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MATEMÁTICA PARA NÃO SER IDIOTA

Nádia Maria Jorge Medeiros


nadiajorge@uol.com.br
Renata Greco de Oliveira
regreco@gmail.com
Univale

Mario Sérgio Cortella e Renato Janine Ribeiro (2010), no livro política: Para não
ser idiota, composto por vários diálogos, trazem logo no primeiro destes, o
conceito de idiota. A expressão idiótes, de origem grega, significa “aquele que
só vive a vida privada, que recusa a política, que diz não à política” (2010, p. 8).
Para esses dois autores, esse conceito pode ser aplicado para falar dos que
vivem fechados em si mesmos e só se interessam pela própria vida.

Nesse entendimento, é preciso compreender, seguindo os dois, que mesmo


vivendo um período de maior liberdade de toda a história, tanto coletiva quanto
pessoal, há um desinteresse pela política. Mesmo com os benefícios trazidos
pela democracia, há muita gente incomodada com a visibilidade da corrupção,
com um determinado modo de fazer política e um consequente cansaço. Esse
provável cansaço, que pode ser sentido em relação à política do governo, dos
partidos e também a uma grande política, traz a dúvida se ele pode, em algum
momento ser superado.

Outros dados importantes trazidos por Cortella e Janine Ribeiro (p. 21) que
contribuem para pensar o desencanto em relação a política dizem respeito a
sociedade atual:1) na década de 1980, em sua quase totalidade, o continente
americano e a Europa tornaram-se democráticos e isso pressupõe que os jovens
das últimas décadas vivem em uma realidade onde há uma situação social de
maior equilíbrio entre as forças, em que muitas pessoas não tem noção do que
foi a ditadura. E ao desconhecerem, chegam a pedir pela sua volta. 2) a atitude
de desprezo, de asco ou nojo (p.29) manifestada em relação à participação
política no sentido contrário ao de idiótes pode ser associada à “política partidária
dos acordos espúrios e da corrupção” (p.30) que torna a vida política a ser
entendida como safada e o político como pilantra. 3) a concepção que a política
é um mundo em que os políticos mandam (p.60) e tudo o que é feito nesse
espaço, independe de nós.

Uma alternativa levantada pelos dois, nesse conversa, no intuito de construir


consenso sobre os rumos da política na sociedade contemporânea, é trazer a
política para a sala de aula, para dentro da escola (p.71). O primeiro passo seria
o esclarecimento que na política e na democracia existe a necessidade de
posições diferentes e divergentes e esse esclarecimento, poderia se dar através
da promoção da discussão sobre o tema.

Proponho a partir daqui, como possibilidade de contribuição, uma discussão


fundamentada na educação matemática, para um entendimento preliminar sobre
política, para que alunos do Ensino Fundamental, não sejam idiotas. Matemática
para não ser idiota consiste, nesse trabalho, utilizar conhecimentos desse campo
para ler, analisar e entender parte da constituição do Congresso Nacional.

Escolhi algumas das informações que aparecem no site: direitossociais.org.br


para iniciar essa reflexão:

Sobre o perfil dos eleitos


 Cerca de 80% (411 candidatos) dos eleitos no dia 5 de outubro de
2014, para deputado federal têm nível superior;
 Dos 513 deputados eleitos, apenas 5 (1%) sequer terminaram o
ensino fundamental;
 Dos eleitos, somente 23 candidatos (4,5%) são considerados jovens,
com idade até 29 anos;
 No grupo com idade entre 30 e 59 anos, o número sobe para 278
representantes eleitos, correspondendo a 73,5%, o maior índice das
faixas etárias;
 Acima dos 60 anos, a Câmara receberá 112 parlamentares,
correspondendo a 22%;
 Nascido em 1930, o deputado mais idoso eleito é Bonifácio de
Andrada (PSDB-MG). Aos 84 anos, ele vai cumprir o seu nono
mandato consecutivo na Câmara. Já o deputado mais jovem será
Uldurico Junior (PTC-BA), de 22 anos. Agricultor, ele foi o parlamentar
eleito com menos votos na Bahia;
 De acordo com o registro de ocupações do TSE, 44 candidatos são
advogados; 42 empresários; e 29 médicos;
 Dos eleitos, 198 assumirão pela primeira vez o cargo de deputado.
Outros 25, que não participaram da legislatura atual, mas já tiveram
mandato em algum momento, retornarão à casa;
 Esses 223 deputados correspondem a uma renovação de 43,5%;
 Com a reeleição, o deputado Miro Teixeira (Pros-RJ) se tornará, na
próxima legislatura (2015-2019), o parlamentar com maior número de
mandatos na Câmara, 11 ao total. O parlamentar começou a carreira
como deputado federal em 1971. Desde então, só deixou de estar no
legislativo federal de 1983 a 1987.

Já no endereço: diap.org.br, há também uma grande quantidade de informações


sobre a composição do Congresso Nacional. Lá é possível ler que:

A composição dos partidos políticos, em vários casos, não


corresponde ao anseio específico de determinados setores da
sociedade. Assim, surgem no Congresso Nacional os grupos
suprapartidários ou as bancadas informais com o propósito de
promover causas, ideias e interesses. Elas organizam o debate
e buscam influenciar decisões em favor das políticas públicas
que defendem (p.94).
Sobre algumas dessas bancadas, as informações são:

 Nas eleições de 5 de outubro de 2014, dos 83 membros da atual bancada


sindical na Câmara, 46 ou 55,42% tentaram renovar o mandato para a
legislatura que vai se iniciar em 1º fevereiro de 2015. Desses, 36 tiveram
êxito e há outros 15 novos, num total de 51 deputados e nove senadores
(p.95).
 A bancada empresarial no Congresso Nacional perdeu representantes em
relação a legislatura passada, contudo, continuará a mais expressiva das
bancadas informais. Tomaram posse em fevereiro de 2015, entre novos
e reeleitos, 251 parlamentares que tem como pauta a defesa do setor
produtivo. Desses, 221 estão na Câmara dos Deputados e 30 no Senado
Federal. Da bancada eleita para a próxima legislatura, 135 deputados
foram reconduzidos em seus mandatos e 86 são novatos no Congresso
Nacional. Entre os senadores, cinco foram reeleitos, sete são novatos e
18 estarão no exercício do mandato até 2019.
 A bancada evangélica que saiu das urnas em 2014 praticamente manteve
o número de integrantes, registrando pequena queda. Foram eleitos 75
deputados identificados com as causas deste grupo de interesse informal
e suprapartidário, dois a mais do que os 73 deputados eleitos em 2010,
contudo um pouco menor do que a lista atual da Frente Parlamentar
Evangélica, que registra 78 nomes. No Senado, os evangélicos
mantiveram os três representantes, cujos mandatos só expiram em 2019.
 A bancada feminina, apesar de um pequeno aumento no número de
deputadas e senadoras, ainda será insuficiente para equilibrar a
representação entre mulheres e homens no Legislativo federal. Em 2014
foram eleitas 51 deputadas, seis a mais em comparação à bancada de 45
deputadas eleitas em 2010, o que significa um aumento de 10% na
representação feminina na Câmara dos Deputados. No Senado, a
representação feminina a partir de 2015 conta com 13 mulheres, uma a
mais em relação à bancada eleita em 2010, que foi de 12 senadoras.
Contudo, se a comparação for feita com base na representação atual - 11
senadoras - são duas cadeiras a mais. E na Câmara, as 51 mulheres que
fazem parte da 55ª Legislatura representam 22 unidades federativas já
que os estados de Alagoas, Espírito Santo, Mato Grosso, Paraíba e
Sergipe não elegeram deputadas. As novatas são maioria entre as
mulheres: 31. As outras 20 deputadas que completam a bancada feminina
compõem a atual legislatura e foram reeleitas. Algumas mulheres foram
campeãs de voto em seus estados, sendo que três atingiram o quociente
eleitoral. Apenas 35 deputados conseguiram eleger-se com os próprios
votos.
 Nas eleições de 2014, aconteceu o crescimento da bancada de parentes,
composta pelos candidatos que possuíam vínculos familiares com
políticos profissionais. Após as eleições de outubro foram mapeados 113
deputados, entre eleitos e reeleitos, com parentesco político. No Senado,
há 39 senadores com grau de parentesco político, sendo 27 atuais, oito
novos e quatro reeleitos. Desses, oito são mulheres, sendo seis atuais,
uma nova e outra reeleita A eleição ou reeleição de parentes reforça a
tese de circulação no poder. Em geral, parentes mais próximos como pais,
filhos e cônjuges são herdeiros eleitorais uns dos outros e compartilham
o mesmo perfil político e ideológico.
 A bancada ruralista, que se configura como uma das mais eficientes do
Congresso Nacional, diminuiu de tamanho na Câmara dos Deputados -
com a desistência ou migração de parlamentares para outros locus de
poder -, ampliou a representação no Senado Federal, em razão da eleição
de novos senadores. Levantamento realizado pelo Diap aponta que a 55ª
Legislatura, que teve início em fevereiro de 2015, conta com 126
parlamentares ruralistas, sendo 109 deputados e 17 senadores. Na 54ª
Legislatura eram 160 ruralistas - 142 deputados e 18 senadores. São
classificados como integrante da bancada ruralista o parlamentar que,
mesmo não sendo proprietário rural ou atuando na área de agronegócio,
assume sem constrangimento a defesa dos pleitos da bancada, não
apenas em plenários e nas comissões, mas em entrevistas à imprensa e
em outras manifestações públicas.

REFERÊNCIAS

http://direitosociais.org.br/article/veja-como-ficara-o-perfil-da-camara-dos-
deputados-/ Acesso em: 23abril2016.

http://www.diap.org.br/index.php?option=com_jdownloads&Itemid=513&view=fi
nish&cid=2883&catid=41 . Acesso em: 23abril201