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SÃO PAULO - REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932

A revolução explodiu no dia 9 de julho de 1932 e durou três meses, foi uma revolução de paulistas
que lutavam contra a ditadura de Getúlio Vargas e por uma constituição para o país. Lutou
arduamente por três meses, esperando pela adesão de outros estados, o que não aconteceu.
Introdução: A Revolução de 1930.

Com a subida ao poder de Washinton Luís, em 1926, a situação do Brasil continuou a mesma de antes. As
fraudes eleitorais e o "voto de cabresto" ( pelo qual o eleitor era obrigado a votar em determinado candidato
) faziam os deputados e senadores. As oligarquias mandavam no país através da "política dos
governadores". O predomínio dos grandes estados - São Paulo e Minas Gerais - contribuiu para aumentar o
descontentamento que sacudia o povo. A causa externa que ajudou a iniciar a revolução foi a grande crise
econômica que se abateu sobre o mundo em 1929.

Apos os movimentos revolucionários (


tenentistas ) de 1922 e 1924, os jovens oficiais
aguardavam o momento de voltar a luta.
Tramavam esperando a hora oportuna. E esta
surgiu com a sucessão de Washington Luís,
isto é, com escolha do homem que ia
substituí-lo na presidência da república. O
Brasil explodiu então num grande movimento
rebelde, a revolução de 1930, que levaria a
deposição de Washington Luís. A 3 de
novembro de 1930, Getúlio Vargas tornou-se
presidente do Brasil.

Introdução: A Revolução Constitucionalista de 1932

Após a Revolução de 1930, para governar o Estado de São Paulo em caráter provisório foi nomeado um
secretariado composto por paulistas. Sua direção foi entregue a José Maria Whitaker, com o cargo de
secretário da fazenda.
Como delegado militar do governo provisório no Estado foi nomeado o capitão João Alberto Lins de
Barros.
Ora, João Alberto não era paulista: era pernambucano e um dos principais representantes do tenentismo.
Tinha grandes poderes no cargo que ocupava, geralmente passava por cima do secretariado, interferindo
em seu governo e enfraquecendo-lhe a autoridade.

Diante da atitude de João Alberto, o secretariado pediu demissão coletiva, após governar sòmente por
40 dias. Isso elevou João Alberto ao cargo de interventor em São Paulo, com enormes poderes.
A situação se agravou, gigantescos comícios foram realizados.Manifestantes incentivavam o povo
paulista a colocar-se a favor de um interventor "paulista e civil" e da constituição.A situação em São
Paulo era de aguda crise.

Inconformados com a situação, os paulistas exigiam de Vargas uma constituição(conjunto de leis


que regem uma nação) para o Brasil, da qual estavam privados desde 1930.Como todas as
outras Leis dependem da constituição, e só podem ser feitas de acordo com ela, nem os
paulistas nem os brasileiros em geral tinham garantido os seus direitos, estando portanto sujeitos
a toda sorte de arbítrios, o principal inimigo da liberdade.
TIROTEIO MATA ESTUDANTES

Diante disso, nova revolução começou a ser organizada em São Paulo, com todo o povo do Estado a
seu favor.
Na noite de 23 de maio de 1932, um grupo de populares saiu da Praça do Patriarca e se dirigiu para a
sede do Partido Popular Paulista (PPP), favorável a Getúlio Vargas, na Praça da República. Dentro
do prédio, os legalistas resistiram. Como os revolucionários não conseguiam entrar, chegaram duas
escadas para que populares invadissem. Um jovem subiu e tomou um tiro. Mais quatro tentativas
frustradas, resultando em cinco mortos: Martins, Miragaia, Drausio, Camargo e Alvarenga, o último
faleceu meses depois.Esse episódio praticamente da origem ao movimento de 1932.
No dia seguinte ao tumulto, num jantar no restaurante Posilipo, foi fundado o MMDC, uma
organização civil que passou a atuar na clandestinidade, e exerceu importante papel na organização e
apoio e treinamento aos revolucionários paulistas no episódio de 1932.

Com o afastamento, do general Bertoldo Klinger, bem como a sua reforma, do comando da
região, os revolucionários resolveram iniciar o levante. Assim sem estar bem preparados,
rebentou a revolução constitucionalista de 1932. A rebelião armada começa em 9 de julho e as
tropas rebeldes ocupam ruas de São Paulo, com apoio da imprensa e da população. Seus chefes
militares eram, além do general Klinger, o coronel Euclides de Figueiredo, e o general Isidoro
Dias Lopes.
O Estado de São Paulo dava início a luta por uma nova Constituição para o Brasil, um
movimento que envolveu desde as oligarquias até crianças e mulheres, deixando marcas
profundas em todos aqueles que dela participaram.

A DIFÍCIL SITUAÇÃO DOS PAULISTAS

Desde o começo, a precipitação da revolta provocou a esta inúmeras dificuldades.


Nos arsenais revolucionários havia apenas uma centena de tiros. E pouco mais de 40.000 fuzis e
metralhadoras leves. Os paulistas encomendaram então, `as pressas, nos Estados Unidos da América,
armas e munições no valor de um milhão e meio de dólares.
Entretanto, o governo norte-americano só permitiu que fosse vendida pequena quantidade daquele
material, por não apoiar a revolta de São Paulo.

Mas até essa pequena quantidade se perderia: trazida pelo iate Ruth, foi apreendida pelo governo
provisório ao chegar ao Brasil. O mesmo aconteceu com o navio Jaboatão, cuja tripulação
tentou entregar aos paulistas 50 canhões antiaéreos vindos do exterior.

Outros problemas surgiram para os revolucionários paulistas. Contavam eles com a adesão do Rio
Grande do Sul, de Mato Grosso e de Minas gerais à causa, além de outros estados onde a conspiração
tinha ramificações. Mas este apoio não veio.

João Alberto, chefe de polícia do Distrito Federal, conteve firmemente as manifestações cariocas
favoráveis a São Paulo. Em Mato Grosso, os 5.000 homens antes sob o comando do general
Klinger, tiveram que ficar sustentando a luta contra os que se opunham ao movimento. No Rio
Grande do Sul, o interventor Flôres da Cunha ficou ao lado de Getulio Vargas. E em Minas
Gerais, o ex-presidente Artur Bernardes não conseguiu conquistar a milícia mineira para a causa
revolucionária.
Alguns erros decisivos foram cometidos pelos paulistas. O maior de todos foi o de nâo terem dirigido
imediatamente suas forças para o Rio de Janeiro, cuja guarnição dava sinais de aderir ao levante.
Em vez disso, os revoltosos esperaram que o governo provisório deslocasse as próprias forças até o
Vale do Paraíba, ali fixando a luta. O terreno foi disputado palmo a palmo entre paulistas e legalistas,
o que não permitia vitórias decisivas.
De todos os pontos do país foram enviadas tropas contra São Paulo. O pretexto de alguns
interventores era de que seus Estados lutariam contra a revolução paulista para evitar que São Paulo
se separasse do resto do país. "Eles alegavam que São Paulo faria uma república italiana". Em 1932,
dos 7 milhões de habitantes de São Paulo, mais da metade era de origem italiana. Para eles a luta era
em defesa da unidade nacional.
Com argumento desse tipo, os interventores conseguiam grande números de voluntários para lutar
contra os paulistas.

SÃO PAULO NÃO SE RENDIA

São Paulo, mesmo assim, não se rendia.O fator fundamental da força dos constitucionalistas estava
no apoio da população. Cerca de 60% do exército constitucionalista era formado por voluntários não
convocados. Do lado do exército de Vargas, boa parte era composta por mercenários pagos. Entre os
voluntários, estavam os escritores Monteiro Lobato e Mário de Andrade, que fizeram campanhas a
favor dos constitucionalistas em rádios de São Paulo.
São Paulo Fazia prodígios para sustentar a luta, movimentando toda a sua indústria num
esforço de guerra.
A Escola Politécnica de São Paulo foi transformada num autêntico arsenal de guerra. No
então Laboratório de Ensaios de Materiais (LEM) da Escola Politécnica de Engenharia foi
criado o Departamento Central de Munições (DCM), que contou com o engajamento de
Setecentos e quarenta engenheiros e trezentos e quarenta técnicos auxiliares e inúmeros
químicos trabalhavam incessantemente. Fabricavam-se munições de infantaria, morteiros
leves e pesados, bombas, granadas de mão, lança-chamas, máscaras contra gases. Em
Piquete, havia uma fábrica de pólvora. Em Silveiras, os paulistas chegaram a derrotar as
tropas governamentais no início de setembro.
Trens e automóveis foram blindados; canhões pesados, montados nas vias férreas. O porto de Santos
foi minado e as oficinas desdobravam-se na recuperação de armamentos.
Entre as armas fabricadas pelos revolucionários paulistas, a mais eficiente foi o morteiro "Major
Marcelino", que ficou conhecido como "MMM". No primeiro teste feito com este morteiro
Entre as armas fabricadas pelos revolucionários paulistas, a mais eficiente foi o morteiro "Major
Marcelino", que ficou conhecido como "MMM". No primeiro teste feito com este morteiro
morreram seu inventor, major Marcelino, e o coronel Júlio Marcondes Salgado, ficando ferido o
próprio general Klinger.

No entanto um engenhoso recurso utilizado pelos paulistas na revolução ganhou destaque pela
sua criatividade, foi a matraca , que recebeu o apelido de "o cavalo de tróia paulista". O
aparelho era composto por uma lâmina de aço em contato com uma roda dentada. Girando a
roda em grande velocidade, o atrito com a lâmina provocava tremendo ruído, semelhante ao de
metralhadora ao disparar. Isso causava intenso pânico no inimigo, chegando a conter por vinte
dias o avanço das tropas inimigas.

A importante participação das mulheres

Milhares de pessoas de todas as classes sociais doavam pratarias, jóias e alianças


para ajudar financeiramente a revolução.

Organizações civis como os MMDC, o Sato ( Serviço de Abastecimento das


Tropas em Operações ) e Casa do Soldado forneciam fardas, assistência,
alimentação e tratavam do alistamento de voluntários. Todo o Estado, unido,
trabalhava febrilmemente para a vitória da causa paulista.

SÃO PAULO SE RENDE, MAS VENCE

Isso, contudo não bastou. De todos os lados, as forças paulistas eram assediadas
pelas tropas do governo federal. Para completar o cerco, a esquadra bloqueou o
litoral.
Para não reconhecer a derrota antes do tempo, a ordem do comando revolucionário foi "durar", isto é,
resistir a qualquer preço.

A esperança de adesão dos outros Estados dissipou-se totalmente com a prisão do líder gaucho
Borges de Medeiros e do mineiro Artur Bernardes, ambos partidários do levante paulista.

Borges de Medeiros foi preso em combate no interior do Rio Grande do Sul, quando tentava resistir,
com 8 companheiros, a 700 milicianos das tropas legalistas.
Na Bahia, 500 estudantes foram presos pelo exército quando se manifestavam favoravelmente aos
paulistas. Em toda parte os simpatizantes da causa paulista eram contidos.
Com 12.000 soldados regulares e 60.000 voluntários, dispondo de apenas 8 aviões, os paulistas não
podiam lutar contra o resto do Brasil, que enviou nada menos que 100 mil soldados para combater os
paulistas.

Foi reconhecendo isso que o comandante da Força Pública Paulista, coronel Herculano de
Carvalho, resolveu fazer a paz em separado. Rendeu-se ao governo provisório a 29 de setembro
de 1932, surpreendendo e irritando grande parte dos paulistas.
A situação piorava dia a dia. O general Klinger, obrigado a admitir a inutilidade da luta, ordenou a
deposição das armas. A capitulação se deu a 1º de outubro. Cerca de 135 mil paulistas lutaram
incansavelmente por três meses. No dia 2 de outubro daquele ano, sem armas, sem munição e sem o
apoio de outros Estados, São Paulo foi obrigado a render-se às forças de Vargas. A rendição dos
paulistas foi assinada em Cruzeiro no dia 2 de outubro.Segundo o historiador Prof. Jeziel de Paula
(Imagens Construindo a História, publicado em novembro de 1932), o número de mortos é
seguramente maior do que as perdas brasileiras durante a campanha da Força Expedicionária
Brasileira na Segunda Guerra Mundial. Oficialmente os constitucionalistas tiveram 634 mortos em
combate. "Mas, seguramente, esse número deve ficar em torno de mil", diz Paula. "O número de
feridos chega a impressionar: somente na Santa Casa de São Paulo deram entrada 1.273 soldados
feridos", conta o historiador, que estima o número de mortos em pelo menos 3 mil.

Os principais chefes da revolução foram detidos e obrigados a exilar-se na Europa: assim, não
poderiam concorrer as eleições nem votar.

Entretanto, embora derrotada nas armas, a revolução paulista conquistou todos seus objetivos. E
começara a conquistá-los logo ao iniciar-se.

No mesmo dia em que rebentou o levante, Getúlio Vargas decidiu nomear a comissão de
constitucionalização. Em 25 de julho ordenou o alistamento eleitoral. Depois, ao convocar a
assembléia constituinte, mostrava que aos vencidos caberia a vitória final.
Finalmente, com a revolução de São Paulo, o movimento tenentista entrou em franco declínio.

SÃO PAULO TINHA RAZÃO


Em 1995, o governo publicou a Lei Federal nº 9.093/95, que autorizava cada Estado a adotar uma
"data magna", ou seja, uma data importante para sua história. Em 1997, o então governador Mário
Covas escolheu o dia 9 de julho e, com a Lei nº 9.497, institui feriado estadual nesta data.

Todo dia 9 de julho São Paulo festeja O "Dia do Soldado Constitucionalista", mas o dia 23 de
maio de 1932 também foi determinante para os revolucionários. Foi neste dia que o povo saiu as
ruas, com o objetivo de lutar pela constituição, e é também o dia que se comemora o "Dia da
Juventude Constitucionalista".Ele lembra a participação dos jovéns no movimento e,
principalmente, os quatro estudantes vítimas da repressão simbolizados na sigla MMDC.

Martins,Miragaia,Drausio e Camargo.

SOCIEDADE DE VETERANOS DE 1932-MMDC

Anos após o término dos combates, os participantes da revolta formaram a Sociedade de Veteranos
de 1932-MMDC, que veio a ser oficializada somente em 1954. Entre as diversas atividades
promovidas anualmente pelo grupo está a escolha dos quatro membros do comando do "Exército
constitucionalista". cargo simbólico com mandato de um ano. Para 2001, foi escolhido Geraldo Pires
de Oliveira, de 86 anos. Segundo a sociedade, 400 ex-combatentes estão vivos.
Uma das funções do grupo é zelar pelo Monumento Mausoléu do
Soldado Constitucionalista de 1932, no Ibirapuera. O museu abriga
fotos, documentos, livros, objetos e recortes de jornais referente à
revolução. A associação também organiza e está presentes em datas
importantes, como 23 de maio, 9 de julho (início da revolução) e 2 de
outubro (fim dos combates).
O obelisco do Ibirapuera é uma homenagem à Martins, Miragaia,
Drauzio e Camargo, mortos no dia 23 de maio. O obelisco simboliza
uma espada fincada, ferindo o coração ( simbolizado pela praça ) do
Drauzio e Camargo, mortos no dia 23 de maio. O obelisco simboliza
uma espada fincada, ferindo o coração ( simbolizado pela praça ) do
Estado de São Paulo.
Após a Revolução de 32 , a bandeira que apenas era um símbolo de São Paulo passou a ser a
bandeira oficial. O mapa do Brasil na bandeira simboliza a luta dos paulistas pelo Brasil. As quatro
estrelas representam os pontos cardeais. As listas brancas representam o dia e as listas pretas
representam a noite, os paulistas, de dia ou de noite e de qualquer lugar, defendem o Brasil com seu
sangue, representado pela cor vermelha envolvendo o mapa.

Entidades Oficiais
Sociedade Veteranos de 32-MMDC - Rua Anita Garibaldi, 25 - Centro, SP - Telefone: (011)
3105-8541.
A Comissão Especial de Revolução Constitucionalista de 1932 fica no Palácio dos Bandeirantes --
Avenida Morumbi, 4.500, sala 145-B, São Paulo. O telefone é (11) 2193-8506.
Em Santos, A Associação dos Combatentes de 1932 de Santos funciona no Instituto Histórico e
Geográfico, na Avenida Conselheiro Nébias, 689. Os interessados devem procurar a Associação às
quintas e sextas-feiras, das 8 horas ao meio dia.
Textos de apoio:
Enciclopédia Delta de História do Brasil - História do Brasil vol VIII - pág 1889 a 1893 - Editora Delta
SA - 1969
Escola Estadual MMDC-fone (0xx11)6601-3986
http://www.estado.estadao.com.br/jornal/suplem/seub/97/08/07/seub010.html
http://www.estado.estadao.com.br/jornal/99/11/08/news133.html
Caderno Estadinho do jornal O Estado de São Paulo 25/05/02
A Tribuna de Santos - sexta feira, 9 de julho de 2004 pág A3
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Organização desse texto:
Prof. Silvio Araujo de Sousa - Escola Estadual Prof. Renê Rodrigues de Moraes - Guarujá - SP