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Menor consumo de energia pode reduzir alíquota de ICMS incidente na fatura do consumidor

Campinas, 15 de agosto de 2016 – Que consumir energia de forma consciente é bom para o futuro do
planeta e para o bolso dos consumidores, todo mundo já sabe. Mas o que muita gente desconhece é que
diminuir o consumo de energia também pode significar uma redução no valor de impostos pagos na conta
de luz, que, junto com os encargos setoriais, representam até 46% do total da fatura de energia.
Um dos principais impostos que incidem sobre a conta de luz é o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias
e Serviços (ICMS), cobrado pelos governos estaduais. Os seus percentuais de incidência são calculados
por faixa de consumo em kWh, conforme a classe da unidade consumidora. No caso da classe residencial
no Estado de São Paulo, se o consumo foi de 0 a 90 kWh, o cliente está isento do imposto; de 91 a 200
kWh , a alíquota será de 12%; e se consumir acima de 200 kW/h, a alíquota vai chegar a 25%. Ou seja,
quanto mais consumir energia, mais imposto será pago.

A maneira como o ICMS é calculado mostra a importância de o consumidor praticar o consumo consciente
de energia a todo momento. Usando como referência um cliente residencial de Campinas, área de
concessão da CPFL Paulista, com consumo de 200 kWh, o valor da conta de luz será de R$ 137,24, tendo
em vista a alíquota de ICMS de 25%. Se este mesmo consumidor for capaz de diminuir o seu consumo
para 199 kWh, reduzindo a alíquota de ICMS para 12%, a sua fatura cai para R$ 117,02. Ou seja, 1 kWh a
menos traz uma economia mensal de 15%, ou R$ 20, o que, em um ano, equivaleria a R$ 240, praticamente
o valor de duas contas de energia.

Outro exemplo seria o caso de um cliente residencial em Campinas que consome até 91 kWh, cuja alíquota
é de 12%, a conta de energia é de R$ 59,25. Se o consumo for reduzido para 90 kWh, o consumidor fica
isento de ICMS e a fatura cai para R$ 52,68. Ou seja, 1 kWh a menos traz uma economia mensal 11,08%,
ou R$ 6,57, o que, em um ano, equivaleria a R$ 78,84, superior ao valor de uma conta de luz.

Estrutura tarifária
Os encargos e tributos identificados na conta de luz são destinados às esferas municipal, estadual e federal,
e a distribuidora de energia elétrica é apenas a agente arrecadadora desses valores, que são repassados
integralmente ao poder público. Às concessionárias são ressarcidos os custos com a compra e o transporte
de energia para as redes de distribuição e a entrega para residências, indústrias e comércios.

Do valor total de uma fatura de energia, apenas 12% fica com a distribuidora para que ela possa cobrir os
custos operacionais, pagar os seus funcionários, realizar os seus investimentos e remunerar o capital
investido. Além dos 46% da fatura que vão para tributos e encargos, outros 36% são repassados para as
companhias que geram a energia e 1,8% para as transmissoras de energia. Os 4,2% restantes são para
cobrir as perdas técnicas e comerciais do sistema, rateados entre todas as empresas.

Além disso do ICMS, outros impostos que incidem sob a conta de luz são o Programa de Integração Social
(PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), que são contribuições
exigidas pela União. Há também a cobrança da Contribuição de Iluminação Pública (CIP), que as
distribuidoras arrecadam e repassam os valores para as prefeituras municipais para que estas possam
custear a operação, expansão e manutenção do serviço de iluminação pública.

Desde 2015, a conta de luz do brasileiro ganhou um novo item: as bandeiras tarifárias. A cobrança é
aplicada por todas as distribuidoras do Sistema Interligado Nacional (SIN), menos no Roraima. O sistema
possui três formas de cobrança, representadas por cores (verde, amarela e vermelha), indicando se a
energia custa mais ou menos, em função das condições de geração de energia. Condições menos
favoráveis (volume de reservatórios nas hidrelétricas em baixa e uso elevado de termelétricas) podem
acrescentar até R$ 0,045 por kWh consumido.