cuales pueden ser los resultados inmediatos de esta nueva gran idolatría y, en
las siguientes, discutiré la cuestión principal; que es la de establecer si el proceso apunta a convertir a la Iglesia en
una fortaleza aislada que se defiende de grandes adversidades – en un arca en medio de un creciente diluvio que, si
bien no hunde a la nave, tapa y destruye todo lo demás – o bien si la Iglesia puede quizás restaurar en algo su
antiguo poder.

El Ataque Moderno contra la Iglesia Católica – el más universal de todos los que ha sufrido desde que fuera fundada
– ha progresado tanto que ya ha producido consecuencias sociales, intelectuales y morales. Estas consecuencias,
combinadas, le dan cierto sabor a religión.

Este Ataque Moderno, como ya he señalado, no es una herejía en el antiguo sentido de la palabra; ni una síntesis de
herejías que tienen en común el odio a la Fe (como lo fue el movimiento protestante). A pesar de ello, sin embargo,
es mucho más profundo y sus consecuencias son más devastadoras que las anteriores herejías. Es esencialmente
ateo, aún cuando su ateísmo no sea abiertamente predicado. Considera al hombre como un ser autosuficiente, a la
oración como una autosugestión y – esto es fundamental – a Dios como nada más que un producto de la
imaginación; como la propia imagen del ser humano arrojada al universo; como un fantasma y no como una
realidad.

Entre sus muchas sabias declaraciones, el Papa actual [*4*] pronunció una frase cuyo profundo sentido fue por
demás notable en su momento y, desde entonces, ha sido poderosamente confirmado por los acontecimientos. Lo
que dijo fue que, mientras que en el pasado la negación de Dios había estado confinada a un número
comparativamente reducido de intelectuales, esa negación ahora ha ganado a las multitudes y se halla actuando en
todas partes como una fuerza social.

Éste es el enemigo moderno; éste es ese diluvio en progreso; ésta es la mayor lucha, y puede ser la final, entre la
Iglesia y el mundo. Debemos juzgar a este enemigo por sus frutos y los mismos, si bien aún no están maduros, ya se
han hecho reconocibles. ¿Cuáles son esos frutos?

En primer lugar, estamos siendo testigos del renacimiento de la esclavitud; un resultado necesario de la negación del
libre albedrío cuando dicha negación avanza un paso más allá de Calvino y niega tanto la responsabilidad ante Dios
como la limitación del poder del ser humano. Las dos formas de esclavitud que están apareciendo gradualmente y
que, por el efecto del ataque moderno a la Fe, se harán cada vez más maduras a medida en que pase el tiempo, son
la esclavitud respecto del Estado y la esclavitud respecto de corporaciones e individuos privados.

Los conceptos se emplean con tanta ambigüedad actualmente; existe tal parálisis en el poder de la definición, que
casi cualquier frase en la que se emplean giros actuales puede llegar a ser malinterpretada. Si fuésemos a decir
“esclavitud bajo el capitalismo”, el término “capitalismo” significará distintas cosas para diferentes personas. Para un
grupo de escritores significará (y debo confesar que significa para mí cuando lo empleo) “la explotación de masas de
personas aún libres por parte de unos pocos propietarios de los medios de producción, transporte e intercambio.”
Cuando la masa de las personas está desposeída – vale decir: cuando no posee nada – los individuos se vuelven
completamente dependientes de los propietarios; y cuando esos propietarios están envueltos en una activa
competencia para bajar los costos de producción, las masas de personas a las que explotan no sólo carecen del
poder de ordenar sus propias vidas sino que, además, sufren carencias e inseguridades.

Pero para otra persona el término “capitalismo” podría significar simplemente el derecho a la propiedad privada;
para algún otro designará al capitalismo industrial que trabaja con máquinas y que contrasta con la producción
agrícola. Lo repito: a fin de que la discusión tenga sentido en absoluto tenemos que tener nuestros términos
claramente definidos.

Cuando el Papa actual se refirió en su Encíclica a personas reducidas “a una condición no lejana de la esclavitud”, lo
que quiso dar a entender es justamente lo que se ha dicho más arriba. Cuando la masa de las familias de un Estado
carecen de propiedades, quienes antes eran ciudadanos se convierten en esclavos. Mientras más interviene el
Estado para imponer condiciones de seguridad y abastecimiento; mientras más regula los salarios, provee seguros
compulsivos, atención médica, educación y, en general, mientras más se hace cargo de las vidas de los asalariados en
beneficio de las compañías y las personas que emplean a estos asalariados, tanto más se acentúa esa condición de
semi-esclavitud. Si continuara por, digamos, unas tres generaciones, se volverá tan firmemente establecida como
hábito social y como esquema mental que ya no habrá escapatoria de ella en aquellos países en dónde un socialismo
de Estado de este tipo ha sido forjado e impuesto sobre el organismo político.

En Europa, particularmente Inglaterra (pero también muchos otros países en un grado menor) se ha adherido a este
sistema. Por debajo de cierto nivel de ingresos, a una persona se le garantiza la mera subsistencia en caso de que se
quede sin empleo. El subsidio le es abonado por funcionarios públicos al precio de la pérdida de la dignidad humana.
Cada circunstancia de su familia es examinada; está más en las manos de estos funcionarios cuando pierde su
empleo que en las manos de su empleador cuando lo tiene. El sistema se encuentra todavía en transición; las
personas aún no perciben hacia qué fines conduce la tendencia, pero el desprecio por la dignidad humana, la
negación – al menos potencial, cuando no concreta – del la doctrina del libre albedrío han conducido por
consecuencia natural a instituciones que ya son semi-serviles. Se volverán completamente serviles a medida en que
pase el tiempo.
Ahora bien, en contra del mal de la esclavitud asalariada , existe cierto remedio propuesto desde hace largo tiempo y
que hoy trabaja duro y se encuentra en funciones. El nombre más breve para el mismo es comunismo: la esclavitud
estatal; mucho más avanzada e integral que la primera forma de esclavitud capitalista

De la “esclavitud asalariada” sólo podemos hablar en forma de metáfora. La persona que trabaja por un salario no es
plenamente libre como lo es una persona poseedora de una propiedad. Tiene que hacer lo que su patrón le ordena
y, cuando su condición no es la de una minoría, ni siquiera la de una minoría limitada sino virtualmente la de la
totalidad de la población, a excepción de una comparativamente pequeña clase capitalista, la proporción de la
libertad real en su vida se reduce por cierto. No obstante, legalmente, sigue estando allí. El empleado todavía no ha
caído en la condición de esclavo aún en las comunidades más altamente industrializadas. Su status legal sigue siendo
el de un ciudadano. En teoría sigue siendo una persona libre que ha convenido por contrato con otra persona el
realizar cierta cantidad de trabajo por una cierta cantidad de salario. La persona que firma contrato y paga puede
obtener, como puede no obtener, un beneficio con ello. La persona que firma contrato y trabaja puede recibir en
forma de salario un valor equivalente, o un valor no equivalente, al valor del trabajo que realiza. Pero, técnicamente,
ambos son libres.

Esta primera forma del mal social producida por el espíritu moderno es más bien una tendencia a la esclavitud que la
esclavitud misma. Si se quiere, se la puede llamar semi-esclavitud allí en dónde está relacionada con enormes
empresas, grandes fábricas, corporaciones monopólicas, etc. Pero sigue no siendo una esclavitud total.

Ahora bien, el comunismo es esclavitud total. Es el enemigo moderno trabajando abiertamente, sin disfraz y a alta
presión. El comunismo niega a Dios, niega la dignidad y por lo tanto la libertad el alma humana y abiertamente
esclaviza a las personas a lo que llama “el Estado” – que en la práctica no es sino un conjunto de funcionarios
privilegiados.

Bajo un comunismo pleno no habría desempleo, así como no hay desempleo en una prisión. Bajo un comunismo
pleno no habría miseria ni pobreza, excepto allí en dónde los amos de la nación eligieran adrede dejar que las
personas se mueran de hambre, o darles una vestimenta insuficiente, u oprimirlas de cualquier otra manera. Un
comunismo aplicado honestamente por funcionarios carentes de debilidades humanas y comprometidos
exclusivamente con el bien de sus esclavos tendría ciertas manifiestas ventajas materiales si se lo compara con el
sistema asalariado de proletarios en el cual millones viven al borde de la inanición y muchos millones más en un
terror permanente a caer en ella. Pero aún administrado de esta manera el comunismo sólo produciría sus
beneficios imponiendo la esclavitud.

Estos son los primeros frutos del Ataque Moderno en el aspecto social; los primeros que aparecen en la región de la
estructura social. Antes de que se fundara la Iglesia veníamos de un sistema social pagano en el cual la esclavitud
estaba por todas partes, en el que toda la estructura de la sociedad descansaba sobre la institución de la esclavitud.
Con la pérdida de la Fe estamos volviendo a esa institución de nuevo.

Junto al fruto social del Ataque Moderno a la Iglesia Católica se encuentra el fruto moral que, por supuesto, se
extiende a toda la naturaleza moral del ser humano. En este campo y hasta el presente, el esfuerzo del ataque ha
consistido en socavar toda forma de limitación impuesta por la experiencia humana a través de la tradición.

Y digo “hasta el presente” porque en varios aspectos morales esta rápida disolución de los límites tiene que conducir
a una reacción. La sociedad humana no puede coexistir con la anarquía; surgirán nuevos límites y nuevas
costumbres. Por ello probablemente se equivocan quienes señalarían el colapso de la moral sexual como el efecto
principal del Ataque Moderno a la Iglesia Católica, ya que esto no producirá los resultados más permanentes. Algún
código, algún conjunto de normas morales, deberá surgir por la misma naturaleza de las cosas; aún si en este punto
el viejo código resulta destruido. Pero hay otros efectos adversos que pueden volverse más permanentes.

Para hallar cuales pueden ser estos efectos, tenemos una guía. Podemos considerar cómo las personas de nuestra
sangre se las arreglaron antes de que la Iglesia creara a la Cristiandad. Lo que descubrimos de modo principal es lo
siguiente:

En el mundo no bautizado y en el campo de la moral hay una cosa que se destaca: la indiscutida vigencia de la
crueldad. Esa crueldad será la consecuencia principal del Ataque Moderno en el campo moral así como un renacer
de la esclavitud lo será en el campo social.
Aquí el crítico puede preguntar si la crueldad no será más bien una característica de las personas cristianas del
pasado. ¿No es acaso toda la Historia de nuestros dos mil años una Historia de conflictos armados, masacres,
torturas judiciales, horribles ejecuciones, saqueos de poblados y todo lo demás?

La respuesta a esta objeción es que hay una diferencia capital entre la crueldad como excepción y la crueldad como
regla. Si las personas aplican castigos crueles, si utilizan el poder físico para obtener sus fines, si liberan las pasiones
de la guerra, y si todo esto lo hacen en violación de sus propias normas morales aceptadas, entonces es una cosa.
Otra muy diferente es que lo hagan como parte de toda una actitud mental en la que estas cosas se dan por
sentadas.

En esto reside la diferencia radical entre esta nueva, moderna, crueldad y la crueldad eventual de los anteriores
tiempos cristianos. La consecuencia de una filosofía perversa no es la venganza cruel, ni la crueldad en medio de la
excitación, ni la crueldad del castigo por males reconocidos. Aún cuando todas estas cosas son excesos, o pecados,
no provienen de una falsa doctrina. Pero la crueldad que acompaña al abandono de nuestra religión ancestral es una
crueldad innata del Ataque Moderno; es una crueldad que forma parte de su filosofía.

Y la prueba de ello es que las personas ya no se escandalizan por la crueldad sino que les resulta indiferente. Las
abominaciones de la revolución en Rusia, extendidas a las de España, son un ejemplo que viene al caso. No sólo las
personas involucradas reaccionaron ante el horror con indiferencia sino que hasta los observadores lejanos tienen la
misma actitud. No hay un clamor universal de indignación, no hay suficientes protestas, porque ya no rige la
concepción de que el ser humano, como ser humano, es algo sagrado. La misma fuerza que ignora a la dignidad
humana ignora también al sufrimiento humano.

Lo repito: el Ataque Moderno a la Fe tendrá en el campo moral miles de consecuencias perversas y muchas de ellas
ya son visibles en la actualidad, pero la consecuencia característica, la que presumiblemente será la más
permanente, es la instauración en todas partes de la crueldad acompañada de un desprecio por la justicia.

La última categoría de consecuencias por la que podemos juzgar el carácter del Ataque Moderno está formada por
los frutos que produce en el campo de la inteligencia; en lo que le hace a la razón humana.

El asalto a la razón comenzó cuando el Ataque Moderno se hallaba en gestación hace algunas generaciones atrás,
por los tiempos en que estuvo confinado a un pequeño número de intelectuales. Pareció que iría a progresar poco
fuera de un círculo restringido. El hombre común con su sentido común (y ambos constituyen los baluartes de la
razón) no se vieron afectados. Hoy lo están.

Hoy en día la razón está desacreditada por todas partes. El antiguo proceso de convicción por medio de argumentos
y pruebas ha sido reemplazado por la afirmación reiterativa; y casi todos los términos que otrora fueron la gloria de
la razón conllevan ahora una atmósfera de desprecio.

Véase, por ejemplo, lo que ha sucedido con la palabra “lógica”, con la palabra “controversia”. Nótense frases
populares tales como: “Nadie se ha convencido todavía mediante argumentos”; o bien: “Se puede demostrar
cualquier cosa”; o bien: “Todo eso podrá estar muy bien según la lógica pero en la práctica es muy diferente”. El
idioma corriente de las personas se está saturando con expresiones que en todas partes muestran una connotación
de desprecio por la utilización de la inteligencia.

Pero la Fe y la utilización de la inteligencia están inextricablemente unidas. La utilización de la razón es una parte
principal – o más bien el fundamento – de toda investigación de las cosas más elevadas. La Iglesia proclamó el
misterio precisamente porque a la razón se le había dado esta autoridad divina; esto es: la Iglesia admitió que la
razón tenía sus límites. Tenía que ser así ya que, de otro modo, los poderes absolutos adjudicados a la razón podrían
conducir a la exclusión de verdades que la razón puede aceptar pero no demostrar. La razón fue limitada por el
misterio tan sólo para aumentar la soberanía de la razón en su propia esfera.

Cuando se destrona a la razón no es sólo la Fe la que también resulta destronada (ambas subversiones van juntas).
Cuando ello sucede toda moral y toda actividad legítima del alma humana resultan destronadas al mismo tiempo. No
hay más Dios. De modo que las palabras “Dios es Verdad”, que la mente de la Europa Cristiana utilizó como
postulado en todo lo que dijo, cesan de tener significado. Nadie puede analizar ya la justa autoridad del gobierno ni
ponerle límites. En la ausencia de la razón, la autoridad política que descansa sobre la mera fuerza se convierte en
ilimitada. Y la razón se convierte así en víctima porque lo que el Ataque Moderno está destruyendo con su falsa
religión de la humanidad es a la humanidad misma. Al ser la razón la corona del ser humano y, al mismo tiempo, su
carácter distintivo, los anarquistas marchan contra la razón y ven en ella a su principal enemigo.

De este modo el Ataque Moderno opera y se desarrolla. ¿Qué es lo que presagia para el futuro? Ésa es la cuestión
práctica, inmediata, que todos tenemos que enfrentar. El ataque ya está lo suficientemente desarrollado como para
que hagamos algunos cálculos acerca de cual puede ser la siguiente fase. ¿Qué desgracia caerá sobre nosotros?

O bien y de nuevo: ¿de qué reacción positiva nos beneficiaremos? Concluiré con estas dudas.

El Ataque Moderno está mucho más avanzado de lo que generalmente se aprecia. Siempre es así con los grandes
movimientos de la Historia de la humanidad. Es otro caso más de un “desfase temporal”. Un poder que se encuentra
en la víspera de la victoria parece estar tan sólo a medio camino de su objetivo – incluso puede parecer que está en
condiciones todavía controlables. Un poder en la plena primavera de sus energías iniciales aparece ante sus
contemporáneos como un pequeño y precario experimento.

El ataque moderno a la Fe (el último y más formidable de todos) ya ha avanzado tanto que podemos afirmar una
cosa importantísima con bastante claridad: una de dos cosas tiene que suceder; uno de dos resultados tiene que
volverse definitivo a través del mundo moderno. O bien la Iglesia Católica (que se está convirtiendo hoy rápidamente
en el único lugar en dónde las tradiciones de la civilización son entendidas y defendidas) quedará reducida por sus
enemigos modernos a la impotencia política, a la insignificancia numérica y – en lo que hace a la opinión pública – al
silencio; o bien la Iglesia Católica, en este caso al igual que en el pasado, reaccionará contra sus enemigos con más
fuerza de la que éstos pudieron emplear contra ella, se recuperará y extenderá su autoridad y surgirá una vez más
tomando el liderazgo de la civilización que construyó, para recuperar y restaurar al mundo.

En una palabra: o bien nosotros, los de la Fe, nos convertiremos en una pequeña isla, perseguida y desdeñada, en
medio de la humanidad; o bien seremos capaces de hacer oír al final de la contienda el antiguo grito de batalla:
“¡Christus Imperat!”

La conclusión humana normal en semejantes conflictos – la de que uno de los combatientes será aplastado y
desaparecerá – no puede ser aceptada. La Iglesia no desaparecerá puesto que no está hecha de materia mortal; es la
única institución entre los seres humanos que no está sujeta a la ley universal de la mortalidad. Por consiguiente no
podemos decir que la Iglesia puede ser eliminada, pero puede ser reducida a un pequeño grupo casi olvidado entre
el enorme número de sus opositores que despreciarán a la institución derrotada.

Y la alternativa a la anterior tampoco puede ser aceptada. Porque, aún cuando este gran movimiento moderno (que
tan singularmente se parece al avance del Anticristo) pueda ser rechazado y hasta puede perder sus características y
morir como lo hizo el protestantismo ante nuestros propios ojos, ello no significará el fin del conflicto. Éste puede
ser el conflicto final. También es posible que haya una docena más por venir, o cien más. Pero ataques a la Iglesia
Católica siempre habrá y nunca la disputa entre las personas conocerá una unidad completa, ni la paz y la alta
nobleza a través de una completa victoria de la Fe. Porque si eso fuese posible, el mundo no sería lo que es y
Jesucristo no habría confrontado con el mundo.

Pero aún cuando no en forma total, en lo esencial uno de los dos destinos tiene que concretarse: o bien una victoria
católica o bien una victoria anti-cristiana. El Ataque Moderno es tan universal y se mueve con tanta rapidez que las
personas muy jóvenes de hoy seguramente vivirán para ver algo así como una decisión en esta gran batalla.

Algunos de los más agudos observadores de la generación pasada y de la actual han utilizado su inteligencia para
tratar de descubrir hacia qué lado se inclinará el destino. Uno de los católicos franceses más inteligentes, un judío
converso, ha escrito una obra para sugerir ( o demostrar) que la primera de las dos posibilidades constituirá nuestra
suerte. Imagina a la Iglesia en sus últimos años viviendo aparte. Ve a una Iglesia del futuro reducida a muy pocos
miembros y dejada de lado por la corriente general del nuevo paganismo. Según su visión, en el interior de la Iglesia
del futuro habrá, por cierto, una devoción intensa pero será una devoción practicada por un organismo pequeño,
aislado y olvidado en medio de sus semejantes.

El fallecido Robert Hugh Benson escribió dos libros, notables cada uno de ellos, y ambos previendo posibilidades
opuestas. En el primero de ellos – “El Señor del Mundo” – presenta el cuadro de una Iglesia reducida a una banda
trashumante, como regresando a sus orígenes, el Papa a la cabeza de los Doce, y una conclusión al día del Juicio
Final. En el segundo libro, avizora la restauración plena del organismo católico, con nuestra civilización restablecida,
reforzada, asentada una vez más y revestida de su mentalidad correcta, porque en esa nueva cultura – aún cuando
llena de imperfecciones humanas – la Iglesia habrá recuperado su liderazgo entre las personas e ilustrará al espíritu
de la sociedad otra vez con equilibrios y con belleza.

¿Cuales son los argumentos a esgrimir por cualquiera de las dos partes? ¿Sobre qué bases deberíamos afirmarnos
para establecer una tendencia en un sentido o en otro?

En cuanto a la primera cuestión (la disminución de la influencia católica, la reducción de nuestro número y de
nuestro poder político hasta el borde de la extinción), lo que hay que destacar es la cada vez mayor ignorancia del
mundo acerca de nosotros, y eso unido a la pérdida de aquellas facultades mediante las cuales las personas podrían
apreciar el significado del catolicismo y favorecer su salvación. El nivel cultural, incluyendo el sentido del pasado,
está disminuyendo visiblemente. Con cada década ese nivel es más bajo que en la década pasada. En esa
declinación, la tradición se está interrumpiendo y diluyendo como la nieve al final del invierno; grandes fragmentos
se caen en distintos momentos para disolverse y desaparecer.

En nuestra generación se ha perdido la supremacía de los clásicos. Por todas partes es posible hallar personas en
posiciones de poder que han olvidado de dónde venimos; personas para las cuales el griego y el latín – los idiomas
fundamentales de nuestra civilización – son incomprensibles; o bien y en el mejor de los casos, meras curiosidades.
Los ancianos actualmente vivos pueden recordar vagamente una rebelión contra la tradición; pero los jóvenes, por
su parte, sólo perciben cuan poco queda de aquello en contra de lo cual podrían rebelarse y muchos temen que,
antes de que estos jóvenes mueran, el cuerpo de la tradición haya desaparecido.

Esa clase de fe ha sido, en su mayor parte, desmantelada; al menos para la mayor parte de las personas, como todos
admitirán. Tan cierto es esto que ya una mayoría (y yo afirmaría que es una mayoría muy grande) ya ni sabe qué
significa la palabra “fe”. Para la mayoría de las personas que la escuchan (en relación con la religión) significa, o bien
una aceptación ciega de afirmaciones irracionales y de leyendas que la experiencia común condena, o bien un simple
hábito heredado de imágenes mentales que nunca han sido puestas a prueba y que, ante el primer contacto con la
realidad, se disuelven como los sueños que son. Para la gran masa de las personas modernas ha cesado de existir
todo el extenso cuerpo de la apologética y toda la ciencia teológica (la reina exaltada que se halla por sobre
cualquier otra ciencia). Basta con mencionar esas disciplinas para dar una impresión de irrealidad y de
insignificancia.

Hemos arribado ya a esta extraña situación en la cual, mientras el conjunto católico (que en la práctica ya es una
minoría incluso en la civilización blanca) entiende a sus opositores, estos opositores no entienden a la Iglesia
Católica.

Un historiador podría trazar un paralelo entre el conjunto católico actual y el decreciente conjunto pagano de los
Siglos IV y V. Los paganos, especialmente los educados y cultivados cuyo número se reducía cada vez más, conocían
muy bien las altas tradiciones a las que adherían, y entendían (aún odiándolo) a ese nuevo fenómeno que era la
Iglesia, que había crecido entre ellos y que estaba a punto de desplazarlos. Pero los católicos que suplantarían a los
paganos comprendieron cada vez menos al estilo pagano; descuidaron sus obras de arte y tomaron sus dioses por
demonios. Así en la actualidad la antigua religión de los paganos es respetada pero ignorada.

Aquellas naciones que por tradición son anti-católicas, que otrora fueron protestantes y ahora ya no tienen
tradiciones establecidas, han estado en auge por tan largo tiempo que consideran a sus opositores católicos como
definitivamente derrotados. Y aquellas naciones que retuvieron la cultura católica se hallan ahora ya en la tercera
generación de educación social anti-católica. Sus instituciones podrán tolerar a la Iglesia, pero nunca en una alianza
activa con ella y con frecuencia en aguda hostilidad.

A juzgar por todos los paralelos de la Historia y por las leyes generales que gobiernan el surgimiento y la caída de los
organismos, se podría concluir en que ha terminado el papel activo del catolicismo en los asuntos del mundo; que en
el futuro, quizás en un futuro cercano, el catolicismo habrá de perecer.

El observador católico negaría la posibilidad de una extinción completa de la Iglesia. Pero también él tiene que seguir
los paralelos históricos; también él debe aceptar las leyes generales que gobiernan el crecimiento y la decadencia de
los organismos. En vista de todos los cambios que han ocurrido en la mente de las personas, también él deberá
tender a sacar la trágica conclusión de que nuestra civilización que ya ha cesado de ser cristiana en gran medida,
terminará perdiendo por completo su carácter general cristiano. El futuro a avizorar es un futuro pagano, y un futuro
pagano con una nueva y repulsiva forma de paganismo, pero aún así poderosa y omnipresente a pesar de su
repugnancia.

Ahora bien, por el otro lado, existen consideraciones menos obvias pero que llaman fuertemente la atención de los
que piensan y que son versados en las cuestiones del pasado y poseen experiencia en cuestiones relacionadas con la
naturaleza humana.

En primer lugar está el hecho que, a lo largo de los siglos, la Iglesia ha reaccionado con fuerza impulsando su propia
resurrección en los momentos de mayor peligro.

El conflicto mahometano estuvo muy cerca. Casi nos empantana. Sólo la reacción armada de España, seguida por las
Cruzadas, evitó el triunfo completo del Islam. La agresión del bárbaro, la de los piratas del Norte, la de las hordas
mongoles, llevaron a la Cristiandad al borde de la destrucción. Y, sin embargo, los piratas del Norte fueron
contenidos, derrotados y bautizados a la fuerza. La barbarie de los nómadas del Este fue eventualmente derrotada;
en forma muy tardía pero no tan tarde como para que no fuese posible salvar lo que podía ser salvado. El
movimiento que se llamó la Contrarreforma enfrentó el avance hasta entonces triunfal de los herejes del Siglo XVI.
Incluso el racionalismo del Siglo XVIII fue, en su momento y lugar, controlado y rechazado. Es cierto que engendró
algo peor, algo de lo cual ahora padecemos. Pero hubo una reacción contra él y esa reacción bastó para mantener
viva a la Iglesia y hasta para que recuperara elementos de poder que se creían perdidos para siempre.

Siempre habrá una reacción y, respecto de la reacción católica existe cierta vitalidad, una cierta forma de aparecer
con fuerza inesperada a través de nuevos hombres y nuevas organizaciones. La Historia y la ley general del
surgimiento y la decadencia, en sus lineamientos principales conducen a la primera conclusión: a un rápido
agotamiento del catolicismo en el mundo. Pero la observación, tal como se aplica al caso particular de la Iglesia
Católica, no conduce a esa conclusión. La Iglesia parece tener una vida, orgánica e innata, bastante inusual; un modo
de ser único y poderes de resurgimiento que le son peculiares.

Además, destaquemos este punto por demás interesante: las mentes más vigorosas, más agudas y más sensibles de
nuestro tiempo se están inclinando claramente hacia el lado católico.

Por su propia naturaleza constituyen, por supuesto, una pequeña minoría; pero son una minoría muy poderosa en
materia de asuntos humanos. El futuro no se decide por votación pública; se decide por el desarrollo de ideas.
Cuando las personas que mejor piensan, que sienten con mayor intensidad y que dominan las formas de expresión
comienzan a mostrar una nueva tendencia hacia algo determinado, ese algo tiene buenas probabilidades de dominar
el futuro.

No puede haber duda de esta nueva tendencia a simpatizar con el catolicismo – y, en el caso de personalidades
fuertes, de aceptar el riesgo, de aceptar la Fe y de proclamarse sus defensores. Incluso en Inglaterra, dónde el
sentimiento tradicional contra el catolicismo es tan universal y tan fuerte, y dónde toda la vida de la nación está
impregnada de hostilidad hacia la Fe, las conversiones que tanto llaman la atención del público son constantemente
conversiones de personas que lideran el pensamiento. Y nótese que por cada uno que abiertamente admite su
conversión hay al menos diez que se inclinan hacia el estilo católico, que prefieren la filosofía católica y sus logros,
pero que se resisten a aceptar los pesados sacrificios involucrados en una declaración pública.

Por último, está la siguiente muy importante y quizás decisiva consideración: a pesar de que el poder social del
catolicismo está declinando en el mundo, ciertamente en forma cuantitativa y también en la mayoría de los demás
factores, el conflicto entre el catolicismo y el por completo nuevo fenómeno pagano (la destrucción de toda
tradición, el rompimiento con nuestra herencia), está ahora claramente marcado.

Ya no existe – como existía hasta hace poco – un margen de penumbra confuso y heterogéneo desde el cual se podía
hablar confiadamente bajo el ambiguo rótulo de “cristiano” y perorar con aplomo de una religión imaginaria llamada
“cristianismo”. No. Hoy ya existen dos bandos bastante diferentes que se disputan el terreno y pronto se
contrapondrán tanto como el blanco y el negro: la Iglesia Católica de un lado y los otros opositores de lo que hasta
aquí fue nuestra civilización.
Las filas están formadas como para una batalla y, si bien la clara división arriba señalada no significa que triunfará
uno u otro de los antagonistas, sí significa que, por fin, ha quedado definida una cuestión concreta y en materia de
cuestiones concretas tanto una causa buena como una mala tienen mejores probabilidades de triunfar que en una
confusión.

Aún las personas más desorientadas, o las más ignorantes, cuando hablan de “iglesias” usan hoy un lenguaje que
suena a hueco. La última generación podía hablar, al menos en los países protestantes, de “las iglesias”. La
generación actual ya no puede. No hay varias iglesias; hay una sola. Es la Iglesia Católica de un lado y su mortal
enemigo del otro. Las listas están cerradas.

De este modo nos hallamos ante el más tremendo de los interrogantes que hasta ahora se le ha presentado al
intelecto humano. Estamos ante una encrucijada de la cual depende todo el futuro de nuestra raza.

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Notas

[1] La palabra “herejía” se deriva del verbo griego “haireo” que al principio significó “yo tomo” o “yo apreso” y
después vino a significar “yo extraigo”.

[2] Por una discusión de la fecha de Crucifixión, Resurrección y Pentecostés debo referir mis lectores al trabajo claro y
erudito del Dr. Arendzen “Men and Manners in the time of Christ” (Sheed and Ward). De las pruebas que han sido
exhaustivamente examinadas queda claro que la fecha no es anterior al año 29 DC y posiblemente sea en algunos
años posterior, siendo la más amplia y tradicionalmente aceptada la del año 33 DC.

[3] La Orden de Orange (en inglés Orange Order) es una organización de fraternidad protestante, que opera en el
Reino Unido y la República de Irlanda. De carácter conservador, aboga por defender la pertenencia de Irlanda a la
Corona Británica. Se fundó en 1785 como respuesta a los primeros avances del nacionalismo irlandés, que había
logrado ya representación en las cámaras de Londres y que había impulsado algunas tentativas secesionistas. En
Irlanda del Norte se la asocia con el Partido Unionista del Ulster (Ulster Unionist Party), aunque muchos de sus
miembros pertenecen al Partido Unionista Democrático (Democratic Unionist Party). Las actividades de la Orden de
Orange son, por lo general, polémicas y se consideran anticatólicas. (N. del T.)

[4] No es fácil establecer el momento exacto después del cual la religión oficial del Estado Romano, o aún el Imperio,
es cristiano. La victoria de Constantino en el puente Milvio ocurrió en el otoño del año 312. El Edicto de Milan,
promulgado por él y por Licinio, y por el cual se tolera la práctica del cristianismo en todo el Imperio, es de principios
del año siguiente, 313. Cuando Constantino se convirtió en el único emperador, pronto vivió como un catecúmeno de
la Iglesia Cristiana pero, no obstante, continuó siendo la autoridad suprema de la antigua organización pagana en
calidad de Pontifex Maximus. No se bautizó sino en vísperas de su muerte, en 337 y, a pesar de que convocó y
presidió reuniones de obispos cristianos, éstos siguieron siendo un cuerpo independiente en una sociedad
mayormente pagana. El propio hijo y sucesor de Constantino simpatizó con el antiguo paganismo moribundo. El
Senado no cambió por toda una generación. Para la destrucción oficial activa del agonizante culto pagano los
hombres tuvieron que esperar a Teodosio, bien al final de ese siglo. Todo el proceso abarca una larga vida humana
entera: más de ochenta años.

[5] Fue la famosa “guerra por una letra”. La letra i “. Los seguidores de Arrio utilizaron la palabra “homoiusius” para
indicar que Cristo había sido “semejante” a Dios mientras que la ortodoxia empleaba el término “homousius” para
indicar “de la misma naturaleza” que Dios. Siendo “usia” un concepto que significa “sustancia”, los herejes afirmaban
que Cristo había sido de una sustancia semejante pero no de la misma sustancia que Dios. (N. del T.)

[6] El autor se refiere, obviamente, a la Primera Guerra Mundial. (N. del T.)

[7] Fue basándose sobre este hecho que ciertos escritores franceses opuestos a la Iglesia dedujeron ese enorme
desacierto que la Inmaculada Concepción nos habría llegado de fuentes mahometanas. Gibbon, por supuesto, copia a
sus maestros en esto – como siempre lo hace – y repite el absurdo en su “Decadencia y Caída”.

[8] Téngase presente, por supuesto, que el autor escribe en la primera mitad del Siglo XX. (N. del T.)
[9] En realidad, ambas veces Europa se salvó más por la muerte del caudillo de los invasores que por la derrota de sus
ejércitos. En la batalla de los Campos Cataláunicos Atila no fue derrotado sino apenas obligado a retroceder. Prueba
de ello es que, al año siguiente, arrasó Aquilea y obligó a Valentiniano a huir de Rávena. Se retiró solamente luego de
entrevistarse con el papa León I. Dos años más tarde, en el 453 Atila moría y su imperio se desmembraba por las
disputas entre sus sucesores.

Con los mongoles pasó algo similar. En 1241, la muerte de Ugedei Khan (el tercer hijo de Gengis Khan) paralizó el
avance mongol sobre Europa. Los mongoles volvieron al Este a disputar la sucesión de su Imperio. (N. del T.)

[10] Lo era cuando el autor escribió este libro (N. del T.)

[11] Escrito en Marzo de 1936.

[12] Quizás vale la pena resaltar una vez más que esta evaluación sobre el Islam fue escrita por Hilaire Belloc ¡en
Marzo de 1936! (N. del E.)

[13] Toda la Alemania del Sur fue afectada por la civilización romana en algún grado y el valle del Rin de un modo
muy intenso y completo. Pero el civilizar finalmente a los alemanes como conjunto, incluyendo el Norte y a los
hombres del Elba, fue, a principios de la Edad Media, el trabajo de misionarios católicos; principalmente ingleses e
irlandeses.

[14] El tamaño de esta minoría en las distintas fechas – 1625, 1660, 1685 – es discutible. Además se produce una
confusión por el empleo de palabras similares para cosas diferentes. Si hablamos de la minoría inglesa que era
activamente católica en cuanto a tradición pero que no concordaba plenamente con las posturas papales, es decir:
personas que se hubieran considerado a si mismas más bien católicas que protestantes, tenemos seguramente a la
mitad de la población a la muerte de Isabel pero sólo un octavo al momento del exilio de Jacobo II, ochenta y cinco
años más tarde. Si nos referimos a todos los que hubieran aceptado sin hostilidad un regreso a la antigua religión
tenemos, aún a fines de 1688, un cuerpo social mucho más grande. Es difícil estimarlo porque las personas no dejan
registros de sus más ambiguas opiniones, pero no es una gran exageración sostener que, a esa fecha, una de cada
cuatro personas se hallaba en esa situación en Inglaterra. He dado mis argumentos para ello en mi libro sobre Jacobo
II.

[15] Este distrito – 7 de las 16 provincias de los Países Bajos españoles – ha terminado llamándose Holanda,
adquiriendo el nombre de una sola de esas provincias.

[16] Una minoría hasta los últimos años de Isabel, pero después de 1606 una creciente mayoría se opuso a la fe
porque, para esa época, la oposición a la fe se había identificado con el patriotismo.

[17] Lo que hoy se llama “hitlerismo” o “nazismo”, cualquiera que sea su destino futuro, es un control despótico y
poderoso establecido por el espíritu prusiano sobre todo el Reich.

[18] 1904 fue el año del cambio diplomático mediante el cual Inglaterra abandonó su larga alianza con la Prusia
protestante y comenzó, con mucho recelo y a regañadientes, a apoyar a Francia.

[**] El 7 de octubre de 1571 se libró la batalla naval de Lepanto en la que se enfrentaron España, Venecia, Génova y
la Santa Sede contra los turcos otomanos. En la contienda participó Miguel de Cervantes. Resultó herido en su mano
izquierda, con lo que perdió la movilidad de la misma, valiéndole ello más tarde el sobrenombre de “el Manco de
Lepanto”. (N. del E.)

[***] Chesterton falleció en 1936 (14 de Junio) – el mismo año en que Belloc escribió este libro. (N. del E.)

[****] El Autor se refiere a la Declaración de Independencia norteamericana. (N. del E.)

[*4*] Se refiere al papa Pío XI (1922-1939) – (N. del T.)

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bibliaytradicion.wordpress.com

http://bibliaytradicion.wordpress.com/inquisicion/las-grandes-herejias/#1

Hilaire Belloc e o Cristianismo


"Para muitos que não nutrem simpatias pelo Catolicismo, que herdaram a velha animosidade protestante contra a
Igreja (embora o protestantismo doutrinário esteja agora morto) e que pensam que qualquer ataque à Igreja tenha
de ser de uma forma ou de outra uma boa coisa, a luta já se mostra como um ataque vindouro ou atual contra o que
chamam “Cristianismo”.

Encontramos pessoas dizendo a todo momento que o movimento bolchevista, por exemplo, é “definitivamente anti-
cristão” – “oposto a qualquer forma de cristianismo” – e que tem de ser “resistido por todos os cristãos,
independentemente da Igreja particular a que se pertença”, e assim por diante.

Discursos e escritos desse tipo são fúteis, porque não significam nada de definido. Não há essa coisa de uma religião
chamada de “Cristianismo” – nunca houve essa religião.

Há, e sempre houve, a Igreja e várias heresias resultantes de uma rejeição de algumas das doutrinas da Igreja por
homens que ainda desejam manter o restante de seu ensinamento e moral. Mas nunca houve nem pode haver ou
haverá uma religião cristã genérica, professada por homens que aceitem todos algumas importantes doutrinas
centrais, embora concordando em diferir acerca de outras. Sempre houve, desde o início, e sempre haverá a Igreja e
heresias várias destinadas a perecer ou, como a dos maometanos, crescer como uma religião separada. De um
Cristianismo comum nunca houve e nunca poderá haver uma definição, pois nunca existiu.

Não há nenhuma doutrina essencial, de modo que, se concordarmos com ela, possamos diferir acerca do restante,
por exemplo, aceitar a imortalidade, mas negar a Trindade; um homem dizer-se cristão, embora negue a unidade da
Igreja Cristã; dizer-se cristão, embora negue a presença de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento; dizer-se
alegremente cristão, embora negue a Encarnação.

Não! A disputa é entre a Igreja e a anti-Igreja, a Igreja de Deus e o anti-Deus, a Igreja de Cristo e o anti-Cristo.

A verdade fica tão óbvia a cada dia que, em alguns anos, será universalmente aceita. Não classifico o ataque
moderno de “anti-Cristo”, embora, no meu coração, acredite que seja o termo verdadeiro para ele: não, não o
nomeio assim, porque pareceria exagerado no momento. Mas o nome não importa. Quer chamemos de “O Ataque
Moderno, quer de “anti-Cristo”, é tudo a mesma coisa. Há uma questão clara agora entre a manutenção da moral,
tradição e autoridade católicas, de um lado, e o esforço ativo de destruí-las, de outro. O ataque moderno não nos
tolerará. E tentará nos destruir. Também não podemos tolerá-lo. Temos de tentar destruí-lo como o inimigo
totalmente equipado e ardente da Verdade pela qual os homens vivem. O duelo é até a morte". (BELLOC, Hilaire. As
grandes heresias. Tradução de Joel Tang Jr.)

Fonte: Atanasiano

A Verdade Católica em História - Hilaire Belloc


Publicado no London “Tablet”

Eu quase escrevi que a história é o departamento mais importante de toda a educação. Afirmar isso sem
modificação seria, é claro, afirmá-lo incorretamente. A parte mais importante é o ensino do dogma; em seguida, e
inextricavelmente conectado a ela, o ensino da moralidade; em seguida, a defesa (e isto também está conectado
com o ensino do dogma e da moralidade) do contínuo costume católico.

A história vem, é claro, depois de todos esses. Qualquer pai católico desejaria antes que seus filhos crescessem
ignorantes em história do que ignorantes na Fé ou numa moralidade sensata, ou nos costumes e hábitos católicos.
Não obstante, há um aspecto em relação ao qual a história pode ser chamada o mais importante de todos os
assuntos ensinados. E aquele aspecto é precisamente o aspecto escolástico.

Se eu mando meu filho para uma escola na qual certas coisas lhe são ensinadas positivamente algumas horas por
dia, eu posso, em caso de emergência, garantir que ele obtenha sua moralidade e sua religião em casa. Mas eu não
posso impedir de lhe ensinarem história na escola, porque a história é considerada em todo lugar como uma parte
do currículo secular. No entanto, o juízo que um homem faz da vida e da comunidade na qual passará seus dias
depende da visão da história que ele absorve em sua juventude.

A história é ao mesmo tempo a memória do Estado e lição prática de política. É por meio da história verdadeira que
os homens sabem quem realmente são. A falsa história deve fazer com que eles se considerem diferentes do que
realmente são. Por meio da história a continuidade do Estado é preservada, e seu caráter é determinado. Ora, tendo
a história essa suprema importância para a filosofia, , para que alguém tenha um completo panorama da vida, e
sendo ao mesmo tempo universalmente tratada como um assunto secular, nela opõem-se dois pontos de debate,
cujo conflito cria o grande risco que os católicos têm de correr neste país (Inglaterra). A história deve ter uma
filosofia. Ela deve tender ao elogio ou à culpa. Ela deve julgar. Não existe algo como a mera história externa, pois
toda história é a história da mente humana. Portanto, numa sociedade anti-católica a história será anti-católica. Será
anti-católica nos livros escolares. Será anti-católica nos exames pelos quais a juventude católica tem de passar. Neste
país nós enfrentamos a crucial dificuldade de ter de apresentar o mais importante dos assuntos humanos — aquele
que, dentre os assuntos temporais, mais afeta a alma — com um mecanismo projetado para a produção de um
efeito anti-católico.

Métodos anti-católicos

Em primeiro lugar, permitam-nos averiguar de que maneira o efeito anti-católico é formado. O grande erro dos
católicos que se deparam com a corrente oposta é que eles procuram, nos livros escolares que devem usar, frases
que caluniam específicos personagens, períodos e doutrinas católicas ou falsas afirmações relativas a eventos
específicos. Mas tais passagens são raras e não são essenciais.

As coisas essenciais da história anti-católica, as coisas que a tornam completamente anti-católica, são,
primeiramente, a seleção anti-católica de material; em segundo lugar, aquilo que é chamado de tom anti-católico;
em terceiro lugar, a proporção anti-católica observada da apresentação do fato histórico. Eu gostaria de me
estender, com a permissão de vocês, sobre esses três pontos, que são capitais para o nosso assunto.

Primeiramente, quanto à seleção. A narração de qualquer história é uma questão de seleção. Se se seleciona de
modo que a verdade procurada não seja revelada, então a seleção, apesar de todos os fatos apresentados serem
verdadeiros, é em sua essência uma inverdade. Os fatos que escolhemos contar — e sua ordem — determinam a
descrição que apresentamos.

Agora quanto ao tom. Eu gostaria de enfatizar neste tópico sobre o tom na história algo que uma boa quantidade de
trabalho minucioso me ensinou, mas que, penso eu, não é suficientemente estimado. É isto: o tom ou atmosfera na
história não é uma coisa vaga e inapreensível. Ele não escapa à análise. É possível, se se lê cuidadosamente uma
passagem, observando precisamente os advérbios e adjetivos utilizados, também o tipo de verbo, e até mesmo, às
vezes, os substantivos, é possível apontar o dedo para o que fornece o tom específico e dizer: “Esse é o modo como
a mentira foi contada.”

Em terceiro lugar, a proporção — respectiva quantidade de espaço e peso dados às várias partes da história — é o
elemento final que determina o conjunto. Não é a mesma coisa que a seleção. Dois homens podem selecionar a
mesma dúzia de fatos e relatá-los, e ainda arranjar uma proporção muito diferente entre eles com relação à
extensão, ênfase e peso.

Nós somos envolvidos por uma atmosfera de — e submetidos a um mecanismo de — história anti-católica; história
que produz seu efeito anti-católico não tanto por meio da exposição errônea do fato — isso é raro — como por meio
de seleção anti-católica, tom anti-católico e proporção anti-católica.

Como se opor a eles

Como podemos nos opor ao mal? Como podemos ensinar verdadeira história à nossa juventude católica, isto é,
história católica? Pois cabe a nós lembrar o que num país protestante é fácil de esquecer: que a Igreja Católica não é
uma dentre muitas opiniões, mas a verdade. Seu clero não é parte do “clero de todas as denominações”, mas são os
sacerdotes de Deus com poder sacramental. O que ele diz definitivamente sobre qualquer assunto não é, para usar o
jargão moderno, uma verdade “subjetiva”; é uma verdade objetiva[1]. Não é a apresentação de algo que está na
mente. É a apresentação de algo que continuaria existindo ainda que todas as mentes humanas fossem destruídas. E
a verdade sustenta a verdade do mesmo modo que a inverdade sustenta a inverdade. A verdade católica não é algo
preso à história geral como um alfinete a uma almofada. Faz parte da verdade universal. A mesma atitude que faz
um homem negar a moralidade do divórcio e afirmar a moralidade da propriedade privada fará com que ele conte a
verdade sobre a história — quando vier a escrevê-la —, em tópicos aparentemente afastados da doutrina católica.

Há uma verdade católica que diz respeito à Conquista da Inglaterra, à Guerra das Rosas ou à monarquia franca na
Gália, tanto quanto há verdade católica sobre a heresia maniqueia ou sobre a natureza da Reforma. Com isso eu não
quero dizer que nesses assuntos temporais, dependentes da evidência positiva, não haverá diferenças de
julgamento entre as mais eruditas autoridades católicas. Mas eu quero dizer que uma biblioteca inteira de livros
diferentes e conflitantes escritos por católicos e que lidam com a história da Europa seriam católicos em essência e
ensinariam história católica; e que uma coleção similar de livros escritos por anti-católicos, por mais que diferissem
em grande quantidade entre si, teria uma tendência anti-católica e produziria um efeito anti-católico no leitor, e, na
medida em que doutrinasse o leitor, doutriná-lo-ia com mentiras.

Livros escolares antagônicos

Nossa primeira dificuldade é a carência de livros escolares. Aqui nós podemos observar um acidente muito
deplorável do passado imediato. Desde que a história moderna, exata e detalhada começou quase todos os livros
escolares importantes foram escritos como antagonismo direto à Fé. Nem é preciso falar da massa de trabalhos
protestantes. Todas as obras protestantes alemãs e inglesas são anti-católicas. O homem que fez um sinal com seu
braço no Museu Britânico e disse: “Livros escritos por peritos para atacar a Igreja” estava exagerando, mas havia
algo de certo no que ele disse. Não é nenhuma resposta a essa verdade dizer que muitos dos escritores são aquilo
que chamamos “justos” com a Igreja Católica. Você não pode ser chamado “justo” com relação à verdade. A verdade
não é um dos dois interessantes antagonistas em torno do qual você tem de manter um conluio. Se você não a
defende você não pode evitar atacá-la. Falar sobre ser “justo” com a Igreja Católica em história é exatamente
análogo a falar de um juiz que “não é nem parcial com um lado nem imparcial com o outro.”

Um historiador protestante não deve ser louvado, por exemplo, porque admite que muitos dos monastérios
suprimidos por Thomas Cromwell eram bem administrados. Antes, deve ser louvado o historiador católico que
expõe inteiramente a má conduta de muitos desses monastérios, mas que nos conta o que realmente aconteceu. E o
que realmente aconteceu foi que a instituição monástica fora exterminada na Inglaterra não porque ela apodreceu,
nem porque ela estava desgastada, nem porque ela era impopular, mas porque naquele momento ela ficou fora de
moda no espirituoso mundo intelectual daquela geração, porque ela era a principal defesa do papado e da unidade
da religião e, acima de tudo, porque o rei e os homens avarentos que o rodeavam queriam as posses de outras
pessoas. Essas três coisas combinadas explicam aquele desastre capital da história da Inglaterra: a revolução fiscal e
territorial de 1539. E se você não as põe em evidência como as três grandes causas do evento, está escrevendo
história de má qualidade.

Seria difícil dizer por que todos os grandes livros escolares, desde que se iniciou a história moderna, com exceção de
Lingard, têm sido anti-católicos; mas até mesmo o grande Lingard [2] foi influenciado pela sociedade protestante na
qual viveu e para a qual escreveu. Eu só posso relacionar fenômeno tão singular à história geral da pesquisa
acadêmica católica. A Igreja ficou, por assim dizer, “perplexa” com o assalto furioso do ceticismo no século dezoito.
O sistema político francês, a monarquia que foi a principal defesa da Igreja, entrou em decadência, e quando a
tempestade dez declinar aquela essa instituição, o disperso e derrotado exército católico da Europa levou algum
tempo para se reagrupar. Ele não se reagrupou de fato até nossa época. Há também, provavelmente, um grande
elemento de acaso no assunto. São poucos os grandes historiadores, assim como são poucos os grandes poetas.

De qualquer forma, qualquer que seja a causa, aí está ela. Qualquer nome que você mencionar — Montesquieu,
Mommsen, Michelet, Freeman, Stubbs, Treitschke, e um bando de outros menores — conta a história da Europa e
de seu próprio país contra a Igreja. Os populares historiadores retóricos fazem a mesma coisa. O mesmo é verdade
com relação aos livros escolares estúpidos e supostamente corretos. Green, que escreveu para vender, deixa a
juventude inocente sobre a qual se impôs com a impressão de que toda a história conduziu ao clímax divino — a
sociedade protestante da sua sala de professores. E pode haver — eu não os li — outros livros escolares posteriores
que dão continuidade à mesma tradição. Os grandes compêndios, como a “Oxford History”, ou os muito superiores
Rambaud e Lavisse, estão no mesmo barco.

[1] Belloc refere-se obviamente ao depósito da Fé guardado pela Igreja Católica, que foi revelado por Deus, por meio
de Jesus Cristo, aos Apóstolos, e não a um assunto corriqueiro que possa tratado por um sacerdote católico [N. do.
T.].

[2] Belloc provavelmente se refere ao sacerdote e historiador católico John Lingard. Lindgard nasceu na Inglaterra
em 1771 e morreu em 1851. Ele escreveu várias obras sobre história da Inglaterra e da Igreja Católica. Alguns de
seus trabalhos publicados incluem: História da Igreja Anglo-Saxônica e História da Inglaterra até a ascensão de
William e Maria.

Fonte

Hilaire Belloc

"Quanto mais o Estado se intromete para assegurar condições de segurança e suficiência, quanto mais regula os
salários, fornece seguros compulsórios, cuidados médicos, educação e, em geral, se apodera das vidas dos
assalariados, para o benefício das companhias e dos homens que empregam os assalariados, mais se acentua essa
condição de semi-escravidão. E, se isso continuar durante, digamos, três gerações, ficará tão completamente
estabelecido como um hábito social e quadro mental, que pode não haver escapatória dele nos países em que o
socialismo de Estado desse tipo tenha sido forjado e gravado no corpo político."

Heresias do Modernismo.
AS GRANDES HERESIAS

Hilaire Belloc

http://www.permanencia.org.br/revista/Pensamento/belloc.htm

Nascido em França em 1870, Belloc foi um dos mais prolíferos escritores na Inglaterra de seu tempo, distinguindo-se
como biógrafo, historiador e romancista. Católico fervoroso, escreveu, como seu amigo G.K. Chesterton, várias obras
sobre a santa religião, entre as quais "The Great Heresies", de onde traduzimos o pungente capítulo que
apresentaremos em seguida.

Antes, porém, devemos contextualizá-lo. Escrevendo em 1938 sobre o que chama "o Ataque Moderno", Belloc
realmente não poderia aludir ao problema mais inquietante desta "Fase Moderna", e que mais tem motivado nosso
combate: a infiltração e ascensão do modernismo na Igreja. Não obstante, a análise de Belloc, atual em muitos
pontos, causa impressão pela firmeza de seu posicionamento.

Capítulo Sete: A Fase Moderna

Chegamos ao grande momento.

A Fé está agora na presença não de uma heresia particular como no passado – o arianismo, o maniqueísmo, dos
albigenses, dos maometanos – nem está na presença de algum tipo de heresia generalizada, como ocorreu quando
enfrentou a revolução protestante trezentos a quatrocentos anos atrás. O inimigo que a Fé tem de enfrentar agora,
e que pode ser chamado de “O Ataque Moderno”, é um assalto indiscriminado aos fundamentos da Fé, à própria
existência da Fé. E o inimigo que agora avança contra nós está cada vez mais consciente do fato de que não pode
haver qualquer neutralidade. As forças que agora se opõem à Fé têm o propósito de destruí-la. A batalha é
doravante travada em uma linha definida de clivagem, envolvendo a sobrevivência ou a destruição da Igreja Católica.
E toda – não uma parte – de sua filosofia.
Sabemos, evidentemente, que a Igreja Católica não pode ser destruída. Porém, o que não sabemos é a extensão da
área em que sobreviverá, seu poder de reviver ou o poder do inimigo de fazê-la recuar cada vez mais para suas
últimas defesas, até que possa parecer que o anti-Cristo chegou, e a batalha final está para ser decidida. Esse é o
momento da luta diante do mundo.

Para muitos que não nutrem simpatias pelo Catolicismo, que herdaram a velha animosidade protestante contra a
Igreja (embora o protestantismo doutrinário esteja agora morto) e que pensam que qualquer ataque à Igreja tenha
de ser de uma forma ou de outra uma boa coisa, a luta já se mostra como um ataque vindouro ou atual contra o que
chamam “Cristianismo”.

Encontramos pessoas dizendo a todo momento que o movimento bolchevista, por exemplo, é “definitivamente anti-
cristão” – “oposto a qualquer forma de cristianismo” – e que tem de ser “resistido por todos os cristãos,
independentemente da Igreja particular a que se pertença”, e assim por diante.

Discursos e escritos desse tipo são fúteis, porque não significam nada de definido. Não há essa coisa de uma religião
chamada de “Cristianismo” – nunca houve essa religião.

Há, e sempre houve, a Igreja e várias heresias resultantes de uma rejeição de algumas das doutrinas da Igreja por
homens que ainda desejam manter o restante de seu ensinamento e moral. Mas nunca houve nem pode haver ou
haverá uma religião cristã genérica, professada por homens que aceitem todos algumas importantes doutrinas
centrais, embora concordando em diferir acerca de outras. Sempre houve, desde o início, e sempre haverá a Igreja e
heresias várias destinadas a perecer ou, como a dos maometanos, crescer como uma religião separada. De um
Cristianismo comum nunca houve e nunca poderá haver uma definição, pois nunca existiu.

Não há nenhuma doutrina essencial, de modo que, se concordarmos com ela, possamos diferir acerca do restante,
por exemplo, aceitar a imortalidade, mas negar a Trindade; um homem dizer-se cristão, embora negue a unidade da
Igreja Cristã; dizer-se cristão, embora negue a presença de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento; dizer-se
alegremente cristão, embora negue a Encarnação.

Não! A disputa é entre a Igreja e a anti-Igreja, a Igreja de Deus e o anti-Deus, a Igreja de Cristo e o anti-Cristo.

A verdade fica tão óbvia a cada dia que, em alguns anos, será universalmente aceita. Não classifico o ataque
moderno de “anti-Cristo”, embora, no meu coração, acredite que seja o termo verdadeiro para ele: não, não o
nomeio assim, porque pareceria exagerado no momento. Mas o nome não importa. Quer chamemos de “O Ataque
Moderno, quer de “anti-Cristo”, é tudo a mesma coisa. Há uma questão clara agora entre a manutenção da moral,
tradição e autoridade católicas, de um lado, e o esforço ativo de destruí-las, de outro. O ataque moderno não nos
tolerará. E tentará nos destruir. Também não podemos tolerá-lo. Temos de tentar destruí-lo como o inimigo
totalmente equipado e ardente da Verdade pela qual os homens vivem. O duelo é até a morte.

Às vezes, alguns chamam o ataque moderno de “um retorno ao paganismo”. Essa definição é verdadeira se
quisermos dizer por paganismo uma negação da verdade católica. Se quisermos dizer por paganismo uma negação
da Encarnação, da imortalidade humana, da unidade e personalidade de Deus, da responsabilidade direta do
homem perante Deus e de todo o corpo de pensamento, sentimento, doutrina e cultura que se resume na palavra
“Católico”, então, e apenas nesse sentido, o ataque moderno é um retorno ao paganismo.

Porém, há mais de um paganismo. Houve um paganismo de onde todos viemos: o paganismo nobre e civilizado da
Grécia e de Roma. Houve o paganismo bárbaro das tribos selvagens germânicas, eslavas e outras. Há o paganismo
degenerado da África, o paganismo alienado e desesperador da Ásia. Agora, como de todos esses foi possível trazer
homens para a Igreja universal, qualquer novo paganismo que rejeite a Igreja conhecida seria certamente muito
diferente dos paganismos para os quais a Igreja era ou é desconhecida.

Um homem subindo um monte pode estar no mesmo nível que outro descendo, mas estão voltados para caminhos
diferentes e têm diferentes destinos. Nosso mundo, saindo do antigo paganismo da Grécia e de Roma para a
consumação da Cristandade e de uma civilização Católica da qual todos provimos, é a própria negação do mesmo
mundo que deixa a luz de sua religião ancestral e desliza para o escuro.

Considerando isso, vamos examinar o Ataque Moderno – o avanço anti-Cristão – e distinguir sua natureza especial.

Verificamos, para começar, que é ao mesmo tempo materialista e supersticioso.

Há aqui uma contradição da razão, mas a fase moderna, o avanço anti-Cristão, abandonou a razão. Preocupa-se com
a destruição da Igreja Católica e da civilização proveniente dela. Não está preocupada com contradições aparentes
em seu próprio corpo, contanto que a aliança geral seja para acabar com tudo pelo que temos até agora vivido. O
ataque moderno é materialista, porque, em sua filosofia, considera apenas causas materiais. É supersticioso apenas
como um subproduto de seu estado mental. Alimenta em sua superfície os caprichos tolos do espiritualismo, o
disparate vulgar da “Ciência Cristã”, e sabe Deus quantas outras fantasias. Mas essas tolices são produzidas não por
uma fome de religião, mas pela mesma raiz que tornou o mundo materialista: por uma incapacidade de entender a
verdade primeira de que a fé está na raiz do conhecimento, por pensar que nenhuma verdade é apreensível, exceto
através de experiência direta.

Assim, o espiritualista se gaba de suas manifestações demonstráveis, e seus vários rivais, de suas claras provas
diretas. Mas todos concordam que a Revelação deva ser negada. Foi bem notado que nada é mais marcante do que
a maneira pela qual todas as práticas quase religiosas modernas concordam com isso: que a Revelação deva ser
negada.

Podemos inferir, então, que o novo avanço contra a Igreja – que talvez se mostre o avanço final contra a Igreja, que
é, de qualquer maneira, o único inimigo moderno de importância – é fundamentalmente materialista. É materialista
em sua leitura da história e, acima de tudo, em suas propostas de reforma social.

Por ser ateísta, é característico da onda que avança que repudie a razão humana. Essa atitude mais uma vez poderia
parecer uma contradição em termos, pois, se você nega o valor da razão humana, se você diz que não podemos, por
nossa razão, chegar a qualquer verdade, então, nem mesmo a afirmação acima feita pode ser verdade. Nada pode
ser verdade, e nada vale ser dito. Mas o grande Ataque Moderno (que é mais do que uma heresia) é indiferente à
auto-contradição. Simplesmente afirma. Avança como um animal, dependendo apenas da força. De fato, pode-se
notar, de passagem, que isso bem pode ser a causa de sua derrota final, pois, até agora, a razão sempre sobrepujou
seus oponentes, e o homem é o mestre da besta pela razão.

De qualquer forma, temos o Ataque Moderno em seu caráter principal, materialista e ateísta, e, por ser ateísta, é
necessariamente indiferente à razão. Porque Deus é a Verdade.

Mas há (como os maiores dos gregos antigos descobriram) uma certa Trindade indissolúvel de Verdade, Beleza e
Bondade. Não se pode negar ou atacar uma dessas três sem, ao mesmo tempo, negar ou atacar ambas as outras.
Conseqüentemente, com o avanço desse novo e terrível inimigo contra a Fé e toda a civilização que a Fé produz,
vem não apenas um desprezo pela beleza, mas um ódio a ela, e, colado em seus calcanhares, aparece um desprezo e
um ódio à virtude.

O mais ingênuos, os menos corrompidos dos convertidos ao inimigo, falam vagamente de um “reajuste, um novo
mundo, uma nova ordem”, mas não nos dizem, como em boa razão deveriam, sobre que princípios essa nova ordem
deve ser erguida. Não definem o fim que têm em vista.

O comunismo (que é apenas uma manifestação, e provavelmente passageira, desse Ataque Moderno) professa estar
voltado para um certo bem, a saber, a abolição da pobreza. Mas não lhes diz por que isso deve ser bom. Não admite
que seu esquema é também destruir outras coisas que também são boas pelo consentimento comum da
humanidade: a família, propriedade (que é a garantia da liberdade individual e da dignidade individual), bom humor,
piedade e todas as formas do que consideramos uma vida reta.
Bem, chame do que quiser, chame-a, como faço aqui, de “O Ataque Moderno”, ou, como penso que os homens em
breve terão de chamá-la, “Anti-Cristo”, ou chame-a pelo termo temporariamente emprestado de “bolchevismo”
(que é apenas a palavra russa para “quem vai até as últimas conseqüências”), conhecemos a coisa muito bem. Não é
a revolta dos oprimidos. Não é o soerguimento do proletariado contra a injustiça e a crueldade capitalistas. É algo de
fora, algum espírito maligno tirando vantagem da inquietação dos homens e de sua raiva contra condições injustas.

Agora, essa coisa está em nossos portões. No fim das contas, é claro, é o fruto da ruptura original da Cristandade na
Reforma. Começou com a negação de uma autoridade central, terminou dizendo ao homem que ele é auto-
suficiente, e erigiu em todos os lugares grandes ídolos para serem adorados como deuses.

Não é só no lado comunista que isso aparece. Aparece também nas organizações opostas ao comunismo: nas raças e
nações em que a mera força é posta no lugar de Deus. Essas também erigem ídolos aos quais se paga um horrendo
sacrifício humano. Por esses também se negam a justiça e a ordem correta das coisas.

Essa é a natureza da batalha agora travada, e contra esses inimigos a posição da Igreja Católica parece agora
realmente fraca.

Mas há algumas forças em seu favor, que podem levar, por fim, a uma reação, pela qual o poder da Igreja sobre a
humanidade possa ressurgir.

Nas próximas páginas, considerarei quais podem ser os resultados imediatos dessa nova grande idolatria, e, nas
páginas seguintes, discutirei a questão mais importante de todas, a saber, se os acontecimentos apontam para a
Igreja se tornando uma fortaleza isolada a se defender contra todas as arremetidas, uma arca no meio da maré
montante que, embora não afunde o barco, cobre e destrói tudo o mais; ou se a Igreja será talvez restaurada a algo
de seu antigo poder.

O Ataque Moderno contra a Igreja Católica, o mais universal que ela já sofreu desde sua fundação, até agora
progrediu a ponto de já ter produzido formas sociais, intelectuais e morais que combinadas lhe dão um aspecto de
religião.

Embora esse Ataque Moderno, como disse, não seja uma heresia no antigo sentido da palavra nem um tipo de
síntese de heresias que tenham em comum ódio à Fé (como foi o movimento protestante), é ainda mais profundo, e
suas conseqüências, mais devastadoras do que qualquer uma dessas. É essencialmente ateísta, mesmo quando o
ateísmo não é abertamente declarado. Trata o homem como auto-suficiente, a oração como simples auto-sugestão,
e – o ponto fundamental – Deus como nada mais que uma criação da imaginação, uma imagem do próprio homem
lançada pelo homem ao universo, um fantasma e sem realidade.

Entre seus muitos sábios pronunciamentos, o Papa reinante proferiu uma sentença, cujo julgamento profundo foi
mais marcante no momento, e que tem sido poderosamente confirmada pelos eventos desde então. O que ele disse
foi que, enquanto a negação de Deus tenha se confinado no passado a um número comparativamente pequeno de
intelectuais, essa negação ganhou agora as multidões e estava agindo em todos os lugares como uma força social.

Esse é o inimigo moderno; é a maré montante; o maior e o que pode se mostrar a luta final entre a Igreja e o mundo.
Devemos julgá-lo principalmente por seus frutos, e esses frutos, embora ainda não amadurecidos, já são aparentes.
Quais são esses frutos?

Em primeiro lugar, testemunhamos o renascimento da escravidão, o resultado necessário da negação do livre


arbítrio, quando essa negação avança um passo além de Calvino e nega a responsabilidade a Deus, assim como a
falta de poder no homem. As duas formas de escravidão que estão gradualmente aparecendo e que amadurecerão
cada vez mais com o passar do tempo, sob efeito do ataque moderno à Fé, são a escravidão ao Estado e a escravidão
a corporações privadas e indivíduos.
Há, atualmente, uma frouxidão no uso dos termos. Há uma tal paralisia na capacidade de definição, que quase todas
as sentenças usando frases atuais podem ser mal interpretadas. Se eu dissesse: “escravidão sob o capitalismo”, a
palavra “capitalismo” significaria diferentes coisas para diferentes homens. Significa, para um grupo de escritores
(confesso que é o que significa para mim quando a uso), “a exploração das massas de homens ainda livres por alguns
poucos proprietários dos meios de produção, transporte e trocas”. Quando a massa de homens é despossuída –
nada possui – torna-se totalmente dependente dos proprietários; e, quando esses proprietários estão ativamente
competindo para reduzir os custos de produção, a massa de homens que eles exploram não apenas perde o poder
de ordenar suas vidas, mas também sofre necessidades e insegurança.

Mas, para outro homem, o termo “capitalismo” pode significar simplesmente o direito à propriedade privada, ao
passo que, para outro, significa o capitalismo industrial trabalhando com máquinas, em contraste com a produção
agrícola. Repito: para dar qualquer sentido à discussão, nossos termos têm de ser claramente definidos.

Quando o Papa reinante, em sua Encíclica, falou de homens reduzidos “a uma condição não muito distante da
escravidão”, quis dizer exatamente o que foi dito acima. Quando a massa de famílias em um Estado está sem
propriedade, então, aqueles que uma vez foram cidadãos, tornam-se virtualmente escravos. Quanto mais o Estado
se intromete para assegurar condições de segurança e suficiência, quanto mais regula os salários, fornece seguros
compulsórios, cuidados médicos, educação e, em geral, se apodera das vidas dos assalariados, para o benefício das
companhias e dos homens que empregam os assalariados, mais se acentua essa condição de semi-escravidão. E, se
isso continuar durante, digamos, três gerações, ficará tão completamente estabelecido como um hábito social e
quadro mental, que pode não haver escapatória dele nos países em que o socialismo de Estado desse tipo tenha sido
forjado e gravado no corpo político.

Na Europa, a Inglaterra em particular (mas muitos outros países em menor grau) se apegou a esse sistema. Abaixo
de um certo nível de renda, garante-se a um homem a subsistência mínima, caso fique desempregado. É-lhe
outorgada pelos funcionários públicos, às custas da perda de dignidade humana. Todas as circunstâncias de sua
família são examinadas, ele está ainda mais nas mãos desses funcionários, quando desempregado, do que nas mãos
de seu empregador, quando empregado. A coisa ainda está em transição, a massa de homens ainda não vê para
onde está indo, mas a negação da dignidade humana, a negação em potencial, se não real, da doutrina do livre
arbítrio, levou, como conseqüência natural, ao que já são instituições semi-servis. Elas se tornarão instituições
totalmente servis com o tempo.

Agora, contra o mal da escravidão dos salários, foi proposto há muito, e já está operando, em funcionamento, um
certo remédio. O nome mais curto para ele é comunismo: escravidão ao Estado - muito mais avançada e completa
que a primeira forma, a escravidão ao capitalista.

Da moderna “escravidão dos salários” só se pode falar metaforicamente. O homem que trabalha por um salário não
está completamente livre, como o homem de posse da propriedade. Ele tem de fazer o que seu mestre lhe diz, e,
quando sua condição não é a de uma minoria nem mesmo de uma maioria limitada, mas de virtualmente toda a
população, exceto uma classe capitalista comparativamente pequena, a proporção de liberdade real em sua vida de
fato quase some – embora legalmente ainda esteja lá. O empregado ainda não chegou ao status do escravo, mesmo
nas comunidades mais altamente industrializadas. Seu status legal ainda é o de um cidadão. Em teoria, ele ainda é
um homem livre, que contratou com outro homem para exercer uma certa quantidade de trabalho por uma certa
quantidade de pagamento. O homem que contrata para pagar pode ou não lucrar com isso; o homem que contrata
para trabalhar pode ou não receber em salário mais do que o valor do que produz. Mas ambos são tecnicamente
livres.

Essa primeira forma de mal social produzido pelo espírito moderno é mais uma tendência à escravidão do que
escravidão real. Pode ser chamada de meia-escravidão, se quiser, quando relacionada a vastos empreendimentos –
fábricas gigantescas, corporações monopolistas e outros. Mas ainda não é escravidão completa.
Agora, o comunismo é escravidão completa. É o inimigo moderno trabalhando abertamente, sem disfarces e a todo
vapor. O comunismo nega Deus, nega a dignidade e, portanto, a liberdade da alma humana e escraviza abertamente
os homens ao que chama de “o Estado” – mas que, na prática, é um corpo de funcionários favorecidos.

Sob o comunismo completo, não haveria desemprego, assim como não é desemprego em uma prisão. Sob o
comunismo completo, não haveria preocupações ou pobreza, exceto quando os mestres da nação escolhessem
matá-los de fome ou lhes dar roupas insuficientes, ou de qualquer outra maneira oprimi-los. O comunismo
honestamente operado por funcionários livres das fraquezas humanas e devotados a nada mais que o bem de seus
escravos teria certas vantagens materiais manifestas em comparação com o sistema salarial proletário, em que
milhões vivem em semi-fome, e muitos milhões mais em permanente medo dela. Mas, mesmo que fosse assim
administrado, o comunismo só produziria seus benefícios mediante a imposição da escravidão.

Esses são os primeiros frutos do Ataque Moderno no lado social, os primeiros frutos que aparecem na região da
estrutura social. Viemos, antes de a Igreja ser fundada, de um sistema social pagão, em que a escravidão estava em
todos os lugares, em que toda a estrutura da sociedade repousava sobre a instituição da escravidão. Com a perda da
Fé, retornamos a essa instituição.

Depois do fruto social do Ataque Moderno à Igreja Católica, está o fruto moral, que se estende, evidentemente, por
toda a natureza moral do homem. E, por todo esse campo, seu negócio até agora foi o de minar todas as formas de
restrições impostas pela experiência humana agindo através da tradição.

Digo “até agora” porque, em muitas partes da moral, essa rápida dissolução dos laços tem de gerar uma reação. A
sociedade humana não pode coexistir com a anarquia: novas restrições e novos costumes surgirão. Portanto,
aqueles que apontam para a degradação moderna da moral sexual como o principal efeito do Ataque Moderno à
Igreja Católica provavelmente estão errados, pois não terá os resultados mais permanentes. Algum código, algum
conjunto de regras morais tem de surgir, dada a natureza das coisas, mesmo que o velho código seja destruído nesse
ponto. Mas há outros efeitos maus, que podem se mostrar mais permanentes.

Para descobrir que efeitos esses podem ser, temos um guia. Podemos considerar como os homens de nosso sangue
viviam antes de a Igreja criar a Cristandade. A principal descoberta é essa: que no âmbito da moral, uma coise se
destaca – a prevalência inquestionável da crueldade no mundo não batizado. A crueldade será o principal fruto no
campo moral do Ataque Moderno, assim como o renascimento da escravidão será o principal fruto no campo social.

Aqui, um crítico poderia perguntar se a crueldade não era mais característica dos homens cristãos do passado do
que hoje. Não é toda a história de nossos dois mil anos uma história de conflito armado, massacre, torturas judiciais
e execuções horríveis, o saque de cidades e todo seu cortejo?

A resposta a essa objeção é que há uma distinção capital entre a crueldade excepcional e a crueldade como regra.
Quando os homens aplicam punições cruéis, dependem da força física para obter efeitos, entregam-se à violência na
paixão da guerra, se tudo isso é feito violando sua moral aceita, é uma coisa; se isso é feito como parte de toda uma
atitude mental aceita como tal, é outra.

Aí está a distinção radical entre essa crueldade nova, moderna, e a crueldade esporádica dos primeiros tempos
cristãos. Não vingança cruel, nem crueldade na excitação, nem crueldade na punição contra o mal reconhecido, nem
crueldade na repressão do que admitidamente tem de ser reprimido é fruto de uma filosifia má. Embora essas coisas
sejam excessos ou pecados, não vêm de uma falsa doutrina. Mas a crueldade que acompanha o abandono moderno
de nossa religião ancestral é uma crueldade nativa ao Ataque Moderno, uma crueldade que é parte de sua filosofia.

A prova se encontra aqui: que os homens não se chocam com a crueldade, mas estão indiferentes a ela. As
abominações da revolução na Rússia, estendidas àquelas na Espanha, são um exemplo em questão. Não apenas as
pessoas presentes receberam o horror com indiferença, mas também os observadores distantes. Não há clamor
universal de indignação, não há protesto suficiente, porque não mais vige o conceito de que o homem como homem
é algo sagrado. Essa mesma força que ignora a dignidade humana também ignora o sofrimento humano.
Digo mais uma vez: o Ataque Moderno à Fé terá, no campo moral, mil frutos maus, e desses muitos estão aparentes
hoje, mas o característico, presumivelmente o mais permanente, é a instituição em todos os lugares da crueldade
acompanhada do desprezo pela justiça.

A última categoria de frutos pelos quais se pode julgar o caráter do Ataque Moderno consiste no fruto que surge no
campo da inteligência – o que ele faz com a razão humana.

Quando o Ataque Moderno estava se organizando, algumas gerações atrás, enquanto ainda estava confinado a um
pequeno número de acadêmicos, começou o primeiro assalto contra a razão. Parecia fazer apenas pequeno
progresso fora de um círculo restrito. O homem simples e seu senso comum (que são os baluartes da razão) não
foram afetados. Hoje são.

Mas a razão hoje é desprezada em todos os lugares. O antigo processo de convencimento por argumentação e prova
é substituído pela afirmação reiterada, e quase todos os termos que foram a glória da razão trazem agora uma
atmosfera de desprezo.

Veja o que aconteceu, por exemplo, com a palavra “lógica”, com a palavra “controvérsia”. Note essas expressões
populares como “nunca ninguém foi convencido por argumentos”, ou ainda “qualquer coisa pode ser provada”, ou
“pode estar certo na lógica, mas na prática é muito diferente”. A fala do homem está ficando saturada de expressões
que em todos os lugares denotam desprezo pelo uso da inteligência.

Mas a Fé e o uso da inteligência estão inextricavelmente ligados. O uso da razão é a principal parte – ou mesmo o
fundamento – de toda a busca das coisas mais elevadas. Foi precisamente porque a razão recebeu sua autoridade
divina que a Igreja proclamou o mistério – isto é, admitiu que a razão tem seus limites. Teve de fazê-lo, caso
contrário, os poderes absolutos atribuídos à razão levariam à exclusão de verdades que a razão poderia aceitar, mas
não poderia demonstrar. A razão só foi limitada pelo mistério para acentuar ainda mais a soberania da razão em sua
própria esfera.

Quando a razão é destronada, não apenas é a Fé destronada (as duas subversões andam juntas), mas toda a
atividade moral e legítima da alma humana é destronada ao mesmo tempo. Não há nenhum Deus. Assim, as
palavras “Deus é Verdade”, que a mente da Europa cristã usava como um postulado em tudo que fazia, cessam de
ter significado. Ninguém pode analisar a legítima autoridade do governo nem impor limites a ele. Na ausência da
razão, a autoridade política que repousa na mera força é ilimitada. E a razão é assim tornada uma vítima, porque a
própria humanidade é o que o Ataque Moderna está destruindo em sua falsa religião da humanidade. A razão é a
coroa do homem e, ao mesmo tempo, sua marca distintiva, e os Anarcas marcham contra a razão como seu principal
inimigo.

O Ataque Moderno se desenvolve e trabalha assim. Quais os presságios para o futuro? Essa é a pergunta prática,
imediata, que todos temos de confrontar. O ataque está agora suficientemente desenvolvido para que façamos
algum cálculo do que a próxima fase pode ser. Que tragédia nos abaterá? Ou, mais uma vez, que boa reação nos
trará benefícios? Com essa dúvida, concluo.

O Ataque Moderno está muito mais avançado do que em geral se percebe. É sempre assim com os grandes
movimentos na história humana. É mais um caso de “defasagem no tempo”. Um poder, às vésperas de sua vitória,
parece estar apenas a meio caminho de seu alvo – até mesmo detido. Um poder, em todo desabrochar de suas
energias iniciais, parece aos contemporâneos um experimento pequeno e precário.

O ataque moderno à Fé (o último e mais formidável de todos) avançou tanto que já podemos afirmar um ponto
importantíssimo claramente: de duas coisas, uma tem de acontecer, um dos dois resultados tem de ficar definido
por todo o mundo moderno. Ou a Igreja Católica (agora rapidamente se tornando o único lugar onde as tradições da
civilização são compreendidas e defendidas) será reduzida por seus inimigos modernos à impotência política, à
insignificância numérica e, com relação à apreciação pública, ao silêncio; ou a Igreja Católica reagirá, nesse caso
como em todo o passado, mais fortemente contra seus inimigos do que seus inimigos foram capazes de reagir contra
ela; ela se recuperará e estenderá sua autoridade e se erguerá mais uma vez à liderança da civilização que criou e,
portanto, recuperará e restaurará o mundo.

Em uma palavra: ou nós da Fé nos tornaremos uma pequena ilha perseguida e negligenciada no meio da
humanidade, ou seremos capazes de soar ao fim da luta o velho grito de guerra “Christus Imperat!”.

A conclusão humana normal nesses conflitos – que um ou outro combatente será sobrepujado e desaparecerá – não
pode ser aceita. A Igreja não desaparecerá, pois a Igreja não é de matéria mortal; é a única instituição entre os
homens não sujeita à lei universal da mortalidade. Conseqüentemente, não dizemos que a Igreja será varrida, mas
que pode ser reduzida a um pequeno bando quase esquecido no meio dos vastos números de seus oponentes e de
seu desprezo pela coisa derrotada.

Nem a alternativa é aceitável. Pois, embora esse grande movimento moderno (que tão singularmente se assemelha
ao avanço do Anti-Cristo) possa ser de fato repelido, ainda pode perder suas características e morrer como o
protestantismo morrou diante de nossos próprios olhos, mas isso não será o fim do conflito. Esse pode ser o conflito
final. Pode haver uma dúzia ainda por vir, ou uma centena. Mas ataques à Igreja Católica sempre existirão, e nunca
as disputas dos homens conhecerão completa unidade, paz e elevada nobreza pela vitória completa da Fé. Porque,
se assim o fosse, o Mundo não seria o Mundo nem Jesus Cristo em luta com o Mundo.

Mesmo não inteiramente, embora no principal, um desses dois destinos será cumprido: a vitória Católica ou do Anti-
Cristo. O Ataque Moderno é tão universal e se move tão rápido, que homens agora muito jovens certamente viverão
para ver algo como uma decisão nessa grande batalha.

Alguns dos observadores modernos mais agudos na última geração e nesta usaram suas inteligências para descobrir
que destino se cumpriria. Um dos católicos franceses mais inteligentes, um judeu convertido, escreveu um trabalho
para provar (ou sugerir) que nosso destino será o primeiro desses dois desenlaces. Ele vê os últimos anos da Igreja
nesta Terra como dispersa. Ele vê uma Igreja do futuro reduzida a muito poucos em número e deixados ao largo da
corrente geral do novo paganismo. Ele vê uma Igreja do futuro em que haverá intensidade de devoção, de fato, mas
uma devoção praticada por um pequeno corpo, isolado e esquecido no meio de seus companheiros.

O falecido Robert Hugh Benson escreveu dois livros, ambos notáveis e cada um considerando uma das possibilidades
opostas. No primeiro, “The Lord of the World” (O Senhor do Mundo), ele apresenta o quadro de uma Igreja reduzida
a um pequeno bando vagante, retornando às suas origens, o Papa na cabeça dos Doze – e uma conclusão no Dia do
Juízo. No segundo, ele considera a completa restauração de tudo Católico – nossa civilização restabelecida,
revigorada, novamente assentada e revestida em sua mente correta, porque, nessa nova cultura, embora cheia da
imperfeição humana, a Igreja terá recuperado sua liderança dos homens e informará mais uma vez o espírito da
sociedade com proporção e beleza.

Quais são os argumentos apresentados por cada lado? Sobre que fundamentos devemos concluir quanto a uma
tendência para um caminho ou outro?

No primeiro caso (o apagar da influência católica, a restrição de nossos números e valor político às margens da
extinção), deve-se notar a crescente ignorância do mundo acerca de nós, somado à perda daquelas faculdades pelas
quais os homens poderiam apreciar o que o Catolicismo significa e tirar vantagem de sua salvação. O nível de
cultura, incluindo um sentido do passado, afunda visivelmente. A cada década, o nível é menor que na passada.
Nesse declínio, a tradição está se partindo e derretendo como o degelo ao fim do inverno. Grandes pedaços dela
despencam a todo momento, derretem e desaparecem.

Em nossa geração, foi-se a supremacia dos clássicos. Encontram-se homens poderosos por todo lado que
esqueceram de onde viemos; homens para os quais grego e latim, as línguas fundamentais de nossa civilização, são
incompreensíveis ou, na melhor das hipóteses, curiosidades. Os velhos ainda podem se lembrar da rebelião
desconfortável contra a tradição, mas os jovens só percebem por si mesmos quão pouco foi deixado para se
rebelarem, e muitos temem que, antes de morrerem, o corpo da tradição terá desaparecido.
Que o estado de ânimo da fé foi grandemente arruinado, certamente arruinado para a maior parte dos homens,
todos admitirão. Isso é tão verdadeiro que já uma maioria (devo afirmar que é uma maioria muito grande)
realmente não sabe o que a palavra fé significa. Para a maioria dos homens que a escutam (com relação a religião),
significa aceitação cega de declarações irracionais e de lendas que a experiência comum condena, ou um mero
hábito herdado de quadros mentais que nunca foram testados e que, ao primeiro toque da realidade, se dissolvem
como os sonhos que são. Todo o vasto corpo da apologética, toda a ciência da teologia (a Rainha exaltada acima de
todas as outras ciências) cessaram de existir para a massa de homens modernos. Basta mencionar seus títulos para
criar um efeito de irrealidade e insignificância.

Já chegamos nessa estranha passagem – que, embora o corpo Católico (que já é agora na prática uma minoria,
mesmo na civilização branca) compreenda seus oponentes, seus oponentes não compreendem a Igreja Católica.

O historiador poderia traçar um paralelo entre o corpo pagão minguante dos séculos IV e V e o corpo Católico de
hoje. Os pagãos, particularmente os pagãos educados e cultivados, que então viviam em números cada vez menores,
conheciam bem as elevadas tradições às quais estavam ligados e compreendiam (embora odiassem) essa coisa nova,
a Igreja, que cresceu entre eles e estava prestes a despojá-los. Mas os católicos que iriam suplantar os pagãos
compreendiam cada vez menos o estado de ânimo pagão, neglicenciaram seus trabalhos de arte e tomaram seus
deuses por demônios. Assim, hoje, a antiga religião é respeitada, mas ignorada.

Aquelas nações que são, por tradição, anti-católicas, que foram uma vez protestantes e agora não têm tradições
fixas, estão há tanto tempo prosperando que consideram seus oponentes católicos batidos. Aquelas nações que
mantiveram a cultura católica estão agora na terceira geração de educação social anti-católica. Suas instituições
podem tolerar a Igreja, mas nunca estão em aliança ativa com ela e freqüentemente estão em aguda hostilidade.

Julgando por todos os paralelos da história e pelas leis gerais que governam o crescimento e a decadência dos
organismos, poder-se-ia concluir que o papel ativo do Catolicismo nas coisas do mundo passou, que, no futuro,
talvez no futuro próximo, o Catolicismo perecerá.

O observador católico negaria a possibilidade da extinção completa da Igreja. Mas ele também tem de seguir
paralelos históricos, ele também tem de aceitar as leis gerais que governam o crescimento e a decadência dos
organismos, e ele tende, em vista de toda a alteração que passou na mente do homem, a extrair a trágica conclusão
de que nossa civilização, que já cessou em grande parte de ser cristã, perderá completamente seu tom cristão geral.
O futuro a ser considerado é um futuro pagão, e um futuro pagão com uma forma nova e repulsiva de paganismo,
mas não menos poderosa e onipresente apesar de toda sua repulsividade.

Agora, do outro lado, há considerações menos óbvias, mas que apelam fortemente aos esclarecidos e letrados nas
coisas passadas e na experiência da natureza humana.

Em primeiro lugar, há o fato de que através dos séculos a Igreja reagiu fortemente para sua própria ressurreição em
momentos do maior perigo.

Na batalha contra os maometanos estivemos por um triz, quase nos varreu; apenas a reação armada na Espanha,
seguida pelas Crusadas, evitou o triunfo total do Islã. O massacre dos bárbaros, dos piratas do norte, das hordas
mongóis, trouxeram a Cristandade a um passo da destruição. Todavia, os piratas do norte foram domados,
derrotados e batizados a força. O barbarismo dos nômades orientais foi finalmente derrotado; muito tardiamente,
mas não tarde demais para salvar o que podia ser salvo. O movimento chamado de Contra-Reforma enfrentou o até
então avanço triunfante dos heréticos do século XVI. Mesmo o Racionalismo do século XVIII foi, em sua própria terra
e tempo, detido e repelido. É verdade que engendrou algo pior do que ele mesmo; algo de que sofremos agora. Mas
houve uma reação contra ele; e essa reação foi suficiente para manter a Igreja viva e ainda recuperar-lhe elementos
de poder que se pensou perdidos para sempre.
Sempre haverá reação, e há na reação Católica uma certa vitalidade, uma certa maneira de aparecer com força
inesperada através de novos homens e novas organizações. A história e a lei geral do crescimento e decadência
orgânicos levam, em suas grandes linhas, à primeira conclusão, ao rápido apagamento do Catolicismo no mundo;
mas a observação aplicada ao caso particular da Igreja Católica não leva a essa conclusão. A Igreja parece ter uma
vida orgânica, nativa, bem incomum: um modo de ser único, e poderes de recrudescência peculiares a ela.

Agora, prestem atenção a esse ponto muito interessante: as mentes mais poderosas, mais agudas e mais sensíveis
de nosso tempo estão claramente se inclinando para o lado Católico.

São certamente, por sua natureza, uma pequena minoria, mas são uma minoria de um tipo muito poderoso nos
assuntos humanos. O futuro não é decidido para os homens pelo voto público; é decidido pelo crescimento das
idéias. Quando os poucos homens que podem pensar melhor e sentir mais fortemente e que dominam a expressão
começam a mostrar uma nova tendência nessa ou naquela direção, então, essa ou aquela se destina a dominar o
futuro.

Dessa nova tendência a simpatizar com o Catolicismo – e, no caso dos caracteres fortes, de correr o risco, de aceitar
a Fé e se proclamarem seus defensores – não pode haver dúvida. Mesmo na Inglaterra, onde o sentimento
tradicional contra o Catolicismo é tão universal e forte, e onde toda a vida da nação está ligada à hostilidade à Fé, as
conversões que atingem os olhos do público são continuamente conversões de homens que lideram no
pensamento; e note que, para cada um que abertamente admita a conversão, há pelo menos dez que voltam suas
faces para a via Católica, que preferem a filosofia Católica e seus frutos a quaisquer outros, mas que hesitam em
aceitar os pesados sacrifícios envolvidos em uma aclamação pública.

Finalmente, há essa consideração muito importante e talvez decisiva: embora a força social do Catolicismo, em
números certamente, e na maioria dos outros fatores também, esteja declinando por todo o mundo, a disputa entre
o Catolicismo e a coisa pagã completamente nova (a destruição de toda tradição, a ruptura com nossa herança) está
agora claramente marcada.

Não há, como havia há bem pouco tempo, uma margem confusa e heterogênea ou penumbra que podia falar de si
mesma com confiança sob o título vago de “Cristã”, e falar confiantemente de alguma religião imaginária chamada
“Cristianismo”. Não! Já há hoje, quase completamente distintas e dividindo o campo entre elas, em breve tão
acentuadamente expostas como preto e branco, a Igreja Católica de um lado, e os outros oponentes do que foi até
aqui nossa civilização.

As fileiras se alinharam para a batalha, e, embora essa divisão clara não signifique que um ou outro antagonista
conquistará a vitória, significa que finalmente se definiu uma disputa clara; e, em disputas claras, uma boa causa,
como uma ruim, tem melhores chances que na confusão.

Mesmo os mais desorientados ou mais ignorantes dos homens, falando vagamente de “Igrejas”, estão usando agora
uma linguagem que soa oca. A última geração podia falar, pelo menos em países protestantes, “das Igrejas”. A atual
geração não pode mais. Não há muitas igrejas, há apenas uma. É a Igreja Católica de um lado, e seu inimigo mortal
do outro. O jogo está feito.
Assim, estamos agora na presença da questão mais momentosa que já foi apresentada à mente do homem. Assim,
estamos em um divisor de águas, do qual dependerá todo o futuro de nossa raça.

(Traduzido por Joel Tang Jr.)

Hilaire Belloc e o Cristianismo


“Não existe essa religião chamada “Cristianismo” – jamais existiu tal religião.

Existe e sempre existiu a Igreja, e as várias heresias procedentes da rejeição de algumas das doutrinas da Igreja por
homens que desejam ainda manter o restante de Seu ensinamento e moral. Mas jamais existiu e jamais poderá
existir ou existirá uma religião cristã genérica professada por homens que aceitam algumas doutrinas centrais
importantes, enquanto concordam em diferir a respeito de outras. Sempre existiu desde o início e sempre existirá a
Igreja, e diversas heresias fadadas à decadência, ou, como o Maometanismo, a transformar-se em uma religião
separada. De um Cristianismo comum jamais houve nem poderá haver uma definição, pois nunca existiu.

Não há nenhuma doutrina essencial, de modo que, se concordarmos com ela, possamos diferir acerca do restante,
por exemplo, aceitar a imortalidade, mas negar a Trindade; um homem dizer-se cristão, embora negue a unidade da
Igreja Cristã; dizer-se cristão, embora negue a presença de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento; dizer-se
alegremente cristão, embora negue a Encarnação.”

(Hilaire Belloc, The Great Heresies)

Pensamentos: Hilaire Belloc - As heresias sobrevivem pelas verdades que


guardam
"A negação completa de um sistema não é uma heresia e não tem o poder de uma heresia. É da existência da
heresia deixar intacta uma grande parte da estrutura que ataca. Por isso, ela pode seguir dirigindo-se aos fiéis e
continuar a afetar suas vidas os desviando das suas características originais. É por isso que se diz das heresias
que"elas sobrevivem pelas verdades que guardam"."

As grandes heresias, Ed. Permanência, 2009.

“Sobre a Usura”, por Hilaire Belloc


[Tradução: Nina Batista]

Usura não significa juros altos, e sim qualquer cobrança de juros, mesmo baixos, sobre um empréstimo improdutivo.
Não é apenas imoral (tendo sido, em decorrência disso, condenada por todos os códigos morais – pagãos,
maometanos ou católicos), mas também, em última análise, destrutiva da sociedade. Somente tornou-se prática
usual do nosso comércio após o colapso europeu que se seguiu à Reforma Protestante. A Usura destruirá nossa
sociedade, mas não há como escapar-lhe nesse meio-tempo. Aproximamo-nos do final de sua ação maléfica, não
devido à conscientização sobre seus males, mas sim por ela beirar o esgotamento de seus recursos. Os empréstimos
da Grande Guerra, usurários em sua quase totalidade, aceleraram intensamente esse processo.

O mundo moderno se organiza segundo o princípio de que o dinheiro, por sua própria natureza, gera dinheiro. Uma
soma em dinheiro emprestada, segundo nosso sistema atual, tem o direito intrínseco à cobrança de juros. Trata-se
de um falso princípio, tanto em termos econômicos quanto morais. Após arruinar Roma, vem-nos conduzindo ao
nosso fim.

Suponhamos que um homem o procure e diga: “Há um terreno junto ao meu excelente para construção. Se eu
construir ali uma boa casa, conseguirei alugá-la com lucro líquido de 100 libras esterlinas ao ano, já considerado o
pagamento de todas as taxas, impostos e reparos. Só que não disponho de capital para construir a casa. O terreno
custará 50 libras e a casa, 950. O senhor me emprestará mil libras, de forma que eu compre o terreno, construa a
casa e desfrute dessa pequena renda?” Sua provável resposta seria: “E o que receberei em troca? Certo, o senhor
ficará com suas 100 libras ao ano. Mas só as conseguirá graças ao meu auxílio, o que me confere o direito à
participação nos lucros. Havemos de dividi-los meio a meio. O senhor retira sua parte de 50 libras ao ano pelo
conhecimento da oportunidade e por seu trabalho e me repassa as outras 50. Elas representam 5% do meu
investimento, e ficarei satisfeito”.

Essa resposta, considerando-se a propriedade como direito moral, constitui oferta perfeitamente lícita. Ao aceitá-la,
o indivíduo que solicitou o empréstimo nada tem a reclamar. Por muito tempo (teoricamente, para sempre) seria
possível continuar retirando cinco por cento do valor emprestado sem qualquer peso na consciência.

Agora, suponhamos que esse homem o procure e diga: “Conheço o caso de um senhor de meia idade subitamente
acometido por terrível doença. Um tratamento médico que custa mil libras esterlinas salvará sua vida, mas ele nunca
mais poderá exercer qualquer trabalho. Ele recebe uma pensão de 100 libras ao ano, que garantirá sua subsistência
após a operação e o tratamento subsequente. O senhor emprestará as mil libras? Elas serão devolvidas na ocasião
de sua morte, por conta de um seguro de vida no valor de mil libras.” Sua resposta: “Emprestarei as mil libras para
salvar sua vida, mas exijo metade da pensão anual, ou seja, 50 libras ao ano, por cada ano que ele ainda venha a
viver; e ele terá de sobreviver como puder com as 50 libras restantes da pensão.” Caso ainda lhe restasse alguma
sensibilidade, essa proposta o faria sentir-se um patife, e caso contrário – tendo-se tornado um, de fato, pela ação
do que foi chamado pelo poeta de “longas jornadas de endurecimento e decadência da alma” – ainda assim seria
uma atitude abjeta, embora não lhe causasse a menor inquietude.

Parece, portanto, que certas condições permitem, de forma legítima e moral, emprestar mil libras com cinco por
cento de juros mantendo perfeita paz com a própria consciência, e outras não.

Vejamos agora a questão sob outra perspectiva.

Quando a cidade norte-americana de Boston foi fundada, há trezentos anos, um homem de Londres que se propôs a
para lá emigrar deixou uma quantidade de ouro no valor de mil libras esterlinas aos cuidados de um ourives londrino
permitindo que fizesse uso do dinheiro até que ele ou seus herdeiros o reclamassem, mas com a condição de que
cinco por cento do capital deveria render juros compostos até a retirada. O emigrante não retornou. Com o avanço
do século XVII, o empreendimento se desenvolveu, assim como muitos outros, em uma espécie de banco. No início
do século XVIII, já era um banco em plena forma, e seu sucessor atual faz parte de um dos maiores sistemas
bancários de nossos tempos. O depósito original “rendeu frutos”, como se costuma dizer, com a dívida se
acumulando sem ninguém para reivindicá-la.

Por fim, neste ano de 1931, eis que surge um herdeiro capaz de comprovar seu direito. A soma de capital alcançada
pelo modesto investimento de mil libras a cinco por cento deve ser paga a ele por ordem judicial. Consegue imaginar
o montante alcançado? – Mais do que o dobro da receita anual dos Estados Unidos na atualidade.

Tomemos um exemplo menos extravagante e talvez mais convincente. Supondo que um homem tenha emprestado
dez mil libras esterlinas em regime de hipoteca, com juros de seis por cento, sobre a propriedade de um senhor
inglês no início da Guerra da Independência dos Estados Unidos, em 1776: tal propriedade renderia 600 libras por
ano ao credor. A dívida não foi cobrada. O constrangido senhor teve permissão para adicionar ao valor principal os
pagamentos anuais devidos, de forma que o total fosse acrescido da taxa de juros compostos de seis por cento.

Não se trata de uma suposição de todo impossível. Imagina o que o credor da hipoteca poderia exigir da propriedade
nos dias de hoje? Quase cinco milhões de libras ao ano!

Nenhum desses exemplos poderia ocorrer na prática, uma vez que a lei proíbe acumulação tão prolongada. Mas o
próprio fato de que a lei viu-se obrigada a aplicar tal proibição comprova haver algo de errado com a noção atual,
aplicada de forma generalizada, de que o dinheiro “faz jus” a determinada taxa de juros, tendo a ela direito moral,
independentemente da forma como o capital seja empregado.

Pois o que há de comum a todos esses exemplos é o fato evidente de que os juros sobre um empréstimo podem
constituir, sob certas circunstâncias de tempo ou extensão, uma exigência de tributação impossível. Podem
representar em determinado contexto um tributo moralmente indevido, que não traduz produção extra de riquezas
gerada pelo investimento original. Sob certas condições, os valores exigidos não equivalem mais o fruto do
investimento original, não correspondendo, portanto, à remuneração de parte dos lucros, mas sim a um pagamento
a ser feito, se possível, a partir de quaisquer outros bens que o devedor possa obter. E esse tributo, além de certo
ponto, torna-se mesmo impagável, devido à inexistência na sociedade dos meios suficientes para tanto.

Que circunstâncias são essas? Que condições distinguem a exigência de juros moralmente legítima da ilegítima?

A distinção se dá entre a cobrança moral de parte dos frutos de um empréstimo produtivo e a exigência imoral de (1)
juros sobre um empréstimo improdutivo ou (2) juros superiores ao incremento anual em riquezas efetivas geradas
por um empréstimo produtivo. Tal exigência “esgota” – “consome” – “exaure” as riquezas do devedor, sendo por
isso denominada “Usura”. Uma derivação imprecisa em termos filológicos, mas correta sob o ponto de vista moral,
conecta o termo latino “usura” à ideia de destruir, “exaurir”, e não à idéia original do termo “usus,” “uso”.

A Usura, portanto, é a cobrança de juros sobre um empréstimo improdutivo ou de juros superiores ao incremento
real gerado por um empréstimo produtivo. É a exigência de algo ao qual o credor não tem direito, como se eu
dissesse: “Pague-me dez sacas de trigo ao ano pelo aluguel destes campos”, após os campos terem sido tragados
pelo mar ou terem passado a produzir anualmente muito menos do que as dez sacas de trigo.
Devo, com relutância, introduzir aqui um significado coloquial do termo “Usura” que confunde o raciocínio. As
pessoas falam de “juros usurários” referindo-se a juros muito elevados. A forma como surgiu essa confusão é
elementar. Juros muito elevados são geralmente superiores à riqueza real produzida até mesmo por um empréstimo
produtivo, e cobrá-los significa, de fato, cobrar mais do que a produção do empréstimo original; mas não há nada na
taxa de juros per se que a torne usurária. É possível cobrar juros de cem por cento sobre um empréstimo e estar em
pleno exercício de seus direitos morais.

Por exemplo, uma pequena área de mineração que produzia 15 kg de ouro por ano tem a súbita oportunidade de
produzir 200 vezes essa quantidade – 3.000 kg – com a obtenção do capital equivalente a apenas 30 kg para
desenvolvimento. O credor desse novo capital não tem a obrigação moral de ceder ao devedor, como presente, os
lucros imensamente maiores. É legítimo que reivindique sua parte; ele poderia muito bem exigir metade da nova
produção, ou seja, 1.500 kg ao ano, 500 por cento sobre o empréstimo, pois esses juros altos corresponderiam
apenas à metade da nova riqueza produzida. A demanda desses 500 por cento não representaria cobrança de
tributo sobre riqueza inexistente, nem sobre riqueza que não foi criada pelo capital investido.

Portanto, a rigor a Usura nada tem a ver com a quantidade de juros cobrados, mas sim com o fato de haver ou não
um incremento produzido pelo capital investido que seja pelo menos igual ao tributo exigido.

Caso seja necessário avalizar uma posição moral tão evidente, esse aval pode ser encontrado em todos os principais
sistemas morais sancionados pelas filosofias religiosas e sociais permanentes adotadas pela
humanidade. Aristóteles[1] a proíbe, assim como São Tomás de Aquino. O sistema ético maometano a condena [e,
na prática, faz uma condenação ininteligível, ao proibir muitos empréstimos que seriam úteis].[2] Temos, em
particular, a brilhante decisão do Quarto Concílio de Latrão [1215].

Tudo certo até este ponto. Vejamos agora o desenvolvimento muito interessante que se deu nos tempos modernos,
desde o rompimento de nosso sistema moral e religioso comum europeu, com a Reforma Protestante. Após esse
desastre, a Usura passou a ser gradualmente admitida. Tornou-se prática comum sancionada pela legislação, com
pagamento imposto pela magistratura civil. Na Inglaterra, foi sob o reinado de Cecil, no ano de 1571, que os juros,
embora limitados a dez por cento, tornaram-se legais, independentemente da utilização do empréstimo. O ano de
nascimento do que se pode chamar “Usura Indiscriminada” foi 1609, quando, sob o Calvinismo, o Banco de
Amsterdã iniciou sua próspera carreira em estimular a capacidade dos afortunados e arruinar os desafortunados. De
forma geral, os governos que se desligaram da unidade representada pela Cristandade introduziram, um após o
outro, a Usura legalizada, obtendo vantagem sobre as nações conservadoras que se empenhavam em manter o
antigo código moral. Às novas ideias morais, ou melhor, imorais assim introduzidas, devemos o rápido
desenvolvimento do sistema bancário nas nações “reformadas”, bem como o controle financeiro que adquiriram e
mantiveram por três séculos. Por fim, todos se adequaram ao novo sistema, e hoje a Usura atua lado a lado com o
lucro legítimo e, confundida com ele, universalizou-se no que já foi a civilização Cristã. É ponto pacífico que todo
empréstimo deve produzir juros, sem questionamento quanto ao seu caráter produtivo ou improdutivo. Todo o
aspecto financeiro de nossa civilização ainda se baseia nesse falso conceito.

Seria possível escrever um ensaio muito interessante sobre os mais recentes frutos de tal concepção em nossos
tempos. Se porventura viesse a ser escrito, um bom título seria “O fim do reinado da Usura”. Afinal, vem-se
tornando muito claro que o vício inerente ao sistema responsável, tempos atrás, pela derrocada da estrutura social
do Império Romano começa a fazer ruir também nossas transações financeiras internacionais. Contudo, com a
seguinte diferença: eles foram arruinados pela Usura particular e nós, pela pública.

Mas essas são digressões; voltemos ao assunto. Sendo a Usura uma demanda por dinheiro inexistente (um tributo
cobrado não sobre a produção de capital, mas sobre uma margem superior a tal produção, ou mesmo sem que haja
produção alguma) e, uma vez admitida em caráter universal, constituindo, de início, um mecanismo para a total
concentração das riquezas nas mãos dos credores e, por fim, para a redução do restante da comunidade à servidão
econômica; sendo a Usura, em última análise, um sistema fadado a ruir sob seu próprio peso – quando a demanda
gerada for superior a toda a capacidade produtiva – surge o questionamento: por que vem sendo praticada com
sucesso há tanto tempo? Por que parece estar nas origens de um progresso produtivo tão vasto em todo o mundo?

Ninguém poderá negar seu uso bem-sucedido ao longo de tantas gerações, desde o sólido estabelecimento como
prática generalizada durante o século XVII. Nem seria possível negar que vem acompanhando (e acredito ter, em
ampla medida, causado) a grande expansão moderna da produção. E surge aqui uma daquelas aparentes
contradições entre uma verdade matemática direta e os resultados de sua negação na prática, tão comuns na vida
real. Convencida por tais aparências (pois se trata apenas de aparências, e enganadoras), a maioria dos homens
abandona a reflexão abstrata e se satisfaz com o resultado prático. É por conta disso que, mesmo após tanto tempo,
a simples menção da palavra “Usura” e o debate de sua ética traz em si a impressão de algo ridículo.

Há não muito tempo, qualquer pessoa diria que a atitude adotada aqui significaria escrever o próprio atestado de
loucura. As conclusões de qualquer raciocínio lógico sobre o assunto simplesmente não eram levadas em conta, mas
sim repelidas como noções imperfeitas, características de épocas primitivas e acríticas, quando o homem ainda não
dominava a economia ou qualquer outra ciência.

O número crescente, embora ainda restrito, de homens instruídos que passam a suspeitar de tal desprezo pelo
passado imemorial e pelas tradições morais da Cristandade retira dessas objeções parte do peso que tinham na
geração anterior; ainda assim, elas exercem peso esmagador sobre a maioria. Diante da afirmação de que “a Usura é
errada” ou mesmo de que “a Usura é perigosa”, ou apenas de que “a Usura, a longo prazo, entrará em colapso”, a
grande maioria, ainda hoje, se recusará a discutir o assunto. A maioria dos desatentos e todos os tolos o incluirão
entre os defensores da teoria de que a Terra é plana.

O erro é deles, e não nosso; ainda assim, o erro deles, como afirmei, possui sólido embasamento prático, pois a
Usura tem funcionado. A produtividade aumentou consideravelmente desde seu estabelecimento. Os três últimos
séculos foram de imensa expansão, liderada precisamente pelos primeiros a abolir a moral Cristã.

Como explicar esse fato? A explicação consiste em três reflexões: primeiro, quando a Usura é permitida e aplicada
em caráter universal, torna-se simples parte de uma atividade geral de acumulação de capital para fins de
investimento. Na época em que a Usura era ilegal e passível de punição, esse tipo de acumulação não era
possível. Por acaso, era também uma época em que a produção de riqueza em escala crescente não representava a
finalidade última da existência humana. De qualquer modo, sob o ponto de vista exclusivamente econômico, o fim
dos questionamentos sobre a forma como o capital seria usado e o estabelecimento da regra de que todo o capital
faz jus ao recebimento de juros, independentemente de como seja investido, logicamente criaram a tendência de
acúmulo mais rápido e, incidentalmente, a avidez dos homens pela busca de oportunidades para fazer empréstimos,
tanto produtivos quanto improdutivos.

Ao mesmo tempo, embora as causas fossem outras, veio o aumento do poder do homem sobre a natureza, com
uma curva de crescimento cada vez mais acentuada e talvez ainda em progressão – embora haja sinais de fadiga e
interferência de causas externas ao campo da economia nesse processo, a despeito da rápida escalada do
conhecimento científico e da sua aplicação econômica. Esse aumento em nosso poder sobre a natureza é o segundo
fator de mascaramento da falsa ação da Usura por tanto tempo. O mal econômico da Usura estimulou e
acompanhou a grande vantagem econômica da acumulação para Produção, e a oportunidade para esse uso legítimo
do dinheiro originou-se de um afluxo de descobertas geográficas e de novas conquistas das Ciências da Natureza. O
terceiro motivo pelo qual a Usura ainda não concretizou seu total efeito nefasto é que, há tempos, vem sendo
detida automaticamente por repetidos colapsos que anularam as reivindicações usurárias. O capital de empréstimos
improdutivos deixou de receber seus tributos, que tiveram de ser cancelados. Verdade seja dita, a Usura sobre esse
tipo de capital é geralmente a última a ser cancelada;[3] ainda assim, tal cancelamento se dá de forma contínua,
promovendo a restrição intermitente dos tributos imerecidos e impedindo que o verdadeiro caráter de tais tributos
se mostre em sua máxima potência.

O século XIX, especificamente, e ainda mais o início do século XX, estão repletos de exemplos desses colapsos – um
sem-número deles. Uma soma em dinheiro é investida em determinada empresa. A empresa não atende às
expectativas. Embora o dinheiro não produza mais juros legítimos, são emitidas debêntures, com garantia de juros
estritamente usurários. Esses juros são pagos por algum tempo, até que, por fim, chega-se a um ponto em que nem
mesmo os juros da debênture podem ser pagos.Todo o negócio se desfaz e o tributo usurário não pode mais ser
exigido. É possível ver esse processo em funcionamento hoje em muitos setores da indústria têxtil. A fábrica está em
dificuldade; o banco concede um empréstimo com a atribuição de juros, embora não haja superávit de riqueza em
relação ao custo da produção. Os juros são pagos a partir de fontes externas; mas o processo não pode continuar
eternamente e, em dado momento, o banco tem de cancelar o empréstimo como dívida incobrável.Como o banco
continua a extrair recursos de outros investimentos bem-sucedidos e lucrativos, prossegue próspero a gerar
dinheiro, sua receita aumenta, e a parte perdida por conta do colapso da Usura é ocultada no esquema produtivo
geral. Não se faz distinção entre o caráter usurário de determinados recebimentos e o caráter legítimo da
maioria. Mas, quando uma sociedade exibe sinais de decadência econômica, a verdadeira natureza da Usura,
submersa e oculta nos tempos de prosperidade, fatalmente emerge acima da superfície.

Há muitos anos, o Sr. Orage, escrevendo em seu jornal, The New Age, traçou a esse respeito um dos muitos quadros
ilustrativos vívidos da questão, com o talento para a exposição que o tornou famoso. Ele partiu do exemplo de um
oásis de palmeiras no deserto com um suprimento de água alcançado por meios bastante primitivos. Eis que surge
um financiador disposto a emprestar dinheiro para o desenvolvimento. O capital é empregado de forma produtiva;
poços artesianos são perfurados; o suprimento de água aumenta em grande escala; instaura-se maior organização
do cultivo de palmeiras; a produção do oásis cresce com rapidez de um ano para outro; a demanda legítima de
lucros pelo financiador faz parte do total de riqueza extra anual, cuja existência se deve ao seu
empreendimento. Todos participam da prosperidade geral.

Então, seja devido a desgaste, guerra, epidemia, variações no mercado externo ou alguma calamidade climática, as
coisas começam a dar errado. A riqueza produzida anualmente pelo oásis decai. Contudo, ainda é preciso pagar os
juros sobre o dinheiro emprestado. À medida que aumenta o constrangimento dos agricultores, eles contraem
empréstimos para pagar os juros até um ponto de “sobreposição” em que, paradoxalmente, o banqueiro parece
cada vez mais próspero, embora a comunidade que o sustenta o seja cada vez menos. Mas, pela simples aritmética,
o processo precisa ter um fim. Chegará o momento em que o agricultor não mais conseguirá obter dinheiro para
pagar os juros, que há muito deixaram de ser moralmente devidos. A mera coerção, sob um sistema policial todo-
poderoso, já lhe arrancou até os últimos centavos. A “sobreposição” entre prosperidade real e aparente – apenas
financeira ou burocrática – deixa de existir; e a riqueza temporária desfrutada pelo credor chega ao fim, tal como
ocorrera com a prosperidade real do devedor.

Em outras palavras, a grande prosperidade bancária em determinado período pode ser, e geralmente é, prova da
prosperidade geral naquele período; mas não necessariamente, e nem sempre é assim. Uma não é o complemento
inevitável da outra.

A essas conclusões gerais, há outra objeção que será feita prontamente por qualquer pessoa com razoável
conhecimento histórico:

“O senhor afirma” [diz o objetor] “que em outros tempos, quando a Fé tinha alcance universal – época que talvez o
senhor considere mais sadia, embora houvesse certamente muito menos riqueza e fosse preciso lidar com uma
população, além de mais simples, muito menor – a Usura era proibida. Isso é verdade. Porém, o senhor erra ao
argumentar que existe uma diferença essencial entre aquela época e a nossa, mais exatamente em relação ao
passado recente, que o senhor denomina “o reino da Usura”, com a prevalência de uma ética diferenciada em cada
um desses períodos. O senhor confunde o que é proibido com o que não é feito. É verdade que o código moral da
Cristandade em tempos Católicos proibia a Usura e a punia; até mesmo na época das Cartas Provinciais de Pascal, os
homens sentiam indignação moral para com a Usura e, até o final do século XVIII, a punição continuava a ser
exercida nos tribunais e a vigorar nos códigos legais onde quer que a Igreja detivesse poder. Mas, a bem da verdade,
a Usura sempre existiu, pois sempre deverá existir. É impossível traçar uma linha divisória entre os empréstimos
produtivos e os improdutivos. O dinheiro emprestado a um doente pode criar as condições para que ele volte a ser
produtivo, sendo considerado, portanto, um empréstimo indiretamente produtivo, apesar da intenção
originalmente improdutiva. O valor de um empréstimo contraído por um perdulário para seus prazeres pode, no
evento de sua morte antes que tivesse tempo de gastá-lo, ser transferido a um herdeiro econômico, que irá investi-
lo de forma produtiva. Tais considerações sempre exerceram forte influência sobre a mente humana. Por isso
encontramos a Usura amplamente disseminada, mesmo em épocas e sociedades que a condenavam sob o ponto de
vista moral.

“Além do mais, mesmo naqueles casos onde é possível [o que certamente não é a regra] traçar uma linha exata
entre os empréstimos produtivos e os improdutivos, há inúmeras formas de se burlar a proibição de cobrar juros
sobre um empréstimo improdutivo, evadindo-se ao dever de descobrir se o empréstimo é produtivo ou não. Por
exemplo, os governos Católicos, tanto quanto os Protestantes, emitiam os que os franceses denominaram “Rentes”
– compromissos governamentais de pagamento de renda anual. Henrique IV da França, após sua conversão, era
especialmente ativo nesse tipo de empréstimo. Filipe II da Espanha, o grande defensor do Catolicismo, afundou-se
até o pescoço em constrangimento por tomar empréstimos a juros altos – ironicamente, das mesmas pessoas que
vinham destruindo sua renda. Um governo preparando-se para ir à guerra – ou seja, prestes a gastar dinheiro em
uma atividade normalmente improdutiva – implorava aos financiadores que comprassem direitos anuais sobre sua
receita; e não existe qualquer diferença entre isso e a prática moderna de emissão de títulos da dívida pública. Havia
ainda o óbvio método de assinar uma nota promissória em troca de dinheiro e receber uma soma menor do que a
mencionada. Thomas Cromwell, de piedosa memória, foi adepto incondicional dessa prática, em uma época na qual
toda a moralidade Católica em relação à Usura ainda era incontestável. Muito antes, em plena Idade Média, os
príncipes tomavam empréstimos constantes para suas guerras – principalmente do recém-surgido sistema bancário
italiano; e ainda antes, quando a Usura era privilégio excepcional, mas concedido legalmente aos judeus, e fonte de
imensa renda para os príncipes Cristãos sob os quais viviam, a prática era admitida abertamente. Assim, a Usura
sempre ocorreu na sociedade humana. E sempre ocorrerá; toda discussão sobre o assunto é meramente acadêmica
e fútil.”

A isso, respondo que o raciocínio lógico sobre assuntos práticos jamais é fútil. Se eu afirmar que o consumo
excessivo de álcool faz mal à constituição física do ser humano, especialmente após certa idade, não é resposta
satisfatória apresentar-me exemplos de alcoólatras que viveram até os noventa anos. O efeito danoso do excesso de
álcool é algo demonstrável e, para qualquer pessoa de mente honesta, inquestionável. É uma simples questão de
submeter à razão a experimentação e a experiência. Nos casos em que a experiência parece contradizer conclusões
verdadeiras, o que de fato contradiz tais conclusões são outras forças, que não esvaziam seu caráter de verdade.

O mesmo se dá com a verdade sobre a Usura. Seus efeitos empobrecedores, enquanto mascarados ou
contrabalançados pela atuação de forças mais potentes, são negligenciados. No entanto, continuam a existir e estão
sempre em atividade. Há grande utilidade prática em saber da existência de uma verdade, mesmo que oculta. Esse
conhecimento é algo a ser mantido como um trunfo para permitir a ação quando chegar o momento crítico de sua
aplicação.

Em seguida, é preciso apontar que existe toda a diferença do mundo entre um sistema que admite um princípio
imoral e outro que nega tal princípio, embora a imoralidade seja praticada. Estão presentes na sociedade, e
provavelmente sempre estarão, inúmeros casos de adultério, assassinato, fraude e tudo o mais; contudo, existe
enorme diferença entre a sociedade onde os direitos à propriedade são admitidos, o casamento é sagrado e tirar
uma vida humana é abominável, e outra onde as relações sexuais são promíscuas, o Comunismo prevalece ou o
assassinato para fins de vingança particular ou por mero impulso constitui passatempo aceitável. Assassinar um
desafeto, fugir com a esposa do vizinho e até mesmo bater a carteira de alguém ainda estão entre as anomalias da
nossa sociedade: anomalias que nós, pessoas antiquadas, atribuímos à Queda do Homem, mas cuja ocorrência nem
o mais entusiástico pelagiano poderá negar. Existe toda a diferença do mundo entre uma sociedade onde esses
lapsos continuam a existir, ou mesmo são tolerados, e outra onde são considerados positivos. [ênfase acrescentada]

O homem se sustenta sobre duas pernas, mas pode apoiar-se em uma ou em outra.Assim (para utilizar um exemplo
que desenvolvo em outro ensaio), a sociedade, no que se refere à lei, precisa insistir tanto na justiça quanto na
ordem; e, sem dúvida, em qualquer sociedade civilizada a justiça tende a ser sacrificada em benefício da
ordem.Mas existe toda a diferença do mundo entre o ambiente e o caráter de uma sociedade onde a injustiça é
considerada mais abominável do que a desordem e outra onde a desordem é considerada mais abominável do que a
injustiça. Duas partes de um elemento químico para quatro partes de outro resultarão em determinado
produto.Alterando-se as proporções, surgirá um produto inteiramente diferente. Uma sociedade em que a Usura,
embora praticada, é considerada imoral (não totalmente, admito, para benefício do desenvolvimento econômico) é
muito diferente de outra onde é considerada moral. Uma sociedade onde o credor considera seu dever moral
examinar o objetivo de um empréstimo antes de levar em conta seu lucro pessoal é diferente de outra onde não se
espera que faça tal coisa. Um mundo onde os juros sobre empréstimos improdutivos são repudiados e o Usurário é
um malfeitor constitui sociedade muito distinta de outra onde os homens deixaram de questionar se um
empréstimo irá ou não gerar lucro; e, ademais, é diferente de outra como a nossa, onde juros sobre qualquer
empréstimo são exigidos como uma espécie de direito moral sagrado, sem qualquer relação com a produtividade do
empréstimo – ou a ausência dela.
Bem, como para todo mal deve haver um remédio, o que podemos dizer da Usura nos tempos atuais? Como insisto
em tratar-se de uma discussão de caráter prático, e quanto à prática?

Suponhamos que nosso oponente tenha sido convencido; deixemo-lo replicar:“Concordo que a Usura seja um mal. E
mais, estou inclinado a concordar que, por fim, começamos a perceber seus efeitos nefastos em todo o mundo –
principalmente pelo assustador exemplo dos empréstimos da Grande Guerra. Então, o que devemos fazer a
respeito?”

A isso, respondo, por minha vez, que não se pode fazer nada de imediato. Não se pode eliminar uma parte essencial
de qualquer estrutura social existente. Todo o mundo de hoje se assenta sobre a estrutura bancária, e todo o
sistema de investimentos considera normalmente impossível qualquer consulta sobre o caráter produtivo ou
improdutivo de um investimento.

Há casos especiais, de cunho particular, onde se pode fazer a distinção claramente, e nesses casos verifica-se a ação
dos homens de bem (como no caso dos empréstimos a indivíduos do nosso círculo de conhecimentos), pois a
consciência humana atua em todos os momentos, ainda que na sociedade mais corrupta e complexa. Mas, em
noventa e nove por cento dos casos, é impossível fazer essa distinção. Um homem se sacrifica para economizar. Ele
precisa aplicar suas economias em um sistema que considera normal a cobrança de juros sem qualquer análise, e
onde todos os infinitos detalhes de um sistema mundial de produção, distribuição e intercâmbio se baseiam há tanto
tempo na aceitação da Usura – bem como no cálculo muito mais amplo dos lucros legítimos – que, na prática, não é
mais possível distingui-los, assim como seria impossível separar as cores no tonel de um tintureiro. Se eu me
ausentar por seis meses e deixar dinheiro depositado no banco, dificilmente poderei perguntar o que o banco fará
com ele; e, mesmo que o fizesse, eles não me poderiam dizer. Ninguém poderia afirmar qual a parte destinada a
alimentar animais em uma fazenda de extração de peles no Canadá; quanto se destinaria a um jovem que vem
fazendo grandes retiradas com suas ações e gastando tudo em uma vida desregrada; e quanto contribuiria para o
desenvolvimento de uma mina produtiva nos Andes. Que homem, em sã consciência, hesitaria em depositar o
resultado de sua abnegação cotidiana em um título de renda fixa, ou suas modestas mil libras esterlinas em um
Empréstimo de Guerra – esse exemplo gritante de Usura? O sistema precisa prosseguir até seu colapso, e mesmo a
palavra “colapso” é imprecisa. Se a história servir como guia, o termo certo será “decadência”. Um pensamento
animador.

Fiz bem em chamar este livro de Ensaios de um Católico, em vez de Ensaios Católicos. Pois, caso se tornasse uma
questão de disciplina Católica que os homens de hoje não se envolvessem nessa prática impura – o empréstimo
improdutivo com cobrança de juros – tal disciplina já nasceria condenada. Não seria possível obedecer à ordem
eclesiástica. Se, ao propor tal análise, eu envolvesse também meus companheiros Católicos nas conclusões
peculiares alcançadas, causaria prejuízo não apenas ao senso comum de meus confrades, mas também ao seu senso
de humor.

Todavia, como já previu um perfumista ao batizar sua fragrância, “Un jour viendra” – “Chegará um dia”.

__________________

Notas

1. Quando eu, ainda garoto em Oxford, começava a articular minhas ideias, um sábio professor nos assegurou em
sua preleção que o texto de Aristóteles deve ter sido adulterado, pois ele jamais poderia ter dito algo tão tolo como
chamar a usura de errada. Do que São Tomás de Aquino a chamou, aposto que ele nunca soube.

2. Descobri em Túnis, há três anos, que um plantador de oliveiras muçulmano com o propósito de contrair
empréstimo para o desenvolvimento de sua propriedade não podia obter o dinheiro de outros muçulmanos, mas
precisava pedi-lo aos europeus.

3. Vide os juros continuados ainda pagos sobre créditos bancários por nossas indústrias falidas. Outro excelente
exemplo de cancelamento de juros usurários é a redução das dívidas da França e da Itália para com os Estados
Unidos.

[Extraído de Essays of a Catholic, Tan Books, publicado originalmente em 1931.]


BELLOC: IGREJA CATÓLICA, EXPOENTE DA REALIDADE
"outro amigo católico que lhe falou com uma franqueza inusual depois da conversão foi Hilaire Belloc. Escreveu-lhe
apenas dois dias depois do batismo, em 1 de agosto, tratando dos aspectos mais pessoais da fé com muito menos
reserva do que costumava: 'O que tenho que dizer-te (não te podia dizer antes de que desse o passo, por isso, te digo
agora; antes havia sido como uma súplica escolhida) é que a Igreja Católia é o expoente da Realidade. É certo. Sua
doutrina acerca dos assuntos importantes ou das questões triviais é uma declaração do que é a Igreja. É o que o
máximo ato de inteligência pode admitir, o que a vontade pode ratificar deliberadamente. E é assim,que a Fé se
converte em moral mediante um ato de vontade.' " (HILAIRE BELLOC apud PEARCE, Joseph. G.K. Chesterton,
Encuentro, 2009, p. 341-342)

HILAIRE BELLOC: AS CONSEQUÊNCIAS SOCIAIS DAS HERESIAS


Hilaire Belloc define a heresia como a dissolução de um sistema completo e autofundado, causado pela introdução
de uma novidade que nega alguma parte essencial do sistema. Sistema completo significa um todo coerente, donde
as partes se sustentam entre elas. A heresia não é negar completamente o sistema: ela vive dentro do sistema,
destruindo-o em parte, mas deixando um grande setor da estrutura em pé. Esta é a força das heresias: sobrevivem
graças a parte de verdade que contêm. Mas o que se refere ao sistema completo de crenças que é a doutrina cristã,
quando se nega uma parte do sistema se pode manter por algum tempo as aparências de continuidade, mas, depois
de um breve período, se notará que o cristianismo sem uma parte já não é cristianismo. Como a fé católica não é
somente uma questão de consciência, senão que influi radicalmente na vida dos indivíduos e da sociedade, a heresia
torna-se um objeto de estudo histórico. Toda sociedade tem uma visão última da vida, que tem um caráter religioso.
Quando se trata de mudar este fundo religioso se produz não somente uma transformação teológica,senão também
uma transformação social. Belloc põe o exemplo da negação da imortalidade da alma.Esta verdade, que a alma seja
imortal, é uma parte da doutrina cristã. Se se nega, a atitude existencial dos indivíduos e da sociedade mudará
necessariamente. Se pode continuar crendo na Trindade e na Divindade do Verbo Encarnado, mas o cristão que não
admite uma vida eterna já não é cristão, e se comportará no modo distinto dos que tem conservado a fé íntegra.
(233)

"A crise atual é o último fruto amargo da Reforma: teve início destruindo a unidade e negando a existência de uma
autoridade central, e se tem chegado a afirmação da autosuficiência do homem e a criação de ídolos." (237)

"A fé assinala os limites à razão, os mistérios superam a capacidade de nossa inteligência, mas deixa que a razão siga
sendo soberana nos âmbitos que pertencem a sua própria esfera. Quando a razão cai, cai com ela também a fé e a
moral: uma razão débil não pode sustentar nenhuma convicção moral. No âmbito político, a ausência da razão faz
que a autoridade se baseie na força." (238)

Hilaire Belloc apud MARIANO FAZIO, Cristianos en la encrucijada,Rialp.

HILAIRE BELLOC: A MENTE MODERNA ACEITA A AUTORIDADE FUNDADA SOBRE A


MODA
HILAIRE BELLOC: A MENTE MODERNA

"Os elementos mais característicos da Mente moderna são o orgulho de considerar o próprio conhecimento como
algo absoluto e suficiente; a ignorância das ideias e dos descobrimentos do passado; e a pobreza intelectual que
impede examinar as próprias afirmações e suas implicações. A mente moderna aceita cegamente uma autoridade
fundada sobre a moda, a imprensa e a repetição e não na razão. Esta corrente cultural, choca-se com a Igreja
Católica porque impede apreciar o sobrenatural e porque também debilita a razão. A fé tem necessidade de uma
razão forte, não de uma razão que siga as últimas opiniões e que se encerre no âmbito restringido da própria
experiência.

Belloc termina este livro "SURVIVALS AND NEW ARRIVALS" com uma análise das possibilidades da Igreja Católica na
encruzilhada cultural do século XX. O panorama contemporâneo oferece uma grande oportunidade: o paganismo
não é capaz de responder as problemáticas existenciais mais profundas. Aqueles que possuem a chave para
responder se encontram numa situação muito vantajosa. Em definitivo, Belloc considera que a Igreja católica é a
única instância possível para fornecer sentido a um mundo nihilista e desesperado. Por isso, o desafio para a Igreja
contemporânea é fazer conhecer que é a fé na realidade. A cultura contemporânea tem uma visão deformada da fé
católica, e é tarefa dos católicos instruir a seus contemporâneos sobre o autêntico conteúdo da Revelação. Fora o
aspecto intelectual, há um aspecto moral: a queda da Cristandade no paganismo deve provocar uma reação por
parte daqueles que querem preservar nossa herança cultural...Há um vazio que é necessário preencher e este vazio
é uma oportunidade para a fé." (Cristianos en la encrucijada, Mariano Fazio, Rialp, 2008, p. 228-231)

As grandes heresias - Hillaire Belloc


Chegamos ao grande momento.

A Fé está agora na presença não de uma heresia particular como no passado – o arianismo, o maniqueísmo, dos
albigenses, dos maometanos – nem está na presença de algum tipo de heresia generalizada, como ocorreu quando
enfrentou a revolução protestante trezentos a quatrocentos anos atrás. O inimigo que a Fé tem de enfrentar agora,
e que pode ser chamado de “O Ataque Moderno”, é um assalto indiscriminado aos fundamentos da Fé, à própria
existência da Fé. E o inimigo que agora avança contra nós está cada vez mais consciente do fato de que não pode
haver qualquer neutralidade. As forças que agora se opõem à Fé têm o propósito de destruí-la. A batalha é
doravante travada em uma linha definida de clivagem, envolvendo a sobrevivência ou a destruição da Igreja Católica.
E toda – não uma parte – de sua filosofia.

Sabemos, evidentemente, que a Igreja Católica não pode ser destruída. Porém, o que não sabemos é a extensão da
área em que sobreviverá, seu poder de reviver ou o poder do inimigo de fazê-la recuar cada vez mais para suas
últimas defesas, até que possa parecer que o anti-Cristo chegou, e a batalha final está para ser decidida. Esse é o
momento da luta diante do mundo.

Para muitos que não nutrem simpatias pelo Catolicismo, que herdaram a velha animosidade protestante contra a
Igreja (embora o protestantismo doutrinário esteja agora morto) e que pensam que qualquer ataque à Igreja tenha
de ser de uma forma ou de outra uma boa coisa, a luta já se mostra como um ataque vindouro ou atual contra o que
chamam “Cristianismo”.

Encontramos pessoas dizendo a todo momento que o movimento bolchevista, por exemplo, é “definitivamente anti-
cristão” – “oposto a qualquer forma de cristianismo” – e que tem de ser “resistido por todos os cristãos,
independentemente da Igreja particular a que se pertença”, e assim por diante.

Discursos e escritos desse tipo são fúteis, porque não significam nada de definido. Não há essa coisa de uma religião
chamada de “Cristianismo” – nunca houve essa religião.

Há, e sempre houve, a Igreja e várias heresias resultantes de uma rejeição de algumas das doutrinas da Igreja por
homens que ainda desejam manter o restante de seu ensinamento e moral. Mas nunca houve nem pode haver ou
haverá uma religião cristã genérica, professada por homens que aceitem todos algumas importantes doutrinas
centrais, embora concordando em diferir acerca de outras. Sempre houve, desde o início, e sempre haverá a Igreja e
heresias várias destinadas a perecer ou, como a dos maometanos, crescer como uma religião separada. De um
Cristianismo comum nunca houve e nunca poderá haver uma definição, pois nunca existiu.

Não há nenhuma doutrina essencial, de modo que, se concordarmos com ela, possamos diferir acerca do restante,
por exemplo, aceitar a imortalidade, mas negar a Trindade; um homem dizer-se cristão, embora negue a unidade da
Igreja Cristã; dizer-se cristão, embora negue a presença de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento; dizer-se
alegremente cristão, embora negue a Encarnação.

Não! A disputa é entre a Igreja e a anti-Igreja, a Igreja de Deus e o anti-Deus, a Igreja de Cristo e o anti-Cristo.
A verdade fica tão óbvia a cada dia que, em alguns anos, será universalmente aceita. Não classifico o ataque
moderno de “anti-Cristo”, embora, no meu coração, acredite que seja o termo verdadeiro para ele: não, não o
nomeio assim, porque pareceria exagerado no momento. Mas o nome não importa. Quer chamemos de “O Ataque
Moderno, quer de “anti-Cristo”, é tudo a mesma coisa. Há uma questão clara agora entre a manutenção da moral,
tradição e autoridade católicas, de um lado, e o esforço ativo de destruí-las, de outro. O ataque moderno não nos
tolerará. E tentará nos destruir. Também não podemos tolerá-lo. Temos de tentar destruí-lo como o inimigo
totalmente equipado e ardente da Verdade pela qual os homens vivem. O duelo é até a morte.

Às vezes, alguns chamam o ataque moderno de “um retorno ao paganismo”. Essa definição é verdadeira se
quisermos dizer por paganismo uma negação da verdade católica. Se quisermos dizer por paganismo uma negação
da Encarnação, da imortalidade humana, da unidade e personalidade de Deus, da responsabilidade direta do
homem perante Deus e de todo o corpo de pensamento, sentimento, doutrina e cultura que se resume na palavra
“Católico”, então, e apenas nesse sentido, o ataque moderno é um retorno ao paganismo.

Porém, há mais de um paganismo. Houve um paganismo de onde todos viemos: o paganismo nobre e civilizado da
Grécia e de Roma. Houve o paganismo bárbaro das tribos selvagens germânicas, eslavas e outras. Há o paganismo
degenerado da África, o paganismo alienado e desesperador da Ásia. Agora, como de todos esses foi possível trazer
homens para a Igreja universal, qualquer novo paganismo que rejeite a Igreja conhecida seria certamente muito
diferente dos paganismos para os quais a Igreja era ou é desconhecida.

Um homem subindo um monte pode estar no mesmo nível que outro descendo, mas estão voltados para caminhos
diferentes e têm diferentes destinos. Nosso mundo, saindo do antigo paganismo da Grécia e de Roma para a
consumação da Cristandade e de uma civilização Católica da qual todos provimos, é a própria negação do mesmo
mundo que deixa a luz de sua religião ancestral e desliza para o escuro.

Considerando isso, vamos examinar o Ataque Moderno – o avanço anti-Cristão – e distinguir sua natureza especial.

Verificamos, para começar, que é ao mesmo tempo materialista e supersticioso.


Há aqui uma contradição da razão, mas a fase moderna, o avanço anti-Cristão, abandonou a razão. Preocupa-se com
a destruição da Igreja Católica e da civilização proveniente dela. Não está preocupada com contradições aparentes
em seu próprio corpo, contanto que a aliança geral seja para acabar com tudo pelo que temos até agora vivido. O
ataque moderno é materialista, porque, em sua filosofia, considera apenas causas materiais. É supersticioso apenas
como um subproduto de seu estado mental. Alimenta em sua superfície os caprichos tolos do espiritualismo, o
disparate vulgar da “Ciência Cristã”, e sabe Deus quantas outras fantasias. Mas essas tolices são produzidas não por
uma fome de religião, mas pela mesma raiz que tornou o mundo materialista: por uma incapacidade de entender a
verdade primeira de que a fé está na raiz do conhecimento, por pensar que nenhuma verdade é apreensível, exceto
através de experiência direta.

Assim, o espiritualista se gaba de suas manifestações demonstráveis, e seus vários rivais, de suas claras provas
diretas. Mas todos concordam que a Revelação deva ser negada. Foi bem notado que nada é mais marcante do que
a maneira pela qual todas as práticas quase religiosas modernas concordam com isso: que a Revelação deva ser
negada.

Podemos inferir, então, que o novo avanço contra a Igreja – que talvez se mostre o avanço final contra a Igreja, que
é, de qualquer maneira, o único inimigo moderno de importância – é fundamentalmente materialista. É materialista
em sua leitura da história e, acima de tudo, em suas propostas de reforma social.

Por ser ateísta, é característico da onda que avança que repudie a razão humana. Essa atitude mais uma vez poderia
parecer uma contradição em termos, pois, se você nega o valor da razão humana, se você diz que não podemos, por
nossa razão, chegar a qualquer verdade, então, nem mesmo a afirmação acima feita pode ser verdade. Nada pode
ser verdade, e nada vale ser dito. Mas o grande Ataque Moderno (que é mais do que uma heresia) é indiferente à
auto-contradição. Simplesmente afirma. Avança como um animal, dependendo apenas da força. De fato, pode-se
notar, de passagem, que isso bem pode ser a causa de sua derrota final, pois, até agora, a razão sempre sobrepujou
seus oponentes, e o homem é o mestre da besta pela razão.
De qualquer forma, temos o Ataque Moderno em seu caráter principal, materialista e ateísta, e, por ser ateísta, é
necessariamente indiferente à razão. Porque Deus é a Verdade.

Mas há (como os maiores dos gregos antigos descobriram) uma certa Trindade indissolúvel de Verdade, Beleza e
Bondade. Não se pode negar ou atacar uma dessas três sem, ao mesmo tempo, negar ou atacar ambas as outras.
Conseqüentemente, com o avanço desse novo e terrível inimigo contra a Fé e toda a civilização que a Fé produz,
vem não apenas um desprezo pela beleza, mas um ódio a ela, e, colado em seus calcanhares, aparece um desprezo e
um ódio à virtude.

FOnte: http://www.permanencia.org.br/

Capítulo 4 - O ataque albigense: Parte IV


Hilaire Belloc

A luta começa

Quando a luta começou, ficou claro que ela teria de ser algo como uma conquista do sul – ou melhor, do sudeste da
França, entre o Ródano e as montanhas, com Toulouse como sua capital – pelos barões do norte.

Ainda assim a cruzada hesitava. A virada do século passara antes que Raimundo, conde de Toulouse (Raimundo VI),
temendo a ameaça do norte, prometesse mudar e retirar a proteção ao movimento subversivo. Ele prometeu ainda
exilar os líderes da agora vigorosa e organizada anti-igreja herética. Mas não foi sincero. Suas simpatias pendiam
para sua gente do sul, para a massa de homens lutadores, seus apoiadores, para os pequenos senhores do Langue
d’Oc, que estavam encharcados das novas doutrinas. São Domingos, vindo da Espanha, se tornou, pela força de seu
caráter e a firmeza de suas intenções, a alma da reação que se aproximava. Em 1207 o papa pediu ao rei da França,
como soberano e senhor de Toulouse, o uso da força. Quase todas as cidades do sudeste estavam já afetadas.
Muitas estavam completamente controladas pelos hereges, e quando o legado papal, Castelnou, foi assassinado –
presumivelmente com a cumplicidade do conde de Toulouse – a demanda por uma cruzada foi repetida e
enfatizada. Pouco depois do assassinato a luta começou.

O homem que sobressai como o maior líder da campanha foi um sujeito não muito importante, senhor muito pobre
de um lugar pequeno, mas fortificado, chamado Monfort, distante um dia de marcha de Paris, na direção da
Normandia.

Você pode ver ainda as ruínas do lugar, num campo densamente arborizado. Elas ficam ao norte da principal estrada
de Paris a Chartres: sobre uma pequena e isolada colina. Dessa pequena, isolada e fortificada colina veio o nome
“colina forte” ou “mont fort”, e Simon teve seu nome associado a essa ancestral propriedade.

Raimundo de Toulouse ficou perplexo quando a luta começou. O rei da França estava se tornando mais poderoso do
que sempre tinha sido. Ele confiscara recentemente as propriedades de todos os Plantagenetas no norte da França.
João, o plantageneta rei da Inglaterra, falava francês, como toda a classe dominante inglesa daquele tempo, e era
também, sob o rei da França, Lorde da Normandia, do Maine e de Anjou, e por herança de sua mãe – de metade da
região do sul do Loire: Aquitane. Toda a parte norte dessa vasta possessão, de Channel até as montanhas centrais
passou ao rei da França quando os nobres ligados ao João da Inglaterra acusou-o de confisco. Raimundo de Toulouse
temia o mesmo destino. Mas ele ainda se mostrava indiferente. Apesar de ele marchar com os cruzados contras
algumas de suas próprias cidades em rebelião contra a Igreja, ele intimamente desejava a derrota dos nortistas. Ele
tinha sido excomungado uma vez. Foi excomungado de novo em Avignon em 1209, o primeiro ano da grande luta.

A luta foi muito violenta. Houve brutal carnificina e grandes saques de cidades e já surgia a coisa que o papa mais
temia: o perigo de um motivo financeiro para amargurar a já terrível situação. Os lordes do norte demandariam
naturalmente que as terras dos heréticos fossem divididas entre eles. Houve ainda um esforço de reconciliação, mas
Raimundo de Toulouse, provavelmente desesperado com a perspectiva de ser deixado sozinho, preparava para
resistir. Em 1207, ele foi declarado fora da Igreja, e como John, suas propriedades foram confiscadas de acordo com
a Lei Feudal.
O Estado Servil
Hilaire Belloc

TRADUÇÃO: Guilherme Ferreira Araújo.

Nota do blogueiro: Começamos o projeto de tradução d’O Estado Servil, de Hilaire Belloc. Que Nossa Senhora nos
ilumine e seu casto esposo, São José, nos proteja.

“...Se não restaurarmos a Instituição da Propriedade, não poderemos escapar de restaurar a Instituição da
Escravidão; não há terceira via.”

Sumário

INTRODUÇÃO

O TEMA DESTE LIVRO: — Ele foi escrito para sustentar a tese de que a sociedade industrial tal como a conhecemos
tenderá ao restabelecimento da escravidão — As seções nas quais o livro será dividido.

SEÇÃO I

DEFINIÇÕES: — O que é a riqueza e por que ela é necessária ao homem — Como é produzida — O significado das
palavras Capital, Proletariado, Propriedade, Meios de Produção — A definição de Estado Capitalista — A definição de
ESTADO SERVIL — O que ele é e o que não é — O restabelecimento do status em lugar do contrato — A servidão não
é uma questão de grau, mas de estado. — Resumo dessas definições.

SEÇÃO II

NOSSA CIVILICAÇÃO FOI ORIGINALMENTE SERVIL: — a instituição servil na antiguidade pagã — Sua característica
fundamental — Uma sociedade pagã a tomou por certa — A instituição é desarranjada pelo advento da Igreja de
Cristo.

SEÇÃO III

COMO A INSTITUIÇÃO SERVIL FOI DISSOLVIDA DURANTE UM CERTO TEMPO: — O efeito subconsciente da Fé nessa
questão — Os principais elementos da economia da sociedade pagã — A Vila — A transformação do escravo agrícola
no servo cristão — Próximo ao camponês cristão — A construção correspondente do ESTADO DISTRIBUTIVO por
toda a Cristandade — Ela está quase completa no fim da Idade Média — “Não foram as máquinas que tiraram nossa
liberdade, mas a perda do intelecto livre”.

SEÇÃO IV

COMO O ESTADO DISTRIBUTIVO DEFINHOU: — Esse malogro tem origem na Inglaterra — A história do declínio
desde a propriedade Distributiva até o Capitalismo — A revolução econômica do século XVI — O confisco das terras
monásticas — O que poderia ter acontecido se o Estado as tivesse retido — O fato é que aquelas terras foram
capturadas por uma oligarquia — A Inglaterra era capitalista antes do advento da revolução industrial — Portanto, a
indústria moderna, proveniente da Inglaterra, cresceu num molde capitalista.

SEÇÃO V

O ESTADO CAPITALISTA TORNA-SE INSTÁVEL À PROPORÇÃO QUE SE APERFEIÇOA: — Ele pode, por sua natureza, ser
não mais que uma fase transitória entre uma primitiva ou tardia situação estável da sociedade — As duas forças
externas que o tornam instável — (a) O conflito entre suas realidades sociais e suas bases morais e legais — (b) A
insegurança e a insuficiência as quais ele condena os cidadãos livres — Os poucos proprietários podem conceder ou
reter os meios de sustento dos não-proprietários — O capitalismo é tão instável que ele ousa não proceder à sua
própria conclusão lógica, mas tende a restringir a competição aos proprietários e a insegurança e a insuficiência aos
não-proprietários.

SEÇÃO VI
AS SOLUÇÕES ESTÁVEIS PARA ESSA INSTABILIDADE: — Os três arranjos sociais estáveis que sozinhos podem ocupar o
lugar do instável Capitalismo — A solução Distributiva, a solução Coletivista, a solução Servil — Restam apenas a
solução Distributiva e a Coletivista.

SEÇÃO VII

O SOCIALISMO É A SOLUÇÃO APARENTE MAIS FÁCIL PARA O PROBLEMA CAPITALISTA: — Um contraste entre o
reformador que promove a Distribuição e o reformador que promove o Socialismo (ou Coletivismo) — As
dificuldades encontradas pelo primeiro tipo — Ele está trabalhando contra a natureza — O segundo está
trabalhando no “sentido dos veios” — O coletivismo é um desenvolvimento natural do capitalismo — Ele atrai tanto
o capitalista quanto o proletário — Todavia, veremos que o empreendimento coletivista está fadado ao fracasso e a
produzir algo muito diferente de seu objeto — a saber, o Estado Servil.

SEÇÃO VIII

TANTO OS REFORMADORES QUANTO OS REFORMADOS ESTÃO PROMOVENDO O ESTADO SERVIL: — Há dois tipos de
reformadores trabalhando junto à linha de menor resistência — Estes são o Socialista e o Homem Prático — Porém,
há dois tipos de Socialista: o Humanista e o Estatístico — O Humanista gostaria tanto de confiscar dos proprietários
quanto de instituir segurança e suficiência para os não-proprietários — É-lhe permitido fazer a segunda coisa por via
do estabelecimento de condições servis — Ele está proibido de fazer a primeira — O Estatístico fica satisfeito desde
que ele possa conduzir e organizar os pobres — Ambos são canalizados em direção ao Estado Servil e ambos são
distanciados de seu Estado Coletivista ideal — Nesse ínterim, a grande massa – o proletariado – sobre a qual os
reformadores estão trabalhando, ainda que retendo o instinto da posse, perdeu qualquer experiência dele e está
muito mais sujeita à lei privada do que à dos tribunais — Foi exatamente isso o que aconteceu no passado, durante a
mudança oposta da Escravidão para a Liberdade — A lei privada tornou-se mais forte que a pública no início da
Idade Média — Os proprietários saudaram as mudanças que os mantiveram em posse da propriedade e ainda
ampliaram a segurança de seus rendimentos — Hoje os não-proprietários darão as boas-vindas ao que quer que os
conserve como uma classe assalariada, mas aumente seus salários e sua segurança sem insistir na expropriação dos
proprietários.

Um apêndice que demonstra que é vã a proposta Coletivista de resgatar o Capitalista em lugar de expropriá-lo.

SEÇÃO IX

O ESTADO SERVIL COMEÇOU: — A manifestação do Estado Servil na lei ou em propostas de lei consistirá em dois
tipos — (a) Leis ou propostas de lei que obriguem o proletariado a trabalhar — (b) Operações financeiras que firmem
o domínio dos capitalistas sobre a sociedade de forma mais intensa — No que diz respeito a (a), nós encontramos
isso JÁ em atividade em medidas tais como a Lei de Seguro e em propostas tais como a Arbitragem Compulsória, o
reforço das barganhas dos Sindicatos e a construção de “Colônias de Trabalho”, etc., para os “que não conseguem
trabalho” — No que diz respeito ao segundo tipo, nós vemos que os assim chamados experimentos “Municipal” ou
“Socialista” para a obtenção dos meios de produção JÁ ampliaram e continuam ampliando a dependência da
sociedade em relação ao Capitalista.

CONCLUSÃO

__________________________________________________________________________________________

INTRODUÇÃO

O TEMA DESTE LIVRO

ESTE LIVRO FOI ESCRITO PARA SUSTENTAR e provar a seguinte verdade: —

Que nossa sociedade moderna e livre, na qual os meios de produção são detidos por poucos que estão
necessariamente em equilíbrio instável, tende a alcançar uma condição de equilíbrio estável POR MEIO DO
ESTABELECIMENTO DO TRABALHO COMPULSÓRIO LEGALMENTE OBRIGATÓRIO SOBRE AQUELES QUE NÃO DETÊM
OS MEIOS DE PRODUÇÃO, PARA A VANTAGEM DAQUELES QUE OS POSSUEM. Com este princípio de coerção
aplicado contra os não-proprietários deve também advir uma diferença em seu status; e aos olhos da sociedade e de
suas leis positivas os homens serão divididos em dois grupos: o primeiro, política e economicamente livre, dotado
dos meios de produção e firmado nesse domínio com segurança; o segundo, econômica e politicamente
dependente, mas inicialmente firmado, por sua própria falta de liberdade, em algumas coisas necessárias para a vida
e em um mínimo de bem-estar abaixo do qual ele não deve cair.

A sociedade que tivesse alcançado tal condição seria libertada de suas atuais tensões internas e teria tomado uma
forma estável: quer dizer, capaz de ser indefinidamente prolongada sem mudança. Nela seriam resolvidos os vários
fatores de instabilidade que perturbam aquela forma de sociedade chamada Capitalista, e os homens estariam
satisfeitos em aceitar – e a continuar em – tal arranjo.

A tal sociedade estável darei, por razões que serão descritas na próxima seção, o título de O ESTADO SERVIL.

Não vou me comprometer a julgar se essa vindoura organização da nossa sociedade moderna é boa ou má.
Preocuparei-me apenas em mostrar a tendência necessária em direção a ela que existe há tempo e as recentes
disposições sociais que mostram que ela já teve início efetivamente.

Essa nova condição será aceitável para aqueles que desejam conscientemente ou por insinuação o restabelecimento
entre nós de uma diferença de status entre proprietário e não-proprietário: ela será desagradável para aqueles que
julgam tal distinção com má vontade ou com receio.

Meu trabalho não será penetrar na discussão entre esses dois tipos de pensadores modernos, mas mostrar para
cada e para ambos que aquilo que um favorece e de que o outro foge está sobre eles.

Eu provarei minha tese especialmente a partir do caso da sociedade industrial da Grã Bretanha, incluindo aquela
pequena, estranha e excepcional região da Irlanda, que sofre ou desfruta das condições industriais de hoje.

Eu dividirei o assunto da seguinte maneira: —

(1) Formularei certas definições.

(2) Em seguida, descreverei a instituição da escravidão e o ESTADO SERVIL do qual ela é a base, como no caso do
mundo antigo.

(3) Esboçarei muito rapidamente o processo por meio do qual aquela antiga instituição da escravidão foi lentamente
dissolvida durante os séculos cristãos, e por meio do qual o sistema medieval resultante, baseado na propriedade
grandemente dividida nos meios de produção, foi

(4) destruído em certas áreas da Europa no momento em que atingiu um acabamento, e colocou no lugar dele, na
prática ainda que não em legítima teoria, uma sociedade baseada no CAPITALISMO.

(5) Em seguida, mostrarei como o Capitalismo era instável por natureza, porque suas realidades sociais estavam em
conflito com todos os sistemas legais possíveis ou existentes, e porque seus efeitos – ao negar a suficiência e
a segurança – eram intoleráveis para os homens; como, então, sendo instável, ele consequentemente introduziu
um problema que demandava uma solução: isto é, o estabelecimento de alguma forma estável de sociedade cuja lei
e prática social deveriam estar em harmonia, e cujos resultados econômicos, por
proporcionarem suficiência e segurança, deveriam ser toleráveis para a natureza humana.

(6) Mostrarei, em seguida, as três únicas soluções possíveis: —

(a) Coletivismo, ou o depositar os meios de produção nas mãos dos administradores políticos da comunidade.

(b) Propriedade, ou o restabelecimento do Estado Distributivo, no qual a massa de cidadãos deveria possuir
individualmente os meios de produção.

(c) Escravidão ou o Estado Servil, no qual aqueles que não possuem os meios de produção serão legalmente forçados
a trabalhar para aqueles que os possuem, e receberão em troca a segurança do sustento.

Ora, vendo o desgosto que os resíduos de nossa longa tradição cristã semeou em nós por advogarem diretamente a
favor da terceira solução e por apoiarem audaciosamente o restabelecimento da escravidão, as duas primeiras,
exclusivamente, estão expostas aos reformadores: (1) a reação em direção a uma condição da propriedade bem-
dividida ou do Estado Distributivo; (2) uma tentativa de alcançar o Estado Coletivista ideal.
Pode ser facilmente demonstrado que a segunda solução interessa mais natural e facilmente a uma sociedade já
capitalista, por causa da dificuldade que tal sociedade tem em descobrir a energia, a vontade e a visão requeridas
para a primeira solução.

(7) Procederei, em seguida, a mostrar como a busca por esse Estado Coletivista ideal, que é nascido do capitalismo,
leva os homens que atuam numa sociedade capitalista não em direção ao Estado Coletivista nem a nada parecido
com ele, mas em direção àquela terceira coisa totalmente diferente — o Estado Servil.

(8) Reconhecendo que um argumento teórico desse tipo, apesar de intelectualmente convincente, não é suficiente
para o estabelecimento da minha tese, eu concluirei dando exemplos da legislação inglesa moderna, os quais
provam que o Estado Servil está de fato sobre nós.

Tal é o esquema que eu projeto para este livro.

O QUE É UMA HERESIA?


O que é uma heresia e qual é a impotância histórica de tal coisa?

Como muitas das palavras modernas, ''heresia'' é usada vaga e diversamente e diversamente. É usada vagamente,
porque a mente moderna tem tanta aversão à precisão das ideias quanto é enamorada, pela precisão das medidas. É
usada diversamente, pois dependendo do homem que a usa, pode significar milhares de coisas.

Hoje para muitas pessoas (que usam o idioma inglês) a palavra heresia tem conotação de discussões passadas e
esquecidas, um velho preconceito contra a reflexão racional. Por conseguinte, pensa-se a heresia carece de interesse
contemporâneo. O interesse nela esta morto, porque trata de asusntos que ninguem leva a sério atualmente. é
compreénsivel que um homem pode se interesar por uma heresia por curiosidade arqueológica, mas se afirmar que
nela tenha tido um profundo efeito na história e ainda o tem hoje, ele dificilmente será compreendido.

Mesmo assim, a heresia em geral é um assunto de grande importância para o indivíduo e para a sociedade, e a
heresia em seu sentido particular (que é o da heresia na doutrina cristã) é de interesse especial para qualquer que
queira entender a Europa: o caráter da Europa e a história da Europa. Porque a totalidade da sua história, desde o
surgimento da religião cristã, tem sido histórias d elutas e mudanças, em sua maioria precedidos, com frequência
senão sempre causados, e certamente acompanhados por divergências de doutrina religiosa. Em outra spalavras, a
''heresia cristã'' é um assunto especial cuja compreensão é de máxima importância para a compreensão da histtória
europeia, porque a ortodoxia cristã é uma companhia e um agente constante na vida europeia.

(Hilaire Belloc - As Grandes Heresias)

A heresia modernista
Nascido em França em 1870, Belloc foi um dos mais prolíferos escritores na Inglaterra de seu tempo, distinguindo-se
como biógrafo, historiador e romancista. Católico fervoroso, escreveu, como seu amigo G.K. Chesterton, várias obras
sobre a santa religião, entre as quais "The Great Heresies", de onde traduzimos o pungente capítulo que
apresentaremos em seguida.

Antes, porém, devemos contextualizá-lo. Escrevendo em 1938 sobre o que chama "o Ataque Moderno", Belloc
realmente não poderia aludir ao problema mais inquietante desta "Fase Moderna", e que mais tem motivado nosso
combate: a infiltração e ascensão do modernismo na Igreja. Não obstante, a análise de Belloc, atual em muitos
pontos, causa impressão pela firmeza de seu posicionamento.

Capítulo Sete: A Fase Moderna

Chegamos ao grande momento.

A Fé está agora na presença não de uma heresia particular como no passado – o arianismo, o maniqueísmo, dos
albigenses, dos maometanos – nem está na presença de algum tipo de heresia generalizada, como ocorreu quando
enfrentou a revolução protestante trezentos a quatrocentos anos atrás. O inimigo que a Fé tem de enfrentar agora,
e que pode ser chamado de “O Ataque Moderno”, é um assalto indiscriminado aos fundamentos da Fé, à própria
existência da Fé. E o inimigo que agora avança contra nós está cada vez mais consciente do fato de que não pode
haver qualquer neutralidade. As forças que agora se opõem à Fé têm o propósito de destruí-la. A batalha é
doravante travada em uma linha definida de clivagem, envolvendo a sobrevivência ou a destruição da Igreja Católica.
E toda – não uma parte – de sua filosofia.

Sabemos, evidentemente, que a Igreja Católica não pode ser destruída. Porém, o que não sabemos é a extensão da
área em que sobreviverá, seu poder de reviver ou o poder do inimigo de fazê-la recuar cada vez mais para suas
últimas defesas, até que possa parecer que o anti-Cristo chegou, e a batalha final está para ser decidida. Esse é o
momento da luta diante do mundo.

Para muitos que não nutrem simpatias pelo Catolicismo, que herdaram a velha animosidade protestante contra a
Igreja (embora o protestantismo doutrinário esteja agora morto) e que pensam que qualquer ataque à Igreja tenha
de ser de uma forma ou de outra uma boa coisa, a luta já se mostra como um ataque vindouro ou atual contra o que
chamam “Cristianismo”.

Encontramos pessoas dizendo a todo momento que o movimento bolchevista, por exemplo, é “definitivamente anti-
cristão” – “oposto a qualquer forma de cristianismo” – e que tem de ser “resistido por todos os cristãos,
independentemente da Igreja particular a que se pertença”, e assim por diante.

Discursos e escritos desse tipo são fúteis, porque não significam nada de definido. Não há essa coisa de uma religião
chamada de “Cristianismo” – nunca houve essa religião.

Há, e sempre houve, a Igreja e várias heresias resultantes de uma rejeição de algumas das doutrinas da Igreja por
homens que ainda desejam manter o restante de seu ensinamento e moral. Mas nunca houve nem pode haver ou
haverá uma religião cristã genérica, professada por homens que aceitem todos algumas importantes doutrinas
centrais, embora concordando em diferir acerca de outras. Sempre houve, desde o início, e sempre haverá a Igreja e
heresias várias destinadas a perecer ou, como a dos maometanos, crescer como uma religião separada. De um
Cristianismo comum nunca houve e nunca poderá haver uma definição, pois nunca existiu.

Não há nenhuma doutrina essencial, de modo que, se concordarmos com ela, possamos diferir acerca do restante,
por exemplo, aceitar a imortalidade, mas negar a Trindade; um homem dizer-se cristão, embora negue a unidade da
Igreja Cristã; dizer-se cristão, embora negue a presença de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento; dizer-se
alegremente cristão, embora negue a Encarnação.

Não! A disputa é entre a Igreja e a anti-Igreja, a Igreja de Deus e o anti-Deus, a Igreja de Cristo e o anti-Cristo.

A verdade fica tão óbvia a cada dia que, em alguns anos, será universalmente aceita. Não classifico o ataque
moderno de “anti-Cristo”, embora, no meu coração, acredite que seja o termo verdadeiro para ele: não, não o
nomeio assim, porque pareceria exagerado no momento. Mas o nome não importa. Quer chamemos de “O Ataque
Moderno, quer de “anti-Cristo”, é tudo a mesma coisa. Há uma questão clara agora entre a manutenção da moral,
tradição e autoridade católicas, de um lado, e o esforço ativo de destruí-las, de outro. O ataque moderno não nos
tolerará. E tentará nos destruir. Também não podemos tolerá-lo. Temos de tentar destruí-lo como o inimigo
totalmente equipado e ardente da Verdade pela qual os homens vivem. O duelo é até a morte.

Às vezes, alguns chamam o ataque moderno de “um retorno ao paganismo”. Essa definição é verdadeira se
quisermos dizer por paganismo uma negação da verdade católica. Se quisermos dizer por paganismo uma negação
da Encarnação, da imortalidade humana, da unidade e personalidade de Deus, da responsabilidade direta do
homem perante Deus e de todo o corpo de pensamento, sentimento, doutrina e cultura que se resume na palavra
“Católico”, então, e apenas nesse sentido, o ataque moderno é um retorno ao paganismo.
Porém, há mais de um paganismo. Houve um paganismo de onde todos viemos: o paganismo nobre e civilizado da
Grécia e de Roma. Houve o paganismo bárbaro das tribos selvagens germânicas, eslavas e outras. Há o paganismo
degenerado da África, o paganismo alienado e desesperador da Ásia. Agora, como de todos esses foi possível trazer
homens para a Igreja universal, qualquer novo paganismo que rejeite a Igreja conhecida seria certamente muito
diferente dos paganismos para os quais a Igreja era ou é desconhecida.

Um homem subindo um monte pode estar no mesmo nível que outro descendo, mas estão voltados para caminhos
diferentes e têm diferentes destinos. Nosso mundo, saindo do antigo paganismo da Grécia e de Roma para a
consumação da Cristandade e de uma civilização Católica da qual todos provimos, é a própria negação do mesmo
mundo que deixa a luz de sua religião ancestral e desliza para o escuro.

Considerando isso, vamos examinar o Ataque Moderno – o avanço anti-Cristão – e distinguir sua natureza especial.

Verificamos, para começar, que é ao mesmo tempo materialista e supersticioso.

Há aqui uma contradição da razão, mas a fase moderna, o avanço anti-Cristão, abandonou a razão. Preocupa-se com
a destruição da Igreja Católica e da civilização proveniente dela. Não está preocupada com contradições aparentes
em seu próprio corpo, contanto que a aliança geral seja para acabar com tudo pelo que temos até agora vivido. O
ataque moderno é materialista, porque, em sua filosofia, considera apenas causas materiais. É supersticioso apenas
como um subproduto de seu estado mental. Alimenta em sua superfície os caprichos tolos do espiritualismo, o
disparate vulgar da “Ciência Cristã”, e sabe Deus quantas outras fantasias. Mas essas tolices são produzidas não por
uma fome de religião, mas pela mesma raiz que tornou o mundo materialista: por uma incapacidade de entender a
verdade primeira de que a fé está na raiz do conhecimento, por pensar que nenhuma verdade é apreensível, exceto
através de experiência direta.

Assim, o espiritualista se gaba de suas manifestações demonstráveis, e seus vários rivais, de suas claras provas
diretas. Mas todos concordam que a Revelação deva ser negada. Foi bem notado que nada é mais marcante do que
a maneira pela qual todas as práticas quase religiosas modernas concordam com isso: que a Revelação deva ser
negada.

Podemos inferir, então, que o novo avanço contra a Igreja – que talvez se mostre o avanço final contra a Igreja, que
é, de qualquer maneira, o único inimigo moderno de importância – é fundamentalmente materialista. É materialista
em sua leitura da história e, acima de tudo, em suas propostas de reforma social.

Por ser ateísta, é característico da onda que avança que repudie a razão humana. Essa atitude mais uma vez poderia
parecer uma contradição em termos, pois, se você nega o valor da razão humana, se você diz que não podemos, por
nossa razão, chegar a qualquer verdade, então, nem mesmo a afirmação acima feita pode ser verdade. Nada pode
ser verdade, e nada vale ser dito. Mas o grande Ataque Moderno (que é mais do que uma heresia) é indiferente à
auto-contradição. Simplesmente afirma. Avança como um animal, dependendo apenas da força. De fato, pode-se
notar, de passagem, que isso bem pode ser a causa de sua derrota final, pois, até agora, a razão sempre sobrepujou
seus oponentes, e o homem é o mestre da besta pela razão.

De qualquer forma, temos o Ataque Moderno em seu caráter principal, materialista e ateísta, e, por ser ateísta, é
necessariamente indiferente à razão. Porque Deus é a Verdade.

Mas há (como os maiores dos gregos antigos descobriram) uma certa Trindade indissolúvel de Verdade, Beleza e
Bondade. Não se pode negar ou atacar uma dessas três sem, ao mesmo tempo, negar ou atacar ambas as outras.
Conseqüentemente, com o avanço desse novo e terrível inimigo contra a Fé e toda a civilização que a Fé produz,
vem não apenas um desprezo pela beleza, mas um ódio a ela, e, colado em seus calcanhares, aparece um desprezo e
um ódio à virtude.
Os mais ingênuos, os menos corrompidos dos convertidos ao inimigo, falam vagamente de um “reajuste, um novo
mundo, uma nova ordem”, mas não nos dizem, como em boa razão deveriam, sobre que princípios essa nova ordem
deve ser erguida. Não definem o fim que têm em vista.

O comunismo (que é apenas uma manifestação, e provavelmente passageira, desse Ataque Moderno) professa estar
voltado para um certo bem, a saber, a abolição da pobreza. Mas não lhes diz por que isso deve ser bom. Não admite
que seu esquema é também destruir outras coisas que também são boas pelo consentimento comum da
humanidade: a família, propriedade (que é a garantia da liberdade individual e da dignidade individual), bom humor,
piedade e todas as formas do que consideramos uma vida reta.

Bem, chame do que quiser, chame-a, como faço aqui, de “O Ataque Moderno”, ou, como penso que os homens em
breve terão de chamá-la, “Anti-Cristo”, ou chame-a pelo termo temporariamente emprestado de “bolchevismo”
(que é apenas a palavra russa para “quem vai até as últimas conseqüências”), conhecemos a coisa muito bem. Não é
a revolta dos oprimidos. Não é o soerguimento do proletariado contra a injustiça e a crueldade capitalistas. É algo de
fora, algum espírito maligno tirando vantagem da inquietação dos homens e de sua raiva contra condições injustas.

Agora, essa coisa está em nossos portões. No fim das contas, é claro, é o fruto da ruptura original da Cristandade na
Reforma. Começou com a negação de uma autoridade central, terminou dizendo ao homem que ele é auto-
suficiente, e erigiu em todos os lugares grandes ídolos para serem adorados como deuses.

Não é só no lado comunista que isso aparece. Aparece também nas organizações opostas ao comunismo: nas raças e
nações em que a mera força é posta no lugar de Deus. Essas também erigem ídolos aos quais se paga um horrendo
sacrifício humano. Por esses também se negam a justiça e a ordem correta das coisas.

Essa é a natureza da batalha agora travada, e contra esses inimigos a posição da Igreja Católica parece agora
realmente fraca.

Mas há algumas forças em seu favor, que podem levar, por fim, a uma reação, pela qual o poder da Igreja sobre a
humanidade possa ressurgir.

Nas próximas páginas, considerarei quais podem ser os resultados imediatos dessa nova grande idolatria, e, nas
páginas seguintes, discutirei a questão mais importante de todas, a saber, se os acontecimentos apontam para a
Igreja se tornando uma fortaleza isolada a se defender contra todas as arremetidas, uma arca no meio da maré
montante que, embora não afunde o barco, cobre e destrói tudo o mais; ou se a Igreja será talvez restaurada a algo
de seu antigo poder.

O Ataque Moderno contra a Igreja Católica, o mais universal que ela já sofreu desde sua fundação, até agora
progrediu a ponto de já ter produzido formas sociais, intelectuais e morais que combinadas lhe dão um aspecto de
religião.

Embora esse Ataque Moderno, como disse, não seja uma heresia no antigo sentido da palavra nem um tipo de
síntese de heresias que tenham em comum ódio à Fé (como foi o movimento protestante), é ainda mais profundo, e
suas conseqüências, mais devastadoras do que qualquer uma dessas. É essencialmente ateísta, mesmo quando o
ateísmo não é abertamente declarado. Trata o homem como auto-suficiente, a oração como simples auto-sugestão,
e – o ponto fundamental – Deus como nada mais que uma criação da imaginação, uma imagem do próprio homem
lançada pelo homem ao universo, um fantasma e sem realidade.

Entre seus muitos sábios pronunciamentos, o Papa reinante proferiu uma sentença, cujo julgamento profundo foi
mais marcante no momento, e que tem sido poderosamente confirmada pelos eventos desde então. O que ele disse
foi que, enquanto a negação de Deus tenha se confinado no passado a um número comparativamente pequeno de
intelectuais, essa negação ganhou agora as multidões e estava agindo em todos os lugares como uma força social.
Esse é o inimigo moderno; é a maré montante; o maior e o que pode se mostrar a luta final entre a Igreja e o mundo.
Devemos julgá-lo principalmente por seus frutos, e esses frutos, embora ainda não amadurecidos, já são aparentes.
Quais são esses frutos?

Em primeiro lugar, testemunhamos o renascimento da escravidão, o resultado necessário da negação do livre


arbítrio, quando essa negação avança um passo além de Calvino e nega a responsabilidade a Deus, assim como a
falta de poder no homem. As duas formas de escravidão que estão gradualmente aparecendo e que amadurecerão
cada vez mais com o passar do tempo, sob efeito do ataque moderno à Fé, são a escravidão ao Estado e a escravidão
a corporações privadas e indivíduos.

Há, atualmente, uma frouxidão no uso dos termos. Há uma tal paralisia na capacidade de definição, que quase todas
as sentenças usando frases atuais podem ser mal interpretadas. Se eu dissesse: “escravidão sob o capitalismo”, a
palavra “capitalismo” significaria diferentes coisas para diferentes homens. Significa, para um grupo de escritores
(confesso que é o que significa para mim quando a uso), “a exploração das massas de homens ainda livres por alguns
poucos proprietários dos meios de produção, transporte e trocas”. Quando a massa de homens é despossuída –
nada possui – torna-se totalmente dependente dos proprietários; e, quando esses proprietários estão ativamente
competindo para reduzir os custos de produção, a massa de homens que eles exploram não apenas perde o poder
de ordenar suas vidas, mas também sofre necessidades e insegurança.

Mas, para outro homem, o termo “capitalismo” pode significar simplesmente o direito à propriedade privada, ao
passo que, para outro, significa o capitalismo industrial trabalhando com máquinas, em contraste com a produção
agrícola. Repito: para dar qualquer sentido à discussão, nossos termos têm de ser claramente definidos.

Quando o Papa reinante, em sua Encíclica, falou de homens reduzidos “a uma condição não muito distante da
escravidão”, quis dizer exatamente o que foi dito acima. Quando a massa de famílias em um Estado está sem
propriedade, então, aqueles que uma vez foram cidadãos, tornam-se virtualmente escravos. Quanto mais o Estado
se intromete para assegurar condições de segurança e suficiência, quanto mais regula os salários, fornece seguros
compulsórios, cuidados médicos, educação e, em geral, se apodera das vidas dos assalariados, para o benefício das
companhias e dos homens que empregam os assalariados, mais se acentua essa condição de semi-escravidão. E, se
isso continuar durante, digamos, três gerações, ficará tão completamente estabelecido como um hábito social e
quadro mental, que pode não haver escapatória dele nos países em que o socialismo de Estado desse tipo tenha sido
forjado e gravado no corpo político.

Na Europa, a Inglaterra em particular (mas muitos outros países em menor grau) se apegou a esse sistema. Abaixo
de um certo nível de renda, garante-se a um homem a subsistência mínima, caso fique desempregado. É-lhe
outorgada pelos funcionários públicos, às custas da perda de dignidade humana. Todas as circunstâncias de sua
família são examinadas, ele está ainda mais nas mãos desses funcionários, quando desempregado, do que nas mãos
de seu empregador, quando empregado. A coisa ainda está em transição, a massa de homens ainda não vê para
onde está indo, mas a negação da dignidade humana, a negação em potencial, se não real, da doutrina do livre
arbítrio, levou, como conseqüência natural, ao que já são instituições semi-servis. Elas se tornarão instituições
totalmente servis com o tempo.

Agora, contra o mal da escravidão dos salários, foi proposto há muito, e já está operando, em funcionamento, um
certo remédio. O nome mais curto para ele é comunismo: escravidão ao Estado - muito mais avançada e completa
que a primeira forma, a escravidão ao capitalista.

Da moderna “escravidão dos salários” só se pode falar metaforicamente. O homem que trabalha por um salário não
está completamente livre, como o homem de posse da propriedade. Ele tem de fazer o que seu mestre lhe diz, e,
quando sua condição não é a de uma minoria nem mesmo de uma maioria limitada, mas de virtualmente toda a
população, exceto uma classe capitalista comparativamente pequena, a proporção de liberdade real em sua vida de
fato quase some – embora legalmente ainda esteja lá. O empregado ainda não chegou ao status do escravo, mesmo
nas comunidades mais altamente industrializadas. Seu status legal ainda é o de um cidadão. Em teoria, ele ainda é
um homem livre, que contratou com outro homem para exercer uma certa quantidade de trabalho por uma certa
quantidade de pagamento. O homem que contrata para pagar pode ou não lucrar com isso; o homem que contrata
para trabalhar pode ou não receber em salário mais do que o valor do que produz. Mas ambos são tecnicamente
livres.

Essa primeira forma de mal social produzido pelo espírito moderno é mais uma tendência à escravidão do que
escravidão real. Pode ser chamada de meia-escravidão, se quiser, quando relacionada a vastos empreendimentos –
fábricas gigantescas, corporações monopolistas e outros. Mas ainda não é escravidão completa.

Agora, o comunismo é escravidão completa. É o inimigo moderno trabalhando abertamente, sem disfarces e a todo
vapor. O comunismo nega Deus, nega a dignidade e, portanto, a liberdade da alma humana e escraviza abertamente
os homens ao que chama de “o Estado” – mas que, na prática, é um corpo de funcionários favorecidos.

Sob o comunismo completo, não haveria desemprego, assim como não é desemprego em uma prisão. Sob o
comunismo completo, não haveria preocupações ou pobreza, exceto quando os mestres da nação escolhessem
matá-los de fome ou lhes dar roupas insuficientes, ou de qualquer outra maneira oprimi-los. O comunismo
honestamente operado por funcionários livres das fraquezas humanas e devotados a nada mais que o bem de seus
escravos teria certas vantagens materiais manifestas em comparação com o sistema salarial proletário, em que
milhões vivem em semi-fome, e muitos milhões mais em permanente medo dela. Mas, mesmo que fosse assim
administrado, o comunismo só produziria seus benefícios mediante a imposição da escravidão.

Esses são os primeiros frutos do Ataque Moderno no lado social, os primeiros frutos que aparecem na região da
estrutura social. Viemos, antes de a Igreja ser fundada, de um sistema social pagão, em que a escravidão estava em
todos os lugares, em que toda a estrutura da sociedade repousava sobre a instituição da escravidão. Com a perda da
Fé, retornamos a essa instituição.

Depois do fruto social do Ataque Moderno à Igreja Católica, está o fruto moral, que se estende, evidentemente, por
toda a natureza moral do homem. E, por todo esse campo, seu negócio até agora foi o de minar todas as formas de
restrições impostas pela experiência humana agindo através da tradição.

Digo “até agora” porque, em muitas partes da moral, essa rápida dissolução dos laços tem de gerar uma reação. A
sociedade humana não pode coexistir com a anarquia: novas restrições e novos costumes surgirão. Portanto,
aqueles que apontam para a degradação moderna da moral sexual como o principal efeito do Ataque Moderno à
Igreja Católica provavelmente estão errados, pois não terá os resultados mais permanentes. Algum código, algum
conjunto de regras morais tem de surgir, dada a natureza das coisas, mesmo que o velho código seja destruído nesse
ponto. Mas há outros efeitos maus, que podem se mostrar mais permanentes.

Para descobrir que efeitos esses podem ser, temos um guia. Podemos considerar como os homens de nosso sangue
viviam antes de a Igreja criar a Cristandade. A principal descoberta é essa: que no âmbito da moral, uma coise se
destaca – a prevalência inquestionável da crueldade no mundo não batizado. A crueldade será o principal fruto no
campo moral do Ataque Moderno, assim como o renascimento da escravidão será o principal fruto no campo social.

Aqui, um crítico poderia perguntar se a crueldade não era mais característica dos homens cristãos do passado do
que hoje. Não é toda a história de nossos dois mil anos uma história de conflito armado, massacre, torturas judiciais
e execuções horríveis, o saque de cidades e todo seu cortejo?

A resposta a essa objeção é que há uma distinção capital entre a crueldade excepcional e a crueldade como regra.
Quando os homens aplicam punições cruéis, dependem da força física para obter efeitos, entregam-se à violência na
paixão da guerra, se tudo isso é feito violando sua moral aceita, é uma coisa; se isso é feito como parte de toda uma
atitude mental aceita como tal, é outra.

Aí está a distinção radical entre essa crueldade nova, moderna, e a crueldade esporádica dos primeiros tempos
cristãos. Não vingança cruel, nem crueldade na excitação, nem crueldade na punição contra o mal reconhecido, nem
crueldade na repressão do que admitidamente tem de ser reprimido é fruto de uma filosifia má. Embora essas coisas
sejam excessos ou pecados, não vêm de uma falsa doutrina. Mas a crueldade que acompanha o abandono moderno
de nossa religião ancestral é uma crueldade nativa ao Ataque Moderno, uma crueldade que é parte de sua filosofia.

A prova se encontra aqui: que os homens não se chocam com a crueldade, mas estão indiferentes a ela. As
abominações da revolução na Rússia, estendidas àquelas na Espanha, são um exemplo em questão. Não apenas as
pessoas presentes receberam o horror com indiferença, mas também os observadores distantes. Não há clamor
universal de indignação, não há protesto suficiente, porque não mais vige o conceito de que o homem como homem
é algo sagrado. Essa mesma força que ignora a dignidade humana também ignora o sofrimento humano.

Digo mais uma vez: o Ataque Moderno à Fé terá, no campo moral, mil frutos maus, e desses muitos estão aparentes
hoje, mas o característico, presumivelmente o mais permanente, é a instituição em todos os lugares da crueldade
acompanhada do desprezo pela justiça.

A última categoria de frutos pelos quais se pode julgar o caráter do Ataque Moderno consiste no fruto que surge no
campo da inteligência – o que ele faz com a razão humana.

Quando o Ataque Moderno estava se organizando, algumas gerações atrás, enquanto ainda estava confinado a um
pequeno número de acadêmicos, começou o primeiro assalto contra a razão. Parecia fazer apenas pequeno
progresso fora de um círculo restrito. O homem simples e seu senso comum (que são os baluartes da razão) não
foram afetados. Hoje são.

Mas a razão hoje é desprezada em todos os lugares. O antigo processo de convencimento por argumentação e prova
é substituído pela afirmação reiterada, e quase todos os termos que foram a glória da razão trazem agora uma
atmosfera de desprezo.

Veja o que aconteceu, por exemplo, com a palavra “lógica”, com a palavra “controvérsia”. Note essas expressões
populares como “nunca ninguém foi convencido por argumentos”, ou ainda “qualquer coisa pode ser provada”, ou
“pode estar certo na lógica, mas na prática é muito diferente”. A fala do homem está ficando saturada de expressões
que em todos os lugares denotam desprezo pelo uso da inteligência.

Mas a Fé e o uso da inteligência estão inextricavelmente ligados. O uso da razão é a principal parte – ou mesmo o
fundamento – de toda a busca das coisas mais elevadas. Foi precisamente porque a razão recebeu sua autoridade
divina que a Igreja proclamou o mistério – isto é, admitiu que a razão tem seus limites. Teve de fazê-lo, caso
contrário, os poderes absolutos atribuídos à razão levariam à exclusão de verdades que a razão poderia aceitar, mas
não poderia demonstrar. A razão só foi limitada pelo mistério para acentuar ainda mais a soberania da razão em sua
própria esfera.

Quando a razão é destronada, não apenas é a Fé destronada (as duas subversões andam juntas), mas toda a
atividade moral e legítima da alma humana é destronada ao mesmo tempo. Não há nenhum Deus. Assim, as
palavras “Deus é Verdade”, que a mente da Europa cristã usava como um postulado em tudo que fazia, cessam de
ter significado. Ninguém pode analisar a legítima autoridade do governo nem impor limites a ele. Na ausência da
razão, a autoridade política que repousa na mera força é ilimitada. E a razão é assim tornada uma vítima, porque a
própria humanidade é o que o Ataque Moderna está destruindo em sua falsa religião da humanidade. A razão é a
coroa do homem e, ao mesmo tempo, sua marca distintiva, e os Anarcas marcham contra a razão como seu principal
inimigo.

O Ataque Moderno se desenvolve e trabalha assim. Quais os presságios para o futuro? Essa é a pergunta prática,
imediata, que todos temos de confrontar. O ataque está agora suficientemente desenvolvido para que façamos
algum cálculo do que a próxima fase pode ser. Que tragédia nos abaterá? Ou, mais uma vez, que boa reação nos
trará benefícios? Com essa dúvida, concluo.

O Ataque Moderno está muito mais avançado do que em geral se percebe. É sempre assim com os grandes
movimentos na história humana. É mais um caso de “defasagem no tempo”. Um poder, às vésperas de sua vitória,
parece estar apenas a meio caminho de seu alvo – até mesmo detido. Um poder, em todo desabrochar de suas
energias iniciais, parece aos contemporâneos um experimento pequeno e precário.

O ataque moderno à Fé (o último e mais formidável de todos) avançou tanto que já podemos afirmar um ponto
importantíssimo claramente: de duas coisas, uma tem de acontecer, um dos dois resultados tem de ficar definido
por todo o mundo moderno. Ou a Igreja Católica (agora rapidamente se tornando o único lugar onde as tradições da
civilização são compreendidas e defendidas) será reduzida por seus inimigos modernos à impotência política, à
insignificância numérica e, com relação à apreciação pública, ao silêncio; ou a Igreja Católica reagirá, nesse caso
como em todo o passado, mais fortemente contra seus inimigos do que seus inimigos foram capazes de reagir contra
ela; ela se recuperará e estenderá sua autoridade e se erguerá mais uma vez à liderança da civilização que criou e,
portanto, recuperará e restaurará o mundo.

Em uma palavra: ou nós da Fé nos tornaremos uma pequena ilha perseguida e negligenciada no meio da
humanidade, ou seremos capazes de soar ao fim da luta o velho grito de guerra “Christus Imperat!”.

A conclusão humana normal nesses conflitos – que um ou outro combatente será sobrepujado e desaparecerá – não
pode ser aceita. A Igreja não desaparecerá, pois a Igreja não é de matéria mortal; é a única instituição entre os
homens não sujeita à lei universal da mortalidade. Conseqüentemente, não dizemos que a Igreja será varrida, mas
que pode ser reduzida a um pequeno bando quase esquecido no meio dos vastos números de seus oponentes e de
seu desprezo pela coisa derrotada.

Nem a alternativa é aceitável. Pois, embora esse grande movimento moderno (que tão singularmente se assemelha
ao avanço do Anti-Cristo) possa ser de fato repelido, ainda pode perder suas características e morrer como o
protestantismo morrou diante de nossos próprios olhos, mas isso não será o fim do conflito. Esse pode ser o conflito
final. Pode haver uma dúzia ainda por vir, ou uma centena. Mas ataques à Igreja Católica sempre existirão, e nunca
as disputas dos homens conhecerão completa unidade, paz e elevada nobreza pela vitória completa da Fé. Porque,
se assim o fosse, o Mundo não seria o Mundo nem Jesus Cristo em luta com o Mundo.

Mesmo não inteiramente, embora no principal, um desses dois destinos será cumprido: a vitória Católica ou do Anti-
Cristo. O Ataque Moderno é tão universal e se move tão rápido, que homens agora muito jovens certamente viverão
para ver algo como uma decisão nessa grande batalha.

Alguns dos observadores modernos mais agudos na última geração e nesta usaram suas inteligências para descobrir
que destino se cumpriria. Um dos católicos franceses mais inteligentes, um judeu convertido, escreveu um trabalho
para provar (ou sugerir) que nosso destino será o primeiro desses dois desenlaces. Ele vê os últimos anos da Igreja
nesta Terra como dispersa. Ele vê uma Igreja do futuro reduzida a muito poucos em número e deixados ao largo da
corrente geral do novo paganismo. Ele vê uma Igreja do futuro em que haverá intensidade de devoção, de fato, mas
uma devoção praticada por um pequeno corpo, isolado e esquecido no meio de seus companheiros.

O falecido Robert Hugh Benson escreveu dois livros, ambos notáveis e cada um considerando uma das possibilidades
opostas. No primeiro, “The Lord of the World” (O Senhor do Mundo), ele apresenta o quadro de uma Igreja reduzida
a um pequeno bando vagante, retornando às suas origens, o Papa na cabeça dos Doze – e uma conclusão no Dia do
Juízo. No segundo, ele considera a completa restauração de tudo Católico – nossa civilização restabelecida,
revigorada, novamente assentada e revestida em sua mente correta, porque, nessa nova cultura, embora cheia da
imperfeição humana, a Igreja terá recuperado sua liderança dos homens e informará mais uma vez o espírito da
sociedade com proporção e beleza.

Quais são os argumentos apresentados por cada lado? Sobre que fundamentos devemos concluir quanto a uma
tendência para um caminho ou outro?

No primeiro caso (o apagar da influência católica, a restrição de nossos números e valor político às margens da
extinção), deve-se notar a crescente ignorância do mundo acerca de nós, somado à perda daquelas faculdades pelas
quais os homens poderiam apreciar o que o Catolicismo significa e tirar vantagem de sua salvação. O nível de
cultura, incluindo um sentido do passado, afunda visivelmente. A cada década, o nível é menor que na passada.
Nesse declínio, a tradição está se partindo e derretendo como o degelo ao fim do inverno. Grandes pedaços dela
despencam a todo momento, derretem e desaparecem.

Em nossa geração, foi-se a supremacia dos clássicos. Encontram-se homens poderosos por todo lado que
esqueceram de onde viemos; homens para os quais grego e latim, as línguas fundamentais de nossa civilização, são
incompreensíveis ou, na melhor das hipóteses, curiosidades. Os velhos ainda podem se lembrar da rebelião
desconfortável contra a tradição, mas os jovens só percebem por si mesmos quão pouco foi deixado para se
rebelarem, e muitos temem que, antes de morrerem, o corpo da tradição terá desaparecido.

Que o estado de ânimo da fé foi grandemente arruinado, certamente arruinado para a maior parte dos homens,
todos admitirão. Isso é tão verdadeiro que já uma maioria (devo afirmar que é uma maioria muito grande)
realmente não sabe o que a palavra fé significa. Para a maioria dos homens que a escutam (com relação a religião),
significa aceitação cega de declarações irracionais e de lendas que a experiência comum condena, ou um mero
hábito herdado de quadros mentais que nunca foram testados e que, ao primeiro toque da realidade, se dissolvem
como os sonhos que são. Todo o vasto corpo da apologética, toda a ciência da teologia (a Rainha exaltada acima de
todas as outras ciências) cessaram de existir para a massa de homens modernos. Basta mencionar seus títulos para
criar um efeito de irrealidade e insignificância.

Já chegamos nessa estranha passagem – que, embora o corpo Católico (que já é agora na prática uma minoria,
mesmo na civilização branca) compreenda seus oponentes, seus oponentes não compreendem a Igreja Católica.

O historiador poderia traçar um paralelo entre o corpo pagão minguante dos séculos IV e V e o corpo Católico de
hoje. Os pagãos, particularmente os pagãos educados e cultivados, que então viviam em números cada vez menores,
conheciam bem as elevadas tradições às quais estavam ligados e compreendiam (embora odiassem) essa coisa nova,
a Igreja, que cresceu entre eles e estava prestes a despojá-los. Mas os católicos que iriam suplantar os pagãos
compreendiam cada vez menos o estado de ânimo pagão, neglicenciaram seus trabalhos de arte e tomaram seus
deuses por demônios. Assim, hoje, a antiga religião é respeitada, mas ignorada.

Aquelas nações que são, por tradição, anti-católicas, que foram uma vez protestantes e agora não têm tradições
fixas, estão há tanto tempo prosperando que consideram seus oponentes católicos batidos. Aquelas nações que
mantiveram a cultura católica estão agora na terceira geração de educação social anti-católica. Suas instituições
podem tolerar a Igreja, mas nunca estão em aliança ativa com ela e freqüentemente estão em aguda hostilidade.

Julgando por todos os paralelos da história e pelas leis gerais que governam o crescimento e a decadência dos
organismos, poder-se-ia concluir que o papel ativo do Catolicismo nas coisas do mundo passou, que, no futuro,
talvez no futuro próximo, o Catolicismo perecerá.

O observador católico negaria a possibilidade da extinção completa da Igreja. Mas ele também tem de seguir
paralelos históricos, ele também tem de aceitar as leis gerais que governam o crescimento e a decadência dos
organismos, e ele tende, em vista de toda a alteração que passou na mente do homem, a extrair a trágica conclusão
de que nossa civilização, que já cessou em grande parte de ser cristã, perderá completamente seu tom cristão geral.
O futuro a ser considerado é um futuro pagão, e um futuro pagão com uma forma nova e repulsiva de paganismo,
mas não menos poderosa e onipresente apesar de toda sua repulsividade.

Agora, do outro lado, há considerações menos óbvias, mas que apelam fortemente aos esclarecidos e letrados nas
coisas passadas e na experiência da natureza humana.

Em primeiro lugar, há o fato de que através dos séculos a Igreja reagiu fortemente para sua própria ressurreição em
momentos do maior perigo.

Na batalha contra os maometanos estivemos por um triz, quase nos varreu; apenas a reação armada na Espanha,
seguida pelas Crusadas, evitou o triunfo total do Islã. O massacre dos bárbaros, dos piratas do norte, das hordas
mongóis, trouxeram a Cristandade a um passo da destruição. Todavia, os piratas do norte foram domados,
derrotados e batizados a força. O barbarismo dos nômades orientais foi finalmente derrotado; muito tardiamente,
mas não tarde demais para salvar o que podia ser salvo. O movimento chamado de Contra-Reforma enfrentou o até
então avanço triunfante dos heréticos do século XVI. Mesmo o Racionalismo do século XVIII foi, em sua própria terra
e tempo, detido e repelido. É verdade que engendrou algo pior do que ele mesmo; algo de que sofremos agora. Mas
houve uma reação contra ele; e essa reação foi suficiente para manter a Igreja viva e ainda recuperar-lhe elementos
de poder que se pensou perdidos para sempre.

Sempre haverá reação, e há na reação Católica uma certa vitalidade, uma certa maneira de aparecer com força
inesperada através de novos homens e novas organizações. A história e a lei geral do crescimento e decadência
orgânicos levam, em suas grandes linhas, à primeira conclusão, ao rápido apagamento do Catolicismo no mundo;
mas a observação aplicada ao caso particular da Igreja Católica não leva a essa conclusão. A Igreja parece ter uma
vida orgânica, nativa, bem incomum: um modo de ser único, e poderes de recrudescência peculiares a ela.

Agora, prestem atenção a esse ponto muito interessante: as mentes mais poderosas, mais agudas e mais sensíveis
de nosso tempo estão claramente se inclinando para o lado Católico.

São certamente, por sua natureza, uma pequena minoria, mas são uma minoria de um tipo muito poderoso nos
assuntos humanos. O futuro não é decidido para os homens pelo voto público; é decidido pelo crescimento das
idéias. Quando os poucos homens que podem pensar melhor e sentir mais fortemente e que dominam a expressão
começam a mostrar uma nova tendência nessa ou naquela direção, então, essa ou aquela se destina a dominar o
futuro.

Dessa nova tendência a simpatizar com o Catolicismo – e, no caso dos caracteres fortes, de correr o risco, de aceitar
a Fé e se proclamarem seus defensores – não pode haver dúvida. Mesmo na Inglaterra, onde o sentimento
tradicional contra o Catolicismo é tão universal e forte, e onde toda a vida da nação está ligada à hostilidade à Fé, as
conversões que atingem os olhos do público são continuamente conversões de homens que lideram no
pensamento; e note que, para cada um que abertamente admita a conversão, há pelo menos dez que voltam suas
faces para a via Católica, que preferem a filosofia Católica e seus frutos a quaisquer outros, mas que hesitam em
aceitar os pesados sacrifícios envolvidos em uma aclamação pública.

Finalmente, há essa consideração muito importante e talvez decisiva: embora a força social do Catolicismo, em
números certamente, e na maioria dos outros fatores também, esteja declinando por todo o mundo, a disputa
entre o Catolicismo e a coisa pagã completamente nova (a destruição de toda tradição, a ruptura com nossa
herança) está agora claramente marcada.

Não há, como havia há bem pouco tempo, uma margem confusa e heterogênea ou penumbra que podia falar de si
mesma com confiança sob o título vago de “Cristã”, e falar confiantemente de alguma religião imaginária chamada
“Cristianismo”. Não! Já há hoje, quase completamente distintas e dividindo o campo entre elas, em breve tão
acentuadamente expostas como preto e branco, a Igreja Católica de um lado, e os outros oponentes do que foi até
aqui nossa civilização.

As fileiras se alinharam para a batalha, e, embora essa divisão clara não signifique que um ou outro antagonista
conquistará a vitória, significa que finalmente se definiu uma disputa clara; e, em disputas claras, uma boa causa,
como uma ruim, tem melhores chances que na confusão.

Mesmo os mais desorientados ou mais ignorantes dos homens, falando vagamente de “Igrejas”, estão usando agora
uma linguagem que soa oca. A última geração podia falar, pelo menos em países protestantes, “das Igrejas”. A atual
geração não pode mais. Não há muitas igrejas, há apenas uma. É a Igreja Católica de um lado, e seu inimigo mortal
do outro. O jogo está feito.

Assim, estamos agora na presença da questão mais momentosa que já foi apresentada à mente do homem. Assim,
estamos em um divisor de águas, do qual dependerá todo o futuro de nossa raça.
(Traduzido por Joel Tang Jr.)

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