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Empreendedorismo

PLANO DE
NEGÓCIO COMO
INSTRUMENTO
DE GESTÃO
APRESENTAÇÃO

Caro(a) aluno (a), a nossa disciplina sobre empreendedorismo está


avançando bem, não é mesmo? Espero que o módulo “O Negócio
Próprio” tenha sido atraente aos seus estudos e aprendizado.
Neste módulo, você começará a aprender como aplicar na prática o
conhecimento até agora obtido. A forma de aplicação será através
do Plano de Negócio. Continue brilhando no seu aprendizado com a
sua dedicação!

N este módulo, iniciaremos o estudo das considerações e dos passos necessários para
a elaboração de um Plano de Negócio. Um dos fatores de sucesso de um é o Plano
de Negócios estruturado com consistência nas suas partes. Além de uma visão completa
do negócio, a boa estruturação reforça a credibilidade do empreendedor junto aos seus
financiadores, gestores internos e demais atores envolvidos no empreendimento. Os
critérios de objetividade e veracidade devem sempre conduzir à elaboração dos tópicos
de um Plano de Negócios. Bom proveito!

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Ao final deste módulo, você deverá ser capaz de:
• Entender a viabilidade do empreendimento nos aspectos mercadológico, financeiro e opera-
cional.
• Aprender a composição de um Plano de Negócio.
• Elaborar um Plano de Negócio.

FUMEC VIRTUAL - SETOR DE Transposição Pedagógica Infraestrutura e Suporte


FICHA TÉCNICA

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Karina Gomes de Souza Coordenação


Nesir Freitas da Silva Anderson Peixoto da Silva
Gestão Pedagógica
Produção de
Assessoria ao Professor,
Design Multimídia AUTORIA
Assessoria ao Aluno e Tutoria
Coordenação
Coordenação Prof. José Manoel Granados Negrão
Rodrigo Tito M. Valadares
Gabrielle Nunes Paixão
Design Multimídia 2017
Alan J. Galego Bernini

BELO HORIZONTE - 2017


PLANO DE NEGÓCIO COMO
INSTRUMENTO DE GESTÃO
O que é um Plano de Negócio (PN)?
O Plano de Negócio é um documento que reúne informações sobre as características,
condições e necessidades do futuro empreendimento, com o objetivo de analisar sua
potencialidade e viabilidade, facilitando sua implantação.

Há uma distinção entre idéias e oportunidades de negócios. A diferença não é pequena.


Uma idéia, normalmente, prende-se a um produto ou serviço. As pessoas não pensam em
negócio. O Plano de Negócio é que vai diferenciar uma ideia de uma oportunidade, pois é
realizando um estudo exaustivo do mercado que o empreendedor transformará sua idéia
em uma oportunidade de negócio, através de um planejamento.

Portanto, o Plano de Negócio é um documento pelo qual o empreendedor formalizará


os estudos a respeito de suas idéias, transformando-as num negócio. No Plano de
Negócio, estarão registrados: o conceito do negócio, os riscos, os concorrentes, o
perfil da clientela, as estratégias de marketing, bem como todo o plano financeiro que
viabilizará o novo negócio.

Plano de Negócio é um Plano de Ação, que passa a orientar o empreendedor na imple-


mentação de sua oportunidade de negócio; é também um Plano de Operação, que deverá
ser acompanhado e avaliado pelo empreendedor periodicamente.

O PN também é um importante instrumento de ajuda ao empresário para enfrentar obstá-


culos e mudanças de rumos na economia ou no ramo em que ele atua. É uma ferramenta
extremamente útil para os empreendedores, que costumam ser mais realizadores do que
redatores de propostas.

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Um bom plano é uma peça indispensável
para o sucesso de qualquer negócio.

Para que serve o Plano de Negócio

Examinar a viabilidade
do empreendimento nos
aspectos mercadológico,
financeiro e operacional
O PN permite desenvolver e aprimorar ideias a
respeito de como o negócio deve ser conduzi-
do. É uma oportunidade para refinar estratégias
e cometer erros no papel em lugar da vida real,
examinando a viabilidade da empresa sob todos
os pontos de vista, tais como o mercadológico,
o financeiro e o operacional, dando ao empreen-
dedor a condição de conhecer todos os pontos
fortes e fracos do futuro negócio. Com isso,
possibilita a diminuição dos riscos de fracasso.

O Plano de Negócios integra


o Planejamento Estratégico
O PN é uma ferramenta através da qual o empre-
sário pode avaliar o desempenho atual da empre-
sa ao longo do tempo. Por exemplo: a parte financeira de um plano de negócios pode ser
usada como base para um orçamento operacional e ser cuidadosamente monitorada, a
fim de se verificar o quanto a empresa está se mantendo dentro do orçamento.

ATENÇÃO
O Plano de Negócios pode e deve ser usado como base para um planejamento estratégico.

Depois de decorrido algum tempo e, a partir de então, periodicamente, o PN deve


ser examinado, para ver se a empresa se desviou do rumo traçado, se esse desvio
foi benéfico ou danoso, e como a empresa deverá operar no futuro.

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PN é ferramenta de negociação e ajuda a levantar recursos
Lembre-se: A maior parte dos financiadores ou investidores não colocará dinheiro em uma
empresa sem antes ver o seu Plano de Negócio. O empreendedor poderá não ser levado
a sério, nem mesmo convidado a voltar se o PN não existir, ou se não estiver bem estru-
turado. O PN (Plano de negócios) pode ser usado como uma ferramenta de negociação e
contribui para aprovação de empréstimos nos bancos e acesso a linhas de financiamento.

PENSE NISSO
Um velho axioma ensina que se deve “ser claro a respeito do que se deseja do investidor, mas
vago a respeito naquilo que está disposto a ceder”.

A quem se destina o Plano de Negócio


O Plano de Negócio é um documento confidencial. Deve ser distribuído somente àqueles
que têm necessidade de vê-lo, tais como a equipe gerencial, conselheiros profissionais e
fontes potenciais de recursos.

PÚBLICO-ALVO
Podemos considerar como público-alvo:

• Mantenedores de Incubadoras – iniciação de


empresas, com condições operacionais faci-
litadas, mantidas por instituições de classe,
centros de pesquisas, órgãos governamentais.
• Parceiros – para definição de estratégias e
discussão sobre formas de interação entre
as partes.
• Bancos – para pleitos de financiamentos de
equipamentos e instalações, capital de giro,
expansão da empresa, etc.
• Investidores – entidades de capital de risco,
pessoas jurídicas, bancos de investimento
etc.
• Fornecedores – para negociação na compra
de mercadorias, matéria-prima e formas de
pagamentos.
• A própria empresa – para comunicação,
interna, da gerência com o conselho de admi-
nistração e com os empregados (comprome-
timento mútuo de metas e resultados).
• Clientes – para venda do produto e/ou serviço e publicidade da empresa.
• Sócios – para convencimento em participar do empreendimento e formalização da
sociedade.

A apresentação do Plano de Negócio é formatada mais objetivamente nas ênfases rela-


cionadas ao público específico.

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CUIDADOS IMPORTANTES AO REDIGIR
UM PLANO DE NEGÓCIO
As fontes de financiamento não veem com bons olhos um plano que está sendo “leiloado”
por aí. O ideal é que o PN seja enviado para poucos; no máximo, a dez fontes financeiras.

ATENÇÃO
Espere a resposta de cada instituição antes de passar à seguinte. Nunca se deve enviar o
plano às fontes financeiras em seqüência. Essa abordagem pode adiar por anos o sucesso.

Ao determinar a quem enviar o plano, pesquise cuidadosamente em que espécies de


fontes de negócios os recebedores estão interessados, quais os seus propósitos e formas
de atuação. Alguns bancos somente emprestam em certas áreas geográficas; alguns
investidores só investem em determinados tipos de empresas. Dentro de uma organi-
zação, algumas pessoas ou departamentos podem lidar com planos de negócios. Eles
também podem ser divididos por critérios geográficos, por grupo de negócios ou de
alguma outra forma.

É importante fazer com que o PN chegue ao grupo certo e, melhor ainda, à pessoa
certa. Se houver dúvidas sobre o destino dado ao documento, pode-se solicitar que o
destinatário assine um termo de confidencialidade para minimizar as chances de que as
informações-chave da empresa, ou da ideia do negócio, sejam utilizadas ou divulgadas a
terceiros. Não se recomenda a produção de grande quantidade de cópias, nem que sejam
confeccionadas de forma diferenciada do usual.

Objetivos do Plano de Negócio


Ser empreendedor não é só ganhar muito dinheiro, ser independente ou realizar algo. Ser
empreendedor também tem um custo que muitos não estão dispostos a pagar. É preciso
esquecer, por exemplo, uma semana de trabalho de 40 horas, de segunda a sexta-feira,
das 8h às 18h e com duas horas de almoço.

Normalmente, o empreendedor, mesmo aquele muito bem sucedido, trabalha de 12 a 16


horas por dia, não raro sete dias por semana. Ele sabe o valor do seu tempo e procura
utilizá-lo trabalhando arduamente na consecução de seus objetivos.

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O sucesso na criação de um negócio próprio depende basicamente do desenvolvimento,
pelo empreendedor, de três etapas:

• 1ª Etapa – Identificar a oportunidade de negócio e levantar informações;


• 2ª Etapa – Desenvolver o conceito do negócio, com base nas informações coletadas
na primeira, identificar experiências similares e avaliar os riscos, quantificar o poten-
cial de lucro e crescimento e definir a estratégia competitiva;
• 3ª Etapa – Detalhar o empreendimento, definir as necessidades de recursos, calcular
a viabilidade econômica, e completar o plano.

Cuidados a tomar em um Plano de Negócio


As informações de um Plano de Negócios devem ser precisas, mas transmitindo uma
sensação de otimismo e entusiasmo. Ao preencher o PN, tenha sempre em mente o obje-
tivo para o qual ele está sendo escrito.

O tom deve ser empresarial, sem sentimentalismo, para ser levado a sério. Os possí-
veis investidores reagirão bem a uma apresentação positiva e interessante, mas reagirão
com indiferença diante uma apresentação vaga, prolongada, ou que não tenha sido bem
ponderada e organizada.

Cuidado ao dar ênfase no preenchimento a argumentos exclusivamente de venda da ideia.


Essa ênfase pode levá-lo a redigir um plano exagerado, destituído de objetividade.

Se o PN (Plano de Negócio) transmitir, de forma clara e legível, as metas e métodos


básicos da empresa, o investidor dará atenção ao documento. Caso necessite de mais
informações, com certeza ele pedirá. Preocupe-se, portanto, em apresentar informações
reais e que possam ser facilmente comprovadas quando solicitadas.

RECOMENDAÇÃO
Não tenha pressa ao elaborar o seu Plano de Negócio. Para garantir a qualidade, um bom
plano deve cobrir informações abrangentes, bem resumidas e pertinentes.

Na maioria das vezes, as informações para elaboração do Plano de Negócio não se encon-
tram facilmente consolidadas. Elas devem ser procuradas, trabalhadas e manipuladas. É
recomendável que se escreva o PN paulatinamente, na medida em que as informações
forem obtidas, e não de uma só vez.
Nem muito longo, nem muito curto! O tamanho ideal é de 20 a 25 páginas, dependen-
do do objetivo, do porte e da situação da empresa. Tenha em mente essa informação
enquanto preencher, de forma a manter a objetividade, colocando apenas as informações
relevantes e deixando todo e qualquer material demonstrativo, suplementar ou ilustrativo
como anexo ao final do documento.

Para auxiliar a compilação do PN sugere-se utilizar perguntas pré-concebidas apenas


como referência, um roteiro, ou um tipo de check-list. Deverão constar no documento
impresso apenas os nomes das seções e grupos de assuntos, e não as perguntas. Isso
dá liberdade para se colocar o conteúdo de cada grupo onde bem entender, organizando
melhor o sequenciamento textual e facilitando o seu entendimento.

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ATENÇÃO
Não se esqueça da revisão ortográfica!

Uma palavra de cautela a respeito da gramática e ortografia: esses erros podem gerar uma
imagem negativa sobre o empreendedor, e, portanto, sobre todo o empreendimento. Faça
com que alguém qualificado nessa área revise o PN, para eliminar esses pequenos aborreci-
mentos, que podem ter um forte impacto sobre os leitores.

Muitas das perguntas que se faz para preparar um PN precisam ter uma resposta, ou
devem, ao menos, ser respondidas com “não pode ser respondido neste momento, mas
deve ser monitorado”, pelo bem da sobrevivência da empresa.

Às vezes uma pergunta-chave é negligenciada, tipo “contrata-se mão de obra”, ou “inau-


guram-se as instalações”, e, após o início das operações com vendas em andamento,
descobre-se que algumas autorizações ou licenças eram necessárias antes de se abrir a
empresa, justamente o que a pergunta alertava.

Prezado(a) aluno(a), você aprenderá, nos módulos


seguintes, o detalhamento referente às partes do Plano
de Negócio. Entretanto, para adiantar a sua visão e criar
uma boa expectativa no seu aprendizado, apresento-lhe
um modelo estruturado de Plano de Negócio no programa
denominado “Como elaborar um Plano de Negócios”. 1

apresentado no sitio do SEBRAE/SP.


1 http://tinyurl.com/322lg42

Atenção: Após você clicar no link indicado, aparecerá uma página da instituição SEBRAE
com informações do programa a ser baixado, e também um novo link para download
gratuito. Ao clicar nesse novo link surgirá uma página para que você digite os seus dados
(em lugar do nome da empresa e do CNPJ, digite o seu nome e CPF, e preencha também
os campos assinalados com asteriscos. Em seguida clique em “Enviar Dados”). O preen-
chimento desse formulário é condição para o download gratuito.

Com esse modelo, você poderá fazer simulações na medida do seu desenvolvimento na
disciplina e começar a desenvolver o seu próprio Plano de Negócio. Boas atividades!

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Síntese
Prezado(a) aluno(a), chegamos ao final do nosso módulo! Sem o Plano de Negócio não
há como o empreendedorismo avançar de forma ordenada a caminho do sucesso, não é
mesmo?

É importante que todas as fases da sua estruturação tenham os cuidados específicos


conjugando-os sempre com os Valores da sua empresa, com a Missão, que é a razão
existencial da organização, e com a Visão do futuro a ser atingido.

Espero que você tenha aprendido muito com o estudo deste módulo, e que esteja pronto
para o próximo, a partir do qual você começará a estudar os procedimentos de análise
mercadológica, indispensáveis à estruturação do Plano de Negócios.

Referências
CHÉR, Rogério. O meu próprio negócio – todos os passos para avaliação, planejamento,
abertura e gerenciamento de um negócio próspero. São Paulo: Negócios, 2002.

DEGEN, R. J. O empreendedor – fundamentos da iniciativa empresarial. São Paulo:


McGraw-Hill, 1989.

DEGEN, Ronaldo J. Empreendedor: empreender como opção de carreira. Editora Pearson


Prentice Hall - São Paulo, 2009.

DOLABELA, Fernando. O segredo de Luísa. São Paulo: Cultura, 1999.

DOLABELA, Fernando et al. Boa ideia, e agora? São Paulo: Cultura, 2000.

DRUCKER, Peter. Inovação e espírito empreendedor. Editora Thomson Learning. São


Paulo, 2006.

SEBRAE-SP / FIESP / CIESP – Como fazer um plano de negócios eficiente para conven-
cer investidores, fornecedores e clientes. Disponível em: <http://127.0.0.1:8081/spplan/
tutorial/DicasElaboracao.html>. Acesso em 29 nov. 2009.

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