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Este documento é copia do original assinado digitalmente por WILSON CREPALDI JUNIOR. Protocolado em 18/03/2014 às 19:23, sob o número 08086458020148120001, e liberado nos autos
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COMARCA DE CAMPO GRANDE – Estado de Mato Grosso do Sul
Vara Cível
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO

MARLON SGAMATTI SILVA, brasileiro, solteiro, auxiliar de


produção, portador do CPF nº. 040.371.281-52 e do RG nº. 1785832 SSP/MS, residente e
domiciliado sito à Av. Sol Nascente, nº. 779 - Bairro Jóquei Clube, em Campo Grande-MS, por
seu advogado que esta subscreve, constituído na forma do incluso instrumento de mandato
(anexo doc 01), vem propor a presente.

AÇÃO DE INDENIZAÇÃO
POR DANOS MATERIAIS E MORAIS processo 0808645-80.2014.8.12.0001 e o código ABDD44.

Em face de SUBCONDOMÍNIO DO CENTRO COMERCIAL DO


SHOPPING CENTER ELDORADO CAMPO GRANDE, pessoa jurídica de direito privado,
inscrita no CNPJ/MF sob n° 33.153.099/0001-10, sediada na Avenida Afonso Pena, 4909 -
Bairro Santa Fé, CEP 79.031-900, Campo Grande - MS, consubstanciados nos motivos fáticos e
de direito a seguir aduzidos:
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I - DOS FATOS

1.1 Para que esse douto juízo tenha uma exata compreensão dos fatos, passamos a
narrá-los, nos seguintes termos.

1.2 No dia 07 de setembro de 2013, aproximadamente às 17h30min, o Autor


juntamente com seus amigos Adílio Alves Dos Santos, Kevyn Rafael Mello Berttol, Caique
Bandeira de Souza e Diogo Henrique Carvalho Santana, se dirigiram ao estabelecimento/réu para
comprarem ingressos para a “Festa Noite do Branco”, além de passear, lanchar, e eventualmente,
proceder a outras compras (anexo doc 02).

1.3 Primeiramente, o autor e seus colegas se encaminharam para a loja Metrópole,


localizada no interior do Shopping Campo Grande, onde estavam sendo vendidos os ingressos
para a aludida “Festa”.

1.4 Logo após a compra dos ingressos, o Autor, juntamente com seus amigos,
iniciaram um passeio pelo Shopping, visitando inicialmente a loja SYBERIAN, depois a loja
TUBE e, posteriormente, a loja TNG, experimentando roupas e verificando produtos.

1.5 Após saírem da loja TNG, perceberam que um dos funcionários dessa loja os
estava seguindo.

1.6 Ao chegarem à loja DAMYLLER para comprarem algumas peças de roupas, o


processo 0808645-80.2014.8.12.0001 e o código ABDD44.

Autor, juntamente com seus amigos, adentraram no interior da mesma, sendo que Diogo, logo
após, se retirou do interior dessa, permanecendo do lado de fora, momento em que aguardava os
demais amigos.

1.7 Enquanto isso, o Autor e seus amigos, já no interior da loja, aguardavam


Kevyn ser atendido pela vendedora Nathália que o vendeu duas camisas, conforme comprovante
fiscal (anexo doc 03).
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1.8 Enquanto seus colegas o esperavam, o gerente dessa loja se aproximou e de
modo intimidativo (batendo palmas) perguntou “vocês precisam de alguma coisa?”, ao que os
amigos responderam que não, que estavam somente aguardando a finalização de uma compra.

1.9 Ato contínuo, o Autor percebeu que esse gerente enrolou um cinto na mão e
passou a testar a máquina antifurto da entrada da loja e deu um sinal para os seguranças do
Shopping Center que se aproximaram e se fixaram na entrada da loja.

1.10 Ao mesmo tempo, esse gerente alertou para um funcionário da loja ter atenção
com eventual tentativa de furto, falando: “cola neles, pode chegar junto que aqui a retaguarda já
ta feita”, ficando esse funcionário numa espécie de escolta dos autores no interior da loja.

1.11 Em seguida, o Autor saiu da loja e, logo depois, Adílio, aguardando a


finalização da compra efetuada por Kevyn, se juntando ao Diogo que permanecera fora da loja,
quando então comentaram acerca da estranha situação que estavam vivenciando.

1.12 Finalizada a compra a vendedora Natália, alheia a todo esse acontecimento,


acompanhou Kevyn até a saída da loja e agradeceu a compra, deixando seu nome e pedindo para
procurá-la para futuras compras.

1.13 Após isso, Kevyn, que acabara de efetuar a compra, se juntou com o Autor e os
demais amigos, que já se encontravam fora da loja, quando o puseram a par da situação e,
enquanto estavam se dirigindo para a saída do estabelecimento foram, então, abordados por 5
processo 0808645-80.2014.8.12.0001 e o código ABDD44.

(cinco) seguranças funcionários da ré, que os cercaram e determinaram que os jovens os


acompanhassem, causando um enorme constrangimento na frente de todos os que estavam no
local.

1.14 Os jovens foram então conduzidos escoltados através do Shopping Center


pelos seguranças, sob o olhar perplexo das pessoas que os julgavam como marginais naquele
local, até chegarem a uma sala próxima aos banheiros localizada ao lado da loja Riachuelo.
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1.15 Nessa sala, sem qualquer diligência na abordagem, todos foram revistados
pelos seguranças. Nada de irregular sendo encontrado, os jovens indagaram aos seguranças
sobre o porquê daquele procedimento, recebendo como resposta “cala a boca”.

1.16 Ato contínuo, os seguranças determinaram que o jovem Diogo deixasse a sala e
se encaminhasse a outro local em um corredor, onde se puseram a revistar sua mochila.

1.17 Nenhuma irregularidade sendo encontrada, o segurança o liberou para voltar à


sala onde estavam custodiados seus colegas, e determinou que Kevyn saísse da sala para a
revista de sua sacola de compras, olhando as etiquetas das roupas, sendo que, da mesma forma,
nada foi encontrado liberando-o para voltar à sala de custódia.

1.18 Quando estavam todos reunidos, os jovens voltaram a indagar acerca do


procedimento, o que após algumas respostas de “cala a boca”, um dos seguranças informou que
aquele era um procedimento padrão do Shopping.

1.19 O Autor questionou que, por se tratar de um procedimento padrão, porque


somente eles é que teriam sido abordados, sendo respondido que: “se vocês querem procurar
seus direitos, podem ir à Delegacia e registrar um BO”, afirmando esse funcionário, que quem
tinha requerido o procedimento teria sido a gerente da TNG, e que se fossem à loja tirar
satisfações, seriam presos. processo 0808645-80.2014.8.12.0001 e o código ABDD44.

1.20 Já constrangidos ao extremo com a situação os mesmos houveram por bem


deixar o local, onde registraram o Boletim de Ocorrência.

1.21 Diante de tais circunstâncias, não restou ao autor outra alternativa senão a
propositura da presente ação para ver reparado o seu direito, que segue fundamentado, consoante
passamos a expor

II - DO DIREITO
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II.I – DA NATUREZA DA RELAÇÃO JURÍDICA

2.1 Insta mencionar que a natureza da relação jurídica em análise, configura-se


como relação de consumo, tendo em vista que a Ré se encaixa na descrição de fornecedor trazida
pelo CDC (art. 3º, Lei 8.078/90), da mesma forma que o Autor se enquadra na descrição de
consumidor conforme art. 2º do referido diploma.

2.2 Por tal razão, requer se digne V. Exa., a declarar a natureza da relação jurídica
consumerista, bem como aplicando maiormente a inversão do ônus da prova incidindo nesse
caso as normas do Código de Defesa do Consumidor, no caso concreto.

II.II - DO FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL E LEGAL DA


RESPONSABILIDADE CIVIL.

2.3 A Constituição Federal instituiu em seu art. 5º. X, a proteção contra as


condutas ilícitas que provoquem danos aos cidadãos estatuindo que:

“X – são invioláveis a intimidade a vida privada, a honra e a imagem das


pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral
decorrente de sua violação”

2.4 Regulamentando essa norma constitucional encontramos no ordenamento,


diversos diplomas que tratam da matéria.

2.5 No caso concreto, destacamos a incidência do Diploma Civil, em dispositivos


processo 0808645-80.2014.8.12.0001 e o código ABDD44.

tais como o art. 186 combinado com o art. 927 ambos do Código Civil de 2002, que
perfeitamente se subsumem ao fato. Vejamos:

“Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou


imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente
moral, comete ato ilícito”.
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“Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (art. 186 e 187), causar dano a outrem,
fica obrigado a repará-lo”.

2.6 Por sua vez, incide no caso concreto, também, o Código de Defesa do
Consumidor que estabelece seu art. 6º, I e VI o seguinte, verbis:

“Art. 6º. São direitos básicos do consumidor:


I – a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por
práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou
nocivos”;(...)
VI – a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais, e morais,
individuais, coletivos e difusos”; (Grifamos)

2.7 Dessa forma, temos todo um ordenamento jurídico voltado a coibir as condutas
como à perpetrada pela ré, e o estabelecimento por parte dessas normas expressas, de efetividade
dessa proteção ao consumidor.

II.III – DOS ELEMENTOS DA RESPONSABILIDADE CIVIL - DANO


INDENIZÁVEL

2.8 Passamos adiante, a descrever e demonstrar os elementos do dano indenizável.

II.III.I - DA ILICITUDE DA CONDUTA DA RÉ POR NEGLIGÊNCIA E


IMPRUDÊNCIA. processo 0808645-80.2014.8.12.0001 e o código ABDD44.

2.8 A conduta ilícita da requerida é explícita e decorrente dos fatos narrados. Não
obstante, passamos a descrevê-la de maneira pormenorizada.

2.9 Antes, porém, entendemos necessário alguns esclarecimentos acerca dos


pressupostos da responsabilidade civil, no que concerne à ação ou omissão do agente. Para
tanto, invocamos as lições do eminente CARLOS ROBERTO GONÇALVES, que em análise do
tema, teceu as seguintes considerações:
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“Ação ou Omissão – Inicialmente, refere-se a lei a qualquer pessoa que, por
ação ou omissão, venha causar dano a outrem” 1.

2.10 A conduta ilícita da requerida se consubstancia em, primeiramente, afronta à


Constituição Federal, posto que agride frontalmente o princípio constitucional da dignidade da
pessoa humana.

2.11 Além disso, a conduta da ré afrontou o disposto no art. 6º, I do Código de


Defesa do Consumidor, visto que negligenciou a segurança de seus clientes abalando sua higidez
moral, por atos de seus funcionários, maculando a honra subjetiva do autor, imputando-o prática
delituosa.

2.12 A conduta da ré também ofendeu os direitos da personalidade do autor não só


de natureza física como moral, descritas no Código Civil, em atitude arbitrária, abusiva,
preconceituosa, covarde e reprovável perpetrada pela ré.

2.13 Observa-se, ainda, que a ré atuou sem a diligência necessária na atribuição de


sua função social, na prestação de seu serviço.

2.14 Insta mencionar que o estabelecimento da ré onde se deram os fatos, constitui-


se no maior e mais tradicional Shopping Center dessa capital, congregando, ainda, inúmeras
lojas, comércios, bancos, bares, restaurantes, bancas, farmácias, atraindo com isso um sem
número de clientes para aquele local, devendo estar preparada para resguardar a integridade
processo 0808645-80.2014.8.12.0001 e o código ABDD44.

física e moral de seus consumidores.

2.15 Portanto, o que se observa no caso concreto é que a ré não demonstrou a


necessária diligência na prestação do serviço, bem como o indispensável cuidado.

1
GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade Civil. 9ª ed. rev. de acordo com o novo Código Civil – Lei 10.406,
de 10-1-2002 / São Paulo : Saraiva, 2005, p. 32.
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2.16 Nossa jurisprudência também é uníssona no mesmo sentido. Vejamos o
entendimento jurisprudencial exposto em recente julgado do Colendo STJ:

ACJ1688039320088070001 DF 0168803-93.2008.807.0001. JULGAMENTO,


15/09/2009. PUBLICAÇÃO, 05/10/2009, DJ-e Pag.216. CONSUMIDOR.
CIVIL. ABORDAGEM INDEVIDA. ACUSAÇÃO DE FURTO. DANOS MORAIS
CONFIGURADOS. INDENIZAÇÃO RAZOÁVEL E PROPORCIONAL.
RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.
1. ABORDAGEM TRUCULENTA NO INTERIOR DE ESTABELECIMENTO
COMERCIAL. ALEGAÇÃO DO RECORRENTE DE EXERCÍCIO REGULAR
DO DIREITO. VEROSSIMILHANÇA DAS ALEGAÇÕES DO RECORRIDO.
2. O FATO RELATADO NA INICIAL É VEROSSIMILHANTE E FICOU
DEMONSTRADO NOS AUTOS PELO DEPOIMENTO DA TESTEMUNHA
OUVIDA E MENCIONADA PELO SENTENCIANTE. ORA, HAVENDO
VEROSSIMILHANÇA CABIA A RECORRENTE DEMONSTRAR LICITUDE
NA CONDUTA DE SEUS EMPREGADOS QUANDO DA ABORDAGEM, MAS
NADA APRESENTOU. ASSIM, SE PROVA COLETADA MILITA EM FAVOR
DO AUTOR/RECORRIDO JUSTA É A CONDENAÇÃO DA RECORRENTE
EM INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. ACUSAR ALGUÉM DE FURTO,
POR SI SÓ JUSTIFICA INDENIZAÇÃO. É PENOSO DEMAIS SER ACUSADO
INJUSTAMENTE MESMO QUE O CASO NÃO TENHA SIDO PRESENCIADO
3. O VALOR DA CONDENAÇÃO NÃO MERECE REDUÇÃO PORQUANTO
SE ENCONTRA EM CONSONÂNCIA COM OS PRINCÍPIOS DA
RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. 4. RECURSO processo 0808645-80.2014.8.12.0001 e o código ABDD44.

CONHECIDO E IMPROVIDO. SENTENÇA CONFIRMADA POR SEUS


PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. O RECORRENTE RESPONDE POR CUSTAS E
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS, ESTES ARBITRADOS EM 10% (DEZ POR
CENTO) DO VALOR DA CAUSA, NA FORMA DO ARTIGO 55 DA LEI
9099/95.

INDENIZAÇÃO DANO MORAL


Relação de consumo Responsabilidade Objetiva da loja Autor que ingressou no
estabelecimento para realizar compras. Ocorrência de furto de toca CD no
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estacionamento Abordagem por seguranças como suspeitos de cometer um
crime sem qualquer indicio. Pericia criminal realizada nas imagens internas do
estacionamento. Ausência de coincidência entre as placas do veículo
Abordagem indevida e constrangedora. Dano moral configurado. Dano moral
fixado em R$ 10.500,00 Valor adequado sentença mantida nos termos do art.
252 do Regimento Interno do TJSP Recurso Improviso. (TJSP – APL 9192333-
45.2008.8.26.0000; Ramon Mateo Junior; julg. 19/12/1212; DJESP
23/01/2013)

2.17 Assim, é culposa a conduta da ré posto que não diligenciou na escolha de seus
prepostos (culpa in eligendo), bem como não os vigiou de maneira adequada (culpa in
vigilando), institutos estes fundamentados no art. 932, III de nosso Código Civil, tendo como
consequências desta não observação os danos abaixo suscitados, em desfavor do autor, devendo,
com efeito, reparar o dano causado à vítima, o que desde já requer.

III - DO PREJUÍZO MORAL

5.1 O autor sofreu dano intimamente moral, com a abordagem vexatória sofrida no
interior do estabelecimento da requerida, o que causou enorme angústia e constrangimentos até o
presente momento ainda amargado pelo requerente, na medida em que o Autor juntamente com
seus amigos foi humilhado e envergonhado ao ser abordado por supostos profissionais sem o
mínimo de preparo, evidenciada por atitude arbitrária, abusiva, preconceituosa, covarde e
reprovável perpetrada pela ré.
processo 0808645-80.2014.8.12.0001 e o código ABDD44.

3.1 Vejamos as lições do renomado Professor YUSSEF SAID CAHALI, para


quem o dano moral:

"é a privação ou diminuição daqueles bens que têm um valor precípuo na vida
do homem e que são a paz, a tranqüilidade de espírito, a liberdade individual, a
integridade individual, a integridade física, a honra e os demais sagrados
afetos, classificando-se desse modo, em dano que afeta a parte social do
patrimônio moral (honra, reputação, etc.) e dano que molesta a parte afetiva do
patrimônio moral (dor, tristeza, saudade, etc.), dano moral que provoca direta
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ou indiretamente dano patrimonial (cicatriz deformante, etc.) e dano moral
puro (dor, tristeza, etc.)”.2

3.2 No mesmo sentido a jurisprudência pátria tem decidido as causas semelhantes


ao caso sub judice. Vejamos:

ACJ 181024620108070003 DF 0018102-46.2010.807.0003


PRIMEIRA TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS E
CRIMINAIS DO DF
JULGAMENTO15/02/2011
PUBLICAÇÃO 21/02/2011, DJ-e Pág. 272
CIVIL. CDC. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. ABORDAGEM INDEVIDA
EM ESTACIONAMENTO DO SUPERMERCADO. FATOS DEMONSTRADOS.
VEXAME. INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL CABÍVEL. SENTENÇA
CONFIRMADA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. RECURSO
IMPROVIDO.
1) A ABORDAGEM DE CLIENTE QUANDO INDEVIDA RESULTA EM
VEXAME E ENSEJA INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL.
2) O VALOR ARBITRADO ATENDE AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE
E DA PROPORCIONALIDADE, NOTADAMENTE, PORQUE A
RECORRENTE NÃO APONTA MOTIVO OBJETIVO PARA SUA REDUÇÃO.
3) RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. SENTENÇA MANTIDA POR
SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. CUSTAS E HONORÁRIOS PELA
RECORRENTE Á BASE DE 10% SOBRE O VALOR DA CONDENAÇÃO. processo 0808645-80.2014.8.12.0001 e o código ABDD44.

3.3 Ao ser abordado por 05 (cinco) seguranças que os cercaram os jovens foram
expostos ao inevitável julgamento negativo por parte das pessoas que lá transitavam, visto que a
abordagem foi na frente de todos que faziam compras naquele local e olhavam perplexos com tal
situação.

3.4 De fato, as pessoas que presenciaram tal acontecimento formaram juízo


prejudicial à índole dos jovens, pensando tratar-se de ladrões, marginais, enfim. No entanto, ao
2
CAHALI, Yussef Said, Editora Revista dos Tribunais - RT, 3ª ed., São Paulo, 2005, p. 20.
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contrário disso, não só o autor como seus demais colegas são pessoas honradas, trabalhadoras,
com ensino médio completo, não admitindo qualquer ofensa à suas respectivas dignidades.

3.5 Verificado o equívoco os prepostos da ré ao invés de se desculparem com os


jovens, os ameaçaram de que se continuassem no estabelecimento querendo tirar satisfações,
seriam presos. Nem mesmo, na presença dos pais do autor foi exarado um singelo pedido de
desculpas, agravando o dano verificado.

3.6 Diante disso, como dito, foi lavrado um Boletim de Ocorrência na Delegacia de
Polícia competente. Ressalte-se o prejuízo psíquico que essa lesão provoca-lhe imensa
depressão, sofrimento e tristeza.

IV - DO QUANTUM INDENIZATÓRIO

4.1 Em relação ao quantum indenizatório trazemos a apreciação desse douto juízo,


as seguintes considerações:

4.2 Prescreve o art. 944 do Código Civil que a indenização terá como parâmetro a
extensão do dano.

4.3 Ressalte-se, porém, que a extensão do dano não é o único balizador do


quantum indenizatório já que é pacifico que se deve ter em conta fatores como a intensidade da
culpa do agente. processo 0808645-80.2014.8.12.0001 e o código ABDD44.

4.4 Não se pode esquecer que a condenação do Requerido em quantia ínfima


restaria inteiramente sem efeito pedagógico em face da força econômica, de modo que
condenações inexpressivas, sem caráter pedagógico, em nada desestimulam as práticas abusivas.

4.5 Analisando a questão pelo prisma do Autor a única limitação ao valor da


indenização seria a vedação de enriquecimento ilícito.
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4.6 Todavia, é razoável que uma de indenização em valor correspondente a cem
vezes o salário mínimo vigente, traria o efeito pedagógico necessário, sem, contudo, caracterizar
um enriquecimento ilícito, portanto seria uma quantia capaz de compensar o vexatório e
humilhação experimentada pelo Autor, produto da conduta dolosa da Ré.

4.7 Ademais se deve levar em consideração que o Autor é um cidadão estudante e


trabalhador, e a Ré consiste no condomínio administrador do maior e mais estruturado shopping
na cidade.

4.8 Assim, verifica-se que os danos não se resumem à esfera material do autor,
mas também psíquica, de modo que, estando plenamente configurado o dano moral no caso
concreto, decorrente da lesão sofrida por culpa da Ré, se requer a condenação a título de
indenização por dano moral em favor da autora, no valor de 100 vezes o salário mínimo vigente.

4.9 Por tal razão é que entendemos que o valor sugerido é consentâneo com o dano
ora reclamado, a fim de servir de parâmetro a esse MM. Juízo, de modo que uma condenação em
valor abaixo do sugerido certamente não irá cumprir o caráter pedagógico da condenação em
indenização por danos morais.

4.11 Por outro lado, tal valor não possui condições de enriquecer o Autor, mas sim
apenas minimizar o prejuízo moral sofrido em razão da conduta da Ré, que negligenciou a
segurança de seus clientes abalando sua higidez moral, por atos de seus funcionários, maculando
a honra subjetiva do autor, imputando-o prática delituosa.
processo 0808645-80.2014.8.12.0001 e o código ABDD44.

V - DO NEXO CAUSAL

5.2 Passamos a demonstrar neste item, o claro liame de causalidade existente entre
a ação da requerida e o prejuízo sofrido. Não sem antes expressar, mesmo que em breves linhas,
o que a doutrina entende por nexo causal.

5.3 O professor CARLOS ROBERTO GONÇALVES, nos ensina que:


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“o esclarecimento dessa noção vamos encontrá-lo na lição de Demogue, ao
precisar que não pode haver uma questão de nexo causal senão tanto quanto se
esteja diante de uma relação necessária entre o fato incriminado e o prejuízo. É
necessário que se torne absolutamente certo que, sem esse fato, o prejuízo não
poderia ter lugar” 3.

5.4 A relação entre a ação do agente e o fato danoso é existente no caso sub judice
e se expressa de maneira clara e indubitável diante dos argumentos acima expendidos, por todo
conjunto probatório carreado aos autos, assim como por todo o contexto causal.

5.5 Como se observa, acaso a ré tivesse agido de maneira regular o dano que ora
toma nossos cuidados, não teria lugar.

5.6 Resta provado que houve um dano moral, que a conduta da agente é ilícita na
medida em que não tinha o direito de proceder como procedeu e por último foi demonstrado de
modo incontroverso o nexo de causalidade, já que toda motivação fora ocasionada pela Ré.

VI - DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA

6.1 A responsabilidade no caso sub examinen é objetiva, evidenciada pela relação


de consumo consolidada no Código de Defesa do Consumidor e norteadora dessa relação.

6.2 O conceito de responsabilidade objetiva traçado pelo CDC foi construído com processo 0808645-80.2014.8.12.0001 e o código ABDD44.

base em três aspectos: A existência de um defeito no produto; o efetivo dano sofrido (moral ou
material); o nexo de causalidade que liga a conduta praticada à lesão sofrida.

6.3 Estes três elementos são indispensáveis para caracterização do dever jurídico
de indenizar Isto porque está prevista em lei. Vejamos o que dispõe o dispositivo que a dá
suporte (parágrafo único do art. 927 do Código Civil/2002).

3
GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade Civil. 9ª ed. rev. de acordo com o novo Código Civil – Lei 10.406,
de 10-1-2002 / São Paulo: Saraiva, 2005.
fls. 14

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“parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano
independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando
a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por
sua natureza, risco para os direitos de outrem”.

6.4 Portanto, a responsabilidade no caso concreto é objetiva, porque decorrente da


lei. Com efeito, que a responsabilidade nesses casos, prescinde da demonstração da culpa,
conforme se extrai do parágrafo único do art. 927 supra transcrito.

6.5 No mesmo sentido, é o entendimento de nossa doutrina. Vejamos a esse


propósito, as lições de AGOSTINHO ALVIM:

“Essa teoria, dita objetiva, ou do risco, tem como postulado que todo dano é
indenizável, e deve ser reparado por quem a ele se liga por um nexo de
causalidade, independentemente de culpa”4

6.6 Também, CARLOS ROBERTO GONÇALVES preleciona que, verbis:

“Nos casos de responsabilidade objetiva, não se exige prova de culpa do


agente para que seja obrigado a reparar o dano. Em alguns, ela é presumida
pela lei. Em outros, é de todo prescindível, porque a responsabilidade se funda
no risco (objetiva propriamente dita ou pura”5.

6.7 Na hipótese em estudo, resulta pertinente a responsabilização da Ré,


processo 0808645-80.2014.8.12.0001 e o código ABDD44.

independente da existência da culpa, nos termos do que estipula o Código de Defesa do


Consumidor.

6.8 Na verdade, existiu defeito na prestação de serviços, o que importa na


responsabilização do fornecedor, ora promovida.
4
AGOSTINHO ALVIM, Da Inexecução das Obrigações e suas conseqüências, 3ª ed. Ed. Jurídica e Universitária p.
237, n. 169.
5
GONÇALVES, Carlos Roberto. In RESPONSABILIDADE CIVIL, Editora Saraiva, São Paulo, 2005, p. 22
fls. 15

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VII – DAS PERDAS E DANOS

7.1 Do acontecimento resultaram danos materiais, danos estes gastos com


contratação de advogado, para que seus interesses fossem pleiteados neste juízo, maiormente não
é justo que os referidos dispêndios sejam suportados pelo Autor, entendimento este fixado pela
Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça de Minas Gerais, ao julgar um recurso, o qual
transcrevo parte do voto da ministra Nancy Andrighi, relatora do recurso:

“Os honorários sucumbenciais, por constituírem crédito autônomo do


advogado, não importam em decréscimo patrimonial do vencedor da demanda.
Assim, como os honorários convencionais são retirados do patrimônio da parte
lesada – para que haja reparação integral do dano sofrido –, aquele que deu
causa ao processo deve restituir os valores despendidos com os honorários
contratuais”

7.2 O Código Civil de 2002, nos artigos 389, 395 e 404, traz previsão expressa de
que os honorários advocatícios integram os valores relativos à reparação por perdas e danos,
razão pela qual requer a condenação da Ré em honorários advocatícios contratuais na monta de
30% sobre o valor da ação.

VIII - DO PEDIDO

8.1. Isto Posto, Requer, com o habitual respeito, se digne V. Exa. a:


processo 0808645-80.2014.8.12.0001 e o código ABDD44.

8.2. Ordenar a citação da Ré, no endereço inicialmente indicado, quanto a presente


ação, para que, apresente resposta dentro do prazo legal, sob pena de confissão e revelia;

8.3. Aplicar as normas pertinentes ao Código de Defesa do Consumidor,


principalmente às relativas à inversão do ônus da prova e proteção contratual;
fls. 16

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8.4. Julgar a presente ação procedente, para o fim de condenar a Ré em pagamento
de indenização devida a título de Danos Morais, no valor de 100 (cem) vezes o salário mínimo
vigente;

8.5. Condenar a Ré ao pagamento de Indenização por Perdas e Danos, referentes a


honorários contratuais, no valor de 30% (trinta por cento) sobre o valor da ação;

8.6. Condenar a Ré ao pagamento das custas processuais, bem como, os honorários


de sucumbência;

8.7. Que seja concedida ao Autor a gratuidade de justiça, por não dispor de meios
econômicos para custear o processo, nos termos da lei 1060/50, conforme declaração anexa
(anexo doc 03);

Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos,


mormente o depoimento pessoal do representante da Ré, oitiva de testemunhas, juntada de novos
documentos, perícias, enfim tudo o que se fizer necessário para uma cognição exauriente do
presente processo.

Dá à causa o valor de R$ 94.120,00 (noventa e quatro mil cento e vinte reais)


para fins fiscais.

N.T. pede e aguarda deferimento reafirmando o elevado respeito e acatamento


a esse douto juízo.
processo 0808645-80.2014.8.12.0001 e o código ABDD44.

Campo Grande, 18 de março de 2014.

André Luiz de Oliveira Costa Wilson Crepaldi Junior


OAB/MS 11.324–A OAB/MS 17.872