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ASPECTOS FÍSICOS DA REGIÃO DE ACARÁ

1. Localização e limite territorial


O município de Acará pertence à Mesorregião Nordeste Paraense e à
Microrregião Homogênea de Tomé-Açu. A sede municipal tem as
seguintes coordenadas geográficas. 01º 57’36” de latitude Sul e 48º
11’51” de longitude a Oeste de Greenwich.
Quanto a sua delimitação territorial, Acará limitado ao norte pelos
municípios de Belém, Ananideua e Marituba; a leste pelos municípios de
Bujaru, Concórdia do Pará e Tomé açu; a oeste pelos municípios de Moju
e Barcarena e ao sul pelo município de Tailândia.

2. Solos
Refletindo a geologia e a geomorfologia local, os solos existentes na área
são do tipo Latossolo Amarelo, textura argilosa e média, e
Concrecionários Lateríticos. Indiscriminados em áreas de terra firme,
enquanto que, em outras áreas, são comuns os solos de várzeas,
destacando-se, com expressivo percentual, os solos Hidromórficos
indiscriminados eutróficos e distróficos, textura indiscriminada.

3. Vegetação
A maior parte da área do Município apresenta a Floresta Equatorial Úmida
de terra firme, no caso, a Floresta Densa dos baixos platôs, que se
encontra preservada, sobretudo no alto curso do rio Acará. Já na região
do Baixo Acará, localizam-se as matas de várzea, coincidentes com o
relevo baixo e alagável da área. Nas terras firmes do norte do Município,
predomina a Floresta Secundária ou a capoeira.

4. Topografia
O município de Acará não apresenta altitudes expressivas, com a sede
municipal indicando cota média de 35 metros, sem apresentar grande
variação altimétrica, face à singeleza da topografia, excetuando-se a cota
de 85 metros, registrada a nordeste da sede municipal.

5. Geologia e Relevo
Geologicamente, os terrenos predominantes em Acará estão inseridos na
Formação Barreiras, correspondentes ao período Terciário, presentes no
sul do Município. Na parte central e ao norte, inserem-se os terrenos do
Quaternário Antigo e Recente.
Acompanhando a estrutura geológica, o relevo é pouco expressivo. Na
porção sul, dominam áreas de tabuleiros e colinas baixas aplainadas,
características do relevo de terras firmes da Formação Barreiras.
Regionalmente, o relevo do território acaraense insere-se no Planalto
Rebaixado da Amazônia (do Baixo Amazonas).

6. Hidrografia
A drenagem mais importante é o rio Acará, que atravessa o Município de
montante para jusante, no sentido SW/NE, até a sede municipal
localizada na sua margem esquerda para, em seguida, tomar a direção
SE/NW até a sua foz no rio Moju. O principal afluente é o rio Acará-Miri,
pela margem direita, que deságua em frente à sede do município. Ao sul,
ainda pela margem direita, recebe o rio Urucuré, limite com o Município
de Tailândia.
Tem como afluentes diversos igarapés de pequena importância,
destacando-se o igarapé Turi-Açu, ao sul, também fazendo limite com
Tailândia. Ao norte do Município, encontra-se um pequeno trecho do rio
Moju, limite com o município de Barcarena, e a foz do rio Guamá, limite
com os municípios de Belém e Benevides.

7. Clima
Não existe estação meteorológica em Acará. Entretanto, são
considerados válidos para o município os dados da região mais próxima,
num raio de 100 km, que são os mesmos dados atribuídos a Belém.
Assim, considera-se o Município na faixa equatorial, apresentando o clima
do tipo Afi da classificação de Köppen, correspondente ao tropical úmido,
com temperatura mensal superior a 18ºC, chuvas nas duas estações,
precipitação sempre acima de 60 mm, em relação às aferições mensais
de 2.837 mm anuais e amplitude térmica anual em torno de 5 ºC.

8. Bacia Hidrográfica do Rio Acará


A Bacia Hidrográfica do Rio Acará está localizada na mesorregião do
Nordeste Paraense sendo composta por nove municípios, entretanto sua
área está predominantemente inserida nos municípios de Acará, Tailândia
e Tomé-Açu, correspondendo 98% da área total.
Compõe a unidade morfoestrutural do Planalto Rebaixados da Amazônia,
sendo a planície de inundação, baixos platôs, tabuleiros e colinas as
unidades morfológicas presentes. O substrato rochoso é caracterizado
pela origem sedimentar, com a presença de coberturas detrito-lateríticas
e das Formações Itapecurú e Barreiras (VASQUEZ; ROSA-COSTA,
2008).
Os Latossolos e Plintossolos são os principais tipos de solos na bacia. O
clima é quente e úmido, caracterizado por elevadas temperaturas e forte
precipitação anual. A floresta ombrófila densa aluvial e de terras baixas
são os dois tipos vegetacionais presentes.
Hierarquia fluvial dos canais da bacia hidrográfica do rio Acará.

De acordo com parâmetros morfométricos a bacia hidrográfica do


rio Acará e de 4ª ordem (considerando a escala de extração da rede
de drenagem de 1:250.000), sendo bem ramificada, com padrão de
drenagem dendrítico, apresentando 94 canais de 1ª ordem, 18
canais de 2ª ordem e 2 canais de 3ª ordem.
Os valores obtidos da análise areal - Fator de forma (0,31), Índice
de circularidade (0,30) e Coeficiente de compacidade (1,828),
Densidade de drenagem (0,17) e Densidade hidrográfica (0,008),
apontam que a bacia do rio Acará possui um formato alongado,
porém as condições de médias a baixas declividades, composição
do substrato rochoso e perfil de alteração derivado, propiciam um
baixo escoamento superficial e maior infiltração, características que
desfavorecem a ocorrência de enchentes em níveis normais de
precipitação (VILELA; MATTOS, 1975; CHRISTOFOLLETI, 1980,
TONELO, 2005).
Sendo composta pelos sedimentos arenosos e areno-argilosos das
formações Itapecurú e Barreiras, o escoamento superficial, segue
a direção preferencial N-S, com padrões de drenagem localmente
dendríticos, mas no geral, ocorre a presença de canais com
estrutura linear, alguns configurando ângulos de 90° (favorecendo
os padrões treliça e angular), com tendência NW-SE e E-W.
Observa-se que o canal principal apresenta em seu médio curso
em direção a foz, comportamento meandrante, sendo que este
apresenta uma mudança de comportamento próxima a foz com
uma forte alteração de direção para NW-SE.
Em relação à análise linear, a razão de bifurcação da bacia
hidrográfica do rio Acará apresenta valores entre 2 e 9. De acordo
com Horton (1945), estes valores indicam que a bacia apresenta
relevo dissecado e colinoso. O índice de sinuosidade da rede de
drenagem indica que os canais da bacia apresentam formas
transicionais e tortuosos.
A Extensão do percurso superficial diz respeito ao reflexo da ação
da água da chuva ao percorrer o trajeto entre o interflúvio e o leito
de qualquer canal da bacia. O escoamento entre esses dois pontos
age diretamente na modelagem da bacia, o que acarretará no
comportamento hidrológico (RODRIGUES; LIMA, 2016). Dessa
forma, tomando o rio Acará como canal de análise, têm-se 0,085
Km para que o escoamento superficial percorra até atingir o leito
do rio.
A declividade da área da bacia do rio Acará está representada na
figura abaixo, ela atua diretamente no comportamento do
escoamento superficial e infiltração da água da chuva no solo
(CARDOSO et al., 2006). A declividade da bacia foi reclassificada
de acordo com a proposta de EMBRAPA (1979), apresentando
quatro classes.
Tabela de Classes de declividade da bacia hidrográfica do rio Acará

Declividade (%) Relevo Área (Km²) % Bacia


0-3 Plano 9.162,72 67,68
Suavemente
3-8 4.007,42 29,60
Ondulado
8-20 Ondulado 367,21 2,71
Fortemente
20-45 0,01 0,001
Ondulado
0-3 Plano 9.162,72 67,68
Observa-se na Tabela de classes de declividade que a bacia do rio
Acará possui 97,28% de terreno suavemente ondulado e plano. As
áreas com relevo mais íngreme são praticamente inexpressivas
com menos de 3%. A declividade máxima do terreno é de 20,6%,
a declividade mínima é igual a zero e a declividade média é de
2,49%, sendo o terreno da bacia predominantemente plano. Isso
indica grande possibilidade para o manejo agrícola, e baixas
tendências para a erosão hídrica, uma vez que o escoamento
superficial é mais lento.

Altimetria da bacia hidrográfica do Rio Acará


A Figura abaixo representa a altimetria da bacia hidrográfica do rio
Acará. A altimetria máxima foi de 103 m, a altimetria mínima de 5
m e a altimetria média de 51,34 m, sendo a amplitude Altimétrica
da bacia de 98 m.
A altitude do relevo é responsável por influenciar diretamente na
evapotranspiração, temperatura e precipitação (TONELLO, 2005). Segundo
Duarte et al., (2007) a temperatura e precipitação variavam espacialmente à
medida que a altimetria do relevo aumenta.

As classes altimétricas da bacia hidrográfica do rio Acará demonstram que as


altimetrias possuem proporções aproximadamente equivalentes em termos
areais, sendo que um pouco mais de 40% da área da bacia está nas classes de
relevo relativamente baixo (< 50m), e quase 18% nas áreas mais elevadas (>
75m). Portanto, a bacia hidrográfica do rio Acará não apresenta variação
altimétrica significativa do relevo, não acarretando em variações da
evapotranspiração, temperatura e precipitação. A tabela abaixo apresenta as
classes altimétricas da bacia hidrográfica do rio Acará.

Classes altimétricas da bacia hidrográfica do rio Acará.


Altitude (m) Área (Km²) % Bacia
5-25 1.105,92 8,16
25-34 1.117,31 8,25
34-42 1.600,02 11,81
42-50 2.103,05 15,53
50-58 1.884,50 13,93
58-67 1.989,21 14,70
67-75 1.374,00 10,15
75-83 984,89 7,27
83-103 1.377,01 10,20

O Índice de Rugosidade de 9,86 da bacia hidrográfica do rio Acará reforça os


demais parâmetros morfométricos anteriormente expostos, os quais indicam que
a bacia não é propensa para ocorrência de eventos de cheias em condições
normais de precipitação, além do baixo risco de degradação.

Bibliografia da parte da bacia Hidrográfica.


CARDOSO, C. A.; DIAS, H. C. T.; SOARES, B. C. P.; MARTINS, S. V. Caracterização morfométrica
da bacia hidrográfica do Rio Debossan, Nova Friburgo-RJ. Revista Árvore, v. 30, n. 2, p. 241-
248, 2006.

DUARTE, C. C.; GALVÍNCIO, J. D.; CORRÊA, A. C. B.; ARAÚJO, M. S. B. Análise fisiográficas da


bacia hidrográfica do Rio Tapacurá-PE. Revista de Geografia, v. 24, n. 2, p. 50-64, 2007.

HORTON, R. E. Erosional development of streams and their drainage basins: a hydrophysical


approach to quantitative morphology. Geol Soe. Am. Bull., v.56, n.3, p. 275-370, 1945.

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA – EMBRAPA, Serviço Nacional de


Levantamento e Conservação de Solos. In: reunião Técnica de Levantamento de Solos. 1ª
Ed. Rio de Janeiro: Micelânea, 1979, 83 p.

RODRIGUES, J. M. D.; LIMA, E. C. Aplicação dos parâmetros morfométricos na Sub-Bacia


Hidrográfica do Rio Bom Jesus – Taperuaba – Sobral (CE) como subsídio ao planejamento
ambiental. In: SILVA, C. N.; BORDALO, C. A. L.; SILVA, E. V. Planejamento, Conflitos e
Desenvolvimento Sustentável em Bacias Hidro

VASQUEZ, M. L.; ROSA-COSTA, L. T. (Org.). Geologia e recursos minerais do estado do Pará:


texto explicativo. Escala 1:1.000.000. Programa Geologia do Brasil - PGB. Belém: CPRM,
2008, 328 p.

VILELA, S. M.; MATTOS, A. Hidrologia Aplicada. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1975, 245
p.